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Numero do processo: 19647.014286/2007-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/12/2005
PREVIDENCIÁRIO.DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. Tratando-se de cumprimento de obrigação acessória, não há que falar em pagamento antecipado. Em obediência ao comando do art. 150 , § 4º do Código Tributário Nacional - CTN, se a lei não fixar prazo este será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso com base no art. 150 § 4º do CTN. Vencido o conselheiro relator Carlos Alberto Mees Stringari, Designado para redigir o voto o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza-Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. Tratandose de cumprimento de obrigação acessória, não há que falar em pagamento antecipado. Em obediência ao comando do art. 150 , § 4º do Código Tributário Nacional CTN, se a lei não fixar prazo este será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso com base no art. 150 § 4º do CTN. Vencido o conselheiro relator Carlos Alberto Mees Stringari, Designado para redigir o voto o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 42 86 /2 00 7- 18 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Ivacir Julio de SouzaRelator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19647.014286/200718 Acórdão n.º 2403002.492 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Recife, DecisãoNotificação nº 15.401.4/0439/2006, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: 1. Temse em discussão, Autode Infração AI lavrado por ter o autuado infringido o art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/1991. 2. Segundo o relatório fiscal anexo, fl. 47, o contribuinte autuado deixou de apresentar os documentos listados em seu item 1, solicitados por meio dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TÍAD de 3. A multa foi aplicada segundo o art. 283, inciso II, alínea "j", do RPS, atualizada pela Portaria MPS n° 822, de„ 11/05/2005. 4. O autuado apresentou, a fls. 87/102, tempestivamente (v. fl. 467), defesa, na qual, em síntese, argüiu: a) que apresentou toda documentação que fazia parte de sua escrita contábil, incluindo os documentos indicados pelo fiscal como supostamente nãoapresentados; b) que os critérios do autuante, ao considerar certos documentos da escrita fiscal e não contabilizar parte da mesma, são inválidos; c) que apresenta parte dos documentos indicados, pois` que lhe é inviável a apresentação de todos, tornando nula a autuação; d) que documentos relativos ao salárioeducação não são fatos geradores de contribuições previdenciárias, extrapolando o limite da lei tal exigência; e) que não podem ser exigidos documentos relativos a período atingido pelo prazo decadencial f) que~ seu direito de defesa foi cerceado, pois que não foi sua escrita fiscal analisada arduamente, bem como foram exíguos os prazos concedidos para apresentação. de documentos; Fl. 606DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 g) que a solicitação de apresentação de toda a escrita contábil, com relação detalhada da documentação, em prazo diminuto, cerceia seu direito de defesa; h) que o prazo decadencial para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias é o previsto no art. 173, do CTN, e não o do art. 45, da Lei 8.212/91, conforme mandamentos constitucionais i)que o prazo previsto no art. 32, § II, da Lei 8.212/91, tem de corresponder ao decadencial para a constituição do crédito respectivo; que é de 5(cinco) anos; j) que a instituição da multa por decreto, majorada por portaria, é ilegal, pois não podem, estes normativos infralegais, inovar no mundo jurídico; 1) in fine, requereu a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do AI. 5. Solicitandose, a folha 468, o pronunciamento do auditor autuante, sobre a argüição de que os documentos teriam sido apresentados, pronunciouse o agente fiscal, às fls. 476/474, argüindo.: i a) que realizou diligência ao autuado, constatandose a veracidade dos documentos apresentados; b) que apenas foram juntadas aos autos as folhas de pagamento, sem os respectivos resumos, do período de 01/1997 a 01/1998, incluída a do décimo terceiro salário do exercício de 1997, e as guias de recolhimento dos processos trabalhistas; c)~ que as folhas apresentadas não. contemplam a totalidade dos segurados; d) que, restou, ainda, a nãoapresentação dos documentos, que listou no item 6. 6. Intimado o autuado do pronunciamento do autuante (v. fls. 475/477), aquele, em nova manifestação, fls. 478/498, repetiu, ipsis litteris, os argumentos da defesa, acrescendo irresignação sobre a exigência de depósito recursal para seguimento de recurso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese as mesmas alegações da impugnação, acrescidas de manifestação contra a exigência do depósito recursal. O recurso apresentado não foi encaminhado para o CRPS por falta do depósito recursal. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19647.014286/200718 Acórdão n.º 2403002.492 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Primeiramente, cabe esclarecer que a autuação foi motivada por descumprimento da obrigação acessória tributária de apresentar para o fisco a documentação, conforme intimado. O Relatório Fiscal detalha a falta de apresentação dos documentos e esclarecimentos. Embora intimada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 05/0412005; 26/04/2005; 2710512005 e 04/12/2005 (cópias anexas), a Autuada deixou de apresentar à fiscalização os seguintes documentos: a)Folha de pagamento mensal de todos os segurados de 0111996 a 1211997, inclusive folhas de 13 1 Salário; 0111998; 08/1998 e 13 1 salário de 1998; b) Resumo mensal da folha de pagamento do período compreendido de 01/1996 a 12/1997 (incluso 13 1 salários); 01/1998; 0811998 e '13º salário de 1998; c) Recibos de pagamento de Férias de 0111996 a 12/1996; d) Recibos de pagamento de Férias dos empregados que estão relacionados em planilha que constitui o anexo 1 e faz parte integrante do autodeinfração; e) Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT dos empregados dispensados listados em planilha que constitui o anexo II e faz parte integrante do presente autodeinfração; f) Processos trabalhistas (cópia de acordo, cópia da petição inicial, GRPS/GPS, GFIP) os quais estão relacionados em planilha que constitui o anexo IV e faz parte integrante do presente autodeinfração; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 g) Ficha de Registro de Empregados FRE relacionados em planilha que constitui o anexo III e faz parte integrante do presente autodeinfração; h Plano de Contas: i) Recibos de Pagamento de Autônomos RPA; j) Os documentos comprobatórios que embasaram os lançamentos contábeis descritos no anexo 1 do TIAD de 04112/2005; k) Os Documentos de Arrecadação do SalárioEducação dos meses de 0111996; 02/1996; 08/1997 e de 01/2000 a 12/2000, bem como o Termo de Adesão ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE. 1) Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho. LTCAT m) Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e avaliações anuais; 2. Ao proceder conforme o relatado nos itens anteriores, a empresa infringiu o comando contido no art. 33, §2º , da Lei n° 8.212191, dando ensejo à lavratura do presente Autode Infração. 3. Não foram verificadas circunstâncias agravantes ou atenuantes da infração. No resultado de diligência, folhas 478 e 479, a auditoria fiscal registra que na impugnação apenas foram juntadas aos autos as folhas de pagamento, sem os respectivos resumos, do período de 01/1997 a 01/1998, incluída a do décimo terceiro salário do exercício de 1997, e as guias de recolhimento dos processos trabalhistas; que as folhas apresentadas não. contemplam a totalidade dos segurados e que restou, ainda, a nãoapresentação dos documentos, que listou no item 6. 6 — Cotejando os documentos apensados na defesa com os descritos na autuação constatamos que a defendente não apresentou os seguintes documentos: 6.1 — Folha de pagamento mensal de todos os segurado de 01/1996 a 12/1997 (inclusive 130 salário); 6.2 — Folha de pagamento mensal de todos os segurados de 08/1998 e 13° salário de 1998; 6.3 — Resumo mensal da folha de pagamento do período compreendido de 0111996 a 12/1997 (incluso 13 1 salário); 0111998; 08/1998 e 130 salário de 1998; 6.4 — Recibos de pagamento de férias referente ao período de 0111996 a 12/1996; Fl. 609DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19647.014286/200718 Acórdão n.º 2403002.492 S2C4T3 Fl. 5 7 6.5 — Recibos de pagamento de férias dos empregados que estão relacionados em planilha que constitui o anexo 1 (fls. 49/52 dos autos); 6.6 — Termos de rescisão de contrato de trabalho dos empregados dispensados listados em planilha que constitui o anexo II (fls. 53/54 dos autos); 6.7 — Processos trabalhistas (cópia de acordo, cópia de petição inicial, GRPS/GPS e GFIP) relacionados em planilha que constitui o anexo IV (fls. 59 dos autos); 6.8 – Ficha de registro de empregados discriminados em planilha que constitui o anexo 111 (fls. 55/58 dos autos); 6.9 — Plano de contas; 6.10 — Recibos de pagamentos de autônomos; 6.11 — Os documentos que embasaram os lançamentos contábeis descritos no anexo 1 do TIAD de 04112/2005; 6.12 — Documentos de arrecadação do Salárioeducação dos meses de 0111996; 02/1996; 0811997 e de 01/2000 a 1212000, inclusive o termo de adesão ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE; 6.13 — Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT); 6.14 — Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e avaliações anuais. A Lei atribui ao Fisco a obrigação de fiscalizar o recolhimento dos tributos e para tanto, cria obrigações acessórias. Lei 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. O processo de fiscalização se baseia na investigação do cumprimento das obrigações. Somente após essa investigação se chegará à conclusão acerca do cumprimento ou descumprimento das obrigações, da ocorrência de circunstâncias agravantes ou atenuantes, etc (inclusive a definição da regra para a decadência). Com base nessas observações a no fato de se tratar de obrigação de apresentar documentos numa fase de investigação, para fins de decadência, aplicase a regra do artigo 173 do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Portanto: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Na presente autuação, conforme MPF, o período investigado foi de 01/1996 a 12/2000. A ciência do sujeito passivo ocorreu em 14/02/2006. Para se caracterizar a infração basta 1 evento em período não decadente. Entendo que não ocorreu a decadência neste lançamento. Quanto ao mérito, uma vez caracterizado o descumprimento da obrigação, constatase como correta a autuação. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19647.014286/200718 Acórdão n.º 2403002.492 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor O Relatório Fiscal registra que as infrações constatadas tem período compreendido nas competências 01/96 a 12/2000. Na condução do voto, na parte final , o i. Relator destaca que : “ Na presente autuação, conforme MPF, o período investigado foi de 01/1996 a 12/2000. A ciência do sujeito passivo ocorreu em 14/02/2006” Conforme os arts. 113, § 2º e 115 do CTN , respectivamente, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e o fato gerador da hipótese é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal, verbis: “ Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” (..) “Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.” Relevante ressaltar que tratandose de cumprimento de obrigação acessória , não há que falar em pagamento antecipado. Ademais , em obediência ao comando do art. 150 , § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, se a lei não fixar prazo este será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.(..) §; expirado 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador esse Fl. 612DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Assim, efetivamente notificado da infração em 14/02/2006, na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, a constituição dos créditos para o período 01/1996 a 12/2000, encontravase preclusa em razão de que desde a competência 01/2001 a hipótese do lançamento para períodos anteriores jazia fulminada pelo Instituto da Decadência. Eis porque ouso divergir do voto do i. Relator. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, com fulcro no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN , dou PROVIMENTO ao recurso, determinando CONHECER DA DECADÊNCIA da totalidade do lançamento. É como voto Ivacir Júlio de Souza – Redator designado . Fl. 613DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10950.724440/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO.
A presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). Uma vez caracterizado o fato indiciário, a sua equiparação com o fato presumido é uma determinação legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1102-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolito e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados. Recorrente R.D.M. TRANSPORTES LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO. A presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). Uma vez caracterizado o fato indiciário, a sua equiparação com o fato presumido é uma determinação legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 40 /2 01 2- 12 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 681 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolito e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por R.D.M. TRANSPORTES LTDAME contra acórdão proferido pela DRJ/Curitiba que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/MaringáPR, referentes aos tributos inseridos na sistemática de apuração segundo o regime do SIMPLES NACIONAL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2008, totalizaram o valor de R$ 930.793,02. A autuação foi fundamentada na omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 572 a 582) detalha o feito fiscal esclarecendo que a empresa foi inicialmente intimada a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes movimentadas no período de 01/2006 a 12/2008. Como resposta, a empresa efetivamente entregou os extratos bancários de suas contas mantidas junto a quatro instituições financeiras. Seguiramse intimações para a comprovação da origem de diversos depósitos/créditos informados nos referidos extratos, bem como as correspondentes respostas. Relativamente às competências 03/2008 e 07/2008 a 12/2008, a fiscalização constatou que a empresa não declarou em sua DASN a totalidade das receitas apuradas na movimentação financeira. Por isso, excluiu a receita bruta declarada e considerou a diferença como receita omitida. O Termo de Verificação Fiscal também informa que, com a receita omitida objeto da presente autuação, no anocalendário de 2008, a empresa extrapolou o limite de faturamento permitido para que ela permanecesse no regime do SIMPLES NACIONAL. Mesmo assim, naquele ano, ela ainda era optante regular do referido regime. Por isso, a autuação do presente processo manteve o regime de tributação. Nada obstante, a exclusão do regime e outros lançamentos referentes ao anocalendário de 2009 foram consubstanciados em outro processo. Segundo a recorrente, sua impugnação propugnou pela nulidade do lançamento ao escopo de que: (i) Os valores extraídos das contas correntes, de forma unilateral pela Administração Fazendária, não podem ser utilizados como base de cálculo para a Fl. 687DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 682 3 realização do respectivo por malferir o direito à privacidade, liberdade e intimidade, reservados Constitucioalmente para o Cidadão (recorrente), onde somente o Poder Judiciário o monopólio Estatal para realizar a quebre de sigilo bancário datado de imparcialidade. (ii) Não bastasse, depósitos bancários não podem ser utilizados como base de cálculo para tributação do IRPJ e Contribuições Reflexas, haja vista não configuraram, por si só, fato gerador típico de obtenção de rendas, consoante o art. 43 do CTN, fazendose necessário a A. Fazendária demonstrar e comprovar inequivocamente o engrossamento de rendas ou Capital, semo os quais não há se falar em fato imponível, mesmo porque o art. 42 da Lei 9.430/96 não passou um “cheque em branco” para a constituição de lançamentos à revelia do nexo causal exigido pela norma legal. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão nº 0643.144, de 22 de agosto de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Em se tratando de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, e não tendo a defendente oferecido questões específicas quanto a tais tributos reflexos, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 683 4 Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. PRORROGAÇÃO. A prorrogação do MPF poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A instauração do litígio é o momento oportuno para apresentação da documentação comprobatória, competindo à impugnante comprovar as alegações trazidas aos autos visando afastar a exigência fiscal. PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do PAF. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL APLICÁVEL LEGALIDADE. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. TAXA SELIC Como a Lei nº 8.981/1995, c/c o artigo 13 da Lei n. º 9.065/1995, dispôs de forma diversa dos termos do artigo 161 do CTN, a taxa de juros a ser cobrada no lançamento de ofício é a Taxa SELIC. Em seu recurso voluntário, a empresa autuada alegou que: a presunção contida no art. 42, da Lei nº 9.430/96 deve ser aplicada cun gano cales, sendo vedado ao intérprete fazêla de regra, para constituir crédito tributário, aquilo que o legislador outorgou como exceção, desprezando a essência do fato imponível que é o engrossamento de patrimônio, diante do auferimento de “rendas” exteriorizado através de riquezas sonegadas; o simples fato de depositar quantias em conta corrente não faz nascer inexoravelmente o fato gerador do art. 43 do CTN; a norma abstrata incide toda vez que o ente produz o elemento condutor do ato típico, materializandoo, no mundo fenomênico; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 684 5 para tanto, o art. 142 do CTN exige que a autoridade administrativa prove a real existência do fato gerador, indicandoo efetivamente; a base de cálculo a ser utilizada obrigatoriamente, deve guardar relação com as exteriorizações de riquezas, constitucionalmente previstas (renda, acréscimo de patrimônio e resultados positivos) o que não aconteceu, militando daí, a presunção em favor da recorrente, vez que “cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados” – art. 924, RIR/1999; cita julgados administrativos como exemplos deste entendimento; não tendo o agente fiscal logrado provar inequivocamente a efetiva certeza da operação tributável, falece a constituição do crédito tributário, restando incumprido o contido no art. 142, do CTN, por inexistir fato gerador sobre as guisadas movimentações bancárias; improvado o fato gerador não há crédito tributário a ser constituído com a total improcedência do lançamento fiscal; inexistindo renda comprovada individualizadamente sobre as movimentações bancárias, não há obrigação tributária, onde a exigência em apreço atenta contra o princípio da legalidade; a contrário do exposto na decisão recorrida, a presunção de legitimidade do lançamento fiscal não exonera o fisco de provar a ocorrência dos fatos que afirma pois confere à Administração Pública uma revelatio ab onere agendi e não uma revelatio ab onere probandi, isto é, presumida a legitimidade do ato, permite ao fisco exercitar diretamente sua pretensão, inclusive de forma executória; entretanto, esse atributo não a exime de provar o fundamento material da exigência, sendo que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não carrega consigo intelecção juris et juris e sim juris tantum o que traduz na obrigatoriedade daquele que o utilize a prova da veracidade alegada, sob pena de nulidade plena; a pretensão do fisco para exigir o crédito tributário fundamentase na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores supõemse presentes e comprovados, atestando a identidade da matéria fática com o tipo descrito na norma de regência; se um desses elementos se ressentir de certeza incumbe à Fazenda o ônus de comprovar sua existência; não o fazendo, a exigência será nula de pleno direito; foi exatamente o que aconteceu no caso em tela. O agente fiscal, simplesmente, através dos depósitos bancários realizados pelo recorrente presumiu auferimento fictício de rendas ou acréscimos de capital, sem, contudo, provar os fatos constitutivos do direito à cobrança do imposto de renda; a jurisprudência, hodiernamente, tem anulado as exigências tributárias, através de lançamento de ofício, quando improvado ou inexistente de robustez a ocorrência do fato gerador a que a autoridade fazendária se incumbiu; o lançamento fiscal, impondo, compulsoriamente, imposto de renda não possui qualquer relação de causalidade entre a exigência lançada e a efetiva movimentação Fl. 690DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 685 6 realizada pelo recorrente, mormente porque não houve a expressa detecção de auferimento de riquezas ou aumento de capital incompatível com o patrimônio existente, revelando inaceitável a utilização de formas indiretas presuntivas para aferir ocorrência do fato gerador, como exigem os artigos 846 do RIR/99 e 43 do CTN; milita a favor do contribuinte o princípio da inocência, não só porque a constituição do crédito tributário inadmite se faça por presunção simples, mas em se tratando de penalidade deve ser interpretada de maneira mais benigna (art.112 do CTN, c/c 923 RIR/1999); cita julgados administrativos neste sentido; não pode prevalecer a exigência do tributo em apreço, traduzindose esdrúxula e sem amparo legal, restando violados os arts. 43 do CTN, 150 I e 153, III, da CF/88, capeados os arts. 37, 55, XIII e 846 do RIR/99, não só porque é ilegítimo o lançamento constituído apenas em extratos bancários, mas também devido a Fazenda não ter se incumbido de provar, inequivocadamente, acréscimo patrimonial ou obtenção de rendas e riquezas do recorrente; logo, a improcedência do lançamento é medida imperativa que se impõe, não havendo que se falar em omissão de receitas tributáveis, onde a constituição do crédito tributário foi realizada sob conjecturas e presunções simples, restando inservível ao caso concreto as disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, haja vista que depósitos bancários não são sinônimos obrigatórios de rendas, mas sim a existência comprovada, de acréscimo patrimonial exteriorizado por riquezas, com o que não logrou demonstrar e comprovar sua existência, consoante preconizam art. 142 c/c 113 do CTN; Por fim, pede a que seja decretada a nulidade integral do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como se vê, as alegações deduzidas no recurso não trazem nenhuma contestação fática sobre os depósitos bancários que serviram de base a autuação. São todas apenas voltadas para desqualificar a presunção legal de omissão de receita contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, verbis: Fl. 691DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 686 7 Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Observase, neste particular, que a recorrente foi devidamente intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias (Cf. Termo de Verificação Fiscal, fls. 572 a 574). Registrese que os mencionados depósitos foram devidamente individualizados e que a autoridade fiscal informou ter descartado os valores consignados a título de transferências entre contas correntes de mesma titularidade, cheques dos sócios da empresa e outras operações não constitutivas da base de cálculo dos tributos administrados pela Receita Federal. Depois de não concordar com as explicações remanescentes apresentadas em resposta às intimações, a fiscalização concluiu por caracterizar como omissão de receita os demais valores depositados nas contas bancárias da recorrente. Portanto, a fiscalização agiu rigorosamente de acordo com a previsão legal. A presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). Não se trata de autuação baseada em presunção simples, como alega a recorrente. Uma vez caracterizado o fato indiciário, a sua equiparação com o fato presumido é uma determinação legal. Além disso, alegações de inconstitucionalidade acerca daquelas disposições legais não podem ser apreciadas por este Colegiado. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Fl. 692DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10950.724440/201212 Acórdão n.º 1102001.292 S1C1T2 Fl. 687 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, cumpre enfatizar a exigência regimental para que os julgados desta Casa observem os entendimentos sumulados. É o que está determinado no artigo 72 do Anexo II do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, se o acesso às informações bancárias seguiu estritamente o que foi estabelecido pela legislação que regulamenta o assunto (no caso foi a própria empresa autuada quem apresentou os extratos bancários quando intimada), não há o que se invalidar no procedimento da fiscalização. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 693DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 19515.001169/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, impõe- se o conhecimento do recurso de ofício.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos bancários cuja origem foi devidamente comprovada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2202-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, impõe se o conhecimento do recurso de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos bancários cuja origem foi devidamente comprovada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 69 /2 01 0- 95 Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1). Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 420/424) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2006 de R$ 29.279.463,49, de multa de ofício de R$ 21.959.597,61 e de juros de mora calculados até 30/04/2010 de R$ 9.167.400,01. A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 05/05/2009, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 16/17, em que o contribuinte foi intimado a apresentar extratos de suas contas correntes e a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos efetuados no anocalendário 2006. Em 22/05/2009 (fls. 25/26), o representante do contribuinte apresentou os extratos das seguintes instituições financeiras: Bank Boston (atual Itau S/A), Credit Suisse, Banco do Brasil, Banespa (atual Santander) e Banco Fibra. Individualizados os créditos, o contribuinte foi novamente intimado a comprovar a origem dos recursos dos ingressos bancários. Reputando insuficientes as comprovações e justificativas apresentadas pelo contribuinte no decorrer do procedimento, a autoridade fiscal encerra a ação fiscal com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos valores tributáveis e respectivas datas dos fatos geradores, no citado auto de infração, e sob o seguinte fundamento legal: artigo 42 da Lei 9.430/96; artigo 4° da Lei 9.481/97; artigo 21 da Lei 9.532/97. O contribuinte toma ciência do auto de infração em 21/05/2010, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 21/06/2010 de fls. 436/474, em que alega, em síntese, que: 1 no início do ano de 2004 os irmãos Jacks Rabinovich e Clotilde Pasternak decidiram encerrar as suas atividades empresariais e vender a participação de 50% que detinham no Grupo Vicunha; 2 no curso das negociações, veio a falecer a Sra. Clotilde Rabinovich Pasternak, passando o espólio de seus bens a ser representado pela inventariante dele, a sua filha Suzana Pasternak; 3 após o exame de ofertas e contraofertas, feitas tanto pelos sócios como por terceiros, os acionistas controladores que se retiravam aceitaram, no dia 28 de janeiro de 2005, as condições gerais constantes de uma proposta de compra feita pelos dois braços da família Steinbruch, devendo a operação, dada a sua grande complexidade, ser concluída quase meio ano depois, no dia 30 de junho de 2005; Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001169/201095 Acórdão n.º 2202003.014 S2C2T2 Fl. 1.411 3 4 acertaram compradores e vendedores que a venda das ações farseia ex dividendo, ou, em outras palavras, as ações seriam transferidas “vazias” de quaisquer frutos econômicos. Isto queria dizer que o valor da avaliação das ações das empresas do Grupo Vicunha pertencentes aos acionistas retirantes (R$ 1,55 bilhão), estabelecido pelas partes, seria reduzido pelo montante dos dividendos a que tivessem direito até 30 de junho de 2005 – a data do fechamento da operação e assinatura dos contratos de compra e venda. 5 a diferença entre o valor acordado e os dividendos a que tivessem direito os vendedores até aquela data seria o preço a ser pago a eles pelos compradores. Por isso, terseia que esperar a publicação dos balanços das; 6 na data do fechamento, dia 30 de junho de 2005, as disposições do último pré contrato (Compromisso de Compra e Venda de Ações datado de 25 de fevereiro de 2005) foram substituídas pelas constantes dos três contratos de compra e venda; 7 o terceiro contrato de compra e venda de ações de emissão de Vicunha Steel, foi firmado entre o Sr. Eliezer Steinbruch (comprador) e o Espólio da Sra. Clotilde Rabinovich Pasternak (vendedor); 8 conforme cláusula segunda do contrato o vendedor teria que pagar o preço de R$ 502.998.988,93, dividido em cinco parcelas. A primeira parcela no valor máximo de R$ 86.998.988,93, com vencimento em 30/06/2006, e as demais de valor máximo R$ 104.000.000,00, cada uma, com vencimentos em 30 de junho de 2007, 2008, 2009 e 2010; 9 esses valores eram definidos pelo contrato como máximos porque seriam reduzidos pelo pagamento de dividendos devidos ao acionista retirante e gerados no exercício de 2004 (eventual saldo) e no exercício de 2005, até o dia 30 de junho de 2005, quando alienou as ações que lhe pertenciam e as transferiu ao Sr. Eliezer Steinbruch, dividendos que só poderiam ser conhecidos no ano seguinte, após o encerramento do exercício de 2005 então em curso no dia 31 de dezembro; 10 a referida venda das ações do Grupo Vicunha foi objeto de fiscalização consoante o Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002008066212, expedido pela mesma Delegacia de Fiscalização, a qual conclui pela lavratura de Auto de Infração contra o espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak; 11 segundo o Termo de Verificação do citado lançamento, o alienante teria deixado de oferecer à tributação, em três anocalendário (2005, 2006 e 2007), um valor total de R$ 112.960.066,14; 12 de acordo com a Fiscalização, o espólio teria cometido duas infrações fiscais: (1) não recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital auferidos sobre parte do lucro obtido e (2) não recolhimento do imposto de renda da pessoa física de pagamento mensal obrigatório quando do recebimento do valor da atualização monetário das parcelas; 13 dentre as mencionadas infrações a fiscalização considerou que o valor recebido à titulo de dividendos no anocalendário 2006 de R$ 63.183.462,09 (soma de R$ 26.228.474,37 e R$ 36.954.987,72) seria tributável; 14 neste sentido sr. Eliezer Steinbruch recebeu os dividendos de R$ 26.228.474,37 em nome do espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak e em ato contínuo, remeteu a referida quantia à inventariante via TED, conforme documento juntado; Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 15 para completar o valor de R$ 63.183.462,09 solicitou a transferência da quantia faltante de R$ 36.954.987,72 realizada diretamente pela Vicunha Steel S.A – controlada indireta da Vicunha Steel S.A – conforme comprova documento juntado; 16 decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou parcialmente procedente a defesa, considerando isentos os rendimentos recebidos a título de dividendos; 17 a inventariante requereu ao juízo do inventário a autorização para alienação das ações ordinárias classe A da Vicunha Steel, o pleito foi atendido, conforme alvará; 18 como o negócio descrito da venda era muito complexo e como já havia um natural desgaste pelas partes contratantes, decidiuse depositar o objeto do contrato da venda das ações na conta da inventariante; 19 impende destacar que a propriedade das ações foram devidamente declaradas e todos os impostos devidos na transmissão causa mortis foram recolhidos; 20 como o objeto do contrato encontravase depositado na conta da inventariante, o sr. Jacyr Pasternak transferiu em 31/07/2006 a quantia de R$ 2.792.369,32 para a conta de Suzana Pasternak para pagamento da metade do imposto de renda devido pelo ganho de capital no total de R$ 5.563.650,77; 21 no Termo de Verificação Fiscal a Fiscalização conclui seu trabalho afirmando que deixara a ora peticionaria de comprovar a origem dos recursos no ano calendário 2006, presumindo a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários não comprovados; 22 os recebimentos do impugnante no anocalendário 2006 possuem apenas três origens: (i) recebimentos como professora universitária; (ii) recebimentos como pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico e (iii) recebimentos relativos à herança de sua mãe; 23 com base na legislação tributária, o fato gerador do imposto de renda só nasce se houver acréscimo patrimonial em determinado período decorrente de ter auferido renda ou proventos; 24 é fato pacífico do regramento pátrio que o IRPF não é devido sobre o valor dos bens ou direitos adquiridos por doação ou herança, conforme art. 39, XV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999; 25 o lapso quanto à utilização da conta pessoal de pessoas física para recebimento de valores não pode desconstituir mandamento imposto pela lei para desfazer a realidade fática; 26 o condomínio sucessório não é alterado pela inventariança, o que ocorre é que a posse dos bens é direta em relação ao inventariante e indireta em relação aos demais herdeiros; 27 a inventariante ao proceder com os atos necessários à venda de bens pertencentes ao espólio, munido da necessária autorização judicial está no pleno exercício de seus direitos, não desrespeitando quaisquer herdeiros; 28 sentindose ameaçados, os demais herdeiros poderão lançar mão de ações próprias, seja por meio de pedido de destituição nos próprios autos do inventário, seja por meio do ajuizamento de ações possessórias, em razão da posse indireta; Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001169/201095 Acórdão n.º 2202003.014 S2C2T2 Fl. 1.412 5 29 por um lapso do inventariante tal depósito não foi realizado a favor do juízo, mas sim em conta corrente de instituição financeira privada em nome da inventariante; 30 a Fazenda Estadual anuiu com a expedição de formais de partilha e alvarás, dando por encerradas as obrigações tributárias; 31 não houve prejuízos para os interessados, sejam eles herdeiros ou o próprio fisco, por conta do descumprimento da determinação judicial; 32 os depósitos efetuados em 30/06/2006 nos valores R$ 4.700.537,98, R$ 34.800.000,00, R$ 36.954.987,72 e R$ 26.228.474,37 têm como origem o contrato de alienação das ações do Grupo Vicunha; 33 o pagamento de R$ 4.700.537,98 foi feito diretamente pelo sr. Eliezer Steinbruch, e o pagamento de R$ 34.800.000,00 foi efetuado pela Vicunha Siderurgia, controlada pela Vicunha Steel; 34 as quantias de R$ 36.954.987,72 e de R$ 26.228.474,37 referemse aos dividendos devidos ao acionista. Os R$ 36.954.987,72 foram transferidos diretamente pela Vicunha Siderurgia, e o valor de R$ 26.228.474,37 foi transferido pelo sr. Eliezer Steinbruch; 35 o depósito de R$ 2.792396,32 foi efetuado por Jacyr Pasternak para pagamento do imposto de R$ 5.563.650,77; 36 a multa de ofício de 75% não é cabível por ferir princípios constitucionais. O julgamento é proferido pela Terceira Turma, da então DRJ SPO II, por meio do Acórdão 1748.929, de 2 de março de 2011 (fls. 731/742), que decidiu pela procedência da impugnação. Em razão de divergência nos valores apurados no demonstrativo do crédito, a equipe responsável pela execução do acórdão, por meio do despacho de fl. 1394, encaminha os autos a esta Delegacia de Julgamento para exame. A DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, cancelando o valor do crédito tributário exigido neste processo e submeteu a decisão à apreciação do CARF, por força de recurso necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Ementa: DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ERRO DE CÁLCULO – RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO NOVA DECISÃO. Proferese novo acórdão para correção de erros de cálculo existentes em decisão anterior. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS – CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto nos casos de omissão de rendimentos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A decisão da DRJ exonerou R$ 29.006.009,01 de imposto de renda, R$ 21.959.597,62 de multa de ofício, além dos juros de mora correspondentes. O crédito tributário remanescente de R$ 273.454,48 (valor do imposto), que não foi impugnado, já havia sido transferido para o processo 16151.001222/201036, conforme despacho de fl. 1.394. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Tendo em vista que o crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, o recurso de ofício deve ser conhecido. O valor do Imposto de Renda exonerado pela decisão de primeira instância foi de R$ 29.006.009,01, conforme abaixo. Valor do Imposto de Renda lançado de ofício R$ 29.279.463,49 Valor do IR não impugnado (*) R$ 273.454,48 Valor do IR impugnado R$ 29.006.009,01 Valor do IR exonerado pela DRJ R$ 29.006.009,01 IR a pagar neste processo R$ 0,00 (*) valor transferido para o processo 16151.001222/201036. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001169/201095 Acórdão n.º 2202003.014 S2C2T2 Fl. 1.413 7 Em sua impugnação, o contribuinte se insurgiu apenas contra a tributação dos seguintes depósitos: Mês Valor (R$) 06/2006 4.700.537,98 06/2006 34.800.000,00 06/2006 36.954.987,72 06/2006 26.228.474,37 07/2006 2.792.396,32 Total 105.476.396,39 Assim, o valor tributável em litígio corresponde a R$ 105.476.396,39, que resulta em um imposto de renda de R$ 29.006.009,01. O lançamento foi efetuado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). A autoridade fiscal não acatou as justificativas do contribuinte para comprovar os depósitos descritos acima, pelas seguintes razões, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 312 a 388 (fls. 381 a 417 do eprocesso PDF): O contribuinte havia alegado inicialmente que a origem dos recursos seria empréstimo junto ao espólio de sua genitora, Clotilde R. Pasternak, que recebera dividendos e pagamentos da venda de ações do Grupo Vicunha de propriedade do espólio. Porém, intimada a apresentar alvará, a contribuinte afirmou que não houve expedição de alvará, pois ela, na qualidade de herdeira de 50% dos bens do espólio, conforme formal de partilha juntado, tinha poderes para tanto. Informou também que os adquirentes das ações efetuaram pagamentos sem a necessidade de alvará, sendo bastante a sua certidão de inventariante e herdeira e de seu irmão Jacyr Pasternak, também herdeiro; não existia possibilidade jurídica de empréstimo, pois o espólio não tem capacidade para contratar; reputamse não realizados os contratos de mútuo entre a contribuinte e o espólio de Clotilde R. Pasternak, pois não foi apresentado alvará que autorizasse o negócio jurídico com bens do espólio; não foram apresentados contrato de mútuo, prova da tradição da coisa fungível, prazo para pagamento e devolução do numerário, os quais são elementos necessários para comprovar o empréstimo; posteriormente, em linha adversa, o contribuinte passou a alegar que os recursos depositados decorreram de venda de ações do Grupo Vicunha. Contudo não apresentou nenhum contrato nem alvará judicial autorizando a venda; o estoque de ações do Grupo Vicunha nos autos do Inventário não foi alterado, não se podendo afirmar que os recursos ingressos em conta bancária de Suzana Pasternak são decorrentes da venda de ações do espólio; não houve comprovação de depósitos em conta do Juízo, embora tenha parecer da Procuradoria Geral do Estado (fl. 205) autorizando a venda das ações, desde que o produto desta venda fosse transferido para uma conta vinculada ao Juízo; não foi localizado nos autos do inventário recolhimento a título de ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) sobre a alegada alienação das ações, já que o valor da suposta negociação foi superior ao valor declarado das 44.497.276,74 ações. Durante a ação fiscal, não foi apresentado o Contrato de Compra e Venda das ações da Vicunha Steel S.A., o qual somente foi juntado aos autos pelo contribuinte por ocasião da impugnação e encontrase às fls. 505 a 526 (fls. 536 a 557 do eprocesso PDF). Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001169/201095 Acórdão n.º 2202003.014 S2C2T2 Fl. 1.414 9 Verificase que o contrato tem como partes, de um lado, como vendedor, o Espólio de CLOTILDE RABINOVICH PASTERNAK, representado por sua inventariante, Sra. SUZANA PASTERNAK, e de outro, como comprador, ELIEZER STEINBRUCH. Entre Partes, expressão que doravante as identificará sempre que mencionadas em conjunto: de um lado, como VENDEDOR: ESPOLIO DE CLOTILDE RABINOVICH PASTERNAK, doravante o "ESPÓLIO", neste ato representado por sua inventariante, qualidade que lhe foi concedida por decisão judicial, conforme documento que constitui o Anexo I deste instrumento, Sra. SUZANA PASTERNAK, brasileira, divorciada, arquiteta, portadora da cédula de identidade de Registro Geral (RG) n. 2.818.618, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP), inscrita no Cadastro de Pessoas Físicas, do Ministério da Fazenda (CPF/MF), sob n. 485.037.20825, residente e domiciliada na Cidade e Comarca de Sao Paulo, Estado de Sao Paulo, à Rua dos Semaneiros, 166, Alto de Pinheiros, Código de Endereçamento Postal (CEP) 04536000, doravante simplesmente a "INVENTARIANTE", com a plena e integral concordância dos dois únicos herdeiros dos bens que integram o ESPÓLIO, Sra. SUZANA PASTERNAK, acima qualificada e Sr. JACYR PASTERNAK, brasileiro, casado, medico, portador da cédula de identidade de RG n. 2.340.133SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob n. 004.465.48804, residente e domiciliado na Cidade e Comarca de São Paulo, Estado de Sao Paulo, à Rua Austria, 141, Jardim Europa, CEP 01447010, com o expresso consentimento e concordância de sua esposa, que assina o presente instrumento, Sra. Kiyoko Itikawa Pasternak, brasileira, medica, portadora da cédula de identidade de RG n. 2.217.611SSP/SP, inscrita no CPF/MF sob n. 029.874.90844,residente e domiciliada no mesmo endereço de seu esposo acima indicado, doravante os "HERDEIROS"; de outro lado, como COMPRADOR: ELIEZER STEINBRUCH, brasileiro, viúvo, industrial, portador da cédula de identidade de RG n. 1.183.783SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob n. 018.004.69853, residente e domiciliado na Cidade e Comarca de São Paulo, Estado de Sao Paulo, com escritório à Rua Itacolomi, 412, 1º andar, Higienópolis, CEP 01239020; [...] O objeto do contrato foram 44.497.275 ações ordinárias de Classe A de emissão da Vicunha Steel, cujo preço contratado foi de R$ 502.998.988,93, dividido em cinco parcelas. A primeira parcela no valor máximo de R$ 86.998.988,93 e as quatro restantes de valor máximo R$ 104.000.000,00, vencendose cada uma no dia 30 do mês de junho dos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. Cada parcela vincenda seria atualizada monetariamente e o valor do preço seria pago por meio de Transferência Eletrônica Disponível (TED), conforme previsão contratual. Também foi estabelecido no contrato que o montante do preço seria ajustado pela subtração ao seu valor máximo dos dividendos que o vendedor viesse a receber, pertinentes ao saldo do exercício de 2004 (se houvesse) e à totalidade daqueles devidos pelo exercício de 2005, atribuídos às ações do espólio. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Pelo contrato assinado entre as partes, o comprador, Sr. Eliezer Steinbrich, deveria pagar ao vendedor, Espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak, o valor máximo de R$ 104.000.000,00, em 30/06/2006, atualizados monetariamente. CONSIDERANDO QUE: I o ESPÓLIO, representado pela INVENTARIANTE, e os HERDEIROS declaram ser senhores e legítimos possuidores de 44.497.275 (quarenta e quatro milhões, quatrocentas e noventa e sete mil e duzentas e setenta e cinco) ações ordinárias de Classe A de emissão de VICUNHA STEEL, correspondentes a 20% (vinte por cento) do seu capital votante, totalmente integralizadas; [...] CLÁUSULA PRIMEIRA. DO OBJETO. 1.1. O VENDEDOR aliena ao COMPRADOR, neste ato, a totalidade das Ações do ESPÓLIO, transferindoas a ele em caráter definitivo, irretratável e irrevogável. 1.1.1. As Ações do ESPÓLIO são vendidas e transferidas ao COMPRADOR com todos os direitos que lhes são inerentes, exceto quanto ao direito de receber dividendos relativos aos exercícios de 2004 e 2005, que serão de propriedade do VENDEDOR, nos termos deste Contrato. [...] CLAUSULA SEGUNDA. DO PREÇO. 2.1. O COMPRADOR pagará ao VENDEDOR pelas Ações o preço máximo de R$ 502.998.988,93 (quinhentos e dois milhões, novecentos e noventa e oito mil e novecentos e oitenta e oito reais e noventa e seis centavos) (doravante o “Preço”), na forma e nas condições a seguir definidas. 