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Numero do processo: 19515.002482/2006-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA
O instituto da prescrição, conforme o artigo 174 do CTN, é a ação para a cobrança do crédito tributário, cujo termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa, situação não cabível aos presentes autos
Numero da decisão: 3302-005.213
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA O instituto da prescrição, conforme o artigo 174 do CTN, é a ação para a cobrança do crédito tributário, cujo termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa, situação não cabível aos presentes autos
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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INOCORRÊNCIA O instituto da prescrição, conforme o artigo 174 do CTN, é a ação para a cobrança do crédito tributário, cujo termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa, situação não cabível aos presentes autos Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 82 /2 00 6- 64 Fl. 394DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira CPMF, fls. 46/64, que constituiu o crédito tributário total de RS 154.323,44, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2006. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 42/45, a autoridade autuante contextualiza o lançamento, relatando que a atuação fiscal decorre da análise das informações referentes à CPMF não retida e não recolhida por força de provimento judicial, posteriormente revogado, prestadas pelas instituições financeiras junto às quais na contribuinte foi titular de conta corrente. Cientificado do lançamento em 30/11/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 08/12/2006, fls. 66/75, alegando, em síntese: A fiscalização constatou mediante declaração emitida pelo Banco Bradesco S/A (...) que aquela instituição bancária deixou de efetuar as retenções relativas àquele período pelo fato de que o contribuinte, ora Impugnante, estava protegido por provimento liminar concedido (...) em autos de mandado de Segurança por ele (o contribuinte) impetrado. Posteriormente, e conforme se verifica da documentação ora exibida, uma vez ouvida a autoridade apontada como impetrada, o Ilustre Juiz em sentença proferida houve por bem conceder a segurança, 'a fim de eximir da CPMF qualquer aplicação ou lançamento bancário concernente à impetrante, diante da inconstitucionalidade da Emenda Como se vê, a Impugnante não deixou de recolher a referida contribuição por mera idiossincrasia ou outro motivo menos relevante. Estava absolutamente desobrigada por decisão judicial conforme o demonstram os documentos que com esta se oferece. Posteriormente, provido o recurso oficial e não obstante manejasse outros recursos visando restabelecer a sentença monocrática, a Impugnante passou a depositar nos autos respectivos, mês a mês, a referida contribuição conforme o revelam as guias cujas cópias pede.,vênia para exibir. Bem por isso, e, especial pelas razões adiante aduzidas, a Impugnante questiona a incidência dos valores acessórios, ou seja, juros de mora e multa proporcional e bem assim a atualização monetária calculada pela (...) SELIC (..). Fl. 395DF CARF MF Processo nº 19515.002482/200664 Acórdão n.º 3302005.213 S3C3T2 Fl. 395 3 Ora bem, não é justo ao contribuinte suportar pesados encargos pelo não recolhimento de uma contribuição da qual estava isenta por decisão judicial. Aceitase resignadamente a atualização monetária, não pela taxa SELIC, mas pelo IGPM ou qualquer outro indexador que retrate com absoluta exatidão a inflação verificada no período. Por igual, não é o caso da incidência de juros moratórios. Não houve, na espécie, tardança culpável no cumprimento da obrigação tributária. Ora, o não recolhimento da contribuição agora exigida tinha justa causa, ou seja, vigorava decisão judicial que isentava a Impugnante do recolhimento da contribuição. À tardança ou demora no recolhimento não foi injusta, mas absolutamente motivada o que basta para afastar a incidência de juros de mora, a que manifestamente não se deu causa. _ O mesmo se diga em relação à multa pelo não recolhimento da contribuição. Se o recolhimento não foi feito porque o poder judiciário assim determinou, não há como nem porque fazer incidir sobre o principal a multa proporcional que a fiscalização indevidamente aplicou. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA.FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/07/1999 a 21/11/2001 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício. O prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização Fl. 396DF CARF MF 4 da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. MULTA.RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infrações, a falta de recolhimento do tributo sujeita a contribuinte à incidência dos juros decorrentes da mora e à imposição da multa de ofício. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 29/10/2009, conforme AR de fl. 360, apresenta em 24/11/2009, fl. 364/374 Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde suscita a prescrição do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Decadência e da Prescrição Observase que a questão da decadência já foi abordada pela decisão de piso, no entanto reitera o recorrente, arguindo ao final quanto a suposta prescrição ocorrida. As regras relativas à contagem do prazo decadencial do direito de efetuar o lançamento encontramse nos artigos 173 e 150, § 4º, do CTN. Os referidos dispositivos estabelecem o mesmo prazo de cinco anos, mas o termo inicial da contagem ( dies a quo ) varia de acordo com as circunstâncias neles previstas. Encontrase pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto nos itens 1 e 3 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos a seguir: 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...). Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19515.002482/200664 Acórdão n.º 3302005.213 S3C3T2 Fl. 396 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).(Grupo). Tendo em vista que se encontra pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto nos itens 1 e 3 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos acima, verificase que, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN). A contrario sensu, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado (artigo 173, I, do CTN). Neste sentido, assim se manifesta a decisão de piso: Levase agora a conclusão desse posicionamento do STJ aos marcos do problema sob exame. Verificase que, no caso proposto, foi imputado ao contribuinte ter deixado de recolher o tributo entre julho de 1999 e novembro de 2001, levando o Fisco a proceder ao lançamento de ofício, nos termos do art. 149 do CTN. O prazo decadencial nesta modalidade de constituição do crédito, como assentado no acórdão retrotranscrito, deve ser contado de acordo com o art. 173, I do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na medida em que o lançamento de ofício poderia ser efetuado depois de finalizado o fato gerador, o Fisco poderia agir já a partir das datas de efetivação das operações consideradas no Auto. Assim, para os fatos geradores ocorridos em 1999, o marco inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do ano 2000, encerrandose em 31/12/2004. Por seu turno, o prazo para constituição dos créditos decorrentes de fatos geradores ocorridos em 2000 vai de 01/01/2001 até 31/12/2005 e assim sucessivamente. Conseqüentemente, tendo o lançamento sido notificado ao sujeito passivo em 30/11/2006 os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000 foram alcançados pela decadência e o crédito tributário correspondente não poderia ter sido constituído, pelo que deve ser excluído da presente exigência. Fl. 398DF CARF MF 6 Ocorre que o instituto da prescrição, conforme o artigo 174 do CTN, é a ação para a cobrança do crédito tributário, cujo termo inicial da contagem do prazo prescricional é a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa, situação não cabível aos presentes autos, visto que parte do lançamento efetuado foi atingida pela decadência e a parte hígida encontrase em fase contenciosa de segunda instância administrativa, inexistindo assim para o caso dos autos a aplicação da prescrição, nos termos do artigo 174 do CTN. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905490/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 90 /2 01 2- 37 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10183.905490/201237 Acórdão n.º 3201003.488 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.842, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10183.905490/201237 Acórdão n.º 3201003.488 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001343/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 01 34 3/ 20 08 -2 7 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Resolução nº 2402000.644 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 373/419) em face do Acórdão n. 15 16.324 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 353/364 que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.054.6857 consolidado em 30/01/2007 e constituído em 30/01/2007 no valor total de R$ 9.422,18 Competências: 10/1995 a 04/1998 (efls. 03/83), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes do instituto da responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 143/179. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 143/179), a NFLD DEBCAD n. 37.054.6857, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.615.8243, de 18/12/1998, anulada por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 290, de 23/01/2003. O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 143/179), com fulcro na utilização de prestação de serviço remunerado, contratado mediante cessão de mãodeobra, e realizado pelas pessoas físicas vinculadas à empresa PROEN PROJETOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. (ex PROEN IND. COM. SERV. EQUIP. ELETROMEC.) CNPJ 41.991.050/000165 entre outubro/1995 e abril/1998, nas dependências da CARAÍBA METAIS S/A. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 (contribuinte fiscalizado), havendo a empresa PROEN PROJETOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. (ex PROEN IND. COM. SERV. EQUIP. ELETROMEC.) CNPJ 41.991.050/000165 sido qualificada devedor solidário. Irresignado com o lançamento, o contribuinte fiscalizado CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 apresentou a impugnação de efls. 301/329, julgada improcedente pela DRJ/SDR, nos termos do Acórdão n. 1516.324 (efls. 353/364), sumarizado na ementa abaixo transcrita: Fl. 482DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Resolução nº 2402000.644 S2C4T2 Fl. 4 3 A Recorrente (CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108) foi cientificada do teor do Acórdão n. 1516.324 (efls. 353/364) em 20/08/2008 (efls. 367/369), e apresentou, em 19/09/2008, o Recurso Voluntário de efls. 373/419, tempestivo, portanto, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos que nortearam a impugnação de efls. 301/329. A empresa PROEN PROJETOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. (ex PROEN IND. COM. SERV. EQUIP. ELETROMEC.) CNPJ 41.991.050/000165 (devedor solidário) não foi cientificada do teor do Acórdão n. 1516.324 (efls. 353/364), conforme despacho de efls. 433/437. A pessoa jurídica PARANAPANEMA S/A, sucessora por incorporação universal de CARAÍBA METAIS S/A, atravessou petição às efls. 456/458 requerendo o julgamento de todos os recursos voluntários da empresa sucedida em uma só assentada, e, às e fls. 471/476, reitera os termos do recurso voluntário de efls. 373/419, inclusive julgamento com urgência. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Resolução nº 2402000.644 S2C4T2 Fl. 5 4 É relevante destacar que não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 32.615.8243 (com o respectivo relatório fiscal) que foi substituída pela NFLD DEBCAD n. 37.054.6857, objeto deste litígio, bem assim o Acórdão n. 290, de 23/01/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que decretou a nulidade da primeira NFLD. É o relatório. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Resolução nº 2402000.644 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 373/419) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 32.615.8243 (com o respectivo relatório fiscal), bem assim o Acórdão n. 290, de 23/01/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). As peças processuais supra referidas são necessárias à apreciação do Recurso Voluntário (efls. 373/419), uma vez presente arguição de preliminar de decadência pelo recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 373/419) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade fiscal lançadora, no sentido de juntar aos autos a NFLD DEBCAD n. 32.615.8243 (com o respectivo relatório fiscal) e o inteiro teor do Acórdão n. 290, de 23/01/2003, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907110/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.992
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 10 /2 01 1- 18 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.114. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10930.907110/201118 Acórdão n.º 3302004.992 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901763/2008-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE.
