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Numero do processo: 10925.907262/2012-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 62 /2 01 2- 71 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 4.639,76, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/10/2003. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907262/201271 Acórdão n.º 3803005.763 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907262/201271 Acórdão n.º 3803005.763 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907262/201271 Acórdão n.º 3803005.763 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.905267/2009-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/05/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que convertia o processo em diligência para apuração do crédito. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que convertia o processo em diligência para apuração do crédito. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 67 /2 00 9- 27 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 84 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 85 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I/SP, abaixo transcrito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP n 05977.39059.151206.1.3.045714 fls. (06 a 09) relativa ao pagamento indevido ou maior de P1S/PASEP, no montante dc R$ 6.617,95, ocorrido em 15/04/2005. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 15/12/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fls. 1, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito para tanto. Esclarecido no item 3 do referido Despacho de fls. 1 que para o DARF indicado no PER/DCOMP em questão foi localizado o pagamento devidamente identificado no mesmo campo (Débito código 6912 PA 31/03/2005), integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em apreço. Inconformado, o Contribuinte impugnou o Despacho Decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 11, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Informa o pagamento indevido e o pedido de compensação; as compensações prévias realizadas e o crédito que entende restante, conforme PER/DCOMP e documentos que anexa (cópias do Despacho Decisório; da procuração; do documento pessoal. do outorgado; da alteração com consolidação do contrato de trabalho; do comprovante de arrecadação do valor indevidamente pago e do PER/DCOMP). Ao final, requer seja acolhida a sua manifestação de inconformidade com o cancelamento da cobrança. Analisando o litígio, a DRJ São Paulo I/SP julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Dato do lato gerador: 15/04/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 86 4 É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do credito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP) Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, invocando o princípio da Verdade Material, que retificou as suas declarações e que, com base Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 87 5 nelas, é possível aferir o seu direito creditório. Além da DCTF retificada, junta documentos para comprovar as suas alegações. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 88 6 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, o contribuinte formulou pedido de compensação, no qual indicou supostos créditos de valores pagos indevidamente ou a maior, para o pagamento de débitos administrados pela Receita Federal do Brasil. Após a não homologação das compensações, por não ter sido detectado o crédito apontado pelo contribuinte, este apresentou Manifestação de Inconformidade. A douta Delegacia de Julgamento, por sua vez, negou provimento àquela, sob o argumento de que no momento do encontro das contas, o contribuinte não tinha o crédito indicado. Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou a sua DCTF, o que, a princípio, lhe gerou um crédito passível de liquidar os débitos apontados no pedido de compensação. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de São Paulo I (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 89 7 formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 90 8 processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 91 9 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, as declarações retificadas pelo Recorrente, bem como os demais documentos por ele acostados aos autos. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF, é que se poderá ter certeza de que os créditos indicados no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos, como pretendeu a Recorrente. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos, voto por converter o julgamento em diligência à DRF para: 1. Com base nas declarações retificadas pelo Recorrente e demais documentos que entender necessários, apurar a existência dos créditos e se esses são passíveis de liquidar o débito apontado no pedido de compensação; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 92 10 Voto Vencedor Sidney Eduardo Stahl – Relator designado Apesar do excelente voto da relatora, ouso dele discordar. Tenho que em geral a retificação da DCTF obrigaria a autoridade fazendária a fazer prova contrária ao seu conteúdo, no entanto, estamos diante de um pedido de compensação e nesse caso entendo que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.905267/200927 Acórdão n.º 3801002.217 S3TE01 Fl. 93 11 Ante o acima exposto, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator designado Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10860.004837/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41). Hipótese em que a contribuinte apresenta ADA protocolado intempestivamente e consta documentação complementar emitida por órgão de controle ambiental indicando a existência de APP.
DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS.
Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente (APP) de 5.324,0 ha, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41). Hipótese em que a contribuinte apresenta ADA protocolado intempestivamente e consta documentação complementar emitida por órgão de controle ambiental indicando a existência de APP. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente (APP) de 5.324,0 ha, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 48 37 /2 00 3- 11 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 225 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 20/11/2003, o Auto de Infração de fl. 84 e ss., pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 341.326,82, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, do exercício de 1999, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 255.995,11 e mais juros de mora, calculados pela Taxa Selic, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Ponte Alta”, cadastrado na RFB sob o nº 43625240, com área declarada de 5.324,0 ha, localizado no Município de Cunha/SP. O Auditor Fiscal relatou, no Lançamento, em suma, que apurou a falta de recolhimento do ITR, considerando que a Receita Federal, no ano de 2001, intimou a contribuinte a comprovar legalmente as áreas isentas, com a apresentação de documentação comprobatória da área pleiteada em sua declaração de ITR como de Utilização Limitada ou de Preservação Permanente (5.324,0 ha), Declaração do IBAMA atestando se o imóvel encontra se totalmente inserido no Parque Nacional da Serra da Bocaina. Relatou ainda que, em resposta, a contribuinte juntou Atos Declaratórios Ambientais – ADA protocolados no Ibama em 03 de abril de 2001 e 06 de dezembro de 2001; vários documentos que informam que o referido imóvel encontrase totalmente dentro de Parque ambiental, requerimento solicitando laudo ao Ibama, com cópia de comprovante de pagamento do tributo, certidões de registro relativas ao imóvel. (fl. 89) A Fiscalização informa também que esse imóvel incidiu em revisão interna, no parâmetro relativo a áreas de preservação permanente e utilização limitada, nos exercícios de 1997 e 1998. E faz constar no Termo de Verificação a seguinte informação: “...da análise da Malha Valor do exercício de 1998, entendendo esta fiscalização que o imóvel se encontra inserido dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, conforme Certificados do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal de 1972, 1981 e 1984, agora novamente trazidos aos autos (fls. 13/14, 18/19) e tendo em vista a Norma de Execução COFIS/CORAT n g 03, de 18/12/2001, entendemos à época serem documentos suficientes para a comprovação de restrição de produção na área, concluindo pela ratificação da DITR/1998 (fls. 40/43)”. No entanto, informa que “novos subsídios”, quais sejam a Solução de Consulta Interna nº 12, de 21/05/2003 e a Norma de Execução COFIS, de março de 2003, não deixaram dúvidas quanto à exigência do Ato Declaratório Ambiental, requerido dentro do prazo, além de outros documentos. O Termo de Verificação Fiscal passa então a analisar a documentação acostada pela contribuinte. Transcrevo em parte: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 226 3 O imóvel cadastrado na SRF sob n 2 4.362.5240 é imóvel em condomínio, ou seja, pertencente a diversas pessoas, sendo declarado no exercício de 1997 por Yolanda Castro de Magalhães, CPF 531.856.50778, porém nos exercícios de 1998 e 1999, a declarante foi América da Silva Magalhães, CPF 037.289.60730 (fls. 69/70), sendo que a partir do exercício de 2000 (f is. 71/73), a declarante passou a ser Carmen de Magalhães, CPF 037.284.47749, as quais segundo o preenchimento da ficha Condôminos dessas declarações possuem 25,0%, 12,5% e 12,5%, respectivamente. (...) Alegam os copossuidores do imóvel exaustivamente, que o imóvel está inteiramente inserido dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, trazendo inclusive os Certificados emitidos pelo IBDF, de 1972, 1981 e 1984 (fls. 14,18/19), a fim de confirmar o fato. Tendo em vista que o Parque Nacional da Serra da Bocaina foi instituído pelo Decreto n 2 68.172, de 04/02/1971, alterado pelo Decreto n 2 70.694, de 08/06/1972, na qual se constata no artigo 22 do Decreto de criação do Parque, que cabe, ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal IBDF, a jurisdição do Parque, sua instalação e administração, esses Certificados emitidos pelo IBDF em 1972, 1981 e 1984 seriam hábeis para comprovar a inserção do imóvel em tela no Parque Nacional da Serra da Bocaina? Considerando que esses Certificados emitidos pelo IBDF, órgão extinto, foram emitidos a cerca de 20 anos, julgamos não serem hábeis para certificar na data de 01/01/1999, data do fato gerador imposto, ora em análise de Malha Valor, as restrições pela Lei n 2 4.771/1965 Tendo em vista o tempo transcorrido da data dessas certificações pelo IBDF, muitas mudanças poderiam ter ocorrido no imóvel, que talvez até ensejassem em uma alteração de área do Parque Nacional, conforme aludido pelo IBDF em Ofício de 04/03/1977 (fls. 15/17). Isso posto, julgamos ser necessário a recepção, pelo IBAMA,=. Órgão responsável pelas atribuições anteriormente atribuídas ao IBDF, das restrições impostas ao imóvel. Como embasamento legal, fundamentouse a Fiscalização, para a exigência do ADA, nas seguintes normas infra legais: “A exigência do ADA tornouse obrigatória a partir do exercício de 1997, com a edição da IN SRF nº 43, de 07/05/1997, com a redação dada pela IN SRF n2 67, de 01/09/1997:” Inconformada, a contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 106 que, conhecida e analisada pela DRJ CAMPO GRANDE/MS, ensejou o pronunciamento do Julgador de 1ª instância para considerar procedente o lançamento, rejeitando as preliminares Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 227 4 argüidas e, no mérito, no seu entendimento, o ADA fora protocolado intempestivamente no IBAMA. Assim, consta do Voto condutor, fl. 171: “Verificase, assim, que o ato normativo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, por intermédio do ADA, fixou condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada e está claro que dentro de cada imóvel deve haver a informação especifica da parte reservada. 18. Esta exigência, como acima visto, consta do art. 10, § 4°, da Instrução Normativa IN/SRF n° 43/1997, com redação do art. 1°, II da IN/SRF n° 67/1997, publicadas com base na Lei n° 9.393/1996, onde se estabelece o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para o contribuinte protocolar o requerimento do ADA.Além disso, a área de reserva legal deve ser averbada, junto à matricula do imóvel, em data anterior à ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965. 19. Nos presentes Autos, a impugnante não comprovou o cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção. O ADA, anexado aos Autos (f. 11), foi entregue em 03 de abril de 2001. Por haver sido protocolizado fora do prazo previsto na legislação do ITR, não pode amparar as informações veiculadas na DITR/99.” Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que ensejou a Resolução nº 3021.404 proferida pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 12 de setembro de 2007. (fl 197) Entenderam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em Diligência. Isso porque o Relator, em seu voto, assim dispôs: O presente processo administrativo carece de esclarecimentos, ao meu sentir, para que possa ser bem julgado. Notase que no exercício de 1998, os documentos ora anexados a este expediente foram suficientes para a comprovação de restrição à produção rural no imóvel, inclusive sendo ratificada a DITR/98 (fls. 40/43). Nada obstante, conforme diz a i. autuante, à fl. 84, com o recebimento de novos subsídios, quais sejam, a Solução de Consulta Interna n°12, de 21/05/2003, bem como a Norma de Execução COFIS relativa ao exercício de 1999, de março de 2003, não restaram dúvidas quanto à exigência do Ato Declaratório Ambiental requerido dentro do prazo, bem como da apresentação dos demais documentos exigíveis (...) Pois bem, tais subsídios devem ser trazidos ao processo, para conhecimento de todos, e principalmente da recorrente, que querendo, poderá se manifestar acerca dos subsídios que fizeram a Administração Tributária mudar o seu entendimento acerca da situação do seu imóvel. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 228 5 Assim é que oriento meu voto no sentido de converter o julgamento ém diligência, para que a autoridade preparadora da unidade de origem tome a seguinte providência: a) junte aos autos os subsídios aludidos supra, e intime a recorrente a manifestarse sobre eles, num prazo de 30 dias, em homenagem ao princípio do contraditório e da ampla defesa; A diligência foi providenciada, anexandose aos autos os documentos de fls. 209 – Solução de Consulta Interna nº 12 da Cosit (Coordenação Geral de Tributação da RFB), de 21 de maio de 2003 e de fls. 214 – Norma de Execução Cofis (Coordenação Geral de Fiscalização da RFB) nº 001, de 07 de maio de 2003. Foi dada ciência à contribuinte, reabrindolhe o prazo para manifestação, que não ocorreu. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e já foi conhecido por esta instância recursal em data anterior, conforme relatado. Destaco que o arrolamento de bens para seguimento de recurso administrativo não é mais necessário, a teor da Súmula Vinculante nº 21 do STF, devendo a Unidade de origem adotar as providências necessárias para seu cancelamento. Tratase de “posse a justo título”, em conjunto, tendo sido a DITR em questão apresentada por América da Silva Magalhães que, falecida em 10 de maio de 2000, passou a ser representada por sua irmã Carmem de Magalhães, conforme Certidão de fls. 164/5. Entendo que não são necessárias mais diligências ou perícias, além das que já foram determinadas anteriormente. No momento, a discussão sobre a matéria cingese a questões formais para o reconhecimento ou não do direito à isenção de áreas definidas como de preservação permanente. Observo que parece haver confusão no que tange à classificação as áreas objeto do litígio, que a Instrução Normativa SRF nº 43/1997, art. 1º, tratou de discriminar. Vejamos: a) São áreas de preservação permanente as ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965: I com o fim de proteção aos cursos d'água, lagoas, nascentes, topos de morros, restingas e encostas; II declaradas por ato do Poder Público, destinadas a atenuar a erosão, fixar dunas, formar faixas de proteção ao longo de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 229 6 rodovias e ferrovias, auxílio à defesa nacional, proteção de sítios de excepcional beleza, de valor científico ou histórico, asilos de fauna e flora, de proteção à vida e manutenção das populações silvícolas e para assegurar o bemestar público. b) São áreas de utilização limitada: I as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas, de domínio privado, declaradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, mediante requerimento do proprietário, conforme previsto no Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996; II as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsto no art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c", da Lei nº 9.393, de 1996; III as áreas de reserva legal, descritas no art. 16 e seus parágrafos e no art. 44, parágrafo único, da Lei nº 4.771, de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. MÉRITO. Façamos breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (sublinhei) Natureza da isenção. Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO. INAPLICABILIDADE ATÉ O EXERCÍCIO DE 2000. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 230 7 Considerando tratarse aqui do exercício de 1999, cujo fato gerador do tributo ocorreu em 1º de janeiro daquele ano, a jurisprudência deste CARF já se orientou no sentido de não ser exigível o ADA, uma vez que até o exercício de 2000, inclusive, não havia lei stricto senso que o subsidiasse. A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar também que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. Entretanto, considerando a Súmula CARF nº 41, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, não há que se falar em desconsideração de área de preservação permanente por apresentação de ADA intempestivo, para os exercícios anteriores a 2000, inclusive: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 231 8 “Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Desta feita, a alteração procedida pelo Auditor Fiscal na Área de Preservação Permanente declarada, de 5.324,0 há, exclusivamente porque constatou que não fora apresentado ADA no prazo de até seis meses após a apresentação da DITR ao IBAMA, conforme a “descrição dos fatos” integrante do Auto de Infração/ Termo de Verificação Fiscal, não pode subsistir. Apesar de ter declarado a área como “reserva legal” e nos ADA ter informado como “preservação permanente” e “interesse ecológico”, ao mesmo tempo, a área total do imóvel, de 5.324,0 há, o documento de fl. 135, emitido pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF, diz tratarse de uma área de “PRESERVAÇÃO PERMANENTE”. No documento de fl. 136, certificase que o imóvel encontrase totalmente dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaína. O Auditor Fiscal, ciente desses documentos, inclusive registrou que para o exercício de 1998 considerouos para fins de “ratificação da DITR”. Porém, considerando os atos normativos internos da RFB, para 1999 reputou imprescindível a apresentação tempestiva do ADA e entendeu que como tratavamse de documentos expedidos há vários anos, “muitas mudanças poderiam ter ocorrido no imóvel”. Bem, entendo que o transcurso do prazo não pode levar a Fiscalização a suspeitar dos documentos, que para o exercício anterior considerou válidos para os mesmos fins. E, caso julgasse necessário, deveria ter verificado sua autenticidade e validade junto ao órgão emissor ou seu sucessor. Quanto aos atos normativos que trouxeram “novos subsídios” a formar o juízo da Autoridade Fiscal que efetuou a glosa da área declarada como isenta, e que vieram aos autos a partir da Resolução pela realização de diligência, observase que concluem pela “exigência do ADA”. Conforme o Decreto 70.235/1972, art. 59, § 3º, podendo decidir o mérito em favor do contribuinte recorrente, deixo de analisar as questões de cunho formal levantadas pelo recurso. Assim, considerando tratarse do exercício de 1999, que a motivação da glosa da área de preservação permanente (APP) declarada foi a apresentação intempestiva do ADA, e a manifestação do IBDF que define a área total do imóvel como de preservação permanente, inserida em Parque de proteção ambiental, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente (APP) o total de 5.324,0 ha. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10860.004837/200311 Acórdão n.º 2801003.250 S2TE01 Fl. 232 9 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18 /11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 19647.003354/2007-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencida a Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva, que dava provimento parcial para reduzir a multa isolada para R$ 19.500,00. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencida a Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva, que dava provimento parcial para reduzir a multa isolada para R$ 19.500,00. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 19, com a exigência do crédito tributário no valor de R$65.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 01.03.2007 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 28.02.2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 03 35 4/ 20 07 -1 3 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 43 2 Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0205, com as alegações a seguir transcritas: Foi lavrada contra a Requerente Notificação de Lançamento, uma vez que a mesma não havia supostamente cumprido obrigação tributária acessória, apresentando a DIMOB com atraso. Todavia, a Notificação de Lançamento lavrada contra a Requerente não pode prosperar, tendo em vista que tanto a obrigação tributária acessória não está legalmente prevista, contrariando o rígido principio da legalidade que vige em matéria tributária. Com efeito, segundo dispõe a Constituição Federal, em seu Art. 5°, inciso II, "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Mais adiante dispõe o art. 150, I, da Carta Magna [...]. Ora, verificasé do mencionados dispositivos constitucionais que qualquer obrigação tributária somente poderá ser exigida quando prevista em lei, o que não acontece no presente caso. A alegada obrigação de apresentação da DIMOB foi instituída com base em delegação legislativa prevista no Art. 16 da Lei n°9.779/1999 [...]. A delegação legislativa não é permitida em nosso atual sistema jurídico, não podendo a administração ir além do que está na lei. Para ser exigível tanto o cumprimento da obrigação tributária acessória como o pagamento da multa decorrente do seu não cumprimento, é imperiosa a existência de lei. Assim, não estando a obrigação tributária acessória prevista em lei, não é devida a penalidade pecuniária pelo seu suposto descumprimento, posto que não estava, por força de lei, obrigada a apresentar a DIMOB. Vale por fim ressaltar que, quando legalmente prevista e não cumprida a obrigação tributária acessória se transforma em obrigação principal, nos termos do Art. 113, § 30, do Código Tributário Nacional, pelo que se a obrigação acessória não estivesse subordinada ao principio da legalidade tributária, seria possível a criação de obrigação tributária principal mediante Instrução Normativa, Portarias e outros atos normativos infralegais, o que é um absurdo e não se coaduna com o sistema jurídico constitucional brasileiro. [...]Destaquese, finalmente, que o valor da multa é muito elevado, especialmente porque o atraso na apresentação da DIMOB, não representa qualquer prejuízo ou falta de recolhimento de tributos. Penalizar a Requerente em tão alto valor não justo. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 44 3 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Isto posto, requer se digne V. Sa. de declarar nulo e sem nenhum efeito a Notificação de Lançamento objeto desta impugnação, haja vista a ilegalidade e a inconstitucionalidade da instituição de obrigação tributária acessória por Instrução Normativa e não por lei, ferindo, desta feita, o principio da legalidade, por ser de inteira JUSTIÇA. N. termos. P. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 31.323, de 30.09.2010, fls. 2628: Impugnação Improcedente. Restou ementado: Assunto: Obrigação Acessória. Anocalendário: 2006 Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB. Multa por Atraso na Entrega. Espontaneidade Comprovada que a declaração foi entregue fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, é de ser manter a multa aplicada. Notificada em 07.05.2012, fl. 39, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.05.2012, fls. 3335, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta Foi lavrada contra a Requerente Notificação de Lançamento, uma vez que a mesma não havia supostamente cumprido obrigação tributária acessória, apresentando a DIMOB com atraso. A Recorrente apresentou tempestivamente defesa, porém a decisão recorrida manteve a integralidade do lançamento. Todavia, a decisão merece ser reformada. Em primeiro lugar, a Recorrente esclarece ser desnecessário apresentar qualquer garantia para admissibilidade do recurso, conforme decidiu o Egrégio Supremo Tribunal Federal. Com efeito, o STF decidiu ser inconstitucional condicionar o recebimento de recurso a prévia e efetiva garantia, por vulnerar o princípio da ampla defesa e do contraditória. Desta forma, deve o presente recurso ser processado, sem a necessidade de garantia prévia. Em segundo lugar, a Notificação de Lançamento lavrada contra a Requerente não pode prosperar, tendo em vista que tanto a obrigação tributária acessória não está Fl. 44DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 45 4 legalmente prevista, contrariando o rígido princípio da legalidade que vige em matéria tributária. Com efeito, segundo dispõe a Constituição Federal, em seu Art. 5o, inciso II, "ninguém se.á obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Mais adiante dispõe o art. 150, I, da Carta Magna [...]. Ora, verificase do mencionados dispositivos constitucionais que qualquer obrigação tributária somente poderá ser exigida quando prevista em lei, o que não acontece no presente caso. A alegada obrigação de apresentação da DIMOB foi instituída com base em delegação legislativa prevista no Art. 16 da Lei n° 9.779/1999 [...]. A delegação legislativa não é permitida em nosso atual sistema jurídico, não podendo a administração ir além do que está na lei. Para ser exigível tanto o cumprimento da obrigação tributária acessória como o pagamento da multa decorrente do seu não cumprimento, é imperiosa a existência de lei. Assim, não estando a obrigação tributária acessória prevista em lei, não é devida a penalidade pecuniária pelo seu suposto descumprimento, posto que não estava, por força de lei, obrigada a apresentar a DIMOB. Vale por fim ressaltar que, quando legalmente prevista e não cumprida a obrigação tributária acessória se transforma em obrigação principal, nos termos do Art. 113, § 3o, do Código Tributário Nacional, pelo que se a obrigação acessória não estivesse subordinada ao princípio da legalidade tributária, seria possível a criação de obrigação tributária principal mediante Instrução Normativa, Portarias e outros atos normativos infralegais, o que é um absurdo e não se coaduna com o sistema jurídico constitucional brasileiro. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Neste sentido assim decidiu os julgados abaixo transcritos: "Tribunal de Alçada Cível do Rio de Janeiro DIREITO FISCAL MANDADO DE SEGURANÇA – MATÉRIA TRIBUTÁRIA/MATÉRIA ADMINISTRATIVA LEGITIMIDADE/CARÊNCIA CUSTAS/SUCUMBÊNCIA APELAÇÃO CÍVEL 8711/95 Reg. 5822 Cod. 95.001.08711 SÉTIMA CÂMARA Unânime Juiz: RAUL CELSO LINS E SILVA Julg: 14/02/96 EMENTA TRIBUTÁRIO. IVVC. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS. INCABIMENTO. Rejeitadas as preliminares de ilegitimidade passiva e impetração contra lei em tese. Em matéria tributária, que não seja por lei, é ilegal e inconstitucional, a criação de obrigação acessória, por meio de decreto, resolução ou qualquer ato normativo. Não são devidos honorários advocatícios em mandado de segurança (Súmula 105, do STJ). Provimento parcial do apelo para excluir da condenação a verba honorária. Ementário : 32/96 Num. ementa : 41750" Tribunal de Alçada Cível do Rio de Janeiro DIREITO FISCAL APELAÇÃO CÍVEL 4013/92 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 46 5 Reg. 35061 Cod. 92.001.04013 SEXTA CÂMARA Unânime Juiz: LUIZ ODILON GOMES BANDEIRA Julg: 19/05/92 EMENTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Sendo de natureza tributária, só se torna legítima, se resultar da lei, Não pode instituíla decreto executivo, se a seu respeito nada dispõe a lei específica. Num. ementa : 35040" Tribunal de Justiça de São Paulo EMENTA MULTA Moratória Infração Sonegação de imposto Valor desmedido da pena Obrigação tributária acessória, ademais, sujeita à reserva legal Recurso provido para esse fim. Sendo a multa obrigação tributária acessória, deve haver previsão legal para sua exigência. (Relator: Egas Galbiatti Apelação Cível n° 213.994 2 Amparo 12.08.93)" Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 47 6 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 48 7 A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal5. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 6, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 5 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 6 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 7 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 49 8 No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). Até 05.12.2005 A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), cuja apresentação é obrigatória para as seguintes pessoas jurídicas: I construtoras ou incorporadoras, que comercializarem unidades imobiliárias por conta própria, que devem deverão identificar o adquirente e a unidade imobiliária comercializada, bem assim informar a data, o valor total da operação e o valor recebido no ano; e II imobiliárias e administradoras de imóveis, que realizarem intermediação de compra e venda ou de aluguel de imóveis em relação à intermediação de compra e venda de imóveis, identificar as partes contratantes, o imóvel objeto da venda, bem assim informar a data e o valor total da operação e o valor da comissão percebida pela intermediação, bem como em relação à intermediação de aluguel de imóveis, identificar as partes contratantes e o imóvel locado, bem assim informar o valor do aluguel percebido pelo locador e o valor da comissão percebida pela intermediação. A Dimob deve ser apresentada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, até o último dia útil do mês de março, em relação ao anocalendário anterior, por intermédio de aplicativo a ser disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br>. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; Fl. 49DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 50 9 II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. No período de 06.12.2005 a 29.12.2010 A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim apresentando apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; ou III constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. A Dimob deverá ser apresentada pelo estabelecimento matriz, em relação a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com as informações sobre: I as operações de construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, no ano em que foram contratadas; II os pagamentos decorrentes de locação e intermediação de locação ocorridos no ano, independentemente do ano em que essa operação foi contratada. A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. A partir de 20.12.2010 A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim apresentando as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 51 10 A Dimob deve ser apresentada pelo estabelecimento matriz, em relação a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com as informações sobre: I as operações de construção, incorporação, loteamento e intermediação de aquisições/alienações, no ano em que foram contratadas; II os pagamentos efetuados no ano, discriminados mensalmente, decorrentes de locação, sublocação e intermediação de locação, independentemente do ano em que essa operação foi contratada. A Dimob será entregue, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente ao que se refiram as suas informações, por intermédio do programa Receitanet disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Para a apresentação da Dimob referente aos fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 2010, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital, exceto para as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). O recibo de entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a Dimob no prazo estabelecido, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo com termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da Dimob ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração; II 5% (cinco por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta8. Além disso, na vigência da Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, da Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, ou da Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, o valor da multa era a mesma, ou seja, R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo com termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DIMOB. Ademais, em relação a esses atos administrativos normativos, quando foram formalmente revogadas, não houve expressamente interrupção de sua força normativa, de modo que com as alterações desses atos administrativos não houve inovação na matéria legislativa na ordem jurídica. Até 27.12.2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 52 11 caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). A partir de 28.12.2012, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea (a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Repisando, a partir de 28.12.2012 o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito a multa por apresentação extemporânea no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real. Não há nos autos comprovação de que a Recorrente tenha optado por regime de tributação diverso. Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: O presente Parecer Normativo cuida em analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. 2. Antes da publicação da Lei nº 12.766, de 2012, assim dispunha o art. 57 da MP nº 215835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 53 12 I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). Fl. 53DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 54 13 § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (e Lalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins Fl. 54DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 55 14 lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. 6.2. É de se questionar se houve revogação tácita dos arts. 7º e 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, na redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 2004, 11.727, de 2008, e 11.941, de 2009, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; do art. 7º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, do inciso II do art. 9º da Lei nº 11.371, de 28 de novembro de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, pelo novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. Segue a redação dos dispositivos: Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 55DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 56 15 III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1 Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2 Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Lei nº 10.637, de 2002: Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 57 16 I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1º O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2º As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3º Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Lei nº 8.212, de 1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 58 17 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Lei nº 9.393, de 1996: Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Lei nº 11.371, de 2004: Art.9oA inobservância do disposto nos arts. 1º e 8º desta Lei acarretará a aplicação das seguintes multas de natureza fiscal: I 10% (dez por cento) incidentes sobre o valor dos recursos mantidos ou utilizados no exterior em desacordo com o disposto no art. 1ºdesta Lei,sem prejuízo da cobrança dos tributos devidos; II 0,5% (cinco décimos por cento) ao mêscalendário ou fração incidente sobre o valor correspondente aos recursos mantidos ou utilizados no exterior e não informados à Secretaria da Receita Federal, no prazo por ela estabelecido, limitada a 15% (quinze por cento). §1ºAs multas de que trata o caput deste artigo serão: I aplicadas autonomamente a cada uma das infrações, ainda que caracterizada a ocorrência de eventual concurso; II na hipótese de que trata o inciso II do caput deste artigo: a)reduzidas à metade, quando a informação for prestada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; b) duplicada, inclusive quanto ao seu limite, em caso de fraude. §2ºCompete à Secretaria da Receita Federal promover a exigência das multas de que trata este artigo, observado o rito previsto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Lei nº 11.033, de 2004: Fl. 58DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 59 18 Art. 5º (...) § 2º O descumprimento do disposto neste artigo sujeita a entidade à multa de 30% (trinta por cento) do valor do imposto devido. 6.2.1. O novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, aplicase para qualquer declaração, demonstrativo ou escrituração digital, enquanto a Lei nº 10.426, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a Lei nº 10.637, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) e a Declaração de Operações com Cartão de Crédito (Decred), a Lei nº 8.212, de 1991, aplicase para a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a Lei nº 9.393, de 1996, aplicase para a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), a Lei nº 11.371, de 2004, aplicase para a Declaração sobre a Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento de exportações (Derex) e a Lei nº 11.033, de 2004, aplicase para a Declaração de Transferência de Titularidade de Ações (DTTA). 6.2.2. Há uma antinomia entre as normas. O art. 57 da MP nº 2.158 35, de 2001, sanciona as condutas pela não entrega, em sentido lato, de declarações digitais. As normas acima mencionadas tratam do descumprimento das obrigações específicas contidas na própria lei. Ocorre uma antinomia entre uma norma geral e outra específica, devendo, nesses casos, prevalecer a última, conforme ensinamento de Norberto Bobbio: O terceiro critério, chamado precisamente de lex specialis, é aquele com base em que, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda; lex specialis derogat generali. Também nesse caso a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que derroga uma lei mais geral, ou seja, que subtrai a uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diversa (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que contenha um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que contenha uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, entendida como igual tratamento de pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral para a regra específica corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. Ocorrida ou descoberta a diferenciação, a persistência da regra geral implicaria o tratamento igual de pessoas que pertencem a categorias diversas e, portanto, uma injustiça. (grifouse) (BOBBIO, Norberto. Teoria geral do direito. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 253) 6.2.3. Se as obrigações contidas nas leis acima transcritas foram consideradas tão importantes pelo legislador ao ponto de dar embasamento legal específico à sanção pelo seu descumprimento, (a despeito de legislação tributária, em sentido amplo, poder gerar tal Fl. 59DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 60 19 obrigação), não é isonômico não aplicar as multas específicas para as declarações específicas, em prol da multa genérica do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. É, conforme ensinamento de Bobbio, uma violação à isonomia que determina dar tratamento desigual a pessoas em situações distintas. 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº 1.110, de 2012, RFB nº 1.264, de 2012, RFB nº 1.015, de 2010, SRF nº 197, de 2002, RFB nº 811, de 2010, SRF nº 341, de 2003, RFB nº 971, de 2009, RFB nº 1.279, de 2012, RFB nº 726, de 2007 e RFB nº 892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. 6.2.5. Quanto aos prazos, não há alteração para a entrega ordinária das declarações. O prazo mínimo de quarenta e cinco dias aplicase apenas para a apresentação dessas declarações numa fiscalização ou para prestar esclarecimentos sobre alguma dessas declarações. E com a ressalva que a entrega de recibo ou comprovante de entrega da declaração não se subordina ao prazo de quarenta e cinco dias, conforme já explicado no item 5.1. Consta na Descrição dos Fatos, fl. 19, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Multa por atraso na entrega da declaração Código 6680 Apuração de Crédito Tributário R$5.000,00 x Número de meses em atraso [13] Valor da Multa por atraso na entrega da declaração [R$65.000,00] No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 01.03.2007 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 28.02.2006. Diferente do entendimento da Recorrente, além disso, na vigência da Instrução Normativa SRF nº 304, de 21 de fevereiro de 2003, da Instrução Normativa SRF nº 576, de 1º de dezembro de 2005, ou da Instrução Normativa RFB nº 1.115, de 28 de dezembro de 2010, o valor da multa era a mesma, ou seja, R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo com termo inicial, o primeiro dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DIMOB. Ademais, esses atos normativos, quando formalmente revogadas, não houve expressamente interrupção de sua força normativa. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 61 20 penalidade pecuniária9. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 10 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$1.500,00 por mêscalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. Assim, a exigência do crédito tributário deve ser reduzida para o valor total de R$19.500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 01.03.2007 da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 28.02.2006. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada aplicada para R$19.500,00 (dezenove mil e quinhentos reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003354/200713 Resolução nº 1801000.324 S1TE01 Fl. 62 21 VOTO VENCEDOR A legislação que trata a respeito da matéria em litígio dispõe: Lei nº 12.766, de 2012 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (grifos não pertencem ao original) Compulsando os autos, em vistas, verificase que não se pode concluir qual o regime de tributação adotado pela recorrente em sua última declaração apresentada. Daí a divergência deste colegiado com o voto da Conselheira Relatora que, entre os dois valores (R$ 500,00 ou R$1.500,00) entendeu que deve ser aplicado o maior. Para a acertada cominação da multa isolada em apreço, mister é que: a) os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente e informese, no presente, qual o regime de tributação optado pela recorrente em sua última DIPJ apresentada. Desta informação, a recorrente deverá tomar ciência, facultandoselhe prazo regulamentar para se manifestar. Após retornem os autos para esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10855.720713/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
SOLUÇÃO DE CONSULTA. SIMULAÇÃO. SITUAÇÃO FÁTICA. DESCONHECIMENTO. INEFICÁCIA.
