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Numero do processo: 19740.000591/2003-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. LANÇAMENTO A MAIOR.
Tendo sido constatado que o crédito tributário foi constituído em valor maior que o efetivamente devido, cancela-se a parte excedente.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 201-79161
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Walber José da Silva
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O. ti. Recorrente : DRJ NO RIO DE JANEIRO - RJ 2.2 SC/..._12.a../DeInteressado : Banco Rural SIA t C C ----Rubrica PIS. LANÇAMENTO A MAIOR. Tendo sido constatado que o crédito tributário foi constituído em valor maior que o efetivamente devido, cancela-se a parte excedente. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela DRJ NO RIO DE JANEIRO - RJ. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 28 de março de 2006. !tj0.420VtLau (9„frgaitto osefa Maria Coelho Marques Presidente 1 1 Walbe José da i va Relat r ti ;. 4 • t, g, IA CCtc; gre• • • 31 oY Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto, Maurício Taveira e Silva, Sérgio Gomes Velloso, José Antonio Francisco, Gustavo Vieira de Melo Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer. • ruf 4,7 2° CC•MF Ministério da Fazenda t," ' ' • -éstr: Segundo Conselho de Contribuintes • - • - . : 'AL J Fl. of Processo n. : 19740.000591/2003-31 _ . Recurso nt : 128.727 nt. Acórdão ti* : 201-79.161 vi Recorrente : DRJ NO RIO DE JANEIRO - RI RELATÓRIO Contra -o BANCO RURAL S/A, já qualificado nos autos, foi lavrado auto de infração com exigibilidade suspensa e destinado a prevenir a decadência de contribuição para o PIS, no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2000, tendo em vista diferenças entre os valores declarados em DCTF e os apurados pela Fiscalização. O Banco Rural ingressou com uma Ação Ordinária, cumulada com pedido de antecipação de tutela, onde questiona a constitucionalidade da Lei n2 9.718/98. A antecipação de tutela foi concedida para suspender a exigibilidade da contribuição para o PIS e o banco autuado declarou os valores em DCTF com a exigibilidade suspensa, embora com erros na base de cálculo e efetuou recolhimento a menor do valor incontroverso. Inconformado com a autuação, o banco recorrente impugnou o lançamento alegando nulidade do auto de infração por estar questionando judicialmente a constitucionalidade da Lei n2 9.718/98, além de ser detentor de decisão liminar de antecipação de tutela suspendendo a exigibilidade do PIS devido nos moldes da lei questionada. No mérito, alega que houve erro na apuração da base de cálculo no período fiscalizado, devido à inclusão indevida da receita de câmbio, quando o correto seria ser o resultado de câmbio, além de erro na informação prestada ao Fisco e relativo ao mês de julho de 1999. Contesta, também, a incidência dos juros de mora e a utilização da taxa Selic no seu cálculo. A 4' Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ manteve parcialmente o auto de infração para corrigir a base de cálculo da exação, nos termos do Acórdão DRJ/RJOII n2 5.204, de 14/05/2004, cuja ementa abaixo transcrevo: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2000 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO A MAIOR Tendo sido constatado que o crédito tributário foi constitu" ido em valor maior que o efetivamente devido, cancela-se a parte excedente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2000 10' (ler 2 á. # h;• CC CCMF- Ministério da Fazenda • " ,t'• 02: tLI Fl Ç"t . A" Segundo Conselho de Contribuintes rt,. ' 10V • Ofr Processo ri* : 19740.000591/2003-31 Recurso it : 128.727 Acórdão tti : 201-79.161 Ementa: LANÇAMENTO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A lavratura de auto de infração no caso de crédito tributário com exigibilidade suspensa por um dos motivos previstos no art. 151 do CTN tem a finalidade de prevenir a decadência. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá-las. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2000 Ementa: JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Incide juros de mora, na forma prescrita em lei, sobre débitos não pagos nos prazos legais, ainda que estes tenham sido lançados com exigibilidade suspensa JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Lançamento Procedente em Parte". O valor do crédito tributário que foi cancelado alcançou o montante de R$ 603.707,39, razão pela qual ajunta julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. O banco autuado tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 14/06/2004, conforme AR de fl. 275, e dela não recorreu. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 08/11/2005, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 286. É o relatório. 3 rICI ,̀2• ft fl :• ; 22 CC-MF Ministério da Fazenda C Fl. t12 ,71 .; Segundo Conselho de Contribuintes Ofr Processo te : 19740.000591/2003-31 Recurso nt : 128.727 Acórdão nt : 201-79.161 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR WALBER JOSÉ DA SILVA O recurso de oficio atende as exigências legais, razão pela qual dele conheço. Como 'relatado, a junta julgadora de primeira instância reconheceu erro na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS objeto do auto de infração de que trata este processo. Em síntese, os erro reconhecidos foram os seguintes, nas palavras do Julgador Relator do Acórdão recorrido: "26. Do exame das referidas planilhas ver (fica-se que em todos os meses o valor informado como 'Total das Receitas' não corresponde, como deveria, ao somatório das receitas informadas nos grupos contábeis '7.1.1', '7.1.4', '715', '7.1.7', '7.1.8', '71.9' e '7.3.0', conforme demonstrado na coluna "Total das Receitas"na planilha de fls. 250/251. 27. Veriflca-se, também, que nos meses 07/1999 e 12/1999 o valor da conta '7.1.9.90.00- 8' não corresponde, como deveria, ao somatório das contas 71.9.90.10-1', '7.1.9.90.95-0' e '7.1.9.90.99-8.' O valor correto desta conta é o constante da coluna 'Valor Corrigido' da planilha delis. 252. 28.O erro no valor da conta '7.1.9.90.00-8' refletiu no valor da conta '7.1.9.000.00-5' e no total das exclusões. Os valores corretos dessas contas são os constantes da coluna 'Valor Corrigido' da planilha de fls. 252. 29. Também em relação ao mês 07/99, observa-se que se equivocou o contribuinte, na planilha de fls. 45, ao deduzir do valor apurado no mês o saldo existente em 30/06/1999. Ocorre que, devido à apuração do balanço ser efetuada semestralmente, no mês de julho, assim como no mês de janeiro, o saldo das contas corresponde ao próprio movimento do mês, sendo o saldo do mês anterior igual a zero. Sendo assim, o valor correspondente ao 'Resultado de Cámbio' que deve ser adicionado ao 'Total das Receitas' no mês de julho,'] 999 é o informado na planilha de fls. 148, que corresponde a R$ 1.096.601,33. 30. Efetuadas as devidas correções nas planilhas de fls. 22 a 69, foram apurados nas planilhas de fls. 250/251, os valores corrigidos das bases de cálculo da Contribuição para o PIS nos períodos de apuração em questão. Pode-se observar (planilha de fls. 254) que a diferença existente entre os valores das bases de cálculo informados nas planilhas de fls. 22 a 69 e os valores das bases de cálculo corrigidos, corresponde, em todos os meses, aos valores das rendas de cámbio e no mês 07/1999, também à diferença entre valor do Resultado de Câmbio informado às fls. 45 (R$ 17.288.116,92) e o informado às fls. 148 (R$ 1.096.604,33)." Não vislumbro nenhum vício no entendimento do Acórdão recorrido de que houve, de fato, erro na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS do período autuado. 11P4k- 4 2 CC-MF Ministério da Fazenda Y:T.: ;":',77:}CA - 20 CC 1 Fl Segundo Conselho de Contribuintes ,:2AL anWts'l _31 ; o fr Processo ni : 19740.000591/2003-31 Recurso o* : 128.727 4/ Acórdão n2 : 201-79.161 vr-,) Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 28 de março de 2006. W illYALBE JOS D SILVA 5
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003804/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2001
NFLD. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INCLUSÃO INDEVIDA DO CONSÓRCIO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
O desnaturamento do consórcio importa na atribuição de responsabilidade solidária às empresas constituintes pelas obrigações por ele assumidas.
Repousando a legitimidade passiva tributária sobre as empresas consorciadas e não sobre o consórcio em si considerado, a notificação de lançamento efetuada unicamente em nome deste se configura vício formal consubstanciado em erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, situação que reclama a declaração de nulidade da NFLD.
RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL AFASTANDO A DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS À INSTÂNCIA A QUO PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO.
Processo Administrativo Fiscal é refratário ao proferimento de decisões que comportem qualquer forma de preterição do direito de defesa, as quais já nascem marcadas sob o estigma da nulidade.
A reforma da decisão de 1ª Instância, em sede de recurso de ofício, que implique o afastamento da declaração de decadência integral do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário correspondente, impõe o retorno dos autos ao órgão julgador de origem, para que este profira decisão em que seja apreciado o mérito das razões de fato e de direito suscitadas pelo Impugnante, em sede de defesa administrativa.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.803
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a natureza do vício como formal e anulada a decisão de primeira instância.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2001 NFLD. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INCLUSÃO INDEVIDA DO CONSÓRCIO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. O desnaturamento do consórcio importa na atribuição de responsabilidade solidária às empresas constituintes pelas obrigações por ele assumidas. Repousando a legitimidade passiva tributária sobre as empresas consorciadas e não sobre o consórcio em si considerado, a notificação de lançamento efetuada unicamente em nome deste se configura vício formal consubstanciado em erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, situação que reclama a declaração de nulidade da NFLD. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL AFASTANDO A DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS À INSTÂNCIA A QUO PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO. Processo Administrativo Fiscal é refratário ao proferimento de decisões que comportem qualquer forma de preterição do direito de defesa, as quais já nascem marcadas sob o estigma da nulidade. A reforma da decisão de 1ª Instância, em sede de recurso de ofício, que implique o afastamento da declaração de decadência integral do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário correspondente, impõe o retorno dos autos ao órgão julgador de origem, para que este profira decisão em que seja apreciado o mérito das razões de fato e de direito suscitadas pelo Impugnante, em sede de defesa administrativa. Recurso de Ofício Provido em Parte.
