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Numero do processo: 16327.000427/2004-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 CONCOMITÂNCIA. ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso conforme preconiza a Súmula CARF nº 01. NULIDADES. LEGALIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. Considerando as normas que regem o processo administrativo fiscal, omitido fato relevante não considerado por ocasião do julgamento deve ser declarada nula a decisão, proferindo-se outra em seu lugar. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Inexistente no acórdão embargado a omissão, contradição ou obscuridade devem ser rejeitados os embargos de declaração.
Numero da decisão: 1803-000.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, declarar a nulidade do acórdão 1803-00.722 de 15/12/2010, e não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso conforme preconiza a Súmula CARF nº 01. NULIDADES. LEGALIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. Considerando as normas que regem o processo administrativo fiscal, omitido fato relevante não considerado por ocasião do julgamento deve ser declarada nula a decisão, proferindose outra em seu lugar. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Inexistente no acórdão embargado a omissão, contradição ou obscuridade devem ser rejeitados os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, declarar a nulidade do acórdão 180300.722 de 15/12/2010, e não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000427/200405 Acórdão n.º 180300.977 S1TE03 Fl. 314 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan Sack Rodrigues. Declarouse impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Relatório A Fazenda Nacional, através da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inconformada com a decisão proferida por esta 3ª Turma de Julgamento, interpôs embargos declaratórios, alegando omissão do julgado em relação a seguinte matéria: Que “teria havido omissão no acórdão pois não foi considerada a concomitância com ação judicial intentada com o mesmo objeto pela contribuinte, havendo em conseqüência renúncia à esfera administrativa.”. A douta PGFN argue com base em documentos que junta aos autos no momento dos embargos que a recorrente UNICARD teria renunciado à via administrativa pois intentou ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 01. A Súmula CARF nº 01, tem a seguinte redação: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Afirma ainda a embargante que o Mandado de Segurança nº 2001.51010046655, impetrado pelo contribuinte, em 26/03/2001, no âmbito da Seção Judiciária da Justiça Federal no Rio de Janeiro, com o mesmo objeto e causa de pedir já teve formação de coisa julgada. Que a existência de processo judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal é questão de ordem pública que deve ser conhecida pelo julgador administrativo, até mesmo de oficio, em qualquer grau hierárquico, não havendo, por isso, preclusão para a sua argüição. O acórdão 180300.722 de 15/12/2010, objeto dos embargos, encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 CSLL. LUCROS AUFERIDOS POR FILIAIS NO EXTERIOR. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por filiais ou sucursais no exterior passaram a sofrer incidência da CSLL, somente com o advento do art. 19 da MP 1.8586/99, publicada Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000427/200405 Acórdão n.º 180300.977 S1TE03 Fl. 315 3 no DOU de 30/06/99, não alcançando os lucros auferidos anteriormente, independentemente de sua disponibilização. No caso de filial ou sucursal no exterior, a disponibilização ocorre na data do balanço no qual tiverem sido apurados. É o relatório. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000427/200405 Acórdão n.º 180300.977 S1TE03 Fl. 316 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais para sua admissibilidade, deles conheço. Os autos primeiramente vieram a julgamento nesta Terceira Turma Especial da 1ª SJ, na sessão plenária de 15 de dezembro de 2010, tendo o Colegiado decidido, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso apresentado, reconhecendo a impossibilidade de exigência de CSLL dos lucros auferidos por filial no exterior antes da edição da MP 1.858 6/99. Insurgese a douta PGFN mediante o manejo dos embargos declaratórios, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno do CARF, afirmando que a decisão deve ser revista pois foi omitida a existência de concomitância entre o objeto do processo administrativo e ação judicial mandamental intentada pela contribuinte em 26/03/2001. Embora a existência da ação judicial somente foi trazida aos autos por ocasião da apresentação dos embargos declaratórios, tenho que a matéria deva ser objeto de apreciação por parte desta turma julgadora. Conforme documentos anexados aos autos pela PGFN (fls. 278/309), constatase que a recorrente UNICARD efetivamente ingressou com ação mandamental em 26/03/2001, tendo como objeto afastar a incidência da tributação da CSLL sobre os lucros auferidos no exterior, antes da edição da MP 1.8586/99. De acordo com os mesmos documentos em 01/08/2002, foi prolatada sentença de primeiro grau, com o seguinte teor: Ante todo o exposto, :JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO, a teor do disposto no art.267,VI do Código de Processo Civil. Em 20/04/2010, foi prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (fls. 307/308), acórdão com a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE .SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. (CSSL)SOBRE O LUCRO APURADO EM 1996 E DISTRIBUÍDO EM 2000 POR ALEGADA FILIAL NAS ILHAS CAYMAN. PROVA PRÉ CONSTITUÍDA. APELO DESPROVIDO. 1. Salienta o apelante que esta demanda impugna a pretensão do fisco de incidir a CSSL sobre o lucro apurado no ano de 1996 e somente distribuído em 2000, relativamente à filial localizada nas Ilhas Cayman, com base na Medida Provisória n° 1858 6/99. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000427/200405 Acórdão n.º 180300.977 S1TE03 Fl. 317 5 2. Processo extinto, em Primeiro grau de jurisdição por inexistir prova do alegado direito liquido, e certo. 3. Argumenta o apelante que o balancete. anexado “demonstrou de forma clara, a disponibilização dos lucros no ano de 2000, relativamente aos lucros do período de 1996, perfazendo o patrimônio líquido daquela unidade". Haveria retroatividade indevida do art. 19 da citada Medida Provisória, diante da alínea “a” do §.1° do art. 1º da Lei 9.532/97; eis que a apuração envolvendo filial ou sucursal consideraria a data do balanço." Dessa forma, seria descabido o Ato Declaratório SRF n° 075/99, que determinaria a incidência da CSSL quanto aos lucros auferidos no exterior e disponibilizados, nos termos do art. 1º da Lei nº 9:532/97, partir de 1° de outubro de 1999. 4. Como destacou a. autoridade impetrada, em consideração preliminar, “há que se ter conhecimento da relação jurídica mantida pela empresa estabelecida no Brasil com aquela domiciliada no exterior de forma a se poder corretamente classificar esta última como filial, sucursal, controlada ou coligada da primeira.” 5. Inexiste Prova de que a agência nas Ilhas Cayman tenha natureza jurídica de "filial ou sucursal" para o enquadramento desejado, sendo insuficiente um simples balancete que indicasse a disponibilização dos lucros no ano de 2000, relativamente ao período de 1996. 6. "O mandado de segurança exige prova préconstituída como condição essencial de verificação do direito liquido e certo, sendo a dilação probatória incompatível com a natureza da ação mandamental, não se constituindo, portanto, meio processual adequado para provar a: existência ou a inexistência de um determinado fato. (STJ MS MANDADO DE. SEGURANÇA 9815, 3ª Seção rel. :Min.Laurita Vaz, DGE 02/12/2009). 7. Apelação conhecida e desprovida. O artigo 267, inciso VI do Código de Processo Civil, invocado para extinção do processo tem a seguinte redação: (verbis) Art. 267 Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Alterado pela Lei 11.232/2005) I quando o juiz indeferir a petição inicial; II quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III quando, por não promover os atos e diligências que lhe competir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000427/200405 Acórdão n.º 180300.977 S1TE03 Fl. 318 6 V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; VI quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; (...) Inicialmente, entendo que o julgado embargado não incorreu em omissão, contradição ou obscuridade, pois conforme a própria embargante observa, a existência de ação judicial concomitante somente foi levada a conhecimento desta corte administrativa no momento da proposição dos embargos por parte da Fazenda Nacional, não tendo sido sequer aventada sua existência ao longo de todo trâmite na esfera administrativa ou mesmo no curso da ação fiscal. Destarte, rejeito os embargos considerando no entanto os efeitos da existência da ação judicial face a prejudicialidade da mesma para o deslinde do processo. Com efeito, a Súmula CARF nº 01, tem a finalidade de que não se realize a discussão administrativa quando a matéria esteja sob o crivo do Poder Judiciário, pois cabe a este sempre a última palavra nos litígios nos termos do comando Constitucional. A Súmula CARF nº 01, dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No mesmo sentido o art. 38 da Lei nº 6.830/80 e art. 1º, § 2º do Decreto Lei nº 1.737/79, confirmam a renúncia à via administrativa por ocasião da propositura de ação judicial contestando o débito sob os mesmos argumentos, sendo irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem julgamento do mérito conforme entendimento exarado no Ato Declaratório Normativo nº 03/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal deJulgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000427/200405 Acórdão n.º 180300.977 S1TE03 Fl. 319 7 b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art.15l, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). Neste sentido, conforme se verifica dos elementos contidos na petição da Fazenda Nacional impende reconhecer que efetivamente a ação judicial mandamental intentada pela contribuinte tem o mesmo objeto da matéria levada a litígio no presente processo administrativo fiscal, incorrendo no óbice previsto na Súmula CARF nº 01. Destarte, considerando que o acórdão embargado restou eivado de nulidade por malferir os preceitos legais e a Súmula CARF nº 01 deve, com fulcro no art. 53 da Lei nº 9.784/99 e 61 do Decreto nº 70.235/72 ser declarado nulo, proferindose outro em seu lugar considerando os efeitos da ação judicial intentada pela contribuinte com o mesmo objeto discutido no presente processo. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos propostos pela Fazenda Nacional, declarar a nulidade do Acórdão nº 180300.722 de 15/12/2010 e no mérito não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/08/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721732/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do
Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação
do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16
da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da
base de cálculo do ITR.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.565
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de
