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Numero do processo: 13782.720160/2011-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro.
Numero da decisão: 1001-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 56 1 55 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13782.720160/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.291 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de janeiro de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DA OPÇÃO Recorrente J M S PIRES LAVAJATO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 01 60 /2 01 1- 21 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 57 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1245.884, de 04/05/2012 (efls. 39/43), objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: O processo versa sobre pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional a partir de 09/12/2010 (fl. 2 e 3). Nas fl. 18/20, consta a Decisão Saort nº 286/2011 de 03/10/2011, que indefere o pedido de inclusão no Simples Nacional devido ao fato de o pedido ter sido feito fora do prazo. A ciência ocorreu em 10/10/2011(fl. 22). Nas fl. 24/26 consta manifestação de inconformidade, datada de 03/11/2011, contra a citada decisão alegando o seguinte: • A legislação (art.7, §§ 3º e 6º da CGSM nº. 4/2007), não disciplina sobre o prazo que a empresa deve observar para requerer a sua inscrição nos órgãos necessários (município e estado, dentre outros). • Não é tema da legislação o prazo para que o órgão defira ou não o pedido de inscrição. • A inscrição municipal é o último procedimento a ser solicitado. • Foram protocolados dois requerimentos junto à Prefeitura de Itaperuna, tendo sido deferida a sua inscrição municipal em 17/06/2011. • Foram tomadas, dentro do prazo, todas as medidas à aprovação do exercício de suas atividades. • O que está sendo questionado no recurso é o fato de que por procedimento moroso da prefeitura em deferir a inscrição municipal foi negado o ingresso no Simples Nacional, considerando que a recorrente tomou todas as providências necessárias. • Requer o enquadramento no Simples Nacional desde a data da sua inscrição no CNPJ. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 58 3 Inclusão no Simples Nacional A alegação de perda de prazo por morosidade de algum órgão não afasta a formalidade essencial de se solicitar tempestivamente a opção Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 22/05/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 92, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 11/06/2012, à efls. 47/54, conforme carimbo aposto à efl. 47. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de a solicitação, na condição de empresa em início de atividades, ter sido feita após o prazo legal. A base legal do indeferimento foram o § 3º, inciso I, e o § 6º, ambos do art. 7º da Resolução CGSN1 nº 4, de 30 de maio de 2007, que dispõem sobre a opção pelo Simples Nacional, verbis: (grifos não pertencem ao original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (…) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 59 4 pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Nesse particular, cabe ressaltar que o art. 16, §§ 2o e 3o, da Lei Complementar 123/2006, deferiu ao Comitê Gestor a regulação da forma de opção pelo Simples Nacional, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente apresenta os argumentos transcritos a seguir, apenas os excertos que interessam ao presente (grifos não constam do original): Conforme já explicitado e comprovado com farta documentação, inclusive confirmado no relatório da 8a Turma da DRJ/RJ1, cuja copia segue em anexo, a Recorrente teve indeferida a sua inclusão no Simples Nacional porque a Prefeitura Municipal de Itaperuna somente concretizou o deferimento da sua inscrição Municipal após o prazo de 180 dias da sua inscrição no CNPJ causando intempestividade no requerimento de inclusão formulado pela Requerente. (...) Alega ainda a seu favor que nos termos do § 3o, inciso I, do art. 7° da Resolução CGSN n° 4 de 30/05/2007, a mesma possui um prazo de 30 (trinta) dias após o último deferimento de inscrição em órgão público, quando exigido, para efetuar a sua opção pelo Simples Nacional. Para um melhor entendimento, transcrevese a seguir a cronologia dos fatos e suas provas, bem como os prazos estabelecidos na Resolução CGSN nº 4/2007 e a devida análise: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 60 5 1 09/12/2010 Data de abertura da empresa (cópia do CNPJ à efl. 5). Análise: MARCO INICIAL do prazo de 180 dias, após a inscrição no CNPJ para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do cumprimento do § 6º do art. 7º da Resolução; 2 06/04/2011 Requerimento de inscrição no cadastro de contribuintes da Prefeitura de Itaperuna (cópia do requerimento à efl. 7); 3 15/04/2011 Opção pelo Regime de Apuração de Receitas (documento anexado pela recorrente à efl. 6); Análise: O documento apresentado não é uma Solicitação de Opção pelo Simples Nacional como alega a recorrente, mas sim uma Opção pelo Regime de Apuração de Receitas, através do qual recorrente opta pelo Regime de Competência. 4 06/06/2011 Espaço de tempo de 180 dias, após a inscrição no CNPJ; Análise: MARCO FINAL do prazo para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do § 6º do art. 7º da Resolução; 5 17/06/2011 Inscrição no cadastro de contribuintes da Prefeitura de Itaperuna (Cópia da Ficha de Lançamento da Taxa de Localização à efl. 4); Análise: MARCO INICIAL do prazo de 30 dias, após o último deferimento de inscrição, para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do inciso I do § 3º da Resolução; 6 06/07/2011 Pedido de Inclusão no Simples Nacional (cópia do formulário à efl. 2/3); 7 17/07/2011 Espaço de tempo de 30 dias, após o último deferimento de inscrição, para fazer a opção pelo Simples Nacional; Análise: MARCO FINAL do prazo de, para efeito do inciso I do § 3º da Resolução; Conforme demonstrado acima, a efetiva solicitação de opção pelo Simples Nacional somente ocorreu em 06/07/2011, portanto, após o prazo de 180 dias da inscrição no CNPJ estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007. Outrossim, vencido o prazo de 180 dias não há mais que se falar em pessoa jurídica em início de atividade. Ao contrário do que alega a recorrente em seu recurso, se após o último deferimento de inscrição, o trigésimo dia do prazo de opção cair depois do prazo de 180 dias, a pessoa jurídica não será considerada em início de atividade, mas sim pessoa jurídica que já iniciou suas atividades, neste caso, a sua opção só poderá ser formalizada no mês de janeiro. Quanto à alegação de que "a Recorrente teve indeferida a sua inclusão no Simples Nacional porque a Prefeitura Municipal de Itaperuna somente concretizou o deferimento da sua inscrição Municipal após o prazo de 180 dias da sua inscrição no CNPJ Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13782.720160/201121 Acórdão n.º 1001000.291 S1C0T1 Fl. 61 6 causando intempestividade no requerimento de inclusão formulado pela Requerente", reitero a posição da Câmara baixa, de que "não há norma legal relevando a inobservância do prazo em razão de suposta morosidade de algum órgão". Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, não podendo decidir dando à lei interpretação diversa daquela consagrada pela Administração, papel este incumbido aos tribunais competentes, se for o caso. Por todo o exposto, face ao decurso de prazo de 180 dias após a inscrição no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908445/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 84 45 /2 01 1- 99 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.251, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.251, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 19/11/2013 via ARECF de efls. 59 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 61 a 70), conforme protocolo de efl. 61, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.908445/201199 Acórdão n.º 1401002.275 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.902700/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA
Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-06T11:52:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-04-06T11:52:05Z; Last-Modified: 2018-04-06T11:52:05Z; dcterms:modified: 2018-04-06T11:52:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:51a0f2da-06c4-4f36-bd3c-d4adf238703d; Last-Save-Date: 2018-04-06T11:52:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-04-06T11:52:05Z; meta:save-date: 2018-04-06T11:52:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-04-06T11:52:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-04-06T11:52:05Z; created: 2018-04-06T11:52:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-04-06T11:52:05Z; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-04-06T11:52:05Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.902700/201213 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.676 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA Recorrente EQUATORIAL SOLUÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindose, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 27 00 /2 01 2- 13 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte, Equatorial Soluções SA, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 22771.87102.241012.1.3.047011), com a qual pretendia utilizar um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL para quitar débitos próprios de tributos federais. Contudo, em despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Luiz, o crédito indicado no mencionado PER/DCOMP não foi reconhecido e, por consequência, a compensação não foi homologada. O Recorrente foi devidamente intimado do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Contudo, ao apresentar sua Manifestação de Inconformidade, com as alegações acerca da suposta legitimidade do crédito indicado na PER/DCOMP, o fez após ultrapassados os 30 dias estipulados na legislação em vigor para manejo do recurso administrativo. Desta feita, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), demonstrando aquela intempestividade, proferiu acórdão, no qual não conheceu do apelo do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito indicado no pedido de compensação só ocorreu por um "erro da administração", uma vez que, pela análise detida das declarações do contribuinte, o direito creditório deveria ser reconhecido. Assim, independentemente da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, requereu que o Recurso Voluntário fosse conhecido e provido, para, ao final, ser reconhecido o crédito utilizado para o pagamento de débitos próprios do contribuinte, como indicado no pedido de compensação apresentado. Este é o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.668, de 16.03.2018, proferido no julgamento do processo nº 10320.901811/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.668): A questão posta em análise é simples e não demanda maiores divagações. . Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Como é sabido, o art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96 (redação dada pela Lei n.º 10.833/2003), determina que, nos casos de pedidos de compensação, em que não houver a homologação pela autoridade fiscal ou que se esta homologação for parcial, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento do despacho denegatório. Confirase a redação do dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 5 4 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. E mais: o artigo 14 do referido Decreto aduz que a apresentação da Impugnação da exigência fiscal, que, mutatis mutandis, tem a mesma função da Manifestação de Inconformidade, instaura "a fase litigiosa do procedimento". Assim, não restam dúvidas, pela interpretação sistemática do ordenamento, em especial daqueles dispositivos que regem o processo administrativo em âmbito federal, que a não apresentação ou a apresentação fora do prazo previsto em lei de Impugnação/Manifestação de Inconformidade afasta a instauração da fase litigiosa administrativa, tornando, por consequência, a autuação fiscal definitiva (pelo menos em âmbito administrativo). Esta é, inclusive, a orientação do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996. Vejase: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Despacho Decisório lavrado pela autoridade fiscal. Assim, é preclusa a matéria apresentada no Recurso Voluntário, uma vez que, repitase, não foi instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem inúmeros julgados nesse sentido. Como exemplo, citase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção QUARTA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402003.473 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.902700/201213 Acórdão n.º 1302002.676 S1C3T2 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que não atacou em específico a declaração de intempestividade do acórdão recorrido, à luz do que determina os preceitos do art. 17 e 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. No presente processo, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 21/01/2013, sendo o dia o 20/02/2013 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/02/2013, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720922/2010-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 09 22 /2 01 0- 15 Fl. 72DF CARF MF 2 Destacamos do Acórdão de Impugnação algumas passagens: À vista disso, resta claro que a não indicação de endereço vinculado ao profissional da área de saúde, emissor do recibo, é motivo suficiente para a desconsideração de tal documento como prova da dedução pleiteada. Dessa forma, concluise que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, apontam a falta de endereço no recibo e falta de comprovação do pagamento: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10480.720922/201015 Acórdão n.º 2001000.219 S2C0T1 Fl. 3 3 No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: Fl. 74DF CARF MF 4 “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10480.720922/201015 Acórdão n.º 2001000.219 S2C0T1 Fl. 4 5 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002618/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA.
Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa.