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ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INCLUSÃO INDEVIDA DO CONSÓRCIO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. O desnaturamento do consórcio importa na atribuição de responsabilidade solidária às empresas constituintes pelas obrigações por ele assumidas. Repousando a legitimidade passiva tributária sobre as empresas consorciadas e não sobre o consórcio em si considerado, a notificação de lançamento efetuada unicamente em nome deste se configura vício formal consubstanciado em erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, situação que reclama a declaração de nulidade da NFLD. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL AFASTANDO A DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS À INSTÂNCIA A QUO PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO. Processo Administrativo Fiscal é refratário ao proferimento de decisões que comportem qualquer forma de preterição do direito de defesa, as quais já nascem marcadas sob o estigma da nulidade. A reforma da decisão de 1ª Instância, em sede de recurso de ofício, que implique o afastamento da declaração de decadência integral do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário correspondente, impõe o retorno dos autos ao órgão julgador de origem, para que este profira decisão em que seja apreciado o mérito das razões de fato e de direito suscitadas pelo Impugnante, em sede de defesa administrativa. Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a natureza do vício como formal e anulada a decisão de primeira instância. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.140 3 Relatório Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2001 Data da lavratura da NFLD: 24/09/2007. Data da Ciência da NFLD: 24/09/2007. Tratase de crédito previdenciário lançado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social decorrentes da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, cujos valores deixaram de ser arrecadados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 18/27, e Anexo I a fls. 28/40. O crédito tributário em debate foi lançado diretamente em nome do consórcio e, solidariamente, em nome das empresas consorciadas, a s quais foram notificadas da NFLD em 22/10/2007, mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária a fls. 49/60, destinado a cada uma, conforme Avisos de Recebimento AR de fls. 61/64. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 70/943. A ALCAN ALUMINA LTDA contestou o lançamento a fls. 757/775. De maneira análoga, a ALCOA ALUMÍNIO S/A. e a ABALCO S/A impugnaram o lançamento a fls. 780/798 e 804/822, respectivamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE lavrou Decisão Administrativa consubstanciada no Acórdão a fls. 961/985, julgando improcedente o lançamento, em razão de “as contribuições correspondentes terem sido abrangidas pela decadência, exonerando o notificado do pagamento do crédito tributário” (sic), e recorrendo de ofício de sua decisão. Os membros do Consórcio foram cientificados da decisão de 1ª Instância no período de 15/04/2009 a 22/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fls. 1004 a 1008. Não consta no presente Processo Administrativo Fiscal recurso voluntário por parte das interessadas. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO RECURSO DE OFÍCIO A decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE não reúne condições de prosperar em sua integralidade, exigindo se, dessarte, sua reforma, ainda que parcial. Embora não haja menção expressa no Relatório Fiscal, o presente lançamento reedita e substitui a NFLD nº 35.420.3452, de 28/06/2005, a qual foi declarada nula em 03/05/2006, conforme DecisãoNotificação n° 09.401.4/0062/2006, a fls. 729/738, ao fundamento de que o consórcio de empresas, por não possuir personalidade jurídica, não poderia figurar no polo passivo da relação jurídica tributária. Na decisão suso referida, o Órgão Julgador de 1ª Instância determinou que fosse cientificada a Seção de Fiscalização para “a imediata substituição do lançamento tornado nulo, devendo ser lavrada outra NFLD, e demais providências obrigatórias nos termos da resposta da Consulta Técnica Interna n° 780; observando, inclusive, o aditamento da mesma” (sic). Em razão da declaração de nulidade da NFLD nº 35.420.3452, de 28/06/2005, houvese por lavrada, em substituição, a presente Notificação Fiscal nº 37.117.1172, de 18/09/2007, com o mesmo objeto e abrangência da notificação de lançamento substituída. Ocorre que o vertente lançamento, desprezando solenemente as orientações aviadas na Consulta Técnica Interna nº 780, de 30/01/2006, a fls. 743/752, teimou em constituir o crédito tributário ora em debate novamente em nome do Consórcio Alumar e, solidariamente, em face das empresas consorciadas ALCOA ALUMÍNIO S.A., CNPJ 23.637.697/000101, BHP BILLITON METAIS S.A., CNPJ 42.105.890/000146, ALCAN ALUMINA LTDA., CNPJ 50.561.800/000103 e ABALCO S.A., CNPJ 00.434.317/000136, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária a fls. 49/60. Devidamente cientificadas do atual lançamento, o Consórcio notificado e as empresas consorciadas ofereceram tempestivamente impugnação ao débito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, ao julgar o lançamento em foco, considerou como indevida a inclusão do consórcio como sujeito passivo da relação jurídica tributária em análise, qualificando tal inclusão como vício de natureza formal, a qual seria suficiente a ensejar a declaração da nulidade do lançamento, conforme excerto extraído da fl. 978, adiante transcrito: “Portanto, considero que a inclusão indevida do Consórcio como sujeito passivo das contribuições contidas na NFLD constitui VÍCIO FORMAL suficiente para ensejar a declaração Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.141 5 da nulidade do lançamento, razão pela qual não me debruço sobre as demais questões, exceto sobre a preliminar de decadência (preliminar de mérito), conforme tópico a seguir”. (os grifos constam no original) Ao analisar a decadência, já sob a luz dos fundamentos ensejadores da Súmula Vinculante nº 8 do STF, considerou o Órgão Julgador de 1ª Instância estarem decaídas, na data da lavratura da NFLD substituída (NFLD 35.420.3452), as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências 02/1999 a 05/1999. Até este ponto, não merece reparos a decisão recorrida. Ocorre que, ao julgar a decadência em face da NFLD substituta, digase a NFLD nº 37.117.1172, de 18/09/2007, quanto às demais competências integrantes do lançamento 02/2000 a 07/2001 considerou o Julgador a quo que, verbis, “... tanto pelo art. 150, §4°, como pelo art. 173, I, já decorreram 5 (cinco) anos, já que a ciência da NFLD pelo contribuinte se deu em 24/09/2007. Portanto, somente não se configura a decadência se couber a aplicação do art. 173, II, do CTN”. Louvouse o Julgador de entrância no entendimento de que o vício cometido na NFLD substituída não teria natureza formal, circunstância que não daria ensejo à aplicação do preceito inscrito no inciso II do art. 173 do CTN. Estas foram as exatas palavras: A NFLD nº 35.420.3452 (substituída pela NFLD sob julgamento) foi lavrada apenas no nome do consórcio e sua nulidade foi declarada através da DecisãoNotificaçãoDN n° 09.401.4/0062/2006, tendo como motivo o erro na identificação do sujeito passivo. Nessa DN foi decidido que, por não ter personalidade jurídica, o consórcio não pode figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária, existindo solidariedade entre cada uma das empresas que fazem parte do consórcio, já que não ha definição clara e precisa das obrigações e responsabilidades de cada empresa consorciada. Ao contrário do que ocorreu na NFLD substituta, na NFLD n° 35.420.3452 as empresas solidarias não foram consideradas como tal e não foram notificadas, tendo redundado o vício ali existente na total impossibilidade de aplicação da norma material que prevê a cobrança da contribuição em tela, ou seja, o vício ali foi de natureza material. Não sendo o vicio cometido na NFLD substituída de natureza formal, não dá ensejo à aplicação do disposto no art. 173, II, do CTN. Destarte, ocorreu a decadência das contribuições constantes na NFLD. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Tal conclusão, todavia, não podemos corroborar. Registrese, uma vez mais, que a NFLD nº 35.420.3452 foi declarada nula em razão de vício na identificação do sujeito passivo, ao fundamento de que o consórcio de empresas, por não possuir personalidade jurídica, não poderia figurar no polo passivo da relação jurídica tributária. O vício formal existirá sempre que, na formação ou na declaração da vontade consignada no ato administrativo tributário, for preterida alguma formalidade essencial exigida pela legislação tributária ou quando o ato não se revestir da forma prevista na lei. Quando as formalidades referiremse à questão da forma material do ato, dizemse extrínsecas. Por outro lado, quando estiverem associadas às condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizemse intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo se apresentam como requisitos necessários à validade do ato, ou se mostrarem atos preliminares e indispensáveis à validade de sua formação. Fincamos os alicerces sobre os quais estamos a erigir a opinio juris que ora se escultura, nos dispositivos concretados no art. 142 do CTN, que avia uma definição de lançamento, estabelecendo competir privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível, acrescentando seu Parágrafo Único que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A ausência no ato administrativo de constituição do crédito tributário de qualquer desses elementos, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, em virtude da ausência de elemento essencial do ato jurídico. Atentese que, no Direito Privado, o reconhecimento da validade ao ato jurídico exige agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. Nessa prumada, se a lei expressamente não estabelecer uma forma através da qual o ato jurídico deve ser praticado, o ato pode ser praticado mediante qualquer forma eleita pelas partes, desde que não seja vedada pelo ordenamento jurídico. O Direito Tributário, ao revés, é caracterizado pelas digitais do formalismo, intrínseco e extrínseco, que impõe aos atos administrativos de sua competência o respeito estrito às formas e formalidades prescritas na legislação, sob pena de sua ineficácia no mundo jurídico. Tais formalidades são exigíveis em razão da necessidade que tem o poder de tributar de se ajustar à estrita legalidade. Com feito. Nas relações de direito público, sendo os efeitos dos atos administrativos de império quase sempre gravosos para os administrados, a estes a forma garante a indispensável segurança contra investidas arbitrárias da Administração. Não por acaso disse Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio a forma é a irmã gêmea da liberdade". Deflui daí a exigência legal de formalidades e de procedimentos específicos. Nessa perspectiva, o ato administrativo de lançamento tributário de ofício deve ser praticado de acordo com as formas prescritas na lei, observando as exigências formais Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.142 7 consignadas não somente no CTN, como, também, no Decreto nº 70.235/72, na Lei nº 8.212/91 (in casu) e nos demais diplomas normativos abraçados pelo conceito de legislação tributária, nos termos do art. 96 do CTN. Fulgura, portanto, como vício formal toda a imperfeição do ato administrativo que represente inobservância estrita a elemento essencial determinado pela legislação tributária, sendo causa suficiente para anular o ato, mas que não exclui a existência do crédito tributário nele consignado, afastando somente sua exigibilidade. O vício material, por seu turno, corresponde à ausência de pressuposto objetivo do lançamento, relacionandose diretamente com o conteúdo dos elementos da obrigação tributária objeto do lançamento, consubstanciado no apontamento preciso do fato jurídico que faz gerar a exigência tributária. No vício material, o crédito tributário que a Fazenda Pública alega existir em face daquele sujeito passivo, em realidade, não existe, uma vez que o procedimento administrativo necessário para a sua constituição não se consumou de maneira eficaz, seja pela inocorrência do fato gerador, seja pela ausência de descrição clara e precisa da hipótese de incidência, seja pela não caracterização eficaz do fato imponível à hipótese de incidência tributária, ou a pessoa a quem se está imputando a responsabilidade na verdade não é o verdadeiro responsável tributário, etc. A perfeita caracterização da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do CTN, figuram como elementos essenciais intrínsecos do lançamento, sem cuja perfeita delimitação em seu instrumento de formalização, não se pode admitir como regular o procedimento administrativo de constituição do crédito tributário correspondente. A sindicância e apuração precisa desses elementos fundamentais antecedem e são preparatórios à formalização do lançamento, a qual se materializa mediante a lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, a qual somente irá adquirir eficácia perante o sujeito passivo com a sua regular e indispensável intimação, momento em que deverão estar presentes todos seus requisitos formais e extrínsecos atávicos ao ato administrativo em apreço, como previsto no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, assim como os pressupostos materiais intrínsecos, consubstanciados na descrição clara e precisa dos fatos geradores e das razões que motivaram a formalização do lançamento. A carência dos pressupostos materiais intrínsecos acima referidos, no instrumento de formalização do crédito tributário, implicará vício material do lançamento. No vício formal a dívida tributária não é declarada inexistente, mas sim inexigível eis que o instrumento de