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Numero do processo: 10580.900114/2014-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10580.731563/2013-46 e esclarecer, após liquidação da referida decisão, se remanesceu algum valor do direito creditório pleiteado, conforme informado no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito".
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Relatório
Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.
Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a Pagamento Indevido ou a Maior da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 408.723,52.
O direito creditório não foi reconhecido pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo as Informações Complementares da Análise do Crédito no processo 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades:
a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013;
b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes refere-se ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos;
c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011;
d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte.
e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas:
1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/0001-22, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/0001-24, estão vinculados ao Contrato n° 424/06 - Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'.
Trata-se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...)
Constata-se que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, trata-se de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1.
Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressalte-se que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada.
Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004:
Os itens indicados com o n° 2' no motivo da glosa', referem-se a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...)
Os itens com a indicação 3' no motivo da glosa', tratam de despesas para um Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis.
A indicação 4' no motivo da glosa', refere-se a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios.
Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a 5' incluem no valor do aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática não-cumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item.
Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação 6' no motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos.
O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/0001-62, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'.
Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001-68, traz a descrição: ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'.
A Nota Fiscal de Serviços emitida por R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/0002-94, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'.
Esses itens têm indicação 7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos.
No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.
Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração, abaixo sintetizados:
Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando:
Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mão-de-obra pagos a pessoa física
No que diz respeito aos insumos, refere-se aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo:
Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretender-se aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.
Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído que Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica;
Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que:
Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção Eletromecânica-MM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia.
Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.
No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal;
Quanto às despesas de aluguel, argumenta:
Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação.
De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46.
De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado?
A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA.
Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratar-se de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação:
(transcreve partes do contrato)
Pelo contrato, percebe-se a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental.
Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação.
Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel, valendo o raciocínio para o condomínio, pois como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato;
Contesta também a glosa das despesas com ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO e LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa;
No caso das subvenções para investimento, alega:
No caso em comento, observa-se que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal.
Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 - redução de custos - revela-se sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS.
D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União.
Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico- financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS.
Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas:
(cita decisões judiciais)
Do visto, pode-se concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS.
Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, requer:
a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal;
b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 01-33.307, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade.
A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e-folhas 184, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e-folhas 119).
No Recurso Voluntário, de e-folhas 120 a 181, foi alegado em síntese:
Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica;
Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União;
As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS;
As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel;
Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente.
É o relatório.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a Pagamento Indevido ou a Maior da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 408.723,52. O direito creditório não foi reconhecido pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo as Informações Complementares da Análise do Crédito no processo 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades: a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013; b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes refere-se ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos; c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011; d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte. e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas: 1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/0001-22, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/0001-24, estão vinculados ao Contrato n° 424/06 - Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'. Trata-se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...) Constata-se que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, trata-se de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1. Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressalte-se que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada. Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004: Os itens indicados com o n° 2' no motivo da glosa', referem-se a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...) Os itens com a indicação 3' no motivo da glosa', tratam de despesas para um Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis. A indicação 4' no motivo da glosa', refere-se a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios. Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a 5' incluem no valor do aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática não-cumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item. Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação 6' no motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos. O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/0001-62, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'. Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001-68, traz a descrição: ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'. A Nota Fiscal de Serviços emitida por R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/0002-94, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'. Esses itens têm indicação 7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos. No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS. Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração, abaixo sintetizados: Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando: Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mão-de-obra pagos a pessoa física No que diz respeito aos insumos, refere-se aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo: Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretender-se aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído que Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica; Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que: Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção Eletromecânica-MM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia. Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia. No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal; Quanto às despesas de aluguel, argumenta: Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação. De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46. De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado? A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA. Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratar-se de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação: (transcreve partes do contrato) Pelo contrato, percebe-se a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental. Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação. Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel, valendo o raciocínio para o condomínio, pois como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato; Contesta também a glosa das despesas com ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO e LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa; No caso das subvenções para investimento, alega: No caso em comento, observa-se que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal. Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 - redução de custos - revela-se sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS. D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União. Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico- financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS. Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas: (cita decisões judiciais) Do visto, pode-se concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS. Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, requer: a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal; b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 01-33.307, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e-folhas 184, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e-folhas 119). No Recurso Voluntário, de e-folhas 120 a 181, foi alegado em síntese: Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica; Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União; As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS; As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel; Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente. É o relatório.
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COMPENSAÇÃO. PAG2AMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Recorrente EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10580.731563/201346 e esclarecer, após liquidação da referida decisão, se remanesceu algum valor do direito creditório pleiteado, conforme informado no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito". (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 00 11 4/ 20 14 -3 5 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a “Pagamento Indevido ou a Maior” da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 408.723,52. O direito creditório não foi reconhecido pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito” no processo 10580.731563/201346, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades: a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013; b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes referese ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos; c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011; d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte. e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas: “1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/000122, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/000124, estão vinculados ao ‘Contrato n° 424/06 Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'. Tratase de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria públicoprivada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...) Constatase que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, tratase de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 4 3 Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressaltese que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada. Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004: Os itens indicados com o n° ‘2' no ‘motivo da glosa', referemse a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...) Os itens com a indicação ‘3' no ‘motivo da glosa', tratam de despesas para um ‘Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis. A indicação ‘4' no ‘motivo da glosa', referese a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios. Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a ‘5' incluem no valor do ‘aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática nãocumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item. Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação ‘6' no ‘motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos. O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor ‘HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/000162, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: ‘DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'. Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor ‘LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/000168, traz a descrição: ‘ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'. A Nota Fiscal de Serviços emitida por ‘R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/000294, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: ‘DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 5 4 Esses itens têm indicação ‘7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos. No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: “Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a ‘perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.” Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/201346, referente a autos de infração, abaixo sintetizados: Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando: “Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do ‘crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mãodeobra pagos a pessoa física” No que diz respeito aos insumos, referese aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo: “Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretenderse aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.” Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído “que ‘Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica”; Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 6 5 Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que: “Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção EletromecânicaMM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia. Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.” No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. “A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal”; Quanto às despesas de aluguel, argumenta: “Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que ‘a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação. De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/201346. De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 7 6 imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado? A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/201346, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA. Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratarse de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação: (transcreve partes do contrato) Pelo contrato, percebese a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental. Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/201346, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação.” Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que “como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel”, valendo o raciocínio para o condomínio, pois “como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato”; Contesta também a glosa das despesas com “ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO” e “LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA”, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa; No caso das subvenções para investimento, alega: “No caso em comento, observase que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 8 7 Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 redução de custos revelase sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS. D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União. Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS. Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas: (cita decisões judiciais) Do visto, podese concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS. Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, requer: a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal; b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/000122 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001 24, vinculados ao contrato n° 424/06 Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 9 8 c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.” Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 0133.307, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e folhas 184, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (efolhas 119). No Recurso Voluntário, de efolhas 120 a 181, foi alegado em síntese: ü Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica; ü Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União; ü As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/000122 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001 24, vinculados ao contrato n° 424/06 Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS; ü As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel; ü Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; ü Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 10 ___________ Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, efolhas 184, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário, feito em 14/10/2016 (efolhas 119). O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · A consideração da totalidade dos créditos, insumos e serviços necessários à operacionalização da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal; · Da equivocada glosa dos Créditos Extemporâneos; · A reversão da glosa da demanda contratada de energia elétrica. A consideração do pagamento 7da demanda contratada como sendo passível de creditamento do PIS e COFINS; · A reversão da glosa das despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel; · A reversão da glosa das despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A; · A reversão da glosa das despesas de locação junto ao HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; · O repasse de ICMS do Estado da Bahia para a EMBASA, caracterizado pela fiscalização como subvenção de custeio. Passase à análise. De acordo com as “Informações Complementares da Análise do Crédito”, e folhas 09, a EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO S/A ingressou com o PER/DCOMP n° 34074.41422.190112.1.3.041033, transmitido em 19/01/2012, tendo por alegação “Pagamento Indevido ou a Maior”, com crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP no valor de R$ 408.723,52. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.900114/201435 Resolução nº 3302001.107 S3C3T2 Fl. 11 10 O presente processo é decorrente do pleito de direito creditório não reconhecido nas instâncias inferiores pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito”, no processo 10580.731563/201346, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins. Assim, considerando que o referido é o processo principal, onde será decidido se prospera a alegação de “Pagamento Indevido ou a Maior” ou não, é de se aguardar a decisão definitiva, já que aqui estamos tratando apenas de processo reflexo, na forma do artigo 6º do Regimento Interno do CARF: Art. 6° Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: (...) § 4° Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1°, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Diante do exposto, RESOLVESE baixar os autos em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. Aguarde a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10580.731563/201346; e 2. Após liquidar o Acórdão, informar a existência de crédito remanescente para atender o pleito do contribuinte, conforme informado no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito". Ao final, deve ser facultado à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910723/2012-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.072
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada em grau de recurso voluntário, se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela Recorrente no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que sejam realizadas as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nos autos.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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(assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão nº 0359.783, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 10 72 3/ 20 12 -3 4 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 13288.37675.230710.1.3.046640, transmitida eletronicamente em 23/07/2010, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 04/09/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 28), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 19.392,38. Cientificado dessa decisão em 17/09/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 05/10/2012, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa Em suma, a contribuinte esclarece que, por equívoco, teria informado indevidamente na DCTF do período o valor devido, de modo que o valor pago seria superior ao valor efetivamente apurado. A DCTF original foi retificada no intuito de comprovar a existência do crédito pleiteado. Ao final, requer o reexame das condições do indeferimento da compensação, uma vez que a solicitação efetuada teria por base a existência comprovada de crédito, que possibilita a quitação dos impostos informados na solicitação inicial e descritos neste instrumento Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ/BSB, ao apreciar a manifestação de inconformidade, entendeu por bem julgála improcedente e não reconheceu o crédito informado pela Recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 4 3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário ratificando os argumentos delineados na Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 5 4 Portanto, ressaltase que por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, a Recorrente juntou aos autos documentos complementares visando à comprovação de suas alegações e do crédito informado no PER/DCOMP discutido nos autos. É o Relatório. VOTO Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 6 5 De acordo com o já relatado, a Recorrente alega que cometeu equívoco ao preencher sua DCTF, de modo que o valor pago seria superior ao valor efetivamente apurado. A DCTF original foi retificada no intuito de comprovar a existência do crédito pleiteado. Contudo, a DRJ, acertadamente, não reconheceu o direito creditório pleiteado e fundamentou sua decisão na ausência de documentação suficiente para comprovar o direito líquido e certo da Recorrente. Do voto do acórdão de piso, destacase o seguinte trecho: "Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa". De fato, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do CNT. Portanto, a Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações alteradas., por isso, disse que acertadamente a DRJ, naquele momento, não reconheceu o direito creditório pleiteado. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 7 6 Afinal, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Importante frisar que é determinação legal a necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do erro de fato cometido pelo contribuinte, conforme art. 147 da Lei nº 5.172/1966, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação, portanto, é condição para admissão da retificação da DCTF realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos. Importante lembrar que as situações de erro material podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento, após prolação de despacho decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, desde que comprovadas. Aludido Parecer assim determina: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 8 7 compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de3 de setembrode 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Porém, a referida e necessária comprovação, foi produzida por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, oportunidade em que a Recorrente anexou aos autos cópias do Livro Razão, DIPJ e DCTF, documentos estes que, supostamente, demonstrariam seu direito creditório. Ante o contexto fático, entendo que a juntada de documentos deve ser admitida, ainda que, conforme dito, produzidos quando da interposição do Recurso voluntário. Essa possibilidade jurídica encontrase expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. De fato, o regramento do instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no sistema processual com a finalidade de atingir um desempenho satisfatoriamente célere e ordenado. Contudo, se generalizado, por puro formalismo, acaba sendo aplicado de forma exagerada. É sabido que, por vezes, a ausência de um ato no limite temporal aprazado pode levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a um julgamento justo na esfera administrativa. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.910723/201234 Resolução nº 1003000.072 S1C0T3 Fl. 9 8 Ora, em verdade, a autoridade julgadora deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defenderse plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. Assim, para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo, posto que a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Destarte, para evitar prejuízo à defesa ou a supressão de instância de julgamento, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração do erro de fato apontado, através da análise dos documentos juntados por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, conforme prevê o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Por todo o exposto, VOTO EM CONVERTER PROCESSO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela Recorrente no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que seja realizada as compensações possíveis em relação às Declarações de Compensação (Dcomp) em discussão nos autos. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre os resultados alcançados. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720340/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/07/2011
AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AIOA. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 35. NÃO APRESENTAÇÃO DE RAIS. MULTA APLICADA MANTIDA.
Auto de Infração lavrado pela não de apresentação à fiscalização de RAIS solicitadas em intimação cientificada. Mantém-se o lançamento de multa devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes.
