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Numero do processo: 13603.000823/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004
DENÚNICA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
O pagamento concomitante ou anterior à confissão de débito em DCTF, antes de qualquer procedimento de ofício, enseja o reconhecimento da espontaneidade e afasta a aplicação da multa de mora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-005.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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MULTA DE MORA. O pagamento concomitante ou anterior à confissão de débito em DCTF, antes de qualquer procedimento de ofício, enseja o reconhecimento da espontaneidade e afasta a aplicação da multa de mora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 08 23 /2 00 7- 72 Fl. 200DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fis. 65/83), relativo ao PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 287.831,47, relativo à multa moratória (R$ 287.717,57) e juros moratórios não pagos (R$ 113,90), correspondente aos períodos de 01/2004 a 12/2004. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal PIS / 2004” (fl. 66), verificase que a autuação é resultado de procedimento de auditoria interna da DCTF, na qual foi apurada “falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais.” Os dispositivos legais infiingidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido Auto de Infração, conforme a seguir: art. 160 do CTN; arts. 43 e 61 e §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignado, tendo sido cientificado em 19/03/2007 (fl. 85), o autuado apresentou, em 18/04/2007, as suas razões de discordância (fis. 01/ 1 1), assim resumidas: Inicialmente, informa que procedeu ao recolhimento da exigência relativa aos juros de mora, em razão do baixo valor envolvido, conforme comprova a guia de recolhimento anexa (fl. 49). ' Tecendo uma narrativa histórica acerca da evolução do panorama legislativo da contribuição em foco, no mérito, aduz que a exigência relativa à multa moratória não merece prosperar, porquanto ilegítima, uma vez que denunciara espontaneamente a infração, acompanhada do recolhimento do principal acrescido dos juros moratórios, fato que afasta, por si só, a incidência de qualquer tipo de multa, moratória ou punitiva, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, pelo que requer seja cancelado o presente lançamento. Para corroborar seu direito, transcreve doutrina e jurisprudência, tanto administrativa quanto do poder judiciário, firmando o entendimento de que a multa de mora seria inexigível na hipótese de denúncia espontânea. E o relatório. A 1ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0223.291, de 10/08/2009, decidiu pela improcedência da Impugnação. Transcrevo a ementa: Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Periodo de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004 Nonnas Gerais de Direito Tributário A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa de mora. No Recurso Voluntário, a empresa informa que pagou parte da autuação referente a juros de mora, e reitera as razões de defesa. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13603.000823/200772 Acórdão n.º 3201005.180 S3C2T1 Fl. 3 3 Posteriormente, noticiou o julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime dos recursos repetitivos, tratando da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Há duas decisões do Superior Tribunal de Justiça, ambas no regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que tratam do assunto, REsp 1.149.022/SP e REsp 886.462/RS. Transcrevo as teses firmadas e as ementas: Resp 886.462/RS, transito em julgado em 01/12/2008: Tese firmada: Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Resp 1.149.022/SP, trânsito em julgado em 30/08/2010: Tese Firmada: Fl. 202DF CARF MF 4 A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13603.000823/200772 Acórdão n.º 3201005.180 S3C2T1 Fl. 4 5 espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional,tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/6/2010, DJe 24/6/2010) – sem destaques no original Em resumo, os julgados do STJ estabelecem assim: DCTF anterior ao pagamento a destempo: cabe multa de mora; DCTF posterior ou concomitante ao pagamento a destempo: não cabe multa de mora. Em ambos os casos, claro, antes de qualquer procedimento de ofício. No caso presente, os pagamentos foram efeitos em 31/03/2006 (fls. 64 a 75). As DCTF´s foram entregues em 03/04/2006 (fl. 135), portanto, os pagamentos foram anteriores às DCTF´s, e acompanhando as decisões do STJ, não cabe, no caso, o lançamento de multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 204DF CARF MF 6 Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722804/2016-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Afasta-se a hipótese de nulidade por ausência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado por autoridade legalmente competente e o sujeito passivo tem regular ciência do ato administrativo de constituição de ofício dos créditos tributários, que esteja fundamentado com todos os elementos de fato e de direito necessários para a configuração da infração e o exercício pleno do direito de defesa.
DEDUÇÃO DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA
São dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL somente as despesas necessárias e efetivamente incorridas. Incumbe ao sujeito passivo, uma vez intimado para tanto, comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da despesa, sob pena de glosa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
CSLL. GLOSA DE DESPESA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, uma vez que a matéria afeta igualmente a base de cálculo da contribuição e é fundada nos mesmo elementos de prova.
Numero da decisão: 1401-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, que lhe dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a hipótese de nulidade por ausência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado por autoridade legalmente competente e o sujeito passivo tem regular ciência do ato administrativo de constituição de ofício dos créditos tributários, que esteja fundamentado com todos os elementos de fato e de direito necessários para a configuração da infração e o exercício pleno do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA São dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL somente as despesas necessárias e efetivamente incorridas. Incumbe ao sujeito passivo, uma vez intimado para tanto, comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da despesa, sob pena de glosa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 CSLL. GLOSA DE DESPESA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, uma vez que a matéria afeta igualmente a base de cálculo da contribuição e é fundada nos mesmo elementos de prova.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 787 1 786 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.722804/201647 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401003.131 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria IRPJ; dedutibilidade de despesa Recorrentes SICPA BRASIL INDÚSTRIA DE TINTAS E SISTEMAS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Afastase a hipótese de nulidade por ausência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado por autoridade legalmente competente e o sujeito passivo tem regular ciência do ato administrativo de constituição de ofício dos créditos tributários, que esteja fundamentado com todos os elementos de fato e de direito necessários para a configuração da infração e o exercício pleno do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA São dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL somente as despesas necessárias e efetivamente incorridas. Incumbe ao sujeito passivo, uma vez intimado para tanto, comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da despesa, sob pena de glosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. GLOSA DE DESPESA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, uma vez que a matéria afeta igualmente a base de cálculo da contribuição e é fundada nos mesmo elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 28 04 /2 01 6- 47 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 788 2 votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, que lhe dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relatório Inicialmente, adoto o minucioso relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte para descrever os fatos ocorridos até aquele momento processual: I – DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 260 a 315 Os autos de infração foram lavrados para exigência do IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2011, no total de R$21.439.962,24, sob o fundamento de despesas não necessárias. O Termo de Verificação de Infração, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, destacando as intimações para o contribuinte apresentar as justificativas e comprovação, registra no tópico 4 – Da Infração: “Após analisar as informações e documentos apresentados pelo contribuinte, concluiuse o seguinte: Nos contratos firmados entre SICPA e ENIGMA, as cláusulas relativas ao objeto do contrato tratam apenas de "representação dos produtos SICPA", estabelecendo que a ENIGMA realizaria suas atividades de modo a promover com zelo, lealdade e responsabilidade o agenciamento de pedidos e vendas dos produtos da SICPA, de forma a otimizar e propagar os negócios desta. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 789 3 O contribuinte, entretanto, não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços e justificasse a cobrança de honorários tão elevados pela intermediação da ENIGMA nos contratos firmados com a CMB. A CMB, tratandose de uma empresa governamental, deveria contratar por meio de licitação ou cartaconvite, não se aceitando intermediação no fechamento de seus contratos. A própria SICPA participou das licitações, todavia, não houve concorrentes, haja vista serem seus produtos/serviços específicos e únicos. Ora, se a SICPA participou das licitações e se seus produtos/serviços eram específicos e únicos, inexistindo concorrentes, não seria necessária, por conseguinte, a intermediação de terceiros. De todos os documentos apresentados, tidos como elaborados pela ENIGMA, nenhum aponta a venda de produtos e serviços para a CMB, observandose apenas comentários e análises políticoeconômicas, sem qualquer vínculo com os contratos assinados, seja entre SICPA e ENIGMA ou entre SICPA e CMB. A partir de informações constantes nos sistemas informatizados da Secretária da Receita Federal do Brasil, constatouse que uma parte expressiva dos pagamentos efetuados à ENIGMA foi calculada com base no faturamento da SICPA contra a CMB. Ora, se as empresas governamentais são obrigadas a contratar mediante licitação, não se admitindo intermediações nas contratações, fica evidente que a ENIGMA não poderia obter faturamento tão elevado a título de intermediação (4 a 8% do valor total da venda líquida sem impostos de cada projeto registrado), ainda mais se considerarmos que nenhuma prova foi apresentada no que se refere à intermediação junto à CMB. É importante pontuar aqui que os pagamentos efetuados pela SCIPA à ENIGMA decorreram de despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja efetividade não foi comprovada pelo contribuinte, consideradas, por conta disso, não necessárias à sua atividade operacional, não sendo, por conseguinte, dedutíveis na apuração de seu lucro real”. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 150% sob o entendimento de ter havido dissimulação dolosa no negócio jurídico realizado. II – DA DEFESA – fls. 323 a 350 A peça de defesa apresenta os seguintes tópicos. I – Da Tempestividade Afirma ter tomado ciência em 26/12/2016 e, portanto, o prazo se encerra em 25/01/2017. II – Nulidade do auto de infração – Ausência de justificativa, presunções equivocadas – Necessário cancelamento integral da cobrança. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 790 4 Defende a nulidade sob o argumento de completa ausência de justificativa para realizar a cobrança de valores sobre patamares vultosos. Complementa que a fiscalização não logrou êxito de compreender o aspecto fático da operação comercial realizada e sequer se preocupou em elaborar uma justificativa para embasar a sua cobrança, perdendose em afirmativas equivocadas sem a devida caracterização e descrição dos elementos fáticos que embasaram o lançamento. Aduz que o artigo 304 do Decreto nº 3.000/99 não é citado pela autoridade fiscal, demonstrando a ausência de entendimento da verdade dos fatos, em que pese a robusta documentação apresentada. Afirma que, ao tentar justificar a cobrança da multa qualificada, a autoridade fiscal simplesmente realiza extensa transcrição doutrinária e de jurisprudência, mas não demonstra qual seria a suposta simulação existente e qual o crime tributário cometido. Por fim, destaca que o simples fato de se apresentar a defesa sana qualquer prejuízo à ampla defesa. II.A – Ausência de justificação por parte do fisco para realizar a autuação Nulidade do auto de infração – Inexistência de motivação. Retomando as afirmações do tópico anterior, complementa que a presente autuação traduzse em verdadeira transcrição das informações contidas no auto de infração, referente aos anos calendários de 2009 e 2010, consubstanciado no processo administrativo nº 18470.732050/201310, demonstrando que não houve a efetiva análise da documentação e a compreensão da operação realizada. II.B – Da inexigibilidade de processo licitatório Novamente afirma que as informações que serviram de base para a lavratura do auto de infração tiveram por base premissas equivocadas e, portanto, não possui o condão de motivar a autuação. Destaca que a contratação para a prestação de serviços à CMB foi inexigível de processo licitatório conforme se depreende dos contratos que apresenta. No entanto, continua, o fisco insiste no entendimento de que contratação foi realizada via licitação ou cartaconvite. II.C – Da regularidade da comissão da representante Destaca que o fisco não analisou os contratos firmados com a Representante, por não ter sido considerados elementos e dados relevantes para formação de sua convicção e efetivamente motivar a autuação. Complementa que a afirmação da autoridade atuante de que os serviços prestados não justificariam a cobrança no percentuais de 4 a 8% das vendas Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 791 5 líquidas demonstra a total ausência de análise do fisco sobre a documentação apresentada. Esclarece que os pagamentos estão dentro da normalidade e que a comissão perfazia no máximo 2%, segundo a planilha que apresenta. Acentua que o percentual de comissão pode ser livremente pactuado entre as partes, não sendo necessário, sequer, a celebração de contrato por escrito. II. D – A devida apresentação de toda a documentação solicitada durante a fiscalização. Afirma que, ao contrário do que a fiscalização alega, apresentou toda a documentação comprobatória das operações objetos da autuação, inclusive de forma organizada, com o correto nome do arquivo solicitado. II. E – Flagrante ausência de motivação: Existência de presunções infundadas. Neste tópico, basicamente, são reforçados os argumentos anteriormente registrados, inclusive citando a afirmação da fiscalização de os relatórios seriam difusos. Entende a interessada que a fiscalização não apresenta as especificidades necessárias, sendo, assim, uma motivação insuficiente e não comprovada, o que dificulta a própria defesa. II. F – Erro no valor da NF nº 135 da planilha anexo ao termo de verificação fiscal. Afirma que a nota fiscal 135 está correlacionada ao valor de R$ 103.693,17, quando o valor correto seria R$ 71.527,89 e que é esta circunstância macula por completo a presente atuação. II. G – DA CONSEQUENTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Entende que diante dos equívocos insanáveis apresentados, não pairam dúvidas de que a motivação do presente lançamento fiscal é deficiente, restando imperiosa a anulação do ato. Repete os argumentos de falta de verificação dos documentos, equívocos e presunções infundadas e conclui: “Bem por isso, é preciso ressaltar a absoluta NULIDADE dos Autos de Infração em comento, em razão de inexorável ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos no art. 50, da Lei nº 9.784”. II. H – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA RESPALDAR A PRESENTE COBRANÇA. Apresenta várias considerações para asseverar mais uma vez que Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 792 6 “Isso porque, in casu, o Fisco atuante, ao proceder com o ato da lavratura do auto de infração não declarou as exatas razões de fato e de direito que fundamentaram a presente cobrança. Frisese que o exercício do ato administrativo, em sendo uma função estatal, exige, sob qualquer hipótese, a existência da motivação e ausência desta implica em nulidade insanável...” III – DOS FATOS Apresenta relato dos procedimentos fiscais. III.A ATUAÇÃO DA IMPUGNANTE NO MERCADO BRASILEIRO – DESENVOLVIMENTO DE NOVOS MERCADOS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TECNOLOGIA. Registra que atua no mercado de tintas, pigmentos, vernizes, ceras e outras matérias primas destinadas a impressão de cédulas e outros documentos em que a segurança se faz necessária. Diante da nova tendência do mercado mundial, desenvolveu produtos e projetos para ingressar no mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos e outros bens. Assim, deparouse