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Numero do processo: 13982.000495/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas.
Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas.
Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
Simulação do Ato Jurídico. Evasão Fiscal. Utilização de Interpostas Pessoas.
A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária.
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. Interposição de Pessoas.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária.
Sujeição Passiva Solidária. Empresas do Grupo Econômico. Legitimidade.
Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaram-se de subterfúgios, com a criação de empresas-satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias.
Juros de Mora sobre Multa de Ofício.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. Autos de Infração. Concomitância.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
(Súmula CARF nº 77)
Nulidade da Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa.
Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constata-se nos autos que o acórdão de primeira instância quedou-se silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte.
Pedido de Perícia/Diligência. Indeferimento. Não Causa Nulidade.
A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
Nulidade dos ADE. Competência da Autoridade Fiscal.
A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação.
Nulidade da Autuação. Desconsideração da Personalidade Jurídica.
Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal.
Numero da decisão: 1302-001.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários dos sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Simulação do Ato Jurídico. Evasão Fiscal. Utilização de Interpostas Pessoas. A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. Interposição de Pessoas. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. Sujeição Passiva Solidária. Empresas do Grupo Econômico. Legitimidade. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaram-se de subterfúgios, com a criação de empresas-satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. Autos de Infração. Concomitância. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 77) Nulidade da Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa. Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constata-se nos autos que o acórdão de primeira instância quedou-se silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte. Pedido de Perícia/Diligência. Indeferimento. Não Causa Nulidade. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Nulidade dos ADE. Competência da Autoridade Fiscal. A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação. Nulidade da Autuação. Desconsideração da Personalidade Jurídica. Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal.
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E COM. LTDA. e TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SIMULAÇÃO DO ATO JURÍDICO. EVASÃO FISCAL. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 04 95 /2 01 0- 92 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO. LEGITIMIDADE. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaramse de subterfúgios, com a criação de empresas satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUTOS DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 77) NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constatase nos autos que o acórdão de primeira instância quedouse silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NÃO CAUSA NULIDADE. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) NULIDADE DOS ADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 3 3 A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários dos sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelos recorrentes acima identificados contra o Acórdão nº 1651.351/13, efls 598 a 652, proferido pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, o qual manteve as exclusões da empresa do Simples Federal (Lei nº 9.317/96), do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/06) ADE nºs 67 e 68, às efls. 101 e 102 , bem como os Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas aos anoscalendários de 2005 a 2009, no valor total de R$ 651.371,78, incluídos a multa de ofício cominada na forma qualificada (150%) e juros moratórios AI às efls. 138 a 270, e Termo de Verificações Fiscal às efls. 535 a 545. Assim restou ementado o acórdão recorrido: Juntada de Prova. Oportunidade. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Cerceamento do Direito de Defesa. Fase Procedimental. Caráter Inquisitório. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. Competência. Autoridade Administrativa. A autoridade administrativa tem competência para atuar de ofício, independentemente de prévia decisão judicial, quando se comprove que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. Exclusão do SIMPLES. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Efeitos. Provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, válida a exclusão de ofício do SIMPLES, formalizada pela autoridade competente no ADE em litígio, com efeitos a partir, inclusive, do mês da constituição da pessoa jurídica, mas observado o prazo decadencial. Exclusão do SIMPLES NACIONAL. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, válida a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, formalizada pela autoridade competente no ADE em litígio, com efeitos a partir da instituição do regime em 1º/07/2007. Lucro Arbitrado. O imposto deve ser determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Reconstituição da Escrita. Dever Instrumental da Contribuinte. A manutenção de escrituração comercial e fiscal, nos termos da legislação, com suporte em documentação hábil, é dever instrumental, ou obrigação acessória da contribuinte, para que a fiscalização possa exercer o poder de verificação da regularidade da apuração das bases de cálculo e dos tributos e contribuições devidos. A fiscalização não tem o dever de suprir a inércia da contribuinte, na produção da prova de escrituração hábil. Lucro Presumido. Opção Não Admitida às Empresas Excluídas do Simples Federal. Como a opção pelo Lucro Presumido deve ser manifestada com o pagamento espontâneo do imposto devido, o que não se configura possível após a instauração do procedimento fiscal, e como não prevista tal possibilidade na Fl. 703DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 4 5 Lei de regência do Simples Federal, nos casos de exclusão retroativa, a empresa deve se submeter à tributação com base no Lucro Real ou Arbitrado. Simulação. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Considerase robusto o conjunto probatório produzido pela fiscalização acerca da simulação na constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, quando formado, em síntese, pelos seguintes elementos: (i) a simulação na designação do administrador do empreendimento no contrato social; (ii) a prova de que os designados sócios do empreendimento eram em regra exempregados e/ou empregados das outras empresas do grupo econômico; (iii) a falta de localização da empresa no endereço cadastral; (iv) a falta de escrituração de despesas necessárias ao desempenho a atividade descrita no contrato social; (v) a falta de prova de que desempenhava uma atividade independente e autônoma; (vi) a localização de sua contabilidade no endereço de outra empresa; (vii) a prova de que havia circulação de recursos, ao menos escriturais, para dar aparência de regularidade, entre as empresas do grupo; e (viii) a prova de que pessoa jurídica tinha uma folha de pagamentos incompatível com o porte/faturamento da empresa. A constituição da pessoa jurídica, por interpostas pessoas, teve como único propósito reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamentos, mediante o registro dos empregados do grupo empresarial, em uma pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Suspensão de Exigibilidade do Crédito Tributário. Efeitos da Impugnação ao ADE. “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão” (Súmula CARF nº 77). Responsabilidade de Terceiros. Interesse Comum. É evidente o interesse comum das designadas responsáveis tributárias na constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, optante pelo SIMPLES e pelo SIMPLES NACIONAL, utilizada para registro de grande parte dos empregados daquelas empresas, e assim reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento das responsáveis tributárias. Multa Qualificada. Sonegação. A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas, não para desenvolvimento de uma atividade empresarial, mas para reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento de outras empresas, configura ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Somente a lei pode estabelecer: (i) a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; e (ii) as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades Fl. 704DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 6 Não há qualquer dúvida acerca do dolo da conduta da contribuinte que permita a incidência dos preceitos do art. 112 do CTN. A exclusão da empresa dos regimes diferenciados de tributação, simplificados e favorecidos, iniciouse por uma representação pela qual a autoridade fiscal relatou os seguintes fatos à autoridade competente à expedição dos Atos Declaratório Executivos de exclusão (ADE) e conclui que a empresa Trukam Refrigeração e Mecânica Ltda. foi constituída por simulação, só existindo para registrar empregados no papel, sem dispor de patrimônio, ativo imobilizado, capacidade operacional necessária à realização do seu objeto social: A diligência fiscal desenvolvida na empresa acima identificada evidencia a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições previdenciárias (cota patronal e terceiras entidades) , por meio da opção indevida pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES, a partir da sua criação em 03/05/1999. Tais subterfúgios consistem em incluir em seus quadros societários, pessoas que não são seus verdadeiros sócios e, ainda, deixando de incluir no quadro societário os sócios de fato. Constatouse que a mesma integra, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO, liderado pelas empresas TRUKAM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 82.853.953/000167, criada em 1973 (fls.10) e TRUKAM IMPLEMENTOS 'E. VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 78.814.522/000114, criada em 1985 (fls.11) que se constituem nas empresasmãe. São sócios das empresamãe FIORINDO MENEGOLLA, AVELINO MENEGOLLA e ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA (folhas 14 a 20). A empresa representada é administrada, administrada, de fato, por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, esposa do sócio da empresamãe ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA. [...] A empresa representada tem como endereço a Av. Leopoldo Sander, 2.620 Fundos Bairro Industrial Chapecó/SC. Este o mesmo endereço onde se localiza, de fato, a filial da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA., CNPJ 78.814.522/000386, conforme folhas 21. 2. A empresa representada está, supostamente, localizada no imóvel da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, conforme folhas 22 a 23. 3. O Contrato Social firmado em 03/05/1999 apresentava como sócios os Srs. JOSÉ ADILSON CONRADO e PEDRO VIVIAN, conforme folhas 24 a 27. O sócio JOSE ADILSON CONRADO, trabalhou na empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, no período de 10/06/1996 até 25/06/1999, conforme folhas 28. Já o segurado PEDRO VIVIAN, trabalhou na empresamãe, de 10/06/1996 até 04/05/1999, conforme folhas 29, e permaneceu na empresa representada, supostamente como SÓCIO, no período de 03/05/1999 até a sua retirada em 05/04/2003 na Terceira Alteração Contratual, as folhas 30 a 32. Entretanto, o segurado PEDRO VIVIAN, constou da Relação Anual de Informações Sociais RAIS, de 2000 até 2003, como trabalhador (a RAIS é exclusiva para trabalhadores), conforme folhas 33 a 36. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 5 7 Após a sua "retirada" do quadro de sócios da empresa representada, o segurado PEDRO VIVIAN retornou a mesma, desta vez, como segurado empregado, conforme GFIP por amostragem nos meses de competência 01/2006, 01/2007, 01/2008, 01/2009 e 01/2010, as folhas 37 a 41. Fica claramente demonstrado que PEDRO VIVAN sempre foi empregado. 4. Com o advento da Primeira Alteração Contratual, as folhas 42 a 43, foi admitido na sociedade o sócio RODRIGO DANIEL VERARDO, que vem a ser cunhado do sócio ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA. 5. Na Terceira Alteração Contratual, em 05/04/2003, ingressou como sócia, com 99% (noventa e nove por cento) das cotas, a sócia ROSÂNGELA VERARDO, que vem a ser cunhada do sócio ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA. Na mesma Alteração Contratual, retirouse da sociedade RODRIGO DANIEL VERARDO e ingressou na empresa representada DANIEL ITACIR VERARDO, com 1% (um por cento) das cotas. Este sócio vem a ser sogro do sócio ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LT DA. Apesar de constar como Sócio Administrador da empresa, localizada em Chapecó, desde o seu ingresso em 05/04/2003, o sócio DANIEL ITACIR VERARDO foi servidor público municipal do município de Xanxer8, conforme vínculos do trabalhador, as folhas 44. Já, em relação a sócia ROSÂNGELA VERARDO, a mesma , em todo o período de maio/2003 em diante, consta na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, não como segurado empregador (categoria 11), mas como segurado EMPREGADO (categoria 01) a exemplo dos demais segurados empregados, conforme folhas 45 a 49. Na Alteração Contratual n ° 05, a participação acionária dos dois sócios se inverte, cabendo para Daniel Itacir Verardo 99% (noventa e nove por cento) das cotas de capital e 1% (um por cento) para Rosângela Verardo, conforme folhas 50 a 51. 6. Para a elucidação definitiva quanto a verdade dos fatos no que se refere aos reais proprietárias da empresa satélite TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA. passaremos a examinar a Acão Trabalhista AT 00178200603812001 que tramitou na 2 Vara do Trabalho de Chapecó/SC, movida pela segurada Maristela Teixeira, conforme folhas 52. Já na pega exordial, as folhas 03 da AT, a reclamante aponta como reclamados não apenas a empresa representada como também, "...e o Sr. ALEXANDRE MENEGOLLA,...", folhas 53. Na folha 47, da AT, consta com outorgante da procuração que nomeou os advogados para formular sua defesa nenhum dos sócios da representada e sim a Sra. Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio da empresamãe TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA., o Sr. ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, folhas 54. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 8 Por sua vez, a folha 159 da AT, na impugnação apresentada pela parte autora traz a seguinte revelação: "...,quem foi então se não as pessoas responsáveis pela pessoa jurídica, a saber os sócios que exercem função de chefia, a exemplo do Sr. ALEXANDRE, e sua esposa ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA..." (grifo existente), as folhas 55. Por derradeiro, a folha 167 da AT, nos traz a seguinte revelação: "...; era a Rosane que mandava 1á,..., o marido de Rosane é Alexandre que é o outro sócio da empresa;...", folhas 56. 7. Tramitou na 1ª Vara do Trabalho de Chapecó, a Reclamação Trabalhista RT 02143200900912004, movida por João Antônio Bortolon, conforme folha 57. Nas folhas 67 e 68 da RT consta que a empresa ré TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA., se fez representar pelo preposto Sr. AVELINO MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, conforme folhas 58 a 59. Este fato confirma a relação inequívoca mantida entre as duas empresas. 8. Tramitou na 1ª Vara do Trabalho de Chapecó, a Reclamação Trabalhista RT 01769200800912002, movida por João Antônio Bortolon, conforme folha 60. Na folha 91 da RT consta que a empresa ré TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA., se fez representar pelo preposto Sr. ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, conforme folhas 61. Este fato confirma, mais uma vez, a relação inequívoca mantida entre as duas empresas. A fim de esclarecer a quem compete efetivamente administrar a empresa representada, lembrando que os sócios são DANIEL ITACIR VERARDO e ROSANGELA VERARDO, apresentamos, a titulo de amostragem, dois exemplos a seguir: Na contratação do segurado Alvanir Peres, o contrato de trabalho foi assinado por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, esposa do sócio ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, conforme folhas 62 a 63. Na dispensa do segurado Daniel Wieczynski, o termo de rescisão do contrato de trabalho foi assinado por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, esposa do sócio ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, um dos sócios da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS LTDA, conforme folhas 64 a 65. [...] A empresa representada é administrada, de fato, por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, que é esposa de ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, sócio das empresasmãe, através de Instrumentos Públicos de procurações outorgadas em 05/03/2002 e 04/08/2003 pelos segurados RODRIGO DANIEL VERARDO e DANIEL ITACIR VERARDO, que indevidamente constavam como sócios da empresa representada. As referidas procurações, conforme folhas 67 a 69, conferiram a esposa do sócio da empresamãe poderes "...,para o fim especial de administrar a firma,...". Fl. 707DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 6 9 [...] No mês de competência 03/2010 a empresa representada fez constar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, a existência de 34 (vinte) segurados, conforme folhas 70. Mesmo admitindo que tal contingente labora no endereço sito a Av. Leopoldo Sander 2.620, em visita ao local, ficou constatado que tal hipótese é completamente inviável visto que, de acordo com a indicação da sócia ROSÂNGELA VERARDO, o espaço físico, supostamente, dedicado à empresa representada é de apenas uma sala conforme demonstrado na fotografia, as folhas 71. 14. Para fins de demonstração foi analisado, por amostragem, apenas a contabilidade do exercício fiscal de 2008 e, pelas constatações, além dos fatos acima descritos, na contabilidade da empresa representada, foram encontradas situações que apontam para a mesma convicção que se trata de empresa interposta com o propósito único de manter para si (optante do SIMPLES) o registro da maioria dos empregados, enquanto a maior parte da receita é contabilizada nas empresasmãe (não optante do SIMPLES), e, com isto, deixar de contribuir com a contribuição social devida em favor da Seguridade Social, a saber: 14.1 A empresa não mantém, em sua contabilidade, ativo imobilizado (terrenos, prédios, instalações, máquinas, equipamentos, móveis e utensílios) para o desempenho normal de suas atividades. [...] 14.3 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com o consumo de energia elétrica. 14.4 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com o consumo de água. 14.5 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com telefone. 15. O ramo de atividade das empresasmãe, de acordo com o Contrato Social das mesmas, é exatamente igual com a seguinte redação: "...EXPLORAÇÂO DO RAMO DE COMÉRCIO DE IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIARIOS, FURGÕES, CÂMARAS FRIGORÍFICAS, PEÇAS E ACESSÓRIO, MECÂNICA PESADA, REFORMAS EM GERAL, MONTADORA DE E (TERCEIRO EIXO), BASCULANTES, TANQUES SOBRECHASSIS E PEÇAS PERTENCENTES AOS MESMOS." Por sua vez, o ramo de atividade da empresa representada, no Contrato Social, ficou assim definido: "...VENDAS DE PEÇAS PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES, SEMI REBOQUES, CÂMARAS FRIGORÍFICAS, CONJUNTOS PARA REFRIGERAÇÃO E MAO DE OBRA COM MECÂNICA, PINTURAS EM VEÍCULOS AUTO MOTORES, SEMI REBOQUES E CÂMARAS FRIGORIFICAS." Observase que o ramo de atividade da empresa representada se enquadra perfeitamente no conceito de "COMÉRCIO DE IMPLEMENTOS E REFORMAS EM GERAL" contido no Contrato Social das empresasmãe. 16. Mas, é no confronto da receita bruta operacional das empresasmãe e da receita bruta operacional da empresa representada, comparado com os custos brutos de mão de obra, de cada uma delas, que a simulação irá se revelar de forma inquestionável e insofismável. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 10 Cabe lembrar que os ramos de atividades da empresa representada e das empresasmãe são correlatos e congêneres. Os números se referem ao exercício fiscal de 2008, a saber: Nome da Empresa Designação Receita Bruta Operacional Salário Bruto dos Empregados Salário em Relação a Receita Produtividade da Mão de Obra Trukam Ind. e Com. Empresa mãe 3.134.190,02 119.581,31 3,82% 26,21 Trukam Impl. E Veículos Empresa mãe 7.688.002,66 254.418,29 3,31% 30,22 Trukam Refrigeração Ltda. Empresa Satélite 877.465,01 494.986,78 56,41 1,77 Do quadro acima é possível identificar as seguintes distorções: 13.1 Enquanto as empresasmãe gastam 3,82% e 3,31%, respectivamente, da sua receita com o salário de seus empregados a empresa representada gasta 56,41% e, 13.2 Enquanto as empresasmãe conseguem gerar 26,21 e 30,22 reais de receita para 1,00 real gasto com o salário bruto dos empregados a empresa representada consegue gerar tão somente 1,77 reais. Fica, definitivamente, esclarecido que o intuito da simulação foi deixar a receitas com as empresas não optantes do SIMPLES e a mãodeobra (sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias) com a empresa optante do SIMPLES a fim de lograr beneficio tributário indevido em favor desta última. Em assim raciocinando, representouse e a empresa foi excluída do Simples Federal, para os anoscalendários de 2005, 2006 até junho de 2007, e do Simples Nacional, para os anoscalendários de 2007 (julho a dezembro), 2008 e 2009, com fulcro nos artigos 14, inciso IV, e 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96 e artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, inciso IV e parágrafo 1º, da Lei Complementar nº 123/06, respectivamente, consoante mencionados Atos Declaratórios Executivos (ADE). E, em seguida, cuidouse de apurar os tributos federais, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, nos moldes comuns às pessoas jurídicas vedadas a aderir às sistemáticas do Simples, sendo que para os anoscalendários de 2005, 2006 e 1º e 2º trimestres de 2007 foram considerados os lucros na forma arbitrada, pelo fato de a empresa não possuir contabilidade completa, nem têla escriturado durante o procedimento fiscal, enquanto para os demais trimestres de 2007 e anocalendário de 2008, considerouse o lucro apurado na forma presumida, enquanto para o ano de 2009, tomouse o regime do lucro real, por opção manifestada pela contribuinte em resposta à intimação fiscal, consoante autorizado pela Lei Complementar nº 123/06. A fiscalização limitouse a apurar os tributos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins com base na receita conhecida, declarada em DSIRPJ. Os recorrentes interpuseram tempestivamente1 os Recursos de efls. 662 a 681 e 688 a 693, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: 1 Empresa: AR – 11/10/13, efls. 661; Recurso – 01/11/13, efls. 662 Solidários: AR 27/11/13, efls. 685 e 686; Recurso 04/12/13, efls. 688 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 7 11 I) Empresa recorrente a) os efeitos suspensivos dos ADE impedem, antes de definitivamente julgadas as suas procedências, a lavratura de Autos de Infração para a exigência de créditos tributários; b) são nulos os ADE, pois a empresa não foi ouvida antes da emissão destes, abrindose o direito ao contraditório somente após a emissão dos atos administrativos; este procedimento é rechaçado pelos tribunais, que entendem que primeiro a empresa deve sr notificada dos fatos contra si arguídos, para depois ser excluída, ou não, do regime simplificado; c) a Súmula CARF nº 17 deveria ter sido aplicada, por seu efeito vinculante, não cabendo a cominação da multa de ofício quando o lançamento tributário é efetuado para previnir a decadência; d) argumenta que a empresa não pode ser excluída sumariamente do Simples sob a acusação de prática reiterada de infração, ou por ato simulado, sem antes haver pronunciamento judicial neste sentido; cita o artigo 168, § único, do Código Civil; e) não houve prática de infração reiteradamente notificada à contribuinte, pelo que insubsistentes os ADE; f) houve presunção de culpa da recorrente pelas infrações, negandose vigência aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; g) o acórdão recorrido afirma que a imputação da solidariedade passiva tem como fulcro o artigo 124, inciso I, do CTN; todavia, no relatório fiscal a base legal utilizada foi o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, inaplicável às pessoas que se submetem ao Simples Federal e Nacional, cujos diplomas legais são outros e somente estes podem ser aplicados; destarte, não há base legal, pois o crédito tributário diz respeito a valores não recolhidos no âmbito do Simples; h) a decisão recorrida adotou a dedução da fiscalização que constitui em mera presunção, sem considerar que nada obsta que empresas com maior estrutura venham auxiliar outras de menor estrutura sem prejuízo da independência de cada, e que estes auxílios em condução de negócios não refletem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária; i) sobre a acusação de ser empresa formada por interposta pessoa, sem vida própria, acrescenta: Igualmente nada de ilegal, nem que possa caracterizar confusão patrimonial, o fato da recorrente possuir o mesmo contador e o mesmo advogado, até porque, como já dito acima, nunca se negou que a recorrente se socorria da melhor estrutura das empresas Trukam Indústria e Comércio Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, sem nunca ter perdido sua independência. Eventual relacionamento empresarial, com transações e operações realizadas sem nenhum objetivo de impedir que terceiros ou a Fazenda Pública tivessem conhecimento, formam o que se pode denominar de "grupo empresarial entre empresas autônomas e individualizadas", sem qualquer semelhança com "formação de empresa por interposta pessoa". Mesmo que ultrapassada as razões trazidas acima e mesmo que se considerassem as empresas indicadas pela autoridade fiscal como um "grupo empresarial", especialmente pelas ligações negociais, de parentesco e ou de vizinhança que unem as empresas, tal característica não configura "formação de Fl. 710DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 12 empresa por interposta pessoa", nem representa prática de infração contra a legislação. Há milhares e milhares de "grupos empresariais" ou "grupos econômicos" em atuação no País e não se tem notícia que alguém, em sã consciência, defenda que os mesmos, pelas ligações existentes entre as empresas que deles participam, formam uma só empresa. Assim, mesmo que pudesse se pressupor um "grupo empresarial" (o que se admite apenas para se argumentar), salta aos olhos que cada uma das empresas conserva sua independência e atuação, especialmente uma administração própria, com objetivos distintos e sem subordinação j) nos casos dos autos não se pode atribuir interesse comum entre as pessoas jurídicas em situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nem se caracteriza a direção, controle ou administração de uma pela outra; k) nem o sócio da sociedade limitada responde solidariamente pelos débitos da pessoa jurídica, quanto mais "a requerente" que nem sequer consta da participação societária; discorre sobre a limitação de responsabilidade de sócios que não desempenham função de gerência; l) a qualificação da multa de ofício se fundamenta em indícios e presunções da existência da constituição da empresa por interpostas pessoas; não há que se esquecer do disposto no artigo 112 do CTN; o dolo e a máfé não se presumem; todo o funcionamento e relacionamento entre as empresas foi orquestrado pelo contador que determinava a forma, constituição e a tributação que a empresa deveria seguir; ainda que não se possa atribuir responsabilidade solidária a este, se houve alguma infração, é de se reconhecer que a empresa não agiu dolosamente, afastandose a aplicação da multa qualificada; m) pelo princípio da verdade real é de se impugnar o computo dos juros de mora sobre a multa aplicada; cita jurisprudência administrativa. II) Empresas responsáveis solidárias a) preliminarmente, solicitam a nulidade do acórdão recorrido pois não apreciou todas as razões de defesa oferecidas na impugnação interposta; a rejeição genérica sem enfrentamento dos tópicos arguídos pelas recorrentes ofende os princípios da motivação e ampla defesa; b) o acórdão limitouse a reproduzir o trabalho da fiscalização e ratificar o seu entendimento, sem permitir a produção de provas e se aprofundar nas provas produzidas pelas recorrentes; c) argumentam: (...) não se pode confundir procedimentos de cooperação mútua nos negócios das empresas e na produção, ou de laços de amizade entre os sócios e desenvolvimento de estratégias conjuntas de mercado, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN). Cada empresa possui personalidade jurídica distinta e atuação no mercado de forma individual e independente, como defendeuse de forma veemente na defesa apresentada. Vale dizer: ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não há grupo empresarial, nem muito menos formação de uma empresa por interposta pessoa. A denominação vulgar de "grupo empresarial", para aquelas empresas que mantém cooperação mútua, não se confunde com "grupo econômico" a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN. Por mais que haja relação negocial entre as pessoas jurídicas, nos grupos empresariais de direito, há independência empresarial, eis que são Fl. 711DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 8 13 empresas diferentes no conceito jurídicoeconômico, somente se justificando a desconsideração da pessoa jurídica (mesmo em caso de grupos econômicos) em situações excepcionais, onde se visualiza a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e máfé. Apesar da defesa originária ter citado precedentes valiosos acerca do tema, inclusive do Superior Tribunal de Justiça, tais posicionamentos foram solenemente olvidados e desprezados, em prol de se confirmar o trabalho da fiscalização. d) cita jurisprudência sobre a inexistência de solidariedade passiva e empresas do mesmo grupo, sem a presença do interesse comum preceituado no artigo 124 do CTN; e) requer o afastamento da responsabilidade solidária. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço dos Recursos Voluntários, por tempestivos, os quais passo a apreciar conjuntamente. Relevante ao deslinde do litígio alertar para o fato de que o denominado grupo econômico "TRUKAM" é composto por mais seis empresas, satélites, além daquelas duas, a quem a fiscalização atribuiu a qualidade de constituídas de fato e de direito e a recorrente. Assim o grupo seria constituído por duas empresas que efetivamente operam e tem estabelecimento físico, bem como ativo imobilizado, administradores e sócios de direito que, de fato, possuem as cotas das referidas empresas: Trukam Indústria e Comércio Ltda Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda Sócios: Fiorindo Menegolla, Avelino Menegolla e Alexandre André Menegolla; Objeto Social: "exploração do ramo de comércio de implementos e veículos rodoviários, furgões, câmaras frigoríficas, peças e acessórios, mecânica pesada, reforma em geral, montadora de e (terceiro eixo), basculantes, tanques sobrechassis e peças pertencentes aos mesmos." Enquanto as empresas a seguir elencadas, segundo a fiscalização, foram constituídas apenas no papel (de direito), cujo objetivo foi de receber as folhas de pagamento dos funcionários que trabalham efetivamente para as empresas acima, a fim de fraudar a administração tributária e, ilicitamente, usufruir das sistemáticas de tributação instituídas como Fl. 712DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 14 favor fiscal em benefício às micro e pequenas empresas (Simples Federal e Simples Nacional) são: A recorrente, Trukam Refrigeração Mecânica Ltda Nova Era Chapeação e Mecânica Ltda proc. nº 13982.000493/201001 Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda proc. nº 13982.000497/201081; Trukam Montadora Ltda proc. nº 13982.000496/201037 Rodaoeste Mecânica e Chapeação Ltda proc. nº 13982.000494/201048 Trukam Mecânica Pesada Ltda proc. nº 13982.000498/201026 JJB Refrigeração Ltda proc. nº 13982.000492/201059 Estas empresas, dadas as circunstâncias comuns, foram excluídas dos regimes de tributação diferenciado, favorecido e simplificado, bem como houve a qualificação da multa de ofício e responsabilização solidária das empresas Trukam Indústria e Comércio Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda pelos créditos tributários erguidos pela fiscalização, em cada uma, havendo fundamentadose, basicamente, em mesmos fatos de provas e evidências, com algumas nuances. Verificase, pois, preliminarmente, inequívoca questão processual de conexão entre os referidos processos. Dispõem os artigos 103 e 105 do Código de Processo Civil, aplicados de forma subsidiária ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF) a respeito da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. [...] Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente Neste diapasão, estabelece o artigo 6º, § 1º, Anexo II, do Regimento Interno do Carf: Art. 6° Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1° Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Destarte, estes sete processos serão julgados concomitantemente. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 9 15 Passo a analisar, em cada empresa, as provas colhidas pela fiscalização para acusar estas de haverem sido constituídas sob a égide de falsidade ideológica, ato simulado de constituição de empresa, concluindo pela fraude tributária, razão da qualificação da multa e, ainda, atribuição de solidariedade passiva. Esclareço, de plano, à recorrente, que: primeiro, a fiscalização não desconstitui as personalidades jurídicas, ato privativo do poder judiciário, pois as empresas continuam a existir juridicamente; em segundo, que a exclusão das empresas da sistemática de apuração de tributos federais do Simples, Federal e Nacional, não ocorreu em virtude de tratar se de grupo econômico, como, equivocadamente, entendeu a recorrente, mas sim pelo fato primordial de constar nos quadros societários de cada empresa pessoas que não são os efetivos sócios, ou seja, a utilização de interpostas pessoas, empregados que emprestaram os nomes aos efetivos proprietários das empresas Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Também deve restar esclarecido que já é matéria assente neste tribunal a possibilidade de lavrarse Autos de Infração contra contribuintes excluídos do Simples, antes de definitivamente julgada a demanda que gira em torno da exclusão. Os processos de exclusão e exigências tributárias vinculados entre si são julgados em concomitância, conforme orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Portaria RFB nº 666/08, pelo que não há o perigo de exigirse o crédito tributário sem antes decidirse a exclusão, ou viceversa. Além do mais, é pacífico na RFB, por força legal, a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto a questão de fundo não se torna, administrativamente, coisa julgada. Por reiteradas decisões, manso e pacífico o entendimento e está estabelecido na Súmula CARF nº 77: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Inaplicável, invocarse a Súmula CARF nº 172 ao presente feito, haja vista o teor da Súmula retro transcrita, pois as autuações não são realizadas com o fim precípuo de evitarse a decadência dos tributos exigidos, mas sim com o intuito de constituir, e exigir, os créditos tributários devidos ao fisco, em face da impossibilidade constatada pela fiscalização da contribuinte haver aderido ao sistema favorecido de tributação. Ainda é importante afastar as alegações da recorrente de que os ADE de exclusão dos Simples, Federal e Nacional, padecem de nulidade porque foram emitidos sem antes oferecerse à empresa o direito de se manifestar de forma prévia à exclusão. Não há nas leis materiais ou processuais que regem esta matéria (exclusão do Simples), nem no Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, quaisquer ordenamento neste sentido, não podendo a recorrente valerse de decisões judiciais que não possuem efeitos vinculantes à administração tributária ou às turmas julgadoras administrativas para rechaçar o que não encontra respaldo na legislação tributária e tributáriaprocessual vigente. A emissão dos referidos ADE, acompanhada da regularidade da sua ciência por parte dos contribuintes objetos de exclusão do Simples dá início ao contraditório no âmbito 2 Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 16 do processo fiscal, prestigiandose, após a instauração do litígio, os princípios do devido processo legal e o exercício da ampla defesa, como está sendo realizado pela recorrente e responsáveis solidários. Não há também qualquer óbice legal para a Administração Tributária exercer o seu papel de agente fiscalizador, inclusive verificando quem realmente pode se beneficiar de regime de tributação instituído em favor fiscal às micro e pequenas empresas e aplicando a devida sanção legal, independentemente de pronunciamento judicial. A exclusão do Simples por ato administrativo executivo está prevista nas leis de regência dos Simples. Outro equívoco de entendimento da recorrente erguese sobre o fato de alegar que a exclusão dos sistemas ocorreu por prática reiterada de infrações tributárias e que estas não teriam o condão de reiteradas, visto que não houve notificações prévias destas infrações que teriam sido praticadas diversas vezes para caracterizarse a reiteração exigida nas normas que regem os Simples, Federal e Nacional. No entanto, verificase dos autos, que o fulcro das exclusões foi a utilização de interpostas pessoas nos quadros societários destas sete empresas, vale dizer, constatação da hipótese redigida no inciso IV, do artigo 14, da Lei nº 9.317/96 (Simples Federal) e inciso IV, do artigo 29, da Lei Complementar nº 123/06 (Simples Nacional). Por conseguinte, a contestação a respeito de condutas praticadas reiteradamente não encontra guarida nos presentes autos. Superados estes pontos, dada a acusação da fiscalização de prática de atos simulados, qualificação de multa, responsabilização solidária de terceiros, passase a analisar as provas pontuais amealhadas pela fiscalização, que servirão, ou não, à formação do juízo de as empresas serem fictícias, constituídas em nome de interpostas pessoas e sem verdadeiro fim em si. Constatase da análise dos documentos e termos dos processos administrativos acima identificados, ora analisados em conjunto: 1) Todas as sete empresas possuem endereços em locais onde as duas empresas chamadas pela fiscalização 'mães' estão instaladas: a) RODAOESTE (Xanxerê/SC): endereço cadastral: Rua Julio Marino Romani, nº 320 A numeração é inexistente na rua; há uma placa identificando a RODAOESTE no endereço cadastral da NOVA ERA. b) NOVA ERA CHAPEAÇÃO E MECÂNICA (Xanxerê/SC) há a outra empresa do grupo, no número 212, da Rua Julio Marino Romani, apesar da placa de identificação "RODAOESTE"; Constatouse fls. 22, 23, 24 e 46 que neste endereço situase apenas uma espécie de ferrovelho, ou seja, depósito de carcaças e cabines danificadas de caminhões. Este depósito situase aos fundos das empresasmãe Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, cujos endereços é o mesmo, na Rodovia BR 282, km 506. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 10 17 c) TRUKAM MONTADORA (Xanxerê/SC) endereço cadastral: Rodovia BR 282, km 506, fundos, sl 03 mesmo endereço das empresasmães, Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS (Xanxerê/SC) Rua Thomas Westerich, 55 rua lateral à rua onde se situam as empresasmãe, Trukam Implementos e Veículos Rodoviários e Trukam Ind. e Com. Ltda. consiste em apenas um barracão, cujos proprietários do imóvel são os sócios das empresasmãe; não consta pagamento de aluguéis na contabilidade. e) TRUKAM MECÂNICA PESADA (Xanxerê/SC) endereço cadastral: Rodovia BR 282, s/n mesmo endereço das empresasmães, Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, que situamse no km 506. f) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA (Chapecó/SC) endereço cadastral Av. Leopoldo Sander, 2.620 mesmo endereço da filial (0003) da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. g) JJB REFRIGERAÇÃO (Concórdia/SC) endereço cadastral Rodovia BR 153, km 101, s/n mesmo endereço da filial (0002) da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. 2) as pessoas que representam as sete empresas (excluídas e autuadas) nas admissões de empregados, ações trabalhistas e outros atos de gerência são vinculadas às empresasmães: a) RODAOESTE: procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães. reclamações trabalhistas nºs RT 00709200802512001 (Alberto Bonatto) e RT 00096200802512002 (Roberto Carlo Frâncio), da qual extraiuse o seguinte trecho: Mas, é na folha 374 do processo trabalhista que se pode obter a mais importante revelação (folhas 44). Os advogados da parte autora ao se reportar ao fato que o autor teve seu contrato de trabalho alterado de uma para outra empresa, no mesmo grupo econômico, assim de referem a este respeito: "...Autor teve sua CTPS alterada com nova admissão pela Ré, somente por conveniência empresarial, mas na realidade, a prestação de serviços deuse sempre no mesmo local". (grifo nosso) Fl. 716DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 18 A mesma folha 374 dos autos do processo trabalhista, da parte dos advogados da parte autora, ao se referir aos documentos trazidos pela parte ré nos autos, traz a seguinte revelação: "...CONFESSANDO EXPRESSAMENTE, tratarse de empresas do mesmo grupo econômico." (grifo original) Os atentos advogados da parte autora, ainda na folha 374 do processo trabalhista, trazem uma importante revelação: "...a localização no mesmo endereço, apenas reforçando que uma tem frente para a BR 282 enquanto a outra fica em frente para a Rua (sic) lateral." b) NOVA ERA procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; Rita Luzia Piccini, empregada registrada na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, assina documentos pela NOVA ERA, e pelas outras empresassatélites (destaquei), relacionados aos recursos humanos, tais como aviso prévio, acordo de compensação de horas, contrato de trabalho etc fls. 36 a 42; RT nº 01278200702512000, na qual consta papel com o timbre "Trukam" c) TRUKAM MONTADORA procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; recurso ordinário ROV 00597200502512006 : representou a empresa, o sócio da empresa Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, sr. Alexandre André Menegolla; se apresentaram como mandatários das duas empresas Alexandre André Menegolla, Avelino Menegolla e Fiorindo Menegolla; RT 00632200502512007 : o autor propôs a ação contra as duas empresas Trukam Montadora e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, conjuntamente. A empregada da empresa Trukam Implementos e Ve[iculos Rodoviários, que responde por toda a parte de recursos humanos das sete empresas satélites, Rita Luzia Piaccini respondeu pelas duas empresas reclamadas; RT 00876200802512002: 7.3 Muito esclarecedora é a Reclamação Trabalhista RT 00876 200802512 002 proposta por Plinio Fantinelli e que tramitou na Vara do Trabalho da Comarca de Xanxeré, folhas 48. De acordo com as páginas 03 e 04, do processo trabalhista, o autor relata que teve: "...vários contratos de trabalho com o GRUPO TRUKAM,...". De inicio informa haver laborado na Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda., posteriormente na Trukam Mecânica Pesada Ltda., e por fim foi contratado em 02/12/2006 pela Trukam Montadora Ltda, aqui representada. Por fim requer: "Evidente, portanto, a unicidade contratual, o que desde logo requer seja reconhecida e declarada", conforme folhas 49 a 50. Já a folha 11 do processo trabalhista informa que a reclamada esteve representada por LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, conforme folhas 51. E, as folha 12 do processo apresenta a nomeação da mesma como preposto da empresa aqui representada, folhas 52. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 11 19 8. Não restou qualquer dúvida que a verdadeira administradora da representada é a Sra. LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA. Este fato ficou evidenciado em conversa com empregados da mesma. Apenas a titulo de ilustração apresentamos o contrato de trabalho do empregado MICHEL BRUSCHI, de 16 de setembro de 2008, onde no local da assinatura do empregador consta a assinatura da Sra. Luciana Menegolla Giroletta que, em tese, não figura como sócia ou empregada da empresa representada, folhas 53. Outro exemplo é a ficha de registro de empregados do segurado Jardel Alves Pereira, contratado em 09/12/2008, cuja assinatura do empregador também é da Sra. Luciana Menegolla Giroletta, conforme folhas 54. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS (Xanxerê/SC) procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; ordem de fornecimento de produtos farmacêuticos para o empregado da Trukam Equipamentos está em nome da Trukam Ind e Com Ltda. e) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio das empresasmãe, Alexandre André Menegolla sócia de fato, consoante se verifica: A empresa representada é administrada, de fato, por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, que é esposa de ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, sócio das empresasmãe, através de Instrumentos Públicos de procurações outorgadas em 05/03/2002 e 04/08/200340 pelos segurados RODRIGO DANIEL VERARDO e DANIEL ITACIR VERARDO, que indevidamente constavam como sócios da empresa representada. As referidas procurações, conforme folhas 67 a 69, conferiram a esposa do sócio da empresamãe poderes "...,para o fim especial de administrar a firma,...". RT nº 00178200603812001 (Maristela Teixieira): Já na peça exordial, as folhas 03 da AT, a reclamante aponta como reclamados não apenas a empresa representada como também ",...e o Sr. ALEXANDRE MENEGOLLA,...", folhas 53. Na folha 47, da AT, consta com outorgante da procuração que nomeou os advogados para formular sua defesa nenhum dos sócios da representada e sim a Sra. Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio da empresamãe TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA., O Sr. ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, folhas 54. Por sua vez, a folha 159 da AT, na impugnação apresentada pela parte autora traz a seguinte revelação: "...,quem foi então se não as pessoas responsáveis pela pessoa jurídica, a saber os sócios que exercem função de chefia, a exemplo do Sr. ALEXANDRE e sua esposa ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA..." (grifo existente), as folhas 55. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 20 Por derradeiro, a folha 167 da AT, nos traz a seguinte revelação: "...;era a Rosane que mandava 1á,...,o marido de Rosane é Alexandre que é o outro sócio da empresa;...", folhas 56. RT nº 02143200900912004 (João Antônio Bortolon) quem constou como preposto da empresa foi Avelino Menegolla, sócio das empresasmãe; RT nº 01769200800912002 (João Antônio Bortolon) quem constou como preposto da empresa foi Alexandre André Menegolla, sócio das empresasmãe; g) JJB REFRIGERAÇÃO (Concórdia/SC) procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresas mães; 3) nenhuma das sete empresas têm patrimônio próprio, ou ativo operacional significativo; 4) a contabilidade das sete empresas não registra pagamento de água, luz, aluguel, telefone, ou seja, despesas usuais operacionais; 5) toda contabilidade e a parte de gerência de pessoal é tratada por funcionários e nas dependências das empresasmãe. 6) não de menor importância, pelo contrário, é a relação mostrada pela auditoria fiscal entre as receitas brutas operacionais das empresasmãe e aquelas auferidas pelas empresassatélites em face ao custo bruto representado pelo número de empregados e salários recolhidos, demonstrando, por fim, a fraude cometida contra a previdência social e evasão da contribuição previdenciária. À grossa verificação, todas as empresassatélites, consoante relatado em cada processo, gastam em torno de 60% da receita com mão de obra, ou seja, a concentração de empregados nas empresas satélites é incompatível com as dependências (local de trabalho), máquinas operacionais, ativo imobilizado etc, enquanto as empresasmãe operam com pouquíssimos empregados e têm uma receita bruta relevantemente superior às satélites. Basta verificar o quadro elaborado pela auditoria fiscal da relação receita bruta versus mão de obra, já reproduzido no relatório acima. A respeito de todos estes fatos, entendo que são provas contudentes e robustas. Servem perfeitamente para afastar a argumentação da recorrente que houve presunção da simulação praticada, pois são fatos concretos verificados pela fiscalização e patentes nos autos. As provas produzidas e conclusões extraídas de processos trabalhistas juntados aos autos de algumas das empresassatélites são fortíssimas e impassíveis de ignorar se. A recorrente argumenta que a cooperação entre empresas do mesmo grupo não pode ser motivo para justificar a existência de simulação jurídica, no caso, falsidade ideológica na constituição de empresas. Que nada obsta a utilização de maquinários, empregados administrativos em comum etc. Equivocase, todavia. As personalidades jurídicas não podem se confundir, tal como as pessoas físicas dos sócios não podem se confundir com a pessoa jurídica, por força Fl. 719DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 12 21 do princípio contábil, basilar, da identidade da empresa. Se há este esforço e ajudas mútuas ou centralização de tarefas, mister é que se proceda a rateios de custos, fundamentados em laudos técnicos e convênios firmados. O controle das despesas havidas por rateio de custos entre empresas coligadas, exige, pois, a formalização prévia de convênio firmado entre as empresas envolvidas com a fixação de critérios claros, respeitada a proporcionalidade entre o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços. No presente caso, a confusão patrimonial, a utilização de funcionários das empresasmãe para tratar de assuntos específicos e relacionados com as tais empresas, ditas fictícias, é patente e em e nenhum momento explicouse, contabilmente, qualquer acerto de custos operacionais ou relação destes gastos com as receitas de cada uma. Mas, o corpo de provas não se limita às acima denunciadas, tornandose relevante a constituição societária de cada uma delas. Vejamos. a) RODAOESTE: sócios de direito fls. 24 a 29: Pedro Celso Locatelli exerce a função de mecânico na Trukam Ind e Com Ltda.; esteve registrado como empregado nesta empresamãe de 1987 a 1998; consta como seguradoempregado na GFIP e GRFGTS; Gilberto Antônio Centenaro exerce a função de mecânico na Trukam Ind e Com Ltda.; esteve registrado como empregado nesta empresamãe de 1992 a 2002; consta como seguradoempregado na GFIP e GRFGTS; b) NOVA ERA sócios de direito fls. 23 a 28 Jean Paulo Ferraz consta como empregado da empresamãe Trukam Ind e Com Ltda, desde 01/07/2000 (efls. 27); Vitor Sartor consta como empregado da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, desde 01/04/1987 (efls. 28) c) TRUKAM MONTADORA sócios de direito fls. 29 a 38 Rita Luzia Piccini consta como empregada da Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, desde 16/05/1989; é a pessoa responsável pelos recursos humanos das empresasmãe; constou na abertura da empresa Trukam Montadora em 30/09/1998 e foi substituída no contrato social por Luiz Carlos Sette; Luiz Carlos Sette exerce a função de mecânico na empresamãe e está registrado como empregado de outra empresa satélite, a Trukam Equipamentos Rodoviários na GFIP; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 22 Renato Menegolla é filho de Fiorindo Menegolla, sócio das empresasmãe, Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS sócios de direito fls. 24 a 32 Marcelo Menegolla filho de Avelino Menegolla, sócio das empresasmãe; Suzana Vidal da Costa Rigo trabalhava para a empresamãe, Trukam implementos e Veículos Rodoviários Ltda., desde 02/05/1997; consta como empregada da empresa Trukam Mecânica Pesada Ltda, na GFIP de 2005 a 2008 e consta como empregada da Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, a partir de dezembro de 2009, na GFIP. e) TRUKAM MECÂNICA PESADA sócios de direito fls. 23 a 37 Plínio Fantinelli constou no quadro societário desde a abertura, em 01/09/1998, até 28/11/2006; trabalhava para a empresa Trukam Implementos e Veículos Rodoviários desde 03/06/1996 a 22/09/1998; após esta data, constou como empregado da empresa Trukam MONTADORA Ltda; Antônio Marcos de Barros substituiu Plínio Fantinelli em 28/11/2006; consta em GFIP como seguradoempregado, com data de admissão em 01/04/2002; a partir de dezembro de 2009 está na GFIP da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, também constando como data de admissão, 01/04/2002; Luciana Menegolla sócia de fato e de direito, filha de Avelino Menegolla; esta pessoa é administradorasócia (de fato) de outras empresassatélites, gerindoas por meio de procurações públicas com poderes amplos e ilimitados, consoante se percebe das provas dos autos. f) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA (Chapecó/SC) sócios de direito fls. 24 a 41 José Adilson Conrado trabalhava na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda de 10/06/1996 a 25/06/1999, quando a empresa foi constituída em 03/05/1999; foi substituído por Rodrigo Daniel Verardo, em 15/10/2001, também posteriormente substituído por Rosângela Verardo, em 05/04/2003; Pedro Vivian trabalhava na empresa Trukam Equipamentos para o transporte Ltda desde 02/05/90 e em 10/06/1996 foi registrado na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários; em 01/07/1999 foi registrado nesta empresa como empregado; substituído por Daniel Itacir Verardo em 05/04/2003; em 2010 constava ainda como seguradoempregado na GFIP; Daniel Itacir Verardo consta como funcionário da Prefeitura Municipal de Xanxerê desde 05/05/2003 a 16/03/07; é sogro de Alexandre André Menegolla, sócio das empresasmãe; Rosângela Verardo cunhada de Alexandre André Menegolla; consta na GFIP como seguradoempregado, com admissão em 08/05/2003. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 13 23 g) JJB REFRIGERAÇÃO Extraio trecho da Representação Fiscal para elucidar a constituição desta empresa e evolução do quadro societário: De inicio a empresa foi constituída pelos sócios DILMAR GALILEU CENTENARO e MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO. Embora a empresa tem sua suposta sede na cidade de Concórdia, ambos residem na cidade de Xanxer8/SC, conforme folhas 23 a 24. Além de residirem em cidade diversa da sede da empresa representada, ambos, são sócios de outra empresa denominada DILMAR GALILEU CENTENARO & CIA.LTDA., CNPJ 07.433.638/000165, folhas 25, localizada em Xanxerê/SC na Rua Padre Vingnouts, 383 Sala 01, folhas 26. Em visita ao local constatamos que nenhuma empresa opera suas atividades naquele local. Por sua vez, o endereço declarado pela sócia MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO (Rua Ita, 383 Casa Xanxeré/SC) não existe, conforme constatado no local. DILMAR GALILEU CENTENARO e GILBERTO ANTONIO CENTENARO, são irmãos, conforme folhas 27 a 28, sendo que ambos figuram ou figuraram como sócios da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129, criada com mesmo propósito e também;'a4ui representada em processo distinto. Sendo que GILBERTO ANTONIO . CENTENARO trabalha como empregado do grupo TRUKAM desde 01/06/1982, conforme folha 29. Outros fatos contribuem para a convicção de que se trata de mera simulação, vejamos: Na Primeira Alteração do Contrato Social, em 02/04/2001, conforme folhas 30 a 31, retirouse da sociedade o sócio DILMAR GALILEU CENTENARO e ingressou o sócio RICARDO MENEGOLLA, que além de residir na cidade de Xanxerê, diversa da cidade de Concórdia, vem a ser filho de FIORINDO MENEGOLLA, um dos sócios das empresasmãe. Na Terceira Alteração do Contrato Social, retirouse da sociedade MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO e ingressou o sócio GILMAR COUSSEOU, conforme folhas 32 a 33, permanecendo, este ultimo, na empresa, até os dias atuais. O "sócio" GILMAR COUSSEAU, trabalha para o grupo TRUKAM desde 01/09/1989, conforme folhas 34. Entretanto, no caso do segurado GILMAR COUSSEOU, o mesmo jamais constou como "sócio" da empresa representada e sim como "empregado" de outras empresas do mesmo grupo econômico. No período de 01/09/1998 até 15/03/2007 constou como empregado da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEACAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 12/2005 e 12/2006, onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01) , conforme folhas 35 a 36. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 24 Já para o período de 02/04/2007 em diante o mesmo constou como empregado da empresa TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 07.054.857/000133. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 07/2007, 07/2008, 07/2009 e 03/2010 (sic), onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01), conforme folhas 37 a 40. As duas empresas RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇÃO LTDA e TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, foram criadas com o mesmo propósito, sendo objeto de representações distintas. A respeito das diversas pessoas e os papéis que exercem, de fato, nas empresas Trukam Ind e Com Ltda, ou Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, como empregados, ou sócios de fato e de direito, a recorrente não teceu qualquer contestação. Assim, as provas apresentadas pela fiscalização não foram desconstituídas e inequívoca a utilização de interpostas pessoas nos quadros societários. Mais uma vez salientese que a interposição de pessoas no quadro societário de constituição e manutenção da pessoa jurídica é um fato que nenhuma influência exerce, ou recebe, sobre o fato de existir grupo econômico, empresas coligadas ou controladas ou não. São dois problemas totalmente distintos e nos presentes autos verificouse os dois: a) a interposição de pessoas na abertura de empresas sem operacionalidade própria, com o fito de aproveitarse dos regimes favorecidos de tributação e evadirse à tributação devida; b) a existência de duas empresas que de fato operam e que se valeram do subterfúgio acima criado para evadirse da tributação; Ao contrário do que afirma de forma contestatória, a recorrente não logrou em momento algum rebater as provas produzidas pela fiscalização a respeito de cada uma das sete empresas excluídas dos Simples, Federal e Nacional, que não (destaquei) "conserva sua independência e atuação, especialmente uma administração própria, com objetivos distintos e sem subordinação." Destarte, em razão do cabedal de provas fáticas da não existência física e da interposição de pessoas nos quadros societários das empresas: recorrente, Nova Era Chapeação e Mecânica Ltda, Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda, Trukam Montadora Ltda, Trukam Mecânica Pesada Ltda, Rodaoeste Mecânica e Chapeação Ltda EPP e JJB Refrigeração Ltda, correto o procedimento fiscal em excluílas dos regimes tributários de favorecimento fiscal, nos termos dos artigos já referenciados e tributar as receitas que foram em nome destas empresas contabilizadas e declaradas ao fisco, em conformidade com a legislação tributária ordinária e aplicável às demais pessoas jurídicas. Exatamente da mesma forma que se sujeitam, tributariamente, as empresasmãe, Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Devida e necessária a tributação das operações comerciais e prestações de serviços, sem haver despersonalização das empresas. A recorrente afirma que a solidariedade passiva estabelecida com as empresas ditas 'mãe', Trukam Ind. e Com. Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, fundamentouse no artigo 30 da Lei nº 8.212/91. Todavia, verificase ser uma falácia esta argumentação, pois nos Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra estas duas empresas resta expresso que o dispositivo legal aplicado ao caso em concreto é o artigo 124, inciso I, do CTN, bem como restou consignado, de forma explícita, no Termo de Verificações Fl. 723DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 14 25 Fiscal lavrado contra a recorrente, parte integrante dos Autos de Infração objetos dos autos. Verifiquese, efls. 535 a 545: A responsabilidade solidária imputada às empresas TRUKAM Indústria e Comércio Ltda e TRUKAM Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. encontra amparo no disposto no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional CTN, que assim assevera, in verbis: "Artigo 124. Sao solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem" (grifo nosso). Conforme restou fartamente demonstrado às fls. 1/11, a autuada integra um "grupo econômico de fato", liderado pelas empresas devedoras solidárias acima identificadas. Entre os motivos que apontam nesta direção, podemos destacar o fato da autuada desenvolver suas atividades em imóvel de propriedade de uma das empresas trazidas para a presente autuação na condição de "sujeito passivo solidário". Ademais, o interesse comum fica mais uma vez evidenciado ao se constatar que o subterfúgio utilizado na constituição da empresa autuada procura omitir os verdadeiros sócios, que são, na realidade, os titulares das duas empresas apontadas como sujeito passivo solidário. Incabível, ainda, a argumentação que a solidariedade passiva tributária deveria ter tido amparo legal nas normas que disciplinam o Simples Federal e Nacional, a uma porque a empresa foi efetiva e regularmente excluída das sistemáticas de favorecimento fiscal, e outra porque é o Código Tributário Nacional a norma que rege, por excelência, esta matéria. Comprovado está nos autos o interesse comum das empresas guindadas à sujeitos passivos responsáveis pelos créditos tributários apurados na recorrente e nas demais seis empresas, condição exigida pelo dispositivo legal que fundamentou o estabelecimento da sujeição passiva de forma solidária artigo 124, inciso I, do CTN. Inócuas, ainda, a invocação de preceitos legais do Código Civil sobre s empresas limitadas, dado não consistir, juridicamente, em lei especial para a situação tributária constatada e nem ser aplicável ao caso em concreto, no qual não houve sequer dissolução, regular ou irregular, de sociedade, nem atribuição a sócios de responsabilidade civil, mas sim situação excepcional de fraude cometida contra a administração tributária. No que respeita à qualificação da multa, os fatos aqui relatados impõem a certeza das empresas excluídas dos Simples, Federal e Nacional, haverem agido com máfé, conduta gravosa, no meu entender, sobretudo por tratarse de regimes de favor fiscal. A fundamentação de fato e de direito que constou no Termo de Verificações Fiscal (TVF) é mais do que precisa e suficiente para afastar qualquer argumentação de mero erro ou, como quer fazer crer a recorrente, mera influência do contador que 'engendrou' todas as simulações jurídicas por conta própria sem o conhecimento da recorrente. Ora, para a Fl. 724DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 26 interposição fraudulenta de pessoas na constituição de empresas que se situam nas empresas efetivamente responsáveis pelas operações comerciais e prestação de serviços não cabe esta argumentação. Reproduzo os termos do TVF: Conforme fica demonstrado na presente autuação, especialmente pela leitura da narrativa dos fatos que motivaram a exclusão da autuada do SIMPLES — relatório de fls. 01 a 11 — a autuada foi "criada" unicamente com o propósito de obter a vantagem fiscal indevida de participar do SIMPLES. O fato de ter sido utilizado na constituição da pessoa jurídica sócios fictícios, omitindose os verdadeiros, afasta, por si só, qualquer possibilidade de não ter havido máfé na conduta da autuada. Agindo de forma simulada, a autuada incorreu no disposto no artigo 71 da Lei n°, 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual trás no seu bojo a definição de sonegação. Art. 71. Sonegação é toda agew ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazenddria: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (grifos nossos). Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no § 1° do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, que assim assevera: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença e imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). Pelo que a multa aplicada foi a de 150 %. Nada a reparar neste tópico. Por derradeiro, cumpre apreciar a questão sobre os juros de mora incidente sobre a multa de ofício aplicada. A recorrente solicita o afastamento da incidência do acréscimo legal, por força do princípio da verdade material. Cumpre consignar que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Fl. 725DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 15 27 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3o. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União. O Código Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966), dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária. A exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A Lei nº. 9.430, de 1996, no parágrafo único do artigo 43, prevê: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 28 (grifos não pertencem ao original) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Em contra posição aos julgados citados pela recorrente, registro: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138 – 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). A 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim também já se posicionou no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, extraemse os seguintes trechos: "O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN: [...] Fl. 727DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 16 29 A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União." No mesmo sentido, ainda, a seguintes Súmulas editadas por este CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Inarredável, pois, a incidência e cobrança dos juros moratórios sobre a totalidade do crédito tributário. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 30 Das matérias específicas tratadas no recurso voluntário interposto pelas empresas guindadas à sujeitos passivos, solidárias. As empresas solidárias requerem a nulidade do acórdão recorrido em razão de não haver apreciado todas as razões de defesa expendidas nas impugnações interpostas. Da impugnação firmada pelas empresas Trukam Ind. e Com. Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, cujos termos foram reprisados no recurso voluntário oferecido por estas duas empresas, observase que todos os tópicos foram devidamente apreciados no acórdão recorrido. A contestação das empresas solidárias gira em torno da não existência do interesse comum entre as empresas responsabilizadas solidariamente e a recorrente, matéria amplamente debatida e apreciada tanto pela Turma Julgadora a quo, como nesta oportunidade, em esfera recursal. Basta a leitura integral da decisão proferida em primeira instância para atestarse este fato. Por conseguinte, improcede a nulidade arguída. No que respeita a produção de provas, as provas foram fartamente produzidas nos autos, sendo suficiente para formar a convicção das turmas julgadoras, de primeira ou nesta instância recursal, pelo que julgado desnecessário qualquer nova produção para se delinear fatos que, porventura, teriam se quedado obscuros. A oportunização de produção de qualquer prova, sem ser aquela referida expressamente, nos termos dos artigos 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), é de exclusiva conveniência das autoridades julgadoras, sem que isto importe em qualquer ofensa aos preceitos constitucionais: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) E, com relação aos julgados judiciais, ou mesmo administrativos, pinçados pelas recorrentes para corroborarem as suas teses, reprisese, não possuem o condão de vincular o caso em concreto àquelas decisões. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000495/201092 Acórdão n.º 1302001.972 S1C3T2 Fl. 17 31 CONCLUSÃO No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Saliento, em especial, o excerto que ora reproduzo, pela excelente síntese: No caso, a partir dos elementos levantados, comprovouse em síntese que: (i) a pessoa jurídica não era administrada pelo administrador designado no contrato social, mas por pessoa ligada ao administrador das outras duas empresas do grupo que exerciam praticamente a mesma atividade; (ii) que a pessoa jurídica não estava localizada no endereço cadastral, e nem há prova de que exercia atividade autônoma e independente das outras duas maiores empresas do grupo; (iii) que a pessoa jurídica sequer escriturava despesas necessárias ao desempenho da atividade descrita no contrato social; e (iv) a pessoa jurídica tinha uma folha de pagamentos incompatível com o porte/faturamento da empresa, o que demonstra o interesse das responsáveis na simulação perpetrada. Por conta de tais elementos, foi reputada como constituída por interpostas pessoas, única e exclusivamente, para registrar os empregados das outras empresas do grupo, e assim reduzir indevidamente a carga tributária sobre a folha de pagamentos, na medida em que optante pelo SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, pelo SIMPLES NACIONAL. Evidenciase assim o interesse comum entre contribuinte e responsáveis, na situação fática geradora das obrigações principais, tanto que a contribuinte somente foi constituída para atenter interesses tributários das empresas designadas como responsáveis solidárias. In casu, restou comprovado que as três empresas realizaram conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, na medida em que provado que a TRUKAM REFRIGERAÇÃO apenas foi constituída para registrar os empregados das outras duas empresas, e assim reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamentos daquelas empresas. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pelas recorrentes arguídas contra os ADE (atos administrativos executivos) de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como em relação à decisão de primeira instância, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 730DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 32 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10580.727481/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 81 /2 00 9- 11 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727481/200911 Acórdão n.º 9202004.089 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727481/200911 Acórdão n.º 9202004.089 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727481/200911 Acórdão n.º 9202004.089 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727481/200911 Acórdão n.º 9202004.089 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727481/200911 Acórdão n.º 9202004.089 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727481/200911 Acórdão n.º 9202004.089 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 237DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10166.009229/2002-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO.
Em se tratando de prestação de serviço por pessoa física, é esta a titular do direito creditório decorrente da retenção efetuada pela tomadora dos serviços. Restou, assim, não comprovada a alegada compensação.
Numero da decisão: 9202-004.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. Em se tratando de prestação de serviço por pessoa física, é esta a titular do direito creditório decorrente da retenção efetuada pela tomadora dos serviços. Restou, assim, não comprovada a alegada compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 92 29 /2 00 2- 41 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10166.009229/200241 Acórdão n.º 9202004.509 CSRFT2 Fl. 255 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2801002.364, prolatado pela 1a. Turma Especial da 1a. Câmara da 2a Seção deste CARF, na sessão plenária de 18 de abril de 2012 (e fls. 189 a 192). Ali, maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. É procedente o lançamento de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF, quando resta não comprovada a alegada compensação. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Enviados os autos à contribuinte, para fins de ciência, ocorrida em 27/09/2012 (efl. 201), esta apresentou, em 15/10/2012 (efl. 202), Recurso Especial (efls. 202 a 220 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 1a. Seção de Julgamento deste CARF, através do Acórdão 1102 00.577, prolatado em 19 de outubro de 2011, cuja ementa e decisão encontramse a seguir transcritas: Acórdão 110200.577 POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DE CSLL, PIS E COFINS, RETIDOS INDEVIDAMENTE E OS DÉBITOS DESSAS MESMAS CONTRIBUIÇÕES RETIDOS E CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE: A Associação é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos à ela, pois além dela não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide as contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos as referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. A Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10166.009229/200241 Acórdão n.º 9202004.509 CSRFT2 Fl. 256 3 Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada. Decisão: por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negavam provimento. Em linhas gerais, argumenta a recorrente em sua demanda que: a) O entendimento do recorrido não merece prosperar, pois confronta entendimento já exarado em caso análogo, em flagrante ofensa ao direito à regular compensação da Recorrente. Alega que adimpliu o crédito em questão mediante compensação com retenções indevidas em fonte em seu nome, devidamente comprovadas à DRJ, razão pela qual sustenta pela necessidade de exclusão do crédito lançado; b) Entende, a propósito, que o recorrido entendeu de modo equivocado pela não compensação em discussão em favor da recorrente, sendo essa direito das prestadoras de serviço. Alinhase, aqui, a recorrente ao entendimento do Acórdão paradigma no sentido de que a retenção, ainda que errada por parte das tomadoras de serviços sobre os valores pagos à recorrente (uma vez que a Recorrente seria mera intermediária e não prestadora de serviços), a tornaria credora do Fisco e, por outro lado, a retenção por ela levada a efeito em nome dos reais prestadores de serviços a torna, indubitavelmente, legitimada a pleitear a compensação em análise; c) Ressalta que o paradigma exclui a condição da recorrente como tomadora de serviços, assumindo que a retenção de tributos na fonte se dá na qualidade de terceira interessada, e que não é vedado pelo ordenamento pátrio, ao terceiro interessado, assumir obrigação para si. Nesse caso, tornandose ela a devedora e, portanto, legitimada à pleitear a compensação do débito por ela assumido; d) Pugna pela necessidade de ponderação e flexibilização do rigor do formalismo extremado na apreciação das provas acostadas aos autos, de modo razoável ao que é de fato exigível do contribuinte a existência de crédito e débito em seu nome; e) Passa a discorrer sobre a atividade realizada pela autuada, ressaltando que é "associação sem fins lucrativos, que celebra contratos em nome de seus associados com planos de saúde, emitindo faturas e notas fiscais, acompanhadas da relação dos médicos que prestaram o serviço", figurando como mera intermediária, atuando contratualmente como representante estatutária em nome de seus associados, para que estes realizem serviços médicos em prol dos beneficiários do plano de saúde. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10166.009229/200241 Acórdão n.º 9202004.509 CSRFT2 Fl. 257 4 f) Cita, a seguir, e Solução de Consulta no. 05, de 2004, que já teria acolhido, na forma de seus itens 10, 20 e 21, a qualificação da AMHPDF como mera intermediária inclusive nos pagamentos direcionados aos seus associados, nos termos do art. 100 do CTN c.c. e art. 46 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972. Entende que a natureza da associação foi plenamente delineada naquela Solução de Consulta, afirmando ainda, cabalmente, que quem recebe o pagamento pelo serviço é o associado, sobre o qual, na forma do item 21 daquela Solução de Consulta, deve incidir a retenção. Requer, assim, a reforma do recorrido, a fim de que seja cancelado o lançamento e excluído todo o crédito tributário constituído. O recurso restou admitido, consoante exame de admissibilidade de efls. 242 a 244. Encaminhados os autos à PGFN para fins de ciência em 20/03/2015 (efl. 245), esta apresentou, em 26/03/15 (efl. 249), contrarrazões de efls. 246 a 248, onde: a) Defende que, conforme bem salientado no acórdão recorrido, a recorrente não tem o direito de compensar os créditos relativos a retenções indevidas realizadas sobre valores a serem repassados aos associados com débitos correspondentes às retenções que efetivamente foram realizadas pela associação. De fato, considerando que a recorrente admite que os créditos que pretende compensar são referentes a retenções incidentes sobre rendimentos pertencentes/repassados aos seus associados, concluise também que o direito a compensação dos valores retidos cabe aos prestadores de serviços, e não à fonte pagadora como pretende a recorrente. A autuada é a fonte pagadora na relação jurídicotributária, cabendo a ela simplesmente reter o IRRF correspondente às prestações de serviços para posterior recolhimento. Consequentemente, o direito à compensação dos valores retidos indevidamente cabe aos prestadores de serviços. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como caracterização de divergência interpretativa o recurso atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. A questão a ser decidida se refere à alegação da autuada de legitimidade para pleitear a compensação de valores retidos por pessoas jurídicas tomadoras de serviços médicos, uma vez atuando a recorrente como mera intermediária entre tais tomadoras e os respectivos prestadores, que se revestem da qualidade de associados da autuada. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10166.009229/200241 Acórdão n.º 9202004.509 CSRFT2 Fl. 258 5 A propósito, conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo depender a restituição/compensação de tributos no âmbito federal, de se estar diante de pagamento indevido ou a maior que o devido na forma do art. 165, I da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1996 (CTN), verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;(grifei) No caso em questão, o que se tem, em meu entendimento, com a devida vênia aos colegiados paradigmáticos é a existência de um pagamento (retenção) devido (a) pelos associados da autuada, conforme a legislação aplicável, fato confirmado pela Solução de Consulta Cosit no. 05, de 2004, citada pela recorrente, não havendo que se falar em retenção/pagamento indevido ou a maior, mas sim na existência de eventual direito à compensação, mas pelos prestadores de serviços associados e não pela associação autuada. Os efetivos prestadores de serviços (aos tomadores) são os associados da autuada, não havendo, ainda, notese, qualquer serviço prestado pelos referidos associados à autuada, ao contrário, com a Associação recorrente cobrando dos prestadores pelo serviço de intermediação. Eventual erro efetuado quanto à retenção pelas tomadoras de serviço médico, no que diz respeito a identificação do beneficiário (prestador) objeto de retenção, não desnatura (in casu) a obrigatoriedade de tal retenção, consoante arts. 620, 624 e 647 do RIR/99, não fazendo, assim, com que a retenção realizada ganhe a característica de pagamento indevido ou a maior. Cabível tão somente, in casu, em meu entendimento, a retificação da DIRF pelos referidos tomadores, de forma a que passassem constar, corretamente, como beneficiários os prestadores associados da autuada. Inexiste, a meu ver, no caso sob análise, pagamento indevido, mas erro na identificação do beneficiário do rendimento pela fonte pagadora e, assim, não há que se falar de possibilidade de compensação pela recorrente (mera intermediária), isto, notese em plena observância aos itens 20 e 21 da Consulta Cosit citada. Ou seja, a especificação da autuada como beneficiária dos direitos creditórios que se tencionou utilizar decorre, aqui, de erro dos tomadores na identificação dos beneficiários dos pagamentos, o que, conforme acima defendido, não torna tais retenções/pagamentos indevidos e, assim, passíveis de compensação. A título informativo, informo, aqui, que entendo que a "segunda retenção", supostamente efetuada pela recorrente como "terceira interessada" que assumiu o ônus da primeira retenção, consoante tese defendida pelo paradigma, não guarda qualquer amparo legal, decorrendo a responsabilidade tributária, no caso de retenção, necessariamente, de dispositivo legal, consoante art. 121, II do CTN. Ad argumentandum tantum, mesmo para os que entendem que se poderia compensar os créditos em análise com débitos oriundos desta "segunda retenção na qualidade de terceira interessada", sem previsão legal (visto se tratar de mero repasse, sem prestação de Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10166.009229/200241 Acórdão n.º 9202004.509 CSRFT2 Fl. 259 6 serviços), faço notar que as provas carreadas aos autos pela recorrente no presente feito se limitam aos comprovantes de rendimento de efls. 32 a 61, sem que se possa garantir, com base nas provas carreadas aos autos: a) se o débito de efl. 136 guarda relação com os repasses supostamente efetuados aos associados da recorrente; b) se os valores ali retidos pelos tomadores referemse a serviços prestados pelos associados da autuada e, ainda, se dentro do período de apuração para os quais se buscou utilizálos para fins de compensação; Faço notar, a propósito, que, mesmo para os que adotem a tese peculiar defendida pelo recorrente, entendo que caberia ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e certeza dos créditos utilizados para fins de compensação, uma vez que, ressaltese, não existem DARFs em seu nome que pudessem respaldar a compensação com DARF declarada à mesma efl. 136, não tendo, todavia, a autuada se desincumbido a contento do referido ônus nos presentes autos. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose incólume o lançamento em litígio, decorrente da glosa da compensação de R$ 11.615,20 pleiteada, referente ao período de apuração da 2a. sem./1998 (demonstrativo de efl. 136). É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903337/2008-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente THREE BOND DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 37 /2 00 8- 63 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402001.416, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903337/200863 Acórdão n.º 9303004.057 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721121/2014-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
DA PRELIMINAR DE NULIDADE.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. TERÇO DE FÉRIAS E HORAS-EXTRAS.
As rubricas impugnadas pelo contribuinte, as quais entende que não devem compor a base de cálculo para contribuições previdenciárias, não fazem parte do presente processo, tendo sido lançadas em processos separados (horas-extras e 1/3 constitucional de férias), de modo a evitar decadência, visto a existência de ação judicial em relação a matéria.
ALÍQUOTA SAT/GILRAT DE 1%.
No presente processo, não cabe discussão acerca da majoração da alíquota para 2%, uma vez que houve lançamento somente do percentual (1%), já reconhecido pela recorrente.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI 9.430/96.
Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
MULTA TRIBUTÁRIA. APLICABILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO.