constituição do crédito tributário encontrase viciado em sua formalização, exigindose a realização de outro procedimento administrativo visando à correcção da exigência fundada no fato infringente claramente delineado no ato inquinado, eis que a subsunção do fato a norma deve ser perfeita para a legalidade da exigência tributária. Todavia, mister se faz frisar que não são todas as incorreções ou omissões que têm o condão de macular a descrição do fato infringente praticado, tendo em vista que tais imperfeições não acarretam a nulidade do processo, quando dele constarem elementos suficientes para determinar com segurança a natureza da infração e a pessoa do infrator, um Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 vez que não representam prejuízo ao direito de defesa do increpado, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Nessa medida, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode a Fisco intimar o sujeito passivo para apresentar novos documentos ou a prestar outras informações ou esclarecimentos, tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que as condições de contorno da obrigação tributária antes lançada não se encontravam precisamente definidas e o que vício detectado não seria apenas de forma, mas, sim, do próprio conteúdo do ato praticado. Em todo caso, irrelevante o motivo, havendo sido o lançamento declarado nulo, ou por vício material ou por vício formal, dispõe ainda o Fisco do prazo assinalado nos incisos I e II, respectivamente, do art. 173 do CTN para a constituição do crédito tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.143 9 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Nada obstante, apenas a existência de vício formal autoriza aplicação do artigo 173, II do CTN, em que o prazo decadencial passa a contar da data em que se tornou definitiva a anulação de lançamento tributário. No caso em apreciação, a NFLD nº 35.420.3452 foi declarada nula em razão de vício na identificação do sujeito passivo, ao fundamento de que o consórcio de empresas, por não possuir personalidade jurídica, não poderia figurar no polo passivo da relação jurídica tributária. Noticiese que, substancialmente, foi o próprio consórcio Alumar que efetuou, ao arrepio da lei, a contratação dos serviços prestados pela Empresa Técnica de Construção e Manutenção Industrial Tecman Ltda para a execução de serviços de construção civil e manutenção, circunstância que implicaria a responsabilidade do consórcio pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo da prestadora, nos termos assinalados no art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98. O futuro do pretérito houvese corretamente empregado no parágrafo precedente, uma vez que a legislação tributária fixou uma formalidade excepcional a ser observada nos casos de idêntico jaez. Não possuindo o consórcio personalidade jurídica para figurar no polo passivo da relação jurídica tributária, a legislação determina que o crédito tributário seja lançado em face das empresas consorciadas correspondentes, e não em desfavor do consórcio. É certo que o consórcio, constituído nos moldes esculpidos nos arts. 278 e 279 da Lei n° 6.404/76, não possui legitimidade para figurar no polo passivo da relação tributária aqui discutida, da mesma forma que seria inaplicável, às empresas integrantes do consórcio, o instituto da responsabilidade solidária, eis que cada uma das consorciadas responde, somente, pelas obrigações que lhe forem determinadas pelo contrato de constituição. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. §1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. (grifos nossos) §2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam as disposições encartadas no art. 182 da IN SRP n° 03/05, que apontam para o mesmo norte. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 182. No contrato de empreitada total de obra a ser realizada por consórcio, nos termos da alínea "a" do inciso XXVIII do art. 413, o contratante responde solidariamente com as empresas consorciadas pelo cumprimento das obrigações perante a Previdência Social, ressalvado o disposto no inciso IV do §2° do art. 178. (redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) §1° Não desfigura a responsabilidade solidária o fato de cada uma das consorciadas executar partes distintas do projeto total, bem como realizar faturamento direta e isoladamente para a contratante, observado o disposto no inciso IV do §2° do art. 413. (redação dada pela IN SRP nº 6, de 11/08/2005) §2° As consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade, nos termos do §1° do art. 278 da Lei n° 6.404, de 1976. Colhemos dos autos, todavia, a ocorrência de inobservância por parte das consorciadas ao dispositivo acoplado ao inciso IV do art. 279 da Lei nº 6.404/76, especificamente no que diz respeito à contratação de serviços de outras empresas, inclusive prestadoras de serviço mediante cessão de mão de obra. Não estando definidas no contrato de consórcio as obrigações e responsabilidades de cada sociedade consorciada em relação às empresas prestadoras de serviço, estas foram contratadas diretamente em nome do próprio consórcio, que não pode ser demandado em caso de inadimplência, tampouco pode figurar no polo passivo da relação tributária porventura advinda da transação. O desrespeito à norma contida no art. 279 da Lei nº 6.404/76 descaracteriza a figura do consórcio, que não pode mais invocar as normas de proteção somente a eles aplicáveis. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.144 11 O desnaturamento do consórcio importa na atribuição de responsabilidade solidária às empresas constituintes pelas obrigações assumidas em nome do consórcio, como assim se configura o caso em debate. As conclusões suso deduzidas encontram esteio legislativo nas normas tributárias positivadas no art. 179 da IN SRP nº 3/2005, ad litteris et verbis: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) II o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra, entre si, relativamente à requisição de mãodeobra de trabalhador avulso, ressalvado o disposto no § 1º deste artigo, conforme disposto no art. 2º da Lei nº 9.719, de 1998; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) III os produtores rurais, entre si, integrantes de consórcio simplificado de produtores rurais definido no inciso XIX do art. 240, conforme previsto no art. 25A da Lei nº 8.212, de 1991; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) IV a empresa tomadora de serviços com a empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991 até a competência janeiro de 1999, observado, quanto a órgão público da administração direta, a autarquia e a fundação de direito público, o disposto na alínea "b" do inciso VII deste artigo; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) V o titular de firma individual urbana ou rural, considerado empresário individual pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil) e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada, com a firma individual e a sociedade, respectivamente, conforme previsto no art. 13 da Lei nº 8.620, de 1993. VI as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal, conforme dispõe o art. art. 124 do CTN; (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) (grifos nossos) VII o órgão público da administração direta, a autarquia e a fundação de direito público: (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) a) no período anterior ao Decretolei nº 2.300, de 21 de novembro de 1986, quando contratar obra de construção civil, reforma ou acréscimo, bem como quando contratar serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário; e (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 b) no período de 29 de abril de 1995 a 31 de janeiro de 1999, quando contratar serviços mediante cessão de mão deobra, inclusive em regime de trabalho temporário. (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) VIII os titulares e os sócios, em qualquer tempo, e os administradores do período de ocorrência dos respectivos fatos geradores ou em períodos posteriores, de microempresas ou empresas de pequeno porte, baixadas sem o pagamento das respectivas contribuições previdenciárias, conforme previsto nos §§ 3º e 4º do art. 78 da Lei Complementar nº 123, de 2006. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) §1º A solidariedade não se aplica aos trabalhadores portuários avulsos cedidos em caráter permanente, na forma estabelecida pela Lei nº 8.630, de 1993. §2º Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações perante a Previdência Social, por dolo ou culpa, conforme Lei nº 8.620, de 1993. §3º Aplicase a solidariedade prevista no inciso VI do caput às empresas que se associam para a realização de empreendimento e que não atendam ao disposto nos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 1976. (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) (grifos nossos) §4º Os titulares e os sócios, em qualquer tempo, e os administradores do período de ocorrência dos respectivos fatos geradores ou em períodos posteriores, reputamse solidariamente responsáveis pelas penalidades, decorrentes da simples falta de recolhimento ou da prática, comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial, de outras irregularidades cometidas pelos empresários, pelas microempresas, pelas empresas de pequeno porte ou por seus sócios ou administradores, nos termos do § 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) Nesse contexto, tendo havido violação à norma inscrita no art. 279, IV, da Lei n° 6.404/76, restou desconfigurada a entidade consorcial para os presentes fins, circunstância que deságua na responsabilidade solidária das empresas integrantes do aludido consórcio, as quais passam a responder solidariamente pelas obrigações tributárias objeto do presente lançamento, devendo estas figurar no polo passivo da relação jurídica em debate, eis que possuem personalidade jurídica própria e distinta. Vejam Senhores. Se o lançamento tivesse sido constituído em desfavor de consórcio totalmente alheio às empresas Alcoa Alumínio S.A., BHP Billiton Metais S.A., Alcan Alumina Ltda., e Abalco S.A., nos termos do Contrato denominado "Consolidação do Contrato do Consórcio Alumar”, a fls. 828/943, o caso representaria vício material, ante a inexistência de relação jurídica tributária entre as empresas consorciadas e os fatos geradores apurados. No caso presente, a responsabilidade tributária recai diretamente sobre as empresas consorciadas em tela, representando a indicação do consórcio ALUMAR, constituído Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.145 13 por essas mesmas empresas, no polo passivo da obrigação em foco, mero vício na formalização extrínseca do lançamento, eis que a legislação tributária tal formalismo determina. Pelo exposto, repousando a legitimidade passiva tributária sobre as empresas consorciadas, e não sobre o consórcio em si considerado, a lavratura da vertente NFLD diretamente em nome deste, unicamente, se configura vício formal consubstanciado em erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, a teor do art. 11, I do Decreto nº 70.235/72. Não possuindo o consórcio personalidade jurídica própria, tampouco legitimidade passiva ad causam, não pode ele ser demandado a satisfazer o crédito tributário objeto do presente lançamento, Assim, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal em foco recairá, inexoravelmente, sobre as empresas consorciadas. Diante de tal panorama, nas condições em que se houve por lavrada a NFLD nº 35.420.3452, há que se reconhecer que a nulidade declarada mediante a Decisão Notificação n° 09.401.4/0062/2006, a fls. 729/738, decorreu do reconhecimento da existência de vício formal, caracterizado pela inobservância de formalidade legal exigida para a constituição do crédito tributário, e não de vício material, como assim considerou a decisão de 1ª Instância, circunstância que atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II do art. 173 do CTN, norma jurídica que assegura ao fisco federal o prazo de 5 anos, contados da data em que se tornou definitiva a DecisãoNotificação acima mencionada, para o exercício do seu direito à constituição do crédito tributário correspondente. Dessarte, havendo sido a DecisãoNotificação n° 09.401.4/0062/2006 homologada aos 29 dias do mês de maio de 2006, tem a fiscalização o prazo de 5 anos a contar de então para a substituição do lançamento declarado nulo. Assim, havendo sido a vertente NFLD lavrada em 18/09/2007, não demanda áurea mestria concluir que as obrigações tributárias objeto do lançamento em análise, exclusivamente referentes aos fatos geradores ocorridos nas competências a contar de dezembro/1999, inclusive, não se houveram ainda por fulminadas pela algozaria do instituto da decadência tributária. Diante do exposto, há que ser reformado parcialmente o Acórdão nº 08 14.971 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, a fl. 961/985, devendo ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário em relação às obrigações tributárias ocorridas, tão somente, nas competências anteriores a dezembro/1999, exclusive. Nas demais competências a contar de dezembro/1999, inclusive, mantémse vivo o direito da Fazenda Pública de efetuar o correspondente lançamento. 2. DOS EFEITOS DA REFORMA DA DECISÃO O Órgão Julgador de 1ª Instância, ao proferir decisão administrativa reconhecendo o decurso integral do prazo decadencial, deixou de analisar as demais questões de mérito levantadas pelas empresas impugnantes em face do lançamento que ora se opera. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 No mesmo diapasão, sendo a decisão referida no parágrafo precedente totalmente favorável às empresas consorciadas em questão, não sendo sucumbentes na demanda administrativa, perderam estas o objeto para a interposição do competente Recurso Voluntário. Nesse cenário, o mero provimento parcial do recurso de ofício e a consequente manutenção, em parte, do crédito tributário objeto do lançamento em litígio representaria por parte deste Colegiado cerceamento do Direito de Defesa dos sujeitos passivos, eis que deixaram de ser apreciadas as questões de mérito por eles suscitadas no momento processual próprio e adequado. Por outro viés, o conhecimento e a deliberação, por esta Corte Administrativa, a respeito das alegações opostas em sede de impugnação, mas não antes decidida pelo julgador de 1ª a quo, representaria supressão de instância e violação ao devido processo legal. De outro eito, cumpre esclarecer que a competência deste Sodalício circunscrevese ao exame da inconformidade expressa pelo sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador primário que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Assim, não havendo a decisão guerreada se manifestado sobre determinada questão pertinente ao lançamento, erguida pelo sujeito passivo em sede de defesa administrativa, não permite o ordenamento jurídico que o Órgão ad quem sobre ela se manifeste. Ocorre que o Processo Administrativo Fiscal é refratário ao proferimento de decisões que comportem qualquer forma de preterição do direito de defesa, as quais já nascem marcadas sob o estigma da nulidade, a teor do inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ora, necessitando de reforma a decisão de 1ª Instância, exclusivamente em relação às obrigações tributárias ocorridas nas competências a contar de dezembro/1999, inclusive, voltaria a figurar como de necessária apreciação e julgamento pelo órgão Julgador Primário as razões de fato e de direito deduzidas pelos sujeitos passivos em realce em seus instrumentos de impugnação ao lançamento que ora consuma. Por todo o exposto, ante a necessidade de reforma do acórdão hostilizado, pautamos pela declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, com fulcro no preceito inscrito no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, de molde a se permitir aos Notificados o pleno exercício do Contraditório e da Ampla defesa. 3. DA SUJEIÇÃO PASSIVA Conforme já salientado supra, não detém o consórcio, ante a ausência de personalidade jurídica, legitimidade para figurar no polo passivo da relação jurídica tributária. Uma vez desconfigurada a entidade consorcial, em razão da violação à norma inscrita no art. 279, IV, da Lei n° 6.404/76, determina a legislação tributária que o crédito tributário seja lançado em desfavor das empresas integrantes do aludido consórcio, as quais passam a responder solidariamente pelas obrigações tributárias objeto do presente lançamento, devendo estas figurar no polo passivo da relação jurídica em debate, eis que possuem personalidade jurídica própria e distinta, ex vi art. 179, VI e §3º da IN SRP nº 3/2005. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003804/200786 Acórdão n.º 230201.803 S2C3T2 Fl. 1.146 15 Tais conclusões não discrepam das orientações propostas na Consulta Técnica Interna nº 780/2006, a fls. 743 e seguintes. O Processo Administrativo Fiscal ora em estudo, relativo à NFLD nº 37.117.1172, de 18/09/2007, tem por sujeitos passivos o Consórcio de Alumínio do Maranhão (consórcio Alumar) e, solidariamente, as empresas consorciadas correspondentes, digase, Alcoa Alumínio S.A., BHP Billiton Metais S.A., Alcan Alumina Ltda., e Abalco S.A. Considerando que todas as empresas consorciadas houveramse por devidamente cientificadas do lançamento e da responsabilidade solidária pelo adimplemento do crédito tributário ora constituição, não vislumbramos qualquer deslize na formalização do lançamento, salvo pela inclusão indevida do consórcio em si considerado no polo passivo da obrigação em debate. Assim, a sanatória exige que seja excluído o nome do consórcio Alumar do polo passivo da relação jurídica tributária em realce, nele permanecendo, tão somente, as empresas consorciadas Alcoa Alumínio S.A., BHP Billiton Metais S.A., Alcan Alumina Ltda., e Abalco S.A. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para declarar nula a decisão de 1ª Instância. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11020.900573/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 15/08/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.689
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 15/11/2003 a empresa INSTALADORA SÃO MARCOS LTDA. apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins paga a maior no dia 15/08/2003 por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte declarado em DCTF, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que além de errar na apuração do valor da Cofins devida não fez a retificação da DCTF, mas de fato houve pagamento a maior e, portanto, tem direito à repetição do indébito, conforme prova carreadas aos autos. A DRJ em Campo Grande MS indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0425.554, de 09/08/2011, cuja ementa apresenta o seguinte teor: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 12/09/2011 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 13/10/2011 (fls. 116/119), no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, especialmente quanto à existência de fato de pagamento indevido que, pelo princípio da verdade material, deve ser restituído à recorrente. Ao final, solicita autorização para retificar a DCTF ou que a retificação seja feito de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débitos seus, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.900573/200889 Acórdão n.º 330201.689 S3C3T2 Fl. 2 3 Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darf) informado pela recorrente fora integralmente aproveitado no débito de mesmo valor informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Ciente da decisão, a empresa apresenta manifestação de inconformidade alegando que, de fato, o valor devido da Cofins de julho de 2003 é menor que o declarado em DCTF e cuja diferença está devidamente escriturada na sua contabilidade. Alega, ainda, no recurso voluntário que a razão do indeferimento seria sanada com a retificação da competente DCTF. Com razão a recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Não existe, também, normativa da RFB condicionando o deferimento do pedido de restituição à retificação, pelo contribuinte, da DCTF antes da data do despacho decisório. Tanto é assim que no despacho decisório, e na decisão recorrida, não há remissão à instrução normativa da RFB determinando a retificação da DCTF, como condição para deferimento de pedido de restituição, antes da transmissão da PER/DCOMP ou antes da lavratura do despacho decisório pela autoridade da RFB. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição. Se o processamento administrativo da restituição somente pode ser realizado após a retificação da DCTF, isto em nada afeta o direito material à repetição do indébito. Como a recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundouse unicamente nas informações constantes da DCTF apresentada pela Recorrente e, por elas, concluiu que não há indébito. Por outro lado, se a recorrente tivesse apresentado a DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de restituição não tornaria líquido e certo o crédito pleiteado. Portanto, não serve a DCTF (original ou retificadora) para conferir, ou não, liquidez e certeza ao crédito pleiteado. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo compensação o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e compensação. Pela sistemática atual, ao transmitir o pedido de restituição não está o contribuinte obrigado a apresentar nenhuma prova da existência do crédito pleiteado, inclusive mediante a apresentação ou retificação de DCTF. Como acima se disse, não pode a falta de apresentação de DCTF (original ou retificadora), por si só, ser motivo de indeferimento de pedido de restituição. Ademais, se a DCTF for prova da existência do crédito pleiteado, ela é prova indiciária, necessitando de verificações complementares para constatarse a existência concreta do crédito pleiteado. Se essas verificações complementares não foram realizadas pela autoridade fazendária, ou se outras provas não forem oferecidas pelo sujeito passivo, não há como falarse em existência ou inexistência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao momento em que o sujeito passivo deve apresentar a prova da existência do crédito pleiteado em PER/DCOMP, também não há norma legal específica. Entendo que o contribuinte deve apresentálas quando for solicitado e no prazo determinado pela autoridade fazendária. Na hipótese de a autoridade fazendária indeferir o pedido de restituição sem solicitar prova do direito pleiteado, como é o caso destes autos, entendo que essa prova deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade e no prazo fixado no art. 15 do Decreto nº 70.235/72, isto sem prejuízo da autoridade fazendária solicitar outras informações ou documentos que entender necessários à formação de sua convicção sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, consequentemente, para a não homologação das compensações declaradas. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar as compensações declaradas. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição pleiteado e determinar que a autoridade da RFB apure o valor a restituir, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente e, se for o caso, homologue as compensações declaradas pela recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.900573/200889 Acórdão n.º 330201.689 S3C3T2 Fl. 3 5 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10840.001614/2005-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. CONSTATAÇÃO. Servindo os embargos de declaração a sanar omissão, contradição e obscuridade na decisão proferida, uma vez confirmado o vício apontado, impõe-se o seu acolhimento e a correção necessária, passando, ambas as decisões, a integrar o julgado. Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3403-001.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar o defeito verificado no Acórdão nº 3403-01.273, alterando-se o resultado do julgamento para: “por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do ‘transporte de funcionários’, combustíveis e lubrificantes. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso quanto ao ‘transporte de funcionários’”.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. CONSTATAÇÃO. Servindo os embargos de declaração a sanar omissão, contradição e obscuridade na decisão proferida, uma vez confirmado o vício apontado, impõese o seu acolhimento e a correção necessária, passando, ambas as decisões, a integrar o julgado. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar o defeito verificado no Acórdão nº 340301.273, alterandose o resultado do julgamento para: “por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do ‘transporte de funcionários’, combustíveis e lubrificantes. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso quanto ao ‘transporte de funcionários’”. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Reator Designado Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase, na espécie, de embargo de declaração manejado pela Fazenda Nacional em face do acórdão 340301.273, julgado na sessão realizada em outubro/2011, cuja ementa reproduzo: “PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do momento da apropriação dos créditos no regime não cumulativo de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo despropositado referirlhe aos casos de ressarcimento e compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da declaração de compensação. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANA DE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006. Recurso provido em parte.” Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.001614/200593 Acórdão n.º 340301.639 S3C4T3 Fl. 2 3 Sustenta a embargante omissão no julgado, relativamente à decisão lançada no aresto em destaque, que reconheceu direito de crédito no estoque de abertura concernente a insumos (adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas) que não foram objeto de exame e fundamentação no voto prolatado. A decisão encontrase redigida da seguinte forma: “acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do ‘transporte de funcionários’ e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicidas, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mãodeobra”. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso atende aos requisitos para sua admissibilidade, de modo que deve ser conhecido. Revendo os termos do acórdão 340301.273, em confronto com a situação tratada nos autos, concluí que o caso não é de omissão, como assevera a recorrente, mas sim de contradição entre a decisão e o voto proferido. Dessarte, o voto não analisa a natureza dos adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas e sua qualificação como insumo simplesmente porque esta matéria é estranha aos autos. O Relatório de Ação Fiscal (fls. 28/37) deixa estreme de dúvidas que estes itens, bem assim, a sua inclusão no estoque de abertura para geração de créditos da não cumulatividade, não foram objeto de glosa nestes autos, que se circunscreveu à exclusão dos valores referentes ao transporte de funcionários e aos combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos de transporte e maquinário do contribuinte. Ou seja, a decisão, e apenas ela, encontrase defeituosa (extra petita). A ementa, o relatório e o voto proferido estão hígidos, razão porque não devem ser reformados. Pelo exposto, proponho o acolhimento dos embargos para retificar exclusivamente o texto da decisão do acórdão 340301.273, mantidas a ementa, o relatório e o voto proferido naquela assentada. Robson José Bayerl Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10768.013936/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Ano-calendário: 1998, 1999, 2002 FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. DECLARAÇÕES MENSAIS E TRIMESTRAIS.
