Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10865.908896/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2004 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10865.908896/2009-05
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437097
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.915
nome_arquivo_s : Decisao_10865908896200905.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865908896200905_5437097.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5844768
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702161326080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.908896/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.915 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente SUPERMERCADO BIG BOM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 96 /2 00 9- 05 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.151, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908896/200905 Acórdão n.º 3802003.915 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908896/200905 Acórdão n.º 3802003.915 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002751/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.002751/2005-97
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448382
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-001.733
nome_arquivo_s : Decisao_13888002751200597.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 13888002751200597_5448382.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5882066
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702170763264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 342 1 341 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.002751/200597 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301001.733 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria IPI Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA DEACUCAR, AÇUCAR E ALCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 27 51 /2 00 5- 97 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de BelémPA, que julgou procedente o auto de infração de fls. 238/251, cientificado à contribuinte em 05/10/2005 (fl. 247), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que faz em jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/008597) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13888.002751/200597 Acórdão n.º 3301001.733 S3C3T1 Fl. 343 3 Conforme ressaltou a decisão recorrida, para o presente caso não se aplica a regra contida no artigo 173, II, uma vez que através do acórdão nº 20176.595, referente ao processo administrativo nº 1380 7.000960/9940, houve a declaração de nulidade por erro de identificação do sujeito passivo para a matriz da empresa COPERSUCAR – Coop. de Produtores de Canade Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paul o Ltda. Logo, para a filial, ora impugnante, não se aplica a contagem de praz o a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, visto tratarse de estabelecimento autônomo. Cientificada em 18/11/2012 (AR – fl. 317) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 318 e seguintes, em 12/12/2012, em relação ao mérito afirma que, na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos, por meio de Notas Fiscais de Transferência, correspondentes ao período de 2003 a 2005, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13888.002751/200597 Acórdão n.º 3301001.733 S3C3T1 Fl. 344 5 O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13888.002751/200597 Acórdão n.º 3301001.733 S3C3T1 Fl. 345 7 COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13888.002751/200597 Acórdão n.º 3301001.733 S3C3T1 Fl. 346 9 A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13888.002751/200597 Acórdão n.º 3301001.733 S3C3T1 Fl. 347 11 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000085/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11817.000085/2007-22
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454764
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-000.524
nome_arquivo_s : Decisao_11817000085200722.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11817000085200722_5454764.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5892856
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702176006144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11817.000085/200722 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.524 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de janeiro de 2015 Assunto PIS/PASEP E COFINS Recorrente EMS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 17 .0 00 08 5/ 20 07 -2 2 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 94 2 Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: DO LANÇAMENTO Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília de fls. 01/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/Pasep Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 3.350.757,15 (três milhões trezentos e cinqüenta mil, setecentos e cinqüenta e sete reais e quinze centavos) e, ainda, da multa de que trata o art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c art. 69 da Lei n° 10.833/03 no valor de R$148.589,09 (cento e quarenta e oito mil, quinhentos e oitenta e nove reais e nove centavos) por classificação errada/descrição inexata da mercadoria. DOS FATOS A fiscalização constatou que o importador, ao longo dos anos de 2004,2005 e 2006, submeteu a despacho de importação os produtos Cefadroxil monoidratado (NCM2941.90.34) e Cefaclor monoidratado (NCM 2941.90.33), requerendo a redução de alíquota deCofinsImportaçãoe de PIS/PasepImportaçãodo inciso I do artigo 1° do Decreto 5.821 de 29de junho de 2006. Art1°Ficamreduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP,da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS,da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capitulo 29 da NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; A fiscalização durante o trabalho de revisão aduaneira das declarações de importações entendeu que a redução de alíquota não é cabível, pois considerou que os produtos importados não se enquadravam na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante no Anexo I do citado Decreto. Apenas os produtos Cefadroxila (sinônimo de cefadroxil) e Cefaclor estão na relação do Anexo I, não os produtos monoidratados. Segundo o fiscal: “A hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa a especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero”. Mais adiante informa que a: “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Fl. 650DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 95 3 Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura do Valor Aduaneiro e Estatística NVE. No caso do Cefadroxil há o registro das duas hidratações do produto: Cefadroxil anidro (puro), CAS 50370122, e Cefadroxil monoidratodo, CAS 66592878. Com relação ao Cefaclor, há dois registros, um para o: Cefaclor anidro, CAS 5399473 3 e outro do Cefaclor monohidratodo, CAS 7035603 5. Portanto, observase que são dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito a redução de alíquota. Cientificado dos autos de infração em 05/04/07, fl.09, o interessado apresentou, em 03/05/07, a impugnação fls. 367/392. Preliminarmente solicitou a realização de perícia, com base no inciso IV do Art. 16 do Decreto n° 70.235/72, apresentando os quesitos que entendia serem necessários ao deslinde do litígio, entretanto não indicou o perito. Passou em seguida a apresentar os argumentos de mérito. O impugnante alega que o cerne da discussão é o registro no CAS, que o Cefadroxil e o Cefaclor são considerados gêneros, que comportam as seguintes espécies: • Cefadroxil anidro (puro), CAS 50370122 • Cefadroxil monoidrato, CAS 6659287 Cefadroxil Hemidrato, CAS 119922859 • Cefaclor anidro, CAS 5399473 3 • Cefaclor monohidrato, CAS 7035603 5. Corroborase a interpretação, a NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística regida inicialmente pela Instrução Normativa SRF n° 80, de 27 de dezembro de 1996, revogada pela Instrução Normativa SRF n° 657, de 26 de junho de 2006, e posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, que assim especificou: Subitem 2941.90.34 Cefadroxil e seus sais Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CÃS 0001 066592878 / Cefadroxila 9999 Outros................................................................................... SubItem 2941.90.33 Cefaclor e Cefalexina monoidratados; Cefalexina sódica Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CÃS 0001 070356035/ Cefaclor 0002 015686712/ Cefalexina 0003 023325782/ Cefalexina monoidratada 9999 Outros Assim, a NVE, especificou o cefadroxil com o CAS n° 66592878 e o cefaclor CAS n° 070356035, que correspondem ao produto monohidrato. Por fim, aduz que o anexo I do citado decreto, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição 338 CEFACLOR e 339 CEFADROXILA, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, ao contemplar o gênero CEFADROXIL e CEFACLOR no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, o legislador reduziu a zero a alíquota do PIS/PASEP Importação e da COFINSImportação para todas as espécies, a saber, anidro e monoidratado. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 96 4 Alega também que o Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, prevê no art. 3 os seus efeitos são produzidos a partir da data da publicação. Portanto, não se pode falar em descumprimento da citada norma jurídica para as Declarações de Importação registradas anteriormente a esta data A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a legalidade sempre esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa”, como demonstra “o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, ao considerar os termos CEFADROXIL e o CEFACLOR para o CÃS correspondente ao MONOIDRATADO” ou seja, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821/2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 431/432, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 433/505), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR e CEFADROXIL referemse ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. Em 12/06/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006 CEFADROXIL E O CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 97 5 Os produtos cefadroxil e cefaclor monoidratados não foram elencados no Anexo I do Decreto nº 5.127, de 05 julho de 2004 e o Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/PasepImportação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 16/11/2004 a 23/11/2006 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A descrição do fato motivador para lavratura do auto de infração é enquadramento legal indicado para cobrança da multa do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c art. 69 da Lein° 10.833/03. Consideramse nulos os autos de infração cujas descrições não explicitem os fatos que os fundamentem, pressuposto obrigatório de validade do lançamento Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 98 6 As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão que há Fl. 654DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 99 7 impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente alguns termos na descrição dos produtos. A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Quanto à multa de 1%, a decisão entendeua nula, pois se verificou que a descrição do fato motivador para lavratura do auto de infração é incompatível com o enquadramento legal indicado para cobrança da citada multa, na medida em que a penalidade do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c art. 69 da Lei n°10.833/03 refere se à multa por classificação errada/descrição inexata da mercadoria, entretanto a descrição dos fatos do auto trata do direito a redução da alíquota a zero do anexo I do Decreto nº 5821/ 2006, havendo ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação. Às efls. 433, há laudo técnico formulado para o produto CEFACLOR.Às efls. 512 e ss, consta petição da Recorrente solicitando o translado do laudo produzido no MPF 08177002009001503 ao presente processo, por conter laudo técnico para os produtos em questão. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou novo laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, a solução da lide dependeria da determinação objetiva do alcance dos termos CEFACLOR e CEFADROXILA, constantes do Anexo I, Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08). Em todos os casos, discutese se os respectivos decretos contemplariam as formas hidratadas das substâncias, ou , ainda , toda a família do fármaco ,e não apenas a sua forma anidra. Os referidos decretos reduzem a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, nos seguintes termos: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero os produtos mencionados, sem que se faça referência à hidratação da substância. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11817.000085/200722 Resolução nº 3201000.524 S3C2T1 Fl. 100 8 Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se as versões hidratadas dos produtos, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 656DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721909/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008
IPI. CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA IMPROCEDÊNCIA.
Não cabe aplicar o arbitramento de alíquota do IPI pelo valor médio, por falta de previsão legal.