Incluem-se no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS.
Numero da decisão: 9303-006.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que o crédito presumido a ser ressarcido (excluído o valor originariamente já ressarcido pela autoridade preparadora) seja corrigido pela taxa Selic a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido (360 dias), independentemente da época de sua apresentação, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrentes EXMAM EXPORTADORA DE MADEIRAS AMAZONICA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que o crédito presumido a ser ressarcido (excluído o valor originariamente já ressarcido pela autoridade preparadora) seja corrigido pela taxa Selic a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido (360 dias), independentemente da época de sua apresentação, vencidas as conselheiras AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 17 63 /2 00 8- 90 Fl. 698DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3803 02.411, de 13/02/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS, assim, mostrase inviável o creditamento pretendido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10280.901763/200890 Acórdão n.º 9303006.466 CSRFT3 Fl. 699 3 Inexiste na legislação tributária previsão de qualquer acréscimo no tocante à juros ou correção monetária no que tange ao ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Irresignada, a PFN apresentou recurso especial, suscitando divergência em relação à inclusão, no cálculo presumido do IPI, dos valores pagos a título de frete. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20215.635 e 20215.988. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 424/426. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 431/466). E também apresentou recurso especial, por meio do qual suscita divergência em relação a três matérias: 1) a limitação do crédito sobre insumos adquiridos de pessoa jurídica tributada pelo Simples; 2) o fato de tornarse norma complementar a prática reiterada pela administração fazendária; e, finalmente, 3) a não incidência da Taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20214.164 e 20174.245 (primeiro tema), 20214.164 e 20307.579 (segundo tema) e, finalmente, 203 12.009 e 20173.627 (terceiro tema). O exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte admitiu a divergência apenas quanto à não incidência da Taxa Selic sobre os valores ressarcidos de crédito presumido de IPI (fls. 669/673). Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 689/695). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que os recursos especiais interpostos pela PFN e pela contribuinte devem ser conhecidos. No que respeita ao primeiro, a irresignação diz com a inclusão, no cálculo presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, dos valores pagos a título de frete. Decidiu o acórdão recorrido, em flagrante divergência com os paradigmas, ser possível essa inclusão, de modo que resta bem caracterizado o dissídio. Conhecido o recurso, vemos que, segundo o Relatório Fiscal (à fl. 38), a fiscalização afastou o crédito, ao fundamento de que o serviço de transporte (frete) não se enquadraria no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, por não integrar o produto final, nem se desgastar em decorrência de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Esse entendimento, contudo, como vimos, foi revertido no acórdão recorrido. Lá se disse que a contribuinte "trouxe aos autos cópias de Conhecimentos de Transporte Aquaviário de Cargas (fls. 176/179), onde consta a prestação de serviço de transporte de madeira serrada, com identificação das notas fiscais de aquisição". Concordamos com a tese adotada na Câmara baixa. Fl. 700DF CARF MF 4 Para nós, o valor despendido com o frete incorporase ao insumo adquirido, de modo que passa a integrar o seu custo de aquisição, para o efeito do cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. A própria RFB já dispôs, na pergunta 014 do Capítulo XX do Perguntas e Respostas da pessoa Jurídica de 2017, que o frete realizado por pessoa jurídica, com a emissão de Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição (como aqui!), integra a base de cálculo do crédito presumido: 014. O ICMS, o frete e o seguro integram o valor das matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na produção para efeito da apuração do crédito presumido do IPI de que tratam a Lei nº 9.363, de 1996, e a Lei nº 10.276, de 2001? As despesas acessórias, inclusive frete, somente integram a base de cálculo do benefício se forem cobradas do adquirente, ou seja, se estiverem incluídas no preço do produto. Com relação ao ICMS o mesmo integra o custo de aquisição. No caso das transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, o frete e as despesas acessórias nunca integrarão a base de cálculo do crédito presumido, nem quando forem decorrentes de remessa para industrialização fora do estabelecimento hipóteses que não configuram aquisição de MP, PI, e ME, mas, meramente, custo de produção. No caso das aquisições, as despesas acessórias e o frete somente integram a base de cálculo do crédito presumido quando cobradas do adquirente, ou seja, quando estiverem incluídas no preço do produto. Contudo, no caso de frete pago a terceiros (compra FOB, por exemplo), em que o transporte for efetuado por pessoa jurídica (contribuinte de PIS/Pasep e Cofins), com o Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição, admitese que o frete integre a base de cálculo do crédito presumido. (g.n.) Passamos à análise do recurso especial da contribuinte, do qual resta apreciar apenas não incidência da Taxa Selic sobre os valores ressarcidos. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido afastou a inclusão, no cálculo do mesmo crédito presumido, da Taxa Selic sobre os valores ressarcidos. O acórdão paradigma, todavia, concluiu justamente o contrário. No mérito, vemos assistir razão à contribuinte. Sabese, o tema já foi pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, a quem cabe uniformizar a interpretação da legislação federal no pais. A taxa Selic, contudo, deve incidir a partir de findo o prazo de que dispõe a Administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar de sua apresentação (art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007): ESPECIAL Nº 1.467.934/RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10280.901763/200890 Acórdão n.º 9303006.466 CSRFT3 Fl. 700 5 SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Fl. 702DF CARF MF 6 Ante o exposto, conheço do recurso especial da PFN e, no mérito, negolhe provimento. E conheço do recurso especial da contribuinte e, no mérito, doulhe parcial provimento, para que o crédito presumido a ser ressarcido (excluído o valor originariamente já ressarcido pela autoridade preparadora) seja corrigido pela taxa Selic a partir do fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido (360 dias), independentemente da época de sua apresentação. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 703DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000483/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 83 /2 00 9- 21 Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.346 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional em face da decisão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 230202.939, sessão de 22 de janeiro de 2014, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte. "devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN" Na origem, tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.234.4453) lavrado com fulcro no art. 32, IV, § 3 e § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 225, IV, e § 4, o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, no montante de R$ 372.170,40. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), o crédito lançado tem origem no pagamento das seguintes prestações em beneficio dos seus segurados, sem o recolhimento das contribuições previdenciárias, e sem a correta declaração em GFIP: Valores relacionados na Folha de pagamento da empresa; Valores relativos a Conciliações Trabalhistas; Vale Transporte em desacordo com a legislação; Valores pagos a contribuintes individuais (sócios e prestadores de serviço). Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão 2401002.453 e nº 920202.086, considerados aptos para embasar a divergência. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, entendo, que o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.347 3 Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.348 4 sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.349 5 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.350 6 obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.351 7 § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.352 8 Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.353 9 atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.354 10 Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 12897.000483/200921 Acórdão n.º 9202006.558 CSRFT2 Fl. 2.355 11 Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Ressaltese que o Processo 12897.000480/200997 não se encontra em grau de recurso, conforme nota de sistema. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 2355DF CARF MF
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Numero do processo: 11891.000313/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA
De acordo com a Súmula CARF n 5 são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e na parte conhecida negado
