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Numero do processo: 10935.003443/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 34 43 /2 00 7- 40 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 48 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, por bem descrever os fatos (fl. 25), complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima mencionado, para exigência de R$ 5.106,81 de imposto suplementar e R$ 3.830,10 de multa de oficio (75%), além de juros de mora no montante de R$ 1.640,30 (calculados até 29/06/2007). Segundo consta na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fls. 03, a notificação foi lavrada porque o contribuinte omitiu os seguinte rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF relativa ao Exercício de 2005, AnoCalendário 2004: R$ 15.945,76, informados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte—DIRF pela Caixa Econômica Federal (CNPJ 00.360.305/000104); R$ 100,00, informados em DIRF pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS (CNPJ 29.979.038/000140); R$ 7.957,46, informados em DIRF pela Universidade Estadual Oeste do Paraná (CNPJ 78.680.337/000184). O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 06 e 07), com as alegações a seguir sintetizadas: Afirma que o valor de R$ 15.945,76 não foi pago pela Caixa Econômica Federal, e sim pela União, em decorrência de ação proposta contra o INSS para recebimento de valores atrasados, relativos a mais de 100 meses de valores pagos a menor, desde a aposentadoria do contribuinte em 1995 (Autos n° 2003.70.05.0058232/PR, da 1ª Vara Federal de Cascavel). Alega que o fato gerador não se refere ao mês do efetivo pagamento, mas sim aos meses em que os valores deveriam ter sido pagos, e como o valor recebido a título de aposentadoria está isento de imposto de renda, por não alcançar o valor Fl. 48DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 49 3 tributável, não há imposto a ser lançado, nem omissão de lançamento. Acrescenta que o referido valor foi inclusive informado pelo contribuinte na ficha "Bens e Direitos", com o código 41. Afirma que seria absurdo o Estado — que se omitiu em pagar corretamente a aposentadoria do contribuinte por 10 anos e só o fez após ser compelido por sentença judicial — lançar imposto sobre o valor a que deu causa. Entende que, ao agir assim, o Estado está burlando a sentença que estabeleceu o valor atrasado a ser pago ao contribuinte. Alega que o valor recebido pelo contribuinte caracterizase como indenização pelo descaso da União/INSS em reajustar de forma correta o seu salário de beneficio. Assim, com base em ensinamento de Roque Antônio Carrazza, conclui que não se trata de rendimentos, pois não houve geração de rendas ou acréscimos patrimoniais de qualquer espécie. Quanto aos valores de R$ 7.957,46 e R$ 100,00, afirma que as omissões decorreram, respectivamente, de falta de atenção e de erro de digitação. Ao analisar a manifestação de inconformidade do contribuinte, conforme acima resumido, a DRJ em Curitiba/PR concentrouse em assentar que o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, determinava que no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas necessárias à sua percepção. Completou que não mereceria acolhida a tese de que o fato gerador teria ocorrido nos meses em que os valores deveriam ter sido pagos pelo INSS; que os rendimentos não têm caráter indenizatório; que o fato de têlos informado como "bens e direitos" é irrelevante, no cálculo do tributo devido e destacou ainda que também deveriam ser mantidos no lançamento os valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras INSS (R$ 100,00) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (R$ 7.957,46), pois o próprio contribuinte confessa que esses valores estão corretos e foram omitidos na declaração de ajuste anual. Assim, reputou improcedente a Impugnação. Cientificado dessa Decisão em 26/05/2009 (AR na folha 31), o Contribuinte, ainda inconformado, apresentou recurso voluntário em 02/06/2009, com protocolo na folha 40, onde repete os mesmos argumentos da Impugnação e mais uma vez PEDE que seja provido seu recurso, reformandose o Acórdão recorrido. O recurso foi apreciado por este Conselho em Sessão de 18 de setembro de 2012, tendo a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara decidido pelo sobrestamento do julgamento, uma vez que versa sobre incidência de imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente, matéria então submetida à "repercussão geral" pelo STF, no RE 614.406, e observandose disposição regimental interna. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 50 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Bem, a Notificação de Lançamento considerou a omissão de rendimentos provenientes de três fontes, das quais apenas uma é objeto da presente lide, especificamente o valor de R$ 15.945,78, pagos pela Caixa Econômica Federal, em decorrência de ação judicial movida pelo recorrente contra o INSS, para fins de revisão de benefício previdenciário. As demais fontes e valores considerados omitidos estão, portanto, fora do litígio e de apreciação, como já assentara a DRJ. O Recorrente diz que os rendimentos teriam caráter indenizatório, o que não é o caso, mas independentemente dessa questão, verifico que o lançamento foi feito sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial que condenou o INSS ao pagamento de correções de proventos de aposentadoria ao Recorrente, conforme documentos de folhas 11 a 14. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO/IMPLANTAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Mais especificamente, o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação judicial de revisão de benefício previdenciário, em face do INSS. Tais rendimentos, que se referem a períodos pretéritos, foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em setembro de 2004, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 51 5 caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 52 6 Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ Fl. 52DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 53 7 JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 54 8 Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF: Artigo 62, § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, § 2º caput do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 55 9 Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, Fl. 55DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 56 10 "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial em face do INSS e pagos pela pessoa jurídica Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 15.945,78, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 56DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11080.723365/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008
CRÉDITO. INCIDÊNCIA MOFÁSICA/CONCENTRADA. VEÍCULOS, AUTOPEÇAS E ACESSÓRIOS.
É vedada a apuração de créditos calculados sobre os valores de produtos tributados com incidência concentrada/monofásica adquiridos para revenda diretamente das fabricantes ou importadoras de veículos novos, autopeças e acessórios.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Adolpho Bergamini, que fará declaração de voto.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da ama Lobo Deça.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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INCIDÊNCIA MOFÁSICA/CONCENTRADA. VEÍCULOS, AUTOPEÇAS E ACESSÓRIOS. É vedada a apuração de créditos calculados sobre os valores de produtos tributados com incidência concentrada/monofásica adquiridos para revenda diretamente das fabricantes ou importadoras de veículos novos, autopeças e acessórios. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Adolpho Bergamini, que fará declaração de voto. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 33 65 /2 00 9- 26 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 612 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da ama Lobo D’eça. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão emanada do Acórdão nº. 10 31900 da 2º Turma da DRJ/POA de fls. 549 que traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 Ementa: CRÉDITO. INCIDÊNCIA MOFÁSICA/CONCENTRADA. VEÍCULOS, AUTOPEÇAS E ACESSÓRIOS. É vedada a apuração de créditos calculados sobre os valores de produtos tributados com incidência concentrada/monofásica adquiridos para revenda diretamente das fabricantes ou importadoras de veículos novos, autopeças e acessórios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A Recorrente, insurgese contra a decisão da primeira instância, apresentando Recurso Voluntário tempestivo alegando basicamente todos os argumentos já relatados em fls. 550 a 551, concluindo o seguinte: . Como se sabe, o Poder Executivo, via duas MP's, tentou introduzir norma vedando, o creditamento, dado pelo art. 17 da Lei n°. 11.003/04, para o caso da Contribuinte. . Todavia o Congresso Nacional não concordou, e não converteu os preceitos em lei. . Poderia, agora, a administração tributária ignorar isso e tentar, por via obliqua, o que não foi conseguido por lei? . Por mais que manter o saldo arrecadatório seja uma obrigação da administração, até isso tem um limite: a legalidade. . E não só formal, de meramente dizer que se está cumprindo uma lei; mas a legalidade material, de respeitar ó conteúdo que, conveniente ou inconveniente, foi veiculado na norma. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 613 3 . Se inconveniente para a arrecadação, que se insista na mudança com o legislador. . O que não se pode é desfigurar um texto claro como o do art. 17, visando consertar o que o legislador não viu necessidade. . Assim a Contribuinte requer que seja reformado o Acórdão recorrido, para ser deferido seu Pedido de Ressarcimento constante destes autos, pois amparado legalmente. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme o relatado versa o presente processo de pedido de ressarcimento de COFINS relativo a saldo credor de Cofins não cumulativa analisado no período relativo ao 3º trimestre de 2004 até o 4º trimestre de 2008. Conforme descrito no relatório fiscal, os valores de créditos de Pis/Pasep e Cofins solicitados são relativos a aquisição de veículos automotores, bem como autopeças adquiridas para a revenda. A fiscalização concluiu que tal creditamento é indevido, aponta que o art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 veda o cálculo de créditos quando da aquisição para revenda dos veículos e autopeças submetidos às alíquotas diferenciadas da contribuição para o Pis/Pasep e para a Cofins previstas na Lei 10.485/2002. O relatório fiscal, também, esclarece que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 ao determinar que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins não impedem a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a estas operações” referese às aquisições sobre as quais podem ser calculados créditos, portanto tal dispositivo legal não abriga a solicitação do contribuinte uma vez que a legislação em comento não criou nova hipótese de cálculo de créditos, tão pouco revogou as limitações existentes. O voto condutor da decisão recorrida, enfrentou muito bem a tese da Recorrente que é a mesma do Recurso Voluntário resumidamente acima relatado para concluir pelo indeferimento de sua manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assim, socorrendome de jurisprudência judicial, melhor sorte não tem a Recorrente, pelos citados julgados a seguir: TRF – 5 Apelação em Mandado de Segurança. MAS 75532 E 00110225.35.2000.4.05.8300 (TRF5) Data da Publicação – 23/03/2009 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 614 4 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDEDORA DEVEÍCULOS E AUTOPEÇAS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. LEIS NºS 10.637 /02, 10.833 /03 E 11.033 /04. 1. A Autora/Apelante pretende o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS com fundamento no art. 17 da Lei nº. 11.033 /2004, decorrentes de aquisições de veículos automotores e autopeças cujas vendas foram efetuadas com alíquota zero. 2. A nãocumulatividade não é uma decorrência direta da Lei Maior. O parágrafo 12 do art. 195 da Constituição Federal é expresso no sentido de que a lei infraconstitucional é quem definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento serão nãocumulativas. Neste sentido, a Lei n.º 10.865 /2004 excluiu a atividade de revenda de veículos novos e autopeças, conforme possibilidade expressa na Constituição. "A nãocumulatividade não constitui direito fundamental do contribuinte, mas saudável técnica de tributação prevista constitucionalmente para o ICMS e para o IPI, bem como para eventuais impostos que venham a ser instituídos pela União no exercício da sua competência residual" (AC 200004010203369). Neste sentido, o mesmo se pode dizer com relação ao PIS e a COFINS. 3. Se é certo que o critério cronológico constitui instrumento da hermenêutica jurídica para solucionar conflitos entre duas normas gerais ou entre duas normas especiais, o mesmo não é aplicável quando o conflito se dá entre uma norma de caráter geral e outra especial, como se verifica no caso vertente. No caso, devese aplicar o critério da especialidade, de modo que as Leis n.º 10.637 /2002 e 10.833 /2003, com a redação dada pela Lei n.º 10.865 /2004, ainda que anteriores, prevalecem sobre a norma do art. 17 da Lei n.º 11.033 /2004, dotada de caráter geral. 4. Esta eg. Corte já decidiu que "no regime tributário monofásico de nãocumulatividade, não é permitido à revendedora o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições de veículos automotores e autopeças para revenda, tendo em vista que a Lei nº 11.033 /2004 não revogou as leis ns. 10.637 /2002 e 10.833 /2003". (TRF5ª R. AMS 99070/AL 4ª T. Rel. Marcelo Navarro Ribeiro Dantas DJe 11.11.2008). 5. Precedentes do TRF5ª R: (AMS 2006.83.00.0082067 1ª T. Rel. Des. Rogério Fialho Moreira DJe 14.12.2009; AMS 2006.84.00.0043052 3ª T. Rel. Des. Geraldo Apoliano DJe 23.10.2009). 6. Apelação não provida.... 1.1 1.2 TRF5 APELAÇÃO CIVEL AC 457122 CE 001737541.2007.4.05.8100 (TRF5) Data de publicação: 22/04/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDEDORA DEVEÍCULOS E AUTOPEÇAS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. LEIS NOS 10.637 /02, 10.833 /03 E 11.033 /04. 1. A Autora/Apelante pretende o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS com fundamento no art. 17 da Lei nº. 11.033 /2004, decorrentes de aquisições de veículos automotores e autopeças cujas vendas foram efetuadas com alíquota zero. 2. A nãocumulatividade não é uma decorrência direta da Lei Maior. O PARÁGRAFO 12 do art. 195 da Constituição Federal é expresso no sentido de que a lei infraconstitucional é quem definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento serão nãocumulativas. Neste sentido, a Lei n.º 10.865 /2004 excluiu a atividade de revenda de veículos novos e autopeças, conforme possibilidade expressa na Constituição. "A nãocumulatividade não constitui direito fundamental do contribuinte, mas saudável técnica de tributação prevista constitucionalmente para o ICMS e para o IPI, bem como para eventuais impostos que venham a ser instituídos pela União no exercício da sua competência residual" (AC 200004010203369). Neste sentido, o mesmo se pode dizer com relação ao PIS e a COFINS. 3. Se é certo que o critério cronológico constitui instrumento da hermenêutica jurídica para solucionar conflitos entre duas normas gerais ou entre duas normas especiais, o mesmo não é aplicável quando o conflito se dá entre uma norma de caráter geral e outra especial, como se verifica no caso vertente. No caso, devese aplicar o critério da especialidade, de modo que as Leis n.º 10.637 /2002 e 10.833 /2003, com a redação dada pela Lei n.º 10.865 /2004, ainda que anteriores, prevalecem sobre a norma do art. 17 da Lei n.º 11.033 /2004, dotada de caráter geral. 4. Esta eg. Corte já decidiu que "no regime tributário monofásico de nãocumulatividade, não é permitido à revendedora o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições de veículos automotores e autopeças para revenda, tendo em vista que a Lei nº 11.033 /2004 não revogou as leis ns. 10.637 /2002 e 10.833 /2003". (TRF5ª R. AMS 99070/AL 4ª T. Rel. Marcelo Navarro Ribeiro Dantas DJe 11.11.2008). 5. Precedentes do TRF5ª R: (AMS 2006.83.00.0082067 1ª T. Rel. Des. Rogério Fialho Fl. 622DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 615 5 Moreira DJe 14.12.2009; AMS 2006.84.00.0043052 3ª T. Rel. Des. Geraldo Apoliano DJe 23.10.2009). 6. Apelação não provida.... Isto posto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário para manter a decisão recorrida. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Declaração de Voto Pedi vista dos autos para melhor me manifestar quanto ao meu posicionamento divergente da Ilma. Conselheira Relatora, a quem desde logo rendo as merecidas homenagens. Sem delongas, passo à minha exposição. Conforme é sabido, desde 1998 está em vigor a Lei Complementar nº 95/98, que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis e, atualmente, é regulamentada pelo Decreto nº 4.176/02. Segundo dão conta as normas lá dispostas, as disposições normativas devem ser redigidas com a observação de determinadas regras, entre elas a ordem cronológica dos próprios eventos normatizados pela legislação. E, nesse contexto, os parágrafos das disposições se prestam a dispor sobre os aspectos complementares à norma enunciada no caput de um artigo de lei. Vejamos: Lei Complementar nº 95/98 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: [...] III para a obtenção de ordem lógica: [...] c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; Decreto nº 4.176/02 Art. 23. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observado o seguinte: Fl. 623DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 616 6 [...] III para a obtenção da ordem lógica: [...] c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; Essas anotações ganham relevância na medida em que, mais do que meras orientações à elaboração de dispositivos normativos, as regras em questão têm valiosa função de orientar a interpretação desses mesmos dispositivos e, a bem da verdade, da construção da própria norma jurídica. Deveras, a norma jurídica é uma significação, um sentido obtido pelo intérprete a partir de uma linguagem prescritiva válida no ordenamento jurídico em vigor, imbuída de enunciados e significados capazes de instalar uma relação jurídica. Sua construção passa por 03 (três) planos de expressão: (i) o sistema S1 (plano de expressão); (ii) o sistema S2 (plano de conteúdo); e (iii) o sistema S3 (plano das significações normativas). O sistema S1, ou plano de expressão, é, segundo Paulo de Barros Carvalho1, o conjunto das letras, palavras, frases, períodos e parágrafos, graficamente manifestados nos documentos produzidos pelos órgãos de criação do direito. Eurico Marcos Diniz de Santi2 interpreta o sistema como o conjunto dos veículos que manifestam graficamente a mensagem expedida pelo sujeito produtor do direito. O sistema S1 é, portanto, o conjunto físico dos enunciados (textos escritos) a partir do qual o intérprete extrairá significados. O sistema S2, por sua vez, é exatamente o campo em que o investigador irá empreender esforços para construir significados dos textos escritos dos enunciados, individualmente. Nesta fase, ainda não é permitido que se fale em normas jurídicas, estando o intérprete vinculado aos significados individuais de cada enunciado. É que, tendo consciência apenas de certos fragmentos, ainda não será possível estabelecer o deverser da norma jurídica em suas 03 (três) modalidades (obrigatório, permitido, proibido)3. Por fim, o sistema S3 se resume na fase em que o intérprete, coordenando e subordinando os diversos significados dos enunciados, é capaz de formular juízos prescritivos e aplicar a deontologia pelo deverser, bem como o antecedente normativo e seus elementos, além do consequente da norma. Serlheá possível, portanto, estabelecer a regra de prospecção dos efeitos do conseqüente se realizado o evento relatado no antecedente. (dado um fato F, deve ser uma conduta C, do sujeito S1 perante o sujeito S2). Nesse sentido, se a Lei Complementar nº 95/98 e o Decreto nº 4.176/02 determinam, clara e expressamente, que os parágrafos denotam aspectos complementares do que fora disposto no caput e incisos do caput, então é certo que o intérprete deve ter consigo 1 CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Editora Saraiva, São Paulo, 2004, p. 114 2 SANTI, Eurico Marcos Diniz de, Curso de especialização em Direito Tributário – Introdução, editora Forense, Rio de janeiro, 2005, p. 19 3 CARVALHO, Paulo de Barros, Direito Tributário. Fundamentos Jurídicos de Incidência, 3ª edição, Editora Saraiva, São Paulo, 2004, p. 73 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 617 7 essas informações para formular a norma jurídica. Assim sendo, o teor contido nas redações do caput não são, por si e em si, normas jurídicas, porquanto o será o que for entendido e interpretado mediante a leitura conjunta de seus parágrafos. Essas lições se afiguraram relevantes porque se aplicam em tudo à interpretação do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que serviram de fundamentos à glosa do crédito de PIS e COFINS em questão. Segue a transcrição: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei” Em outras palavras, pela leitura isolada de referido dispositivo, não é dado ao contribuinte apropriar créditos de PIS e COFINS em relação à aquisição, para revenda, de mercadorias sujeitas ao regime monofásico das contribuições, que estão relacionadas nos indigitados §§ 1º e 1ºA do artigo 2º também das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Ocorre que, consoante examinado alhures à exaustão, o caput de determinados artigos (e seus incisos, obviamente) não podem (e não devem) ser tomados isoladamente à constituição de uma norma jurídica. Para tanto, prescrevem a Lei Complementar nº 95/98 e o Decreto nº 4.176/02, devese ir aos seus parágrafos do caput para que o intérprete tenha a real extensão da norma jurídica positivada. Pois bem. As regras de vedação aos créditos de PIS e COFINS estão no §2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. De acordo com o que lá está disposto, é vedada a apropriação de créditos em relação aos valores: (i) de mãodeobra paga à pessoa física, e (ii) da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. In verbis: “Art. 3º. ............... [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Deste modo, uma vez que os parágrafos complementam as regras do caput, a mim parece evidente que as restrições à apropriação de créditos de PIS e COFINS, na hipótese de aquisição de mercadoria sujeita ao regime monofásico, se resumem às situações em que a aquisição se dá em operação sujeita à alíquota zero. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 618 8 E aqui cabe um aparte para explicitar alguns elementos que orbitam o regime monofásico de PIS e COFINS. As denominações “regime monofásico” ou “incidência monofásica” indicam o regime de tributação no qual há a concentração da tributação em uma determinada fase de uma cadeia industrial e/ou mercantil. Mas, notese, de acordo com a legislação, por meio desse regime não há a antecipação do fato gerador pela presunção de sua ocorrência, mas sim a aplicação de alíquotas diferenciadas: aos fabricantes e importadores recai uma alíquota majorada, enquanto que aos atacadistas, distribuidores e varejistas é aplicável a alíquota zero. Este modelo foi introduzido às receitas auferidas com a venda de veículos e autopeças por meio da Lei nº 10.485/02, vejamos: Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas, implementos e veículos classificados nos códigos 73.09, 7310.29, 7612.90.12, 8424.81, 84.29, 8430.69.90, 84.32, 84.33, 84.34, 84.35, 84.36, 84.37, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05, 87.06 e 8716.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados Tipi, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, relativamente à receita bruta decorrente de venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. [...] § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: I – o caput deste artigo; e Fl. 626DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 619 9 II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.189 49, de 23 de agosto de 2001 Inicialmente, as receitas auferidas com a venda de mercadorias sujeitas a esse regime estava excluída do regime não cumulativo. Entretanto, a Lei nº 10.865/04 trouxe novos contornos à forma de apuração do PIS e da COFINS incidentes sobre essas receitas, porquanto ao modificar a redação do artigo 1º, § 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, deixou claro que a restrição à não cumulatividade passou a se referir apenas às receitas obtidas com a venda de álcool para fins carburantes4, de modo que as demais receitas sujeitas ao regime “monofásico” passaram a se sujeitar concomitantemente à sistemática nãocumulativa. E mais. As redações dos artigos 8º, VII, “a”, da Lei n. 10.637/02, e 10, VII, “a”, da Lei n. 10.833/03, que se reportam ao disposto no mencionado artigo 1º, § 3º, das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, não foram alteradas, o que veio a corroborar que somente as receitas auferidas com a venda de álcool para fins carburantes é que continuam a se submeter ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. Segue a transcrição do dispositivo: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV, do § 3º do art. 1º” A Receita Federal chancelou esse entendimento desde há muito em várias (e conhecidas) Soluções de Consultas, a exemplo do que se verifica das de nº 7/07 e 286/04, em que foi expressamente decidido que as operações enquadradas no regime monofásico de apuração do PIS e da COFINS se beneficiam da não cumulatividade a partir da edição da Lei n. 10.865/04. Seguem suas respectivas transcrições: Solução de Consulta n. 07/07: “A pessoa jurídica sujeita a incidência monofásica deve apurar seus créditos tendo por base as alíquotas e procedimentos próprios do regime da nãocumulatividade” Solução de Consulta n. 286/04: “Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei n. 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei n. 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei n. 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, de produtos de que trata a Lei n. 10.485, de 2002” 4 Mais tarde tal redação foi revogada pela Lei n. 11.727/08, que também trouxe o álcool ao regime monofásico não cumulativo. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 620 10 Segundo o Fisco Federal, apenas não gera direito ao crédito os gastos incorridos à aquisição para revenda dos próprios bens monofasiados5. É o que consta, entre tantas outras, das Soluções de Consultas nº 37/06 e 178/08. Vejamos: Solução de Consulta n. 37/06: “No regime nãocumulativo da Cofins, não gera direito a crédito a aquisição, para revenda, de gasolina (exceto a de aviação), diesel e gás liquefeito de petróleo GLP, submetida a alíquotas diferenciadas concentradas dessa contribuição. Não gera direito a crédito a aquisição de álcool, para fins carburantes, para revenda, em razão de estar submetida ao regime cumulativo e monofásico de incidência da Cofins” Solução de Consulta n. 178/08: “DISTRIBUIDOR ATACADISTA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS E DE HIGIENE PESSOAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Relativamente a períodos posteriores a 1º de agosto de 2004, o distribuidor atacadista das mercadorias citadas no art. 1º da Lei n. 10.147/2000 (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) faz jus aos créditos do regime nãocumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos da legislação de regência. Tais créditos não abrangem as aquisições, para revenda, das mercadorias em questão” A Receita Federal baseia seu posicionamento justamente na alínea “b” do inciso I do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, aqui em discussão. Mas, conforme penso, essa vedação é ilícita. É que, conforme já adiantado linhas atrás, a alínea “b” do inciso I do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, há de ser interpretada conjuntamente com o §2º do mesmo dispositivo, porque se lhe representa complemento e, por isso mesmo, não pode ser ignorado na construção da norma jurídica. E, conforme visto, no regime monofásico é possível que distribuidores, atacadistas e varejistas adquiram mercadorias uns dos outros e, desse modo, terão suas aquisições tributadas pela alíquota zero, ou venham a fazêlo diretamente de fabricantes e importadores. No primeiro caso posto acima, quando da aquisição de mercadorias gravadas com alíquota zero, não há dúvidas de que o direito ao crédito deve ser negado ao contribuinte, já que neste caso a aplicação do §2º, inciso II, do artigo 3º é indubitável. Entretanto, se a aquisição é feita diretamente do fabricante e/ou importador, deve se reconhecer que a operação é tributada não à alíquota ordinária do regime não cumulativo, mas sim a uma alíquota majorada. Ora, se essas pessoas jurídicas fazem aquisições tributadas (até mesmo mais tributadas se comparada a outras operações não monofásicas) e, por outro lado, estão enquadradas no regime não cumulativo de PIS e COFINS por serem optantes do lucro real à apuração de seu IRPJ, então o direito ao crédito deve existir, porque: (i) essa é a interpretação 5 O termo monofasiado é um neologismo assumido, afinal, não existe na gramática portuguesa e na literatura jurídico tributária. Entretanto, ante a falta de um termo específico que designe o bem sujeito ao regime monofásico, (tal qual existe à operação substituída ou antecipada, no contexto da substituição tributária), simplesmente construímos o termo em homenagem à didática, para que o entendimento deste método de apuração seja simplificado mediante a classificação (e individualização) das operações envolvidas. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 621 11 sistemática preceituada na Lei Complementar nº 95/98 e no Decreto nº 4.176/02; e (ii) é a que melhor se amolda ao próprio regime não cumulativo, cuja dinâmica é essencialmente pela vedação ao crédito nas hipóteses em que não há pagamento de PIS e COFINS na operação de aquisição. Sobre este último ponto, cumpre ser dito que a veiculação do regime não cumulativo tem o fim único e específico de inviabilizar o efeito cascata do PIS e da COFINS, aliás, conforme consta expressamente da Exposição de Motivos das Medidas Provisórias nº 66/02e 135/03, que deram origem às Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Não fosse assim, os preços finais de bens e serviços estariam artificialmente inflados e, logicamente, impediriam a fluidez comercial. Afinal, pelo fato de o custo ser o ponto de partida à formação de preços,6 o valor de revenda dessa mercadoria seria composto indiretamente do PIS e da COFINS incidentes na operação anterior. Esse valor, por sua vez: (i) seria base de nova incidência de PIS e COFINS devidos pelo contribuinte, na hipótese de uma revenda tributada pelas contribuições; ou (ii) representaria uma tributação indireta em situações onde a legislação almeja efeitos financeiros nulos, como a alíquota zero. O tema foi de algum objeto de análise pelo Ibracon, que, em suma, se pronunciou no sentido de que créditos e débitos de PIS e COFINS devem ser contabilizados da mesma forma que outros tributos incidentes sobre a receita de vendas, a exemplo do ICMS. Vejamos o que está dito na Interpretação Técnica n. 01/2004: “[...] Esses tributos [PIS e COFINS] devem ser registrados nos diversos grupos de receitas e despesas, a fim de que os correspondentes encargos reflitam a despesa tributária relativa às transações que a geraram e, dessa forma, que a entidade apresenta adequadamente a margem bruta, lucro operacional, resultado financeiro e o resultado não operacional gerado em seu negócio. Assim, por exemplo, no caso da receita de venda, o montante do PIS e da COFINS calculado sobre essa receita deve ser demonstrado como dedução de vendas, os créditos sobre os estoques vendidos como redutor do custo das vendas [...] [...] Conforme comentado, as normas instituíram um sistema de crédito em relação aos bens adquiridos para revenda, utilizados na fabricação de produtos, etc. [...] o Ibracon entende que o valor pago nas compras de mercadorias se constitui num crédito do contribuinte que será utilizado como abatimento nos cálculos dessas contribuições sobre receitas. Assim, os valores dessas contribuições contidos nas aquisições de mercadorias se constituem num ativo da entidade [...]” Em outras palavras, o que se extrai da aludida Interpretação Técnica n. 01/2004 é que o PIS e a COFINS incidentes sobre a receita de vendas devem ser partes integrantes da formação dos respectivos preços, daí a razão para Ibracon entender que as contribuições devem ser demonstradas como “dedução de vendas”, ou seja, da receita bruta (a partir das deduções 6 Em regra, o preço é o valor resultante do custo da mercadoria, despesas da empresa, margem de lucro e, ao final, dos tributos incidentes sobre venda (ICMS, PIS e Cofins). Fl. 629DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 622 12 de descontos incondicionais, ICMS, PIS e COFINS incidentes sobre a receita bruta, apurase a receita líquida)7. Mas, o ponto mais relevante para a presente fundamentação se dá quanto à forma de contabilização dos créditos de PIS e COFINS, que, segundo o Ibracon, “se constituem num ativo da entidade”. E, se assim o é, se os créditos de PIS e COFINS são demonstrados contabilmente em contas de ativo (na prática comumente denominada “PIS e COFINS a Recuperar”), então obviamente que os custos, despesas e encargos que conferem créditos das contribuições devem ser demonstrados por seus valores líquidos de PIS e COFINS na contabilidade. Aí a razão para o Ibracon, ao fazer referência ao exemplo da compra de uma mercadoria para revenda, ter entendido que o crédito de PIS e COFINS se caracteriza como um “redutor do custo das vendas”. Pois bem, nesse contexto deve ser dito também que, conforme é sabido, o preço da venda de bens é em geral composto pela soma do custo (de aquisição ou produção), despesas, margem de lucro do contribuinte e dos próprios tributos incidentes sobre vendas. Este preço, ao seu turno, será a receita bruta auferida que, ao final, será tributada pelo PIS e pela COFINS. Ora, se esses custos, despesas e encargos, que, por gerarem créditos de PIS e COFINS, devem ser reconhecidos pelo valor líquido das contribuições na contabilidade, serão ao final computados à formação da receita bruta tributável, então fica claro que a busca pela desoneração da materialidade de incidência do próprio tributo, finalidade última do regime não cumulativo, somente será realizada se os créditos de PIS e COFINS apropriados forem efetivamente utilizados. Daí a razão para sustentar que o valor jurídico perseguido pelo regime não cumulativo é a desoneração da receita, que será alcançado se, e somente se, os créditos apropriados pelos contribuintes forem efetivamente apropriados e segregados do custo da mercadoria. Do contrário, volta a ser dito, haveria tributação indireta da mercadoria pela composição das contribuições no custo, que ao fim e ao cabo contrariaria a própria alíquota zero aplicável às operações em questão. Eis, aí, os fundamentos jurídicos e econômicos que justificam o direito ao crédito de PIS e COFINS quando da aquisição de mercadorias tributadas, mesmo quando sujeitas ao regime monofásico (nesse caso, aquisição direta do fabricante). E o fato de a mercadoria ser revendida posteriormente com alíquota zero não é relevante do ponto de vista econômico ou jurídico. Econômico porque, como se viu, negar o direito ao crédito seria induzir tributação indireta de uma operação que se quer livre de efeitos financeiros (alíquota zero). E jurídico porque a permissão de manutenção de crédito já é há muito existente na legislação de PIS e COFINS. Vejamos o que diz o artigo 17 da Lei nº 11.033/04: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” 7 Aliás, conforme pronunciamento da 6ª Região Fiscal da Recita Federal nas Soluções de Consulta nº 118/09 e 126/09, verbis: “BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. VEDAÇÃO. No regime não cumulativo, é vedado excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep [e a COFINS] o valor dessa mesma contribuição (o cálculo do PIS/Pasep [e COFINS] nãocumulativo é realizado "por dentro")” Fl. 630DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 623 13 Notese. Não está sendo defendido, aqui, que o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 tem o efeito de gerar o crédito das contribuições – argumento que vem sendo rechaçado, com razão, pelo Poder Judiciário. Pelo contrário, o que está sendo assumido como premissa é que o direito ao crédito existe porque: (i) essa é a interpretação conjunta do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, combinada com seu §2º, inciso II, nos termos determinados pela Lei Complementar nº 95/98 e pelo Decreto nº 4.176/02; (ii) essa interpretação se conforma, inclusive, com a dinâmica do próprio regime não cumulativo de PIS e COFINS, posto que a aquisição de mercadorias de fabricantes e/ou importadores é tributada. E sendo existente o crédito, deve ele ser mantido mesmo em razão de uma revenda tributada à alíquota zero, nos exatos termos do artigo 17 da Lei nº 11.033/04. Nesse contexto, sou da opinião de que o posicionamento da Receita Federal acerca da impossibilidade de tomada de créditos sobre o valor de aquisição dos próprios produtos sujeitos ao regime “monofásico” não caminha em acordo com a legislação, ao menos em relação às pessoas jurídicas que adquirem mercadorias diretamente de fabricantes ou importadoras. Embora não seja objeto de debate do presente caso, apenas para finalizar a fase de fixação de premissas, penso que o direito ao crédito, em questão, deve se dar pela ordinária das contribuições, prevista no artigo 3º, § 1º, das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, bem como o artigo 8º da IN SRF n. 404/04. Feita a análise abstrata, passo ao exame dos elementos dos autos. Para contextualizar os fatos que compõem a motivação do Fisco Federal, transcreve trechos relevantes da ementa e do relatório da decisão a quo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 CRÉDITO. INCIDÊNCIA MOFÁSICA/CONCENTRADA. VEÍCULOS, AUTOPEÇAS E ACESSÓRIOS. É vedada a apuração de créditos calculados sobre os valores de produtos tributados com incidência concentrada/monofásica adquiridos para revenda diretamente das fabricantes ou importadoras de veículos novos, autopeças e acessórios. Conforme descrito no relatório fiscal, os valores de créditos de Pis/Pasep e Cofins solicitados são relativos a aquisição de veículos automotores, bem como autopeças adquiridas para a revenda. A fiscalização concluiu que tal creditamento é indevido, aponta que o art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 veda o cálculo de créditos quando da aquisição para revenda dos veículos e autopeças submetidos às alíquotas diferenciadas da contribuição para o Pis/Pasep e para a Cofins previstas na Lei 10.485/2002. O relatório fiscal também esclarece que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 ao determinar que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins não impedem a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a estas operações” referese às aquisições sobre as quais podem ser calculados créditos, portanto tal dispositivo legal não abriga a solicitação do contribuinte uma vez que a legislação em comento não criou nova hipótese de cálculo de créditos, tão pouco revogou as limitações existentes. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.723365/200926 Acórdão n.º 3101001.830 S3C1T1 Fl. 624 14 Desta forma, não foi reconhecido qualquer direito creditório em favor do contribuinte referente à contribuição para a COFINS no período compreendido entre o 3º Trimestre de 2004 e 4º Trimestre de 2008, sendo indeferidos os pedidos de ressarcimento eletrônicos controlados no presente processo, os quais totalizam o valor de R$ 18.690.799,79 (dezoito milhões, seiscentos e noventa mil, setecentos e noventa e nove reais e setenta e nove centavos) [...]” Por essa leitura se verifica que o presente caso é mesmo daqueles em que o contribuinte adquiriu mercadorias diretamente de fabricantes e importadores de veículos e autopeças, que estão sujeitos ao regime monofásico e, a par disso, teve seus créditos de PIS e COFINS glosados pela aplicação do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Considerando esses fatos e, ainda, confrontandoos com os fundamentos aqui sustentados, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para cancelar integralmente as exigências fiscais. É como voto. Conselheiro Adolpho Bergamini Fl. 632DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 po r VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por ADOLPHO BERGAMINI, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 16327.720420/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 42 0/ 20 12 -1 3 Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário no Acórdão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento no Rio de Janeiro IRJ. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de ação fiscal promovida pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo Deinf/SP junto à interessada acima identificada, referente aos fatos geradores ocorridos nos exercícios de 2008 e 2009, anoscalendário de 2007 e 2008, que resultaram na apuração de ofício de crédito tributário através dos autos de infração do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 596/610, no valor de R$3.469.364,49 de imposto e R$2.602.023,36 de multa, e da da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, de fls. 612/619, no valor de R$5.288.550,95 de contribuição e R$4.283.125,07 de multa, ambos acrescidos de juros de mora. 2. A fiscalização entendeu que a interessada, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incorreu nas infrações descritas nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 524/533, 556/559, 570/572 e 587/595, partes integrantes dos lançamentos, adiante discriminadas: 2.1. Despesas indedutíveis: A interessada deduziu indevidamente em 2007 e 2008 os valores de, respectivamente, R$520.429,05 e R$1.416.621,37, contabilizados a título de encargos de atualização monetária calculados sobre as importâncias inerentes às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, cujas exigibilidades se encontram em discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0016886. Os enquadramentos legais da infração mencionados nos autos de infração são os seguintes: IRPJ: arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e § 1° do art. 344 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); CSLL: art. 2° e §§, e 3° da Lei n° 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/2008; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 37 a Lei n° 10.637/2002. 2.2. Glosa de provisões não autorizadas: Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 4 3 A interessada teria deduzido indevidamente do lucro tributável dos anos calendário de 2007 e 2008 valores relativos a encargos de provisões operacionais, cuja movimentação contábil (débito/crédito) está distribuída nas contas COSIF "198999030105 Prov. P/Desval. Outros Valores e Bens Veículos apreendidos''" (R$1.552.586,87 do a/c de 2007 e R$120.716,24 do a/c de 2008), "499351051001 Passivos Trabalhistas'" (R$64.303,34 do a/c 2007) e "499359091029 Outros Passivos Ações Cíveis" (R$453.717,96 do a/c 2007 e R$155.571,18 do a/c 2008), cuja dedutibilidade é vedada pela regra prevista no artigo 13 da Lei n° 9.249/95. Segundo relato da fiscalização, tais provisões lastreiamse na expectativa de possíveis perdas sobre ativos oriundos em bens arrendados e obrigações decorrentes de litígios jurídicos, em razão da aplicação dos princípios contábeis da prudência e da competência, resultante na apropriação no Resultado do exercício dos custos e despesas respectivos, sem que fossem efetuados ajustes dos respectivos valores ao Lucro Líquido dos períodos na Parte "A" do Livro de Apuração do Lucro Real "LALUR". Enquadramento legal: IRPJ: Art . 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, com as alterações do art . 14, da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335, do RIR/99. CSLL: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02; Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08. 2.3. Custos ou Despesas não comprovadas: Detectouse ausência ou insuficiência de documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços contabilizados como custos operacionais nos anoscalendário de 2007 e 2008, o que caracterizaria os dispêndios como mera liberalidade, implicando na consequente inaceitabilidade dos respectivos montantes como despesas operacionais normais, usuais e necessárias à realização das transações ou operações exigidas pela sua atividade. Como consequência, os pertinentes valores foram considerados indedutiveis para fins de determinação das bases tributáveis tanto do IRPJ quanto da CSLL e o crédito tributário correspondente está sendo exigido com a aplicação da multa agravada de 112,50%, em atendimento ao disposto no artigo 959 do citado RIR/99. São os seguintes valores objeto de glosa: 2.3.1. Conta n° 8.1.7.57.00.4.483.4 "Comissão Panamericano Adm. Cartão Crédito." No Termo de Verificação Fiscal consta o relato que a interessada foi intimada a apresentar documentação comprobatória das despesas contabilizadas nessa conta nos AC's de 2007 e 2008, tendo sido entregues Razões Contábeis, Extratos de Tesouraria, Notas Fiscais e Contrato de Prestação de Serviços com a citada empresa, bem como Aditamento ao mesmo. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 5 4 A partir das análises procedidas nos documentos fornecidos, restou constatado que a) os pagamentos efetuados não foram corroborados pela juntada de documentação destinada a embasar a efetividade da prestação dos serviços elencados no "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente Bancário e outras Avenças"; b) o mencionado contrato não atende às condições estipuladas no artigo 4°, Incisos I, II e VII, bem como no artigo 5°, da Resolução BACEN n° 3.110/03, com as alterações introduzidas pela Resolução BACEN n° 3.156/03, que alteram e consolidam as normas que dispõem sobre a contratação de correspondentes no País; e c) o "Aditamento ao Contrato de Prestação de Serviços firmado em 01 de setembro de 2005", assinado em 02 de janeiro de 2008, dispõe em sua cláusula 06 que a comissão pelos serviços prestados é calculada sobre o volume de operações de arrendamento mercantil realizadas no mês. Assim sendo, há de haver um relatório mensal a fim de possibilitar o cálculo da remuneração. Logo, tendo em vista que os documentos juntados se revelaram insuficientes para comprovar que os pagamentos efetuados são necessários, normais ou usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos, não foram aceitas as dedutibilidades das despesas correspondentes, nos respectivos importes de R$540.000,00, no AC/2007, e R$1.688.840,00, no AC/2008. 2.3.2. Conta n° 8.1.7.57.00.4.484.2 "Comissão Panamericano Prestadora de Serviços." A fiscalização relata que a interessada foi intimada a apresentar elementos comprobatórios de despesas escrituradas na mencionada conta no AC/2008, no montante de R$2.100.000,00, ocasião em que forneceu esclarecimentos acerca da forma de contabilização da despesa, Razões Contábeis, Relatórios da Tesouraria, Notas Fiscais e Contrato de Prestação de Serviços firmado com a empresa Panamericano Prestadora de Serviços Ltda, apresentando, ainda, planilha denominada "Relatório de produção (intermediações) dos contratos de arrendamento mercantil, gerados no período solicitado, pela matriz e filiais". Entendeuse que não foi trazido à colação nenhum documento comprobatório da efetiva prestação dos serviços contratados descritos no "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente Bancário e outras Avenças", havendo ainda a ressalva de que a planilha apresentada não serveria para tanto, tendo em vista a incompletude das suas informações. Além disso, o Contrato de Prestação de Serviços supra mencionado não atenderia às condições estipuladas nas Resoluções BACEN n°s 3.110/03 e 3.156/03, que tratam da contratação de correspondentes no País. Desta forma, as despesas com serviços prestados pela referida empresa foram consideradas indedutiveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que não foram satisfatoriamente comprovadas, pois o oferecimento de Contrato de Prestação de Serviço, Notas Fiscais, liquidações financeiras e registros contábeis, de per si, não é suficiente para justificar a aludida despesa. 2.3.3. Outros Serviços de Pessoas Jurídicas: A interessada foi intimada a apresentar Razões Contábeis das contas em que foram registrados os pagamentos contabilizados no AC/2007, efetuados às empresas Focus Consultoria Financeira Ltda, CNPJ n° 04.566.041/000109; Infocus Adm. Financeira Ltda, CNPJ n° 07.781.178/000166; Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia, CNPJ n° 02.775.181/000153; Max Control Eventos e Promoções Ltda, CNPJ n° 07.770.487/000130; Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 6 5 Max Control Assessoria e Investimentos Ltda, CNPJ n° 56.342.439/000157 e Boafonte Consultoria e Negócios Ltda, CNPJ n° 05.477.415/000174, acompanhados de documentação comprobatória das despesas incorridas. Como resposta, alegou que os serviços prestados consistiam em consultorias verbais, por meio de opiniões solicitadas e participações em reuniões de interesse da contratante, tendo como característica a confiança mútua entre as partes contratantes, tratandose, em suma, de "contratos tácitos firmados verbalmente". Além disso, apresentou os seguintes documentos: a) Razões Contábeis das contas COSIF n°s 8.1.7.57.00.4.4982 "Serviços Diversos Pessoas Juridicas"; 8.1.7.63.00.5.5187 "Serviços de Assessoria Técnica"; 8.1.7.63.00.5.5187 "Serviços de Consultoria Financeira" e 8.1.7.63.00.5.5314 "Honorários Institucionais", nas quais foram registrados os pagamentos efetuados às empresas retro mencionadas; e b) Cópias de documentos de tesouraria (contas a pagar, recibo de emissão de cheque, extrato posição no banco, solicitação de pagamento fatura) e Notas Fiscais de Serviços, a titulo exemplificativo um caso para cada uma das empresas sendo que quanto à Boafonte Consultoria e Negócios Ltda também foi apresentado Contrato de Prestação de Serviços. Reintimado, com o objetivo de que fosse complementada a comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados, o contribuinte apresentou Notas Fiscais e Recibos de prestação de serviços, acompanhados dos respectivos comprovantes de liquidação financeira. Ressalta a fiscalização que os documentos foram anexados ao processo por amostragem, a título ilustrativo, tendo em vista o apreciável volume da referida documentação entregue em mídia. A fiscalização alega a documentação comprobatória é insatisfatória para a comprovação da efetividade dos serviços prestados, por não terem sido apresentados, por exemplo, os Contratos de Prestação de Serviços. Assim, não foram aceitas as dedutibilidades das despesas contabilizadas nos importes demonstrados a seguir, no valor total de R$2.529.322,08, os quais foram extraídos de informações constantes na Declaração de Imposto de Renda na Fonte DIRF, entregue pelo fiscalizado no AC/2008: Nome CNPJ VALOR (em R$) Focus Consultoria Financeira Ltda 04.566.041/000109 187.500,00 Infocus Adm. Financeira Ltda 07.781.178/000166 345.000,00 Boafonte Consultoria e Negócios Ltda 05.477.415/000174 309.114,00 Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia 02.775.181/000153 170.122,30 Max Control Eventos e Promoções Ltda 07.770.487/000130 488.379,53 Max Control Assessoria e Investimentos Ltda 56.342.439/000157 1.029.206,25 TOTAL 2.529.322,08 2.4. Glosa de despesas relativas a Perdas em Operações de Créditos: 2.4.1. Ao apurar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2007 e 2008, a interessada teria deduzido valores a receber de clientes que foram por ela tipificados como irrecuperáveis. No anocalendário de 2007 deduziu os montantes de R$35.618.914,20 (Ficha 09B Linha 38) a título de "Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito" e R$1.865.088,34 (Ficha 05B Linha 25) como "Despesas com Provisões para Operações de Crédito", enquanto no anocalendário de 2008 deduziu o Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 7 6 montante de R$37.951.269,54 (Ficha 09B Linha 47) como "Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito". 2.4.2. Intimada a fornecer arquivos em mídia contendo elementos inerentes a tais perdas, bem como a respectiva documentação suporte consistente nos contratos celebrados, de modo a se verificar o regular cumprimento das disposições tributárias contidas nos artigos 9° a 14 da Lei n° 9.430/96, consolidados nos artigos 340 a 343 do RIR/99, a interessada apresentou relatório, em mídia (CD), contendo o detalhamento dos valores concernentes às perdas deduzidas alicerçado nos seguintes elementos: (a) nome do devedor, (b) número do contrato, (c) valor da operação, (d) data de emissão do contrato, (e) quantidade de parcelas, (f) valores das parcelas, (g) data da primeira parcela vencida, (h) perda de crédito constituída, (i) número de dias em atraso a contar da data de vencimento da primeira parcela, (j) status jurídico e (k) existência ou não de garantia. Foi juntada, também, documentação comprobatória das operações de leasing elencadas nos anexos aos "Termos" lavrados, assim entendidas: cópias dos espelhos de contratos de arrendamento mercantil e extratos para atuação de cobrança. 