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Numero do processo: 10283.724351/2017-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS.
Os Autos de Infração (AI's) encontram-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA
A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou seu Recurso implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais" (Súmula CARF nº 4).
PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
Numero da decisão: 2202-005.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. Os Autos de Infração (AI's) encontram-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou seu Recurso implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais" (Súmula CARF nº 4). PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
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FORMALIDADES LEGAIS. Os Autos de Infração (AI's) encontramse revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou seu Recurso implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. 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(assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 03080.231, proferido pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de crédito tributário constituído por meio dos Autos de Infração de Obrigação Principal em desfavor do Município de TeféPrefeitura Municipal, consolidados em 14/09/2017, como segue. Auto de Infração Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, relativo a contribuição devida pelo empregador, incluindo o GILRAT, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2014 a 12/2015, cujos valores não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, no valor consolidado de R$ 43.469.846.02. Auto de Infração Contribuição Previdenciária dos Segurados, relativo às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre as respectivas remunerações pagas, devidas ou Fl. 10998DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 10.998 3 creditadas, no período de 01/2014 a 12/2015, valor consolidado de R$ 17.424.733,28. Do Relatório Fiscal Informa o Relatório Fiscal (fls. 10874 10882) acerca da origem e da exigibilidade das contribuições lançadas, o que segue. O Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF foi recebido pelo contribuinte, em 19/04/2017, e teve como finalidade, solicitar ao ente federativo que apresentasse os documentos pertinentes à verificação de sua regularidade fiscal, relacionada à Contribuição Social Previdenciária CSP. A solicitação não foi atendida/justificada pelo sujeito passivo. Foi realizada nova intimação por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF1, recebido pelo sujeito passivo no dia 24/05/2017, onde a fiscalização reiterou a apresentação dos documentos solicitados no TIPF. Essa intimação também não foi atendida pelo sujeito passivo. Emitido o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal recebido pelo sujeito passivo, em 17/07/2017, com o objetivo de cientificálo de que os documentos e as informações anteriormente solicitados não foram fornecidas à fiscalização. O referido termo teve também o objetivo de oportunizar, mais uma vez, que os documentos e informações solicitadas nos termos anteriores fossem apresentados, além de informar sobre a prerrogativa de que dispõe a Receita Federal do Brasil em lançar de oficio a importância que reputar devida com os meios e informações que dispuser, conforme determina a legislação tributária previdenciária (§§ 3o a 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/91). Em 28/08/2017, de forma extemporânea, o sujeito passivo protocolou os documentos a seguir relacionados e informou que. em relação às folhas de pagamento, estava fornecendo somente o ano de 2015: • Notas de empenho liquidadas em MANAD 2014 e 2015; • Folhas de pagamento em MANAD 2015; • Balancetes de despesas em PDF 2014 e 2015; • Informações dos empenhos da rubrica orçamentária "Vencimentos e Vantagens fixas em PDF 2014 e 2015 "e. • Informações dos empenhos da rubrica orçamentária "Contratação por tempo determinado em PDF 2014 e 2015" Da Contribuição Previdenciária do Empregador Incluindo o GILRAT A Contribuição devida pelo empregador, incluindo o GILRAT, foi apurada sobre os valores pagos ou creditados aos segurados Fl. 10999DF CARF MF 4 empregados e que não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. As diferenças de bases de cálculo consolidadas e contribuição dos segurados, não declaradas e não recolhidas estão demonstradas nos quadros 6.1.1 e 6.1.2 do Relatório Fiscal. Outra parcela da Contribuição do Empregador incidiu sobre os pagamentos efetuados aos segurados Contribuintes Individuais que prestaram serviços como pessoa física. Para determinação da base de cálculo, foram considerados os valores dos empenhos liquidados, pagos pelo ente federativo a pessoas físicas prestadoras de serviço e que não foram declarados na GFIP. Os valores estão demonstrados no Quadro Resumo do item 6.2 do Relatório Fiscal. No ano de 2014, as bases de cálculo foram arbitradas pelo critério de aferição indireta, em razão da falta de apresentação, pelo sujeito passivo, das informações e documentos solicitados pela fiscalização, especificamente as "folhas de pagamento dos servidores". Para determinação da base de cálculo, foram considerados os valores dos empenhos liquidados, pagos pelo ente federativo a pessoas físicas prestadoras de serviço e que não foram declarados na GFIP. As informações analíticas estão relacionadas nos seguintes demonstrativos: ''Pagamentos vencimentos e vantagens fixas pessoal civil 2014". Item de despesa 3.1.90.11; "Pagamentos contratação por tempo determinado 2014". item de despesa 3.1.90.4 Para o ano de 2015, as bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo em meio digital no padrão MANAD. As informações analíticas estão relacionadas no demonstrativo "Folha de pagamento por rubrica 2015". Em relação à contribuição do empregador incidente sobre os pagamentos efetuados aos segurados Contribuintes Individuais (prestadores de serviços pessoas físicas), para a determinação das bases de cálculos foram considerados os valores dos pagamentos consignados nos empenhos liquidados, cujos valores não foram declarados na GFIP. Os valores por beneficiário estão relacionados no demonstrativo analítico "3.3.90.36 Pagamentos efetuados outros serviços de terceiros pessoas físicas": Da Contribuição dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais As bases de cálculos para apuração da contribuição dos segurados foram, em parte, arbitradas pelo de método de aferição indireta em razão da falta de apresentação, pelo sujeito passivo, das informações e documentos solicitados pela fiscalização, especificamente às folhas de pagamento dos servidores. Fl. 11000DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 10.999 5 Para o ano de 2014, não houve apresentação de documentos comprobatórios dos valores retidos. Os valores devidos foram arbitrados e calculados por meio da aplicação da alíquota mínima de 8%, sobre as diferenças de bases de cálculo. Os valores apurados estão demonstrados na última coluna à direita do quadro do item 6.1.1 do Relatório Fiscal. No ano de 2015, os valores foram extraídos das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo no padrão MANAD e estão totalizados no quadro do item 6.1.2, do Relatório Fiscal. As informações analíticas estão relacionadas no demonstrativo "Folha de pagamento por rubrica 2015". A contribuição dos segurados contribuintes individuais (que se presume retida de forma legal e oportuna quando do pagamento ou do credito efetuado pelos serviços prestados) foi calculada, utilizandose a regra prevista no art. 33, § 3o da Lei 8.212/91 e no art. 79 da Instrução Normativa RFB N° 971, de 13/11/2009, com a aplicação da alíquota de 11%, sobre o valor pago ou creditado pelos serviços prestados durante o mês. observandose o limite máximo do salário de contribuição. Os cálculos dos valores devidos estão demonstrados no anexo intitulado "3.3.90.36 Pagamentos efetuados outros serviços de terceiros pessoas físicas" parte integrante do Relatório Fiscal. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, não há créditos relativos a valores parcelados a serem apropriados no lançamento. Os valores apurados decorrem da falta de recolhimento das contribuições devidas, assim como da ausência de informações em GFIP. Esclarece a autoridade fiscal que o único parcelamento relacionado ao período do crédito apurado é o de n° 120674157. efetuado em 05/06/2015, no valor originário de R$ 80.806.45, e se refere a valores declarados em GFIP, ou seja, oriundos de "DCGOLDCG/DCG ON LINE"', de modo que não há créditos relativos a parcelamentos dedutíveis ou compensáveis em favor do contribuinte neste lançamento. Aplicada multa de ofício de 75%, na forma do art. 35A, da Lei ° 8.212 91 c/c com o inciso I, do art. 44 da Lei ° 9.340/96. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 10283.724800/201709, tendo em vista que os fatos verificados configuram, em tese, a prática de ilícito previsto na legislação previdenciária e penal. Da Impugnação Em 31/10/2017, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 10948/10954), com as alegações que se seguem, em síntese. Sustenta que o Auto de Infração se encontra eivado de vícios de ilegalidade dada à exorbitância e total desproporcionalidade dos Fl. 11001DF CARF MF 6 créditos apurados, contrariando os princípios constitucionais que norteiam a Administração Pública. Segue comentando que a Administração Pública está submetida aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência e, no ambiente fazendário, em que se desenvolvem atividades voltadas à cobrança de tributos, aos princípios da estrita legalidade, devido processo legal, contraditório e ampla defesa, tudo no sentido de estabelecer a tão sonhada justiça fiscal. Tece considerações sobre esses princípios constitucionais. Diz que o Município se vê na condição de arcar com descumprimento de obrigações fiscais, fruto da omissão de gestores anteriores, acarretando pesadas multas tributárias. Sustenta que está havendo repetição da cobrança dos débitos que fundamentam o lançamento, vez que os Autos de Infração estão fundados em crédito tributário já incluso em parcelamento de débitos retidos na fonte pela Receita Federal do Brasil, cujo ônus financeiro já é efetivamente suportado pelo Município de Tefé, ou seja, está havendo repetição da cobrança dos débitos que fundamentam o lançamento de ofício da obrigação tributária supostamente devida. Argumenta que os valores a título de juros e multa são exorbitantes, vez que equivalem a praticamente o dobro do valor do crédito tributário, o que caracteriza excesso de exação, em afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. E ainda compromete o limite da capacidade contributiva do impugnante e acarreta o enriquecimento sem causa da União. Segue dizendo que, em consonância com o entendimento do STF, confíscatória é a multa aplicada de forma desarrazoada, que comprometa o patrimônio ou exceda o limite da capacidade contributiva da empresa/pessoa. Faz comentários sobre algumas decisões judiciais acerca do tema. Do Pedido Ao final requer que: I seja acolhida a impugnação, cancelandose o débito fiscal ora reclamado; II — em caso de entendimento diverso seja promovida à revisão do lançamento para adequar o crédito tributário na alíquota de juros e multa razoável e proporcional: III em não sendo acolhida a impugnação, requer também seja oportunizado ao Município de Tefé a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), chamado de novo Refis e regulado pela Lei n° 13.485 2017 que dispõe sobre o parcelamento de débitos com a Fazenda Nacional relativos às contribuições previdenciárias de responsabilidade dos Municípios para que o crédito ora impugnado seja objeto de ajuste para fragmentação do valor global do Crédito Tributário em 200 (duzentas) prestações mensais além do benefício da redução da multa de ofício, entre o Município e a União Fl. 11002DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 11.000 7 representada pela Receita Federal do Brasil com vistas ao consequente adimplemento, sem comprometimento das políticas públicas de governo e da continuidade dos serviços públicos. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, mantendo o crédito tributário exigido. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DOS SEGURADOS. São devidas pela empresa e equiparada as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Em lançamento de ofício, é legítima a incidência da multa de ofício e juros de mora. os quais são devidos por imposição legal e não há previsão para exonerar a cobrança de tais encargos. Não cabe à autoridade administrativa afastar a incidência de multa de ofício e juros ou multa disciplinada em Lei não inquinada de inconstinicionalidade. PARCELAMENTO. FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO. Não compete às Delegacias de Julgamento conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil. Informações sobre formas e meios de obtenção de parcelamento poderão ser obtidas no site da Receita Federal do Brasil, endereço eletrônico: idg.receita.fazenda.gov.br, ou em qualquer unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BSB em 13/07/2018 (efls. 10980). Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 10/08/2018 (efls. 10983/10989), repisando os argumentos da impugnação, em apertada síntese: conforme já reiteradamente dito, o fato gerador, já encontrase parcelado e sendo devidamente adimplido pelo Município de Tefé; Fl. 11003DF CARF MF 8 a "resolução dos processos administrativos em que se discute sobre lançamento tributário exige dos órgãos de julgamento decisões consetâneas com a Lei Maior e pelos princípios constitucionais, para inclusive, incutir no universo de contribuintes a certeza de soluções justas, destacase o "Direito a Ampla defesa" onde todo contencioso tributário propiciarão ao contribuinte uma tutela jurisdicional justa e contra possíveis violações constitucionais, haja vista que a possível inobservância pode ocasionar em dano jurídico, restrição de contribuinte". as alíquota de juros e multa aplicada ao Município de Tefé não respeitam os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e nãoconfisco; solicita ainda que caso não seja em acolhido o Recurso, pugnase para que seja oportunizado ao Município de Tefé a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), chamado de novo Refis e regulado pela Lei n. 13.485/2017 que dispõe sobre o parcelamento de débitos com a Fazenda Nacional relativos às contribuições previdenciárias de responsabilidade dos Municípios para que o crédito ora impugnado seja objeto de ajuste para fragmentação do valor global do Crédito Tributário em 200 (duzentas) prestações mensais além do beneficio da redução da multa de oficio, entre o Município e a União representada pela Receita Federal do Brasil com vistas ao consequente adimplemento sem comprometimento das políticas públicas de governo e da continuidade dos serviços públicos. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator. O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Cerceamento de Defesa Quanto ao cerceamento de defesa, cumpre esclarecer que, no curso da ação fiscal, a Autoridade Fiscal atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa devem ser plenamente garantidos ao Contribuinte desde a ciência do lançamento, o que de fato ocorreu no presente caso, tendo o mesmo impugnado e recorrido do presente lançamento, em sua plenitude. Observese, ainda, que os Auto de Infrações combatidos foram lavrados por autoridade competente, contém precisa e clara descrição dos fatos e da infração, bem como indica os dispositivos legais infringidos, não se vislumbrando, pois, qualquer vício apto a ensejar a nulidade do lançamento, nos termos do art. 12 do Decreto nº 7.574/11, impondose a rejeição da preliminar de cerceamento de defesa. Da Alegação de que o Crédito Teria Sido Incluído em Parcelamento Em sede de Recurso, o Recorrente alega que o crédito tributário lançado já encontrase parcelado e sendo devidamente adimplindo pelo Município de Tefé. Fl. 11004DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 11.001 9 No caso concreto, valhome das considerações e conclusão promovidas pela decisão guerreada, adotandoas como razão de decidir. (...) O contribuinte não apresentou contestação fática sobre os valores apurados. Apenas disse que os créditos dos Autos de Infração teriam sido incluídos em parcelamento e que estaria havendo repetição da cobrança dos débitos que fundamentam o lançamento da obrigação tributária em questão. Todavia, não apresentou provas que confirmem tal alegação. Registrese que a própria fiscalização já se manifestou a esse respeito, quando destacou no Relatório Fiscal que: Créditos apropriados O credito lançado, decorre de falta de recolhimento e de declaração do imposto e informações em GFIP. O único parcelamento relacionado ao período do credito é o de número 120674157, efetuado em 05/06/2015, no valor originárias de RS 80.806,45 e se refere a valores declarados na GFIP, ou seja, oriundos de "DCGO LDCG / DCG ONLINE". Dessa forma não há créditos dedutíveis ou compensáveis em favor do sujeito passivo Como se vê, o único parcelamento relacionado ao período do credito (n° 120674157) se refere a valores declarados na GFIP. No caso dos autos, os valores apurados não foram declarados em GFIP, Logo. não há como acolher as razões do impugnante. (...) Portanto, ao contrário do alegado pelo Recorrente, não consta nos autos em questão, nenhum documento que comprove que o crédito tributário lançado tenha sido objeto de parcelamento pelo Contribuinte. Pelo contrário, os sistemas da Receita Federal do Brasil demonstram o não parcelamento do crédito tributário lançado. Da Multa de Ofício e Juros Selic A multa de ofício com percentual de 75% (setenta e cinco por cento) deve acompanhar os tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontrase disciplinada no art. 35A da Lei 8.212/91 c/c com o art. 44, I da Lei n. 9.430 de 1996. Em relação ao argumento do recorrente de que a multa de ofício seria confiscatório e não respeitaria os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 59 do Decreto nº 7.574/2011 e Súmula CARF nº 2: Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de Fl. 11005DF CARF MF 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A vedação ao confisco e o respeito aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da moralidade e da capacidade contributiva, previstos na Constituição Federal são dirigidas ao Legislador. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do Pedido de Adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária O contribuinte requer que, em não sendo acolhido o seu recurso, seja oportunizado ao Município de Tefé a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), chamado de novo Refis, regulado pela Lei n° 13.485/2017. Nesse ponto, vale esclarecer que este órgão julgador não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, redação dada pela pela Portaria MF 153, de 2018, artigo 1º do Anexo I, que assim dispõe: Art. 1o O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1a (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese pela norma antes transcrita, que não cabe a este Colegiado decidir sobre pedido de parcelamento. Caso o Município tenha interesse em parcelar sua dívida, informações sobre formas e meios de obtenção de parcelamento poderão ser obtidas junto Receita Federal do Brasil. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto em negarlhe provimento ao recurso. Fl. 11006DF CARF MF Processo nº 10283.724351/201791 Acórdão n.º 2202005.213 S2C2T2 Fl. 11.002 11 (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 11007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901617/2013-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.839
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 17 /2 01 3- 85 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.984. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16682.901617/201385 Acórdão n.º 3302006.839 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.007783/2007-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE.
A apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser restabelecida a respectiva glosa.
