Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11610.000096/99-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 31/07/1995 a 31/05/1996
LEI 9.799/1999. PAGAMENTO PARCIAL. POSSIBILIDADE PARA GOZO DO BENEFÍCIO.
O pagamento mesmo que parcial de débitos abrangidos pela anistia preconizada no art. 17 da Lei nº 9.779/99, extingue os mesmos não havendo se falar em supostas diferenças ante a existência de débitos de outros fatos geradores depositados judicialmente e posteriormente convertidos em renda da União.
Numero da decisão: 1803-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Rodrigues Mendes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walter Adolfo Maresch.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 31/07/1995 a 31/05/1996 LEI 9.799/1999. PAGAMENTO PARCIAL. POSSIBILIDADE PARA GOZO DO BENEFÍCIO. O pagamento mesmo que parcial de débitos abrangidos pela anistia preconizada no art. 17 da Lei nº 9.779/99, extingue os mesmos não havendo se falar em supostas diferenças ante a existência de débitos de outros fatos geradores depositados judicialmente e posteriormente convertidos em renda da União.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11610.000096/99-76
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5279893
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.594
nome_arquivo_s : Decisao_116100000969976.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SELENE FERREIRA DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 116100000969976_5279893.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Rodrigues Mendes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes e Cristiane Silva Costa.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
id : 4984369
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985109737472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 447 1 446 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.000096/9976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.594 – 3ª Turma Especial Sessão de 4 de dezembro de 2012 Matéria CSLL Recorrente CAIUÁ SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A (atual Rede de Empresas de Energia Elétrica S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 31/07/1995 a 31/05/1996 LEI 9.799/1999. PAGAMENTO PARCIAL. POSSIBILIDADE PARA GOZO DO BENEFÍCIO. O pagamento mesmo que parcial de débitos abrangidos pela anistia preconizada no art. 17 da Lei nº 9.779/99, extingue os mesmos não havendo se falar em supostas diferenças ante a existência de débitos de outros fatos geradores depositados judicialmente e posteriormente convertidos em renda da União. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Rodrigues Mendes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 00 96 /9 9- 76 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 448 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes e Cristiane Silva Costa. Relatório Trata o presente processo de cobrança administrativa de créditos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e de COFINS, discutidos nas seguintes ações judiciais: · Mandado de Segurança n° 95.00312530: impetrado perante a 1ª Vara Federal de São Paulo, em 05/04/95, compreendendo os períodos de apuração de 03/95 em diante, visando à abstenção do pagamento da COFINS, com base na imunidade estabelecida no parágrafo 3° do art. 155 da Constituição Federal. · Medida Cautelar n° 95.00458675, impetrada em 18/08/95 e distribuída por dependência ao mandado de segurança retro mencionado. Nesta ação a contribuinte buscava o direito de compensar os créditos que alegava possuir de COFINS, relativos aos períodos de 04/92 a 02/95, quando efetuava o recolhimento desta contribuição normalmente, com débitos vincendos da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL. A autoridade administrativa indeferiu o pedido de gozo dos benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/1999, com base nos seguintes fundamentos: a) Uma das condições a serem satisfeitas para o gozo da anistia, é o pagamento de todos os débitos relativos aos fatos geradores abrangidos pelo pedido do processo judicial, nos termos do inciso III, do § 2°, do art. 17 da Lei n° 9.779/1999, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.85806/1999. b) O pagamento só poderia ser parcial se a ação judicial envolvesse mais de um objeto, conforme disposto no § 6°, o que não se aplica ao caso. c) O pagamento efetuado através de Darf, em 30/07/1999, abrange apenas o período de 03/95 a 06/96, não tendo sido integral. A contribuinte havia efetuado depósitos judiciais a partir de 07/96. d) Uma vez que o pagamento efetuado não abrangeu todos os períodos alcançados pelos pedidos de ambas as ações judiciais, a contribuinte não faz jus aos benefícios da anistia do art. 17 da Lei n° 9.779/1999. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) À época da protocolização do processo não existia na Lei n° 9.779/1999 e nem na Medida Provisória n° 1.8587, qualquer observação acerca da necessidade do pedido Fl. 448DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 449 3 de registro de petição no juízo ou tribunal onde as ações estivessem tramitando, da conversão em renda da União dos depósitos em dinheiro efetuados para garantia do juízo, o que somente se verificou na edição da Medida Provisória que lhe sucedeu (1.8588, de 27/08/99) e que, em seu art. 11 tratou da questão. b) O requerimento de conversão dos depósitos em renda já foi efetuado em junho último (fls. 212), sendo a inconformidade datada do ano de 2000. A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: “Ementa: Indevido o reconhecimento do benefício previsto no art. 17 da lei 9.779 quando o contribuinte não comprova o completo pagamento de seus débitos conforme as estipulações das normas aplicáveis.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Em junho de 2000, a recorrente aderiu ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, instituído pela Lei n° 9.964/00, e nesse sentido requereu o parcelamento da integralidade dos débitos em aberto nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00312530 e da Medida Cautelar n° 95.00458675. b) Ao efetuar a adesão ao REFIS, protocolou pedidos de desistência nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00312530 e da Medida Cautelar n° 95.00458675, com o objetivo de incluir a totalidade dos débitos discutidos nestas ações, no referido programa. c) Ainda que se admita que a recorrente tenha equivocadamente deixado de cumprir algum requisito para adesão à anistia fiscal de que tratou a Lei n° 9.779/99, é inquestionável o equívoco perpetrado pela SRF ao deixar de incluir esses mesmos valores na consolidação do REFIS, cuja adesão foi regularmente manifestada pela recorrente. d) A SRF procedeu de ofício à inclusão no REFIS de dois débitos vinculados às ações supracitadas, os quais estão sendo cobrados em duplicidade por meio do presente processo, impondose o cancelamento desses valores. Tratase do débito de COFINS da competência de junho de 1996 e o débito de CSLL de dezembro de 1995. e) Requer seja julgado procedente o recurso para que seja reconhecida a inexigibilidade dos valores cobrados, em função da adesão da recorrente à anistia de que trata a Lei n° 9.779/99, com o consequente cancelamento dos débitos cobrados. f) Caso assim não se entenda, requer seja reconhecida a inexigibilidade da cobrança desses débitos por meio do presente processo administrativo, diante do fato de que esses valores deveriam ter sido consolidados no parcelamento, por ocasião da adesão da recorrente ao REFIS. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 450 4 g) Requer seja determinado o cancelamento dos débitos de COFINS de junho de 1996 e de CSLL de dezembro de 1995, exigidos em duplicidade neste processo e no parcelamento REFIS. Ao ser intimada do relatório de diligência, a recorrente acrescentou as seguintes considerações: a) Reitera seu pedido de exclusão dos montantes cobrados em duplicidade. b) A recorrente aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/09, incluindo a integralidade de seus débitos fiscais para pagamento, conforme se verifica do “Recibo de Declaração de Inclusão da Totalidade dos Débitos no Parcelamento da Lei nº 11.941/09. c) Por eventual decisão deste CARF acolhendo a pretensão da recorrente ter efeitos ex tunc, concluise que os débitos tratados na presente demanda administrativa deveriam desde a adesão ao REFIS pela recorrente constarem do dito parcelamento. Assim, no momento posterior, em que a recorrente optou por incluir os débitos já constantes do REFIS no parcelamento da Lei nº 11.941/09, automaticamente também deveriam estar incluídos os débitos tratados neste processo. d) A recorrente esclarece que não providenciou a desistência do recurso voluntário em apreço para inclusão destes débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/09 dada i) a ausência de previsão normativa; bem como (ii) o interesse de agir por conta da vantagem patrimonial em repassar débito originalmente incluído em parcelamento passado em superveniente, do que de débito que jamais fora incluído em parcelamento anterior. e) A desistência dos casos em que não se discute a exigibilidade no mérito da exação, mas sim apenas se pleiteia o direito de inclusão do débito em parcelamentos anteriores, somente se faz necessária na hipótese de ação judicial, conforme detalhadamente expresso no § 2º, da IN nº 6/99. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 451 5 Voto Vencido Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 02/01/2007 (AR de fls. 245). O recurso foi protocolado em 07/02/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente cumpre observar, que apenas serão estão controlados neste processo os débitos de CSLL. I. Da duplicidade de cobrança De acordo com o extrato emitido em 03/10/2011 (fls. 369/374), os saldos remanescentes são os seguintes: A recorrente requereu o cancelamento do débito de CSLL relativo ao mês de dezembro de 1995, sob o argumento de que ele estaria sendo exigido em duplicidade neste processo e no parcelamento REFIS. No despacho de fls. 378/379, a autoridade administrativa afirma que há duplicidade de cobrança dos seguintes débitos: Código P.A. Vcto. Processo 10880.000096/9976 Declarado em DIPJ REFIS – processo 10880.456603/200147 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 452 6 2484 12/1995 30/01/96 50.740,71 51.253,24 51.253,24 2484 03/1996 30/04/96 56.582,28 57.153,82 57.153,82 O débito relativo ao mês de dezembro de 1995, com vencimento em 30/01/96, foi liquidado por alocação do pagamento 21971672388: Por conseguinte, deve ser acolhido o pedido da recorrente de exclusão do débito relativo ao mês de dezembro de 1995, com vencimento em 30/01/96, pois ele foi consolidado e liquidado no REFIS, através do processo nº 10880.456603/200147. O pedido de exclusão do débito de COFINS não pode ser apreciado porque está sendo controlado no processo nº 16151.000245/200728, e não neste. De acordo com a informação de fls. 379 não houve débitos de CSLL, controlados por este processo, consolidados em parcelamentos PAEX. Diante do exposto, devem ser excluídos do presente processos os débitos discriminados na tabela acima, em virtude de duplicidade na cobrança. II. Mérito No mérito, a controvérsia do presente recurso gira em torno da possibilidade de gozo do benefício previsto no art. 17 da Lei n° 9.779/1999 (exclusão de multa e juros) na hipótese de pagamento parcial do tributo discutido judicialmente. O presente processo não trata de indeferimento de pedido de inclusão de débitos no REFIS, mas do gozo do benefício previsto no art. 17 da Lei nº 9.779/1999. A procedência do indeferimento da inclusão dos presentes débitos no REFIS não é passível de ser analisada nestes autos, pois neles não estão sendo discutidos os requisitos daquele parcelamento. Aliás, sequer é possível sabermos se houve ato administrativo indeferindo a inclusão dos débitos deste processo no REFIS. Pelos documentos constantes nos autos, a ação judicial que envolve débitos de CSLL é a Medida Cautelar n° 95.00458675, que tem por objeto a possibilidade de compensação de débitos de CSLL com créditos de COFINS relativos aos períodos de 04/92 a 02/95. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 453 7 A decisão recorrida indeferiu o pleito por não ter a contribuinte comprovado que pagou completamente os débitos, sendo que o requerimento de conversão dos depósitos em renda foi efetuado apenas em junho de 2000. Em conformidade com o despacho decisório (fls. 195/196), o contribuinte não havia efetuado recolhimento para os períodos de 07/95 a 05/96, em virtude de liminar. A partir de 06/1996 até 01/99 foram efetuados depósitos judiciais (fls. 99/122). No dia 30/07/99 a contribuinte recolheu via DARF, o valor devido, relativo aos períodos de 07/5 a 05/96, sem inclusão de juros e multa de mora. Tanto a autoridade administrativa quanto a decisão recorrida estão corretas ao afirmarem que uma das condições a serem satisfeitas para o gozo da anistia, é o pagamento de todos os débitos relativos aos fatos geradores abrangidos pelo pedido do processo judicial, nos termos do inciso III, do § 2°, do art. 17 da Lei n° 9.779/1999, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.85806/1999. Por sua vez, a IN nº 26/1999, de 25 de fevereiro de 1999 é cristalina ao disciplinar o modo como o pagamento poderia ter sido efetuado, in verbis: “Art. 2º O pagamento de tributos e contribuições na forma do art. 17 da Lei nº 9.779, de 1999, alterado pelo art. 10 da Medida Provisória nº 1.99114, de 1999, poderá ser efetuado em dinheiro ou mediante conversão, em renda da União, de depósito em dinheiro para garantia de instância. § 1º No caso de conversão de depósito em renda da União, configura a opção pelo pagamento na forma do art. 17 da Lei nº 9.779, de 1999, o registro da petição no juízo ou tribunal onde a correspondente ação judicial estiver em andamento. § 2º O registro da petição a que se refere o parágrafo anterior será comprovado por meio do certificado do protocolo da repartição competente para o seu recebimento.” Logo, o contribuinte tinha duas opções para efetuar o pagamento até a data limite prevista na lei que concedeu o benefício: recolhimento em dinheiro ou por meio de registro de petição no Poder Judiciário, solicitando a conversão do depósito em renda da União. Não há que se falar em ilegalidade da instrução normativa. Ela ampliou o conceito de pagamento, ao equiparálo à petição requerendo a conversão em renda dos depósitos judiciais, protocolado no juízo ou tribunal onde a correspondente ação judicial estivesse em andamento. Se o pedido de conversão dos depósitos em renda não foi efetuado a tempo, a condição estabelecida em lei para a concessão do benefício não foi cumprida, não havendo reparos a fazer na decisão recorrida. Eventual equívoco na inclusão dos presentes débitos no Refis não pode ser discutido neste processo, sendo que o ato administrativo questionado no recurso é o indeferimento do pedido de gozo dos benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/1999. Este ato, como já demonstrado, não padece de nenhum vício, uma vez que a recorrente de fato não cumpriu os requisitos legais necessários para ter direito ao benefício. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 454 8 Contrariamente ao que afirma a recorrente, para a inclusão dos presentes débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/09, entendo que seria necessário a desistência expressa deste recurso administrativo. O objeto do processo envolve sim a discussão do mérito da exação. A procedência ou improcedência do despacho que indeferiu o pedido de gozo ao benefício do art. 17 da Lei n° 9.779/1999 afeta o montante do crédito tributário devido. Como o despacho é válido e aplicou corretamente a legislação ao caso concreto, os débitos são devidos com seus acréscimos legais, juros e multa de mora. Por isso, para inclusão dos débitos em outro parcelamento a recorrente deveria ter expressamente desistido do presente recurso administrativo, e renunciado ao direito de fazer o pagamento isento de multa e juros de mora, nos termos da Lei nº 9.779/1999. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir os débitos cobrados em duplicidade. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 454DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 455 9 Voto Vencedor Conselheiro – Walter Adolfo Maresch – Redator Designado. O voto da ilustre conselheira relatora não foi acompanhado pela maioria dos conselheiros desta Egrégia Terceira Turma Especial. Com efeito, cingese o litígio a aferir se os pagamentos de débitos de CSLL realizados em julho/1999, encontramse ao abrigo ou não dos benefícios contemplados no art. 17 da Lei nº 9.779/99, que contempla o pagamento do principal, acrescido apenas dos juros da taxa SELIC calculada entre fevereiro/99 e julho/1999. Afirma a autoridade administrativa corroborada pela decisão de primeira instância de que os pagamentos não podem ser contemplados com a anistia preconizada no art. 17 da Lei nº 9.779/99, pois a contribuinte não teria recolhido a totalidade dos fatos geradores objeto da ação judicial sendo parte dos mesmos depositados em juízo e convertidos em Renda da União apenas por ocasião da adesão ao REFIS no ano de 2000. Conforme já deixa claro a ilustre conselheira relatora em seu voto vencido, o presente processo abrange apenas os débitos relacionados com a CSLL sendo que as diferenças apuradas em relação aos débitos de COFINS são objeto de discussão no processo administrativo fiscal nº 16151.00245/200728. O art. 17 da Lei nº 9.779/99, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória 1.8587/99, encontravase assim redigido: Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal "§ 1º O disposto neste artigo estendese: I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 456 10 III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2° O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: I ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do parágrafo anterior; II ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do parágrafo anterior; III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do parágrafo anterior. grifamos § 3º O pagamento referido neste artigo: I importa em confissão irretratável da dívida; II constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendose a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes; IV relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. § 4º As prestações do parcelamento referido no inciso III do parágrafo anterior serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 5º Na hipótese do inciso IV do § 3, os juros a que se refere o parágrafo anterior serão calculados a partir do mês de fevereiro de 1999. § 6º O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais de um objeto. § 7º No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3° alcança exclusivamente os valores pagos. § 8º Aplicase o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS." Art. 11. O prazo previsto no art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999, fica prorrogado para o último dia útil do mês de fevereiro de 1999. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 457 11 Parágrafo único. Relativamente às contribuições arrecadadas pelo INSS, o prazo a que se refere o caput fica prorrogado para o último dia útil do mês de abril de 1999 Ao contrário da exegese dada ao dispositivo pela autoridade que apreciou o pleito e também a decisão de primeira instância, entendo que a interpretação mais razoável é de que apenas se incluem na anistia prevista, os fatos geradores relacionados com o objeto de ação judicial não prevendo no entanto a exigência de pagamento integral de todos os fatos geradores nela incluídos. Assim, se o pagamento realizado abrangeu fatos geradores compreendidos no objeto da ação judicial, qualquer pagamento mesmo parcial fica abrangido nos benefícios da anistia prevista no art. 17 da Lei nº 9.779/99. Quaisquer débitos não abrangidos no objeto da ação judicial ou mesmo aqueles que abrangidos não forem recolhidos no prazo estabelecido pela norma remissiva, estarão excluídos dos benefícios da norma que exclui a aplicação da multa de mora e parte dos juros de mora. Por outro lado, não parece tampouco razoável pretender que débitos cuja exigibilidade esteja suspensa por depósito judicial, sejam o entrave para o reconhecimento da anistia em relação aos débitos que foram efetivamente extintos por pagamento. Ou seja, qualquer prejuízo que possa eventualmente advir em relação aos valores depositados (o que é absurdo pois não há fluência de multas e juros) seria apenas em relação a estes valores e não para os débitos extintos em virtude do pagamento. Por outro turno, mesmo que se pretendesse dar a interpretação pretendida pela decisão ora recorrida, este colegiado julgador administrativo, já se posicionou quanto a possibilidade de entendimento de que cada fato, gerador pode ser considerado um objeto distinto da ação judicial, abrangendo assim, a hipótese prevista no § 6º, que contempla o pagamento parcial. Confirase a ementa do julgado exarado pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, do qual se extrai o seguinte excerto: ANISTIA PARCIAL. MÚLTIPLOS PERÍODOS DE INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato de serem vários os anoscalendário do lançamento de ofício, efetuado para fins de prevenir a decadência em relação à matéria levada à sindicância do Poder Judiciário, é compatível com a anistia parcial da Lei n° 9.779/99, desde que presentes os demais requisitos legais, ainda que se discuta no processo judicial tãosomente a aplicação de índice de correção monetária das demonstrações financeiras. A multiplicidade de períodos de apuração possibilita a percepção de uma cumulação de pedidos, um para cada período de incidência, o que é consentâneo ao reconhecimento da anistia para os anoscalendário em relação aos quais o litigante, mediante pagamento integral, na forma da lei, extinguiu as obrigações tributárias correspondentes. Por outro lado, remanesce a incidência da multa e dos juros de mora quanto aos Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.000096/9976 Acórdão n.º 1803001.594 S1TE03 Fl. 458 12 períodos de apuração em que os respectivos pagamentos não foram equivalentes ao tributo devidamente calculado. Ac. 10322.305, 23/02/2006, Proc. 16327.000658/9928 Por derradeiro, deixa de haver cobrança em duplicidade com o REFIS, considerando não haver quaisquer diferenças em relação aos débitos que foram extintos ao abrigo da anistia do Art. 17 da Lei nº 9.779/99, de acordo com o presente julgado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerando insubsistentes a cobrança de quaisquer diferenças relacionadas com os débitos de CSLL e que foram regularmente extintos conforme DARF constante das fl. 05. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001225/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1999
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN
(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação
nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatando-se
dolo, fraude ou simulação, a
regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência
de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta
última regra.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-002.709
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso de
Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1999 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11330.001225/2007-42
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5093952
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-002.709
nome_arquivo_s : 230102709_11330001225200742_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Mauro Jose Silva
nome_arquivo_pdf_s : 11330001225200742_5093952.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4956269
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985114980352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 473 1 472 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001225/200742 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 230102.709 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria CONT. PREV NFLD Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIBRA TERMINAIS SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1999 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001225/200742 Acórdão n.º 230102.709 S2C3T1 Fl. 474 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.006.8626 , lavrada em 22/12/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias devidas em função de glosa de compensação, no período de 01/01/1996 a 31/10/1999 , tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 12.092.014,46 , fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 27/12/2006, fls. 111, a recorrente apresentou impugnação, fls. 114/134, na qual alegou a decadência do crédito tributário. A 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, no Acórdão de fls. 395/396, julgou o lançamento improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 12/03/2009, fls. 404. Ficou consignada a decadência integral do lançamento. Em obediência ao art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/3008, foi apresentado recurso de ofício, uma vez que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). É o relatório. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva O Recurso de Ofício atende ao estabelecido no art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/2008, portanto dele tomamos conhecimento. O órgão julgador a quo julgou o lançamento totalmente decadente e, tendo sido exonerado crédito tributário que ultrapassa o limite alçada, foi apresentado o Recurso de Ofício. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001225/200742 Acórdão n.º 230102.709 S2C3T1 Fl. 475 5 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001225/200742 Acórdão n.º 230102.709 S2C3T1 Fl. 476 7 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001225/200742 Acórdão n.º 230102.709 S2C3T1 Fl. 477 9 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.001225/200742 Acórdão n.º 230102.709 S2C3T1 Fl. 478 11 Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 01/1996 a 10/1999. Para tais competências, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele constante do art. 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas chegaremos à conclusão de que o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento. Tomando o dies a quo do prazo decadencial aquele constante do art. 173, inciso I, teríamos, para a competência 12/1999 o início da contagem decadencial em 01/01/2001, o que resultaria no prazo final de 31/12/2005. Portanto, o lançamento cientificado em 22/12/2006 foi concluído após a ocorrência da caducidade do direito do fisco de declarar a constituição do crédito tributário, tornando improcedente a autuação, em harmonia com o que decidiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 507DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.017408/2008-73
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade no lançamento que cumpriu adequadamente a finalidade estipulada no art. 142 do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
É legítimo o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto quando o recorrente não comprova a origem dos recursos que suportaram os dispêndios identificados pela autoridade fiscal e que deram ensejo à presunção legal de omissão de rendimentos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado.
