Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7234140 #
Numero do processo: 15504.020400/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 1302-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 15504.020400/2009-84

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5854477

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1302-002.656

nome_arquivo_s : Decisao_15504020400200984.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA

nome_arquivo_pdf_s : 15504020400200984_5854477.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.

dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018

id : 7234140

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:01 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009605242880

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 790          1 789  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.020400/2009­84  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1302­002.656  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  IRPJ, CSLL, PIS e COFINS ­ OMISSÃO DE RECEITAS ­ DEPÓSITO  BANCÁRIO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  R.I. EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  ­  RECURSO  DE  OFÍCIO  ­  SUMULA  103  Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica­se o limite de alçada  vigente na data de sua apreciação em segunda instância.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Gustavo Guimarães da Fonseca ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Rogério  Aparecido  Gil,  Lizandro  Rodrigues  de  Sousa  (Suplente  Convocado),  Carlos  César  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 04 00 /2 00 9- 84 Fl. 790DF CARF MF   2 Cuida  o  feito  de  autos  de  infração  lavrados  em  desfavor  do  recorrido  por  meio  dos  quais  foram  apurados  créditos  tributários  concernentes  ao  IRPJ  e,  reflexamente,  CSLL, PIS e COFINS.   As  autuações  referiram­se  às  receitas  pretensamente  omitidas  no  ano­ calendário de 2005, alegadamente identificadas a partir de depósitos bancários de origem não  comprovada.  O contribuinte manejou a sua competente impugnação à qual a DRJ de Belo  Horizonte,  à  unanimidade,  deu  parcial  provimento  exonerando  parte  substancial  dos  valores  pretendidos pela fiscalização. O citado julgamento restou, assim, ementado:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­ calendário: 2005  Matéria não­litigiosa.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pelo impugnante.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ  Ano­calendário: 2005  Depósitos Bancários. Omissão de Receitas.  Não  subsiste  a  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  por  depósitos  bancários  de  origens  não  comprovadas,  quando  o  sujeito  passivo  apresenta  provas  das  origens  dos  recursos  creditados em sua conta bancária, não tendo Fisco aprofundada  a sua análise.  Receitas da Atividade.  É cabível a tributação das receitas de prestação de serviços com  emprego de materiais, cujo percentual do  lucro presumido é de  8%, uma vez que a correspondente receita está escriturada, mas  não declarada.  Tributação reflexa.  Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao  lançamento principal estende­se aos reflexos.  In  casu,  valor  exonerado  alçou  a  monta  de  R$  663.381,62  (seiscentos  e  sessenta e três mil, trezentos e oitenta e um reais e sessenta e dois centavos), conforme tabelas  8, 10, 11 e 12, constantes do predito acórdão (fls. 564/565) valor que, somada à multa de ofício  (75%) atingia o limite de alçada preconizado pela Portaria MF de nº 3/2008, razão pela qual, a  DRJ recorreu de ofício à este Conselho.  O contribuinte não recorreu desta decisão, conforme se atesta, inclusive, pelo  termo de perempção de fl. 620.  Distribuídos os autos à esta Turma, especificamente ao Conselheiro Eduardo  de Andrade,  decidiu­se  por  converter  o  julgamento  em diligência  a  fim de melhor  apurar  as  informações consideradas pela DRJ para exonerar parte de crédito tributário; a resposta fiscal  foi apresentada à fl. 784.  Fl. 791DF CARF MF Processo nº 15504.020400/2009­84  Acórdão n.º 1302­002.656  S1­C3T2  Fl. 791          3 Os autos, então, foram novamente encaminhados à este Colegiado.   Este, o relatório.  Voto             Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca ­ Relator.  Reprise­se que o feito se  limita a análise de recurso de ofício, dado não  ter  sido interposto qualquer apelo por parte do contribuinte.  E, quanto a recurso de ofício, diga­se, não há como dele conhecer.  Com efeito, tal qual mencionado no relatório acima, o valor total do crédito  exonerado  pela DRJ  alçou  a monta  de R$  1.160.917,83  (valor  principal  somado  à multa  de  ofício),  valor  que,  à  época  comportava  a  interposição  do  recurso  automático,  nos  termos  da  Portaria de nº 3/2008 e do art. 34, I, do Decreto 70.235/72.  Todavia,  com  a  publicação  da  Portaria  de  nº  63/17,  o  valor  de  alçada  pré­ fixado  para  os  fins  do  citado  art.  34,  I,  do  Decreto  70.235/75,  foi  majorado  para  R$  2.500.000,00.  Neste particular,  e  ressalvado o entendimento, pessoal, deste Relator acerca  da aplicação da lei processual no tempo, é de se obedecer, aqui, aos preceitos da Súmula 103  do CARF, de observância obrigatória por este Colegiado, cujo teor reproduzo abaixo:  Para  fins  de  conhecimento  de  recurso  de  ofício,  aplica­se  o  limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda  instância.  Diante disto, voto por não conhecer do recurso em análise.  (assinado digitalmente)  Gustavo Guimarães da Fonseca                                Fl. 792DF CARF MF

score : 1.0
7184611 #
Numero do processo: 18471.000723/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 18471.000723/2007-11

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5847430

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2402-000.646

nome_arquivo_s : Decisao_18471000723200711.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI

nome_arquivo_pdf_s : 18471000723200711_5847430.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018

id : 7184611

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009618874368

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1085; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000723/2007­11  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2402­000.646  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  07 de março de 2018  Assunto  CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  Recorrente  EDUARDO FACO LEMGRUBER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o  julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator    (assinado digitalmente)  Mario Pereira de Pinho Filho ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Mauricio Nogueira Righetti ­ Relator     Participaram da presente  sessão de  julgamento os Conselheiros: Mário Pereira  de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson,  João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira  Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima e  Renata Toratti Cassini.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 72 3/ 20 07 -1 1 Fl. 204DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 3  ___________     RELATÓRIO  Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da  Receita Federal do Brasil de Julgamento  ­ DRJ, que considerou  improcedente a  Impugnação  apresentada pelo sujeito passivo.  Contra  a  contribuinte  foi  lavrado  Auto  de  Infração  em  18.06.2007  para  constituição de IRPF no valor principal de R$ 37.509,27 acrescido da multa de ofício (75%) e  dos juros legais ­ Selic.  A autuação decorre da constatação da infração a seguir:  1 ­ Ganhos de Capital na Alienação de Moeda Estrangeira ­ Omissão de ganhos  de capital sobre aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira ­ exercício 2003.  Para  o  relato  dos  fatos  e  constatações,  sirvo­me  do  relatório  do  acórdão  recorrido de fls. 118/130, por bem retratar o caso:  O procedimento fiscal que culminou no presente lançamento iniciou­se  em  05/03/2007,  data  em  que  o  interessado  recebeu  pela  via  postal  o  Termo de  Início de Ação Fiscal à  fl. 09 e Mandado de Procedimento  Fiscal à fls. 01.  Nesse momento,  o  interessado  foi  cientificado  da  reabertura  da  ação  fiscal  relativa  ao  ano  calendário  2002,  exercício  2003,  conforme  autorizado pelo Delegado da Defic/Rio de Janeiro, nos termos do art.  906 do Regulamento do  Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n°  3000, de 26/06/1999 ­ RIR/99.  Em 18/06/2007 foi lavrado o Auto de Infração acompanhado do Termo  de Verificação Fiscal às fls. 13/17 em que a autoridade autuante fez os  seguintes esclarecimentos:  ­  A  presente  autuação  teve  por  objetivo  complementar  o  Auto  de  Infração lavrado em 22/08/2006 objeto do processo administrativo n°  18471.000606/2006­68.  ­  Conforme  apurado  no  procedimento  de  ofício  anterior,  em  21/05/2002,  o  interessado  enviou  recursos  para  o  exterior  e  efetuou  uma  aplicação  financeira  no  valor  de  US$  621.000,00  (dólares  americanos), tendo auferido rendimento mensal de juros no período de  julho a dezembro de 2002.  ­ A partir dos dados constantes dos extratos das aplicações financeiras  efetuadas  pelo  contribuinte,  constantes  do  processo  n°  18471.000606/2006­68,  foi  elaborada  a  tabela  à  fl.  18  em  que  se  demonstra a apuração do ganho de capital auferido nas operações de  crédito de juros.  ­ O presente demonstrativo difere do anterior, que serviu de base para  a  autuação  original,  apenas  no  que  diz  respeito  à  compensação  de  perda com variação cambial.  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 4          3 ­ No lançamento anterior havia sido compensado no mês de setembro o  montante  de  R$  250.061,85  relativo  ao  ganho  de  capital  negativo  calculado  no  mês  anterior  (diferença  negativa  entre  o  valor  de  liquidação e o valor original da aplicação).  ­ Ocorre que, de acordo com o Parecer Disit n° 49, de 24/10/2006, não  há previsão legal para tal procedimento e assim foi lavrado o presente  Auto de Infração em que foi lançado unicamente o valor indevidamente  compensado no mês de setembro de 2002.  ­ O presente lançamento deve ser considerado uma complementação do  anterior  pois  tem  como  objetivo  formalizar  a  exigência  relativa  ao  ganho  de  capital  que  deixou  de  ser  tributado  em  função  de  uma  compensação indevida concedida no mês de setembro de 2002.  O  interessado  foi  cientificado  do  lançamento  pela  via  postal  em  21/06/2007 (AR àfl. 25).  Regularmente  intimado, apresentou  Impugnação, que foi  julgada  improcedente  pela Delegacia da Receita Federal do Brasil ­ DRJ, às fls. 118/130.  Em seu Recurso Voluntário às fls. 137/168 aduz, em síntese:  ­  que  não  houve,  no  período  a  que  se  refere  o  lançamento,  qualquer  resgate,  alienação ou liquidação das quotas do fundo no qual o recorrente aplicara seus recursos. Sendo  assim, não teria ocorrido a hipótese legal, vez que não houve qualquer ganho de capital.  ­  que  o  presente  lançamento  decorreria  de  modificação  do  entendimento  da  autuante  acerca  da matéria. Assim  sendo,  tratando­se  da mesma matéria,  o Fisco  só  poderia  modificar  o  lançamento  anterior,  se  presentes  qualquer  das  hipóteses  do  artigo  145  e  149,  ambos do CTN. Sobre esse ponto, asseverou:  E  é  justamente  por  isso  que  o  Código  Tributário  Nacional  limita  as  hipóteses  de  revisão  do  lançamento.  Se  a  autoridade  administrativa  pudesse  a  qualquer  momento  mudar  seu  entendimento  a  respeito  de  determinada matéria e, após o lançamento, promover novas atuações a  respeito do mesmo fato gerador, haveria total ruptura no equilíbrio e  segurança  jurídica  que  devem permear  as  relações da  administração  pública e seus administrados.  ­ Que no Superior Tribunal de Justiça a questão foi enfrentada recentemente sob  o rito do art. 543­C do CPC e, como não poderia ser diferente, ratificou­se a impossibilidade de  revisão do lançamento fora das hipóteses elencadas no art. 149 do CTN. Transcreveu a ementa  do acórdão;  ­ Que a Fiscalização resolveu dar nova justificativa para sua autuação, em que  pese  estar  tributando  o mesmo  fato  gerador  e  com  base  no mesmo  fundamento  jurídico,  ao  sustentar, desta feita, que o evento crédito de juros geraria liquidação da aplicação na data do  crédito desses juros;  ­ Que a MP 2.158­35 não fixa a correspondência entre crédito mensal de juros e  a  liquidação  da  aplicação  financeira.  Liquidação  pressuporia  extinção  de  uma  obrigação,  enquanto que o ato de creditar e colocar quantia que constitui crédito a seu dispor.  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 5          4 ­ Que a liquidação do investimento implica seu encerramento;   ­ Que o alegado crédito de juros  jamais ocorreu no caso da aplicação efetuada  pelo recorrente;  ­ Que  a  aplicação  deu­se  em um Fundo de Aplicação,  sendo que  o  recorrente  recebera quotas  representativas desse fundo. Não realizou diretamente qualquer aplicação em  ativo  financeiro.  Daí,  o  que  se  recebe  em  retribuição,  seriam  suas  quotas  impactadas  pelos  investimentos feitos por seus administradores;  ­  Que  a  Fiscalização,  reiterou  o  recorrente,  apurou  ganho  de  capital  sem  que  houvesse alienação, resgate ou liquidação da aplicação financeira;   ­ Que a concretização do ganho de capital ­ e não a mera expectativa ­ somente  tem lugar quando os recursos são efetivamente repatriados para o Brasil e após a contratação e  o efetivo fechamento da operação de câmbio. Enquanto os recursos forem mantidos no exterior  e em dólares norte americanos o ganho é potencial e não real;  ­ Que o Ato Declaratório Interpretativo n° 08 de 2003, procurou esclarecer, em  consonância ao disposto na MP 2.158­35 de 2001, e na Instrução Normativa 1 18/2001 que, tão  logo  feito  o  resgate  ou  liquidação  do  investimento  no  exterior,  quando  então  o  crédito  respectivo será passível de saque, deve ser apurado o eventual ganho de capital auferido.  É o relatório.                              Fl. 207DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 6          5 VOTO  Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator   O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 23.09.2011 e apresentou  tempestivamente seu Recurso Voluntário em 18.10.2011. Observados os demais requisitos de  admissibilidade, dele passo a conhecer.   O  cerne  da  questão,  quanto  à  preliminar  suscitada,  resume­se  em  avaliar  a  viabilidade,  ou  não,  de  um  lançamento  complementar  que  se  relacione  à  mesma  matéria,  mesmo período e mesmo fato gerador já abordados por ocasião de um lançamento anterior.  Tendo sagrado vencedora a proposta de diligência, como adiante exposta, deixo  de  apresentar  meu  voto  com  relação  à  preliminar,  a  teor  do  §  3º  do  artigo  59  do  Dec.  70.235/72, que será apresentado no momento oportuno.   Quanto ao mérito, o  lançamento reportou­se, apenas, à diferença entre a base  tributável  relativa  ao mês  de  setembro  de 2002  com o  aproveitamento  da perda  apurada  em  período  pretérito  (PAF  18471.000.606/2006­68)  e  aquela  sem  o  aproveitamento  da  referida  perda.   No  lançamento  anterior,  a  Fiscalização  havia  deduzido  do  ganho  de  R$  552.916,54,  sem  autorização  legal,  a  perda  incorrida  em  30.08.2002,  no  valor  de  R$  250.061,85.  A tributação em exame tem regramento legal no artigo 24 da MP 2158­35/2001  1, que estabelece, em seu caput,  a  apuração do ganho de capital decorrente da  liquidação ou  resgate de aplicações financeiras, adquiridas a qualquer título, em moeda estrangeira.                                                              1 Art. 24.  O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações  financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de  conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor.  § 1o  O disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie.  § 2o  Na hipótese de alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, o imposto será apurado na declaração de  ajuste.  § 3o  A base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou  resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da  aplicação financeira.  § 4o  Para os fins do disposto neste artigo, o valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda  estrangeira, corresponderá à sua quantidade convertida em dólar dos Estados Unidos e, em seguida, para Reais,  mediante  a  utilização  do  valor  do  dólar  para  compra,  divulgado  pelo  Banco  Central  do  Brasil  para  a  data  da  alienação, liquidação ou resgate ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada  parcela.  § 5o  Na hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em  moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o  valor  de  alienação,  liquidação  ou  resgate  e  o  custo  de  aquisição  do  bem  ou  do  direito,  convertida  para  Reais  mediante  a  utilização  do  valor  do  dólar  para  compra,  divulgado  pelo  Banco  Central  do  Brasil  para  a  data  da  alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada  parcela.  § 6o  Não incide o imposto de renda sobre o ganho auferido na alienação, liquidação ou resgate:   I ­ de bens localizados no exterior ou representativos de direitos no exterior, bem assim de aplicações financeiras,  adquiridos, a qualquer título, na condição de não­residente;  II ­ de moeda estrangeira mantida em espécie, cujo total de alienações, no ano­calendário, seja igual ou inferior ao  equivalente a cinco mil dólares norte­americanos.  Fl. 208DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 7          6 Perceba que mesmo a moeda estrangeira mantida em espécie, pelo simples fato  de sua valorização frente ao Real, sujeita­se à apuração do ganho quando de sua alienação, é o  que se denota de seu §§ 1º e 2º, observado o limite do incido II do § 6º.  Pode­se  notar  que  o  IR  incidirá  sobre  o  ganho,  a  qualquer  titulo,  sobre  a  aplicação em moeda estrangeira, seja ela qual for a modalidade.   Vale  dizer  que,  em  síntese,  se  houver  uma  aplicação/investimento  em moeda  estrangeira  e  dela  decorrer  sua  valorização,  seja  em  função  do  câmbio,  seja  de  eventual  remuneração recebida, frente ao que se tinha anteriormente em reais, ela estará sujeita ao IR,  como se depreende de seu § 4º.  Nesse sentido, para fins do disposto naquele artigo, tenho que pouco importa se  a aplicação dera­se em ativo financeiro ou em algum fundo, cuja valorização das cotas que a  represente decorra do acerto dos investimentos promovidos por seus administradores. Se houve  o ganho na valorização da moeda, se comparado com o que se  tinha anteriormente, haverá a  incidência do IR. Trata­se, como precisou a lei, de aplicação financeira a qualquer título.   Quanto ao investimento em moeda estrangeira mantida em espécie, a lei optou  por  definir  o momento  da  incidência  como  sendo  o  de  sua  alienação.  E mais,  levando­se  o  valor ao Ajuste Anual.  Por sua vez, no que se referem às demais aplicações, o momento seria o de sua  liquidação ou resgate, apurado a cada operação (art. 8º, I, a IN 118/00), de forma definitiva.   Por  meio  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  nº  8/2003,  a  então  Secretaria  da  Receita  Federal  declarou  que  "o  crédito  de  rendimentos  relativos  a  aplicação  financeira,  inclusive depósito remunerado, realizada em moeda estrangeira por pessoa física residente no  Brasil,  implica  a  apuração  de  ganho  de  capital  tributável,  desde  que  o  valor  creditado  seja  passível de saque pelo beneficiário."   Da leitura atenda do texto destacado,  infiro que a condição trazida para que se  apure  o  ganho  de  capital  nos  termos  daquele  artigo  24,  qual  seja,  o  creditamento,  ao  investidor,  de  rendimentos  decorrentes  daquelas  aplicações,  desde  que  tais  rendimentos  sejam  por  ele  passíveis  de  saque,  não  traz  qualquer  inovação  à  sistemática  por  ele  empreendida,  na  medida  em  que,  a  meu  ver,  apenas  explicita  situação  em  que  há  a  disponibilidade jurídica do rendimentos, em observância a parte final do caput daquele mesmo  dispositivo, que menciona: "...mantidas as demais normas da legislação em vigor."   Nessa  linha, no caso sob análise  impõe­se determinar se há a comprovação de  que  tenha  havido,  em  setembro/2002,  o  creditamento  de  rendimentos  decorrentes  daquela  aplicação em moeda estrangeira e que estivessem disponibilizados, para saque, ao investidor.  Perlustrando  os  autos,  noto  que  não  há  a  juntada  de  qualquer  elemento  probatório que evidencie tal circunstância.  Veja,  o  extrato  acostado  às  fls.  105/107  não  demonstra  o  creditamento  de  qualquer valorização do  investimento no período, ao mesmo tempo em que evidencia, a meu                                                                                                                                                                                           § 7o  Para efeito de apuração do ganho de capital de que trata este artigo, poderão ser utilizadas cotações médias  do dólar, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.    Fl. 209DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 8          7 ver, sua liquidação em 12.06.2006, pelo saldo de US$ 661.569,79, que guarda relação com o  que constou no CONTRATO DE CAMBIO DE COMPRA ­ T I P O 03 TRANSFERÊNCIAS  FINANCEIRAS DO EXTERIOR de fls. 111, no valor de US$ 661.514,79 em 18.09.2006.       Fl. 210DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 9          8   Não obstante, há no Termo de Verificação Fiscal, a seguinte observação:  A tabela anexa foi elaborada com os dados constantes dos extratos das  aplicações financeiras efetuadas no exterior pelo contribuinte e que se  encontram  no  processo  de  n°  18471.000.606/2006­68.  Demonstra  a  apuração  do  ganho  de  capital  desde maio  de  2002  até  dezembro  de  2002.  Assim,  considerando  tratar­se  de  lançamento  complementar  àquele  anteriormente efetuado e controlado no processo encimado e a forte possibilidade de ter havido  falha na instrução destes autos, voto no sentido de que o presente julgamento seja convertido  em diligência, com vistas a que a Fiscalização junte ao presente feito a prova, eventualmente já  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18471.000723/2007­11  Resolução nº  2402­000.646  S2­C4T2  Fl. 10          9 colhida  e  acostada  àquele  outro  procedimento,  de  que  houvera  a  valorização  do  capital  investido em setembro de 2002 e que era, ao menos, passível de saque pelo recorrente.   Cumprida a diligência, deverá ser dada vista ao recorrente para que, no prazo de  30 (trinta) dias, se manifeste acerca da informação fiscal e documentos então acostados.  Mauricio Nogueira Righetti ­ Relator  Fl. 212DF CARF MF

score : 1.0
7193221 #
Numero do processo: 10805.904565/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10805.904565/2011-17

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5849552

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1401-002.253

nome_arquivo_s : Decisao_10805904565201117.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

nome_arquivo_pdf_s : 10805904565201117_5849552.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7193221

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009628311552

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.904565/2011­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­002.253  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de fevereiro de 2018  Matéria  LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO ­ EQUIPARAÇÃO A  SERVIÇOS HOSPITALARES  Recorrente  LAB HORMON ­ LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS  HORMONAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO  A SERVIÇOS HOSPITALARES.  De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº  217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento  à  saúde,  independentemente do  local  de prestação,  excluindo­se,  apenas,  os  serviços  de  simples  consulta  que  não  se  identificam  com  as  atividades  prestadas em âmbito hospitalar.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza  Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de  Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel  Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 45 65 /2 01 1- 17 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela  4ª Turma da Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Brasília  (DRJ/BSB),  que,  por  meio  do  Acórdão  03­054.195,  de  22  de  agosto  de  2013,  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade da empresa.  Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ:  (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ)  Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a  compensação  realizada  no  Per/Dcomp  nº  14397.98340.310107.1.3.04­6471,  pela  empresa  acima  identificada,  não  foi  homologada  por  inexistência  do  crédito  compensado,  haja  vista  o  pagamento  relativo  ao  DARF  ali  discriminado,  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  do  IRPJ,  PA  30/06/2001,  não  restando  saldo disponível.  A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR ­ fl.  18).  Inconformada,  por  intermédio  de  seu  procurador  (Francisco  Ferreira  Neto),  apresentou manifestação de  inconformidade  (fls.  21 a 27)  em 19/10/2010, na qual  transcreve  os  fatos,  dispositivos  da  legislação  tributária  e  escorando­se  em  jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte:  ­ vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido  aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a  nova  redação dada pela Lei n° 10.684/2003,  alterou a  alíquota de 12% para 32%,  exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL;  ­ após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta  (anexa), verificou­se que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos  períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de  restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade  do  contribuinte,  ao  invés  de  aguardar  o  depósito  em  conta  bancária  do  valor  a  restituir optou pela compensação;  ­ a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante,  foram  externadas  nas  DCTF  relativas  à  época,  no  entanto,  como  a  IN/SRF  e  a  Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e  retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos;  ­  com a edição da  IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova  redação ao  artigo  27,  da  IN/SRF  n°  480/2004,  a  interessada  foi  equiparada  a  "serviços  hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e  de 12%, respectivamente;  ­  os  impostos  e  as  contribuições  já  pagas  foram  recalculadas  e  se  verificou  pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição  por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de  compensação;  ­  uma  vez  que  a  IN/SRF  n°  539/2005  atribuiu  nova  interpretação  a  lei  em  vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da  lei  em  questão;  uma  vez  que  já  havia  pago  os  respectivos  DARF  e  lançado  em  DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época,  o  sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de  identificar o pagamento a  maior;  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 4          3 ­  para  se  verificar  o  pagamento  a  maior,  a  fiscalização  deverá  examinar  a  aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se  constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à  maior.  Por  ultrapassar  o  qüinqüênio,  está  impedida  de  prestar  estas  informações  através de retificadora de DCTF;  ­  não  bastasse  toda  a  legislação  que  dá  amparo  legal  para que  procedesse  a  compensação  com  estes  novos  créditos  apurados,  resta  ainda  trazer  à  baila  o  Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA,  elaborado  especialmente  pela  interessada  (anexo),  no  Processo  Administrativo  n°  10805.000720/2004­03;  ­  a  resposta  ofertada  à  consulta  contém  uma  interpretação  autorizada  que  garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o  contribuinte  a  proceder  com  o  novo  enquadramento  e  reconhece  o  pagamento  a  maior efetuado ao longo do tempo;  ­  o  Ato  de  Não­Homologação  deve  ser  anulado  e  a  fiscalização  deve  oportunizar a  interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante  apurado,  com  os  devidos  documentos  fiscais  que  podem  ser  livremente  exigidos  por  intimação;  ­  a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007,  revogou a  redação dada pela  IN/SRF nº  539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só  surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados  antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta;  ­ outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim,  certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias  que  cercam  a  interessada,  esta  não  procurou  obter  vantagem  indevida  ou  se  aproveitar  do  instituto  da  restituição  e  da  compensação  para  se  livrar  de  suas  obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da  orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos  de restituição e as declarações de compensação.   Por  fim,  requer  seja  conhecida  e  julgada  procedente  esta  interposição,  anulando a decisão administrativa que não­homologou as compensações realizadas,  restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado.  (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ)  A DRJ, por meio do Acórdão 03­054.195, de 22 de agosto de 2013,  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2001  PRESTADOR  DE  SERVIÇOS  HOSPITALARES.  PERCENTUAL  DE  LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS.  Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes  que desejem usufruir do benefício  legal de  redução de alíquota,  em face da  legislação  tributária  de  regência  e  orientação  traçada  pela  Administração  tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos  previstos  nos  normativos,  devidamente  comprovada  mediante  documento  competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 5          4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 ­ via AR­ECF de e­fls.  82  ­  e  não  satisfeita  com  a  decisão  da  delegacia  de  piso,  apresentou  recurso  voluntário  em  04/12/2013  (e­fls.  95  a  104),  conforme  protocolo  de  e­fl.  95,  repetindo  basicamente  os  argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos  seguintes pontos:  É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a  recorrente  não  teria  direito  à  aplicação  dos  coeficientes  de  8%  e  12%,  respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não  atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de  analisar  concretamente  o  caso  para  apenas  expor  a  legislação  tributária  de  caráter  geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa  sob  o  fundamento  de  que  somente  indústria  pode  formular  tal  pedido,  sem  se  perguntar se a empresa é, ou não, indústria.  Outrossim,  a  recorrente  reproduz  a  ementa  da  DRJ,  que  indica  que  o  fundamento para indeferir o direito creditório pauta­se na falta de apresentação de documento  expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte:  Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos  mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado  na  decisão  hostilizada,  que  o  fato  se  subsume  à  norma,  faz  juntar  os  documentos  expedidos  pelos  órgãos  de  vigilância  sanitária,  responsáveis  pela  fiscalização  e  controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente.  Assim,  não  havendo  divergência  quanto  ao  direito  invocado  e  aplicado,  a  questão  se  resume  à  matéria  de  fato,  cuja  prova  conduz  à  reforma  da  decisão  combatida.  No CARF, coube a mim a relatoria do processo.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1401­002.246,  de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/2010­91.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401­002.246):  O  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  portanto  deve ser conhecido.  No  presente  processo,  deve­se  avaliar  se  a  atividade  exercida  pela  empresa  se  enquadra  no  conceito  de  atividades  hospitalares,  para  que  possa  tributar  o  IRPJ  e  a  CSLL  se  servindo da base de presunção de tais atividades.  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 6          5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos  fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores,  aplicada às  empresas  que  exercem atividades  hospitalares  (Lei  nº 9.249/1995):  IRPJ  Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o  disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205)   Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por  cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o  disposto no art. 12 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro  de  1977,  deduzida  das  devoluções,  vendas  canceladas  e  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  sem  prejuízo  do  disposto  nos  arts.  30,  32,  34  e  35  da  Lei  nº  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   §  1º  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este  artigo será de:  ...................  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida  Provisória nº 232, de 2004)   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares;   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora  destes  serviços  seja  organizada  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  e  atenda  às  normas  da  Agência  Nacional  de  Vigilância Sanitária ­ Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727,  de 2008)   .........  CSLL  Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da  contribuição  social  sobre o  lucro  líquido, devida pelas pessoas  jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os  arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e  pelas  pessoas  jurídicas  desobrigadas  de  escrituração  contábil,  corresponderá  a  doze  por  cento  da  receita  bruta,  na  forma  definida  na  legislação  vigente,  auferida  em  cada  mês  do  ano­ calendário.  Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro  líquido,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  o  pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei  nº  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995,  e  pelas  pessoas  jurídicas  desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por  cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente,  auferida em cada mês do ano­calendário, exceto para as pessoas  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 7          6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o  inciso III  do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois  por  cento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  2003)  (Vide  Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205)   Base de cálculo da CSLL ­ Estimativa e Presumido  Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido  devida  pelas  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  o  pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25  e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá  a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art.  12 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida  no  período,  deduzida  das  devoluções,  vendas  canceladas  e  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  exceto  para  as  pessoas  jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o  inciso III  do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e  dois  por  cento).  (Redação  dada  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014  (Vigência)   Como  se  pode  ver,  a  redação  contemporânea  à  realização  dos  fatos geradores permitia que os  serviços hospitalares poderiam  se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento)  e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É  de  se  notar,  também,  que  não  havia  nenhuma  outra  condição  para tal enquadramento.   Em  resposta  à  consulta  formulada  por  meio  do  processo  administrativo  nº  10805.000720/2004­03,  a  Receita  Federal  estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse  se  enquadrar  nas  atividades  de  serviços  hospitalares.  Veja  as  conclusões  da  Solução  de Consulta  SRRF/8ª  RF/DISIT/Nº  273,  de 15 de agosto de 2006 (e­fls. 46 a 53):  (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta)  19.  Diante  do  exposto  e  com  base  nos  atos  legais  citados,  soluciona­se  presente  consulta  informando  à  consulente  o  seguinte:  19.1.  à  prestação  de  serviços  hospitalares  aplicam­se  os  percentuais  de  8%  e  12%  sobre  a  receita  bruta  para  fins  de  determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da  Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido,  respectivamente;  19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário  ou  sociedade  empresaria  que  exerça  uma  ou  mais  das  atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na  redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005,  tratadas pela RDC  nº 50, de 2002,  e que possua estrutura  física  condizente  com o  disposto  no  Item  3  da  Parte  II  da  retrocitada  resolução,  devidamente  comprovada  por meio  de  documento  competente  expedido  pela  vigilância  sanitária  estadual  ou  municipal;  (destaquei)  19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados  exclusivamente  pelos  sócios  da  pessoa  jurídica  ou  referentes  unicamente  ao  exercício  de  atividade  intelectual,  de  natureza  cientifica,  dos  profissionais  envolvidos,  ainda  que  envolvam  o  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 8          7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e,  também, quando a  pessoa  jurídica,  prestadora  do  serviço,  não  possuir  estrutura  física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso,  para  a  tributação  com  base  no  lucro  presumido  aplicar­se­á  o  percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação  das  bases  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido.  (destaquei)  (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta)  Como  visto,  para  que  a  empresa  pudesse  ter  o  direito  ao  enquadramento  nas  alíquotas  de  8%  (oito  por  cento)  e  12%  (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições  elencadas pelo art.  27 da  IN SRF nº 480, de 2004, na  redação  dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC  nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria  possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da  Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por  licença sanitária estadual ou municipal.  Independentemente  das  atividades  exercidas  pela  recorrente,  vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada  ­  licença nº 0208/2003 ­ remete aos  idos de 2003 (10/06/2003),  período posterior ao crédito aqui solicitado.  Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta,  não  haveria  como  atestar  que,  no  período  objeto  dos  créditos  solicitados,  a  recorrente  se  enquadrava  nas  condições  estabelecidas pela Receita Federal.  Não  obstante  o  entendimento  exarado  pela  Receita  Federal,  todavia, não posso compartilhar com tal decisão.  O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº  217,  entendeu  que  a  atividade  hospitalar  caracteriza­se  tão  somente  pela  prestação  de  serviços  de  atendimento  à  saúde,  e  independe  do  local  de  prestação,  excluindo­se  desta  regra,  apenas,  os  serviços  de  simples  consulta  que não  se  identificam  com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja:  Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas,  a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95,  deve  ser  interpretada  de  forma  objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo  contribuinte),  devendo  ser  considerados  serviços  hospitalares  'aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados diretamente à promoção da  saúde',  de  sorte  que,  'em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1  Dentre  forma,  os  serviços  de  diagnóstico,  tratamento,  internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles,  enquadram­se como serviços hospitalares nos termos do art. 15,  III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995.                                                              1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10805.904565/2011­17  Acórdão n.º 1401­002.253  S1­C4T1  Fl. 9          8 Como  a  alegação  da  Receita  Federal  e  da  DRJ  para  o  indeferimento  do  crédito  pleiteado  pela  empresa  pautou­se  na  falta  de  apresentação  de  licença  sanitária  contemporânea  aos  fatos  geradores  e,  uma  vez  vencida  tal  proposição  pelo  STJ,  concluo  que  a  referida  empresa  se  enquadra  no  conceito  de  serviços  hospitalares,  podendo  usufruir  das  alíquotas  de  presunção  de  8%  (oito  por  cento)  e  de  12%  (doze  por  cento),  para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho  dar provimento ao recurso voluntário.  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  provimento  ao  recurso  voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                                Fl. 115DF CARF MF

score : 1.0
7165973 #
Numero do processo: 13896.903144/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13896.903144/2009-71