Nos termos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas a multa pelo inadimplemento de obrigação tributária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. TERÇO DE FÉRIAS E HORAS-EXTRAS. As rubricas impugnadas pelo contribuinte, as quais entende que não devem compor a base de cálculo para contribuições previdenciárias, não fazem parte do presente processo, tendo sido lançadas em processos separados (horas-extras e 1/3 constitucional de férias), de modo a evitar decadência, visto a existência de ação judicial em relação a matéria. ALÍQUOTA SAT/GILRAT DE 1%. No presente processo, não cabe discussão acerca da majoração da alíquota para 2%, uma vez que houve lançamento somente do percentual (1%), já reconhecido pela recorrente. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI 9.430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA TRIBUTÁRIA. APLICABILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. Nos termos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas a multa pelo inadimplemento de obrigação tributária. Recurso Negado
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Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. TERÇO DE FÉRIAS E HORASEXTRAS. As rubricas impugnadas pelo contribuinte, as quais entende que não devem compor a base de cálculo para contribuições previdenciárias, não fazem parte do presente processo, tendo sido lançadas em processos separados (horas extras e 1/3 constitucional de férias), de modo a evitar decadência, visto a existência de ação judicial em relação a matéria. ALÍQUOTA SAT/GILRAT DE 1%. No presente processo, não cabe discussão acerca da majoração da alíquota para 2%, uma vez que houve lançamento somente do percentual (1%), já reconhecido pela recorrente. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%. ART. 44 DA LEI 9.430/96. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastála ou reduzila quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA TRIBUTÁRIA. APLICABILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 11 21 /2 01 4- 46 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Nos termos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas a multa pelo inadimplemento de obrigação tributária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Trata o presente processo administrativo dos Autos de Infração abaixo relacionados, lavrado em 09/05/2014 contra o Município acima e referentes ao período de 01 a 12/2011, incluindo o 13º salário: AI DEBCAD n° 51.045.6847: se refere à contribuição dos segurados empregados, prevista no art. 20 da Lei nº 8.212, de 1991, cuja obrigação de arrecadar e recolher é da empresa, nos termos do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da mesma Lei. Valor total deste AI na data da sua lavratura: R$ 1.493.352,49 (fl. 3). AI DEBCAD nº 51.045.6898: se refere à contribuição da empresa (cota patronal, 20%) e as devidas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do Trabalho (Sat/Rat/Gilrat, 1%), previstas no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212, de 1991. Valor total deste AI, na data da sua lavratura: R$ 3.562.787,24 (fl. 9). 2. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 18 a 21, as contribuições lançadas se referem à remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social, e que não foram informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP). 3. O referido relatório também informa que foram excluídas desse lançamento as bases de cálculo referentes às rubricas: 241VP – 1/3 DE FÉRIAS, 405VP – DIF PGTO 1/3 FÉRIAS e 244VP – HORAS EXTRAS, em virtude de decisão judicial do TRF da 5ª Região (APELREEX 10239PE 2009.83.08.0013895), e posteriormente do STJ (Resp 1340283), estando o processo, atualmente, aguardando análise de Embargos de Declaração. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10435.721121/201446 Acórdão n.º 2301004.794 S2C3T1 Fl. 316 3 Em razão desse fato, as contribuições referentes a tais rubricas foram lançadas em separado (processos COMPROT nº 10435.721125/201424 e 10435.721124/201480). 4. Com relação à alíquota SAT/GILRAT, informa o relatório, ainda, que “o contribuinte obteve decisão judicial favorável (APELREEX nº 10174/PE 2009.83.08.001388 3/01) junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, reduzindo a alíquota para 1% (ao invés de 2%). Atualmente o processo está em situação de sobrestamento por repercussão geral. Desta forma, efetuamos o levantamento da diferença de alíquota SAT/GILRAT (1%) em separado, de modo a evitar possível decadência, dependendo da sentença final”. 5. O procedimento fiscal e os lançamentos estão explicitados no Relatório Fiscal, acima mencionado, e nos demais anexos (em especial: DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, fls. 4 a 6 e 10 a 13, FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 7, 8, 14 e 15, e planilha de bases de cálculo FP x GFIP EMPREGADOS 2011, fls. 22 a 118). 6. Em razão de o sujeito passivo, em tese, ter suprimido ou reduzido contribuição previdenciária mediante informação inexata em GFIP, gerando declaração falsa ou diversa da que deveria constar, procedeuse à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). 7. Cientificado do lançamento em 16/05/2014, segundo Aviso de Recebimento (AR) de fls. 167 e 168, o contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fls. 240 e 241), ingressou com a impugnação de fls. 172 a 239, em 13/06/2014, alegando, em síntese, que: a) é tempestiva a impugnação; b) o recolhimento a menor das contribuições se deu em razão do município ter excluído da base de cálculo as seguintes rubricas, entre outras: “abonos, salário maternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional por serviço extraordinário, hora extra, remuneração do cargo em comissão dos servidores efetivos (Decisão 683/2001 – Plenário do TCU)”; c) “o lançamento tributário, por qualquer modalidade existente no Direito Tributário, deve ser extremamente claro e objetivo, estando nele inseridos todos os elementos do tributo (hipótese de incidência, alíquota, base de cálculo, sujeito ativo e passivo) para que o contribuinte possa se defender plenamente do alegado”. Dessa forma, “a ausência da base de cálculo aplicada pelo competente auditor torna o presente Auto de Infração viciado”, razão pela qual “a defesa do município encontrase prejudicada” por ter sido ferido “frontalmente os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório”, sendo a anulação do lançamento “a medida que se impõe”; d) “verificando os autos do procedimento de fiscalização”, constatase que “não há qualquer planilha ou outro documento que conste a relação de servidores que, supostamente, teriam prestado serviços ao Município e não teriam sido informados devidamente na GFIP. ” Tal situação “retira do crédito tributário lançado sua presunção de liquidez e certeza”; e) com base na jurisprudência exposta na defesa, alega a não incidência das contribuições previdenciária sobre horas extras, terço de férias e auxílio doença; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 f) a partir de uma longa explanação, alega que a alíquota Sat de 2% não se justifica, uma vez que não houve aumento generalizado do risco de acidentes de trabalho nas atividades exercidas pelos agentes políticos. Além do mais, o Município em questão tem decisão favorável da justiça mantendo a alíquota em 1%; g) “a aplicação de multa exorbitante (75%) contra o ente municipal possui nítido caráter confiscatório, contrário ao patamar razoável estabelecido pelo Eg. Supremo Tribunal Federal”, conforme demonstrado na jurisprudência colacionada na defesa; h) “é ilegal a aplicação de multa entre pessoas jurídicas de direito público por inexistir poder de polícia, sendo a aplicação da multa ilegal entre entes do poder público. ” Vide art. 295, § 9º do Decreto nº 3.048, de 1999; i) “a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, reduziu as multas aplicadas pelo INSS/RFB em face da ‘retroatividade benigna’. ” Dessa forma, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, a multa moratória a ser aplicada não poderá e ser superior a 20%, ou, nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, a multa será de 2% ao mêscalendário ou fração, limitada a 20%, no caso de falta de entrega ou entrega em atraso da GFIP, ou de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Requer a anulação dos Autos de Infração. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA TRIBUTÁRIA. APLICABILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. Nos termos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas a multa pelo inadimplemento de obrigação tributária. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Impõese a improcedência da impugnação quando o contribuinte não apresenta provas capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10435.721121/201446 Acórdão n.º 2301004.794 S2C3T1 Fl. 317 5 A ciência do Acórdão 0652.015 6ª Turma da DRJ/CTA, ocorreu em 25/06/2015 (fl. 271), mediante Aviso de Recebimento AR. Sobreveio recurso voluntário (fls. 275/303), em que o recorrente repisou os fundamentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Tratase contribuições lançadas referentes à remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social, e que não foram informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social, bem como as devidas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do Trabalho (Sat/Rat/Gilrat, 1%). Preliminar O recorrente insurgese argüindo que há vicio formal no lançamento e que há ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, uma vez que ausente a base de cálculo aplicada pelo auditor e que o relatório fiscal é impreciso, havendo ausência de certeza e liquidez do crédito, o que gera cerceamento de defesa. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Cumpre esclarecer que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O Relatório Fiscal (fls. 18/21) da autuação descreveu de forma clara, simples e objetiva as informações que foram omitidas em GFIP, basta ler a transcrição. 2.1. AIOP DEBCAD 51.045.6898: Contribuições a cargo da empresa fiscalizada, previstas no art. 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91 (parte patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT/GILRAT, respectivamente), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados filiados ao regime geral de previdência social. 2.2. AIOP DEBCAD 51.045.6847: Contribuição descontada dos segurados empregados, prevista no art. 20 da Lei nº 8.212/91, cuja obrigação de arrecadar e recolher é da empresa, nos termos do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91 O contribuinte argumenta que outra irregularidade que prejudica toda a veracidade do auto lavrado é que "não há qualquer planilha ou outro documento que conste a relação de servidores que, supostamente, teriam prestado serviços ao Município e não teriam sido informados devidamente em GFIP." Por oportuno, cabe trazer à colação, excerto do voto da Turma Julgadora de Primeira Instância: 22. Segundo se observa na planilha de fls. 22 a 118, a fiscalização relacionou, por competência e por empregado (segurado), a remuneração informada em folha de pagamento e a remuneração informada em GFIP, bem como o desconto dos segurados informado em cada um desses documentos, totalizando, em cada competência, a base de cálculo apurada e aplicada no cálculo das contribuições. 23. Portanto, improcede a alegação de que a fiscalização teria omitido a base de cálculo aplicada na apuração das contribuições. 24. Cabe acrescentar, ainda, que o Auto de Infração e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal infringida; a assinatura do AuditorFiscal, a indicação do seu cargo e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional. (grifei) Importa esclarecer, ainda, que inexiste a necessidade/obrigação de o fisco listar os trabalhadores um a um, pois a folha de pagamento é global e o lançamento da Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10435.721121/201446 Acórdão n.º 2301004.794 S2C3T1 Fl. 318 7 contribuição se dá pela sua totalização. O recorrente quando recolhe a contribuição não faz uma GPS por trabalhador, em regra, faz uma GPS pelo total da folha. Aliás, o artigo 195, I, “a”, da CF diz que a contribuição incide sobre “folha de salários”, isto é, o conjunto global da remuneração paga pela empresa e não a remuneração individual de um trabalhador, embora essa folha de salário possa trazer apenas a remuneração de um trabalhador. O conceito folha de salário não está traduzida no papel onde se acha informado os valores, mas sim o conjunto da massa salarial de um determinado contribuinte. Assim sendo, inexistente o alegado vício insanável, uma vez que a matéria tributável está completamente demonstrada nos autos. Verificase, assim, que todos os elementos necessários para a constituição do crédito estão presentes, não havendo mácula no lançamento nesse aspecto e nem cerceamento de defesa, uma vez que foi possível o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, pois o contribuinte recorreu tanto dos aspectos formais como materiais do lançamento. Da Base de Cálculo O recorrente aduz que o vício formal inviabiliza a defesa do Município e afirma que a contribuição previdenciária não pode incidir nas verbas pagas a título de horasextras, terço de férias e auxílio doença. Expõe sua defesa exaustivamente com fundamento na não incidência das verbas supracitadas na base de cálculo das contribuições previdenciárias, em virtude, sobretudo, de decisão favorável na esfera judicial, processo tombado sob o número 0001389 34.2009.4.05.8308 (TRF5). Entretanto, basta uma rápida leitura no Relatório Fiscal (fls. 18/21) para constatar que as rubricas mencionadas pelo recorrente não compuseram a base de cálculo do Auto de Infração. 4.1.4. Para fins de enquadramento das rubricas na base de cálculo do presente auto de infração, procedemos aos ajustes abaixo com relação à folha de pagamento apresentada pelo contribuinte. As demais rubricas foram consideradas corretas, quanto ao enquadramento feito pelo contribuinte: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 4.1.5. Foram excluídas, das bases de cálculo deste auto de infração, as rubricas “241VP 1/3 DE FÉRIAS”, “405VP DIF PGTO 1/3 FÉRIAS” e “244VP HORAS EXTRAS”, em virtude de decisão judicial do TRF 5ª Região (APELREEX 10239PE 2009.83.08.0013895), e posteriormente do STJ (REsp 1340283). Atualmente o processo encontrase aguardando análise de Embargos de Declaração. Considerando que a incidência de contribuição previdenciária sobre as retrocitadas rubricas está suspensa, aguardando manifestação do STJ, efetuamos o levantamento destes valores sub judice, em separado (processos 10435.721125/201424 e 10435.721124/201480), de modo a evitar possível decadência, dependendo da sentença final. Ora, isso significa dizer que o fiscal autuante observou a decisão judicial obtida pelo contribuinte acerca da exclusão da base de cálculo das horasextras, bem como o terço de férias e suas diferenças, fazendo o levantamento destes valores que se encontram em discussão judicial em processos separados para prevenir a decadência. Não menos importante, é constatar que embora seja discutida na via judicial a incidência ou não de auxíliodoença na base de cálculo, verificase que esta rubrica não compõe o lançamento efetuado, pois as alterações procedidas pelo fisco foram elencadas na planilha trazida acima e dentre elas não se vislumbra o auxíliodoença. Logo, se não houve retificação por parte do fisco quanto ao enquadramento do auxíliodoença na base de cálculo, tampouco foi informado que foi levantado em processo separado, concluise que esta não incidiu na base de cálculo. Assim, tendo em vista que defesa se cinge tão somente quanto à não incidência de horas extras, 1/3 de férias e auxílio doença, deve ser mantido o lançamento uma vez que tais rubricas não foram consideradas para base de cálculo das contribuições previdenciárias no presente processo. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10435.721121/201446 Acórdão n.º 2301004.794 S2C3T1 Fl. 319 9 Da Alíquota SAT Não obstante à extensa defesa do recorrente quanto a impossibilidade de aplicação de alíquota SAT de 2%, imperioso relembrar que no presente lançamento fora aplicada somente 1% de SAT, uma vez que há discussão judicial envolvendo o recorrente, conforme se verifica no Relatório Fiscal (fl. 20). 4.1.6. Com relação à alíquota SAT/GILRAT, o contribuinte obteve decisão judicial favorável (APELREEX nº 10174/PE 2009.83.08.0013883/01) junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, reduzindo a alíquota para 1% (ao invés de 2%). Atualmente o processo está em situação de sobrestamento por repercussão geral. Desta forma, efetuamos o levantamento da diferença de alíquota SAT/GILRAT (1%) em separado (processo 10435.721126/201479), de modo a evitar possível decadência, dependendo da sentença final. Sobre o assunto, cabe transcrever, o entendimento consignado no EREsp 572603PR 2004/01217933 (DJ de 05/09/2005), do eminente Relator Ministro Castro Meira: a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar. (grifei) Portanto, no presente processo, não cabe discussão acerca da majoração da alíquota para 2%, uma vez que houve lançamento somente do percentual (1%), já reconhecido pela recorrente. Da Multa Aplicada (De Ofício 75%) Irresignado, o recorrente insurgese alegando que "A autoridade fiscal imputou ao Recorrente multa de 75% do valor supostamente não declarado em GFIP. A aplicação de multa exorbitante contra o ente municipal, possui nítido caráter confiscatório, contrário ao patamar razoável estabelecido pelo Eg. Supremo Tribunal Federal" No que tange a insurgência do recorrente quanto à multa aplicada, não há quaisquer reparos a serem feitos no lançamento, uma vez que a multa está em consonância com o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. In verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). No caso presente, conforme se verifica, tendo sido aplicada a penalidade de sua forma simples (75%), o que se tem, no caso, nada mais é que a exclusiva observância da expressa disposição legal. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício nos percentuais ali definidos. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10435.721121/201446 Acórdão n.º 2301004.794 S2C3T1 Fl. 320 11 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne à alegação de que é ilegal a aplicação de multa entre pessoas jurídicas de direito público por inexistir poder de polícia, esta não deve prosperar. A penalidade está devidamente amparada pela legislação de regência e, como já dito anteriormente, não cabe a este E. Conselho deliberar acerca de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis. Assim, entendo que bem exarada a decisão "a quo", a qual transcrevo excertos para bem elucidar o ponto: 42. Quanto ao art. 239, §9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, citado pelo Impugnante, de fato, em sua redação original, afastava a imposição de multa entre pessoas jurídicas de direito público, por inexistência de poder de polícia: § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. (sem grifo no original) 43. Todavia, esse dispositivo foi alterado em 12/02/2007, por meio do Decreto nº 6.042, que excluiu do texto as pessoas jurídicas de direito público: §9º Não se aplicam as multas impostas e calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições, nem quaisquer outras penas pecuniárias, às massas falidas de que trata o art. 192 da Lei no 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões quando assegurada a isenção em tratado, convenção ou outro acordo internacional de que o Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil sejam partes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (sem grifo no original) 44. Além do mais, conforme frisado pela Advocacia Geral da União (AGU), no Parecer – AGU/GV nº 012, de 18/02/2004, a jurisprudência reiterada do Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento no sentido de que os empregadores devem ser tratados igualmente, inclusive as pessoas jurídicas de direito público que se invistam dessa qualidade[...] Não há, portanto, o que se falar em inaplicabilidade da multa de ofício. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR E PRELIMINAR e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10580.008344/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/02/1006 a 28/02/2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIFERENÇA APURADA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO/PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constitui-se de ofício a diferença do PIS entre valores escriturados e confessados em DCTF.
RETORNO DE DILIGÊNCIA. Não há como reconhecer neste momento processual, saldo de crédito do PIS, desacompanhados de comprovação/documentos, à época da apuração. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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DIFERENÇA APURADA ENTRE VALOR ESCRITURADO E VALOR DECLARADO/PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constituise de ofício a diferença do PIS entre valores escriturados e confessados em DCTF. RETORNO DE DILIGÊNCIA. Não há como reconhecer neste momento processual, saldo de crédito do PIS, desacompanhados de comprovação/documentos, à época da apuração. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 83 44 /2 00 7- 11 Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Auto de Infração (fls. 05/12) lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa a períodos de apuração de 2001 a 2006, acima identificados. Conforme apontado no Auto de Infração, foram constatadas divergências entre os valores escriturados para o PIS, e os valores confessados em DCTF. As divergências de valores apuradas na fiscalização são apresentadas pelo autuante no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fl. 14). Cientificada da exigência fiscal em 14.09.07, a autuada apresenta em 16.10.07 a Impugnação (fls. 1006/1011), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: O crédito tributário só foi constituído pelo auto de infração em setembro de 2007, sendo que a cobrança referente ao período de maio de 2001 a agosto de 2002 não pode ocorrer, em face da decadência em relação a esses períodos; O autuante considerou como base de cálculo do PIS o próprio saldo da conta contábil passiva de PIS a pagar, sem considerar todos os ajustes que devem ser feitos antes do pagamento; A base de cálculo do PIS é a receita bruta, e não se pode buscar outros valores senão àqueles que correspondam à receita bruta; A contribuinte recolheu os valores corretamente, após aplicar a alíquota prevista (0,65% até março de 2003 e 1,65% a partir da Lei nº 10.637/02) sobre a receita bruta da empresa; Podese afirmar que, calculando o PIS sobre a receita bruta, a contribuinte recolheu até mais tributo do que era devido, visto que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718,de 1998, ao entender que as contribuições sociais incidiriam apenas sobre o faturamento; O autuante não considerou os pagamentos de PIS relativos aos períodos de 12/2002, e 04 a 06/2003. É o relatório. Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.310 S3C2T1 Fl. 2.444 3 O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1522.143 de 15/01/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/02/1006 a 28/02/2006 DECADÊNCIA.Afastada a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, de 2008, considerase que o prazo decadencial para se efetuar o lançamento de ofício relativo à Cofins é o previsto pelo Código Tributário Nacional. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO MAS NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose a multa de ofício proporcional à parcela paga. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, exonerando alguns valores, conforme tabela no final do voto da primeira instância. Ou melhor: 1) reconheceu a decadência quanto aos lançamentos referentes aos períodos de apuração de 05/2001 a 08/2002; observando que a ciência do auto de infração ocorreu em setembro de 2007, tendo em vista pagamentos nesse período, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN; e 2) considerou o pagamento superior ao valor declarado em DCTF nos períodos de apuração de 06/2005, mantendo o valor principal lançado, porém exonerando a multa de ofício proporcionalmente à parcela paga (conforme orientação da Solução de Consulta Interna de n° 8/2007) (e com recomendação da alocação dessa parcela paga ao crédito tributário mantido). O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Pleiteia o afastamento integral do lançamento. Diante dos fatos relevantes, a turma entendeu em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para prestar alguns esclarecimentos, nos termos abaixo (primeira Resolução): – Esclareça se a contribuinte apurou o PIS pela modalidade não cumulativa no período lançado e sobre qual período? Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 4 2 – Se positivo o item anterior, deve ser verificada a correção dos procedimentos adotados pela recorrente na apuração PIS, confrontando com os balancetes e, principalmente, analisando o direito aos créditos previstos na legislação específica. No caso de verificação de alguma irregularidade, dar parecer conclusivo sobre seu motivo. 3 – Por fim, deve ser esclarecido se a autoridade lançadora abateu estes créditos quando da apuração do tributo lançado. Através da segunda Resolução, em que pese a resposta da primeira diligência, foram solicitados outros esclarecimentos: 1 – A autoridade preparadora validou os créditos pretendidos e realizados de forma extemporânea? Se negativo, favor verificar qual o montante devido de crédito e o motivo do indeferimento; 2 – Em se utilizando os créditos apurados extemporaneamente, qual o valor remanescente do auto de infração? 3 – Informar se foram também tributadas as parcelas informadas na petição de fls. 1183 e, caso positivo, informar a motivação desta tributação: Foi dada ciência à empresa dos resultados das diligências, bem como a PGFN. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo onde foram constatadas divergências entre os valores escriturados para o PIS, e os valores confessados em DCTF. Discutese nos autos, dentre outros, a base de cálculo do PIS. Como relatado, o processo foi convertido em diligências, que das respostas das demandas (efls. 35/37 e 2042/2044), extraí alguns trechos, abaixo: .... Diligência Fiscal autorizada pelo MPF D 0510100 2011 00805 onde o contribuinte foi intimado a entregar documentos necessários a auditoria fiscal, onde se concluiu que dos valores a pagar do PIS lançados na contabilidade, o contribuinte quer agora abater créditos do PIS não contabilizados na época de apuração, ou seja, apurados créditos extemporâneos do PIS Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.310 S3C2T1 Fl. 2.445 5 devido à revisão tributária efetuada por auditoria externa, pretende por esta via processual utilizar os saldos remanescentes de créditos do PIS. Cabe observar que a forma de utilização de créditos do PIS está disciplinada na IN RFB n° 900/2008 e alterações posteriores, onde deverão ser observadas as regras para utilização destes créditos e o momento de utilização, já que em vários períodos ocorreu a prescrição, pois foram apurados após cinco anos do período de apuração correspondente. ........ Foi feita a informação que a utilização dos créditos do PIS relativos a não cumulatividade devem seguir as regras de compensação previstas na legislação tributária. A lei faculta ao contribuinte na apuração do PIS abater créditos gerados por suas operações. Acontece que tais créditos foram apurados de forma extemporânea e após a autuação, portanto não devem ser utilizados na apuração. ........ Constam no processo planilhas de apuração efetuadas pelo contribuinte. Os valores remanescentes do auto de infração após o acórdão da DRJ constam na planilha em anexo. ...... (a) venda de peças sujeitas à incidência monofásica (tributadas em etapa anterior a comercialização art. 10 da Lei n° 10.147/00 c/c art. 1 0, § 30, III, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03); (b) venda de caminhões, também tributadas pela alíquota zero (0) na operação levada a efeito pela empresa, pois sujeitos à substituição tributária em etapa anterior (art. 10 da Lei n° 10.147/00 c/c art. 1 0, § 3o, III, das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03); (c)descontos incondicionais, não sujeitos à contribuição (art. 1 0, § 30, V, 'a', das Leis n" 10.637/02 e 10.833/03); e, (d)venda de ativo imobilizado, tampouco tributada (art. 1 § 30, VI, da Lei n" 10.637/02 e art. 1 0, § 30, II, da n° 10.833/03). Resposta Intimado por duas vezes o contribuinte não indicou quais as Notas Fiscais que deram causa a tributação indevida. Concluímos, informando que entendemos que não foi constatado nenhum fato que altere os valores lançados mantidos na DRJ/SDR. Verificase, inicialmente, que a própria fiscalização com base na documentação apresentada, informa queevidenciam créditos do PIS não utilizados (por conta do laudo de auditoria independente), motivo dos autos terem sido convertidos em diligências; portanto, não obstante a isso, entendo que se trata de um pedido extemporâneo, não Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 6 contabilizado, à época, e não seria através deste processo, a via correta para o pleito de se obter esse crédito, pois à época de apuração, não houve a comprovação documental. Vide conclusão da diligência: .....contribuinte foi intimado a entregar documentos necessários a auditoria fiscal, onde se concluiu que dos valores a pagar do PIS lançados na contabilidade, o contribuinte quer agora abater créditos do PIS não contabilizados na época de apuração, ou seja, apurados créditos extemporâneos do PIS devido à revisão tributária efetuada por auditoria externa, pretende por esta via processual utilizar os saldos remanescentes de créditos do PIS. Cabe observar que a forma de utilização de créditos do PIS está disciplinada na IN RFB n° 900/2008 e alterações posteriores, onde deverão ser observadas as regras para utilização destes créditos e o momento de utilização, já que em vários períodos ocorreu a prescrição, pois foram apurados após cinco anos do período de apuração correspondente. Em sendo assim, o citado Auto de Infração do PIS, referese a diferença apurada, através de confronto das provisões a pagar contabilizadas nos livros diários do recorrente com os valores declarados e pagos em DCTF. A recorrente insiste que a Administração não reconheceu créditos, o que impõe a revisão do lançamento, para correta apuração da base de cálculo e que a mesma entende que as questões foram devidamente comprovadas, sendo inconsistente o auto de infração. Ao caso, argumenta a mesma que foram desconsiderados os ajustes sobre a base de cálculo do PIS, e que teriam sido feitos antes do pagamento. A questão crucial é que não há comprovação dos alegados “ajustes” que teriam sido feitos antes do pagamento, pois a documentação anexada à época se resume a cópias dos balancetes analíticos dos períodos de dezembro de cada ano, que não se prestam a evidenciar as bases de cálculo mensais do PIS, muito menos se pode inferir, a partir de tais balancetes, quais seriam os alegados “ajustes” nos valores de PIS a recolher. Dessa forma, concluiuse que os valores que a recorrente pretende abater do débito são créditos extemporâneos do PIS, apurados por auditoria externa, e posterior à autuação, não observando, assim, a legislação de regência. Bem como, a recorrente não indicou as Notas Fiscais, apesar de alegar que a tributação foi indevida quanto às vendas de peças sujeitas à incidência monofásica, venda de caminhões, descontos incondicionais e venda do ativo imobilizado. Enfim, não obstante toda juntada de documentação, frisese, que não se pode confundir a instância do contencioso administrativo, com a de auditoria. CONCLUSÃO Portanto, concluise, que à época, a recorrente não comprovou o que alegou e posteriormente, observase que os valores a pagar do PIS provisionados na contabilidade, que a recorrente deseja abater créditos da contribuição não contabilizados na época de apuração, enfim, são créditos extemporâneos do PIS, por conta de revisão tributária realizada por Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10580.008344/200711 Acórdão n.º 3201002.310 S3C2T1 Fl. 2.446 7 auditoria externa, não há como se utilizar desse crédito, por esta via processual, tendo em vista regramentos à época da apuração, bem como, inclusive, vários períodos já foram prescritos. Logo, não há como reconhecer neste momento, saldo de crédito do PIS (extemporâneos), por conta de trabalho de auditoria externa realizado em 05/02/2010 (posterior ao julgamento de primeira instância). Destarte, concluise que tendo em vista diligência realizada, nenhum fato foi constatado em que pudesse alterar os valores mantidos pela decisão a quo. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903650/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 13/04/2006
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 50 /2 01 2- 11 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903650/201211 Acórdão n.º 3402003.620 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.992, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903650/201211 Acórdão n.º 3402003.620 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903650/201211 Acórdão n.º 3402003.620 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903650/201211 Acórdão n.º 3402003.620 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903650/201211 Acórdão n.º 3402003.620 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.720068/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº 4.502/1964, ART. 83, I, E DECRETO-LEI Nº 400/1968, ART. 1º. COMINAÇÃO DA PENA PREVISTA NO ART. 23, INCISO V, §§ 1º E 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976. APLICAÇÃO DA REGRA DA ESPECIALIDADE OU DA ESPECIFICIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 690 DO DECRETO Nº 6.759/2009.