Outrossim, fere-se o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-001.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/SP nº 194.504. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 IPI. CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA IMPROCEDÊNCIA. Não cabe aplicar o arbitramento de alíquota do IPI pelo valor médio, por falta de previsão legal. Outrossim, fere-se o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.721909/2012-75
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5451274
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.599
nome_arquivo_s : Decisao_19515721909201275.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 19515721909201275_5451274.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/SP nº 194.504. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5887287
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702184394752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 288 1 287 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721909/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.599 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria IPI Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 IPI. CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA IMPROCEDÊNCIA. Não cabe aplicar o arbitramento de alíquota do IPI pelo valor médio, por falta de previsão legal. Outrossim, ferese o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/SP nº 194.504. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 19 09 /2 01 2- 75 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 289 2 Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO contra Acórdão nº 1444.137, proferido pela 12ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, foi lavrado o auto de infração às fl. 407/408, em 13/09/2012, para exigir R$ 61.121,15 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 28.342,21 de juros de mora calculados até 31/08/2012 e R$ 145.248,36 de multa regulamentar, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 234.711,72. Segundo a descrição dos fatos, às fls. 409/413, que remete ao termo de verificação de infração às fls. 380/389, o estabelecimento, equiparado a industrial, deu saída a produtos sem o lançamento do imposto. Sendo a fiscalizada um centro de distribuição, tratase da saída no mercado interno de mercadorias de procedência estrangeira para outros estabelecimentos da mesma firma ou estabelecimentos para os quais há caracterização de interdependência, sendo o valor tributável mínimo previsto no RIPI/2010, art. 195, I e II, e sendo o arbitramento do valor tributável previsto no art. 197. Foi feito o arbitramento a partir de informações prestadas na DIPJ (fls. 58/369), pelo lucro bruto e giro de estoque médio (2/3 das mercadorias saídas no próprio mês e 1/3 delas saídas no mês subseqüente), conforme o procedimento minuciosamente narrado nos tópicos 31 a 50 do termo de verificação de infração (fls. 385/388), à compulsação na reprodução integral a seguir: “F LEVANTAMENTOS E AUDITORIAS PARA DETERMINAÇÃO DO CREDITO TRIBUTARIO 31. Inicialmente, analisamos os documentos fiscais e contábeis da empresa e as informações que constam nos sistemas da RFB, referentes ao ano de 2007 e 2008, com o fito de determinar os valores de IPI eventualmente devidos e não recolhidos ou declarados. 32. Assim, levantamos todas as importações realizadas pelo estabelecimento fiscalizado da empresa nos anos em comento, segregamos aquelas que sofrem incidência do IPI na saída e possuem alíquota diferente de zero. Essas importações passaram a ser nosso objeto de trabalho e a que nos referiremos a partir daqui. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 290 3 33. Da análise dessas importações e verificação da descrição que corresponde ao NCM dessas mercadorias e ainda das descrições constantes nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte, constatamos que não há elementos que permitam identificálos perfeitamente como um produto específico. O Ato Declaratório Normativo da SRF, ADN CST 5, de 04/05/82, define: " . . . o termo produto...indica uma mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver...". 34. Além disso, como se pode observar nas descrições dos códigos NCM, constantes do anexo referido no item 12 acima, tratase de mercadorias que, pela sua natureza, possuem uma diversidade enorme na quantidade e qualidade dos insumos presentes na sua composição, além de outras variáveis importantes na definição de preços, tais como: procedência, origem, data de vencimento, relação de interdependência com o fornecedor entre outros. 35. Por outro lado, nos registros de que trata o Sintegra, apresentados pelo contribuinte, não é possível identificar e segregar, com exatidão e exaustão, nas operações de saída de mercadorias, todas aquelas que deveriam sofrer incidência do IPI, embora podese concluir inequivocamente que houve saídas de bens de origem estrangeira. Tampouco é possível verificar correspondência com os itens das importações descritas no item 32. 36. Pelo exposto nos itens 33 a 35, verificase a impossibilidade de caracterizar, com os elementos disponíveis, a fungibilidade das mercadorias sob análise, fato que exclui a aplicação do inciso I do art. 195 do RIPI na determinação do Valor Tributável Mínimo (item 28 acima). 37. Pela impossibilidade de aplicação do inciso I do art. 195 do RIPI na determinação do Valor Tributável Mínimo, foi expedida a intimação descrita no item 12 com o objetivo de apurar os preços médios mensais de venda ao consumidor, com o fito de buscar a aplicação do Inciso II do art. 195 do RIPI. Ressaltamos mais uma vez que a ação fiscal é em face de estabelecimento da empresa Identificada em epígrafe, que tem como propósito operacional a aquisição de mercadorias no mercado interno e externo, armazenálas e distribuílas a outros estabelecimentos da mesma empresa ou de outras com relação de interdependência, que atuam exclusivamente no comércio varejista. 38. Como já relatado no item 13 acima, a empresa não logrou êxito em atender ao solicitado e apresentou alegações que corroboram a conclusão deste procedimento fiscal, exarada no item 36, emanada das razões expostas nos itens 33 a 35. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 291 4 39. Dessa forma, considerando as constatações descritas nos itens anteriores e seguindo a seqüência determinada pelo RIPI para a obtenção do Valor Tributável, restou à Fiscalização o arbitramento desse valor, como forma de preservação do principio constitucional da igualdade tributária. Não é admissível a determinado contribuinte absterse do pagamento do imposto devido, tendo sido notória e comprovada a ocorrência dos fatos geradores, pelo simples motivo de haver dificuldades na obtenção dos elementos necessários ao lançamento, e é por essa razão, dentre outras, que a lei autoriza o arbitramento. 40. Assim, não há que falarse em arbitramento do fato gerador. As circunstâncias de sua ocorrência, quando desconhecidas, poderão tão somente ser presumidas. A ocorrência do fato gerador é indiscutível, entretanto, o momento de sua ocorrência será presumido, conforme descrito mais adiante. Por outro lado, o arbitramento referese apenas ao conseqüente da norma individual e concreta, enquanto procedimento que busca a apuração da base de cálculo e outros elementos necessários à apuração do tributo devido com a ocorrência do fato gerador. Tal faculdade de arbitrar, lembra Souto Maior Borges, "não se confunde com a pura e simples arbitrariedade, incompatível com os critérios que presidem a atuação dos órgãos da Administração Fazendária.", sendo certo que o sujeito passivo poderá contestar o arbitramento e realizar avaliação contraditória tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito judicial. 41. Para melhor ilustrar, destacamos algumas ementas de julgados administrativos e judiciais a seguir: ARBITRAMENTO (Ac. n° 20206912, de 16/06/94, da 2ª Cam. Do 2° CC – DO de 06/04/95, pg. 4874) Não tendo o contribuinte logrado provar fato concreto para alterar o lançamento, prevalece o critério utilizado no arbitramento, quando afeiçoado à legislação e utilização de critérios razoáveis à vista das condições em que se encontrava a escrituração. BASE DE CÁLCULO VENDAS PARA INTERDEPENDENTE (Ac. 201 64983/88 da 1ª Câmara do 2º CC unânime). O valor tributável mínimo é o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente ou, na sua falta, o custo de fabricação acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, lucro e demais parcelas adicionadas ao preço da operação. TRIBUTÁRIO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) – VALOR TRIBUTÁVEL ARBITRAMENTO CRITÉRIOS A SEREM ADOTADOS DIFERENÇA EM ESTOQUE DE MATÉRIAPRIMA RAZOABILIDADE. (AC Fl. 667DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 292 5 21877 MG 95.01.218775 Relator: JUIZ OSMAR TOGNOLO Julgamento: 15/12/1998Órgão Julgador: TERCEIRA TURMAPublicação: 09/04/1999 DJ p l62 Ementa 1. Conquanto previsto no Código Tributário Nacional e no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), o arbitramento, como forma de apuração do valor tributável, em caso de omissão do contribuinte, não significa arbitrariedade, devendo situarse nos limites do razoável. 2. Constatada diferença de matériaprima em estoque, deverá ela ser considerada no cálculo do tributo que, em princípio, teria sido sonegado. 3. Apelação a que se dá provimento. 42. Isto posto, e buscando sempre alcançar no modelo construído a forma mais justa, razoável e próxima dos fatos, recorremos às informações prestadas pelo próprio contribuinte acerca da mensuração de suas operações comerciais. Dessa forma, com o intuito de preservar os preceitos emanados no caput do art. 197, seu parágrafo segundo e inciso I do parágrafo único do art. 196, todos do RIPI, apuramos, a partir das informações prestadas em DIPJ, o lucro bruto (margem bruta) nos períodos de apuração, conforme Planilha (A) anexa. A utilização do lucro bruto deve ser considerada como razoável para a determinação do valor tributável das saídas, visto que o IPI incide sobre o valor total das notas fiscais de saída. 43. Para a determinação do momento de ocorrência dos fatos geradores, apuramos suas importações mês a mês nos períodos sob exame, pressupomos que tais mercadorias, em média, deram saída do estabelecimento segundo o giro de estoque médio, calculado a partir de informações extraídas das DIPJs apresentadas, conforme detalhado na Planilha (B). Assim, encontramos o giro médio de cerca de 45 dias, o que equivale dizer que 2/3 das mercadorias deram saída no próprio mês e 1/3 no mês subsequente. 44. Ainda em relação à determinação do valor tributável verificamos, dentre as mercadorias de que se trata, a ocorrência de duas formas distintas na quantificação do imposto, conforme a classificação fiscal NCM atribuída, diferenciadas pela forma de aplicação das alíquotas: • alíquotas "ad valorem", onde o tributo é calculado [sic] na proporcionalidade do valor da mercadoria tributada, ou seja, exprimemse em percentuais aplicados à base de cálculo; Fl. 668DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 293 6 • alíquotas específicas, onde o tributo é calculado na proporcionalidade da quantidade da mercadoria tributada, que exprimese como um valor em moeda corrente por unidade de medida padronizada para tal mercadoria. 45. Nesse sentido, parte das mercadorias enquadramse nas classificações NCM cujas notas complementares dispõe: Nota Complementar (NC)da TIPI NC (171) Nos termos do disposto na alínea " b " do §2º do art. 1º da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, com suas posteriores alterações, as saídas dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial dos produtos classificados no Código 1704.90.10, ficam sujeitas ao imposto de nove centavos por quilograma do produto. Nota Complementar (NC) da TIPI NC (181) Nos termos do disposto na alínea "b " do §22 do art. 1º da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, com suas posteriores alterações, as saídas dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial dos produtos classificados nas subposições 1806.31, 1806.32 e 1806.90 (exceto "Ex 01"), acondicionados em embalagens para consumo inferior a dois quilogramas, ficam sujeitas ao imposto de nove centavos por quilograma do produto. 46. Dessa forma, subdividimos as apurações em dois blocos distintos: • apuração dos tributos a partir das importações de mercadorias tributadas com alíquotas "ad valorem", onde a aplicação das premissas descritas no item 42, implicam a aplicação de alíquotas " ad valorem" médias mensais nas saídas, resultando em tributo a recolher igual a diferença entre calculado na saída (débitos) e na entrada (créditos); • apuração dos tributos a partir das importações de mercadorias tributadas com alíquotas específicas, fato que não implica tributo a recolher visto que as quantidades de produtos entrados e saídos ao longo do período se equivalem, resultando em valores iguais na entrada e na saída (nove centavos por quilo, conforme Notas Complementares acima). 47. Devese atentar que mesmo não havendo apuração de tributo a pagar na saída, nas situações de aplicação de alíquota específica, haverá a incidência da multa de ofício por falta de destaque de IPI, explicitada no item 30, que será apurada na mesma forma da apuração das multas de ofício aplicadas nas mercadorias sujeitas à alíquotas "ad valorem". 48. Desse modo, para determinar o valor dos tributos devidos na saída de mercadorias sujeitas a alíquotas " ad valorem ", apuramos as importações pertinentes, base de cálculo e valor do IPI vinculado e calculamos as alíquotas Fl. 669DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 294 7 médias mensais do IPI (Planilha I). Em seguida, aplicamos essas alíquotas médias mensais " ad valorem " sobre o valor total de saída presumida no mês, conforme item 43, cujo resultado é equivalente ao mesmo valor de débito de IPI, se calculado utilizandose diferentes alíquotas para cada mercadoria e NCM, conforme demonstrado matematicamente no anexo "Demonstração da Equivalência do Cálculo do IPI". Para isso elaboramos a Planilha (III). 49. Como já vimos no item 46, as mercadorias sujeitas às alíquotas específicas não resultam em tributo a pagar, porem apuramos o valor que deveria ter sido destacado pelo contribuinte na saída, pois serve de base de cálculo da multa de ofício de que trata o item 30. Para tal, foi elaborada a Planilha (IV). 