Numero da decisão: 1302-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ/CSLL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõe-se o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. CANCELAMENTO PARCIAL DE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECORRÊNCIA. Tendo sido canceladas parcialmente as glosas de custos e despesas em efetuadas por meio de lançamento em processo administrativo fiscal e sendo as glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo delas decorrentes, impõese o restabelecimento parcial dos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa e seu aproveitamento para a compensação objeto da glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 26 18 /2 00 9- 72 Fl. 780DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 781 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A, em face do Acórdão nº 1130.889, de 26/08/2010, proferido pela 3ª Turma da DRJ/Recife, que julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de prejuízos de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de bases de cálculo negativas de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. O lançamento de IRPJ e CSLL realizado consiste na glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa da CSLL realizada em 2007, em face de ajustes efetuados nos saldo a compensar em decorrência de lançamento de ofício realizado pela constatação de infrações em anoscalendário anteriores. Na impugnação a recorrente alegou, em síntese, que, por ser este lançamento conseqüência dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, consubstanciados no Processo n° 14751.000142/200510, haveria necessidade de sobrestar o seu julgamento até o julgamento definitivo deste, para que se aplicasse a este caso a solução definitiva que viesse a ser adotada naquele processo. Transcreveu, ainda, as alegações apresentadas em face das exigências contidas no Processo n° 14751.000142/200510 e pleiteou a realização de diligências para apuração de fatos veiculados naqueles autos. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 782 3 A DRJ julgou improcedente a impugnação. Cientificada da decisão de primeiro grau em 14/10/2010 (efls. 590), a interessada interpôs recurso voluntário em 16/11/2010, no qual, em síntese, alega a interdependência deste processo com o PA nº 14751.000142/200510 e suscita a necessidade de seu sobrestamento do julgamento deste processo até a decisão final no referido processo. Adicionalmente, apresenta as razões de inconformidade em face do lançamento realizado no PA nº 14751.000142/200510, para demonstrar a insubisistência do lançamento contido nestes autos. Ao final requer: Diante da demonstração de que a autuação e a decisão de primeira instância são consequência direta do não exame dos documentos apresentados pela recorrente nos presentes autos, bem como no Processo Administrativo n°14751.000142/2005 10, do qual este se traduz em tributação reflexa, a recorrente requer, alternativa e sucessivamente: (a) o sobrestamento do julgamento do presente recurso até o julgamento do processo administrativo n° 14751.000142/200510, dada a relação de acessoriedade da matéria contida nos presentes autos da que será discutida no referido processo; (b) a conversão do feito em diligência, conforme requerido desde a impugnação: (b.1) com vistas à obtenção de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 – 9° Andar, Cerqueira César São Paulo — SP, CEP:01419 001, na forma como exposta em sua Impugnação, e no item B.4 deste recurso; e (b.2) para fins realização de perícia contábil para a devida investigação nos documentos apresentados pela Recorrente, absurdamente desconsiderados pela d. Autoridade Julgadora de primeira instância, com base no princípio do contraditório e da ampla defesa, tudo com vistas à devida apuração da Verdade Material que deve ser supedâneo a qualquer constituição definitiva de débito por autoridades fiscais. c) que seja dado provimento ao presente recurso, para, reformando a decisão de 1a instância, julgar insubsistente a autuação, com base nas provas apresentadas nesses autos. Trazido o recurso a julgamento em 11 de setembro de 2012, o colegiado da 2ª Turma Ordinária resolveu, por meio a Resolução nº 1402000.138, declinar a competência do julgamento à 3ª Câmara da 1ª Seção, a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com o processo 14751.000142/200510, do qual este é decorrente. Tendo o Processo nº 14751.000142/200510 sido distribuído, por sorteio, a este relator, para analisar o recurso voluntário da interessada naquele processo, o presente feito foi redistribuído a este relator em face da conexão entre ambos. Na sessão de julgamento de, por meio da Resolução nº , este colegiado determinou a vinculação deste processo ao PA. nº 14751.000142/200510 e o sobrestamento do julgamento do processo nesta 3ª Câmara, para aguardar a conclusão das diligências determinadas no processo retro referido. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 783 4 Tendo sido concluídas as diligências determinadas no PA. nº 14751.000142/200510 e levados à julgamento nesta mesma sessão, impõese o prosseguimento do julgamento do recurso destes autos. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 784 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A recorrente alega a interdependência e a insubsistência das glosas efetuadas por meio do lançamento formalizado no processo administrativo nº 14751.000142/200510, do qual decorre o presente lançamento. Com efeito, verificase que o presente lançamento consiste na glosa de compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de bases de cálculo negativas de CSLL, no ano calendário de 2007, em face da constatação de saldo insuficiente, tendo em vista as glosas efetuadas por meio do lançamento formalizado no processo administrativo nº 14751.000142/200510. O recurso contra o lançamento decorrente glosas efetuadas naquele processo foram objeto de julgamento nesta sessão, por meio do Acórdão nº 1302002.545, no qual este colegiado acordou em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo. Assim, impõese a aplicação das conclusões daquele julgado ao presente caso, pelo que passo a transcrever os fundamentos quanto às matérias discutidas e decididas naqueles autos que passam, também, a se constituir em razões de decidir do presente julgado, verbis: A recorrente apresenta uma preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF estaria expirado no momento da lavratura da autuação. Alega que o MPF tinha prazo de validade até 21 de julho de 2004 e que o agente público encarregado e cumprilo deveria encerrar a fiscalização até aquela data ou, no caso de prorrogação dar ciência formal da continuidade dos trabalhos ao contribuinte, nos termos das normas regulamentadoras do instrumento. A questão já foi enfrentada e rejeitada pelo colegiado quando do conhecimento do recurso, na sessão de 15/03/2012, quando proferida a Resolução nº 1302000.15, verbis: [ . . . ] Com efeito, o Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Portaria SRF n.º 1.265, de 22/11/1999, sofreu diversas alterações ao longo dos anos, sendo que na data do encerramento da ação fiscal vigia a Portaria SRF n.º 6.087, de 21/11/2005. Este instrumento consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. O MPF constituise, assim, em instrumento de controle da administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este Fl. 784DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 785 6 poderá conferir se de fato o AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF que o esteja fiscalizando, se encontra no exercício legal de suas funções. Enquanto instrumento de controle, o MPF se presta a possibilitar à Secretaria da Receita Federal acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AFRF, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por Lei e pela Administração. Se, no curso de seus trabalhos, o AFRF percebe, em face das peculiaridades do caso concreto, que não será possível concluir os trabalhos no tempo inicialmente previsto, deve solicitar a sua prorrogação aos superiores hierárquicos responsáveis pela emissão do mandado. Em relação aos prazos de validade e da extinção do MPF, dispunha a Portaria n.º 6.087/2005, verbis: [...] Do acima exposto, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode se feita tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. Porém, essa prorrogação deve ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação esta disponível na Internet, a qual pode ser consultada pelo sujeito passivo, dispensando completamente a ciência. Dispunha, ainda, a referida portaria que auditorfiscal responsável pelo procedimento fiscal forneceria ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet. Não obstante, eventual descumprimento da determinação contida no § 3º do art. 13 da referida portaria, uma vez descumprido, não traz qualquer consequência no âmbito do procedimento fiscal instaurado. Com efeito, a referida norma prevê os casos de extinção do MPF, em seu art. 15, verbis: [...] Como se vê, ainda que tivesse expirado o prazo de validade do MPF este não teria o condão de nulificar os atos praticados, devendo a autoridade responsável pela sua emissão determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento. No caso dos autos, não identifiquei, de fato, nenhum ato por parte da autoridade fiscal dando ciência ao contribuinte quanto a prorrogação do MPF, tendo o procedimento fiscal prosseguido e sido encerrado apenas em 28/12/2005. Como instrumento de controle interno da administração, é possível inferir de plano que sua continuidade tenha se dado de forma regular, uma vez que a autoridade fiscal responsável pelo procedimento não foi substituída, revelandose que não incorreu a hipótese prevista no inc. II do art. 15 e no parágrafo único do art. 16 da portaria referida acima De outra parte, nenhum prejuízo adveio ao contribuinte em face do descumprimento do disposto no § 3º do art. 13 da Portaria SRF nº 6.087/2005, posto que as informações sobre as prorrogações permaneceram disponíveis para consulta Fl. 785DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 786 7 da interessada no site da Receita Federal na internet, nos termos do § 1º do mesmo dispositivo. Assim, se o contribuinte tinha dúvidas quanto à continuidade da ação fiscal poderia ter consultado o site da RFB na internet, utilizandose do código fornecido na instauração do procedimento fiscal, conforme ciência (efls. 41). Em consulta por mim realizada em 01/11/2018 ao sítio da RFB na internet1, utilizando o código de acesso, é possível verificar que o referido MPF foi objeto de sucessivas prorrogações, sendo a última com prazo final em 10/11/2006. De qualquer sorte, me alinho à jurisprudência majoritária deste Conselho que entende que o MPF é mero instrumento de controle interno da administração tributária, de sorte que, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não enseja qualquer nulidade ao processo fiscal, posto que a constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa competente, por meio do lançamento, é atividade vinculada e obrigatória que decorre do CTN e da lei de regência, conforme tive oportunidade de me manifestar no Acórdão nº 1301 001.814, de 05/03/2015, sintetizado seguinte na ementa : NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o s eu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. Nesse mesmo sentido, é firme a jurisprudência deste conselho, conforme se extrai das ementas a seguir reproduzidas: [...] Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Passo ao exame das matérias de mérito. A apreciação das matérias se dará na ordem trazida pela recorrente no seu recurso voluntário. A) Do anocalendário 2000: Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. (subitem 5.4.1 do RTF) A imputação fiscal é de contabilização indevida de correção monetária sobre débitos de ICMS objeto de parcelamento junto à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba. 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp Fl. 786DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 787 8 Alega que a fiscalização, conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGPDI (FGV). E que, apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no anocalendário de 2000". Aduz que o Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). Contesta, afirmando que as regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente à Obrigações tributárias vigentes em 2000 encontramse consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. Informa que, no caso em tela, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFIN para correção de tributos. Deste parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPDI em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. Assim, contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGPDI contida na Tabela acima referida, de forma a dar cumprimento ao princípio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. Analisando os documentos e informações trazidos pela fiscalização e os apresentados pela recorrente, entendo que assiste razão a esta última. Com efeito, a autoridade fiscal solicitou informações à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba acerca da incidência de correção monetária sobre os débitos fiscais vencidos no ano de 2000. Em sua resposta esta informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGPDI (FGV). Cita o Relatório Fiscal (efls. 152), verbis: [...] Fl. 787DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 788 9 Os débitos da contribuinte, vencidos até fevereiro de 2000, foram objeto de parcelamento, tendo esta pago três parcelas em 2000 que não sofreram correção. Com efeito, a Secretaria de Finanças da Paraíba, em face da extinção da UFIR no ano 2000, disciplinou a atualização monetária dos débitos fiscais não recolhidos no prazo legal por meio da Portaria GSF nº 002, de 05/01/2001, nos seguintes termos: [...] O contribuinte apresentou a memória de cálculos da atualização monetária do saldo do parcelamento do ICMS (efls. 4333), efetuadas em 30/11/2000 e 31/12/2000, com base no índice acumulado do IGPDI no ano 2000, contabilizada nos moldes transcritos no Relatório de Trabalho Fiscal RTF (efls. 155) Entendo que se equivocou a autoridade fiscal ao glosar os valores de correção monetária contabilizada sobre o saldo do parcelamento, segundo o regime de competência, conforme dispõe o Ato Declaratório COSIT nº 52/1994, citado no RTF. Em que pese a portaria estadual que regulamentou a aplicação do IGPDI somente tenha sido publicada apenas no início de 2001, aplicase aos débitos vencidos e não recolhidos até aquela data. Os débitos consolidados no parcelamento realizado junto à SEFINPB, referemse a fatos geradores ocorridos até o mês de fevereiro/2000, conforme planilhas anexadas (efls. 4325/4330). Embora estivessem com a exigibilidade suspensa em face do parcelamento formalizado, referemse a débitos vencidos e não recolhidos no prazo, nos termos da portaria referida. Assim, observado o regime de competência, está correto o reconhecimento pela recorrente da correção monetária incorrida no ano 2000, no índice fixado pela legislação estadual, sobre o saldo de parcelamento existente até 31/12/2000. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso nesta parte, para exonerar a exigência relativa a glosa descrita no subitem 5.1.4 do RTF, efetuada no montante de R$10.359.592,48. Da glosa de custos Diferença entre os valores provisionados e adicionados no AnoCalendário de 2000 (R$ 4.813.022,08) subitem 5.1.2.5 do RTF Com relação a esta infração, a recorrente se refere à constatação feita pela autoridade fiscal de que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no anocalendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. E que, de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. Alega que, ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. Sustenta que é inconteste que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no anocalendário de 2000 por R$ 28.766.429,00 e que "toda a Fl. 788DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 789 10 celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado". Afirma ter demonstrado exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real razão pela qual a autuação não tem amparo e foi equivocada. Examinando a descrição feita pela autoridade fiscal (efls. 92) e os documentos acostados aos autos, entendo que não assiste razão à recorrente. As provas trazidas pela recorrente não infirmam a acusação fiscal de que o valor considerado como provisão indedutível a ser adicionado ao Lalur pela interessada, foi reduzido em relação a uma parte dos títulos que haviam sido provisionados por um valor superior ao considerado na adição ao resultado. A afirmação da recorrente de que os valores levados à adição ao Lalur (R$ 28.766.429,00) corresponderiam exatamente aos valores contabilizados e informados na DIPJ carece de comprovação. Verificase que a provisão total ao final do anocalendário 2000 correspondia a R$ 81.839.140,61, sendo que a provisão em dezembro de 1999 era de R$ 15.147.243,57, conforme demonstrado pela recorrente às fls. 29 de sua impugnação (efls. 4622) : Provisões até dez/99 15.147.243,57 Provisões em 2000 38.324.719,04 Provisões em 2000 28.766.429,00 Provisões em 2000 (399.251,00) Saldo PDD 31/12/2000 81.839.140 61 Ora, como se vê além do valor de R$ 28.766.429,00 foram provisionados mais R$ 38.324.719,04 e estornados R$ 399.251,00. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 92) a autoridade responsável pela fiscalização procedeu a uma auditagem de 294.731 registros que corresponderiam os títulos representativos das provisões não dedutíveis e constatou diferenças entre os valores adicionados ao lucro líquido e os provisionados no ano de 2000 em 120.123 registros, que totalizaram R$ 4.813.022,08, conforme relatórios parciais impressos (efls. 3737/3426). Com efeito, as apurações da fiscalização foram realizadas com base nos registros fornecidos pela própria recorrente e que corresponderiam aos títulos cuja provisão seria indedutível, sendo inescapável a conclusão de que parte desses títulos foram provisionados por um valor X, no entanto ao proceder à adição ao resultado a interessada efetuoua por um valor menor (XY), conforme descrito no Relatório Fiscal. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário nesta parte. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 790 11 Da glosa de Custos Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Subitem 5.1.2.7 do RTF A recorrente aponta que o auditor constatou 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001) e que a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no ano calendário de 2000. Afirma que, a partir dessa presunção, concluiu o auditor que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Observa que, "curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66". Destaca que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doc.09 e 10 fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). Afirma a recorrente que a DRJ ao tratar deste item manteve a autuação sob o fundamento de que não teriam sido apresentadas provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. Alega a existência de claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato, uma vez que, pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. Assim, não poderia, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Sustenta que, não bastasse a ocorrência do bis in idem, tratase de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. Aponta que se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Alega que ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na database dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confundiu registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 791 12 Observa que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. Alega que a fiscalização não demonstrou que a contabilização de 2000 foi excessiva, nem tampouco ter resultado cm qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, teria se furtado de perquirir a verdade dos fatos. Em conseqüência, requer que seja reconhecido o bis idem e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. Analisando os elementos dos autos, entendo que não tem razão a recorrente neste ponto. A constatação fiscal, explicitada no subitem 5.1.2.7 do RTF, tomou por base os próprios elementos apresentados pela interessada e ao analisar os arquivos apresentados constatou que em 904.370 registros com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, apurou uma divergência nos valores informados em cada ano (R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001), evidenciando uma provisão indevida de R$ 13.452.296,34, conforme demonstrativos de efls. 3667/3736. Ora, a recorrente alega que a fiscalização efetuou o lançamento por presunção ao entender que os valores corretos seriam aqueles apurados com base no levantamento de 2001 e não no realizado no ano 2000, mas ela própria informa ter procedido a ajustes no valor das contas em 2001 que se encontravam em provisão no ano 2000, no montante de R$ 12.851.228,33, conforme resposta (efls. 2387/2394) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (efls. 2366/2386). A recorrente alega que as contas podem ser reduzidas mediante pagamentos parciais efetuados pelos consumidores que poderiam ensejar a redução dos valores provisionados anteriormente sem que isto se caracterize como qualquer erro, mas não traz qualquer comprovação nesse sentido. Alega também que o auditor confundiu registros de sistema com títulos representativos de dívida; que os registros de sistema representam o total do débito de um determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica, como uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Apesar da alegação a recorrente não apresenta comprovações concretas. Ademais, examinando os relatórios de efls. 3667/3736, percebese claramente que o que ocorreu de fato foram ajuste nos valores provisionados, muitos deles na casa de centavos ou de poucos Reais, mas que ao serem totalizados representam uma expressiva diferença nos montantes provisionados. Também entendo que não existe o alegado bis in idem com relação à infração apurada no subitem 5.5 do RTF, pois a redução do valor das provisões do ano 2000 já havia sido em grande parte considerada pela própria recorrente no cálculo da provisão feita no ano de 2001 e são distintos os fundamentos das exigência em questão. Com relação à exigência contida naquela infração (subitem 5.5) os argumentos da recorrente serão examinados no ponto próprio deste voto. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 792 13 Assim, entendo que restou comprovada pela fiscalização o excesso de provisão realizado no ano de 2000, com relação aos mesmos clientes e respectivos débitos, não tendo a recorrente se desincumbido de comprovar suas alegações. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. B) Do anocalendário 2001: Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47). Subitem 5.1.3.3 do RTF No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. A contribuinte alega que a DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. Sustenta que durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral e que, por um equívoco contábil da recorrente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. Alega que em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Observa que tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. Assevera que, uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. Conclui que acatar o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. A fiscalização, com base nos elementos obtidos junto a alguma clientes da fiscalizada, concluiu que a Saelpa não emitiu as notas fiscais/contas de energia elétrica complementar referente ao aumento do valor da energia questionado judicialmente. A recorrente, no entanto, apresentou em sua impugnação cópia de diversas faturas que corresponderiam ao valor complementar questionado judicialmente, com relação às empresas diligenciadas pela fiscalização (efls. 4344/4529), sendo que em diversas delas consta textualmente que se trata de "valor correspondente a 20% da Fl. 792DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 793 14 fatura original conforme processo judicial nº .. da 1ª Vara da Fazenda Pública". Outras, no entanto, referemse a "ICMS calculado por fora conforme processo nº... da 4ª Vara da Fazenda Pública" e, ainda "correspondente a 25,79% do valor da fatura original conforme processo nº ... da 9ª Vara Civel da Capital". Cotejando, por amostragem, verificase a coincidência dos valores das notas fiscais com os débitos constantes da relação "Consumidores com Débitos Oriundos de redução de Tarifa" (efls. 4815/4880), como p. ex. em relação ao contribuinte Cia de Bebidas Antartica PB (efls. 4344/4355). Não obstante, não trouxe aos autos a comprovação da contabilização da respectiva receita e do alegado estorno realizado posteriormente. Em face da tais elementos, este colegiado determinou a realização de diligência como vistas a apresentação por parte da recorrente da comprovação da contabilização da respectiva receita, para que fosse intimada a: a) apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de redução de tarifa) conforme relatório anexado, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, indicando a respectiva nota fiscal emitida; b) apresentar comprovação de que os valores objeto da provisão referida integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001; c) apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em períodos de apuração subsequentes. A recorrente apresentou, à autoridade fiscal diligenciante, cópias de planilhas, parciais de livro Razão e Diário (fls. 7602 a 7741), mediante os quais procura demonstrar e justificar de constituição da provisão, e estornos que teriam sido realizados na conta contábil 112.61 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PCLD, entre os meses de dezembro de 2001 a dezembro de 2016. A autoridade fiscal aponta no seu Relatório de Diligências que: • A ENERGISA não apresentou documentação hábil e idônea comprobatória que contabilizou as receitas questionadas judicialmente pelos consumidores no período de 06/09/1994 a 10/04/2001 (período da data de vencimento dos tílulos relacionados na planilha JUDICIAL), não apresentando qualquer livro contábil que comprove tais operações; • Consta no razão da conta contábil 112.61 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PCLD, na subconta 0001 – Energia Elétrica Vendida, no mês de dezembro de 2001, dois lançamentos em 31/12/2001: um a débito, no valor de R$ 83.207.728,75 e com histórico: lançamento reversão pcld, anulando o saldo inicial em 01/12/2001; e outro a crédito, no valor de R$ 73.942.388,66 e com histórico: provisão constituída, sem comprovar nem detalhar quais os títulos que foram revertidos e os provisionados; • Constatase nos meses de outubro/2002; abril, julho e setembro/2003; julho/2004; janeiro, abril, novembro e dezembro/2005; novembro/2007 e abril/2009 a existência de dois lançamentos, um a débito, revertendo o inicial da Fl. 793DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 794 15 conta no mês, e outro a crédito, pela provisão para créditos de liquidação duvidosa constituída, sem comprovar nem detalhar quais os títulos que foram revertidos e os provisionados; Mais adiante conclui quanto a este ponto da diligência que: 1) Em relação ao item a.1 (infração descrita no subitem 5.1.3.3. Judicial do Relatório de Trabalho Fiscal): a) A ENERGISA foi intimada a apresentar comprovação da contabilização como receita dos valores relativos aos valores questionados judicialmente pelos clientes/consumidores (com débitos oriundos de redução de tarifa) conforme relatório anexado, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, indicando a respectiva nota fiscal emitida. A ENERGISA não comprovou o solicitado. b) A ENERGISA foi intimada a apresentar comprovação de que os valores objeto da provisão referida integrava o saldo de contas a receber em 31/12/2001. A ENERGISA não comprovou o solicitado. c) Apresentar comprovação de que os valores foram devidamente estornados em períodos de apuração subsequentes. A ENERGISA não comprovou o solicitado. Com efeito, entendo que a recorrente não apresentou elementos solicitado na diligência, que demonstrassem que efetivamente contabilizou as receitas que teriam tido seu valor questionado judicialmente e que justificariam sua exclusão no ano de 2001, por meio da provisão (PDD). Limitouse a apresentar planilhas que embasariam os lançamentos efetuados em sua escrita contábil, porém sem se desincumbir de demonstrar seu vínculo com as receitas objeto de questionamento judicial. O relatório da consultoria tributária trazido aos autos pela recorrente (fls. 7871/7911), também não trazem novos elementos visando tal comprovação, limitandose, em síntese, a reiterar a correção dos procedimentos da recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento quanto ao ponto Da Glosa de Custos Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05.). Subitem 5.3.1.2 do RTF Este item referese à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF, no ano de 2001. Tratase, de fato, da nota fiscal n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 795 16 A recorrente alega que tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária RTE. Sustenta que a DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendose simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT n° 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardariam entre si qualquer relação. Relata que possuía contrato de fornecimento com a CHESF celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) que no Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. Apresenta a tabela Ia (doc. 17), que contém os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. Alega que, em função do racionamento de energia na região nordeste, no ano de 2001, a CHESF havia faturado apenas 80% do valor contratado para o ano, enquanto que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, Dessa diferença originouse um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. Observa que, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. Assim, em dezembro de 2001, registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 vide Diário doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. Sustenta que a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. Conclui que deve ser levado em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001 e que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001. Passo a analisar os elementos dos autos. De acordo com a informação obtida pela fiscalização junto à CHESF, por meio do Termo de Intimação (efls. 2580/2582), esta diferença, faturada em dezembro de 2001, decorre sim do Acordo Geral do Setor Elétrico, firmado em dezembro de 2001 e corresponde à diferença entre os montantes faturados e os montantes contratuais, em face das reduções ocorridas em decorrência do racionamento, no período de junho a novembro de 2001, conforme Termo Aditivo Fl. 795DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 796 17 nº 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre a SAELPA e a CHESF (efls. 2583/2588). O Anexo 16 (fls. 419/420 ou efls. 263/264) acostado à resposta ao Termo de Intimação de 18/09/2003 (docs. fls. 222/240 ou efls. 7130/7148)2, revela que este faturamento decorreu do Acordo Geral do Setor Elétrico estabelecido pela Medida Provisória nº14 e demais regulamentações dos agentes reguladores. Segundo o referido documento, que consiste na Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis para os exercícios findos em 31/12/2001 e 2000 da recorrente, esta informava: [...] Em 11 de março de 2002, a SAELPA encaminhou à Aneel os cálculos da recomposição tarifária, os quais estão sujeitos à homologação pelo órgão regulador. Para que a SAELPA tenha direito a essa compensação, renunciou a qualquer pleito, judicial ou extrajudicial, relativo a fatos e normas concementes ao Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica e à recomposição tarifária extraordinária, bem como aderiu aos acordos firmados entre os agentes do setor elétrico, conforme previsto pela Medida Provisória n° 14 e pelas Resoluções n°91, da GCE, e n° 31, da Aneel. b) R$26.956 referentes à energia disponibilizada pelos geradores livres, os quais dispunham de geração não comprometida em contratos. Essa energia foi denominada 'energia livre'. Nesse montante incluem R$984 relativos ao Pis e Cofins. O valor referente à energia livre foi contabilizado como despesa operacional com base em comunicado aos agentes, divulgado em 13 de março de 2002 pela Asmae (órgão operador do MAE), no montante de R$25.972, líquido do Pis e Cofins. Esse valor será repassado aos geradores. Eventuais decisões das autoridades reguladoras do setor de energia elétrica, quanto à recomposição tarifária extraordinária, bem como o montante relacionado à energia livre, poderão resultar em ajustes relevantes nos valores registrados pela SAELPA. Os valores definitivos a serem divulgados deverão ser validados pela Aneel, conforme previsto em sua resolução n° 72, de 07 de fevereiro de 2002. Como parte do acordo relativo à recomposição tarifária, a SAELPA irá pagar à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco CHESF o valor integral do contrato inicial de fornecimento de energia elétrica, reduzidos pelo fator 0,9759, estabelecido pela Aneel. Esses valores montam, em 31 de dezembro de 2001, em R$13.122. A soma desse valor e da energia livre, mencionada anteriormente, que totaliza R$39.094, foi registrada no resultado do exercício, na rubrica Energia Elétrica 2 A sequência de numeração de folhas no eprocesso (efls.) ficou prejudicada por falha na anexação do volume II do processo físico, que resultou fora da ordem. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 797 18 Comprada para Revenda e compõe o saldo da conta Fornecedores no Passivo Circulante e do Exigível a Longo Prazo. [...] De acordo com o RTF (efls. 140) a recorrente procedeu a adição no Lalur do valor de R$ 25.972 mil referentes à energia disponibilizada pelos geradores livres, mas não adicionou o valor relativo ao valor da diferença faturada pela CHESF, verbis: A SAELPA contabilizou em 31112/2001, a titulo de custo ressarcimento gerador, na 615.03.3.5.4.1 Operações com Energia Elétrica, na subconta 4105 Passivo Regulatório, o montante de R$ 25.972.598,52, levandoa na apuração do resultado do exercido. Da análise da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, da DIPJ 2002, fls. 185, e das folhas 10 e 24 do LALUR, fls. 296 e 310, constatase que a SAELPA adicionou o valor acima citado na apuração do lucro real, com o histórico: valores provisionados do PERECE Consulta 11618.004276/200203 Parecer Cosit 026 de 26/09/2002. Tratase, sem dúvida de questão complexa, envolvendo um momento de crise no setor elétrico, que acabou gerando situações atípicas do ponto de vista das operações e resultados das companhias geradoras e distribuidoras e que demandou a intervenção do Poder Público de modo a assegurar a sustentabilidade econômica do sistema elétrico brasileiro. O alcance de cada situação deve ser analisado dentro deste contexto, portanto. Penso que a transposição das conclusões do Parecer Cosit nº 26/2002 para o presente caso merece ponderações. O referido parecer trata do reconhecimento da receita que seria gerada pela Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, previstas nas MPs. 21985/2001 (art. 28) e 14/2001 (art. 4º), trazendo o entendimento de que tais receitas somente devem ser reconhecidas para fins de incidência dos tributos federais, quando de sua efetiva realização (cobrança dos percentuais nas faturas dos consumidores que seriam realizadas a partir do ano de 2002), atendendo ao Princípio da Competência. A decisão recorrida entende que o custo da energia, ora em discussão, também deveria ser atrelado ao reconhecimento da receita decorrente da RTE, em respeito ao citado Princípio da Competência, pois seria uma energia adquirida, mas não consumida no ano de 2001, que seria, portanto, um custo do ano de 2002. Depois de muito analisar e pesquisar sobre as regulamentações ocorridas naquele episódio da crise energética de 2001, cheguei a conclusão de que tal custo se refere ao ano de 2001, tal como reconhecido pela recorrente. Explico. Não resta dúvida que, tal diferença ora em debate está diretamente relacionada ao racionamento de energia do ano de 2001 e tem implicação na Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, previstas nas MPs. 21985/2001 e 14/2001. Pelo que se depreende dos documentos trazidos aos autos, em especial os esclarecimentos prestados pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF (fls. 2580/2581), do Contrato de Compra e venda de Energia entre CHESF e Fl. 797DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 798 19 SAELPA (atual Energisa) fls. 4883/4922 e respectivo Termo Aditivo nº 01 (fls. 4973/4980), dos avisos de faturamento provisório expedidos pela CHESF (fls. 4947/4960) e das disposições contidas na Resolução Aneel nº 31, de 24 de janeiro de 2002 (fls. 4962/4971), a diferença cobrada pela CHESF referente ao faturamento de junho a novembro e 2001, corresponde efetivamente ao custo da energia contratada e fornecida por aquela geradora à recorrente no período referido e que não fora faturado anteriormente, tendo em vista a orientação setorial de que, em face do racionamento, o faturamento deveria corresponder a 80% do valor contratado, até que se definisse o percentual definitivo de redução, que restou fixado em 3%. Nos esclarecimentos prestados pela CHESF (fls. 2580/2581), ante a intimação da fiscalização, restou consignado, verbis: Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, de 22/04/2005, apresentamos, a seguir, as justificativas solicitadas: Em função do Racionamento de Energia Elétrica, ocorrido no período de junho de 2001 a fevereiro de 2002, houve uma redução no Consumo de Energia da ordem de 20% que afetou o equilíbrio econômico financeiro do contrato de suprimento entre SAELPA e CHESF. Houve negociações envolvendo todos os agentes do Setor Elétrico que culminou num acordo conhecido como: "Acordo Geral do Setor Elétrico", firmado em dezembro de 2001, onde foi estabelecido que durante o período de racionamento, o faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos, com relação aos montantes contratados, em um percentual, ainda por ser definitivamente estabelecido, entre 2% e 3%. A CHESF, no período de junho a novembro de 2001, faturou contra a SAELPA com redução de 20% dos montantes contratados. Em 31/12/2001 a CHESF emitiu a fatura 5324, correspondendo a 97% dos montantes contratuais no mês de dezembro e a fatura complementar 5342, em questão, correspondendo a 17% dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001. Outrossim, informamos que, o embasamento legal encontrase disposto no Termo Aditivo N° 01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF em 04 de junho de 2002, cuja cópia anexamos juntamente com a Resolução ANEEL N° 31, de 24 de janeiro de 2002, citada na cláusula 6°, item a) que trata do fator de redução do período de junho a dezembro de 2001. (grifei) Na cláusula 6ª do Termo Aditivo, ficou estabelecido, verbis: Cláusula 6º A Cláusula 11 dos Contratos Iniciais das distribuidoras localizadas nas áreas alcançadas pelo PERCEE passa a vigorar acrescida do seguinte parágrafo terceiro: Fl. 798DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 799 20 "Parágrafo Terceiro. As quantidade de energia e demanda vendidas sob este CONTRATO no período de vicia do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica PERCEE serão reduzidas com aplicação do seguinte fator de redução: a) para o período de junho a dezembro de 2001. o previsto no art. 5º da Resolução da ANEEL nº 31, de 2002: e b) para os meses de janeiro e fevereiro de 2002, o previsto no art. 3º da Resolução da GCE nº 133, de 6 de junho de 2002 e, de acordo com a disciplina estabelecida pela ANEEL." A Resolução Aneel nº 31, por sua vez traz a seguinte disposição em seu art. 5º, verbis: Art. 5º As concessionárias distribuidoras alcançadas pela recomposição tarifária extraordinária deverão pagar às geradoras, durante o período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às concessionárias distribuidoras, de acordo com o seguinte fator de redução: onde: I Frd corresponde ao fator de redução a ser aplicado aos valores dos contratos iniciais e equivalentes; II CEag corresponde ao consumo esperado agregado calculado na forma do inciso II do § 4º do art. 4º; III CIi corresponde à definição constante do inciso III do § 4º do art. 4º; e IV FPi corresponde à definição constante do inciso IV do § 4º do art. 4º. 3 3 Art. 4º § 4º [...] III CIi corresponde aos montantes de energia contratados pela concessionária de distribuição de energia elétrica e homologados pela ANEEL nos termos do art. 10 da Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998 (contratos iniciais e contratos celebrados antes da edição do Decreto nº 2.655, de 2 de julho de 1998, que produzam efeito equivalente ao dos contratos iniciais), quotaspartes de Itaipu determinadas anualmente pela ANEEL, energia assegurada ou associada da geração própria e contratos bilaterais das concessionárias de distribuição, já registrados no MAE ou Fl. 799DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 800 21 Entendo que, diante do Acordo Geral do Setor Elétrico, que restou formalizado entre a recorrente e a CHESF, por meio do Aditivo nº 1 ao Contrato de Compra e Venda de Energia, a interessada se comprometeu a pagar 97% do valor correspondente ao montante de energia contratado para o período de janeiro a dezembro de 2001, independentemente da redução efetiva verificada no fornecimento da energia em face do racionamento realizado naquele período. Em contrapartida, como parte do Acordo Geral do Setor Elétrico, teria direito à cobrança, a partir de 2002, da Recomposição Tarifária Extraordinária, para se ressarcir dos custos que se revelaram desproporcionais à receita obtida naquele período, nos termos dispostos nos arts. 2º e 4º da MP. 14/2001, verbis: [...] Pelo que deduzo do quadro fático e normativo acima delineado, a recorrente incorreu efetivamente em custos maiores na aquisição de energia no período de junho a dezembro de 2001 em face do acordo setorial para a compensação de perdas entre os diversos agentes do setor elétrico (geradoras e distribuidoras). Este custo se refere à energia comercializada no próprio ano de 2001. Diante do acordo firmado a interessada passou a ter direito à uma recomposição tarifária extraordinária a ser cobrada sobre a energia vendida a seus consumidores a partir de 2002. Por óbvio os custos correspondentes a esta receita são os mesmos da receita normal comercializada, ou seja, os custos da energia adquirida e comercializada no próprio ano de 2002, pois é sobre esta energia vendida que seria aplicada a tarifa extraordinária. Assim, entendo que o reconhecimento desta parcela de custo no ano calendário 2001 pela interessada, não entra em contradição com o entendimento emanado do Parecer Cosit nº 26/2002, quando este tratou do reconhecimento das receita oriundas da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso quanto a este ponto. Das Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). Subitem 5.3.1.1 do RTF De acordo com o RTF, a fiscalização solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no ano calendário de 2001. na ANEEL até novembro de 2001, que tiveram os volumes mensais dos contratos iniciais reduzidos em 2001 em relação ao mesmo mês de 2000, até o limite da referida redução, conforme verificação pela ANEEL; IV FPi corresponde ao fator que reflete as perdas de energia elétrica das concessionárias distribuidoras ocorridas na comercialização desse produto, calculado, por concessionária distribuidora, pela média de doze meses de junho de 2000 a maio de 2001. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 801 22 A DRJ, por sua vez, entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. A recorrente alega que os procedimentos tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. Sustenta que em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). Que este acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. A recorrente alega que demonstra através do Extrato contábil (doc.22 anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc 23 anexo 10 da impugnação). Afirma que, com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. Sustenta que efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. Diz que os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. Sustenta que o lançamento de R$ 11.096.782,02 referese ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de Fl. 801DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 802 23 2001 e que o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1 %. Refere que num segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, utilizou o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurandose os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. Assim, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, referese ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. Afirma que o valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Alega que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, o que se comprovaria com o lançamento contido no Diário (doc. XX anexo). Por ocasião da Resolução nº 1302000.451, eu havia me manifestado, preliminarmente, no sentido de que tais valores efetivamente não deveriam ter sido reconhecidos como custos ou despesas do ano de 2001 e que, quando muito, se comprovada a efetivação do estorno no anocalendário 2002, "poderia caracterizar a ocorrência de postergação de pagamento do imposto por inobservância do regime de competência, nos termos do art. 273 do RIR/1999, mas exigiria também a comprovação de que a recorrente apurou e recolheu os tributos devidos no ano em que se deu tal reconhecimento4, o que também não restou comprovado nos autos". Daí a conversão em diligências para que a interessada fosse intimada a: I) apresentar comprovação do estorno, no ano de 2002, das diferenças de despesas com Compra de Energia da CHESF, no valor de R$ 2.871.961,74, mediante cópias dos registros contábeis nos livros Diário e Razão (partida e contrapartida, devidamente identificadas no plano de contas) III) apresentar comprovação de que tais valores foram efetivamente tributados naquele ano, ou seja, que a 4 PN. CST. 02/1996: [...] 9. Por outro lado, nos casos em que, nos períodosbase subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da comtribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no períodobase inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 803 24 interessada apurou e recolheu os tributos lançados (IRPJ e CSLL) sobre o resultado anual de 2002, mediante juntada de cópias de Demonstração de Resultado, Lalur, DIPJ e DCTF, relativos aos tributos apurados em 31/12/2002. Na resposta à diligência, a interessada limitouse à reprisar as alegações recursais e propugnar pelo reconhecimento da legalidade e correção do valor contabilizado, especialmente em face da aplicação dos princípios contábeis da Competência e do Conservadorismo, diante da situação fática ocorrida em decorrência do Acordo Geral do Setor Elétrico. O relatório da consultoria tributária trazido aos autos pela recorrente (fls. 7871/7911), apenas busca explicar mais uma vez o reconhecimento contábil efetuado pela recorrente, validandoos, segundo o entendimento ali manifestado, com base nos princípios contábeis da Competência e da Oportunidade. Revendo os elementos dos autos, penso que as conclusões preliminares trazidas na Resolução nº 1302000.451 merecem alguns reparos. Com efeito, o relato das alegações trazidas pela recorrente confirmam, ao menos parcialmente, o entendimento da fiscalização de que tais valores não poderiam compor o custo da energia comprada no ano de 2001. Desde logo a fiscalização constatou diferenças entre os valores lançados pela interessada como custo e as notas fiscais (nº 005324 e 005342) emitidas pela CHESF, apontando, respectivamente os valores de R$ 111.097,33 e R$ 188.600,85, que a própria recorrente confirma como incorretos, uma vez que procedeu aos lançamento com base em estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais, o que ocorreu ainda em 2001. Portanto, a glosa desses valores é inquestionável. Não se justifica a alegação da recorrente de que desconhecia os valores efetivamente devidos, pois as notas fiscais nº 005324 e 005342 foram emitidas pela CHESF em 31/12/2001 (fls. 2566/2572). Assim, certamente tais diferenças foram indevidamente registrada no custo do ano de 2001. Com relação à diferença de R$ 2.098.505,44, relativa à Nota Fiscal nº 005324, verificase pelo RTF que a interessada procedeu à liquidação da fatura, com o referido desconto aplicado, por meio de depósitos/créditos bancários em 15/01/2002 e 05/02/2002.. O mesmo ocorreu com relação ao valor de R$ 473.758,12, estornado pela CHESF relativo à NF. nº 005342, relativo ao ajuste feito em face do Acordo Geral do Setor Elétrico, que de acordo com o RTF foram quitadas em março e setembro de 2002. Com relação a estes valores, considerando o entendimento anteriormente manifestado neste voto quanto aos valores suplementares faturados pela CHESF em dezembro de 2001 com base no Acordo Geral do Setor Elétrico, entendo que se os estornos ocorridos decorreram de novas orientações emanadas dos órgãos regulares em 2002, não havia, naquele momento como a interessada fazer tal reconhecimento em sua escrituração. Como registrado acima, a empresa CHESF emitiu as duas notas fiscais em 31/12/2001 e os ajustes nos valores só ocorreram no decorrer do ano de 2002. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 804 25 Assim, tais valores deveriam ter sido registrados naquele anocalendário e, portanto, afetariam apenas o resultado daquele exercício. Não é razoável admitir o reconhecimento de tal fato de forma retroativa na contabilidade e no resultado apurado em 2001 pela recorrente. Desta feita, ainda que não tenha sido aportado aos autos a comprovação contábil de que tais estornos foram efetivamente realizados pela recorrente no ano calendário 2002, tais lançamentos não podem impactar o resultado do ano calendário 2001. Assim, entendo que resta indevida apenas a contabilização como custo dos valores de R$ 111.097,33 e R$ 188.600,85, registrados à maior pela recorrente com base em estimativas feitas antes da emissão das notas fiscais. Neste caso sim, uma vez indevidamente registrados nos custos contabilizados em dezembro de 2001, tais valores deveriam ter sido adicionados ao resultado apurado em 2001 pela recorrente, em observância ao regime de competência, nos termos do § 4º do art. 6ºdo DecretoLei nº1.598/1977.5 Ante a falta de comprovação de que estes valores foram efetivamente estornados em 2002 e devidamente oferecidos à tributação, o que poderia caracterizar, como já mencionado, mera postergação de pagamento do imposto, o lançamento desta infração deve ser mantido nesta parte. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso quanto a esta matéria, para exonerar da base da exigência o montante de R$ 2.572.263,56, por corresponderem a custos efetivamente incorridos no ano de 2001. Da Glosa de Custos Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no AnoCalendário de 2001 R$ 70.342.053,18. Subitem 5.2 do RTF Este item do auto de infração referese a contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAF no valor de R$ 70.342.053,18. No julgamento de primeira instância, a DRJ reconheceu um equívoco no valor lançado pela fiscalização, reduzindo o valor glosado para R$ 70.270.656,92. A recorrente alega que a autoridade fiscal confundiu o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002, sendo equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. A autoridade julgadora de primeiro grau, segundo a recorrente,descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendose simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002 , além de ter negado pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. 