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Numero do processo: 10880.909486/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.885
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DILIGÊNCIA. Recorrente BLUE ANGELS SEGURANCA PRIVADA E TRANSPOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual a empresa declara a existência de crédito de PIS recolhido a maior. Uma vez que o valor do crédito declarado teria sido utilizado para quitar o valor do PIS do período, foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, em conformidade com a DIPJ do período, o valor devido de PIS para o período em análise foi inferior ao valor recolhido em DARF. A defesa apresentada foi negada por ausência de provas do crédito. Intimada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual complementaria as informações apresentadas com documentos que respaldariam seu direito ao crédito e os valores declarados na DIPJ, que estariam corretos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 48 6/ 20 08 -0 2 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.909486/200802 Resolução nº 3402001.885 S3C4T2 Fl. 3 2 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.875, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907293/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.874): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Considerando as informações acostadas aos autos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, entendo que há elementos que apontam para uma possível existência de direito creditório em favor do contribuinte sendo necessário, contudo, levantamento documental adicional para confirmar os fatos depreendidos destes autos. Senão vejamos. Como se depreende do Pedido de Compensação formulado, o crédito seria decorrente do pagamento a maior em DARF de PIS, de R$ 15.395,32 que, como indicado no pedido, seria relativo ao código de receita 6912 (PIS NÃO CUMULATIVO LEI 10.637/02). Contudo, observase que o DARF anexado aos autos, à efl. 101, do valor indicado no PER/DCOMP, tem o código de receita 8109 (PIS FATURAMENTO): Vejamse que o DARF traz como informação o valor da base de cálculo de R$ 931.231,75, alcançando um valor de PIS devido de R$ 15.365,32 pela aplicação de uma alíquota de 1,65%. Contudo, como indicado em seu contrato social, anexado aos autos (efl. 15) e na DIPJ 2003 retificadora (efl. 111), a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica a atividade de transporte de valores, vigilância e segurança privada. Vejamos pela cláusula terceira do contrato social da pessoa jurídica (efl. 15): Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.909486/200802 Resolução nº 3402001.885 S3C4T2 Fl. 4 3 Essas atividades são referenciadas no art. 10 da Lei n.º 7.102/1983 e expressamente excepcionadas da apuração do PIS pela sistemática não cumulativa, na forma do art. 8º, I, da Lei n.º 10.637/2002: Lei n.º 10.637/2002 "Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;" (grifei) Lei n.º 7.102/1983 "Art. 10. São considerados como segurança privada as atividades desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de: (Redação dada pela Lei nº 8.863, de 1994) I proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras e de outros estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança de pessoas físicas; (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994) II realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de carga. (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994)" (grifei) A manutenção do regime cumulativo para as pessoas jurídicas que se dedicam ao menos a uma das atividade identificadas na Lei n.º 7.102/1983 é indicada na solução de consulta COSIT n.º 345/2017: "14. Em face do exposto, concluise que: • a pessoa jurídica que realizar ao menos uma das atividades referidas na Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, estará excluída do regime não cumulativo e terá todas as suas receitas sujeitas a cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, submetendose às alíquotas de 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente; • considerase serviço de segurança, conforme o art. 10, II, da Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, o monitoramento à distância de veículos de carga." Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.909486/200802 Resolução nº 3402001.885 S3C4T2 Fl. 5 4 Portanto, a Recorrente, como empresa de segurança privada e vigilância está sujeita ao recolhimento do PIS na sistemática cumulativa (DARF no código de receita 8109) e não na sistemática não cumulativa da Lei n.º 10.637/2002 (DARF no código de receita 6912). Pela planilha acostada aos autos às efl. 100, a empresa busca evidenciar que a sistemática que teria adotado para apurar o valor de PIS devido em dezembro/2002 de R$ 15.395,32, na base de cálculo informada no DARF de R$ 931.231,75, foi a sistemática não cumulativa, ainda que tenha recolhido com o código DARF correto (8109). Vejamos o teor da planilha da efl. 100. Cumpre vislumbrar que o valor de faturamento indicado na planilha é o mesmo indicado na DIPJ retificadora apresentada. A empresa procedeu com as exclusões previstas para a sistemática não cumulativa e aplicou a alíquota de 1,65%. Contudo, sujeita à sistemática cumulativa, bastaria aplicar a alíquota de 0,65% sobre a receita bruta aferida, em conformidade com a Lei n.º 9.718/98. E essa foi a sistemática adotada na DIPJ 2003, na qual a Recorrente informa as receitas aferidas no campo "BASE DE CÁLCULO DA Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.909486/200802 Resolução nº 3402001.885 S3C4T2 Fl. 6 5 CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP FATURAMENTO", alcançando um valor de PIS devido de R$ 6.146,95 pela aplicação da alíquota da sistemática Cumulativa (0,65%), sobre a base de cálculo por ela informada (R$ 945.683,97). Vejamos o teor da DIPJ 2003 retificadora do mês de dezembro/2002 (efl. 139) Assim, vislumbrase que a documentação acostada pela empresa aos autos aponta uma possível existência de equívoco cometido quando da edificação do valor de PIS devido na competência de dezembro/2002, apurando pela sistemática não cumulativa (com a aplicação da alíquota de 1,65%) e não pela sistemática cumulativa a qual se sujeita. Em seu pedido de compensação, a empresa aparentemente buscou evidenciar o equívoco cometido ao indicar que o crédito seria decorrente de DARF com o código de receita da sistemática não cumulativa (6912). Contudo, observase que constam dos autos apenas planilha elaborada pela empresa e a DIPJ retificadora apresentada após o recebimento do despacho decisório. Não obstante esteja claro o equívoco cometido, não é possível identificar se o valor de PIS a pagar indicado na DIPJ retificadora está correto, sendo certo que não constam dos autos DACON do período, DCTF do período e documentos contábeis que respaldam os valores declarados. Ora, como bem salientado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034 "este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original". No presente caso, o erro cometido pelo sujeito passivo pode ser evidenciado pela planilha e pelo DARF acostado aos autos não sendo possível, contudo, atestar o direito creditório sem o respaldo das informações na documentação fiscal e contábil. Para confirmar a efetiva existência de recolhimento à maior, essencial que seja confirmado se o valor indicado de PIS devido na DIPJ retificadora (R$ 6.146,95) está correto para que seja confirmada o pagamento indevido originário de R$ 9.248,37, informado na DCOMP objeto do presente processo (R$ 9.218,37 efl. 8). Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.909486/200802 Resolução nº 3402001.885 S3C4T2 Fl. 7 6 Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (DERAT São Paulo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.909486/200802 Resolução nº 3402001.885 S3C4T2 Fl. 8 7 Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001843/2004-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la.
Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS DE BENS E DIREITOS. TRIBUTAÇÃO.
Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.032
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS DE BENS E DIREITOS. TRIBUTAÇÃO. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-04-11T16:08:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-04-11T16:08:03Z; Last-Modified: 2012-04-11T16:08:03Z; dcterms:modified: 2012-04-11T16:08:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:072947ea-856c-4160-bb09-4d153d1aa7f2; Last-Save-Date: 2012-04-11T16:08:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-04-11T16:08:03Z; meta:save-date: 2012-04-11T16:08:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-04-11T16:08:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-04-11T16:08:03Z; created: 2012-04-11T16:08:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2012-04-11T16:08:03Z; pdf:charsPerPage: 1123; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-04-11T16:08:03Z | Conteúdo => S2-CITI Fl. 475 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515.001843/2004-93 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 2101-01.032 — V Camara / V Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ BLOTA NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NA() COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS DE BENS E DIREITOS. TRIBUTAÇÃO. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do C gia , por unanimidade de votos, em negar provimento ao i€rso, nos termos do voto do elator. AIO MARCOS CÂNDIDO nL.,9 ;,/ Presidente ALEXANDRE NAOKI NISHI KA Relator Processo n° 19515.001843/2004-93 S2-C1 TI Acórdão n.° 2101-01.032 Fl. 476 EDITADO EM: 16/02/2012 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 381/412) interposto em 03 de agosto de 2009 contra o acórdão de fls. 371/376, do qual o Recorrente teve ciência em 02 de julho de 2009 (fl. 380, verso), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Sao Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 267/270, lavrado em 01 de setembro de 2004 (ciência em 04 de setembro de 2004, fl. 272), em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários corn origem não comprovada, verificadas nos anos-calendário de 2000 e 2001. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A inexistência de comprovação, mediante documentação hábil e idónea, da origem dos valores depositados em conta de depósito ou investimento autoriza o lançamento do imposto correspondente. GANHO DE CAPITAL. Tributa-se o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem imóvel, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição, devendo, no entanto, ser corrigido o valor da alienação que cabe ao interessado quando o lançamento tiver levado em conta dados incorretos, conforme documentação comprobatória acostada aos autos. Lançamento Procedente em Parte" (fl. 371). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 381/412, aduzindo, em apertada síntese, que: (i) houve flagrante ilegalidade e arbitrariedade por parte da autoridade lançadora ao configurar como omissão de receitas mera movimentação financeira do Recorrente, não se enquadrando no conceito de receita ou renda passível de tributação pelo IR; 2 Processo n° 19515.001843/2004-93 S2-C1T1 Acórdao n.° 2101-01.032 Fl. 477 (ii) tal presunção não encontra amparo legal que enseje violação à legislação tributária, acarretando em ofensa aos princípios da ampla defesa, tipicidade e legalidade; (iii) houve total desconsideração dos documentos e justificativas apresentados pelo Recorrente em qualquer fundamentação da negativa, o que ofende o art. 142 do CTN, que exige fiscalização exaustiva pela autoridade fiscal antes de proceder ao lançamento, trazendo diversos precedentes; (iv) resta improcedente a tentativa do Fisco, com base no art. 42 da Lei 9430/96, de tentar inverter o ônus da prova para cobrar imposto de renda sobre hipótese em que não há renda ou acréscimo patrimonial efetivamente comprovados; (v) as notas fiscais de prestação de serviços da empresa Dinâmica de Comunicação S/C Ltda., da qual o Recorrente é sócio, assim como os respectivos demonstrativos de recolhimento de IR apresentados e juntados, são sim documentos hábeis a comprovar a origem de numeraria lançado nas respectivas contas correntes questionadas; e (vi) em relay -do ao suposto ganho de capital decorrente da venda de imóvel, reitera a Recorrente que o mesmo não existiu diante da exatidão do valor lançado em sua DIRPF quanto ao valor de R$ 83.491,51, porquanto o imóvel foi vendido por R$ 482.068,00, cabendo ao espólio 50% desse montante. Em relação a esta parte, ou seja, R$ 241.034,00, coube ao Recorrente apenas 33% da mesma, vale dizer, R$ 83.491,51, razão pela qual indevida a exigência combatida. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOICA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verifica-se da autuação que foram lançados a titulo de imposto de renda tanto valor referente a apuração de ganho de capital na alienação de imóvel, bem como valores referentes à existência de depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei n.° 9.430/96). Em relação a aferição do montante referente à tributação dos depósitos bancários sem origem comprovada, o Recorrente alega que não seria legitimo presumir-se a renda corn base em extratos que demonstram movimentação bancária. Sobre o assunto, preceitua o artigo 42 da Lei 9.430/96 que: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 3 Processo n° 19515.001843/2004-93 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.032 FL 478 §1°. 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido sera considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2°. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutá-la. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando- se diretamente o fato indiciário, tem-se, por conseguinte, a formação de um juizo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, prova-se especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legitima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Note-se, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n. 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Este Tribunal já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstitui-la com a apresentação de provas suficientes para tanto. E o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCAMOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ONUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Câmara, Recurso Voluntário n°. 158.817, relatora Conselheira Niabia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, 4 Processo n° 19515.001843/2004-93 S2-C1T1 Acárdao n° 2101-01.032 FL 479 autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA - procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ONUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, 6 do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituida por meras alegações." (1° Conselho de Contribuintes, 2 8 Camara, Recurso Voluntário n°. 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) No que tange à alegação acerca da legitimidade constitucional da referida tributação por presunção, a Súmula n.° 2 deste tribunal administrativo dispõe que "0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", de tal sorte que não há como afastar-se a legislação sob exame. No presente caso, o Recorrente tenta justificar os depósitos em conta- corrente, os quais não teriam sido considerados por ocasião do lançamento, com a alegação de que se referem à prestação de serviços por parte da empresa Dinâmica de Comunicação S/C Ltda. a empresas tomadoras de serviços (Sport Promotion S/C Ltda., Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda., Ponto e Video Comunicação Ltda., dentre outras). Ocorre, todavia, que a afirmação do contribuinte de que a movimentação de sua conta-corrente ocorreu em razão de pagamentos referentes A. prestação de serviços por parte da empresa Dinâmica de Comunicação S/C Ltda., conforme notas de prestação de serviços e DARFs apresentados, não é suficiente para demonstrar a origem dos depósitos ern suas contas bancárias, considerando que constitui ônus do Recorrente comprovar os negócios jurídicos que deram ensejo aos alegados serviços, livros contábeis das empresas ern questão, declaração de que a empresa tomadora efetivamente depositou os valores na conta corrente do contribuinte pessoa física em dinheiro, declaração de inexistência de conta corrente em nome da pessoa jurídica prestadora de serviços, bem como outros documentos pertinentes. Cumpre mencionar ainda que, verificando-se a documentação acostada aos autos, especificamente os extratos bancários e as notas de prestação de serviços emitidas pela empresa Dinâmica de Comunicação S/C Ltda., não é possível afirmar que há coincidência de valores e datas, motivo pelo qual não podem ser acatadas as alegações do Recorrente. No que tange à alegação referente ao suposto reembolso efetuado por Zelina Villaça Fontes, cunhada do Recorrente, de despesas incorridas com a sogra deste, os valores poderiam ser caracterizados como doação desde que, obviamente, tal condição tivesse sido comprovada, não sendo suficientes, para tanto, os cheques de fls. 50/54. No que se refere ao ganho de capital, alega novamente o Recorrente que "No caso, o imóvel foi vendido por R$ 482.068,00, cabendo ao espólio 50% desse montante. Em relação a esta parte, ou seja, R$ 241.034,00, coube ao Recorrente apenas 33% da mesma, vale S2-C1T1 Processo n° 19515.001843/2004-93 Acórdao n.° 2101-01.032 Fl. 480 dizer, R$ 83.491,51, razão pela qual, não houve ganho de capital na operação apontada" (fl. 411). Como bem observado na decisão recorrida, na escritura de compra e venda do imóvel constam como vendedores o espólio de José Blotta Junior, Jose Blota Neto e Sonia Angela Blota Belotti; não há menção, naquele documento, ao Sr. José Francisco Coelho Leal, sem dizer que o formal de partilha de Neyde Mocarzel deixa claro que competiu 25% do imóvel ao Recorrente: "Apresenta, As fls. 303/336, cópia de Formal de Partilha de Neyde Mocarzel Blotta Junior, em que consta que do imóvel em questão (citado pelo antigo endereço A fl. 312) cabe a metade ideal (50%) ao cônjuge-meeiro, Sr. José Blotta Junior, e, para pagamento das legitimas, 1/4 (25%) a cada um dos herdeiros José Biota Neto e Sonia Angela Biota Belotti. Não há menção, naquele documento, ao Sr. José Francisco Coelho Leal, que so consta do testamento, de José Blotta Junior, As fls. 299/301, como legatário de toda a quota parte disponível daquele; note-se que na escritura de venda e compra do imóvel (cópia As fls. 252/255) constam como vendedores o espolio de José Blotta Junior, José Biota Neto e Sonia Angela Biota Belotti. Portanto, do imóvel em tela, ao contribuinte cabem 25%, do que resulta o ganho de capital a seguir demonstrado (em Reais): - Valor da parte do imóvel que cabe ao contribuinte lançado na DIRPF: 83.491,51 - Valor total da alienação: 482.068,00 - Valor da alienação que cabe ao contribuinte: 482.068/4 = 120.517,00 - Ganho de Capital: 120.517,00 — 83.491,51 = 37.025,49 Ao ganho de capital assim obtido, aplicando-se a aliquota de 15%, corresponde imposto de renda de R$ 5.553,82" (fl. 375). Correto, portanto, o valor do imposto de renda sobre o ganho de capital calculado pela decisão recorrida. Eis os motivos pelos quais voto n sentido de NEGAR provimento ao recurso. r\Lt,) ALEXANDRE NAOKI NISH OKA Relator 6
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Numero do processo: 10872.000124/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. SALDO FINANCIADO.