É ineficaz a solução de consulta emitida pela Secretaria da Receita Federal quando demonstrado que o Órgão não tomou conhecimento da verdadeira condição das pessoas envolvidas nas operações objeto da consulta, especialmente se comprovado que as circunstâncias omitidas o foram mediante artifício doloso.
MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO FEDERAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. AGRAVAMENTO.
Aplica-se a multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento, por falta de lançamento ou pagamento, que pode ser majorada para o percentual de cento e doze e meio por cento no caso de falta de apresentação dos documentos exigidos pela Fiscalização Federal e agravada para cento de cinqüenta por cento nos casos de dolo, fraude ou simulação, alcançando o percentual de duzentos e vinte e cinco por cento na ocorrência simultânea dos dois eventos.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL.
No caso de tributos cujo lançamento processa-se por homologação do pagamento antecipado pelo obrigado, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento correspondente, sem o qual o próprio lançamento por homologação não opera-se, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173.
Numero da decisão: 3102-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de preterição do direito e de inovação na fundamentação do Auto de Infração pela decisão de primeira instância. Pelo voto de qualidade, em rejeitar a prejudicial de decadência e a proposta de diligência suscitada pela Conselheira Nanci Gama durante a votação, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a prejudicial de decadência e a proposta de diligência e, no mérito, davam provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o Dr. Alessandro Barreto Borges, OAB/SP 196.401.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 06/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gana, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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SISTEMA NÃOCUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSAÇÃO CORRESPONDENTE. GLOSA DO CRÉDITO. Devem ser glosados os valores lançados a crédito no livro de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados quando o contribuinte se recusa a apresentar à Fiscalização Federal os documentos contábeis e fiscais solicitados com vistas à comprovação do direito. É lícita a apresentação dos documentos negligenciados ao longo do procedimento fiscal, por ocasião da impugnação ao lançamento. No julgamento de primeira instância administrativa esses documentos haverão de ser examinados e valorados enquanto prova capaz de atestar os fatos em favor do contribuinte. APURAÇÃO DO IMPOSTO. SISTEMA NÃOCUMULATIVO. MEDIDA JUDICIAL. VENDA SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. OPERAÇÃO SIMULADA. CONSTITUIÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser exigido em auto de infração o valor do crédito tributário que deixou de ser lançado na nota fiscal e no Livro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados quando constatado que o sujeito passivo deixou de fazêlo com base em um esquema ardilosamente por ele próprio orquestrado, do qual restou aparente a ausência de responsabilidade pessoal pela falta de recolhimento do Imposto. BENEFÍCIO FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. ISENÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. CONDIÇÃO. Geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos isentos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 07 13 /2 01 0- 76 Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967 desde que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido Imposto. Inaplicável no caso a permissão outorgada pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 de manutenção de aproveitamento do crédito correspondente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 ÔNUS DA PROVA. MEIOS DE PROVA. QUADRO INDICIÁRIO. PRESUNÇÃO. FORÇA PROBANTE. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO. Todos os meio de prova lícitos são aptos à comprovação dos fatos identificados. Uma vez que seja apresentado um quadro indiciário suficientemente robusto, representado por ações interdependentes, que se constituíram em etapas da consecução do ato como um todo, perfeitamente possível que o julgador se sinta convencido da ocorrência da fraude, do dolo, da simulação ou da máfé do agente, ainda mais quando as sobejas evidências coligidas pela Fiscalização não são sequer arranhadas pelos argumentos de defesa. ASSOCIAÇÃO DE FATO. GRUPO ECONÔMICO. SIMULAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. Não se espera que sejam identificados os elementos próprios do Grupo Econômico licitamente formado, quando a associação de fato está alicerçada em um sem número de empresas comandadas pelas mesmas pessoas físicas, mediante a interposição de laranjas sem capacidade econômica para o exercício da função e da simulação de operações aparentes com a omissão dos verdadeiros vínculos que governaram todo a organização de forma velada. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SIMULAÇÃO. SITUAÇÃO FÁTICA. DESCONHECIMENTO. INEFICÁCIA. É ineficaz a solução de consulta emitida pela Secretaria da Receita Federal quando demonstrado que o Órgão não tomou conhecimento da verdadeira condição das pessoas envolvidas nas operações objeto da consulta, especialmente se comprovado que as circunstâncias omitidas o foram mediante artifício doloso. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO FEDERAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. MAJORAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. AGRAVAMENTO. Aplicase a multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento, por falta de lançamento ou pagamento, que pode ser majorada para o percentual de cento e doze e meio por cento no caso de falta de apresentação dos documentos exigidos pela Fiscalização Federal e agravada para cento de cinqüenta por cento nos casos de dolo, fraude ou simulação, alcançando o percentual de duzentos e vinte e cinco por cento na ocorrência simultânea dos dois eventos. Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 3 3 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL. No caso de tributos cujo lançamento processase por homologação do pagamento antecipado pelo obrigado, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento correspondente, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de preterição do direito e de inovação na fundamentação do Auto de Infração pela decisão de primeira instância. Pelo voto de qualidade, em rejeitar a prejudicial de decadência e a proposta de diligência suscitada pela Conselheira Nanci Gama durante a votação, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a prejudicial de decadência e a proposta de diligência e, no mérito, davam provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o Dr. Alessandro Barreto Borges, OAB/SP 196.401. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 06/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gana, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, consoante a capitulação legal indicada, foi lavrado auto de infração, em 26/10/2010, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Francisco Brunheroto Gonçalves, para exigir R$ 76.879.443,14 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 36.014.996,99 de juros de mora calculados até 30/09/2010, R$ 54.393.443,80 de multa relativa ao imposto não lançado com cobertura de crédito e R$ 130.353.966,20 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 297.641.850,13. Durante o procedimento fiscal foi constatado que a empresa em epígrafe, quanto ao período de janeiro de 2005 a maio de 2007, procedeu da seguinte forma: “a) escriturou créditos de IPI indevidamente, quer por absoluta falta de comprovação de sua origem, quer por se tratar de créditos decorrentes da aquisição de produtos oriundos da ZFM com suspensão de IPI, destinados a comercialização e não utilizados no processo produtivo; b) deixou de destacar nas notas fiscais o IPI devido na saída de mercadorias destinadas às empresas JM Industria e Comercio Ltda. – CNPJ 04.660.550/000198; e LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda. – CNPJ 06.958.578/000565”. GLOSA DE CRÉDITOS Mais especificamente, quanto ao primeiro item: “Seguidamente o contribuinte foi intimado e reintimado (04/10/2007; 26/09/2008; 19/11/2008; 09/01/2009; 08/05/2009; 04/08/2009; 05/10/2009; 14/10/2009) a apresentar as notas fiscais que deram origem aos créditos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, sob código CFOP 2152, e no campo 005 Outros Créditos, relativos aos períodos que segue: código CFOP 2152 3ºdec.Set/2005 R$ 2.379.155,28 3ºdec.Fev/2006 R$ 1.232.807,50 campo 005Outros Créditos 2ºdec. Jan/2005 R$ 1.565.665,20 2ºdec.Fev/2005 R$ 1.565.665,20 2ºdec.Mar/2005 R$ 521.888,40 2ºdec.Nov/2005 R$ 1.038.312,00 3ºdec.Nov/2005 R$ 2.070.468,00 3ºdec.Jul/2006 R$ 3.078.000,00 1ºdec.Ago/2006 R$ 2.113.560,00 3ºdec.Out/2006 R$ 2.595.780,00 3ºdec.Nov/2006 R$ 4.153.248,00 1ºdec.Dez/2006 R$ 519.156,00 3ºdec.Dez/2006 R$10.394.049,60 Em 26/09/2008, quando da lavratura do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar as notas fiscais, bem como a comprovar a efetividade dos pagamentos efetuados e a prestar esclarecimentos a respeito da aplicação/destino dos produtos adquiridos, mediante apresentação da documentação pertinente, relativamente aos créditos de IPI dos períodos apontados acima. Nesse mesmo sentido foi reintimado em 19/11/2008, 09/01/2009, 08/05/2009 e 05/10/2009. 7. Com relação aos créditos escriturados no campo 005 – Outros Créditos – do livro Registro de Apuração do IPI, referentes aos períodos de apuração abaixo Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 4 5 citados, o contribuinte foi intimado em 14/10/2009, a apresentar as respectivas notas fiscais, bem como a comprovar a efetividade dos pagamentos efetuados, e a esclarecer a aplicação/destino dos produtos adquiridos mediante apresentação de documentação pertinente. campo 005Outros Créditos 3ºdec.Fev/2007 R$ 1.557.468,00 3°dec.Mar/2007 R$ 2.078.809,92 3ºdec.Abr/2007 R$ 2.079.902,88 3ºdec.Mai/2007 R$ 1.039.404,96 8. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/10/2007, com o intuito de comprovar a origem dos créditos escriturados no Livro de Apuração do IPI, campo 005Outros Créditos, dos períodos de apuração a seguir relacionados, o sujeito passivo apresentou as notas fiscais nºs 262, 263, 264, 279, 280, 281, 287, 307, 309, 311, 313, 315 e 317, emitidas por Stratus Industria e Comercio Ltda., sem destaque do IPI. Períodos de Apuração: 2ºdec.Jan/2005 R$1.565.665,20 2ºdec.Fev/2005 R$1.565.665,20 2ºdec.Mar/2005 R$ 521.888,40 2ºdec.Nov/2005 R$ 1.038.312,00 e 3ºdec.Nov/2005 R$2.070.468,00. 9. Em 23/06/2008, atendendo à intimação de 22/04/2008, o contribuinte apresentou o Anexo 1 com 330 folhas, contendo documentação pertinente à comercialização (aquisição e venda) do produto adquirido da STRATUS, conforme as notas fiscais citadas no item anterior. 10. Essa documentação é constituída por: demonstrativo das compras (Entradas) e vendas (Saídas), notas fiscais de aquisição e de saídas de preparado composto não alcoólico da Amazonas (PCNAA), fatura comercial, contrato de operação de cambio firmado junto ao Banespa, extratos SISCOMEX de registro de operações de exportação e de declaração de despacho, e documentos de frete de exportação. Não nos foi exibido qualquer comprovante em relação aos pagamentos efetuados”.(g.m.) O produto adquirido de Stratus Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 04.475.885/000147, empresa da Zona Franca de Manaus, doravante referida como STRATUS, de acordo com as notas fiscais, tem a descrição de “preparado composto não alcoólico da Amazônia (PCNAA)”, com classificação fiscal NCM 2106.9010 Ex 01 e sujeito à alíquota de 27%. As notas fiscais foram emitidas com isenção do imposto com a seguinte base legal: Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, art. 69, inciso II e Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 6º. No relatório fiscal, assim se reporta a autoridade fiscal ao produto em escrutínio: “Cumpre salientar que a mercadoria classificada no código NCM 2106.9010” Ex01 não constitui matériaprima a ser processada na industria de cervejas, mas preparado composto não alcoólico para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, e que a fiscalizada fabrica e comercializa cervejas, não produz refrigerantes. Se não é utilizada no processo industrial, obviamente, Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 não há como enquadrar a referida mercadoria nos conceitos de MP, PI ou ME. Em conseqüência, não existe direito a crédito do IPI nas aquisições desse preparado. 13. Analisando as notas fiscais de vendas dessa mercadoria e as correspondentes faturas comerciais, emitidas por Cervejaria Petrópolis S A – CNPJ 73.410.326/000322, verificamos que: a) tratase de venda de produto, discriminado como “preparado composto não alcoólico da Amazonas (PCNAA)“, para o exterior, com imunidade do IPI nos termos do art. 18, inciso II do Decreto 4.544/2002; b) a discriminação do produto e a classificação fiscal são exatamente as mesmas que constam das notas fiscais de aquisição, ou seja, “PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZONIA” “NCM 2106.9010” Ex01; c) o peso, tanto líquido como bruto, indicados nesses documentos de vendas são os mesmos das notas fiscais de compras; d) o quantitativo de volumes que constam nesses documentos coincidem com os documentos de entradas. 14. Os extratos SISCOMEX – Registro de Operações de Exportação – Consulta RE Específico, RE nº 06/12114490001 e 06/1454249001, apresentados pelo próprio contribuinte, apontam no campo observação/exportador o seguinte: “mercadoria adquirida da Stratus Industria e Comercio Ltda. portadora do CNPJ nº 04.475.883/000147”, fato que torna evidente se tratar de comercialização”. (g.m.) Diante da documentação apresentada pela fiscalizada e das informações acima, a conclusão é de que o produto adquirido da STRATUS é precisamente o mesmo posteriormente exportado. O produto não foi empregado como insumo na industrialização de mercadoria a ser exportada; houve simplesmente uma revenda, sem a existência de nenhum processo industrial e sem a possibilidade de aproveitamento de IPI como se devido fosse. Ora, o Decretolei nº 1.435/75 estabelece que o direito ao crédito somente no caso de aquisição de produto isento que seja aplicado como insumo no processo fabril de produto sujeito ao IPI. Outrossim, também não é aplicável o incentivo fiscal à exportação de que trata a Lei nº 8.402/92, art. 1º, III, relativo ao aproveitamento do crédito nas aquisições de insumos aplicados na industrialização de produtos destinados à exportação, que gozam de imunidade. O incentivo é cabível apenas na hipótese de insumos adquiridos com destaque de IPI nas notas fiscais, e não com isenção. Apesar de intimada e reintimada, a fiscalizada não apresentou o livro Registro de Inventário para as verificações do controle de estoque do produto. Continua o relatório fiscal nos seguintes termos: “19. Do exposto acima, estamos efetuando a glosa dos créditos escriturados, relacionados a seguir: 2ºdec.Jan/2005 R$ 1.565.665,20 2ºdec.Fev/2005 R$ 1.565.665,20 2ºdec.Mar/2005 R$ 521.888,40 2ºdec.Nov/2005 R$ 1.038.312,00 3ºdec.Nov/2005 R$ 2.070.468,00 20. Independentemente de qualquer análise mais profunda da origem, idoneidade e legitimidade dos créditos relativos às entradas do produto em questão, estamos efetuando a sua glosa, já que se tratam de créditos decorrentes da aquisição de produto que não se caracteriza como insumo no processo de produtivo do Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 5 7 fabricante, que não produz refrigerantes, mas apenas cervejas. O PCNAA não foi revendido para outro fabricante ou estabelecimento atacadista do país, sendo diretamente exportado na mesma condição em que foi adquirido. 21. Em relação aos demais períodos de apuração, que fora intimado e reintimado a apresentar esclarecimentos/documentos no sentido de comprovar a origem dos créditos de IPI escriturados no campo 005 – Outros Créditos – do livro Registro de Apuração do IPI, o contribuinte não o fez até a presente data. 22. Considerando que o reconhecimento do direito ao crédito do IPI depende da comprovação das aquisições de insumos produtivos, à vista dos respectivos documentos fiscais, e que a fiscalizada não apresentou nenhum elemento solicitado, estamos efetuando a glosa dos créditos a seguir: 3ºdec.Set/2005 R$ 2.379.155,28 3ºdec.Fev/2006 R$ 1.232.807,50 3ºdec.Jul/2006 R$ 3.078.000,00 1ºdec.Ago/2006 R$ 2.113.560,00 3ºdec.Out/2006 R$ 2.595.780,00 3ºdec.Nov/2006 R$ 4.153.248,00 1ºdec.Dez/2006 R$ 519.156,00 3ºdec.Dez/2006 R$10.394.049,60 3ºdec.Fev/2007 R$ 1.557.468,00 3°dec.Mar/2007 R$ 2.078.809,92 3ºdec.Abr/2007 R$ 2.079.902,88 3ºdec.Mai/2007 R$ 1.039.404,96” SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO As saídas sob o CFOP 5.401 também foram investigadas, tendo sido escrituradas no livro Registro de Apuração do IPI no campo “operações sem débito do imposto – outras” no período de janeiro de 2005 a maio de 2007. Intimada em 30/10/2009 a esclarecer as precitadas saídas, a apresentar arquivos magnéticos e certidão de objeto e pé no caso de demanda judicial, a fiscalizada nada apresentou em termos de esclarecimentos ou documentos, mesmo tendo sido reintimada em 26/11/2009 e 16/12/2009. Quanto a intimações anteriores, de 18/08/2008 e de 19/11/2008, sobre o mesmo assunto, a fiscalizada permanecera igualmente silente. De acordo com o relatório fiscal: “28. Embora tenha sido intimado em 19/06/2007 e em 30/10/2009, a apresentar os arquivos magnéticos em conformidade com a INSRF n° 86/2001, segundo os layouts definidos no ADECOFINS nº 15/2001, a Fiscalizada nos trouxe apenas os arquivos magnéticos SINTEGRA referente ao ano de 2005, de forma incompleta, faltando o mês de fevereiro. Fl. 4206DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 29. Diante da negativa do contribuinte em nos apresentar os elementos solicitados, e de acordo com o disposto no Convênio SRF SEFAZSP – 01/2006, celebrados entre a União e o Estado de São Paulo, solicitamos e obtivemos junto a SEFAZSP os arquivos magnéticos SINTEGRA dos anos de 2005, 2006 e 2007. 30. Da análise dos dados constantes nesses arquivos magnéticos verificamos que as operações CFOP 5401 sem débito de imposto – outras, referemse a transações com as empresas: JM Industria e Comercio Ltda. CNPJ 04.660.550/000198 (atual K2 INDUSTRIA, COMERCIO E LOGÍSTICA LTDA.); e LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda. – CNPJ 06.958.578/000565. 31. Com base nesses elementos intimamos a fiscalizada em 11/02/2010 e em 27/04/2010, relativamente ao período de janeiro/2005 a maio/2007, a apresentar as notas fiscais das vendas efetuadas para as empresas JM Industria Comercio e Logística Ltda. e LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda. 32. Até a presente data não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte no sentido de apresentar a documentação solicitada, limitouse a requerer por diversas vezes dilação de prazo, alegando não ter tempo hábil para providenciar todas as informações e que o documentário estaria no estabelecimento matriz. 33. No sentido de subsidiar a presente ação fiscal, diligenciamos junto às duas empresas citadas acima, intimandoas a nos apresentar documentação pertinente às transações efetuadas com a fiscalizada. Da mesma forma que a Cervejaria Petrópolis, estas também não se manifestaram acerca daquilo que lhes foi solicitado, limitaramse a sucessivos pedidos de prorrogação de prazo. 34. Lançando mão do dossiê da fiscalização levada a cabo junto à empresa JM Industria Comercio e Logística Ltda., MPF 0811000200700372 0, verificamos que esta adquiriu produtos da empresa Cervejaria Petrópolis, sob código CFOP 5401, sem destaque de IPI, conforme notas fiscais nºs 35928, 36056, 36247, 36598, 36788, 37021, 37029, 37464, 37468, 37583, 37585, 37647, 37983, 37989, 38030 e 38032. No corpo dessas notas consta expressamente “IPI não destacado por força de dec. Liminar proferida nos autos do mandado de segurança nr 2004.51010062080 do dia 13/04/2004”. 35. Desse mesmo dossiê, verificamos que as vendas à J M Industria Comercio e Logística Ltda se deram tendo em vista o “instrumento particular de cessão parcial de área para distribuição exclusiva e garantia de fornecimento de produto”, firmado, em 03/01/2005, entre essa distribuidora e a empresa PRAIAMAR Indústria Comércio & Distribuição Ltda., que cedeu o direito à distribuição na área especificada, com exclusividade, dos produtos de fabricação da Cervejaria Petrópolis S/A” (g.m.). Quanto ao Mandado de Segurança nº 2004.51.01.0062080, suscitado nas notas fiscais de venda para a empresa JM Indústria Comércio e Logística Ltda, doravante referida como JM, em consulta no sítio na internet do TRF da 2ª Região, há o que segue: “a) Tratase de mandado de segurança em que figura como impetrante a empresa JM Ind. Com. E Logística ltda.(distribuidora de bebidas), que pleiteia seja reconhecido seu direito de não recolher o IPI com base em pautas fiscais ou de valores, desobrigandoa de seu recolhimento até que seja editada nova sistemática pelo Congresso Nacional; Fl. 4207DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 6 9 b) O Juiz Federal da 16ª Vara do Rio de Janeiro deferiu liminar em 13 de abril de 2004, de forma a não se exigir da impetrante o pagamento de IPI com base em valores prédeterminados em pautas fiscais ou pautas de valores; c) A sentença prolatada por esse mesmo Juízo, em 22/04/2005, concedeu a segurança mantendo a liminar anteriormente deferida, para reconhecer o direito da impetrante de não recolher o IPI com base em valores prédeterminados em pautas fiscais, até que dispositivo legal determinasse a alteração na base de calculo da exação em exame. Determinou que a autoridade coatora se abstivesse de impor à impetrante quaisquer sanções e penalidades, em razão do não recolhimento do IPI na forma determinada pelas pautas fiscais ou de valores; d) A União apelou, alegando, em preliminar, ilegitimidade ativa da impetrante (distribuidora); e requereu, caso se entendessem inconstitucionais as pautas, que o IPI fosse calculado com base na sistemática da alíquota ad valorem; e) O Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em seu acórdão de 04/07/2006, reconheceu que a distribuidora de bebidas tem legitimidade para questionar judicialmente o que entender oportuno relativamente ao IPI, e afastou a liminar concedida, de forma que afastem as denominadas “pautas fiscais” e determinou que o calculo de IPI se faça a partir dos dados reais das mercadorias, constantes nas Notas Fiscais de saída, na forma do CTN e da TIPI. f) Em 05/12/2006 o TRF 2ª Região rejeita os embargos declaratórios interpostos, mantendo íntegro o acórdão citado acima. g) Em 12/02/2008 o recurso extraordinário interposto pela JM Ind. Com e Logística Ltda. é inadmitido pelo TRF 2ª Região, e são admitidos os recursos especiais nºs 1.065.016RJ e 1.065.018RJ interpostos pela JM e pela Fazenda Nacional, que pleiteia a ilegitimidade das distribuidoras de bebidas para contestar o regime jurídico de pautas fiscais, por não serem nem contribuintes de direito, nem contribuinte de fato. h) Conforme despacho de 29/09/2009 do Superior Tribunal de Justiça, a questão objeto do pleito da Fazenda Nacional encontravase sob apreciação suspensa em razão do Resp 903.394/AL. i) Tratase de recurso especial (903.394AL), interposto pelo Sindicato interestadual das empresas distribuidoras vinculadas aos fabricantes de cerveja, refrigerante, água mineral e bebidas em geral nos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba (SINEDEBEB), no intuito de ver reformado acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região, que decidiu pela ilegitimidade ativa do contribuinte de fato (distribuidor) para postular em juízo o creditamento relativo ao IPI pago pelos fabricantes. j) Em 24/03/2010 o STJ julgou o REsp 903.394/AL, manifestando em seu acórdão que: “O “contribuinte de fato” (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo “contribuinte de direito” (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente”. k) No julgamento dos REsp nºs 1.065.016RJ e 1.065.018RJ, em 17/08/2010, o STJ conheceu em parte do recurso especial da JM Ind. Com. E Logística Ltda e, nessa parte deu provimento para determinar o rejulgamento dos embargos de declaração. Em seu Voto, a Exma Sra. Ministra Eliana Calmon verificou que houve omissão no acórdão recorrido – “apesar da oposição dos embargos de declaração, o Fl. 4208DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 10 TRF 2ª não se manifestou sobre a questão referente à declaração da inconstitucionalidade da pauta fiscal contida no Decreto nº 4.542/02, o que caracteriza violação do art. 535 do CPC”; assim, ficaram prejudicadas as análises das demais questões trazidas por ambas as recorrentes (JM e Fazenda Nacional)”.(g.m.) Por outro lado, conforme consulta do sistema do TRF da 2ª Região, a empresa Leyroz de Caxias Indústria Comércio & Logística Ltda., doravante referida como LEYROZ, havia impetrado a ação judicial sob nº 2004.51.10.0064866, sobre a qual constam os seguintes tópicos no relatório fiscal: “a) Tratase de ação ordinária em que a impetrante, LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda, pleiteia o não recolhimento de IPI com base em pautas fiscais ou de valores, de forma que a fique desobrigada ao pagamento da exação até que seja editada nova sistemática pelo Congresso Nacional; b) Foi deferida a antecipação dos efeitos da tutela pretendida, para o fim de suspender a exigibilidade do IPI incidente nas aquisições dos produtos que a parte autora realizar junto a seus fornecedores, realizada com base nas pautas fiscais (DOE 16/11/2004); c) Em 09/08/2005 o Juiz Federal da 4ª Vara de São João de Meriti – RJ ratifica a antecipação dos efeitos da tutela anteriormente deferida, e julga procedente o pedido, suspendendo a exigibilidade do IPI incidente nas aquisições dos produtos que a autora realizar junto a seus fornecedores, realizada com base nas pautas fiscais, abstendose os fornecedores de destacarem o IPI sobre tais produtos; d) Em 11/01/2010 o TRF 2ª atribuiu à apelação da União efeito suspensivo sustando os efeitos da liminar e de sua ratificação”. (g.m.) A despeito da ausência de manifestação da fiscalizada a respeito, ainda que profusamente intimada e reintimada, a conclusão no relatório fiscal é de que as saídas sob CFOP 5.401 para as empresas distribuidoras JM e LEYROZ aconteceram sem o destaque do imposto em razão das ações judiciais declinadas. Há aspectos atinentes à sujeição passiva expostos no relatório fiscal: “40. A CERVEJARIA PETROPOLIS S/A, ora fiscalizada, entendendo ser incabível a exigência do IPI contra ela, na hipótese de se julgar improcedente a ação judicial impetrada pela JM INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. (distribuidora), e que o tributo deve ser exigido da autora da ação, protocolou em 20/12/2005 consulta em que submete seu entendimento à apreciação da Receita Federal. 41. Em 17/02/2006 o Chefe da Divisão de Tributação/SRRF07, emite a Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT Nº 60, esclarecendo que não compete ao fabricante suportar o ônus do eventual insucesso da ação que a JM Industria Comercio e Logística Ltda. (distribuidora) move contra a União, onde questiona a validade do regime de tributação imposto pela legislação. 42. Em sua fundamentação legal, a Solução de Consulta supra citada deixou claro que: “caberá à consulente responder pelas dívidas relativas ao IPI, oriundas de operações com a autora, apenas em relação às operações que se deram até o momento do recebimento da ordem judicial que determinou o nãopagamento, bem como em relação às operações imediatamente posteriores à eventual cassação de tutela.” (grifo nosso). 43. Do item anterior, relativamente às saídas para a JM Industria e Comercio Ltda., depreendese que a Cervejaria Petrópolis S A (fabricante) responderia pelo IPI, ora sob ação fiscal, apenas em relação às vendas efetuadas após o acórdão do Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 7 11 TRF 2ª RF, de 04/07/2006, e que o IPI decorrente das vendas ocorridas na vigência da sentença em 1ª instância deveriam ser exigidos da autora da ação judicial (JM). 44. À vista do exposto, a sujeição passiva na constituição do crédito tributário, relativamente às vendas à JM sem destaque de IPI, estaria perfeitamente definida, entretanto, trataremos a seguir de situações que mudarão esse entendimento. Como restará comprovado, as empresas citadas nos itens anteriores: JM Industria Comercio e Logística Ltda., LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda., PRAIAMAR Industria Comercio & Distribuição Ltda. distribuidoras de cerveja, e Cervejaria Petrópolis S A fabricante de cerveja, integram um grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis”, comandado pela última, que agiu de forma simulatória com a finalidade de suprimir tributos”.(g.m.) A seguir, cabe reproduzir fielmente as inúmeras circunstâncias pesquisadas pela autoridade fiscal que dão a entender que a fiscalizada comanda um grupo econômico de fato, dedicado à evasão fiscal. As empresas JM, LEYROZ e Praiamar Indústria Comércio & Distribuição, doravante referida como PRAIAMAR, têm nos respectivos quadros societários sócios sem capacidade econômica e os estabelecimentos filiais da empresa JM funcionaram em locais em que também funcionam ou funcionaram estabelecimentos das empresas PRAIAMAR e LEYROZ. LEYROZ e JM, ambas com diversas filiais, foram constituídas na mesma época das ações judiciais impetradas. “45. CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A CNPJ 73.410.326/000160 fabricante de cervejas e chopes, com a matriz estabelecida na Avenida Nilo Peçanha, 50, sala 2201, Centro, Rio de Janeiro/RJ, é uma S/A de capital fechado. a) Acionistas Nome CPF/CNPJ Partic. % Walter Faria 733.979.89868 – Cleber da Silva Faria 087.854.91888 b) Administradores Nome CPF/CNPJ Partic./Cargo Walter Faria 733.979.89868 SócioDiretor Cleber da Silva Faria 087.854.91888 Diretor Agostino Gomes da Silva 888.022.21804 Conselheiro Roland Reis 028.087.14734 Diretor Ozires Silva 018.557.86834 Conselheiro José Tadeu de Oliveira 860.581.18468 Conselheiro Participaram como administradores e ou acionistas em períodos anteriores: Nome CPF/CNPJ Partic./Cargo Clerio da Silva Faria 087.854.92850 Diretor Vanusa Regina Faria Zagato 084.373.05870 Diretor Paulo Henrique Villela Pedras 021.576.67768 Diretor Stetson Equities Ltda. 05.489.592/000170 Acionista Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 12 46. A DIPJ2009 aponta participação em coligadas ou controladas que segue: Nome CPF/CNPJ Partic. % Hervey Trading Corp 100,0 Cervejaria Petrópolis Ltda 04.469.628/000191 99,90 CP Marcas e Patentes Ltda 08.586.673/000187 93,70 CP Ativos RJ Maq e Equip. Ltda. 08.831.482/000133 99,99 CP Ativos SP Maq e Equip. Ltda. 08.832.600/000128 99,99” Dados referentes à empresa JM “47. J M INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA., inscrita no CNPJ sob nº 04.660.550/000198 com a atividade declarada de comércio atacadista, foi constituída em 13/09/2001. Chegou a possuir 25 filiais espalhas pelos estados da Federação, principalmente região Sudeste, conforme consta dos extratos do sistema CNPJ. Devemos destacar que tais estabelecimentos foram constituídos, em grande parte, após a concessão da medida obtida no processo judicial nº 2004.51.01.0062080, que lhe permitiu não ver destacado o IPI em suas aquisições. 48. Após o TRF 2ª Região ter reformado a sentença de 1ª instância afastando a liminar concedida, e após ver rejeitado os embargos declaratórios interpostos, a JM deu baixa em vinte de seus estabelecimentos, sendo que onze deles foram constituídos após a obtenção da referida liminar. 49. Mediante “instrumento particular de cessão parcial de área para distribuição exclusiva e garantia de fornecimento de produto”, firmado, em 03/01/2005, a PRAIAMAR Indústria Comércio & Distribuição Ltda., cedeu à JM Industria e Comercio Ltda. o direito à distribuição com exclusividade, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, dos produtos de fabricação da Cervejaria Petrópolis S/A . 50. No ano de 2008 alterou o nome empresarial para K2 Industria Comercio e Logística ltda., e transferiu seu domicilio fiscal para Caxias/RJ à Rua Xavier Pinheiro, 190, 1º andar, sala 201, mesmo endereço onde estiveram estabelecidas outras empresas vinculadas à Cervejaria Petrópolis como: LEYROZ de Caxias Ind. Com. E Logística Ltda; Transportadora RIO ITAIPU Ltda.(pertenceu a Walter Faria; tem como sócio atual Vanue Antonio da Silva Faria); COPACABANA Comercial Ltda., (pertenceu a Walter Faria; tem como sócio atual Vanue Antonio da Silva Faria) e LABIM Empreend. E Particip. Ltda., (sócio atual Vanue Antonio da Silva Faria). .51. Quadro societário da J M COMÉRCIO DE BEBIDAS E LOGÍSTICA LTDA, hoje K2 Indústria Comércio e Logística Ltda.: a) atual: Nome CPF/CNPJ Entrada % Sidnei Donizeti Gonçalves Leite 029.874.93860 21/11/2002 80 Fabio Gonçalves Leite 121.837.11884 18/10/2005 20 b) anteriores: Nome CPF/CNPJ Saída % Juvenal Cezar Marques 098.327.898 93 25/03/2002 50 Marilza Sartin Marques 070.424.36873 25/03/2002 50 Distr. Bebidas Alto da Mantiqueira 02.894.395/000149 21/11/2002 50 Contraldi Distrib. de Bebidas Ltda. 03.053.838/000131 21/11/2002 50 Alan do Nascimento Leite 327.983.73832 18/10/2005 01 Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 8 13 52. Como demonstraremos, os sócios iniciais Juvenal Cezar Marques e Marilza Sartin Marques, são pessoas sem capacidade econômica para gerir ou mesmo gerenciar as atividades da J M, principalmente com o incremento advindo das negociações com a Praiamar e com a Cervejaria Petrópolis.Permanecem no quadro societário durante apenas seis meses, entre setembro de 2001 a março de 2002. 