Numero da decisão: 3301-004.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e, na parte conhecida, negar provimento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA De acordo com a Súmula CARF n 5 são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e na parte conhecida negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e, na parte conhecida, negar provimento. José Henrique Mauri - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA De acordo com a Súmula CARF n 5 são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e na parte conhecida negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e, na parte conhecida, negar provimento. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 03 13 /2 00 8- 52 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 158 2 Participaram da sessão de julgamento os José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 142 a 148) interposto pelo Contribuinte, em 21 de julho de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1668.506 (fls. 132 a 137), de 21 de maio de 2015, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou, por unanimidade de votos, não conhecer da Impugnação mantendo o crédito tributário lançado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de processo administrativo fiscal no qual restou constituído, pela Autoridade Aduaneira, nos termos do art. 142 do CTN (Código Tributário Nacional), crédito tributário, pelo lançamento (Autos de Infração), relativo ao não recolhimento, em tempo legal, de tributos na importação das mercadorias constantes das Declarações de Importação (DI) na autuação relacionadas. O contribuinte em epígrafe impetrou mandado de segurança preventivo com pedido de liminar junto à 19ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial n° 2007.38.00.0282539, buscando provimento que suspendesse a exigibilidade das contribuições COFINSImportação e PISImportação no desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas. A liminar foi deferida parcialmente para determinar à autoridade impetrada que se abstivesse de incluir na base de calculo da COFINSImportação e do PIS Importação o valor do ICMS e das próprias contribuições da Lei n° 10.865/2004 nas importações realizadas pela impetrante, de forma a não constituir óbice ao desembaraço pretendido. Em 08/02/2008 foi proferida sentença de 1° Grau concedendo a segurança pleiteada. Foram efetuados os recolhimentos das contribuições com os valores calculados conforme a base de cálculo determinada na decisão liminar. Para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, prevenindose a decadência, supondose a hipótese de que a decisão judicial definitiva viesse a ser desfavorável ao contribuinte, foram lavrados os presentes Autos de Infração. Cientificado dos Autos de Infração por via postal em 04/08/2008 (vide “AR” à fl. 72), o ora impugnante protocolizou Impugnação em 03/09/2008 (fls. 75 a 82, e anexos, do processo eletrônico). Nela, apresenta fundamentação acerca da matéria discutida na ação mandamental, além de sustentar o incabimento dos juros de mora. Requer seja declarada a insubsistência dos Autos de Infração, em face de estar à época tramitando processo judicial. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 159 3 É o breve relato do que, na essência, afigurase, na ótica deste Relator, de relevo. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformado o referido Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1668.506, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A propositura de ação judicial, pelo sujeito passivo, importa renúncia às instâncias administrativas, qualquer que seja a modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (CARF, Súmula nº 1, Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. JUROS DE MORA Exigibilidade Suspensa. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. (Súmula nº 5, Portaria CARF nº 52, de 2010). Impugnação Não Conhecida O Contribuinte em seu Recurso Voluntário requer em preliminar a inexigibilidade do crédito tributário, tendo em vista que a exigibilidade se encontra suspensa em razão de liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0282539, quanto a inclusão ou não na base de cálculo do PISImportação e COFINSImportação dos valores do ICMS e das próprias Contribuições. No mérito requer a inexigibilidade dos juros de mora. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário em sede de preliminar, cabe observar que deve ser mantido o entendimento da decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, uma vez que o Contribuinte buscou na esfera judicial a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que tem por consequência a Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 160 4 renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho da decisão (fls. 134 a 136): Da Unicidade da Jurisdição – Concomitância entre as esferas judicial e administrativa O princípio da Unicidade de Jurisdição está insculpido no inciso XXXV do artigo 5o da Constituição da República de 1988, que assevera: "a lei não excluirá do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Tal comando constitucional é claro quanto ao seu objetivo, voltado a garantir a todos o acesso ao Judiciário para proteção de seus direitos de forma irrestrita. Na esfera administrativa, no campo do Direito Tributário, existe o processo administrativo fiscal, que é o instrumento para pacificação de conflitos entre o fisco e o contribuinte. O processo administrativo fiscal pode não ser a decisão definitiva da lide, em virtude, justamente, do disposto no acima referenciado inciso XXXV do artigo 5o da Constituição, podendo o contribuinte, antes de uma decisão administrativa, ou mesmo depois dela, buscar a discussão da matéria tributária na esfera judicial. A atitude do contribuinte, de buscar o Poder Judiciário para a resolução de uma lide, cujo objeto está sendo discutido em um processo administrativo fiscal, tem como decorrência lógica o abortamento da instância administrativa e faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a mesma matéria na esfera administrativa, isto porque a prerrogativa exclusiva da função jurisdicional de dirimir definitivamente os conflitos de interesse, enseja que a decisão judicial prevaleça sobre a administrativa. Desta forma, qualquer decisão administrativa contrária à decisão judicial não seria válida, mas nula, tendose em vista o disposto no dispositivo constitucional acima citado. Com o fito de uniformizar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, os procedimentos a serem adotados na hipótese de sobreposição de instâncias, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação fixou, por meio do Ato Declaratório Normativo COSIT n.o 03, de 14/02/1996, a seguinte orientação: “Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.o 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n.o 27/96, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” No mesmo sentido, a orientação da Súmula n.o 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado por meio da Portaria CARF n.o 52, de 2010, encerra: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 161 5 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição da República, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Relevante destacar que a decadência do crédito tributário deve ser prevenida, pela constituição ex officio do crédito (ou seja, pelo lançamento de ofício a cargo da autoridade administrativa), em quaisquer das hipóteses em que ocorra a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inclusive na de depósito do montante integral. Distinção necessária que se deve realizar entre decadência e suspensão do crédito tributário. Ou seja, se é suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por qualquer meio legalmente previsto, antes do lançamento, o prazo decadencial não tem a contagem suspensa, tampouco interrompida. Daí o porquê mister se faz sua preventiva constituição. Desnecessário dizer que, enquanto vigente a causa da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, este, tendo sido regularmente constituído para prevenir a decadência, não deve ser exigido do contribuinte. Esse é o entendimento no presente voto, de que há concomitância da esfera administrativa com a esfera judicial, e com a devida aplicação da Súmula CARF nº1, negase provimento à preliminar. Quanto ao mérito o Contribuinte requer a inexigibilidade dos juros de mora, visto que no seu entendimento tal cobrança é indevida pelo fato do crédito tributário estar com a exigibilidade suspensa decorrente do Mandado de Segurança acima citado. Sobre a questão dos juros de mora citase trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls. 136 e 137): Dos Juros de Mora Cabe ainda trazer à colação o teor da Súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), Portaria no 52, de 21/12/2010, do seguinte teor: “Súmula no 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Como se verifica da referida Súmula, os juros de mora não são devidos no caso de haver depósito do montante integral. No entanto, no caso dos presentes autos, a suspensão da exigibilidade decorre unicamente de decisão judicial (liminar em Mandado de Segurança), não tendo havido depósito. Dessa forma, relevante destacar, na ocorrência da hipótese de a decisão judicial definitiva ser desfavorável ao contribuinte, ora impugnante, o crédito tributário deverá ser cobrado com juros de mora. Obviamente que enquanto suspenso o crédito tributário principal, suspensos também permanecem os juros. E, se extinto aquele, extintos também serão os juros de mora. Outro aspecto urge ainda ser esclarecido: o que descabe no caso dos autos é a Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11891.000313/200852 Acórdão n.º 3301004.228 S3C3T1 Fl. 162 6 multa de mora ou a multa de ofício, que aliás sequer foram lançadas, e que não se confundem com os juros de mora, devidos e legalmente previstos para a espécie. Eis, a propósito, o teor do art. 63, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001). (grifos ora acrescidos). Por todo o exposto, voto por não conhecer da Impugnação e manter o crédito tributário constituído nos presentes Autos de Infração, em sua integralidade, que permanecem com a exigibilidade suspensa até a final e definitiva decisão judicial, o que deve ser verificado pelo competente setor da Receita Federal do Brasil. Com esses argumentos e com a aplicação da Súmula CARF nº 5, negase provimento quanto ao mérito. Portanto, tendo em vista a legislação aplicável e os autos do processo, voto no sentido de conhecer parcialmente o Recurso Voluntário devido a concomitância e na parte conhecida negar provimento ao recurso no que tange aos juros de mora. Valcir Gassen Relator Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.004138/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PERÍCIAS. REQUERIMENTO EM RECURSO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE.