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5840340

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1201-000.330

nome_arquivo_s : Decisao_13896903144200971.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR

nome_arquivo_pdf_s : 13896903144200971_5840340.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018

id : 7165973

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009650331648

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.903144/2009­71  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1201­000.330  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de fevereiro de 2018  Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  DU PONT DO BRASIL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Paulo Cezar Fernandes de Aguiar ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Ester Marques  Lins  de  Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis  Henrique  Marotti  Toselli  e  Leonam  Rocha  de  Medeiros  (suplente  convocado).  Ausentes,  justificadamente, os conselheiros  José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e  Gisele Barra Bossa.      Relatório  Adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementando­o a seguir:  A  interessada  transmitiu,  em  31  de  outubro  de  2005,  a  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  numerada  42270.15535.311005.1.3.04­7446,  alegando  direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 03 14 4/ 20 09 -7 1 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13896.903144/2009­71  Resolução nº  1201­000.330  S1­C2T1  Fl. 3          2 DESPACHO DECISÓRIO  Tal  declaração  foi  examinada  pela  DRF  de  origem,  que  prolatou  o  Despacho  Decisório de nº 825083440, de 25 de março de 2009, nos seguintes termos:     MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Ciente em 1º de abril de 2009 (fl. 8), a interessada apresentou, em 4 de maio de  2009, segunda­feira, a manifestação de inconformidade de fls. 10 a 14, em que alegava:  Despacho Decisório ­ Número de Rastreamento: 825083440  [...]  5.  Ao  receber  o  referido  despacho  decisório,  a  Impugnante  constatou  que  tal  decisão decorreu de um equívoco no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2004.  6.  Realmente,  na  DCTF  original  (Doc.  07),  a  Impugnante  informou,  equivocadamente,  que  o  débito  devido  no  mês  de  outubro  de  2004  seria  R$  2.399.095,89  [...]. Contudo, o débito  realmente devido no mencionado período era de  apenas R$ 1.818.635,46 [...].  7. Tal fato pode ser comprovado mediante a análise da DIPJ do ano­calendário de  2004 (Doc. 08), na qual foi informado como valor devido de CSLL o montante de R$  1.818.635,46 [...].  [...]  9. Contudo, a Impugnante já havia recolhido o mencionado valor de 2.399.095,89  [...], mediante um DARF no valor de R$ 2.388.598,86 [...] e R$ 10.497,03 [...] mediante  compensação efetuada na PER/DCOMP n° 02779.49205.301104.1.3.04­4340.  Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13896.903144/2009­71  Resolução nº  1201­000.330  S1­C2T1  Fl. 4          3 10. Desta forma, ocorreu um pagamento indevido no montante de R$ 580.460,43  [...].  11. Percebendo o equívoco, a  Impugnante  retificou a DCTF do 4º Trimestre de  2004  (Doc.  09),  para  fazer  constar  como  valor  devido  no  período  de  apuração  de  outubro de 2004, o valor correto, qual seja, R$ 1.818.635,46 [...].  [...]  14.  Sabe­se  que  o  processo  administrativo  é  regido  pelo  princípio  da  verdade  material. Não se pode, portanto, negar a existência de crédito, em razão de um simples  erro material, de um simples equívoco cometido no preenchimento da DCTF.  15.  Ressalta­se,  ainda,  que  a  Impugnante  somente  foi  informada  sobre  o  desencontro de  informações  entre o pagamento  a maior da DCTF do 4º Trimestre de  2004 e a mencionada PER/DCOMP com o recebimento do despacho decisório.  16. Ou seja, não foi dada oportunidade para a Impugnante corrigir o equívoco no  preenchimento  da  DCTF  antes  do  recebimento  do  despacho  decisório.  Restando,  portanto, plenamente válida a retificação efetuada no dia 13/04/2009.  [...]  Pela decisão, a manifestação de  inconformidade  foi considerada improcedente,  conforme ementa abaixo:  DIREITO  CREDITÓRIO  ­  COMPENSAÇÃO  Só  é  cabível  o  reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de  liquidez e certeza.  Em  recurso  voluntário  são  repisadas  as  razões  contidas  na  manifestação  de  inconformidade,  sendo  juntados  "a  apuração  da  CSLL  do  mês  de  outubro  de  2004  (doc.  “outros”,  anexo),  o  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  LALUR)  –  LALUR  (doc.  Livros_1,  anexo)  o  balancete  de  verificação  que  lhe  suporta  (doc.  “Livros_2,  anexo),  reforçando  a  comprovação do montante devido informado na DIPJ".  É o relatório.  Voto  Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar ­ Relator  Admissibilidade.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele devendo­se conhecer.  Mérito.  Como  consta  na  decisão  de  piso,  a  manifestação  de  inconformidade  foi  indeferida  em  face  de  o  valor  informado  na DIPJ  não  ser  consentâneo  com  o  declarado  na  DCTF original, posteriormente retificada:  A interessada alega dispor do direito creditório negado pelo Despacho Decisório  em tela, justificando­se com suposto lapso no preenchimento de Declarações de Débitos  Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13896.903144/2009­71  Resolução nº  1201­000.330  S1­C2T1  Fl. 5          4 e Créditos Tributários  Federais  (DCTF).  Entretanto,  não  apresenta  a menor  prova  da  liquidez  e  certeza  deste  direito,  limitando­se  a  dizer  que  tal  valor  constaria  de  DIPJ  (meramente  informativa) e que a DCTF já haveria sido retificada. Ora, as DCTF, por  óbvio, devem registrar a ocorrência de débitos e créditos  tributários, mas, em sede de  julgamento  administrativo,  por  si  sós,  não  comprovam  a  ocorrência  destes  mesmos  débitos  e  créditos.  Para  tanto,  seria  imprescindível  que  se  apresentassem  provas  robustas de que esta retificação refletiria a  realidade empresarial da pessoa jurídica, o  que não foi feito no presente caso. Recorde­se que ao peticionário incumbe o ônus de  comprovar suas alegações, como determina o Decreto n.º 70.235, de 1972 nos artigos  abaixo transcritos: [...]  Relativamente  a  essas  questões,  a  Receita  Federal  do  Brasil  editou  o  Parecer  Normativo Cosit nº 2/2015, cujas conclusões são as seguintes:  a)  as  informações  declaradas  em DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por  força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem  prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para  analisar outras questões ou documentos com o  fim de decidir sobre o  indébito tributário;  b)  não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110,  de 2010;  c)  retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do  PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar  em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão  do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito  (ou homologação  integral da DCOMP),  cabe à DRF assim proceder.  Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial,  compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo  de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo;  Junto com o Recurso Voluntário a recorrente trouxe planilhas em que demonstra  a base de cálculo da CSLL no ano­calendário 2004, balancetes e cópia do Lalur (fls. 67, 68, 81  a 103 e 106 a 116).  Conclusão.  Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a  unidade da Receita Federal de origem proceda à verificação da correção quanto ao valor devido  da CSLL no mês de outubro de 2004 e ao alegado saldo de pagamento a maior.  Para tal, além daqueles já juntados aos autos, a recorrente poderá ser intimada a  apresentar outros documentos e livros, a critério da autoridade responsável pela diligência.  Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13896.903144/2009­71  Resolução nº  1201­000.330  S1­C2T1  Fl. 6          5 Encerradas  as  verificações,  deverá  ser  elaborado  relatório  circunstanciado  do  qual se dará ciência à recorrente para que, querendo, manifeste­se no prazo de trinta dias.  Decorrido o prazo, os autos deverão retornar ao CARF para julgamento.  (assinado digitalmente)  Paulo Cezar Fernandes de Aguiar  Fl. 202DF CARF MF

score : 1.0
7245628 #
Numero do processo: 13981.720053/2015-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201801

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13981.720053/2015-81

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5856509

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2001-000.205

nome_arquivo_s : Decisao_13981720053201581.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO

nome_arquivo_pdf_s : 13981720053201581_5856509.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.

dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018

id : 7245628

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:31 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009665011712

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T1  Fl. 73          1 72  S2­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13981.720053/2015­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2001­000.205  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  29 de janeiro de 2018  Matéria  IRPF ­ DEDUÇÃO ­ DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  LAUDELINO PONTES FERNANDES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011   DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS  OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL.  PROVAS  JUNTADAS AO PROCESSO  DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO.   Recibos  de  despesas  médicas  têm  força  probante  como  comprovante  para  efeito  de  dedução  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física.  Porém,  a  documentação  probatória  deve  estar  de  acordo  com  o  disposto  na  lei  e  devidamente juntada ao processo.   Necessária  apresentação  de  comprovação  que  satisfaça  a  exigência  da  legislação tributária.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu  provimento.   (Assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente   (Assinado digitalmente)  Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Henrique  Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 72 00 53 /2 01 5- 81 Fl. 73DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou  improcedente  a  impugnação  do  contribuinte,  em  razão  da  lavratura  de  Auto de  Infração de  Imposto sobre a Renda de Pessoa Física –  IRPF, por glosa de Despesas  Médicas.   O  lançamento  da Fazenda Nacional  exige  do  contribuinte  a  importância  de  R$  5.716,97,  a  título  de  imposto  de  renda  pessoa  física  suplementar,  acrescida  da multa  de  ofício de 75% e juros moratórios, referente ao ano­calendário de 2011, referente ao que segue:   O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira  instância,  aponta  como  elemento  da  decisão  da  lavratura  do  lançamento,  o  fato  de  que  o  Recorrente  deveria  ter  apresentado  comprovação  dos  pagamentos  de  despesas  médicas  de  acordo  com  a  exigência  da  legislação  tributária,  para  usufruir  da  dedução  na  declaração  de  ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física.  A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado  na  feitura  do  lançamento,  notadamente  no  que  se  refere  à  posição  de  que  para  utilizar  o  benefício da dedução das despesas médicas na declaração de ajuste do imposto sobre a renda é  indispensável à apresentação de documentação que atenda ao exigido na  legislação tributária,  como segue:   (...)  No  presente  lançamento  foi  imputada  ao  contribuinte  a  infração  de  dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 20.429,00.    Nesse passo, deve­se observar os dispositivos da legislação tributária  que regulam a matéria:    Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999.  Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de  1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”).    § 1º O disposto neste artigo  (Lei nº 9.250, de 1995, art.  8º, §  2º):    I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  –  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III – limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação  do  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no  Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional  da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na  Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13981.720053/2015­81  Acórdão n.º 2001­000.205  S2­C0T1  Fl. 74          3 falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;  IV  ­  não  se  aplica  às  despesas  ressarcidas  por  entidade  de  qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro;  V ­ no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses  ortopédicas  e  dentárias,  exige­se  a  comprovação  com  receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.  §  2º  Na  hipótese  de  pagamentos  realizados  no  exterior,  a  conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do  valor  do  dólar  dos  Estados  Unidos  da  América,  fixado  para  venda pelo Banco Central do Brasil  para o último dia útil  da  primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento.  § 3º Consideram­se despesas médicas os pagamentos relativos  à  instrução  de  deficiente  físico  ou  mental,  desde  que  a  deficiência  seja  atestada  em  laudo  médico  e  o  pagamento  efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais.  §  4º  As  despesas  de  internação  em  estabelecimento  para  tratamento  geriátrico  só  poderão  ser  deduzidas  se  o  referido  estabelecimento  for  qualificado  como  hospital,  nos  termos  da  legislação específica.  § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas  pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente,  poderão  ser  deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo  da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §  3º).    Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.  Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  I  ­  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­ calendário, exceto os isentos, os não­tributáveis, os tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;    Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999.  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).   § 1º  se  forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos  rendimentos  declarados,  ou  se  tais  deduções  não  forem  cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte  (Decreto­lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).    Não  há  dúvidas  que  a  legislação  de  regência  acima  transcrita  estabelece que na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos  da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos no ano­ calendário  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  Fl. 75DF CARF MF     4 despesas  provenientes  de  exames  laboratoriais  e  serviços  radiológicos,  restringindo­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte relativo ao seu tratamento e ao de seus dependentes.    Tal  dedução  fica  condicionada  ainda  a  que  os  pagamentos  sejam  especificados  e  comprovados  com  indicação  do  nome,  endereço  e  CPF ou CNPJ de quem os recebeu  (inciso III do § 1º do art. 80 do  RIR/1999), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de  cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.    Com  relação  aos  recibos  médicos  e  notas  fiscais  emitidos  por  profissionais/clinicas,  temos  que  esclarecer  que  a  Lei  nº  9.250,  de  1995,  no  §2°,  III,  do  mesmo  artigo  8°,  reforça,  ainda,  que  a  possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limita­se  a  pagamentos  comprovados  e  logo  a  seguir  enumera  os  requisitos  formais  dos  quais  estes  comprovantes  devem  ser  revestidos,  como  nome do emitente, endereço, CPF ou CNPJ.    (...)  Observa­se  que  o  contribuinte  não  apresentou  documentos  que  comprovassem o efetivo pagamento da despesa médica declarada.    (...)  Para  se  beneficiar  do  abatimento  pleiteado  com  base  em  despesas  médicas,  não  basta  a  disponibilidade  de  um  simples  recibo,  sem  vinculação  do  efetivo  pagamento,  ainda  que  os  emitentes  tenham  confirmado o atendimento do contribuinte e/ou de seus dependentes.    O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica,  caso  haja  intenção  de  se  beneficiar  da  dedução  na  declaração  de  rendimentos,  não envolve apenas  ele  e o profissional de  saúde, mas  também  o  fisco  e,  por  isso,  deve  se  acautelar  na  guarda  de  outros  elementos  de  prova  da  efetividade  do  pagamento  e  do  serviço.  A  emissão  de  recibo  de  pagamento  serve  muito  bem  para  quitar  um  débito e fazer prova contra o credor, mas não para comprová­lo junto  a terceiros interessados.    (...)  Por  todo  exposto,  VOTO  por  julgar  IMPROCEDENTE  a  presente  impugnação, mantendo o crédito tributário exigido remanescente, no  presente processo.    Assim,  conclui  o  acórdão  vergastado  pela  1mprocedência  da  impugnação  para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 5.716,97, referente à glosa do  valor das despesas médicas.   Por  sua  vez,  com  a  decisão  do  Acórdão  da  DRJ,  o  Recorrente  apresenta  recurso  voluntário  com  as  considerações  e  argumentações  que  entende  justificável  ao  seu  procedimento, nos termos que segue:  (...)    Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13981.720053/2015­81  Acórdão n.º 2001­000.205  S2­C0T1  Fl. 75          5       É o relatório.    Voto             Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  O  que  se  evidencia  com  facilidade  de  visualização  é  que  o  Recorrente  utilizou­se de abatimento do imposto sobre a renda mediante apresentação de documentação  simplificada  e  carente de  informações mínimas que satisfaçam o  convencimento do Fisco  e  injustificadamente não a complementou, permanecendo, portanto, em desacordo com os temos  da legislação tributária.   O  texto  base  da  divergência  interpretativa  está  contido  no  inciso  II,  alínea  “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80  do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue:   Art. 80.  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias.  § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):   (...)  II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos  ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;   Fl. 77DF CARF MF     6 III ­ limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­  CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento;     É  clara  a  disposição  de  que  a  exigência  da  legislação  especificada  aponta  para  o  comprovante  de  pagamento  originário  da  operação,  corriqueiro  e  usual,  assim  entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as  informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que,  por  óbvio,  visa  controlar  se  o  recebedor  oferecerá  à  tributação  o  referido  valor  como  remuneração.  A  lógica  da  exigência  coloca  em  evidência  a  figura  de  quem  fornece  o  comprovante identificado e assinado, colocando­o na condição de tributado na outra ponta da  relação  fiscal  correspondente  (dedução­tributação).  Ou  seja:  para  cada  dedução  haverá  um  oferecimento  à  tributação  pelo  fornecedor  do  comprovante.  Quem  recebe  o  valor  tem  a  obrigação  de  oferecê­lo  à  tributação  e  pagar  o  imposto  correspondente  e,  quem  paga  os  honorários  tem o direito ao benefício  fiscal do abatimento na apuração do  imposto. Simples  assim,  por  se  tratar  de  uma  ação  de  pagamento  e  recebimento  de  valor  numa  relação  de  prestação de serviço.  Ocorre,  assim,  uma  correspondência  de  resultados  de  obrigação  e  direito,  gerados  nessa  relação,  de  modo  que  o  contribuinte  que  tem  o  direito  da  dedução  fica  legalmente habilitado ao benefício  fiscal porque de posse do documento  comprobatório que  lhe  dá  a  oportunidade  do  desconto  na  apuração  do  tributo,  confiante  que  a  outra  parte  se  quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente.  Logo,  seria  legítima  a  dedução  a  título  de  despesas médicas  do  valor  pago  pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil, da nota fiscal  de prestação de  serviço ou  recibo,  este assinado por profissional habilitado e  informações de  identificação complementares, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento  da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento, desde que se refira a  pessoa do Recorrente, referente à efetiva prestação de serviço, efetivamente comprovada.   A decisão prolatada no Acórdão da DRJ se fundamenta na afirmativa de que  as despesas médicas para serem deduzidas do imposto devem ter sido incorridas com o próprio  declarante  ou  de  seus  dependentes  legalmente  comprovados,  nos  termos  da  legislação  tributária, no seguinte dizer:    O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica,  caso  haja  intenção  de  se  beneficiar  da  dedução  na  declaração  de  rendimentos,  não envolve apenas  ele  e o profissional de  saúde, mas  também  o  fisco  e,  por  isso,  deve  se  acautelar  na  guarda  de  outros  elementos  de  prova  da  efetividade  do  pagamento  e  do  serviço.  A  emissão  de  recibo  de  pagamento  serve  muito  bem  para  quitar  um  débito e fazer prova contra o credor, mas não para comprová­lo junto  a terceiros interessados.    No exame da documentação acostada ao presente processo verifica­se que o  Recorrente não apresentou a documentação  comprobatória na  forma estipulada  em  lei  para  a  comprovação da despesa que utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto.   Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13981.720053/2015­81  Acórdão n.º 2001­000.205  S2­C0T1  Fl. 76          7 Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  Recurso Voluntário  e  no mérito  NEGAR  PROVIMENTO,  mantendo  os  termos  do  acórdão  vergastado  com  a  mantença  da  exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar.    (Assinado digitalmente)   Jose Alfredo Duarte Filho                                Fl. 79DF CARF MF

score : 1.0
7170018 #
Numero do processo: 10840.001714/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE PAGAMENTO. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal e, não havendo pagamento, o prazo de decadência para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que podia ter sido lançado (CTN, art. 173, I). GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. IMÓVEL RURAL. Para imóveis rurais adquiridos até o ano de 1996 e para imóveis adquiridos a partir de 1997, caso não tenham sido apresentados os DIAT relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considera-se como custo e como valor de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. GANHO DE CAPITAL. CONSIDERAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE DAÇÃO EM PAGAMENTO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Em razão do lançamento de ofício deve ser aplicada a multa no percentual de 75%, não sendo ato discricionário da autoridade fiscal. A autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE PAGAMENTO. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal e, não havendo pagamento, o prazo de decadência para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que podia ter sido lançado (CTN, art. 173, I). GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. IMÓVEL RURAL. Para imóveis rurais adquiridos até o ano de 1996 e para imóveis adquiridos a partir de 1997, caso não tenham sido apresentados os DIAT relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considera-se como custo e como valor de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. GANHO DE CAPITAL. CONSIDERAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE DAÇÃO EM PAGAMENTO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Em razão do lançamento de ofício deve ser aplicada a multa no percentual de 75%, não sendo ato discricionário da autoridade fiscal. A autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10840.001714/2006-09

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5841134

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2201-004.118

nome_arquivo_s : Decisao_10840001714200609.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

nome_arquivo_pdf_s : 10840001714200609_5841134.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018