Numero da decisão: 9202-007.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa de R$ 18.540,00, a título de despesas médicas.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser restabelecida a respectiva glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa de R$ 18.540,00, a título de despesas médicas. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 77 83 /2 00 7- 89 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2003, anocalendário de 2002, crescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. Em sessão plenária de 18/01/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802001.253 (fls. 114 a 119), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Dayse Fernandes Leite." O processo foi encaminhado à PGFN em 23/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 120) e, em 20/06/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 121 a 131 (Despacho de Encaminhamento de fls. 132), com fundamento nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o critério de comprovação de despesas médicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 20/03/2017 (fls. 133 a 137). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o acórdão recorrido não admitiu as glosas das despesas médicas, por reputar suficientes as declarações dos profissionais; a Fiscalização apontou fundamentos suficientes para adotar o procedimento de intimar o Contribuinte a apresentar os documentos que efetivamente demonstrem os gastos deduzidos; observandose a descrição dos fatos, a autoridade fiscal indicou a necessidade de apresentação, nos casos de pagamento em espécie, de extratos bancários em que se verifique retiradas compatíveis em datas e valores com os recibos emitidos e, como prova da efetiva prestação de serviços, a apresentação de prescrição médica para os tratamentos, prontuários, radiografias e quaisquer outros a critério do Contribuinte; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.007783/200789 Acórdão n.º 9202007.803 CSRFT2 Fl. 145 3 além de os valores cobrados pela fisioterapeuta e terapeuta ocupacional estarem acima do valor de mercado, registrouse a falta da prescrição médica para a realização desses tratamentos, assim como a não apresentação de prontuários ou radiografias para comprovar a prestação dos serviços odontológicos, razões que fundamentaram as glosas a título de dedução de despesas médicas; notificado a comprovar as despesas médicas alegadas, o Contribuinte não trouxe documentos de irrefutável veracidade; acrescentese que os requisitos formais exigidos no art. 8° § 2º, III, da Lei nº 9.250, de 1995, militam em favor do interesse público, nada impedindo que, diante de dúvida, e não apenas de dúvida quanto à idoneidade de um recibo individualmente considerado, mas dúvida fundada quanto à boafé do Contribuinte caso dos autos a Fiscalização possa, com fulcro no art. 11, § 3º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943, exigir a apresentação de outros elementos; mostrase correta e legal fora a ação da Fiscalização em glosar os gastos de despesas médicas alegados pelo Contribuinte, descabendo o entendimento de que a convicção do julgador não autoriza a exigência de novos elementos probatórios; a fragilidade dos documentos apresentados pelo Contribuinte e os indícios quanto à veracidade das provas, constatados pela Fiscalização, autorizaram o Fisco a requerer do sujeito passivo elementos mais conclusivos que atestassem as suas despesas; não tendo sido fornecidos tais elementos, a validade da glosa é irrefutável. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (fls. 140/141). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas médicas, referente ao anocalendário de 2002. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução de despesas médicas no total de R$ 26.000,00, ao fundamento de que os recibos seriam suficientes, na falta de indícios que os desabonassem. A Fazenda Nacional, por sua vez, visando rever o critério de comprovação das despesas médicas, pede que seja restabelecida a glosa, tendo em vista que a Fiscalização teria apontado fundamentos suficientes a justificar a exigência de elementos de prova adicionais. Fl. 146DF CARF MF 4 De plano, reiterese que se trata de critério de comprovação de despesas médicas, e que a Fiscalização apontou fundamentos suficientes a justificar a solicitação de elementos de prova adicionais, a começar pela informação de que a Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte incidira em Malha Fiscal, cujos parâmetros, como é público e notório, visam alcançar situações que fogem ao convencional para os Contribuintes Pessoas Físicas. No acórdão recorrido, o voto vencedor pontifica que não caberia ao Julgador apontar o descumprimento de requisitos formais verificados nos recibos apresentados, e ao mesmo tempo afirma que referidos recibos não foram aceitos pela Fiscalização, pela falta de comprovação dos respectivos pagamentos. Ora, repitase que os recibos não foram aceitos pela Fiscalização, e ainda que o descumprimento dos requisitos formais não tenha sido explicitado na autuação, o Julgador tem o direito de formar sua convicção, e para isso não pode fechar os olhos a todos os elementos que, agregados ao fundamento da falta de comprovação do pagamento, contribuem para a tomada de decisão. Confirase o art. 29, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Com esteio no dispositivo legal acima, o Julgador pode, sim, analisar todos os aspectos atinentes aos recibos que já não foram acatados pela Fiscalização, tampouco pelo Colegiado de Primeira Instância com a finalidade de aplicar o seu critério de comprovação, e nesse ponto ele é livre para formar sua convicção, desde que fundamentada. O que não poderia ocorrer, de fato, seria, quanto aos recibos que o Contribuinte eventualmente comprovasse os respectivos pagamentos, o Julgador deixasse de acatálos pelo descumprimento de requisitos formais. A matéria não é nova neste Colegiado e já foi objeto de inúmeros julgamentos. Dentre esses julgados, destacase o Acórdão nº 9202005.461, de 24/05/2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, cujos fundamentos ora adoto e colaciono como minhas razões de decidir: "Acerca do assunto, entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam, sim, a serviços comprovadamente realizados quando objeto de indagação pela autoridade fiscal, a partir de dúvida razoável, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Nesse sentido, é oportuno, conferir o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que traz essas condições para dedução desse tipo de despesa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.007783/200789 Acórdão n.º 9202007.803 CSRFT2 Fl. 146 5 § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que (a) as deduções estão sujeitas à comprovação e (b) deduções exageradas poderão ser glosadas inclusive sem audiência do contribuinte, conforme a seguir reproduzido: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Em uma visão sistêmica da legislação tributária, verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Portanto, em vista do exposto, podemos concluir que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais: (a) a prestação de serviço tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e (b) que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Todavia, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais ou da efetividade do serviço, e/ou do beneficiário deste e/ou do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea no caso de tal exigência, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Entendo que a conclusão acima esteja alicerçada no art. 73 do RIR/99, já transcrito." Fl. 148DF CARF MF 6 Destarte, no presente caso não se afigurou irregular, tampouco desarrazoada, a exigência, por parte da Fiscalização, da comprovação do pagamento das despesas médicas. Observase, da Declaração de Ajuste Anual de fls. 17 a 22, que as despesas médicas do Contribuinte são efetivamente bastante expressivas, em relação a seus rendimentos (quase 30%), sendo que ali consta pagamento para plano de saúde, que é contratado exatamente para a cobertura de despesas médicas. As despesas médicas ora analisadas, no total de R$ 26.000,00, estão assim distribuídas pelos profissionais: Maria de Lourdes Alves Maia, Odontóloga (R$ 10.000,00); Benjamin G. Leite, Odontólogo (R$ 8.000,00); Tatiane M. Aquino, Fisioterapeuta (R$ 6.000,00); e Fabiana R. Aquino, Terapeuta Ocupacional (R$ 2.000,00). Quanto aos recibos relativos ao Odontólogo Benjamin G. Leite, não foi efetuada pelo Contribuinte qualquer correlação que permitisse associar os pagamentos aos extratos bancários de fls. 81 a 106, tampouco foram apresentados prontuários ou radiografias que justificassem as despesas, o que inviabiliza a aceitação dos recibos apresentados às fls. 61 a 68. Reforçando essa convicção, observase que tratase de cópias, sem apresentação de original, como registrado nesses documentos, além de não constar o endereço do profissional mas apenas a indicação da cidade de Sete Lagoas, sendo que o Contribuinte, conforme consta na Declaração de Ajuste Anual, reside em Belo Horizonte, como bem observou o voto vencido do acórdão recorrido. No que tange à Odontóloga Maria de Lourdes Alves Maia, também não foi feita qualquer correlação com os extratos bancários apresentados às fls. 81 a 86, tampouco foram apresentados prontuários ou radiografias que justificassem as despesas, o que inviabiliza a aceitação dos recibos apresentados às fls. 69 a 74. Os recibos também são apenas cópias, sem apresentação do original, e deles não consta endereço e nem mesmo o CPF, que é condição de validade do recibo. Observase que esses dados foram apostos em apenas um dos recibos, com letra diferente do restante do preenchimento, o que indica que esses dados não foram preenchidos quando de sua emissão. Nessas circunstâncias, ausente a apresentação de documentação adicional, como radiografias, ficha dentária, etc, esta Conselheira não logrou formar convicção no sentido de que as despesas relativas aos profissionais Benjamin G. Leite e Maria de Lourdes Alves Maia, Odontólogos, nos valores de, respectivamente, R$ 8.000,00 e R$ 10.000,00, poderiam ser aceitas sem a comprovação do efetivo pagamento, de sorte que deve ser restabelecida a glosa desses valores, no total de R$ 18.000,00. Quanto à Terapeuta Ocupacional Fabiana Raposo Aquino, os recibos também são cópias, sem a apresentação dos originais, deles não consta o endereço e em quase todos a identificação do emitente está ilegível, faltando inclusive o CPF. Também consta a cidade de Sete Lagoas, quando o Contribuinte reside em Belo Horizonte. Entretanto, como as formalidades dos recibos não foram questionadas na autuação, e foi possível efetuar correlação entre saques na conta bancária e recibos, será aceita a dedução no total de R$ 1.750,00 (de um total de R$ 2.000,00), conforme a seguir: saque em 29/01/2002, no valor de R$ 500,00 (fls. 81); recibo nº 13, de 30/01/2002, no valor de R$ 200,00 (fls. 75); Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.007783/200789 Acórdão n.º 9202007.803 CSRFT2 Fl. 147 7 saque em 26/03/2002, nos valores de R$ 300,00 + R$ 200,00 (fls. 87); recibo nº 14, de 28/03/2002, no valor de R$ 400,00 (fls. 75); saque em 29/04/2002, no valor de R$ 300,00 (fls. 89); recibo nº 15, de 30/04/2002, no valor de R$ 400,00 (fls. 75); saque em 28/06/2002, no valor de R$ 250,00 (fls. 92); recibo nº 17, de 28/06/2002, no valor de R$ 250,00 (fls. 76); e saque em 23/09/2002, no valor de R$ 800,00 (fls. 98); recibo nº 18, de 23/09/2002, no valor de R$ 500,00 (fls. 76). Relativamente aos recibos de tratamento fisioterápico ao dependente do Contribuinte, que teriam sido emitidos por Tatiane M. Aquino, estes também são apenas cópias, sem apresentação dos originais, os dados do emitente não estão preenchidos ou estão ilegíveis, falta inclusive o CPF, além do que não constar endereço, apenas referência à cidade de Sete Lagos, quando, repitase, o Contribuinte tem endereço declarado em Belo Horizonte. Entretanto, como as formalidades dos recibos não foram questionadas na autuação, e também foi possível efetuar correlação entre saques na conta bancária e recibos, será aceita a dedução no total de R$ 5.710,00 (de um total de R$ 6.000,00), conforme a seguir: saque em 04/02/2002, no valor de R$ 800,00 (fls. 83); recibo nº 01, de 04/02/2002, no valor de R$ de R$ 600,00 (fls. 77); saque em 25/03/2002, no valor de R$ 300,00 (fls. 87); recibo nº 02, de 25/03/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 78); saque em 25/03/2002, no valor de R$ 300,00 (fls. 87) e saque em 09/04/2002, no valor de R$ 200,00 (fls. 88); recibo nº 03, de 09/04/2002, no valor de R$ 200,00 (fls. 78); saque em 09/04/2002, no valor de R$ 280,00 (fls. 88); recibo nº 04, de 15/04/2002, no valor de R$ 400,00 (fls. 77); saque em 06/05/2002, no valor de R$ 800,00 (fls. 90); recibo nº 05, de 06/05/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 78); saque em 10/06/2002, no valor de R$ 310,00 (fls. 92); recibo nº 06, de 10/06/2002, no valor de R$ 310,00 (fls. 80); saque em 02/07/2002, no valor de R$ 1.000,00 (fls. 94); recibo nº 08, de 02/07/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 79); saque em 23/09/2002, no valor de R$ 800,00 (fls. 98); recibo nº 09, de 23/09/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 79); saque em 24/10/2002, no valor de R$ 800,00 (fls. 101); recibo nº 10, de 24/10/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 79) saque em 29/11/2002, no valor de R$ 700,00 (fls. 103); recibo nº 11, de 29/11/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 80); Fl. 150DF CARF MF 8 saque em 30/12/2002, no valor de R$ 615,00 (fls. 105); recibo nº 12, de 30/12/2002, no valor de R$ 600,00 (fls. 77); Destarte, no contexto do presente processo, a aceitação das demais despesas somente seria possível mediante a apresentação de elementos de prova adicionais, o que não foi aportado aos autos. Exceção deve ser feita ao valor de R$ 7.460,00 (R$ 1.750,00 + R$ 5.710,00), conforme acima especificado. Incabível, portanto, a dedução das demais despesas médicas, quando as respectivas provas não logram o convencimento acerca da efetiva prestação do serviço, tampouco do pagamento correspondente. Com efeito, a apresentação tão somente de recibos, nas condições relatadas, é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para restabelecer a glosa de despesas médicas no total de R$ 18.540,00 (R$ 26.000,00 R$ 7.460,00). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.720525/2011-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto da decisão paradigma impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II, do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Nelso Kichel (suplente convocado para eventuais substituições).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Nelso Kichel (suplente convocado para eventuais substituições).