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
EDITADO EM: 03/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento que cumpriu adequadamente a finalidade estipulada no art. 142 do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É legítimo o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto quando o recorrente não comprova a origem dos recursos que suportaram os dispêndios identificados pela autoridade fiscal e que deram ensejo à presunção legal de omissão de rendimentos. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.017408/2008-73
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5261505
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-001.857
nome_arquivo_s : Decisao_10120017408200873.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10120017408200873_5261505.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora EDITADO EM: 03/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4923367
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985119174656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 691 1 690 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.017408/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.857 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente CARLOS ALBERTO ANDRADE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento que cumpriu adequadamente a finalidade estipulada no art. 142 do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É legítimo o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto quando o recorrente não comprova a origem dos recursos que suportaram os dispêndios identificados pela autoridade fiscal e que deram ensejo à presunção legal de omissão de rendimentos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e redator designado. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 74 08 /2 00 8- 73 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE 2 EDITADO EM: 03/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, o Auto de Infração de fls.552/570, cuja ciência se deu em 15/01/20009.O valor do crédito tributário apurado é de R$96.230,24. O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das seguintes infrações: Omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme descrito no Termo de Constatação e Encerramento de Ação Fiscal, integrante do Auto de Infração. A impugnação, consoante o relatório da decisão de primeira instância, teve como argumentos: Preliminar: · Ressalta que o patrimônio de um contribuinte seria constituído de bens tangíveis ou intangíveis, como carros, casas, dinheiro ou aplicações financeiras, de maneira que o trabalho da Fiscalização deveria se dar sob o nome de renda presumida, omissão de rendimentos, uma vez que a presunção de acréscimos patrimoniais não guarda relação de causalidade e proporcionalidade com os fatos descritos na acusação fiscal, que pecaria pela insegurança absoluta na indicação da infração.A constatação de falhas na elaboração do trabalho de auditagem macula o ato praticado e causa nulidade absoluta do processo. Mérito · Assevera que a autuação estaria baseada na constatação de que o contribuinte teria omitido receita em virtude de despesas efetuadas com cartão de crédito em valores superiores aos rendimentos auferidos durante o período.Entretanto, a própria fiscalização teria acolhido o fato de que a maior parte das despesas teriam como objetivo a aquisição de passagens aéreas destinadas a diversas pessoas, terceiros, com os quais mantém relacionamento comercial por meio de sua empresa de turismo. · Explica os motivos que o teriam levado a utilizar cartões pessoais para realizar despesas da empresa, entre os quais o fato de ser uma pequena empresa, obrigada a concorrer com grandes empresas do ramo. · Afirma ter como clientes o Governo do Estado de Goiás, suas Secretarias e Órgãos administrativos, sendo que, em muitos casos, a relação comercial é formalizada por meio de licitação pública.Por esse motivo, muitas vezes, apesar de emitir passagens aéreas para diversas pessoas, os pagamentos eram efetuados por apenas um órgão ou empresa, como nos seguintes exemplos: R$40.000,00, depositado em julho pela Fl. 692DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE Processo nº 10120.017408/200873 Acórdão n.º 2802001.857 S2TE02 Fl. 692 3 empresa SCRIPT, R$9.500,00, em agosto, por José Silva Lima e Cia., R$14.500,00, em dezembro, por DEPAULA – ME. Todos os depósitos na conta no Banco Itaú. · Sustenta que, em muitos casos, as próprias agências de viagens com as quais mantinha relações comerciais efetuavam os pagamentos das faturas de cartões de crédito em seu nome. · Elenca algumas transações e valores que seriam relativos a pagamentos de passagens compradas para terceiros em conseqüência de contratos e acordos comerciais com empresas e órgãos governamentais, valores estes que, no seu entendimento, não poderiam ser considerados como despesas pessoais suas, para fins de presunção de omissão de rendimentos. · Considera que as provas trazidas aos autos comprovam a origem dos recursos utilizados nos pagamentos das faturas de cartão de crédito, afastando a presunção contida no lançamento.. Multa Confiscatória. · Afirma que a multa aplicada fere fundamentalmente o princípio do não confisco e transcreve trechos de jurisprudência e de doutrina nesse sentido. · Concorda que o conceito de confisco guarda subjetividade, mas entende que a pena de 75% sobre o valor do imposto é materialmente confiscatória. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0342.351, de 23 de março de 2011, que se encontra às fls. 593/599, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente do acórdão em 11/05/2011, recorreu a este Conselho em 06/06/2011 (fls. 672/677). Em síntese, na peça recursal reitera os argumentos da impugnação reforçado pelos seguintes: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE 4 · Assevera que na fase de levantamento fiscal, prestou todas as informações solicitadas e os esclarecimentos necessários acerca das despesas efetuadas nos cartões de credito relacionado, concluindo a fiscalização pelo reconhecimento de despesas efetuadas com terceiros, · Observa que em primeira instância parte das despesas excluídas da tributação conforme o seguinte fundamento:. "A defesa comprova ter efetuado diversos pagamentos referentes a compras de passagens aéreas para terceiros, em decorrência de contratos celebrados com a empresa da qual o sujeito passivo é sócio, FOX Turismo Viagens e Câmbio Ltda (fls. 96/99), por meio dos documentos de fls. 283/548. Estes valores não constituem despesas do contribuinte e seriam pagas pelos destinatários dos serviços, de modo que devem ser excluídos dos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto." · Contudo, o lançamento restou mantido com relação aos meses de Janeiro, no valor de R$ 56.077,68 e Dezembro, no valor de R$ 25.783,31, por entender o i. julgador que o recorrente não conseguiu afastar, em relação à estes períodos, a presunção de acréscimo patrimonial a descoberto. · Ratifica as alegações contidas na peça impugnatória e nos esclarecimentos prestados à fiscalização, nos meses de Janeiro de Dezembro ocorreram duas situações distintas, que refletem a regularidade das despesas por ele efetuadas afastam a presunção de acréscimo patrimonial. Senão vejamos: 1. Relativamente ao mês de Janeiro, a situação constatada é a circulação em conta corrente de valores relativos à comercialização de bens, os quais adquiridos e vendidos dentro do mesmo exercício financeiro, que não representa acréscimo patrimonial, o fato é que houve um depósito de R$50.000,00 e outro de R$4.000,00 para posterior pagamento de veículo em nome da GLOBOTUR conforme nota fiscal nº 1480 2. quanto ao saldo em conta corrente ao final de cada mês, em dezembro houve o depósito de R$14.500,00 da Empresa DEPAULA ME para pagamento de bilhetes de passagens aéreas emitidas por cartão de crédito. · Destaca que é forçoso, portanto, admitir que a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Desta forma, comprovandose a origem dos recursos oriundos dos depósitos bancários, o contribuinte não poderá sujeitarse à apuração por presunção da disponibilidade econômica. · Ressalta que noutro ângulo, comprovado que os valores utilizados para pagamento de faturas de cartão de crédito transitaram pela conta Fl. 694DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE Processo nº 10120.017408/200873 Acórdão n.º 2802001.857 S2TE02 Fl. 693 5 corrente, não há que se falar em presunção de acréscimo patrimonial a descoberto. · Adverti que como já pacificado neste Egrégio Conselho, "a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos." · Assevera que , todas as provas que evidenciam a regularidade financeira do contribuinte foram apresentadas na fase de investigação fiscal, bem como reproduzidas na fase de Impugnação, restando claro que as evidencias que apontam a inexistência da irregularidade denunciadas foram afastadas mediante prova carreadas aos autos. · Afirma , que os depósitos efetuados pelos clientes em sua conta corrente do recorrente, não se constituem apenas em ressarcimento, mas pagamentos das passagens aéreas adquiridas por meio dos cartões de credito do sujeito passivo, o que demonstra não ser despesa pessoal, tão pouco evolução patrimonial ou acréscimo a descoberto. · Finaliza suplicando pela justiça e bom senso, até o momento já revelados no presente processo, devendo ser reformada parcialmente o Acórdão 03.42.351, para, acolher as receitas demonstradas e comprovadas, nos meses de Janeiro e Dezembro, relacionadas nos itens 14 e 15 do presente Recurso, deduzindo do remanescente os valores ali descritos, que afastam a presunção de acréscimo patrimonial e revelam apenas a restituição dos clientes ao recorrente das despesas por este efetuadas em seu cartão de credito. É o relatório. Voto Vencido O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A motivação constante do AI referese apuração de omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme descrito no Termo de Constatação e Encerramento de Ação Fiscal, integrante do Auto de Infração. Entretanto, compulsando os autos, ao meu sentir, não restou claro, a matéria tributária ou melhor restou duvidosa a base de cálculo. Penso que a fiscalização, confundiu Rendimento Tributável com Base de Cálculo, maculando elementos intrínsecos do lançamento, quais sejam, a matéria tributável e o cálculo do montante devido, previstos no art. 142 do CTN¹ Fl. 695DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE 6 Os procedimentos previstos na referida norma fazem parte do lançamento e resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário, posto que, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”² do ato, resultando na sua nulidade. Assim, quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a matéria tributável e o cálculo do montante devido), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen³: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” .Veja se, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Destarte, com esses argumentos expostos, acima, voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DAR LHE PROVIMENTO, para reconhecer de ofício a nulidade do lançamento, por vício material. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Voto Vencedor Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Redator designado A relatora votou pela nulidade do lançamento sob o fundamento de que este não identificou satisfatoriamente a matéria tributária e que restou duvidosa a base de cálculo. Pedi vistas para poder analisar o processo mais detidamente. Da análise do auto de infração concluise que a ação fiscal foi motivada por indícios de dispêndios efetuados em cartão de crédito em montante superior aos recursos disponíveis no anocalendário 2005 e que o contribuinte, no período, exerceu o mandato de prefeito de Goiânia e foi sócio de duas empresas de turismo na mesma cidade, a Fox Turismo Viagens e Cãmbio Ltda e Globotur Empreendimentos Turísticos Ltda, tal como constou na DIRPF (fls. 05/07). A fiscalização teve início com o Termo de fls. 02/04, do qual decorreu a apresentação dos documentos de fls. 17/20, como nova intimação e nova entrega de documentos (fls. 21/263). Em seguida a fiscalização elaborou o “Demonstrativo de acréscimo patrimonial a descoberto”, referente aos meses de janeiro, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2005 (fls. 264/277). Fl. 696DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE Processo nº 10120.017408/200873 Acórdão n.