4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/06), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 899.312,56, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Três Irmãos do Rio Suia Missu”, localizado no município de São Felix do Araguaia MT. A fiscalização glosou as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e reserva legal de 252,7 ha e 6.676,6 ha, respectivamente. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 9.1. Em Das Preliminares tratou, longamente, a respeito da exigência do ADA. Disse que não tem sido aceito como única forma de o contribuinte desfrutar da isenção prevista em lei. Mencionou decisões de tribunais que, embasadas no § 7º, do artigo 10, da Lei nº 9.393/1996, afirmam que a apresentação do referido ato não seria requisito para configuração de APP e ARL e, conseqüentemente, exclusão do ITR e, na seqüencia, reproduziu jurisprudência que trata do assunto. 9.2. Prosseguiu tratando da ARL, da dimensão já averbada, da demora da certificação do georreferenciamento e da Licença Ambiental Única – LAU pelo INCRA, indispensável para averbação de 80,0% da ARL. 9.3. Tratou de diligências a serem efetuadas no imóvel, de envio de ofício para a Secretaria do Meio Ambiente – SEMA/MT para verificação da efetiva entrega da LAU, do envio de ofício ao INCRA, bem como listou os quesitos a serem respondidos na perícia e nomeou perito. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721732/200936 Acórdão n.º 220101.565 S2C2T1 Fl. 2 3 9.4. Em Dos Pedidos, apurada as áreas de isenção após as diligência e perícia, requereu: 9.4.1. Seja acolhida a impugnação com o fim de declarar o cancelamento do lançamento dos impostos apurados pela falta de apresentação do ADA. 9.4.2. Seja julgada procedente a declaração de APP e ARL. 9.4.3. Seja julgada improcedente a exclusão dessas áreas quando da apuração do imposto. 9.4.4. Sejam acolhidas as razões expostas na impugnação considerando as áreas declaradas como de utilização limitada, excluindoas dos valores de referência do VTN tributável. 9.4.5. Seja cancelado o imposto suplementar lançado, bem como as multas de ofício e juro incidente sobre as mesmas. 9.5. Pretende provar o alegado por todos os meios de prova permitidos na legislação, especificamente a realização da perícia no local, bem como a juntada de documentos que se fizerem necessários para melhor convencimento do julgador. 10. Instruiu a impugnação com a documentação de fls. 55 a 70, composta por: procuração, cópias dos documentos de identificação do contribuinte e do procurador, da NL, da matrícula do imóvel, de documentos referentes à LAU, entre outros. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Matéria não impugnada Valor da Terra Nua VTN Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 21/07/2011 (fl. 93), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 17/08/2011 (fls. 94 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, nulidade integral do lançamento tendo em vista o indeferimento do pedido de diligência/perícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou a área de preservação permanente (252,7 ha) e a área de utilização limitada (6.676,6 ha), relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Três Irmãos do Rio Suia Missu”, localizado no município de São Felix do Araguaia MT. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a autoridade fiscal glosou as áreas informadas a título de preservação permanente e reserva legal por falta de apresentação do ADA. Além do mais, a área de reserva legal averbada na matrícula do imóvel no Cartório de São Felix do Araguaia/MT corresponde a 4.913,5 ha, todavia, a área informada na DITR/2006 foi de 6.676,6 ha. Em sua peça recursal alega o recorrente, em preliminar, nulidade do auto de infração, pois, segundo seu ponto de vista, o indeferimento do seu pedido de diligência/perícia causou graves ofensas aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Quanto ao mérito argumenta que de posse das informações fornecidas pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais poderia facilmente ser constatada que a propriedade possui florestas nativas intactas. Preliminar – Indeferimento do Pedido de Diligência/Perícia Inicialmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Em verdade, os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pelo interessado. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721732/200936 Acórdão n.º 220101.565 S2C2T1 Fl. 3 5 No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. No caso dos autos, bastava a apresentação de laudo técnico elaborado de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, conforme devidamente solicitado pela autoridade lançadora, para que a autoridade julgadora de primeira instância pudesse confirmar as informações prestadas pelo recorrente em sua DITR/2006. Assim, pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar. Área de Preservação Permanente De início, deve ser registrado que sempre me posicionei no sentido de que antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Todavia, a Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, mencionado pela defesa, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (grifei) Portanto, a partir do exercício 2001 a utilização do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico) ou as de Preservação Permanente. Em se tratando do exercício de 2006 o art. 10 de IN SRF nº 659/2006 determina a entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938/1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000, na forma legislação pertinente. No caso dos autos, em que pese conste informação sobre a distribuição do solo (fl. 34/35), bem como imagem de satélite fornecida pelo INPE (fls. 42/43), como o suplicante não logrou comprovar a entrega tempestiva do ADA, não poderá se beneficiar da isenção do imposto sobre a área de preservação permanente. Área de Reserva Legal De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721732/200936 Acórdão n.º 220101.565 S2C2T1 Fl. 4 7 Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Neste sentido, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Assim, compulsandose os autos consta averbação tempestiva totalizando 4.913,5 ha, em que pese tenha o contribuinte solicitado em sua DITR/2006 o reconhecimento de 6.676,6 ha. Além do mais, não se encontra nos autos o requerimento do ADA protocolado tempestivamente junto ao Ibama. Destarte, mantémse, pois, as glosas perpetradas pela autoridade fiscal. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do i. Conselheirorelator apenas quanto à manutenção das glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal. O Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 concluiu pela manutenção das glosas baseado no fato de que o Contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental – ADA. Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721732/200936 Acórdão n.º 220101.565 S2C2T1 Fl. 5 9 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721732/200936 Acórdão n.º 220101.565 S2C2T1 Fl. 6 11 mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não é um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte. No presente caso, o único fundamento para a manutenção da glosa da área de preservação permanente é a falta do ADA. Portanto, penso que deve ser afastada a glosa. Quanto à área de reserva legal, como ressaltado pelo Relator, foi averbada apenas totalizando 4.913,5 ha., de uma área declarada como tal de 6.676,6 ha. Ora, se o ADA não é condição para a exclusão da área de reserva legal, a averbação é indispensável, e, neste ponto, estou inteiramente de acordo com a posição do Relator. Portanto, concluo que deve ser reconhecida uma área de reserva legal de apenas 4.913,5ha. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Processo nº: 10183.721732/200936 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.565. Brasília/DF, 25 de abril de 2012. Assinado digitalmente ______________________________________ Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente em exercício Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900880/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
CARÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada.
Numero da decisão: 3101-001.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 22/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 08 80 /2 00 8- 25 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900880/200825 Acórdão n.º 3101001.323 S3C1T1 Fl. 3 3 A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 Faturamento. Valores Repassados A Terceiros. Exclusão da Base De Cálculo. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância e aduz argumentos no sentido de mostrar que a norma do artigo 3º, parágrafo 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98 1 teria sido autoaplicável enquanto não revogado; ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido seu direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. À míngua de preliminares, adentro o mérito do litígio. A decisão recorrida não merece qualquer reparo. Notase que a causa principal para a não homologação da compensação encetada é a carência de crédito da recorrente, porquanto o pagamento apontado fora totalmente utilizado para satisfazer o crédito tributário declarado pela própria recorrente. Significa dizer que antes de transmitir a DCOMP, a recorrente devia ter retificado sua declaração de débito se quisesse ter direito a algum crédito. Num segundo momento, deve ser afastada também a pretensão da recorrente porque a origem veiculada para o seu suposto crédito transferências para outra pessoa jurídica nos termos do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, não chegou a existir, de fato, em nosso sistema jurídico tributário, por falta de regulamentação durante a vigência do dispositivo legal, e o advento de sua revogação em 2001, pela medida provisória nº 2.15835, de 24 de agosto. Sendo a matéria inclusive objeto de AD da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de nº 56/2000, cuja redação foi trazida no bojo do acórdão guerreado. No vinco do exposto, voto por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900880/200825 Acórdão n.º 3101001.323 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10768.017907/98-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano – calendário: 1994
IRPJ — DESPESAS DESNECESSÁRIAS DEDUTIBIL1DADE.
Para as despesas financeiras serem consideradas dedutíveis, na apuração do lucro operacional, devem ser necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (art. 242 combinado com o art. 318 do RIR194).
IRPJ MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS Se o fisco não prova que o empréstimo fora simulado, são dedutíveis as despesas financeiras de
contratos de mútuos celebrados entre empresas ligadas
Numero da decisão: 9101-001.301
Decisão: Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano – calendário: 1994 IRPJ — DESPESAS DESNECESSÁRIAS DEDUTIBIL1DADE. Para as despesas financeiras serem consideradas dedutíveis, na apuração do lucro operacional, devem ser necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (art. 242 combinado com o art. 318 do RIR194). IRPJ MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS Se o fisco não prova que o empréstimo fora simulado, são dedutíveis as despesas financeiras de contratos de mútuos celebrados entre empresas ligadas
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SOCIEDADE ANÔNIMA DE ADMINISTRAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E ENGENHARIA Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano – calendário: 1994 IRPJ — DESPESAS DESNECESSÁRIAS DEDUTIBIL1DADE. Para as despesas financeiras serem consideradas dedutíveis, na apuração do lucro operacional, devem ser necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (art. 242 combinado com o art. 318 do RIR194). IRPJ MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS Se o fisco não prova que o empréstimo fora simulado, são dedutíveis as despesas financeiras de contratos de mútuos celebrados entre empresas ligadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior ,Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro Queiroz. Relatório Fl. 455DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 1/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 7º, inciso I e 15, §1º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela MF 147 de junho de 2007, vigente à época da interposição do recurso, contra o acórdão de nº 10708.034 proferido pelos membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, os quais, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para excluir a glosa de prejuízo decorrente de venda de ações e, por maioria de votos, deram provimento parcial ao recurso, para excluir a glosa das despesas financeiras decorrentes do contrato de mútuo e foi assim ementado: IRPJ — DESPESAS DESNECESSÁRIAS DEDUTIBIL1DADE. Para as despesas financeiras serem consideradas dedutíveis, na apuração do lucro operacional, devem ser necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (art. 242 combinado com o art. 318 do RIR194). IRPJ — PREJUÍZO NA VENDA DE AÇÕES. O prejuízo apurado encontrase dentro do limite previsto no art. 336 do RIR/94. Não está provado nos autos de que a operação efetivamente não ocorreu ou que os preços de mercado não foram os de mercado. IRPJ MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS Se o fisco não prova que o empréstimo fora simulado, são dedutíveis as despesas financeiras de contratos de mútuos celebrados entre empresas ligadas. PIS/REPIQUE TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à exigência reflexa, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. Restou consignado no termo de verificação que: Em 30/09/94, o contribuinte fiscalizado contraiu empréstimos bancários, conforme detalhado no anexo documento I (resposta ao item 5 do termo de inicio da fiscalização), no valor total de R$ 2.100.000,00, com despesas financeiras imediatas de R$ 10.462,60, com a finalidade de adquirir ações diversas de propriedade do seu sócio controlador, empresa Sergen Serviços Gerais de Engenharia S/A, e R$ 2.030.278,01; esses empréstimos foram liquidados em 31/10/94, um mês depois, com despesas financeiras de R$ 87.577,80, através de recursos gerados pela revenda das mesmas ações à própria empresa controladora, pelo valor de R$ 1.925.634,73, gerando um prejuízo de R$ 104.643,30, mais um empréstimo, via contrato de mútuo com a própria controladora, no valor de R$ 265.620,7,com despesas financeiras de R$ 13.833,58. Em 23/12/94, repetiuse a operação de empréstimos bancários, no valor de R$ 1.600.000,00, com vistas à aquisição, outra vez, em 27/12/94 de ações diversas de propriedade da controladora Sergen, com despesas financeiras imediatas de R$ 29.882,78; essa segunda operação teve seu desfecho em janeiro/95, fora, portanto, do exercício fiscalizado. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 1/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR Processo nº 10768.017907/9831 Acórdão n.º 9101001.301 CSRFT1 Fl. 2 3 Foi constatada a realização de, pelo menos, mais uma operação idêntica entre a empresa controladora e outra empresa coligada, dando, assim características de contumácia ao procedimento. Tendo em vista a evidente falta de interesse no caráter definitivo das operações, que eram sempre desfeitas um mês depois, fica caracterizada a realização de empréstimo entre empresas coligadas, o que toma desnecessárias as diversas despesas financeiras incorridas, no total de R$ 131.294,16, assim como o prejuízo realizado na revenda das ações, no valor de R$ 104.643,30, nos termos do artigo 242, parágrafo primeiro, do RIR/94. Tendo em vista a caracterização das operações como empréstimos entre coligadas, o contribuinte fiscalizado deixou de reconhecer a receita oriunda da correção monetária dos valores transacionados, no valor de R$ 2.030.278,01 x (0,6428/06308 1) = R$ 38.622,79, infringindo, assim o artigo 396 alínea "e" do RIR/94. A Fazenda Nacional, em Recurso Especial, demonstrou seu inconformismo e delimitou a matéria recorrida da seguinte maneira: “Nesta parte, o acórdão restou assim ementado: IRPJ MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS Se o fisco não prova que o empréstimo fora simulado, são dedutíveis as despesas financeiras de contratos de mútuos celebrados entre empresas ligadas.” Argumentou que, no presente caso, o acórdão recorrido contrariou o disposto nos artigos 242 e 318 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94). Destacou que o empréstimo bancário tomado pela Recorrida era desnecessário e afirmou que, igualmente desnecessárias, foram as despesas com outro empréstimo, via contrato de mútuo realizado entre a autuada com a própria controladora, no valor de R$ 265.620,67 (duzentos e sessenta e cinco mil, seiscentos e vinte reais e sessenta e sete centavos), com despesas financeiras de R$ 13.833,58 (treze mil, oitocentos e trinta e três mil reais e cinqüenta e oito centavos), razão pela qual são indedutíveis. Por fim, pugnou pela reforma do r. acórdão e pela manutenção da aplicação da multa de oficio. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso foi interposto com observância dos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 1/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR 4 O recurso especial interposto demonstra o inconformismo da Fazenda Nacional no tocante a não manutenção da glosa das despesas financeiras no valor de R$ 13.833,58 (treze mil, oitocentos e trinta e três reais e cinquenta e oito centavos), relativas ao empréstimo realizado via contrato de mútuo entre a autuada e a empresa controladora. Nesse ponto é importante lembrar que o empréstimo via contrato de mútuo, ora em questão, não mantém relação com o empréstimo tomado para aquisição de ações diversas de seu sócio controlador, o qual deu causa à caracterização de simulação, pois este foi liquidado no mês seguinte com despesas financeiras geradas por meio de recursos provenientes de revenda das mesmas ações à própria empresa controladora com valor menor ao valor da aquisição. No tocante à matéria do inconformismo, no que concerne à dedutibilidade dos juros pagos decorrentes de empréstimos, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF consignou no Acórdão 910100.589, publicado em 18 de maio de 2010 que: (...) são dedutíveis na apuração do lucro real as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. A despesa financeira é, em regra, uma despesa operacional, salvo quando utilizado o recurso para fins estranhos à atividade fim. Se inexistente qualquer elemento de prova que descaracterize a normalidade e usualidade da contratação do empréstimo, a respectiva despesa com juros é dedutível na apuração do lucro real. Insta salientar que não há restrição quanto aos empréstimos realizados entre empresas do mesmo grupo ou entre sócios. Neste sentido o Parecer Normativo CST 138 de 13/11/1975 consignou que: (...) são admitidos como despesas operacionais os juros abonados aos empréstimos e saldos credores de contas correntes de sócio, acionista, dirigente, administrador ou participante nos lucros de pessoa jurídica, desde que haja contrato escrito com cláusula expressa. As taxas percentuais ajustadas não poderão ser superiores às comumente utilizadas no mercado financeiro, e nem às relativas aos empréstimos menos onerosos obtidos pela pessoa jurídica. Disciplinamento idêntico, aplicável aos empréstimos realizados entre pessoas jurídicas associadas ou interdependentes. Assim, verificase a regularidade da operação ora discutida, pois não há qualquer impedimento para a dedução de despesas financeiras, bem como para a realização de empréstimos entre empresas do mesmo grupo. Ademais, no caso em tela, da análise do processo administrativo não é possível verificar qualquer indício de que o empréstimo realizado via contrato de mútuo pela autuada para com sua controladora foi simulado ou teve qualquer outro intuito de fraude. Não merece prosperar a argumentação sustentada pela Fazenda de que foi correta a glosa, ora discutida, em razão de coincidência de datas entre as operações o que, supostamente, evidenciou que o mútuo foi necessário para que a Recorrida pagasse o empréstimo bancário. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 1/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR Processo nº 10768.017907/9831 Acórdão n.º 9101001.301 CSRFT1 Fl. 3 5 Entendo que a argumentação mencionada é frágil, pois a mera coincidência nas datas das operações não configura prova suficiente a demonstrar a ocorrência de simulação ou fraude na operação aqui discutida. Nesse passo, tendo em vista que o fiscal não trouxe aos autos qualquer prova de possível simulação ou fraude na operação aqui tratada, entendo que o contrato de mútuo constituiu uma operação isolada, bem como que não houve comprovação de que o mesmo foi desnecessário, razão pela qual é indevida a glosa das despesas financeiras decorrentes do mútuo. Cumpre lembrar que mútuos simulados podem permitir ajustes de resultados entre empresas lucrativas e deficitárias. Mas a prova de que houve simulação é do fisco e ainda que a prova seja indiciária deve, necessariamente, ser robusta. Não foi o que ocorreu no presente caso. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 1/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR
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Numero do processo: 10315.720695/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/01/2006, 31/12/2009
PARCELAMENTO ESPECIAL - LEI 11.196/2005.
Não comprovada a adesão ao parcelamento especial que trata a Lei 11.196/2005, deve-se recolher as verbas previdenciárias.
LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Decreto 70.235/72 determina que o auto de infração seja lavrado no local onde a falta foi cometida, respeitando a autoridade fiscal a competência da repartição fiscal.
LEGITIMIDADE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA FISCALIZAR DÉBITOS DA PREVIDÊNCIA. A legitimidade da RFB para fiscalizar os débitos previdenciários foi instituída pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007. Se a ação fiscal foi iniciada em período posterior não há de se falar em ilegitimidade. INDIVIDUALIZAÇÃO DE SEGURADOS QUE ESTÃO FORA DO GFIP - DESNECESSÁRIO.
Havendo demonstração do valor da infração, não há que se falar em necessidade de individualizar cada segurado que não foi recolhida a contribuição previdenciária.
CARGO ELETIVO DE PREFEITO E VICE-PREFEITO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS. O artigo 1º da IN SRP nº 15/06, que trata da compensação das contribuições referentes a agentes políticos foi considerada inconstitucional pelo STF - Supremo Tribunal Federal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESCONSIDERADO PELA DECISÃO DA DRJ.
Sendo prescindível a diligência requerida e quando não atende ao determinativo pelo inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, pode a autoridade fiscal dispensá-la sem ocorrência de afronta a princípios constitucionais. MATÉRIA NÃO RECORRIDA - MULTA Matéria não recorrida e não se tratando de matéria de ordem pública encontra-se atingida pelo instituto de coisa julgada. Multa não é considerada ‘Matéria de Ordem Pública’.
Matéria de Ordem Pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da não integração ao Salário de Contribuição das verbas referentes ao terço de férias, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa. Os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Não comprovada a adesão ao parcelamento especial que trata a Lei 11.196/2005, devese recolher as verbas previdenciárias. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Decreto 70.235/72 determina que o auto de infração seja lavrado no local onde a falta foi cometida, respeitando a autoridade fiscal a competência da repartição fiscal. LEGITIMIDADE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA FISCALIZAR DÉBITOS DA PREVIDÊNCIA. A legitimidade da RFB para fiscalizar os débitos previdenciários foi instituída pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007. Se a ação fiscal foi iniciada em período posterior não há de se falar em ilegitimidade. INDIVIDUALIZAÇÃO DE SEGURADOS QUE ESTÃO FORA DO GFIP DESNECESSÁRIO. Havendo demonstração do valor da infração, não há que se falar em necessidade de individualizar cada segurado que não foi recolhida a contribuição previdenciária. CARGO ELETIVO DE PREFEITO E VICEPREFEITO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS. O artigo 1º da IN SRP nº 15/06, que trata da compensação das contribuições referentes a agentes políticos foi considerada inconstitucional pelo STF Supremo Tribunal Federal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESCONSIDERADO PELA DECISÃO DA DRJ. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Sendo prescindível a diligência requerida e quando não atende ao determinativo pelo inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, pode a autoridade fiscal dispensála sem ocorrência de afronta a princípios constitucionais. MATÉRIA NÃO RECORRIDA MULTA Matéria não recorrida e não se tratando de matéria de ordem pública encontrase atingida pelo instituto de coisa julgada. Multa não é considerada ‘Matéria de Ordem Pública’. Matéria de Ordem Pública ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da não integração ao Salário de Contribuição das verbas referentes ao terço de férias, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento na questão da retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa. Os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. EDITADO EM: 02/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Relatório Em verdade o presente processo referese de dois Autos de Infração, de n°s DEBCAD nº 37.350.2583 e do DEBCAD nº 37.350.2613, fruto da ação fiscal iniciada em 11/06/2010 (data da ciência do TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal), tendo sido lavrados os respectivos autos em 17.08.2011, com ciência, dada por via postal, em 19.08.2011. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.720695/201111 Acórdão n.º 230102.849 S2C3T1 Fl. 178 3 1. DEBCAD nº 37.350.2583. (patronal – empregados e contribuintes individuais e SAT) Trata o presente lançamento de contribuições previdenciárias, devidas e destinadas à Seguridade Social, não declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e pagas ou creditadas a contribuintes individuais correspondentes a: a) parte da empresa (quota patronal), na alíquota de 20% para todo o período (empregados e contribuintes individuais); b) o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), na alíquota de 1% até 05.2007 e de 2% de 06.2007 a 13.2008 (remuneração a empregados); c) diferença GILRAT declaradas a menor na GFIP, no período de 01.2007 a 13.2008 (remuneração a empregados); e d) diferença de acréscimos legais referente a GPS Guias da Previdência Social recolhidas em atraso. Foram elaboradas planilhas contendo as remunerações dos segurados e outros dados que deram suporte à formalização do lançamento, tais como: Folha x GFIP, Contribuintes Individuais, Contribuintes Individuais Consolidado e RAT não declarado em GFIP. Urge esclarecer que consta nos autos que a Recorrente não possuí regime próprio de previdência social. 2. DEBCAD nº 37.350.2613. Trata o presente lançamento de contribuições previdenciárias, devidas e destinadas à Seguridade Social, não declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais, ambas a cargo do segurado. O fato de o contribuinte deixar de declarar parte das remunerações dos segurados em GFIP, deixando de recolher as contribuições devidas sobre a parte não declarada, constitui, em tese, o ilícito penal constante no art. 337ª do Código Penal, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais junto ao Ministério Público Federal. Os critérios de lançamento foram os seguintes: No período de 01/2007, sobre os valores das contribuições incidiram juros Selic sem multa de mora; Para atender ao contido no art 106, II, "c" do CTN, nas competências 02/2007 a 11/2008 sobre os valores das contribuições acima, referentes ao período, incidiram juros SELIC e multa de oficio de 75% prevista no artigo 35ª da lei 8.212/91, visto que esta Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 ficou menor do que a soma da multa de mora de 24% prevista no artigo 35, II, "b" da lei 8.212/91 com redação dada pela lei 9076/99 com a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, § 5o da lei 8.212/91, anterior a MP 449/2008. Segue em anexo as planilhas comparativas e demonstrativo de multas. No período de 12/2008, sobre os valores das contribuições lançadas incidiram juros SELIC e multa de ofício de 75% por já estar em vigor, neste período, a MP 449/2008. Os valores foram lançados tomando por base os resumos das folhas de pagamento apresentados pelo contribuinte, os arquivos da contabilidade no formato MANAD Manual de Arquivos Digitais, deduzindose das bases encontradas os valores declarados em GFIP. Os valores declarados em GFIP não foram objeto de lançamento no presente auto de infração, pois já configuram confissão de dívida, e os valores recolhidos em GPS, saláriofamília, saláriomaternidade, foram para cobrir, prioritariamente, os valores já declarados em GFIP e as sobras foram apropriadas nos créditos não declarados em GFIP constantes no presente auto de infração, (ver o RADA anexo deste auto). O documento precedido das letras EXCL, constante do RADA, referese ao que foi apropriado para cobrir os valores confessados na GFIP. Inconformada interpôs impugnação, que sua síntese é: Que os débitos estão em via de serem parcelados pela Lei 11.196/05; Ausência de lavratura do AI no local da falta cometida, gera afronta à princípios Constitucionais; Ausência de identificação dos segurados fora da GFIP; Cargos de agente político sua remuneração não incide contribuição Previdenciária; Legalidade na compensação; Todavia, sua impugnação não grou êxito, onde a pronuncia da DRJ/BA foi julgar, por unanimidade, procedente o lançamento. Inconformada aviou o presente Recurso Voluntário, não inovando nenhuma matéria do que antes registrado em sua impugnação. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro wilson antonio de souza correa O recurso aviado é tempestivo e respeita a regra processual, razão pela qual merece ser recepcionado, passando a análise dos fatos e das razões jurídicas recursais. DO PARCELAMENTO ESPECIAL DIANTE DA LEI 11.196/2005 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.720695/201111 Acórdão n.º 230102.849 S2C3T1 Fl. 179 5 Alega a Recorrente que protocolizou o pedido de parcelamento junto a Receita Federal do Brasil de parte dos débitos que estão inclusos nos AI’s, mas, entretanto, não há ao menos cópia deste protocolo. É bem verdade que a mencionada lei em seu artigo 96 autoriza aos municípios nela inseriremse, mas, carece de competência a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, bem como este colegiado para apreciar pedidos de parcelamento ou recursos contra indeferimento desses pedidos, constituindo ambas as matérias afetas à Delegacia da Receita Federal do Brasil, NAQUELE COMITÊ. Deveria a Recorrente, ao menos acompanhando o presente remédio, informar se foi deferido ou não o parcelamento pela Receita Federal do Brasil, comitê de parcelamento que trata da Lei 11.196/2005. Penso que não cabe nem mesmo diligência à DRJ para aferir se houve ou não a referida adesão ao que determina o dispositivo da supra mencionada lei, porque, como alhures dito, deveria ter sido acompanhada ao presente Recurso Voluntário, por ser obrigação da Recorrente. Como nenhuma providência foi tomada neste sentido, julgo improcedente tal quesito, aviado pela Recorrente. AUSÊNCIA DE LAVRATURA DOS AI’S NO LOCAL DA INFRAÇÃO Alega a Recorrente que os AI’s não foram lavrados no mesmo lugar da infração e que isto gerou ofensa à princípios constitucionais, mormente a ampla defesa e ao contraditório, o que não lhe assiste razão, pois não há anomalia processual nesta esteira, observada nos autos do processo. “Ab initio’, tenho, com fulcro ao artigo 14 do Decreto 70.235/72, que o litigioso administrativo iniciase com a apresentação da impugnação, e, sendo até então respeitado todos os princípios constitucionais e procedimentos de lei, não há de se falar em desrespeito a estes. O fato de terem sidos lavrados na repartição fiscal e não no estabelecimento fiscalizado não configura agressão ao disposto no artigo 10 do Decreto em comento. Ora, quando o dispositivo do Decreto fala no local da infração, implica dizer na circunscrição competente atendida pela repartição fiscal, e não na repartição do infrator ou na cidade do mesmo, porque o que trata a lei é da competência territorial. Mas, por amor a dialética jurídica, ainda que assim não fosse a interpretação, o mencionado comportamento em nada prejudicou o exercício do direito de ampla defesa e do contraditório. Ao contrário, o que se vê nos autos é que a Recorrente foi notificada, como determina a lei e, amplamente exerceu seu direito ao contraditório e à defesa ao impugnar o lançamento, juntando tudo que julgava necessário. Pondo uma pá de cal na alegação da Recorrente, urge dizer que já está sumulado nesse e. Colegiado a possibilidade de a lavratura do AI ser exarada fora do estabelecimento do contribuinte, como ele deseja. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, sem razão a Recorrente. ILEGITIMIDADE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA FISCALIZAR DÉBITOS DA PREVIDÊNCIA. Alega a ilegitimidade da RFB para fiscalizar os débitos previdenciários, o que não assiste razão, uma vez que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para fiscalizar contribuições previdenciárias, foi instituída pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007, ou seja, antes mesmo de iniciada a ação fiscal que, como se vê no Termo de Início de Procedimento Fiscal às fls. 61/2, data de 07/06/2010. Quanto a mencionada Lei, diz ela em seu artigo 2°: Lei nº 11.457/2007 “Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007).(grifos acrescidos) (...) § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 4o Fica extinta a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social. Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Lei nº 8.212/91 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: (...) Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.720695/201111 Acórdão n.º 230102.849 S2C3T1 Fl. 180 7 c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) (...) Portanto, sem razão a Recorrente. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS SEGURADOS FORA DA GFIP A argumentação da Recorrente não é verdadeira, porque foram anexadas Planilhas contendo informações que o auditor se utilizou para efetivar o lançamento, oriundos de documentos fornecidos pela própria Defendente. Assim, dos documentos apresentados pela Recorrente confeccionouse as planilhas e lá se vê que numa referese as rubricas que dão azo a contribuição previdenciária e outra planilha comparativa entre folha de pagamento e GFIP, e isto é suficiente para saber que houve segurados não informados em GFIP. Não há necessidade de nomear os segurados que não foram recolhidas as contribuições, pois, basta fazer uma comparação entre o que foi informado na GFIP e o levantamento feito pela auditoria fiscal para se chegar ao resultado que chegou o auditor, ou seja, que vários segurados que estão na folha de pagamento não foram informados em GFIP. Também, neste quesito, não assiste razão a Recorrente. IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA REFERENTE À PREFEITO E VICE PREFEITO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO. Parece que a Recorrente cometeu um grande equívoco, já que contesta o indeferimento de compensação dos créditos considerados inconstitucionais pelo STF, referente às contribuições indevidas no interregno de fev/98 a ago/04. Diz que o artigo 44 da IN SRF nº 900/2008, que trata da compensação de contribuições previdenciárias, e o artigo 1º da IN SRP nº 15/06, que trata da compensação das contribuições referentes a agentes políticos consideradas inconstitucionais pelo STF – Supremo Tribunal Federal. A argumentação expendida a tenho como acertada, mas errada a interpretação ao caso, a uma porque não houve glosa de compensação, e todos os pagamentos feitos através de Guia de Recolhimento foram devidamente apropriados e, os valores lançados referemse as contribuições não declaradas em GFIP referentes ao período de apuração de 01.2006 a 12.2009. Então, além de não terem sido glosadas as compensações, os créditos não se referem as contribuições consideradas inconstitucionais pelo STF. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 Urge tratar das matérias não suscitadas em sua defesa, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão extra petita, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa matéria de ordem pública. Evoluo meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. A multa, antes pensava este singelo julgador, se tratar de matéria de ordem pública, e como tal não estavam sujeitas à preclusão, podendo ser alegadas e julgadas em qualquer momento do tramitar processual, influenciando decisiva e imperativamente na formação da coisa julgada. Mas, restavame, para um julgar percuciente, a definição do que seja matéria de ordem pública. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: ‘... Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.720695/201111 Acórdão n.º 230102.849 S2C3T1 Fl. 181 9 insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: Processo Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03.05.2012 Data da Publicação/Fonte DJ de 28.05.2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINAR INDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública. Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. Ministro Relator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.720695/201111 Acórdão n.º 230102.849 S2C3T1 Fl. 182 11 NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário a integralidade da decisão ‘a quo’. É como Voto. (assinado digitlamente) wilson antonio de souza correa Relator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10850.000436/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. INSTRUMENTO JUDICIAL.
São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada.
PAF. MATÉRIA DEFINITIVA.
