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Numero do processo: 10580.900114/2014-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10580.731563/2013-46 e esclarecer, após liquidação da referida decisão, se remanesceu algum valor do direito creditório pleiteado, conforme informado no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito". (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a “Pagamento Indevido ou a Maior” da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 408.723,52. O direito creditório não foi reconhecido pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito” no processo 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades: a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013; b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes refere-se ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos; c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011; d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte. e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas: “1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/0001-22, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/0001-24, estão vinculados ao ‘Contrato n° 424/06 - Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'. Trata-se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...) Constata-se que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, trata-se de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1. Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressalte-se que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada. Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004: Os itens indicados com o n° ‘2' no ‘motivo da glosa', referem-se a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...) Os itens com a indicação ‘3' no ‘motivo da glosa', tratam de despesas para um ‘Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis. A indicação ‘4' no ‘motivo da glosa', refere-se a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios. Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a ‘5' incluem no valor do ‘aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática não-cumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item. Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação ‘6' no ‘motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos. O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor ‘HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/0001-62, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: ‘DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'. Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor ‘LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001-68, traz a descrição: ‘ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'. A Nota Fiscal de Serviços emitida por ‘R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/0002-94, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: ‘DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'. Esses itens têm indicação ‘7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos. No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: “Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a ‘perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.” Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração, abaixo sintetizados: Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando: “Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do ‘crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mão-de-obra pagos a pessoa física” No que diz respeito aos insumos, refere-se aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo: “Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretender-se aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.” Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído “que ‘Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica”; Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que: “Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção Eletromecânica-MM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia. Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.” No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. “A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal”; Quanto às despesas de aluguel, argumenta: “Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que ‘a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação. De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46. De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado? A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA. Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratar-se de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação: (transcreve partes do contrato) Pelo contrato, percebe-se a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental. Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação.” Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que “como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel”, valendo o raciocínio para o condomínio, pois “como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato”; Contesta também a glosa das despesas com “ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO” e “LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA”, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa; No caso das subvenções para investimento, alega: “No caso em comento, observa-se que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal. Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 - redução de custos - revela-se sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS. D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União. Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico- financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS. Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas: (cita decisões judiciais) Do visto, pode-se concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS. Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, requer: a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal; b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.” Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 01-33.307, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e-folhas 184, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e-folhas 119). No Recurso Voluntário, de e-folhas 120 a 181, foi alegado em síntese: Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica; Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União; As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS; As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel; Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente. É o relatório.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD

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Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a “Pagamento Indevido ou a Maior” da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 408.723,52. O direito creditório não foi reconhecido pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito” no processo 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades: a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013; b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes refere-se ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos; c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011; d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte. e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas: “1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/0001-22, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/0001-24, estão vinculados ao ‘Contrato n° 424/06 - Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'. Trata-se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...) Constata-se que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, trata-se de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1. Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressalte-se que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada. Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004: Os itens indicados com o n° ‘2' no ‘motivo da glosa', referem-se a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...) Os itens com a indicação ‘3' no ‘motivo da glosa', tratam de despesas para um ‘Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis. A indicação ‘4' no ‘motivo da glosa', refere-se a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios. Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a ‘5' incluem no valor do ‘aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática não-cumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item. Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação ‘6' no ‘motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos. O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor ‘HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/0001-62, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: ‘DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'. Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor ‘LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001-68, traz a descrição: ‘ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'. A Nota Fiscal de Serviços emitida por ‘R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/0002-94, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: ‘DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'. Esses itens têm indicação ‘7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos. No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: “Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a ‘perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.” Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração, abaixo sintetizados: Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando: “Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do ‘crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mão-de-obra pagos a pessoa física” No que diz respeito aos insumos, refere-se aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo: “Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretender-se aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.” Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído “que ‘Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica”; Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que: “Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção Eletromecânica-MM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia. Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.” No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. “A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal”; Quanto às despesas de aluguel, argumenta: “Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que ‘a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação. De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46. De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado? A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA. Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratar-se de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação: (transcreve partes do contrato) Pelo contrato, percebe-se a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental. Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação.” Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que “como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel”, valendo o raciocínio para o condomínio, pois “como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato”; Contesta também a glosa das despesas com “ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO” e “LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA”, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa; No caso das subvenções para investimento, alega: “No caso em comento, observa-se que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal. Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 - redução de custos - revela-se sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS. D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União. Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico- financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS. Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas: (cita decisões judiciais) Do visto, pode-se concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS. Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, requer: a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal; b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.” Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 01-33.307, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e-folhas 184, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e-folhas 119). No Recurso Voluntário, de e-folhas 120 a 181, foi alegado em síntese: Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica; Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União; As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS; As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel; Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES; Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente. É o relatório.

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3302­001.107  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de abril de 2019  Assunto  COFINS. COMPENSAÇÃO. PAG2AMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  Recorrente  EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o  julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida  no  processo  nº  10580.731563/2013­46  e  esclarecer,  após  liquidação  da  referida  decisão,  se  remanesceu  algum  valor  do  direito  creditório  pleiteado,  conforme  informado  no  documento  "Informações Complementares da Análise de Crédito".     (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Jorge Lima Abud ­ Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.  Relatório    Aproveita­se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 00 11 4/ 20 14 -3 5 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 3            2 Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  Eletrônica,  por  meio  das  quais  a  Empresa  pretende  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade  com  supostos  créditos  referentes  a  “Pagamento  Indevido  ou  a  Maior”  da  Cofins  não  cumulativa,  código  de  receita  5856, no valor original de R$ 408.723,52.  O direito creditório não foi reconhecido pela inexistência de saldo no  DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi utilizado, segundo  as “Informações Complementares da Análise do Crédito” no processo  10580.731563/2013­46,  referente  a  autos  de  infração de PIS/Pasep  e  Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma  da  DRJ/Belém  em  17.06.2014  (Acórdão  29.411).  Na  época  foram  apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades:  a) Glosa  de  itens  não  considerados  como  insumos  feita  com base  na  descrição  do  processo  produtivo  e  na  relação  de  insumos  fornecidos  pelo  contribuinte  em  atendimento  à  Intimação  SEORT  DRF/SDR  n°  0181/2013;  b)  Glosa  de  créditos  extemporâneos,  sob  o  argumento  de  que  o  dispositivo  que  permite  o  aproveitamento  de  créditos  em  meses  subseqüentes  refere­se  ao  aproveitamento  (utilização)  de  créditos  já  apropriados e não à apropriação dos mesmos;  c) Quanto aos  serviços utilizados  como  insumos,  foi efetuada a glosa  correspondente  à  diferença  entre  a  base  de  cálculo  do  crédito  informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais  do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011;  d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos  meses de abril/2011 e  junho/2011 as Notas Fiscais com  indicação de  crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor  menor  que  a  base  de  cálcu2lo  dos  créditos  informada  no  último  DACON transmitido pelo contribuinte.  e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas  jurídicas, foram feitas as seguintes glosas:  “1)  Os  comprovantes  referentes  aos  fornecedores  FOZ  DE  JAGUARIBE  CONSTRUÇÃO  E  LOCAÇÃO  S.  A.,  CNPJ  09.608.734/0001­22,  e  FOZ  DE  JAGUARIBE  S.  A.,  CNPJ  08.529.701/0001­24,  estão  vinculados  ao  ‘Contrato  n°  424/06  ­  Contrato de concessão administrativa para construção e operação do  Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'.  Trata­se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004,  que  institui  normas  gerais  para  licitação  e  contratação  de  parceria  público­privada  no  âmbito  da  administração  pública,  visando  a  construção e operação do SDO (...)  Constata­se  que  as  contraprestações  pagas  pela  contribuinte  não  podem  ser  confundidas  com  despesas  de  aluguéis  de  prédios.  Afinal,  trata­se de um contrato para construção e operação de um sistema que  após  prazo  determinado  (18  anos)  será  entregue  definitivamente  à  contratante, conforme previsto na cláusula 6.1.  Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 4            3 Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto  do  contrato,  incluindo  a  construção  do  SDO,  que  ao  término  do  contrato  será  definitivamente  da  EMPRESA  BAIANA  DE  ÁGUAS  E  SANEAMENTO S/A. Ressalte­se que são características da  locação a  temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada.  Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título  de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel  e  contraprestação  de  arrendamento mercantil  de  bens  que  já  tenham  integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da  Lei n° 10.865/2004:  Os  itens  indicados  com  o  n°  ‘2'  no  ‘motivo  da  glosa',  referem­se  a  despesas  de  condomínio,  que  são  destinadas  às  áreas  comuns  e  rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o  aluguel,  e  não  havendo  previsão  legal  específica,  não  é  admitida  a  dedução do crédito correspondente. (...)  Os itens com a indicação ‘3' no ‘motivo da glosa', tratam de despesas  para um ‘Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no  contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis.  A  indicação ‘4' no ‘motivo da glosa', refere­se a despesas com IPTU,  que  também  não  geram  direito  a  crédito  por  falta  de  previsão  legal.  Não são despesas com aluguéis de prédios.  Os  contratos  referentes  aos  itens  com  motivo  da  glosa  igual  a  ‘5'  incluem no valor do  ‘aluguel' outras despesas alheias ao  conceito de  aluguel:  condomínio,  IPTU,  etc.  Por  não  ser  possível  a  segregação  dessas  despesas,  que  não  têm  previsão  legal  para  creditamento  na  sistemática  não­cumulativa  da  COFINS  e  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item.  Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas  despesas de aluguéis que estão com indicação ‘6' no ‘motivo da glosa'.  A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos.  O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto  ao  fornecedor  ‘HOTEL  ALDEIA  DA  PRAIA  LTDA',  CNPJ  03.541.503/0001­62,  emitido  em  25/04/2011,  traz  a  descrição:  ‘DESPESA  COM  ALUGUEL  DE  ESPAÇO  PARA  REUNIÃO  DE  AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'.  Já  o  documento  emitido  em  18/05/2011,  fornecedor  ‘LOJA  MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001­68,  traz  a  descrição:  ‘ALUGUEL  DO  SALÃO  DE  EVENTOS  DA  LOJA  MACONICA  AREOPAGO,  PARA  REALIZAÇÃO  DA  CONFRATERNIZAÇÃO  JUNINA  DOS  FUNCIONÁRIOS  DA  EMBASA...'.  A  Nota  Fiscal  de  Serviços  emitida  por  ‘R  RAMOS  HOTÉIS  E  RESTAURANTE  LTDA',  CNPJ  01.975.518/0002­94,  em  08/06/2011,  assim discrimina os serviços: ‘DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO  DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'.  Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 5            4 Esses  itens  têm  indicação  ‘7'  no  motivo  da  glosa  por  não  serem  relativos  a  aluguéis  de  prédios  utilizados  nas  atividades  da  empresa.  Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da  Lei  10.637/2002,  somente  geram  créditos  as  despesas  de  aluguéis  de  prédios  quando  utilizados  nas  atividades  da  empresa,  o  que  não  se  verifica nesses casos.  No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base  de cálculo tais valores,  tendo a fiscalização entendido que não restou  comprovada  a  intenção  do  Estado  em  destinar  as  subvenções  para  investimento,  nem  a  aplicação  de  tais  recursos  pelo  beneficiário.  Esclarece:  “Para  usar  os  termos  do  Parecer  Normativo  CST  n°  112/1978,  não  houve  a  ‘perfeita  sincronia  da  intenção  do  subvencionador  com  a  ação  do  subvencionado'.  Não  havendo  a  comprovação  de  tal  requisito,  não  há  como  caracterizar  o  crédito  presumido  do  ICMS,  no  presente  caso,  como  subvenção  para  investimento,  devendo  ser  incluído,  portanto,  na  base  de  cálculo  da  contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.”  Cientificada  do  presente  despacho  decisório  em  19.02.2014,  a  interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação  de  inconformidade  (fls.  11/47)  na  qual  apresenta  os  mesmos  argumentos  do  processo  n°  10580.731563/2013­46,  referente  a  autos  de infração, abaixo sintetizados:  Tece  comentários  acerca  da  sistemática  da  não  cumulatividade  das  contribuições, afirmando:  “Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a  sistemática do ‘crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS,  é  lícito concluir que o rol de  situações que  fazem nascer o direito ao  crédito  não  pode  ser  interpretado  de  forma  restrita.  Todos  os  gastos  que  estejam  relacionados  com  a  atividade  do  contribuinte  geram  créditos,  sendo  excepcionados  apenas  os  bens,  serviços  e  despesas  pagos  a  pessoa  jurídica  não  domiciliada  no  Brasil,  e  os  valores  de  mão­de­obra pagos a pessoa física”  No  que  diz  respeito  aos  insumos,  refere­se  aos  atos  normativos  da  Receita Federal, aduzindo:  “Ocorre  que,  como  já  demonstramos,  é  inadmissível  pretender­se  aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não  cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente  diversas,  tal  como demonstrado até  então. Diante  das  peculiaridades  dos  fatos  descritos  nas  hipóteses  de  incidência  do  IPI  e  do  ICMS,  a  jurisprudência  tem  se  posicionado  no  sentido  de  que  só  dá  direito  a  crédito  o  bem  ou  serviço  que  integre  o  produto  final,  objeto  da  industrialização  ou  da  comercialização.  Tal  conclusão,  porém,  é  inadmissível  em  se  tratando de  créditos  da  contribuição  ao PIS  e  da  COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa  jurídica.”  Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do  seu entendimento, concluído “que ‘Insumo', para fins de creditamento  de PIS  e COFINS,  corresponde aos  custos ou despesas necessárias à  atividade da pessoa jurídica”;  Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 6            5 Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que:  “Em  verdade,  a  grande  maioria  dos  materiais  listados  no  anexo  I.  glosados  pelo  Fiscal  são  utilizados  pela  EMBASA  através  da  sua  Superintendência  de  Manutenção  Eletromecânica­MM  que  é  a  responsável  pela  manutenção  preditiva,  preventiva  e  corretiva  de  aproximadamente  10.000  (dez  mil)  equipamentos  eletromecânicos  (bombas,  motores,  transformadores,  etc.)  e  de  automação  instalados  em  mais  de  500  unidades  operacionais  de  abastecimento  de  água  e  esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no  Estado da Bahia.  Para  um  leigo  em  engenharia mecânica,  não  há  qualquer  dúvida  de  que  os  materiais  glosados  pelo  Fiscal  correspondem  aos  custos  ou  despesas  necessárias  à  atividade  da  pessoa  jurídica,  no  caso,  uma  empresa  de  economia  mista  responsável  pelo  saneamento  básico  e  distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.”  No  caso  dos  créditos  extemporâneos,  entende  que  a  interpretação  realizada  pelo  Fiscal  foi  restritiva,  prática  vedada  pelo  princípio  constitucional  da  estrita  legalidade,  tendo  o  fiscal  ampliado  a  interpretação  da  norma  ao  utilizar  como  parâmetro  na  definição  de  créditos  extemporâneos  o  período  de  30  dias.  “A  definição  ou  classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de  competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão  de nota  fiscal,  como entendeu, mais uma vez de  forma equivocada, o  Fiscal”;  Quanto às despesas de aluguel, argumenta:  “Primeiramente,  o  Fiscal  partiu  de  uma  interpretação  simplória,  entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido  realizada  entre  dois  particulares.  Assim,  concluiu,  equivocadamente,  que  ‘a  devolução  do  bem descaracteriza  o  contrato  de  locação'.  Por  esta  interpretação,  desconsiderou  todo  um  processo  licitatório,  todas  as  complexas  regras  existentes  em  um  PARCERIA  PUBLICO  PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da  Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora  da licitação.  De  logo,  cabe  explicitar  que  o  segundo  argumento  utilizado  pelo  Fiscal,  de  que  o  bem  estaria  contabilizado  no  ativo  imobilizado  da  EMBASA  é  ABSOLUTAMENTE  INVERÍDICO.  Conforme  balanço  patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO  S.A,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  de  24.04.2010,  o  imóvel  objeto  da  locação  FAZ  PARTE  do  ativo  imobilizado  da  referida  empresa,  ANEXADAS  NO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  10580.731563/2013­46.  De  outro  lado,  a mudança  de  titularidade  do  imóvel  após  o  final  do  contrato  de  locação,  por  si  só,  não  é,  objetivamente,  um  fator  excludente  da  realização  de  um  contrato  de  locação.  Vamos  a  um  exemplo,  utilizando um  contrato  de  locação  entre  particulares  de  um  imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes  foi o  seguinte: R$  500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do  imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o  Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 7            6 imóvel  passará  para  o  nome  do  locatário.  Não  existiu  a  locação? O  locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado?  A  solução  para  a  questão  posta  em  exame  está  no  próprio  contrato  aqui  anexado,  ANEXADAS  NO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  10580.731563/2013­46, no qual, por diversas oportunidades, as partes  afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente,  locado à EMBASA.  Podemos  retirar do  contrato as  seguintes passagens que  comprovam,  indubitavelmente,  tratar­se  de  uma  locação,  todas  devidamente  marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação:  (transcreve partes do contrato)  Pelo  contrato,  percebe­se  a  complexidade  da  questão,  na medida  em  que  se  trata  de  um  bem  específico;  que  será  construído  por  uma  empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será  ressarcida do  investimento e, no  final,  transmitirá o bem à EMBASA.  Bem  este  que  somente  poderá  ser  operado  pela  Impugnante,  única  pessoa  jurídica  na  cidade  de  Salvador,  responsável  pelo  saneamento  ambiental.  Também  está  sendo  anexado,  ANEXADAS  NO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  10580.731563/2013­46,  o  contrato  assinado  pela  Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal,  tendo  a  Impugnante,  juntamente  com  o  Município  de  Salvador  e  o  Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos  Julgadores, o  financiamento  foi realizado em nome do LOCADOR. O  bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque,  a  locação  é  plenamente  possível,  mesmo  que  o  bem  seja  entregue  à  EMBASA ao final, da locação.”  Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que “como  a Embasa não é sujeito passivo da obrigação  tributária do IPTU, em  relação aos  imóveis  por  ela  alugados,  não  se  trata  de  pagamento do  tributo,  mas  do  próprio  aluguel”,  valendo  o  raciocínio  para  o  condomínio,  pois  “como  grava  o  imóvel,  o  sujeito  passivo  é  o  proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento,  por contrato”;  Contesta também a glosa das despesas com “ALUGUEL DE ESPAÇO  PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO” e “LOCAÇÃO  DE  ESPAÇO  PARA  OFICINA  DA  EMBASA”,  julgando  que  por  ser  uma  empresa  de  saneamento  básico  e  distribuição  de  água  potável,  presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa  fazer  reuniões  de  avaliação  de  desempenho  e  oficinas  de  treinamento  para  funcionários  e  tais  atividades,  ainda  que  indiretamente,  fazem  parte  das atividades da empresa;  No caso das subvenções para investimento, alega:  “No caso em comento, observa­se que o crédito presumido do  ICMS,  instituído  pelo  Decreto  ora  examinado,  corresponde  a  uma  redução  nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a  perda na arrecadação implica em renúncia fiscal.  Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 8            7 Entendida  a  natureza  do  incentivo  fiscal  decorrente  do  Decreto  6.734/1997 ­ redução de custos ­ revela­se sua incompatibilidade com  o  conceito  de  receita  bruta  ou  faturamento,  fato  gerador  do  PIS  e  COFINS.  D'outro  prisma,  seria  um  contrassenso  admitir  que  sobre  a  renúncia  fiscal  praticada  pelo  Estado,  utilizada  justamente  para  acelerar  seu  próprio  crescimento  econômico,  viessem  incidir  as  contribuições  sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União  interferisse,  com  a  tributação,  em  matéria  privativa  dos  Estados,  limitando,  com  isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se  tal  ocorresse,  implicaria  em  transferência,  de  forma  oblíqua,  de  receitas  das  quais  o  Estado  abriu  mão,  para  engordar  os  cofres  da  União.  Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal  prodigalizado  pelo  Estado  não  constitui  receita  do  ponto  de  vista  econômico­ financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo  do PIS e COFINS.  Nesse  sentido,  firme  é  o  posicionamento  do  STJ  pelas  suas  duas  Turmas especializadas:  (cita decisões judiciais)  Do  visto,  pode­se  concluir,  com  segurança,  que  os  incentivos  fiscais  advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo  Estado  da  Bahia,  não  se  amoldam  ao  conceito  de  receita  bruta  ou  faturamento,  passando,  assim,  ao  largo  da  incidência  do  PIS  e  COFINS.  Dito  em  outras  palavras,  o  fato  do  Fiscal  exigir  que  a  EMBASA  comprovasse  a  intenção  do  Estado  em  destinar  as  subvenções  para  investimento,  sem  a  aplicação  de  tais  recursos  pelo  beneficiário,  é  absolutamente  ilegal.  Isto  porque,  JAMAIS,  em  NENHUMA  HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS,  pois  o  crédito  presumido  do  ICMS  configura  incentivo  voltado à  redução de  custos,  com a  finalidade de  proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de  um  determinado  Estado­membro,  não  assumindo  natureza  de  receita  ou faturamento.  Ao final, requer:  a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à  operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal;  b)  Devem  ser  incluídos  os  créditos  tidos  por  extemporâneos,  as  despesas  de  aluguel  realizadas  junto  à  FOZ  DE  JAGUARIBE  CONSTRUÇÃO E  LOCAÇÃO  S.A,  CNPJ  09.608734/0001­22  E  FOZ  JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001­ 24, vinculados ao contrato  n° 424/06 ­ Contrato de Concessão Administrativa para Construção e  Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como  as  realizadas  com  o  HOTEL  ALDEIA  DA  PRAIA  e  da  R  RAMOS  HOTÉIS E RESTAURANTES;  Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 9            8 c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes  do  ICMS,  pois  o  crédito  presumido  deste  tributo  configura  incentivo  voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior  competitividade  no  mercado  para  as  empresas  de  um  determinado  Estado­membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.”  Em  30  de  agosto  de  2016,  através  do Acórdão  n°  01­33.307,  a  3a  Turma  da  Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos,  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade.  A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do  Acórdão de Manifestação de  Inconformidade,  em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento,  e­ folhas 184, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e­folhas 119).  No Recurso Voluntário, de e­folhas 120 a 181, foi alegado em síntese:  ü Insumos  são  todos  os  dispêndios  necessários  à  operatividade  da  pessoa jurídica;  ü Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos  realizados  pelo  Fiscal,  viola  o  princípio  da  estrila  legalidade  da  administração  pública,  causando,  ainda,  enriquecimento  ilícito  da  União;  ü As  despesas  de  aluguel  realizadas  junto  à  FOZ  DE  JAGUARIBE  CONSTRUÇÃO  E  LOCAÇÃO  S.A,  CNPJ  09.608734/0001­22  E  FOZ  JAGUARIBE  S.A,  CNPJ  08.529.701/0001­  24,  vinculados  ao  contrato  n°  424/06  ­  Contrato  de  Concessão  Administrativa  para  Construção  e  Operação  do  Sistema  de  Disposição  Oceânica  do  Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser  excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS;  ü As  despesas  de  condomínio  e  IPTU  realizadas  pela  EMBASA  em  seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel;  ü Serem  aceitas  as  despesas  realizadas  com  o  HOTEL  ALDEIA  DA  PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;  ü Ser  excluída  da  base  de  cálculo  todas  as  receitas  provenientes  do  ICMS,  pois  o  crédito  presumido  deste  tributo  configura  incentivo  voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior  competitividade  no  mercado  para  as  empresas  de  um  determinado  Estado­membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.  Ao  final,  em  face  das  declarações  supra  requeridas,  ser  julgada  PROCEDENTE  a  Manifestação  de  Inconformidade  e,  em  consequência,  deferida  a  compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente.  É o relatório.  Fl. 194DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 10  ___________       Voto  Conselheiro Jorge Lima Abud  Da admissibilidade.  Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário  tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte,  considerando  que  a  recorrente  teve  ciência  da  decisão de primeira instância em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e­folhas 184, quando,  então, iniciou­se a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso  voluntário, feito em 14/10/2016 (e­folhas 119).  O Recurso Voluntário é tempestivo.  Da controvérsia.  · A  consideração  da  totalidade  dos  créditos,  insumos  e  serviços  necessários  à  operacionalização  da  pessoa  jurídica,  glosados  pelo  Fiscal;  · Da equivocada glosa dos Créditos Extemporâneos;  · A  reversão  da  glosa  da  demanda  contratada  de  energia  elétrica.  A  consideração  do  pagamento  7da  demanda  contratada  como  sendo  passível de creditamento do PIS e COFINS;  · A  reversão  da  glosa  das  despesas  de  condomínio  e  IPTU  realizadas  pela EMBASA em seus  imóveis  locados devam ser  entendidas  com  aluguel;  · A reversão da glosa das despesas de aluguel  realizadas  junto à FOZ  DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A;   · A  reversão  da  glosa  das  despesas  de  locação  junto  ao  HOTEL  ALDEIA  DA  PRAIA  e  da  R  RAMOS  HOTÉIS  E  RESTAURANTES;  · O  repasse  de  ICMS  do  Estado  da  Bahia  para  a  EMBASA,  caracterizado pela fiscalização como subvenção de custeio.  Passa­se à análise.  De  acordo com as “Informações Complementares da Análise do Crédito”, e­ folhas  09,  a  EMPRESA  BAIANA  DE  AGUAS  E  SANEAMENTO  S/A  ingressou  com  o  PER/DCOMP  n°  34074.41422.190112.1.3.04­1033,  transmitido  em  19/01/2012,  tendo  por  alegação  “Pagamento  Indevido  ou  a  Maior”,  com  crédito  original  na  data  de  transmissão  informado no PER/DCOMP no valor de R$ 408.723,52.  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.900114/2014­35  Resolução nº  3302­001.107  S3­C3T2  Fl. 11            10 O presente processo é decorrente do pleito de direito creditório não reconhecido  nas instâncias inferiores pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido  crédito  foi  utilizado,  segundo  as  “Informações  Complementares  da  Análise  do  Crédito”,  no  processo 10580.731563/2013­46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins.  Assim,  considerando  que  o  referido  é  o  processo  principal,  onde  será  decidido se prospera a alegação de “Pagamento Indevido ou a Maior” ou não, é de se aguardar  a  decisão  definitiva,  já  que  aqui  estamos  tratando  apenas  de  processo  reflexo,  na  forma  do  artigo 6º do Regimento Interno do CARF:  Art. 6° Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando­ se  a seguinte disciplina:  (...)  § 4° Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1°, se o processo principal não  estiver  localizado  no  CARF,  o  colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao  processo principal.  Diante  do exposto, RESOLVE­SE baixar os autos em diligência, para que a  autoridade preparadora:  1.  Aguarde  a  decisão  definitiva  a  ser  proferida  no  processo  nº  10580.731563/2013­46; e   2.  Após  liquidar  o  Acórdão,  informar  a  existência  de  crédito  remanescente  para  atender  o  pleito  do  contribuinte,  conforme  informado  no  documento  "Informações Complementares  da  Análise  de Crédito".  Ao  final,  deve  ser  facultado  à  recorrente  o  prazo  de  trinta  dias  para  se  pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº  7.574, de 2011.    Jorge Lima Abud ­ Relator.    Fl. 196DF CARF MF

