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Numero do processo: 15374.906684/2008-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PIS. AUSÊNCIA DE PROVA.ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário devem ser comprovados pelo contribuinte. Não havendo prova da redução do débito da contribuição, é de ser negado o direito pleiteado
Numero da decisão: 3803-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PIS. AUSÊNCIA DE PROVA.ÔNUS DO CONTRIBUINTE O ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário devem ser comprovados pelo contribuinte. Não havendo prova da redução do débito da contribuição, é de ser negado o direito pleiteado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Em 15/03/2004 o contribuinte apresentou PER/DCOMP com o propósito de compensar PIS recolhido maior ou indevidamente, em 13.06.2003, referente ao período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 66 84 /2 00 8- 40 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 apuração de maio/2003, com débito de COFINS correspondente ao período de apuração de fevereiro/2004. O despacho decisório à fl. 09 indeferiu o pedido sob o fundamento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foram localizados pagamentos utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação pretendida. Inconformado o contribuinte interpôs sintética manifestação de conformidade à fl. 08, sob o argumento de que os lançamentos foram corretamente compensados, com os pagamentos efetuados a maior de PIS, referente ao mês de maio de 2003. Afirmou ainda que o erro foi não ter retificado a DCTF relativa ao 2ºo trimestre de 2003. A DRJ apreciou Manifestação de Inconformidade às fls. 34/36, por meio do Acórdão nº 1334.777 – 4ªa Turma da DRJ/RJ2, mas indeferido o pedido de homologação do crédito informado em PER/DCOMP, conforme se retira do acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Data do fato gerador: 15/04/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão denegatória foi no sentido de que a “...DCTF retificadora transmitida em 06/06/08 informava débito de PIS para maio/2003 de R$ 4.363,67 e não R$ 3.497,35, como afirmou na inicial.” Segundo a DRJ não há nos autos qualquer explicação acerca da redução do débito de PIS relativo a maio de 2003, informado na manifestação de conformidade. Ademais, como consignado, o contribuinte não trouxe aos autos prova conclusiva para atestar o pagamento indevido, que daria ensejo à compensação almejada. A autoridade fiscal argumentou ainda que não cabe ao Fisco constituir prova em favor do contribuinte. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, onde não rebateu os argumentos da decisão objurgada, nem apresentou novos argumentos ou provas para comprovar seu direito. O recurso resumiuse a informar uma suposta “Demonstração do Diário” sem juntar qualquer documento de forma a demonstrar contabilmente a origem do pagamento a maior, que aduz ter feito. E o relatório. Voto Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 15374.906684/200840 Acórdão n.º 3803004.131 S3TE03 Fl. 38 3 Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia aqui versa em se determinar se o contribuinte fez ou não prova do direito creditório que alega ter, pois só assim seria possível a compensação requerida no PER/DCOMP. Impende observar que o Art. 333 do Código de Processo Civil determina que o ônus da prova incumbe ao autor quando alega fato constitutivo de seu direito. No presente caso, ao formular pedido de compensação caberia ao recorrente comprovar a origem do crédito que pretende usar na compensação no valor de R$ 4.363,67, ou seja, teria que comprovar a liquidez e a certeza do crédito no momento da transmissão da PER/DCOMP, bem como o porquê da redução do débito do PIS correspondente a maio/2003. Além do que, deve ser lembrado que a DCTF formaliza o crédito tributário, conferindo ao Fisco um instrumento hábil para a imediata inscrição em dívida ativa do crédito/débito denunciado pelo contribuinte. Em relação ao ônus da prova, vale citar decisão do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. ANOCALENDÁRIO:2002 ALEGAÇÕES, ÔNUS DA PROVA. CONSIDERASE SEM EFEITO AS ALEGAÇÕES CONTESTANDO A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO, SE DESACOMPANHADAS DE PROVA, EIS QUE O ÔNUS DA PROVA COMPETE OU CABE À PESSOA QUE ALEGA OS FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS DE DIREITO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. VERIFICADA A OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO CARACTERIZADA PELA FALTA DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, É CABÍVEL A REALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO PARA A COBRANÇADO CORRESPONDENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL.COFINS. LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS DO IRPJ.DECORRÊNCIA, AS CONCLUSÕES ADVINDAS DA APRECIAÇÃO DO LANÇAMENTO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA, DEVEM NO QUE COUBER, SER ESTENDIDAS AOS LANÇAMENTOS RELATIVOS À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, CSLL E À COF1NS, POR DECORREREM DOS MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS.RECURSO Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (grifo) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 130100299 do Processo 10580011623200509 19/05/2010) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.911751/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na demonstração da inexistência de indébito tributário, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.889
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na demonstração da inexistência de indébito tributário, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na demonstração da inexistência de indébito tributário, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 17 51 /2 00 8- 48 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fls. 37/45 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou compensação onde o crédito apresentado era relativo a suposto pagamento indevido de COFINS em vista de alegada isenção da contribuição sobre as sociedades civis de prestação de serviços. O litígio foi instaurado em face de despacho decisório que não homologou o pedido de compensação objeto do PER/DCOMP nº 214096539009060413040099, formalizado em 09062004, com o objetivo de compensar suposto crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS, no valor de R$ 3.800,22, referente ao período de apuração de 31/10/2002. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde se fundamentou nos seguintes argumentos (conforme relatório objeto da decisão recorrida): [...] Instituída a Lei Complementar n° 70/91, destinada às despesas com atividadesfim das áreas de saúde, previdência e assistência social, que isentava a Manifestante, nos termos do inciso II, do art. 6º da referida Lei, posteriormente foi editada a Lei 9.430, de 27/12/1996, cujo art. 56 revogou a referida isenção, determinando que a contribuição passasse a incidir sobre as receitas auferidas. Questionada a ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96, considerando a alegação de que Lei Ordinária não poderia revogar preceito constante de Lei Complementar, entre outros temas, restou, pelo Superior Tribunal de Justiça, editada em 02/06/2003 a SÚMULA N° 276, tendo em vista alguns precedentes (entre outros: Resp's 260960RS, 227939SC, 221710RJ, e AgRg no Resp 226386, 297461, 422342 e 422741): Desta forma, alguns contribuintes passaram a compensar, ou a simplesmente não mais pagar e outros ainda a repetir a contribuição social. Entretanto, em 30/06/2006, foi publicada a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 419.6298 DF, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.911751/200848 Acórdão n.º 3802001.889 S3TE02 Fl. 96 3 interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial (REsp 437842DF) que houvera declarado que Lei Ordinária não tem força para revogar dispositivo de Lei Complementar, dando provimento ao RE da União Federal para anular o acórdão do STJ por usurpação da competência do Supremo Tribunal, decisão essa não transitada em julgado, o que, notoriamente, veio a tentativa de justificar pelo fisco a negativa da pretensão compensatória, mais pela possibilidade de prescrição futura de eventual crédito dele do que a questão jurídica em si. Quando da compensação, havia segurança jurídica de que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais eram isentas da Cofins desde a edição da Lei Complementar n° 70/91, passando por decisões do Superior Tribunal de Justiça, especialmente da Súmula n° 276, até que veio a decisão parcial e não definitiva no Recurso Extraordinário n° 419.6298DF (decorrente do Resp n° 437842DF), publicada no DJ em 30/06/2006, no sentido de anular aquele acórdão do Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhecia a manutenção da isenção. Até agora, em 2008, perdura no STF a discussão jurídica que tem como tema a possibilidade, ou não, do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96 poder revogar a isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista na Lei Complementar n° 70/91, como se pode observar pela leitura do processamento dos Recursos Extraordinários n°s 381964MG e 377457PR. Já no STJ a questão, sob o enfoque infraconstitucional, se encontra decidida a favor da isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, nos termos dos recursos especiais acima informados e da Súmula n° 276. O art. 146 do Código Tributário Nacional, que está inserido no Capítulo II Constituição do Crédito Tributário , informa que a "modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto ao fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Já observando o tema sob a ótica do STF (Constitucionalidade), a decisão parcial e não definitiva da 1ª Turma do STF no Recurso Extraordinário n° 419.6298 DF, publicada em 30/06/2006, interposto contra acórdão do STJ em Recurso Especial (REsp 437842DF), dando, até agora, parcial provimento (8x1) e não definitivo ao RE da União Federal (419.6298 DF) para anular o acórdão do STJ (Resp 437842DF) por alegada usurpação da competência do Supremo Tribunal, não é definitiva sobre o prisma da constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96. Destarte, segundo decisões do Superior Tribunal de Justiça, o art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 viola normas infraconstitucionais, como citadas nos julgamentos dos recursos especiais, não podendo revogar a isenção concedida pelo art. 6º, II da LC 70/91. Já no STF, sob o enfoque da constitucionalidade, o tema ainda não está resolvido definitivamente. Assim, nos termos do art. 146 do código Tributário Nacional, é evidente que, mesmo que a decisão a ser exarada nos recursos extraordinários, sob exame na Excelsa Corte, declare a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 (a qual não muda o posicionamento do STJ), e transite em julgado a referida decisão sem que seja apreciada a sua modulação, a compensação do crédito em questão somente poderia Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior à 30.06.2006, quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não há decisão no STF definitiva e sequer transitada em julgado. Na realidade, até a presente data não se pode pensar na não homologação de compensação de créditos, nem mesmo após 30.06.2006, porquanto o Supremo Tribunal Federal, repitase, ainda não decidiu definitivamente o mérito da questão e, por via de conseqüência, a modulação da decisão, pois se encontra apreciando os recursos extraordinários n°s 377457PR e 381964MG, como dito acima, cujos processamentos estão suspensos, porquanto o Ministro Marco Aurélio pediu vista. Logo, nos termos das decisões do STJ não há Cofins a ser paga, portanto, plenamente devida a compensação do tributo realizada ante o pagamento equivocado da Cofins, como anteriormente informada. Já pela ótica do STF ainda não há decisão transitada em julgado declarando a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96, com a modulação temporal para a cobrança da Cofins. É mister ressaltar, ainda, que a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco tendo em vista possível decisão do tema no STF não autoriza sequer a revisão de lançamento e, por motivos óbvios, não autoriza também a negativa de homologação da compensação. A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento (Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos) . É clara a ofensa do art. 56 da Lei n° 9.430/96 ao princípio da especialidade instituído pelo art. 2º, §§ 1º e 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. A Cofins foi instituída pela Lei Complementar n° 70/1991, que reza que são isentas da contribuição as sociedades civis de que trata o art. 1o do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. Posteriormente, a Lei Ordinária nº 9430/96 revogou a isenção: "Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo Único Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997." Como se vê, em violação ao princípio da hierarquia das leis, o legislador ordinário alterou a lei complementar revogando a isenção concedida. É forçoso reconhecer que esse procedimento legislativo é totalmente inconstitucional, visto que pelo princípio da hierarquia das normas jurídicas, uma Lei Complementar somente poderá ser revogada por outra Lei Complementar. A isenção somente poderia ser revogada por Lei Complementar, conforme determina o art. 146, inciso III, alíneas "a" e "b", da Constituição Federal: Assim sendo, como a Constituição Federal só permitia a incidência de contribuição à seguridade social incidente sobre o faturamento, qualquer outra contribuição que tivesse outra base de cálculo recairia no que dispõe Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.911751/200848 Acórdão n.º 3802001.889 S3TE02 Fl. 97 5 o § 4º, do art. 195 da Constituição Federal, ou seja, a competência residual da União, o que é plenamente permitido, sendo que, nesse caso, imprescindível seria a adoção de Lei Complementar, o que também não foi respeitado. É mister ressaltar, ainda, quanto ao tema, que pouco importa se o conteúdo da lei complementar envolve competência de lei ordinária. O fato relevante da questão é que o legislador entendeu por bem separar as matérias que seriam aprovadas por Lei Complementar e as que seriam por Lei Ordinária, tanto que estabeleceu critérios distintos para a votação de cada uma delas. Anotese que para a Lei Complementar ele estabeleceu para aprovação a maioria absoluta dos congressistas, enquanto que para a Lei Ordinária a maioria simples. Logo, uma Lei Ordinária não pode pretender alterar uma Lei Complementar (art. 59 da Constituição Federal). [...] Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, a qual, como dito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. Isenção. Inocorrência, no período pleiteado. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a órgãos administrativos apreciar alegações de inconstitucionalidade de atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 05/10/2011 (conf. AR de fls. 48), a interessada, em 27/10/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 50/58, onde requer a juntada dos autos a processo autônomo de cobrança dos débitos (processo nº 18471.000995/200893) e apresenta os mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, requerendo, ao fim, seja dado total provimento ao seu recurso para reformar a decisão recorrida, com a conseqüente homologação da compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 O recurso é tempestivo e há que ser conhecido uma vez presentes os demais requisitos de admissibilidade exigidos para sua aceitação. Quanto à solicitação de juntada dos autos ao processo nº 18471.000995/2008 93, adoto aqui o mesmo entendimento proferido pela instância recorrida, uma vez que, conforme fundamentado por aquele Colegiado – e não contestado pelo sujeito passivo –, referido processo aborda fatos geradores ocorridos em período distinto, nada justificando, pois, a juntada dos autos, dada a inexistência de identidade material entre este processo e o referenciado pela reclamante. Assim, indefiro o pedido de juntada dos autos formalizado pela recorrente. Do mério A reclamante alega que as sociedades civis de prestação de serviços teriam sido isentas da COFINS em vista da suposta inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430/96, reconhecida e sumulada pelo STJ, a teor da Súmula nº 276, segundo a qual “as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS irrelevante o regime tributário adotado”. Tal súmula, no entanto, foi cancelada pelo próprio STJ no julgamento da Ação Rescisória no 3761/PR, publicada em 01/12/2008, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AÇÃO RESCISÓRIA – CABIMENTO – VIOLAÇÃO DO ART. 97 DA CF/88: SÚMULA VINCULANTE 10/STF – SÚMULA 343/STF: INAPLICABILIDADE – COFINS – ISENÇÃO CONCEDIDA PELA LC 70/91 – REVOGAÇÃO PELA LEI 9.430/96 – RECURSO ESPECIAL – DESCABIMENTO. 1. A ação rescisória não se presta a rever regra técnica relacionada com a admissibilidade de recurso especial. 2. Violação do art. 97 da CF/88 porque o aresto rescindendo não submeteu a reserva de plenário a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96, concluindo tãosomente por afastar a incidência deste dispositivo, sob o fundamento de que, em razão do princípio da hierarquia das leis, a isenção concedida por lei complementar não poderia ser revogada por lei ordinária. Aplicação da Súmula Vinculante 10/STF. 3. À época em que prolatado o aresto rescindendo, era controvertida a interpretação desta Corte em relação à legitimidade da revogação da isenção da COFINS. 4. Orientação firmada neste Tribunal no sentido de que a incidência da Súmula 343/STF deve ser afastada nos casos em que a interpretação controvertida disser respeito a texto constitucional. 5. O tema relativo à possibilidade de revogação, por lei ordinária (Lei 9.430/96), da isenção da COFINS concedida às sociedades civis pela LC 70/91 não há de ser resolvido em âmbito infraconstitucional, segundo precedentes do STF. 6. Ação rescisória julgada procedente. Como referenciado na ementa do julgado acima, a isenção concedida pela LC nº 70/91 foi revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96. Houve diversas ações em que se defendeu ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Essa questão foi pacificada pelo STF, o qual, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, de forma legítima, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.911751/200848 Acórdão n.º 3802001.889 S3TE02 Fl. 98 7 Os fundamentos que serviram de base para o referido julgado estão resumidos na ementa do Recurso Extraordinário no 377.457, abaixo reproduzida: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.(RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234608 PP01774) Portanto, o STF, definitivamente, já se pronunciou pela constitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, sendo, pois, lícita a exigência da contribuição em tela sobre tais pessoas jurídicas. Temse, em decorrência, que o indeferimento do pleito que deu ensejo à presente lide observou, com perfeição, a norma vigente à época, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96. Em nenhum momento referido dispositivo teve sua eficácia sustada, razão pela qual falece qualquer argumento concernente a mudança de critério jurídico, este uniforme desde o momento em que foi analisada a compensação do sujeito passivo, só indeferida em vista da ausência de prescrição legal que a isentasse do pagamento da COFINS, e, portanto, de prova quanto a existência do indébito aduzido. A interessada também formula pedido de modulação dos efeitos da decisão, sob o argumento de que a compensação do crédito somente poderia deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior a 30/06/2006, “quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça”. Sobre a modulação dos efeitos diante da reconhecida constitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o STF, ao analisar a ADI no 4071 (proposta pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB), julgada de forma definitiva pelo plenário daquela Corte em 22 de abril de 2009, desproveu o agravo regimental interposto em face de decisão proferida pelo Ministro Menezes Direito, que indeferira a inicial. Tal questão, contudo, é irrelevante para o julgamento da presente lide uma vez que a compensação pleiteada pela interessada não pode ser admitida dada a ausência dos requisitos legais da liquidez e da certeza do crédito, exigidos para a extinção de débitos tributários via compensação, requisitos os quais, como já ressaltado, foram examinados sempre com base nos mesmos critérios jurídicos desde a primeira análise do pedido de compensação, qual seja, a existência ou não de indébito frente à norma vigente. De fato, constatada a indisponibilidade do pagamento apontado pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, demonstrada está a inexistência de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 indébito tributário, razão pela qual não há como se acolher o pedido de compensação em tela, a qual só poderia ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestissem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, e em obediência ao disposto no art. 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, fica assentado que são efetivamente devidos os pagamentos da COFINS realizados pela recorrente segundo a forma de incidência instituída pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o indébito alegado não existe, não havendo, pois, razão legal que autorize a homologação da compensação pleiteada. Finalmente, em relação aos argumentos apresentados pelo sujeito passivo que envolvem inconstitucionalidade de norma, tal questão, cujo exame é vedado às instâncias administrativas (Súmula no 022), já foi resolvida pelo Supremo Tribunal Federal, como demonstrado acima. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10183.000039/2009-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
AUSÊNCIA DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. DATA DA CITAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
A ausência de citação válida na data afirmada pela decisão recorrida importa em considerar como data da ciência do lançamento o dia em que o contribuinte se manifestou nos autos, mediante apresentação de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES.