id : 7170018

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009668157440

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 458          1 457  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.001714/2006­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­004.118  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de fevereiro de 2018  Matéria  GANHO DE CAPITAL  Recorrente  JOSE LOPES FERNANDES NETO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2001  IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL  ORDINÁRIO  REGIDO  PELO  ART.  150,  §  4º,  DO  CTN,  DESDE  QUE  HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO  ANTECIPADO, APLICA­SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I,  DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE  JUSTIÇA.  REPRODUÇÃO  NOS  JULGAMENTOS  DO  CARF,  CONFORME  ART.  62­A, DO ANEXO II, DO RICARF.  Conforme decidido pelo STJ quando do  julgamento do Recurso Especial nº  973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543­C do antigo  CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre  que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo  decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador,  conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado  ou  nas  hipóteses  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  o  lustro  decadencial  para  constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.  DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE PAGAMENTO.  O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos oriundos de  ganho  de  capital  obtido  na  alienação  de  bens  e  direitos  é  mensal  e,  não  havendo  pagamento,  o  prazo  de  decadência  para  constituição  do  crédito  tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que podia ter sido lançado (CTN, art. 173, I).  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  BENS  E  DIREITOS.  IMÓVEL RURAL.  Para imóveis rurais adquiridos até o ano de 1996 e para imóveis adquiridos a  partir de 1997, caso não tenham sido apresentados os DIAT relativamente ao  ano  de  aquisição  ou  de  alienação,  ou  a  ambos,  considera­se  como  custo  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 17 14 /2 00 6- 09 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 459          2 como valor de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, o valor  constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação.  RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.  O  recurso  deverá  ser  instruído  com  os  documentos  que  fundamentem  as  alegações  do  interessado.  É,  portanto,  ônus  do  contribuinte  a  perfeita  instrução probatória.  GANHO  DE  CAPITAL.  CONSIDERAÇÃO  DAS  OPERAÇÕES  DE  DAÇÃO EM PAGAMENTO.  Na  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações  que  importem  alienação,  a  qualquer  título,  de  bens  ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa de  cessão de direitos à sua aquisição,  tais como as  realizadas por  compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento,  doação, procuração em  causa própria,  promessa de  compra  e venda,  cessão  de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins  MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  Em razão do lançamento de ofício deve ser aplicada a multa no percentual de  75%,  não  sendo  ato  discricionário  da  autoridade  fiscal.  A  autoridade  lançadora  tem  o  dever  de  lavrar  a  referida  multa  de  ofício,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  visto  que  a  atividade  administrativa  de  lançamento é vinculada e obrigatória.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade  administrativa  apenas  aplicar  a multa,  nos moldes  da  legislação que a instituiu.  TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.  De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de  1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre débitos  tributários administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia ­ SELIC para títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator.    Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 460          3 EDITADO EM: 07/03/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da  Silva  Risso,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Rodrigo  Monteiro  Loureiro  Amorim.  Ausente  justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.    Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário de fls. 193/221, interposto contra decisão da  DRJ em São Paulo/SP, de fls. 163/181, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de  Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 07/19, lavrado em 04/06/2006, decorrente da omissão de  ganho  de  capital  na  alienação  de  bens  imóveis  nos  meses  de  janeiro  e  maio  de  2001,  com  ciência do RECORRENTE em 23/06/2006 (fl. 126).  O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no  valor de R$ 131.862,14, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de  150%.  De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 11/13,  até  o  início  da  fiscalização  (22/06/2005)  o  contribuinte  encontrava­se  omisso  da  entrega  da  declaração  relativa  ao  ano­calendário  2001,  razão  pela  qual  o  mesmo  foi  intimado  para  apresentar comprovante da entrega da DAA e documentos relativos a aquisições e alienações  de bens e respectivos demonstrativos de ganhos de capital.  Ato  contínuo,  conforme  documentos  de  fls.  91/107,  em  04/07/2005,  já  sob  ação  fiscal,  o  contribuinte  remeteu  a  processamento  sua  DAA  do  exercício  questionado,  anexada de 04 (quatro) Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital, nos quais foram  apurados os seguintes valores de Ganhos de Capital e  Imposto de Renda devido, decorrentes  das alienações dos seguintes imóveis:  “2.1 ­ 50% de 116,06.75 ha  Fazenda Santa Maria  GCAP: R$ 37.654,05  IR R$ 5.648,10  2.2 ­ 50% de 23,29.25 ha  Fazenda Santa Maria  GCAP: R$ 1.134,33  IR R$ 170,14  2.3 ­ 50% de 9,68.00 ha   Fazenda Salvador  GCAP: R$ 3.250,00  IR R$ 487,50  2.4 ­ 50% de 260,21.46 ha  Fazenda Salvador  GCAP: R$ 218.535,77  IR R$ 32.780,36  De acordo com a autoridade fiscal:  “A participação do contribuinte no imóvel Fazenda Santa Maria  ­ matrículas 5.968 e 6.004 do Cartório de Registro de Imóveis de  Monte  Alegre  de Minas  ­ MG  –  foi  alienada  em  02/01/2001  à  empresa  Ferticitrus  Indústria  e  Comércio  Ltda.,  CNPJ  50.317.130/0001­20,  conforme  registros  12  e  02  respectivamente.” (fls. 47/58)  Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 461          4 “Documentos  repassados  a  esta  Fiscalização  pelo  Ministério  Público  Estadual  de  Viradouro  e  pela  Procuradoria  da  República  de  Ribeirão  Preto,  relacionados  com  o  imóvel  Fazenda  Salvador  –  matrículas  5.202  (registro  12)  e  6.965  (registro  02)  do  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  de  Monte  Alegre Minas ­ MG ­ dão conta de que a parte do imóvel rural  pertencente  ao  contribuinte  foi  transferida  (dação  em  pagamento)  ao  Sr.  Wanderley  Porcionato  Júnior,  CPF  093.725.648­00, em virtude do conteúdo do Termo de Audiência  de  26/04/2001,  processo  6.186/00  e  da  Carta  de  Sentença,  de  11/05/2001, do mesmo processo.” (fls. 59/89)  As  alienações  dos  imóveis  rurais  denominados  Fazenda  Salvador  foram  decorrentes  de  conciliação  em  processo  judicial,  onde  o  contribuinte,  reconhecendo  dívidas  contraídas com o Sr. Wanderley Porcionato Júnior, entregou­lhe em pagamento sua parte nos  aludidos imóveis.  Tendo em vista que os valores  relativos ao  imposto de renda decorrente do  ganho de capital não foram recolhidos até a data da fiscalização, foi efetuado o lançamento do  tributo.  Quanto à multa, a autoridade lançadora consignou que o contribuinte somente  apresentou sua Declaração de Ajuste Anual do  ano­calendário 2001, e os Demonstrativos da  Apuração  dos  Ganhos  de  Capital,  após  ter  sido  intimado.  Sendo  assim,  entendeu  que  o  RECORRENTE,  ao  não  declarar  e  nem  recolher  os  valores  devidos  relativos  aos  ganhos  obtidos nas alienações dos  imóveis,  agiu de modo a  impedir ou  retardar o conhecimento por  parte  da  autoridade  fiscal  dá  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  incorrendo  em  sonegação  fiscal  e,  consequentemente,  ensejando  a  aplicação  da  multa  qualificada de 150%.  O RECORRENTE apresentou  sua  Impugnação  de  fls.  121/147  enviada por  via postal e atestada como tempestiva (fl. 161). A DRJ de origem assim resumiu as razões de  defesa do RECORRENTE:  “1­  já  ocorreu  a  decadência  do  direito  de  o  Fisco  lançar  o  tributo, já que extinto o crédito tributário, conforme art. 156, V,  do Código Tributário Nacional;  2­  no  caso  do  imposto  de  renda  de  pessoa  física  relativa  ao  ganho de capital com alienação de bem imóvel o prazo começa a  contar  da  data  da  alienação  e  tem  como  termo  ad  quem  a  notificação do contribuinte;  3­  há  evidente  nulidade  do  auto  de  infração  por  equívoco  na  capitulação  legal  e  fática,  bem  como  na  base  de  cálculo  da  apuração do lançamento;  4­  conforme  estabelece  o  art.  123,  §2°,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  3.000  de  1999,  a  apuração da base de cálculo do imposto deveria estar estribada  no valor da terra nua (VTN) e não no valor das escrituras;  5­ não houve alienação de bens imóveis rurais, pois não revelou  qualquer negócio jurídico de compra e venda. Na verdade houve  Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 462          5 dação em pagamento, em virtude de dívidas do impugnante com  outro contribuinte;  6­ no caso de dação em pagamento não há incidência do imposto  sobre a renda relativa ao ganho de capital;  7­ por se tratar de juros remuneratórios, não cabe a incidência  da taxa Selic sobre o suposto débito apontado no auto;  8­ a adoção como supostos juros moratórios é expediente ilegal  e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e  a finalidade desta espécie de remuneração.”  Além do acima exposto, afirma que a multa aplicada ofende aos princípios da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e  da  proibição  do  confisco. Assim,  tal multa  deveria  ser  reduzida para o patamar de 20%, conforme art. 61, §2º, da Lei nº 6.430/96.    Da Decisão da DRJ  Quando do  julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP  julgou procedente  em  parte  o  lançamento  (fls.  163/181).  O  acórdão  proferido  na  ocasião  possui  a  seguinte  ementa:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Ano­calendário: 2001  DECADÊNCIA.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS.  As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não  são  competentes  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  CERCEAMENTO  DO  DIREITO DE DEFESA.  Não  há  nulidade  do  lançamento  quando  respeitadas  todas  as  regras  estabelecidas  pelo Decreto  70.235/72  e  não  houver  nos  autos  nada  que  confirme  ou  possa  caracterizar  as  falhas  alegadas  pelo  contribuinte  como  cerceadoras  de  seu  direito  de  defesa.  GANHO DE CAPITAL ­ DAÇÃO EM PAGAMENTO.  Na  apuração  do  ganho  de  capital  são  consideradas  todas  as  operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 463          6 aquisição,  entre  as  quais,  por  expressa  previsão  legal,  se  encontra a dação em pagamento.  MULTA QUALIFICADA  A multa de ofício qualificada prevista no art. 44, §l°, da Lei n°  9.430/96 só pode ser aplicada quando comprovado nos autos o  evidente intuito de fraude. A não apresentação da Declaração de  Ajuste, a não entrega do Demonstrativo de Ganho de Capital e o  não  recolhimento  do  imposto  devido,  por  si  sós,  não  são  suficientes  para  demonstrar  o  intuito  fraudulento  do  contribuinte.  TAXA  SELIC  ­  INCIDÊNCIA  ­  Os  débitos,  decorrentes  de  tributos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  pela  legislação  específica,  são  acrescidos  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do  mês  anterior  ao  do  pagamento,  e  de  um  por  cento  no  mês  do  pagamento.  Lançamento Procedente em Parte”  Nas  razões  do  voto  proferido  na  ocasião,  a  autoridade  julgadora  alterou  o  lançamento  apenas  para  desqualificar  a multa  de  ofício  aplicada  por  ausência  de  elementos  adicionais nos autos que permitam qualificar a multa em 150%. Portanto, o crédito exigido foi  alterado conforme tabela abaixo:      O Recurso Voluntário  O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 12/11/2008,  conforme AR de  fl.  189,  apresentou o  recurso voluntário de  fls.  193/221, por via postal,  em  28/11/2008, conforme carimbo dos Correios no envelope de fl. 223.  Em suas razões, reiterou o alegado na Impugnação.  Este  recurso  voluntário  compôs  lote  sorteado  para  este  relator  em  Sessão  Pública.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator  Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 464          7 O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  legais,  razões por que dele conheço.    PRELIMINAR  Decadência  Em  princípio,  analiso  as  questões  relativas  à  decadência  do  crédito  em  cobrança. O RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º,  o  CTN,  já  que  os  fatos  geradores  ocorreram  em  janeiro  e maio  de  2001  e  a  notificação  do  lançamento  somente  ocorreu  em  junho/2006.  Assim,  requereu  a  extinção  dos  créditos  tributários.  No entanto, entendo que não assiste razão à RECORRENTE.  Para o bom emprego do  instituto da decadência  previsto no CTN é preciso  verificar  o  dies  a  quo  do  prazo  decadencial  de  5  (cinco)  anos  aplicável  ao  caso:  se  é  o  estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN.  Em  12  de  agosto  de  2009,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ  julgou  o  Recurso Especial nº 973.733­SC (2007/0176994­0), com acórdão submetido ao regime do art.  543­C  do  antigo  CPC  e  da  Resolução  STJ  08/2008  (regime  dos  recursos  repetitivos),  da  relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL  .ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 465          8 consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado" corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo  decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra  do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude  ou simulação, o  lustro decadencial para  constituir o crédito  tributário é  contado do exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.  Por ter sido sob a sistemática do art. 543­C do antigo CPC, a decisão acima  deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF  (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015):  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 466          9 Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  No caso  concreto,  o  imposto  de  renda  lançado decorre  de ganho de  capital  proveniente de venda de  imóveis por parte do  contribuinte no  ano 2001. A autoridade  fiscal  expõe na descrição do s fatos que o RECORRENTE não apresentou a Declaração de Ajuste do  ano­calendário  2001  nem,  consequentemente,  os  respectivos  anexos  contendo  os  Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital daquele período, os quais somente foram  processados após a ação fiscal (fl. 11).  A autoridade lançadora também deixou expresso que “os valores relativos ao  imposto de renda devido, a título de ganhos de capital (código de pagamento 4600), não foram  recolhidos pelo contribuinte, desde a alienação dos bens até a presente data”.  É  notório  que  o RECORRENTE  não  promoveu  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  de  tal  exação.  Sendo  assim,  no  caso  concreto,  o  prazo  decadencial  para  constituir  o  crédito tributário é contado nos termos do art. 173, I, CTN, ou seja, conta­se do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que este  corresponde ao primeiro dia do  exercício  seguinte  à ocorrência do  fato  imponível,  conforme  decisão do STJ acima exposta.  No caso concreto, seguindo a regra acima, o dies a quo do prazo decadência  foi 01/01/2002, o que autoriza o lançamento do crédito tributário até 31/12/2006.  O presente  lançamento  é  relativo  ao período de 01/2001 e 05/2001. Assim,  aplicando­se a regra do art. 173, I, do CTN, o dies a quo do prazo decadência foi 01/01/2002, o  que autoriza o lançamento do crédito tributário até 31/12/2006. Portanto, entendo que não estão  extintos pela decadência quaisquer créditos objeto do presente lançamento, tendo em vista que  o RECORRENTE tomou ciência do lançamento em 16/06/2006 (fl. 126).    Nulidade do Lançamento  O RECORRENTE entende que a presente lançamento seria nulo, na medida  que “a fundamentação fática e  jurídica para a apuração de base de cálculo está calcada no  valor da escritura lavrada”, ao passo que o correto seria a apuração com base no valor da terra  nua – VTN.  Conforme  exposto  no  relatório,  o  presente  lançamento  está  embasado  em  dados  fornecidos  pelo  próprio  RECORRENTE  durante  a  fiscalização,  quando  apresentou  Demonstrativos de Apuração de Ganho de Capital relativos às vendas dos imóveis em questão  (fls. 101/107) além dos Registros relativos aos imóveis (fls. 47/58 e fls. 79/89). Na ocasião, o  contribuinte apurou os seguintes valores de imposto de renda:  “2.1 ­ 50% de 116,06.75 ha  Fazenda Santa Maria  GCAP: R$ 37.654,05  IR R$ 5.648,10  2.2 ­ 50% de 23,29.25 ha  Fazenda Santa Maria  GCAP: R$ 1.134,33  IR R$ 170,14  2.3 ­ 50% de 9,68.00 ha   Fazenda Salvador  GCAP: R$ 3.250,00  IR R$ 487,50  Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 467          10 2.4 ­ 50% de 260,21.46 ha  Fazenda Salvador  GCAP: R$ 218.535,77  IR R$ 32.780,36  Para  o  exame  das  questões  relativas  ao  ganho  de  capital  de  imóveis  rurais  importa observar o disposto na Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001:  “Art.  9º  Na  apuração  do  ganho  de  capital  de  imóvel  rural  é  considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua.  §  1º Considera­se  valor  da  terra  nua  (VTN)  o  valor  do  imóvel  rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados  os  custos  das  benfeitorias  (construções,  instalações  e  melhoramentos),  das  culturas  permanentes  e  temporárias,  das  árvores  e  florestas  plantadas  e  das  pastagens  cultivadas  ou  melhoradas.  § 2º Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido  deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da  atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração  de ganho de capital.  Art. 10. Tratando­se de imóvel rural adquirido a partir de 1997,  considera­se custo de aquisição o valor da terra nua declarado  pelo  alienante,  no  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da  aquisição,  observado  o  disposto  nos  arts.  8o  e  14  da  Lei  No  9.393, de 1996.”  (...)  §  2º Caso não  tenha  sido apresentado o Diat  relativamente  ao  ano  de  aquisição  ou  de  alienação,  ou  a  ambos,  considera­se  como  custo  e  como  valor  de  alienação  o  valor  constante  nos  respectivos documentos de aquisição e de alienação.  (...)  Art. 19. Considera­se valor de alienação:  I  –  o  preço  efetivo  da  operação  de  venda  ou  de  cessão  de  direitos;  (...)  VI  –  no  caso  de  imóvel  rural  com  benfeitorias,  o  valor  correspondente:  a) exclusivamente à  terra nua, quando o  valor das benfeitorias  houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural;  b)  a  todo  o  imóvel  alienado,  quando  as  benfeitorias  não  houverem  sido  deduzidas  como  custo  ou  despesa  da  atividade  rural.  §  1º  Tratando­se  de  imóvel  rural  adquirido  a  partir  de  1997,  considera­se valor de alienação da terra nua:  Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 468          11 I  –  o  valor  declarado  no  Diat  do  ano  da  alienação,  quando  houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição  e alienação;  II – o valor efetivamente recebido, nos demais casos.  §  2º  Na  alienação  dos  imóveis  rurais,  a  parcela  do  preço  correspondente às benfeitorias é computada:  I  –  como  receita  da  atividade  rural,  quando  o  seu  valor  de  aquisição  houver  sido  deduzido  como  custo  ou  despesa  da  atividade rural;  II – como valor da alienação, nos demais casos.”  Conforme  prevê  o  art.  10,  §  2º,  acima  transcrito,  caso  não  tenham  sido  apresentados  os  DIAT  relativamente  ao  ano  de  aquisição  ou  de  alienação,  ou  a  ambos,  considera­se como custo e como valor de alienação, para fins de apuração de ganho de capital,  o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação.   Ademais,  importante mencionar  que os Registros  de  aquisição  e  venda  dos  imóveis  (fls.  47/58  e  fls.  79/89)  não  fazem  nenhuma  referência  a  custos  de  benfeitorias  (construções,  instalações  e  melhoramentos),  culturas  permanentes  e  temporárias,  árvores  e  florestas plantadas e pastagens cultivadas ou melhoradas. Assim, a conclusão que se impõe é  de  que os  valores  consignados  se  referem  tão­somente  ao  valor da  terra  nua,  de  sorte que  o  ganho de capital será a diferença positiva entre o valor de alienação dos imóveis e o respectivo  custo de aquisição, conforme espelhados nos Registros mencionados.  Entendo  que  o  RECORRENTE  poderia  perfeitamente  discutir  os  reais  valores de aquisição e alienação com a finalidade de apurar o correto imposto devido. Porém,  tal  situação  não  importa  em  anular  o  lançamento  pois,  como  visto,  o  ganho  de  capital  foi  apurado exclusivamente com base nas informações prestadas pelo próprio RECORRENTE nos  Demonstrativos  de Apuração  de  Ganhos  de Capital  entregues  extemporaneamente  e  demais  documentos relativos aos imóveis alienados.  Ora, se o próprio contribuinte afirma, agora, que a apuração foi incorreta, vez  que deveria ter sido realizada com base no VTN de aquisição e de alienação, caberia ao mesmo  trazer aos autos os documentos comprobatórios de suas alegações.  Ao  contrário  do  que  defende  o  RECORRENTE,  entendo  que  não  houve  qualquer motivo ensejador para a nulidade do lançamento.  O presente processo tem por objeto a apuração de ganho de capital decorrente  de  alienação  de  imóveis.  A  questão  envolvendo  eventual  erro  de  cálculo  decorrente  da  apuração supostamente equivocada do custo de aquisição e/ou do valor da alienação, no meu  entendimento, não é pretexto para anular o lançamento.  É  certo  que  a  apuração  da  base  de  cálculo  do  ganho  de  capital  envolve  também a correta verificação do custo de aquisição e valor da alienação do bem. No entanto,  discussões  acerca  das  verbas  que  compõem  esses  valores  podem  ser  discutidas  durante  o  procedimento fiscal sem que, para isso, seja preciso anular o lançamento.  Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 469          12 Neste  sentido,  entendo que não  foram apontados vícios  relacionados  ao  ato  de  constituição  do  crédito  tributário  especificados  no  art.  59  do Decreto  nº  70.235/72,  nem  qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam:  Decreto nº 70.235/72:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.    CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Repita­se  que  a  autoridade  fiscal  efetuou  o  lançamento  com  base  nas  informações  fornecidas  pelo  próprio  RECORRENTE  nos  Demonstrativos  de  Apuração  de  Ganho de Capital (entregues extemporaneamente) e demais documentos relativos aos imóveis  alienados.  Para  retificar  a  autuação,  deveria  o  RECORRENTE  trazer  aos  autos  elementos  e  provas a fim de demonstrar que suas informações prestadas durante a fiscalização e também na  declaração de ajuste estavam equivocadas.  Conforme  acima  exposto,  o  lançamento  não  se  encontra  eivado  de  vícios.  Tanto  que  o  RECORRENTE,  em  sua  defesa,  rebateu  os  fatos  descritos  pela  autoridade  lançadora, demonstrando entender perfeitamente as acusações que lhes foram imputadas.  Assim, entendo que não houve qualquer afronta ao art. 142 capaz de ensejar a  anulação do auto. Portanto, não merecem prosperar esses argumentos da RECORRENTE.    MÉRITO  Inexistência do Ganho de Capital  Afirma o RECORRENTE que não houve alienação dos imóveis rurais, pois  não revelou qualquer negócio jurídico de compra e venda. Na verdade, teria havido dação em  pagamento, em virtude de dívidas com outro contribuinte.   No  entender  do  RECORRENTE,  a  dação  em  pagamento  sem  torna  se  equipara à permuta. Neste sentido, não teria ocorrido o ganho de capital e, consequentemente,  não haveria que se falar em apuração do imposto de renda.  Contudo, entendo que são insubsistentes as alegações do RECORRENTE.  Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 470          13 Neste  tópico,  o  RECORRENTE  se  refere  ao  imóvel  denominado  Fazenda  Salvador, o qual pertencia a ele e outro sócio (50% para cada um), conforme Registro nº 01 da  Matrícula nº 5.202 (fl. 84) e Registro nº 01 da Matrícula nº 6.965 (fls. 87/88), relativas às áreas  de 260 hectares e de 09,68 hectares, respectivamente.  Conforme Registro nº 14 da Matrícula nº 5.202 e Registro nº 2 da Matrícula  nº 6.965 (fls. 81/82 e 88), os  imóveis que compõem a Fazenda Salvador foram utilizados em  dação  de  pagamento  para  quitar  dívida  cobrada  por  meio  de  execução  de  título  judicial,  e  representava o total de R$ 499.929,00 (fls. 65/71). Este valor encontra­se expresso na Carta de  Sentença de fl. 77, assim como nos registros imobiliários antes mencionados.  A mencionada execução foi ajuizada em face do RECORRENTE, sua esposa  (Sra. Izabel), seu sócio na Fazenda Salvador (Sr. Salvador) e a esposa deste (Sra. Therezinha).  Sendo  assim,  em  tese,  caberia  25%  da  dívida  a  cada  um.  Como  a  declaração  de  ajuste  do  RECORRENTE é entregue em conjunto com sua esposa (fl. 91), já que eles são casados pelo  regime  de  comunhão  universal  de  bens  (fl.84  e  88),  conclui­se  que  a  dívida  do  casal  representava o total de R$ 249.964,50 (50% do valor executado de R$ 499.929,00).  E este valor de R$ 249.964,50 foi justamente o declarado como alienado pelo  RECORRENTE  nos  Demonstrativos  de  Apuração  de  Ganho  de  Capital  (entregues  extemporaneamente) relativos à alienação da Fazenda Salvador (fls. 105 e 107). Assim, resta  claro que a parte da Fazenda Salvador pertencente ao RECORRENTE foi dada em pagamento  para fazer frente à dívida que possuía.  Ora,  o  RECORRENTE  pode  não  ter  ficado  com  aquela  quantia  de  R$  249.964,50  como  um  ativo,  mas  ela  foi  utilizada  para  dar  baixa  em  um  passivo  seu.  Tal  situação  é  o  mesmo  que  o  contribuinte  alienar  o  imóvel  para  um  terceiro  (que  não  o  seu  credor), receber o dinheiro (auferir a renda) e quitar os seus débitos objeto da execução. Neste  caso hipotético, é evidente que a alienação do imóvel para um terceiro ensejaria a apuração do  ganho de capital, mesmo que tal valor fosse utilizado para quitar uma dívida do vendedor.  O mesmo ocorreu no presente caso: o acordo judicial realizado nos autos da  ação de execução culminou na quitação do débito do RECORRENTE mediante utilização do  instrumento da dação em pagamento, medida que visou, de certa forma, facilitar as operações  envolvidas, haja vista que o RECORRENTE não teve a necessidade de liquidar os seus bens  para pagar a dívida.  Portanto, a sua parte no imóvel foi dada para pagar uma dívida da ordem de  R$ 249.964,50, sendo certo que este valor representa o valor da alienação do bem.  O art. 117, §4º, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda)  prevê que “na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem  alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à  sua  aquisição,  tais  como  as  realizadas  por  compra  e  venda,  permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins”.  E  ao  contrário  do  que  alega  o  RECORRENTE,  a  operação  de  dação  em  pagamento sem torna não se assemelha a uma permuta. O instituto da permuta prevê que haja  uma troca de bens; um ativo sendo trocado por um outro ativo. Não foi o caso dos autos, em  Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 471          14 que um ativo foi utilizado para dar baixa em um passivo. É o mesmo que se pagar uma dívida  com dinheiro (ativo).   A  dação  em  pagamento  é  operação  que  enseja  a  apuração  de  ganho  de  capital, conforme expressamente previsto na legislação. Ademais, o art. 121, II, do Decreto nº  3.000/99 determina que  apenas  estão excluídas da apuração de ganho de capital  as permutas  exclusivamente de unidades imobiliárias sem recebimento de parcela complementar (torna):  “Art.  121.  Na  determinação  do  ganho  de  capital,  serão  excluídas:  I ­ as transferências causa mortis e as doações em adiantamento  da legítima, observado o disposto no art. 119;  II  ­  a  permuta  exclusivamente  de  unidades  imobiliárias,  objeto  de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar  em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural  com benfeitorias.  § 1º Equiparam­se a permuta as operações quitadas de compra e  venda  de  terreno,  seguidas  de  confissão  de  dívida  e  escritura  pública  de  dação  em  pagamento  de  unidades  imobiliárias  construídas ou a construir.”  Portanto, não deve ser modificado o lançamento.    Da Inaplicabilidade da Taxa Selic  O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC.  No  entanto,  de  acordo  com a Súmula  nº  04  deste CARF,  sobre os  créditos  tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir:  “SÚMULA CARF Nº 4  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação  da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros  moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco.    Do Efeito Confiscatório da Multa Cominada  O RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de 75% ofende  aos  princípios da razoabilidade e da vedação ao confisco.  Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 472          15 Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE.  Sobre o tema, deve­se esclarecer que a multa de ofício aplicada foi reduzida  para o percentual de 75% pela DRJ de origem. Tal penalidade é aplicada por expressa previsão  legal em qualquer caso de  lançamento de ofício,  independentemente da existência de  fraude,  sonegação ou qualquer dolo por parte do contribuinte. O art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 dispõe o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;”  Assim,  no  momento  em  que  o  auditor  realiza  de  ofício  o  lançamento  do  imposto de renda devido, deve ser aplicada a multa do art. 44,  I, da Lei nº 9.430/96 sobre o  valor do tributo calculado, por estrita determinação legal.  Assim, deve­se esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão  legal  em  razão  do  lançamento  de  ofício,  conforme  disciplina  o  já  citado  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96, não sendo ato discricionário da autoridade fiscal.  Neste  sentido,  o  art.  142  do  CTN  (já  transcrito)  prevê  que  a  autoridade  lançadora  tem  o  dever  de  lavrar  a  referida  multa  de  ofício,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  visto  que  a  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória.  Por  esse mesmo motivo, não se pode reduzir o percentual da referida multa para 20%, conforme  previsto no art. 61§2º, da Lei nº 9.430/96, haja vista que este dispositivo trata da multa de mora  devida  quando  o  tributo  já  constituído  deixa  de  ser  pago  na  data  do  vencimento,  e  não  nos  casos em que há lançamento de ofício.  Quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade  levantadas  pela  RECORRENTE,  sobre  a  aplicação  de  multa  com  suposto  efeito  de  confisco  (assim  como  qualquer outra questão de inconstitucionalidade envolvendo o caso), deve­se esclarecer que, de  acordo  com  o  disposto  na  Súmula  nº  02  deste  órgão  julgador,  esta  é matéria  estranha  à  sua  competência:  “SÚMULA CARF Nº 02  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que  tem  a  obrigação  de  aplica­la  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  Não  é,  portanto,  penalidade  aplicada  ao  livre  arbítrio  pelo  auditor  fiscal  a  ensejar  a  discussão  acerca  de  seu  efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela  guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna.  Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício de 75%.    Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10840.001714/2006­09  Acórdão n.º 2201­004.118  S2­C2T1  Fl. 473          16 CONCLUSÃO  Em  razão  do  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário, mantendo o lançamento de imposto de renda, pelas razões acima expostas.    (assinado digitalmente)  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator                                  Fl. 473DF CARF MF

score : 1.0
7197978 #
Numero do processo: 10835.901862/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10835.901862/2009-39

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5850966

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1302-002.600

nome_arquivo_s : Decisao_10835901862200939.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

nome_arquivo_pdf_s : 10835901862200939_5850966.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7197978