Numero da decisão: 2202-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOA. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 35. NÃO APRESENTAÇÃO DE RAIS. MULTA APLICADA MANTIDA. Auto de Infração lavrado pela não de apresentação à fiscalização de RAIS solicitadas em intimação cientificada. Mantémse o lançamento de multa devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 03 40 /2 01 1- 81 Fl. 106DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 82/86), interposto contra o Acórdão no. 1449.088 da 10a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP – DRJ/RPO (efls. 74/78), que por maioria de votos considerou improcedente impugnação interposta contra Auto de Infração CFL 35 (efls. 03), lavrado pela falta de apresentação à fiscalização de cópias das RAIS Relação Anual de Informações Sociais referentes ao período de 2007/2010, no valor de R$ 15.244,14. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/RPO , transcrito em sua essência, por bem esclarecer os fatos ocorridos: Relatório: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio dos seguintes Autos de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado, verificado no estabelecimento de CNPJ nº 85.475.028/000138 desse contribuinte, lançados em 18/07/2011 e com a ciência pessoal ao contribuinte em 18/07/2011 (fl. 003): DEBCAD Objeto Valor 37.311.0081 Ref. Auto de infração CFL 35 R$ 15.244,14 O contribuinte foi excluído dos regimes de tributação Simples e Simples Nacional através dos Atos Declaratórios Executivos n°s 38 e 39, de 08 de junho de 2011, que deram origem ao processo n° 11634.720267/201148. Em decorrência dessa exclusão, foram efetuados os seguintes lançamentos (incluído o presente): (...) A presente autuação decorreu da não apresentação pela empresa à fiscalização de cópias da RAIS, referentes ao período de 2007 a 2010. Como conseqüência, foi aplicada a correspondente multa isolada por descumprimento de obrigações acessórias, estabelecida no artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, e no artigo 283, inciso II, alinea “b”, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. A multa cabível para a infração cometida é o valor mínimo de R$ 15.244,14, valor atualizado de acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF nº 407, de 14/07/2011. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 058/060), em 16/08/2011, com as considerações a seguir. 1. Afirma que sempre buscou atender à legislação previdenciária e trabalhista, como mostra seu histórico de certidões emitidas pela RFB entre 09/08/1999 e 16/01/2012, havendo fortes indícios de que possuía e possui todos os documentos solicitados, não tendo motivo algum para não apresentálos para fins de auditoria. Esclarece que possui número elevado de documentos, demandando tempo para análise dos mesmos. Informa que sempre manteve e mantém à disposição do Fisco todos os documentos constantes como não entregues no auto de infração e que sempre se manteve contato informando a disponibilidade desses documentos e que em momento algum se negou a entregar os documentos solicitados. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11634.720340/201181 Acórdão n.º 2202005.185 S2C2T2 Fl. 107 3 Afirma que sempre entregou a RAIS dentro do prazo legal contendo todos os funcionários e informações. Anexa declaração do Gerente de Recursos Humanos e da responsável pela Contabilidade da empresa no mesmo sentido (fls. 065/066). Encerra pedindo o recebimento da impugnação para julgar improcedente e arquivar o processo administrativo fiscal nº 11634.720340/201181, DEBCAD nº 37.311.0081. É o relatório. 3. O Voto da 10a. Turma, no sentido de improcedência da Impugnação, é transcrito a seguir, em sua essência: Voto: A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade (...), dela conheço. Multa aplicada O único argumento apresentado pelo contribuinte contra a multa aplicada foi o de que sempre manteve todos os documentos à disposição da fiscalização e em nenhum momento se negou a entregálos, com declarações de prepostos no mesmo sentido. No entanto, não apresenta qualquer cópia de nenhum desses documentos, o que não permite sequer presumir qualquer indício de sua efetiva existência. Alega também que já obteve certidões negativas da RFB ao longo do período de 1999 a 2012, tendo anexado exemplares aos autos. Novamente, a emissão de certidões não atesta a existência dos documentos ou sua apresentação à fiscalização, que são os fundamentos da autuação, mas tãosomente indicam que não havia créditos tributários pendentes à época das certidões. Em contrapartida, a fiscalização apresenta Termos de Intimação para apresentação de documentos (fls. 008/018), emitidos no período de 29/10/2010 a 23/03/2011, nos quais estabelece claramente que os documentos devem ser disponibilizados no endereço da unidade local da RFB (Rua Brasil, 865, Centro, Londrina, PR), e não na sede da empresa, conforme pretende argüir o impugnante. Não consta nos autos nenhuma resposta do contribuinte no sentido de atendimento a qualquer dos itens solicitados nas intimações, apenas um pedido de prorrogação do prazo. Portanto, tendo em vista que o contribuinte desatendeu às intimações nos termos em que foram expedidas e não apresentou qualquer elemento de prova da existência dos documentos ou de sua apresentação à fiscalização, mantémse a multa aplicada. Recurso Voluntário 4. Cientificada da decisão a quo, em 14/04/2014 (efl. 80) a contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em 09/05/2014, transcritos em síntese: apresenta breve descrição dos fatos ocorridos; Fl. 108DF CARF MF 4 alega que sempre buscou atender à legislação e que possui Certidões Negativas com validades de 09/08/1999 até 16/01/2012, entendendo então ter cumprido suas obrigações previdenciárias e sendo indício de que possuía todos os documentos solicitados, não tendo motivo algum para não apresentálos; afirma que possuiu no período um número razoável de funcionários, gerando um volume elevado de documentos, demandando tempo para análise de todos eles, e que mesmo pelo volume elevado e pelo período compreendido a empresa sempre manteve e mantém à disposição do fisco todos os documentos; entende que houve falha em relação à lavratura do presente auto pois sempre se manteve em contato, informando que os documentos estavam à disposição, obtendo sempre como resposta que no momento da análise os mesmos seriam solicitados; ressalta que a RAIS foi sempre entregue completa e dentro do prazo legal e sempre estivera à disposição no endereço da empresa.; 5. Requer, por fim, conhecimento e procedência do recurso voluntário, reformando a decisão de Primeiro Grau a fim de que o Auto de infração seja considerado improcedente. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Trata o presente de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória AIOA CFL 35. Constitui infração deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na lei 8.212/91, artigo 32,III e parágrafo 11, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, combinado com o artigo 225, III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 9. A autuada alega que já obteve certidões negativas da RFB ao longo do período de 1999 a 2012, mas como bem ressaltado pela DRJ, a emissão de certidões não atesta a existência dos documentos ou sua apresentação à fiscalização, que são os fundamentos da autuação, mas tão somente indicam que não havia créditos tributários pendentes à época das certidões. 10. Alega também que em nenhum momento se negou a entregar os documentos solicitados, mas em contrapartida a fiscalização apresenta Termos de Intimação para apresentação de documentos (efls. 08/10 e 15/18), nos quais estabelece claramente que os documentos devem ser disponibilizados no endereço da unidade local da RFB (Rua Brasil, 865, Centro, Londrina, PR), e não na sede da empresa, conforme se defende a impugnante. 10. Compulsando os autos, verificase também que, embora devidamente intimada pela fiscalização, não consta nenhuma comprovação material no sentido da Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11634.720340/201181 Acórdão n.º 2202005.185 S2C2T2 Fl. 108 5 contribuinte ter apresentado as cópias das RAIS solicitadas nas intimações, as quais configuramse como a correta comunicação entre Auditor e Empresa. 11. Uma vez que a contribuinte desatendeu às intimações para apresentação cópias das RAIS Relação Anual de Informações Sociais referentes ao período de 2007 a 2010 e não comprova de maneira hábil e idônea a sua apresentação à fiscalização, devese manter inalterada a Decisão de Primeira Instância. Conclusão 12. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Relator Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916227/2016-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.767
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra Acórdão da DRJ que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a não homologação da compensação pretendida, face a inexistência do direito creditório nela informado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 22 7/ 20 16 -3 0 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.916227/201630 Resolução nº 3401001.767 S3C4T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, argumenta que equivocadamente ofereceu à tributação do PIS e da Cofins, pela sistemática não cumulativa, receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, que estavam sujeitas ao regime cumulativo, o que resultou em recolhimento a maior que o devido. Diz que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, talvez por falta de processamento da DCTF retificadora, já que o pagamento foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de seus débitos. Contudo, a desconsideração dessa DCTF, transmitida anteriormente ao Per/Dcomp, implica violação às disposições do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 28/08/2015, inclusive com a emissão do Despacho Decisório sem que houvesse lhe oportunizado a prestação de esclarecimentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Tributação de receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem sujeitas ao regime cumulativo; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.758, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.916217/201602, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.758): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.916227/201630 Resolução nº 3401001.767 S3C4T1 Fl. 4 3 de R$ 820.394,55, correspondente ao Darf de COFINS NÃO CUMULATIVA (código 5856), recolhido em 18/04/2008, no valor de R$ 1.790.611,36, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente ao revisar seus procedimentos fiscais entendeu que deveria retificar as informações prestadas à RFB (DCTF), pois verificou que estava oferecendo equivocadamente à tributação pela sistemática nãocumulativa receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que seja elucidado qual o procedimento foi adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 03/2008 foi retida para análise? Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.916227/201630 Resolução nº 3401001.767 S3C4T1 Fl. 5 4 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período discutido foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912509/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhecese a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 09 /2 00 9- 95 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.912509/200995 Acórdão n.º 1301003.855 S1C3T1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestaçã de Inconformidade A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.912509/200995 Acórdão n.º 1301003.855 S1C3T1 Fl. 4 3 complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei. embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade; vale lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do PL de Conversão, quer pelo decurso do prazo, caso seja o referido PL vetado; na conclusão, destacou a manifestante que a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame, ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; a mais, a imposição de comportamento tributário, por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é admitida pela legislação tributária brasileira, desde a Constituição, passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97); em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que o crédito, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Transcrevese ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Do Recurso Voluntário Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.912509/200995 Acórdão n.º 1301003.855 S1C3T1 Fl. 5 4 Em 14/12/2011, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Ainda inconformada, em 12/01/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 5072), no qual: Declara que apura IRPJ e CSLL pelo lucro real e, recolhe os valores de estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa; Acrescenta que nem o Despacho Decisório, nem o acórdão recorrido, discutem ou põem em dúvida o acerto dos excedentes compensados e que limitamse a justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc. IX da Lei n.9.784/96; Em seguida, destaca que os limites da lide dizem respeito à questão de direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/200997, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.853): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade reiterando seu direito à compensação de estimativas mensais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera que em razão de pagamentos indevidos de estimativa mensal, conforme apuração em balancetes mensais, teria direito à compensação dos valores pagos em excesso. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.912509/200995 Acórdão n.º 1301003.855 S1C3T1 Fl. 6 5 No presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal. A Unidade de Origem sequer analisou o mérito do direito creditório, tampouco deu oportunidade ao contribuinte para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo ao final do anocalendário, daquele pagamento efetuado em valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de estimativa mensal. Com efeito, entendo ser possível a compensação/restituição de recolhimento a título de estimativa mensal, desde que caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que, tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.912509/200995 Acórdão n.º 1301003.855 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726270/2016-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.608
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 62 70 /2 01 6- 81 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726270/201681 Acórdão n.º 3302006.608 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.653. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726270/201681 Acórdão n.º 3302006.608 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726270/201681 Acórdão n.º 3302006.608 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726270/201681 Acórdão n.º 3302006.608 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726270/201681 Acórdão n.º 3302006.608 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.687793/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 77 93 /2 00 9- 08 Fl. 128DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior de IRPJ no qual o contribuinte pretende a utilização de crédito na compensação de débitos informados no PER/DCOMP. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DCTF) antes da inscrição em DAU do débito e que a DIPJ relativa à apuração do crédito, apresentada antes da emissão do despacho decisório do PER/DCOMP informava o valor correto do débito do período o que confirmaria a existência do pagamento a maior. Alega também nulidade por vício formal em razão de a RFB não ter analisado a DCTF retificadora apresentada. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Também foi rejeitada a nulidade aventada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.687793/200908 Acórdão n.º 1401003.237 S1C4T1 Fl. 129 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão da DRJ, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido, mas sim a DIPJ apresentada e a DCTF retificadora. Solicitou, novamente a nulidade da decisão original e do acórdão da Delegacia de Julgamento por não terem apreciado as outras declarações da empresa. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. Este é o relatório Voto Conselheiro Relator Letícia Domingues Costa Braga O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele conheço. O recurso voluntário apresentado inicia com a apresentação de uma preliminar de nulidade. Contudo, como será melhor fundamento abaixo, entendo por dar provimento ao recurso e supero a preliminar aventada para reconhecer o mérito do pedido. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, devem ser feitas algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram Fl. 130DF CARF MF 4 geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que esta forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios apresentados na DIPJ da empresa em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Consoante se demonstra da DIPJ original, relativa ao ano de 2008, apresentada pela empresa antes da prolação do despacho decisório, os valores devidos da IRPJ são bem inferiores aos valores recolhidos pela empresa e informados em DCTF. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.687793/200908 Acórdão n.º 1401003.237 S1C4T1 Fl. 130 5 Da análise da referida DIPJ, nas fichas de apuração do resultado do exercício não se verificam indícios de que houve qualquer irregularidade nas informações prestadas pela empresa. Assim, conforme acima apresentado, não é cabível o puro e simples indeferimento do pedido em função da informação apresentada em DCTF quando este mesmo contribuinte apresenta outra declaração com a demonstração completa dos valores de apuração do tributo devido que simplesmente foi ignorada quando da prolação das duas decisões. Desta forma, a despeito de a DCTF constituir em confissão de dívida da empresa, esta confissão pode ser infirmada por novas informações apresentadas pela empresa em outras declarações exigidas pelo fisco. Assim, entendo que deve ser considerado procedente o recurso a fim de que a existência de crédito relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre o valor do tributo devido informado na DIPJ da empresa e o valor efetivamente recolhido pela empresa, tendo em vista a inexistência de qualquer informação a infirmar os valores de apuração apresentados pelo contribuinte em sua DIPJ. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso para determinar que a existência do crédito da empresa relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre os valores devidos apurados na DIPJ e os valores efetivamente recolhidos pela empresa. Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não trata de despacho decisório como prazo para a retificação, sendo certo que o prazo coincide com a homologação da decisão, conforme IN 1.110/2010 da própria Receita: Art. 9º (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.” Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973047/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA.
Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO JÁ INCLUÍDO EM PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
A inclusão em parcelamento, de débitos confessados e renunciados, impedem o reconhecimento, na esfera administrativa, de eventual direito creditório, devendo essa pretensão ser perseguida na esfera judicial.