Determina-se a definitividade do crédito, pela falta de alegações no recurso acerca das razões que o constituíram.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.096
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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INSTRUMENTO JUDICIAL. São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada. PAF. MATÉRIA DEFINITIVA. Determinase a definitividade do crédito, pela falta de alegações no recurso acerca das razões que o constituíram. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 30/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10850.000436/200998 Acórdão n.º 2102002.096 S2C1T2 Fl. 82 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 60 a 66: Do procedimento de revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF exercício 2005 / anocalendário 2004 do contribuinte acima identificado, resultou o presente lançamento de ofício, tendo em vista dedução indevida de dependentes, despesas com instrução, despesas médicas e de pensão alimentícia judicial. Informa a autoridade lançadora que o contribuinte não atendeu à intimação, regularmente efetuada. O contribuinte apresentou impugnação de fls.01/03, por meio da qual requer o cancelamento do débito fiscal e traz aos autos os documentos de fls. 04/51, com o intuito de comprovar a regularidade das deduções pleiteadas. Alega não ter recebido intimação para comprovar as despesas declaradas e, no tocante à comprovação do pagamento de pensão alimentícia, não lhe foi possível apresentar todos os documentos em razão de extravio ocorrido quando de sua mudança para o município em que reside atualmente. Acrescenta que os depósitos podem ser comprovados por extratos bancários das recebedoras dos pagamentos, inexistindo contra si qualquer reclamação pela falta dos mesmos. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de cerceamento de defesa e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo as seguintes despesas: Com instrução (R$ 1.998,00); Médicas (R$ 3.689,04) e Pensão alimentícia judicial ( R$ 8.300,00), mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado ao enquadramento nos requisitos legais definidores da condição de dependente para fins de imposto de renda. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do excônjuge. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. GLOSA Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10850.000436/200998 Acórdão n.º 2102002.096 S2C1T2 Fl. 83 3 O direito à dedução está condicionado ao enquadramento nos requisitos legalmente estabelecidos e à comprovação do pagamento. Restabelecese a dedução à vista da prova documental apresentada. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. GLOSA O direito à dedução está condicionado ao enquadramento nos requisitos legalmente estabelecidos e à comprovação do pagamento. Restabelecese parcialmente as deduções à vista da prova documental apresentada. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário parcial, de fls. 78/79, insistindo que efetivou todos os pagamentos constantes no Acordo Homologado Judicialmente e que está providenciando os extratos que demonstrem as respectivas transfer6encia de valores desses pagamentos. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Inicialmente, ressalto que o Recurso trata somente da questão do pagamento da Pensão Judicial, dessa forma, analisemos essa questão. Cumpre destacar o que determina a legislação estabelecida no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). No presente caso, encontramos Decisão Judicial determinando pensão alimentícia no valor de 1/3 dos rendimentos líquidos do recorrente, fl. 25. Contudo, não há nos autos documentos que atestem quanto foi este Rendimento do contribuinte. Assim, resta passível de dedução os valores comprovadamente transferidos, fls. 29 a 36, cuja soma foi de R$ 8.300,00 já concedidos pela autoridade recorrida. Portanto, não há como aumentar essa despesa sem outros documentos, especialmente os informes de Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10850.000436/200998 Acórdão n.º 2102002.096 S2C1T2 Fl. 84 4 rendimentos que pudessem servir de base para o cálculo de 1/3 dos rendimentos líquidos, estabelecido na Decisão Judicial. Destarte não há como ser acatado o pedido do interessado. CONCLUSÃO Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005925/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2803-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 25 /2 00 9- 11 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005925/200911 Acórdão n.º 2803002.070 S2TE03 Fl. 139 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005925/200911 Acórdão n.º 2803002.070 S2TE03 Fl. 140 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MICROSFIDELIO DO BRASIL LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, referente ao lançamento de crédito tributário do período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. O auto de infração em análise foi lavrado em 11/12/2009, por violação ao artigo 32, inciso I, da Lei nº. 8.212/91, e artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99. 3. Narra o relatório fiscal da infração que a empresa deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, não incluindo as remunerações e valores pagos a contribuintes individuais. 4. O julgador de primeira instância ao apreciar a impugnação manteve o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, proferindo acórdão assim ementado: “INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS AOS SEGURADOS EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS/Secretaria da Receita Previdenciária, constitui infração" à legislação previdenciária. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVISTA EM LEI. AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração, sendo o lançamento um ato vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRA DORES NÃO SÓCIOS DA SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a administradores, não sócios, na sociedade por cotas de responsabilidade limitada. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005925/200911 Acórdão n.º 2803002.070 S2TE03 Fl. 141 4 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Determina a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei nº. 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para constituição e cobrança do crédito tributário, aplicandose para os autos de infração de obrigação acessória o artigo 173, 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls.101/102). 5. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações postas em sede de impugnação, quais sejam: a decadência do direito ao lançamento com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; a insubsistência do presente Auto de Infração, tendo em vista que os valores pagos à sua Administradora Geral, Sra. Eliana Militão, mediante emissão de notas fiscais de serviços pelas empresas Global Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda.e Global Consulting Assessoria Contábil Ltda., durante o ano de 2004 e valores pagos aos Srs. Eugênio Gabriel Mazzoli e Gabriel Andrés Cruz Garcia, a título de honorários de Diretores não deveriam constar em folha de pagamento. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005925/200911 Acórdão n.º 2803002.070 S2TE03 Fl. 142 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Inicialmente, enfrento a preliminar de intempestividade, eis que o Recurso Voluntário foi protocolizado posteriormente ao prazo de trinta dias. 2. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 3. Nesse sentido, todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 4. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. 5. Com efeito, o artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 preceitua que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. 6. Ademais, a Lei nº. 9.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe que os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. 7. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005925/200911 Acórdão n.º 2803002.070 S2TE03 Fl. 143 6 § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...]. Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 9. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” 10. In casu, compulsando os autos, verificase que a empresa foi cientificada do acórdão nº. 1628.549 – prolatado pela 12º Turma da DRJ/SP1 – no dia 17/03/2011 (quinta feira), conforme cópia do AR juntado à fl. 118, e seu recurso foi postado em 19/04/2011 (terça feira), nos termos do documento de fl. 120, portanto, fora do prazo recursal (último dia: 18/04/2011 – segundafeira), motivo pelo qual não deve o recurso ser conhecido, não constando dos autos, inclusive, documentos que justifiquem a desídia do contribuinte. CONCLUSÃO 11. Ante ao exposto, não conheço do recurso voluntário por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.005925/200911 Acórdão n.º 2803002.070 S2TE03 Fl. 144 7 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 16561.000198/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. ANO CALENDÁRIO 2002.
No ano calendário 2002, aplica-se a metodologia prevista na IN SRF nº 32/2001, para fins de determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento. A metodologia prevista na IN SRF nº 243/02 somente se aplica a partir do início do ano calendário de 2003.
Numero da decisão: 1401-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, apenas para reduzir o montante do ajuste de preços de transferência da importação, referente ao ano-calendário 2002, para o valor de R$ 2.584.473,78, segundo as regras estabelecidas pela IN SRF nº 32/2001.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. ANO CALENDÁRIO 2002. No ano calendário 2002, aplica-se a metodologia prevista na IN SRF nº 32/2001, para fins de determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento. A metodologia prevista na IN SRF nº 243/02 somente se aplica a partir do início do ano calendário de 2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, apenas para reduzir o montante do ajuste de preços de transferência da importação, referente ao ano-calendário 2002, para o valor de R$ 2.584.473,78, segundo as regras estabelecidas pela IN SRF nº 32/2001.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 762 1 761 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000198/200791 Recurso nº 517.362 Voluntário Acórdão nº 140100.684 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente Yazaki do Brasil Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. ANO CALENDÁRIO 2002. No ano calendário 2002, aplicase a metodologia prevista na IN SRF nº 32/2001, para fins de determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento. A metodologia prevista na IN SRF nº 243/02 somente se aplica a partir do início do anocalendário de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, apenas para reduzir o montante do ajuste de preços de transferência da importação, referente ao anocalendário 2002, para o valor de R$ 2.584.473,78, segundo as regras estabelecidas pela IN SRF nº 32/2001. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e João Carlos Figueiredo Neto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 693694): O interessado que optou no anocalendário de 2002 pelo lucro real anual – foi autuado, em 26/12/2007, no IRPJ e CSLL, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, por não adicionar às respectivas bases de cálculo, nesse ano calendário, os ajustes decorrentes da correta aplicação das regras de Preços de Transferência, no valor total de R$ 4.049.069,38, em vista tanto de exportações a pessoa jurídica vinculada, cujo ajuste corresponde a R$ 979.942,60, quanto de importações feitas de pessoa jurídica vinculada, cujo ajuste corresponde a R$ 3.069.126,78, tendo sido retificados o prejuízo fiscal e a base negativa (fls. 1 a 465). A fiscalização, no seu Termo de Constatação e Verificação Final (TV) de fls. 197 a 220, descreve com detalhes a legislação aplicável, os procedimentos adotados e cálculos efetuados no curso da ação fiscal. Os autos de infração constam às fls. 454 a 461. Os demonstrativos de compensação de prejuízo fiscal e base negativa constam às fls. 462 e 463. Os formulários FAPLI e FACS, constam às fls. 466 e 467, cujos dados foram inseridos no sistema SAPLI (fls. 648 a 651). A empresa apresentou impugnações, em 24/01/2008 (fls. 470 a 493 e 557 a 580), por meio de diretor com poderes (fls. 493 a 503), acostando elementos do próprio processo (fls. 505 a 554), concordando com o ajuste de R$ 979.942,60, referente às exportações a pessoa jurídica vinculada, calculada com base no método CAP, mas contestando o ajuste referente às importações feitas de pessoa jurídica vinculada, de R$ 3.069.126,78, calculada com base no método PRL60%, conforme a IN SRF n.° 243/02 e não conforme a IN SRF n.° 32/01, do qual resultaria um ajuste de R$ 2.548.473,78, de forma que o auto de infração deve ser anulado por erro no critério de cálculo do ajuste, pois o método PRL60% previsto na IN SRF n.° 243/02, adotado pela fiscalização, diverge substancialmente do previsto nas instruções normativas anteriores que regulavam a matéria e traz profundas distorções no método previsto em lei, o que a faz afrontar o principio da estrita legalidade, da capacidade contributiva e do não confisco. Alega que o cálculo dos preços de transferências pelo método PRL60% permite a dedução integral do valor agregado no Pais no cálculo da margem de lucro, conforme a Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei n.° 9.959/00, ao passo que com a nova orientação dada pela IN SRF n.° 243/02, há a introdução do conceito de proporcionalização do preço de venda em relação ao percentual entre o custo do produto importado e o custo total de produção, diminuindo a base de cálculo utilizada para aplicação da margem de 60%, do que resulta apuração de um preço parâmetro inferior, e portanto, torna necessária a adição Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16561.000198/200791 Acórdão n.