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Numero do processo: 10830.906945/2009-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO.
A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
Numero da decisão: 3001-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte negase a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 45 /2 00 9- 64 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 195 2 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.909, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 13.09.2012 (efls. 71 a 78), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: (...) Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 196 3 A Recorrente utilizouse do crédito em questão, devidamente atualizado pela Taxa Selic, como permite a legislação federal, para compensar com inúmeros débitos. A planilha e os demais documentos anexo dão conta do valor original do crédito, de suas atualizações pela Taxa Selic e suas correspondentes atualizações para compensação, em momentos distintos, sendo que a mera análise das informações constantes nas DCOMPs, com os acréscimos legais ao crédito da Taxa Selic, dão conta de que o mesmo crédito é suficiente/disponível para a integral quitação/compensação do débito declarado na DCOMP 10955.78733.101104.1.3.044946. Isso indica que a r. decisão de não homologação sobreveio sem que a D. fiscalização checasse a integralidade das DCOMPs vinculadas ao aludido crédito, devidamente atualizado pela Taxa Selic, acabando por tão somente indeferilos (não homologandoos) devido a incongruências de seu sistema. (...) Dessa forma, deve buscar a D. Administração a verdade real, não podendo deixar de homologar a declaração de compensação da Recorrente em razão de incongruências formais no sistema ou por não realizar os batimentos/cálculos acerca da atualização de crédito pela Taxa Selic, pois, como se prova com os documentos anexos, a Recorrente tem o direito à compensação e o crédito é sim suficientes para a quitação integral tanto dos débitos declarados na aludida DCOMP como em todas as demais, nos termos que demonstra a planilha ora juntada, e inclusive, isto já deveria ter sido verificado pelo próprio sistema da Receita Federal as declarações e recolhimentos feitos pela Recorrente; dever da D. Administração. (...) Assim, requer a Recorrente, fazendo uso do Diploma acima, seja reconsiderada a r. decisão recorrida para que seja reconhecido como suficiente o crédito, devidamente atualizado, apurado pela Recorrente e por conseguinte homologada a respectiva DCOMPs por ela apresentada, com baixa dos respectivos processos de débitos correlatos. (...) Com o protocolo desta e até sua final decisão, nos termos do inciso I do § 3º do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a exigibilidade dos débitos objeto do presente pedido de compensação deverá ser suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (...) (...) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 197 4 Da ementa do acórdão recorrido A 8ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF e em DCOMP. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 83 a 92), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Com vista a demonstrar a identidade das alegações suscitadas em ambas as peças de defesa, evidencio os argumentos ora apresentados, que: 1 o crédito em questão, decorrente de pagamento a maior que o devido, referente ao PIS da competência de OUT/2002, foi utilizado para efetuar diversas Per/Dcomp, cuja planilha elaborada informa haver saldo suficiente para a compensação dos débitos nelas indicado, tanto que com relação ao Per/Dcomp em apreço, referido quadro aponta o crédito original de R$ 121,27, resultado obtido da subtração do crédito original com os débitos compensados no Per/Dcomp enviadas anteriormente, evidenciando a legalidade da origem do crédito utilizado para a compensação e a existência de saldo suficiente para a quitação dos débitos apontados em cada Per/Dcomp; 2 seu único lapso foi ter deixado de relacionar todos os Per/Dcomp enviadas, conforme descritas na referida planilha, o que poderia ter dado ensejo a não homologação da presente declaração de compensação; 3 no caso concreto não foi observado o princípio da verdade material, uma vez que o fisco não confirmou as demais compensações realizadas pelo contribuinte, bem como a origem de seus créditos; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 198 5 4 da análise da documentação trazida na manifestação de inconformidade e reapresentada neste recurso voluntário as compensações efetuadas deveriam ter sido homologadas; 5 ainda em respeito ao princípio da verdade material, deveria o fisco ter aprofundado na análise dos apontamentos realizados no intuito de constatar a veracidade das informações e fundamentações trazidas aos autos pelo contribuinte, porém, de forma ilegal e abusiva, em desrespeito aos princípios que regem o PAF, não foi o que ocorreu, pois o acórdão recorrido aduziu "que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido", eivandoo de nulidade. Diante do exposto, requer seja reconhecido como suficiente o crédito apresentado para a quitação dos débitos indicados no Per/Dcomp em questão, homologandose a compensação realizada, ou alternativamente que o processo seja baixado em diligência, para que a autoridade fiscal confira as demais compensações realizadas e a origem do respectivo crédito, e que as futuras intimações sejam efetuadas em nome do contribuinte e também de seus patronos, em seu endereço profissional, sob pena de nulidade. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 11.01.2013 (efl. 161), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 07.11.2012, conforme depreendese do carimbo aposto na sua "folha de rosto", depois da ciência ocorrida em 16.10.2012, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 81), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I Sem embargo, antes tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 199 6 pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno deste Carf Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Preâmbulo II Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, tão somente depois da efetiva desconstituição total ou parcial da dívida confessada, pela supressão ou diminuição dos débitos informados no documento de confissão, haveria, ao menos em tese, a possibilidade de a Administração deferir eventual pedido de restituição ou homologar compensação, sujeitandose o contribuinte, todavia, à legislação de regência e aos critérios temporais, atinentes à retificação do documento de confissão DCTF, que forem aplicáveis, aliada à efetiva demonstração da existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Portanto, a questão é que, como a origem do crédito está jungida à necessidade da evidenciação das circunstâncias acima delineadas, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Esclareço, não encontro óbices para considerar as informações prestadas após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros, limitandose a apresentar uma mera planilha informativa. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 200 7 não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Como o contribuinte abstevese de produzir, ainda de minimamente, as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto que rege o processo administrativo fiscal federal, como também o princípio da isonomia. Preâmbulo III Os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Mérito A legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Per/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o despacho decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, o recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ele própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 201 8 Com a apresentação da manifestação de inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro patamar de aferição, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O recorrente, como relatado, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, limitouse a apresentar uma planilha e as cópias de diversas PER/DComp, além de cópia do comprovante de arrecadação Darf dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, como já atestado no voto condutor do acórdão recorrido, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito é não aquele que foi inclusive confessado na DCTF apresentada. Reprisando, não procede, também, a alegação trazida no recurso voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que a simples reapresentação dos mesmos elementos de prova apresentados na manifestação de inconformidade nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam, como já dito, a uma mera planilha e às cópias de diversas Per/Dcomp. Digase, tais elementos sequer são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo; estando, portanto, longe de conferir a liquidez e certeza necessária, o que confere absoluta razão ao voto condutor do acórdão recorrido quanto este expressamente afirma que o contribuinte deveria, pra tal finalidade, apresentar sua escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, uma vez que é significativa a disparidade entre os valores confessados em DCTF e aqueles posteriormente indicados no Per/Dcomp e questão. Assim, temse a mesma situação em que se encontrou a DRJ recorrida, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo, posto que os elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? O recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos, deixando, transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10830.906945/200964 Acórdão n.º 3001000.459 S3C0T1 Fl. 202 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC), verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter por seus exatos termos a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.720377/2012-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE OU BENEFICIÁRIO DIVERSO.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade, ou indicação de beneficiário diverso.
Numero da decisão: 2001-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE OU BENEFICIÁRIO DIVERSO. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade, ou indicação de beneficiário diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 72 03 77 /2 01 2- 19 Fl. 41DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 6.354,73, por falta de comprovação de pagamento e despesa com não dependente, gerando um saldo de imposto de renda complementar de R$1.747,55, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessada foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Salientese que não questiona as despesas da Associação do Sanatório Sirio R$ 88,98 e Andrea Campos da Costa R$ 3.600,00. Ou seja, segue a lide apenas em relação à despesa da Siemens Ltda R$ 2.665,75. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com a Siemens tratase de despesa médica própria. Pelo contrário, a informação consta como se fosse outra beneficiária, a qual não é sua dependente. Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte todos os demais documentos necessários para tentar comprovar o quanto alegado. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13820.720377/201219 Acórdão n.º 2001000.530 S2C0T1 Fl. 3 3 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ela relativos a plano de saúde . Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. O endereço deve ser aposto no recibo para que a Receita Federal, caso considere oportuno, possa intimar o profissional de saúde para prestar esclarecimentos. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. O contribuinte se insurge contra a glosa da despesa médica no Fl. 43DF CARF MF 4 valor de R$ 2.665,75 e alega que se trata de plano de saúde próprio e não de Eliane Rodrigues Lima. Porém, o documento juntado aos autos não menciona quem são os beneficiários do plano de saúde, se limitando a informar que o sujeito passivo é funcionário da Siemens e que teve descontado em folha seu plano de saúde (fl. 12). Portanto, o motivo da glosa não foi sanado. Assim, mantém a glosa da despesa com plano de saúde. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13820.720377/201219 Acórdão n.º 2001000.530 S2C0T1 Fl. 4 5 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental escassa para fins de comprovação de que a despesa médica em comento se tratava de despesa própria, e não com uma beneficiária que não é sua dependente, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto ser mantida a glosa em questão (Siemens Ltda R$ 2.665,75). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Redator designado Jorge Henrique Backes Discordo da relatora em relação às despesas médicas. Tratase de glosa de valor condizente com plano de saúde de uma única pessoa, glosa de valor de R$ 2.665,75. Pelos elementos do processo, e o exame da prova, o documento indica o contribuinte como beneficiário, não existindo prova em contrário. O lançamento não apontou elementos nesse sentido contrário, e não foi feita qualquer investigação para indicar que havia outro beneficiário. Dessa maneira, opinamos pela aceitação da dedução. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 45DF CARF MF 6 Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721880/2012-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa da dedução de despesa médica de R$13.000,00 referente a RUTE ROMEIRA FERNANDES, mantendo a glosa quanto ao IPASZLUZ-Sáude, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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DESPESA MÉDICA. Recorrente MARCELO DE ASSIS FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa da dedução de despesa médica de R$13.000,00 referente a RUTE ROMEIRA FERNANDES, mantendo a glosa quanto ao IPASZLUZSáude, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 18 80 /2 01 2- 64 Fl. 122DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 71 a 77), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, bem como da glosa por dedução indevida de Previdência Privada e FAPI. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.476,18, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 03 a 63 dos autos, sob os seguintes fundamentos: · que declarou o valor informado pela seguradora e o programa de preenchimento da DAA calculou o percentual dedutível; · os recibos que colacionados aos autos são documentos hábeis para afastar a glosa das despesas médicas; · que houve equívoco da unidade lançadora quanto ao documento relativo ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Luziânia/GO, pois Cristiane é apenas a servidora responsável pela expedição dos relatórios. · protesta pela nulidade do lançamento, por inexistência de causa para o lançamento. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BHE que por unanimidade, em 31/10/2013, no acórdão 0250.915, às efls. 95 a 99, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 105 a 112, no qual alega, em resumo, que os recibos emitidos em nome do contribuinte são documentos hábeis para afastamento das glosas. Ainda, quanto a glosa relativa ao Instituto, mantém o argumento exposto na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10166.721880/201264 Acórdão n.º 2002000.232 S2C0T2 Fl. 117 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 04/02/2014, efls. 104, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 27/02/2014, efls. 105, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Apresentada impugnação, a DRJ manteve a autuação, e, ainda irresignado, o contribuinte apresentou recurvo voluntário. Contudo, em sede recursal, não impugnou a autuação pela glosa por dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, não havendo mais litígio sobre a matéria, conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Logo, foram glosadas as deduções das seguintes despesas médicas: · IPASZLUZSáude; · Rute Romeira Fernandes, no valor de R$13.000,00. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 124DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10166.721880/201264 Acórdão n.º 2002000.232 S2C0T2 Fl. 118 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 126DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10166.721880/201264 Acórdão n.º 2002000.232 S2C0T2 Fl. 119 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, às efls. 111 e 112 dos autos, o contribuinte junta recibo e declaração do prestador de serviço que atesta que foi submetido a procedimento dentário no valor de R$13.000,00 realizado pela profissional RUTE ROMEIRA FERNANDES, motivo pelo qual afasto a glosa da despesa médica. Mantenho a glosa da despesa médica relativa ao IPASZLUZSáude, corroborando com o entendimento da DRJ, cujo fundamento aqui se transcreve: Relativamente ao valor que teria sido pago ao IPASLUZSaúde, R$ 6.289,69 (fl. 32), o interessado argumenta que são despesas médicas pessoais, pois não tem dependentes, e que Cristiane seria a usuária da sistema relatório, conforme declaração de fl. 31. Ainda que esteja provado que Cristiane é a servidora do IPASLUZSaúde que acessou o sistema “Relatório de Lançamentos”, o fato é que o documento de fl. 32 não é hábil à comprovação de que o interessado teria pago ao IPASLUZSaúde, no anocalendário 2008, o total de R$ 6.289,69, somatório das parcelas de autorizações 343280 (R$ 306,50), 343281 (R$ 5.700,29) e 343282 (R$ 282,90), todas datadas de 14/04/2008. Tal documento prova apenas que, na contabilidade do IPASLUZSaúde, foi debitado na conta 28590001 – segurado Marcelo de Assis Fernandes os valores referentes às três autorizações. Se o segurado ressarciu o Instituto, ou a Prefeitura Municipal de Luziânia (Empregador) /Secretaria de Saúde (Lotação), e em que data, não se pode afirmar. E mais, o “Relatório de Fatura(s) da Segurado” emitido em 15/04/2010, apresentado pelo contribuinte no processo de nº 10166.721881/201217, já apreciado por este Colegiado nesta sessão de julgamento, cópia juntada à fl. 92, demonstra que as autorizações 343281 (R$ 5.700,29) e 343282 (R$ 282,90) permaneciam registradas como dívidas do segurado na contabilidade do Instituto, só tendo sido emitida uma fatura de R$ 417,00 (= R$ 134,63 + R$ 282,90), com vencimento em 30/6/2009, tendo como sacado a Secretaria de Saúde. Fl. 128DF CARF MF 8 Portanto, incabível a dedução pleiteada, por ausência de comprovação do pagamento, pelo contribuinte, no anocalendári 2008, do valor alegado. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a glosa das dedução de despesa médica de R$13.000,00 referente a RUTE ROMEIRA FERNANDES, mantendo a glosa quanto ao IPASZLUZSáude. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.002098/00-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.002098/0026 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.414 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de agosto de 2018 Assunto RESSARCIMENTO IPI Recorrente BHP BILLITON METAIS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls. 100/101, no valor de R$397.869,08. Segundo discriminado no pedido de fl. 100 que retificou o formulário de fl. 05, o crédito utilizado na compensação é de crédito presumido do IPI com amparo na Lei nº 9.363, de 1996 e Portaria MF nº 38, de 1997, relativamente ao 3º trimestre de 2000. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 02 09 8/ 00 -2 6 Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10320.002098/0026 Resolução nº 3201001.414 S3C2T1 Fl. 3 2 Além deste, a contribuinte formalizou outros pedidos de compensação lastreados no crédito presumido do 3º trimestre de 2000, segundo discriminado a seguir: Processo Protocolo Crédito Presumido utilizado na compensação (3° Trim/2000) 10320.001933/0056 18/10/2000 264.545,08 10320.002036/0079 31/10/2000 502.289,48 10320.002098/0026 10/11/2000 397.869,08 10320.002358/0045 28/11/2000 450.000,00 10320.002683/0026 13/12/2000 514.109,03 Total: 2.128.812,67 Inicialmente, o Pedido de Ressarcimento foi formulado em nome do estabelecimento filial, detentor do CNPJ nº 42.105.890/000901, localizado no Município de São Luís, Maranhão, enquanto a matriz localizavase no estado do Rio de Janeiro. Por essa razão, diversos entendimentos sobre a competência para análise do pleito do contribuinte foram então expressos, determinando o fato a expedição de 3 (três) despachos decisórios, 3 (três) acórdãos, ultimados pelo Acórdão nº 28.657, às fls. 590/607, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MGDRJ/ JFA/MG, em de 19/03/2010. Nesse contexto, seguiramse os encaminhamentos abaixo relatados. Por sua vez, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 20/25), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato de a empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação do contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 5), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 137/144, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 151/161. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação expressa da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Com as manifestações do contribuinte, o processo foi remetido à DRJ/JFA/MG, para julgamento. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10320.002098/0026 Resolução nº 3201001.414 S3C2T1 Fl. 4 3 Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de Diligência de fls. 202/203. Em resposta, a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 358/359, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas/MG, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Ao tomar ciência da informação fiscal, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 361/. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, como integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de Diligência de fls. 418/422, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à segunda solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 556. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificada da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 564/571. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação, incluído nesse a solicitação de perícia. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10320.002098/0026 Resolução nº 3201001.414 S3C2T1 Fl. 5 4 Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o já mencionado Acórdão nº 0928.657, em 19/03/2010, às fls. 590/607. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que a manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificada do acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 611/629, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 380100.894, de 01/09/2011, às fls. 1.044/1.060. Por maioria de votos decidiu o colegiado: “reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito”. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0944.593, de 17/06/2013, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo direito creditório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 1) CONSUMO DE CRÉDITOS ANTERIORMENTE AO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, petições deferidas, formuladas nos processos 10320.001933/0056 e 10320.002036/0079, resultam no indeferimento do montante de direito creditório ora pleiteado, pois naqueles processos o crédito ora reconhecido foi totalmente consumido. 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10320.002098/0026 Resolução nº 3201001.414 S3C2T1 Fl. 6 5 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. A solicitação de perícia requer além da exposição motivos que a justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ausentes tais requisitos, é de se inferir a perícia requerida ((Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inc. IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no terceiro trimestre de 2000, ainda depois das transferências às filiais; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10320.002098/0026 Resolução nº 3201001.414 S3C2T1 Fl. 7 6 presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.916924/2011-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
IPI. SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO.
O montante do saldo credor passível de ressarcimento num trimestre depende de eventual saldo credor remanescente de período anterior, assim como dos débitos do imposto incorridos no próprio trimestre analisado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. O montante do saldo credor passível de ressarcimento num trimestre depende de eventual saldo credor remanescente de período anterior, assim como dos débitos do imposto incorridos no próprio trimestre analisado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 69 24 /2 01 1- 28 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10983.916924/201128 Acórdão n.º 3002000.390 S3C0T2 Fl. 130 2 Relatório Por bem retratar as vicissitudes do presente processo, reproduzse o relatório do Acórdão recorrido: "Em exame no presente processo o PER nº 23630.04074.220311.1.5.0160382, ao qual foi vinculada a DCOMP nº 42620.55669.220311.1.7.0100343, por intermédio dos quais a pessoa jurídica retro identificada pretendeu utilizar o saldo credor do IPI apurado ao final do 3º trimestre 2009, da ordem de R$ 11.212,57, para a extinção de débitos de igual montante, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Da análise eletrônica do pleito, realizada pelo SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensação, resultou o Despacho Decisório de fl. 18, que concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório, da ordem de R$ 10.259,65 e pela homologação parcial da mencionada DCOMP. A motivação do reconhecimento parcial encontrase indicada no referido ato decisório, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatou se o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 11.212,57 Valor do crédito reconhecido: R$ 10.259,65 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Cientificado do despacho decisório em 18/01/2012 [fls. 19/20], manifestou a contribuinte a sua inconformidade em 08/02/2012 por intermédio do arrazoado de fls. 21/26, no qual: alega que o próprio programa do PER/DCOMP apontou como passível de ressarcimento o valor R$ 11.212,57, depois de proceder as deduções das compensações anteriormente efetuadas e demonstrar um valor de R$ 50.082,78 como saldo credor ajustado do período; acrescenta que não pode ser penalizado por uma análise equivocada no referido despacho decisório e, que a glosa não tem fundamentação legal nem detalhamento de onde foram extraídos os supostos valores não ressarcíveis que haviam sido Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10983.916924/201128 Acórdão n.º 3002000.390 S3C0T2 Fl. 131 3 apontados pelo próprio programa gerador como passíveis de ressarcimento; Requer, ao final, a revisão do despacho decisório para homologação integral da compensação declarada." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora (DRJ/JFA) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar demonstrado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento acumulados no trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Passível de Ressarcimento) foi utilizada para abater débitos informados no RAIPI/PGD no trimestrecalendário a que se refere o crédito utilizado na DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 75/79), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10983.916924/201128 Acórdão n.º 3002000.390 S3C0T2 Fl. 132 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado anteriormente, a ora recorrente trouxe em seu Voluntário os mesmos argumentos já apresentados na Manifestação de Inconformidade. Basicamente, a recorrente se insurgiu contra o deferimento parcial do seu pedido de ressarcimento no PER/DCOMP nº 23630.04074.220311.1.5.016038 e, conseqüentemente, com a homologação parcial das compensações declaradas no PER/DCOMP nº 42620.55669.220311.1.7.010034 alegando que o saldo credor passível de ressarcimento foi calculado pelo próprio programa da Receita Federal, assim, segundo ela, não restaria razão plausível para a mudança de critério e, ainda, que tal fato gera enorme insegurança jurídica nos contribuintes. Primeiramente, devese esclarecer que o PGD PER/DCOMP se constitui num programa offline gerador de documentos, no qual o sujeito passivo elabora o seu pedido de restituição/ressarcimento e suas declarações de compensação. Contudo, o resultado apresentado pelo programa, por um lado, é meramente informativo, pois depende para a sua confirmação de um processamento realizado posteriormente, que confronta os dados informados nessa declaração com os dados de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, assim como com outras informações presentes no banco de dados da Receita Federal. Por outro, o resultado mostrado pelo PGD depende dos dados alimentados pelo próprio contribuinte, ou seja, o resultado será mais confiável, quanto mais fidedignas forem as informações prestadas. No caso ora analisado, a diferença entre o resultado apresentado pelo programa no momento da transmissão da declaração e o crédito passível de ressarcimento reconhecido através do Despacho Decisório acostado aos autos deveuse a inconsistência da informação sobre o saldo credor do período anterior, como bem demonstrado no voto condutor do Acórdão recorrido: "O programa apura os valores partindo dos dados informados pelo próprio contribuinte, de modo que, se a entrada de dados é falha, o resultado apontado também será falho. Registrese a propósito, que o contribuinte ao informar no PGD o saldo credor advindo de período anterior sequer tomou o cuidado de transcrever o saldo apurado ao final do trimestre anterior. Note se que o saldo credor de período anterior informado no PER 23630.04074.220311.1.5.016038 [do 3º trimestre/2009, em análise no presente processo], da ordem de R$ 61.831,62, é muito superior ao saldo credor apurado ao final do 2º trimestre/2009, no valor de R$ 21.955,59, conforme consulta realizada no PER 10224.43918.210311.1.5.018403, transmitido para utilização do saldo daquele trimestre de apuração. E o mínimo que se poderia esperar é que o saldo de partida do trimestre subseqüente fosse igual ao saldo apurado ao final do trimestre imediatamente anterior. Tal fato resultou, mesmo depois do ajuste dos saldos do RAIPI mediante estorno do valor utilizado do saldo credor do 2º trimestre/2009 [R$ 21.955,59], na transferência indevida de R$ 39.876,03 [R$ 61.831,62 menos R$ 21.955,59] a título de saldo credor advindo do 2º trimestre/2009 para o 3º trimestre/2009. Referido saldo de Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10983.916924/201128 Acórdão n.º 3002000.390 S3C0T2 Fl. 133 5 partida, embora se trate de crédito não ressarcível, pode ser utilizado para a amortização de débitos escriturados no período. Foi o que aconteceu, como relatado no parágrafo anterior do presente voto: todos os débitos escriturados no 3º trimestre/2009 foram amortizados pelo saldo credor advindo do trimestre anterior, resultando na indicação, pelo PGD, de todos os créditos escriturados no trimestre como saldo credor passível de ressarcimento." Dessa forma, não há que se falar em alteração de critérios ou de insegurança jurídica, porquanto o crédito reconhecido no trimestre em questão decorreu do processamento das informações prestadas pelo próprio sujeito passivo tanto na declaração correspondente, como nas declarações referentes aos trimestres anteriores. Ademais, repisese que a recorrente não teceu nenhum comentário em seu Recurso Voluntário sobre as explicações trazidas no Acórdão recorrido. Assim, não há motivos para não se reconhecer a pertinência e justeza da decisão da instância a quo. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006973/2003-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO.
Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido.
Numero da decisão: 9202-007.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.006973/200371 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.171 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FOOD LAND COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 69 73 /2 00 3- 71 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2202001.990, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração (fls. 36/38) lavrado após a realização de Auditoria Interna da DCTF, onde foi constatado irregularidades no crédito vinculado informado na DCTF (falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, multa vinculada e falta de pagamento de multa de mora). Com a notificação do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/14). Houve uma revisão de lançamento, às fls. 54/58, com cancelamento parcial e o contribuinte notificado da revisão, à fl. 61, com apresentação de nova impugnação, às fls. 63/86. A DRJ, às fls. 97/102, julgou parcialmente procedente, para manter a exigência de R$ 802,52 (R$ 543,28 + R$ 259,24) de IRRF, multa de oficio de 75% com base art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996 e juros de mora com base na taxa Selic. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a fls. 106/122, sustentando, em preliminar, nulidade do auto de infração, pois os tributos que estão sendo exigidos foram pagos. No mérito, a autoridade julgadora admitiu o recolhimento do imposto, mas não aceitou devido a erro no preenchimento da DARF, o que demonstra que o Contribuinte não deixou cumprir nenhuma exigência da legislação. Alegou, ainda, que o auto de infração está equivocado, pois o valor de R$ 802,52, devidos nos meses de novembro e dezembro de 1998, foi recolhido em 09/12/1998 e 23/12/1998. A multa é indevida, pois conforme art. 44, I, da Lei 9.430/96, ela seria aplicada no lançamento de ofício, o que não ocorreu, pois o lançamento do IRRF foi feito pelo próprio contribuinte (lançamento por homologação). Por fim, alegou que os juros só poderiam incidir a partir da data do vencimento até o efetivo pagamento, não conforme foi feito, calculado até 30/06/2003, e que a taxa de juros deveria ser de 1% ao mês, conforme § 1º, do art. 161, do CTN e § 3º do art. 192, da CF/88. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 124/129, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para reformar em parte a decisão recorrida e a autuação com a finalidade de excluir da exigência a multa de oficio. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 PAGAMENTO NÃO COMPROVADO Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.006973/200371 Acórdão n.º 9202007.171 CSRFT2 Fl. 10 3 Mantémse a exigência, quando a contribuinte alega haver quitado o débito, mas apresenta comprovante de recolhimento efetuado em nome de terceiro, bem como, pertencente a outro período e que já foi vinculado ao débito ali devido. MULTA DE OFICIO DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE Tratandose de lançamento realizado conforme declaração prestada pelo contribuinte não cabe a exigência da multa de oficio, mas apenas a multa moratória e não é caso de substituição, se a autuação se fez de forma equivocada. Às fls. 131/139, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: “substituição” da multa de ofício pela multa de mora, pela autoridade administrativa, em função do disposto no art. 142 do CTN. O acórdão recorrido decidiu sob os seguintes aspectos: a) afastou a exigência da multa de ofício objeto de lançamento tributário regularmente formalizado contra o contribuinte; b) houve entendimento pela “substituição” a multa de ofício objeto de lançamento pela multa de mora, embora essa última não tenha sido objeto do lançamento. O acórdão paradigma, em sentido diametralmente oposto ao acórdão recorrido, encampou a tese de que era legítima a “substituição” da multa de ofício pela multa de mora, pela autoridade administrativa, em função do disposto no art. 142 do CTN, pois verificado o atraso no adimplemento do crédito tributário é impositiva a exigência da multa de mora, em virtude de previsão legal. Ademais, registrou expressamente que a exigência da multa de mora prescinde de lançamento, seja em procedimento espontâneo, seja como decorrente de intimação da autoridade tributária, por ser devida em todas as hipóteses de recolhimento com atraso. Noutros termos, muito embora a multa de ofício tenha sido exonerada e a multa de mora e os juros de mora não tenham sido objeto de lançamento lavrado contribuinte, a exigência desses encargos moratórios foi mantida como simples decorrência de imposição legal. Desta forma, a decisão apontada como parâmetro manteve a multa de mora, desde logo, sem qualquer ressalva de possível cobrança posterior, tendo em vista que sua imposição decorre de lei, sendo prescindível o seu lançamento. No segundo acórdão acostado, decidiuse que, no caso de exclusão da multa de ofício e imposição no acórdão exarado de multa de mora, muito embora ela não tenha sido objeto de lançamento (não constasse inicialmente no auto de infração), o órgão prolator do paradigma, ao revés do acórdão recorrido, entendeu por essa possibilidade, frisando que a imposição da multa de mora independe de lançamento, sendo sempre devida quando o tributo for pago depois do vencimento, em virtude de expressa disposição de lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 142/145, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria “substituição” da multa de ofício pela multa de mora. Cientificado à fl. 150, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração (fls. 36/38) lavrado após a realização de Auditoria Interna da DCTF, onde foi constatado irregularidades no crédito vinculado informado na DCTF (falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, multa vinculada e falta de pagamento de multa de mora). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à “substituição” da multa de ofício pela multa de mora. A esse respeito já se manifestou esse Colegiado, por meio do Acórdão nº 9202004.244, de 22/06/2016, da lavra do Ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, cujo brilhante voto ora adoto como minhas razões de decidir: "II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.006973/200371 Acórdão n.º 9202007.171 CSRFT2 Fl. 11 5 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento no prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança/execução do crédito tributário, pela autoridade competente." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento para afastar a exclusão da multa de mora. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 160DF CARF MF 6 Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910475/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 84. VINCULAÇÃO.
É possível o pedido de compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, conforme sumulado por este Órgão, o que vincula a decisão do Conselheiro.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO-CONFIGURAÇÃO.
A compensação não se equipara a pagamento para fins de configuração de denúncia espontânea. Não há denúncia espontânea condicional.
