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Numero do processo: 10746.001075/2004-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS QUE NÃO SÃO RELATIVOS A TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL
A compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação de multa isolada, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. As meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindo-se aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. É inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicá-la em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%.
Numero da decisão: 9101-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Quanto à primeira matéria (Possibilidade de manifestação de Ofício), Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Quanto à segunda matéria (Aplicação da Multa de 75%), recurso conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) votou pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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As meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindose aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. É inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicála em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Quanto à primeira matéria (Possibilidade de manifestação de Ofício), Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Quanto à segunda matéria (Aplicação da Multa de 75%), recurso conhecido e, no mérito, negado provimento por unanimidade de votos. A Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 10 75 /2 00 4- 80 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 558 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à aplicação de multa isolada por compensação indevida de COFINS, PIS, IRPJ, CSLL e IOF, tendo em vista a utilização de crédito de natureza não tributária e de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, referentes aos períodos de apuração correspondentes aos anos de 2003 e 2004. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 30238.310, de 07/12/2006 (efls. 232/238 do vol. I no eprocesso), por meio do qual a antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário anteriormente apresentado, para fins de reduzir a multa de 150% para 75%. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 Ementa: TÍTULOS DA ELETROBRÁS. COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação de débitos relativos a tributos e contribuições federais, com créditos referentes a Títulos da Eletrobrás, por falta de previsão legal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. INTUITO DE FRAUDE. Não se pode aplicar a multa de oficio agravada quando não resta comprovado, nos autos, o evidente intuito de fraude, por parte da autuada. Multa Isolada —Evidente Intuito de Fraude. Não caracterizado, na hipótese dos autos. À época dos fatos geradores, a regra levava o julgador à conclusão pela procedência da penalidade prevista (art. 18 da Lei n° 10.833/2003). Esta Lei foi Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 559 3 alterada pela Lei n° 11.196/2005 (e, concomitantemente, a IN SRF que tratava do assunto). A nova Instrução Normativa editada, de n° 600/2005, em seu art. 31, § 5°, inciso I, estabeleceu que "a multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada será de 75%", do valor exigido, com exceção dos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 71 e 73 da Lei n°4.502/1964". Na hipótese dos autos, o contribuinte compensou créditos não admitidos pela legislação — títulos públicos — sem restar comprovado o "evidente intuito de fraude", razão pela qual não há que ser mantida a penalidade agravada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos para a matéria acima referida. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: no julgado recorrido, decidiuse pela redução da multa isolada para o patamar de 75%, que fora constituída no percentual de 150%, por compensação regularmente pleiteada (ou seja, mediante as declarações e requisições necessárias) pela recorrente, com créditos tidos pelo Auditorfiscal como de "natureza não tributária"; o recurso voluntário foi parcialmente provido, por unanimidade, para afastar a majoração da multa, concluindose pela não caracterização de fraude, de dolo, que pudesse fundamentar a qualificação da sanção; o não provimento in totum do recurso, deriva da não manifestação da Câmara (mesmo após requerimento de juntada de aditamento, e oposição de embargos de declaração) quanto à Lei nº 11.051/2004, que foi editada posteriormente à autuação, e que implica na insubsistência total da multa isolada aplicada nestes autos; a referida lei limitou as hipóteses de aplicação da multa isolada aos casos em que houvesse dolo no pleito de compensação. Não sendo verificado o dolo (e isto já resta assentado, in casu), não há multa aplicável; o E. Colegiado recorrido não se manifestou quanto à Lei nº 11.051, sob a alegação de que a recorrente não havia feito menção àquela tese no recurso voluntário; em petição aviada antes do julgamento, e especificamente, nos Embargos Declaratórios opostos, a recorrente expôs a inadequação de que se vislumbrasse preclusão quanto à matéria reconhecível de ofício, que versa exclusivamente a completude da aplicação das normas em vigor; não se tratava de argüição de prova esquecida, ou de pedido inédito; postulouse a declaração do julgado, para que, na recomposição cronológica das leis aplicáveis ao caso, fosse considerada a Lei nº 11.051, cuja leitura vinha sendo reiteradamente aduzida nos Conselhos no sentido de afastar a multa isolada, em casos tais como o presente; Cabimento do recurso especial: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 560 4 o acórdão proferido pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes diverge do posicionamento adotado na 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos acórdãos e respectivas ementas que seguem anexados; há plena identificação entre as matérias versadas no acórdão recorrido e nos paradigmas apresentados; outrossim, as questões deduzidas neste recurso encontramse devidamente préquestionadas, inclusive por meio de embargos de declaração, tendo sido ventiladas no acórdão guerreado, restando atendido também o requisito expresso no §5º do art. 7º da norma regimental aplicável à espécie; são 2 (dois) os aspectos divergentes aqui apontados. O primeiro relativo à possibilidade de manifestação de ofício, ou mesmo por provocação do recorrente após o recurso voluntário, com relação à retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, nos termos do artigo 106 do CTN; o segundo ponto é o relacionado ao mérito da autuação, sobre ser insubsistente a multa isolada cominada nas compensações sem presença de dolo, já que a Lei nº 11.051, posterior à autuação, limitou a imputabilidade de tal multa aos casos atrelados à esfera penal; o paradigma para a primeira divergência (preliminar) é o Acórdão nº 105 17.042: Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EFEITOS MODIFICATICOS POSSIBILIDADE — A constatação de que o voto condutor da decisão embargada deixou de observar lei tributária penal vigente à época da constituição do crédito tributário, autoriza o conhecimento dos embargos, nos exatos termos do disposto no capuz do art. 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Se da supressão da omissão resultar entendimento diverso do expendido no acórdão guerreado, sua parte dispositiva deve ser objeto de retificação. vale destacar que os dois processos confrontados acima, são de contribuintes do mesmo grupo empresarial. Tanto os recursos como os embargos de declaração contaram com a mesma argumentação, a mesma estrutura textual; enquanto nestes autos a plena análise do ordenamento jurídico foi vetada pelo suposto empecilho processual, no paradigma anotado, asseverase que o colegiado administrativo deve se manifestar acerca de lei superveniente que deixou de punir o fato sob apreço no julgamento; portanto, enfrentando a mesma situação táticoprocessual (argüição de retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051, em momento posterior à interposição do recurso voluntário), uma Câmara entendeu pela preclusão, não analisando a suscitada aplicabilidade da Lei, e a outra manifestou a plena viabilidade de tal manifestação, pois se trata de mera verificação da norma tributária (penal, nas palavras do d. Relator) aplicável ao caso; a retroatividade da lei nos termos do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, é matéria apreciável de ofício, por representar mera aferição do direito aplicável à lide submetida ao julgador. Aliás, este é o ofício primordial da atividade judicante, administrativa ou judicial: decretar qual a lei aplicável ao caso concreto; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 561 5 não se trata de argüição de tese, ou de levantamento de fatos em favor de uma ou de outra parte. É o caso de aplicação da lei, especificamente, a lei mais benéfica, que por força do CTN, incide sobre os atos não julgados definitivamente; do provimento do especial quanto à preliminar deverá decorrer o retorno do processo à Câmara (atual Turma) ordinária para que aprecie a retroatividade benigna da Lei nº 11.051, ou, caso assim entendam V. Sas., para que seja reformado no mérito o acórdão, já em Instância Superior, determinandose o cancelamento total da multa isolada; para a segunda divergência (mérito), o paradigma indicado é o Acórdão nº 10516.900: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA ESTATUÍDA NO ART. 106, II, a) do CTN Uma vez descrita a situação fática, subjacente ao lançamento da multa isolada com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, por compensação indevida com crédito de natureza não tributária e advento da Lei n° 11.051/2004, que deixou de definir tal hipótese como infração sujeita a multa isolada, é de se reconhecer a aplicação do art. 106, II, "a" do CTN, para cancelar a exigência pela retroatividade benigna infracional. Recurso voluntário conhecido e provido. enquanto o julgado recorrido afirma que mesmo após a edição da Lei nº 11.051/04, é de ser mantida a multa isolada no patamar de 75% no caso de compensação sem caracterização de dolo, o acórdão paradigma registra o contrário; que a Lei nº 11.051, posterior às compensações enfocadas, deixou de cominar sanção (multa isolada) nos casos de pleitos por compensação em que não houve conduta dolosa; nos mesmos moldes, podese apurar divergência com outro precedente do Conselho (já trazido aqui no que tange ao 1º ponto divergente), que no julgamento de Embargos opostos pela empresa acolheu a retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051, como segue: "... a compensação indevida em razão da utilização de créditos de natureza não tributária submetiase a penalidade, representada por multa isolada, no percentual de 150% ou 225%, conforme o caso. Contudo, ex vi do disposto no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, na redação que lhe foi dado pela Lei n° 11.051, de 2004, para que tal multa fosse aplicada seria necessário ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64." verificase que o acórdão recorrido admite a manutenção da multa isolada mesmo que não se configure o dolo, e o paradigma aponta que somente haveria lugar à multa isolada em casos de comprovada prática criminosa; a divergência é tão mais flagrante, quando se verifica que os dois paradigmas colacionados foram proferidos em processos de empresas do mesmo grupo empresarial da ora recorrente. Os procedimentos de compensação foram todos promovidos nos mesmos moldes e em datas quase coincidentes. Foram veiculados em processos afastados simplesmente por tratarem de débitos de empresas diversas, de uma mesma holding; Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 562 6 desse modo, apenas o julgado prolatado nos presentes autos destoa da jurisprudência dominante, pois manteve a multa isolada, embora reconhecendo a ausência de dolo, e mesmo diante da norma mais benéfica introduzida pela Lei nº. 11.051/04; Mérito: Da retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº. 11.051/04 a aplicação de multa isolada às compensações realizadas pelos contribuintes sofreu inúmeras alterações legislativas no decorrer do tempo, o que determina a análise da questão segundo as regras vigentes ao tempo da formalização das declarações de compensação protocolizadas pela recorrida (tempus regit actum). registrese que a autuação debatida nos presentes autos foi formalizada, com a intimação à empresa, em outubro de 2004; o caput do art. 18 da Lei 10.833/2003 previa a imposição de multa isolada nas seguintes hipóteses: 1. o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; 2. crédito ser de natureza nãotributária; 3. ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964. já o §2º do dispositivo supracitado previa a aplicação, conforme o caso, das multas de 75% e 150% previstas, respectivamente, nos incisos I e II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96; tal redação vigorou até a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004; a limitação introduzida pela Lei nº 11.051/04 às hipóteses de cabimento da multa é flagrante. Enquanto o caput do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, em sua redação originária, previa a possibilidade de imputação de multas isolada nas três hipóteses supracitadas (vedação legal à compensação, crédito de natureza nãotributária e evidente intuito de fraude), a redação implementada pela Lei nº 11.051/04, limitou a aplicação da multa isolada a apenas uma e única situação: "hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964", o que não ocorreu no caso dos autos; ratificando este entendimento, verificase que o §2º do art. 18, em sua redação originária, previa a possibilidade de imputação de multas de 75% e 150% (Lei nº 9.430/96, art. 44, inc. I e II), enquanto que o §2º, do art. 18, na redação dada pela Lei nº 11.051/04, passou a prescrever a aplicação da multa isolada apenas nos moldes do inciso II do artigo 44 da Lei nº . 9.430/96, no percentual de 150%; por fim, o §4º, acrescido ao art. 18, nada mais faz do que autorizar a aplicação da "multa isolada a que se refere o caput deste artigo", ou seja, a multa de 150%, Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 563 7 cabível na hipótese de evidente intuito de fraude, também às compensações consideradas não declaradas nas hipóteses do art. 74, § 12, II, da Lei nº. 9.430/96. Vale destacar que a previsão legal para a expedição de ato administrativo que qualifique uma compensação como "não declarada" surgiu somente com a própria edição da Lei nº 11.051/04; aliás, cerca de 11 (onze) meses após a alteração promovida pela Lei nº 11.051/04, a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/03 foi novamente alterada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, a qual RESTABELECEU, no campo do "deverser" normativo, a aplicação da multa isolada pelo percentual de 75% (setenta e cinco por cento), previsto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; tal fato demonstra que em dezembro de 2004, quando sobreveio a Lei nº 11.051, foi diretamente atingida a aplicação da multa isolada no casos dos presentes autos, por força da retroatividade benigna. Não há que se cogitar que a Lei nº 11.196 tenha vindo "repetir" o que já constava no ordenamento. Certamente, e como aqui se evidencia, veio introduzir, ou reintroduzir a multa que restara extirpada do sistema jurídico pela Lei nº 11.051; portanto, correta a orientação consignada nos paradigmas ora invocados, ao aplicar a retroatividade benigna (lex mitior) do art. 25, da Lei nº 11.051/2004, em face da nova redação dada ao art. 18, da Lei nº 10.833/03, por conta da observância da regra prevista no art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional; a seguir, são consignados precedentes que tratam da aplicação do artigo 106, CTN, no que tange à retroação de norma que beneficia o sujeito passivo, reduzindo ou afastando sanção anterior (ementas transcritas); contrariando o entendimento exposto acima, sustentase no aresto recorrido a inaplicabilidade da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN, ao caso em tela; ora, o § 4º do art. 18 da Lei n° 10.833/03, não é o § 4° introduzido pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, mas sim o § 4° introduzido pela Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005; o que está posto em debate é a retroatividade benigna das regras introduzidas pela Lei n° 11.051/2004 e não das regras previstas na Lei n° 11.196/2005, que somente foi editada quase 11 (onze) meses após a Lei n° 11.051/2004; ainda que se admita ad argumentandum tantum que o §4° do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pela Lei 11.051/04, constituiu hipótese autônoma e dissociada do caput e, portanto, prescinda da caracterização do "evidente intuito de fraude" para a aplicação da multa de 150%, dois fatores nos levam a também concluir pelo