º 140100.684 S1C4T1 Fl. 763 3 da diferença na base de cálculo do IRPJ, motivo pelo qual referida IN é ilegal e inconstitucional. Visando maior clareza, também transcrevo o seguinte trecho do Tertmo de Constatação e Verificação Final, fls. 634 (grifado): 4.1 Da apuração de Preços de Transferência na importação apresentada pelo contribuinte após intimação. O contribuinte apresentou. em resposta ao Termo de Início de Fiscalizacão a planilha de apuração .de ajustes referentes aos preços de transferência na importação (fl. 77 a 98), bem como os exemplos de cálculo de preços praticados e parâmetros para alguns produtos (fl;.135 a l52). Naquela planilha o contribuinte apurou um ajuste total para os preços de transferencia na importação de R$ 2.584.473,78. Ressaltese que estes valores não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte, tendo em vista que não constam adições ao Lucro Líquido referentes a preços de transferência na Demonstração do Lucro Real, DIPJ 2003, anocalendário 2002 (f1.173 verso). 4.2 Da análise da apuração do contribuinte pelo Fisco Analisando a apuração de preços parâmetros dos produtos "TERMINAL:— 70091.07502” (f1:144) e "TERMINAL 7YBL07I2" (f1.152); pelo Método PRL 60%, verificase que o contribuinte realizou o cálculo do preço parâmetro pela metodologia:prevista . na IN SRF 32/2001, pois um dos demonstrativos cita “Custo Coligada para IN 32" e "Valor agregado", por, outro lado, uma breve análise dos cálculos em si,. demonsiram que .estes foram n realizados de acordo com a metodologia prevista na IN SRF 32/2001 para o PRL 60%. A 1ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o lançamento, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 652): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. BASE DE CALCULO. NÃO OCORRÊNCIA. Erro na base de cálculo não configura nulidade. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTOS EXPORTADOS. MÉTODO CAP. Matéria não impugnada. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. MÉTODO PRL60% CALCULADO CONFORME A IN SRF 243/02. ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para se manifestar a respeito de argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária. AUTO REFLEXO. CSLL. 0 decidido quanto ao IRPJ aplicase A tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 05/11/2009 (fls. 664), a contribuinte, em 07/12/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 666727, com base nos seguintes argumentos: a) A Recorrente não arguiu a inconstitucionalidade da legislação aplicável, mas tão somente a ielgalidade da IN SRF nº 243/02, diante das disposições constantes da Lei 9.430/96. Consequentemente, tal arguição pode, sim, ser apreciada por este colegiado; b) A sistemática de cálculo do preço parâmetro PRL –60% prevista na IN SRF 243/02 é claramente ilegal, diante da Lei 9.430/96, pelas razões expostas às fls. 704720; c) Não obstante sua flagrante ilegalidade, a IN 243/02 seria inaplicável para o anocalendário de 2002, por força do disposto no art. 146 do CTN. Nesse sentido, fez referência à Solução de Consulta COSIT nº 02/2008. Nestes termos, requereu a anulação do auto de infração em apreço. Alternativamente, requereu o reconhecimento da inaplicabilidade da IN 243/02 para o ano calendário de 2002, com o consequente restabelecimento dos saldos de prejuízos fiscais originalmente apurados no anocalendário de 2002. É o relatório. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16561.000198/200791 Acórdão n.º 140100.684 S1C4T1 Fl. 764 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Termo inicial de vigência da IN SRF 243/02 Por razões práticas, começarei analisando o terceiro e último argumento da recorrente, relativo à suposta inaplicabilidade da IN SRF 243/02 para o anocalendário de 2002, por força do disposto no art. 146 do CTN. Sobre o tema, assim se pronunciou a Recorrente, fls. 721722: Na mesma linha, para demonstrar o desacerto da r. decisão atacada, transcrevemos abaixo o posicionamento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil por ocasião da resposta ao Processo de Consulta no 02/08 com relação à aplicação da IN 243/02: CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no pais, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do prep liquido de venda na apuração final do prego parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do inicio do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° 32, de 2001), nas quais não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n° 243, de 11 de novembro de 2002. (grifos da Recorrente) Verificase, portanto, que o entendimento adotado na r. decisão atacada no sentido da aplicabilidade da IN 243/02 destoa do Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 posicionamento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil acima colacionado e implica, em última análise, em ofensa ao artigo 9°, II do CTN. Assiste razão à Recorrente. Até a edição da IN SRF nº 243/02, vigia a IN SRF nº 32/2001, a qual, para fins de apuração do preço parâmetro, efetivamente admitia a dedução integral do valor agregado no país, ignorando, pois, eventual margem de lucro em relação a esse valor agregado. A IN SRF nº 243/02, publicada no DOU em 11/11/2002, introduziu alterações, dentre as quais a dedução proporcionalizada do valor agregado ao bem no país, e não mais a sua dedução integral. Resta definir, contudo, qual o termo inicial de vigência da referida alteração normativa. Para tanto, é fundamental analisar o inteiro teor do art. 146 do CTN, verbis: Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. No caso em apreço, indiscutivelmente estamos diante de uma alteração de critério interpretativo, com efeitos desfavoráveis ao contribuinte. Se tal alteração de critério interpretativo fosse favorável ao contribuinte, não tenho dúvida de que o novo critério poderia ser aplicado retroativamente em razão do princípio da retroatividade benéfica (art. 5º, XL da CF). No entanto, quando se trata de retroação que agrava o encargo tributário do contribuinte, considero que a retroação não é possível, em função do princípio da vinculação da administração a seus próprios atos. Se a lei não pode retroagir (salvo se a nova lei for mais benigna), parece evidente que também o critério jurídico de interpretação dessa lei não possa retroagir (salvo se o novo critério for mais favorável ao sujeito passivo da obrigação tributária). Estabelecido um critério jurídico de interpretação pelo Fisco, não pode o mesmo rever as atividades do passado para exigir tributos e aplicar sanções a pretexto de que a administração alterou seu entendimento acerca da matéria. Essa prática seria contrária ao princípio da boafé do contribuinte e, ao mesmo tempo, representaria insubmissão da administração a seus próprios atos, implicando violação do princípio da segurança jurídica. Diante do exposto, concluo que a alteração da metodologia de cálculo do preço de transferência pelo método PRL 60, introduzida pela IN SRF 243/02 somente será obrigatória a partir do inicio do anocalendário de 2003, por se tratar de alteração de critério interpretativo com efeitos desfavoráveis para a contribuinte. Considerandose que a presente autuação referese exclusivamente ao ano calendário de 2002, tornase dispensável analisar se a referida alteração atende aos requisitos Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16561.000198/200791 Acórdão n.º 140100.684 S1C4T1 Fl. 765 7 da legalidade, ou seja, se os novos critérios interpretativos estão de acordo com o disposto na Lei nº 9.430/96. Da apuração do preço de transferência na importação Ao final de sua peça recursal, a contribuinte requereu o cancelamento integral do auto de infração em apreço, em decorrência da utilização equivocada dos critérios de apuração do preço de transferência previstos na IN SRF 243/02. Neste particular, não assiste razão à Recorrente. A utilização equivocada dos critérios estabelecidos pela IN SRF 243/02 não tem o condão de elidir completamente a aplicação da Lei nº 9.430/96, na parte que trata dos preços de transferência. Na realidade, uma vez excluída a hipótese de aplicação da IN SRF 243/02, devem ser aplicados os critérios mais favoráveis à contribuinte, estabelecidos pela IN SRF nº 32/2001. Importante destacar que a contribuinte, em resposta ao Termo de Início de Fiscalizacão, apresentou planilha de apuração .de ajustes referentes aos preços de transferência na importação (fl. 77 a 98), realizados de acordo com os ditames da retrocitada IN SRF nº 32/2001. Na citada planilha, a contribuinte apurou um ajuste total para os preços de transferência na importação, segundo as regras da IN SRF nº 32/2001, da ordem de R$ 2.584.473,78. Apenas a título comparativo, relembro que o valor total de ajuste, segundo as regras da IN SRF nº 243/02, seria de R$ 3.069.126,78. Conclusão Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao presente recurso voluntário, apenas para reduzir o montante do ajuste de preços de transferência da importação, referente ao anocalendário 2002, para o valor de R$ 2.584.473,78, segundo as regras estabelecidas pela IN SRF nº 32/2001. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
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Numero do processo: 10510.721665/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei.
Numero da decisão: 1803-001.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721665/201115 Acórdão n.º 180301.418 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de notificação de lançamento exigindo multa pelo atraso na entrega da DCTF, com base no art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. O presente auto de infração diz respeito ao período referente ao mês novembro de 2010, com data final de entrega em 21/01/2011 e que foi entregue em 10/03/2011, com três meses de atraso. Inconformada com a exigência, a recorrente apresenta suas razões de inconformidade, alegando, de forma sintética, que a multa imposta era inconstitucional por ferir vários dispositivos constitucionais, tais como o da capacidade contributiva, o princípio da legalidade entre outros. Requer, a recorrente, o cancelamento da multa exigida, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de apresentação da DCTF. Isso porque, segundo o seu entendimento, a mesma foi instituída através de Instrução Normativa, quando tal obrigação somente poderia ter sido instituída através de lei, em sentido formal e material. Prossegue, a recorrente, referindo que, de acordo com o ordenamento jurídico vigente, é ilegal a previsão de multa pela não apresentação ou apresentação da declaração com informações inexatas, incompletas ou omissas. Neste sentido, transcreve doutrina e jurisprudência judicial que entende corroborarem com seus argumentos. A autoridade julgadora a quo, ao decidir, entendeu por bem manter o lançamento, posto que refere encontrarse equivocada a empresa recorrente ao asseverar a inexistência de lei que possibilite a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DCTF, já que o artigo 7º da Lei 10.426/2002, mencionado no auto de infração, dispõe a determinação legal de o fazer. Completa aduzindo que a entrega da declaração é uma obrigação de fazer, em prazo certo, e o seu descumprimento, demonstrado nos autos, resulta em inadimplementos às normas jurídicas obrigacionais, sujeitando o responsável às sanções previstas no art. 7º supracitado, base legal do lançamento. Salienta o julgador de primeira instância que a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado. Assim, ter entregue a declaração tão só, não exime a recorrente da penalidade, uma vez que esta está claramente definida em lei, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Complete referindo que qualquer entendimento em contrário implicaria em tornar letra morta o dispositivo legal em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721665/201115 Acórdão n.º 180301.418 S1TE03 Fl. 113 3 Aduz que as Instruções Normativas editadas pela RFB estabelecendo a obrigatoriedade da entrega da DCTF têm respaldo legal tanto na Lei nº 9.779/99, quanto no Decreto lei nº 2.065/83. Cita jurisprudência nesse sentido. Finaliza seu posicionamento, referindo que a autoridade administrativa está obrigada ao cumprimento das normas, limitando a aplicálas, sem emitir juízo de valor quanto à constitucionalidade. A empresa devidamente cientificada da decisão de primeiro grau apresenta suas razões de inconformidade, através do Recurso Voluntário, de forma tempestiva, argumentando, em apertada síntese o já disposto em seara de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da capacidade contributiva, da legalidade, da justiça tributária, entre outros. Primeiramente, há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, três meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e Fl. 48DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721665/201115 Acórdão n.º 180301.418 S1TE03 Fl. 114 4 determinado a todos os contribuintes. A norma determinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao disciplinar: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supracitado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a é a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721665/201115 Acórdão n.º 180301.418 S1TE03 Fl. 115 5 “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo Fl. 50DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721665/201115 Acórdão n.º 180301.418 S1TE03 Fl. 116 6 determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJE 19/02/2009)” Desse modo, voto por NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 13925.000363/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VALOR PROPORCIONALMENTE ELEVADO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA DESPESA.