Constatada a entrega tempestiva das declarações pelos beneficiários dos rendimentos considerados omitidos pelo contribuinte, exclui-se o lançamento de ofício respectivo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 59 1 58 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.000039/200926 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.461 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria IRPF Recorrente KLEIBER LEITE PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 AUSÊNCIA DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. DATA DA CITAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A ausência de citação válida na data afirmada pela decisão recorrida importa em considerar como data da ciência do lançamento o dia em que o contribuinte se manifestou nos autos, mediante apresentação de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES. Constatada a entrega tempestiva das declarações pelos beneficiários dos rendimentos considerados omitidos pelo contribuinte, excluise o lançamento de ofício respectivo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 00 39 /2 00 9- 26 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), fls. 25 a 29, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte em face da Notificação de Lançamento, fls. 04 a 07, na qual a autoridade lançadora constatou que o contribuinte omitira rendimentos auferidos pelos dependentes deduzidos pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. As razões de defesa apresentadas pelo contribuinte em impugnação foram rejeitas nos seguintes termos descritos no voto da decisão de primeira instância: “ADMISSIBILIDADE A impugnação apresentada em 05/01/2009 (segundafeira) é tempestiva, por ter sido protocolizada dentro do prazo de 30 dias, contados a partir da data da ciência do indeferimento da SRL, ocorrida em 04/12/2008, e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES (...) No caso em exame, houve lançamento de ofício para tributar, conjuntamente, com os rendimentos recebidos pelo contribuinte, os recebidos pelos seus dependentes. Entretanto, alega o impugnante que os rendimentos recebidos pelos seus dependentes estão abaixo do limite de isenção e que estes apresentaram declaração em separado. Verificase, através dos recibos de entrega de declarações, f. 10 e 12, que tais declarações foram entregues em 07/10/2008, após a data de ciência do lançamento, que ocorreu em 12/09/2008, o que exclui a espontaneidade do contribuinte para retificar sua declaração, bem como a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...).” Cientificado em 15/04/2011, fls. 34, o contribuinte ingressou recurso voluntário em 13/05/2011, fls. 41/42, alegando, em síntese, que: a correção dos juros de mora ultrapassa a casa de 250% acima do valor principal, o que seria a falência do cidadão; a retificação ocorreu exatamente porque houve a notificação gerada pelo erro involuntário da declaração, que foi a inclusão dos dependentes, caso contrário não saberia ter errado no procedimento; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.000039/200926 Acórdão n.º 2802002.461 S2TE02 Fl. 60 3 o erro não pode ser considerado como uma infração, pois foi involuntário e praticado por um leigo contribuinte; requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A decisão de primeira instância considerou que a entrega das declarações de rendimentos apresentadas pelos filhos do recorrente, por ele considerados como dependentes, por não ter sido espontânea, não produz efeitos sobre a matéria questionada nos presentes autos. Afirma o voto condutor do acórdão recorrido, que a exclusão da espontaneidade se deve ao fato de que a ciência da Notificação de Lançamento ocorrera em 12/09/2008. Contudo, compulsandose os autos, não se constata nenhum documento indicativo dessa data. Além do mais, contraria a afirmação do voto condutor nesse sentido, o fato de constar de seu próprio relatório que a ciência do lançamento ocorrera em outra data, conforme abaixo se transcreve: “O contribuinte foi cientificado do lançamento por aviso de recebimento postal, em 04/12/2008, conforme consta da f. 20.” Depreendese dos autos, ainda, que o lançamento questionado teria se submetido ao procedimento sumário de revisão de lançamento, formalizado pela Solicitação de Revisão de Lançamento SRL de fls. 08, recepcionada pela autoridade preparadora em 09/10/2008. Nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, a intimação poderá ser feita pessoalmente, por via postal ou eletrônica e restando frustrada a tentativa de intimação por um desses meios, por edital. Em caso de ser feita por via postal, a juntada aos autos do respectivo Aviso de Recebimento – AR constitui formalidade essencial, não somente para corroborar a validade do procedimento de citação, em face do correto envio da intimação para o domicílio tributário do sujeito passivo, mas principalmente para demonstrar a data em que o contribuinte foi citado da exigência fiscal. Observese que essa demonstração se torna imprescindível na medida em que os prazos processuais de defesa se contam a partir da data da ciência do ato administrativo que comina a exigência fiscal, servindo esta, ainda, como marco que excluí a espontaneidade do contribuinte. Diante da ausência nos autos de documento que indique que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 12/09/2008, conforme afirmara a decisão recorrida, há que ser considerado, como data da ciência do lançamento questionado, o dia em que o contribuinte efetivamente se manifestou nos autos. No caso concreto, pois, considerase que o contribuinte foi cientificado em 09/10/2008, data em que protocolada a SRL de fls. 08. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Observese que tal entendimento possui precedentes neste CARF, sobretudo nesta 2ª Turma Especial da 2ª Seção, mediante a seguinte ementa proferida no Acórdão nº 2802002.370, de 18/06/2013: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO QUE DEMONSTRA CONHECIMENTO DO LANÇAMENTO. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. DATA DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO É A DATA DO PROTOCOLO DA IMPUGNAÇÃO VÁLIDA A impugnação que demonstra que houve a ciência do lançamento e possibilitou amplo direito de defesa e exercício do contraditório implica considerar como data da ciência do lançamento a data em que foi protocolada a peça impugnatória. Não há nulidade se não houve prejuízo à defesa. (...)” (grifei) Observese que o entendimento firmado nesse sentido objetiva alcançar o princípio da verdade material e o princípio do formalismo moderado que informam os processos administrativos fiscais. De acordo com os recibos de entrega de declarações, fls. 10 e 12, as pessoas beneficiárias dos rendimentos considerados omitidos pela Notificação de Lançamento, em questão, entregaram suas declarações em 07/10/2008. Como, no caso dos presentes autos, considerase que data de ciência do lançamento ocorrera em 09/10/2008, fica caracterizada a espontaneidade dos demais envolvidos nas infrações verificadas, haja vista a apresentação de suas respectivas declarações de rendimentos. Constatada, pois, a entrega tempestiva das declarações pelos beneficiários dos rendimentos considerados omitidos pelo contribuinte, excluise o lançamento de ofício respectivo. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000664/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 06 64 /2 01 0- 11 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 100 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada o Auto de Infração à fl. 09, com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.423,99 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 25.09.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 18.02.2005. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0108, com as alegações a seguir transcritas: Repisando, a Impugnante foi autuada por pretenso atraso na entrega da DCTF, o que daria azo à imposição de multa. No entanto, a fim de melhor aclarar o caso, convém traçar o resumo fático que culminou na sanção. Primeiramente, a Impugnante, quando de sua constituição, em meados de 2000, optou pelo recolhimento de suas obrigações tributárias pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, pois o faturamento auferido era inferior ao valor legalmente limitado R$ 2.400.000,00. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 101 3 Mediante denúncia espontânea procedida pela Impugnante, foi constatado erro na apuração na escrituração e apuração fiscal, que foi calculado erroneamente pelo SIMPLES, nos anos de 2004, 2005, 2006 e primeiro semestre de 2007, enquanto que o regime aplicável seria o do lucro presumido. Percebido o equívoco, cuidou a Impugnante prontamente de corrigir tais falhas, refazendo as declarações atinentes a cada período, contudo, à época da retificação, o sistema eletrônico disponibilizado pela autoridade administrativa na internet não dispunha de campo específico, tendo sido emitida a mensagem "Contribuinte Optante pelo Simples". Visto tal óbice, a Impetrante requereu à Receita Federal do Brasil, por meio do pedido protocolado em 07/08/2009 (doe. 01), que fosse excluída dos sistemas operacionais do órgão a informação que a empresa faz parte do regime de recolhimento regrado pela SIMPLES, e que dita exclusão fosse aplicada desde 30/06/2004. Frisase que dito procedimento foi feito por iniciativa da Impetrante, antes mesmo de qualquer ato fiscalizatório, denotando o verdadeiro intento de manter sua situação fiscal dentro da maior lisura, necessária à realização do seu objeto social. Analisado o pedido da Impugnante, sobreveio decisão proferida em 03/09/2009 por este órgão, deferindo o pedido de exclusão do regime SIMPLES com data retroativa, a partir de 01/01/2005, verbis: (...) "Depreendese na leitura e análise dos documentos e pesquisas que compõem os autos de fls. 02/251, que a empresa foi cadastrada no CNPJ em 05/06/2000 como empresa de pequeno porte EPP, foi optante pelo Simples Federal no período de 05/06/2000 a 31/12/2001 e reingressou na sistemática a partir de 01/01/2003 (fls. 251). Em consulta aos sistemas informatizados da RFB, constatei que o contribuinte transmitiu em 28/07/2009 a DSPJ/2005 retificadora, informando sua receita bruta acumulada no anoCalendário 2004 no valor total de R$2.658.965,16, conforme pesquisa anexa às fls. 250. De acordo com o inciso II do art. 9o da Lei n° 9.317/96, não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$1.200.000,00. Conforme disposto no inciso IV do art. 15 da mesma Lei, o efeito da exclusão darseá a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9o . Assim, não é possível a exclusão do Simples no próprio anocalendário em que foi ultrapassado o limite da receita bruta, por vedação expressa em Lei. Face ao exposto, proponho a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal a partir de 01/01/2005". Como sói poderia ocorrer, a partir da data da ciência da decisão supra, a Impugnante retificou todas as declarações dos exercícios em que foi deferida a exclusão do Simples (01/01/2005), que no caso, ocorreu em 25/09/2009, o que motivou a presente autuação. Contudo, imputar à Impugnante uma vultosa multa, em razão de ter procedido à regularização de sua situação fiscal, agravado pelo fato da aplicação do instituto da denúncia espontânea, foge da real interpretação da legislação de regência. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 102 4 É bem verdade que o entendimento do órgão julgador administrativo se inclina pela inaplicabilidade do instituto regrado no artigo 138 do CTN, aos casos de descumprimento de obrigação acessória, a exemplo do elevado número de julgados. Contudo, o caso em análise guarda particularidade específica, pois enquanto na linha de raciocínio da corte julgadora administrativa o entendimento vislumbra somente a desídia do contribuinte em entregar a DCTF, culminadolhe multa, no caso em apreço não há que falar em tal fato, pois a pretensa demora na entrega da declaração é atribuída somente pelo período em que o pedido de exclusão do sistema Simples ficou em tramitação perante a administração pública. Ora, sabidamente, a multa detém nítido caráter sancionador, para que aquele que haja com atitude ilícita seja punido pelo ferimento ao ordenamento legal. Nesse passo, não há como imputar sanção àquele que agiu dentre de escorreita postura fiscal, buscando sanar a irregularidade fiscal antes de qualquer ato de fiscalização. É dizer, deliberadamente, após a Impugnante aferir erro em sua contabilidade, de antemão, foi tomada a diligência pertinente a fim de que não houvesse qualquer prejuízo ao Fisco, porém, no interregno compreendido entre o pedido de exclusão do sistema Simples e o seu deferimento, justamente o considerado como faltoso pela autoridade administrativa, foi aplicada a multa, o que afigurase, no mínimo, inviável. Portanto, na espécie, o artigo 138 do CTN é plenamente aplicável, pois..."Tratandose ...de informação ou documento que se tenha fornecido ao Fisco com incorreção ou omissão, ou que não tenha sido entregue, o modo de sanar a infração (meramente formal, na medida em que não se tenha implicado falta ou insuficiência de recolhimento de tributo) será uma comunicação formal ao Fisco, em temos que reparem o dano (ainda que meramente potencial) que a infração pudesse trazer para o interesse do Fisco'". Analisandose o normativo, o legislador claramente teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, ou realizando a obrigação qual estava sujeito, a multa deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. [...] Em síntese, com base nas alegações despendidas, não pode a Impugnante ser multada em razão da pretensa extemporaneidade na entrega da DCTF, pois, tal fato foi consequência do período em que o pedido de exclusão do SIMPLES estava pendente, portanto, ausente de culpa. Não obstante, a Impugnante realizou típico procedimento descrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, pois, se antecedendo a qualquer procedimento fiscal, ante a errônia contábil cometida, refez a correlata declaração, além de proceder ao recolhimento do tributo em exigência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: De todo o exposto, requer a Impugnante seja julgada totalmente improcedente a presente autuação fiscal, face às razões anteriormente ventiladas. Termos em que, pede deferimento. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 103 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.729, de 17.02.2012, fls. 7577: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Notificada em 12.04.2012, fl. 80, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 8187, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que antes de ser formalizada a exclusão do Simples com efeito retroativo não havia possibilidade do cumprimento da obrigação tributária acessória. Conclui 29.Diante do exposto, requer seja recebido e processado o presente Recurso Ordinário, remetendose os autos ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para, ao final, ser julgado TOTALMENTE PROCEDENTE o presente recurso. 30.Por derradeiro, requer sejam as intimações e/ou publicações realizadas em nome do advogado HALLEY HENARES NETO, inscrito na OAB/SP sob o n° 125.645, com endereço profissional na Rua Desembargador Eliseu Guilherme, 200 9o Andar Paraíso São Paulo SP, sob pena de nulidade. Termos em que, p. deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 104 6 Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional2. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 105 7 existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. Em relação à exclusão do Simples, vale esclarecer que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A pessoa jurídica que auferir, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal não pode optar pelo Simples. No caso de incorrida em situação excludente, a optante deve obrigatoriamente formalizar alteração cadastral, sob pena de ser excluída de ofício mediante ato declaratório da autoridade fiscal. Este ato surte efeito no anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite da receita bruta, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 106 8 especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. 7 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 8 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 107 9 Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos9. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores10. Analisando a situação fática segundo o critério legal, verificase que não há permissivo na norma de regência da matéria que ampare afastar a exigência fiscal ao argumento de que antes de ser formalizada a exclusão do Simples com efeito retroativo não havia possibilidade do cumprimento da obrigação tributária acessória. 9 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 10 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000664/201011 Acórdão n.º 1801001.763 S1TE01 Fl. 108 10 No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 25.09.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 18.02.2005. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11610.003898/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003
Ementa:MULTA DE MORA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
De acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF e em respeito ao recurso repetitivo do STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 Ementa:MULTA DE MORA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA. De acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF e em respeito ao recurso repetitivo do STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
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De acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF e em respeito ao recurso repetitivo do “STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 38 98 /2 00 7- 91 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.003898/200791 Acórdão n.º 3101001.474 S3C1T1 Fl. 32 2 Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 68 dos autos emanados da decisão DRJ/SP1, por meio do voto do relator Tacao Oikawa, nos seguintes termos: “Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatado “Multa paga a menor” da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS dos fatos geradores ocorrido nos períodos de 07/2003 a 12/2003 e declarado na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 38 e 39 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo o total de R$ 72.052,02 (setenta e dois mil, cinquenta e dois reais e dois centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 e par Un L 10426/02. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 09/04/2007 (AR à fl. 55) a contribuinte protocolizou, em 03/05/2007 a impugnação de fls. 1 a 10 acompanhada dos documentos de fls. 1154, na qual alega sobre: 2.1. Configuração da denúncia espontânea: Art. 138 do CTN. 2.2. Por fim, requer seja julgada totalmente procedente a impugnação. 2.3. Em 18/01/2010, a Impugnante apresentou Manifestação Complementar (fls. 5963) alegando: 2.3.1. A Lei 11.491/2009 trouxe possibilidade de pagamento e parcelamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, cuja exigibilidade esteja ou não suspensa, e ainda, inscritas ou não em dívida ativa. 2.3.2. Estabeleceu em seu artigo 1º, parágrafo 3º, a redução das multas de mora e de ofício em 100%, no caso de realização de pagamento a vista de débitos que não tenham sido objeto de parcelamento anterior. Reproduz a mesma legislação. 2.3.3. Subsidiariamente, requer seja reconhecida a aplicação do artigo 106, II, c, do CTN e, em consequência, a aplicação do desconto de 100%, conferido pela Lei 11.941/09, em seu artigo 1º, § 3º, cancelandose, da mesma forma, o auto de infração impugnado. 2.3.4. Por derradeiro, rogase que todas as notificações e intimações atinentes ao presente feito sejam efetuadas exclusivamente em nome dos Drs. Ronaldo Rayes OAB/SP 114.521, e João Paulo Fogaça de Almeida Fagundes, oab/sp 154.384, ambos com endereço no Município de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Libero Badaró, 425, 11º andar, Centro, CEP 01009000, enviandose cópia para a Manifestante, no endereço supracitado.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1624.425 de fls. 67 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.003898/200791 Acórdão n.º 3101001.474 S3C1T1 Fl. 33 3 Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. REDUÇÃO DE 100% DA MULTA DE MORA PARA PAGAMENTO JÁ EFETUADO A DESTEMPO, SEM INCLUSÃO DA MULTA DE MORA – INAPLICÁVEL. A lei 11.941/09, em seu artigo 1º, § 3º, inciso I, possibilita a redução de 100% da multa de mora sobre débito pendente para pagamento à vista. A mesma Lei não contempla redução da multa de mora para débito já pago a destempo, sem inclusão de multa de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho CARF, em fls.77 a 90, onde repete seus argumentos antes apresentados, com destaque para o seguinte: I – A natureza jurídica da multa de mora; II –A Denúncia Espontânea e a Responsabilidade do Contribuinte; III – O Posicionamento reiterado dos tribunais judiciais e administrativos; IV – Do Pedido – requerendo o cancelamento do lançamento e arquivamento do processo em virtude da Recorrente ter adimplido o tributo antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, evidenciandose a ocorrência de denúncia espontânea, devendo, assim, ser afastada a exigência da multa, conforme prescreve o artigo 138 do CTN. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o crédito em questão decorreria do recolhimento espontâneo, porém em atraso de valores de PIS. Entende a recorrente que não está sujeita à multa de mora, em face do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.003898/200791 Acórdão n.º 3101001.474 S3C1T1 Fl. 34 4 A respeito do assunto, já vinha me posicionando a respeito da multa de mora como uma compensação ou indenização pelo atraso do cumprimento da multa de mora, como fiz em processo de nº 13.811.001551/200772. Entretanto, de acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF n. 256/2009, em respeito ao recurso repetitivo do STJ de nº 114.9022 que trata: “STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” Diante de todo o exposto, voto pelo PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10920.900397/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente NELSON ZANOTTI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, transmitida em 20/02/2004, por meio da qual a contribuinte , acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de compensação de contribuição para o PIS, com apuração em 31/12/2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER|/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 39 7/ 20 08 -7 9 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10920.900397/200879 Resolução nº 3202000.159 S3C2T2 Fl. 57 2 Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando que a inexistência do crédito se deu em razão de não ter procedido a oportuna retificação da Dctf, através da qual declarou o valor do débito do período, o que somente veio a fazer em 16/05/2008. Pugna pelo reconhecimento do crédito decorrente de pagamento a maior e homologação da compensação.” A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao argumento de que, à época da apresentação da DCOMP, a contribuinte não possuía crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional, vez que não havia retificado a DCTF (efls. 11/13). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 17/26) onde alega, em síntese, que, apesar de a DCTF ter sido retificada apenas em 16/05/2008, deve ser observado, pela Administração Publica, o princípio da verdade material, razão pela qual a autoridade administrativa deve apreciar o pedido de compensação verificando a existência dos créditos referentes à contribuição para o PIS com apuração em 31/12/2003. Ao final, requer a procedência do recurso voluntário apresentado. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Conforme se vê do relatado, no caso dos autos, a existência ou não do crédito em favor da contribuinte não foi aferida nem pela DRF nem pela DRJ, pois indeferiuse a Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte ao único argumento de que, na data da transmissão da DCOMP, em 20/02/2004, a DCTF não havia sido retificada e que, portanto, naquele momento, a contribuinte não possuiria crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional passível de compensação. Não foi contestada diretamente a existência do crédito pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, que, pelo contrário, entendeu tratarse de matéria irrelevante ao caso, quando afirmou que “por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem.” Entendo que, no caso, tendo sido apresentada a retificadora da DCTF em 16/05/2008, ainda, portanto, dentro do prazo de cinco anos da data da ocorrência do fato gerador, que se deu em 31/12/2003, deve ser verificada a existência, ou não, do crédito alegado, bem como deve ser analisada a compensação declarada. Este, aliás, tem sido o entendimento firmado por esta Turma já em outros julgamentos (vide, como exemplo, o processo administrativo nº. 15374.912758/200887). Fl. 57DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10920.900397/200879 Resolução nº 3202000.159 S3C2T2 Fl. 58 3 Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF competente, à luz das informações constantes da DCTF retificadora apresentada pela recorrente, informe o seguinte: a) Se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, e utilizado na forma de compensação nestes autos, existe de fato e, caso exista, seja ele aferido e quantificado; b) se, de fato, o crédito foi utilizado em outra compensação ou de forma diversa; c) se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e d) caso não exista o crédito alegado, seja informada a razão de sua inexistência. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e das verificações efetuadas. Realizada a diligência, é mister que seja reaberto o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a Fiscalização apresentem manifestação, se assim o desejarem. Após, devem os autos retornar a este CARF, para julgamento da lide. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 16561.000042/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 31/08/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).