cancelamento da multa imposta. São eles: 1. A Lei n° 11.051/04, ao alterar a redação do art. 18, da Lei 10.833/03, não mais previu a hipótese de aplicação de multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96; e 2. Estar a aplicação da multa de 150%, temporalmente limitada às compensações formalizadas após a edição da Lei 11.051/04, que introduziu a Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 564 8 hipótese da "nãodeclaração" de compensação apresentadas pelos contribuintes. na primeira situação, estando ou não a conduta típica condicionada à caracterização do "evidente intuito de fraude", é certo que, em ambos os casos, a Lei 11.051/04 deixou de definir como infração as hipóteses para a imputação da multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, como ocorre exatamente no caso dos autos; no segundo caso, conforme reza expressamente o §4º, a multa do caput será aplicada somente "quando a compensação for considerada não declarada". Ora, as hipóteses de compensações "não declaradas" somente surgiram com a edição da Lei 11.051/04, sendo inaplicáveis, portanto, àquelas compensações formalizadas em momento anterior à vigência, por expressa aplicação do Princípio da lrretroatividade das Leis; passados mais de dois anos de vigência do regime de compensação instituído pela Lei nº 10.637/2002, o Governo Federal sancionou a Lei 11.051, de 29.12.04, que restringiu significativamente a disciplina do procedimento da compensação até então vigente; o pedido de restituição e as declarações de compensação foram apresentados pela recorrente em 2003 e 2004, em datas bastante anteriores à edição da Lei n° 11.051/04, e enquanto vigente legislação que considerava como "declaradas" todas as compensações formalizadas pelo contribuinte e resguardava a este o direito à ampla defesa e ao contraditório administrativo; não havia previsão no Direito Pátrio, à época e até a edição da Lei 11.051/04, do instituto da "compensação nãodeclarada". Os pedidos de compensação formulados anteriormente à vigência dessa Lei, foram expressamente abarcados por essa, são considerados "declaração de compensação". Forçoso concluir, portanto, que todas as compensações realizadas pela recorrente são "compensações declaradas", ex vi legis (Lei 9.430/96, art. 74, com redação dada pela Lei 10.637/2002), as quais pela lei, têm o condão de extinguir créditos tributários sob condição resolutória e asseguraram à recorrente todos os meios para a defesa dos teus direitos; assim, resta demonstrada a legitimidade do cancelamento total da multa isolada imposta contra a Recorrente, em face da aplicação retroativa (CTN, art. 106, II, "a") da Lei nº 11.051/04, ao dar nova redação ao art. 18 da Lei nº. 10.833/03. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, por meio do Despacho exarado em 19/06/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: [...] O contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidenciam as divergências existentes entre o entendimento exarado no Acórdão recorrido e os Acórdãos paradigmas, apontando as divergências nos seguintes pontos: i) em relação à retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº. 11.051/04, nos termos do artigo 106 do CTN, e Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 565 9 ii) relacionado ao mérito da autuação, sobre ser insubsistente a multa isolada cominada nas compensações sem presença de dolo, já que a Lei nº 11.051/04, posterior à autuação, limitou a imputabilidade de tal multa aos casos atrelados à esfera penal. Destacase que os processos confrontados, são de contribuintes do mesmo grupo empresarial. Tanto os recursos como os embargos de declaração contaram com a mesma argumentação, a mesma estrutura textual. O acórdão recorrido: i) enfrentando a situação fáticoprocessual, qual seja, argüição de retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, em momento posterior à interposição do recurso voluntário, entendeu pela preclusão, não analisando a suscitada aplicabilidade da Lei. ii) o julgado recorrido afirma que mesmo após a edição da Lei nº 11.051/04, é de ser mantida a multa isolada no patamar de 75% no compensação sem caracterização de dolo. Os acórdãos paradigmas: i) asseverase que o colegiado administrativo deve se manifestar acerca de lei superveniente que deixou de punir o fato sob apreço no julgamento, pois se trata de mera verificação da norma tributária aplicável ao caso. ii) registra que a Lei nº 11.051/04, posterior às compensações enfocadas, deixou de cominar sanção (multa isolada) nos casos de pleitos por compensação em que não houve conduta dolosa. Com essas considerações, entendo ter sido apresentada e comprovada a divergência jurisprudencial. Na seqüência, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e o referido órgão optou por não apresentar contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 566 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento de multa isolada por compensação indevida de COFINS, PIS, IRPJ, CSLL e IOF, em razão da utilização de crédito de natureza não tributária e de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, referentes aos períodos de apuração correspondentes aos anos de 2003 e 2004. A multa foi aplicada inicialmente no percentual de 150%. A autuação fiscal foi integralmente mantida na primeira instância administrativa, mas na segunda instância, a multa foi reduzida para o percentual de 75%. Conforme as normas regimentais da época, o julgamento do recurso voluntário se deu no âmbito do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que seria hoje equivalente à 3ª Seção de Julgamento do CARF. Entretanto, em razão da atual distribuição regimental de competências, o julgamento da matéria em pauta cabe agora à 1ª Seção de Julgamento do CARF, e, conseqüentemente, à 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que passaram a deter a chamada competência residual (art. 2º, VII, c/c art. 9º, I, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015). É por essa razão que o julgamento do recurso especial foi submetido a esta 1ª Turma da CSRF. Com a divergência suscitada em sede de recurso especial, a contribuinte pretende o cancelamento total da multa. Para tanto, ela alega divergência em relação a dois aspectos, o primeiro como sendo uma matéria preliminar, e o segundo tratado como questão de mérito: 1 possibilidade de manifestação de ofício, ou mesmo por provocação do recorrente após o recurso voluntário, com relação à retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, nos termos do artigo 106 do CTN; e 2 insubsistência da multa isolada cominada nas compensações sem presença de dolo, já que a Lei nº 11.051/2004, posterior à autuação, limitou a imputabilidade de tal multa aos casos atrelados à esfera penal. É preciso inicialmente fazer alguns esclarecimentos em relação à primeira divergência, registrando desde já que a decisão de segunda instância administrativa (consubstanciada no Acórdão nº 30238.310, de 07/12/2006, que julgou o recurso voluntário; e confirmada no Acórdão nº 30240.018, de 10/12/2008, que rejeitou os embargos de declaração contra o acórdão anterior) não incorreu em vício de nulidade por cerceamento de direito de defesa, por omissão na apreciação de matéria argüida, ou algo semelhante. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 567 11 A decisão de segunda instância administrativa não foi especificamente no sentido de recusar a apreciação de matéria argüida pela contribuinte, relativamente à retroatividade benigna do artigo 25 da Lei nº 11.051/04, em razão de preclusão processual. A declaração de voto contida no Acórdão nº 30238.310 esclarece bem os contornos que levaram o colegiado a decidir pelo provimento parcial do recurso voluntário para fins de apenas reduzir a multa de 150% para 75%, e não cancelála totalmente, como pedia a contribuinte: Declaração de Voto Conselheiro Luis Antonio Flora Conforme relatado e destacado no voto da ilustre Conselheira Relatora houve, no caso, ou seja, diante de um pedido de compensação de débitos com títulos públicos, que foi indeferido, a aplicação da multa isolada com o percentual agravado, por aplicação do disposto no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, considerando o autuante que teria ocorrido evidente intuito de fraude. Comungo do entendimento da Relatora, eis que, também, "não consigo vislumbrar nenhum intuito de fraude neste procedimento". E o voto acrescenta, que "ao contrário, devemos reconhecer que houve, por parte da recorrente, boafé, o que não poderíamos afirmar com certeza se fosse o caso, por exemplo, de ter havido uma compensação feita apenas na contabilidade da empresa, com posterior informação — via DCTF — de que não haveria nenhum tributo a ser pago". Todavia, a presente declaração de voto tem apenas o intuito de esclarecer o posicionamento da Câmara que houve por bem dar "provimento parcial ao recurso". A conclusão decorre do fato de que a recorrente em seu apelo recursal propugna pela redução da multa agravada (de 150% para 75%). E isso foi deferido. No entanto, ao final do recurso a recorrente requer o cancelamento integral da autuação. Logo as razões de recurso e a fundamentação jurídica são contraditórias com o pedido. Cumpre esclarecer que em nenhum momento a recorrente trouxe aos autos nas razões de recurso outros argumentos jurídicos para o cancelamento integral da exigência, salvo em sede de memoriais, quanto apresentou jurisprudência do egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, posicionandose que em caso idêntico a contribuinte foi exonerada integralmente da multa punitiva isolada (Acórdão 106 15776 da 6ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes — Sessão de 17/08/2006). Ademais, dada a complexidade da matéria, em virtude da existência de densa legislação regulando a questão, o processo ficou em pauta por três sessões, com pedidos de vista, para que os Conselheiros pudessem melhor estudar e entender o emaranhado legislativo de regência. De minha parte, a jurisprudência, como fonte (mediata de direito), não pode ser desprezada, mas a recorrente poderia ter apresentado os novos fundamentos atempadamente. E isso não ocorreu. Apresentou os memoriais quando o recurso, após muitos debates e estudos, já se encontrava maduro para sentenciamento. Sequer houve a defesa oral para demonstrar e esclarecer se o referido acórdão efetivamente teria cabimento no caso em tela. De minha parte, ainda, entendo que no momento do julgamento não teria condições de analisar detidamente a orientação jurisprudencial tardiamente apresentada, já que toda análise do processo partiu das próprias premissas expostas pela recorrente. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 568 12 Destarte, tendo havido contradição entre as razões de recurso e o pedido é que me posicionei pelo "provimento parcial". A quem pondere que o recurso, pelos próprios fundamentos, teria sido "provido integralmente". Fico com o entendimento do provimento parcial eis que a exigência ficou mantida pela metade, isto é, não foi cancelada como requerido na parte final do recurso, embora em tese, sem fundamentos. Era o que tinha a declarar. Na seqüência, a contribuinte apresentou embargos de declaração, alegando vício de omissão no Acórdão nº 30238.310, mas a conclusão foi de que não houve omissão e os embargos foram rejeitados, conforme o voto que orientou o Acórdão nº 30240.018: Voto Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Relatora A empresa identificada interpôs embargos de declaração em face de suposta omissão no acórdão n° 30238.310, de 7 de dezembro de 2006, relativo a não inclusão da Lei nº 11.051, de 30 de dezembro de 2004, a qual entende ser de aplicação nesta causa. Ocorre que em seu recurso a empresa jamais mencionou qualquer razão para exclusão da multa aplicada, e jamais mencionou a ora citada Lei, mas sempre argumentou quanto à inexistência de fraude ou dolo em seu ato, inclusive trazendo jurisprudência relativa ao abrandamento para 75% em diversos casos. Ocorre também, que a nova jurisprudência trazida em sede de embargos não se refere à matéria aqui tratada. E a exclusão de fato ou ato tipificado como infração não pode ser realizada por analogia. Enfim, e mais importante, ainda que argumentado pela embargante o cancelamento parcial da multa — quero me referir à cobrança de 75% ao invés de 150% seu pedido final foi no sentido de cancelar integralmente a multa, razão pela qual o colegiado entendeu de dar provimento parcial ao recurso. Diante desses fatos encaminho minha posição no sentido de conhecer o embargo e negarlhe provimento. Importante destacar que o escopo dos embargos era sanar vício de omissão, e esse vício não foi constatado. Não deixo de perceber que os votos acima transcritos abordaram, direta ou indiretamente, o problema do aspecto temporal nas questões suscitadas pela contribuinte, mas ao mesmo tempo esses votos apresentaram outras razões que conduziram o julgamento para um resultado diferente do pretendido pela contribuinte, em relação ao próprio mérito. De acordo com a declaração de voto no Acórdão nº 30238.310 (que julgou o recurso voluntário), no momento em que tratou dos memoriais apresentados "quando o recurso, após muitos debates e estudos, já se encontrava maduro para sentenciamento", "sequer houve a defesa oral para demonstrar e esclarecer se o referido acórdão (precedente trazido pela contribuinte) efetivamente teria cabimento no caso em tela". E de acordo com o voto que orientou o Acórdão nº 30238.310 (que julgou os embargos de declaração), "a nova jurisprudência trazida em sede de embargos não se refere à matéria aqui tratada. E a exclusão de fato ou ato tipificado como infração não pode ser realizada por analogia." Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 569 13 Com efeito, a questão do momento de apresentação dos argumentos relativos à retroatividade benigna nem mesmo foi tratada diretamente pelo acórdão que julgou os embargos de declaração. A abordagem dessa questão só pode ser visualizada de forma indireta, no contexto do exame do vício de omissão no acórdão embargado. Sequer houve menção ao fenômeno da preclusão processual. O fato é que essa questão do momento de apresentação dos argumentos relativos à retroatividade benigna não foi a única, tampouco a razão principal para que a decisão recorrida chegasse a um resultado divergente do pretendido pela contribuinte. O exame do recurso voluntário ocorreu precisamente no contexto dos argumentos apresentados pela contribuinte, e o exame dos embargos de declaração se deram no âmbito da caracterização de omissão no acórdão embargado, o que não tinha ocorrido. Cabe assinalar que os embargos de declaração, apesar de rejeitados, foram exitosos no que toca à caracterização do prequestionamento da matéria, que é requisito de admissibilidade do recurso especial. Em razão dos embargos, a matéria foi tida como prequestionada, mas o resultado do julgamento continuou desfavorável à contribuinte pelas razões já mencionadas. Como se vê das transcrições acima, o que foi apresentado em relação à Lei nº 11.051/2004 não foi tido como suficiente, no entendimento dos julgadores, para o atendimento do pedido de cancelamento integral da multa. Não há dúvida de que o resultado dos paradigmas foi mesmo divergente do que ocorreu nos presentes autos. Mas essas considerações iniciais servem para esclarecer que não é caso de anular a decisão recorrida; de dizer que o colegiado de origem deveria ter analisado com mais profundidade as implicações da Lei nº 11.051/2004 em relação ao lançamento sob exame; de determinar um novo julgamento do recurso voluntário, ou dos embargos de declaração; etc. A divergência que houve é em relação às conclusões diante do que foi exposto sobre a Lei 11.051/2004. Independentemente do acerto ou do erro em relação ao mérito da decisão recorrida, e de um eventual equívoco na compreensão seja do precedente apresentado pela contribuinte, seja de seus argumentos, vêse que o problema a ser aqui examinado reside mesmo é no mérito do que restou decidido no julgamento do recurso voluntário. A divergência é uma só, quanto ao mérito da questão relativa à retroatividade benigna do art. 25 da Lei 11.051/2004, e é nesse contexto que deve ser conhecido o recurso especial. Deixo, portanto, de conhecer da divergência relativa à "possibilidade de manifestação de ofício, ou mesmo por provocação da recorrente após o recurso voluntário", em relação à matéria acima referida. Quanto ao mérito da questão relativa à retroatividade benigna do art. 25 da Lei 11.051/2004, é necessário explicitar o tipo dos créditos utilizados nas compensações, que Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 570 14 motivaram a aplicação da multa isolada em questão. O auto de infração traz as seguintes informações a esse respeito: 12.1. Os créditos oriundos de uma condenação da União em Ação de Indenização em razão de prejuízos decorrentes da fixação do preço do açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção, utilizados nos pedidos de compensação cujos processos são citados à coluna "E" das planilhas Anexo I a Anexo III, tratamse de créditos de natureza não tributária. 