50. Abaixo detalhamos as Planilhas (III) e (IV), onde consolidamos todos os elementos necessários ao lançamento, conforme apuração exaustivamente descrita anteriormente, onde resumidamente apontamos mensalmente: (1) Base de Cálculo do IPI vinculado, extraído do Siscomex Importação; (2) Fator da Margem Bruta, calculado conforme Planilha (A), com informações extraídas das DIPJs; (3) Valor Tributável das Mercadorias Entradas no Mês, decorrente da multiplicação (1) x (2); (4) Giro Médio do Estoque, calculado conforme Planilha (B), com informações extraídas das DIPJs; (5) Saída do Estabelecimento das Mercadorias Entradas no Mês, obtido pelo rateio decorrente do giro médio do estoque conforme frações definidas no item 43; (6) Alíquota Média Mensal do IPI, calculada conforme Planilha (I) (para as alíquotas "ad valorem"); (7) Débito do IPI: para as alíquotas " ad valorem" obtido pela aplicação da alíquota média mensal sobre o valor de saída das mercadorias entradas no estabelecimento no mesmo mês. Para as alíquotas específicas, obtida pela aplicação do giro de estoque sobre o IPI vinculado pago no mês (4) X (9); (8) Saída do Estabelecimento do Saldo das Mercadorias entradas no mês anterior, obtido pelo rateio decorrente do giro médio do estoque conforme frações definidas no item 43; (9) Alíquota Média Mensal do IPI das Mercadorias Entradas no Mês anterior, calculada conforme Planilha (I) (para as alíquotas "ad valorem"); (10) Débito do IPI, obtido pela aplicação da alíquota media mensal do mês anterior aplicada sobre o valor das mercadorias saídas do estabelecimento que Fl. 670DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 295 8 entraram no mês anterior (8) x (9). Para as alíquotas específicas, obtida pela aplicação do giro de estoque sobre o IPI vinculado pago no mês anterior (4) x (9); (11) Débito Total do IPI no Mês, obtido pela soma (7) + (10); (12) Valor do IPI Vinculado Pago (Créditos no Mês), extraídos do Siscomex Importação; (13) Valor do IPI Lançamento no Mês, obtido pela subtração (11) (12) para alíquotas "ad valorem" e zero para alíquotas específicas; (14) Multa de Ofício (falta de destaque do IPI), calculada pelo produto (11) x 75%, conforme estipulado no item 30”. A multa de ofício por falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na nota fiscal de saída tem supedâneo no RIPI/2010, art. 569, caput. Na peça impositiva a multa de ofício, referida como regulamentar às fls. 407 e 411, foi aplicada de forma isolada, conforme o demonstrativo às fls. 405 e 406. Regularmente cientificado da peça acusativa em 14/09/2012 por meio de procurador, apresentou o sujeito passivo a impugnação às fls. 421/445 (sem data de protocolo indicada), subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados nos instrumentos de mandato às fls. 448 e 449, e recepcionada pelo órgão preparador. Argumentação aduzida: 1) Preliminarmente, com a ciência do auto de infração em setembro de 2012, ocorreu a decadência para os valores devidos no período de fevereiro a agosto de 2007, sendo o IPI sujeito ao lançamento por homologação e o prazo de cinco anos fixado pelo CTN, art. 150, § 4º; 2) No mérito, com base em farta doutrina e jurisprudência, não há incidência do imposto nas saídas de mercadorias importadas do estabelecimento industrial, pois inexiste operação de industrialização entre o desembaraço aduaneiro e as saídas no mercado interno, sendo improcedente a exigência fiscal, que deve ser cancelada; 3) Ainda que fosse mantida a exigência fiscal, há erro no cálculo da multa de 75% sobre o total do débito, sem a consideração dos créditos (IPI vinculado à importação), sendo a multa correta calculada na planilha inserta à fl. 442 (item 69) no montante de R$ 45.840,86; 4) A metodologia para a apuração do IPI, com a adoção de do valor médio dos produtos, é equivocada, tendo sido contrariadas as disposições do RIPI/2010, art. 195, I, e o Parecer Normativo CST nº 44/81 e o Ato Declaratório CST nº 52/82; houve utilização de alíquota média mensal, em desacordo com o RIPI/2010, art. 189; a autoridade fiscal presumiu os momentos das importações dos produtos; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 296 9 5) É indevida a exigência de taxa Selic calculada sobre multa de ofício. Por fim, requer que a impugnação seja recebida e acolhida integralmente, com o cancelamento total da exigência fiscal e arquivamento do processo administrativo.” A DRJ, por unanimidade, negou provimento à impugnação para manter integralmente o lançamento objeto da presente lide. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 SAÍDAS NO MERCADO INTERNO DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. É equiparado a industrial o estabelecimento, ainda que varejista, que der saída no mercado interno a produtos de procedência estrangeira, sendo devido o imposto não lançado nas notas fiscais. SAÍDAS NO MERCADO INTERNO DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Na impossibilidade de aferição do valor tributável mínimo, sendo omissa e insuficiente a documentação fiscal expedida pelo sujeito passivo, há previsão legal para o arbitramento do valor tributável nas operações de saída no mercado interno de produtos de procedência estrangeira. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Ainda que haja créditos do imposto a ser considerados, incide a multa de ofício sobre o montante integral do imposto não lançado nas notas fiscais de saída: é a multa de ofício proporcional ao imposto não lançado com cobertura de créditos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de falta de antecipação de pagamento. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 297 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do referido acórdão em 30 de setembro de 2013, a Companhia Brasileira de Distribuição apresentou recurso voluntário em 30 de outubro de 2013, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 30 de setembro de 2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 30 de outubro de 2013. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que o cerne da lide envolve a lavratura de Auto de Infração com a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa regulamentar, relativo a vendas efetuadas de mercadorias importadas no período de 2007 a 2008. Em respeito às alegações trazidas pela recorrente, passo a discorrêlas a seguir. Quanto à alegação de decadência do Direito à Constituição do Crédito Tributário, relativamente ao período de fevereiro a agosto de 2007, aduz a recorrente que: · O Auto de Infração, que efetivou o lançamento, foi lavrado em 14.9.2012 – após o decurso do prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência dos fatos geradores atinentes aos meses de competência fevereiro a agosto de 2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 298 11 · O IPI é imposto cujo lançamento se dá por homologação, portanto, sujeito à regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN; · Contudo a SDRJ entende que, para aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, seria indispensável ao contribuinte adotar medidas preparatórias, inclusive com o pagamento; · Ocorre que não se pode olvidar que a recorrente, conforme restará demonstrado não é contribuinte do IPI nas operações de saída de suas mercadorias e, por esse motivo, não procedeu ao lançamento e tampouco realizou o recolhimento do imposto nos termos supostamente devido; · Para fins de contagem do prazo decadencial, o termo inicial disposto no art. 173 do CTN para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente é aplicado para os casos em que haja dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Continuando, especificamente à alegação de nulidade do lançamento, traz a recorrente que: · O auditor fiscal deixou de adotar a regra ditada pelo inciso I, do art. 195, do RIPI, para aferição do valor mínimo tributável arbitrando de formas abstrata e díspar o valor médio dos produtos autuados, agindo, inclusive, contrariamente ao disposto no Parecer normativo CST 44/81, bem como no Ato Declaratório CST nº 05/82; · Uma vez que a legislação define que valor tributável mínimo para efeito do cálculo do IPI se dará mediante a obtenção do preço médio corrente no mercado atacadista da praça do remetente de cada produto, não há dúvidas quanto ao equívoco do levantamento efetuado pela fiscalização para determinação do crédito tributário consubstanciado e indevidamente exigido do estabelecimento da recorrente por meio da lavratura da autuação e tela; · No presente caso, foi utilizada para esse cômputo, a margem bruta que é a margem de venda no varejo, nos períodos de apuração fiscalizados, margem esta estranha às operações realizadas pelo estabelecimento de fato autuado; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 299 12 · Não é o estabelecimento autuado quem realiza operações de venda no varejo; o estabelecimento da recorrente realiza a distribuição das mercadorias, a qual se dá por meio de operações de venda no atacado entre empresas do mesmo grupo econômico e de transferências; · A recorrente por atuar no comércio varejista de mercadorias em geral, trabalha com uma gama de produtos e cada produto possui classificação específica de acordo com a TIPI; · Possui alíquota específica a qual deve ser aplicada para determinação do imposto supostamente devido, qualquer que seja a modalidade de lançamento adotada; · A aplicação de alíquota média sobre um grupo genérico de produtos distorce o quantum supostamente devido pela recorrente; · Para demonstrar essa distorção, elabora a recorrente quadro: · Conforme ditado pelos arts. 142 e 148 do CTN, a fiscalização pode apenas e em casos específicos em que fique constatada a impossibilidade de apurar o valor do bem ou produto, arbitrar o valor ou preço, isto é, base de cálculo do imposto, não lhe sendo jamais autorizado a arbitrar as alíquotas aplicáveis; · Tal arbitramento somente poderia ter sido realizada diante de efetiva recusa de atendimento á fiscalização e no caso em que, Fl. 675DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 300 13 concomitantemente, não houvesse outros meios para apuração das bases de cálculo; · A documentação apresentada em resposta aos Termos de Fiscalização relacionava as saídas no seu estabelecimento, de mercadorias de origem estrangeira de importação direta, de importação por empresa controladora, controlada ou coligada ou adquirida no mercado nacional, indicando os diversos dados para cada item das respectivas notas fiscais – datas de saídas – o que não justifica a adoção desse critério temporal para suposta incidência do aludido imposto. Quanto ao mérito, em síntese, traz a recorrente que: · O IPI, instituído pela Lei 4.502/64 e regulamentado pelo Decreto 7.212/2010 incide sobre os produtos industrializados nacionais e estrangeiros; · De acordo com o art. 153 da CF/88, a hipótese de incidência do IPI reside no fato de alguém dar saída a produtos industrializados, mediante a celebração de um negócio jurídico de transferência de posse ou propriedade – contrato de compra e venda; · Conforme incisos do art. 46 do CTN, o IPI tem como fato gerador, alternativamente: (i) o desembaraço aduaneiro de produtos industrializados de procedência estrangeira; (ii) a saída de produtos industrializados de estabelecimento de importador, de industrial, de comerciante ou de arrematante e (iii) a sua arrematação de produtos industrializados, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão; · Não faz sentido equiparar o contribuinte industrial referido no inciso II do art. 51 do CTN, ao comerciante que, tendo importado determinada mercadoria sujeita ao IPI a transfira ou revenda para pessoa que não seja estabelecimento industrial – como ocorre exatamente o caso da recorrente; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 301 14 · Os estabelecimentos comerciante não exercem qualquer atividade industrial, nem mesmo praticam qualquer ato relacionado ao processo de industrialização; · Apenas transferiu ou revendeu os produtos importados, não sendo legítima sua equiparação a estabelecimento industrial de pessoas que não tem qualquer papel no processo produtivo. Ademais, relativamente à sustentação de insubsistência dos valores exigidos à título de multa de ofício, bem como à aplicação da Selic sobre a multa de ofício, insurge a recorrente que: · A multa de ofício de 75% foi calculada de forma totalmente equivocada – qual seja, sobre o montante total do débito, e não sobre o valor do imposto que efetivamente deixou de ser recolhido; · Caso devida a multa, esta seria de R$ 45.840,86, e não R$ 145.245,35; · Ainda que se entenda que a multa aplicada tenha por objetivo penalizar a infração cometida pelo contribuinte pela simples interrupção da cadeia produtiva, a recorrente é um Centro de Distribuição integrante de uma rede varejista que, por sua vez, não é contribuinte do IPI nas operações subsequentes; · Não ser aplicável a Selic sobre Multa de Ofício, por, entre outros, afrontar o disposto no art. 161 do CTN, colacionando no final de seu recurso alguns julgados. Cessadas as descrições de cada questão, a priori, passo a analisar a preliminar de nulidade do lançamento, considerando que o auditor fiscal arbitrou, além do valor médio dos produtos, a alíquota do referido tributo, atribuindo “alíquota média” sobre um grupo genérico de produtos. Sendo assim, depreendendose da análise dos autos, cabe trazer que, em relação à essa questão, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção apreciou idêntica questão ao recepcionar o Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional – sendo emitido o Acórdão 3201001.753 com a seguinte ementa: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 302 15 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2009 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO. VALOR TRIBUTÁVEL. CÁLCULO PELA ALÍQUOTA MÉDIA MENSAL. IMPROCEDÊNCIA. Arbitrar alíquotas pelo valor médio é agir sem qualquer suporte legal. Quebrase, de forma irreparável, o princípio da seletividade insculpido no art.153, inciso IV, da Constituição Federal. Não cabe arbitramento quando todos os elementos da relação jurídicotributária são conhecidos, o que ocorreu no caso presente. Recurso de Ofício Negado” O que, por conseguinte, expresso minha concordância com o entendimento esposado por aquela turma – pedindo licença para transcrever o voto do ilustre Conselheiro Winderley Moraes Pereira (destaques meus): “O Auto de Infração que originou o processo em discussão, teve origem em auditoria de IPI, onde a autoridade fiscal concluiu pela exigência do IPI, em razão da transferência de mercadorias importadas pela Recorrente para suas filiais, amparada no art. 195, incisos I e II, do RIPI 2010, que trata do preço mínimo a ser considerado nas revendas de mercadorias a atacadistas. Em razão da dificuldade em trabalhar com a grande quantidade de produtos (2.325) a Fiscalização decidiu por arbitrar a alíquota aplicada às mercadorias, utilizando para tanto, o critério de alíquota média de todos os produtos importados. O julgamento da primeira instância decidiu pela irregularidade do procedimento adotado para exigência do crédito tributário, por entender que não existe amparo legal para o procedimento adotado. A posição da turma de piso foi detalhada no voto condutor do acórdão, do qual extraio o trecho abaixo. "Em sua fala no TVF o autuante asseverou que o procedimento seguido estaria albergado pelo caput do art.197 do RIPI/2010: "Art.197.Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil Fl. 678DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 303 16 apuração o valor previsto no art. 192 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 148, e Lei no 4.502, de 1964, art. 17)." Diante do texto legal supra e dos procedimentos seguidos na auditoria, houve arbitramento para determinação do imposto a ser exigido. A questão é saber se tal medida foi levada a termo em sintonia com a lei. Vejamos. A norma em comento autoriza o arbitramento do valor tributável ou de qualquer dos seus elementos. E o que isso significa? Significa dizer que podemos formatar a base de cálculo ou qualquer dos elementos que a compõem segundo critérios definidos pela legislação. Essa é única interpretação possível. A lei autoriza presumir segundo parâmetros eleitos pelo legislador apenas a plataforma formadora da base de cálculo, e nada mais. Não há interpretação extensiva, nem analógica possíveis. Podemos buscar preços médios, o valor do Imposto de Importação, elementos formadores de custo, despesas aduaneiras, margem de lucro normalmente observada etc. Porém seria, no caso do arbitramento, agir fora da legalidade ao se buscar valores presumidos atrelados à ocorrência do fato gerador, à natureza da obrigação tributária e à alíquota aplicável na operação posta em verificação fiscal. Os parágrafos 1º e 2º do art.197 do RIPI/2010, com redação que repete aquela presente nos RIPIs 98 e 2002, corrobora o acima dito: " §1º Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2º Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 196. Art. 196.Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e Fl. 679DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 304 17 II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado." Como se vê, não há grau de liberdade para o Fisco em se tratando de parâmetros para realização do procedimento de arbitramento. As variáveis estão postas e abrangem exclusivamente elementos formadores da base de cálculo, inexistindo previsão para arbitramento da alíquota incidente." A cálculo utilizado no lançamento, explicitado no Auto de infração, aplicou o arbitramento para cálculo das alíquotas incidentes nas operações sujeitas ao IPI, o que ao meu sentir, não possui embasamento legal. A análise bem fundamentada da legislação aplicada ao caso, realizada pela autoridade de piso, não deixa dúvida quanto à falta de amparo legal no procedimento adotado de arbitramento das alíquotas do IPI, não existindo reparo a ser feito na decisão recorrida. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira” Vêse que a técnica de arbitramento deve ser feita com cautela, sendo de extrema importância que o auditor fiscal observe as normas legais, sob pena de se impor ao contribuinte um gravame irreal, capaz de macular todo o ato da autoridade fazendária. Não há como ignorar que o arbitramento de uma alíquota média sem respeitar a individualidade de cada produto não deve prosperar. Eis o que traz Carraza e Bottello em artigo publicado conjuntamente, intitulado “IPI, Seletividade e Alteração de Alíquotas” – sobre a necessidade da motivação do ato administrativo que vier a alterar alíquota do IPI, concluindo que tal motivação há que se fundar no princípio da seletividade, sob pena de injuridicidade. Ademais, é de se respeitar o teor do art. 153, § 3º, inciso I, da CF/88, que diz que o IPI “será seletivo, em função da essencialidade do produto”. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA Processo nº 19515.721909/201275 Acórdão n.º 3202001.599 S3C2T2 Fl. 305 18 O legislador, bem como os leitores e aplicadores do direito, inclusive a autoridade que constitui o lançamento de tributos, não devem ignorar o princípio da seletividade. O que, por conseguinte, a apuração dos tributos com aplicação de alíquotas médias fere, de forma irretratável, esse princípio, gerando ainda insegurança jurídica ao contribuinte que observa as alíquotas específicas de cada produto nos eventos que precedem sua atividade. É de se ater também que, caso acolhêssemos a aplicação da alíquota média, estaríamos desrespeitando as normas legais que trazem alíquotas diferenciadas para cada produto, considerando, inclusive sua essencialidade, prejudicando até mesmo o contribuinte mais zeloso. Dessa forma, tornase inevitável o acolhimento dessa preliminar de nulidade do Auto de Infração, por vício material (substancial). O que, por conseguinte, voto, no caso vertente, por dar provimento ao recurso voluntário. Quanto às demais questões trazidas no recurso voluntário, apenas acrescento que a apreciação dessas restaram prejudicadas, considerando o acolhimento da preliminar de nulidade por arbitramento de alíquota do IPI em produtos diversos. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 681DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MID ORI MIGIYAMA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725890/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A desistência do recurso voluntário configura fato impeditivo do direito de recorrer do sujeito passivo.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2301-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Júnior e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A desistência do recurso voluntário configura fato impeditivo do direito de recorrer do sujeito passivo. Recurso não conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.725890/2011-23
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455097
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2301-004.348
nome_arquivo_s : Decisao_15504725890201123.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 15504725890201123_5455097.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Júnior e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5895101
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702208512000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 801 1 800 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725890/201123 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.348 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Obrigação Principal Contribuição paga a segurados empregados e contribuintes individuais Grupo Econômico Recorrente SA ESTADO DE MINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A desistência do recurso voluntário configura fato impeditivo do direito de recorrer do sujeito passivo. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Júnior e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 58 90 /2 01 1- 23 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Cuidamse de recursos voluntários interpostos em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0255.363, cujo dispositivo tratou de julgar procedente em parte a impugnação do contribuinte e improcedente as impugnações apresentadas pelos solidários, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 699/716): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA. As informações inseridas no anexo “Vínculos” não constitui imputação de responsabilidade tributária aos administradores e representantes legais do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher à previdência social as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, a seus empregados. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. 2. Conforme se extrai do relatório fiscal, às fls. 17/33, posteriormente complementado às fls. 503/509, o processo administrativo é composto pelo auto de infração (AI) nº 37.343.5738, relativamente às contribuições previdenciárias patronais, inclusive para o financiamento dos benefícios decorrentes de incapacidade laborativa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais. 2.1 Em síntese, o Fisco aponta ausência de recolhimento das contribuições sobre pagamentos efetuados aos segurados empregados sob a denominação de ganho eventual e abono acordo sindical, e sobre pagamentos destinados a pessoas físicas, em razão da prestação de serviços na condição de contribuintes individuais. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.725890/201123 Acórdão n.º 2301004.348 S2C3T1 Fl. 802 3 2.2 Foi atribuída a responsabilidade solidária pelo crédito tributário às empresas Sociedade Rádio e Televisão Alterosa, CNPJ 17.247.925/000134, e S. A. Rádio Guarani, CNPJ 17.247.891/000188, por integrarem, junto com o contribuinte, grupo econômico. 3. Intimados da autuação em 12/12/2011, às fls. 3 e 207/210, o contribuinte e os solidários impugnaram a exigência fiscal. Quanto ao contribuinte, sua petição argumenta, em breve síntese, que a fiscalização fez incidir contribuições previdenciárias sobre parcelas que escapam à tributação (fls. 291/312). Já a impugnação das pessoas jurídicas solidárias versou tão somente sobre o vínculo de responsabilidade (fls. 213/221 e 250/258). 4. Ao tomarem ciência em 16/5/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 728/733, as recorrentes contribuinte e solidários apresentaram recursos voluntários no dia 16/6/2014, em que repetem os mesmos argumentos expendidos em sua impugnação e requerem a reforma do Acórdão nº 0255.363 (fls. 735/755, 759/770 e 773/784). 5. Constam petições protocoladas em 20/8/2014, às fls. 791/793, em que as recorrentes, com vistas à inclusão dos AI nº 37.343.5738 no Parcelamento Especial de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desistem expressamente dos recursos, bem como de qualquer alegação de direito sobre qual se fundam. 6. É o relatório. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 7. Prescreve o art. 78 do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. 8. Com efeito, a desistência do recurso configura fato impeditivo do direito de recorrer. Tendo em conta as desistências manifestadas em petição às fls. 791/793, não tomo conhecimento dos recursos voluntários. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS, em face da desistência dos sujeitos passivos. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 804DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000253/2004-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.072
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM
sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10930.000253/2004-78
conteudo_id_s : 5452941
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2802-000.072
nome_arquivo_s : Decisao_10930000253200478.pdf
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10930000253200478_5452941.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
id : 5887531
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702223192064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.000253/200478 Recurso nº Resolução nº 2802000.072 – 2ª Turma Especial Data 12 de julho de 2012 Assunto Sobrestamento Recorrente João Maria Emanuel Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 18 de julho de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 60/64, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, que reduziu o imposto de renda a restituir para R$ 2.622,54, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, em virtude de alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 26.709,07 para R$ 38.083,01, decorrente de ação trabalhista recebida, e glosa de parte do imposto de renda na fonte, alterando de R$ 10.013,69 para RS 7.049,19, por ter sido compensado indevidamente R$ 624,05, correspondente à tributação Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10930.000253/200478 Resolução n.º 2802000.072 S2TE02 Fl. 2 2 exclusivamente na fonte, e R$ 2.340,45 cujo ônus não foi do contribuinte; e de Auto de Infração de fls. 125/129, que exige R$ 1.621,35 de imposto de renda, RS 1.216,01 de multa de alem dos acréscimos legais, em virtude de omissão de rendimentos no valor de R$ 10.038,68, e que foi objeto do processo nº. 11634.000320/200632, apensado aos autos. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01), acatada como tempestiva. contestando o valor do imposto de renda na fonte de R$ 7.049,19, entendendo que a diferença de R$ 2.964,50 corresponde ao valor dos honorários de advogado, considerado pelo órgão fiscalizador como ônus deste. e que seja considerado o imposto de renda na fonte recolhido no valor de R$ 10.013,69. A 4ª Turma DRJ/Curitiba/PR, conforme Acórdão 0613.864 de fls. 151 a 156, julgou Lançamento Procedente em Parte, mantendo parte do lançamento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 04/04/2007, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fls.157. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/05/2007 (fls. 158/ 166), representado por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Voto: Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº. 7.713/1988: Ocorre que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº. 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento, entendo que é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº. 586/2010. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10930.000253/200478 Resolução n.º 2802000.072 S2TE02 Fl. 3 3 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Brasília/DF, Sala de Sessões, 12 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001761/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIR-SE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES
A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal.