Numero da decisão: 1302-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ESTIMATIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 84. VINCULAÇÃO. É possível o pedido de compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, conforme sumulado por este Órgão, o que vincula a decisão do Conselheiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A compensação não se equipara a pagamento para fins de configuração de denúncia espontânea. Não há denúncia espontânea condicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 04 75 /2 00 9- 18 Fl. 1520DF CARF MF 2 Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa acima qualificada apresentou em 23 de agosto de 2006 a DComp 41125.45063.230806.1.3.040905, visando compensar direito creditório relativo a pagamento indevido de estimativa de IRPJ de maio de 2005 com débito CSLL estimativa de outubro do mesmo ano. A DEINF de São Paulo não homologou a compensação uma vez que o artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005 vedava a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa para compensação. Tais valores deveriam compor o ajuste anual. A Empresa apresentou Manifestação de inconformidade alegando que a IN 600 ultrapassou os limites da Lei ao vedar a compensação de crédito de estimativas pagas indevidamente, pois o § 3º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não trazia tal proibição. Ao julgar a lide a 8ª Turma da DRJ de São Paulo considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando a proibição prevista no artigo 10 da IN nº 600, de 2005. Informou no relatório, que o processo administrativo nº 16327.910620/200652 estava sendo julgado na mesma sessão por se tratar de direito creditório oriundo do mesmo DARF. O Banco, então, apresentou Recurso Voluntário, renovando os argumentos sobre a ilegalidade da vedação do artigo 10 da IN nº 600, de 2005, além de apresentar os fundamentos da efetiva liquidez e certeza do direito creditório que estava pleiteando. Esta Turma Ordinária, em sessão de 25 de março de 2015, converteu o julgamento em diligência, reconhecendo a obrigatoriedade da aplicação da súmula CARF nº 84, que permite a compensação de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa, mas considerando que o processo não estava suficientemente instruído para decidir sobre o direito creditório. Assim, determinou a diligência para que a Unidade de Origem se pronunciasse sobre: 1) a existência do direito creditório alegado pelo Interessado, bem como sobre qualquer outra informação que entenda relevante para a adequada solução deste litígio; 2) juntar cópia da última DCTF retificadora/ativa do contribuinte relativa ao 2º Trimestre de 2005, mais especificamente as folhas relativas a CSLL por estimativa (Código da Receita: 2484), período de apuração Maio 2005, ou confirmar a veracidade da DCTF que já se encontra nos autos; 3) juntar cópia da última DIPJ/05 ativa, anocalendário 2004, na sua integralidade, se manifestado sobre eventual utilização do direito creditório alegado nestes autos na composição de eventual saldo negativo do anocalendário em questão (2004); e 4) por fim se manifestar sobre qualquer fato ou circunstância que entenda relevante para a adequada resolução desta lide. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 16327.910475/200918 Acórdão n.º 1302003.024 S1C3T2 Fl. 1.521 3 No Relatório de Diligência de folhas 1458 a 1466, a autoridade responsável apresenta a seguinte conclusão: Diante dos elementos aqui examinados e com as informações ora prestadas, considero como atendida a solicitação formulada pelo CARF e entendo que devem ser: • homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 41125.45063.230806.1.3.040905, conforme demonstrativo SAPO às fls. 1455/1457; • homologada PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP nº 15950.82128.300806.1.3.046244, restando um saldo de débito não compensado de R$ 222.290,10 por falta de crédito, conforme demonstrativo SAPO às fls. 1455/1457. Portanto, além de tratar da DComp objeto deste processo administrativo, aquela autoridade apresentou conclusões sobre outra DComp (juntada às folhas 1270/1273). Cientificada do resultado da diligência a Recorrente informou que a não homologação parcial da segunda DComp se deve à cobrança de multa de mora na DComp objeto deste processo administrativo, o que é um equívoco, uma vez que está acobertado pela denúncia espontânea. O valor de R$ 222.290,10, apontado na diligência como sendo o crédito faltante para a homologação da segunda DComp é exatamente a multa de mora descrita no Despacho Decisório de folha 14. Deve ser consignado que na descrição do débito a ser compensado na DComp apresentada não há referência a multa, que se encontra zerada. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Recurso é tempestivo e a representação é regular, pelo que conheço do Recurso Voluntário. A questão que se apresenta neste processo não diz respeito a direito creditório, mas ao débito que se está compensando. Inicialmente temos Despacho Decisório (fl. 14) e Acórdão da DRJ de São Paulo (fls. 22 /24) que negam o direito creditório sob o único fundamento de proibição de compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativa, conforme estabelecia o artigo 10 da In nº 600, de 2005. A contribuinte, em seu Recurso Voluntário, além de enfrentar a questão da ilegalidade do citado artigo da IN 600, apresenta razões quanto à liquidez e certeza de seu crédito, alegando alteração legislativa que permitia o emprego do regime de caixa para o reconhecimento de resultados positivos e negativos auferidos e incorridos nas operações realizadas em mercado de liquidação futura. Fl. 1522DF CARF MF 4 Talvez por esse motivo, esta Turma tenha entendido que o objeto litigioso englobava o fundamento do direito creditório, quando, em verdade, a lide estava limitada à questão da proibição legal de aproveitamento de crédito de pagamento a maior ou indevido de estimativa para compensação. A situação piora quando a diligência solicitada apresenta conclusões sobre DComp que não é tratada neste processo e sobre a qual nada se sabe, pois a pesquisa em torno do processo administrativo que a DRJ afirmou estar sendo julgado conjuntamente com o presente não teve resultado. Fato é que neste momento processual, invocar qualquer nulidade seria contraproducente, já que estamos tratando de um processo com mais de 12 anos, além de prejudicial ao contribuinte pela perpetuação da indefinição resultante. Além disso, julgar o crédito e o débito da DComp final 0905 não ultrapassa os limites desta lide e, estando presentes todos os elementos probatórios para a tomada de decisão, é o caminho certo a ser tomado. Por outro lado, deixar de manifestar o entendimento sobre a existência ou não de denúncia espontânea, considerando a homologação do pedido de compensação com ou sem multa de mora, pode representar, também, prejuízo ao contribuinte pela indefinição quanto à segunda DComp. Nessa ótica, a existência ou não de denúncia espontânea é a matéria indefinida, considerando que a autoridade administrativa responsável pela diligência apresentou conclusão quanto às demais matérias requeridas na Resolução. Quanto ao crédito, afasto o fundamento do artigo 10 da IN 600, de 2005, independentemente do meu posicionamento pessoal quanto à incompetência do CARF para dizer da ilegalidade de instrução normativa, uma vez que a Súmula nº 84 é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros e seu teor é de clareza celeste: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Passo à análise do débito e da existência, ou não, de denúncia espontânea. O Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que a denúncia espontânea alberga a figura das multas moratórias, desde que não tenha havido declaração prévia do contribuinte, in verbis: Superior Tribunal de Justiça 1ª Seção REsp 1149022 / SP 09/06/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2.Deveras, a denúncia espontânea Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 16327.910475/200918 Acórdão n.º 1302003.024 S1C3T2 Fl. 1.522 5 não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7.Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Compareceu à sessão, o Dr. LUIZ PAULO ROMANO, pelo recorrente. Pacificado e de aplicação necessária, à luz do § 1º, inciso II, alínea "b" do artigo 62 do RICARF, o entendimento de que a denúncia espontânea afasta a multa de mora. Não tão pacífica porém, é a equiparação da compensação a pagamento para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Tanto não é pacífico o entendimento que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) emitiu a Nota Técnica Cosit nº 1 em 18 de janeiro de 2012, equiparando compensação à pagamento para, cerca de seis meses depois, em 12 de junho de 2012, cancelar a referida Nota Técnica, por intermédio de outra Nota Técnica, a de nº 19, de 2012, que afirma textualmente: 6. Em consequência, concluise: Fl. 1524DF CARF MF 6 a) pelo cancelamento da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012; (...) c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: (...) c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; (...) As decisões administrativas deste Conselho também tendem nos dois sentidos: os que equiparam compensação a pagamento: Acórdãos 1201001.538, 3402 003.486, 1803002.091, 1801002.053, e. g.; e as que restringem o instituto da denúncia espontânea somente a pagamento: v. g. Acórdãos 1301001.991, 1402002.309, 3101001.425, 9101002.218. A justiça já enfrentou a questão quanto aos parcelamentos, conforme se extrai da súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos de nº 208: SÚMULA Nº 208 A simples confissão da dívida, acompanhado do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea. Tese firmada no julgamento do leading case, REsp 1102577/DF no STJ na forma de recurso repetitivo assim se apresenta: O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. Destaco trecho do voto: Nos casos em que há parcelamento do débito tributário, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito. O parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais igualmente serão adimplidas, nos termos do artigo art. 158, I, do mencionado Codex. Feitas estas considerações, filiome aos que entendem que não há como equiparar compensação a pagamento, pois não há como apagar o fato de a compensação ser condicional. Explico: se houver a equiparação e for afastada a multa de mora, uma vez implementada a condição resolutória, não há como realizar a cobrança da penalidade pelo atraso no pagamento, cuja existência seria insofismável. Assim, débito confessado antes de qualquer atividade do Estado no sentido de constituílo, e compensado, só estará extinto com a homologação, tácita ou expressa, da compensação. Uma vez não homologada, o débito só será quitado no processo de cobrança, muito tempo depois da apresentação da DComp e da data de seu vencimento, pelo que, deve incidir a multa de mora. Não há denúncia espontânea condicional. Não ocorreu a denúncia espontânea em relação ao débito de outubro de 2005, por não ter sido pago, mas compensado. Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 16327.910475/200918 Acórdão n.º 1302003.024 S1C3T2 Fl. 1.523 7 Nesses termos voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado na DComp de final 0905 e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido com a incidência da multa de mora. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Declaração de Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias A matéria controversa nos autos e que foi devolvida a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais pelo Recurso Voluntário apresentado, se refere, basicamente, ao reconhecimento ao não da denúncia espontânea nos casos em que, ao invés de realizar o pagamento em espécie, o contribuinte quita os débitos "denunciados" com créditos que detém junto ao sujeito ativo da obrigação tributária, ou seja, utilizase da compensação. Contudo, antes de se analisar a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea na compensação, devese pontuar que, ao presente caso, não se aplica o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, através da sistemática de recursos repetitivos, de que a denúncia espontânea não é aceita quando há a prévia declaração (constituição) do crédito tributário, com o pagamento a destempo do tributo. O acórdão neste sentido recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 1526DF CARF MF 8 (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) É que, como se depreende dos autos, a constituição do crédito tributário não se deu antes da transmissão do pedido de compensação. Pois bem, pontuada essa questão, passase a analisar a possibilidade de se aproveitar dos benefícios da denúncia espontânea, quando, ao invés de realizar o pagamento em espécie do tributo, o contribuinte quita este através da compensação tributária. Como sabido, o instituto da denúncia espontânea, que se assemelha ao do arrependimento eficaz no Direito Penal, pode ser caracterizado como a intenção (ou até mesmo opção) do contribuinte em "denunciar" eventual omissão do fato gerador, antes que se tenha iniciado qualquer procedimento de fiscalização por parte do sujeito ativo competente para instituir e cobrar o tributo. A sua previsão legal está na inteligência do artigo 138 do Código Tributário Nacional, que tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O professor Luciano Amaro assim se pronuncia sobre o instituto da denúncia espontânea: "Como já se viu, o objetivo fundamental das sanções tributárias é, pela intimidação do potencial infrator, evitar condutas que levem ao nãopagamento do tributo ou que dificultem a ação fiscalizadora (que, por seu turno, visa também a obter o correto pagamento do tributo). Ora, dentro dessa perspectiva, é desejável que o eventual infrator, espontaneamente, 'venha para o bom caminho'. Esse comportamento é estimulado pelo art. 138 do Código, ao excluir a responsabilidade por infrações que sejam objeto de denúncia espontânea. (...) A denúncia espontânea afasta, portanto, a responsabilidade por infrações tributárias. Porém, 'se for o caso', ela deve ser acompanhada pelo pagamento do tributo devido e dos juros de mora; se o valor do tributo não for ainda conhecido, por depender de apuração, deve ser efetuado, no lugar do pagamento, o depósito da quantia arbitrada pela autoridade administrativa" (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12. ed. rev. e atual São Paulo: Saraiva, 2006. Pág. 451) Para corroborar com os ensinamentos da doutrina acima colacionada e para se esclarecer a essência do instituto da denúncia espontânea, que está arrimada, digase, no Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 16327.910475/200918 Acórdão n.