12.2. Os créditos oriundos do recolhimento de empréstimo compulsório destinado ao financiamento das atividades desenvolvidas pelas Centrais Elétricas do Brasil Eletrobrás ("empréstimo compulsório Eletrobrás"), tratamse de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, uma vez que o Art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n° 10.637/02, restringe os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento àqueles relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. E para melhor visualizar a divergência suscitada pela recorrente, é oportuno transcrever as várias e sucessivas redações do art. 18 da Lei 10.833/2003: Lei 10.833, de 29/12/2003 – redação original Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Lei 11.051, de 29/12/2004 Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 571 15 § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (NR) Lei 11.196, de 21/11/2005 Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18 . ........................................................................................ ........................................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo.” (NR) Lei 11.488, de 15/06/2007 Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” (NR) Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 572 16 A observação das várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003, evidencia que desde o início há um núcleo que não se alterou até os dias de hoje. O fato é que o legislador, logo após modificar toda a sistemática para a compensação de tributos federais, mediante as alterações promovidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, estabeleceu pelo art. 18 da Lei 10.833/2003 multa isolada para as hipóteses em que o crédito ou o débito envolvido no encontro de contas não era passível de compensação por expressa disposição legal; em que o crédito era de natureza não tributária; ou em que ficasse caracterizada a prática de fraude. Para o caso concreto, vale registrar que o art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) só admite a compensação de débitos com créditos próprios, e desde que estes créditos sejam relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. Quanto a esse aspecto, as várias redações do art. 18 da Lei 10.833/2003 em nada alteraram os pressupostos para a aplicação da multa isolada em questão. Oportuno destacar que um dos tipos de crédito utilizado pela contribuinte nas várias compensações que realizou nem mesmo tem natureza tributária, pois decorre de "indenização em razão de prejuízos decorrentes da fixação do preço do açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção", enquanto o outro tipo de crédito não corresponde a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal (empréstimo compulsório Eletrobrás). Nesse sentido, a vedação de compensação que utilize créditos que não correspondam a tributos administrados pela Receita Federal, já existente antes da Lei 11.051/2004, também consta expressamente entre as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/1996 (incluído pela Lei 11.051/2004), situação em que a compensação passou a ser designada como “não declarada”. Tal hipótese, para a qual o legislador previu a multa isolada desde a redação original da Lei 10.833/2003, apenas foi retirada do caput do art. 18 desta lei e passou a constar do § 4º deste mesmo dispositivo, eis que, como dito acima, está exatamente entre aquelas que a lei passou a designar como “compensação não declarada”. Com efeito, a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal (que abrange os créditos que nem mesmo tem natureza tributária) enseja a aplicação da multa isolada em questão, seja pela redação original do art. 18 da Lei 10.833/2003, seja pela redação dada pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, seja pela redação da Lei 11.488/2007. Para esses casos, a norma que se extrai do texto legal é exatamente a mesma, e não podemos confundir a norma com o texto que a veicula. Nesse caso, as meras mudanças de redação, de terminologia e de disposição do texto não são suficientes para indicar que houve em determinado momento supressão da mencionada hipótese ensejadora da multa. O que houve em determinado momento, no contexto da Lei nº 11.051/2004, foi a exasperação da multa para os casos de compensação considerada como não declarada, incluindose aí a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal. Nesse caso, a multa que já era prevista nos percentuais de 75% ou 150%, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10746.001075/200480 Acórdão n.º 9101002.200 CSRFT1 Fl. 573 17 passou a ser aplicada apenas no percentual de 150%, independentemente de haver ou não caracterização de fraude. Isto porque o fato de a contribuinte apresentar DCOMP com crédito que manifestamente não pode ser utilizado em procedimento de compensação, revela conduta compatível com a exasperação da multa, principalmente num contexto normativo (desde a Lei nº 10.637/2002) em que a compensação declarada à Receita Federal adquiriu relevantes efeitos favoráveis aos contribuintes, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória. Ocorre que posteriormente, já com a edição da Lei nº 11.196, de 21/11/2005, essa situação foi modificada, prevendose novamente os percentuais de 75% e 150% para a multa nos casos de compensação não declarada, dependendo da ocorrência ou não de fraude. Vale registrar novamente: a Lei nº 11.051/2004 não suprimiu a hipótese normativa em questão para a incidência da multa, o que ela fez foi apenas exasperar o percentual da multa para essa hipótese. Importante destacar que não é o tamanho da sanção que define a hipótese de incidência da norma sancionadora. E conforme indicado acima, há razões que justificam o aumento da penalidade para os casos de utilização de créditos que manifestamente não podem ser utilizados em procedimento de compensação tributária no âmbito da Receita Federal. Nesse contexto, é inadequado pensar em retroação benigna da Lei nº 11.051/2004, para fins de afastar penalidade sobre conduta que deixou de ser apenada. Também não se trata de retroagir a Lei nº 11.196/2005, para fins de suprir hipótese normativa inexistente para a incidência da norma sancionadora. Como visto, por força do próprio caput do art. 74 da Lei 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei 10.637/2002) a compensação com créditos que não são relativos a tributos administrados pela Receita Federal sempre constou como hipótese de incidência da norma sancionadora. O que cabe retroagir é o percentual da multa previsto na lei, que voltou a aplicála em 75%, nos casos em que não houvesse a caracterização de fraude, e foi exatamente esse o efeito da decisão recorrida, uma vez que a multa foi reduzida de 150% para 75%. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 583DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
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Numero do processo: 13899.001356/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Numero da decisão: 2202-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. LEI Nº 10.174/2001. RETROATIVIDADE. LEGALIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 13 56 /2 00 6- 49 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, cuja decisão foi proferida em 30 de julho de 2009 e reformada pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em 24 de abril de 2013. Em desfavor do contribuinte, FABIO KENDJY TAKAHASHI. foi lavrado o auto de infração de fls.288/292, acompanhado do Termo de Constatação e Encerramento Parcial da Fiscalização de fls.283/285 relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, anoscalendário 2000, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao período de 01/2000 a 12/2002 (fls. 01 e 02). O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes no BRADESCO e no BANESPA, e na conta poupança no bradesco no DIA 19/01/00, no período de 2000, conforme Termo de Constatação e Encerramento Parcial da Fiscalização Fiscal..." A ciência do auto de infração foi dada por via postal na data de 28/12/2006 (fls.294). Em 29/01/2007, o interessado apresentou a impugnação de fls.297/311, na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente: Da Preliminar Argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento relativamente ao anocalendário de 2000, tendo em vista o decurso do prazo decadencial contado pela regra contida no artigo 150 do Código Tributário Nacional, que trata do lançamento por homologação, combinado com artigo 173, I, do mesmo diploma legal, que se refere ao lançamento de oficio. Do Mérito O impugnante questiona a autuação levada a efeito com base em extratos bancários, mediante quebra de sigilo bancário. Acrescenta, ainda, que a origem dos recursos Fl. 567DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13899.001356/200649 Acórdão n.º 2202003.133 S2C2T2 Fl. 567 3 estaria em doações feitas por seu pai, que foram declaradas nas épocas próprias, conforme documentos que carreia aos autos. Em relação à quebra de sigilo, colaciona jurisprudência judicial sobre a impossibilidade de retroação da Lei 10/174/2001 e da Lei Complementar 105/2001 e, ainda, dos efeitos da Súmula 182 do extinto TFR. Aduz, ainda, que, mesmo após a vigência dos citados diplomas legais, a administração fazendária continua impedida de considerar ingressos financeiros nas contas bancárias como rendimentos tributáveis sem que haja demonstrativo de utilização, pelo titular do depósito bancário, em consumo ou aquisição de bens para a demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou ainda, a comprovação de que tais depósitos sejam efetivos rendimentos auferidos. Cita acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido. No tocante à comprovação da origem de recursos, aduz que, tendo feito constar as doações recebidas de seu pai na declaração de bens e direitos, afastase a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, pois caso contrário, o contribuinte não teria informado ao Fisco. Contesta, ainda, os valores apurados, uma vez que não coincidem com a realidade. Alega que algumas importâncias foram transferidas de uma conta para outra, cuja titularidade era do contribuinte, e ainda, por algumas vezes o contribuinte emprestava a sua conta bancária ao seu pai, na qual alguns clientes deste, depositavam valores atinentes a custas judiciais e despesas processuais, pois o mesmo é advogado. Em 27 de fevereiro de 2008, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiram Acórdão DRJ/SPOII No. 23.577 que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, conforme a ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PRELIMINAR, DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de oficio, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, Ido CTN. RETROAÇÃO DE LEI. INOCORRÊNCIA. São lícitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente à época da ocorrência do procedimento de fiscalização. O artigo 1° da Lei n" 10.174/2001, assim como a Lei Complementar 105/2001, disciplinam o procedimento de fiscalização e não os fatos econômicos investigados, podendo ser aplicados aos procedimentos iniciados ou em curso a partir de sua edição, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos (CTN, art; 144, § 1°). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM Para comprovar a origem de recursos utilizados em depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, a prova deve ser hábil e idônea. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Para restarem plenamente comprovadas, as doações em dinheiro recebidas do pai devem, além de estar consignadas tempestivamente nas declarações de ajuste anual do donatário e do doador, ter a demonstração da transferência dos recursos do patrimônio deste para o do primeiro. Lançamento Procedente Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 26/03/2008, conforme AR de fls. 409, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 25/04/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 412/416, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. É o relatório. Em sessão realizada em 30 de julho de 2009, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário, cuja decisão foi assim ementada (fls. 514 a 520). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 11 de dezembro de 2009, o qual foi provido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202002.660 (fls. 547 a 552), cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que, para o ano calendário de 2000, não houve pagamento antecipado, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do IRPF (fls. 5 a 7). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2002 e o termo final no dia 31/12/2006. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 28/12/2006, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13899.001356/200649 Acórdão n.º 2202003.133 S2C2T2 Fl. 568 5 Recurso especial provido. Assim, o processo retornou a essa Turma, para apreciação das demais questões do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação ao exercício 2001 (anocalendário 2000). Preliminares O Recorrente alega a decadência do lançamento tributário, porém essa matéria encontrase superada em face da decisão da Segunda Turma da CSRF, a qual deu provimento ao recurso especial interposto pela PFN, decidindo que o crédito tributário não havia sido alcançado pela decadência. Argumenta o contribuinte que o Fisco está impedido de utilizar as informações da CPMF para instaurar processos administrativos com o objetivo de verificar a existência e constituição de créditos tributários relativos a outros tributos, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da Lei nº 10.174/2001. Acrescenta que, na vigência da Lei nº 4.595/64, somente era permitido o acesso aos dados de contas de depósitos mediante autorização judicial. O entendimento consolidado deste Conselho sobre a utilização das informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outros tributos está consignado na Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o próprio contribuinte apresentou à Fiscalização seus extratos bancários, embora de forma incompleta, conforme sua resposta entregue em 16/11/2006 (fls. 102 a 192). Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas pela Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, data de publicação: 03/06/2014, relator Rafael Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.96, data de publicação: 28/05/2014, relatora Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ). Por essas razões, rejeitamse as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Mérito Fl. 571DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13899.001356/200649 Acórdão n.º 2202003.133 S2C2T2 Fl. 569 7 O contribuinte aduz que a simples existência de depósitos nas suas contas correntes não significa, necessariamente, a aquisição de renda ou qualquer outro tipo de provento. No entanto, essa tese já se encontra superada, não se sustentando desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. O Recorrente alega que se trata de valores advindos de doação em dinheiro feito por seu pai, tendo este declarado na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2000, sendo isentos de imposto. Informa que também declarou em sua Declaração de IRPF a referida doação, porém, por lapso, o valor doado não constou no quadro "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis", embora tivesse sido mencionado na "Relação de Bens e Direitos". Afirma, ainda, que chegou a transferir valores entre suas contas de mesma titularidade e que emprestou sua conta bancária para seu pai, o qual exerce a profissão de advogado, sendo que alguns clientes depositavam valores referentes a custas e despesas processuais. Observase que as alegações do fiscalizado não se encontram acompanhadas de documentos que as comprovem. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. De acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Como o contribuinte não logrou comprovar a vinculação entre os créditos na conta bancária e as suas alegações, deve ser mantida a exigência relativa à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10840.001336/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é necessário que a decisão combata exaustivamente cada um dos argumentos da defesa, se em uma análise direta, constate e demonstre a ausência do direito solicitado.
CIDE. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ELEMENTO DE PROVA.
Não se constitui indébito tributário, valores da CIDE regularmente pagos em decorrência da regular constituição do crédito tributário, em conformidade com a lei instituidora da contribuição.
CIDE. LEI Nº 10.336/2001. LIMITAÇÃO DE EFICÁCIA. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2.