Para fins de apuração do ganho de capital, podem integrar o custo de aquisição do imóvel alienado as prestações pagas em razão da transferência da obrigação relativa ao saldo devedor do financiamento, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-006.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acrescentar ao custo de aquisição do imóvel alienado o montante de R$ 88.374,14, para fins de apuração do ganho de capital.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. SALDO FINANCIADO. Para fins de apuração do ganho de capital, podem integrar o custo de aquisição do imóvel alienado as prestações pagas em razão da transferência da obrigação relativa ao saldo devedor do financiamento, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. SALDO FINANCIADO. Para fins de apuração do ganho de capital, podem integrar o custo de aquisição do imóvel alienado as prestações pagas em razão da transferência da obrigação relativa ao saldo devedor do financiamento, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acrescentar ao custo de aquisição do imóvel alienado o montante de R$ 88.374,14, para fins de apuração do ganho de capital. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 01 24 /2 01 0- 60 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10872.000124/201060 Acórdão n.º 2401006.234 S2C4T1 Fl. 123 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1254.450, de 04/04/2013, cujo dispositivo considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo em parte o crédito tributário lançado (fls. 84/88): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. A transferência patrimonial, por valores superiores ao que consta na correspondente DIRPF, sujeitase à incidência do imposto de renda devido a título de ganho de capital. Impugnação Procedente em Parte Extraise do Termo de Verificação Fiscal que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício, decorrente de ganho de capital na alienação do apartamento nº 2002, localizado na Avenida General Felicíssimo Cardoso, 835, Rio de Janeiro (RJ), no anocalendário de 2006 (fls. 47/59). O contribuinte foi cientificado da autuação e impugnou a exigência fiscal em 21/07/2010 (fls. 48 e 61/62). Intimado por via postal em 02/05/2013 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 03/06/2013, em que alega os seguintes argumentos de fato e direito (fls. 89/91 e 93/94): (i) o imóvel vendido era o único de propriedade do requerente, motivo pelo qual é aplicável a isenção na alienação de imóvel por valor igual ou inferior a R$ 440.000,00; e (ii) de outro modo, a fiscalização não considerou como custo de aquisição do imóvel alienado as parcelas pagas de financiamento, no valor total de R$ 88.374,14, conforme documentos/recibos. Em 03/10/2013, o recorrente protocolou petição contendo documentos adicionais para contrapor a autuação fiscal (fls. 103/119). É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10872.000124/201060 Acórdão n.º 2401006.234 S2C4T1 Fl. 124 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Em primeiro lugar, o recorrente pleiteia a isenção do imposto de renda na alienação do único imóvel, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 23. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Acontece que a documentação acostada aos autos não confirma o direito à isenção do imposto de renda. Com efeito, o imóvel residencial foi alienado pelo contribuinte em 10/10/2006, conforme instrumento de compromisso de compra e venda, no valor de R$ 350.000,00. A escritura definitiva foi lavrada em 15/12/2006 (fls. 28/30 e 33/36). Em relação ao ano de 2006, o contribuinte informou como bens e direitos 50% de um apartamento na Rua Professora Coutinho Fróis nº 111 e um terreno localizado no Marina Porto Búzios, de acordo com o respectivo quadro da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2007 (fls. 04/06). Quanto ao primeiro imóvel, afirmou que havia feito doação informal às suas filhas (fls. 61/62). No entanto, a doação de imóvel se faz por escritura pública ou instrumento particular. Apenas para bens móveis e de pequeno valor é válida a doação verbal. 1 Logo, o recorrente continuava titular do apartamento, mesmo que em comunhão ou condomínio de proprietários. Já para o segundo imóvel, o recorrente juntou cópia de certidão do 1º Serviço Notarial e Registral de Cabo Frio (RJ), cujo documento atesta como proprietário do terreno a empresa "A Rural e Colonização S/A". Todavia, a mesma certidão trás a ressalva que o imóvel pertence a outra serventia, desde 26/05/2000, não se possuindo dados sobre os atos de registro 1 Art. 541 do Código Civil, veiculado pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10872.000124/201060 Acórdão n.º 2401006.234 S2C4T1 Fl. 125 4 e averbações a partir dessa data (fls. 105). Portanto, o documento não é hábil para refutar a própria declaração de rendimentos do contribuinte de que o terreno lhe pertencia no ano de 2006. Por tais razões expostas, o imóvel alienado pelo contribuinte não era o único que possuía na data do fato gerador, o que impede o benefício fiscal. Como segundo ponto de defesa, o recorrente alega que o custo total de aquisição do imóvel alienado é igual a R$ 173.374,14, sendo R$ 85.000,00 pagos ao mutuário e o saldo devedor de R$ 88.374,14 pagos diretamente à Gafisa Imobiliária S/A, que detinha a hipoteca do imóvel. É sabido que para fins fiscais o contrato particular firmado entre o mutuário e o novo adquirente é instrumento legalmente válido para configurar a cessão de direitos sobre o imóvel. Em 18/07/1998, efetivouse a assinatura de instrumento particular de promessa de cessão de direitos sobre um contrato de promessa de compra e venda firmado em 23/09/1993, relativamente ao apartamento nº 2002 do Edifício Casablanca Residence Service, localizado na Avenida General Felicíssimo Cardoso nº 835, Rio de Janeiro (RJ). O imóvel acima estava gravado com hipoteca em nome de instituição financeira, constando como partes contratantes Fanny Israel e José Augusto de Souza Rolim, respectivamente, na condição de outorgante e outorgado. (fls. 69/74). O preço total representou a quantia de R$ 173.374,14, mediante o pagamento de R$ 85.000,00 diretamente ao outorgante e o restante, no valor de R$ 88.374,14, à Gafisa Imobiliária S/A, através do compromisso de quitação do saldo devedor do financiamento do imóvel. Na sequência dos atos, em 21/09/1998, foi lavrada a escritura de cessão de direitos a transmissão dos direitos e obrigações sobre tal imóvel ao novo adquirente, José Augusto de Souza Rolim, com participação do interveniente Gafisa Imobiliária S/A (fls. 21/27). Da leitura de tal documento, o preço certo e ajustado pago ao cedente/mutuário foi de R$ 85.000,00, já anteriormente quitado. Adicionalmente, o cessionário José Augusto de Souza Rolim assumiu todos os direitos e as obrigações derivados do saldo devedor do financiamento do imóvel (Cláusula Terceira). A transmissão dos direitos sobre o imóvel residencial ao contribuinte, ora recorrente, não ficou subordinada à cláusula suspensiva, apenas a averbação definitiva referente à compra e venda ficou pendente do pagamento integral do saldo devedor do financiamento (Cláusula Quarta). Após o protocolo do recurso voluntário, o recorrente anexou cópias dos extratos de pagamentos do financiamento do imóvel, com o propósito de certificar o adimplemento do contrato com a instituição financeira (fls. 106/119). Na aquisição de imóvel com pagamento parcelado, os valores efetivamente pagos no financiamento integram o custo de aquisição. Os documentos são hábeis e suficientes para comprovar o pagamento pelo recorrente da quantia de até R$ 88.374,14 ao longo dos Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10872.000124/201060 Acórdão n.º 2401006.234 S2C4T1 Fl. 126 5 anoscalendário, conforme pleiteado no recurso voluntário, observado que a liquidação do saldo devedor deuse antes da data da alienação do imóvel em 10/10/2006. Como regra geral, existe limitação no processo administrativo fiscal para a juntada da prova em momento posterior à impugnação, autorizada apenas em situações específicas (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Porém, convém relativizar a limitação temporal à produção da prova naqueles casos de apresentação de documentos conclusivos sobre as razões de defesa. De fato, não é recomendável persistir em um lançamento que claramente não se coaduna como os princípios da legalidade tributária e verdade material no tocante à manutenção integral do crédito tributário, instaurando possivelmente litígio judicial desfavorável à Administração Tributária. Na apuração do ganho de capital, a autoridade fiscal avaliou como custo de aquisição do imóvel tão somente o valor de R$ 85.000,00. Nada obstante, resta evidente que o montante do custo é equivalente a R$ 173.374,14, pois deve incluir as prestações referentes ao financiamento. Considerase como data de aquisição do imóvel o dia 21/09/1998, a mesma adotada pelo agente fiscalizador, eis que corresponde à concretização da transmissão dos direitos sobre o imóvel, decorrente da escritura de cessão de direitos. Portanto, ao custo de aquisição do imóvel alienado, para fins de apuração do ganho de capital, cabe acrescentar o montante de R$ 88.374,14. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para acrescentar ao custo de aquisição do imóvel alienado o montante de R$ 88.374,14, para fins de apuração do ganho de capital. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001431/99-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1993
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STF e STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B e 543-C DO CPC. Nos termos do art. 62-A
do RICARF, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do
REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada
dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”.