5 Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. [...] § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 805 26 Alega que os lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. Explica que o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doe. 16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. Informa que, em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. Destaquese que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma de incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais", que considerava como equivalentes apenas os contratos iniciais firmados entre a distribuidora e as geradoras de energia. Assim, os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5o do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. Informa que esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. Aduz que o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de Io de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). Fl. 805DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 806 27 Assim, teria sido obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE no ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Informa que os agentes do Setor Elétrico, solicitaram do MAE O posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício e que apenas ocorreu em 28 de fevereiro de 2002, quando houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábilfinanceiro, formalizado mediante a CIAS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento . Explica que os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado citado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). Afirma que o valor de R$ 70.342.053,18, resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00. Conclui que, restou demonstrado que: (i) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). Frisese, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter Fl. 806DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 807 28 recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! Destaca que, com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE , tendo seguido a determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE. Ao final solicitou a realização de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Após a realização das diligência solicitadas junto à CCEE, ANEEL e à própria contribuinte, a autoridade fiscal reafirmou suas conclusões quanto à natureza de provisões dos valores lançados como custos pela interessada, tendo em vista o estorno de R$ 40.113.000,00 relativo ao contrato junto à CFLCL e que a interessada não teria comprovado o pagamento dos valores relativos ao fornecimento junto ao MAE relativo ao contrato com a Energipe, defendendo a sua indedutibilidade no resultado de 2001, conforme expresso no final do Relatório de Diligência Fiscal (e fls. 7042/7058): Pelo exposto fica claro que; • A Energisa já demonstra que não comprou energia ao MAE pelo contrato Saelpa/CFLCL no período de racionamento, no montante de R$ 40.113.000,00; • A Energisa não conseguiu comprovar que comprou e pagou a importância ao MAE, principalmente referente ao contrato Saelpa/Energipe. Pelo exposto fica evidente que a contabilização das Provisões no montante de R$ 70.342.053,18 tem que ser adicionada na apuração do lucro real, tal qual efetuado no auto de infração, por ser indedutível para o imposto de renda e pela não comprovação através de documentação hábil e idônea, tal qual procedido no lançamento tributário com base nos arts. 6°, § 2°, 7°, 13, § 1°, do Decretolei nº1.598/77; art. 2° da Lei nº 2.354/54, e art. 45, §2°, da Lei nº 4.506/64. Intimada do relatório fiscal a recorrente reafirma que o entendimento fiscal está equivocado. Afirma em conclusão que o fato do valor de R$ 40.113.000,00, relativos à aquisição de energia junto ao MAE, que visava ao cumprimento do contrato com a CFLCL, tenha sido estornado em 30/06/2002 (conforme cópias do Livro Razão que anexa), por força do novo entendimento trazido no Despacho ANEEL nº 288, de Fl. 807DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 808 29 16/05/2002, que veio reconhecer o contrato firmado para fornecimento de energia à CFLCL como equivalente (para fins de cálculo de apuração das sobras líquidas), não invalida o reconhecimento do custo em 31/12/2001, pois esta era a situação reconhecida pelos órgãos setoriais naquele momento. Com relação ao pagamento da energia adquirida junto ao MAE relacionada ao contrato da Energipe, tida como não comprovada pela fiscalização, explica e demonstra por meio de lançamentos contábeis que o valor resultou quitado mediante a compensação entre créditos que possuía junto ao próprio MAE (atual CCEE). Passo a analisar a exigência do Fisco, à luz dos elementos carreados aos autos até o momento. Tratase de questão bastante complexa pois tratase de operações realizadas no âmbito do setor elétrico envolvendo múltiplos agentes público e privados num contexto de crise no setor elétrico em face de necessidade de racionamento de energia que levou à realização de um grande acordo setorial para reconhecimento e compensação de perdas no sistema. Analisando os elementos trazidos pela recorrente, entendo que esta conseguiu demonstrar e comprovar por documentos hábeis (contratos e notas fiscais) a venda de energia às empresas CFLCL e Energipe ao longo de 2001, o que aliás a própria fiscalização não contesta. A discussão prendese ao custo da energia adquirida para tal fim. A fiscalização afirma que, ao contrário do que afirma a interessada, "a Energisa (atual denominação da SAELPA) sempre possuiu sobras nos meses em questão de modo que não teria recorrido ao MAE para adquirir energia adicional para atender os contratos de venda de energia firmados com a CFLCL e a ENERGIPE, isto é, a energia vendida foi a adquirida da CHESF, onde o custo já está contabilizado". A recorrente alega que, quando firmou contrato de venda para as empresas CFLCL e Energipe em abril de 20012, tinha, de fato, sobras líquidas que adviriam do contrato com a CHESF, mas que em face do racionamento de energia elétrica o Governo Federal, por seus órgão reguladores do setor, determinou que as "sobras líquidas contratuais" deveriam ser repassadas aos Geradores neste período de racionamento, o que resultou em "exposição" (necessidade de compra de energia no Mercado de Curto Prazo do MAE) da SAELPA correspondente aos montantes vendidos para a ENERGIPE e a CFLCL registrados no então MAE, para atender ao contrato com os seus demais clientes/consumidores, uma vez que pelo Acordo de Compra de Sobras Líquidas (efls. 4630/4636), esta venda de energia não foi computada, em face do disposto no inciso III do § 5° do art. 2° da Resolução GCE n° 91, de 21.12.2001 (efls. 6799 a 6808). A recorrente demonstra que o valor da energia comprada no Mercado de Curto Prazo, no MAE, corresponde ao volume de energia vendida (em Mkw), para ENERGIPE e CFLCL, multiplicado pelo preço MAE (PMAE) vigente nos respectivos meses. A partir deste preço de compra recompondo o valor de R$70.342.053,18, fornecido pelo MAE. De fato, os valores apresentados pela recorrente são coerentes com os informados no Comunicado aos Agentes Provisionamento de 2001, feitos pelo MAE (efls. 6818/6827) e que foram utilizados como fonte para os lançamentos dos custos que resultaram glosados pela fiscalização. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 809 30 A recorrente reconhece que houve, posteriormente, a reconsideração por parte da ANEEL, por meio do Despacho ANEEL nº 288, de 16/05/2002 (efls. 6840/6841), que reconheceu que o contrato celebrado entre a SAELPA e a CFLCL como equivalente para efeito do cálculo da apuração das sobras líquidas, levando ao estorno realizado em 30/06/2002, do valor de R$ 40.113.000,00. O montante de energia mencionada nos meses de junho a dezembro de 2001 considerado no anexo do referido despacho corresponde exatamente à quantidade de energia vendida pela interessada à CFLCL. A recorrente alega que tal reconhecimento, ocorrido em maio de 2002, e estornado em junho daquele ano, não desnatura o custo reconhecido em 31/12/2001. Penso que tem razão a recorrente. Em 31/12/2001, a interessada reconheceu um custo de compra de energia junto ao MAE que seria associado à venda de energia para as empresas Energipe e CFLCL, com base nos dados disponíveis fornecidos pelo órgão MAE (espécie de câmara de compensação) que controlava o saldo de compra e venda de energia entre as distribuidoras e geradoras, com base nas normas e decisões expedidas pelo agente regulador (ANEEL). Não há como discordar da alegação da recorrente de que, embora o MAE tenha denominado de provisão (e ela própria assim denominou na sua contabilidade), tratase de custo efetivamente incorrido no ano de 2001. O fato de, posteriormente, a ANEEL ter vindo a reconhecer que os valores do contrato de venda para a CFLCL deveriam compor o ajuste do saldo das sobras líquidas, configura, no máximo, a característica de recuperação de custos, com o consequente cancelamento do débito junto ao MAE (atual CCEE). No que concerne ao argumento da fiscalização, com relação às aquisições para o fornecimento do contrato da Energipe, de que não estaria comprovado o efetivo pagamento, penso que, ao contrário, a recorrente demonstrou que o saldo foi pago mediante o encontro de contas no âmbito da CCEE. Além disso, salvo se houvesse dúvida que quanto à existência das compras de energia junto ao MAE, o que não ocorre, o registro do custo deve se dar pelo regime de competência, sendo irrelevante neste momento a comprovação do pagamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item da autuação. Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Subitem 5.5 do RTF Este item do RTF trata da glosa de exclusão no Lalur relativo à reversão de provisões no ano de 2001, por falta de comprovação dos valores que foram revertidos em face do recebimento dos títulos. A recorrente traz diversas considerações sobre as apurações feitas pela fiscalização com relação às diferenças apuradas entre os valores provisionados em 31/12/2000 e 31/12/2001, objeto da infração discutida no subitem 5.1.2.7 do RTF, e acusa o Fisco de ter efetuado o lançamento por mera presunção de que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 810 31 Alega que a DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. Alega que as provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção, que não pode ser tomada como base de cálculo do imposto. Alega que não existe uma relação especifica para o reconhecimento das adições e exclusões, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais e que, em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. Assim, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Sustenta que quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. Analisando a argumentação trazida pelo contribuinte durante a ação fiscal e na fase litigiosa, verifico que o mesmo apresenta uma explicação numérica para o valor apurado e excluído do Lalur a título de reversão de provisões anteriormente constituídas, mas em momento algum, seja durante a ação fiscal, seja no recurso apresentou os elementos de comprovação de quais foram os créditos anteriormente provisionados e adicionados ao lucro real do ano anterior que teriam sido revertidos para justificar a sua exclusão no lucro real de 2001 no montante de R$ 7.896,751,95. Assim, à míngua de apresentação de elementos que respaldem a exclusão efetuada no Lalur, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a este ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o lançamento: a) integralmente, quanto à: a.1) glosa de variação monetária do parcelamento de ICMS de R$10.359.592,48. (subitem 5.4.1 do RTF anocalendário: 2000); a.2) glosa de custos referente ao faturamento complementar de R$ 10.434.423,05. (Subitem 5.3.1.2 do RTF anocalendário: 2001); a.3) glosa de custos referente ao provisionamento da compra de energia no Mercado Atacadista, no valor de R$ 70.270.656,92. (Subitem 5.2 do RTF Ano Calendário de 2001); e b) parcialmente, quanto à glosa de diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (Subitem 5.3.1.1 do RTF AnoCalendário de 2001), para exonerar da base da exigência o montante de R$ 2.572.263,56. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 811 32 Os montantes de prejuízos fiscais e bases de cálculo restabelecidas em face do presente julgamento estão demonstradas nas tabelas abaixo: Redução Prejuízo Fiscal Ano 2000 Ano 2001 Total Restab. Prejuízo Apurado/Glosado 31.635.515,65 97.169.506,63 128.805.022,28 () Glosas canceladas: Variações Monetárias passivas 10.359.592,48 Custos energia 10.434.423,05 Custos energia 2.572.263,56 Custos energia 70.342.053,18 () Total de Glosas Canceladas 10.359.592,48 83.348.739,79 Total da Glosa de Prejuízo mantida 21.275.923,17 13.820.766,84 35.096.690,01 Saldo de Prejuízo Recomposto 10.359.592,48 83.348.739,79 93.708.332,27 Redução BC Negativa CSLL Ano 2000 Ano 2001 Total Restab. BCN Apurada/Glosada 26.881.253,65 97.563.055,69 124.444.309,34 () Glosas canceladas: Variações Monetárias passivas 10.359.592,48 Custos energia 10.434.423,05 Custos energia 2.572.263,56 Custos energia 70.342.053,18 () Total de Glosas Canceladas 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2000 31/12/2001 Prej. Acum. Anos Ant. 79.430.603,83 89.790.196,31 Compensação no ano Saldo ao Final do Ano 79.430.603,83 89.790.196,31 Prejuizo Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo Recomposto 89.790.196,31 173.138.936,10 Saldos Bases Negativas 31/12/2000 31/12/2001 BCN Acum. Anos Ant. 59.569.037,76 69.928.630,24 Compensação no ano Saldo ao Final do Ano 59.569.037,76 69.928.630,24 BCN Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo BCN Recomposto 69.928.630,24 153.277.370,03 Das glosas de custos e despesas efetuadas no processo acima referido decorreram glosas de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, nos anoscalendário 2005 e 2006, formalizadas em autos de infração por meio do processo administrativo fiscal nº 14751.002674/200826. Nesta mesma sessão de julgamento este colegiado, reconheceu os efeitos da decisão naquele processo, com o consequente aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo efetivamente recompostas naqueles períodos, conforme se extrai dos excertos dos voto naquele processo, verbis: [...] Fl. 811DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 812 33 Em face das glosas de custos e despesas efetuadas por meio do Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, a fiscalização apurou que o contribuinte, no anocalendário 2006, efetuou a compensação de prejuízos no montante de R$ 43.468.130,91, enquanto que o Sapli apontava um saldo disponível de R$ 14.156.552,04, efetuando, assim a glosa de compensações de prejuízos fiscais no montante de R$ 29.311,578,87. Do mesmo modo, com relação ao Saldo Negativo de CSLL, o contribuinte efetuou, no anocalendário 2005 a compensação de R$ 29.362.254,06, mas o Sapli apresentava saldo de apenas R$ 23.045.438,21, tendo a fiscalização efetuado a glosa no montante de 6.316.815,85. Ainda com relação à CSLL, a contribuinte efetuou a compensação de bases negativas, no anocalendário 2006, em sua DIPJ no montante de R$ 43.060,859,18, e segundo o Sapli não existia qualquer saldo a compensar naquele momento. Assim, a fiscalização efetuou a glosa integral da compensação de base negativa da CSLL no ano de 2006, no montante de R$ 43.060,859,18. Diante da recomposição parcial dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apurada em face do cancelamento parcial das glosas de despesas efetuadas por meio do Processo Administrativo nº 14751.000142/200510, conforme decidido no Acórdão nº..., impõese reconhecer tal efeito no presente lançamento. Conforme demonstrado nas tabelas abaixo, com a recomposição do saldo de prejuízos, em face do parcial acolhimento do recurso no PA acima referido, e, considerando os saldos utilizados pela contribuinte no período de 2002 a 2006, as glosas de compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas levadas a efeitos nestes autos não pode subsistir: Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 Prej. Acum. Anos Ant. 79.430.603,83 89.790.196,31 173.138.936,10 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 Compensação no ano 11.525.687,96 5.836.881,09 18.193.059,90 29.718.422,84 43.468.130,91 Saldo ao Final do Ano 79.430.603,83 89.790.196,31 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 64.396.753,40 Prejuizo Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo Recomposto 89.790.196,31 173.138.936,10 161.613.248,14 155.776.367,05 137.583.307,15 107.864.884,31 64.396.753,40 Saldos Bases Negativas 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 BCN Acum. Anos Ant. 59.569.037,76 69.928.630,24 153.277.370,03 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 Compensação no ano 11.400.200,15 7.142.108,64 17.981.290,76 29.362.254,06 43.060.859,18 Saldo ao Final do Ano 59.569.037,76 69.928.630,24 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 44.330.657,24 BCN Restab. 2000/2001 10.359.592,48 83.348.739,79 Saldo BCN Recomposto 69.928.630,24 153.277.370,03 141.877.169,88 134.735.061,24 116.753.770,48 87.391.516,42 44.330.657,24 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Com efeito, observase que após o aproveitamento de parte do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas recompostos, nos anoscalendário 2005 e 2006, remanesce um saldo de prejuízos fiscais de R$ 64.936.753,40 e de base de cálculo negativa da CSLL de R$ 44.330.657,24 em 31/12/2006. Desta feita, considerando que o valor das glosas efetuadas no anocalendário 2007 é inferior ao saldo disponível (recomposto) em 31/12/2006, mesmo após a compensação das glosas efetuadas por meio do PA nº 14751.002674/200826, o presente lançamento deve ser cancelado, conforme demonstrado nas tabelas abaixo: Fl. 812DF CARF MF Processo nº 14751.002618/200972 Acórdão n.º 1302002.546 S1C3T2 Fl. 813 34 Saldos Prejuízos Sapli 31/12/2007 Prej. Acum. Anos Ant. 64.396.753,40 Compensação no ano 39.853.024,78 Saldo ao Final do Ano 24.543.728,62 Prejuizo Restab. 2000/2001 Saldo Recomposto 24.543.728,62 Saldos Bases Negativas 31/12/2007 BCN Acum. Anos Ant. 44.330.657,24 Compensação no ano 39.780.216,95 Saldo ao Final do Ano 4.550.440,29 BCN Restab. 2000/2001 Saldo BCN Recomposto 4.550.440,29 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 813DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.000150/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.262
Decisão: Por unanimidade de votos, Sobrestaram o julgamento, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, Sobrestaram o julgamento, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000150/200984 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.262 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de setembro de 2013 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente VALKI PLASTICOS E MAQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONL Por unanimidade de votos, Sobrestaram o julgamento, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro. Conforme se verifica do relatório elaborado pela DRJ, as fls. 982 “Como os extratos bancários não foram entregues pela fiscalizada, à exceção do Banco Itaú, foram emitidas as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMFs) para as demais instituições que administravam as contas bancárias da fiscalizada, e os extratos por elas entregues foram anexados ao processo”.grifei RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .0 00 15 0/ 20 09 -8 4 Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Resolução nº 1401000.262 S1C4T1 Fl. 3 2 Dessa forma. dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314, sob regime de repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543 B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil, bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Resolução nº 1401000.262 S1C4T1 Fl. 4 3 Pelo exposto, entendo deva o presente feito ficar sobrestado até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator De acordo: (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 1450DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721028/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA-CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE.
A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 1402-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator.