Não é competência das autoridades administrativas definir sobre limitação da eficácia de lei regularmente vigente. Compete-lhes somente, no caso, avaliar a existência ou não de indébito tributário. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (presidente da turma), Franciso José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Jose Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, , Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é necessário que a decisão combata exaustivamente cada um dos argumentos da defesa, se em uma análise direta, constate e demonstre a ausência do direito solicitado. CIDE. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ELEMENTO DE PROVA. Não se constitui indébito tributário, valores da CIDE regularmente pagos em decorrência da regular constituição do crédito tributário, em conformidade com a lei instituidora da contribuição. CIDE. LEI Nº 10.336/2001. LIMITAÇÃO DE EFICÁCIA. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. Não é competência das autoridades administrativas definir sobre limitação da eficácia de lei regularmente vigente. Compete-lhes somente, no caso, avaliar a existência ou não de indébito tributário. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é necessário que a decisão combata exaustivamente cada um dos argumentos da defesa, se em uma análise direta, constate e demonstre a ausência do direito solicitado. CIDE. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ELEMENTO DE PROVA. Não se constitui indébito tributário, valores da CIDE regularmente pagos em decorrência da regular constituição do crédito tributário, em conformidade com a lei instituidora da contribuição. CIDE. LEI Nº 10.336/2001. LIMITAÇÃO DE EFICÁCIA. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. Não é competência das autoridades administrativas definir sobre limitação da eficácia de lei regularmente vigente. Competelhes somente, no caso, avaliar a existência ou não de indébito tributário. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 13 36 /2 00 8- 17 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.232 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (presidente da turma), Franciso José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Jose Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, , Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.233 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição referente a supostos pagamentos indevidos de CIDECOMBUSTÍVEIS relativos ao período de 2003 a 2008, no valor original total de R$ 4.921.201,27. Transcrevo abaixo o relato da unidade de origem a respeito do pedido: Trata o presente processo de Pedido de Restituição motivado por pagamento indevido, em tese, da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide), instituída pela Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001. O contribuinte alega, em síntese, que há "latente e incontroverso vicio de inconstitucionalidade no que tange ao aspecto norteador da instituição da Cide Combustiveis, mais precisamente no que tange à destinavão do produto de sua arrecadação", definida na Lei n° 10.636 de 30 de dezembro de 2002, que dispõe sobre a aplicação dos recursos originários daquela contribuição. O pleito abrange os anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 até fevereiro de 2008, com valor original de R$ 4.921.201,27. Para instruir o processo, o interessado anexa copias autenticadas da Ata de Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária realizada em 22/05/2007, com Estatuto Social; do Instrumento Público de Procuração que concede poderes a Gervásio Aparecido Gomide; e de documentos pessoais do procurador Gervásio Aparecido Gomide. Anexa ainda, Planilha de Apuração de Pagamento IndevidoClDE e cópias simples de Notas Fiscais. Em suas alegações, iniciadas na fl. 24, o interessado informa que pretende demonstrar o desvio de finalidade da Cide incidente sobre combustíveis, o que determinaria a inconstitucionalidade da cobrança, com a conseqüente obrigatoriedade de restituição dos valores recolhidos. Após lecionar sobre a RegraMatriz de incidência tributária, estabelecida pelo acatado mestre Paulo de Barros Carvalho, explicando os conceitos de hipótese tributária e relação jurídica tributária, o contribuinte tece considerações sobre a finalidade da Cidecombustivel e sobre o desvio de finalidade que julga ter havido. Em resumo, afirma que a Constituição, em seu artigo 177, §4°, inciso II, "traça três finalidades para a Cidecombustíveis, de forma que esta só será válida quando a arrecadação e posterior destinação tiverem por base uma dessas finalidades". Assim, constatandose desvio de finalidade haveria inconstitucionalidade na arrecadação. De acordo com o contribuinte, as verbas oriundas da Cide não estariam tendo a destinação prevista na Constituição. Para fortalecer seu argumento, cita trecho do informativo do Senado Federal em que foi transcrita uma decisão do Tribunal de Contas da União, que atesta, ainda segundo o contribuinte, que os valores arrecadados com a Cide tiveram a sua destinação constitucional desviada, em flagrante violação à Carta. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.234 4 Prossegue citando o jornal Folha de S.Paulo, que, em 23/01/2006, teria divulgado que em 2005 o Ministério dos Transportes usara R$ 2,2 bilhões de recursos da Cide, sendo R$ 1,78 bilhão para a infraestrutura e o restante para pagamento de salários e encargos sociais, entre outras despesas. Acrescenta ainda que a discussão sobre a destinação dos recursos arrecadados com a Cidecombustiveis já teria merecido análise do STF, que em 2004 teria determinado ao Governo que observasse a destinação constitucional da contribuição. Destarte, julgando ter comprovado o desvio das finalidades constitucionais da Cide, o interessado assevera que "há latente e incontroverso vicio de inconstitucionalidade no que tange ao aspecto norteador da instituição da Cide Combustiveis, mais precisamente no que tange à destinação do produto de sua arrecadação, gerando, por conseguinte, o direito do contribuinte em promover a restituição dos valores indevidamente incidentes sobre a aquisição dos combustíveis destinados ao desenvolvimento de suas atividades". Finaliza sua dissertação transcrevendo posição de Maria Ednalva de Lima, que considera que a Lei 10.336/2001 viola a Constituição Federal por criar tributo incidente sobre fato prescrito para imposto que já existe, quando deveria ter por hipótese de incidência fato da Unido consistente em sua atuação no mercado, fiscalizando a exploração de atividades econômicas e por base de calculo um valor que mensurasse essa atuação. (...) O pleito foi indeferido pelo Chefe da Seção de Orientação e Análise Tribu tária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto – SP, conforme Despacho Decisório abaixo ementado: Direito Tributário. Suposta inconstitucionalidade de lei vigente. Pedido de Restituicio indeferido. Não cabe à Administração, escrava da lei, afastar a aplicação de lei em vigor, sob alegação de inconstitucionalidade, visto ser essa competência privativa do Poder Judiciário, pela via do controle de constitucionalidade difuso e concentrado. Insatisfeita com o referido despacho decisório, a Interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, cujas alegações transcrevo do acórdão recorrido: o pedido de restituição foi motivado pelo pagamento indevido da Cide Combustíveis, conforme passa a demonstrar; o art. 149 da Constituição Federal, que institui a regramatriz de in cidência das contribuições de intervenção no domínio econômico, dispõe que esta espécie tributária possui destinação específica, vinculada ao seu propósito de criação; o art. 177, § 4º, inciso II, da Carta Magna (incluído pela Emenda Constitucional no 33/2001), determina, por sua vez, que os recursos arrecadados pela CideCombustíveis deverão ser destinados: a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e c) ao financiamento de programas de infraestrutura de transportes; Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.235 5 a despeito deste mandamento constitucional, os recursos arrecadados com a cobrança da CideCombustíveis têm sido desviados de sua finalidade, fato este comprovado pelo Acórdão no 1.857/2005, do Tribunal de Contas da União, bem assim pela decisão proferida pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIn 2.925; o que se pretende obter, no presente processo, não é a declaração de inconstitucionalidade da lei que instituiu a CideCombustíveis, mas sim o reconhecimento administrativo de que houve descumprimento do art. 177, § 4º, inciso II, da Constituição Federal, e da própria Lei Orçamentária; demonstrado o desvio de finalidade na aplicação dos recursos da Cide Combustíveis, cabe reconhecer, em favor do contribuinte, o direito creditório decorrente das contribuições que foram indevidamente pagas. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro 1, proferiu o Acórdão nº 1260.537, de 17/10/2013, cuja ementa abaixo transcreve se: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 CIDECOMBUSTÍVEIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SOB FUNDAMENTO DE DESVIO DE FINALIDADE. A eventual aplicação dos recursos da CideCombustíveis fora de sua destinação constitucional não gera direito à repetição de indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repete basicamente os argumentos já expostos no presente relatório. Acrescenta um pedido de nulidade do acórdão recorrido com o argumento de que teria sido emitido com patente ausência de motivação. Cita doutrina e jurisprudência administrativa e afirma que a falta de motivação viola diretamente o art. 2º da Lei nº 9.784/99 e os art. 5º, XXXIV, LIV e LV, e 93, IX, da CF/88. Em síntese, teria havido ofensa ao direito de petição e aos princípios da motivação, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Isto porque a decisão não teria apreciado os principais fundamentos apresentados pela recorrente. É o relatório. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.236 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Preliminar de Nulidade do Acórdão Recorrido O contribuinte defende a nulidade, pois o acórdão teria sido emitido com ausência de motivação, por não ter apreciado os principais fundamentos da defesa, gerando ofensa aos princípios da motivação, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, violando diretamente o art. 2º da Lei nº 9.784/99 e os art. 5º, XXXIV, LIV e LV, e 93, IX, da CF/88. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda suficientemente as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. A decisão está bem fundamentada e com motivação suficiente para que o contribuinte entendesse que para que exista a restituição de determinado tributo é necessário que haja a comprovação da existência do indébito tributário. Se não existe indébito tributário, todos os demais argumentos estão automaticamente descartados. De fato não é necessário que a decisão combata exaustivamente cada um dos argumentos da defesa, se em uma análise direta, constate e demonstre a ausência do direito solicitado. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.237 7 A argumentação de nulidade da decisão recorrida, lastreada no fato de que nem todos os argumentos esgrimidos na manifestação de inconformidade foram enfrentados pelo julgador a quo, encontrase superada tanto no plano do processo judicial como no administrativo, uma vez que já pacificouse o entendimento de não ser necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, e sim que o julgador deve apresentar razões suficientes para fundamentar o seu voto. A este respeito, veja como tem decidido o STJ: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). "1. Inexiste violação dos arts. 458 e 535 do CPC, porquanto clara e suficiente a fundamentação adotada pelo Tribunal de origem para o deslinde da controvérsia, revelandose desnecessário ao magistrado rebater cada um dos argumentos declinados pela parte. Nesse sentido: AgRg no Ag 1.402.701/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 6.9.2011 e REsp 1.264.044/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8.9.2011." (STJ. Quarta Turma. Rel. Min. Marco Buzzi. AgRg no Ag nº 1.370.528/MT. DJe 10/08/2012) Na esfera administrativa, podemos citar os seguintes acórdãos: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ANÁLISE DE TODA A ARGUMENTAÇÃO. Não implica em cerceamento de defesa decisão que adota fundamentação suficiente para o deslinde da controvérsia, revelandose desnecessário à instância de piso rebater cada um dos argumentos declinados pelo Recorrente.(Acórdão nº 3202 000.555. Conselheiro Relator Gilberto de Castro Moreira Junior) NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. (Acórdão nº 3802003.901, Conselheiro relator: Waldir Navarro Bezerra). Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.238 8 O resultado do julgamento pode não ter sido o esperado pela defesa, porém a contrariedade do recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado, não constitui qualquer vício material capaz de incorrer em sua plena desconsideração, até porque o livre convencimento do julgador administrativo encontrase resguardado pelo art. 29, do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. MÉRITO Como relatado, o contribuinte solicita a restituição de valores pagos a título da CIDECOMBUSTÍVEIS, no período de 2003 a 2008. Argumenta em síntese que a Lei nº 10.336/2001, que instituiu a contribuição, tem eficácia limitada, pois está condicionada à efetiva destinação do produto da arrecadação, estando provado nos autos, por meio de Acórdão do Tribunal de Contas da União, que houve o desvio da finalidade na aplicação dos recursos, o que autoriza a restituição dos valores recolhidos. A título ilustrativo transcrevo abaixo trecho do recurso voluntário: (...) "Há que se ressaltar que tal questão passa por uma análise atenta da norma constitucional referente ao tributo, que é plenamente possível na esfera administrativa a Recorrente não pretende de modo algum a declaração da inconstitucionalidade de lei (pretensão esta que, de fato, seria inviável na esfera administrativa). Ao revés, o que se visa é o reconhecimento de que, à luz da Constituição, a norma de incidência tem eficácia limitada e condicionada à efetiva destinação do produto da arrecadação, de modo que, em virtude do desvio de finalidade, na situação concreta, ela está maculada de ineficácia técnica para legitimar a incidência do tributo." (...) Com todo respeito à tese formulada pelo recorrente, entendo que a decisão recorrida está correta. No âmbito do presente processo administrativo decorrente de pedido de restituição, cabe às autoridades administrativas verificar se foram cumpridas todas as formalidades legais que autorizem a devolução dos valores solicitados. Neste sentido o CTN prevê as seguintes hipóteses para a restituição: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.239 9 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. De plano, verificase que a única hipótese possível para o pedido do contribuinte, é a constante do inciso I, que trata do pagamento indevido. Portanto o primeiro passo a ser conferido é se houve a comprovação do pagamento indevido. O próprio contribuinte relata que efetuou os recolhimentos da CIDE em face da exigência da Lei nº 10.336/2001. Portanto a lei instituiu o tributo, definiu os contribuintes, os fatos geradores e a correspondente base de cálculo, tudo em conformidade com o previsto na CF e no CTN. Com a ocorrência dos fatos geradores, em todos os anoscalendários, de 2003 a 2008, surgiu a obrigação tributária principal (art. 113 do CTN) que foi corretamente adimplida pelo contribuinte. Por sua vez o crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos em lei (art. 141 do CTN). Não existe nenhum dispositivo de lei que autorize a modificação do crédito tributário que, ressaltese, foi regularmente constituído no lançamento efetuado por homologação. Assim, o pagamento decorreu da lei 10.336/2001, a qual não teve sua validade afastada por ato judicial cabível. Estando a lei em vigor, sobretudo nas datas dos fatos geradores, está demonstrado que não houve o pagamento indevido, que seria o fundamento principal do pedido. Aspectos relacionados a desvio de finalidade dos recursos arrecadados não afetam o fato gerador do tributo e não estão relacionados no campo de atuação dos órgãos de administração fazendária. Não cabe às autoridades administrativas competência para decidir sobre a limitação da eficácia das leis tributárias. Tal análise envolve aspectos de sua constitucionalidade, atribuição privativa do poder judiciário. Veja o que dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido a Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001336/200817 Acórdão n.º 3301002.689 S3C3T1 Fl. 1.240 10 Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10831.000727/91-23
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO. "EX'.'SCANNER" identificado
como sendo 'periférico' de computador, com a função de "capturar"
(digitalizar) uma imagem existente para armazená-la em disco e
posterior tratamento dela com os 'aplicativos' normais do
computador editor de texto e imagem, transmissão por linha
telefônica, reconhecimento e tratamento de imagem. Não identificado como sendo "scanner" colorido para separação de cores e composição de fotolitografia.
Mercadoria não abrangida no "Be do código 8442.10.0000 criado
pela Portaria MEFP 840/90, mas com classificação no código NBM
8471.99.0600.
Provido o recurso especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.177
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes e Nilton Luiz Bartoli que davam provimento parcial para excluir tão somente as multas.