º 2802001.857 S2TE02 Fl. 694 7 Em resumo, a justificativa do fiscalizado (fls. 280/548) é que parte dos gastos com cartões de crédito está relacionada a despesas de terceiros, principalmente , na aquisição de passagens aéreas emitidas por diversas companhias de aviação, para atendimento aos clientes das agências de viagens com as quais mantém relação comercial. A autoridade fiscal informa que, após analisar os documentos e justificativas apresentadas pelo fiscalizado, reconhece que parte dos gastos com cartões de crédito foram efetuados em benefícios de terceiros, entretanto, faltou ao contribuinte justificar a origem dos recursos que empregou nesses pagamentos (fls. 554). A autuação decorre da apuração de omissão de rendimentos a que se refere o “Demonstrativo de Variação Patrimonial” de fls. 265/276, cujos valores foram transcritos para o auto de infração às fls. 555. Às fls. 265/266 está o “Demonstrativo de Variação Patrimonial” propriamente dito, nele são apontadas as origens e aplicações de recursos, ao passo que nas folhas seguintes são discriminadas as origens e as aplicações. O foco da autuação são as despesas com cartões de crédito, que aparecem no Demonstrativo como “Outros dispêndios/aplicações” e são detalhadas no Demonstrativo de fls. 272, decorrentes dos extratos mensais de três cartões de crédito. Esses extratos foram juntados aos autos e sua conferência, extrato por extrato, é dispensável uma vez que é não há controvérsia sobre os valores pagos. Diante dessas considerações, concluo que o lançamento cumpriu com a finalidade estipulada no art. 142 do CTN e não há dúvida sobre a matéria tributável nem sobre a base de cálculo. Peço vênia para divergir da ilustre relatora, pois estou convicto de que não há nulidade no auto de infração. Do mérito. Caso o Colegiado decida por apreciar o mérito, voto com base nos seguintes argumentos. A questão central é qual a origem dos recursos empregados no pagamentos dos cartões de crédito? Foram rendimentos tributáveis ou não? A DRJ reconheceu que parte dos pagamentos não correspondia a despesas do contribuinte e que era paga por clientes da Fox Tur. Após o julgamento em primeira instância, restou a questão da falta de comprovação que pudesse justiçar o acréscimo patrimonial em janeiro (R$56.077,68) e dezembro (R$25.783,31). O recorrente alega que: a) em janeiro houve a circulação em conta corrente de valores relativos à comercialização de bens que foram adquiridos e vendidos no mesmo exercício, houve um depósito de R$50.000,00 e outro de R$4.000,00 para posterior pagamento de veículo em nome Fl. 697DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE 8 da GLOBOTUR conforme nota fiscal nº 1480 (supostamente o recorrente referese à nota de fls. 283 de R$185.000,00). b) quanto ao saldo em conta corrente ao final de cada mês, em dezembro houve o depósito de R$14.500,00 da Empresa DEPAULA ME para pagamento de bilhetes de passagens aéreas emitidas por cartão de crédito. c) uma vez comprovado que os valores utilizados para pagar as faturas transitaram pela conta corrente, não se pode falar de presunção de acréscimo patrimonial a descoberto e que, diversamente do que considerou a DRJ, os depósitos feitos pelos clientes não caracterizaram ressarcimento. Afirmar que ocorreram pagamentos por certas razões não é mesmo que provar. Ocorre que alegações desacompanhadas de prova, que sequer foram indicadas pelo recorrente, não permite afastar a presunção legal de omissão de receitas. Conclusão: voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso . Fl. 698DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 03 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por DAYSE FERNANDES L EITE
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724800/2011-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto contra Acórdão que julgou intempestiva a impugnação quando o mesmo não impugna a alegação de perempção.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto contra Acórdão que julgou intempestiva a impugnação quando o mesmo não impugna a alegação de perempção. Recurso não conhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12448.724800/2011-19
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5257148
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.191
nome_arquivo_s : Decisao_12448724800201119.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 12448724800201119_5257148.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
id : 4895216
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985122320384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1444; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 65 1 64 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.724800/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.191 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de março de 2013 Matéria IRPF Recorrente MERCIA FURTADO VARELLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto contra Acórdão que julgou intempestiva a impugnação quando o mesmo não impugna a alegação de perempção. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 48 00 /2 01 1- 19 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 10/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite. Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.0610), referente ao exercício 2008, anocalendário de 2007, em razão de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação trabalhista. Impugnou o lançamento (fls. 24) , alegando que nunca recebeu a Notificação de Lançamento nº 2008/665592407267301, como intimação para recolher o valor lançado, o que aconteceu somente em 28/03/2011, quando se dirigiu ao Posto (CAC) da Antônio Carlos para pedir informações sobre o Aviso de Cobrança no valor de R$157.302,85, recebido em 25/03/2011; que para provar que fala a verdade, aduz que se ao receber a primeira intimação, para prestar esclarecimentos, em setembro de 2009, dirigiuse imediatamente ao Posto de Ipanema, não tem cabimento a RFB supor que não iria correr ao Órgão recebendo documento com valor tão alto; que nunca teve a intenção de sonegar ao Fisco embora pense que a RFB julga a todos como sonegadores, sem distinção; que, se não declarou o rendimento foi porque seu contador, em 2008, lhe disse que não se declarava precatórios visto que o IRPF já era retido na fonte; que, se tivesse recebido a Notificação na época própria, poderia ter parcelado o débito com redução de 40 % da multa; que ficou sabendo que agora só tem direito a parcelar em até 60 meses, sem qualquer redução, não tendo, contudo, condições financeiras para arcar com as parcelas mensais da dívida. Requer, pelo exposto, que lhe seja concedida a redução de 40% da multa e que o débito possa ser parcelado em mais de 60 meses. Em julgamento, a 7ª Turma da DRJ/RJ2, em sessão realizada no dia 09/06/2011, por unanimidade, não conheceu da impugnação, por intempestiva, considerando a data da entrega da notificação de lançamento em seu domicílio fiscal constante dos bancos de dados da RFB, em 04/12/2009 (fl.06), tendo sido a impugnação apresentada em 14/04/2011. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 59 (numeração CARF, eis que ausente a numeração original), o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 44, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos na impugnação. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 12448.724800/201119 Acórdão n.º 2802002.191 S2TE02 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, o recurso não merece condições de ser conhecido. Isto porque a Impugnação então ofertada pela Recorrente foi julgada intempestiva, e no Recurso em exame não se vislumbra nenhuma razão ou justificativa apta a derrubar a perempção detectada. Como esta prejudicial de mérito não foi enfrentada, não se pode adentrar no exame das razões de recurso quanto ao mérito do lançamento. Ressaltese que a própria Recorrente admite o fato, incontroverso pois, de que a Notificação de Lançamento foi regularmente entregue em seu endereço, sendo desimportante o fato eventual da alegada falta de repasse por seu porteiro, nos exatos termos do que dispõe a Súmula CARF nº 9, assim redigida: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Assim, entendo pelo não conhecimento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000527/2003-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/08/2001, 01/10/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/OBSCURIDADE.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade/omissão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-001.787
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A, conferindo-lhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado para excluir das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins), as receitas não operacionais escrituradas, nos anos calendários de 2001 e 2002, sob as rubricas e códigos: Crédito Presumido NA (conta 42104.10001); Crédito Exportação NA (conta 42105.10001); Credito PIS Aquisições (conta 2106.10001); Aplicações Financeiras (conta 45101.00001); Juros S/ Atrasos de Cientes (conta 45101.00003); Juros Ativos (conta 45101.00004); Descontos Obtidos; (conta 45101.00005); Outras Receitas Financeiras (conta 45101.00999); Descontos Concedidos (conta 45102.00001); Resultado Hedge (conta 45102.00998); Variações Cambiais Ativas (conta 45201.00001); Correção Monetária Ativa (conta 45201.00002); Juros Ativos Contrato Mutuo (conta 45203.00001); Devoluções de Vendas NA (conta 41101.10001); Abatimentos Comerciais NA (conta 41201.10001); e Abatimentos Comerciais HCN (conta 41201.10001), mantendo-se o acórdão embargado quanto às demais matérias nele decididas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/08/2001, 01/10/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade/omissão. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13502.000527/2003-86
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5260563
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.787
nome_arquivo_s : Decisao_13502000527200386.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 13502000527200386_5260563.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A, conferindo-lhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado para excluir das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins), as receitas não operacionais escrituradas, nos anos calendários de 2001 e 2002, sob as rubricas e códigos: Crédito Presumido NA (conta 42104.10001); Crédito Exportação NA (conta 42105.10001); Credito PIS Aquisições (conta 2106.10001); Aplicações Financeiras (conta 45101.00001); Juros S/ Atrasos de Cientes (conta 45101.00003); Juros Ativos (conta 45101.00004); Descontos Obtidos; (conta 45101.00005); Outras Receitas Financeiras (conta 45101.00999); Descontos Concedidos (conta 45102.00001); Resultado Hedge (conta 45102.00998); Variações Cambiais Ativas (conta 45201.00001); Correção Monetária Ativa (conta 45201.00002); Juros Ativos Contrato Mutuo (conta 45203.00001); Devoluções de Vendas NA (conta 41101.10001); Abatimentos Comerciais NA (conta 41201.10001); e Abatimentos Comerciais HCN (conta 41201.10001), mantendo-se o acórdão embargado quanto às demais matérias nele decididas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4917389