GLOSA DEVIDA.
A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está
condicionada à comprovação de sua ocorrência. Havendo dúvida quanto à idoneidade dos documentos, a fiscalização pode solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados.
A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. E, não ocorrendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento.
Numero da decisão: 2102-002.139
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004 JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VALOR PROPORCIONALMENTE ELEVADO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA DESPESA. GLOSA DEVIDA. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. Havendo dúvida quanto à idoneidade dos documentos, a fiscalização pode solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. E, não ocorrendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento.
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LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VALOR PROPORCIONALMENTE ELEVADO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA DESPESA. GLOSA DEVIDA. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. Havendo dúvida quanto à idoneidade dos documentos, a fiscalização pode solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. E, não ocorrendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13925.000363/200821 Acórdão n.º 210202.139 S2C1T2 Fl. 108 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lançado o Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2003 (fls. 76/82), no valor de R$ 8.612,79 (oito mil, seiscentos e doze reais e setenta e nove centavos), que sofre a incidência de multa de ofício e juros de mora. O valor apurado decorreu da glosa com despesas de instrução com pessoa que não consta como dependente do declarante, no valor de R$ 1.440,00 (mil, quatrocentos e quarenta reais), e das despesas médicas deduzidas indevidamente por falta de comprovação ou previsão legal, no valor de R$ 29.879,22. O contribuinte apresentou impugnação alegando que a greve na Receita Federal acabou por cercear a sua defesa e que a fiscalização não pode exigir comprovação que não está descrito em lei, pois a comprovação de pagamento é secundária. Argui que é incabível a glosa por ausência de comprovação, haja vista ter apresentados todos os recibos hábeis e idôneos para comprovar as despesas médicas, e questiona os argumentos da fiscalização em relação à escolha dos profissionais em outras cidades, distantes da que reside, já que o fisco não pode intervir no direito de ir e vir. Rebate a cobrança dos juros com base na taxa Selic e acrescenta declarações complementares de alguns dos profissionais que lhe prestaram serviços. A impugnante não questionou a glosa da despesa com instrução. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ/CTA, por meio do Acórdão nº 0625.623, considerou a impugnação procedente em parte, aceitando parte das despesas médicas no valor de R$ 14.700,00 (quatorze mil e setecentos reais) e reduzindo o imposto a pagar no valor original de R$ 4.559,29 (quatro mil quinhentos e cinquenta e nove reais e vinte e nove centavos). Cientificado em 13 de abril de 2010 (fl. 93), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 7 do mês subsequente (fls. 94/105), alegando que: a) alguns direitos e garantias individuais que devem ser respeitadas, sob pena de nulidade de qualquer ato praticado pela Autoridade Fiscal, pois a Constituição Federal prevê em seu artigo 5º, incisos II, X e XV que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”; “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” e “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”; b) a Lei Complementar Tributária (CTN) e a Lei nº 9.250/95, no art. 8º, incisos I e II e § 2º, garante a exclusão da base de cálculo do imposto devido das deduções relativas aos pagamentos efetuados despesas médicas, dentárias e clinicas e exames laboratoriais, do declarante e dependentes; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 c) a Constituição Federal garante os direitos sociais expressos no art. 6º, entre eles o direito a saúde e que a exclusão das despesas na base de cálculo do imposto de renda é decorrência da incapacidade do Estado de desincumbir de suas obrigações; d) a autoridade fiscal ao fazer o lançamento, coloca como causa principal para a glosa dos lançamentos a falta de comprovação de pagamento, que de acordo com a lei é secundária, devendo prevalecer os recibos e ou notas fiscais, enquanto documento idôneos; e) discorda da posição da fiscalização quanto à distância entre o domicílio da declarante e dos prestadores de serviços, pois tais argumentos não podem prevalecer, já que a escolha do profissional depende de outros critérios como custo e confiança e que a fiscalização não pode cercear o direito constitucional de ir e vir, delimitando a distância em que o contribuinte deve ser atendido; f) em relação as divergência de nomes e CRM, especificamente da médica Leize Schaivini, além de reforçar os recibos, a declaração fornecida pela profissional esclarece os motivos dessas variantes; g) mesmo sendo suficientes os documentos apresentados, anexou aos autos documentos/declarações de forma a não existir qualquer dúvidas relação aos recibo; h) discorda da decisão da Delegacia de Julgamento, que aceitou recibos por faixa de valor, desconsiderando aquele que entendia elevados, e da informação de que a profissional não teria declarado valores compatíveis, pois neste caso não deveria ser penalizada a requerente, e sim aquela que sonegou a renda; i) juntou documentos à impugnação demonstrando os pagamento efetuados por meio de emissão de cheques, mas que não foram considerado pela DRJ: • Sra . Eliane Ribas Maia, realizado em 17/04/2003, cheque nº 850441, no valor de R$ 115,00; • Sra. Oraci Luchese, cheque nº 850549 de 17/12/2003; e • Clínica Vale dos Pinheiros, cheques AH424298 emitido em 13/03/2003 no valor de R$ 345,00 e TO674161 no valor de R$ 575,00 emitido em 26/03/2003. j) é inconstitucional a cobrança dos juros baseado na taxa Selic, pois essa taxa tem natureza remuneratória de títulos e não pode ser aplicadas à tributos. O recorrente cita algumas decisões do extinto Conselho de Contribuinte e pede que seja julgado improcedente o lançamento efetuado, restabelecendose a dedutibilidade das despesas não acolhidas pela DRJ. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13925.000363/200821 Acórdão n.º 210202.139 S2C1T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência fiscal teve origem em procedimentos de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido dedução indevida de despesas médicas e de instrução e que o contribuinte não apresentou comprovação de pagamento dos serviços médicos prestados. A contribuinte, ao não impugnar, acatou a glosa das despesas com instrução. No recurso questiona apenas a dedução das despesas médicas e a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic para atualização dos tributos. Inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic aos tributos. No que se refere à aplicação da taxa de juros Selic, a contribuinte alega ser ilegal e inconstitucional a utilização dessa taxa para fins de determinação de juros, tendo em vista possuir caráter nitidamente remuneratório e não meramente moratório. Essa questão está superada no âmbito do CARF com a edição da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais”. Dedução de despesas médicas Em relação às despesas médicas, a contribuinte declarou os pagamentos abaixo, conforme transcrito da declaração de ajuste: Nome do Profissional CNPJ/CPF Valor 1 Oraci Luiz Luchese 243.506.99953 520,00 2 Ana C. Rosembach 885.680.91920 40,00 3 Osmar Coppi 323.129.89620 320,00 4 Jose Maria Cordeiro 807.436.25900 320,00 5 Dayson Emmel Muhlbeier 706.121.45972 5.000,00 6 Leizi Naschiesca Schiavini 018.549.40996 15.600,00 7 Vanessa Bauer Ribas 020.477.93912 1.480,00 8 Luciana Aparecida Schiavini 913.638.53953 5.000,00 9 Marcelo Castaldi Tocci 103.764.22874 100,00 10 C D O Radiologia Ltda 82.368.7131000177 60,00 11 Eduardo A. Benvenutti 320.571.13949 80,00 12 Ronilson Hirassaki 896.823.78915 130,00 13 Rosson Cantergiani Santos 961.737.86800 110,00 14 Andrea M. Z. C. Wotecoski 544.644.63991 3.150,00 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 6 15 Eliane Ribas Gomes Mata 553.202.95987 1.115,00 16 Geraldo Rotta 002.838.34034 120,00 17 Lab Aldes de Analises Clínicas Ltda 77.119.7251000128 165,00 18 Clinica Vale Dos Pinheiros Ltda 03.522.947/000150 920,00 19 Policlínica Cascavel Ltda 76.081.8921000164 1.369,51 20 Clin Clinicas Integradas Ltda 03.747.1751000155 40,00 Os valores deduzidos pela requerente na base de cálculo dos rendimentos tributáveis são significativos em termo absoluto e relativo. Do total da renda recebida (R$ 71.504,01), 57% foi declarado com deduções (R$ 40.896,27), sendo 48% do total dessa renda com despesas médicas (R$ 36.639,51). Observase que a fiscalização efetuou uma analise detalhada dos recibos, acatando parte das deduções listadas na tabela acima sob nºs 2, 3, 4, 9, 12, 16, 17 e 20. Em relação aos demais recibos, não acatados, a fiscalização assim descreveu: GLOSA DE DEDUÇÕES UTILIZADAS A TITULO DE DESPESAS MÉDICAS: 1 A contribuinte informou pagamento de despesas a ROSSON CANTERGIANI SANTOS, CPF 961.737.85900, no valor total de R$ 110,00, e como comprovação apresentou 1 (um), datado de 16/09/2003. Esse recibo não tem assinatura do médico. Em vista da falta de assinatura e da falta de comprovação do efetivo desembolso do pagamento referente a esse recibo, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 110,00. 2 A contribuinte informou pagamento de despesas à psicóloga ANDRÉA MARIA ZANOCOSKI CARVALHO, CPF 544.644.63991, no valor total de R$ 3.150,00, e como comprovação apresentou 14 (quatorze) recibos (alguns somente em cópias) totalizando o valor declarado, em datas de 25/03/2003, 03104/2003, 98/04/2003, 15/04/2003, 22/04/2003, 29/04/2003, 30/05/2003, 06/06/2003, 30/06/2003, 01/0712003, 11/07/2003, 29/07/2003 e 31/07/2003. Os recibos apresentados têm numeração (com exceção de um deles). Notamse as seguintes incoerências: 2 recibos de mesmo valor (R$ 180,00) e data (25/03/2003), pagos com o mesmo cheque; o recibo de numeração 0542 (30/06/2003) é de data anterior aos recibos nºs 0533 (01/07/2003) e 0541 (11/07/2003); os recibos de numeração seguida 0512, 0513 e 0514 foram emitidos para essa contribuinte, existindo uma diferença de 14 dias entre o de nº 0512 (25/03/2003) e o de nº 0514 (08/04/2003), indicando que nesse período a psicóloga não teria atendido qualquer outro cliente; a contribuinte reside em Palmas e o atendimento psicológico foi em Curitiba. Em vista dessas inocorrências e da falta de comprovação do efetivo desembolso dos pagamentos referentes a esses recibos, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 3.150,00. 