A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador para com uma empresa, há de ser reconhecida a nulidade do negócio por abuso de direito e simulação.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIR-SE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador para com uma empresa, há de ser reconhecida a nulidade do negócio por abuso de direito e simulação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13855.001761/2009-16
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435110
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.856
nome_arquivo_s : Decisao_13855001761200916.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 13855001761200916_5435110.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5838564
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702236823552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.001761/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.856 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ESTIVAL IMPORTACAO EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador para com uma empresa, há de ser reconhecida a nulidade do negócio por abuso de direito e simulação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 17 61 /2 00 9- 16 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1437.398, fls. 362/374, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, representadas pelo seguinte DEBCAD`s. 1. AI DEBCAD nº. 37.220.0192, no valor de R$ 917.523,61 (novecentos e dezessete mil, quinhentos e vinte e três reais e sessenta e um centavos), referente às contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos. As exigências fiscais se referem ao fato de ter o contribuinte se utilizado de interpostas pessoas para contratar mãodeobra sem a incidência da contribuição previdenciária, uma vez que aquelas que seriam favorecidas pelo regime de tributação destinadas às empresas de micro e pequeno porte – SIMPLES, quais sejam: OS BARBOSA PERSPONTO – EPP e DM DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPP. Abaixo seguem trechos do relatório fiscal de fls. 77/127 2. O presente trabalho decorre do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08123002008005717, emitido em 10 de junho de 2008, destinado a verificar os tributos Contribuições Previdenciárias e para outras entidades e fundos no período de 01/2004 a 12/2007. 2.1 O objeto do lançamento correspondente a este Auto de Infração se refere às Contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros): FNDE – Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação – Salário Educação, INCRA – Instituto Nacional da Reforma Agrária, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SESI – Serviço Social da Indústria e ao SEBRAE – Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa. 3.Durante auditoria fiscal realizada na empresa ESTIVAL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ nº 01.145.506/000151, doravante denominada por ESTIVAL, que atua no ramo da indústria, comércio, exportação e importação de calçados, ficou constatado que esta utiliza as empresas P.S.BARBOSA PESPONTO EPP, CNPJ nº 07.418.488/000110, e D M DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPPP, CNPJ nº 07.418.488/000110, ambas OPTANTES pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições (Doravante denominadas por P.S.BARBOSA e DM DE SOUZA) como INTERPOSTAS PESSOAS com a finalidade de contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por serem optantes pelo SIMPLES não recolhem a contribuição previdenciária patronal, conforme restará demonstrado e comprovado no presente relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 5.1 Em diligência efetuada no endereço das empresas envolvidas (Rua Joaquim Neves, 1360, 1370 e 1400) no dia 18/08/2008, acompanhada da Supervisora da Equipe Fiscal, a Auditora Fiscal senhora Otília Aparecida Cintra, quando fomos atendidas pelos senhores Marcelo Kanaiama Lemos, CPF nº 005.729.74864, sócioadministrador da ESTIVAL e Francisco Carlos Siqueira Silva, CPF nº 005.729.52876, contador, constatamos que, embora constem números diferentes no cadastro da Receita Federal, as três empresas funcionam no mesmo prédio, constituído de 02(dois) barracões interligados, construídos no mesmo terreno, como trânsito livre entre eles, não há muros ou divisões separandoos, à frente do barracão maior está instalada a recepção e a administração da empresa. No barracão menor, estão os empregados da Seção de Corte, todos os demais estão no barracão principal, onde funcionam também o refeitório e os banheiros, que são usados por todos os empregados, e também a área administrativa. A entrada é única e no local existe uma guarita, onde a recepção (das três empresas) para visitantes (vide foto nº 1). 5.2 Nessa mesma ocasião, com a anuência do senhor Marcelo e acompanhadas pelo senhor Francisco, efetuamos visita ao interior dos barracões e verificamos a presença de um grande número de funcionários trabalhando no local, e este último nos informou que os funcionários que ali se encontravam eram empregados das empresas P S BARBOSA e D M de SOUZA. Segundo ele, em nome da P S BARBOSA estão atualmente registrados os empregados das áreas de pesponto e administração, e em nome da D M DE SOUZA estão registrados os empregados das áreas de corte e montagem. Salientese que a ESTIVAL não possui nenhum empregado registrado em seu nome, todos estão registrados em nome da OS Barbosa ou da DM de Souza. 5.3 Não obstante a afirmação do contador de que os empregados das empresas estão separados por seções (P S Barbosa: pesponto e administração) e (D M de Souza: corte e montagem), não foi isso que constatamos no local. A situação fática, constatada por ocasião da diligência efetuada na empresa, é que os empregados trabalham todos juntos numa linha de produção continua, onde se verifica apenas a separação da seção de corte e almoxarifado (barracão menos), exclusivamente por falta de espaço, os demais empregados estão todos alocados no outro barracão. Portanto, não há como se diferenciar, visualmente, qual empregado pertence a uma empresa ou outra. 5.5 Em 12/09/2008 foi efetuada uma nova visita ao endereço das empresas envolvidas, desta vez acompanhada dos Auditores Fiscais senhor Carlos Antônio Venturini Júnior, senhor Rogério Duarte Perez e senhora Otilia Aparecida Cintra, e mais uma vez, ficou constatada a inexistência de separação física entre o endereço da ESTIVAL e das empresas P S BARBOSA e D M de Souza e a impossibilidade de distinção dos funcionários em atividade, eis que todos estavam usando uniformes da empresa ESTIVAL. Na ocasião foi lavrado o Termo de Constatação nº 1 (fls. 64) do qual o senhor Marcelo, sócioadministrador da ESTIVAL, recebeu uma cópia. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 4 5 6.1.2 DO FATURAMENTO DA P.S BARBOSA 6.1.2.1 Empresa optante pelo SIMPLES, inicialmente enquadrada na condição de microempresa e a partir de 2005 na condição de empresa de pequeno porte, a P S BARBOSA declarou em sua DIPJ – Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, receita bruta de vendas correspondente a valores próximos do limite máximo permitido para opção por este Regime de Tributação (R$ 1.200.000,00 até o ano de 2005 e R$ 2.400.000,00 a partir de 2006). Ao efetuarmos comparação entre a massa salarial constante em suas folhas de pagamento mensais, declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social e a receita bruta informada na DIPJ, constatamos que o valor da receita bruta auferida no período, com exceção do ano de 2006, não cobre sequer as despesas de salários por elas declaradas em GFIP (Quadro 01). Importante esclarecer que para efeito desta comparação foi considerada apenas a massa salarial tributável, não foram utilizadas verbas indenizatórias, tais como: férias pagas em rescisões, aviso prévio indenizado, etc. 6.2 A D M DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – ME foi criada em 04/05/2005 e teve seu nome alterado em 05/07/2005 para D M DE SOUSA PESPONTO DE CALÇADOS –ME, sendo sua titular a senhora Delcy Maria de Souza, CPF nº 180.977.168 44, exesposa do senhor Marcelo Kanaiama Lemos, sócio administrador da ESTIVAL. A DM SOUZA iniciou suas atividades tendo como objeto a prestação de serviços de corte, costura, pesponto e montagem de partes de calçados, que em 05/07/2005 foi alterado para prestação de serviço de pesponto em partes de calçados. 6.2.1 A partir do mês de julho de 2005 iniciou a contratação de empregados, sendo que no mês de setembro/2005 contava com 51 empregados registrados, desses, 40 (quarenta) eram funcionários que estavam registrados na P S BARBOSA, tiveram seus contratos “rescindidos” e imediatamente foram registrados como empregados da D M DE SOUZA, conforme se verifica da relação anexa (fls. 65). A partir de 08/2006 as duas empresas tinham em seus registros praticamente a mesma quantidade de empregados cada uma, sendo q eu no mês de 12/2007 a P S BARBOSA possuía 161 empregados, com massa salarial mensal declarada em GFIP de R$ 125.840,14 e a DM DE SOUZA 181 empregados, com massa salarial mensal declarada em GFIP de R$ 144.601,76. 7.4.3 Não obstante os contratos de locação terem sido elaborados em separado, um em nome da OS Barbosa e outro em nome da DM de Souza, os pagamentos sempre foram feitos pela ESTIVAL, através de cheques debitados em sua conta corrente nº 6.128z, mantida na agência 29912 do Banco do Brasil, conforme demonstram as cópias dos recibos de pagamentos do extrato bancário. 11. CONCLUSÃO Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 11.1 Os fatos acima descritos, corroborados por inúmeros elementos de prova anexados a este relatório evidenciam uma situação fática que não se coaduna com a situação jurídica apresentada à fiscalização, o que permite CONCLUIR, DE FORMA IRREFUTÁVEL, que as empresas P.S.BARBOSA PESPONTOEPP, CNPJ nº 03.186.205/000100 e D M DE SOUZA PESPONTO EPP, CNPJ nº 07.418.488/000110, constituem empresas INTERPOSTAS utilizadas pela ESTIVAL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 01.145.506/000151 para contratar empregados com redução de encargos previdenciários. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 277/320. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 8ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 27.399, fls. 362/374, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MEIO IDÔNEO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Constitui, o Auto de Infração, meio idôneo para a constituição de crédito tributário por Auditor Fiscal, da Receita Federal do Brasil, mediante aplicação das disposições constantes no Decreto nº 70.235/72. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS EM CONFORMIDADE COMA LEGISLAÇÃO QUE REGE O SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias, mediante aproveitamento de valores recolhidos indevidamente para o Simples Federal ou Nacional. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 2.050/2.132, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, afirmando em síntese que: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 5 7 Nulidade por ausência de apropriação dos valores recolhidos junto ao sistema “SIMPLES”pelas empresas OS Barbosa Pesponto – EPP e DM de Souza Pesponto – EPP. Manifesta Nulidade do lançamento em face da suposta inequívoca duplicidade de incidência; A apuração do crédito foi realizada por aferição indireta de forma equivocada e que nem mesmo o Relatório Fiscal faz qualquer referência ao disposto no art. 33, parágrafos terceiro e sexto da Lei 8212/91; A fundamentação legal foi realizada de forma precária; A descaracterização da opção pelo SIMPLES da empresa OS BARBOSA PESPONTO – EPP, uma vez que a própria auditoria reconhece que o faturamento da mesma encontrase adstrito aos patamares legais; Da necessidade de inclusão no pólo passivo das empresas OS BARBOSA PESPONTO – EPP e DM DE SOUZA PESPONTO – EPP; Não estão comprovados os elementos caracterizadores da relação de trabalho; A precária fundamentação legal relacionada ao enquadramento do grau de riscos de acidentes de trabalho, para fins de identificação e mensuração da alíquota. A necessidade de adequada constituição do pólo passivo deste Auto de Infração e a imperiosa necessidade de se oferecer oportunidade de defesa às empresas PS BARBOSA PESPONTO –EPP e DM de SOUZA PESPONTOEPP A boafé do contribuinte e a racionalização do empreendimento e da inexistência de norma geral antielisão no CTN; É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 2.176, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DA AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS JUNTO AO SISTEMA SIMPLES PELAS EMPRESAS PS BARBOSA PERPONTO – EPP E DM DE SOUZA PESPONTO – EPP – DA SUPOSTA DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIAS Alega o recorrente que os valores recolhimentos dentro do SIMPLES NACIONAL referente a contribuição previdenciária, com as contribuições previdenciárias ora lançadas de ofício, foi negado, sob o argumento de que não há sustentação legal ao pedido. No entanto, não merece provimento a presente alegação, uma vez que os valores pagos nas guias do Simples Nacional apenas se referem à Contribuição Previdenciária Patronal, art. 13, VI da LC 123/2006, não abarcando as contribuições destinadas a Outras Entidades, como no presente caso. DA SUPOSTA UTILIZAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA Afirma o recorrente que o fisco autuante se utilizou da técnica da aferição indireta para obter a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No entanto, o argumento não merece prosperar, estando correto o posicionamento da DRJ em Ribeirão Preto. Para tanto, vejase trecho do relatório fiscal, fl. 77/127 12. DO FATO GERADOR E DA BASE DE CÁLCULO 12.