53. Em 25/03/2002 esses sócios se retiram da sociedade e nela ingressaram as pessoas jurídicas Distribuidora de Bebidas Alto da Mantiqueira Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 02.894.395/000149 e Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 03.053.838/000131, ambas representadas perante à RFB por DELCIO MARTINS DA SILVA, CPF 319.316.69872, cujo histórico e vínculos com o “Grupo Cervejaria Petrópolis” trataremos mais adiante. 54. Em 21/11/2002, estas duas pessoas jurídicas retiramse da sociedade e ingressam no controle societário Alan do Nascimento Leite, inscrito no CPF sob nº 327.983.73832, Fábio Gonçalves Leite, inscrito no CPF sob nº 121.837.11884 e Sidnei Donizete Gonçalves Leite, inscrito no CPF sob nº 029.874.93860. 55. Vejamos cada uma das pessoas (físicas e jurídicas) que participaram/participam do quadro societário da empresa J M Indústria Comércio e Logística Ltda: a) JUVENAL CEZAR MARQUES – CPF 098.327.89893: Domiciliado na Estrada União Indústria 9314 BL B CB 2, Itaipava, Petropolis– RJ, foi sócio da empresa por apenas seis meses, entre setembro de 2001 e março de 2002. Segundo os dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no anocalendário de 2001 recebeu R$ 3.000,00 de JM Comercio e Transporte Ltda e em 2002 não auferiu qualquer rendimento, tributável ou não tributável, proveniente dessa empresa; Para os anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006, auferiu rendimentos, nos valores de R$ 20.680,00, R$ 29.180,00, R$ 31.400,00 e R$ 33.300,00, respectivamente, provenientes da empresa Leonar Distribuidora de Bebidas Ltda (antiga JM Comercial de Salvador Ltda.), inscrita no CNPJ sob nº 05.229.534/0001 08. Em relação ao ano calendário de 2007, recebeu rendimentos de R$ 14.230,00 da Leonar Distribuidora de Bebidas Ltda, R$ 5.800,00 da empresa Comercial Lefran Distribuidora de Bebidas Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 08.908.828/000154 e R$ 11.600,00 da empresa AGAP RJ Participações Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 08.906.493/000135. No que se refere ao ano calendário de 2008, recebeu rendimentos no valor de R$ 45.855,96 provenientes da empresa AGAP RJ Participações Ltda. Para o ano calendário de 2009, seus rendimentos provieram das empresas AGAP RJ Participações Ltda. e Comercial Lefran Distribuidora de Bebidas Ltda, respectivamente, R$ 45.000,00 e R$ 33.000,00. Merece destaque o fato de que a Comercial Lefran Distribuidora de Bebidas Ltda tem sua sede na Rua Francisco de Souza e Melo nº 251 Parte 1 – Cordovil, onde funcionam/funcionaram várias empresas e estabelecimentos vinculados de alguma forma com a Cervejaria Petrópolis, entre eles J M Industria comércio e Logistica Ltda., PRAIAMAR Industria Comércio e Logística Ltda., LEYROZ De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda. e CERVEJARIA São Paulo S/A, como veremos mais adiante. Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 14 O mesmo se aplica a AGAP RJ Participações Ltda, cuja sede situase na Rodovia Washington Luiz 696, onde também se localiza/localizou uma série de empresas e de estabelecimentos vinculados à Cervejaria Petrópolis. O senhor Juvenal figura como responsável perante a Receita Federal do Brasil por estas duas empresas bem como faz parte do quadro societário. Para bem demonstrar a ligação de uma com outra, a empresa Comercial LEFRAN Distribuidora de Bebidas Ltda, constituída em 26/06/2007 tem como nome fantasia JM INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA, e suas filiais situam se em alguns endereços da JM Indústria Comércio e Logística Ltda. Destaquese também, que LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda. (CNPJ 06.958.578/000131) faz parte do quadro societário dessa empresa. b) MA RILZA SARTIN MARQUES: Domiciliada na Estrada União Indústria 9314 BL B CB 2 – Itaipava Petrópolis RJ, esposa de Juvenal Cezar Marques, foi sócia da J M Indústria Comércio e Logística Ltda, por seis meses. Recebeu rendimentos dessa empresa no ano calendário de 2001 no valor de R$ 540,00, enquanto a sociedade apurava receitas elevadas. Em relação aos anos calendário de 2002 a 2006, recebeu rendimentos da empresa Comercial Sol Nascente Distribuidora de Bebidas Ltda EPP, inscrita no CNPJ sob nº 05.229.515/000181, que também faz parte do “Grupo Cervejaria Petrópolis” como demonstraremos mais tarde, nos seguintes valores, respectivamente: R$ 800,00; R$ 3.140,00; R$ 3.100,00, R$ 3.600,00 e 4.050,00. Destaquese que, segundo os cadastros da Receita Federal do Brasil, foi sócia da empresa Comercial Sol Nascente Distribuidora de Bebidas Ltda, entre 2002 e 2008. Sua participação nesta empresa foi repassada EM 20/02/2008 ao senhor LUIS ROBERTO LOPES, CPF 025.953.14807, cuja importância, histórico e vínculo com o Grupo veremos mais adiante. c) DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ALTO DA MANTIQUEIRA LTDA Foi constituída em 04/12/1998. É controlada pela Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda, cujas características apresentamos abaixo, e seu sócio administrador é o senhor Delcio Martins da Silva, CPF 319.316.69872. d) COTRALDI DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA Embora tenha, à semelhança da Distribuidora Alto da Mantiqueira, permanecido na sociedade da fiscalizada apenas por oito meses, também tem em seus quadros o senhor Délcio Martins da Silva. A 1ª inscrição da empresa data de 05/03/1999, sob o nome empresarial P.M.P ITAIPAVA Comercio e Representaçãoes Ltda. ME. e) SIDNEI DONIZETI GONÇALVES LEITE Consta como sócio ou representante perante o CNPJ das empresas a seguir: CNPJ Nome Empresarial 01.679.090/000151 SL Asses. Técnico Contábil S/C Ltda. 04.660.550/000198 JM Ind. Comercio e Logística Ltda. 08.492.421/000199 JM Com. De Bebidas e Logística Ltda. (¹) 08.395.567/000116 Distrib. De Bebidas Lokal do Norte de Minas (¹) 08.157.363/000147 Centro de Distr. De Bebidas Lokal de Bebidas (¹) 01.719.206.000139 Transport. Olinda de SJ dos Campos Ltda. (²) Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 9 15 01.112.965/000139 DBTS – Distribuidora de Bebidas e Transportes (5) 07.092.842/000160 EFICER Com. De Gêneros Alimentício em Geral (³) 08.272.174/000115 LI`SARB`RASD Participações e Empreedimentos (4) 07.673.595/000195 Atual Assessoria Contábil Ltda. (¹) Sócios: Distribuidora de Bebidas ABC – Ind. & Com. e Roberto Luis Ramos Fontes. (²) Sócios: Distribuidora de Bebidas Alto Da Mantiqueira e Cotraldi Distribuidora de bebidas Ltda. (³) Sócios atuais : Cervejaria São Paulo S A e Arnaldo Kadec da Costa Sócios anteriores: Cervejaria Petrópolis S A, Clerio da Silva Faria (diretor da Cervejaria Petrópolis), Praiamar Ind. Com & Distrib. Ltda e Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, JM e Sidnei Donizeti Gonçalves Leite. (4) Sócios atuais: Cervejaria São Paulo e Arnaldo Kardec da Costa Sócios anteriores: K2 INDUSTRIA COMERCIO E LOGISTICA LTDA ( antiga JM) e Sidnei Donizeti Gonçalves Leite. (5) sócios: Distrib. de Bebidas Alto da Mantiqueira e Cotraldi Distrib. De Bebidas sócios anteriores: Walter Faria, Vanue Antonio da Silva Faria, Fabio Gonçalves Leite e Sidnei Donizeti Gonçalves Leite A empresa EFICER Com. De Gêneros Alimentício em Geral está com a situação cadastral “INAPTA”. SIDNEI assumiu o controle societário da JM em 21/11/2002, e permanece na sociedade até a presente data. Foi/é sócio dessa e de outras empresas (citadas acima), quase todas dedicadas ao ramo cervejeiro, e que por mera coincidência, vão terminar suas atividades em endereço comum e/ou passam ao controle de ROBERTO LUIS FONTES ou DÉLCIO MARTINS DA SILVA, cujos históricos veremos mais adiante. Teve participação societária na EFICER Com. de Gêneros Alimentício em Geral, na qual participaram também: Cervejaria Petrópolis S/A, Clerio da Silva Faria, Praiamar, Roberto Luis Lopes e JM. Em 2002 transferiu quotas de capitais das empresas Transportadora Olinda de S J Campos Ltda. e Itaipu Distribuidora de Bebidas Ltda. para a empresa Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda., da qual é sócio o Sr. Délcio Martins da Silva. Nesse mesmo ano adquiriu quotas de capital da empresa JM (R$ 198.000,00) da Distribuidora de Bebidas Alto da Mantiqueira Ltda. Esse capital foi aumentado em 2004 para R$ 405.900,00. Sidnei Donizeti, embora sócio de uma série de empresas, jamais auferiu patrimônio condizente com aquele relativo às empresas de que faz/fez parte, porquanto de 2002 até 2.006 sua evolução patrimonial se manteve num mesmo patamar, ou seja, em 2001 seu patrimônio era de R$ 570.236,65, passando para R$ 643.348,21, com dívidas no montante de 244.103,76 em 2006. Esse patrimônio declarado, composto basicamente por participação de R$ 328.000,00 na empresa JM, mostra indícios de não haver sido declarados todos os investimentos societários em que consta como proprietário, reforçando a tese de que seja uma espécie de ”colaborador ou testa de ferro” do “Grupo Cervejaria Petrópolis”. Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 16 f) FÁBIO GONÇALVES LEITE – CPF 121.837.11884 Irmão de Sidnei Donizeti Gonçalves Leite, e também figura como sócio das empresas JM e Edadiledif Comercio de Bebidas Ltda., embora seu patrimônio não tenha evoluído na mesma proporção das receitas das empresas de que faz parte. Recebeu rendimento da Edadiledif Comercio de Bebidas Ltda, da qual é sócio juntamente com Délcio Martins da Silva nos anos calendário de 2004 e 2005 no valor de R$ 20.540,00 e R$ 17.870,00, respectivamente, enquanto a sociedade apurava receitas de elevada monta. Salientese que o nome de fantasia da Edadiledif é “Bebidas Cristal”, o mesmo de uma das principais marcas de cerveja comercializada por Cervejaria Petrópolis – Cerveja Cristal. Em relação aos anos calendário de 2005 a 2008, recebeu rendimentos da empresa JM nos seguintes valores, respectivamente: R$ 3.000,00; R$ 12.000,00; R$ 12.000,00 e R$ 12.000,00. g) ALAN DO NASCIMENTO LEITE – CPF 327.983.73832 O senhor Sidnei Donizeti incluiu seu filho ALAN de 4 anos de idade na constituição societária da empresa JM, o que embora não seja ilegal, soa como atípico. Não recebeu rendimentos dessa empresa, tampouco acumulou patrimônio digno de qualquer menção. h) DÉLCIO MARTINS DA SILVA – CPF 319.316.69872 Como vimos acima, participa do quadro societário das empresas Distribuidora de Bebidas Alto da Mantiqueira Ltda. e Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda. Além dessas, participa/participou de 35 outras empresas, a maioria delas do ramos de distribuição de bebidas, vinculadas à Cervejaria Petropolis, como segue: Período responsabilidade CNPJ Início Fim Nome Empresarial 27/09/2002 00.186.496/000130 CEREPE COMERCIO DE BEBIDAS LTDA EPP 05/02/2002 01.112.965/000139 DBTS DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E TRANSPORTES LTDA (5) 21/02/2002 01.562.005/000170 TRANSPORTADORA TRANSBEER DE OSASCO LTDA (¹) 22/09/2005 01.712.073/000179 ORGANIZACAO TECNICO CONTABIL VALE DO PARAIBA S/S LTDA 21/03/2002 01.719.206/000139 TRANSPORTADORA OLINDA DE S J DOS CAMPOS LTDA (¹) 01/02/2002 02.071.638/000149 DISTRIBUIDORA DE CEREAIS ALTO JEQUITBA LTDA (¹) 29/01/2002 02.188.077/000162 COMERCIAL ACME LTDA. ME (¹) 25/03/2002 02.215.675/000183 ALIBE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS (¹) 17/07/2003 02.284.872/000154 INTEGRIMED COMERCIO E PARTICIPACOES LTDA EPP Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 10 17 05/08/2004 02.293.649/000173 ADMIRAL PARTICIPACOES LTDA 05/02/2002 02.301.108/000140 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SOL NASCENTE LTDA. (¹) 04/11/2002 31/12/2008 02.310.734/000100 ETHICAMED PROMOCOES LTDA 10/06/1999 02.894.395/000149 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ALTO DA MANTIQUEIRA LTDA (²) 05/06/2003 02.982.913/000186 REQUINICA COMERCIAL LTDA EPP 26/12/2001 03.053.838/000131 COTRALDI DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (²) 01/02/2002 03.138.050/000128 CUMBAUA COMERCIAL LTDA (¹) 29/01/2002 03.357.871/000155 SUAPIL DISTRIBUIDORA LTDA (¹) 29/01/2002 03.652.100/000190 TANDERA COMERCIAL LTDA (¹) 29/01/2002 03.681.977/000100 LETIAN COMERCIAL LTDA (¹) 06/02/2002 03.957.383/000189 DIMAR LOGISTICA E DISTRIBUICAO LTDA (¹) 05/04/2002 04.616.406/000154 LG DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS – LTDA (¹) 25/03/2002 21/11/2002 04.660.550/000198 K2 INDUSTRIA COMERCIO E LOGISTICA LTDA (JM) 28/05/2002 15/12/2003 05.128.894/000113 TECPLUS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA 18/06/2004 05.128.894/000113 TECPLUS COMERCIO DE FRALDAS LTDA EPP 05/02/2002 08.998.064/000135 DIBERILDISTRIBUIDORA BEIRA RIO LTDA (¹) 17/08/2004 27.920.339/000162 SUL PARAIBANA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (¹) 16/10/2003 45.987.641/000110 MILD INDUSTRIA FARMACEUTICA S A 09/03/1976 02/05/1978 47.561.337/000131 MARIA LUIZA BARBOSA DA SILVA 14/05/1976 02/05/1978 47.561.907/000193 Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 18 DELCIO MARTINS DA SILVA 11/12/1980 11/12/1980 50.456.227/000114 NUNES E SILVA S/C LTDA 28/01/2005 53.650.198/000115 ALGODOEIRA MARTINS E SILVA LTDA EPP 11/11/2003 60.421.112/000148 LABORATORIOS HOSBON S/A PRODUTOS QUIMICO FARMACEUTICOS 01/09/1998 61.808.960/000177 URGEFARMA COMERCIO DE PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA (inapta) 08/04/2002 68.439.140/000102 COMERCIO DE BEBIDAS FANCHINI LTDA (¹) 26/03/2002 73.706.103/000145 ITAIPURIO DISTIBUIDORA DE BEBIDAS S/A (³) 31/01/2003 96.405.246/000112 AMERICA BEER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA – EPP (²) 21/05/2002 96.676.820/000177 SAMBEER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (4) (¹) sócios: Distrib. de Bebidas Alto da Mantiqueira e Cotraldi Distrib. De Bebidas (salientese que Delcio Martins da Silva é sócio de ambas); (²) sócios: Delcio Martins da Silva e Distrib. de Bebidas Alto da Mantiqueira e/ou Cotraldi Distrib. De Bebidas; (³) presidente: Délcio Martins da Silva participações anteriores: Walter Faria – presidente; Vanue Antonio da Silva Faria – acionista diretor; Cleber da Silva Faria e Roberto Luis Ramos Fontes Lopes – acionistas; (4) sócios: Distrib. de Bebidas Alto da Mantiqueira e Cotraldi Distrib. De Bebidas sócios anteriores: Walter Faria, Vanue Antonio da Silva Faria e Fabio Gonçalves Leite. (5) sócios: Distrib. de Bebidas Alto da Mantiqueira e Cotraldi Distrib. De Bebidas sócios anteriores: Walter Faria, Vanue Antonio da Silva Faria, Fabio Gonçalves Leite e Sidnei Donizeti Gonçalves Leite. De suas declarações de ajuste anual verificamos que: h1) nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 recebeu rendimentos tributáveis da ordem de R$ 18.548,00, R$ 15.792,00, R$ 19.860,00, R$ 19.240,00, R$ 19.880,00 e R$ 23.560,00, e R$ 50.236,00 respectivamente, grande parte deles recebidos de pessoa física; h2) sua declaração de bens e direitos apontava o valor de R$ 41.297,16 em 31/12/1999, passando em 31/12/2006 para R$ 3.528.128,82, registrando uma dívida e ônus reais no montante de R$ 3.378.000,36. Portanto, contatase que seu patrimônio evoluiu apenas em R$ 108.831,00 do ano de 1999 para 2006. Pouco para quem participa de tantas empresas como vimos acima, porém compatível com os rendimentos recebidos nesse período; Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 11 19 h3) no ano de 2001 recebeu empréstimos de Diberil Distribuidora Beira Rio Ltda no montante de R$ 150.000,00; em 2002 emprestou R$ R$ 650.000,00 de Diberil Distr. Beira Rio Ltda e R$ 497.968,04 de Itaipu Rio Distribuidora de Bebidas; em 2003 emprestou R$ 2.080.032,32 de Labor Hosbon S/A, destinados à aquisição de quotas dessa mesma empresa;. Nesses anos adquiriu quotas das empresas Cotraldi Distrib. Bebidas (R$ 99.000,00), América Beer Distrib. Bebidas (R$ 46.530,00), Ibérica Com. E Distrib. De Bebidas ( R$ 10.000,00), Itaipu Rio Distrib. Bebidas AS (R$ 869.130,00), Tecplus Com. De Fraldas Ltda (R$ 190.000,00) e Integrimed Com e Partic. R$ (40.000,000) e Labor Hosbon AS Prod. Quim. Farmac. (R$2.080.032,32); Como podemos perceber das declarações apresentadas por Délcio Martins da Silva, a variação patrimonial e os rendimentos auferidos nos períodos analisados mostramse muito reduzidos frente às participações societárias que detem; Verificase que DÉLCIO MARTINS DA SILVA não apresenta condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração das empresas em que consta como responsável ou como sócio cotista. A maioria delas do ramo cervejeiro, sendo que algumas tiveram como sócio ou como administrador Vanue Antonio da Silva Faria e Walter Faria, presidente e fundador da Cervejaria Petrópolis S A . Assim, temos fortes indícios de que Délcio seja uma espécie de “colaborador ou testa de ferro” do grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis” 56. No que se refere às filiais da JM, temos que estas também funcionaram em locais onde funcionam/funcionou estabelecimentos das seguintes empresas: Praiamar Indústria Comércio e Logística Ltda e Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda, dentre outras, como veremos mais Adiante”. Dados referentes à empresa PRAIAMAR “57. PRAIAMAR INDÚSTRIA COMÉRCIO & DISTRIBUIÇÃO LTDA., inscrita no CNPJ sob nº 00.851.567/000171, foi constituída em 11/10/1995, está ativa e com domicilio fiscal à rua da Alfândega, 115 13º andar, sala 15, Centro, Rio de Janeiro/RJ. O responsável perante o CNPJ é ROBERTO LUIS LOPES, CPF 025.953.14807. 58. Quadro societário: a) atual: Nome CPF/CNPJ Entrada Roberto Luis Ramos Fontes Lopes 025.953.14807 30/01/2002 EOURO Fomenpar Ltda. 11.181.150/000165 12/11/2009 b) anteriores: Nome CPF/CNPJ Saída Nelson Serafim Cagali 146.514.91804 18/08/1998 Marcos Antonio Cagali 215.110.80159 30/01/2002 Erico Cagali 343.314.76120 30/01/2002 Jéferson Cagali 239.376.88153 30/01/2002 Antonia Ramos Fontes 046.962.09865 15/07/2002 Zuquete Empree. E Participaç. Lt. 04.935.323/000128 12/03/2004 Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 20 Cadnell Co. S A. 06.014.422/000100 13/12/2006 Cadpark Participações Ltda. 07.786.995/000107 04/04/2007 FGJ Participações e Repres. (*) 00.435.135/000180 13/10/2005 (*) EOuro Fomenpar Participações Ltda. 59. Vejamos as pessoas (físicas e jurídicas) que participaram/participam do quadro societário a) Roberto Luis Ramos Fontes Lopes –CPF 025.953.14807 Alterou o nome junto ao cadastro da RFB em 09/09/2009 de Roberto Luis Lopes para Roberto Luis Ramos Fontes Lopes. Assim, conforme a data a que se referir os dados cadastrais, poderemos ter um nome ou outro, embora estejamos tratando da mesma pessoa. No cadastro da RFB consta como responsável pelo CNPJ de diversas empresas, todas elas de alguma forma ligadas com fabricação e distribuição de cerveja, como veremos a seguir: Período responsabilidade CNPJ Início Fim Nome Empresarial 03/01/2005 00.435.135/000180 FGJ PARTICIPACOES E REPRESENTACOES LTDA 30/01/2002 00.851.567/000171 PRAIAMAR INDUSTRIA COMERCIO & DISTRIBUICAO LTDA 05/03/2008 30/07/2008 02.228.942/000157 CIDAN DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 18/01/2008 02.297.972/000115 BASQUI DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP. (¹) 03/03/2008 06/08/2008 02.505.095/000120 MAREDON DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 27/02/2008 02.981.430/000167 WESA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 07/03/2008 04/08/2008 03.001.699/000100 HENRIMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 26/02/2008 29/10/2008 03.045.821/000132 PAELMA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 16/01/2006 03.227.676/000100 DIBEMILDISTRIB. DE BEBIDAS ESTRELA GUIA DE MURIAE LTDA. 24/03/2008 03.328.717/000155 MV DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA 11/03/2008 30/07/2008 03.503.311/000161 CORSIL DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 18/03/2008 04/12/2008 03.656.911/000160 TREVIRAMOS DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 20/03/2008 02/12/2008 03.927.394/000116 Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 12 21 MARQUES E NOVAES DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 14/05/2009 03.980.453/000110 LEGENDA COMERCIO E DISTRIBUICAO DE BEBIDAS LTDA 04/05/2009 04.188.888/000199 HELFRAN DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP 18/01/2008 25/11/2008 04.189.283/000112 RODRIMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 29/02/2008 05/11/2008 04.347.323/000107 FONTES & MENDES DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 20/02/2008 30/07/2008 04.349.686/000181 ZELAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 27/12/2007 04.370.574/000102 PETROKEFER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP 20/02/2008 13/11/2008 04.476.306/000170 LETON DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (¹) 20/02/2008 30/07/2008 04.498.910/000105 DACAM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 13/03/2008 04.558.802/000172 L.J. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA 26/02/2008 03/10/2008 04.606.181/000155 FONSENI DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 09/10/2001 17/07/2002 04.711.611/000107 F. G. J. COMERCIO E TRANSPORTES LTDA 19/02/2008 05/11/2008 04.733.565/000139 BICHOF & VIEIRA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 17/03/2008 30/07/2008 04.745.450/000164 EUGER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 20/11/2001 01/01/2003 04.771.939/000100 J.G.F. COMERCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA 20/02/2008 30/07/2008 04.958.223/000117 FONZOTO DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (¹) 18/01/2008 04.970.442/000111 ANWEL DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP 07/03/2008 04.972.110/000176 DREGES DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (¹) 20/02/2008 04/08/2008 05.063.997/000142 ALBENE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 20/02/2008 04/08/2008 05.065.012/000118 ARPANE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) Fl. 4220DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 22 28/02/2008 30/07/2008 05.066.879/000198 APAMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 29/02/2008 04/08/2008 05.068.241/000196 PATRIZ DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 18/01/2008 05.081.964/000125 MARESTA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP 18/01/2008 05.108.001/000178 HENLIRIO DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP 17/03/2008 04/08/2008 05.134.084/000170 LAUAN DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 28/02/2008 28/11/2008 05.229.515/000181 COMERCIAL SOL NASCENTE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 20/02/2008 05.229.534/000108 LEONAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. (¹) 26/02/2008 05.261.578/000115 ARIE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 27/02/2008 04/08/2008 05.365.583/000178 GUTO DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 06/12/2007 05.367.410/000199 AGUA BRANCA COMERCIO DE BEBIDAS LTDA 20/02/2008 05.383.760/000149 DARC DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA (¹) 29/02/2008 19/11/2008 05.468.758/000172 P D J DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 18/01/2008 08/04/2009 05.486.150/000170 RENTAN DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP. (¹) 07/11/2003 05.968.924/000108 INEPARK SA 26/02/2008 07/08/2008 06.000.045/000142 VITED DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP 14/05/2008 04/08/2008 06.257.713/000111 VESMAR DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA EPP (¹) 12/12/2007 06.928.904/000168 AGUAS CLARAS COMERCIO DE BEBIDAS LTDA 13/10/2005 06.958.578/000131 LEYROZ DE CAXIAS INDUSTRIA COMERCIO & LOGISTICA LTDA 14/03/2006 07.088.201/000131 ADNA 2004 DISTRIBUICAO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA (³) 30/12/2004 30/12/2004 07.092.842/000160 EFICER COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS EM GERAL LTDA (4) Fl. 4221DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 13 23 25/01/2006 07.148.127/000100 ELBIM&C INDUSTRIA E COMERCIO LTDA (2) 14/01/2008 07.204.526/000132 CRYSTALINA COMERCIO DE BEBIDAS LTDA (5) 17/03/2009 07.260.421/000109 FR SYSTEM SOFTWARE & INFORMATICA LTDA. 21/08/2006 07.464.468/000186 DIBEMIL DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ESTRELA GUIA DE PONTE N OVA LTDA EPP 24/08/2009 07.537.668/000111 AFA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LIMITADA 14/12/2005 23/09/2009 07.786.995/000107 CADPARK PARTICIPACOES LTDA 23/12/2008 08.074.638/000189 MINAS CEVA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA 17/06/2009 08.157.363/000147 CENTRO DE DIST. DE BEBIDAS LOKAL DE BELO HORIZONTE LTDA. 01/08/2008 08.206.045/000129 IBES INDUSTRIA COMERCIO & DISTRIBUICAO LTDA. 04/03/2009 08.395.567/000116 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LOKAL DO NORTE DE MINAS LTDA. 24/09/2007 08.420.216/000118 CONTROLLOG ASSESSORIA LOGISTICA & DISTRIBUICAO LTDA 09/11/2006 20/03/2007 08.423.926/000100 SOMAR LOCACAO DE VEICULOS LTDA 20/11/2008 08.492.421/000199 J M COMERCIO DE BEBIDAS E LOGISTICA LTDA 15/12/2006 08.545.763/000120 EMPRESARIAL ADM & IMOVEIS LTDA. 17/01/2007 08.597.504/000142 GEFIPLA INDUSTRIA, COMERCIO E LOGISTICA LTDA (²) 05/02/2007 24/03/2009 08.662.060/000181 ASSOCIACAO DOS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS PETROPOLIS 27/02/2007 08.679.153/000119 EOURO FOMENTO LTDA (²) 24/04/2007 08.779.943/000176 INDUSTRIA, COMERCIO E DISTRIBUICAO PRAIA MAR LTDA (²) 22/06/2007 08.934.181/000135 Fl. 4222DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 24 IMAPI INDUSTRIA & COMERCIO LTDA (²) 02/07/2007 08.957.036/000170 EOURO SUDOESTE IND. COM. & DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. 03/03/2008 09.154.794/000112 OPENPAR PARTICIPACOES LTDA 05/12/2007 09.243.340/000118 ROBERTO LUIS LOPES E OUTROS 11/08/2008 09.487.180/000152 ASSERTIVA CONSULTORIA E ASSESSORIA EM REC. HUMANOS LTDA 29/08/2008 10.307.895/000165 COL CENTRO OESTE LOGISTICA LTDA (²) 11/09/2008 10.332.197/000110 ACO ATIVOS CENTRO OESTE LTDA (²) 11/09/2008 10.335.108/000199 BCO BEBIDAS CENTRO OESTE LTDA (²) 15/10/2008 10.440.722/000110 IBEMDS INDUSTRIA, COMERCIO & LOGISTICA LTDA (²) 09/12/2008 10.524.011/000124 ROBERTO LUIS LOPES 08/06/2009 10.885.067/000104 INDUSTRIA DE BEBIDAS BRADPAR LTDA (²) 28/09/2009 11.181.150/000165 EOURO FOMENPAR PARTICIPACAO LTDA (²) 26/04/2010 11.861.577/000104 G21 INVESTIMENTOS & PARTICIPACOES INVESPAR S/A 03/09/2010 12.515.109/000140 G19 ADMINISTRACAO E PARTICIPACOES GESPAR LTDA. 03/09/2010 12.515.130/000146 G20 REPRESENTACOES, PARTICIPACOES REPPAR LTDA. 28/06/2006 37.300.332/000100 PRAIAMARES INDUSTRIA COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA (²) 05/03/2009 41.693.268/000133 LIBREAL INDUSTRIA, COMERCIO E DISTRIBUICAO DE BEBIDAS LT 11/05/2009 41.902.875/000166 IMPERIAL DISTRIBUIDORA LTDA 19/05/2004 71.059.521/000162 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ABC INDUSTRIA & COMERCIO LTDA Fl. 4223DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 14 25 (¹) Todas essas empresas estão/estiveram estabelecidas à Rua Marechal Floriano,832 apt. 101, Bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias RJ. Muitas delas encontramse “baixadas” no cadastro da RFB. (²) Todas essas empresas estão estabelecidas à Rua da Alfandega, 115, 13º andar Rio de JaneiroRJ (só muda o nº da sala), o mesmo endereço da PRAIAMAR Ind. Com. & Distribuição Ltda. A empresa LEYROZ de Caxias Ind. Com. & Logística Ltda. fez parte do quadro societários da empresa Gefipla Ind. Com e Logística Ltda. (³) sócios: Roberto Luis Ramos Fontes Lopes; EOuro Fomento Ltda; FGJ Participações. Sócios anteriores: Arnaldo Kardec da Costa e Cadpark Participações Esta empresa também está localizada à Rua da Alfândega, 115, 13º andar Centro Rio de JaneiroRJ. (4) sócios: Cervejaria São Paulo S A; Arnaldo Kardec da Costa. Sócios anteriores: Cervejaria Petrópolis S A; Clerio da Silva Faria; Praiamar Ind. Com & Distribuição Ltda.; K2 Ind. Com. E Logística Ltda (antiga JM); Sidnei Donizeti Gonçalves Leite (5) sócios: Roberto Luis Ramos Fontes Lopes e Leyroz de Caxias Ind. Com. & Logística Ltda. De suas declarações de ajuste anual verificamos que: a1) nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 recebeu rendimentos tributáveis da ordem de R$ 18.832,26, R$ 23.700,00, R$ 36.372,58, R$ 33.993,80, R$ 35.000,00 e R$ 123.767,00, respectivamente; a2) seu patrimônio que em 1999 era de R$ 264.373,06 com uma dívida de R$ 160.500,00, evolui para R$ 2.710.808,20 com uma dívida de 1.776.614,06 em 2006; a3) nos anos de 2000 e 2001 recebeu empréstimos de Walter Faria no montante de R$ 300.000,00, sendo R$ 150.000,00 em cada um deles. Nesses dois anos adquiriu quotas das empresas FGJ Comercio e Transportes Ltda. – CNPJ 04.711.611/000107, JGF Comercio e Distribuidora de Bebidas Ltda. – CNPJ 04.771.939/000100, Lopes e Ferreira Comercial Ltda – CNPJ 02.228.942/000157 e ações da empresa Itaipu Rio Distribuidora de Bebidas S/A, esta última adquirida de Vanue Antonio Silva Faria – CPF 084.373.03826 e de Cleber da Silva Faria – CPF 087.854.91888, ressaltando que Walter Faria também participou do quadro societário dessa empresa; a4) Em 2002 vendeu sua participação na Itaipu Rio Distribuidora de Bebidas S/A para DELCIO MARTINS SILVA – CPF 319.316.69872; adquiriu cotas de capital da PRAIMAR; a5) No curso desse mesmo ano adquiriu de Distribuidora de Bebidas SOL NASCENTE Ltda. – CNPJ 02.301.108/000140 31.200 caixas plásticas padrão 600 ml, e vendeu 28.250 delas com um ganho extraordinário em torno de 350%, que lhe propiciou ganhos de capital por volta de R$ 180.000,00. Cabe dizer que a empresa SOL NASCENTE tem em seu quadro acionário as empresas Distribuidora de Bebidas ALTO DA MANTIQUEIRA Ltda e COTRALDI Distribuidora de Bebidas Ltda, e que seu representante perante a SRFB, a exemplo dessas, é o Sr. Delcio Martins da Silva. Fl. 4224DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 26 a6) Em 2003 essa operação se repetiu, adquiriu mais 10.584 cx plásticas da SOL NASCENTE e as revendeu com um ganho de capital de R$ 113.000,00 que representa cerca de 600% de lucro. Nesse mesmo ano, sua participação na PRAIAMAR que era de R$ 218.020,00, passou para 500.000,00. a7) Em 2004 adquiriu quotas da Distribuidora de Bebidas ABC, CNPJ 71.059.521/000162, no valor de R$ 90.000,00. Alienou bens para Transportadora Rio Itaipu Ltda. e PRAIAMAR (de que era e é sócio) obtendo ganho de capital de R$ 79.490,00; a8) Em 2005 emprestou R$ 1.000.000,00 da PRAIAMAR; Integralizou capital no valor de R$ 250.000,00 na empresa Distribuidora de Bebidas ABC; e adiantou para futuro aumento de capital da Empresa FGJ Participações & Representações Ltda o valor de R$ 560.000,00; a9) Em 2006 quitou o empréstimo da PRAIMAR e criou uma dívida junto a LEYROZ de Caxias Ind. Com. & Logística Ltda, CNPJ 06.958.578/000131, no montante de R$ 1.776.614,06. Integralizou capital nas empresas AGUA DOCE Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ 07.148.127/000100 (R$ 58.800,00, ADNA 2004 Distribuição de Gêneros Alimentícios Ltda, CNPJ 07.088.201/000131 (R$ 25.000,00), DIBIMIL Distribuidora Bebidas Estrela Guia Ponte Nova Ltda, CNPJ 07.464.468/000186 (R$ 22.800,00), LEYROZ Duque de Caxias Ind. Com. & Logística, CNPJ 06.958.578/000131 (R$ 196.000,00), DIBIMIL – Distribuidora de Bebidas Estrela Guia de Muriae Ltda, CNPJ 03.227.676/0001 00 (R$ 432.000,00). Efetuou adiantamento para futuro aumento de capital da empresa AGUA DOCE Distr. de Bebidas (R$ 275.000,00). a10) Todas essas empresas tem algum vinculo com o referido grupo econômico. Ou tem sócio comum, ou estão estabelecidas no mesmo endereço, ou até mesmo ambos. Como podemos perceber das declarações apresentadas por Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, os rendimentos se mostram muito reduzidos frente às participações societárias que possui. Seu patrimônio declarado e os rendimentos não correspondem às participações societárias – movimenta elevadas quantias que não se refletem em seus rendimentos e patrimônio. Segundo “Consulta Vínculos Empregatícios do Trabalhador”, Roberto Luis Lopes passou a trabalhar para o Sr Walter Faria, sóciodiretor da Cervejaria Petrópolis, desde 01/10/1987, quando ingressou na empresa Walter Faria Transportes. E, como vimos acima, permanece ligado a ele até os dias de hoje. Do exposto, verificase que Roberto Luis Ramos Fontes Lopes não apresenta condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração das empresas em que consta como responsável ou como sócio cotista, mostrando fortes indícios de que seja uma espécie de “colaborador” ou “testa de ferro” do grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis”. b) EOURO Fomenpar Ltda. CNPJ 11.181.150/000165 Foi constituída em 28/09/2009, está ativa e com domicílio fiscal na Rua Alfândega, 115, 13º andar, sala 20, Centro, Rio de Janeiro/RJ. O responsável e sócioadministrador é Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, CPF 025.953.14807, que,como vimos, mantém forte ligações com o “Grupo Cervejaria Petrópolis”. c) Nelson Serafim Cagali – CPF 146.514.91804, domiciliado na Qd CSG 04, 07 Lote, Taguatinga, BrasíliaDF; Marcos Antonio Cagali – CPF 215.110.80159, domiciliado na Qd SQSW 306 Bloco E, 310, Apto., Sudoeste, BrasíliaDF; Erico Fl. 4225DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 15 27 Cagali – CPF 343.314.76120; domiciliado na Qd SHIS QI 25 Cj., 05, Lote 16, Lago Sul , BrasíliaDF; e Jéferson Cagali – CPF 239.376.881 53, domiciliado na Qd 204 Bloco G, 404 Apto., Águas Claras, BrasíliaDF, foram sócios da PRAIAMAR no período de 18/08/1998 a 30/01/2002. d) Antonia Ramos Fontes – CPF 046.962.09865 Mãe de Roberto Luis Lopes, domiciliada a Rua Osvaldo Leite de Lima, 512, Pq. Esplanada, Boituva/SP, participou do quadro societário da PRAIAMAR de 31/01/2002 a 15/07/2002. Além desta, participou das seguintes empresas: J.G.F. Comercio e Distr. De bebidas Ltda., CNPJ 04.711.611/000107, e F.G.J Com. E Transportes Ltda., CNPJ 04.711.611/000107. Declarou rendimentos no montante de R$ 13.840,00, R$ 2.320,00 e R$ 0,00 relativos aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. Seu patrimônio não ultrapassou o montante de R$ 18.176,05 nesses períodos. Como se vê, tratase de pessoa física que não possuía capacidade financeira, tampouco patrimônio compatível com a atividade empresarial. e) Zuquete Empree. E Participaç. Lt. – CNPJ 04.935.323/000128 Empresa de Walter Faria e de Cleber Silva Faria, sóciosdiretores da Cervejaria Petrópolis; fez parte do quadro societário da PRAIAMAR com 93,04% do capital social no período de 15/07/2002 até 12/03/2004. f) Cadnell Co. S A. – CNPJ 06.014.422/000100 Empresa domiciliada no Uruguai, fez parte do quadro societário da PRAIAMAR com 93,04% do capital social no período de 12/03/2004 até 13/12/2006, tendo como procurador MARCIO MAURO DIAS LOPES, CPF 359.479.18900. g) Cadpark Participações Ltda. – CNPJ 07.786.995/000107 Localizada na R. Xavier Pinheiro, 190, Sala 201, Parte D 1º andar, Pq. Duque, Duque de CaxiasRJ, fez parte do quadro societário da PRAIAMAR com 93,04% do capital social no período de 12/03/2004 até 04/04/2007. Baixada por liquidação voluntária em 23/09/2009. Fizeram parte de seu quadro societário as seguintes pessoas física e jurídicas: Roberto Luis Ramos Fontes Lopes – CPF 025.953.14807, INEPARK S/A – CNPJ 05.968.924/000108, e Candell CO S/A – 06.014.422/000100. Essas duas últimas localizadas no exterior, também tem como procurador o Sr. Marcio Mauro Dias Lopes. h) FGJ Participações e Representações Ltda – 00.435.135/000180 (atual E Ouro Fomenpar Participações Ltda) Fez parte do quadro societário da PRAIAMAR com 93,04% do capital social no período de 04/04/2007 até 12/11/2009. Foi constituída em 15/02/1995, está ativa e com domicílio fiscal na Avenida Pastor Martin Luther King Junior, 126, bloco 01, sala 368 A, Bairro Inhaúma, Rio de Janeiro/RJ. O responsável e sócioadministrador com 98,5% do capital social é Roberto Luis Lopes, CPF 025.953.14807, que como vimos mantém ligações com o ”Grupo Cervejaria Petrópolis”, bem como funcionou em locais onde funcionaram/funcionam empresas do Grupo. i) EOuro Fomento Ltda. – 08.679.153/000119 Fez parte do quadro societário da PRAIAMAR com 93,04% do capital social no período de 02/02/2007 até 28/06/2010. Foi constituída em 27/02/2007, está ativa e com domicílio fiscal na Rua Alfândega, 115, 13º andar, sala 19, Centro, Rio de Janeiro/RJ. O responsável e sócioadministrador com 98,5% do capital social é Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, CPF 025.953.14807, que mantém ligações com o Grupo Petrópolis como Fl. 4226DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 28 vimos acima. Foi sócio da empresa o menor João Fontes Lopes Neto (de 27/02/2007 a 23/07/2009). Da mesma forma que vimos num caso acima, embora não seja ilegal, soa como atípico. 