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Numero do processo: 10880.915905/2008-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/1999
COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/1999 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.915905/200837 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303007.771 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria PIS/COFINS. ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/1999 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 05 /2 00 8- 37 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303007.771 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.412, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente ao reconhecimento de direito creditório de COFINS, negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/07/1999 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67." A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.768, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915902/200801, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.768): Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303007.771 CSRFT3 Fl. 4 3 "O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303007.771 CSRFT3 Fl. 5 4 empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.007190/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68.
Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-006.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 71 90 /2 00 8- 61 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10730.007190/200861 Acórdão n.º 2401006.002 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório JOSE MACARIO FAUSTO DE MELLO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1323.982/2009, às efls. 42/46, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2006, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 17/06/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********11.696,88, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 50, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, requerendo a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao "Adicional por Tempo de Serviço" e à "Gratificação de compensação orgânica", que foram incluidos ilegalmente, conforme estatuído no art. 1°, III, da Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10730.007190/200861 Acórdão n.º 2401006.002 S2C4T1 Fl. 4 3 Lei 8.852/94, uma vez que os mesmos foram indevidamente incluídos nos rendimentos tributáveis, Aduz que a própria Lei no 8.852/94, em seu art. l°, inciso III, alíneas "d" e "n", reconheceu a ilegalidade da incidência da "Gratificação de compensação orgânica" e do "Adicional por Tempo de Serviço", e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre as verbas denominadas "Adicional por Tempo de Serviço" e “Gratificação de Compensação Orgânica”, excluídos do conceito de remuneração pelo art. 1º, inciso III, da Lei nº 8.852/1994, assim descrito: Art. 1º. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n° 8.237, de 1991; (...) n) adicional por tempo de serviço; De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10730.007190/200861 Acórdão n.º 2401006.002 S2C4T1 Fl. 5 4 de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 39 do RIR, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica não estão contemplados. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1° do mesmo Diploma Legal. Portanto, o “Adicional por Tempo de Serviço” e a “Gratificação de Compensação Orgânica” estão sujeitos ao imposto de renda, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiados por norma de isenção, que, a propósito, deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, II) e ser concedida mediante lei específica (CF/1988, art. 150, § 6º). Registro, por importante, que o entendimento acima exposto está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJ e 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. (REsp 1.339.596 / ES, julgado em 02/10/2012). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADE POLICIAL FEDERAL, DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E DE ATIVIDADE DE RISCO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. “Incide Imposto de Renda sobre a 'gratificação de atividade policial federal', a 'gratificação de compensação orgânica' e a 'gratificação de atividade de risco', pagas aos delegados de polícia federal antes do advento da Lei 11.358/2006, visto que tais gratificações possuem natureza remuneratória, segundo consta do acórdão recorrido. Com efeito, as gratificações em questão estão sujeitas ao Imposto de Renda, pois configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção.” (AgRgREsp nº 1.148.279/CE, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, in DJe 24/8/2010). Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10730.007190/200861 Acórdão n.º 2401006.002 S2C4T1 Fl. 6 5 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230195 / CE, julgado em 03/03/2011). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906173/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 73 /2 01 1- 66 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.906173/201166 Acórdão n.º 1402003.639 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls9198); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 156DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls.141/146, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.906173/201166 Acórdão n.º 1402003.639 S1C4T2 Fl. 4 5 recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910165/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 01 65 /2 00 9- 23 Fl. 156DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior de CSLL no qual o contribuinte pretende a utilização de crédito na compensação de débitos informados no PER/DCOMP. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DCTF) antes da inscrição em DAU do débito e que a DIPJ relativa à apuração do crédito, apresentada antes da emissão do despacho decisório do PER/DCOMP informava o valor correto do débito do período o que confirmaria a existência do pagamento a maior. Alega também nulidade por vício formal em razão de a RFB não ter analisado a DCTF retificadora apresentada. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Também foi rejeitada a nulidade aventada. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido, mas sim a DIPJ apresentada e a DCTF retificadora. Solicitou, novamente a nulidade da decisão original e do acórdão da Delegacia de Julgamento por não terem apreciado as outras declarações da empresa. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.910165/200923 Acórdão n.º 1401003.242 S1C4T1 Fl. 157 3 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O recurso voluntário apresentado inicia com a apresentação de uma preliminar de nulidade. Como, após a análise do caso, entendo por dar provimento ao recurso, supero a preliminar aventada para reconhecer o mérito do pedido conforme abaixo. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações Fl. 158DF CARF MF 4 infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios apresentados na DIPJ da empresa em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Consoante se demonstra da DIPJ original, relativa ao ano de 2008, apresentada pela empresa antes da prolação do despacho decisório, os valores devidos da CSLL são bem inferiores aos valores recolhidos pela empresa e informados em DCTF. Da análise da referida DIPJ, nas fichas de apuração do resultado do exercício não se verificam indícios de que houve qualquer irregularidade nas informações prestadas pela empresa. Assim, conforme acima apresentado, não é cabível o puro e simples indeferimento do pedido em função da informação apresentada em DCTF quando este mesmo contribuinte apresenta outra declaração com a demonstração completa dos valores de apuração do tributo devido que simplesmente foi ignorada quando da prolação das duas decisões. Desta forma, a despeito de a DCTF constituir em confissão de dívida da empresa, esta confissão pode ser infirmada por novas informações apresentadas pela empresa em outras declarações exigidas pelo fisco. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.910165/200923 Acórdão n.º 1401003.242 S1C4T1 Fl. 158 5 Assim, entendo que deve ser considerado procedente o recurso a fim de que a existência de crédito relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre o valor do tributo devido informado na DIPJ da empresa e o valor efetivamente recolhido pela empresa, tendo em vista a inexistência de qualquer informação a infirmar os valores de apuração apresentados pelo contribuinte em sua DIPJ. Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900413/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO IRPJ. CRÉDITO REQUERIDO INFERIOR AO CONSTANTE EM DIPJ. POSSIBILIDADE.
Incabível a decisão que indefere o crédito pela simples divergência entre o valor do crédito apurado em DIPJ e o solicitado em PER/DCOMP. Apuração do crédito deve ser realizada em conformidade com o solicitado no referido PER/DCOMP, limitado o crédito ao valor requerido.