2.4.3. A fiscalização entendeu que os documentos apresentados resultaram insuficientes para se chegar a uma conclusão definitiva acerca da regularidade das deduções efetuadas, razão pela qual a interessada foi instada a apresentar documentação complementar referente (i) aos procedimentos judiciais visando o recebimento dos créditos ou arresto da garantias, (ii) esclarecimentos das divergências apuradas no tocante a valores contabilizados em recuperação de créditos baixados para prejuízos, (iii) informações relativas a deduções em duplicidade de perdas com créditos e (iv) cópia dos contratos e fichas financeiras das operações de leasing. 2.4.4. Em resposta, a interessada informou que os dados constantes nos arquivos em mídia (CD) apresentados foram ". . . gerados ainda na gestão e orientação dos antigos administradores da empresa sendo que os funcionários atuais ainda não possuem conhecimento pleno sobre as informações anteriormente enviadas", acrescentando ainda às suas considerações que "...o período em fiscalização era da gestão dos exdiretores do Panamericano destituídos em 2010". 2.4.5. Posteriormente esclareceu que do total deduzido no AC/2007, o montante de R$24.104.282,61 se referiu a créditos cedidos sem coobrigação, conforme contrato e aditamentos e cujo montante foi demonstrado em relatório apresentando em CD, além de relatório parcial contendo informações relativas aos supostos procedimentos judiciais adotados. 2.4.6. A fiscalização entende que a interessada só fez confirmar ter adotado procedimentos ao arrepio das disposições legais aplicáveis à matéria ao afirmar que as informações relativas às perdas com créditos contidas nos arquivos magnéticos enviados à fiscalização "...gerados ainda sob a gestão e orientação dos antigos administradores ... não refletem os ocorridos à época, não representando com fidelidade as perdas ocorridas ..." e que os mesmos foram "... gerados ainda na gestão e orientação dos antigos administradores da empresa sendo que os funcionários atuais ainda não possuem conhecimento pleno sobre as informações anteriormente enviadas" e que " . . . o período em fiscalização era da gestão dos exdiretores do Panamericano destituídos em 2010" . 2.4.7. A fiscalização ainda esclarece que as análises foram concentradas nas informações constantes nos relatórios apresentados, concluindo: 2.4.7.1. Com relação ao AC/2007: Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 8 7 a) Que do valor total deduzido de R$35.618.914,20 (DIPJ/2007, Ficha 09B Linha 38), os dados constantes nos arquivos magnéticos compuseram um quantitativo de perdas com créditos da ordem de R$34.334.673,80, resultando numa diferença não comprovada de R$1.284.240,40; b) Que o registro em duplicidade de valores relacionados a perdas nos recebimentos de créditos, com idênticas indicações de devedor, valores de perdas e números de contratos, importou em uma dedução incomprovada de R$1.968.722,54; c) Que faltou comprovar a dedução dos valores relativos às perdas informadas no arquivo magnético (i) 2007/arquivo 2 artigo 11 da Lei n° 9.430/96, no montante de R$3.266.731,62; d) Que faltou comprovar a dedução dos valores relativos às perdas informadas no arquivo magnético (ii) 2007/arquivo 3 REC, cuja diferença de R$3.110.458,88 foi apurada pelo cotejo entre o saldo contábil da conta COSIF n° 7.1.9.20.00.9.130 "Recuperação de Créd. Baixados como Prejuízos" (R$5.585.058,23) e o total dos valores informados neste arquivo (R$8.695.517,11); e) Que não houve comprovação da diferença de R$1.865.088,34, decorrente do cotejo entre a despesa de provisão para operações de crédito informada na Linha 25 Ficha 05B, da DIPJ/2007 (R$29.309.758,87) e a respectiva parcela não dedutível (R$27.444.670,53); 2.4.7.2. Com relação ao AC/2008: a) Que as deduções de perdas com créditos totalizaram R$37.951.269,54 (Linha 47 Ficha 09B, da DIPJ/2008), tendo sido verificado o seguinte: b) Que os dados constantes nos arquivos magnéticos compuseram um quantitativo de perdas com créditos da ordem de R$24.292.012,58, resultando numa diferença não comprovada de R$13.659.256,96; c) Que faltou comprovar a dedução de valores relativos a perdas informadas nos arquivos magnéticos "2008/arquivo_60 dias", no valor de R$5.822.640,01; 2.4.8. Que o procedimento perpetrado resultou na indevida redução dos lucros líquidos dos anoscalendário sob exame, consolidados da seguinte forma : DESCRIÇÃO AC/2007 R$ AC/2008 R$ Dif.de Perdas de Créditos não enviadas /comprovadas 1.284.240,40 13.659.256,96 Perdas de Créditos deduzidas em duplicidade 1.968.722,54 Parc. Não comprovadas ref. Arquivo2 e arquivo3 6.377.190,50 5.822.640,01 Falta/dif de Adição da provisão para operações de créditos 1.865.088,34 TOTAIS 11.495.241,78 19.481.896,97 3. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas relativamente ao item 2.3 do presente relatório se fez incidir a multa de ofício no percentual de 112,50%, na Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 9 8 forma do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, enquanto relativamente às demais infrações se aplicou a multa de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 do mesmo diploma legal. 4. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamentos através da petição de fls. 646/751, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Quanto à glosa dos valores contabilizados a título de encargos de atualização monetária calculados sobre as importâncias inerentes à Contribuição para o PIS e para a COFINS: 4.1.1. Que constituiu uma provisão para controle desses créditos tributários (contas contábeis n° 4.9.4.50.90.3001.0 "Prov. p/ Contingência PIS" e n° 4.9.4.50.90.30029 "Prov. p/ Contingência COFINS"), cujo principal é contabilizado tendo como contrapartida uma despesa de provisão (contas contábeis n° 8.1.9.33.00.0000.0 "Despesas de contribuições ao PIS" e n° 8.1.9.30.00.3000.0 "Despesas de contribuições à COFINS"); 4.1.2. Que se tivesse sido devidamente intimada, teria demonstrado que tanto o valor principal da conta de provisão para contingência do PIS e da COFINS com exigibilidade suspensa quanto o saldo dos encargos de atualização destas provisões foram devidamente adicionados à base tributável do IRPJ e da CSLL, conforme fazem provas as cópias da Parte A do LALUR (fls. 832/843), dos razões contábeis das contas de provisão de despesas de contingência para o PIS (815/816 e 829/830), para a COFINS (816/817 e 830/831) e da conta de variação monetária passiva (fls. 814, 818, 824/825), bem como das Fichas 05B, 09B e 17 da DIPJ (fls. 811/813 e 821/823), documentos estes relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008; 4.1.3. Que conforme os quadros comparativos de fl. 655, relativos aos anos calendários de 2007 e 2008, é possível se comprovar que todo o valor das provisões para tributos com exigibilidade suspensa (linhas 13 e 14 da Ficha 05B) compõe o saldo de parcelas não dedutíveis de despesas operacionais (linha 31 da Ficha 05B) que foi totalmente adicionado ao lucro real (Ficha 09B) e à base de cálculo da CSLL (Ficha 17). Com relação ao ano calendário de 2008 o mesmo procedimento foi realizado, com exceção do fato de que é possível visualizar, na Ficha 05B ("Despesas Operacionais"), na linha 30 ("Outras Despesas Operacionais") o valor da variação monetária passiva. Esse saldo de parcelas não dedutíveis da Linha 31 da Ficha 05B foi, então, integralmente adicionado às Fichas 09B ("Demonstração do Lucro Real") e 17 ("Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido"). Assim, os valores das provisões ao PIS e à COFINS, somados ao valor da variação monetária passiva, compuseram o saldo de parcelas não dedutíveis de despesas operacionais; 4.1.4. Que ainda que não tivesse oferecido à tributação os valores de R$520.429,05 e de R$1.416.621,37, o que se alega a título meramente argumentativo, os autos de infração ora combatidos deveriam ser integralmente cancelados, posto que nulos de pleno direito, já que Fiscalização não realizou um procedimento investigatório, como seria de rigor, para aferir a existência de fato gerador supostamente não tributado; 4.2. Sobre a glosa de provisões não autorizadas: 4.2.1. Que também com relação a esse ponto da autuação a fiscalização não se aprofundou na análise da documentação que lhe foi entregue, o que evidencia, mais uma vez, a fragilidade do trabalho da fiscalização, pois, caso tivessem sido conferidos os documentos Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 10 9 apresentados, teria sido constatada a tributação dos valores relativos às provisões questionadas no presente ponto; 4.2.2. Que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL a variação das contas patrimoniais das provisões, e tanto em 2007 quanto em 2008 o saldo das provisões para contingências trabalhistas e cíveis foram totalmente adicionados; 4.2.3. Que para confirmar o alegado basta confrontar a variação decorrente da movimentação contábil da conta patrimonial 4.9.9.35.10.51001 "Passivos Trabalhistas" (fl. 859), com o valor que foi adicionado à parte A do LALUR do anocalendário de 2007 (fls 849/851), para se confirmar a efetiva tributação do valor de R$64.303,34. Da mesma forma, os saldos das provisões para ações cíveis relativos ao anocalendário de 2007, no total de R$453.717,96, e ao anocalendário de 2008, no valor de R$155.571,18, também foram devidamente tributados. Confirase, nesse contexto, o confronto da variação decorrente da movimentação contábil da conta patrimonial 4.9.9.35.90.9.1029 "Ações Cíveis", à fl 867, com o valor que foi adicionado à parte A do LALUR dos anoscalendário de 2007 e 2008 (fls. 845/851), para se confirmar a efetiva tributação dos valores referidos; 4.2.4. Que por equívoco deixou de adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário autuados os saldos de Provisão para Desvalorização de Bens e Veículos Apreendidos, vindo a adicionálos, integralmente, no anocalendário de 2011. Assim, no presente caso devem ser observados os efeitos da postergação, já que os valores de R$1.552.586,87 e R$120.716,24, respectivamente de 2007 e 2008, foram devidamente incluídos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 2011; 4.3. Sobre as glosas das despesas com Prestação de Serviços, nos valores de R$2.529.322,08, R$540.000,00, R$2.100.000,00 e R$1.688.840,00: 4.3.1. Que para se saber, objetivamente, se determinado gasto (ou mesmo perda) pode ser interpretado como uma despesa operacional ou não, fazse necessária a análise individualizada de cada dispêndio e a situação objetiva em que foi realizado, de modo que fique evidente a necessidade, usualidade e normalidade das despesas e provisões glosadas nos autos de infração ora combatidos, o que em nenhum momento foi feito pela Autoridade Fiscal, que se limitou a dizer, sem maiores explicações ou comprovações, que os documentos apresentados nestes autos seriam "insuficientes para comprovar que os pagamentos efetuados são necessários, normais e usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos"; 4.3.2. Que tem por atividade precípua o arrendamento mercantil, o qual, nos termos do que dispõe a Lei n° 6.099/74, com alterações promovidas pela Lei n° 7.132/83, é "o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações técnicas da arrendatária e para uso próprio desta" (artigo 1o, parágrafo único); 4.3.3. Que, na prática, a empresa arrendadora adquire um bem de uma revendedora e cede seu uso para o arrendatário, que paga a esse título (cessão de uso/locação) uma contraprestação mensal. Ao final do prazo estipulado no contrato, o arrendatário opta pela devolução do bem ou por sua aquisição, mediante o pagamento do valor residual, desde que pague o valor ajustado. No caso do leasing financeiro poderá ainda haver a contratação de um valor residual garantido, o qual pode ser antecipado ou diluído nas contraprestações mensais, Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 11 10 não caracterizando o seu pagamento como exercício da opção de compra, mas mera garantia contratual; 4.3.4. Que por não ser uma instituição financeira de varejo, a captação e o atendimento a seus clientes são exercidas por empresas intermediárias, como é o caso da Panamericano Prestador de Serviços e da Panamericano Administrador de Cartões de Crédito, para as quais paga comissões como contraprestação à prestação de serviços; 4.3.5. Que o Fisco tem a obrigação de comprovar, por meio de provas diretas e não presuntivas, que a despesa incorrida pelo contribuinte não é necessária, usual e normal às suas atividades, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que em nenhum momento a Autoridade Fiscal se preocupou em verificar se as despesas que foram glosadas estavam relacionadas com a manutenção de sua fonte produtora, ou buscou demonstrar que os documentos não seriam hábeis, sendo esse fato suficiente, por si só, para o cancelamento das autuações; 4.3.6. Que ao se considerar o negócio por ela desenvolvido (atividade de arrendamento mercantil), não deveria causar estranheza o registro contábil de despesas com comissões pagas às empresas intermediárias, bem como com perdas em operações de créditos, decorrentes do não pagamento das mensalidades do arrendamento mercantil pelos seus clientes; 4.3.7. Que as despesas nos valores de R$540.000,00 e R$1.688.840,00 com comissão pagas à Panamericano Administradora de Cartão de Crédito estão intrinsecamente relacionadas com o seu objeto social, o que se confirma a partir das informações constantes do "Contrato de Prestação de Serviços" firmado com a citada empresa, que se encontra às folhas 74 a 78 do presente processo administrativo e posterior aditamento. Além disso, para comprovar a efetividade da prestação de serviço e o consequente pagamento, além do contrato de prestação de serviços e do aditamento de referido contrato, apresentou cópias de diversas Notas Fiscais e de Razões Contábeis da conta n° 8.1.7.57.00.4.4834 ("Comissão Panamericano Adm. Cartão Cred" doc. 05.), que evidenciam o efetivo pagamento e o correspondente registro contábil destas despesas. Ocorre que para chegar à precipitada e desmotivada conclusão de que eram insuficientes os documentos apresentados, a Fiscalização se ateve apenas a um único fato, qual seja, a falta de apresentação do relatório comprobatorio do cálculo da remuneração paga pela Impugnante à Panamericano Administradora de Cartão de Crédito. Assim, ainda que o relatório com o cálculo da remuneração fosse documento indispensável para justificar a efetividade da despesa incorrida, argumenta que a legislação não exige documentos específicos para comprovar a efetividade da prestação de serviços, como supôs a Fiscalização, mas exige apenas a apresentação de documentos hábeis a tanto, os quais foram, repitase, efetivamente apresentados durante todo o processo fiscalizatório para comprovar a operacionalidade das despesas em apreço; 4.3.8. Que as Despesas com comissão paga à Panamericano Prestadora de Serviços, no valor de R$2.100.000,00, tem por objetivo a prestação dos serviços de recepção e encaminhamento de pedidos de operações de arrendamento mercantil, cadastro, execução de serviços de cobrança e outros serviços de controle, inclusive processamento de dados das operações pactuadas. Tais despesas decorrem, obviamente, da atividade normal de uma instituição financeira e do risco do próprio negócio por ela engendrado, motivo pelo qual tais despesas são, evidentemente, usuais, necessárias e normais a sua atividade. Argumenta que como no caso das comissões pagas à empresa Panamericano Administradora de Cartão de Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 12 11 Crédito, também não houve qualquer demonstração por parte da fiscalização acerca da indedutibilidade de tais valores, em vista dos requisitos trazidos pelo já citado artigo 299 do RIR, mas apenas e tão somente a mera presunção desses fatos, desprezando o que está comprovado nas demonstrações contábeis apresentadas, o que não pode legitimar a glosa das despesas em análise; 4.3.9. Que, diversamente do entendimento exposto pela Fiscalização, os contratos de prestação de serviços celebrados entre a Impugnante e a Panamericano Administradora de Cartões de Crédito e a Panamericano Prestadora de Serviços atendem às condições previstas na Resolução Bacen n° 3.110/03, com as alterações introduzidas pela Resolução BACEN n° 3.156/03, razão pela qual não merece prevalecer, também por esse motivo, a glosa das despesas ora questionada; 4.3.10. Que relativamente à glosa de despesas dispendidas com "Outros Serviços", no valor de R$2.529.322,08, a que se referem as contas contábeis n°s 8.1.7.57.00.4.4982, 8.1.7.63.00.5.5187 e 8.1.7.63.00.5.5314, também entendeu o Sr. Agente Fiscal que os documentos apresentados teriam sido insuficientes para demonstrar a necessidade, usualidade e normalidade destes dispêndios. No entanto, alega que apresentou documentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a necessidade, usualidade e normalidade das despesas, assim como a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados e que o Termo de Verificação Fiscal contém evidentes contradições, o que realça ainda mais o fato de que o próprio Fiscal não se atentou para o trabalho que vinha realizando, além, é claro, de obstáculo para sua ampla defesa, que se vê obrigada a reapresentar toda a documentação que já apresentou durante mais de um ano à Fiscalização, já que não é possível se depreender, pela análise das conclusões da Fiscalização, o motivo pelo qual os documentos foram considerados insuficientes; 4.4. Que a Fiscalização não expôs os motivos pelos quais seria aplicável a multa agravada de 112,5%, e que não é possível deduzir qual teria sido o motivo ensejador para a imposição dessa penalidade (falta de esclarecimento, não apresentação dos arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 265 e 266 ou a documentação técnica de que trata o artigo 277), uma vez que a própria Fiscalização reconhece que foram respondidos todos os termos de intimação que lhe foram apresentados, bem como entregou a documentação solicitada, ainda que, no entender da Fiscalização, tais documentos não sejam suficientes para comprovar a necessidade, usualidade, normalidade e efetividade das despesas. Alega que jamais poderia a Fiscalização aplicar a multa agravada de 112,5% no presente caso, justamente porque a suposta insuficiência de documentos não é uma das hipóteses para a incidência dessa gravosa penalidade; que somente é possível quando restar efetivamente comprovada, dentre outras situações, que o contribuinte se recusou a atender as intimações fiscais, gerando prejuízo ao procedimento fiscal; 4.5. Que a fiscalização não adotou um critério único para consideração das diferenças do anocalendário de 2007 glosadas a título de "outros serviços de pessoas jurídicas", no valor total de R$2.529.322,08. Tal fato teria gerado na interessada a sensação de incerteza com relação à validade dos lançamentos tributários ora combatidos, fazendo com que os créditos tributários exigidos por intermédio do presente processo administrativo não sejam considerados líquidos e certos e que ensejaria a necessária decretação da nulidade das autuações fiscais. Segundo a interessada, para apurar a base tributável da suposta despesa dedutível decorrente das operações com as empresas Focus Consult, Infocus, Teixeira de Carvalho, Max Control Assessoria e Boafonte Consultoria, a fiscalização tomou como base o valor declarado Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 13 12 em DIRF. Porém, com relação à Max Control Eventos o valor tomado como base para a apuração da base de cálculo tributável foi o declarado na Nota Fiscal apresentada. Para melhor explicar tal questão é apresentada a planilha a seguir transcrita: Nome do beneficiário CNPJ Total de Pagamentos Total de Notas Fiscais Dirf Valor glosado Focus Consult Finan 04.566.041.000109 175.968,75 187.500,00 187.500,00 187.500,00 Infocus Adm Finan 07.791 176000166 312.802,05 345.000,00 345 000,00 345 000 00 Teixeira de Carvaiho Bruno 02.775 181.000153 93.435,00 97 13000 170 122.30 170.122,30 Max Control Eventos 07.770.467.000130 603.189,45 488.379,53 523 11232 488.379,53 Max Control Assessoria 56 342439.00015? 965.910,02 676.340,00 1.029.206,25 1.029.206,25 Boafonte Consultoria 05.477.415.000174 249.383,61 309.114,00 309.114.00 309.114,00 Total 2.400.688,88 2.103.513,53 2.569.054.87 2.529.322.08 4.6. Sobre a glosa das despesas com as perdas dedutíveis em operações de crédito dos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores de R$1.865.088,34, R$1.968.722,54, R$1.284.240,40, R$6.377.190,50, R$13.659.256,96 e R$5.822.640,01: 4.6.1. Que as despesas lançadas nas Fichas 05B e 09B das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 e 2008 ou (i) foram efetivamente tributadas, ou (ii) são dedutíveis por serem despesas operacionais às suas atividades, e, caso assim não se entenda, (iii) são perdas que se subsumem integralmente ao disposto no artigo 9o da Lei n° 9.430/96; 4.6.2. Que relativamente ao anocalendário de 2007 apresentou um relatório em mídia CD, contendo informações relativas a créditos num total de R$7.079.536,36, o qual foi apenas mencionado no TVF. Assim, do total de R$11.495.241,78, para o qual a fiscalização alega que não teriam sido apresentados documentos comprobatórios para justificar a dedutibilidade das respectivas perdas, foi entregue relatórios contendo todas os dados e informações das ações judiciais de cobrança de perdas num total de R$7.079.536,36, que teriam obedecido plenamente o disposto no inciso III do artigo 9o da Lei n° 9.430/96 e que, por isso, em observância ao princípio da verdade material que rege todo o processo administrativo, devem ser exoneradas da tributação; 4.6.3. Que demonstrou à fiscalização que havia celebrado, no anocalendário de 2007, contrato de cessão de crédito, sem coobrigação, no montante de R$24.960.677,00, com a empresa Feurs Holding S/A, não ligada ao grupo, com preço de cessão ajustado em 4,8% do total dos créditos cedidos. Posteriormente à cessão, os cessionários efetuaram aditamento ao contrato relativamente ao montante dos créditos cedidos, que passou a ser de R$24.104.282,61, a um preço de R$1.157.005,56 (R$24.104.282,61 x 4,8%) que foram contabilizados na conta contábil COSIF 7.1.9.20.00.9.1307 ("Recuper. Créditos Baixados como Prejuízo") e recebidos em duas parcelas creditadas em sua conta corrente, nos valores de R$485.195,77 e R$671.809,79, conforme extrato bancário já apresentado aos autos do presente processo administrativo. Entretanto, alega que esta informação apenas citada no Termo de Vefificação Fiscal, mas não analisada pela fiscalização; 4.6.4. Que atribuiu aos créditos no valor de R$24.104.282,61 o caráter de despesa efetiva, já que o contrato de cessão continha cláusula prevendo a não coobrigação, assim como que a cessão seria definitiva e irretratável. Assim, considerandose que já vinha adicionando nos anos anteriores a 2007 e 2008 o saldo de provisão para perda no recebimento de créditos, no momento em que houve a cessão definitiva dos créditos, num valor de R$24.104.282,61, reverteu referida provisão, deduzindoa do seu lucro real e da base de cálculo da CSLL apuradas nos anos calendário de 2007 e 2008, nos termos do artigo 299 do RIR/99; Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 14 13 4.6.5. Que as perdas cedidas mediante contrato oneroso (tal como no presente caso) não pertencem mais à contribuinte, e são plenamente dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, já que o contrato de cessão de crédito está entre as atividades operacionais que podem ser realizadas por uma determinada pessoa jurídica. Não há que se falar, portanto, em descumprimento dos requisitos para a dedutibilidade das perdas, como prevê o artigo 9o da Lei 9.430/96, citado pela fiscalização para justificar a glosa ora contestada, mas sim de dedução de despesa efetivamente operacional; 4.6.6. Que no presente caso, parte das despesas relativas ao anobase de 2007 no valor de R$2.550 mil (e não perdas, como entendeu equivocadamente a Fiscalização) foram deduzidas em razão da celebração do compromisso de cessão de crédito e portanto, conforme se expôs, são plenamente dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em razão do quanto disposto no artigo 299 do RIR/99; 4.6.7. Que a outra parte dos créditos cedidos (R$21.554 mil) foi deduzida no anocalendário de 2008, de modo que também resta comprovada a plena possibilidade de deduzir a suposta diferença apontada pela Fiscalização, num total de R$19.481.896,97; 4.6.8. Que com relação à suposta diferença apurada pela fiscalização, no valor de R$1.865.088,34, esclarece não se tratar de valor contabilizado a título de perdas em operações de crédito, mas sim a título de outras provisões, e seria, na realidade, o somatório do saldo de R$312.501,47, relativo à receita decorrente de reversão de provisão informada na Linha 44 da Ficha 06, com o saldo de R$1.552.586,87, correspondente às despesas com Provisão para Desval. de outros Bens e Veículos Apreendidos, que já é objeto das autuações ora combatidas e está sendo devidamente contestado na presente Impugnação; 4.7. Sobre a necessidade de exclusão da receita de superveniência de depreciação para apuração da base de cálculo da CSLL: 4.7.1. Que tem como objeto principal de suas atividades o arrendamento mercantil (também denominado leasing), sujeitandose, para fins de tratamento tributário, às disposições da Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974. Assim, tendo em vista as características essencialmente financeiras desta atividade, a legislação determina que todas as operações de arrendamento mercantil sejam reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil ("BACEN"), seguindo as normas editadas pelo Conselho Monetário Nacional ("CMN"). Neste sentido, nos termos da Circular do BACEN n° 1.429, de 20 de janeiro de 1989, as empresas de arrendamento mercantil devem escriturar os bens arrendados em seu ativo imobilizado, razão pela qual os referidos bens sofrem uma depreciação, calculada na forma da legislação pertinente (Circular do BACEN n° 1.429/89 e Portaria do Ministro da Fazenda n° 140/84). Além disso, devem as empresas de arrendamento mercantil, consoante as regras expedidas pelos mencionados Órgãos, atualizar, mês a mês, o valor contábil dos contratos ao "valor presente" de todas as contraprestações dos contratos, mediante a aplicação de juros. Este ajuste contábil no valor dos bens do ativo da empresa de arrendamento mercantil é procedido para que mencionadas empresas demonstrem em seus balanços bens registrados com valores mais próximos daqueles que condizem com a realidade da empresa. No caso de empresas que exercem outras