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009689128960

conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-28T11:33:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-28T11:33:26Z; Last-Modified: 2018-03-28T11:33:26Z; dcterms:modified: 2018-03-28T11:33:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:a129146a-0e4e-4eb8-abc6-c223a9c66ab1; Last-Save-Date: 2018-03-28T11:33:26Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-28T11:33:26Z; meta:save-date: 2018-03-28T11:33:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-28T11:33:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-28T11:33:26Z; created: 2018-03-28T11:33:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-03-28T11:33:26Z; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-28T11:33:26Z | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1  1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10835.901862/2009­39  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1302­002.600  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de fevereiro de 2018  Matéria  PER/DCOMP. IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR.  Recorrente  LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002  MATÉRIAS  NÃO  PROPOSTAS  EM  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  APRESENTAÇÃO  EM  RECURSO  AO  CARF.  IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.  As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não  podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade  processual de seu exercício, configurando­se a preclusão consumativa, a par  de representar, se admitida, indevida supressão de instância.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos César Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Flávio  Machado  Vilhena  Dias,  Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 18 62 /2 00 9- 39 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10835.901862/2009­39  Acórdão n.º 1302­002.600  S1­C3T2  Fl. 3          2    Relatório  Trata­se  de  Recurso  apresentado  em  relação  ao  Acórdão  nº  14­31.918,  proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão  Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito  passivo, e cuja ementa é a seguinte:  "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO.  Pendente,  nos  autos,  a  comprovação  do  crédito  indicado  na  declaração  de  compensação  formalizada,  impõe­se  o  seu  indeferimento.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional."  O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração  de  Compensação  (PER/DComp)  nº  15565.00281.141005.1.3.04­0157,  por  meio  do  qual  compensa  suposto  crédito  de  sua  titularidade,  referente  a  pagamento  indevido  ou  a maior  a  título de IRPJ, período de apuração de junho de 2002, com débito(s) relativo(s) à Contribuição  para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) , período de apuração de setembro de 2005.  Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada,  por inexistência do alegado crédito.  Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se  limita  a  alegar  a  existência  do Documento  de  Arrecadação  de  Receitas  Federais  (Darf)  que  embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp.  O  Acórdão  recorrido  entendeu  que  não  foram  comprovadas  a  liquidez  e  certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório.  Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por  meio do qual sustenta que:  a)  o  motivo  da  compensação  pelo  contribuinte  é  o  desenvolvimento  de  atividade hospitalar;  b) o Fisco,  ao homologar várias  compensações promovidas  sob os mesmos  fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre  a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido;  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10835.901862/2009­39  Acórdão n.º 1302­002.600  S1­C3T2  Fl. 4          3  c)  a Recorrente  está  cadastrada  sob  a Classificação Nacional  de Atividades  Econômicas (CNAE) 8640­2­02 "Laboratórios clínicos";  d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art.  27,  inciso  II, da  Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por  sua vez,  reporta­se  à  Resolução  ­  RDC  nº  50,  de  21  de  fevereiro  de  2002,  da  Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária  (Anvisa),  parte  II,  subitem  2.1,  atribuição  4,  tópico  4.4,  "Anatomia  patológica e citopatologia";  e)  à  luz  dos  documentos  apresentados,  a  Recorrente  atende  à  legislação  relativa à definição de "serviços hospitalares";  f)  o  Acórdão  recorrido  "contraria  as  conclusões  de  procedimento  fiscal  realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500­2007­00032­ 2),  no  qual  se  reconheceu  que  a  Recorrente  atende  às  exigências  legais  e  regulamentares  concernentes  à  referida  condição  e,  portanto,  faz  jus  ao  percentual  diferenciado  para  apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços";  g)  a exigência do Fisco  de  exigir  estrutura permanente  e de  funcionamento  ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional;  h)  eventuais  dúvidas  foram  dissipadas  com  a  edição  de  Instruções  Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  18,  de  23  de  outubro  de  2003,  que  considerou  "serviços  hospitalares"  aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que  possuam  estrutura  física  condizente  para  a  execução,  dentre  outras  atividades,  da  relativa  à  anatomia patológica;  i)  igualmente,  considerar­se­ia  serviços  hospitalares  os  prestados  pelos  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde  constituídos  por  empresários  ou  sociedades  empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma  atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro);  j)  apenas  nos  casos  em  que  a  receita  provém,  unicamente,  do  trabalho  intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%;  k)  as  Instruções  Normativas  que  regulamentaram  a  matéria  em  comento  acabaram  por  imputar  requisitos  subjetivos  contrários  ao  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995;  l)  ainda  assim,  a  estrutura  da  Recorrente  atende  a  todas  as  normas  acima  referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal;  m)  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  meio  do  julgamento  do  REsp  nº  1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º,  III, "a", e  20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com  foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa;  n) por  fim,  requer que,  para  contrapor  fatos  trazidos na decisão  combatida,  por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do  Termo de Verificação Fiscal nº 0810500­2007­00032­2 / DRF Presidente Prudente (SP).  É o Relatório.  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10835.901862/2009­39  Acórdão n.º 1302­002.600  S1­C3T2  Fl. 5          4  Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1302­002.563,  de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/2009­61, paradigma ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302­002.563):  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo  apresentado  recurso  em  27  de  abril  de  2011  (fls.  24  a  56),  dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33  do  Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  aplicável  por  força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de  1996.  O  Recurso  é  assinado  por  sócio­administrador,  com  poder  de  representação, conforme fls. 48 a 55.  A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª  Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art.  7º  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RI/CARF),  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.  Ocorre  que  o  cotejo  entre  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado  permite  a  constatação  de  que  todas  as matérias  contidas  neste  último apelo não foram trazidas naquela primeira peça.  Nos termos da legislação de regência do processo administrativo  fiscal,  a  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  devendo dela  constar  todos os motivos de  fato  e  de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e  as  razões  e  provas  das  alegações  (arts.  14  e  16  do Decreto  nº  70.235, de 1972).  Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do  contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte  e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por  ocasião  da  impugnação,  sob  pena  de  supressão  de  instância  e  violação ao princípio do devido processo legal.   Admitem­se,  contudo,  algumas  exceções  à  essa  regra  de  preclusão consumativa.  Em  primeiro  lugar,  são  admitidas  as  provas  apresentadas  em  momento  posterior,  desde  que  presente  alguma  das  hipóteses  trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de  1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de  força  maior;  fato  ou  direito  superveniente;  contraposição  de  fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos).  Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10835.901862/2009­39  Acórdão n.º 1302­002.600  S1­C3T2  Fl. 6          5  A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam  ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias  de ordem pública.  Todas  as  conclusões acima  expostas  em  relação à  impugnação  são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não­ homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e  11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996.  É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24  a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que  se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do  Recorrente  em  trazê­la  aos  autos  neste  momento,  quando  deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade.  Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de  Direito  .Processual  Civil,  18a  ed,  Salvador:  Ed.  Juspodium,  2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona:  "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder  processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido  exercido,  pouco  importa  se  bem  ou  mal.  Já  se  praticou  o  ato  processual pretendido, não sendo possível corrigi­lo, melhorá­lo  ou  repeti­lo.  A  consumação  do  exercício  do  poder  o  extingue.  Perde­se o poder pelo exercício dele."  É  exatamente  o  caso  dos  presentes  autos.  Se  o  Recorrente  se  limitou,  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  alegar  a  existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação,  sem  explicitar  minimamente  a  composição  do  suposto  crédito  que  ensejou a  compensação, não pode,  em  sede de Recurso ao  CARF,  inovar  completamente  os  seus  argumentos  de  defesa,  para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele  primeiro recurso.  A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo  dos  recursos,  sobre  a  qual  o  mesmo  autor  (Curso  de  Direito  Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3,  p. 143) se manifesta nos seguintes termos:  "A  extensão  do  efeito  devolutivo  significa  delimitar  o  que  se  submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem.  A  extensão  do  efeito  devolutivo  determina­se  pela  extensão  da  impugnação:  tantum  devolutum  quantum  apellatum.  O  recurso  não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao  âmbito  do  julgamento  (decisão)  a  quo.  Só  é  devolvido  o  conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)."   Há  diversos  precedentes,  no  âmbito  de  todas  as  Seções  deste  Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  que  concluem  pelo  reconhecimento  da  preclusão  consumativa  em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo.  Apenas para citar algumas mais recentes:  "PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  PRECLUSÃO.  É  o  contribuinte  quem  delimita  os  termos  do  contraditório  ao  formular  a  seu  pedido  ou  defesa,  conforme o  caso,  e  instruí­lo  com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra,  as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de  exceção  para  tal  preclusão,  a  exemplo  (i)  das  constantes  dos  Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.901862/2009­39  Acórdão n.º 1302­002.600  S1­C3T2  Fl. 7          6  incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii)  de  quando  o  argumento  possa  ser  conhecido  de  ofício  pelo  julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por  ser  necessário  à  formação  do  seu  livre  convencimento,  neste  último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência  de  tais hipóteses de  exceção no caso  concreto. Não se  conhece  de  recurso  voluntário  que  traz  exclusivamente  argumentos  novos,  não  aventados  na  manifestação  de  inconformidade.Recurso  Voluntário  Não  Conhecido."  (Acórdão  nº 1401­002.047 ­ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira  Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de  Carli Germano)  "ÔNUS  DA  PROVA.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  ARTIGO  170  DO  CTN.  Em  processos  que  decorrem  da  não­ homologação de  declaração de  compensação,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  que  deverá  apresentar  e  produzir  todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza  de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).  MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE  COMPENSAÇÃO.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  Seguindo  o  disposto  no  artigo  16,  inciso  III  e  parágrafo  4º,  e  artigo  17,  do Decreto  nº  70.235/1972,  a  regra  geral  é  que  seja  apresentada  no  primeiro momento  processual  em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação  da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na  apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de  restituição  e/ou  compensação,  podendo  a  prova  ser  produzida  em  momento  posterior  apenas  de  forma  excepcional,  nas  hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua  apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira­se a  fato  ou  a  direito  superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos",  sob  pena  de  preclusão."  (Acórdão nº  3401­004.146  ­  4ª Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator  Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco)  "PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  POSSIBILIDADE  DE  ANÁLISE  DE  NOVOS  ARGUMENTOS  E  PROVAS  EM  SEDE  RECURSAL.  PRECLUSÃO.  A  manifestação  de  inconformidade  e  os  recursos  dirigidos  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  seguem  o  rito  processual  estabelecido  no  Decreto  nº  70.235/72,  além  de  suspenderem  a  exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e  5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos  de defesa  e as provas devem ser apresentados na manifestação  de inconformidade interposta em face do despacho decisório de  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  precluindo  o  direito  do  Sujeito  Passivo  fazê­lo  posteriormente,  salvo  se  demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º  do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303­005.208 ­ 3ª Turma,  Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017,  Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello)  Isto  posto,  voto  pelo  não  conhecimento  do  recurso  do  sujeito  passivo.  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.901862/2009­39  Acórdão n.º 1302­002.600  S1­C3T2  Fl. 8          7  No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deu­se em 08  de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                                Fl. 55DF CARF MF

score : 1.0
7131628 #
Numero do processo: 13898.720035/2013-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PRAZO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni que negou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PRAZO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13898.720035/2013-86

anomes_publicacao_s : 201802

conteudo_id_s : 5832882

dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 24 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1001-000.384

nome_arquivo_s : Decisao_13898720035201386.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 13898720035201386_5832882.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni que negou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018

id : 7131628

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:53 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009698566144

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 99          1 98  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13898.720035/2013­86  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.384  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  07 de fevereiro de 2018  Matéria  Simples Nacional  Recorrente  J.A. NUNES REBITES EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2013  OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PRAZO.  Enquanto  não  vencido  o  prazo  para  solicitação  da  opção  o  contribuinte  poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples  Nacional, sujeitando­se ao indeferimento da opção caso não as regularize até  o término desse prazo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  Vencido  o  Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni que negou provimento ao Recurso Voluntário.   (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado Rodrigues.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 8. 72 00 35 /2 01 3- 86 Fl. 99DF CARF MF     2 Trata­se de Termo de  Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional  (e­fl.  07) para o ano calendário 2013,  tendo­se em vista a existência de débito com a Secretaria da  Receita  Federal,  de  natureza  previdenciária,  e  inscrito  em  Dívida  Ativa  da  União,  com  exigibilidade não suspensa, nos  termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17,  inciso V. Lista de débitos:  Após  tomar  ciência  do  contido  do  Termo  de  Indeferimento  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade.  A  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  81/84)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  por  entender  que  os  parcelamentos  foram rescindidos, e que nestes casos, em relação a estes débitos, restabelecidos, “em relação  ao  montante  não  pago,  os  acréscimos  legais  na  forma  da  legislação  aplicável  à  época  da  ocorrência dos respectivos fatos geradores":  De toda sorte, sobre o efeito d’uma tal irregularidade, assim se a  pode  estimar  como  retroativa  à  época  da  ocorrência  dos  respectivos  fatos  geradores  subsumidos  à  obrigação  então  parcelada. Essa é, pelo menos, uma orientação dedutível a partir  das diferentes Leis que vieram regrar as mais diversas espécies  de  parcelamento,  ao  repisarem  que  ficam  restabelecidos,  “em  relação ao montante não pago, os acréscimos legais na forma da  legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos  geradores” (vide..., a propósito: art. 5, § 1º, da Lei nº 9.964, de  10 de abril de 2000 – REFIS; art. 10, § 20º, da Lei nº 10.260, de  12 de julho de 2001 – FIES; art. 12 da Lei nº 10.684, de 30 de  maio de 2003 – PAES; art. 7º, § 2º, da Medida Provisória nº 303,  de 29 de junho de 2006 – PAEX; art. 39, § 12, inciso I, e art. 40,  § 14, inciso I, ambos da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013;  não há negar, pois, um forte viés de retroação no que atina aos  efeitos decorrentes d’um parcelamento inadimplido).  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  20/11/2013  (e­fl.  87)  a  Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 25/11/2013 (e­fl. 94), em que aduz, em  resumo, que os débitos estavam parcelados na época.      Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo,  e  portanto,  dele  conheço.  Trata­se,  nestes  autos,  exclusivamente  do  Indeferimento  da  Opção  pelo  Simples  Nacional  (e­fl.  07)  para  o  ano  calendário 2013.      Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o  art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011:  “Art. 15. Não poderá recolher os  tributos na  forma do Simples  Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art.  17, caput):   (...)  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13898.720035/2013­86  Acórdão n.º 1001­000.384  S1­C0T1  Fl. 100          3 XV  ­  que  possua  débito  com  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  (INSS),  ou  com as Fazendas Públicas Federal, Estadual  ou  Municipal,  cuja  exigibilidade  não  esteja  suspensa;  (Lei  Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei).  (...)      A  opção  pelo  Simples  Nacional  está  regulamentada  pela  mesma  Resolução  CGSN nº 94/2011:  Art.  6º  A  opção  pelo  Simples  Nacional  dar­se­á  por  meio  do  Portal do Simples Nacional na internet,  sendo irretratável para  todo o ano­calendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art.  16, caput)  (...)  § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de  janeiro,  até  seu  último  dia  útil,  produzindo  efeitos  a  partir  do  primeiro dia do ano­calendário da opção, ressalvado o disposto  no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º)  § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o  contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16,  caput)  I ­ regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no  Simples Nacional, sujeitando­se ao indeferimento da opção caso  não as regularize até o término desse prazo;  O  contribuinte  diligenciou  de  forma  a  regularizar  as  pendências  no  prazo  legal. Prescreve o § 2º do art. 6º citado que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da  opção  o  contribuinte  poderá  regularizar  eventuais  pendências  impeditivas  ao  ingresso  no  Simples  Nacional,  sujeitando­se  ao  indeferimento  da  opção  caso  não  as  regularize  até  o  término desse prazo. Conforme extratos de fls.. 58/62 e 66/80, as pendências estavam incluídas  em parcelamentos  deferidos  e  sua  exigibilidade  estava  suspensa  em 31/01/2013, mesmo que  em data posterior (09/07/2013, e­fl. 74) tenham sido rescindidos os parcelamentos.  Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário.  (Assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa                               Fl. 101DF CARF MF     4   Fl. 102DF CARF MF

score : 1.0
7151250 #
Numero do processo: 10880.689994/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201801

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10880.689994/2009-31

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5838398

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1402-002.872

nome_arquivo_s : Decisao_10880689994200931.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO

nome_arquivo_pdf_s : 10880689994200931_5838398.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.

dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7151250

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009712197632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.689994/2009­31  Recurso nº         Voluntário  Acórdão nº  1402­002.872  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2018  Matéria  DCOMP  Recorrente  CALVO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  NULIDADE.  DECISÃO  COM  TERMOS  IGUAIS  AOS  DE  OUTRAS  PROFERIDAS  EM  PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS  DO  MESMO  CONTRIBUINTE.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em  processos  administrativos  distintos,  mas  de  um  mesmo  contribuinte,  não  configura, objetivamente, cerceamento de defesa.   A  verificação  de  nulidade  das  decisões  administrativas  pela  constatação  de  ocorrência  de  cerceamento  de  defesa  depende,  primeiramente,  da  demonstração  clara,  concreta  e  específica  de  como  o  decisório  causou  prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  CRÉDITO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  DÉBITO  DECLARADO  EM  DCTF.  AUSÊNCIA  DE  RETIFICADORA.  NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  oriundo  pagamento  utilizado  para  a  quitação  de  débito  declarado  e  constituído  pelo  próprio  o  contribuinte  demanda  a  comprovação,  mediante  documentação  adequada,  hábil  e  pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 94 /2 00 9- 31 Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10880.689994/2009­31  Acórdão n.º 1402­002.872  S1­C4T2  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Mateus  Ciccone,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Julio  Lima  Souza  Martins,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Lizandro  Rodrigues  de  Sousa,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto  contra v. Acórdão proferido pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  a  quo,  que  negou  provimento  à  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte,  mantendo  o  r.  Despacho  Decisório  que  expressamente  deixou  de  homologar  suposto  crédito  de  IRPJ,  declarado  em  DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido.  Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente  que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que  havia  recolhido  tais  tributos  indevidamente  ou  a maior  sobre  receitas  derivadas  da venda  de  alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases  de  cálculo dessas  contribuições. Também afirma que  teve  reconhecido em Ação Declaratória  cumulada com Repetição de Indébito n° 94.0011679­9, créditos de FINSOCIAL compensados  com débitos da mesma espécie.   Tal  suposto  recolhimento  indevido  ou  a  maior  teria  gerado  uma  base  de  cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de  COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu  o  Contribuinte  a  dezenas  de  compensações  de  PIS,  COFINS,  IRPJ  e  CSLL,  incluindo  a  presente.  Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n°  19515.000772/2007­54),  sendo  na  ocasião  alertada  pelo  próprio  Agente  Fiscal  que  estava  recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas  contribuições.  Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi  possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época.  Afirma  que  o  processo  deve  ser  baixado  em  diligência  para  que  seja  confirmada  a  regularidade  das  compensações  efetuadas  e,  ao  final,  requer  a  homologação  integral da compensação em tela.  Ao  seu  turno,  a  DRJ  a  quo  proferiu  o  v.  Acórdão,  ora  recorrido,  negando  provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua  pretensão creditória.  Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob  análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato  destas decisões possuírem  termos  idênticos em suas  razões. No mérito,  em suma,  limita­se a  repetir as razões da Manifestação de Inconformidade.  Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10880.689994/2009­31  Acórdão n.º 1402­002.872  S1­C4T2  Fl. 4          3 Ainda,  acostou  complementos  ao Recurso Voluntário,  referentes  a  estudo e  Laudo emitido por Auditores  Independentes, acostando­os aos autos, bem como noticiando o  julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo  do PIS e da COFINS.  Na sequência, os  autos  foram encaminhados para este Conselheiro  relatar e  votar.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo de Andrade Couto ­ Relator  Nos  presentes  autos  o  contribuinte  solicita  a  restituição  do  pretenso  pagamento indevido de IRPJ.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1402­002.855,  de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/2009­97.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­002.855):  O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria  se  enquadra  na  competência  desse  N.  Colegiado.  Os  demais  pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos.  Preliminarmente,  alega  a  Recorrente  ser  nulo  o  v.  Acórdão  recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos  em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes  autos)  pelo  fato  destes  repetirem  ipsis  litteris  seus  termos,  denotando teor idêntico.  O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa.  Primeiramente,  temos  que  atualmente,  no  processamento  e  julgamento  de  causas,  administrativas  e  judiciais,  a  adoção de  decisões  repetitivas,  ou  mesmo  de  minutas  padrão,  é  a  inquestionável  realidade,  erigida  sobre  os  corolários  da  praticidade,  da  racionalidade,  da  economia  processual  e  da  duração razoável do processo.  Per si, o  fato de decisões possuírem semelhante ­ ou até  igual  ­  teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de  defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional).  Para  tanto  seria  necessária  a  demonstração,  concreta  e  específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito,  explicando  e  apontando  como  tal  repetição  feriu  a  defesa  empreendida na demanda.  Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10880.689994/2009­31  Acórdão n.º 1402­002.872  S1­C4T2  Fl. 5          4 Posto  isso,  ausente  tal  demonstração,  deve  ser  rejeitada  a  preliminar alegada pela Recorrente.  Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão  sobre  o  conhecimento  da  nova  documentação  acostada  pela  Recorrente,  inclusive  após  seu Recurso Voluntário,  tratando­se  de Laudos emitidos por Auditores Independentes.  Este  Conselheiro  entende  que  o  §  4º  do  art.  16  do Decreto  nº  70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela  verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição  não  pode  prevalecer  o  prestígio  da  instrumentalidade  do  processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados  no curso do processo.  Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido  Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de  seu  art.  16,  assim  como  autoriza  o  Julgador  a  solicitar  diligências  quando  mostram­se  necessários  outros  elementos  e  providências para a formação da sua livre convicção.  Assim,  apresenta­se  viável  o  conhecimento  de  documentação  após  a  apresentação  da  Impugnação  ou  da  Manifestação  de  Inconformidade.  Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de  pertinência,  necessidade  e  colaboração  dos  elementos  novos  acostados com o desfecho técnico da demanda.  Tais  Laudos  acostados  neste  feito  resumem­se  a  planilhas  elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos  comentários,  sem  conter  qualquer  documentação  contábil  ou  fiscal,  bem  como,  expressamente,  versam  sobre  cálculos  referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre  o IRPJ e eventuais reflexos.  Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou  mesmo por terceiros,  têm valor probante extremamente relativo  (ou  nenhum,  diga­se)  se  desacompanhados  da  documentação  contábil e fiscal em que foram baseados.  Não  obstante  e  principalmente,  o  processo  administrativo  em  tela  tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora  homologado  por  ausência  de  verificação  e  comprovação  da  existência  de  recolhimento  a maior  ou  indevido  em  relação  ao  documento de arrecadação apontado.  Dessa  forma,  o  novo  cálculo  de  apuração  de  PIS  e  COFINS  devidos  no  período,  seja  por  exclusão  de  operações  sujeitas  à  alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo,  não  possui  qualquer  relevância  ou  conexão  direta  para  a  demonstração  de  que  o  recolhimento  de  IRPJ,  que  especificamente  teria  dado  origem  ao  crédito  pretendido,  foi  efetuado a maior ou indevidamente.   Posto  isso,  não  se  conhece  da  documentação  acostada  após  a  interposição do Recurso Voluntário.  No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo,  todas  as  matérias  alheias  a  esta  demanda,  referentes  as  informações  e  alegações  trazidas  pela  Recorrente  acerca  de  Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10880.689994/2009­31  Acórdão n.º 1402­002.872  S1­C4T2  Fl. 6          5 supostos  créditos  de  FINSOCIAL,  de  PIS  e  de  COFINS,  Autuações  e  Ações  Judiciais  relacionadas  a  tais  tributos,  que  não  são  objeto  do  DCOMP  apreciado,  serão  devidamente  desconsideradas  e  não  conhecidas,  inclusive  colaborando  para  uma decisão mais hígida e clara.  O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona  com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou  indevidamente  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  produtos  tributadas  sob  alíquota  zero,  efetuou  o  estorno  desses  créditos  em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro  e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no  mesmo  período,  dando  margem,  então,  ao  seu  pretendido  crédito.  É certo que tal alegação é plausível.  Todavia,  o  Recorrente  não  procedeu  a  qualquer  demonstração  de  como,  efetivamente,  teria  se  operado  tal  redução  em  sua  apuração do IRPJ e ­ muito menos ­ produzido qualquer prova  sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários.  Em  suas  razões  consta  apenas  tal  afirmação,  abstrata  e  genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno  de crédito de PIS e COFINS.  Ora,  a  simples  afirmação  textual  em  peças  de  defesas  da  ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um  determinado  tributo,  claramente,  não  basta  para  configurar  e  provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando  confirmada  pela  Unidade  de  Fiscalização  a  precisão  quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu.  Nos  processos  administrativos  referente  a  restituição  e  compensação  é  ônus  do  contribuinte  a  prova  de  seu  crédito,  devendo  trazer  aos  autos  demonstrações  precisas  e  conjunto  fático­probatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e  liquidez,  desconstruindo,  assim,  os  fundamentos  de  sua  não  homologação.  Em  acréscimo,  frise­se  que  a  própria  Contribuinte  afirma  que  não  teria procedido à  retificação da DCTF em que o débito de  IRPJ,  saldado  com  o DARF  que  teria  dado  origem  ao  crédito  agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal  débito,  revelando  pagamento  a  maior/indevido).  Em  momento  algum foi acostada sua versão retificadora.  Por  sua  vez,  a  entrega  de  DCTF  constitui  confissão  de  débito  tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a  maior/indevido  que  gerou  o  crédito  ora  pleiteado  foi  precisamente  alocado  para  saldar  tal  obrigação  constituída,  perfeitamente no seu valor.  Assim,  juridicamente  e  para  todos  os  fins  fiscais,  não  foi  apresentado  nenhum  elemento  (DCTF  retificadora  ou  provas  contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e  exigível monta pela qual declarado na DCTF do período.  Desse  modo,  não  foi  devidamente  comprovada  a  existência  crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela.  Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10880.689994/2009­31  Acórdão n.º 1402­002.872  S1­C4T2  Fl. 7          6 E diga­se que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo  do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos  na  apuração  do  IRPJ,  não  foi  devidamente  alegado,  demonstrado  ou  mesmo  provado  pela  Contribuinte  como  tal  redução  teria,  também,  culminado  no  recolhimento  a  maior/indevido  que  originou  crédito  especificamente  pleiteado  na DCOMP objeto do presente feito.  Por fim, frise­se que não há qualquer necessidade da realização  de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos  necessários  ao  convencimento  motivado  e  à  devida  fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18  do Decreto nº 70.235/72.  Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso  Voluntário,  mantendo  o  v.  Acórdão  recorrido,  para  não  reconhecer o crédito pretendido.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto                             Fl. 2456DF CARF MF

score : 1.0
7139276 #
Numero do processo: 16561.720086/2013-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, incorporação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas com utilização de empresa de papel, sem substância econômica, visando construir deliberadamente o suporte fático para aproveitamento do ágio demonstram flagrante artificialidade. Evidencia-se a presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e que é apenado com a qualificação da multa de ofício. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Essa cobrança é válida para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante.
Numero da decisão: 9101-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à (i) qualificação da multa de ofício e, no mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento e acordam, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à (ii) aplicação da multa isolada, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito da aplicação da multa isolada, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto à repercussão do Ágio na CSLL, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201712

camara_s : 1ª SEÇÃO

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 16561.720086/2013-06

anomes_publicacao_s : 201802

conteudo_id_s : 5835191

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9101-003.275

nome_arquivo_s : Decisao_16561720086201306.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA

nome_arquivo_pdf_s : 16561720086201306_5835191.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à (i) qualificação da multa de ofício e, no mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento e acordam, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à (ii) aplicação da multa isolada, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito da aplicação da multa isolada, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto à repercussão do Ágio na CSLL, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017

id : 7139276

ano_sessao_s : 2017

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, incorporação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas com utilização de empresa de papel, sem substância econômica, visando construir deliberadamente o suporte fático para aproveitamento do ágio demonstram flagrante artificialidade. Evidencia-se a presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e que é apenado com a qualificação da multa de ofício. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Essa cobrança é válida para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050009754140672