A ocultação do real adquirente configura infração de dano ao Erário e sujeita o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não localizadas as mercadorias, conforme determinação do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, não sendo possível a aplicação de multa mais genérica por disposição expressa do art. 690 do Decreto nº 6.759/2009.
Numero da decisão: 3401-003.200
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso, sendo que os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Robson José Bayerl, acompanharam pelas conclusões, com razões de divergência que o relator fará constar do voto, nos termos do art. 63, § 8º do regimento interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 343/2015). Respeitante à redação da ementa, proposta pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, o colegiado acatou os seus termos, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fizeram sustentação oral Flávio Eduardo Carvalho, OAB-DF nº 20.720, representando a empresa Mude Comércio e Serviços LTDA; Mário Junqueira Franco Filho, OAB-SP nº 140.284, representando Carlos Alberto Carnevalli; Paulo Sehn, OAB-SP nº 158.516-B, representando a empresa CISCO do Brasil LTDA; Júlio César Soares, OAB-DF nº 29.266, representando Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel; e, Eduardo Pugliese Pincelli, OAB-SP nº 172.548, representando Fernando Machado Grecco, Gustavo Henrique Castellari Procópio, Hélio Benetti Pedreira, José Roberto Pernomian Rodrigues, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos e Moacyr Álvaro Sampaio.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº 4.502/1964, ART. 83, I, E DECRETOLEI Nº 400/1968, ART. 1º. COMINAÇÃO DA PENA PREVISTA NO ART. 23, INCISO V, §§ 1º E 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. APLICAÇÃO DA REGRA DA ESPECIALIDADE OU DA ESPECIFICIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 690 DO DECRETO Nº 6.759/2009. A ocultação do real adquirente configura infração de dano ao Erário e sujeita o infrator à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não localizadas as mercadorias, conforme determinação do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, não sendo possível a aplicação de multa mais genérica por disposição expressa do art. 690 do Decreto nº 6.759/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso, sendo que os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Robson José Bayerl, acompanharam pelas conclusões, com razões de divergência que o relator fará constar do voto, nos termos do art. 63, § 8º do regimento interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 343/2015). Respeitante à redação da ementa, proposta pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, o colegiado acatou os seus termos, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fizeram sustentação oral Flávio Eduardo Carvalho, OABDF nº 20.720, representando a empresa Mude Comércio e Serviços LTDA; Mário Junqueira Franco Filho, OABSP nº 140.284, representando Carlos Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 00 68 /2 01 1- 86 Fl. 52679DF CARF MF 2 Carnevalli; Paulo Sehn, OABSP nº 158.516B, representando a empresa CISCO do Brasil LTDA; Júlio César Soares, OABDF nº 29.266, representando Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel; e, Eduardo Pugliese Pincelli, OABSP nº 172.548, representando Fernando Machado Grecco, Gustavo Henrique Castellari Procópio, Hélio Benetti Pedreira, José Roberto Pernomian Rodrigues, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos e Moacyr Álvaro Sampaio. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente). Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, situado às fls. 1.529 a 1.544 (Volume 8), lavrado em 01/12/2005, originário de multa regulamentar prevista no inciso I do art. 490 do Regulamento do IPI, Decreto nº 4.544/2002 (Lei nº 4.502/1964, art. 83, I, e Decretolei nº 400/1968, art. 1º) decorrente de fiscalização das operações de comércio exterior da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS (doravante denominada simplesmente "MUDE") relacionadas às vendas de produtos importados de eletrônica e informática da empresa CISCO DO BRASIL LTDA, (doravante denominada simplesmente "CISCO"), para exigência de: (i) Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 888.822.267,20 (inclusos multa de ofício qualificada e juros de mora); e (ii) Multa Regulamentar, no valor de R$ 1.753.518.219,29, totalizando o crédito tributário no valor histórico de 2.642.340.486,49. 2. Importante ressaltar que a autoridade fiscal realiza a ressalva, situada à fl. 1.542, no sentido de que a multa regulamentar referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 já foi objeto de constituição por meio do Processo Administrativo nº 10803.000038/200937, restringindose a sua constituição, no presente processo, somente a partir de janeiro de 2005. 3. O crédito foi constituído contra a empresa "MUDE" e, com fundamento no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional, foi declarada a responsabilidade solidária da empresa "CISCO" e das pessoas físicas FERNANDO MACHADO GRECCO, CPF 154.002.54896, MARCELO NAOKI IKEDA, CPF 174.047.79871, MARCÍLIO PALHARES LEMOS, CPF 455.587.95620, MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, CPF 535.257.60868, HÉLIO BENETTI PEDREIRA, CPF 003.916.86895, GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, CPF 255.873.01850, JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, CPF 058.787.58873, LUIZ SCARPELLI FILHO, CPF 007.199.32823, PEDRO LUIS ALVES COSTA, CPF 382.756.60882, REINALDO DE PAIVA GRILLO, CPF 791.743.02868, CARLOS ROBERTO CARNEVALI, Fl. 52680DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.674 3 CPF 205.601.84891, CID GUARDIA FILHO, CPF 037.619.00864 e ERNANI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704. 4. No relatório de descrição dos fatos e enquadramentos legais do auto de infração, de fls. 1.534 a 1.542, a autoridade fiscal esclarece que se trata de: (i) lançamento de IPI incidente sobre a saída de produtos do estabelecimento equiparado a industrial da "MUDE" descritos e classificados na "Relação de produtos saídos do estabelecimento equiparado a industrial com incidência do IPI" (Anexo II do Auto de Infração) que tiveram origem em importações efetuadas por terceiros, com recursos supridos pela "MUDE", fraudulentamente ocultados, com base no inciso IX, c/c com o parágrafo 2° , ambos do art. 9° do Decreto n° 4.544, de 26/12/2002, e decorreu da constatação de que o autuado incidiu na conduta tipificada no artigo 27 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, combinado com o artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, tendo sido considerados, para o cálculo do imposto devido, os créditos decorrentes de devoluções de produtos tributados, descritos na "Relação de produtos ingressados no estabelecimento em devolução de saídas com incidência do IPI" (também constantes no Anexo II do Auto de Infração); (ii) aplicação da majoração da penalidade básica em 100%, em decorrência da existência de circunstâncias qualificativas praticadas pelo sujeito passivo, com fundamento no inciso II do art. 478 do Decreto n° 4.544, de 26/12/2002; (iii) multa regulamentar proporcional ao valor comercial das mercadorias importadas irregular e fraudulentamente, uma vez que o estabelecimento entregou a consumo produtos de procedência estrangeira, importados por terceiros por sua conta e ordem, de forma fraudulenta, já que ocultada, pelos importadores interpostos, a sua condição de real importador e adquirente quando dos procedimentos aduaneiros para ingresso das mercadorias em território nacional. Considerou a autoridade fiscal, ademais, que tais produtos tiveram origem em importações efetuadas por terceiros, com recursos supridos pelo autuado, fraudulentamente ocultado, conforme "Relação de produtos importados com recursos de terceiros" (também constantes no Anexo II do Auto de Infração). 5. Tais lançamentos foram originalmente formalizados no Processo Administrativo nº 10803.000071/200967, no qual sobreveio o Acórdão DRJ nº 1432.451 da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por decorrência das regras aplicáveis à organização da estrutura da Receita Federal, em especial o inciso I do art. 470 do Decreto nº 4.544/2002, e Anexo I da Portaria nº 1.006/2013, decidiu que a competência para o julgamento da multa prevista no art. 490, I do Regulamento do IPI, seria da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), apartando, assim, o lançamento no valor de R$ 1.753.518.219,29 referente a esta exação, o que originou a Representação nº 08.180.00/256/211, situada à fl. 02 do presente processo: Fl. 52681DF CARF MF 4 6. Assim, originouse o presente Processo Administrativo nº 16151.720068/201186, cuja discussão se limita à análise da Multa Regulamentar prevista no art. 490, I do Regulamento do IPI, no valor de R$ 1.753.518.219,29. 7. Em 20/01/2010, a empresa "MUDE" apresentou impugnação de fls. 1584 a 1731 (Volume 09), alegando, em síntese, que: (i) houve violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, pois só teve acesso às cópias do processo em 15/01/2010; (ii) as provas obtidas no procedimento de investigação criminal não poderiam ser utilizadas na instrução do processo administrativo; (iii) as provas que sustentam a autuação foram obtidas em 2007, não podendo ser usadas como fundamento do auto que lança multa relativa aos exercícios de 2004 a 2006 e parte de 2007; (iv) a fiscalização foi superficial e não buscou a verdade material, baseandose em presunções e suposições; (v) é vedada a utilização de prova emprestada no processo administrativo; (vi) a fiscalização interpretou as interceptações telefônicas e demais provas de forma a confirmar sua caracterização de fraude, distorcendo a realidade; (vii) há contradições e equívocos no Termo de Verificação Fiscal, pois a impugnante não operava apenas com produtos CISCO, não havendo sentido na afirmação de que participava de uma “organização sob comando único”, uma vez que sua logística de entrega a domicílio distinto do comprador tinha previsão legal, sendo a empresa WHAT'S UP apenas uma prestadora de serviços e a falta de destaque do IPI da empresa PRIME é de responsabilidade unicamente desta importadora, e alega a regularidade da empresa BRASTEC; (viii) a fiscalização interpretou de forma incorreta as expressões “antecipação de pagamentos” e “comissão”., sendo que o modus operandi das importações decorre de uma logística comum no mercado que busca maior eficiência e rapidez; (ix) o núcleo da autuação, quanto ao mérito, baseiase essencialmente na suposta antecipação de recursos a distribuidores e importadores; (x) a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal apresentou apenas uma operação de aquisição de mercadorias quando deveria de fato demonstrar a fraude detalhadamente em todas as operações; (xi) a contabilidade da empresa faz prova a seu favor e que não foram escriturados adiantamentos a fornecedores; (xii) a empresa não pode ser considerada importadora nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07/2002; (xiii) apresenta perícia contábil que conclui que não houve antecipação de pagamentos a fornecedores; (xiv) o procedimento próprio da IN/SRF 228/02 não foi observado e que as empresas apresentavam situação regular no cadastro do CNPJ e no RADAR no momento das operações; (xv) as empresas importadoras e distribuidoras não são empresas de fachada; (xvi) é ilegal a incidência de juros sobre a multa de ofício agravada e sobre a multa equivalente ao valor das mercadorias; (xvii) não possuía controle sobre a cadeia de negócios mas apenas acompanhamento usual dos negócios; (xviii) as acusações do auto de infração sobre a prática de subfaturamento e interposição fraudulenta são frutos do imaginário fértil da fiscalização; (xix) a multa aplicada seria cabível apenas ao importador; (xx) a multa não se aplica a produtos vendidos mas sim importados; (xxi) verificase atipicidade da multa aplicada, vez que apenas seria cabível durante o despacho aduaneiro, após a decretação da pena de perdimento; (xxii) é incabível a aplicação da multa de 100% do valor das mercadorias em conjunto com a multa agravada de 150% pois a segunda seria mais específica, com base no art. 11 do DecretoLei nº 326/67 (norma mais benéfica); (xxiii) houve violação ao princípio da proporcionalidade; (xxiv) a multa de 100% sobre o valor da mercadoria importada tem caráter confiscatório; (xxv) a multa não poderia ser calculada sobre o valor de venda das mercadorias importadas; (xxvi) os artigos 45 e 46 da Lei nº 9.430/96 foram revogados, cabendo à fiscalização a prova da intenção do impugnante em cometer as fraudes, sobrevindo, ainda, a decadência dos créditos tributários constituídos até 20/12/2004; (xxvii) a fiscalização deveria arbitrar o valor das mercadorias importadas nos termos do art. 148 do CTN; (xxviii) houve erro na sujeição passiva sendo que a "CISCO" deveria ser considerada como real importadora pois financiava as operações; (xxix) há erro na sujeição passiva pois teria notícia de que em outro Fl. 52682DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.675 5 auto de infração a fiscalização teria imputado como sujeito passivo o adquirente no mercado interno e não o vendedor, no caso a "MUDE"; (xxx) observouse violação ao princípio da não cumulatividade em relação ao IPI; (xxxi) é ilegal a utilização da taxa SELIC; (xxxii) requer realização de perícias e diligências; (xxxiii) requer, por fim, que em preliminares ou no mérito seja julgado improcedente o presente auto de infração. 8. Em 06/05/2010, apresentou a impugnante, ora recorrente, de forma intempestiva, novos argumentos de defesa em relação ao auto de infração do IPI. 9. Quanto aos responsáveis solidários, a empresa "CISCO" apresentou impugnação e documentos em 26/01/2010, situada às fls. 27.325 e seguintes. 10. Também apresentaram impugnação os seguintes responsáveis solidários (Volumes 131 a 139): · FERNANDO MACHADO GRECCO, em 20/01/2010, situada às fls. 26.426 e seguintes; · MARCELO NAOKI IKEDA, em 20/01/2010, situada às fls. 26.476 e seguintes; · MARCÍLIO PALHARES LEMOS, em 20/01/2010, situada às fls. 26.526 e seguintes; · MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, em 20/01/2010, situada às fls. 26.578 e seguintes; · HÉLIO BENETTI PEDREIRA, em 20/01/2010, situada às fls. 26.632 e seguintes; · GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, em 20/01/2010, situada às fls. 26.684 e seguintes; · JOSE ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, em 20/01/2009, situada às fls. 26.735 e seguintes; · LUIZ SCARPELLI FILHO, em 27/01/2010, situada às fls. 27.519 e seguintes; · PEDRO LUIS ALVES COSTA, em 22/01/2010, situada às fls. 27.206 e seguintes; · REINALDO DE PAIVA GRILLO, em 12/02/2010, situada às fls. 27.796 e seguintes; · CARLOS ROBERTO CARNEVALI, em 22/01/2010, situada às fls. 26.787 e seguintes; · CID GUARDIA FILHO, em 20/01/2010, situada às fls. 27.624 e seguintes; Fl. 52683DF CARF MF 6 · ERNANI BERTINO MACIEL, em 28/01/2010, situada às fls. 27.706 e seguintes. 11. Em sessão pública de 06/10/2011, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1754.414, situado às fls. 47.382 a 47.475, pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, em síntese, entendeu que: (i) teria sido montado um esquema de importações, com a participação de várias empresas e pessoas físicas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos incidentes na importação e na comercialização de produtos estrangeiros, e que tal esquema era conduzido pela empresa "MUDE", e tinha como beneficiária direta a empresa "CISCO"; (ii) as práticas ilegais incluíam a interposição fraudulenta na importação com a conseqüente simulação de negócios jurídicos e a falsificação de faturas comerciais; (iii) as pessoas físicas autuadas como responsáveis solidários neste processo tinham ciência das práticas fraudulentas e agiram de forma a operacionalizar tais atividades ilegais; (iv) foram postas a consumo mercadorias de procedência estrangeira importadas através de tais práticas fraudulentas, tipificandose assim a multa aplicada. 12. A turma julgou, por votação unânime, improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo na integralidade o crédito tributário lançado, conforme ementa a seguir transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se a peça impugnatória demonstrar a inércia do impugnante e o conhecimento integral da imputação. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5º, XII DA CF. Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização Fl. 52684DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.676 7 emprocesso administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido". 13. Em 24/11/2011, a empresa "MUDE" apresentou recurso voluntário, situado às fls. 47.563 a 47.629, além de documentos, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação. 14. Quanto aos responsáveis solidários, em 22/11/2011 a empresa "CISCO" apresentou recurso voluntário, situado às fls. 49.518 a 49.658, e juntou parecer de lavra de Paulo de Barros Carvalho, situado às fls. 49.894 a 50.046, com o seguinte sumário: Fl. 52685DF CARF MF 8 15. Também apresentaram recurso voluntário os seguintes responsáveis solidários: · FERNANDO MACHADO GRECCO, em 23/11/2011, situada às fls. 48.553 a 48.579; · MARCELO NAOKI IKEDA, em 23/11/2011, situada às fls. 48.584 a 48.610; · MARCÍLIO PALHARES LEMOS, em 23/11/2011, situada às fls. 48.615 a 48.641; · MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, em 23/11/2011, situada às fls. 48.646 a 48.672; · HÉLIO BENETTI PEDREIRA, em 23/11/2011, situada às fls. 48.676 a 48.704; · GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, em 23/11/2011, situada às fls. 48.862 a 48.890; · JOSE ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, em 23/11/2011, situada às fls. 49.047 a 49.073; · LUIZ SCARPELLI FILHO, em 24/11/2011, situada às fls. 49.078 a 49.091; · REINALDO DE PAIVA GRILLO, em 08/12/2011, situada às fls. 49.092 a 49.117; · CARLOS ROBERTO CARNEVALI, em 22/11/2011, situada às fls. 49.119 a 49.175; · CID GUARDIA FILHO, em 23/11/2011, situada às fls. 49.433 a 49.473; · ERNANI BERTINO MACIEL, em 23/11/2011, situada às fls. 49.475 a 49.516. 16. O responsável solidário PEDRO LUIS ALVES COSTA não apresentou recurso voluntário. 17. Em 21/06/2012, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários apresentados, situadas às fls. 50.137 a 50.184. 18. Em sessão de 23/05/2013, foi proferido o Acórdão CARF nº 3102.001872, sob a relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos deste Conselho Administrativo de Fl. 52686DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.677 9 Recursos Fiscais (CARF), situado às fls. 50.207 a 50.212, do qual se destaca o seguinte trecho do relatório, que serviu de base para a decisão colegiada: "A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão PretoSP, ao julgar o processo no seu julgamento tomou as seguintes decisões: a) Decidiu não se manifestar quanto ao lançamento referente a interposição fraudulenta que originou a multa prevista art. 490, I do Regulamento do IPI, no valor de R$ 1.753.518.219,29, por entender que a responsabilidade do julgamento desta matéria seria de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento II em São Paulo/SP, determinando, com base neste entendimento, a apartação dos autos dos valores referentes a esta multa e remessa dos autos a DRJ SP II para julgamento quanto a esta matéria. b) decidiu não se manifestar quanto às impugnações dos solidários, por entender que a solidariedade se aplica quando da execução do débito fiscal, ficando a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional decidir sobre esta matéria quando da execução fiscal. c) Quanto a impugnação apresentada pela Mude decidiu pela sua improcedência, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ no Processo Administrativo nº 10803.000071/200967 foi assim ementada". 19. Destacou, ainda, o relatório apresentado, as alegações da empresa "MUDE" no sentido de que não foram enfrentadas, pelo acórdão de primeira instância administrativa, as impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários "(...) alegando que este enfrentamento é obrigatório e ausência de manifestação na decisão da primeira instância caracteriza cerceamento do direito de defesa", bem como a menção à Portaria da RFB nº 2.284/2010, cujo art. 3º determina "(...) todos os autuados deverão ser cientificados" para apresentar a impugnação, mesma alegação trazida a conhecimentos pelos responsáveis solidários "CISCO"; Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcilio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro Sampaio e José Roberto Pernomian Rodrigues, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. 20. Destaca, ainda, a alegação de Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e Carlos Roberto Carnevali no sentido de que teriam sido absolvidos por meio de sentença proferida pela 4ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, no Processo Criminal nº 000582749.2003.403.6181, não podendo, portanto, subsistir a imputação de solidariedade uma vez que a fiscalização decorreu de provas produzidas no curso da investigação criminal. 21. O conselheiro relator do acórdão em referência considerou, ademais, que o presente Processo Administrativo nº 16151.720068/201186 discute auto de infração referente aos lançamentos originalmente formalizados no Processo Administrativo nº 10803.000071/200967, no qual sobreveio Acórdão DRJ nº 1432.451 da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que apartou o lançamento referente à multa prevista no art. Fl. 52687DF CARF MF 10 490, I do Regulamento do IPI, no valor de R$ 1.753.518.219,29, gerando a Representação nº 08.180.00/256/211, acima referenciada. 22. Em sessão ocorrida no dia 23/05/2013, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste CARF realizou o julgamento conjunto dos processos em referência. 23. Naquela oportunidade, a turma decidiu pela anulação da decisão de primeira instância administrativa, proferida pela DRJ de Ribeirão Preto no Processo nº 10803.000071/200967, conforme ementa do Acórdão CARF nº 3102.001873, a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as impugnações apresentadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. 24. Destacase, ainda, trecho do Acórdão CARF nº 3102.001873 proferido no Processo nº 10803.000071/200967, por sua pertinência ao presente feito: "Caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Não há outro caminho, que não seja a anulação da decisão proferida pela autoridade de piso, sendo necessária a realização de novo julgamento, apreciando todas as impugnações apresentadas. Quando aos efeitos da anulação da decisão a quo, ao meu sentir, não existe dúvida quanto ao prejuízo dos atos decorrentes da decisão a ser anulada, pois um novo julgamento poderá ter caminhos diferentes daquele que foi anulado e sendo assim, eventuais posicionamentos da decisão poderão prejudicar ou trazer novos julgados que poderão ser objeto de questionamento pelas partes envolvidas, tanto o principal, quanto os solidários e também a Fazenda Nacional representada pela sua Procuradoria. Assim, é mister que todos os atos realizados no processo a partir da decisão declarada nula, sejam cancelados, sendo o processo retornado a situação anterior à decisão. Quanto a apartação do processo que foi decidido pela decisão a ser anulada, também não poderá subsistir devendo ser cancelados todos os feitos realizados naquele processo inclusive a decisão prolatada pela DRJ São Paulo II" (seleção e grifos nossos). Fl. 52688DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.678 11 25. Assim, uma vez que o auto de infração em debate é decorrência do Processo nº 10803.000071/200967, o conselheiro relator considerou que, com a superveniência da decisão anulando o acórdão de primeira instância administrativa, tampouco a decisão apartando o presente processo deveria persistir, o que motivou o voto do Acórdão CARF nº 3102.001872 proferido no presente Processo nº 16151.720068/201186, acompanhado por votação unânime da turma, no sentido de "(...) não conhecer do recurso em razão da ausência de litígio, por força da nulidade de todos os feitos a partir da decisão da DRJ Ribeirão PretoSP, inclusive na parte que originou o presente processo", e cuja ementa abaixo se transcreve: MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. ANULAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. Comprovado que existiu matéria impugnada, que não foi objeto de manifestação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto da impugnação. Anulandose também todos os atos processuais que ocorreram a partir desta decisão, inclusive os processos originados da apartação determinada na decisão anulada. 26. Assim, em sessão de 05/11/2013, foi proferido o Acórdão DRJ nº 14 46.026 pela 8ª Turma da Delegacia Regional da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP referente ao Processo Administrativo nº 10803.000071/200967, situado às fls. 50.233 a 50.312, no qual se decidiu, em prestígio ao disposto no inciso I do artigo 470 do Decreto nº 4.544/2002, conforme o Anexo I da Portaria nº 1.006, de 24 de julho de 2013, que a competência para a apreciação da contestação quanto à multa regulamentar é da Delegacia de Julgamento São Paulo: Fl. 52689DF CARF MF 12 27. Assim, com fundamento nos dispositivos acima referenciados, a turma decidiu que: "(...) como nos autos as duas matérias foram lançadas conjuntamente, em respeito ao princípio da celeridade processual, a lide somente se aterá à falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, no montante de R$ 888.822.267,20, devendo os autos, posteriormente, serem apartados para o julgamento da matéria referente à multa regulamentar pela DRJ/SPO. Portanto, deixo de apreciar todos os argumentos levantados com referência à multa regulamentar" (seleção e grifos nossos). 28. Importa ressaltar, ademais, que na mesma oportunidade se decidiu pela exclusão da responsabilidade de CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL e, no mérito, pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendose integralmente o crédito tributário exigido. 