A multa aplicável resulta da multiplicação do valor estabelecido em lei pelo número de meses ou fração de atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DA CPMF. BASE LEGAL. VENCIMENTOS ANTERIORES E POSTERIORES A 28/08/2000. O lançamento da multa por atraso na entrega das declarações da CPMF com vencimento anterior a 28/08/2000 fundamenta-se no art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968/82, na redação que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº 2.065/83, por força do disposto no art. 5º, § 3º, do Decreto-Lei nº 2.124/84. Para os fatos geradores de 28/08/2000 em diante, a multa está prevista no art. 47 da MP nº 2.037-21/2000, que corresponde, atualmente, ao art. 46 da MP nº 2.158- 35/2001.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.299
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Vencida a Conselheiroa Maria Teresa Martínez López.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CÁLCULO DA MULTA. DECLARAÇÕES MENSAIS E TRIMESTRAIS. A multa aplicável resulta da multiplicação do valor estabelecido em lei pelo número de meses ou fração de atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DA CPMF. BASE LEGAL. VENCIMENTOS ANTERIORES E POSTERIORES A 28/08/2000. O lançamento da multa por atraso na entrega das declarações da CPMF com vencimento anterior a 28/08/2000 fundamentase no art. 11 do DecretoLei nº 1.968/82, na redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 2.065/83, por força do disposto no art. 5º, § 3º, do DecretoLei nº 2.124/84. Para os fatos geradores de 28/08/2000 em diante, a multa está prevista no art. 47 da MP nº 2.03721/2000, que corresponde, atualmente, ao art. 46 da MP nº 2.158 35/2001. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheiroa Maria Teresa Martínez López. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ do Rio de Janeiro, que manteve parcialmente procedente o auto de infração para cobrança da multa por atraso na entrega de Declaração Trimestral dos 3° e 4º trimestres de 1998, do 1º trimestre de 1999 e do 1° trimestre de 2000, e Declaração Mensal de Medidas Judiciais de agosto de 2000, relativas à CPMF, conforme sintetiza a respectiva ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: CPMF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. Na exigência de Multa por Atraso na Entrega de Declaração, aplicase a legislação vigente à data fixada para a entrega da Declaração. A multa prevista na MP 2.03721/2000 e seguintes é devida, apenas, para fatos geradores após 28/08/2000. Constatado erro na aplicação da legislação, impõese a retificação do lançamento. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi mantido, em parte, tendo em vista que a exigência de Multa por Atraso na Entrega de Declaração, aplicase a legislação vigente à data fixada para a entrega da Declaração, visto que a lei mais gravosa não pode ser aplicada retroativamente. Desta forma, em relação aos fatos geradores ocorridos até 27/08/2000, é cabível, apenas, a aplicação da multa prevista no artigo 11 do Decretolei n° 1.968/1982, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.065/1983, observadas as conversões e atualizações monetárias posteriores, apenas para os fatos geradores após 28/08/2000, é devida a multa prevista na MP 2.03721/2000 e seguintes. Em relação à redução das multas aplicadas, consta do Termo de Verificação Fiscal que para as declarações apresentadas antes do inicio do procedimento fiscal e para aquelas apresentadas no prazo fixado na Intimação ou Reintimação aplicamos a penalidade com redução de 50% do seu valor (R$ 5.000,00 ou R$ 28,67), conforme determinado na legislação em vigor. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10768.013936/200252 Acórdão n.º 330101.299 S3C3T1 Fl. 171 3 Constando as seguinte declarações que obtiveram o beneficio de redução da multa: • Declaração Trimestral do terceiro trimestre de 1998 • Declaração Trimestral do quarto trimestre de 1998 • Declaração Trimestral do primeiro trimestre de 1999 • Declaração Mensal — Medidas Judiciais de agosto de 2000. A Declaração Trimestral do primeiro trimestre de 2000 foi entregue após o prazo determinado na reintimaçãO feita ao contribuinte, não atingindo, por conseguinte, o benefício de redução da multa. O contribuinte tomou ciência da reintimação em 09/04/2002, onde o prazo determinado para a apresentação da declaração era de 20 dias, encerrando, portanto, em 30/04/2002. Esta declaração foi entregue em 17/06/2002, não atingindo por conseguinte o beneficio da redução da penalidade. Cientificada em 20/03/2006 (AR – fl. 108), a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 110/114, em 19/04/2006, alegando em síntese, que o fato gerador ocorreu no mês de AGOSTO/2000, incidirá o DL 2.605/83, mesmo que o prazo para a entrega da referida declaração seja posterior a este mês calendário, in casu, NOVEMBRO/2000. A questão é o que o fisco equivocadamente, considera para aplicação da multa, o prazo para a entrega da declaração e não o mês do fato gerador da obrigação, visto que prevê a Lei que as empresas têm 03 (dois) meses para entregar a declaração a partir do último dia do mês/calendário (fato gerador), assim urna obrigação do mês de AGOSTO/2000 deveria ser entregue em 30/NOVEMBRO/2000. Acontece que o Fisco, baseandose na publicação da Medida Provisória n. 2.03721 com vigência a partir de SETEMBRO/2000, trouxe penalidades mais duras aos contribuintes inadimplentes, e o mesmo passou a aplicar a fatos geradores pretéritos, infringindo desta forma, o principio da retroatividade para beneficiar o contribuinte. Requer, ao final, seja reconsiderado o valor da multa aplicada ao inadimplemento da entrega da Declaração Mensal, referente ao mês de AGOSTO/2000, devendo ser aplicada a multa do DL 2.605/83. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, no presente caso cuidase de auto de infração pela falta de entrega das declarações trimestrais de CPMF, relativas ao 3º e 4º trimestres de 1998, do 1º Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 trimestre de 1999 e do 1° trimestre de 2000, e Declaração Mensal de Medidas Judiciais de agosto de 2000. A principal alegação do recurso é sobre o momento da aplicação da penalidade prevista na MP nº 2.03121, de 25/08/2000 (DOU, 28/08/2000), segundo a recorrente aplicase o DL 2.605/83 para todos os fatos geradores ocorridos até agosto de 2000, mesmo que o prazo para a entrega da referida declaração seja posterior a este mês calendário seja posterior, no caso, novembro/2000. A decisão recorrida já tratou de ajustar, em grade parte, o apelo da recorrente, aplicando a penalidade prevista no DL 2.605/83 para todas as declarações trimestrais, quais seja, 3º trimestre de 1998, 4º trimestre de 1998, 1º trimestre de 1999 e para o 1º trimestre de 2000, conforme inferese da conclusão do voto condutor do acórdão recorrido (fl. 36). Apenas em relação à multa aplicada pelo atraso na entrega das Declarações Mensais de agosto de 2000, cuja entrega ocorreu em 23/02/2001, totalizando 3 (três) meses de atraso, tendo sido aplicado os valores previstos na MP 2.03721/2000 (3 meses x R$5.000,00), com a redução prevista no Parágrafo único do art. 47, in verbis: MP Nº 2.03721/2000, de 25/08/2000 (DOU, de 28/08/2000) Art. 47. O nãocumprimento das obrigações previstas nos arts. 11 e 19 da Lei no 9.311, de 1996, sujeita as pessoas jurídicas referidas no art. 45 às multas de: I R$ 5,00 (cinco reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Parágrafo único. Apresentada a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas serão reduzidas à metade. Não vislumbro nenhum reparo a fazer no acórdão recorrido, estando de acordo com as reiteradas decisões emanadas deste E. CARF, conforme permite concluir a ementa do acórdão nº 20217.588, julgado na sessão de 06/12/2006, designado redator o ilustre Conselheiro Antonio Zomer, a seguir parcialmente transcrita, in verbis: FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. DECLARAÇÕES MENSAIS E TRIMESTRAIS. A multa aplicável resulta da multiplicação do valor estabelecido em lei pelo número de meses ou fração de atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DA CPMF. BASE LEGAL. VENCIMENTOS ANTERIORES E POSTERIORES A 28/08/2000. O lançamento da multa por atraso na entrega das declarações da CPMF com vencimento anterior a 28/08/2000 fundamentase no art. 11 do DecretoLei nº 1.968/82, na redação que lhe foi Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10768.013936/200252 Acórdão n.º 330101.299 S3C3T1 Fl. 172 5 dada pelo DecretoLei nº 2.065/83, por força do disposto no art. 5º, § 3º, do DecretoLei nº 2.124/84. Para os fatos geradores de 28/08/2000 em diante, a multa está prevista no art. 47 da MP nº 2.03721/2000, que corresponde, atualmente, ao art. 46 da MP nº 2.15835/2001. Em face do exposto, considerando que os fatos geradores são posteriores à vigência da MP nº 2.03721/2000 (28/08/2000), voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10675.906649/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2000
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906649/200901 Acórdão n.º 380101.092 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10680.911220/2008-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DEFINITIVA. SUJEITO PASSIVO NÃO CONTESTA EXPRESSAMENTE A MATÉRIA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando a matéria que não tiver sido expressamente contestada pelo sujeito passivo no recurso voluntário, por ter-se encerrada a fase litigiosa no procedimento.