60. Em fiscalização junto a PRAIAMAR, obtivemos cópia de contrato onde esta pagaria a CERVEJARIA PETRÓPOLIS o total de R$ 512.400.000,00 (quinhentos e doze milhões e quatrocentos mil reais), pela “cessão de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento de produto”. Conforme tal documento, denominado “Instrumento Particular de Cessão de Área para Distribuição Exclusiva e Garantia de Fornecimento de Produto”, esta cessão deveria encerrar em 01/01/2015 (dez anos de vigência). O Distrato Contratual que dissolveu quaisquer direitos e obrigações decorrentes do primeiro foi assinado em 31/12/2005 (após um ano de vigência). 61. Conforme os livros Diário e Razão apresentados, PRAIAMAR pagou a CERVEJARIA PETRÓPOLIS, durante o anocalendário de 2005, R$ 206.242.721,69 (duzentos e seis milhões, duzentos e quarenta e dois mil, setecentos e vinte e um reais e sessenta e nove centavos), a título de adiantamento pela cessão de área. Não consta que essa quantia tenha sido devolvida com o termino do contrato antes do prazo 62. Ficou constatado que a PRAIAMAR teria a exclusividade de distribuição dos produtos da CERV. PETRÓPOLIS em todo o território nacional, exceção aos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, cuja distribuição exclusiva, a fiscalizada repassou a empresa JM. Na pratica, nada disso ocorreu. Conforme os arquivos fiscais apresentados tanto pela PRAIAMAR, como pela JM, verificouse que ambas venderam os produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS nas regiões onde não detinham exclusividade. 63. Concluise que estas operações foram simuladas e realizadas com o único propósito de transferir grande volume de recursos para a CERVEJARIA PETRÓPOLIS”. Dados referentes à empresa LEYROZ “64. LEYROZ DE CAXIAS INDUSTRIA COMERCIO & LOGÍSTICA LTDA., inscrita no CNPJ sob nº 06.958.578/000131, foi constituída em 25/08/2004, está ativa e com domicilio fiscal à Rod. Washington Luiz, 696, sala 5, Pq. Duque, Duque de Caxias/RJ. Possui 27 filiais espalhas pelos estados da Federação, principalmente região Sudeste, conforme consta dos extratos do sistema CNPJ. 65. Foi constituída na mesma época em que ingressou com ação judicial para se eximir do pagamento do IPI com base em pautas fiscais, e somente após conseguir sentença favorável é que a empresa passou a operar de fato, efetuando alterações no quadro societário, razão social, endereço e no capital social. 66. Quadro societário da LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística. atual: Nome CPF/CNPJ Entrada Roberto Luis Ramos Fontes Lopes 025.953.14807 13/10/2005 EOuro Fomento Ltda. 08.679.153/000119 01/02/2008 EOURO Fomenpar Ltda. 11.181.150/000165 17/11/2009 anteriores: Nome CPF/CNPJ Saída Willame Costa Araujo 041.578.92739 13/10/2005 Fl. 4227DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 16 29 Alexsander Machado Martins 072.069.20756 13/10/2005 Walter Alves da Silva 014.159.86703 13/10/2005 Marcelo de Oliveira Brito 052.066.88711 13/10/2005 EOuro Fomenpar Participações Ltda. 00.435.135/000180 17/11/2009 67. Vejamos as pessoas (físicas e jurídicas) que participaram/participam do quadro societário da empresa LEYROZ: a) ROBERTO LUIS RAMOS FONTES LOPES –CPF 025.953.14807 Como já vimos acima Roberto Luis Ramos Fontes Lopes (Roberto Luis Lopes) não apresenta condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração das empresas em que consta como responsável ou como sócio cotista, mostrando fortes indícios de que seja uma espécie de “colaborador ou testa de ferro” do grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis”. b) EOuro Fomento Ltda. – CNPJ 08.679.153/000119 Foi constituída em 27/02/2007, está ativa e com domicílio fiscal na Rua Alfândega, 115, 13º andar, sala 19, Centro, Rio de Janeiro/RJ. O responsável e sócioadministrador com 98,5% do capital social é Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, CPF 025.953.14807, que mantém ligações com o Grupo Petrópolis como vimos acima. Foi sócio da empresa o menor João Fontes Lopes Neto (de 27/02/2007 a 23/07/2009). Da mesma forma que vimos num caso acima, embora não seja ilegal, soa como atípico. c) EOURO Fomenpar Ltda. CNPJ 11.181.150/000165 Foi constituída em 28/09/2009, está ativa e com domicílio fiscal na Rua Alfândega, 115, 13º andar, sala 20, Centro, Rio de Janeiro/RJ. O responsável e sócioadministrador é Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, CPF 025.953.14807, que mantém estreitas ligações com o “Grupo Cervejaria Petrópolis” como vimos acima. d) EOURO FOMENPAR PARTIC. LTDA. CNPJ 00.435.135/000180 A empresa foi constituída em 15/02/1995, está ativa e com domicílio fiscal na Avenida Pastor Martin Luther King Junior, 126, bloco 01, sala 368 A, Bairro Inhaúma, Rio de Janeiro/RJ. O responsável e sócioadministrador com 98,5% do capital social é Roberto Luis Lopes. Funcionou em locais onde funcionaram/funcionam empresas do Grupo. e) WILLAME COSTA ARAUJO – CPF 041.578.92739 Domiciliado na R J O Machado, s/n, Qd. 23 Lt. 9 Fundos, Gramacho, Duque de CaxiasRJ, foi sócio responsável da LEYROZ no período de 25/08/2004 a 13/10/2005. No ano de 2004, além da LEYROZ, passou a participar do quadro societário de quatro outras empresas – ACADE 2000 Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda, CNPJ 06.958.566/000107 da qual é o responsável perante a SRFB; ZEUGMA Distribuidora Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 06.347.626/000155; RIO MONTE Distribuidora Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 06.347.6966/000105; e DEDUQUE 2004 Distribuidora Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 06.965.568/000123, da qual foi responsável perante a SRFB. Em cada uma elas sua participação foi de R$ 100.000,00, sendo que R$ 10.000,00 foram integralizados em 2004, restando o saldo a integralizar de R$ 90.000,00. Dessas outras quatro empresas apenas a ACADE 2000 (omissa DIPJ) permanece “ativa”, as demais tiveram o CNPJ baixado no início do ano de 2005. Relativamente aos anoscalendário de 2004 e 2005, todas apresentaram DIPJ – INATIVA. Fl. 4228DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 30 Não consta nos sistemas da RFB que tenha recebido rendimentos das empresas citadas acima no ano de 2004 ou posteriores. Apresentou Declaração de Ajuste Anual Simplificada – 2005, anocalendário 2004, onde aponta ter recebido rendimentos tributáveis de pessoa física no montante de R$ 60.000,00, que lhe deu suporte para sua variação patrimonial – os “bens e direitos” passou de R$ 0,00 correspondente a situação em 31/12/2003 para R$ 500.000,00 em 31/12/2004, enquanto que as “dívidas e ônus reais” registram o valor de R$ 450.000,00, correspondente ao capital a integralizar. Não foi apresentada declaração para os demais anos. f) ALEXSANDER MACHADO MARTINS – CPF 072.069.20756 Domiciliado na R Bernardino Campos, s/n, Quadra 25, Lote 15, Olavo Bilac, Duque de Caxias/RJ, foi sócio da LEYROZ no período de 25/08/2004 a 13/10/2005. No ano de 2004, além da LEYROZ, passou a participar do quadro societário de quatro outras empresas – ACADE 2000 Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda, CNPJ 06.958.566/000107; ZEUGMA Distribuidora Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 06.347.626/000155; RIO MONTE Distribuidora Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 06.347.6966/000105; e MONTE BELLUNO Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 06.958.618/000145. Em cada uma elas sua participação foi de R$ 100.000,00, sendo que R$ 10.000,00 foram integralizados em 2004, restando o saldo a integralizar de R$ 90.000,00. Dessas empresas apenas a ACADE 2000 (omissa DIPJ) permanece “ativa”, a ZEUGMA e a RIO tiveram o CNPJ baixado no início do ano de 2005, e a MONTE BELLUNO (atual THALHIDDY Distribuidora de Alimentos Ltda.) foi declarada “inexistente de fato” em 29/12/2009, sendo o CNPJ “suspenso”. Exceção feita a MONTE BELLUNO, que apresentou a DIPJ pelo Lucro Real, as demais apresentaram DIPJ – INATIVA. Não consta nos sistemas da SRFB que tenha recebido rendimentos das empresas citadas acima no ano de 2004 ou posteriores. Até o anocalendário de 2003 apresentou declaração de isento. Na Declaração de Ajuste Anual Simplificada – 2005, anocalendário 2004, e aponta ter recebido rendimentos tributáveis de pessoa física no montante de R$ 60.000,00, que lhe deu suporte para sua variação patrimonial – os “bens e direitos” passaram de R$ 0,00 correspondente a situação em 31/12/2003 para R$ 500.000,00 em 31/12/2004, enquanto que as “dívidas e ônus reais” registram o valor de R$ 450.000,00, correspondentes ao capital a integralizar. g) WALTER ALVES DA SILVA – CPF 014.159.86703 Domiciliado na Rua Numa Pompilito, 0, Lote 08, Quadra 23, Olavo Bilac, Duque de CaxiasRJ, foi sócio da LEYROZ, da qual foi representante perante o cadastro na RFB no período de 02/03/2005 a 13/10/2005. Não consta nos sistemas da SRFB que tenha recebido rendimentos. Apresentou relativamente aos anoscalendário de 2000, 2003, 2004 e 2006 declaração de isentos, sendo omisso em relação aos demais períodos. h) MARCELO DE OLIVEIRA BRITO – CPF 052.066.88711 Domiciliado na Rua Curuçá, s/n, Quadra 21, Lote 15, Olavo Bilac, Duque de CaxiasRJ, foi sócio da LEYROZ no período de 25/08/2004 a 13/10/2005. Não consta nos sistemas da RFB que tenha recebido rendimentos. Apresentou relativamente aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2006 declaração de isentos, sendo omisso em relação aos demais períodos. 68. Vêse que essas pessoas físicas que constituíram a LEYROZ não possuíam capacidade financeira para tal, tampouco patrimônio compatível com a Fl. 4229DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 17 31 atividade empresarial. Seus rendimentos foram oriundos de pessoa física e se prestaram apenas para suportar a variação patrimonial decorrente da constituição das sociedades mencionadas. Apresentam características próprias de interposta pessoa. 69. Após obter a liminar que lhe assegurou o não recolhimento do IPI com base na Pauta Fiscal, a LEYROZ intensificou suas atividades, abriu 26 filiais, e o controle societário passou para Roberto Luis Ramos Fonte Lopes que, como vimos, mantém estreitos vínculos com o Grupo Cervejaria Petrópolis. 70. A transferência desse controle societário deuse de forma direta, em nome do próprio Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, e de forma indireta através das empresas EOuro Fomento Ltda. – CNPJ 08.679.153/000119, EOURO Fomenpar Ltda. CNPJ 11.181.150/000165, e EOURO FOMENPAR PARTIC. LTDA. CNPJ 00.435.135/000180, das quais ele participa majoritariamente. 71. Além das pessoas físicas vistas nos itens anteriores, cabe destacar a participação de ARNALDO KARDEC DA COSTA, CPF 198.823.94787, que constou como Responsável pelo preenchimento das DIPJ dos anoscalendários de 2002 e 2003 da empresa Cervejaria Petrópolis S A. Participa/participou do quadro societário e representa perante o CNPJ as seguintes empresas, todas de alguma forma ligadas à Cervejaria Petrópolis, conforme veremos a seguir: Período responsabilidade CNPJ Início Fim Nome Empresarial 07.088.201/000131 ADNA 2004 DISTRIBUICAO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA 15/12/2005 07.092.842/000160 EFICER COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS EM GERAL LTDA (¹) 22/01/2009 07.810.028/000133 COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORT. DE GENEROS ALIMENT. FOCO LTDA (²) 04/01/2008 08.272.174/000115 LI'SARB'RASD PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS LTDA. (³) 05/07/2005 59.050.930/000100 (4) CERVEJARIA SAO PAULO S A (¹) Encontrase inapta. Participam/participaram do quadro social: Sócios atuais : Cervejaria São Paulo S A e Arnaldo Kadec da Costa; Sócios anteriores: Cervejaria Petrópolis S A, Clerio da Silva Faria (diretor da Cervejaria Petrópolis), Praiamar Ind. Com & Distrib. Ltda e Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, JM e Sidnei Donizeti Gonçalves Leite. (²) Sócios: EFICER com. De Gêneros Aliment. Em Geral Ltda, e Arnaldo Kardec da Costa. (³) Sócios anteriores: K2 Industria Com. E Logística Ltda. (antiga JM) e Sidnei Donizeti Gonçalves Leite; Sócios atuais: Cervejaria São Paulo e Arnaldo Kardec da Costa. Fl. 4230DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 32 (4) A Cervejaria São Paulo é presidida pelo próprio Arnaldo e tem como diretor Claudemir Rocha. A exemplo de outros, ARNALDO KARDEC DA COSTA não apresenta condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração das empresas em que consta como responsável ou como sócio, mostrando fortes indícios de que também seja uma espécie de “colaborador ou testa de ferro” do grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis”. 72. Diversos estabelecimentos das empresas acima citadas funcionam ou funcionaram nos mesmos endereços de outras empresas ligadas ao Grupo Petrópolis, conforme segue: a) R. DA ALFANDEGA, 115, 13º ANDAR, CENTRO, RIO DE JANEIRO RJ LEYROZ de Caxias Ind. Com. & Logística Ltda. PRAIAMAR Ind. Com. & Distribuição Ltda. ADNA 2004 Distrib. De Gêneros Alimentícios Ltda. EOURO Fomento Ltda. EOURO Fomenpar Ltda. PRAIAMARES Ind. Com e Representação Ltda. b) RODOVIA WASHINGTON LUIZ 696 E 726 DUQUE DE CAXIAS/RJ Na verdade este endereço, embora constem dois números, compõese de um único imóvel. J M Industria comércio e Logística Ltda. (Atual K2) CERVEJARIA Petrópolis S/A PRAIAMAR Industria Comércio e Logística Ltda. LEYROZ De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda. COPACABANA Comercial Ltda. ADNA 2004 Distribuidora de Bebidas Ltda. ITAIPU Rio Distribuidora de Bebidas Ltda. AGP RJ Participações Ltda. Comercial LEFRAN Distribuidora de Bebidas Ltda. nome de fantasia é J M INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA Ltda. c) Na mesma Rodovia, no número 545, funcionou a sede da empresa Eficer Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. d) RUA FRANCISCO SOUZA E MELO, 251, RIO DE JANEIRORJ J M Industria comércio e Logística Ltda. PRAIAMAR Industria Comércio e Logística Ltda. LEYROZ De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda. ADNA 2004 Distribuidora de Bebidas Ltda. CERVEJARIA São Paulo S/A Distribuidora de Bebidas ABC Ltda. ELBIM& C Indústria Ltda. Comercial LEFRAN Distribuidora de Bebidas Ltda. e) RUA MESTRE GOMES, 613, GLÓRIA, VILA VELHAES J M Industria comércio e Logística Ltda. PRAIAMAR Industria Comércio e Logística Ltda. Fl. 4231DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 18 33 LEYROZ De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda Transportadora RIO ITAIPU LTDA. f) RUA XAVIER PINHEIRO, 190, 1º ANDAR, DUQUE DE CAXIAS/RJ J M Industria comércio e Logística Ltda. LEYROZ De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda Transportadora RIO ITAIPU LTDA. COPACABANA Comercial Ltda. LABIM Empreend. E Particip. Ltda. CERVEJARIA São Paulo S/A g) ESTRADA MIGUEL SALAZAR MENDES DE MORAES, 1093, RIO DE JANEIRORJ J M Industria comércio e Logística Ltda. LEYROZ De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda ITAIPU Rio Distribuidora de Bebidas Ltda. COTRALDI Distribuidora de Bebidas Ltda. Comercial LEFRAN Distrib. de Bebidas h) RODOVIA MARECHAL RONDON S/N KM 112 ITUSP ITAIPU Rio Distribuidora de Bebidas Ltda PRAIAMAR Industria Comércio e Logística Ltda”. Por tudo que foi consignado nos parágrafos precedentes, o processo produtivo e comercial de cervejas e chopes, envolvidas a fiscalizada, JM, PRAIAMAR e LEYROZ, caracteriza a formação de um grupo econômico de fato, designado pela autoridade fiscal como “Grupo Cervejaria Petrópolis”, tendo como empresamãe a Cervejaria Petrópolis S/A, beneficiária do esquema tendente à supressão do IPI (não destacado, não declarado e não recolhido) que configura, inclusive, concorrência desleal. Embora de aparência legal, as empresas citadas anteriormente constituem satélites da Cervejaria Petrópolis S/A que foram utilizadas para a fruição de vantagens tributárias, incluídas a blindagem quanto ao IPI, e não atenderam às solicitações reiteradas da fiscalização, assim como no caso da própria Cervejaria Petrópolis S/A. Nos termos do relatório fiscal: “Ficou evidente que os sócios da JM Industria Comercio e Logística Ltda., LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda., PRAIAMAR Industria Comercio & Distribuição Ltda. distribuidoras de cerveja, e de outras a elas ligadas, não apresentam ou apresentavam condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração dessas empresas. Tampouco seus rendimentos, e patrimônio mostramse compatíveis com as quantias que teriam movimentado. Seus rendimentos originamse em parte de pessoas físicas (não identificadas), e suas participações societárias são na maioria das vezes financiadas pelas próprias empresas, ou até mesmo por pessoa física a elas ligadas. SIDNEI DONIZETI GONÇALVES LEITE, DÉLCIO MARTINS DA SILVA, ROBERTO LUIS RAMOS FONTES LOPES e ARNALDO KARDEC DA COSTA, como vimos, apresentam as características próprias de interpostas pessoas”. Fl. 4232DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 34 Na formalização de consulta perante a Administração Tributária, a fiscalizada agiu de máfé ao omitir a existência do grupo econômico, da qual a cliente JM faz parte. Na verdade, por controlar de fato a empresa JM (impetrante do Mandado de Segurança referido alhures), a fiscalizada não teria capacidade postulatória para efeito de consulta administrativa. Portanto, por não ter observado o disposto na Lei nº 9.748/99, art. 4º, ou seja, por não ter exposto a verdade dos fatos e não ter procedido com lealdade e boafé, a Solução de Consulta não pode produzir efeitos. Ainda mais, as normas concernentes ao processo de consulta (Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007) foram violadas, mais especificamente conforme o seguinte dispositivo: “Art. 15 Não produz efeitos a consulta formulada: I com inobservância dos arts. 2º a 5º; II em tese, com referência a fato genérico, ou, ainda, que não identifique o dispositivo da legislação tributária sobre cuja aplicação haja dúvida; III por quem estiver intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; IV sobre fato objeto de litígio, de que o consulente faça parte, pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial;”(g.m.) A simulação descrita e comprovada mediante diversos elementos probatórios nos autos configura a prática de crime contra a ordem tributária ( Lei nº 8.137/90, art. 1º). Por todo o exposto, afastada a Solução de Consulta, a sujeição passiva quanto ao lançamento efetuado deve recair sobre a Cervejaria Petrópolis S/A, contribuinte de direito do tributo como fabricante dos produtos, e tal é o entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça em recente julgado relatado pelo Ministro Luiz Fux no REsp 903394/AL: “Malgrado as Turmas de Direito Público venham assentando a incompatibilidade entre o disposto no artigo 14, § 2º da Lei 4502/65, e o artigo 47, II, “a” do CTN (indevida ampliação do conceito de valor da operação, base de cálculo do IPI, o que gera o direito à restituição do indébito), o estabelecimento industrial (in casu o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos”.(g.m.) O lançamento de ofício para constituição do crédito tributário é inafastável, ex vi do CTN, art. 142, caput e § único. Em ambos os casos, nas saídas para as empresas JM e LEYROZ, há ação judicial em trâmite, porém o lançamento se reporta à legislação vigente à época dos fatos geradores. Quanto à JM, sendo o cálculo do IPI determinado pelo TRF da 2ª Região com base nos dados reais das mercadorias mais oneroso para o sujeito passivo (conforme demonstrado em planilha inserta no relatório fiscal, fl. 2.292), foi aplicada a legislação da época: pauta fiscal. No caso da LEYROZ, houve a concessão de liminar para a suspensão da exigibilidade do IPI incidente nas aquisições de produtos segundo a sistemática de pauta fiscal, contudo, foi obtido pela Fazenda Nacional, posteriormente, o efeito suspensivo quanto à referida liminar. Foram elaborados demonstrativos com as vendas sem destaque de IPI para as empresas JM e LEYROZ, com base em pauta fiscal e segundo os dados obtidos no Fl. 4233DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 19 35 sistema SINTEGRA. No caso da JM, em virtude da decisão judicial, foi feito um demonstrativo das saídas sem IPI com a aplicação de alíquota “ad valorem”. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL, MULTAS E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Foi empreendida, em demonstrativo, a reconstituição da escrita fiscal, em virtude da glosa de créditos e das saídas sem destaque do imposto. Foi imposta a multa de ofício qualificada (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 80, II, e Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 45) em razão do emprego de expediente simulatório para a supressão de tributo, e majorada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 46) em virtude do nãoatendimento sistemático de intimações para a prestação de esclarecimentos. Por conta de circunstâncias qualificativas observadas, foi formalizada a representação fiscal para fins penais sob o nº 10855.720714/201011. IMPUGNAÇÃO Notificado em 26/10/2010, o sujeito passivo ingressou em 25/11/2010 com a impugnação subscrita pelo respectivo patrono e com documentação agregada. É, em síntese, a seguinte a argumentação articulada em 70 (setenta) páginas: Sendo o IPI um tributo sujeito a lançamento por homologação, há, conforme jurisprudência e doutrina, a caracterização da decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 26/10/2005, tendo sido a impugnante cientificada da exigência, por intimação, em 26/10/2010; Segundo o ato constitutivo da impugnante, no art. 2º, “constitui objeto da sociedade a industrialização, a comercialização, a distribuição, a importação e a exportação de bebidas em geral”, ou seja, a empresa estava habilitada para a produção de refrigerantes, tendo o parque industrial condições para tal, ao contrário da afirmação da autoridade fiscal, sendo que parte da produção foi feita por meio de terceiros com remessa à industrialização em prestação de serviços, conforme notas fiscais anexas; Os créditos de aquisições de insumo produzido pelas empresas STRATUS, ÓTIMO e CONCENTRE, localizadas na Zona Franca de Manaus, foram escriturados no livro Registro de Apuração do IPI e correspondem às notas fiscais anexas; os códigos de CFOP correspondem a: transferência de produção de outro estabelecimento com recolhimento de IPI; transferência de mercadoria com recolhimento de IPI; venda do estabelecimento remetida para industrialização por conta e ordem sem transitar pelo adquirente; venda de produção do estabelecimento; Os produtos geradores de créditos sofreram processo de industrialização, tendo sido encaminhados às empresas NUTRISERVICE, CONCENTRE e ÓTIMO para industrialização por encomenda, conforme notas fiscais anexas; ou seja, há comprovação documental e para o auto de infração prosperar a documentação teria que ser declarada nula; houve o retorno do produto acabado conforme pode ser verificado pelas notas fiscais de retorno de industrialização; há a isenção nas saídas dos fornecedores e o crédito é garantido (Decretolei nº 1.435/75, art. 6º, caput e § 1º); a utilização dos créditos é prevista na Lei nº 9.779, art. 11; notas fiscais com os créditos discriminadas em planilha inserta na impugnação; os documentos carreados à impugnação comprovam a origem dos créditos indevidamente glosados e “sempre estiveram e continuarão à total disposição dos agentes públicos”; Fl. 4234DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 36 Quanto aos créditos referentes a janeiro, fevereiro, março e novembro de 2005, de mercadorias adquiridas e revendidas sem nenhum processo de industrialização, a afirmação de que seriam indevidos não procede, pois houve a industrialização por encomenda pelas empresas NUTRISERVICE, ÓTIMO e CONCENTRE, estando a empresa técnica e legalmente habilitada ao processamento de refrigerantes; a ausência de alteração de classificação fiscal não afasta a existência de processo industrial; o peso indicado em nota fiscal não tem nível de detalhamento ou precisão; houve adição de outros insumos, sem alteração do peso, como benzoato de sódio e aromatizantes que implicam beneficiamento (documentação anexa) e a colocação de lacre e etiqueta representa reacondicionamento; a informação de origem do produto nos extratos SISCOMEX não altera o tipo de operação realizada; notas fiscais de remessa de demais insumos encaminhados às referidas empresas, assim como as notas de retorno e de prestação de serviços como documentação anexa; Quanto à falta de recolhimentos, a impugnante ficou impedida de praticar atos contrários às decisões judiciais referentes às empresas JM e LEYROZ que determinam a suspensão da exigibilidade do IPI; Quanto à Solução de Consulta, há a impossibilidade jurídica da anulação dos respectivos efeitos pelo auto de infração, conforme doutrina; o Fisco deve buscar o instrumento cabível para a desconstituição do ato jurídico por vício de validade; a impugnante, ao formalizar a consulta, expôs a verdade dos fatos e procedeu com lealdade e boafé, ao contrário da afirmação da autoridade fiscal; A jurisdição é monopólio do Poder Judiciário e uma decisão judicial somente se combate por meio de outras medidas judiciais, sendo, por isso, nulo o auto de infração; Há a falta de demonstração de fatos caracterizadores de grupo econômico, sendo que a autoridade fiscal, conforme precedente administrativo, não apontou onde estaria a direção, o controle ou a administração das sociedades que compõem o grupo econômico de fato; o Fisco descumpriu as regras jurídicas relativas à disciplina legal da prova no processo administrativo federal, pois os pressupostos legais do grupo econômico de fato não foram provados; as ilações sobre terceiros (os adquirentes da impugnante) não dizem respeito à impugnante, sendo que esta não pode se manifestar a respeito; os terceiros deveriam vir ao processo para o exercício da defesa, mas “como isso não foi possível, resta a nulidade da falta do contraditório, ficando a matéria restrita à expressão unilateral de quem tem o “poder” de devassar a vida do particular, trazer aos autos e não possibilitar a defesa”; A formalização de representação fiscal para fins penais é irregular por carência de requisitos; a aplicação de multas qualificadas é indevida, pois não houve a comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, de que tratam os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, c/c o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; a aplicação das multas é nula de pleno direito, pois em nenhum momento foram justificados os percentuais de multa de 75%, 112,5% e 225%; além disso, a aplicação do percentual de 75% configura confisco, em violação do art. 150, IV, da CF; o máximo admissível seria um percentual de 30%, conforme orientação do STF; É impertinente a cobrança de juros de mora pela aplicação da taxa Selic, instituída por lei ordinária, com o efeito de aumentar o crédito tributário sem lei complementar, e que não pode ser utilizada para atualização de débitos tributários, sob pena de inconstitucionalidade; Na remota hipótese de ser julgado procedente o auto de infração e no caso de concessão de liminar com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, há a “interrupção da multa de mora” e, portanto, requer a impugnante que a eventual Fl. 4235DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 20 37 multa de mora seja suspensa até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 63, § 2º; A autoridade fiscal deixou de considerar os créditos existentes nos livros fiscais da impugnante, conforme planilha encartada na peça impugnatória, e, assim, o auto de infração ficou comprometido por falta de liquidez em virtude de o saldo credor inicial ter sido ignorado, o que configura mais um motivo para a nulidade do auto de infração. Por derradeiro, requer o acolhimento das preliminares de mérito (sic) arguidas por conta de cerceamento do direito de defesa que torna nulo o auto de infração por vícios insanáveis (PAF, art. 59). Caso prevaleça o mérito da impugnação, que seja julgado improcedente o auto de infração já que comprovado o direito ao crédito, glosado erroneamente, por meio das notas fiscais trazidas aos autos. Se o auto de infração for mantido, sendo inconstitucionais os percentuais de multa e de juros de mora, que seja aplicada a multa no importe de 30% sobre o valor do imposto devido, com a improcedência da utilização da taxa Selic e a aplicação dos juros de mora conforme o CTN, art. 161, § 1º. Protesta, então, a impugnante pela produção de provas por todos os meios admitidos em direito, notadamente a realização de perícias, juntada de novos documentos, arbitramentos e outros meios necessários. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. NECESSIDADE DE EMPREGO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. Glosamse os créditos alusivos a aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, não sendo respeitada a condição de que estes sejam utilizados na industrialização de produtos do adquirente. IMPOSTO NÃO LANÇADO, NÃO DECLARADO E NÃO RECOLHIDO. Cobrase o imposto devido pelas saídas de produtos e sem destaque nas notas fiscais emitidas. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. DOLO. SIMULAÇÃO E CONLUIO. Há indícios robustos de simulação de industrialização por encomenda de insumos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus em conluio com as supostas empresas executoras das operações de industrialização por encomenda, sem que o sujeito passivo tenha apresentado comprovantes de pagamento pelas aquisições e serviços e de entrada das mercadorias; nas saídas, houve a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em conluio com as empresas adquirentes (distribuidoras de bebidas), sem legitimidade ativa, como meramente contribuintes de fato, para a impetração de ações judiciais com o objetivo de suspender a exigibilidade do imposto apurado sob o regime de pauta de valores. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 38 Configurado o ilícito tributário, há a imposição da sanção cabível que é a penalidade pecuniária prevista em lei, sem efeito confiscatório: 75% (básica) ou 150% (com circunstância qualificativa); 112,5% ou 225% (com falta reiterada de atendimento a intimações). Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É absolutamente legal e constitucional a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. Nas saídas de produtos do estabelecimento industrial, o produtorvendedor é o contribuinte de direito e sujeito passivo da obrigação tributária. DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observadas circunstâncias como a fraude, a sonegação e o conluio, indicadoras de dolo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. A descrição dos fatos e a capitulação legal adequadas, além de uma peça de defesa que abarca as infrações imputadas, excluem o cerceamento do direito de defesa; outrossim, há a prerrogativa de fiscalização acerca de dados de terceiros para utilização no conjunto probatório dá supedâneo ao libelo impositivo. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente os motivos e não contenha a formulação de quesitos e a indicação e qualificação do perito. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Preterição ao direito de defesa. Inovação De início, alega preterição ao direito de defesa decorrente da inclusão nos autos “de informações de diversos terceiros, pessoas jurídicas e físicas, sem que os mesmos Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 21 39 tenham sido incluídos no pólo passivo do processo e cujos dados a recorrente não tem acesso”. Explica, 6. Pretendeu a recorrida, demonstrar a existência de um "suposto" grupo econômico, que teria agido para favorecer a recorrente , no entanto, sem nenhuma prova concreta deste fato, como se verá adiante, e mediante afirmações das quais a mesma não tem conhecimento. 