Numero da decisão: 1401-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ser possível analisar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que se apure a liquidez e certeza do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ser possível analisar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que se apure a liquidez e certeza do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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CRÉDITO REQUERIDO INFERIOR AO CONSTANTE EM DIPJ. POSSIBILIDADE. Incabível a decisão que indefere o crédito pela simples divergência entre o valor do crédito apurado em DIPJ e o solicitado em PER/DCOMP. Apuração do crédito deve ser realizada em conformidade com o solicitado no referido PER/DCOMP, limitado o crédito ao valor requerido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ser possível analisar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que se apure a liquidez e certeza do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 04 13 /2 00 8- 19 Fl. 124DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a saldo negativo de IRPJ no qual o contribuinte pretendia a compensação com diversos débitos informados no mesmo PER/DCOMP. A análise eletrônica do PER/DCOMP indeferiu o direito ao crédito sob a alegação de que o valor do crédito informado no PER/DCOMP era diferente do valor do crédito informado na DIPJ da empresa. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual solicitou a revisão da decisão em razão de informar ter apresentado uma retificação da DIPJ a ser realizada de ofício, haja vista que o sistema não mais permitia a retificação eletrônica da declaração. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento julgou improcedente em razão de o valor do crédito na DIPJ ser diferente do valor informado no PER/DCOMP e não mais ser permitido a retificação de declaração. Alegou, ainda, que a legislação determinava que os valores apresentados no PER/DCOMP e na DIPJ fosse idênticos. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos da manifestação e solicita a revisão das decisões e o reconhecimento do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicio demonstrando meu espanto com o que ocorreu neste processo. O crédito apurado pelo contribuinte na DIPJ era de R$ 58.534,50. O crédito informado no PER/DCOMP era de R$ 57.832,30 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.900413/200819 Acórdão n.º 1401003.258 S1C4T1 Fl. 125 3 Ora, assim sendo, se o contribuinte, no PER/DCOMP informa e requer um crédito menor do que o apurado na DIPJ como este fato pode ser empecilho a lhe impedir a utilização do crédito. Não consigo compreender essa lógica. É uma máxima do direito que quem pode o mais pode o menos. Ora, se o contribuinte podia requerer um valor de crédito maior (o apurado na DIPJ) e requer um menor, qual o problema há nisso? A meu ver nenhum. A simples divergência nos valores informados no DIPJ e no PER/DCOMP não pode implicar na inutilização do crédito. Este tipo de raciocínio não faz sentido algum. O máximo que poderia se considerar num caso de divergência entre os valores era reconhecer o valor que fosse menor, seja qual dos dois fosse. Mas nem isso foi feito. Pior ainda, na análise do processo constatase que sequer foi realizada qualquer conferência dos valores de composição do crédito, todos relativos a retenções na fonte. Mais ainda, a DRJ alega que os valores tem de ser idênticos no PER/DCOMP e na DIPJ conforme abaixo: 20. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. l70 do CTN e do §l4 do art. 74 da Lei n” 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ, o direito de compensação do contribuinte esta condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ em relação ao que foi informado na DIPJ. Na verdade, esta afirmação da Decisão de Piso decorre de instruções apresentadas no programa gerador do PER/DCOMP e não de nenhuma norma positivada. Para piorar, a "norma" referida não contém nenhuma norma punitiva, ou seja, a decisão, tanto a de piso, quanto a da DRJ, baseiamse em instruções de um programa cujo descumprimento não implica em nenhuma sanção. Como é possível estabelecerse decisões de indeferimento total dos créditos pleiteados quando o que se apresenta é uma simples divergência dos valores pedidos e anteriormente apurados sem que, ao menos, tenha se realizado qualquer conferência dos valores de composição dos créditos não consigo compreender. Entendo que essas duas decisões são inteiramente ilegais, posto que desprovidas de base normativa que determine tal tipo de sanção. Entretanto, para evitar o alongamento desnecessário do processo deixo de votar pela nulidade das decisões e no mérito entendo assistir razão ao recorrente devendo ser apurado o crédito informado pelo contribuinte em PER/DCOMP, limitado o valor do reconhecimento ao montante informado no próprio PER/DCOMP, haja vista que o limite do deferimento dos créditos é o valor do crédito informado no próprio PER/DCOMP. Desta forma, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a possibilidade de analisar o crédito pleiteado pelo contribuinte, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, Fl. 126DF CARF MF 4 com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13660.720288/2012-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL - COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 80 1 79 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13660.720288/201252 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.789 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente RAFAELA STEINVORTH BEGNIGNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 72 02 88 /2 01 2- 52 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 22 a 28), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas e pela dedução indevida de previdência privada e FAPI. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 2.141,31, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 14 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: o valor referente à Contribuição à Previdência Privada não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis, tendo anexado como prova da dedução o comprovante de rendimentos de fls. 04; em relação às despesas médicas, requer somente o restabelecimento da quantia de R$ 2.327,50, que se tratam de gastos com ela, conforme comprovantes juntados à sua peça recursal. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 16/12/2014, no acórdão 03065.424 às efls. 55 a 59, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 68 a 76, alegando, em síntese, que as sessões de pilates foram ministradas por fisioterapeuta, motivo pelo qual podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/01/2015, efls. 66, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/01/2015, efls. 68, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada por despesas médicas indevidamente deduzidas e pela dedução indevida de previdência privada e FAPI. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13660.720288/201252 Acórdão n.º 2002000.789 S2C0T2 Fl. 81 3 A DRJ afastou a despesa médica de R$70,00 com o profissional Tarciso Filgueiras Rodrigues, bem como a dedução com a previdência privada. Logo, conforme a decisão de piso, restou glosada a seguinte despesa médica: Acerca da glosa das despesas com Christian Ferreira Gabden, no montante de R$ 2.257,50, a Interessada logrou êxito em descacterizar a motivação da glosa fisioterapia em paciente não relacionado como dependente. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 86DF CARF MF 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13660.720288/201252 Acórdão n.º 2002000.789 S2C0T2 Fl. 82 5 É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Fl. 88DF CARF MF 6 Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13660.720288/201252 Acórdão n.º 2002000.789 S2C0T2 Fl. 83 7 Às efls. 74 a 76 há recibos de pagamento das sessões de pilates em nome da contribuinte. Ainda, às efls. 71 a 73 há declaração do profissional de que prestou os serviços, além das certificações constatando que tratase de fisioterapeuta, no valor de R$ 2.257,50, Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900622/2016-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 06 22 /2 01 6- 10 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13896.900622/201610 Acórdão n.º 3201004.960 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.939, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13896.900622/201610 Acórdão n.º 3201004.960 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13896.900622/201610 Acórdão n.º 3201004.960 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.032514/97-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVA
A intimação do despacho decisório foi realizada no endereço antigo do contribuinte, que já havia informado à Receita Federal do Brasil o seu novo domicílio.