Nome do relator: João Holanda Costa
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ementa_s : ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO. "EX'.'SCANNER" identificado como sendo 'periférico' de computador, com a função de "capturar" (digitalizar) uma imagem existente para armazená-la em disco e posterior tratamento dela com os 'aplicativos' normais do computador editor de texto e imagem, transmissão por linha telefônica, reconhecimento e tratamento de imagem. Não identificado como sendo "scanner" colorido para separação de cores e composição de fotolitografia. Mercadoria não abrangida no "Be do código 8442.10.0000 criado pela Portaria MEFP 840/90, mas com classificação no código NBM 8471.99.0600. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T13:21:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T13:21:44Z; Last-Modified: 2009-07-22T13:21:44Z; dcterms:modified: 2009-07-22T13:21:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T13:21:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T13:21:44Z; meta:save-date: 2009-07-22T13:21:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T13:21:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T13:21:44Z; created: 2009-07-22T13:21:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-22T13:21:44Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T13:21:44Z | Conteúdo => 4.. - MINISTÉRIO DA FAZENDA ;J CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 1 TERCEIRA TURMA Processo n° :10831.000727/91-23 Recurso : RP/301-0.409 Matéria : MANIFESTO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida :10 CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : EDISA INFORMÁTICA S/A Sessão de : 08 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.177 or ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO. "EX'.'SCANNER" identificado como sendo 'periférico' de computador, com a função de "capturar" (digitalizar) uma imagem existente para armazená-la em disco e posterior tratamento dela com os 'aplicativos' normais do computador editor de texto e imagem, transmissão por linha telefónica, reconhecimento e tratamento de imagem. Não identificado como sendo "scanner" colorido para separação de cores e composição de fotolitografia. Mercadoria não abrangida no "Be do código 8442.10.0000 criado pela Portaria MEFP 840/90, mas com classificação no código NBM 8471.99.0600. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes e Nilton Luiz Bartoli que davam provimento parcial para excluir tão somente as multas. =fn.eil• lPrEip S PRESIDENT JPÚhÓNDA COSTA ELATOR , . :. . PROCESSO No : 10831.000727191-23 ACÓRDÃO 19° . CSRF/03-03.177 o 9 AGO 2°‘/1 FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e HENRIQUE PRADO MEGDA 1 \--, 2 Is . - PROCESSO N° : 10831.000727191-23 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.177 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 1° CÂMARA 00 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES RELATÓRIO Com o Acórdão 301-27.064, de 02 de junho de 1.994, a 1 Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento pacial ao recurso voluntário de EDISA INFORMATICA S/A, concluindo, com apoio no Laudo Técnico de fls. 29 e seguintes, que o *scanner é um aparelho independente do computador, da fotocompositora e do "software" a que se possa acoplar mas pertence exclusivamente a este tipo de utilização; somente pode usado para composição de fotografias e separação de cores e tem classificação correta no "ex' da posição TAB 8442.10.0000, "ex vi" da Portaria MEFP n° 840/90; quanto às "interfaces", para interligar o digitalizador ao computador, composta de cartão lógico, cabo, disquete gravado e manual, manteve a decisão de primeira instância, que classificou no código 8473.30.9900, uma vez que são placas de circuito impresso. A empresa promovera, em 1991 e 1992, a importação de aparelhos "scanner para composição de fotografias e separação de cores, dando classificação no código 8442.10.0000, com aliquota zero na conformidade da Portaria MEFP 840, de 27/12/90 e 'interface' especial para interligar o digitalizador ao computador, composto de cartão lógico, cabo, disquete gravado e manual. A fiscalização entendeu, porém, a vista do Laudo Pericial que tais aparelhos são periféricos de computador, não tendo capacidade para reconhecer cores e que a classificação correta era pelo código 8471.99.0600 (leitora óptica). Quanto às Interface?, entendeu que se deveriam classificar no código 8473.30.9900, com aliquota zero de II mas 15% de IPI e não apenas 5%. A Fazenda Nacional apresenta recurso especial dizendo que a decisão do Colegiada está em dissonância com as provas produzidas nos autos e \)( 3 .. „ 4 . - • PROCESSO N° : 10831.000727/91-23 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.177 sem sintonia com o Direito. Diz que as razões do recurso estão sintetizadas na v. decisão monocrática constante do processo que adota como se aqui transcritas estivessem e sob mvenia" a elas remete os ínclitos Julgadores. Após as contra-razões, foram juntados aos autos os documentos de fls. 103/338, relativos a duas representações fiscais acompanhadas dos documentos discriminados à fl. 104/105. Diz o Auditor - Fiscal: 'Durante os trabalhos de fiscalização objeto da F. M. 94-00702, foi apurado que a classificação tarifária adequada aos SCANNER importados pelo contribuinte, nos anos de 1.991 e 1.992, na TAB-SH é a 8471.92.9900, visto que os referidos SCANNERS são unidades de entrada de computador. O contribuinte foi intimado a declarar se reiterava o laudo pericial de 11.10.91 do Engenheiro Luiz Prado, CREA 52.211D, através do termo de Intimação de 19.11.93. No expediente apresentado em 11.03.94, o contribuinte não reiterou o laudo pericial de 11.10.91 do Engenheiro Luiz Prado, CREA 52.211/D, por reconhecer as suas falhas técnicas. Tendo em vista que tal Laudo Pericial foi utilizado para fundamentar a impugnação e o recurso voluntário ao Terceiro Conselho de contribuintes, ambos referentes ao Auto de Infração objeto do Processo 10831.00072/91-23 LAVRO a presente representação fiscal, com proposta de encaminhamento à Câmara Superior de Recursos Fiscais para conhecimento; para subsidiar o julgamento do litígio fiscal objeto do processo 10831.000727/91-23 e adoção das medidas cabíveis" É o Relatório \.7 4 PROCESSO N o : 10831.000727/91-23 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.177 VOTO Conselheiro JOÃO HOLANDA COSTA, Relator A mercadoria constante da adição 001 da Dl, foi importada como sendo *aparelho Scanner para composição de fotografias e separação de cores — P/N HP-9195. . Na declaração de importação foi classificada no código 8442.10.0000 — aliquota zero conforme a Portada MEFP 840, de 27/12/90. Consta do processo o Laudo Pericial n° 113/91 (fls. 16/17), segundo o qual não se trata de -scanner colorido para separação de cores e composição de fotolitografia, mas sim de um "Scanner periférico de microcomputador cuja função é capturar (d9g9talizar) uma imagem existente para armazená-la em disco (ligado a um microcomputador ao qual o "scanne( obrigatoriamente deve estar ligado) e posteriormente tratar esta imagem com os programas aplicativos rsoftwaren normais do microcomputador como: editor de texto e imagem, transmissão por linha telefônica, reconhecimento e tratamento de imagem, etc.- A fiscalização aduaneira, com base neste Laudo, fez à reclassificação da mercadoria para o código 8471.99.0600, como sendo leitoras ópticas. Quanto à mercadoria da adição 002, declarada como sendo Interface especial para interligar o digitalizador ao computador, composto de cartão lógico, cabo, disquete gravado e manual — P/N HP-88296 A, foi refeita a classificação para o código 8473.30.9900.. 5 PROCESSO N° : 10831.000727/91-23 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.177 Além do Laudo pericial citado, consta dos autos o Laudo Técnico Scanner (fls. 29/30) produzido pela empresa. O Acórdão recorrido baseou-se exclusivamente no Laudo Técnico apresentado pela empresa recorrente (lis. 29 e seguintes) que se contrapõe ao Laudo Pericial 113/91 produzido especificamente para a mercadoria apresentada à conferencia aduaneira. O Engenheiro Assistente Técnico diz categoricamente, em resposta aos quesitos formulados pela fiscalização, da seguinte forma: 'A resposta poderia ser `Não°, simplesmente, pelo fato de o dispositivo em análise não reconhecer cores, e não ser utilizado para separação de cotes. Contudo, outras constatações reforçam a resposta negativa ao quesito: embora os dois dispositivos possam ter evoluído e tenham princípios de funcionamento semelhantes, as aplicações são diferentes. Enquanto os primeiros são usados na indústria de impressão, para a separação de cores e geração dos correspondentes fotolitos, os dispositivos em análise são periféricos de microcomputadores destinados às aplicações mais pessoais e de caráter mais genérico, como por exemplo captar (ler e digitalizar) uma imagem para microcomputador e posteriormente fazer sua composição com um texto previamente criado dentro de um editor de texto, enviar um fax com esta imagem, reconhecer padrões, etc., tudo isso com o auxílio de 'software apropriado. Além disso, os primeiros podem ter vida ~ria sem a necessidade de estarem ligados e outros sistemas pois podem gerar automaticamente os fotolitos. Já os outros devem estar ligados a um microcomputador. PARECER CONCLUSIVO. Não se trata de um iscanner" colorido para separação de cores e composição de fotolitografia. Trata-se de um IScanner" cuja função não é tão específica; pelo contrário, é um periférico de microcomputador cuja função é capturar (digitalizar) uma imagem existente para armazená-la em disco (ligado a um microcomputador ao qual o iscanner" obrigatoriamente deve estar ligado) e posteriormente tratar esta imagem com os programas aplicativos rsoftwares9 normais do microcomputador como: editor de texto e imagem, transmissão por linha telefônica, reconhecimento e tratamento de imagem, etc. 6 ... - • PROCESSO N° : 10831.000727/91-23 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.177 O material juntado aos autos traz subsídios que de outro modo não teriam chegado ao conhecimento dos Senhores julgadores. Às fls. 144, consta uma intimação dirigida pela fiscalização da Receita federal à empresa EDISA HEWLETT PACKARD S/A, em 19.11.93, em que se indaga da empresa, entre outras coisas, se reitera o laudo pericial apresentado na impugnação e no recurso voluntário dirigido ao Terceiro Conselho de Contribuintes, no Processo 10831.000727/91-23. A resposta da empresa está à 11. 161, do seguinte teor. `Com relação ao laudo pericial, citado no item 9 da presente, necessários alguns reparos: a — o ascanner HP9195 A não tem sua aplicação principal na indústria gráfica; b — com relação ao programa HP PAINTBRUSH, reportamo-nos ao quesito n° 11; c — com relação à separação de cores, de se registrar que o HP9195 A é um 'acalme? monocromático (vide resposta ao quesito n° 2); D — Feitas estas ressalvas, declaramos que aceitamos o parecer técnico, conclusivo, do Engenheiro Israel Geraldi, que se encontra anexado ao processo.' A vista do exposto, não há fundamento para manter-se a decisão constante do Acórdão objeto do recurso razão por que voto para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala de Sessões, 08 de maio de 2001. JO OLANDA COSTA R TOR 7 Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.005439/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de calculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o valor de R$ 51.985,51.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 54 39 /2 00 3- 14 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de calculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o valor de R$ 51.985,51. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.005439/200314 Acórdão n.º 2402004.704 S2C4T2 Fl. 414 3 Relatório Tratase de retorno de diligência demandada pela extinta 2ª Turma Especial da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ao analisar processo que retornava da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) após Recurso Especial da União interposto contra acórdão da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da então 3ª Seção de Julgamento do CARF. No relatório dessa decisão, às fls. 222/227, constam bem resumidos os eventos do processo, razão pela qual se pede a devida vênia para sua transcrição: O auto de infração de fls. 04 a 08 exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 63.266,35, a título de imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), acrescido de multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado além de juros de mora, relativo ao anocalendário 1998, exercício 1999, elas face de haverem sido constatadas as seguintes infrações: I omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica, pagos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará e do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Ceará, nos termos do disposto nos artigos 1% 2° e 3% e §§, e 8° da Lei n° 7.713 , de 22/12/1988, artigos 1° a 3° da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e artigo 138 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). II omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem não restou comprovada, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 4° da Lei n° 9.481, de 14/08/1997, artigo 1º da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, artigo 1° da Lei n° 9.887, de 07/12/1999, e artigo 63 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002. 2. A ciência do auto de infração ocorreu aos 18/06/2003, e, em contraposição, foi apresentada a impugnação de fls. 134 a 139. 3. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) acataram parcialmente as considerações de defesa aduzidas pelo sujeito passivo e acordaram por dar o lançamento como procedente em parte, para excluir da base de cálculo os valores referentes à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica, pagos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará e do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Ceará, como também, os depósitos bancários referentes aos proventos recebidos do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. 4. Intimado aos 29/05/2006, o sujeito passivo irresignado interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, para cujo seguimento foi apresentado o arrolamento de bens exigidos pelo artigo 33, §§ 2° e 3% do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, cole as alterações da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. 5. Na petição, a recorrente apresenta considerações de defesa que, elas apertada síntese, são a seguir expendidas: I — o Conselho de Contribuintes vem mantendo entendimento no sentido de que, para pessoas fisicas, obrigatoriamente, devem ser levados em consideração, na apuração de eventuais aumentos patrimoniais a descoberto, advindos de qualquer Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 presunção que seja, deverá ser recomposta a evolução patrimonial, belas como as respectivas fontes e usos, incluindo todas as disponibilidades do sujeito passivo, mês a Inês, inclusive oriundos do anocalendário anterior; I1— os valores objeto do auto de infração são resultado do exercício a função de juiz no Tribunal e decorrem de uma poupança ao longo da vida. 6. Ao final, requer o pleiteante que seja dado provimento ao recurso, com a anulação do auto de infração. Mediante a prolação do Acórdão de nº 340100.085, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF acolheu preliminar dando provimento ao recurso voluntário, considerando que a Lei nº 10.174/2001 não poderia retroagir para fins de alcançar fatos geradores anteriores ao advento desse diploma. Acolhido o Recurso Especial da União contra tal decisão, conforme Acórdão nº 9202002.444 da CSRF (fls. 255/258), foi o processo distribuído para a já referida 2ª Turma Especial do CARF para julgamento. Entendeuse então, contudo, ser necessária antes a verificação da eventual inclusão dos débitos sob litígio no Parcelamento Especial PAES, determinandose a remessa dos autos à repartição de origem. Por meio da Informação de fls. 296/297, a DRF Fortaleza/CE explicou que, não obstante o contribuinte tivesse seu pedido de adesão ao PAES validado em 28/7/2003, e incluído o presente processo na consolidação do parcelamento, "não houve a desistência expressa e irrevogável da impugnação, nos moldes do art. 11, incisos I e II e § 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1, de 25 de junho 2003", portanto "se procedeu à retirada do referido processo daquela consolidação e prosseguimento do rito processual". Arrematou, frisando que "os débitos objetos do processo 10380.005439/200314 não foram incluídos no Parcelamento Espacial – PAES", sendo na sequência providenciado o retorno dos autos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.005439/200314 Acórdão n.º 2402004.704 S2C4T2 Fl. 415 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. Conforme relatado, o recurso voluntário foi anteriormente submetido a julgamento pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que acolheu, por voto de qualidade, preliminar dando provimento ao recurso voluntário, considerando que a Lei nº 10.174/2001 não poderia retroagir para fins de alcançar fatos geradores anteriores ao advento desse diploma. Todavia, naquela oportunidade a Conselheira Relatora havia examinado a matéria de fundo, e, restando superado o óbice preliminar por força da decisão da CSRF, e não dissentindo meu entendimento quanto às principais questões de direito do exposto no voto da D. Conselheira, adotoo parcialmente como razões de decidir, de modo que passe a integrar a presente fundamentação: O litígio que chega a este colegiado diz respeito à parte do auto de infração lavrado que teve como objeto depósitos bancários efetuados em contascorrentes das quais é titular, cuja origem dos recursos não foi esclarecida pelo autuado. A base legal que deu súporte à exação foi o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 4° da Lei n° 9.481, de 14/08/1997, artigo 1° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, artigo 1° da Lei n° 9.887, de 07/12/1999, e artigo 63 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002. Primeiramente, em sua defesa, alega o recorrente que o Conselho de Contribuintes vem mantendo entendimento no sentido de que, para pessoas físicas, obrigatoriamente, devem ser levados em consideração, na apuração de eventuais aumentos patrimoniais a descoberto, advindos de qualquer presunção que seja, deverá ser recomposta a evolução patrimonial, bem como as respectivas fontes e usos, incluindo todas as disponibilidades do sujeito passivo, mês a mês, inclusive oriundos do anocalendário anterior. À vista de tais considerações, entendo que o apelante entende que, para o lançamento, deveriam ter sido observadas as determinações do artigo 6° da Lei n° 8.021, de 12/04/1990, com a averiguação dos sinais exteriores de riqueza. Referido dispositivo legal exigia que o lançamento de oficio do imposto sobre a renda poderia ser feito mediante arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, que se configurariam como a realização de gastos incompatíveis core a renda disponível do sujeito passivo. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Os fatos que ensejaram a ação fiscal foram os volumes de moeda movimentados nas contascorrentes bancárias de titularidade do recorrente. Neste ponto, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que deu suporte ao auto de infração, em seu caput, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, litteris: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com efeito, o dispositivo legal em tela autoriza à autoridade fiscal para que, mediante conhecimento dos valores creditados na contacorrente bancária, intime o seu titular a comprovar a origem e a natureza daqueles recursos, com o fim de que seja observado se já foi objeto de tributação. Como se trata de hipótese em que a própria lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizais omissão de receita ou de rendimentos, cabe ao sujeito passivo, para que tais valores não sejais objeto de exação fiscal, a apresentação dos esclarecimentos necessários á identificação da origem dos recursos depositados na contacorrente bancária. Em tal hipótese, observase a inversão do ônus da prova no direito tributário, que se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, sendo que inversão sempre se origina da existência em lei. A presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase, por outro lado, de presunção juris tantuni, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.005439/200314 Acórdão n.