O pedido de restituição em exame foi protocolado em 28/04/1999,
relativamente a imposto de renda retido na fonte nos meses de julho a dezembro de 1993. Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência tributária declarada pela instância recorrida, devendo o processo retornar à autoridade preparadora para análise do pedido em causa.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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MATÉRIA DECIDIDA NO STF e STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B e 543C DO CPC. Nos termos do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”. O pedido de restituição em exame foi protocolado em 28/04/1999, relativamente a imposto de renda retido na fonte nos meses de julho a dezembro de 1993. Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência tributária declarada pela instância recorrida, devendo o processo retornar à autoridade preparadora para análise do pedido em causa. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1219.674, proferido pela 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 50/54), que, por unanimidade de votos, indeferiu a restituição pleiteada em 28/04/1999, em face da extinção do direito de pleitear o indébito ocorrido nos meses de julho a dezembro do anocalendário de 1993, por decurso do prazo de cinco anos, reiterando o entendimento manifestado pela DIORT da DEINF/RJ (fls. 25/28), que também indeferiu o pedido pelo mesmo fundamento. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993 IRRF. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO PARA REQUERER. 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a compensação de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito Tributário, isto 6, da data do pagamento indevido. Inteligência dada pelo art. 3° da Lei Complementar n.° 118/2005. Solicitação Indeferida Em seu apelo ao CARF (fls. 57/62), a interessada argüi, em síntese, que a decisão de primeiro grau contraria o entendimento do STJ e do Conselho de Contribuintes, uma vez que quando da apresentação do pedido, ainda não tinha transcorrido o prazo de 5(cinco) anos da homologação tácita. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação à decadência do direito de pleitear a restituição do indébito, foi alterado o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na linha apresentada no voto condutor da decisão de primeiro grau, por força do disposto no artigo 62A do Anexo II do Regulamento do CARF, que determinou aos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF a observância das decisões proferidas pelo Egrégio STF e STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13804.001431/9920 Acórdão n.º 210101.740 S2C1T1 Fl. 2 3 A questão que reclama solução reside em saber se a interessada decaiu ou não do direito de requerer a restituição de valores retidos na fonte, tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, decorrente de rendimentos auferidos no Fundo de Aplicação Financeira – FAF, nos meses de julho a dezembro de 1993, conforme Demonstrativo à fl. 04, considerando que tal pleito foi protocolizado em 28/04/1999 (fl. 01). Nesta senda, peço vênia ao i. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage para transcrever a seguir seus abalizados argumentos sobre o tema, declinados no voto condutor do Acórdão nº 920202.134, acolhidos à unanimidade pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão realizada em 10/05/2012. “A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 4°, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional – CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais concluise que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. No entanto, na visão deste julgador (seguindo a jurisprudência amplamente majoritária dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, por muitos e muitos anos), o dia 19/11/1996 – data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82 – marca o início do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido para as sociedades por ações, tal qual concluiu o acórdão recorrido. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...]5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13804.001431/9920 Acórdão n.º 210101.740 S2C1T1 Fl. 3 5 prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.002.932/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/12/2009) Portanto, de acordo com a decisão proferida pelo Egrégio STJ pelo rito do artigo 543C do Código de Processo Civil CPC, o prazo para requerer a restituição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, com o advento da Lei Complementar n° 118, de 09/06/2005, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes de 09/06/2005 – Prazo de dez anos (tese dos cinco + cinco) a contar do pagamento indevido, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após 09/06/2005 – Prazo de cinco anos a contar da data do pagamento indevido. Este posicionamento restou corroborado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, seguindo a sistemática do 543B do CPC, proferiu acórdão cuja ementa assim dispõe: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF, Pleno, RE n° 566.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJE de 11/10/2011) Tal decisão transitou em julgado em 17/11/2011. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13804.001431/9920 Acórdão n.º 210101.740 S2C1T1 Fl. 4 7 Por força do Regimento Interno do CARF, a matéria não comporta maiores digressões, sendo necessário reproduzir aqui o entendimento adotado pelos Egrégios STJ e STF. O pedido de restituição em exame foi protocolado em 28/04/1999 (ou seja, antes do advento da Lei Complementar n° 118/2005), relativamente ao IRRF nos meses de julho a dezembro de 1999. Aplicandose ao caso a tese dos cinco mais cinco, forçoso concluir que a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para afastar a decadência tributária declarada pela instância recorrida, devendo o processo retornar ao Órgão julgador de primeiro grau para análise do pedido em causa. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100365/2004-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL - MANDADO DE SEGURANÇA - COISA JULGADA - OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA
Estando protegida por decisão proferida em mandado de segurança coletivo, cuja sentença, por determinação expressa do Poder Judiciário, se estende ao recorrente, impõe-se o provimento ao apelo a fim de considerar válida a opção pelo Simples Federal, pena, inclusive, de desobediência.
Numero da decisão: 1302-003.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL - MANDADO DE SEGURANÇA - COISA JULGADA - OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA Estando protegida por decisão proferida em mandado de segurança coletivo, cuja sentença, por determinação expressa do Poder Judiciário, se estende ao recorrente, impõe-se o provimento ao apelo a fim de considerar válida a opção pelo Simples Federal, pena, inclusive, de desobediência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 03 65 /2 00 4- 57 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10768.100365/200457 Acórdão n.º 1302003.603 S1C3T2 Fl. 276 2 Relatório O processo em análise se iniciou com a apresentação, pelo recorrente, de pedido/termo de opção pelo Regime Simplificado de Recolhimento de Impostos e Contribuições Federais Simples , regrado pela Lei 9.713/96, para o anocalendário de 2004. O dito pedido foi instruído com cópias de um mandado de segurança coletivo impetrado pelo SINDELIVRE Sindicado dos Estabelecimentos do Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro , na condição de substituto processual, em que se teria obtido provimento jurisdicional para reconhecer o direito líquido e certo de seus afiliados à opção pelo Simples Federal. Pelos documentos constantes dos autos, a Sentença de Primeiro Grau teria, inclusive, sido ratificada pelo TRF/2ª Região, por meio do acórdão juntado à efl. 183 e seguintes. O predito Sindicato teria, ainda, oposto embargos de declaração em face de ambas decisões a fim de tornar evidente a extensão dos efeitos da segurança concedida (mormente para evidenciar que o referido ato atingiria, sem restrições, todos os afiliados da instituição). Inicialmente, a DERAT/Rio de Janeiro indeferiu o pleito da empresa (decisão constante do processo apensado a este feito), contra a qual opôs pedido de revisão recebido, in casu, como impugnação/manifestação de inconformidade. A DRJ/Rio de Janeiro, por meio do acórdão e efls. 203/207, após afirmar haver dúvidas objetivas quanto a correta compreensão dos dispositivos das decisões proferidas no citado writ, entendeu que a segurança lá concedida se limitaria às empresas afiliadas à entidade sindical à época da propositura da ação coletiva; considerandose que a empresa ora insurgente teria sido constituída apenas em 2002 (e, portanto, após o ajuizamento da medida retro), não estaria abarcada pelo efeitos da sentença e do acórdão lá proferidos. Vejase, abaixo, a ementa deste aresto: Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical somente produz efeitos em relação aos membros da entidade filiados à época do ajuizamento da ação. O contribuinte foi cientificado do conteúdo do acórdão acima em 12 de maio de 2006 (AR de efl. 209), tendo interposto o seu recurso voluntário em 12 de junho daquele mesmo ano (doc. de efl. 213), por meio do qual traz informações sobre o trânsito em julgado da sentença concessiva da segurança e, mais, a existência de acórdão do TRF/2ª Região, proferido em sede de agravo de instrumento, em que o predito órgão teria deixado claro que a ordem ali emanada se estenderia a todos os afiliados do Sindicato, mesmo que a sua inscrição tenha se dado após o ajuizamento da referida demanda. Os autos então foram distribuídos a este Relator para análise e julgamento. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10768.100365/200457 Acórdão n.