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SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto da decisão paradigma impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 72 05 25 /2 01 1- 21 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 9101004.124 CSRFT1 Fl. 398 2 Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Nelso Kichel (suplente convocado para eventuais substituições). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.1091.123) em face do acórdão 1201002.132, proferido pela Primeira Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção, na sessão de julgamento de 12 de abril de 2018. A decisão recebeu as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 1201002.132, de 12 de abril de 2018 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 DILIGÊNCIA. NULIDADE. Embasado no artigo 18 Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora entendeu pela desnecessidade da diligência, diante da subjetiva prescindibilidade da prova e, dada a ausência de comprovações de sua efetiva solicitação às instituições financeiras, a sua suposta impraticabilidade. A motivação da decisão, então, resta patente, de modo que não se cogita qualquer ofensa à ampla defesa e ao contraditório da recorrente. GLOSA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). EXCLUSÃO DO ADICIONAL DE IRPJ. APLICAÇÕES FINANCEIRAS ANTES DE 01.01.1995. Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata o artigo 67, § 5º e 73, § 7º, ambos da Lei nº 8.981/95, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovados. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações formalizadas por meio dos PER/DCOMPS nºs 12666.49104.300608.1.7.020114, 03399.43504.310308.1.3.027380 e 30852.39460.300608.1.3.020531, nos limites do direito creditório reconhecido. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento ao recurso voluntário. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 9101004.124 CSRFT1 Fl. 399 3 O processo foi encaminhado à PGFN para a ciência do acórdão, conforme despacho eletrônico em 14 de maio de 2018 (fl. 359) e apresentado o Recurso Especial em 28 de junho de 2018. A Recorrente alega divergência em relação ao conteúdo do acórdão a seguir: Acórdão paradigma nº 1301001.532, de 2014: COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas. O despacho de admissibilidade de fls. 372374 deu seguimento ao recurso especial, observando que, "Enquanto a decisão recorrida entendeu que não cabe a glosa do crédito referente a saldo negativo de IRPJ simplesmente pela não homologação da compensação das estimativas do mesmo período, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1301001.532, de 2014) decidiu, de modo diametralmente oposto, ser correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas.". Intimado em 20 de agosto de 2018 (fl. 376), o contribuinte apresentou contrarrazões em 3 de setembro do mesmo ano, alegando exclusivamente questões de mérito. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal De acordo com o § 9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, bem como o artigo 7º, §5º, da Portaria MF 527/2010, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida (30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN), ou em momento anterior se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes de tal data, neste caso mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, o acórdão recorrido (n. 1201002.132) foi proferido na sessão de 12 de abril de 2018 e publicado em 14 de maio de 2018 (segundafeira), mesma data em que foi encaminhado à PGFN para a ciência, conforme despacho eletrônico de fl. 359. Assim, a Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 9101004.124 CSRFT1 Fl. 400 4 intimação presumida da PGFN ocorreu em 13 de junho de 2018 (quartafeira). Já o prazo de 15 dias para interposição de recurso especial teve como termo inicial o dia 14 e final o dia 28 de junho de 2018. Desse modo, é tempestivo o recurso especial interposto em 28 de junho de 2018 (fl. 360, data confirmada pelo despacho de fl. 370, nos termos do § 6º do art. 7o da Portaria MF 527/2010). Passo a analisar os demais requisitos para a admissibilidade recursal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destacase, de início, que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratandose da mesma legislação, aplicada a uma mesma situação fática. Acrescentese, também, que, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há que se falar em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica (Acórdão CSRF/0102.638, de 1999). É exatamente o que ocorre com o acórdão paradigma apontado (n. 1301 001.532, de 2014), já que este apreciou compensações encaminhadas antes da vigência da MP 135/2003, época em que a declaração de compensação não consistia confissão de dívida. A matéria é recorrente nesta 1a Turma da Câmara Superior, sendo oportuno destacar o teor do voto do Conselheiro André Mendes Moura no acórdão 9101004.056, julgado por unanimidade em março de 2019 (grifos nossos): (...) Contudo, devem ser feitas considerações sobre a admissibilidade do recurso. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 9101004.124 CSRFT1 Fl. 401 5 Isso porque foram apresentados como paradigmas os Acórdãos nº 1301001.532 e 180100.108, que foram proferidos em arcabouço jurídico distinto dos presentes autos. Ambos já foram apreciados pelo presentes Colegiado, nos autos dos processos 10675.909464/200941 e 10675.909465/200995 (nº 1301001.532) e 13656.901223/201096, 13656.901224/201058 e 13656.900453/201217 (nº 1801 00.108). A menção ao número de processos, em vez de número do acórdão, devese ao fato de que são decisões recentes (dezembro de 2018 e fevereiro de 2019), cuja formalização não se encontra disponível ainda no sítio do CARF. Os paradigmas tratam de apreciar compensações encaminhadas antes da vigência da MP nº 135, de 2003, que trouxe várias inovações para a matéria de compensação tributária, dentre as quais, além de aplicar o rito previsto no PAF para apreciação de litígios administrativos de reconhecimento do direito creditório e impor à Administração o prazo de cinco anos para homologação, a atribuição de confissão de dívida para os débitos objeto de compensação em PER/DCOMP: Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Assim, nas situações tratadas pelos paradigmas, os débitos informados na declaração de compensação não tinham efeito de confissão de dívida, o que conduzia a entendimento de que as estimativas mensais extintas por meio de compensação não poderiam ser consideradas como crédito líquido e certo enquanto não fosse homologado o direito creditório. Por outro lado, a decisão recorrida trata de declarações de compensação encaminhadas em 2004, momento no qual já se submetiam às alterações promovidas pela MP nº 135, de 2003, dentre as quais, a confissão de dívida atribuída aos débitos informados na declaração. Assim, caberia discussão se os débitos confessados na PER/DCOMP já poderiam ser considerados créditos líquidos e certos, e, assim, as estimativas mensais objeto de compensação poderiam compor a apuração do resultado do exercício ao final do anocalendário que, caso negativo, concretizaria o saldo negativo. Ocorre que tal debate não foi empreendido pelos Colegiados que proferiram as decisões paradigmas, vez que não se falava em confissão de dívida para os débitos informados em PER/DCOMP. Como visto, antes da vigência da MP 135/2003 sequer caberia a discussão sobre se os débitos confessados na PER/DCOMP já poderiam, ou não, ser considerados créditos líquidos e certos. O contexto jurídico diverso não permite o exercício de se verificar o que o colegiado do acórdão paradigma decidiria no caso em questão, o que revela que, de fato, tal precedente não serve de paradigma para o caso dos autos. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16306.720525/201121 Acórdão n.º 9101004.124 CSRFT1 Fl. 402 6 Assim, em síntese, considerando que a decisão recorrida foi proferida em contexto jurídico distinto da decisão paradigma, não resta atendido o requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, compreendo que o recurso especial da PGFN não deve ser conhecido. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.007067/2003-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES TOTALMENTE HOMOLOGADAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RESIDUAL INEXISTENTE.
FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Se o direito creditório apurado pela autoridade administrativa é suficiente para homologar integralmente as compensações declaradas, e inexiste pedido de restituição do remanescente, não há discordância que permita a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal.
Numero da decisão: 1402-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES TOTALMENTE HOMOLOGADAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RESIDUAL INEXISTENTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Se o direito creditório apurado pela autoridade administrativa é suficiente para homologar integralmente as compensações declaradas, e inexiste pedido de restituição do remanescente, não há discordância que permita a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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COMPENSAÇÕES TOTALMENTE HOMOLOGADAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO RESIDUAL INEXISTENTE. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Se o direito creditório apurado pela autoridade administrativa é suficiente para homologar integralmente as compensações declaradas, e inexiste pedido de restituição do remanescente, não há discordância que permita a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 70 67 /2 00 3- 64 Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11610.007067/200364 Acórdão n.º 1402003.873 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório 1770 PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou as compensações declaradas a partir de 14/05/2003 com saldo negativo de IRPJ apurados nos anoscalendário 2001 e 2002. A contribuinte havia vinculado compensações, também, a saldos negativos de CSLL apurados nos anoscalendário 2001 e 2002, mas estes foram integralmente reconhecidos. O saldo negativo de IRPJ de 2001, embora reconhecido parcialmente ( R$ 94.810,79 de R$ 96.448,55) não estaria disponível para compensação, vez que destinado a compensações sem processo ao longo do anocalendário 2002. Já o saldo negativo de IRPJ de 2002 foi parcialmente reconhecido (R$ 268.630,99 de R$ 985.365,13) em razão da glosa de retenções na fonte e de estimativas compensadas. À fl. 237 consta que os débitos controlados neste processo forma liquidados com o direito creditório reconhecido, deixandose de restituir o saldo remanescente por inexistência de pedido de restituição. Cientificada do reconhecimento parcial de seu direito creditório em 11/03/2009, a contribuinte manifestou sua inconformidade em face dos critérios adotados no despacho decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF SOBRE APLICAÇOES FINANCEIRAS Somente tem direito ao aproveitamento do IRRF de aplicações financeiras, se os rendimentos correspondentes ao IRF compuserem a base de calculo do IRPJ na apresentação da DIPJ relativa ao ano de auferimento desses rendimentos. REGIME DE COMPETÊNCIA Não basta a contribuinte alegar que ofereceu à tributação, em anos anteriores, pelo regime de competência, rendimentos financeiros, cujo IRRF foi utilizado nas DIPJ de anos posteriores, sendo necessário a apresentação de comprovação desse oferecimento através de documentação idônea. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/03/2010 (efl. 454), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 31/03/2010 (efls. 455/459), no qual argúi a nulidade da decisão de 1ª instância por cerceamento ao seu direito de defesa, que afirmou inidôneos os documentos apresentados e deixou de examinálos, hipótese na qual, em Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11610.007067/200364 Acórdão n.º 1402003.873 S1C4T2 Fl. 4 3 seu entendimento, caberia diligenciar junto à Recorrente no sentido de validar ou não os documentos apresentados. Esclarece as referências questionadas nos extratos apresentados da contabilidade informatizada, afirma a desnecessidade de juntada dos informes de rendimento, e defende a devolução dos autos à 1ª instância para a prolação de nova decisão, agora com a necessária apreciação das provas/documentos produzidos. Defende que as provas apresentadas eram suficientes e que os rendimentos e retenções estão regularmente escriturados em seus Livros, mas ainda assim reapresenta os documentos com as formalidades exigidas, insistindo que os informes de rendimento já são de conhecimento do Fisco. Ao final, pede a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância ou, subsidiariamente, o reconhecimento das compensações legitimamente efetuadas. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Observase nos autos que o pedido subsidiário do sujeito passivo já se encontra atendido nos autos, na medida em que as compensações por ele declaradas foram liquidadas mediante imputação dos direitos creditórios informados e parcialmente reconhecidos. Conforme se vê às efls. 363/376, depois de cientificar o sujeito passivo do reconhecimento parcial de seu direito creditório, a autoridade local cadastrou nestes autos os débitos apontados nas DCOMP e imputoulhes o direito creditório total reconhecido, liquidando os débitos no valor total de R$ 39.915,59 e ainda remanescendo crédito de R$ 279.817,86 que não foi restituído devido à inexistência de pedido de restituição no prazo legal. Neste contexto, se o sujeito passivo tivesse cientificado desta liquidação, sequer teria interesse em manifestar inconformidade contra o despacho decisório de reconhecimento parcial do crédito, assim como não lhe resta qualquer interesse processual em discutir a validade da decisão de 1ª instância que apreciou seus argumentos. Esclareçase que desde a edição da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, a autoridade administrativa não tem mais competência de restituir indébitos tributários sem o prévio pedido do interessado, em razão da supressão do inciso III, antes contido no art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 210/2002: Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11610.007067/200364 Acórdão n.º 1402003.873 S1C4T2 Fl. 5 4 III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). Assim, o remanescente do crédito permanece disponível nos sistemas de controle da RFB até que a interessada manifestese quanto à sua utilização em compensação, ou recebimento em espécie. E, somente se isto se der em valor superior àquele que restou disponível, haverá interesse processual na discussão da real existência do montante total de saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2001 e 2002, hipótese em que cumpriria à autoridade preparadora transportar para novos autos todos os elementos de convicção que resultaram na apuração do crédito indicado no despacho decisório, com vistas a processarse regularmente a defesa e o julgamento da matéria. Ausente qualquer ato da interessada relativamente ao crédito não utilizado em compensação, a discussão de seu efetivo valor somente se processaria em tese, sem qualquer efeito prático. Por estas razões, firmase, aqui, entendimento diverso daquele contido na decisão recorrida, que analisou a formação do direito creditório antes referido por vislumbrar ato de reconhecimento parcial daquele, e conseqüente glosa do excedente, passível de contestação no âmbito administrativo. Inexiste, assim, qualquer discordância que possa permitir a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal. Diante deste contexto, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919181/2015-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 91 81 /2 01 5- 20 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.955, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.919181/201520 Acórdão n.º 3301005.904 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009455/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO.
Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO
Por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontra-se consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural.