As diligências e perícias requeridas pelo recorrente devem obedecer aos requisitos estatuídos no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, como justificativa para o procedimento, formulação de quesitos e indicação de perito próprio, sem os quais considera-se não formulado o pleito, conforme previsão do parágrafo primeiro do mesmo dispositivo.
PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que exige demonstração da ocorrência dessas situações, não bastando meras alegações.
MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As alegações de inconstitucionalidade de normas válidas e vigentes não podem ser apreciadas em sede contenciosa administrativa, por expressa vedação do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal - RICARF (Portaria MF nº 343/2015), entendimento sedimentado no verbete da Súmula CARF nº 2.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PESSOAS JURÍDICAS DECLARADAS INAPTAS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. PRESUNÇÃO BASOLUTA. AQUISIÇÕES DE BOA-FÉ. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL.
O art. 82 da Lei nº 9.430/96 incorpora presunção relativa de hipótese de inidoneidade de documentos fiscais, ao dispor que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvado direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços que comprovem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a eles cabendo a produção da prova inequívoca dessa situação jurídica.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. PRÁTICA DE CRIMES. ART. 137 DO CTN. DOLO. CONCURSO. DEMONSTRAÇÃO.
A atribuição de responsabilidade tributária pessoal pelo art. 137 do Código Tributário Nacional exige a prova que o sujeito passivo tenha praticado crime ou contravenção, ou, ainda, infrações em que o dolo do agente seja específico, não se enquadrado em qualquer das hipóteses legais a simples outorga de procuração com amplos poderes, cabendo a responsabilização àquele que efetivamente praticou as infrações, no caso, o mandatário, salvo se comprovado o concurso ou conluio entre os envolvidos.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa e por dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Manoel Justino de Paula, a fim de excluí-lo do pólo passivo. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à manutenção do lançamento em face da empresa.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PERÍCIAS. REQUERIMENTO EM RECURSO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. As diligências e perícias requeridas pelo recorrente devem obedecer aos requisitos estatuídos no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, como justificativa para o procedimento, formulação de quesitos e indicação de perito próprio, sem os quais considera-se não formulado o pleito, conforme previsão do parágrafo primeiro do mesmo dispositivo. PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que exige demonstração da ocorrência dessas situações, não bastando meras alegações. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As alegações de inconstitucionalidade de normas válidas e vigentes não podem ser apreciadas em sede contenciosa administrativa, por expressa vedação do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal - RICARF (Portaria MF nº 343/2015), entendimento sedimentado no verbete da Súmula CARF nº 2. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PESSOAS JURÍDICAS DECLARADAS INAPTAS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. PRESUNÇÃO BASOLUTA. AQUISIÇÕES DE BOA-FÉ. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. O art. 82 da Lei nº 9.430/96 incorpora presunção relativa de hipótese de inidoneidade de documentos fiscais, ao dispor que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvado direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços que comprovem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a eles cabendo a produção da prova inequívoca dessa situação jurídica. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. PRÁTICA DE CRIMES. ART. 137 DO CTN. DOLO. CONCURSO. DEMONSTRAÇÃO. A atribuição de responsabilidade tributária pessoal pelo art. 137 do Código Tributário Nacional exige a prova que o sujeito passivo tenha praticado crime ou contravenção, ou, ainda, infrações em que o dolo do agente seja específico, não se enquadrado em qualquer das hipóteses legais a simples outorga de procuração com amplos poderes, cabendo a responsabilização àquele que efetivamente praticou as infrações, no caso, o mandatário, salvo se comprovado o concurso ou conluio entre os envolvidos. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PERÍCIAS. REQUERIMENTO EM RECURSO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. As diligências e perícias requeridas pelo recorrente devem obedecer aos requisitos estatuídos no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, como justificativa para o procedimento, formulação de quesitos e indicação de perito próprio, sem os quais considerase não formulado o pleito, conforme previsão do parágrafo primeiro do mesmo dispositivo. PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazêlo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que exige demonstração da ocorrência dessas situações, não bastando meras alegações. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As alegações de inconstitucionalidade de normas válidas e vigentes não podem ser apreciadas em sede contenciosa administrativa, por expressa vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal RICARF (Portaria MF nº 343/2015), entendimento sedimentado no verbete da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 41 38 /2 01 0- 59Fl. 528DF CARF MF 2 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PESSOAS JURÍDICAS DECLARADAS INAPTAS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. PRESUNÇÃO BASOLUTA. AQUISIÇÕES DE BOAFÉ. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. O art. 82 da Lei nº 9.430/96 incorpora presunção relativa de hipótese de inidoneidade de documentos fiscais, ao dispor que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvado direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços que comprovem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a eles cabendo a produção da prova inequívoca dessa situação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. PRÁTICA DE CRIMES. ART. 137 DO CTN. DOLO. CONCURSO. DEMONSTRAÇÃO. A atribuição de responsabilidade tributária pessoal pelo art. 137 do Código Tributário Nacional exige a prova que o sujeito passivo tenha praticado crime ou contravenção, ou, ainda, infrações em que o dolo do agente seja específico, não se enquadrado em qualquer das hipóteses legais a simples outorga de procuração com amplos poderes, cabendo a responsabilização àquele que efetivamente praticou as infrações, no caso, o mandatário, salvo se comprovado o concurso ou conluio entre os envolvidos. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa e por dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Manoel Justino de Paula, a fim de excluílo do pólo passivo. Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à manutenção do lançamento em face da empresa. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 11 3 Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Albergam estes autos lançamento de multa proporcional ao valor da mercadoria, referente aos anoscalendários 2005/2007, devido à utilização de notas fiscais inidôneas. Por bem refletir o contexto fático da autuação, adoto o relatório da decisão de primeiro grau administrativo: “Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, doravante denominada Tropicália, relativa aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, foi efetuado lançamento para exigência de crédito tributário no valor total de (omissis), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 9/15 para exigir multa regulamentar proporcional ao valor da mercadoria, em virtude da utilização e emissão de grande monta de notas fiscais que não correspondem a efetivas movimentações de mercadorias, nos termos do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), art. 490, II. O relatório da fiscalização de fls. 16/27 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando que em auditorias anteriores foram constatadas infrações tributárias com reflexos na autuada e assim, a partir dos elementos e conclusões fiscais levantados, foram consideradas as infrações tributárias relativas ao IPI. Destacou as constatações da auditoria fiscal dos tributos fazendários na empresa Trieste Comércio de Artefatos de Couros Ltda. (doravante denominada Trieste), segundo a qual se concluiu que houve a formação de uma cadeia sonegatória