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 4.645          1 4.644  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16561.720086/2013­06  Recurso nº               Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9101­003.275  –  1ª Turma   Sessão de  6 de dezembro de 2017  Matéria  ÁGIO  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              MAN LATIN AMÉRICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS  LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO­TRIBUTÁRIO.  O  conceito  do  ágio  é  disciplinado  pelo  art.  20  do Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977  e  os  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  10/12/1997,  e  trata­se  de  instituto jurídico­tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva  histórica e sistêmica.  APROVEITAMENTO  DO  ÁGIO.  INVESTIDORA  E  INVESTIDA.  EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.  São  dois  os  eventos  em  que  a  investidora  pode  se  aproveitar  do  ágio  contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao  alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora  e a investida transformam­se em uma só universalidade (em eventos de cisão,  incorporação e fusão).  DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.  A  amortização,  a  qual  se  submete  o  ágio  para  o  seu  aproveitamento,  constitui­se  em  espécie  de  gênero  despesa,  e,  naturalmente,  encontra­se  submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99,  submetendo­se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.  DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.  Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente.  As  despesas  devem  decorrer  de  operações  necessárias,  normais,  usuais  da  pessoa  jurídica.  Não  há  como  estender  os  atributos  de  normalidade,  ou  usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas  com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.  CONDIÇÕES  PARA  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  TESTES  DE  VERIFICAÇÃO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 86 /2 01 3- 06 Fl. 4645DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.646          2 A  cognição  para  verificar  se  a  amortização  do  ágio  passa  por  verificar,  primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386  do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram­ se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do  investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do  negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes  independentes e reorganizações societárias com substância econômica.  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  HIPÓTESE  DE  INCIDÊNCIA.  INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.  Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas  (1)  real  sociedade  investidora,  aquela  que  efetivamente  acreditou  na  mais  valia  do  investimento,  fez  os  estudos  de  rentabilidade  futura,  decidiu  pela  aquisição  e  desembolsou  originariamente  os  recursos,  e  (2)  pessoa  jurídica  investida.  Deve­se  consumar  a  confusão  de  patrimônio  entre  essas  duas  pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam  a  se  comunicar  diretamente.  Compartilhando  do  mesmo  patrimônio  a  controladora  e  a  controlada  ou  coligada,  consolida­se  cenário  no  qual  os  lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela  pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma­se o  momento  em  que  o  contribuinte  aproveita­se  da  amortização  do  ágio,  mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o  lançamento  fiscal  com  base  no  regime  de  tributação  aplicável  ao  caso  e  estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.  QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO.  Operações empreendidas com utilização de empresa de papel, sem substância  econômica,  visando  construir  deliberadamente  o  suporte  fático  para  aproveitamento do ágio demonstram flagrante artificialidade. Evidencia­se a  presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na  conduta que ultrapassa o  tipo objetivo da norma  tributária  e que  é apenado  com a qualificação da multa de ofício.  DESPESA  DE  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  REPERCUSSÃO  DOS  AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL.  MOMENTOS  DA  EXISTÊNCIA  DO  INVESTIMENTO.  AQUISIÇÃO.  DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO.  I  ­ Construção empreendida pelo Decreto­lei nº 1.598, de 1977, encontra­se  em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das  S/A"),  no  qual  se  buscou  modernizar  os  conceitos  de  contabilização  de  investimentos  decorrentes  de  participações  societárias,  inclusive  com  a  adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três  momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do  investimento,  assim  tratados:  (1º)  o  da  aquisição  do  investimento,  normatizando­se  a  figura  do  "ágio",  que  consiste  no  sobrepreço  pago  na  aquisição,  (2º)  o  momento  em  que  o  investimento  gera  frutos  para  o  investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do  investimento.  II  ­ O  segundo momento  operacionalizou  sistema  no  qual  os  resultados  de  investimentos  em  participações  societárias  pudessem  ser  devidamente  Fl. 4646DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.647          3 refletidos no  investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem  objeto  de  bitributação.  De  um  lado,  os  resultados  da  investida  seriam  refletidos  no  investidor,  fazendo  com  que  tanto  na  investida  quando  no  investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o  lucro  líquido  e  a base  de  cálculo  tributável. De  outro,  determinou­se que  o  investidor  poderia  efetuar  ajuste,  no  sentido  de  excluir  da  base  de  cálculo  tributável  os  resultados positivos  auferidos  pela  investida,  viabilizando­se  a  neutralidade  do  sistema  e  a  convergência  para  fins  fiscais  das  bases  de  cálculo do IRPJ e da CSLL.  III  ­ A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro  (aquisição) e  terceiro  (desfazimento)  momentos.  No  desfazimento,  o  ágio  deve  ser  considerado  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  ganho  de  capital.  Na  aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se  ocorridas  as  hipóteses  de  aproveitamento  previstas  expressamente  na  legislação.  IV ­ Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e  CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias  e  os  correspondentes  resultados  auferidos,  em  seus  diferentes  momentos:  aquisição, desenvolvimento e desfazimento.  REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA.  Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das  despesas  disposto  no  art.  47,  da  Lei  nº  4.506,  de  1964,  e  com  repercussão  tanto  na  apuração  do  IRPJ  quando  da  CSLL,  conforme  art.  13  da  Lei  nº  9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995.  CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA.  A multa  isolada  pune  o  contribuinte  que  não  observa  a  obrigação  legal  de  antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão,  logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a  qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.  Essa cobrança é válida para períodos de apuração ocorridos após a alteração  da  Lei  9.430/96,  pela  MP  351/07,  convertida  na  Lei  11.488/07,  ou  seja,  períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu  parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar­lhe provimento,  vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra  (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio  Neto  e  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  que  lhe  deram  provimento.  Acordam,  ainda,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  quanto  à  (i)  qualificação  da  multa  de  ofício  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  acordam  em  dar­lhe  provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa,  Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento e acordam,  por maioria  de  votos,  em  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  quanto  à  (ii)  aplicação  da  multa  isolada,  vencidos  os  conselheiros  Luís  Flávio  Neto  e  Daniele  Souto  Fl. 4647DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.648          4 Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito da aplicação da multa isolada,  por  maioria  de  votos,  acordam  em  dar  provimento  ao  recurso,  vencidos  os  conselheiros  Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram  provimento. Votou  pelas  conclusões,  quanto  à  repercussão  do Ágio  na CSLL,  o  conselheiro  Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes  de Moura.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Gerson Macedo Guerra ­ Relator    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Redator designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Gerson  Macedo  Guerra  e  Rodrigo  da  Costa  Pôssas.  Ausentes,  justificadamente,  os  conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto  e Adriana Gomes  Rego.    Relatório  Trata­se  de  Recursos  Especiais  de  divergência  interpostos  pela  Fazenda  Nacional e pelo Contribuinte em epígrafe, contra o Acórdão nº 1401­001.569, onde se analisou  a  legitimidade  do  lançamento  do  IRPJ  e CSLL  e multas  de  150%  e  isolada,  por  entender  a  fiscalização ser indedutível das bases dos referidos tributos a amortização fiscal do ágio gerado  em  operação  de  aquisição  de  participação  societária  de  terceiros,  através  da  constituição  de  empresa chamada "veículo".  Na origem, foi lavrado auto de infração pela constatação de indevida redução  da base de cálculo do  IRPJ e da CSLL pela amortização de ágio decorrente de  incorporação  reversa mediante o uso de empresa veículo.  Faticamente, verificou­se o seguinte:  1.  Em  02/07/2008,  foi  constituída  a  empresa  P.R.C.S.P.E.  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  S/A,  tendo  como  sócias as senhoras Linéia Martins e Sueli de Fátima Ferreti;   Fl. 4648DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.649          5 2.  Em 18/12/2008, as sócias da P.R.C.S.P.E. se retiraram da sociedade,  oportunidade  em  que  assumiram  como  sócios  a  empresa MAN AG  (sediada  na  Alemanha),  que  posteriormente  passou  a  denominar­se  MAN SE e, Mauro César Leschziner (detentor de apenas uma ação);  3.  Em 12/03/2009, por meio do Instrumento Particular de Alteração do  Contrato Social da VWCO (atual MAN Ltda), os únicos sócios VIF e  Eduardo  de  Azevedo  Barros  transferiram  a  totalidade  de  suas  participações no capital social para a P.R.C.S.P.E. passando a ser esta  última a única sócia da empresa VWCO;  4.  em  16/03/2009  a  empresa  MAN  AG  remete  para  a  sua  controlada  (P.R.C.S.P.E)  a  quantia  de  R$  4.000.240.848,00,  da  qual  R$  3.792.097.965,38 foi repassado, ato contínuo, para a empresa VIF da  Holanda,  em  pagamento  pela  aquisição  da  VWCO,  conforme  contratos de câmbio datados de 17/03/2009. O imposto retido na fonte  sobre  o  ganho  de  capital  obtido  pela  empresa  VIF  foi  retido  e  recolhido  aos  cofres  públicos  pela  empresa  MAN  S/A  (então  P.R.C.S.P.E),  no  importe  de  R$  177.488.953,24.  Toda  essa  movimentação  pode  ser  comprovada  analisando­se  os  extratos  bancários  da  P.R.C.S.P.E.  Ainda,  em  16/03/2009,  a  sociedade  P.R.C.S.P.E passou a denominar­se MAN S/A;  5.  em 30/11/2009 ocorre a incorporação da controladora MAN S/A pela  controlada MAN LTDA (antiga VWCO);  6.  de dezembro de 2009 a dezembro de 2011 houve a amortização fiscal  do ágio glosada pela fiscalização.  A  autoridade  fiscal  concluiu  que  formalmente,  a VWCO  foi  adquirida pela  MAN S/A  (antiga PRCSPE),  todavia,  de  fato,  a  aquisição  da  sociedade VWCO se deu  pela  MAN AG  (posteriormente MAN  SE),  a  qual  utilizou  a  empresa  veículo MAN  S/A  (antiga  PRCSPE) para efetuar o repasse do dinheiro. Portanto, a verdadeira adquirente foi a MAN AG.  Nesse  contexto, entendeu a  fiscalização que no  caso não houve a  requerida  unificação patrimonial, nos termos do artigo 386, do RIR/99. Continuou existindo a sociedade  investidora de fato MAN AG (posterior MAN SE) e o  seu  investimento que era a  sociedade  MAN LTDA. Apenas fabricou­se na MAN LTDA o ágio. Tudo não passou de um estratagema  para se tentar conseguir, logo após a incorporação reversa da sociedade veículo MAN S/A pela  MAN  LTDA,  deduzir  as  despesas  de  amortização  de  ágio  para  obter  ganho  tributário  em  prejuízo do Fisco Federal.   Entendeu a  fiscalização que a transação de compra da VWCO formalmente  realizada pela PRCSPE não teve propósito negocial algum, uma vez que a aquisição da VWCO  e o seu respectivo pagamento foram de fato realizados pela MAN AG.  Asseverou  que  a  operação  apesar  de  formalmente  lícita,  é  desprovida  de  substância  essencial  ao  negócio.  Entendeu  tratar  de  ato  intrinsecametne  vazio,  cuja  única  intenção  foi  contornar  norma  impositiva  tributária,  em  prejuízo  específico  dos  princípios  tributários da capacidade contributiva e da isonomia e, em linhas gerais, dos direitos e garantias  que norteiam a Carta Magna. Assim, atos ou negócios jurídicos formalmente praticados, mas  Fl. 4649DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.650          6 carentes  de  elementos  essenciais,  que  revelam  ter  por  fim  colimado  exclusivamente  o  de  esquivar­se ao Fisco, afrontando princípios sociais e tributários superiores não são oponíveis ao  Estado, sendo a eles aplicável o tratamento tributário que o verdadeiro ato produziria. Entendeu  o  fisco  tratar­se  de  uma  hipótese  de  abuso  de  direito,  nos  termos  do  artigo  187,  do Código  Civil.  Para  qualificar  a  multa  a  fiscalização  entendeu  que  o  contribuinte,  ao  formalizar  seus  registros  contábeis,  societários  e  fiscais  de  forma  a  dar  uma  aparência  de  correção  ao montante  do  ágio  amortizado  tributariamente  pretendeu  induzir  a  fiscalização  a  avalizar uma operação inoponível ao Fisco. Assim, agiu com dolo, justificando a qualificação  da multa nos termos da Lei 9.430/96.  Aplicou­se, ainda, a multa  isolada pela falta de recolhimento de estimativas  mensais.  Impugnado  o  Auto  de  Infração,  a  DRJ  decidiu  pela  improcedência  dos  argumentos  de  defesa.  Assim,,  tempestivamente  foi  aviado  Recurso  Voluntário,  dando­se  parcial provimento ao Recurso do Contribuinte para manter a glosa da maortização do ágio do  IRPJ e da CSLL, reduzir a multa qualificada e afastar a cobrança de multa isolada.  A Turma a quo, ao analisar o Recurso Voluntário do Contribuinte entendeu,  no que interessa ao presente julgamento, que a aquisição de participação societária por empresa  veículo é inoponível ao Fisco quando sua causa real, preponderante sobre a causa negocial, é a  geração do ágio para o subsequente aproveitamento.   Para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  da CSLL,  entendeu  ser  vedada  a  amortização do ágio contabilizado com um  item do ativo diferido, na conformidade do § 2º,  "a", do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97, por não se tratar de despesa intrinsecamente relacionada  com a produção ou comercialização de bens ou serviços.   Com relação à qualificação da multa, entendeu­se que na simulação por vício  de  causa,  inexiste  o  falseamento  ou  a  manipulação  de  aspectos  relevantes  dos  negócios  jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas, de modo a ser incabível a  qualificação  da multa  aplicada  porque  não  se  concretizam  condutas  como  a  sonegação  ou  a  fraude penais.  Decidiu­se,  ainda,  ser  incabível  a  aplicação  simultânea  sobre  a  mesma  infração  da  multa  isolada  pelo  não  pagamento  de  estimativas  apuradas  no  curso  do  ano­ calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado  no  balanço  final  do mesmo  ano­calendário.  Isso  porque  o  não  pagamento  das  estimativas  é  apenas  uma  etapa  preparatória  da  execução  da  infração.  Como  as  estimativas  caracterizam  meras  antecipações  dos  tributos  devidos,  a  concomitância  significaria  dupla  imposição  de  penalidade  sobre o mesmo  fato,  qual  seja,  o descumprimento de uma obrigação principal de  pagar tributo.  Vale a transcrição da ementa da referida decisão:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  Fl. 4650DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.651          7 PLANEJAMENTOS  TRIBUTÁRIOS.  OPONIBILIDADE  AO  FISCO.  Os  planejamentos  tributários  são  inoponíveis  ao  Fisco  quando  formados  por  negócios  jurídicos  de  propósito  preponderantemente marcado pela economia tributária.  SIMULAÇÃO  POR  VÍCIO  DE  CAUSA.  MULTA  QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.  Na  simulação  por  vício  de  causa,  inexiste  o  falseamento  ou  a  manipulação  de  aspectos  relevantes  dos  negócios  jurídicos.  As  partes  deixam  às  claras  as  formas  jurídicas  empregadas.  É  incabível  a  qualificação  da  multa  aplicada  porque  não  se  concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário:  2009, 2010, 2011  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIOS.  REORGANIZAÇÕES  SOCIETÁRIAS.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA.  IMPOSSIBILIDADE.  É  impossível  promover  uma  interpretação  extensiva  das  hipóteses expressamente previstas em lei para a amortização do  ágio  por  se  tratar  de  um  benefício  fiscal  caracterizado  como  isenção.  ÁGIO.  AMORTIZAÇÃO.  GERAÇÃO  POR  EMPRESA  VEÍCULO. PLANEJAMENTO INOPONÍVEL.  A  aquisição  de  participação  societária  por  empresa  veículo  é  inoponível ao Fisco quando sua causa real, preponderante sobre  a  causa  negocial,  é  a  geração  do  ágio  para  o  subsequente  aproveitamento.  ESTIMATIVAS.  MULTA  ISOLADA.  CONCOMITÂNCIA  COM  MULTA PROPORCIONAL.  Incabível  a  aplicação  simultânea  sobre  a  mesma  infração  da  multa  isolada  pelo  não  pagamento  de  estimativas  apuradas  no  curso do ano­calendário e da multa proporcional concernente à  falta de pagamento do  tributo devido apurado no balanço  final  do  mesmo  ano­calendário.  Isso  porque  o  não  pagamento  das  estimativas  é  apenas  uma  etapa  preparatória  da  execução  da  infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações  dos  tributos  devidos,  a  concomitância  significaria  dupla  imposição  de  penalidade  sobre  o  mesmo  fato,  qual  seja,  o  descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo.  ROYALTIES. PROVISÃO. INDEDUTIBILIDADE.  Fl. 4651DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.652          8 É indedutível a parcela de provisão para pagamento de royalties  que foi indevidamente incluída como custo na apuração da base  de cálculo do tributo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO CSLL  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  ÁGIO.  ATIVO  DIFERIDO.  AMORTIZAÇÃO.  INDEDUTIBILIDADE.  Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, é vedada a  amortização  do  ágio  contabilizado  com  um  item  do  ativo  diferido,  na  conformidade do  §  2º,  "a",  do  artigo  7º,  da Lei  nº  9.532/97,  por  não  se  tratar  de  despesa  intrinsecamente  relacionada  com  a  produção  ou  comercialização  de  bens  ou  serviços.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial  ao recurso, nos  seguintes  termos:  I) por unanimidade de votos,  negar  provimento  em  relação  à  glosa  do  ágio;  II)  por  unanimidade de votos, negar provimento em relação à glosa dos  royalties; III) por unanimidade de votos, dar provimento parcial  para desqualificar a multa de ofício; e IV) por maioria de votos,  dar  provimento  parcial  para  cancelar  as  multas  isoladas.  Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz  Gomes de Mattos que as mantiveram.  Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou  Recurso  Especial  de  divergência,  objetivando  discutir  a  desqualificação  da  multa  e  o  cancelamento da multa isolada.  Em sua peça recursal a Fazenda pugna pelo conhecimento de seu apelo com  base  nos  acórdãos  de  nº  1101­000.899  e  1101­000.913.  Alega  que  os  fatos  analisados  nos  acórdãos confrontados são idênticos, quais sejam: utilização de empresa­veículo com o único  propósito de adquirir (com ágio) participação em outra empresa operacional; enquanto que os  efeitos jurídicos são divergentes, na medida em que nos paradigmas foi mantida a qualificação  da multa, pela constatação da fraude e/ou sonegação no recorrido a qualificação da multa foi  afastada pela não demonstração da ocorrência da fraude ou sonegação.  Com  relação  à  aplicação  da  multa  isolada,  a  Fazenda  pugna  pelo  conhecimento  com  base  nos  acórdãos  1202­000.964  e  1302­001­080. Alega  a  Fazenda  que,  devergentemente do recorrido, nos paradigmas a aplicação da multa isolada em concomitância  com a multa de ofício foi considerada legítima, por penalizarem condutas distintas.  O  Recurso  da  Fazenda  foi  integralmente  conhecido  pelo  despacho  de  admissibilidade às efls. 4205.  Em suas razões, alega a Fazenda, em suma:   Fl. 4652DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.653          9 ü Que  o  Contribuinte  praticou  atividade  fraudulenta  comprovada,  observada  a  partir  da  realização  de  operações  artificiais,  sem  propósito  negocial  e  valendo­se  de  empresa  veículo,  sem  nehuma  atividade operacional, com exclusivo escopode antecipar os efeitos da  amortização do ágio, motivo pelo qual  foi devidamente  justificada a  multa de 150%;  ü Como resultado da conduta dolosa, houve diminuição do efetivo valor  da obrigação tributária;  ü a conduta foi sempre resultado da vontade, livre e consciente, já que  realizada de forma deliberada, objetivando modificar a  característica  essencial do fato gerador da obrigação tributária principal;  ü a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal,  ao princípio da solidariedade da matriz constitucional e ao dever legal  de participação, indicando a intensidade do dolo;  ü Assim deve ser revista a decisão no que se refere à desqualificação da  multa de ofício;  ü As  infrações  apenadas  pela  chamada  multa  de  ofício  e  pela  multa  isolada  são  diferentes.  A  Multa  de  ofício  decorre  da  falta  ou  insuficiência de pagamento de  tributo,  já a multa  isolada decorre do  descumprimento do regime de estimativa;  ü Além disso, a multa de ofício e a multa  isolada não incidem sobre a  mesma base de cálculo.  ü A multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido ao  final do período de apuração;  já a multa  isolada incide sobre o valor  do pagamento mensal;  ü Nesse  contexto,  também  merece  reforma  a  decisão  quanto  ao  afastamento da multa isolada.  Regularmente intimado da decisão e do Recurso da Fazenda, o Contribuinte  apresentou  Embargos  de  Declaração  e  contrarrazões.  Os  Embargos  apresentados  foram  rejeitados, de modo que regularmente o contribuinte apresentou seu Recurso Especial.  Em suas contrarrazões alega o Contribuinte, em suma:  ü Que  os  acórdãos  paradigmas  selecionados  pela  Recorrente  não  demonstram efetiva divergência jurisprudencial. Desta feita, incabível  a via recursal eleita;  ü Nenhum  dos  julgados  colacionados  pela  Recorrente  se  presta  a  fundamentar a divergência, porquanto desconsidera a  ratio decidendi  do acórdão recorrido e os diferentes escopos fáticos envolvidos – no  caso do acórdão recorrido supostamente há a utilização de “empresa  Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.654          10 veículo”,  enquanto  que  os  acórdãos  1101­000.899  e  1101­000.913  versam sobre operação simulada, inclusive, com “ágio interno”;  ü No  presente  caso  a  Turma  julgadora  entendeu  que  faltaria  à  qualificação da penalidade o dolo “no seu mais puro sentido penal” a  tipificar  fraude,  sonegação ou conluio.  Isto, pois,  a hipótese descrita  configuraria  “simulação  por  vício  de  causa”  –  conceito  diverso  da  “simulação  por  vício  da  vontade”.  Aquela  estaria  presente  porque  “inexistem condutas maculadas pelo falseamento ou manipulação de  aspectos relevantes dos negócios jurídicos”;  ü De  maneira  diversa,  no  julgamento  do  acórdão  1101­000.899,  “as  partes declaram algum aspecto que seja falso, portanto, uma vontade  aparente ou simulada (simulação absoluta), ou algum aspecto que tem  por objeto encobrir outro de natureza diversa”;  ü Ou  seja,  entendeu  a  Turma  paradigmática  que  no  caso  houve  declaração de situação falsa, inexistente;  ü O mesmo ocorreu no caso do paradigma 1101­000.913, o caso versa  sobre  ágio  interno  produzido  por  meio  de  operação  patentemente  simulada,  a  caracterizar  o  tipo  do  artigo  72,  Lei  4.502/1964  e,  portanto, a multa qualificada;  ü A  par  do  exposto  já  ser  suficiente  a  concluir  pela  ausência  de  atendimento  dos  pressupostos  de  admissibilidade,  a  desconstituição  do  raciocínio  supradesenvolvido,  se  possível  fosse,  dependeria  da  reapreciação da integralidade dos elementos probatórios a demonstrar  o caráter simulado da operação. No entanto, não se presta a Câmara  Superior para reapreciar os elementos fáticos do caso;  ü Quanto  à  multa  isolada,  constitui  premissa  para  o  entendimento  exarado  em  ambos  os  casos  paradigmáticos  o  fato  de  as  bases  de  cálculo das multas isolada e de ofício não se justaporem, ou seja,restar  uma diferença de tributo em aberta.  ü A Turma  julgadora que prolatou a decisão  recorrida afastou a multa  isolada sobre as estimativas, pois no caso em questão, considerando o  encerramento  do  período  de  apuração,  a  base  de  cálculo  aplicada  à  multa pelo não pagamento de tributo (multa de ofício) equivale àquela  da multa isolada, não restando quaisquer diferenças devidas a título de  estimativas;  ü Não há, por conseguinte, a divergência entre o acórdão recorrido e os  acórdãos  1202­000.964  e  1302­001.080. Nestes  as  respectivas  bases  de cálculo das multas de ofício e  isolada divergiam, ou seja,  restava  uma diferença  a  ser  submetida  à  última  espécie  de penalidade,  algo  que não se tem no caso da Recorrida;  ü A  multa  majorada  de  150%  supõe  uma  dupla  falta:  o  não  recolhimento  do  tributo  devido  e  o  uso  de  instrumento  fraudulento  Fl. 4654DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.655          11 para evitar a tributação. Faltando quaisquer destes elementos, não se  caracteriza  o  pressuposto  da  penalidade.  Isto  é,  o  tipo  da  infração  é  qualificado, há um agravante: além da falta de pagamento do tributo,  deve haver a vontade de ludibriar, de enganar, de falsificar (dolo);  ü A  penalidade  agravada,  por  ter  como  premissa  a  existência  das  situações constantes dos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, não se aplica  aos  casos  em  que  o  sujeito  passivo  age  de  acordo  com  suas  convicções,  deixando  todo  o  seu  procedimento  às  claras,  ainda  que  implique  tributação  inferior  à  considerada  correta  pelo  Fisco. Nesta  hipótese,  não  há  dolo,  caracterizado  na  tentativa  de  enganar  quem  quer  que  seja,  pressuposto  a  autorizar  a  sanção  no  percentual  de  150%.  O  que  pode  haver  é  divergência  na  interpretação  da  lei  tributária aplicável;  ü Como  exaustivamente  demonstrado,  MAN  AG,  VIF,  MAN  S/A  e  MAN  LTDA  (Recorrida)  agiram  às  claras,  cumprindo  com  todo  o  discloure  previsto  na  legislação.  Todos  os  atos  praticados  foram  regularmente formalizados e produziram suas naturais consequências  jurídicas  tanto  no  País  quanto  no  exterior.  Foram  registrados,  auditados  por  profissionais  competentes  e  amplamente  divulgados  perante os órgãos cabíveis. No Brasil, isto compreendeu o BACEN, a  JUCESP  e  a  Receita  Federal  (apresentação  de  declarações).  Na  Alemanha,  envolveu  as  demonstrações  financeiras  de MAN AG,  as  quais são auditadas por terceiros independentes;  ü O  lançamento  de multas  isoladas,  quando  os  valores  sobre  os  quais  são  calculadas  foram  igualmente  apenados  com  multas  de  ofício  (impostas com a exigência de tributos), afigura­se em desacordo com  a legislação. Isto porque equivale a exigir duas multas para uma única  e  mesma  infração  que  se  acusa  a  Recorrida  de  ter  cometido,  procedimento evidentemente vedado.  O Recurso Especial  apresentado  pelo  contribuinte  objetivou  a  discussão  de  duas matérias, quais sejam, possibilidade de utilização de holding (“empresa veículo”) detida  por  investidor  estrangeiro  para  amortização  do  ágio  e  inexistência  de  determinação  legal  de  adição da amortização do ágio à base da CSLL.  Inicialmente,  o  Recurso  do  Contribuinte  foi  parcialmente  conhecido  pelo  Presidente da Câmara, sendo, então, apresentado agravo, que foi recebido e acolhido para dar  seguimento quanto à matéria  inexistência de determinação legal de adição da amortização do  ágio à base da CSLL.  Nas razões de recurso, vale destacar:  ü MAN S/A pagou mais de R$ 3 bilhões em dinheiro pelas quotas de  MAN  LTDA  (houve,  portanto,  aquisição).  O montante  era  superior  proporcionalmente  ao  PLC  das  ações  adquiridas.  O  sobrepreço  foi  classificado  como  ágio  por  rentabilidade  futura.  Por  fim,  houve  confusão patrimonial a partir da  incorporação da adquirente – MAN  Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.656          12 S/A – pela adquirida MAN Ltda.. Logo, impõe­se como decorrência a  aplicação das regras que autorizam a amortização do ágio;  ü A formação de MAN S/A nada  tem a ver com o resultado  tributário  (amortização do ágio). Até porque, caso não  tivesse sido formada, o  resultado  fiscal  seria  o  mesmo.  Bastaria MAN  AG  ser  cindida  e  a  parcela do investimento na MAN LTDA ser nela incorporada, com a  consequente  amortização  do  ágio.  Tal,  aliás,  também  provocaria  reflexos  na  investidora,  com  redução  do  custo  no  investimento  via  equivalência;  ü Houve propósito extra fiscal na criação da MAN S/A;  ü A  constituição  de  pessoa  jurídica  destinada  a  servir  de  instrumento  para  a  compra  de  outra  sociedade  e  a  posterior  extinção  por  incorporação  não  só  não  são  ilegais,  como  estão  previstos  na  legislação e são amplamente utilizados nas transações entre diferentes  conglomerados econômicos;  ü Para efeito de CSLL, não há norma  fiscal que estabeleça  tratamento  especial à amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura  após  a operação  de  fusão,  cisão  ou  incorporação. Em  consequência,  aplicam­se  as  normas  relacionadas  à  apuração  do  lucro  líquido  vigentes até 31/12/2007;  ü Nem se alegue, outrossim, que a exigência da CSLL teria fundamento  no  artigo  57  da  Lei  8.981/95,  citado  como  embasamento  legal  aos  autos de infração. O dispositivo é expresso em ressalvar na sua parte  final  que,  embora  as  normas  de  apuração  e  de  pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas  sejam  aplicáveis à CSLL, no que diz respeito à base de cálculo e à alíquota,  deve ser observada a legislação específica da própria CSLL;  ü Aplicar  à  CSLL  as  mesmas  normas  de  apuração  e  pagamento  estabelecidas  para  o  IRPJ  não  significa  aplicar  as  mesmas  normas  relativas  à  determinação  da  base  de  cálculo  (deduções,  exclusões  e  adições).  Tanto  que,  quando  o  legislador  pretende  que  uma  regra  fiscal  produza  efeitos  tanto  na  base  de  cálculo  do  IRPJ,  quanto  da  CSLL, assim o determina expressamente.  Regularmente  intimada  do  Recurso  do  Contribuinte  a  Fazenda  Nacional  apresentou contrarrazões e contrarrazões adicionais após análise do Agravo.  Dessas peças vale destacar:  ü com base na origem dos recursos utilizados pelo Grupo MAN para a  aquisição  das  quotas  da  VWCO  é  possível  aferir  a  real  adquirente  dessa  empresa:  a  MAN  AG.  Com  supedâneo  nesse  importante  aspecto, vê­se que tal empresa estrangeria fora a real responsável por  sacrificar o seu patrimônio em troca das referidas quotas;  Fl. 4656DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.657          13 ü Tendo  apurado  que  a  real  adquirente  das  quotas  da  VWCO  foi  a  empresa  estrangeira  MAN  AG,  a  Fiscalização,  com  base  na  interpretação  literal  da  Lei  nº  9.532/1997,  constatou  que  a  incorporação da MAN S/A pela VWCO (antiga denominação do ora  recorrente) não torna o ágio passível de dedução;  ü Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio  com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que a “mais  valia”  contabilizada  tenha  sido  efetivamente  suportada  por  alguma  das  pessoas  que  participa  da  confusão  patrimonial.  O  REAL  INVESTIDOR, portanto, deve se  confundir com o  investimento que  adquiriu;  ü No caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma  expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio,  não há que se falar nessa renúncia fiscal.  ü Assim, ao contrário do que defende o recorrente, a dedutibilidade na  CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em  face  da  ausência  de  norma  que  preveja  a  adição  dessa  rubrica,  a  despesa com a amortização de um ágio, mesmo dedutível para fins de  IRPJ,  não  é  dedutível  para  a  CSLL  porque  não  há  previsão  legal  a  autorizando.  ü Como  toda  a  espécie  de  renúncia  fiscal,  eventual  dedução  de  uma  despesa  deve  ser  expressamente  autorizada  por  lei,  não  pode  ser  realizada em face do seu silêncio.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator  CONHECIMENTO  Com  relação  à  admissibilidade  do  Recurso  do  Contribuinte,  entendo  não  haver reparos a serem feitos no despacho e na decisão de agravo, de modo que dele conheço.  Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda  pelo Contribuinte, faz­se importante sua análise.  Em  relação  à discussão  acerca da multa qualificada,  alega o Contribuinte  a  ausência de similitude fática entre o recorrido e os paradigmas.  De fato, com relação ao acórdão 1101­000.912 assiste razão ao Contribuinte.  Neste  caso,  a  operação  analisada  consubstancia­se  em  operação  de  criação  de  ágio  interno,  gerado  no  âmbito  de  um  grupo  econômico,  sem  a  ocorrência  de  pagamento  pela  suposta  aquisição da participação.  Fl. 4657DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.658          14 Por  bem  descrever  essa  operação,  importante  trazer  o  seguinte  trecho  do  referido acórdão:  " As  autoridades  fiscais  promoveram a  glosa  das  amortizações  de ágio gerado internamente, no intervalo de 40 (quarenta) dias  – entre 18/04/2005 e 31/05/2005 –, mediante criação de Holplan  Participações S/A (Holplan), que incorporou as ações do capital  social  da  autuada  avaliadas  a  mercado  (R$  335.797.070,00),  superior  ao  valor  contábil  de  R$  89.946.682,00,  assim  constituindo  o  ágio  que  passou  a  ser  amortizado  após  a  incorporação  da  Holplan  pela  autuada.  Os  autuantes  expõem  seus  fundamentos  acerca  da  inaceitabilidade  do  ágio  gerado  internamente  do  ponto  de  vista  contábil,  bem  como  afirmam  a  falta  de  propósito  negocial,  acrescentando  que  o  laudo  de  avaliação foi  feito por empresa criada apenas com esse intuito,  assim concluindo:"  Nesse  contexto,  de  fato  não  há  similitude  fática,  tampouco  jurídica  entre  o  caso julgado nesse paradigma e no presente.   Desse modo, não conheço do Recurso da Fazenda com base em tal acórdão.  A  situação  fática  discutida  no  acórdão  1101­000.899,  por  sua  vez,  de  fato  gera confusão.  No  relatório  do  referido  acórdão,  ao  ser  exposto  trecho  do  TVF,  há  clara  impressão  que  a  autuação  ocorreu  pela  identificação  de  criação  de  ágio  interno,  ou  seja,  originado  de  operação  entre  empresas  do  mesmo  grupo  econômico.  Destaque­se  o  seguinte  trecho do TVF reproduzido no relatório:  declara,  ainda,  a  fiscalização:  "do  acima  disposto,  concluímos  que  a  apuração  do  ágio  ocorreu  em  circuito  fechado,  isto  é,  entre  empresas  do  mesmo  grupo.  Concluímos  também  que  a  aquisição da LISTEL pela APENINA e MKV não se revestiu das  formalidades necessárias, o que acabou por invalidar o valor do  ágio calculado na aquisição desta participação societária";  Entretanto,  ao  tratar  da  impugnação  do  contribuinte  em  seu  relatório  o  Relator  descreve  uma  operação  em  que  terceiros,  não  residentes  no  Brasil,  adquiriram  participação em sociedade brasileira através de empresas aqui constituídas, com essa finalidade  (chamada veículo).  