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA-CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE. A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores. Recurso de Ofício Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE. A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 28 /2 01 4- 45 Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.245 2 (assinado digitalmente) DEMETRIUS NICHELE MACEI Relator. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.246 3 Relatório Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor total de R$ 748.963.031,69 (fl. 2) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL no valor total de R$ 314.564.473,28 (fl. 2), em função das seguintes irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 5022/5043: 1 Exclusões indevidas de ágio amortizado antes da incorporação de Pessoa Jurídica; 2 Insuficiência de pagamento mensal da estimativa do IRPJ e da CSLL Incidência da multa isolada; 3 Houve exigência da Multa de Ofício no percentual de 75%. A fiscalização relata no Termo de Verificação Fiscal TVF, em síntese, o que se segue: Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009, o Banco Santander excluiu o valor de R$ 1.150.506.855,54 sob o título de "Amortização de ágio Banco Real". O referido valor corresponde à despesa de amortização de ágio, oriundo da aquisição do Banco Abn Amro Real S.A. (Banco Real), e consta nos balancetes de 2008 e de 2009 da seguinte forma: Mês de laçamento Conta Cosif / Conta interna Descrição da conta Valor RS Dez/2008 8.1.9.99.006/946.229 Despesa de amortização de ágio Banco Abn Amro Real 554.954.912,02 Março/2009 8.1.9.99.006/946.229 Despesa de amortização de ágio Banco Abn Amro Real 446.663.957,65 Abril/2009 8.1.9.99.006/946.229 Despesa de amortização de ágio Banco Abn Amro Real 148.887.985,88 Total 1.150.506.855,54 A amortização contábil acima indicada corresponde ao período entre a data da incorporação de ações do Banco Real, em evento realizado no dia 29 de agosto de 2008, e a sua incorporação, ocorrida no dia 30 de abril de 2009, pelo Banco Santander. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de 2008 e de 2009, essas despesas de amortização de ágio nos valores de R$ 554.954.912,02 e R$ 595.551.943,53, respectivamente, foram adicionadas. Porém, a partir de junho de 2009, nas bases estimadas do imposto e da contribuição, o Banco Santander procedeu à reversão dessas adições, gradativamente, sendo que, no ano, o valor total da exclusão foi de R$ 1.150.506.855,54. Faz uma breve análise dos fatos e da legislação aplicável concluindo que o caso em discussão enquadrase no art. 386 do RIR/99, face à incorporação do Banco Real pelo Banco Santander. Ressalva porém, que após a incorporação, à pessoa jurídica incorporadora é permitida a amortização contábil do ágio limitada à razão máxima de um sessenta avos, por mês, e que não se pode deduzir na contabilidade um ágio já amortizado anteriormente ao evento, não havendo nenhuma autorização para que, na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, possa ser "excluído" esse ágio já amortizado, por expressa falta de disposição legal. Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.247 4 Acrescenta que o ágio decorrente do valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. O art. 386 do RIR/99 especifica a forma pela qual o ágio ou deságio deve ser contabilizado em decorrência da absorção de patrimônio de pessoa jurídica, bem como determina a amortização contábil, para efeitos fiscais, a partir do evento que extinguiu a participação societária. Ou seja, o referido artigo trata somente da escrituração comercial da pessoa jurídica. E não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente por meio de exclusão ou adição no lucro real. Salienta que o art. 426 do RIR/99 (que trata da alienação ou liquidação do investimento) contém uma disposição explícita quanto à possibilidade do aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente, disposição esta que não se repete no art. 386. Cientificada pessoalmente, em 22/10/2014, fls. 5064/5067, a empresa apresentou impugnação, em 19/11/2014, fls. 5070/5122, argumentando, em síntese, o que se segue: Em preliminar: alega que a fiscalização não poderia questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu em 29/08/2008, em lançamento com ciência em 22/10/2014. Apresenta doutrina em seu favor. Em seguida, discorre sobre o princípio da legalidade para defender que a fiscalização somente poderia autuála diante de fato expressamente previsto em lei como tributável. Cita o CTN, em especial o art. 108, que prescreve que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Questiona o argumento da fiscalização de que "não há nenhum comando de lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente por meio de exclusão ou adição no lucro real', afirmando que "não existe dispositivo de lei que proíba tal tratamento". Discorre sobre a natureza do ágio e sobre a necessidade de se permitir a dedução do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação, e também, da necessária isonomia de tratamento para contribuintes em situação semelhante. Ad argumentandum, defende a inexistência de previsão legal para a adição à base de cálculo da CSLL da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Defende a impossibilidade de aplicação da multa isolada de 50% concomitantemente com a multa de ofício de 75%, sobretudo após o encerramento do anocalendário. Cita doutrina. Defende a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Cita jurisprudência. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração, em preliminar, pelo reconhecimento da decadência. No mérito, defende a procedência da impugnação. A DRJ afastou a preliminar de decadência, contudo, no mérito, deu total procedência à defesa Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.248 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE. DEDUTIBILIDADE. Se cumpridos os requisitos legais para a amortização do ágio com fundamento na rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados dos exercícios futuros, não há impedimento legal para o aproveitamento das parcelas do ágio já amortizadas contabilmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. ÁGIO. FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ é constituído por uma série de eventos jurídicos, ocorridos ao longo do anobase. Em 31 de dezembro, encerrase a apuração do imposto. Nessa data, ocorre o fato gerador e surge a obrigação tributária. A data da aquisição com ágio não influencia na contagem do prazo decadencial que tem como marco inicial a data de ocorrência do fato gerador do imposto lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Face à decisão acima, a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício a este Conselho. É o Relatório. Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.249 6 Voto Vencido Conselheiro Demetrius NIchele Macei O recurso é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Muito resumidamente, toda a controvérsia se verifica nas etapas abaixo: 1) No período de Agosto 2008 (aquisição) a Abril de 2009 (incorporação) o contribuinte amortizou contabilmente o valor de R$ 1.150.506.855,54. Este valor foi adicionado ao lucro e controlado na parte B do LALUR, ou seja, não produziu efeito fiscal. 2) No período de Maio a Dezembro de 2009 o contribuinte amortizou contabilmente o valor de R$2.213.333.021,60 e fiscalmente o valor de R$ 3.363.839.877,14 sendo que a diferença entre os dois se refere a reversão do valor lançado na parte B do LALUR. 3) A fiscalização entendeu que os valores que foram contabilizados até abril de 2009, ou seja, já amortizados contabilmente e não produziram efeito fiscal (diferença) não podem ser utilizados para redução do IRPJ e CSLL Em regra, a legislação fiscal proíbe a dedução fiscal das contrapartidas da amortização do ágio decorrente de avaliação de investimentos pelo patrimônio líquido na determinação do lucro real (RIR/1999, art. 391). Como exceção, à época da ocorrência dos fatos geradores, o mesmo RIR/1999 previa, no art. 386, a possibilidade de amortização do valor do ágio pela pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, desde que o fundamento do ágio seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. A Administração Tributária defende que o ágio para ser amortizável requer a existência de substrato econômico e o atendimento dos seguintes pressupostos: a) efetivo pagamento; b) partes não ligadas; e c) laudo técnico tempestivo, autônomo e confiável. Nenhum destes requisitos, entretanto, são discutidos no TVF deste processo. A formação do ágio na operação de aquisição das ações de emissão do Banco Real pelo Banco Santander não foi questionada pela fiscalização. Em 30/04/2009 o contribuinte, Banco Santander, incorporou o Banco Real. É incontroverso nos autos que essa operação faz nascer o direito ao benefício fiscal de aproveitamento do ágio na apuração do Lucro Real, de acordo com a Lei 9.532, de 1997, art. 7°, com redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998. No Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999, este benefício fiscal está assim descrito: Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.250 7 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n°9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2° do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;(grifos acrescidos) Entretanto, entendeu a fiscalização, que apenas o saldo existente em abril/2009 na conta contábil que registrava o ágio gerado na operação de aquisição das ações, em agosto/2008, poderia ser amortizado com reflexos no lucro real, nos termos do inciso III supra. Isso porque, as parcelas amortizadas no período decorrido entre a aquisição e a incorporação, não estariam contidas na definição de "valor do ágio" veiculada pela norma. A fiscalização utilizou a apuração do Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido, na qual há previsão expressa de que as parcelas do ágio amortizado na escrituração comercial do contribuinte compõem o valor contábil utilizado para determinar o ganho ou perda de capital, para concluir, à contrário senso, que essas mesmas parcelas não compõem o valor do ágio referido no citado art. 386, III, porque aqui elas não foram explicitadas pelo legislador. Veja o texto do artigo 426, do RIR, a seguir: Subseção V Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.251 8 II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.(grifos acrescentados) De acordo com a fiscalização não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas contabilmente a partir do evento devam ser "revertidas" (por adição ou exclusão ao lucro líquido) para fins fiscais. De fato, conforme afirmou o contribuinte em sua defesa, analisandose a literalidade dos dispositivos legais que governam a matéria, não há qualquer vedação ao aproveitamento do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação. Não se trata de caso de ausência de previsão legal. A previsão existe: o ágio a ser amortizado em razão dos eventos de incorporação, fusão e cisão é aquele apurado nos termos do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/77, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela, uma vez que o ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não teve nenhuma repercussão de natureza fiscal, tendo sido adicionado ao lucro líquido e controlado na Parte B do Lalur". A decisao de primeira instancia, corretamente, corroborou com tal entendimento. Esclareceu a decisao da DRJ que não existe lacuna a ser preenchida. O esforço hermenêutico realizado para entender qual é o valor passível de amortização com efeitos fiscais do art. 386, III, do RIR, é desnecessário porque o texto da lei não dá margem para tal exercício. O comando referese ao valor do "Ágio". Não fala em valor atualizado, não fala em valor contábil, não fala em saldo de ágio, não fala em parcelas amortizadas ou não amortizadas. Neste ponto, exige somente que o fundamento do ágio seja a rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercício futuros. Ágio é a diferença, o sobrepreço. Não é a parcela ainda não amortizada deste sobrepreço. Se a intenção do legislador fosse permitir a amortização apenas das parcelas ainda não amortizadas, ele deveria ter feito essa ressalva. Não cabe ao intérprete restringir onde a lei não o fez. O artigo 426 do Regulamento do Imposto de Renda tem fundamento legal no artigo 33 do DecretoLei 1.598, de 1977. Pelos fundamentos da autuação, neste artigo houve o tratamento explícito do que fazer com as parcelas do ágio já amortizadas na escrituração comercial do contribuinte. Tal fato, levou a fiscalização a concluir que o artigo 386, também, deveria ter tratado essas parcelas de maneira explícita. Como não o fez, criou uma lacuna a ser preenchida por meio da interpretação. Não há dúvida que por valor do ágio quis dizer sua integralidade. Em nenhum momento a fiscalização defende a tese de que as parcelas do ágio já amortizadas contabilmente estão excluídas do valor do ágio a ser amortizado fiscalmente com base na permissão do artigo 386 do RIR. Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.252 9 Exatamente o ponto discutido neste processo, teve o texto alterado recentemente pela MP 627, de 2013, convertida na Lei 12.973, de 2014. A MP tentou alterar para saldo existente na data do evento "incorporação", o valor do ágio passível de amortização. Essa alteração não foi acolhida, e na lei, o texto ficou saldo existente na data da aquisição. Confirase: Medida Provisória 627, de 11 de novembro de 2013. Incorporação, Fusão ou Cisão Goodwill Art. 21. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subseqüentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data do evento, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. (Vigência) Lei 12.973, de 13 de maio de 2014. Goodwill Art. 22. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do Decreto Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. (Vigência) Se tivesse permanecido na redação da MP "saldo na data do evento", apenas o saldo atualizado, descontado das parcelas já amortizadas na contabilidade, seria passível de amortização fiscal. Entretanto, ao prevalecer o "saldo na data de aquisição", o legislador, mais uma vez, confirma a decisão de conceder o benefício da amortização fiscal ao valor integral do ágio. De acordo com o TFV, fl. 5027, o ágio contabilizado na operação de incorporação da totalidade das ações de emissão do Banco Real foi de R$ 26.012.090.253,38. O artigo 386 do RIR estabelece o limite máximo para a amortização fiscal à razão de um sessenta avos para cada mês do período de apuração. No caso concreto o limite máximo para amortização mensal é de R$ 433.534.837,56, totalizando R$ 5.202.418.050,68 em 1 ano. Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.253 10 A seguir, quadro extraído do TVF, fl. 5026, com as amortizações realizadas de maio a dezembro de 2009. Como se pode observar, elas respeitaram o limite estabelecido pela lei. Período Amortização Contábil Saldo "Parte B" Amortização Dedutível Limite 1/60 Set a Dez 2008 554.954.912,02 554.954.912,02 1.734.139.350,23 Jan a Abr 2009 595.551.943,53 1.150.506.855,54 1.734.139.350,23 Mai a Dez 2009 2.213.333.021,60 3.363.839.877,14 3.468.278.700,45 2010 3.103.496.000,04 3.103.496.000,04 5.202.418.050,68 2011 3.103.500.000,04 3.103.500.000,04 5.202.418.050,68 2012 3.636.895.253,76 3.636.985.253,76 5.202.418.050,68 2013 3.636.895.253,76 3.636.895.253,76 5.202.418.050,68 Vejase que o valor amortizado foi até mesmo inferior ao que poderia ser, de até 1/60, se considerarmos somente o período após incorporação (maio a dez/09 x R$ 443.534.837,56 = R$ 3.548.278.700,48). Também no TVF, fl. 5038, a fiscalização confirma que não houve excesso nas amortizações: "O Banco Santander, por sua vez, observou tais critérios, inclusive ao considerar o art. 7, § 1° da Circular n° 3017/00, do Banco Central do Brasil, o art. 14, § 2°, alínea "a", da Instrução CVM n°247/96 e a Instrução CVM n°285/98, os quais resultaram em uma amortização contábil bem abaixo do limite máximo de um sessenta avos, ao mês, da parcela do ágio não amortizado, não gerando, portanto, um excesso". Em suma, entendo que o ágio mesmo já amortizado contabilmente deve produzir efeito fiscal. Que a rentabilidade que futura da sociedade cuja participação foi adquirida, pode ser amortizada para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (fiscalmente), à razão de até 1/60 ao mês após extinção da participação societária adquirida por incorporação, fusão ou cisão, independentemente da amortização contábil. Em relação aos demais itens julgados pela DRJ, por terem sido desfavoráveis ao contribuinte e por não haver recurso voluntário a esse respeito, deixo de examinálos. Diante do exposto, considero irretocável a decisão da DRJ que afastou as glosas das exclusões das parcelas do ágio amortizadas contabilmente no período de Agosto/2008 a Abril/2009 e, portanto, julgo IMPROCEDENTE o recuso de ofício. É o voto. Demetrius NIchele Macei – Relator Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.254 11 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em que pesem os valorosos argumentos do ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar do seu entendimento. Este colegiado já teve a oportunidade de se pronunciar sobre este tema na análise do Acórdão 1402001.876, hipótese em que se entendeu correto o entendimento externado no Acórdão 1102000.873, de lavra do eminente Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, em relação ao qual, transcrevo os trechos de interesse: [...] Vejamos agora como a legislação fiscal tratou da matéria. Inicialmente, foi editado o DecretoLei no 1.598/77, o qual, no seu art. 20, assim dispôs a respeito do desdobramento do custo de aquisição do investimento e da indicação dos fundamentos: “Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.255 12 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (...)” Vêse, assim, que os fundamentos indicados nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do § 2º acima transcrito correspondem aos mesmos fundamentos apontados pela legislação societária/contábil. Já quaisquer outros fundamentos que a legislação societária/contábil possa vir a reconhecer e expressamente normatizar a respeito, encontramse albergados pela alínea ‘c’ do § 2º acima transcrito (“outras razões econômicas”), a exemplo do ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público. E, quanto à amortização, inicialmente previa o art. 25 do DecretoLei no 1.598/77 uma regra específica para a amortização do ágio ou deságio fundamentado na diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens, que diferia daquela aplicada aos demais fundamentos. Contudo, o Decretolei nº 1.730/79, ao dar nova redação ao art. 25 do DecretoLei no 1.598/77, desfez esta ressalva e determinou que, ao ágio com este fundamento (diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens), fosse aplicada a mesma regra que o diploma legal já previa para os demais fundamentos. Assim, consolidouse o tratamento dispensado à amortização do ágio, para fins fiscais, nos seguintes termos: “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979)” O art. 33 trata da apuração de ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido. Vejase que a lei fiscal deixou, assim, de possuir qualquer comando relativo à forma como deveria ser feita a amortização do ágio ou deságio, deixando tal regulamentação inteiramente a cargo da legislação societária e contábil. Dito de outra forma, qualquer que fosse a forma ou critério utilizado contabilmente, o que importa é que, para fins fiscais, o valor desta amortização deveria ser “estornado” ou “revertido” na apuração do lucro real. Contudo, a lei fiscal previu algumas hipóteses específicas, vinculadas à apuração de ganho de capital, em que a amortização do ágio ou deságio poderia ter reflexos fiscais. Fl. 5255DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.256 13 Inicialmente, vejase o que dispôs o art. 31 do DecretoLei no 1.598/77 a respeito do ganho de capital: “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. (...)” O art. 33 contém justamente uma disposição especial a respeito do ganho ou perda de capital, nos seguintes termos: “Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) III (Revogado pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. (...)” Portanto, no caso específico de alienação ou liquidação do investimento, determinou a lei fiscal que o ágio ou deságio anteriormente amortizado contabilmente fosse considerado, para fins fiscais, na apuração do Fl. 5256DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.257 14 ganho de capital, a par da consideração no cálculo deste ganho de capital, também, do ágio ou deságio ainda não amortizado. Por força desta disposição específica da lei fiscal é que o RIR/99, a exemplo dos Regulamentos anteriores, traz inserto, em parágrafo ao art. 391, a determinação para que seja mantido controle, no LALUR, da amortização contábil do ágio ou deságio, nos seguintes termos: “Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426).” Outra ocorrência específica, à qual a lei fiscal também determina a apuração de ganho de capital, e em que a amortização do ágio ou deságio pode vir a ter reflexos fiscais, é tratada no art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, nos seguintes termos: “Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: Fl. 5257DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.258 15 a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional.” Retornando ao art. 31 do DecretoLei no 1.598/77, acima transcrito, vejase que a lei fiscal determinou que fosse feita a apuração de ganho de capital nas seguintes hipóteses: a) Alienação; b) Liquidação; c) Baixa – por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão. Conforme visto, o art. 33 determinou regras próprias para a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento, e previu o aproveitamento, nestes eventos, mesmo do ágio já amortizado contabilmente. Já o art. 34, conforme visto, considera que, na fusão, incorporação ou cisão de sociedades, o que ocorre é a extinção do investimento. Neste caso, as regras próprias ali previstas para a apuração do ganho de capital são as seguintes: a) se o acervo líquido recebido exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, temse o ganho de capital, que pode ser diferido nos termos dos §§ 1º e 2º, caso contrário, deverá ser oferecido à tributação imediatamente; b) somente será admitida como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, sendo esta diferença deduzida imediatamente como perda, ou então, à opção do contribuinte, tratada como ativo diferido amortizável pelo prazo máximo de 10 anos. Fl. 5258DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.259 16 Portanto, no caso de fusão, incorporação ou cisão de sociedades, com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a lei fiscal não previu a consideração do valor do ágio ou deságio já amortizado contabilmente no cálculo do ganho de capital, valor o qual, conforme referido, encontravase registrado na parte B do LALUR para ser utilizado na determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento, eventos os quais não mais poderão ocorrer, em face dos eventos de reorganização societária retrocitados. Em síntese, da aplicação do quanto até aqui exposto (situação vigente antes da Lei no 9.532/97) a um caso de ágio fundamentado em expectativa de resultados futuros, (como é o fundamento do caso concreto), tínhamos a seguinte configuração: 1) A lei fiscal não continha regra determinando a forma de amortização deste ágio no tempo, deixando à cargo da lei societária/contábil dispor acerca da sua amortização, apenas ressalvando que esta amortização não seria aceita para fins fiscais, ou seja, que deveria o seu valor ser adicionado para a apuração do lucro real. 2) A lei societária/contábil determinava que o ágio fosse amortizado no prazo e na extensão das projeções de resultados futuros que o determinaram, ou, excepcionalmente, por ocasião da baixa do investimento em decorrência de sua alienação ou perecimento. Trata se, no caso, da aplicação do princípio contábil do confronto das despesas com as receitas (“matching principle”): à medida que os lucros vão sendo gerados na investida (e vão sendo reconhecidos na investidora por equivalência patrimonial, na proporção que lhe pertencem), as despesas pagas para ter direito a esses lucros vão sendo amortizadas. No limite do acerto das projeções feitas, o resultado contábil é nulo, na medida em que os lucros auferidos correspondem ao quanto por eles foi pago antecipadamente pela investidora. E o resultado fiscal também é nulo, na medida em que tanto as receitas de equivalência patrimonial, quanto as despesas com a amortização do ágio, devem ser “estornadas” (excluídas e adicionadas, respectivamente), para fins de apuração do lucro real. 3) Em caso de alienação, liquidação ou baixa do investimento, antes do término do prazo previsto de amortização, determina a lei societária/contábil que o saldo ainda não amortizado pela investidora seja lançado integralmente contra conta de resultado. Vale dizer, apenas o ágio ainda não amortizado entra no cálculo do ganho de apital (resultado não operacional). A parte já Fl. 5259DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.260 17 amortizada não mais configura custo de aquisição para fins de apuração do resultado, na medida em que já foi “recuperada” pelos lucros até então gerados pela investida. 4) A legislação fiscal, contudo, deu tratamentos distintos a essas ocorrências: no caso de alienação ou liquidação do investimento, permitiu o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente no cálculo do ganho (ou perda) de capital; já no caso de extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão, previu apenas o aproveitamento do ágio ainda não amortizado contabilmente, e, ainda, para fins de dedutibilidade fiscal de eventual perda de capital, exigiu que a avaliação do acervo líquido recebido fosse feita a preços de mercado. Em 11.12.1997 foi editada a Lei no 9.532/97, cujos artigos 7o e 8o trouxeram novas regras relativas à amortização do ágio ou deságio, específicas para os casos em que há a extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Neste sentido, os referidos artigos derrogaram o disposto no art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, no que diz respeito às participações societárias adquiridas com ágio ou deságio. Vale registrar que o citado art. 34 do Decreto Lei no 1.598/77 (atual art. 430 do RIR/99) permanece vigente, contudo, aplicável tão somente às hipóteses de participações societárias adquiridas sem registro de ágio ou deságio. Por outro lado, os referidos artigos em nada alteraram as disposições até aqui comentadas relativas ao aproveitamento do ágio ou deságio nas hipóteses de alienação ou liquidação do investimento, as quais continuam reguladas pelo art. 33 do DecretoLei no 1.598/77 (art. 426 do RIR/99). Transcrevemse abaixo os artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/97: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" Fl. 5260DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.261 18 do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou Fl. 5261DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.262 19 perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Da leitura dos referidos dispositivos, deflui que, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, o ágio ou deságio deverá ser contabilizado pela pessoa jurídica de diversas formas, de acordo com o seu fundamento econômico. Assim, em síntese, temse que: a) se o fundamento for a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo, o ágio ou deságio deve ser contabilizado na própria conta (ou em contrapartida à conta) que registra o bem ou direito que lhe deu causa, de sorte que o ágio ou deságio passa a integrar o valor contábil do bem, tanto para fins de depreciação, amortização, exaustão, quanto para apuração de eventual ganho ou perda de capital; b) caso o bem que tenha dado causa ao ágio ou deságio não tenha sido transferido para o patrimônio da sucessora, o ágio ou deságio deve ser contabilizado em Fl. 5262DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.263 20 conta de ativo diferido ou de receita diferida, respectivamente, para ser amortizado da mesma forma que deve ser feita a amortização no caso de a fundamentação ser a expectativa de resultados futuros; c) se o fundamento do ágio (ou deságio) for a expectativa de resultados futuros, a sua amortização deve ser feita em no mínimo (no máximo) cinco anos, respeitandose a razão de um sessenta avos, no máximo (no mínimo) para cada mês do período de apuração; d) por fim, se o fundamento do ágio for o fundo de comércio, os intangíveis, ou quaisquer outras razões econômicas, ele deve ser contabilizado em conta de ativo permanente, não sujeita a amortização, podendo apenas ser baixado, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital, nas hipóteses de alienação do direito que lhe deu causa, de devolução de capital a sócio ou acionista, ou de encerramento das atividades da empresa. Conforme se observa, o regramento especifica a forma pela qual devem ser feitos os registros contábeis dos valores que antes eram ágio ou deságio, bem como determina que as amortizações registradas contabilmente passam a ter, a partir do evento que determinou a extinção da participação societária, efeitos fiscais (literalmente, diz a lei que o ágio ou deságio será amortizado “nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão”). Não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas contabilmente a partir do evento devam ser “revertidas” (por adição ou exclusão ao lucro líquido) para fins fiscais. Os lançamentos referidos na lei dizem respeito tão somente à escrituração comercial da pessoa jurídica. Assim, conquanto tenha a Lei no 9.532/97 alterado profundamente a forma como deve ser feita a amortização do ágio ou deságio em caso de extinção de participação societária em decorrência de fusão, incorporação ou cisão, não modificou o aspecto de que, nesses casos, não deve ser levado em consideração o ágio ou deságio que já havia sido amortizado contabilmente, nos mesmos moldes em que já o fazia o art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, parcialmente derrogado. A profunda alteração levada a efeito pela Lei no 9.532/97 consiste no seguinte: antes dela (na vigência do art. 34 do DecretoLei no 1.598/77), era absolutamente irrelevante (nos casos de incorporação, fusão ou cisão) o fundamento no qual baseavase o anterior registro do ágio ou deságio. Bastaria à pessoa jurídica avaliar o acervo líquido recebido a preços de mercado, e toda a diferença entre este acervo e o valor contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido como perda, para fins fiscais, qualquer que fosse o fundamento daquele ágio. Fl. 5263DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.264 21 Após a Lei no 9.532/97, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente antielisivo. Não somente pelo seu próprio conteúdo normativo, já que a partir de sua edição foram sensivelmente restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97, posteriormente convertido no art. 7° da Lei no 9.532/97, verbis: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” [...] conforme também exposto no presente voto, o aproveitamento fiscal do ágio efetivamente pago, mas já amortizado contabilmente, somente é previsto para os casos de alienação ou liquidação do investimento, mas não para os casos de extinção de participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Não cabe aqui questionar a opção do legislador, mas apenas registrar que assim foi por ele disciplinada a matéria. Além disso, não é demais salientar que, se houver tratamento diverso para o ágio já amortizado contabilmente, o mesmo deveria ser realizado em realização ao eventual deságio já amortizado, ou seja, o deságio já amortizado deveria ser tributado após o evento de incorporação, fusão ou cisão, hipótese jamais aventada pela Receita Federal. Em relação à CSLL, frisese, não há qualquer norma que autorize a dedução ou exclusão do ágio já amortizado contabilmente antes do evento de evento de incorporação, fusão ou cisão. Fl. 5264DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.265 22 Por fim, os argumentos referentes ao disposto na Lei nº 12.973/2014 não são aplicáveis ao caso concreto, pois tal diploma legal veio somente disciplina na seara tributária os efeitos tributários advindos das alterações trazidas nas ciências contábeis advindas das Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, não aplicáveis ao período objeto da exigência. Por esses motivos, voto por dar provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a exigência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Fl. 5265DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Numero do processo: 12448.722837/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
LANÇAMENTO DE TRIBUTO PREVIAMENTE PAGO PELO CONTRIBUINTE. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA COM A OMISSÃO DE RENDIMENTOS ANTERIORMENTE DECLARADOS E TRIBUTADOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, COM FULCRO NO ART. 44, I, DA LEI Nº. 9.430/96, ANTE A COMPROVAÇÃO DE PRÉVIA EXTINÇÃO DO TRIBUTO VIA PAGAMENTO.