construída com o fito de evadir tributos. Ressaltou que o trabalho é decorrente do apurado no processo administrativo nº 13855.003495/201008, no qual foi apurado um forte e completo esquema de compra, venda e utilização de notas fiscais inidôneas, com a participação de pessoas físicas e jurídicas ‘laranjas’, pessoas jurídicas de fato inexistentes e movimentação financeira em contas de terceiros, sempre à margem da legalidade e sem qualquer pagamento ou mesmo reconhecimento de obrigação pelo pagamento de tributos. Naquela fiscalização, constatouse que a Trieste, gerida pelo sócio Rubens Cintra, utilizavase de notas fiscais relativas a supostas aquisições de grande monta de couro com o intuito de dar um ar de legalidade a entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em notas fiscais de saída e, por conseguinte, permitir a fruição irregular de créditos tributários e gerar despesas fictícias na cadeia produtiva subseqüente, e que, para tanto, Fl. 530DF CARF MF 4 operava em contas de terceiros, dentre esses, Salvina Alves Cintra, mãe de Rubens Cintra. Destacou que entre um dos maiores beneficiários se encontra a empresa Tropicália, que supostamente adquiria enorme monta de couros da Trieste, mas que, intimada a comprovar os pagamentos dessas aquisições, sequer se dá ao trabalho de responder, mesmo porque tais pagamentos de fato não existem, e que, além disso, a Tropicália se utilizava de inúmeras empresas satélites, todas comprovadamente sob sua administração, que se relacionavam de maneira escusa com a Trieste, por meio de terceiros ‘laranjas’. Observou que tanto a Tropicália quanto suas empresas satélites eram administradas de forma oculta, por meio de procurações, por Vera Lúcia de Paula Cintra, esposa de Rubens Cintra. Concluiu que a Trieste é na verdade um braço operacional da Tropicália, que se utiliza daquela como empresa de aluguel para ‘criar’ créditos tributários passíveis de ressarcimento e, como nem a Trieste ou seus sócios possuem patrimônio passível de garantir eventuais cobranças de dívidas tributárias, esta declara seus débitos para dar um ar de legalidade, mas não paga nada. Ressaltou que, para simular pagamentos de supostas aquisições de couro da Trieste pela Tropicália, ambas realizam operações de descontos de títulos junto a terceiros da seguinte forma: a Trieste cede a terceiros (desconto de títulos) o direito creditório do couro supostamente adquirido pela Tropicália; entretanto, o controle do pagamento dos títulos é feito pela própria Trieste, bem assim o efetivo pagamento, mediante repasse desta para a Tropicália ou mesmo efetuando o pagamento diretamente. Ressaltou que o regramento do art. 490, II, do RIPI/2002, não restringe sua aplicabilidade somente aos contribuintes do IPI, haja vista não se tratar de uma imputação correspondente a crédito tributário, mas sim de multa por utilização de documentação falsa e inidônea. Foram considerados responsáveis pessoais por infrações os senhores Vera Lúcia de Paula Cintra, Manoel Justino de Paula e José Justino de Paula, com a lavratura dos termos de responsabilização de fls. 2/7. Houve, ainda, lavratura de representação fiscal para fins penais.” Devidamente intimados os sujeitos passivos arrolados, apenas o contribuinte e o responsável Manoel Justino de Paula apresentaram impugnação, com idêntico teor, onde protestaram, preliminarmente, pela suspensão do processo administrativo, tendo em conta que a presente autuação estaria ancorada em procedimentos fiscais anteriores, ainda em discussão administrativa, bem assim, a própria declaração de inaptidão da pessoa jurídica Trieste Com. Couros Ltda. penderia de decisão administrativa. No mérito, sustentaram que Trieste é apenas um dos fornecedores da autuada; que desconhecem as operações comerciais deste fornecedor; que houve comprovação de pagamento das duplicatas emitidas por Trieste, com entrega de toda a documentação à fiscalização; que os fatos narrados na autuação não condizem com a realidade; que em outro processo administrativo (13855.004137/201012), a autoridade fiscal reconheceu a existência das operações, o que se apresentaria contraditório; que essas divergências levariam a autuação ao descrédito; que inexistiu operação financeira entre a recorrente e Trieste que não estivesse amparada em documentação idônea; que não há documento nos autos que justifique a infração; que a operação de repasse de valores entre Trieste/autuada para quitação das duplicatas descontadas em empresas de fomento mercantil Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 12 5 (factoring) é fantasiosa; que a narrativa fiscal é deturpada e ilógica; que não há prova que o recorrente seria controlador da Trieste; que a recorrente é empresa lícita (sic); que a multa é confiscatória; foi requerido que a coresponsabilidade fosse imputada integralmente a Vera Lúcia de Paula Cintra, administradora da pessoa jurídica recorrente. Ao final pugnaram pela improcedência da autuação, juntada posterior de documentos e realização de perícia. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “MULTA REGULAMENTAR. Infligese multa igual ao valor comercial da mercadoria, ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, aos que utilizarem nota fiscal que não corresponda à entrada efetiva de produto nela descrito, no estabelecimento adquirente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. PERÍCIA. REQUISITOS Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei.” Em recurso voluntário o contribuinte alegou que o processo deveria ser suspenso até o encerramento do contencioso em relação à declaração de nulidade da pessoa jurídica Trieste; que a decisão recorrida seria nula por cerceamento de defesa, ao indeferir a prova pericial; e, que a juntada extemporânea de documentos se devia ao fato de estar em poder da fiscalização da RFB, coligindoa nessa oportunidade recursal. No mérito, com certa variação, reprisou a fundamentação da impugnação. Foram anexados aos autos cópias de boletos bancários e duplicatas emitidas por Trieste, com o intuito de comprovar o pagamento das respectivas aquisições. A 3ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, através do Acórdão 3403003.348, de 16/10/2014, anulou a decisão de primeira instância, por deixar de apreciar a contestação atinente à responsabilidade tributária solidária. Em novo julgado, A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento: “MULTA REGULAMENTAR. Fl. 532DF CARF MF 6 Infligese multa igual ao valor comercial da mercadoria, ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, aos que utilizarem nota fiscal que não corresponda à entrada efetiva de produto nela descrito, no estabelecimento adquirente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE. SÓCIO. Imputase responsabilidade ao sócio de empresa que concorre para a prática de condutas conceituadas como crime. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais.” Em novo recurso voluntário o contribuinte pugnou pela conversão do julgamento em diligência “para realização de perícia no que tange a equalização entrada de matériaprima x volume de produção”, ao passo que uma das acusações fiscais consistia na inexistência de operações entre Trieste/Tropicália (recorrente), sendo que o recorrente é fabricante de calçados e Trieste, seu maior fornecedor de matériaprima. Argumentou que a declaração de inidoneidade de Trieste pende de julgamento, devendo o presente processo ser suspenso; discordou que o processo esteja apto a ser julgado; que desconhecia as irregularidades cometidas pela Trieste; que fazia o beneficiamento do couro adquirido do fornecedor Trieste; que as operações de aquisição existiram de fato; que a perícia requerida era imprescindível; que a retroatividade dos efeitos da declaração de inaptidão não poderia prosperar, dado seu efeito ex nunc; que uma das provas da realização das operações seria a perícia requerida; que os pagamentos foram efetivamente realizados; que a cessão de títulos e as operações de factoring são rotineiras e legais; e, que a multa aplicada foi abusiva e confiscatória, devendo ser limitada a 100% (cem por cento) do tributo devido na operação. O responsável Manoel Justino de Paula asseverou que não exerceu qualquer atividade gerencial na empresa, não sendo possível mantêlo no pólo passivo da autuação sob alegação de conivência com a infração, pelo fato de haver outorgado procuração com amplos poderes a terceira pessoa, não restando evidenciado o dolo necessário à imputação, como fizera a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Concernente ao requerimento de sobrestamento deste processo, devido à ausência de definitividade sobre a declaração de inaptidão da pessoa jurídica