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7760246 #
Numero do processo: 11080.910723/2012-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.072
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada em grau de recurso voluntário, se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela Recorrente no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que sejam realizadas as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nos autos. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada em grau de recurso voluntário, se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela Recorrente no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que sejam realizadas as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nos autos. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T3  Fl. 2          1 1  S1­C0T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.910723/2012­34  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1003­000.072  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Data  09 de maio de 2019  Assunto  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Recorrente  STRUCTURAL INCORPORACOES E CONSTRUCOES LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  que  a  DRF  analise  a  documentação acostada em grau de recurso voluntário, se manifeste a respeito das informações  e provas colacionadas pela Recorrente no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é  líquido e certo e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que sejam  realizadas as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em  discussão nos autos.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente   (assinado digitalmente)  Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça ­ Relatora   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva  (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi  Nakayama.    RELATÓRIO  Trata­se de Recurso Voluntário contra Acórdão nº 03­59.783, proferido pela 4ª  Turma  da  DRJ/BSB,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  Por bem refletir os  fatos, adoto e  transcrevo o relatório da decisão de primeira  instância, complementando­o ao final:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 10 72 3/ 20 12 -3 4 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 3            2 Tratam  os  autos  da  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  de  nº  13288.37675.230710.1.3.046640,  transmitida  eletronicamente  em  23/07/2010, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda  de Pessoa Jurídica IRPJ.  A  contribuinte  declarou  no  PER/DCOMP  a  existência  de  crédito  decorrente de pagamento  indevido ou a maior, cujo DARF apresenta  as seguintes características:  Características do DARF:    A  partir  das  características  do DARF  foi  identificado  que  o  referido  pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia  crédito disponível para efetuar a compensação solicitada.  Assim,  em  04/09/2012,  foi  emitido  eletronicamente  o  Despacho  Decisório  (fl.  28),  cuja  decisão  não  homologou  a  compensação  dos  débitos  confessados  por  inexistência  de  crédito. O  valor  do  principal  correspondente aos débitos informados é de R$ 19.392,38.  Cientificado dessa decisão em 17/09/2012, bem como da cobrança dos  débitos  confessados  na  Dcomp,  o  sujeito  passivo  apresentou  em  05/10/2012, manifestação de  inconformidade à  fl. 2 e 3, acrescida de  documentação anexa  Em suma, a contribuinte esclarece que, por equívoco,  teria informado  indevidamente  na  DCTF  do  período  o  valor  devido,  de  modo  que  o  valor  pago  seria  superior  ao  valor  efetivamente  apurado.  A  DCTF  original  foi retificada no intuito de comprovar a existência do crédito  pleiteado.  Ao  final,  requer  o  reexame  das  condições  do  indeferimento  da  compensação,  uma  vez  que  a  solicitação  efetuada  teria  por  base  a  existência  comprovada  de  crédito,  que  possibilita  a  quitação  dos  impostos  informados  na  solicitação  inicial  e  descritos  neste  instrumento  Por  sua  vez,  a  4ª  Turma  da  DRJ/BSB,  ao  apreciar  a  manifestação  de  inconformidade,  entendeu  por  bem  julgá­la  improcedente  e  não  reconheceu  o  crédito  informado pela Recorrente, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ   Ano­calendário: 2010   APRESENTAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 4            3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  diminuição  do  valor  do  débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega  de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar  a existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas  hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela autoridade administrativa.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.  A  compensação  de  créditos  tributários  (débitos  do  contribuinte)  só  pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo  que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob  as  garantias  estipuladas  em  lei;  no  caso,  o  crédito  pleiteado  é  inexistente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Cientificada  da  decisão  da  DRJ,  a  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário  ratificando  os  argumentos  delineados  na  Manifestação  de  Inconformidade,  nos  seguintes  termos:        Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 5            4           Portanto, ressalta­se que por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, a  Recorrente  juntou  aos  autos  documentos  complementares  visando  à  comprovação  de  suas  alegações e do crédito informado no PER/DCOMP discutido nos autos.   É o Relatório.  VOTO    Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora.   O  recurso  é  tempestivo  e  cumpre  com  os  demais  requisitos  legais  de  admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar.  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 6            5 De  acordo  com  o  já  relatado,  a  Recorrente  alega  que  cometeu  equívoco  ao  preencher sua DCTF, de modo que o valor pago seria superior ao valor efetivamente apurado.  A DCTF original foi retificada no intuito de comprovar a existência do crédito pleiteado.  Contudo, a DRJ, acertadamente, não reconheceu o direito creditório pleiteado e  fundamentou  sua  decisão  na  ausência  de  documentação  suficiente  para  comprovar  o  direito  líquido e certo da Recorrente.   Do voto do acórdão de piso, destaca­se o seguinte trecho:  "Logo, a  simples  entrega de declarações  retificadoras,  por  si  só,  não  tem o  condão de  comprovar  a  existência  de pagamento  a maior,  que  teria  originado  o  crédito  pleiteado  pela  contribuinte  em  sua  Declaração de Compensação.  As  informações  prestadas  à  RFB  por  meio  de  declarações  ou  demonstrativos  previstos  na  legislação  (DCTF,  DIPJ,  Dacon  ou  PER/DCOMP)  situam­se  na  esfera  de  responsabilidade  do  próprio  contribuinte,  a  quem  cabe  demonstrar,  mediante  adequada  instrução  probatória  dos  autos,  os  fatos  eventualmente  favoráveis  às  suas  pretensões,  consoante  disciplina  instituída  pelo  já  citado  artigo  16,  inciso III, do PAF.  Dessa  forma,  na  hipótese  de  ter  ocorrido  erro  no  valor  do  débito  confessado  na  DCTF,  esta  circunstância  deveria  ter  sido  documentalmente  provada  pela  interessada  por  ocasião  da  apresentação da manifestação de inconformidade.  No  caso  em  concreto,  a  manifestante  não  juntou  nos  autos  seus  registros  contábeis  e  fiscais,  acompanhados  de  documentação  hábil,  para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não  homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores  na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções  de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF.  Portanto,  uma  vez  não  comprovada  nos  autos  a  existência  de  direito  creditório  líquido  e  certo  do  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública  passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão  dada pela autoridade administrativa".  De  fato,  cabe  a  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações,  já  que  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  de  comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos  termos do art. 170 do CNT.   Portanto, a Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e  idôneos  que  justifiquem  a  retificação  das  informações  alteradas.,  por  isso,  disse  que  acertadamente a DRJ, naquele momento, não reconheceu o direito creditório pleiteado.  Nesse  sentido  também  vale  ressaltar  o  disposto  no  art.  o  art.  195  do  Código  Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto­Lei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem,  em  última  análise,  "que  os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição  dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram."  Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 7            6 Afinal,  para  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  é  necessário  um  cuidadoso  exame  do  pagamento  a maior  de  tributo,  uma  vez  que  é  absolutamente  essencial  verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem  como os  documentos  e demais  papéis  que  serviram de  base  para escrituração comercial e fiscal.  Importante  frisar  que  é  determinação  legal  a  necessidade  de  apresentação  de  documentos comprobatórios do erro de fato cometido pelo contribuinte, conforme art. 147 da  Lei nº 5.172/1966, in verbis:  Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito  passivo  ou  de  terceiro,  quando  um  ou  outro,  na  forma  da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.  § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes  de  notificado  o  lançamento.  A  comprovação,  portanto,  é  condição  para  admissão  da  retificação  da  DCTF  realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos.   Importante  lembrar  que  as  situações  de  erro material  podem  ser  corrigidas  de  ofício  ou  a  requerimento,  após  prolação  de  despacho  decisório,  nos  termos  do  Parecer  Normativo  Cosit  nº  2,  de  28  de  agosto  de  2015,  desde  que  comprovadas.  Aludido  Parecer  assim determina:  Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui­se:   a)  as  informações  declaradas  em DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por  força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem  prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para  analisar outras questões ou documentos com o  fim de decidir sobre o  indébito tributário;  b)  não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110,  de 2010;  c)  retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do  PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar  em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão  do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito  (ou homologação  integral da DCOMP),  cabe à DRF assim proceder.  Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial,  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 8            7 compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo  de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo;  d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por  parte da RFB, conforme art. 9º­A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que  tenha  sido  objeto  de  PER/DCOMP,  deve  ser  considerado  no  julgamento  referente  ao  indeferimento/não  homologação  do  PER/DCOMP.  Caso  o  procedimento  de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o  processo  ser  baixado  para  a  revisão  do  despacho  decisório.  Caso  o  procedimento  de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  não  homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato  administrativo  deve,  por  continência,  ser  apensado  ao  processo  administrativo  fiscal  referente  ao  direito  creditório,  cabendo  à  DRJ  analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação  da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o  resultado  de  sua  análise  à  DRJ  para  que  essa  informação  seja  considerada  na  análise  da manifestação  de  inconformidade  contra  o  indeferimento/não­homologação do PER/DCOMP;  e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê­la  em decorrência  de  alguma  restrição  contida  na  IN RFB nº  1.110,  de  2010, não impede que o crédito  informado em PER/DCOMP, e ainda  não decaído, seja comprovado por outros meios;  f)  o  valor  objeto  de  PER/DCOMP  indeferido/não  homologado,  que  venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá  ser  objeto  de  nova  compensação,  por  força  da  vedação  contida  no  inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a  DCTF  e  sendo  intempestiva  a  manifestação  de  inconformidade,  a  análise  do  pedido  de  revisão  de  ofício  do  PER/DCOMP  compete  à  autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas  as  restrições  do  Parecer  Normativo  nº  8,  de3 de setembrode  2014,  itens 46 a 53. (grifos acrescentados)  Porém,  a  referida  e  necessária  comprovação,  foi  produzida  por  ocasião  da  apresentação  do  Recurso  Voluntário,  oportunidade  em  que  a  Recorrente  anexou  aos  autos  cópias do Livro Razão, DIPJ e DCTF, documentos estes que, supostamente, demonstrariam seu  direito creditório.  Ante o contexto fático, entendo que a juntada de documentos deve ser admitida,  ainda  que,  conforme  dito,  produzidos  quando  da  interposição  do  Recurso  voluntário.  Essa  possibilidade jurídica encontra­se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do  art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o  ora analisado.   De fato, o regramento do instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no  sistema  processual  com  a  finalidade  de  atingir  um  desempenho  satisfatoriamente  célere  e  ordenado.  Contudo,  se  generalizado,  por  puro  formalismo,  acaba  sendo  aplicado  de  forma  exagerada. É  sabido que, por vezes,  a  ausência de um ato no  limite  temporal  aprazado pode  levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a  um julgamento justo na esfera administrativa.   Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.910723/2012­34  Resolução nº  1003­000.072  S1­C0T3  Fl. 9            8 Ora,  em  verdade,  a  autoridade  julgadora  deve  se  orientar  pelo  princípio  da  verdade material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de  prova  em  direito  admitidos.  O  princípio  da  ampla  defesa,  por  outro  lado,  garante  ao  contribuinte  o  direito  de  defender­se  plenamente  de  todos  os  fatos  e  fundamentos  dentro  do  processo administrativo.  Assim,  para  uma  correta  e  adequada  decisão  no  contencioso  administrativo  fiscal  o  julgador  deve  se  utilizar  de  todos  os  meios  de  provas  disponíveis  ou  colocadas  a  disposição, não deixando de recebê­las em razão de não terem sido apresentadas no momento  da  instrução  do  processo,  posto  que  a  baliza  temporal  não  deve  impedir  ou  dificultar  o  exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da  ampla defesa.  Destarte,  para  evitar  prejuízo  à  defesa  ou  a  supressão  de  instância  de  julgamento, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da  Recorrente quanto à demonstração do erro de fato apontado, através da análise dos documentos  juntados  por  ocasião  da  interposição  do  Recurso  Voluntário,  conforme  prevê  o  art.  29  do  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  Por  todo  o  exposto,  VOTO  EM  CONVERTER  PROCESSO  EM  DILIGÊNCIA  para  que  os  autos  retornem  à  DRF  e  essa  se  manifeste  a  respeito  das  informações e provas colacionadas pela Recorrente no recurso voluntário, a fim de verificar se  o crédito é líquido e certo e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão,  que  seja  realizada  as  compensações  possíveis  em  relação  às  Declarações  de  Compensação  (Dcomp) em discussão nos autos.  Por  fim,  destaco  que,  em  razão  do  princípio  da  ampla  defesa,  que  seja  o  contribuinte  intimado  do  resultado  da  diligência  para,  querendo,  manifestar­se  sobre  os  resultados alcançados.  (assinado digitalmente)  Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça  Fl. 118DF CARF MF

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Numero do processo: 11634.720340/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AIOA. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 35. NÃO APRESENTAÇÃO DE RAIS. MULTA APLICADA MANTIDA. Auto de Infração lavrado pela não de apresentação à fiscalização de RAIS solicitadas em intimação cientificada. Mantém-se o lançamento de multa devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes.
Numero da decisão: 2202-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AIOA. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 35. NÃO APRESENTAÇÃO DE RAIS. MULTA APLICADA MANTIDA. Auto de Infração lavrado pela não de apresentação à fiscalização de RAIS solicitadas em intimação cientificada. Mantém-se o lançamento de multa devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 106          1 105  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11634.720340/2011­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­005.185  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de maio de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS ­ AI CFL 35  Recorrente  DIVULGUE ­ BONÉS PROMOCIONAIS LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 18/07/2011  AUTO  DE  INFRAÇÃO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  AIOA.  CÓDIGO  DE  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL  35.  NÃO APRESENTAÇÃO DE RAIS. MULTA APLICADA MANTIDA.  Auto  de  Infração  lavrado  pela  não  de  apresentação  à  fiscalização  de RAIS  solicitadas  em  intimação  cientificada.  Mantém­se  o  lançamento  de  multa  devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio  de elementos probatórios pertinentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso.  (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (Assinado digitalmente)  Ricardo Chiavegatto de Lima ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Marcelo  de  Sousa  Sáteles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha  de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 03 40 /2 01 1- 81 Fl. 106DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se de recurso voluntário (e­fls. 82/86), interposto contra o Acórdão no.  14­49.088 da 10a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP  –  DRJ/RPO  (e­fls.  74/78),  que  por  maioria  de  votos  considerou  improcedente  impugnação  interposta  contra  Auto  de  Infração  CFL  35  (e­fls.  03),  lavrado  pela  falta  de  apresentação  à  fiscalização de cópias das RAIS ­ Relação Anual de Informações Sociais referentes ao período  de 2007/2010, no valor de R$ 15.244,14.  2. Adoto  o Relatório  do  referido Acórdão  da DRJ/RPO  ,  transcrito  em  sua  essência, por bem esclarecer os fatos ocorridos:  Relatório:  Trata­se  de  crédito  tributário  constituído  pela  fiscalização  e  materializado  por  meio  dos  seguintes  Autos  de  Infração  (AI)  contra  o  sujeito  passivo  acima  identificado,  verificado  no  estabelecimento  de  CNPJ  nº  85.475.028/0001­38  desse  contribuinte, lançados em 18/07/2011 e com a ciência pessoal ao  contribuinte em 18/07/2011 (fl. 003):  DEBCAD       Objeto      Valor  37.311.008­1   Ref. Auto de infração CFL 35    R$ 15.244,14  O contribuinte foi excluído dos regimes de tributação Simples e  Simples Nacional através dos Atos Declaratórios Executivos n°s  38 e 39, de 08 de junho de 2011, que deram origem ao processo  n°  11634.720267/2011­48.  Em  decorrência  dessa  exclusão,  foram efetuados os seguintes lançamentos (incluído o presente):  (...)  A  presente  autuação  decorreu  da  não  apresentação  pela  empresa à fiscalização de cópias da RAIS, referentes ao período  de 2007 a 2010.  Como  conseqüência,  foi  aplicada  a  correspondente  multa  isolada  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  estabelecida no artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991,  e no artigo 283, inciso II, alinea “b”, e art. 373, do Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048,  de  06/05/1999. A multa cabível para a infração cometida é o valor  mínimo  de  R$  15.244,14,  valor  atualizado  de  acordo  com  a  Portaria Interministerial MPS/MF nº 407, de 14/07/2011.  O  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  058/060),  em  16/08/2011, com as considerações a seguir.  1. Afirma que sempre buscou atender à legislação previdenciária  e  trabalhista,  como  mostra  seu  histórico  de  certidões  emitidas  pela RFB entre 09/08/1999 e 16/01/2012, havendo fortes indícios  de  que  possuía  e  possui  todos  os  documentos  solicitados,  não  tendo  motivo  algum  para  não  apresentá­los  para  fins  de  auditoria. Esclarece que possui número elevado de documentos,  demandando  tempo  para  análise  dos  mesmos.  Informa  que  sempre  manteve  e  mantém  à  disposição  do  Fisco  todos  os  documentos constantes como não entregues no auto de infração  e que  sempre se manteve contato  informando a disponibilidade  desses documentos e que em momento algum se negou a entregar  os documentos solicitados.  Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11634.720340/2011­81  Acórdão n.º 2202­005.185  S2­C2T2  Fl. 107          3 Afirma  que  sempre  entregou  a  RAIS  dentro  do  prazo  legal  contendo todos os funcionários e informações. Anexa declaração  do  Gerente  de  Recursos  Humanos  e  da  responsável  pela  Contabilidade da empresa no mesmo sentido (fls. 065/066).  Encerra  pedindo  o  recebimento  da  impugnação  para  julgar  improcedente  e  arquivar  o  processo  administrativo  fiscal  nº  11634.720340/2011­81, DEBCAD nº 37.311.008­1.  É o relatório.  3.  O  Voto  da  10a.  Turma,  no  sentido  de  improcedência  da  Impugnação,  é  transcrito a seguir, em sua essência:  Voto:  A  impugnação  apresentada  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade (...), dela conheço.  Multa aplicada  O único argumento apresentado pelo contribuinte contra a multa  aplicada  foi  o  de  que  sempre  manteve  todos  os  documentos  à  disposição  da  fiscalização  e  em  nenhum  momento  se  negou  a  entregá­los, com declarações de prepostos no mesmo sentido. No  entanto,  não  apresenta  qualquer  cópia  de  nenhum  desses  documentos, o que não permite sequer presumir qualquer indício  de sua efetiva existência.  Alega  também  que  já  obteve  certidões  negativas  da  RFB  ao  longo do período de 1999 a 2012, tendo anexado exemplares aos  autos. Novamente, a emissão de certidões não atesta a existência  dos documentos ou sua apresentação à  fiscalização, que são os  fundamentos  da  autuação,  mas  tão­somente  indicam  que  não  havia créditos tributários pendentes à época das certidões.  Em contrapartida, a fiscalização apresenta Termos de Intimação  para  apresentação  de  documentos  (fls.  008/018),  emitidos  no  período  de  29/10/2010  a  23/03/2011,  nos  quais  estabelece  claramente  que  os  documentos  devem  ser  disponibilizados  no  endereço  da  unidade  local  da  RFB  (Rua  Brasil,  865,  Centro,  Londrina,  PR),  e  não  na  sede  da  empresa,  conforme  pretende  argüir o impugnante. Não consta nos autos nenhuma resposta do  contribuinte  no  sentido  de  atendimento  a  qualquer  dos  itens  solicitados nas intimações, apenas um pedido de prorrogação do  prazo.  Portanto,  tendo  em  vista  que  o  contribuinte  desatendeu  às  intimações nos termos em que foram expedidas e não apresentou  qualquer elemento de prova da existência dos documentos ou de  sua apresentação à fiscalização, mantém­se a multa aplicada.    Recurso Voluntário  4.  Cientificada  da  decisão  a  quo,  em  14/04/2014  (e­fl.  80)  a  contribuinte  apresenta os seguintes argumentos, em 09/05/2014, transcritos em síntese:  ­ apresenta breve descrição dos fatos ocorridos;  Fl. 108DF CARF MF     4 ­  alega  que  sempre  buscou  atender  à  legislação  e  que  possui  Certidões  Negativas com validades de 09/08/1999 até 16/01/2012, entendendo então  ter cumprido suas  obrigações previdenciárias e sendo indício de que possuía todos os documentos solicitados, não  tendo motivo algum para não apresentá­los;  ­  afirma  que  possuiu  no  período  um  número  razoável  de  funcionários,  gerando um volume elevado de documentos, demandando tempo para análise de todos eles, e  que mesmo pelo volume elevado e pelo período compreendido a empresa  sempre manteve e  mantém à disposição do fisco todos os documentos;  ­  entende  que  houve  falha  em  relação  à  lavratura  do  presente  auto  pois  sempre se manteve em contato, informando que os documentos estavam à disposição, obtendo  sempre como resposta que no momento da análise os mesmos seriam solicitados;  ­ ressalta que a RAIS foi sempre entregue completa e dentro do prazo legal e  sempre estivera à disposição no endereço da empresa.;  5.  Requer,  por  fim,  conhecimento  e  procedência  do  recurso  voluntário,  reformando  a  decisão  de  Primeiro  Grau  a  fim  de  que  o  Auto  de  infração  seja  considerado  improcedente.  6. É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator  7.  O  Recurso  Voluntário  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  intrínsecos,  uma  vez  que  é  cabível,  há  interesse  recursal,  a  recorrente  detém  legitimidade  e  inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos  pressupostos  de  admissibilidade  extrínsecos,  pois  há  regularidade  formal  e  apresenta­se  tempestivo. Portanto dele conheço.  8. Trata  o  presente  de Auto  de  Infração  por  descumprimento  de Obrigação  Acessória  ­ AIOA  ­ CFL  35. Constitui  infração  deixar  a  empresa  de  prestar  à Secretaria  da  Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse  da  mesma,  na  forma  por  ela  estabelecida,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização, conforme previsto na  lei 8.212/91, artigo 32,III  e parágrafo 11, com redação da  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009,  combinado  com  o  artigo  225,  III  do  Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.  9. A  autuada  alega  que  já  obteve  certidões  negativas  da RFB  ao  longo  do  período de 1999 a 2012, mas como bem ressaltado pela DRJ, a emissão de certidões não atesta  a  existência  dos  documentos  ou  sua  apresentação  à  fiscalização,  que  são  os  fundamentos  da  autuação, mas  tão  somente  indicam que não havia créditos  tributários pendentes à época das  certidões.  10.  Alega  também  que  em  nenhum  momento  se  negou  a  entregar  os  documentos  solicitados, mas  em  contrapartida  a  fiscalização  apresenta Termos  de  Intimação  para apresentação de documentos (e­fls. 08/10 e 15/18), nos quais estabelece claramente que os  documentos  devem  ser  disponibilizados  no  endereço  da  unidade  local  da  RFB  (Rua  Brasil,  865, Centro, Londrina, PR), e não na sede da empresa, conforme se defende a impugnante.   10.  Compulsando  os  autos,  verifica­se  também  que,  embora  devidamente  intimada  pela  fiscalização,  não  consta  nenhuma  comprovação  material  no  sentido  da  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11634.720340/2011­81  Acórdão n.º 2202­005.185  S2­C2T2  Fl. 108          5 contribuinte  ter  apresentado  as  cópias  das  RAIS  solicitadas  nas  intimações,  as  quais  configuram­se como a correta comunicação entre Auditor e Empresa.   11. Uma vez que a contribuinte desatendeu às intimações para apresentação  cópias das RAIS ­ Relação Anual de Informações Sociais referentes ao período de 2007 a 2010  e não comprova de maneira hábil e  idônea a sua apresentação à  fiscalização, deve­se manter  inalterada a Decisão de Primeira Instância.  Conclusão  12. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso.      (assinado digitalmente)  Ricardo Chiavegatto de Lima. Relator                              Fl. 110DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.916227/2016-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.767
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.916227/2016­30  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­001.767  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de janeiro de 2019  Assunto  PIS/PASEP  Recorrente  INTERCEMENT BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se  a DCTF  retificadora  foi  retida  para  análise,  se  existe  processo  administrativo  relativo  a  não  aceitação  da  DCTF  retificadora,  qual  a  situação  de  tal  processo  e  a  fundamentação  da  não  aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos  ou apresentar documentação.     (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente),  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  (vice­presidente),  Mara  Cristina  Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas  Pantarolli  e  Renato  Vieira  de  Ávila  (suplente  convocado).  Ausente,  momentaneamente,  o  conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.    Relatório Trata  o  presente  processo  de Recurso Voluntário  contra Acórdão  da DRJ  que  julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo  a não homologação da compensação pretendida,  face a  inexistência do direito creditório nela  informado.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 22 7/ 20 16 -3 0 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.916227/2016­30  Resolução nº  3401­001.767  S3­C4T1  Fl. 3          2 Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  argumenta  que  equivocadamente  ofereceu à  tributação do PIS e da Cofins, pela sistemática não cumulativa,  receitas auferidas  com a prestação de serviços de concretagem, que estavam sujeitas ao regime cumulativo, o que  resultou em recolhimento a maior que o devido.   Diz que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, talvez  por  falta  de  processamento  da  DCTF  retificadora,  já  que  o  pagamento  foi  localizado,  mas  estava integralmente utilizado para quitação de seus débitos. Contudo, a desconsideração dessa  DCTF,  transmitida  anteriormente  ao Per/Dcomp,  implica  violação  às  disposições  do Parecer  Normativo Cosit/RFB nº  2,  de 28/08/2015,  inclusive  com a  emissão  do Despacho Decisório  sem que houvesse lhe oportunizado a prestação de esclarecimentos.  Regularmente  cientificada  do  teor  do  acórdão  de  piso  apresentou  Recurso  Voluntário onde alega:  1)  nulidade  por  ausência  de  intimação  quanto  as  supostas  inconsistências  nas  DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório;  2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por  qual motivo estava glosando o crédito pleiteado;  3)  promoveu  regularmente  a  retificação  da  DCTF  e  DACON  antes  da  transmissão do PER/DCOMP;  4)  o  crédito  tributário  é  legítimo.  Tributação  de  receitas  auferidas  com  a  prestação de serviços de concretagem sujeitas ao regime cumulativo;  5) solicita diligência ou perícia para que comprove que  todo o crédito glosado  deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória.  É o relatório.  Voto  Conselheiro  Rosaldo  Trevisan,  Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada  pelo  art.  47,  §§  1º  e  2º,  do Anexo  II  do  RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio  aplica­se  o  decidido  na  Resolução  3401­001.758,  de  29  de  janeiro  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.916217/2016­02,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401­001.758):    "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  as  demais  condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento.  Conforme  se  verifica  pelo  Despacho  Decisório,  a  autoridade  administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que  o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp,  Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.916227/2016­30  Resolução nº  3401­001.767  S3­C4T1  Fl. 4          3 de  R$  820.394,55,  correspondente  ao  Darf  de  COFINS  NÃO  CUMULATIVA  (código  5856),  recolhido  em  18/04/2008,  no  valor  de  R$  1.790.611,36,  estava  totalmente  utilizado  para  quitação  de  débito  da  própria  contribuinte,  não  restando, assim,  crédito  disponível  para  compensação pretendida.  A recorrente ao revisar seus procedimentos fiscais entendeu que  deveria  retificar  as  informações  prestadas  à  RFB  (DCTF),  pois  verificou  que  estava  oferecendo  equivocadamente  à  tributação  pela  sistemática  não­cumulativa  receitas  auferidas  com  a  prestação  de  serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo.  Relendo  o  despacho  decisório  verifica­se  que  a  autoridade  administrativa  limitou  a  sua  análise  aos  valores  originalmente  informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de  terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório.  Não  há  no  processo  o  motivo  que  as  retificadoras  não  foram  aceitas.  A  recorrente  alega  não  ter  sido  intimada  ou  cientificada  a  respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF.  O artigo 10 da  Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe  acerca do procedimento a ser  tomado pelo Fisco quando a DCTF for  retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis:   Art.  10. As DCTF  retificadoras  poderão  ser  retidas para  análise  com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela  RFB.   §  1º  O  sujeito  passivo  ou  o  responsável  pelo  envio  da  DCTF  retida  para  análise  será  intimado  a  prestar  esclarecimentos  ou  apresentar  documentação  comprobatória  sobre  as  possíveis  inconsistências  ou  indícios  de  irregularidade  detectados  na  análise de que trata o caput.   §  2º  A  intimação  poderá  ser  efetuada  de  forma  eletrônica,  observada  a  legislação  específica,  prescindindo,  neste  caso,  de  assinatura.   §  3º  O  não  atendimento  à  intimação  no  prazo  determinado  ensejará a não homologação da retificação.  Paira  a  dúvida  se  essa  intimação ocorreu  e  por  conseguinte  se  houve  a  não  homologação  pelo  não  atendimento  à  intimação,  já  que  não existem esses documentos no processo.  Para  que  seja  elucidado  qual  o  procedimento  foi  adotado  pela  unidade  da  RFB,  que  por  certo  segue  os  ditames  das  Instruções  Normativas  RFB,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  para que a unidade esclareça:  1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 03/2008 foi retida  para análise?  Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.916227/2016­30  Resolução nº  3401­001.767  S3­C4T1  Fl. 5          4 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da  DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a  situação atual do processo?  3)  houve  intimação  ao  sujeito  passivo  ou  responsável  para  prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação?  A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios,  e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das  informações  prestadas  e  disponibilizado  prazo  para  apresentar  alegações pertinentes.  Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento  do julgamento tendo em vista as informações prestadas."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça:  1) A DCTF retificadora, relativa ao período discutido foi retida para análise?  2)  existe  processo  administrativo  relativo  a  não  homologação  da  DCTF  retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do  processo?  3)  houve  intimação  ao  sujeito  passivo  ou  responsável  para  prestar  esclarecimentos? Ou apresentar documentação?  A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá  ser  dado  conhecimento  ao  contribuinte  sobre  o  teor  das  informações  prestadas  e  disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes.  Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento  tendo em vista as informações prestadas."   (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan      Fl. 236DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.912509/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.912509/2009­95  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­003.855  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de abril de 2019  Matéria  DCOMP ­ DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  REFRIGERANTE MINAS GERAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS  A  MAIOR  QUE  O  DEVIDO.  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  APLICAÇÃO  DA  SÚMULA CARF Nº 84.  O valor do  recolhimento  a  titulo de  estimativa que  supera o valor devido a  titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o  lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de  compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA  DA UNIDADE DE ORIGEM.  Reconhece­se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal  das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem  homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de  Origem no que concerne à análise do direito creditório.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no  fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa  mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade  de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita  despacho decisório complementar,  retomando­se, a partir daí, o  rito processual de praxe, nos  termos  do  voto  da  relatora.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  nº10680.913407/2009­ 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 09 /2 00 9- 95 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.912509/2009­95  Acórdão n.º 1301­003.855  S1­C3T1  Fl. 3          2 (Assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto,  Bianca  Felícia  Rothschild  e  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.     Relatório  Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de  DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal.   O  pedido  de  compensação  foi  indeferido  através  de  Despacho  Decisório  Eletrônico,  sob  o  argumento  de  que  o  crédito  informado  no  PER/DCOMP,  por  tratar  ­se  de  pagamento a  título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente  poderia  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou  para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.   Da Manifestaçã de Inconformidade  A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou:  ­ primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal;   ­ no que tange aos dispositivos do CTN, vê­se que se limitam a garantir ao  contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido  a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da  DCOMP originária da decisão ora contestada;   ­ passando­se ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vê­se que o aspecto  a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação  realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na  lei pela MP 449/08;   ­  a  compensação  realizada  pela  requerente  ocorreu  à  época  em  que  não  havia  lei  alguma  impedindo  a  prática  pelas  pessoas  jurídicas  da  compensação mensal  entre  débitos  e  créditos  resultantes  da  aplicação  do  regime  de  estimativa;  claramente  impossível,  portanto,  a  aplicação  retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do  CTN;   ­ quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo  com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal  poderá  criar  obrigações  tributárias,  ou  limitações  ao  exercício  de  direito  pelos  contribuintes.  Instruções  Normativas  são  meras  normas  Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.912509/2009­95  Acórdão n.º 1301­003.855  S1­C3T1  Fl. 4          3 complementares às  leis,  não podendo estabelecer  imposições ou óbices de  natureza tributária não previstos em lei.  ­ embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que  se  operou  a  compensação,  não  a  tendo  homologado  exclusivamente  com  base na tese da  impossibilidade de  realizações mensais, quer a  requerente  basear­se  na  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  que  sempre  admitiu esta periodicidade;   ­  vale  lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado  inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo  Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela  Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data  em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz  pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do  PL  de  Conversão,  quer  pelo  decurso  do  prazo,  caso  seja  o  referido  PL  vetado;   ­  na  conclusão,  destacou  a  manifestante  que  a  legislação  indicada  pelo  despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame,  ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo,  portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em  geral  e,  especialmente,  das  normas  tributárias,  excetuada  a  hipótese  de  retroatividade  benigna; a mais,  a  imposição de  comportamento  tributário,  por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é  admitida  pela  legislação  tributária  brasileira,  desde  a  Constituição,  passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97);  ­  em  consequência,  espera  e  requer  o  contribuinte  que  seja  a  presente  Manifestação  de  Inconformidade  conhecida  e  provida,  modificando­se  o  Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada.  A  DRJ  julgou  improcedente  a  manifestação  sob  o  fundamento  de  que  o  crédito,  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a maior  de  estimativa mensal,  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  IRPJ  ou  da CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve o pagamento  indevido ou para compor o  saldo negativo do período, de  acordo com a  norma vigente. Transcreve­se ementa do acórdão da DRJ:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Exercício: 2006   PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR  ESTIMATIVA  MENSAL   De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo  lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de  Imposto  de  Renda  ou  de  Contribuição  Social  a  título  de  estimativa  mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ  ou  da  CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo do período.  Do Recurso Voluntário  Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.912509/2009­95  Acórdão n.º 1301­003.855  S1­C3T1  Fl. 5          4 Em 14/12/2011, o contribuinte  tomou ciência da decisão da DRJ, conforme  Aviso  de  Recebimento  dos  Correios.  Ainda  inconformada,  em  12/01/2012  a  empresa  apresentou Recurso Voluntário (fls. 50­72), no qual:  ­ Declara  que  apura  IRPJ  e CSLL  pelo  lucro  real  e,  recolhe  os  valores  de  estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e  que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa;  ­  Acrescenta  que  nem  o  Despacho  Decisório,  nem  o  acórdão  recorrido,  discutem  ou  põem  em  dúvida  o  acerto  dos  excedentes  compensados  e  que  limitam­se  a  justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc.  IX da Lei n.9.784/96;  ­  Em  seguida,  destaca  que  os  limites  da  lide  dizem  respeito  à  questão  de  direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade.  Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/2009­97,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.853):  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele conheço.  Após  ter  seu  pedido  de  compensação  indeferido  sob  o  fundamento  de  que  pagamento  a  titulo  de  estimativa  mensal,  somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL  devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo  negativo  de  IRPJ/CSLL  do  período,  a  empresa  apresentou  manifestação  de  inconformidade  reiterando  seu  direito  à  compensação de estimativas mensais.  A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela  DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera  que  em  razão  de  pagamentos  indevidos  de  estimativa  mensal,  conforme  apuração  em  balancetes  mensais,  teria  direito  à  compensação dos valores pagos em excesso.  Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.912509/2009­95  Acórdão n.º 1301­003.855  S1­C3T1  Fl. 6          5 No  presente  processo,  o  pedido  de  compensação  foi  indeferido  liminarmente  através  de Despacho Decisório Eletrônico,  sob  o  fundamento de  se  tratar de pagamento de estimativa mensal. A  Unidade  de  Origem  sequer  analisou  o  mérito  do  direito  creditório,  tampouco  deu  oportunidade  ao  contribuinte  para  apresentar  documentos  que  comprovassem  o  recolhimento  indevido a título de estimativa mensal.   Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de  estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo  ao  final  do  ano­calendário,  daquele  pagamento  efetuado  em  valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de  estimativa mensal.  Com  efeito,  entendo  ser  possível  a  compensação/restituição  de  recolhimento  a  título  de  estimativa  mensal,  desde  que  caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in  verbis:    Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins  de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.  Todavia, para fins de homologação da DCOMP, faz­se mister a  apreciação  do  direito  creditório,  ou  seja,  a  comprovação  por  parte  do  contribuinte  de  que  o  pagamento  foi  calculado  e  efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei.   Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a  compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única  questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade  (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida  a  maior.  Além  do  que,  tal  fato  implicaria  supressão  da  competência  da  Unidade  de  Origem  para  análise  do  direito  creditório.  Nesse  sentido,  considerando  ser  possível  a  restituição/compensação de  recolhimento  de  estimativa mensal,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  voto  no  sentido  de  retornar  o  processo  à  Unidade  de  Origem  para  examinar  o  mérito  do  pedido,  nos  termos  do  art.  170  do  CTN  e  proferir  Despacho Decisório complementar.   Posteriormente, pode­se seguir o rito processual habitual.   Diante de  todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso  Voluntário,  e  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO  para  reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  ou  CSLL,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  84,  mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno  dos  autos  à  jurisdição  da contribuinte,  para  que a Unidade  de  Origem analise o mérito do pedido e  emita despacho decisório  complementar, prosseguindo­se assim, o processo de praxe.  Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.912509/2009­95  Acórdão n.º 1301­003.855  S1­C3T1  Fl. 7          6   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer  do  Recurso  Voluntário,  e  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO  para  reconhecer  a  possibilidade  de  compensar  recolhimentos  a  título  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  ou  CSLL,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  84,  mas  sem  homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte,  para  que  a  Unidade  de  Origem  analise  o  mérito  do  pedido  e  emita  despacho  decisório  complementar, prosseguindo­se assim, o processo de praxe.    (Assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                            Fl. 80DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.726270/2016-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­006.608  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  Normas Gerais de Direito Tributário  Recorrente  EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser  aplicado  aos  casos  de  compensação  tributária,  que  depende  de  posterior  homologação,  pois  não  equivalente  a  um  pagamento.  Em  consequência,  mantém­se a multa moratória imposta pela fiscalização        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  vencidos  os  Conselheiros  Walker  Araújo,  José  Renato  Pereira  de  Deus,  Raphael  Madeira  Abad  e  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado).    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Walker  Araújo,  Jose  Renato  Pereira  de  Deus,  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva  (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 62 70 /2 01 6- 81 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726270/2016­81  Acórdão n.º 3302­006.608  S3­C3T2  Fl. 3          2   Relatório  Tratam  os  autos  de  análise  da  Declaração  de  Compensação  (Dcomp),  por  intermédio  da  qual  o  contribuinte  compensou  débito(s)  próprios,  com  suposto  crédito  de  pagamento indevido ou a maior.   Como  resultado  da  análise  foi  proferido  o  Despacho  Decisório,  que  reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação  declarada,  vez  que  o  crédito  indicado  revelou­se  insuficiente  para  quitar  o(s)  débito(s)  confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em  decorrência do atraso na quitação deste(s).  Cientificado  da  decisão  o  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue:  ­  Não  foi  observada  a  denúncia  espontânea  estabelecida  no  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Com  a  transmissão  da  Dcomp,  antecipou­se  a  qualquer  procedimento  fiscal,  declarando  e  quitando  débito  não  questionado  pela  Receita  Federal,  com  acréscimo  de  juros moratórios.  Transmitiu  a DCTF  retificadora onde  declara  o  débito  e  o  pagamento  feito  via Dcomp;  ­ Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos.  Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos  das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01,  de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada.  A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a  quo, nos termos do Acórdão nº 11­057.653.  Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente  interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que:  a)  Em  que  pese  a  controvérsia  acerca  da  possibilidade  ou  não  de  restar  configurada  a  denúncia  espontânea  quando  a  extinção  do  crédito  tributário  se  dá  por  compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012,  com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de  2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia  caracterizá­la. E  isto porque a compensação ou quaisquer outras  formas de adimplemento de  obrigação são  formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo  forma de  pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN;  b) A denúncia  espontânea  exclui  a  responsabilidade pela  infração  tributária  cometida  pelo  contribuinte,  pressupondo  a  comunicação  pertinente  a  fato  desconhecido  por  parte  do  Fisco  antes  de  qualquer  iniciativa  da  Administração  Tributária,  devendo  ser  acompanhado  do  pagamento  do  tributo  e  dos  juros  de  mora,  se  for  o  caso.  A  intenção  do  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726270/2016­81  Acórdão n.º 3302­006.608  S3­C3T2  Fl. 4          3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua  situação,  recebendo  em  seu  benefício  o  afastamento  da  responsabilidade  pela  infração  à  legislação  tributária.  Dessa  forma,  se  o  contribuinte  antecipa­se  a  qualquer  procedimento  fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos  tributos em atraso e dos  juros de  mora,  não  lhe  pode  ser  imposta  multa  de  mora,  seja  ela  punitiva  ou  moratória.  Como  os  Correios  anteciparam­se  à  qualquer  procedimento  administrativo,  fazem  jus  ao  benefício  da  denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN.  Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit  nº  01  ao  período  em  que  foi  entregue  a Dcomp,  para  fins  de  reconhecer  a  configuração  da  denúncia  espontânea  de  forma  que  os  valores  indicados  na  Dcomp  sejam  considerados  quitados.  É o breve relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Acórdão nº  3302­006.586,  de  27  de  março  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10166.726132/2016­00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.586):  "O  recurso  é  tempestivo  e  apresenta  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  de  forma  que  dele  conheço  e  passo à análise do mérito.  O cerne da questão  está  em definir  se a  compensação  se  equipara  ao  pagamento  para  fins  de  fruição  do  benefício  da  denúncia espontânea.   Essa  questão  foi  tratada  de  forma  didática  e  precisa  no  Acórdão  nº  1402­003.600,  da  lavra  do  conselheiro  Marco  Rogério  Borges,  de  forma  que  peço  vênia  para  utilizar  a  ratio  decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis:  Como  de  costume,  o  voto  da  ilustre  Conselheira  Júnia  Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado.  Contudo,  este  colegiado,  após  ampla  discussão,  divergiu  do  seu  entendimento,  no  tocante  à  equiparação  de  compensação  à  pagamento  para  fins  de  constatação  de  denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação  do alegado artigo 100 do CTN.  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726270/2016­81  Acórdão n.º 3302­006.608  S3­C3T2  Fl. 5          4 O  art.  138  do  CTN  é  taxativo  na  sua  disposição  que  a  denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento  do tributo.  Não  há  condições  de  considerar  a  compensação  como  forma  de  pagamento  por  se  tratar  de  uma  extinção  do  crédito  tributário,  pois há outras modalidades de  extinção  elencados no art. 156 do CTN.  Igualmente,  não  há,  até  o  momento,  nenhuma  norma  no  âmbito  do  Ministério  da  Fazenda  e  nem  precedente  que  vincule este Conselho para  tal  entendimento de se aceitar  tal situação.  Inclusive,  há  decisão  do  E.  STJ  do  tema  em  sentido  contrário ao pleiteado pela recorrente:  "AgInt  no  REsp  1568857/PR  AGRAVO  INTERNO  NO  RECURSO ESPECIAL 2015/02977680  Relator: Ministro OG FERNANDES  Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA  Data do Julgamento: 16/05/2017  Data da Publicação: DJe 19/05/2017  EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  INTERNO  NO  RECURSO  ESPECIAL.  DEFICIÊNCIA  NA  ALEGAÇÃO  DE  CONTRARIEDADE  AO  ART.  535  DO  CPC/73.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  284/STF.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  ART.  138  DO  CTN.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA.  1.  É  deficiente  a  fundamentação  do  recurso  especial  em  que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de  forma  genérica,  sem  a  demonstração  exata  dos  pontos  pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou  obscuridade.  Aplica­se,  na  hipótese,  o  óbice  da  Súmula  284 do STF.  2. A compensação tributária não se equipara a pagamento  de  tributo  para  fins  de  aplicabilidade  do  instituto  da  denúncia  espontânea  regido  pelo  art.  138  do  CTN.  Precedentes:  EDcl  nos  EDcl  no  AgRg  no  REsp  1.375.380/SP,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel.  Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe  17/9/2015;  AgRg  no  AREsp  174.514/CE,  Rel.  Ministro  Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012.  3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos)  ACÓRDÃO  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726270/2016­81  Acórdão n.º 3302­006.608  S3­C3T2  Fl. 6          5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as  acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  agravo  interno, nos  termos do voto do Sr.  Ministro  Relator.  Os  Srs.  Ministros  Mauro  Campbell  Marques,  Assusete  Magalhães  (Presidente),  Francisco  Falcão  e  Herman  Benjamin  votaram  com  o  Sr.  Ministro  Relator.  REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010  Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN  Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA  Data do Julgamento: 04/04/2017  Data da Publicação: DJe 25/04/2017  EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138  DO  CTN.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  NÃO  CONFIGURADA.  1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto  da  denúncia  espontânea  é  perfeitamente  aplicável  aos  casos  em que  o  pagamento  do  tributo  é  realizado  através  da compensação" (fl. 665, eSTJ).  2.  A  Segunda  Turma  do  STJ  no  julgamento  do  REsp  1.461.757/RS,  de  relatoria  do  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  firmou  o  entendimento  de  que  "a  extinção  do  crédito  tributário por meio de  compensação está  sujeita  à  condição  resolutória  da  sua  homologação.  Caso  a  homologação,  por  qualquer  razão,  não  se  efetive,  tem­se  por  não  pago  o  crédito  tributário  declarado,  havendo  incidência,  de  consequência,  dos  encargos  moratórios.  Nessa  linha,  sendo que  a  compensação  ainda  depende  de  homologação,  não  se  chega  à  conclusão  de  que  o  contribuinte  ou  responsável  tenha,  espontaneamente,  denunciado  o  não  pagamento  de  tributo  e  realizado  seu  pagamento com os acréscimos  legais, por  isso que não se  observa a hipótese do art. 138 do CTN".  3. Recurso Especial provido.(grifamos)  Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de  pagamento e compensação para fins de reconhecimento da  denúncia espontânea.  Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no  caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o  débito  declarado/confessado  em  PER/Dcomp.  Seria  um  caso  de  imputação  proporcional,  que  está  perfeitamente  legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator.  No que  tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN  ao  caso,  o caso  in  concretu  apresentado  não  se  configura  como  denúncia  espontânea  nos  termos  do  artigo  138  do  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726270/2016­81  Acórdão n.º 3302­006.608  S3­C3T2  Fl. 7          6 mesmo  CTN,  as  evocadas  Notas  Técnicas  (NTs),  de  caráter meramente interpretativo, como bem analisados na  decisão a quo, não são aplicáveis.  Quando da  emissão  da NT Cosit  nº  01, de  18/01/2012,  a  qual  a  recorrente  se  baseia  para  ter  adotado  a  postura  pleiteada  no  presente  processo,  a  mesma  foi  criada  com  objetivo  de  orientação  internamente  a Receita  Federal  do  Brasil,  e  identificado  a  sua  impropriedade,  foi  cancelara  por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindo­a.  Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data  de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos  termos  do  artigo  100  do CTN,  pois  as NTs  não  são  atos  normativos,  e,  por  consequência,  nem  houve  a  prática  reiterada  pela  autoridade  administrativa  pois  não  foram  direcionadas  aos  contribuintes,  muito  menos  nem  pessoalmente à recorrente.  Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas  no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance  para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não  podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente.  Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a  denúncia  espontânea  em  relação  aos  débitos  julho  de  2008  e  agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede                                Fl. 165DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.687793/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA

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1401­003.237  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2019  Matéria  IRPJ ­ PER/DECOMP  Recorrente  IMPLAMED ­ IMPLANTES ESPECIALIZADOS COM IMPOR E EXPOR  LTD  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2008  PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE  Apesar  de  ser  ônus  do  contribuinte  apresentar  a  prova  de  seu  crédito,  não  tendo  entendido  ser  suficiente  a  prova  apresentada  e  a  sendo  em momento  posterior,  deve  ser  considerada,  tendo  em  vista  o  diálogo  com  a  decisão  recorrida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  para  reconhecer  o  direito  creditório  e  homologar  a  compensação  no  limite do crédito reconhecido.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Letícia Domingues Costa Braga ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves  (Presidente),  Eduardo  Morgado  Rodrigues,  Luciana  Yoshihara  Arcângelo  Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes  de Oliveira Neto,  Letícia Domingues Costa Braga,  Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 77 93 /2 00 9- 08 Fl. 128DF CARF MF     2 Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior de  IRPJ  no  qual  o  contribuinte  pretende  a  utilização  de  crédito  na  compensação  de  débitos  informados no PER/DCOMP.  O  PER/DCOMP  foi  indeferido  por  meio  de  análise  automática  do  PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte  informar  como  valor  do  débito  o  valor  integral  do  DARF  recolhido  não  existindo,  desta  maneira, valor disponível para restituição.  Cientificado  do  indeferimento  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  por  meio  da  qual  alegou  que  errou  ao  não  ter  retificado  previamente  a  declaração  (DCTF)  mas  que,  no  entanto,  havia  providenciado  a  retificação  da  declaração  (DCTF)  antes  da  inscrição  em DAU do débito  e  que  a DIPJ  relativa  à  apuração  do  crédito,  apresentada  antes  da  emissão  do  despacho  decisório  do  PER/DCOMP  informava  o  valor  correto do débito do período o que confirmaria a existência do pagamento a maior.  Alega  também  nulidade  por  vício  formal  em  razão  de  a  RFB  não  ter  analisado a DCTF retificadora apresentada.  Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu  sua  análise  ao  fato  de  a  DCTF  não  ter  sido  retificada  previamente  à  apresentação  do  PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito  disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de  outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de  apuração  relativo  ao DARF  solicitado. Também  foi  rejeitada  a nulidade  aventada,  conforme  ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2008  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil­fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada  período  de  apuração.  A  simples  entrega  de  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.687793/2009­08  Acórdão n.º 1401­003.237  S1­C4T1  Fl. 129          3 DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com  crédito  líquido  e  certo  do  sujeito  passivo;  no  caso,  o  crédito  pleiteado é inexistente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificado da decisão da DRJ, que considerou improcedente a manifestação  de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que  a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época  do pedido, mas sim a DIPJ apresentada e a DCTF retificadora.  Solicitou,  novamente  a  nulidade  da  decisão  original  e  do  acórdão  da  Delegacia de Julgamento por não terem apreciado as outras declarações da empresa.  O processo chegou então a este CARF para análise do recurso.  Este é o relatório     Voto             Conselheiro Relator ­ Letícia Domingues Costa Braga  O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele  conheço.  O  recurso  voluntário  apresentado  inicia  com  a  apresentação  de  uma  preliminar  de  nulidade.  Contudo,  como  será  melhor  fundamento  abaixo,  entendo  por  dar  provimento ao recurso e supero a preliminar aventada para reconhecer o mérito do pedido.  Inicialmente  e  antes  da  análise  do  mérito  do  recurso,  devem  ser  feitas  algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise  diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações.  Desde  a  época  em  que  foi  criado  o  programa  gerador  das  declarações  de  compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas  informatizados.  Tratando­se  de  pagamento  a  maior  ou  indevido  haviam  duas  correntes  de  pensamento:  a  primeira  se  declinava  no  sentido  de  que  a  análise  deveria  ficar  restrita  à  comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia  no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das  diversas  declarações  que  o  contribuinte  deveria  apresentar  ao  fisco  (DACON,  DIPJ,  DIRF,  etc).  Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente  prevaleceu,  até  mesmo  em  função  da  maior  agilidade  de  processamento.  Resultado,  foram  Fl. 130DF CARF MF     4 geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo  retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a  ela vinculado, indefere­se o crédito, sem qualquer outra consideração.  Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede  a  formação de qualquer contraditório  sobre o  fato de confirmação do crédito do contribuinte  contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de  seu  direito. Mais  ainda  quando,  pela  pouca  clareza  da  decisão,  os  contribuintes,  como  o  do  presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor confessado na DCTF  estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas.  Se  o  contribuinte  cumpre  obrigações  acessórias  sujeitas  à  penalidades  por  meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de  recurso,  diante  da  alegação  da  existência  de  outras  declarações  infirmando  os  valores  dos  débitos  confessados  na DCTF,  que  não  se  realize  nenhum  ato  de  conferência  do  valor  efetivamente  devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente.  Ora,  é  bom  esclarecer  para  os  que  não  compreendam  o  sistema  de  funcionamento das declarações,  que  a DCTF, mercê de  ser  a declaração  onde o  contribuinte  confessa  seus  débitos  perante  o  fisco,  é  a  declaração  mais  sujeita  a  erros  de  informação.  Explico:  a  DCTF  é  declaração  obrigatória  de  confissão  na  qual  o  contribuinte  não  informa  nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a  forma como extinguiu os mesmo.  Essa  declaração  é  exigida  no  mais  curto  espaço  de  tempo  possível,  por  exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa  agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte  ao  passo  em  que  o  obriga  a  informar  débitos  sem  uma  adequada  revisão  dos  valores  de  apuração dos tributos.  Veja­se  que  a  demais  declarações  (DIPJ,  DACON,  DIRF,  etc)  são  apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no  meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações  apresentadas pelo contribuinte  relativas ao débitos em questão  informados no PER/DCOMP.  Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna  quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao  contribuinte a fim de escoimar as divergências.  Por isso é que esta forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos  débitos  declarados,  deveria  atuar  o  fisco  na  apuração  dos  créditos  solicitados  pelos  contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia  ao  contribuinte,  no  entanto,  resta  um  enorme  estoque  de  processos,  como  este,  que  foi  analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa.  Diante  deste  entendimento  e  verificando  que  existem  diversos  indícios  apresentados na DIPJ da empresa em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito  de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao  princípio da verdade material e o da informalidade.  Consoante  se  demonstra  da  DIPJ  original,  relativa  ao  ano  de  2008,  apresentada pela empresa antes da prolação do despacho decisório, os valores devidos da IRPJ  são bem inferiores aos valores recolhidos pela empresa e informados em DCTF.  Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.687793/2009­08  Acórdão n.º 1401­003.237  S1­C4T1  Fl. 130          5 Da análise da referida DIPJ, nas fichas de apuração do resultado do exercício  não se verificam indícios de que houve qualquer irregularidade nas informações prestadas pela  empresa. Assim, conforme acima apresentado, não é cabível o puro e simples indeferimento do  pedido  em  função  da  informação  apresentada  em  DCTF  quando  este  mesmo  contribuinte  apresenta outra declaração com a demonstração completa dos valores de apuração do  tributo  devido que simplesmente foi ignorada quando da prolação das duas decisões.  Desta  forma,  a  despeito  de  a  DCTF  constituir  em  confissão  de  dívida  da  empresa, esta confissão pode ser infirmada por novas informações apresentadas pela empresa  em outras declarações exigidas pelo fisco.  Assim, entendo que deve ser considerado procedente o recurso a fim de que a  existência de crédito relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre o valor  do  tributo  devido  informado  na  DIPJ  da  empresa  e  o  valor  efetivamente  recolhido  pela  empresa,  tendo  em  vista  a  inexistência  de  qualquer  informação  a  infirmar  os  valores  de  apuração apresentados pelo contribuinte em sua DIPJ.  Por  todo  o  exposto  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  para  determinar que a existência do crédito da empresa relativo a pagamento a maior seja realizada  pelo confronto entre os valores devidos apurados na DIPJ e os valores efetivamente recolhidos  pela empresa.  Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não  trata de despacho decisório  como prazo para  a  retificação,  sendo  certo que o prazo  coincide  com a homologação da decisão, conforme IN 1.110/2010 da própria Receita:  Art. 9º ­ (...)   § 5º ­ O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF  extingue­se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro)  dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.”  Conclusão  Pelo  acima  exposto,  conduzo  meu  voto  o  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no  limite do crédito  reconhecido.  (assinado digitalmente)  Letícia Domingues Costa Braga                              Fl. 132DF CARF MF

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7758474 #
Numero do processo: 10880.973047/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA. Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO JÁ INCLUÍDO EM PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE A inclusão em parcelamento, de débitos confessados e renunciados, impedem o reconhecimento, na esfera administrativa, de eventual direito creditório, devendo essa pretensão ser perseguida na esfera judicial.