Numero da decisão: 2401-006.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ÔNUS DA PROVA. Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO JÁ INCLUÍDO EM PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE A inclusão em parcelamento, de débitos confessados e renunciados, impedem o reconhecimento, na esfera administrativa, de eventual direito creditório, devendo essa pretensão ser perseguida na esfera judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 30 47 /2 00 9- 26 Fl. 81DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – PER/DCOM nº18192.28370.141005.1.3.045460 (fl. 02/04) , pelo qual a Recorrente pretende aproveitar um suposto crédito de Pagamento Indevido ou a Maior, no valor de R$ 135.309,96, na data de transmissão, utilizando o DARF, código de receita 0481, no valor de R$ 201.111,19, PA 09/2005, com vencimento em 14/10/2005, e pagamento feito em 7/1/2003 . O Despacho Decisório de fls. 07, não homologou a compensação dos débitos informados no presente PER/DCOMP, porque o valor do crédito não foi reconhecido. Conforme consta dos autos o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, informou que teria incluído indevidamente no parcelamento especial (PAES) o débito que já tinha sido pago. Afirmou, ainda, que, ao invés de solicitar a revisão dos débitos consolidados no PAES, preferiu considerar como “pagamento a maior” o valor recolhido em 07/01/2003, razão pela qual solicitou o pedido de compensação em debate. Diante desses fatos, e com base na legislação de regência, a fiscalização concluiu pela não homologação das compensações, em face da total falta de certeza e liquidez do direito creditório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1639.513 da 7ª Turma da DRJ/SP1, às fls. 41/46, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte, fundamentandose nos elementos a seguir: a) que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse demonstrar, de forma inequívoca, a identidade entre os débitos confessados e pagos (07/01/2003) e o débito incluído no PAES (02/01/2003), não sendo possível acatar a alegação acerca da existência de pagamento indevido ou a maior; b) tendo em vista que, segundo o Contribuinte, o erro se encontra na inclusão do débito no parcelamento, ele deveria ter solicitado a revisão da consolidação dos débitos no âmbito do PAES e não Pedido de Compensação; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.973047/200926 Acórdão n.º 2401006.492 S2C4T1 Fl. 3 3 c) que haveria prejuízo para os cofres públicos, caso fosse aceito o procedimento adotado pelo contribuinte, pois a União estaria aceitando trocar um pagamento que já se encontra em seus cofres por um parcelamento, em relação ao qual não possui qualquer garantia de adimplemento. Além disso, teria que restituir o pagamento efetuado com atualização pela taxa SELIC, enquanto que o débito incluído no parcelamento especial seria atualizado com as benesses previstas pela legislação; d) e pelo fato de que o débito originalmente incluído no PAES foi transferido para o parcelamento previsto pela Lei nº 11.941/2009, não sendo possível afirmar que ele se encontra quitado no presente momento. Conforme documento juntado aos autos, o contribuinte desistiu do PAES, em 18/11/2009, para incluir o saldo devedor no parcelamento previsto pela Lei nº 11.941/2009.Quando da rescisão do PAES, diversos débitos já haviam sido extintos pelo pagamento das prestações. No entanto, o débito ora sob análise ainda se encontrava em aberto o que permitiu concluir que ele faz parte do montante parcelado sob o regime previsto pela Lei nº 11.941/2009.É verdade que o contribuinte já efetuou, e continua efetuando, o pagamento das prestações deste último parcelamento. Ocorre que, quando um parcelamento está ativo, os débitos nele incluídos perdem temporariamente sua “identidade”, passando a fazer parte de um montante consolidado. As prestações pagas, então, irão amortizar este montante. Sendo assim, não é possível determinar, no presente momento, se o débito de IRRF (0481) referente ao período de 02/01/2003 já se encontra quitado, o que reforça o entendimento de que não é possível considerar o pagamento efetuado em DARF como “indevido ou a maior”para realizar eventual compensação. Inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 50/56 alegando em síntese que: a)Conforme expressamente disciplinou o §3°, art. 1° da Lei n 10.684/03, a consolidação do PAES ocorreria no mês do pedido do parcelamento, sem qualquer menção a faculdade de retificação desta consolidação em momento posterior; bf) Não se localiza em nenhum momento de toda a legislação fiscal editada para disciplinar e operacionalizar o parcelamento em questão a possibilidade de revisão dos débitos consolidados, motivo pelo qual não se pode conceber do argumento aventado por esta Receita quando da prolação da decisão por ora recorrida no sentido de que o procedimento adotado pela Recorrente (de solicitar a compensação administrativa do pagamento realizado) teria sido equivocado na medida em que deveria ter procedido a um possível pedido de revisão dos débitos consolidados no PAES; c) ainda que admitida a possibilidade de revisão dos débitos consolidados no parcelamento em questão certo é que o parcelamento restou consolidado em 2003 sendo certo que a Recorrente percebeuse do equívoco incorrido apenas no ano de Fl. 83DF CARF MF 4 2005, ou seja, 2 anos após ter indicado os débitos no parcelamento e liquidado ainda que parcialmente tais débitos, não havendo assim o que se falar em exclusão de débitos que já estavam sendo pagos; d) justamente por inexistir procedimento legal que regulamentasse o pedido de revisão dos débitos consolidados, e uma vez indicado por duas vezes o mesmo débito para pagamento é que restou como única opção para a Recorrente valerse do procedimento de compensação nos moldes noticiados nestes autos; e) outro ponto importante é que inexiste qualquer benefício financeiro para a Recorrente em detrimento da Fazenda Nacional;ao contrário, a ausência do pedido de retificação da consolidação do parcelamento e sim o pedido de ressarcimento do pagamento realizado via DARF resultou em benefício econômico para o Fisco federal o qual, ao invés de receber tão somente o montante relacionado ao tributo foi contemplado com o pagamento de multa e juros (ainda que reduzidos em razão dos benefícios do parcelamento) que sequer eram devidos; f) não bastassem todos os argumentos acima apresentados, certo é que a manutenção da decisão de indeferimento do despacho decisório por ora analisado nestes autos importará no evidente enriquecimento sem causa da União a qual, na verá computado em seus cofres o pagamento em duplicidade de um mesmo débito tributário; g) a negativa do reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente nestes autos sob a mera justificativa de que o procedimento por ela adotado estaria incorreto (ou seja, que ao invés de pleitear a restituição do pagamento em DARF deveria esta ter solicitado a retificação da consolidação do parcelamento firmado) não pode subsistir diante do fato de que a União estaria valendose de um suposto equívoco incorrido pela Recorrente para justificar um procedimento irregular ainda maior: a retenção indevida de dois pagamentos decorrentes do mesmo fato gerador; h) decorridos mais de 10 anos da adesão ao parcelamento firmado estaria apenas agora argumentando esta Receita que o procedimento supostamente correto a ser adotado pela Recorrente deveria ter sido outro, procedimento este que, registrese, sequer pode ser adotado agora uma vez que transcorridos todos os prazos legais previstos pelo direito tributário; i) ainda não se pode olvidar em reconhecer a expressa ofensa ao princípio da moralidade administrativa, por meio do qual a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade dos princípios éticos da lealdade e da boafé.(cita jurisprudências administrativas e doutrina a reforçar esse entendimento). É o relatório Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.973047/200926 Acórdão n.º 2401006.492 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 03/05/2013 conforme AR às fls. 77/78, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 27/05/2013 (fl. 49/55), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 1. DOS FATOS Tratase de Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente buscando utilizar um crédito de pagamento a maior relacionado a imposto de renda retido na fonte (IRRF código receita 0481) apurados e devidos no mês de janeiro de 2003; Ao optar pelo parcelamento disciplinado pela Lei n° 10.684/03 (PAES) a Recorrente alega que incluiu equivocadamente, os débitos de IRRFonte por ela já recolhidos em janeiro de 2003. Alega ainda que, constatado o equívoco incorrido e já impossibilitada de promover a reconsolidação do parcelamento então aderido, optou por transmitir a PER/DCOMP objeto destes autos. Todavia, a Receita Federal indeferiu a declaração de compensação apresentada pela Recorrente sob o argumento de que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse demonstrar, de forma inequívoca, a identidade entre os débitos confessados e pagos (07/01/2003) e o débito incluído no PAES (02/01/2003), não sendo possível acatar a alegação acerca da existência de pagamento indevido ou a maior; outra fundamentação importante foi que tendo em vista que, segundo o Recorrente, o erro se encontrava na inclusão do débito no parcelamento, assim ele deveria ter solicitado a revisão da consolidação dos débitos no âmbito do PAES e não ter realizado o Pedido de Compensação. Alegou ainda que haveria prejuízo para os cofres públicos, caso fosse aceito o procedimento adotado pelo contribuinte e por fim, que não é possível considerar o pagamento efetuado em DARF como “indevido ou a maior”para realizar eventual compensação, tendo em vista que o contribuinte desistiu do primeiro parcelamento e ingressou no parcelamento da Lei nª 11.941/2009, não sendo possível determinar, no presente momento, se o débito de IRRF (0481) referente ao período de 02/01/2003 já se encontra quitado para realizar eventual compensação. Em sede de Recurso Voluntário a Empresa se insurgiu basicamente contra o fato de inexistir menção qualquer menção à faculdade de retificação de consolidação, em momento posterior, na Lei nº 10.684/03, que justamente por inexistir procedimento legal que regulamentasse o pedido de revisão dos débitos consolidados, e uma vez indicado por duas vezes o mesmo débito para pagamento é que restou como única opção para a Recorrente valer se do procedimento de compensação nos moldes noticiados nestes autos. Outro ponto importante é que inexiste qualquer benefício financeiro para a Recorrente em detrimento da Fazenda Nacional;ao contrário, a ausência do pedido de retificação da consolidação do Fl. 85DF CARF MF 6 parcelamento e sim o pedido de ressarcimento do pagamento realizado via DARF resultou em benefício econômico para o Fisco federal o qual, ao invés de receber tão somente o montante relacionado ao tributo foi contemplado com o pagamento de multa e juros (ainda que reduzidos em razão dos benefícios do parcelamento) que sequer eram devidos. E por fim, que a manutenção da decisão de indeferimento do despacho decisório por ora analisado nestes autos importará no evidente enriquecimento sem causa da União, e em expressa ofensa ao princípio da moralidade administrativa, por meio do qual a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade dos princípios éticos da lealdade e da boafé. Conforme se verifica, alguns fundamentos da decisão a quo, não foram refutados em sede recursal pela Recorrente, razão pela qual, não serão enfrentados por este Colegiado. 2. DO MÉRITO Inicialmente impende salientar que não há nos autos qualquer documento que possa demonstrar, de forma inequívoca, a existência de pagamento indevido ou a maior apto a justificar o pedido de compensação realizado pela Recorrente. O presente litígio tem como núcleo um débito de Imposto de Renda Retido na Fonte – Juros e Comissões em Geral (código 0481). Nos termos dos arts. 702 e 703 do RIR/99, estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de juros e comissões. Ocorrendo os fatos descritos nos dispositivos mencionados, o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto devido na data de ocorrência do fato gerador, em obediência ao disposto no art. 865, I, do RIR/99. Esclareçase, ainda, que se trata de tributação exclusiva na fonte e o tributo possui fato gerador diário. Impende salientar que ao contribuinte pertence o ônus de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de demonstrar que efetivamente os pagamentos juntados às fls. 30 e 32, realmente eram indevidos ou foram realizados à maior, o que não ocorreu no caso concreto. É necessário, a teor do que dispõe o artigo 170 do CTN, que o crédito seja líquido e certo, e essa certeza e liquidez não foi demonstrada nos presentes autos, nem tampouco contraditada após a decisão da DRJ afirmando sua inexistência. Dessa forma, antes que seja necessário enfrentar os argumentos expostos no Recurso Voluntário, a questão posta nos autos já está decidida, tendo em vista que não há como reconhecer o direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente, pela já caracterizada falta de certeza e liquidez do direito pleiteado. Assim, resta prejudicada qualquer análise sobre qual a via deveria ser eleita, qual o procedimento deveria ter sido adotado em relação ao débito confessado no PAES, se ter solicitado a revisão da consolidação dos débitos no âmbito do PAES ou se ter realizado o Pedido de Compensação, bem como as demais questões dessas decorrentes, as quais não fazem sentido serem analisadas nos presentes autos, já que a via eleita é inadequada. A teor do que dispôs o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.684/03, para a concessão do parcelamento os débitos são confessados de forma irretratável e irrevogável, logo não há, s.m.j, na via administrativa como rever o débito consolidado, razão pela qual inexiste previsão de procedimento nesse sentido na legislação mencionada. Se a Recorrente confessou de forma irretratável e irrevogável, ainda que por erro que ela deu causa, não pode, administrativamente, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.973047/200926 Acórdão n.º 2401006.492 S2C4T1 Fl. 5 7 buscar reparação, via compensação ou via revisão de consolidação. Ao aderir o parcelamento o Contribuinte faz confissão de dívida e renuncia eventuais discussões sobre o débito. Assim, a Recorrente deveria ter apresentado sua demanda à época em que entendeu ter direito a eventual restituição de valores, perante o Judiciário, apresentando seus argumentos de enriquecimento sem causa da União, alegando expressa ofensa ao princípio da moralidade administrativa, e solicitando o que entendesse de direito em relação à restituição dos valores que entendesse devidos. Não podendo transferir agora, no momento presente, a consequência da condução de sua estratégia de defesa à Administração Pública. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pela falta de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721898/2017-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a não homologação de compensações afasta a alegação de nulidade do Despacho-Decisório por cerceamento do direito de defesa.
DILIGÊNCIA.
O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motivá-lo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação.
O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei, não se confundindo com o lançamento fiscal. Nas compensações, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado direito creditório, obrigando-se, inclusive, a demonstrar a origem do alegado crédito, permitindo a rastreabilidade, valendo-se de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar, de modo que, não comprovadas as alegações, mantém-se incólume a decisão hostilizada.