A ausência de comprovação da renovação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em princípio, não constitui motivo para a anular o processo, entretanto, propicia a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, pois, é como se o Contribuinte nunca tivesse tomado conhecimento do mesmo. Tendo o contribuinte recolhido o tributo exigido com os juros moratórios, antes da lavratura do auto de infração, deve o mesmo ser beneficiado com o instituto da denúncia espontânea.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do Auto de Infração. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1.772-B.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 21/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Tereza Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 31/08/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). A ausência de comprovação da renovação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em princípio, não constitui motivo para a anular o processo, entretanto, propicia a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, pois, é como se o Contribuinte nunca tivesse tomado conhecimento do mesmo. Tendo o contribuinte recolhido o tributo exigido com os juros moratórios, antes da lavratura do auto de infração, deve o mesmo ser beneficiado com o instituto da denúncia espontânea. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do Auto de Infração. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1.772-B. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. EDITADO EM: 21/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Tereza Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3‐C3T1 Fl. 1.203 1 1.202 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000042/200718 Recurso nº 16.561.000042200718 Voluntário Acórdão nº 3301001.950 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria Classificação de Mercadorias Recorrente EPSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/08/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE RENOVAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). A ausência de comprovação da renovação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em princípio, não constitui motivo para a anular o processo, entretanto, propicia a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, pois, é como se o Contribuinte nunca tivesse tomado conhecimento do mesmo. Tendo o contribuinte recolhido o tributo exigido com os juros moratórios, antes da lavratura do auto de infração, deve o mesmo ser beneficiado com o instituto da denúncia espontânea. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López que votou pela nulidade do Auto de Infração. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Nijalma Cyreno Oliveira, OAB/RJ 1.772B. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 21/08/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 42 /2 00 7- 18 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.204 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Tereza Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório da DRJ, nos seguintes termos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/04/2007, (folhas 190) em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, multa proporcional, além de multa regulamentar e multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$669.398,34 em face dos fatos a seguir descritos. • Por meio das Declarações de Importação arroladas no corpo do auto de infração, a empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro mercadorias com classificação fiscal equivocadas, a saber: Cabeça de impressão Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.25 – Cabeças de Impressão térmicas/jato de tinta; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8473.30.24 – Cabeças de Impressão, exceto as térmicas ou jato de tinta; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17 (de 01/01/2003 a 31/12/2003); Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 16 (de 01/01/2004 a 31/12/2004); Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 15 (de 01/01/2005 a 31/12/2005); Classificação fiscal também adotada em outras importações de cabeças de impressão. Esclarecimento do contribuinte em resposta à intimação: Dispositivo destinado à conversão de sinal elétrico em caracteres. Tecnologia matriz de pontos. Impressoras Matriciais. Bloco Ótico. Classificações fiscais adotadas pelo importador: Código NCM 8541.40.11 – Diodos emissores de luz (LED); Código NCM 8529.90.20 – Outras partes para aparelhos receptores... Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.205 3 Código NCM 8541.40.12 – Diodos “laser” não montados; Código NCM 8473.30.22 Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8529.90.20 – De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17,5 (de 01/01/2002 a 31/12/2003); Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 16 (de 01/01/2004 a 31/12/2006); Classificação fiscal também adotada em outras importações de unidades óticas. Esclarecimento do contribuinte em resposta à intimação: Dispositivo destinado à conversão de sinal elétrico em feixe de luz. Vídeo Projetores. Polia. Conj. Polia do Motor. Conj. Polia Transmissão do Carro. Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.29 – Outras partes e acess. de impressoras/Traçadores gráficos; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8483.50.10 – Polias, exceto as de rolamentos reguladoras de tensão; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17,5 (de 01/01/2002 a 31/12/2003); Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 16 (de 01/01/2004 a 31/12/2006); Cartucho de Toner, Toner. Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.27 – Cartucho de tinta para impressoras; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Código NCM 8473.30.29 – Outras partes e acess. de impressoras/Traçadores gráficos; Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 12 (de 01/01/2002 a 31/12/2005); Eixo. Classificação fiscal adotada pelo importador: Código NCM 8473.30.29 – Outras partes e acess. de impressoras/Traçadores gráficos; Classificação fiscal adotada pela fiscalização: Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.206 4 Código NCM 8483.10.90 – Árvores de transmissão (incluídas as árvores de "cames" e virabrequins) e manivelas – Outras. Aliq. Lista Exceção Básica/BIT(%): 17,5 (de 01/01/2002 a 31/12/2003); Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 27/04/2007 (fls. 110frente), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 29/05/2007, de fls. 528 a 555, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: • Intimada a respeito do Mandado de Procedimento Fiscal No.0817100/00153/06, forneceu planilha devidamente preenchida com todos os esclarecimentos requeridos pela fiscalização; • Apesar de seus esforços em atender a legislação, a impugnante constatou a ocorrência de pequenos lapsos técnicos em determinadas operações de importação; • Prontamente, em 14/03/2007, a impugnante efetuou a apuração dos impostos incidentes, tendo realizado seu recolhimento; • Ao se confrontar o valor recolhido pelo impugnante com o valor apurado pela fiscalização, o primeiro se faz superior, pois o impugnante acabou por realizar o pagamento relativamente a todos os itens decorrentes do equívoco na classificação fiscal, enquanto que a fiscalização restringiu sua análise a determinados itens; • Apresenta a apuração e o recolhimento em documentação anexa; • O valor apurado pela fiscalização não se coaduna com os valores corretamente apurados pelo impugnante, pois houve uma simples falha na descrição da mercadoria importada, devendo ser mantida a classificação fiscal adotada pelo importador; • Ressalta que os itens 44 e 142 da tabela constante da impugnação às folhas 288, já foram objeto de lançamento tributário nos autos do Processo Administrativo Fiscal No. 10314.001881/200608; • Demonstrado o recolhimento espontâneo pelo impugnante, deverão ser cancelados os lançamentos relativos ao Imposto de Importação de R$ 105.790,81 e do Imposto de Produtos Industrializados de R$ 52.096,92, nos termos do artigo 156, I do Código Tributário Nacional; • Por ter efetuado o recolhimento dos juros incidentes no prazo de 20 (vinte) dias contados do recebimento da notificação acerca do início da fiscalização tributária, nos termos do artigo 47 da Lei 9.430/96 e do artigo 138 do Código Tributário Nacional, devem ser cancelados os valores relativos a multa proporcional de 75% do Imposto de Importação (R$ 79.343,11) e do Imposto de Produtos Industrializados (R$ 39.072,69); • A autuação da fiscalização extrapolou o valor máximo de 10% do valor total das mercadorias constantes da Declaração de Importação, conforme a Medida Provisória No. 153/03 (convertida na Lei 10.833/03) para a multa proporcional ao valor aduaneiro; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.207 5 • A par da multa tipificada na Medida Provisória No. 2.158/0135, deverão ser observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; • Junta textos da doutrina e jurisprudência administrativa a respeito do instituto da DENUNCIA ESPONTÂNEA; • Inaplicável multa em casos de boa fé, decorrente do desvio de finalidade da multa prevista, juntando também textos da doutrina e jurisprudência administrativa a respeito do assunto; • As penalidades impostas totalizam R$ 425.499,99, quase três vezes o valor dos supostos impostos devidos R$ 157.887,73, em cristalina ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; • A fiscalização segregou em duas distintas penalidades, ambas com fulcro no artigo 84 da Medida Provisória No. 2.158/0135, os supostos erros de classificação fiscal cometidos. Tal segregação foi promovida para dividir as Declarações de Importação antes e depois da Medida Provisória No. 153/03. Aquelas registradas antes da sua publicação não gozariam da redução prescrita. Todavia, o artigo 106 do Código Tributário Nacional, inciso II, alínea c), determina a vigência imediata de Lei que comine penalidade menos severa; • A metodologia de cálculo utilizada para quantificar o presente auto de infração resultou não só na imposição de uma penalidade em muito superior é devida, como representa valor muito superior à somatória dos valores aduaneiros de todos os produtos reclassificados; • A ilegalidade da Taxa Selic; A 1ª Turma da DRJ de São Paulo (2), julgou improcedente a impugnação, conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita: Acórdão 1756.244 1ª Turma da DRJ/SP2 Sessão de 15 de dezembro de 2011 Processo 16561.000042/200718 Interessado EPSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ/CPF 52.106.911/000363 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/08/2002 Por meio das Declarações de Importação arroladas no corpo do auto de infração, a empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro mercadorias com classificação fiscal equivocadas, a saber: Cabeça de impressão, Bloco Ótico, Polia. Conj. Polia do Motor. Conj. Polia Transmissão do Carro, Cartucho de Toner, Toner, Eixo. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.208 6 O início da ação fiscal se deu com a ciência do contribuinte. O recolhimento dos DARF’s apresentados com a impugnação é posterior ao início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea ao presente caso. A aplicação da multa isolada do Imposto de Importação é cobrada em função de classificação fiscal errônea. Em nenhum dos dois artigos há o limite máximo para a imposição da multa reclamado na impugnação. Não há qualquer divergência a respeito de incidência mais benéfica da infração, nos moldes do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, inciso II, alínea c).Na seara administrativa da 1ª instância deve prosperar a letra do artigo 636 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02, sem qualquer reserva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado pelo representante legal da Recorrente em 07/02/2012 (fls. 1131), a mesma protocolou em 08/03/2012, o recurso voluntário de fls. 1158 e seguintes, em síntese, reiterando as argumentações constantes da impugnação. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida o início da ação fiscal se deu com a ciência do contribuinte, sendo que o recolhimento dos DARF’s apresentados com a impugnação ser posterior ao início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização, por esse motivo não foi possível aplicar o instituto da denúncia espontânea em favor do Recorrente, conforme pleiteava na impugnação e reiterado no recurso voluntário. A esse respeito, inicialmente devo registrar que não foi observado que houve a expiração do prazo do mandado de procedimento fiscal sem ter sido providenciado a tempestiva prorrogação, e, apesar de que essa medida poderia ter sido providenciada posteriormente, todavia, não ocorreu ao necessário encerramento determinado na forma do inciso II , artigo 20 da Portaria n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, in verbis: “ Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.209 7 II – pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. ” A não renovação do MPF, em princípio, não implica em nulidade do processo, salvo se for indicado mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto, todavia, pode favorecer o contribuinte através da recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Ainda que se admita que o MPF tenha sido renovado (mesmo que não juntado aos autos a sua renovação), o procedimento esbarra no parágrafo único da Portaria nº 11.371/2007, vez que o AFRFB foi o mesmo responsável pela execução do Mandado (AFRFB – Ivanildo da Silva Rocha) (ver fls. 1 e 22/43). No caso em apreço o MPF foi emitido em 08/06/2006, e deveria ter sido executado até 6 de outubro de 2006 (fls. 1), todavia o contribuinte só foi cientificado do início do procedimento fiscal em 22/02/2007. Na sequência, em 14/03/2007, a Recorrente efetuou a apuração dos impostos incidentes e realizou o seu pronto recolhimento (DARF´s acostados às fls. 338/572 – doc. 4), não sendo os mesmos aceitos, para fins de denúncia espontânea porque apresentado após o início do procedimento fiscal. Imperioso considerar, nesse caso, o disposto no art. 138 da Lei no 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 7o do Decreto no 70.235, de 1972, abaixo transcritos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Decreto nº 70.235/72: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16561.000042/200718 Acórdão n.º 3301001.950 S3‐C3T1 Fl. 1.210 8 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1 o, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura dos textos legais acima transcritos depreendese que os atos referidos nos incisos I e II do art. 7º do PAF, que iniciam o procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo restabelecese no 61o dia após o início dos mesmos. Restabelecer significa estabelecer novamente, repor no antigo estado ou condição, restaurar, recuperar, colocar na situação primitiva (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira, 2a edição, pág. 1497). Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido ou sua confissão deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação, ficando excluída a aplicação da multa de ofício. Em face do exposto, voto no sentido e dar provimento ao recurso. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10508.000687/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 20/02/2004 a 09/02/2006
IMPORTAÇÃO - REGIME DRAWBACK - SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO - INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS (ART. 5º DA LEI N° 8.032/90; ART. 1º DO DECRETO N° 6.702/08) - DESCUMPRIMENTO DO REGIME - LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO - ARTS. 142, 147, § 2º E 149 INCS. IV E V DO CTN.
É cabível o lançamento ex offcio dos tributos, acréscimos e multa (arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN) incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, quando comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal, em razão do pagamento do fornecimento no mercado interno, não ter sido proveniente de financiamento em moeda conversível, por instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior.
DRAWBACK - ATO CONCESSÓRIO - SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO - MULTA E JUROS - EXCLUSÃO - ART. 100 § ÚNICO DO CTN - IMPOSSIBILIDADE.
Não se justifica a aplicação do art. 100, § Único do CTN para exclusão de multa e juros do lançamento, eis que o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada.
Numero da decisão: 3402-001.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que afastou-se as preliminares suscitadas pelo recorrente. O Conselheiro Carlos Cassuli Júnior e o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões quanto à preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral o Dr. Ronaldo Correa Martins, OAB nº 76944/SP pela recorrente e a Dra. Bruna Garcia Benevides pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 20/02/2004 a 09/02/2006 IMPORTAÇÃO - REGIME DRAWBACK - SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO - INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS (ART. 5º DA LEI N° 8.032/90; ART. 1º DO DECRETO N° 6.702/08) - DESCUMPRIMENTO DO REGIME - LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO - ARTS. 142, 147, § 2º E 149 INCS. IV E V DO CTN. É cabível o lançamento ex offcio dos tributos, acréscimos e multa (arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN) incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, quando comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal, em razão do pagamento do fornecimento no mercado interno, não ter sido proveniente de financiamento em moeda conversível, por instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior. DRAWBACK - ATO CONCESSÓRIO - SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO - MULTA E JUROS - EXCLUSÃO - ART. 100 § ÚNICO DO CTN - IMPOSSIBILIDADE. Não se justifica a aplicação do art. 100, § Único do CTN para exclusão de multa e juros do lançamento, eis que o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que afastou-se as preliminares suscitadas pelo recorrente. O Conselheiro Carlos Cassuli Júnior e o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões quanto à preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral o Dr. Ronaldo Correa Martins, OAB nº 76944/SP pela recorrente e a Dra. Bruna Garcia Benevides pela Procuradoria da Fazenda Nacional. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/02/2004 a 09/12/2006 IMPORTAÇÃO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO DECADÊNCIA “DIES A QUO” ART. 173, INC. I DO CTN. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 20/02/2004 a 09/02/2006 IMPORTAÇÃO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS (ART. 5º DA LEI N° 8.032/90; ART. 1º DO DECRETO N° 6.702/08) DESCUMPRIMENTO DO REGIME LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO ARTS. 142, 147, § 2º E 149 INCS. IV E V DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 06 87 /2 00 9- 72 Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 É cabível o lançamento “ex offcio” dos tributos, acréscimos e multa (arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN) incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, quando comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal, em razão do pagamento do fornecimento no mercado interno, não ter sido proveniente de financiamento em moeda conversível, por instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior. DRAWBACK ATO CONCESSÓRIO SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO MULTA E JUROS EXCLUSÃO ART. 100 § ÚNICO DO CTN IMPOSSIBILIDADE. Não se justifica a aplicação do art. 100, § Único do CTN para exclusão de multa e juros do lançamento, eis que o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que afastouse as preliminares suscitadas pelo recorrente. O Conselheiro Carlos Cassuli Júnior e o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões quanto à preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral o Dr. Ronaldo Correa Martins, OAB nº 76944/SP pela recorrente e a Dra. Bruna Garcia Benevides pela Procuradoria da Fazenda Nacional. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (fls. 1436/1486) contra o v. Acórdão/DRJ/FOR nº 0818.955 de 29/09/10 (fls. 1293/1318) intimado em 22/11//10 (AR.fls.1435) e exarado pela 7ª Turma da DRJ de Fortaleza CE SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “manter integralmente o crédito tributário objeto da presente lide” no valor total de R$ 83.638.827,00, conforme Demonstrativo Consolidado (fl. 07vol. 1) e consubstanciados nos Autos de Infração de fls. 524/757(vols. 3 e 4) lavrados em razão do não atendimento dos requisitos legais e regulamentares previstos para o gozo do incentivo à exportação sob regime de drawback suspensão, na modalidade para fornecimento no mercado interno e relativo ao Ato Concessório n° 20030188423 emitido em 20/02/04, relativo a licitação internacional promovida para o fornecimento de uma “máquina desaguadora (parte úmida e parte seca)” integrante de “uma planta de secagem de celulose de eucalipto” a ser fornecida pela Recorrente e financiada por instituições financeiras internacionais, na seguinte conformidade: a) Auto de Infração II (MPF nº 0510500/00495/07 fls. 524/594), notificado em 02/10/09 (AR fls. 762), no valor total de R$ 38.375.550,96 (II R$ 15.841.277,46; juros de mora R$ 10.653.315,40; multa proporcional 75% R$ 11.880.958,10), que acusou a ora Recorrente de “descumprimento de requisito essencial à fruição do benefício fiscal ‘Drawback’ suspensão, fornecimento no mercado interno” relativamente às DIs relacionadas no AI e conforme o TVF lavrado em 24/09/09 (fls. 388/442), indicando infringência a vários dispositivos (NORMAS GERAIS APLICÁVEIS AOS TRIBUTOS SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR: artss 2°; 103, inciso I; 243; 244; 248; 570; 602; 603, incs. I e IV; 604, inciso IV; 613 e 684, todos do RA/02, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26/12/2002. RELATIVAMENTE AO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL "DRAWBACK", MODALIDADE SUSPENSÃO: art. 78, inc. II, do DecretoLei no 37/66; art. 335, inc. I; art. 336, § 3°; arts. 338 a 344; todos do RA/02, aprovado pelo Decreto no 4.543, de 26/12/2002. RELATIVAMENTE À OPERAÇÃO ESPECIAL "FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO”: art. 5º da Lei n° 8.032, de 12/04/1990 RELATIVAMENTE AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, À MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA: arts. 69; 72; 73, inc. I e § único; 75; 90; 94; 97; 107; 106; todos do RA/02, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26/12/2002; art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; art. 61, § 3°, da Lei no 9.430/1996.NORMAS ADMINISTRATIVAS: relativas à Competência: Portaria Ministerial n° 36, de 1982; artigos 1° , 2º e 3 ° relativas ao regime aduaneiro especial: Comunicado DECEX n ° 21, de 11/06/1997) e considerando exigíveis a multa 75% capitulada no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96 além do juros em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do art. 61, § 3°, da Lei no 9.430/96. b) Auto de Infração IPI na importação (MPF nº 0510500/00495/07 fls. 597/663), notificado em 02/10/09 (AR fls. 762), no valor total de R$ 15.546.755,31 (IPI R$ 6.501.037,98; juros de mora R$ 4.169.938,84; multa proporcional 75% R$ 4.875.778,49), que acusou a ora Recorrente de “descumprimento de requisito essencial à fruição do benefício fiscal ‘Drawback’ suspensão, fornecimento no mercado interno” relativamente às DIs relacionadas no AI e conforme o TVF lavrado em 24/09/09 (fls. 388/442), indicando infringência a vários dispositivos (Arts. 34, inciso Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 I, 123, inciso I, alínea "r", 131, inciso I, alínea "a", 200, inciso II do RIPI/2002 aprovado pelo Decreto nº 4.544/02) e considerando exigíveis a multa 75% capitulada no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96 além do juros em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do art. 61, § 3°, da Lei no 9.430/96; c) Auto de Infração COFINS Importação (MPF nº 0510500/00495/07 fls. 664/709), notificado em 02/10/09 (AR fls. 762), no valor total de R$ 24.415.731,89 (COFINS R$ 10.118.707,99; juros de mora R$ 6.707.992,91; multa proporcional 75% R$ 7.589.030,99), que acusou a ora Recorrente de “descumprimento de requisito essencial à fruição do benefício fiscal ‘Drawback’ suspensão, fornecimento no mercado interno” relativamente às DIs relacionadas no AI e conforme o TVF lavrado em 24/09/09 (fls. 388/442), indicando infringência a vários dispositivos (NORMAS GERAIS APLICÁVEIS À CONTRIBUIÇAO SOCIAL PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL: arts. 1° ; 5°; inc. I; 13, inc. I; 19 e 20 da Lei no 10.865, de 30/04/2004; arts. 2 °; 3 °; 482; 483; 485; 491; 570; 602; 604, inc. IV, e 684 do Regulamento RELATIVAMENTE À CONTRIBUIÇÃO, À MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA: arts. 3°, inc. I; 7°, inc. I e 8º, inc. II, da Lei nº 10. 