Numero da decisão: 1801-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 135 1 134 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.911220/200878 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.403 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente SQUADRA TECNOLOGIA EM SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DEFINITIVA. SUJEITO PASSIVO NÃO CONTESTA EXPRESSAMENTE A MATÉRIA. É definitiva a decisão de primeira instância quando a matéria que não tiver sido expressamente contestada pelo sujeito passivo no recurso voluntário, por terse encerrada a fase litigiosa no procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 12 20 /2 00 8- 78 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.911220/200878 Acórdão n.º 1801001.403 S1TE01 Fl. 136 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 21827.76645.310106.1.3.035795 em 31.01.2006, fls.0813, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$967,75, referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2005 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 967,75 Valor do crédito na DIPJ: 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 21827.76645.310106.1.3.035795 04723.13708.310106.1.3.037053 18854.39212.310106.1.3.039897 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Recorrente foi cientificada em 04.11.2008, fl. 99, e apresentou a manifestação de inconformidade em 28.11.2008, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Através dos Per/Dcomp’s acima a impugnante pediu a compensação dos SEUS créditos relativos ao tributo 5952 CSLL retida na fonte pela pessoa jurídica pagadora, constante de Notas Fiscais emitidas pela credora, ora impugnante, e devidamente registradas em sua escrita contábilfiscal, como faz prova as cópias em anexo, tanto das Notas Fiscais, quanto do Livro Diário e Balancete n° 0018, devidamente registrado na JUCEMG em 17.04.2006. Nos referidos Per/Dcomp’s, para se evitar o que ocorreu, ou seja, a não homologação, a Impugnante relacionou todos os CNPJ’s das empresas retentoras do tributo, mas foi em vão seu cuidado. O crédito não foi homologado sob a alegação de que "não houve apuração de credito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica Ocorre que no programa Per/DComp da Receita Federal não existe um tipo de crédito para CSLL retida na fonte, sobrando à Requerente somente a opção que mais se assemelhava com o seu interesse, ou seja, aquela que registrou no PER/DCOMP: "Saldo Negativo de CSLL". Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.911220/200878 Acórdão n.º 1801001.403 S1TE01 Fl. 137 3 Contudo, independentemente do código ou denominação utilizado pelo "sistema", to os créditos registrados nos três documentos apresentados a compensar, estão dentro previsões contidas no artigo 26 da Instrução Normativa SRF n° 460 de 18.10.2004 como passíveis de compensação. Em razão da não homologação daqueles Per/DComp’s, foi consolidado um débito composto de R$21.768,73, a título de principal, R$4.353,73, a título de multa e R$7.281,62 a título de juros, os quais, de fato e de direito a Impugnante, efetivamente não deve. [...] Ninguém está obrigado a pagar aquilo que já pagou e todos têm o direito de compensar o que pagou indevidamente ou lhe foi retido na fonte, com os débitos realmente existentes. A prova de que a Impugnante teve aqueles valores retidos na fonte estão claramente formalizados na documentação anexa. Conclui Ante os fatos acima e documentos anexos, está provado que os valores constantes dos Per/DComp’s não homologados são legítimos créditos da Impugnante, uma vez que retidos pelas fontes pagadoras, e consequentemente, podem ser compensados por ser um direito legítimo da Impugnante, face ao que, requer se d. V. Exa. de determinar o cancelamento do Despacho Decisório ora impugnado e, em conseqüência, determinar a homologação dos Per/DComp’s supra referidos. Termos em que Pede deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0236.728, de 15.12.2011, fls. 101104:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Notificada em 07.11.2011, fl. 222, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.04.2012, fl. 114, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal argumentando que concorda com os termos constantes na decisão do primeira instância de julgamento e que por essa razão procedeu ao parcelamento dos débitos então confessado nas Per/DComp. Conclui Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.911220/200878 Acórdão n.º 1801001.403 S1TE01 Fl. 138 4 Dessa forma, julgando prestar os esclarecimentos necessários, a empresa requer o cancelamento da cobrança constantes no Acórdão, com a conseqüente regularização da sua situação fiscal. N. Termos, pede e espera Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente suscita que concorda com os termos constantes na decisão do primeira instância de julgamento e que por essa razão procedeu ao parcelamento dos débitos então confessado nas Per/DComp. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. É facultado à Recorrente, no prazo referido apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Considerase definitiva a decisão de primeira instância quando a matéria que não tiver sido expressamente contestada pelo sujeito passivo no recurso voluntário, por terse encerrada a fase litigiosa no procedimento 1. Verificase no presente caso que a Recorrente concorda com os termos constantes na decisão do primeira instância de julgamento e por essa razão o litígio encerrouse nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Logo, a decisão de primeira instância tornouse definitiva, uma vez que a matéria não foi expressamente contestada pela Recorrente no recurso voluntário, e assim, está encerrada a fase litigiosa no procedimento. Em relação ao cancelamento da cobrança dos débitos confessados em Per/Dcomp pelo parcelamento, temse que essa providência deve ser analisada pela autoridade preparadora unidade da RFB que jurisdicione a Recorrente, em conformidade com inciso VI do art. 302 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o rito a ser seguido regese pela Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (art. 147 e art. 156 do Código Tributário Nacional). Por essa razão, essa matéria não pode ser analisada nos presentes autos em sede de recurso voluntário. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.911220/200878 Acórdão n.º 1801001.403 S1TE01 Fl. 139 5 Em assim sucedendo, voto por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10783.908195/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. SALDO CREDOR DO PERÍODO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE CONSUMO NO PERÍODO SUBSEQÜENTE. Quando o contribuinte consome parte dos créditos do período na liquidação de débitos do período posterior há que se considerar essa redução e ressarcir- lhe apenas o crédito no verdadeiro montante remanescente de utilizações posteriores ao período do ressarcimento. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.574
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. SALDO CREDOR DO PERÍODO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE CONSUMO NO PERÍODO SUBSEQÜENTE. Quando o contribuinte consome parte dos créditos do período na liquidação de débitos do período posterior há que se considerar essa redução e ressarcir- lhe apenas o crédito no verdadeiro montante remanescente de utilizações posteriores ao período do ressarcimento. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. SALDO CREDOR DO PERÍODO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE CONSUMO NO PERÍODO SUBSEQÜENTE. Quando o contribuinte consome parte dos créditos do período na liquidação de débitos do período posterior há que se considerar essa redução e ressarcir lhe apenas o crédito no verdadeiro montante remanescente de utilizações posteriores ao período do ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.908195/200897 Acórdão n.º 330201.574 S3C3T2 Fl. 171 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 150 a 156 eProcesso) apresentado em 18 de abril de 2011 contra o Acórdão no 0933.361, de 31 de janeiro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 129 a 134), cientificado em 23 de março de 2011, que, relativamente a declarações de compensação de IPI dos períodos de 2º trimestre de 2004, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. Nesse sentido, a legitimação do direito ao crédito de IPI que comporá o saldo credor trimestral depende de o destaque do imposto na respectiva nota fiscal de aquisição de insumos estar revestido dos atributos inerentes à exação, isto é, permitir a cobrança do emitente e o creditamento do adquirente, o que não se amolda, respectivamente, aos optantes pelo Simples e a seus clientes (art. 5º, §5º, da Lei nº 9.317, de 1996, e arts 119 e 166 do RIPI/2000). SALDO CREDOR DO PERÍODO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE CONSUMO NO PERÍODO SUBSEQÜENTE. Quando o contribuinte consome parte dos créditos do período na liquidação de débitos do período posterior há que se considerar essa redução e ressarcirlhe apenas o crédito no verdadeiro montante remanescente de utilizações posteriores ao período do ressarcimento. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ERRO NO PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DO PER/DCOMP. Verificado o erro no processamento eletrônico das declarações de compensação, cumpre à autoridade administrativa corrigilo e reconhecer os créditos legítimos do contribuinte. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.908195/200897 Acórdão n.º 330201.574 S3C3T2 Fl. 172 3 SALDO CREDOR DE IPI. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE ERRO DE PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. RESTABELECIMENTO. Restabelecese parcialmente o saldo credor pleiteado pelo contribuinte quando restar comprovado que o seu indeferimento no Despacho Decisório decorreu exclusivamente de erro de preenchimento do PER/DCOMP e os dados constantes do processo ratificam, em parte, a legitimidade da petição do contribuinte. SALDO CREDOR PARCIALMENTE RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Quando o saldo credor reconhecido, o é apenas em parte e em quantitativo inferior ao montante dos débitos declarados, homologase parcialmente a compensação declarada na medida do saldo credor deferido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte O pedido foi apresentado em 13 de julho de 2004 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório eletrônico de fls. 110 a 118, que glosou notas fiscais com créditos indevidos. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO – PER/DCOMP, abaixo relacionadas, suportados pelo saldo credor de IPI de R$60.180,01, calculado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, relativo ao 2º trimestre do anocalendário de 2004: DCOMP 36861.62133.130704.1.3.019185 (*) Saldo Credor Utilizado (RS) 350.500,00 Tributo CSLL Débito (RS) 22.400,00 Vencimento 30/07/2004 Débito (RS) 10.000,00 Vencimento 30/07/2004 Tributo PIS Débito (RS) 4.100,00 Vencimento 15/07/2004 Tributo COFINS Débito (RS) 14.000,00 Vencimento 15/07/2004 DCOMP 23822.37552.141004.1.3.015503 (**) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.908195/200897 Acórdão n.