Mais claro ainda ficam os fatos no voto vencedor, da então Conselheira Edeli  Pereira Bessa, o qual tomo a liberdade de transcrever o seguinte trecho:  Interpreto a acusação fiscal de forma distinta do I. Relator, pois  observo  que  a  autoridade  lançadora  fez  referência  à  Nota  Explicativa à Instrução CVM nº 349, de 06/03/2001, destacando  que  operações  desta  espécie  acabam  por  ensejar  o  reconhecimento  de  um  acréscimo  patrimonial  se  a  efetiva  substância  econômica,  mediante  a  criação  de  uma  sociedade  veículo que transfere da controladora original para a controlada  o  ágio  pago  na  sua  aquisição,  e  ao  final  do  processo  de  Fl. 4658DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.659          15 incorporação,  o  investimento  e,  conseqüentemente,  o  ágio  permanecem inalterados na controladora original.  E,  ao  longo  de  todo  seu  arrazoado,  a  autoridade  lançadora  destacou que a AVERDIN criou nas empresas veículo APENINA  e MKV  o  patrimônio  necessário  para  que  estas  adquirissem  a  LISTEL e nelas restasse registrado o ágio pago nesta operação.  Nas  palavras  da  Fiscalização,  em  01/06/1999  a  AVERDIN  detinha, direta ou indiretamente, controle de 100% do capital da  LISTEL.  Assim,  com os  recursos  aportados  por AVERDIN,  as  empresas  veículo APENINA e MKV realizam a operação que gera o ágio  aqui amortizado, após a extinção, apenas, de APENINA e MKV,  incorporadas  pela  autuada.  A  investidora  original,  AVERDIN,  que efetivamente adquiriu a LISTEL, subsistiu ativa e, inclusive,  mantendo em seu patrimônio o investimento feito na LISTEL, por  seu valor majorado pelo ágio pago.  Esta  a  razão,  portanto,  para  a  Fiscalização  concluir  que  a  operação entre LISTEL, APENINA e MKV ocorreu  em circuito  fechado.  O  adquirente,  terceiro  estranho  à  investida,  nesta  operação,  é  a  AVERDIN,  representante  no  Brasil  do  Grupo  BellSouth, como demonstrado no organograma societário de  fl.  1256, citado pelo I. Relator.  Pois bem.  Tanto no presente caso, como nesse segundo paradigma é possível identificar  uma determinada sociedade aportando capital em sociedade(s) holding(s), que posteriormente  adquire(m) a participação societária de terceiros, com ágio e, após tal aquisição é incorporada  pela sociedade adquirida, que passa a aproveitar fiscalmente o ágio.  Assim  sendo,  entendo  que  há  aqui  a  identidade  fática  requerida  para  o  conhecimento do Recurso.  Quanto à identidade jurídica, é bem verdade que no julgamento do paradigma  não se entrou no mérito da argumentação trazida no presente acórdão recorrido no sentido de  vício de causa não ser considerado sonegação ou fraude.  Porém, apesar de não ter sido discutido o argumento especificamente, o fato é  que uma situação fática muito semelhante à presente foi analisada e entendeu­se presentes os  elementos  configuradores das hipóteses  em que  se  admite  a qualificação da multa de ofício,  enquanto  que  no  presente  caso  entendeu­se  de  forma  distinta,  pela  ausência  dos  referidos  elementos.  Portanto, vejo divergência de interpretação da legislação.  Importante  frisar  que  não  entendo  que  o  conhecimento  do  Recurso  trará  a  necessidade  de  revolver  os  fatos  do  caso,  questão  vedada  a  esse  colegiado.  Na  verdade,  entendo que a discussão gira em torno do critério jurídico de análise dos fatos, não os fatos em  si.   Nesse contexto, entendo que merece ser conhecido o Recurso da Fazenda.  Fl. 4659DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.660          16 Quanto à segunda matéria,  inaplicabilidade da multa pelo não  recolhimento  integral  das  antecipações  mensais,  alega  o  contribuinte  que  não  há  a  divergência  entre  o  acórdão  recorrido  e  os  acórdãos  1202­000.964  e  1302­001.080.  Isso  porque,  constituiu  premissa para o entendimento exarado em ambos os casos paradigmáticos o fato de as bases de  cálculo das multas  isolada e de ofício não se  justaporem. Por outro  lado, a decisão  recorrida  afastou  a  multa  isolada  sobre  as  estimativas,  pois  no  caso  em  questão,  considerando  o  encerramento do período de apuração, a base de cálculo aplicada à multa pelo não pagamento  de tributo (multa de ofício) equivale àquela da multa isolada, não restando quaisquer diferenças  devidas a título de estimativas.   Pois bem.   Da análise do acórdão paradigma nº 1202­000.964 é possível perceber que ali  analisou­se duas teses: (i) a possibilidade de lançamento da multa isolada após o encerramento  do ano­calendário; e (ii) a exigência em conjunto da multa isolada e da multa de ofício. É o que  se extrai do seguinte trecho do voto:  A  recorrente  alega  que  a  multa  isolada  sobre  a  falta  de  recolhimento de estimativa não poderia ser exigida após o fim do  período  anual,  quando  já  se  conhece  o  lucro  real;  e  que  não  poderia haver a exigência de multa isolada e multa de oficio de  75%  exigida  juntamente  com  o  tributo,  sob  pena  de  haver  cumulação  de  penalidades  em  decorrência  do  mesmo  fato  jurídico. Sem razão, como se demonstrará.  É bem verdade que se menciona no voto a diferença entre a base de cálculo  da multa isolada e da multa de ofício. Essa menção ocorreu ao se tratar, em tese, das diferentes  formas  de  apuração  da  antecipação  do  imposto  e  do  imposto  em  si.  Logo,  não  se  estava  discutindo que no caso houve diferença entre a base da multa de ofício efetivamente aplicada e  a multa isolada também efetivamente aplicada. Vejamos a transcrição do referido trecho:  Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa  isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício,  já que,  em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não  é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo  da  multa  isolada  é  a  estimativa  mensal  calculada  a  partir  da  receita  bruta.  A  multa  de  ofício,  por  sua  vez,  incide  sobre  o  imposto  ou  contribuição  efetivamente  devidos  ao  final  do  período de apuração.  Da leitura acurada do voto, percebe­se que o que restou ali decidido foi pela  possibilidade  de  se  exigir  multa  de  isolada  após  o  encerramento  do  ano­calendário  e  pela  possibilidade  de  se  exigir multa  isolada  em  conjunto  com multa  de  ofício,  por  penalizarem  condutas distintas. Para demonstrar tal conclusão vale a transcrição do seguinte trecho do voto:  Ademais,  a  legislação  possibilita  o  não  recolhimento  de  antecipação,  desde  que  apresentado  o  balancete  mensal  que  comprove  que  as  antecipações  recolhidas  superam  o  valor  do  tributo  até  aquele  momento  apurado,  o  que  não  implica  dizer  que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da  Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A  determinação  legal  é  clara  nesse  sentido,  ao  reafirmar  que  a  multa é devida “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou  Fl. 4660DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.661          17 base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro líquido, no ano­calendário correspondente”.  Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever  de  antecipação  deve  ser  sancionado  na  forma  da  lei,  independentemente  do  valor  do  imposto  ou  contribuição  calculada  ao  final  do  exercício,  ou  mesmo  da  existência  de  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa.  Fica  ressalvada,  apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão  ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do  que o devido, o que não se verificou no presente caso.  Percebam que expressamente se mencionou que a sanção pela inobservância  das  regras  de  antecipação  dos  tributos  deve  ser  imposta  independentemente  do  valor  do  imposto ou contribuição calculados no fim do período de apuração. Ou seja, engloba qualquer  hipótese, inclusive quando tributos e antecipações são equivalentes.  No  presente  caso,  a  Turma  a  quo  entendeu  ser  incabível  a  aplicação  simultânea  sobre  a  mesma  infração  da  multa  isolada  pelo  não  pagamento  de  estimativas  apuradas no curso do ano­calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento  do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano­calendário.  A justificativa para tal conclusão foi que o não pagamento das estimativas é  apenas  uma  etapa  preparatória  da  execução  da  infração.  Como  as  estimativas  caracterizam  meras  antecipações  dos  tributos  devidos,  a  concomitância  significaria  dupla  imposição  de  penalidade  sobre o mesmo  fato,  qual  seja,  o descumprimento de uma obrigação principal de  pagar tributo.  A  meu  ver  há  divergência  entre  as  decisões,  enquanto  no  caso  paradigma  entendeu­se  tratar de duas  condutas  infracionais,  no presente caso  entendeu­se  tratar de uma  etapa de uma conduta infracional, qual seja a falta de pagamento do tributo.  Logo, entendo que deve ser conhecido o Recurso da Fazenda também nesse  ponto.  MÉRITO  A) RECURSO DO CONTRIBUINTE  A.1)  POSSIBILIDADE  DE  AMORTIZAÇÃO  FISCAL  DO  ÁGIO  EM  OPERAÇÕES  COM EMPRESA VEÍCULO  No  entender  da  fiscalização  a  grande  razão  a  justificar  a  invalidação  da  amortização fiscal do ágio realizada pelo Contribuinte em questão foi a ausência de propósito  negocial na criação de empresa holding, cujo único objetivo de nascimento foi de servir como  meio  para  cumprimento  de  requisito  legal  para  aproveitamento  fiscal  do  ágio,  mediante  incorporação de sociedades.  Penso que não assiste razão à fiscalização nessa interpretação dos fatos e das  normas em análise.  Fl. 4661DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.662          18 Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem  sendo indiscrimidamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada  situação.  O propósito negocial,  cuja discussão no Brasil  foi  inicialmente atribuída  ao  Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados, com o fito de tratar qualquer  operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco,  admitindo­se a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos.  Penso  que  essa  posição  deve  ser  vista  com  ressalvas,  principalmente  ao  se  considerar que essa teoria é oriunda de países da comon law.  Um exemplo clássico que entendo que essa doutrina deve ser reavaliada é no  caso de operações societárias que admitem a utilização fiscal do ágio.  A possibilidade de amortização fiscal do ágio gerado por rentabilidade futura,  após  absorção  de  patrimônio  de  uma  sociedade  por  outra,  mediante  incorporação,  fusão  ou  cisão,  inclusive  da  investidora  (chamada  operação  reversa),  surgiu  em  nosso  ordenamento  jurídico com o advento da Lei 9.532/97, artigos 7º e 8º, abaixo transcritos:  Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de  dezembro  de  1977:  (Vide  Medida  Provisória  nº  135,  de  30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei  nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem  ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o  de que  trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto­lei n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou  cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês  do  período  de  apuração;  (Redação dada pela Lei  nº  9.718,  de  1998)   IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que  trata a alínea  "b" do § 2º do art.  20 do Decreto­Lei nº  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  1/60  (um  sessenta  avos),  no  mínimo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração.  Fl. 4662DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.663          19 Art.  8º  O  disposto  no  artigo  anterior  aplica­se,  inclusive,  quando:  a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor  de patrimônio líquido;  b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que  detinha a propriedade da participação societária.  Referida Lei veio ao mundo jurídico num contexto histórico de privatizações  ocorridas no país. Como amplamente divulgado na época em que publicada a norma, o objetivo  da  permissão  contida  em  seu  inciso  III,  de  amortização  do  ágio  gerado  com  base  em  rentabilidade  futura,  era  o  de  incentivar  a  aquisição  de  empresas  públicas  e  sociedades  de  economia mista pelos investidores privados.  Logo, no cálculo do retorno de seu investimento, no âmbito de sua análise de  viabilidade, os investidores já contavam com o benefício fiscal.   E  nesse  contexto,  tal  norma  é  tida  como  indutora  de  comportamentos  dos  contribuintes, na medida em que incentivou as operações de aquisições de empresas públicas,  bem  como  as  aquisições  de  participações  em  âmbito  privado,  tanto  por  investidores  não  residentes, que se interessaram enormemente por um mercado em recente abertura, como por  investidores residentes no Brasil.  E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser repensada, afinal, como um  investidor não residente poderia se valer de tal incentivo, sem se fazer presente no país através  de uma sociedade aqui residente? Como sociedades nacionais reguladas por órgãos específicos  poderiam usufruir do  incentivo diante de proibição  legal de  incorporação de sociedades  com  outras atividades?  Ora,  excluir  a  possibilidade  dessas  pessoas  e  possibilitar  outras  a  terem  benefício fiscal seria ferir a isonomia.  Logo,  essas  e  outras  sociedades  tiveram  que  planejar  a  forma  como  seria  possível  investir  no  país  e  aproveitar  o  incentivo  da  amortização  do  ágio,  nas  mesmas  condições que sociedades nacionais sem restrições assim o poderiam.  Foi  nesse  contexto  que  se  utilizaram  de  sociedades  holdings,  que  lhes  permitia organizar  a  etapa pré  aquisição, bem como posteriormente  se valer do  incentivo de  amortização  fiscal  do  ágio.  Tais  sociedade  foram  informalmente  denominadas  "empresas  veículo".  Mas a questão que se põe é: a criação de empresas veículos para utilização de  incentivos fiscais é um ato de evasão fiscal ou é lícita a economia fiscal mediante planejamento  realizado previamente à ocorrência do fato gerador do tributo e estimulado por norma legal?  Em  minha  concepção,  mesmo  dentro  da  teoria  do  propósito  negocial  a  economia de tributos é permitida, desde que realizada mediante atos e negócios lícitos. E para  mim não há qualquer  ilicitude em se criar uma sociedade, efetuar  sua  capitalização, adquirir  participação societária de terceiros e, posteriormente realizar as operações societárias induzidas  pela lei para se obter a economia de tributos.  Fl. 4663DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.664          20 Economia de tributos é sim algo legitimamente objetivado pelos empresários,  que  buscam  a  maximização  de  lucros  em  seus  negócios,  desde  que  obtida  mediante  atos  e  negócios lícitos. O negócio jurídico pretendido, qual seja a aquisição de participação societária  de fato ocorreu, ou seja, não há que se falar em simulação, seja ela absoluta, seja ela relativa.  E  alie­se  a  isso,  no  caso  de  ingresso  no  país  de  sociedades  não  residentes,  como o presente, o objetivo de explorar o mercado brasileiro e outros vizinhos, eventualmente.  Não  há  como  negar  que  o  principal  interesse  de  empresas multinacionais  é  a  exploração  de  diversos  mercados  ao  redor  do  mundo  e,  acessoriamente,  havendo  a  possibilidade,  de  maximização de lucros através de utilização de incentivos fiscais, assim proceder.  Sobre  a  legitimidade  da  utilização  de  "empresas  veículos"  para  fins  de  amortização de ágio sabias foram as palavras do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferidas  no acórdão 1201­001.267, que abaixo tomo a liberdade de transcrever:  São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se  convenceu  da  ilegalidade  do  aproveitamento  do  ágio  pela  fiscalizada:  (i)  falta  de  propósito  negocial,  e;  (ii)  emprego  de  empresa veículo.  Quanto à falta de propósito negocial, há que se distinguir dentre  as  operações  levadas  a  efeito  pelos  interessados,  aquelas  que  tiveram  por  objetivo  ocultar  o  ganho  de  capital  auferido  pelos  alienantes, daquelas cujo objeto foi a transferência do ágio para  a autuada.  As primeiras não interessam ao presente processo, e são objeto  do PA nº 10380.726.493/201018, que trata do ganho de capital.  As últimas foram realizadas com o propósito do aproveitamento  do  ágio  na  aquisição  da  participação  societária,  e  estão  amparadas  na  interpretação  que  esta  Turma  vem  emprestando  aos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/1997,  qual  seja,  a  de  que  a  finalidade  daquelas  normas  é  incentivar  a  absorção  do  patrimônio de  empresas nacionais por outras,  sejam nacionais,  sejam estrangeiras. Em outras palavras, o propósito negocial foi  exatamente o aproveitamento do ágio, propósito esse amparado  pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997.  Repare  que  a  abusividade  do  planejamento  tributário  pode  ter  como  característica  (desde  que  não  seja  a  única)  justamente  a  ausência de propósito negocial.  Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob  o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria  absurdo  imaginar­se que além do propósito de economia  fiscal  deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente  o caso dos presentes autos.  Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre  destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de  uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo".  No  entanto,  como  é  cediço,  não  é  possível  sustentar­se  uma  autuação  fiscal  lastreada  na  simples  acusação  de  emprego  de  Fl. 4664DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.665          21 "empresa  veículo",  até  porque  o  simples  emprego  de  "empresa  veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária.  Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego  da  "empresa  veículo"  e  a  prática  de  alguma  infração  à  legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação  fiscal  não  se  desincumbiu  de  seu  ônus,  isso  já  seria  razão  suficiente para afastar­se, de pronto, a autuação.  Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF  mantendo  a  glosa  da  amortização  do  ágio  justamente  pelo  emprego  de  "empresa  veículo"  (vide,  por  exemplo,  o  Acórdão  1101001.113), entendo cabível o exame da matéria.  Em  breve  síntese,  aqueles  que  defendem  a  impossibilidade  do  aproveitamento  do  ágio  nestas  condições  sustentam  que  o  emprego  de  empresa  veículo,  que  ao  fim  incorpora  ou  é  incorporada  pela  investida,  “oculta”  o  verdadeiro  investidor,  qual  seja,  aquele  que  fornece  os  recursos  para  que  a  empresa  veículo faça o investimento.  Desse  modo,  dizem  eles,  não  há  incorporação  entre  o  “verdadeiro investidor” e a investida, sendo portanto inaplicável  os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997.  Pois bem, quanto a este argumento deve­se ter em conta que os  arts.  7º  e  8º  da Lei  nº  9.532/1997  foram originalmente  criados  com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas  ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do  chamado  Programa  Nacional  de  Desestatização  (Lei  nº  9.491/97).  E  uma  vez  que  pessoas  físicas  ou  jurídicas  estrangeiras  têm  direito  a  adquirir  até  100%  das  ações  ou  quotas  da  empresa  nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº  9.491/97),  é  de  se  perguntar:  como  poderia  um  investidor  estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997  senão  por meio  da  constituição  e  capitalização  de  uma  pessoa  jurídica  nacional  que  fizesse  o  investimento  na  empresa  objeto  da  desestatização?  Esse  foi,  de  fato,  o  caminho  adotado  pelos  investidores  estrangeiros  (vide  também caso Celpe, Acórdão nº  120100.689).  Ocorre que, de acordo com a  teoria da "empresa veículo", ora  sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se  beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a  pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não  seria  considerada  o  "verdadeiro  investidor"  na  empresa  objeto  de desestatização.  Na  mesma  situação  de  impossibilidade  de  aproveitamento  do  disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo,  um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as  ações  ou  quotas  de  uma  empresa  objeto  de  desestatização.  Se  fizessem  o  investimento  diretamente,  as  pessoas  físicas  não  Fl. 4665DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.666          22 poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa  física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica).  A  solução  seria,  novamente,  a  constituição  e  capitalização  de  uma  pessoa  jurídica  justamente  para  que  esta  fizesse  o  investimento.  Entretanto,  de  acordo  com  a  aludida  teoria  da  "empresa  veículo",  nem  assim  a  pessoa  jurídica  criada  pelo  grupo de pessoas  físicas poderia se beneficiar do disposto arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/1997  pois  não  seria  considerada  o  "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização.  Também  em  idêntica  situação  de  impossibilidade  de  aproveitamento  do  disposto  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/1997  estariam  as  pessoas  jurídicas  nacionais  que  em  razão  de  vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas  de  exercer  atividades  econômicas  diversas  daquelas  previstas  naquelas  normas.  Seria  o  caso,  por  exemplo,  de  um  banco  comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de  energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada  pelo  Banco  Central.  O  que  não  é  juridicamente  possível  é  a  absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial  (ou  vice­versa)  uma  vez  que  o  Banco  Central  proíbe  que  os  bancos  comercias  exerçam  atividades  distintas  daquelas  previstas em Regulamento.  A  solução, mais  uma  vez,  seria  o  banco  comercial  constituir  e  capitalizar  uma  pessoa  jurídica  a  fim  de  que  esta  adquira  as  ações  ou  quotas  da  empresa  objeto  de  desestatização.  Ocorre  que,  segundo  a  mencionada  teoria  da  "empresa  veículo",  nem  assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se  beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois  não seria considerada o "verdadeiro investidor".  Os  exemplos  acima,  que  a  outros  poderiam  se  somar,  demonstram  que  a  propalada  teoria  da  "empresa  veículo"  aplicada  aos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/1997  ensejaria  uma  interpretação  restritiva  dessas  normas  no  tocante  à  idéia  de  "verdadeiro investidor".  Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies  interpretativas,  não  é  fruto  da  vontade  do  intérprete.  Ao  contrário, deve ser juridicamente fundamentada.  No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação  restritiva  reduziria  significativamente  as  hipóteses  de  aproveitamento  fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo  que  vai  de  encontro  (e  não  ao  encontro)  à  finalidade  do  Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes,  incentiva  a  aquisição  de  empresas  públicas  ou  sociedades  de  economia mista  por  particulares.  Em  outras  palavras,  a  teoria  da  "empresa  veículo"  defendida  por  alguns  é  frontalmente  contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º  da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida.  Por  tais  razões, entendo que o ágio gerado no presente caso o  foi  de forma  legítima.   Fl. 4666DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.667          23 A.2) POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO NA BASE DA CSLL  Decidiu  a  Turma  a  quo  que  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  é  vedada  a  amortização  do  ágio  contabilizado  com  um  item  do  ativo  diferido,  na  conformidade  do  §  2º,  "a",  do  artigo  7º,  da  Lei  nº  9.532/97,  por  não  se  tratar  de  despesa  intrinsecamente relacionada com a produção ou comercialização de bens ou serviços.  Tal  decisão  fundou­se na  suposta  vedação  contida  no  artigo  13,  III,  da Lei  9.249/95, conforme se pode depreender do seguinte trecho do voto do Relator:  Assim  sendo,  cumpre  investigar  se  seria  possível  considerar  como  dedutível  a  amortização  de  um  item  do  ativo  diferido,  contabilizado a  título de ágio exclusivamente por determinação  da  regra  contida  no  §  2º,  "a",  do  artigo  7º,  da  mesma  Lei  nº  9.532/97.  Para  isso,  há  que  se  invocar  o  comando  que  consolidou a questão da dedutibilidade em matéria de apuração  do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o artigo 13 da Lei nº  9.249/95:  Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47  da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964:  (...)  III  ­  de  despesas  de  depreciação,  amortização,  manutenção,  reparo,  conservação,  impostos,  taxas,  seguros  e  quaisquer  outros  gastos  com  bens  móveis  ou  imóveis,  exceto  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização dos bens e serviços; (grifei)  Trata­se, assim, de uma vedação de caráter geral, aplicável no  caso presente à CSLL, na medida em que não se pode considerar  que a amortização do item do ativo diferido, contabilizado como  condição  de  aproveitamento  de  um  benefício  fiscal,  seja  intrinsecamente  relacionado  com  a  produção  ou  comercialização de bens ou serviços.  Pois  bem.  Como  já  me  pronunciei  em  outras  ocasiões,  não  concordo  com  esse posicionamento.  Avaliando  a  exceção  contida  na  parte  final  do  inciso  III,  do  artigo  13  em  questão  vejo  a  permissão  para  a  dedução  das  despesas  de  amortização  de  ágio  na  base  de  cálculo  da CSLL,  inclusive  na  ausência  de  operação  societária  exigida  para  amortização  no  âmbito do IRPJ.  Penso que o ágio gerado na aquisição de um investimento tem sim intrínseca  relação com a produção ou comercialização de bens ou serviços.  Ora, não se pode discutir que o adquirente de participação societária busca,  com  a  operação  de  aquisição,  ingressar  ou  ampliar  sua  participação  no  mercado  em  que  a  sociedade  adquirida  atua.  Esse  nicho  pode  ser  o  mesmo  que  o  do  adquirente  ou  não.  Mas  Fl. 4667DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.668          24 dúvida não há de que a empresa adquirida realiza a produção ou comercialização de bens ou  serviços.  Assim sendo, o ágio tem relação direta com a produção ou comercialização  de bens ou serviços. Logo, dedutível da base da CSLL.  É  por  essa  razão  que  o  ágio  pago  pela  rentabilidade  futura  deve  contabilmente  ser  contraposto  com  o  rendimento  esperado,  por  respeito  ao  regime  de  competência. É isso que determina a Instrução CVM 247/96:  Art. 14. O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição  ou  subscrição  do  investimento  deverá  ser  contabilizado  com  indicação do fundamento econômico que o determinou.  § 2º O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor  pago  na  aquisição  do  investimento  e  o  valor  de  mercado  dos  ativos  e  passivos  da  coligada  ou  controlada,  referido  no  parágrafo anterior, deverá ser amortizado da seguinte forma:  a)  o  ágio  ou  o  deságio  decorrente  de  expectativa  de  resultado  futuro  –  no  prazo,  extensão  e  proporção  dos  resultados  projetados,  ou  pela  baixa  por  alienação  ou  perecimento  do  investimento, devendo os  resultados projetados serem objeto de  verificação  anual,  a  fim  de  que  sejam  revisados  os  critérios  utilizados  para  amortização  ou  registrada  a  baixa  integral  do  ágio; e  Mesmo com a incorporação da investida ou da investidora a amortização do  ágio  deve  ser  deduzida  da  base  da  CSLL,  pois  o  ágio  registrado  assume  característica  de  despesa pré­operacional, devendo, então, ser contraposto com a receita de venda ou prestação  de serviços correlatos.  Logo, vejo que há permissão legal para a amortização fiscal do ágio da base  da CSLL.  Portanto, voto DAR provimento ao recurso do Contribuinte.  B) RECURSO DA FAZENDA NACIONAL  B.1) DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA    No  presente  caso,  para  qualificar  a multa  de  ofício  a  fiscalização  entendeu  que o Contribuinte  agiu  com objetivo de provocar um  juízo  errôneo por parte da  autoridade  fiscal, conforme se pode depreender da seguinte passagem do TVF:  Fl. 4668DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.669          25   A turma a quo, entendeu que a aplicação da multa em valor duplicado pela  fiscalização não foi correta. Para os julgadores as operações analisadas nos presentes autos não  foram  tidas  como  simuladas  ou  inexistentes,  sendo  que  a  conduta  do  Contribuinte  apenas  impede a dedução fiscal do ágio, mas não autoriza a qualificação da penalidade. Vale aqui a  transcrição do respectivo trecho do voto do relator:  Portanto,  a qualificação  (duplicação)  da multa  não decorre  de  nova infração.  Ela surge quando a falta de pagamento ou recolhimento, a falta  de declaração ou a declaração inexata estiver associada a uma  das  condutas  típicas  definidas  como  sonegação,  fraude  ou  conluio.  Tais  condutas  supõem  a  inequívoca  constatação  de  dolo, elemento essencial do tipo, no seu mais puro sentido penal.  Nas palavras de Marco Aurélio Greco:  Se não  houve  intuito  de  enganar,  esconder,  iludir, mas  se,  pelo  contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos  seus  atos  e  negócios,  de modo  a  permitir  a  ampla  fiscalização  pela  autoridade  fazendária,  e  se  agiu  na convicção  e certeza  de  que  seus  atos  tinham  determinado  perfil  legalmente  protegido  que  levava  ao  enquadramento  em  regime  ou  previsão  legal  tributariamente mais favorável, não se trata de caso regulado pelo  § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos  fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação  a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete.  A  fraude  penal  não  se  confunde  com a  fraude  à  lei  (ou  fraude  civil) acima invocada. Nesta última, o contribuinte enquadra sua  conduta numa norma, mas vem o Fisco e o faz em outra. É um  problema de qualificação jurídica. Por sua vez, a  fraude penal,  assim como a sonegação, são condutas  típicas do direito penal  também  caracterizadas  como  crimes  contra  a  ordem  tributária  (artigos  1º  e  2º,  I,  da  Lei  nº  8.137/90).  Tanto  é  que  o  §  1º  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/96  ressalva  a  aplicação  de  outras  penalidades criminais.  Fl. 4669DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.670          26 Quanto à sonegação, não há dúvidas. Só se concretiza depois de  ocorrido o fato gerador da obrigação tributária. Isso porque sua  hipótese prevê uma conduta voltada para impedir ou retardar o  “conhecimento”,  pelo  Fisco,  “da  ocorrência  do  fato  gerador”  ou “das condições pessoais de contribuinte”.  A  fraude,  por  outro  lado,  suscita  mais  dúvidas.  A  redação  do  artigo 72 da Lei nº 4.502/64 pode ser dividida em duas partes.  Na primeira parte, tem­se as condutas de impedir ou retardar a  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. “Impedir ou  retardar”  é  diferente  de  “não  realizar”.  Nos  casos  de  planejamentos tributários, o contribuinte julga que sua conduta  é alcançada por outro enquadramento legal e não pela hipótese  do fato gerador. Como ensina Marco Aurélio Greco, essa parte  do  dispositivo  legal  tem  sua  aplicação  restrita  às  situações  em  que  “tiverem  sido  realizados  atos  que,  substancialmente,  representem o núcleo da definição do fato gerador, de modo que  a  sua  ‘ocorrência’  seja  mera  etapa  subsequente,  e  quase  que  inexorável,  a  introdução  pelo  contribuinte  (ou  outrem)  de  atos  ou omissões que não permitam o aperfeiçoamento daquele  fato  gerador  que  iria  ocorrer”.  Afinal,  só  se  impede  ou  se  retarda  algo que está em curso.  Na  segunda parte,  quando há alusão a  excluir ou modificar as  características  essenciais  do  fato  gerador,  novamente,  tem­se  condutas que só se concretizam depois que este  tenha ocorrido.  É que só se pode excluir ou modificar algo que já exista.  Há poucas  linhas,  firmou­se que o conceito de  simulação pode  ser orientado pelo vício de vontade ou pelo vício de causa. São  duas situações claramente distintas.  Na  simulação  por  vício  de  vontade,  há  o  requisito  do  falseamento ou manipulação de aspectos relevantes dos negócios  jurídicos.  As  partes  declaram  algum  aspecto  que  seja  falso,  portanto,  uma  vontade  aparente  ou  simulada  (simulação  absoluta),  ou algum aspecto que  tem por objeto encobrir outro  de  natureza  diversa,  portanto,  uma  vontade  aparente  ou  simulada  que  encobre  uma  vontade  real  ou  dissimulada  (simulação  relativa  ou  dissimulação).  Trata­se,  com efeito,  das  hipóteses em que se concretizam condutas como a sonegação ou  a  fraude  penais.  Estamos  fora  do  campo  dos  planejamentos  tributários propriamente ditos.  Por outro  lado, na simulação por  vício de  causa,  situações  em  que  se  verificam  os  planejamentos  tributários  inoponíveis  ao  Fisco,  inexistem  condutas  maculadas  pelo  falseamento  ou  manipulação  de  aspectos  relevantes  dos  negócios  jurídicos.  As  partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas.  No presente caso, a fiscalização sustenta a qualificação da multa  com  base  na  imputação  de  conduta  dolosa  ao  planejamento  tributário  engendrado.  Mas,  não  aponta  qualquer  falseamento  ou manipulação de aspectos relevantes nessa situação.  Fl. 4670DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.671          27 Nada  obstante,  como  já  exposto,  se  isso  não  aconteceu,  não  posso concordar com a qualificação da conduta nas  figuras da  sonegação  ou  da  fraude  penais.  A  aquisição  de  participação  societária  pela  empresa  veículo  está  maculada  pelo  vício  da  causa. Mas daí não decorre que houve falsidade material na sua  execução. Muito menos que houve conduta concretizada após a  ocorrência  do  fato  gerador  (sonegação  ou  segunda  parte  da  fraude)  ou  conduta  concretizada  no  iter  formativo  do  fato  gerador (primeira parte da fraude).  Por tais razões, afasto a qualificação das multas aplicadas.  Penso que bem decidiu a Turma em relação à não qualificação da multa.  Penso  que  as  condutas  passíveis  de  serem  enquadradas  como  fraude,  nos  termos  do  artigo  72,  da  Lei  4.502/64  são  aquelas  eivadas  de  dolo,  pautadas  em  ações  ou  omissões que visem ocultar fatos ocorridos ou simular a ocorrência de fatos inexistentes, bem  como na falsificação de informações.  No presente caso não se põe em questão a efetiva ocorrência da compra de  participação societária, bem como o pagamento do preço respectivo.  Também não se põe em dúvida o valor efetivo do negócio  realizado, o que  demonstra que ágio de fato houve.  Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem  sendo indiscrimidamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada  situação.  O propósito negocial,  cuja discussão no Brasil  foi  inicialmente atribuída  ao  Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados com o fito de tratar qualquer  operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco,  admitindo­se a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos e multas.  Penso  que  essa  posição  deve  ser  vista  com  ressalvas,  notadamente  na  presente  hipótese  em que  o Contribuinte  é  induzido  à  organizar  seu  investimento  através  de  uma sociedade brasileira, para competir em condições de igualdade com outros Contribuintes.  E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser repensada, afinal, como um  investidor não residente poderia se valer de tal incentivo, sem se fazer presente no país através  de uma sociedade aqui residente? Como sociedades nacionais reguladas por órgãos específicos  poderiam usufruir do  incentivo diante de proibição  legal de  incorporação de sociedades  com  outros propósitos?  