com a necessidade de um representante comercial para identificar potenciais mercados e clientes. III.B – DO CONTRATO FIRMADO ENTRE A REPRESENTANTE E A ORA IMPUGNANTE Diante de tal conjuntura firmou contrato com o representante, empresa privada de notória experiência na prospecção e intermediação de negócios na área de segurança. No Anexo I do referido contrato encontramse listados os produtos objeto da representação e no Anexo II os projetos em relação aos quais a representante fornecerá o suporte para desenvolvimento. Destaca que os projetos abrangem ramos e destinatários distintos, não tendo a impugnante firmado contrato apenas e unicamente em razão da contratação com a Casa da Moeda do Brasil (CMB), como inadvertidamente entendeu o fiscal autuante. III.C – DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA IMPUGNANTE À CMB – INTERESSE DA FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Descreve o relacionamento comercial com a CMB e RFB, afirmando que foi necessário um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da representante. IV – DO DIREITO Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 793 7 IV.A – DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS INCORRIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL E DO IRPJ. Apresenta a legislação que permite a dedução de tais despesas, destacando que a autoridade fiscalizadora jamais esclareceu o motivo da ausência de necessidade da atuação da representante e nem discorreu sobre a falta de relação desta com a atividade operacional da impugnante. Questiona a utilização da terminologia “relatórios difusos” usado pela fiscalização. Complementa que os relatórios não guardam relação com os serviços objeto dos contratos realizados entre ora Impugnante e CMB e, certamente, nem poderiam. Isso pois, a atuação da Representante encontrase ligado à promoção dos produtos da Impugnante e não no desenvolvimento tecnológico dos produtos. Conclui que resta comprovado que a despesa foi incorrida e que o serviço foi prestado. IV.B – DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE COMISSÃO Transcreve legislação que permite a dedutibilidade de despesas com a comissão de representante, asseverando que compete ao fisco demonstrar que os pagamentos realizados não possuem o efetivo comprovante hábil e idôneo, que estes não foram realizados e que a comissão não possui vínculo com o negócio que o motivou. IV.C A INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Aduz que a autoridade atuante não descreve qual foi a forma ardilosa e nem explica quais os fins ocultos que a impugnante objetivava com a simulação e sequer indica qual o suposto crime tributário cometido, considerando que transcreve todos os dispositivos legais sobre o tema. IV.C.1 – DA INEXISTÊNCIA DE DOLO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Assevera que não se encontram presentes nenhum dos requisitos essenciais para que se comprove a existência do elemento dolo na documentação fiscal, contábil ou demais provas apresentadas pela impugnante no que tange ao gasto despendido com relação ao representante. IV.C.2 – DA INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Sustenta que também não se encontram presentes os pressupostos para a caracterização de sonegação. IV.C.3 – DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Afirma que jamais utilizou de fraude para se esquivar das determinações legais. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 794 8 IV.C.4 – DA INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Reforça que não há na operação objeto da presente autuação, nenhum esquema de conluio ou simulação. IV.D – DA GARANTIA LEGAL E O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Realça que a autoridade administrativa não está adstrita a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelos contribuintes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. V – DO PEDIDO Requer que seja julgado improcedente o auto de infração, cancelando o lançamento tributário. A impugnante cita/descreve decisões administrativas/judiciais e entendimentos doutrinários. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu pelo acolhimento parcial da impugnação para retificar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em relação ao mês de outubro de 2011, corrigindo o valor de R$ 103.693,17 para R$ 71.527,89, e para afastar a aplicação da multa qualificada. Em função da retificação da base de cálculo de 10/2011 e do afastamento da multa qualificada, a DRJ recorreu de ofício. Inconformada, a contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual repisou as alegações da impugnação e dirigiu algumas novas diretamente aos fundamentos da decisão de piso. Passo a expor as alegações dirigidas diretamente à fundamentação da decisão da DRJ. Inexigibilidade de processo licitatório. A recorrente alega que, ao contrário do que entendeu a DRJ, a fiscalização afirmou no Termo de Verificação Fiscal que os contratos assinados entre a SICPA e a Casa da Moeda do Brasil teria decorrido de licitações. Tal entendimento seria equivocado, pois nas contratações mencionadas, haveria inexigibilidade de processo licitatório. E justifica a atuação da representante comercial nos seguintes termos: "No entanto, para que tudo isso ocorresse, foi necessária a realização de um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a ora Recorrente possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da Representante". Premissa equivocada. Representação comercial não configura prestação de serviços. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 795 9 Neste tópico, a recorrente argumenta que a representação comercial é disciplinada pela Lei nº 4.886/1965 e não configura prestação de serviço, ou seja, quando "uma das partes (prestador) se obriga para com outra (tomador), a fornecerlhe a prestação de uma atividade, mediante a remuneração". Aduz que a DRJ adotou a premissa equivocada de que representação comercial seria prestação de serviços de terceiros para concluir pela indedutibilidade da despesa. Equívoco na interpretação da expressão "relatórios difusos". A recorrente destaca que, no TVF, uma das razões apontadas pela fiscalização para fundamentar a indedutibilidade das despesas com a Enigma foi a apresentação de "relatórios difusos". De acordo com suas alegações, a DRJ teria atribuído a essa expressão o sentido de relatórios que "não refletem os serviços objetos dos contratos, fato reconhecido pela própria impugnante". Sobre a matéria, lança os seguintes argumentos: A DRJ não observou a falta de fundamentação do auto de infração, que repetiu o Termo de Verificação Fiscal de procedimento anterior. A recorrente alega que o auto de infração repete informações do procedimento fiscal anterior, consubstanciado no processo nº 18470.732050/201310, e a DRJ não observou a realidade fática relativa ao anocalendário de 2011, em que há novos documentos, contratos, notas fiscais. Não poderia a DRJ pressupor que, em 2011, os fatos são idênticos aos dos anos anteriores. Em análise perfunctória, a DRJ considerou inócua a discussão acerca dos percentuais da comissão auferida pela Enigma. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 796 10 Neste aspecto, a Recorrente alega que os percentuais chegavam, no máximo a 2% e que os pagamentos encontramse dentro da normalidade, conforme Termo Aditivo assinado em 29/09/2009. Para demonstrar a sua razão, a recorrente apresenta tabela comparando receita líquida e "valor da comissão sobre o serviço". (p. 23 do recurso voluntário) Ademais, alega a recorrente que a comissão pode ser livremente pactuada entre as partes e, no caso, estaria de acordo com o percentual empregado no mercado (2%). A DRJ entendeu que não restou demonstrada a efetividade da atividade de intermediação, apesar das evidências e provas apresentadas. A recorrente, em resposta às questões postas pela DRJ na fundamentação de sua decisão, lança os seguintes argumentos para demonstrar a efetividade da atividade de intermediação: Como dito, as demais alegações e argumentos do recurso voluntário repetem a impugnação. É o que havia a relatar. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 797 11 Os recursos de ofício e voluntário são tempestivos e atendem os requisitos legais. Deles tomo conhecimento. Preliminares de nulidade. As preliminares de nulidade da impugnação foram repisadas no recurso voluntário. Como as alegações foram bem enfrentadas na decisão a quo, penso que, nessa matéria, a decisão da DRJ deve ser mantida por seus fundamentos: II DA PRELIMINAR DE NULIDADE Em sua peça de defesa, reiteradas vezes, no tópico II e sub tópicos II.A a H, proclama ter havido cerceamento de defesa, presunções equivocadas, falta de compreensão do aspecto fático, não análise da documentação, transcrição das informações contidas no auto de infração do processo nº 18470.732050/2013 10, quando a interessada foi autuada pelos mesmos motivos, erro de transcrição do valor de uma nota fiscal, ausência de justificativa/motivação por parte da autoridade tributária, impondo, sob sua ótica, o reconhecimento de nulidade dos atos administrativos. A tese da impugnante não merece prosperar. Primeiramente porque, como se sabe, para que se exteriorize qualquer nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, deve ser atingido irremediavelmente o artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Comprovadamente o Auditor que presidiu o procedimento é servidor de carreira, integrante dos quadros da Receita Federal e competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. A impugnante antecipa e contesta o possível argumento de que a apresentação da defesa já demonstra a inexistência de cerceamento do seu direito de contestar o feito. No entanto, tal visão de futuro não tolhe a conclusão de que, realmente, no caso concreto, constatase que a impugnante teve ao seu dispor todos os elementos necessários para elaborar sua defesa. Pelo exame das peças acostadas aos autos, constatase que a autoridade fiscal atevese aos princípios da legalidade e da razoabilidade. Não se vislumbra qualquer indício de ter ido Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 798 12 além do que a lei determina. A impugnante foi regularmente intimada a apresentar os elementos, documentos e justificativas que julgasse pertinentes A conclusão fiscal amparase em determinações legais. Se a impugnante demonstrar que algum valor foi indevidamente considerado pela fiscalização, este fato não se constitui fator suficiente para nulidade e será devidamente analisado no momento oportuno. Logo, os seus argumentos não se revelam suficientes para invalidar o trabalho fiscal. Destaquese que ação fiscal, no que tange à produção de provas, é conduzida de forma unilateral pela autoridade fiscal, independentemente do contraditório e muito menos da participação direta e decisiva do fiscalizado. Obviamente, em muitos casos, a fiscalização, se entender necessário, poderá intimar o sujeito passivo a manifestarse a respeito dos fatos apurados, com a finalidade de delimitar o curso da ação fiscal. Assim é que foram emitidos vários termos de intimação, inclusive para que a impugnante apresentasse os documentos que não foram trazidos em decorrência de intimação anterior. Entretanto, não se trata de contraditório. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. As intimações, tabelas, demonstrações e explicações, constantes dos autos demonstram que a autoridade fiscal buscou diligentemente estabelecer a verdade, atuando de maneira plenamente técnica, relacionando pormenorizadamente todos os valores objetos da autuação. Não houve desconsideração da documentação apresentada, como afirma a impugnante. Simplesmente, analisando a documentação, a autoridade concluiu por insuficiente ou incapaz de demonstrar o alegado pela empresa. A ausência de indicação de artigo específico indicando a fundamentação legal que embasa o lançamento não pode ser entendida como sustentação para se admitir cerceamento ao direito de defesa se os fatos se encontram devidamente delineados nas peças fiscais. No tópico III – DOS FATOS, a impugnante demonstra o perfeito entendimento da fundamentação do lançamento efetuado, como se pode constatar pela transcrição do texto abaixo. “Segundo a Autoridade Fiscal, referido valor é devido posto que os pagamentos efetuados pela Impugnante à empresa Representante constituem despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja necessidade não foi comprovada, de modo que tais pagamentos não são passíveis de dedução na apuração do lucro real, nos termos do artigo 299 do RIR” Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 799 13 Sob o ângulo conceitual, não há de se discordar do entendimento da impugnante, que, inclusive, transcreve a respectiva legislação, segundo o qual custos e despesas, para fins de dedutibilidade, devem estar fincados em documentos hábeis e idôneos e se revestir dos pressupostos de usualidade, necessidade e normalidade. Portanto, resta ver, de acordo com o que consta nos autos, se as provas carreadas pela impugnante para tal comprovação atingem aquilo que a legislação exige. Há de se retomar o argumento da impugnante de que a autoridade fiscal não entendeu os pressupostos fáticos norteadores da operação de representação, baseandose tal somente em presunção equivocada, inclusive, tendo recorrido a termos lavrados em atuações anteriores. De fato, a autoridade fiscal registra esta situação, ao informar igual antecedente nos anos de 2009 e 2010. “Os referidos fatos constituem reiteração da infração já observada anteriormente, nos anoscalendário de 2009 e 2010, consistindo na não comprovação da efetividade dos serviços prestados a título de consultoria por terceiro, no caso, a ENIGMA CONSULTORIA, PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA(CNPJ 07.152.948/000101), conforme autuação consignada no Processo Administrativo Fiscal PAF n°18470.732.050/201310.Tal autuação, é importante que se diga, além de não ter sido objeto de qualquer impugnação, já foi devidamente quitada pelo contribuinte.” Não há qualquer indicação da fiscalização de que simplesmente os fatos ocorridos em 2011 são passíveis de tributação porque ocorreram em 2009 e 2010. A fiscalização delimita perfeitamente a situação em seu aspecto temporal e apresenta relatos de fatos acontecidos e examinados no decorrer do ano calendário de 2012. Se estes fatos são os mesmos que aconteceram anteriormente não se pode afirmar que, por consequência, a fiscalização deixou de examinar os documentos apresentados. A impugnante entende ainda que a terminologia utilizada pela fiscalização quando consigna “relatórios difusos” dificultaria a sua defesa. Afirma que: “A Fiscalização, entretanto, de forma vaga informou que se tratam de “relatórios difusos” sem ao menos caracterizar ou descrever o seu entendimento sobre a utilização destes termo”. No entanto, a assertiva da impugnante, em sequência ao parágrafo acima transcrito, revela patente contradição, pois ela mesmo reconhece que os relatórios não guardam correspondência com os serviços a serem prestados constantes dos contratos. Confirase: “Ainda assim, impende salientar que os relatórios não guardam relação com os serviços objeto dos contratos realizados entre ora Impugnante e CMB e, certamente nem poderiam. Isso pois, a atuação da Representante encontrase ligado à promoção dos Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 800 14 produtos da Impugnante e não no desenvolvimento tecnológico dos produtos”. Não se compreende, portanto, o questionamento da impugnante quanto à assertiva da fiscalização segundo a transcrição do parágrafo onde a fiscalização aborda tal tema. “Os serviços de consultoria prestados restringiramse a “relatórios difusos”, regularmente fornecidos pela ENIGMA, que não têm nada a ver com os serviços objetos dos contratos entre as partes, e não justificariam a cobrança de honorários tão elevados (4 a 8% das vendas líquidas ao principal cliente da SICPA, cerca de 97% do seu faturamento, a Casa da Moeda do Brasil –CMB)” Como se pode perceber, sem adentrar em considerações semânticas, o termo “difuso” quer significar que não refletem os serviços objetos dos contratos, fato reconhecido pela própria impugnante. Da mesma forma, sustentar que possível equívoco de entendimento do fisco sobre a forma de contratação da impugnante por parte da CMB seria prova de ausência de motivação, revela descuidada leitura da peça fiscal. A fiscalização não afirma que a contratação FORA realizada via licitação ou cartaconvite como assinala a impugnante, mas sim que DEVERIA, conforme o trecho a seguir transcrito, com o destaque adicionado. “A CMB tratandose de uma empresa governamental, DEVERIA contratar por meio de licitação ou cartaconvite...” Certamente, tais argumentos não podem ser aceitos como causa de nulidade. Também não são fundamentos para reconhecimento de nulidade possíveis erros de transcrição de valores ou divergências de percentuais consignados nos autos, se tais equívocos podem ser sanados sem qualquer prejuízo à impugnante, se for o caso. Enfim, constatase que a autoridade administrativa, verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributária, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, propôs a aplicação da penalidade que entendeu cabível, constituiu o crédito tributário e deu ciência à impugnante, sem qualquer ofensa aos preceitos legais. Por tudo que foi exposto, não merecem guarida os argumentos da impugnante por serem frontalmente contrários às provas trazidas aos autos e a legislação de regência. Não se materializou qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, para que se caracterizasse a nulidade. Neste ponto, diante de robusta fundamentação, voto por afastar as preliminares de nulidade. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 801 15 Mérito. De pronto, impende delinear a questão fulcral para o deslinde do presente feito. Tratase de matéria probatória atinente à dedutibilidade da despesa com a representação comercial prestada pela Enigma Consultoria, Participações e Representações Ltda (doravante, Enigma) à recorrente. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora resume a fundamentação para a indedutibilidade das despesas com a representante Enigma na seguinte forma: Cabe, assim, considerar que os pagamentos efetuados pela SICPA à ENIGMA constituem despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja efetividade não foi comprovada, sendo tais pagamentos, portanto, não necessários à sua atividade operacional, não sendo, portanto, dedutíveis na apuração de seu lucro real, conforme prevê o artigo 299 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), a saber: "Art.299 São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade operacional da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 4.506, art.47) § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei 4.506, art.47, § 1º); § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei 4.506, art.47, § 2º).” A autoridade lançadora, seguindo a dicção do artigo 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda vigente à época dos fatos jurídicos tributários (Decreto nº 3.000/99), afirma que as despesas não foram comprovadas e, portanto, não se enquadram como despesas necessárias para a contribuinte. Despesas não necessárias são indedutíveis para fins de IRPJ, em consonância com a determinação do artigo 249, I, do RIR/99, que faz parte do enquadramento legal utilizado pela autoridade lançadora, conforme se pode constatar nos autos de infração. Tenho para mim que, quando se fundamenta uma glosa com a alegação de "despesa desnecessária", diferentemente do que se observa em parte da doutrina e da jurisprudência, não se está necessariamente tratando de matéria distinta de "despesa não comprovada". Explico. É possível tecer considerações in abstrato acerca da usualidade, normalidade, utilidade de determinada despesa para a atividade econômica desenvolvida por determinada pessoa. Neste caso, mesmo uma despesa efetivamente paga e incorrida poderia ser indedutível por ser desnecessária à atividade de forma geral. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 802 16 Mas, quando se examina uma despesa não incorrida, ou seja, uma despesa cuja efetividade não seja comprovada, é possível dizer que in casu aquela despesa é desnecessária para a atividade daquela pessoa específica. A atividade econômica é desenvolvida sem necessidade de que ela efetivamente ocorra. É o que se pode depreender da dicção do dispositivo normativo citado acima, quando assevera que são necessárias as despesas incorridas. Não obstante essa digressão, a jurisprudência deste Conselho é firme na direção de considerar dedutíveis somente as despesas que o contribuinte comprove que foram efetivamente incorridas, com documentos hábeis e idôneos. Para ilustrar, trazemos à colação o Acórdão nº 1302003.088, cuja ementa, na parte que importa, restou consignada nos seguintes termos: DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÕES PARA SUA DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. Para que uma despesa ou custo seja dedutível, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, é necessário que os documentos emitidos por terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e idôneos. A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de certeza absoluta; é preciso, acima de tudo, que fique provada sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos. Sujeitam se, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica. Eventual prestação de serviços deve ter sua efetividade amparada em documentos hábeis e idôneos. (Acórdão nº 1302003.088, de 18/09/2018, relatoria do conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa) Da fundamentação da decisão, vale destacar o seguinte trecho, que se amolda à perfeição à matéria tratada neste feito: Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. O contrato particular de prestação de serviço, as notas fiscais e comprovantes de pagamento apresentados pela recorrente não são suficientes, por si sós, para comprovar que os serviços foram efetivamente prestados. Ademais, mesmo intimada e reintimada, a recorrente não apresentou a descrição pormenorizada dos serviços prestados pela Ambapar, bem como provas da sua efetiva prestação. (grifei) No mesmo diapasão, a jurisprudência desta Turma respalda a glosa de despesas não comprovadas, conforme se pode constatar na seguinte ementa: Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 803 17 GLOSA DE DESPESAS CONSIDERADAS INEXISTENTES. EFETIVIDADE DAS DESPESAS NÃO COMPROVADA. Para que possa deduzir a despesa da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o contribuinte deve provar, primeiramente, a sua efetividade, ou seja, que a despesa realmente foi incorrida e que a contraprestação foi recebida e não o fisco quem deve provar a sua inexistência para a glosa. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados desde que comprovados por documentos hábeis, sendo esta condição inafastável. (Acórdão nº 1401002.738, de 25/07/2018, relatoria da conselheira Lívia De Carli Germano) (grifei) A partir da jurisprudência citada, podese extrair alguns elementos sólidos para a análise do caso vertente, a saber: (i) a despesa somente é dedutível se a efetividade for comprovada; (ii) a prova incumbe à contribuinte; (iii) a escrituração desacompanhada de documentos comprobatórios e a simples apresentação de notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamento não são suficientes para a dita comprovação; e (iv) a fiscalização dever ter intimado a contribuinte de forma específica a fazer tal comprovação. Antes de se partir para a análise de cada um desses elementos, é preciso contextualizar o presente caso, a partir das provas juntadas aos autos e de outras normas, não tributárias, que dizem respeito à matéria. Segundo a descrição feita pela contribuinte, ela "empreendeu esforços e desenvolveu produtos e projetos para ingressar no mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos ou outros bens". Informa tratarse de mercado novo e bastante específico e, neste esforço, com vistas a ultrapassar tais dificuldades e almejar a atuação e desenvolvimento neste setor especializado e restrito, a Recorrente deparouse com a necessidade de suporte de um representante comercial para identificar potenciais mercados e clientes interessados em seus novos serviços, muito diferentes do seu tradicional mercado de tintas, pigmentos, vernizes e ceras. Com esta finalidade, contratou a Enigma, "empresa privada de notória experiência na prospecção e intermediação de negócios na área de segurança". É cristalino que não se trata aqui de empresas neófitas, inexperientes. O mercado no qual se inserem é bastante especializado, que depende de tecnologia e informação, e a representação comercial envolveria especialmente levar esse trabalho especializado na prospecção de novos clientes e oportunidades de negócio. Portanto, é de se esperar que haja relatórios, orçamentos, cotações, ordens de compra, trocas de emails, registros de documentos encaminhados entre as partes, comprovantes de despesas, atas de reuniões, enfim, uma diversidade de documentos que poderiam ser apresentados para comprovar que os serviços efetivamente foram realizados e, assim, a despesa efetivamente incorrida. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 804 18 Para que a afirmação acima não fique apenas na conta da percepção deste conselheiro, é oportuno demonstrar que os citados elementos advêm de deveres legais e contratuais, conforme se passa a demonstrar. Primeiro, a Lei nº 4.886/1965, que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos. O artigo 28 deste diploma legal determina que: Art. 28 O representante comercial fica obrigado a fornecer ao representado, segundo as disposições do contrato ou, sendo êste omisso, quando lhe fôr solicitado, informações detalhadas sôbre o andamento dos negócios a seu cargo, devendo dedicarse à representação, de modo a expandir os negócios do representado e promover os seus produtos. (grifei) O representante deve, então, por determinação legal, ter suas atividades registradas de forma detalhada para que possa apresentálas ao representado, mesmo que o contrato seja omisso sobre a matéria. Todavia, merece destaque que os contratos não são omissos sobre a matéria. Por exemplo, no contrato firmado em 25/10/2006 (arquivo não paginável, fls. 245), a cláusula 3ª determina: No mesmo contrato, na Cláusula 5.2: Mesmo contrato, Cláusula 8: Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 805 19 No Termo Aditivo de Contrato firmado em 29/09/2010, a Cláusula terceira inclui uma Cláusula 7.2 no contrato, com o seguinte teor: Além das obrigações da contratada acima mencionados, os contratos também trazem obrigações para a representada cujos registros documentais também poderiam contribuir para a prova da efetiva prestação de serviço. O citado contrato de 2006 determina uma obrigação para a representada: No aditivo firmado em 25/10/2006, a Cláusula 3 prevê: Portanto, é de se concluir que as provas, que ora se exige em decorrência da norma tributária, para fins de dedutibilidade da despesa, são inerentes à atividade de representação, por força legal e contratual. O regular cumprimento das obrigações legais e contratuais acima mencionadas deveria gerar um robusto conjunto probatório, suficiente para comprovar a efetividade da prestação dos serviços para fins de dedutibilidade da despesa para fins de apuração de IRPJ e CSLL. Ademais, não se trata de empresa que esteja engatinhando no mercado, que eventualmente ainda não tivesse suficiente organização para registrar suas atividades e arquivar documentos, pois, segundo as alegações contidas no recurso voluntário, a contribuinte contratou uma empresa com experiência e expertise num mercado bastante especializado, para realizar uma tarefa de relevante importância comercial. Não há dúvida de que, se o serviço de representação comercial houvesse sido mesmo prestado, os documentos, relatórios, comunicações mencionados existiriam e teriam sido apresentados pela recorrente. Mas, até o momento, não houve tal comprovação. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 806 20 Voltandose aos elementos necessários para a verificação da dedutibilidade das despesas sob análise, mencionados anteriormente com fulcro na jurisprudência do CARF, é de se iniciar pelo requisito que fica a cargo da autoridade lançadora: intimar a contribuinte de forma específica para que apresente as provas da efetividade da prestação do serviço. No Termo de Intimação Fiscal nº 02, a autoridade lançadora intimou o contribuinte a apresentar a comprovação dos lançamentos contábeis das contas contábeis 4405006000 e 4414000080. Em atendimento à intimação, a contribuinte apresentou notas fiscais, contratos, comprovantes de pagamento e registros contábeis. Mas, como dito anteriormente, a simples apresentação de contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamento não tem o condão de suprir a prova exigida pela norma tributária, que requer a comprovação da efetividade da despesa. Vale ressaltar que as notas fiscais juntadas aos autos trazem, na descrição dos serviços prestados, apenas a informação de que se trata de pagamento de comissão conforma determinada cláusula contratual. Não há nenhuma descrição pormenorizada dos serviços efetivamente prestados. Destarte, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 03, no qual intimou a contribuinte, de forma específica, a comprovar a efetividade da prestação de serviços no anocalendário de 2011, que é o período abarcado pelo presente processo: Especificamente em relação ao item A.7 do Termo de Intimação Fiscal nº 03, a contribuinte apresentou os ditos "relatórios difusos" (arquivo não paginável, fls. 216). São difusos porque tratam de assuntos gerais, não tratam do mercado específico de atuação da representada, para o qual a Enigma foi contratada. Com os exemplos abaixo, a compreensão da expressão "relatórios difusos" ficará cristalina. Por exemplo, o relatório de janeiro de 2011 trata, no item I, do discurso de posse da Presidente Dilma Rousseff; no Item II, da evolução da produção mensal da indústria de bebidas; no item III do comércio exterior e do déficit em contas correntes e, por fim, de cenários de inflação, câmbio e juros. O de fevereiro trata da ata do Comitê de Política Monetária (COPOM), de preços de alimentos no mercado mundial, a questão do salário mínimo. O de abril trata exclusivamente do relatório da Organização Mundial para a Saúde sobre o consumo de álcool no mundo. O de junho trata, dentre outros assuntos gerais, do programa Brasil sem Miséria, do governo federal. Os relatórios de novembro e dezembro de 2011 são exatamente iguais e tratam de matérias gerais de economia, como juros, PIB, spreads bancários e até do analfabetismo no Brasil. Sem desmerecer a importância de temas como o analfabetismo, a erradicação da pobreza e os males do consumo excessivo de álcool no mundo, evidentemente não são temas que digam respeito à contratação de uma empresa com experiência e expertise em Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 807 21 representação comercial, com vistas ao desenvolvimento das atividades comerciais num mercado especializado. Os relatórios não tratam de forma específica do "mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos ou outros bens" para o qual a Enigma teria sido contratada. E nenhum relatório aborda reuniões, clientes, produção, cotações, ordens de compra, pedidos, comunicações, perspectivas de novos negócios, contatos, que seriam, como visto anteriormente, inerentes à atividade se ela fosse efetivamente exercida. É oportuno destacar que a contribuinte não juntou, na impugnação ou no recurso voluntário, qualquer outro documento com o objetivo de suprir a falta de comprovação da efetividade da despesa, fato que foi apontado pela autoridade lançadora como fundamento da glosa. Não há outra conclusão a não ser dizer que os documentos juntados não comprovam a efetividade da prestação de serviços, que é requisito para a dedutibilidade da despesa correspondente na apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Decidida a questão central da presente lide, é de se voltar para as alegações lançadas pela defesa da recorrente, iniciandose pelas questões que dizem respeito diretamente à decisão de piso, ora combatida. Inexigibilidade de processo licitatório. A questão do processo licitatório mencionada no Termo de Verificação Fiscal, a meu sentir, tem o condão apenas de trazer um contexto para o exame da questão central, que é a efetividade da prestação de representação comercial, quando se trata de contratação com o poder público. O processo licitatório é um ícone da transparência e da moralidade às quais a Administração Pública está vinculada. Assim, mais um motivo para o trabalho de convencimento da Enigma ser documentalmente registrado, inclusive por documentos públicos. Afinal, como se deu o alegado "trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a ora Recorrente possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB"? A questão tributária central, que fundamenta o lançamento de ofício, não é se a contratação da recorrente com o poder público decorreu de processo licitatório, mas se houve efetivamente uma prestação de serviço de representação comercial por parte da Enigma. A recorrente argumenta que houve inexigibilidade de processo licitatório. Há atas e relatórios de reuniões ou documentos e propostas, que demonstrem esse trabalho de convencimento? A recorrente não apresentou nenhum elemento de prova que demonstre, por exemplo, quem, em nome da Enigma, teria se reunido com representantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Casa da Moeda do Brasil para tratar dos interesses comerciais da recorrente. Não apresentou elementos que registrem se tais reuniões teriam ocorrido, quem seriam os representantes da RFB e da CMB. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 808 22 Nada a comprovar a efetiva prestação do serviço de representação comercial. Os fatos apurados pela fiscalização teriam se dado no contexto de contratação entre a recorrente e o poder público. Todavia, o fato da contratação entre a recorrente e o poder público decorrer ou não de processo licitatório não afeta o fundamento do lançamento de ofício. O fundamento é a falta de comprovação da efetividade da despesa. Premissa equivocada. Representação comercial não configura prestação de serviços. Um dos primeiros argumentos lançados pela recorrrente em face da decisão da DRJ é que esta teria adotado uma "premissa equivocada" , "tendo em vista que o órgão julgador partiu do pressuposto de que o caso vertente é sobre prestação de serviço realizado por terceiro". Aduz o contribuinte que há clara distinção entre prestação de serviços e contrato de representação comercial. Um exame, mesmo que superficial, das normas jurídicas aplicáveis, da jurisprudência e até mesmo da doutrina trazida à colação pelo próprio contribuinte será suficiente para demonstrar que a alegação não pode prosperar. Inicio com a citação que o contribuinte fez das lições de Sérgio Pinto Martins: A característica fundamental do representante comercial autônomo é a sua autonomia, tanto que o art. 1º da Lei 4.886 prevê que não há vínculo de emprego entre as partes. O representante comercial autônomo não é dirigido ou fiscalizado pelo tomador de serviços, não tem obrigação de cumprir horário de trabalho, de produtividade mínima, de comparecer ao serviço, etc. O trabalhador autônomo não tem de obedecer às ordens, de ser submisso às determinações do empregador. Age com autonomia na prestação dos serviços. O representante comercial autônomo recebe apenas diretivas, orientações ou instruções de como deve desenvolver seu trabalho, não configurando imposição ou sujeição ao tomador dos serviços, mas apenas de como tem de desenvolver seu trabalho, caso queira vender os produtos do representado (grifei) Observandose as partes grifadas, vêse que o autor trata a representação comercial como uma prestação de serviço. É cristalino que o trecho selecionado pelo contribuinte faz tãosomente uma distinção entre a prestação de serviços autônomos e a relação de emprego. A submissão às determinações, à direção e à fiscalização, a cumprir horários, a obedecer ordens, citadas no texto, são típicas da relação de emprego. A relevância dessa distinção pode ser observada fartamente na Justiça do Trabalho, como se pode ver no seguinte excerto: O Regional, com base na análise do contexto fáticoprobatório, concluiu pela descaracterização da figura de representante comercial e, por outro lado, pela existência de verdadeira relação de emprego entre o reclamante e a ora recorrente. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 809 23 Consignou que a reclamada, com o fito de isentarse dos encargos trabalhistas, instituía com requisito de admissão a abertura de empresa em nome do vendedor. Registrou que a própria testemunha da reclamada, por intermédio de seu depoimento, demonstrou que havia pessoalidade e subordinação, haja vista os fatos de que o trabalho do reclamante era especializado, não podendo ser substituído por terceiro, bem como que se submetida a uma programação determinada pela central de atendimento da Xerox; que trabalhava em equipe vinculada a um supervisor (empregado da reclamada) e, que deveria atender aos clientes de certa base territorial, sob pena de a ora recorrente entender que não haveria motivo para mantêlo. Concluiu, assim, que não prevalecia a alegada autonomia de representante comercial. Assentou, também, que a não eventualidade ficou evidente e sequer foi impugnada". (Acórdão exarado pela 8ª Turma do TST no Recurso de Revista nº TSTRR1515/20031131500.0, de 04/06/2008) O texto trazido pela contribuinte não faz nenhuma distinção entre representação comercial e prestação de serviços. Ao contrário, pois notase claramente que o autor trata o representante comercial como prestador de serviços e o representado como tomador de serviços. Passandose ao exame da Lei nº 4.886/1965, que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos, temse no artigo 42 a menção explícita à prestação de serviços, verbis: Art. 42. Observadas as disposições constantes do artigo anterior, é facultado ao representante contratar com outros representantes comerciais a execução dos serviços relacionados com a representação. Para por uma pá de cal em qualquer controvérsia na esfera do direito privado, trago à colação o excerto abaixo do voto do Ministro Paulo de Tarso Sanseverino no acórdão exarado, por unanimidade, pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no RE nº 1.678.551/DF: Com efeito, a representação comercial é uma espécie de prestação de serviço, inexistindo qualquer incompatibilidade lógica entre as disposições gerais previstas no Código Civil. [...] Como já aludido, a ausência deste registro não obsta que o prestador de serviço exija a devida contraprestação, as comissões devidas pelos serviços trabalhos prestados, com base nas regras gerais previstas no Código Civil". (Acórdão de 06/11/2018). (grifei) Também na legislação tributária, a representação comercial é tratada como prestação de serviço, como se pode observa no artigo 18, § 5ºI, VII, da Lei Complementar 123/2006, verbis: § 5oI. Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 17 desta Lei Complementar, as seguintes atividades de prestação de serviços serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 810 24 [...] VII representação comercial e demais atividades de intermediação de negócios e serviços de terceiros; (grifei) Da mesma forma, a Lei Complementar nº 116/2003, que veicula as normas nacionais relativas ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, registra, no item 10.09 da lista de serviços anexa, que a representação de qualquer natureza, inclusive comercial, é sujeita ao ISS. É tão evidente que a atividade de representação comercial configura uma prestação de serviços que a própria recorrente, ao elaborar a planilha de fls. 23 de seu recurso voluntário, comparou a receita líquida mensal com o "Valor NF/comissão sobre serviço". Em que pese a questão essencial neste feito cingirse à indedutibilidade de despesas não incorridas, não há, a partir dos argumentos expostos acima, como acolher o argumento da recorrente de distinção de prestação de serviço e representação comercial. Equívoco na interpretação da expressão "relatórios difusos". Este tema já foi abordado anteriormente e já se demonstrou, inclusive com exemplos extraídos dos próprios relatórios, que se trata de textos que abordam assuntos genéricos, completamente desvinculados do trabalho especializado para o qual a Enigma teria sido contratada. A DRJ não observou a falta de fundamentação do auto de infração, que repetiu o Termo de Verificação Fiscal de procedimento anterior Neste tópico, é oportuno lembrar que já se assentou neste voto que incumbe ao sujeito passivo o ônus jurídico de comprovar a efetividade da prestação de serviço, de forma que a despesa possa ser dedutível para fins de IRPJ e CSLL. A recorrente, apesar de intimada para tal pela autoridade lançadora, não apresentou elementos probatórios da efetiva ocorrência da despesa no ano de 2011. Está correta a fundamentação da decisão da DRJ, que observou que a fiscalização não se limitou a reproduzir argumentos de procedimentos e períodos anteriores. A fiscalização identificou perfeitamente as contas contábeis, os lançamentos, e requereu a comprovação da efetividade das despesas em 2011, conforme descrito alhures. Portanto, não houve falta de fundamentação ou mera repetição de fundamentos de fato ou jurídicos de períodos anteriores. A alegação da recorrente não deve prosperar. Em análise perfunctória, a DRJ considerou inócua a discussão acerca dos percentuais da comissão auferida pela Enigma A questão dos percentuais de comissão previstos nos contratos e aditamentos serve apenas para demonstrar a relevância da prestação de serviço de representação comercial Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 811 25 sob análise. Os percentuais variaram ao longo do tempo, nos diversos contratos e aditamentos. Contudo, é de se reafirmar que esse não é o fundamento para a glosa da despesa indedutível. A glosa da despesa está calcada na falta de comprovação de sua efetividade. Assim, tem razão a DRJ ao considerar a discussão acerca do percentual de comissão irrelevante para o deslinde do feito, no que diz respeito ao mérito. Afinal, já ficou devidamente assentado neste voto que o fundamento do lançamento de ofício é a falta de comprovação da efetiva ocorrência das despesas com a representação comercial. No que diz respeito aos valores lançados, a autoridade lançadora utilizou os montantes escriturados na contabilidade e nos documentos fiscais da recorrente. Ou seja, a fiscalização não se baseou nos percentuais contratados, mas nos valores efetivamente registrados como despesa. Erro na base de cálculo. A DRJ, nesta matéria, acolheu parcialmente a impugnação da contribuinte para corrigir a base de cálculo de 10/2011. A apuração dos demais meses de 2011 não foi contestada pela contribuinte. Neste tópico, não há o que se reparar na decisão da DRJ. A DRJ entendeu que não restou demonstrada a efetividade da atividade de intermediação, apesar das evidências e provas apresentadas. Na fundamentação da decisão de piso, a DRJ argumentou que os elementos probatórios necessários para comprovar a efetividade da prestação de serviço deveriam demonstrar quem a realizou, quando e como. À evidência, queria dizer que a contribuinte deveria comprovar com fatos específicos, nos moldes já expostos neste voto. No recurso voluntário, para as duas primeiras perguntas, a recorrente trouxe as respostas genéricas citadas anteriormente. Quando? No momento em que "deparouse com a necessidade de se adaptar a novo mercado mundial". Quem? A Enigma. No que diz respeito à terceira questão (Como?), a recorrente menciona "relatórios elaborados pela Representante com informações sobre a necessidade do mercado, promoção dos produtos, identificação de potenciais clientes, realização de reuniões, contatos, negociações". Contudo, como já se destacou anteriormente, não há nenhum relatório nos autos que especifique reuniões ocorridas, identifique potenciais clientes, contatos ou negociações. Não há um documento que demonstre como seria feita a promoção de produtos. E os relatórios que foram apresentados pela contribuinte não tratam do mercado especializado para o qual a Enigma teria sido contratada. Não há o que acolher na argumentação da contribuinte. Diante do exposto, tenho que, no mérito, a decisão de piso deve ser mantida com seus fundamentos, abaixo colacionados, que se somam aos lançados por este relator até o momento. III – DO MÉRITO Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 812 26 A exigência tributária tem como fundamento o entendimento da autoridade fiscal de que os pagamentos efetuados pela SCIPA à ENIGMA decorreram de despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja efetividade não foi comprovada. Para subsidiar esta conclusão, a fiscalização registra que a CMB, por ser órgão governamental, somente pode contratar mediante licitação, não podendo aceitar intermediação de terceiros em referidas operações. Complementa: “Ora, se a SICPA participou das licitações e se seus produtos/serviços eram específicos e únicos, inexistindo concorrentes, não seria necessária, por conseguinte, a intermediação de terceiros.” A impugnante, por seu turno, defende que houve a real necessidade de contratar representante para viabilizar os seus negócios. Registra que atua no mercado de tintas, pigmentos, vernizes, ceras e outras matérias primas destinadas a impressão de cédulas e outros documentos em que a segurança se faz necessária. Diante da nova tendência do mercado mundial, desenvolveu produtos e projetos para ingressar no mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos e outros bens. Assim, deparouse com a necessidade de um representante comercial para identificar potenciais mercados e clientes. Por consequência, firmou contrato com a empresa Enigma, de notória experiência na prospecção e intermediação de negócios na área de segurança, como forma de apresentar novas possibilidades de negócios e perspectivas de expansão do mercado brasileiro. Assinala ainda que a atividade realizada pela Representante é a representação comercial comissionada, segundo contrato firmado. Apresenta cópia de contrato firmado em 2005 (Doc. 04), destacando que o objeto consiste na representação dos produtos SICPA listados no Anexo de Produtos (Anexo I). O Anexo II traz a listagem dos projetos em relação aos quais a Representante fornecerá o suporte para desenvolvimento. Destaca que os projetos estão sujeitos a alterações e atualizações, dependendo dos potenciais negócios identificados pelo Representante. Assim é que no contrato firmado em 2006 foram incluídos novos projetos. Destaca ainda que se trata de serviço típico de representação, não tendo firmado contrato com a Representante apenas e unicamente em razão da contratação com a Casa da Moeda do Brasil, como inadvertidamente entendeu o fiscal autuante. Complementa que alguns projetos não obtiveram sucesso, a exemplo do projeto 2 direcionado à indústria farmacêutica. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 813 27 Na seqüência, a impugnante faz considerações sobre os serviços que presta à CMB, afirmando que, diante do rol de novos projetos que foram confiados à representante, esta identificou que tais projetos poderiam ser do interesse da Receita Federal do Brasil e realizou a promoção e apresentação dos seus produtos, inclusive participando de procedimentos de implementação e realização de eventuais adaptações do sistema. Enfim, sustenta que foi necessário um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a impugnante possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da representante. Afirma que apresentou relatórios elaborados pela representante, baseados em informações sobre a necessidade do mercado e não guardam relação com o volume de venda, já que o êxito da promoção dos produtos encontrase vinculado à tarefa de identificação de potenciais clientes. Em suma, prossegue, no exercício da representação, além dos relatórios emitidos, o ponto essencial da atividade é a realização de reuniões, contatos, negociações, de forma a promover os produtos, bem como identificar potenciais interessados. Arremata afirmando que o relatório por si só não tem o condão de potencializar o êxito na identificação e desenvolvimento dos novos negócios, para viabilizar a inserção no novo mercado. Salienta ainda que os relatórios não guardam relação com os serviços objeto dos contratos realizados com a CMB e, certamente, nem poderiam. Isso pois, a atuação da Representante encontrase ligado à promoção dos produtos e não no desenvolvimento tecnológico dos mesmos. Finaliza, asseverando que a despesa restou evidentemente comprovada, com base nas seguintes documentações: (i) as notas fiscais apresentadas constam descritivo detalhado do item do contrato firmado entre a Impugnante e a Representante, não se tratando de mera informação genérica para fins de preenchimento formal do documento fiscal; (ii) as notas fiscais demonstram com clareza o item do contrato, sobre o qual foi calculado o percentual da comissão, assim como o destinatário e os valores envolvidos, todos estes individualizados; (iii) todas as notas fiscais foram apresentadas em conjunto com o respectivo comprovante de transferência bancária dos valores para a Representante, o que evidencia o desembolso do valor pela Impugnante; (iv) os contratos apresentados demonstram a metodologia de cálculo do pagamento da comissão, de modo que a remuneração será realizada com base em percentual dos negócios exitosos, o que demonstra a correlação das comissões, com base na efetiva atuação da Representante; Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 814 28 (v) foram apresentadas diversas planilhas demonstrativas correlacionando notas fiscais com os lançamentos contábeis. Por tudo que se encontra registrado nos autos, sem dúvida o cerne da questão restringese à análise da real necessidade da prestação do serviço de representação para propiciar à impugnante a consecução do seu objetivo social, mediante efetiva e comprovada intermediação nos atos negociais correspondentes. Assim, concluo improdutivo abordar a efetividade dos pagamentos, até porque a fiscalização não contesta este fato. Ao contrário, confirma que os pagamentos foram realizados sem a contrapartida da prestação dos serviços, por desnecessária. Isto posto, passemos à análise dos pontos levantados e dos documentos acostados aos autos. A impugnante entende que os contratos firmados com a representante se constituem em elementos probatórios da efetiva prestação de serviços, contestando, como já assinalado anteriormente o termo “difuso” adotado pela fiscalização quando se referiu aos relatórios produzidos pela representante contratada. No tópico III.B quando aborda o contrato firmado, a impugnante apresenta o documento 04 que é uma cópia do referido contrato, cujo objeto é transcrito em sua peça de defesa, explicitando que se trata da representação dos produtos SICPA listados no “Anexo de Produtos”, ora denominado ANEXO I. Constatase que o referido contrato previa a intermediação da representante em possíveis negócios da impugnante. Por certo, tal previsão não significa necessariamente a realização da intermediação, ainda que o negócio tenha sido efetivado. Em outras palavras, a simples existência de contratos prevendo a prestação de serviços não se presta para comprovar a efetividade dos mesmos. Para comprovar a efetividade da representação por parte da Enigma, a impugnante afirma que a representante identificou os projetos que poderiam ser do interesse da Receita Federal do Brasil e realizou a promoção e apresentação dos seus produtos, inclusive participando de procedimentos de implementação e realização de eventuais adaptações do sistema. Sustenta que foi necessário um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a impugnante possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da representante. Impende registrar que é certo e inquestionável que órgãos governamentais, para contratar serviços ou adquirir bens, devem obedecer às determinações da Lei nº 8.666/93 e alterações posteriores. A regra geral é a licitação, ressalvadas as hipóteses prevista na citada lei. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 815 29 A impugnante contesta as afirmações da fiscalização a este respeito e afirma que a contratação “para a prestação de serviço à CMB foi inexigível de processo licitatório”. No entanto, saber que a referida contratação se deu mediante inexigibilidade não significa que, para isto, fora necessária a participação de um representante. Em regra, a contratação, sob qualquer modalidade, se realiza diretamente entre o fornecedor e o órgão público, sem intermediação de terceiros. Por outro lado, não vislumbro impedimento de que a prestadora de serviços ou de bens, se veja compelida a suportar despesas com seus representantes comerciais. No entanto, para deduzir tais despesas da base de cálculo de tributos, nos termos da legislação de regência, é imprescindível que seja suficientemente demonstrada a efetividade da intermediação. E esta demonstração, no presente caso, não se verifica. A impugnante restringese a simples alegações. Não indica quando, quem, como, quais os documentos gerados pela representante, enfim as circunstâncias em que os contatos de convencimento, demonstração e participação por parte da representante foram realizados. No que diz respeito ao questionamento sobre o percentual aventado pela fiscalização, entendo que tal discussão revelase inócua. A fiscalização não produziu qualquer cálculo para determinar a base tributável. Utilizou simplesmente o valor contabilmente registrado. A impugnante aduz que a fiscalização cometeu erro com relação ao valor da nota fiscal 135, quando indicou na planilha o valor de R$ 103.693,17 e o valor correto seria R$ 71.527,89, indicando o documento 08 como elemento probatório. Tratase de cópia da referida notafiscal, emitida em 06/10/2011, para pagamento de comissão à Enigma. De fato, na planilha de fls. 261 a 262 – Documentos Diversos – Outros – Anexo ao TVF, assim como nos respectivos autos de infração, encontrase consignado o valor de R$103.693,17 para compor o total da base de cálculo de R$ 20.934.437,52. Pelo exposto, resta devidamente evidenciado que a impugnante não logrou comprovar a efetividade da prestação dos serviços de representação por parte da Enigma, razão pela qual, concluise pela impossibilidade da dedução dos valores para efeito de apuração da base tributável dos tributos em comento. Por outro lado, assistelhe razão quanto ao equívoco do registro da nota fiscal 135. No mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Recurso de ofício. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 816 30 O recurso de ofício é composto de duas matérias, a saber, a retificação da base de cálculo de 10/2011 de R$ 103.693,17 para R$ 71.527,89 e o afastamento da aplicação da multa qualificada. Em relação à retificação da base de cálculo de 10/2011, conforme já manifestado anteriormente na decisão de mérito, a decisão da DRJ apenas corrigiu um erro na apuração de ofício da autoridade lançadora. Assim, nesta parte, o recurso de ofício deve ser negado. Contudo, penso que a decisão da DRJ deve ser reformada no que tange à qualificação da multa. A qualificação da multa de ofício de 75% para 150% está prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 e depende da configuração de uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A qualificação da multa depende, portanto, da comprovação da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio. Em síntese, a autoridade lançadora fundamentou a qualificação da multa na conduta fraudulenta do contribuinte nos seguintes termos: Deduzindo despesas relativas aos serviços prestados pela ENIGMA, cuja efetiva prestação não logrou comprovar,o contribuinte fez aumentar artificialmente os seus custos e despesas. Por meio dessa simulação dos fatos, engendrada, exclusivamente, com intuito de encobrir o negócio efetivamente realizado, o contribuinte esquivouse, de forma ardilosa, do pagamento de tributos. [...] Caracterizado os atos jurídicos praticados pelo contribuinte, como atos em que se objetiva impedir a ocorrência do Fato Gerador da Obrigação Tributária, ou que fosse mais brando, o não conhecimento da ocorrência do Fato Gerador, não há como se deixar de tipificar o crime tributário, ensejando, desta forma, a aplicação da majoração da multa qualificada de 150% (Cento e cinquenta por cento), como prediz o artigo 44, inciso I, e parágrafo 1º, da Leinº 9.430/1996 ( com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007). No caso sob exame, tratase de fraude, que, segundo o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, significa tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. De todo o exposto, no que diz respeito ao elemento objetivo do tipo, é cristalino que a contribuinte inseriu na escrituração contábil e fiscal despesas não incorridas. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 817 31 Os documentos fiscais, lançamentos contábeis e contratos serviram somente para dar uma aparência de prestação de serviço de representação comercial que, de fato, não ocorreu. As despesas irregulares reduziram de forma ilícita as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Mas, a norma requer o exame do aspecto subjetivo. Requer que a autoridade comprove o dolo. Ora, é cediço que a comprovação do dolo, no mais das vezes, é feita a partir da observação das condutas efetivamente adotadas pelo sujeito passivo, a partir da linguagem das provas. Afinal, a autoridade do Estado não está presente no momento da ocorrência dos eventos no mundo fenomênico para atestar em primeira mão com que intenção direta ou indireta (assumindo o risco de produzir determinado efeito) o sujeito passivo realiza os atos em questão. O que restou provado nos autos é que a contribuinte praticou atos ilícitos relevantes de forma reiterada nos anos de 2009, 2010 e 2011. São dezenas de documentos, como contratos, aditamentos e notas fiscais, bem como lançamentos contábeis de despesas que não ocorreram de fato. A própria recorrente concorreu para comprovar a reiteração da conduta ao trazer para os autos o Termo de Constatação Fiscal no qual a fiscalização constatou as fraudes em 2009 e 2010 (doc. 06 da impugnação). A reiteração é tão evidente que a contribuinte alegou infrutiferamente que o Termo de Verificação Fiscal relativo ao anocalendário de 2011 simplesmente repetia a fundamentação e as conclusões do procedimento anterior. Restou incontroverso que a contribuinte não contestou os fatos apurados no procedimento relativo aos anoscalendário 2009 e 2010 e pagou os créditos tributários constituídos de ofício naquela fiscalização. Quanto ao elemento cognitivo, é de se destacar que a contribuinte tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal relativo aos anoscalendário 2009 e 2010 em 12/2013 e o Termo de Início de Procedimento Fiscal do presente feito em 07/2015. Quando o procedimento fiscal relativo ao ano de 2011 foi iniciado, a contribuinte tinha conhecimento, havia mais de 18 meses, da irregularidade da conduta e tinha tido tempo mais do que razoável para retificar as apurações de IRPJ e de CSLL, adicionando às bases de cálculo as despesas indedutíveis. A reiteração da conduta, somada à relevância comercial dos fatos apurados e a produção de documentos e lançamentos contábeis que não se provam verdadeiros, formam um conjunto de elementos que, juntos, possibilitam a verificação do elemento volitivo do agente, configurando verdadeiro modus operandi. Mesmo em sede de processo penal a reiteração da conduta, quando se trata de crimes fiscais, é relevante elemento para a configuração do dolo, como se pode observar na seguinte ementa do Superior Tribunal de Justiça, na parte que interessa: HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO. SONEGAÇÃO FISCAL MEDIANTE FRAUDE EM CONTINUIDADE DELITIVA E FORMAÇÃO DE QUADRILHA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 818 32 DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE NA REDISTRIBUIÇÃO DO HC ORIGINÁRIO APÓS A ENTRADA DE FÉRIAS DO RELATOR, EM VISTA DE PREVISÃO REGIMENTAL EXPRESSA NESSE SENTIDO. PRISÃO PREVENTIVA. DECRETO SUFICIENTEMENTE JUSTIFICADO. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E ECONÔMICA. REITERAÇÃO DA PRÁTICA CRIMINOSA POR LONGO PERÍODO DE TEMPO (APROXIMADAMENTE 5 ANOS). CONTINUIDADE DA SONEGAÇÃO MESMO APÓS A DESCOBERTA DA FRAUDE, POR MEIO DE OUTRO MODUS OPERANDI. MAGNITUDE DA LESÃO (R$ 49.000.000,00). PRECEDENTES DO STJ. NEGATIVA DE PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA INCOMPATÍVEL COM O MANDAMUS. PARECER DO MPF PELA CONCESSÃO DA ORDEM. ORDEM DENEGADA, PORÉM, CASSANDOSE A LIMINAR ANTERIORMENTE CONCEDIDA. 6. Em casos de crimes fiscais, mormente os cometidos mediante fraude, a reiteração da conduta por longo período de tempo, a demonstrar o dolo intenso do agente, e a magnitude da lesão constituem fundamentos válidos, em princípio, para a prisão dos envolvidos, pois patente a ameaça à ordem pública e econômica. Precedentes do STJ.(HC 99860/RS, julgamento em 23/04/2009, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho) Também este Conselho tem considerado a reiteração da conduta como elemento de convicção a dar fundamento à qualificação da multa de ofício, como se pode ver nos seguintes casos Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciandose o dolo na sua conduta. (Acórdão nº 9303007.461, de 20/09/2018, redatora designada conselheira Vanessa Marini Cecconello). Ementa(s) Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2005 Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 819 33 PIS/COFINS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Relativamente aos dois anos fiscalizados (2004/2005), a contribuinte apresentou declarações em branco à Secretaria da Receita Federal, enquanto diariamente movimentava recursos em sua conta bancária. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A informação prestada pela contribuinte durante os trabalhos de auditoria, de que havia encerrado suas atividades no início de 2004, só reforça o dolo de sua conduta na supressão anterior dos tributos. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. (Acórdão nº 9101 003.929, de 04/12/2018, relatoria do conselheiro Rafael Vidal de Araújo) grifei Deste último acórdão, vale destacar parte de sua fundamentação: Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 820 34 Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. [...] Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto à correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). grifei. Como se demonstrou com os elementos probatórios carreados aos autos pela autoridade lançadora, a conduta foi reiterada no tempo, relevante comercialmente e a contribuinte tinha plena consciência da sua irregularidade. Os elementos probatórios são suficientes para o convencimento além de qualquer dúvida razoável acerca do dolo e, portanto, do fundamento para a qualificação da multa. Neste ponto, voto por acolher parcialmente o recurso de ofício para restabelecer a aplicação da multa qualificada (150%). Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 821 35 Conclusão. Em face do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade, no mérito negar provimento ao recurso voluntário e, por fim, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício de 75% para 150%. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 822 36 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Inicio parabenizando o ilustre Conselheiro Relator pelo fundamentado voto apresentado a esta turma. Entretanto, inobstante a exímia fundamentação apresentada, discordo de parte da análise, apenas no que tange à análise da qualificação da multa de ofício e, assim, fui designado para redigir esta parte do acórdão. Passo a fazêlo. Inicio a análise consultando o Termo de Verificação Fiscal no qual a fiscalização apresentou diversos argumentos no sentido de considerara que a apresentação de despesas sem a devida comprovação implicaria em simulação de atos com vistas a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo, ou o seu não conhecimento. Parte do princípio, e assim utilizou sua argumentação, no sentido de que a prática desses atos implicaria numa tentativa de reduzir os valores a pagar do IRPJ e CSLL. Em todo o TVF a fiscalização apresenta fundamentos e precedentes do CARF a enquadrar os atos como simulados e, assim, nas hipóteses dos arts. 72 a 74 da Lei nº 4.502/64. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento com relação à qualificação da multa entendeu que mesmo que a contribuinte não tenha logrado comprovar a efetiva prestação dos serviços, esse fato não poderia implicar, no entendimento dos julgadores da DRJ, na caracterização de atos que tipificassem as normas dos arts. 72 a 74 da Lei nº 4.502/64. Em seu voto vencedor o Conselheiro Relator além de entender, de forma similar à fiscalização que a inserção de despesas na escrituração que não pode comprovar a realização, também deveria ser mantida a qualificação em função de ter agido de forma reiterada, como a própria recorrente demonstrou ao apresentar dados de outro processo onde constava o mesmo tipo de infração. Temos, assim, que em relação ao primeiro item, qual seja, o de considerar a qualificação a partir do momento em que são inseridas informações de despesas na fiscalização das quais o contribuinte não consegue comprovar a realização já seriam motivos de qualificação entendo de maneira similar à Delegacia de Julgamento. Não acho que tal procedimento, por si só, possa ser enquadrado como motivo de qualificação, haja vista que, em determinados casos a prova da realização de certos serviços é de difícil realização. Dou um exemplo caseiro e de fácil compreensão. Em minha própria residência minha esposa faz um tratamento de terapia que, normalmente, é semanal com médico especializado. Todo mês ela tem o cuidado de guardar a cópia do cheque para comprovar o pagamento das despesas. Mas, se o fisco exigisse a prova da realização dos serviços o que ela poderia juntar? No prédio do médico não há registro de entrada, os procedimentos não deixam marcas físicas. Seria muito difícil a prova. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 823 37 Nesse caso, e em milhares de outros casos de contribuinte que, por exemplo, caem em malha fina, a nos atermos a esse entendimento, todos seriam penalizados com a qualificação da multa. Acho um tanto exagerado. A tipificação da conduta na norma guarda um elemento subjetivo que deve ser ponderado pelo julgador. Nesta ponderação devem ser considerados todos os atos constantes do processo e as suas repercussões. Neste caso, além de tudo, o montante da infração representa menos de 0,2% das receitas totais da empresa. Até por este fato, não nos parece razoável que objetivo principal era o de reduzir a tributação e o consequente pagamento de tributos, isso porque, como já acompanhamos em diversos casos, quem envida esforços no sentido de reduzir artificialmente a tributação não se limitaria a percentuais de "ganhos" nesta proporção. Até mesmo porque fugiria do razoável. Neste sentido apresento os seguintes precedentes deste CARF. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se inexiste prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. Acórdão nº 1101000.622, de 24/11/2011. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A não apresentação de provas por parte do contribuinte no sentido de elidir possível dedução em duplicidade de tributos, não constitui comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para o qualificação da multa de ofício. Acórdão nº 1401001.355, de 26/11/2014. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO DEMONSTRADO O DOLO DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. É incabível a qualificação da multa de ofício se não restou efetivamente demonstrada a intenção dolosa do contribuinte de fraude ou simulação. Acórdão nº 1302001.364, de 09/04/2014. DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. INSUFICIÊNCIA PARA A CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A mera ausência de comprovação de despesas médicas não pode levar à qualificação da multa, se o fisco não se esforçou, no auto de infração, em demonstrar o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Acórdão nº 9202002.064, de 21/03/2012. Por isso, discordo do Conselheiro Relator neste ponto da análise. Em relação ao segundo ponto, que diz respeito ao fato da reiteração da conduta por parte do recorrente entendo que apenas de fundamentados os argumentos, no TVF não constou este aprofundamento na análise da reiteração, impedindo a realização da adequada defesa. Além disso, deve ser considerado que foi ação do recorrente a de apresentar o procedimento onde já havia sido autuado por fato similar. Ora, se a intenção era fraudar e Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 824 38 impedir o conhecimento do fato gerador, demonstrando assim o dolo da atuação, passível de qualificação, jamais iria o próprio ator do ato doloso apresentar ele mesmo a prova de seu crime. Em verdade entendo que tal conduta merece ser considerada como arrependimento dos atos. Não entendo que seria necessário que o arrependimento chegasse ao ponto de retificar todas as declarações e recolher de imediato todos os tributos devidos. Isto porque, se os atos já eram reconhecidamente errados, o risco já havia sido assumido de uma maneira ou de outra e restou ao recorrente apenas aceitar as punições que lhe seriam impostas, tentando apenas reduzir o montante desta punição. Assim, também em relação a reiteração da conduta entendo que não merece revisão a decisão de piso no que exonerou a qualificação da multa de ofício. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício integralmente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Fl. 824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003302/2003-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO EM PRIMEIRA INSTANCIA. REEXAME NECESSÁRIO.
Correta a decisão que exonera parcialmente a exigência porque comprovado equivoco por parte da fiscalização na apuração da matéria tributável.