º 1302003.603 S1C3T2 Fl. 277 3 Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressuposto de cabimento razão pela qual, dele, tomo conhecimento. A questão posta em exame aparentava, de início, uma complexidade que, ao fim e cabo, não se sustentou. De fato, pelo que se dessume da ementa do acórdão juntado à efl. 219, está substancialmente demonstrado que a segurança concedida nos autos do writ autuado sob o nº 9.00094069, que tramitou perante o Juízo da 18ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, abrangia, e abrange, efetivamente, todos os associados ao SINDELIVRE, mesmo quanto aqueles cujo registro na aludida entidade sindical tenha se dado após o ajuizamento da predita ação mandamental. Vejase: PROCESSO CIVIL AGRAVO DE INSTRUMENTO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, urna vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo/ aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. Vale destacar que pelo andamento processual extraído do site do TRF/2ª Região, o acórdão supra transitou em julgado, sem qualquer modificação de seu dispositivo, tendo se promovido, inclusive, a baixa do respectivo processo à instância ordinária. A toda evidência, a pretensão recursal se encontra protegida pela coisa julgada material; o contribuinte, pois, faz jus à opção pelo simples desde a data da apresentação de seu pedido (2004), não havendo alternativas a este julgador (sob pena, até mesmo, de incorrer em crime de desobediência), senão acatar as suas razões de insurgência. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para, reformandose o acórdão recorrido e o despacho constante do processo apensado a este feito, deferir a opção da empresa pelo Simples Federal desde 2004. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10768.100365/200457 Acórdão n.º 1302003.603 S1C3T2 Fl. 278 4 Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004359/2009-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-001.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, anocalendário de 2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 43 59 /2 00 9- 07 Fl. 116DF CARF MF 2 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física DIMOB – no valor de R$ 30.831,36 bem como dedução indevida de despesas médicas no valor de R$20.736,17. O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, pois ele e sua esposa, Márcia Augusta Rabello e Castro Lellis, casados sob o regime de comunhão de bens, conforme certidão de casamento de fls. 37, utilizaramse da previsão legal de tributação na proporção de 50% em nome de cada cônjuge. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que com relação às despesas médicas, uma parte foi reconsiderada como despesa dedutível e outra parte foi mantida a glosa, a qual não foi mais objeto de questionamento pelo Contribuinte, restando assim uma matéria não litigiosa. No que se refere a omissão de rendimentos oriundos de aluguel, informado em DIMOB, entende a DRJ que o total de rendimentos de aluguéis informados em DIMOB que beneficiou o autuado alcançou o montante de R$64.229,69, fls. 11, embora ele tenha informado na declaração o valor de R$33.398,33 como rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, fls. 46. Na declaração de ajuste anual entregue pela esposa do autuado foi informado o montante de R$19.845,52 como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, fls. 40. Assim, entende a DRJ que não assiste razão ao autuado quando alega que não houve infração por ter informado na declaração de rendimentos da esposa o montante apurado pela autoridade lançadora como omissão de rendimentos. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte sustenta que a regra, de acordo com a legislação é que os alugueis auferidos na constância de uma sociedade conjugal sejam reconhecidos na proporção de 50% cada um. No caso em exame, por serem casados sob o regime de comunhão de bens, todos os imóveis são comuns ao casal. Por esta razão, em conformidade com a norma de regência, o Recorrente declarou corretamente 50% do aluguel que ele e sua esposa receberam no ano de 2005. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos Aluguel pessoa física O Contribuinte sustenta que a regra, de acordo com a legislação é que os alugueis auferidos na constância de uma sociedade conjugal sejam reconhecidos na proporção de 50% cada um. No caso em exame, por serem casados sob o regime de comunhão de bens, todos os imóveis são comuns ao casal. Por esta razão, em conformidade com a norma de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15504.004359/200907 Acórdão n.º 2001001.250 S2C0T1 Fl. 3 3 regência, o Recorrente declarou corretamente 50% do aluguel que ele e sua esposa receberam no ano de 2005. Pela análise minuciosa das informações apresentadas pelo Recorrente bem como todos os documentos juntados ao processo, verificase que de fato a sua DAA esta correta. Se houve equivoco na DAA de sua esposa, ela que deve sofrer a autuação ou retificar a sua declaração. Ele agiu exatamente de acordo com o que estabelece a lei. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Fl. 118DF CARF MF 4 Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por tudo o quanto exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para o exonerar o lançamento fiscal de omissão de rendimentos lavrado contra o Recorrente. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO recurso voluntário, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904431/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 21/07/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 21/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 31 /2 00 8- 60 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904431/200860 Acórdão n.º 2201004.854 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.904431/200860 Acórdão n.º 2201004.854 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.904431/200860 Acórdão n.º 2201004.854 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.007688/2003-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Como regra geral, a caducidade para análise dos pedidos de compensação é definida pelo prazo quinquenal de homologação, tendo como termo inicial a data do pedido. Entretanto, em se tratando de créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, a compensação não se submete à homologação tácita, devendo serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
Numero da decisão: 1001-001.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, somente em relação ao saldo negativo do ano-calendário de 2001 e rejeitar a preliminar suscitada de homologação tácita da compensação.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Machado Millan, Edgar Bragança Bazhuni (Presidente em Exercício), Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Como regra geral, a caducidade para análise dos pedidos de compensação é definida pelo prazo quinquenal de homologação, tendo como termo inicial a data do pedido. Entretanto, em se tratando de créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, a compensação não se submete à homologação tácita, devendo serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Como regra geral, a caducidade para análise dos pedidos de compensação é definida pelo prazo quinquenal de homologação, tendo como termo inicial a data do pedido. Entretanto, em se tratando de créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, a compensação não se submete à homologação tácita, devendo serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, somente em relação ao saldo negativo do anocalendário de 2001 e rejeitar a preliminar suscitada de homologação tácita da compensação. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 76 88 /2 00 3- 48 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 648 2 Edgar Bragança Bazhuni Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Machado Millan, Edgar Bragança Bazhuni (Presidente em Exercício), Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 599/606) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 1626.889, de 29/09/2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), efls. 573/582, objetivando a reforma do referido julgado que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Tratase de manifestação de inconformidade em face da homologação parcial das compensações solicitadas no presente processo. O reconhecimento parcial do direito creditório veiculado na DCOMP em testilha (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001) decorreu das seguintes verificações efetuadas pela DIORT / DERAT / SP: · O Requerente compensou as estimativas mensais de IRPJ do anocalendário de 2001 com o suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. Assim, foi necessária a análise de ambos períodos de apuração. · O contribuinte indicou na DIPJ 2001 que o saldo negativo de IRPJ remontaria a R$54.259,72 (cinqüenta e quatro mil, duzentos e cinqüenta e nove Reais e setenta e dois centavos). A DIORT reconheceu apenas a importância de R$ 43.387,32 (quarenta e três mil, trezentos e oitenta e sete Reais e trinta e dois centavos), notadamente pela ausência de qualquer recolhimento das estimativas mensais indicadas na DIPJ 2001. · O direito creditório mencionado no parágrafo anterior foi integralmente consumido nas compensações sem processo empreendidas pelo contribuinte (fls. 58/60). · Em relação ao anocalendário de 2001, o contribuinte indicou na respectiva DIPJ que o saldo negativo de IRPJ remontaria a R$243.287,82 (duzentos e quarenta e três mil, duzentos e oitenta e sete Reais e oitenta e dois centavos). A DIORT reconheceu apenas a importância de R$105.419,51 (cento e cinco mil, quatrocentos e dezenove Reais e cinqüenta e um centavos), notadamente pelas receitas financeiras indicadas nas DIRF entregues pelas Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 649 3 instituições financeiras (R$ 1.403.442,83 um milhão, quatrocentos e três mil, quatrocentos e quarenta e dois Reais e oitenta e três centavos) ser superior ao valor declarado a tal título na DIPJ 2002 (R$ 722.246,22 setecentos e vinte e dois mil, duzentos e quarenta e seis Reais e vinte e dois centavos). Inconformado com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 26/05/2008 (fls. 74), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 79/90), em 25/06/2008, alegando que a disparidade no valor do IRRF, apontado na DIPJ 2002, teria decorrido da Impugnante registrar suas receitas financeiras pelo regime de competência, sendo que as instituições financeiras efetuam a retenção do imposto de renda na fonte com