Numero da decisão: 2202-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a não homologação de compensações afasta a alegação de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa. DILIGÊNCIA. O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motiválo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei, não se confundindo com o lançamento fiscal. Nas compensações, em sede AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 98 /2 01 7- 14 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 494 2 de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado direito creditório, obrigandose, inclusive, a demonstrar a origem do alegado crédito, permitindo a rastreabilidade, valendose de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar, de modo que, não comprovadas as alegações, mantémse incólume a decisão hostilizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 446/489), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 415/438), proferida em sessão de 21/08/2018, consubstanciada no Acórdão n.º 0381.135, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à manifestação de inconformidade (efls. 318/364) do ora recorrente, para manter os termos do DespachoDecisório SEORT/DRF/BRE n.º 447/2017 – DRF Barueri/SP (efls. 91/104), que não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte nas competências 01/2013 a 12/2015 (efls. 105/270), vez que não reconheceu a certeza e a liquidez dos direitos creditórios vindicados, sendo glosado o montante originário de R$ 40.402.104,50 (quarenta milhões e quatrocentos e dois mil e cento e quatro reais e cinquenta centavos), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 495 3 O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. As compensações efetuadas sem a devida comprovação dos créditos utilizados não serão objeto de homologação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a não homologação de compensações afasta a alegação de nulidade do DespachoDecisório por cerceamento do direito de defesa. GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DE TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE. As compensações de crédito previdenciário realizadas devem ser precedidas da retificação das GFIP em que a obrigação foi declarada. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos ao trabalhador como forma de retribuir o trabalho prestado, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT/GILRAT). ALÍQUOTAS APLICADAS. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que define a alíquota de SAT/GILRAT a ser aplicada. DILIGÊNCIA. A diligência ou perícia requerida pode ser indeferida pela autoridade julgadora se esta considerála desnecessária, por constarem dos autos os elementos suficientes para a sua análise conclusiva. O pedido de realização de diligência ou perícia deve ser motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de indeferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Do Processo de Compensação e Despacho Decisório A essência e as circunstâncias acerca do procedimento de análise da compensação declarada de per si pelo sujeito passivo, que foi objeto de averiguação quanto a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado para fins de homologação, ou não, pela autoridade da Administração Tributária, resultando na prolação do Despacho Decisório, foram bem delineadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Tratase de processo administrativo fiscal referente à não homologação de compensações informadas pelo contribuinte em GFIP, nas competências 1/2013 a 12/2015, discriminadas no Anexo I do DespachoDecisório (DD) SEORT/DRF/BRE n.º Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 496 4 447/2017 – DRF Barueri (efls. 105/270), no total de R$ 40.402.104,50. De acordo com mencionado DD (efls. 91/104), o contribuinte, intimado a esclarecer a origem dos créditos utilizados nas compensações, informou que as compensações foram realizadas após procedimento de auditoria interna da empresa, que concluiu pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre as rubricas licença remunerada, gratificações, ajuda de custo, 1/3 de férias, férias não gozadas, SAT, absenteísmo, aviso prévio, sobreaviso, expatriados e RAT. Ainda segundo o mencionado DD, as informações prestadas pela empresa durante o procedimento fiscal não foram capazes de comprovar a certeza e a liquidez do crédito utilizado nas compensações, assim como a regularidade no cumprimento das exigências previstas na legislação pertinente (retificação das GFIP), o que resultou na não homologação das compensações. Da Manifestação de Inconformidade O contencioso administrativo teve início com a manifestação de inconformidade efetivada pelo recorrente, em 28/11/2017 (efls. 318/364), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: PRELIMINAR Diz que o DespachoDecisório SEORT/DRF/BRE n.º 447/2017 é nulo, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não descreve de forma pormenorizada os motivos que resultaram na não homologação das compensações. Assegura que o referido DD não levou em consideração as seguintes premissas: i) estudo realizado pela requerente para aferir a sua atividade preponderante nos termos do que impõe a Súmula 351 do STJ, de modo a individualizála por estabelecimento; ii) a real origem dos créditos tributários compensados; e iii) a desnecessidade de individualização dos créditos por competência e CNPJ, na medida em que a legislação previdenciária já admite, há tempos, a "compensação cruzada" (créditos sendo compensados com débitos de estabelecimentos diferentes entre si). Afirma que a autoridade administrativa, uma vez que considerou insuficiente a documentação apresentada pelo contribuinte, por lealdade processual, deveria ter feito a conciliação dos créditos compensados com os registros do MANAD e a tabela indicativa das rubricas objeto de compensação. Assevera que a glosa dos créditos com base em suposto desatendimento de questões meramente formais revela a falta de comprometimento com a busca da verdade material e, consequentemente, viola os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Diz que a autoridade fiscal, de maneira desmotivada, dispensou a documentação e os esclarecimentos apresentados pelo contribuinte no decorrer da fiscalização, faltando seriedade e comprometimento inerentes a sua atividade. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 497 5 Alega que a documentação apresentada permitia a comprovação da existência e suficiência do crédito compensado, tendo sido imotivadamente recusada pela fiscalização. Reafirma que o DD representa afronta ao direito do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa, pois "[...] sem conhecer a imputação, a mesma não dispõe de meios para promover a contestação". Assevera que, em razão da necessária prevalência da verdade material sobre a verdade formal no âmbito da administração pública, o auditor fiscal não poderia ter deixado de verificar, no caso concreto, a real origem da cobrança e, sobretudo, os motivos os quais o levou a concluir pela sua improcedência, razão pela qual entende pela nulidade do DD. MÉRITO Adequação formal: da suficiência da documentação comprobatória apresentada e regular cumprimento das obrigações acessórias Alega que a não apresentação de planilhas de cálculo contendo a apuração do crédito por CNPJ para o período de origem (1/2008 a 12/2015) não configura motivo para a não homologação das compensações, já que a administração tributária admite a chamada “compensação cruzada” de débitos previdenciários. Cita legislação. Discorre sobre o assunto. Assegura que a comprovação da existência do indébito pode se dar através de comprovantes consolidados pela empresa como um todo ou pela individualização por CNPJ, e que o contribuinte buscou comprovar a existência do crédito previdenciário através do primeiro procedimento (consolidação por empresa). Afirma que a documentação apresentada à fiscalização permitia a perfeita identificação do indébito cuja recuperação foi pleiteada pelo contribuinte. Reafirma que a fiscalização, ao reputar insuficientes as informações prestadas pelo contribuinte, poderia ter facilmente realizado o cotejo entre elas com os dados que constam nos arquivos de folha de pagamento, inclusive procedendose à segregação dos créditos entre os CNPJ, mas não o fez. Alega que a fiscalização negligenciou completamente a análise dos documentos que lastreiam os créditos compensados. Diz que, ainda que o controle do crédito tenha sido consolidado pela empresa como um todo, o que é permitido pela legislação, com a indicação das rubricas de folha de pagamento que compõem o saldo compensado, a fiscalização poderia ter segregado os valores identificados por CNPJ através do MANAD e, posteriormente, comparálos com os créditos controlados na planilha consolidada apresentada pela empresa. Acrescenta que o fato de a empresa não ter transmitido GFIP retificadoras para o período de apuração do crédito não é suficiente para invalidar as compensações realizadas. Assegura que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vem flexibilizando a rígida formalidade que condiciona a existência do crédito previdenciário ao correto atendimento a todas as obrigações formais (acessórias). Cita jurisprudência administrativa segundo a qual o descumprimento de dever instrumental somente poderia ser Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 498 6 punido com cobrança de multa, jamais com a glosa total e irrestrita do crédito pleiteado. Assegura que o eventual descumprimento das obrigações formais elencadas no Despacho Decisório não tem o condão de infirmar a qualidade do crédito previdenciário. Adequação material: da regularidade das compensações Alega que os valores creditados pelo contribuinte a empregados a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado, absenteísmo, ajuda de custo, férias indenizadas e adicional de sobreaviso não se enquadram no conceito de remuneração, nos termos da Lei n.º 8.212/1991, artigo 22, inciso I, que restringiu a incidência de contribuições previdenciárias a rendimentos destinados a retribuir o trabalho. Discorre sobre o conceito de remuneração. Cita doutrina. Em seguida, discorre, de forma individualizada, sobre os fundamentos que justificam a não incidência/isenção de contribuição previdenciária sobre as rubricas que foram objeto de recuperação fiscal promovida pela empresa. Terço constitucional de férias Argumenta que, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, o REsp 1.230.957/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre valores recolhidos a tal título. Diz que o CARF, antes mesmo da publicação do acórdão relativo ao citado REsp, já havia consolidado o entendimento acerca da impossibilidade de a Receita Federal do Brasil glosar os valores decorrentes de eventual compensação relativa a valores pagos a maior sobre terço constitucional de férias. Cita jurisprudência. Cita o julgamento do RE 565.160 pelo Supremo Tribunal Federal, em 29/3/2017, quando restou consignada a tese de que "a contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional 20/1998". Ressalta que aludido RE não abordava especificamente a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e que, com a declaração da constitucionalidade do artigo 22, inciso I, da Lei n.º 8.212/1991, impõese a interpretação da lei no sentido de que não basta ser a verba habitual para ensejar a tributação previdenciária, sendo que a verba precisa ser igualmente remuneratória. Assegura que, atualmente, o CARF já se posicionou expressamente quanto à não tributação da referida verba, adequandose ao entendimento firmado no STJ por meio do REsp 1.230.957/RS, no sentido de que não deve incidir contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a título de terço constitucional de férias. Cita jurisprudência. Aviso Prévio Indenizado Discorre sobre o caráter indenizatório do aviso prévio indenizado. Frisa ser a verba paga ou creditada sem habitualidade. Diz que o julgamento do REsp 1.230.957/RS fixou entendimento acerca da natureza indenizatória da referida verba e que o CARF já se curvou à decisão do STJ, ao reconhecer que Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 499 7 o aviso prévio indenizado deve ser excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária. Assegura que, pelas razões expostas, não merece prosperar o fundamento de que a documentação apresentada pelo contribuinte é insuficiente para correlacionar o crédito com a sua origem e que, isto, atrelado à jurisprudência sobre o tema, leva a crer pela homologação das compensações efetivadas pelo contribuinte. Absenteísmo Diz que, no mesmo julgamento do STJ que excluiu o terço constitucional de férias e o aviso prévio indenizado da base de cálculo das contribuições previdenciárias, também se decidiu acerca da natureza jurídica das verbas pagas a título de absenteísmo, como, por exemplo, o salário pago nos primeiros 15 dias após o afastamento em razão de acidente de trabalho. Diz que, tal evento, assim como outras hipótese de ausências previstas em lei, não justificam o desconto da remuneração do empregado que não exerce sua atividade laboral. Assegura que a classificação da importância paga no período de falta justificada como remuneração não justifica a retribuição do trabalho, mas mera satisfação de obrigação legal, o que afasta a incidência de contribuição previdenciária. Diz que o STJ afasta a incidência de contribuição previdenciária das importâncias pagas a título de faltas justificadas, por não objetivaram a contraprestação do trabalho. Cita jurisprudência que trata do auxíliodoença pago até o 15.º dia pelo empregador. Alega que o STF negou repercussão geral ao RE 611.505 da Fazenda Nacional, que pretendia rever o entendimento do STJ sobre a desoneração das faltas remuneradas, o que significa que o STF confirmou o entendimento do STJ, se recusando a reapreciar a questão. Entende que, por este motivo, resta justificada a desoneração efetuada pelo contribuinte relativa a rubricas de folha que possuem esta natureza jurídica (ausências remuneradas). Em seguida, discorre especificamente sobre a natureza jurídica do valor pago a título de auxíliodoença durante os 15 primeiros dias de afastamento do empregado. Ressalta que o pagamento de ‘salário’ neste período não se presta a retribuir o trabalho prestado, o que afasta a natureza remuneratória da verba. Conclui pela impossibilidade de inclusão de tais valores na base de cálculo de contribuição previdenciária. Cita o julgamento do REsp 1.230.957/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre os primeiros 15 dias do auxíliodoença, e posterior jurisprudência do STJ no mesmo sentido. Cita também jurisprudência do CARF que, na mesma linha, reconheceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Ajudas de custo Alega que os valores pagos a título de ajuda de custo decorrem da transferência de empregado para outra localidade Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 500 8 em que o mesmo havia sido originalmente contratado. Diz ter a verba caráter indenizatório por não objetivar retribuir o trabalho, mas apenas viabilizar a sua prestação. Afirma que as ajudas de custo, além de não estar contemplada na competência tributária e na hipótese de incidência, são isentas, pois, eventuais, e com previsão de isenção na Lei n.º 8.212/1991, artigo 28, § 9.º, alínea ‘g’, no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 e na Instrução Normativa RFB n.º 971/2009. Diz que o grau de probabilidade atribuído é confirmado pela jurisprudência do STJ, que caracteriza a ajuda de custo como importância desonerada pela isenção ou não incidência. Alega que a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte a apresentar maiores esclarecimentos sobre os valores pagos a título de ajuda de custo, e não simplesmente presumir que os créditos decorrentes da indevida tributação previdenciária sobre tal rubrica seriam inexistentes. Assegura que, como não há demonstração capaz de infirmar a natureza não remuneratória da rubrica, não há que se falar em glosa dos créditos compensados. Férias não Gozadas Alega que eventual supressão das férias anuais, o que constitui uma ilegalidade, justifica a sua indenização, que não constitui remuneração, pois não objetiva retribuir o trabalho. Afirma que esta qualidade já justifica o enquadramento das férias nãogozadas como evento desonerado, porque modelada na nãoincidência, o que é reforçado pela isenção prevista na Lei n.º 8.212/1991, artigo 28, § 9.º. Gratificações eventuais Defende que deve incidir contribuição previdenciária apenas sobre as gratificações remuneratórias ajustadas pagas com periodicidade, sem intermitência, ao segurado empregado. Cita jurisprudência do STJ e do CARF. Afirma que o contribuinte, dentro da sua política de recursos humanos, realizou o pagamento de diversas gratificações eventuais e que a ausência de assiduidade dos pagamentos é facilmente atestada pela leitura dos arquivos de folha de pagamento (MANAD) ora anexados e pela planilha contendo as rubricas consideradas no cálculo do crédito utilizado entre 2013 e 2015. Assegura que, a partir da documentação probatória produzida, é fácil perceber a eventualidade necessária para atrair a regra de exceção prevista na Lei n.º 8.212/1991, artigo 28, § 9.º, alínea ‘e’, item 7. Adicional de sobreaviso Discorre sobre as características do regime jurídico laboral do sobreaviso com base na legislação trabalhista. Afirma que valor pago a este título, mesmo que habitual, porque ocasionalmente contratado (regime jurídico) e periódico, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária porque não se caracteriza como salário ou gorjeta, nem objetiva a contraprestação ao trabalho. Diz o pagamento a título de sobreaviso objetiva indenizar a imobilidade, já que o empregado encontrase impedido de se Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 501 9 ausentar da sua residência ou de se locomover para distâncias que o impeçam de prestar o serviço se convocado. Alega que, apesar de haver poucas demandas judiciais no STJ especificamente acerca do sobreaviso, este tribunal reconhece que indenizações não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Diz ainda que, “apesar da jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais ainda se revelar tímida sobre o assunto em comento, havendose notícia de jurisprudência antiga e vacilante no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, insta destacar o posicionamento até então firmado no Tribunal Regional da 1.ª Região, favorável à tese acima esposada, o qual vem sendo reiterado em julgados recentes”. Cita jurisprudência. Da revisão da alíquota de SAT Afirma que o auditor fiscal não logrou êxito em apurar a atividade econômica preponderante desempenhada pelo contribuinte, que é essencial à fixação do grau de risco de acidentes de trabalho, responsável pela fixação da alíquota de SAT. Alega que o auditor fiscal, em atenção ao Decreto n.º 7.574/2011, artigo 39, inciso III c/c Lei n.º 9.784/1999, artigo 50, parágrafo único, deveria ter anexado ao relatório fiscal a metodologia ou demonstrativo de cálculo utilizado para estimar a atividade preponderante do contribuinte ao longo do período fiscalizado, de modo a conferir legitimidade à autuação. Diz ter esclarecido à fiscalização que a empresa, com base no IN RFB n.º 971/2009, artigo 72, apurou que a sua atividade preponderante entre 2007 e 2009 correspondia ao código CNAE 47521/00 (comércio varejista de telefone aparelhos de telefone celular e acessórios), cuja alíquota atribuída era de 1% e, que, como vinha realizando os recolhimentos com base na alíquota de 2%, a diferença (1%) foi considerada como indébito tributário, passível de restituição através de compensação. Informa que, além disso, entre 7/2010 a 12/2010, a requerente também identificou que alguns estabelecimentos haviam sido incorretamente enquadrados no código CNAE 61205/01, cuja alíquota correspondente era de 2% sobre a folha e que, após extenso trabalho de auditoria interna, concluiu que o correto enquadramento deveria ter sido aquele descrito no código CNAE 61205/99, cuja alíquota era de 1% sobre a folha. Assegura que, tanto o enquadramento de sua atividade preponderante nos códigos 47521/00 e, posteriormente, no CNAE 61205/01, assim como a existência do crédito, restaram demonstrados à saciedade pela requerente, mas que, inexplicavelmente, todos os esclarecimentos prestados foram desprezados pelas autoridades fiscais. Afirma que a conduta da fiscalização produz uma absurda inversão do ônus da prova e que se a administração discorda dos critérios de enquadramento na atividade preponderante adotado, deveria ela mesma ter refutado através de conteúdo próprio tais fundamentos. Da realização de diligência fiscal Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 502 10 Entende que, caso não se reconheça de imediato os fundamentos que justificam a reforma integral do despacho decisório, que, no mínimo, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, para que haja um maior aprofundamento dos trabalhos efetuados no curso da fiscalização. Reafirma que o DD encontrase eivado de vícios, erros de premissa, irregularidades, dentre outras nulidades, decorrentes da necessidade de se concluir a fiscalização no afogadilho, sem a observância à ampla defesa e ao devido processo legal. Do pedido Ao final, requer seja reconhecida a improcedência do Despacho Decisório n.