Trieste Comércio Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 13 7 de Artefatos de Couros Ltda., PA 13855.003495/201008, é fato que a DRF Franca/SP expediu o ADE nº 55/2010, reproduzido no corpo do relatório fiscal, onde declarou BAIXADA a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica em questão, por inexistência de fato, por não dispor de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, declarando inidôneas todas as notas fiscais por ela emitidas a partir de 01/01/2005, resguardados os direitos dos adquirentes de boafé, em conformidade com a IN RFB 1.005/2005, cuja eficácia da declaração de inidoneidade, segundo o ato administrativo de cassação, iniciarseia a partir da publicação do ADE, ocorrida no DOU de 01/12/2010. Assim, a declaração de inaptidão deflagra, sim, efeitos retrospectivos (ex tunc), desde a data de publicação do respectivo ato declaratório executivo, nos termos dos arts. 80 a 82 da Lei nº 9.430/96, o que já se verificou, não havendo razão para reconhecimento de qualquer questão prejudicial a influir no regular iter desse processo administrativo. Outrossim, se ainda pende apreciação recursal nos autos do processo 13855.003495/201008, como aduz o recorrente, sua interposição se respaldaria na garantia do art. 30, § 3º da IN RFB 1.005/2010, que, todavia, é despido de efeito suspensivo, ex vi do art. 61 da Lei nº 9.784/99, de sorte que indigitada declaração de inaptidão espraia normalmente seus efeitos, até que se reverta pelo restabelecimento da inscrição baixada, cuja validade se retoma a partir do ADE respectivo, esta sim, sem eficácia retroativa. Demais disso, o sobrestamento de processo administrativo é medida excepcional, que exige clara demonstração do prejuízo à continuidade do procedimento e prova cabal do contexto fático exposto, não sendo suficiente a tal finalidade a singela alegação de possibilidade de prolação de decisões contraditórias ou mesmo a própria pendência de apreciação de pedido de restabelecimento de inscrição de CNPJ baixado, que sequer foi documentado. Respeitante ao pedido de perícia formulado, correto o posicionamento da decisão reclamada, haja vista que, nos termos expressos do art. 16, IV, § 1º do Decreto nº 70.235/72, a realização de perícias, a requerimento do sujeito passivo, exige a justificação, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e a indicação do perito próprio, com a qualificação profissional, nome e endereço, sob pena de, não atendido esses requisitos, reputálo não formulado. No caso vertente, como argumento de nulidade, o recorrente apenas proclama a necessidade genérica de realização de diligência para averiguação do que denominou “equalização entrada de matériaprima x volume de produção”, a fim de certificar as aquisições da matériaprima couro, uma vez que foi desconsiderada a realização dessas “operações físicas”. Entretanto, tenho que o peticionante partiu de uma premissa equivocada, porquanto não houve acusação, por parte da autoridade autuante, de falta de recebimento do couro empregado na fabricação de calçados, mas sim que tais aquisições eram provenientes da pessoa jurídica Trieste Comércio Artefatos de Couros Ltda., o que se mostrou inverídico, como se destaca das seguintes passagens do relatório de autuação: “A empresa Trieste, gerida pelo seu sócio Rubens Cintra, utilizavase de NF's de emissão da J.G. Com. Couros Ltda, Yuri Comércio De Couros Ltda, Vaz Comércio de Couro Ltda e Comércio de Couros São José relativas a supostas Fl. 534DF CARF MF 8 aquisições de grande monta de couro junto a essas empresas com o intuito de dar um ar de legalidade à entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em NF de saída e, por conseguinte, permitir a fruição irregular de créditos tributários e gerar despesas fictícias na cadeia produtiva subseqüente. Para tanto, operava amparada em contas de terceiros, dentre esses, Salvina Alves Cintra, mãe de Rubens Cintra. Em relação aos créditos tributários, um dos maiores beneficiários era/é a empresa Tropicália, que supostamente adquiria enorme monta de couros da Trieste. Sobre a questão, intimada a comprovar os pagamentos das supostas aquisições de couros da Trieste, a empresa Tropicália sequer se dá ao trabalho de responder, mesmo porque tais pagamentos de fato não existem. Além disso, também se utilizava de inúmeras empresas satélites (Vera Lúcia de Paula Cintra ME, Lilian Cristina de Lima Franca ME e Maria Lúcia de Paula Cintra Franca ME), todas comprovadamente sob sua administração, as quais se relacionavam de maneira escusa com a Trieste, através de terceiros laranjas. Observase que tanto a Tropicália quanto as suas empresas satélites eram administradas de forma oculta, através de procurações, por Vera Lúcia de Paula Cintra, esposa de Rubens Cintra. Em outras palavras, Trieste e Tropicália agiam/agem em conluio e sempre, é claro, utilizandose do artifício da interposição fraudulenta de terceiros de forma a ocultar suas efetivas relações e reais intenções. A Trieste, empresa desprovida de qualquer tipo de patrimônio, é na verdade um braço operacional da empresa Tropicália, a qual se utiliza da dessa como empresa de aluguel para ‘criar’ créditos tributários passíveis de ressarcimento. Como a Trieste nem seu sócio possuem patrimônio passíveis de garantir eventuais cobranças de dívidas tributárias, a empresa declara seus débitos, para dar um ar de legalidade, mas não paga nada. Por outro lado, garante a geração de créditos nas empresas que registram NF provenientes dessa. Necessário esclarecer que esses créditos somente são possíveis quando as compras (ou supostas) são feitas de pessoas jurídicas. Daí a necessidade, para viabilizar a fruição de créditos na cadeia comercial subseqüente, da ‘intermediação’ da PJ Trieste no negócio, a qual, quando compra couro, o faz, provavelmente, através dos ditos ‘marreteiros/catadores’, pessoas físicas que recolhem couro de diversos lugares e vendem em grande quantidade uma carga fechada. Como a Tropicália, fabricante de sapatos, não teria direito ao crédito de tributos se efetuasse Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 14 9 a compra diretamente dos marreteiros, criase a figura fictícia de uma PJ intermediária no negócio como forma de gerar o crédito para o REAL adquirente da mercadoria, no caso a Tropicália. As notas fiscais ideologicamente falsas emitidas em nome das empresas fantasmas supostas fornecedoras de couro da Trieste servem para simular uma origem legal do.couro adquirido, haja vista o fato dos ditos marreteiros não fornecerem NF de venda da mercadoria.” (grifado) Da leitura desses excertos é possível inferir que não há acusação de inexistência de recebimento de couros, mas sim que essas aquisições não teriam se realizado através da Trieste, porém, de “marreteiros/catadores” através de um, cognominado pela fiscalização, “esquema fraudulento” de interposição de pessoas jurídicas de fachada. Desse modo, mostrase dispensável a realização da perícia requerida, ainda que suplantado o óbice erigido anteriormente, para aferição da regularidade do binômio “aquisições x produção”, apresentandose como necessária, isso sim, a prova admitida pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, ao regular os efeitos jurídicos das relações comerciais havidas com pessoas jurídicas declaradas inaptas. Nesses autos, como relatado, a celeuma gira em torno da possibilidade de admissão, para fins fiscais, da apropriação de créditos pelas supostas aquisições de matéria prima, especificamente couro, da pessoa jurídica Trieste Comércio Artefatos de Couros Ltda, cuja inscrição no CNPJ foi declarada inapta no bojo do PA 13855.003495/201008, onde a DRF Franca/SP expediu o ADE nº 55/2010, com declaração de baixa correspondente e inidoneidade de todos os documentos fiscais, inclusive notas fiscais, por ela emitidas a partir de 01/01/2005, cuja publicação ocorreu em 01/12/2010. Segundo mencionado art. 82, além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada ou declarada inapta, ressalvando o seu parágrafo único o direito dos adquirentes de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, ou seja, os adquirentes de boafé. De se notar que o dispositivo em comento encerra presunção relativa, ou seja, declarada a inaptidão da pessoa jurídica, não produzem efeito fiscal algum os documentos por ela emitidos em favor de terceiros, daí decorrendo a inversão do onus probandi, cumprindo ao adquirente, mediante prova inequívoca do seu direito, a demonstração da efetivação do pagamento e do recebimento da mercadoria, ou, por outras palavras, que desconhecia as irregularidades praticadas pelo seu fornecedor. Pois bem, a pretensa “boafé”, a meu sentir, deve ser rechaçada