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985124417536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.924 1 1.923 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000527/200386 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301001.787 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria PIS e COFINS Embargante ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/08/2001, 01/10/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade/omissão. Embargos Acolhidos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A, conferindolhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado para excluir das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins), as receitas não operacionais escrituradas, nos anos calendários de 2001 e 2002, sob as rubricas e códigos: Crédito Presumido NA (conta 42104.10001); Crédito Exportação NA (conta 42105.10001); Credito PIS Aquisições (conta 2106.10001); Aplicações Financeiras (conta 45101.00001); Juros S/ Atrasos de Cientes (conta 45101.00003); Juros Ativos (conta 45101.00004); Descontos Obtidos; (conta 45101.00005); Outras Receitas Financeiras (conta 45101.00999); Descontos Concedidos (conta 45102.00001); Resultado Hedge (conta 45102.00998); Variações Cambiais Ativas (conta 45201.00001); Correção Monetária Ativa (conta 45201.00002); Juros Ativos Contrato Mutuo (conta 45203.00001); Devoluções de Vendas NA (conta 41101.10001); Abatimentos Comerciais NA (conta 41201.10001); e Abatimentos Comerciais HCN (conta 41201.10001), mantendose o acórdão embargado quanto às demais matérias nele decididas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 05 27 /2 00 3- 86 Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela embargante Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A contra o Acórdão nº 20218.598, proferido pela Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes na sessão de 12 de dezembro de 2007. A embargante alega que a decisão embargada deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo das contribuições os valores decorrentes de (i) descontos obtidos, (ii) receitas financeiras, (iii) tributos a recuperar, (iv) credito presumido de IPI, (v) descontos e abatimentos, e (vi) variação monetária, especificando as contas contábeis cujos valores deveriam ser excluídos da base de cálculo. No acórdão embargado foram indicados os números e os nomes das contas contábeis cujos valores deveriam ser excluídos da base de cálculo das contribuições, referentes ao plano de contas, vigente nos períodos de 1998 a 2000. Contudo, além daqueles períodos de competência, o lançamento abrangeu também os anos calendários de 2001 e 2002, quando aquelas contas sofreram alterações de nome e de números. Assim, o acórdão embargado omitiuse e/ ou tornouse obscuro ao deixar de especificar as contas contábeis relativas aos períodos de 2001 e 2002. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Os embargos de declaração interpostos atendem aos requisitos de admissibilidade. Assim, deles conheço. Os Membros da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes decidiram, por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo das contribuições: os Descontos Obtidos (conta 033.1001.00001); Juros Ativos (contas 033.1001.00002 e 033.1005.00001); Receitas de aplicações de curto prazo (conta 033.1001.00003); Tributos a Recuperar (conta 033.1005.00005); Crédito Presumido de IPI; Variações Monetárias (conta 034.1001.00005) e Descontos e Abatimentos (conta 0031.2001.00005). Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.000527/200386 Acórdão n.º 3301001.787 S3C3T1 Fl. 1.925 3 No entanto, conforme demonstrado nos embargos de declaração opostos pela embargante, para os anos calendários de 2001 e 2002, aquelas contas sofreram alterações de nomes e números (códigos). O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê que o erro de escrita devido a lapso manifesto deve ser sanado pelo presidente de turma, assim dispondo: “Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. [...]. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. [...].” Em face do exposto, acolhemos os embargos de declaração interpostos pela Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A, conferindolhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado para excluir das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins), as receitas não operacionais escrituradas, nos anos calendários de 2001 e 2002, sob as rubricas e códigos: Crédito Presumido NA (conta 42104.10001); Crédito Exportação NA (conta 42105.10001); Credito PIS Aquisições (conta 2106.10001); Aplicações Financeiras (conta 45101.00001); Juros S/ Atrasos de Cientes (conta 45101.00003); Juros Ativos (conta 45101.00004); Descontos Obtidos; (conta 45101.00005); Outras Receitas Financeiras (conta 45101.00999); Descontos Concedidos (conta 45102.00001); Resultado Hedge (conta 45102.00998); Variações Cambiais Ativas (conta 45201.00001); Correção Monetária Ativa (conta 45201.00002); Juros Ativos Contrato Mutuo (conta 45203.00001); Devoluções de Vendas NA (conta 41101.10001); Abatimentos Comerciais NA (conta 41201.10001); e Abatimentos Comerciais HCN (conta 41201.10001), mantendose o acórdão embargado quanto às demais matérias nele decididas. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000595/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO.
As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12898.000595/2009-71
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5269690
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.431
nome_arquivo_s : Decisao_12898000595200971.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 12898000595200971_5269690.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
id : 4966149
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985129660416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 232 1 231 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000595/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.431 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 95 /2 00 9- 71 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação e manteve o lançamento de débito referente ao período de 05/01/2004 a 31/12/2004. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff.36/39, o auto de infração foi lavrado por falta de recolhimento de contribuições sociais destinadas à seguridade social e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga aos empregados, na qualidade de segurados empregados, autônomos e dirigentes, na qualidade de segurados contribuintes individuais: 1)“O presente Relatório Fiscal de Débito é parte integrante do Auto de Infração em referência e tem por objeto a narrativa dos fatos ocorridos e verificados na Ação Fiscal desenvolvida junto â Empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A, em cumprimento ao MPF Mandado de Procedimento Fiscal N° 07.19000.2008.028031, expedido em 16/06/2008 e prorrogações posteriores, arrolando contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações efetuadas aos empregados do estabelecimento matriz a titulo de salários, prolabore e contribuintes individuais (autônomos) que lhes prestaram serviços no período, apurado com base nos seguintes elementos: 1.1) Valores pagos a diversas Pessoas Físicas, Contribuintes Individuais, não relacionadas nas Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações â Previdência Social GHP's apresentadas, cujas importâncias pagas foram apuradas com base na escrita contábil da Empresa sob o titulo da Conta N° 311203012 OUTROS SERVIÇOS DIVERSOS, estando tais valores nominalmente identificados no Relatório de Lançamentos RL, partes integrantes do presente Auto de Infração. 1.2) Pagamento efetuado a diversos segurados, contribuinte individual, autônomos, apurados através da DlRF — Declaração de Imposto de Renda Na Fonte, declarados sob o Código 588 – Pessoas Físicas Sem Vinculo Empregaticio e cujos valores não constam das Folhas de Pagamento e, tampouco das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações â Previdência Social GFIP's apresentadas, como também das demais contas mencionadas neste Relatório Fiscal Inicial. Tais valores estão nominalmente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000595/200971 Acórdão n.º 2301003.431 S2C3T1 Fl. 233 3 discriminados no Demonstrativo Do Débito Anexo III, parte integrante deste relatório de débito. 1.3) Pagamento efetuado a diversos segurados: empregados, diretores e autônomos, cujos valores estão contabilizados nas: Conta N° 311303001 LO CACAO DE MAQUINAS/EQUIPAMENTOS E VEICULOS no valor de R$ 499.990,06 (Quatrocentos e noventa e nove mil novecentos e novena e seis reais e seis centavos) e Conta N° 311303002 CONSERVACAO DE MAQ./EQUIP E VEICULOS com valor de R$ 309.560,82 (Trezentos e nove mil quinhentos e sessenta reais e oitenta e dois centavos), totalizando R$ 809.550,88 (Oitocentos e nove mil quinhentos e cinqüenta reais e oitenta e oito centavos). Os beneficiários dos respectivos valores estão, por competência, nominalmente relacionados no Demonstrativo do Débito Anexo Ao Presente Auto de Infração DEBCAD N° 37.205.9350, onde está informado, dentre outros elementos: Nome do Segurado, Categoria, Função, Data de Admissão, Data de Demissão e Valor Pago. Não obstante a negativa Empresa de que tais verbas tinham suas origens em valores pagos a empregados e diretores pelo aluguel de seus veículos, nada mais é do que a forma engendrada por ela com o fito de iludir a Previdência Social, tentando afastar tais valores, erradamente, do campo de incidência contributiva previdenciária, fato esse não aceito pelas razões a seguir alinhadas.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 76), impugnou o lançamento tempestivamente às ff.80/92. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa julgou parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte. 4. A decadência foi reconhecida nas competências de 01/2004 até 04/2004, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 14 de maio de 2009, com a respectiva ciência do contribuinte em 29 de maio daquele ano. 5. Ademais, entendeu serem incontroversos os fatos geradores relacionados ao pagamento da remuneração a pessoas físicas, como segurados contribuintes individuais e os referentes ao pagamento da remuneração a trabalhadores autônomos, ff. 195, por falta de questionamento da contribuinte em sua impugnação. 6. Assim, o Colegiado a quo julgou parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte, cuja decisão restou ementada às ff. 191, nos termos colacionados abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL Incide contribuição para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais (art.22, I, II, III da lei 8.212/91 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Diante da Súmula vinculante no.08 do STF, o artigo 45 da lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional. Aplicase, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 portanto, o prazo decadencial quinquenal previsto no CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (SIC) 7. Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário tempestivo às ffs. 215/228, em termos semelhantes aos de sua impugnação cuja síntese descrevo a seguir: a) preliminarmente, requer que todos os autos de infração resultados da fiscalização, sejam julgados em conjunto, pois esses possuem o mesmo fato gerador e mesmas bases de cálculo; b) argui imprecisão do julgador da primeira instância, uma vez que a contribuinte teria questionado que os fundamentos materiais e respectivos valores do lançamento, não integrariam, por sua natureza, a base de cálculo das contribuições. Assim, estaria prequestionada a matéria; c) no mérito, asseverou haver limite da contribuição patronal, de acordo com o artigo 22, da Lei 8.212, de 1991, diferentemente da negativa de limitação por parte da primeira instância julgadora e reitera a realidade factual de que a locação de veículos de terceiros, ainda que empregados, destinados à execução de suas atividades, não integra salário, para efeitos previdenciários; d) que o julgador a quo deixou de analisar os elementos legais e factuais e não poderia exigir tributo cuja hipótese de incidência considerada inexiste no ordenamento jurídico; e) requereu a desconsideração dos alugueres no saláriodecontribuição, diante da natureza não salarial dos valores pagos a pessoas físicas, uma vez que os veículos foram usados a serviço da pessoa jurídica, e são essenciais ao desempenho da atividade e à manutenção das fontes produtoras de renda da empresa; f) requer que o lançamento seja analisado por sua totalidade, a fim de que o limite do saláriodecontribuição não seja ultrapassado do determinado legalmente, como ocorrerá se julgados individualmente os processos. 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000595/200971 Acórdão n.º 2301003.431 S2C3T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Em sede de preliminar a recorrente suscita a conexão de todos os processos resultantes da fiscalização, uma vez que esses possuem o mesmo fato gerador e mesma base de cálculo. 3. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pela recorrente, não merece guarida a sua alegação. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF) em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 4. Ademais, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 5. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 6. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 7. E, conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo a análise será delimitada pelo julgador, caso a caso. 11. Ademais, compulsando os autos, não se verifica qualquer vício quanto a lavratura do auto de infração que tenha cerceado a defesa do contribuinte de alguma maneira, tendo em vista que todos os preceitos exigidos pela legislação para a validade do ato administrativo foram atendidos. 12. Portanto, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte tendo em vista que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. 13. Afasto, portanto, esta preliminar. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 14. Conforme consta no relatório fiscal da autuação fiscal o contribuinte foi notificado a recolher ao erário previdenciário débito referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as bases de cálculo das remunerações pagas a diversos empregados segurados e diretores. Segundo a empresa tais pagamentos foram realizados a título de aluguel dos veículos dos empregados à empresa. 15. Em síntese, a empresa, que tem como objeto social a prestação de serviços de consultoria na área de arquitetura, meio ambiente, engenharia civil, elétrica e mecânica, elaboração de planos diretores, estudos de viabilidade entre outros serviços, alega que não possuía veículos próprios para executar suas atividades celebrando, portanto, contratos de locação de veículo com os seus empregados. 16. Ocorre que ao proceder à fiscalização, o auditor fiscal entendeu que tais valores desembolsados pela recorrente não passavam de uma “forma engendrada por ela com o fito de iludir a Previdência Social, tentando afastar tais valores, erradamente, do campo de incidência contributiva previdenciária” (f. 37) e assim, lavrou auto de infração referente às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, já que considerou que os valores pagos a título de aluguel estariam inclusos no saláriodecontribuição. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000595/200971 Acórdão n.º 2301003.431 S2C3T1 Fl. 235 7 17. A recorrente argumenta que não deve incidir contribuições previdenciárias sobre as quantias pagas a título de aluguel de veículos porque “uma coisa é o funcionário que recebe salário pelos serviços prestados, decorrentes de seu próprio labor. de outro lado, absolutamente distinta da remuneração do trabalho, a locação de veículo à pessoa jurídica que não dispõe de transporte suficiente ao pleno desenvolvimento de suas atividades” (f. 221) 18. Como é cediço, a contribuição social previdenciária do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada está baseada na folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A base jurídica originária para a incidência do tributo está na Constituição Federal: Constituição Federal Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; 19. Dessa forma, a remuneração percebida em razão do trabalho prestado pelo trabalhador será a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É imperioso que haja um perfeito enquadramento dos valores que se pretende lançar, em “salário” para, em seguida, concluir sobre a incidência, ou não, do tributo. 20. A respeito do modo como deve ser interpretado os dispositivos constitucionais o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 166.772/RS firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas de forma restritiva e em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Pois devese evitar admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista. 21. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 22. Como ressalta a Corte, o termo “salário” não é próprio do direito tributário. O salário nasce de uma relação privada, ou seja, de um contrato de trabalho, sendo regulado pela esfera trabalhista. Em vista disso, as exigências que tenham por base de cálculo o valor do salário pago ao empregado deverão fundarse nas prescrições de direito do trabalho, que delimitam sua abrangência. 23. Com isso entendo que o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição e na legislação trabalhista é unívoco e deve expressar a mesma ideia, de maneira que não se deve admitir em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incidir sobre os valores que a justiça trabalhista não considere como salário. 24. Insta mencionar que segundo a legislação trabalhista, salário é a contraprestação devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado em função da relação empregatícia. Assim, somente deve ser caracterizado como salário aquele que estiver remunerando uma prestação de serviço. 25. In casu não é identificável a prestação de serviços, o que se percebe é a existência de um contrato de locação regido por normas do direito privado, no qual empregado e empregador se obrigam a manter um contrato de locação de determinado veículo por um período limitado. Tal situação por sua vez é regida pelo art. 565 do Código Civil e não há qualquer relação trabalhista, ou contraprestação de trabalho. Tanto é que, caso o empregado queira pedir demissão da empresa, os efeitos desse instrumento contratual continuam válidos e eficazes. 26. Dessa forma, tratandose de contrato bilateral regido por normas do direito privado e não trabalhistas e por não haver retribuição pelo trabalho, tampouco estarem presentes os elementos essenciais da relação de emprego, assiste razão à recorrente, pois nesse caso não vislumbro a hipótese de incidência da contribuição social previdenciária, qual seja a percepção de salário pelo empregado. 27. Ocorre que, um dos princípios inerentes ao Processo Administrativo Fiscal (PAF) vincula o julgador a buscar a verdade substancial dos fatos que reclamam o seu julgamento, tratase do princípio da verdade material. 28. Quanto a esse preceito, Celso Antonio Bandeira de Mello já alertou: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000595/200971 Acórdão n.º 2301003.431 S2C3T1 Fl. 236 9 “nada importa que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é, ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte, ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” 29. Assim, para que o julgador se sinta confortável ao proferir sua decisão a respeito de dado assunto, tornase necessário que haja nos autos provas contundentes que o levem a crer que determinado fato realmente ocorreu no universo jurídico. 30. Digo isso por que, como é cediço, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do fisco cabe ao contribuinte, conforme interpretação do art. 333, inc. II do CPC e a empresa tem a oportunidade de apresentar tais provas no momento da impugnação, conforme determina o art. 16 do Decreto n. 70.235/72. 31. Assim, caberia a recorrente, no mínimo, apresentar os contratos referentes aos pagamentos que o fisco considerou salário indireto, comprovando que os pagamentos somente foram efetuados porque existia um contrato firmado entre as partes. 32. Todavia, compulsando os autos não é isso que se constata, tendo em vista que os documentos trazidos pela recorrente não são hábeis para retirar a exigibilidade do crédito tributário, isso porque, não obstante o fisco ter lançado o débito baseado em centenas de pagamentos, a recorrente juntou aos autos apenas alguns contratos de locação com os seus empregados, conforme ff. 159/188. 33. A justiça do trabalho assim já se manifestou a respeito de caso semelhante, em que não conheceu o recurso de revista por falta de apresentação de documentos pertinentes à locação de veículos: RECURSOS DE REVISTA INTERPOSTOS PELA RECLAMADA TELEMONT E TELEMAR. ANÁLISE CONJUNTA. NULIDADE.NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL (MATÉRIA EXCLUSIVA DO RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA TELEMONT) (...) PAGAMENTO DEVIDO PELO ALUGUEL DO VEÍCULO DO EMPREGADO. NATUREZA SALARIAL (MATÉRIA EXCLUSIVA DO RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA TELEMONT). A Corte Regional manteve o reconhecimento da natureza salarial da parcela paga a título de aluguel do veículo do empregado. Entendeu que a parcela teve caráter de contraprestação, porque seu valor variava segundo a produtividade do empregado. Também consignou que a Reclamada Telemont não exibiu em juízo os documentos que diziam respeito ao aluguel do veículo do Reclamante. (...) (573004020075030106 5730040.2007.5.03.0106, Relator: Fernando Eizo Ono, Data de Julgamento: 25/05/2011, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 03/06/2011) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 34. Sendo assim, apesar de reconhecer que os valores pagos mediante contrato de locação de veículos não se tratam de salário, ainda que esse instrumento particular seja celebrado com os seus próprios empregados e, por consequência, não serem considerados como saláriodecontribuição, não acolho os fundamentos trazidos pela recorrente em sua totalidade, por considerar que a produção de provas quanto aos efetivos contratos, foi deficiente. 35. Assim excluo a incidência de contribuição previdenciária apenas daqueles empregados segurados os quais os contratos de locação foram devidamente apresentados, comprovandose assim que se tratava de locação de veículos e não de pagamento de verbas salariais. DA MULTA APLICADA 36. Sobre a questão da multa, trazida pelo contribuinte em seu recurso, cabe ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 37. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: a) “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 38. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: b) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. c) (...) d) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 39. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000595/200971 Acórdão n.º 2301003.431 S2C3T1 Fl. 237 11 40. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 41. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo somente aqueles segurados empregados que tiveram o contrato de locação de veículo apresentado nos autos referente ao período lançado e reduzir a multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000587/2008-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11968.000587/2008-19
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5255913
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-000.458
nome_arquivo_s : Decisao_11968000587200819.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 11968000587200819_5255913.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4879671
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985134903296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 2 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11968.000587/200819 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.458 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório e Voto Tratase de auto de infração lavrado para imposição da multa de que trata o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A 5ª Turma da DRJ – Recife, por meio do Acórdão 36.036, de 7 de fevereiro de 2012, manteve o lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 68 .0 00 58 7/ 20 08 -1 9 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11968.000587/200819 Resolução nº 3403000.458 S3C4T3 Fl. 3 2 Regulamente notificado aquele acórdão por via postal em 10/04/2012 (fls. 160/161), o contribuinte apresentou recurso voluntário em data desconhecida. Na fl. 162 existe um termo de solicitação de juntada que faz referência a um “pedido de prorrogação de prazo”. O documento de fls 163 a 177 estão nomeados no índice do eprocesso como sendo o pedido de prorrogação de prazo, mas na verdade o documento é o próprio recurso voluntário, que não traz em lugar algum a data de recepção. Na fl. 178 consta o “Termo de análise de solicitação de juntada”, que não menciona o recurso voluntário, mas sim o “pedido de prorrogação de prazo”. Em nenhum documento juntado aos autos a autoridade administrativa certificou a data em que o recurso voluntário foi protocolado, fato que impossibilita o exame de sua tempestividade. Diante desses fatos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) Certificar nos autos a data em que o recurso voluntário foi apresentado pelo contribuinte; 2) Na impossibilidade de atender o solicitado no item anterior, esclarecer se o contribuinte efetivamente requereu prorrogação de algum prazo e a qual prazo se referiu esse pedido; e 3) Na impossibilidade de atender ao solicitado nos incisos anteriores, que a autoridade administrativa apresente as justificativas pertinentes. Atendida esta diligência os autos deverão retornar a este Colegiado para que se prossiga ou não no julgamento do recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001152/92-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resovem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10820.001152/92-11