7. Desta forma, nem a recorrente tem condições de se manifestar sobre tais informações nem, quem poderia se defender, no caso, os terceiros incluídos nos autos, podem apresentar qualquer argumentação sobre os dados apresentados, pois, não foram chamados aos autos para apresentar sua versão dos fatos alegados. Também em sede de preliminar, que o Acórdão recorrido é nulo por supressão de instância, cerceando o direito de apresentação, ao julgador de piso, de argumentos que demonstrassem a inconsistência da interpretação nova atribuída em sede de julgamento aos documentos carreados aos autos pela Fiscalização Federal. Aduz que “o próprio Acórdão reconheceu que a idoneidade da documentação fiscal apresentada à fiscalização não foi abordada no relatório fiscal”, sendo a inovação, portanto, fato incontroverso. Mérito Decadência Sustenta decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário para os fatos geradores ocorridos entre 01/2005 a 10/2005, uma vez que correta a interpretação de que o dies a quo é o da ocorrência do fato gerador, independentemente da efetivação do pagamento do tributo. Neste tópico, considera também haver inovação dos fundamentos da autuação, quando a Acórdão estende o prazo decadencial por conta da ocorrência do dolo, fraude ou simulação; acusação que não estaria no Auto de Infração. Sobre isso, que, embora não tenha como saber qual das três ocorrências a Fiscalização Federal considera ter identificado; o dolo, a fraude ou a simulação; nenhuma das três condutas de fato ocorreu. Glosa de créditos (i) Créditos glosados por não ter havido comprovação das aquisições de insumos produtivos. Lembra ter juntado aos autos, por ocasião da impugnação ao lançamento, as notas fiscais de aquisição dos insumos, todos produzidos pelas empresas Stratus Indústria e Comércio Ltda, Ótimo Indústria de Concentrados da Amazônia Ltda e Concentre Indústria e Comércio Ltda, localizadas na Zona Franca de Manaus, assim como o Livro Fiscal de Apuração do IPI e o Livro de Entradas. No que tange à comprovação do efetivo pagamento por essas aquisições, refere que, embora considerasse desnecessário apresentar os comprovantes de pagamento aos fornecedores “uma vez que a operação comercial que dá ensejo ao fato tributário provase com a nota fiscal respectiva [...]”, não se furta a esse desafio. Uma vez que essa exigência tenha ressurgido por ocasião do julgamento em primeira instância, lança mão do disposto no Fl. 4238DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 40 artigo 16, § 4º, alínea “c”, do Decreto 70.235/72, para apresentar, anexo ao Recurso Voluntário, os comprovantes de pagamento. (ii) Créditos glosados por considerar que não houve utilização dos insumos na industrialização de produtos. Que, conforme documentação anexa, ao contrário do que afirma o Acórdão recorrido, os produtos sub examine sofreram processo de industrialização por encomenda. 66. Conforme se verifica nas notas fiscais anexas, foi encaminhado para as empresas Nutriservice Ind e Com de Prod Alimentícios Ltda., Concentre Industria e Comercio Ltda. e Ótimo Industria de Concentrados da Amazônia Ltda., para industrialização por encomenda (fls. 2.811 e segs.) (...) 69. Ressaltese também que tal insumo foi remetido à industrialização nas empresas mencionadas integrando o processo de industrialização, sendolhe entregue o produto acabado após a industrialização, conforme se verifica nas Notas Fiscais de retorno de industrialização . (iii) Créditos glosados por que a Recorrente não estava habilitada à produção de refrigerantes Primeiro esclarece que um de seus objetos sociais, conforme atos constitutivos da empresa, é a industrialização, a comercialização, a distribuição, a importação e a exportação de bebidas em geral. Ademais, que a produção questionada se fez por terceiros, conforme demonstram as notas fiscais apresentadas. 72. Observese que a recorrente estava sim habilitada a produzir refrigerantes e, ademais, de forma inequívoca reproduz as condições para industrialização de tais produtos em seu parque industrial, onde avulta a completa capacitação técnica ao exercício fabril de industrialização do produto. (iv) Créditos glosados por não ter havido destaque do IPI nas notas fiscais dos insumos adquiridos Conforme Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados, Código 2106.90.10, “Ex” 01, as Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado estão sujeitas à alíquota de 27%. Por força do disposto no artigo 6º, parágrafo 1º, do Decreto 1.435/75 esses insumos estão isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados quando elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, gerando, contudo, crédito do Imposto calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido Imposto. Assim, com base no artigo 11 da Lei 9.799/99, apropriouse dos créditos decorrentes da operação anterior. E acrescenta, Fl. 4239DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 22 41 83. De suma importância esclarecer que, não se trata, no presente caso, apenas da aplicação do princípio da nãocumulatividade, mas sim de previsão expressa na legislação federal de que a utilização de tais insumos na industrialização gerará créditos "como se devidos fossem", normas que se encontram em vigor e produzindo efeitos no mundo jurídico, que não podem ser afastadas pela Administração Pública, em hipótese nenhuma, pois, esta possui suas atividades plenamente vinculadas às determinações legais. Aliás, não por acaso, Seabra Fagundes, sempre afirmou que "administrar é aplicar a Lei de ofício " . Que há jurisprudência administrativa, formada no âmbito da própria Receita Federal (Delegacias de Julgamento) em sentido contrário ao entendimento empregado pela Fiscalização Federal. Transcreve. E que o julgador de primeira instância, em lugar de questionar os motivos para que os documentos probantes dos créditos não tivessem sido entregues anteriormente, deveria apreciálos, ou, se gerassem dúvidas, demandar a comprovação de sua inidoneidade. Da indevida glosa dos créditos de IPI Rebate outras das razões pelas quais a Fiscalização glosou os créditos com base no entendimento de que teria havido mera comercialização de mercadorias, nos seguintes termos: (...) c) A discriminação do produto e a classificação fiscal são exatamente as mesmas que constam nas notas de aquisição; 104. O processo de industrialização realizado, apesar de agregar outros insumos e haver modificação na substância industrializada, não implica em alteração em sua classificação fiscal, já que não possui NCM diferente, por falta de especificação mais adequada no sistema de classificação dos produtos. d) O peso, tanto líquido, como bruto indicados nos documentos de venda são os mesmos das notas fiscais de aquisição, sendo assim, o mesmo produto; 110. A quantidade do produto, que consta nas notas fiscais como peso, não possuem níveis de detalhamento e ou precisão que detectem a inclusão dos outros insumos em quantidades menores. Sobre isso, acrescenta que as notas fiscais de remessa de retorno da industrialização demonstram que houve acréscimo de outros insumos, do que decorre o beneficiamento do produto. E, também, que houve reacondicionamento, colocação de lacre e a etiquetagem dos recipientes. e) Nos extratos SISCOMEX RE específicos nº 06/12114490001 e 06/1454249001 apontam no campo observação "mercadoria adquirida da Stratus Ind e Com Ltda." fato que torna evidente tratarse de comercialização; 114.A informação de origem da mercadoria não altera o tipo de operação realizada com o insumo em questão, mesmo porque a isenção do IPI exigia que o produto tivesse origem na Zona Franca de Manaus, de empresa com projeto devidamente autorizado pela SUFRAMA. Fl. 4240DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 42 115. Assim, a informação lançada nas observações referias e apenas à origem do produto, não à operação a que se submeteu na etapa anterior. Do conceito de industrialização Faz uma incursão sobre o conceito e as modalidades de industrialização admitidas pelo Regulamento do IPI para concluir que “pelo menos duas modalidades de industrialização foram realizadas, o beneficiamento e acondicionamento/reacondicionamento”. E acrescenta, 128. Notase o intuito deliberado de aplicar a pena na medida em que o auto de infração aplica o conceito amplo de industrialização para impor o tributo, mas negao quando esse mesmo conceito amplo se aplica para deferir o aproveitamento dos créditos na isenção, mesmo com expressa previsão legal para o aproveitamento. Da exportação dos produtos industrializados Considera, de início, que é fato incontroverso a exportação das mercadorias, já que não foi questionada por ocasião da lavratura do Auto de Infração, além de que “os referidos RE´s gozam da presunção de validade, na medida em que são atos administrativos exarados por autoridade competente[...]”. E conclui, 137. Ora, tal fato corrobora a favor da veracidade da operação, pois, sustenta se na autuação que não houve sequer aquisição dos insumos industrializados, dada a "suposta" ausência de pagamentos aos fornecedores, o que, diante dos comprovantes de pagamento apresentados, se demonstrou o contrário, e, corroborado pelas RE's apresentadas. Junta comprovantes do Siscomex nos quais diz constarem todos os Registros de Exportação. Da inidoneidade da documentação apresentada Revisita o assunto para, desta feita, em lugar do protesto pela inovação na fundamentação jurídica, defender que “não há qualquer comprovação da inidoneidade da documentação apresentada, muito menos da inaptidão das empresas que participaram da industrialização dos produtos de que tratam os presentes autos”. 143. Desta forma, demonstrando que as empresas são idôneas e não foram declaradas inaptas, a recorrente consultou o site da Receita Federal, onde constatou que as empresas mencionadas são todas aptas e ativas perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda (CNPJ), conforme os Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral que ora anexa (does. 07/10). Ônus da prova Considera ter apresentado a documentação probante da aquisição dos insumos bem como de sua utilização no processo produtivo, mas o Fisco insiste em negar as operações sob a alegação de que seriam necessárias outras provas. Fl. 4241DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 23 43 147. Assim, sequer está se negando a existência das provas apresentadas (ausência de provas), mas sim se fazendo exigência desnecessária de outros meios de prova segundo arbítrio do julgador, como se ele julgador fosse o legislador e tivesse o arbítrio de dizer quantas provas são necessárias para provar um fato. Observese que não há nenhuma prova que contrarie as provas produzidas. Que a legislação de regência considera hábeis todos os meios de prova admitidos em direito, cabendo a quem alega o ônus da prova, assim “se a documentação é inidônea deve haver prova desta afirmação, mas, no presente processo a Administração não se desincumbiu de provar o que afirmou, restando apenas meras alegações sem comprovação nenhuma”. Ações Judiciais que suspendem a exigibilidade do IPI Primeiro, esclarece não ter se omitido em relação às ações judiciais, como acusa a Fiscalização, na medida em que delas não é parte, estando apenas obrigada a cumprir ordem determinada. Refere a existência de outro processo judicial tramitando em conjunto, com o mesmo objeto e mesmas partes, de nº 200451010063459, 16º Vara Federal do Rio de Janeiro. 169. Quanto a este, a recorrente obteve Certidão de Objeto e Pé e demais decisões (anexas doe. 12), onde se demonstra que no período objeto do auto de infração a liminar que embasava a determinação judicial à recorrente estava em plena vigência e eficácia (como bem sabe a União, pois é parte no processo), impossibilitando a recorrente de proceder de outra forma que não fosse o cumprimento da ordem judicial . E que também o processo judicial da empresa Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda segue sub judice. Solução à Consulta apresentada Que há em seu favor Solução de Consulta na qual a própria Secretaria da Receita Federal exclui sua responsabilidade sobre a retenção e o recolhimento do IPI no presente caso. Transcreve excerto da Decisão, 16. Desta feita, caberá à consulente responder pelas dívidas relativas ao IPI, oriundas de operações com a autora, apenas em relação às operações que se deram até o momento do recebimento da ordem judicial que determinou o nãopagamento, bem como em relação às operações imediatamente posteriores à eventual cassação da tutela. Aquelas dívidas decorrentes das operações aperfeiçoadas na vigência da medida judicial aludida são exigíveis da autora, de forma a se guardar coerência com o tratamento dispensado judicialmente a esta. Segundo entende, tampouco a suspeita de existência não comprovada de um grupo econômico por detrás das ações individuais das pessoas envolvidas e o fato de o assunto ter sido objeto de processo judicial podem frustrar a eficácia do Solução. A respeito da cessação dos efeitos da Consulta, aponta, 216. É sabido que os atos administrativos para serem desconstituídos , isto é, serem anulados por vício ou revogados por conveniência e oportunidade exige Fl. 4242DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 44 competência, isto é, apenas a autoridade com poder legal poderá tornar nulo ou ineficaz o ato administrativo. 217. A consulta, por sua vez, enquanto ato administrativo especial possui regra específica de nulidade ou revogação e, observese, essa autoridade não é o AFR. Decisão Judicial – Monopólio da jurisdição Neste tópico, discorre longamente a respeito do papel do Poder Judiciário no Estado de Direito. Considera que o AuditorFiscal autuante desobedeceu deliberadamente uma ordem expressa determinada pelo Juiz. Grupo Econômico Disserta sobre as disposições legais que definem o evento jurídico reconhecido como Grupo Econômico e a doutrina formada em torno desses preceitos legais, para então estabelecerlhe os requisitos. • Controle Majoritário: é aquele exercido por pessoas naturais ou jurídicas que possuem, direta ou indiretamente, mais de 50% do capital votante e que detêm, de forma permanente, a maioria dos votos nas deliberações societárias e o poder de eleger a maioria dos administradores. • Controle Efetivo: é aquele exercido por pessoas naturais ou jurídicas que, embora não possuam a maioria do capital votante, detêm efetivamente o controle. • Controle Compartilhado: é aquele exercido, majoritariamente ou efetivamente, por um bloco de controle, composto por pessoas, independentes entre si e que isoladamente não detenham o controle, associadas por interesses convergentes, deliberando sempre no mesmo sentido. Considera que esses elementos não foram comprovados no Auto de Infração, que “repete à exaustão que os sócios das sociedades tidas como componentes do grupo de fato não tinham capacidade econômica para o objetivo societário”, o que, segundo defende, além de não ter sido provado, não é fato caracterizador de grupo econômico. Outrossim, que o Auto de Infração apresentou uma série de informações sobre um sem número de pessoas jurídicas que não guardam vínculo com a Recorrente, sobre as quais não pode se manifestar porquanto não dispõe do privilégio do poder de devassar a vida alheia. 287. Outrossim, sequer apresentouse como prova os contratos sociais das empresas citadas, que comprovariam as entradas e saídas de sócios naquelas sociedades. Multas qualificadas De início, requer a nulidade da decisão de piso por não terse manifestado a respeito desse assunto. Por outro lado, que foram aplicadas multas nos percentuais de 75%, 112,5%, 150% e 225%, sem qualquer explicação para a graduação escolhida para cada situação identificada nos autos. Ainda mais, que não foi provada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Acrescenta protesto dirigido ao caráter confiscatório das multas aplicadas. Fl. 4243DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 24 45 310. Não é de se esperar que um órgão administrativo de julgamento se omita com relação à inconstitucionalidade de lei. Com efeito, o contribuinte aguarda por anos a solução de um litígio administrativo e recebe como contraprestação do Estado a resposta de que seu pleito não pode ser atendido porque não cabe ao órgão administrativo investirse no controle de constitucionalidade dos efeitos da lei para o caso concreto . Também, que não caberia multa de ofício nos casos de lançamento para prevenção da decadência. 323.Tendo em vista que os processos judiciais ainda se encontram em andamento, e em relação à JM ainda com a suspensão da exigibilidade do tributo, nos termos do art . 151, incs. IV e V em vigor, e que o lançamento, nestes casos, apenas pode ser efetuado para prevenir a decadência requer seja afastada toda e qualquer multa de ofício aplicada, nos termos do art. 63, da Lei nº 9.430/96. Falta de liquidez do auto de infração Mais uma vez, nulidade da decisão de piso, pela falta de enfretamento da matéria. Aponta erro na apuração do valor supostamente devido. 328. Com efeito, o crédito constante de fls. 07 não compôs o saldo credor inicial que resultou na fixação do imposto a pagar e respectivos reflexos, vejamos: (...) 329. A reconstituição da escrita fiscal desconsiderando o saldo credor inicial comprometeu todo o auto de infração e o crédito ao final apurado, pois pecou na base do cálculo e, como conseqüência, comprometeu a apuração de todos os meses subseqüentes, inclusive a aplicação das multas (que também teriam bases diferentes desde o primeiro período de apuração reconstituído) e acarreta, na falta do requisito essencial da liquidez ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Preliminares Preterição do direito de defesa. Fatos não conhecidos. A Empresa inicia o Recurso Voluntário pela alegação de preterição ao direito de defesa, tendo em vista a autuação terse baseado em “informações de diversos terceiros, pessoas jurídicas e físicas, sem que os mesmos tenham sido incluídos no pólo passivo do processo e cujos dados a recorrente não tem acesso”. Fl. 4244DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 46 As informações a que se refere dizem respeito a diversas pessoas envolvidas em um esquema que, a teor da acusação contida nos autos, estava destinado a obtenção de vantagens ilícitas. A Fiscalização explica no Auto de Infração que, para atingir seus objetivos, uma “organização de fato”, denominada nos autos Grupo Econômico de Fato, lançou mão de um semnúmero de operações consumadas por seus integrantes. Empresas eram sucessivamente constituídas e fechadas em um mesmo endereço ou em endereços muito próximos, com quadros societários comuns ou de extraordinária coincidência, formando uma estrutura articulada por inúmeros pessoas físicas e jurídicas, que, por meio de diversificadas práticas negociais, geravam os efeitos econômicos desejados. Observando de uma perspectiva teórica, até pode parecer razoável a alegação feita pela Parte de que tratamse de fatos alheios ao seu conhecimento, sobre os quais não consegue se defender. Na essência, contudo, levandose em conta o contexto no qual estão inseridos, esse revelase um argumento nada confiável. Uma vez que a Fiscalização Federal tenha identificado e demonstrado todo um esquema estruturado por uma quantidade expressiva de eventos e pessoas relacionadas entre si, em vínculos que não podem ser, de maneira nenhuma, creditados à conta da coincidência, e denunciado a participação da Recorrente nesse concluiu, inadmissível que nenhuma inconsistência pudesse ser apontada pela defesa em relação às diversas associações encontradas e relatadas pela Auditoria. É por demais evasivo o argumento de que não teria como saber dos negócios de outras pessoas, quando o contexto mostra fortes evidências da presença dos proprietários da empresa autuada em quadros societários de inúmeras outras empresas acusadas de integrar o esquema fraudulento descoberto, assim como de seu relacionamento pessoal e profissional com pessoas físicas acusadas de atuar como testa de ferro em negócios de seu interesse. De fato, em tais circunstâncias, era de se esperar que a contestação fosse mais objetiva e pudesse indicar com clareza em quais pontos a Fiscalização Federal terseia, supostamente, equivocado. Ainda mais, tratase de um argumento cuja validade depende da confirmação de que a autuada não tinha participação nas operações fraudulentas flagradas pelo Fisco. Se as evidências demonstrarem em sentido contrário, não sobrevirá qualquer razão para que se fale em desconhecimento dos negócios de terceiros. A questão, como se vê, diz respeito ao mérito da lide. Seu exame haverá ou de dar robustez à reclamação ou de subtrairlhe qualquer sentido. Fazemse aqui apenas algumas considerações preliminares, conforme acima declinado, para, em caráter preliminar, decidir pela inocorrência de preterição ao direito de defesa, com base nas razões alegadas pela Parte. Preterição ao direito de defesa. Supressão de instância de julgamento. Noutro giro, também não há que se falar em supressão de instância pelo fato de a imprestabilidade dos documentos apresentados pela defesa ter sido declarada apenas em sede de julgamento de primeiro grau. Tal como está sobejamente demonstrado no Processo, a Recorrente impôs toda dificuldade possível à Fiscalização Federal para obtenção dos documentos solicitados nas reiteradas intimações apresentadas. Observese como está descrito no corpo do Relatório do Auto de Infração, Fl. 4245DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 25 47 Seguidamente o contribuinte foi intimado e reintimado (04/10/2007; 26/09/2008; 19/11/2008; 09/01/2009; 08/05/2009; 04/08/2009; 05/10/2009; 14/10/2009) a apresentar as notas fiscais que deram origem aos créditos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, sob código CFOP 2152, e no campo 005 Outros Créditos, relativos aos períodos que segue: (...) Em relação aos demais períodos de apuração [que representam quase a totalidade dos documentos solicitados], que fora intimado e reintimado a apresentar esclarecimentos/documentos no sentido de comprovar a origem dos créditos de IPI escriturados no campo 005 – Outros Créditos – do livro Registro de Apuração do IPI, o contribuinte não o fez até a presente data. Por essa razão, muitos documentos somente puderam ser examinados depois da apresentação da impugnação ao lançamento, ocasião na qual a Recorrente resolveu apresentar boa parte das notas fiscais negligenciadas ao longo do procedimento fiscal1. Assim comenta o i. Julgador de primeira instância. É difícil compreender, ou submeter ao crivo da lógica, as razões pelas quais a impugnante somente aduziu informações sobre as demais aquisições (aquelas não efetuadas da fornecedora STRATUS) na peça de defesa, depois de uma ação fiscal com diversas intimações lavradas (de outubro de 2007 a outubro de 2009), sendo as ocorrências fáticas de janeiro de 2005 a maio de 2007. Até a oferta da peça impugnatória, mediou um lapso considerável e suficiente para o sujeito passivo colaborar para a elucidação dos fatos investigados e apresentar os dados imprescindíveis à fiscalização. Em nenhuma passagem da impugnação a contribuinte explicitou o motivo para a omissão das informações importantes, a despeito de ter sido indagada inúmeras vezes sobre a origem dos créditos da escrita fiscal no curso do procedimento fiscal. Todavia, a imputada em trecho da peça de defesa assevera que os documentos carreados à impugnação comprovam a origem dos créditos indevidamente glosados e “sempre estiveram e continuarão à total disposição dos agentes públicos”, em tom flagrantemente irônico. Foi na apreciação das notas fiscais juntadas à peça impugnatória, que o Relator do Processo observou incongruências capazes de subtrairlhes o valor probante. O excerto a seguir foi extraído do Voto condutor da decisão contraditada. A idoneidade da documentação fiscal titulada pela STRATUS, apresentada à fiscalização, não foi abordada no relatório fiscal. Contudo, os indícios de simulação de industrialização por encomenda do insumo por terceiros são relevantes à vista das cópias de notas fiscais providenciadas para apresentação na peça impugnatória, eivadas de incongruências e insuficientes para dar conta de todas as operações arguidas como verdadeiras, ou seja, que dariam lastro documental às operações alegadas, porém desconhecidas pela autoridade fiscal no decorrer da investigação fiscal por absoluta máfé da contribuinte, que, conforme já expendido alhures, não poupou esforços para deixar de prestar esclarecimentos imprescindíveis no tempo adequado. O raciocínio é extensivo às operações concernentes à STRATUS. (os grifos não estão no texto original) 1 Prática que, se verá, alcança a fase recursal. Fl. 4246DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 48 Por conseguinte, em lugar de inovação, houve formação de convicção lastreada nos elementos disponíveis, que, por conta da reprovável conduta da empresa, foram, em um primeiro momento, esvaziados, para somente depois serem colocados à disposição da Autoridade Fazendária. A dialética possível do Processo Administrativo Fiscal não escapa disso. Não há como se falar, aqui, em alteração dos fundamentos da autuação, apenas de processo dialético de formação da decisão do litígio. Preterição ao direito de defesa. Assunto não enfrentado Finalmente, ainda em sede de preliminar, tardiamente, a empresa requereu nulidade do Acórdão recorrido por falta de manifestação acerca da graduação das multas aplicadas e da falta de liquidez do Auto de Infração. A seguir os trechos do Voto onde as matérias são submetidas a exame. Primeiro em relação às multas aplicadas. Multa Punitiva Básica, com Majoração por Circunstâncias Qualificativas e com Agravamento Ex positis, a inflição de penalidade pecuniária, simples ou majorada, é inexorável. Consoante nosso estatuto tributário (CTN), a obrigação tributária principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Conjugado o verbo núcleo do tipo tributário, ou, em outras palavras, praticada a conduta no plano das atividades econômicas pelo indivíduo (pessoa física ou jurídica), o tributo é devido. É o ato lícito tributário, previsto em lei. O descumprimento da segunda parte do modelo de conduta cristalizado na norma jurídica como paradigma de comportamento para os membros da sociedade (norma secundária: recolher o tributo devido em virtude da superveniência do fato imponível) corresponde ao ato ilícito tributário. A multa de ofício, proporcional ao montante do tributo devido (75% ou 150%), é a penalidade pecuniária pespegada pelo nãopagamento do tributo vinculado ao fato gerador ocorrido. A multa é uma das modalidades de punição aplicáveis, isolada ou cumulativamente, às infrações à norma jurídica tributária. O perdimento de mercadorias e a cassação de regimes ou controles especiais estão também neste rol. As irregularidades atinentes ao lançamento e recolhimento do imposto em exame são apenadas da seguinte maneira, de acordo com o art. 488, I e II, do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, tendo como matriz legal a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 80, e a Lei nº 9.430, de 1996, art. 45,: “Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 45): I – setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , inciso I, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 45); Fl. 4247DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 26 49 II – cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , inciso II, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 45)”. Presente no caso em exame, sem dúvida, as circunstâncias qualificativas definidas na legislação tributária (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 2º, e arts. 71 a 73), vale dizer, a sonegação, a fraude e o conluio, traduzidas na conduta antijurídica de diminuir ou eliminar débitos tributários mediante o aproveitamento de créditos fictícios, com o menoscabo do interesse público, a multa de ofício exasperada, prevista no regulamento do imposto (RIPI/2002, art. 488, II, tendo como matriz legal a Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, II), deve ser infligida, irretorquivelmente. Foi a autuada que, comprovadamente, se aproveitou de créditos ilegítimos na escrita fiscal, com a simulação de industrialização por encomenda executada por terceiros de “preparado composto não alcoólico” adquirido com isenção de IPI das empresas STRATUS, ÓTIMO e CONCENTRE (sendo o aproveitamento do crédito condicionado à transformação industrial); outrossim, houve o esquema urdido com os adquirentes de produtos (ações judiciais ajuizadas pelos contribuintes de fato do imposto) para elidir o destaque do imposto em nota fiscal de saída e o recolhimento da prestação pecuniária. Há, aliás, elementos que indicam um concerto estabelecido entre as partes envolvidas no caso que caracterizam o conluio. Malgrado toda a argumentação articulada pela impugnante, sobre a efetividade das industrializações por encomenda da mercadoria adquirida, fica patente que houve uma tentativa daquela de iludir o Fisco Federal com o aproveitamento doloso de créditos de IPI, mediante simulação, ou não correspondentes a operações mercantis verdadeiras, além da falta de destaque do imposto nas saídas. A característica sistemática e a duração considerável da prática demonstra, inequivocamente, a intenção do agente em burlar a Administração Tributária e evitar o adimplemento das prestações pecuniárias nos prazos legais de vencimento. A característica da ação dolosa é o desejo consciente do agente pelo resultado e a assunção do risco de produzilo, sendo o dolo específico elemento subjetivo do tipo penal, isto é, a vontade do agente direcionada, com uma finalidade clara, à conduta antisocial. A responsabilidade do sujeito passivo pelo cumprimento das obrigações tributárias, principais ou acessórias, é objetiva; sendo o acoplamento do fato à norma um juízo de imputação. Contudo, na graduação da pena, a autoridade fiscal deve levar em conta o elemento subjetivo, volitivo, agregado à conduta do particular, vislumbrado mediante elementos de prova diretos ou indiretos. Aí há margem para o juízo de valor. Observado o dolo, a multa punitiva deve ser majorada (150%) e oferecida a notitia criminis ao Ministério Público Federal em virtude da repercussão penal da conduta antijurídica. Na peça fiscal, há a multa básica de 75% e a multa agravada por falta de atendimento às intimações, 112,5%; além disso, a multa qualificada de 150%, com o respectivo agravamento para 225%, por idêntica razão. As multas de ofício assestadas nos percentuais indicados têm rigorosamente espeque legal. Agora, a parte da decisão de primeiro grau que aborda a falta de liquidez do Auto de Infração. Reconstituição da Escrita Fiscal Fl. 4248DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 50 Não há falta de liquidez do auto de infração, ao contrário do que sustenta a impugnante. Foi empreendida a reconstituição fidedigna da escrita fiscal com os créditos e débitos constantes da escrita fiscal em confronto com as glosas realizadas (fls. 2.297/2.300). O levantamento considerou o ano de 2004 também (fls. 2.295/2.296), ao cabo do qual não havia saldo credor, e sim, devedor. Não há saldo credor inicial a ser computado no início de 2005. Com base nos apontamentos acima, haverão de ser rejeitadas, na íntegra, as preliminares argüidas pela Recorrente. Passo ao mérito. Decadência A empresa considera decaído o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos entre 01/2005 a 10/2005, uma vez que correta a interpretação de que o dies a quo dáse na data do fato gerador, independentemente da efetivação do pagamento do tributo. Ainda mais, que houve inovação dos fundamentos da autuação, quando a Acórdão estende o prazo decadencial por conta da ocorrência do dolo, fraude ou simulação, acusação que não estaria no Auto de Infração. E que, embora não tenha como saber qual das três ocorrências a Fiscalização Federal teria identificado, nenhuma das três condutas de fato ocorreu. Sobre o assunto, que se diga, de início, que, conforme preceitua o Código Tributário Nacional, o direito de constituir o crédito tributário expira no prazo de cinco anos contados, em regra geral, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal providência já poderia ter sido tomada, exceção feita aos tributos cujo lançamento operase por homologação, quando o dia de início da contagem do prazo é antecipado, nos termos do artigo 150 do Código. Embora tais disposições ensejem diferentes interpretações, tendo por base a possível finalidade pretendida pelo legislador, qual fosse a de antecipar a contagem do prazo sempre que notório o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador do imposto, não há como escapar, ao contrário de como advoga a Recorrente, à condição especificada no § 1º, indicando o pagamento antecipado pelo obrigado como ação necessária à extinção do crédito sob condição resolutória, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173. Por outro lado, incontroverso que a Fiscalização Federal, ao lavrar o Auto de Infração veiculando a exigência neste discutida, identificou a presença do elemento volitivo, descrito na norma legal como dolo, fraude ou simulação. Tanto é, que impôs a multa agravada em face das circunstâncias qualificativas e instaurou o processo de representação criminal, conforme excerto a seguir extraído da descrição dos fatos. 