º 2402004.704 S2C4T2 Fl. 416 7 No caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto: diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operou a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. Dessarte, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430, de 1996, que em seu artigo 42 autoriza urna presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, tornouse despicienda a averiguação dos sinais exteriores de riqueza para dar suporte ao lançamento com base em depósitos bancários, não havendo que serem acolhidas as reclamações do recorrente neste sentido. De outra banda, aduz o recorrente que os valores objeto do auto de infração são resultado do exercício a função de juiz no Tribunal e decorrem de uma poupança ao longo da vida, o que justificaria a origem dos depósitos bancários. Como antes reportado, a tributação decorrente de depósitos bancários somente será elidida com a comprovação dos depósitos, por meio da identificação, por via documental, da origem dos recursos, de forma a que se tenha demarcada a fonte dos numerários, não sendo admitidas considerações de forma geral. Assim, não podemos acatar as considerações do recorrente acerca da justificativa para a origem dos depósitos bancários objeto do auto de infração. Entretanto, observandose o demonstrativo elaborado pelo relator do voto condutor do acórdão de primeira instância (fl. 181), verificase a existência de depósitos de valores inferiores a R$ 12.000,00, sendo que o seu somatório não ultrapassa R$ 80.000,00. À vista de tal circunstância, cabe trazer à colação o § 3, inciso II, do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. omissis (...) § 3°. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000, 00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Os limites previstos no artigo 42, § 3°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, foram alterados pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, da seguinte forma: Art.4º. Os valores a que se refere o inciso II do ô 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 A interpretação que este colegiado faz desse dispositivo é no sentido de que, para os fins da presunção de. omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada não podem ser considerados, para efeito de determinação da receita omitida, quanto às pessoas físicas, os depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano calendário, não supere R$ 80.000,00. (....) Assim, em razão da regra prevista no § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, a presunção legal do caput deste dispositivo não gera efeitos, com relação às pessoas físicas, para os depósitos bancários de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do anocalendário, não supere R$ 80.000,00. Notese, todavia, que incidiu em erronia o voto em evidência, na parte em que aplicou a regra do inciso II do § 3º da Lei nº 9.430/96 ao caso em espécie. Isso, porque excluiu da base de cálculo da infração não os créditos abaixo de R$ 12.000,00 individualmente considerados, mas sim os valores mensais agregados inferiores a esse valor, baseandose equivocadamente na tabela consolidada constante das fl. 181/182, resultante da decisão de primeira instância. Deve ser procedido, dessarte, o expurgo dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 discriminados nas tabelas de fls. 12 (contacorrente nº 5.0504 do Banco do Brasil) e 13 (contacorrente nº 06507742 do Banco do Estado do Ceará), face ao seu somatório não atingir a cifra de R$ 80.000,00. A tabela abaixo traz o demonstrativo dos valores em questão, já consolidados em bases mensais (valores em R$): mês/1998 Créditos em contacorrente que restaram não comprovados Total (i) + (ii) Banco do Brasil (i) Banco do Ceará (ii) jan 6.500,00 6.500,00 fev 3.007,00 1.950,00 4.957,00 mar 3.626,61 1.800,00 5.426,61 abril 4.677,75 1.600,00 6.277,75 maio 569,80 1.750,00 2.319,80 jun 2.883,80 866,00 3.749,80 jul 2.288,30 2.288,30 ago 13.528,15 300,00 13.828,15 set 1.214,00 200,00 1.414,00 out 3.974,10 250,00 4.224,10 nov 600,00 400,00 1.000,00 Total 42.869,51 9.116,00 51.985,51 Mister lembrar, por oportuno, que a matéria foi tema da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010, e de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9/6/2015). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10380.005439/200314 Acórdão n.º 2402004.704 S2C4T2 Fl. 417 9 Portanto, temse que deve ser excluído da base de cálculo da infração em comento o valor de R$ 51.985,51. Vale mencionar, outrossim, que o contribuinte alega que possuía R$ 88.900,00 em espécie ao final do ano calendário 1997, o qual acrescido dos rendimentos chegaria a R$ 120.000,00 em moeda corrente, e que serviria de lastro para a movimentação bancária tida por não justificada pela fiscalização. Ora, tal arrazoado já foi devidamente enfrentado por ocasião do julgamento de primeira instância, em razões que aqui transcrevo, por partilhar desse entendimento: 26. Dos autos, verificase que o contribuinte apresentou DIRPF/1998, ano calendário 1997, entregue no prazo e muito antes de o contribuinte ser fiscalizado, fls. 16/18, informando, dentre outros dados fiscais, que em 31 de dezembro de 1997, possuía dinheiro em espécie no valor de R$ 45.000,00. Já na DIRPF/1999, informa o impugnante que, na mesma data, ou seja, em 31 de dezembro de 1997, possuía dinheiro em espécie no valor de R$ 88.900,00. Como se vê, as informações prestadas ao Fisco são conflitantes, tendo tal dado sido apontado pela fiscalização em seu Termo de Verificação. 27. Observese que é totalmente plausível que um contribuinte incorra em erro ao informar o valor de um bem em suas declarações anteriormente apresentadas e o constatando já o corrija ao elaborar a declaração do ano em questão. Contudo, no presente caso, em nenhum momento o impugnante trouxe aos autos documentos que comprovassem a efetividade da existência de valores em espécie, seja de R$ 88.900,00, seja de R$ 45.000,00. 28. Contudo, ainda que provado a existência do numerário — R$ 88.900,00 ou R$ 45.000,00, este fato por si só não é suficiente para comprovar que o montante creditado no dia 02/01/2002 [sic], na contacorrente n° 5.0504, mantida na agência n° 3646 do Banco do Brasil S/A pelo impugnante, tenha sido suportado pelos recursos porventura existentes em caixa em 31/12/1997. 29. Ademais, observase que o histórico do lançamento da quantia acima mencionada constante do extrato da conta bancária n° 5.0504 tratase de "Aviso de Crédito", fls. 37. Se o montante de R$ 88.900,00 tivesse sido depositado no banco, em espécie, o histórico a operação seria certamente o de "Depósito" ou "Depósito em dinheiro" e não "Aviso de Crédito'. 30. É de se reconhecer que a expressão "Aviso de Crédito', utilizada em instituições bancárias, não é histórico que corresponda a um depósito em dinheiro, sugerindo outras operações, tais como, crédito de empréstimos, crédito de diárias, estornos de operações indevidas, restituição de tarifas cobradas indevidamente etc. Salientase que este histórico é um histórico utilizado de forma genérica em várias operações bancárias, mas nunca para indicar um depósito em espécie, pois tal operação possui histórico específico. (grifei) De fato, nenhuma evidência concreta trouxe o contribuinte da existência do montante em pecúnia a que se refere, ao final do anocalendário 2007. E, ainda que assim tivesse o atestado, também não logrou estabelecer liame entre a aventada disponibilidade e o "Av. Crédito" no valor de R$ 88.900,00 efetuado em sua conta bancária em 2/1/1998, que permanece assim como depósito cuja origem não foi comprovada. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o valor de R$ 51.985,51 (cinquenta e um mil, novecentos e oitenta e cinco reais e cinquenta e um centavos) Ronnie Soares Anderson. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 12466.003282/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/11/2003, 12/12/2003
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. VALIDADE. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO.
É perfeitamente válida a intimação, por via postal, com prova de recebimento no domicílio fiscal do sujeito passivo, por qualquer pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade por sua entrega. Para afastar a presunção de legalidade da intimação, indispensável a prova irrefutável de que o recebedor da correspondência não a repassou ao contribuinte. Não se conhece de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 3402-002.966
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não tomar conhecimento do recurso por ser intempestivo. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/11/2003, 12/12/2003 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. VALIDADE. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO. É perfeitamente válida a intimação, por via postal, com prova de recebimento no domicílio fiscal do sujeito passivo, por qualquer pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade por sua entrega. Para afastar a presunção de legalidade da intimação, indispensável a prova irrefutável de que o recebedor da correspondência não a repassou ao contribuinte. Não se conhece de recurso intempestivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não tomar conhecimento do recurso por ser intempestivo. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 434 1 433 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.003282/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.966 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria Importação Recorrente THORK TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/11/2003, 12/12/2003 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. VALIDADE. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO. É perfeitamente válida a intimação, por via postal, com prova de recebimento no domicílio fiscal do sujeito passivo, por qualquer pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade por sua entrega. Para afastar a presunção de legalidade da intimação, indispensável a prova irrefutável de que o recebedor da correspondência não a repassou ao contribuinte. Não se conhece de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não tomar conhecimento do recurso por ser intempestivo. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 32 82 /2 00 6- 11 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para a exigência dos tributos incidentes sobre a importação (II e IPI); multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96; multa consolidada no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto 4.543/2002, pela importação de mercadoria sem licença de importação (LI); e juros de mora. Conforme consta na autuação, o lançamento deuse sob os seguintes fundamentos: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal atendendo à determinação do RPF 07276002006006648, promovemos a REVISÃO ADUANEIRA prevista no art. 570 do DecretoLei nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (art. 54 do DecretoLei 37/66), das declarações de Importação DI 03/09902333 e 03/10983368 (documentos anexos doc. 01) constatando os fatos a seguir descritos. As DI supracitadas, registradas respectivamente em 12/11/2003 e 12/12/2003, ampararam a importação de, entre outros produtos, cartuchos DE TONER para impressoras enquadrados pelo importador com o código NCM 8473.30.27, sujeito à alíquota de Imposto de Importação II de 1,5% e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de 5%. Ocorre que os cartuchos de toner para impressoras recebem classificação diversa, qual seja, NCM 8473.30.29, com alíquotas de II e IPI iguais a 12% e 10%, respectivamente. Esse produto foi objeto de solução de consulta de classificação de mercadorias em diversas oportunidades como, por exemplo, na Solução SRRF/7ª RF/DIANA nº 229, de 28 de agosto de 2003 e na Solução SRRF/10ª RF/DIANA nº 202, de 13 de novembro de 2003 (doc. 02). Também a Solução de Divergência Coana nº 7, de 07 de novembro de 2003 (doc. 02) classificou o produto em questão com o código NCM 8473.30.29, e da qual reproduzimos parte: (...) A Regra Geral n° 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado determina que as mercadorias devem ser classificadas de acordo com o texto das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Desta forma analisemos o texto da posição usada pelo importador, qual seja, 8473.30.27 "Cartuchos de Tinta". A simples leitura com os textos evidencia que a mercadoria para se enquadrar na referida posição deve se tratar de um cartucho de TINTA não de toner para impressora. O importador descreveu as mercadorias das DI 03/09902333 e 03/10983368 sempre OMITINDO a expressão "DE TONER". É Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12466.003282/200611 Acórdão n.º 3402002.966 S3C4T2 Fl. 435 3 verdade que na DI 03/09902333 original havia, em alguns itens, essa expressão, o que não mais ocorreu após a sua retificação. Uma planilha com as descrições dos produtos feitas na retificação e seus valores CIF (custo mais seguro mais transporte) encontrase nos documentos anexos (doc. 01). A informa [informação] sobre o tipo de cartucho é essencial ao correto enquadramento tarifário. Portanto, a mercadoria não se encontra corretamente descrita com todos elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Assim, o importador promoveu uma declaração inexata, uma vez que NÃO descreveu corretamente a mercadoria com todos elementos necessários à sua identificação, ensejando a aplicação da multa de 75% sobre o II e o IPI não recolhidos, prevista no art. 645, inciso I, do Regulamento aduaneiro (art. 44 da Lei n° 9430/96: (...) O Parecer n° 55/2003 da DISIT/7ªRF (doc. 06), em seu item 7, determina que a declaração inexata (incorreta) de mercadoria, ou seja, aquela que não contempla de forma completa todos elementos necessários à sua perfeita identificação e caracterização, conforme definido no item 39.2 do Anexo I da IN SRF nº 206, de 25/09/2002, enseja a aplicação da multa por falta de LI (art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto 4.543/02), tanto no licenciamento automático quanto no não automático, estando tal entendimento respaldado pelo artigo 6°, parágrafo 10 do Decreto n° 660, de 21 de setembro de 1992, que estabelece serem os registros eletrônico das operações de importação, efetuados no Siscomex, equivalentes à Guia de Importação e à Declaração de Importação, para todos os fins e efeitos legais, pelo artigo 7° da Portaria SECEX n° 21/1996, que define os dois tipos de licenciamento a que estão sujeitas as importações, e ainda pelo Parecer CST no 477/1988 e pelo Ato Declaratório (Normativo) COSIT no 12/1997. Portanto, no presente caso, ao descrever incorretamente as mercadorias da DI 03/0992333, prestando uma declaração inexata, o importador incorreu na infração tipificada no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto 4.543/03, importação de mercadoria sem licença de importação (LI), a qual enseja a aplicação de multa de trinta por cento sobre o valor aduaneiro das mercadorias: (...) Importante lembrar que após sua retificação, nenhum dos itens da adição dessa DI trazia em sua descrição a expressão "DE TONER" á exceção dos descritos como cartucho de tinta e que não são objeto deste auto de infração. Ressaltase que, com a edição da Portaria SECEX nº 17, de 01 de dezembro de 2003, a importação da mercadoria em questão passou a ser dispensada de licenciamento e, conseqüentemente, não foi aplicada a multa de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas ao amparo da DI 03/10983368, já que esta foi registrada em 12/12/2003. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 (...) Conforme já descrito alhures, o importador classificou incorretamente a mercadoria importada no código 8473.30.27 da NCM, quando o correto é 8473.30.29, conforme relatório anexo. Destarte, incorreu na infração tipificada no art. 84 de 24/08/2001 (in verbis): (...) Segundo a Portaria nº 67 da Alfândega do Porto de Vitória, de 08/10/2001, o limite de que trata o § 1º do artigo 84, da referida Medida Provisória, será aplicado por adição da Declaração de Importação. Concluindo, fezse mister a lavratura do auto de infração para constituir o crédito tributário devido, sendo exigida a diferença entre os valores apurados por esta fiscalização e os valores recolhidos de II e IPI pelo contribuinte, bem como as multas citadas e acréscimos legais. (...) Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) Alega que o critério jurídico adotado pela administração tributária para fins de classificação de cartuchos de toner era na NCM adotada pela impugnante, somente tendo sido modificado posteriormente ao registro das declarações de importação objeto deste auto, conforme Decisão n° 357/99 da 7a Região Fiscal, publicada no DOU em 03/03/2000. Somente em 03/03/2004 é que foi publicada a Solução de Divergência n° 07/2003, que reformou a citada Decisão 357/99. Assim, conforme o disposto no art. 146 do CTN, a impugnante não pode ser obrigada a recolher quaisquer valores a título de diferença de impostos e, com mais razão, quaisquer multas, dada a inalterabilidade do lançamento efetuado. Aduz que as penas pecuniárias não podem ser exigidas, em razão das normas encontradas no art. 101 do DecretoLei n° 37/66 e no art. 76 da Lei n° 4.502/64, pois não podem ser aplicadas penalidade na vigência de processo de consulta, ainda que o interessado não seja parte de tal processo. Salienta que a própria administração continua a manifestar entendimentos divergentes quanto à classificação dos cartuchos de toner, pois ainda em 2006 houve cinco soluções de consulta classificandoo no código NCM 8473.30.27, ainda que este se refiram a cartucho de tinta em pó. Argui que, desde o Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), integrante do GATT/94, o licenciamento automático de forma integrada à declaração de importação possui natureza jurídica de dispensa de licenciamento. O licenciamento automático previsto na Portaria Secex n° 21/96 não corresponde, efetivamente, a um pedido de licenciamento, porque a DI, por si só, não tem esta finalidade. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12466.003282/200611 Acórdão n.