base no regime de caixa, prestando tal informação nas DIRF entregues pelas mesmas. Contudo, todas as receitas financeiras mencionadas nestas DIRF teriam sido oportunamente oferecidas à tributação. Consta das DIRF insertas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, bem como da DIPJ 2002 entregue pelo Manifestante, que o mesmo suportou a incidência do imposto de renda na fonte em relação às seguintes aplicações financeiras: No cotejamento empreendido pela DIORT / DERAT / SP, verificouse que as receitas financeiras declaradas na DIPJ 2002 (Linha 24 da Ficha 06A) remontaram a R$ 722.246,22 (setecentos e vinte e dois mil, duzentos e quarenta e seis Reais e vinte e dois centavos). Logo, em decorrência desta importância ser inferior aos rendimentos brutos de aplicações financeiras insertos nas DIRF arroladas no quadro supra, a DIORT / DERAT / SP entendeu como dedutível na DIPJ 2002 apenas o valor de R$ 144.449,20 (cento e quarenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e nove Reais e vinte centavos), obtido com base na proporcionalidade entre as receitas financeiras em comento. Entretanto, o confronto realizado pela DIORT / DERAT / SP mencionado acima não se mostra escorreito, pois as receitas financeiras deveriam ser reconhecidas na DIPJ 2002 com base no regime de competência (art. 248 do RIR/99), sendo que estas mesmas receitas relativas às aplicações financeiras de renda fixa, excetuadas às realizadas em fundos de investimento (código de recolhimento 6800), encontravamse sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte apenas na alienação, liquidação (total ou parcial), resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação, conforme se deflui do art. 17 da Instrução Normativa SRF n°. 25, de 06/03/2001, in verbís: “Aplicação em Títulos e Valores Mobiliários de Renda Fixa Art. 17. Os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitam se à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte por cento. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 650 4 § 1° A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do IOF, quando couber, e o valor da aplicação financeira. § 2° Para fins de incidência do imposto de renda na fonte. a alienação compreende qualquer forma de transmissão da propriedade. bem assim a liquidação, o resgate, a cessão ou a repactuação do titulo ou aplicação. ” (g.n.) Deste modo, entendese que a asserção do Manifestante de que não é necessário haver concordância entre as receitas financeiras reconhecidas na DIPJ e as insertas a tal título nas DIRF entregues pelas instituições financeiras sob o código de recolhimento 3426 é escorreita. Contudo, a dedução dos IRRF relativos às aplicações financeiras em comento certamente condicionase à efetiva tributação das respectivas receitas, mesmo que em DIPJ de anoscalendário pretéritos, em respeito à disciplina veiculada no att. 231, inciso III, do RIR/99, in verbis: “Art.231.Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nª 9.430, de 1996, art. 2º, §4º); (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;" (g.n.) Destarte, tendo em vista que a escrituração contábil acostada aos autos em cópias reprográficas simples (fls. 119/161) é insuficiente para a formação da convicção em relação ao efetivo oferecimento à tributação das receitas financeiras relativas aos IRRF deduzidos na DIPJ 2002 (código de recolhimento: 3426), entendese que é imprescindível a realização de diligência fiscal com tal mister. Tendo em vista o exposto, o presente processo foi encaminhado à DEFIS/DIPAC/SAPAF, a fim de seja empreendida a competente diligência fiscal, para a identificação de qual o real valor de IRRF, relativo à percepção de receitas financeiras, notadamente do código de recolhimento 3426, que poderia ser objeto de dedução na DIPJ 2002 (fls. 168/171). Em resposta ao pedido de Diligência Fiscal, a Fiscalização elaborou relatório conclusivo de fls.526/527 em que constatou o seguinte: Os rendimentos das aplicações financeiras oferecidas à tributação nos anoscalendário de 1999 e 2000 foram superiores aos discriminados nos respectivos comprovantes de rendimentos; A diferença nos montantes oferecidos à tributação correspondem às apropriações contábeis do estoque de títulos não resgatados; O valor de R$ 243.287,82, corresponde ao IRRF, cujos rendimentos foram tributados no próprio exercício acrescido dos já apropriados nos exercícios anteriores, conforme se constata pela documentação apresentada pelo requerente; Dessa forma, concluise que as receitas vinculadas ao IRRF dedutível foram oferecidas à tributação. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 651 5 A DRJ considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada. Vejamos os argumentos da decisão da DRJ, no voto condutor do acórdão recorrido: A diferença apurada entre a autoridade fiscal e a informada em DIPJ pela contribuinte deriva de não reconhecimento, por parte daquela, do IRRF deduzido na DIPJ, o qual constituiu o saldo negativo, ora pleiteado nos autos: No caso especifico do presente pleito, cabe ressaltar que, os recolhimentos efetivados do Imposto de Renda na Fonte são devidos na forma da lei, e não dão ensejo de per si à restituição/compensação. O valor a restituir ou a pagar é calculado na declaração final de ajuste sendo o IRRF parte da apuração final do resultado do exercício. A previsão para utilização do valor do IRRF na dedução do IRPJ devido encontra respaldo na Lei n° 8.981/95, ressalvando o fato de o contribuinte ter se utilizado do pagamento mensal por estimativa e apuração pelo Lucro Real Anual: “Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. § 3° Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor; c) do Imposto de Renda pago ou retido na fonte, incidentes. sobre receitas computadas na determinação do lucro real;" Por sua vez, a Lei n° 9.430/96 faculta às empresas tributadas pelo regime do lucro real a deduzir do valor devido do imposto o montante recolhido a título de imposto de renda na fonte (art.2°, parágrafo 4°, inciso III) e utilizálos para restituição ou compensação, caso se apure saldo negativo: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1 ° e 2°do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;" Não obstante tal fato, os valores relativos ao IRRF que integraram a base de cálculo do IRPJ podem ser usados como dedução do imposto a pagar e, dessa forma, provocar a redução do imposto a pagar e ou até mesmo o saldo negativo, situação Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 652 6 em que os valores pagos somados aos valores retidos são superiores aos apurados no período (art.668, §l°, I e §2° do RIR/99). Os ganhos de capital, rendimentos em aplicações financeiras e outros deverão ser adicionados para apuração do imposto de renda, conforme determinam os arts. 521 e 526 do RIR/99 a seguir transcrito: “Art.521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no §3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II)." Apenas com a tributação dos rendimentos de capital ou aplicações financeiras poderá a contribuinte deduzir o IRRF na DIPJ, segundo prescreve o art. 526 do RIR/99. “Art. 526. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a titulo de incentivo fiscal (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 10)." Feitas as devidas considerações iniciais vamos a análise dos seguintes argumentos apresentados pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade os quais vale citar: Apurou saldo negativo na DIPJ, razão pela qual tem direito ao montante apurado, conforme prevê a legislação de regência. No presente caso, o contribuinte deveria ter apresentado um demonstrativo da composição das receitas oferecidas à tributação respaldada na escrituração fiscal, a qual comprovasse a veracidade de suas alegações. Sem a prova. por meio de documentação hábil e idônea. da tributação dos rendimentos na declaração de rendimentos, incabível o reconhecimento da parcela de IRRF para a dedução do IR a pagar. No entanto, em razão das discrepâncias entre os fundamentos trazidos à decisão administrativa e a alegações bem como pela documentação apresentada pelo impugnante, os presentes autos foram objeto de diligência Fiscal (fls.168/171). cujo relatório conclusivo, elaborado pela Fiscalização reconheceu o direito a dedução de IRRF de RS 280.688,49 na DIPJ/2002. Tendo em vista que houve deduções de IRRF do IR a pagar nas estimativas mensais de R$ 37.400,67 (fl. 69), e, em sendo apurado IRRF dedutível de R$ 280.688,49, o montante utilizado de R$ 243.287.82 (fl. 70) na apuração anual (linha 13 da Ficha 12 A) deve ser deferido, conforme informado em DIPJ. Cabe a observação de que o Despacho Decisório de fls. 61/72 constatou o não recolhimento das estimativas mensais dos PA de 04 e 06/2001 nos montantes de R$ 650,00 e R$ 979,02, respectivamente, os quais devem ser desconsiderados no cálculo para a apuração do direito creditório de IRPJ do ano calendário de 2001. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 653 7 Dessa forma. o direito creditório da contribuinte fica, assim, constituído, após os ajustes: IRPJ Valor em R$ 01. alíquota de 15% 38.220,38 03. Adicional 1.480,26 Deduções Valor em R$ 13. () IRRF 243.287,82 16. () IRPJ pago por estimativa* 38.071,62 18. IR a pagar (241.658,80) () reconhecido no Despacho Decisório (105.4l9,51) Saldo remanescente a ser reconhecido (136.239,29) * somatório do IRRF deduzido de R$ 37.400,67 e estimativa compensada com saldo negativo de exercício anterior de R$ 670,95 (estimativa do PA de 07/2001). Com relação à ocorrência de homologação tácita bem como da decadência ao direito de glosa do montante de R$ 10.872,30 (PA de 02/2000), o qual constituiu o saldo negativo do período, não merece prosperar, pois, o que se está verificando nos presentes autos é a aferição de liquidez e certeza de direito creditório em consonância com o art. 170 do CTN, para fins de compensação tributária. A presente hipótese não se refere a lançamento de oficio e, portanto, qualquer glosa de valores não comprovados deve ser efetuada para fins de apuração de crédito não havendo sujeição à regra do art.150, §4°, como requer o impugnante. O lançamento de ofício não se confunde com a apuração de direito creditório, pois esta objetiva tão somente averiguar a existência do pleiteado montante para fins de restituição ou compensação, uma vez que, pelos dizeres do CTN, não há deferimento ou possibilidade de aproveitamento de créditos fictícios. Pelo exposto e tendo em vista a comprovação, em parte, das parcelas, as quais compõem o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, decido pelo reconhecimento do direito creditório parcial conforme acima apurado. DOS EFEITOS DAS JURISPRUDÊNCIAS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS Finalmente, em relação às decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, inseridas pela impugnante no contexto de sua defesa, cumpre ressaltar que são improfícuas as jurisprudências administrativas ora apresentadas, tendo em conta a ausência de base legal que atribua aos acórdãos, proferidos pelos órgãos de julgamento, a devida eficácia normativa, não se constituindo em normas complementares do Direito Tributário, nos termos do art. 100, inciso II, do CTN. Portanto, depreendese que não são passíveis de serem estendidos genericamente ao caso concreto, eis que são estritamente aplicáveis ao contencioso administrativo dos processos administrativos relacionados aos referidos acórdãos e tão somente se vinculam aos fatos e as partes envolvidas naqueles litígios. Sob este aspecto, o Parecer Normativo CST n° 390, de 1971, já se manifestou com relação a esse assunto, nos seguintes termos: “3. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 654 8 entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. (...) 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência se não aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado." No que concerne às jurisprudências judiciais prolatadas pelos Tribunais Superiores, também reportados pela contribuinte na íntegra de sua impugnação, cumpre esclarecer que, nos termos do art. 4° do Decreto n° 2.346, de 10/10/1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Assim sendo, não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros, nos moldes do art. 472 do CPC. Nesse sentido, impõese não conhecer os julgados mencionados no desenvolvimento da impugnação visto que a contribuinte não figura nas respectivas lides como parte interessada. CONCLUSÃO Diante dos fatos acima expostos, VOTO no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE com o reconhecimento de direito creditório remanescente no montante de R$ 136.239,29 para o anocalendário de 2001 bem como HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES até o limite do crédito ora reconhecido. Em suma, a Recorrente apresentou PER/DCOMP, visando à compensação de crédito tributário oriundo de saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 243.287,82, apurado nos anoscalendário de 2000 e 2001, com débitos do próprio imposto de renda de períodos posteriores. A DRF, mediante despacho decisório, deferiu em parte o direito creditório pleiteado, reconhecendo apenas o crédito no valor de R$105.419,51, a análise de ambos períodos de apuração. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade julgada parcialmente procedente pela DRJ para reconhecer direito creditório remanescente no montante de R$ 136.239,29. O acórdão foi assim ementado: Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 655 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Não encontro nos autos o comprovante de recebimento do acórdão de manifestação de inconformidade, no entanto, no despacho de encaminhamento ao CARF (efl. 645), a DERAT/SPO informa a tempestividade a recurso voluntário, apresentado em 21/12/2010, conforme carimbo aposto à efl. 599. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Antes de apreciar as razões de defesa, importa ressaltar a natureza do pedido de compensação, como o presente. O que se analisa em processos desse tipo é, fundamentalmente, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. A autoridade julgadora não se pronuncia sobre o(s) débito(s) que está(ão) sendo quitado(s) mediante compensação, mas sim se o crédito suscitado pelo demandante está demonstrado, total ou parcialmente. Essa é a lide. Ainda que a cobrança do débito seja uma conseqüência natural da compensação não homologada, é procedimento a cargo da Unidade Local da RFB e não se confunde com a matéria aqui sob exame. Em outras palavras, qualquer argumento que se relacione com a cobrança dos débitos não homologados deve ser direcionado à autoridade responsável pela execução da decisão. Saldo negativo do anocalendário 2000 No que se refere ao crédito em discussão, o pedido de compensação decorreu de suposto crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 54.259,72, resultado, basicamente, do imposto mensal pago por estimativa e do imposto de renda retido na fonte, Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 656 10 sendo este alegado crédito parcialmente indeferido (R$ 10.872,30) pela ausência de recolhimento da estimativa mensal apurado no mês de fevereiro de 2000, conforme indicado na DIPJ 2001, no que discorda a recorrente sob a alegação de homologação tácita da compensação, repetindo o argumento apresentado na manifestação de inconformidade. Vejam: a decadência opera a favor da segurança e da estabilidade das relações jurídicas. Assim, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador, o Fisco não pode formalizar o lançamento para a exigência de crédito tributário, nem tampouco impor penalidades. Entretanto, quando se está a tratar de lançamento por homologação, ao Fisco cabe exercer o controle da legalidade do ato praticado pelo contribuinte para determinar se foram obedecidas as normas que orientam a correta apuração do resultado tributável do(s) exercício(s) sob análise. Esse controle, de legalidade do lançamento realizado, busca averiguar a correta determinação do quantum apurado, ao identificar se as receitas tributáveis e as despesas incorridas foram corretamente declaradas na apuração do resultado final do exercício. Em caso de haver qualquer tipo de divergência, em relação ao resultado tributável, a partir da apuração efetuada pelo Fisco, cabe à autoridade administrativa exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Em sendo o caso, fará o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser apurado ou recolhido de acordo com a legislação aplicável. No caso de restituição/ressarcimento/compensação, também há prazo definido para se exercer o direito. Se no lado da exigência tributária estarseia a proteger o direito do contribuinte, quando se trata de restituição/ressarcimento/compensação, o interesse a ser protegido é o da própria Fazenda Pública. Por isso, é dever do Fisco proceder à análise do crédito desde a sua origem até a data em que requerida a restituição/compensação/ressarcimento, sendo de responsabilidade do contribuinte fazer prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, conforme o disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional. Para tanto, deve o contribuinte manter toda a documentação relativa ao crédito que diz possuir até que todos os processos que digam respeito ao mesmo sejam encerrados. Vejamos o que diz o art. art. 264 do Decreto n° 3.000/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 4°). Já o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 657 11 Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Concluise dos dispositivos acima reproduzidos, que os mesmos convivem de forma absolutamente harmoniosa com os princípios da decadência e da homologação tácita, a que se referem o artigo 149, § único, 150, § 4º, e 173, todos do CTN; assim, se determinada apropriação vier a influenciar o resultado da apuração de um crédito tributário no futuro, a mesma poderá vir a ser objeto de verificação, conforme já dissemos anteriormente, até que todos os processos que tratem da utilização daquele crédito, estejam encerrados. Tal assunto foi muito bem trabalhado no voto do 1402002.153, em sessão de 06 de abril de 2016, proferida pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, em analisa os vários aspectos da decadência, e em referência ao ponto supra, discorre: Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vejase que a ausência de exame da declaração no prazo de 05 anos implica a extinção do crédito compensado, não se falando em reconhecimento de direito creditório, por exemplo, superior ao débito compensado. E o prazo para não homologação da compensação é contado a partir data da declaração que a formalizou. Mas nada impede que o Fisco, desde que decida no prazo de 5 anos contados da transmissão da declaração de compensação, averigue a correição do direito creditório pleiteado tendo que examinar eventuais recolhimentos realizados há mais de 5 anos e que por ventura componham o saldo negativo pleiteado. No mesmo sentido, assim concluiu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012: 24. Como se trata de Declaração de Compensação, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado. 25. Não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 658 12 prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma específica que versa sobre Dcomp não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. [...] 