Numero da decisão: 2401-006.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. .
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

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2401­006.492  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de maio de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Recorrente  EUROFARMA LABORATÓRIOS S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2003  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS  DA PROVA.   Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de  pleito  de  compensação  ou  restituição  de  tributos,  a  teor  do  que  dispõe  o  art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99.   COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  INOCORRÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  DIREITO  LÍQUIDO  E  CERTO. ART.170 CTN.  Não  se  reconhece  o  direito  creditório  quando  o  contribuinte  não  logra  comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido  ou  a maior. O  artigo  170  do Código Tributário Nacional  determina  que  só  podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  DÉBITO  JÁ  INCLUÍDO  EM  PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE  A inclusão em parcelamento, de débitos confessados e renunciados, impedem  o  reconhecimento,  na  esfera  administrativa,  de  eventual  direito  creditório,  devendo essa pretensão ser perseguida na esfera judicial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.    Miriam Denise Xavier – Presidente      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 30 47 /2 00 9- 26 Fl. 81DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)    (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa ­ Relatora    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  (Presidente),  Cleberson  Alex  Friess,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e  Marialva de Castro Calabrich Schlucking.  .  Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  –  PER/DCOM  nº18192.28370.141005.1.3.045460 (fl. 02/04) ­, pelo qual a Recorrente pretende aproveitar um  suposto  crédito  de  Pagamento  Indevido  ou  a Maior,  no  valor  de R$  135.309,96,  na  data  de  transmissão,  utilizando  o  DARF,  código  de  receita  0481,  no  valor  de  R$  201.111,19,  PA  09/2005, com vencimento em 14/10/2005, e pagamento feito em 7/1/2003 .  O Despacho Decisório de fls. 07, não homologou a compensação dos débitos  informados no presente PER/DCOMP, porque o valor do crédito não foi reconhecido.  Conforme  consta  dos  autos  o  contribuinte,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, informou que teria incluído indevidamente no parcelamento especial (PAES)  o débito que já tinha sido pago. Afirmou, ainda, que, ao invés de solicitar a revisão dos débitos  consolidados no PAES, preferiu considerar como “pagamento a maior” o valor  recolhido em  07/01/2003, razão pela qual solicitou o pedido de compensação em debate.  Diante  desses  fatos,  e  com  base  na  legislação  de  regência,  a  fiscalização  concluiu pela não homologação das compensações, em face da total falta de certeza e liquidez do  direito creditório.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou  Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 16­39.513­ da 7ª Turma da DRJ/SP1,  às  fls.  41/46,  julgando  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  do  Contribuinte,  fundamentando­se nos elementos a seguir:  a) que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento  que pudesse demonstrar, de forma inequívoca, a identidade entre  os débitos confessados e pagos (07/01/2003) e o débito incluído  no  PAES  (02/01/2003),  não  sendo  possível  acatar  a  alegação  acerca da existência de pagamento indevido ou a maior;   b)  tendo  em  vista  que,  segundo  o  Contribuinte,  o  erro  se  encontra na inclusão do débito no parcelamento, ele deveria ter  solicitado  a  revisão  da  consolidação  dos  débitos  no  âmbito  do  PAES e não Pedido de Compensação;  Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.973047/2009­26  Acórdão n.º 2401­006.492  S2­C4T1  Fl. 3          3 c) que haveria prejuízo para os cofres públicos, caso fosse aceito  o procedimento adotado pelo contribuinte, pois a União estaria  aceitando  trocar  um  pagamento  que  já  se  encontra  em  seus  cofres  por  um  parcelamento,  em  relação  ao  qual  não  possui  qualquer  garantia  de  adimplemento.  Além  disso,  teria  que  restituir  o  pagamento  efetuado  com  atualização  pela  taxa  SELIC, enquanto que o débito incluído no parcelamento especial  seria atualizado com as benesses previstas pela legislação;  d) e pelo fato de que o débito originalmente incluído no PAES foi  transferido  para  o  parcelamento  previsto  pela  Lei  nº  11.941/2009,  não  sendo  possível  afirmar  que  ele  se  encontra  quitado no presente momento. Conforme documento juntado aos  autos,  o  contribuinte  desistiu  do  PAES,  em  18/11/2009,  para  incluir  o  saldo  devedor  no  parcelamento  previsto  pela  Lei  nº  11.941/2009.Quando  da  rescisão  do  PAES,  diversos  débitos  já  haviam sido extintos pelo pagamento das prestações. No entanto,  o  débito  ora  sob  análise  ainda  se  encontrava  em  aberto  o  que  permitiu concluir que ele faz parte do montante parcelado sob o  regime  previsto  pela  Lei  nº  11.941/2009.É  verdade  que  o  contribuinte  já  efetuou,  e continua efetuando, o pagamento das  prestações  deste  último  parcelamento. Ocorre  que,  quando  um  parcelamento  está  ativo,  os  débitos  nele  incluídos  perdem  temporariamente  sua  “identidade”,  passando  a  fazer  parte  de  um  montante  consolidado.  As  prestações  pagas,  então,  irão  amortizar  este  montante.  Sendo  assim,  não  é  possível  determinar,  no  presente  momento,  se  o  débito  de  IRRF  (0481)  referente ao período de 02/01/2003 já se encontra quitado, o que  reforça  o  entendimento  de  que  não  é  possível  considerar  o  pagamento efetuado em DARF como “indevido ou a maior”para  realizar eventual compensação.  Inconformada,  a  empresa  apresentou  Recurso  Voluntário  às  fls.  50/56  alegando em síntese que:  a)Conforme  expressamente  disciplinou  o  §3°,  art.  1°  da  Lei  n  10.684/03, a consolidação do PAES ocorreria no mês do pedido  do  parcelamento,  sem  qualquer  menção  a  faculdade  de  retificação desta consolidação em momento posterior;  bf)  Não  se  localiza  em  nenhum momento  de  toda  a  legislação  fiscal editada para disciplinar e operacionalizar o parcelamento  em questão a possibilidade de revisão dos débitos consolidados,  motivo pelo qual não se pode conceber do argumento aventado  por  esta  Receita  quando  da  prolação  da  decisão  por  ora  recorrida  no  sentido  de  que  o  procedimento  adotado  pela  Recorrente  (de  solicitar  a  compensação  administrativa  do  pagamento  realizado)  teria  sido  equivocado na medida em que  deveria  ter  procedido  a  um  possível  pedido  de  revisão  dos  débitos consolidados no PAES;  c)  ainda  que  admitida  a  possibilidade  de  revisão  dos  débitos  consolidados  no  parcelamento  em  questão  certo  é  que  o  parcelamento  restou  consolidado  em  2003  sendo  certo  que  a  Recorrente percebeu­se do equívoco incorrido apenas no ano de  Fl. 83DF CARF MF     4 2005,  ou  seja,  2  anos  após  ter  indicado  os  débitos  no  parcelamento e liquidado ­ ainda que parcialmente ­ tais débitos,  não havendo assim o que se falar em exclusão de débitos que já  estavam sendo pagos;  d)  justamente  por  inexistir  procedimento  legal  que  regulamentasse o pedido de revisão dos débitos consolidados, e  uma  vez  indicado  por  duas  vezes  o  mesmo  débito  para  pagamento  é  que  restou  como  única  opção  para  a  Recorrente  valer­se do procedimento de compensação nos moldes noticiados  nestes autos;  e)  outro  ponto  importante  é  que  inexiste  qualquer  benefício  financeiro  para  a  Recorrente  em  detrimento  da  Fazenda  Nacional;ao  contrário,  a  ausência  do  pedido  de  retificação  da  consolidação do parcelamento e sim o pedido de ressarcimento  do  pagamento  realizado  via  DARF  resultou  em  benefício  econômico para o Fisco federal o qual, ao invés de receber tão  somente o montante relacionado ao tributo foi contemplado com  o pagamento de multa e juros (ainda que reduzidos em razão dos  benefícios do parcelamento) que sequer eram devidos;  f) não bastassem todos os argumentos acima apresentados, certo  é  que  a  manutenção  da  decisão  de  indeferimento  do  despacho  decisório por ora analisado nestes autos  importará no evidente  enriquecimento sem causa da União a qual, na verá computado  em seus cofres o pagamento em duplicidade de um mesmo débito  tributário;  g)  a  negativa  do  reconhecimento  do  crédito  pleiteado  pela  Recorrente  nestes  autos  sob  a  mera  justificativa  de  que  o  procedimento por ela adotado estaria incorreto (ou seja, que ao  invés de pleitear a  restituição do pagamento em DARF deveria  esta  ter  solicitado  a  retificação  da  consolidação  do  parcelamento firmado) não pode subsistir diante do fato de que a  União estaria valendo­se de um suposto equívoco incorrido pela  Recorrente  para  justificar  um  procedimento  irregular  ainda  maior: a  retenção  indevida de dois pagamentos decorrentes do  mesmo fato gerador;  h)  decorridos  mais  de  10  anos  da  adesão  ao  parcelamento  firmado estaria apenas agora argumentando esta Receita que o  procedimento  supostamente  correto  a  ser  adotado  pela  Recorrente  deveria  ter  sido  outro,  procedimento  este  que,  registre­se,  sequer  pode  ser  adotado  agora  uma  vez  que  transcorridos  todos  os  prazos  legais  previstos  pelo  direito  tributário;  i) ainda não se pode olvidar em reconhecer a expressa ofensa ao  princípio  da  moralidade  administrativa,  por  meio  do  qual  a  Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade dos  princípios  éticos  da  lealdade  e  da  boa­fé.(cita  jurisprudências  administrativas e doutrina a reforçar esse entendimento).  É o relatório    Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.973047/2009­26  Acórdão n.º 2401­006.492  S2­C4T1  Fl. 4          5 Voto             Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa­ Relatora    DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    1. DA ADMISSIBILIDADE    A  Recorrente  foi  cientificada  da  r.  decisão  em  debate  no  dia  03/05/2013  conforme  AR  às  fls.  77/78,  e  o  presente  Recurso  Voluntário  foi  apresentado,  TEMPESTIVAMENTE,  no  dia  27/05/2013  (fl.  49/55),  razão  pela  qual  CONHEÇO  DO  RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade     1.  DOS FATOS  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  apresentada  pela  Recorrente  buscando utilizar um crédito de pagamento a maior relacionado a imposto de renda retido na  fonte (IRRF­ código receita 0481) apurados e devidos no mês de janeiro de 2003;   Ao  optar  pelo  parcelamento  disciplinado  pela  Lei  n°  10.684/03  (PAES)  a  Recorrente alega que  incluiu equivocadamente, os débitos de  IRRFonte por ela  já  recolhidos  em janeiro de 2003.  Alega  ainda  que,  constatado  o  equívoco  incorrido  e  já  impossibilitada  de  promover  a  reconsolidação  do  parcelamento  então  aderido,  optou  por  transmitir  a  PER/DCOMP objeto destes autos.  Todavia,  a  Receita  Federal  indeferiu  a  declaração  de  compensação  apresentada  pela  Recorrente  sob  o  argumento  de  que  o  contribuinte  não  trouxe  aos  autos  qualquer  documento  que  pudesse  demonstrar,  de  forma  inequívoca,  a  identidade  entre  os  débitos  confessados  e  pagos  (07/01/2003)  e  o  débito  incluído  no  PAES  (02/01/2003),  não  sendo possível acatar a alegação acerca da existência de pagamento indevido ou a maior; outra  fundamentação  importante  foi  que  tendo  em  vista  que,  segundo  o  Recorrente,  o  erro  se  encontrava na inclusão do débito no parcelamento, assim ele deveria ter solicitado a revisão da  consolidação dos débitos no âmbito do PAES e não  ter realizado o Pedido de Compensação.  Alegou ainda que haveria prejuízo para os cofres públicos, caso fosse aceito o procedimento  adotado pelo contribuinte e por  fim, que não é possível considerar o pagamento efetuado em  DARF como “indevido ou a maior”para realizar eventual compensação, tendo em vista que o  contribuinte  desistiu  do  primeiro  parcelamento  e  ingressou  no  parcelamento  da  Lei  nª  11.941/2009, não sendo possível determinar, no presente momento, se o débito de IRRF (0481)  referente ao período de 02/01/2003 já se encontra quitado para realizar eventual compensação.  Em sede de Recurso Voluntário a Empresa se insurgiu basicamente contra o  fato  de  inexistir  menção  qualquer  menção  à  faculdade  de  retificação  de  consolidação,  em  momento posterior, na Lei nº 10.684/03, que justamente por inexistir procedimento legal que  regulamentasse  o  pedido  de  revisão  dos  débitos  consolidados,  e  uma  vez  indicado  por  duas  vezes o mesmo débito para pagamento é que restou como única opção para a Recorrente valer­ se  do  procedimento  de  compensação  nos  moldes  noticiados  nestes  autos.  Outro  ponto  importante  é  que  inexiste  qualquer  benefício  financeiro  para  a Recorrente  em  detrimento  da  Fazenda  Nacional;ao  contrário,  a  ausência  do  pedido  de  retificação  da  consolidação  do  Fl. 85DF CARF MF     6 parcelamento e sim o pedido de ressarcimento do pagamento realizado via DARF resultou em  benefício econômico para o Fisco federal o qual, ao invés de receber tão somente o montante  relacionado ao tributo foi contemplado com o pagamento de multa e juros (ainda que reduzidos  em  razão  dos  benefícios  do  parcelamento)  que  sequer  eram  devidos.  E  por  fim,  que  a  manutenção da decisão de indeferimento do despacho decisório por ora analisado nestes autos  importará no evidente enriquecimento sem causa da União, e em expressa ofensa ao princípio  da moralidade administrativa, por meio do qual a Administração e seus agentes têm de atuar na  conformidade dos princípios éticos da lealdade e da boa­fé.   Conforme  se  verifica,  alguns  fundamentos  da  decisão  a  quo,  não  foram  refutados  em  sede  recursal  pela  Recorrente,  razão  pela  qual,  não  serão  enfrentados  por  este  Colegiado.  2. DO MÉRITO  Inicialmente impende salientar que não há nos autos qualquer documento que  possa demonstrar, de forma inequívoca, a existência de pagamento indevido ou a maior apto a  justificar o pedido de compensação realizado pela Recorrente.  O presente litígio tem como núcleo um débito de Imposto de Renda Retido na  Fonte – Juros e Comissões em Geral (código 0481). Nos termos dos arts. 702 e 703 do RIR/99,  estão  sujeitas  à  incidência  do  imposto  na  fonte  as  importâncias  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas  ou  remetidas  ao  exterior,  por  fonte  localizada  no  Brasil,  a  título  de  juros  e  comissões. Ocorrendo os fatos descritos nos dispositivos mencionados, o sujeito passivo deve  apurar e  recolher o  imposto devido na data de ocorrência do  fato gerador,  em obediência  ao  disposto no art. 865, I, do RIR/99. Esclareça­se, ainda, que se trata de tributação exclusiva na  fonte e o tributo possui fato gerador diário.  Impende salientar que ao contribuinte pertence o ônus de comprovar os fatos,  em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do  CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de  demonstrar que efetivamente os pagamentos juntados às fls. 30 e 32, realmente eram indevidos  ou foram realizados à maior, o que não ocorreu no caso concreto. É necessário, a teor do que  dispõe o artigo 170 do CTN, que o crédito seja líquido e certo, e essa certeza e liquidez não foi  demonstrada  nos  presentes  autos,  nem  tampouco  contraditada  após  a  decisão  da  DRJ  afirmando sua inexistência.  Dessa forma, antes que seja necessário enfrentar os argumentos expostos no  Recurso Voluntário, a questão posta nos autos já está decidida, tendo em vista que não há como  reconhecer o direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente, pela já  caracterizada falta de certeza e liquidez do direito pleiteado.  Assim, resta prejudicada qualquer análise sobre qual a via deveria ser eleita,  qual o procedimento deveria ter sido adotado em relação ao débito confessado no PAES, se ter  solicitado  a  revisão  da  consolidação  dos  débitos  no  âmbito  do  PAES  ou  se  ter  realizado  o  Pedido de Compensação, bem como as demais questões dessas decorrentes, as quais não fazem  sentido serem analisadas nos presentes autos, já que a via eleita é inadequada.  A teor do que dispôs o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.684/03, para a concessão  do parcelamento os débitos são confessados de forma  irretratável e  irrevogável,  logo não há,  s.m.j, na via administrativa como rever o débito consolidado, razão pela qual inexiste previsão  de procedimento nesse sentido na legislação mencionada. Se a Recorrente confessou de forma  irretratável e irrevogável, ainda que por erro que ela deu causa, não pode, administrativamente,  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.973047/2009­26  Acórdão n.º 2401­006.492  S2­C4T1  Fl. 5          7 buscar reparação, via compensação ou via revisão de consolidação. Ao aderir o parcelamento o  Contribuinte faz confissão de dívida e renuncia eventuais discussões sobre o débito.  Assim,  a  Recorrente  deveria  ter  apresentado  sua  demanda  à  época  em  que  entendeu  ter direito a eventual  restituição de valores, perante o  Judiciário,  apresentando seus  argumentos de enriquecimento sem causa da União, alegando expressa ofensa ao princípio da  moralidade administrativa,  e  solicitando o que  entendesse de direito  em  relação à  restituição  dos  valores  que  entendesse  devidos. Não  podendo  transferir  agora,  no momento  presente,  a  consequência da condução de sua estratégia de defesa à Administração Pública.  3. CONCLUSÃO  Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do  recurso  e, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO, pela falta de certeza e  liquidez do direito creditório pleiteado  nos termos do relatório e voto.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa.                            Fl. 87DF CARF MF

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Numero do processo: 13896.721898/2017-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a não homologação de compensações afasta a alegação de nulidade do Despacho-Decisório por cerceamento do direito de defesa. DILIGÊNCIA. O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motivá-lo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei, não se confundindo com o lançamento fiscal. Nas compensações, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado direito creditório, obrigando-se, inclusive, a demonstrar a origem do alegado crédito, permitindo a rastreabilidade, valendo-se de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar, de modo que, não comprovadas as alegações, mantém-se incólume a decisão hostilizada.
Numero da decisão: 2202-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.