º 447/2017 e, subsidiariamente, a conversão do julgamento em diligência. Do Acórdão de Manifestação de Inconformidade A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, cuja conclusão foi consignada nestes termos: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, para manter os termos do DespachoDecisório SEORT/DRF/BRE n.º 447/2017 – DRF Barueri, que não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte nas competências 1/2013 a 12/2015, discriminadas no Anexo I do DD. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 11/10/2018 (efls. 446/489), o sujeito passivo postula o provimento para confirma que "as contribuições previdenciárias lançadas de ofício" são manifestamente improcedentes em razão da não incidência, cancelandose integralmente as "contribuições exigidas neste procedimento", confirmandose as compensações efetuadas nos anos de 2013 a 2015, reconhecendose os respectivos créditos, dandose provimento para reformar o acórdão, declarandose "insubsistente os lançamentos dele decorrentes, as multas impostas, incluindose os consectários legais". Para tanto, objetivando a devolução da matéria para esse Egrégio Colegiado, em síntese, reiterou as razões da manifestação de inconformidade, as quais foram bem apresentadas na transcrição do relatório da decisão hostilizada. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. Consta no processo eletrônico arquivos não pagináveis, todos conferidos por este relator, sendo elementos instrutórios dos autos. Consta, ainda, dos autos que não houve requisição para apresentação de contrarrazões pela PGFN (efl. 492). É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 503 11 Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecêlo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 14/09/2018, efl. 443, e protocolo recursal em 11/10/2018, efls. 444/446), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito Nulidade da decisão hostilizada Antes de adentrar no mérito, analiso o pedido de nulidade. A defesa advoga que é nulo o despacho decisório (efls. 91/104) e, consequentemente, busca a reforma da decisão de primeira instância para reconhecer tal nulidade, de ordem material, por sustentar a ocorrência de preterição do direito de defesa e violação do devido processo legal. Diz que é necessária a indicação específica dos fatos que justificam a imputação. Sustenta que está privada do contraditório, haja vista não saber o que deve ser provado, pois o fato a ser comprovado teria restado omitido no ato administrativo. Argumenta que não foi descrito precisamente, de forma detalhada, o fato que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais e de terceiros. Afirma que a autoridade fiscal se recusou a analisar a documentação anexada. Pondera que deveria se proceder com a conciliação dos créditos compensados com os registros informados no formato do MANAD e a tabela indicativa das rubricas objeto de compensação e que, assim, seria possível aferir a suficiência da compensação realizada, ainda que a operação estivesse sujeita a críticas quanto aos aspectos formais. Pois bem. Não verifico a alegada nulidade. O Despacho decisório analisou todo o contexto probatório dos autos, verificou as compensações efetivadas de per si pelo contribuinte, bem como avaliou e comentou a prova colacionada e, por diversas vezes, apresentou suas razões para justificar o não reconhecimento do direito creditório, especialmente face aos documentos constantes dos autos, o que resultou na glosa da compensação, aliás justificou, motivadamente, que o contribuinte não comprovou a liquidez e a certeza do seu vindicado direito creditório, inclusive porque não trouxe, apesar Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 504 12 de intimado, elementos para demonstrar que não houve a utilização em duplicidade dos alegados créditos. Eventual inconformismo com as razões da decisão é caso de debate no mérito. O fato é que inexiste nulidade no despacho decisório, não há cerceamento de defesa ou violação ao devido processo legal. Estão ausentes as causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, aliás despacho decisório e acórdão de manifestação de inconformidade convergem para um aspecto comum, a falta de certeza e de liquidez do direito creditório vindicado utilizado para efetivar as compensações, assim como a ausência de demonstração da origem do referido crédito, inclusive para evitar utilização em duplicidade, possibilitandose a rastreabilidade. Demais disto, não estamos diante de lançamento fiscal, mas sim de procedimento de homologação de compensação, no qual se verificou a existência, ou não, dos créditos e se concluiu pela inexistência deles. O ônus da prova quanto a existência dos créditos é do sujeito passivo, este deve provar seu direito creditório. No mais, as contribuições sociais previdenciárias foram "confessadas" em GFIP pelo próprio sujeito passivo, este as apresentou como sendo devidas, a despeito de agora alegar equívoco para algumas rubricas recolhidas. Posteriormente, o contribuinte buscou a compensação, com base no aduzido direito creditório que o despacho decisório, em resumo, entendeu não existente, por ausência de comprovação, seja porque não demonstrado materialmente o crédito, restando prejudicada a certeza, ou seja porque não assegurado, através de provas requisitas, que o suposto crédito não foi pleiteado em duplicidade, de modo a atestar a liquidez, caso fosse certo. Além disto, o despacho decisório restou devidamente motivado, mencionou a legislação que rege a matéria, apreciou as provas e as valorou conforme livre convicção pautada em fundamentos apresentados de forma clara e possíveis de serem infirmados, para o caso de inconformismo do administrado, daí, inclusive, a apresentação do recurso voluntário. Vejase, a título exemplificativo, uma das conclusões do Despacho Decisório quanto ao não reconhecimento do direito creditório e, consequentemente, para as glosas das compensações, verbis: De acordo com a análise registrada, constatouse a falta da apresentação de esclarecimentos necessários para o exame do direito creditório requeridos nas intimações, a não retificação de GFIPs em conformidade com as exigências da legislação pertinente e a ausência de embasamento legal ou comprovação relativa a rubricas indicadas na determinação da origem dos créditos utilizados. Restaram, assim, afastados os pressupostos de liquidez e certeza relativos aos valores aproveitados nas compensações informadas nas GFIPs dos anoscalendário de 2013 a 2015. Discordar dos fundamentos, das razões de decidir, não torna o ato nulo, mas sim passível de recurso para enfrentamento do mérito. Por fim, na forma consignada pela DRJ, litteris: O que se verifica é que o despacho decisório descreve adequadamente os fatos ocorridos no decorrer da fiscalização, que não foram infirmados pela defesa, assim Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 505 13 como identifica e discorre sobre os fundamentos que justificaram a não homologação das compensações, quais sejam: 1) falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado; 2) não retificação das GFIP; 3) natureza remuneratória das verbas compensadas; e 4) não comprovação das alegações que resultaram na alteração da alíquota do SAT. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. Apreciação de prejudicial antecedente a análise do mérito Requerimento de diligência Antes de avançar para o mérito, analiso o requerimento de diligência. Pois bem. Entendo que não pode ser acolhido o requerimento de diligência. Explico. O contribuinte pleiteia a diligência para "um maior aprofundamento dos trabalhos efetuados no curso da fiscalização." Contudo, não explica de forma objetiva a razão para tal requerimento. Limitase a fundamentos genéricos afirmando que há "diversos vícios, erros de premissa, irregularidades, dentre outras nulidades", sem, no entanto, especificálas. Ora, na compensação, é importante que se diga, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado. Não trata o caso dos autos de lançamento fiscal, mas sim de não homologação de compensações efetivadas de per si pelo sujeito passivo, a quem compete provar o seu direito creditório, para afastar as glosas. Vale dizer, o sujeito passivo precisa demonstrar de forma nítida, clara, o crédito líquido e certo que sustenta ser titular. Vejase que o contribuinte sequer apresenta quesitação para orientar os exames que seriam efetivados na sua sugerida diligência, quesitos estes que, também, embasariam a análise do pleito, caso demonstrassem pertinência. Noutro norte, o contribuinte tampouco apresentou o nome de expert, apto a acompanhar eventual trabalho de confecção da prova postulada. Ora, importante consignar que o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulamenta os requisitos obrigatórios para possibilitar a efetivação de diligências, sendo que a inobservância deles acarreta no indeferimento do requerimento. A matéria está posta no disciplinamento da impugnação/manifestação de inconformidade, enquanto instrumento de defesa do contribuinte, mas é aplicável na fase recursal por se tratar de norma geral do processo administrativo fiscal. Vejase: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 506 14 § 1.º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Ademais, como bem consignou a decisão hostilizada, a "realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos autos." Destaquese, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a autoridade julgadora de primeira instância determinará ou deferirá a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Sendo assim, indefiro o requerimento de diligência. Mérito Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor. Os autos tratam do que se convencionou denominar de processo de compensação, o qual se encontra no âmbito do processo de reconhecimento de direito creditório. Importante registrar que não estamos diante de um lançamento fiscal propriamente dito, mas sim de um procedimento homologatório da atividade exercida pelo sujeito passivo, tendo por objeto reconhecer, ou não, o vindicado direito creditório, alegado como sendo líquido e certo pelo contribuinte, para, então, a depender da conclusão quanto ao reconhecimento, homologar, ou não, as compensações efetivadas de per si pelo administrado. Neste procedimento iniciado pelo próprio sujeito passivo, quando da efetivação da compensação declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), temse uma presunção relativa inicial de que o contribuinte possui crédito líquido e certo (direito creditório) contra a Administração Tributária e, por isso, ao mesmo tempo em que confessa seus débitos próprios e independentes (Lei 8.212, art. 32, IV, § 2.º, 33, § 7.º), efetua a quitação destes com a efetivação do encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, buscando a extinção dos confessados créditos tributários (CTN, art. 156, II). Como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tributária tem fundamento no art. 170 do CTN dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte para com o Fisco) com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (débitos do Fisco para com o contribuinte). No âmbito previdenciário a compensação está embasada no art. 89 da Lei 8.212, de 1991, quando reza que as contribuições sociais previdenciárias poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 507 15 devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No mais, as normas regulamentares apontam para a necessidade do contribuinte apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal, inclusive em arquivos magnéticos, aptas a comprovação de direito creditório. Para que se homologue a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu alegado crédito é líquido e certo, que seu crédito efetivamente existe e é oponível ao Fisco. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a homologação da compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. Diferentemente do lançamento fiscal, o qual compete ao Fisco comprovar os motivos da autuação, apresentando as razões para a constituição de ofício do crédito tributário, no processo de compensação, cujo objeto do litígio é, em verdade, a verificação do direito creditório, a sua demonstração, o ônus probatório é essencialmente do sujeito passivo, haja vista que relacionado especialmente a demonstração da liquidez e certeza do direito creditório por ele vindicado, do qual se diz titular. A homologação da compensação é apenas um ato conclusivo do reconhecimento do direito creditório, o qual precisa ser provado pelo contribuinte. Por isso mesmo, o efetivo objeto deste processo é analisar e decidir acerca do crédito alegado pelo contribuinte, se ele existe, se é líquido e certo, se resta demonstrado por meio das provas trazidas aos autos pelo sujeito passivo e através de outras colacionadas durante a instrução por quaisquer das partes. Pois bem. No mérito, sustenta o recorrente, em resumo, que a documentação colacionada é suficiente e que cumpriu as obrigações acessórias, sendo relativizada a retificação da GFIP. Argumenta que não incide contribuições sociais previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, sobre o aviso prévio indenizado, sobre os valores pagos nos primeiros quinze (15) dias de afastamento (absenteísmo), sobre ajudas de custo, sobre férias não gozadas, sobre gratificações eventuais e sobre o adicional de sobreaviso. Alega que precisa ser revisada a alíquota do SAT, vez que, após auditoria interna, percebeu que estava recolhendo com base em maior alíquota do que o devido. Dito isto, antes mesmo de analisar a natureza jurídica das alegadas rubricas e seus efeitos face as contribuições sociais previdenciárias, entendo que, primeiro, preciso analisar a prova acostada ao caderno processual, a fim de conferir se resta, ou não, demonstrado a composição e origem, de forma líquida e certa, dos montantes tidos por recolhidos indevidamente para cada rubrica alegada, bem como se resta demonstrado que, em eventualmente estando demonstrada a composição e origem do alegado direito creditório, se não houve pedido de compensação em duplicidade. Compulsando os autos, não visualizo a comprovação, de forma líquida e certa, seja da composição, seja da origem dos alegados créditos que o recorrente aponta como gerador do direito creditório por supostamente não ser base de contribuições sociais previdenciárias. Aliás, em todo o recurso voluntário o contribuinte em nenhum momento refuta o argumento do despacho decisório quanto ao fato de que, se eventualmente Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 508 16 estivesse demonstrada a origem do aduzido crédito, não foram apresentadas outras compensações para o mesmo suposto direito creditório, evitandose duplicidade. A demonstração da certeza e liquidez do crédito exige detalhamento, articulação e aclaramentos, a fim de comprovar, inclusive, que não foi utilizado em outra compensação. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Por conseguinte, não lhe é dado exigir que a fiscalização recomponha a origem dos créditos compensados, cabendo, sim, ao contribuinte a obrigação de demonstrar a existência, a natureza e a mensuração do seu vindicado direito creditório, especialmente quanto a origem e adequada quantificação. Além do mais, diversamente do entendimento do recorrente, o só fato de ter apresentado o resumo das folhas de pagamento relativas a todas as competências de origem dos créditos informados, de acordo com o formato do MANAD (Manual Normativo de Arquivos Digitais), não possibilita de per si a recomposição dos créditos compensados, face a insuficiência do detalhamento dos mesmos. É, sim, necessário prestar informações segregadas por estabelecimento. Como consignado no despacho decisório, o ponto de partida da análise do direito creditório em compensações previdenciárias consiste na individualização dos créditos pela indicação da competência e do estabelecimento de origem para, em seguida, identificarse as correspondentes folhas de pagamento e, então, individualizarse as rubricas que compõe a base de cálculo do recolhimento previdenciário patronal. Em continuidade, partese para as declarações registradas nas GFIP's, com as confrontações pertinentes e conferência dos recolhimentos, com respectivas datas de pagamento, sem prejuízo de serem analisados outros documentos necessários para confirmar a composição do direito creditório apontado para fundamentar as compensações. Com este trabalho, também, permitese o adequado rastreamento e exaurimento da utilização do direito creditório em cada caso, de modo que não venha a ser aproveitado mais de uma vez, especialmente por ser autorizado a utilização do crédito de um estabelecimento em diferentes estabelecimentos da mesma empresa. No caso dos autos, para poder confirmar a liquidez e certeza do direito creditório, a fiscalização solicitou diversos documentos para o contribuinte, porém este não apresentou a contento a documentação que atestaria o seu direito creditório, tornando impossível, inclusive, atestar a composição do suposto crédito e se o mesmo existisse se eventualmente já não foi utilizado em outra ocasião. Vejase o que consta no despacho decisório: (...) através do Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n.º 88/2017, foram solicitados esclarecimentos da origem, detalhada por competência e discriminada por estabelecimento, dos créditos utilizados em compensações. Na resposta, foi relatado que, após procedimento de auditoria interna da empresa, houve a constatação de equívocos que resultaram na tributação de Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 509 17 rubricas que a empresa entendeu não estarem enquadradas no modelo de contribuição previdenciária previsto na Lei n.º 8.212/91. As rubricas foram listadas e houve a anexação de planilhas que ilustravam as compensações sem a devida vinculação, por competência e por estabelecimento, do crédito de origem. Posteriormente, observada a falta do necessário detalhamento na resposta anterior, foi novamente intimado, através do Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n.