º 3402002.966 S3C4T2 Fl. 436 5 Ainda, a Secretaria da Receita Federal não tem competência para autorizar importações, pois não se trata de órgão anuente. Ademais, o licenciamento deveria se dar de forma prévia à realização da importação, se for simultâneo, então não se trata de licenciamento. Isto tudo implica no reconhecimento de que a natureza jurídica do licenciamento automático é de dispensa de licenciamento. Informa que o código NCM 8473.30.29 não estava sujeito a licenciamento de importação nãoautomático à época dos fatos. Ademais a alegada descrição inexata, como base para aplicação das penalidades, não existe, não sendo cabível a cobrança da multa por falta de LI e por lançamento de ofício. Inexatidão não se confunde com incompletude. De fato, há diversas informações sobre os cartuchos que deixaram de ser informadas, sem que isto possa se caracterizar como descrição inexata. Afirma que a ausência da informação de que os cartuchos continham toner era absolutamente irrelevante para fins de classificação fiscal, dado o critério jurídico de interpretação da NCM/SH vigente à época dos fatos, uma vez que ambos os cartuchos de toner e de tinta de acordo com a interpretação fiscal do período, classificavamse no mesmo código NCM. Por isto, não havia razão em se informar algo que não tinha qualquer propósito fiscal. Assim, todos os elementos necessários ao enquadramento tarifário pleiteado foram informados. Esclarece que jamais efetuou qualquer retificação nas DI e que a retificação mencionada pela auditoria se trata de uma retificação de oficio, de forma que o próprio fiscal responsável pelo despacho foi quem retirou a expressão "de toner" dos itens objeto do auto de infração. Lembra que a época dos fatos, o Siscomex não permitia a retificação da DI selecionada para o canal verde de conferência aduaneira. Informa que o fato de ter concordado com o recolhimento das multas exigidas pela fiscalização não significa que tenha concordado com a exigência feita, cuja justificativa foi a necessidade imediata da carga. Requer seja declarado a insubsistência do auto de infração, ou, alternativamente, a exclusão de todas as penalidades (multa e juros), bem como a exclusão da multa por falta de licenciamento, pelos motivos expostos. (...) A 2a Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento em Florianópolis julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão n° 0728.863, de 18 de maio de 2012, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/11/2003, 12/12/2003 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ADN COSIT N° 12/1997 Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, é afastada a multa por falta de licença de importação nos casos em que a mercadoria é corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário devido. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, pela falta de pagamento dos impostos na data prevista na forma da legislação de regência. Entendeu o julgador de primeira instância que deveria ser afastada a multa por falta de licenciamento, vez que considerou que o produto importado foi corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário devido, em conformidade com a determinação do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997. Tendo sido cientificada da decisão da primeira instância administrativa em 12/07/2012, a contribuinte interpôs recurso voluntário ao CARF em 24/09/2012, alegando, em síntese: PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE Preliminarmente, é importante destacar que ao receber no dia 24 de agosto de 2012 a Carta Cobrança n° 45, datada de 22 de agosto de 2012, estranhou o fato de que em se tratando de processo relativo à exigência fiscal para a qual havia promovido a competente defesa, não havia recebido anteriormente qualquer manifestação desse Órgão sobre o direito de oferecer recurso à Instância Administrativa Superior. Ao pesquisar junto ao Portal ECAC, (...) verificou a existência do AR290753126DL, da empresa Correios, indicando que em 12/07/2012 havia sido entregue à Senhora Romilda P. Santos, documento de Identidade n° 808512ES, a Intimação 064/2012, enviada pela ALF/VIT/ES/SACAT (...) Acontece que a Senhora Romilda P. Santos não é funcionária da THORK TRADING, conforme comprova com o Registro de Empregados (doc.), e sim do edifício, conforme apurado, onde funciona o seu estabelecimento, exatamente no quarto andar, sala 414, não se tendo notícia na empresa Recorrente do recebimento da citada Notificação, motivo que deve ser iniciado o prazo para recurso na data em que a empresa recebeu a Carta Cobrança, ou seja, o dia 24 de agosto de 2012. De acordo com o art. 75,1, II e III do Código Civil de 2002, as pessoas jurídicas de direito público possuem domicilio especificado. Já as pessoas jurídicas, conforme o art. 75, IV, do mesmo diploma legal, o domicílio é o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12466.003282/200611 Acórdão n.º 3402002.966 S3C4T2 Fl. 437 7 domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos, sendo que, o §1° do citado artigo considera que tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Ora, a empresa elegeu como seu domicílio tributário o seguinte endereço: Av. Américo Buaiz n° 501, Edifício Victoria Office Towe, 4o andar, sala 414, onde funciona sua diretoria e administração, sendo o endereço correto onde devem ser entregues as intimações. Assim, é certo que se a Notificação não foi entregue no citado endereço, eleito junto à Receita Federal, o ato intimatório não cumpriu sua função legal. A respeito da citação pelo Correio, a validade manifesta no Código de Processo Civil exige que a entrega seja feita àquele que detenha poderes de gerência ou de administração, o que não ocorreu no caso em discussão. Desta forma, possuindo a empresa um corpo administrativo na sala n° 414 do Edifício onde está instalada, a intimação realizada através de terceira pessoa estranha à empresa não pode ser considerada, devendo prevalecer a intimação relativa à Carta de Cobrança n° 45, devidamente recebida na sede da empresa. MOTIVOS DO RECURSO O r. Relator não atentou que exigência fiscal se concentra na cobrança de diferenças de impostos e multas relativamente a importações realizadas durante período em que o critério jurídico adotado pela administração tributária para fins de classificação de cartuchos de toner na NCM era compatível com o utilizado pela impugnante, somente tendo sido modificado posteriormente ao registro das declaração de importação objeto do auto. Isto quer dizer que o critério jurídico adotado pela fiscalização exigindo o registro de DI's relativas ao produto vigorou enquanto perdurou a vigência da Solução de Consulta Diana n° 357/99. Logo, não pode retroagir no tempo para cobrar diferenças de tributos relativas a uma posição tarifária que ela mesma, anteriormente, impôs ao Importador. O Código Tributário Nacional positivou o principio da inalterabilidade dos critérios jurídicos em seu art. 146, que assim dispõe: (...) DA APLICAÇÃO DE PENALIDADES AO CASO Apenas como argumento, ainda que se considerem devidos os tributos, as penas pecuniárias não podem ser exigidas, em razão das normas encontradas no art. 101 do Decretolei n. 37/66 e no art. 76 da Lei 4.502/64: (...) Como se vê, a legislação de regência dos impostos de importação e sobre produtos industrializados impede a aplicação de penalidades a quem agir de acordo com a Fl. 440DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 interpretação fiscal constante de processo de consulta, ainda que o interessado não seja parte de tal processo. Por outro lado, norma inferior não pode ser revogada por norma de compleição superior e, além disso, a revogação de uma norma jurídica somente pode ser feita de duas formas: revogação expressa, quando um novo instrumento, de igual força legal ou superior disponha expressamente a respeito da perda da eficácia da norma anterior; revogação tácita, quando a nova norma jurídica se torna incompatível com a norma anterior, ficando esta última revogada. Ora, não constam como revogados no ordenamento os dispositivos acima elencados do DecretoLei n° 37/66, quanto os da Lei n° 4.502/64, basta apenas consultar. Por outro lado, a questão de um Decreto extrapolar dispositivos legais e constitucionais, deve sim sofrer manifestação do julgador, mercê do princípio da legalidade que deve ser obedecido por todos os cidadãos brasileiros, especialmente aquele que tem o poder/dever de julgar com imparcialidade. DIVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTO DA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO AINDA PERSISTE Outra questão importante que não foi objeto de na análise pelo julgador diz respeito diz respeito à boa fé do importador e que a mesma Superintendência da 7a. Região Fiscal), apesar da Solução de Divergência Coana n. 7/99, continua a manifestar entendimento em desacordo com tal opinião hierarquicamente superior, revelando a dificuldade do tema. Desta forma, se um mesmo modelo de cartucho continua a ser classificado na posição adotada pela impugnante, a divergência entre órgãos da própria administração ainda persiste e a aplicação de penalidades à impugnante revelase medida desarrazoada, especialmente porque após a publicação Solução de Divergência n. 7/03, a impugnante passou a adotar o código NCM de acordo com o novo critério, em uma demonstração de boafé. DA MULTA DE MORA E JUROS Evidentemente que a multa de mora e os juros de mora estão diretamente ligados à exigência fiscal relativa às diferenças de impostos incidentes na importação que a fiscalização entendeu existir e, inexistindo diferenças a serem cobradas, por consequência não haverá multa de mora e juros de mora, em observância à legislação. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Fl. 441DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12466.003282/200611 Acórdão n.º 3402002.966 S3C4T2 Fl. 438 9 Com relação à preliminar de tempestividade, alega a recorrente que só tomou conhecimento que havia decisão no processo ao receber, no dia 24 de agosto de 2012, a Carta Cobrança n° 45, de 22/08/2012, sendo que a Senhora Romilda P. Santos, que assinou o Aviso de Recebimento (fl. 369) da correspondência com a decisão não é funcionária da THORK TRADING, e sim do edifício onde se localiza o seu estabelecimento. Conforme dispõe o art. 23, II e §2º, II do Decreto nº 70.235/72, é válida a intimação feita por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Não consta no dispositivo legal acima, ou em qualquer outro, a exigência de que para ser válida a intimação por via postal a pessoa que recebeu a correspondência deveria ser preposto, representante legal ou funcionário da pessoa jurídica intimada. Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 9: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Acerca do tema, o Superior Tribunal de Justiça e também o antigo 1º Conselho de Contribuintes já se manifestaram pela validade da intimação recebida por porteiro no endereço do domicílio fiscal do contribuinte, como adiante se vê: (...) 1. Conforme prevê o art. 23 , II , do Decreto nº 70.235 /72, basta apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte, podendo ser recebida por porteiro do prédio ou qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade por sua entrega, cabendo ao contribuinte demonstrar a ausência dessa qualidade. Precedentes do STJ. 2. Perfeita a intimação da empresa a respeito do julgamento da impugnação ao Auto de Infração e Lançamento, concluído o procedimento administrativofiscal. Portanto, inexiste motivo para o trancamento da ação penal. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 3. Recurso a que se nega provimento. (RHC 20.823/RS, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 03/11/2009) INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL REGULARIDADE. A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (Acórdão n.° 10806.254, 1° Conselho de Contribuintes, Sessão de 18/10/2000) Desta forma, presumese notificado o sujeito passivo quando houver prova de recebimento da correspondência no seu endereço cadastrado nos sistemas da Receita Federal como seu domicílio fiscal. Essa presunção pode, no entanto, conforme entendimento jurisprudencial, ser afastada pela comprovação inequívoca de que a pessoa que recebeu a correspondência não a repassou para o seu real destinatário, conforme delineou o precedente abaixo: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL O inc. II do art. 23 do Decreto n.° 70.235/72 autoriza a intimação por via postal, com prova do recebimento. Entregue a correspondência no endereço do domicilio fiscal do sujeito passivo, é perfeitamente válida a intimação, mesmo que o aviso de recebimento tenha sido firmado por pessoa da família do devedor. Para afastar a presunção de legalidade da intimação, indispensável a prova irrefutável de que o recebedor não deu ciência ao devedor. Considerase feita a intimação na data do recebimento, conforme o §2°, II, do art. 23 do Decreto n.° 70.235/72. (AI n.° 1999.04.01.0060232/SC 2a.Turma do TRF da 4ª Região, DJU de 23/06/1999) No presente caso, diante do Aviso de Recebimento da fl. 369, não há dúvidas de que a correspondência com a decisão de primeira instância foi entregue no domicílio fiscal da contribuinte, fato, inclusive, confirmado pela informação da recorrente de que a pessoa que a recebeu seria funcionária do edifício onde se localiza o seu estabelecimento. De outra parte, a recorrente apenas alega, mas não comprova, que não teria recebido a referida correspondência. Conforme dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/99, caberia ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Desta forma, não havendo nos autos comprovação inequívoca de que a contribuinte não recebeu a correspondência devidamente entregue no seu domicílio fiscal com prova de recebimento, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, presumese que foi ela devidamente cientificada em 12/07/2012, conforme consta no Aviso de Recebimento. Portanto, sendo o recurso apresentado em 24/09/2012 intempestivo, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário. É como voto. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 12466.003282/200611 Acórdão n.º 3402002.966 S3C4T2 Fl. 439 11 (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 444DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13805.011249/96-98
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 31/08/1992 a 31/10/1993
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO
A compensação tempestiva de todas as parcelas do crédito
tributário lançado e exigido nos termos da legislação tributária
então vigente implica cancelamento do lançamento de oficio.
Recurso de oficio negado.
Numero da decisão: 203-12.953
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Moraes
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Sinpe 91650 AS, CCO2/CO3 Fls. 368 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO-DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 13805.011249/96-98 147.611 De Oficio COFINS 203-12.953 03 de junho de 2008 DRJ-SALVADOR/BA SPSCS INDUSTRIAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/08/1992 a 31/10/1993 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO A compensação tempestiva de todas as parcelas do crédito tributário lançado e exigido nos termos da legislação tributária então vigente implica cancelamento do lançamento de oficio. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL t. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Luis Guilherme Queiroz Vivacqua (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Processo n° 13805.011249/96-98 Acórdão n.° 203-12.953 MF-SEGUNDO CONSELHO OE CONTRIbUiNTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia. ay Los, MariMe Cu .;no de Oliveira Mat. Slope 91650 CCO2/CO3 Fls. 369 Relatório Trata-se de recurso de oficio interposto pela DRJ Salvador-BA, contra acórdão proferido por ela, em que julgou improcedente o lançamento efetuado em nome da interessada pela DRF de Fiscalização São Paulo Sul em São Paulo, capital. 0 lançamento foi efetuado por falta de recolhimento de débitos da Cofins dos períodos mensais de competência de agosto de 1992 a outubro de 1993. 0 crédito tributário lançado e exigido totalizou 2.857.515,10 Ufir, sendo 1.186.372,03 Ufir de contribuição, 484.241,04 Ufir de juros de mora, calculados até 30/09/1996, e 1.186.637,03 de Ufir de multa proporcional passível de redução. Cientificada do lançamento, inconformada, a interessada o impugnou (fls. 59/29), alegando, em síntese: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração, tendo em vista que a irregularidade não foi descrita de forma clara e precisa; e, b) no mérito: b.1) o auto foi calculado erroneamente, conforme quadro à fl. 96; b.2) compensou as parcelas do crédito tributário em discussão com indébitos decorrentes de pagamentos indevidos, a titulo de Finsocial, excedentes A aliquota de 0,5 % do faturamento; b.3) impetrou o mandado de segurança n° 93.0029034-7, visando A compensação, cuja liminar foi indeferida (fl. 97), mas não em virtude da compensação em si, mas sim em virtude do meio processual adotado (mandado de segurança); b.4) inconformada corn a decisão que lhe foi contrária, impetrou novo mandado de segurança IV 93.03.108817-4 junto ao TRF da 3' Regido e obteve liminar favorável, conforme fotocópias de fls. 98/99, sendo posteriormente proferido o fatídico despacho que revogou a liminar inicialmente concedida, por ter sido a ação a que se refere o mandado de segurança decidida em primeiro grau; b.5) atualmente, o processo n° 93.0029034- 7; encontra-se concluso ao Juiz Relator, conforme certidão de fl. 100, e, portanto, ao contrário do que afim-ia a fiscalização, a questão ainda se encontra "sub-judice"; b.6) a compensação efetuada, ate agora, não foi apreciada quanto ao mérito, havendo divergências no entendimento doutrinário sobre o tema; e, b.7) toda a documentação pertinente h. compensação efetuada encontra-se ás fls. 101/207, e uma vez que o crédito não foi suficiente para guitar todos os débitos da Cofins, a contribuinte também solicitou o parcelamento do débito remanescente (fls. 208/214) que foi deferido pela Delegacia da Receita Federal, inclusive, corn admissão do cálculo do FINSOCIAL, a aliquota de 0,5%, consoante a Nota Cosit 83, de 1993, ou seja, "de certa forma" homologou a compensação efetuada pela interessada. Julgado o lançamento, a DRJ em Salvador-BA, por meio do acórdão n" 10.534, datado de 07 de julho de 2006, As fls. 360/3063 julgou-o improcedente sob o fundamento de que os débitos lançados e exigidos haviam sido compensados pela interessada, sob a seguinte ementa: "COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. CONVALIDAÇÃO. EXTINÇÃO. A compensagao de créditos da Contribuiçüo para o F1NSOCIAL com a Cofins, anterior ao inicio do procedimento fiscal, convalidada pela Instrução Normativa SRI' n" 32, de 1997, extinguitt os débitos apurados na autuacao. Lançamento improcedente.'' ' Processo n° 13805.011249/96-98 Acórdão n.° 203- 12.953 CCO2/CO3 Fls. 370 Cientificada do acórdão, a interessada não interpôs recurso voluntário. Contudo, em face da exoneração do crédito e da interposição do recurso necessário, subiram os autos para e te Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação. o relatório. ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRSUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasflie, ' 4 / Mati!de Cursino de Moira Mat. Slap° 91650 tv1F-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL S / g Brasilia, Mari ide Sin° de Oliveira Mat. Siape, 91650 CCO2/CO3 FIs. 371 Processo n° 13805.011249/96-98 Acórdão n.° 203-12.953 Voto Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A lide versa sobre o lançamento de parcelas da Cofins compensadas pela interessada antes do inicio do procedimento administrativo fiscal. Comprovada a compensação dos débitos fiscais, objeto do lançamento em discussão, a DRF em Salvador-BA julgou o lançamento improcedente e, em face do disposto no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, art. 34, e da Portaria MF n° 375, de 07 de dezembro de 2001, recorreu de oficio de sua decisão. Ora, segundo o acórdão recorrido, baixados os autos em diligência, foi anexada farta documentação para o levantamento do credito do Finsocial a compensar, a verificação dos registros contábeis da compensação e a suficiência do saldo para extinguir a Cofins lançada de oficio e, ainda, quadros do crédito a compensar em 31/12/1993 (fl. 328) e dos valores do Finsocial a ser repetido/compensado e das parcelas da Cofins efetivamente compensadas (fl. 329), além de fotocópias dos livros Diário e Razão (fls. 331/341), termos de intimação e esclarecimentos prestados pela interessada. Foram também anexadas fotocópias das ações judiciais propostas pela contribuinte, que compõem os Anexos Jell, cujo transito em julgado ocorreu em 21/05/1998, Processo ri° 93.29034-7, cuja decisão determinou a utilização de indices de correção monetária mais favoráveis a autuada, inclusive, corn a alteração do montante do crédito a compensar. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao presente recurso de oficio. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2008 4 JOSÉ ADÃOt-V- iiNo DE MORAIS 4
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000840/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 17/08/2007
AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO.