º 1302003.024 S1C3T2 Fl. 1.524 9 princípio da boafé, que deve sempre nortear as relações entre contribuintes e o fisco, citase trecho do voto proferido pelo então Ministro do Superior Tribunal de Justiça Luiz Fux no Ag 737.506/RS. Confirase os seus apontamentos: "(...) 3. Ressalva do relator no sentido de que a denúncia espontânea, na sua essência, configura arrependimento fiscal, deveras proveitoso para o fisco, porquanto o agente infrator, desistindo do proveito econômico que a infração poderia carrearlhe, adverte a mesma à entidade fazendária, sem que ela tenha iniciado qualquer procedimento para a apuração desses fundos líquidos. 4. Tratase de técnica moderna indutora ao cumprimento das leis, que vem sendo utilizada, inclusive nas ações processuais, admitindo o legislador que a parte que se curva ao decisum fique imune às despesas processuais, como sói ocorrer na ação monitória, na ação de despejo e no novel segmento dos juizados especiais. 5. Obedecida essa ratio essendi do instituto, exigir qualquer penalidade, após a espontânea denúncia, é conspirar contra a norma inserida no art 138 do CTN, malferindo o fim inspirador do instituto, voltado a animar e premiar o contribuinte que não se mantém obstinado ao inadimplemento. 6. Desta sorte, temse como inequívoco que a denúncia espontânea exoneradora que extingue a responsabilidade fiscal é aquela procedida antes da instauração de qualquer procedimento administrativo. Assim, engendrada a denúncia espontânea nesses moldes, os consectários da responsabilidade fiscal desaparecem, por isso que revestese de contraditio in terminis impor ao denunciante espontâneo a obrigação de pagar "multa", cuja natureza sancionatória é inquestionável. Diverso é o tratamento quanto aos juros de mora, incidentes pelo fato objetivo do pagamento a destempo, bem como a correção monetária, mera atualização do principal". (AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 737.506 RS 2006/00098624) (destcou se). Assim, neste ponto, podese afirmar que a denúncia espontânea é uma oportunidade de o contribuinte, em boafé, se antecipar à fiscalização, "denunciar" a ocorrência do fato gerador e quitar o crédito tributário, caso esse seja, de fato, devido, ficando, assim, livre das penalidade inerentes à mora no pagamento do tributo. O instituto é um estímulo que o legislador deu aos contribuintes, para que as obrigações tributárias sejam cumpridas, independentemente da atuação da fiscalização. E, como mencionado acima, a discussão posta é saber se a compensação se equipara ao pagamento e se, naquele caso, admitirseia a denúncia espontânea e, por consequência, estaria afastada a incidência da multa de mora, incidindo sobre o principal apenas os juros (recomposição monetária dos valores) pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária. Fl. 1528DF CARF MF 10 Neste ponto, não se pode perder de vista que a compensação é um encontro de contas entre credores mútuos e nela se pressupõe que o credor e o devedor tenham os mesmos direitos e deveres. Paulo de Barros Carvalho é cirúrgico nessa interpretação: (...) Por outro lado, situação há em que o Fisco figura no pólo passivo da relação jurídica. Falase, nesse caso, em 'débito do Fisco', consequência do fato do pagamento indevido, e constituído, também, no consequente de outra norma individual e concreta. Na compensação tributária são dissolvidas, simultaneamente, essas duas relações: (i) de crédito tributário e (ii) de débito do Fisco. Direitos e deveres funcionam como vetores de mesma intensidade e direção, mas de sentidos opostos, que se anulam. A compensação é uma forma extintiva das obrigações em geral, encontrando fundamento de validade no artigo 368 do Código Civil: 'Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações se extinguem, até onde se compensarem'. No que concerne à obrigação do tributo, o Código Tributário Nacional acolhe o instituto, desde que, em homenagem ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos, seja autorizado em lei. É a redação do artigo 170: (...) (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008 2ª edição. Pág. 477 e 478) (destacouse) E aqui podese afirmar que não há dúvidas: a compensação se equipara ao pagamento, produzindo o mesmo efeito, qual seja: a extinção do crédito tributário. Esta interpretação, inclusive, é fácil de ser percebida com a leitura dos incisos I e II, do artigo 156 do Código Tributário Nacional. Vejase: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...) Esclareçase que os institutos o da pagamento e da compensação se assemelham porque, no pagamento, o contribuinte entrega dinheiro em espécie à Fazenda Pública para quitar o débito tributário. Na compensação, por sua vez, ao invés de entregar dinheiro, o contribuinte utiliza como "moeda de troca" um crédito que possui junto àquela Fazenda Pública, mas que tem o mesmo objetivo, qual seja: quitar o tributo e, assim, ver extinto o crédito tributário devido. No âmbito federal, dentre outros dispositivos, a compensação é regulada pelo disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. E a leitura do parágrafo 2º deste dispositivo não deixa dúvidas quanto ao efeito da compensação: a extinção do crédito tributário. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 16327.910475/200918 Acórdão n.º 1302003.024 S1C3T2 Fl. 1.525 11 (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (destacouse) E para colocar uma pá de cal nesta equiparação, colacionase abaixo ementa de julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, em que a Corte deixa clara a posição de que pagamento (gênero) e compensação (espécie) são idênticos e produzem os mesmos efeitos. Confirase: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9o. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9o., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2. O art. 9o. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1o. e 8o., a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4. Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, Fl. 1530DF CARF MF 12 ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. (...) 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7. Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido. (REsp 1122131/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/06/2016) Assim, em que pese o citado artigo 138 do CTN falar em "pagamento do tributo devido", entendese que a interpretação do dispositivo deve ser feita de forma sistemática com todo o ordenamento jurídico, interpretação que não leva à outra conclusão senão à equiparação do pagamento à compensação, exatamente por produzirem os mesmos efeitos jurídicos. Não se pode perder de vista, neste sentido, que o dispositivo da denúncia espontânea, como mencionado, prestigia o adimplemento espontâneo e em boafé da obrigação tributária pelo contribuinte, pouco importando o modo pelo qual isso ocorra. O único requisito é que não tenha se iniciado qualquer medida fiscalizatória por parte do ente tributante e que o tributo seja quitado em sua integralidade. O entendimento aqui exposto, ainda que a jurisprudência administrativa seja oscilante, é acompanhado por julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se depreende das seguintes ementas: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora. (Número do Processo 10675.900823/200813 Acórdão nº 1801 002.053 Data 30/07/2014) ................................. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 16327.910475/200918 Acórdão n.º 1302003.024 S1C3T2 Fl. 1.526 13 Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea. (Número do Processo 10680.726869/201191 Acórdão nº 3301003.218 Sessão de 22/02/2017) E, em recente decisão, a Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no mesmo sentido. Confirase a ementa do julgado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. HIPÓTESE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário contida na acepção do termo “pagamento” ínsito no art. 138 do CTN. (Número do Processo 15374.000506/200561 Acórdão nº 9101003.559 Sessão de 05/04/2018) Como se não bastasse, o próprio Superior Tribunal de Justiça tem precedentes que admite a aplicação da denúncia espontânea naqueles casos em que houver o pagamento do crédito tributário via compensação, inclusive. Vejase: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. Fl. 1532DF CARF MF 14 (AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010) (destacouse) Pela inteligência da melhor doutrina, dos precedentes administrativos e judiciais citados no decorrer deste voto e, em especial, pela interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio, portanto, outra não pode ser a conclusão, senão pelo reconhecimento da aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos em que o contribuinte quita o crédito tributário "denunciado" através de compensação administrativa. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Conselheiro Fl. 1533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003381/2005-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS.
Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 33 81 /2 00 5- 75 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 152 2 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 1 1080003381/200575, em face do acórdão nº 1024.554, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 31 de março de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de impugnação a lançamento relativo a imposto de renda pessoa física, fl. 4, que revisou os anos calendário de 2002 a 2004. O Decreto n° 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, em seus arts. 117 a 145, trata da legislação desta matéria. O lançamento constituiu um crédito tributário de R$ 34.839,97. O contribuinte impugna o lançamento, encontrandose na fl. 74, e seguintes, suas razões.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, reduzindo o imposto lançado sobre o ganho de capital em R$ 5.528,40, com redução proporcional, conforme tabela abaixo colacionada (fl.128): Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 153 3 O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 133/146, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencido. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar de nulidade. Mandado de Procedimento Fiscal. A impugnação e recursos apresentados são prova de que o direito de defesa está sendo exercitado e de que não foi cerceado. Nela o autuado refuta o lançamento, revelando conhecer as acusações que lhe foram imputadas e os elementos nas quais se baseiam. A quantificação e legislação aplicável encontramse nas fls. 4 a 11 e o Relatório Fiscal, que descreveu as operações com os imóveis sujeitas a apuração do ganho de capital, nas fls. 12 a 14. O lançamento que houver sido constituído de acordo com o disposto na legislação vigente não está eivado de nulidade. Ensejariam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa , ou em desacordo com a lei. Destaquese ainda que o auto de infração descreveu toda a constituição do crédito tributário, verificando a ocorrência do fato gerador, determinando a matéria tributável, o cálculo do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade cabível. Para as discordâncias a esses elementos foi aberto o prazo legal de impugnação, onde pôde o contribuinte manifestar seu dissenso. Cumpre ressaltar que o lançamento em apreço se fez em conformidade com a legislação pertinente, tendo os servidores competentes observado todos os princípios que norteiam a atividade administrativa. Portanto, todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam no Auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte, de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado. O contribuinte insurgese contra irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal MPF, argumentando descumprimento de normas procedimentais. Ocorre que o Mandando de Procedimento Fiscal é um instrumento que foi instituído para salvaguardar os direitos dos próprios contribuintes, pois ainda hoje são Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 154 4 identificados falsos fiscais utilizandose de expedientes com o intuito de se aproveitar de eventuais irregularidades de contribuintes. Salientase que o MPF direciona o plano das atividades fiscais, garantindo ao contribuinte, através de seu registro e consulta pela internet, que este se encontra sob procedimento fiscal, executado por um Auditor Fiscal da Receita Federal, competente para desempenho de tal auditoria. Os atos que tratam do Mandado de Procedimento Fiscal devem ser observados. No entanto, entendese que atraso na sua emissão, que não prejudique os contornos legais da constituição do crédito tributário, estabelecidos destacadamente na Constituição Federal, no Código Tributário Nacional e nas Leis que tratam do tributo em questão, não tem a força de afastar a aplicação dessas leis. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. Pelas razões expostas, entendo por rejeitar a preliminar suscitada pelo contribuinte. Mérito. Ganho de capital. Foi objeto do presente auto infração a omissão por ganho de capital na alienação de bens imóveis que tiveram os seguintes fatos geradores, valor tributário e imposto devido (acrescido ao valor abaixo, multa no percentual de 75%): Imóvel Fato Gerador Valor tributável Imposto devido 01. Apartamento 404 e box 17 do Ed. Raul Wolffenbuttel, em Capão da CanoaRS 31/03/2002 R$ 26.112,00 R$ 3.916,80 02. Casa construída sobre o lote 94, quadra 07, no balneário de Rondinha, município de Arroio do SalRS 28/02/2003 R$ 15.000,00 R$ 2.250,00 03. Apartamento 403 do Ed. Morada do Parque, em Porto AlegreRS 31/03/2003 R$ 17.600,00 R$ 2.640,00 04. Área rural com 4.029m², em GravataíRS 31/03/2004 R$ 54.496,26 R$ 8.174,43 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 155 5 Quanto ao imóvel 01 (Apartamento 404 e box 17 do Ed. Raul Wolffenbuttel, em Capão da CanoaRS), de acordo como o contrato particular de compra e venda de folhas 20 e 21, o contribuinte, juntamente com sua esposa Nelcy de Lima Pilan, adquiriram o ap. 701 e box 01 do Ed. Dona Ilda, em Capão da Canoa, por R$ 115.000,00, em 26/03/2002. Como parte do pagamento, foi dado o ap. 404 e box 17 do Ed. Raul Wolffenbuttel, em Capão da Canoa, por R$ 70.000,00. Conforme contrato particular de promessa de compra e venda de folhas 22 e 23, o ap. 404 e box 17 do Ed. Raul Wolffenbuttel foram adquiridos em 10/03/2001, por R$ 42.200,00. No mesmo documento, consta que a comissão de intermediação do negócio seria paga pelo comprador e pelo vendedor, no percentual de 4% para cada um. Logo, o custo de aquisição do imóvel foi, no entender da Fiscalização, de R$ 43.888,00. Verificou, assim, a Fiscalização, um ganho de capital de R$ 26.112,00, apurado em março/2002. Em impugnação, o contribuinte aduziu que se trata de imóvel adquirido em condomínio com sua esposa, sustentando que tal fato deve ensejar a apuração tãosomente de sua quota metade. A DRJ de origem entendeu que “o ganho de capital de março de 2002, de R$ 26.112,00, segundo a documentação apresentada, deve ser dividido com o cônjuge do contribuinte”. Portanto, após o julgamento da DRJ, a infração por omissão por ganho de capital na alienação de bens imóveis em relação a este imóvel (01) foi mantida, sendo o imposto devido alterado para R$ 1.958,40 (50% de R$ 3.916,80), competência 03/2002, sendo exonerado o valor de R$ 1.958,40. Em recurso voluntário, sustenta o recorrente que deve ser aplicada a isenção por ser alienação de pequeno valor. A tese do recorrente não merece guarida. Ocorre que estabelecia, à época dos fatos geradores, a legislação quanto a isenção por alienação de bens e direitos de pequeno valor o seguinte: Lei nº 9.250/95 Art. 22. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). No caso, para fins de aplicar a isenção em comento, importa então investigar o preço unitário de alienação. Verificase que este foi de R$ 70.000,00, valor este, portanto, superior, ao limite de isenção de R$ 20.000,00. Deste modo, não merece provimento o recurso quanto a este ponto. Importa referir, por fim, que não há previsão legal para aplicação da legislação mais benéfica para o tributo em questão, porquanto também haveria na legislação então vigente qualquer benefício que pudesse afastar a exigência fiscal. Ademais, não é possível, como pretende o recorrente, dividir o valor, pois o limite aplicável é calculado sobre o “valor unitário de alienação”, sendo descabida a pretensão de que seja o valor considerado sobre a quota parte do contribuinte, ou ainda, para fazer sentido o pedido do recorrente, sobre o Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 156 6 valor do ganho de capital que o contribuinte teve com sua quotaparte. Ademais, salientase que não existe condomínio entre o contribuinte e sua esposa, mas sim uma sociedade conjugal. Quanto ao imóvel 02 (Casa construída sobre o lote 94, quadra 07, no balneário de Rondinha, município de Arroio do SalRS), verificase que conforme contrato particular de compra e venda de folhas 26 e 27, o senhor Cerilo Pilan, juntamente com sua esposa Nelcy de Lima Pilan, venderam uma casa construída sobre o lote 94, quadra 07, no balneário de Rondinha, município de Arroio do Sal, para Lori Madalena Lemes, em 12/02/2003, por R$ 30.000,00. Conforme contrato de folha 36, o referido imóvel foi adquirido em 08/02/1998, por R$ 15.000,00. Logo, houve, no entender da Fiscalização, um ganho de capital de R$ 15.000,00, em fevereiro/2003. Em impugnação, o contribuinte sustentou que a Fiscalização ignorou a documentação apresentada de que o referido bem fora adquirido em condomínio com sua esposa (Nelcy), sustentando que tal fato deve ensejar a apuração tãosomente de sua quota metade. Sustentou, ainda, que se tem caracterizado neste caso a isenção que trata o artigo 122, inciso I do Decreto nº 3.000/99, haja vista que o valor de sua quota parte remonta a R$ 15.000,00, valor este que seria inferior ao da base de isenção previsto na legislação em comento. Argumentou que tal pedido está expressamente previsto no art. 122, §2º, II, do RIR/99. A DRJ de origem entendeu que: i) “o ganho de capital deve ser dividido com o cônjuge”; ii) “não aplicase a isenção de pequeno valor ao ganho de capital apurado em fevereiro de 2003, pois a legislação estabelece que o limite é considerado em relação ao valor do imóvel (art. 122, par. 2º, III, do RIR/1999), antes portanto da divisão do ganho apurado entre os cônjuges.”. Portanto, após o julgamento da DRJ, a infração por omissão por ganho de capital na alienação de bens imóveis em relação a este imóvel (02), sendo o imposto devido alterado para R$ 1.125,00 (50% de R$ 2.250,00), sendo exonerado R$ 1.125,00. Verificase, de início, que equivocado o valor apontado como exonerado pela DRJ (R$ 2.250,00), enquanto que, pelo acórdão, o cálculo correto é da exoneração de R$ 1.125,00. Erro material que merece reparo, que ora se realiza, para os devidos fins, inclusive o de execução do acórdão. Em recurso voluntário, sustenta o recorrente que deve ser aplicada a isenção por ser alienação de pequeno valor. A tese do recorrente não merece guarida, consoante já demonstrado no tópico quanto ao imóvel 01. Ocorre que estabelecia, à época dos fatos geradores, a legislação quanto a Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 157 7 isenção por alienação de bens e direitos de pequeno valor que somente ficava isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais), conforme art. 22 da Lei nº 9.250/95, vigente à época. No caso, para fins de aplicar a isenção em comento, importa então investigar o preço unitário de alienação. Verificase que este foi de R$ 30.000,00, valor este, portanto, superior, ao limite de isenção de R$ 20.000,00. Deste modo, não merece provimento o recurso quanto a este ponto. Importa referir, por fim, que não há previsão legal para aplicação da legislação mais benéfica para o tributo em questão, porquanto também haveria na legislação então vigente qualquer benefício que pudesse afastar a exigência fiscal. Ademais, não é possível, como pretende o recorrente, dividir o valor, pois o limite aplicável é calculado sobre o “valor unitário de alienação”, sendo descabida a pretensão de que seja o valor considerado sobre a quota parte do contribuinte, ou ainda, sobre o valor do ganho de capital que o contribuinte teve com sua quotaparte. Ademais, salientase que não existe condomínio entre o contribuinte e sua esposa, mas sim uma sociedade conjugal. Quanto ao imóvel 03 (Apartamento 403 do Ed. Morada do Parque, em Porto AlegreRS), de acordo como o contrato particular de compra e venda de folhas 24 e 25, o contribuinte, juntamente com sua esposa Nelcy de Lima Pilan, venderam o ap. 403 do Ed. Morada do Parque, em Porto Alegre, para Célia Maria Pereira Paixão, em 17/03/2003, por R$ 60.000,00. Conforme declaração de bens e direitos, constante na DIRPF/2004 da senhora Nelcy (folha 52), o imóvel alienado possuía um custo de aquisição, atualizado até a data da alienação, de R$ 38.000,00. Logo, o ganho de capital apurado pela Fiscalização foi de R$ 22.000,00. De acordo com a cópia do registro de matricula de fl. 32, este imóvel foi adquirido em 27/09/1985. Conforme art. 139 do Regulamento do Imposto de Renda, cabe uma redução de 20% do ganho de capital, resultando, conforme a Fiscalização, em um ganho líquido tributável de R$ 17.600,00, em março/2003. Em impugnação, o contribuinte sustentou a sua ilegitimidade passiva, pois argumenta que a própria fiscalização reconheceu que o imóvel alienado neste período é de propriedade de sua esposa (Nelcy), citando “fl. 2 e 3” e transcrevendo o seguinte trecho do relatório fiscal: “Conforme declaração de bens e direitos, constante na DIRPF/2004 da senhora Nelcy (folha 52), o imóvel alienado possuía um custo de aquisição, atualizado até a data da alienação, de R$ 38.000,00” Sustentou, assim, a ilegitimidade passiva, porquanto não pode o contribuinte ser responsável pela exação, vez que absolutamente inexistente a solidariedade patrimonial entre os cônjuges. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 158 8 A DRJ de origem entendeu que “o imóvel referente ao ganho de capital de março de 2003, R$ 22.000,00, foi alienado pela esposa do contribuinte. Não há documentação no processo comprovando a propriedade do contribuinte para este imóvel. Excluise, portanto, a tributação do ganho de capital para o contribuinte”. Portanto, após o julgamento da DRJ, a infração por omissão por ganho de capital na alienação de bens imóveis em relação a este imóvel foi afastada totalmente, sendo exonerado o valor de R$ 2.640,00. Verificase, de início, que equivocado o valor apontado como exonerado pela DRJ (R$ 1.320,00), enquanto que, pelo acórdão, o cálculo correto é da exoneração de R$ 2.640,00. Erro material que merece reparo, que ora se realiza, para os devidos fins, inclusive o de execução do acórdão. Em relação a este ponto, não houve recurso do contribuinte, todavia, o erro material acima apontado deve ser considerado pela Unidade de origem. Quanto ao imóvel 04 (área rural com 4.029m², em GravataíRS), temse que de acordo como o contrato particular de compra e venda de folhas 28 e 29, o contribuinte, juntamente com sua esposa Nelcy de Lima Pilan, venderam uma área rural com 4.029m², com benfeitorias, localizado no Rincão da Natureza, município de Gravataí, em 08/03/2004, por R$ 57.300,00. Intimado pela Fiscalização a apresentar o contrato de compra desse imóvel, bem como dos comprovantes de pagamentos que pudessem compor o custo de aquisição, para efeitos de apuração do ganho de capital, o contribuinte apresentou apenas a escritura pública de folha 37, pela qual adquiriu uma área de 2.933m², em 05/09/1994, por R$ 2.000,00. Nesta transação, foram pagos R$ 100,00 a título de ITBI. Efetuando a atualização do custo de aquisição, nos termos do art. 7° da IN/SRF 84/2001, a Fiscalização chegou ao montante de R$ 2.803,73. Logo, o ganho de capital apurado pela Fiscalização foi de RS 54.496,26, em março/2004. Em impugnação, o contribuinte aponta que a área em questão é de 2.933m² e não no montante de 4.029m², requerendo que não pode se ter como válida a apuração vergastada, em face de ter efetuado apuração do ganho de capital sem considerar o saldo residual da área, tornandose assim nula e ilíquida a exigência. A DRJ de origem entendeu que: “em relação à divergência de área, do ganho de capital apurado em março 2004, observese que a alienação houve, com área maior do que aquela que foi considerada para o custo de aquisição. O contribuinte não trouxe nenhuma documentação comprovando o valor para o custo de aquisição. O custo de aquisição, quando não puder ser comprovado, art. 129 do RIR/1999, é igual a zero. Mantémse portanto o valor do custo de aquisição encontrado para a área menor”. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 159 9 A matrícula do imóvel (efls. 49/50) consta que o contribuinte e sua esposa adquiriram fração de terreno rural, denominado Rincão da Madalena, sendo que este “tem área superficial de 2.933,00m², e o terreno possui 341.207m², (...)”. Verificase pelo contrato particular de compra e venda de efls. 36/37, que o contribuinte e sua esposa venderam terreno rural, zona rural, área de 4.029m², no terreno com área de 341.207m² (...)”. Portanto, não prospera o argumento do contribuinte que houve saldo residual da área. Assim, sendo o bem adquirido por R$ 2.000,00, correto o entendimento da Fiscalização ao proceder a atualização deste, chegando ao montante de R$ 2.803,73. Logo, entendo como correto ganho de capital apurado de RS 54.496,26, em março/2004. Assim, carece de razão o recorrente, pois não provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Alegações de inconstitucionalidade Quanto a alegação da recorrente contrariedade a Constituição e a princípios constitucionais, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Taxa Selic. Por fim, inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. Conclusão. Observouse, dois erros materiais no acórdão: 1) que equivocado o valor apontado como exonerado pela DRJ (R$ 2.250,00), em relação ao imóvel 02, enquanto que, pelo acórdão, o cálculo correto é da exoneração de R$ 1.125,00. Ainda, 2) que equivocado o valor apontado como exonerado pela DRJ (R$ 1.320,00), em relação ao imóvel 03, enquanto que, pelo acórdão da DRJ de origem, o cálculo correto é da exoneração de R$ 2.640,00. Erros Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.003381/200575 Acórdão n.º 2202004.630 S2C2T2 Fl. 160 10 materiais que merecem reparos, que ora se realiza, para os devidos fins, inclusive o de execução do acórdão. Assim, deve ser devendo, contudo, ser considerado pela Unidade de origem na implementação desta decisão os erros materiais referidos nesta conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.004216/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/09/1989 a 28/02/1995
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
A imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos e contribuições, penalidades pecuniárias e juros de mora, no âmbito tributário, tem regime próprio e encontra amparo no artigo 163 do Código Tributário Nacional, em oposição ao aplicável ao direito privado, disposto no Código Civil.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Numero da decisão: 3001-000.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/1989 a 28/02/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos e contribuições, penalidades pecuniárias e juros de mora, no âmbito tributário, tem regime próprio e encontra amparo no artigo 163 do Código Tributário Nacional, em oposição ao aplicável ao direito privado, disposto no Código Civil. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 42 16 /2 00 8- 71 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 762 2 Cuidase de recurso voluntário (efls. 753 a 758) interposto contra o Acórdão 1454.565, da 11ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO que, na sessão de julgamento realizada em 30.10.2014 (efls. 735 a 741), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Da ementa do acórdão recorrido A 11ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/09/1989 a 28/02/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A imputação do pagamento no âmbito tributário tem regime previsto no Código Tributário Nacional, em oposição ao aplicável ao direito privado, disposto no Código Civil. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, verbis: Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de crédito decorrente do mandado de segurança processo nº 1999.71.00.0225587, impetrado junto à Justiça Federal de Porto Alegre, transmitido através dos PER/Dcomps constantes das fls. 412/588. Através da mencionada ação, o recorrente obteve o direito a compensar o PIS recolhido a maior durante a vigência dos Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 763 3 O trânsito em julgado ocorreu em 13/11/2003. O contribuinte formalizou pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, processo nº 13002.000662/200524, o qual foi inicialmente indeferido, pois apesar do interessado ter declarado que seria empresa prestadora de serviços (recolheria o PISRepique, à alíquota de 5% do IRPJ), a DRF teria desconsiderado tal enquadramento, pois a receita de venda de mercadorias excederia 10% do faturamento. Ao efetuar os cálculos do PIS com base no faturamento, não teria restado saldo disponível, passível de compensação. Face ao indeferimento, o recorrente impetrou novo mandado de segurança, processo nº 2006.71.08.0123886, para requerer autorização para compensar o PIS recolhido a maior, durante o período em que vigeram os Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, no qual estaria obrigado ao PISRepique, ou alternativamente, que fosse reconhecido o direito à habilitação do crédito no processo administrativo nº 13002.000662/200524. Uma vez concedida a liminar, o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado foi deferido em 11/09/2006. A sentença proferida concedeu a segurança, para determinar que a empresa apurasse o PIS como prestadora de serviços, e para assegurar a habilitação do crédito no processo nº 13002.000662/200524. O acórdão do TRF da 4ª Região confirmou a sentença. Não houve interposição de novos recursos e os autos foram baixados. Após nova análise, a DRF reconheceu o direito creditório de R$ 45.484,07, atualizado até 12/1995 (fl. 396). Efetuados os cálculos de compensação (fls. 602/638), o crédito foi suficiente para amortizar parte dos débitos constantes dos PER/Dcomps. Cientificado do despacho decisório em 12/03/2009, fl. 704, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 13/04/2009, fls. 707/713, para se insurgir Processo 11065.004216/200871 contra a forma de cálculo da compensação: a autoridade administrativa teria imputado o pagamento, primeiramente, ao valor principal, e após, aos juros. O recorrente teria feito ao contrário: primeiro aos juros, e, após, ao valor principal. Defendeu que seu cálculo estaria correto de acordo com o art. 354 do Código Civil, e citou a jurisprudência administrativa sobre o assunto. Concluiu, para requerer que fosse validada: forma de cálculo de atualização dos créditos tributários realizada pela impugnante Fl. 763DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 764 4 em PER/DECOMP's, qual seja, imputar o pagamento/compensação do crédito tributário primeiro ao capital (valor principal do tributo compensável) e depois aos juros dele decorrentes (taxa SELIC), bem como anular o lançamento de oficio do valor de R$ 19.141,62 e seus consectários legais. Solicitou provar suas alegações por documentos e perícia, e pela juntada posterior de documentação. É o relatório. Da manifestação de inconformidade Inconformado, parcialmente, com a forma de cálculo da compensação realizada pela autoridade administrativa, relativamente à homologação parcial das compensações feitas através de Per/Dcomp, o impugnante apresentou, em 13.04.2009, manifestação de inconformidade para aduzir que a autoridade fiscal compete, ao imputar o pagamento considerando primeiro o valor do principal do crédito e depois os juros (taxa Selic) dele decorrentes incorreu em erro, pois o correto seria imputar o pagamento considerando primeiramente os juros e depois ao valor do principal, como havia procedido; razão pela qual entendeu não subsistir o saldo de tributo a pagar, conforme ostenta o presente processo administrativo. Do Recurso Voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário para tão somente reiterar os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 02.03.2015 para ser analisado por este Carf (efl. 760), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na ARF/CanoasRS, em 18.02.2015 (quartafeira), conforme depreendese da "folha de rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 16.01.2015 (sextafeira), conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efl. 752), tendo respeitado o trintídio legal, conforme Fl. 764DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 765 5 exige o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Do mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Da fundamentação Verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido e por uma questão de praticidade, economicidade e coerência, haja vista que acolho integralmente o entendimento nele expresso, adoto, com a devida licença, como razão de decidir no presente, por seus próprios fundamentos, o voto condutor do acórdão recorrido, da lavra da relatora Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel, que, na parte que interessa ao presente feito, transcrevo, verbis: Fl. 765DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 766 6 Voto (...) Na argumentação, o contribuinte requer que o pagamento seja imputado primeiro aos juros; na conclusão de seu recurso, solicita o oposto. Ocorre que utilizando o primeiro método, restaria maior saldo credor a seu favor. De qualquer forma, ressalto que nos cálculos foi aplicada o sistema de imputação proporcional, através do qual o pagamento é alocado ao débito na proporção entre principal, multa e juros. O recorrente defende a aplicação do art. 354 do Código Civil, Lei nº 10.406/2002: Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar seá primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital. Ocorre que há dispositivo específico no Código Tributário Nacional, regulando a matéria, transcrito a seguir (grifei): Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. O § 14 do art. 74 da lei nº 9.430/96 estabeleceu que RFB deveria fixar os critérios para a compensação tributária: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 766DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 767 7 Tal regulamentação coube às Instruções Normativas, que determinaram a proporcionalidade nos cálculos de compensação: IN SRF nº 460/2004: Art. 37. Na compensação de ofício, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos e encargos legais, na forma da legislação de regência, até a data: (...) Parágrafo único. A compensação de ofício do débito do sujeito passivo será efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais. IN SRF nº 600/2005: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. O assunto foi apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, que firmou entendimento em recurso repetitivo de que a imputação do pagamento de tributos e contribuições tem regime diverso do aplicado no direito privado, conforme ementa do Recurso Representativo da Controvérsia REsp nº 960.239/SC, transcrita parcialmente a seguir: (...) 5. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputarseá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. (Precedentes: REsp 1130033/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2009, DJe 16/12/2009; AgRg no Ag 1005061/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 03/09/2009; AgRg no REsp 1024138/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 995.166/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 24/03/2009; REsp 970.678/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 768 8 TURMA, julgado em 02/12/2008, DJe 11/12/2008; REsp 987.943/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJ 28/02/2008; AgRg no REsp 971016/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/10/2008, DJe 28/11/2008) 6. Os artigos do Código Civil, que regulam os institutos da imputação e da compensação, dispõem que, in verbis: "Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar seá primeiro nos juros vencidos, e depois, no capital, salvo estipulação em contrário , ou se o credor passar quitação por conta do capital." Da compensação (...) "Art. 374. A matéria da compensação, no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais, é regida pelo disposto neste capítulo." (Revogado pela Lei 10.677/03) "Art. 379. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis serão observadas, no compensálas, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento." 7. O art. 374 restou expressamente revogado pela Lei nº 10.677/2003, a qual, não tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, deve ser aplicada, sob pena de violação de cláusula de plenário, ensejando reclamação por infringência da Súmula Vinculante nº 10, verbis: "Viola a cláusula de reserva de plenário (cf, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 8. Destarte, o próprio legislador excluiu a possibilidade de aplicação de qualquer dispositivo do Código Civil à matéria de compensação tributária, determinando que esta continuasse regida pela legislação especial. O Enunciado nº 19 da Jornada de Direito Civil CEJ/STJ consolida esse entendimento, litteris: "19 Art. 374: a matéria da compensação no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais de Estados, do Distrito Federal e de Municípios não é regida pelo art. 374 do Código Civil." 9. Deveras, o art. 379 prevê a aplicação das regras da imputação às compensações, sendo certo que a exegese do referido diploma legal deve conduzir à limitação da sua eficácia às relações regidas pelo Direito Civil, uma vez que, em seara de Direito Tributário, vige o princípio da Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 769 9 supremacia do interesse público, mercê de o art. 354, ao disciplinar a imputação do pagamento no caso de amortização parcial do crédito por meio de compensação, ressalvar os casos em que haja estipulação em contrário, exatamente em virtude do princípio da autonomia da vontade, o qual, deslocado para o segmento fiscal, impossibilita que o interesse privado se sobreponha ao interesse público. 10. Outrossim, a previsão contida no art. 170 do CTN, possibilitando a atribuição legal de competência, às autoridades administrativas fiscais, para regulamentar a matéria relativa à compensação tributária, atua como fundamento de validade para as normas que estipulam a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, ao contrário, portanto, das normas civis sobre a matéria. 11. Nesse sentido, os arts. 66 da Lei 8.383/91, e 74, da Lei 9.430/96, in verbis: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. (...) § 4º. O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito , inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." 12. Evidenciada, por conseguinte, a ausência de lacuna na legislação tributária, cuja acepção é mais ampla do que a adoção de lei, e considerando que a compensação tributária surgiu originariamente com a previsão legal de Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 770 10 regulamentação pela autoridade administrativa, que expediu as IN's nº 21/97, 210/2002, 323/2003, 600/2005 e 900/2008, as quais não exorbitaram do poder regulamentar ao estipular a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, reputase legítima a metodologia engendrada pela autoridade fiscal, tanto no âmbito formal quanto no material. 13. A interpretação a contrario sensu do art. 108 do CTN conduz à conclusão no sentido de que a extensa regulamentação emanada das autoridades administrativas impõese como óbice à integração da legislação tributária pela lei civil, máxime à luz da sistemática adotada pelo Fisco, a qual respeita a integridade do crédito fiscal, cuja amortização deve engendrarse de forma única e indivisível, principal e juros, em perfeita sintonia com a legislação vigente e com os princípios da matemática financeira, da isonomia, ao corrigir tanto o crédito quanto o débito fiscais pelo mesmo índice (SELIC), mercê de se compatibilizar com o disposto no art. 167 do CTN, que veda a capitalização de juros. 14. Sob esse enfoque são os termos da IN SRF 900/08, que regulamenta, hodiernamente, a matéria referente à compensação com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. Assim, o critério utilizado nos cálculos de compensações realizados no presente processo está de acordo com as normas estabelecidas na legislação tributária, e com o entendimento do Poder Judiciário. Da doutrina e jurisprudência Por fim, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pelo recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Da conclusão Com supedâneo no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, haja vista a reiteração dos argumentos aventados em sede de manifestação de inconformidade, adotase como razão de decidir, por seus próprios fundamentos, o voto condutor da decisão recorrida. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11065.004216/200871 Acórdão n.º 3001000.517 S3C0T1 Fl. 771 11 Fl. 771DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.100750/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS NO CASO DA SÚMULA CARF 61.