Incabível a aplicação de multa de ofício em lançamento em que se exige tributo, a título de principal, previamente recolhido pelo contribuinte. Ante a verificação de declaração de ajuste anual, acompanhada do respectivo pagamento do tributo, está extinto o crédito tributário. Eventual lançamento posterior, em decorrência de retificação da DIRPF, não pode exigir tributo previamente recolhido e, tampouco, deve prosperar a multa de ofício aplicada com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 LANÇAMENTO DE TRIBUTO PREVIAMENTE PAGO PELO CONTRIBUINTE. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA COM A OMISSÃO DE RENDIMENTOS ANTERIORMENTE DECLARADOS E TRIBUTADOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, COM FULCRO NO ART. 44, I, DA LEI Nº. 9.430/96, ANTE A COMPROVAÇÃO DE PRÉVIA EXTINÇÃO DO TRIBUTO VIA PAGAMENTO. Incabível a aplicação de multa de ofício em lançamento em que se exige tributo, a título de principal, previamente recolhido pelo contribuinte. Ante a verificação de declaração de ajuste anual, acompanhada do respectivo pagamento do tributo, está extinto o crédito tributário. Eventual lançamento posterior, em decorrência de retificação da DIRPF, não pode exigir tributo previamente recolhido e, tampouco, deve prosperar a multa de ofício aplicada com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. André Luís Marsico Lombardi - Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
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ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA COM A OMISSÃO DE RENDIMENTOS ANTERIORMENTE DECLARADOS E TRIBUTADOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, COM FULCRO NO ART. 44, I, DA LEI Nº. 9.430/96, ANTE A COMPROVAÇÃO DE PRÉVIA EXTINÇÃO DO TRIBUTO VIA PAGAMENTO. Incabível a aplicação de multa de ofício em lançamento em que se exige tributo, a título de principal, previamente recolhido pelo contribuinte. Ante a verificação de declaração de ajuste anual, acompanhada do respectivo pagamento do tributo, está extinto o crédito tributário. Eventual lançamento posterior, em decorrência de retificação da DIRPF, não pode exigir tributo previamente recolhido e, tampouco, deve prosperar a multa de ofício aplicada com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 28 37 /2 01 2- 85 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12448.722837/201285 Acórdão n.º 2401004.321 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 55/63) interposto em face do Acórdão nº. 1247.165 (fls. 4245), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02) da contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2008 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A Declaração de Ajuste Anual Retificadora tem a mesma natureza da Declaração Original, substituindoa integralmente, sendo correto o lançamento que a teve como objeto. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado declaração de rendimentos inexata, legítima é a exigência da multa de ofício sobre o crédito tributário objeto da ação fiscal, mesmo que o débito já tenha sido pago anteriormente. A Notificação de Lançamento nº. 2008/373299767036465 de fls. 04/08 constatou, em virtude de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) retificadora do exercício 2008 (fls. 30/33), omissão de rendimentos no valor de R$ 22.245,72, com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$ 972,20, oriundos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ nº. 29.979.036/000140). Em decorrência do procedimento acima, foi realizado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar de R$ 2.814,60, multa de ofício de R$ 2.110,95, além dos juros de mora de R$ 1.130,06. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 5) a fiscalização informa a verificação da omissão de rendimentos, no valor acima apontado, recebido da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social. Em sua peça impugnatória, o sujeito passivo simplesmente alegou que não houve omissão de rendimentos e o imposto de renda devido já havia sido pago (DARF fl. 13). No julgamento proferido pela DRJ/RJ1, a colenda 19ª Turma entendeu que deveria ser mantido o crédito tributário lançado, acrescido da multa de ofício, “independente de prévio recolhimento” pela contribuinte. Ainda, determinou à Unidade de Origem que analisasse a possibilidade de apropriar o DARF de fl. 13 ao crédito tributário em julgamento no presente processo administrativo, desde que não restituído ou compensado previamente. Sem, contudo, que este ato implique na exoneração da multa de ofício decorrente do lanlamento. Após o julgamento de sua peça impugnatória de fl. 2 pela DRJ/RJ1, a ora recorrente foi intimada em 09/06/2014 (A.R. fl. 51) do referido acórdão e, em 07/07/2014 apresentou o seu recurso voluntário (fls. 55/63) alegando, em síntese: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 a) O lançamento decorre de revisão de declaração retificadora de ajuste anual onde, por equívoco, a contribuinte deixou de informar valores previamente declarados na declaração original; b) O imposto sobre a renda devido sobre o rendimento recebido da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ nº. 29.979.036/000140) foi recolhido após a transmissão da declaração original (retificada), conforme comprovado pelo DARF de fl. 13; c) Não deve subsistir no presente lançamento a multa de ofício aplicada (75%) por violação ao art. 138 do CTN (denúncia espontânea). É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12448.722837/201285 Acórdão n.º 2401004.321 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A controvérsia do presente processo administrativo restringese ao cabimento ou não da multa de ofício de 75% aplicada na Notificação de Lançamento (fls. 04/08) sobre o montante do tributo devido apurado como devido, decorrente de suposta omissão de receitas da ora recorrente. O fato incontroverso dos autos é que a ora recorrente, quando transmitiu a sua Declaração de Ajuste Anual originária referente ao exercício 2008 (fls. 36/41), ND 07/29.326.107, em 15/04/2008, informou o recebimento da fonte pagadora “INSTITUTO NACIONAL DA SEGURIDADE SOCIAL – INSS” (CNPJ nº. 29.979.036/000140), no valor de R$ 22.245,72, com imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 972,20. Tais informações constam na reprodução da mencionada DIRPF à fl. 37. Ato contínuo à entrega da referida declaração, a contribuinte realizou o pagamento do imposto de renda revido (R$ 3.151,78) em 28/04/2008 (DARF fl. 13). Assim, não restam quaisquer dúvidas que o imposto de renda incidente sobre o rendimento obtido junto ao INSS, acima informado, foi devidamente declarado (na DIRPF original) e pago pela Sra. Sueli Lage Moreira dentro do seu prazo de vencimento. Fato, também incontroverso, é que a ora recorrente, em 21/12/2011, apresentou declaração retificadora da sua Declaração de Ajuste Anual (ND 07/37.004.994), fls. 30/33) referente ao exercício 2008 e, nesta retificação, omitiu o rendimento obtido junto ao “INSTITUTO NACIONAL DA SEGURIDADE SOCIAL – INSS” (CNPJ nº. 29.979.036/000140), no valor de R$ 22.245,72, com imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 972,20, que havia sido informado na declaração original (retificada). Assim, em decorrência desta omissão de informação, surgiu a Notificação de Lançamento nº. 2008/373299767036465 de fls. 04/08, exigindo o imposto de renda sobre o montante recebido da fonte pagadora INSS acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. As questões que se contrapõe são: a) A recorrente declarou e pagou, devidamente, o imposto de renda incidente sobre os seus rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora INSS no anocalendário 2007; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 b) Posteriormente, a contribuinte retifica a sua declaração de ajuste anual e não informa os rendimentos recebidos da fonte pagadora INSS no ano calendário 2007. Nesse contexto, discutese se deve ser mantida ou excluída a multa de ofício (75%) aplicada, com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96, objeto do recurso voluntário da recorrente. A entrega de declaração retificadora, como realizada pela Sra. Sueli Lage Moreira, é regulada pela Instrução Normativa nº. 15, da Secretaria da Receita Federal, datada de 06/02/2001, que assim dispõe: Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Como se vê, a declaração retificadora apresentada pela ora recorrente substitui integralmente a declaração original, retificada, ao passo que no momento da transmissão da declaração retificadora, a contribuinte não informa o recebimento de rendimentos junto a fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DA SEGURIDADE SOCIAL – INSS” (CNPJ nº. 29.979.036/000140), no valor de R$ 22.245,72. Ao realizar a revisão da declaração de ajuste anual, via cruzamento de dados, evidentemente que a administração fazendária constatou a diferença entre a informação da ora recorrente e da fonte pagadora (INSS). Nesse momento, a priori, verificarseia o cabimento da realização da revisão do lançamento realizado pela contribuinte, nos termos dos artigos 149, V e 150 do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Ocorre que, no momento em que possível a verificação, pela autoridade fiscal, de incorreção por parte da contribuinte em virtude da retificação da sua declaração de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12448.722837/201285 Acórdão n.º 2401004.321 S2C4T1 Fl. 76 7 ajuste anual, havia uma particularidade ao caso concreto, qual seja, a extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, I, do CTN, em virtude do pagamento. Se previamente ocorrido o pagamento, como realizar o lançamento de um tributo já pago? Como exigir um crédito tributário, acrescido de multa e juros, se este já fora extinto, via pagamento, pelo contribuinte? No caso específico, entendo que caberia à autoridade administrativa uma melhor investigação do caso concreto, por meio de intimações à contribuinte (as quais, se ocorreram, não se encontram no presente processo administrativo) para verificação e confirmação do pagamento realizado, bem como para correção de eventual equívoco na transmissão da declaração retificadora. Vejase que o CTN prevê procedimento nesse sentido: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Ora, se havia uma declaração original (retificada), um correspondente DARF com recolhimento do tributo (o qual pode ter sua vinculação verificada e atestada pela autoridade fiscal), deveria a ora recorrente ter sido previamente intimada para, no mínimo, tentar esclarecer a incorreção verificada ou, ainda, ter a autoridade fiscal, no ato de lançamento de ofício, ter informado que o pagamento realizado em virtude da declaração originária não estivesse vinculado à declaração de ajuste anual ND 07/29.326.107. Assim, em que pese a evidente ausência de informação dos rendimentos recebidos da fonte pagadora INSS (CNPJ nº. 29.979.036/000140) na sua declaração retificadora, entendo que a multa de ofício aplicada ao presente lançamento e, via de consequência, os juros de mora, devem ser afastados ante o fato do tributo (principal) ter sido extinto, via pagamento, pela ora recorrente ainda no anocalendário de 2008. Destaco que no acórdão proferido pela DRJ/RJ1 (fls. 42/45), a turma julgadora determinou o seguinte comando: “A Unidade de Origem deverá analisar a possibilidade de apropriar o recolhimento do Darf de fl. 13 ao crédito em julgamento, desde que não restituído ou compensado previamente, porém sem que isso implique na exoneração da multa de ofício decorrente do lançamento de ofício, que não foi recolhida neste caso”. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 E, na intimação expedida à contribuinte para ciência do referido acórdão, vê se que a Unidade de Origem realizou a apropriação dos valores pagos pelo DARF de fl. 13 ao débito do presente processo administrativo, o que atesta, inequivocamente, a validade do pagamento realizado pela ora recorrente. Para melhor visualização (fl. 48): Não há fundamento para manutenção exclusivamente da “multa de ofício”, prevista no artigo 44, I, da Lei nº. 9.430/96, posto que esta só é cabível quando acompanhada do lançamento do tributo (principal), o qual não pode ser objeto de lançamento nestes autos, em virtude do já informado pagamento por meio do DARF de fl. 13. Isto posto, não sendo exigível o tributo já extinto por meio do pagamento (art. 156, I do CTN), deve ser afastada a aplicação da multa de ofício no presente lançamento, relacionada ao montante verificado pela Unidade de Origem quanto ao pagamento reconhecido por meio do DARF de fl. 13. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para o fim de excluir a multa de ofício aplicada ao presente lançamento, realizandose a devida exclusão limitada ao montante de débito a título de principal exonerado por meio da apropriação do pagamento realizado por meio do DARF de fl. 13. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 12448.722284/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Numero da decisão: 2202-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 22 84 /2 01 1- 80 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 2009/034460864526450 (fls. 06), relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2009, ano calendário de 2008, por dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 55.000,00 e de despesas médicas, no valor de R$ 10.641,03, resultando na diferença de imposto a pagar de R$ 4.156,50 acrescido de multa de ofício proporcional de 75% e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Inconformado o contribuinte impugnou o lançamento afirmando que o pagamento de pensão alimentícia foi feito nos termos do acordo firmado em 20/06/1996 em que comprometeuse a pensionar os filhos (2) com 15% de seus rendimentos líquidos para cada um e 10% para a exmulher sendo que esta só auferiria os alimentos pelo prazo máximo de um ano (até fevereiro/1997) e que as despesas médicas deduzidas referemse a plano de saúde do próprio declarante e de seus filhos. Juntou documentos: 1) sentença da 3ª Vara de Família ; 2) comprovantes de transferências bancárias para Leila Maria Seixas do Valle no ano de 2008; 3) declaração da empresa Promon Engenharia Ltda de que o valor de R$ 10.641,03 se refere a despesas médicas do Interessado e de seus filhos, com os valores discriminados por beneficiários das contribuições efetuadas para o Plano de Saúde MédicoHospitalar e Odontológico, na modalidade de plano coletivo empresarial através da operadora Mediservice Administradora de Planos de Saúde S/A; 4) carteiras de identidade dos filhos. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), por meio do Acórdão nº 1249.794 (fls. 58/60), julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual os valores de pensão alimentícia determinada por decisão judicial, cujos pagamentos foram devidamente comprovados. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Os pagamentos de plano de saúde apenas podem ser deduzidos como despesas médicas na declaração de ajuste anual se comprovadamente efetuados pelo Contribuinte. Cientificado da decisão em 12/06/2014 (A.R. de fl. 65), o Contribuinte vem aos autos em 16/07/2014 (fls. 69/74) com manuscrito onde alega que ao levar seu recurso voluntário na ARF Petrópolis, no dia 15/07/2014, foi surpreendido com a informação de que estaria a destempo pois sua notificação havia sido entregue no dia 12/06/2014 em seu endereço Fl. 86DF CARF MF Processo nº 12448.722284/201180 Acórdão n.º 2202003.563 S2C2T2 Fl. 86 3 residencial e recepcionada pela porteira do condomínio. Que referida pessoa somente lhe entregou a notificação no dia 16/06/2014 pois até então ele se encontrava fora da cidade. Que acreditou que a notificação teria chegado no mesmo dia 16/06, o que tornaria válida a apresentação de recurso voluntário em 16/07/2014. Traz documentos (cupons fiscais e bilhetes de jogos em loterias na região de Petrópolis/RJ) para provar que estava em viagem nos dias 12/06 e 13/06/2014. Argumenta que no dia 12/06/2014 foi feriado no Rio de Janeiro pois ocorreu o jogo da seleção brasileira de futebol, na abertura da copa do mundo. Ao final requer que seu recurso voluntário, apresentado em 15/07/2014, seja aceito como tempestivo e devidamente apreciado. O "recurso" a que se refere o contribuinte não se encontra nos autos. É o relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. No caso em apreço não há recurso a analisar. Acolhese como recurso a petição de fls. 69/74. Cabe apreciar o pedido do contribuinte quanto à tempestividade pois, se ultrapassada esta preliminar caberia a oitiva da ARF quanto à recepção ou não de documentos suplementares no dia 15/07/2014. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 87DF CARF MF 4 I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 12/06/2014 (quinta feira), por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) às fls. 65, cabendo mencionar a súmula CRF nº 09 que trata da validade da intimação realizada no domicílio eleito pelo contribuinte: Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Considerando que os prazos somente se iniciam ou vencem em dias de expediente normal na repartição (parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972) e que efetivamente, no dia 12/06/2014 não houve expediente normal nos órgãos da RFB, conforme PT MPOG nº 113, de 03/04/2014 (DOU de 04/04/2014), a intimação do contribuinte então deve ser considerada efetivada no dia 13/06/2014 (sextafeira). Assim, o início da contagem do prazo de 30 dias para apresentação do recurso voluntário iniciou em 16/06/2014 (segunda feira) e exauriuse em 15/07/2014 (terçafeira). Conforme já relatado acima, não há nos autos qualquer prova de que no dia 15/07/2014 o interessado tenha apresentado seu recurso voluntário. Portanto, a petição apresentada após o prazo legal carece do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecida. Conclusão Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso do interessado, por intempestivo. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 88DF CARF MF Processo nº 12448.722284/201180 Acórdão n.º 2202003.563 S2C2T2 Fl. 87 5 Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908681/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.299
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 81 /2 01 2- 04 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.575, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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