Numero da decisão: 1101-000.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DIFERENÇA DE ESTOQUE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO EM PRIMEIRA INSTANCIA. REEXAME NECESSÁRIO. Correta a decisão que exonera parcialmente a exigência porque comprovado equivoco por parte da fiscalização na apuração da matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente substituta da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna, Benedicto Celso Benicio Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Processo n° 16327.003302/2003-48 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.884 Fl. 3 Relatório A 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo — I submete a reexame necessário decisão que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta por Pagoda Internacional Corporation do Brasil Ltda contra lançamento formalizado em 30/09/2003, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.878.774,34. A autoridade lançadora constatou diferenças de estoque, a partir das quais presumiu omissão de receitas com fundamento no art. 41 da Lei n° 9.430/96. Também imputou contribuinte multa por apresentação de arquivos magnéticos sem registros e sem a formatação definida na legislação, que não foi contestada, sendo o valor lançado recolhido com o beneficio da redução de 50%. No julgamento de 1a instancia, em razão das constatações em diligência previamente realizada, a autoridade julgadora reduziu o montante pertinente à omissão de receitas de R$ 3.775.701,89 para R$ 638.226,52, valor este não contestado pela impugnante. Reconhecendo que no período a contribuinte havia apurado prejuízo fiscal não considerado no lançamento, e em valor superior a. omissão de receitas remanescente, a exigência de IRPJ foi integralmente exonerada, o mesmo se verificando em relação à CSLL, cuja base de calculo negativa já havia sido considerada no lançamento. Subsistiram, apenas, os lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS, mas reduzidos ao valor principal de R$ 4.148,47 e R$ 12.764,53, respectivamente. Na medida em que o crédito tributário exonerado (principal e multa) superou R$ 1.000.000,00, a autoridade julgadora apresentou recurso de oficio na forma do artigo 34 do Decreto n° 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis n's 8.748/93 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 03/2008. 2 Processo n° 16327.003302 12003-48 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.884 Fl. 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autoridade fiscal identificou diferenças significativas entre os estoques finais de 1998 e aqueles escriturados no livro de inventário da contribuinte. Questionada, a contribuinte argüiu dificuldades na localização dos documentos, em razão do encerramento de suas atividades. Retificando a movimentação de estoques entre estabelecimentos da empresa, a autoridade lançadora identificou excesso de saídas em alguns, sem o correspondente registro de entradas em outros, bem como estoque final elevado em um deles, sem a escrituração em livro de inventário. Consolidados os estoques finais apurados pela fiscalização, por estabelecimento, restaram diferenças na comparação com os estoques escriturados no livro de inventário, as quais se prestaram com indícios de omissão de receitas, valoradas pelo custo unitário de estoque, na medida em que os preços de vendas praticados na liquidação de estoques estavam abaixo do custo de aquisição. Em impugnação, além de argüir a nulidade do lançamento, a contribuinte, dentre outros aspectos, observou que o prejuízo fiscal apurado no período fiscalizado não foi considerado no cálculo da exigência, bem como que a Fiscalização deixou de considerar, nas entradas da matriz, as mercadorias a ela destinadas pela filial CNPJ/0003. As saídas da filial CNPJ/0003 para a matriz representariam 399.356 pares de sapatos, ao passo que na matriz somente foi computado o ingresso de 8.665 pares de sapatos. Por meio de diligência, a autoridade julgadora de la instância solicitou ao fiscal autuante que esclarecesse se (e porque) as saídas das filiais (em especial a de CNPJ/0003) não foram consideradas como entradas na matriz, e que relacionasse todas as notas fiscais utilizadas para elaboração das tabelas de apuração de diferenças de estoque, elaborando relatório conclusivo, refazendo, se fosse o caso, o cálculo das diferenças de estoque e da matéria tributável. No relatório de fls. 1739/1742, a autoridade lançadora informou que foram danificados os arquivos digitais nos quais foram armazenadas as informações referentes às notas fiscais auditadas, mas, intimada, a contribuinte apresentou novos arquivos, a partir dos quais a avaliação dos estoques foi centralizada na matriz (CNPJ/0001), identificando-se a partir da apuração de estoque inicial, compras e vendas, o estoque final do período fiscalizado, que apresentou diferença de 65.568 pares de tênis, correspondentes a receitas omitidas de R$ 638.226,52. Diante deste contexto, subsistindo substrato fático apenas para manutenção da exigência relativamente A base de cálculo de R$ 638.226,52, procedeu corretamente a autoridade lançadora ao exonerar o crédito tributário incidente sobre a parcela infirmada pela própria autoridade lançadora, mormente tendo em conta que os demonstrativos fiscais originais sequer estavam fundamentados nas relações de notas fiscais que comprovariam os totais de movimentação de estoque que resultaram nas diferenças apuradas. Além disso, a autoridade julgadora validamente retificou o cálculo da exigência de IRPJ, para ali considerar o prejuízo fiscal originalmente apurado pla (6, 3 Auz DELI PEREIRA BESSA — Relatora Processo n° 16327.003302/2003-48 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.884 Fl. 5 contribuinte, e reconhecido nos demonstrativos SAPLI a fl. 1253, mas informado como lucro real na elaboração dos cálculos do auto de infração. Resultando, dai, prejuízo fiscal em valor inferior ao declarado pela contribuinte, a autoridade julgadora também afastou a compensação de prejuízos de períodos anteriores, computada no lançamento no valor de R$ 209.286,13. No mais, a autoridade julgadora procedeu às necessárias retificações nos registros junto ao sistema SAPLI (fls. 1944/1945), e recalculou corretamente as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS que subsistiram sobre a omissão de receitas de R$ 638.226,52. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917744/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
Numero da decisão: 3201-004.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
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DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Recorrente ADELBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 44 /2 00 9- 92 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10830.917744/200992 Acórdão n.º 3201004.677 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (...) emitido eletronicamente (...), referente ao PER/DCOMP (...). O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, (...). De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que a empresa tem por objeto social a fabricação de adesivos e selantes, bem como a fabricação de sabões e detergentes sintéticos, estando sujeita à apuração de IRPJ pelo lucro real e também enquadrada na sistemática não cumulativa do Pis e Cofins; que na apuração da COFINS, (...), a Manifestante incluiu errôneamente na base de cálculo dessa contribuição, créditos de IPI sobre a aquisição de insumos adquiridos e aplicados no processo produtivo, não sujeitos à tributação, [...]; que deixou de incluir receita financeira [...]; que em razão da inclusão indevida de créditos de IPI, bem como da nova apuração de COFINS (...) a Manifestante incorreu no pagamento indevido da contribuição (...); Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.917744/200992 Acórdão n.º 3201004.677 S3C2T1 Fl. 4 3 que procedeu à retificação do Dacon, de modo a excluir as receitas provenientes dos créditos de IPI, ocasionando o pagamento indevido desta contribuição; que realizou também a retificação da DCTF, de modo a convalidar a retificação no Dacon; que as retificações procedidas geraram para a Manifestante o direito ao crédito, sendo passível de compensação com qualquer tributo administrado pela RF. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 02 058.259, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento a maior da Contribuição decorreu de inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de valores de crédito de IPI sobre a aquisição de insumos do processo produtivo e de receita financeira, não sujeitos à tributação. Reafirma que o despacho decisório não considerou em sua análise os valores reapurados da Contribuição informados em Dacon e DCTF retificadores. No Recurso Voluntário, alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito, uma vez que, independentemente da retificação do Dacon, o saldo credor apurado era suficiente para a quitação dos débitos a serem compensados. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão, e Memória de Cálculo da Cofins. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10830.917744/200992 Acórdão n.º 3201004.677 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.674, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10830.920655/200923, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.674): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Há razão à contribuinte no tocante ausência de análise da DCTF retificadora. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10830.917744/200992 Acórdão n.º 3201004.677 S3C2T1 Fl. 6 5 À evidência do teor do despacho decisório, em sua análise automática no encontro de crédito e débito considerouse a DCTF original na qual consignada o débito de Cofins em março/2005 no valor de R$ 38.883,18. A DCTF foi retificada em 30/07/2009, declarando o valor de R$7.160,00 como devido para a Contribuição no mesmo período, e o despacho decisório emitido em 23/10/2009. Sabese que a DCTF retificadora válida e eficaz nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/20081 produz os mesmos efeitos da original. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. Temse como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Idêntica situação foi enfrentada por este Colegiado no julgamento do processo nº 10880.919993/200927, sessão de 25/07/2018, com a prolação do Acórdão nº 3201004.069, de relatoria do Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, que por unanimidade de votos decidiu prover parcialmente o recurso voluntário para que os autos retornassem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, 1 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10830.917744/200992 Acórdão n.º 3201004.677 S3C2T1 Fl. 7 6 substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Por tudo ante exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCTF retificadora também foi transmitida pelo contribuinte antes da data de emissão do Despacho Decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720787/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEFESA ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES TIDOS COMO IDEVIDAMENTE RETIDOS E RECOLHIDOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.
É defeso em sede de defesa administrativa a tentativa de pugnar pela devolução de valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos, sendo inadequada a utilização dessa via recursal.
Numero da decisão: 2402-007.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEFESA ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES TIDOS COMO IDEVIDAMENTE RETIDOS E RECOLHIDOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. É defeso em sede de defesa administrativa a tentativa de pugnar pela devolução de valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos, sendo inadequada a utilização dessa via recursal.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente JOSE MILTON MENDES DE SENA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEFESA ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES TIDOS COMO IDEVIDAMENTE RETIDOS E RECOLHIDOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. É defeso em sede de defesa administrativa a tentativa de pugnar pela devolução de valores tidos como indevidamente retidos e recolhidos aos cofres públicos, sendo inadequada a utilização dessa via recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 87 /2 01 2- 41 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.720787/201241 Acórdão n.º 2402007.117 S2C4T2 Fl. 208 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1532.918 (fls. 172), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de exigência formalizada através da Notificação de Lançamento Nº 2005/605440595823203, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2011, anocalendário 2010. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na Notificação de Lançamento, foram constatadas as seguintes infrações: · DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.º 3.000/99 – RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas a comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação, sedo por isso glosado o valor de R$ 7.572,68 deduzido indevidamente a título de Contribuição à Previdência Oficial, por falta de comprovação. · OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Em decorrência de o contribuinte regularmente intimado não ter atendido a intimação, procedeuse ao lançamento de ofício. Confrontandose o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 246.256,55. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 11.459,57. Fontes pagadoras: I. Bahia Tribunal de Justiça, CNPJ 13.100.722/000160; rendimento omitido: R$ 204.585,38. II. Bahia Secretaria da Fazenda, CNPJ 13.937.073/000156; rendimento omitido: R$ 41.671,17; IRRF sobre Omissão: R$ 11.459,57. · COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o contribuinte não atendeu a Intimação. Em decorrência disso, foi Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10580.720787/201241 Acórdão n.º 2402007.117 S2C4T2 Fl. 209 3 glosado o valor de R$ 11.459,57, indevidamente compensado a título de IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes. O CNPJ informado (99.999.999/880728), segundo consta, não existe no cadastro de pessoas jurídicas. O contribuinte, em sua impugnação (fls. 8/10), alega, em síntese, o seguinte: 1. Através do processo n° 10580.724973/200954, solicitou a restituição do IRPF pago indevidamente, face ser portador de neoplasia maligna da próstata (câncer), relativo aos anos calendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. 2. Para embasar o seu pedido, juntou diversos documentos como meio de prova da referida enfermidade. Além disso, “postou” na Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Salvador, as declarações retificadoras correspondentes. 3. A glosa do valor de R$ 7.572,68, informado como deduzido indevidamente a título de Contribuição à Previdência Oficial, é intempestiva e desprovida de sentido prático, dada a isenção a que tem direito. Requer o cancelamento da Notificação de Lançamento n° 2005/605440595823203, bem como a apreciação em seu todo do processo em referência. Conforme o Termo Circunstanciado de fls. 153/155, após a revisão do lançamento, realizada em conformidade com o art. 6ºA, da IN RFB nº 958/2009, com a redação dada pela IN RFB nº 1.061/ 2010, o valor do imposto suplementar foi reduzido de R$ 7.840,21 para R$ 5.757,72. Com base nisso, foi emitido o Despacho Decisório n° CM 666, de 31 de maio de 2012 (fl. 155). A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 1532.918 (fls. 172), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos comprovados por meio de documentos ou declarações. RENDIMENTOS ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVADA A MOLÉSTIA. NÃO COMPROVADA A CONDIÇÃO DE APOSENTADO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.720787/201241 Acórdão n.º 2402007.117 S2C4T2 Fl. 210 4 Comprovada a moléstia grave por meio de laudo médico oficial, mas não comprovada a natureza dos rendimentos recebidos como sendo proventos de aposentadoria, caracterizase omissão de rendimentos tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, o contribuinte opôs os embargos de declaração de fls. 180, ao qual foi negado seguimento, sem a formalização de novo acórdão pela DRJ, nos termos do Despacho nº 92 (fls. 194). Tendo tomado ciência dos termos do referido Despacho, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 199, requerendo a dedução do imposto já pago e a consequente eliminação da multa de ofício e juros de mora em razão do pagamento anterior à ação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, por meio de sua peça recursal, o Contribuinte pugna, apenas, pela dedução do imposto já pago e a consequente eliminação da multa de ofício e juros de mora em razão do pagamento anterior à ação fiscal. De fato, assim se manifestou o Recorrente: O acórdão traz em síntese que a Embargante deve ao fisco a quantia principal de R$ 5.757,72, referente ao imposto de renda da pessoa física, relativo ao ano calendário de 2004, exercício de 2005. De fato, a Recorrente apresentou a DIPF de 2005, ano calendário de 2004, com imposto devido de R$ 5.757,72, e quitou em seis parcelas mensais. Contudo, no ano de 2009, apresentou declaração retificadora com restituição. Entretanto, a declaração retificadora “caiu em malha" e resultou em crédito a favor do fisco na quantia de $ 7.840,21. Adiante, em procedimento interno, originado de "contencioso de malha", a glosa de certa despesa foi eliminada e o imposto efetivo apurado pelo fisco foi de R$ 5.757,12. Todavia, esse valor deveria ser deduzido do imposto pago, uma vez que a Recorrente havia pago anteriormente esse tributo, ou seja, antes da retificação e antes ainda do procedimento fiscal. (grifei) Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10580.720787/201241 Acórdão n.º 2402007.117 S2C4T2 Fl. 211 5 Razão não assiste ao Recorrente. Isto porque, conforme exposto pela DRJ por ocasião da análise do embargos apresentados pelo Contribuinte em face do Acórdão 15.32918, não cabe a este órgão julgador alocar os referidos pagamentos à dívida declarada. Tal tarefa, se for o caso, poderá ser realizada pela Unidade de origem, mediante pedido do contribuinte, em atos próprios de execução e cobrança. Registrese, pela sua importância, que o Contribuinte pleiteou, em procedimento específico, a restituição dos valores de IRPF supostamente pagos de forma indevida referente ao anocalendário 2004. Tal pedido, deu origem ao PAF 10580.724793/200954, cujo Despacho Decisório nº 1.055/2010 (fls. 106), concluiu que: O contribuinte acima identificado solicita que seja restituído os valores apurados nas declarações retificadoras dos exercícios de 2005,2006,2007 e 2008, peticiona ainda R$ 147.194,82 referente ao pagamento do Auto de Infração dos exercícios de 2005,2006 e 2007 e por fim pleiteia o imposto de renda retido sobre o 13º salário a partir do anocalendário de 2004, alegando isenção para portadores de moléstia grave. Foram acostados aos autos, entre vários documentos: A cópia autenticada do comprovante de aposentadoria (fl. 147) e a cópia autenticada do Laudo Médico Pericial emitidos pela Junta Médica Oficial do Judiciário do Estado da Bahia (fl. 148). De acordo com documento de fl. 147 o contribuinte é aposentado desde março de 2006 e portador de moléstia grave a partir de 14/05/2003 (fl.148). Concluise portanto que os rendimentos de aposentadoria recebidos pelo interessado a partir da data de diagnóstico da doença encontramse entre aqueles amparados pela isenção prevista no art. 6º, da Lei 7.713 de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541 de 23 de dezembro 1992, fazendo jus à restituição solicitada do Imposto Retido na Fonte sobre o 13º salário a partir de 2006. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10580.720787/201241 Acórdão n.º 2402007.117 S2C4T2 Fl. 212 6 Conclusão Ante o exposto, seja em razão do fato de o presente processo não ser a via adequada para requerer a restituição de valores supostamente recolhidos de forma indevida, seja em razão do fato de o Contribuinte já ter feito tal pleito perante a Unidade de Origem, concluo o voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.721195/2012-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente ROBERTO FONTES TAVARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 72 11 95 /2 01 2- 06 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13770.721195/201206 Acórdão n.º 2002000.866 S2C0T2 Fl. 61 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 14/17), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$98,69 para saldo de imposto a pagar de R$946,72. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no montante de R$10.139,08, consignando a falta de comprovação do valor declarado a Maria das Graças Tavares (fl.15). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 9/11/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 23/11/2012, às fls. 2/6 dos autos, na qual ele indicou a juntada de documentação comprobatória da dedução declarada. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 43/46): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/4/2015 (fl. 50), o contribuinte, em 27/4/2015 (fl. 52), apresentou recurso voluntário, às fls. 52/57, no qual alega que a pensão declarada seria descontada de duas fontes pagadoras, Fundação Sistel e INSS. Requer o restabelecimento da pensão incidente sobre os rendimentos recebidos do INSS, aduzindo que não poderia ser prejudicado pela ausência de informações do INSS à RFB. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13770.721195/201206 Acórdão n.º 2002000.866 S2C0T2 Fl. 62 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão judicial declarada pelo recorrente, em favor de Maria das Graças Tavares. O contribuinte deduziu o montante de R$27.038,79 (fl.10), tendo sido glosado na autuação o valor de R$10.139,08, por falta de comprovação. O colegiado manteve a autuação, consignando que o contribuinte limitouse a apresentar documentação comprobatória da pensão já acatada pela autoridade autuante, descontada dos rendimentos recebidos da Fundação Sistel. Agora, em seu recurso, o recorrente junta contracheques de fls. 53/57, relativos aos rendimentos pagos pelo INSS, os quais demonstram o desconto em folha de pensão judicial. Registro que já constava dos autos a decisão judicial que determinara o desconto da pensão dos rendimentos da Fundação Sistel e do INSS (fl.6). Dessa feita, é de se cancelar a glosa efetuada. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003245/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007.