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5278646
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.112
nome_arquivo_s : Decisao_108200011529211.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 108200011529211_5278646.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resovem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 4979995
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985143291904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 127 1 126 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.001152/9211 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.112 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de junho de 2013 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente BARON ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resovem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.91102) interposto por BARON ALIMENTOS LTDA, contra decisão proferida pela Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO) (fls. 7172) que, por unanimidade de votos, manteve parcialmente o crédito tributário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 01 15 2/ 92 -1 1 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.001152/9211 Resolução nº 3202000.112 S3C2T2 Fl. 128 2 Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/RPO, que manteve parte do crédito tributário. In verbis: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 1/4 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Finsocial do período de dezembro de 1990 a julho de 1991, exigindo selhe o crédito tributário no valor total de 18.180,78 Ufir. O enquadramento legal encontrase a fl. 1. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 15/20, na qual alegou inconstitucionalidade da contribuição e seu devido recolhimento, conforme Darfs que apresenta (fls. 22/25). No que diz respeito ao Finsocial, os recolhimentos referentes aos meses de outubro e novembro de 1990 não dizem respeito ao lançamento, e os relativos a dezembro de 1990 e julho de 1991 foram confirmados pela unidade responsável (fl. 45). Efetuada a imputação dos recolhimentos, a pedido da Delegacia de Julgamento em São Paulo, produziuse o demonstrativo de fls. 64/66. A ementa do acórdão da DRJ/RPO é a seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1990 a 31/07/1991 FINSOCIAL. REDUÇÃO DE ALIQUOTA. Reconhecida a inconstitucionalidade das majorações da alíquota da contribuição para as empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, exonerase o lançamento na parte que exceda A. alíquota de 0,5% (meio por cento). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, em que alega, em síntese, o seguinte: a) o lançamento in tela deve ser anulado, pois houve cobrança de valor maior que o devido, situação reconhecida pela decisão a quo, inclusvie; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.001152/9211 Resolução nº 3202000.112 S3C2T2 Fl. 129 3 b) inaplicabilidade dos juros SELIC, por consistir em índice de caráter estritamente remuneratório, que seria inaplicável em sede tributária; É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de enfrentar as questões de direito deduzidas pela Recorrente, cumpre verificar que, para fins de imputação proporcional do FINSOCIAL (compensação entre o FINSOCIAL devido e a majoração de alíquotas declarada inconstitucional), conforme decisão da DRJ/SPO de fls.47 e demonstrativo de pagamentos cadastrados de fls.6466, foram considerados apenas os recolhimentos relativos a dezembro de 1990 (fls. 22) e julho de 1991 (fls. 23). Contudo, dentre as competências autuadas, embora tenha juntado comprovantes de pagamento do FINSOCIAL referente aos meses de maio e junho de 1991 (fls.10) (vejase ainda a declaração de fls.12), a decisão recorrida deixa entrever que a imputação proporcional foi calculada levando em conta apenas os créditos e débitos referentes aos meses de dezembro de 1990 e julho de 1991. Compulsando os autos, não verifico motivo para que os referidos pagamentos sejam desconsiderados pelas autoridades fazendárias. Desse modo, converto o julgamento em diligência para que a DRF competente verifique e confirme ou não os pagamentos referentes aos meses de maio e junho de 1991 e, se for o caso, considere referidos pagamentos para fins de calculo imputação proporcional. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.001152/9211 Resolução nº 3202000.112 S3C2T2 Fl. 130 4 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721635/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543-C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizam-se como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543-C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizam-se como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10660.721635/2010-12
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5262765
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.726
nome_arquivo_s : Decisao_10660721635201012.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10660721635201012_5262765.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
id : 4934070
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985145389056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 155 1 154 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.721635/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.726 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente A PELÚCIO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 16 35 /2 01 0- 12 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 156 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI combinado com Declarações de Compensação – PER/DCOMP, para o período do 3° trimestre de 2005, no valor de R$ 28.529,05, sendo que o saldo credor é composto pelo crédito presumido do IPI (Lei nº 9.363/96), no valor de R$ 23.000,86 (efolha 41), e também por crédito básico do IPI (Lei nº 9.779/99), no valor de R$ 5.528,19 (efolha 40), como podemos inferir do extrato do PER/DCOMP nº 03274.82786.261108.1.5.017979 juntado às folhas 30/40. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI, combinado com DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO — PER/DCOMP, abaixo relacionados, suportados pelo saldo credor trimestral do 3º trimestre do anocalendário de 2005, de que trata o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999. O saldo credor de R$28.529.05 é composto pelo Crédito Presumido de IPI, calculado segundo ordenamento estabelecido pela Lei n° 9.363, de 27/12/1996, e pelos chamados créditos básicos de IPI. O declarante, estabelecimento matriz, é contribuinte do IPI no período de apuração, segundo informação prestada à fl. 30. PER/DCOMP Tipo Documento Total Débito/Valor do PER Tributo Valor Original do Débito Período de Apuração Vencimento 03274.82786.261108.1,5.017979 PER 28.529,05 (fl. 30) 23932.23243.160606.1.3.019085 (**) DCOMP 23.000,86 (fl. 125 ) 2089 R$20.645,45 (+ juros de mora de 2.355,41) 4º trimestre de 2002 31/01/2003 38199.90765.150909.1.7.012729 ( * ) DCOMP 22.515.52 (fl. 122) 2089 22.515.52 4º trimestre de 2007 31/01/2008 (*) homologada; (**) homologada parcialmente A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 01, com o deferimento integral do saldo credor requerido, entretanto, não houve a homologação integral das compensações declaradas. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do credito demonstrado: R$28.529,05 Valor do credito reconhecido: R$28.529,05 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 157 3 O credito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual : HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 23932.23243.160606.1.3.019085 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP 38 I 99.90765.150909.1.7.012729 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 03274.82786.261108.1.5.017979 Inconformado, contribuinte, por meio de seu representante legal (fl. 22), apresentou a manifestação de inconformidade fls. 06/17, para alegar IMPERFEIÇÃO TÉCNICA JURÍDICA E FÁTICA DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL pois no seu entender o despacho decisório não se pronunciou acerca da correção monetária do crédito via taxa Selic. Nesse sentido, solicitou o reconhecimento da legitimidade da correção requerida, desde a data do pedido de ressarcimento, compensando os tributos vinculados ao ressarcimento, sendolhe ressarcido o saldo remanescente da compensação. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0933.846 de 28 de fevereiro de 2011 (efolhas 137/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais de IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Juiz de Fora, em 01/04/2011 (efolha 142), interpôs Recurso Voluntário em 27/04/2011 (efls. 143/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 158 4 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como relatado, o Pedido de Ressarcimento de Crédito do IPI formulado pela Recorrente referese tanto ao crédito presumido do IPI (Lei nº 9.363/96), no valor de R$ 23.000,86 (efolha 41) como ao crédito básico do IPI, no valor de R$ 5.528,19 (efolha 40). O valor do crédito solicitado foi reconhecido integralmente em seu valor original, através de Despacho Decisório eletrônico emitido em 19/05/2010 (efolha 2). A Recorrente alega que o citado crédito deve ser corrigido monetariamente pela taxa Selic. O litígio, portanto, referese exclusivamente sobre a possibilidade de atualização monetária pela taxa Selic dos valores referentes ao crédito presumido do IPI e ao crédito básico do IPI. A decisão recorrida negou o pleito da interessa de ver seus créditos tanto o crédito presumido como para o crédito básico – atualizados monetariamente pela taxa Selic sob o fundamento de que inexiste amparo legal que autorize tal correção. No âmbito do Poder Judiciário, a Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que a eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feito pelo contribuinte como um óbice injustificado. Assim, entende aquela Corte que a atualização monetária deve se dar a partir do término do prazo que a Administração teria para analisar os pedidos, porque somente após esse lapso temporal se caracterizaria a resistência ilegítima passível de legitimar a incidência da referida atualização. Tal entendimento foi firmado por ocasião da apreciação do REsp 1.138.206/RS, relatado pelo Ministro Luiz Fux e julgado sob o regime do art. 543C do CPC (Recursos Repetitivos), no qual restou consignado que tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos. Destarte, com base nesse entendimento, o Fisco deveria ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos. Esta matéria foi julgada recentemente por esta 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (processo 10783.908235/200809, sessão de 29/01/2013), que decidiu por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Deste modo, transcrevo o voto do i. Conselheiro relator Gilberto de Castro Moreira Junior e peço vênia para dele fazer minhas razões de decidir: “Ressarcimento e juros Selic A Recorrente alega que tem direito à correção monetária do crédito declarado em declaração de compensação, visto que a transmissão da DCOMP ocorreu em 29/10/2004, e a homologação parcial ocorreu em somente em 07/11/2008, através de Despacho Decisório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 159 5 De acordo com a Recorrente “o valor do crédito solicitado de R$ 22.657,08, em 29/10/2004, deveria ter sido corrigido pela taxa selic acumulada quando do recebimento do despacho decisório em 07/11/2008, que seria o percentual de 83,49%, perfazendo o total de R$ 41.573,47, menos o débito amortizado de R$ 22.657,08 e menos o valor cobrado de R$ 9.322,59, ainda, sobra um saldo credor a favor do contribuinte de R$ 9.593,80.” Invoca precedentes da CSRF e do STJ que, no