de plano, haja vista que a exercente da administração geral da pessoa jurídica autuada (efls. 35/36), mandatária de plenos poderes, ora recorrente (Tropicália), Vera Lúcia de Paula Cintra, era cônjuge, do sóciogerente da pessoa jurídica Trieste, não havendo como admitir, ante os laços conjugais, que não houvesse conhecimento das irregularidades perpetradas por aqueloutra, mesmo porque aludida administradora, sequer pertencia ao quadro social do contribuinte. Fl. 536DF CARF MF 10 Além disso, como comprovado nos autos, exercia a administração de outras pessoas jurídicas, também mediante procuração, que, segundo a fiscalização, participavam da estrutura empresarial montada para burlar o erário. No entanto, para evitar alegações de julgamento baseado em meras ilações, prossigo a análise dos elementos coligidos pelo recorrente, como prova de suas alegações. Consoante art. 16, III, § 4º do já citado Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser produzida na impugnação, exceção feita às hipóteses taxativamente arroladas, dentre elas, em que pretende se respaldar o contribuinte, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Sustentou o recorrente, nesse ponto, ainda no recurso primevo, que a impossibilidade de produção do acervo documental se deveu à sua indisponibilidade, eis que se encontrava em poder da fiscalização. Nada obstante, a alegação não veio acompanhada de qualquer suporte probatório dessa situação jurídica, como determina o art. 16, § 4º, “a” do Decreto nº 70.235/72, fincado apenas na assertiva do recorrente, valendo mencionar em contrário que, segundo o Termo de Encerramento (efls. 30 e 161) da ação fiscal, todos os livros e documentos utilizados no procedimento foram devolvidos, no estado em que recebidos. Outrossim, cabe registrar o fato que o contribuinte foi intimado em duas oportunidades (efls. 73 e 89) a apresentar a prova do pagamento pelas aquisições de couro e não o fez, restringindose a apresentar Livro Razão, LALUR e notas fiscais de entradas (efl. 77) e informar que “todos os comprovantes encontramse devidamente encaminhados junto ao termo de fiscalização”, sem juntar a prova da entrega respectiva. Assim, entendo que não restou adequadamente demonstrada a impossibilidade de colação da prova documental no momento processual oportuno, consubstanciadose a preclusão consumativa de sua apresentação a posteriori, como pretendeu o recorrente, motivo pelo qual entendo que não deve ser considerado o material anexado ao primeiro recurso voluntário apresentado. Todavia, ainda que ultrapassado esse obstáculo, como concessão dialética, não tomo como cabalmente comprovada a existência de pagamentos pela aquisição de couro, uma vez que, utilizandose a Trieste de desconto de títulos junto a empresas de fomento mercantil (factorings), praticamente todas as supostas liquidações pela recorrente, em que pese a emissão de boletos bancários, foram realizadas fora do sistema bancário, não possuindo autenticação mecânica alguma, mas tãosomente, aposição de “recibos”, manuscritos ou por carimbos, sem identificação de signatário. Tocante à legitimidade das operações de factoring, entendo que é tema estranho e tangencial à autuação, pois a investigação perpassa a prova da realização do pagamento e não da regularidade de operações financeiras realizadas por Trieste. Por conveniente, assevero que, diversamente do que afirma o contribuinte em recurso, a maior parte dos boletos que contém autenticação mecânica referese a período anterior ou posterior àquele autuado nesse processo (01/200506/2007), motivo pelo qual, à luz do contexto fático da autuação, à mingua de robustos elementos de prova a profligar a imputação fiscal e pelas considerações até aqui tecidas, entendo acertado o lançamento, tendo em conta que o recorrente não se desvencilhou de seu ônus probatório em face da presunção de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelo fornecedor Trieste. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13855.004138/201059 Acórdão n.º 3401004.372 S3C4T1 Fl. 15 11 Quanto ao caráter abusivo e confiscatório da penalidade imposta, é remansoso neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a exegese segundo a qual não compete aos julgadores administrativos formar juízo axiológico sobre a justiça da norma tributária, tampouco se manifestar sobre aspectos de sua constitucionalidade, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), devidamente consolidada na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Nessa toada, a multa aplicada está devidamente escorada no art. 83, II da Lei nº 4.502/64, verbis: “Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide Decreto Lei nº 326, de 1967) (...) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, notafiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) § 1º No caso do inciso I, a pena não prejudica a que fôr aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e no caso do inciso II, é independente da que fôr cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do impôsto, em razão da utilização da nota, não podendo, em qualquer dos casos, o mínimo da multa aplicada ser inferior ao grau máximo da pena prevista no artigo seguinte para a classe de capital do infrator.” (destacado) Concernente à atribuição de responsabilidade tributária a Manoel Justino de Paula, invoca a autoridade fiscal a tal propósito as disposições do art. 137, do Código Tributário Nacional, c/c os arts. 1º, 2º e 11 da Lei nº 8.137/90. O recorrente, por sua vez, defende o não exercício de poderes de mando e gestão, inexistindo elemento volitivo necessário à configuração de causa a atrair a responsabilização tributária pessoal, in casu, o dolo. Nos termos do art. 137 do CTN, é pessoal a responsabilidade do agente, quanto às infrações conceituadas por lei como crimes, consistindo a infração, nesse processo, em omitir informação, prestar declaração falsa ou empregar outra fraude para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, qualificando essa conduta como crime contra a ordem tributária, cujo alcance se estende àqueles que, de qualquer modo, concorreram para a prática delitiva. O Superior Tribunal de Justiça é uníssono quanto à necessidade de prova do cumprimento dos requisitos arrolados no dispositivo legal específico para atribuição de responsabilidade tributária pessoal (e.g. REsp 1.669.441/PE e 1.658.548/PE). Fl. 538DF CARF MF 12 A autoridade fiscal imputa a esse sujeito passivo a outorga de procuração, com amplos poderes, à “sócia oculta” (Vera Lúcia de Paula Cintra) da pessoa jurídica Tropicália, autuada, objetivando a obtenção de vantagens tributárias indevidas, pela utilização de documentos contábeis e fiscais inidôneos. Entretanto, a conduta de Manoel Justino de Paula se limitou, como dito, à outorga de poderes à mandatária, não havendo qualquer prova do consilium fraudis (o conluio) ou mesmo da prática de outros atos lesivos ao patrimônio da entidade ou do Estado. Os ilícitos tributários foram perpetrados pela mandatária, única administradora da pessoa jurídica. O mandato foi conferido por instrumento público, com amplos poderes para a administração geral da pessoa jurídica e, como não poderia deixar de ser, não se estende à práticas de atos contrários à lei, de modo que a imputação da responsabilidade se ressentiu de prova do concurso do sujeito passivo para a prática infracional catalogada, não bastando a isso a mera outorga de poderes, mediante procuração. Os demais sujeitos passivos, pessoas físicas, não apresentaram recurso, razão pela qual, em relação a eles, a responsabilidade pelo crédito tributário é incontroversa. Em face de todo o acima exposto, voto por i) negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, e ii) por dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Manoel Justino de Paula, a fim de excluílo do pólo passivo. Robson José Bayerl Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.728696/2013-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. OMISSÃO. RENDIMENTOS. GLOSA. DEPENDENTE.
1. Alegações de erro de terceiros no preenchimento da declaração não eximem o contribuinte de suas responsabilidades tributárias.
2. A comprovação do preenchimento dos requisitos legais para fruição de dedução de despesas de dependentes é ônus do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.058
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. OMISSÃO. RENDIMENTOS. GLOSA. DEPENDENTE. 1. Alegações de erro de terceiros no preenchimento da declaração não eximem o contribuinte de suas responsabilidades tributárias. 2. A comprovação do preenchimento dos requisitos legais para fruição de dedução de despesas de dependentes é ônus do contribuinte.