99. Foi aplicada MULTA DE OFÍCIO de acordo com o art. 80, inciso I da Lei n° 4502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9430/96; qualificada de acordo com o art. 80, inciso II da Lei 4502/64 e art. 45 da Lei nº 9430/96, uma vez que, o contribuinte agiu de forma simulatória com a finalidade de suprimir tributos; e, majorada nos termos do art. 46 da Lei 9430/96, pois o contribuinte não atendeu, nos prazos marcados, às intimações para prestar esclarecimentos. Fl. 4249DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 27 51 100. Tendo em vista as infrações com multa qualificada, efetuamos a competente representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria RFB nº 655 de 24 de abril de 2008, formalizada pelo processo 10855.720714/201011. Seja porque considerouse ter ocorrido o dolo, a fraude ou a simulação, seja por não sido efetuado o pagamento do tributo devido, o fato é que a contagem do prazo, por conta de uma ou de outra razão, termina sendo estendida. Não se justifica o protesto dirigido ao fato de autuação e decisão teremse baseado uma num outra noutro fundamento, quando, notadamente, os dois, pelo menos na visão do Fisco, estiveram presentes e foram informados e descritos nos fatos narrados no Auto de Infração Também não socorre à Parte a falta de indicação da hipótese específica (se dolo, fraude ou simulação). A defesa deve ser focada e fundamentada nos fatos apurados, demonstrando, quando isso for possível, ou que eles não ocorreram ou que não se subsumem a nenhuma das circunstâncias descritas na norma legal. Glosa de Créditos. Falta de apresentação da documentação de aquisição dos insumos. A Recorrente lembra que juntou aos autos, por ocasião da impugnação ao lançamento, as notas fiscais de aquisição e industrialização dos insumos, em operações realizadas com as empresas Stratus Indústria e Comércio Ltda, Ótimo Indústria de Concentrados da Amazônia Ltda, Concentre Indústria e Comércio Ltda e Nutriservice Indústria e Comércio de Produtos Alimetícios Ltda, localizadas na Zona Franca de Manaus, assim como o Livro Fiscal de Apuração do IPI e o Livro de Entradas. Primeiro, há que se fazer coro com o i. Julgador de primeira instância no seu estarrecimento com a conduta da Autuada. As frustradas intimações dos AuditoresFiscais dirigidas à empresa para apresentação desses documentos aconteceram ao longo de um período de, nada mais, nada menos, do que dois anos (!). No dizer da Fiscalização, as intimações foram cientificadas á Recorrente em (04/10/2007; 26/09/2008; 19/11/2008; 09/01/2009; 08/05/2009; 04/08/2009; 05/10/2009; 14/10/2009) para apresentar as notas fiscais que deram origem aos créditos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI. Quase nenhum documento foi entregue (exceção feita a algumas notas fiscais emitidas pela Stractus). Não se discute os aspectos legais relacionados à apresentação desses documentos junto à impugnação ao lançamento. É de sabença que a conduta da empresa está de acordo com a legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal. O difícil é imaginar alguma razão plausível para o modo de agir da Recorrente, que, aliás, nem mesmo preocupou se em apresentar alguma justificativa para que isso tivesse acontecido. Em lugar disso, lançou duras críticas à observação feita no corpo do Voto recorrido, protestando pelo exame dos documentos em lugar da censura, como se não lhes fossem próprias as prestações exigidas ao cidadão comum. A despeito disso, a documentação tempestivamente apresentada em sede de impugnação foi criteriosamente examinada na decisão recorrida. Listada, especificada e valorada. Fl. 4250DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 52 Reproduzo, a seguir, excerto do Voto na parte em que trata do assunto, com grifos acrescidos onde são apontados os problemas que, segundo juízo da Autoridade recorrida, impediram que as notas fiscais fossem consideradas hábeis à comprovação da regularidade das operações. A impugnante argúi, com tenacidade, que os insumos adquiridos das empresas STRATUS, ÓTIMO e CONCENTRE (as notas fiscais relacionadas pela impugnante ostentam o CFOP 6.122; CFOP 2.122, na escrituração) foram submetidos a industrialização por encomenda (aquisições remetidas diretamente para os estabelecimentos executores das industrializações por encomenda – NUTRISERVICE Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ 08.386.258/000180, e as mesmas CONCENTRE e ÓTIMO –, ou seja, sem transitar antes pelo estabelecimento da encomendante) e trouxe documentação aos autos que pode ser resumida da seguinte maneira: 1. Notas fiscais emitidas de ÓTIMO para PETRÓPOLIS, com datas de agosto a novembro de 2006, numeração de 5 a 57 e com CFOP 2.125 registrado na escrita fiscal, relativas ao produto “Preparado PCNAA”; 2. Notas fiscais emitidas de CONCENTRE para PETRÓPOLIS, com datas de dezembro de 2006, numeração de 48 a 72 e com CFOP 2.125 registrado na escrita fiscal, relativas ao produto “Preparado Arotimazon”; 3. Notas fiscais emitidas de PETRÓPOLIS para ÓTIMO, com datas de janeiro e agosto a novembro de 2006, numeração de 58.229 a 96.821 e com CFOP 6.901 registrado na escrita fiscal, relativas aos produtos “Preparado Composto”, “Produto Composto para Guaraná” e “Adesivos”; 4. Notas fiscais emitidas de PETRÓPOLIS para NUTRISERVICE, com datas de 26/01/2007, numeração de 108.620 a 108.639 e com CFOP 6.901 registrado na escrita fiscal, relativas aos produtos “Otimazon Concentrado para Bebida Não Alcoólica” e “Plana Preparado Líquido para Refrigerante Guaraná” (Obs: menção nas notas fiscais de remessa às notas fiscais de aquisição da empresa ÓTIMO e às notas fiscais de remessa para industrialização emitidas pelo fornecedor ÓTIMO; numerações mencionadas: 77/78, 79/80, 81/82, 83/84, 85/86, 87/88, 89/90, 91/92, 93/94, 95/96, 59/62, 60/63, 61/64, 73/80, 74/81, 75/81, 76/83, 77/84, 78/85 e 79/86); 5. Notas fiscais emitidas de PETRÓPOLIS para CONCENTRE, com datas de novembro a dezembro de 2006, numeração de 96.500 a 103.815 e com CFOP 6.901 registrado na escrita fiscal, relativas aos produtos “Otimazon Concentrado para Bebida NãoAlcoólica”, “Aroma Natural Guaraná” e “Adesivos e Lacres” (Obs: a) menção nas notas fiscais de remessa às notas fiscais de aquisição da empresa ÓTIMO e às notas fiscais de remessa para industrialização emitidas pelo fornecedor ÓTIMO; numerações mencionadas: 29/30, 31/32, 33/34, 35/36, 37/38, 75/76, 73/74, 71/72, 69/70, 67/68, 65/66, 63/64, 61/62, 59/60; b) adesivos adquiridos de Silvacort pela nota fiscal nº 69 e remetidos para industrialização pela nota fiscal 70; produto “Aroma” adquirido de Doce Aroma, pela notas fiscais nº 115.769 e 115.775, e remetido para industrialização pelas notas fiscais nº 116.770 e 116.076; lacres adquiridos de M.B.P., pelas notas fiscais nº 928 e 1.297, e remetidos para industrialização pelas notas fiscais nº 927 e 1.296); 6. Notas fiscais emitidas de ÓTIMO para PETRÓPOLIS, com datas de 6 e 14 de novembro de 2006, numeração de 39 a 56 e com CFOP 2.925 registrado na escrita fiscal, relativas aos produtos “PCNAA”, “CMC – Composto para Guaraná” e “Adesivo”; 7. Notas fiscais emitidas de CONCENTRE para PETRÓPOLIS, relativas dezembro de 2006 e janeiro e maio de 2007, numeração de 39 a 92 e com CFOP Fl. 4251DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 28 53 2.925 registrado na escrita fiscal, referentes aos produtos “Aromatizon”, “Aroma Guaraná” e “Lacres e adesivos”; 8. Notas fiscais emitidas de ÓTIMO para PETRÓPOLIS, relativas a agosto a novembro de 2006, numeração de 03 a 55 e com CFOP 2.925 registrado na escrita fiscal, referentes aos produtos “PCNAA”, “CMC – Composto para Guaraná” e “Adesivos”; 9. Notas fiscais emitidas de CONCENTRE para PETRÓPOLIS, relativas a 26/03/2007 e 26/04/2007, numeração de 87 a 91 e com CFOP 2.101 registrado na escrita fiscal, referentes ao produto “Plana Preparado Líquido para Guaraná”; 10. Notas fiscais emitidas de ÓTIMO para PETRÓPOLIS, relativas a outubro e dezembro de 2006, numeração de 29 a 95 e com CFOP 2.122 registrado na escrita fiscal, referentes ao produto “Otimazon”; 11. Notas fiscais emitidas de CONCENTRE para PETRÓPOLIS, relativas a 31/12/2006, numeração de 59 a 79 e com CFOP 2.122 registrado na escrita fiscal, referentes ao produto “Plana Preparado Líquido para Guaraná”; 12. Notas fiscais emitidas de ÓTIMO para PETRÓPOLIS, relativas a fevereiro a maio de 2007, numeração de 100 a 105 e com CFOP 2.101 registrado na escrita fiscal, referentes ao produto “Otimazon”; 13. Notas fiscais emitidas de STRATUS para PETRÓPOLIS, com datas de julho a agosto de 2006, numeração de 319 a 351 e com CFOP 2.122 registrado na escrita fiscal, relativas ao produto “Preparado PCNAA”; 14. Notas fiscais emitidas de IRMÃOS FRACCAROLI (SP) para PETRÓPOLIS, com data de 11/09/2006, numeração de 33.930 e com CFOP 1.122 registrado na escrita fiscal, relativa ao produto “CMC – Composto para Guaraná”; 15. Notas fiscais emitidas de INFINITY (SP) para PETRÓPOLIS, com datas de 12/2005 a 11/2006, numeração de 124 a 404 e com CFOP 1.556 e 1.101 registrados na escrita fiscal, relativas a “Adesivos”; 16. Notas fiscais emitidas de VENTO LITORAL (AM) para PETRÓPOLIS, com datas de 11 a 12/2006, numeração de 59 a 74 e com CFOP 2.122 registrado na escrita fiscal, relativas a “Adesivos”; 17. Notas fiscais emitidas de SILVACOPY para PETRÓPOLIS, com datas de 11 a 12/2006, numeração de 69 e 74 e com CFOP 2.122 registrado na escrita fiscal, relativas a “Adesivos” (mercadoria remetida para CONCENTRE); 18. Notas fiscais emitidas de MBP para PETRÓPOLIS, com datas de 12/2006, 02/2007 e 05/2007, numeração de 928 a 6.381 e com CFOP 1.122 e 1.101 registrados na escrita fiscal, relativas a “Lacres” (mercadoria remetida para CONCENTRE); 19. Notas fiscais emitidas de DOCE AROMA (SP) para PETRÓPOLIS, com datas de 11/2006 e 12/2006, com CFOP 1.122 e 1.101 registrados na escrita fiscal, relativas ao produto “Aroma Guaraná”; 20. Notas fiscais emitidas de DUAS RODAS (SC) para PETRÓPOLIS, com datas de 03/2007, com CFOP 2.101 registrado na escrita fiscal, relativas ao produto “Aroma Guaraná”; Fl. 4252DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 54 21. Notas fiscais emitidas de SWEETMIX para PETRÓPOLIS, com datas de 04/2005 e 02/2006, com CFOP 1.101 registrado na escrita fiscal, relativas ao produto “Benzoato de Sódio”; 22. Notas fiscais emitidas de PETRÓPOLIS (RJ) para PETRÓPOLIS (SP), com datas de 09/2006, com CFOP 2.151 registrado na escrita fiscal, relativas ao produto “Benzoato de Sódio”. Por que a fiscalizada nunca exibiu a documentação fiscal acima arrolada antes da oferta da peça de defesa, apesar das inúmeras intimações, sendo todas as notas fiscais emitidas ou recebidas por ela? Não parece nem um pouco razoável! Os dois primeiros itens merecem atenção especial. Na industrialização por encomenda, há a prestação de serviço pelo executor da operação de industrialização por encomenda. Inclusive, a impugnante faz referência a isso ao remeter ao anexo 11 carreado aos autos. Somente ambos os agrupamentos de notas fiscais (itens 1 e 2) foram emitidos, pelas empresas ÓTIMO e CONCENTRE, sob o CFOP 6.125 (registrados na escrita pelo sujeito passivo com o CFOP 2.125) e que, portanto, se referem à industrialização efetuada por outra empresa quando a mercadoria remetida para utilização no processo de industrialização não tenha transitado pelo estabelecimento adquirente da mercadoria (compreendidos os valores referentes aos serviços prestados e os das mercadorias de propriedade do industrializador). Não há a indicação de valores de prestação de serviço nas notas fiscais, sendo o ICMS calculado sobre o total dos valores dos produtos (valores totais das notas fiscais). Não há documentação fiscal da mesma natureza (com CFOP 2.125) oriunda da empresa NUTRISERVICE, outra suposta executora de industrialização por encomenda. Nos itens “3”, “4” e “5” há remessas de insumos adquiridos para industrialização por encomenda sob o CFOP 6.901, respectivamente, para as empresas ÓTIMO, NUTRISERVICE e CONCENTRE, como executoras das industrializações por encomenda, todas referentes a “preparados compostos não alcoólicos”. Se a empresa ÓTIMO é executora de industrialização por encomenda, não é razoável que os insumos adquiridos desta sejam remetidos para industrialização por encomenda às empresas NUTRISERVICE e CONCENTRE (itens “4” e “5”), se a própria poderia realizar as operações sem a remessa de mercadorias. Além disso, para a grande maioria das notas fiscais de aquisição e de remessa emitidas pela ÓTIMO e referidas nas notas fiscais de CFOP 6.901 (emitidas pela PETRÓPOLIS para cumprimento das formalidades legais desse tipo de operações), a numeração é sequencial (conforme indicado nos itens “4” e “5”), como se a empresa ÓTIMO não realizasse operações com outros clientes. Na documentação juntada pela impugnante, não há notas fiscais de remessa ou de retorno de insumos ou produto referentes à pretextada industrialização por encomenda relativamente ao ano de 2005. O que chama a atenção na planilha de notas fiscais de aquisição do insumo “concentrado composto nãoalcoólico” transcrita na impugnação são os valores redondos, repetitivos e elevados em curtos períodos (até em uma mesma data) das notas fiscais, mesmo no que concerne à STRATUS como emitente: R$ 1.140.000,00; R$ 1.922.800,00; R$ 1.922.800,00; R$ 1.926.848,00. Em apertada síntese, podese dizer que os documentos foram considerados inaptos à comprovação da industrialização por encomenda tendo em vista: (i) que somente uma parcela das notas fiscais foi emitida pelas empresas Ótimo e Concentre sob o CFOP 6.125, Fl. 4253DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 29 55 utilizado em processos de industrialização na modalidade informada; (ii) que não foram encontrados valores de prestação de serviço nas notas fiscais, sendo o ICMS calculado sobre o total dos valores dos produtos; (iii) que nenhuma nota fiscal da Nutriservice, uma das empresas que teria executados a industrialização por encomenda, foi emitida com CFOP correspondente; (iv) que os insumos adquiridos da empresa Ótimo, uma das encomendadas, foram despropositadamente remetidos para empresa Nutriservice e Concerne para industrialização por encomenda, quando poderiam ter sido industrializados pela própria Ótimo; (v) que as notas fiscais tinham numeração seqüencial; (vi) a ausência de notas fiscais de remessa ou de retorno de insumos ou produto referentes à pretextada industrialização por encomenda relativamente ao ano de 2005; (vii) valores com aparência de escolha por livre arbítrio, tais como R$ 1.140.000,00; R$ 1.922.800,00; R$ 1.922.800,00; R$ 1.926.848,00. Uma vez que tenha confirmado, por amostragem, as ocorrências descritas, fui ao Recurso Voluntário buscando justificativa para tais evidências. Encontrei apenas a afirmação de que, ao contrário de como foi entendido no Acórdão fustigado, conforme “se verifica nas notas fiscais anexas, foi encaminhado para as empresas Nutriservice Ind e Com de Prod Alimentícios Ltda., Concentre Industria e Comercio Ltda. e Ótimo Industria de Concentrados da Amazônia Ltda., para industrialização por encomenda (fls. 2.811 e segs.). Não foi formulada uma só explicação objetiva para as flagrantes incoerências ou para as imprevisíveis coincidências apontadas pelo i. Julgador de primeiro grau que levaram à conclusão da imprestabilidade dos documentos apresentados junto à impugnação como prova da remessa dos insumos para industrialização por encomenda. E não são somente os problemas identificados no juízo de primeira instância que desqualificam as notas fiscais apresentadas para comprovação da industrialização por encomenda. A quase totalidade das notas fiscais emitidas pela Ótimo e boa parte das notas emitidas pela Concentre, tanto a título de venda da matériaprima, quanto como retorno de industrialização por encomenda não contém a informação sobre a data e hora da saída da mercadoria, o que as torna sem nenhum valor legal para efeito de comprovação das operações. É o que diz a legislação de regência do Imposto. Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – Decreto 4.544/02 (grifos acrescidos). Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª): I não satisfizerem as exigências das alíneas a até e, h, m, n, p, q, s, e t, do quadro "Emitente", de que trata o inciso I do art. 339 e das alíneas a até d, f, h, e i, do quadro "Destinatário/Remetente", de que trata o inciso II do mesmo artigo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); (...) Art. 339. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: I no quadro "Emitente": Fl. 4254DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 56 (...) t) a data da efetiva saída ou entrada da mercadoria no estabelecimento; e u) a hora da efetiva saída da mercadoria do estabelecimento; Também não foi preenchido o campo correspondente à data de saída para a quase totalidade das notas fiscais emitidas pela própria Recorrente como remessa para industrialização por encomenda. Outra informação que desqualifica o valor probante das notas fiscais apresentadas junto à impugnação ao lançamento é o preço informado em alguns desses documentos. Observase que o custo da matériaprima é quase sempre idêntico ou muito próximo ao preço de venda do produto industrializado: sempre R$ 95,00 (noventa e cinco reais) ou alguns centavos a mais. Outro aspecto abordado na Decisão de piso foi a ausência de comprovação dos pagamentos efetuados. Quanto a isso, que se diga, de início, que não se justifica a reclamação sobre a escolha, pelo Fisco, de um meio de prova específico em detrimento de outros. Diante da eloqüente evidência de irregularidade nas operações declaradas, cumpre à autoridade fiscal a obtenção, por todos os meios possíveis, de informações e documentos capazes de atestar a efetiva realização do negócio e, ao administrado, a obrigação de apresentálos/prestálas. Por outro lado, não se confirma aqui o sobredito atenuante do agir conforme a lei. Conforme Decreto 70.235/72, as provas podem ser apresentadas até a fase de impugnação ao lançamento, precluindo, após, o direito, salvo exceções previstas na norma, às quais o caso sub examine não se ajusta, uma vez que tais documentos, ao contrário do que alega a Recorrente, vêm sendo solicitados desde a formalização da exigência. A despeito disso, não me furtei a um exame superficial dos documentos carreados aos autos pela parte, com o fito de sopesar as conclusões até aqui prevalentes com eventuais evidências da efetividade das operações desconsideradas pelo Fisco. Constatei que os pagamentos informados pela Recorrente, conforme se extrai das informações compiladas nas tabelas por ela própria elaboradas (que acompanham os comprovantes de transferência bancária) dizem respeito a mercadorias entradas no estabelecimento a partir do final do mês de dezembro de 2006, nas aquisições feitas à empresa Concentre Indústria e Comércio Ltda, e a partir do outubro do mesmo ano, para as mercadorias adquiridas da empresa Ótimo Indústria Concentrado da Amazônia. Contudo, as operações cujos créditos foram glosados pela Fiscalização Federal ocorreram em um período de tempo bem mais amplo: de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. É o que se extrai do relato feito pelos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento. 5. Seguidamente o contribuinte foi intimado e reintimado (04/10/2007; 26/09/2008; 19/11/2008; 09/01/2009; 08/05/2009; 04/08/2009; 05/10/2009; 14/10/2009) a apresentar as notas fiscais que deram origem aos créditos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, sob código CFOP 2152, e no campo 005 Outros Créditos, relativos aos períodos que segue: código CFOP 2152 3ºdec.Set/2005 R$ 2.379.155,28 3ºdec.Fev/2006 R$ 1.232.807,50 campo 005Outros Créditos Fl. 4255DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 30 57 2ºdec.Jan/2005 R$ 1.565.665,20 2ºdec.Fev/2005 R$ 1.565.665,20 2ºdec.Mar/2005 R$ 521.888,40 2ºdec.Nov/2005R$ 1.038.312,00 3ºdec.Nov/2005 R$ 2.070.468,00 3ºdec.Jul/2006 R$ 3.078.000,00 1ºdec.Ago/2006 R$ 2.113.560,00 3ºdec.Out/2006 R$ 2.595.780,00 3ºdec.Nov/2006 R$ 4.153.248,00 1ºdec.Dez/2006 R$ 519.156,00 3ºdec.Dez/2006 R$10.394.049,60 E ainda mais. A teor dos esclarecimentos prestados, tais pagamentos referem se à compra da matériaprima. Segundo informa a Recorrente, os documentos sob o título “doc. 16” é que representam uma amostragem2 dos pagamentos feitos pela industrialização por encomenda. O que se encontra no “Doc 16” são apenas documentos relacionados a duas transferências bancárias à empresa Ótimo Indústria de Concentrados da Amazônia Ltda. Ou seja, os documentos apresentados pela Recorrente como sendo testemunho de sua disposição de enfrentamento do desafio de atender as ditas demasiadas exigências fiscais, nem de perto comprovam a efetivação dos pagamentos. Glosa de créditos – inocorrência de processo de industrialização. Seguindo adiante, a Recorrente procura também demonstrar a improcedência da interpretação sugerida pelo Fisco, dando conta de que os produtos adquiridos da empresa Stratus foram exportados nas mesmas condições em que forma adquiridos. Sustenta que o processo de industrialização realizado, apesar de agregar outros insumos e haver modificação na substância industrializada, não implica alteração em sua classificação fiscal, tampouco alterase a quantidade do produto e seu peso. Outrossim, que, nos extratos do SISCOMEX consta apenas a informação de origem da mercadoria, o que não altera o tipo de operação realizada com o insumo em questão, mesmo porque a isenção do IPI exigia que o produto tivesse origem na Zona Franca de Manaus, de empresa com projeto devidamente autorizado pela SUFRAMA. Começando pela parte final, que se diga que a condição da isenção não era a de que o produto exportado tivesse origem na Zona Franca de Manaus, mas sim que insumos originários da Zona Franca de Manaus fossem utilizados na fabricação de produtos tributados. Ainda mais, inverossímil que todas as características do produto processado sejam iguais às das matériasprimas, sem nenhuma variação de peso, especificação, classificação. Não bastasse tudo isso e ainda foi informado no Siscomex que tratavamse de produtos adquiridos da empresa Stratus Indústria e Comércio. Vejase como a Fiscalização Federal descreveu os fatos apurados. Analisando as notas fiscais de vendas dessa mercadoria e as correspondentes faturas comerciais, emitidas por Cervejaria Petrópolis S A – CNPJ 73.410.326/0003 22, verificamos que: a) tratase de venda de produto, discriminado como “preparado composto não alcoólico da Amazonas (PCNAA)“, para o exterior, com imunidade do IPI nos termos do art. 18, inciso II do Decreto 4.544/2002; b) a discriminação do produto e a classificação fiscal são exatamente as mesmas que constam das notas 2 A Recorrente afirma no corpo do Recurso Voluntário (fl. 3.383 eProc): "62. Por amostragem, apresentase também comprovantes de pagamento da industrialização por encomenda (doe. 16)." Fl. 4256DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 58 fiscais de aquisição, ou seja, “PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZONIA” “NCM 2106.9010” Ex01; c) o peso, tanto líquido como bruto, indicados nesses documentos de vendas são os mesmos das notas fiscais de compras; d) o quantitativo de volumes que constam nesses documentos coincidem com os documentos de entradas. Os extratos SISCOMEX – Registro de Operações de Exportação – Consulta RE Específico, RE nº 06/12114490001 e 06/1454249001, apresentados pelo próprio contribuinte, apontam no campo observação/exportador o seguinte: “mercadoria adquirida da Stratus Industria e Comercio Ltda. portadora do CNPJ nº 04.475.883/000147”, fato que torna evidente se tratar de comercialização. E que não se perca de vista: como se pode constatar até o presente momento, não há evidências de que a empresa de fato operasse com a remessa das matériasprimas para industrialização por encomenda e, por outro lado, a Recorrente não industrializa refrigerantes. Quanto aos Registros de Exportação, é claro que eles não comprovam a industrialização das mercadorias. Não há nexo causal entre os dois eventos. Como bem percebido pela Parte, a exportação das mercadorias não foi contestada pelo Fisco, apenas a falta de industrialização das mesmas. Outrossim, os comprovantes de pagamento apresentados, além sobredita preclusão do direito, nada provam. Glosa de Créditos – Falta de habilitação à produção de refrigerantes Aqui digase, apenas, que, pareceme, a questão foi incluída pelos Auditores Fiscais autuantes porque não foi apresentado nenhum documento que demonstrasse a industrialização por encomenda. Por esse motivo, acrescentouse no Auto de Infração o fato de que a empresa não tinha condições, ela própria, de submeter os insumos adquiridos ao processo de industrialização, já que o parque fabril está conformado à fabricação de cerveja, corroborando a constatação de que os produtos foram vendidos no estado em que foram adquiridos, numa operação de simples comércio. Chama a atenção o fato de que, em sede de impugnação ao lançamento, a Autuada referese à industrialização de parte dos produtos por encomenda, se não vejamos. 18. Ademais, olvidouse de que parte da produção questionada se fez através de terceiros remessa à industrialização em prestação de serviços, como atestam as anexas notas fiscais (doc. 06). Já na fase de Recurso, sustenta que toda a produção de refrigerantes se deu por encomenda. 73. Ademais, olvidouse de que a produção questionada se fez através de terceiros mediante a remessa à industrialização em prestação de serviços , como atestam as anexas notas fiscais apresentadas ( fls . 2.811 e segs.). Inobstante mais essa incongruência, uma vez que a discussão, com base nas informações prestadas no corpo do Recurso Voluntário, esteja centrada exclusivamente na remessa desses insumos para industrialização por encomenda, não vejo porque aprofundar a discussão a respeito da condição fabril própria para produção de refrigerantes. Glosa de Créditos – Isenção condicionada Fl. 4257DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 31 59 Abandonase por um breve instante a discussão em torno das provas carreadas aos autos e da conseqüente presunção que delas decorre, para adentrar a uma questão relacionada à correta interpretação da legislação tributária. As preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, sujeitas à alíquota de 27%, estavam isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados quando elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, e geravam crédito do Imposto calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido Imposto. Independentemente de toda a controvérsia em torno da efetiva industrialização dos produtos adquiridos pela Recorrente, conforme até aqui descrito, a defesa entende que existe previsão expressa na legislação federal de que a utilização de tais insumos na industrialização gerará créditos "como se devidos fossem", e que, por força do disposto na Lei 9.779/99, artigo 11, pode utilizar esses créditos ainda que os insumos tenham sido empregados na fabricação de produtos isentos ou tributados a alíquota zero. O texto legal. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Não assiste razão à Recorrente. É fato que, por força do disposto na Lei 9.779/99, o saldo credor do IPI acumulado em razão de não haver lançamento devedor na saída de certos produtos passou a ser passível de restituição, ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; contudo, há, no caso específico da lide, uma exigência cristalina na Norma concessiva. Conforme se depreende do texto legal, os produtos isentos gerarão crédito desde que sejam empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem na industrialização de produtos sujeitos ao pagamento do imposto, nunca em produtos desonerados. Observese o texto legal. Decretolei 1.435/75 Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. Fl. 4258DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 60 § 1 Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. (grifos meus) § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Ora, é incontroverso que os produtos fabricados pela Recorrente estavam desonerados do Imposto na saída de seu estabelecimento, razão pela qual não se cogita da manutenção dos créditos correspondentes. E nem a jurisprudência colacionada pela Parte lhe favorece. Nenhuma das duas ementas, que, para maior facilidade torno a reproduzir, faz menção à manutenção do crédito correspondente à aquisição de insumos isentos quando destinados á fabricação de produtos desonerados do Imposto. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA 2 º TURMA ACÓRDÃO N° 0916353 de 28 de Maio de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO DE IMPOSTO REFERENTE A INSUMOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL Faz juz ao crédito de IPI, calculado como se devido fosse, previsto no art. 175 do RI PI, as aquisições feitas de empresas sediadas na Zona França de Manaus, haja vista que a Amazônia Ocidental compreende a totalidade dos estados do Amazonas, Acre e os exterritórios de Rondônia e Roraima, sem exclusão de nenhuma área. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RECIFE ACÓRDÃO N° 113588 de 31 de Janeiro de 2003 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: INCENTIVOS FISCAIS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. É vedado o ressarcimento de créditos incentivados relativos a insumos aplicados em produtos remetidos à Zona Franca de Manaus, pois a lei só admite a manutenção do crédito na escrita fiscal, não autorizando qualquer outra forma de aproveitamento. Da inidoneidade da documentação apresentada A respeito da inidoneidade da documentação apresentada, digase, de início, que não se constitui em fundamento da autuação fiscal, tratase de um aspecto acrescentado pelo i. Julgador de primeira instância, na medida em que, como se disse, a maior parte dos documentos foram apresentados somente com a impugnação ao lançamento. Por outro lado, no Relatório produzido pela Fiscalização, nenhuma das empresas arroladas na documentação anexa ao Recurso Voluntário, quais sejam: Ótimo Indústria de Concentrados da Amazônia; Stratus Indústria e Comércio Ltda; Nutriserve Indústria, Comércio e Serviços Ltda; Concentre Indústria e Comércio Ltda; foi acusada de ser empresa inapta. As empresas cuja inaptidão compõe o quadro de irregularidades flagradas pelo Fisco são aquelas nascidas e encerradas no bojo de sucessivas e improváveis coincidências, dentre as quais se insere a inexistência de fato dessas empresas. Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 32 61 Ações Judiciais que suspendem a exigibilidade do IPI Não consigo extrair dos autos a alegada inobservância às determinações judiciais favoráveis à pretensão das empresas JM Indústria e Comércio Ltda e Leyroz de Caxias Indústria, Comércio e Logística Ltda. Como se lê no corpo do Relatório Fiscal, os AuditoresFiscais encarregados do procedimento foram atentos à existência do provimento jurisdicional e observaram os termos nos quais a sentença acolheu o pedido apresentado pelos contribuintes de fato, se não vejamos. 87. Tanto na esfera administrativa, pela legislação de regência, quanto na judicial, consubstanciada na decisão judicial, impõese a incidência de Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações envolvendo a fiscalizada e seus “clientes” JM e LEYROZ. 88. Tal dever não foi cumprido, quer recolhendo o IPI com base nas pautas fiscais como entende a Administração Tributária, quer como determinado pelo Poder Judiciário. Assim imperiosa a formalização do lançamento de ofício para constituir o crédito tributário, conforme preceitua o artigo 142 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: (...) No caso da LEYROZ o lançamento do IPI darseá pela legislação de regência, tendo em vista a decisão judicial atribuindo à apelação da Fazenda Nacional efeito suspensivo, que sustou os efeitos da liminar obtida e de sua ratificação. (...) 91. Em relação a JM, o TRF 2ª Região decidiu que o calculo do IPI se faça a partir dos dados reais das mercadorias, constantes nas Notas Fiscais de saída, na forma do CTN e da TIPI. Entretanto, tal decisão não determinou que o fisco efetivasse o lançamento conforme decidido ou com base na legislação reguladora do tributo. 