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Assim, não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Outrossim, a questão foi afastada pelo voto condutor do acórdão recorrido , conforme excerto a seguir, novamente transcrito: Com relação à ocorrência de homologação tácita bem como da decadência ao direito de glosa do montante de R$ 10.872,30 (PA de 02/2000), o qual constituiu o saldo negativo do período, não merece prosperar, pois, o que se está verificando nos presentes autos é a aferição de liquidez e certeza de direito creditório em consonância com o art. 170 do CTN, para fins de compensação tributária. A presente hipótese não se refere a lançamento de oficio e, portanto, qualquer glosa de valores não comprovados deve ser efetuada para fins de apuração de crédito não havendo sujeição à regra do art.150, §4°, como requer o impugnante. O lançamento de ofício não se confunde com a apuração de direito creditório, pois esta objetiva tão somente averiguar a existência do pleiteado montante para fins de restituição ou compensação, uma vez que, pelos dizeres do CTN, não há deferimento ou possibilidade de aproveitamento de créditos fictícios. Ante o exposto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR suscitada de homologação tácita da compensação. Ressaltase que, quanto à questão, não foram levantadas questões de mérito. Saldo negativo do anocalendário 2001 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 659 13 Quanto ao anocalendário 2001, requer o reconhecimento do crédito referente às estimativas, de abril e junho de 2001, nos valores de R$650,00 e R$979,02, respectivamente, que a decisão da turma a quo, assim como o despacho decisório da autoridade administrativa, não reconheceu por falta de recolhimento. Para melhor entendimento, transcrevo, a seguir, quadro demonstrativo do Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SP, bem como excerto que trata do assunto: 40. Conforme DIPJ (fl 40), o contribuinte apurou imposto a pagar nos meses de abril, junho, e julho. No entanto, verificase que somente o débito referente ã estimativa de IRPJ do mês de julho deste anocalendário foi declarado em DCTF (fls. 4748). Ademais, não existe qualquer registro de pagamento referente a tais estimativas no Sistema Sinal 08 (fl. 55). A estimativa do mês de julho. foi compensada com saldo negativo do,período anterior, conforme DCTF às fls. 4950. Há saldo negativo remanescente para quitar a estimativa devida, conforme cálculo efetuado no sistema Neo Sapo (fls. 5860). Alega em seu recurso voluntário que "as estimativas em questão foram devidamente pagas por meio de compensação com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário em 2008." E que "não foi constatado o recolhimento das estimativas em razão de um erro no preenchimento da DCTF, onde não foi informado tal recolhimento" (grifei), mas "tais recolhimentos foram declarados na DIPJ do exercício de 2002". A seguir requer que sejam respeitados os princípios da verdade material, da segurança jurídica para que autoridade fiscal proceda uma análise exaustiva de todos as informações e documentos a respeito da matéria, em consonância com os princípios administrativos previstos no artigo 37 da Constituição. Quanto ao pedido de que seja feita uma análise exaustiva, em respeito aos princípios constitucionais citados, mister ressaltar que qualquer análise de pedido de crédito deve ser feita com base na legislação vigente conforme já mencionado acima. Ocorre que em relação ao não pagamento das estimativas que compuseram o saldo negativo do anocalendário 2001, a recorrente não apresentou qualquer argumento na manifestação de inconformidade. Tratase, portanto, de argumentos novos, não apresentados pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 660 14 Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11610.007688/200348 Acórdão n.º 1001001.124 S1C0T1 Fl. 661 15 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” (destacado) A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação, valendo acentuar que o recurso voluntário, como dito, é totalmente distinto da impugnação, chegando mesmo, em alguns pontos, a serem mutuamente contraditórios. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Desta forma, sob pena de inovação recursal, entendo que não é mais possível conhecer destas alegações nesta fase processual. Assim, deixo de conhecer deste requerimento sucessivo. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, somente em relação ao saldo negativo do anocalendário de 2001 e por REJEITAR A PRELIMINAR suscitada de homologação tácita da compensação, mantendo in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 661DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002085/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/200.3 a 30/09/2003
Ementa,
TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Numero da decisão: 9303-001.144
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3" TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento Henrique Pinheiro Torres — Presidente Substituto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (Substituto convocado), Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann. Relatório Cuida-se de recurso especial do Sujeito Passivo, fls. 258/270, contra decisão do acórdão n2 203-13373, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, que negou a inclusão dos gastos com energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n° 10,276/2001, em virtude da falta de comprovação, bem como a aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos. O recorrente pugna para que seja autorizada a utilização dos créditos presumidos de IR( decorrentes dos custos com energia elétrica e combustíveis, devidamente atualizados pela Mie. O recurso foi admitido apenas quanto a aplicação da taxa Selic, por intermédio do despacho n" 203-010, fls. 336/337, A Fazenda apresentou contrarrazões às fls.. 363/368. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele torno conhecimento e passo a apreciar. A pedra angular do litígio posta nos autos cinge-se na possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI. Preliminarmente, para decidir esta matéria é de suma importância registrar a diferença dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa, Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva 2 Processo rf 11020 002085/2005-61 Acórdão n " 9303-01344 CSRF-T3 Fl. 371 : 3 É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar . rendimentos — na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros — sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art, 39, § 4°), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva.. O texto da Lei no 9,250, de 1995, é claro, não havendo corno aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido deve-se dizer que o art. 39, § 4", da Lei no 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic, Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos .juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso do sujeito passivo. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908085/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.930
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, que foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 08 5/ 20 12 -2 2 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13896.908085/201222 Resolução nº 3402001.930 S3C4T2 Fl. 3 2 débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, bem como cópias de livros contábeis, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, acompanhado de documentos fiscais, oportunidade em que reiterou a alegação de retificação da sua DCTF original e que os documentos acostados com o recurso fariam prova da correição do quantum vindicado a título de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.925, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908078/201221. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.925): "5. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada (fl. 87) pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido supostamente utilizado para saldar outro débito apontado pelo próprio recorrente em DCTF. 6. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita, acostando documentos fiscais com sua manifestação de inconformidade e informando em suas razões que o débito para o qual o crédito foi originalmente utilizado era inexistente. 7. O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que o contribuinte não fez prova suficiente do seu direito, uma vez que a simples retificação da Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13896.908085/201222 Resolução nº 3402001.930 S3C4T2 Fl. 4 3 DCTF não seria suficiente para atestar seu direito, a qual deveria ser acompanhada dos documentos fiscais aptos a demonstrar a devida apuração do pretenso crédito. 8. Assim, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia de farta documentação fiscal (fls. 126/357) que comprovaria a correição do quantum vindicado a título de crédito. 9. Embora não se olvide do disposto no art. 16, §4o do Decreto n. 70.235/72, também não é demais frisar que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material1 que, por sua vez, reforça a existência de outro princípio que ganhou novo fôlego com o advento do CPC/2015: o princípio da primazia da decisão de mérito, que visa prestigiar a decisão que resolva definitivamente a lide posta para julgamento. 10. Assim, no presente caso, parecenos que a simples chancela da tecnicamente adequada decisão da DRJ de Brasília resultaria em um convite para que o contribuinte continuasse discutindo a presente demanda pelos mesmos fundamentos aqui expostos, só que agora em outro palco, i.e., no âmbito do Poder Judiciário. 11. Tal postura, pura e simples, implicaria em uma sobrecarga do já assoberbado Poder Judiciário, bem como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, além de poder redundar, em ultima ratio, em uma condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios que, diante do CPC/2015, pode ter impacto significativo aos cofres públicos em razão do disposto no art. 85, §3o da novel legislação2. Em suma, tal postura se demonstraria assaz afrontosa a ideia de interesse público primário3, bem como ao princípio da moralidade, que devem nortear a Administração Pública. Ademais, também conflitaria contra os 1 O princípio da verdade material é valor normativo que aqui se convoca não como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico do fato social que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 2 "Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. (..). § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos." 3 O qual se configura como interesse de toda uma coletividade e não da Administração Pública enquanto parte (no caso, enquanto parte litigante). Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13896.908085/201222 Resolução nº 3402001.930 S3C4T2 Fl. 5 4 desígnios da própria existência do processo administrativo, i.e., de promover um controle de legalidade do crédito tributário e evitar, sempre que possível,.a judicialização de demandas. 12. Diante de tais razões, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 14. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 357DF CARF MF
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