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OMISSÃO. RENDIMENTOS. GLOSA. DEPENDENTE. 1. Alegações de erro de terceiros no preenchimento da declaração não eximem o contribuinte de suas responsabilidades tributárias. 2. A comprovação do preenchimento dos requisitos legais para fruição de dedução de despesas de dependentes é ônus do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 86 96 /2 01 3- 63 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 58 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 13): Rubrica Valor em reais Imposto 1.523,25 Multa de ofício 1.142,43 Juros de mora 134,80 Total à época 2.800,48 A fiscalização identificou omissão de rendimentos do trabalho assalariado no valor de R$ 6.266,44, conforme declaração de imposto de renda retido na fonte (Dirf) informada pela fonte pagadora Araújo Abreu Engenharia (fl. 14). No mais houve glosa de dedução com dependente no valor de R$ 1.889,64, por falta de comprovação da condição de universitária de filha maior de idade até 24 anos. Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 04/07/2013 (fl. 18/19) e protocolou sua peça no dia 17/07/2013 (fls. 2/19), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss): a contadora cometeu um erro no preenchimento da Dirpf 2012/2011; pensa que ela perdeu o comprovante de rendimentos porque ele teve que solicitar outro que foi emitido em 02/05/2013; não foi sua culpa, uma vez que não sabe fazer declaração de imposto de renda e que, portanto, não é justo que ele seja penalizado por um erro cometido por outra pessoa, mesmo que tenha sido por vontade própria; que a dedução indevida com dependente também foi um erro da contadora por não ter informado na Dirpf que sua filha Thais Emanuela Moreira da Silva era universitária já que tinha completado 22 anos de idade; como ela era bolsista da Unicap, não foi necessário informar valor de mensalidade nas declarações, porém ela cursava Ciências Contábeis e formouse em 2011.2; todavia, foi à Unicap solicitar um documento que comprovasse que ela no ano de 2011 era aluna daquela instituição, mas não conseguiu, porque a Unicap só fornece esse documento a própria Thais, mesmo sendo pai não foi possível conseguir o documento; 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 59 3 como a Thais mora com a mãe e se mudaram de domicílio, não foi possível entrar em contato com ela nem mesmo por telefone para conseguir o documento; está enviando alguns comprovantes de pagamentos de plano de saúde de Thais como prova de que ela continuava sendo minha dependente mesmo depois de 2011; tais comprovantes foram a única forma que encontrou de comprovar que não teve nenhuma participação nos erros encontrados na sua declaração; antes de julho de 2011, Thais era assistida pelo seu plano de saúde Sistel; se tivesse condições financeira pagaria este débito sem nenhum problema; como hoje está fora do mercado de trabalho e com problemas de saúde e além disso tem 5 pessoas que dependem do que recebe do Inss, se torna muito complicado para ele financeiramente ter que assumir um compromisso dessa natureza; portanto, solicita a quem de competência for que faça uma análise cariosamente levando em consideração tudo o que foi narrado neste documento e que seja desconsiderado os erros cometidos na declaração de imposto de renda em análise. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: identidade do contribuinte (fl. 5); comprovante de rendimentos (fl. 6); informe de pagamento de plano de saúde (fl. 7 e ss); cópia da notificação de lançamento (fl. 9 e ss); Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) analisou que: a entrega da Dirpf é obrigação prevista em lei, não podendo o contribuinte dela fazer constar as informações exigidas pelo Fisco e posteriormente, durante ou após uma ação fiscal, simplesmente afirmar que houve um equívoco no preenchimento de sua declaração de rendimentos; a responsabilidade do contribuinte pela entrega da declaração bem como pela veracidade das informações nela contidas é pessoal e intransferível, não podendo a autoridade lançadora relevar falhas porventura ocorridas em função do desempenho profissional incorreto de pessoa por ele encarregada de preenchêla ou mesmo em função de interpretação equivocada da legislação tributária vigente; de acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 60 4 quanto a dependente, o contribuinte não trouxe nenhum documento que comprove sua afirmativa; de acordo com os arts. 15 e 16, III, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/72, cabe ao interessado instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, assim como mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e as provas documentais que possuir; de acordo com o art. 797 do Decreto 3.000/99, os contribuintes devem manter em boa guarda e ordem todos os documentos que se refiram aos rendimentos e deduções por eles declarados; o impugnante atevese ao campo das meras alegações sem provas, razão pela qual a infração foi mantida; o contribuinte menciona problemas pessoais e financeiros que o impediriam de quitar o débito, contudo, uma vez positivada a norma é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou; assim, o tratamento dispensado ao contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade julgadora, cuja atividade é vinculada e obrigatória (art. 142, parágrafo único do CTN). Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 08/08/2016 (fl. 40/54) e protocolou sua peça no dia 30/08/2016 (fl. 43/54), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 43 e ss): não houve omissão de rendimentos, mas sim erro da contadora; entregou os comprovantes de rendimentos à contadora; não houve dedução indevida de dependente; no processo em referência foi anexada cópia da certidão de nascimento de Thais comprovando que ela é de fato sua filha. E que na época ela era universitária da Universidade Católica de Pernambuco; o comprovante de que sua filha era universitária na época não foi enviado tendo em vista os motivos narrados no processo em referência, mas a Receita Federal pode solicitar a Unicap o comprovante de que Thais era universitária daquela instituição; não tenho a mínima condição de pagar o débito e se tivesse já teria pago; 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 61 5 anexa comprovante de aposentadoria que recebe do Inss e comprovante do medicamento que usa diariamente tendo em vista crises de convulsões que estou tendo, inclusive com internação; Termos em que pede deferimento. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: receita médica (fl. 44); extrato de pagamentos do Inss (fl. 45); intimação do acórdão de impugnação (fl. 46); demonstrativo de débito (fl. 47); acórdão de impugnação (fl. 48 e ss); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 43) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito A responsabilidade legal pelo preenchimento da declaração de imposto de renda é do contribuinte ainda que este delegue o ato a terceiros, por isso, alegações de que o erro foi da contadora não podem ser juridicamente aceitas para eximir o contribuinte de suas responsabilidades tributárias. O comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte à fl. 6 comprova que o lançamento está correto haja vista que dele consta o total de rendimentos tributáveis no valor de R$ 34.279,79, mesmo valor que consta do lançamento à fl. 14, na coluna rendimento recebido. Ainda de acordo com o lançamento, o contribuinte só declarou R$ 28.013,35, caracterizandose assim uma omissão de R$ 6.266,44. Dessa forma, verificase que o próprio contribuinte comprovou a existência de omissão de rendimentos, demonstrando assim a correção do lançamento. No mais, para se beneficiar da dedução de despesas com dependente é preciso que o contribuinte preencha os requisitos para tal. No caso em tela, a glosa de dedução foi motivada pela não comprovação da condição de universitária da dependente (fl. 15). Quanto a este ponto o contribuinte apenas alega que a sua filha era universitária, mas não traz aos autos nenhuma prova disso. Juridicamente não é possível aceitar alegações sem provas e, Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10480.728696/201363 Acórdão n.º 2002000.058 S2C0T2 Fl. 62 6 considerando que tratase de dedução que beneficiaria o contribuinte, o ônus da prova é do sujeito passivo, ou seja, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, comprovar o preenchimento dos requisitos legais que lhe dão direito ao benefício. Os comprovantes de pagamento de plano de saúde da dependente não comprovam que ela era universitária ao tempo do fato gerador e este foi o ponto que deu origem ao lançamento, portanto tais documentos são alheios ao caso em questão. O contribuinte também alega que anexou cópia da certidão de nascimento de Thais comprovando que ela é de fato sua filha. Este documento, contudo, não consta do processo. No entanto, mesmo que este documento constasse dos autos ele seria inócuo, pois não está em questão aqui se a dependente é filha ou não do recorrente, mas sim se ela era universitária ao tempo do fato gerador da obrigação tributária e a comprovação deste ponto o contribuinte não apresentou. As condições de saúde, pessoais e financeiras alegadas pelo contribuinte, ainda que possam ser passíveis de comiseração, não têm reflexos jurídicos para fins de extinção do crédito tributário, contudo, há previsão legal de parcelamento que pode ser utilizado pelo recorrente, caso queira. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904790/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.270
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 0/ 20 11 -3 5 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.022, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.904790/201135 Resolução nº 3402001.270 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 90DF CARF MF
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