92. Devemos considerar que a tributação na forma disposta na decisão retro é mais onerosa para o sujeito passivo da obrigação tributária no presente caso, conforme se demonstra abaixo. Assim é que o lançamento do IPI, no caso da JM, se fará de acordo com a legislação vigente, ou seja, com base nas pautas fiscais. A Certidão de Objeto e Pé encartada ao Recurso Voluntário não altera, mas ratifica o entendimento da Fiscalização Federal sobre as condições atuais e efeitos do provimento obtido em juízo. A controvérsia, ao contrário de como a Parte entende, não gira em torno da existência de processos ainda não transitados em julgado, mas da condição desses Processos Judiciais no momento da lavratura do Auto de Infração. Um atribuindo efeito suspensivo à apelação da Fazenda Nacional, outro determinando que o valor do crédito tributário resultante fosse apurado a partir dos dados reais das mercadorias. E merece destaque. Em relação à empresa JM, a Fiscalização procedeu aos cálculos com base nos critérios definidos em juízo, limitando, contudo, a exigência, aos valores decorrentes do critério menos gravoso (R$ 690.123.496,12 um, R$ 297.641.850,13 outro). Fl. 4260DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 62 Em vista de tais circunstâncias, não há que se falar em afronta ao papel do Poder Judiciário no Estado de Direito, muito menos em desobediência de ordem expressa determinada pelo Juiz. Consulta apresentada pela empresa Para examinar os efeitos (ou a ausência deles) atribuídos pelo Fisco à Solução de Consulta obtida pela Recorrente, necessário, preliminarmente, adentrar ao mérito da formação do chamado Grupo Econômico, uma vez que somente a comprovação da existência velada dessa organização, criada para dissimulação de fatos reais, consumados sob a aparência de operações simuladas, terá o condão de desconstituir os efeitos próprios do instituto da consulta formulada de boafé e nas condições em que a Parte defende ter sido realizada. Ao longo da descrição dos fatos, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal, reconhecendo a existência de ações judiciais favoráveis às empresas para as quais a Recorrente vendia sem destaque do IPI na saída, assim como de Solução Consulta decorrente de questionamento manejado pela Cervejaria Petrópolis, assim introduzem o assunto. À vista do exposto, a sujeição passiva na constituição do crédito tributário, relativamente às vendas à JM sem destaque de IPI, estaria perfeitamente definida, entretanto, trataremos a seguir de situações que mudarão esse entendimento. Como restará comprovado, as empresas citadas nos itens anteriores: JM Industria Comercio e Logística Ltda., LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda., PRAIAMAR Industria Comercio & Distribuição Ltda. distribuidoras de cerveja, e Cervejaria Petrópolis S A fabricante de cerveja, integram um grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis”, comandado pela última, que agiu de forma simulatória com a finalidade de suprimir tributos. Em que pese a detalhada descrição das ocorrências apuradas pelo Fisco ao longo do Relatório que integra o vertente Voto, algumas considerações adicionais, reunidas exclusivamente em determinado desdobramento, serão de grande interesse para a visualização do esquema acusado no Auto de Infração. Nada mais apropriado que uma digressão em torno dos acontecimentos registradas nos negócios de um dos sócios da Cervejaria Petrópolis, o Sr. Walter Faria e uma das empresas envolvidas nas operações, a JM Indústria Comércio e Logística Ltda. Walter Faria é um dos acionistas e administrador da empresa Cervejaria Petrópolis S/A. Foi também proprietário de outras empresas, tais como Transportadora Rio Itaipu, Copacabana Comercial Ltda e Labim Empreendimentos e Participações Ltda. Essas três últimas empresas tem ou tiveram domicílio à Rua Xavier Pinheiro, nº 190, 1º andar, sala 201, na Cidade de Caxias – Rio de Janeiro, exatamente o mesmo endereço da empresa K2 Indústria, Comércio e Logística Ltda, sucessora da empresa JM Indústria, Comércio e Logística Ltda. A JM (relembrese, junto com a Leyroz, uma das empresas que obteve amparo jurisdicional que determinou que o IPI devido na saída da Cervejaria Petrópolis não fosse lançado nem recolhido) era gerida por Juvenal Cezar Marques e Marilza Sartim Marques, pessoas, comprovadamente, sem capacidade econômica compatível com os negócios da empresa, tanto quanto o foram as pessoas que lhes sucederam no quadro societário. Fl. 4261DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 33 63 Walter Faria também foi proprietário das empresas (i) DBTS – Distribuidora de Bebidas e Transportes; (ii) ItaipuRio Distribuidora de Bebidas; (iii) Sambeer Distribuidora de Bebidas Ltda e (iv) Zuquete Empreendimentos e Participações Ltda. (i) A empresa DBTS, era, à época, de propriedade das empresas Distribuidora de Bebidas Alto da Mantiqueira e Cotraldi Distribuidora de Bebidas, ambas antigas integrantes do quadro societário da JM. A JM foi de propriedade, por determinado período, e era, na ocasião, representada perante a Secretaria da Receita Federal, pelo Senhor Sidnei Donizeti Gonçalves Leite, que, por sua vez, foi, em conjunto com Fábio Gonçalves Leite, também um dos proprietários da JM Comércio de Bebidas e Logística Ltda. A Fiscalização relata parte da história do Sr. Sidnei Gonçalves Leite. SIDNEI assumiu o controle societário da JM em 21/11/2002, e permanece na sociedade até a presente data. Foi/é sócio dessa e de outras empresas (citadas acima), quase todas dedicadas ao ramo cervejeiro, e que por mera coincidência, vão terminar suas atividades em endereço comum e/ou passam ao controle de ROBERTO LUIS FONTES ou DÉLCIO MARTINS DA SILVA, cujos históricos veremos mais adiante. Teve participação societária na EFICER Com. de Gêneros Alimentício em Geral, na qual participaram também: Cervejaria Petrópolis S/A, Clerio da Silva Faria, Praiamar, Roberto Luis Lopes e JM. Em 2002 transferiu quotas de capitais das empresas Transportadora Olinda de S J Campos Ltda. e Itaipu Distribuidora de Bebidas Ltda. para a empresa Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda., da qual é sócio o Sr. Délcio Martins da Silva. Nesse mesmo ano adquiriu quotas de capital da empresa JM (R$ 198.000,00) da Distribuidora de Bebidas Alto da Mantiqueira Ltda. Esse capital foi aumentado em 2004 para R$ 405.900,00. Sidnei Donizeti, embora sócio de uma série de empresas, jamais auferiu patrimônio condizente com aquele relativo às empresas de que faz/fez parte, porquanto de 2002 até 2.006 sua evolução patrimonial se manteve num mesmo patamar, ou seja, em 2001 seu patrimônio era de R$ 570.236,65, passando para R$ 643.348,21, com dívidas no montante de 244.103,76 em 2006. Esse patrimônio declarado, composto basicamente por participação de R$ 328.000,00 na empresa JM, mostra indícios de não haver sido declarados todos os investimentos societários em que consta como proprietário, reforçando a tese de que seja uma espécie de ”colaborador ou testa de ferro” do “Grupo Cervejaria Petrópolis”. (ii) A empresa ItaipuRio Distribuidora de Bebidas teve sede à Rodovia Washington Luiz, nº 696 e 726, Cidade de Duque de Caxias – Rio de Janeiro, local onde também funcionaram as empresas JM Industria comércio e Logística Ltda; Cervejaria Petrópolis S/A; Praimar Industria Comércio e Logística Ltda, Leyroz De Caxias Ind. Com. E Logística Ltda.; Copacabana Comercial Ltda; Adna 2004 Distribuidora de Bebidas Ltda; AGP RJ Participações Ltda; Comercial Lefran Distribuidora de Bebidas Ltda. Também estabeleceu se à Estrada Miguel Salazar Mendes de Moraes, nº 1093, Rio de Janeiro, onde foram localizadas as empresas J M Industria comércio e Logística Ltda; Leyroz de Caxias Ind. Com. Fl. 4262DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 64 e Logística Ltda; Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda e Comercial Lefran Distribuidora de Bebidas. No ano de 2002, o Sr. Sidnei transferiu quotas de capitais da empresa para a empresa Cotraldi Distribuidora de Bebidas Ltda, relembrese, uma das empresas que integrou o quadro societário da JM Indústria, Comércio e Logística Ltda. O Presidente da empresa Cotraldi é do Sr. Délcio Martins da Silva. O Sr. Délcio participa do quadro societário de outras trinta e cinco empresas do ramo. No ano de 2002 emprestou R$ R$ 650.000,00 de Diberil Distribuidora Beira Rio Ltda e R$ 497.968,04 de Itaipu Rio Distribuidora de Bebidas. A Fiscalização relata, h1) nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 recebeu rendimentos tributáveis da ordem de R$ 18.548,00, R$ 15.792,00, R$ 19.860,00, R$ 19.240,00, R$ 19.880,00 e R$ 23.560,00, e R$ 50.236,00 respectivamente, grande parte deles recebidos de pessoa física (...) Como podemos perceber das declarações apresentadas por Délcio Martins da Silva, a variação patrimonial e os rendimentos auferidos nos períodos analisados mostramse muito reduzidos frente às participações societárias que detém; Verificase que DÉLCIO MARTINS DA SILVA não apresenta condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração das empresas em que consta como responsável ou como sócio cotista. A maioria delas do ramo cervejeiro, sendo que algumas tiveram como sócio ou como administrador Vanue Antonio da Silva Faria e Walter Faria, presidente e fundador da Cervejaria Petrópolis S A . Assim, temos fortes indícios de que Délcio seja uma espécie de “colaborador ou testa de ferro” do grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis” (iii) A Sambeer Distribuidora de Bebidas Ltda é de propriedade das empresas Distribuidora de Bebidas Alto da Mantiqueira e Cotraldi Distribuidora de Bebidas que, como se viu, foram proprietárias da JM Indústria, Comércio e Logística Ltda, que funcionava no mesmo endereço da empresa Itaipu Rio, que teve quotas de capital transferidas à empresa Cotraldi, cujo Presidente é o Sr. Délcio Martins da Silva, pessoa sem capacidade econômica para gestão dos vultuosos negócios e que, por sua vez, participou também das empresas a DBTS, JM, da ItaipuRio e, finalmente, da própria Sambeer. (iv) A Zuquete Empreendimentos e Participações Ltda foi uma das proprietárias da empresa Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda, com 93% do capital social no período de 15/07/2002 a 12/03/2004. A Praimar cedeu à JM o direito de distribuição nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, com exclusividade, dos produtos de fabricação da Cervejaria Petrópolis S/A, o que deu azo às controvertidas vendas sem o destaque do IPI na saídas das mercadorias. A Praiamar é de propriedade e é representada perante a Secretaria da Receita Federal pelo Sr. Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, que também representa, entre outras, as empresas Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda e JM Comércio de Bebidas e Logística Ltda. Fl. 4263DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 34 65 Sobre o Sr. Roberto, a Fiscalização relata, a1) nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 recebeu rendimentos tributáveis da ordem de R$ 18.832,26, R$ 23.700,00, R$ 36.372,58, R$ 33.993,80, R$ 35.000,00 e R$ 123.767,00, respectivamente; a2) seu patrimônio que em 1999 era de R$ 264.373,06 com uma dívida de R$ 160.500,00, evolui para R$ 2.710.808,20 com uma dívida de 1.776.614,06 em 2006; a3) nos anos de 2000 e 2001 recebeu empréstimos de Walter Faria no montante de R$ 300.000,00, sendo R$ 150.000,00 em cada um deles. Nesses dois anos adquiriu quotas das empresas FGJ Comercio e Transportes Ltda. – CNPJ 04.711.611/000107, JGF Comercio e Distribuidora de Bebidas Ltda. – CNPJ 04.771.939/000100, Lopes e Ferreira Comercial Ltda – CNPJ 02.228.942/000157 e ações da empresa Itaipu Rio Distribuidora de Bebidas S/A, esta última adquirida de Vanue Antonio Silva Faria – CPF 084.373.03826 e de Cleber da Silva Faria – CPF 087.854.91888, ressaltando que Walter Faria também participou do quadro societário dessa empresa; (...) Como podemos perceber das declarações apresentadas por Roberto Luis Ramos Fontes Lopes, os rendimentos se mostram muito reduzidos frente às participações societárias que possui. Seu patrimônio declarado e os rendimentos não correspondem às participações societárias – movimenta elevadas quantias que não se refletem em seus rendimentos e patrimônio. Segundo “Consulta Vínculos Empregatícios do Trabalhador”, Roberto Luis Lopes passou a trabalhar para o Sr Walter Faria, sóciodiretor da Cervejaria Petropois, desde 01/10/1987, quando ingressou na empresa Walter Faria Transportes. E, como vimos acima, permanece ligado a ele até os dias de hoje. Do exposto, verificase que Roberto Luis Ramos Fontes Lopes não apresenta condições econômicas ou financeiras para possuir e ficar a frente da administração das empresas em que consta como responsável ou como sócio cotista, mostrando fortes indícios de que seja uma espécie de “colaborador” ou “testa de ferro” do grupo econômico de fato, por nós intitulado “Grupo Cervejaria Petrópolis”. Essa restrita visão panorâmica de um cenário que não é menos do que trinta vezes mais habitado por pessoas físicas e jurídicas e por inimagináveis “coincidências” havidas entre elas, dá uma idéia das evidências apuradas pela Fiscalização da presença de vínculos entre as diversas personagens envolvidas e das razões porque foi considerada ineficaz a Solução de Consulta obtida pela Recorrente. Neste particular, entendo que os AuditoresFiscais foram especialmente felizes ao fundamentar a decisão de desconsiderar a Solução Consulta, se não vejamos. 77. A Cervejaria Petrópolis S/A ao formalizar consulta junto a Administração Tributária, entendendo ser incabível a exigência do IPI contra ela, na hipótese de se julgar improcedente a ação judicial impetrada pela JM Indústria e Comércio Ltda., sua “cliente”, agiu de máfé. Omitiu que integrava um grupo econômico da qual a JM era parte integrante. Tal pretensão tinha por objeto blindar a Cervejaria, deslocando para a JM (distribuidora) a sujeição passiva do IPI. Fl. 4264DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 66 78. Essa omissão induziu o parecerista a erro, porquanto a consulente fazendo parte do objeto do litígio pendente de decisão judicial, não gozaria de capacidade postulatória e nem a Consulta produziria efeitos. 79. Não resta dúvida de que a Cervejaria Petrópolis S/A fazia parte do litígio por ser o contribuinte de direito do tributo e ter relação direta com a situação que constituía os respectivos fatos geradores da obrigação tributária, e por controlar de fato a JM Industria comércio e Logística Ltda. 80. Diante dos elementos de que dispunha a Solução de Consulta respondeu: “Isto posto soluciono a consulta para esclarecer que não compete à consulente industrial suportar o ônus do eventual insucesso da ação que sua cliente move contra a União, alegando a invalidade do regime de tributação que a legislação impõe sobre as operações comerciais que ocorrem entre a indústria e distribuidora de bebidas”. 81. Entretanto, a Solução de Consulta não pode produzir efeitos, porquanto a Cervejaria Petrópolis S/A violou os princípios básicos de conduta dos administradores no processo administrativo e que estão elencados no art. 4º da Lei 9748/99, pois não expôs a verdade dos fatos e não procedeu com lealdade e boafé. 82. Violou, também, o inciso IV do art. 15 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maia de 2007, que versa sobre o processo de consulta no âmbito administrativo tributário. 83. Como comprovado, as empresas JM Industria Comercio e Logística Ltda., LEYROZ de Caxias Industria Comercio & Logística Ltda., PRAIAMAR Industria Comercio & Distribuição Ltda. distribuidoras de cerveja, e Cervejaria Petrópolis S/A fabricante de cerveja, integram um grupo econômico de fato, comandado pela última, que agiu de forma simulatória com a única finalidade de suprimir tributos. Conduta essa que se enquadra na descrição feita no art. 1º da Lei 8137/90. 84. Assim, afastada a referida Solução de Consulta e diante do exposto acima, temos que a SUJEIÇÃO PASSIVA, no caso do lançamento que ora estamos efetuando deva recair sobre a CERVEJARIA PETROPOLIS S/A, contribuinte de direito do tributo. Comprovação da existência do Grupo Econômico A existência de uma associação de fato, intitulada pela Fiscalização Federal Grupo Econômico de Fato, não depende de que sejam identificados os requisitos firmados na doutrina e disposições legais pertinentes. É dos conceitos mais comezinhos que a coisa simulada jamais aparentará e ostentará a conformação e os elementos constitutivos do negócio dissimulado. O controle majoritário, o controle efetivo ou controle compartilhado foram exercidos veladamente, com a interposição de pessoas sem capacidade econômica para, de maneira simulatória, figurar como gestores do negócio, com a participação de grande número de empresas em diversificadas transações comerciais, num emaranhado de tal complexidade que, não fosse o dedicado trabalho do Fisco, jamais teria revelada a verdadeira gestão por detrás da aparência. Desta forma, nenhuma possibilidade de que sejam ou fossem localizados os requisitos ou elementos que, em situações regulares, constituem o denominado grupo econômico. E nem se diga que não há provas de sua existência. Fl. 4265DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 35 67 É de amplo conhecimento que a comprovação do fato é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se amolda tão bem a essa máxima. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Como se viu à exaustão, a Recorrente negligenciou “exemplarmente” esse dever. As evidências colhidas nos autos, contudo, remetem à presunção de que o negócio aparente não coincide com o negócio real. Fartas evidências, digase. De fato, a meu sentir, nem há que se falar na existência de indícios, tal com foi repetido na acusação e no juízo inicial. Indícios, confirmados por outros indícios e mais outros, acompanhados da total ausência de provas de que o improvável acontecimento contrário às fartas evidências tenha acontecido, transmutamse em fortes testemunhos da ocorrência dos fatos, cuja valor probante requer veemente contestação, instruída com elementos tão robustos quanto os que lhe precederam. Não foi o caso. Pelo juízo que formo, está suficientemente comprovada a existência de toda uma organização por detrás dos negócios perceptíveis ao primeiro olhar. A defesa não passou nem perto de desconstituir esse entendimento. Com o merecido respeito que a todos deve ser dedicado, permitome dizer que o Recurso Voluntário apresentado, embora extenso e bem formulado, é predominantemente retórico. Aplicação de multas qualificadas No corpo do Relatório Fiscal, os AuditoresFiscais autuantes esclarecem a aplicação da multa de ofício graduada em 75%, qualificada porque o contribuinte agiu de forma simulatória e majorada porque não foram atendidos nos prazos as intimações para prestação de esclarecimentos. O texto é o que segue. 99. Foi aplicada MULTA DE OFÍCIO de acordo com o art. 80, inciso I da Lei n° 4502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9430/96; qualificada de acordo com o art. 80, inciso II da Lei 4502/64 e art. 45 da Lei nº 9430/96, uma vez que, o contribuinte agiu de forma simulatória com a finalidade de suprimir tributos; Fl. 4266DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 68 e, majorada nos termos do art. 46 da Lei 9430/96, pois o contribuinte não atendeu, nos prazos marcados, às intimações para prestar esclarecimentos. Não vejo nenhuma dificuldade para identificar circunstâncias passíveis de exigência da multa no percentual mínimo (75%), majorado (112,50%), qualificado (150%) e qualificado e majorado (225 %). Alguns poucos documentos foram entregues pela autuada à Fiscalização. É o caso das notas fiscais correspondentes às transações com a empresa Stratus Indústria e Comércio Ltda. Quando isso ocorreu e uma vez que não tenha ocorrido fraude, como faz exemplo o caso da Stratus, considerado apenas de um erro na interpretação da legislação que concede direito de crédito na aquisição de insumos isentos, a multa é aplicada no percentual mínimo, de 75%. Para os casos em que foi constatada a ocorrência da fraude e os documentos foram entregues, a multa é qualificada, elevandose ao percentual de 150%. Em determinadas situações, não houve apresentação de documentos e a operação não envolveu fraude, assim, a multa é majorada para 112,5%. Finalmente, quando não foram apresentados documentos e houve fraude, a multa sobe ao percentual de 225%. Todas essas ocorrências são extraídas das circunstâncias narradas pela Fiscalização Federal no Relatório que integra o Auto de Infração e a graduação das multa decorre de disposição legal que, como é cediço, a ninguém é dado desconhecer. Noutro giro, que não se fale aqui em lançamento para prevenção da decadência. Isso é matéria absolutamente estranha aos autos. Também não vejo motivos para adentrar à alegada natureza confiscatória das multas aplicadas. Falece competência a este Tribunal Administrativo para manifestarse acerca de argüições de desrespeito a princípios constitucionais, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal Fl. 4267DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10855.720713/201076 Acórdão n.º 3102002.142 S3C1T2 Fl. 36 69 formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. Finamente, também não enxergo falta de liquidez do Auto de Infração por ter zerado o saldo inicial. A julgar pelas práticas reiteradas da empresa, o verdadeiro saldo inicial do ano de 2005 haveria de ser expressivamente negativo. Inobstante, tratase de um evento continuado, interminável, sendo inviável proceder de outra maneira. Se fosse realizado o levantamento do ano de 2004, haveria de se questionar o saldo remanescente do ano de 2003, esse, por sua vez, influenciado pelo ano de 2002, 2001, 2000 e assim sucessivamente, restando impossível qualquer espécie de revisão. Ainda mais, não há como proceder a revisão da escrita para operações realizadas fora do prazo decadencial do direito da Fazenda de constituir o crédito, na medida em que o administrado já não esteja obrigado a guardar os documentos e, até por isso, inabilitado a contraditar as conclusões do Fisco. VOTO por rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de fevereiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 4268DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900082/2013-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/11/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 82 /2 01 3- 19 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900082/201319 Acórdão n.º 3801003.033 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.004082/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.360
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 463 1 462 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004082/201070 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.360 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de junho de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SAO PAULO COOPERTRANSE Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 08 2/ 20 10 -7 0 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 464 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SAO PAULO COOPERTRANSE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0153, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte do segurado não retidas e não descontadas pela empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais Consta do relatório fiscal que a remuneração dos contribuintes individuais foi apurada de forma indireta, tendo em vista que a recorrente, devidamente intimada, deixou de apresentar folhas de pagamento, documentos GFIP, SEFIP e guias de recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como deixou de prestar esclarecimentos requeridos pela fiscalização acerca de sua contabilidade. No presente lançcamento foram apuradas 03 (três rubricas), assim indicadas no relatório fiscal: 2.4. O levantamento Cl referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posteriora implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. 2.5. O levantamento AM referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. Corresponde à assistência médica. 2.6. O levantamento AL referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. Corresponde às cestas básicas e refeitório. Ainda com relação aos fatos geradores, assim se manifestou o il. Fiscal autuante: 3.11.1 Assistência médica como remuneração indireta tendo em vista que a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 0 1 , 02, 03 não apresentou contratos e apólices de assistência médica, nem listagem com os beneficiários do contrato para os anos de 2006 e 2007, as Fl. 464DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 465 3 despesas referentes à assistência médica foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. 3.11.2 Cestas básicas e refeitório como remuneração indireta a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 04 e 05, não apresentou folhas de pagamentos e GFIP dos segurados. Desta feita, não foi possível averiguar se há descontos relacionados e este benefício, ou se a alimentação é destinada a todos os segurados ou restrito mediante condições. As despesas referentes às cestas básicas e refeitório/lanches foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010 (fls. 104). Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte (fls. 121/122): “Não concordamos com o debito apurado conforme mérito abaixo. II.2. MÉRITO ( inciso III e IV do a r t . 16 do Dec.70.235/72) Tendo em vista que esta e os seus cooperados não foram contratados por nenhuma empresa, nao emitem nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, seguinte forma: O operador realiza o transporte público de passageiros com seu próprio veículo, sendo responsável por toda a manutenção do mesmo, abastecimento e pagamento de todas as despesas necessárias para que o veículo seja colocado à disposição da população em linhas com trajetos e horários pré definidos pela Prefeitura de São Paulo. Portanto não há contratação de serviços, mas sim outorga de permissão para realização de transporte público de passageiros, atividade de caráter essencial, a remuneração a qual o fiscal se refere e tão somente o repasse dos valores aos seus cooperados, segue anexo contrato de permissão e aditivos. Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas : 1. que em verdade não houve recusa na apresentação dos documentos requeridos pela fiscalização, mas uma explanação de que na condição de cooperados, seus recebimentos eram realizados diretamente pela SPTRANS, e exatamente por este motivo a cooperativa não detinha condições de efetuar a retenção de valores; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 466 4 2. que somente haveria a possibilidade de identificação dos contribuintes individuais com a apresentação dos recolhimentos efetuados por cada um deles, documentos estes juntados aos autos com o presente recurso; 3. que fora colocado a disposição do auditor todos os documentos de transferências bancárias relativos aos créditos de remunerações pagas pela SP TRANS, que foram tidas na oportunidade como não necessárias, mas nunca não apresentados; 4. que não apresentou a folha de pagamentos, pois, a época, não detinha referido documento; 5. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulála por Lei; 6. todos os dias os veículos retornam a garagem, onde existe um programa de computador da SPTRANS, que via antena, coleta os dados existentes nas catracas e gera um relatório denominado CIMO, o qual contém o número de passageiros transportados por cada um dos prefixos. Uma cópia desse relatório é repassado para a cooperativa que fará a conferência se o relatório CIMO está de acordo com o número de passageiros no diário de bordo de cada veículo. Com referido relatório é gerado um relatório de arrecadação, através do qual os pagamentos são efetuados diretamente ao cooperado pela SPTRANS; 7. se, portanto, necessária a existência de folhad e pagamentos, esta somente poderia ser exigida da SPTRANS; 8. que a cooperativa somente recebe pagamentos da SPTRANS quando verificada divergência entre o relatório CIMO e o número de passageiros existente no diário de bordo. Ou seja, se o CIMO informa um número de passageiros igual a 1.000, e o relatório de bordo informa 1.200, a cooperativa recebe os valores relativos a estes 200 passageiros e os repassa aos cooperados, após resultado de recurso administrativo. Logo, não há remuneração dos cooperados através da cooperativa; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 467 5 9. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 468 6 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Conforme já relatado, o presente lançamento deuse por meio do uso do procedimento de aferição indireta, no entender da fiscalização justificado pelos fatos da contribuinte ter deixado de apresentar documentação GFIP, SEFIP, GPS, folhas de pagamento e ter deixado de prestar esclarecimentos acerca das contas contábeis indicadas no relatório fiscal ª DISPÊNDIOS ADMINISTRATIVOS / 4.1.0.0.000.00001 PAGAMENTOS A COOPERADOS. b. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00001 REMUNERAÇÕES DIVERSAS DP. C. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00002 REMUNERAÇÕES DIVERSAS VC. d. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00003 REMUNERAÇÕES DIVERSAS DF. e. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00004 REMUNERAÇÕES DIVERSAS RH. f. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00005 REMUNERAÇÕES DIVERSAS DA. g. 4.2 DISPÊNDIOS OPERACIONAIS / 4.2.1.0.000.00009 PAGTO LÍQUIDO A COOPERADOS. Ademais, resta oportuno esclarecer as conclusões acerca do procedimento de aferição, conforme os seguintes excertos do relatório fiscal da infração: Diante da não apresentação das folhas de pagamento de segurados de qualquer natureza e da prestação deficiente e insatisfatória de esclarecimentos acerca das contas contábeis cujos lançamentos atestam remuneração a segurados considerados Contribuintes Individuais para fins de apuração dos fatos geradores de Contribuição Previdenciária, procedeuse à Aferição Indireta da base de cálculo tributária. [...] A recusa em apresentar folhas de pagamentos e a prestação de informações e esclarecimentos contábeis de forma deficiente não possibilitou a identificação e individualização dos segurados cooperados associados, dos segurados contribuintes individuais ou caracterização de segurados empregados. No procedimento de Aferição Indireta foram todos considerados segurados Contribuintes Individuais (lavrado Auto de Infração Al CFL 38 DEBCAD 37.309.0188). Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 469 7 A auditoria fiscal constatou a existência de pagamentos diretos efetuados a segurados contribuintes individuais lançados em contabilidade, mas NÃO DECLARADAS EM GFIP (lavrado Auto de Infração Al CFL 67 DEBCAD 37.309.0200). A auditoria fiscal constatou a existência de pagamentos indiretos efetuados a segurados contribuintes individuais lançados em contabilidade, mas NÃO DECLARADAS EM GFIP (lavrado Auto de Infração Al CFL 67 DEBCAD 37.309.0200). Também não apresentou contratos, apólices e listagem dos beneficiários da assistência médica (lavrado Auto de Infração Al CFL 35 DEBCAD 37.309.0170). Dessa forma não foi possível realizar a identificação os segurados Contribuintes Individuais já que os lançamentos contábeis não discriminam nominalmente os beneficiários dos pagamentos. Pois bem, verificase que a fiscalização, diante da ausência de documentação suficiente acerca da natureza dos pagamentos efetuados a pessoas físicas e constantes em contabilidade, sem que sobre tais contas contábeis fosse prestado qualquer esclarecimento por parte da contribuinte, entendeu, de acordo com o art. 33 da Lei 8.212/91, que todos os pagamentos ali constantes, fazendo referência a cooperado ou não, deveriam ser considerados como remunerações pagas pela cooperativa. Sequer foi possível a individualização dos segurados que receberam tais remunerações ou mesmo de quem eram os cooperados associados. Mesmo assim, o fiscal autuante prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 34): 3.9. Os valores contabilizados como dispêndios operacionais (despesas operacionais) foram classificados como sendo remuneração direta a contribuinte individual (ANEXO 1). Como a cooperativa não apresentou folha de pagamento dos segurados, a comprovação dos cooperados associados ficou impossibilitada, sendo todos considerados por Aferição Indireta como sendo Contribuintes Individuais. Tais remunerações não foram declaradas em GFIP e foram considerados fatos geradores de Contribuição Previdenciária e, portanto, base de cálculo na forma de remuneração paga, devida ou creditada a segurados Contribuintes Individuais. 3.10 Os valores contabilizados como dispêndios administrativos (despesas administrativas) foram classificados em parte como sendo remuneração direta a contribuinte individual pela prestação de serviço à cooperativa e não através da cooperativa para terceiros tomadores (ANEXOS 2 a 7). Tais remunerações não foram declaradas em GFIP e foram considerados fatos geradores de Contribuição Previdenciária e, portanto, base de cálculo na forma de remuneração paga, devida ou creditada a segurados Contribuintes Individuais. 3.11 Os valores contabilizados como dispêndios administrativos (despesas administrativas) foram classificados também como sendo remuneração indireta a contribuinte individual pela prestação de serviço à cooperativa e não através da cooperativa para terceiros tomadores (ANEXOS 8 a 10). Tais remunerações não foram Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 470 8 declaradas em GFIP e foram considerados fatos geradores de Contribuição Previdenciária e, portanto, base de cálculo na forma de remuneração paga, devida ou creditada a segurados Contribuintes Individuais. Verificase, portanto, que somente uma parte do lançamento, aquela referente a valores contabilizados como DISPÊNDIOS OPERACIONAIS OPERACIONAIS PAGAMENTOS LÍQUIDOS A COOPERADOS, encontrados em uma única conta contábil, se relaciona com a discussão relativa aos repasses de valores da prestadora de serviços SPTRANS aos cooperados. As demais rubricas, portanto, foram classificadas pela fiscalização como pagamentos simples efetuados pela cooperativa em favor de contribuintes individuais pela prestação de serviços para a cooperativa, e não para o Município de São Paulo. (SPTRANS). Neste ponto, portanto, o lançamento traz a lume outro fundamento de fato, que não o pagamento das cooperativas a seus cooperados, mas a pessoas, que no entender da fiscalização, de fato prestaram serviços administrativos para a cooperativa. Pois bem, feitos tais esclarecimentos, tenho ainda, que para uma melhor análise do presente processo, é necessária a prévia realização de uma diligência necessária, a meu ver para garantir o respeito ao princípio do devido processo legal, bem como a plena garantia ao direito de defesa da recorrente, em se tratando de um procedimento de aferição indireta de contribuições previdenciárias. Com o recurso voluntário foram trazidos aos autos vários documentos, entre eles guias de pagamento de contribuições que a recorrente sustenta serem relacionadas com o presente lançamento, as quais demonstram que os cooperados efetuavam recolhimentos de contribuições decorrentes dos recebimentos de valores diretamente da SPTRANS. Também entendo que a diligência seja necessária, até porque diante do art. 33 da Lei 8.212/91, em se tratando de um caso de lançamento por aferição indireta, é ônus do contribuinte levar a efeito a prova necessária a demonstrar a improcedência do lançamento e das conclusões da fiscalização sobre os valores lançados, juntando aos autos toda a documentação que entender pertinente a defesa de seus interesses. Logo, em se tratando de guias de pagamento relativas ao período objeto do lançamento, que, acaso com ele relacionadas, poderão certamente elucidar ainda mais os fatos discutidos nos autos, tendo em vista, inclusive, a impossibilidade deste Eg. Conselho em levar a efeito a devida análise dos documentos sem um confronto inclusive com as informações de recolhimentos constantes nos sistemas da SRFB, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos a origem e o fiscal autuante se manifeste relativamente aos documentos juntados aos autos nas fls. 501 a 1.102, esclarecendo se: (i) os mesmos são relacionados aos fatos geradores objeto do presente lançamento; (ii) em sendo a ela relacionados, se o são especificamente com o lançamento relativo ao pagamento efetuado e constante nas rubricas DISPÊNDIOS OPERACIONAIS OPERACIONAIS PAGAMENTOS LÍQUIDOS A Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004082/201070 Resolução nº 2401000.360 S2C4T1 Fl. 471 9 COOPERADOS, DISPÊNDIOS ADMINISTRATIVOS ou DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS; (iii) Se os pagamentos informados de fato foram contabilizados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil; É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.720094/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS
Caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, é irretorquível a conclusão falta de efetividade das despesas.
MULTA QUALIFICADA
Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%.