atividades que não arrendamento mercantil, os bens registrados no ativo imobilizado somente estariam sujeitos à depreciação. Contudo, em razão da peculiaridade desta atividade (operação de arrendamento mercantil), ao mesmo tempo em que o bem está sendo depreciado, e portanto tendo seu valor reduzido, gera rendimentos para a empresa, os quais são incorporados ao resto deste bem; Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 15 14 4.7.2. Que ao proceder ao ajuste contábil por meio dos procedimentos acima referidos, mediante o confronto entre o valor correspondente à depreciação destes bens arrendados e o montante equivalente à atualização dos valores acordados nos contratos de arrendamento mercantil, mês a mês, aufere receitas (denominadas "receitas de superveniencia ativa"), ou incorre em despesas (denominadas "despesas de insuficiência") que, por decorrerem de meros ajustes contábeis, são necessários para que o valor patrimonial dos seus ativos sejam representados por valores que a Ciência Econômica considera mais adequados; 4.7.3. Que a referida "receita de superveniência ativa" não pode ser considerada lucro efetivo da sociedade, passível de tributação pela Contribuição Social sobre o Lucro, mas tão somente um resultado decorrente do ajuste contábil realizado para melhor refletir a situação patrimonial da empresa de arrendamento mercantil, como ocorre na apuração da base de cálculo do IRPJ. Ou seja, este ajuste não compõe o lucro da sociedade, tratase de receita fictícia que deveria ser expurgada para auferir a receita tributável pela CSLL, já que as operações realizadas somente podem dar ensejo à tributação pela CSLL no final de cada contrato, e não quando dos meros ajustes contábeis procedidos, eis que somente ao final do contrato é que se apurará o lucro efetivamente auferido; 4.7.4. Que caso na apuração dos anos de 2007 e 2008 tivessem sido excluídas as receitas de superveniencia de depreciação das bases de cálculo da CSLL, o valor principal da contribuição supostamente devida seria no valor de R$ 1.080.802,87. Logo, consoante demonstrado, não pode ser mantido os valores exigidos no presente auto de infração que desconsiderou a exclusão das receitas com superveniencia ativa, auferidas em virtude dos ajustes obrigatórios pelo BACEN, quando da apuração da base de cálculo da CSLL; 4.8. Sobre o poder probante da contabilidade e o ônus de prova no Direito Tributário: 4.8.1. Que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, motivo pelo qual não se pode admitir o entendimento da Fiscalização no sentido de que não foram apresentados elementos de prova suficientes pela Impugnante, pois nos termos do artigo 276 do RIR/99 a escrituração mantida com observância das disposições legais, como é o caso dos autos, faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, diante da vasta documentação contábil apresentada, caberia ao Sr. Agente Fiscal descaracterizar adequadamente a veracidade relativa de cada um dos documentos que lhes estavam à disposição, mediante provas cabais e não meras presunções, como fez no presente caso; 4.8.2. Que no processo administrativo tributário o ônus da prova cabe ao Fisco, e eventual ato administrativo tendente a desconsiderar as informações contabilizadas e declaradas pelo contribuinte, caso não esteja calçado por uma prova, mas apenas baseado em mera suposição, carecerá de motivo e será nulo de pleno direito; 4.8.3. Que mesmo que não tivesse apresentado documentos suficientes para comprovar a verdade material dos fatos e a contabilidade não fizesse prova em seu favor, o que alega ad argumentandum, as autuações ora combatidas também não poderiam prosperar em razão da ausência de prova de que as despesas não são dedutíveis ou que as exclusões realizadas são indevidas; 4.8.4. Que não poderia a Fiscalização, em hipótese alguma, utilizarse de recursos presuntivos e meros indícios para concluir, de forma equivocada, que teria Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 16 15 ocorrido dedução de despesas e exclusões indevidas por parte da Impugnante, pois consoante o princípio da segurança jurídica, o tributo só pode ser validamente exigido quando um fato ajustase rigorosamente à hipótese de incidência tributária. Não se pode considerar ocorrido o fato imponível por mera ficção ou presunção, isto é, independentemente da efetiva verificação, no mundo fenoménico, dos fatos abstratamente descritos na hipótese de incidência tributária. Em assim sendo, tendo sido demonstrada a impossibilidade de lavratura de autos de infração com fundamento em simples presunção, devem ser reconhecidas como indevidas as glosas originárias do presente processo administrativo, por terem sido realizadas com base em presunções que não encontram respaldo na realidade fática; 4.9. Que não poderia a Fiscalização ter adicionado à base de cálculo da CSLL as despesas consideradas indedutíveis, por falta de previsão legal que autorize tal conduta, pois muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais nem sempre são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. O que existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais do que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. O legislador determinou a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva {numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2o e §§, da Lei n° 7.689/88), e não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente às despesas questionadas no lançamento. Os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Com efeito, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. Portanto, não pode subsistir o lançamento da CSLL em questão, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade, um dos mais importantes princípios norteadores do Direito Tributário; 4.10. Que os lançamentos são nulos por falta de liquidez e certeza, pois houve evidente erro na determinação da base tributável e no cálculo do montante do IRPJ devido, uma vez que não foi considerada a compensação relativa ao saldo de prejuízo fiscal, acumulado pela empresa, à porcentagem de 30% do lucro tributável, aplicável ao anobase de 2007; 4.11. Que caso se entenda pela manutenção das glosas impugnadas, o que admite apenas a título argumentativo, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos incidentes nestes lançamentos fiscais devem ser atribuídas aos diretores da Impugnante à época dos fatos, porque estaria configurada a hipótese de responsabilidade pessoal dos administradores, conforme definido no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, que trata da responsabilidade dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado "pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos"; 4.12. Que não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3o do Código Tributário Nacional. Assim, os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista que o artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95 que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Como conclusão , temse que a cobrança de juros Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 17 16 sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS JÁ OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. DESCABIMENTO. Incabível o lançamento de crédito tributário fundamentado em glosa de despesas indedutíveis na apuração do lucro real, se o contribuinte comprova que as parcelas tidas por indedutíveis já haviam sido adicionadas no Lalur. DESPESAS OPERACIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. GLOSA. Uma vez reconhecido que os serviços contratados são de natureza imaterial, cuja prova há de ser feita indiretamente, e tendo a empresa apresentado as únicas provas possíveis, quais sejam, notas fiscais de prestação de serviços, comprovantes dos pagamentos e a efetividade do registro contábil, documentos esses não contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. A dedutibilidade de perdas em operações de crédito é condicionada à apresentação da prova de que os créditos atendem às condições estabelecidas na legislação para serem deduzidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008, 2009 CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2008, 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora calculados segundo a Selic. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 18 17 Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF (fls. 1226/1296), repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento fatos a serem destacados quando da análise do presente voto. A DRJ recorreu de ofício da parte cancelada. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 19 18 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Delimitação da lide Esta diligência circunscrevese apenas ao recurso voluntário e especificamente à infração relacionada à “Glosa de despesas relativas a Perdas em Operações de Créditos” Glosa de despesas relativas a Perdas em Operações de Créditos: 14.7. Quanto ao anocalendário de 2007, a interessada argumenta que apresentou um relatório em mídia CD, contendo informações relativas a créditos num total de R$7.079.536,36, o qual foi mencionado no TVF, que teriam obedecido plenamente o disposto no inciso III do artigo 9o da Lei n° 9.430/96 e que, por isso, devem ser exoneradas da tributação. Também alega que parte das despesas relativas ao anobase de 2007 no valor de R$2.550 mil foram deduzidas em razão da celebração do compromisso de cessão de crédito e portanto, conforme se expôs, são plenamente dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em razão do quanto disposto no artigo 299 do RIR/99. 14.8. Inicialmente cumpre destacar que no Termo de Verificação Fiscal não foi feita qualquer menção ao relatório em mídia CD contendo informações relativas a créditos num total de R$7.079.536,36, como a interessada alega na impugnação. Porém houve, de fato, a resposta à intimação através da petição de fls. 521/523, na qual a interessada informou à fiscalização que, verbis, "já foi possível gerar, parcialmente, o relatório de perdas (em mídia CD anexa) no valor de R$ 7.079.536.36 com a respectiva informação analítica das medidas judiciais adotadas para fins do recebimento ou arresto das garantias dos créditos vencidos e não pagos, onde entendemos ter comprovado os procedimentos exigidos pela Lei 9.430/96 no que diz respeito à dedução das perdas de créditos com garantia, tornandose, assim, necessária a solicitação de prazo adicional a V.Sa para atendimento completo das informações solicitadas". 14.9. O que se tem como certo é que relativamente ao anocalendário de 2007 a fiscalização acatou deduções no montante de R$24.371.520,36, no qual, salvo prova em contrário, já está incluído tanto o valor de R$7.079.536,36 quanto os R$2.550.000,00 deduzidos em razão da celebração do compromisso de cessão de crédito. Não existe comprovação de que tais valores (R$7.079.536,36 e R$2.550.000,00) estariam entre as parcelas não comprovadas, ou seja, comprovando valores além dos que já foram aceitos pela fiscalização. A esse respeito o recurso voluntário foi bastante enfático sobre o suposto erro que estaria sendo cometido pela DRJ que, no mínimo, segundo ela, seria necessário uma diligência: Cumpre salientar, ainda, que a Turma Julgadora, assim como o Sr. Agente Fiscal, equivocouse na análise das provas apresentadas pela Recorrente, como será demonstrado a seguir, além de ter deixado de analisar, ou determinar a baixa em diligência dos autos para análise, do CD contendo informações relativas ao créditos glosados no valor de R$ 7.079.536,36, verbis: (...) Vejase, portanto, que apesar de a Turma Julgadora reconhecer que foram apresentadas informações comprobatórias da plena dedutibilidade das perdas no valor de R$ 7.079.536,36, e que tais informações não foram, em nenhum momento, apreciadas ou sequer mencionadas pelo Sr. Agente Fiscal, optou por presumir que Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 20 19 o referido montante estaria contemplado no total de R$ 24.371.520,36, sem fazer qualquer prova a respeito de tal afirmação. A despeito de não se poder admitir o procedimento adotado pela Turma Julgadora, que acabou por ferir o princípio da verdade material que rege todo o processo administrativo, a Recorrente demonstrará, novamente nesta oportunidade, que o entendimento adotado pela decisão recorrida não merece prosperar. III.3.1. Dos Créditos com Garantia no Valor de R$ 7.079.536,36 Conforme mencionado acima, e reconhecido pela própria Turma Julgadora, relativamente ao anocalendário de 2007, a Recorrente apresentou ao Sr. Agente Fiscal um relatório em mídia CD, contendo informações relativas a créditos num total de R$ 7.079.536,36, o qual não foi, em nenhum momento, devidamente analisado. Com base neste relatório, apresentado em resposta à Fiscalização iab la de 21/06/2012 (fls. 521 a 523 dos autos), a Recorrente demonstrou que parte das perdas deduzidas no anocalendário de 2007, tinham obedecido plenamente o disposto no inciso III do artigo 9o da Lei n° 9.430/96, pois estavam amparadas em procedimentos judiciais de cobrança, conforme foi mencionado na resposta à fiscalização citada pela Turma Julgadora na decisão ora recorrida. De fato, para que não restassem dúvidas com relação à plena dedutibilidade dessas perdas, a Recorrente anexou novamente o aludido relatório em mídia CD juntamente com a impugnação (doe. 09 da impugnação), porém, a Turma Julgadora prescindiu de analisálo, preferindo pressupor que o valor de R$ 7.079.536,36 estaria contemplado no valor de R$ 24.371.520,36, o que não reflete a realidade dos fatos. A despeito de não poder se admitir que a Fiscalização e a Turma Julgadora formem suas convicções com base em presunções, como se falará a seguir, a Recorrente apresenta, de forma exemplificativa, valores que compõem o total de R$ 7.079.536,36 e que não compõem o valor de R$ 24.371.520,36, o que evidencia que, caso a Fiscalização e a Turma Julgadora tivessem analisado os documentos que lhes foram apresentados, em observância ao princípio da verdade material, teriam confirmado que o valor de R$ 7.079.536,36 foi corretamente deduzido pela Recorrente. E logo a seguir, em seu recurso, trata de ilustrálo com alguns exemplos numéricos: Confirase, a seguir, alguns exemplos das perdas que não compõe o total de R$ 24.371.520,36, as quais estão integralmente transcritas em planilha anexa ao presente recurso (doe. 06): ELZA EMÍLIA DE ANDRADE 5836061 41528 75952831753 06/08/2003 5.199,22 ROBSON MARTINS DE OLIVEIRA 5813690 46146 4271729779 26/06/2003 4.025,71 ALESSANDRO DE OLIVEIRA PINTO 5882085 145109 9052405700 19/09/2003 4.595,12 JORGE FERREIRA NETO 5882164 155180 10303908785 20/04/2003 4.892,64 RICARDO CUNHA DE ARAUJO GOMES 5872658 156247 9171090746 17/04/2003 5.494,08 CARLOS HENRIQUE DANTAS CARDOSO 5873189 168241 89039130 17/10/2003 4.466,09 LUIZ AUGUSTO DE SOUZA VAZ 5878289 175194 8138557729 19/09/2003 4.931,85 FÁTIMA CRISTINA MOREIRA DA SILVA 5890797 212618 76289605704 24/04/2003 5.248,92 LUIZ CARLOS ALVES NEVES 5905987 213911 10266616763 26/06/2003 5.474,27 ADAHIR MAGALHÃES 5889107 221693 6455395700 20/07/2004 3.605,85 ADRIANO ALVES DOS SANTOS 5889315 223153 9923203727 21/08/2003 4.886,23 JUAN PAULO DA SILVA 5915147 248729 10075722720 01/10/2003 4.899,12 RAUL SILVA DE SOUZA 5907148 266202 27532437787 26/05/2004 3.821,81 JOSE RODRIGUES DA SILVA 5920523 283008 70541795791 01/02/2004 4.552,39 RICARDO DOS SANTOS 5938319 314388 2305048769 07/05/2004 3.924,58 ANTONIO BARBOZA TOMAS 5929372 316846 96396393468 03/09/2003 4.304,17 MOISES DE SOUZA AZEREDO JÚNIOR 5963015 326417 9485633700 11/08/2003 5.089,29 WASHINGTON LUIZ DIAS MORAES 5935120 340810 54583918100 04/09/2003 3.979,12 NELSON MAIA BORRALHO 5952993 411333 19119569734 09/06/2003 4.603,47 EDER LUIZ 5981142 437089 9167564755 16/05/2004 3.348,63 ALEKSANDER FAZOLO 6001042 481227 3630769721 24/06/2003 4.197,41 LUIZ CARLOS DE SOUZA 6001081 485831 53449355791 24/02/2004 3.159,51 LEANDRO GODAD DE PAULA 5989334 498316 5336920754 17/06/2003 4.972,88 ANDRE GLESIO DE CAMARGO 5997838 513359 729444988 23/11/2003 4.181,34 JOÃO CASALOTI VITURINO 6013241 544352 3703771844 25/02/2004 3.567,44 TOTAL 111.421,14 Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720420/201213 Resolução nº 1401000.366 S1C4T1 Fl. 21 20 Como se vê, a DRJ deixou de avançar na análise mais aprofundada dessas parcelas por reputar que a Recorrente estaria contestando matéria incontroversa. Porém, diante do recurso voluntário que se me apresentou não me foi de todo convincente essa posição tomada pela DRJ, além do que, baseouse em dados genéricos sem muito fundamento sólido: o simples fato de o valor contestado estar incluso (ou ser menor) no (do que o) valor incontroverso Em relação ao anoseguinte (2008) a situação também foi colocada pela DRJ nos mesmos termos, gerando assim a mesma dúvida e, contestado no recurso de igual forma: (...) 14.13.Quanto ao anocalendário de 2008 a interessada não contesta especificamente cada uma das glosas, mas argumenta que no referido período deduziu R$21.554.000,00 correspondente ao valor restante dos créditos cedidos mediante contrato oneroso, da mesma forma que já havia deduzido R$2.550.000,00 no ano calendário de 2007.Entende, assim, estar comprovada a diferença apontada pela Fiscalização, num total de R$19.481.896,97. Mais uma vez vale destacar que a fiscalização, através dos dados constantes nos arquivos magnéticos apresentados pela interessada, acatou um quantitativo de perdas com créditos no anocalendário de 2008 da ordem de R$24.292.012,58, no qual já se encontram os créditos cedidos por contrato oneroso. Restaram incomprovadas, e por isso mantidas no presente voto, as diferenças apontadas pela fiscalização, sendo R$13.659.256,96 a título de diferenças não comprovadas e R$5.822.640,01 de Parc. Não comprovadas ref. Arquivo2 e arquivo3. Nesse contexto de insegurança quanto a pertinência das provas analisada e em nome da verdade material, baixo o processo em diligência para que sejam sanadas tais dúvidas: a fiscalização deve aprofundar na investigação dessas dúvidas, intimando o contribuinte se for necessário. Se de fato as parcelas questionadas pela Recorrente compuseram mesmo a parte controversa da autuação, oportunizar ao contribuinte o complemento da prova e se pronunciar a respeito de sua adequação, aprofundandose na ocorrência desse evento de cessão de créditos Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10950.901845/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .9 01 84 5/ 20 13 -6 1 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 501 ___________ RELATÓRIO GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) DRJ/REC, que, por maioria de votos, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, o qual, por bem descrever o ocorrido, dele ora me valho: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação – DCOMPs de fls. 02/57, por meio das quais compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito inicial informado, no valor de R$ 35.358.465,83, seria decorrente de saldo negativo do imposto apurado em 31/12/2011. 2. Através do Despacho Decisório de fls. 58/69, a Delegacia da Receita Federal – DRF em Maringá reconheceu parcialmente o saldo negativo, no valor de R$ 24.019.953,58, pelo que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP de fls. 02/51 e não homologou a compensação declarada na DCOMP de fls. 52/57. O reconhecimento parcial do crédito deveuse ao fato de que parte do saldo negativo foi composto por estimativas mensais não efetivamente extintas, dado que objeto de compensações não homologadas. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 56/101), alegando, em síntese: a) que as estimativas não homologadas estão sendo cobradas em outro processo, de nº 10950.722014/201244, o que caracterizaria dupla cobrança; b) que a não homologação das estimativas está incorreta; conforme manifestação de inconformidade apresentada no respectivo processo; c) que, em razão da homologação parcial da DCOMP do presente processo, está sendo cobrado débito de estimativa, o que seria incabível após o encerramento do anocalendário em que apurada; d) ainda que se considere devida a cobrança da estimativa, não seria cabível, por ilegal, a incidência de juros sobre a multa de mora. 4. Requereu, ao final, o apensamento e julgamento deste processo com de nº 10950.722014/201244, ou a suspensão do presente processo até o julgamento daquele, ou, ainda, a homologação integral das compensações. 5. Registro que se encontra vinculado a este processo digital o processo papel nº 10950.726310/201303, o qual contém mídias digitais assim intituladas: “Doc nº 07 – CD contendo cópia integral do PTA nº 10950.722014/201244 “Doc nº 09 – Juntada de mídia digital (CD), contendo toda a documentação fiscal, contábil e gerencial que deu suporte aos laudos emitidos pela empresa de Auditoria Independente Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. A 2ª Turma da DRJ em Recife (PE), nos termos do acórdão nº 1144.652, julgou o lançamento procedente para os fins de não homologar as compensações pleiteadas. Cientificado da decisão da DRJ/REC por decurso de prazo em 26/02/2014, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/03/2014, onde repisa os mesmo argumentos Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.901845/201361 Resolução nº 1301000.306 S1C3T1 Fl. 502 3 aduzidos em sede de manifestação de inconformidade para, ao final, concluir com os seguintes pedidos: 1) PRELIMINARMENTE: Seja reconhecida a dupla cobrança procedida pela RFB ao (i) glosar, no presente processo, o crédito de saldo negativo de IRPJ (ano calendário 2011), decorrente de compensação de estimativas, pelo fato da não homologação das PER/DCOMPs relacionadas na formação do crédito e, concomitantemente, (ii) exigir o pagamento dessas estimativas no PTA n° 10950.722014/201244. Dessa maneira, requer seja julgado procedente o recurso voluntário para que seja confirmado o direito creditório da Recorrente expresso em DIPJ, em especial aqueles valores oriundos de demais estimativas compensadas e, por conseguinte, sejam homologadas in totum as compensações;declaradas nos PER/DCOMP n° 40761.59976.230712.1.3.029034 e n° 31712.16565.150113.1.7.02 5242; 2) Seja determinado: (i) o apensamento e o julgamento conjunto deste processo com o PTA n° 10950.722014/201244; (ii) bem como a suspensão do presente processo até o julgamento definitivo daquele, porquanto o direito creditório ora pleiteado tem origem e fundamentos diretos naquele processo e qualquer decisão nele exarada impactará obrigatória e diretamente neste. 3) Seja reconhecida a existência integral do direito creditório pleiteado, conforme amplamente demonstrado acima, julgandose procedente o recurso voluntário para homologar in totum as compensações declaradas nos PER/DCOMP n° 40761.59976.230712.1.3.029034 e n° 31712.16565.150113.1.7.025242. 4) Sejam declaradas inexigíveis as estimativas de IRPJ e CSLL em cobrança, tendo em vista o encerramento dos respectivos anoscalendário. É o Relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.901845/201361 Resolução nº 1301000.306 S1C3T1 Fl. 503 4 VOTO Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Tratamse de Declarações de Compensação – DCOMPs de fls. 02/57, por meio das quais a recorrente compensou crédito de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ apurados no anocalendário de 2011, com débitos relativos a PIS (cód. 8109 e 6912), COFINS (cód. 2172 e 5856), estimativa de IRPJ (cód. 2362) e estimativa de CSLL (cód. 2484) de sua responsabilidade. Através do Despacho Decisório de fls. 58/69, a Delegacia da Receita Federal – DRF em Maringá reconheceu parcialmente o saldo negativo, pelo que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP de fls. 02/51 e não homologou a compensação declarada na DCOMP de fls. 52/57. O reconhecimento parcial do crédito deveuse ao fato de que parte do saldo negativo foi composto por estimativas mensais não efetivamente extintas, dado que objeto de compensações não homologadas. As compensações não homologadas foram objeto do Processo Administrativo nº 10950.901845/201244, onde o contribuinte valeuse de créditos de PIS e COFINS não cumulativo apurados de abril de 2007 à agosto de 2011 para compensar, dentre outros, os débitos do lucro real por estimativa que não foram reconhecidos neste processo, em razão de não serem líquidos e certos. Por relevante, informo, desde já, que o processo nº 10950.901845/201244 se encontra aguardando sorteio para apreciação do recurso voluntário (situação constatada mediante consulta ao sistema eprocesso em 17/12/2015). Como se observa, pelo menos no que toca ao anocalendário 2001, a origem das diferenças objeto de discussão no presente processo reside em outro processo. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá. Se, por hipótese, vier a ser decidido no outro processo pela improcedência da não homologação feita pelo Fisco e pela correção do quanto apurado pelo sujeito passivo, isso implicará diretamente o restabelecimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2011, com efeitos sobre as glosas de compensações no anocalendário 2012, aqui discutidas. Caso, na hipótese contrária, lá vier a ser decidida a correção da não homologação decidida pelo Fisco, a decisão aqui deverá ser pela procedência das glosas em 2012. Com essas considerações, tenho por claro que não se há de examinar, neste processo, questões discutidas no outro processo, especificamente acerca da homologação ou não das compensações lá discutidas. A homologação ou não de tais compensações é objeto do processo nº 10950.901845/201244. Lá é que as estimativas de 2012 não foram consideradas como tendo sido pagas e, por isso mesmo, lá é o foro adequado para essa discussão. A situação sob exame, à luz do Regimento Interno do CARF em vigor, pode ser caracterizada como “decorrência”, tal como prevê o art. 6º do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, verbis: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.901845/201361 Resolução nº 1301000.306 S1C3T1 Fl. 504 5 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. [...] Diante do exposto, como o processo principal deverá ser distribuído à 3ª Seção de Julgamento, haja vista que o mesmo trata de direito creditório de PIS e COFINS não cumulativo, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 10950.722014/201244; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.901845/201361 Resolução nº 1301000.306 S1C3T1 Fl. 505 6 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processos nº 10950.722014/201244; e 3. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o cumprimento da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 10950.722014/201244. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Sala de Sessões, 21 de janeiro de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.722306/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE.