865, de 30/04/2004;art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996;art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. RELATIVAMENTE AO CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO:Anexos Únicos das Normas de Execução COANA n°s 05, de 21/05/2004; 02, de 23/06/2005 e 06, de 13/08/2004) e considerando exigíveis a multa 75% capitulada no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96 além do juros em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do art. 61, § 3°, da Lei no 9.430/96; d) Auto de Infração PIS/PASEP Importação (MPF nº 0510500/00495/07 fls. 710/755), notificado em 02/10/09 (AR fls. 762), no valor total de R$ 5.300.788,85 (PIS/PASEP R$ 2.196.827,00; juros de mora R$ 1.456.341,60; multa proporcional 75% R$ 1.647.620,25), que acusou a ora Recorrente de “descumprimento de requisito essencial à fruição do benefício fiscal ‘Drawback’ suspensão, fornecimento no mercado interno” relativamente às DIs relacionadas no AI e conforme o TVF lavrado em 24/09/09 (fls. 388/442), indicando infringência a vários dispositivos (arts. 11, 31, inc. I, 41, inc. I, 5°, inc. I, 7°, inc. I e 8°, inc. I, 13, inc. I, 19 e 20 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004; arts. 2°, 3°, 482, 463, 485, 491, 504, 602, 604, inc. IV, e 684 do Decreto no 4.543/02) e considerando exigíveis a multa 75% capitulada no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96 além do juros em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do art. 61, § 3°, da Lei no 9.430/96; No TVF lavrado em 24/09/09 (fls. 388/442) anexo ao processo, a d. Fiscalização da SIANA da IRF de Ilhéus BA descreve a motivação dos lançamentos nos seguintes termos: “7. DO DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO A primeira abordagem do tema "drawback para fornecimento no mercado interno" deve partir, necessariamente, do dispositivo legal que prevê a possibilidade de importação por esse regime, qual seja, o art. 5º da Lei no 8.032, de 12/04/1990, com redação atual dada pela Lei n° 10.184, de 12/02/2001, nos seguintes termos: Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 4 5 "Art. 5º O regime aduaneiro especial de que trata o inciso II do art. 78 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior." (NR) A referida sub modalidade representa, conforme antes indicado, uma das subdivisões da modalidade drawback suspensão, caracterizada pela suspensão dos tributos devidos na importação, sempre acompanhada da expectativa de conversão dessa suspensão em isenção. Dizse expectativa porque esta conversão ë condicionada, de fato, a circunstâncias específicas posteriores (cumprimento de condições e contrapartida) necessariamente decorrentes da operação de que trata o Ato Concessório; condições estas previamente estabelecidas na legislação. O dispositivo legal transcrito apresenta, de maneira cristalina, os requisitos a que se encontram sujeitas as operações que devam se desenvolver com o benefício do referido regime, que podem ser assim elencados: importação de matérias primas, produtos intermediários e componentes; fabricação no País de máquinas e equipamentos; licitação internacional; fornecimento de máquinas e equipamentos no mercado interno, por vencedor de licitação internacional; pagamento do fornecimento em moeda conversível, mediante financiamento de instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES, com recursos captados no exterior. Vale considerar que já o reconhecimento do direito a esse Regime Aduaneiro Especial, mediante emissão do Ato Concessório, está condicionado à demonstração prévia, pela importadora, da capacidade de cumprir com as condições estabelecidas na legislação. À época da concessão do regime de que trata a presente autuação, o Anexo VII do Comunicado Decex nº 21, de 11/07/1997, já com as alterações impostas pelo Comunicado Decex n° 2, de 31/01/2000, trazia as seguintes exigências: "2. O formulário Pedido de Drawback deverá ser acompanhado da seguinte documentação: Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 a) cópia do edital da concorrência internacional; b) cópia da proposta do fornecimento; c) catálogos técnicos e/ou especificações e detalhes do material a ser importado; d) declaração da empresa licitante certificando que a empresa foi vencedora da licitação e que o Regime de Drawback foi considerado na formação do preço apresentado na proposta; e) correspondência do órgão financiados aprovando a adjudicação;" Observase, portanto, que a entidade que pretendesse importar com o benefício da suspensão dos tributos devidos na importação para fabricação e fornecimento no mercado interno, deveria formalizar o pedido de reconhecimento do seu enquadramento nas condições estabelecidas em lei, anexando, ao formulário correspondente, os documentos que comprovassem sua condição. De interesse maior nesse instante, julgamos oportuno enfatizar a exigência presente no artigo 5º da Lei nº 8.032/1990, e às normas do drawback, de que o pagamento do fornecimento das máquinas e equipamentos fabricados no país deverá ser feito em moeda conversível, mediante financiamento de instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES, com recursos captados no exterior. Portanto, temos os seguintes requisitos a serem atendidos, mais especificamente com relação ao pagamento a ser feito à empresa nacional, fabricante das máquinas e equipamentos, beneficiária do drawback, pela promotora da licitação internacional: • Pagamento ao fabricante decorrente do fornecimento das máquinas e equipamentos; • Pagamento efetuado em moeda de livre conversibilidade; • Recurso totalmente proveniente de financiamento; • Origem do financiamento: • Instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, ou • Entidade governamental estrangeira, ou • o BNDES, com recursos captados no exterior. A falta de qualquer um dos requisitos acima relacionados, previstos na legislação de regência, contamina a operação de drawback e, conseqüentemente, seu Ato Concessório. Com a importação dos insumos, ocorreu uma saída de recursos do país após o pagamento das importações efetuadas pela empresa beneficiária do Ato Concessório de drawback.. Com o fornecimento das máquinas e equipamentos fabricados no país Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 5 7 pela empresa nacional beneficiária do Regime Especial e o respectivo recebimento do venda efetuada, em moeda de livre conversibilidade (operação equiparada à exportação), ocorreu o ingresso de recursos no país, visto que sua origem obrigatoriamente deverá ser externa (mesmo no caso de financiamento concedido pelo BNDES, que obrigatoriamente será proveniente de recursos captados no exterior). Portanto, o resultado cambial positivo deverá obrigatoriamente ser observado, sob pena de contaminar todo o instituto de Drawback, seus princípios e previsões regulamentares. 8. DO DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO ESSENCIAL À FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL 8.1. DA APURAÇÃO DO DESCUMPRIMENTO Convém registrar que, em atendimento à exigência de comprovação, já na formalização do pedido de concessão do regime aduaneiro especial drawback, perante o módulo Drawback Eletrônico do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, da capacidade de atendimento da condição estabelecida em lei para fruição do referido benefício, notadamente em relação ao financiamento para pagamento da operação contratada [quais sejam: (i) que o fornecimento seja realizado contra pagamento em moeda conversível, e (ii) que essa moeda seja proveniente de financiamento concedido (ii.a) por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou (ii.b) por entidade governamental estrangeira ou, ainda, (ii.c) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior] a Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda., doravante denominada VOITH PAPER apresentou cópias de contratos de financiamento celebrados entre a empresa que promoveu a licitação internacional, a Veracel Celulose S.A., doravante denominada VERACEL, e duas instituições financeiras internacionais, quais sejam, o European Investment Bank EIB e o Nordic Investment Bank NIB. Tais documentos integraram o processo administrativo formalizado perante o Departamento do Comércio Exterior DECEX, de nº 52100.03598/200300, que corresponde ao ANEXO V a este processo de autuação, e, tendo sido expedido Ato Concessório pertinente por aquele Departamento, dessume se que foram considerados atendidos os requisitos estabelecidos na legislação retromencionada. Coubenos aferir a qualificação das instituições financeiras Nordic Investment Bank e European Investment Bank, enquanto instituições declaradas perante a SECEX como financiadoras da operação contratada entre a VERACEL e a VOITH PAPER, no que se refere à sua natureza jurídica, que deveria necessariamente enquadrarse em uma das exigidas pelo art. 5º da Lei 8.032, de 1990. Para obter essa informação, e por tratar se de instituições sediadas no exterior, foi apresentado questionamento pertinente ao Banco Central do Brasil e, a partir Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 da resposta dessa instituição, à Assessoria de Assuntos Internacionais da Secretaria da Receita Federal do Brasil ASAIN. Por meio do Memorando RFB/Asain/n° 331, de 13/11/2008, juntado às fls. 87 a 91, a ASAIN concluiu pelo atendimento das condições estabelecidas no referido dispositivo legal. Vale observar, entretanto, que ambos os contratos de financiamento celebrados entre a VERACEL e as instituições financeiras mencionadas não se referem especificamente à operação contratada entre a VOITH PAPER e a VERACEL. Tais contratos reportam genericamente o "Projeto Veracel", empreendimento expressivamente mais abrangente que o fornecimento da "máquina desaguadora de celulose" a ser fornecida pela autuada, cujas características são apontadas na documentação técnica que instruiu o pedido de concessão do favor fiscal ao DECEX, que integra o presente processo, em uma versão analítica (em inglês), mediante as fls. 194 a 342 de seu ANEXO V, e em uma versão sintética (traduzida para o português): por meio das fls. 794 a 799 do mesmo Anexo (Anexo "D" ao contrato de financiamento celebrado entre a VERACEL e o Nordic Investment Bank). Nesse aspecto, observase que o tratamento dado no caso concreto não foi o mais consoante às disposições do Comunicado DECEX nº 21, de 1997, que, em seu Anexo VII, já com as alterações impostas pelo Comunicado Decex no 2, de 31/01/2000, exigia como elemento instrutório do processo administrativo para obtenção do Ato Concessório, uma "correspondência do órgão financiador aprovando a adjudicação". Tal exigência tinha por propósito assegurar que o objeto da licitação adjudicado à empresa vencedora do certame fosse financiado na forma estabelecida em lei, ou seja, que os recursos do financiamento em moeda conversível e provenientes do exterior fossem aplicados especificamente na operação contratada (objeto da adjudicação) entre a empresa que realizou a licitação e aquela que estivesse pleiteando o Regime Aduaneiro Especial do Drawback. Da forma como conduzido no processo administrativo acima identificado (ANEXO V a este Auto de Infração), a aceitação da referência genérica ao Projeto Veracel pelo DECEX passou ao largo da necessária observância da vinculação entre o financiamento e a operação, ou seja, desconsiderou a possibilidade de que o financiamento correspondente aos contratos apresentados pudesse ser utilizado em operações outras do referido Projeto Veracel, que não aquela para a qual se buscava o reconhecimento do direito ao benefício fiscal. A partir dessa constatação, ou seja, dessa deficiência na emissão do Ato Concessório, que não assegurava que a operação contratada entre a VOITH PAPER e a VERACEL estivesse sendo efetuada com recursos dos financiamentos correspondentes aos contratos apresentados perante o DECEX, tornouse imperiosa a confirmação quanto a terem, os recursos obtidos com os referidos financiamentos, sido utilizados, efetivamente, no pagamento da máquina desaguadora a ser fornecida. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 6 9 Essa necessidade de confirmação fezse indispensável quando identificado, dentre os documentos apresentados pela VOITH PAPER no curso da fiscalização, cópia do Contrato de Financiamento celebrado entre a VERACEL e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, cuja cópia integra o processo, às fls. 98 a 119 (e, também, às fls. 513 a 534 do ANEXO IV). No referido documento constava, da mesma forma que os contratos celebrados entre a VERACEL e as instituições EIB e NIB, que o financiamento se destinava a viabilizar todo o "Projeto Veracel". Os recursos a serem disponibilizados pelo BNDES segundo o referido contrato apresentavam a seguinte composição: RUBRICA VALOR EM REAIS ORIGEM Subcrédito A R$ 573.317.000,00 Recursos captados pelo BNDES em moeda estrangeira Subcrédito B R$ 679.118.000,00 Recursos ordindários do BNDES que são compsotos, dentre outras fontes, pelos recursos do Fundo e Amparo ao TrabalhadorFAT, pelos recursos originários do FAT – Depósitos Especiais e do Fundo de Participação PIS/PASEP Subcrédito C R$ 1.265.898.000,00 Recursos ordinários do BNDES que são compsotos dentre outras fontes, pelos ecursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, pelo recursos originários do FAT – Depósitos Especiais e do Fundo de Participação PIS/PASEP. Subcrédito D R$ 53.959.000,00 Recursos ordinários do BNDES que são compsotos dentre outras fontes, pelos ecursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, pelo recursos originários do FAT – Depósitos Especiais e do Fundo de Participação PIS/PASEP Subcrédito E R$ 18.900.000,00 Recursos ordinários do BNDES que são compsotos dentre outras fontes, pelos ecursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, pelo recursos originários do FAT – Depósitos Especiais e do Fundo de Participação PIS/PASEP Constatouse, pois, que o Projeto Veracel havia sido financiado com parcela volumosa e proporcionalmente expressiva (Subcréditos B a E) de recursos que não se enquadravam nas Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 condições estabelecidas no dispositivo legal que assegura o regime aduaneiro especial de que se trata. Com o objetivo de averiguar, no que se refere à operação específica de fornecimento realizada pela VOITH PAPER, se teriam sido cumpridos os requisitos legais pertinentes à origem dos recursos, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal nº 124/2008 (fls. 93 a 95). Instavase a VOITH PAPER a informar quais recursos teriam sido utilizados para pagamento, pela Veracel Celulose S/A, em retribuição ao fornecimento da "planta de secagem de celulose de eucalipto", esclarecendo sua origem e indicando as instituições financiadoras respectivas. Naquele documento, citamos expressamente as duas entidades antes mencionadas (EIB e NIB) além do BNDES, já que todas elas foram contratadas para o financiamento do referenciado "Projeto Veracel". Em resposta à intimação, a VOITH PAPER apresentou, em 22/01/2009, cópia de Declaração por ela obtida junto à VERACEL relativamente às fontes de recursos utilizadas para pagamento do fornecimento da máquina desaguadora cujas partes, peças e componentes foram importados com o benefício do drawback. Na referida declaração, datada de 07/01/2009, incorporada ao processo à fl. 97, a VERACEL informou que, contrariamente ao que foi indicado pela VOITH PAPER quando da habilitação para importar com o benefício do drawback, os recursos que foram utilizados "para fazer face aos pagamentos" na aquisição de uma "Planta de secagem" junto à VOITH PAPER MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA., tiveram como fonte `b Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, conforme Contrato n° 03.2.809.1.1, Subcrédito C, firmado em 26 de janeiro de 2004" (grifos nossos) A cópia do contrato de financiamento firmado entre VERACEL e o BNDES, anexada à sua declaração na resposta que nos foi remetida, traz a indicação do Subcrédito C registrando, conforme antes mencionado, que os recursos correspondentes ao referido Subcrédito são "recursos ordinários do BNDES, que são compostos, dentre outras fontes, pelos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT, pelos recursos originários do FAT Depósitos Especiais e do Fundo de Participação PIS/PASEP ". Com essa indicação, ficou demonstrado de plano que o cumprimento de uma das condições assumidas pelo beneficiário, estabelecidas na obtenção do Ato Concessório, não ocorreu, já que os recursos utilizados não foram os provenientes das instituições European Investment Bank ou Nordic Investment Bank. Mas a irregularidade no cumprimento das condições estabelecidas não se resumiu à utilização de uma fonte de recursos que não corresponde à que fora indicada quando do pedido para obtenção do ato concessório, algo que poderia parecer mero formalismo, ignorando resultados práticos idênticos aos que seriam alcançados com o cumprimento integral do compromisso assumido. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 7 11 A irregularidade transcende o aspecto subjetivo (qualificação do entidade financiadora) para alcançar o aspecto material (fornecimento contra pagamento em moeda conversível com recursos captados no exterior), jogando por terra a contrapartida pretendida pelo Estado quando da concessão do benefício. Observado, pois, o aparente descumprimento das condições estabelecidas em lei, que exige que os recursos utilizados para pagamento de máquinas e equipamentos a serem fabricados no país sejam provenientes do exterior em moeda conversível, e, em especial, com o propósito de trazer aos autos todos os elementos que pudessem ser considerados na aferição da efetiva ocorrência desse descumprimento, encaminhamos correspondência à Superintendência da Área de Insumos Básicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, conforme cópia do Ofício/GAB/IRF/ILH n° 020/2009 fls. 214 a 216). Nessa oportunidade, questionamos sobre a forma como se deu o cumprimento do contrato celebrado com aquela instituição, especificamente com relação ao Subcrédito C, bem como sobre o tipo de recurso correspondente ao referido crédito, notadamente sua origem, distinguindo entre nacional ou estrangeira. Em resposta, conforme Carta AIB/DEPACEL nº 10/2009 juntada às fls. 217 a 218, foinos confirmado que os recursos utilizados no pagamento da máquina cujas partes, peças e componentes foram importados sob o regime do drawback, eram provenientes "exclusivamente" do "Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), de origem nacional". (destaque nosso) Aquela Instituição ao mesmo tempo esclareceu, confirmando a informação anterior da VERACEL, que "a totalidade dos recursos disponibilizados no Subcrédito "C", no valor de R$ 130.556.178, 54 (cento e trinta milhões, quinhentos e cinqüenta e seis mil, cento e setenta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos), foram liberados para a aquisição, pela Veracel, da Planta de Secaaem e Embalaaem de Celulose. de fabricacão da Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda. (destaque nosso) Tal informação demonstra, a nosso ver de maneira cabal, que toda a comprovação de aplicação dos recursos obtidos com o financiamento perante o BNDES, no que se refere especificamente ao Subcrédito C, deuse com o fornecimento da Planta de Secagem e Embalagem de Celulose, de fabricação da VOITH PAPER. Embora de posse da informação da VERACEL e da confirmação do BNDES quanto à origem e aplicação dos recursos referentes ao Subcrédito C, recursos nacionais conforme exaustivamente esclarecido, encaminhamos nova correspondência à VERACEL, conforme Termo de Início de Diligência de 30/03/2009, juntado às fls. 219 a 223, solicitandolhe a confirmação quanto às informações obtidas. Em resposta, juntada aos autos às fls. 224 a 268, a VERACEL respondemos, textualmente, que "de fato, em decorrência do Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 contrato n° 03.2.809.1.1 firmado entre a Veracel e o BNDES, o montante total do Subcrédito C, no valor de R$ 126.898.000,00 (cento e vinte e seis milhões oitocentos e noventa e oito mil reais) foi utilizado exclusivamente no pacote contratado com a empresa Voith Paper, para construção da Plante de Secagem da Fábrica da Veracel." (destaque nosso) Esclareceu também a VERACEL que, à época da celebração do contrato com o BNDES, "a Voith Paper não conseguiu se enquadrar no projeto da Aracruz, pois seu índice de nacionalização não alcançou o mínimo exigido" motivo por que "adotouse um posicionamento mais conservador, não considerando a Voith Paper no cálculo." Acrescentou, ainda, que "os bancos internacionais EIB e NIB, diferentemente do BNDES, não destinam subcréditos específicos a determinados tipos de investimentos, nem mesmo, restringem a destinação dos recursos como, por exemplo, aquisição de equipamentos importados." Tais informações expõem o motivo porque os contratos celebrados com as referidas instituições, apresentados ao DECEX para a obtenção do Ato Concessório, não referenciam expressamente o fornecimento empreendido pela VOITH PAPER; nem mesmo o Subprojeto de que fez parte. Demonstrado se encontra, pois, que os recursos do E1B e do NIB não se destinavam a financiar o fornecimento da máquina desaguadora cujas partes e peças foram importadas pelo contribuinte sob o regime do drawback. Voltamos a salientar que todos os contratos de financiamento celebrados (EIB, NIB e BNDES) indicam como destinação do financiamento, de maneira aberta, o "Projeto Veracel", o que demonstra que a VOITH PAPER conhecia, à época em que contratou com a VERACEL o fornecimento da "máquina desaguadora", as características dos financiamentos que utilizou como referência para obtenção do Ato concessório. 