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Numero do processo: 15374.724232/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 42 32 /2 00 9- 22 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2007, em razão da glosa de dedução de despesas médicas e com previdência privada. Algumas despesas médicas foram consideradas comprovadas. O recorrente não impugnou a glosa de dedução com despesa em previdência privada. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação idônea que atenda aos requisitos legais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... No presente caso, foi apresentado o documento “Reembolso Pago”, fls. 17, emitido pelo plano de saúde Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda, onde fica comprovada parte das despesas médicas declaradas pelo Contribuinte, como segue: Luciana B. B. Heil Luiz F. M. Neto Ricardo R. Padilha Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Insurge se contra a glosa relativa aos serviços médicos desconsiderados pela decisão recorrida, fls. 93 e s. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15374.724232/200922 Acórdão n.º 2301004.807 S2C3T1 Fl. 107 3 Voto Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual, e posteriormente entendeu que houve comprovação de parte dessas despesas. Em relação aos valores que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 remanesceram no lançamento, o recorrente em seu recurso voluntário trouxe comprovantes de tais despesas, fls. 93 e s. Assim, juntou documentos com informações sobre o serviço médico e do profissional, com o registro no órgão de classe e demais informações. Todos foram ratificados pela Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda, que somente em 14/07/2014 forneceu cópias de tais documentos ao recorrente. Ressaltase que o recorrente é portador de moléstia grave atestada pelo serviço médico oficial: neoplasia maligna e alienação mental, com isenção do imposto de renda desde 26/11/2007, fls. 29. Assim, entendo que o recorrente tem direito à dedução das despesas médicas a que se referem os comprovantes juntados no recurso voluntário. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900004/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RESSARCIMENTO DO IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL
O ressarcimento do IPI aplica-se exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento.
ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2.
Recurso Voluntário Negado
Direito creditório Não reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL O ressarcimento do IPI aplicase exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2. Recurso Voluntário Negado Direito creditório Não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 00 04 /2 00 9- 63 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento (fl. 3) de saldo credor do IPI pertencente a uma filial da empresa. O Pedido de Ressarcimento foi acompanhado de Declaração de Compensação, cujo débito é da mesma espécie tributária (fl. 146). Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 137/141) que propõe o indeferimento e foi referendado por meio de Despacho Decisório, a filial detentora do crédito não é estabelecimento industrial, mas equiparado por opção, nos termos do art. 11, I, do RIPI/2002, porque simplesmente operava na aquisição e revenda de chapas de aço. O Relatório destaca que a filial, já extinta, tinha como objeto “o comércio de bobinas de aço que não sofriam nenhum processo de industrialização, visto que eram apenas revendidas", segundo informado pela empresa, e que o exame das Notas Fiscais de Entrada demonstra se tratar de aquisições de chapas de aço adquiridas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), depois revendidas. Diante dessa atividade, a AuditoraFiscal responsável pelo Relatório considera que o ressarcimento requerido não se enquadra no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Também informa que a filial não procedia ao destaque do IPI nas saídas para a Resil Minas Indústria e Comércio Ltda, alegando suspensão baseada no art. 29, § 1º, I, “a”, da Lei nº 10.637/2002. Para a AuditoraFiscal tal suspensão é indevida, já que restrita às saídas promovidas por estabelecimento industrial. Menciona o art. 111, I, do CTN, e considera que a suspensão não beneficia a filial, por ser estabelecimento equiparado a industrial por opção e não realizar nenhum tipo de operação de industrialização. Por fim, noticia que em face das saídas sem destaque do IPI a escrita fiscal foi reconstituída, levandose em conta os débitos do Imposto (em vez da suspensão), e que foi lavrado, em processo à parte, de nº 10976.000266/200975, Auto de Infração (com cópia neste, juntamente com o Termo de Verificação Fiscal respectivo) para exigência da multa prevista noart. 80, I, da Lei nº 4.502/64 (sem exigência de IPI porque a reconstituição apresentou saldos credores). Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva, a contribuinte inicialmente destaca que as chapas de aço eram tributadas, enquanto as vendas à Resil, não; em razão do diferimento previsto no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, foi gerado o crédito de IPI. Em seguida contesta o Despacho Decisório, afirmando não poder prosperar tal decisão, sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade que rege o IPI e ao art. 11 do RIPI/2002. Para o contribuinte referido artigo equipara, para todos os efeitos legais, a Suplicante a estabelecimento industrial. Afirma não existir na legislação nada que limite o alcance da equiparação por opção e argúi que, “ao contrário do que aduz o Despacho Decisório, a interpretação literal prelecionada pelo art. 111, inciso I do CTN conduz à conclusão segundo a Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 13 4 qual, no caso presente, o estabelecimento equiparado a industrial faz jus à suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02, uma vez que não existe qualquer menção normativa que o exclua.” (fl. 247) Assinala haver incoerência da União Federal, no que “aceita” a equiparação da filial a industrial quando é para cobrar o IPI, e transcreve o item do Parecer Normativo CST Nº 367/71 (na peça de inconformidade está escrito, erroneamente, 376, mas o correto é 367), segundo o qual a equiparação do importador se dá “de forma ampla (‘para todos os efeitos desta lei’)”referência à Lei nº 4.502, de 1964. Também menciona o Acórdão nº 20311.516, de 08/11/2006, do Segundo Conselho de Contribuintes. Mais adiante, buscando apoio na doutrina e jurisprudência que menciona, tece considerações sobre o princípio da nãocumulatividade, quando ressalta que, na entrada, o aço adquirido é tributado, mas, na saída, não, em face da suspensão; sobre o direito à restituição de tributos indevidamente pagos; e sobre o enriquecimento sem causa, princípio que quer ver observado sob pena de ofensa ao direito de propriedade estatuído no art. 5º, XXII, da Constituição Federal. Antes de finalizar, trata da vinculação deste processo com o do Auto de Infração, observando que “o crédito utilizado para a compensação que foi glosada nos presentes autos não foi considerado em referida reconstituição de escrita fiscal, conforme se comprova com cópia dos Livros Registro de Apuração”, requerendo sejam os presentes autos apensados ao processo nº 10976.000266/200975 e garantido à Suplicante o direito de ver computado na reconstituição da escrita fiscal o crédito objeto da compensação realizada nos presentes autos. Ao final requer seja deferido o direito à “restituição”, homologandose as compensações realizadas. É o relatório." Com a devida vênia, cumpre retificar uma informação contida no relatório acima transcrito. O processo, por meio do qual foi cobrada, exclusivamente, multa por IPI não lançado em notas fiscais (os créditos foram suficientes para absorver os débitos apurados pela fiscalização) era o de n° 10976.000266/200925 e não 10976.000266/200975. Neste último, houve lançamento de ofício de IPI, motivo pelo qual o contribuinte, na manifestação de inconformidade, pleiteou a apensação do presente processo ao de n° 10976.000266/200975, para que, na hipótese de o ressarcimento não ser admitido, que os créditos correspondentes sejam abatidos do IPI lançado de ofício. A DRJ no Recife (PE) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e proferiu o Acórdão n° 1143.956, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SAÍDA DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SIMPLES REVENDA. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO. O benefício estabelecido pelo art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, que suspende o IPI nas saídas de matériasprimas, os produtos Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 14 5 intermediários e materiais de embalagem, não se aplica na simples revenda por estabelecimento equiparado a industrial, exceto quando a equiparação é de empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A Recorrente apresentou a PER n° 40072.15459.170805.1.1.011886 (fl. 3), no montante de R$ 298.778,20, com o objetivo de obter ressarcimento de saldo credor de IPI, acumulado ao fim do 2° trimestre do anocalendário de 2005. Foi acompanhada da DCOMP n° 21106.81175.190805.1.3.015603 (fl. 146), para compensação daquele valor com tributo da mesma espécie. O pleito foi objeto do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 137 a 141), que instruiu Despacho Decisório (fls. 144 e 145), o qual indeferiu o pedido. A fiscalização alegou que o contribuinte não tem direito ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99, porque não realiza qualquer processo industrial, porém apenas adquire chapas de aço para revenda. É equiparado a industrial por opção (inc. I do art. 11 do Decreto n° 4.544/2002 RIPI/2002). Apesar de não ser o fundamento do indeferimento do pedido de ressarcimento, no Relatório Fiscal também é abordado o fato de o contribuinte acumular créditos, em razão de promover saídas com suspensão do IPI, fundada na alínea "a" do inc. I do § 1° do art. 29 da Lei n° 10.637/02. Classificaram o procedimento como incorreto, posto que o benefício fiscal da suspensão abrangeria exclusivamente saídas promovidas por estabelecimento industrial o contribuinte era equiparado a industrial. E indicaram que foi objeto da lavratura de auto de infração, em outro processo (n° 10976.000266/200975), em que foi reconstituída a escrita fiscal do período de outubro de 2004 a setembro de 2005 e cobrouse IPI, relativo aos períodos em que não havia créditos suficientes para absorver os débitos levantados, e, quando ocorreu o inverso, somente multa, por falta de lançamento do tributo nas notas fiscais. No recurso voluntário, foram trazidos os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, assim titulados: "a) Dos efeitos da equiparação da Recorrente a estabelecimento industrial" "b) Do atendimento ao princípio da nãocumulatividade" "c) Do direito à restituição de tributos indevidamente pagos" "d) Do enriquecimento sem causa" "e) Da vinculação do presente caso ao processo n° 10976.000266/200975" Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 16 7 Em razão de sua natureza, iniciarei pelo último tópico e, em seguida, retomo a ordem em que se apresentam no recurso voluntário. "E) DA VINCULAÇÃO DO PRESENTE CASO AO PROCESSO N° 10976.000266/200975" A Recorrente requer apensação, pois o presente processo e o em epígrafe tratam de matérias conexas. Na hipótese de não ser acatado o pedido de ressarcimento, requer que os créditos sejam computados na reconstituição da escrita fiscal que foi realizada no processo n° 10976.000266/200975. O processo n° 10976.000266/200975 trata da lavratura auto de infração (fls 209 a 220), em decorrência de saídas indevidamente cursadas com a suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02. A fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do período de outubro de 2004 a setembro de 2005 e cobrou o IPI, relativo aos períodos em que não havia créditos suficientes para absorver os débitos levantados, e, quando ocorreu o inverso, somente multa, por falta de lançamento do tributo nas notas fiscais. Na hipótese de esta turma negar provimento ao recurso voluntário, os créditos que a Recorrente estornou, por ocasião do encaminhamento do PER/DCOMP, realmente poderiam ser utilizados para abater o IPI lançado de ofício, em sede do citado processo n° 10976.000266/200975. Contudo, até a conclusão do presente voto, por meio de visita ao sítio virtual do CARF, verifiquei que o mesmo ainda não havia sido encaminhado para este colegiado. Portanto, neste momento, sequer sabemos se o processo já foi julgado em primeira instância e, naturalmente, se o crédito tributário foi mantido. Diante disto, voto por negar o pedido de apensação. Caso a decisão da DRJ relativa ao processo n° 10976.000266/200975 não lhe seja favorável, quando da interposição do recurso voluntário ao CARF, a Recorrente poderá pleitear que os créditos eventualmente não ressarcidos no presente processo sejam abatidos do IPI lançado de ofício. "A) DOS EFEITOS DA EQUIPARAÇÃO DA RECORRENTE A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL" Na qualidade de equiparada a industrial, sustenta a Recorrente que as saídas de produtos gozavam da suspensão prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02. Aduz que "o instituto jurídico da equiparação representa outorga integral do tratamento jurídico de uma pessoa a outra, de modo que, ao equiparar determinados estabelecimentos a industriais, a legislação os igualou para todos os efeitos legais tributários". Assim, é legítimo o acúmulo de créditos e o pedido de ressarcimento. No presente processo, não se discute o direito à fruição do benefício fiscal da suspensão do IPI incidente sobre as vendas da Recorrente. E tampouco a legitimidade do Fl. 423DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 17 8 acúmulo de créditos. Nesta contenda, não há que se abordar estes temas, os quais, com efeito, são objeto do já citado processo n° 10976.000266/200975. Tratase, porém, de concluir quanto à possibilidade de a Recorrente pleitear o ressarcimento do IPI, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, o que será analisado nos tópicos seguintes. Assim sendo, declino de analisar a adequação do tratamento fiscal dispensado pela Recorrente às vendas, em razão de não ser o fundamento pelo qual o pedido de ressarcimento em discussão foi indeferido. "B) DO ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE" De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 232 a 236), que instruiu o Despacho Decisório (fls. 237 e 238), o pedido de ressarcimento foi negado, porque o estabelecimento que acumulou os créditos de IPI era mero revendedor de chapas de aço e equiparado a industrial por opção, nos termos do inc. I do art. 11 do RIPI/02 (em vigor no 3° trimestre de 2004). Como não realizava processo industrial, não fazia jus ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99. A Recorrente, por seu turno, alega que as saídas que promoveu eram beneficiadas com suspensão, o que resultou em acúmulo de crédito. E que o princípio da não cumulatividade somente será atendido, caso lhe seja garantido o direito à restituição. Transcrevo os dispositivos legais adotados pela autuante e outros que julgo imprescindíveis à conclusão da questão, com as redações então vigentes: Lei n° 9.779/99 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." Lei n° 9.430/96 "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 18 9 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. (. . .) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." RIPI/02 "Estabelecimentos Equiparados a Industrial Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (. . .) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33ª); (. . .) Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; e II as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização. (. . .) Bens de Produção Art. 519. Consideramse bens de produção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I as matériasprimas; II os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e V as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial." Fl. 425DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 19 10 IN SRF n° 33/99 "Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI Art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999." (grifos nossos) O art. 11 da Lei n° 9.779/99 dispõe que os contribuintes que adquirem MP, PI e ME e aplicam em processo industrial podem requerer ressarcimento de créditos acumulados de IPI. O art. 4 ° da IN SRF n° 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei n° 9.779/99, admitiu, expressamente, que também jaz jus ao aludido ressarcimento o estabelecimento equiparado a industrial, que adquire MP, PI e ME. E esta referência cabe àquele contribuinte, compulsoriamente equiparado a industrial (inc. IV do art. 9° do RIPI/02), que adquire insumos e os envia para estabelecimento do mesmo titular ou terceiro para industrialização, sob encomenda. A Recorrente, todavia, não se enquadra em nenhuma das duas hipóteses (executante ou encomendante de processo industrial). É equiparada a industrial por opção, operando, exclusivamente, com revenda de bens de produção. É fato que há uma imperfeição na lei. O art. 11 da Lei n° 9.779/99 deveria admitir o ressarcimento em qualquer circunstância em que houvesse acúmulo lícito de créditos de IPI. Não obstante, não podemos acatar o pleito, pois estaríamos decidindo de forma frontalmente contrária à lei de regência. Por fim, ao contrário do que aduz a Recorrente, não vejo afronta alguma ao princípio da nãocumulatividade. Não lhe foi negado o direito ao registro do crédito e tampouco à compensação com eventuais débitos de IPI derivados de saídas tributadas. Há de se destacar, inclusive, que, no primeiro tópico analisado, tratamos de pleito de apensação, cujo objeto era o de ver tais créditos compensados com os apurados pelo Fisco no processo n° 10976.000266/200975 Portanto, nego provimento à alegação contida neste tópico. "C) DO DIREITO À RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS INDEVIDAMENTE PAGOS" Em defesa de seu pleito, a Recorrente citou o art. 165 do Código tributário Nacional (Lei n° 5.172/66 CTN), que trata do direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente a saber: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 426DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 20 11 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." Não obstante o fato de que a Recorrente ter pago o IPI incidente sobre os produtos adquiridos para revenda, entendo que o fato de não ter podido compensálo com saídas tributadas não qualifica aquele pagamento como indevido ou a maior, sendo, portanto, a ele inaplicável o art. 165 do CTN. Assim, nego provimento à alegação de que há o direito ao ressarcimento, por ter havido pagamento indevido ou a maior. "D) DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA" A Recorrente reputa o indeferimento do pedido de ressarcimento "flagrante ofensa ao Princípio do Direito da Propriedade, previsto no inc. XXII do art. 5 da Constituição Federal". Em outras palavras, se é correta a interpretação da autuante acerca do art. 11 da Lei n° 9.779/99, este é inconstitucional. De acordo com a Súmula CARF n° 2, este colegiado "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Portanto, nego provimento às alegações. CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário, inadmitindo o pleito de ressarcimento de créditos acumulados de IPI. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 427DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900004/200963 Acórdão n.º 3301003.043 S3C3T1 Fl. 21 12 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 07/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11516.003332/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005
IPI. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO
Deverá ser mantida a autuação, uma vez demonstrado pelo fiscal que se trata de hipótese de incidência de IPI (atividade de industrialização definida como montagem), e constatada a correção dos valores levantados, com base no histórico das notas fiscais de venda do produto montado.
CRÉDITOS DE IPI - INSUMOS
Não há que se cogitar de direito a crédito de insumos, sem que tenha o contribuinte trazido aos autos qualquer elemento comprobatório dos supostos créditos alegados.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE
Face à súmula CARF nº 02, não cabe a este Conselho analisar argumentos de inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
É legal a aplicação da taxa SELIC para fixação de juros moratórios para recolhimento de crédito tributário em atraso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005 IPI. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO Deverá ser mantida a autuação, uma vez demonstrado pelo fiscal que se trata de hipótese de incidência de IPI (atividade de industrialização definida como montagem), e constatada a correção dos valores levantados, com base no histórico das notas fiscais de venda do produto montado. CRÉDITOS DE IPI INSUMOS Não há que se cogitar de direito a crédito de insumos, sem que tenha o contribuinte trazido aos autos qualquer elemento comprobatório dos supostos créditos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Face à súmula CARF nº 02, não cabe a este Conselho analisar argumentos de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É legal a aplicação da taxa SELIC para fixação de juros moratórios para recolhimento de crédito tributário em atraso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 32 /2 00 5- 75 Fl. 1303DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 11 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão da DRJ, de fls. 659/668 dos autos: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 1.137/1.176, através do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$ 3.557.700,90, sendo R$ 1.729.900,64 de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, R$ 530.375,29 de juros de mora calculados até 30/11/2005 e R$ 1.297.424,97 de multa proporcional (75%), por este falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados do estabelecimento, por não considerar sua atividade como de industrialização. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1.177/ 1.181 a descrição completa dos fatos, na qual destaca que a empresa além da comercialização de bens de informática, tais como: impressoras, monitores de vídeo, mouse, placamãe, placa de vídeo, memória, dentre outros produtos, a empresa efetua processo de industrialização, na modalidade de montagem de microcomputadores, classificados na TIPI no código 8471.49.l 1, sujeitos à tributação do IPI. Caracterizada a industrialização/montagem de microcomputadores, a fiscalização lançou de oficio através de auto de infração os valores apurados no Demonstrativo de Cálculo do IPI a Lançar de fls. 434/1.136, por falta de destaque de IPI nas notas fiscais de saída. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.183/1.222, na qual aduz, em síntese, que: 1. A autoridade administrativa, no processo administrativo fiscal, pode deixar de aplicar a lei, por considerá1a inconstitucional, devendo, sempre que solicitado, examinar questões de constitucionalidade; 2. Preliminarmente, alega que o lançamento se valeu de mera presunção da autoridade fiscal, o que viola o principio da legalidade, bem como, há a necessidade de comprovação dos débitos lançados, ônus não cumprido pelo agente fiscal; 3. No mérito, alega que a autoridade fiscal deixou de observar o princípio da nãocumulatividade, desconsiderando completamente o IPI que seria cobrado na aquisição de matériaprima, cujo montante deixou de ser pago face a isenção tributária existente, pois é inviolável o direito ao credito em operações isentas, não tributadas, com aplicação de alíquota zero; 4. Sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da cobrança de juros moratórios sobre o débito cobrado, bem como de juros capitalizados. A taxa SELIC a partir de 1996 passou a incidir na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários à determinação legal que determina apenas a inclusão de juros moratórios; 5. Especificamente em relação à multa aplicada que diz ser abusiva. Discorre sobre o ato vinculado, os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, da vedação ao confisco, da capacidade contributiva. Diz que a autoridade fazendária deve obediência aos preceitos constitucionais, acima dos Fl. 1305DF CARF MF 4 legais; que as legislações que estabelecem multas em patamares superiores aos limiares da razoabilidade padecem de inconstitucionalidade; que a pelo princípio da autotutela, a autoridade administrativa pode rever o lançamento da multa de oficio para adequação aos postulados constitucionais; e que a multa imposta acresceu substancialmente os valores eventualmente devidos pelo contribuinte, razão pela qual entende que devem ser revistos; 6. Por fim, requer o recebimento e processamento da presente impugnação, com a sua procedência; a revisão dos valores lançados, expurgandose a multa aplicada em valores exacerbados; e que todas as intimações/notificações sejam feitas em nome de um dos procuradores signatários. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2005 CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A reunião de componentes, adquiridos de forma independente e com classiticações fiscais distintas, que resulta em um novo produto (computador) com classificação fiscal específica, caracteriza a atividade de industrialização definida como montagem. IPI. BASE DE CÁLCULO. O histórico das notas fiscais de venda do produto montado constitui prova material suficiente para que se identifique a ocorrência do fato gerador do tributo em questão. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS Á ALIQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não se prestam para exame em sede administrativa alegações acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa SELIC para flxação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA DE OFICIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 12 5 A multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e aplicada no percentual determinado expressamente em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da referida decisão em 31/01/2011 (vide fl. 1.271) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 24/02/2011 Recurso Voluntário (fls. 1.263 e seguintes), através do qual repisou os argumentos trazidos em sua impugnação. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise deste Recurso. É o relatório. Fl. 1307DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Alegações de inconstitucionalidade Consoante se extrai do relato acima e da leitura do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, este se insurge alegando, em inúmeros tópicos, a suposta "inconstitucionalidade" da cobrança realizada pela Fiscalização, defendendo que o Julgador de primeira instância deveria reconhecer as supostas "inconstitucionalidades" apontadas. É cediço, contudo, que este Conselho não é competente para apreciar tal matéria, com fulcro no que dispõe a súmula CARF nº 2, cuja aplicação é imperativa aos Julgadores que a compõem: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida apresentase escorreita ao afastar os argumentos trazidos pelo contribuinte no que concerne às alegadas inconstitucionalidades, constantes em inúmeras passagens da sua impugnação e reproduzidas no recurso voluntário aqui analisado, nos termos da decisão cujo teor transcrevo a seguir: Alegações de Inconstitucionalidade e Ilegalidade Em que pesem os argumentos da impugnante quanto a possibilidade de afastamento da aplicação de lei por inconstitucional, devese ressaltar que a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Ressaltese que o art. 26A, do Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 2009), introduziu limitações aos órgãos de julgamento administrativo, vedando a estes afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo sob o fundamento de inconstitucionalidade, assim não declarados por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art.26A .No âmbito do processo administrativo fiscal; fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §6º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: “ ' Ique já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; IIque fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 13 7 a) dispensa legal de constituiçao ou de ato declaratória do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei rd 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n'' 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da Uniao aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar na 73, de J 993. " (NR) Em face dessa limitação, não se prestam para exame em sede administrativa as alegações produzidas pela impugnação acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. Ademais, há que se acrescentar que o princípio da estrita legalidade é o paradigma da atividade administrativa estatal, sendo assim, a apreciação de questionamentos de jaez constitucional ou doutrinário não é província da atividade de julgamento administrativo empreendida pelo órgão competente no seio da Administração Pública, competindolhe tão somente aplicar o direito tributário positivo. Ademais, é oportuno acrescentar que o julgamento administrativo de 1° grau é coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal consoante preceitua a Portaria MF n° 58, de agosto de 2001, art. 7° (atual Portaria MF n° 58, de março de 2006). De fato, não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei ou a ilegalidade de ato normativo, pois essa copmetência foi atribu~ida em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal (CF), art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pela impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. 2. Saída de produtos industrializados do estabelecimento sem o destaque do IPI (operação de montagem) Quanto ao mérito, importante salientar que o contribuinte não se insurgiu quanto à incidência do IPI nas operações em relevo. Limitouse a alegar que o agente fiscal não teria comprovado os débitos lançados. Alega, de forma genérica, que a autuação teria se embasado em meras suposições e indícios, em afronta a princípios constitucionalmente assegurados pela Constituição Federal. Fl. 1309DF CARF MF 8 Da análise dos autos, contudo, extraise que os argumentos trazidos pelo contribuinte encontramse despidos de qualquer fundamento. Consoante bem analisou a decisão recorrida, a autuação embasouse em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, o qual insurgese com argumentos genéricos, sem indicar de forma objetiva qualquer razão que pudesse levar ao questionamento dos valores apontados no auto de infração objeto da presente demanda. No intuito de demonstrar o que aqui se expõe, transcrevese a seguir o teor da decisão recorrida, que bem analisou o tópico em questão: Como se sabe, a operação de montagem, definida como a reunião de produtos, peças ou partes de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, é considerada como industrialização nos termos do artigo 4°, inciso III, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 ( RIPI/2002). A definição legal adequase perfeitamente à reunião de componentes para a obtenção de um microcomputador. Ou seja, reunir e conectar unidades eletrônicas