LANÇAMENTO DECORRENTE
Decorrendo o lançamento da CSLL e do PIS e da COFINS não cumulativos, de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1301-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS Caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, é irretorquível a conclusão falta de efetividade das despesas. MULTA QUALIFICADA Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. LANÇAMENTO DECORRENTE Decorrendo o lançamento da CSLL e do PIS e da COFINS não cumulativos, de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720094/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.266 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria IRPJ. Recorrente EXPRESSO SERRANO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS Caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, é irretorquível a conclusão falta de efetividade das despesas. MULTA QUALIFICADA Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. LANÇAMENTO DECORRENTE Decorrendo o lançamento da CSLL e do PIS e da COFINS não cumulativos, de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 94 /2 01 2- 12 Fl. 5415DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo acerca de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, exigindo da recorrente Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, (COFINS) e a Contribuição para o PIS/PASEP, respectivamente, nos valores originários de R$ 1.941.945,22, R$ 706.351,77, R$ 927.772,20 e R$ 201.287,01, acrescidos de multa de ofício de 150%, com juros de mora calculados até 31.03.2012. Na descrição dos fatos consta que foram glosadas despesas não comprovadas, verificandose que as despesas de prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, sendo estas glosadas da apuração do Lucro Real e da Base de Calculo dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos. Consta no Termo de Verificação que em virtude do volume de despesas de subcontratação de transportes de pessoas físicas e jurídicas, a recorrente foi intimada a apresentar contratos, subcontratos, documentos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, planilhas e demais informações comprobatórios das despesas com subcontratação de transportes com pessoas físicas e jurídicas, conforme fls. 5.154 5.155. Atestouse ainda, que dentre outras informações, a recorrente fez constar que conforme "RAZÃO", alguns valores foram estornados pelos montantes após conciliação e identificados que não foram cumpridos e/ou pagos por razões diversas, tendo apresentado planilhas especificando quais os contratos de transporte foram estornados para as pessoas físicas e quais os contratos das pessoas jurídicas. Segundo reportou a Fiscalização, da análise das planilhas verificouse que somente no mês de janeiro/2007, os contratos de transporte n°s 6274, 6275, 6278, 6456 e 6459 foram registrados como sendo de pessoas físicas, porém são de pessoas jurídicas e os valores totais mensais dos contratos de transportes estornados não conferem com os valores totais escriturados na contabilidade e não foram apresentados documentos que comprovassem que os contratos de transporte estornados foram realmente os listados nas planilhas, uma vez que na contabilidade também não consta o número dos contratos de transporte estornados. Fl. 5416DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 3 3 Por tais motivos, reputou a Fiscalização que aas planilhas apresentadas pela recorrente como estorno dos contratos de transporte de pessoas físicas e jurídicas, foram desconsideradas e assim os valores dos estornos dos contratos de transporte foram calculados por proporcionalidade, conforme item 4 do relatório (fl.5.163). Com base nos citados contratos de transporte do mês de outubro de 2007, foram verificadas as pessoas físicas e jurídicas que mais prestaram serviços para a recorrente e assim, feitas diligências às pessoas físicas e jurídicas, tendo sido solicitado informar se prestou serviços de transporte de cargas para a recorrente durante o ano de 2007 e apresentar documentos comprobatórios dos serviços prestados (conhecimentos de cargas, notas fiscais, contratos, etc), bem como comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes às citadas transações através de documentos (extratos, depósitos, etc). Atestou a Fiscalização que foram recebidas várias respostas padrões, entregues por empregados da recorrente, informando que prestaram serviços de transporte para a Interessada e apresentaram cópia dos contratos de frete já anteriormente apresentados, aduzindo que os valores que constam nos contratos de frete foram recebidos em dinheiro. Considerando estranho o procedimento padrão da entrega das respostas pelas pessoas físicas, reportou a Fiscalização que foram emitidos Termo de Intimação Fiscal, solicitando aos prestadores de serviços Pessoas Física que comparecessem à Receita Federal do Brasil para prestarem informações, às quais estão transcritas às folhas 5.152 5.161. De acordo com a Fiscalização, em relação a estes depoimentos, (dos motoristas dos caminhões), concluiuse que eram empregados da recorrente na época e que possuíam carteira assinada com salários em média de R$ 1.000,00 (mil reais), sendo que os caminhões que dirigiam eram de propriedade da recorrente e que assinaram os Contratos de Transporte a pedido da contribuinte, mas não recebiam os valores constantes dos contratos de transportes, que recebiam apenas uma ajuda de custo para despesas pessoais que variava de 6 a 7% do valor dos contratos de transporte e que os documentos entregues anteriormente, informando que prestaram serviços de transporte, foram confeccionados pela própria recorrente e entregues a estes para apresentação à Receita Federal, ou entregues por outros funcionários da própria Interessada. Além disso, relatou a Fiscalização que em mais de 70% dos casos, o motorista discriminado no contrato de transporte era empregado da Interessada, conforme consulta ao sistema GFIP WEB, sendo que em diversos casos verificouse que a placa do caminhão descrita no contrato de transporte, era de caminhão de propriedade da recorrente e somente se conseguiu levantar as placas dos caminhões no sistema RENAVAM, daqueles que ainda são de propriedade da recorrente até os dias atuais, sendo que não foi possível levantar as placas dos caminhões já vendidos a terceiros, porém, algumas placas nos contratos de transporte eram de carros de passeio, não condizentes com os serviços de transporte de carga, sendo que a recorrente não teria comprovado os pagamentos dos serviços de transporte efetuados pelas pessoas físicas, informando em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 128/2011 que os pagamentos eram realizados em espécie. Mediante o Termo de Intimação Fiscal n° 325/2011, solicitouse à recorrente os recolhimentos de IRRF e INSS nos contratos de transporte realizados por pessoas físicas, sendo que a Interessada informou que conforme demonstrativos dos contratos de transportes não há retenção de INSS sobre os proventos, portanto não há recolhimento e que também não houve recolhimento de IRRF sobre os respectivos Contratos de Transporte. Fl. 5417DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Concluiuse assim, que os contratos de transporte das pessoas físicas são falsos, de forma que estas despesas foram glosadas da apuração do IRPJ e CSLL e do cálculo dos créditos do PIS e COFINS Não Cumulativos. Em relação às diligências efetuadas nas pessoas jurídicas, entendeuse que foram prestados os serviços de transporte, visto que as respostas dos diligenciados confirmaram tal situação, de forma que os documentos apresentados como despesas com prestação de serviços de transporte por pessoas jurídicas foram aceitos. Da análise dos contratos de transportes realizados pelas pessoas físicas e jurídicas, discriminados nas planilhas, verificou a Fiscalização que o valor total dos contratos de transporte apresentados foi de R$ 14.321.982,91, discriminados da seguinte maneira: Pessoas Físicas = R$10.050.132,43; Pessoas Jurídicas = R$ 4.271.850,48 e o valor dos contratos de transporte de pessoas físicas e jurídicas contabilizados foram: Pessoas Físicas = R$ 12.926.119,27 e Pessoas Jurídicas = R$ 5.341.521,09, Estornos PF e PJ = R$ 7.401.437,43. Registrouse que o total dos contratos de transporte contabilizado foi, portanto, de R$ 10.866.202,93, tendo em vista a desconsideração das planilhas de estornos dos contratos de transporte, os valores foram calculados proporcionalmente aos contratos de transporte contabilizados, conforme planilhas de folha 5.164. Os valores mensais dos contratos de transportes de Pessoas Físicas não comprovados como despesas de transportes está demonstrado à folha 5.165, totalizando o valor de R$7.688.862,14 e a Fiscalização refez a apuração do resultado do ano de 2007, chegando ao valor de R$ 7.848.352,99, como diferença da base de cálculo do IRPJ, (em relação ao que constou no LALUR), conforme demonstrativo de folha 5.166, além disso, tendo por base que a Interessada adotou o regime de apuração pelo Lucro Real, ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativa da contribuição para o PIS e para a COFINS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Registrouse que o sistema da não cumulatividade prevê a dedução de créditos calculados em função dos custos e despesas com o valor das contribuições apuradas em função da receita auferida e que um dos créditos a que a recorrente teria direito são as "despesas de frete na operação de venda" e "serviços utilizados como insumo" e que a recorrente utilizouse dos contratos de transporte realizados pelas pessoas físicas e jurídicas, porém, considerando que os transportes prestados por pessoas físicas não foram comprovados, os créditos deles decorrentes foram glosados, conforme demonstrado nas tabelas de folhas 5.167 5.168, e demonstrativos de apuração de folhas 5.171 5.174, que tiveram como base os valores da DACON. Em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da recorrente de reduzir o montante devido dos tributos, inclusive falsificando documentos (contratos de transporte prestados por pessoas físicas) foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre os valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e, em decorrência, foi lavrado Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo n° 15586.720095/201287. Devidamente cientificada das imputações fiscais (fl.5.227), a recorrente apresentou Impugnação instruída por documentos na qual argui que consoante se comprova pelo seu contrato social, tem como objetivo a prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e para cumprir com todas as obrigações contratadas utilizase de veículos e motoristas próprios, bem como subcontrata outros prestadores de serviços, seja pessoa física ou jurídica. Fl. 5418DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 4 5 Alegou que os contratos firmados com as pessoas físicas não são falsos e produziram seus regulares efeitos, sendo que, dadas as peculiaridades de cada transporte e, considerando a quantidade de motoristas contratados, a confecção de contratos se fazia essencial para a manutenção da isonomia concedida aos funcionários, isso porque presta serviços a diversos clientes distintos e cada um possui um ou mais locais de entrega, sendo que para cada entrega é utilizada uma rota distinta e cada rota possui um preço prefixado, que é calculado pela distância do ponto de partida ao ponto de entrega, alegando que não influenciam neste preço as condições do trajeto, seja a dificuldade do percurso, a condição do asfalto, a presença de locais de parada satisfatórios etc. Alegou, contudo, que estes fatores são de crucial importância para a segurança e saúde dos motoristas, o que impõe a fixação de condições distintas para cada um, visando assegurar a isonomia entre eles e como bem destacado pela Fiscalização, cada motorista possuía uma contraprestação fixa, bem como uma comissão sobre o valor de cada transporte efetuado, que variava de 2% a 7%, sendo que este percentual da comissão era calculado de acordo com cada rota, visando, assegurar a isonomia entre os motoristas. Alegou que caso uma determinada rota fosse mais perigosa, o percentual era elevado, da mesma forma, se as condições de hospedagem e alimentação fossem mais custosas, o percentual também era elevado, e assim por diante, sendo que cada transporte possuía uma despesa distinta, entretanto, todos os transportadores pessoas físicas estavam em condição isonômica, o que estimulava seus trabalhos. Concluiu diante disso, que não haveria dúvidas de que estes contratos são válidos, uma vez que fixam apenas as condições dos transportes, visando assegurar a isonomia entre os motoristas e, consequentemente, as despesas tidas em função destes contratos não poderiam ter sido glosadas, uma vez que se referem exatamente à prestação de serviços retro mencionada. Aduziu que a Fiscalização utilizouse de depoimentos de pessoas físicas para entender que os contratos firmados eram falsos e, então, glosar as deduções realizadas, o que implicaria dizer que a Fiscalização considerou verídicos os depoimentos realizados, cujos efeitos se estendem a todas as partes, mas, as pessoas físicas ouvidas afirmaram terem sido ou serem seus funcionárias, que recebiam um salário fixo mais comissão e que os pagamentos eram feitos em dinheiro e os contratos firmados com as pessoas físicas tinham como único objetivo assegurar a isonomia entre as diversas pessoas físicas que realizavam o transporte, circunstâncias que no entender da recorrente não excluem as despesas tidas com os transportes, pois, a despesa, o desembolso financeiro realizado é um só e tem um só objetivo, qual seja, a realização do transporte. Defendeu, destarte, que nessa condição, a contratação de pessoas físicas por meio de contrato de prestação de serviços, funcionários (motoristas) e subcontratação de outras pessoas jurídicas para realizar determinado transporte relacionase diretamente à consecução de objetivo social, qual seja, o transporte rodoviário de cargas e não há como negar que as despesas tidas com o pagamento dos funcionários (motoristas de caminhão) têm como função possibilitar a continuidade da prestação dos serviços a seus clientes. Afirmou ser importante frisar que havendo despesa e sendo ela relacionada ao objeto social do contribuinte, ela deve ser deduzida das receitas auferidas e quanto ao lançamento do PIS e da COFINS, pela análise da primeira planilha constante na página 15 do TVF, foram glosados R$ 11.390.805,79 referentes a contratos de transporte firmados com Fl. 5419DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 pessoas físicas, ocorrendo que na página anterior àquela, afirmouse que foram glosados R$ 7.688.862,14 referentes aos contratos de prestação de serviços pelas pessoas físicas, cujos cálculos para apuração já haviam sido demonstrados, de forma que estando cabalmente demonstrada a existência de um grave erro no auto de infração, não há plausibilidade na sua manutenção, o que impõe seu imediato cancelamento. Por fim, reputou que a multa aplicada é inconstitucional por caracterizar confisco e que houve ilegalidade e arbitrariedade no procedimento da representação fiscal para fins penais, pois, a Lei nº 9.430/96, determina que a representação fiscal será encaminhada ao Ministério Público somente depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sendo a representação fiscal lavrada antes do trânsito em julgado do processo administrativo, requerendo prova pericial, apresentando quesitos e demais informações conforme fls. 5.252 5.254. A 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 5.342 a 5.359, julgou o lançamento procedente, rejeitando de início o pleito pela realização de perícia e no mérito assentando que a Fiscalização relatou que as despesas referentes à prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, sendo as mesmas glosadas da apuração do Lucro a multa de ofício de 150% sobre os valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que a intenção de reduzir o montante devido dos tributos, configurouse pela falsificação de documentos (contratos de transporte prestados por pessoas físicas), o que gerou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, PA 15586.720095/201287. Mencionou a decisão recorrida que por sua vez a recorrente alegou que as despesas decorrentes destes contratos não poderiam ter sido glosadas, porquanto se referem ao seu objetivo social, qual seja a de prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e acrescentou que a contratação de pessoas físicas por meio de contrato de prestação de serviços, funcionários (motoristas) e subcontratação de outras pessoas jurídicas para realizar determinado transporte relacionase diretamente à consecução de seu objetivo social, qual seja, o transporte rodoviário de cargas e, portanto, tais despesas são necessárias a sua atividade empresarial. Feito este resumo dos autos, esclareceu a decisão recorrida que o fundamento da autuação não foi a “necessidade” ou não das despesas, mas sim, a comprovação que de fato os serviços mencionados nos contratos apresentados, efetivamente existiram, foram prestados, e os respectivos valores foram pagos. Dito isso, asseverouse que em relação aos fatos, consta nos autos, que pessoas físicas contratadas pela recorrente foram intimadas a prestar informações sobre os mencionados contratos e reportou a Fiscalização que considerou estranho o procedimento padrão da entrega das respostas pelas pessoas físicas, razão pela qual foram emitidos Termos de Intimação Fiscal, solicitando aos prestadores de serviços “Pessoas Físicas” que comparecessem à Receita Federal do Brasil para prestarem informações. Nessa ordem de ideias, frisou a decisão recorrida que às folhas 216 a 319 e 5.157 a 5.161, constam as informações prestadas pelas pessoas físicas, passando a reproduzi las textualmente, visando assim evidenciar os expedientes adotados pela recorrente ao forjar os respectivos contratos. Citou ainda os outros tantos elementos coligidos em procedimento de fiscalização, concluindo que a recorrente nada contrapôs na sua impugnação, restringindose a Fl. 5420DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 5 7 alegar que os depoimentos das mencionadas pessoas físicas, por si só, não comprovariam que os ditos contratos eram falsos. Relembrouse o conteúdo do artigo 404, do Código de Processo Civil, segundo o qual é lícito provar por testemunhas a divergência entre a vontade real e a vontade declarada nos contratos simulados. E que ficou claro nos autos que as pessoas físicas (carreteiros), não atuaram como prestadores de serviços de transporte de cargas para a Interessada durante o ano de 2007, sendo que, por várias vezes, funcionários da Interessada lhes solicitaram que assinassem os contratos referentes a tais serviços, ficando igualmente claro que além do Fisco, as pessoas físicas também foram ludibriadas, pois, nos autos consta que, estas quando perguntavam o motivo pela assinatura dos contratos, lhe diziam que era para simples controle interno e que somente recebiam seus salários e mais uma ajuda de custo irrisória que era para custear despesas de alimentação e demais despesas da estrada. Assentouse nessa linha de ideias, que conforme já acima mencionado, a recorrente não contestou a veracidade dos fatos relatados pelas pessoas físicas supostamente contratadas para prestar os serviços de transporte rodoviário. Desta forma, não haveria como abrigar impugnação que não logra desconstituir os fundamentos da autuação, registrando que o parágrafo 1º, do artigo 9º, do DecretoLei nº 1.598 de 1977, estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais e os contratos apresentados não preenchem os requisitos do mencionado dispositivo legal, uma vez que revelouse que o seu conteúdo não expressou a verdade real. Por fim, reputouse que a recorrente não acostou aos autos outros documentos além dos mencionados instrumentos, revelandose correta a conclusão da Fiscalização no sentido de que as pessoas físicas supostamente contratadas, (os motoristas dos caminhões), eram funcionários da recorrente na época e que possuíam carteira assinada com salários em média de R$1.000,00 (mil reais) e que os caminhões que dirigiam eram de propriedade da Interessada, tendo sido assinados os Contratos de Transporte à pedido própria contribuinte, sendo que os caminhoneiros não recebiam os valores constantes dos contratos de transportes, que recebiam apenas uma ajuda de custo para despesas pessoais que variava de 6 a 7% do valor dos contratos de transporte e que os documentos entregues anteriormente, informando que prestaram serviços de transporte para a Interessada, foram confeccionados pela própria recorrente e entregues a estes para apresentação à Receita Federal, ou entregues por outros funcionários da própria contribuinte, julgando assim, correta a glosa dos valores tidos como despesas de contratos de transporte supostamente celebrados com pessoas físicas. Quanto às contribuições, lançadas por mera decorrência, aplicouse o mesmo entendimento, ressaltando que em relação ao PIS e COFINS, para os quais a recorrente atribuiu grave equívoco numérico no lançamento, fora informado e explicado pela Fiscalização nas páginas 14/15, e nos demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS, a planilha da página 15, trata da glosa dos créditos a descontar apresentado pela Interessada na sua DACON, e a planilha de fls.14, trata da glosa de despesas, que, no caso se referiu aquelas referentes aos contratos de transporte com pessoas físicas, que totalizou R$ 7.688.862,14 no ano de 2007. Ou seja, concluiu a decisão recorrida que naquelas páginas está bem claro que o valor de R$ 11.390.805,79, referese ao total anual da glosa das despesas que compuseram o campo referente aos créditos a descontar declarados pela recorrente na sua Fl. 5421DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 DACON, calculado com base na diferença destas despesas declaradas com a parcela dos valores que foram comprovados, que, no caso se referiram às despesas referentes aos contratos com as pessoas jurídicas, registrandose que as despesas ligadas aos contratos com pessoas jurídicas foram aceitas tão somente no âmbito da amostragem procedida pela Fiscalização, de sorte que tendo por base que o presente lançamento decorre das despesas não comprovadas quando da apreciação do lançamento do IRPJ, guardando relação de causa e efeito, temse que, negado provimento à impugnação referente ao lançamento do IRPJ, negase, também, em relação ao PIS e da COFINS não cumulativos. No tocante ao agravamento da multa, consignou a decisão recorrida que os fatos acima expostos comprovam de forma objetiva que a recorrente efetivamente agiu com a intenção de omitir informações ao Fisco, por meio de uso de documentos inidôneos consistentes em contratos falsos de transporte prestados por pessoas físicas, bem como, contabilizou e informou nas DIPJ e DACON despesas não existentes, fundados nos mencionados documentos inidôneos, resultando em redução ou supressão de tributo e, constatada a existência de documentos falsos decorre o evidente intuito de omitir tributo, devendo ser aplicada a multa agravada de 150% conforme dispõem os dispositivos legais mencionados nos autos de infração. Em conclusão afastouse a alegação de confisco mantendose os auto de infração. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário evidenciando os fatos, já relatados, suscitando preliminar de nulidade por verificado cerceamento ao seu direito de defesa, porquanto os auto de infração não retratariam os fundamentos de fato e de direito com a necessária exatidão, não sendo possível compreender os motivos que levarão a Fiscalização a glosar a integralidade dos contratos firmados com as pessoas físicas para realização de transporte. Ainda em sede preliminar afirmou que os autos de infração seriam nulos por terem sido feitos de maneira proporcional, porquanto a glosa se deu unicamente em relação aos contratos celebrados com as pessoas físicas, reconhecendo a Fiscalização a validade dos contratos celebrados com as pessoas jurídicas, de sorte que não seria necessária a proporcionalização que a contribuinte reputa realizada no auto de infração. Quanto ao mérito, discorreu acerca da validade dos contratos firmados, reputandoos legítimos e aptos a produzir os regulares efeitos, reiterando para tantos os fundamentos já relatos na impugnação. Defendeu que a glosa realizada se reveste de ilegalidade, porquanto baseada apenas em depoimentos colhidos das pessoas físicas, o que não seria conclusivo o suficiente para impor a glosa, alegando que as despesas em questão são operacionais e, portanto, dedutíveis. Por fim, reafirmou o argumento no tocante à inconsistência no cálculo do PIS e da COFINS em argumentos idênticos aos já relatados. Insistiu na ilegalidade da multa qualificada e requereu o provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 5422DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A recorrente sustenta em preliminar que os autos de infração seriam nulos por verificado cerceamento ao seu direito de defesa, porquanto as imputações realizadas, fáticas e jurídicas, não lhe permitiriam compreender com exatidão a matéria. Ao contrário do que arguiu a recorrente não vejo nos autos de infração qualquer obscuridade, tergiversação ou insegurança em suas conclusões, na verdade o raciocínio da Fiscalização foi até certo ponto singelo, foram glosadas despesas consideradas não comprovadas, verificandose que as tais despesas, oriundas de suposta prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, sendo estas excluídas da dedutibilidade na apuração do Lucro Real e da Base de Calculo dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos. Seguramente nada há de contraditório ou confuso em tal imputação. A Fiscalização verificou determinadas despesas, calcadas em contratos de prestação de serviços de transporte supostamente realizados por pessoas físicas contratadas, intimou a recorrente para comprovar a efetividade dos serviços prestados, um dos atributos para a dedutibilidade, a contribuinte não logrou fazêlo a contento da Fiscalização que fundamentou a exclusão das despesas na dedutibilidade e consequente apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições em questão. Quer me parecer que a matéria tributável está perfeitamente identificada e identificável, não havendo falar em cerceamento de defesa ou dificuldade de depreensão das imputações fáticas ou jurídicas, porquanto os autos de infração espelham os dispositivos e relatam os fatos de maneira mais do que satisfatória. Também não se alegue que o fato de a Fiscalização haver aceitado os contratos celebrados com pessoas jurídicas com eventual confusão ou imputação proporcional. O que houve foi efetiva aceitação de uma despesa e glosa de outra. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade advinda de suposto cerceamento de defesa. Quanto ao mérito, tal qual o fez a decisão recorrida, importa marcar os exatos limites da glosa levada a efeito. Neste propósito, muito embora ao analisar a preliminar acima, já o tenha o feito, cumpre dizer que a Fiscalização relatou que as despesas referentes à prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, ou seja, não foram glosadas a necessidade das despesas ou sua usualidade, antes, porém, a própria efetividade. Diante deste cenário, de não comprovação das despesas, estas foram glosadas da apuração das bases de cálculo, acrescida a citada glosa, de multa de ofício de 150% sobre os Fl. 5423DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que a intenção de reduzir o montante devido dos tributos, configurouse pela falsificação de documentos (contratos de transporte prestados por pessoas físicas). Vale, por oportuno, relembrar o caminho percorrido pela Fiscalização para atingir as conclusões que redundaram na lavratura dos autos de infração. Com efeito, consta no Termo de Verificação que em virtude do volume de despesas de subcontratação de transportes de pessoas físicas e jurídicas, a recorrente foi intimada a apresentar contratos, subcontratos, documentos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, planilhas e demais informações comprobatórios das despesas com subcontratação de transportes com pessoas físicas e jurídicas, conforme fls. 5.154 5.155. De acordo com o que reportou a Fiscalização, com base nos contratos de transporte foram verificadas as pessoas físicas e jurídicas que mais prestaram serviços para a recorrente e assim, feitas diligências e solicitações com vistas a informar se tais pessoas prestaram serviços de transporte de cargas para a recorrente e apresentar documentos comprobatórios dos serviços prestados (conhecimentos de cargas, notas fiscais, contratos, etc), bem como comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes às citadas transações através de documentos (extratos, depósitos, etc). Seguindo esta linha de investigação foi que a Fiscalização recebeu várias respostas “padrão”, entregues por empregados da recorrente, com cópia dos contratos de frete já anteriormente apresentados, aduzindo que os valores que constam nos contratos de frete foram recebidos em dinheiro, situação que gerou estranheza e desencadeou a solicitação aos prestadores de serviços Pessoas Física que comparecessem à Receita Federal do Brasil para prestarem informações, às quais estão transcritas às folhas 5.152 5.161 e foram minuciosamente reportadas pela decisão recorrida. O que se tem, ao contrário do que sugere a recorrente, não é uma glosa baseada em depoimentos inconclusivos, seguramente a estes depoimentos, (dos motoristas dos caminhões), levaram à conclusão de que eram empregados da recorrente na época e que possuíam carteira assinada com salários em média de R$ 1.000,00 (mil reais), sendo que os caminhões que dirigiam eram de propriedade da recorrente e que assinaram os Contratos de Transporte a pedido dela contribuinte, mas não recebiam os valores constantes dos contratos de transportes, que recebiam apenas uma ajuda de custo para despesas pessoais que variava de 6 a 7% do valor dos contratos de transporte e que os documentos entregues anteriormente, informando que prestaram serviços de transporte, foram confeccionados pela própria recorrente e entregues a estes para apresentação à Receita Federal, ou entregues por outros funcionários da própria Interessada, ou seja, ficou caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, sendo irretorquível a conclusão da decisão recorrida. Quanto à multa qualificada, presente o relato feito acima para evidenciar a falsidade material dos contratos, quer me parecer até mesmo despiciendo lançar novamente os fundamentos que autorizam a qualificação multa. É inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, motivo pelo qual, mantenho também a decisão recorrida no tocante à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. Em relação aos lançamentos reflexos, tal como o fez a decisão recorrida o entendimento deve ser estendido. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 5424DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 7 11 Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 5425DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005229/2008-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Não pode o contribuinte ser excluído do Simples Nacional por força de débito que encontrava-se com a exigibilidade suspensa por força de recurso administrativo.
Numero da decisão: 1802-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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IMPROCEDÊNCIA. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA. Não pode o contribuinte ser excluído do Simples Nacional por força de débito que encontravase com a exigibilidade suspensa por força de recurso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 52 29 /2 00 8- 59 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Trata o presente processo da Manifestação de Inconformidade de fl. 1, apresentada em 06/10/08 contra o Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 0086488, de 22/08/08, fl. 2, que excluiu a empresa em questão do Simples Nacional a partir de 01/01/09, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. 2. Em sua peça defensiva, alega a empresa possuir “defesa administrativa sob protocolo nº 10930.001139/200716, com a data de 08 de Agosto de 2007,” e que “vem pagando o parcelamento que trata no art. 79 da, Lei Complementar 123, de 2006, definida na no art. 20 da Resolução CGSN no 004; de 30 de maio de 2007, complementada na Resolução n° 20, de 15 de agosto de 2008, conforme comprovantes de pagamentos em anexo.” 3. “Diante do acima exposto, a empresa vem respeitosamente requerer a revogação do Ato Declaratório Executivo DRF/LON no 086408 de 22 de agosto de 2008, em virtude da empresa estar atendendo aos ditames da Lei supra mencionada.” A DRJ de Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. DÉBITO. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possua débito, sem a exigibilidade suspensa, com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que oriundo da Secretaria da Receita Previdenciária, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 15/02/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 29/02/2012, alegando que: “a) Apresentou a Recorrente, em tempo oportuno a Contestação à Exclusão do Simples Nacional ocasionada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/LON n^ 086488 de 22/8/2008. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 38 3 Alegou a Recorrente em sua defesa à época (doe. 01) que os débitos oriundos do Al Auto de Infração nº 37.088.9282 DEBCAD nº 37.088.9274, foram parcelados na forma da lei com exceção dos valores constantes da Tabela B LEVANTAMENTO PAGAMENTO A AUTÔNOMOS FP2 (doc. 02 ) do referido auto, por motivo desse débito ter sido objeto de recurso administrativo impetrado junto à Receita Federal do Brasil. No entanto, o Recurso de Contestação à Exclusão do Simples Nacional não foi acolhido pela 6ª Turma da DRJ/CTA que julgaram improcedente por unanimidade o recurso supramencionado (doc. 03 a 05). O relator do processo no seu voto descreve assim: 6. " ... verificouse que existem débitos não passíveis de inclusão no parcelamento de que trata o art. 79 da LC n? 123/2006, visto que se referem à contribuição de que trata o art. 21 da Lei 8.212/91, qual seja, a do segurado contribuinte individual, fls. 33/39)" (doc. 05). b) A Recorrente não obteve êxito no recurso analisado pela 6ã Turma da DRJ/CTA, pelo fato de, segundo o voto do relator, haver débitos não passíveis de parcelamento, porém os argumentos da Recorrente no recurso administrativo impetrado junto à Receita Federal do Brasil obteve êxito pela 53 Turma da DRJ/CTA. A Receita Federal do Brasil concluiu assim a Diligência Fiscal à 5a Turma da DRJ/CTA (doe. 12): 5. " Face impugnação apresentada, fls. 31 a 33 e dos documentos anexados ao processo, fls. 41 a 62, que esclarecem a relação jurídica entre empresa e os prestadores de serviços, sejam monitores, estagiários e prestadores de serviços pessoas jurídica, os quais motivam a retificação parcial dos lançamentos realizados pelo fisco". 6. "Portanto, acolhendo as razões expostas pelo sujeito passivo e ante os documentos apresentados, entendemos devam ser excluídas dos valores lançados as remunerações pagas a monitores, estagiários e honorários, consequentemente as contribuições ao Fundo de Previdência Social e para Custeio dos Riscos Ambientais no trabalho. Em decorrência retificamos os valores lançados no Auto de Infração nas competências 02/2005 a 12/2005 no que diz respeito: estagiários, monitores e honorários, em conformidade com as alegações do sujeito passivo" c) A Receita Federal do Brasil emitiu a Consulta Regularidade das Contribuições Previdenciárias (doc. 19 e 20). Esse documento atesta as alegações de regularidades da Recorrente. d) Destarte, inexiste débito previdenciário ou fiscal que justifique a exclusão da Recorrente do Simples Nacional.” Este é o Relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de processo onde a Recorrente alega que sua exclusão do Simples Nacional não deve prosperar eis que a fundamentação do Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 086408/2008 que determinou sua exclusão é insubsistente. Consta do ato: Art. 1º Fica excluida do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microernpresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jiridica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, relacionados no item 'Pessoa Jurídica', assunto ''Simples Nacional', do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na intemet, no endereço eletrônico <www.receita.fazenda.gov.br>, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na allnea 'd’ do inciso II do art. 7, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN n2 15, de 23 de julho de 2007: A lide em síntese está focada em parte do débito constante do auto de infração nº 37.088.9282 DEBCAD nº 37.088.9274, objeto da exclusão em que por um lado a Receita Federal entende que não foi objeto de qualquer parcelamento e, portanto, não está com a exigibilidade suspensa, gerando a exclusão do Simples Nacional; e, por outro lado, a Recorrente concorda que não foi objeto do parcelamento, contudo estava sendo objeto de contestação admnistrativa que já teve decisão transitada em julgado favorável. Não cabe a análise do parcelamento em 120 meses, primeiramente porque os comprovantes de pagamento estão acostados como prova no processo anexa a manifestação de inconformidade, bem como não foi objeto de questionamento pela Receita Federal, nem a fundamentação do ADE DRF/LON nº 086408/2008. De acordo com a informação da Secat de Londrina (PR), o débito cuja exigibilidade não estaria suspensa seria o débito previdenciário da IP nº. 313844/2008 (fls. 25), débito esse que segundo a informação fiscal referente ao débito em questão (fls. 92 / 104), devem ser excluídos por se tratarem de pagamentos a monitores, estagiários e honorários. A parte não suspensa por força do parcelamento estava suspensa por força de defesa no Processo Administrativo nº 11634.000717/200704, aberto para a cobrança dos valores que não puderam ser objeto de parcelamento. Como a Recorrente havia contestado também aquele processo, o mesmo encontravase com a exigibilidade suspensa por força do CTN, art. 151, III, senão vejamos: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 40 5 III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Desse modo, o débito que originou a exclusão da Recorrente do Simples Nacional era objeto de Processo Administrativo, o qual até o seu trânsito em julgado havia suspendido a sua exigibilidade. Por todo o exposto, considerando ainda o doc. 19 acostado a defesa da Recorrente em que a Receita Federal atesta a regularidade de todos os débitos previdenciários da contribuinte em questão, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, invalidando o ADE DRF/LON nº 086408/2008 que excluiu equivocadamente a contribuinte do Simples. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.726625/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 26/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc. EDITADO EM: 26/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 25 /2 00 9- 11 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 26/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 137.069,69, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 3 3 atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 09/07/2010 (efl. 110), Maria Jacy de Carvalho interpôs, em 18/07/2010, o Recurso Voluntário de efls. 73/109, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 15/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 114). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 4 5 competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 14/23, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 5 7 – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 114) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726625/200911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.784. Brasília/DF, 15 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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