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remuneração pagas e/ou creditadas aos segurados, registrados como empregados das empresas P S BARBOSA PESPONTOEPP e D M DE SOUZA PESPONTO DEDE CALÇADOSEPP, caracterizados, por esta fiscalização, como empregados da empresa ESTIVAL IMPORTAÇÃO LTDA, discriminadas, por empregados, em folhas de pagamento daquelas empresas, no período de janeiro/2004 a dezembro/2007, e reproduzidos na planilha denominada Anexo II que se encontra anexada às folhas 602 a 839 do Auto de Infração Debcad nº 37.220.0184 ao qual se encontra apensado. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 6 9 Portanto, não se está diante da aferição indireta, para calcular eventual diferença na base de cálculo, mas sim, a utilização da própria base informada pelo contribuinte, quando do preenchimento das GFIPs. Ultrapassada também a alegação de precária fundamentação legal correspondente. DA SUPOSTA ADEQUAÇÃO NA CARACTERIZAÇÃO NO POLO PASSIVO Afirma o contribuinte que deveria ter sido oferecida oportunidade as empresas PS BARBOSA PESPONTO – EPP e DM DE SOUZA PESPONTO – EPP, a oportunidade de se manifestar nos presentes autos, uma vez que foram tidos como responsáveis pelo adimplemento da obrigação. No entanto, o fiscal não está arrolando como corresponsáveis as empresas em questão, não está também imputando a caracterização de grupo econômico de fato, mas sim, desmanchando o negócio jurídico realizado o qual reputase fraudulento, concentrando os vínculos empregatícios para com a ESTIVAL, sujeito passivo do presente processo. Com relação ao Relatório de Vínculos, na fl. 75 (que cita apenas o Sr. Marcelo Kanaiama Lemos e o Sr. Holger Gerhard Riechert), esclarecese que, por não imputar responsabilidade, atrai a incidência da Súmula CARF n. 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa Portanto, não há que se falar em nulidade por adequação do pólo passivo. DO MÉRITO DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS DO SIMPLES A Recorrente levantou várias questões preliminares antes de entrar no mérito, contudo, verifico que elas estão diretamente ligadas ao objeto da lide, razão pela qual, passase a analisálo. Segundo o fiscal, no relatório, estase diante de uma situação fática que configura simulação, com a utilização de interpostas pessoas à fim de reduzir os encargos previdenciários e trabalhistas. Nesse diapasão, mister se faz analisar o que vem a ser Elisão Fiscal e Evasão Fiscal, o lícito com o ilícito, o planejamento tributário legal com a fraude e/ou simulação, para, em seguida, analisar o caso concreto. Em obra pretérita de minha autoria me manifestei da seguinte maneira1, in verbis: 1 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord.) Planejamento Tributário – São Paulo: Quartier Latin, 2004. Pág. 73/74. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 “Elisão Fiscal, portanto, é a redução tributária legal, lícita, pois a mesma elide o surgimento do fato jurídico tributário, eliminando a ocorrência do respectivo fato gerador; ou ainda, reduz o impacto tributário, mutilando parcialmente o critério quantitativo da Regra Matriz de Incidência Tributária, ou, posterga a ocorrência do fato jurídico tributário descrito no antecedente normativo para um período posterior, dando nesse último um ganho temporal, vale dizer, um maior prazo para efetuar o cumprimento da obrigação tributária. Destarte, a Elisão é o fruto obtido do Planejamento Tributário lícito. É o resultado da prática de atos ou negócios jurídicos, ou a sua não prática, com vistas a elidir, reduzir ou postergar o surgimento da obrigação tributária. Evasão fiscal, ao contrário, é a redução tributária ilegal, ilícita, pois, por meio dessa, o contribuinte se evade da obrigação tributária já nascida, agindo de maneira oposta aos ditames de nosso ordenamento jurídico. Poderá ocorrer a indevida redução do ônus tributário de uma obrigação tributária, em relação ao seu exato montante previsto em lei. Portanto, a Evasão Fiscal (que sempre será ilegítima) é a fuga total ou parcial da obrigação tributária já existente pela anterior ocorrência do fato gerador previsto em lei, ou que está prestes a acontecer.” A Elisão Fiscal busca evitar ou minorar a carga tributária incidente sobre o contribuinte, por meio de operações lícitas, utilizadas, principalmente, para esse fim. Por outro lado, a Evasão Fiscal é ilícita, pois visa ocultar do Fisco a ocorrência de fatos geradores por meio de operações fraudulentas.2 Para Hermes Marcelo Huck3, verbis: “A elisão, em algumas de suas formas, pode ser enquadrada como abuso de direito. Estruturas elisivas, nas quais o agente utilizase de formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, com o fito único de escapar ao tributo, têm sido consideradas abusivas. O abuso na utilização da forma jurídica é equiparável ao que no direito angloamericano se tem chamado de business purpose test, ou seja, o teste da finalidade negocial, pelo qual buscase desconsiderar o negócio jurídico constituído sem qualquer objetivo senão o de pagar o imposto que seria devido, não fosse adotada a forma jurídica anormal, insólita ou inadequada.” Conforme destacado alhures; para a Fiscalização, houve simulação por parte da Recorrente. O conceito de simulação advém do Direito Civil, mais especificamente no art. 167, § 1o, do Código Civil, in verbis: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: 2 Idem, ibidem. Pág. 65. 3 HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão: rotas nacionais e internacionais – São Paulo: Saraiva, 1997. Pág. 138. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 7 11 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados.” (sem destaques no original) Feitas as considerações, passase a analisar o caso concreto. Vários são os pontos enumerados pelo fiscal que levaram à sua conclusão de utilização de interpostas pessoas, para tanto, vejamos, em síntese, os principais, com as respectiva indicação no REFISC, abaixo: a) As 03 (três) empresas, embora constassem números diferentes no cadastro da Receita Federal, possuíam o mesmo endereço, composto por 02 (dois) barracões interligados, construídos no mesmo terreno, com trânsito livre entre eles (Item 5.1.); b) A ESTIVAL não possuía à época, nenhum empregado registrado em seu nome, todos estavam registrados em nome da PS Barbosa ou da DM de Souza, apesar de os empregados laborarem todos juntos, numa linha de produção contínua, sem condições de diferenciar visualmente qual empregado pertencia a uma ou outra empresa (Item 5.2 e 5.3.); c) Todos os funcionários usavam uniformes com a estampa da ESTIVAL (item 5.5.) d) Toda documentação contábil e financeira das três empresas envolvidas estava localiza no mesmo local físico (item 5.6.); e) A auditoria se dirigiu até o endereço residencial da sócia administradora da empresa PS BARBOSA à fim de cientificála do procedimento fiscal, tendo sido localizada e declarado espontaneamente que a empresa OS BARBOSA foi constituída em 1999 a pedido de seu companheiro, senhor Marcelo Kanaiama (sócio administrador da ESTIVAL), com o qual mantém união estável há 12 anos e que não atua na administração da empresa, que é dona de casa e cuida dos dois filhos do casal (item 6.1.1.); f) O valor da receita bruta da PS BARBOSA era insuficiente para pagar sequer as despesas de salários por ela declaradas em GFIP (item 6.1.2.1.); g) Embora o faturamento da PS BARBOSA não fosse suficiente para cobrir todas as despesas da empresa, eram elas, juntamente com os encargos sociais e os impostos, pagos pela ESTIVAL e por ela contabilizados na conta 1.01.03.06.000268 Adiantamento a Fornecedor – PS BARBOSA (item 6.1.2.2.); h) A PS BARBOSA prestava serviços exclusivamente para a Estival (item 6.1.2.3.); Fl. 500DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 i) A DM DE SOUZA PESPONTO foi criada em 04/05/2005, foi criado pela senhora Delcy Maria de Souza, exesposa do senhor Marcelo Kanaiama Lemos (sócio administrador da ESTIVAL), e contratou naquele mês 51 (cinqüenta e um) empregados, sendo 40 (quarenta) ex funcionários da OS BARBOSA, que tiveram seus contratos ‘rescindidos’ e imediatamente registrados como empregados da DM DE SOUZA, que, também prestava serviços exclusivamente para a ESTIVAL (item 6.2 e 6.2.1.); j) A DM DE SOUZA teria sido criada para dividir com a PS Barbosa as despesas oriundas da contratação de funcionários, à fim de não ultrapassar o limite máximo anual estabelecido à época pela legislação (item 6.3.); k) Os aluguéis das empresas PS Barbosa e DM de Souza foram sempre feitos pela ESTIVAL e contabilizados em Livro Diário – Adiantamento a Fornecedor – Aluguel PS Barbosa e DM de Souza (item 7.4.3.); l) As despesas de energia, água e telefone sempre foram e continuam sendo pagas pela Estival, devidamente contabilizadas em Livro Diário (Item 8.1.1); m) O maquinário da ESTIVAL era utilizado pela PS BARBOSA, a partir da elaboração extemporânea de um contrato de cessão de máquinas e equipamento em regime de Comodato, sem ter sido registrado na contabilidade da ESTIVAL (item 8.1.2.5); n) O controle de todo o pessoal, sejam eles empregados registrados na PS BARBOSA ou na DM de SOUZA era realizado por um único departamento de recursos humanos que estava localizado no endereço das empresas, da mesma forma o controle da produção também era feito pela ESTIVAL (item 9.1.); o) A ESTIVAL fornecia lanches aos empregados registrados na PS BARBOSA e DM DE SOUZA (item 9.3); p) Para efetuar pagamentos as duas empresas recebiam da ESTIVAL, por meio de transferência eletrônica, valores que são creditados em suas contas correntes em montante igual ao da folha de salários, acrescidos apenas de um pequeno valor para cobrir as despesas de movimentação bancária cobradas (Item 9.6.4.1.) A partir da análise dos 16 itens colacionados acima, é de concluirse que se está diante da utilização de interpostas pessoas optantes pelo simples, à fim de a empresa evadirse do pagamento das contribuições previdenciárias (parte patronal). A utilização dessa manobra não é particularidade do presente caso, já foi julgado por esta turma, da mesma forma, nos autos do processo 11065.003161/201005, na sessão de 17 de outubro de 2012, que resultou na prolatação do acórdão 2403001.686, que restou assim ementado: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 8 13 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 28/02/2010 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Não há cerceamento de defesa para o indeferimento de requerimentos genéricos de produção de prova. Recurso Voluntário Provido em Parte A prática dessa manobra é recorrente, tendo gerado, inclusive, estudo doutrinário exclusivo ao tema, de autoria da Conselheira Ana Maria Bandeira, no Livro Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, São Paulo: MP Editora, 2012, p. 158/159, de coordenação do Conselheiro Elias Sampaio Freire e deste conselheiro redator deste voto, in verbis: “Quanto à utilização de interpostas pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES para concentrar a mão de obra necessária ao processo produtivo das empresas originárias, o lançamento da contribuição patronal se dá em face da conduta simulada que se verifica. (...) Escudada no princípio da verdade material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio, pois, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.” Por esses motivos, concluise que de fato houve simulação por parte da Recorrente, razão pela qual deve o lançamento ser mantido. Como restou comprovada a simulação, as matérias preliminares restaram prejudicadas. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Verificase que a autoridade fiscal realizou um comparativo entre multas tendo em vista o advento da MP 449/08 e da Lei 11.941/09, até a competência de novembro de 2008, tendo aplicado apenas a multa de mora, no entanto, erroneamente, no patamar de 24%, merecendo assim, reforma, conforme os motivos abaixo. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Fl. 503DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001761/200916 Acórdão n.º 2403002.856 S2C4T3 Fl. 9 15 Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar parcial provimento, para determinar o recálculo da multa aplicada, nos termos do art. 35 caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96). Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002272/99-65
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal.
Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data da formalização.
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator.
EDITADO EM: 16/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Recurso provido em parte.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13603.002272/99-65
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437754
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.894
nome_arquivo_s : Decisao_136030022729965.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 136030022729965_5437754.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5844987
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702242066432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 684 1 683 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.002272/9965 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.894 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2014 Matéria Contribuição para o PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida RECOLL PEÇAS LTDA. EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 22 72 /9 9- 65 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 2 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (efls. 647/656), em face do Acórdão n° 0203.785 (efls. 640/643), proferido pela 2a. Turma da CSRF, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1989 a 31/10/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N. 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito do PIS recolhido com base nos DL n. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, se iniciou com a publicação da Resolução n. 49/95 do Senado. Recurso especial negado.” (efl. 640). A Recorrente aponta como paradigma os Acórdãos 0400.810 e 930300.080, proferidos respectivamente pelas 4a. e 3a. Turmas da CSRF, que restaram assim ementados: Acórdão 0400.810: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” Fl. 685DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13603.002272/9965 Acórdão n.º 9900000.894 CSRFPL Fl. 685 3 * * * Acórdão 930300.080: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 660/661, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de efls. 665/671. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 660/661. De fato, o acórdão recorrido decidiu que o prazo para restituição de tributo pago indevidamente a título de PIS com base nos Decretosleis 2.445 e 2.449 deve ser contado a partir da Resolução do Senado que suspendeu a eficácia do dispositivo declarado inconstitucional. Por sua vez, o acórdão paradigma, analisando questão fática praticamente idêntica (prazo para restituição de tributo pago indevidamente (ILL) com base em declaração de inconstitucionalidade do STF igualmente objeto de resolução do Senado), entendeu que deve ser aplicado ao caso o artigo 168, I, do CTN, independentemente da decisão do STF. Conheço, portanto, do recurso extraordinário. No mérito, devese salientar que a questão acerca da constitucionalidade da aplicação retroativa prevista no art. 4º da LC n.º 118/05 que trata do termo “a quo” para contagem do prazo de restituição/repetição do indébito já restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC Fl. 686DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 4 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF, Tribunal Pleno, RE 566.621, Relatora Min. ELLEN GRACIE, julgado em 04/08/2011, DJe195, DIVULG 10102011, PUBLIC 11102011, EMENT VOL0260502, PP00273). Em síntese, restou decidido que a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos, contado do pagamento antecipado, só se aplica às ações ajuizadas após o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, respeitado, ainda, o decurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Assim, para as ações ou pedidos propostos anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é o de 10 (dez) anos, contado da data do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5). Pois bem, referido julgado se deu pela sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 687DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13603.002272/9965 Acórdão n.º 9900000.894 CSRFPL Fl. 686 5 Portanto, nos termos do dispositivo supra, deve ser aplicado o referido julgado do STF ao caso concreto, nos termos, aliás, da jurisprudência deste Pleno da CSRF: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (Resp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, Dje 18/12/2009). Recurso Extraordinário Negado.” (CARF, Pleno, Processo 13882.000035/0059, Acórdão 9900000.850, Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, j. 09.12.2013). No presente caso, o pedido de restituição foi formulado em 08 de novembro de 1999, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1989 (efls. 08 e seguintes). Assim, nos termos da jurisprudência do STF, o pedido de restituição deve abranger os 10 (dez) anos anteriores a novembro de 1999, ou seja, todos os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1989. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para reconhecer a prescrição do pedido de restituição das parcelas cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a novembro de 1989, sem retorno dos autos, pois a questão do mérito já foi enfrentada pelos órgãos a quo. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 6 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000845/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/12/2007
FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/12/2007 FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. Decisão Recorrida Nula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13637.000845/2007-45
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436448
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.905
nome_arquivo_s : Decisao_13637000845200745.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 13637000845200745_5436448.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5842936
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702245212160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 353 1 352 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13637.000845/200745 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.905 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CENTRO EDUCACIONAL NASCIMENTO BARBACENA LTDA SUCESSORA DE COLÉGIO DARWIN DE BARBACENA LTDA E ORGANIZAÇÃO DE ENSINO PALOMAR ALCIDES FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/12/2007 FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 45 /2 00 7- 45 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13637.000845/200745 Acórdão n.º 2401003.905 S2C4T1 Fl. 354 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 19.987 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.119.0274. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 18/28, a lavratura em questão referese a aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Segundo a autoridade fiscal a empresa deixou de declarar os seguintes fatos geradores: a) Deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, a diferença de remuneração entre os valores lançados nas folhas de pagamento e o total de número de horas aulas ministradas constantes dos diários de classe e das grades curriculares planilha ANEXO I (Valor d Remuneração ds Professores Conforme Salário Aula Mensal de acordo com a Grade Curricular e Convenção Coletiva De Trabalho) cuja diferença foi apurada tal como demonstrado no ANEXO II (Valor da Remuneração dos Professores conforme Salário Aula Mensal de Acordo com a Grade Curricular e Convenção Coletiva de Trabalho menos Valores Conforme Folha De Pagamento), também deixou de informar a remuneração de alguns empregados relacionados nas folhas de pagamento conforme planilha ANEXO III (Segurados Folhas de Pagamento não Informados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social), cujos anexos passa afazer parte do presente relatório. Estes fatos geradores dizem respeito ao Colégio Darwin de Barbacena; b) Valores da remuneração dos professores lançados nas folhas de pagamentos do período 02/2000 a 04/2005 e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP do período 01/2000 a 02/2006. Tais valores não correspondiam aos valores e total de número de horas aulas ministradas conforme consta das grades curriculares, em conformidade com os cursos autorizados pela Superintendência Regional de Ensino de Barbacena. O fisco noticia que a imputação fiscal foi direcionada para o Centro Educacional Nascimento Barbacena Ltda EPP em razão deste ter incorporado o Colégio Darwin de Barbacena e a Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda, inclusive sem interrupção das atividades pedagógicas, posto que os alunos continuaram a frequentar as aulas, vinculandose a partir da incorporação ao Centro Educacional Aprendiz EPP, antiga razão social do sujeito passivo. São apresentados todas as circunstâncias em que se deu a sucessão de empresas. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Cientificado do lançamento em 12/12/2007, a notificada ofertou impugnação de fls. 124/139, apresentando em síntese os seguintes pontos: a) a empresa impugnante não adquiriu a unidade econômica do Palomar, nem continuou a exercer as mesmas atividades daquele, salientandose ainda que a atividade do Palomar era de suplência e a do impugnante é de cursos técnicos; b) também inexistiu transferência compulsória de alunos, posto que estes poderiam optar por outras escolas; c) menciona reclamatórias trabalhistas em que os reclamantes não obtiveram êxito; d) o imóvel onde funcionara o Palomar fora locado em 10 de fevereiro de 2006 junto à sua proprietária, vez que o mesmo tinha sido desocupado; e) o Palomar é uma empresa que ainda está ativa, porém sem movimento, sendo que o corpo discente não foi abrangido/abarcado pela impugnante. Os autos foram baixados em diligencia para verificação da situação da empresa sucedida (folha 304). À folha 310, foi exarado, pela Seção de Fiscalização da DRF Juiz de Fora, o seguinte despacho: "Em atendimento às informações de fls 304 a 306 cumpre esclarecer que conforme consulta ao SISCOL consta a vinculação do CNPJ da sucessora (Centro Educacional Nascimento Barbacena Ltda) com a sucedida Colégio Darwin de Barbacena Ltda cópia juntada às fls 145 e com a sucedida Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda cópia juntada às ƒls 146. Conforme consulta ao PLENUS cópia juntada às fls 309, referente paralisação de atividades do Colégio Darwin de Barbacena Ltda em 30/04/2006 e Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda em 31/03/2006." Sem que o sujeito passivo fosse cientificado da existência deste pronunciamento do fisco, foi exarada a decisão de primeira instância, afastando em razão da decadência a multa relativa às competências anteriores a 12/2001. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, lançou os mesmos argumentos da defesa para comprovar que não tem legitimidade para figurar no polo passivo do presente lançamento. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13637.000845/200745 Acórdão n.º 2401003.905 S2C4T1 Fl. 355 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do cerceamento ao direito de defesa No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência para que para que a autoridade lançadora se pronunciasse acerca da documentação exibida pelo impugnante em sede de defesa. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldado nos seguintes termos: "Em atendimento às informações de fls 304 a 306 cumpre esclarecer que conforme consulta ao SISCOL consta a vinculação do CNPJ da sucessora (Centro Educacional Nascimento Barbacena Ltda) com a sucedida Colégio Darwin de Barbacena Ltda cópia juntada às fls 145 e com a sucedida Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda cópia juntada às ƒls 146. Conforme consulta ao PLENUS cópia juntada às fls 309, referente paralisação de atividades do Colégio Darwin de Barbacena Ltda em 30/04/2006 e Organização de Ensino Palomar Alcides Ferreira Ltda em 31/03/2006." Com efeito, prestouse tal parecer de alicerce para o livre convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de 1ª Instância, que culminou na declaração de procedência da lavratura. É o que se pode ver de excerto do acórdão recorrido: "Observese que consta da Ata 28/2006, folha 181, que o Sr. Luis Henrique, diretor do Colégio Professor Alcides Ferreira (conforme Ata 27/2006, folha 178; e Relatório Fiscal, folha 22), iria "solicitar o encerramento das atividades do Colégio Palomar". Consta do Relatório Fiscal de folha 22 que suas atividades foram paralisadas e o cadastro previdencidrio (folha 309) também informa a paralisação, o que exclui a responsabilização subsidiária do adquirente." Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse ter sido o sujeito passivo em tela devidamente cientificado da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verifica Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 se ter lavrada a decisão administrativa ora guerreada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais se prestaram na fundamentação da Decisão discutida, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório além de supressão de instância eis que a contradita do sujeito passivo ficou reservada, tão somente, à instância recursal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Acórdão combatido, com fulcro no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, para ciência da recorrente do teor da Informação Fiscal a fl. 147, devendo ser reaberto o prazo normativo para se manifestar nos autos. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância, devendo ser conferido à recorrente o direito de se manifestar acerca do resultado da diligência em realce. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723086/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. CONCEITO.
Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel. Sempre tomando-se por base as quantidades do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. CONCEITO. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel. Sempre tomando-se por base as quantidades do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.723086/2009-62
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5431242
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2102-003.243
nome_arquivo_s : Decisao_11080723086200962.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 11080723086200962_5431242.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5827061
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702278766592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2218; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 189 1 188 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723086/200962 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.243 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria ITR Arbitramento de VTN Recorrente CLAUDIO LUIZ SPERB Espólio Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. CONCEITO. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel. Sempre tomandose por base as quantidades do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 30 86 /2 00 9- 62 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723086/200962 Acórdão n.º 2102003.243 S2C1T2 Fl. 190 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra CLAUDIO LUIZ SPERB Espólio foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 14/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda da Divisa, com área total de 489,9 ha (NIRF 0.515.6203), relativo ao exercício 2007, no valor de R$ 158.115,38, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 19/11/2009. As infrações imputadas ao contribuinte foram glosa total da área de pastagens e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT) – R$ 5.037,99/ha: ITR 2007 Declarado Apurado na Notificação 14Área de Pastagens 463,9 ha 0,0 ha 23Valor da Terra Nua R$ 979.800,00 R$ 2.319.171,90 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para reconhecer uma área de pastagem de 314,4 ha, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0425.635, de 15/08/2011, fls. 156/170. Cientificado da decisão acima referida, por via postal, em 13/09/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 176, o contribuinte apresentou, em 11/10/2011, recurso voluntário, fls. 178/182, onde requer o a seguir transcrito: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723086/200962 Acórdão n.º 2102003.243 S2C1T2 Fl. 191 3 a) A nulidade dos lançamentos realizados, com a reabertura do prazo para apresentar a documentação regulatória, visto que o lançamento ocorreu dentro do prazo para defesa. b) Superado o requerimento acima, requer a redução do VTN com base no valor real da propriedade e do valor das benfeitorias e a redução do grau de utilização em razão das pastagens e da lotação utilizada. c) A nulidade da aplicação de ônus de mora, visto que não restou oportunizado ao contribuinte a possibilidade de quitação espontânea do débito. É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723086/200962 Acórdão n.º 2102003.243 S2C1T2 Fl. 192 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido, esclarece que a Notificação de Lançamento foi lavrada antes de decorrido o prazo concedido, durante o procedimento fiscal, para a apresentação de documentos comprobatórios das informações prestadas na Declaração de ITR. Inicialmente é importante dizer que não foi acostado aos autos o AR correspondente à ciência do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal, fls.10. Todavia, verificase que o Termo foi lavrado em 14/09/2009, sendo concedido ao contribuinte um prazo de vinte dias para o atendimento da intimação. Já a Notificação de Lançamento, fls. 14, foi lavrada em 23/11/2009,com ciência postal em 01/12/2009, AR, fls. 148. Como se vê, entre as datas de lavratura do Termo de Intimação e da Notificação de Lançamento transcorreram exatos setenta dias, de modo que é bastante provável que a Notificação de Lançamento somente foi lavrada depois de já vencido o prazo para a apresentação dos documentos solicitados. Por outro lado, devese dizer que não há nos autos comprovação da alegação da defesa de que Dentro do prazo, providenciou a documentação solicitada, todavia, ao se dirigir a Receita Federal para entrega dos documentos comprobatórios foi informado pelo funcionário, Sr. David, que não poderia ser entregue a documentação pois o processo já havia sido encaminhado para a realização dos respectivos lançamentos. A defesa, embora faça tal afirmação, não juntou aos autos nenhum documento que demonstre a tentativa de apresentação dos documentos, tampouco da data em que tal fato, por ventura, tenha ocorrido. Contudo, ainda, que prevalecesse a afirmação da defesa, tal ocorrência não ensejaria a nulidade do lançamento, posto que, cientificado da Notificação, o contribuinte teve o prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação, que deveria vir acompanhada de todos os documentos pertinentes à sua defesa. Logo, não restou configurado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, nos termos em que disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Ou seja, a Notificação de Lançamento foi lavrada por autoridade fiscal competente e no momento da apresentação da impugnação foi oportunizado ao contribuinte juntar aos autos todos os documentos, de que dispusesse, como de fato o fez, sendo certo que a referida documentação foi analisada pela autoridade de primeira instância, quando da apreciação da impugnação. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723086/200962 Acórdão n.º 2102003.243 S2C1T2 Fl. 193 5 No mérito, temse que o lançamento cuida de glosa da área de pastagem e arbitramento do valor da terra nua (VTN). No que se refere à glosa da área de pastagem, temse que, calcada nos documentos juntados aos autos pela defesa, a decisão recorrida reconheceu uma área de pastagem de 314,4 ha, nos seguintes termos: Prova da Área de Pastagem Extraise da DITR apresentada pelo impugnante a informação de que no exercício em questão existia área de pastagem de 428,9ha, a qual comportaria, segundo declarado, 545 animais de grande porte e zero animais de pequeno porte. Nessa fase processual, o interessado apresenta "ficha registro de vacinações e movimentação de bovinos ou bubalinos" (1. 4041) como prova do rebanho declarado, além de laudo técnico de avaliação de benfeitorias e de pastagem. 0 laudo técnico apresentado não tem eficácia para provar o alegado porque não se reporta ao exercício 2007, e sim, referese A realidade existente no ano de 2009. Já as fichas registro de vacinação e movimentação de gado, juntadas aos autos, que são contemporâneas aos fatos declarados, constituem provas eficazes para comprovação do rebanho apascentado no imóvel. Das referidas fichas extraise que no ano de 2006 existiam, em média, 283 cabeças de animais, conforme demonstrativo abaixo: 11/01/2006 343 29/08/2006 270 07/11/2000 237 Média 283 A área de pastagem utilizada, para fins de calculo do grau de utilização do imóvel, está sujeita à aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,90 (zero noventa) cabeça de animais de grande porte por hectare, fixado para a região onde se situa o imóvel, conforme anexo I da IN/SRF n° 256/2002, observado o art. 25 dessa mesma Instrução Normativa, conforme previsto na alínea "b", inciso V, art. 10, da Lei n° 9.393/96. Nos termos da legislação citada, a área efetivamente utilizada com Atividade Pecuária, a ser considerada para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área calculada, obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada 283 e o índice de lotação mínima 0,90 o que resulta na área de 314,4ha. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723086/200962 Acórdão n.º 2102003.243 S2C1T2 Fl. 194 6 Sob este aspecto, tal decisão não merece ser modificada, posto que o contribuinte nada acrescentou em seu recurso sobre o tema, limitandose a afirmar que a ficha da inspetoria veterinária aponta que no ano de 2007 a propriedade possuía mais de 400 bovinos. Ocorre que, conforme disposto art. 10, § 1º, inciso V e § 6º da Lei nº 9.393, de 1996, a área efetivamente utilizada pela atividade rural é a porção da área aproveitável do imóvel rural que, no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, tenha servido de pastagem. Assim, para o exercício 2007, devese tomar o número de cabeças de gado existentes em 2006 e não em 2007, conforme pretende o recorrente. No que tange ao arbitramento do VTN, tem se que foi realizado, conforme disposto no art. 14 da Lei nº 9.393 de 1996. Em sua DITR/2007, o contribuinte informou VTN de R$ 979.800,00 (R$ 2.000,00/ha) e foi intimado a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 10, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II ou III e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que o contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do VTN em R$ 2.468.111,30 (R$ 5.037,98/ha), utilizando valor extraído do SIPT. No recurso, o contribuinte requer a redução do VTN, com base no valor real da propriedade e do valor das benfeitorias. Todavia, tal pedido vem desacompanhado do competente Laudo de Avaliação do imóvel em questão. Destaquese que o Laudo de Avaliação de Benfeitorias e Pastagens, fls. 56 e seguintes, apresentado pela defesa, não se presta para a comprovação do VTN declarado, posto que, conforme art. 8º, § 2º e art. 10, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.393, de 1996, o valor da terra nua é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Nestes termos, considerando que o contribuinte não comprovou o VTN declarado, pois deixou de apresentar o laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.653 da ABNT, há de prevalecer o arbitramento do VTN, nos moldes em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Por fim, no que concerne à alegação da defesa de que não foi oportunizada ao contribuinte a possibilidade de quitação espontânea do débito, com dispensa da multa, cumpre dizer que não há disposição legal nesse sentido. A multa de ofício foi aplicada nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723086/200962 Acórdão n.º 2102003.243 S2C1T2 Fl. 195 7 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal apurou falta de pagamento de ITR em decorrência da infração a ele imputada. Logo, o contribuinte está sujeito à imposição da multa de 75%, que deve prevalecer, posto que a legislação de regência assim prevê, nos casos de lançamento de ofício. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