O contribuinte teve ciência do despacho decisório um dia após a intimação ter sido recebido em seu endereço antigo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada no 30º dia após a sua ciência.
A partir da análise das circunstâncias envolvidas e dos documentos apresentados, com o objetivo de assegurar à recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa, deve-se considerar tempestiva a Manifestação apresentada.
PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO.
A decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, ao considerar intempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/1972.
Numero da decisão: 1402-003.713
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja proferida nova decisão de 1ª instância com julgamento do mérito, considerando tempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1993 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVA A intimação do despacho decisório foi realizada no endereço antigo do contribuinte, que já havia informado à Receita Federal do Brasil o seu novo domicílio. O contribuinte teve ciência do despacho decisório um dia após a intimação ter sido recebido em seu endereço antigo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada no 30º dia após a sua ciência. A partir da análise das circunstâncias envolvidas e dos documentos apresentados, com o objetivo de assegurar à recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa, deve-se considerar tempestiva a Manifestação apresentada. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. A decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, ao considerar intempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja proferida nova decisão de 1ª instância com julgamento do mérito, considerando tempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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TEMPESTIVA A intimação do despacho decisório foi realizada no endereço antigo do contribuinte, que já havia informado à Receita Federal do Brasil o seu novo domicílio. O contribuinte teve ciência do despacho decisório um dia após a intimação ter sido recebido em seu endereço antigo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada no 30º dia após a sua ciência. A partir da análise das circunstâncias envolvidas e dos documentos apresentados, com o objetivo de assegurar à recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa, devese considerar tempestiva a Manifestação apresentada. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. A decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, ao considerar intempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 25 14 /9 7- 25 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 389 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja proferida nova decisão de 1ª instância com julgamento do mérito, considerando tempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 390 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 16 13.736 4ª Turma da DRJ/SPOI, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 13/11/1997, no valor de R$ 379.780,50, cumulado com pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros (fl. 100). Por meio do Despacho Decisório DIORT/EQPIR, de fls. 122/124, a autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de restituição. A Interessada tomou ciência da decisão em 09/05/2006 (fl. 125 – verso), e, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 131/134, protocolada em 09/06/2006. A Manifestação de Inconformidade, assinada pelo procurador da Interessada (fls. 136/152), traz as seguintes alegações relativas à tempestividade da apresentação de sua defesa: I DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO O Despacho decisório que acolheu parcialmente o pedido da contribuinte, se deu em 10/04/2006, tendo esta tomado ciência apenas em 10/05/2006 (DOC 05), conseqüentemente sendo esta manifestação protocolada até o dia 09/06/06, deverá ser considerada tempestiva. Desta forma, a mesma deve ser considerada tempestiva sendo acolhida e conhecida, culminando, por conseqüência, em sua procedência pelas razões que passa a expor: No mérito, a Manifestante alega que não foram levados em consideração pela Autoridade Administrativa os créditos apurados com relação ao CNPJ nº 61.185.047/00061 da empresa Morro do Níquel S/A, cujo “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” está acostado às fls. 88 do presente processo. Argúi, outrossim, que, do referido comprovante, consta valor inferior ao que a Contribuinte teria direito, conforme documentos anexados." Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 391 4 O Acórdão de Impugnação nº 1613.736 4ª Turma da DRJ/SPOI considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. Não é cabível a apreciação de manifestação de inconformidade apresentada após trinta dias da ciência do despacho decisório, considerandose como termo inicial de contagem, para fins de contagem a data constante do aviso de recebimento AR. Solicitação Indeferida" Transcrevese a seguir excertos do voto condutor do Acórdão de 1ª Instância: "O presente processo gira em torno da não consideração do IRRF retido pela Morro do Níquel S/A, e do seu correto montante. Ocorre que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada após o prazo de 30 dias previsto no art. 21 do Decreto nº 70.235/1972, o que implica que não pode este Órgão Colegiado se pronunciar a respeito do mérito da defesa da Interessada, pois intempestivo seu pedido, sendo admitida, por outro lado, a argüição preliminar de tempestividade, na forma do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/1996, abaixo transcrito: [...] Alega preliminarmente a Manifestante que, conforme Documento 5 (fl. 156), a empresa teria tomado ciência do Despacho Decisório em 10/05/2006, sendo tempestiva sua Manifestação, protocolada em 09/06/2006. Cumpre esclarecer, todavia, que, a empresa tomou ciência do Despacho Decisório em 09/05/2006, conforme comprova o Aviso de Recebimento – AR de fl. 125 verso, tendo, de fato, apresentado sua Manifestação de Inconformidade em 09/06/2006 (fls. 131/135). No Documento 5, que se trata de cópia xérox de um envelope, há apenas um carimbo interno da própria empresa, com a data de 10/05/2006. Ora, tal tipo de documento não tem o condão de deslocar o termo inicial para fins de contagem de prazo, como pretendeu dar a entender a Manifestante. Como a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 09/05/2006, o dia 08/06/2006 era a data final para que fosse entregue a Manifestação de Inconformidade, a qual só foi protocolada em 09/06/2006, sendo intempestiva sua apresentação. Logo, voto pelo INDEFERIMENTO da Manifestação da Interessada, por ser intempestiva." Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 392 5 Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que alega preliminarmente a invalidade da intimação do despacho decisório que deferiu parcialmente o crédito. Afirma a recorrente que quando do protocolo do pedido de restituição, tinha como razão social o nome MINORCO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., e sede na Praça da República, 497, 8° Andar, São Paulo, SP, CEP 01045910. Ocorre que, em 21/07/1999, a empresa alterou sua denominação social para ANGLO AMERICAN BRASIL LTDA. (DOC 06), denominação atual da recorrente, e na data de 10/04/2002 mudou sua sede para Avenida Paulista, n° 2.300, 10° Andar, São Paulo, SP, CEP 01310300 (DOC 07), sendo todas estas alterações devidamente atualizadas junto à Receita Federal do Brasil, como se verifica pelos comprovantes de alteração e de situação cadastral da empresa (DOCs 08 e 09). A intimação do despacho decisório que deferiu parcialmente o crédito da recorrente, se deu no endereço antigo (DOC 10), e se não bastasse, foi entregue a uma pessoa que não é representante legal da empresa, ou sequer seu funcionário, uma vez que a intimação, que foi feita via postal, foi entregue a um funcionário da recepção do edifício onde a empresa era sediada, que assinou o "Aviso de Recebimento" dos Correios (DOCs 11 e 12). Não obstante a intimação inválida, achou por bem defenderse, tendo protocolado sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias de sua ciência do despacho decisório (DOCs 10 e 13). Sendo assim, analisando os fatos narrados, é forçoso concluir que a intimação foi inválida, pois contraria disposição do Art. 23, § 4o, I, do Decreto 70.235/1972 com redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, senão vejamos: "Art 23. (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária (...)" Aliás não é outro o entendimento deste Egrégio Conselho de Contribuintes, como se verifica nos julgados a seguir transcritos. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 393 6 Ora, se a recorrente comprovou as alterações de razão social e sede na Secretaria da Receita Federal há mais de cinco anos, e estas alterações foram realizadas em seus sistemas, como pode a Delegacia da Receita Federal em São Paulo intimar a recorrente de um despacho decisório no endereço errado? Ainda, como pode uma pessoa que não é procurador da recorrente, nem tampouco seu funcionário, ou tenha qualquer relação que seja com a recorrente, ser intimado de um despacho decisório? A presunção de que a recorrente foi intimada, pelo simples fato da Delegacia da Receita Federal ter recebido o Aviso de Recebimento dos Correios assinado, é afastada, quando a intimação é realizada no endereço errado! É evidente que com a intimação inválida, a recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade "fora do prazo", e por isso seu mérito não foi analisado, não sendo assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa, mesmo tendo a recorrente direito ao crédito que não foi reconhecido, como comprovou em sua manifestação de inconformidade, a cujos termos ora se reporta. No mérito, alega a omissão na análise do demonstrativo do IRRF que conclui pela procedência parcial do pedido de restituição. Afirma que ao se analisar o documento "Demonstrativo de Imposto de Renda Retido na Fonte do ano Calendário de 1993", elaborado pela Receita Federal, e acostado ao processo às Fls. 121 (DOC 14), percebese que na relação dos CNPJs e seus respectivos valores de impostos retidos, não foi levado em consideração, os créditos apurados com relação ao CNPJ n° 61.185.047/000161 da empresa Morro do Níquel S/A, cujo "Comprovante Anual de Rendimentos pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte", está acostado às fls. 88 do presente processo (DOC 15). Efetuando a somatória dos valores contidos no documento apresentado, têm se o valor de 14.292,56 UFIR, que corresponde exatamente à diferença entre o valor requerido pela contribuinte e o valor reconhecido pela Delegacia da Receita Federal. Sendo assim, o despacho decisório que indeferiu parte dos créditos merece ser reformado, conforme dispõe o Art. 60, do Decreto 70.235/1972, pois a Autoridade Administrativa deixou de analisar todos os documentos apresentados pela recorrente quando do pedido de restituição, senão vejamos: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 394 7 "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Comprovada a omissão por parte da Autoridade Administrativa em analisar os documentos apresentados pela recorrente, e comprovado o direito creditório, a recorrente faz jus ao valor requerido inicialmente no pedido de restituição. Aliás, Interessante destacar que mesmo tendo apresentado a documentação comprobatória do direito creditório quando do pedido de restituição, que a Autoridade Administrativa deixou de analisar, a recorrente ainda apresentou em sede de manifestação de inconformidade, cópia de todos os DARFs recolhidos, bem como as notas fiscais de prestações de serviço do período, para não deixar qualquer dúvida quanto ao seu direito creditório. Em seu pedido, requer que seja dado provimento ao recurso, quer preliminarmente, quer pelo mérito, para reformar a decisão a quo, proferindo julgamento pela procedência do crédito pleiteado, como medida de justiça. Declinação de Competência Em sessão de 15/06/2016, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento prolatou o Acórdão nº 2301004.742 no qual declinouse da competência de julgamento à Primeira Seção do Carf, com o entendimento que " O imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, quando se tratar de antecipação do IRPJ é matéria da competência da Primeira Seção do CARF." Em seguida o processo foi distribuído no âmbito da 1ª Seção. É o relatório. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 395 8 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminar A recorrente alega a invalidade da intimação do despacho decisório que deferiu parcialmente o crédito pleiteado, pois essa deuse em seu antigo endereço. Informa que, quando do protocolo do pedido de restituição, tinha como razão social o nome MINORCO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., e sede na Praça da República, 497, 8° Andar, São Paulo, SP, CEP 01045910. Em 21/07/1999, alterou sua denominação social para ANGLO AMERICAN BRASIL LTDA., e em 10/04/2002 mudou sua sede para avenida Paulista, nº 2.300, 10º andar, São Paulo, SP, CEP 01310300, sendo essas alterações atualizadas junto à Receita Federal do Brasil. Contudo, a intimação do despacho decisório que deferiu parcialmente o crédito da recorrente, deuse no endereço antigo, e foi entregue à uma pessoa que não é representante legal da empresa, ou sequer seu funcionário, uma vez que a intimação, que foi feita via postal, foi entregue a um funcionário da recepção do edifício onde a empresa era sediada, quem assinou o "Aviso de Recebimento" dos Correios. Deduz que a intimação foi inválida, pois contraria disposição do Art. 23, § 4º, I, do Decreto 70.235/1972 com redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005: "Art 23. (..) § 4° Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais à administração tributária (..)" Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 396 9 Informa que não obstante a intimação inválida, achou por bem defenderse, tendo protocolado sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias de sua ciência do despacho decisório (DOCs 10 e 13). Afirma que é evidente que com a intimação inválida, a recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade "fora do prazo", e por isso seu mérito não foi analisado, não sendo assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa, mesmo tendo a recorrente direito ao crédito que não foi reconhecido, como comprovou em sua manifestação de inconformidade, a cujos termos ora se reporta. Verificase que de fato a intimação do despacho decisório que deferiu parcialmente o crédito pleiteado deuse no antigo endereço da recorrente. Em princípio essa intimação seria inválida, contudo essa falha pode ser suprida, pois a recorrente teve acesso ao despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade juntamente com os documentos que alega comprovarem o seu direito ao crédito. A questão a ser enfrentada diz respeito à tempestividade pois tendo a intimação de Despacho Decisório ocorrido em 09/05/2006, o dia 08/06/2006 era a data final para que fosse entregue a Manifestação de Inconformidade, a qual só foi protocolada em 09/06/2006, sendo considerado intempestiva a sua apresentação pela Instância a quo. A recorrente alega que teria tomado ciência do Despacho Decisório em 10/05/2006, conforme Documento 5 (fls. 156), sendo tempestiva sua Manifestação protocolada em 09/06/2006. Mostrase bastante razoável que a recorrente teria tido acesso ao Despacho Decisório em 10/05/2006, ou seja, um dia após a intimação ter sido recebido em seu endereço antigo no dia 09/05/2006. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 397 10 Verificase que no documento 5, que se trata de cópia xerox de um envelope, há apenas um carimbo interno da própria empresa, com a data de 10/05/2006. A turma julgadora do Instância a quo entendeu que tal tipo de documento não tem o condão de deslocar o termo inicial para fins de contagem de prazo, todavia é fato que a recorrente foi intimada em seu endereço antigo e já havia informado à Receita Federal do Brasil o seu novo domicílio. Somase essa circunstância ao fato que a recorrente diz que tomou ciência do despacho decisório em 10/05/2006, ou seja, um dia após a intimação ter sido Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 398 11 recebido em seu endereço antigo no dia 09/05/2006. Por último a recorrente apresentou a sua Manifestação no 30º dia após alegada ciência. Verificase ainda que a recorrente apresentou declaração do condomínio do edifício SHRYSLER, firmada por JOÃO BAPTISTA FELIX DE MELO, que se denomina síndico do referido condomínio. Conforme teor da referida declaração, por um lapso recepcionouse em 09/05/07 correspondência endereçada à Anglo American Brasil Ltda, sendo certo que a empresa desde 2001, já não mais está sediada neste endereço. Tendo sido verificado o erro, encaminhouse tal documento para a avenida Paulista nº 2300 10º andar CEP 01310300, endereço de correspondência da Anglo American. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10880.032514/9725 Acórdão n.º 1402003.713 S1C4T2 Fl. 399 12 A partir da análise das circunstâncias envolvidas e dos documentos apresentados, com o objetivo de assegurar à recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa, entendo que devese considerar tempestiva a Manifestação apresentada. Pelas razões expostas, concluise que a decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, ao considerar intempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifo nosso). § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. O colegiado dessa turma deverá declarar a nulidade nos termos do art. 61 do Decreto n. 70.235/1972. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja proferida nova decisão de 1ª instância com julgamento do mérito, considerando tempestiva a apresentação da Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000085/99-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 1994, 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO.
EFEITOS INFRINGENTES.
É de se conhecer e prover embargos de declaração interpostos pela existência de erro material, mesmo se resultar em efeitos infringentes do julgado.
PIS. LANÇAMENTO. SEMESTRALIDADE. NOTAS FISCAIS.
OPERAÇÕES ESPECIFICAS.
Refeitas as bases de cálculo do lançamento efetuado, desta feita levando-se em conta a semestralidade, é de se cancelar os lançamentos que possuem bases de cálculo fora do período originariamente fiscalizado.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-000.027
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA do
SEGUN DA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 202-14.920, alterando-se o resultado do julgamento para: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento _os fluas' geradores referentes aos períodos de novembro e dezembro de 1994 e julho e agosto de 1995, aplicando-se o critério da semestralidade da base de cálculo aos fatos gerados de janeiro e,fevereiro de 1996.''
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1994, 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. É de se conhecer e prover embargos de declaração interpostos pela existência de erro material, mesmo se resultar em efeitos infringentes do julgado. PIS. LANÇAMENTO. SEMESTRALIDADE. NOTAS FISCAIS. OPERAÇÕES ESPECIFICAS. Refeitas as bases de cálculo do lançamento efetuado, desta feita levando-se em conta a semestralidade, é de se cancelar os lançamentos que possuem bases de cálculo fora do período originariamente fiscalizado. Embargos de declaração acolhidos.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA do SEGUN DA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 202-14.920, alterando-se o resultado do julgamento para: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento _os fluas' geradores referentes aos períodos de novembro e dezembro de 1994 e julho e agosto de 1995, aplicando-se o critério da semestralidade da base de cálculo aos fatos gerados de janeiro e,fevereiro de 1996.''
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S2-CITI. Fl. 333 ,„ , ' .,Oikt j""",'''''1, &. - i MINISTÉRIO DA FAZENDA. ,;....;;; ,;'.0f.Ar,0:, - ,. .: N.:: g.;,',:-;-, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS--,,, :,,,.,..z.',(...- n,..‘,.',-9..W SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, - .. Processo n" 13873.000085/99-21 Recurso n" 112.662 Voluntário Acórdão n" 2101-00.027 — I" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2009 Matéria PIS Recorrente CERVEJARIA BELCO S/A Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Exercício: 1994, 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. É de se conhecer e prover embargos de declaração interpostos pela existência de erro material, mesmo se resultar em efeitos infringentes do julgado. PIS. LANÇAMENTO. SEMESTRALIDADE. NOTAS FISCAIS. OPERAÇÕES ESPECIFICAS. Refeitas as bases de cálculo do lançamento efetuado, desta feita levando-se em conta a semestralidade, é de se cancelar os lançamentos que possuem bases de cálculo fora do período originariamente fiscalizado. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 1" CÂMARA / 1" TURMA ORDINÁRIA do SEGUN DA SEÇÃO DE JU LGAM ENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão n" 202-14.920, alterando-se o resultado do julgamento para: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento _os fluas' geradores referentes aos períodos de novembro e (lerembro de 1994 e julho e tg;Osto de 1995, aplicando-se o critério da semestralidade da base de cálculo aus . làtos gerado -cs de janeiro e,fevereiro de 1996.'' (é ''.