29. Transcrevese, a seguir, a ementa do Acórdão DRJ nº 1446.026 proferido no Processo Administrativo nº 10803.000071/200967: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais, pelo acusado, e o seu direito de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados. Mesmo não tendo recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças que fundamentam o auto de infração, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se demonstrada a inércia do impugnante em fazer o pedido em tempo hábil suficiente e se restar demonstrado o conhecimento integral da imputação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Descabe a alegação de ilicitude na obtenção de prova ou de Fl. 52690DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.679 13 quebra de sigilo, quando as informações e documentos que instruem processo criminal são compartilhados em processo administrativo fiscal, por expressa autorização Judicial. CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Nos lançamentos por homologação, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador. Porém, na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação a contagem do referido prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, estando sujeito à obrigação principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações acessórias, consistentes, por exemplo, na emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e na escrituração de livros fiscais. SAÍDA DE PRODUTO TRIBUTADO DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer título, inclusive transferência, de produtos do estabelecimento que os tenha importado. Fl. 52691DF CARF MF 14 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. Evidenciado que pessoas físicas, ausentes do contrato social da empresa, são seus verdadeiros controladores, correta a determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos pela empresa, vez que caracterizado que estas pessoas físicas possuem interesse direto nas operações econômicas que geram as obrigações tributárias insertas nos autos. O interesse comum dos responsáveis solidários fica evidente quando se verifica que eles exerciam o controle de todas as operações gerenciais/comerciais/financeiras efetuadas pela sociedade empresária autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até osprocedimentos de importação das mercadorias e venda dessas no mercado nacional e percebiam o lucro advindo desta atividade. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a simulação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, tem previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 30. O Processo Administrativo nº 10803.000071/200967 foi remetido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrandose pendente de julgamento até a presente data. 31. Em sessão de 22/01/2014, em atenção às normas definidoras da competência material das delegacias regionais de julgamento, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1654.397 pela 24ª Turma da Delegacia Regional da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, referente ao presente Processo Administrativo nº 16151.720068/201186, situado às fls. 50.316 a 50.409, no qual a turma decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedentes as impugnações, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Fl. 52692DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.680 15 32. O acórdão decidiu que, preliminarmente não devem prosperar as alegações de: (i) nulidade em virtude de as provas que embasaram o auto de infração terem sido obtidas no contexto da Operação Persona, uma vez que tanto a Constituição como a Lei nº 9.296/96 foram respeitadas quanto à exigência de autorização judicial para quebra de sigilo de dados e comunicações, não havendo, ademais, restrição para a utilização de tais dados como prova emprestada para instrução do presente processo administrativo; (ii) que as provas seriam incompatíveis por terem sido obtidas em 2007 enquanto os fatos geradores seriam relativos aos anos de 2004 a 2007, pois a instrução não se limita ao ano de 2007, havendo "(...) numerosas provas que se referem a períodos anteriores (...) sendo várias específicas dos anos de 2004, 2005 e 2006"; (iii) que as importações não poderiam ser consideradas por conta e ordem, por decorrência do ADI/SRF nº 07/2002, pois as faturas comerciais utilizadas indicando as importadoras como real adquirentes não refletiram a realidade da operação e, diante da falsidade ideal de tais documentos, inaplicável o ato declaratório interpretativo; (iv) teria ocorrido a decadência com base no art. 48 da Lei nº 4.502/64, anterior ao Código Tributário Nacional, que define regra específica no §4º do art. 150, afastando a regra geral do caput para o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN); (v) nulidade em virtude de não ter sido observado o procedimento próprio da Instrução Normativa SRF nº 228/02, uma vez que o procedimento adotado durante a fiscalização tem o mesmo objetivo daquele previsto pela IN, o de "(...) revelar a existência de empresas de fachada e caracterizar uma situação de interposição fraudulenta"; (vi) nulidade por ausência de abertura de um mandado de procedimento fiscal específico para cada pessoa autuada, pois nenhum prejuízo foi verificado aos responsáveis solidários, vez que na fase do procedimento até a lavratura do auto de infração inexistem litigantes, somente havendo que se falar em aperfeiçoamento do litígio, com a apresentação da impugnação, consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235/72; (vii) violação à ampla defesa e ao contraditório, em virtude da dificuldade e demora para a obtenção da integralidade das cópias do processo, uma vez que as impugnações demonstraram pleno conhecimento da infração imputada; (viii) que as fiscalização foi superficial, não buscando a verdade material e que além de basearse em suposições, distorceu as provas de forma a confirmar sua tese de fraude, com base no art. 29 do Decreto nº 70.235/72, no sentido de que a autoridade julgadora formará livremente sua convicção na apreciação das provas. 33. Quanto ao mérito, decidiu, em síntese: (ix) não subsistir a alegação de inaplicabilidade do art. 124 CTN para imputação de responsabilidade solidária por decorrência da própria leitura do dispositivo legal, tampouco o argumento de que não haveria solidariedade em virtude de algumas pessoas físicas não terem jamais exercido qualquer atividade de gerência junto à empresa "MUDE", pois não haveria tal exigência no art. 124, mas somente no art. 135 CTN; (x) quanto ao enquadramento legal da multa aplicada com fundamento no art. 490, I do Regulamento do IPI, analisa a alegação de alguns impugnantes de que a multa aplicável, na verdade, seria aquela de 10% do valor da operação, conforme previsão do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, o que afasta sob o argumento de que tal multa viria a punir aquela empresa importadora que cede seu nome e documentação para acobertar operações de terceiros, enquanto que, no caso vertente, a empresa MUDE seria a real adquirente dos bens importados e, logo, "(...) a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 se aplicaria às eventuais importadoras interpostas e não à real adquirente oculta MUDE"; (xi) quanto à alegação de que a multa do RIPI seria apenas aplicável aos importadores, a leitura do art. 490 esclarece que multa é voltada para a pessoa que consome ou entrega a consumo, e não necessariamente para a pessoa que importa a mercadoria no caso, a empresa "MUDE" vendia, entregava a consumo, os produtos importados de forma fraudulenta, exatamente como na tipificação legal; (xii) quanto à alegação de que tal multa apenas seria aplicável durante o despacho aduaneiro após a aplicação da pena de perdimento, entende que não deve prosperar, tendo em vista que Fl. 52693DF CARF MF 16 multa do art. 490, I do RIPI tem com fator gerador o consumo ou entrega a consumo de mercadoria importada de forma fraudulenta, enquanto que o perdimento do inciso XXII do art. 618, é que se aplica à mercadoria importada com fraude ou simulação, interpondo pessoas ou ocultando algum dos reais intervenientes, exemplificando da seguinte forma: "Se uma empresa importadora pratica a interposição fraudulenta, mas não chega a consumir ou entregar a consumo a mercadoria, não ocorre a hipótese de incidência da multa do IPI, mas ocorre a hipótese de incidência da multa do RA. Se numa segunda hipótese, ocorre uma importação com fraude nas faturas comerciais, mas sem ocultação de qualquer um dos reais intervenientes na operação, ocorre a hipótese de incidência da multa do RIPI, mas não ocorre a hipótese de incidência da multa do RA. Logo, não restam dúvidas de que as duas multas analisadas possuem hipóteses de incidências autônomas, não se podendo cogitar de substituição ou revogação tácita de uma pela outra. Caberia a discussão sobre a cumulatividade das duas multas, o que não faremos visto que não é o caso do presente processo. As provas demonstram que houve fraude na importação e que as mercadorias foram entregues a consumo, estando caracterizada a hipótese da multa do RIPI" (seleção e grifos nossos). 34. Assim, conclui o acórdão no sentido da improcedência das impugnações apresentadas, mantendose na integralidade o crédito tributário lançado: "1. Foi montado um esquema de importações, com a participação de várias empresas e pessoas físicas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos incidentes na importação e na comercialização de produtos estrangeiros. Tal esquema era conduzido pela empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e tinha como beneficiária direta a empresa CISCO DO BRASIL LTDA 2. As práticas ilegais incluíam a interposição fraudulenta na importação com a conseqüente simulação de negócios jurídicos e a falsificação de faturas comerciais. 3. As pessoas físicas autuadas como responsáveis solidários neste processo tinham ciência das práticas fraudulentas e agiram de forma a operacionalizar tais atividades ilegais. 4. Foram postas a consumo mercadorias de procedência estrangeira importadas através de tais práticas fraudulentas, tipificandose assim a multa aplicada" (seleção e grifos nossos). 35. Transcrevese, abaixo, a ementa do Acórdão DRJ nº 1654.397 situado às fls. 50.316 a 50.409, proferido no curso do presente processo administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 52694DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.681 17 Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se a peça impugnatória demonstrar a inércia do impugnante o conhecimento integral da imputação. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE QUEBRA DE SIGILO. ACEITABILIDADE. EXEGESE DO ART. 5º, XII DA CF Sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização emprocesso administrativo fiscal, ressalvada a autorização por magistrado competente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. INFRAÇÃO. MULTA. SOLIDARIEDADE. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Fl. 52695DF CARF MF 18 Crédito Tributário Mantido 36. Em 14/03/2014, a empresa "MUDE" apresentou recurso voluntário, situado às fls. 51.873 a 52.166, além de documentos, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação. 37. Quanto aos responsáveis solidários, em 10/03/2014, a empresa "CISCO" apresentou recurso voluntário, situado às fls. 50.462 a 50.616, além de documentos, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação. 38. Cabe ressaltar que a empresa "CISCO" apresentou, ainda, três pareceres, de: (a) Maria Rita Ferragut, situado às fls. 50.641 a 50.724; (b) Paulo de Barros Carvalho, situado às fls. 50.725 a 50.781; e (c) Iris Sansoni, situado às fls. 50.782 a 50.877. Acrescenta, ademais, tratarse este do modelo de seu negócio, e não de uma interposição fraudulenta. Apresenta, ainda, o seguinte quadro esquemático em que busca explicitar a especificidade de sua operação, dividida nos seguintes núcleos operacionais: (i) Cisco Systems Inc. (fabricante) e Cisco do Brasil Ltda. (subsidiária integral que presta serviços à matriz – remunerada a custo +15%); (ii) Cisco Systems Inc., que sempre vendeu no exterior ("indirect supply chain"), empresa de capital aberto com rígido código de conduta e modelo idêntico em mais de 80 países; (iii) "MUDE": uma das então distribuidoras independentes no Brasil de produtos Cisco, além de outras duas empresas brasileiras; (IV) Cisco do Brasil, que nunca importou para revenda e que existe unicamente para garantia e assistência técnica a produtos Cisco, além de promoção de vendas e suporte comercial à matriz: 39. Também apresentaram recurso voluntário os seguintes responsáveis solidários: Fl. 52696DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.682 19 · FERNANDO MACHADO GRECCO, em 14/03/2014, situado às fls. 52.438 a 52.492; · MARCELO NAOKI IKEDA, em 14/03/2014, situado às fls. 51.816 a 51.870; · MARCÍLIO PALHARES LEMOS, em 14/03/2014, situado às fls. 52.495 a 52.549; · MOACYR ÁLVARO SAMPAIO, em 14/03/2014, situado às fls. 51.699 a 51.752; · HÉLIO BENETTI PEDREIRA, em 14/03/2014, situado às fls. 51.638 a 51.696; · GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO, em 14/03/2014, situado às fls. 51.755 a 51.813; · JOSE ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, em 14/03/2014, situado às fls. 52.318 a 52.435; · CARLOS ROBERTO CARNEVALI, em 10/03/2014, situado às fls. 50.878 a 50.955; · CID GUARDIA FILHO, em 13/03/2014, situado às fls. 51.238 a 51.256; · ERNANI BERTINO MACIEL, em 13/03/2014, situado às fls. 51.438 a 51.456; · PEDRO LUIS ALVES COSTA, em 13/03/2014, situado às fls. 51.197 a 51.237; 40. Não se localizou, no eprocesso, recurso voluntário interposto pelo responsável solidário LUIZ SCARPELLI FILHO, intimado via aviso postal em 12/02/2014, conforme aviso de recebimento que retornou positivo de fl. 50.440. 41. Não se localizou, no eprocesso, recurso voluntário interposto pelo responsável solidário REINALDO DE PAIVA GRILLO, intimado via Edital Eletrônico nº 000641007 em 22/05/2014, situado à fl. 52.552, após duas tentativas frustradas de intimação via aviso postal, conforme os avisos de recebimento de fls. 50.447 e 50.448. 42. Em 30/07/2014, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários apresentados, situadas às fls. 52.555 a 52.602. 43. Em petição conjunta, protocolada em 08/06/2016, HÉLIO BENETTI PEDREIRA e GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO requereram o cancelamento do termo de sujeição passiva em virtude de sua absolvição Ação Fl. 52697DF CARF MF 20 Criminal nº 000582749.2003.403.6181, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com trânsito em julgado certificado em 29/02/2016: É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 44. Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 45. Em síntese, no sentido de prover uma melhor compreensão do caso e de traçar a delimitação da matéria devolvida ao conhecimento deste colegiado, tratase da cobrança de IPI, acrescido de juros e multa, e multa regulamentar do período de apuração de 15/01/2004 a 31/10/2007, lançados em auto de infração discutido no curso do Processo nº 10803.000071/200967. 46. O Acórdão DRJ nº 1446.026, proferido pela DRJRibeirão Preto, decidiu que a competência material para a análise da multa regulamentar caberia à DRJSão Paulo, apartando, assim, do processo originário, o presente Processo nº 16151.720068/201186, no contexto do qual foi proferido o Acórdão DRJ nº 1654.397, ora recorrido, situado às fls. 50.316 a 50.409, no qual a turma decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedentes as impugnações, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. 47. Como, ademais, a multa regulamentar referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 já havia sido objeto de constituição por meio do Processo nº 10803.000038/200937, a matéria ora em debate se restringe ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2007. Fl. 52698DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.683 21 48. Esta a síntese do histórico tratado com maior minudência no relatório que antecede o presente voto. 49. A matéria principal em discussão neste processo se volta à possibilidade da aplicação da multa prevista no inciso I do art. 490 do Decreto nº 4.544/2002 apurada para o período de 2005 a 2007: Decreto nº 4.544/2002 Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. 50. No entanto, em virtude de o processo corrente ser originário do Processo nº 10803.000071/200967, cumpre se decidir, preliminarmente, se subsiste ou não relação de prejudicialidade com relação ao caso vertente. 51. Em consulta ao Sistema de Comunicação e Protocolo ("Comprot") do Ministério da Fazenda, verificouse a remessa do processo em referência a este Conselho: 52. Consta, no campo de "andamento e informações processuais" deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que o processo em referência, sob a relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, foi julgado em sessão de 21/06/2016 pela 2ª Fl. 52699DF CARF MF 22 Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, tendo como resultado "Recurso Voluntário provido em parte por maioria" e "Recurso de Ofício negado por unanimidade", encontrandose o acórdão proferido, no momento da redação original do presente foto, ainda pendente de formalização: 53. O Acórdão CARF nº 3302003.225 foi publicado, em data anterior à sessão pública de julgamento do corrente caso em apreço, com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 IMPORTAÇÃO COM RECURSOS DE TERCEIROS. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRESUNÇÃO DA OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM. POSSIBILIDADE. Para fins de equiparação a estabelecimento industrial, presumese por conta e ordem a operação de importação realizada com recursos de terceiro oculto mediante interposição fraudulenta. CONTRIBUINTE DO IPI. REAL IMPORTADOR. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DISSIMULADA. POSSIBILIDADE. Se comprovado que a operação de importação por conta e ordem foi dissimulada, mediante utilização de interposta pessoa, o real importador Fl. 52700DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.684 23 assume a condição de contribuinte do IPI, por equiparação a estabelecimento industrial. IMPORTADOR EQUIPARADO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. OBRIGATORIEDADE. Na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento, o contribuinte do IPI equiparado a estabelecimento industrial está sujeito ao cumprimento da obrigação principal, consistente no pagamento do tributo devido, e das obrigações acessórias, especialmente, a emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e a escrituração de livros fiscais. CRÉDITO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. APROPRIAÇÃO PELO REAL IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por força do princípio da não cumulatividade, na apuração do IPI a pagar, o real importador pode apropriar como crédito o valor de IPI pago no desembaraço aduaneiro, para fim de dedução do valor do IPI devido na operação de saída do produto importado por conta e ordem do seu estabelecimento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO E A INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se comprovada a existência de fraude ou simulação e a inexistência de pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. POSSIBILIDADE. As pessoas físicas e jurídicas que, informalmente, tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário lançado em nome contribuinte formal pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA DE ATOS FRAUDULENTOS. CABIMENTO. Fl. 52701DF CARF MF 24 1. Uma vez comprovado nos autos que as pessoas físicas, ausentes do contrato social da pessoa jurídica autuada, eram seus verdadeiros controladores, dirigentes e beneficiários do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos pela pessoa jurídica, porque caracterizado interesse direto nas operações econômicas que geram as respectivas obrigações tributárias. 2. O interesse comum dos responsáveis solidários fica evidente quando se verifica que eles exerciam o controle de todas as operações gerenciais/comerciais/financeiras efetuadas pela sociedade empresária autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até os procedimentos de importação das mercadorias e venda dessas no mercado nacional e percebiam o lucro advindo desta atividade. SOLIDARIEDADE PASSIVA POR INFRAÇÃO. CONCURSO NA PRÁTICA E NOS BENEFÍCIOS. POSSIBILIDADE. A pessoa física ou jurídica que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). MULTA QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE MEDIANTE SIMULAÇÃO E CONLUIO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE. Se comprova a fraude mediante simulação e conluio é devida aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2007 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 52702DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.685 25 Não é passível de nulidade a decisão primeira instância em que apreciada todas as razões de defesa suscitadas pelos impugnantes contra todas as exigências consignadas no auto de infração de forma fundamentada e motivada. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS REGULARMENTE CIENTIFICADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, se após a conclusão do procedimento fiscal foi oportunizado e exercido adequadamente o direito de defesa por todos os sujeitos passivos solidários. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DADOS INTERNOS SUFICIENTES. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos do processo administrativo fiscal extraída de escuta telefônica se a coleta e o repasse à fiscalização da RFB foram judicialmente autorizados. ESCUTA TELEFÔNICA. REPRODUÇÃO INTEGRAL DOS DIÁLOGOS. DESNECESSIDADE. Somente os diálogos telefônicos regularmente interceptados por autorização judicial relevantes para a instrução probatória devem ser reproduzidos e coligidos aos autos do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se os elementos probatórios coligidos aos autos revelamse suficientes para formação da convicção do julgador acerca das questões fáticas, a realização de diligência ou a produção de prova pericial tornase prescindível. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 52703DF CARF MF 26 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário do Sr. Luiz Scarpelli Filho. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas pelas Recorrentes e o pedido de diligência apresentado, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a nulidade do Auto de Infração em face da invalidade das provas colacionadas aos autos. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer o direito da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. de deduzir, do valor do crédito tributário constituído no Auto de Infração, o valor do IPI destacado na nota fiscal de venda do importador, parcialmente vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento ao Recurso; o Conselheiro Walker Araújo, que, além do provido, excluía do polo passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda. e o Sr. Carlos Roberto Carnevali; o Conselheiro Domingos de Sá, que, além do provido, excluía pólo do passivo a empresa Cisco do Brasil Ltda., o Sr. Carlos Roberto Carnevali e o Sr. Marcílio Palhares Lemos e afastava a incidência de juros de mora sobre as multas; e a Conselheira Sarah Linhares que, além do provido, afastava a incidência de juros de mora sobre as multas. A Conselheira Lenisa Prado se declarou impedida. O Conselheiro Domingos de Sá fará declaração de voto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral: o Dr. Paulo Sehn OAB 108.361/SP; o Dr. Flávio Eduardo Carvalho OAB 20.720/DF; o Dr. Mário Franco OAB 140.284/SP; e o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante OAB 19.135/CE. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo". 54. Para se definir a existência ou não de questão prejudicial, no entanto, uma vez que não se operou o trânsito em julgado administrativo processo cuja ementa acima se transcreveu (Processo nº 10803.000071/200967), necessário se compreender os motivos que ensejaram a distribuição dos casos a relatores e câmaras diferentes. 55. Ao retornar ao CARF, tanto o Processo nº 10803.000071/200967 como o presente Processo nº 16151.720068/201186 foram submetidos à distribuição livre, tendo sido o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, integrante da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, contemplado com a relatoria do caso vertente. 56. Em petição de fls. 52.634 a 52.652, a empresa "MUDE" requereu a que o Conselheiro Winderley Morais Pereira permanecesse como relator do caso, pois teria sido ele, como componente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção que, em 23/05/2013, em julgamento conjunto, proferiu, como relator, os votos condutores do Acórdão Fl. 52704DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.686 27 CARF nº 3102.001872 (Processo nº 16151.720068/201186) e do Acórdão CARF nº 3102.001873 (Processo nº 10803.000071/200967), anulando a decisão da DRJ de Ribeirão Preto que determinou a apartação dos processos. 57. Isto porque, em conformidade com o § 8º do art. 49 do RICARF então vigente, "(...) na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara". 58. Em 29/01/2015, o Conselheiro Henrique Torres, Presidente desta 3ª Seção de Julgamentos proferiu o seguinte despacho, situado às fls. 52.619 a 52.620: "Os dispositivos regimentais §§ 7º e 8º do artigo 49 do Anexo II do RICARF apresentados pela requerente para a redistribuição ao Conselheiro Winderley Morais Pereira, disciplinam situação diferente da objeto destes autos, mais precisamente, a em que processos retornaram de diligência ou com embargos de declaração, o que não é o caso do processo sob exame, que trata de novo recurso voluntário interposto contra nova decisão da DRJ, que substituiu decisão anterior anulada pelo CARF. A outra possibilidade de distribuição destes autos ao nobre Conselheiro seria a de redistribuição por conexão com o processo 10803.000071/2009 67. Todavia, aqui também não pode ser feita a alteração pretendida pela requerente, pois, a conexão, de fato, não se configurou, haja vista que esse processo não se encontra com o eminente conselheiro, o que de per si afasta qualquer hipótese de conexão. Assim, à mingua de amparo regimental, a redistribuição pleiteada deve ser indeferida. Com essas considerações, indefiro o requerimento de redistribuição destes autos ao conselheiro Winderley Morais Pereira e os devolvo ao conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para prosseguir na análise dos recursos voluntários apresentados pelos sujeitos passivos" (seleção e grifos nossos). 59. Considerando que a prejudicialidade é verificada diante da existência de questão que demanda decisão prévia cujos efeitos podem eventualmente transbordar sobre a quæstio principal, cabe se indagar sobre a viabilidade de se julgar a multa regulamentar a depender do resultado obtido no Processo nº 10803.000071/200967, o que implicaria a necessidade do sobrestamento do presente feito até o ulterior trânsito em julgado da decisão administrativa do caso originário. 