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2202­005.095  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de abril de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  TIM CELULAR S. A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015  CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  A  identificação  clara  e  precisa  dos  motivos  que  ensejaram  a  não  homologação de compensações afasta a alegação de nulidade do Despacho­ Decisório por cerceamento do direito de defesa.  DILIGÊNCIA.  O  pedido  de  realização  de  diligência  deve  ser  acompanhado  dos  quesitos  necessários para o exame da matéria,  inclusive para motivá­lo e demonstrar  sua  pertinência,  sob  pena  de  indeferimento.  A  realização  de  diligência  pressupõe  que  a  prova  não  pode  ou  não  cabe  ser  produzida  por  uma  das  partes,  ou  que  o  fato  a  ser  provado  necessite  de  conhecimento  técnico  especializado,  fora  do  campo  de  atuação  do  julgador.  Neste  contexto,  a  autoridade  julgadora  indeferirá  os  pedidos  de  diligência  que  considerar  prescindíveis ou impraticáveis.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.  A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com  crédito  líquido e certo do contribuinte,  sujeito passivo da  relação  tributária,  sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e  sob  as  garantias  estipuladas  em  lei.  Na  falta  de  comprovação  do  direito  creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em  compensação.  O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte  que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da  lei, não se confundindo com o lançamento fiscal. Nas compensações, em sede     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 98 /2 01 7- 14 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 494          2 de  litígio,  é  dever  do  contribuinte  demonstrar,  com  documentos  hábeis  e  idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado  direito creditório, obrigando­se, inclusive, a demonstrar a origem do alegado  crédito, permitindo a rastreabilidade, valendo­se de todos os meios de prova  permitidos em direito para  tanto.  Incumbe a quem alega, na  forma definida  pela  legislação,  o  ônus  de  provar,  de  modo  que,  não  comprovadas  as  alegações, mantém­se incólume a decisão hostilizada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  de  Sousa  Sateles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha  de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes  Chieregatto.  Relatório  Cuida­se,  o  caso  versando,  de  Recurso  Voluntário  (e­fls.  446/489),  com  efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6  de  março  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal  ―,  interposto  pelo  recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com  a  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  415/438),  proferida  em  sessão  de  21/08/2018,  consubstanciada no Acórdão n.º 03­81.135, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Brasília/DF  (DRJ/BSB),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente à manifestação de inconformidade (e­fls. 318/364) do ora recorrente, para manter  os  termos  do Despacho­Decisório  SEORT/DRF/BRE  n.º  447/2017  – DRF Barueri/SP  (e­fls.  91/104), que não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte nas competências  01/2013 a 12/2015 (e­fls. 105/270), vez que não reconheceu a certeza e a liquidez dos direitos  creditórios  vindicados,  sendo  glosado  o  montante  originário  de  R$  40.402.104,50  (quarenta  milhões e quatrocentos e dois mil e cento e quatro reais e cinquenta centavos), cujo acórdão  restou assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015   COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.   Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 495          3 O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao  contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se  utilizado nos termos da lei.   As  compensações  efetuadas  sem  a  devida  comprovação  dos  créditos utilizados não serão objeto de homologação.   CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.   A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a não  homologação de compensações afasta a alegação de nulidade do  Despacho­Decisório por cerceamento do direito de defesa.   GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DE  TEMPO  DE  SERVIÇO  E  INFORMAÇÕES  À  PREVIDÊNCIA  SOCIAL ­ GFIP. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE.   As compensações de crédito previdenciário realizadas devem ser  precedidas  da  retificação  das  GFIP  em  que  a  obrigação  foi  declarada.   SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.   Entende­se  por  salário  de  contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos  ao  trabalhador  como  forma  de  retribuir  o  trabalho  prestado,  seja  em  dinheiro  ou  em  utilidades,  provenientes do empregador ou de terceiros.   SEGURO  DE  ACIDENTE  DO  TRABALHO  (SAT/GILRAT).  ALÍQUOTAS APLICADAS.   O  enquadramento  nos  correspondentes  graus  de  risco  é  de  responsabilidade  da  empresa,  e  deve  ser  feito mensalmente,  de  acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme  Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus  de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n.º 3.048/1999, que define a alíquota de SAT/GILRAT a  ser aplicada.  DILIGÊNCIA.   A  diligência  ou  perícia  requerida  pode  ser  indeferida  pela  autoridade  julgadora  se  esta  considerá­la  desnecessária,  por  constarem dos autos os elementos suficientes para a sua análise  conclusiva.   O  pedido  de  realização  de  diligência  ou  perícia  deve  ser  motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame  da matéria, sob pena de indeferimento.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio  Do Processo de Compensação e Despacho Decisório  A  essência  e  as  circunstâncias  acerca  do  procedimento  de  análise  da  compensação declarada de per si pelo sujeito passivo, que foi objeto de averiguação quanto a  certeza  e  a  liquidez  do  direito  creditório  vindicado  para  fins  de  homologação,  ou  não,  pela  autoridade da Administração Tributária, resultando na prolação do Despacho Decisório, foram  bem delineadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá­lo:    Trata­se  de  processo  administrativo  fiscal  referente  à  não  homologação de compensações informadas pelo contribuinte em  GFIP,  nas  competências  1/2013  a  12/2015,  discriminadas  no  Anexo  I  do  Despacho­Decisório  (DD)  SEORT/DRF/BRE  n.º  Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 496          4 447/2017  –  DRF  Barueri  (e­fls.  105/270),  no  total  de  R$  40.402.104,50.    De  acordo  com  mencionado  DD  (e­fls.  91/104),  o  contribuinte,  intimado  a  esclarecer  a  origem  dos  créditos  utilizados  nas  compensações,  informou  que  as  compensações  foram  realizadas  após  procedimento  de  auditoria  interna  da  empresa,  que  concluiu  pela  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  rubricas  licença  remunerada,  gratificações,  ajuda  de  custo,  1/3  de  férias,  férias  não  gozadas,  SAT, absenteísmo, aviso prévio, sobreaviso, expatriados e RAT.     Ainda segundo o mencionado DD, as informações prestadas  pela empresa durante o procedimento  fiscal não  foram capazes  de  comprovar  a  certeza  e  a  liquidez  do  crédito  utilizado  nas  compensações, assim como a regularidade no cumprimento das  exigências  previstas  na  legislação  pertinente  (retificação  das  GFIP), o que resultou na não homologação das compensações.  Da Manifestação de Inconformidade  O  contencioso  administrativo  teve  início  com  a  manifestação  de  inconformidade efetivada pelo recorrente, em 28/11/2017 (e­fls. 318/364), a qual delimitou os  contornos  da  lide.  Em  suma,  controverteu­se  na  forma  apresentada  nas  razões  de  inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris:  PRELIMINAR    Diz  que  o  Despacho­Decisório  SEORT/DRF/BRE  n.º  447/2017 é nulo, por cerceamento do direito de defesa, uma vez  que  não  descreve  de  forma  pormenorizada  os  motivos  que  resultaram na não homologação das compensações.     Assegura que o referido DD não levou em consideração as  seguintes  premissas:  i)  estudo  realizado  pela  requerente  para  aferir a sua atividade preponderante nos termos do que impõe a  Súmula  351  do  STJ,  de  modo  a  individualizá­la  por  estabelecimento;  ii)  a  real  origem  dos  créditos  tributários  compensados;  e  iii)  a  desnecessidade  de  individualização  dos  créditos  por  competência  e  CNPJ,  na  medida  em  que  a  legislação previdenciária já admite, há tempos, a "compensação  cruzada"  (créditos  sendo  compensados  com  débitos  de  estabelecimentos diferentes entre si).     Afirma  que  a  autoridade  administrativa,  uma  vez  que  considerou  insuficiente  a  documentação  apresentada  pelo  contribuinte,  por  lealdade  processual,  deveria  ter  feito  a  conciliação  dos  créditos  compensados  com  os  registros  do  MANAD  e  a  tabela  indicativa  das  rubricas  objeto  de  compensação.     Assevera  que  a  glosa  dos  créditos  com  base  em  suposto  desatendimento de questões meramente formais revela a falta de  comprometimento  com  a  busca  da  verdade  material  e,  consequentemente, viola os princípios  constitucionais da ampla  defesa e do contraditório.     Diz  que  a  autoridade  fiscal,  de  maneira  desmotivada,  dispensou  a  documentação  e  os  esclarecimentos  apresentados  pelo contribuinte no decorrer da fiscalização, faltando seriedade  e comprometimento inerentes a sua atividade.   Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 497          5   Alega  que  a  documentação  apresentada  permitia  a  comprovação da existência e suficiência do crédito compensado,  tendo sido imotivadamente recusada pela fiscalização.    Reafirma  que  o  DD  representa  afronta  ao  direito  do  contribuinte  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa,  pois  "[...]  sem  conhecer  a  imputação,  a  mesma  não  dispõe  de  meios  para  promover a contestação".     Assevera  que,  em  razão  da  necessária  prevalência  da  verdade  material  sobre  a  verdade  formal  no  âmbito  da  administração pública, o auditor fiscal não poderia  ter deixado  de  verificar,  no  caso  concreto,  a  real  origem  da  cobrança  e,  sobretudo,  os  motivos  os  quais  o  levou  a  concluir  pela  sua  improcedência, razão pela qual entende pela nulidade do DD.  MÉRITO  Adequação formal:  da suficiência da documentação comprobatória apresentada e  regular cumprimento das obrigações acessórias     Alega  que  a  não  apresentação  de  planilhas  de  cálculo  contendo  a  apuração  do  crédito  por  CNPJ  para  o  período  de  origem  (1/2008  a  12/2015)  não  configura  motivo  para  a  não  homologação  das  compensações,  já  que  a  administração  tributária admite a chamada “compensação cruzada” de débitos  previdenciários. Cita legislação. Discorre sobre o assunto.     Assegura que a comprovação da existência do indébito pode  se dar através de comprovantes consolidados pela empresa como  um todo ou pela individualização por CNPJ, e que o contribuinte  buscou comprovar a existência do crédito previdenciário através  do primeiro procedimento (consolidação por empresa).     Afirma  que  a  documentação  apresentada  à  fiscalização  permitia  a  perfeita  identificação  do  indébito  cuja  recuperação  foi pleiteada pelo contribuinte.    Reafirma  que  a  fiscalização,  ao  reputar  insuficientes  as  informações prestadas pelo contribuinte,  poderia  ter  facilmente  realizado  o  cotejo  entre  elas  com  os  dados  que  constam  nos  arquivos  de  folha  de  pagamento,  inclusive  procedendo­se  à  segregação dos créditos entre os CNPJ, mas não o fez.     Alega  que  a  fiscalização  negligenciou  completamente  a  análise dos documentos que lastreiam os créditos compensados.     Diz  que,  ainda  que  o  controle  do  crédito  tenha  sido  consolidado pela empresa como um todo, o que é permitido pela  legislação, com a indicação das rubricas de folha de pagamento  que  compõem  o  saldo  compensado,  a  fiscalização  poderia  ter  segregado  os  valores  identificados  por  CNPJ  através  do  MANAD  e,  posteriormente,  compará­los  com  os  créditos  controlados na planilha consolidada apresentada pela empresa.     Acrescenta  que  o  fato  de  a  empresa  não  ter  transmitido  GFIP retificadoras para o período de apuração do crédito não é  suficiente para invalidar as compensações realizadas.     Assegura  que  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF  vem  flexibilizando  a  rígida  formalidade  que  condiciona  a  existência  do  crédito  previdenciário  ao  correto  atendimento a todas as obrigações formais (acessórias).     Cita  jurisprudência  administrativa  segundo  a  qual  o  descumprimento  de  dever  instrumental  somente  poderia  ser  Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 498          6 punido  com  cobrança  de  multa,  jamais  com  a  glosa  total  e  irrestrita do crédito pleiteado.    Assegura  que  o  eventual  descumprimento  das  obrigações  formais elencadas no Despacho Decisório não tem o condão de  infirmar a qualidade do crédito previdenciário.   Adequação material: da regularidade das compensações     Alega  que  os  valores  creditados  pelo  contribuinte  a  empregados  a  título  de  terço  constitucional  de  férias,  aviso  prévio  indenizado,  absenteísmo,  ajuda  de  custo,  férias  indenizadas  e  adicional  de  sobreaviso  não  se  enquadram  no  conceito  de  remuneração,  nos  termos  da  Lei  n.º  8.212/1991,  artigo 22,  inciso I, que restringiu a  incidência de contribuições  previdenciárias a rendimentos destinados a retribuir o trabalho.  Discorre sobre o conceito de remuneração. Cita doutrina.     Em  seguida,  discorre,  de  forma  individualizada,  sobre  os  fundamentos  que  justificam  a  não  incidência/isenção  de  contribuição previdenciária sobre as rubricas que foram objeto  de recuperação fiscal promovida pela empresa.   Terço constitucional de férias     Argumenta que, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça ­  STJ, o REsp 1.230.957/RS, submetido à sistemática dos recursos  repetitivos,  afastou  a  incidência  de  contribuição previdenciária  sobre valores recolhidos a tal título.     Diz  que  o  CARF,  antes mesmo  da  publicação  do  acórdão  relativo  ao  citado  REsp,  já  havia  consolidado  o  entendimento  acerca da impossibilidade de a Receita Federal do Brasil glosar  os  valores  decorrentes  de  eventual  compensação  relativa  a  valores pagos a maior sobre terço constitucional de férias. Cita  jurisprudência.     Cita  o  julgamento  do  RE  565.160  pelo  Supremo  Tribunal  Federal, em 29/3/2017, quando restou consignada a tese de que  "a  contribuição  social  a  cargo  do  empregador  incide  sobre  ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores  à Emenda Constitucional 20/1998".     Ressalta  que  aludido  RE  não  abordava  especificamente  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  terço  constitucional  de  férias  e  que,  com  a  declaração  da  constitucionalidade do artigo 22, inciso I, da Lei n.º 8.212/1991,  impõe­se a interpretação da lei no sentido de que não basta ser a  verba  habitual  para  ensejar  a  tributação  previdenciária,  sendo  que a verba precisa ser igualmente remuneratória.     Assegura  que,  atualmente,  o  CARF  já  se  posicionou  expressamente  quanto  à  não  tributação  da  referida  verba,  adequando­se  ao  entendimento  firmado  no  STJ  por  meio  do  REsp  1.230.957/RS,  no  sentido  de  que  não  deve  incidir  contribuição  previdenciária  sobre  os  pagamentos  efetuados  a  título de terço constitucional de férias. Cita jurisprudência.   Aviso Prévio Indenizado     Discorre  sobre  o  caráter  indenizatório  do  aviso  prévio  indenizado.  Frisa  ser  a  verba  paga  ou  creditada  sem  habitualidade. Diz que o julgamento do REsp 1.230.957/RS fixou  entendimento acerca da natureza indenizatória da referida verba  e que o CARF já se curvou à decisão do STJ, ao reconhecer que  Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 499          7 o aviso prévio  indenizado deve ser excluído da base de cálculo  da contribuição previdenciária.    Assegura que, pelas razões expostas, não merece prosperar  o  fundamento  de  que  a  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  é  insuficiente  para  correlacionar  o  crédito  com  a  sua origem e que,  isto, atrelado à  jurisprudência sobre o tema,  leva a crer pela homologação das compensações efetivadas pelo  contribuinte.   Absenteísmo     Diz que, no mesmo julgamento do STJ que excluiu o  terço  constitucional de  férias e o aviso prévio  indenizado da base de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  também  se  decidiu  acerca  da  natureza  jurídica  das  verbas  pagas  a  título  de  absenteísmo,  como,  por  exemplo,  o  salário  pago  nos  primeiros  15 dias após o afastamento em razão de acidente de trabalho.     Diz  que,  tal  evento,  assim  como  outras  hipótese  de  ausências  previstas  em  lei,  não  justificam  o  desconto  da  remuneração  do  empregado  que  não  exerce  sua  atividade  laboral.     Assegura  que  a  classificação  da  importância  paga  no  período  de  falta  justificada  como  remuneração  não  justifica  a  retribuição do trabalho, mas mera satisfação de obrigação legal,  o que afasta a incidência de contribuição previdenciária.     Diz  que  o  STJ  afasta  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  das  importâncias  pagas  a  título  de  faltas  justificadas, por não objetivaram a contraprestação do trabalho.  Cita jurisprudência que trata do auxílio­doença pago até o 15.º  dia pelo empregador.    Alega que o STF negou repercussão geral ao RE 611.505 da  Fazenda Nacional,  que  pretendia  rever  o  entendimento  do  STJ  sobre a desoneração das faltas remuneradas, o que significa que  o  STF  confirmou  o  entendimento  do  STJ,  se  recusando  a  reapreciar a questão.    Entende  que,  por  este  motivo,  resta  justificada  a  desoneração  efetuada  pelo  contribuinte  relativa  a  rubricas  de  folha  que  possuem  esta  natureza  jurídica  (ausências  remuneradas).     Em  seguida,  discorre  especificamente  sobre  a  natureza  jurídica do valor pago a  título de auxílio­doença durante os 15  primeiros  dias  de  afastamento  do  empregado.  Ressalta  que  o  pagamento de ‘salário’ neste período não se presta a retribuir o  trabalho  prestado,  o  que  afasta  a  natureza  remuneratória  da  verba. Conclui pela  impossibilidade de  inclusão de  tais valores  na  base  de  cálculo  de  contribuição  previdenciária.  Cita  o  julgamento do REsp 1.230.957/RS,  submetido à  sistemática dos  recursos  repetitivos,  que  decidiu  sobre  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  primeiros  15  dias  do  auxílio­doença,  e  posterior  jurisprudência  do  STJ  no  mesmo  sentido.  Cita  também  jurisprudência  do  CARF  que,  na  mesma  linha,  reconheceu  a  não  incidência  de  contribuição  previdenciária sobre tal verba.   Ajudas de custo     Alega  que  os  valores  pagos  a  título  de  ajuda  de  custo  decorrem da transferência de empregado para outra  localidade  Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 500          8 em que o mesmo havia sido originalmente contratado. Diz ter a  verba  caráter  indenizatório  por  não  objetivar  retribuir  o  trabalho, mas apenas viabilizar a sua prestação.    Afirma  que  as  ajudas  de  custo,  além  de  não  estar  contemplada  na  competência  tributária  e  na  hipótese  de  incidência,  são  isentas,  pois,  eventuais,  e  com  previsão  de  isenção  na  Lei  n.º  8.212/1991,  artigo  28,  §  9.º,  alínea  ‘g’,  no  Regulamento da Previdência Social,  aprovado pelo Decreto n.º  3.048/1999 e na Instrução Normativa RFB n.º 971/2009.     Diz  que  o  grau  de  probabilidade  atribuído  é  confirmado  pela  jurisprudência  do  STJ,  que  caracteriza  a  ajuda  de  custo  como importância desonerada pela isenção ou não incidência.     Alega  que  a  Fiscalização  deveria  ter  intimado  o  contribuinte  a  apresentar  maiores  esclarecimentos  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  ajuda  de  custo,  e  não  simplesmente  presumir  que  os  créditos  decorrentes  da  indevida  tributação  previdenciária sobre tal rubrica seriam inexistentes.     Assegura que, como não há demonstração capaz de infirmar  a natureza não remuneratória da rubrica, não há que se falar em  glosa dos créditos compensados.   Férias não Gozadas     Alega  que  eventual  supressão  das  férias  anuais,  o  que  constitui  uma  ilegalidade,  justifica  a  sua  indenização,  que  não  constitui remuneração, pois não objetiva retribuir o trabalho.     Afirma que esta qualidade já justifica o enquadramento das  férias  não­gozadas  como  evento  desonerado,  porque modelada  na  não­incidência,  o  que  é  reforçado  pela  isenção  prevista  na  Lei n.º 8.212/1991, artigo 28, § 9.º.   Gratificações eventuais     Defende  que  deve  incidir  contribuição  previdenciária  apenas  sobre  as  gratificações  remuneratórias  ajustadas  pagas  com periodicidade,  sem  intermitência,  ao segurado empregado.  Cita jurisprudência do STJ e do CARF.     Afirma  que  o  contribuinte,  dentro  da  sua  política  de  recursos  humanos,  realizou  o  pagamento  de  diversas  gratificações  eventuais  e  que  a  ausência  de  assiduidade  dos  pagamentos  é  facilmente  atestada  pela  leitura  dos  arquivos  de  folha  de  pagamento  (MANAD)  ora  anexados  e  pela  planilha  contendo  as  rubricas  consideradas  no  cálculo  do  crédito  utilizado entre 2013 e 2015.     Assegura  que,  a  partir  da  documentação  probatória  produzida,  é  fácil  perceber  a  eventualidade  necessária  para  atrair a regra de exceção prevista na Lei n.º 8.212/1991, artigo  28, § 9.º, alínea ‘e’, item 7.   Adicional de sobreaviso     Discorre sobre as características do regime jurídico laboral  do sobreaviso com base na legislação trabalhista.     Afirma  que  valor  pago  a  este  título,  mesmo  que  habitual,  porque ocasionalmente contratado (regime jurídico) e periódico,  não  integra  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  porque não se caracteriza como salário ou gorjeta, nem objetiva  a contraprestação ao trabalho.    Diz o pagamento a título de sobreaviso objetiva indenizar a  imobilidade,  já  que  o  empregado  encontra­se  impedido  de  se  Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 501          9 ausentar da sua residência ou de  se  locomover para distâncias  que o impeçam de prestar o serviço se convocado.     Alega  que,  apesar  de  haver  poucas  demandas  judiciais  no  STJ  especificamente  acerca  do  sobreaviso,  este  tribunal  reconhece que  indenizações não  integram a base de cálculo da  contribuição previdenciária.     Diz  ainda  que,  “apesar  da  jurisprudência  dos  Tribunais  Regionais Federais ainda se  revelar  tímida sobre o assunto em  comento, havendo­se notícia de jurisprudência antiga e vacilante  no  Tribunal  Regional  Federal  da  4.ª  Região,  insta  destacar  o  posicionamento  até  então  firmado  no  Tribunal  Regional  da  1.ª  Região,  favorável  à  tese  acima  esposada,  o  qual  vem  sendo  reiterado em julgados recentes”. Cita jurisprudência.   Da revisão da alíquota de SAT     Afirma  que  o  auditor  fiscal  não  logrou  êxito  em  apurar  a  atividade  econômica  preponderante  desempenhada  pelo  contribuinte,  que  é  essencial  à  fixação  do  grau  de  risco  de  acidentes  de  trabalho,  responsável  pela  fixação  da  alíquota  de  SAT.     Alega  que  o  auditor  fiscal,  em  atenção  ao  Decreto  n.º  7.574/2011,  artigo  39,  inciso  III  c/c  Lei  n.º  9.784/1999,  artigo  50,  parágrafo  único,  deveria  ter  anexado  ao  relatório  fiscal  a  metodologia ou demonstrativo de cálculo utilizado para estimar  a atividade preponderante do contribuinte ao  longo do período  fiscalizado, de modo a conferir legitimidade à autuação.     Diz ter esclarecido à fiscalização que a empresa, com base  no IN RFB n.º 971/2009, artigo 72, apurou que a sua atividade  preponderante entre 2007 e 2009 correspondia ao código CNAE  4752­1/00 (comércio varejista de  telefone aparelhos de  telefone  celular e acessórios), cuja alíquota atribuída era de 1% e, que,  como vinha realizando os recolhimentos com base na alíquota de  2%, a diferença  (1%)  foi considerada como  indébito  tributário,  passível de restituição através de compensação.     Informa  que,  além  disso,  entre  7/2010  a  12/2010,  a  requerente  também  identificou  que  alguns  estabelecimentos  haviam  sido  incorretamente  enquadrados  no  código  CNAE  6120­5/01, cuja alíquota correspondente era de 2% sobre a folha  e que, após extenso trabalho de auditoria interna, concluiu que o  correto  enquadramento  deveria  ter  sido  aquele  descrito  no  código CNAE 6120­5/99, cuja alíquota era de 1% sobre a folha.     Assegura  que,  tanto  o  enquadramento  de  sua  atividade  preponderante  nos  códigos  4752­1/00  e,  posteriormente,  no  CNAE 6120­5/01, assim como a existência do crédito, restaram  demonstrados  à  saciedade  pela  requerente,  mas  que,  inexplicavelmente,  todos  os  esclarecimentos  prestados  foram  desprezados pelas autoridades fiscais.     Afirma que a conduta da  fiscalização produz uma absurda  inversão  do  ônus  da  prova  e  que  se  a  administração  discorda  dos  critérios  de  enquadramento  na  atividade  preponderante  adotado,  deveria  ela  mesma  ter  refutado  através  de  conteúdo  próprio tais fundamentos.     Da realização de diligência fiscal  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 502          10   Entende  que,  caso  não  se  reconheça  de  imediato  os  fundamentos  que  justificam  a  reforma  integral  do  despacho  decisório,  que,  no  mínimo,  seja  determinada  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  haja  um  maior  aprofundamento  dos  trabalhos  efetuados  no  curso  da  fiscalização.     Reafirma que o DD encontra­se  eivado de  vícios,  erros de  premissa,  irregularidades,  dentre  outras  nulidades,  decorrentes  da necessidade de se concluir a fiscalização no afogadilho, sem  a observância à ampla defesa e ao devido processo legal.   Do pedido     Ao  final,  requer  seja  reconhecida  a  improcedência  do  Despacho  Decisório  n.º  447/2017  e,  subsidiariamente,  a  conversão do julgamento em diligência.  Do Acórdão de Manifestação de Inconformidade  A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso  tributário, cuja conclusão foi consignada nestes termos:  CONCLUSÃO     Pelo exposto,  voto pela  improcedência da manifestação de  inconformidade, para manter os  termos do Despacho­Decisório  SEORT/DRF/BRE  n.º  447/2017  –  DRF  Barueri,  que  não  homologou  as  compensações  realizadas  pelo  contribuinte  nas  competências  1/2013  a  12/2015,  discriminadas  no  Anexo  I  do  DD.  Do Recurso Voluntário  No  recurso  voluntário,  interposto  em  11/10/2018  (e­fls.  446/489),  o  sujeito  passivo postula o provimento para confirma que "as contribuições previdenciárias lançadas de  ofício"  são  manifestamente  improcedentes  em  razão  da  não  incidência,  cancelando­se  integralmente  as  "contribuições  exigidas  neste  procedimento",  confirmando­se  as  compensações  efetuadas  nos  anos  de  2013  a  2015,  reconhecendo­se  os  respectivos  créditos,  dando­se  provimento  para  reformar  o  acórdão,  declarando­se  "insubsistente  os  lançamentos  dele  decorrentes,  as  multas  impostas,  incluindo­se  os  consectários  legais".  Para  tanto,  objetivando a devolução da matéria para esse Egrégio Colegiado, em síntese, reiterou as razões  da  manifestação  de  inconformidade,  as  quais  foram  bem  apresentadas  na  transcrição  do  relatório da decisão hostilizada.  Nesse  contexto,  os  autos  foram  encaminhados  para  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  sendo,  posteriormente,  distribuído  por  sorteio  público para este relator, em data de 12/02/2019.  