------___ _ ANT 1\110 ' ''ARLOS A 'UL1M Presidente o Processo n" 13873.00005)9-21 S2-CITI - Acórão n." 2101-00.027 R 334 ‘ \. G . , '• KE LY A ENCAR Rel'it(\, \ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Carlos Alberto Donassolo (Suplente), Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pela DERAT SPO sob o fundamento de que o V. acórdão possuiria vícios, na medida em que o auto de infração em discussão teria perdido seu objeto, pois: - a regra da sernestralidade só poderia ser aplicada aos fatos geradores de novembro/dezembro de 1994 e de julho/agosto de 1995 se tivesse sido constatada omissão de receitas em maio/junho de 1994 e de janeiro/fevereiro de 1995, o que não é o caso; - com o advento da MP 1.212/95, a qual passou a produzir efeitos em março de 1996 e roi convertida na Lei 9.715/98 o PIS passou a ser calculado com base no faturamento do mês. Logo, o thturamento dos 6 meses anteriores a março de 1996(setembro de 1995 a fevereiro de 1996) não é tributável. É O Relatório. , Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Conheço dos embargos e passo a decidir. Assiste parcial razão à Embargante, relativamente aos efeitos da semestralidade no lançamento em tela. Explicamos. O presente lançamento decorre de operações especificas, acobertadas pelas notas fiscais acostadas aos autos, relativas a exportações que não aconteceram . A tributação das referidas operações, ocorridas em novembro e dezembro de 1994, julho e agosto de 1995, e janeiro a maio de 1996, resultou no lançamento do PIS relativo aos referidos meses, de acordo com a sistemática adotada pela fiscalização, de utilizar como base de cálculo do PIS o faturamento do mesmo mês da ocorrência do fato gerador.. Outrossim, pela aplicação da chamada semestralidade do PIS, o lançamento, nos períodos para os quais foi efetuado, teria como bases de cálculo os meses de maio e junho de 1994, janeiro e fevereiro de 1995, julho e agosto de 1995, e março a maio de 1996. 2 • • Processo n" 13873.000085 99-21 S2-CI1'1 Acórão n." 2101-00.027 Fl, 335 Contudo, dos períodos acima elencados como bases de cálculo apenas julho e agosto de 1995 e março a maio de 1996 apresentam operações indevidamente não submetidas à tributação, c que servirão de base de cálculo para o lançamento de janeiro e fevereiro de 1996, março a maio de 1996, respectivamente. Assim, como afirma a Embargante, parte do auto deve ser cancelado. Outrossim, quanto à questão dos tatos geradores de setembro de 1995 a fevereiro de 1996, inclusive, por força da declaração de inconstitucionalidadc parcial da MP 1.212, não procede a alegação de que não haveria PIS a ser tributado neste período, pois o PIS será recolhido regularmente em março a agosto de 1996, com base no faturamento do sexto mês anterior. Por tal, dou provimento aos Embargos para retificar o Acórdão Embargado, para dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do lançamento para as competências de novembro e dezembro de 1994 e julho e agosto de 1995, mantendo o lançamento quanto ao restante. Deve ser aplicada a semestralidade para os fatos geradores janeiro e fevereiro de 1995, tornando a base de cálculo os meses de julho e agosto de 1995. Para os meses de março a maio de 1996, permanece inalterado o lançamento. O presente Acórdão passa a fazer parte do Acórdão 202-14.920. Sa a das Sessões, em 03 de março de 2009. \I") Gl LENCAR • 3
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722542/2016-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO NO ACÓRDÃO, SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a omissão quanto à análise de argumentos subsidiários invocados pelo contribuinte na defesa e no recurso voluntário, cabível sua apreciação pela via dos embargos de declaração.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE
A multa de mora é exigível por força do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e deve ser considerada no cálculo da compensação entre o tributo devido e o tributo postergado.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
Na postergação de pagamento, o contribuinte não declara o tributo devido e não recolhe os juros de mora exigíveis pelo atraso, de forma que não se caracteriza a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN.
CSLL POSTERGADA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto à infração de IRPJ em face da postergação do pagamento deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL no caso).
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA.
Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 108.
Numero da decisão: 1201-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator), José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Gisele Barra Bossa e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) que acolhiam os embargos, com efeitos infringentes parciais para determinar o descabimento da imputação de multa de mora no método da imputação proporcional, nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 OMISSÃO NO ACÓRDÃO, SANEAMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a omissão quanto à análise de argumentos subsidiários invocados pelo contribuinte na defesa e no recurso voluntário, cabível sua apreciação pela via dos embargos de declaração. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE A multa de mora é exigível por força do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e deve ser considerada no cálculo da compensação entre o tributo devido e o tributo postergado. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Na postergação de pagamento, o contribuinte não declara o tributo devido e não recolhe os juros de mora exigíveis pelo atraso, de forma que não se caracteriza a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. CSLL POSTERGADA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração de IRPJ em face da postergação do pagamento deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL no caso). MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 108.
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Constatada a omissão quanto à análise de argumentos subsidiários invocados pelo contribuinte na defesa e no recurso voluntário, cabível sua apreciação pela via dos embargos de declaração. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE A multa de mora é exigível por força do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e deve ser considerada no cálculo da compensação entre o tributo devido e o tributo postergado. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Na postergação de pagamento, o contribuinte não declara o tributo devido e não recolhe os juros de mora exigíveis pelo atraso, de forma que não se caracteriza a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. CSLL POSTERGADA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração de IRPJ em face da postergação do pagamento deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL no caso). MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 25 42 /2 01 6- 22 Fl. 1159DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator), José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Gisele Barra Bossa e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) que acolhiam os embargos, com efeitos infringentes parciais para determinar o descabimento da imputação de multa de mora no método da imputação proporcional, nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 674/690) que exigem IRPJ e CSLL sob a acusação de que houve inobservância do regime de escrituração com postergação no reconhecimento de receitas oriundas da "realização" dos pontos de fidelidade gerenciados pela empresa, receitas estas que foram consideradas auferidas no anocalendário de 2011. Mais precisamente, a controvérsia instaurada diz respeito ao momento em que devem ser reconhecidas as receitas provenientes dos "pontos Multiplus" para fins de IRPJ e CSLL. No entender da Recorrente a receita dessa operação deve ser oferecida à tributação por ocasião do resgate dos pontos pelos beneficiários ou pela perda do direito de utilização dos pontos por decurso de prazo. Já a fiscalização sustenta que a adoção desse entendimento ocasionou postergação de pagamento de IR e CS, uma vez que considera que a receita deveria ter sido oferecida à tributação no momento em que as empresas parceiras transferem os recursos relativos aos pontos. Cientificada dos Autos de Infração, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 699/723) na tentativa de fazer prevalecer o entendimento que vem adotando. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.717 S1C2T1 Fl. 3 3 Subsidiariamente, a contribuinte alega: (i) a existência de erro na base de cálculo; (ii) a ocorrência de nulidade em face do descabimento da imputação de multa e juros de mora; e (iii) a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Em Sessão de 17/04/2017, a DRJ julgou a impugnação improcedente por meio do Acórdão de fls. 806/857, o qual acatou a tese fazendária acerca da ocorrência de postergação e afastou os demais argumentos invocados na peça impugnatória. Intimada da decisão de piso em 1o/05/2017 (fls. 867), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/05/2017 (fls. 869/900). Reitera as alegações de defesa, questiona determinados pontos do Acórdão da DRJ e invoca precedente jurisprudencial do CARF que lhe foi favorável. A PGFN apresentou ContraRazões (fls. 910/945), manifestandose no mesmo sentido da decisão recorrida. Tramitado o feito, os autos foram a mim distribuídos e, na Sessão de 26/07/2018, o recurso voluntário foi julgado improcedente por voto de qualidade (Acórdão 1201002.302, fls. 1.069/1.116). Essa decisão, contudo, foi objeto de Embargos de Declaração por parte da empresa (fls. 1.126/1.147), que alega omissões no julgado, bem como por parte do I. Relator do voto vencedor, Conselheiro Paulo Cezar de Aguiar (fls. 1.067/1.068), que reconheceu expressamente que: [...] faziase necessário a análise e a votação quanto a mais três questões levantadas no recurso voluntário, o que não ocorreu, caracterizandose pois a omissão. São elas: a) equívoco na apuração fiscal, o que reduziria o valor tributável de R$ 626.848.971,14 para R$ 617.409.466,56 (Recurso Voluntário, item 3, efl. 896); b) descabimento da imputação de multa e juros de mora, por não mais ser aplicável o método da imputação proporcional em face da reconhecida postergação de pagamentos dos tributos (Recurso Voluntário, item 4, efl. 897) e c) inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício (Recurso Voluntário, item 5, efl. 900). São essas as razões pelas quais oponho os presentes embargos de declaração, requerendo sejam admitidos, com a devolução dos autos à turma para julgamento das matérias ainda em aberto. Mediante despachos de fls. 1.153/1.155 e 1.156/1.1157, os Embargos do Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar foram admitidos, ao passo que os da Multiplus não foram conhecidos. Fl. 1161DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conforme visto, são três os pontos objeto dos presentes Embargos de Declaração: (i) eventual equívoco na apuração fiscal, o que reduziria o valor tributável de R$ 626.848.971,14 para R$ 617.409.466,56; (ii) descabimento da imputação de multa e juros de mora no cálculo da diferença devida em razão da postergação do IRPJ e CSLL; e (iii) inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício. Da base de cálculo De acordo com o que consta no recurso voluntário: "(...) muito embora a d. autoridade informe que o valor das demais receitas foi extraído das informações fornecidas pela recorrente, certo é que sua análise não observou que o valor de R$ 9.739.581,00 (receitas a título de hedge) foi por ela considerado tanto na composição da receita total declarada em DIPJ (R$ 1.354.940.115,27), como na composição das outras receitas informadas na planilha apresentada (R$ 28.246.504,58). Logo, o cálculo fiscal considerou as receitas de hedge tanto no total das receitas declaradas pela recorrente em sua DIPJ, como também na composição das outras receitas do período, o que representa evidente duplicidade e resulta na majoração na base supostamente passível de tributação. Por essa razão, sem prejuízo das demais alegações apresentadas nesta defesa, é imperioso que se corrija o aludido equívoco, de modo a reduzir o valor tributável de R$ 626.848.971,14 para R$ 617.409.466,56. A esse respeito, vide quadro abaixo e demonstrativo ora anexado: (...)" Da análise do pedido de redução da base, entretanto, não há instrução com documentos hábeis que sejam capazes de provar o quanto foi alegado. Ou seja, não há a imprescindível comprovação documental acerca dessa afirmativa, o que prejudica o direito alegado. Não vejo, portanto, como afastar a conclusão da DRJ, vazada nos seguintes termos: 208. Vejase que em um quadro (DIPJ) há o valor que, na visão da contribuinte, deveria constar no cálculo da Fiscalização Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.717 S1C2T1 Fl. 4 5 (R$ 18.506.923,45) em substituição ao valor de R$ 28.246.504,58. 209. Entretanto, considerando que o total das receitas é praticamente o mesmo, entendo que ocorreu apenas uma disposição, ou um detalhamento, diferente do mesmo montante nas duas demonstrações, não sendo possível constatar a duplicidade alegada pela empresa. 210. Em outras palavras, fosse equivocado o cálculo do fiscal, a planilha da contribuinte apresentaria um montante superior, em R$ 9.739.581,00, ao informado na DIPJ, que não é o caso. 211. Assim, entendo que são improcedentes as alegações da impugnante. Da imputação proporcional A fiscalização, para fins de apuração do IRPJ e CSLL ora exigidos, considerou que as receitas oferecidas à tributação pelo contribuinte em 2012 e 2013 teriam sido realizadas, na verdade, no ano base de 2011, caracterizando, assim, a postergação de pagamentos de IRPJ e CSLL. A autoridade fiscal responsável pelos lançamentos, então, reconheceu corretamente a necessidade de dedução do IRPJ e CSLL pagos "extemporaneamente", mas imputou a eles os valores de multas e juros de mora e somente após isso calculou a diferença exigida em face da postergação. Em outras palavras, o valor do principal apurado e ora cobrado levou em conta os valores recolhidos em 2012 e 2013 com a incidência de multa e juros. Houve, portanto, imputação proporcional em função da mora do contribuinte. Segundo o fisco e a DRJ, o cálculo que imputa juros e mora no pagamento de tributo postergado teria previsão no RIR/99 e nas orientações da Receita Federal citadas na decisão de primeira instância. O contribuinte, por sua vez, sustenta que tal procedimento não merece prosperar, por falta de base legal que o sustente, em que pese o enorme esforço realizado pelo v. acórdão para validar tal procedimento. Pois bem. O DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estipulou a regra geral a ser aplicada para os casos de inobservância do regime de competência, nos seguintes termos: Art. 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) Fl. 1163DF CARF MF 6 § 4º. Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento do imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º. O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. (grifamos) Como se percebe, e ao contrário do que decidiu a DRJ, realmente não há base legal para a imputação de multa de mora na cobrança de diferença de tributo pago de forma postergada. Conforme leciona Hiromi Higuchi1: Na postergação de imposto apurado pelo fisco será devida a multa de lançamento de ofício sobre a diferença de imposto. Isso ocorre quando a alíquota era menor no períodobase em que o imposto foi pago. A diferença de imposto existe também quando no períodobase do efetivo pagamento a empresa não estava sujeita ao adicional e no ano em que o imposto foi postergado teve adicional. A redação do § 2º do art. 273 do RIR/99 leva a entender que na postergação de imposto será devida a multa de mora, ainda que não tenha diferença de imposto a ser cobrada. A cobrança da multa de mora não tem amparo legal. Na postergação de imposto, o § 7º do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/77 manda cobrar exclusivamente a correção monetária e os juros de mora. O art. 16 do DecretoLei nº não disciplinou essa matéria. O 1º C.C. decidiu pelo Ac. 10318568/97 (DOU de 300597) que descabe, por inexistência de previsão legal, a aplicação de 1 Imposto de Renda das Empresas. Interpretação e Prática. São Paulo: IR Publicações Ltda. 2016. P. 242. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.717 S1C2T1 Fl. 5 7 multa de mora aos casos de postergação do pagamento do imposto. Nesse contexto, ainda chama atenção o fato de que os pagamentos de IRPJ e CSLL considerados postergados, a bem da verdade, acabaram sendo feitos espontaneamente pelo contribuinte, afinal ocorreram antes de iniciado o procedimento fiscal que culminou na lavratura dos presentes Autos de Infração. Isso significa dizer que tais pagamentos, ainda que considerados postergados, foram feitos ao abrigo do artigo 138 do CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da interpretação sistemática das normas de postergação e da denúncia espontânea, forçoso concluir que ainda que o contribuinte tenha recolhido o IRPJ e CSLL fora do prazo legal de vencimento, seja por omissão ou por erro na definição do seu aspecto temporal (o que caracteriza a postergação), não se pode perder de vista que aqueles tributos (valor de principal), nesse caso concreto, foram pagos integralmente e de forma espontânea. É justamente por isso que a multa de mora não deveria ter sido calculada por ocasião da imputação proporcional. Nesse sentido, aliás, já se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes, conforme atesta a ementa do julgado abaixo. RECOLHIMENTO INTEGRAL A DESTEMPO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA Por analogia aos casos de inobservância do regime de reconhecimento de receita, cumulada com a reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre denúncia espontânea, afastando qualquer penalidade por força do artigo 138 do CTN, a postergação no pagamento de tributos, pelo seu recolhimento a destempo, enseja lançamento de ofício tão somente dos juros moratórios, tendo estes como base o valor recolhido, bem como considerados pelo período em que houve atraso. (Ac. 10806.302. Sessão de 12/07/2000) Fl. 1165DF CARF MF 8 Dessa forma, e seguindo a linha jurisprudencial do referido precedente, entendo que a multa de mora não poderia ter sido considerada na imputação proporcional levada a cabo pelo fiscal autuante, sendo cabível apenas os juros Selic no cálculo do IR e CS lançados. Dos juros de mora sobre multa de ofício De acordo com a Súmula CARF nº 108, "incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Considerando, então, que a matéria encontrase sumulada no CARF, e que tal orientação vincula o presente Mulgador, considero devidos os juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO parcialmente os Embargos de Declaração apresentados, com efeitos infringentes, a fim de excluir o cômputo da multa de mora no cálculo do IRPJ e CSLL decorrentes da postergação de pagamentos. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Voto Vencedor Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Redator designado. O colegiado acompanhou o voto do Ilustre Relator quando este acolheu os embargos de declaração, quando afastou a alegação de erro na base de cálculo dos tributos exigidos e quando reconheceu a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Todavia, o entendimento majoritário no colegiado foi diferente em relação à inclusão da multa de mora no cálculo proporcional dos tributos postergados, cabendo a mim redigir o correspondente voto vencedor. A partir do entendimento de que tributos declarados e recolhidos nos anos 2012 e 2013 tiveram seus fatos geradores ocorridos em 2011, a fiscalização fez a atualização monetária regressiva para descobrir a parcela atribuível aos juros de mora e também à multa de mora. Identificado o valor do tributo efetivamente quitado, foi feito o lançamento tributário para exigir a diferença, nos termos do artigo 273 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99), o qual possui a seguinte redação: Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.717 S1C2T1 Fl. 6 9 Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Salientese que o §2º desse dispositivo afirma expressamente que a compensação entre os períodos de apuração não afasta a exigibilidade de multa de mora e juros de mora. Entendo que esse dispositivo regulamentar já dá suporte legal suficiente para a exigência tributária. Todavia, o recorrente insiste que o procedimento adotado não possui base legal. Em seu voto, o Ilustre Relator observou que a matriz legal do artigo 273 do RIR/99 é o artigo 6º do DecretoLei nº 1.598/1977 e que esse dispositivo legal, no seu parágrafo 7º, determina a exigibilidade dos juros de mora, mas silencia quanto à multa de mora. Não havendo a determinação legal expressa para que se considere a multa moratória, a proposta trazida ao colegiado foi a exclusão de seus efeitos no cálculo dos tributos exigidos. Todavia, o colegiado divergiu desse entendimento, considerando que o fato de não haver previsão expressa de exigência da multa de mora no referido artigo 6º do Decreto Lei nº 1.598/1977 não significa que esta não é exigível, devendose antes perquirir se há outro dispositivo legal que dê fundamento à exigência. De fato, há tal dispositivo na legislação tributária, a saber, o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, que tem a seguinte redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. O Ilustre Relator também trouxe à discussão o artigo 138 do CTN, pelo qual a denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração, cujo efeito é a inexigibilidade da multa moratória. Apesar da semelhança entre os institutos da postergação e da denúncia espontânea, o colegiado afastou a equivalência sugerida, pelos motivos a seguir apontados. Fl. 1167DF CARF MF 10 A denúncia espontânea só tem o efeito de afastar a multa de mora quando o contribuinte declara espontaneamente o tributo, no caso, devido em 2011, e faz o correspondente pagamento, inclusive de eventuais juros de mora. Na espécie, o contribuinte declarou o tributo como se fosse devido em outro período, ou seja, declarou outro crédito tributário. Apenas a força do artigo 6º do DecretoLei nº 1.598/1977 permite a compensação entre os créditos tributários devido e declarado. Portanto, o contribuinte não declarou o tributo devido e, assim, não houve denúncia espontânea. Ademais, o contribuinte não pagou espontaneamente os juros de mora. Essa parcela do crédito tributário, inquestionavelmente devida, somente é contemplada pelo método de cálculo utilizado na compensação, resultando em um saldo a pagar que deve ser objeto de lançamento tributário de ofício, o qual, salientese, está sendo questionado pelo contribuinte. Portanto, não há que se falar em espontaneidade. Diante do exposto, o colegiado manteve os efeitos da multa de mora sobre o cálculo adotado na compensação do tributo postergado, nos termos do lançamento tributário atacado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1168DF CARF MF
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