é, sem qualquer sombra de dúvida, operação de montagem. Neste ponto, não se insurge a interessada contra o conceito de montagem, tendo sido este, por conseguinte, aceito de forma tácita. Antes de proceder ao lançamento, a fiscalizaçao tratou de definir com precisão a atividade, de fato, a que se dedicava a autuada, estando tudo relatado no Termo de Constatação e Declaração de fls. 31 e no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1.177/ 1 .181, e concluindo, resumidamente, que a empresa compra todos os componentes necessários à montagem de computadores (gabinete, memória, processador, HD, drive, placa de rede, placamãe, placa de vídeo, leitor de CD, programas windows e Office, etc.) e vende os computadores prontos e acabados. Ressaltese que o citado Termo de Constatação e Declaração apresenta declaração assinada pelo sóciogerente Neocir Zulian confirmando que a empresa realiza operação de montagem de microcomputadores, conforme transcrição abaixo: “MILA INFORMÁTICA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ Nº 85.249.779/000135, neste ato, representada pelo seu Sócio Gerente, Neocir Zulian, CPF n” 449.991.27920, e abaixo assinado, declara para os devidos fins, que da relação de notas fiscais que foi entregue, nesta data, em meio magnético, com 29.588 registros (itens de notas fiscais de saidas no periodo de janeiro de 2001 a janeiro de 2005), as quais contém o mesmo número de itens na nota fiscal (exemplo: 10 gabinetes, 10 monitores, 10 HD, 10 processadores, etc), referemse a saídas de microcomputadores montados em unm gabinete, salvo exceções, que poderão ser comprovadas, a posteriori, numa análise mais minuciosa da relação apresentada" _ Além desta constatação, as evidências de que a empresa industrializa microcomputadores na modalidade de montagem também são demonstradas no site da própria empresa, conforme cópias juntadas às fls. 427/432, onde aparece o catálogo dos que: “Em 1992, a RZ montou os primeiros micros computadores em laboratório próprío. A empresa passou então, a participar do mercado de integradores, ou seja, passou a comprar todos os componentes e montar os equipamentos de acordo com as necessidades dos clientes”. Assim, ao contrário do que afirma a impugnante, não se trata de mera presunção, pois o fato é que a montagem de microcomputadores realizada pela interessada está muito bem caracteriza nos autos. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11516.003332/200575 Acórdão n.º 3301003.112 S3C3T1 Fl. 14 9 3. Princípio da nãocumulatividade créditos de IPI insumos. Segue dispondo que a fiscalização teria se equivocado ao desconsiderar completamente o IPI pago quando da aquisição das mercadorias (notas fiscais de entrada). Contudo, apesar de alegar que o IPI teria sido supostamente "pago", fundamenta o seu pleito na decisão do STF proferida em relação ao ICMS, em que se considerou legítimo o crédito tanto em caso de isenção quanto em caso de não incidência. Alega que o entendimento deveria ser aplicado in totum ao IPI, "face à identidade entre os dois impostos". Novamente, percebese que os argumentos apresentados pelo contribuinte, além de apresentar uma série de inconsistências, encontramse despidos de um mínimo de objetividade. Não indicou o contribuinte, por exemplo, quais os valores que teria direito a crédito, tampouco indicou qual a situação que se enquadrava (isenção, incidência, alíquota zero), ou mesmo apresentou qualquer planilha/documento tendente a comprovar os argumentos apresentados. Não há, portanto, como se garantir direito a crédito não comprovado. Novamente, por relevante à solução da presente demanda, transcrevo a seguir passagem da decisão recorrida que tratou deste assunto: Existência de créditos do IPI a serem apurados A esse respeito, a empresa foi intimada (fls. 36/37) a apresentar planilha dos créditos do IPI de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, em relação aos itens e quantitativos de insumos aplicados na industrialização de microcomputadores, que deram saída através das notas fiscais especificadas no anexo de fls. 38/384. Em reposta, conforme documento de fl. 385, afirma que irá apresentar o demonstrativo de créditos “ juntamente com o recurso”. Pelo que se vê na impugnação apresentada, além de não ter especificado e demonstrado os supostos valores, a empresa apenas alega a desconsideração completa do IPI que seria cobrado na aquisição de matériaprima, expondo argumentos quanto a possibilidade de creditamento do montante do IPI que deixou de ser pago face a isenção tributária existente, sendo inviolável o direito ao crédito em operações isentas, não tributadas, com aplicação de alíquota zero. Discorreu ainda a decisão recorrida no sentido de que, ainda que tivesse trazido aos autos elementos probatórios, apenas conferiria direito a crédito os insumos cujo IPI tivesse sido efetivamente recolhido, não sendo admitido tal creditamento no caso de isenção ou não incidência. Neste ponto, entendo que, diante da ausência de comprovação dos créditos pleiteados, tornase despiciendo adentrar no mérito atinente ao direito ou não do contribuinte ao creditamento de IPI de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, pois ainda que tal pleito fosse procedente, esbarraria no óbice fático de que na hipótese dos autos, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento tendente a comprovar o seu direito. Portanto, correta a conclusão disposta na decisão recorrida no sentido de que: Fl. 1311DF CARF MF 10 Se houve alguma omissão no cômputo dos créditos, deveria esta ter sido identificada de forma inequívoca, e isso não foi feito. Assim, constatada a irregularidade descrita no auto de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências relativas ao IPI. Há de se ressaltar, inclusive, que o contribuinte não anexou aos autos qualquer documento adicional em seu recurso voluntário, tornando inabalável a conclusão acima indicada. 1. Da ilegalidade da cobrança de juros capitalizados da ilegalidade da imposição da taxa SELIC Alega, ainda, o contribuinte ilegalidade da cobrança de juros capitalizados e da imposição da taxa SELIC sobre o débito cobrado. Novamente, não merece guarida os argumentos levantados pelo contribuinte, pois, ao contrário do que alega, o débito objeto do presente processo fora atualizado pela fiscalização em estrito atendimento à legislação de regência. 5. Multa de ofício (75%) Por fim, alega o contribuinte que a multa de ofício aplicada in casu, no percentual de 75%, seria abusiva e inconstitucional, visto que afrontaria os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, do não confisco e da capacidade contributiva. Consoante analisado em tópico anterior, a análise da constitucionalidade da exação imposta ao contribuinte encontra óbice na súmula CARF nº 02. Logo, uma vez que a aplicação da referida multa encontra previsão legal, a qual se enquadra na hipótese descrita no auto de infração, não há como se afastar a sua imposição. 1. Da conclusão Sendo assim, com fundamento nas razões acima transcritas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 1312DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.014639/2008-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 39 /2 00 8- 34 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 280DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 15504.014639/200834 Acórdão n.º 9202004.733 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000615/2001-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 1996
Ementa: LUCRO REAL. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE
RECEITA. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem e a efetiva entrega dos suprimentos não forem comprovadas com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores.
PRESUNÇÃO LEGAL E ÔNUS DA PROVA — Cabe ao sujeito passivo o
ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu.
LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL,
PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que
fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-000.344
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS;. . , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10882.00061512001-09 Recurso u° 164.721 Voluntário Acórdão n° 1802-00.344 — r Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente ELMO SEGURANÇA E PRESERVAÇÃO DE VALORES S/C LTDA Recorrida 3a.Turma/DRJ/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 1996 Ementa: LUCRO REAL. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. Tributa-se como omissão de receita os aportes de capital dito efetuados por sócios à empresa, quando a origem e a efetiva entrega dos suprimentos não forem comprovadas com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. PRESUNÇÃO LEGAL E ÔNUS DA PROVA — Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu. LANÇAMENTOS REFLEXOS — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS — CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do,. colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos doislatoritie voto que passam a inte.Q r ente julgado. • 01‘. M 14UECNS—DE SOU A 1.13—resid • e Relatora. EDITADO EM: MAR 20 10 Participaram da sessão de lamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José De Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Nelso Kichel (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida 2 Processo n° 10882.000615/2001-09 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.344 Fl. 2 Relatório ELMO SEGURANÇA E PRESERVAÇÃO DE VALORES S/C LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, DRJ/Campinas/SP, que julgou procedente o lançamento constante dos Autos de Infração, fls.237/258 e por conseqüência manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 1996: - Imposto de Renda Pessoa Jurídica — 1RPJ no valor de R$ 48.158,92, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.237/241); - Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS no valor de R$ 1.280,50 acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.242 a 246); - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS no valor de R$ 3.940,00, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.247 a 250); - Contribuição Social - CSLL no valor de R$ 14.592,59, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.252 a 256). A exigência principal relativa ao IRPJ, teve como fundamento Omissão de Receita — Aumento de Capital - caracterizada pela falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de R$ 197.000,00, contabilizados no Livro Diário, fl.121, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constante do Auto de Infração (fls.238/239), a seguir transcritos: 001— OMISSÃO DE RECEITAS Aumento de capital sem comprovação da origem e da efetiva entrega dos recursos. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal 2000- 00.327-1 e 2001-00.006-3, procedemos à fiscalização do contribuinte para verificação dos aumentos de capital efetuados no período de 1996. O contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos através do Termo de Intimação 2000.00327-1/01, de 29/09/00, anexo à folha 04. O contribuinte apresentou a carta, de 06/10/00, anexada à folha 05, justificando a falta de entrega da documentação dentro do prazo concedido. Em 18/10/00 foi lavrada a intimação 2000.00327-1/02, anexa à folha 07, reiterando a solicitação. O contribuinte apresentou carta em 07/11/00, anexa às folhas 08/09, apresentando justificativas para os aumentos de capital efetuados pela empresa. Apresentou também cópias do Contrato Social consolidado e alterações registradas em 22/02/96, 22/05/96, 26/07/96, 10/12/97, 15/12/97, 23/12/97, 15/10/99 e 21/01/00, anexas às folhas 10 a 56. O contribuinte foi novamente intimado, através do Termo de Intimação 2000.00327-1/03, de 06/12/00, anexo à fl. 57, a apresentar os documentos referentes ao aumento de capital social de R$ 850.000,00, para R$ 1.200.000,00, na parcela correspondente a R$ 197.000,00, integralizada em moeda corrente, pelos sócios, conforme consta na Alteração e Consolidação do Contrato Social de 16/05/96, registrada em 22/05/96, anexa às fls. 17 a 22. Os sócios da empresa, Gilberto Cuiabano Barbosa CPF 539.973.957-72 e Maria Paula Coelho Chierighini Barbosa, CPF 026.987.878-56, foram também intimados a apresentar a documentação relativa ao aumento de capital, conforme intimações de 06/12/00, anexas às fls. 58/59. Em 26/12/00 o contribuinte solicitou dilação do prazo para atendimento, conforme carta anexa à fl. 60. Em 18/01/01 o contribuinte apresentou a carta anexa às folhas 61 a 64, e juntou os anexos intitulados de DOC.I a DOC.7, às folhas 65 a 236, abrangendo em conjunto a pessoa jurídica e as pessoas físicas dos sócios. Em suma, o contribuinte alegou na parte Ide sua carta, relativa à origem dos recursos, que as pessoas físicas apresentaram em 1996, rendimentos compatíveis com o investimento de R$ 197.000,00 para aumento de capital da empresa. Na parte II da carta, relativa à comprovação da efetiva entrega do valor à empresa, apresentou apenas o lançamento efetuado na folha 52 do Livro Diário, em 16/05/96, conforme cópia el. 121. Consoante disposição legal, a comprovação da efetiva entrega do valor à empresa deve ser feita através de documentos hábeis e idóneos, coincidentes em datas e valores com os registros da contabilidade. O mero registro na contabilidade, sem qualquer documento externo que o lastreie, não é meio de prova. A falta de comprovação da efetiva entrega dos recursos pelos sócios, enseja a presunção legal de omissão de receitas em montante equivalente ao valor não comprovado. Por outro lado, a capacidade financeira dos supridores para investimento, alegada pelo contribuinte, não é prova para elidir a presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts.artigos 195, inc. II, 197 e parágrafo único, 226 e 229 do R1R/94; Art. 24 da Lei n°9.249/95" A empresa foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n", 8.906, de 14/03/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR), 0.401, em 17/05/2005 e p otocolizou Recurso ao Conselho de Contribuintes em 15/06/2005, fis.402/413. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega, em síntese: - que, o lançamento baseou-se na presunção de omissão de receitas, sendo que a legislação só admite tal presunção quando disso houvera "indícios na escrituração do contribuinte"; 4 Processo n° 1088200061512001-09 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00394 Fl. 3 - que, apesar de os sócios possuírem saldo resultante de rendimentos normalmente oferecidos tributação, atribuiu-se à empresa a pecha de infratora sem apontar justificativa da suspeitosa pratica de omissão de receita; - que logrou provar a efetiva entrega dos recursos, lançando nos livros caixa e diário a entrada do dinheiro, no próprio dia da alteração do contrato social; - que, os documentos contábeis comprovam todas as alegações, não considerados pela decisão recorrida pelo que deve ser a decisão anulada por cerceamento ao direito de defesa. Requerendo a reforma da decisão recorrida, ao final ratifica a inocorrência de omissão de receita por entender que provou de maneira satisfatória, o aumento de capital e seu efetivo ingresso, "com a entrega dos livros de escrituração, assinalando a chegada do dinheiro e o seu posterior dispêndio". É o relatório. Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°. 