8.2. DA MANIFESTAÇÃO DA VOITH PAPER Já confirmado e devidamente caracterizado o descumprimento das condições estabelecidas em lei, mas de forma a não passar ao largo de quaisquer circunstâncias que pudessem influenciar ou modificar essa constatação, oportunizando à VOITH PAPER uma manifestação prévia sobre a irregularidade apurada, optamos por dirigirlhe o Termo de Intimação Fiscal n° 058/2009 (fls. 337 a 341 ), reportando todas as constatações e instandoa a apresentar os esclarecimentos que julgasse pertinentes e oportunos. Essa parte do mencionado Termo corresponde ao seu item 1. Ao mesmo tempo, no item 2 daquele documento, narramos aparentes contradições ou incongruências em relação às informações obtidas no curso do fiscalização a respeito do "valor total do fornecimento da 'planta de secagem de eucalipto', com a utilização do benefício fiscal". Ainda, de forma a exaurir as pendências identificadas no curso da ação fiscal, no item 3 do Termo em referência, solicitamos esclarecimento sobre Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 8 13 dissonâncias entre informações relativas ao compromisso de importação. Em resposta, a VOITH PAPER nos encaminhou correspondência datada de 06/07/2009, colacionada às fls. 344 a 385, com a qual tecia considerações a respeito de cada um dos itens apontados no referido Termo de Intimação. Não tendo sido identificadas impropriedades outras nas informações prestadas pela VOITH PAPER relativamente aos itens 2 e 3 do termo sobredito, voltamos nossa análise para o seu item 1, qual seja, o da origem dos recursos utilizados para pagamento da "planta de secagem". As considerações apresentadas pela Autuada podem ser assim sintetizadas: 1. que o BNDES não consta efetivamente como uma das entidades financiadoras da operação sob comento; 2. que os montantes já contratados entre a Veracel Celulose S.A. e as instituições referenciadas (EIB e NIB) no processo de obtenção do Ato Concessório eram suficientes para atender à exigência legal do drawback, superando o valor previsto de fornecimento à licitante; 3. que o financiamento negociado com o BNDES, à época do formalização do pedido de reconhecimento do direito à importação com drawback, ainda não havia sido contratado; 4. que o valor do Subcrédito C é inferior ao valor de fornecimento, estando fora dos parâmetros fixados pelas normas legais atinentes ao benefício de que se tratava; 5. que, diante do fato de que os recursos relativos ao Subcrédito C (R$ 130.556.178,54) não atingem a totalidade do montante efetivo dos fornecimentos (R$ 272.545.114,52), "podese afirmar com elevado grau de certeza, que os recursos dos financiamentos concedidos pelo EIB ... e NIB... foram alocados pela Veracel no pagamento da `planta de secagem e de embalagem de celulose", 6. que o valor total dos fornecimentos cujas partes, peças e componentes foram importados sob o regime do drawback (R$ 272.545.114,52) "representa apenas 18,77% do valor do financiamento" concedido pelo BNDES à Veracel Celulose S.A (R$ 7.452.192.000,00); 7. que, na hipótese de algum valor do Subcrédito "C" ter sido liberado pelo BNDES para a Veracel viabilizar pagamentos de fornecimentos realizados, a Autuada não dispõe de quaisquer meios e condições para saber, e muito menos controlar, a origem dos recursos recebidos em pagamento de seus fornecimentos, e 8. que os mesmos argumentos valem em relação aos recursos do EIB e NIB, tendo, entretanto, a consciência do dever cumprido no atendimento a todos os princípios legais. Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 Quanto aos argumentos apresentados pela VOITH PAPER, considerados individualmente, cumprenos tecer algumas considerações, de forma a evidenciar sua impertinência. 8.2.1. Primeiro Argumento DA AUSÊNCIA DO BNDES NA HABILITAÇÃO PERANTE A SECEX O primeiro argumento, de que o BNDES não consta efetivamente como uma das entidades financiadoras da operação sob comento, corresponde basicamente à confirmação do que já consta na documentação apresentada à SECEX para obtenção do Ato Concessório, ou seja, foi declarado àquela instituição que o fornecimento da máquina se daria com recursos do European Investment Bank e do Nordic Investiment Bank, não do Banco Nacional de Desenvolvimento Econõmico e Social BNDES. 8.2.2. Segundo Argumento DA SUFICIÊNCIA DOS FINANCIAMENTOS DO EIB E NIB Inferese do segundo argumento apresentado pela VOITH PAPER o seu entendimento no sentido de que, sendo os montantes contratados junto às duas instituições financeiras, por ela indicadas à SECEX, suficientes para cobrir a operação de fornecimento a que corresponderia o drawback, tornarseia despiciendo apontar o BNDES. Esse argumento não poderia ser mais equivocado. Raciocinar da forma proposta representaria concluir que, não importa como se da o pagamento do fornecimento (se com moeda nacional ou estrangeira, conversível ou não), bastando que a documentação apresentada na fase de obtenção do Ato Concessório demonstrasse que os requisitos legais seriam cumpridos. Não importava cumprir, bastava apresentar documentos que fizessem parecer que haveria o cumprimento . Não nos parece haver dúvida de que, se o DECEX tivesse conhecimento, à época do requerimento de concessão do benefício fiscal, de que os recursos utilizados para pagamento da máquina cujas partes e peças seriam importadas sob o regime do drawback seriam aqueles do Subcrédito C (recursos nacionais), o pedido seria sumariamente indeferido por não cumprimento dos requisitos legais. 8.2.3. Terceiro Argumento DA DATA DE CELEBRAÇÃO DO CONTRATO COM O BNDES O terceiro argumento, da mesma forma que o primeiro, corresponde à confirmação de informação que consta na documentação colacionada aos autos, ou seja, que o contrato do financiamento entre o BNDES e a VERACEL ainda não havia sido celebrado à época da análise e concessão do regime aduaneiro especial pelo DECEX. Enquanto o contrato com o BNDES foi celebrado em 26/01/2004, o pedido de reconhecimento foi formalizado em 23/12/2003, tendo sido autorizada a liberação do Ato Concessório perante o módulo Drawback Eletrônico do SISCOMEX em 23/01/2004, mediante o Informe Técnico DECEX/CGME 2004/0031, aprovado por despacho exarado em 06/02/2004. O Ato Concessório Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 9 15 correspondente, de no 20030188423, consta como expedido perante o sobrecitado sistema em 20/02/2004. 8.2.4. Quarto Argumento DA NATUREZA DOS RECURSOS DO SUBCRÉDITO O quarto argumento corresponde ao reconhecimento da VOITH PAPER de que o valor do Subcrédito C do contrato de financiamento celebrado entre o BNDES e a VERACEL está fora dos parâmetros fixados pelas normas legais atinentes ao Drawback para Fornecimento no Mercado Interno, além de perfazer um montante inferior ao valor total do fornecimento, algo irrelevante conforme adiante se demonstra. Nas ponderações até aqui expendidas, encontrase sobejamente demonstrado que os recursos do referido Subcrédito são de origem nacional, o que, além de ir de encontro às disposições do art. 5° da lei no 8.032, de 1990, afasta a possibilidade de viabilizar, para o Estado, o ganho cambial na operação. 8.2.5. Quinto Argumento DA NECESSIDADE DE FINANCIAMENTO DO TOTAL DO FORNECIMENTO E DA DEMONSTRAÇÃO DE QUE HOUVE PERDA CAMBIAL EFETIVA O quinto argumento expressa a opinião da VOITH PAPER no sentido de que, por terem os recursos relativos ao Subcrédito C sido inferiores à totalidade do montante efetivo dos fornecimentos, e diante da possibilidade (no seu entender "elevado grau de certeza") de que os recursos dos financiamentos concedidos pelas instituições financeiras internacionais mencionadas tenham sido utilizados para esse pagamento, regular estaria toda a operação. Também não poderia ser mais equivocado esse entendimento. A uma, porque a legislação que trata de benefícios fiscais não comporta a probabilidade, senão a necessidade de demonstração do cumprimento das condições estabelecidas como contrapartida para a concessão respectiva. Não se poderia falarem "pode" ou "deve" ter acontecido. Lembremonos que o drawback suspensão possui uma natureza jurídica de isenção sob condição resolutiva, na qual se suspende o pagamento, ou melhor, o prazo de pagamento dos tributos até o cumprimento da condição pactuada. Em se tratando de isenção de caráter especial, deferida a cada caso, indiscutivelmente há que se aplicar a regra do art. 179, caput, do Código Tributário Nacional, que estatui: `Art. 179 A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão ". (grifos nossos) O comando contido no dispositivo supratranscrito impõe à beneficiária o ônus de provar, ou seja, de demonstrar ao Fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que possa usufruir dos incentivos previstos no regime de drawback. Caso não o faça, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos aduaneiros. Nesse sentido, doutrina Souto Maior Borges: "...A isenção sob condição suspensiva não se objetiva antes do cumprimento da condição e portanto existe obrigação tributária até que se realize a condição exigida para o gozo da isenção. Contrariamente, a isenção concedida sob condição resolutiva existe até o implemento da condição e, pois, inexiste obrigação tributária antes da realização da condição. Se a isenção é dada sob condição resolutiva, cessada essa condição para sua outorga, não se há de considerar como revogada a lei de isenção, mas simplesmente que a pessoa ou fato isento passou do campo da nãoincidência para o da incidência." Na mesma toada, o autor cita Walter Barbosa Corrêa, que se manifesta nos seguintes termos: "Se, por hipótese, a isenção foi concedida tendo em vista certa ou determinada condição do sujeito passivo ou dos fatos, atos ou acontecimentos, e essas condições modificaramse, deixando de ser atendido ao disposto na lei de isenção (p. ex., a isenção é dada enquanto a empresa estiver montando a indústria e durante o exercício orçamentário a montagem completase) não há de se considerar revogada a isenção, mas sim, que ocorreu a passagem do sujeito passivo do campo da isenção para o da incidência." (grifos nossos) A duas, porque apenas na hipótese em que todo o fornecimento tenha sido efetuado contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento, poderseá falar no ganho cambial pretendido pela União com o ingresso de divisas em moeda conversível. Não se trata de "qualquer" ganho cambial, mas de ganho correspondente à diferença entre o total do financiamento e o valor das importações. Esse direito do Estado (ganho cambial com o ingresso de divisas tendo por referência o total do financiamento), a ser viabilizado pela importadora em contrapartida ao benefício fiscal concedido, não admite compartimentação, com cumprimento parcial. O art. 5º da lei 8.032, de 1990, deixa clara essa exigência, ao estabelecer que as "máquinas e equipamentos" serão "fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento". (destacado na transcrição) Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 10 17 Mas se dúvidas tivesse havido um dia quanto à exigência de cobertura de todo o fornecimento pelo financiamento, algo que se admite aqui apenas por força de argumentação, cumprenos trazer à colação o parágrafo único do artigo 1º do Decreto n° 6.702, de 18/12/2008, ato expedido no uso do poder regulamentar atribuído pelo artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal, ao Chefe do Poder Executivo. Esse ato, como é de mediano conhecimento, não inova no ordenamento positivo já que a legislação a esse respeito continua a mesma, apenas ratifica e explicita o que já constava no texto original da lei, supratranscrito, senão vejamos: `Art. 1º. A importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, sob amparo do regime aduaneiro especial de que trata o art. 5º da Lei no 8.032, de 12 de abril de 1990, será necessariamente precedida de licitação internacional, conforme as disposições deste Decreto. Parágrafo único. O fornecimento de que trata o caput, decorrente de licitação internacional, é aquele realizado integralmente contra pagamento com recursos oriundos de moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior." (destaque nosso) E para que não se alegue, em instâncias superiores ou mesmo perante o Poder Judiciário, que o referido dispositivo representa apenas uma exegese possível do texto da lei, praticada pelo próprio ente tributante, colhese o reconhecimento dessa circunstância por decisão do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do MS 11.084/DF Mandado de Segurança 2005/01769829, do qual foi relator o Ministro José Delgado, nos seguintes termos: `ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK. ANULAÇÃO PELA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE APONTADA DECADÊNCIA DO DIREITO DA ADMINISTRAÇÃO. CONJUNTO DE ELEMENTOS DE FATO E DE DIREITO QUE AFASTAM A ALEGADA CERTEZA E LIQÜIDEZ DO DIREITO. DENEGAÇÃO DA ORDEM. .... c) É inafastável o juízo de que diversas ilegalidades, tais como o fato de a empresa promotora da licitação ser também beneficiária do drawback, ou, ainda, a ausência de financiamento internacional sobre a totalidade do fornecimento de máquinas e equipamentos, tal como exigido nela art. 5º da Lei 8.032/90 que, realmente, assim dispõe: ... Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 3. Segurança denegada. (Órgão julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento 11/10/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 13/77/2006 p. 205) [destaque nosso] Do seu voto, colhese de maneira mais explícita a interpretação do ilustre Ministro a respeito da clareza solar do referido dispositivo legal, quanto à exigência de financiamento do fornecimento total, quando acolhe a argumentação que lhe foi apresentada nos seguintes termos: "90. Com relação à inexistência de previsão legal da necessidade de financiamento internacional sobre o valor da totalidade do fornecimento de máquinas e equipamentos, é indubitável que o art. 5° da Lei n° 8.032/90 determina o financiamento sobre a totalidade, pois só poderia haver outra interpretação se a norma dispusesse de modo contrário, o que não aconteceu. Seria de certa forma desarrazoado outro entendimento, pois ensejaria uma discricionariedade do Administrador de fixar o quantum do financiamento para cada solicitante do beneficio, o que vai de encontro ao espírito da lei. Se o dispositivo estatui a obrigatoriedade de financiamento proveniente de recursos estrangeiros, é de uma clareza meridiana que se refere à totalidade do fornecimento." E, no caso da autuação que ora se realiza, chega a ser ainda mais extremada a patente inobservância dos requisitos legais afetos ao drawback. O fato é que, não houve qualquer ganho cambial com a operação realizada; tendo havido, na mão contrária, perda expressiva. Essa conclusão se descortina quando se constata que, dos recursos que foram utilizados para pagamento da máquina desaguadora fornecida pela VOITH PAPER, apenas uma pequena parcela poderia efetivamente ter sido proveniente dos financiamentos informados no pedido de reconhecimento do benefício junto ao DECEX. Adiante se demonstra, de maneira evidente, essa circunstância. E essa pequena parcela de possíveis recursos que cumprissem os requisitos estabelecidos na lei que assegura o benefício do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno é incapaz de produzir qualquer ganho cambial quando comparada às importações . Ou seja, mesmo que se admitisse, ab absurdo, que qualquer ganho cambial serviria para justificar o benefício, servindo como a contrapartida desejada pelo Estado, cabe obtemperar que, no caso sob comento, não houve ganho cambial algum. Essa afirmação pode ser feita com a demonstração numérica correspondente, partindo de informações e documentos trazidos aos autos pela própria VOITH PAPER e pela VERACEL. Senão vejamos: Total do fornecimento R$ 272.545.114,52 Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 11 19 () Valor pago com recursos do Subcrédito C R$ 130.556.178,54 Diferença R$ 141.988.935,98 Segundo alega a VOITH PAPER, essa diferença poderia ter sido paga com recursos do NIB e/ou EIB. Entretanto, dos recursos utilizados pela VERACEL para pagamento à VOITH PAPER pelo fornecimento do Máquina Desaguadora, vários deles foram disponibilizados quando ainda não havia sequer contrato celebrado entre a VERACEL e qualquer das três instituições até aqui mencionadas como financiadoras do Projeto Veracel. Ora, não havendo ainda sequer o contrato entre a VERACEL e as financiadoras, afastase a possibilidade de que os recursos provenham dos financiamentos correspondentes. Assim, parte do Projeto Veracel foi custeada por recursos próprios, ao que tudo indica, da VERACEL; recursos que, por não serem provenientes de financiamento internacional específico para a máquina desaguadora (sequer para a Planta de Secagem ou, ainda, para o Projeto Veracel) não se enquadram nas condições estabelecidas para fruição do benefício do drawback. Convém apontar, nesse contexto, a data de celebração de cada contrato de financiamento antes mencionado: Instituição Data assinatura do contrato Nordica Investment Bank 17/12/2003 European Investment Bank 19/12/2003 Banco Nacional de Desenvolvimento Econômio e SocialBNDES 26/01/2004 Portanto, até a primeira data supramencionada, não há como se atribuir aos financiamentos contratados com as instituições mencionadas, a origem para os desembolsos realizados pela VERACEL à VOITH PAPER, isso para sermos, o quanto possível, mais complacentes na linha de argumentação ora desenvolvida, já que a data correta a ser considerada deve ser a do primeiro desembolso de uma dessas instituições. Ainda seguindo o primeiro raciocínio, ou seja, considerando a data do 1° contrato de financiamento celebrado, considerese que os documentos apresentados no curso da fiscalização demonstram que parte expressiva dos pagamentos realizados pela VERACEL à VOITH PAPER ocorreu antes da referida data (17/12/2003 – 1º contrato), conforme relação abaixo: Data Documentos comprobatórios Valor em R$ 30/09/2003 Livro razão da Veracel em documento de transferência eeletrônica de recursosTED R$ 27.361.086.10 01/12/2003 Livro razão nda Veracel e em Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 20 documento de transferência eletrônica de recursosTED R$ 77.543,40 09/12/2003 Livro razão nda Veracel e em documento de transferência eletrônica de recursosTED R$ 5.342.260,24 12/12/2003 Livro razão nda Veracel e em documento de transferência eletrônica de recursosTED R$ 50.093.793,92 Total R$ 82.874.683,66 Podese inferir com certeza (não "alguma certeza") que não são recursos provenientes dos financiamentos de que ora se trata. Diante disso, podese afirmar com convicção plena que, do total do fornecimento, diminuído do valor originário do Subcrédito C (recursos nacionais) e ainda do valor total apurado, na planilha imediatamente acima, de pagamentos realizados antes da celebração de contratos de financiamento, apenas o saldo remanescente "poderia" ter sido pago com recursos que se enquadrassem na definição legal. Segue a demonstração completa: Total do fornecimento R$272.545.114,52 () valor pago com recursos do Subcrédito C R$130.556.178,54 ()Valores pagos antes da assiantura do 1º contrato de financiamento R$82.874.683,66 Diferença R$59.114.252,32 E, à vista desse quadro, ganha relevância a comparação do valor acima com as importações realizadas pela VOITH PAPER, que montaram, segundo informações por ela disponibilizadas, já confrontadas e confirmadas perante aquelas constantes nos sistemas informatizados da RFB (dados extraídos do SISCOMEXImportação, por intermédio do sistema DW Aduaneiro), US$ 38,391,031.62 (trinta e oito milhões, trezentos e noventa e um mil, trinta e um dólares, sessenta e dois cents). Tal valor, convertido à taxa média calculada e fornecida pela própria VOITH PAPER quando da apresentação da correspondência juntada às fls. 346, de R$ 2,7316, resulta em R$ 104.868.941,97. Essa quantia, quando comparada com a diferença apurada de maneira mais benéfica acima indicada, resulta na perda cambial em divisas abaixo demonstrada: Valor que poederia ter sido pago em moeda conversível Valor das importações Diferença (PERDA CAMBIAL) R$ 59.114.252,32 R$ 104.868.941,97 (R$ 45.754.689,65) Câmbio médio R$2,7316 US$ 21,640,888.97 US$ 38,391,031.62 (US $16,750,142.65) Dizse diferença apurada da maneira mais benéfica porque, a se computar os pagamentos realizados pela VERACEL à VOITH PAPER até a data do primeiro desembolso (recurso disponibilizado) por uma das instituições financeiras internacionais por ela indicadas perante o DECEX, ocorrido Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 12 21 somente em 15/04/2004, a conclusão de que houve perda cambial expressiva ganha cores mais fortes. Vejamos as datas em que a VERACEL recebeu os primeiros recursos das referidas instituições: Instituição Data do 1º desembolso Valor recebido European Investment Bank 15/04/2004 US$ 32,0000,000.00 Nordic Investment Bank 15/04/2004 US$ 28,000,000.00 Restanos relacionar os valores pagos pela VERACEL à VOITH PAPER antes do primeiro desembolso acima indicado, ou seja, antes de 15/04/2004. Senão vejamos: Total do fornecimento R$ 272.545.114,52 ()Valor pago com recursos do Subcrédito C R$ 130.556.178,54 ()Valores apgos antes do 1º desembolso dos financiamentos R$ 129.885.525,04 Diferença R$ 12.103.410,94 Assim, já se aplicando a taxa média informada pela VOITH PAPER, de R$ 2,7316, chegaríamos ao seguinte resultado cambial. Valor que poederia ter sido pago em moeda conversível Valor das importações Diferença (PERDA CAMBIAL) R$12.103.410,94 R$ 104.868.941,97 (R$ 92.765.531,03) Câmbio médio R$ 2,7316 US$4.430.887,00 US$ 38,391,031.62 (US$ 33.960.144,61) Demonstrado que, não só não houve ganho, mas houve perda cambial vultosa com a operação realizada entre a VERACEL e a VOITH PAPER, no que se refere à importação com o drawback, entendemos oportuno novamente trazer à baila, referências quanto à exigência da contrapartida no regime aduaneiro especial Drawback para fornecimento no mercado interno, sobre o que se manifesta com destacada proficiência Márcio Luiz Dutra de Souza (²), nos seguintes termos: "Como se pode observar, esta modalidade de drawback constitui exceção ao regime, na medida em que, pela regra geral, os produtos importados são transformados em novos produtos e posteriormente exportados. No entanto, só se inovou neste aspecto, pois o fluxo da operação continua a mesma, tendo em vista que a beneficiária do incentivo importa matériaprima, produtos intermediários e componentes e os industrializa transformando em máquinas e equipamentos a serem fornecidos Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 22 no mercado interno, ou seja, destinados às entidades promotoras das licitações internacionais, ao invés do mercado internacional. Esta modalidade de drawback permite a entrada de divisas ao País em moedas conversíveis, em virtude da exigência de pagamento em moeda conversível oriunda de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe ou ainda pelo Banco Nacional de Desenvolvimento. Econômico e Social (BNDES), com recursos captados no exterior." (grifo nosso) Perfilhando o mesmo entendimento, vale apresentar considerações expendidas por Ana Clarissa M. S. Araújo e Ângela Sartori(4) , que expressam de modo nítido os objetivos que as disposições legais acima pretendem atingir, senão vejamos: `Ao longo de toda a evolução dos incentivos fiscais em que se equiparou a venda interna à exportação, sempre se estabeleceu o requisito do pagamento da operação em moeda conversível, sendo essa modalidade de benefício fiscal um forte instrumento macroeconômico. O legislador criou a ficção jurídica de exportação para os casos de fornecimento no mercado interno, vislumbrando as enormes perspectivas econômicas que se abriam para o País mediante essa técnica. Entendemos que o fato do pagamento em divisas tem como escopo, em última instância, a manutenção de nosso balanço de pagamentos, e este, por sua vez, em rudimentar conceito, implica pouca saída e muita entrada, isto é, mais exportações que importações. Essa sub modalidade de drawback é apta a abranger esses dois aspectos, uma vez que não só possibilita a entrada de divisas pelo financiamento em moedas conversíveis, como também evita que saiam para o pagamento do bem encomendado velo vencedor da licitação internacional. Caso o empreendimento fosse desenvolvido por empresa estrangeira, além da mãodeobra nacional que deixaria de ser empregada, o bem de capital teria que ser pago com divisas, ressaltando que invariavelmente as quantias envolvidas nessas operações são gigantescas." Constatase, destarte, que cada um dos requisitos estabelecidos em lei para a fruição do benefício do drawback, em cada uma das suas modalidades e submodalidades, tem seu fundamento jurídico respaldado por objetivos econômicos que o Estado visa atingir, reforçando o caráter de extrafiscalidade dos tributos sobre o comércio exterior e, no contexto ora apresentado, do Regime Aduaneiro Especial de Drawback. 