º 330201.574 S3C3T2 Fl. 173 4 Saldo Credor Utilizado (RS) 9.680,01 Tributo IRPJ Débito (RS) 9.680,01 Vencimento 29/10/2004 (*) homologada parcialmente; (**) não homologada (fls. 116/117) A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 110, com o deferimento parcial do saldo credor requerido e, consequentemente, a homologação parcial da compensação declarada. Fundamentou se o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$60.180,01 Valor do crédito reconhecido: R$42.874,97 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 36861.62133.130704.1.3.019185 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 23822.37552.141004.1.3.015503 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008. PRINCIPAL 17.305,04 MULTA 3.461,00 JUROS 10.037,32 Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, abaixo representada por excertos de seu texto, em que ficam expressos os motivos da contestação: Foi destacado como motivo de irregularidade dos Créditos (Motivo 2 Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal não cadastrado no CNPJ) a NOTA Fiscal foi registrada no nosso Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.908195/200897 Acórdão n.º 330201.574 S3C3T2 Fl. 174 5 livro fiscal com o nosso CNPJ 30.746.9945/000118 Nota Fiscal N 19507, em virtude de emissão da Nota Fiscal de Entrada . Segue em anexo o cartão de CNPJ do emitente (Rochesa SA – CNPJ 74.068.552/000178) com a cópia da citadas Nota Fiscal em anexo que comprova a existência do cadastro no CNPJ. Foi destacado como motivo de irregularidade dos Créditos (Motivo 7 Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal Optante pelo Simples) o CNPJ 02.459.530/000128 Notas Fiscais N s. 8694 e 8874. Foi considerado o crédito de IPI destas Notas Fiscais porque foi destacado o IPI nas mesmas. Segue em anexo as cópias das notas fiscais comprovando o fato ocorrido. Foi destacado como motivo de irregularidade dos Créditos (Motivo 4 Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação cancelado no cadastro CNPJ) o CNPJ 49.799.943/001197 Notas Fiscais N s 177206; 178033; 178505 e 178504 Foi digitado o CNPJ indevido destas Notas Fiscais mencionadas, sendo que o correto é o CNPJ 61.194.080/000409. Segue em anexo as cópias das Notas Fiscais comprovando o fato ocorrido. Informamos que fizemos também manifestação de inconformidade do 1º Trimestre/2004 cujos saldos serão alterados neste trimestre com aquela consideração. Requeremos a V. Sa. considerar o crédito indevidamente glosado cuja diferença entre o total do crédito glosado e o valor principal glosado, será transportado para os trimestres seguintes. Uma vez considerado o crédito glosado deixará(o) de existir os efeitos da intimação. Anexamos a esta, cópia do Livro de Registro de Apuração do IPI do 1º e 2º Trimestre/2004, Aditivo Contratual n . 11(onze), cópia das Notas Fiscais acima mencionadas e Cartões dos CNPJ das empresas emitentes das Notas Fiscais. Diante do exposto requeremos a validação dos créditos, o arquivamento da intimação tornandoa sem efeito, o saldo seja transportado para os trimestres seguintes, uma vez quer estes trimestres também tiveram intimação para recolhimento. A DRJ, conforme ementa anteriormente reproduzida, considerou procedente em parte a manifestação, não tendo sido totalmente favorável à Interessada, “tendo em vista a manutenção de glosas decorrentes de aquisições efetuadas por intermédio de fornecedor optante pelo SIMPLES e ao consumo, no 3º trimestre de 2004, de créditos oriundos do 2º trimestre de 2004.” No recurso, em relação à primeira matéria, alegou que o IPI fora destacado nas notas fiscais de aquisição, donde não constaria informação alguma a respeito da adesão da empresa ao Simples. Acrescentou que “nas citadas notas fiscais se faz constar todos os requisitos, típicos para contribuintes do IPI, previstos no artigo n° 339, do Ripi/02, Decreto n° 4.544/02, legislação vigente à época, em especial, a classificação fiscal dos produtos, a alíquota de Ipi correspondente, e o IPI destacado” e que as notas foram autorizadas pela Fazenda Estadual. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.908195/200897 Acórdão n.º 330201.574 S3C3T2 Fl. 175 6 Ademais, não teria sido informada a data da opção e a de desenquadramento do estabelecimento no Simples. Nesse contexto, requereu realização de diligência para “constatar o destino dado aos valores pagos pela requerente, face ao IPI destacado nas citadas notas fiscais.” Em relação à segunda matéria, afirmou discordar da conclusão do acórdão de primeira instância, pelas seguintes razões: O PerDcomp em questão de n° 36861.62133.130704.1.3.01 9185, foi transmitido em 13 de julho de 2004 e referese ao período de apuração de 01.04.2004 a 30.06.2004 ( 2 o trimestre de 2004) e consoante instruções constantes do Programa PerDcomp, não é exigido o preenchimento da ficha Demonstrativo de apuração após o período de ressarcimento, cabendo comentar que tal ficha somente será disponibilizada ao contribuinte quando houver pelo menos um período de apuração entre o final do trimestre calendário de referência e a data de transmissão do documento, fato que não ocorreu. [...] Temos o entendimento de que o julgador preencheu, indevidamente, no Acórdão em questão a ficha Demonstrativo de apuração após o período de ressarcimento, que no caso, (PerDcomp transmitido no mês subseqüente ao trimestre calendário) repito, não é exigida nem disponibilizada no Programa PerDcomp, inserindo os dados referentes aos meses julho, agosto e setembro 2004, em desacordo com a legislação vigente, encontrando o valor de R$ 51.692,72. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação às notas fiscais do estabelecimento optante pelo Simples, ao contrário do alegado pela Interessada, a Primeira Instância verificou que, à época da emissão das notas fiscais, o estabelecimento era optante. Considerou a Primeira Instância que o estabelecimento estaria impedido de transferir créditos, razão pela qual não tinha o dever de confrontar os créditos com os débitos e efetuar o recolhimento do saldo. Muito embora o estabelecimento fornecedor tenha incorrido em irregularidade grave ao emitir nota fiscal que não poderia emitir e, ainda, destacar o IPI devido na saída como se não fosse optante pelo Simples, cabe razão à Primeira Instância ao fazer as seguintes considerações: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.908195/200897 Acórdão n.º 330201.574 S3C3T2 Fl. 176 7 Dessa forma, o montante pago pelo interessado aos seus fornecedores, titulo de destaque de IPI nas notas fiscais de vendas de insumos, é, em última análise, a majoração do preço desses insumos, cobrada indevidamente do adquirente como se IPI fosse. Portanto, se cabível qualquer reparação ao contribuinte em razão do pagamento de valor indevidamente destacado como Imposto sobre Produtos Industrializados deve ser requerida ao fornecedor, não dirigida à Receita Federal do Brasil. Certamente, porque esta responde, apenas, pela administração do tributo, não se responsabilizando pelo resgate de quantias cobradas indevidamente ao adquirente por seu fornecedor, a menos que delas resulte tributo indevidamente pago e recolhido aos Cofres Públicos. Em relação à segunda matéria, também descabe razão à Interessada. Não se trata de preencher ou não um demonstrativo, mas de confrontar os valores informados. E, de fato, de acordo com o que foi apurado, constatouse (e não simplesmente se preencheu indevidamente uma ficha) que houve utilização posterior dos créditos do trimestre, o que impede o ressarcimento. Vejase que, no demonstrativo constante do acórdão (“demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento”), fica evidente que, para justificar o valor dos créditos utilizados no terceiro trimestre, sua origem tem que ser em trimestre anterior. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000608/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR AO PAGAMENTO.
Tendo o contribuinte realizado o pagamento e posteriormente retificado a respectiva declaração antes do início de qualquer procedimento fiscal para a apuração do crédito tributário, deve ser reconhecido seu direito ao benefício previsto no artigo 138 do CTN.
Numero da decisão: 3201-000.980
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DCTF. RETIFICAÇÃO POSTERIOR AO PAGAMENTO. Tendo o contribuinte realizado o pagamento e posteriormente retificado a respectiva declaração antes do início de qualquer procedimento fiscal para a apuração do crédito tributário, deve ser reconhecido seu direito ao benefício previsto no artigo 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento, nos termos do voto do relator. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Mara Cristina Sifuentes (Suplente), Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais DCTF, correspondente ao 3 o trimestre do ano calendário de 2002, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher a título de multa de mora não paga o crédito tributário no valor de R$ 121.764,48 (fls. 32 e 33). Segundo os demonstrativos de fls. 34 a 37, a interessada pagou o tributo devido após o vencimento legal da obrigação, sem o acréscimo da multa moratória. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação de fls. 01 a 18, protocolizada em 19/04/2007, na qual, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2002 DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 16327.000608/200776 Acórdão n.º 3201000.980 S3C2T1 Fl. 326 3 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão de primeira instância sofre de diversos erros materiais, quando se refere a Imposto de Renda Retido na Fonte, contudo, tal erro não afeta o direito de defesa da recorrente, que conseguiu manejar integral os argumentos de defesa, com a apresentação de recurso muito bem redigido e trazendo todos os argumentos necessários e pertinentes. A matéria de mérito já foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, pela via do procedimento regulado pelo artigo 543C do CPC, de observância obrigatória a este Colegiado por força da redação emprestada ao artigo 62A do Regimento Interno deste CARF. È exemplo desta jurisprudência vinculante a notícia de voto abaixo transcrita: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.(REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Assim, VOTO por conhecer do recurso para darlhe provimento, conforme o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça na forma do disposto no artigo 62A do Regimento Interno. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000503/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 30/06/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCLUSÃO DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
O simples fato de se apurar na contabilidade da contribuinte a existência de supostos débitos, os quais foram lançados em Lançamentos de Débitos Confessados LDC’s, incluídos em parcelamento, estando, portanto, com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso VI, do CTN, não é capaz de autorizar a imputação da infração prevista no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, uma vez que somente com a constituição definitiva do crédito tributário é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige a existência de débitos passíveis de impedir a distribuição de lucros da empresa. Por sua vez, na esteira da farta e mansa jurisprudência judicial e administrativa, a inclusão dos débitos em parcelamento suspende a
exigibilidade, afastando a impossibilidade da distribuição de lucros.
Recurso Voluntario Provido.