70.235/72 e alterações posteriores, dele tomo conhecimento. Questão inicial deve ser enfrentada no que pese a alegação de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa". Alega a Recorrente que a decisão deixou de fundamentar porque não seriam os documentos contábeis e a declaração de renda dos sócios da empresa meios de prova. A alegação da Recorrente é totalmente infundada. A decisão recorrida no voto condutor do acórdão demonstra à exaustão de modo explícito, claro e congruente os fundamentos de direito e de fato que motivaram sua conclusão para a sustentação da omissão de receita por presunção legal, vejamos: No que respeita ao mérito, verifica-se que a omissão de receitas que norteia o lançamento tributário teve por fundamento a insuficiência, no entender da fiscalização, da comprovação da efetiva entrega pelos sócios da pessoa jurídica, da cifra de R$ 197.000,00 contabilizada em maio de 1996 a titulo de integralização de aumento de capital O deslinde da questão demanda prévio exame dos dispositivos que regulam a matéria e que valem indistintamente para suprimentos de numerários registrados como empréstimos entre os sócios e a pessoa jurídica ou como aportes para fins de aumento de capital Observe-se, inicialmente, o que diz o art. 229 do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado no Decreto n°1.041, de 11 de janeiro de 1994 (R1R/1994): 'RIR/1994: Art. 229— Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular de empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas." Vê-se que o artigo transcrito atribuiu aos contribuintes o ônus de produzir provas cumulativas e indissociáveis sobre dois fatos: origem e efetividade dos recursos de caixa fornecidos por pessoas ligadas. Necessária a prova da efetividade da entrega do numerário a fim de reprimir lançamentos fictícios que visem legitimar, pela via do ingresso no caixa recursos que passaram à margem da tributação. Já no que diz respeito à comprovação de origem, sua inclusão na norma visou impedir que recursos em algum momento desviados da escrituração oficial, retornem, legalizados, ao patrimônio da empresa. 6 Processo e 10882.000615/2001-09 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00344 FL 4 Assim, somente a apresentação de documentos que suportem, cumulativamente, a efetividade da entrega e a origem idônea dos suprimentos de caixa, a qualquer titulo, tem a capacidade de afastar o previsto no art. 229, do RIR/1994: a consideração dos aportes não comprovados como receitas omitidas. No mesmo sentido dispõe o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (PN CS7) n°242, de 1971: "COMPROVAÇÃO DE SUPRIMENTOS DE CAIXA. "A simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos suprimentos efetuados à pessoa jurídica. É necessário, para tal, a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. A comprovação da veracidade do suprimento se faz, provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo e não com a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. Da mesma forma o supridor terá que comprovar a origem dos seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre." Ao contrário do que pretende fazer crer a impugnante, o mero registro contábil do aporte de recurso não tem força para atestar a efetiva entrega do numerário pelo sócio à pessoa jurídica. Isto porque, à luz da boa técnica contábil, não se pode conceber assentamento na contabilidade desprovido da documentação que lhe dê suporte sob pena de, se assim não fosse, estar-se a privilegiar formalidade em detrimento do aspecto fático. Assim, o assentamento contábil do aumento de capital não atesta o ingresso do aporte no domínio da pessoa jurídica. A comprovação desse fato demandaria apresentação de conjunto probatório coincidente em data e montante com os aportes de numerários. Observe-se que a exigência dessa comprovação, não comporta nenhuma restrição ao livre curso da moeda nacional. O requisito da dupla comprovação da efetividade da entrega e da origem idônea dos recursos supridos às pessoas jurídicas por pessoas ligadas apenas instrumentaliza a exigência da legislação fiscal, mais propriamente o art. 229 do RIR de 1994. Ainda que se cogitasse da efetivação do aporte mediante numerário em espécie, em que pese a operação montar a R$ 197.000,00, caberia à interessada reunir os elementos de comprovação que atestassem por exemplo, o depósito em banco ou operação de mesma envergadura em data próxima ou ainda o saque em data anterior efetuada pelos sócios supridores. A autuada finca-se no sentido de reiterar a suficiência da documentação constante dos autos para comprovar a origem e a efetividade do mencionado aporte de recursos no montante de R$ 197.000,00 realizado em maio. Não é a essa conclusão a que 7 se chega pela verificação dos documentos de fls. 61 a 236, apresentados ainda antes da lavra tura do auto de infração, em resposta a intimação do autuante. De fato, a empresa juntou aos autos a cópia do Livro Diário relativo ao ano-calendário de 1996 (/ls. 70/236). À fl. 121, identifica-se o lançamento, em 16/05/1996, do ingresso de R$ 197.000,00 sob o histórico de AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL CONF. RCRI NESTA DATA. Fia-se a defesa nesse assentamento, considerando-o como prova da efetiva entrega do numerário à empresa pelos sócios. No entanto, é preciso dizer que os lançamentos contábeis, ainda que assentados corretamente, segundo as regras extrínsecas da escrituração (data, histórico, conta de contrapartida), não prescindem do elemento intrínseco que lhe dá força: a documentação hábil e idônea que corresponda ao fato contábil registrado. Por oportuno convém observar com mais detalhe o ordenamento jurídico no que tange aos meios de prova exigidos para que os lançamentos contábeis produzam os efeitos tributários que lhes são próprios, no âmbito dos tributos federais. O artigo 197 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994, dispõe que: O artigo 197 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 1994, dispõe que: Decreto n°1.041, de 1994: "Art. 197. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. (Decreto-lei n°1.598/77, art.7°) Parágrafo único - A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados anualmente em suas atividades no território nacionaL" (Lei n°2.354/54, art. 2°) Já, o artigo 210 do Regulamento em apreço traz a seguinte redação: Decreto n°1.041, de 1994: "Art. 210. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, os documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos e ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimoniaL" (Decreto n°486/1969, art. 4°) Vale registrar que, não acatar os argumentos da defesa não significa deixar de minar a escrituração do contribuinte ainda que não apresentada a documentação hábil e idônea que corresponda ao fato contábil registrado.4ç Assim, demonstrada à saciedade a motivação da decisão recorrida rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada de cerceamento ao direito de defesa. 8 f Processo e 10882.000615/2001-09 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00304 FE 5 No tocante à Omissão de Receita sob o fundamento de que a empresa não comprovou a origem e a entrega de R$ 197.000,00 contabilizados no Livro Diário, a recorrente afirma que comprovou a origem e a efetividade do aporte do capital à sociedade. Cotejando-se os autos, o que se busca desde o inicio da fiscalização e não se encontra nos autos é a comprovação da origem e da efetiva entrega desses recursos. Consta da descrição dos fatos, conforme relatado: Em suma, o contribuinte alegou na parte Ide sua carta, relativa à origem dos recursos, que as pessoas fisicas apresentaram em 1996, rendimentos compatíveis com o investimento de R$ 197.000,00 para aumento de capital da empresa. Na parte H da carta, relativa à comprovação da efetiva entrega do valor à empresa, apresentou apenas o lançamento efetuado na folha 52 do Livro Diário, em 16/05/96, conforme cópia à fi. 121. Consoante disposição legal, a comprovação da efetiva entrega do valor à empresa deve ser feita através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com os registros da contabilidade. O mero registro na contabilidade, sem qualquer documento externo que o lastreie, não é meio de prova. A falta de comprovação da efetiva entrega dos recursos pelos sócios, enseja a presunção legal de omissão de receitas em montante equivalente ao valor não comprovado. Por outro lado, a capacidade financeira dos supridores para investimento, alegada pelo contribuinte, não é prova para elidir a presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica. A recorrente apenas, de modo singelo, alega que houve a entrega do dinheiro e que os sócios possuíam capacidade financeira para promover o aporte de recursos porém não traz aos autos qualquer explicação Sou comprovação da origem dos valores consentâneos com suposta capacidade financeira dos sócios para o aludido aporte de recursos à empresa nas datas coincidentes da entrega dos recursos. Também não faz prova da efetiva entrega dos recursos. O art.229 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/94, não deixa dúvidas: Provada, por indícios da escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor de recursos de caixa fornecidos à sociedade por administradores, sócios da sociedade de pessoas, ou pela acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.