8.2.6. Sexto Argumento DA IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE RECURSOS VINCULADOS A OUTRAS PARTES DO "PROJETO VERACEL" Quanto ao sexto argumento apresentado, comparando o valor do fornecimento total da planta de secagem e enfardamento (R$ 272.545.1 14,52) com o valor total do financiamento obtido pela Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 13 23 VERACEL perante o BNDES (R$ 1.452.192.000,00), representando o primeiro 18,77% do segundo, não apresenta a VOITH PAPER elementos que permitam extrair, dessa comparação, ilações que guardem relação com os dispositivos legais que regem o Regime Aduaneiro Especial na modalidade e submodalidade sob comento. Vale novamente salientar que o financiamento total por ela mencionado está relacionado ao "Projeto Veracel", assim como mencionam os contratos celebrados com o European Investment Bank e Nordic Investment Bank, abrangendo, pois, diversas operações outras que não repercutem direta ou indiretamente na análise ora desenvolvida, já que não realizadas ao amparo do regime aduaneiro mencionado. As características do referido Projeto já foram anteriormente expostas. E antecipandonos à possível ilação de que eventual ganho com ingresso de divisas em relação às outras partes do projeto poderia suprir a necessária vinculação exigida para os recursos do fornecimento da máquina desaguadora, convém ponderar que essa inferência representaria assumir que a relação financiamento X Projeto VERACEL não encontra limites. A vinculação entre o fornecimento da VOITH PAPER e os recursos que foram destinadas especificamente para esse fornecimento representa uma exigência elementar do regime, sob pena, conforme dito, de não haver limites para essa aferição. Explicase: o fornecimento da máquina desaguadora fabricada pela VOITH PAPER compunha, com ao menos mais duas outras máquinas, o Subprojeto "Planta de Secagem e Enfardamento". Esse Subprojeto, por sua vez, compunha, juntamente com outros 11 subprojetos, o "Projeto Veracel", conforme demonstram os documentos inseridos às fls. 24 e 25 do ANEXO IV do processo de autuação. A VERACEL mantinha ainda, além do Projeto Veracel, outros projetos com financiamentos internacionais. Imaginar que os recursos utilizados nos fornecimentos das demais máquinas do Subprojeto de que participou a VOITH PAPER (fornecimentos realizados por outras pessoas jurídicas) pudessem ser "aproveitados" na aferição da utilização de moeda conversível e de captação no exterior, imporia questionar por que não considerar, também, os recursos dos demais subprojetos do Projeto Veracel. Mais ainda, não haveria limitação para não estender esse raciocínio a recursos de outros projetos que a VERACEL empreendeu; ou para projetos que as demais sociedades empresárias que participaram do Projeto Veracel tenham participado com outras licitantes, numa cadeia sem fim. Considerese ainda, que de todo o "Projeto Veracel" somente a VOITH PAPER fez uso do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno, conforme ponderação apresentada pela própria VERACEL mediante documento juntado às fls. 30 a 32, sendo esta constatação relevante para a análise dos argumentos sétimo e oitavo. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 24 8.2.7. Sétimo e Oitavo Argumentos DOS LIMITES DE ATUAÇÃO DA VOITH PAPER E DA SUJEIÇÃO PASSIVA Nos argumentos sétimo e oitavo, a VOITH PAPER alega que não dispunha de quaisquer meios e condições para saber ou controlar a origem dos recursos recebidos em pagamento de seus fornecimentos, tanto os provenientes do BNDES (Sub créditos A a E) quanto os provenientes do European Investment Bank e do Nordic Investment Bank. Reconhecendo haver algum sentido nas alegações da VOITH PAPER, cabenos obtemperar que partindo dessa afirmação não se pode chegar à conclusão por ela pretendida, qual seja, de que ela não deva responder pelos tributos devidos na importação na hipótese (como é o caso dos autos) de descumprimento da condição relacionada à origem dos recursos. Se assim fosse, a exigência de cumprimento da referida condição restaria patentemente inócua. E não se pode dizer que a VOITH PAPER desconhecesse essa circunstância característica do drawback, ou que ignorasse os seus limites de atuação na operação contratada junto à VERACEL. Prova plena e insofismável dessa afirmação é que, à época em que celebrou junto à VERACEL o contrato de fornecimento da Planta de Secagem e Enfardamento, após lhe ter sido adjudicado o objeto da licitação, fez constar no referido instrumento, em seu "Anexo 12 Preços, Tributação e Faturamento", no item "3. Tributação", "Página 4", juntado ao processo por meio das fls. 323 a 325 do ANEXO IV, o direito de regresso na hipótese em que, por razões atribuíveis à VERACEL, não fossem cumpridas as condições estabelecidas para fruição do benefício correspondente ao drawback. Segue transcrição literal do trecho correspondente: "No que tange ao "Draw Back Especial "(`Restituição dos Impostos Incidentes sobre a Exportação'), o PROPRIETÁRIO será responsável pela entrega ao FORNECEDOR da documentação internacional de oferta e financiamento, para cumpriras exigências da lei brasileira n°. 8032 e a lei n°. 10.184, de 12 de dezembro de 2001, Art. 51. Os custos adicionais decorrentes de toda e qualquer falha pelo PROPRIETÁRIO na entrega da documentação exigida como acima dito, que resultar na nãoaprovação do DrawBack Especial, serão arcados pelo PROPRIETÁRIO . (...) Quaisquer mudanças originadas em alterações de leis, inclusive no cancelamento da lei ou desta condição mencionada de draw back não ser aplicável devido a razões atribuíveis ao PROPRIETÁRIO, resultarão nos respectivos ajustes dos impostos e das taxas de importação indicadas, e o custos adicionais serão arcados pelo PROPRIETÁRIO." (destaques nossos) Malgrado existam impropriedades terminológicas identificadas nas disposições transcritas, relevadas em função da indicação correta dos diplomas legais que regem a submodalidade de Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 14 25 drawback de que ora se trata, constatase a plena ciência da VO1TH PAPER quanto a possíveis inconsistências nos procedimentos adotados pela VERACEL que pudessem resultar na perda do benefício. Conhecedora dessa possibilidade de descumprimento, cuidou de prevenirse quanto aos ônus correspondentes. Merece destaque o fato de que esse acordo, ou combinação, entre as partes contratantes quanto a arcar com os ônus fiscais decorrentes do não cumprimento das condições do benefício, não tem o condão de modificar a sujeição passiva tributária relativa aos tributos incidentes na Importação. A sujeição passiva encontrase expressamente atribuída à VOITH PAPER nos dispositivos legais pertinentes ao Imposto de Importação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, inciso I, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1º); ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação (Lei no 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea "b"); à Contribuição para o PIS/PASEP sobre a Importação e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social sobre a Importação (Lei no 10.865, de 2004, art. 51, caput, inciso 1). Tal conclusão encontra supedâneo normativo expresso nas disposições do Código Tributário Nacional, art. 123, abaixo transcrito: `Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." À VOITH PAPER, se assim entender, caberá acionar a VERACEL para que esta responda pelos seus atos. 9. DO VALOR ADUANEIRO E DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS IMPORTADAS AO AMPARO DO REGIME ESPECIAL E DA AUDITORIA DE PRODUÇÃO Não foi examinado o valor aduaneiro das importações objeto deste procedimento fiscal. Foram aceitos os valores e classificações fiscais declarados pela VOITH PAPER. Com relação à auditoria, esta se estendeu apenas sobre os aspectos legal, regulamentar e formal das importações cursadas ao amparo do regime de drawback. Não foi feita nenhuma auditoria de produção relacionada com o Ato Concessório objeto da presente fiscalização. Adotouse, para tanto, o PRINCÍPIO DE PRESUNÇÃO DA SINCERIDADE, sendo que, a qualquer momento, a critério da Secretaria da Receita Federal do Brasil, poderão ser efetuadas verificações no sentido de comprovar as declarações prestadas pelo contribuinte. Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 26 10. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO O lançamento é ato vinculado e obrigatório, em virtude do comando legal consubstanciado no artigo 142 da Lei no 5.172/66 (Código Tributário Nacional), que transcrevemos: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." 10.1. DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO O imposto de importação tem como fato gerador a entrada de produtos estrangeiros no território nacional, conforme artigo 19 da Lei no 5.172, de 1966. o Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional. Quanto à base de cálculo do Imposto de Importação, aplicase o inciso II do artigo 20 do CTN, combinado com o artigo 20 do DecretoLei nº 37, de 1966 (com a redação dada pelo Decreto Lei nº. 2.472, de 01/09/1988). Este estabelece em seu artigo 211 que é "o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 70 do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT". O Acordo sobre a implementação do artigo 70 do GATT foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15/12/1994 e promulgado pelo Decreto do Executivo no 1.355, de 30/12/1994. O contribuinte, no caso, é o importador, conforme definido pelo artigo 22 do CTN, verbis: "Art. 22. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar;" O demonstrativo de cálculo e de, eventuais recolhimentos do Imposto de Importação, à época do registro das Declarações de Importação desembaraçadas com amparo no benefício fiscal , constituise no Anexo 1 a este Termo de Verificação Fiscal e foi incorporado ao processo de constituição e exigência do crédito tributário, às fls. 443 a 475. 10.2. DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) VINCULADO À IMPORTAÇÃO O imposto sobre produtos industrializados tem como fato gerador, no vertente caso, o desembaraço aduaneiro dos Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 15 27 produtos industrializados de procedência estrangeira, nos termos do artigo 46 do CTN: "Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; " A base de cálculo do IPI aplicável ao caso, por sua vez, consta do inciso 1 do artigo 46 do CTN, e do inciso I, alínea "b", do artigo 14 da Lei no 4.502, de 1964. O artigo 131 do Decreto n° 4.544, de 16/12/2002, o RIPI/2002, assim a define: "Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; " O artigo 51 do CTN cuida de definir o contribuinte: "Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar;" Os Anexos I e III ao Termo de Verificação Fiscal retratam, com o detalhamento necessário, as bases de cálculo, as alíquotas, e, eventuais recolhimentos de IPIvinculado à importação ao tempo de registro das Dl desembaraçadas ao amparo do drawback para fornecimento no mercado interno. 10.3. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E PARA OS PROGRAMAS DE INTEGRAÇÃO E DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO (PIS/PASEP), VINCULADAS À IMPORTAÇÃO As contribuições sociais incidentes nas importações COFINS e PIS/PASEP têm como fato gerador a entrada de bens estrangeiros no território nacional. Assim dispõe o artigo 3° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, verbis: "Art. 3º. O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; " No que respeita à base de cálculo das contribuições , o artigo 7º do mesmo diploma legal prescreve in litteris: "Art. 7º A base de cálculo será: Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 28 I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei;" E, por fim, o artigo 5º, I da lei acima mencionada, encarregase de definir o contribuinte como: "Art. 5º. São contribuintes: I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; " Oportuno mencionar que os cálculos para apuração dos valores das contribuições em comento a recolher foram feitos com o auxílio das planilhas eletrônicas desenvolvidas e aprovadas, a depender dos períodos de apuração, pelo Anexo único da Norma de Execução COANA n° 6, de 13/08/2004, ou pelo Anexo único da Norma de Execução COANA n° 2, de 23/06/2005. Ademais, tais cálculos, bem assim eventuais recolhimentos efetuados por ocasião dos registros das DIs encontramse, sobeja e pormenorizadamente, demonstrados pelos Anexos I, III e IV a este relatório fiscal fls. 443 a 475, 480 a 490, 491 o 498). 10.4. DO CÁLCULO DOS TRIBUTOS E ACRÉSCIMOS LEGAIS Para cálculo dos tributos devidos, utilizouse: • O valor aduaneiro conforme declarado pelo contribuinte nas respectivas declarações de importação (Dl's); • As alíquotas aplicáveis do Imposto de Importação; do IPI vinculado às importações e da COFINS e do PIS/PASEP vinculados às importações, vigentes ao tempo da ocorrência dos fatos geradores. Quanto aos acréscimos legais (multas e juros moratórios), em decorrência da falta de pagamento dos impostos e contribuições devidos (II, IPIvinc., PIS/PASEPImp e COFINSImp), incidem: (1) a multa de ofício no percentual de 75% dos tributos devidos, nos termos do artigo 44, inciso I, e artigo 45 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; e (2) juros moratórios sobre os débitos, calculados na forma do parágrafo 3º do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. 11. DAS CONCLUSÕES Por todo o exposto, à vista de toda a documentação, informações e correspondências trocadas com a VERACEL (licitante), com a VOITH PAPER (beneficiário do regime especial), com os demais órgãos intervenientes no processo, e, de tudo o mais que dos autos consta, convém que sejam sucintamente apresentadas as conclusões pertinentes: 1. Todos os contratos de financiamento apresentados pela VOITH PAPER e pela VERACEL, referenciam genericamente o Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 16 29 "Projeto Veracel", não especificando que estaria sendo financiado o fornecimento da Máquina Desaguadora de Celulose (parte úmida e parte seca) que a VOITH PAPER foi contratada para entregar e cujas partes, peças e componentes foram importados sob o benefício do Regime Aduaneiro Especial do Drawback, 2. Restou sobejamente demonstrado que a VERACEL utilizou recursos nacionais, correspondentes ao Subcrédito C do financiamento contratado entre ela e o BNDES para pagamento da VOITH PAPER, relativamente ao fornecimento da Máquina Desaguadora, no montante de RS 730.556.778,54 (cento e trinta milhões, quinhentos e cinqüenta e seis mil, cento e setenta e oito reais, cinqüenta e quatro centavos); 3. O fato de ter utilizado recursos nacionais para pagamento do fornecimento da máquina fabricada com componentes importados sob drawback implica o descumprimento das condições estabelecidas na legislação, que dispõe, de forma expressa, sobre a exigência de pagamento integral do fornecimento com recursos captados no exterior em moeda conversível; 4. Ainda que não fosse exigido o pagamento integral do fornecimento nas condições estabelecidas no dispositivo legal, entendendose erroneamente que bastaria que houvesse "qualquer ganho cambial", mínimo que fosse, na operação, restou comprovado que a VERACEL realizou pagamentos à VOITH PAPER antes de receber qualquer desembolso das instituições financeiras internacionais European Investment Bank e Nordic Investment Bank. Tais pagamentos, com recursos próprios, no montante de RS 129.885.525,04 (cento e vinte e nove milhões, oitocentos e oitenta e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais, quatro centavos) não se enquadram nos requisitos legais para comprovação do cumprimento das condições estabelecidas em lei e, somados aos recursos do Subcrédito C do BNDES, acima mencionado, mostram que a operação contratada, da qual fez parte a importação sob o regime especial, resultou em perda cambial de R$ 92.765.531,03, algo em torno de US$ 33,960,144.61, se utilizado o câmbio médio informado pela própria importadora (R$ 2,73165; 5. Ainda que, flexibilizandose, absurdamente, a constatação exposta no item anterior, se adotasse como referência a data de celebração do primeiro contrato de financiamento do Projeto Veracel, dentre os celebrados com o BNDES, o European Investment Bank e Nordic Investment Bank (17/12/2003), já que anteriormente a essa data não haveria que se falar sequer em financiamento, comprovouse que a VERACEL realizou pagamentos com recursos próprios antes da referida data no montante de R$ 59.114.252,32 (cinqüenta e nove milhões, cento e quatorze mil, duzentos e cinqüenta e dois reais, trinta e dois centavos).” Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 30 Por seu turno a r. decisão recorrida fls. 1293/1318 da 7ª Turma da DRJ de Fortaleza CE, houve por bem “manter integralmente o crédito tributário” consubstanciado nos Autos de Infração retro mencionados, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/02/2004 a 09/12/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao regime drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. O terno inicial para contagem do referido prazo corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 20/02/2004 a 09/12/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de benefício, e a verificação, a qualquer tempo, dentro do prazo decadencial, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 20/02/2004 a 09/12/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. DESCARACTERIZAÇÃO DO INCENTIVO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. E cabível a exigência ex officio dos tributos incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, quando descaracterizado o incentivo em razão de o pagamento do fornecimento não haver sido efetuado em moeda conversível, proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 17 31 Em 08/10/10 a ora Recorrente juntou Parecer Técnico (fls. 1320/1342), cujas conclusões são as seguintes: “De acordo com os trabalhos realizados e documentos ofertados e juntados no presente parecer pela Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda., finalizamos nossa análise para concluir como segue: i. O valor pago à Voith, pela Veracel, durante o período de set/03 a dez/06, perfaz o montante de R$ 305.157.078,86 (trezentos e cinco milhões, cento e cinqüenta e sete mil, setenta e oito reais e oitenta e seis centavos); ii. O valor faturado contra a Veracel, durante o período de set/03 a jul/05, perfaz o montante de R$ 272.584.218,35 (duzentos e setenta e dois milhões quinhentos e oitenta e quatro mil duzentos e dezoito reais e trinta e cinco centavos); iii. O valor total dos contratos de câmbio liquidados em favor da Veracel para o financiamento do projeto com a Voith perfaz o montante de USD 150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de dólares dos Estados Unidos da América). iv. O valor total dos contratos de câmbio liquidados em favor da Veracel para o financiamento do projeto com a Voith perfaz o montante de R$ 428.725.081,60 (quatrocentos e vinte e oito milhões setecentos e vinte e cinco mil oitocentos e oitenta e um reais e sessenta centavos); v. Confrontado os valores em unidade monetária nacional ficou comprovado que o financiamento externo era suficiente para assegurar o regime de Drawback, superando em mais de 55% (cinqüenta e cinco por cento) o valor necessário, não havendo necessidade, portanto, de qualquer crédito suplementar para execução do projeto, seja ele oriundo do mercado externo ou interno; vi. O valor faturado à Veracel correspondente ao montante de R$ 272.584.218,35 (duzentos e setenta e dois milhões quinhentos e oitenta e quatro mil duzentos e dezoito reais e trinta e cinco centavos) está dentro do limite fixado pelo Ato Concessório de Drawback (R$ 276.168.067,33); vii. Os recursos obtidos junto ao BNDES pela Veracel não foram necessários para o pagamento do projeto de construção da "Planta de Secagem", uma vez que os financiamentos internacionais garantiram o pagamento de 100% (cem por cento) do fornecimento da planta de secagem. viii. Os recursos do BNDES para a empresa Veracel foram concedidos e liberados após o pagamento integral do fornecimento da planta de secagem com os recursos dos financiamentos internacionais, como demonstrado no curso desse Parecer;” Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 32 Nas razões de Recurso de Voluntário (fls. 1436/1486) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta a insubsistência dos lançamentos e da r. decisão de 1ª instância que os manteve tendo em vista: a) preliminarmente reitera as preliminares de incompetência da RFB para o exame do inadimplemento das obrigações do Regime Drawback nos termos da legislação de regência, de decadência e extinção do direito de efetuar o lançamento nos termos dos arts. 150, § 4º e 156 do CTN e de suspensão e de apresentação posterior de provas. b) no mérito insiste que o conteúdo do Parecer e dos documentos juntados aos autos, comprovam a efetiva entrada de numerário estrangeiro por meio dos contratos de câmbio fechados e liquidados que foram utilizados em todo o programa de drawback em valores suportam o ato concessório e as importações via drawback eis que perfazem o montante de R$ 428.725.081,60, sendo certo que comparandose os valores, em unidade monetária nacional, ficaria comprovado que o financiamento externo foi suficiente para assegurar os pagamentos previstos no ato concessório e convalidar os incentivos concedidos no regime de Drawback, superando em mais de 55% o valor necessário daquele ajustado no Ato Concessório de Drawback n° 20030188423, equivalente à R$ 276.168.067,33; c) que a colocação das situações fáticas (disponibilidade dos recursos) na linha do tempo, comprovaria que, sequer seria possível a utilização do crédito do BNDES, conforme conclusão do julgamento recorrido, eis que o crédito do BNDES teria sido liberado em 11/11/04, momento esse em que a Veracel já tinha pago o montante de R$ 280.432.019,68, representando mais de 100% do fornecimento de máquinas e equipamentos constante do ato concessório, restando claro e evidente, que os recursos transferidos à Voith, até o momento da concessão do crédito do BNDES, foram suficientes para adimplir o programa referente ao drawback, sem a utilização de um centavo sequer do crédito do BNDES; d) que a formalização do pleito de concessão do regime especial aduaneiro foi instruída com a prova de que os valores recebidos pela Recorrente em contrapartida à implantação da planta de secagem de celulose de eucalipto e repassados pela contratante tinham origem em contratos de financiamento firmados entre esta última e uma instituição financeira estrangeira, consubstanciada nos Contratos de Financiamento celebrados pela Recorrente e o Banco Europeu de Investimento (European Investment Bank EIB) e o Nordic Investment Bank (NIB) e que a despeito de não existir qualquer dúvida em torno do fato de os Contratos de Financiamento assinados pela Recorrente com as instituições financeiras acima mencionadas, e que atenderam à exigência prevista no artigo 5º da Lei n° 8.032/90 o que teria sido ratificado pelo Banco Central do Brasil e pela Assessoria de Assuntos Internacionais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme admitiu o AuditorFiscal às fls. 4 e 5 do Termo de Verificação Fiscal , o AuditorFiscal concluiu que os mesmos não se destinaram a financiar o fornecimento da máquina desaguadora cujas partes e peças foram importadas pela Recorrente sob o regime do drawback (fl. 29 daquele Termo) eis que o requisito legal teria sido descumprido porque não haveria vinculação entre o capital estrangeiro e a sua efetiva aplicação na aquisição de insumos, partes e peças para a fabricação da máquina desaguadora; e) entretanto o exame detalhado e acurado dos Contratos de Financiamentos com o EIB e o NIB revelaria que as ilações do auditor fiscal e do I. Julgador são equivocadas e irreais, absolutamente desprovidas de quaisquer fundamentos e dissociados da realidade econômica, eis que em ambos os Contratos de Financiamento supracitados a liberação dos recursos pelas instituições financeiras estrangeiras estava condicionada à apresentação, pela Tomadora (Recorrente), de documentação idôneos e comprobatórios dos gastos e despesas por ela incorridos na execução do seu Projeto àquela época de construção da unidade industrial em Eunápolis, razão pela qual os recursos reservados pelas instituições financeiras sediadas no exterior para o adimplemento do Contrato firmado com a Recorrente foram liberados na proporção dos valores que esta última tinha adiantado (principalmente com aportes de capital de seus sócios) para pagar aquilo que se relacionava, diretamente, ao fornecimento previsto no ato concessório, donde decorre que podese afirmar, com absoluta certeza, que os recursos de titularidade das instituições financeiras estrangeiras foram aplicados, integralmente, no financiamento da construção da Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 18 33 unidade industrial de celulose na Bahia, nos termos da licitação internacional realizada nos termos da Lei n° n° 8.032/90; f) que em função da cronologia dos pagamentos efetuados pela Veracell à Recorrente, advindos em montantes suficientes dos contratos de financiamentos externos, em moeda conversível, e regularmente internados no país, como faz prova os contratos de câmbio e portanto esses recebimentos teriam ocorrido muito antes da obtenção de qualquer outra fonte de recursos que a empresa Veracell tenha obtido no mercado nacional; g) que os financiamentos trouxeram ao país divisas no importe de R$ 428.666.200,00, que foram suficientes para pagar não apenas as importações — de insumos, partes e peças realizadas pela recorrente (R$ 104.868.941,97), mas a totalidade do seu pacote de fornecimento da máquina desaguadora (R$ 272.545.114,52); h) que seriam indevidos os juros e as multas, em face de o benefício ter sido concedido por ato normativo regularmente expedido pela DECEX, nos termos do art. 100 § único do CTN excluiria imposição de multas e juros. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido mas, no mérito não merece provimento. Inicialmente rejeito as preliminares (de incompetência da RFB para o exame do inadimplemento das obrigações do Regime Drawback, de decadência e extinção do direito de efetuar o lançamento e de suspensão e de apresentação posterior de provas), bem rejeitadas pela r. decisão recorrida, cujos fundamentos, por amor à brevidade adoto como razões de decidir, e que nesse particular se mostra conforme com a legislação de regência e com a Jurisprudência Administrativa, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. (...) Recurso Especial do Procurador Provido. (cf. Acórdão n° 9303 01.248 da 3ª Turma da CSRF, Recurso n° 330.129, Processo n° 10073.001181/0092 em sessão de 06/12/10, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres) Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 34 “DRAWBACK. Regime sob dupla jurisdição. Regime Econômico regido por normas do MIDC e Regime Aduaneiro regido por normas do MF/SRF. DRAWBACK. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. (...) DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. O descumprimento de quaisquer das cláusulas do regime implica na exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados, independentemente das sanções econômicas aplicáveis pelo Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. (...) Recurso especial provido.” (Acórdão CSRF/0304.702 da 3ª Turma da CSRF, Rec. nº 301125140, Proc. nº 10580.009779/200198, em sessão de 20/02/06, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes) “DRAWBACK. Regime sob dupla jurisdição. Regime Econômico regido por normas do MIDC e Regime Aduaneiro regido por normas do MF/SRF. DRAWBACK. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. DRAWBACK. ADIMPLEMENTO DO REGIME ADUANEIRO. O adimplemento do regime aduaneiro condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos nos artigos 262 a 266 e 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985. DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. O descumprimento de quaisquer das cláusulas do regime implica na exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados, independentemente das sanções econômicas aplicáveis pelo Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. (...) Recurso especial provido.” (Acórdão n° CSRF/0304.978 da 3ª Turma da CSRF, Rec. nº 301124376, Proc. nº 13502.000433/200145, em sessão de 21/08/06, Rel. Cons. Judith do Amaral Marcondes Armando) “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 19 35 (...) DECADÊNCIA. O prazo decadencial, nos casos de drawback suspensão,deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação/fornecimento no mercado interno estabelecido no Ato Concessório. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. Não há que se falar cm conflito de competência em relação à autuação efetuada pela Receita Federal, vez que,muito embora a SECEX detenha a competência para a concessão do regime aduaneiro especial de drawback, cabe à Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. O descumprimento das condições estabelecidas no Ato Concessório e na legislação de regência enseja o lançamento dos tributes relativos às mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de drawback, modalidade "suspensão", sub modalidade "fornecimento no mercado interno". A autuação, por parte da Receita Federal, não representa qualquer alteração de critério jurídico, mas verificação, por parte da autoridade que é competente para tanto, do adimplemento dos compromissos assumidos pela recorrente, tendo em vista que o ato jurídico somente será perfeito se cumpridos todos os requisitos legais para o gozo do regime aduaneiro especial de drawback. (...) Recurso Voluntário Negado”. (Acórdão n° 320200.152 da 2ª Câm. da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, Rec. n° 337.269, Proc. nº 11128.000988/200691, em sessão de 29/07/10, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres) Relativamente à decadência, a r. decisão recorrida demonstra com proficiência que no caso concreto, à data das notificações dos lançamentos (02/10/09 – cf. AR fls. 762) ainda não ocorrera a decadência e conseqüente extinção do direito de lançar (arts. 173, inc. I c/c art. 156 inc. V do CTN) ressaltando que: “... tendo em vista que o encerramento do regime ocorreu em 09/12/2006 (validade do ato), o termo de início da contagem do prazo decadencial ocorreu 01/01/2008, devendo acontecer o termo de encerramento em 31/12/2012. Portanto, na data do lançamento, não havia se consumado a decadência. Mesmo que se adotasse como data final a do Termo de Aceitação Definitiva do equipamento entregue, que sucedeu em 23/12/2005, o termo inicial do prazo decadencial seria 01/01/2007, sendo o termo final a data de 31/12/2011. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 36 Assim, ainda que se considerasse essa última hipótese, também não teria havido a decadência na data do lançamento.” Relativamente à competência da SRFB, solidamente fundada na legislação de regência e na Jurisprudência Administrativa, a r. decisão recorrida demonstra que “o art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, cuja matriz legal repousa no art. 54 do Decreto lei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 2°. do Decretolei n° 2.472/1988 e pelo art. 8° do Decretolei n° 1.578/1977, trata do instituto da revisão aduaneira (...), juntamente com os arts. 2° e 3 °. da Portaria MEFP n° 594/1982, podese concluir que compete a esse Órgão a aplicação e fiscalização do regime de Drawback mediante reconhecimento do benefício, se verificada a compatibilidade da legislação com o objeto do Ato Concessório, bem como o lançamento dos tributos, quando constatado o inadimplemento dos compromissos nas condições estipuladas no citado AC”. Da mesma forma, no que toca à suspensão do processo, a par da ausência de previsão legal na legislação de regência do PAF que autorizasse a suspensão excogitada, verificase que o seu indeferimento pela r. decisão recorrida, exarada em 29/09/10 (fls. 1293/1318), não prejudicou a posterior juntada (08/10/10) do Parecer Técnico (fls. 1320/1342) ora submetido à apreciação juntamente com o presente Recurso de Voluntário (fls. 1436/1486) interposto em 17/12/10, razão pela qual sequer se justificaria a sua reiteração nesta sede. Transpostas as preliminares, passo ao exame do mérito. Inicialmente releva notar que a matéria relativa à definição das hipóteses de “suspensão” e “isenção” de créditos tributários” encontrase sob reserva absoluta da lei (cf. art. 97, inc. VI do CTN), sendo certo que as disposições que concedem suspensão ou isenção obviamente integram a lei tributária material, eis que, definindo as hipóteses em que o imposto será devido, desde logo enumeram aquelas em que o seu pagamento seria suspenso ou isento e em que condições e prazos, donde decorre que a assunção, pelo contribuinte e responsáveis aos requisitos e pressupostos legais da suspensão e da isenção, não configura uma “conditio facti”, sujeita à livre disposição pelas partes livremente pactuada, mas sim uma “condictio juris”, isto é, um requisito legal de legitimação previamente estabelecido pela lei (arts. 97, inc. VI e 176 do CTN), não suscetível de modificação ou restrição pela vontade das partes da relação jurídico tributária (art. 123 do CTN). Na interpretação dos arts. 176 e 178 do CTN, José Souto Maior Borges esclarece que, “nas isenções suspensivamente condicionadas, antes da complementação do ciclo formativo do fato gerador da isenção, existe a obrigação tributária, precisamente porque ainda não incidiu a regra jurídica de isenção, de vez que a sua hipótese de incidência não chegou a realizarse, posto que não se verificaram concretamente todos os elementos necessários à composição do suporte fático da regra isentiva. A isenção sob condição suspensiva não se objetiva antes do cumprimento da condição e, portanto, existe obrigação tributária até que se realize a condição exigida para o gozo da isenção.” (cf. José Souto Maior Borges in “Isenções Tributárias”, 2ª Ed. Sugestões Literárias S/A, 1980, págs. 167/168). Nessa ordem de idéias, ao descrever e analisar o Regime do Drawback para fornecimento no Mercado Interno, o TVF (fls. 388/442) descreve com precisão os requisitos do Regime, quando ressalta que: “A primeira abordagem do tema "drawback para fornecimento no mercado interno" deve partir, necessariamente, do dispositivo legal que prevê a possibilidade de importação por esse regime, qual seja, o art. 5º da Lei no 8.032, de 12/04/1990, com redação Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 20 37 atual dada pela Lei n° 10.184, de 12/02/2001, nos seguintes termos: "Art. 5º O regime aduaneiro especial de que trata o inciso II do art. 78 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior." (NR) A referida submodalidade representa, conforme antes indicado, uma das subdivisões da modalidade drawback suspensão, caracterizada pela suspensão dos tributos devidos na importação, sempre acompanhada da expectativa de conversão dessa suspensão em isenção. Dizse expectativa porque esta conversão ë condicionada, de fato, a circunstâncias específicas posteriores (cumprimento de condições e contrapartida) necessariamente decorrentes da operação de que trata o Ato Concessório; condições estas previamente estabelecidas na legislação. O dispositivo legal transcrito apresenta, de maneira cristalina, os requisitos a que se encontram sujeitas as operações que devam se desenvolver com o benefício do referido regime, que podem ser assim elencados: importação de matérias primas, produtos intermediários e componentes; fabricação no País de máquinas e equipamentos; licitação internacional; fornecimento de máquinas e equipamentos no mercado interno, por vencedor de licitação internacional; pagamento do fornecimento em moeda conversível, mediante financiamento de instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES, com recursos captados no exterior. Vale considerar que já o reconhecimento do direito a esse Regime Aduaneiro Especial, mediante emissão do Ato Concessório, está condicionado à demonstração prévia, pela importadora, da capacidade de cumprir com as condições estabelecidas na legislação. À época da concessão do regime de que trata a presente autuação, o Anexo VII do Comunicado Decex nº 21, de 1110711997, já com as alterações impostas pelo Comunicado Decex n° 2, de 31/01/20D0, trazia as seguintes exigências: Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 38 "2. O formulário Pedido de Drawback deverá ser acompanhado da seguinte documentação: a) cópia do edital da concorrência internacional; b) cópia da proposta do fornecimento; c) catálogos técnicos e/ou especificações e detalhes do material a ser importado; d) declaração da empresa licitante certificando que a empresa foi vencedora da licitação e que o Regime de Drawback foi considerado na formação do preço apresentado na proposta; e) correspondência do órgão financiados aprovando a adjudicação;" Observase, portanto, que a entidade que pretendesse importar com o benefício da suspensão dos tributos devidos na importação para fabricação e fornecimento no mercado interno, deveria formalizar o pedido de reconhecimento do seu enquadramento nas condições estabelecidas em lei, anexando, ao formulário correspondente, os documentos que comprovassem sua condição. De interesse maior nesse instante, julgamos oportuno enfatizar a exigência presente no artigo 5º da Lei nº 8.032/1990, e às normas do drawback, de que o pagamento do fornecimento das máquinas e equipamentos fabricados no país deverá ser feito em moeda conversível, mediante financiamento de instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES, com recursos captados no exterior. Portanto, temos os seguintes requisitos a serem atendidos, mais especificamente com relação ao pagamento a ser feito à empresa nacional, fabricante das máquinas e equipamentos, beneficiária do drawback, pela promotora da licitação internacional: • Pagamento ao fabricante decorrente do fornecimento das máquinas e equipamentos; • Pagamento efetuado em moeda de livre conversibilidade; • Recurso totalmente proveniente de financiamento; • Origem do financiamento: • o Instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, ou • Entidade governamental estrangeira, ou • o BNDES, com recursos captados no exterior. A falta de qualquer um dos requisitos acima relacionados, previstos na legislação de regência, contamina a operação de drawback e, conseqüentemente, seu Ato Concessório. Com a importação dos insumos, ocorreu uma saída de recursos do país após o pagamento das importações efetuadas pela Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 21 39 empresa beneficiária do Ato Concessório de drawback. Com o fornecimento das máquinas e equipamentos fabricados no país pela empresa nacional beneficiária do Regime Especial e o respectivo recebimento do venda efetuada, em moeda de livre conversibilidade (operação equiparada à exportação), ocorreu o ingresso de recursos no país, visto que sua origem obrigatoriamente deverá ser externa (mesmo no caso de financiamento concedido pelo BNDES, que obrigatoriamente será proveniente de recursos captados no exterior). Portanto, o resultado cambial positivo deverá obrigatoriamente ser observado, sob pena de contaminar todo o instituto de Drawback, seus princípios e previsões regulamentares.” No caso concreto, verificase que o descumprimento do Regime foi justificado no mesmo TVF, com base nos seguintes fatos concretamente apontados: “Com o objetivo de averiguar, no que se refere à operação específica de fornecimento realizada pela VOITH PAPER, se teriam sido cumpridos os requisitos legais pertinentes à origem dos recursos, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal no 124/2008 (fls. 93 a 95). Instavase a VOITH PAPER a informar quais recursos teriam sido utilizados para pagamento, pela Veracel Celulose S/A, em retribuição ao fornecimento da "planta de secagem de celulose de eucalipto", esclarecendo sua origem e indicando as instituições financiadoras respectivas. Naquele documento, citamos expressamente as duas entidades antes mencionadas (EIB e NIB) além do BNDES, já que todas elas foram contratadas para o financiamento do referenciado "Projeto Veracel". Em resposta à intimação, a VOITH PAPER apresentou, em 22/01/2009, cópia de Declaração por ela obtida junto à VERACEL relativamente às fontes de recursos utilizadas para pagamento do fornecimento da máquina desaguadora cujas partes, peças e componentes foram importados com o benefício do drawback. Na referida declaração, datada de 07/01/2009, incorporada ao processo à fl. 97, a VERACEL informou que, contrariamente ao que foi indicado pela VOITH PAPER quando da habilitação para importar com o benefício do drawback, os recursos que foram utilizados "para fazer face aos pagamentos" na aquisição de uma "Planta de secagem" junto à VOITH PAPER MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA., tiveram como fonte ‘o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, conforme Contrato n° 03.2.809.1.1, Subcrédito C, firmado em 26 de janeiro de 2004" (grifos nossos) A cópia do contrato de financiamento firmado entre VERACEL e o BNDES, anexada à sua declaração na resposta que nos foi remetida, traz a indicação do Subcrédito C registrando, conforme antes mencionado, que os recursos correspondentes ao referido Subcrédito são "recursos ordinários do BNDES, que são compostos, dentre outras fontes, pelos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT, pelos recursos Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 40 originários do FAT Depósitos Especiais e do Fundo de Participação PIS/PASEP ". Com essa indicação, ficou demonstrado de plano que o cumprimento de uma das condições assumidas pelo beneficiário, estabelecidas na obtenção do Ato Concessório, não ocorreu, já que os recursos utilizados não foram os provenientes das instituições European Investment Bank ou Nordic Investment Bonk. Mas a irregularidade no cumprimento das condições estabelecidas não se resumiu à utilização de uma fonte de recursos que não corresponde à que fora indicada quando do pedido para obtenção do ato concessório, algo que poderia parecer mero formalismo, ignorando resultados práticos idênticos aos que seriam alcançados com o cumprimento integral do compromisso assumido. A irregularidade transcende o aspecto subjetivo (qualificação do entidade financiadora) para alcançar o aspecto material (fornecimento contra pagamento em moeda conversível com recursos captados no exterior), jogando por terra a contrapartida pretendida pelo Estado quando da concessão do benefício. Observado, pois, o aparente descumprimento das condições estabelecidas em lei, que exige que os recursos utilizados para pagamento de máquinas e equipamentos a serem fabricados no país sejam provenientes do exterior em moeda conversível, e, em especial, com o propósito de trazer aos autos todos os elementos que pudessem ser considerados na aferição da efetiva ocorrência desse descumprimento, encaminhamos correspondência à Superintendência da Área de Insumos Básicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, conforme cópia do Ofício/GAB/IRF/ILH n° 020/2009 fls. 214 a 216). Nessa oportunidade, questionamos sobre a forma como se deu o cumprimento do contrato celebrado com aquela instituição, especificamente com relação ao Subcrédito C, bem como sobre o tipo de recurso correspondente ao referido crédito, notadamente sua origem, distinguindo entre nacional ou estrangeira. Em resposta, conforme Carta AIB/DEPACEL no 10/2009 juntada às fls. 217 a 218, foinos confirmado que os recursos utilizados no pagamento da máquina cujas partes, peças e componentes foram importados sob o regime do drawback, eram provenientes "exclusivamente" do "Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), de origem nacional". (destaque nosso) Aquela Instituição ao mesmo tempo esclareceu, confirmando a informação anterior da VERACEL, que "a totalidade dos recursos disponibilizados no Subcrédito "C", no valor de R$ 130.556.178, 54 (cento e trinta milhões, quinhentos e cinqüenta e seis mil, cento e setenta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos), foram liberados para a aquisição, pela Veracel, da Planta de Secaaem e Embalaaem de Celulose. de fabricacão da Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda. (destaque nosso) Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 22 41 Tal informação demonstra, a nosso ver de maneira cabal, que toda a comprovação de aplicação dos recursos obtidos com o financiamento perante o BNDES, no que se refere especificamente ao Subcrédito C, deuse com o fornecimento da Planta de Secagem e Embalagem de Celulose, de fabricação da VOITH PAPER. Embora de posse da informação da VERACEL e da confirmação do BNDES quanto à origem e aplicação dos recursos referentes ao Subcrédito C, recursos nacionais conforme exaustivamente esclarecido, encaminhamos nova correspondência à VERACEL, conforme Termo de Início de Diligência de 30/03/2009, juntado às fls. 219 a 223, solicitando lhe a confirmação quanto às informações obtidas. Em resposta, juntada aos autos às fls. 224 a 268, a VERACEL respondemos, textualmente, que "de fato, em decorrência do contrato n° 03.2.809.1.1 firmado entre a Veracel e o BNDES, o montante total do Subcrédito C, no valor de R$ 126.898.000,00 (cento e vinte e seis milhões oitocentos e noventa e oito mil reais) foi utilizado exclusivamente no pacote contratado com a empresa Voith Paper, para construção da Plante de Secagem da Fábrica da Veracel." (destaque nosso) Esclareceu também a VERACEL que, à época da celebração do contrato com o BNDES, "a Voith Paper não conseguiu se enquadrar no projeto da Aracruz, pois seu índice de nacionalização não alcançou o mínimo exigido" motivo por que "adotouse um posicionamento mais conservador, não considerando a Voith Paper no cálculo." Acrescentou, ainda, que "os bancos internacionais EIB e NIB, diferentemente do BNDES, não destinam subcréditos específicos a determinados tipos de investimentos, nem mesmo, restringem a destinação dos recursos como, por exemplo, aquisição de equipamentos importados." Tais informações expõem o motivo porque os contratos celebrados com as referidas instituições, apresentados ao DECEX para a obtenção do Ato Concessório, não referenciam expressamente o fornecimento empreendido pela VOITH PAPER; nem mesmo o Subprojeto de que fez parte. Demonstrado se encontra, pois, que os recursos do EIB e do NIB não se destinavam a financiar o fornecimento da máquina desaguadora cujas partes e peças foram importadas pelo contribuinte sob o regime do drawback. Voltamos a salientar que todos os contratos de financiamento celebrados (EIB, NIB e BNDES) indicam como destinação do financiamento, de maneira aberta, o "Projeto Veracel", o que demonstra que a VOITH PAPER conhecia, à época em que contratou com a VERACEL o fornecimento da "máquina desaguadora", as características dos financiamentos que utilizou como referência para obtenção do Ato concessório. (...) Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 42 O art. 5º da lei 8.032, de 1990, deixa clara essa exigência, ao estabelecer que as "máquinas e equipamentos" serão "fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento". (destacado na transcrição) Mas se dúvidas tivesse havido um dia quanto à exigência de cobertura de todo o fornecimento pelo financiamento, algo que se admite aqui apenas por força de argumentação, cumprenos trazer à colação o parágrafo único do artigo 1º do Decreto n° 6.702, de 18/12/2008, ato expedido no uso do poder regulamentar atribuído pelo artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal, ao Chefe do Poder Executivo. Esse ato, como é de mediano conhecimento, não inova no ordenamento positivo já que a legislação a esse respeito continua a mesma, apenas ratifica e explicita o que já constava no texto original da lei, supratranscrito, senão vejamos: `Art. 1º. A importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, sob amparo do regime aduaneiro especial de que trata o art. 5o da Lei no 8.032, de 12 de abril de 1990, será necessariamente precedida de licitação internacional, conforme as disposições deste Decreto. Parágrafo único. O fornecimento de que trata o caput, decorrente de licitação internacional, é aquele realizado integralmente contra pagamento com recursos oriundos de moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior." (destaque nosso) (...) E, no caso da autuação que ora se realiza, chega a ser ainda mais extremada a patente inobservância dos requisitos legais afetos ao drawback. O fato é que, não houve qualquer ganho cambial com a operação realizada; tendo havido, na mão contrária, perda expressiva. Essa conclusão se descortina quando se constata que, dos recursos que foram utilizados para pagamento da máquina desaguadora fornecida pela VOITH PAPER, apenas uma pequena parcela poderia efetivamente ter sido proveniente dos financiamentos informados no pedido de reconhecimento do benefício junto ao DECEX. Adiante se demonstra, de maneira evidente, essa circunstância. E essa pequena parcela de possíveis recursos que cumprissem os requisitos estabelecidos na lei que assegura o benefício do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno é incapaz de produzir qualquer ganho cambial quando comparada às importações . Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 23 43 Ou seja, mesmo que se admitisse, ab absurdo, que qualquer ganho cambial serviria para justificar o benefício, servindo como a contrapartida desejada pelo Estado, cabe obtemperar que, no caso sob comento, não houve ganho cambial algum. Essa afirmação pode ser feita com a demonstração numérica correspondente, partindo de informações e documentos trazidos aos autos pela própria VOITH PAPER e pela VERACEL. Senão vejamos: Total do fornecimento R$ 272.545.114,52 () Valor pago com recursos do Subcrédito C R$ 130.556.178,54 Diferença R$ 141.988.935,98 Segundo alega a VOITH PAPER, essa diferença poderia ter sido paga com recursos do NIB e/ou EIB. Entretanto, dos recursos utilizados pela VERACEL para pagamento à VOITH PAPER pelo fornecimento do Máquina Desaguadora, vários deles foram disponibilizados quando ainda não havia sequer contrato celebrado entre a VERACEL e qualquer das três instituições até aqui mencionadas como financiadoras do Projeto Veracel. Ora, não havendo ainda sequer o contrato entre a VERACEL e as financiadoras, afastase a possibilidade de que os recursos provenham dos financiamentos correspondentes. Assim, parte do Projeto Veracel foi custeada por recursos próprios, ao que tudo indica, da VERACEL; recursos que, por não serem provenientes de financiamento internacional específico para a máquina desaguadora (sequer para a Planta de Secagem ou, ainda, para o Projeto Veracel) não se enquadram nas condições estabelecidas para fruição do benefício do drawback. Convém apontar, nesse contexto, a data de celebração de cada contrato de financiamento antes mencionado: Instituição Data assinatura do contrato Nordica Investment Bank 17/12/2003 European Investment Bank 19/12/2003 Banco Nacional de Desenvolvimento Econômio e SocialBNDES 26/01/2004 Portanto, até a primeira data supramencionada, não há como se atribuir aos financiamentos contratados com as instituições mencionadas, a origem para os desembolsos realizados pela VERACEL à VOITH PAPER, isso para sermos, o quanto possível, mais complacentes na linha de argumentação ora desenvolvida, já que a data correta a ser considerada deve ser a do primeiro desembolso de uma dessas instituições. Ainda seguindo o primeiro raciocínio, ou seja, considerando a data do 1° contrato de financiamento celebrado, considerese Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 44 que os documentos apresentados no curso da fiscalização demonstram que parte expressiva dos pagamentos realizados pela VERACEL à VOITH PAPER ocorreu antes da referida data (17/12/2003 – 1º contrato), conforme relação abaixo: Data Documentos comprobatórios Valor em R$ 30/09/2003 Livro razão da Veracel em documento de transferência eeletrônica de recursosTED R$ 27.361.086.10 01/12/2003 Livro razão nda Veracel e em documento de transferência eletrônica de recursosTED R$ 77.543,40 09/12/2003 Livro razão nda Veracel e em documento de transferência eletrônica de recursosTED R$ 5.342.260,24 12/12/2003 Livro razão nda Veracel e em documento de transferência eletrônica de recursosTED R$ 50.093.793,92 Total R$ 82.874.683,66 Podese inferir com certeza (não "alguma certeza") que não são recursos provenientes dos financiamentos de que ora se trata. Diante disso, podese afirmar com convicção plena que, do total do fornecimento, diminuído do valor originário do Subcrédito C (recursos nacionais) e ainda do valor total apurado, na planilha imediatamente acima, de pagamentos realizados antes da celebração de contratos de financiamento, apenas o saldo remanescente "poderia" ter sido pago com recursos que se enquadrassem na definição legal. Segue a demonstração completa: Total do fornecimento R$ 272.545.114,52 () valor pago com recursos do Subcrédito C R$ 130.556.178,54 ()Valores pagos antes da assiantura do 1º contrato de financiamento R$ 82.874.683,66 Diferença R$ 59.114.252,32 E, à vista desse quadro, ganha relevância a comparação do valor acima com as importações realizadas pela VOITH PAPER, que montaram, segundo informações por ela disponibilizadas, já confrontadas e confirmadas perante aquelas constantes nos sistemas informatizados da RFB (dados extraídos do SISCOMEXImportação, por intermédio do sistema DW Aduaneiro), US$ 38,391,031.62 (trinta e oito milhões, trezentos e noventa e um mil, trinta e um dólares, sessenta e dois cents). Tal valor, convertido à taxa média calculada e fornecida pela própria VOITH PAPER quando da apresentação da correspondência juntada às fls. 346, de R$ 2,7316, resulta em R$ 104.868.941,97. Essa quantia, quando comparada com a diferença apurada de maneira mais benéfica acima indicada, resulta na perda cambial em divisas abaixo demonstrada: Valor que poederia ter sido pago em moeda Valor das importações Diferença (PERDA CAMBIAL) Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 24 45 conversível R$ 59.114.252,32 R$ 104.868.941,97 (R$ 45.754.689,65) Câmbio médio R$2,7316 US$ 21,640,888.97 US$ 38,391,031.62 (US $16,750,142.65) Dizse diferença apurada da maneira mais benéfica porque, a se computar os pagamentos realizados pela VERACEL à VOITH PAPER até a data do primeiro desembolso (recurso disponibilizado) por uma das instituições financeiras internacionais por ela indicadas perante o DECEX, ocorrido somente em 15/04/2004, a conclusão de que houve perda cambial expressiva ganha cores mais fortes. Vejamos as datas em que a VERACEL recebeu os primeiros recursos das referidas instituições: Instituição Data do 1º desembolso Valor recebido European Investment Bank 15/04/2004 US$ 32,0000,000.00 Nordic Investment Bank 15/04/2004 US$ 28,000,000.00 Restanos relacionar os valores pagos pela VERACEL à VOITH PAPER antes do primeiro desembolso acima indicado, ou seja, antes de 15/04/2004. Senão vejamos: Total do fornecimento R$ 272.545.114,52 ()Valor pago com recursos do Subcrédito C R$ 130.556.178,54 ()Valores apgos antes do 1º desembolso dos financiamentos R$ 129.885.525,04 Diferença R$ 12.103.410,94 Assim, já se aplicando a taxa média informada pela VOITH PAPER, de R$ 2,7316, chegaríamos ao seguinte resultado cambial. Valor que poederia ter sido pago em moeda conversível Valor das importações Diferença (PERDA CAMBIAL) R$12.103.410,94 R$ 104.868.941,97 (R$ 92.765.531,03) Câmbio médio R$ 2,7316 US$4.430.887,00 US$ 38,391,031.62 (US$ 33.960.144,61) Demonstrado que, não só não houve ganho, mas houve perda cambial vultosa com a operação realizada entre a VERACEL e a VOITH PAPER, no que se refere à importação com o drawback, entendemos oportuno novamente trazer à baila, referências Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 46 quanto à exigência da contrapartida no regime aduaneiro especial Drawback para fornecimento no mercado interno, sobre o que se manifesta com destacada proficiência Márcio Luiz Dutra de Souza (²), nos seguintes termos: "Como se pode observar, esta modalidade de drawback constitui exceção ao regime, na medida em que, pela regra geral, os produtos importados são transformados em novos produtos e posteriormente exportados. No entanto, só se inovou neste aspecto, pois o fluxo da operação continua a mesma, tendo em vista que a beneficiária do incentivo importa matériaprima, produtos intermediários e componentes e os industrializa transformando em máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, ou seja, destinados às entidades promotoras das licitações internacionais, ao invés do mercado internacional. Esta modalidade de drawback permite a entrada de divisas ao País em moedas conversíveis, em virtude da exigência de pagamento em moeda conversível oriunda de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe ou ainda pelo Banco Nacional de Desenvolvimento. Econômico e Social (BNDES), com recursos captados no exterior." (grifo nosso) Perfilhando o mesmo entendimento, vale apresentar considerações expendidas por Ana Clarissa M. S. Araújo e Ângela Sartori(4) , que expressam de modo nítido os objetivos que as disposições legais acima pretendem atingir, senão vejamos: `Ao longo de toda a evolução dos incentivos fiscais em que se equiparou a venda interna à exportação, sempre se estabeleceu o requisito do pagamento da operação em moeda conversível, sendo essa modalidade de benefício fiscal um forte instrumento macroeconômico. O legislador criou a ficção jurídica de exportação para os casos de fornecimento no mercado interno, vislumbrando as enormes perspectivas econômicas que se abriam para o País mediante essa técnica. Entendemos que o fato do pagamento em divisas tem como escopo, em última instância, a manutenção de nosso balanço de pagamentos, e este, por sua vez, em rudimentar conceito, implica pouca saída e muita entrada, isto é, mais exportações que importações. Essa sub modalidade de drawback é anta a abranger esses dois aspectos, uma vez que não só possibilita a entrada de divisas pelo financiamento em moedas conversíveis, como também evita que saiam para o pagamento do bem encomendado velo vencedor da licitação internacional. Caso o empreendimento fosse desenvolvido por empresa estrangeira, além da mãodeobra nacional que deixaria de ser empregada, o bem de capital teria que ser pago com divisas, ressaltando que invariavelmente as quantias envolvidas nessas operações são gigantescas." Dos preceitos expostos resulta claro que do valor total (R$ 272.545.114,52) atribuído à “máquina desaguadora (parte úmida e parte seca)” integrante da planta de secagem Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10508.000687/200972 Acórdão n.º 3402001.944 S3C4T2 Fl. 25 47 de celulose de eucalipto fornecida pela Recorrente e objeto do Regime Drawback, 30,44% (R$ 82.874.683,66) foram comprovadamente pagos à Recorrente (VOITH PAPER) pela licitante (VERACEL) no período de 30/09/03 a 12/12/03 (cf. Livro Razão da licitante), anterior à assinatura dos contratos de financiamento indicados no AC (Nordica Investment Bank em 17/12/03; European Investment Bank, em 19/12/03), e 47,90% (R$ 130.556.178,54) foram comprovadamente pagos à Recorrente (VOITH PAPER) pela licitante (VERACEL) com recursos resultantes de financiamento do BNDES à licitante (VERACEL cf. Contrato n° 03.2.809.1.1, Subcrédito C, firmado em 26 de janeiro de 2004) não indicado no AC, e cujos recursos provinham “exclusivamente” do “Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), de origem nacional (cf. declarações da licitante VERACEL e do BNDES de fls. 97, 204 a 268). Diante da comprovação de que 78,34% (R$ 213.430.862,20) do valor total (R$ 272.545.114,52) atribuído à “máquina desaguadora (parte úmida e parte seca)” integrante da planta de secagem de celulose de eucalipto fornecida pela Recorrente e objeto do Regime Drawback, foi pago pela licitante (VERACEL) com recursos de origem interna e não captados no exterior em moeda conversível, seja pelo BNDES não constante no AC, seja pelas instituições financeiras internacionais indicadas no AC (Nordica Investment Bank – NIB e European Investment Bank EIB), desde logo parece não haver dúvida quanto ao descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência (art. 5º da Lei n° 8.032/90 e art. 1º do Decreto n° 6.702, de 18/12/2008), e no Ato Concessório do Regime Drawback que, como demonstrado, exigiam que os recursos utilizados para o pagamento da máquina a ser fabricada no país fossem provenientes de instituições financeiras internacionais ou do BNDES, captados no exterior em moeda convesível, o que inocorreu. Nesse particular, ressaltese que as conclusões do Parecer Técnico (fls. 1320/1342) – no sentido de que confrontado os valores em unidade monetária nacional verificarseia que “o financiamento externo era suficiente para assegurar o regime de Drawback, superando em mais de 55% o valor necessário, não havendo necessidade, portanto, de qualquer crédito suplementar para execução do projeto, seja ele oriundo do mercado externo ou interno”, razão pela qual “os recursos obtidos junto ao BNDES pela Veracel” não seriam “necessários para o pagamento do projeto de construção da ‘Planta de Secagem’, uma vez que os financiamentos internacionais” garantiriam “o pagamento de 100% do fornecimento da planta de secagem” ; data vênia, mostramse desinfluentes para o deslinde do caso, eis que não ilidem o fato concretamente comprovado pela d. Fiscalização e expressamente confirmado pela licitante (VERACEL), de que grande parte (R$ 213.430.862,20) do valor total (R$ 272.545.114,52) atribuído à “máquina desaguadora objeto do Regime Drawback, foi pago por aquela licitante (VERACEL) à Recorrente, com recursos de origem interna e não captados no exterior em moeda conversível, sejam aqueles financiados pelo BNDES não constante no AC, sejam aqueles financiados pelas instituições financeiras internacionais que, embora indicadas no AC (Nordica Investment Bank – NIB e European Investment Bank EIB), sequer tinham sido captados no exterior por ocasião dos pagamentos, e cujos contratos só foram firmados posteriormente à data dos pagamentos efetuados pela licitante (VERACEL). Uma vez comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal, tornamse exigíveis os tributos incidentes sobre a importação (II, IPI, COFINS e PIS) e suspensos por ocasião do desembaraço aduaneiro em razão do Regime Drawback, ensejando o lançamento “ex offício” dos tributos, acréscimos e multa punitiva pela falta de recolhimento dos tributos (cf. arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN). Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 48 Nesse particular, releva finalmente ressaltar que não se justifica a aplicação do art. 100 § Único do CTN para exclusão da penalidade , eis que ao contrário do que sustenta a ora Recorrente, o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp. nº 1.170.008SP, Reg. nº 2009/02399509, em sessão de 18/03/10, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 30/03/10) dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp 463.481/RS, em sessão de 18/05/04, Rel. Ministra ELIANA CALMON, publ. in DJU 20/09/2004, p. 233). Nesse sentido a própria lei ordinária do IPI expressamente prevê que se houver suspensão ou isenção de tributo condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabíveis, como se a suspensão ou isenção não existissem (art. 9º, § 1º da Lei nº 4.502/64 na Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Isto posto, pelas razões expostas voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida e os lançamentos por ela mantidos. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de outubro de 2012 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 07/11/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10980.923611/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Declarou-se impedido o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 36 11 /2 00 9- 31 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Declarou se impedido o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 25/27 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de PIS (código de receita 8109) efetuado em 15/06/2004, que a interessada buscava compensar com débito do IRPJ (código de receita 2362) vencido em 31/05/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que indeferiu o pedido da recorrente ocorreu em 22/09/2011 (fls. 32). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/10/2011, o recurso voluntário de fls. 33/36, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão se limita à análise do direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, uma vez que nos autos não se faz referência a insuficiência probatória do crédito guerreado. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923611/200931 Acórdão n.º 3802002.066 S3TE02 Fl. 43 3 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Tal dispositivo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC nº 20/98. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923611/200931 Acórdão n.º 3802002.066 S3TE02 Fl. 44 5 Quanto ao levantamento do crédito em favor da interessada, nada foi analisado a respeito dessa questão, posto que o litígio se restringiu à questão da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, conforme ressaltado. Assim, superada aduzida questão de direito em favor do sujeito passivo, e considerando que não há nos autos elementos suficientes para o exame do montante do crédito em favor da recorrente, deverão os autos ser remetidos à instância a quo para que esta se pronuncie sobre o direito creditório reclamado pela interessada. Com essas considerações, voto para dar parcial provimento ao recurso para que os autos sejam remetidos à primeira instância a fim de que esta se manifeste especificamente sobre o mérito do crédito tributário alegado sem a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13890.000254/2002-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
DÉBITO CONFESSADO. LANÇAMENTO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o lançamento de débitos já constituídos anteriormente por meio de apresentação de DCTF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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LANÇAMENTO. CANCELAMENTO. Cancelase o lançamento de débitos já constituídos anteriormente por meio de apresentação de DCTF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 02 54 /2 00 2- 62 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13890.000254/200262 Acórdão n.º 3302002.271 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa PREMA TECNOLOGIA E COMÉRCIO S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de COFINS, relativa a fatos geradores ocorridos 2º trimestre de 1997, tendo em vista que a nãocomprovação de pagamentos informados em DCTF no referido período. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, alegando que apresentou DCTF retificadora na qual os débitos estão com saldo a pagar. A DRJ em Ribeirão Preto SP baixou o processo em diligência à UL de origem para informar sobre a existência da DCTF retificadora. Em resposta, a UL confirma a entrega da DCTF retificadora antes da emissão do auto de infração e esclarece que a mesma não foi processada ou não localizada. A 1a Turma de Julgamento da referida DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão no 1436.465, de 31/01/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. DÉBITO CONFESSADO. LANÇAMENTO. Mantémse o lançamento sobre débito confessado, cujo pagamento não foi comprovado, excluindose a multa de ofício. Ciente desta decisão em 16/02/2012, conforme AR, a interessada ingressou, no dia 09/03/2012, com Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: 1 existe farta jurisprudência do CARF no sentido de que os débitos declarados em DCTF com saldo a pagar, antes da vigência da IN nº 126/98, constitui confissão de dívida, não havendo que se falar em lançamento de ofício; 2 ao caso aplicase as mesmas provas do Processo nº 13890.000013/2002 13, apreciadas pela DRJ de Ribeirão Preto, que resultou no Acórdão nº 1415.635, de 20/04/2007. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13890.000254/200262 Acórdão n.º 3302002.271 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração de Cofins, relativo ao 2º trimestre de 1997, tendo em vista que não foi localizado os pagamentos vinculados aos débito na DCTF. Está provado nos autos que no dia 03/06/1998 a empresa Recorrente apresentou DCTF retificadora excluindo os DARF vinculados na DCTF original, ficando os débitos em abertos. Referida DCTF não foi processada pela RFB. O mesmo fato ocorreu com os débitos do 1º trimestre de 1997, cuja DCTF retificadora também não foi processada e foi lavrado auto de infração que restou sendo julgado improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto SP, nos termos do Acórdão nº 1415.635, de 20/04/2007 (Processo nº 13890.000013/200213), cuja íntegra do voto condutor abaixo se transcreve: Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. O lançamento foi motivado por falta de comprovação de pagamento informado em DCTF. A contribuinte alegou que apresentou declaração retificadora do período lançado onde os débitos não mais estavam vinculados a créditos, ou seja, com saldo a pagar. Após diligência, foi anexada aos autos cópia autenticada do recibo de entrega da DCTF do primeiro trimestre de 1997 (fl. 49) confirmando a informação acima. Como a retificadora foi apresentada em 03/06/1998, portanto quando do início do procedimento fiscal os débitos já estavam confessados, vale dizer constituídos, não cabendo, assim, o lançamento de ofício. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do lançamento, exonerando o crédito tributário lançado. No presente caso, a situação fática é exatamente a mesma, só muda o período de apuração objeto do lançamento, que é o segundo trimestre de 1997. Por esta razão, adoto integralmente, como razão de decidir, os mesmos fundamentos do referido voto condutor do Acórdão nº 1415.635. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para declarar a improcedência do lançamento contestado. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13890.000254/200262 Acórdão n.º 3302002.271 S3C3T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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