Consta no processo eletrônico arquivos não pagináveis, todos conferidos por  este relator, sendo elementos instrutórios dos autos.  Consta,  ainda,  dos  autos  que  não  houve  requisição  para  apresentação  de  contrarrazões pela PGFN (e­fl. 492).  É  o  que  importa  relatar.  Passo  a  devida  fundamentação  analisando,  primeiramente,  o  juízo  de  admissibilidade  e,  se  superado  este,  o  juízo  de  mérito  para,  posteriormente, finalizar com o dispositivo.  Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 503          11 Voto             Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator  Admissibilidade  O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade  intrínsecos,  relativos  ao  direito  de  recorrer,  e  extrínsecos,  relativos  ao  exercício  deste  direito, sendo caso de conhecê­lo.  Especialmente,  quanto  aos  pressupostos  extrínsecos,  observo  que  o  recurso se apresenta tempestivo (notificação em 14/09/2018, e­fl. 443, e protocolo recursal  em 11/10/2018, e­fls. 444/446), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art.  33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem  como  resta  adequada  a  representação  processual,  inclusive  contando  com  advogado  regularmente habilitado, de  toda sorte,  anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no  processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do  sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte.  Por conseguinte, conheço do recurso voluntário.  Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito  ­ Nulidade da decisão hostilizada  Antes de adentrar no mérito, analiso o pedido de nulidade.  A  defesa  advoga  que  é  nulo  o  despacho  decisório  (e­fls.  91/104)  e,  consequentemente,  busca  a  reforma  da  decisão  de  primeira  instância  para  reconhecer  tal  nulidade, de ordem material, por sustentar a ocorrência de preterição do direito de defesa e  violação  do  devido  processo  legal. Diz  que  é  necessária  a  indicação  específica  dos  fatos  que justificam a imputação. Sustenta que está privada do contraditório, haja vista não saber  o  que  deve  ser  provado,  pois  o  fato  a  ser  comprovado  teria  restado  omitido  no  ato  administrativo. Argumenta que não  foi  descrito precisamente,  de  forma detalhada, o  fato  que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais e de terceiros. Afirma que a  autoridade  fiscal  se  recusou  a  analisar  a documentação  anexada.  Pondera  que  deveria  se  proceder  com  a  conciliação  dos  créditos  compensados  com  os  registros  informados  no  formato do MANAD e a tabela indicativa das rubricas objeto de compensação e que, assim,  seria possível aferir a suficiência da compensação realizada, ainda que a operação estivesse  sujeita a críticas quanto aos aspectos formais.  Pois  bem.  Não  verifico  a  alegada  nulidade.  O  Despacho  decisório  analisou todo o contexto probatório dos autos, verificou as compensações efetivadas de per  si  pelo  contribuinte,  bem  como  avaliou  e  comentou  a  prova  colacionada  e,  por  diversas  vezes,  apresentou  suas  razões  para  justificar  o  não  reconhecimento  do  direito  creditório,  especialmente  face  aos  documentos  constantes  dos  autos,  o  que  resultou  na  glosa  da  compensação,  aliás  justificou,  motivadamente,  que  o  contribuinte  não  comprovou  a  liquidez e a certeza do seu vindicado direito creditório, inclusive porque não trouxe, apesar  Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 504          12 de  intimado,  elementos  para  demonstrar  que  não  houve  a  utilização  em  duplicidade  dos  alegados créditos.  Eventual  inconformismo  com as  razões  da  decisão  é  caso  de debate no  mérito. O fato é que inexiste nulidade no despacho decisório, não há cerceamento de defesa  ou violação ao devido processo legal. Estão ausentes as causas de nulidade previstas no art.  59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, aliás despacho decisório e acórdão de manifestação de  inconformidade  convergem  para  um  aspecto  comum,  a  falta  de  certeza  e  de  liquidez  do  direito creditório vindicado utilizado para efetivar as compensações, assim como a ausência  de  demonstração  da  origem  do  referido  crédito,  inclusive  para  evitar  utilização  em  duplicidade, possibilitando­se a rastreabilidade.  Demais  disto,  não  estamos  diante  de  lançamento  fiscal,  mas  sim  de  procedimento de homologação de compensação, no qual se verificou a existência, ou não,  dos créditos e se concluiu pela inexistência deles. O ônus da prova quanto a existência dos  créditos é do sujeito passivo, este deve provar seu direito creditório.  No mais, as contribuições sociais previdenciárias foram "confessadas" em  GFIP pelo próprio  sujeito passivo, este as apresentou como sendo devidas, a despeito de  agora  alegar  equívoco  para  algumas  rubricas  recolhidas.  Posteriormente,  o  contribuinte  buscou a compensação, com base no aduzido direito creditório que o despacho decisório,  em  resumo,  entendeu  não  existente,  por  ausência  de  comprovação,  seja  porque  não  demonstrado materialmente o crédito,  restando prejudicada a certeza, ou  seja porque não  assegurado,  através  de  provas  requisitas,  que  o  suposto  crédito  não  foi  pleiteado  em  duplicidade, de modo a atestar a liquidez, caso fosse certo.  Além  disto,  o  despacho  decisório  restou  devidamente  motivado,  mencionou a legislação que rege a matéria, apreciou as provas e as valorou conforme livre  convicção  pautada  em  fundamentos  apresentados  de  forma  clara  e  possíveis  de  serem  infirmados, para o caso de inconformismo do administrado, daí,  inclusive, a apresentação  do recurso voluntário. Veja­se, a título exemplificativo, uma das conclusões do Despacho  Decisório quanto ao não reconhecimento do direito creditório e, consequentemente, para as  glosas das compensações, verbis:    De  acordo  com  a  análise  registrada,  constatou­se  a  falta da apresentação de esclarecimentos necessários para o  exame do direito creditório requeridos nas intimações, a não  retificação de GFIPs em conformidade com as exigências da  legislação pertinente e a ausência de embasamento legal ou  comprovação relativa a rubricas indicadas na determinação  da  origem  dos  créditos  utilizados.  Restaram,  assim,  afastados os pressupostos de liquidez e certeza relativos aos  valores  aproveitados  nas  compensações  informadas  nas  GFIPs dos anos­calendário de 2013 a 2015.  Discordar dos fundamentos, das razões de decidir, não torna o ato nulo,  mas sim passível de recurso para enfrentamento do mérito. Por fim, na forma consignada  pela DRJ, litteris:    O que se verifica é que o despacho decisório descreve  adequadamente  os  fatos  ocorridos  no  decorrer  da  fiscalização,  que  não  foram  infirmados  pela  defesa,  assim  Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 505          13 como  identifica  e  discorre  sobre  os  fundamentos  que  justificaram  a  não  homologação  das  compensações,  quais  sejam:  1)  falta  de  comprovação  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  compensado;  2)  não  retificação  das  GFIP;  3)  natureza  remuneratória  das  verbas  compensadas;  e  4)  não  comprovação das alegações que resultaram na alteração da  alíquota do SAT.  Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade.  Apreciação de prejudicial antecedente a análise do mérito  ­ Requerimento de diligência  Antes de avançar para o mérito, analiso o requerimento de diligência.  Pois  bem.  Entendo  que  não  pode  ser  acolhido  o  requerimento  de  diligência.  Explico. O  contribuinte  pleiteia  a  diligência  para  "um maior  aprofundamento  dos trabalhos efetuados no curso da fiscalização."  Contudo,  não  explica  de  forma  objetiva  a  razão  para  tal  requerimento.  Limita­se a fundamentos genéricos afirmando que há "diversos vícios, erros de premissa,  irregularidades, dentre outras nulidades", sem, no entanto, especificá­las.   Ora,  na  compensação,  é  importante  que  se  diga,  cabe  ao  contribuinte o  ônus de comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado. Não trata o caso  dos autos de lançamento fiscal, mas sim de não homologação de compensações efetivadas  de per si pelo sujeito passivo, a quem compete provar o seu direito creditório, para afastar  as glosas. Vale dizer, o sujeito passivo precisa demonstrar de forma nítida, clara, o crédito  líquido e certo que sustenta ser titular.  Veja­se  que  o  contribuinte  sequer  apresenta  quesitação  para  orientar  os  exames  que  seriam  efetivados  na  sua  sugerida  diligência,  quesitos  estes  que,  também,  embasariam  a  análise  do  pleito,  caso  demonstrassem  pertinência.  Noutro  norte,  o  contribuinte tampouco apresentou o nome de expert, apto a acompanhar eventual trabalho  de confecção da prova postulada.  Ora,  importante  consignar  que  o  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  regulamenta os  requisitos obrigatórios para possibilitar a efetivação de diligências,  sendo  que a inobservância deles acarreta no indeferimento do requerimento. A matéria está posta  no disciplinamento da impugnação/manifestação de inconformidade, enquanto instrumento  de defesa do contribuinte, mas é aplicável na fase recursal por se tratar de norma geral do  processo administrativo fiscal. Veja­se:  Art. 16. A impugnação mencionará:  IV  ­  as diligências, ou perícias que o  impugnante pretenda  sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com  a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados,  assim  como,  no  caso  de  perícia,  o  nome,  o  endereço  e  a  qualificação profissional do seu perito.  Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 506          14 § 1.º Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência  ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso IV do art. 16.  Ademais,  como  bem  consignou  a  decisão  hostilizada,  a  "realização  de  diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes,  ou  que  o  fato  a  ser  provado  necessite  de  conhecimento  técnico  especializado,  fora  do  campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos autos."  Destaque­se, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235,  de 1972, a autoridade julgadora de primeira instância determinará ou deferirá a realização  de diligências, quando entendê­las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis  ou impraticáveis.  Sendo assim, indefiro o requerimento de diligência.  Mérito  Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor.  Os  autos  tratam  do  que  se  convencionou  denominar  de  processo  de  compensação,  o  qual  se  encontra  no  âmbito  do  processo  de  reconhecimento  de  direito  creditório.  Importante  registrar  que  não  estamos  diante  de  um  lançamento  fiscal  propriamente dito, mas sim de um procedimento homologatório da atividade exercida pelo  sujeito passivo, tendo por objeto reconhecer, ou não, o vindicado direito creditório, alegado  como sendo líquido e certo pelo contribuinte, para, então, a depender da conclusão quanto  ao  reconhecimento,  homologar,  ou  não,  as  compensações  efetivadas  de  per  si  pelo  administrado.  Neste  procedimento  iniciado  pelo  próprio  sujeito  passivo,  quando  da  efetivação da compensação declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  tem­se  uma  presunção  relativa  inicial  de  que  o  contribuinte  possui  crédito  líquido  e  certo  (direito  creditório)  contra  a  Administração  Tributária  e,  por  isso,  ao  mesmo  tempo  em  que  confessa  seus  débitos próprios e independentes (Lei 8.212, art. 32, IV, § 2.º, 33, § 7.º), efetua a quitação  destes  com  a  efetivação  do  encontro  de  contas,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior  homologação  pela  Autoridade  Fiscal,  buscando  a  extinção  dos  confessados  créditos  tributários (CTN, art. 156, II). Como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo  tempo  credor  e  devedor  uma  da  outra,  as  duas  obrigações  extinguem­se,  até  onde  se  compensarem (CC, art. 368).  O regime jurídico da compensação tributária tem fundamento no art. 170  do CTN dispondo que a  lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja  estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de  créditos  tributários  (débitos  do  contribuinte  para  com  o  Fisco)  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública  (débitos  do  Fisco para com o contribuinte).  No âmbito previdenciário a compensação está embasada no art. 89 da Lei  8.212,  de  1991,  quando  reza  que  as  contribuições  sociais  previdenciárias  poderão  ser  compensadas  nas  hipóteses  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido  ou  maior  que  o  Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 507          15 devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  No mais, as normas regulamentares apontam para a necessidade do contribuinte apresentar  a documentação solicitada pela autoridade fiscal, inclusive em arquivos magnéticos, aptas a  comprovação de direito creditório.  Para  que  se  homologue  a  compensação  torna­se  necessário  que  o  contribuinte  comprove  que  o  seu  alegado  crédito  é  líquido  e  certo,  que  seu  crédito  efetivamente existe e é oponível ao Fisco. Cuida­se de conditio sine qua non, isto é, sem a  qual  não  pode  ocorrer  a  homologação  da  compensação.  O  ônus  probatório  do  crédito  alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo  comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório.  Diferentemente do lançamento fiscal, o qual compete ao Fisco comprovar  os motivos  da  autuação,  apresentando  as  razões  para  a  constituição  de  ofício  do  crédito  tributário, no processo de compensação, cujo objeto do litígio é, em verdade, a verificação  do  direito  creditório,  a  sua  demonstração,  o  ônus  probatório  é  essencialmente  do  sujeito  passivo, haja vista que relacionado especialmente a demonstração da liquidez e certeza do  direito creditório por ele vindicado, do qual se diz titular.  A  homologação  da  compensação  é  apenas  um  ato  conclusivo  do  reconhecimento do direito creditório, o qual precisa ser provado pelo contribuinte. Por isso  mesmo, o efetivo objeto deste processo é analisar e decidir acerca do crédito alegado pelo  contribuinte, se ele existe, se é líquido e certo, se resta demonstrado por meio das provas  trazidas aos autos pelo sujeito passivo e através de outras colacionadas durante a instrução  por quaisquer das partes.  Pois  bem.  No  mérito,  sustenta  o  recorrente,  em  resumo,  que  a  documentação  colacionada  é  suficiente  e  que  cumpriu  as  obrigações  acessórias,  sendo  relativizada  a  retificação  da  GFIP.  Argumenta  que  não  incide  contribuições  sociais  previdenciárias  sobre  o  terço  constitucional  de  férias,  sobre  o  aviso  prévio  indenizado,  sobre os valores pagos nos primeiros quinze (15) dias de afastamento (absenteísmo), sobre  ajudas de custo, sobre férias não gozadas, sobre gratificações eventuais e sobre o adicional  de sobreaviso. Alega que precisa ser revisada a alíquota do SAT, vez que, após auditoria  interna, percebeu que estava recolhendo com base em maior alíquota do que o devido.   Dito  isto,  antes  mesmo  de  analisar  a  natureza  jurídica  das  alegadas  rubricas e seus efeitos face as contribuições sociais previdenciárias, entendo que, primeiro,  preciso analisar a prova acostada ao caderno processual, a fim de conferir se resta, ou não,  demonstrado  a  composição  e  origem,  de  forma  líquida  e  certa,  dos montantes  tidos  por  recolhidos indevidamente para cada rubrica alegada, bem como se resta demonstrado que,  em  eventualmente  estando  demonstrada  a  composição  e  origem  do  alegado  direito  creditório, se não houve pedido de compensação em duplicidade.  Compulsando os autos, não visualizo a comprovação, de forma líquida e  certa,  seja  da  composição,  seja  da  origem dos  alegados  créditos  que o  recorrente  aponta  como gerador do direito creditório por supostamente não ser base de contribuições sociais  previdenciárias.  Aliás, em todo o recurso voluntário o contribuinte em nenhum momento  refuta  o  argumento  do  despacho  decisório  quanto  ao  fato  de  que,  se  eventualmente  Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 508          16 estivesse  demonstrada  a  origem  do  aduzido  crédito,  não  foram  apresentadas  outras  compensações para o mesmo suposto direito creditório, evitando­se duplicidade.  A  demonstração  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  exige  detalhamento,  articulação e aclaramentos, a fim de comprovar,  inclusive, que não foi utilizado em outra  compensação.  É  ônus  primário  do  contribuinte,  quando  o  onus  probandi  lhe  compete,  comprovar  com  elementos  eficientes  e  com  a  finalidade  própria  a  sua  pretensão,  sendo  parte colaborativa para a resolução do caso.  Por conseguinte, não  lhe é dado exigir que a  fiscalização recomponha a  origem dos créditos compensados, cabendo, sim, ao contribuinte a obrigação de demonstrar  a existência, a natureza e a mensuração do seu vindicado direito creditório, especialmente  quanto a origem e adequada quantificação.  Além do mais, diversamente do entendimento do recorrente, o só fato de  ter  apresentado  o  resumo  das  folhas  de  pagamento  relativas  a  todas  as  competências  de  origem  dos  créditos  informados,  de  acordo  com  o  formato  do  MANAD  (Manual  Normativo  de Arquivos  Digitais),  não  possibilita  de  per  si  a  recomposição  dos  créditos  compensados, face a insuficiência do detalhamento dos mesmos. É, sim, necessário prestar  informações segregadas por estabelecimento.   Como consignado no despacho decisório, o ponto de partida da análise  do  direito  creditório  em  compensações  previdenciárias  consiste  na  individualização  dos  créditos pela indicação da competência e do estabelecimento de origem para, em seguida,  identificar­se  as  correspondentes  folhas  de  pagamento  e,  então,  individualizar­se  as  rubricas que compõe a base de cálculo do recolhimento previdenciário patronal.  Em  continuidade,  parte­se  para  as  declarações  registradas  nas  GFIP's,  com as confrontações pertinentes e conferência dos  recolhimentos, com respectivas datas  de  pagamento,  sem  prejuízo  de  serem  analisados  outros  documentos  necessários  para  confirmar a composição do direito creditório apontado para fundamentar as compensações.  Com  este  trabalho,  também,  permite­se  o  adequado  rastreamento  e  exaurimento da utilização do direito creditório em cada caso, de modo que não venha a ser  aproveitado mais de uma vez, especialmente por ser autorizado a utilização do crédito de  um estabelecimento em diferentes estabelecimentos da mesma empresa.  No caso dos  autos,  para poder  confirmar  a  liquidez  e  certeza do direito  creditório, a fiscalização solicitou diversos documentos para o contribuinte, porém este não  apresentou  a  contento  a  documentação  que  atestaria  o  seu  direito  creditório,  tornando  impossível,  inclusive, atestar a composição do suposto crédito  e se o mesmo existisse se  eventualmente  já  não  foi  utilizado  em  outra  ocasião.  Veja­se  o  que  consta  no  despacho  decisório:    (...)  através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  SEORT/DRF/BRE  n.º  88/2017,  foram  solicitados  esclarecimentos  da  origem,  detalhada  por  competência  e  discriminada por estabelecimento, dos créditos utilizados em  compensações.  Na  resposta,  foi  relatado  que,  após  procedimento  de  auditoria  interna  da  empresa,  houve  a  constatação  de  equívocos  que  resultaram  na  tributação  de  Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 509          17 rubricas que a empresa entendeu não estarem enquadradas  no modelo de contribuição previdenciária previsto na Lei n.º  8.212/91. As rubricas foram listadas e houve a anexação de  planilhas  que  ilustravam  as  compensações  sem  a  devida  vinculação,  por  competência  e  por  estabelecimento,  do  crédito de origem.    Posteriormente,  observada  a  falta  do  necessário  detalhamento na resposta anterior, foi novamente intimado,  através do Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n.º  158/2017, para explicar o embasamento  legal ou a decisão  judicial aplicável para cada rubrica anteriormente indicada  e para apresentar planilha de identificação, por competência  e por estabelecimento, da origem dos créditos utilizados em  cada  compensação  do  ano­calendário  de  2013  a  2015.  Foram  também  solicitados  o  resumo  das  folhas  de  pagamento, no formato MANAD, referentes às competências  de  origem  dos  créditos  aproveitados  nas  compensações  efetuadas  de  2013  a  2015  e  os  correspondentes  códigos  e  descrição  atribuídos  às  rubricas  envolvidas.  Decorrido  o  prazo  para  o  atendimento  à  intimação,  o  contribuinte  solicitou dilação de prazo de trinta dias para a resposta aos  itens.    O prazo  adicional  foi  deferido. A  resposta,  entretanto,  foi  parcial.  Foram  fornecidos  alguns  esclarecimentos  adicionais,  tabela  de  demonstração da origem dos  créditos  para compensações de alguns estabelecimentos em parte do  período requerido (segundo semestre de 2015) e entrega de  resumos  de  folhas  de  pagamento.  Foi  solicitada  nova  prorrogação  do  prazo,  de  mais  trinta  dias,  para  a  complementação dos dados.    Embora o prazo tenha sido novamente prorrogado, não  houve  qualquer  outra  manifestação  do  contribuinte.  Dessa  forma, apesar de todo o período concedido para a resposta,  o  contribuinte  não  identificou  as  competências  e  os  estabelecimentos  de  origem  dos  créditos  utilizados  para  todas  as  compensações  informadas  nos  anos­calendário  de  2013 a 2015.    Os citados Termos de  Intimação Fiscal, as  respectivas  respostas  e  os  documentos  apresentados,  inicialmente  incluídos  no  dossiê  n.º  10010.028409/0317­62,  foram  devidamente inseridos na instrução do presente processo nas  fls. 03 a 84.  (...)  1.  Do  atendimento  parcial  aos  esclarecimentos  requeridos  nos  Termos  de  Intimação  Fiscal  SEORT/DRF/BRE  n.º  88/2017 e n.º 158/2017.  (...)    Nesse  ponto  da  análise,  ressalta­se,  ainda,  que  as  demais  informações  sobre  as  compensações  constantes  em  folhas  de  pagamentos,  GFIPs  de  origem  e  guias  de  recolhimento  consistem  em  elementos  complementares  na  comprovação  da  apuração  de  créditos  que  tenham  sido  anteriormente  referenciados  pela  competência  e  pelo  estabelecimento  e  não  substitutivos  desta  indicação  da  Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 510          18 origem  dos  valores  aproveitados  nas  compensações.  É  justamente  pelo  direcionamento  da  competência  e  do  estabelecimento  de  origem  de  determinado  crédito  que  se  torna possível, por exemplo, identificar quais os documentos  probatórios  capazes  de  remontar  a  composição  da  contribuição previdenciária atribuída a cada rubrica.    Portanto, as folhas de pagamento, as GFIPs da origem  e  os  pagamentos  efetuados  consistem  em  documentos  auxiliares na validação dos valores constantes em planilhas  de  demonstração  que  especificam  créditos  utilizados,  dependem  da  indicação  da  origem  do  crédito  para  serem  identificados e, isoladamente, não comprovam a ocorrência  de  recolhimentos  indevidos  ou  a  vinculação  do  aproveitamento  de  créditos  nas  diferentes  compensações.    Dessa  maneira,  em  adição  às  considerações  já  abordadas,  e  embora  entregues  na  resposta  resumos  de  folhas  de  pagamentos  (fls.  76  a  80),  a  ausência  de  detalhamento dos créditos pleiteados, por não apresentação  dos dados necessários ou por prestação de  informações na  forma  consolidada  para  os  diversos  estabelecimentos,  não  possibilita que estes créditos sejam reconhecidos.  (grifos acrescidos)  Analisando  a  prova  dos  autos,  realmente,  não  verifico  na  planilha  (Tópico_2.1.xls) constante dos documentos não pagináveis1, relativa ao segundo semestre  de 2015, já que para as outras competências a intimação fiscal não foi atendida e não foram  apresentadas as informações requisitadas, no que tange aos CNPJ's dos estabelecimentos de  final 0059­05, 0084­08, 0091­37, 0106­58, 0108­10, 0112­04, 0151­02, 0241­01, 0302­50  e  0314­93,  representados  em  abas  da  referida  planilha,  que  sequer  houve  a  inserção  de  valores  para  compensações  ou  para  origem  de  créditos  nos  respectivos  períodos  lá  apresentados, de modo que não há demonstração das compensações efetuadas.  Por outro  lado, para os CNPJ's dos estabelecimentos de final 0155­36 e  0157­06,  embora  a  planilha  acima  citada  apresente  valores  de  compensações  para  o  segundo  semestre  de  2015,  os  mesmos  estavam  baixadas  com  datas  respectivas  de  18/02/2010 (e­fl. 89, "EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA") e de 09/08/2010 (e­fl.  90, "EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA").   Observo, ainda, analisando os dados da sobredita planilha para os demais  CNPJ's dos estabelecimentos do recorrente, bem como comparando e atestando os números  elaborados  no  Anexo  II  pela  autoridade  fiscal  (e­fls.  271/272)  com  os  números  apresentados  na  citada  planilha  pelo  contribuinte  que,  verdadeiramente,  os  valores  indicados  como  compensados  e  justificados  pelo  contribuinte  (Coluna C)  são  destoantes  dos  valores  importados  dos  campos  de  compensação  das  GFIP's  (Coluna  K),  o  que  demonstra inconsistência na comprovação das compensações.                                                                  1  13896721898201714_000000_000000_COPIA_Arquivo  Não  Paginável_20190212133927401_20190212  1340518.RAR  Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 511          19 Veja­se, por amostragem, seguintes trechos do documento que cito:  Anexo II (e­fl. 271) ­ Confira­se as Colunas "C" e "K":    Planilha  do  Contribuinte  (documento  não  paginável,  conferir  nota  de  rodapé  1,  apesar  de  intimado  para  apresentar  a  referida  planilha  para  todo  o  período  compreendido de 01/2013 a 12/2015, só foi apresentado o segundo trimestre de 2015):    Destaco  que,  de  igual  modo,  resta  comprovado  nos  autos,  e  bem  demonstrado no Anexo III (e­fls. 273/303), elaborado pela autoridade fiscal, que, conforme  afirmado  no  despacho  decisório:  "de  todas  as  compensações  registradas  nas  GFIPs  do  segundo  semestre  de  2015,  ordenadas,  por  competência,  no  Anexo  III,  observou­se  que  diversas  outras  compensações  ocorridas  no  período  sequer  foram  mencionadas  na  resposta. E, em consequência direta, além das inconformidades anteriormente assinaladas,  destaca­se  que  a  entrega  parcial  dos  dados  requeridos  impede  a  análise  cruzada  do  aproveitamento de créditos entre os estabelecimentos e impossibilita a averiguação de que  os mesmos não tenham sido utilizados em duplicidade."  Neste  diapasão,  assiste  razão  a  autoridade  fiscal  quando  consigna  no  despacho decisório que:    Para ilustrar a questão descrita, com auxílio da tabela  do  Anexo  III,  verificou­se,  por  exemplo,  que  todas  as  221  compensações  informadas  nas  GFIPs  da  competência  de  09/2015  apontam  o  período  de  origem  do  crédito  na  competência  de  10/2010.  No  entanto,  na  resposta  à  intimação, somente foi indicado o estabelecimento de origem  dos  créditos para 12 destas  compensações e,  portanto,  não  há como estabelecer que os exatos créditos, originados dos  mesmos  estabelecimentos,  não  tenham  sido  também  aproveitados nas outras 209 compensações que assinalaram  nas  GFIPs  igual  período  de  origem  para  os  valores  aproveitados.  Logo,  uma  vez  que  supostos  créditos  originados  de  recolhimentos  relativos  a  determinado  estabelecimento  podem  ser  posteriormente  utilizados  em  compensações  por  outros  estabelecimentos  ou  por  um  Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 512          20 mesmo  estabelecimento  em  períodos  diferentes,  é  evidente  que  as  diversas  compensações  efetuadas  pela  empresa,  necessariamente, precisam ser apreciadas em conjunto.  