Numero da decisão: 2401-006.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontra-se consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 94 55 /2 00 7- 62 Fl. 497DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 0327.489 (fls. 364/368): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 308/318), lavrado em 09/11/2007, relativo ao Exercício de 2004, referente a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e comprovados, conforme planilha "DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL" (fls. 280/282). No Auto de Infração é exigido R$ 44.170,82 de Imposto de Renda, R$ 33.128,11 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 22.743,55 de Juros de Mora, calculados até 31/10/2007, ficando o Crédito Tributário no montante total de R$ 110.042,48. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 14/11/2007 (AR fl. 326) e, em 14/12/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 332/336, instruída com os documentos nas fls. 338 a 358. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10120.009455/200762 Acórdão n.º 2401006.155 S2C4T1 Fl. 3 3 O Processo foi encaminhado à DRJ/BSA para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0327.489, em 22/10/2008 a 3ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BSA, via Correio, em 30/01/2009 (AR fl. 382) e, inconformado com a decisão prolatada, em 27/02/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 395/409, instruída com os documentos nas fls. 411 a 487, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, alega que: 1. A Empresa A. J. R. Auto Posto Ltda., está INATIVA no período do ano de 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme cópia das respectivas declarações em anexo, portanto, inexiste o exercício da atividade de empresário no referido Posto de Gasolina, consequentemente, não há que se falar em rendimento de outras atividades, senão da atividade rural; 2. Exerce a Atividade Rural e apresenta as seguintes provas: a. Inscrições de Produtor Rural Docs. 2, 3, 4, 5 e 6 (fls. ); b. Controle de Vacinação de Bovinos exigido para criação de animais de grande porte Docs. 37, 38 e 39 (fls. ); c. Livro Caixa Docs. 07 a 26 (fls. ); 3. A insuficiência na declaração de ajuste não enseja no lançamento de forma mais severa, exceto quanto á multa de oficio, portanto, o tributo deve ser cobrado nos termos da atividade rural acrescido da multa de oficio; 4. O Contribuinte pratica exclusivamente a Atividade Rural, fato corroborado pelas narrativas fiscais e pelos documentos apresentados; 5. O Princípio da Motivação do Ato Administrativo e o Princípio do ônus "Probandi" impõem ao Fisco apresentar prova da acusação fiscal. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo que seja julgada a improcedência parcial do Auto de Infração, convertendo a tributação para Rendimentos da Atividade Rural. No caso de não ser acatado o requerido anteriormente, seja feita diligência para apuração dos fatos narrados. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto Em razões recursais, o contribuinte se insurge contra a imputação de variação patrimonial a descoberto. Aduz que inexiste atividade de empresário e, por conseguinte, não há que se falar em rendimento de outra atividade senão a da atividade rural. Requer a cobrança do tributo nos termos da atividade rural. A fiscalização constatou que o contribuinte apresentou Acréscimo Patrimonial a Descoberto incompatível aos seus rendimentos declarados e tributado no ano calendário de 2003, cujos resultados finais foram considerados como base de cálculo para lançamento e constituição do crédito tributário através da lavratura do Auto de Infração. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10120.009455/200762 Acórdão n.º 2401006.155 S2C4T1 Fl. 4 5 [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Fl. 501DF CARF MF 6 Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Passamos assim à análise da documentação apresentada pelo Recorrente. Em se tratando de acréscimo patrimonial a referida comprovação ocorre por meio da elaboração de planilhas (fluxos de caixa), que são alimentadas com todas as origens de recurso constatadas no curso da ação fiscal e de outro lado todas as disponibilidades e dispêndios verificados no referido período. A partir daí, constatandose que as aplicações superam as origens declaradas sucede a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No caso presente, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial e intimou o contribuinte para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, que a variação patrimonial a descoberto apurada na planilha em causa tem origem em rendimentos tributáveis, ou em rendimentos isentos, ou ainda em rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte, auferidos pelo contribuinte em períodos compatíveis com os dispêndios ou aplicações realizados. (fl. 276 e seguintes). Para possibilitar a defesa do contribuinte, todos os documentos por ele encaminhados à fiscalização foram devolvidos juntamente com uma via do termo de intimação. Ocorre que, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao contribuinte a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, ou que todos os rendimentos seriam oriundos de atividade rural. Entretanto, embora intimado para comprovar a variação patrimonial a descoberto, o contribuinte nada apresentou. Por ocasião da impugnação, nada articula ou apresenta documentos de forma a contrapor a acusação efetivamente. E mais, através da análise da documentação apresentada, não há efetiva comprovação de que todos os rendimentos auferidos se refiram exclusivamente a atividade rural, conforme assevera o contribuinte. Notese que o art. 18 da Lei 8.023/90, ao determinar a tributação dos demais rendimentos separadamente dos da atividade rural, assim estabelece: Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. O § 1º do artigo 18 da Lei nº 9.250, de 1995, estabelece a necessidade de manutenção de documentação que comprove a atividade rural nos seguintes termos: § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10120.009455/200762 Acórdão n.º 2401006.155 S2C4T1 Fl. 5 7 No § 2º é prevista a possibilidade de arbitramento, quando por falta de escrituração, o contribuinte perde o direito de apurar o resultado com a diferença entre receitas/despesas, mas não se dispensa a documentação comprobatória. Destarte, para que os rendimentos auferidos tenha tributação aplicável aos rendimentos da atividade rural é essencial que fique demonstrado que, efetivamente, se enquadram nessa condição, entretanto, não traz aos autos provas capazes de demonstrar com clareza e eficácia a origem desses rendimentos como de atividade rural. Os documentos apresentados não são suficientes para subsidiar receitas e despesas da referida atividade. Assim, não logrando êxito o Recorrente em fazer prova do contrário, de forma clara e consistente, há que ser mantida a autuação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911739/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. INOCORRÊNCIA.
Quando alega ter cometido erro na apresentação de informações das declarações prestadas ao fisco cabe ao contribuinte apresentar provas concreta a demonstrar o erro cometido e os valores corretos de apuração. Assim não agindo, improcede o crédito pretendido.
Numero da decisão: 1401-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO NA DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. INOCORRÊNCIA. Quando alega ter cometido erro na apresentação de informações das declarações prestadas ao fisco cabe ao contribuinte apresentar provas concreta a demonstrar o erro cometido e os valores corretos de apuração. Assim não agindo, improcede o crédito pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 17 39 /2 00 9- 82 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 107 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Cuidam os autos de Dcomp, débito de IRPJ – 4º trimestre/2007, com crédito de pagamento a maior de CSLL, arrecadado em 27/04/2007, período de apuração 03/2007. Irresignada com a nãohomologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Na DIPJ informou o valor correto da CSLL a pagar, contudo, cometeu equívoco no preenchimento da DCTF, declarando valor a maior que o devido. Entretanto, em 23/11/2009, entregou DCTF retificadora que evidencia e comprova o valor correto informado na DIPJ; De acordo com a jurisprudência administrativa, o erro de fato no preenchimento da DCTF não invalida o direito creditório; Por todo o exposto, requer seja homologada a compensação efetuada e suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento considerou improcedente e manteve a decisão atacada integralmente. Cientificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisou apenas os elementos apresentados quando da manifestação de inconformidade. Não apresentou nenhum novo documento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Devo destacar, já no início deste voto, o fato de o recorrente, em sede de recurso voluntário, não ter feito nenhum contraponto ao que fora decidido pela decisão de Piso. Ora a decisão da Delegacia de Julgamento, a meu ver acertadamente, considerou improcedente a manifestação de inconformidade porque a empresa alegou o erro no preenchimento da DCTF Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 108 3 alegando, em seu benefício, que teria apresentado a DIPJ com a correta apuração do valor devido. A Delegacia de Julgamento não aceitou a argumentação da empresa porque esta não demonstrou a existência de erro de fato com nenhum outro documento. No entender da DRJ a DIPJ ´declaração meramente informativa e a DCTF constitui confissão de dívida, assim, as informações da DIPJ não poderiam servir de prova a confirma o erro na DCTF sem a apresentação de outros documentos. Assim, deveria o contribuinte, apresentar documentos de sua escrituração contábil de forma a contrapor as alegações da DRJ e demonstrar que a contabilidade da empresa apresentava valor de CSLL devida diverso do informado em DCTF. Infelizmente disso não cuidou o recorrente. Limitouse a recproduzir, em sede de recurso voluntário, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e sequer produziu um único documento que pudesse confirmar os valores de apuração constantes em sua DIPJ. Já me posicionei, em diversos outros julgados, que o simples erro na apresentação da confissão de dívida na DCTF pode ser informado pelas informações da DIPJ quando apresentam valores diferentes, desde que demonstrado o mesmo valor na contabilidade da empresa. Ou seja, a existência de DIPJ com valor diferente constitui indício que milita em favor do contribuinte, no entanto, há de apresentar escrituração contábil ou fiscal, balancete, demonstrativo, ou seja outros elementos que confirmem o valor informado na DIPJ para que se possa infirmar a confissão realizada por meio da DCTF. Verifico que, no presente processo, o recorrente não apresentou sequer a DIPJ e sua íntegra. Limitouse a apresentar a ficha de apuração da CSLL trimestral e só. Ou seja, nem mesmo após tomar ciência da decisão da DRJ que especificava a necessidade de apresentação de documentação a suportar a DIPJ nada operou no sentido de confirmar estas informações. Assim, não há como se lhe reconhecer os pedidos, posto que não trouxe prova a demonstrar que os corretos valores de apuração são os apresentados na DIPJ e não na DCTF. Assim, tendo em vista que o Recurso Voluntário não trouxe novos elementos a par dos já apresentados na manifestação de inconformidade, não havendo nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentados os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 109 4 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, tanto quanto ao arbitramento do lucro, quanto à possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovadas (apesar de não constar recurso expresso em relação a este item) passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto. Assim, concordando com os fundamentos da decisão de Piso, passo a transcrevêla e utilizar os seus fundamentos como fundamentos de decidir. A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Como se vê na síntese do relatório a contribuinte alega que tem crédito de pagamento a maior, pois erradamente apurado e informado em DCTF e que retificou a DCTF informando os valores corretos. Compensação Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. Examinandose os autos, verificase que a Decomp não foi homologada porque o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Agora, reclama que retificou a DCTF onde se demonstra que tem o crédito pleiteado, pois apurou e informou errado na declaração original. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 110 5 Ora, a contribuinte se restringe a afirmar, sem nada juntar aos autos que comprove o erro no preenchimento da DCTF, justificando assim a entrega de retificadora e a conseqüente existência de crédito a seu favor, por recolhimento efetuado a maior. Assim, como a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos, a compensação declarada pelo sujeito passivo não pode ser homologada, porque o crédito não existe. Nesse sentido, o artigo 170 do CTN assevera que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo, “in verbis”: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Negritei). Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar Por oportuno, no tocante à retificação de declarações de imposto há uma série de considerações a fazer, como segue: “Ad argumentandum”, sendo a Declaração de Imposto de Renda instrumento de apuração e afirmação do valor devido do crédito tributário, a retificação por parte do declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único); Neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na Dcomp, a manifestante deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º); Como a manifestante não apresentou nos autos seus registros contábeis e fiscais acompanhados de documentação hábil, a comprovar o crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública, não há como reconhecer o crédito reclamado e, em consequência, homologar a declaração de compensação; Ademais, a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 111 6 sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal; Vejase,”litteris”, a legislação que trata da retificação de declaração, CTN147: O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela; Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Quanto à suspensão da exigibilidade referida pela Manifestação, aplicase o disposto no art. 66 da Instrução Normativa 900/2008 e CTN151III, “verbis”: Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º ao § 3º Omissis. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. § 6º ao § 8º Omissis. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I ao II omissis; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo Finalmente, cabe registrar que o julgador Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10120.911739/200982 Acórdão n.º 1401003.427 S1C4T1 Fl. 112 7 deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos, de acordo com o disposto no artigo 7º da Portaria MF nº 341//2011: São deveres do julgador: I ao IV omissis; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade formulada, para manter a Decisão de nãohomologação da compensação declarada. Fim da transcrição do voto da decisão de Piso. Apresentados os fundamentos deste voto em consonância com o decidido pela decisão de Piso e em face da inexistência de novos argumentos em recurso voluntário, concordando este relator com os fundamentos de decidir apresentados pela Decisão de Piso voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720133/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.908
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 13 3/ 20 10 -5 0 Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11080.720133/201050 Resolução nº 3402001.908 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 677DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003240/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que unidade de origem cumpra integralmente o disposto na Resolução CARF nº 2202-000.812, de modo que, primeiro, seja elaborada a planilha especificada na referida Resolução e, após, promova-se a intimação do contribuinte quanto ao resultado da diligência, oportunizando-lhe prazo para que, querendo, se manifeste sobre a planilha confeccionada. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que unidade de origem cumpra integralmente o disposto na Resolução CARF nº 2202000.812, de modo que, primeiro, seja elaborada a planilha especificada na referida Resolução e, após, promovase a intimação do contribuinte quanto ao resultado da diligência, oportunizandolhe prazo para que, querendo, se manifeste sobre a planilha confeccionada. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício apresentados nos autos do processo nº 19515.003240/200515, em face do acórdão nº 1726.125, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOII), em sessão realizada em 27 de junho de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 24 0/ 20 05 -1 5 Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.117 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução do Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que assim os relatou: “Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir débitos referentes ao IRPF em função da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado, o Contribuinte impugnou o lançamento apresentando provas. A DRJ deu provimento parcial ao lançamento, afastando parte do lançamento e recorreu de ofício. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário e mais provas. Chegando ao CARF, o processo foi inicialmente suspenso em função da declaração de repercussão geral no STF e, posteriormente, convertido em diligência. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Instaurado a fiscalização em 15/05/2005 pela emissão do MPF (fl. 2), e emitido o Termo de Início de Fiscalização em 19/05/2005 (fls. 18/19), o Contribuinte foi intimado em 25/05/2005 (fl. 20) para apresentar no prazo de 20 dias os extratos mensais das contas bancárias mantidas perante o Citibank; Banco Nossa Caixa; BankBoston; Bradesco; Banespa; e Santander referentes aos períodos de 01/01/2000 a 31/12/2001. Em 29/06/2005 "Termo de Embaraço à Fiscalização" (fl. 21) registrando o transcurso do prazo in albis e informando que, em caso de lançamento de ofício, a multa seria agravada nos termos do art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Ato contínuo, foram lavradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 23/34) para que as instituições financeiras apresentassem os referidos extratos bancários. Foram então juntados aos autos extratos bancários e cópias de cheques (fls. 35/689). Em 25/10/2005 foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 709/710 e docs. anexos fls. 711/747) para que o Contribuinte comprovasse, no prazo de 20 dias, a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas correntes entre 2000 e 2001. O Contribuinte foi intimado por meio de AR em 26/10/2005 (fl. 726). Em 29/11/2005 foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 748/752), esclarecendo que: Foram constatados, ainda, valores referentes a cheques depositados devolvidos, não coincidentes com os depósitos verificados, nos montantes de R$ 167.650,21 e R$ 13.081,09, nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente (fls. 721 e 722). Esses montantes foram considerados para fins de apuração dos recursos cuja origem deixou de ser comprovada. Os montantes não comprovados dos depósitos/créditos verificados em contas correntes bancárias, passaram a corresponder, em face das constatações acima citadas, a R$ 6.421.198,84 (seis milhões, quatrocentos e vinte e um mil, cento e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos) e R$ 9.649.889,73 (nove milhões, seiscentos e quarenta e nove mil, oitocentos e oitenta e nove reais e setenta e três Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.118 3 centavos), nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente, conforme demonstrado às fls. 726 a 737. (...) Cumpre observar que na apuração dos montantes tributáveis em cada mês, conforme encontrase abaixo resumidamente demonstrado, foi atribuída ao fiscalizado, a terça parte dos valores dos depósitos/créditos verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos sócios da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C." fls. 749/750; Em 01/12/2005 foi lavrado o auto de infração (fls. 756/758), que constituindo crédito de R$ 4.419,549,36 de Imposto e 4.971.993,03 de multa de ofício agravada, além dos juros. Foi apontado como infração: "001 DÉPOSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo." fl. 757. Intimado por AR em 12/12/2005 (fl. 761), o Contribuinte apresentou Impugnação em 11/01/2006 (Fls. 768/823 e docs. anexos fls. 824/2.140). Conforme o seu próprio resumo: "i) o auto de infração lavrado apresentava nulidade insanável, uma vez que, embora tempestiva a apresentação dos documentos exigidos, os mesmos não foram aceitos pela autoridade fiscal, requerendose, inclusive, a realização de prova testemunhal; ii) a majoração da multa de ofício deveria ser afastada, reduzindoa para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que as intimações, foram regularmente atendidas pela ora Recorrente e as informações e os documentos apresentados foram injustamente recusados pela fiscalização; iii) a autoridade fiscal não utilizou critério uniforme na fiscalização promovida, uma vez que embora tivesse afastado grande parte dos depósitos efetuados. na conta corrente de n.° 030603282, mantida junto ao Banco Banespa S/A, por entender que tais valores originaramse de levantamentos judiciais, manteve os demais valores depositados em outras contascorrentes, cuja origem, igualmente, decorreu do levantamento de mandados judiciais; iv) a farta documentação apresentada demonstra, cabalmente, que quase a totalidade dos depósitos bancários questionados, originaramse do levantamento de depósitos judiciais, numerário esse decorrente de ações judiciais patrocinadas pela sociedade de advogados, destinado aos clientes da mesma, porque a eles devidos. iv) os documentos apresentados na impugnação administrativa deveriam ser submetidos à perícia contábil, procedendose, inclusive, à realização de diligências, visando comprovar a origem dos depósitos bancários em questão, demonstrandose a impossibilidade de tributação de tais valores." Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.119 4 Recebendo os autos, e considerando o volume da documentação juntada, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligência (fl. 2.143/2.144) para que a autoridade lançadora se pronunciasse sobre as provas juntadas e sobre os argumentos ventilados na impugnação, bem como intimasse o Contribuinte do resultado da diligência para que se pronunciasse, caso desejasse. A autoridade diligenciadora lavrou então o "Relatório Fiscal" (fls. 2.147/2.156) esclarecendo, resumidamente, (1) que as alegações da Impugnante de que houve tentativa de apresentação de provas durante a fiscalização são inverídicas; (2) que os sócios também foram objeto de fiscalização de lavratura de autos de infração referente ao mesmo período, e que todos também se omitiram durante a fiscalização; (3) que a análise dos documentos juntados aos autos dispensa conhecimentos técnicos mais aprofundados, podendo ser realizado pela autoridade julgadora; e (4) que (4.1) não tendo sido constatadas incorreções, omissões ou inexatidões, e (4.2) já tendo decorrido o prazo para o lançamento de ofício, (4.3) não tendo mão de obra suficiente, então seria impossível realizar a diligência solicitada a qual levaria a verdadeira revisão do lançamento. Em 27/06/2008 foi proferido o Acórdão DRJ nº 1726.125 (fls. 2.157/2.177), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. "o fiscalizado participa como sócio da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C, juntamente com Alexandre Husni e Roberto Cabariti; As contas correntes nºs: 030603282 do Banco do Estado de São Paulo S/A, 010141314 da Nossa Caixa S/A e 271181 do Banco Itaú S/A, foram mantidas em conjunto pelos três sócios, nos anos calendário de 2000 e 2001; em parte dos documentos encaminhados pelo Banco do Estado de São Paulo S/A relativos à conta corrente nº 030603282, podem ser identificados registros indicativos de referiremse os valores creditados, a montantes pagos em cumprimento de Mandados de Levantamento Judicial (MJL), decorrentes de ações promovidas pelo fiscalizado e/ou demais cotitulares, no exercício da profissão; constatase ter sido determinado na Cláusula Segunda da Consolidação do Contrato Social de 11/05/1998 da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C (fls. 691 a 698), que "o objeto da sociedade é disciplinar o expediente e os resultados patrimoniais auferidos na prestação serviços advocatícios; tais serviços, porém serão exercidos individualmente, em se tratando de atos privativos, ainda mesmo que revertam ao patrimônio social os respectivos honorários". Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.120 5 Após 1' de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documento comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de pagamento de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário, não simples apresentação de recibo, desacompanhado de qualquer formalidade, pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Deve ser negada a requisição para realização de perícia quando os quesitos formulados pelo impugnante referemse a própria comprovação de origem dos depósitos, cujo ônus é exclusivo do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. No caso de lançamento de oficio com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários e a não comprovação da origem dos depósitos não dá ensejo ao agravamento da multa. Os efeitos da omissão constituem a própria presunção de omissão © de rendimentos e o consequente lançamento, com multa de ofício de 75%. Lançamento Procedente em Parte Tendo em vista que foi exonerado o valor de R$ 2.903.827,36, a DRJ formalizou Recurso de Ofício. A Contribuinte, intimada em 10/12/2008 (fl. 2.186), interpôs Recurso Voluntário em 18/12/2008 (fls. 2.189/2.244 e docs. anexos fls. 2.248/2.416), argumentando em síntese que: ∙ Que o lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é nulo tendo em vista que a Recorrente tentou apresentar as provas solicitadas durante a fiscalização mas a autoridade fiscalizadora se recusou a recebelas; ∙ Que a Secretaria da Receita Federal estava em greve no curso da fiscalização, o que atrapalhou o cumprimento dos prazos; ∙ Que a decisão recorrida é nula por ter sido proferida com cerceamento do direito de defesa do Recorrente, especificamente quanto à negativa de realização de prova pericial; ∙ Que a simples observação de depósitos/créditos bancários não é suficiente para configurar o auferimento de rendimento; Que a documentação apresentada demonstra que boa parte dos depósitos efetuados decorrem de levantamentos judiciais, nos quais constam os clientes do Contribuinte como beneficiários; ∙ Que foram apresentadas, ainda, microfilmagens, livros contábeis da sociedade advocatícia, recibos dos clientes, cartas de prestação de contas aos clientes etc.; Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.121 6 ∙ Apresenta diversas operações, indicando os fundamentos e as origens dos recursos depositados/creditados; e ∙ Argumenta que parte dos valores depositados decorreu da venda de bens imóveis, os quais já estavam caducos e, mesmo que não estivessem, foram tratados de forma inadequada, desrespeitando o art. 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Em 15/05/2013 foi proferida a Resolução nº 2202000.481 (fls. 2.430/2.435), determinando a suspensão do processo em função da tramitação de processo com declaração de Repercussão Geral sobre a mesma matéria perante o STF, nos termos do art. 62, §§1º e 2º do RICARF vigente à época, e do art. 2º, §3º, da Portaria CARF nº 001/2012. Em 07/10/2014 foi proferida a Resolução nº 2202000.595 (fls. 2.436/2.450), determinando a realização de diligência para: "1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se os cotitulares Dos contas em conjunto com o VICENTE RENATO PAOLILLO, recebera por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." fls. 2.449/2.450; A autoridade diligenciadora então esclareceu em 26/03/2015 (fls. 2.461/2.462) que: ∙ A contribuinte mantinha 15 contas correntes em instituições financeiras diversas, das quais 5 eram individuais e 10 eram mantidas em cotitularidade; ∙ Que as contas mantidas em cotitularidade com seus sócios; ∙ Que todos os sócios foram intimados individualmente a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas correntes bancárias; ∙ Que os valores não comprovados foram divididos em três partes nas autuações, uma para cada sócio; e ∙ Que as pessoas físicas que eram cotitulares mas não eram sócias não foram intimadas. Intimada desse relatório em 27/03/2015 a se manifestar no prazo de 10 dias (fl. 2.463 e 2.466), o Contribuinte pediu em 01/04/2015 a dilatação do prazo para 15 dias (fl. 2.468) e, em 13/04/2015 apresentou mais provas (fl. 2.477 e docs. anexos fls. 2.921). É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte do lançamento realizado, mantendo, assim parcialmente o débito tributário. O contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 2189/2244. Em Resolução de n.º 2202000.751, em sessão realizada em 15 de março de 2017, o colegiado entendeu por unanimidade converter o julgamento em diligência, para que sejam anexados aos autos cópias da prova das intimações dos cotitulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos; seja analisada a documentação juntada aos autos, elaborando relatório circunstanciado dos valores cuja origem o Contribuinte logrou apresentar provas; e seja o Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.122 7 Contribuinte intimado a, caso queira, se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com o retorno dos autos ao CARF, foi formalizada Informação Fiscal em 20/07/2017 (fls. 2.962/2.968) e documentação, em que se registrou: "Em atendimento ao solicitado, anexamos ao presente, cópia da prova das intimações dos cotitulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos." fl. 2.967; "Quanto à requisição de análise da documentação juntada aos autos, e elaboração de relatório circunstanciado dos valores cuja origem o contribuinte logrou apresentar provas (...) A aceitação ou não dos documentos trazidos por ocasião do Recurso Administrativo com objetivo de comprovar a origem dos créditos/depósitos efetuados nas contas de sua titularidade (ou titularidade conjunta), é atribuição da unidade julgadora. Submetêla a mesma autoridade produtora do feito poderia insinuar uma análise tendenciosa, com risco de ferir o princípio da análise independente pela delegacia recursal. A pretendida auditoria e a análise conclusiva não são temas objeto de um procedimento fiscal de diligência, a teor da definição estabelecida no artigo 3º da então vigente Portaria SRF nº 3.007/2001 (atual art. 3º da Port. RFB nº 1.687/2014): são procedimentos destinados a coletar (e não produzir) informações e outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Equiparase a um segundo exame a auditoria e análise que se propõe, o que é vetado pelo artigo 906 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Demais disso, com a revogação do artigo 19 do Decreto nº 70.235/1972 (art. 7º da Lei nº 8.748/1993) eliminouse a oitiva do autuante, após conclusão da fase investigatória." Dessa forma, proponho o retorno do processo à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais." fls. 2.967/2.968.” Com o retorno dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202000.812, onde se converteu novamente o julgamento em diligência, conforme voto do Relator Dilson Jatahy Fonseca Neto, que assim determinou: Constatase que os autos não se encontram em estágio apto a ser julgado. Efetivamente, constatase que o Contribuinte não foi intimado do resultado da diligência solicitada. É necessário suprir essa falta, cientificandoo do resultado ali apurado. Outrossim, diante do volume de provas constantes nos autos, fazse necessário elaborar planilha identificando, em ordem cronológica e separado por conta bancária, especificamente: (1) os valores dos Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.123 8 levantamentos judiciais comprovados nos autos; (2) os depósitos bancários incluídos na base de cálculo que coincidem com os valores identificados nos levantamentos judiciais; (3) os valores que o contribuinte comprovou ter repassado aos clientes, seja por meio de cheque, seja por meio de depósitos/transferências bancárias; (4) a soma dos valores identificados nas linhas acima; (5) quaisquer outros valores que considerar relevante. Diante do exposto, proponho diligência para, NESSA ORDEM: ∙ Primeiro, a intimação do Contribuinte do resultado da diligência solicitada pela Resolução CARF nº 2202000.751, de 15/03/2017; ∙ Depois, elabore a planilha especificada acima; ∙ Por fim, realize nova intimação do Contribuinte em relação ao resultado dessa nova diligência solicitada nesta presente resolução. O Contribuinte foi intimado conforme fl. 3068, Intimação 526/2018, das Resoluções n.º 2202000.812 e n.º 2202000.751, a qual foi recebida por AR em 07/05/2018. Em resposta à intimação o contribuinte em fls. 3072/3083 apresentou petição requerendo a nulidade do Auto do Infração, sob o fundamento de descumprimento da Súmula n.º 29 do CARF. Ainda, ressaltou que de acordo com o cumprimento da diligência apenas o contribuinte foi intimado, não havendo intimação dos demais cotitulares. Em fl. 3113 dos autos há o seguinte despacho de encaminhamento, de 12/07/2018: “Encaminho o processo à DIFIS/DERPF/SPO para elaboração da planilha, conforme determina o CARF por meio da Resolução n° 2202 000.812.” No dia seguinte (13/07/2018), à fl. 3114, sobreveio novo despacho de encaminhamento: “Tendo em vista o retorno de diligência, encaminhese o presente processo para prosseguimento.” Também em 13/07/2018 foi proferido outro despacho de encaminhamento: “Retorno de resolução. Para inclusão em pauta.” É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Constatase que os autos não se encontram em estágio apto a ser julgado. Consoante se verifica, embora no dia 12/07/2018 o processo tenha sido encaminhado à DIFIS/DERPF/SPO para elaboração da planilha, no dia seguinte o processo foi devolvido ao CARF sem planilha alguma juntada aos autos. A Resolução CARF nº 2202000.812 de forma clara assim determinou: Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.843 S2C2T2 Fl. 3.124 9 “(...) diante do volume de provas constantes nos autos, fazse necessário elaborar planilha identificando, em ordem cronológica e separado por conta bancária, especificamente: (1) os valores dos levantamentos judiciais comprovados nos autos; (2) os depósitos bancários incluídos na base de cálculo que coincidem com os valores identificados nos levantamentos judiciais; (3) os valores que o contribuinte comprovou ter repassado aos clientes, seja por meio de cheque, seja por meio de depósitos/transferências bancárias; (4) a soma dos valores identificados nas linhas acima; (5) quaisquer outros valores que considerar relevante. Diante do exposto, proponho diligência para, NESSA ORDEM: Primeiro, a intimação do Contribuinte do resultado da diligência solicitada pela Resolução CARF nº 2202000.751, de 15/03/2017; Depois, elabore a planilha especificada acima; Por fim, realize nova intimação do Contribuinte em relação ao resultado dessa nova diligência solicitada nesta presente resolução. Portanto, denotase que somente o primeiro item da diligência foi cumprido, restando ser realizado o restante. Ante o exposto, converto o julgamento em diligência para que Unidade Preparadora cumpra integralmente o disposto na Resolução CARF nº 2202000.812, de modo que, primeiro, seja elaborada a planilha especificada na referida Resolução e, após, promovase a intimação do contribuinte quanto ao resultado da diligência, oportunizandolhe prazo para que querendo se manifestar sobre a planilha confeccionada. Por fim, retornem os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 3124DF CARF MF
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