E mais,  como  sociedades  já  atuantes  no  país,  em  determinado  seguimento,  que procuram ganhar mercado através de ampliação de seu portifólio de produtos e serviços,  sem que tenha que integrar esse novo negócio numa mesma personalidade jurídica, poderiam  aproveitar o nenefício.  Logo,  essas  e  outras  sociedades  tiveram  que  planejar  a  forma  como  seria  possível  investir e aproveitar o incentivo da amortização do ágio, nas mesmas condições que  sociedades sem restrições assim o poderiam.  Fl. 4671DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.672          28 Nesse  contexto,  penso que  a  economia de  tributos  é  argumento válido para  suportar o propósito negocial da operação.  Importante  perceber  que  no  presente  caso,  houvesse  a  empresa  estrangeira  sido incorporada pela brasileira a amortização do ágio não seria contestada.  Logo  não  há  que  falar  sequer  em  dissimilação  no  presente  caso,  já  que  o  negócio supostamente dissimulado teria os mesmos efeitos tributários do negócio realizado.  Por essas razões, entendo ser descabida a aplicação da multa qualificada, nos  termos do artigo 44, §1º, da Lei 9.430/96.  Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recruso da Fazenda Nacional,  quanto à essa matéria.  B.2) APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA  Com  relação  ao  mérito  da  multa  isolada,  entendo  que  merece  reforma  o  Acórdão a quo.  Primeiro,  porque  temos  duas  punições  para  duas  condutas  diferentes:  a  primeira, o não recolhimento do  tributo devido; a segunda, a não observância das normas do  regime de recolhimento antecipado sobre bases estimadas.  Segundo, porque a tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso,  estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não  são  idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis  in  idem  só ocorreria se as duas sanções  fossem  aplicadas  pela  ocorrência  da  mesma  conduta,  o  que  já  ficou  demonstrado  que  não  ocorre.  Terceiro,  porque  considerando  que  a  multa  isolada  é  devida  ainda  que  o  Contribuinte apure prejuízo fiscal, ela é devida mesmo após encerrado o período de apuração.  Nesse  contexto, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do  Conselheiro  Alberto  Pinto  Souza  Junior,  proferido  no  acórdão  1302­001.080,  que  ouso  transcrever:  Das condutas infracionais diferentes  Ainda  que  aplicável  fosse  o  princípio  da  consunção  para  solucionar  conflitos aparentes de  norma  tributárias,  não  há  no  caso em tela qualquer conflito que  justificasse a sua aplicação.  Conforme  já  asseverado, o  conflito  aparente  de  normas  ocorre  quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre  um  mesmo  fato,  o  que  não  ocorre  in  casu,  já  que  temos  duas  situações  fáticas  diferentes:  a  primeira,  o  não  recolhimento  do  tributo  devido;  a  segunda,  a  não  observância  das  normas  do  regime de recolhimento sobre bases estimadas.  Ressalte­se que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real  anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada  não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa  só  é  aplicável  quando,  além  de  não  recolher  o  IRPJ  mensal  Fl. 4672DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.673          29 sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço  de  suspensão,  conforme  dispõe  o  art.  35  da  Lei  nº  8.981/95.  Assim,  a  multa  isolada  não  decorre  unicamente  da  falta  de  recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas  que  regem  o  recolhimento  sobre  bases  estimadas,  ou  seja,  do  regime.  Temos,  então,  duas  situações  fáticas  diferentes,  sob  as  quais  incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96  (na  sua  redação  vigente  à  época  do  lançamento)  já  albergava  várias  normas,  das  quais  vale  pinçar  as  duas  sub  examine:  a  decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do  § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente  da  combinação do  inciso  I  do  caput com o  inciso  IV do § 1º –  aplicável  pela  não  observância  das  normas  do  regime  de  recolhimento  por  estimativa.  Ora,  a  norma  prevista  da  combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art.  44  jamais  poderia  ser  aplicada  pela  falta  de  recolhimento  do  IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção,  para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso  I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º.  Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes,  sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não  há  unidade  de  conduta,  logo  não  existe  qualquer  conflito  aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e,  consequentemente,  indevida  a  aplicação  do  princípio  da  consunção no caso em tela.  Noutro  ponto,  refuto  os  argumentos  expendidos  no  acórdão  recorrido,  os  quais  concluem  que  a  falta  de  recolhimento  da  estimativa mensal  seria  uma  conduta menos  grave,  por  atingir  um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo  de caixa do governo.  Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não  observância  do  regime  de  recolhimento  pela  estimativa  e  a  conduta  que  ofende  tal  regime  jamais  poderia  ser  tida  como  menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento  do  IRPJ  sobre  o  lucro  real  anual  –  pelo  menos  no  formato  desenhado pelo legislador.  Em verdade,  a  sistemática  de  antecipação dos  impostos  ocorre  por  diversos  meios  previstos  na  legislação  tributária,  sendo  exemplos  disto,  alem  dos  recolhimentos  por  estimativa,  as  retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal  obrigatório  (carnê­leão),  feitos  pelos  contribuintes  pessoas  físicas.  O  que  se  tem,  na  verdade  são  diferentes  formas  e  momentos  de  exigência  da  obrigação  tributária.  Todos  esses  instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da  arrecadação  tributária  e  o  fluxo  de  caixa  para  a  execução  do  orçamento  fiscal  pelo  governo,  impondo­se  igualmente  a  sua  proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor,  nem  uma  conduta  menos  grave  que  possa  ser  englobada  pela  outra, neste caso.  Fl. 4673DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.674          30 Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do  IRPJ  estimada  é  uma  ação  preparatória  para  a  realização  da  “conduta  mais  grave”  –  não  recolhimento  do  tributo  efetivamente  devido  no  ajuste.  O  não  pagamento  de  todo  o  tributo  devido  ao  final  do  exercício  pode  ocorrer  independente  do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado  final  apurado  não  guarda  necessariamente  proporção  com  os  valores devidos por estimativa.  Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode  ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado  do  exercício.  As  infrações  tributárias  que  ensejam  a  multa  isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A  ocorrência  de  uma  delas  não  pressupõe  necessariamente  a  existência da outra,  logo  inaplicável o princípio da consunção,  já que não existe conflito aparente de normas.  Das diferentes bases para cálculos das multas  A  tese  de  que  as multas  isolada  e  de  ofício,  no  presente  caso,  estariam  incidindo  sobre  a  mesma  base,  também,  não  deve  prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque,  ainda  que  idênticas,  o  bis  in  idem  só  ocorreria  se  as  duas  sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o  que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos.  A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado  sobre  a  base  estimada,  na  qual  o  valor  das  despesas  e  custos  decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando  determina  a aplicação de um percentual  sobre  a  receita  bruta,  para  o  cálculo  da  base  estimada,  está,  em  verdade,  estimando  custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um  percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se  leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em  suma,  se  a  base  estimada  difere  do  lucro  real,  se  são  valores  distintos,  inclusive  com  previsões  legais  distintas,  os  impostos  delas  resultantes  são  também  valores  distintos  e,  consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas,  também, são valores que não se confundem.  Todavia,  ainda  que  as  multas  isolada  e  de  ofício  fossem  calculadas  sobre  o  IRPJ  incidente  sobre  a  mesma  base  de  cálculo,  isso  não  significaria  um  bis  in  idem,  pois,  como  já  asseverado  acima,  a  ocorrência  de  uma  infração  não  importa  necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável  que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte  pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em  cada  mês  do  ano­calendário  e  não  recolher  a  diferença  calculada ao final do período,  ficando sujeito assim a multa de  ofício,  mas  não  a  multa  isolada.  Ao  contrário,  pode  deixar  de  recolher o  IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao  final do  ano,  todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará  sujeito à multa isolada.  A definição da  infração, da base de cálculo e do percentual da  multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97,  Fl. 4674DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.675          31 V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria  aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser  que  adentre  a  seara  da  sua  constitucionalidade,  o  que  está  expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2.  Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96  Adite­se  ainda,  que  o  legislador  dispôs  expressamente,  já  na  redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a  multa  isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo  fiscal ou  base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim,  que:  a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição  calculado  sobre  a  base  estimada,  já  que  em  caso  de  prejuízo  fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste;  e  b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo  ao  final  do  ano  é  irrelevante  para  se  saber  devida  ou  não  a  multa isolada; e  c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após  o  encerramento  do  ano­calendário,  já  que  pode  ser  lançada  mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa.  Da negativa de vigência de lei federal  Peço  vênia  aos  meus  pares,  para  expressar  minha  profunda  discordância  com  as  referidas  posições  adotadas  por  este  Colegiado: Entendo que  tais posicionamentos  têm, em verdade,  por  via  oblíqua,  negado  vigência  a  uma  lei  federal,  pois  afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei  no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei  8.981/95.  É  demais  imaginar  que  se  coaduna  com  os  mais  comezinhos  princípios  do  direito  a  permissão  dada  ao  contribuinte,  por  tais  decisões,  para,  em  janeiro  de  um  determinado ano­calendário, decidir se obedece ou não o art. 2º  e  segs.  da  Lei  no  9.430/96.  Em  outras  palavras,  os  referidos  posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária  tornando­a uma norma facultativa, já que a sua não observância  não  traz, à  luz de  tais posicionamentos, qualquer consequência  jurídica.  Nesse  contexto,  voto  por  dar  provimento  ao Recurso  da Fazenda Nacional,  para  manutenção  da  multa  para  períodos  de  apuração  ocorridos  após  a  alteração  da  Lei  9.430/96,  pela  MP  351/07,  convertida  na  Lei  11.488/07,  ou  seja,  períodos  de  apuração  ocorridos de 2007, inclusive, em diante.  Nesse  contexto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  Recurso  da  Fazenda  Nacional, para entender como válida a cobrança da multa isolada.  (assinado digitalmente)  Gerson Macedo Guerra  Fl. 4675DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.676          32   Voto Vencedor  Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado.  Não obstante o substancioso voto o I. conselheiro, peço vênia para discordar  em relação ao mérito, sobre as matérias:  ­ despesa de amortização de ágio ­ utilização de holding (“empresa veículo”)  detida por investidor estrangeiro para amortização do ágio ­ recurso especial da Contribuinte;  ­ qualificação da multa de ofício ­ recurso especial da PGFN;  ­ repercussão da glosa de despesa de amortização de ágio na Base de Cálculo  da CSLL ­ recurso especial da Contribuinte.  Passo ao exame.  I ­ Despesa de Amortização de Ágio ­ RE da Contribuinte  Para  a  devida  apreciação  da  matéria  despesa  de  amortização  de  ágio  ­  utilização de holding  (“empresa veículo”) detida por  investidor  estrangeiro para  amortização  do  ágio,  propõe­se,  inicialmente,  discorrer  sobre  uma  análise  histórica  e  sistêmica  sobre  o  tema, para depois tratar do caso concreto.  1. Conceito e Contexto Histórico  Pode­se entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo  (mercadoria, investimento, dentre outros).   Tratando­se  de  investimento  decorrente  de  uma  participação  societária  em  uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é  formado quando uma primeira pessoa  jurídica  adquire  de  uma  segunda  pessoa  jurídica  um  investimento  em  valor  superior  ao  seu  valor  patrimonial.  O  investimento  em  questão  são  ações  de  uma  terceira  pessoa  jurídica,  que  são  avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações  da  empresa B,  avaliadas  patrimonialmente  em  60  unidades. A  empresa C  adquire,  junto  à  empresa  A,  as  ações  da  empresa  B,  por  100  unidades.  A  empresa  C  é  a  investidora  e  a  empresa B é a investida.  Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio.  Adotando­se  os  padrões  da  ciência  contábil,  apesar  das  ações  estarem  avaliadas patrimonialmente em 60 unidades,  deveriam ainda  ser objeto de majoração,  ao  ser  considerar,  primeiro,  se  o  valor  de  mercado  dos  ativos  tangíveis  seria  superior  ao  contabilizado. Assim, supondo­se que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades,  o  valor  de  mercado  seria  de  70  unidades,  considera­se  para  fins  de  apuração  70  unidades.  Segundo,  caso  se  constate  a presença de  ativos  intangíveis  sem  reconhecimento  contábil  no  valor de 12 unidades, tem­se, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre  Fl. 4676DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.677          33 o  valor  pago  (100  unidades)  e  o  valor  de  mercado  mais  intangíveis  (60  +  10  +  12  =  82  unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição  da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades.  Ocorre  que  o  legislador,  ao  editar  o  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977,  resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários.  Isso  porque  positivou  no  art.  20  do  mencionado  decreto­lei  que  o  denominado ágio poderia  ter  três  fundamentos  econômicos,  baseados:  (1) no  sobrepreço dos  ativos;  e/ou  (2) na expectativa de  rentabilidade  futura do  investimento  adquirido  e/ou  (3) no  fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º  da  Lei  nº  9.532,  de  10/12/1997,  autorizaram  a  amortização  do  ágio  nos  casos  (1)  e  (2),  mediante atendimento de determinadas condições.  Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos  fundamentos  econômicos,  consolidou­se  a  prática  de  se  adotar,  em  praticamente  todas  as  operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no  caso  (2):  expectativa  de  rentabilidade  futura  do  investimento  adquirido. O  ágio  passou  a  ser  simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento.  Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da  empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades,  poderia  justificar  o  sobrepreço  de  40  unidades  integralmente  com  base  no  fundamento  econômico de expectativa de  rentabilidade  futura do  investimento  adquirido. Na  realidade,  a  legislação tributária ampliou o conceito do goodwill.  E como dar­se­ia o aproveitamento do ágio?  Em duas situações.   Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao  alienar  a empresa B para uma outra pessoa  jurídica. Assim,  se vendesse a empresa B para a  empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades.  Isso porque, ao patrimônio  líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a  base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades,  perfazendo 50 unidades.  Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida)  promoverem  uma  transformação  societária  (incorporação,  fusão  ou  cisão),  de modo  em  que  passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa  C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia  passar  a  ser  amortizado,  para  fins  fiscais,  no  prazo  de  sessenta meses,  resultando  em  uma  redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar.  Naturalmente,  no  Brasil,  em  relação  ao  ágio,  a  contabilidade  empresarial  pautou­se pelas  diretrizes  da  contabilidade  fiscal,  até  a  edição  da Lei  nº  11.638,  de  2007. O  novo  diploma  norteou­se  pela  busca  de  uma  adequação  aos  padrões  internacionais  para  a  contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre  a  forma  e  a  orientação  por  princípios  sobrepondo­se  a  um  conjunto  de  regras  detalhadas  Fl. 4677DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.678          34 baseadas  em  aspectos  de  ordem  escritural  1.  Nesse  contexto,  houve  um  realinhamento  das  normas  contábeis  no  Brasil,  e  por  consequência  do  conceito  do  goodwill.  Em  síntese,  ágio  contábil  passa  (melhor dizendo, volta) a  ser a diferença  entre o valor da  aquisição  e o valor  patrimonial  justo  dos  ativos  (patrimônio  líquido  ajustado  pelo  valor  justo  dos  ativos  e  passivos).  E  recentemente,  por  meio  da  Lei  nº  12.973,  de  13/05/2014,  o  legislador  promoveu uma aproximação do conceito jurídico­tributário do ágio com o conceito contábil da  Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de  análise do presente voto.  Enfim,  resta  evidente  que  o  conceito  do  ágio  tratado  para  o  caso  concreto,  disciplinado pelo art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº  9.532,  de  10/12/1997,  alinha­se  a  um  conceito  jurídico  determinado  pela  legislação  tributária.   Trata­se, portanto, de instituto jurídico­tributário, premissa para a sua análise  sob uma perspectiva histórica e sistêmica.  2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses  Apesar  de  já  ter  sido  apreciado  singelamente  no  tópico  anterior,  o  destino  que  pode  ser  dado  ao  ágio  contabilizado  pela  empresa  investidora merece  uma  análise mais  detalhada.  Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976  trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica:  Art. 219. Extingue­se a companhia:   I ­ pelo encerramento da liquidação;   II ­ pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo  o patrimônio em outras sociedades.  E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas  partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica  investidora e a pessoa jurídica  investida,  sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço.  Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar  do  ágio  contabilizado:  (1)  a  investidora  deixa  de  ser  a  detentora  do  investimento,  ao  alienar  a  participação  da  pessoa  jurídica  adquirida  com  ágio;  (2)  a  investidora  e  a  investida transformam­se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação  e fusão).  Pode­se dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente,  com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações.                                                              1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª  ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31.  Fl. 4678DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.679          35 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida  No  primeiro  evento,  trata­se  de  situação  no  qual  a  investidora  aliena  o  investimento  para  uma  terceira  empresa.  Nesse  caso,  o  ágio  passa  a  integrar  o  valor  patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base  de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo Decreto­Lei nº 1.598, de 27/12/1977,  arts. 391 e 426 do RIR/99:  Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio  de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação  do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (Decreto­Lei nº  1.598, de 1977, art. 25, e Decreto­Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º,  inciso III).  Parágrafo  único.  Concomitantemente  com  a  amortização,  na  escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este  artigo,  será  mantido  controle,  no  LALUR,  para  efeito  de  determinação  do  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação do investimento (art. 426).  (...)  Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou  perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em  coligada  ou  controlada  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  (art.  384),  será  a  soma  algébrica  dos  seguintes  valores  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto­Lei nº 1.730,  de 1979, art. 1º, inciso V):  I  ­ valor de patrimônio  líquido pelo qual o investimento estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição  do  investimento,  ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros  de 1979 e 1980, na determinação do lucro real;  III  ­  provisão  para  perdas  que  tiver  sido  computada,  como  dedução,  na  determinação  do  lucro  real,  observado o  disposto  no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei)  Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento  que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação.  4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida  Já  o  segundo  evento  aplica­se  quando  a  investidora  e  a  investida  transformarem­se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O  ágio  pode  se  tornar  uma  despesa  de  amortização,  desde  que  preenchidos  os  requisitos  da  legislação  e  no  contexto  de  uma  transformação  societária  envolvendo  a  investidora  e  a  investida.  Fl. 4679DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.680          36 Contudo,  sobre  o  assunto,  há  evolução  legislativa  que  merece  ser  apresentada.  Primeiro,  o  tratamento  conferido  à participação  societária  extinta  em  fusão,  incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977:  Art  34  ­  Na  fusão,  incorporação  ou  cisão  de  sociedades  com  extinção  de  ações  ou  quotas  de  capital  de  uma  possuída  por  outra,  a  diferença  entre  o  valor  contábil  das  ações  ou  quotas  extintas  e  o  valor  de  acervo  líquido  que  as  substituir  será  computado  na  determinação  do  lucro  real  de  acordo  com  as  seguintes  normas:  (Revogado  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)   I  ­  somente  será  dedutível  como  perda  de  capital  a  diferença  entre  o  valor  contábil  e  o  valor  de  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  mercado,  e  o  contribuinte  poderá,  para  efeito  de  determinar  o  lucro  real,  optar  pelo  tratamento  da  diferença  como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;  (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   II  ­  será  computado  como  ganho  de  capital  o  valor  pelo  qual  tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil  das  ações  ou  quotas  extintas,  mas  o  contribuinte  poderá,  observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a  parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que  esse  seja  realizado.  (Revogado  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)   § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte  do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente  se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   a)  discriminar  os  bens  do  acervo  líquido  recebido  a  que  corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a  determinação  do  valor  realizado  em  cada  período­base;  e  (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de  controle  do  ganho  de  capital  ainda  não  tributado,  cujo  saldo  ficará  sujeito  a  correção  monetária  anual,  por  ocasião  do  balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo  permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   §  2º  ­  O  contribuinte  deve  computar  no  lucro  real  de  cada  período­base  a  parte  do  ganho  de  capital  realizada  mediante  alienação  ou  liquidação,  ou  através  de  quotas  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão  deduzidas  como  custo  ou  despesa  operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda  de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação,  fusão ou cisão estivesse  avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no  inciso  I,  o  valor  contábil  deveria  ser  maior  do  que  o  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  Fl. 4680DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.681          37 mercado,  e  tal  situação  se  mostraria  viável,  especialmente,  quando,  imediatamente  após  à  aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 2.  Ocorre  que  tal  previsão  se  consumou  em  operações  um  tanto  quanto  questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagando­se  ágio,  para,  em  logo  em  seguida,  promover  a  incorporação  da  investidora  pela  investida.  As  operações ocorriam quase simultaneamente.  E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação  societária,  sofreu  alteração  legislativa.  Vale  transcrever  a  Exposição  de  Motivos  da MP  nº  1.602, de 1997 3, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997.   11.  O  art.  8º  estabelece  o  tratamento  tributário  do  ágio  ou  deságio  decorrente  da  aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada  pelo  método da equivalência patrimonial.  Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a  esse  assunto,  diversas  empresas,  utilizando  dos  já  referidos  "planejamentos  tributários",  vem  utilizando  o  expediente  de  adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação,  com a  finalidade única de gerar ganhos de natureza  tributária,  mediante  o  expediente,  nada  ortodoxo,  de  incorporação  da  empresa lucrativa pela deficitária.  Com  as  normas  previstas  no  Projeto,  esses  procedimentos  não  deixarão  de  acontecer,  mas,  com  certeza,  ficarão  restritos  às  hipóteses  de  casos  reais,  tendo  em  vista  o  desaparecimento  de  toda  vantagem  de  natureza  fiscal  que  possa  incentivar  a  sua  adoção exclusivamente por esse motivo.  Não  vacilou  a  doutrina  abalizada  de  LUÍS  EDUARDO  SCHOUERI4  ao  discorrer, com precisão sobre o assunto:  Anteriormente  à  edição  da  Lei  nº  9.532/1997,  não  havia  na  legislação  tributária  nacional  regulamentação  relativa  ao  tratamento  que  deveria  ser  conferido  ao  ágio  em  hipóteses  de  incorporação  envolvendo  a  pessoa  jurídica  que  o  pagou  e  a  pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio.  O  que  ocorria,  na  prática,  era  a  consideração  de  que  a  incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do  ágio, independentemente de sua fundamentação econômica.  (...)  Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei  nº  9.532/1997,  adveio  um  cenário  diferente  em  matéria  de                                                              2 Ver Acórdão nº 1101­000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa.,  p. 15.  3  Exposição  de Motivos  publicada  no Diário  do  Congresso Nacional  nº  26,  de  02/12/1997,  pg.  18021  e  segs,  http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016.  4  SCHOUERI,  Luís  Eduardo.  Ágio  em  reorganizações  societárias  (aspectos  tributários).  São  Paulo  : Dialética,  2012, p. 66 e segs.  Fl. 4681DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.682          38 dedução  fiscal  do  ágio.  Desde  então,  restringiram­se  as  hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso  de  incorporação  entre  pessoas  jurídicas,  com  a  imposição  de  limites máximos de dedução em determinadas situações.  Ou seja,  nem  sempre o ágio contabilizado pela pessoa  jurídica  poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do  evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação  ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado  poderá  ser  deduzido,  a  depender  da  fundamentação econômica  que lhe seja conferida.  Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 5 que trabalhou na edição  da MP 1.602, de 1997:  O  artigo  8º  altera  as  regras  para  determinação  do  ganho  ou  perda de capital  na  liquidação de  investimento em coligada ou  controlada  avaliado  pelo  valor  do  patrimônio  líquido,  quando  agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas  regras,  os  ágios  existentes  não  mais  serão  computados  como  custo  (amortizados  pelo  total),  no  ato  de  liquidação do  investimento,  como eram de acordo com as normas ora modificadas.  O  ágio  ou  deságio  referente  à  diferença  entre  o  valor  de  mercado  dos  bens  absorvidos  e  o  respectivo  valor  contábil,  na  empresa  incorporada  (inclusive  a  fusionada  ou  cindida),  será  registrado na própria conta de  registro dos  respectivos bens, a  empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que  absorva  o  patrimônio  da  cindida),  produzindo  as  repercussões  próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente  de  expectativa  de  resultado  futuro  poderá  ser  amortizado  durante os cinco anos­calendário subsequentes à incorporação,  à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de  apuração. (...)   Percebe­se  que,  em  razão  de  um  completo  desvirtuamento  do  instituto,  o  legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997,  sobre  situações  específicas  tratando  de  eventos  de  transformação  societária  envolvendo  investidor e investida.   Inclusive,  no  decorrer dos  debates  tratando do  assunto,  chegou­se  a  cogitar  que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal.  Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria  ter  tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº  1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997).  Na  realidade,  a  Exposição  de Motivos  deixa  claro  que  a motivação  para  o  dispositivo  foi  um  maior  controle  sobre  os  planejamentos  tributários  abusivos,  que  descaracterizavam  o  ágio  por meio  de  analogias  completamente  desprovidas  de  sustentação  jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização.                                                              5  Relatório  da  Comissão Mista  publicada  no  Diário  do  Congresso  Nacional  nº  27,  de  03/12/1997,  pg.  18024,  http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016.  Fl. 4682DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.683          39 E  qual  foram  as  novidades  trazidas  pelos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  1997?  Primeiro,  há  que  se  contextualizar  a  disciplina  do  método  de  equivalência  patrimonial (MEP).  Isso porque o ágio aplica­se apenas em investimentos sociedades coligadas e  controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como  principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou  controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas.  As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser  refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio  líquido da  sociedade  investida  não  são  computados  na  determinação  do  lucro  real  da  investidora. Vale  transcrever  os  dispositivos  dos  arts.  387,  388  e  389  do  RIR/99  que  discorrem  sobre  o  procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora.  Art.  387.  Em  cada  balanço,  o  contribuinte  deverá  avaliar  o  investimento  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  da  coligada  ou  controlada,  de  acordo  com  o  disposto  no  art.  248  da  Lei  nº  6.404, de 1976, e as seguintes normas (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 21, e Decreto­Lei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III):  (...)  Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387,  I),  deverá  ser  ajustado  ao  valor  de  patrimônio  líquido  determinado  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  anterior,  mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta  de investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 22).  (...)  Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por  aumento  ou  redução  no  valor  de  patrimônio  líquido  do  investimento, não será computada na determinação do lucro real  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 23, e Decreto­Lei nº 1.648,  de 1978, art. 1º, inciso IV).  (...)  Resta  nítida  a  separação  dos  patrimônios  entre  investidora  e  investida,  inclusive  as  repercussões  sobre  os  resultados  de  cada  um.  A  investida,  pessoa  jurídica  independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são  por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido  em razão de  resultados positivos, por meio do MEP há uma  repercussão na contabilidade da  investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos  é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é  excluída  na  apuração  do  Lucro  Real.  Com  certeza,  não  faria  sentido  tributar  os  lucros  na  investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu  precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida.  E  esclarece  o  art.  385  do  RIR/99  que  se  a  pessoa  jurídica  adquirir  um  investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio  Fl. 4683DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.684          40 líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da  aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do  investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes:  Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II  ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  §  1º O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes,  seu  fundamento econômico  (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante  da  escrituração  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  20,  §  3º).  (grifei)  Como  se  pode  observar,  a  formação  do  ágio  não  ocorre  espontaneamente.  Pelo  contrário,  deve  ser  motivado,  e  indicado  o  seu  fundamento  econômico,  que  deve  se  amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1)  valor  de mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ou  inferior  ao  custo  registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras  razões econômicas.  E,  conforme  já  dito,  por  ser  a motivação  adotada  pela quase  totalidade  das  empresas,  todos os holofotes dirigem­se ao fundamento econômico com base em expectativa  de rentabilidade futura da empresa adquirida.  Trata­se precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada  ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a  desembolsar  pelo  investimento  um  valor  superior  ao  daquele  contabilizado  no  patrimônio  líquido  da  vendedora.  Por  sua  vez,  tal  expectativa  deve  ser  lastreada  em  demonstração  Fl. 4684DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.685          41 devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art.  385 do RIR/99.  E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997,  consolidados  no  art.  386  do RIR/99. Como  já  dito,  em  eventos  de  transformação  societária,  quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou  deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação:  Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja  o  de  que  trata  o  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu  causa;   II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida  a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  II  do  §  2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;   IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os  cinco  anos­calendário  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês  do período de apuração.