60. De fato, em consonância com o despacho de 29/01/2015, não se aplica o disposto no § 8º do art. 49 do RICARF então vigente, uma vez que sobreveio a anulação da decisão de primeira instância administrativa, o que ensejaria nova distribuição livre a um dos conselheiros desta Seção por vis attractiva da matéria sob exame. 61. Por outro lado, ainda que se reconheça que a vinculação dos processos por similitude da matéria pudesse ter sido declarada para evitar decisões dissonantes Fl. 52705DF CARF MF 28 de jurisdições equivalentes, no caso, duas turmas da mesma Seção de Julgamento, inexistia, à época, fundamento regimental para o aperfeiçoamento da reunião dos casos. 62. Observase que, atualmente, a matéria relativa à vinculação de processos se encontra disciplinada, mas tanto a conexão, verificada no caso de exigência de crédito fundamentado em fato idêntico ao tratado no processo originário, como a decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior, como o reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos, são tratados pelo § 1º do art. 6º do Anexo II do RICARF atual, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, como uma faculdade, e não como uma determinação mandatória ou imperativa: Portaria nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Anexo II Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I. Conexão (...); II. Decorrência (...); III. Reflexo. 63. Ainda que se reconheça a viabilidade da vinculação, e ainda que o presente processo tenha ingressado neste Conselho em 12/08/2014 e o processo originário em 18/09/2014, conforme abaixo se demonstra, ou seja, em datas bastante próximas, procedeuse à distribuição livre dos feitos: Fl. 52706DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.687 29 64. Caso afastada a tese da importação irregular ou fraudulenta no processo originário, prejudicada estaria a questão da multa, o que, em um primeiro momento, conduz à solução no sentido do sobrestamento deste processo. 65. A conclusão decorre do fato de que a autuação discutida no processo originário se baseou na: (i) verificação da ocorrência de simulação de negócio jurídico, por meio de interpostas pessoas em operações de importação, a fim de ocultar o verdadeiro sujeito passivo, pois constatada a antecipação de recursos; (ii) equiparação da empresa a estabelecimento industrial, por se tratar a real importadora de mercadorias e (iii) constatação de fraude, por ter a empresa, com a simulação das operações, deixado de recolher os tributos devidos, pelo que foi aplicada a multa qualificada, prevista na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II. 66. Assim, observamos que a antecipação dos recursos foi elemento determinante para a realização da autuação e, não subsistindo eventualmente tal argumento, de maneira a ruir o núcleo da autuação, tampouco se poderá cogitar do prosseguimento do presente debate, sob pena de se prover aos jurisdicionados, sejam eles os contribuintes em sujeição passiva ou a Fazenda Nacional, uma prestação jurisdicional potencialmente contraditória. 67. Entendemos, contudo, que o julgamento da matéria devolvida à cognição deste colegiado pode prosseguir na análise do mérito sem a necessidade de se recorrer a tal expediente. Isto porque, em nosso entendimento, deverá o exame passar ao largo da questão suscetível ao manto da prejudicialidade uma vez que a fundamentação que utilizaremos a seguir para demonstrar a nossa convicção prescinde, salvo incidentalmente, da informação pertinente à antecipação dos recursos ou à própria consideração de se tratar ou não a contribuinte de uma empresa equiparada a estabelecimento industrial. 68. Partese da premissa de que o processo originário (Processo nº 10803.000071/200967) discute auto de infração lavrado em virtude de a autoridade fiscal ter entendido que os importadores ostensivos forneceram seu nome para o real importador, responsável pelos recursos financeiros, que permanece como adquirente oculto na operação. Em virtude desta constatação, baseada nas provas colhidas no curso do procedimento fiscalizatório iniciado com base no material colhido no contexto da Operação Persona, foi cobrado o IPI devido na saída dos produtos do adquirente oculto. Observase, ademais, que não foi considerado o IPI recolhido anteriormente pelos importadores ostensivos. 69. A cobrança foi acrescida de multa qualificada de 150%, nos termos do § 2º do art. 46 da Lei nº 9.430/1996, por decorrência da aplicação do inciso IX e no § 2º do art. 9º do RIPI de 2002, em razão de conduta tipificada no artigo 27 da lei 10.637/2002 c/c artigo 79 da MP 215835/2001. Foi aplicada, ainda, a penalidade prevista no inciso I do art. 490 do RIPI/2002, de 100% sobre o valor da mercadoria, esta apartada para discussão no presente processo, conforme acima se noticiou. Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/2002) Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º (...). § 2º A operação de comércio exterior Fl. 52707DF CARF MF 30 realizada nas condições previstas no inciso IX, quando utilizados recursos de terceiro, presumese por conta e ordem deste. Lei nº 10.637/2002 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. 70. Com lastro positivo no recorte normativo acima descrito, a autoridade fiscal, ao equiparar o adquirente oculto a estabelecimento industrial, procedeu à cobrança do IPI devido, e, por decorrência da fraude, aplicou a multa qualificada de 150%. Não obstante, por entender ter sido verificada a entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado irregular ou fraudulentamente, aplicou também a multa igual ao valor da mercadoria. 71. No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aplicação concomitante das penalidades não deve prosperar, como se tem notícia do julgamento do Recurso Especial nº 1496354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, com acórdão publicado em 24/03/2015, e cuja ementa abaixo se transcreve: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano Fl. 52708DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.688 31 calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido" (seleção e grifos nossos). 72. Observese, ademais, que, no caso do cotejo entre as multas isolada e de ofício, analisadas pelo aresto acima transcrito, duas são as condutas verificadas: não pagar a estimativa e não pagar o imposto incidente sobre a renda. Contudo, o que se observa entre elas é a existência de um vínculo indissociável, não sendo possível ao agente, na situação acima, analisada pelo Superior Tribunal de Justiça, cometer uma infração sem cometer a outra.1 Para que se tome por cristalino o argumento, o ato reprovável, segundo a perspectiva do direito, é um, e somente um, e a cada antecedente uma sanção, não sendo possível que a conduta refrate o espectro da pena para dois conseqüentes distintos. 73. Neste sentido, o voto do Conselheiro Marcos Vinícius Neder, relator do Acórdão CSRF nº 105139.794, proferido em sessão de 04/12/2006 pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, abaixo referenciado: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente 1 FAJERSZTAJN, Bruno. Multas tributárias regime jurídico, fundamentação e limites. Dissertação de Mestrado, sob orientação de Roberto Quiroga Mosquera, apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2016, pp. 301302: "Outra interessante questão envolvendo o bis in idem em matéria de multas tributárias diz respeito à exigência de diferentes sanções para condutas que, embora não idênticas, são intimamente relacionadas e até complementares entre si. Nesse caso, geralmente a questão gira em torno de sanções de mesma natureza jurídica, mas decorrente da prática de atos distintos, embora vinculados" (seleção e grifos nossos). Fl. 52709DF CARF MF 32 a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam 'princípio da consunção'" (seleção e grifos nossos). 74. Tal matéria, no sentido da impossibilidade da concomitância das penalidades, foi de tal maneira sedimentada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais e das turmas ordinárias deste CARF que se editou a seguinte súmula: Súmula CARF nº 105, de 08/12/2014: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 2 75. A questão foi analisada com riqueza e didatismo em recente pesquisa conduzida por Bruno Fajersztajn, segundo a qual a vedação à dupla sanção contra idêntica conduta decorre da própria estrutura daqueles Estados nos quais vigora o primado do direito. Como restrição de direitos, ainda que de ordem patrimonial, a multiplicidade sancionatória malferiria a ideia de consunção, construto teórico fundado na vedação do "bis in idem" diante de um "(...) conflito aparente de normas, isto é, quando um mesmo fato fica sujeito a duas normas sancionatórias diferentes",3 o que se resolve por (i) especialidade, mediante "derrogação da lei geral pela lei especial", (ii) subsidiariedade, por "anulação da lei subsidiária pela aplicação da lei principal", ou (iii) absorção, aplicandose a lei de maior abrangência, de maior pena, afastandose a outra. 76. A questão, segundo o autor, não é nova ao Supremo Tribunal Federal, conforme se depreende da leitura do Recurso Extraordinário nº 80.093/SP: "Nesse contexto, registrese que o STF já analisou e aplicou a vedação ao bis in idem em matéria de sanções e multas tributárias no julgamento do Recurso Extraordinário n. 80093SP, Tribunal Pleno, julgado em 05 de outubro de 1977, Relator Min. Bilac Pinto. Naquela ocasião, o Tribunal entendeu descabida a exigência de multa moratória cumulada com a correção monetária, por ambos possuírem a mesma finalidade, o que implicou indevido bis in idem, tendo restado afastada a multa moratória"4 (seleção e grifos nossos). 77. A utilização de teorias desenvolvidas no campo penal e a sua releitura por outros ramos do direito pode ser proveitosa para a compreensão do direito tributário penal ou sancionador, e já escrevemos a respeito dos limites deste diálogo em outra oportunidade: 5 2 Acórdãos utilizados como paradigmas para a aprovação da súmula: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101 001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. 3 FAJERSZTAJN, Bruno. Op. Cit. Ibidem. 4 Ibidem. 5 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. TAKANO, Caio Augusto. Responsabilidade por Infrações em Matéria Tributária: Reconsiderações à luz do art. 136 do Código Tributário Nacional. In: OLIVEIRA, Ricardo Fl. 52710DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.689 33 "A convergência é tal que Hector Villegas não diferenciava entre direito penal tributário e direito tributário penal (...). Dino Jarach, ao promover o aprofundamento da relação entre os dois sistemas, afirma que também em matéria de ilícitos tributários não se presume a culpa, mas a inocência, e que o ônus da prova recai sobre o acusador, o que encontraria eco na doutrina brasileira, a ponto de Geraldo Ataliba questionar: 'a quem compete o estudo da legislação repressiva tributária: aos penalistas ou aos tributaristas?' (...). Nada obstante inexistir qualquer critério ontológico que diferencie as infrações administrativas das infrações penais, mas sua distinção ser meramente formal (cabendo ao legislador a opção por incluir determinada infração em uma categoria ou em ambas), isto não significa que o ordenamento jurídico confira identidade de tratamento a ambas. Como observa Luís Eduardo Schoueri, a competência para instituição de sanções tributárias advém do ius tributandi, i.e., da própria atribuição de competência (legislativa) tributária, distanciandose, portanto, da fundamentação das sanções decorrentes do ius puniendi estatal, tais quais aquelas inseridas no âmbito do Direito Penal. A assertiva é relevante, pois, se diferentes são as suas fundamentações, conseqüentemente distintos serão seus regimes jurídicos. Daí a relevância de reconhecer, sem olvidar as divergências doutrinárias que circunscrevem a questão, o Direito Tributário Penal como um ramo didaticamente autônomo do direito, que visa a regular as penalidades impostas pela Administração Pública, em matéria tributária, decorrentes do não cumprimento de obrigações tributárias principais ou deveres instrumentais. É que esta separação didática permitirá melhor compreensão das peculiaridades do regime jurídico das sanções punitivas decorrentes de ilícitos administrativos em nosso ordenamento jurídico. Com efeito, na aplicação das sanções administrativas decorrentes de infrações tributárias, diversos princípios jurídicos tradicionalmente considerados típicos do Direito Penal se interpenetram no regime jurídico eminentemente tributário que disciplina a matéria. Ou seja, vige a permeabilidade de princípios, pela qual alguns princípios do Direito Penal são estendidos ao Direito Tributário Penal (...). Neste ponto, devese observar que tais princípios são aplicáveis sempre que houver pretensão punitiva, seja de natureza penal ou administrativa. Se assim é, a rigor, não seria necessária qualquer menção explícita a eles na disciplina das infrações tributárias. No entanto, não foi esse o caminho trilhado pelo legislador nacional. Preferiu positivar tais princípios também na legislação tributária, explicitando a imposição de sua aplicação em matéria sancionatória, e assim extirpando quaisquer dúvidas sobre a sua imperatividade" (seleção e grifos nossos). Mariz de, SCHOUERI, Luís Eduardo, e ZILVETI, Fernando Aurélio (coord). Direito Tributário Atual nº 29 (Instituto Brasileiro de Direito Tributário IBDT), São Paulo: Dialética, 2013, p. 116. Fl. 52711DF CARF MF 34 78. Em profícuo e substancioso estudo especificamente sobre a matéria, Fábio Brun Goldschmit6 apontou para requisitos delimitadores da aplicação do non bis in idem ao direito tributário: (i) identidade de sujeitos passivos, (ii) fatos efetivamente praticados e (iii) bens juridicamente protegidos. Contudo, como ressalva o próprio autor, o último requisito merece relativização e, na precisa interpretação de Bruno Fajersztajn sobre os predicados determinantes deste construto de doutrina trazido do campo penal, em última análise, "(...) os bens jurídicos protegidos em qualquer sanção decorrente do descumprimento de obrigação tributária, seja ela administrativa ou penal, serão sempre idênticos, quais sejam, a arrecadação tributária"7 (seleção e grifos nossos). 79. Cabe ressaltar que o caso concreto sob análise reporta ao período de apuração referente a intervalo compreendido entre os anos de 2005 a 2007, uma vez que a multa regulamentar aplicada no anobase 2004 foi objeto de constituição de auto de infração apartado, discutido no Processo nº 10803.000038/200937, no qual sobreveio o Acórdão CARF nº 320100.974, de relatoria da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, proferido em sessão de 22/05/2012 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamentos. 80. Normas de direito tributário sancionador devem buscar a tutela de um bem jurídico que, no do auto de infração lavrado, é o "(...) bem jurídico aduaneiro", por decorrência do art. 237 da Constituição da República de 1988,8 uma vez que se remete à potencialidade lesiva da conduta dos agentes sobre a concorrência, o mercado e a economia nacional, vez que "(...) no âmbito das importações, em termos gerais, dois bens jurídicos podem ser tutelados: o tributo e outros valores aduaneiros (não fiscais)": "Vêse que, nestes autos, a questão crucial para a correta análise e julgamento da lide reside em saber quantos e quais bens jurídicos poderiam ter sido ofendidos pelos Recorrentes, segundo a acusação contida no Termo de Verificação Fiscal. A partir daí, verificar no sistema jurídico posto, as penalidades que visam a tutelar tais bens jurídicos tidos por ofendidos. Em algumas partes do Termo de Verificação Fiscal constam alusões de que a operação de distribuição ora em análise, tal como organizada e implementada pelos agentes, acarretaria ou poderia ter acarretado dano à concorrência, ao mercado ou até mesmo à economia nacional. Tais valores são parte da competência aduaneira (art. 237 da CF/88), que visa a proteger a indústria nacional e a concorrência internacional. Registro aqui que, no meu sentir, a Legislação Aduaneira vem sendo sistematicamente apequenada, participando como um mero elemento na composição do orçamento publico, como parte menor da Legislação Tributária, quando sabemos que os valores aduaneiros protegidos visam muito mais do que proteger a higidez da carga tributária. Ao deixar que tais valores sejam cuidados por diferentes órgãos do Estado, que propõe legislações apartadas da legislação aduaneira, os valores aduaneiros acabam sendo desprestigiados. 6 GOLDSCHMIT, Fábio Brun. Teoria da Proibição de Bis In Idem no Direito Tributário e Direito Sancionador Tributário.São Paulo: Noeses, 2014, passim. 7 FAJERSZTAJN, Bruno. Op. Cit., pp. 295296. 8 Constituição de 1988 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 52712DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.690 35 De todo modo, poderia se supor que o lançamento em tela possui como objetivo a proteção do bem jurídico Aduaneiro, cuja cobrança compete à Receita Federal do Brasil (Lei no 9.019, de 1995, art. 3º, § 2º).Contudo, valendome das palavras muito bem colocadas pelo Professor Doutor Ivo Gico, cuja especialidade é Direito Econômico e Economia, além de ser Mestre com honra máxima em Direito pela Columbia Law School, em parecer apresentado a esta Relatora pelos procuradores de uma das Recorrentes e cujas conclusões foram sustentadas da Tribuna, não há elementos nos autos que demonstrem, com a clareza e a objetividade necessárias, a prática de ilícito na seara concorrencial, mercadológica ou econômica" (seleção e grifos nossos). 81. O voto condutor do Acórdão CARF nº 320100.974 passou a demonstrar, em seguida, a carência probatória do auto de infração, não tendo sido apontados pela autoridade fiscalizadora, na fundamentação de sua acusação, os critérios mínimos para a identificação do dano ao mercado como, e.g., a constatação de prática de preços predatórios por parte dos autuados: "Não há sequer como fazer a apuração de ilícitos concorrenciais com os elementos contidos nestes autos. De fato, os que poderiam caracterizar o dano ao mercado ou à economia nacional não constam dos autos e tampouco foram buscados pelos Srs. Agentes Fiscais (os critérios para identificação de dano ao mercado, como por exemplo preço predatório, constam da Portaria SEAE nº 70/2000)" (seleção e grifos nossos). 82. Não obstante, voltase à questão à qual nos referimos anteriormente: a autoridade fiscal constituiu, no curso do processo originário destes dois casos, créditos tributários decorrentes da falta de recolhimento de IPI de estabelecimento equiparado a industrial por conta da fraude constatada por meio dos indícios colhidos pela Operação Persona conduzida pela Polícia Federal. 83. Tais créditos foram acrescidos de multa de ofício qualificada, o que levou a Relatora a concluir que, no entendimento da autoridade fiscal, o bem jurídico possuiria natureza tributária e não aduaneira: "De outro lado, tendo em vista que nos autos do processo administrativo nº 10803.000071/200967, o qual também foi lavrado no bojo da Operação Persona, com fundamento no mesmo MPF de que decorre o lançamento ora em análise e sabidamente se apoia nos elementos que igualmente foram acostados nestes autos, os Agentes Fiscais constituíram créditos tributários de IPI, acrescidos de multa de 150%, exatamente sobre as mesmas bases de cálculo, é legítimo concluir que, sob o ponto de vista dos Agentes Autuantes, com os qual eu concordo, o bem jurídico ofendido possui natureza jurídica tributária. Fl. 52713DF CARF MF 36 Lamentavelmente, a fundamentação do Auto de infração iluminou apenas um dos aspectos, que foi o aspecto tributário, de sorte que o bem tutelado, ao meu sentir, foi a higidez da carga tributária do IPI. Em outras palavras, a Fiscalização analisou os elementos apreendidos na Operação Persona e, embora tenha demonstrado certa percepção de que poderia haver dano ou conduta desleal, compreendeu que se está diante de uma fraude que foi desenhada para burlar o pagamento do IPI. Este seria o bem jurídico ofendido. E para essa alegada fraude, o sistema da Lei nº 9.430/96. Não obstante isso, o Recorrente Mude Comércio e Serviços Ltda., acerca do pagamento de tributos, trouxe argumentos relevantes sobre a carga tributária total assumida com o modelo de negócios, tendo em vista a incidência de PIS/COFINS cumulativa, em cada uma das etapas da cadeia, além da CPMF que repercute sobre cada um dos pagamentos efetuados pelos agentes ali presentes (o que deverá ser analisado em processo administrativo específico). Em lides anteriores, nunca autorizei que fossem aplicadas duas penalidades para sancionar uma única conduta (...). Devese ainda ter em mente que as operações praticadas em 2004, objeto do AI em análise, foram submetidas ao controle aduaneiro pelos importadores, mediante registro das cabíveis Declarações de Importação (“DI”) nos órgãos competentes para efetuar o despacho aduaneiro. Esta Turma, em julgamento cujo Relator foi o Dr. Luciano Lopes de Almeida Moraes (Acórdão 30238072) e esta Relatora participou como Presidente, em decisão unânime e já transitada em julgado (não restou admitido o RESP da Fazenda Nacional), analisou caso semelhante ao presente e se manifestou firme no sentido de que “a mercadoria importada introduzida no País albergada por declaração de importação, forma regular de entrada, não pode ser classificada aquela importação clandestina, fraudulenta ou irregular.” Ora, se a mercadoria foi importada regularmente, passando pela Fiscalização aduaneira e sendo posteriormente liberada, não há como, ainda que existindo falta de informação na DI quanto ao real adquirente, prevalecer a sanção prevista no art. 490, I, do RIPI. E como somente em 2010, com a adoção da Medida Provisória nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 passou a ser apenada a“revenda” de mercadoria importada irregular ou clandestinamente, resta evidente que, no ano de 2004, sequer a multa aduaneira poderia ter sido aplicada (para o IPI, nem mesmo com as modificações introduzidas em 2010 foi incluída a hipótese de “revenda” na conduta delitiva passível de ser sancionada pela multa regulamentar). Mas atendose à multa do IPI, que incide sobre consumo ou entrega a consumo, deveria haver a comprovação por parte dos Agentes Fiscais de que teria ocorrido um desses dois eventos, definidos pela legislação consumerista, excluindose as operações feitas com integradores, pois se trata de verdadeira “revenda” (para não consumidor final) " (seleção e grifos nossos). Fl. 52714DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.691 37 84. A relatora esclareceu, ademais, que a legislação da década de 1960 não previa a figura da importação fraudulenta por meio da interposição de pessoas, que apenas foi introduzida no ordenamento pátrio por meio da Medida Provisória nº 66/2002, não havendo qualquer sentido em se aplicar a multa regulamentar prevista no inciso I do art. 490 do RIPI, cuja origem remonta ao ano de 1968, a uma conduta então atípica: "Devese esclarecer que, em 30 de dezembro de 1968, momento da veiculação do atual art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 (redação dada pelo DecretoLei nº 400/68), as operações de importação que poderiam ser tidas por clandestinas, irregulares ou fraudulentas e, por isso, comporiam o elemento do tipo penal em questão eram aquelas que, fundamentalmente, se referiam à utilização de documento falso ou, nas palavras do então Ministro da Fazenda, Dr. Antonio Delfim Netto, contidas na exposição de motivos do aludido DecretoLei, “nota frias”. Não se falava, naquela época, por óbvio, em interposição fraudulenta de terceiros, tampouco em multa para essa modalidade de ilícito. A interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação e as consecutivas multas aplicáveis apenas foram introduzidas em nosso ordenamento jurídico em agosto de 2002, com a Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). Antes disso, nem sequer se falava em interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação. Com essa figura devidamente inserida no ordenamento jurídico, aí sim se pôde falar em hipótese válida ensejadora da pena, que aliás é aquela propriamente prevista na norma e possui sanção própria (aduaneira). Apenas para reforçar, tomando por emprestadas as palavras do Conselheiro Daniel Gudino, no âmbito das importações, em termos gerais, dois bens jurídicos podem ser tutelados: o tributo e outros valores aduaneiros (não fiscais). Com relação ao tributo, as regras punem a interposição fraudulenta e a entrega a consumo. Contudo, a regra prevista no art. 490, I, do RIPI, é uma regra que tem origem em 1968, quando sequer existia a figura jurídica “interposição de pessoas”, razão pela qual a regra não se aplica aos bens não fiscais protegidos pelas Aduanas" (seleção e grifos nossos). 