O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente PARÁ AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 32 45 /2 00 7- 16 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10850.003245/200716 Acórdão n.º 3201004.876 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP, que manteve o Despacho Decisório da DRF/São José do Rio Preto e, consequentemente, não reconheceu o crédito de pleiteado. O processo teve início com pedido de restituição de Cofins, vinculado a compensação. Segundo informado pelo contribuinte, o direito creditório decorre de pagamento efetuado a maior, mediante compensação efetuada anteriormente, que se mostrou indevida em razão de o STF ter julgado inconstitucional a cobrança da contribuição sobre receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/SP, nos termos do Acórdão 14054.899, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Não existe a possibilidade jurídica do pedido de restituição de compensação indevida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificada da decisão acima, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, ser perfeitamente possível a restituição de débitos extintos pela via da compensação (compensação tratada no processo 13804.000953/200153, devidamente homologada), e que apresentou documentos (planilha e balancete) que comprovam os valores indevidamente compensados em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei 9.718/1998. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10850.003245/200716 Acórdão n.º 3201004.876 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.871, de 28/01/2019, proferido no julgamento do processo 10850.003238/200714, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.871): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Logo, por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A decisão de primeira instância manteve o entendimento do Despacho Decisório que negou a possibilidade de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Sobre o tema, é importante registrar que é obrigatório a este Conselho a aplicação de decisão do STF em sede de repercussão geral ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62 A, de nosso regimento interno. Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. O segundo entendimento do despacho decisório, mantido em primeira instância e que deve ser enfrentado, tratou da não equivalência da compensação indevida ao pagamento indevido. Contudo, diversos precedentes deste conselho registraram o entendimento de que a extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10850.003245/200716 Acórdão n.º 3201004.876 S3C2T1 Fl. 5 4 A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007, exposto parcialmente a seguir: "20. Na linha do PN Cosit nº 8, de 2014 (item 35, já citado), extinto o crédito tributário não há mais falar em revisão de ofício de lançamento, sendo necessária a formalização de pedido de restituição em caso de haver erro de fato no lançamento. O pagamento ou a compensação do objeto da prestação pelo sujeito passivo representa a sua concordância com o seu dever jurídico, ou seja, com a existência da relação jurídica obrigacional entre ele e o sujeito ativo (Estado), bem assim com o lançamento realizado, responsável pela quantificação do objeto da relação. Tais atos ensejam a extinção da relação obrigacional e, por consequência, incabível, em princípio, revisão de ofício do lançamento. 21. Todavia, a incorporação ao patrimônio pelo sujeito ativo de valor a que não fazia jus como portador do direito subjetivo de sua percepção, ou seja, de tributo indevido, representaria uma violação ao princípio que veda o locupletamento sem causa, e permite nascer uma nova relação obrigacional, mas agora com os pólos invertidos Em vista disso, o legislador introduziu no CTN o art. 165, que autoriza a restituição da importância paga indevidamente pelo sujeito passivo. Nesse sentido, posicionamento de Luciano Amaro : O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. 22. Este pagamento de tributo indevido pode ter advindo de ato espontâneo do sujeito passivo, que recolheu valor superior ao objeto da relação obrigacional devido, ou de pagamento/compensação exatamente no montante do tributo lançado (cobrado), mas cuja quantificação foi feita de forma irregular. É o que se depreende dos incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 23. A hipótese de interesse do estudo aqui efetuado é a do pagamento indevido de tributo em virtude de erro na quantificação do crédito tributário, ou seja, de erro no lançamento. 24. Logo, a formalização de pedido de restituição, desde que no prazo de cinco anos estabelecido no art. 168 do CTN, com interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, é o caminho legal para que o sujeito passivo possa demonstrar a existência de erro no lançamento após a extinção do crédito tributário: CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10850.003245/200716 Acórdão n.º 3201004.876 S3C2T1 Fl. 6 5 LC nº 118, de 09/02/2005 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 25. Uma revisão do débito (e não do lançamento) decorrerá de provocação do contribuinte. Caso a postulação seja apenas para fins de cancelamento de um débito já quitado, sem expressamente requerer a restituição do valor pago, ainda assim deve ser aplicada a analogia para fazer incidir o art. 168 do CTN para se promover a revisão do débito e seu cancelamento, na linha do item 36 do PN Cosit nº 8, de 2014 (já transcrito), e os valores antes alocados ao débito cancelado poderão, a partir daí, ser utilizados pelo sujeito passivo ‒ quer seja para pleitear restituição ou para quitar outros débitos, p.ex., por meio de declaração de compensação, ou mesmo compensação de ofício ‒, atentandose que o prazo que alude o art. 168 do CTN remete, no caso, à data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido (e não da data do cancelamento do débito). 26. Não foi estabelecida pelo CTN a necessidade de prévia alteração do lançamento efetuado de forma irregular para que o sujeito passivo possa pleitear e ter deferida a devolução do valor pago a maior ou indevidamente, ainda que seja necessária a utilização do elemento quantitativo ali contido para aferição dos cálculos e fins operacionais. Conclusão 27. Com base no exposto, concluise que depois de extinto o crédito tributário lançado de ofício ou confessado, seja por meio de pagamento ou por meio de compensação, não há que se cogitar em revisão de ofício do lançamento (ressalvados os casos de inexatidões e erros materiais, erros de cálculo) ou da declaração (seja a de obrigação acessória como a DCTF, seja a de compensação), mas sim a análise de pedido de restituição formulado nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN." Diante do exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001201/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1996
CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INEXISTÊNCIA.
É requisito para o contratante responder solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias a prestação dos serviços mediante cessão de mão de obra, hipótese que não restou confirmada segundo as provas carreadas aos autos.
Numero da decisão: 2401-006.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Recorrente COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INEXISTÊNCIA. É requisito para o contratante responder solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias a prestação dos serviços mediante cessão de mão de obra, hipótese que não restou confirmada segundo as provas carreadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 01 /2 00 7- 93 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 11330.001201/200793 Acórdão n.º 2401006.019 S2C4T1 Fl. 494 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1238.944, de 26/07/2011, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 336/344): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. DECISÃO JUDICIAL Em cumprimento à decisão judicial que determinou a verificação de recolhimento pela prestadora de serviços e constatado que houve recolhimento compatível com a RAIS em parte das competências, excluise do crédito lançado tal período, mantendose as demais competências. TERCEIROS De acordo com o Parecer CJ/MPA n.º 1.710/99, não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros para nenhuma empresa. Impugnação Procedente em Parte O lançamento fiscal deuse originalmente em nome de Esso Brasileira de Petróleo Ltda, CNPJ nº 33.000.092/000169, posteriormente alterada a razão social para Cosan Combustíveis e Lubrificantes S/A. Extraise do Relatório Fiscal que, na origem, o processo administrativo é composto da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD) nº 32.593.6161, abrangendo as competências de 04/1995 a 12/1996, relativa à exigência das contribuições devidas à seguridade social e a terceiros, decorrentes da responsabilidade solidária do contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra (fls. 03/07 e 17/21). A prestadora de serviços é a empresa Solução Técnica Manutenção S Peças Ltda, CNPJ 50.722.867/000129. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11330.001201/200793 Acórdão n.º 2401006.019 S2C4T1 Fl. 495 3 Cientificado da notificação fiscal, o tomador dos serviços impugnou o lançamento tributário, tendo decidido a instância administrativa julgadora inicial pela manutenção do crédito lançado, por meio da emissão da DecisãoNotificação nº 172/97 (fls. 28/50 e 104/108). Apresentado recurso voluntário, no prazo legal, contra a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu acórdão para negar provimento ao apelo recursal (fls. 113/135 e 143/149). Na sequência, a empresa autuada protocolou recurso com pedido de avocatória ministerial para anulação do débito fiscal, o qual foi negado seguimento (Processo nº 35301.012008/9831). Após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa, foi comunicada a prolatação de acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, posteriormente com trânsito em julgado, no qual anulouse o processo administrativo, a partir da lavratura da notificação fiscal, determinando ao Fisco a prévia verificação da existência de pagamentos efetuados pelo prestador dos serviços no que tange às obrigações tributárias exigidas (fls. 157/212, 215/220 e 225/274). Com o retorno à fase administrativa, os autos foram baixados em diligência, com o objetivo de atender à decisão do Poder Judiciário. Quanto ao resultado da verificação fiscal, a empresa contratante tomou ciência, assim como a prestadora dos serviços, porém apenas a primeira apresentou manifestação escrita (fls. 276/277, 279/288, 291/299 e 303/309). Realizado novamente o julgamento em primeira instância, dessa feita a impugnação foi considerada parcialmente procedente, excluindose da notificação fiscal o período de 04/1995 a 11/1995 e as contribuições devidas a terceiros, remanescendo parte do lançamento (fls. 336/344). Intimada da decisão de primeira instância em 13/07/2012, por via postal, a empresa contratante dos serviços apresentou recurso voluntário no dia 10/08/2012, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 357/360 e 363/369): (i) não foi cumprida a decisão judicial no mandado de segurança, visto que houve exclusivamente verificação dos pagamentos com base nos dados constantes do sistema de informática da administração tributária, quando o correto é a fiscalização direta do prestador do serviço, através do exame de contabilidade, folhas de pagamento e guias de recolhimento; (ii) o prestador de serviços é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, obrigação que apenas transferese ao tomador, pela responsabilidade solidária, quando apurada e certificada a efetiva existência de inadimplemento; (iii) fazse também necessário verificar a eventual cobrança do crédito tributário junto à própria prestadora de serviços, dado que poderia caracterizar a exigência em duplicidade; Fl. 495DF CARF MF Processo nº 11330.001201/200793 Acórdão n.º 2401006.019 S2C4T1 Fl. 496 4 (iv) além disso, quando não resta configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviços, considerando a atividade desenvolvida pela contratada, o lançamento resulta improcedente; (v) as guias de recolhimento juntadas ao processo comprovam a correta quitação dos valores no que se refere à prestação dos serviços, incluso com respeito às competências que permanecem em cobrança; e (vi) os valores já satisfeitos pelo prestador e indicados no sistema de informática da RFB devem ser deduzidos da cobrança em nome da empresa tomadora dos serviços, sob pena de haver enriquecimento sem causa do Fisco. Em face da emissão de diversas notificações fiscais em nome da empresa autuada, lavradas no curso do mesmo procedimento e envolvendo a mesma matéria de atribuição da responsabilidade tributária solidária ao contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, foi deferido o pedido de conexão para julgamento em conjunto dos recursos voluntários (fls. 410/411). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Antes da implantação do mecanismo de retenção do percentual de 11% na contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecia a responsabilidade tributária solidária, inclusive sob o regime de trabalho temporário. Tal dispositivo de lei sofreu evolução ao longo do tempo. A seguir, levando em consideração o texto original e as modificações promovidas pela Lei nº 9.032, de 28 de abril de 1995, e Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, reproduzo o conteúdo do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11330.001201/200793 Acórdão n.º 2401006.019 S2C4T1 Fl. 497 5 De 25/07/1991 até 28/04/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação. De 29/04/1995 a 20/11/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11330.001201/200793 Acórdão n.º 2401006.019 S2C4T1 Fl. 498 6 fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. De 21/11/1995 a 29/04/1997 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento Independentemente do período do fato gerador, a responsabilidade solidária do contratante está vinculada, necessariamente, à prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a qual pressupõe a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante. No caso sob exame, o conjunto probatório não confirma a prestação dos serviços contratados mediante cessão de mão de obra. Com efeito, segundo o agente lançador, no período do lançamento ficou constatado que a empresa ora recorrente contratou a prestação de serviços de manutenção e limpeza de tanques (fls. 20/21). Em nenhum momento, contudo, a fiscalização procedeu ao mínimo detalhamento dos serviços contratados, com especificação das suas características essenciais, Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11330.001201/200793 Acórdão n.º 2401006.019 S2C4T1 Fl. 499 7 apenas fazendo alusão à prestação deles mediante cessão de mão de obra, a partir dos dados da escrituração contábil e das notas fiscais de serviço/fatura, obtidos no procedimento fiscal realizado na empresa contratante. Por sua vez, as cópias do contrato anexado pela recorrente, ainda em fase de impugnação, sinalizam para a contratação de serviços de instalação de equipamentos próprios ao armazenamento e distribuição de combustíveis sob o regime de empreitada, em que o objeto é um resultado pretendido, e não a cessão de mão de obra dos segurados empregados da empresa contratada (fls. 71/91). Mesmo a execução dos serviços de maneira continuada, ao longo de vários meses, facultada a possibilidade de prorrogação em comum acordo, não transforma, no caso concreto, a contratação em cessão de mão de obra. Aparentemente, tratase de contratação de sucessivas empreitadas, com fornecimento de material e mão de obra, cada uma delas vinculada a uma autorização individual de serviço que contém, entre outros dados, a data de emissão, a descrição e o local dos serviços e a data de entrega/conclusão dos trabalhos. A despeito de alguns valores previamente definidos entre as partes, o preço final é negociado por tarefa realizada, considerando os serviços globais executados em um mesmo posto de combustível, sendo devido quando do término da respectiva empreitada (itens 1.2 e 2.1, fls. 71/75). À vista disso, diferentemente da cessão de mão de obra, o objeto contratual não diz respeito à prestação contínua de serviços, mas sim à conclusão dos trabalhos específicos nos postos de revenda de combustíveis da rede, cuja retribuição financeira está atrelada à finalização dos serviços nos termos pactuados entre as partes. Logo, cabe declarar a insubsistência do lançamento fiscal, pela falta de aderência aos requisitos previstos em lei para imposição da responsabilidade solidária ao contratante de serviços. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa do recurso voluntário contra a pretensão fiscal e decisão de piso, por absoluta desnecessidade para o deslinde do presente julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o crédito tributário da notificação de lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.729381/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório. Cuida o feito de auto de infração lavrado para se exigir o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL (lançamento reflexo), apurado nos anoscalendários de 2007 a 2009, tendo por base o falta de inclusão ou a exclusão indevida de receitas de subvenção (benefícios fiscais) concedida pelo Estado do Paraná. Nos termos do relatório constante de efls. 3.975/4.017, após regular instrução, verificouse que a recorrente percebeu receitas, como dito, decorrentes de benefícios fiscais concedidos por meio do Decreto Paranaense de nº 5.375/2002, na forma de créditos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 29 38 1/ 20 12 -1 1 Fl. 4631DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.632 2 presumidos de ICMS, no importe total de R$ 34.500.000,00, divididos nos anoscalendários de 2007 a 2009 da seguinte forma (extraída do acórdão de efls. 4.256/4.265): AC Valor Conta Contábil 2007 R$ 6.688.215,61 252300 Reserva p/ Subvenção Invest. 