º 158/2017, para explicar o embasamento legal ou a decisão judicial aplicável para cada rubrica anteriormente indicada e para apresentar planilha de identificação, por competência e por estabelecimento, da origem dos créditos utilizados em cada compensação do anocalendário de 2013 a 2015. Foram também solicitados o resumo das folhas de pagamento, no formato MANAD, referentes às competências de origem dos créditos aproveitados nas compensações efetuadas de 2013 a 2015 e os correspondentes códigos e descrição atribuídos às rubricas envolvidas. Decorrido o prazo para o atendimento à intimação, o contribuinte solicitou dilação de prazo de trinta dias para a resposta aos itens. O prazo adicional foi deferido. A resposta, entretanto, foi parcial. Foram fornecidos alguns esclarecimentos adicionais, tabela de demonstração da origem dos créditos para compensações de alguns estabelecimentos em parte do período requerido (segundo semestre de 2015) e entrega de resumos de folhas de pagamento. Foi solicitada nova prorrogação do prazo, de mais trinta dias, para a complementação dos dados. Embora o prazo tenha sido novamente prorrogado, não houve qualquer outra manifestação do contribuinte. Dessa forma, apesar de todo o período concedido para a resposta, o contribuinte não identificou as competências e os estabelecimentos de origem dos créditos utilizados para todas as compensações informadas nos anoscalendário de 2013 a 2015. Os citados Termos de Intimação Fiscal, as respectivas respostas e os documentos apresentados, inicialmente incluídos no dossiê n.º 10010.028409/031762, foram devidamente inseridos na instrução do presente processo nas fls. 03 a 84. (...) 1. Do atendimento parcial aos esclarecimentos requeridos nos Termos de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n.º 88/2017 e n.º 158/2017. (...) Nesse ponto da análise, ressaltase, ainda, que as demais informações sobre as compensações constantes em folhas de pagamentos, GFIPs de origem e guias de recolhimento consistem em elementos complementares na comprovação da apuração de créditos que tenham sido anteriormente referenciados pela competência e pelo estabelecimento e não substitutivos desta indicação da Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 510 18 origem dos valores aproveitados nas compensações. É justamente pelo direcionamento da competência e do estabelecimento de origem de determinado crédito que se torna possível, por exemplo, identificar quais os documentos probatórios capazes de remontar a composição da contribuição previdenciária atribuída a cada rubrica. Portanto, as folhas de pagamento, as GFIPs da origem e os pagamentos efetuados consistem em documentos auxiliares na validação dos valores constantes em planilhas de demonstração que especificam créditos utilizados, dependem da indicação da origem do crédito para serem identificados e, isoladamente, não comprovam a ocorrência de recolhimentos indevidos ou a vinculação do aproveitamento de créditos nas diferentes compensações. Dessa maneira, em adição às considerações já abordadas, e embora entregues na resposta resumos de folhas de pagamentos (fls. 76 a 80), a ausência de detalhamento dos créditos pleiteados, por não apresentação dos dados necessários ou por prestação de informações na forma consolidada para os diversos estabelecimentos, não possibilita que estes créditos sejam reconhecidos. (grifos acrescidos) Analisando a prova dos autos, realmente, não verifico na planilha (Tópico_2.1.xls) constante dos documentos não pagináveis1, relativa ao segundo semestre de 2015, já que para as outras competências a intimação fiscal não foi atendida e não foram apresentadas as informações requisitadas, no que tange aos CNPJ's dos estabelecimentos de final 005905, 008408, 009137, 010658, 010810, 011204, 015102, 024101, 030250 e 031493, representados em abas da referida planilha, que sequer houve a inserção de valores para compensações ou para origem de créditos nos respectivos períodos lá apresentados, de modo que não há demonstração das compensações efetuadas. Por outro lado, para os CNPJ's dos estabelecimentos de final 015536 e 015706, embora a planilha acima citada apresente valores de compensações para o segundo semestre de 2015, os mesmos estavam baixadas com datas respectivas de 18/02/2010 (efl. 89, "EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA") e de 09/08/2010 (efl. 90, "EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA"). Observo, ainda, analisando os dados da sobredita planilha para os demais CNPJ's dos estabelecimentos do recorrente, bem como comparando e atestando os números elaborados no Anexo II pela autoridade fiscal (efls. 271/272) com os números apresentados na citada planilha pelo contribuinte que, verdadeiramente, os valores indicados como compensados e justificados pelo contribuinte (Coluna C) são destoantes dos valores importados dos campos de compensação das GFIP's (Coluna K), o que demonstra inconsistência na comprovação das compensações. 1 13896721898201714_000000_000000_COPIA_Arquivo Não Paginável_20190212133927401_20190212 1340518.RAR Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 511 19 Vejase, por amostragem, seguintes trechos do documento que cito: Anexo II (efl. 271) Confirase as Colunas "C" e "K": Planilha do Contribuinte (documento não paginável, conferir nota de rodapé 1, apesar de intimado para apresentar a referida planilha para todo o período compreendido de 01/2013 a 12/2015, só foi apresentado o segundo trimestre de 2015): Destaco que, de igual modo, resta comprovado nos autos, e bem demonstrado no Anexo III (efls. 273/303), elaborado pela autoridade fiscal, que, conforme afirmado no despacho decisório: "de todas as compensações registradas nas GFIPs do segundo semestre de 2015, ordenadas, por competência, no Anexo III, observouse que diversas outras compensações ocorridas no período sequer foram mencionadas na resposta. E, em consequência direta, além das inconformidades anteriormente assinaladas, destacase que a entrega parcial dos dados requeridos impede a análise cruzada do aproveitamento de créditos entre os estabelecimentos e impossibilita a averiguação de que os mesmos não tenham sido utilizados em duplicidade." Neste diapasão, assiste razão a autoridade fiscal quando consigna no despacho decisório que: Para ilustrar a questão descrita, com auxílio da tabela do Anexo III, verificouse, por exemplo, que todas as 221 compensações informadas nas GFIPs da competência de 09/2015 apontam o período de origem do crédito na competência de 10/2010. No entanto, na resposta à intimação, somente foi indicado o estabelecimento de origem dos créditos para 12 destas compensações e, portanto, não há como estabelecer que os exatos créditos, originados dos mesmos estabelecimentos, não tenham sido também aproveitados nas outras 209 compensações que assinalaram nas GFIPs igual período de origem para os valores aproveitados. Logo, uma vez que supostos créditos originados de recolhimentos relativos a determinado estabelecimento podem ser posteriormente utilizados em compensações por outros estabelecimentos ou por um Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 512 20 mesmo estabelecimento em períodos diferentes, é evidente que as diversas compensações efetuadas pela empresa, necessariamente, precisam ser apreciadas em conjunto. Em todo este contexto, importante consignar, outrossim, que a análise da documentação apresentada foi, sim, amplamente considerada, no entanto o que se atestou foi a incongruência dos supostos créditos, de modo que, não sendo líquidos e certo, não podem ser reconhecidos, glosandose as compensações. O fato de ser autorizada a compensação cruzada não significa que deixe de ser necessário comprovar individualizadamente a origem dos créditos e a sua correta quantificação, seja para efetivamente atestálos, seja para evitar utilização dúplice. Aliás, o contribuinte não comprovou de forma individualiza a origem. Por conseguinte, não resta demonstrado a composição e origem, de forma líquida e certa, dos montantes tidos por recolhidos indevidamente para cada rubrica alegada, tampouco há rastreabilidade capaz de assegurar que não houveram compensações em duplicidade. Desta forma, não restando provada a existência, a natureza e a extensão do direito creditório que deu origem às compensações, bem como não afastada a possibilidade de utilização em duplicidade de tais supostos créditos, em suma, inexistindo demonstração de certeza e liquidez, inexistindo a comprovação da origem dos créditos, inclusive por competência e CNPJ, sequer há a necessidade de analisar se incide, ou não, contribuições sociais previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, sobre o aviso prévio indenizado, sobre os valores pagos nos primeiros quinze (15) dias de afastamento (absenteísmo), sobre ajudas de custo, sobre férias não gozadas, sobre gratificações eventuais e sobre o adicional de sobreaviso. Tal aspecto passa a ser secundário e irrelevante para o caso concreto, diante de tais constatações. De mais a mais, importante dizer que a suposta auditoria interna que atestaria a composição dos créditos compensados, relativo as ditas rubricas, não foi colacionada aos autos. Não se demonstra concretamente e originariamente a composição dos mencionados créditos. Quanto a revisão da alíquota do SAT, a despeito de seguir as mesmas conclusões acima, não restando demonstrada a certeza e a liquidez deste crédito, havendo ausência de aclaramento da origem a permitir a rastreabilidade para evitar utilização dúplice, consigno, em acréscimo, que não restou apresentado, por meio de prova nos autos, as conclusões desta outra suposta auditoria interna que atestaria a justificativa para a mudança de classificação do CNAE. O contribuinte alega, mas não prova, eis a questão. O sujeito passivo deveria, inclusive, ter apresentado elementos que comprovassem que a atividade desenvolvida em dado estabelecimento é de fato outra, diversa daquela que originalmente informou, mas não fez essa demonstração, não provando a atividade preponderante de cada um dos estabelecimentos, considerando o número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em cada um. Sustentar possuir "auditorias" internas sem comprovar, sem apresentálas, sem mostrar efetivas conclusões, sem apresentar um estudo indicando efetivamente em qual alíquota estaria enquadrada, conforme atividade preponderante, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos no Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 513 21 âmbito de cada estabelecimento, nada comprova. Se o contribuinte não comprova que recolheu esse tributo com alíquota superior à devida, não há como reconhecer o direito creditório em seu favor. Vejase que o contribuinte não apresenta, por exemplo, uma análise de todas as suas atividades exercidas e da alocação dos segurados empregados em cada uma destas atividades, no âmbito de cada estabelecimento, a fim de demonstrar qual a atividade preponderante, não relaciona, verbi gratia, os seus trabalhadores com as respectivas funções para os fins de demonstrar a atividade preponderante que se descortinaria. Logo, não há como dar razão a sua tese de inconformidade. Aliás, em GFIP anterior o recorrente confessou enquadramentos e fez os respectivos recolhimentos que entendeu serem devidos à época, vale dizer, o contribuinte constituiu em linguagem competente, ele próprio, a norma individual e concreta nos que se refere a incidência e extinguiu os créditos tributários que confessou, deste modo, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva da nova realidade. Como se dessume, outro fato posto nos autos é que a GFIP não foi retificada, não se reduziu os débitos antes confessados, mantendose a linguagem constituída pelo próprio sujeito passivo, dito isto, deixouse de cumprir requisitos procedimentais necessários à efetivação da compensação, posto que, na forma regulamentar, a restituição das contribuições previdenciárias declaradas, quando posteriormente se entender que estão incorretas, fica, em regra, condicionada à retificação do que foi declarado, a fim de permitir também a adequada quantificação, sendo a retificação da GFIP um dos meios idôneos a serem somados no procedimento de demonstração da certeza e da liquidez do eventual direito creditório. Aliás, há entendimentos possibilitando a retificação, inclusive, posterior ao despacho decisório, porém, negandose o contribuinte a efetivála, a todo tempo, não resta muita margem à discussão, ressalvado se excepcionalmente houvessem outros elementos efetivamente aptos a comprovarem a certeza e a liquidez, se o crédito fosse incontroversamente visível, o que não é o caso dos autos, no qual temos um alegado crédito bastante controverso. De mais a mais, o grande cerne da questão, que não pode ser superado, é não terem sido apresentadas provas capazes de consubstanciar e fazer exsurgir o suposto direito creditório, não se demonstrando sequer a origem deles e a não postulação em duplicidade. Eis a verdade material que se descortina do caderno processual. Sendo assim, sem razão o recorrente. Conclusão relativa ao Recurso Voluntário Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter íntegra a decisão recorrida, conhecendo do recurso voluntário, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, negando provimento ao recurso. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13896.721898/201714 Acórdão n.º 2202005.095 S2C2T2 Fl. 514 22 Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 514DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.729486/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
IRPJ. GLOSA DE DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A dedutibilidade de despesas com prestação de serviços possui vários requisitos, entre eles, a comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. Mantém-se a glosa em razão da ausência de comprovação deste requisito.
CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA.
Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração do efetivo serviço prestado, devendo ainda ser necessário, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
MULTA QUALIFICADA.
Ausente a indicação ou descrição da conduta dolosa do contribuinte, seja por ação ou omissão, impõe-se o afastamento da multa qualificada. A mera citação dos dispositivos legais que prescrevem a aplicação da qualificadora não são suficientes para justificar sua imposição.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Numero da decisão: 1301-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade de despesas com prestação de serviços possui vários requisitos, entre eles, a comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. Mantém-se a glosa em razão da ausência de comprovação deste requisito. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração do efetivo serviço prestado, devendo ainda ser necessário, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. Ausente a indicação ou descrição da conduta dolosa do contribuinte, seja por ação ou omissão, impõe-se o afastamento da multa qualificada. A mera citação dos dispositivos legais que prescrevem a aplicação da qualificadora não são suficientes para justificar sua imposição. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
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GLOSA DE DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade de despesas com prestação de serviços possui vários requisitos, entre eles, a comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. Mantémse a glosa em razão da ausência de comprovação deste requisito. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração do efetivo serviço prestado, devendo ainda ser necessário, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. Ausente a indicação ou descrição da conduta dolosa do contribuinte, seja por ação ou omissão, impõese o afastamento da multa qualificada. A mera citação dos dispositivos legais que prescrevem a aplicação da qualificadora não são suficientes para justificar sua imposição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 94 86 /2 01 5- 86 Fl. 6177DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.178 2 Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 20922137), referentes ao anocalendário 2011, decorrentes de glosa de despesas de prestação de serviços. Também foi efetivado o lançamento do IRRF, em outro processo administrativo (n.12448.729.489/201510), em razão de pagamentos sem comprovação da operação ou sua causa. A autuação foi efetivada com base no lucro arbitrado, nos termos dos incisos I e II do artigo 530 do Regulamento do Imposto sobre a Renda 1999 RIR/99, tendo como base de cálculo a receita conhecida, conforme dispõe o art.532 do RIR/99. O contribuinte apurava o imposto de renda com base no lucro real trimestral. O lançamento dos tributos sofreu a incidência da multa de ofício qualificada de 150 %, com acréscimo de juros moratórios, conforme abaixo discriminado: IRPJ: Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.179 3 CSLL: PIS: COFINS: Por bem descrever os fatos, transcrevemse trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 20122091): No ano calendário de 2011 o contribuinte optou pela forma de tributação com base no lucro real, período de apuração trimestral e, de acordo com a DIPJ/2012 ND 0001078328 que foi transmitida a RFB, informou como sendo o total de sua receita bruta auferida naquele ano com a prestação de serviços o montante de R$ 87.561.927,94, enquanto o total de despesas informadas como sendo decorrentes de serviços prestados por pessoas jurídicas alcançou a cifra de R$ 70.104.740.32, ou seja, correspondeu à quase integralidade das despesas operacionais declaradas no ano que foi de R$ 72.323.073,08. Ocorre que, no curso do procedimento administrativo, restou demonstrado pelo fisco que daquele total de R$ 70.104.740,32 o contribuinte não logrou comprovar, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, a efetiva prestação de serviços referentes a consultorias e assessorias que atingiram a quantia de R$ 67.681.115,37. De fato, ao longo do anocalendário de 2011 a empresa PegCred Promotora de Vendas e Participações S/A contabilizou e pagou por despesas que foram descritas nas notas fiscais como sendo decorrentes de consultorias/assessorias prestadas pelas pessoas jurídicas Omaha Consultores Ltda, (...), mas, apesar de terem sido disponibilizadas cópias de instrumentos particulares celebrados entre as partes, cópias de notas fiscais de serviços, cópias de documentos intitulados de relatórios de produção, cópias de documentos referentes a operações de crédito e efetuados os respectivos pagamentos não logrou comprovar, com base na documentação que foi apresentada ao fisco, a efetiva prestação dos serviços de consultorias/assessorias que estão descritos no documentário fiscal e contratos celebrados. Fl. 6179DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.180 4 Cumpre ressaltar que somente para a empresa Omaha Consultores Ltda foi desembolsada quantia equivalente a R$ 43.890.723,22 (quarenta e três milhões, oitocentos e noventa mil, setecentos e vinte e três reais e vinte e dois centavos). Motivado pelo fato dessa empresa ter recebido a maior parcela do montante pago pela fiscalizada o agente, no curso da ação fiscal, adotou o procedimento de verificar inicialmente os valores que foram registrados na conta de resultado 5.1.1.02.02.0013 OMAHA CONSULTORES LTDA e, posteriormente, os montantes escriturados nas demais contas correspondentes àquelas outras 14(quatorze) empresas. (...) TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Diante das irregularidades que foram apuradas no curso da ação fiscal decorrentes da não comprovação da efetiva prestação da quase totalidade dos serviços que foram escriturados, pagos e informados pela empresa na DIPJ/2012 linha 04 sob a rubrica de prestação de serviço por pessoa jurídica e, considerando que tal montante de R$ 67.681.115,37 passível de ser glosado equivale, em termos percentuais, a mais de 90% de todas as despesas operacionais que foram informadas pela empresa no ano calendário de 2011, ou seja, R$ 72.323.073,08 o agente promoveu o arbitramento do lucro da pessoa jurídica pois, diante dessa situação fática, é incabível a preservação da apuração pelo Lucro Real, que pressupõe uma escrituração regular. (...) Nos autos de infração foram compensados os valores retidos a título de IRF ( cód.1708 ) e CSSL ( cód 5952 ), conforme informações constantes da DIRF que foi transmitida pelo Banco BVA, C.N.P.J 32.254.138/000103 .