3 A contribuinte informou pagamento de despesas a EDUARDO ALBERTON BENVENUTTI, CPF 320.571.13949, no valor de R$ 80,00, e como comprovação apresentou a (um) recibo datado de 17/01/2003. Esse recibo não tem assinatura do médico. Em vista da falta de assinatura e da falta de comprovação do efetivo desembolso do pagamento referente a esse recibo, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 80,00. 4 A contribuinte informou pagamento de despesas médicas á CDO RADIOLOGIA LIDA, CNPJ 82.366.713/000177, no valor de R$ 60,00, e como comprovação apresentou 1 (um) recibo nesse valor, datado de 09/09/2003. Recibo, não é documento hábil para comprovar despesas pagas para uma Pessoa Jurídica. Em vista desse fato e da falta de comprovação do efetivo desembolso do pagamento referente a esse recibo, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 60,00. 5 A contribuinte informou pagamento de despesas à ELIANE RIBAS GOMES KAIA, CPF 553.202.95987, no valor de R$ 115,00, e como comprovação apresentou Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13925.000363/200821 Acórdão n.º 210202.139 S2C1T2 Fl. 110 7 1 (um) recibo nesse valor, datado de 17/01/2003, referente a 10 sessões de fisioterapia. Essa fisioterapeuta morava na cidade de Clevelândia/PR e trabalhou a Prefeitura desse município durante todo o ano de 2003. Em vista desse fato e da falta de comprovação do efetivo desembolso do pagamento referente a esse recibo, devidamente solicitada por Termo de intimação Complementar, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 115, 00. 6 . A contribuinte informou pagamento de despesas ao odontólogo ORACI LUIZ LUCHESE, CPF 243.506.99953, no valor total de R$ 520.00, e como comprovação apresentou 2 (dois) recibos totalizando esse valor, sendo um de R$ 400,00, datado de 20/02/2002, e o outro de R$ 120,00, datado de 17/12/2003. De pronto deve ser glosado o valor de R$ 400,00, pois se refere ao ano de 2002. 7 A contribuinte informou pagamento de despesas médicas ao HOSPITAL POLICLÍNICA CASCAVEL. LTDA, CNPJ 76.081.892/000177, no valor total de R$ 1.369,51, e como comprovação apresentou 1 (um) recibo no valor de R$ 1.200,00, datado de 28/01/2003, e a Nota Fiscal nº 002163, no valor de R$ 169,51, datada de 29/01/2003. Além de recibo não ser documento hábil para comprovar despesas pagas para uma pessoa Jurídica, a despesa se refere a um paciente (CLEIDE MARIA H. MORENO) que não é dependente da contribuinte. Em vista desses fatos, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 1.369,51. 8 A contribuinte informou pagamento de despesas médicas à CLINICA VALE DOS PINHEIROS LTDA, CNPJ 03.522.947/000150, no valor total de R$ 920,00, e como comprovação apresentou 2 (dois) recibos totalizando esse valor, sendo um de R$ 575,00, datado de 11/03/2003, e o outro de 345.00, datado de 03/03/2003. Recibo não é documento hábil para comprovar despesas pagas para uma Pessoa Jurídica. Em vista desse fato, deve ser glosado todo o valor declarado, R$ 920,00. 9 A contribuinte informou pagamento de despesas à odontóloga LUCIANA APARECIDA SCHIAVINI, CPF nº 913.638.53953, no valor total de R$ 5.000,00, e como comprovação apresentou 11 (onze) recibos nos valores de R$ 500,00,datado de 25/01/2003 (SÁBADO), R$ 500,00 datado de 20/02/2003. R$ 400,00,datado de 27/03/2003, R$ 400,00 datado de 25/04/2003, R$ 400,00 datado de 29/05/2003, R$ 500,00 datado de 26/06/2003 ( SÁBADO), R$ 300,00 datado de 23/07/2003, R$ 800,00 datado de 28/08/2003, R$ 400,00 datado de 22/10/2003, R$ 600,00 datado de 10/11/2003, R$ 200,00 datado de 05/12/2003, e totalizando esse valor, referente a tratamento ortodôntico de BRUNO JOSÈ HAMMERSCHNIDT NEPORUCENO, CPF 055.983.85902, declarado como dependente da contribuinte. A Odontóloga reside em Toledo e a paciente tem domicílio em Palmas. Em vista aos fatos apontados e da falta de comprovação do efetivo desembolso dos pagamentos referentes a esses recibos, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, deve ser glosada todo o valor, total declarado, R$ 5.000,00. 10 A contribuinte informou pagamento de despesas à psicóloga VARESSA BAUER RIBAS, CPF 020.477.93912, no valor total de R$ 1.480,00, e como comprovação apresentou 10 (dez) recibos totalizando o valor declarado, nas datas de 28/02/2003, 04/04/2003, 30/04/2003, 06/06/2003, 10/07/2003, 27/08/2003, 30/00/2003, 28/09/2003, 02/12/2003 e 20/12/2003. Os recibos apresentados são os seguintes: Notamse as seguintes incoerências: o recibo nº 71 é de um sábado (30/08/2003); o recibo nº 72 é de um domingo (28/09/2003); o recibo nº 76 é de um sábado (20/12/2003). ` Alguns recibos têm numeração com uma diferença grande de dias, indicando que a psicóloga não teria recebido outros pagamentos referentes a consultas nesses períodos, o que não é normal para essa profissão. 11. A contribuinte informou o pagamento de despesas à LEIZE NACHIESCA SCHIAVINI, CPF 018.549.40996, no valor total de R$ 15.600,00, e como comprovação apresentou 2 (dois) recibos totalizando o valor declarado. Os recibos apresentados são nos valores de R$ 7.800,00 cada, datados de 24/06/2003 e 20/10/2003, referente a tratamento médico. Essa profissional tem domicílio fiscal na cidade de Toledo e trabalhou no ano de 2003 como assalariada na cidade de Taboão Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 8 da Serra/SP. Além dessas incoerências e do valor altíssimo pago para um tratamento médico, não houve Comprovação do afetivo desembolso dos pagamentos referentes a esses recibos, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, devendo ser glosado todo o valor declarado, R$ 15.600,00. 12 A contribuinte informou pagamento de despesas ao odontólogo DAISON EMMEL MUHLBEIER, CPF 706.121.45972, no valor total de R$ 5.000,00, e como comprovação apresentou 12 (doze) recibos nos valores de R$ R$ 400,00 datado de 12/01/2003 (DOMINGO), R$ 400,00 datado de 15/02/2003 (SÁBADO), R$ 400,00 datado de 10/03/2003, R$ 400,00 datado de R$ 15/04/2003, R$ 400,00 datado de 12/05/2003, R$ 500,00, datado de 16/06/2003, R$ 500,00 datado de 10/07/2003, R$. 400,00 datado de 16/08/2003 (SÁBADO), R$ 400,00 datado de 12/09/2003, R$ 400,00 datado de 10/10/2003, R$ 400,00 datado de 30/11/2003 (DOMINGO), e R$ 400,00 datado de 05/12/2003. O odontólogo reside em Toledo e o paciente tem domicilio em palmas em vista desses fatos e da falta de comprovação do efetivo desembolso dos pagamentos referentes a esses recibos, devidamente solicitada por Termo de Intimação Complementar, deve ser glosado todo o valor total declarado, R$ 5.000.00. Além dos fatos acima narrados vários recibos de médicos diferentes têm a mesma caligrafia. A DRJ acatou mais algumas despesas médicas, no valor total de R$ 14.700,00, referente à somatória dos recibos abaixo relacionados: Nome do Profissional CNPJ/CPF Valor 5 Dayson Emmel Muhlbeier 706.121.45972 5.000,00 7 Vanessa Bauer Ribas 020.477.93912 1.480,00 8 Luciana Aparecida Schiavini 913.638.53953 5.000,00 13 Rosson Cantergiani Santos 961.737.86800 110,00 14 Andrea M. Z. C. Wotecoski 544.644.63991 3.150,00 Dos recibos não acatados pela fiscalização, nem pela DRJ, restam os relacionados a seguir: a) Oraci Luiz Luchese, no valor de R$ 400,00, que se refere ao anocalendário 2002; b) Leizi Naschiesca Schiavini, no valor de R$ 15.600,00, com dois recibos médicos no valor de R$ 7.800,00 cada, que trabalhava como assalariada na cidade de Taboão da SerraSP, não se justificando dispêndio tão elevado com a profissional da área de medicina; c) C D O Radiologia Ltda., no valor de R$ 60,00, Clinica Vale Dos Pinheiros Ltda., no valor de R$ 920,00, cujos recibos, por se tratar de pessoas jurídicas, não são documentos hábeis para comprovar as despesas; d) Policlínica Cascavel Ltda., que além de ter apresentado recibo, conta que o serviço foi prestado a uma pessoa que não é dependente da declarante; e) Eduardo A. Benvenutti, no valor de R$ 80,00, que não tem assinatura do profissional; f) Eliane Ribas Gomes Mata, no valor de R$ 115,00, que era funcionária da prefeitura de ClevelândiaPR. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13925.000363/200821 Acórdão n.º 210202.139 S2C1T2 Fl. 111 9 Em relação às deduções com despesas médicas, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. São dedutíveis os pagamentos efetuados a psicólogos fisioterapeutas e despesas com serviços dentários. Despesas essas que se restringem aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitase àqueles especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Ainda, de acordo com o art. 73 e § 2º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se não forem cabíveis, e poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Em principio, admitemse os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, como prova idônea de pagamento. Entretanto, a juízo da autoridade Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 10 lançadora, havendo dúvidas quanto à idoneidade dos documentos, as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo ser solicitadas provas do pagamento e também dos serviços prestados, por meio de laudos etc. Nesse caso, é responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. As deduções também estão sujeitas a comprovação ou justificação se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se não forem cabíveis, e poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. A exigência está amparada no DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §§ 3º e 4º, consolidados no art. 73 e §§ 1º e 2º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Como as deduções são proporcionalmente elevadas e diante da imprecisão das provas apresentadas à auditoria, caberia de fato ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. Nesse caso, é responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A requerente cita que alguns pagamentos foram efetuados em cheques e outros em dinheiro. Para os primeiros não apresenta as cópias dos cheques ou do extrato. Para os outros, não apresenta qualquer desembolso. Analisando a declaração de ajuste, percebese que os rendimentos declarados são de pessoas jurídicas, com mais de 95% de área pública (Estado, Município e órgãos previdenciários) que, normalmente, realiza os pagamentos por intermédio de instituição bancária. Assim, teria a interessada facilmente resolvido a questão se juntasse aos autos outros elementos que reforçasse a comprovação do pagamento ou da efetividade do serviço prestado. Entretanto, ao invés procurar esclarecer a questão, a requerente se limita a contestar a decisão e a exigência de outros elementos probantes e solicitar a nulidade do lançamento. Porém, nesse caso, não cabe ao fisco obter as provas da inidoneidade do recibo, mas ao recorrente apresentar elementos que dirimam as dúvidas a respeito dos recibos e permitam a convicção na apreciação da prova. A não comprovação dos dispêndios efetuados com as despesas médicas glosadas impede a aceitação da dedução. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13925.000363/200821 Acórdão n.º 210202.139 S2C1T2 Fl. 112 11 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
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