Numero da decisão: 2401-002.478
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar
provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCLUSÃO DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. O simples fato de se apurar na contabilidade da contribuinte a existência de supostos débitos, os quais foram lançados em Lançamentos de Débitos Confessados LDC’s, incluídos em parcelamento, estando, portanto, com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso VI, do CTN, não é capaz de autorizar a imputação da infração prevista no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, uma vez que somente com a constituição definitiva do crédito tributário é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige a existência de débitos passíveis de impedir a distribuição de lucros da empresa. Por sua vez, na esteira da farta e mansa jurisprudência judicial e administrativa, a inclusão dos débitos em parcelamento suspende a exigibilidade, afastando a impossibilidade da distribuição de lucros. Recurso Voluntario Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCLUSÃO DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. O simples fato de se apurar na contabilidade da contribuinte a existência de supostos débitos, os quais foram lançados em Lançamentos de Débitos Confessados LDC’s, incluídos em parcelamento, estando, portanto, com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso VI, do CTN, não é capaz de autorizar a imputação da infração prevista no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, uma vez que somente com a constituição definitiva do crédito tributário é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige a existência de débitos passíveis de impedir a distribuição de lucros da empresa. Por sua vez, na esteira da farta e mansa jurisprudência judicial e administrativa, a inclusão dos débitos em parcelamento suspende a exigibilidade, afastando a impossibilidade da distribuição de lucros. Recurso Voluntario Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14041.000503/200879 Acórdão n.º 2401002.478 S2C4T1 Fl. 88 3 Relatório PATRIMONIAL SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da decisão da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0334.795/2009, às fls. 63/72, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com arrimo no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 280, inciso II, do RPS, por ter distribuído lucros aos sócios, estando em débito com a Seguridade Social, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 13/17, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/06/2008, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 533.133,14 (Quinhentos e trinta e três mil, cento e trinta e três reais e quatorze centavos), com base nos artigos 285 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 52, parágrafo único, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte distribuiu lucros aos seus sócios estando em débito com a previdência social, como se verifica da escrituração contábil trazida à colação e, bem assim, das LDC’s nº 35.724.9321 e 35.677.4953, as quais foram objeto de parcelamento. Interposta impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem converter o julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos ao fiscal autuante para verificar a possibilidade do recálculo da multa em face da edição da Medida Provisória nº 449/2008, a qual contemplou multa mais benéfica, devendo retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, consoante se infere do Despacho nº 20/2009 da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, às fls. 38/40. Em atendimento à diligência determinada pelo julgador de primeira instância a autoridade lançadora elaborou Informação Fiscal, às fls. 41/45, propondo a exoneração total da multa em virtude da inclusão dos débitos considerados para efeito da autuação em parcelamentos, o que suspende a exigibilidade do crédito nos termos do artigo 151, inciso VI, do Códex Tributário, c/c a jurisprudência judicial e administrativa e doutrina transcritas naquela manifestação, afastando, portanto, a premissa do presente lançamento. Em 10/12/2009, a empresa apresentou petição de fls. 74/75, pugnando pela anulação do Auto de Infração, aduzindo para tanto que o dispositivo legal que fundamentou o lançamento, qual seja, o artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, fora revogado pelo artigo 79 da Lei nº 11.941/2009. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 79/84, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, reiterando o fato de o artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91 ter sido revogado pelo artigo 79 da Lei nº 11.941/2009. Contrapõese à multa aplicada, em decorrência de suposto débito perante a Seguridade Social, asseverando que os créditos previdenciários que deram margem à aplicação da penalidade em epígrafe, apurados a partir da lavratura de LDC’s, se encontram com a exigibilidade suspensa, por força do artigo 151, inciso VI, do CTN, em face da inclusão em parcelamento, razão pela qual não se pode cogitar em débitos exigíveis, capazes de justificar a exigência ora imposta. Assevera que a própria autoridade lançadora reconhece tais fatos, propondo a decretação da improcedência do lançamento, nos termos da Informação Fiscal, às fls. 41/45, exarada em decorrência da diligência determinada pela 5a Turma da DRJ em Brasília, consubstanciada no Despacho nº 20/2009, às fls. 38/40. Infere que a empresa possuía, à época da lavratura do auto de infração, três parcelamentos, débitos garantidos, envolvendo as competências 09/2003 a 07/2004 (consolidado em 17/11/04), 09/2004 a 11/2004 (consolidado em 31/03/2005) e 08/204 e 12/2004 (consolidado em 20/07/2005), respectivamente. Todas as parcelas foram pagas nos prazos legais, não existindo, portanto, débito para com o INSS no período correspondente à distribuição de lucros efetuada no decorrer de 2004, importante frisar que partia da impugnante os pedidos de parcelamentos, tão logo certificouse as pendências. Opõese à multa aplicada por considerála desproporcional, malferindo os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, impondo seja decretada sua insubsistência. Por fim, pretende seja conhecido e provido seu Recurso Voluntário, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito, e no mérito, seja declarada a improcedência do lançamento. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14041.000503/200879 Acórdão n.º 2401002.478 S2C4T1 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal na forma constituída, suscitando que a multa aplicada malfere flagrantemente a Constituição Federal, mais precisamente os princípios da razoabilidade e do não confisco, impondo seja decretada a insubsistência do feito. Em defesa da sua pretensão, infere, ainda, não poder ser penalizada por suposta existência de débito junto à Seguridade Social, uma vez que o crédito tributário ora lançado encontrase com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso VI, do Códex Tributário, em face da inclusão dos débitos em parcelamentos. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir da ilustre autoridade julgadora de primeira instância, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, constatase que a presente autuação decorre do fato de a contribuinte ter distribuído lucros aos seus sócios, estando, pretensamente, em débito com o INSS, infringindo o disposto no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 280, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no art. 34. (O art. 34 foi revogado pela Lei nº 8.218, de 29/08/91 e restabelecido, com nova redação, pela MP nº 1.571, de 01/04/97 reeditada até a conversão na Lei nº 9.528, de 10/12/97).” “ Decreto nº 3.048/99 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Art. 280. A empresa em débito para com a seguridade social não pode: (Ver art. 285) I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Art. 285. A infração ao disposto no art. 280 sujeita o responsável à multa de cinqüenta por cento das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas, a partir da data do evento.” (grifamos) Destarte, conforme restou circunstanciadamente demonstrado nos autos do processo, a fiscalização ao promover o lançamento adotou como fundamento à sua empreitada a existência de débitos da contribuinte com a Seguridade Social, mais precisamente objetos de LDC’s incluídas em parcelamento. Ao analisar a demanda, afastandose dos esclarecimentos prestados pela própria fiscalização, às fls. 41/45, o julgador de primeira instância, além de afastar o fato da inclusão dos débitos em parcelamento, inferiu que o débito foi formalizado através da provisão contábil de contribuições previdenciárias não recolhidas, registrada nos Livros Diário e Razão, sendo evidente que não estava com a exigibilidade suspensa de nenhuma forma, pois os parcelamentos foram efetuados em período posterior à distribuição de lucros (no exercício de 2005). Olvidouse, porém, a autoridade lançadora que o simples fato de constar da contabilidade da contribuinte contribuições a recolher, não implica dizer que o crédito previdenciário encontrase definitivamente constituído, sobretudo quando fora objeto de LDC´s incluídas em parcelamento posteriormente pela contribuinte, suspendendose, assim, a sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] VI – o parcelamento” Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, com esteio no dispositivo legal supratranscrito, não se pode considerar o contribuinte como devedor do tributo, o que somente ocorrerá por ocasião da constituição definitiva do débito, oportunidade em que passará a ser líquido e certo de maneira a possibilitar a eventual inscrição em dívida ativa, na hipótese de não pagamento por parte do contribuinte. Tanto é verdade que o prazo prescricional para cobrança dos créditos tributários, inscrito no artigo 174 do Código Tributário Nacional, só passa a correr a partir da data da constituição definitiva do crédito. Aliás, a existência de débito, com exigibilidade suspensa, sequer impede a emissão de Certidão Negativa de Débitos. Em verdade, nesses casos, emitese Certidão Positiva com Efeitos Negativos, não ensejando qualquer óbice legal relativamente ao crédito lançado e não constituído definitivamente. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 14041.000503/200879 Acórdão n.º 2401002.478 S2C4T1 Fl. 90 7 A propósito da matéria, muita elucidativa a lição do renomado doutrinador Leandro Paulsen, senão vejamos: “Efeitos da suspensão da exigibilidade. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário veda a cobrança do respectivo montante do contribuinte, bem como a oposição do crédito ao mesmo, e.g., com vista à compensação de ofício pela Administração com débitos seus perante o contribuinte ou como fundamento para o indeferimento de certidão de regularidade fiscal (Art. 206 do CTN). A suspensão da exigibilidade, pois, afasta a situação de inadimplência, devendo o contribuinte ser considerado em situação regular. Por certo que, tendo ocorrido lançamento, existe o crédito tributário formalmente constituído, mas não pode ser oposto ao contribuinte. No caso de tributo ainda não lançado, ou seja, quando ainda não houver crédito tributário constituído, a ocorrência de uma das hipóteses do art. 151 em vez de suspender, impede o início da exigibilidade do crédito tributário que venha a ser constituído.” (Paulsen, Leandro – “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 – pág. 1008) (grifamos) Em outras palavras, nessa hipótese, não há se falar em créditos tributários capazes de impedir a distribuição de lucros, na forma do artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Com efeito, somente com a constituição definitiva dos eventuais débitos registrados na escrituração contábil da contribuinte, após todo trâmite do processo administrativo fiscal e decisão transitada em julgado confirmando a procedência do lançamento, é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige, ser a contribuinte devedora da Seguridade Social. Mais a mais, quanto às LDC’s lavradas em desfavor da contribuinte, houve inclusão em parcelamento, o que, igualmente, suspende a exigibilidade do crédito tributário, como restou assentado nos autos do processo, inclusive com manifestação da própria autoridade lançadora. Outro não é o entendimento sedimentado no âmbito judicial no que pertine às representações fiscais para fins penais, formalizadas pelas autoridades lançadoras quando da lavratura de notificações e/ou autuações nos casos da ocorrência de fraude, dolo ou simulação por parte do contribuinte. Destarte, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores consolidou o entendimento de que somente após o trânsito em julgado da decisão administrativa que corroborar a pretensão fiscal é que o Ministério Público poderá promover a denúncia contra o autuado. Por derradeiro, cumpre observar que o fato encimado vai ao encontro com os fundamentos iniciais do voto afastando a pretensão fiscal, confirmando que somente com a constituição definitiva do crédito tributário, poderia inferir estar a contribuinte em débito perante a Seguridade Social, o que, in casu, não veio a ocorrer. Na esteira desse raciocínio, seja pela inexistência de débito definitivamente constituído por ocasião da lavratura do Auto de Infração, seja pela inclusão dos créditos lançados na LDC’s lavradas contra a contribuinte em parcelamento, adotada como fundamento Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 ao entendimento da fiscalização quanto a existência de débitos da autuada, não pode prosperar a autuação objeto da demanda em comento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do lançamento fiscal, nos termos das razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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