2.2. O Preço será pago pelo COMPRADOR ao VENDEDOR, por meio de Transferência Eletrônica Disponível — TED, efetuada a cada vencimento, em 5 (cinco) parcelas anuais, sendo a primeira de no máximo R$ 86.998.988,93 (oitenta e seis milhões, novecentos e noventa e oito mil e novecentos e oitenta e oito reais e noventa e três centavos) e as 4 (quatro) restantes de no máximo R$ 104.000.000,00 (cento e quatro milhões de reais) cada, vencendose cada uma no dia 30 do mês de junho dos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010 (em conjunto as "Datas de Vencimento" e cada uma, isoladamente, a "Data de Vencimento"). Os depósitos efetuados na conta da contribuinte, Sra. Suzana Pasternak, no Bank Boston, agência 0031, conta nº 52.846505, totalizam, em 30/06/2006, R$ 102.684.000,07, conforme abaixo: a) R$ 26.228.474,37 pagos por Eliezer Steinbruch, por meio de TED (documentos de fls. 567 a 570 fls. 597 a 600 do eprocesso PDF); b) R$ 36.954.987,72 pagos pela Vicunha Siderurgia S/A, por ordem de Eliezer Steinbruch, por meio de TED, (documentos de fls. 572 a 578 fls. 601 a 607 do eprocesso PDF); Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001169/201095 Acórdão n.º 2202003.014 S2C2T2 Fl. 1.415 11 c) R$ 4.700.537,98 pagos por Eliezer Steinbruch, por meio de TED (documento de fl. 677 fl. 708 do eprocesso PDF); d) R$ 34.800.000,00 pagos por Vicunha Siderurgia S/A, por meio de TED (documento de fl. 679 fl. 710 do eprocesso PDF). Cabe aqui transcrever excerto do voto condutor da decisão da DRJ, para melhor esclarecimento da origem dos depósitos efetuados. É conhecida, portanto, a fonte de tais depósitos e a sua correspondência com o Contrato de Compra e Venda das Ações, instrumento gerador da obrigação de pagar. É de extrema importância no exame desta questão salientar que a própria Fiscalização já havia reconhecido a natureza destes depósitos no procedimento fiscal junto ao espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak que culminou com a lavratura do Auto de Infração de 26 de janeiro de 2009 (fls. 530/565), com a constatação de: (1) omissão da atualização monetária em alienações a prazo; (2) ganho de capital na alienação de bens e direitos e (3) multa isolada – falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Os fatos geradores ocorreram em 28/02/2005, 30/06/2006 e 31/07/2007. Conforme se depreende do correspondente Termo de Constatação Fiscal juntado pelo impugnante (fls. 530/552), aquela ação fiscal teve o objetivo de examinar a correta apuração do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na venda de 44.497.275 ações ordinárias de emissão da Vicunha Steel, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações, datado de 30 de junho de 2005, pelo preço de R$ 502.998.988,93. Na apuração do valor do imposto a recolher relativo ao ganho de capital diferido da venda destas ações, foi considerado, em 30/06/2006, o pagamento de R$ 102.684.000,10 (Item V.2.1, fl. 545). Os depósitos que compuseram esta parcela do pagamento foram realizados no Bank Boston, agência 0031, c/c 52.846505, por meio de TED, nos valores de R$ 4.700.537,98, de R$ 34.800.000,00, de R$ 36.954.987,72 e de R$ 26.228.474,37. Tratase dos mesmos depósitos considerados neste lançamento como de origem não comprovada. Dessa forma, entendo que os quatro depósitos referidos, efetuados em 30/06/2006, no montante de R$ 102.684.000,07, encontramse justificados e devem ser excluídos da tributação, em conformidade com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. No que se refere ao depósito de R$ 2.792.396,32, efetuado em 31/07/2006, no Bank Boston, agência Cidade Jardim, conta 52.8465.05, a contribuinte alegou ser uma transferência realizada por seu irmão, Jacyr Pasternak, para pagamento da metade do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado na venda das ações, no valor de R$ 5.563.650,77. A autoridade fiscal não acatou a justificativa, sob o argumento de que não foi possível identificar o responsável pelo pagamento do DARF (Suzana Pasternak, Jacyr Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Pasternak, ou espólio de Clotilde Pasternak), bem como o valor transferido não corresponde exatamente à metade do recolhido de imposto. Analisando o extrato da conta da contribuinte no Bank Boston (fl. 102 – fl. 110 do eprocesso PDF), é possível verificar, no dia 31/07/2006, um valor exato ao recolhimento do imposto por meio de DARF (fl. 665 fl. 695 do eprocesso PDF), no total de R$ 5.563.650,77. Observase também que nesse mesmo dia ocorreu uma transferência da conta da própria contribuinte (Sra. Suzana Pasternak) no Banco Credit Suisse (fl. 40 fl. 48 do e processo PDF), no mesmo valor do depositado pelo irmão e também herdeiro. Pela análise da provas apresentadas, constatase que: a) a contribuinte e o seu irmão, Jacyr Pasternak são os únicos herdeiros de Clotilde Rabinovich Pasternak; b) no dia 31/07/2006, foi efetuado um recolhimento de DARF referente ao imposto de renda sobre ganho de capital do espólio, no valor de R$ 5.563.650,77; c) nesse mesmo dia existe na conta da contribuinte no BankBoston um débito no valor exato ao recolhimento do imposto por meio de DARF; d) nesse mesmo dia ocorreu uma transferência da conta da própria contribuinte no Banco Credit Suisse, no mesmo valor do depositado pelo irmão; e) o valor depositado pelo irmão é bastante aproximado da metade do valor recolhido por meio do DARF. Dessa forma, dentro do contexto das provas constantes dos autos, entendo como justificada a origem do depósito de R$ 2.792.396,32, efetuado em 31/07/2006, no BankBoston. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10980.723310/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face de GARJA COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA., por ter esta empresa apresentado informações incorretas e omitido os fatos geradores das GFIP’s das competências 12/2006 a 04/2007, 13/2007, 09/2008, 10/2008, 12/2008 e 13/2008, aplicandolhe, por consequência, a multa no valor de R$ 5.500,00 (Cinco mil e quinhentos reais), tudo conforme se infere do Relatório Fiscal. A empresa tomou ciência do AI em 13/10/2012 e, em 12/11/2010, apresentou impugnação tempestiva. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, cuja ementa assim dispôs: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 31 0/ 20 10 -4 3 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723310/201043 Resolução nº 2301000.261 S2C3T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 AI Nº37.298.4606 Ementa: APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação de custeio da previdência social entregar GFIP com informações incorretas. MULTA IMPOSTA. APLICAÇÃO CORRETA. Considerase correto o valor da multa que foi aplicada de acordo com a aplicação do art. 106, II, “c” do CTN, sendo a menos gravosa para o contribuinte. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. PEDIDO GENÉRICO. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Indeferese o pedido genérico de produção de provas em razão da preclusão e do seu evidente caráter protelatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: Afirma que a empresa efetuou a declaração dos fatos geradores das contribuições de acordo com a folha de pagamento e que, os recolhimentos dos valores devidos procederam conforme autoriza a legislação; Alega que toda diferença entre o valor de folha de pagamento e o INSS devido foram informados em 26/07/2010 a 28/03/2010, conforme protocolos juntados na impugnação; Diz que ficou caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que confessou o pagamento a menor e recolheu o tributo com juros e multa, antes da lavratura do Auto de Infração, sendo, portanto, indevida a autuação fiscal, bem como a multa de caráter punitivo imposta; Sustenta ainda que a interpretação dos cálculos e do somatório dos valores aplicados a título de multa apontados na planilha do Auditor Fiscal apresenta diversas obscuridades, dificultando a interpretação pela empresa recorrente, violando, assim, o seu direito constitucional à ampla defesa. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723310/201043 Resolução nº 2301000.261 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto: Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Da simples análise dos documentos acostados ao presente auto de infração nº 37.298.4606, percebese facilmente que o lançamento decorreu da exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL, através do processo nº 10980.721918/201033, o que ensejou a apuração das contribuições previdenciárias e de multa por descumprimento de obrigações tributárias ocorridas nos períodos posteriores aos efeitos da sua exclusão. Diante desse cenário, verificase que o julgamento por este Conselho depende necessariamente do resultado do julgamento do processo administrativo que analisa a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL pois, caso o recurso voluntário nele interposto pelo contribuinte seja provido, prejudicado estará o lançamento realizado nos autos do processo em exame. Ocorre que o processo nº 10980.721918/201033, em que pesa tenha sido designado à minha relatoria, foi redistribuído, por decisão desta Turma, à 1ª Seção, órgão competente para apreciar e julgar os recursos relativos à exclusão de empresas dos SIMPLES, nos moldes do art. 2, V do Regimento Interno do CARF: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...); V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Constatada, portanto, a conexão entre este processo e o 10980.721918/201033, que é de competência da 1ª Seção, bem como a prejudicialidade do segundo em relação ao primeiro, deve ser sobestado os processos dependentes, para que sejam julgados somente após a decisão final. O Código de Processo Civil determina no seu art. 265 a suspensão do processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente”. Entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual previsto expressamente no artigo 265 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Portanto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que sejam os presentes autos remetidos à Delegacia da Receita Federal de origem, onde deverão Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723310/201043 Resolução nº 2301000.261 S2C3T1 Fl. 5 4 aguardar o julgamento do processo 10980.721918/201033 pela 1ª Seção deste Conselho, após o que retornarão a esta Turma para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13555.000419/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS.
Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado.
ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático-jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação do efetivo exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99.
Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal.
PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS.
Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, quando o próprio contribuinte fornece as informações requeridas pela autoridade fiscal, a qual assume responsabilidade pela segurança de tais informações.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DESNECESSIDADE DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF.
PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE.
O pedido de diligências e/ou perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide.
No caso, os documentos imperativos para fazerem prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando já foram dadas oportunidades para produção e apresentação pelo Contribuinte/Requerente.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado. ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação do efetivo exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99. Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal. PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, quando o próprio contribuinte fornece as informações requeridas pela autoridade fiscal, a qual assume responsabilidade pela segurança de tais informações. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 04 19 /2 00 9- 83 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DESNECESSIDADE DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF. PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. O pedido de diligências e/ou perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. No caso, os documentos imperativos para fazerem prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando já foram dadas oportunidades para produção e apresentação pelo Contribuinte/Requerente. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 3 3 Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1522.590 da 3ª Turma da DRJ/SDR (fls. 185/190), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento decorrente de omissão de rendimentos nos anoscalendários de 2005 e 2006, caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. No caso, consta nos autos que foram proferidas intimações ao Contribuinte, para que apresentasse documentos que identificassem a origem dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, comprovando a natureza e a motivação de tais recebimentos, de forma individualizada. Em decorrência, o Contribuinte trouxe as justificativas que entendeu suficientes para justificar a origem dos depósitos. Considerando a documentação obtida e os argumentos apresentados, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 3/11, concluindo ter havido omissão de rendimentos em razão da existência de depósitos bancários sem a devida comprovação de origem, lançando crédito tributário no valor total de R$ 874.234,11, referente a imposto R$ 307.984,84; multa qualificada de 150% R$ 461.977,26; e juros R$ 104.272,01 (calculados até 30/10/2009). Diante do lançamento fiscal, o Autuado/Recorrente apresentou Impugnação (fls. 131/150), cujos argumentos de defesa foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Os argumentos do impugnante são em síntese os seguintes: 1. É inconstitucional o acesso da Administração aos dados bancários sem autorização judicial. 2. A Lei Complementar n° 105/2001 autoriza que seja transmitida à Administração apenas os montantes globais movimentados mensalmente nas contas bancárias, mas não os dados individualizados dos depósitos, o que no caso ocorreu, pois o autuante os relaciona às fls. 32/42. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 3. Fora intimado a comprovar a origem dos depósitos no exíguo prazo de cinco dias, sendo que, como pessoa física, não está obrigado a manter contabilização formal. 4. É sócio de duas firmas, a Fale Fácil e a Motasantos Serviços de Telecomunicações Ltda. Em virtude da pequena margem de lucro da atividade, que não ultrapassa 3%, não declarou os seus rendimentos. Os depósitos são mera movimentação do capital de giro destas empresas, o que se demonstra pelos saldos mensais, muitas vezes negativos, além de não apresentar sinais exteriores de riqueza, conforme patrimônio declarado. 5. É parte ilegítima neste processo, porque deveria ser considerado como pessoa interposta, nos termos do § 5° do art. 42 da Lei 9.430/1996, pois as contas foram utilizadas por suas empresas para movimentação dos seus recursos. 6. O art. 42 da Lei 9.430 é inconstitucional, porque não há correlação necessária entre depósitos e renda, como aliás se evidencia no seu caso, onde se trata de mera movimentação de recursos de um pequeno negócio, nem a lei pode criar obrigação de pagar tributo por meio de presunções. 7. Não foi obedecido o princípio da verdade material. Informado de que os depósitos provinham de pontos de venda de cartões telefônicos, e sendo o contribuinte titular das firmas acima mencionadas, o autuante não considerou estes elementos relevantes para que ampliasse a investigação sobre os fatos apontados, com a realização de diligências e perícias contábeis, preferindo calcular o imposto e caracterizar o crime de sonegação fiscal com base em mera presunção. 8. Para comprovar a atividade empresarial, traz cópias de recibos de depósitos que fizera em favor da Telemar entre 2000 e 2002 (fls. 161/166) e cópias de cheque destinados à empresa BM Logística, que substituíra a Telemar. Por fim, a sua empresa firmou contrato com a GETNET, cujas operações se realizam de forma ,inteiramente virtual, sem geração de documentos, o que impossibilita a apresentação de provas para comprovar as transações efetivas, pois os pedidos eram feitos por telefone e os cartões enviados pelo correio. Requer, por fim, perícia contábil e diligência para que a Receita Federal identifique e oficie todos os depositantes; que intime a Telemar e outras empresas de telecomunicação para que ateste a atividade de sua empresa, e o Bradesco, para que apresente cópias de todos os documentos de depósito.” Não obstante, a decisão proferida pela da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Salvador (BA) restou assim ementada: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 4 5 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. MULTA QUALIFICADA INAPLICÁVEL. A constatação de rendimentos omitidos correspondentes a depósitos de origem não comprovada, baseandose em presunção legal, não pode servir, por si só, para estabelecer o intuito de fraude que justificaria a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” No julgamento, foram superadas as alegativas de nulidade, em razão da expressa previsão legal (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), destacando que os valores lançados à tributação são referentes aos depósitos sem comprovação de origem, provendo a Impugnação apenas para afastar a multa qualificada de 150%. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera os argumentos anteriormente suscitados em sua Impugnação, ressaltando preliminares de suposta nulidade do procedimento em face de violação ao seu direito de defesa, por não terem sido deferidos os pedidos de produção de prova, além de questionar o lançamento fundado em depósitos bancários. Clamando atenção para quebra do sigilo bancário, no mérito o Recorrente alega que os depósitos não podem ser tributados sem que haja comprovação de consumo, ou sinais exteriores de riqueza, e insiste que os valores questionados decorrem de atividade econômica de representação de vendas de cartões, fichas e serviços telefônicos, por meio de empresas das quais é sócio. Ao final, pugna pelo acolhimento do recurso, para cancelar o débito fiscal reclamado. Distribuído para nossa relatoria, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que, após o Contribuinte/Recorrente ter sido intimado pela Fiscalização, não apresentou quaisquer documentos que comprovassem a origem dos depósitos bancários, assim como o seu suposto exercício profissional. Nesses termos, de logo deve ser destacado que as insistentes alegativas do Recorrente no sentido de ser respeitada a realidade fática evidenciada nos autos, estão superadas, porquanto não foram produzidas provas no sentido alegado, quanto a contrato de representação, notas fiscais de venda, guias de depósitos nos valores correspondentes, etc. De fato, a mera existência de empresa da qual o Recorrente seria sócio, e um contrato com uma prestadora de serviços de captura e transmissão de informações, não conformam justificativas para o montante dos valores depositados. Assim, em relação a desconstituição do Lançamento Fiscal em face de suposta nulidade, pela aplicação de presunção que macularia o Auto, importa destacar que o Auto de Infração combatido se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço, estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em desconsideração as provas produzidas, face à narração fática e jurídica posta no Auto de Infração, devidamente motivado, em respeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ora, avultam dos autos que o lançamento fiscal denunciando omissão de rendimentos, decorreu especificamente dos depósitos que não tiveram suas origens comprovadas, de forma individualizada, nos termos da previsão legal (art. 42 da Lei nº 9.430/96), tendo sido consideradas todas as possíveis situações jurídicas apresentadas pelo Contribuinte/Recorrente. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 5 7 Inocorrrendo nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial a defesa do contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, não se vislumbra quaisquer vícios que deem causa à nulidade pretendida pelo Recorrente, razão pela qual rejeito as preliminares de nulidades suscitadas. Neste sentido inclusive já se posicionou esta Corte Tributária: “ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Caracterizado nos autos que o contribuinte teve ampla oportunidade, tanto durante a fase procedimental, quanto na fase litigiosa, de se manifestar e apresentar a documentação solicitada e tudo o que mais pretendesse, é de se afastar as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. (...) Recurso Voluntário Negado” (Acórdão nº 2801003.285, Processo nº 13855.720203/200953, Relator Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 17/02/2014). A verdade que todas as alegativas do Recorrente não conseguem superar, é que os rendimentos questionados pela Fiscalização não foram lançados a tributação pelo Contribuinte, e os valores dos depósitos realizados em suas contas bancárias, que foram considerados especificamente neste procedimento fiscal, não tiveram a sua origem comprovada de forma individualizada. Portanto, inexistem dúvidas que o lançamento fiscal em questão figura íntegro, tendo em vista que todas as provas acostadas e documentos juntados aos autos foram considerados, conquanto não tenham informado a origem dos depósitos bancários questionados. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 De fato, em vez de simplesmente alegar que todos os depósitos questionados provieram de uma suposta atividade empresarial exercida sem o mínimo controle administrativo e fiscal, o contribuinte deveria comprovar, individualmente, a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, caso a caso, por meio de notas fiscais, contratos, etc., ou qualquer outro documento que identificasse a operação e justificasse a procedência dos valores, conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96 E sabese que é ônus do contribuinte afastar a presunção legal por meio de documentos que comprovem da origem dos depósitos tomados pela Fiscalização, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. No caso, não procedem as alegativas de que os valores dos depósitos sem comprovação de origem decorrem de supostas atividades econômicas exercidas na informalidade, diante da total falta de provas neste sentido. Com efeito, não basta que o recorrente apenas rebata o lançamento, devendo rechaçalo de forma coerente por meio de provas que visem confirmar suas alegações. No caso deve ser mantida a exação, diante da inexistência de comprovação das origens de todos os depósitos realizados nas contas correntes do Contribuinte/Recorrente, em especial os que foram indicados no presente lançamento fiscal. Vale destacar que o exercício de atividade econômica, a míngua de provas e elementos que ilidam a ausência da comprovação da origem dos depósitos bancários questionados, não é suficiente para alterar o acerto da decisão recorrida, quanto a omissão de rendimentos. Neste sentido é pacífico o entendimento desta Corte Tributária: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 RENUNCIA ÀS INSTÂNCIA ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a contribuinte revela conhecer Fl. 221DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 6 9 plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE SE TRATA DE RECEITA DECORRENTE DE ATIVIDADE RURAL NÃO COMPROVADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. Somente mediante a comprovação pelo contribuinte de que os depósitos efetivados em conta bancária são decorrentes de atividade rural, é que se pode aplicar a tributação favorecida prevista no art. 5º, da Lei 8.023/90. No caso dos autos, tendo havido mera alegação de que o contribuinte exercia exclusivamente atividade rural sem qualquer comprovação de tal fato, assim como, sem comprovar às origens dos depósitos, deve ser mantida a tributação dos rendimentos omitidos com base no art. 42, da Lei 9430/96. MULTA QUALIFICADA A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por essa razão, afastase a qualificação da multa aplicada. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4)” (Acórdão nº 2202002.657, Processo nº 10925.001777/200111, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 10/09/2014 grifamos); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430 de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, dispensando o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, somente a partir do anocalendário de 1997. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade.” (Acórdão nº 2201002.405, Processo nº 10120.002591/200993, Relatora Conselheira NATHALIA MESQUITA CEIA, Data de Publicação: 30/07/2014). Na verdade, o fato do Recorrente ter informado que operava uma pequena empresa, sem que haja algum indício de prova que relacione as operações comerciais desta aos valores individualizados questionados, não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a tal atividade. Para tanto, seria necessário que o contribuinte fizesse prova individualizada de que os valores que transitaram em suas contas bancárias seriam efetivamente provenientes da venda dos produtos comercializados. Além disso, as alegativas trazidas no Recurso quanto à supostamente existirem alguns valores e documentações que deveriam ser produzidos e observados, carecem de efetividade, porquanto sequer indicado algum exemplo contundente durante todo o procedimento fiscal, não havendo como serem considerados. Por outro lado, avultam dos autos, mais discricionariamente relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 120/126, que o Contribuinte/Recorrente foi intimado para apresentar seus extratos bancários, tendo atendido a solicitação, de modo que posteriormente foi novamente intimado para comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, de forma individualizada. Diante da ausência de uma resposta plausível do Fiscalizado, e considerando a documentação apresentada pelo próprio, resguardados os valores não alcançados pela tributação, foi que a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 362/384, considerando ter Fl. 223DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 7 11 havido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Diante do escorço fático, as alegações de nulidade do procedimento fiscal em razão de suposta afronta a preceito constitucional, por conta de violação ao sigilo bancário do Contribuinte/Recorrente, não merecem acolhimento. Ora, a verdade é que o Contribuinte/Recorrente forneceu os elementos considerados na Autuação, mas não conseguiu relevar com provas idôneas a origem dos recursos depositados. E mesmo quanto restou autuado, tendo prazo suficiente para apresentação de defesa, em nenhum momento o Recorrente apresentou qualquer documento visando justificar o montante dos valores depositados em suas contas bancárias. Nesse sentido, não se pode coibir o desenvolvimento da atividade administrativa, sob pena de impedir a fiscalização tributária de cumprir sua função institucional (art. 142 do CTN), ainda mais diante da previsão legal expressa autorizando o exame de informações bancárias em caso de procedimento fiscal. De fato, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Avulta do comando legal transcrito a possibilidade de transferência do sigilo bancário da instituição financeira para a administração tributária. Este inclusive é o entendimento expresso recentemente neste CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. Preliminar rejeitada. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 2202002.842, Processo nº 10675.720742/201137, Relator Cons. MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 28/11/2014). Vale destacar que o Decreto n° 3.724/2001, regulamentando a ordem do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, estabeleceu procedimentos para o acesso às informações financeiras dos contribuintes, assim dispostos com texto vigente na época do lançamento fiscal (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007): “Art. 2º omissis. (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 8 13 § 6º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; (...) Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF.” Por sua vez, a Lei nº 9.430/96, já determinava: “Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente Fl. 226DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966;” No caso em questão, vale ressaltar que o próprio contribuinte forneceu os dados bancários, de forma que a crítica ao modo em que as informações foram apropriadas pelo Fisco, sob alegativa de que decorrem de quebra de sigilo fiscal, jamais podem ser consideradas, em especial porque não desconstituem a realidade material denunciada. Encerrando o debate, vale ressaltar que este CARF já pacificou entendimento no sentido de acolher legítimo o acesso da administração aos dados bancários do contribuinte, diante dos casos estipulados em lei. Vejamos algumas ementas de recentes julgados, apenas a título de exemplo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2010 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Acórdão nº 2201002.594, Processo nº 10510.721600/201170, Relator Cons. Eduardo Tadeu Farah, 1ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 28/11/2014); Fl. 227DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 9 15 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem das movimentações financeiras, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado. (Acórdão nº 2802003.084, Processo nº 19515.002935/200733, Relator Cons. German Alejandro San Martín Fernández, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF/, Data de Publicação: 26/11/2014). No que diz respeito às disposições trazidas na Impugnação e no Recurso, questionando a legalidade da presunção, não se pode olvidar que, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Na letra da lei: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Deste modo, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores depositados em conta corrente sem comprovação de sua origem. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Noutro dizer, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. E cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo autorizou ao Fisco proceder ao lançamento quando identificado o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), conformando demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei nº 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Até porque figura inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de quaisquer provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada, é certa a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. No caso em análise, o Contribuinte/Recorrente não se desincumbiu de sua obrigação quanto aos depósitos questionados pela fiscalização, resultando totalmente procedente o feito fiscal, não havendo que se falar em nulidade ou violação do preceito legal. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 10 17 Ademais, pelo exame do processo, verificase que os rendimentos omitidos, recebidos de pessoas físicas e jurídicas, são alcançados pela tributação, nos termos dos artigos 45 e 55 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que dispõem expressamente: “Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; III remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; (...) Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; II as importâncias originadas dos títulos que tocarem ao meeiro, herdeiro ou legatário, ainda que correspondam a período anterior à data da partilha ou adjudicação dos bens, excluída a parte já tributada em poder do espólio; III os lucros do comércio e da indústria, auferidos por todo aquele que não exercer, habitualmente, a profissão de comerciante ou industrial; IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (...)” Por outro lado, sabese que a partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob Fl. 230DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90, conforme entendimento sumulado neste CARF: Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” Nesses termos, é obrigação do contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva, independentemente da indicação de utilização e/ou consumo dos rendimentos questionados. Por fim, quanto às diligências e perícia requeridas pelo Recorrente, estas podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. É que os documentos imprescindíveis para fazer prova em favor do contribuinte não serão supridos mediante a realização de novas diligências, mormente quando já foram dadas oportunidades para produção e apresentação pelo Contribuinte/Requerente, que não demonstrou intenção de comprovar suas alegativas pelos meios idôneos disponíveis. Até porque que não se pode admitir um exercício de atividade empresarial sem qualquer documentação comprobatória, ou um mínimo controle de estoque ou de vendas. Ora, a diligência somente é necessária quando a providência seja imperativa a conclusão do julgado, não implicando em qualquer nulidade, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos de solicitação postos pelo Contribuinte. Neste sentido, entendo que não cabem outras diligências, tendo em vista que foi oportunizado mais de uma vez ao Recorrente a juntada das provas que estavam ao seu alcance, visando obter informações precisas sobre a verdade material no caso. Não tendo o Contribuinte/Recorrente conseguido produzir outras provas além das já juntadas aos autos, não compete a Administração Tributária promover tais providências, sob pena de afronta ao ordenamento jurídico em vigor. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13555.000419/200983 Acórdão n.º 2101002.703 S2C1T1 Fl. 11 19 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo os valores delimitados na decisão recorrida. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15563.000125/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2005
Ementa OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não demonstradas as casas de nulidade contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. A mera alegação de ofensa a princípios constitucionais não implica em nulidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
Numero da decisão: 1301-001.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2005 Ementa OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não demonstradas as casas de nulidade contidas no Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no âmbito do PAF. A mera alegação de ofensa a princípios constitucionais não implica em nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 25 /2 00 9- 88 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Segundo consta do presente processo administrativo foi efetivada em desfavor da recorrente, exigência fiscal na sistemática do Simples, referente ao anocalendário 2005 (fls. 248 – 312), acrescidos da multa de 75% e encargos moratórios. Os lançamentos estão fundamentados em omissão de receitas, representadas por depósitos bancários sem a comprovação da origem, e em insuficiência de recolhimento de imposto e contribuições sobre valores declarados, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fIs. 245/247) e Auto de Infração de fls. 270/272, em que constam minuciosamente explicitadas a descrição dos fatos e a fundamentação legal da exigência. Segundo a Fiscalização, a infração denominada Insuficiência de Recolhimentos decorre da infração anterior (omissão de receitas), haja vista a geração de recálculo nos valores mensais devidos (fls. 250/256 e 257/262). O Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta e Diferenças Apuradas, às fls. 248/249, indicam que a receita bruta acumulada do interessado montou em R$ 16.041.999,21 e ultrapassou o limite estabelecido para as microempresas que era de R$ 120.000,00, sujeitando o interessado à exclusão de ofício a partir de 01.01.2006 de acordo com o art. 9°, ll, art. 14, I, combinado com o art. 15, IV, da Lei N° 9.317/96 (Redação dada pela Lei 11.307, de 2006). Diante da constatação acima foi efetuada a Representação Fiscal Exclusão do Simples, às fls. 02/05, propondo ao Delegado da Delegacia de Nova IguaçuRJ, para que efetuasse a exclusão do interessado do sistema simplificado a partir de 01/01/2006. Às fls. 06, foi juntado o Ato Declaratório n° 057, de 15 de setembro de 2009 referente à exclusão do Simples. Regularmente cientificado em 16/09/2009, respectivamente às fls. 269, 279 ,289, 299, e 309, das autuações referentes ao IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 326/352), alegando em síntese que a Fiscalização quebrou de forma indevida o seu sigilo bancário, quando solicitou às instituições financeiras os extratos das contas correntes de sua titularidade, afrontando o artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal e que a inviolabilidade dos dados bancários é um direito constitucional no ordenamento jurídico brasileiro, consagrado no inciso XII, do artigo 5°, da Constituição, sendo que a quebra do sigilo bancário, ainda que efetuada pelo poder judiciário, viola uma garantia Fl. 884DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 3 3 constitucional estabelecida por uma cláusula pétrea, a qual não pode ser mudada nem mesmo por uma emenda constitucional, sob pena de desestabilizar toda ordem legal do Estado. Aduziu que Poder Judiciário é quem tem competência para determinar a quebra do sigilo bancário, nos casos de interesse da ordem social, e não a autoridade administrativa, defende que, no entanto, diz o artigo 6° da Lei complementar n° 105/2001, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, a autoridade administrativa e os agentes fiscais tributários da União, Estados e Municípios poderão solicitar informações referentes aos contribuintes, constantes dos documentos livros e registros das instituições financeiras, inclusive sobre contas de depósitos e aplicações dos mesmos, mas tal atribuição fere a intenção que emana de todo o ordenamento jurídico brasileiro, pois a interpretação do Supremo Tribunal Federal sempre foi no sentido que a quebra do sigilo bancário só pode ser feita mediante ordem judicial e que a lei complementar citada é inconstitucional. Defendeu ainda, não bastasse a inconstitucionalidade desta Lei Complementar, editouse o Decreto n° 3.724/2001, na mesma data, para regulamentar a referida lei, e individualizado em seu artigo segundo as onze hipóteses em que a verificação bancária é indispensável pela autoridade competente da administração fazendária; face ao exposto, pede o cancelamento do auto de infração na totalidade. Mencionou que o autuante, ao sustentar o lançamento em questão, argumentou que não foi comprovada a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias do interessado, tal pretensão não poderia prosperar, eis que a fiscalização incorreu em completo equívoco ao apurar a suposta presunção de omissão de receitas, já que o autuante optou por considerar como omissão de receitas, a diferença entre a receita bruta declarada e a totalidade dos valores descriminados na planilha de relação dos créditos, juntada ao auto de infração e a intenção da fiscalização foi totalizar os valores correspondentes a créditos efetuados nas contas correntes bancárias, mas deveria ser ressaltado que em grande parte tais créditos, conforme os extratos bancários, referemse a transferências entre contas de mesma titularidade, depósito em cheque, liquidação de cobrança, unicobrança, DOCs e TDs identificados e que os valores em questão foram extraídos dos extratos, e não se entende o porquê da não consideração dos valores, cuja origem vem estampada no histórico, e somente poderiam ser considerados como omissão de receitas os valores que, efetivamente, não tiveram sua origem comprovada, nos termos dos artigos 287 e 849 do RIR/99. Aduziu que a maior parte dos créditos que foram efetuados nas contas bancárias de titularidade do interessado, tem origem em transferências entre contas de mesma titularidade, conforme claramente consta nos extratos bancários e seria absurdo considerar transferências interbancárias da mesma titularidade como depósitos sem a comprovação da origem e que foi considerado indevidamente como de origem não comprovada os valores creditados nas contas dos bancos BRADESCO que têm como histórico “TRANSF. MMA. TITULARIDADE” e UNIBANCO com o histórico “TEDRECEBIDA RURAL PINCELLI 2000 lN”, conforme demonstrado na planilha às fls.340/342. Reputa que os valores constantes dessa planilha devem ser expurgados da base tributável e que os depósitos efetuados em cheque, como o próprio histórico afirma, ainda se encontravam bloqueados (não disponiveis), e nem em uma interpretação extremamente fiscalista se pode concluir que ocorreu a disponibilidade econômica e consequentemente o fato gerador do imposto de renda como previsto pelo artigo 43 do CTN, e que no caso em tela nota Fl. 885DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 4 se claramente o deslocamento do fato gerador em diversos meses com relação aos depósitos em cheques efetuados no final do mês, conforme se comprova pelos extratos bancários que constam do processo sendo que o crédito disponibilizado referente aos depósitos em cheque somente ocorreu nos meses seguintes, ou seja disponibilidade econômica e a consequente ocorrência do fato gerador efetivamente consumouse nos meses subsequentes, e jamais a fiscalização poderia ter agido como agiu, deslocando ilegalmente, a ocorrência do fato gerador. Defende que a autuação em análise não comporta esse tipo de imprecisão pois fere o artigo 142 do CTN, que define o lançamento como procedimento administrativo que objetiva apurar dentre outros fatos a ocorrência do fato gerador e não o presumir como ocorreu; deve ser lembrado que a data da ocorrência do fato gerador e o período de apuração podem afetar a determinação do montante do tributo, a fixação do prazo decadencial, a eleição da legislação aplicável e o cálculo dos juros de mora; desse modo, pedese a exclusão da base tributável dos valores relativos aos depósitos em cheques; no tocante aos valores que tem como histórico a liquidação de COBRANÇA e UNICOBRANÇA, aduziu que referemse a recebimento de títulos colocados para cobrança na instituição financeira, em face de vendas feitas anteriormente a prazo e vale lembrar que só podem ser consideradas como omissão de receitas os valores que efetivamente, não tiveram sua origem comprovada, sendo que uma grande parte dos valores constantes dos extratos bancários que fazem parte das importâncias a serem tributadas, referemse a recebimentos a título de cobrança bancária, decorrente de vendas pretéritas, e não poderiam ter sido tratados como depósito sem a comprovação da origem. Insistiu que se a origem foi comprovada, e os valores não foram oferecidos a tributação, deverão ser submetidos à tributação com base no parágrafo 2°, do art. 287 e inciso II, do art. 849, ambos do RIR/99, e nunca ser tributado como presunção de omissão de receitas capitulada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que não é concebível a fiscalização definir a ocorrência do fato gerador do tributo no momento em que o interessado efetivamente recebe os valores decorrente do seu trabalho, já que o regime é o de competência e não o de caixa, afirmando que não menos absurda, é considerar os DOCs e TEDs identificados, como depósitos sem comprovação da origem, uma vez que no próprio extrato bancário vem a discriminação do remetente, ou seja, a comprovação da origem dos recursos, sendo eu o próprio extrato identifica os clientes, ou seja, que a origem, nestes casos, decorre do pagamento de vendas realizadas. Afirmou que analisando mais cuidadosamente os extratos da conta corrente no Banco Rural, constatase que o autuante considerou indevidamente como omissão de receitas valores que foram provenientes do resgate de aplicação em títulos de renda fixa, em nome do interessado, conforme planilhas às fls. 350, e devem ser desconsiderados da base de cálculo apurada, da mesma forma, foram considerados pelo autuante como de origem não comprovada, valores creditados na conta do Banco Rural, que tem como histórico a expressão “TRS DA C/C INV”, que dizem respeito a transferências da conta investimento, que funciona como conta transitória, para a conta de movimento do mesmo titular, conforme demonstra a planilha de fls. 351/352, a insuficiência de recolhimento foi apurada em decorrência da inconsistente presunção de omissão de receita, deve também este item da autuação ser considerado improcedente. Em vista destes argumentos, requereu a improcedência do lançamento ora em questão. Às fls. 354/360, consta impugnação ao Ato Declaratório que informa, resumidamente, ser a exclusão do Simples motivada pela apuração do fisco que constatou receita bruta anual R$ 15.940.479,21 superior à prevista na legislação em vigor para ME a EPP Fl. 886DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 4 5 à época. No entanto, alega que o auto de infração em que se baseia a exclusão foi impugnado, e, portanto, toda e qualquer sanção para o interessado fica suspensa, inclusive a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. Além de ter ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa, em virtude de no Termo de Ciência Exclusão do Simples (doc. fls. 319) constar que a exclusão ocorreu através do Ato Declaratório n° 06 de 29 de janeiro de 2009, ao invés do Ato Declaratório de Exclusão n° 57 de 15 de setembro de 2009. A 2a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 384 em diante, julgou o lançamento procedente e manteve a exclusão do SIMPLES, ficando assim ementada a decisão: [...] ÁSSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica QUEBRA de SIGILO bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o SIGILO fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇAO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. EXCLUSAO DO SIMPLES. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 6 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que na condição de empresa de pequeno porte tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite determinado pela Legislação. [...] Devidamente cientificada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 408 em diante), alegando ter havido cerceamento ao seu direito de defesa já que não teria sido dado prazo suficiente para o levantamento de toda a documentação necessária, tornando nulos os autos de infração. Insistiu ter havido quebra do seu sigilo bancário, pelos argumentos já relatados, bem como, no mérito, reiterou ser ilegal a tributação dos depósitos bancários, segundo súmula do extinto TFR. Acrescentou que esses valores depositados não foram usados para transferências de aplicações, previdência, poupança, compras de grandes valores, ou seja, nada que caracterizasse aumento patrimonial, juntando precedentes que entende aplicáveis e pugnando por provimento. Reputou inconstitucional a multa de 75% e requereu o provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Duas questões decorrem das constatações trazidas pela Fiscalização, a primeira, e prejudicial da outra, diz com a prevalência dos autos de infração que indicam omissão de receitas e falta/insuficiência de recolhimentos dos tributos apurados na modalidade do SIMPLES, a outra, prevalente a omissão, com o fato de ultrapassarse o limite de opção pela modalidade simplificada e consequente exclusão do regime. Analiso, primeiramente, a questão relativa à omissão de receitas, porquanto, como dito, se traduz em matéria prejudicial à exclusão levada a efeito apenas pelo montante da receita brita ultrapassar o limite de opção após a glosa imposta. Em apertado resumo, apenas para pautar a questão, tradase nos autos de exigência relativa ao IRPJ e seus reflexos, do anocalendário 2005, em vista de constada omissão de receitas, apurada mediante presunção legal desencadeada pela verificação de depósitos bancários cuja origem, intimada a fazêlo, a contribuinte não teria comprovado (art. 42, da Lei nº 9.430/96). Instaurase certa celeuma, aventada pela contribuinte em sede preliminar, porquanto no caso concreto os extratos bancários foram obtidos pela Fiscalização por meio das denominadas Requisições de Movimentação Financeira, expedidas diretamente às instituições financeiras, levando a recorrente a propugnar pelo desacerto de tal medida, que teria implicado na quebra do seu sigilo bancário, punindo o auto de infração. Entendo que a questão relativa às RMF, deve ser enfrentada prioritariamente, porquanto esvazia boa parte das discussões, bem como orienta a aplicação do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, base sobre a qual repousa a presunção legal de omissão de receitas. No propósito do enfrentamento da questão colocada, assinalese que quando ainda vigiam as disposições regimentais dos §§ 1º e 2º, do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF, determinavase o sobrestamento do feito até que sobreviesse decisão definitiva, do Supremo Tribunal Federal, em âmbito de Repercussão Geral, no RE representativo da controvérsia (RE 601314), a revelar que a matéria ainda não goza de tratamento pacífico no âmbito do Poder Judiciário. Todavia, a determinação regimental de sobrestamento foi suprimida, de sorte que a questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, abusividade e outras acepções tratadas pela contribuinte, precisam ser enfrentadas tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedandose a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 8 Dito isso, conquanto seja eloquente e bem articuladas as razões trazidas pela recorrente, pouco resta senão reconhecer que o expediente das chamadas RMF, encontram suporte no ordenamento jurídico. Quanto ao procedimento adotado pela Fiscalização no caso concreto, a decisão recorrida cuidou de elaborar um histórico dos eventos e os fundamentos legais que autorizaram o Fisco a valerse do expediente de requisitar as informações diretamente às instituições financeiras, de sorte que entendo acertada a conclusão ao proclamar que a recorrente, de fato, não apresentou os extratos bancários solicitados, caracterizando assim, inegável embaraço à fiscalização, situação que deu ensejo e suporte fático, para as RMF. Sendo assim, legítima a obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, valendose das requisições diretamente às instituições financeiras, de sorte que não subsistem as alegações preliminares da recorrente quanto ao tópico em questão. Por fim, quanto às alegações preliminares da recorrente, reputouse que na espécie a fiscalização teria cerceado seu direito de defesa, concedendo exíguos prazos para juntar toda documentação. A caracterização do cerceamento ao direito de defesa, para além de uma alegação genérica, precisa resultar num prejuízo efetivo e verificável, capaz de trazer ao processo alguma deficiência insanável no curso do processo administrativo. Na espécie, ainda que muitos sejam os extratos bancários, os lançamentos contábeis, enfim, os documentos envolvidos na questão, a contribuinte não comprova um efetivo prejuízo ao seu direito de defesa. Ao contrário, verificase que apresentou Impugnação ao conteúdo material da exigência tributária, revelando pleno conhecimento da matéria imputada. Apresentou ainda, após a decisão da DRJ, o competente Recurso Voluntário, ora analisado, outra vez se insurgindo contra as imputações com total ciência e desenvoltura, motivo pelo qual, rejeito a alegação de cerceamento ao direito de defesa. Quanto ao mérito, atinente à omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, bem frisou a decisão recorrida que foram efetivadas diversas intimações, em 12/05/2008 (doc. fls. 25/26) e 14/10/2008 (doc. fl. 196) objetivando obter do "interessado informações sobre a sua movimentação financeira e comprovação da origem dos recursos que possibilitaram os ingressos de valores (créditos) nas contas correntes bancárias de sua titularidade, sendo que deixou de fazêlo, autorizando o Fisco, como visto acima, a obter diretamente das instituições financeiras a documentação em análise. Em sede de Recurso Voluntário, cuidou a contribuinte apenas de alegar que os depósitos bancários não podem ser caracterizados como renda, porquanto não representariam qualquer acréscimo patrimonial. Todavia, convém assinalar que a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, permite a presunção de receita omitida, em relação aos valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Portanto, convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os Fl. 890DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15563.000125/200988 Acórdão n.º 1301001.796 S1C3T1 Fl. 6 9 valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Na espécie, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes, remanescendo ao fim não comprovada a origem e a necessária tributação dos valores. Temse, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à Recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Quanto à alegada abusividade da multa, aplicada no patamar de 75%, impende considerar que consoante a Súmula CARF nº 02, falece competência à esfera administrativa para se pronunciar acerca da constitucionalidade de lei, de sorte que subsiste a multa aplicada, porquanto lançada em patamar mínimo e com fundamento legal válido. Em vista de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (assinado digitalmente) Fl. 891DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 10 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10830.907784/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/06/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/06/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 77 84 /2 01 2- 21 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907784/201221 Acórdão n.º 3801004.781 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13603.906091/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Relatório Na origem, cuidase de Declarações de Compensação – DCOMPs transmitidas pelo sujeito passivo com vistas ao reconhecimento de crédito decorrente de Saldo Negativo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 06 09 1/ 20 09 -9 8 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 3 2 IRPJ do anocalendário 2001 no valor de R$1.009.446,29 e à compensação com débitos próprios diversos. No despacho decisório emitido em 21/09/2009, a DRF/Contagem concluiu pelo reconhecimento parcial do crédito relativo ao saldo negativo pleiteado. Com efeito, a r. autoridade fiscal entendeu que certas parcelas de que o sujeito passivo lançou mão para a formação do seu direito creditório não restaram confirmadas, sendo que essas frações não reconhecidas pelo Fisco podem ser verificadas a partir do exame do seguinte demonstrativo (fl. 29): Parc. Crédito Retenções Fonte Estim. Comp. SNPA Soma Parc. Cred. PER/DCOMP 2.490.299,23 313.058,18 2.803.357,41 Confirmadas 2.490.299,23 46.538,67 2.536.837,90 Nessa senda, ante a não confirmação da parcela de R$ 266.519,51, a r. autoridade fiscal entendeu que o Saldo Negativo vindicado pelo sujeito passivo deveria ser reduzido justamente desse montante, o que levou à confirmação do valor de R$ 742.926,78, com a homologação das DCOMPs apresentadas até esse limite. A discussão que remanesce nos autos, portanto, referese ao montante de R$266.519,51. De acordo com a apuração levada a efeito pela r. autoridade fiscal, essa cifra – atinente a estimativas que o sujeito passivo afirmou ter compensado com Saldo Negativo de Períodos Anteriores – poderia ser assim segregada: (a) Fevereiro/2001 R$0,01 não confirmado; (b) Maio/2001 R$0,01 não confirmado; (c) Dezembro/2001 R$266.519,49 (vide fl. 28). O sujeito passivo apresentou tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 34/39), na qual – após abdicar de discutir os R$0,02 correspondentes a fevereiro e maio/2001 – afirmou que a fração controvertida consubstancia: “parcela que, embora tenha sido indicado pela Sucedida como integrante do total de estimativa compensado no período, referese a tributo que se encontrava com sua exigibilidade [suspensa] por força de decisões judiciais proferidas nas Ações n.°s 97.00.086216 e 98.00.165614, nas quais se discutia a possibilidade de deduções na base de cálculo do imposto. / Ou seja, a Sucedida considerou no valor total do IRPJ devido a título de estimativa também parcela do imposto que se encontrava com sua exigibilidade suspensa e que, portanto, não seria objeto de pagamento. E, justamente em face da condição dessa parcela, aumentou como contrapartida e em igual valor o montante do imposto liquidado por estimativa, anulando os efeitos daquela inclusão na base” (fl. 37). Após, reforçou sua argumentação afirmando que, “em outras palavras, se a Fiscalização considerar que não houve pagamento de estimativa no montante de R$266.519,49, deve também deduzir esse montante do IRPJ Lucro Real devido no exercício de 2002. Tudo em função da exigibilidade dessa parcela. Desse modo, o valor devido corresponderia a R$1.527.391,63, o valor retido na fonte continuaria sendo de R$2.490.299,23, e o valor Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 4 3 liquidado em face das estimativas, como confirmado pelo sistema da Receita, seria de R$46.538,67. A soma dessas parcelas resultaria justamente em R$1.009.446,27, conforme pretendido pela Requerente” (fl. 38). Em sessão de julgamento realizada em 28/02/2012, a d. 3ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente o inconformismo do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fls. 103/110) Na ocasião, acordaram os julgadores da instância de piso que “inexiste previsão legal para dedução de valores destinados à estimativa mensal com menção à ‘exigibilidade suspensa’” (fl. 108), sendo que, a partir da previsão do art. 170A do CTN, “constatase então que qualquer aproveitamento de tributo antes do transito em julgado da ação está expressamente vedado pela legislação vigente” (fl. 108). Além disso, consignouse que “o CTN prevê a suspensão da exigibilidade para casos específicos; o manifestante não trouxe ao processo qualquer comprovação acerca do enquadramento do quantum invocado em uma destas hipóteses” (fl. 109). Por fim, a Egrégia Turma recorrida assentou que, “independentemente da comprovação e a motivação da suspensão da exigibilidade invocada pelo manifestante, qualquer importância ainda não definitivamente extinta não pode[ria] dar origem a Saldo Negativo de IRPJ passível de restituição/compensação” (fl. 109). À fl. 111, foi lavrado ‘Termo de Abertura de Documento’, apontando que “o contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo [dentre os quais o acórdão da colenda instância a qua], na data 25/06/2012 10:50h, pela abertura dos arquivos”. No fólio seguinte, há um ‘Termo de Ciência por Decurso de Prazo’, em que “foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal (...) / Data da ciência por decurso de prazo: 07/07/2012”. Em 07 de agosto de 2012, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 114/135), oportunidade em que sustentou, em síntese, que: (i) “o procedimento adotado pela Recorrente ao incluir no saldo de declaração as estimativas no valor total de R$266.519,49, que se encontravam com a sua exigibilidade suspensa por força de ações judiciais, teve como objetivo anular os efeitos da inclusão indevida dos valores de CSLL e dos tributos com a exigibilidade suspensa na base de cálculo do IRPJ, aumentando, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 5 4 como contrapartida e em igual valor, o montante do imposto pago por estimativa, para fins de apuração do imposto de renda devido ao final do exercício” (fl. 117); (ii) e “a recorrente faz jus ao reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, pois parte das estimativas de IRPJ que deixaram de ser reconhecidas, pela Fiscalização se encontra extinta pelo pagamento, e o saldo restante se encontra com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, I, do CTN, haja vista a realização de depósito judicial” (fl. 117). Em seguida, e “tendo em vista a apresentação tempestiva de recurso voluntário” (fl. 219), os autos foram encaminhados a este Col. CARF e foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto A meu sentir, o recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. De fato, há dúvida razoável quanto à tempestividade, na medida em que existem dois termos de ciência dando conta de que o contribuinte teve notícia do r. acórdão recorrido em datas diversas. Nesse cenário, penso ser o caso de dar azo à certidão de fl. 112 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo), porquanto assenta não ter havido ciência anterior à data de 07 de julho de 2012, um sábado – afastando, pois, informação anterior em sentido diverso. Por assim ser, mostrase tempestivo o recurso voluntário interposto em 07 de agosto de 2012 conforme informação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Contagem (fl. 219) , razão pela qual dele conheço. Superada essa questão relacionada ao conhecimento do Recurso Voluntário, passase ao exame do meritum causae. Em conformidade com o relatório acima, temos que a questão controvertida nos autos resumese a saber se a ora Recorrente possuiria Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001 no valor de R$1.009.446,29, que seria suficiente para quitar os débitos apontados nas DCOMPs que compõem o presente processo administrativo, tendo em vista que a Fiscalização entendeu que o valor do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ corresponderia ao valor de R$742.926,78, ante a não confirmação do montante de R$266.519,51. Aduz o contribuinte que o valor de R$266.519,49 – reiterese, não há controvérsia quanto ao valor de R$ 0,02 – é composto pelas estimativas de IRPJ discriminadas da seguinte forma (fl. 119): Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 6 5 Período de Apuração Código de Receita Estimativa declarada em DCTF Suspensão Jul/01 2362 128.780,25 Ago/01 2362 30.838,58 Set/01 2362 25.745,70 Out/01 2362 27.582,64 Nov/01 2362 26.621,26 Dez/01 2362 26.951,06 Total = R$266.519,49 Deveras, o contribuinte afirma (i) que “a parcela do saldo credor de R$266.519,49, que deixou de ser reconhecida pela Fiscalização, se refere a estimativa de IRPJ relativas aos períodos de junho a dezembro de 2001 que se encontravam com a sua exigibilidade suspensa por força de decisões judiciais proferidas nas Ações n°s 97.00.086216 e 98.00.165614, que permitiam, à empresa sucedida, deduzir o valor da CSLL da apuração do Lucro Real, e não adicionar à base de cálculo do IRPJ tributos com a exigibilidade suspensa” (fl. 119); e (ii) que, “mesmo estando amparada pelas decisões acima mencionadas, a empresa sucedida incluiu, na apuração da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2001, os valores relativos aos tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa, declarandoos em sua DIPJ: PIS e COFINS no montante de R$457.836,76, e a CSLL, no montante de R$608.241,18, os quais foram informados nas linhas 04 e 21 da ficha 9ª da DIPJ/2002” (fl. 119). Para demonstrar essa situação, a ora Recorrente traz quadro ilustrativo da situação, nos seguintes termos (fl. 120): Adições indevidas Valor Alíquota do IR 25% Tributos com exigibilidade suspensa R$457.836,74 R$114.459,19 CSLL com exigibilidade suspensa R$608.241,18 R$152.060,30 IR com exigibilidade suspensa R$266.519,49 Um ponto, porém, merece atenção antes da análise meritória do caso: observase no despacho decisório de fls. 26/28 que a estimativa de dezembro/2001 havia sido vinculada a compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. Em recurso, a contribuinte assevera que promoveu pagamento de R$ 114.459,19 (fl. 190), e este valor poderia confirmar parcialmente a antecipação que integraria o direito creditório aqui em litígio. Todavia, o demonstrativo de fl. 199 detalha que o referido pagamento se reporta a estimativas não recolhidas de julho/2001 a dezembro/2001. Em tais condições, para apurar se este pagamento poderia ser considerado na liquidação parcial da estimativa de dezembro/2001 informada na DCOMP, necessário se faz Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.906091/200998 Resolução nº 1101000.150 S1C1T1 Fl. 7 6 aferir se esse pagamento não foi utilizado para liquidação de estimativas vinculadas ao IRPJ devido no anocalendário 2001, no valor de R$ 1.793.931,12, como indicado no despacho decisório à fl. 26, o que desde já se determina seja feito pela Autoridade Preparadora. Por tal razão, o julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência, para se determinar a baixa dos autos para a origem, de modo a possibilitar que a Autoridade Preparadora esclareça se o pagamento acima mencionado foi (ou não) utilizado para liquidação de estimativas vinculadas ao IRPJ devido no anocalendário 2001, no valor de R$ 1.793.931,12, como indicado no despacho decisório à fl. 26. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15563.000408/2010-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 40 8/ 20 10 -6 3 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000408/201063 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.240 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1255.079 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. QUITAÇÃO PARCIAL. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. Os recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal não ensejam a revisão do lançamento, ante a perda da espontaneidade do pagamento. AJUSTES DE RECOLHIMENTOS APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EFEITOS. A não consideração dos ajustes de GPS efetuados durante a ação fiscal, sem anuência da autoridade fiscalizadora, não implica erro no lançamento. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.280.9448, consolidado em 07/11/2010), no valor de R$ 1.818.359,17; acrescidos de juros e multa de mora, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 132/137), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte descontada das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 01/2007 a 13/2007 constantes em folha de pagamento e não declaradas em GFIP, tendo sido considerados os recolhimentos em GPS constantes do contacorrente do contribuinte no ano de 2007. 2. Em observância ao art. 106, II, “c”, do CTN, foi feita a comparação de multas e verificouse que a multa mais benéfica para o contribuinte é com base na legislação vigente na época do fato gerador, cumulada com a multa por descumprimento da obrigação acessória contida no art 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, da lei n 8212/91 (Código de Fundamentação Legal CFL 68), o que gerou a lavratura do auto de infração DEBCAD 37.280.9375. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com o lançamento, a interessada manifestouse às fls. 154/158, alegando em síntese que: 3.1. a tempestividade da impugnação protocolada em 26/07/2011, em face da suspensão dos prazos processuais até 31/07/2011, determinada pelo art. 2º, da Portaria do Ministro da Fazenda nº 23/2011; 3.2. que a maior parte das contribuições lançadas foi paga pelo contribuinte, sendo certo que o impugnante providenciou o pagamento Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000408/201063 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.240 S2C4T3 Fl. 4 3 das contribuições em aberto, conforme atestam as anexas GPS (anexo 2); 3.3. que as contribuições listadas no item 6 da impugnação foram recolhidas pelo contribuinte e que a apuração dos supostos débitos teve origem na não localização pela autoridade lançadora de pagamentos efetuados e não localização de recolhimentos pelo sistema, por conta do código de receita e/ou CNPJ utilizados pelo impugnante; 3.4. que tendo verificado o erro cometido, apresentou Pedidos de Ajuste de Guia –GPS, para alterar o código de receita para 2305 e alterar o CNPJ para o estabelecimento filial (0003); 3.5. que requer seja julgado parcialmente improcedente o lançamento, conforme GPS anexas. A impugnação foi parcial, tendo a recorrente afirmado que efetuaria o recolhimento das diferenças reconhecidas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Todos os pagamentos acorreram em 2007, antes da ação fiscal. · A não localização dos recolhimentos deuse, muito provavelmente, por conta do código de receita e/ou CNPJ utilizado pela recorrente. · Apresentou pedido de ajuste de guias. · Discute pontualmente, por competência, alguns recolhimentos. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000408/201063 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.240 S2C4T3 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Analisando o processo, cheguei à conclusão que o cerne desta autuação está na apropriação parcial dos recolhimentos efetuados pela recorrente. A ação fiscal foi iniciada em 30/07/2008 e a notificação ocorreu em 27/12/2010 Em 30/06/2009, a recorrente apresentou “Pedido de Ajuste de Guia – GPS” para as competências 01, 02, 3, 10, 11, 12 e 13/2007. Entendo necessário esclarecer se os ajustes de guia solicitados pela recorrentes foram efetuados ou não. Se não, por que? Entendo também necessário motivar as não apropriações dos valores recolhidos. Caso entenda adequado, apresentar proposta de ajuste do lançamento. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para esclarecer as questões sobre os ajustes das guias e das apropriações. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.001313/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS FONTES PAGADORAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, é indispensável que o sujeito passivo demonstre não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção.