(grifos originais e nosso) Inconformado com a autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls.21732245). Em apertada síntese, alegou: preliminarmente, da nulidade por manifesto erro na indicação da disposição legal infringida; que o auditor fiscal não teria apontado a norma legal infringida, não obstante a motivação seria o artigo 530, inciso I e II do RIR/99, e este dispositivo não é lei, mas um mero decreto normativo, o que contraria os artigos 5º e 97 do CTN; nulidade da autuação por violação ao disposto na Portaria MF nº 187/93; que as despesas eram dedutíveis e atendiam aos requisitos do art.299 do RIR/99; que não poderia a Fiscalização, em hipótese alguma, utilizarse de recursos presuntivos e meros indícios para concluir, de forma equivocada, que os pagamentos efetuados pela IMPUGNANTE não teriam causa; ilegalidade do arbitramento do lucro; falta de previsão legal para a adição de despesas, consideradas indedutíveis, na base de cálculo da CSLL; Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.181 5 que a caracterização dos custos/despesas como pagamento sem causa resultaria em um absurdo bisinidem; inaplicabilidade da multa qualificada e inexigibilidade de juros de mora sobre multa de ofício. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte apenas para afastar a incidência da multa qualificada, através de acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 Despesas com Prestação de Serviços. Glosa. Falta de Comprovação. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de serviços efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Ausência de Motivação. Cancelamento. A aplicação da penalidade qualificada requer que, à conduta da Fiscalizada, esteja associada alguma das condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, quando aí, sim, seria cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Entretanto, se a Fiscalização não demonstra, de maneira explicita, uma eventual conduta, em tese, dolosa por parte da Fiscalizada, não pode prevalecer a multa qualificada, devendose proceder ao seu cancelamento, mantendose a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 Lançamentos Decorrentes. CSLL. PIS. COFINS Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Houve recurso de ofício em face do valor exonerado pela DRJ ser superior ao limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado da Fazenda. Em 01/07/2016, o contribuinte tomou ciência do acórdão através Termo de Ciência de fl. 6012. Inconformado com a decisão de 1ª Instância, em 02/08/2016, o Fl. 6181DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.182 6 contribuinte interpôs recurso voluntário de acordo com Termo de Solicitação de Juntada (fl. 6019). O sujeito passivo manifesta sua irresignação através dos seguintes argumentos: 1. Primeiramente esclarece sobre sua atividade comercial tipificada como "correspondente não bancário", submetida à regulação do BACEN, discorre sumariamente sobre os fatos relacionados à autuação; 2. Contesta a decisão de 1ª Instância por manter a glosa generalizada de despesas; 3. Declara que não conseguiria desenvolver tais soluções sem o suporte das prestadoras de serviços contratadas, não só pelo conhecimento técnico requerido, mas também pela visão profunda do mercado financeiro que tais empresas traziam, incrementando a respectiva carteira de clientes, explorando nichos de mercado nos quais a Recorrente não teria conhecimento técnico para atuar sozinha, aumentando, assim, o seu faturamento; 4. Afirma que apresentou um conjunto probatório robusto e suficiente para evidenciar os serviços adquiridos pela Recorrente (docs. 03, 04, 05 e 06 acostados à impugnação); 5. Aponta discordâncias com as conclusões de decisão recorrida; 6. Afirma que os serviços prestados pelas empresas que foram glosados tratam se de serviços de produção intelectual, cujo resultado é imaterial; 7. Defende a dedutibilidade das despesas decorrentes dos contratos de prestação de serviços e aplicação do art. 299 do RIR/99 e que teriam sido atendidos os aspectos da necessidade, usualidade e normalidade; 8. Impossibilidade de presunção no lançamento; 9. Ilegalidade do arbitramento do lucro; 10. A caracterização dos custos/despesas como pagamento sem causa resultaria em um absurdo bisinidem; É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.183 7 Do Mérito. 1. Da Glosa das Despesas com Prestação de Serviços A Recorrente foi autuada em razão de glosa de despesas de prestação de serviços no anocalendário 2011. Concluiu a autoridade fiscal que, apesar dos documentos apresentados pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização, não restou comprovada a efetiva prestação da quase totalidade dos serviços escriturados, pagos e informados na DIPJ/2012, totalizando o montante de R$ 67.681.115,37 (mais de 90% de todas as despesas operacionais). A receita bruta declara para o período foi de R$ 87.561.927,94. Consta do TVF que o contribuinte apresentou cópias de instrumentos particulares celebrados entre as partes, cópias de notas fiscais de serviços, cópias de documentos intitulados de relatórios de produção, cópias de documentos referentes a operações de crédito e efetuados os respectivos pagamentos, contudo não logrou comprovar a efetiva prestação dos serviços de consultorias/assessorias que estão descritos no documentário fiscal e contratos celebrados. A glosa de despesas envolveu a prestação de serviços contabilizadas em 15 contas contábeis, que foram analisadas uma a uma no TVF, correspondentes às pessoas jurídicas listados abaixo: Fl. 6183DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.184 8 *Planilha fls. 59885989 A autoridade fiscal iniciou a análise das despesas por conta contábil/pessoa jurídica e intimou a autuada a apresentar documentos referentes à prestação de serviços de cada uma das empresas prestadoras, inclusive no que diz respeito ao responsável técnico responsável pela execução, conforme se depreende do TVF. O cerne da discussão, portanto, diz respeito à comprovação da efetiva prestação dos serviços e passa necessariamente pela valoração do conjunto probatório. Não se discute aqui se houve ou não pagamento, se houve emissão de nota fiscal e se a prestação de serviços foi contabilizada. Isto porque o próprio fiscal relata a existência de pagamentos, de emissão de notas fiscais e da contabilização das despesas de prestação de serviços. Desta feita, passo à análise individual da glosa das despesas dos serviços prestados pela Omaha Consultores Ltda, porque guarda algumas peculiaridades não encontradas nas demais empresas e pelo seu valor representar aproximadamente 64,8% dos valores glosados. Em seguida, tratarseá da glosa das demais empresas como um todo. 1. 1 Da Glosa das Despesas de Prestação de Serviços Omaha Consultores Ltda OMAHA Em relação aos serviços prestados pela OMAHA, concluiu o fiscal que não restou comprovada a efetiva prestação de serviços. De fato, assiste razão à autoridade fiscal. Consta que o responsável técnico pela prestação dos serviços foi Benedito Ivo Lodo Filho, que era sócio administrador da OMAHA, ao mesmo tempo em que figurava como diretor da empresa contratante PEG CRED. A Recorrente alega que em razão da complexidade e sofisticação de determinadas operações e clientes, cuja estruturação intelectual era pontochave para sua viabilização, decidiu organizar seu negócio através de profissionais altamente qualificados, com dedicação não exclusiva, os quais, em sua grande maioria estavam organizados através de pessoas jurídicas (fl. 6023). Não se mostra razoável a contratação da OMAHA, para prestação de serviço através de profissional altamente qualificado, quando este mesmo profissional já fazia parte do quadro da contratante. Fl. 6184DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.185 9 A Recorrente declara que vislumbrando a expansão dos seus produtos financeiros e seus negócios, nomeou como administrador e diretor o Sr. Benedito Ivo Lobo Filho e, paralelamente, o Sr. Benedito Ivo Lodo Filho, por meio da Omaha, foi contratado para prestar serviço específico, na área de desenvolvimento dos produtos financeiros, por ter ampla e notória expertise no ramo. Afirma ainda que a OMAHA é empresa constituída há mais de 20 anos e ao longo desse período prestou serviços para outras empresas e acostou Relatório de Notas Fiscais emitidas (fls. 61306136). No citado relatório, encontramse elencadas apenas notas fiscais emitidas no período compreendido entre jan/1995 e dez/2006, ou seja, não há qualquer comprovação de que após 2006 a OMAHA prestasse serviço para outras empresas que não a Recorrente. Ressaltese que a autuação diz respeito ao anocalendário 2011. Nas notas fiscais de serviço emitidas pela OMAHA (fls. 139 e ss), consta como discriminação dos serviços tão somente: "Consultoria" (34 notas) ou 'Prestação de Serviços" (1 nota), expressões vagas e genéricas que não se prestam a esclarecer especificamente qual serviço teria sido prestado. O contrato firmado entre a OMAHA e a Recorrente possui como objeto a prestação de "Serviços de estruturação de operações de crédito bancário de qualquer natureza, bem como desenvolvimento de outros produtos bancários, conforme descrição constante nas condições especificas adiante.", que pouco esclarece acerca dos serviços prestados pela OMAHA à Recorrente. Além dos contratos, a Recorrente apresentou Relatórios de Produção (fl.642) que indicam a produção no período, correspondente às operações de crédito realizadas no período, o valor da comissão de 5% e o valor da despesa. Acerca da remuneração, assim dispôs o contrato entre a OMAHA e a PEG CRED: Num dos relatórios de produção, a OMAHA teria sido remunerada em 5% do valor das operações de crédito realizadas através de 13 contratos de operação de crédito. A Recorrente foi intimada para esclarecer a participação da OMAHA nessas operações de crédito, bem como para justificar a necessidade de contratação de tais serviços para a consecução dos objetivos sociais da contratante, isto porque o responsável pela execução dos serviços foi a pessoa física Benedito Ivo Lodo Filho, que é sócio administrador da empresa contratada e diretor da empresa contratante. Em resposta, a Recorrente apresentou cópias de documentos para fins de comprovação da prestação de serviços realizada por OMAHA que fazem menção a operações Fl. 6185DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.186 10 realizadas entre o Banco BVA S/A e diversas sociedades. Esclareçase que o BANCO BVA S/A era o principal cliente da autuada, conforme dados extraídos da DIRF, sendo responsável por 99,70% da receita auferida pelo sujeito passivo no anocalendário 2011 (TVF fl.2072). Contudo, em nenhum contrato é citada a OMAHA, não sendo possível comprovar que tenha tido alguma participação efetiva. Acerca da participação da OMAHA na estruturação dos contratos de operação de crédito efetivados entre o Banco BVA S/A e outras empresas, a Recorrente insiste que a OMAHA foi imprescindível, mas não esclarece sua participação. Veja as seguintes passagens do recurso: O relatório detalha algumas das operações de crédito celebradas entre clientes e o Banco BVA, por intermédio da Recorrente, cuja participação da Omaha foi imprescindível . Esses Contratos de Crédito foram apresentados pela Recorrente em sua impugnação (fls. 885 a 1066) (...) É de fundamental importância para o definitivo deslinde da controvérsia o esclarecimento de que todos os 13 (treze) contratos bancários acima listados somente foram celebrados em razão do serviço prestado pela Omaha à Recorrente. Perguntase: por que a participação da OMAHA era imprescindível? Qual foi exatamente o serviço prestado pela OMAHA, na pessoa de seu responsável técnico Sr. Benedito Ivo Lodo Filho? Acerca da necessidade da contratação da OMAHA a Recorrente apresentou as seguintes respostas em 24/09/2014 e 03/03/2015 (TVF fls. 2021 e 2023): Em 24/09/2014: (...) conforme contratos de prestação de serviços já disponibilizados a Vsas a Omaha Consultores Ltda foi contratada pela intimada para prestação de serviços de estruturação de operações de crédito e outros produtos bancários. Tais atividades não se confundem com as funções e atribuições do Sr. Benedito Ivo Lodo Filho como administrador da intimada. Mais que isso: as atividades objeto dos contratos de prestação de serviços extrapolam as funções de administrador. Como administrador da intimada, Ivo tinha como atribuição, legal e estatutária, a gestão dos negócios da companhia. Para desenvolvimento de parte de suas atividades (como a estruturação de operações de crédito e outros produtos bancários), a intimada contratava empresas especializadas, dentre as quais a Omaha Consultores Ltda. O fato de Benedito Ivo Lodo Filho ser sócio da Omaha Consultores Ltda não seria um impedimento para a prestação de serviços. Tal modelo de contratação, pelo contrário, foi desenhado visando à sinergia intragrupo, conjugando esforços e resguardando confidencialidade na condução dos negócios ". Em 03/03/2015: A intimada esclarece que os trabalhos realizados pela empresa Omaha Cônsultores Ltda ( " OMAHA " ) abrangeram o desenvolvimento e estruturação de produtos e soluções para os clientes da PEG CRED, no Fl. 6186DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.187 11 sentido de apoiálos nas estratégias de crescimento de seus negócios. Tais produtos e soluções, além da alta complexidade, culminaram em valores e operações substanciais, tais como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios FIDCs e operações de crédito estruturadas, cujas cifras atingem cerca de R$ 1 bilhão. A empresa OMAHA foi responsável por toda a intelectualidade de tais operações e produtos, além da sua dedicação aos mesmos no período em que foram desenvolvidos, dado a complexidade e volumes, como mencionado anteriormente. Além disso, vale frisar que serviços como esses, que não fazem parte das rotinas normais, sempre foram solicitados para empresas parceiras com competência específica na matéria em questão. No entanto, notase que a decisão de contratação de tais empresas pela intimada sempre foi pautada no quesito de confiança, agilidade e conhecimento da matéria. Portanto, a PEG CRED sempre se pautou em trazer empresas e pessoas que realmente preencham tais requisitos. Além disso, a intimada não conseguiria desenvolver tais soluções sem o suporte da OMAHA, não só pelo conhecimento técnico requerido, mas também pela visão profunda do mercado financeiro e, principalmente, em se tratando do cliente em questão. A contratação da OMAHA foi importante para a PEG CRED diversificar seus produtos financeiros, incrementar sua carteia de clientes, explorar nichos de mercado nos quais a intimada não tinha conhecimento técnico e aumentar seu faturamento. A necessidade da contratação da OMAHA para a PEG CRED está na complementariedade e especialidade dos serviços prestados, sem os quais a PEG CRED não alcançaria seus objetivos de crescimento e rentabilidade. Adicionalmente, a OMAHA também detinha relacionamento estreito com as empresas abrangidas nessas operações, o que contribuiu positivamente para a celebração de contratos de operações que incrementaram o faturamento da PEG CRED." A meu ver, as respostas apresentadas não comprovam a necessidade de contratação da OMAHA, pelo contrário, ratificam sua desnecessidade, na medida em que citam a importância da intelectualidade do responsável pela OMAHA, que era o Sr. Benedito Ivo Lodo Filho, sócio diretor da autuada. Cita ainda a relevância para o incremento na carteira de clientes, quando se sabe que a Recorrente concentrava suas operações num único cliente, o Banco BVA SA. Cita ainda o relacionamento estreito da OMAHA com as empresas abrangidas na operação, quando este relacionamento era desenvolvido pelo Sr. Benedito Ivo. Com efeito, não se mostra necessária a contratação de empresa OMAHA para prestação de serviços, ditos especializados, se o responsável pela intelectualidade do serviço era o próprio diretor da PEG CRED. É de se destacar que o próprio estatuto social da Recorrente prevê com sendo um dos objetos sociais a prestação de serviços de assessoria, consultoria comercial e econômicofinanceira. Veja a íntegra do objeto social da PEG CRED: Fl. 6187DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.188 12 ARTIGO 2º A Companhia tem por objeto social a prestação de serviços de controle de crediários, levantamentos cadastrais, assessoría e consultoria comercial e econômicafinanceira, emissão de carnes e outros títulos de cobrança, cobrança de quaisquer títulos de crédito, inclusive de inadimplentes, organização, organização e estruturação de sistemas de processamento de dados, consultoria em marketing, intermediação e controle de negócios em geral, participação em outras sociedades, de qualquer ramo de atividade, nacionais e estrangeiras.