Para fatos geradores sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, são devidas as contribuições previdenciárias do empregador rural pessoa física e do segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, consoante o art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991.
À empresa adquirente, de acordo com os incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, na condição de sub-rogada pelas obrigações do produtor rural.
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RE Nº 363.852/MG E 596.177/RS. ALCANCE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, nos julgamentos dos RE nº 363.852/MG e 596.177/RS, este último resolvido em feito com repercussão geral, restringe-se às contribuições previdenciárias devidas pelo empregador rural pessoa física relativas ao período anterior à Lei nº 10.256, de 2001.
Quanto à obrigação de recolhimento das contribuições pelo adquirente da produção rural, o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ao passo que o inciso III do mesmo artigo de Lei não foi objeto de exame pela Corte Suprema.
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE.
É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
À empresa adquirente, com base no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 1992, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição, na condição de sub-rogada pelas obrigações do produtor rural.
LEI TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula Carf nº 2)
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. GRATIFICAÇÃO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integram a base de cálculo do salário-de-contribuição as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212/91. Caracterizado pela própria fiscalização como sendo pagamento realizado em parcela única, verifica-se sua eventualidade e a desvinculação da gratificação especial recebida do conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. PRÊMIO FILHO E PRÊMIO CASAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores recebidos a título de prêmio filho e prêmio casamento não se amoldam ao conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária, por se tratarem de pagamentos eventuais e que não se caracterizam como contraprestação ao trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARCELA DENOMINADA "BÔNUS PRÊMIO". LEI Nº 10.101, DE 2000. CONTRARIEDADE.
Integra o salário de contribuição a parcela denominada "Bônus Prêmio", prevista em acordo coletivo de participação nos lucros ou resultados e paga aos empregados ocupantes de cargos de nível mais alto da empresa, quando ausente a comprovação da existência de regras claras e objetivas no instrumento decorrente da negociação, com mecanismos para a aferição do acordado, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, contrariando, portanto, o que determina a Lei nº 10.101, de 2000.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4
É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
(Súmula Carf nº 4)
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 2401-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe parcial provimento para: a) excluir a tributação sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho (Levantamentos C1 e C2); b) por excluir a tributação sobre os pagamentos a título de Gratificação especial (Levantamentos GE e G1); c) por excluir a tributação sobre os pagamentos a título de Prêmio filho e de Prêmio casamentos (Levantamentos PE e P2); d) recalcular quando da execução do julgado, tendo em vista as exclusões acima mencionadas, as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, de forma a reavaliar a situação mais benéfica à recorrente por competência, utilizando-se do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuações por descumprimento de obrigação acessória e de obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato votou pela exclusão da tributação sobre os pagamentos a título de Comercialização da produção rural - Sub-rogação (Levantamento PR) e fará declaração de voto sobre a matéria. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará ainda o voto vencedor sobre as matérias em que o Relator restou vencido. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram por dar provimento parcial ao recurso, para que a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal fosse calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram ainda por dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa fosse calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. O Relator e os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi votaram por manter a tributação sobre os pagamentos a título de Gratificação especial (Levantamentos GE e G1); e sobre os pagamentos a título de Prêmio filho e de Prêmio casamentos (Levantamentos PE e P2). Ausente momentaneamente: Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fez sustentação oral: Dr. Luiz Romano. OAB: 14303/DF.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE. Para fatos geradores sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, são devidas as contribuições previdenciárias do empregador rural pessoa física e do segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, consoante o art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. À empresa adquirente, de acordo com os incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, na condição de sub-rogada pelas obrigações do produtor rural. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RE Nº 363.852/MG E 596.177/RS. ALCANCE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, nos julgamentos dos RE nº 363.852/MG e 596.177/RS, este último resolvido em feito com repercussão geral, restringe-se às contribuições previdenciárias devidas pelo empregador rural pessoa física relativas ao período anterior à Lei nº 10.256, de 2001. Quanto à obrigação de recolhimento das contribuições pelo adquirente da produção rural, o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ao passo que o inciso III do mesmo artigo de Lei não foi objeto de exame pela Corte Suprema. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. À empresa adquirente, com base no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 1992, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição, na condição de sub-rogada pelas obrigações do produtor rural. LEI TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. GRATIFICAÇÃO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Não integram a base de cálculo do salário-de-contribuição as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212/91. Caracterizado pela própria fiscalização como sendo pagamento realizado em parcela única, verifica-se sua eventualidade e a desvinculação da gratificação especial recebida do conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. PRÊMIO FILHO E PRÊMIO CASAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores recebidos a título de prêmio filho e prêmio casamento não se amoldam ao conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária, por se tratarem de pagamentos eventuais e que não se caracterizam como contraprestação ao trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARCELA DENOMINADA "BÔNUS PRÊMIO". LEI Nº 10.101, DE 2000. CONTRARIEDADE. Integra o salário de contribuição a parcela denominada "Bônus Prêmio", prevista em acordo coletivo de participação nos lucros ou resultados e paga aos empregados ocupantes de cargos de nível mais alto da empresa, quando ausente a comprovação da existência de regras claras e objetivas no instrumento decorrente da negociação, com mecanismos para a aferição do acordado, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, contrariando, portanto, o que determina a Lei nº 10.101, de 2000. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula Carf nº 4) Recurso voluntário provido em parte
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SUBROGAÇÃO NA AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. GANHOS EVENTUAIS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Recorrente PEPSICO DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE. Para fatos geradores sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, são devidas as contribuições previdenciárias do empregador rural pessoa física e do segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, consoante o art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 06 /2 01 2- 91 Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.404 2 À empresa adquirente, de acordo com os incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, na condição de subrogada pelas obrigações do produtor rural. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RE Nº 363.852/MG E 596.177/RS. ALCANCE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, nos julgamentos dos RE nº 363.852/MG e 596.177/RS, este último resolvido em feito com repercussão geral, restringese às contribuições previdenciárias devidas pelo empregador rural pessoa física relativas ao período anterior à Lei nº 10.256, de 2001. Quanto à obrigação de recolhimento das contribuições pelo adquirente da produção rural, o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ao passo que o inciso III do mesmo artigo de Lei não foi objeto de exame pela Corte Suprema. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. À empresa adquirente, com base no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 1992, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição, na condição de sub rogada pelas obrigações do produtor rural. LEI TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. FATOS GERADORES SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 10.256, DE 2001. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. GRATIFICAÇÃO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Não integram a base de cálculo do saláriodecontribuição as verbas “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”, por força da isenção prevista no art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212/91. Caracterizado pela própria fiscalização como sendo pagamento realizado em parcela única, verificase sua eventualidade e a desvinculação da gratificação especial recebida do conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.405 3 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. PRÊMIO FILHO E PRÊMIO CASAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores recebidos a título de “prêmio filho” e “prêmio casamento” não se amoldam ao conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária, por se tratarem de pagamentos eventuais e que não se caracterizam como contraprestação ao trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARCELA DENOMINADA "BÔNUS PRÊMIO". LEI Nº 10.101, DE 2000. CONTRARIEDADE. Integra o salário de contribuição a parcela denominada "Bônus Prêmio", prevista em acordo coletivo de participação nos lucros ou resultados e paga aos empregados ocupantes de cargos de nível mais alto da empresa, quando ausente a comprovação da existência de regras claras e objetivas no instrumento decorrente da negociação, com mecanismos para a aferição do acordado, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, contrariando, portanto, o que determina a Lei nº 10.101, de 2000. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do inciso II do art. 35 dessa mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula Carf nº 4) Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para: a) excluir a tributação sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho (Levantamentos C1 e C2); b) por excluir a tributação sobre os pagamentos a título de Gratificação especial (Levantamentos GE e G1); c) por excluir a tributação sobre os pagamentos a título de Prêmio filho e de Prêmio casamentos (Levantamentos PE e P2); d) recalcular quando da execução do julgado, tendo em vista as exclusões acima mencionadas, as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, de forma a reavaliar a situação mais benéfica à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.406 4 anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuações por descumprimento de obrigação acessória e de obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato votou pela exclusão da tributação sobre os pagamentos a título de Comercialização da produção rural Subrogação (Levantamento PR) e fará declaração de voto sobre a matéria. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará ainda o voto vencedor sobre as matérias em que o Relator restou vencido. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram por dar provimento parcial ao recurso, para que a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal fosse calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram ainda por dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa fosse calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. O Relator e os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi votaram por manter a tributação sobre os pagamentos a título de Gratificação especial (Levantamentos GE e G1); e sobre os pagamentos a título de Prêmio filho e de Prêmio casamentos (Levantamentos PE e P2). Ausente momentaneamente: Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fez sustentação oral: Dr. Luiz Romano. OAB: 14303/DF. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.407 5 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1448.211 (fls. 2.058/2.074): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria para a qual não haja contestação expressa do contribuinte, consolidandose na via administrativa. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades ou violação aos princípios constitucionais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PARCELAS INTEGRANTES DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PREMIAÇÕES E GRATIFICAÇÕES. Todos os ganhos habituais do empregado, independente do título pelo qual sejam pagos, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária compondo o salário de contribuição do segurado empregado e a basedecálculo da contribuição do empregador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PARCELAS INTEGRANTES DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Integram a basedecálculo das contribuições devidas à Seguridade Social os valores relativos aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados quando efetuados em desacordo com a lei de regência. MULTA APLICADA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI Nº 11.941/09. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro/2008, deve ser objeto de comparação a multa de mora prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.528/97, somada à multa punitiva por descumprimento de obrigação Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.408 6 acessória relativa à GFIP, prevista no artigo 32 da mesma norma legal, com a multa de ofício estabelecida no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96 (75%), prevalecendo aquela que se mostrar mais favorável ao contribuinte. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. As contribuições sociais pagas com atraso sujeitamse à taxa SELIC a título de juros. 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto por 3 (três) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01/2008 a 12/2008, assim formalizados (fls. 1.721/1.736): i) AI nº 37.269.9960, referente às contribuições previdenciárias da empresa, previstas nos incisos I a IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais e sobre o valor bruto de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por cooperativas de trabalho, além da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção rural, exigida da empresa adquirente na condição de subrogada (fls. 1.659/1.698); ii) AI nº 37.269.9995, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos (fls. 1.699/1.719); e ii) AI nº 37.270.0039 (obrigação acessória), por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias Código de Fundamentação Legal CFL 68 (fls. 1.720). 3. Quanto às obrigações principais, a fiscalização expõe que o crédito tributário decorre da incidência de contribuições sobre: i) pagamentos de serviços realizados por cooperado intermediado por cooperativa de trabalho, na forma do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 (Levantamento Fiscal: C1 e C2); ii) pagamentos a contribuintes individuais, incluindo condutor autônomo de veículo rodoviário (Levantamento Fiscal: A1, A2, T1 e T2); iii) pagamentos a segurados empregados a título de gratificação especial (Levantamento Fiscal: GE e G1); iv) pagamentos a segurados empregados a título de prêmio filho e casamento (Levantamento Fiscal: PE e P2); Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.409 7 v) pagamentos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) em desacordo com a lei específica, no tocante à parcela denominada "Bônus Prêmio" (Levantamento Fiscal: PL);e vi) receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, exigida da empresa adquirente na condição de sub rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial (Levantamento Fiscal: PR e P1). 4. No que toca ao período até 11/2008, para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 5. O contribuinte foi cientificado da autuação em 13/12/2012, via postal, conforme fls. 1.745 e 1.753, e impugnou a exigência fiscal (fls. 1.756/1.774). 5.1 Nessa oportunidade, comunicou o pagamento integral dos valores demandados por meio do AI nº 37.270.0039 (fls. 1.775/1.776). 6. Intimada da decisão de piso em 20/5/2014, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, segundo fls. 2.076/2.077, a recorrente apresentou recurso voluntário em 18/6/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 2.080/2.096). i) a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em sede de repercussão geral, no Recurso Extraordinário (RE) nº 595.838/SP. Assim, as decisões definitivas de mérito, proferida pelo STF nessa sistemática, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos administrativos, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); ii) a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, desobrigando os adquirentes de reter e recolher a contribuição social por subrogação, conforme decisão do plenário do STF no julgamento do RE nº 363.852/MG. Nesse contexto, os membros do Carf poderão afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária da Corte Suprema, de acordo com o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho; Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.410 8 iii) a não incidência de tributação sobre os pagamentos de caráter eventual a título de gratificação especial prêmio filho e prêmio casamento , porque desprovidos de habitualidade; iv) a regularidade do programa de PLR da empresa, em que houve prévia pactuação de metas com a participação e o aval do Sindicato, inclusive quanto à cláusula para pagamento do "Bônus Prêmio". Adotouse no documento regras claras e objetivas, como forma de afastar quaisquer dúvidas e incertezas a frustrar os direitos dos trabalhadores, cumprindo assim os requisitos formais exigidos pela legislação em vigor; v) a necessidade de revisão do critério adotado para a retroatividade benigna, mediante aplicação da multa de mora do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, em substituição ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) calculado nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991; e vi) a indevida aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) na correção do crédito tributário. 7. Às fls. 2.260/2.261, consta manifestação expressa sobre a desistência parcial do recurso voluntário, tão somente quanto à parte vinculada aos valores de autônomos (Levantamentos A1 e A2). 7.1 Requer ainda a peticionante o regular processamento do apelo recursal no que tange aos lançamentos relativos aos pagamentos a cooperativas, gratificação especial, prêmios, comercialização de produção rural e PLR. 8. No tocante aos pagamentos a contribuintes individuais, anoto que o inconformismo descrito na peça recursal restringiase apenas à utilização da taxa Selic sobre o crédito tributário apurado pela fiscalização, bem como quanto ao critério de aplicação da multa. É o relatório. Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.411 9 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Pagamentos a cooperativas de trabalho (Levantamentos C1 e C2) 10. Em sessão do STF realizada no dia 23/4/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. Eis a sua ementa: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.412 10 contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (grifei) 10.1 Em 18/12/2014, ao apreciar os embargos de declaração interpostos pela União neste RE nº 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 10.2 Por fim, o RE nº 595.838/SP transitou em julgado em 9/3/2015. 11. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, assim estabelece: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 12. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento de oficio foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, devendo o entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 13. Logo, afastado o fundamento jurídico que sustenta a autuação, assiste razão à recorrente, devendo ser declarada a improcedência do crédito tributário constituído por meio do AI nº 37.269.9960, no tocante aos Levantamentos Fiscais "C1" e "C2". b) Comercialização da produção rural Subrogação (Levantamentos PR e P1) 14. No que tange às contribuições previdenciárias, a acusação fiscal afirma a falta de recolhimento de exações, referentes a fatos geradores do ano de 2008, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, cobrada da empresa adquirente, ora recorrente, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física e segurado especial, com respaldo nos incisos I e II do art. 25 c/c incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. 14.1 Reproduzo, a seguir, os dispositivos legais mencionados, segundo as redações vigentes à época dos fatos geradores, incluindo aquela dada pela Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001: Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.413 11 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: [Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001] I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; [Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97]. II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. [Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97]. (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93] (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; [Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007]. IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; [Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97] (...) 15. Em outro giro, conforme já apontado pela recorrente, por meio do RE nº 363.852/MG, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, a Corte Suprema reconheceu a inconstitucionalidade parcial dos incisos I e II do art. 25 e do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada inicialmente pelo art. 1º da Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, e posteriormente, alterada pelo art. 1º da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, porém mantida a contribuição relativa ao segurado especial. 15.1 Para melhor compreensão, eis a ementa do que foi decidido pelo Plenário do excelso Tribunal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.414 12 Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. 16. Mais adiante, a mesma matéria relativa à incidência da tributação sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física foi examinada e resolvida em feito com repercussão geral, no RE nº 596.177/RS, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. 17. Em um e outro caso, a razão da declaração de inconstitucionalidade residiu no fato de o legislador ter criado uma nova contribuição para a seguridade social, a cargo do produtor rural pessoa física, sem que houvesse imposição por meio de lei complementar, em contrariedade direta ao requisito do § 4º do art. 195 da Carta Política de 1988. 17.1 De modo que a inovação quanto à fonte de custeio não se situava dentre as bases econômicas já inseridas no próprio art. 195 da Carta Magna e passíveis de instituição e majoração mediante a edição de lei ordinária. 18. Acontece que o STF declarou apenas por vício formal a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física sobre a comercialização da produção rural, dado que confrontou a exigência prevista em lei ordinária com o texto do art. 195 da Constituição da República em versão anterior às inovações trazidas pela Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998. Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.415 13 18.1 A partir dessa emenda, o texto constitucional passou a prever como fonte de custeio ordinária da seguridade social não só o faturamento, como também a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a receita auferida pelo empregador (art. 195, inciso I, alínea "b"). 19. Daí porque as decisões da Corte Suprema não se pronunciaram sobre a exigência tributária na forma da Lei nº 10.256, de 2001, arrimada no art. 195 da Constituição da República na redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, e que veio a introduzir uma nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, devidamente copiado no início desse tópico, e aplicável para os fatos geradores a partir de novembro de 2001. 20. A constitucionalidade da tributação sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural com base na Lei nº 10.256, de 2001, não foi analisada por ocasião dos extraordinários acima enumerados. 20.1 Entretanto, temse notícia que o exame da compatibilidade com o texto constitucional darseá no RE nº 718.874/RS, o qual já teve a repercussão geral reconhecida e encontrase pendente de julgamento naquele Tribunal. 20.2 Como cediço, afastamento da presunção de constitucionalidade de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. De sorte que escapa à competência deste Conselho a declaração, bem o reconhecimento, de inconstitucionalidade de lei tributária.1 21. Nesse cenário fático e jurídico, com relação aos fatos geradores posteriores a novembro de 2001, inclusive, como ora se identificam nos autos, não existe uma vinculação obrigatória deste órgão judicante administrativo ao decidido no RE nº 596.177/RS, tampouco são aplicáveis a este processo administrativo, em meu ponto de vista, as razões de direito exaustivamente expostas, pela Corte constitucional, no RE nº 363.852/MG. 22. Por outro lado, é verdade que o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo de lei que prevê a subrogação do adquirente de produtos rurais na obrigação da pessoa física, também foi inserido como contaminado pelo vício de inconstitucionalidade na parte dispositiva no RE nº 363.852/MG. 23. Nada obstante, a cuidadosa leitura do acórdão desse recurso extraordinário revela que não há qualquer argumento de inconstitucionalidade contra a subrogação ao longo de todo o julgamento, evidenciando que o instituto em si nada possui de inconstitucional, até porque a responsabilidade, como forma de hipótese de sujeição passiva tributária, pode ser validamente instituída por meio de lei ordinária. 24. Em vista disso, devese privilegiar uma interpretação sistêmica entre fundamentação e dispositivo do acórdão, no sentido de que o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, somente deixaria de ser aplicado nos exatos limites da declaração de inconstitucionalidade. 25. Vale dizer, portanto, que a obrigação do adquirente de produtos rurais estará afastada quando, e somente quando, referirse a fatos geradores compreendidos no período da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, anterior à Lei nº 10.256, de 2001, em que a técnica 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.416 14 de tributação da receita do produtor rural reconhecidamente destoava da prévia autorização dada pelo texto constitucional. 26. De mais a mais, mesmo que o inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, fosse revestido de inconstitucionalidade e consequentemente nulidade, hipótese que levanto apenas para introduzir explicação adicional à matéria em apreço, a obrigação tributária da pessoa jurídica adquirente da produção rural, consistente em recolher a contribuição previdenciária de que trata o art. 25 dessa mesma Lei, no prazo normativo, continua encontrando previsão expressa no inciso III do mesmo art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, igualmente já foi reproduzido alhures. 27. Em outros dizeres, a obrigação legal da recorrente de arrecadar e recolher as contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção rural, adquirida de produtor pessoa física e de segurado especial, encontra respaldo não só no inciso IV do art. 30, mas também na previsão do inciso III do mesmo artigo. 28. Por derradeiro, quanto à contribuição devida para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no percentual de 0,2% (zero vírgula dois por cento), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física, não foi objeto de reconhecimento de vício de constitucionalidade no RE nº 596.177/RS nem no RE nº 363.852/MG. 29. A contribuição ao Senar, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, possui natureza jurídica distinta das contribuições para a seguridade social. 30. A subrogação do adquirente, nas obrigações do produtor rural, encontra fundamento no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, que modificou a alíquota da exação, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, que trata do seu recolhimento, abaixo transcritos: Lei nº 9.528, de 1997 Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Decreto nº 566, de 1992 Art. 11. Constituem rendas do SENAR: (...) II contribuição compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.417 15 ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (...) § 5° A contribuição de que trata este artigo será recolhida: a) pelo adquirente, consignatório ou cooperativa que ficam sub rogados, para esse fim, nas obrigações do produtor; (grifei) b) pelo produtor, quando ele próprio vender os seus produtos no varejo, diretamente ao consumidor, ou a adquirente domiciliado no exterior. (...) 31. Exposto assim, concluo que não merece reforma a decisão de piso, nesse ponto do recurso voluntário. c) Gratificação especial (Levantamentos GE e G1) 32. No tocante à gratificação especial, é fundamental o exame da matéria sob a ótica da acusação fiscal. Nesse sentido, reproduzo a parte correspondente do relatório confeccionado pela autoridade lançadora (fls. 1.726): (...) (...) 33. Preliminarmente, notase que a fiscalização é bastante clara ao afirmar que o pagamento a título de gratificação eventual se deu em uma única parcela durante o ano de 2008, embora realizado a diversos segurados. 33.1 De acordo com a defesa, como não restou caracterizada a frequência do pagamento da parcela ao mesmo segurado, descaberia falar em habitualidade, pressuposto necessário, segundo a recorrente, para caracterizar o caráter remuneratório. Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.418 16 34. Acontece que devemos voltar a atenção para o exato teor da acusação fiscal, a qual é singela e objetiva, resumida nesses termos: para o ganho eventual não integrar a remuneração ou o salário de contribuição deve haver previsão em lei, conforme alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, assim redigido: Art. 214 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (...) 35. Pois bem. O art. 195 da Constituição da República, ao tratar do financiamento da seguridade social, estabelece como fonte de custeio, dentre outras: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) 35.1 Ao fazer menção aos "demais rendimentos do trabalho", o texto constitucional reproduz um conceito abrangente para a base econômica e torna possível a lei ordinária fazer incidir contribuições sobre parcelas que escapam à folha de salários do trabalhador, embora destinadas igualmente a retribuir o labor prestado. 35.2 Além disso, verificase, do dispositivo transcrito, que a base econômica não se restringe às definições de salário e remuneração na seara trabalhista. Embora muito se assemelhem, com forte interligação, não se confundem, pois a contribuição para a seguridade social pode incidir, na autorização constitucional, sobre salários e quaisquer outros rendimentos do trabalho. 35.3 É certo que as alterações no conceito de salário e remuneração levadas a efeito pela legislação trabalhista, especialmente por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), influenciam o direito previdenciário. Todavia, na parte do custeio, não poderá Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.419 17 determinar nem criar hipótese de exclusão tributária, sob pena de violar os princípios mais elementares da tributação. 36. A seu turno, a Constituição da República também expõe a relevância da habitualidade dos pagamentos para a inclusão na base de cálculo da contribuição para a seguridade social e, por consequência, repercussão em benefícios previdenciários. Nesse sentido, a redação do § 11 do art. 201: Art. 201 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (...) 36.1 De acordo com os princípios securitários, o benefício previdenciário possui característica de substitutividade dos rendimentos do trabalhador quando em inatividade ou mesmo na impossibilidade temporária de exercer a atividade laboral. Por isso, a preocupação do constituinte no sentido de a lei não retirar da base de cálculo valores percebidos de maneira habitual pelo segurado. 36.2 Aparentemente, a menção do texto à incorporação ao salário do trabalhador dos ganhos habituais não tem como alvo os pagamentos em pecúnia, pois a sua habitualidade converteos em salário. Pareceme que a intenção é claramente incluir os ganhos habituais sob a forma de utilidades. 36.3 De qualquer modo, este preceito constitucional não trata de matéria tributária, e sim de previdência social sob a ótica dos benefícios. Embora imponha, como regra, que o pagamento com habitualidade sofrerá a incidência da contribuição previdenciária, não se está dizendo que outros rendimentos decorrentes do trabalho, como bem autoriza a alínea "a" do inciso I do art. 195 da Carta Política, ainda que não habituais, estariam necessariamente excluídos do custeio da seguridade social. 37. No que tange à instituição das contribuições previdenciárias, cuidou a lei ordinária federal. Transcrevo, nessa prescrição, a redação do inciso I do art. 22 e do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.420 18 Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifouse) (...) 