(...) (grifei)  Fica  evidente  que  os  arts.  385  e  386  do  RIR/99  guardam  conexão  indissociável,  constituindo­se em norma  tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos  casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia.  5. Amortização. Despesa.  Definido que o aproveitamento do ágio pode dar­se por meio de despesa de  amortização, mostra­se pertinente apreciar do que trata tal dispêndio.  No RIR/99 (Decreto­Lei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização  encontra­se no Subtítulo  II  (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção  III  (Custos,  Despesas Operacionais e Encargos).   O  artigo  299  do  diploma  em  análise  trata,  no  art.  299,  na  Subseção  I,  das  Disposições Gerais sobre as despesas:  Fl. 4685DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.686          42 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à manutenção  da  respectiva  fonte  produtora  (Lei  nº  4.506, de 1964, art. 47).  §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização  das  transações  ou  operações  exigidas  pela  atividade  da  empresa  (Lei  nº  4.506,  de  1964, art. 47, § 1º).  §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §  2º).  §  3º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  também  às  gratificações  pagas  aos  empregados, seja qual for a designação que tiverem.  Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da  empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de  transações, operações ou atividades da empresa.  Por  sua  vez,  logo  após  as  Subseções  II  (Depreciação  de  Bens  do  Ativo  Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização,  no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 6.  Percebe­se que a amortização constitui­se em espécie de gênero despesa, e,  naturalmente, encontra­se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do  RIR/99.  6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente  No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou  da vontade humana.  O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social.   No  que  concerne  ao  direito  tributário,  são  escolhidos  fatos  decorrentes  da  atividade econômica,  financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em  razão  de  atividades  normais,  que  são  eleitos  porque  guardam  repercussão  com  a  renda  ou  o  patrimônio. São condutas  relevantes de pessoas  físicas ou  jurídicas,  de ordem econômica ou  social, ocorridas no mundo dos  fatos, que são colhidas pelo  legislador que  lhes confere uma  qualificação jurídica.                                                              6  Art.  324.  Poderá  ser  computada,  como  custo  ou  encargo,  em  cada  período  de  apuração,  a  importância  correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a  formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e Decreto­Lei nº 1.598,  de 1977, art. 15, § 1º).  § 1º  Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de  aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º).  § 2º   Somente  serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas  neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º).  § 3º  Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de  seu custo, o  saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que  se extinguir o direito ou  terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º).  § 4º   Somente será permitida a amortização de bens e direitos  intrinsecamente relacionados com a produção ou  comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III).  Fl. 4686DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.687          43 Por  exemplo,  o  fato  de  auferir  lucro, mediante  operações  espontâneas,  das  atividades  operacionais  da  pessoa  jurídica,  amolda­se  à  hipótese  de  incidência  prevista  pela  norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos.  Da  mesma  maneira,  a  pessoa  jurídica,  no  contexto  de  suas  atividades  operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contrata­se um prestador  de serviços, compra­se uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da  empresa, que surgem naturalmente.   Ocorre  que,  em  relação  aos  casos  tratados  relativos  á  amortização  do  ágio,  proliferaram­se  situações  no  qual  se  busca,  especificamente,  o  enquadramento  da  norma  permissiva de despesa.  Tratam­se  de  operações  especialmente  construídas,  mediante  inclusive  utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional  incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas  no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias  ou meses, serem objeto de operações de transformação societária.  Tais  eventos  podem  receber qualificação  jurídica  e  surtir  efeitos  nos  ramos  empresarial, cível, contábil, dentre outros.   Situação completamente diferente ocorre no  ramo  tributário. Não há norma  de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de  operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de  normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações  atípicas,  não  consentâneas  com  uma  regular  operação  econômica  e  financeira  da  pessoa  jurídica.  Admitindo­se  uma  construção  artificial  do  suporte  fático,  consumar­se­ia  um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade  contributiva  e da  isonomia,  vez que seria  conferida a uma determinada  categoria de despesa  uma premissa  completamente diferente, uma  liberalidade não aplicável  à grande maioria dos  contribuintes.  7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização  Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir  com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização.  Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar  do  ágio  contabilizado:  (1)  a  investidora  deixa  de  ser  a  detentora  do  investimento,  ao  alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora  e  a  investida  transformam­se  em  uma  só  universalidade  (em  eventos  de  cisão,  transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação.  Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e  nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para  o debate:  Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.688          44 Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II  ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  §  1º O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes,  seu  fundamento econômico  (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante  da escrituração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).  Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  (...)  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  II  do  §  2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração; (...) (grifei)  Percebe­se  claramente,  no  caso,  que  o  suporte  fático  delineado  pela  norma  predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A  pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou  cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio.  Fl. 4688DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.689          45 A conclusão é ratificada analisando­se a norma em debate sob a perspectiva  da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 7.  Esclarece  o  doutrinador  que  a  hipótese  de  incidência  se  apresenta  sob  variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade.   Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao  determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária.  E  a  norma  em  análise  se  dirige  à  pessoa  jurídica  investidora  originária,  aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou  os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa  jurídica investida.   Ocorre  que,  em  se  tratando  do  ágio,  as  reorganizações  societárias  empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo.  Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire  com  ágio  participação  societária  da  pessoa  jurídica  B.  Em  seguida,  utiliza­se  de  uma  outra  pessoa  jurídica,  C,  e  integraliza  o  capital  social  dessa  pessoa  jurídica C  com  a  participação  societária  que  adquiriu  da  pessoa  jurídica  B.  Resta  consolidada  situação  no  qual  a  pessoa  jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em  seguida,  sucede­se  evento  de  transformação  societária,  no  qual  a  pessoa  jurídica  B  absorve  patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa.  Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica  A  (investidora)  e  a pessoa  jurídica B  (investida)  cuja participação  societária  foi  adquirida  com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa  jurídica  A  (investidora),  em  razão  de  reorganizações  societárias  empreendidas  por  grupo  empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C,  ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deu­se  pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B.  Da  mesma  maneira,  encontram­se  situações  no  qual  a  pessoa  jurídica  A  realiza  aportes  financeiros  na  pessoa  jurídica  C  e,  de  plano,  a  pessoa  jurídica  C  adquire  participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve  patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio.  Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência  da norma em questão. A pessoa  jurídica que  adquiriu o  investimento,  que acreditou na mais  valia  e  que  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição  foi,  de  fato,  a  pessoa  jurídica  A  (investidora).  No  outro  pólo  da  relação,  a  pessoa  jurídica  adquirida  com  ágio  foi  a  pessoa  jurídica  B.  Ou  seja,  o  aspecto  pessoal  da  hipótese  de  incidência,  no  caso,  autoriza  o  aproveitamento  do  ágio  a  partir  do  momento  em  que  a  pessoa  jurídica  A  (investidora)  e  a  pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade.  São as  situações mais  elementares. Contudo, há  reorganizações  envolvendo  inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante).                                                              7 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs.  Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.690          46 Vale  registrar  que  goza  a  pessoa  jurídica  de  liberdade  negocial,  podendo  dispor  de  suas  operações  buscando  otimizar  seu  funcionamento,  com  desdobramentos  econômicos, sociais e tributários.  Contudo, não necessariamente  todos os  fatos  são  recepcionados pela norma  tributária.   A  partir  do  momento  em  que,  em  razão  das  reorganizações  societárias,  passam  a  ser  utilizadas  novas  pessoas  jurídicas  (C,  D,  E,  F,  G,  e  assim  sucessivamente),  pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa  jurídica  B),  e  o  evento  de  absorção  não  envolve  mais  a  pessoa  jurídica  A  e  a  pessoa  jurídica B, mas  sim pessoa  jurídica distinta  (como, por exemplo, pessoa  jurídica F  e pessoa  jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 torna­se impossível, vez que o fato imponível  (suporte  fático,  situado  no  plano  concreto)  deixa  de  ser  amoldar  à hipótese  de  incidência da  norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal.  Em  relação  ao  aspecto  material,  há  que  se  consumar  a  confusão  de  patrimônio  entre  investidora  e  investida,  a  que  faz  alusão  o  caput  do  art.  386  do  RIR  (A  pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,  na qual detenha participação  societária adquirida  com ágio ou deságio...). Com a  confusão  patrimonial,  aperfeiçoa­se  o  encontro  de  contas  entre  o  real  investidor  e  investida,  e  a  amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ  e da CSLL.  Na  realidade,  o  requisito  expresso  de  que  investidor  e  investida  passam  a  compor  o  mesmo  patrimônio,  mediante  evento  de  transformação  societária,  no  qual  a  investidora  absorve  a  investida,  ou  vice  versa,  encontra  fundamento  no  fato  de  que,  com  a  confusão  de  patrimônios,  o  lucro  auferido  pela  investida  passa  a  integrar  a  mesma  universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção,  investidor  e  investida  são  entidades  autônomas.  O  lucro  auferido  pela  investida  (que  foi  a  motivação  para  que  a  investidora  adquirisse  a  investida  com  o  sobrepreço),  é  tributado  pela  própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida  seria  refletido  na  investidora,  sem,  contudo,  haver  tributação  na  investidora.  A  lógica  do  sistema  mostra­se  clara,  na  medida  em  que  não  caberia  uma  dupla  tributação  dos  lucros  auferidos pela investida.   Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial,  os  lucros  auferidos  pela  então  investida  passam  a  integrar  a  mesma  universalidade  da  investidora.  Reside,  precisamente  nesse  ponto,  o  permissivo  para  que  o  ágio,  pago  pela  investidora  exatamente  em  razão  dos  lucros  a  serem  auferidos  pela  investida,  possa  ser  aproveitado,  vez  que passam a  se  comunicar,  diretamente,  a  despesa  de  amortização  do  ágio e as receitas auferidas pela investida.  Ou  seja,  compartilhando  o  mesmo  patrimônio  investidora  e  investida,  consolida­se cenário no qual a mesma pessoa  jurídica que adquiriu o  investimento com mais  valia  (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser  tributada pelos  lucros  percebidos nesse investimento.                                                               8 SCHOUERI, 2012, p. 62.  Fl. 4690DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.691          47 Verifica­se,  mais  uma  vez,  que  a  norma  em  debate,  ao  predicar,  expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os  sujeitos  da  relação  jurídica  seriam  a  pessoa  jurídica  que  absorver patrimônio  de outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Trata­se precisamente  do  encontro  de  contas  da  investidora  originária,  que  incorreu  na  despesa  e  adquiriu  o  investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido.  Prosseguindo  a  análise  da  hipótese de  incidência  da  norma  em questão,  no  que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita­ se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que  provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável.   Registre­se que  a  consumação do  aspecto  temporal não  se  confunde com o  termo inicial do prazo decadencial.  Isso porque, partindo­se da construção da norma conforme operação no qual  "Se A é, B deve­ser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente,  a  consumação da hipótese de incidência localiza­se no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que  a  hipótese  de  incidência,  no  caso  concreto, mediante  aperfeiçoamento  dos  aspectos  pessoal,  material e temporal, concretizou­se em sua plenitude. Assim, passa­se para a etapa seguinte, o  consequente ("B deve­ser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido  o  contribuinte  (lucro  real  trimestral  ou  anual),  efetua­se  o  lançamento  fiscal  com  base  na  repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da  base de cálculo, e, por consequência, determina­se o termo inicial para contagem do prazo  decadencial.  8. Consolidação  Considerando­se  tudo  o  que  já  foi  escrito,  entendo  que  a  cognição  para  a  amortização  do  ágio  passa  por  verificar,  primeiro,  se  os  fatos  se  amoldam  à  hipótese  de  incidência,  segundo,  se  requisitos  de  ordem  formal  estabelecidos  pela  norma  encontram­se  atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado.  A primeira  verificação  parece  óbvia, mas,  diante  de  todo  o  exposto  até  o  momento,  observa­se  que  a discussão mais  relevante  insere­se  precisamente  neste momento,  situado antes da subsunção do fato à norma. Fala­se insistentemente se haveria impedimento  para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma  de  despesa.  O  ponto  é  que,  independente  da  genialidade  da  construção  empreendida,  da  reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma  não  perderá  a  condição  de  investidora  originária.  Quem  viabilizou  a  aquisição?  De  onde  vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida?  Quem  tomou  a  decisão  de  adquirir  um  investimento  com  sobrepreço?  Respondo:  a  investidora originária.   Ainda  que  a  pessoa  jurídica  A,  investidora  originária,  para  viabilizar  a  aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica  C,  ou  (2)  efetuado  aportes  financeiros  (dinheiro, mútuo)  para  a  pessoa  jurídica C,  a  pessoa  jurídica A não perderá a condição de investidora originária.   Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.692          48 Pode­se  dizer  que,  de  acordo  com  as  regras  contábeis,  em  decorrência  de  reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio  da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida).  Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa  jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários.  Isso  porque  se  trata  de  operação  que  não  se  enquadra  na  hipótese  de  incidência  da  norma,  que  elege,  quanto  ao  aspecto  pessoal,  a  pessoa  jurídica A  (investidora  originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas  entre  a  despesa  incorrida  pela  pessoa  jurídica  A  (investidora  originária  que  efetivamente  incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela  pessoa jurídica B (investida).  Mostra­se  insustentável,  portanto,  ignorar  todo  um  contexto  histórico  e  sistêmico  da norma permissiva  de  aproveitamento  do  ágio,  despesa  operacional,  para  que  se  autorize  "pinçar"  os  artigos  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  1997,  promover  uma  interpretação  isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos  construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária.  Caso  superada  a  primeira  verificação,  cabe  prosseguir  com  a  segunda  verificação,  relativa  a  aspectos  de  ordem  formal,  qual  seja,  se  a  demonstração  que  o  contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico  do  ágio.  Há  que  se  verificar  também  (3)  se  ocorreu,  efetivamente,  o  pagamento  pelo  investimento.   Enfim, refere­se a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu  dentro  de  padrões  normais  de  mercado,  com  atuação  de  agentes  independentes,  distante  de  situações  que  possam  indicar  ocorrência  de  negociações  eivadas  de  ilicitude,  que  poderiam  guardar  repercussão,  inclusive,  na  esfera  penal,  como  nos  crimes  contra  a  ordem  tributária  previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990.  9. Sobre o Caso Concreto  Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto.   Trata­se da  alienação  do  investimento VWCO,  pela  alienante VIF  (sede  na  Holanda), para a adquirente MAN AG (sede na Alemanha).  Em 16/03/2009, foi efetuada a transação. A MAN AG, investidora, valeu­se  de empresa "holding" situada no Brasil, MAN S/A, transferindo recursos para a aquisição da  VWCO, no qual foi apurado ágio no montante de 2,5 bilhões de reais.  Consolidou­se  estrutura  societária  no  qual  a MAN AG  era  controladora  da  MAN S/A, e a MAN S/A controladora da VWCO.  Na  sequência,  30/11/2009,  a  VWCO  incorpora  a  MAN  S/A,  e  passa  a  amortizar o ágio, porque entendeu a Contribuinte que se consumaria a hipótese de incidência  prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997.   Fl. 4692DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.693          49 O que se observa é que tal interpretação não encontra amparo na legislação.  Diante de  todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa  pela primeira verificação (vide item 8 do voto).   Quanto  ao  aspecto  pessoal,  cabe  verificar  quem  é  efetivamente  a  pessoa  jurídica investidora e a pessoa jurídica investida.   A pessoa jurídica investidora é a MAN AG que efetuou o aporte de recursos  para  aquisição  do  investimento  (participação  societária  da  Contribuinte)  com  pagamento  de  sobrepreço, por ter sido realizado em valor superior ao do patrimônio líquido. Independente de  a empresa estar localizada no Brasil ou no exterior (como é o caso concreto), fato é que deveria  ter participado do evento de incorporação.   Registre­se que o  fato de os  recursos para  aquisição do  investimento  terem  passado  de  maneira  efêmera  pela  MAN  S/A  ("holding"  no  Brasil)  não  lhe  conferem  a  condição  de  investidora  exigida  pela  legislação.  É  incontestável  que  foi  a  MAN  AG  a  empresa  que  efetivamente  acreditou  na  mais  valia  do  investimento,  coordenou  e  comandou  os  estudos  de  rentabilidade  futura  do  investimento  a  ser  adquirido  e  desembolsou os recursos para a aquisição (vide item 7 do presente tópico).   E,  como visto,  o  evento de  incorporação não  contou com a participação da  MAN AG, ou seja, não estava presente a pessoa jurídica investidora. O evento contou com a  presença  da  MAN  S/A  ("holding",  denominada  "empresa  veículo")  e  da  VWCO  (investimento).   Na mesma  medida,  deixou  de  ocorrer  a  comunicação  do  patrimônio  entre  investidor e investida, razão pela qual não se consumou o aspecto material.  O que se observa é que a utilização da empresa MAN S/A tornou impossível  a concretização da hipótese de incidência da norma, pois afastou a pessoa jurídica investidora  (MAN AG) do evento de incorporação.  Nesse  sentido,  o  aproveitamento  da  despesa  de  amortização  de  ágio  promovido pela Contribuinte deu­se sem respaldo legal, vez que não se consumou a hipótese  de incidência prevista nos arts. 7º e 8·da Lei nº 9.532, de 1997.  Tal aspecto já justifica na integralidade, por si só, a manutenção da autuação  fiscal.   Mas  vale  dizer  que  o  caso  em  tela  retrata,  com  nitidez,  a  construção  artificial do suporte fático, para que se pudesse amoldar à hipótese de incidência de despesa  de  amortização  do  ágio  (item  6  do  presente  tópico).  Resta  evidente  o  deliberado  intuito  de  fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. As transações ocorreram mediante  utilização de empresa sem substância, de "prateleira", a MAN S/A.   Vale transcrever excerto do voto da DRJ (e­fls. 3498):  129. As apurações feitas pela fiscalização demonstram que todas  as  etapas  do  processo  foram  antecipada  e  cuidadosamente  planejadas,  tendo  sido  constituída  uma  empresa  veículo  especificamente  para  permitir  a  amortização  do  ágio.  Resta  Fl. 4693DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.694          50 claro  que  as  pessoas  envolvidas  nas  operações,  incluindo  a  impugnante,  agiram  com  a  intenção  livre  e  consciente  de  se  eximir da tributação, promovendo alterações contratuais apenas  sob aspecto formal, sem qualquer propósito negocial.  130.  As  operações  foram  estruturadas  de  modo  a  criar  artificialmente situações que se enquadrariam nos artigos 385 e  386  do  RIR/99,  possibilitando  a  amortização  do  ágio  na  impugnante.  131.  O  motivo  primordial  da  incorporação  da  MAN  S/A  pela  impugnante (MAN Ltda) e das etapas que a precederam, situa­se  no campo tributário. A aquisição da empresa veiculo MAN S/A,  antiga  PRCSPE  ("holding"),  para  a  realização  da  aquisição  e  pagamento  formal,  com  ágio,  pelo  controle  da  empresa  operacional VWCO (atual MAN LTDA). Posteriormente, a MAN  S/A foi incorporada pela empresa operacional MAN LTDA. Tudo  isso  apenas  para  fornecer  uma  aparência  de  conformidade  ao  direito,  quando  o  contexto  evidencia  o  fim  prático  a  que  o  negócio se destinava: a internalização de um ágio transacionado  entre  empresas  localizadas  no  exterior  pago  de  fato  pela  sociedade  MAN  AG  (alemã)  à  VIF  (holandesa)  e  transferido  para  a  subsidiária  integral MAN  LTDA  (nacional)  objetivando  uma  redução  do  pagamento  de  tributos  através  da  posterior  dedução  da  amortização  desse  ágio  e  a  conseqüente  capitalização  da  economia  tributária  alcançada.  Os  motivos  extratributários alegados não são suficientes para afastar o fim  a  que  o  conjunto  das  operações  realizadas  visava,  que  era  a  dedução das despesas relativas à amortização do ágio.  Portanto, deve ser mantida a autuação fiscal em relação ao ágio. A utilização  de  empresa  intermediária  (MAN  S/A)  afasta  a  possibilidade  de  atendimento  dos  aspectos  pessoal e material da norma.  Nesse  sentido,  deve­se  negar  provimento  ao  recurso  especial  da  Contribuinte.  II ­ Qualificação da Multa de Ofício ­ RE da PGFN  Em razão das operações descritas no  tópico  anterior,  protesta  a PGFN pelo  restabelecimento da qualificação da multa de ofício (150%) imputado pela autoridade fiscal.  Como  já  visto  no  item  anterior,  a  utilização  da  MAN  S/A,  empresa  sem  substância, deu­se de maneira deliberada para construir artificialmente a hipótese de incidência  que permitiria o aproveitamento da despesa.  Vale reproduzir excertos do Termo de Verificação Fiscal (e­fls. 3189/3140):  No  caso  presente,  a  intenção  das  operações  realizadas  foi,  claramente,  o  aproveitamento  indevido  do  ágio  nos  resultados  na  MAN  LTDA  com  a  dedução  dos  encargos  de  amortização  desse  ágio,  através  de  atos  elaborados  em  curso  espaço  de  tempo, os quais tiveram a função de distorcer o resultado fiscal  Fl. 4694DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.695          51 que  se  daria  naturalmente  caso  as  partes  não  engendrassem  elaborado planejamento.  O que se verificou na prática acima exposta é que o contribuinte,  de forma elaborada, buscou uma construção artificial e que teve  como intuito dificultar a análise por parte da fiscalização do real  motivo para a reorganização societária.  (...)  A fiscalizada, ao formalizar seus registros contábeis, societários  e fiscais de forma a dar uma aparência de correção ao montante  do  ágio  amortizado  tributariamente,  pretende  induzir  a  fiscalização a avalizar uma operação que, nessas circunstâncias,  é inoponível à Fazenda.  Age, portanto, com dolo (...)  O plus na conduta é evidente, com eventos mediante utilização de empresa  artificial e em breve lapso temporal, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Não se  trata  de  mero  descumprimento  do  dispositivo  legal.  Verifica­se  a  presença  dos  elementos  cognitivo  e  volitivo,  consumando­se  o  dolo,  cuja  definição  é  apresentada  com  clareza  por  CEZAR ROBERTO BITENCOURT9:  O  dolo,  elemento  essencial  da  ação  final,  compõe  o  tipo  subjetivo.  Pela  sua  definição,  constata­se  que  o  dolo  é  constituído  por  dois  elementos:  um  cognitivo,  que  é  o  conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo,  que  é  a  vontade  de  realizá­la.  O  primeiro  elemento,  o  conhecimento,  é  pressuposto  do  segundo,  a  vontade,  que  não  pode existir sem aquele.  Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 10 discorre com didática:  Para a configuração do dolo exige­se a consciência daquilo que  esse  pretende  praticar.  Essa  consciência  deve  ser  atual,  isto  é,  deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo  realizada   Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 11:  A  vontade,  incondicionada,  deve  abranger  a  ação  ou  omissão  (conduta),  o  resultado  e  o  nexo  causal. A  vontade  pressupõe  a  previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível  querer  algo  conscientemente  senão  aquilo  que  se  previu  ou  representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente.  Presentes,  sem  sombra  de  dúvidas,  os  elementos  volitivo  e  cognitivo.  Flagrante se mostra o dolo.  Cabe, portanto, ser restabelecida a qualificação da multa de ofício.                                                              9 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal  : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo  : Saraiva,  2007, p. 267.  10 BITENCOURT, 2007, p. 269.  11 BITENCOURT, 2007, p. 269.  Fl. 4695DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.696          52 Assim, deve ser dado provimento ao recurso especial da PGFN.  III ­ Repercussão da Glosa de Despesa de Amortização de Ágio na Base  de Cálculo da CSLL. RE da Contribuinte.  Protesta  a  Contribuinte  sobre  a  repercussão  de  glosa  de  despesa  de  amortização de ágio na Base de Cálculo da CSLL.  Há que se buscar a interpretação sistêmica da legislação tributária, sob pena  de incorrer em contradições.  Toda a construção empreendida pelo Decreto­lei nº 1.598, de 1977, encontra­ se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual  se  buscou  modernizar  os  conceitos  de  contabilização  de  investimentos  decorrentes  de  participações  societárias,  inclusive  com  a  adoção  do  método  de  equivalência  patrimonial  (MEP).  Foram  tratados  três  momentos  cruciais  para  o  investidor,  nascimento,  desenvolvimento  e  fim  do  investimento,  respectivamente  delineados:  (1)  o  da  aquisição  do  investimento,  normatizando­se  a  figura  do  "ágio",  que  consiste  no  sobrepreço  pago  na  aquisição,  e  (2)  o momento  em  que  o  investimento  gera  frutos  para  o  investidor,  ou  seja,  a  empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento.  Em  relação  ao  segundo  momento  (desenvolvimento  do  investimento),  a  interpretação  integrada dos dois diplomas normativos consolidou a  construção de  sistema no  qual  os  resultados  de  investimentos  em  participações  societárias  pudessem  ser  devidamente  refletidos  no  investidor,  por  meio  do  MEP,  e  ao  mesmo  tempo,  não  fossem  objeto  de  bitributação.  Isso  porque,  em  se  considerando  estritamente  os  lançamentos  contábeis,  os  resultados  da  investida  seriam  refletidos  no  investidor,  fazendo  com  que  tanto  na  investida  quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese,  integrariam o lucro  líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinou­se que o investidor poderia efetuar  ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela  investida.  É  o  que  prescreve  o  art.  22  do  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  quando  determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do  investimento  na  data  do  balanço  (...),  deverá  ser  ajustado  ao  valor  de  patrimônio  líquido,  mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha  apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta  de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável.   Tal  repercussão é neutralizada  logo no artigo seguinte  (art. 23),  ao predicar  que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não  será computada no  lucro real  (...). Assim, o crédito em conta de  resultado seria excluído na  apuração do lucro real.  Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na  base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação  de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1).   Fl. 4696DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.697          53 Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as  bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações  societárias e os correspondentes resultados auferidos.  A  preocupação  do  legislador  em  compatibilizar  a  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  mediante  a  operacionalização  de  ajustes  no  lucro  líquido,  é  evidente.  Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias  relativas  ao  primeiro  momento  (aquisição  do  investimento)  e  o  terceiro  momento  (desfazimento  do  investimento),  poder­se­ia  aplicar  um  entendimento  diferente  daquele  relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento).  Em  relação ao  terceiro momento  (desfazimento do  investimento),  predica  a  norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração  da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decreto­lei nº 1.598, de 1977).  E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do  investimento)  e  o  terceiro  momento  (desfazimento  do  investimento),  o  primeiro  momento  (nascimento  do  investimento)  trata  da  aquisição  do  investimento  que,  se  for  realizada  com  sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o  art.  20  do  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  ao  determinar  nos  incisos  I  e  II  que  o  custo  de  aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio  líquido na época da aquisição e  (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decreto­lei  nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam  computadas na determinação do lucro real, não há nenhum sentido em se considerar que tal  ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Repito: o que se  observa é a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Os motivos apresentados até o momento são suficientes para demonstrar que  a glosa de despesa de amortização do ágio tem repercussão tanto para a apuração da base de  cálculo do IRPJ quanto da CSLL.  Contudo, caso ainda haja alguma contestação sobre tal entendimento, cabem  considerações complementares.  Não se pode esquecer que o ágio é despesa, submetida a amortização.  Logo,  encontra­se  a  despesa  do  ágio  submetida  ao  regramento  geral  das  despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, base legal para o art. 299 do RIR/99:  Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º).  §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º).  Fl. 4697DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.698          54 § 3º O disposto  neste  artigo  aplica­se  também às  gratificações  pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.  Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe:  Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  as  seguintes  deduções,  independentemente  do  disposto  no  art.  47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifei)  A  interpretação  dada  ao  dispositivo  pelo  Conselheiro  Marcos  Pereira  Valadão, no Acórdão nº 9101­002.396, é didática e esclarecedora:  Assim,  o  texto  legal  acima  transcrito  evidencia  claramente  o  vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos  requisitos  para  a  dedutibilidade  de  despesas,  do  contrário  não  faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se  o  texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar  "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável  àquela mesma situação.  Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47  da Lei nº 4.506, de 1964, aplicam­se tanto ao IRPJ quanto à CSLL.  A  redação  do  art.  13  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  dispõe  claramente  sobre  hipóteses  de  despesas  indedutíveis  tanto  para  o  IRPJ  quanto  para  a  CSLL,  incluindo  expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964.  Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das  despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição  à Base de Cálculo da CSLL.  No mesmo  contexto,  encontra­se  a  redação  do  art.  57  da  Lei  nº  8.981,  de  1995, mencionada pela autoridade fiscal:  Art. 57. Aplicam­se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº  7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base  de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com  as alterações introduzidas por esta Lei.  Pela  expressão  normas  de  apuração  entende­se  o  cômputo  do  quantum  tributável,  o  procedimento  consistente  em determinar  a  base  de  cálculo  do  tributo, mediante  operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes  autos.  Pelo  dispositivo,  resta  mais  evidente  que  repercussão  dos  ajustes  efetuados  para  apuração da base de cálculo do IRPJ para a CSLL.  Nesse  contexto,  entendo  não  haver  reparos  ao  procedimento  adotado  pela  autoridade  fiscal  ao  promover  a  glosa  de  despesa  de  amortização  de  ágio  tanto  para  o  IRPJ  quanto para a CSLL.  Fl. 4698DF CARF MF Processo nº 16561.720086/2013­06  Acórdão n.º 9101­003.275  CSRF­T1  Fl. 4.699          55 Portanto, deve ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte em  relação à matéria.  IV. Conclusão.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  (i)  negar  provimento  ao  recurso  especial da Contribuinte, e (ii) dar provimento ao recurso especial da PGFN.    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura                    Fl. 4699DF CARF MF

score : 1.0