Numero da decisão: 1101-001.229
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS FONTES PAGADORAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, é indispensável que o sujeito passivo demonstre não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO ÀS FONTES PAGADORAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO. Para afastar a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, é indispensável que o sujeito passivo demonstre não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 13 /2 01 0- 07 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 763 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Os autos encerram Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES da ora Recorrente além de lançamentos de ofício que constituíram créditos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, SIMPLES e tributos reflexos, assim como de multa regulamentar, sendo que as exigências constantes das autuações em apreço são as seguintes: Tributo Código Principal Juros de Mora (*) Multa* Total AI fls. IRPJ 7104 67.579,59 28.894,97 100.449,30 196.923,86 540/549 PIS/PASEP 7200 49.389,18 21.117,42 73.411,40 143.918,00 550/559 CSLL 7307 68.720,07 29.468,56 102.136,69 200.325,32 560/571 COFINS 7403 202.138,01 86.716,05 300.434,36 589.288,42 572/583 INSS 7500 581.740,13 249.286,01 864.647,79 1.695.683,93 584/595 Multa regulamentar SIMPLES 13.770,76 596/599 TOTAL 969.566,98 415.493,01 1.441.079,54 2.839.910,29 (*) Juros de Mora calculados até 30.09.2010. * Multa de ofício de 75% incidente sobre insuficiência de recolhimento e multa agravada de 150% sobre a omissão de receita. Os seguintes trechos do referido Termo de Verificação Fiscal bem descrevem as infrações vislumbradas pela r. autoridade fiscal, verbis: “(...) 1.6 Foi então lavrado novo Termo de Constatação e Intimação Fiscal, recebido pela empresa F&C em 08/06/2010, solicitando que comprovasse com documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes citadas acima uma vez que a empresa apresentou apenas planilhas sem nenhuma documentação que comprovasse os lançamentos efetuados em suas contas. 1.7 No entanto, a F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA ME não apresentou nenhuma Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 764 3 documentação que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes de sua titularidade. (...) 2 DA CONSTATAÇÃO DOS FATOS 2.1 Como no decorrer dos trabalhos de fiscalização não houve apresentação da documentação solicitada e diante dos fatos acima mencionados ficou a conduta do contribuinte configurada como negativa de fornecimento de informações sobre movimentação financeira, nos termos definidos pelo artigo 33, I, da Lei 9.430 de 27/12/1996, in verbis: (...) 2.1.1. Demonstrouse, assim, a ocorrência fática de hipótese de indispensabilidade de acesso às informações bancárias do contribuinte, prevista no inciso VII e XI do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. 2.2 Foi solicitada a autorização para emissão da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo em vista a sua indispensabilidade para a continuidade da ação fiscal, que foi atendida através dos números 07.2.01.002009 001980 para o Banco HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO, 07.02.01.002009001964 para o Banco do Estado do Espírito Santo S/A e 07.2.01.002009001972 para o Banco Itaú S/A, 2.2.1. Em atendimento ao solicitado: 2.2.1.1. O Banco HSBC BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO remeteu ficha cadastral, extrato de movimentação financeira, cópia do cartão de assinaturas, extrato de fundos de investimento. 2.2.1.2. O Banco do Estado do Espírito Santo S/A remeteu cópia de cartão de assinaturas, ficha cadastral, detalhamento de cheques depositados, carta GEAFI n° 023/2009 e GEFIN/COCOF n° 069/2009 sobre aplicações financeiras, extrato de conta corrente. 2.2.1.3 O Banco Itaú S/A remeteu consulta a dados pessoais do titular da pessoa jurídica, consulta a dados de endereçamento, extrato de conta corrente, ficha de identificação de Representante Legal/Procurador Conta PJ, codificação adotada para especificar a natureza dos lançamentos, extrato da aplicação financeira. 2.3 Dando continuidade à Auditoria Fiscal, foram intimadas as instituições BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento (...) e Banco Pine S/A (...). 2.3.1. Em atendimento ao solicitado, a BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento encaminhou planilha eletrônica discriminando os pagamentos efetuados à F&C, Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 765 4 Cédula de Crédito Bancário, Contrato de Prestação de Serviços entre a BV e F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA. ME contendo a assinatura dos dois sócios da Fiscalizada, dois contratos de financiamento intermediados pela F&C. 2.3.1.1. O contrato de prestação de serviços citado acima tem por objeto ‘a prestação de serviços pela F&C para o desempenho das funções de correspondente na captação e encaminhamento de pedidos de empréstimos pessoais consignados em folha de pagamento, de pretendentes tomadores de crédito, de levantamento e cadastramento de dados relativos aos mesmos, pessoas físicas, dentre estas também os servidores civis, militares, federais, estaduais e municipais em todo o país, regendose o presente contrato pelas normas editadas pela Resolução BACEN n° 3.110, 31/07/2003 e pela Circular 2978, de 19.04.2000 e demais disposições legais aplicáveis.’ 2.3.1.2 Consta do contrato de prestação de serviços que a BV Financeira efetuaria os pagamentos através da conta corrente 20.574, agência 0426 do Banco HSB, devendo a F&C emitir nota fiscal até o último dia útil de cada mês. 2.3.2 Quanto ao Banco Pine remeteu Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente Bancário e aditivo, assinado pelos dois sócios da F&C Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda. ME. tendo como serviços objeto do contrato: ‘1 Promoção e intermediação de negócios no Município da sede da contratada que visem a concessão de empréstimos aos servidores do Setor Público, empregados do Setor Privado em geral, aposentados ou pensionistas, com a interveniência ou não de Associações ou Empregadores, visando sempre a consignação do valor das parcelas de amortização da dívida resultante do empréstimo concedido em Folha de Pagamento; 2... 3...’ 2.3.2.1. Enviou também planilha onde demonstra as transferências bancárias em favor da F&C, as Notas Fiscais de Serviço emitidas pela F&C Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda. ME referente a ‘prestação de serviços de comissão’ e ‘prestação de serviços conforme contrato’, os comprovantes de transferência do Banco Pine para a F&C e declarações da F&C atestando estar regularmente inscrita no SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte informando que: (...) 2.4. Da análise dos extratos bancários apresentados, conforme mencionado no item 2.2. e subitens, verificouse que a Empresa Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 766 5 manteve, no exercício de 2006, uma Movimentação Financeira muito superior aos valores da Receita Bruta declarada em sua Declaração Anual Simplificada. No quadro abaixo, demonstramos os valores dos Créditos Apurados pelos extratos bancários, já deduzidos os créditos relativos aos estornos de débitos, devolução de cheques, transferências de contas de mesma titularidade, bem como os valores creditados e posteriormente estornados. Competência Banco Itaú Banestes HSBC Total por competência VLR declaração anual simplificada Jan/06 128.194,77 0 5.128,72 133.323,49 21.632,00 Fev/06 394.503,11 0 172.778,77 567.281,88 12.927,06 Mar/06 444.750,02 0 1.664,72 446.414,74 17.854,09 Abr/06 494.680,57 50.212,76 2.371,43 547.264,76 14.561,75 Mai/06 787.558,04 14.258,80 801.816,84 40.442,00 Jun/06 472.902,63 600,00 473.502,63 15.213,78 Jul/06 974.247,20 37.451,45 1.011.698,65 10.606,10 Ago/06 643.746,59 127.488,84 771.235,43 47.324,80 Set/06 472.757,77 40.700,00 513.457,77 24.135,15 Out/06 524.032,03 104.800,00 628.832,03 49.132,65 Nov/06 516.946,74 144.754,00 661.700,74 34.515,30 Dez/06 604.164,62 306.600,40 910.765,02 23.481,00 Total 7.467.293,98 311.825,68 3 DAS IRREGULARIDADES 3.1. Conforme relatado acima, a empresa não se pronunciou para a apresentação da documentação da comprovação dos depósitos/créditos existentes em suas contas correntes, através de documentação hábil e idônea, no que ficou caracterizada a Omissão de Receita decorrente de depósitos bancários não comprovados. Tendo sido verificado por esta fiscalização que os valores declarados na Declaração Simplificada Pessoa Jurídica SIMPLES da empresa, do Ano Calendário 2006, foram muito inferiores à real movimentação financeira da empresa, procedeuse o levantamento de ofício da diferença encontrada. (...) 3.4. Compõem também o lançamento do presente Auto de Infração – SIMPLES, no período de jan a dez/06, as insuficiências de recolhimentos apuradas sobre a Receita Bruta constante na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes às faixas relativas ao correto enquadramento da empresa, em decorrência do total de sua Receita Bruta Acumulada, ora apurada através dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras aplicandoas sobre a Receita Declarada mensalmente e deduzindo deste resultado, os valores já recolhidos pela Empresa. 3.5 A pessoa jurídica fiscalizada deixou de efetuar a comunicação obrigatória de exclusão do SIMPLES, prevista no artigo 13, inciso II, alínea ‘a’, da Lei 9.317/96, tendo sido Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 767 6 excluída ‘de ofício’ do referido Sistema através do Ato Declaratório Executivo DRF/VIT n° 149/2010, sendo que os efeitos da exclusão retroagem a 01/01/2007, conforme relatado no item 6, abaixo. 3.5.1. Desta forma, foi aplicada a multa de 10% sobre o total de impostos e contribuições devidos no mês que antecedeu o início dos efeitos da exclusão, ou seja, dezembro/2006, conforme determina o artigo 21 da Lei 9.317/96, resultando no valor de R$13.770,76 (treze mil, setecentos e setenta reais e setenta e seis centavos) que também compõem o lançamento constante da presente autuação. ” (fls. 513/518) A multa de ofício foi qualificada com base na seguinte fundamentação: “4.4 Fato é que o contribuinte omitiu, livre e conscientemente, com intenção fraudulenta, as suas receitas na PJSI 2007 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES apresentada, obtendo, com isso, êxito no NÃO PAGAMENTO das contribuições e tributos devidos ao fisco. 4.5 Resta evidenciado que o sujeito passivo agiu de forma dolosa, omitindo fatos geradores de obrigações tributárias, ao apresentar PJSI 2007 ano calendário 2006, declarando uma receita bruta muito inferior à Receita efetivamente auferida, identificada por sua movimentação financeira apurada através de contas bancárias de sua titularidade. 4.6 A atitude dolosa ficou evidenciada, apesar de intimado, pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos, na tentativa de evitar que o fisco chegasse ao conhecimento das operações realizadas. ” É preciso salientar que, em decorrência da constatação da omissão delineada acima, a Delegacia da Receita Federal de origem (Vitória/ES) verificou que o sujeito passivo extrapolara o teto de receita bruta do SIMPLES, razão pela qual prolatou o Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 149/2010 (fl. 509), nos seguintes termos: “A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (...) DECLARA a pessoa jurídica F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA ME, CNPJ: 07.181.796/000175, EXCLUÍDA do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e empresas de pequeno porte (artigo 9°, incisos I e II da Lei 9.317/96, na redação da Lei 11.307/2006), e deixado de efetuar a comunicação obrigatória de exclusão do SIMPLES (artigo 13, inciso II, “a” da Lei 9.317/96), conforme demonstrado no processo administrativo n° 15586.001313/201007. Os efeitos da exclusão retroagem a 01/01/2007 obedecendo ao disposto no inciso IV do art. 15 da Lei 9.317/96. ” Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 768 7 Salientese que o sujeito passivo foi intimado tanto das exigências de crédito tributário quanto do Ato Declaratório que determinou a sua exclusão do SIMPLES no mesmo dia, qual seja, 20/10/2010. Tempestivamente, a empresa apresentou impugnação (fls. 607/625) em 19/11/2004, na qual afirmou, em breve síntese, litteris: (i) “A atividade da empresa defendente constitui efetivamente em intermediação de empréstimos consignados, para o que faz captação de clientes que desejam empréstimos, que pela prestação dos serviços pela autuada junto a instituições financeiras in casu, BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento e do Banco Pine S/A, contratos já apresentados; (...) e, como resultante do valor deste empréstimo, a empresa autuada recebe um percentual variável sobre o serviço prestado (comissão), que é a sua efetiva remuneração, havendo de se destacar ainda, que por vezes a captação do cliente não seja feita diretamente pela autuada, mas por corretores autônomos, que são remunerados em percentuais variáveis incidentes sobre a remuneração que a empresa percebe do agente financeiro” (fl. 611); (ii) Existe, no entanto, outra modalidade dessa prestação de serviço, “e esta se consubstancia da seguinte forma, a saber: a empresa autuada ou o seu corretor autônomo capta o cliente, pessoa física, já tomador e portanto devedor de um outro empréstimo junto a terceiros (outras instituições financeiras), que pretenda renegociar a dívida (...) / Daí, a empresa autuada (...) o indica ao agente financeiro a que representa in casu, BV e PINE, para que, querendo, compre a dívida do cliente pretendente (...) / Para a efetivação desse desiderato em particular, o agente financeiro representado pela empresa autuada deposita o valor do empréstimo com os acréscimos da comissão na conta da autuada, para que esta repasse o valor ao cliente captador dos recursos sob a égide do empréstimo” (fl. 612); (iii) Por assim ser, defende que “a alta movimentação de valores em suas contas correntes jamais caracterizou receita sua, mas sim mera movimentação do banco concedente para o cliente tomador do empréstimo refinanciado e intermediado pela empresa defendente” (fl. 612), de modo que teria se precipitado a I. Auditora Fiscal ao presumir “os depósitos oriundos de intermediação de compras de dívidas como receita omitida quando, a bem da verdade, tais depósitos não são e nunca foram documentos suficientes a comprovar ou fundamentar omissão de receita”(fl. 614); (iv) Ademais, afirma que “usar da presunção como técnica para a comprovação indireta da ocorrência do fato jurídico tributário afeta frontalmente o princípio da capacidade contributiva, demonstrada no fato não provado, devido a circunstâncias especiais, e que fora previsto na regramatriz de incidência do tributo” (fl. 616); (v) Entende ser imprescindível a realização de prova pericial “para que se possa indicar a origem e o destino dos depósitos realizados pelas instituições financeiras nas contas correntes da autuada, inclusive a fim de comparar os montantes depositados com os montantes dos empréstimos intermediados pela autuada, como também as respectivas notas fiscais emitidas aos bancos, que comprovam os demais depósitos realizados e constituem efetivamente a renda sobre a qual deve incidir a tributação perquirida pelo FISCO” (fl. 619). Em sessão de julgamento realizada em 30/03/2011, a 7ª Turma da DRJ/RJ1 julgou ser improcedente a impugnação apresentada, conforme acórdão n. 1236.372 (fls. 647/663) assim ementado: Fl. 768DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 769 8 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A Lei 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS E INSS. Aplica se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA MULTA QUALIFICADA, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, MULTA REGULAMENTAR SIMPLES, ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/VIT/149/2010. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, consolidandose administrativamente os respectivos créditos tributários na esfera administrativa. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação requer a comprovação de uma das condições previstas no artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, o que não ocorreu nos autos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. ” (fls. 647/648) Cientificada do r. decisum em 01°/07/2011, sextafeira (fl. 678), a contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário em 02/08/2011 (fls. 679/704), no qual apresenta argumentos similares àqueles ventilados na impugnação, no sentido de que “não pode prosperar a conclusão do órgão julgador de primeira instância, a uma porque a documentação apresentada pela ora recorrente sequer foi considerada pelo FISCO, sob alegação de que não se reveste de idoneidade; a duas, porque a perícia contábil revelase, in casu, absolutamente necessária para o deslinde da controvérsia, já que, como comprovado, a recorrente não possui em seu poder diversos documentos bancários capazes de provar a Fl. 769DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 770 9 origem e o destino dos depósitos bancários que o FISCO presumiu indevidamente como receita omitida” (fl. 681). Em 07 de agosto de 2012, este Relator trouxe para julgamento desta Col. Turma o presente processo, ocasião em que acordaram os membros, “1) em preliminar: 1.1) por maioria de votos, afastar a hipótese de sobrestamento com base no art. 62A do Anexo II do RICARF, divergindo as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Nara Cristina Takeda Taga; 1.2) por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; e 2) na apreciação do mérito, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa” (fl. 721/739). Na ocasião, concluí que a questão deveria ser solucionada conforme o seguinte dispositivo, litteris: “Isto posto, preliminarmente, declaro a NULIDADE dos lançamentos, em virtude da violação fazendária ao sigilo de dados do contribuinte, operada mediante emissão de RMF’s a instituições financeiras, para fins de solicitação dos extratos bancários que informaram todo o labor fiscal. Acaso vencido, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: i) minorar as multas de ofício cominadas, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento) dos principais lançados; e ii) expurgar dos lançamentos os montantes de depósitos bancários arrolados, pelo Banco Pine S.A e pela BV Financeira, como remunerações ou comissões por sérvios prestados pela autuada, constantes das planilhas apresentadas por estas instituições, dada a descaracterização da presunção omissiva do artigo 42 da Lei n° 9.430/96.” (fls. 736) No entanto, coube à I. Conselheira Edeli Pereira Bessa a redação de voto vencedor no sentido de (i) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento (por conta de obtenção de dados bancários do contribuinte por meio de RMFs) e (ii) converter o julgamento em diligência, por entender que, “no que tange às informações prestadas pela BV Financeira, os elementos presentes nos autos não permitem uma conclusão segura” (fl. 739). Em relação à conversão do julgamento em diligência, afirmou a I. Conselheira que, “para decidir acerca da legitimidade da presunção construída pela Fiscalização, é imperioso saber quais elementos estavam à sua disposição, em razão das informações prestadas, sob intimação, pela BV Financeira” (fl. 739). Intimada em 01°/10/2009 (fls. 743/744 e 748), a BV Financeira S.A. Crédito informou que “não mais dispõe do relatório de pagamentos realizados no ano de 2006, devido ao período ser superior a 5 anos. Para sanar acerca dos valores pagos, no entanto, a BV Financeira encaminha cópia da segunda via do informe de rendimento da empresa F&C COMÉRCIO DE APARELHOS TELEFÔNICOS LTDA ME, inscrita no CNPJ sob o n° 07.181.796/000175” (fls. 749/753). Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 771 10 Diante dessas informações, o contribuinte foi intimado a se manifestar (fls. 755/759) primeiro por meio de carta com AR e, restando tal tentativa frustrada, a intimação foi feita por meio de edital , mas se manteve silente. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Conforme se depreende do relatório, o processo teve seu julgamento iniciado em 07/08/2012 e, na oportunidade, esta d. Turma Julgadora (i) superou a preliminar de sobrestamento dos autos e (ii) superou a preliminar de nulidade do lançamento por estar ele embasado em dados obtidos por meio de RMF. No mérito, (iii) entendeuse, por maioria, ser o caso de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor da Cons. Edeli Pereira Bessa. Por entender que não é possível cingir o julgamento em duas partes, entendo que devo, uma vez mais, externar meu posicionamento de maneira integral acerca do caso, conforme passo a expor. Relembro que o recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento, razão por que dele conheço. Nada obstante, é preciso proceder à escorreita delimitação do litígio, sendo certo que a r. instância a qua expressamente asseverou que certos temas não foram objeto da Impugnação do sujeito passivo, do que decorreria – em sendo acertada a assertiva de que se cuida – a conclusão da definitividade dos lançamentos nesses pontos. Realmente, o exame da Impugnação apresentada pelo sujeito passivo revela que não há uma linha sequer a combater (i) seja a multa qualificada, (ii) seja a multa regulamentar aplicada, de modo que efetivamente se cuida de questões preclusas, não submetidas ao crivo deste Colegiado. Contudo, o mesmo não pode ser dito em relação às questões atinentes à Exclusão do SIMPLES e à insuficiência de recolhimentos. Com efeito, a leitura do Ato Declaratório em destaque revela que a única razão pela qual a exclusão do sujeito passivo foi determinada reside na extrapolação do teto de Receita Bruta do regime simplificado. Nesse quadro, por mais que o sujeito passivo não tenha trazido quaisquer elementos com vistas a impugnar especificamente o seu afastamento desse regime, percebese que a Exclusão não poderia ser mantida na hipótese de serem acatados os argumentos tecidos pelo contribuinte com vistas a ilidir a omissão de receitas – do que resultaria a correição da apuração que levara a efeito. Tratase, pois, de questões imbricadas, visceralmente ligadas, uma vez que o ADE em análise não teria sido proferido se não fosse a prévia constatação de omissão de receitas por parte da autoridade fiscal. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 772 11 Igual sorte deve ser atribuída à questão da insuficiência de recolhimentos. Realmente, a r. autoridade fiscal apenas vislumbrou a insuficiência aqui controvertida pelo fato de que, em função das omissões verificadas, a alíquota aplicável sobre a integralidade da receita bruta – leiase, tanto sobre a receita omitida quanto sobre a receita declarada – é maior do que aquela que seria de rigor levandose em conta apenas os valores informados na Declaração Simplificada. Ou seja, a majoração da alíquota aplicável – a partir do que se vislumbrou a insuficiência – também é intimamente ligada à constatação da omissão de receitas, sendo que esse tema foi impugnado nas postulações do contribuinte. Destarte, como essas duas questões consubstanciam meros corolários da omissão de receitas verificadas, temse que não há que se falar que se trata se matérias não impugnadas, inexistindo, pois, definitividade das autuações quanto aos temas. Passase, assim, ao exame da irresignação submetida ao crivo deste Conselho. Da impossibilidade de manutenção de lançamentos escorados em dados de movimentação bancária obtidos por meio de emissão de RMFs Como visto, os lançamentos feitos pelo Fisco escoramse em extratos bancários obtidos mediante emissão de RMFs e a partir da verificação de valores de depósitos/créditos bancários injustificados e não embasados documentalmente (nem declarados) pelo contribuinte, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, in verbis: “2.1.1. Demonstrouse, assim, a ocorrência fática de hipótese de indispensabilidade de acesso às informações bancárias do contribuinte, prevista no inciso VII e XI do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. 2.2. Foi solicitada a autorização para emissão da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo em vista a sua indispensabilidade para a continuidade da ação fiscal, que foi atendida através dos números 07.2.01.002009 001980 para o Banco HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO, 07.2.01.002009001964 para o Banco do Estado do Espírito Santo S/A e 07.2.01.002009001972 para o Banco Itaú S/A” (fl. 514) Assim, é absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve – dentre outros temas – lançamentos de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários (art. 42 da Lei n. 9.430/96), tendo esses dados sido obtidos pelo Fisco sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Acontece que – nos termos de meu posicionamento já externado noutras ocasiões neste colegiado –, entendo que, para obter dados por meio de RMFs, deve o Fisco ter fundamento em ordem judicial, sob pena de quebra de sigilo bancário, conforme preconiza o art. 1º, caput e §1º, da LC n. 105/2001. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 773 12 Esse entendimento, a propósito, já foi externado pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, em acórdão assim ementado: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) A par disso, penso ser o caso de afastar a aplicação da sistemática estruturada pela conjugação da LC n. 105/2001, da Lei n. 10.174/2001 e pelo Decreto n. 3.724/2001 com base no art. 26A, § 6º, inc. I, do Decreto nº 70.235/72 e art. 62A, par. único, inc. I, do RICARF, os quais preveem, respectivamente, o seguinte, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)” “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;” Pelo exposto, encaminho (uma vez mais) meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar a nulidade dos Autos de Infração fundados em RMFs expedidos sem amparo em qualquer decisão judicial, em conformidade com julgamento definitivo promovido no seio do plenário do Eg. STF. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 774 13 Contudo, caso meu posicionamento seja vencido nesta Col. 1ª Turma, passo a análise dos demais fundamentos a partir da premissa de validade dos RMFs. Da possibilidade de lançamentos amparados em constatação de depósitos bancários não escriturados e injustificados: presunção de omissão inserta no artigo 42 da Lei n. 9.430/96 Na hipótese de ser considerado legal o procedimento de obtenção de dados de movimentação bancária por meio de emissão de RMFs sem amparo em decisão judicial, entendo que o Recurso da contribuinte deve ser provido para cancelar integralmente o auto de infração. Explicome: Conforme se descreveu anteriormente, os lançamentos em debate foram formalizados a partir da apuração de depósitos bancários não escriturados em montantes muito superiores à receita bruta declarada para o período. O sujeito passivo defende a suposta impossibilidade de o Fisco arrimar exigência de ofício em averiguações desta espécie, sem prévia segregação daquilo que representa, efetivamente, acréscimo patrimonial da Autuada. Pois bem. A partir da leitura do Termo de Verificação Fiscal SIMPLES, notase que a análise da movimentação bancária do sujeito passivo feita a partir dos extratos bancários fornecidos pelas correlatas instituições financeiras conduziu à apuração, no anocalendário de 2006, de creditamentos equivalentes a R$7.467.293,98 (sete milhões, quatrocentos e sessenta e sete mil, duzentos e noventa e três reais e noventa e oito centavos), dos quais se expurgou o quantum declarado, correspondente a R$311.825,68 (trezentos e onze mil, oitocentos e vinte e cinco reais e sessenta e oito centavos). Intimada a comprovar a origem dos ativos não declarados, a ora Recorrente quedouse inerte, de modo que se aperfeiçoou, assim, a hipótese de aplicação da presunção de omissão de receita insculpida no art. 42, caput, da Lei n. 9.430/96, litteris: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ” O comando normativo em referência é claro: a constatação de creditamentos em contas bancárias do contribuinte, mormente quando não escriturados, denota omissão de receitas caso o sujeito passivo, devidamente intimado, não logre demonstrar a origem dos valores com documentação hábil e idônea. Cuidase, pois, de presunção iuris tantum, que somente pode ser ilidida na hipótese de o contribuinte elucidar as origens dos recursos. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 775 14 O mecanismo previsto no citado permissivo opera, em favor do Fisco, a possibilidade de inversão do ônus da prova da sonegação. É dizer, para que a omissão se verifique, incumbe à Fazenda tão somente demonstrar terem ocorrido recebimentos de valores de origem documentalmente não comprovada, ficando a cargo do contribuinte o ônus de provar que os ingressos em questão não consubstanciam rendimentos tributáveis. In casu, a Autoridade Fiscal conseguiu indicar, com precisão, a omissão de rendimentos, de modo que caberia à Recorrente impugnar a tributação dos importes bancários constatados. À míngua de cabal demonstração, por meio de documentos, das origens desses valores, deverão eles serem lidos como receitas, cuja presunção de existência é respaldada legalmente. Desse modo, os valores depositados (e não declarados) teriam sido corretamente reputados como sonegados acaso a fiscalização tivesse terminado nesse ponto, eis que o sujeito passivo fora incapaz de comprovar o contrário. Isso porque, após o recebimento das informações bancários por meio de RMFs, a Autoridade Autuante exarou ofícios à BV Financeira S.A. e ao Banco Pine S.A., os quais responderam com dados suficientes para que a fiscalização tivesse notícia da origem dos valores até então tidos por omitidos por meio da presunção existente no art. 42 da Lei n. 9.430/96. Essa, a propósito, é a questão nodal para a correta solução do presente caso, que determina, inclusive, meu entendimento no sentido de que deve o auto de infração ser cancelado integralmente por sua iliquidez e incerteza. Notese que, conforme se lê dos autos, na primeira assentada, externei entendimento no sentido da improcedência dos lançamentos apenas quanto aos depósitos que inquestionavelmente foram levados a efeito pela BV Financeira S.A. e pelo Banco Pine S.A., que apresentaram à autoridade fiscal planilhas e outros documentos que hialinamente demonstraram a origem de parte dos valores depositados. Contudo, após reanalisar o caso em seu retorno de diligência, evoluí meu pensamento no sentido de verificar que os equívocos cometidos pela fiscalização determinam a nulidade do lançamento de forma integral. Por uma questão organizacional do voto, explico detidamente as questões fáticas deixando evidente a impossibilidade de manutenção da presunção omissiva em relação aos valores confirmados pelas instituições financeiras mencionadas acima para, em seguida, externar os motivos pelos quais entendo que o lançamento deva ser cancelado. Da impossibilidade de manutenção da presunção omissiva em relação aos valores confirmados pelas instituições financeiras creditantes: BV Financeira S.A e Banco Pine S.A Conforme se lê do Termo de Verificação Fiscal SIMPLES, a BV Financeira S.A., regularmente intimada, encaminhou ao Fisco planilha eletrônica discriminativa dos pagamentos efetuados à Recorrente (creditados na conta mantida junto ao HSBC Bank), bem como Cédulas de Crédito Bancário, Contrato de Prestação de Serviços de intermediação financeira celebrado entre ambas e cópias de dois contratos de financiamento intermediados pela interessada. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 776 15 O Banco Pine S.A., por sua vez, em condições similares, remeteu cópia do Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente bancário firmado com a Autuada e planilha indicativa das transferências bancárias feitas em favor desta, a título de pagamento de comissões, juntamente com os respectivos comprovantes e as notas fiscais de prestação de serviços correlatas. A despeito disso, o trabalho fiscal entendeu que os recursos em questão, recebidos pela autuada junto a essas duas instituições financeiras, remanesceram sem origem justificada. Dessa forma, não foram tais cifras expurgadas do total de creditamentos reputados como injustificados, presumidos como omitidos. No julgamento promovido pela instância a qua, o lançamento foi mantido integralmente no ponto, com base na seguinte fundamentação, litteris: “25. No procedimento de Auditoria, além de intimar a Impugnante, nos moldes exigidos pelo §3° do artigo 42 da Lei 9430/96, a Auditora também intimou as instituições financeiras com as quais a Impugnante opera; sendo que apenas o Banco Pine S/A apresentou cópia dos documentos que comprovam as operações efetuadas, ou seja, cópias das notas fiscais de prestação de serviços e cópia dos documentos de transferência de recursos para a Impugnante, conforme documentos de fls. 323/377. Importante destacar que tais documentos não comprovam a totalidade dos créditos constantes da conta corrente como sendo créditos realizados pelo Banco Pine. 25.1. Estes documentos que demonstram a operação não podem ser incluídos como presunção de omissão de receita, mas sim, como omissão direta. Apesar de tais valores constarem da lista dos valores que deram origem ao lançamento, os mesmos foram excluídos do mesmo, haja vista que são inferiores a receita declarada pela Impugnante, conforme se constata da tabela de fls. 333 apresentada pelo Banco Pine S/A, receita esta que foi abatida do lançamento, conforme se verifica no demonstrativo elaborado pela Auditora e que consta do Termo de Verificação Fiscal, fls 497. 26. A empresa BV Financeira S/A crédito Financ e Investimento, além de alguns contratos de financiamento escolhidos aleatoriamente, apresenta contrato de prestação de serviço firmado entre a BV e a F&C e planilha, conforme declarado nos documentos de fls. 384 e 406 e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 490 e 491. No entanto, não apresentou cópias dos documentos que comprovam as operações realizadas entre as empresas para efetivamente demonstrar as origens dos recursos que deram origem ao lançamento. 27. Deste modo, não foram apresentados à Auditora ‘outros elementos probantes capazes de elidir a pretensão do Fiscal, sobre as quais, inclusive, a Fiscal não se pronunciou, embora tenha citado que os tivesse requisitado, a exemplo das notas fiscais e comprovantes de depósitos em poder da BV e Banco Pine’, visto que os documentos apresentados por estas instituições não foram suficientes para comprovar que o total de Fl. 776DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 777 16 valores que deram base ao lançamento não se tratam de omissão de receita. ” (fls. 659/660) A meu ver, esta interpretação dá ao artigo 42 da Lei n. 9.430/96 alcance maior do que o devido, na medida em que opõe obstáculos ilegítimos à desconstituição da presunção omissiva ali prescrita. Ressaltese que a presunção de omissão de receitas bancárias tem natureza iuris tantum, que significa que a vigência deste mecanismo só se perfaz enquanto o contribuinte detentor do ônus da prova não apresentar, nos autos, elementos comprovatórios capazes de defenestrar a conclusão presumida. Especificamente em relação à sistemática de presunção de omissão de receita ora em análise, certo é que ela só perdurará se o contribuinte não comprovar, “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Noutros termos, a preservação de lançamentos calcados no art. 42 da Lei n. 9.430/96 não pode ter lugar se o sujeito passivo, por meio de elementos documentais suficientes, demonstrar a genealogia dos valores creditados. Notese que a evidenciação da origem dos recursos depositados não pressupõe, por exemplo, a explanação da causa econômica das operações atreladas ao recebimento dessas importâncias. Para fins de afastamento da presunção omissiva, basta que o contribuinte mostre a fonte dos creditamentos, explanando, superficialmente, o liame existente entre o creditante e o creditado. Acaso o Fisco entenda pela existência de infrações tributárias outras, o ônus da prova novamente se inverterá, retornando para a autoridade lançadora. Ou seja: evidenciada a origem dos recursos, não há se falar mais em presunção, na medida em que o amparo das exigências deverá, então, ser direto e robusto; inexistente esta instrução, nulo é o auto de infração no ponto. Exatamente nesse sentido, há precedentes deste Col. CARF, v.g.: “(...) COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO A PARTUR DO ELENCO DO ROL DEOS DEPOSITANTES. DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS QUE DENUNCIA O DESEMPENHO DE ATIVIDADE ECONÔMICA DO FISCALIZADO EM PROL DOS DEPOSITANTES. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. Comprovada a origem dos depósitos bancários, a partir da indicação dos depositantes e de documentação que vincula o fiscalizado aos primeiros, caberá à fiscalização aprofundar a investigação da causa dos rendimentos, para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos os recebidos, na forma do art. 42, §2°, da Lei n° 9.430/96. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96. ” (Processo n. 10283.005822/200443 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 778 17 Acórdão 210201.135 Cons. Relator Giovanni Christian Nunes Campos Sessão da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF de 12/09/2013) Acórdão posteriormente confirmado pela Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais, litteris: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1998, 1999 IRPF. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO OU INVESTIMENTO. PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso, o sujeito passivo indicou quem realizou os depósitos em sua conta bancária, cabendo ao Fisco, para uso da presunção, ampliar a investigação sobre as informações prestadas. No presente lançamento, o próprio Fisco atesta a plausibilidade das informações prestadas pelo contribuinte. ” (Processo n. 10283.005822/200443 Acórdão 9202002.896 Cons. Relator Marcelo Oliveira Sessão da CSRF de 12/09/2013) Diante disso, pareceme que as planilhas e os contratos apresentados pela BV Financeira e pelo Banco Pine S.A. são suficientes para elucidar a origem (procedência) dos creditamentos ali tratados ainda que não sejam bastantes para explicar o tratamento fiscal atribuído a esses rendimentos ou a natureza efetiva da relação comercial existente. Isso, contudo, já é suficientes para impedir que o lançamento seja feito com esteio no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Em tempo, manifesto meu posicionamento contrário àquele externado pela Nobre Cons. Edeli Pereira Bessa às fls. 738/739 ao presumir que os valores recebidos pelo ora Recorrente do Banco Pine S/A estariam “dentro” daqueles informados pela DIPJ. A meu sentir, a despeito de, no mês de julho/2006, a DIPJ apontar como receita o valor de R$10.606,10 e o Banco Pine S/A ter informado que pagou o montante de R$10.606,03 no mesmo mês, não me parece adequado inferir (nas palavras da I. Conselheira) que todos os valores recebidos do referido banco estariam na DIPJ. Percebase, no ponto, que o único mês em que existe similitude entre os valores recebidos do Pine S/A e aquele informado na DIPJ é exatamente o do citado mês de Julho/2006, sendo certo que nos demais os valores não são em nada semelhantes (e.g.: Agosto/2006 DIPJ = R$47.324,80 Banco Pine S/A = R$11.215,36; Setembro/2006 DIPJ = R$24.135,15 Banco Pine S/A = R$14.582,62). Outrossim, a partir dos dados obtidos com a diligência na qual apenas se consolidou e se demonstrou, de forma mais clara, aquelas informações já noticiadas ao longo da fiscalização pela BV Financeira , verificase a completa impossibilidade de afirmar que o Fl. 778DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 779 18 quanto recebido dessa fonte pagadora estaria inserto dentre aqueles valores declarados em DIPJ, na medida em que são montantes muitíssimos superiores. Desse modo, ainda que se afastasse, pelo argumento acima mencionado, os valores recebidos pela ora Recorrente do Banco Pine S/A, o mesmo argumento não se prestaria a fazêlo em relação à BV Financeira S/A crédito Financ e Investimento. Por assim ser, como já externado linhas acima, pareceme inquestionável que deveriam ser expurgados dos lançamentos os montantes de depósitos bancários arrolados pelo Banco Pine S.A. e pela BV Financeira S/A crédito Financ e Investimento como remunerações ou comissões por serviços prestados pela autuada. O Fisco, para cogitar de qualquer infração fiscal, deveria ter se aprofundado no trabalho instrutório, dado o afastamento do mecanismo de presunção, em virtude da elucidação liminar e (minimamente) satisfatória das fontes de procedência das cifras creditadas. No entanto, a meu sentir, essa insatisfatória atuação fiscal deve conduzir, no presente caso, ao cancelamento integral do auto de infração ora analisado, senão vejamos. Do cancelamento integral do auto de infração em exame Conforme exposto acima, há uma inegável falha na autuação fiscal decorrente de lançamento com base em presunção omissão de receita (art. 42 da Lei n. 9.430/96) em face de depósitos bancários cuja origem a autoridade fiscalizadora teve pleno conhecimento. Lembrese, no