38. Como se vê, a habitualidade restringese somente aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, denominados "in natura". Não há menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, sejam eles habituais ou não, por liberalidade ou ajustados contratualmente, incluído, nessa delimitação, os ganhos eventuais. 39. Por outro lado, estão excluídas da base de cálculo das contribuições das empresas e dos segurados empregados as parcelas indenizatórias, ressarcitórias e aquelas isentas por força do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, estas últimas nos limites e condições ali referidos. 2 39.1 Sob essa prisma, o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, estabeleceu uma norma isentiva para as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) 2 De acordo com o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, "não integram a remuneração [base de cálculo da empresa] as parcelas de que trata o § 9º do art. 28". Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.421 19 40. O texto de lei acima reproduzido é de difícil interpretação para os operadores do direito. Primeiro, porque não é tarefa simples delimitar o alcance da expressão "ganhos eventuais". Segundo, pois é necessário identificar a necessidade dos ganhos eventuais, conjuntamente com os abonos, serem expressamente desvinculados do salário para se poder usufruir da isenção, tendo em conta que o legislador ordinário optou em utilizar o artigo definido "os" somente antes do termo "abonos". E, por fim, é indispensável dar sentido jurídico ao termo "expressamente". 41. Dentre as infindáveis controvérsias sobre a matéria, acredito que o RPS, aprovado por decreto regulamentar, fixou a interpretação a ser seguida no âmbito administrativo. 41.1 Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, antes reproduzido neste voto, o Poder Executivo não repetiu a redação original da lei. Além de suprimir o artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". 41.2 Já na redação introduzida pela Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das espécies, como bem consta no rol de parcelas não integrantes do salário de contribuição, e da remuneração, detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. 41.3 Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Logo, bem razoável que a definição de parcelas integrantes e não integrantes da remuneração, assim como as respectivas situações e condições, devam estar expressas em lei, por ser inconcebível deixar a exclusão da tributação ao alvedrio do sujeito passivo. 41.4 Dessa feita, o ato infralegal regulamentar, no caso o RPS, esclarece que ambas as parcelas devem estar expressamente desvinculadas do salário por força de lei, para só então não integrarem a remuneração do segurado empregado. 42. Noutro giro, há quem sustente que a exigência prevista na alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS é matéria estranha à Lei nº 8.212, de 1991, e, portanto, implica um exorbitamento do poder regulamentar. 42.1 Por sua vez, o art. 26 A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assimilado pelo Regimento Interno deste Conselho, impede o afastamento de decreto utilizandose do argumento de inconstitucionalidade, porém silencia quanto a motivos de legalidade, o que revelaria que dispositivos infralegais que extrapolem o texto de lei podem, ou melhor devem, ser afastados no julgamento do contencioso administrativo. Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.422 20 43. Respeito tais pontos de vista, todavia deles discordo. Ainda que judicante, o Carf é um órgão de natureza administrativa e a vigilância quanto à legalidade dos atos está limitada, via de regra, às ações de controle que poderiam ser exercidas pelo Ministro da Fazenda. 43.1 É certo que os instrumentos de controle dos atos administrativos pela própria Administração Pública, cuja função de decidir é comumente delegada a órgãos específicos, é uma questão merecedora de reflexões e aperfeiçoamentos, inclusive à luz de modelos vitoriosos existentes no direito comparado, com o finalidade de alcançar uma independência técnica desejada para os julgadores administrativos. 43.2 Porém, tendo em conta a atual modelagem do sistema brasileiro de controle administrativo de legalidade, escapamlhe os atos emitidos pelo Presidente da República, os quais são chancelados também pelo Ministro de Estado, em que o Poder Executivo os baixa com o propósito de fiel execução das leis, com fundamento constitucional no inciso IV do art. 84 da Carta Política de 1988. 43.3 Com olhos nessa roupagem do ordenamento nacional, entendo que a função do colegiado na tarefa de controlar a legalidade da autuação da Administração Tributária e decidir definitivamente sobre variadas matérias está seguramente associada a coibir os excessos e equívocos da autoridade fiscal na concreta aplicação das normas legais, bem como afastar, igualmente nos casos concretos, os efeitos de atos normativos infralegais exorbitantes que possam ser expedidos pela Administração Tributária, por intermédio dos órgãos subordinados ou vinculados ao Ministério da Fazenda. 44. Em conclusão, ausente a previsão em lei de que os valores pagos pela recorrente a título de gratificação eventual não integram o salário de contribuição (e a remuneração), o pagamento estará sujeito à tributação, razão pela qual deve ser mantido o crédito tributário apurado pela fiscalização. d) Prêmio filho e Prêmio casamentos (Levantamentos PE e P2) 45. Nesse ponto do apelo recursal, de modo análogo à hipótese anterior, ante a falta de habitualidade dos pagamentos, a recorrente sustenta a impossibilidade de sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária e das contribuições destinadas a terceiros, com amparo no item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 46. Mais um vez, peço licença para copiar o pertinente trecho da acusação fiscal (fls. 1.727): (...) Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.423 21 (...) 46.1 Segundo a fiscalização, foram oferecidos à tributação parte dos valores pagos a título de prêmio filho e prêmio casamentos. Nada obstante, no exame de outra conta contábil, relativa a parcelas de mesma natureza, pagas no mês de jun/2008, deixaram de ser oferecidas à tributação. 46.2 Esclarece ainda que, a despeito da intimação fiscal, houve omissão da empresa em apresentar os documentos que deram suporte aos pagamentos e a correspondente não inclusão na base de cálculo da remuneração do segurado. 46.3 Diferente da gratificação especial, a autoridade lançadora não fundamenta a exigência fiscal no fato de inexistir a demonstração de que o ganho identificado na escrituração contábil não integra a remuneração por força da lei, muito embora tal situação possivelmente também ocorra. 47. Como se vê, há a falta de informações adicionais sobre a natureza e circunstâncias dos pagamentos, por inércia exclusiva da recorrente. Nada obstante, o sujeito passivo denomina as verbas como "prêmios", o que evidencia uma provável natureza remuneratória. 47.1 Caberia ao sujeito passivo, a prova dos fatos impeditivos ao nascimento da relação jurídica, demonstrando o caráter não remuneratório dos pagamentos ou o enquadramento nas hipóteses de isenção estabelecidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.424 22 47.2 Porém, apenas continua a defender que as parcelas devem integrar o salário do segurado empregado somente quando houver a habitualidade no pagamento. 48. Discordo dessa linha de pensamento. A eventualidade do pagamento não tem como face inversa a habitualidade. Interpretar ganho eventual em oposição a ganho repetido, reiterado, frequente, enfim a prestação habitual, não é de todo modo equivocado, porém se trata de uma exegese incompleta, porquanto o aplicador do direito não pode simplesmente desprezar o significado linguístico do vocábulo "eventual". 48.1 Eventual está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito, imprevisível.3 Ainda que recebida a parcela mediante pagamento único, se ausente a característica de eventualidade, haverá tributação. 49. Assim, como regra geral, os prêmios destinamse a retribuir o trabalho e não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, em que o segurado empregado tem conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para o seu recebimento estipulada pelo empregador. 49.1 A expectativa criada no curso do contrato de trabalho quanto à certeza do recebimento do benefício em pecúnia, acaso implementada a condição estabelecida pela empresa, afasta a eventualidade que poderia enquadrar os pagamentos na isenção estabelecida no item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. 50. Por conseguinte, uma vez ausente a demonstração de que os valores pagos a título de prêmio filho e de prêmio casamentos escapam à tributação, não merece reparo a decisão de piso. e) "Bônus Prêmio" Participação nos lucros ou resultados (Levantamento PL) 51. Mantendo a didática de análise, desde já copio as passagens essenciais do relatório fiscal quanto às razões identificadas pela autoridade fiscal para a tributação da parcela denominada "Bônus Prêmio" (fls. 1.728/1.730): 3 Nesse sentido, o Acórdão nº 9202.003.044, de lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Carf. Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.425 23 (...) (...) (...) (...) 52. Para um plano que se propõe a regular a participação nos lucros ou resultados, é no mínimo curiosa a literalidade da redação do parágrafo 12 da cláusula sexta do acordo coletivo firmado com o Sindicato dos Empregados em Empresas de Industrialização Alimentícia de São Paulo e Região, conforme fls. 344, porquanto prevê que os segurados empregados classificados nos níveis mais altos poderão vir a receber: "... como liberalidade da Empresa, um valor a título de incentivo de longo prazo, denominado "Bônus Premium", cujos critérios serão definidos pela Corporação (EUA) ..." (grifei) 53. Dentro do contexto da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, a presença do sindicato na negociação entre empresa e trabalhadores é elemento que visa assegurar não haver abuso de poder pelo empregador na condução dessa negociação, assim como na elaboração e assinatura do ajuste escrito entre as partes. Em síntese, é uma participação com atenção fiscalizatória sobre o acordo, com foco no interesse do empregado. Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.426 24 54. Sob a ótica da tributação, a administração tributária é competente para descaracterizar um plano de participação de lucros ou resultados ou, como ora se cuida, refutar regras específicas e respectivos pagamentos efetuados aos empregados. Vale dizer que a interferência no âmbito da autonomia privada não está ligada ao mérito do plano, que continua a produzir os efeitos jurídicos que lhe são próprios entre as partes envolvidas. 55. O que faz a fiscalização tributária é verificar se estão presentes os requisitos formais e materiais exigidos pela Lei nº 10.101, de 2000, uma vez que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, quando distribuída seguindo os preceitos dessa Lei, não estará sujeita à incidência de contribuições, nos termos da alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) 56. Portanto, ao contrário do que sustenta a recorrente, longe de desconsiderar a validade da referida cláusula contratual e interferir indevidamente na negociação entre empregados e empregador, o procedimento fiscal apenas examinou o cumprimento dos critérios previstos em lei para validar ou não a desoneração da tributação sobre o denominado "Bônus Prêmio". 56.1 Ademais, a mera assinatura dos empregados no acordo, com aval dos representantes da respectiva entidade sindical, a toda a evidência, é formalidade que por si só não legitima a exclusão dos valores da incidência tributária. 57. Quanto à exigência de o instrumento decorrente da negociação conter regras claras e objetivas, passíveis de aferição, assim dispõe o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: (grifei) (...) Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.427 25 58. A despeito do teor da redação do parágrafo 12 da cláusula sexta do acordo coletivo, conforme item 49 do relatório fiscal, a recorrente afirma que ela faz referência expressa a uma "Política de Remuneração da Empresa", na qual estão previstas as regras e critérios para pagamento do "Bônus Prêmio". 58.1 Com a devida vênia, não consigo fazer a mesma leitura, porque a expressão "Política de Remuneração da Empresa" está evidentemente ligada à identificação da classificação dos executivos nos níveis Banda I a Banda IV, utilizado para definição do valor do prêmio e cálculo do "bônus target". Senão vejamos: "§ 12 Os EMPREGADOS classificados nos níveis Banda I e Acima, conforme Política de Remuneração da Empresa, poderão vir a receber como liberalidade (...)" 59. A seu turno, para comprovar a "Política de Remuneração da Empresa", a recorrente juntou aos autos, ainda na fase de impugnação, um documento explicativo originalmente em inglês, com versão traduzida para o vernáculo, e um "folder" (fls. 1.984/1.989). 59.1 Nesses documentos ganha destaque o fato de que o "Bônus Prêmio", destinado somente aos executivos da empresa, é tratado pela empresa como um adicional ao "Prêmio Anual", que equivale à participação dos colaboradores em geral nos lucros ou resultados. 59.2 Todavia não há a mínima demonstração de que essas regras/explicações trazidas aos autos pela recorrente fazem parte efetivamente do acordo assinado com os empregados, mediante participação e aval do sindicato. Aparentemente, o documento traduzido está inserido no contexto da política global ou regional da "PepsiCo" para seus executivos. 59.3 No que tange à existência de mecanismos de aferição, irregularidade também apontada pela fiscalização, mesmos esses documentos não deixam explícito como se dá a medição do desempenho individual do nível de direção da empresa, para fins do "Bônus Prêmio". 59.4 Mencionase apenas que terá por base a igualdade de pesos entre o resultado de negócio e de pessoas, no percentual de 34% (trinta e quatro por cento) do valor total do prêmio, o que sugere um aspecto subjetivo, deixando margem indevida à discricionariedade do avaliador, ainda que tal aspecto vinculese à realidade de empregados ocupantes dos níveis mais altos na empresa. 60. Em visto disso, tendo em conta as provas articuladas por ambas as partes e o conteúdo da cláusula do "Bônus Prêmio", não estou convencido de que o plano de participação nos lucros ou resultados, assinado entre as partes às fls. 339/379, no que se refere especificamente ao pagamento do denominado "Bônus Prêmio", prescreve regras claras e objetivas, com mecanismos para a aferição do acordado, não deixando margem à discricionariedade do empregador. 61. Logo, ao haver contrariedade ao que determina a Lei nº 10.101, de 2000, cabe a manutenção da tributação dos valores pagos a título de "Bônus Prêmio", conforme descrito pela fiscalização. Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.428 26 f) Critério de cálculo da multa para aplicação da retroatividade benigna 62. Especificamente quanto ao AI nº 37.269.9960, a recorrente alega que está incorreto o critério utilizado pela fiscalização para aplicar, em relação à multa, a retroatividade benigna da alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN (fls. 1.737/1.739). 62.1 Afirma o sujeito passivo que deveria incidir a multa de mora prevista no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores. 63. Pois bem. São várias as vertentes interpretativas, inclusive no âmbito do contencioso administrativo, a respeito do aplicação do princípio da retroatividade benigna ao regime de multas estatuído na Lei nº 8.212, de 1991. 63.1 Em que pese todos os bons argumentos, tenho entendido como mais adequado, até o momento, o mesmo critério utilizado pela fiscalização, visto que respeita a proibição de dupla penalização pela prática de uma mesma conduta infracional e compara penalidades incidentes sobre condutas idênticas. 64. Como se sabe, devido às alterações promovidas na Lei nº 8.212, de 1991, pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, em matéria de penalidade relacionada a infrações anteriores a 12/2008. 65. Sob a égide da legislação vigente à época dos fatos geradores da autuação, a não apresentação ou apresentação com incorreções da GFIP, independentemente da existência ou não de tributo a recolher, resultava em imposição de multa com fundamento nos §§ 4º a 6º, inciso IV, do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. Essa penalidade dizia respeito, portanto, ao descumprimento de obrigação acessória. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.429 27 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (...) 66. Por sua vez, ao se verificar na ação fiscal, além do descumprimento de obrigação acessória, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias, ainda havia o lançamento do crédito tributário, com aplicação da multa então prevista no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, cuja natureza vinculavase ao descumprimento de obrigação principal. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...) 67. A MP nº 449, de 2008, introduziu uma nova sistemática de multas. A penalidade por incorreção ou omissão nas informações na GFIP passou a ser tratada, em substituição aos §§ 4º a 6º do art. 32, no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.430 28 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (...) 68. Já o art. 35A trouxe para o contexto da legislação previdenciária a multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, isto é, quando do descumprimento de obrigação principal (não recolher tributo): Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 69. De sorte que o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao estabelecer um percentual fixo de multa de 75% (setenta e cinco por cento), em seu inciso I, sobre o valor da contribuição não declarada, impõe uma única multa tanto para a conduta do não recolhimento das contribuições previdenciárias, quanto para a falta de GFIP ou sua apresentação deficiente em relação a essas mesmas contribuições. Transcrevo a literalidade do inciso I do art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) (...) 70. É de verse que na legislação atual, verificado simultaneamente o descumprimento de obrigação principal e acessória relacionadas às contribuições previdenciárias (não recolher, falta de declaração e/ou declarar com incorreções/omissões), haverá a incidência de apenas uma penalidade, qual seja a multa de ofício do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida por força do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, 71. Assim, as multas previstas no §§ 4º a 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, restaram substituídas pela multa do art. 32A da mesma Lei, na hipótese que tenha sido aplicada isoladamente, sem a imposição de penalidade pelo descumprimento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária. Somente nesse contexto fático, o que não ocorre nos autos, será cabível tal comparação para fins da definição da norma jurídica mais benéfica ao sujeito passivo. 72. Ao revés, na hipótese de lançamentos correlatos pela falta de pagamento e declaração inexata na GFIP relacionada à contribuição previdenciária, como ora se cuida, a multa prevista no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e aquela dos §§ 4º e 6º do art. 32 da mesma Lei, foram substituídas por uma única multa (ex vi do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991). Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.431 29 73. Dessa feita, com fez a autoridade fiscal, às fls. 1.737/1.739, para se verificar a situação mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, há que se realizar a seguinte comparação de penalidades entre mesmas contribuições, por competência: a) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e das multas aplicadas na forma dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei (obrigação acessória); e b) legislação atual: multa de ofício de 75% prevista no art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação. 74. Nada obstante, devido ao afastamento da tributação sobre o pagamento a cooperativas de trabalho, deverá ser refeito o cálculo da multa para efeitos da retroatividade benigna, quando da execução do julgado. 74.1 Vale dizer, no que toca às penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, deverá ser reavaliada a situação final mais benéfica à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização. 75. Para os fatos geradores da competência 12/2008, a fiscalização aplicou corretamente a multa de ofício do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, no percentual de 75%. g) Taxa Selic 76. A utilização da taxa Selic, para fins tributários, é reconhecida válida nos termos refletido no verbete da Súmula Carf nº 4, assim vazada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. 77. O entendimento sumulado é de observância obrigatória pelos conselheiros, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.432 30 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: a) excluir a tributação sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho (Levantamentos C1 e C2); e b) recalcular quando da execução do julgado, tendo em vista a exclusão acima mencionada, as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, de forma a reavaliar a situação mais benéfica à recorrente por competência, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização, mediante comparação entre: i) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (autuações por descumprimento de obrigação acessória e de obrigação principal); e ii) penalidade prevista atualmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.433 31 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, Redator Designado O ilustre Relator restou vencido, por maioria de votos, com relação à incidência das contribuições previdenciárias sobre duas verbas classificadas pela recorrente como (a) gratificação especial (Levantamentos GE e G1) e (b) prêmio filho e prêmio casamento. Como bem delineado pelo Relator todo o arcabouço jurídico que norteia a questão, passo a seguir a explicitar os pontos que levaram a maioria dos julgadores a entender que as verbas em comento não se tratam de verbas de natureza salarial, mas sim indenizatórias, portanto devendo ser extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Gratificação especial (Levantamentos GE e G1). Para a fiscalização (fls. 1.726 – item 32), a gratificação especial paga pela recorrente deve ser incluída na base de cálculo das contribuições previdenciárias por força exclusiva do art. 214, § 9º, V, j, do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), que estabelece que não integram o salário de contribuição “os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei”. Como se vê, o referido dispositivo possui previsão mais restritiva que o art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212/91, para o qual não integram o salário de contribuição as importâncias “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”. E, seguindo justamente o entendimento da fiscalização, entendeu o Relator que a falta de desvinculação do salário por força de lei, como exigido pelo referido art. 214, § 9º, V, j, do Decreto 3.048/99, implica na inclusão da gratificação especial na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ao contrário do entendimento acima, supero a exigência de previsão em lei da desvinculação da gratificação ao salário, exatamente pelas razões mencionadas pelo Relator em seu voto, as quais reproduzo novamente: [...] o art. 26 A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assimilado pelo Regimento Interno deste Conselho, impede o afastamento de decreto utilizandose do argumento de inconstitucionalidade, porém silencia quanto a motivos de legalidade, o que revelaria que dispositivos infralegais que extrapolem o texto de lei podem, ou melhor devem, ser afastados no julgamento do contencioso administrativo. Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.434 32 Superada a questão acima, passo a analisar efetivamente a natureza da gratificação especial paga pelo contribuinte, sua habitualidade ou não, para fins de enquadrála como verba de natureza salarial/remuneratória ou indenizatória. Ocorre que, tendo em vista o fundamento utilizado pela fiscalização, esta não logrou adentrar na análise dos referidos pagamentos, se decorrentes de determinada contrapartida, se vinculados a fatores específicos, se direcionados a cargos específicos, ou seja, não se ateve a qualquer verificação minuciosa acerca do referido pagamento. A única constatação que se observa no relatório de fls. 1.726 – item 31, menciona trecho em que requer informações do contribuinte sobre os valores que foram “pagos somente a 50 segurados em uma única parcela durante o ano de 2008 a título de GRATIFICAÇÃO ESPECIAL”. Ora, cabe à fiscalização o ônus da prova e a caracterização dos pagamentos realizados pelo contribuinte, qualificados como eventuais, como sendo valores que componham o salário de contribuição por não se enquadrarem em nenhuma das hipóteses de exclusão do art. 28, § 9º da Lei nº. 8.212/91. No presente caso, tendo sido atestado pela própria fiscalização que se tratou de um pagamento em parcela única, demonstrase a sua eventualidade e, portanto, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias por não se tratar de remuneração, nos termos da definição do art. 22, I, da Lei nº. 8.212/91. Neste sentido, já decidiu este Conselho: REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O pagamento em até duas vezes ao ano, para cada segurado, não assume feição de pagamento habitual, razão pela qual não se amolda ao conceito de salário exigido pelo artigo 22, inciso I, da Lei 8.212/91. (CARF, 2ª Seção, 3ª Câm., 1ª T.O., Acórdão nº. 2301003.381 de 13/03/2013) Assim, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos pela empresa a título de gratificação especial (Levantamentos GE e G1) aos seus segurados empregados, por aplicação da norma isentiva do art. 28, § 9º, e, item 7, da Lei nº. 8.212/91. Prêmio filho e Prêmio casamentos (Levantamentos PE e P2). Para os valores pagos pelo contribuinte a título de prêmio filho e prêmio casamentos, o ilustre Relator entendeu pela manutenção do lançamento, contudo, desta vez adentrando na análise da natureza da verba, posto que a não integração à remuneração por força de lei (art. 214, § 9º, V, j, do Decreto 3.048/99) não foi fundamento para o lançamento sobre essas verbas. Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.435 33 Discordo do ilustre Relator ao afirmar que referidos pagamentos “estão atrelados a eventos certos e previsíveis, em que o segurado empregado tem conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para o seu recebimento estipulada pelo empregador.” A controvérsia é de interpretação, pois há sim eventualidade no pagamento, bem como tratase de evento “incerto, casual, fortuito, imprevisível”, seja o nascimento de um filho, seja um casamento. Por mais que haja a certeza do recebimento após a verificação da condição, entendo que tais eventos possuem sim as características acima descritas pelo Relator e tidas como inexistentes. Nascimento de filho e casamento não podem ser considerados acontecimentos certos e esperados, bem como, é nítida a natureza indenizatória do recebimento destes prêmios, pois não há qualquer retributividade, já que não estão vinculados a contraprestação do trabalho, sendo verdadeiras gratificações, prêmios que visam oferecer aos segurados empregados uma indenização a fim de amenizar os dispêndios com eventos que são invariavelmente custosos, não se tratando de remuneração, nos termos da definição do art. 22, I, da Lei nº. 8.212/91. (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.436 34 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Comercialização da produção rural Subrogação (Levantamentos PR e P1). Divirjo do ilustre Relator no ponto específico da incidência da contribuição previdenciária sobre comercialização de produção rural, denominada FUNRURAL. Como bem mencionado no voto acima, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE nº. 363852, declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº. 8.540/92, que deu nova redação aos incisos I e II do art. 25 da Lei nº. 8.212/91. Em que pese a existência do acórdão acima, o Relator não aplicou o entendimento emanado do STF, sob o fundamento de que o acórdão do RE nº. 363.852 não analisou a contribuição sob a égide da Lei nº. 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº. 8.212/91 e, no seu entender, teria sanado a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal no mencionado acórdão. É justamente neste ponto que divergimos. Primeiramente, destaco reconhecer a existência de Recurso Extraordinário no STF acerca da inconstitucionalidade do Funrural após a edição da Lei nº. 10.256/2001 e a nova redação do art. 25 da Lei nº. 8.212/91 (Recurso Extraordinário nº. 611601). Todavia, a pendência de julgamento do referido Extraordinário em nada prejudica a presente análise. O meu entendimento pelo afastamento da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural se dá pelo teor do Acórdão do STF no próprio RE 363.852. Para melhor didática, reproduzo o seguinte excerto do voto do Exmo. Ministro Relator Marco Aurélio: Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a 'receita bruta proveniente da comercialização da produção rural' de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência (folha 600). Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.437 35 A decisão do Pretório Excelso declarou a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até Lei nº 9.528/97”. Com relação ao artigo 25 (Funrural), a declaração de inconstitucionalidade se estendeu aos seus incisos I e II. Ocorre que a Lei nº. 10.256/2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº. 20/98, que teria “afastado” a inconstitucionalidade apontada pelo STF, alterou somente o caput do art. 25 da Lei nº. 8.212/1991, sendo que os incisos I e II do referido artigo continuaram no ordenamento jurídico pela redação dada pelo artigo 1º da Lei nº. 8.540/92 e atualizada até a Lei nº. 9.528/97. Eis a redação do art. 25 da Lei nº. 8.212 sob a égide da Lei nº. 10.256/2001: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de:(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Percebase que a hipótese de incidência (“receita bruta da comercialização”), a base de cálculo (“receita bruta”) e a alíquota (“2%”) estão previstas no inciso I com redação dada pela Lei nº. 9.528/97. Ora, hipótese de incidência, base de cálculo e alíquota compõe a regramatriz de incidência tributária (RMIT), ferindo de morte a validade do tributo em comento, posto que estes critérios previstos no antecedente e consequente da RMIT estão dispostos no inciso declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Peço vênia para reproduzir trecho do voto do Desembargador Álvaro Eduardo Junqueira na Arguição de Inconstitucionalidade nº. 2008.70.16.0004446, de 20/07/2011, proferida pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região acerca do tema em debate: O caput do dispositivo legal em comento também foi alterado pela Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, apenas para esclarecer que a contribuição sobre a produção rural substituía a contribuição sobre a folha de salários, prevista no art. 22, I e II, da Lei de Custeio, posto que as duas últimas alterações legislativas não esclareciam que se tratava de substituição e não de cumulação, e assim ficou redigido: Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19515.722306/201291 Acórdão n.º 2401003.964 S2C4T1 Fl. 2.438 36 "Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente de trabalho." (grifei) Uma vez afastada, em relação ao empregador rural pessoa física, por inconstitucionalidade, a modificação dada pelas Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, a redação original desse dispositivo legal passa a contar apenas com a redação eleita pela Lei nº 10.256/2001, que modifica apenas o caput, vez que os incisos I e II foram acrescentados pela Lei nº 8.540/92 e devem ser riscados em razão da declaração de inconstitucionalidade, após Resolução do Senado Federal. A se manter a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, diferentemente da redação original, não fica definida a base de cálculo (receita bruta), o fato gerador (comercialização da produção rural) e a alíquota (2%, originalmente estipulada em 3%). Ou seja, não dimensiona ou mensura o tributo a ser recolhido, limitandose a indicar a sujeição passiva e o caráter substitutivo. É fácil perceber, assim, que o art. 25 da Lei de Custeio passa a contar apenas com o caput, que termina em dois pontos e necessita de insofismável complementação para estipular, validamente, a contribuição guerreada, que constituem "conditio sine qua non" à eficácia de incidência da exceção, porquanto elementos dimensionantes, alíquota, fato gerador do tributo e base econômica (signo de riqueza), trinômio básico à incidência válida, pena inviabilidade do recolhimento diante da ignorância do quantum a ser pago, ficando com a seguinte redação truncada: Assim, concluo pelo parcial provimento ao Recurso Voluntário no tocante à exclusão da cobrança da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida pela recorrente, na qualidade de responsável tributário, ainda que sob a égide da Lei nº. 10.256/2001, posto que sua cobrança carece de fundamento legal válido após o acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº. 363.852 que declarou a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº. 8.212/91 com redação dada pela Lei nº. 8.540/92 e atualizada até a Lei nº. 9.528/97 (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alexandre Tortato Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 13/01/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 17883.000394/2007-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IRPJ. CSLL. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. DISCUSSÃO DA LEGITIMIDADE DO ATO DE SUSPENSÃO VINCULADA A OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
O tema da validade e legitimidade de Ato Declaratório Executivo suspensivo do gozo de imunidade tributária é objeto de processo distinto, submetido à apreciação deste Conselho, estando pendente de julgamento recurso especial aviado pelo Contribuinte. Estando a matéria afeta a outro processo, já julgado por este Conselho, resta impossível sua apreciação. Cognição restrita ao objeto específico deste processo.
"DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo." Precedentes deste Conselho.
Inexistência de decadência em relação à exigência relativa ao IRPJ e à CSLL. Reconhecimento da decadência em relação à exigência da COFINS apenas em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2001.
Numero da decisão: 1103-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de "prejudicialidade" e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o crédito tributário relativo aos fatos geradores até novembro de 2001.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Hugo Correia Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.
Participaram do julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/09/2015.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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CSLL. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. DISCUSSÃO DA LEGITIMIDADE DO ATO DE SUSPENSÃO VINCULADA A OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O tema da validade e legitimidade de Ato Declaratório Executivo suspensivo do gozo de imunidade tributária é objeto de processo distinto, submetido à apreciação deste Conselho, estando pendente de julgamento recurso especial aviado pelo Contribuinte. Estando a matéria afeta a outro processo, já julgado por este Conselho, resta impossível sua apreciação. Cognição restrita ao objeto específico deste processo. "DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo." Precedentes deste Conselho. Inexistência de decadência em relação à exigência relativa ao IRPJ e à CSLL. Reconhecimento da decadência em relação à exigência da COFINS apenas em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 03 94 /2 00 7- 95 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 655 2 Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de "prejudicialidade" e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o crédito tributário relativo aos fatos geradores até novembro de 2001. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Hugo Correia Sotero Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram do julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/09/2015. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 656 3 Relatório Trata o processo dos autos de infração lavrados pela DRF Volta Redonda (RJ), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2003, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.397.730,40 (fls. 406/416 e termo de constatação fiscal à fl. 242), a contribuição para financiamento da seguridade social COFINS, no valor de R$ 3.080.015,82 (fls. 417/428), e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, no valor de R$ 507.177,03 (fls. 429/434), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. Inicialmente, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 44, de 16/10/2007 (fls. 305/316 do processo administrativo fiscal n° 17883.000261/200719 apensado), a DRF Volta Redonda suspendeu do interessado a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso I, alínea "c" e a isenção prevista no art. 195, §7°, ambos da Constituição Federal, relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2003, em função da remuneração de seus dirigentes. Na oportunidade o interessado apresentou a impugnação de fls. 320/339 do processo apensado, contestando a suspensão da imunidade e da isenção. Esta Turma de julgamento proferiu o acórdão de fls. 480/488 do presente processo, no qual deu provimento à impugnação e julgou improcedente o Ato Declaratório Executivo n° 44. Consequentemente, os lançamentos também foram julgados improcedentes, com a interposição de recurso de ofício. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por meio do acórdão de fls. 492/497 do presente processo, deu provimento ao recurso de ofício. Cientificado do acórdão do CARF, o interessado apresentou embargos de declaração (fls. 510/512 do presente processo), no qual alegou ausência de apreciação das questões dos lançamentos. Acatado os embargos parcialmente, o CARF determinou o retorno dos autos à primeira instância julgadora a fim de que fossem examinadas as razões de defesa específicas das autuações (fls. 524/527 e documentos de fls. 550/582 do presente processo). Cientificado do acórdão, o interessado apresentou recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 537/549 do presente processo). Em decorrência das suspensões da imunidade e da isenção tributárias, foram lavrados os autos de infração, tendo como base as declarações de IRPJ dos anoscalendário de 2001 a 2003 (lucro real trimestral), apresentadas pelo interessado à fiscalização, mas sem transmissão aos sistemas da Receita Federal (fls. 28/185), os demonstrativos de ajustes do lucro líquido do exercício (fls. 25/27) e os balanços/balancetes trimestrais (fls. 243/405). Para apuração do lucro real (IRPJ), foram adicionadas aos lucros líquidos trimestrais: a) as gratificações pagas aos dirigentes, nos valores de R$ 12.720,00 (em 30/9/2001 e 31/12/2001), R$ 14.790,81 (em 31/3/2003), R$ 18.293,82 (em 30/6/2003) e R$ 19.353,53 (em 30/9/2003); b) os lucros operacionais escriturados, mas não incluídos nas declarações de IRPJ, nos valores de R$ 1.099.605,22 (em 30/9/2001), R$ 1.443.691,72 (em 31/12/2001), R$ 629.671,77 (em Fl. 657DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 657 4 31/3/2003), R$ 409.468,13 (em 30/6/2003) e R$ 2.052,863,98 (em 30/9/2003); c) apurouse IRPJ nos trimestres de findos em 30/6/2001, 30/9/2001, 31/12/2001, 31/3/2003, 30/6/2003 e 30/9/2003. Com relação à Cofins as bases de cálculos foram as receitas informadas nas declarações de IRPJ, nos meses de janeiro/2001 a dezembro de 2003. Para apuração da CSLL, foram considerados como base de cálculo os lucros operacionais apurados nos balancetes/balanços, não incluídos na declaração de IRPJ, nos mesmos valores e períodos citados. Cientificado da exigência em 13/12/2007 (fls. 406, 417 e 430), o interessado apresentou a impugnação em 10/1/2008 (fls. 442/460 e documentos de fls. 461/477), na qual alegou, em síntese, que: a) operouse a decadência do direito de efetuar os lançamentos para o IRPJ e para a CSLL, referentes ao anocalendário de 2001, bem como para a Cofins, nos períodos de janeiro de 2001 a novembro de 2002, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; b) preenche todos os requisitos legais para ser caracterizada como fundação e, como consequência, gozar da imunidade tributária. A Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ I) rejeitou a impugnação formulada pelo contribuinte e, como corolário, julgou procedente o lançamento por acórdão assim ementado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. Aos lançamentos por homologação, dos quais se submetem o IRPJ, a Cofins e a CSLL, o prazo decadencial ocorre após 5 anos, a contar do fato gerador, desde que constatado o recolhimento do tributo. Em não havendo recolhimento, a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Do acórdão se extrai: "Os lançamentos do IRPJ, da CSLL e da Cofins se enquadram no tipo"lançamento por homologação", nos termos do art.150 do CTN. Entretanto, em não havendo pagamento, a contagem do prazo decadencial deslocase para o art. 173, I, do CTN, ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Neste sentido, é a jurisprudência do STJ: (...) No caso, como o interessado foi cientificado dos lançamentos em 13/12/2007, não ocorreu a decadência em qualquer lançamento, visto que o prazo da contagem para os períodos do ano calendário de 2001 começou em 1/1/2003 e terminou em 31/12/2007. Diante do exposto, procedem os lançamentos." Fl. 658DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 658 5 Em face do acórdão, apresentou o contribuinte o recurso voluntário de fls. 602/639, reproduzindo as razões de impugnação, bem como suscitando preliminar de prejudicialidade do Proc. n°. 17883000.261/200719, alegando que a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro não poderia julgar este processo antes da manifestação deste Conselho em relação ao recurso especial interposto. É o relatório. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 659 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Formalizo este Acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 14/09/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correia Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 07/05/2013, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. O Relatório e a manifestação de voto abaixo foram apresentados pelo Conselheiro relator durante a sessão e consta dos respectivos arquivos do CARF, tendo sido meramente reproduzidos por mim, redator ad hoc para efeitos de formalização do presente Acórdão. Voto do Conselheiro Hugo Correia Sotero Relator: "Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Conheço, inicialmente, da preliminar de nulidade da decisão diante da prejudicialidade da questão que é objeto do Proc. n°. 17883000.261/200719, pendente de apreciação de recurso especial aviado pelo contribuinte pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. De fato, naquele Processo se discute a legitimidade do ato de suspensão da imunidade do contribuinte (Ato Declaratório Executivo n° 44, de 16/10/2007 Delegacia da Receita Federal de Volta Redonda/RJ), tendo este Conselho reformado a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro para declarar válido o aludido Ato Declaratório. Malgrado seja incontestável a existência de relação de prejudicialidade, na medida em que, uma vez provido o recurso especial e restabelecida a imunidade do contribuinte, não poderiam subsistir os lançamentos sob análise, este Conselho tem posicionamento no sentido de que a pendência de julgamento de questão prejudicial não impede o julgamento dos processos conexos e não serve de fundamento à decretação de nulidade das decisões proferidas, mormente quanto respeitada a decisão pronunciada no processo conexo, ainda que provisória e impugnada por recurso. Nesse sentido, tendo o acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro adotado integralmente o conteúdo da decisão proferida por este Conselho (validade do Ato Declaratório Executivo n° 44, de 16/10/2007), não há que se falar em nulidade do acórdão atacado, ressalvandose que eventual provimento do recurso especial manejado pelo contribuinte implicará na automática ineficácia dos lançamentos que são objeto deste Processo. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 660 7 Rejeito a preliminar. Em sequência, suscita o contribuinte, nas razões de recurso voluntário, preliminar de decadência do direito de lançar, afirmando que, nos termos do que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, não poderiam ser exigidos valores pertinentes ao IRPJ, CSLL e COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 2001 a novembro de 2002, já que a formalização do lançamento, pela notificação, ocorreu em 13/12/2007. É de se observar que a questão da decadência é o objeto único deste processo administrativo, em razão de estar adstrito ao Proc. n°. 17883000.261/200719 o tema da validade (legitimidade) do Ato Declaratório Executivo n° 44, de 16/10/2007 e, consequentemente, a análise do direito da Recorrente ao gozo da imunidade tributária nos períodos fiscalizados. Nesse contexto e diante do conteúdo da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, exclusivamente calcada na rejeição da exceção de decadência, não conheço dos argumentos pertinentes ao direito de gozo da imunidade tributária veiculados no recurso voluntário. Tratando da exceção de decadência, assim se pronunciou a Delegacia de Julgamento: "Os lançamentos do IRPJ, da CSLL e da Cofins se enquadram no tipo"lançamento por homologação", nos termos do art.150 do CTN. Entretanto, em não havendo pagamento, a contagem do prazo decadencial deslocase para o art. 173, I, do CTN, ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Neste sentido, é a jurisprudência do STJ: (...) No caso, como o interessado foi cientificado dos lançamentos em 13/12/2007, não ocorreu a decadência em qualquer lançamento, visto que o prazo da contagem para os períodos do ano calendário de 2001 começou em 1/1/2003 e terminou em 31/12/2007. Diante do exposto, procedem os lançamentos." O entendimento adotado pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento se adéqua, perfeitamente, à jurisprudência deste Conselho no sentido de que na hipótese de inexistência de pagamento, o prazo para formalização do lançamento de ofício se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuada a exigência. Nesse sentido a manifestação da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais: "REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 661 8 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N°973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo ." (Acórdão n°. 9900000.605, relator VALMAR FONSECA DE MENEZES) No caso, no que se refere especificamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), tributos de apuração trimestral, o período de apuração mais remoto se encerrou em 31/03/2001, de sorte que o dies a quo do prazo decadencial foi 1° de janeiro de 2002. Nesse sentido, considerando que a notificação do lançamento ocorreu em 13/12/2007, há considerar decadente as exigência do IRPJ e da CSSL, em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2001. Em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), exação de apuração mensal, cujo lançamento por homologação deve ser feito pelo contribuinte a cada mês, havendo possibilidade de formalização do lançamento de ofício após a verificação do inadimplemento, o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do exercício em que poderia ter sido lançado. Nesse sentido, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano de 2001, o prazo decadencial se iniciou em 1° de janeiro de 2002, encerrando se em 31/12/2006, sendo forçoso, portanto, reconhecer a decadência do direito de lançar, visto que a notificação do lançamento ocorreu em 13/12/2007. Quanto aos valores pertinentes a fatos geradores ocorridos nos anos de 2002 e 2003, não há que se falar em decadência, porquanto se encerrariam os respectivos prazos decadenciais em 31/12/2007 e 31/12/2008, tendo sido realizada a notificação em momento anterior. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 17883.000394/200795 Acórdão n.º 1103000.851 S1C1T3 Fl. 662 9 Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, declarando a decadência do direito de lançar exclusivamente em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2001. Hugo Correia Sotero Relator" Acórdão formalizado em 24/09/2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 10925.722518/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: : Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: : Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 8/ 20 11 -9 1 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.614 S3C2T1 Fl. 94 2 Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins, relativo ao 3o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.614 S3C2T1 Fl. 95 3 Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.614 S3C2T1 Fl. 96 4 Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a Verdade Material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.614 S3C2T1 Fl. 97 5 No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...]Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratarse de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.614 S3C2T1 Fl. 98 6 a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/2012 18 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.614 S3C2T1 Fl. 99 7 Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, o processo foi baixado em diligência, para que fossem examinadas provas acostada aos autos, que pendiam de apreciação, do que resultou detalhado relatório da fiscalização. Os autos retornaram, contudo, sem que se desse oportunidade à Recorrente de se manifestar sobre as conclusões da diligência. Assim sendo, e, para que não fique prejudicada a dialética processual, o contraditório e a ampla defesa, a Turma deliberou nova conversão do julgamento em diligência, para se intimar a Recorrente do relatório fiscal, para que se manifeste, no prazo de trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. Após, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 440DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLA RISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 10120.723313/2011-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA - SÚMULA Nº 2 DO CARF
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Especial do Procurador Provido
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
A sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo não apenas no inciso IV do art. 30 da lei 8212/91, bem como no inciso III, o que afasta a argumentação do acordão recorrido de que a inconstitucionalidade do art. 30, IV teria inviabilizado a adoção de subrrogação.
A Decisão proferida pelo STF no bojo do acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade descreve expressamente "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. A lei 10.256/2001 conferiu legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontra-se também legitimada.
As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança.
Numero da decisão: 9202-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A autuação fundamentase no art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. OMISSÃO EM GFIP VINCULAÇÃO AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores, sendo que a procedência da obrigação principal orienta o resultado a ser aplicado na obrigação acessória conexa. AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 33 13 /2 01 1- 98 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo não apenas no inciso IV do art. 30 da lei 8212/91, bem como no inciso III, o que afasta a argumentação do acordão recorrido de que a inconstitucionalidade do art. 30, IV teria inviabilizado a adoção de subrrogação. A Decisão proferida pelo STF no bojo do acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade descreve expressamente "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. A lei 10.256/2001 conferiu legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA SÚMULA Nº 2 DO CARF A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 3 3 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob n. 37.317.5531, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Contudo, importante destacar que a única matéria devolvida a este colegiado, por meio do Recurso Especial da Fazenda Nacional, diz respeito a parte do lançamento referente a multa pela não informação em GFIP do valor da receita bruta proveniente da aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física, subrogadas na pessoa jurídica adquirente de produção rural, no período compreendido entre 01/2007 e 12/2008. Ainda conforme o Relatório Fiscal, fls. 55 a 68, conforme a análise dos documentos apresentados, a contribuinte Boi Brasil adquiriu produto rural (bovinos) de pessoa física, constituindo fato gerador de contribuição previdenciária. Em sessão plenária de 23/01/2013, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401 002.843 (fls. 546 a 553), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 MUDANÇA DE SEDE DA EMPRESA. FALTA DE COMUNICAÇÃO À RFB. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR DA DELEGACIA DA RFB CIRCUNSCRICIONANTE DA ANTIGA SEDE, QUE É O LOCAL ONDE FOI DISPONIBILIZADA A DOCUMENTAÇÃO. Tendo a empresa deixado de comunicar à administração tributária que alterou a localização de seu estabelecimento centralizador, é competente para fiscalizála a Delegacia da Receita Federal do Brasil circunscricionante da antiga sede, onde tenha sido disponibilizada a documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos de auditoria. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, é improcedente a multa aplicada aos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 4 5 adquirentes pela falta de declaração na GFIP dos valores produção rural comprada de pessoa física. APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO SEM REGISTRO NO ÓRGÃO PRÓPRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. Caracteriza infração à legislação previdenciária a exibição ao fisco de Livros Diário sem autenticação no órgão próprio. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DO LAPSO DE TEMPO HÁBIL A CARACTERIZAR A REINCIDÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DO AGRAVAMENTO DA MULTA. Não demonstrando o fisco que a nova infração ocorreu a menos de cinco anos do trânsito em julgado da lavratura anterior, devese afastar o agravamento da multa ocasionado pela reincidência. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 27/02/2013 e, em 28/02/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 289 a 308 (Despacho de Encaminhamento de fls. 288), com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a extensão, à Lei nº 10.256, de 2001, da inconstitucionalidade declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, relativamente ao artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 342 a 345. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: · Em primeiro lugar, cabe apontar que o lançamento foi efetuado com lastro na Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001 (DOU de 10/07/2001), conforme aponta o Relatório Fiscal e o anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD. · O deslinde da controvérsia passa pela correta interpretação do alcance da proferida pelo Plenário do STF no RE n.º 363.852/MG, cujo trânsito em julgado se operou em 06/05/2011. · Da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, §4º, da Constituição. · Nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, §4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que se que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 · Sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária. · Aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195. · Importante registrar que o Recurso Extraordinário n.º 363.852/MG tem origem no MSG n.º 1998.38.00.0339353, impetrado perante a 16ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, em 27/08/1998, cuja causa de pedir foram as Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, · Portanto, como a Lei nº 8.540/92, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212/91, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição tudo na forma do pedido inicial (...)". · Essa ressalva foi reiterada pelo Relator Ministro Marcos Aurélio, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional(...) · Apenas essa lei – Lei nº 8.540/92 – foi objeto da decisão proferida no RE nº 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade. Ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição. · Portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256/01 –cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF. · Isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício. · Acerca da alegação de que mesmo que ultrapassada a questão da constitucionalidade após a EC nº 20/98 que mesmo após a edição desse diploma legal, a cobrança da contribuição seria indevida pelo fato de ter sido alterado somente o caput do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, mantida a redação dos incisos e do art. 30, IV, da LCPS, conferida pelas Leis declaradas inconstitucionais pelo STF. · Se a inconstitucionalidade decretada no RE nº 363.852/MG em nada afetou o segurado especial, por conseguinte, mantiveramse hígidos os incisos do art. 25, da Lei n.º 8.212/91. Então, intuitivo concluir que Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 5 7 o fato da Lei n.º 10.256/2001 ter alterado apenas o caput do art. 25 da LCPS em nada obsta a cobrança da contribuição substitutiva da folha de pagamento a cargo do empregador rural pessoa física, pois à exação se aplicam os mesmos incisos do art. 25 que permaneceram vigendo no ordenamento jurídico relativamente ao segurado especial. · Igual raciocínio se aplica para o art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/91, que também se trata de norma dirigida tanto ao empregador rural pessoa física como o segurado especial. · A obrigação tributária por subrogação do adquirente quanto ao segurado especial não restou prejudicada pelo RE nº 363.852/MG. Nesse sentido, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º8.212/91 permaneceu produzindo seus efeitos no ordenamento jurídico. Despiciendo, portanto, que a redação conferida pela Lei n.º 9.528/97 não tenha sido alterada pela Lei n.º 10.256/2001. · Dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG). · O referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256/2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional. · Em outros termos, a declaração de inconstitucionalidade foi apenas parcial, permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25. Da mesma forma, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, apenas em relação ao empregador rural pessoa física e se existente o mesmo contexto jurídico analisado no julgamento do STF. · No caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram no período de 07/2007 a 12/2008. Ou seja, após a Lei n.º 10.256/2001, editada com arrimo na EC nº 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração. · Assim, ainda que se valendo do disposto no RICARF (art. 62, inciso I ou art. 62A ou mesmo outro dispositivo), o CARF deve aterse aos estritos limites objetivos da demanda, não sendo lícito fazer ilações para, mediante interpretação extensiva, alcançar situações não previstas, não alijadas pela pecha de inconstitucionalidade e assim declaradas pelo Poder incumbido pela Constituição Federal de tal mister. Tal situação se revela ainda de maior gravidade quando se constata que a decisão utilizada como parâmetro de referência foi tomada em controle incidental de constitucionalidade, com efeitos Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 inter partes, portanto, antes da edição de Resolução pelo Senado Federal. · Logo, por todas as razões acima expostas, impõese a reforma do aresto, de forma a restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose o lançamento em sua integralidade. Foram apresentados contrarrazões, fls. 358 a 362 onde o contribuinte traz as mesmas alegações apresentadas em seu recurso voluntário, pleiteado basicamente a manutenção da decisão originária face encontrarse acertada a decisão que acatou o entendimento de que o mecanismo de recolhimento por subrrogação fundamentado pelo art. 30, IV da lei 8212/91 foi declarado inconstitucional pelo RE 363.852/MG. O SSTF não validou a redação do art. 25, II e §§ 3º e 4º para o período posterior a EC nº 20/98 porque não existe constitucionalização superveniente, conforme precedentes. A legislação posterior, inclusive 11.718/08 não alterou a redação dos incisos I e II nem do §§ 3º do art. 25, epígrafe. Estes dispositivos de 1992 e 1997 continuam em plena vigência e formalmente inconstitucionais. Ao final, a Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido e a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO Conforme descrito no relatório deste voto, a única matéria devolvida a este colegiado, por meio do Recurso Especial da Fazenda Nacional, diz respeito a parte do lançamento referente a multa pela não informação em GFIP do valor da receita bruta proveniente da aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física, subrogadas na pessoa jurídica adquirente de produção rural, no período compreendido entre 01/2007 e 12/2008 em que entendeu o colegiado ser inconstitucional. Assim, passo a apreciar a questão. DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADDA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da questão, considerando o recurso apresentado pela PFN, bem como a decisão exarada pelo Acórdão nº 2401002.843 . A presente NFLD referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2007 e 12/2008. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91, conforme identificado pela autoridade fiscal: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art Fl. 384DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97 A subrrogação descrita neste AIOP está respaldada no que dispõe o art. 30, III, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97, conforme relatório de fundamentos legais FLD, fls. 67: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge face o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Fl. 385DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 7 11 Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. Confesso que a interpretação trazido pelo acordão recorrida realmente foi por mim adotada em relação aos primeiros processos analisados acerca do tema, todavia, após um estudo mais sistematizado acerca da matéria, considerando diversas ponderações trazidas por conselheiros deste Conselho, tive a oportunidade de alterar meu entendimeento acerca do tema, conforme posicionamento adotado em diversos outros votos aos quais tive a oportunidade de relatar. Dessa forma, passo a proferir meu entendimento acerca do tema, que encontrase em consonância com os argumentos colacionados pela PFN. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Dita decisão merece ser levada em consideração nos presentes autos, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA Fl. 387DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 8 13 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a decisão a quo, que a subrrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 9 15 Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Cite se do TRF: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 390DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 10 17 e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea Fl. 392DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, enquanto relatora de processo envolvendo questão identica, tive a opotunidade de verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, II e IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário Fl. 393DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 11 19 e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa Fl. 394DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 12 21 b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontra se também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo (conforme relatório FLD da obrigação principal relacionada ao presente AIOA): “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de Fl. 396DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 13 23 §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem Fl. 398DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez tendo sido afastada a dúvida acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso III e IV plenamente respaldado encontrase o exigência legal objeto do presente lançamento. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS Face todo o exposto, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade seja questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos e regras regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidades não há razão para a recorrente. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) Fl. 399DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.723313/201198 Acórdão n.º 9202003.706 CSRFT2 Fl. 14 25 ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerandose válida a parcela da multa decorrente da falta de declaração das aquisições de produtores rurais pessoas físicas no AI 37.317.5531. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 400DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por ELAI NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10865.721666/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO.