Nos termos da Súmula CARF nº 61, os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Numero da decisão: 2301-005.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter no lançamento apenas o valor correspondente ao depósito bancário de R$19.960, 00, realizando no Banco do Brasil em 10/2003.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente).
Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 61, os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter no lançamento apenas o valor correspondente ao depósito bancário de R$19.960, 00, realizando no Banco do Brasil em 10/2003. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 10 07 50 /2 00 8- 72 Fl. 306DF CARF MF 2 Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Contra a contribuinte, identificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/09, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2003 e 2004, no valor de R$ 52.518,77, incluídos multa de oficio e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 04/05, foi omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados às fls. 05 e 09. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 28/08/2008, fls. 224, a contribuinte apresentou impugnação, em 10/08/2008, fls. 225/259, fazendo um breve relato dos fatos, argüindo a preliminar de decadência sob o argumento de que "nos casos de omissão de rendimentos de pessoas físicas, originadas por depósitos ou créditos em instituições .financeiras com origem sem comprovação, a contagem do prazo decadencial tem seu inicio no mês dos referidos créditos bancários. Assim, tendo em vista a ciência, pelo Impugnante, do Auto de Infração ter ocorrido em 21.11.2007, decaiu o direito de o fisco lançar os tributos relacionados aos fatos gerados entre janeiro e outubro de 2002" e ainda, com relação ao mérito, fazendo conter as alegações seguir parcialmente transcritas: 3.1 — Dos depósitos bancários () 3.1.1. — Do ônus da prova no procedimento administrativo tributário. (...) A inversão do ônus da prova não se aplica no processo administrativo tributário. Não podemos olvidar que a finalidade do procedimento administrativo de lançamento tributário é a busca da verdade material, que deve ser apresentada de forma objetiva, e dentro do devido processo legal, como determina o art. 5°, inciso LIV, da nossa Carta Magna, já que a acusação fiscal pode levar à penalidade cabível. Assim, dado que o lançamento é atividade vinculada e obrigatória e deve ser — destacase "deve" e não "pode ser" — acompanhada da motivação dos pressupostos que deram azo a sua materialização, não podendo, portanto, se cogitar de um ônus da prova na atividade de lançamento. Ônus é figura jurídica de significado bem diferente de dever e de obrigação. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10380.100750/200872 Acórdão n.º 2301005.487 S2C3T1 Fl. 3 3 (...) Fica evidenciado que, na atividade do lançamento não se pode pensar em "ônus da prova" do Fisco quanto à demonstração dos fatos que levaram ao lançamento, mas um dever jurídico de prova. O Fisco tem o dever de provar a verdade material em que se baseou para o lançamento. O ônus da prova, no sentido processual, é a exigência da lei, para um, ou para ambos os pólos da lide, de demonstrarem a verdade dos fatos alegados, admitindose a inversão entre eles. 0 dever de prova e investigação, por outro lado, é imposição constitucional ao agente administrativo, não cabendo flexibilização, temperamento ou inversões. No presente caso, os d. Fiscais nada provaram em relação à existência de acréscimo patrimonial ou renda da Impugnante, oriundos de recursos não declarados. Simplesmente, lavraram o auto de infração, sob a alegação de que a Contribuinte não comprovou a origem dos créditos identificados na Verificação Fiscal, tendo por base o estipulado no art. 42, da Lei n° 9.430/96. 3.1.2. Da tributação sobre acréscimo patrimonial, com base em depósitos bancários. (...) No ordenamento tributário são vários os mecanismos para a determinação e apuração de acréscimos patrimoniais, para os quais os seus valores não tenham sido oferecidos à tributação, os ditos "rendimentos omitidos", estando entre eles, os valores creditados em contacorrente bancária. Entretanto, é de se observar, que a exação não incide sobre os referidos créditos bancários, mas sim sobre os acréscimos patrimoniais. E mais, meros indícios de renda — os créditos bancários — não podem, legitimamente, ser transformados, nem pela lei tributária, tampouco por determinação do agente fiscal, em acréscimos patrimoniais, passíveis de tributação, sem que seja exercido o dever de prova e investigação que o lançamento exige. Os depósitos bancários são o ponto de partida da investigação. A demonstração do aumento patrimonial, por parte do Fisco, é primordial para subsidiar de que um determinado crédito bancário venha a ser considerado rendimentos omitidos. Identificado o crédito, e pelo simples fato de não se comprovar a sua origem, não se revela a existência de rendimentos tributários. E é isto que se vê no presente caso. Os d. AuditoresFiscais simplesmente arrolaram vários depósitos, todos de pequenos valores, cujos créditos ocorreram há mais de quatro anos, para que o Impugnante comprovasse as suas origens. Muitas, após árdua pesquisa da Contribuinte, foram identificadas, outras, por mais que se dedicasse e, muito provavelmente, pelos seus pequenos valores, foi impossível de recordar as suas origens. Esse fato não pode ser base para lançamento do Fl. 308DF CARF MF 4 imposto de renda. Os d. Fiscais deveriam ter aprofundada a investigação e provado o acréscimo patrimonial ou gastos incompatíveis da Contribuinte. Se verificada a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda — Pessoa Física da Contribuinte, anocalendário 2002, se vê, cristalinamente, que a lmpugnante teve um acréscimo patrimonial inferior a R$ 5.000,00. Acréscimo este oriundo do pagamento de parcelas de financiamento de um veiculo popular. Como dito pela Contribuinte, quando do atendimento aos Termos de Intimação da fiscalização, tanto ela como o seu cônjuge têm uma vida pacata (...). Salientase que o casal nem moradia própria têm, morando em residência de aluguel. O casal possui dois automóveis, ambos financiados. Tendo suas necessidades básicas muitas vezes atendidas com a ajuda de parentes. 3.1.3 Do sentido e do alcance do art. 42 da Lei 9.430/96. totalmente insustentável pretender afirmar que há no art. 42 da Lei n° 9.430/96 uma presunção, que tornaria dispensável o dever da autoridade provar a ocorrência de rendimentos omitidos. Afinal, a definição do sentido e o alcance do art. 42, da Lei n° 9.430/96 não podem fugir dos comandos determinados pela CF/88 e pelo CTN como já dito anteriormente — o dever de investigação e prova previsto no conceito de lançamento. A jurisprudência administrativa e judicial, relativa aos depósitos bancários como sendo apenas indícios do auferimento de renda é farta, não podendo, portanto, serem (os depósitos) base para cálculo do imposto de renda, sem que antes haja sido demonstrada a existência de renda consumida, caso contrário, haverá um total conflito com art. 43 do CTN, que determina: (...). 3.1.4. Dos limites previstos no § 3° do art. 42, da Lei n° 9.430/96. Senhores Julgadores, além de nada provarem em relação aos supostos rendimentos omitidos, lançados no auto de infração, ora guerreado, os d. Fiscais afrontaram o que determina o § 3°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 4°, da Lei n°9.481/97, in verbis: (...). Ao se analisar o rol de créditos, constantes nas planilhas "Movimentação Bancária", na coluna "VL. A SER LANÇADO R$", elaboradas pelos d. Fiscais, não há um único crédito com valor superior a R$ 12.000,00 (doze mil reais). Na "PLANILHA RESUMOS — DEPÓSITOS NÃO JUSTIFICADOS", também produzida pela fiscalização, a somatória dos créditos "não justificados" 6: (i) para o anocalendário de 2003 igual a R$ 56.401,06; e, para o anoano de 2004 igual a R$ 40.575,38. Portanto, valores bem inferiores ao limite de R$ 80.000,00, para um mesmo anocalendário, previsto no inciso II, do 3°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96. O Acórdão da DRJ (fls. 274 e ss) julgou a impugnação improcedente , recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10380.100750/200872 Acórdão n.º 2301005.487 S2C3T1 Fl. 4 5 Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO SUJEITOS À COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. DEPÓSITOS INDIVIDUALMENTE IGUAIS OU INFERIORES A R$12.000,00. Verificandose que os créditos bancários, existentes em contas correntes e em contas de poupança mantidas em nome do contribuinte, somam, dentro do anocalendário, valor superior a R$ 80.000,00, esses créditos sujeitamse à comprovação da origem, mesmo que de valor individual inferior a R$12.000,00. DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL. O fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física, relativo a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 291 e ss) argumentando que o valor individual dos créditos bancários é inferior a R$ 12.000,00 e o seu somatório anual é inferior a R$ 80.000,00, de modo que deve ser cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 310DF CARF MF 6 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A partir da análise da planilha dos depósitos não justificados (fls. 25), verificamse que todos os depósitos no Unicred, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, tanto para o anocalendário de 2003 quanto para o anocalendário de 2004 são inferiores a R$ 12.000,00, com exceção do depósito na conta do Banco do Brasil no montante de R$ 19.960,00, ocorrido em outubro de 2003. Desconsiderando o referido depósito, verificase que o somatório dos depósitos anuais é inferior a R$ 80.000,00, tratase de caso de aplicação da Súmula CARF n. 61, que assim dispõe: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para manter no lançamento apenas o valor correspondente ao depósito bancário de R$19.960, 00, realizando no Banco do Brasil em 10/2003. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 311DF CARF MF
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