Em todo este contexto, importante consignar, outrossim, que a análise da  documentação apresentada foi, sim, amplamente considerada, no entanto o que se atestou  foi  a  incongruência dos  supostos  créditos,  de modo que, não  sendo  líquidos  e certo,  não  podem ser reconhecidos, glosando­se as compensações.  O fato de ser autorizada a compensação cruzada não significa que deixe  de  ser  necessário  comprovar  individualizadamente  a  origem  dos  créditos  e  a  sua  correta  quantificação, seja para efetivamente atestá­los, seja para evitar utilização dúplice. Aliás, o  contribuinte não comprovou de forma individualiza a origem.  Por conseguinte, não resta demonstrado a composição e origem, de forma  líquida  e  certa,  dos  montantes  tidos  por  recolhidos  indevidamente  para  cada  rubrica  alegada, tampouco há rastreabilidade capaz de assegurar que não houveram compensações  em duplicidade.  Desta forma, não restando provada a existência, a natureza e a extensão  do  direito  creditório  que  deu  origem  às  compensações,  bem  como  não  afastada  a  possibilidade de utilização em duplicidade de tais supostos créditos, em suma, inexistindo  demonstração  de  certeza  e  liquidez,  inexistindo  a  comprovação  da  origem  dos  créditos,  inclusive por competência e CNPJ, sequer há a necessidade de analisar se incide, ou não,  contribuições  sociais previdenciárias  sobre o  terço  constitucional de  férias,  sobre o  aviso  prévio  indenizado,  sobre os valores pagos nos primeiros quinze  (15) dias de afastamento  (absenteísmo),  sobre  ajudas  de  custo,  sobre  férias  não  gozadas,  sobre  gratificações  eventuais e sobre o adicional de sobreaviso. Tal aspecto passa a ser secundário e irrelevante  para o caso concreto, diante de tais constatações.  De  mais  a  mais,  importante  dizer  que  a  suposta  auditoria  interna  que  atestaria  a  composição  dos  créditos  compensados,  relativo  as  ditas  rubricas,  não  foi  colacionada  aos  autos. Não  se  demonstra  concretamente  e  originariamente  a  composição  dos mencionados créditos.  Quanto  a  revisão  da  alíquota  do  SAT,  a  despeito  de  seguir  as mesmas  conclusões acima, não restando demonstrada a certeza e a liquidez deste crédito, havendo  ausência  de  aclaramento  da  origem  a  permitir  a  rastreabilidade  para  evitar  utilização  dúplice, consigno, em acréscimo, que não restou apresentado, por meio de prova nos autos,  as  conclusões  desta  outra  suposta  auditoria  interna  que  atestaria  a  justificativa  para  a  mudança de classificação do CNAE. O contribuinte alega, mas não prova, eis a questão. O  sujeito  passivo  deveria,  inclusive,  ter  apresentado  elementos  que  comprovassem  que  a  atividade  desenvolvida  em  dado  estabelecimento  é  de  fato  outra,  diversa  daquela  que  originalmente  informou,  mas  não  fez  essa  demonstração,  não  provando  a  atividade  preponderante  de  cada  um  dos  estabelecimentos,  considerando  o  número  de  segurados  empregados e trabalhadores avulsos em cada um.  Sustentar possuir "auditorias" internas sem comprovar, sem apresentá­las,  sem  mostrar  efetivas  conclusões,  sem  apresentar  um  estudo  indicando  efetivamente  em  qual  alíquota  estaria  enquadrada,  conforme  atividade  preponderante,  assim  considerada  aquela  que  ocupa  o maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  no  Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 513          21 âmbito  de  cada  estabelecimento,  nada  comprova.  Se  o  contribuinte  não  comprova  que  recolheu  esse  tributo  com  alíquota  superior  à  devida,  não  há  como  reconhecer  o  direito  creditório  em  seu  favor.  Veja­se  que  o  contribuinte  não  apresenta,  por  exemplo,  uma  análise de todas as suas atividades exercidas e da alocação dos segurados empregados em  cada uma destas atividades, no âmbito de cada estabelecimento, a fim de demonstrar qual a  atividade  preponderante,  não  relaciona,  verbi  gratia,  os  seus  trabalhadores  com  as  respectivas  funções  para  os  fins  de  demonstrar  a  atividade  preponderante  que  se  descortinaria. Logo, não há como dar razão a sua tese de inconformidade.  Aliás, em GFIP anterior o recorrente confessou enquadramentos e fez os  respectivos recolhimentos que entendeu serem devidos à época, vale dizer, o contribuinte  constituiu em linguagem competente, ele próprio, a norma individual e concreta nos que se  refere  a  incidência  e  extinguiu  os  créditos  tributários  que  confessou,  deste  modo,  no  mínimo,  deveria  ter  procedido  com  a  retificação,  a  fim  de  emitir  nova  norma  jurídica  constitutiva da nova realidade.  Como  se  dessume,  outro  fato  posto  nos  autos  é  que  a  GFIP  não  foi  retificada,  não  se  reduziu  os  débitos  antes  confessados,  mantendo­se  a  linguagem  constituída  pelo  próprio  sujeito  passivo,  dito  isto,  deixou­se  de  cumprir  requisitos  procedimentais  necessários  à  efetivação  da  compensação,  posto  que,  na  forma  regulamentar,  a  restituição  das  contribuições  previdenciárias  declaradas,  quando  posteriormente se entender que estão incorretas, fica, em regra, condicionada à retificação  do  que  foi  declarado,  a  fim  de  permitir  também  a  adequada  quantificação,  sendo  a  retificação  da  GFIP  um  dos  meios  idôneos  a  serem  somados  no  procedimento  de  demonstração da certeza e da liquidez do eventual direito creditório.  Aliás,  há  entendimentos possibilitando a  retificação,  inclusive,  posterior  ao  despacho decisório,  porém,  negando­se  o  contribuinte  a  efetivá­la,  a  todo  tempo,  não  resta  muita  margem  à  discussão,  ressalvado  se  excepcionalmente  houvessem  outros  elementos  efetivamente  aptos  a  comprovarem  a  certeza  e  a  liquidez,  se  o  crédito  fosse  incontroversamente visível, o que não é o caso dos autos, no qual temos um alegado crédito  bastante controverso.  De mais a mais, o grande cerne da questão, que não pode ser superado, é  não  terem sido apresentadas provas capazes de consubstanciar  e  fazer exsurgir o  suposto  direito  creditório,  não  se  demonstrando  sequer  a  origem  deles  e  a  não  postulação  em  duplicidade.  Eis a verdade material que se descortina do caderno processual.  Sendo assim, sem razão o recorrente.  Conclusão relativa ao Recurso Voluntário  Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida  pela  primeira  instância,  dentro  do  controle  de  legalidade  que  foi  efetivado  conforme  matéria  devolvida  para  apreciação,  deste modo,  de  livre  convicção,  relatado,  analisado  e  por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter  íntegra  a decisão  recorrida,  conhecendo do  recurso voluntário,  rejeitando a preliminar de  nulidade e, no mérito, negando provimento ao recurso.  Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13896.721898/2017­14  Acórdão n.º 2202­005.095  S2­C2T2  Fl. 514          22 Dispositivo  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  e  NEGO­LHE  PROVIMENTO.  É como Voto.    (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator                            Fl. 514DF CARF MF

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7724482 #
Numero do processo: 12448.729486/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade de despesas com prestação de serviços possui vários requisitos, entre eles, a comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos. Mantém-se a glosa em razão da ausência de comprovação deste requisito. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração do efetivo serviço prestado, devendo ainda ser necessário, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. Ausente a indicação ou descrição da conduta dolosa do contribuinte, seja por ação ou omissão, impõe-se o afastamento da multa qualificada. A mera citação dos dispositivos legais que prescrevem a aplicação da qualificadora não são suficientes para justificar sua imposição. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Numero da decisão: 1301-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 6.177          1 6.176  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.729486/2015­86  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1301­003.806  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de abril de 2019  Matéria  IRPJ ­ IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA  Recorrentes  PEG CRED PROMOTORA DE VENDAS E PARTICIPAÇÕES S/A               FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  IRPJ.  GLOSA  DE  DESPESAS  COM  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  FALTA DE COMPROVAÇÃO.  A  dedutibilidade  de  despesas  com  prestação  de  serviços  possui  vários  requisitos, entre eles, a comprovação de que os serviços foram efetivamente  prestados pelo beneficiário dos pagamentos. Mantém­se a glosa em razão da  ausência de comprovação deste requisito.  CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA.  Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base  do  IRPJ,  deve  ser  comprovada  com  contratos,  documentos  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e,  principalmente,  com  a  demonstração  do  efetivo  serviço  prestado,  devendo  ainda  ser  necessário,  normal  e  usual  ao  desenvolvimento  da  atividade  da  empresa.  Se  a  empresa  não  comprovou  sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2011  MULTA QUALIFICADA.   Ausente a indicação ou descrição da conduta dolosa do contribuinte, seja por  ação  ou  omissão,  impõe­se  o  afastamento  da  multa  qualificada.  A  mera  citação dos dispositivos  legais que prescrevem a  aplicação da qualificadora  não são suficientes para justificar sua imposição.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2011  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CSLL.  VINCULAÇÃO  AO  LANÇAMENTO  PRINCIPAL.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 94 86 /2 01 5- 86 Fl. 6177DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.178          2 Aplicam­se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir  do  lançamento principal  (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­  IRPJ),  em  razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos  jurídicos  ou  elementos  probatórios  a  ensejar  conclusões  com  atributos  distintos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar  provimento  ao  recurso  de  ofício;  e  (ii)  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita  Yamamoto que votaram por lhe dar provimento.  (Assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Giovana Pereira de Paiva Leite ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto,  Bianca  Felícia  Rothschild  e  Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.  Relatório  Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins  (fls.  2092­2137),  referentes  ao  ano­calendário  2011,  decorrentes  de  glosa  de  despesas  de  prestação  de  serviços.  Também  foi  efetivado  o  lançamento  do  IRRF,  em  outro  processo  administrativo  (n.12448.729.489/2015­10),  em  razão  de  pagamentos  sem  comprovação  da  operação ou sua causa.  A autuação foi efetivada com base no lucro arbitrado, nos termos dos incisos  I  e  II  do  artigo 530 do Regulamento do  Imposto  sobre a Renda 1999  ­ RIR/99,  tendo como  base  de  cálculo  a  receita  conhecida,  conforme  dispõe  o  art.532  do  RIR/99.  O  contribuinte  apurava o imposto de renda com base no lucro real trimestral.  O lançamento dos tributos sofreu a incidência da multa de ofício qualificada  de 150 %, com acréscimo de juros moratórios, conforme abaixo discriminado:  IRPJ:  Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.179          3   CSLL:    PIS:    COFINS:    Por bem descrever os fatos, transcrevem­se trechos do Termo de Verificação  Fiscal (fls. 2012­2091):    No ano ­ calendário de 2011 o contribuinte optou pela forma de tributação com  base no lucro real, período de apuração trimestral e, de acordo com a DIPJ/2012 ­  ND  0001078328  que  foi  transmitida  a RFB,  informou  como  sendo  o  total  de  sua  receita bruta auferida naquele ano com a prestação de serviços o montante de R$  87.561.927,94, enquanto o total de despesas informadas como sendo decorrentes de  serviços prestados por pessoas jurídicas alcançou a cifra de R$ 70.104.740.32, ou  seja, correspondeu à quase integralidade das despesas operacionais declaradas no  ano que foi de R$ 72.323.073,08.    Ocorre que, no curso do procedimento administrativo, restou demonstrado pelo  fisco que daquele total de R$ 70.104.740,32 o contribuinte não logrou comprovar,  por  intermédio  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  efetiva  prestação  de  serviços  referentes  a  consultorias  e  assessorias  que  atingiram  a  quantia  de  R$  67.681.115,37. De  fato,  ao  longo  do  ano­calendário  de  2011  a  empresa PegCred  Promotora  de Vendas  e Participações  S/A contabilizou  e  pagou por  despesas que  foram  descritas  nas  notas  fiscais  como  sendo  decorrentes  de  consultorias/assessorias prestadas pelas pessoas jurídicas Omaha Consultores Ltda,  (...), mas, apesar de terem sido disponibilizadas cópias de instrumentos particulares  celebrados  entre  as  partes,  cópias  de  notas  fiscais  de  serviços,  cópias  de  documentos intitulados de relatórios de produção, cópias de documentos referentes  a  operações  de  crédito  e  efetuados  os  respectivos  pagamentos  não  logrou  comprovar,  com  base  na  documentação  que  foi  apresentada  ao  fisco,  a  efetiva  prestação  dos  serviços  de  consultorias/assessorias  que  estão  descritos  no  documentário fiscal e contratos celebrados.  Fl. 6179DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.180          4   Cumpre  ressaltar  que  somente  para  a  empresa  Omaha  Consultores  Ltda  foi  desembolsada  quantia  equivalente  a  R$  43.890.723,22  (quarenta  e  três  milhões,  oitocentos  e  noventa  mil,  setecentos  e  vinte  e  três  reais  e  vinte  e  dois  centavos).  Motivado pelo fato dessa empresa ter recebido a maior parcela do montante pago  pela  fiscalizada  o  agente,  no  curso  da  ação  fiscal,  adotou  o  procedimento  de  verificar  inicialmente  os  valores  que  foram  registrados  na  conta  de  resultado  5.1.1.02.02.0013 ­ OMAHA CONSULTORES LTDA e, posteriormente, os montantes  escriturados  nas  demais  contas  correspondentes  àquelas  outras  14(quatorze)  empresas.    (...)  TRIBUTAÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  JURÍDICA  E  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO     Diante  das  irregularidades  que  foram  apuradas  no  curso  da  ação  fiscal  decorrentes  da  não  comprovação  da  efetiva  prestação  da  quase  totalidade  dos  serviços que foram escriturados, pagos e informados pela empresa na DIPJ/2012 ­  linha 04 ­ sob a rubrica de prestação de serviço por pessoa jurídica e, considerando  que tal montante de R$ 67.681.115,37 passível de ser glosado equivale, em termos  percentuais,  a  mais  de  90%  de  todas  as  despesas  operacionais  que  foram  informadas pela empresa no ano ­ calendário de 2011, ou seja, R$ 72.323.073,08 o  agente  promoveu  o  arbitramento  do  lucro  da  pessoa  jurídica  pois,  diante  dessa  situação  fática,  é  incabível  a  preservação  da  apuração  pelo  Lucro  Real,  que  pressupõe uma escrituração regular. (...) Nos autos de infração foram compensados  os  valores  retidos  a  título  de  IRF  (  cód.1708  )  e  CSSL  (  cód  5952  ),  conforme  informações  constantes  da  DIRF  que  foi  transmitida  pelo  Banco  BVA,  C.N.P.J  32.254.138/0001­03 .(grifos originais e nosso)  Inconformado  com  a  autuação,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  (fls.2173­2245). Em apertada síntese, alegou:  ­ preliminarmente, da nulidade por manifesto erro na indicação da disposição  legal infringida;  ­  que  o  auditor  fiscal  não  teria  apontado  a  norma  legal  infringida,  não  obstante  a  motivação  seria  o  artigo  530,  inciso  I  e  II  do  RIR/99,  e  este  dispositivo  não  é  lei,  mas  um mero  decreto  normativo,  o  que  contraria  os  artigos 5º e 97 do CTN;   ­ nulidade da autuação por violação ao disposto na Portaria MF nº 187/93;  ­  que  as  despesas  eram  dedutíveis  e  atendiam  aos  requisitos  do  art.299  do  RIR/99;  ­ que não poderia a Fiscalização, em hipótese alguma, utilizar­se de recursos  presuntivos  e  meros  indícios  para  concluir,  de  forma  equivocada,  que  os  pagamentos efetuados pela IMPUGNANTE não teriam causa;  ­ ilegalidade do arbitramento do lucro;  ­ falta de previsão legal para a adição de despesas, consideradas indedutíveis,  na base de cálculo da CSLL;  Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.181          5 ­  que  a  caracterização  dos  custos/despesas  como  pagamento  sem  causa  resultaria em um absurdo bis­in­idem;  ­  inaplicabilidade  da  multa  qualificada  e  inexigibilidade  de  juros  de  mora  sobre multa de ofício.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  procedente  em  parte  apenas  para  afastar  a  incidência da multa qualificada, através de acórdão que restou assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Data do fato gerador: 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011  Despesas com Prestação de Serviços. Glosa. Falta de Comprovação.   Para  se  comprovar  uma  despesa,  de  modo  a  torná­la  dedutível,  face  à  legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e  que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o  dispêndio  corresponde  à  contrapartida  de  serviços  efetivamente  prestados  pelo beneficiário dos pagamentos.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011  Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício.  Ausência de Motivação. Cancelamento.   A  aplicação  da  penalidade  qualificada  requer  que,  à  conduta  da  Fiscalizada,  esteja  associada  alguma  das  condições  previstas  nos  arts.71,  72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, quando aí, sim, seria cabível a duplicação  do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96  (com  a  nova  redação  do  artigo  dada  pela Medida  Provisória  nº  351,  de  22/01/2007,  convertida  na  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007).  Entretanto,  se  a  Fiscalização  não  demonstra,  de  maneira  explicita,  uma  eventual  conduta,  em  tese,  dolosa  por  parte  da  Fiscalizada,  não  pode  prevalecer a multa qualificada, devendo­se proceder ao seu cancelamento,  mantendo­se a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011  Lançamentos Decorrentes. CSLL. PIS. COFINS   Em  razão  da  vinculação  entre  o  lançamento  principal  e  os  decorrentes,  devem  as  conclusões  relativas  àquele  prevalecer  na  apreciação  destes,  desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.  Houve recurso de ofício em face do valor exonerado pela DRJ ser superior  ao limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado  da Fazenda.   Em 01/07/2016,  o  contribuinte  tomou ciência do  acórdão através Termo de  Ciência  de  fl.  6012.  Inconformado  com  a  decisão  de  1ª  Instância,  em  02/08/2016,  o  Fl. 6181DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.182          6 contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  de  acordo  com Termo de Solicitação  de  Juntada  (fl.  6019). O sujeito passivo manifesta sua irresignação através dos seguintes argumentos:  1.  Primeiramente  esclarece  sobre  sua  atividade  comercial  tipificada  como  "correspondente não bancário",  submetida à  regulação do BACEN, discorre  sumariamente sobre os fatos relacionados à autuação;  2.  Contesta  a  decisão  de  1ª  Instância  por  manter  a  glosa  generalizada  de  despesas;  3.  Declara  que  não  conseguiria  desenvolver  tais  soluções  sem  o  suporte  das  prestadoras  de  serviços  contratadas,  não  só  pelo  conhecimento  técnico  requerido, mas  também pela visão profunda do mercado  financeiro que  tais  empresas traziam, incrementando a respectiva carteira de clientes, explorando  nichos  de  mercado  nos  quais  a  Recorrente  não  teria  conhecimento  técnico  para atuar sozinha, aumentando, assim, o seu faturamento;  4.  Afirma  que  apresentou  um  conjunto  probatório  robusto  e  suficiente  para  evidenciar  os  serviços  adquiridos  pela  Recorrente  (docs.  03,  04,  05  e  06  acostados à impugnação);  5.  Aponta discordâncias com as conclusões de decisão recorrida;  6.  Afirma que os serviços prestados pelas empresas que foram glosados tratam­ se de serviços de produção intelectual, cujo resultado é imaterial;  7.  Defende a dedutibilidade das despesas decorrentes dos contratos de prestação  de serviços e aplicação do art. 299 do RIR/99 e que teriam sido atendidos os  aspectos da necessidade, usualidade e normalidade;  8.  Impossibilidade de presunção no lançamento;  9.  Ilegalidade do arbitramento do lucro;  10. A caracterização dos  custos/despesas  como pagamento  sem causa  resultaria  em um absurdo bis­in­idem;    É o relatório.    Voto             Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora.  Recurso Voluntário  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.   Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.183          7 Do Mérito.   1. Da Glosa das Despesas com Prestação de Serviços  A  Recorrente  foi  autuada  em  razão  de  glosa  de  despesas  de  prestação  de  serviços  no  ano­calendário  2011.  Concluiu  a  autoridade  fiscal  que,  apesar  dos  documentos  apresentados pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização, não restou comprovada  a  efetiva  prestação  da  quase  totalidade  dos  serviços  escriturados,  pagos  e  informados  na  DIPJ/2012,  totalizando o montante de R$ 67.681.115,37  (mais de 90% de  todas  as despesas  operacionais). A receita bruta declara para o período foi de R$ 87.561.927,94.  Consta  do  TVF  que  o  contribuinte  apresentou  cópias  de  instrumentos  particulares  celebrados  entre  as  partes,  cópias  de  notas  fiscais  de  serviços,  cópias  de  documentos intitulados de relatórios de produção, cópias de documentos referentes a operações  de  crédito  e  efetuados  os  respectivos  pagamentos,  contudo  não  logrou  comprovar  a  efetiva  prestação dos serviços de consultorias/assessorias que estão descritos no documentário fiscal e  contratos celebrados.  A glosa de despesas envolveu a prestação de serviços contabilizadas em 15  contas  contábeis,  que  foram  analisadas  uma  a  uma  no  TVF,  correspondentes  às  pessoas  jurídicas listados abaixo:    Fl. 6183DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.184          8   *Planilha fls. 5988­5989  A autoridade  fiscal  iniciou a análise das despesas por conta contábil/pessoa  jurídica e intimou a autuada a apresentar documentos referentes à prestação de serviços de cada  uma  das  empresas  prestadoras,  inclusive  no  que  diz  respeito  ao  responsável  técnico  responsável pela execução, conforme se depreende do TVF.  O  cerne  da  discussão,  portanto,  diz  respeito  à  comprovação  da  efetiva  prestação dos serviços e passa necessariamente pela valoração do conjunto probatório. Não se  discute aqui se houve ou não pagamento, se houve emissão de nota fiscal e se a prestação de  serviços  foi  contabilizada.  Isto porque o próprio  fiscal  relata  a existência de pagamentos,  de  emissão de notas fiscais e da contabilização das despesas de prestação de serviços.  Desta  feita,  passo  à  análise  individual  da  glosa  das  despesas  dos  serviços  prestados  pela  Omaha  Consultores  Ltda,  porque  guarda  algumas  peculiaridades  não  encontradas  nas  demais  empresas  e  pelo  seu  valor  representar  aproximadamente  64,8%  dos  valores glosados. Em seguida, tratar­se­á da glosa das demais empresas como um todo.  1. 1 Da Glosa das Despesas de Prestação de Serviços ­ Omaha Consultores  Ltda ­ OMAHA  Em relação aos serviços prestados pela OMAHA, concluiu o fiscal que não  restou comprovada a efetiva prestação de serviços.   De fato, assiste razão à autoridade fiscal.  Consta  que  o  responsável  técnico  pela  prestação  dos  serviços  foi  Benedito  Ivo Lodo Filho, que era  sócio administrador da OMAHA, ao mesmo tempo em que figurava  como diretor da empresa contratante PEG CRED.  A  Recorrente  alega  que  em  razão  da  complexidade  e  sofisticação  de  determinadas  operações  e  clientes,  cuja  estruturação  intelectual  era  ponto­chave  para  sua  viabilização,  decidiu  organizar  seu  negócio  através  de  profissionais  altamente  qualificados,  com dedicação não exclusiva, os quais, em sua grande maioria estavam organizados através  de pessoas jurídicas (fl. 6023).  Não se mostra razoável a contratação da OMAHA, para prestação de serviço  através de profissional altamente qualificado, quando este mesmo profissional já fazia parte do  quadro da contratante.   Fl. 6184DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.185          9 A  Recorrente  declara  que  vislumbrando  a  expansão  dos  seus  produtos  financeiros  e  seus  negócios,  nomeou  como administrador  e diretor  o  Sr. Benedito  Ivo Lobo  Filho  e,  paralelamente,  o  Sr.  Benedito  Ivo  Lodo Filho,  por meio  da Omaha,  foi  contratado  para prestar serviço específico, na área de desenvolvimento dos produtos financeiros, por ter  ampla e notória expertise no ramo.  Afirma ainda que a OMAHA é empresa constituída há mais de 20 anos e ao  longo desse período prestou serviços para outras empresas e acostou Relatório de Notas Fiscais  emitidas (fls. 6130­6136).  No citado relatório, encontram­se elencadas apenas notas fiscais emitidas no  período  compreendido  entre  jan/1995  e  dez/2006,  ou  seja,  não  há  qualquer  comprovação  de  que  após  2006  a  OMAHA  prestasse  serviço  para  outras  empresas  que  não  a  Recorrente.  Ressalte­se que a autuação diz respeito ao ano­calendário 2011.  Nas  notas  fiscais  de  serviço  emitidas  pela  OMAHA  (fls.  139  e  ss),  consta  como  discriminação  dos  serviços  tão  somente:  "Consultoria"  (34  notas)  ou  'Prestação  de  Serviços"  (1  nota),  expressões  vagas  e  genéricas  que  não  se  prestam  a  esclarecer  especificamente qual serviço teria sido prestado.  O  contrato  firmado  entre  a OMAHA  e  a  Recorrente  possui  como  objeto  a  prestação  de  "Serviços  de  estruturação  de  operações  de  crédito  bancário  de  qualquer  natureza,  bem  como  desenvolvimento  de  outros  produtos  bancários,  conforme  descrição  constante  nas  condições  especificas  adiante.",  que  pouco  esclarece  acerca  dos  serviços  prestados pela OMAHA à Recorrente.  Além dos contratos, a Recorrente apresentou Relatórios de Produção (fl.642)  que  indicam  a  produção  no  período,  correspondente  às  operações  de  crédito  realizadas  no  período, o valor da comissão de 5% e o valor da despesa. Acerca da remuneração, assim dispôs  o contrato entre a OMAHA e a PEG CRED:    Num dos relatórios de produção, a OMAHA teria sido remunerada em 5% do  valor das operações de crédito realizadas através de 13 contratos de operação de crédito.   A Recorrente foi intimada para esclarecer a participação da OMAHA nessas  operações de crédito, bem como para  justificar a necessidade de contratação de  tais  serviços  para a consecução dos objetivos sociais da contratante, isto porque o responsável pela execução  dos serviços foi a pessoa física Benedito Ivo Lodo Filho, que é sócio administrador da empresa  contratada e diretor da empresa contratante.  Em  resposta,  a  Recorrente  apresentou  cópias  de  documentos  para  fins  de  comprovação da prestação de serviços realizada por OMAHA que fazem menção a operações  Fl. 6185DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.186          10 realizadas entre o Banco BVA S/A e diversas  sociedades. Esclareça­se que o BANCO BVA  S/A era o principal cliente da autuada, conforme dados extraídos da DIRF, sendo responsável  por 99,70% da  receita auferida pelo  sujeito passivo no ano­calendário 2011  (TVF ­  fl.2072).  Contudo, em nenhum contrato é citada a OMAHA, não sendo possível comprovar que  tenha  tido alguma participação efetiva.  Acerca  da  participação  da  OMAHA  na  estruturação  dos  contratos  de  operação de crédito efetivados entre o Banco BVA S/A e outras empresas, a Recorrente insiste  que  a  OMAHA  foi  imprescindível,  mas  não  esclarece  sua  participação.  