(grifo nosso) Veja que a Recorrente pagou a OMAHA pela prestação de serviços o valor de R$ 43.901.000,00, correspondente a 64,8% do total das despesas da autuada. Para que se demonstre que essa movimentação patrimonial efetivamente ocorreu, os lançamentos contábeis devem estar amparados documentação hábil e idônea, que vai além de meros documentos que representam tão somente as formalidades extrínsecas da prestação de serviços. As notas fiscais emitidas pela OMAHA, bem como o contrato firmado entre ela e a PEG CRED são meras formalidades que não se prestam a demonstrar a efetiva prestação de serviços por parte da OMAHA. A efetividade dos serviços poderia ser comprovada com relatórios de serviços, troca de emails, atas de reuniões, entre outros documentos. A Recorrente alega que o Colegiado da DRJ não soube distinguir a diferença entre a prestação de um serviço com resultado material para um serviço de produção intelectual. De fato, a prestação de um serviço de consultoria comercial ou econômico financeira não possui um resultado material tão óbvio quanto a contratação da construção de um navio. Mas, é razoável considerar que a prestação de serviços da ordem de R$ 43 milhões seja precedido da elaboração de projeto, relatório, estudo, levantamento, ou que seja precedido de troca de emails, reuniões entre outras atividades. No caso em concreto, a recorrente não demonstrou a efetividade da prestação dos serviços. Nem as notas fiscais, tampouco o Relatório de Produtividade, são suficientes para a comprovação da prestação dos serviços por parte da OMAHA em relação a PEG CRED. As provas carreadas aos autos tratam de operações de crédito entre o BANCO BVA S/A e outras empresas. O Banco BVA S/A possuía contrato com a Recorrente, conforme contratos anexados às fls. 6094 e seguintes. Vide tela abaixo: As notas fiscais apresentadas e os relatórios de produção são formalidades extrínsecas que não demonstram de que maneira a OMAHA contribuiu para a prestação dos serviços. Fl. 6188DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.189 13 Em verdade, a contratação de uma empresa que tem como maior capital a qualificação e expertise do seu sócio Sr. Benedito Ivo Lodo Filho, que é ao mesmo tempo diretor da Contratante, parece constituir artifício para aumentar as despesas da Recorrente, pessoa jurídica optante pelo lucro real, enquanto que a Contratada se beneficiaria de regime tributário mais favorecido. Dessarte, não tendo sido trazidos aos autos elementos que comprovem a efetiva prestação de serviços por parte da OMAHA, voto pela manutenção da glosa das referidas despesas. 1.2. Da Glosa das Despesas de Prestação de Serviços Demais Empresas 1.2.1 Glosa de Despesa BPW Consultoria Empresarial e Assessoria Financeira Ltda, J P R H Serviços de Cobrança Ltda, Antônio C. Conversano Serviços de Planejamento Financeiro, Monica Moreno Digitação e Processamento Ltda, Antônio Luiz de Oliveira P Pascoal Me, R L de Souza Brandão Cobranças e YKK Serviços de Cobrança EPP (fl.52 do TVF) Em relação a glosa das despesas referente às empresas supracitadas, a autoridade fiscal concluiu que a Recorrente também não havia trazido ao procedimento administrativo um documento/prova material que fosse capaz de permitir uma aferição ou atestar que as empresas contratadas, por intermédio daqueles apontados como sendo os responsáveis por sua execução, tenham participado e efetivamente prestado os serviços que estão descritos nos instrumentos particulares pactuados e que os mesmos eram necessários, normais e usuais em relação às atividades da empresa (fl. 2065). Os documentos apresentados pela Recorrente e analisados pelo auditor foram: contratos de prestação de serviços cujos objetos seriam a prestação de serviços de estruturação de operações de crédito bancário de qualquer natureza, bem como desenvolvimento de outros produtos bancários e que a remuneração pactuada seria paga a título de performance fee na proporção de 5% sobre o montante global das operações de crédito ou de outros produtos bancários em que a contratada tenha participado e/ou contribuído de forma efetiva; notas fiscais e relatórios de produção; contratos que fazem menção a operações realizadas entre diversas sociedades e o banco BVA S/A, na qualidade de credor, mas sem qualquer indicação ou referência às empresas supracitadas; Declaração com igual conteúdo para as 7 empresas supracitadas que procuram mostrar a necessidade de sua contratação, cujo conteúdo reproduzo abaixo de maneira genérica (fls. 2040, 2043, 2045, 2049, 2052, 2054 e 2056): O contrato de prestação de serviços e os relatórios de produção com a relação dos serviços prestados, já apresentados à Fiscalização, e os contratos de operações de crédito entregues nesta ocasião, são, na opinião da PegCred, documentos suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços pela empresa contratada XXXXX. Fl. 6189DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.190 14 Os trabalhos realizados por Sr. Fulano de Tal, por meio da empresa XXXXX, abrangeram o desenvolvimento e estruturação de produtos e soluções para os clientes da PegCred, no sentido de apoiar esses clientes nas estratégias de crescimento de seus respectivos negócios. A empresa XXXXX foi responsável por toda a intelectualidade de tais operações e produtos, além da sua dedicação aos mesmos no período em que foram desenvolvidos e implementados, dado a complexidade e volumes das operações de crédito. Além disso, vale frisar que serviços como esses sempre foram solicitados para empresas parceiras com competência específica na matéria em questão. Deve ser observado que a decisão de contratação de tais empresas pela PegCred sempre foi pautada no quesito de confiança, agilidade e conhecimento da matéria, orientandose a PegCred sempre em trazer empresas e pessoas que realmente preenchiam tais requisitos. A necessidade da contratação da empresa XXXX pela PegCred fundamentase no fato de que esta não conseguiria desenvolver tais soluções sem o suporte da empresa XXXXX, não só pelo conhecimento técnico requerido, mas também pela visão profunda do mercado financeiro e, principalmente, pela especialidade em desenvolver uma operação de crédito que atenda as necessidades financeiras de cada cliente. A contratação da XXXXX foi importante para a PegCred diversificar seus produtos financeiros, incrementar sua carteia de clientes, explorar nichos de mercado nos quais a PegCred não tinha conhecimento técnico e aumentar seu faturamento. A necessidade da contratação da empresa XXXXX pela PegCred está na complementariedade e especialidade dos serviços prestados pela contratada, sem os quais a PegCred não alcançaria seus objetivos de crescimento e rentabilidade. Devese ressaltar que a despesa com o tipo de serviço prestado pela XXXXX é costumeira e usual para que a PegCred consiga atingir as finalidades de seu objeto social. Adicionalmente, a empresa XXXXX, na figura do responsável Sr. Fulano de Tal, também detinha relacionamento estreito com as empresas abrangidas nessas operações, o que contribuiu positivamente para a celebração de contratos de operações que incrementaram o faturamento da PegCred. As notas fiscais emitidas por estas empresas descrevem os seguintes serviços, a título exemplificativo: serviços de consultoria (BPW fls. 174188), prestação de serviços ( J P R H fls. 190199), assessoria financeira (Antonio C Conversano fls.219265), processamento de dados (Monica Moreno fls.260262). É de se observar que as notas fiscais e o pagamento atendem às formalidades extrínsecas, mas os contratos firmados entre o BANCO BVA S/A e a PEG CRED sem qualquer referência às citadas empresas, bem como uma declaração genérica, não se prestam a demonstrar que houve a participação efetiva destas empresas nos serviços prestados. Como dito anteriormente, a Recorrente teve oportunidade de apresentar quaisquer documentos para comprovar a efetiva prestação do serviço, entre eles emails, Fl. 6190DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.191 15 projetos desenvolvidos, atas de reunião, sistemas desenvolvidos pelas empresas, etc, mas não apresentou nada de concreto. A este recurso, fez juntar mais uma vez cópia de contratos entre a BVA Promotora de Vendas e Participações S/A (denominação anterior da PEG CRED) e o Banco BVA S/A (fls. 6058 e ss), bem como relatório de notas fiscais emitidas pela OMAHA referente aos anoscalendários 1995 a 2006 (fls. 6132 e ss), notas fiscais da OMAHA com data de emissão compreendida entre 1995 a 2000(fls. 61386149). Não acrescentou novos documentos que atestassem que a OMAHA não prestava serviços exclusivamente à Recorrente, ou que lograssem êxito em demonstrar a efetiva participação dessas empresas na prestação dos serviços. Nesse sentido, voto por manter a glosa de despesas em relação a BPW Consultoria Empresarial e Assessoria Financeira Ltda, J P R H Serviços de Cobrança Ltda, Antônio C. Conversano Serviços de Planejamento Financeiro, Monica Moreno Digitação e Processamento Ltda, Antônio Luiz de Oliveira P Pascoal Me, R L de Souza Brandão Cobranças e YKK Serviços de Cobrança EPP. 1.2.2 Glosa de Despesas Lucky Serviços de Cobrança Ltda, Mury Serviços de Cobrança Ltda e R Ramos de Toledo Piza Cobrança Epp (fl.55 do TVF) No que concerne às despesas relacionadas a essas 3 empresas, o Auditor também entendeu que não havia sido provada a efetiva participação delas nos serviços prestados. A Recorrente apresentou notas fiscais, mas não apresentou contratos com as partes, nem outro documento que discriminasse os serviços prestados. Citou ainda que a empresa R Ramos, em parceria com outras empresas desenvolveu a estruturação do FDIC Multisetorial BVA MAster III. Tendo em vista que não restou comprovada a efetiva participação das empresas na prestação dos serviços, há de se manter a glosa referente a Lucky Serviços de Cobrança Ltda, Mury Serviços de Cobrança Ltda e R Ramos de Toledo Piza Cobrança Epp. 1.2.3 Glosa de Despesas HXS Participações Ltda, HXS Assessoria Financeira Ltda, Optimus Investimentos e Participações Ltda e HPG Vianna de Lima Cobrança Epp Neste caso, não foram apresentados os contratos celebrados entre as 4 empresas citadas e a PEG CRED, mas foram disponibilizadas cópias de documentos denominados de relatórios de produção que mencionavam diversos contratos de operação de crédito. Apresentouse também a declaração genérica acerca da necessidade de contratação das empresas. Destacou que um dos produtos desenvolvidos pela OPTIMUS e PHG VIANNA foi a estruturação do FIDC Multisetorial BVA Master III. Os contratos de operação de crédito que fundamentaram os relatórios de produção foram firmados entre BANCO BVA S/A e outras empresas, sem qualquer referência às quatro empresas, e também não se prestam a demonstrar que houve a participação efetiva destas empresas nos serviços prestados. Fl. 6191DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.192 16 Logo, há de ser mantida a glosa de despesas em relação a HXS Participações Ltda, HXS Assessoria Financeira Ltda, Optimus Investimentos e Participações Ltda e HPG Vianna de Lima Cobrança Epp. 1.2.4 Glosa de Despesas V DE Albuquerque Palmeira Cobrança (V DE ALBUQUERQUE) Para as despesas relacionadas à prestação de serviços de V DE ALBUQUERQUE, a autoridade fiscal constatou que haviam sido apresentadas cópias de instrumentos particulares de prestação de serviços de cobrança e outras avenças e que o objeto dos referidos contratos seria o de estabelecer estratégias de cobrança, cessões, estruturação de fundos e desconto, estipulando préliquidações e refinanciamentos dos créditos consignados, visando maior liquidez e determinar alvo de campanhas de recuperação e préliquidações dos créditos consignados e políticas de notificação, execução e cobrança (TVF fl.2069). Foram apresentados ainda aditivos ao contrato para acrescentar serviços relacionados com a participação na campanha mensal de préliquidação e recuperação de crédito promovida pela Recorrente e 30 folhas nas quais são mencionados os contratos de crédito que dariam embasamento ao valor pago. Apesar de intimada a apresentar esses contratos de crédito, não o fez. Com algumas peculiaridades em relação às empresas anteriormente citadas, tendo em vista o objeto do contrato, entendo que os documentos constantes dos autos não comprovam a efetiva participação da empresa na prestação de serviços. Portanto, há de se manter a glosa de despesas em relação à V DE Albuquerque Palmeira Cobrança. 2. Princípio da Verdade Material Alega a Recorrente que o lançamento foi baseado em mera suposição e que a autoridade fiscal se utilizou de recursos presuntivos e indícios para concluir que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo não teriam causa. Não se trata de lançamento baseado em presunção, mas baseado nas provas constantes dos autos. O auditor foi em busca da verdade material, não se limitando ao aspecto formal dos contratos. Nesse sentido, demonstrou que o diretor da Recorrente era o representante técnico da OMAHA, que não há qualquer documento que demonstra a participação das empresas contratadas nos serviços prestados. Demonstrou que todos os contratos de operação de crédito foram firmados entre o Banco BVA S/A e outras empresas, e que por sua vez, o Banco BVA S/A é o principal cliente da Recorrente. Em nenhum dos contratos aparece nenhuma das empresas como intervenientes. Logo, não há que se falar em lançamento baseado em presunção fora do espectro legal. Tampouco houve afronta ao princípio da verdade material. 3. Do Arbitramento do Lucro O contribuinte se insurge contra o arbitramento do lucro, sob o argumento de que é medida extrema, que só pode ser realizado nas hipóteses expressamente previstas em lei. Fl. 6192DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.193 17 O arbitramento do lucro foi fundamento no art. 530, incisos I e II, alínea "b", c/c arts. 531 e 532, conforme fl. 2075 do Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto, in verbis: Art. 530 do Decreto 3.000/99 Regulamento Imposto de Renda O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°. 9.430, de 1996, art I o . ) : I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: b) determinar o lucro real Art. 531. Quando conhecida a receita bruta ( art.279 e parágrafo único ) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras ( Lei n°. 8.981, de 1995, art.47, parágrafos Io . e 2°., e Lei n°. 9.430, de 1996, art.Io): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano calendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior terá por vencimento o último dia útil do mês subsequente ao do enceramento de cada período de apuração. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídica, observado o disposto no art. 394, parágrafo 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento ( Lei 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I ). De fato, corretas as declarações do contribuinte quando afirma que respondeu às intimações, que forneceu notas fiscais, cópias de contrato etc. Mas a partir do momento em que a autoridade fiscal glosa a quase totalidade das despesas, por falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços, a apuração do imposto de renda pelo lucro real se mostra inviável. Isto porque em não havendo despesas, o lucro corresponderia praticamente ao total das receitas, o que não se mostra razoável. Sendo assim, os erros na escrituração detectados pelo auditor, quais sejam, a contabilização de despesas que não ocorreram, tornaram a escrituração imprestável para a Fl. 6193DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.194 18 apuração do lucro real, hipótese consubstanciada na alínea "b", do inciso II do art. 530 do RIR/99. Outrossim, a apuração do imposto de renda se mostra menos gravosa para o contribuinte do que a apuração pelo lucro real, após a glosa das despesas. Portanto, correta a apuração dos tributos com base no lucro arbitrado. 4. Caracterização dos Custos/Despesas como Pagamento Sem Causa X Bis In Idem A Recorrente declara que a remuneração à terceiros pela prestação de serviços ou sofreram a incidência de retenção na fonte dos tributos, ou foram posteriormente oferecidas à tributação pelas próprias empresas beneficiárias, o que configuraria dupla incidência tributária. Quanto aos valores recolhidos na fonte pela Recorrente, eles já foram abatidos do cálculo dos tributos lançados de ofício. Por sua vez, em relação à tributação das empresas beneficiárias do pagamento, esta matéria não se encontra em discussão neste processo. De toda forma, pode acontecer inclusive de as receitas por ela auferidas não terem sido oferecidas à tributação, razão pela qual não podem ter qualquer influência sobre o lançamento efetivado nestes autos. Por conseguinte, não há que se falar em dupla incidência tributária no lançamento. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, por NEGARLHE PROVIMENTO. Do Recurso de Ofício Da Admissibilidade A DRJ deu provimento parcial à impugnação do contribuinte no sentido de afastar a multa de ofício qualificada. A parcela exonerada supera o limite de R$ 2.500.000,00 estabelecido na Portaria MF nº 63/2017, razão pela qual conheço do recurso de ofício. Da Multa Qualificada O Colegiado da DRJ acatou os argumentos do contribuinte, que alegou que a Auditor não teria tipificado de maneira clara a sua conduta, e decidiu por afastar a multa de ofício qualificada. A tipificação da multa qualificada consta do TVF nos seguintes termos: OBS : Por fim cumpre observar que em razão das irregularidades que foram constatadas no curso da fiscalização foi qualificada a multa de ofício no percentual de 150%, exigida juntamente com os impostos e contribuições devidos, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, fato esse que motivou a formalização de representação fiscal para fins penais. Fl. 6194DF CARF MF Processo nº 12448.729486/201586 Acórdão n.º 1301003.806 S1C3T1 Fl. 6.195 19 Além desta menção à imposição da multa qualificada, não há em todo o Termo de Verificação Fiscal qualquer referência ao intuito doloso ou à existência de fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 ou 73 da lei nº 4502/1964, nos termos do que dispõe o art. 44, §2 da lei nº 9430/96. Os citados artigos tratam de sonegação, fraude ou conluio, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nas três hipóteses previstas em lei, está presente o intuito doloso da conduta, seja omissiva ou comissiva. O fato de os valores glosados serem expressivos não implica existência de intuito doloso. Do contrário, teria lugar a discussão de qual o percentual de omissão de receita ou aumento de custo poderia ser caracterizado o dolo. A autoridade fiscal não indicou qualquer conduta por parte do contribuinte que tivesse firmado sua convicção acerca do dolo. Ao contrário, o relatório do Auditor demonstra que o contribuinte respondeu às intimações e colaborou com o procedimento fiscal. Dessa forma, ratifico a decisão a quo para afastar a multa de ofício qualificada e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 6195DF CARF MF
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