85. Este, aliás, o sentido do parecer formulado, a pedido de uma das recorrentes, por Iris Sansoni, no sentido de que "(...) as principais leis aplicadas remontam à década de 60 – Lei do IPI (4502/64) e Lei Aduaneira (DL 37/66) – quando já haviam sido estabelecidas algumas premissas básicas, para compreensão do sistema de infrações e penalidades envolvendo importações". Ressalta, em seguida, uma importante distinção que deve ser feita na interpretação das normas vigentes à época polarizadas em torno da ideia de pressuposto fático: (i) no caso do inciso I do art. 490 do RIPI, a multa equivalente ao valor comercial das mercadorias é aplicada quando se verifica que o detentor da mercadoria estrangeira tenha procedido à sua "(...) introdução clandestina, irregular ou fraudulenta no país ( expressões equivalentes ao contrabando ou descaminho)" ou "(...) tenha dado saída a tais mercadorias de seu estabelecimento, sem prova documental de sua regular importação Fl. 52715DF CARF MF 38 (DI registrada) ou aquisição no mercado interno"; já (ii) o inciso XII ou § 1º do art. 618 do Regulamento Aduaneiro de 2002 é aplicado quando tenha sido feito "(...) despacho aduaneiro de importação em nome de pessoa que apenas emprestou o nome", o importador ostensivo, havendo um adquirente oculto, o "(...) importador por conta e ordem ou encomendante, não indicado na DI, de forma fraudulenta". Em seu entendimento, embora a autuação tenha por fundamento o inciso I do art. 490 do RIPI, a situação descrita pela autoridade fiscal é pressuposto fático do inciso XII do art. 618 do RIPI: "Da leitura da legislação fica claro que se a Fazenda comprovar que os recursos para pagamento da importação ou dos tributos foram providos por terceiro que não o importador de direito (que figura na DI), presumese que a importação ocorreu por conta e ordem de terceiro. Esse terceiro se equipara a estabelecimento industrial, estando sujeito ao IPI, e responde solidariamente com o importador por eventuais diferenças de tributos ou penalidades exigidos pela fiscalização depois do registro da DI (isso porque no registro o importador já paga os tributos incidentes). A essas disposições, se contrapõe a situação de ocultação fraudulenta do terceiro (a ocultação fraudulenta ocorre quando os recursos provêm de origem ilícita, o que motiva a ocultação). Nesse caso, não se fala mais em exigência de diferenças de tributos, nem pagamento de IPI pelo importador oculto, porque a mercadoria fica sujeita à Pena de Perdimento do artigo 23, V, do DL 1455/76. Na prática, sempre que o Fisco detecta recursos adiantados por terceiro para o importador pagar a importação, e seu nome não é indicado na DI como importador por conta e ordem, a fiscalização considera a que houve ocultação e interposição fraudulenta. A alegação do fisco é que o terceiro é o real adquirente (já que providencia os recursos financeiros) e não se apresenta como tal, para não ter de se cadastrar junto ao RADAR, e não se equiparar a industrial para pagar IPI na saída dos produtos de seu estabelecimento, que se equipara a industrial. Nem sempre é assim (ocultação fraudulenta), e muitas vezes há apenas desconhecimento, engano do importador ostensivo, mero adiantamento de sinal que se confunde com fornecimento de recursos, etc. Mas o Fisco invariavelmente rotula a importação como interposição fraudulenta, aplicando a pena de perdimento prevista no artigo 23 do DL 1.455/76, e os artigos 77 a 81 da MP 215835/2001 nem chegam a ser aplicados, assim como a exigência de IPI (a Pena de Perdimento absorve tudo). No caso do PAF 10803.000071/200967 o fisco fez exatamente isso: entendeu que houve adiantamento de recursos por parte da Mude para os importadores pagarem as importações (câmbio e tributos incidentes na importação) e que portanto era o real adquirente ( importador de fato, que ficou oculto fraudulentamente). Só que se equivocou, e não aplicou a penalidade correspondente à acusação que fez, aplicando a penalidade da Lei 4502/64, que nada tem a ver com essa infração, que nem existia na década de 60, quando não se falava ainda em importação por conta e ordem de terceiro artigos 77 a 81 da MP 215835/2001 nem chegam a ser aplicados, assim como a exigência de IPI ( a Pena de Perdimento absorve tudo). Fl. 52716DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.692 39 No caso do PAF 10803.000071/200967 o fisco fez exatamente isso: entendeu que houve adiantamento de recursos por parte da Mude para os importadores pagarem as importações (câmbio e tributos incidentes na importação) e que portanto era o real adquirente ( importador de fato, que ficou oculto fraudulentamente). Só que se equivocou, e não aplicou a penalidade correspondente à acusação que fez, aplicando a penalidade da Lei 4502/64, que nada tem a ver com essa infração, que nem existia na década de 60, quando não se falava ainda em importação por conta e ordem de terceiro" (seleção e grifos nossos). 86. Tal análise, no entanto, não será feita no presente voto, pois a conclusão deve caber à autoridade competente para julgar o auto de infração originário, discutido no Processo nº 10803.000071/200967. No entanto, a prosperar tal raciocínio, a acusação de interposição fraudulenta deve ter, como fundamento último, o inciso V do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, sobretudo diante da informação da empresa "MUDE" no sentido de que ter trazido a conhecimento dois relatórios técnicos realizados por empresas de auditoria nos quais se constata que não havia, no período em análise, qualquer antecipação de recursos aos importadores ostensivos. 87. O que se extrai, no entanto, do parecer elaborado por Iris Sansoni, é que a multa qualificada prevista pelo inciso I e § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/66 visa combater: (i) a falta de declaração; (ii) a declaração inexata; ou (iii) a falta de pagamento do tributo. Como se sabe, tais hipóteses se fazem possíveis nas modalidades de lançamento com participação do sujeito passivo: por declaração ou por homologação. Ao nos voltarmos especificamente ao caso do Comércio Exterior, o pressuposto fático da aplicação da sanção é a declaração inexata, incidindo a multa sobre a diferença de tributo, sendo necessário se ressaltar que "(...) só se cobra tributo e essa penalidade, quando não é cabível o perdimento e o despacho culmina com o desembaraço da mercadoria (entrega ao importador)". 88. Correto, portanto, o seguinte raciocínio no sentido de que a pena de perdimento produz o efeito de absorver as demais: "(...) não é cabível a aplicação concomitante de perdimento, e tributo devido no desembaraço aduaneiro de mercadoria (acrescido de penalidade incidente sobre a diferença de tributo lançada de ofício). O caso que o Fisco disse que entende ter ocorrido (acusação) é o de interposição fraudulenta na importação, com declaração de importação registrada em nome de importador ostensivo, sem declinar que existia um importador por conta e ordem que forneceu os recursos para pagar a importação (...). (...) Não há espaço para a cobrança de diferenças de impostos incidentes na importação (por pretensa declaração errônea de valor aduaneiro), nem penalidades por declaração inexata, ´porque esse procedimento só é cabível se a mercadoria for desembaraçada, o que não se coaduna com o perdimento. A Pena de Perdimento, como já foi dito anteriormente, absorve qualquer outra. A meu ver, aplicado o perdimento, quando cabível, cabe Fl. 52717DF CARF MF 40 restituição dos tributos incidentes na importação (no registro da DI)" (seleção e grifos nossos). 89. Assim, ainda que o raciocínio acima conduza a uma perspectiva sensivelmente diversa da presente, também admite a aplicação do "non bis in idem", fazendose necessário, para além da própria construção doutrinária sobre a matéria, refletir sobre se, de fato, alguma pena deverá ser absorvida e qual delas: em nosso caso, ou a multa qualificada ou a regimental. O legislador, ao oferecer balizas fixas ao aplicador, não poderá ser alijado da fundamentação do quanto decidido, sob pena de invalidade da decisão. Neste sentido, as inclinações teóricas e paixões devem ser colocadas à prova do direito positivo, e, em nosso caso, o art. 11 do DecretoLei nº 326/1967 determina que "as multas por infração à legislação fiscal serão impostas ou revistas de acordo com a lei que tratar mais benignamente a falta apurada". 90. No mesmo sentido, o parecer de lavra de Paulo de Barros Carvalho, que concluiu pela impossibilidade de aplicação concomitante das penalidades decorrentes da prática de interposição fraudulenta de terceiros na cadeia de importação e a multa decorrente do não pagamento ou atraso do tributo evitado por meio de fraude "(...) em virtude da aplicação do princípio da consunção, ou absorção, já que tais condutas estão intimamente ligadas por relação de meiofim". 91. Sob tais fundamentos, concluiu o voto da Conselheira Relatora do Acórdão CARF nº 320100.974 no sentido de que o auto de infração, lavrado sob os mesmos fundamentos, sob o mesmo repertório probatório, contra os mesmos sujeitos passivos, a partir do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal que o do presente processo, não poderia subsistir, sobretudo porque a penalidade regulamentar já teria sido cobrada por meio de multa específica, no processo originário (Processo nº 10803.000071/200967) de ambos os casos: "Esses são motivos suficientes para se concluir que, no presente caso, não poderá subsistir a multa imposta pelas Autoridades Fiscais, prevista no art. 490, I, do RIPI, seja porque o bem jurídico tutelado (IPI) já foi cobrado com multa específica em outro processo, seja porque as importações foram submetidas ao legítimo controle aduaneiro ou porque, ainda que possam haver determinados erros nos documentos de importação, o que não verifiquei posto que não são objeto deste auto de infração, isso não torna a operação clandestina, irregular ou fraudulenta para fins do aqui pretendido. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário da Mude Comércio e Serviços Ltda., assim como dos demais solidários que igualmente apresentaram tal argumento, para cancelar a multa imposta, prevista no art. 490, I, do RIPI. Quanto aos demais argumentos levantados pelos Recorrentes, sejam eles de natureza preliminar ou meritória, entendo que restam prejudicados, em razão do provimento dos Recursos por questão de mérito e da desconstituição da totalidade dos créditos tributários" (seleção e grifos nossos). 92. A questão atinente à prejudicialidade, acima levantada, é afastada por meio deste entendimento, pois, caso mantido o auto de infração originário ao cabo do Processo Fl. 52718DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.693 41 nº 10803.000071/200967, verificarseia a concomitância das penalidades, não suportada pelo ordenamento pátrio. E, ainda que afastada a multa qualificada, a multa regulamentar tampouco poderia subsistir, vez que a fraude por meio da interposição de pessoas, neste caso específico, fundamenta não apenas a multa qualificada (aplicada com base no inciso I e §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96), mas também o próprio fato gerador do IPI (em virtude da equiparação da empresa a estabelecimento industrial com base no inciso IX e no § 2º do art. 9º do RIPI de 2002, em razão de conduta tipificada no artigo 27 da lei 10.637/2002 c/c artigo 79 da MP 215835/2001) e a multa em debate (com base no inciso I do art. 490 do RIPI/2002). Em outras palavras, afastar a multa de 150% por não reconhecimento da fraus legis seria, a um só tempo, desnaturar também as materialidades tanto do tributo como da multa regulamentar: a verificação da fraude, neste caso concreto, é o pressuposto de todas as exações em disputa. Assim, uma vez confirmada pela turma a convicção formada neste voto no sentido do cancelamento da exigência fiscal da multa regulamentar, prosseguirá a decisão hígida e intocada independentemente do resultado obtido no curso do processo originário. 93. Sob este pálio, a primeira proposta do presente voto, apresentada à turma, é formulada no sentido da impossibilidade de prevalecer a multa regulamentar diante da cobrança da multa qualificada no auto de infração originário. 94. No entanto, há de se observar que o parágrafo único do art. 690 do Decreto nº 6.759/2009 determina que a regra da especificidade, também chamada de "princípio da especialidade", deverá governar e orientar a aplicação da multa. Assim, cominase a pena de perdimento, salvo diante de tipificação "(...) mais específica" de disposição jurídica de caráter sancionatório: Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 (Regulamento Aduaneiro) Art. 690. Aplicase ainda a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira encontrada na zona secundária, introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente. Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. 95. A aplicação da multa regulamentar proporcional ao valor comercial das mercadorias importadas irregular e fraudulentamente, de acordo com o relatório de descrição dos fatos e enquadramentos legais do auto de infração, foi aplicada em decorrência de a contribuinte entregar a consumo produtos de procedência estrangeira, importados por terceiros por sua conta e ordem, de forma fraudulenta, já que ocultada, pelos importadores interpostos, a sua condição de real importadora e adquirente quando dos procedimentos aduaneiros para ingresso das mercadorias em território nacional. 96. Desta feita, restaria configurada, no caso vertente, o dano ao erário, na forma tipificada pelo inciso V do art. 23 do DecretoLei 1.455/1976, com as alterações da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 12.350/2010, que apresenta a seguinte redação: DecretoLei 1.455/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros Fl. 52719DF CARF MF 42 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 97. Neste sentido, o Acórdão CARF nº 3202000.721, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara desta Seção em sessão pública de 24/04/2013, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior: "A questão a ser decidia nos autos cingese à incidência ou não da multa regulamentar do IPI por produto estrangeiro em situação irregular de que trata o artigo 83, I da Lei nº 4.502/64. Aduz a fiscalização que (i) houve a declaração inexata do valor da mercadoria, tendo em vista que os preços dos produtos declarados da Declaração de Importação (DI) foram subfaturados em relação aos preços efetivamente praticados; e (ii) houve ocultação dos reais vendedores com o intuito de fraudar a origem das mercadorias com vistas a fugir do pagamento de direitos antidumping. Tendo em vista que a Recorrida ocultou os reais vendedores com o intuito de fraudar a origem das mercadorias, a fiscalização entendeu por bem aplicar multa regulamentar do IPI, disposta no inciso I do artigo 83 da Lei nº 4.502/64.A multa disposta no artigo 83 da Lei nº 4.502/64 aplicase na hipótese de introdução clandestina de produto ou importação irregular ou fraudulenta. A fiscalização aplicou a multa de introdução clandestina sob o seguinte fundamento: (...) o fato punível neste caso específico ocorrem em momento posterior à importação, nas saídas das mercadorias, ou seja, quando as mesmas são consumidas ou entregues a consumo, embora seja elemento determinante para a aplicação desta penalidade as irregularidades ou as fraudes praticadas nas importações. (fls.106). Ainda, a fiscalização reconhece que houve a ocultação do real vendedor, hipótese que por si só já ensejaria a configuração de dano ao Erário, conforme determina o artigo 23, V e §§, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 (...). Como visto, a conduta descrita pela fiscalização moldase ao menos em um dos incisos do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, dispositivo esse que comina penalidade mais específica para a situação constatada pela fiscalização. Fl. 52720DF CARF MF Processo nº 16151.720068/201186 Acórdão n.º 3401003.200 S3C4T1 Fl. 52.694 43 Todavia, embora reconheça que a penalidade aplicada tenha lugar apenas nas hipóteses em que for constatada irregularidade ou fraude praticada na importação e, como deflui do artigo 83 da Lei nº 4.502/64, as irregularidades e fraudes na importação de que trata a lei são aquelas nela previstas, preferiu a fiscalização impor a sanção prevista nesse dispositivo, em detrimento da sanção aplicável à situação por ela narrada, prevista no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76. Ainda, irreparável o entendimento da DRJ/FNS manifestado em declaração de voto, o qual, a título de arremate, adoto como razão de decidir: 'Como bem disse a fiscalização aduaneira, a infração de “ocultação do real vendedor” configura “Dano ao Erário”. Desse modo, uma vez que para tal infração existe uma penalidade específica, esta é a que deve ser aplicada, afastando se a norma geral. Ou seja, no caso de interposição fraudulenta de terceiros, a partir da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, art. 59, aplicase a pena de perdimento da mercadoria, convertendose em multa equivalente ao valor aduaneiro caso a mesma não seja localizada ou tenha sido consumida. Portanto, uma vez que foi aplicado ao caso presente um tipo legal mais genérico (art. 83, I, da Lei nº 4.502, de 1964) em prejuízo do mais específico (art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976), devese afastar a exigência da multa regulamentar do IPI no valor de R$ 9.018.112,25'. Para a aplicação de penalidade é necessária a observância do Princípio da Tipicidade, adequando corretamente o fato concreto ao tipo escolhido pelo legislador no texto legal que a explicita" (seleção e grifos nossos). 98. Assim, diante de penalidade específica, afastase a implicação sancionatória geral, sobremaneira diante de determinação expressa, como é o caso do parágrafo único do art. 690 do Decreto nº 6.759/2009: ao passar ao largo de tal desígnio normativo, deve a acusação fiscal ser afastada. 99. Por fim, cumpre esclarecer e registrar que, ao longo dos debates públicos que sucederam à leitura do presente voto, a posição deste colegiado foi no sentido da aplicação única e exclusivamente da regra da especialidade, o que, per se, restaria suficiente para prover integralmente os recursos voluntários interpostos. 100. Procedese ao registro, pela escorreita fidelidade aos fatos, de que os demais conselheiros votaram pelas conclusões dispositivas, tendo eles discordado do argumento endossado por este relator no sentido de que a multa regulamentar não deveria prevalecer devido à cobrança de multa qualificada no auto de infração originário, discutida no Processo nº 10803.000071/200967. Em outras palavras, foram firmadas pela turma julgadora as seguintes teses: (i) a multa regulamentar pode ser cobrada em conjunto com a multa qualificada, pois diferentes são os bens jurídicos por elas tutelados; e (ii) aplicase, in casu, a Fl. 52721DF CARF MF 44 regra da especialidade ou especificidade com fundamento no parágrafo único do art. 690 do Decreto nº 6.759/2009. Com base nestes fundamentos, e esclarecida a opção de voto pelas conclusões dos conselheiros que assim votaram, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral aos recursos voluntários interpostos para a finalidade de reconhecer o cancelamento da multa aplicada, restando, portanto, prejudicados os demais pedidos e argumentos formulados pelos ora recorrentes. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 52722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955937/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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EFEITOS. Recorrente MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 37 /2 00 8- 75 Fl. 142DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Declaração de Compensação formulada em 22/09/2004 para a compensação de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior (período de apuração: 31/10/1996, vencimento 15/11/1996), com débito de COFINS. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada, do qual a empresa foi cientificada em 02/12/2008. Em 07/10/2009 a empresa apresentou sua Manifestação de Inconformidade cumulado com pedido de revisão do lançamento, apresentando cópia de DARF que corresponderia ao pagamento indevido ou a maior. Cientificado de Comunicado do qual foi informado da intempestividade de sua defesa, a empresa apresentou novo Recurso Administrativo requerendo a revisão do lançamento em razão da existência do DARF. Em resposta a estas petições, foi emitido Despacho Decisório atestando a intempestividade e o correspondente não andamento do processo. Cientificada desse despacho, a empresa apresentou nova Petição de Revisão de Lançamento, recebida com exigibilidade suspensa por ordem judicial. Esta última petição foi analisada em novo Despacho Decisório de Revisão de Ofício que manteve a conclusão do Despacho Decisório Eletrônico, vez que respaldado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo na Declaração de Compensação. Fundamentando a não realização da revisão de ofício, foi ainda indicado que o crédito estaria decaído no momento do Pedido de Compensação. Em face deste último despacho, foi apresentada nova Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo informa que o crédito objeto da compensação declarada nesse processo já teria sido objeto de pedido anterior formulado em outro processo (PTA n.º 11610.005692/200291), que ainda estaria pendente de análise. Esta defesa, apresentada dentro de trinta dias do recebimento do Despacho Decisório de Revisão de Ofício, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento vez que maculada pela intempestividade da primeira Manifestação de Inconformidade. Transcrevese abaixo a ementa da referida decisão: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.955937/200875 Acórdão n.º 3402003.438 S3C4T2 Fl. 143 3 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada desta decisão em 31/10/2011 e inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 11/11/2011 sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 07/10/2009, muitos meses após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico emitido nos presentes autos. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade quase um ano após sua regular intimação do Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada. Fl. 144DF CARF MF 4 Com isso, evidente que as petições e manifestações apresentadas pelo sujeito passivo após o Comunicado reconhecendo a intempestividade da Manifestação de Inconformidade não instauraram a fase litigiosa do procedimento, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifei) Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Importante mencionar que o último Despacho Decisório de Revisão de Ofício apresentado foi apenas uma resposta a uma das diversas petições apresentadas pela empresa, trazendo considerações específicas para manter o Despacho Decisório eletrônico emitido e, portanto, não alterar as suas razões. Neste ponto, coaduno com as considerações trazidas na decisão de primeira instância, que assim se manifestou: "12. Posteriormente ao expressado acima, a Autoridade Administrativa proferiu despacho, fls. 74/5, intitulado de “despacho decisório – revisão de ofício”, a partir do qual ratificou a propalada NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação requerida, agora com fundamento em questão de direito material (decadência), reabrindo prazo para manifestação da Requerente. 12.1. Entretanto, é de ser observado que, de fato, o denominado “despacho decisório – revisão de ofício” tem como substância mera resposta à petição do Sujeito Passivo que requer em sua resistência, alternativamente, a revisão do lançamento fiscal na forma do art. 149 do CTN. 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.955937/200875 Acórdão n.º 3402003.438 S3C4T2 Fl. 144 5 12.1.1. Vaticina o § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 12.1.2. Nesse diapasão, tal Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, dentro dos prazos que lhe são garantidos pelo ordenamento, alterar, exofficio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 12.2. Em adição, cumpre ressaltar que referido ato administrativo não efetuou nenhuma alteração no conteúdo ou efeitos do DD que reconheceu a preclusão temporal, e que, portanto, continua a sobejar de definitividade no âmbito administrativo. 12.2.1. Desta sorte, o propalado “despacho decisório – revisão de ofício” apenas demonstra que, fosse superada a questão processual da preclusão temporal do DD original, o que tal ato não admite nem mesmo como hipótese, o pleito do Contribuinte, em virtude da demonstrada e fundamentada decadência constatada no caso vertente, haveria de ser considerado carecedor de fundamento de direito substantivo, o que acarretaria como resultado, sob qualquer ângulo de análise, a não homologação da compensação demandada. 13. Em adição a tudo quanto articulado, insta esclarecer, neste ponto, que o indigitado despacho não revogou nem anulou, expressa ou tacitamente, o Despacho Decisório original, não tendo, assim, o condão de infirmálo ou sobrepôlo. Traduziu se em mera resposta à petição de resistência do Contribuinte. 13.1. Cumpre observar que o DD original transmudouse, a partir da já divulgada preclusão temporal, em ato jurídico perfeito e, portanto, albergado sob o manto da imutabilidade, ao menos enquanto não revisto pela própria Administração ou infirmado em juízo. 13.2. Ademais, consoante preconizado no art. 53 da Lei nº 9.784/99, a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. 13.3. No “despacho decisório – revisão de ofício”, não consta qualquer alegação de ilegalidade verificada no DD original de fls. 4, bem como não há descrição de motivação que esclareça eventual conveniência ou oportunidade da Administração presente no caso a justificar a revogação do indigitado ato de nãohomologação da pretendida compensação por decurso de prazo. 13.4. Em adição, deve ser pontuado que ao analisar a comprovação de pagamento trazida ao processo, defendido como indevido pela Impugnante, donde a Autoridade Administrativa pode concluir pelo equívoco do Sujeito Passivo quando informando a data de arrecadação no PER/DCOMP sob apreciação e, ainda, a ocorrência da decadência expressada no “despacho decisório – revisão de ofício”, restou amplamente observado e respeitado o princípio da verdade material, basilar do processo administrativo fiscal. 13.5. Cumpre esclarecer, ainda, que tal princípio encerra a idéia de possibilidade de comprovação inconteste do direito alegado pelo Contribuinte, emergindo do referido ato administrativo que, no caso sub examine, tal direito era inexistente vez que fulminado pela decadência. 14. Do quanto exposto, exsurge que o “despacho decisório – revisão de ofício” não expressa verdadeiro conteúdo de despacho decisório de não homologação da compensação a ser desafiado por manifestação de inconformidade, em consonância com a previsão do § 9º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, especialmente por que, não tendo sido infirmado por este, o DD original continua válido e apto a produzir seus naturais efeitos, sendo factível extrairse do contido no processo, até o momento do presente Voto, a ocorrência da preclusão consumativa para a Administração, desnudandose como inócuo pronunciamento que intenta repisar Fl. 146DF CARF MF 6 posicionamento acerca de questão definitivamente resolvida, ainda mais intentando a reabertura de processo administrativo fiscal encerrado. 15. Por corolário do raciocínio expendido, não se tratando de efetivo despacho decisório de não homologação de compensação, não há de se cogitar haver espaço para manifestação de inconformidade nem, tampouco, instauração do contencioso administrativo." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do primeiro Despacho Decisório emitido (Despacho Decisório Eletrônico). É como voto. Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904933/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.350
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 33 /2 01 2- 01 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.261. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904933/201201 Acórdão n.º 3201002.350 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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