Veja  as  seguintes  passagens do recurso:    O relatório detalha algumas das operações de crédito celebradas entre  clientes e o Banco BVA, por intermédio da Recorrente, cuja participação da  Omaha foi imprescindível . Esses Contratos de Crédito foram apresentados  pela Recorrente em sua impugnação (fls. 885 a 1066)  (...)    É  de  fundamental  importância  para  o  definitivo  deslinde  da  controvérsia  o  esclarecimento  de  que  todos  os  13  (treze)  contratos  bancários  acima  listados  somente  foram  celebrados  em  razão  do  serviço  prestado pela Omaha à Recorrente.  Pergunta­se: por que a participação da OMAHA era imprescindível? Qual foi  exatamente  o  serviço  prestado  pela  OMAHA,  na  pessoa  de  seu  responsável  técnico  Sr.  Benedito Ivo Lodo Filho?  Acerca da necessidade da contratação da OMAHA a Recorrente apresentou  as seguintes respostas em 24/09/2014 e 03/03/2015 (TVF fls. 2021 e 2023):  Em 24/09/2014:  (...) conforme contratos de prestação de serviços já disponibilizados a Vsas  a Omaha Consultores Ltda foi contratada pela intimada para prestação de  serviços  de  estruturação  de  operações  de  crédito  e  outros  produtos  bancários. Tais atividades não se confundem com as  funções e atribuições  do Sr. Benedito Ivo Lodo Filho como administrador da intimada. Mais que  isso: as atividades objeto dos contratos de prestação de serviços extrapolam  as  funções  de  administrador.  Como  administrador  da  intimada,  Ivo  tinha  como atribuição, legal e estatutária, a gestão dos negócios da companhia.     Para  desenvolvimento  de  parte  de  suas  atividades  (como  a  estruturação  de  operações  de  crédito  e  outros  produtos  bancários),  a  intimada  contratava  empresas  especializadas,  dentre  as  quais  a  Omaha  Consultores Ltda. O  fato de Benedito  Ivo Lodo Filho  ser  sócio da Omaha  Consultores Ltda não seria um impedimento para a prestação de serviços.  Tal modelo de contratação, pelo contrário, foi desenhado visando à sinergia  intragrupo,  conjugando  esforços  e  resguardando  confidencialidade  na  condução dos negócios ".  Em 03/03/2015:    A intimada esclarece que os trabalhos realizados pela empresa Omaha  Cônsultores  Ltda  (  "  OMAHA  "  )  abrangeram  o  desenvolvimento  e  estruturação  de  produtos  e  soluções  para  os  clientes  da  PEG CRED,  no  Fl. 6186DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.187          11 sentido de apoiá­los nas estratégias de crescimento de  seus negócios. Tais  produtos e soluções, além da alta complexidade, culminaram em valores e  operações  substanciais,  tais  como  Fundos  de  Investimento  em  Direitos  Creditórios  ­  FIDCs  e  operações  de  crédito  estruturadas,  cujas  cifras  atingem cerca de R$ 1 bilhão.    A empresa OMAHA foi responsável por toda a intelectualidade de tais  operações  e  produtos,  além  da  sua  dedicação  aos mesmos  no  período  em  que  foram  desenvolvidos,  dado  a  complexidade  e  volumes,  como  mencionado anteriormente.    Além disso,  vale  frisar  que  serviços  como  esses,  que  não  fazem parte  das rotinas normais, sempre foram solicitados para empresas parceiras com  competência  específica  na matéria  em  questão. No  entanto,  nota­se  que  a  decisão de contratação de tais empresas pela intimada sempre foi pautada  no quesito de confiança, agilidade e conhecimento da matéria.    Portanto,  a  PEG  CRED  sempre  se  pautou  em  trazer  empresas  e  pessoas que realmente preencham tais requisitos.    Além disso, a intimada não conseguiria desenvolver tais soluções sem o  suporte  da  OMAHA,  não  só  pelo  conhecimento  técnico  requerido,  mas  também pela visão profunda do mercado financeiro e, principalmente, em se  tratando do cliente em questão.    A  contratação  da  OMAHA  foi  importante  para  a  PEG  CRED  diversificar seus produtos financeiros,  incrementar sua carteia de clientes,  explorar nichos de mercado nos quais a  intimada não  tinha conhecimento  técnico  e  aumentar  seu  faturamento.  A  necessidade  da  contratação  da  OMAHA para  a PEG CRED  está  na  complementariedade  e  especialidade  dos  serviços  prestados,  sem  os  quais  a  PEG  CRED  não  alcançaria  seus  objetivos de crescimento e rentabilidade.    Adicionalmente,  a  OMAHA  também  detinha  relacionamento  estreito  com  as  empresas  abrangidas  nessas  operações,  o  que  contribuiu  positivamente  para  a  celebração  de  contratos  de  operações  que  incrementaram o faturamento da PEG CRED."  A  meu  ver,  as  respostas  apresentadas  não  comprovam  a  necessidade  de  contratação da OMAHA, pelo contrário, ratificam sua desnecessidade, na medida em que citam  a  importância  da  intelectualidade  do  responsável  pela OMAHA,  que  era  o  Sr. Benedito  Ivo  Lodo Filho, sócio diretor da autuada. Cita ainda a relevância para o incremento na carteira de  clientes,  quando  se  sabe  que  a Recorrente  concentrava  suas  operações  num  único  cliente,  o  Banco BVA SA.   Cita  ainda  o  relacionamento  estreito  da  OMAHA  com  as  empresas  abrangidas na operação, quando este relacionamento era desenvolvido pelo Sr. Benedito Ivo.  Com efeito, não se mostra necessária a contratação de empresa OMAHA para  prestação de  serviços, ditos  especializados,  se o  responsável pela  intelectualidade do  serviço  era o próprio diretor da PEG CRED.   É de se destacar que o próprio estatuto social da Recorrente prevê com sendo  um  dos  objetos  sociais  a  prestação  de  serviços  de  assessoria,  consultoria  comercial  e  econômico­financeira. Veja a íntegra do objeto social da PEG CRED:  Fl. 6187DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.188          12 ARTIGO 2º ­ A Companhia tem por objeto social a prestação de serviços de  controle  de  crediários,  levantamentos  cadastrais,  assessoría  e  consultoria  comercial  e  econômica­financeira,  emissão  de  carnes  e  outros  títulos  de  cobrança,  cobrança  de  quaisquer  títulos  de  crédito,  inclusive  de  inadimplentes,  organização,  organização  e  estruturação  de  sistemas  de  processamento  de  dados,  consultoria  em  marketing,  intermediação  e  controle  de  negócios  em  geral,  participação  em  outras  sociedades,  de  qualquer ramo de atividade, nacionais e estrangeiras.(grifo nosso)  Veja que a Recorrente pagou a OMAHA pela prestação de serviços o valor  de R$ 43.901.000,00, correspondente a 64,8% do total das despesas da autuada.  Para  que  se  demonstre  que  essa  movimentação  patrimonial  efetivamente  ocorreu, os  lançamentos contábeis devem estar amparados documentação hábil e  idônea, que  vai  além de meros  documentos  que  representam  tão  somente  as  formalidades  extrínsecas  da  prestação de serviços.   As notas fiscais emitidas pela OMAHA, bem como o contrato firmado entre  ela  e  a  PEG  CRED  são  meras  formalidades  que  não  se  prestam  a  demonstrar  a  efetiva  prestação  de  serviços  por  parte  da  OMAHA.  A  efetividade  dos  serviços  poderia  ser  comprovada  com  relatórios  de  serviços,  troca  de  emails,  atas  de  reuniões,  entre  outros  documentos.   A Recorrente alega que o Colegiado da DRJ não soube distinguir a diferença  entre  a  prestação  de  um  serviço  com  resultado  material  para  um  serviço  de  produção  intelectual.  De  fato,  a  prestação  de  um  serviço  de  consultoria  comercial  ou  econômico­ financeira não possui um resultado material  tão óbvio quanto a contratação da construção de  um navio. Mas, é razoável considerar que a prestação de serviços da ordem de R$ 43 milhões  seja precedido da elaboração de projeto, relatório, estudo, levantamento, ou que seja precedido  de troca de emails, reuniões entre outras atividades.  No caso em concreto, a recorrente não demonstrou a efetividade da prestação  dos serviços. Nem as notas fiscais, tampouco o Relatório de Produtividade, são suficientes para  a comprovação da prestação dos serviços por parte da OMAHA em relação a PEG CRED. As  provas carreadas aos autos tratam de operações de crédito entre o BANCO BVA S/A e outras  empresas. O Banco BVA S/A possuía contrato com a Recorrente, conforme contratos anexados  às fls. 6094 e seguintes. Vide tela abaixo:    As  notas  fiscais  apresentadas  e  os  relatórios  de  produção  são  formalidades  extrínsecas que não demonstram de que maneira a OMAHA contribuiu para a prestação dos  serviços.   Fl. 6188DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.189          13 Em verdade,  a  contratação  de  uma  empresa  que  tem  como maior  capital  a  qualificação  e  expertise  do  seu  sócio  Sr.  Benedito  Ivo  Lodo  Filho,  que  é  ao mesmo  tempo  diretor  da  Contratante,  parece  constituir  artifício  para  aumentar  as  despesas  da  Recorrente,  pessoa  jurídica optante  pelo  lucro  real,  enquanto que  a Contratada  se beneficiaria de  regime  tributário mais favorecido.  Dessarte,  não  tendo  sido  trazidos  aos  autos  elementos  que  comprovem  a  efetiva  prestação  de  serviços  por  parte  da  OMAHA,  voto  pela  manutenção  da  glosa  das  referidas despesas.  1.2. Da Glosa das Despesas de Prestação de Serviços ­ Demais Empresas  1.2.1  Glosa  de  Despesa  ­  BPW  Consultoria  Empresarial  e  Assessoria  Financeira  Ltda,  J  P  R  H  Serviços  de  Cobrança  Ltda,  Antônio  C.  Conversano  Serviços  de  Planejamento Financeiro, Monica Moreno Digitação e Processamento Ltda, Antônio Luiz de  Oliveira P Pascoal Me, R L de Souza Brandão Cobranças e YKK Serviços de Cobrança EPP  (fl.52 do TVF)  Em  relação  a  glosa  das  despesas  referente  às  empresas  supracitadas,  a  autoridade  fiscal  concluiu  que  a  Recorrente  também  não  havia  trazido  ao  procedimento  administrativo  um  documento/prova  material  que  fosse  capaz  de  permitir  uma  aferição  ou  atestar  que  as  empresas  contratadas,  por  intermédio  daqueles  apontados  como  sendo  os  responsáveis  por  sua  execução,  tenham participado  e  efetivamente prestado  os  serviços  que  estão descritos nos  instrumentos particulares pactuados  e que os mesmos eram necessários,  normais e usuais em relação às atividades da empresa (fl. 2065).  Os  documentos  apresentados  pela  Recorrente  e  analisados  pelo  auditor  foram:   ­  contratos  de  prestação  de  serviços  cujos  objetos  seriam  a  prestação  de  serviços  de  estruturação  de  operações  de  crédito  bancário  de  qualquer  natureza,  bem como desenvolvimento de outros produtos bancários  e que  a  remuneração pactuada seria paga a título de performance fee na proporção de  5% sobre o montante global das operações de crédito ou de outros produtos  bancários  em que  a  contratada  tenha participado  e/ou  contribuído  de  forma  efetiva;  ­ notas fiscais e relatórios de produção;  ­  contratos  que  fazem  menção  a  operações  realizadas  entre  diversas  sociedades  e o banco BVA S/A, na qualidade de credor, mas  sem qualquer  indicação ou referência às empresas supracitadas;  ­  Declaração  com  igual  conteúdo  para  as  7  empresas  supracitadas  que  procuram mostrar a necessidade de sua contratação, cujo conteúdo reproduzo  abaixo de maneira genérica (fls. 2040, 2043, 2045, 2049, 2052, 2054 e 2056):    O contrato de prestação de serviços e os relatórios de produção com a  relação  dos  serviços  prestados,  já  apresentados  à  Fiscalização,  e  os  contratos de operações de crédito entregues nesta ocasião, são, na opinião  da PegCred, documentos suficientes para comprovar a efetiva prestação dos  serviços pela empresa contratada XXXXX.  Fl. 6189DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.190          14   Os  trabalhos  realizados  por  Sr. Fulano de Tal, por meio  da  empresa  XXXXX,  abrangeram  o  desenvolvimento  e  estruturação  de  produtos  e  soluções para os clientes da PegCred, no sentido de apoiar esses clientes  nas estratégias de crescimento de seus respectivos negócios.     A empresa XXXXX foi responsável por  toda a  intelectualidade de  tais  operações  e  produtos,  além  da  sua  dedicação  aos mesmos  no  período  em  que foram desenvolvidos e implementados, dado a complexidade e volumes  das operações de crédito.    Além  disso,  vale  frisar  que  serviços  como  esses  sempre  foram  solicitados para empresas parceiras com competência específica na matéria  em  questão.  Deve  ser  observado  que  a  decisão  de  contratação  de  tais  empresas  pela  PegCred  sempre  foi  pautada  no  quesito  de  confiança,  agilidade e conhecimento da matéria, orientando­se a PegCred sempre em  trazer empresas e pessoas que realmente preenchiam tais requisitos.    A  necessidade  da  contratação  da  empresa  XXXX  pela  PegCred  fundamenta­se no fato de que esta não conseguiria desenvolver tais soluções  sem  o  suporte  da  empresa  XXXXX,  não  só  pelo  conhecimento  técnico  requerido,  mas  também  pela  visão  profunda  do  mercado  financeiro  e,  principalmente, pela especialidade em desenvolver uma operação de crédito  que atenda as necessidades financeiras de cada cliente.    A  contratação  da XXXXX  foi  importante  para  a  PegCred  diversificar  seus  produtos  financeiros,  incrementar  sua  carteia  de  clientes,  explorar  nichos de mercado nos quais a PegCred não tinha conhecimento  técnico e  aumentar  seu  faturamento.  A  necessidade  da  contratação  da  empresa  XXXXX  pela  PegCred  está  na  complementariedade  e  especialidade  dos  serviços prestados pela contratada, sem os quais a PegCred não alcançaria  seus objetivos de crescimento e rentabilidade.    Deve­se  ressaltar  que  a  despesa  com  o  tipo  de  serviço  prestado  pela  XXXXX  é  costumeira  e  usual  para  que  a  PegCred  consiga  atingir  as  finalidades de seu objeto social.    Adicionalmente,  a  empresa  XXXXX,  na  figura  do  responsável  Sr.  Fulano  de  Tal,  também  detinha  relacionamento  estreito  com  as  empresas  abrangidas  nessas  operações,  o  que  contribuiu  positivamente  para  a  celebração de contratos de operações que incrementaram o faturamento da  PegCred.  As notas fiscais emitidas por estas empresas descrevem os seguintes serviços,  a título exemplificativo: serviços de consultoria (BPW fls. 174­188), prestação de serviços ( J P  R H  fls. 190­199),  assessoria  financeira  (Antonio C Conversano  fls.219­265), processamento  de dados (Monica Moreno fls.260­262).  É de se observar que as notas fiscais e o pagamento atendem às formalidades  extrínsecas,  mas  os  contratos  firmados  entre  o  BANCO  BVA  S/A  e  a  PEG  CRED  sem  qualquer referência às citadas empresas, bem como uma declaração genérica, não se prestam a  demonstrar que houve a participação efetiva destas empresas nos serviços prestados.  Como  dito  anteriormente,  a  Recorrente  teve  oportunidade  de  apresentar  quaisquer  documentos  para  comprovar  a  efetiva  prestação  do  serviço,  entre  eles  emails,  Fl. 6190DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.191          15 projetos desenvolvidos, atas de reunião, sistemas desenvolvidos pelas empresas, etc, mas não  apresentou nada de concreto.  A  este  recurso,  fez  juntar  mais  uma  vez  cópia  de  contratos  entre  a  BVA  Promotora de Vendas e Participações S/A (denominação anterior da PEG CRED) e o Banco  BVA S/A (fls. 6058 e ss), bem como relatório de notas fiscais emitidas pela OMAHA referente  aos  anos­calendários  1995  a  2006  (fls.  6132  e  ss),  notas  fiscais  da  OMAHA  com  data  de  emissão compreendida entre 1995 a 2000(fls. 6138­6149). Não acrescentou novos documentos  que  atestassem  que  a  OMAHA  não  prestava  serviços  exclusivamente  à  Recorrente,  ou  que  lograssem  êxito  em  demonstrar  a  efetiva  participação  dessas  empresas  na  prestação  dos  serviços.  Nesse  sentido, voto  por manter  a  glosa  de  despesas  em  relação  a BPW  Consultoria Empresarial  e Assessoria  Financeira Ltda,  J P R H Serviços  de Cobrança  Ltda,  Antônio  C.  Conversano  Serviços  de  Planejamento  Financeiro,  Monica  Moreno  Digitação e Processamento Ltda, Antônio Luiz de Oliveira P Pascoal Me, R L de Souza  Brandão Cobranças e YKK Serviços de Cobrança EPP.   1.2.2 Glosa de Despesas ­ Lucky Serviços de Cobrança Ltda, Mury Serviços  de Cobrança Ltda e R Ramos de Toledo Piza Cobrança Epp (fl.55 do TVF)  No  que  concerne  às  despesas  relacionadas  a  essas  3  empresas,  o  Auditor  também  entendeu  que  não  havia  sido  provada  a  efetiva  participação  delas  nos  serviços  prestados.  A Recorrente apresentou notas fiscais, mas não apresentou contratos com as  partes,  nem  outro  documento  que  discriminasse  os  serviços  prestados.  Citou  ainda  que  a  empresa  R  Ramos,  em  parceria  com  outras  empresas  desenvolveu  a  estruturação  do  FDIC  Multisetorial BVA MAster III.  Tendo  em  vista  que  não  restou  comprovada  a  efetiva  participação  das  empresas na prestação dos serviços, há de se manter a glosa referente a Lucky Serviços de  Cobrança Ltda, Mury Serviços de Cobrança Ltda e R Ramos de Toledo Piza Cobrança  Epp.  1.2.3  Glosa  de  Despesas  ­  HXS  Participações  Ltda,  HXS  Assessoria  Financeira Ltda, Optimus Investimentos e Participações Ltda e HPG Vianna de Lima Cobrança  Epp  Neste  caso,  não  foram  apresentados  os  contratos  celebrados  entre  as  4  empresas  citadas  e  a  PEG  CRED,  mas  foram  disponibilizadas  cópias  de  documentos  denominados de  relatórios de produção que mencionavam diversos contratos de operação de  crédito. Apresentou­se também a declaração genérica acerca da necessidade de contratação das  empresas. Destacou que um dos produtos desenvolvidos pela OPTIMUS e PHG VIANNA foi a  estruturação do FIDC Multisetorial BVA Master III.   Os  contratos  de  operação  de  crédito  que  fundamentaram  os  relatórios  de  produção foram firmados entre BANCO BVA S/A e outras empresas, sem qualquer referência  às quatro empresas, e  também não se prestam a demonstrar que houve a participação efetiva  destas empresas nos serviços prestados.  Fl. 6191DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.192          16 Logo,  há  de  ser  mantida  a  glosa  de  despesas  em  relação  a  HXS  Participações  Ltda,  HXS  Assessoria  Financeira  Ltda,  Optimus  Investimentos  e  Participações Ltda e HPG Vianna de Lima Cobrança Epp.  1.2.4  Glosa  de  Despesas  ­  V  DE  Albuquerque  Palmeira  Cobrança  (V  DE  ALBUQUERQUE)   Para  as  despesas  relacionadas  à  prestação  de  serviços  de  V  DE  ALBUQUERQUE,  a  autoridade  fiscal  constatou  que  haviam  sido  apresentadas  cópias  de  instrumentos  particulares  de  prestação  de  serviços  de  cobrança  e  outras  avenças  e  que  o  objeto  dos  referidos  contratos  seria  o  de  estabelecer  estratégias  de  cobrança,  cessões,  estruturação  de  fundos  e  desconto,  estipulando  pré­liquidações  e  refinanciamentos  dos  créditos consignados, visando maior liquidez e determinar alvo de campanhas de recuperação  e  pré­liquidações  dos  créditos  consignados  e  políticas  de  notificação,  execução  e  cobrança  (TVF ­ fl.2069).   Foram  apresentados  ainda  aditivos  ao  contrato  para  acrescentar  serviços  relacionados  com  a  participação  na  campanha  mensal  de  pré­liquidação  e  recuperação  de  crédito  promovida  pela  Recorrente  e  30  folhas  nas  quais  são  mencionados  os  contratos  de  crédito  que  dariam  embasamento  ao  valor  pago.  Apesar  de  intimada  a  apresentar  esses  contratos de crédito, não o fez.  Com algumas peculiaridades em  relação às empresas anteriormente  citadas,  tendo  em  vista  o  objeto  do  contrato,  entendo  que  os  documentos  constantes  dos  autos  não  comprovam a efetiva participação da empresa na prestação de serviços.  Portanto,  há  de  se  manter  a  glosa  de  despesas  em  relação  à  V  DE  Albuquerque Palmeira Cobrança.  2. Princípio da Verdade Material  Alega a Recorrente que o lançamento foi baseado em mera suposição e que a  autoridade fiscal se utilizou de recursos presuntivos e indícios para concluir que os pagamentos  efetuados pelo sujeito passivo não teriam causa.  Não se trata de lançamento baseado em presunção, mas baseado nas provas  constantes dos autos. O auditor foi em busca da verdade material, não se limitando ao aspecto  formal  dos  contratos.  Nesse  sentido,  demonstrou  que  o  diretor  da  Recorrente  era  o  representante  técnico  da  OMAHA,  que  não  há  qualquer  documento  que  demonstra  a  participação  das  empresas  contratadas  nos  serviços  prestados.  Demonstrou  que  todos  os  contratos de operação de crédito foram firmados entre o Banco BVA S/A e outras empresas, e  que  por  sua  vez,  o  Banco  BVA  S/A  é  o  principal  cliente  da  Recorrente.  Em  nenhum  dos  contratos aparece nenhuma das empresas como intervenientes.  Logo,  não  há  que  se  falar  em  lançamento  baseado  em  presunção  fora  do  espectro legal. Tampouco houve afronta ao princípio da verdade material.  3. Do Arbitramento do Lucro  O contribuinte se insurge contra o arbitramento do lucro, sob o argumento de  que é medida extrema, que só pode ser realizado nas hipóteses expressamente previstas em lei.  Fl. 6192DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.193          17 O arbitramento do lucro foi fundamento no art. 530, incisos I e II, alínea "b",  c/c arts. 531 e 532, conforme fl. 2075 do Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante  do auto, in verbis:  Art. 530 do Decreto 3.000/99 ­ Regulamento Imposto de Renda   O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano  ­  calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado,  quando  (Lei  n°.  8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°. 9.430, de 1996, art I o . ) :  I  ­  o  contribuinte,  obrigado  à  tributação  com  base  no  lucro  real,  não  mantiver escrituração na  forma das  leis comerciais e  fiscais, ou deixar de  elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal.  II  ­ a  escrituração a que estiver obrigado o contribuinte  revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável para:  b) determinar o lucro real   Art. 531. Quando conhecida a receita bruta ( art.279 e parágrafo único ) e  desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá  efetuar  o  pagamento  do  imposto  correspondente  com  base  no  lucro  arbitrado, observadas as seguintes  regras ( Lei n°. 8.981, de 1995, art.47,  parágrafos Io . e 2°., e Lei n°. 9.430, de 1996, art.Io):  I  ­  a  apuração  com  base  no  lucro  arbitrado  abrangerá  todo  o  ano  ­  calendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa  aos  trimestres  não  submetidos  ao  arbitramento,  se  a  pessoa  jurídica  dispuser  de  escrituração  exigida  pela  legislação  comercial  e  fiscal  que  demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade  de tributação;  II  ­ o  imposto apurado na  forma do  inciso anterior  terá por vencimento o  último dia útil do mês subsequente ao do enceramento de cada período de  apuração.  Art.  532. O  lucro arbitrado das pessoas  jurídica,  observado o disposto no  art. 394, parágrafo 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado  mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos,  acrescidos de vinte por cento ( Lei 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de  1996, art. 27, inciso I ).  De fato, corretas as declarações do contribuinte quando afirma que respondeu  às intimações, que forneceu notas fiscais, cópias de contrato etc. Mas a partir do momento em  que  a  autoridade  fiscal  glosa  a  quase  totalidade  das  despesas,  por  falta  de  comprovação  da  efetiva  prestação  dos  serviços,  a  apuração  do  imposto  de  renda  pelo  lucro  real  se  mostra  inviável.   Isto porque em não havendo despesas, o lucro corresponderia praticamente ao  total das receitas, o que não se mostra razoável.   Sendo assim, os erros na escrituração detectados pelo auditor, quais sejam, a  contabilização  de  despesas  que  não  ocorreram,  tornaram  a  escrituração  imprestável  para  a  Fl. 6193DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.194          18 apuração  do  lucro  real,  hipótese  consubstanciada  na  alínea  "b",  do  inciso  II  do  art.  530  do  RIR/99.   Outrossim, a apuração do imposto de renda se mostra menos gravosa para o  contribuinte do que a apuração pelo lucro real, após a glosa das despesas.   Portanto, correta a apuração dos tributos com base no lucro arbitrado.  4. Caracterização dos Custos/Despesas como Pagamento Sem Causa X Bis­  In­ Idem  A  Recorrente  declara  que  a  remuneração  à  terceiros  pela  prestação  de  serviços ou sofreram a incidência de retenção na fonte dos tributos, ou foram posteriormente  oferecidas  à  tributação  pelas  próprias  empresas  beneficiárias,  o  que  configuraria  dupla  incidência tributária.   Quanto  aos  valores  recolhidos  na  fonte  pela  Recorrente,  eles  já  foram  abatidos do cálculo dos  tributos  lançados de ofício. Por sua vez, em relação à  tributação das  empresas  beneficiárias  do  pagamento,  esta  matéria  não  se  encontra  em  discussão  neste  processo. De  toda forma, pode acontecer  inclusive de as  receitas por ela auferidas não  terem  sido  oferecidas  à  tributação,  razão  pela  qual  não  podem  ter  qualquer  influência  sobre  o  lançamento efetivado nestes autos.  Por  conseguinte,  não  há  que  se  falar  em  dupla  incidência  tributária  no  lançamento.   Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e  no mérito, por NEGAR­LHE PROVIMENTO.   Do Recurso de Ofício  Da Admissibilidade  A DRJ deu provimento parcial à  impugnação do contribuinte no sentido de  afastar a multa de ofício qualificada. A parcela exonerada supera o limite de R$ 2.500.000,00  estabelecido na Portaria MF nº 63/2017, razão pela qual conheço do recurso de ofício.  Da Multa Qualificada  O Colegiado da DRJ acatou os argumentos do contribuinte, que alegou que a  Auditor não  teria  tipificado de maneira clara  a sua conduta, e decidiu por afastar a multa de  ofício qualificada.  A tipificação da multa qualificada consta do TVF nos seguintes termos:  OBS : Por fim cumpre observar que em razão das irregularidades que foram  constatadas  no  curso  da  fiscalização  foi  qualificada  a  multa  de  ofício  no  percentual  de  150%,  exigida  juntamente  com  os  impostos  e  contribuições  devidos, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, fato esse  que motivou a formalização de representação fiscal para fins penais.  Fl. 6194DF CARF MF Processo nº 12448.729486/2015­86  Acórdão n.º 1301­003.806  S1­C3T1  Fl. 6.195          19 Além  desta  menção  à  imposição  da  multa  qualificada,  não  há  em  todo  o  Termo de Verificação Fiscal qualquer referência ao intuito doloso ou à existência de fraude ou  conluio, nos termos dos arts. 71, 72 ou 73 da lei nº 4502/1964, nos termos do que dispõe o art.  44, §2 da lei nº 9430/96.  Os  citados  artigos  tratam  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  nos  seguintes  termos:  Art  .  71.  Sonegação  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação  tributária principal ou o crédito tributário correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total ou parcialmente, a ocorrência do  fato gerador da obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  impôsto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou  jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.  Nas três hipóteses previstas em lei, está presente o intuito doloso da conduta,  seja omissiva ou comissiva.  O  fato  de  os  valores  glosados  serem  expressivos  não  implica  existência  de  intuito doloso. Do contrário, teria lugar a discussão de qual o percentual de omissão de receita  ou aumento de custo poderia ser caracterizado o dolo.   A  autoridade  fiscal  não  indicou  qualquer  conduta  por parte  do  contribuinte  que  tivesse  firmado  sua  convicção  acerca  do  dolo.  Ao  contrário,  o  relatório  do  Auditor  demonstra que o contribuinte respondeu às intimações e colaborou com o procedimento fiscal.  Dessa  forma,  ratifico  a  decisão  a  quo  para  afastar  a  multa  de  ofício  qualificada e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício.    (Assinado digitalmente)  Giovana Pereira de Paiva Leite                              Fl. 6195DF CARF MF

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