Verificada a contradição e a omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, acolhem-se os embargos de declaração.
MULTA ISOLADA DE 50% SOBRE CRÉDITO INDEVIDO APROVEITADO EM PERDECOMP. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se aos atos e fatos não definitivamente julgados a lei que deixa de defini-los como infração.
Numero da decisão: 3402-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para, no mérito, também por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de 50% sobre o crédito indevido aproveitado no Perdecomp, por aplicação do princípio da retroatividade benigna, retificando-se, assim, o resultado do julgamento do recurso voluntário proferido por meio do Acórdão nº 3403-003.304.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para, no mérito, também por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de 50% sobre o crédito indevido aproveitado no Perdecomp, por aplicação do princípio da retroatividade benigna, retificando-se, assim, o resultado do julgamento do recurso voluntário proferido por meio do Acórdão nº 3403-003.304. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. Verificada a contradição e a omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, acolhemse os embargos de declaração. MULTA ISOLADA DE 50% SOBRE CRÉDITO INDEVIDO APROVEITADO EM PERDECOMP. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase aos atos e fatos não definitivamente julgados a lei que deixa de definilos como infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para, no mérito, também por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de 50% sobre o crédito indevido aproveitado no Perdecomp, por aplicação do princípio da retroatividade benigna, retificandose, assim, o resultado do julgamento do recurso voluntário proferido por meio do Acórdão nº 3403003.304. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 16 66 /2 01 2- 21 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3403003.304, sob os pressupostos de contradição e erro material. A embargante alegou, em síntese, que embora na folha de rosto do acórdão tenha constado que os recursos voluntário e de ofício foram negados, a fundamentação do voto vencedor é toda referente a tópicos do recurso voluntário, mas a conclusão foi por negar provimento ao recurso de ofício. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Com razão a Procuradoria da Fazenda Nacional, realmente houve lapso manifesto na conclusão do voto vencedor na parte em que foi mencionado "recurso de ofício". Vejamos. O voto vencedor se refere exclusivamente às divergências ocorridas na votação do recurso voluntário, in verbis: "(...) (...)" Após discorrer sobre as três matérias objeto da discordância em relação ao voto do relator, a conclusão do voto vencedor foi a seguinte, in verbis: (...)" Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10865.721666/201221 Acórdão n.º 3402002.770 S3C4T2 Fl. 4 3 (...)" Obviamente, a conclusão deveria ter sido redigida da seguinte forma: "Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator para negar provimento ao recurso voluntário." Mas infelizmente, de forma equivocada, constou "negar provimento ao recurso de ofício", o que merece ser retificado. Entretanto, apenas a retificação da conclusão para "negar provimento ao recurso voluntário" não torna hígido o Acórdão nº 3403003.304. Isso porque além dos vícios apontados pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional, houve também omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, na parte em que foi mantida a multa pela utilização de crédito indevido no Perdecomp. A fundamentação para a manutenção desta multa foi lançada no voto vencedor nos seguintes termos, in verbis: "(...) (...)" Acontece que na data da sessão de julgamento (14/10/2014), já estava em vigor a Medida Provisória nº 656, de 07/10/2014 (DOU de 08/10/2014), cujo art. 56, I, revogou expressamente os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A revogação do dispositivo legal que estabelecia essa multa foi mantida nos dispositivos legais subsequentes: art. 8º da Lei nº 13.097, de 19/01/2015; art. 4º, II da Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015 e art. 27, II, da Lei nº 13.137, de 19/06/2015. Sendo assim, deve ser suprida a omissão relativa à revogação do § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 anteriormente à data da sessão de julgamento, a fim de que seja aplicado ao caso concreto o princípio da retroatividade benigna, com base no disposto no art. 106, II, "a" do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I Omissis...; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...)" No caso concreto é evidente que o legislador deixou de considerar infração o aproveitamento de créditos indevidos em Perdecomp, pois com a revogação dos §§ 15 e 16 do art. 74, da Lei nº 9.430/96, a nova tipificação da multa passou a ter a seguinte redação, que lhe foi dada pela Lei nº 13.097/2015: "§ 17 Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. " (Grifei) Com a inovação legislativa desapareceu do mundo jurídico a possibilidade de infligir a multa de 50% sobre o valor do crédito indevidamente compensado, razão pela qual deve ser cancelada a multa aplicada neste processo, uma vez que na data do julgamento a base legal da multa já estava revogada. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional para retificar o resultado do julgamento do recurso voluntário proferido no Acórdão nº 3403003.304 e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de 50% por aproveitamento do crédito indevido no Perdecomp, com base no princípio da retroatividade benigna. Antonio Carlos Atulim Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.994023/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SALDO NEGATIVO. IRRF. DEDUÇÃO. RECEITAS OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
Comprovado que as receitas auferidas foram oferecidas à tributação com base no regime de competência, reconhece-se o direito à utilização do IRRF correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 13.707.500,19; homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO. IRRF. DEDUÇÃO. RECEITAS OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Comprovado que as receitas auferidas foram oferecidas à tributação com base no regime de competência, reconhece-se o direito à utilização do IRRF correspondente. Recurso Voluntário Provido.
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IRRF. DEDUÇÃO. RECEITAS OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Comprovado que as receitas auferidas foram oferecidas à tributação com base no regime de competência, reconhecese o direito à utilização do IRRF correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 13.707.500,19; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 40 23 /2 01 1- 25 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 634 2 Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 635 3 Relatório ITB HOLDING BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1652.235 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: A Interessada transmitiu a Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 06793.98512.150410.1.7.021821 (com demonstrativo do crédito), em que foi apontado crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao ano calendário (AC) de 2007, no montante de R$10.612.301,65. Além desta, foram transmitidas outras DCOMP vinculadas ao mesmo crédito. 2. A DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO em que não foi reconhecido direito creditório, relativo ao SNIRPJ apurado no AC 2007, em face de terem sido confirmados: (i) pagamentos no total de R$460,76 (mesmo valor pleiteado); (ii) retenções na fonte de R$6.499.024,55 (pleiteado R$20.206.524,74); e (iii) estimativas compensadas de R$2.648,62 (mesmo valor pleiteado), o que totalizou R$6.502.133,93 de parcela de crédito. Como o IRPJ devido apurado na DIPJ foi de R$9.597.332,47, não restou direito creditório. 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 19/12/2011 (AR; fls. 11 e 104), e dele recorreu a esta DRJ, em 17/01/2012, por meio de seu advogado, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 20 a 29): I DOS FATOS 3.1. Tratase de pedido de compensação de crédito de Saldo Negativo de IRPJ do AC 2007 (Exercício 2008 Per/Dcomp Inicial n° 06793.98512.150410.1.7.021821 Doc. 3) com débitos correntes da Manifestante, que não foi homologado, pois supostamente haveria insuficiência de Saldo Negativo de IRPJ. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 636 4 3.2. O valor do crédito original apresentado pela Manifestante monta em R$20.209.634,12 (Valor Original de R$10.612.301,65 cf. DIPJ 2008 Doc. 4) e foi totalmente glosado pela fiscalização. A parcela não homologada do SNIRPJ AC 2006 (sic) corresponde a parcela de IRRF que não foi confirmada no valor de R$13.707.500,19. II DO MÉRITO II.1 Do Saldo Negativo de IRPJ do AC 2007 Imposto de Renda Retido na Fonte 3.3. O Despacho Decisório glosou indevidamente parte do IRRF no valor de R$13.707.500,19, relativo à retenção de Imposto de Renda sobre operações financeiras da Manifestante, informada no Per/Dcomp e DIPJ como pagamentos efetuados pelas fontes pagadoras dos CNPJ n° 17.192.451/000170 (Banco Itaucard S.A.) e CNPJ n° 60.701.190/000104 (Itaú Unibanco S.A.). II.2 Da Tributação das Receitas Financeiras 3.4. Verificase que o IRRF não homologado pelo presente Despacho Decisório referese ao resgate de três tipos de aplicação financeira: Debêntures, Operações Compromissadas e Fundo de Investimento. Tais operações são títulos de renda fixa e, assim, seus respectivos rendimentos são calculados mediante índices prefixados. 3.5. A receita financeira auferida nessas operações foi devidamente tributada nas bases do IRPJ, entretanto, tal tributação não se verifica apenas no exercício de 2007, mas também em anos anteriores. 3.6. Isso porque, em cumprimento ao que determina a legislação contábil e fiscal, há um descasamento entre o momento em que ocorrem as retenções de IR sobre operações financeiras e o momento em que referidas receitas são contabilmente registradas. As receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua incorrência e da vinculação da despesa à receita, independente de seus reflexos no caixa. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 637 5 3.7. Por outro lado, as receitas financeiras informadas na DIRF/Comprovante de Rendimentos obedecem ao regime de caixa, isto é, são efetuados por ocasião do pagamento dos rendimentos, conforme dispõe o inciso II do art.732 do RIR/99: (...). 3.8. Sendo assim, os valores informados em Informe de Rendimentos sobre operações financeiras não guardam relação com a receita registrada no resultado do exercício corrente. Entretanto, isso não significa que o rendimento decorrente de operações financeiras não tenha sofrido a devida tributação. No caso concreto, tal tributação efetivamente ocorreu, como a seguir demonstrado. III.2.1 Da Tributação das Receitas Financeiras para fins de IRPJ 3.9. No caso em questão, para fins de amostragem, a Manifestante apresenta a retenção de IR relativa à operação de debêntures no valor de R$ 19.600.738,08 que representa 97% do total das retenções do anocalendário de 2007. 3.10. Conforme se verifica no quadro abaixo, as operações financeiras que originaram as retenções de IRRF não homologadas referemse à Fonte Pagadora Banco Itaú SA (CNPJ n° 60.701.190/000104 cf. Informe de Rendimentos Doc. 5): (...) 3.11. Ademais, a Manifestante informa que a correção monetária das debêntures foi registrada pelo regime de competência como receitas financeiras dos períodos de 2002 a 2007. Assim, a tributação dessas receitas se verifica também anos anteriores e não apenas na data de sua respectiva liquidação (19/12/2007). 3.12. Por fim, cabe destacar que a Manifestante tributou na base do IRPJ todas as receitas financeiras incorridas no período, conforme demonstrativo abaixo: COSIF CONTA DESCRIÇÃO R$ 7.1.4.10.100 0001 7181.651.000.0006 Debêntures (A) 685.920,74 7.1.5.10.000 0382 7163.080.000.0000 Debêntures – ItauleasingPOSDI 31.627.556,24 7.1.5.10.000 0382 7250.080.000.0004 Debêntures – ItauleasingPOSDI 6.711.311,28 7.1.5.40.001 0001 7163.400.341.0240 FIFRF Scala 4.389,96 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 638 6 7.1.9.99.009 0114 Juros s/ IR e CS a Compensar 20.729,13 TOTAL (B) 39.049.907,35 (A) Conforme balancete (doc.5) (B) Conforme linha 24 ficha 6 da DIPJ 2008 anocalendário 2007 3.13. Desta forma, verificase que a Manifestante efetuou todos os procedimentos estipulados pela legislação para a compensação do IRRF sobre suas aplicações financeiras na composição do Saldo Negativo de IRPJ do AC 2007. Logo, verificase a suficiência do direito creditório da Manifestante, razão pela qual as compensações vinculadas a este crédito devem ser homologadas. III DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF 3.14. Por fim, vale destacar que o CARF, em recente decisão, reconheceu que a mera divergência entre o total de rendimentos informados em DIRF e aqueles computados na DIPJ, para formação do lucro líquido, não é suficiente para lastrear a imputação de omissão de receitas. Reconheceu, ainda, a sistemática de reconhecimento de receitas e despesas decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa (Regime de Competência) e o aproveitamento do respectivo IRRF (Regime de Caixa) na apuração do IRPJ, conforme se verifica dos trechos do julgado abaixo: (...). III DO PEDIDO 3.15. Pelo exposto, requer a Manifestante a reforma da decisão proferida, com o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. Protesta pela juntada dos documentos anexos. Em análise da manifestação de inconformidade apresentada, a 4ª Turma da DRJ em São Paulo – DRJ/SP1 julgoua improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 639 7 O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. O contribuinte não logrou provar direito creditório em relação ao saldo negativo referente ao anocalendário 2007, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 07 de novembro de 2013, uma quintafeira (fl. 120), apresentando em 05 de dezembro de 2013 o recurso voluntário de fls. 132149 e anexos (fls. 150626). Reforça todos os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade Em resumo, alega que embora tenha sofrido retenção na fonte sobre rendimentos aplicações financeiras no anocalendário de 2007 (debêntures, operações compromissadas e fundo de investimento), a receita financeira auferidas nessas operações foi oferecida à tributação com base no regime de competência em períodos anteriores (anos calendário de 2004 a 2006). A fim de comprovar suas alegações, elaborou tabelas demonstrativas de todos esses períodos, correlacionandoas com sua escrituração contábil e fichas da DIPJ visando a demonstrar que boa parte das receitas financeiras informadas em DIRF referentes ao anocalendário de 2007 (período de resgate dos investimentos), já houvera sido tributado anteriormente em razão do seu reconhecimento pelo regime de competência. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 640 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o contribuinte foi cientificado da decisão em 24 de maio de 2013, uma sextafeira (fl. 680). Desse modo, o início da contagem do prazo se deu em 27 de maio de 2013, segundafeira. Considerando que o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias (art. 33 do Decreto nº 70.235/72) e o recurso voluntário foi apresentando em 24 de junho de 2013 (fls. 681749), este se mostra tempestivo. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 RECEITAS FINANCEIRAS – RECONHECIMENTO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA – DEDUÇÃO DO IRRF A questão controvertida nos autos resumeme à aplicação da Súmula CARF nº 80, assim vazada: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”. O trecho do voto condutor do acórdão recorrido a seguir transcrito resume muito bem a controvérsia: 9. Em relação ao mérito, observase que o presente litígio versa sobre o valor de IRRF passível de ser utilizado na DIPJ/2008, para se apurar o SNIRPJ AC 2007. 9.1. A glosa efetuada pela Autoridade Administrativa deve se ao oferecimento à tributação de apenas parte das receitas financeiras em relação às aplicações no código 3426. A seguir, detalharemos essa situações. 9.2. A Recorrente trouxe o informe de rendimentos de fl. 95 (doc. 05), no qual indicado rendimento tributável de R$121.414.230,29, e IRRF correspondente no montante de R$20.207.285,01, valores confirmados no Sistema DIRF. 9.3. Na DIPJ/2008, a Recorrente indicou, na Ficha 06A (Demonstração do Resultado), linha 22 (Outras Receitas Financeiras), o valor de R$39.049.907,35. A Autoridade Administrativa entendeu que não foi oferecido à tributação o rendimento tributável integral (que deu origem ao IRRF pleiteado de R$20.206.524,72: R$9.594.223,07 + R$10.612.301,65; linhas 11/07 – estimativa de dezembro, e 12A/13, respectivamente). Assim, reconheceu apenas IRRF no montante de R$6.499.024,55. Na sequência, o ilustre relator fundamenta o porquê não ater acatado os argumentos da então impugnante: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 641 9 9.5. A Recorrente alega que o rendimento tributável foi oferecido, ao longo do tempo (AC 2002 a 2007), pelo regime de competência. No entanto, para provar o alegado, detalha o oferecimento de R$39.049.907,35 à tributação no AC 2007, nada trazendo em relação ao oferecimento ao logo dos AC anteriores, de modo a comprovar o que alega. 9.5.1. Deveria ter apresentado: cópia dos contratos celebrados com as instituições financeiras sob análise, cópia dos livros Diário e Razão do período de 2002 a 2007, tabela de composição das receitas financeiras oferecidas à tributação nesse período (detalhando sua composição e escrituração), informes de rendimentos, e/ou outros documentos de modo a permitir a confirmação de suas alegações, o que não foi feito. 9.5.2. Como a Recorrente nada trouxe de modo a demonstrar a data de início dessas aplicações e o oferecimento, ao longo do tempo, das receitas correspondentes, não há como se confirmar sua alegação de tributação integral das receitas pelo regime de competência. 9.5.3. Como já ressaltado, o ônus da prova é da Recorrente. Neste ponto, releva notar que ela deveria ter anexado aos autos documentos e livros de sua escrituração contábil e fiscal que servissem de supedâneo as sua afirmações. De fato, até aquele momento processual, a recorrente não havia apresentado toda a documentação que comprovaria seus argumentos. Aduziu seus argumentos e realizou algumas demonstrações, mas não havia trazidos aos autos todos os elementos necessários à comprovação de suas alegações. Já em sede de recurso voluntário, e com fulcro na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a recorrente anexou vasta documentação destinada a contrapor as razões da decisão recorrida em relação aos elementos necessários à comprovação do oferecimento à tributação das receitas financeiras consignadas nos informes de rendimentos apresentados. Passo a analisála. Às fls. 174183 (doc. 4 anexo ao recurso), constam os balancetes mensais referentes ao período de janeiro a dezembro de 2007. A tabela elaborada pela recorrente resume os dados contidos em tais balancetes: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 642 10 As contrapartidas dos débitos realizados em tal conta foram contabilizados a crédito de contas de resultado (fls. 177234), cujas movimentações durante o período foram sintetizadas pela recorrente em sua peça recursal, conforme a seguir reproduzido: Na Ficha 06, linha 22 da DIPJ/2008 – Outras Receitas Financeiras (fl. 243) consta o montante de R$ 39.049.907,35, dos quais R$ 38.338.867,52 referemse exclusivamente às debêntures, conforme quadro elaborado pela recorrente à fl. 139, e ora reproduzido: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 643 11 Observase ainda que as demais receitas financeiras em questão, a saber, referentes a operações compromissadas e aplicações em fundo de investimento, também compõem o montante informado em DIPJ a título de receitas financeiras. A demonstração de resultado constante à fl. 267 indica exatamente tais valores compondo o lucro líquido do anocalendário de 2007, e, consequentemente, também o lucro real do período. Do mesmo modo, as tabelas elaboradas pela recorrente às fls. 139 e 140 corroboradas pelos documentos de fls. 269328 demonstram as receitas financeiras referentes às debêntures oferecidas à tributação no anocalendário de 2006. A correlação com as receitas financeiras informadas na Ficha 06A, linha 22, da DIPJ/2007 (fl. 340) pode ser verificada no confronto com o doc. 11 (fl. 363), concluindose, de fato, que no total de R$ 40.539.748,13 constante na linha 22 da Ficha 06 da DIPJ/2007, R$ 40.393.977,92 dizem respeito às debêntures. A tabela à fl. 140 (em conjunto com o doc. à fl. 363), a seguir reproduzida, demonstra em detalhes a composição da Ficha 06A, linha 22da DIPJ/2007, incluindo não só os rendimentos atinentes às debêntures, mas também as receitas financeiras decorrentes de operações compromissadas e do fundo de investimento:: E assim prosseguiu a recorrente, demonstrando que os rendimentos de debêntures referentes aos anoscalendário de 2004 e também 2005 foram efetivamente oferecidos à tributação (foram anexadas tabelas, e cópias dos registros contábeis e DIPJs). Restou assim demonstrado que durante o período de 2004 a 2007 a recorrente ofereceu à tributação o total de R$ 122.532.043,76 a título de receitas financeiras. Na DIPJ referente ao anocalendário de 2007, a cujo saldo negativo referese o presente processo, constatase que o total de receitas financeiras levadas à tributação foi de R$ 39.049.907,35 (Ficha 6A, linha 24), enquanto em sua Ficha 54 consta o total de rendimentos de aplicações financeiras de R$ 121.414.230,29 (e IRRF de R$20.207.285,01). Assim, em tese, haveria uma tributação a menor de R$ 82.364.322,94. Contudo, conforme já abordado, no período de 2004 a 2006 já houvera sido reconhecido pelo regime de competência receitas financeiras de R$ 83.098.933,46, ou seja, R$ Fl. 643DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.994023/201125 Acórdão n.º 1402002.060 S1C4T2 Fl. 644 12 734.610,652 a mais do que o total dos rendimentos informados em DIRF referente ao ano calendário de 2007. Desse modo, resta demonstrado que, em atenção ao art. 177 da Lei nº 6.404/76 a recorrente reconheceu suas receitas financeiras com base no regime de competência, tendo o imposto de renda sido retido pelas instituições financeiras somente por ocasião do pagamento dos rendimentos, conforme determina o art. 732 do Decreto nº 3.000/99. Portanto, encontrase plenamente demonstrado o porquê da divergência entre as receitas financeiras consignadas nos informes de rendimentos (receita financeira auferida em todo o período de aplicação, no caso, entre os anoscalendário de 2004 e 2007) e as receitas financeiras informadas pela recorrente em sua DIPJ referente ao anocalendário. Logo, concluise que os rendimentos correspondentes a tais retenções foram incluídos na apuração do lucro real do período, aplicandose ao caso concreto a Súmula CARF nº 80, assim vazada: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.”, reconhecendose, assim, o direito à dedução do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 13.707.500,19 correspondente a tais rendimentos. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório adicional de R$ 13.707.500,19 e homologando as compensações até esse limite. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 644DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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