O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido.
Numero da decisão: 3201-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 17/08/2007 AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido.
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015 é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, para suas formas derivadas, se não houver restrição nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 40 /2 00 7- 53 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/20 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação doPatrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços(Pis/PasepImportação),da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Socialdevida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação),acrescidos da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, juros demora, da multa regulamentar por classificação incorreta em nomenclatura complementar (NVE– Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística) e, por fim, da multa pela descrição inexatade mercadoria perfazendo, na data da autuação, o valor total do crédito tributário lançado emR$ 82.154,00 (oitenta e dois mil e cento e cinquenta e quatro reais). Informa o relatório fiscal, fls. 03/05, que o importador, por meio dadeclaração de importação de número 07/12722178,de 19/09/2007, procedeu a importação, de500Kg de produto identificado por ele como sendo Azitromicina, sob o código NCM2941.90.59 e sob NVE 0001, ver fl. 33. Ocorre que o produto submetido efetivamente ao despacho foi a Azitromicina Diidratada, conforme demonstrado por Certificado de Análise do Produto, fl. 26,e nas etiquetas de identificação afixadas pelo fabricante, fls. 27/29. Em virtude disto foi lançada multa no montante de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria informada incorretamente em NVE, além de multa no mesmo índice em virtude de constatada a descrição inexata do produto, apresentado como Azitromicina, quando na verdade tratavase da Azitromicina Diidratada. A fiscalização argumenta que tratamse de produtos diferentes, o que pode ser verificado através da distinção na numeração de CAS – Chemical Abstracts Service, forma geral e peso molecular. Tal diferença faz com que a Azitromicina seja classificada na Nomenclatura de Valor Aduaneiro – NVE no enquadramento AA0001, enquanto a Azitromicina Diidratada no AA9999, conforme exposto na IN SRF 701/2006. Assim, no despacho realizado o importador utilizouse indevidamente de redução das alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, com base no artigo Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000840/200753 Acórdão n.º 3201001.996 S3C2T1 Fl. 94 3 1o, inciso I, do decreto 5.821/2006, que reduz a zero as alíquotas dos tributos citados, em relação aos produtos pertencentes ao Capitulo 29 da NCM listados no Anexo I da referida norma Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que os produtos importados não poderiam usufruir do beneficio fiscal, uma vez que este contemplaria tão somente esses produtos na forma anidra, e não na forma hidratada, correspondente ao produto objeto da importação. Para reforçar o conceito, observa que a hidratação é um detalhamento considerado pelo legislador no Decreto 5.821/2006, como se pode verificar no caso da Amoxicilina, da Amplicilina e da Cefalexina, que figuram na lista tanto na forma anidra quanto em formas sódicas, monoidratada e triidratada. Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio à Azitromicina Diidratada, a teria relacionado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, como o fez com os demais produtos citados. Cientificado do Auto de Infração em 03/10/2007, o sujeito passivo interpôs impugnação em 25/10/2007, na qual alega que: Há a necessidade de realização de perícia para que seja apresentada a diferença entre a Azitromicina e a Azitromicina Anidra, bem como entre a Azitromicina e a Azitromicina Diidratada, e ainda indicar o registro no CAS dos seguintes produtos: Azitromicina, Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada (mas sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito). Não poderia ser penalizada com a aplicação de penalidade relativa a classificação incorreta e além disso, incompleta, em virtude da impossibilidade da coexistência destas duas figuras. A Azitromicina é considerado gênero, que comporta as duas espécies: Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada, o que, como será demonstrado na perícia, a Azitromicina não comporta CAS, sendo suas especificidade apresentada nas formas anidro e Diidratada. O Anexo I do Decreto 5.821/2006 ao contemplar o gênero Azitromicina reduziu a zero a alíquota de PIS/PASEP – Importação e da COFINS Importação para todas as espécies. Requer a anulação da autuação ou, ao menos, a relevação da penalidade aplicada, vez que o fato gerador não foi eivado de dolo, fraude ou simulação. Solicita a conversão do julgamento em diligência. A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 17/08/2007 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 17/08/2007 AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada não foi elencada no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006 e por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que o legislador, “ao omitir a hidratação para alguns casos e a expressar em outros, deixou claro que, para aqueles produtos aos quais não especifica hidratação, refere se a forma anidra, e não à gênero ou grupo.” Nesse contexto, o Decreto n. 5.821/2008 determina que os produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas devem estar, cumulativamente, classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, e relacionados no Anexo I correspondente. Conclui, a decisão, portanto, que “a redução das alíquotas foi concedida a produtos, conforme especificado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, e não a códigos de NCM ou NVE, como roga o impugnante. Estes servem sobretudo para identificar aqueles nos procedimentos de comércio exterior, não significando que dois ou mais produtos serem identificados pelo mesmo código implica dizer que merecem o mesmo tratamento nos diversos aspectos relativos a legislação, como a concessão de benefícios”. No que tange às penalidade aplicadas, manteveas integralmente, pois se entendeu que deveria ter sido declarada a importação de Azitromicina Diidratada, e , tendo sido apenas declarada “azitromicina”, perfezse a incorreta descrição. Observase que houve declaração de voto, apenas para explicitar o fundamento segundo o qual Na lista da DCB 2003 já constavam a azitromicina e a azitromicina diidratada, porem, no anexo I do referido decreto, só está a azitromizina, ou seja, os produtos Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000840/200753 Acórdão n.º 3201001.996 S3C2T1 Fl. 95 5 são listados exaustivamente no anexo I do Decreto nº 5.821/ 2006, sendo independentes das questões de gênero e de espécie. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produto em referência. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foi juntada aos autos a Informação Safia nº 18/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual se transcrevem e reiteram os argumentos da decisão de impugnação. Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.522 ( fls.93 a 97), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto nas Soluções de Consulta SRRF08/DISIT nº 75/2015 e 8.052/2015, informamos que esta fiscalização mantém o entendimento exarado no Auto de Infração objeto do presente processo, com relação ao produto importado “Azitromicina”, uma vez que as supracitadas Soluções de Consulta se referem exclusivamente aos produtos Cefadroxila e Cefaclor Monoidratado, respectivamente. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto AZITROMICINA DIIDRATADA, NCM 2941.90.59, identificandoo como “AZITROMICINA” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 191 AZITROMICINA Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão diidratada da AZITROMICINA estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que “AZITROMICINA” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000840/200753 Acórdão n.º 3201001.996 S3C2T1 Fl. 96 7 Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Na mesma coluna, estão os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. Assim se estrutura o CAS: Esse código é um número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. De acordo com as referidas normas técnicas, os produtos “AZITROMICINA” e “AZITROMICINA DIIDRATADA ”, são produtos químicos distintos, possuindo CAS distintos, como se depreende: Nº DCB Substância Nº CAS 00997 azitromicina 58503825 00998 azitromicina diidratada 83905015 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 Relevante observar que a Recorrente pleiteia que seja tomada prova emprestada de outro processo administrativo, no qual houve a análise técnica do produto em questão. Com efeito, às efls. 130, consta informação fiscal segundo a qual em relação ao qual foi produzido o laudo técnico n. 10831/012 sobre o produto importador, em que se confirma que se trata de AZITROMICINA DIIDRATADA, antibiótico que apresenta pseudoformismo, ou seja, pode apresentar diversas formas de cristalização, forma anidra e hidratada. Acresce que, a forma diidratada é a mais estável, e, por essa razão, de maior comercialização. Não obstante, está correta a decisão recorrida quando afirma que despicienda seria a realização de perícia técnica, uma vez que não se discute nos autos a correta identificação do produto em questão, pois mesmo a Recorrente afirma que importou o “AZITROMICINA DIIDRATADA”, que, ao seu ver, deve ser considerada espécie do gênero contemplado com o benefício fiscal, com fundamento no art.110 e 111 do Código Tributário Nacional. Ao se analisar o Anexo I, do Decreto nº 5.821 de 29/06/06, contudo, verificase que se fez a distinção entre as formas hidratadas e anidras de alguns dos produtos lá contemplados, como se verifica das seguintes substâncias: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA 1225 IMIPENEM 1226 IMIPENEM MONOIDRATADO Aliandose essa informação com o fato de que a AZITROMICINA é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para a AZITROMICINA DIIDRATADA . Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000840/200753 Acórdão n.º 3201001.996 S3C2T1 Fl. 97 9 Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cefadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, trata a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para questão tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 10580.007525/2002-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
RECURSO DE OFÍCIO - NÃO CONHECIMENTO - VALOR DE ALÇADA - PORTARIA MF Nº 3/2008.
Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, D.O.U. de 07/01/08, deixa-se de conhecer do recurso de ofício, por se tratar de regra processual aplicável de imediato, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso.
Numero da decisão: 2202-003.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, D.O.U. de 07/01/08, deixase de conhecer do recurso de ofício, por se tratar de regra processual aplicável de imediato, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 75 25 /2 00 2- 16 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Tratase de lançamento efetuado contra a empresa Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS, decorrente de procedimento de auditoria interna dos valores informados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, no qual foi exigido um crédito tributário de R$ 984.953,38, relativo às seguintes infrações (fls. 44 a 50): a) insuficiência de recolhimento dos juros de mora incidentes sobre os pagamentos relacionados nos anexos IIa. Em decorrência, foram lançados os juros de mora, no valor de R$ 6.617,69, conforme discriminado no anexo IV, à fl. 21; b) falta de pagamento de multa de mora incidente sobre os recolhimentos relacionados nos anexos IIa. Em decorrência, foi lançada multa isolada, no valor de R$ 978.335,69, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do principal recolhido, conforme discriminado no anexo IV, à fl. 21. Cientificado do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 01 e 02, alegando que efetuou os recolhimentos tempestivamente, conforme documentação anexa. Em sessão realizada em 2 de junho de 2008, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR julgou improcedente o lançamento, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Constatado erro no preenchimento da DCTF, exonerase o imposto lançado dele decorrente. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade benigna da lei, exonerase a multa isolada lançada sobre o tributo recolhido intempestivamente sem o acréscimo de multa de mora. Lançamento Improcedente Tendo em vista que o crédito tributário exonerado foi superior ao limite de R$ 500.000,00, estabelecido na Portaria MF nº 375, de 10 de dezembro de 2001, a decisão da DRJ foi submetida ao CARF para reexame. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de recurso de ofício em virtude de a DRJ/SDR ter exonerado um crédito tributário de R$ 984.953,38, superior ao limite vigente à época da decisão, que era de R$ 500.000,00, conforme a Portaria MF nº 375/2001. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.007525/200216 Acórdão n.º 2202003.290 S2C2T2 Fl. 76 3 Sobre o recurso de ofício, assim dispõem o artigo 34, I, do Decreto 70.235/1972 e o art. 2° da Portaria MF n° 375 de 2001, então vigente: Decreto nº 70.235/72 Art. 34. A autoridade administrativa de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Portaria MF nº 375/2001 Art. 2º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento parcial e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). A Portaria MF nº 375/2001 foi revogada pela portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, que alterou o limite de alçada para fins de recurso de ofício, nos seguintes termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Como se trata de norma processual, essa nova disposição legal deverá ser aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, conforme jurisprudência deste CARF. Seguem algumas ementas de julgados nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.652, CSRF, Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado. (Acórdão nº 2202002.542, Rel. Pedro Anan) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIMENTO VALOR DE ALÇADA – PORTARIA MF Nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixase de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato com efeito retroativo. Recurso de Ofício não conhecido. (Acórdão nº 2202002.528, Rel. Rafael Pandolfo) Em virtude de o valor total do crédito exonerado ser inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o recurso de ofício não deve ser conhecido, de acordo com o disposto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005180/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.384
Decisão: Vistos e apreciados os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que o processo retorne à primeira instância administrativa, a fim de aguardar o trânsito em julgado de auto de infração de obrigação principal conexo a este.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ (Relatora), LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ (Relatora), LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 05 18 0/ 20 09 -4 5 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.005180/200945 Resolução nº 2302000.384 S2C3T2 Fl. 3 2 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Tratase de recurso voluntário, contra decisão proferida que deu provimento parcial à impugnação. Em sua impugnação, a recorrente alega, em síntese, que: 1. Houve cerceamento de sua defesa; 2. O arbitramento efetuado é improcedente; 3. As contribuições relacionadas às cooperativas não são exigíveis; e 4. As despesas com alimentação são isentas. A DRJ analisou a impugnação e decidiu por seu provimento parcial, com a redução da multa. A recorrente apresentou seu recurso, repetindo seus argumentos da impugnação e demonstrando que a autuação é reflexa ao lançamento constante no processo 16707.005178/200976. Os autos foram enviados oa conselheo para análise e decisão. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.005180/200945 Resolução nº 2302000.384 S2C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido para a elaboração da resolução, mas que não necessariamente concordo. Feito o registro. Como corretamente citado no recurso, a presente autuação, devido a descumprimento de obrigação acessória, de não informar em GFIP todos os fatos geradores de obrigações principais, é reflexa aos lançamentos contidos no processo 16707.005178/200976. Assim, o destino da presente autuação, por descumprimento de obrigação acessória, deve seguir o mesmo destino do contido no processo por descumprimento de obrigação principal, 16707.005178/200976. Portanto, para a correção processual, decido em converter o julgamento em diligência para que o processo retorne à primeira instância administrativa, a fim de aguardar o trânsito em julgado de auto de infração de obrigação principal conexo a este, processo 16707.005178/200976. Assim resolvo, conforme consta em registro de ata do decidido pelo colegiado, na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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