seu entendimento, autorizam a incidência dos juros SELIC sobre os créditos de IPI objeto de ressarcimento. Inicio o exame dos precedentes citados pela Recorrente pelos acórdãos do STJ julgados sob o rito dos recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil), haja vista que o artigo 62A do Regimento Interno deste Colegiado determina que as decisões proferidas por aquele Tribunal no rito dos recursos repetitivos deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dois são os acórdãos proferidos sobre o tema no rito dos recursos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 160 6 empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 161 7 fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 162 8 suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 993.164/MG. DJe 17/12/2010) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 163 9 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 1.035.847/RS. DJe 03/08/2009) Os acórdãos supracitados apontam duas conclusões relevantes para a questão suscitada pela Recorrente: (i) a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (REsp n° 1.035.847/RS) e (ii) os juros SELIC devem ser excepcionalmente aplicados ao ressarcimento na hipótese de haver resistência injustificada (ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento dos créditos objeto de ressarcimento) (REsp n° 1.035.847/RS e REsp n° 993.164/MG). Na hipótese dos autos, não há notícia de que tenha ocorrido resistência injustificada do Fisco, a autorizar, portanto, a incidência de juros SELIC sobre as importâncias objeto de ressarcimento, como definido nos paradigmas supratranscritos. Portanto, a regra é: o ressarcimento não autoriza incidência de juros SELIC, por não configurar pagamento indevido ou a maior (§4°, do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Contudo, excepcionalmente, configurada a resistência injustificada do Fisco, o que pressupõe ato estatal que impeça ou embarace o direito ao ressarcimento, consoante entendimento do STJ, os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Outrossim, é bom lembrar que o “ressarcimento” e “restituição” são institutos distintos. A restituição tem lugar quando se verifica pagamento indevido que, posteriormente, vem a ser pleiteado pelo contribuinte. Já em relação ao ressarcimento, não há prévio pagamento de tributo, portanto, não há repetição. Na hipótese de restituição, o direito à correção nasce do tributo indevidamente pago pelo contribuinte, o que não ocorre quando há ressarcimento. Corroborando o quanto foi dito e, em harmonia com a posição do STJ, a CSRF do CARF tem manifestado o entendimento que: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado. (CSRF, 2°Turma, Acórdão CSRF/0203.855, pelo voto de qualidade, julgado em 13/02/09) (g.n.) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.721635/201012 Acórdão n.º 3202000.726 S3C2T2 Fl. 164 10 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso provido. (CSRF, 3°Turma, Acórdão CSRF/930300.733, pelo voto de qualidade, julgado em 02/02/10) (g.n.) Assim, por não haver nos autos notícia de resistência injustificada, não há razão que ampare a incidência de juros SELIC na hipótese de ressarcimento. Conclusão No caso em tela, não houve resistência injustificada por parte do Fisco, uma vez que os créditos solicitados por meio do Pedido de Ressarcimento (PER nº 03274.82786.261108.1.5.017979) foram utilizados pela Recorrente para a compensação de tributos através de Declarações de Compensação (DCOMP 23932.23243.160606.1.3.019085 e 38199.90765.150909.1.7.012729). Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722835/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2008, 2009
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Quando a empresa que industrializa por encomenda e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido.
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO.
Cobra-se a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa por encomenda e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Cobra-se a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.722835/2011-47
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5256214
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-002.094
nome_arquivo_s : Decisao_11065722835201147.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11065722835201147_5256214.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4888269
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045985150631936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722835/201147 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.094 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Recorrente FAZENDA TRADIÇÃO ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa “por encomenda” e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Cobrase a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 28 35 /2 01 1- 47 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 3 2 PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa “por encomenda” e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Cobrase a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 817DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 4 3 Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins nãocumulativo, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 e 2009, tendo em vista que a Fiscalização descaracterizou operação de industrialização por encomenda que a recorrente teria contratado com a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda, por entender que a empresa contratada era completamente dependente da recorrente, sendo sua separação mera ficção. Na verdade, conclui a Fiscalização que a recorrente e a Skippi tratamse de uma única empresa e que o serviço de industrialização por encomenda tratase, na verdade, da folha de salário dos empregados da Skippi, sem direito a crédito de PIS e de Cofins nãocumulativo. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1035.165, de 27/10/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, não estando amparada pelo inciso XXII, art. 5º e inc. IV do art. 150 da CF, que ao tratar das limitações ao poder de tributar, proibiram o legislador de utilizar tributo com efeito confiscatório. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa SELIC por expressa previsão legal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia requerida pelo contribuinte não se justifica quando as questões abordadas no julgamento já estejam suficientemente claras nos autos, em provas, depoimentos, planilhas e demonstrativos, alguns apresentados pelo próprio contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, não estando amparada pelo inciso XXII, art. 5º e inc. IV do art. 150 da CF, que ao tratar das limitações ao poder de tributar, proibiram o legislador de utilizar tributo com efeito confiscatório. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa SELIC por expressa previsão legal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia requerida pelo contribuinte não se justifica quando as questões abordadas no julgamento já estejam suficientemente claras nos autos, em provas, depoimentos, planilhas e demonstrativos, alguns apresentados pelo próprio contribuinte. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 6 5 Ciente desta decisão em 27/12/2011 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 24/01/2011, com recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: 1 preliminarmente, nulidade da autuação por ausência de fundamentação e por ausência de comprovação da existência dos pressupostos da relação empregatícia; 2 sobre a acusação de simulação de terceirização de atividades produtivas nenhuma hipótese de impedimento para a contratação dos serviços foi apontada pela Fiscalização, sendo lícita a operação contratada pela recorrente, não havendo possibilidade de tributação com base em interpretação do agente fiscal. 3 prevalecendo o entendimento da Fiscalização, o valor pago a título de SIMPLES pela Skippi deve ser compensado com o valor lançado; 4 a fiscalização não logrou provar que os atos praticados pela recorrente não foram realizados ou não eram válidos ou, ainda, a existência de negócio oculto; 5 a terceirização da produção não feriu nenhuma norma legal e se constitui, no máximo, em planejamento tributário, perfeitamente aceito tanto da doutrina como na jurisprudência; 6 não procede a qualificação da multa em face da inexistência de dolo específico; 7 é ilegal a utilização da taxa selic no cálculo dos juros de mora. 8 solicita a realização de perícia para provar que o caso dos autos é de autêntica industrialização por encomenda. Relaciona os quesitos. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais. Dele se conhece. Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa recorrente e as empresas Skippi Alimentos e Segma Participações pertencem à família Sérgio Luiz Kehl (pai, filhos e esposa), cujas participações societárias foram ajustadas de acordo com os interesses do Sr. Sérgio Luiz Kehl, o verdadeiro proprietário dessas empresas, com o fito de manter a Skippi (encarregada da produção) no SIMPLES e a recorrente (encarregada da comercialização) no Fl. 820DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 7 6 regime nãocumulativo do PIS e da Cofins, tomando crédito das exações em alíquota superior a efetivamente paga pela Skippi nas receitas faturadas contra a Fazenda Tradição. Em sede de preliminar, a recorrente alega que no auto de infração não existe fundamentação legal e, também, inexiste pressupostos da relação empregatícia, o que enseja a nulidade do lançamento. Enganase a recorrente porque tanto no corpo do Auto de Infração como no Relatório Fiscal consta a fundamentação legal a que se refere o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e, também, ficou sobejamente provado a transferência de empregados da recorrente para empresa Skippi, conforme muito bem fundamentou a decisão recorrida. Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e ratifico a decisão do acórdão recorrido que rejeitou as preliminares suscitadas pela empresa interessada em sua impugnação. Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. As alegações da recorrente de que não haveria simulação nas operações realizadas entre a Fazenda Tradição e a Skippi não se sustentam à vista das provas arroladas pela autoridade fiscal e descritas em seu relatório, resumidas nos 19 (dezenove) itens relacionados pela decisão recorrida. Para caracterizar a simulação a que se refere o inciso III, do art. 149 do CTN, não é necessário que se descaracterize a personalidade jurídica das empresas envolvidas, como sugere a recorrente. Basta provar que a situação formal diverge da realidade dos fatos, o que ficou sobejamente provado no caso dos autos, onde a formalidade dos atos (contratos sociais, contratos de prestação de serviços, contabilidade, notas fiscais de prestação de serviços, etc.) divergem em muito da realidade dos fatos, a exemplo do contrato de aluguel que, de fato, foi feito entre eu comigo mesmo. Sobre a majoração da multa de ofício, as provas carreadas aos autos evidenciam a conduta fraudulenta da recorrente com a intenção de simular operação envolvendo outra interposta pessoa jurídica, com o fito de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência de fato gerador de tributo. Correto, portanto, o enquadramento da penalidade no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Fl. 821DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 8 7 Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Sobre o pedido de realização de perícia, os elementos probatório contidos nos autos são suficientes para a formação da convicção para o perfeito julgamento da lide, devendo o mesmo ser indeferido por ser a perícia prescindível ao deslinde da questão. Quanto ao pedido de compensação dos valores lançados neste processo com pagamentos do SIMPLES feito pela empresa Skippi, entendo que tal matéria foge à competência deste Colegiado (art. 1º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009), pois se trata de extinção de crédito tributário e de restituição de tributo supostamente pago a maior por outro contribuinte, que não a Recorrente. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.722835/201147 Acórdão n.º 3302002.094 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