ponto, de que cabe à autoridade administrativa, caso verifique irregularidades, constituir crédito tributário por meio de lançamento, devendo, na ocasião determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, tudo nos termos do art. 142, litteris: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ou seja, a atividade do lançamento tem uma finalidade: apurar o an e o quantum debeatur (se é devido e quanto é devido). Nesse sentido, o lançamento deve declarar/constituir, na conformidade da lei material e preexistente, se há um débito tributário, qual o montante devido e quem é o devedor, devendo operar, assim, a liquidação do débito ao remover os obstáculos da incerteza e iliquidez, sem o que a Fazenda Pública não poderia exigir administrativamente seu eventual direito creditório. A partir do cenário fático anteriormente narrado e tendo em vista os dispositivos normativos que regem o lançamento tributário (notadamente o supratranscrito art. 142 do CTN), entendo que, in casu, a fiscalização deixou de promover todas as atitudes que Fl. 779DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 780 19 poderia para promover um lançamento hígido, líquido e certo, o que deve conduzir ao cancelamento integral da autuação. Ou seja, após receber diversas informações de instituições financeiras acerca do sujeito passivo, a Autoridade Autuante, de forma desautorizada, deixou de proceder a regular investigação que deveria conduzir. Veja que, na assentada de 07/08/2012, a Cons. Edeli Pereira Bessa, ao se deparar com as questões atinentes aos depósitos que tem por origem o Banco Pine S.A., se viu obrigada a externar seu posicionamento com base em inferências, na medida em que, mesmo diante das informações presentes nos autos, não é possível averiguar se os valores mencionados nas notas fiscais estão (ou não) dentre aqueles apontados em DIPJ pelo contribuinte. A confusão das informações existentes em relação aos valores oriundos da BV Financeira é ainda maior, o que culminou com a necessidade de uma diligência que, alegadamente, deveria sanear as dúvidas que remanesceram por conta de um trabalho fiscal frágil, que não foi conduzido de modo a analisar questões absolutamente relevantes para que se pudesse promover a lavratura de um auto de infração que trouxesse inarredável certeza e liquidez aos valores que poderiam compor eventual crédito tributário. É exatamente por não ter a fiscalização se desincumbido de seu dever de remover os obstáculos da incerteza e iliquidez por ocasião da liquidação do débito que, a meu sentir, deve ser cancelado integralmente o auto de infração ora analisado. Conclusão Tendo em vista que não foram devolvidas a esse Colegiado a questão das multas, acaso vencido na preliminar de nulidade dos lançamentos em virtude da ilegitimidade do emprego de RMFs, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento efetuado em razão de sua iliquidez. Caso esse entendimento não seja acolhido por esta Eg. Turma Julgadora, entendo que, ao menos, deverá ser DADO PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para expurgar dos lançamentos os montantes de depósitos bancários arrolados pelo Banco Pine S.A e pela BV Financeira, nos termos das razões acima declinadas. Nesse último caso, uma vez que se terá afastado parte das omissões de receita verificadas pela r. autoridade fiscal, deverá a alíquota aplicável à receita bruta ser mensurada nos termos da Lei – tanto sobre a receita cuja omissão foi verificada pela autoridade fiscal e aqui mantida quanto sobre a receita bruta que o sujeito passivo declarara em sua Declaração simplificada –, restando mantida a exclusão do SIMPLES, tendo em vista que a omissão de receitas ainda fará com que o sujeito passivo tenha extrapolado o teto do regime simplificado. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 780DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 781 20 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Na sessão de 07 de agosto de 2012, o julgamento deste recurso voluntário foi convertido em diligência nos termos do voto vencedor de minha lavra, integrado à Resolução nº 1101000.055: E, no que tange ao mérito, discordo de algumas premissas adotadas pelo I. Relator para concluir pela impossibilidade de manutenção da presunção omissiva, em referência aos importes confirmados pelas instituições financeiras creditantes. Entendo que para afastar a presunção iuris tantum de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, não basta que o contribuinte comprove “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Se, regularmente intimado durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo deixa de fornecer ao Fisco as informações de que dispõe acerca da natureza das operações por ele realizadas, e somente as revela no curso do procedimento fiscal, o cancelamento da exigência tributária correspondente só é possível se o sujeito passivo demonstrar não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção. Exemplificando: se o sujeito passivo demonstra, no curso do contencioso fiscal, que o depósito bancário que se prestou como base à presunção de omissão de receitas, correspondente ao creditamento de um empréstimo contratado junto a uma instituição financeira, ou um outro particular, evidencia que aquele valor não pode ser caracterizado como receita e tributado, devendo ser a exigência exonerada. Já se o sujeito passivo demonstra que o crédito corresponde ao recebimento de uma venda com emissão de nota fiscal, que deixou de ser apresentada à Fiscalização, é necessário que também evidencie o seu oferecimento à tributação como faturamento e lucro, ou a submissão daquela receita a uma norma isentiva, sob pena de o contencioso administrativo se converter em uma ferramenta protelatória, para revelação da verdade apenas após o transcurso do prazo decadencial para o Fisco exigir os tributos incidentes sobre aqueles valores sob outro enquadramento legal. No presente caso, observo que o Banco Pine S/A, em atendimento a intimação fiscal, apresentou demonstrativo correlacionando os créditos bancários efetuados em favor da autuada com as notas fiscais por ela emitidas, bem como remeteu à autoridade lançadora as correspondentes notas fiscais (fls. 333/377). Em tais condições, a Fiscalização disporia de elementos suficientes para formalizar a exigência com Fl. 781DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 782 21 fundamento em omissão de receita demonstrada por prova direta, caso estes valores não tivessem sido oferecidos espontaneamente à tributação pela contribuinte. Contudo, ao determinar a receita tributável, a autoridade lançadora excluiu, dos depósitos bancários de origem não comprovada pela contribuinte, as receitas informadas em DIPJ, as quais equivaliam ou superavam as receitas informadas pelo Banco Pine S/A, conforme abaixo demonstrado: Deste modo, é possível inferir que estes valores não integram a base tributável do presente lançamento, motivo pelo qual discordo da conclusão do I. Relator quanto à necessidade de sua exclusão. Já no que tange às informações prestadas pela BV Financeira, os elementos presentes nos autos não permitem uma conclusão segura. Em atendimento às intimações de fls. 378/382, a referida empresa teriam apresentado planilha (em mídia eletrônica – doc 03), discriminando os pagamentos efetuados à fiscalizada em 2006 a título de omissão pela intermediação de financiamentos de bens formalizados por essa instituição, mas tal planilha não foi impressa e juntada aos autos. Às fls. 406/427 constam documentos apresentados em resposta complementar, consistentes em Contrato de Prestação de Serviço firmado entre a BV Financeira e a autuada (doc. 02) e, também, dois contratos de financiamento escolhidos aleatoriamente (julho e dez/2006), intermediados pela autuada. De outro lado, a fiscalizada pretendeu vincular a operações com a BV Financeira, e com o Banco Votorantim, vários créditos apontados nas planilhas de fls. 430/465 apresentadas à Fiscalização, informando que eles decorreriam não só de Notas Fiscais DIPJ Nº Data Valor Total Mês Mês Receita 19 05/07/2006 5.549,88 21 25/07/2006 5.056,15 10.606,03 07/2006 10.606,10 22 02/08/2006 4.502,72 24 09/08/2006 5.535,62 25 15/08/2006 1.177,02 11.215,36 08/2006 47.324,80 28 01/09/2006 4.280,18 29 12/09/2006 2.365,30 31 19/09/2006 5.778,14 32 26/09/2006 2.159,00 14.582,62 09/2006 24.135,15 34 02/10/2006 1.823,71 35 19/10/2006 8.973,18 36 30/10/2006 9.383,45 20.180,34 10/2006 49.132,65 38 13/11/2006 2.426,00 2.426,00 11/2006 34.515,30 40 11/12/2006 6.071,17 43 11/12/2006 7.137,44 13.208,61 12/2006 23.481,00 Total 72.218,96 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 783 22 prestação de serviços de intermediação bancária, como também de compra de dívida de diversas pessoas físicas, embora não tenha juntado qualquer documentação de suporte a estas alegações, consoante observa a autoridade lançadora. Assim, para decidir acerca da legitimidade da presunção construída pela Fiscalização, é imperioso saber quais elementos estavam à sua disposição, em razão das informações prestadas, sob intimação, pela BV Financeira. Por tais razões, também discordo do I. Relator neste ponto, e entendo não ser possível afastar a exigência sobre os valores creditados pela BV Financeira. Este também o entendimento majoritário da Turma, que concluiu pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade lançadora junte aos autos os elementos fornecidos por aquela instituição, disto cientificando a interessada para complementação de suas razões de defesa, em 30 (trinta) dias, com posterior devolução dos autos a este Conselho. Todavia, os elementos fornecidos por BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento não foram localizados na unidade de origem, retornando os autos com a informação de que a autoridade lançadora encontrase aposentada. A fonte pagadora BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento foi intimada a fornecer os relatórios em referência, contudo informou que não mais dispunha dos documentos, porque já transcorridos mais de 5 (cinco) anos desde as ocorrências de 2006. Encaminhou apenas segunda via do informe de rendimentos pagos à empresa autuada. Em análise mais aprofundada do procedimento fiscal, observo que a contribuinte, intimada, forneceu extratos bancários juntados às fls. 10/102, mas precisou ser reintimada para apresentar à Fiscalização seus livros contábeis e fiscais, bem como as notas fiscais de venda de mercadorias do anocalendário 2006. Posteriormente, a autoridade fiscal consignou que os extratos corresponderiam apenas à movimentação financeira junto ao Banco Itaú S/A, e ainda assim estariam incompletos. Observando que a contribuinte também mantivera contas bancárias junto ao HSBC Bank Brasil S/A e ao Banco do Estado do Espírito Santo S/A, firmouse a hipótese do art. 33, I da Lei nº 9.430/96, requerendose diretamente às instituições financeiras as informações bancárias da contribuinte. A partir destes elementos, a autoridade fiscal elaborou as planilhas de fls. 126/155, indicando os créditos bancários cujas origens deveriam ser comprovadas. A contribuinte requereu prorrogação de prazo para atendimento a esta exigência, bem como solicitou cópia de extratos bancários dos quais não dispunha. Às fls. 428/465 consta planilha elaborada pela fiscalizada, correlacionando depósitos bancários com justificativas para seu recebimento, apresentada à Fiscalização em 06/04/2010. Em 08/06/2010 foi lavrado o Termo de Constatação de Intimação Fiscal consignando que, embora apresentando referidas planilhas, a contribuinte não comprovou com documentação hábil e idônea os valores creditados nas contas bancárias indicadas pela Fiscalização (fls. 158/160). A contribuinte não respondeu à intimação que novamente exigiu estes elementos. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 784 23 Em paralelo, a autoridade fiscal dirigiu intimação ao Banco Pine S/A, para apresentação dos contratos firmados com a autuada, bem como arquivos demonstrando analiticamente as transferências bancárias realizadas em favor da F&C, relacionando a transferência com o respectivo pagamento do serviço prestado, além de identificar a motivação de todos os pagamentos efetuados à F&C (fl. 320). À fl. 325 consta a resposta apresentada pelo intimado, indicando a entrega de todos os elementos requeridos. Está juntado aos autos a cópia do contrato referido, bem como planilha correlacionando as notas fiscais emitidas pela contribuinte aos pagamentos promovidos (fls. 326/377). Idêntico procedimento foi desenvolvido em face de BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento (fl. 378), mas a resposta juntada à fl. 384 menciona apenas a apresentação de planilha em mídia eletrônica discriminando os pagamentos efetuados à autuada a título de comissão pela intermediação de financiamentos de bens formalizados por essa instituição. Referida planilha não foi impressa para juntada aos autos, e para além disso somente consta a apresentação posterior, pela intimada, de contratos firmados entre ela e a fiscalizada (fls. 406/427). Consta dos autos, também, a DIPJ simplificada apresentada pela contribuinte, e a representação fiscal para sua exclusão do Simples Federal a partir do anocalendário 2007, em razão da falta de comprovação da origem de depósitos bancários no montante de R$ 7.467.293,98, e conseqüente omissão de receitas. Às fls. 485/486 consta o Ato Declaratório Executivo DRF/Vitória nº 149/2010 cientificado à contribuinte à 20/10/2010, para efetivação daquela exclusão. A autoridade lançadora também lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 488/499 no qual consignou que a contribuinte não lhe apresentou nenhum livro fiscal, livro contábil, notas fiscais, bem como nenhum outro documento bancário, para além dos extratos parciais de movimentação junto ao Banco Itaú S/A, e também observou que a planilha entregue pela fiscalizada, com a descrição de pagamentos recebidos em algumas contas bancárias, não foi acompanhada de documentação hábil e idônea conforme solicitado pela Fiscalização, e embora intimada acerca da necessidade destes documentos, a contribuinte nada apresentou. Quanto às informações prestadas por BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento, disse que a planilha eletrônica discriminava os pagamentos efetuados à F&C, discorreu sobre a contratação entre as empresas e observou que a prestação de serviços pela fiscalizada seria remunerada mediante emissão de nota fiscal até o último dia útil de cada mês. Reportouse também às informações prestadas por Banco Pine S/A, e arrematou que: 2.4. Da análise dos extratos bancários apresentados, conforme mencionado no item 2.2. e subitens, verificouse que a Empresa manteve, no exercício de 2006, uma Movimentação Financeira muito superior aos valores da Receita Bruta declarada em sua Declaração Anual Simplificada. No quadro abaixo, demonstramos os valores dos Créditos apurados pelos extratos bancários, já deduzidos os créditos relativos aos estornos de débitos, devolução de cheques, transferências de contas de mesma titularidade, bem como os valores creditados e posteriormente estornados. [...] Fl. 784DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 785 24 O quadro mencionado totaliza em R$ 7.467.293,98 o total de créditos bancários, montante idêntico àquele apontado como receitas auferidas para fins de exclusão da contribuinte do SIMPLES a partir do anocalendário de 2007. Na seqüência, referido valor é classificado como “Receita Bruta Movimentação Financeira” e confrontado com as receitas informadas na declaração simplificada, no total de R$ 311.825,68, determinandose as omissões de receitas mensais, que representaram, no anocalendário 2006, R$ 7.129.816,65. Com base nesta apuração, a autoridade lançadora consignou houve insuficiência de recolhimento resultante da aplicação das alíquotas correspondentes às faixas relativas ao correto enquadramento da empresa, em decorrência do total de sua Receita Bruta Acumulada, ora apurada através dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, demonstrando as exigências daí resultantes. Tais parcelas foram acrescidas de multa de ofício no percentual de 75%. Finalizou indicando a aplicação da multa prevista no art. 21 da Lei nº 9.317/96 por falta de comunicação obrigatória de exclusão do SIMPLES, apresentando suas justificativas para qualificação da penalidade, reportandose às representações fiscais para fins penais e para exclusão do SIMPLES, e também ao termo de arrolamento de bens. Na seqüência, observo nos autos de infração que as omissões de receitas indicadas mensalmente não guardam exata correspondência com a apuração detalhada à fl. 493, mas isto porque na descrição dos fatos que complementa o auto de infração são relacionadas apenas as bases de cálculo que se sujeitam à incidência dos tributos lançados, e no âmbito do IRPJ e da Contribuição ao PIS referida incidência só se verifica quando alcançada a alíquota mensal de 8,6% (no caso, a partir de fevereiro/2006). Além disso, está também descrita a segunda infração de insuficiência de recolhimento, em razão da receita bruta declarada, consoante explicitado no Termo de Verificação. Assim, a demonstração das receitas tributadas é melhor evidenciada à fl. 500, quando detalhada a evolução da receita bruta acumulada para fins de determinação do coeficiente a ser aplicado sobre a receita bruta mensal. Concluo, do exposto, que a presunção de omissão de receitas recai sobre a totalidade dos depósitos bancários verificados nas contas correntes mantidas pela contribuinte durante o anocalendário fiscalizado, sendo que as receitas declaradas somente foram destacadas daquele montante para cálculo da insuficiência de recolhimento resultante da recomposição dos coeficientes aplicáveis mensalmente em razão da nova receita bruta acumulada, infração à qual foi aplicada multa de ofício sem qualificação (75%). Considerando que a contribuinte, embora intimada, não apresentou à Fiscalização seus livros fiscais ou contábeis, bem como as notas fiscais emitidas no período, limitandose a fornecerlhe planilha dissociada de qualquer documento comprobatório, o procedimento fiscal não merece reparos, porque classifica como receita bruta do período todos os depósitos bancários cuja origem não foi documentalmente provada pela contribuinte. Por tais razões, mantenho a divergência manifestada na primeira análise do presente litígio, não só por ser possível que as notas fiscais apresentadas por Banco Pine S/A estejam computadas na receita bruta declarada, mas também porque a contribuinte não apresentou qualquer elemento de sua escrituração que permitisse à Fiscalização confirmar esta correspondência. Da mesma forma, as informações prestadas por BV Financeira S/A Crédito Financiamento e Investimento em nada afetariam a conclusão fiscal, pois mesmo se apresentassem conteúdo semelhante àquele fornecido pela outra fonte pagadora, não poderiam ser correlacionadas com a escrituração da contribuinte e assim permitir a tributação dos valores sob outro fundamento, que não o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Friso: a contribuinte não Fl. 785DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001313/201007 Acórdão n.º 1101001.229 S1C1T1 Fl. 786 25 apresentou à Fiscalização sequer as notas fiscais emitidas no período, quanto menos sua escrituração contábil e fiscal identificando o regime de reconhecimento daqueles valores auferidos. E, como antes consignei, entendo que para afastar a presunção iuris tantum de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, não basta que a contribuinte comprove “mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Se, regularmente intimado durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo deixa de fornecer ao Fisco as informações de que dispõe acerca da natureza das operações por ele realizadas, e somente as revela no curso do procedimento fiscal, o cancelamento da exigência tributária correspondente só é possível se o sujeito passivo demonstrar não só a origem, mas também a regular tributação dos valores revelados, ou a sua submissão a hipótese de não tributação ou isenção. Por tais razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho todas as exigências principais calculadas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovadas, e decorrentes das mencionadas insuficiências de recolhimento. Em conseqüência, subsiste a exclusão da contribuinte do SIMPLES a partir do anocalendário 2007, porque excedido o limite de receita bruta para sua permanência no regime simplificado de recolhimentos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 786DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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