2008 R$ 4.894.374,13 252300 Reserva p/ Subvenção Invest. 2008 R$ 11.944.488,62 R350054 Receita Subvenção ICMS 2009 R$ 1.632.997,41 R350054 Receita Subvenção ICMS 2009 R$ 9.373.561,16 453103 Receita de Subvenção de ICMS total R$ 34.533.636,93 Ao analisar as informações e documentos apresentados pela empresa, a D. Auditoria Fiscal considerou que os valores acima não foram vertidos, ou empregados, integralmente na consecução de atividades de expansão da capacidade de produção do beneficiário. De fato, conforme planilhas de efls. 3.981 e 3.982, a recorrente afirma que teria empregado as preditas receitas de subvenção para a consecução de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), tal como se dessume dos dados abaixo reproduzidos (retirados do TVF): • R$ 4.418.097,65 no ano de 2007; • R$ 6.838.855,75 no ano de 2008; • R$ 6.662.448,31 no ano de 2009. Tais valores, digase, também como se observa no TVF (efl. 3.982), incutidos nos ditos P&Ds, teriam sido, por sua vez, discriminados de acordo seguintes rubricas: A luz destas informações, a D. Fiscalização apontou pelo menos três fundamentos fáticos para inquinar de "custeio" as aludidas subvenções: a) apenas os custos afeitos a equipamentos e softwares empregados nos preditos projetos poderiam ser considerados "investimentos" sustentando, todavia, não ter sido apresentado, pela empresa, quaisquer documentos tendentes à comprovação de sua aquisição; b) mesmo quanto aos P&Ds informados pela empresa, e a par da advertência retro, apenas aqueles efetivamente ocorridos dentro do próprio parque industrial poderiam ser considerados para fins de comprovação dos requisitos do art. 443 do antigo RIR, sendo certo que, como esclarecido pela recorrente, diversos "dispêndios" relacionados ao projetos em questão foram pagos à terceiros, mediante "convênios" (efl. 3.983); Fl. 4632DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.633 3 c) nada obstante, pela análise dos citados P&D, a D. Autoridade Lançadora considera que gastos incorridos pela contribuinte se revestiriam de caráter, eminentemente, de despesas (=custeio), e não de investimento (v. a descrição contida no TVF efl. 3.983 e 3.984). A fiscalização identificou, ainda, alguns problemas relativos à escrituração fiscal e contábil das receitas de subvenção, apontado inconsistências entre os valores informados em DIPJ e aquelas contidas nos documentos contábeis da empresa (o TVF identifica um valor total de subvenções da ordem de R$ 34,5 milhões, ao passo que a recorrente teria contabilizado, e informado em DIPJ, um montante de R$ 29 milhões). Regulamente cientificada da predita autuação, a Bematech ofereceu a sua impugnação administrativa em que, num primeiro momento, aponta erros na apuração intentada pelo fisco que, inclusive, justificariam as divergências apontadas anteriormente. No mérito, outrossim, considerando dispicienda a demonstração do emprego efetivo dos valores percebidos a título de subvenções em projetos de expansão da atividade econômica, asseverou que a simples leitura do Decreto Estadual 5.375, mencionado alhures, já evidenciaria o seu caráter de "para investimento", como contraponto a alegação fiscal de que tais benefícios revelariam a natureza de "subvenção para custeio". Lado outro, sustentou, que o crédito presumido de ICMS seria meramente um "direito" e não uma receita tributável. A DRJ de Curitiba, instada a se pronunciar sobre o caso, julgou parcialmente procedente para considerar corretas as assertivas da empresa quanto ao erro incorrido na apuração, decidindo, pois, que o valor correto das receitas tributáveis a título de subvenções seria de R$ 29 milhões. De outro turno, quanto mérito, e enfatizando que a empresa não questionou as conclusões fiscais quanto ao destino das receitas provindas das citadas subvenções, entendeu correta a autuação fiscal (frisese, não houve enfrentamento específico da DRJ quanto ao efetivo emprego das ditas receitas em projetos de expansão da atividade econômica). A DRJ recorreu de ofício a este Conselho em razão da exoneração parcial do crédito tributário. Em suas razões recursais, a Bematech, além de reprisar o entendimento já aposto em sua impugnação, se insurge contra a interpretação dada, tanto pela DRJ, quanto pela D. Auditoria, aos preceitos do PN CST 112/78, defendendo, pois, que, a tipificação da subvenção para investimento não se calcaria, apenas, no emprego das respectivas receitas em ativos imobilizados, asseverando, por sua vez que "a condição de investimento por meio de aplicação em bens ou direitos (...) referese muito mais à necessidade de investir para expansão e modernização da atividade econômica nas suas mais amplas características, do que um requisito de investimento em projeto aprovado ou no parque industrial". Nesta esteira afirma que os documentos apresentados dariam conta de que os gastos incorridos com os projetos de P&D, além da aquisição de participações societárias (investimentos), dariam conta do preenchimento dos requisitos elencados tanto pelo citado parecer, como pelo próprio Decretolei 1.538. O feito foi distribuído à 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, deste Conselho que, por sua vez, e centrando a sua análise tão só nos desígnios do Decreto Estadual Paranaense de nº 5.735/02, considerou, a partir das contrapartidas contidas neste última norma infralegal, se Fl. 4633DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.634 4 tratar de subvenção para investimento, dando, pois, provimento integral ao apelo voluntário interposto e negando provimento ao recurso de ofício. A Turma Julgadora, frisese, não enfrentou a questão fática, específica, tendente à demonstração do emprego das receitas em exame em projetos de expansão (seja na acepção adotada pela Fiscalização, seja naquela sustentada pelo recorrente). A D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial tão só quanto a matéria aventada no recurso voluntário apresentado pela Bematech (as razões da 2ª TO quanto ao recurso de ofício transitaram em julgado), o qual foi admitido e parcialmente provido pela 1ª Turma da Câmara Superior, conforme ementa a seguir reproduzida: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização da subvenção para investimento, não basta a mera intenção do subvencionador, mas a existência de regras e contrapartidas que assim a caracterizem, bem como o cumprimento destas pela entidade subvencionada. RETORNO DOS AUTOS À TURMA ORDINÁRIA. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS REGRAS E CONTRAPARTIDAS. Necessário o retorno dos autos à instância a quo para a aferição quanto ao cumprimento das regras e contrapartidas exigidas pela legislação que concedeu a subvenção para investimento. Destaquese que o Relator deste acórdão havia, num primeiro momento, afastado a tese jurídica abarcada pelo acórdão recorrido justamente para entender que análise, tão só, do ato concessivo para se determinar a natureza da subvenção era insuficiente (o que já justificaria a reforma da decisão da Câmara Baixa). Momento seguinte, contudo, enfrentou, de forma concreta, o aspecto fático da demanda, para considerar tipificável como investimentos os dispêndios incorridos pela empresa em projetos de desenvolvimento tecnológico. Todavia, pelos documentos acostados aos autos, considerou, proporcionalmente, ínfimos os valores empregados pela empresa em P&D, em comparação com o montante total das receitas de subvenção percebidas em decorrência dos benefícios concedidos pelo por vezes mencionado Decreto .5.375/02, sendo esta razão para o predito julgador considerar correta a autuação ora polemizada. A segunda parte do voto condutor, todavia, não prevaleceu naquela Câmara Superior; o voto vencedor , neste ponto, ficou sob a responsabilidade do então Conselheiro Luiz Flávio Netto, que defendeu, processualmente, a impossibilidade da aludida Turma de se posicionar sobre o cumprimento das contrapartidas descritas no decreto estadual mencionado linhas acima, pena de supressão de instância. Isto é, superada a tese jurídica (inclusive sustentada pelo recorrente em sua impugnação e reprisada no recurso voluntário), a Turma Julgadora da D. Câmara Superior determinou o retorno do feito à este Colegiado para se pronunciar, exclusivamente, sobre a matéria fática remanescente, qual seja, o emprego efetivo dos recursos provenientes dos benefícios percebidos pela Bematech nas contrapartidas exigidas pelo Estado do Paraná. À efls. 4.627, a Recorrente apresenta, em arquivo nãopaginável, razões complementares para, pela primeira vez ao longo deste processo, defender o cumprimento efetivo dos requisitos descritos no Decreto 5.375, do Estado do Paraná. Fl. 4634DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.635 5 Este é o relatório. Voto. Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Descabe aqui tratar da admissibilidade do recurso, já que se trata de retorno dos autos da Câmara Superior deste Conselho. I Da aplicação ao caso concreto dos preceitos do art. 30, §§ 4º e 5º, da Lei 12.973/2014, com a redação dada pela Lei Complementar 160/17. A par de toda a discussão tratada no feito, e das extensas considerações propostas pelo contribuinte em suas razões de impugnação e, também, recursais, e, ainda, do que foi decidido pela Câmara Superior, o fato é que o caso em análise desafia a aplicação dos preceitos do art. 30, §§4º e 5º, da Lei 12.973, com a redação dada pelo art. 9º da Lei Complementar de nº 160, cujo teor reproduzo a seguir: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados". Verdade seja dita, com o advento da regra acima transcrita, a aplicação dos recursos percebidos em decorrência das subvenções concedidas pelos Estados em projetos de expansão dos parques industriais, bem como a concomitância temporal entre a percepção dos preditos benefícios e sua versão em investimentos necessários ao crescimento da atividade econômica, ficaram em segundo plano. As questões que, agora, demandam exame dos órgãos colegiados administrativos (especialmente porque a regra contida no aludido § 4º acima reproduzido tem aplicação imediata a todos os processos ainda não definitivamente julgados § 5º) ficam adstritas ao cumprimento dos pressupostos elencados pelo 3º da citada LC 160, ou, se for o caso, àqueles contemplados pelo caput do art. 30 da Lei 12.973, cuja redação permaneceu inalterada. E, vejam bem, mesmo que o contribuinte não tenha suscitado a aplicação dos ditames da predita LC 160 ao caso concreto, o seu conhecimento de ofício é medida que se impõe, justamente por força dos preceitos do § 5º do aludido art. 30, anteriormente citado. Fl. 4635DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.636 6 Particularmente quanto aos requisitos formais contidos no art. 3º supra referido, destacase a necessidade de adoção, pelo Estado Federado subvencionante, dos procedimentos ali descritos, especialmente: a) a ratificação dos benefícios porventura concedidos unilateralmente (isto é, sem o crivo do CONFAZ e, portanto, em desrespeito às regras contidas no art. 155, §2º, inciso XII, "g", da CRFB), mediante publicação de decreto, portaria ou quejandos (inciso I); b) "o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados" em "a", acima. Preenchidos tais pressupostos, digase, as subvenções tratadas no feito serão, a despeito de quaisquer exigências adicionais (§ 4º do art. 30 da Lei 12.973), consideradas "para investimento". II Pelo TVF, não foram identificados vícios nos registros contábeis do benefícios, tornandose desimportante qualquer consideração acerca dos requisitos descritos no caput do art. 30 da Lei 12.973. De acordo com o art. 30, caput, citado no subtítulo acima, "as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976". Notadamente a luz deste preceito, e se considerando que semelhante requisito também se encontrava descrito no Decretolei 1.598, art. 38, § 2º, há quem defenda que, mesmo com a nova redação do § 5º da Lei 12.973, e a dispensa de qualquer outra exigência, a escrituração dos benefícios ainda deva obedecer aos ditames do citado art. 30, caput, alhures invocado. Neste particular, e pelo que se dessume do próprio TVF, os fundamentos da exigência foram, todos, lastreados apenas e tão somente na natureza da subvenção; não se discutiu, perqueriu ou criticou a forma de escrituração das receitas dai provenientes; a fiscalização sequer anexou aos autos o arquivo ECD, cuja apresentação havia sido requerida à empresa e o qual foi, de fato, trazido pelo contribuinte; em linhas gerais, digase, não foi aberto contencioso administrativo quanto a este aspecto eminentemente formal. Nada obstante, o contribuinte trouxe, por meio da manifestação juntada em arquivo não paginável, uma DRE que, aparentemente, comprova o registro das preditas receitas nos moldes em que determinado pelo aludido art. 30, supra referido. Dispicienda, pois, neste particular, a análise deste requisito específico. Fl. 4636DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.637 7 III Do cumprimento, pelo Estado do Mato Grosso do Sul, aos requisitos prescritos pelo art. 3º da LC 160. Pois bem. Assentado o limite do juízo a ser realizado neste feito, observase que em abril de 2018, o Governo do Estado do Paraná publicou a Resolução 1.328, ,cujo art. 1º assim dispôs: Art. 1º Fica publicada, em atendimento ao disposto na Lei Complementar Federal nº 160, de 7 de agosto de 2017, e no inciso I da cláusula segunda do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, a relação com a identificação dos atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais, não vigentes em 8 de agosto de 2017, instituídos pela legislação estadual em desacordo com o disposto na alínea "g" do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal , conforme Anexo Único desta Resolução. A relação dos atos concessivos se encontra descrita no anexo I, publicado juntamente com a Resolução supra, verificandose no seu item 8 a menção expressa aos benefícios contemplados pela Lei Estadual de nº 13.214/2001 (regulamentada pelo Decreto Estadual de nº 5.375/021). Ou seja, o decreto acima mencionado, e seu anexo, comprova que a aludida Unidade Federativa cumpriu o pressuposto preconizado pelo art. 3º, inciso I, da LC 160/17, tendo, pois, convalidado, expressamente, os benefícios tratados pela Lei Estadual de nº 13.214/01, regulamentada pelo Decreto, igualmente Estadual, de nº 5.375. Resta, agora, verificar se o Estado do Paraná também superou a exigência contida no inciso II do aludido preceptivo de Lei Complementar. E aqui, vejam bem, há de fato um problema; isto porque a despeito do cumprimento do requisito acima, e ainda que o recorrente tenha trazido, por meio de memoriais não juntados ao feito, notícias acerca do protocolo dos preditos atos (um alardeado Ofício de nº 624/2018), não ha, dentre os certificados emitidos pelo CONFAZ e disponibilizados em sua página eletrônica (https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodeposito cvicms190171), nenhum que faça menção expressa ou implícita aos benefícios ora examinados. É razoável, neste passo, considerar, CONFAZ não tenha tido tempo para emitir o predito certificado e que, ato contínuo, poderá ocorrer em breve... não tenho, todavia, como atestar efetiva e concretamente o cumprimento deste último requisito, ao menos não, com base no que consta do feito. Para que tenhamos a absoluta segurança para se atestar a aplicação dos preceitos da LC 160 ao caso concreto, é necessário uma melhor instrução do feito, pelo que voto, agora, por converter este julgamento e diligência a fim solicitar a Unidade de Origem a: a) mediante ofício, solicitar à Secretaria Executiva do CONFAZ, a confirmação do registro e depósito da documentação exigida pela Cláusula Segunda, inciso II, do Convênio 190/17, pretensamente realizado por meio do Ofício nº 624/2018GAB/SEFAZ do Estado do Paraná; 1 https://www.arinternet.pr.gov.br/portalsefa/_l_DownloadLegislacao2.asp?eTpDoc=1&eTpPer=3&eDtPublicacaoI ni=&eDtPublicacaoFim=&eNrDocumento=1328&eAnoDocumento=2018&eTpMod=1 acessado em 20/02/2019. Fl. 4637DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Resolução nº 1302000.725 S1C3T2 Fl. 4.638 8 b) restando infrutífera a diligência retro, instar o próprio contribuinte a trazer provas de que o Estado do Paraná, efetiva e concretamente, depositou o ato de convalidação dos benefícios ora tratados, nos moldes da Cláusula Segunda já mencionada e no prazo descrito na Cláusula Terceira, II, do predito Convênio. A prova tratada no item "b", poderá ser feita mediante certidão ou declaração obtidas junto à própria Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná, ou do Gabinete do Chefe de Estado desta Unidade Federativa, ou juntamente ao próprio CONFAZ. Após, e a diligência for cumprida por meio da ação tratada em "a", acima, dêse vista dos autos ao recorrente, dispensadoa apenas e tão somente quanto a hipótese versada em "b". (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905176/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.738
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 76 /2 01 2- 12 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10675.905176/201212 Acórdão n.º 3201004.738 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09052.651, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.651. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.905176/201212 Acórdão n.º 3201004.738 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10675.905176/201212 Acórdão n.º 3201004.738 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.905176/201212 Acórdão n.º 3201004.738 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.170) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF
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