(Decretos-lei yrs 1598/77, art.12, § 3°, e 1.648/78, art.1`;11) Da dicção do referido dispositivo legal depreende-se que o suprimento de numerário sem comprovação conjunta de sua origem e efetiva entrega autoriza a presunção de omissão de receita nos montantes supridos. É essa a situação fática de subtração de rendimentos tributáveis pelo Cio que o dispositivo legal em exame quer alcançar, pois, de outro modo, teríamos a possibilid 9 perene de se legalizar, sem ônus qualquer, a receita anteriormente afastada da incidência tributária. A figura do suprimento de caixa, geralmente, decorre da necessidade de a empresa honrar suas obrigações a pagar sem que deste cumprimento resulte saldo credor de caixa por possível receita omitida. No entanto é necessária a comprovação da origem e da entrega dos valores ditos supridos pelos sócios. Sabendo-se que cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunções legais de que o fato presumido não ocorreu. Por pertinência a matéria de que se cuida, vale lembrar o Acórdão n° 101- 75.653/85 (DOU de 02.10.86) a seguir ementado: Se o supridor, sócio da pessoa jurídica, não comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com o numerário suprido, a origem externa à empresa destes mesmos valores, há presunção júris tantum de que houve omissão de receitas, pois, se a origem do numerário não for externa, evidentemente a fonte do dinheiro utilizado é a própria empresa. A simples alegação de que o supridor dispunha da importância suprida em nada comprova a veracidade do suprimento esta se faz provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo. É certo como bem frisou o mencionado Acórdão a presunção é relativa e para que seja afastada, o contribuinte terá necessariamente que provar dois aspectos: a transferência de recursos para a pessoa jurídica e a origem dos valores. Qualquer um desses elementos, isoladamente comprovados, não terá o condão de descaracterizar a presunção de omissão de receitas. Nesse contexto, trago alguns excertos do voto do eminente conselheiro Amador Outerelo Femandez, então presidente da CSRF. Voto que se tomou paradigma para decisões administrativas de mesma espécie. Acórdão n° CSRF/01-0.220, de 4 de maio de 1982 Finalmente, a experiência de mais de meio século de fiscalização demonstrou ao Fisco que um dos meios de prova de apropriação, pelo titulares, sócios ou acionistas, de receitas da firma, após haver sonegado o seu ingresso na escrita da sociedade, era o registro na contabilidade da pessoa jurídica de: a) pseudo suprimento em nome dos sócios ou administradores, evitando-se desse modo, os eventuais "estouros de caixa" (..); ou ainda de b) enganosas entradas de numerário para aumento de capital. Tendo a fiscalização descoberto esse procedimento irregular, dada a completa vinculacão entre o creditado e a sociedade aquela passou a exigir a efetiva comprovação da origem dos recursos que as firmas ou sociedades creditavam aos administradores ou titulares do capital, quer nas contas de "Suprimentos", quer nas de "Capital". (Grifos do original) io Processo n° 10882.00061512001-09 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00344 Fl. 6 (.) entendia a jurisprudência do Conselho que se o Fisco ao examinar a contabilidade das pessoas jurídicas encontrava créditos a favor dos sócios com poder de gerência, sem qualquer documento hábil que amparasse tal escrituração, considerava esse fato indício de omissão de receita, intimando imediatamente a fiscalizada a que fizesse prova do real ingresso (entrada externa) e/ou da origem ou procedência dos recursos supridos. Assim, provado ter a pessoa jurídica haver levado a crédito dos seus titulares ou administradores importância cuja origem, após devidamente intimada a comprovar, não o fez, corporifica-se a circunstância ou antecedente que autoriza afundar uma opinião acerca da existência de determinado fato, ou seja, os aludidos meios de prova (indícios) (..). Efetivamente, a jurisprudência que conhecemos sempre se apoiou no exame de escrita para compulsar a legitimidade dos créditos aos sócios. Quando os documentos ou esclarecimentos não eram satisfatórios, exigia-se por escrito, a prova da efetiva entrega dos recursos contabilizados e a origem da procedência dos recursos que se indicava, sem qualquer prova, haverem sido aportados. Qualquer outra prova de omissão de receita, devidamente comprovada, tal como: subfaturamento devidamente quantificado; vendas sem nota; saldo credor de caixa; passivo fictício etc, sempre foi concomitantemente tributada quando esses fatos eram concorrentes, mas a sua existência nunca foi indispensável para a tributação da receita omitida, detectada através de créditos aos sócios, cuja origem dos recursos não ficava cabalmente demonstrado estar em negócios sociais regularmente contabilizados. Finalmente, os suprimentos nunca foram tributados como tal, mas como prova da origem de recursos omitidos na contabilidade da sociedade e desviados pelos sócios dirigentes. Quer dizer, eles não eram tributados pela sua entrada na sociedade (retorno), mas porque, à semelhança do que ocorre como o "estouro de caixa", o crédito sem origem revela ter ocorrido, em momento anterior não determinável, uma sonegação de receita da pessoa jurídica (.). Realmente a lei nova nada inovou a respeito da matéria. Isto porque, a autuação, nesses casos, já encontrava lastro jurídico na legislação que trata da "escrituração que deverá abranger todas as operações do contribuinte", consoante determina o art. 20 da Lei n°2.354, de 28.11.54. (.) A autuação que além de decorrer de indícios circunstanciais que rodeavam o caso controvertido, também já encontrava suporte no fato de que, inexistindo norma que atribua à escrituração do 1 contribuinte a presunção e veracidade, a ele cabe, naturalmente, o ônus da prova da ocorrência dos fatos contabilizados e de que eles se deram na forma objeto de registro. /V) I I Ora, se produção dessa prova é possível e se a pessoa jurídica, que tem o ônus legal de produzi-la, não o faz, porque não pode ou porque não quer, fica de meridiana forma patenteada a certeza de que os recursos supridos não tiveram a alegada origem externa à empresa, mas que são oriundos desta e configuram receita omitida. (..) a legislação nova, de uma parte, consagrou o que a jurisprudência administrativa há décadas já admitia, ou seja, a tributação por indícios; e, de outra parte, nada mais fez do que formular um critério de arbitramento da receita omitida com base no valor dos recursos de caixa supridos, nos casos em que não for comprovada a efetividade da entrega e a origem destes. A opinião da doutrina, por sua vez, anda na mesma senda, consoante os trechos abaixo: Nos termos do Decreto-lei n° 1.598/77, art. 12, § 30 (.) a presunção relativa de omissão de receitas baseia-se em indícios coletados a partir da escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, gerando à autoridade administrativa o dever de arbitrar a receita com base no valor de recursos de caixa fornecidos à sociedade por administradores, sócios, titulares da empresa individual ou acionista, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. Para que a presunção relativa seja afastada, o contribuinte terá necessariamente que provar dois aspectos: a transferência de recursos para a pessoa jurídica, o que facilmente seria provado mediante, por exemplo, cheque nominal em seu favor, e a origem dos valores, se da fonte estranha à sociedade ou, se dela, regularmente contabilizados. Qualquer um desses elementos, isoladamente comprovados, não terá o condão de descaracterizar a presunção de omissão de receitas. (Maria Rita Ferragut, "Presunções no Direito Tributário", editora Dialética, 2001, página 131) O empréstimo ou aumento de capital em dinheiro, com recurso de origem externa comprovada, deverá serfeito mediante cheque nominal cruzado em favor da pessoa jurídica afim de evitar que os suprimentos de recursos sejam considerados como receitas omitidas. Não basta, todavia, comprovar somente a efetiva entrega do dinheiro. Á comprovação da origem dos recursos supridos significa a necessidade de ser demonstrado que os recursos advenientes dos sócios foram percebidos por estes de fonte estranha á sociedade ou, se da empresa, submetidos a regular contabilização. (Hiromi Higuchi, em "Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e Prática", página 557, Atlas, 26° edição, 2001) 36. Por fim, a jurisprudência dos tribunais administrativos e judiciais ainda hoje beira a unanimidade quando trata da matéria. O que não é de surpreender, tendo em conta os enunciados declarativos de validade do § 3° do art. 12 do Decreto-Lei n° 1.598/77 proferidos pela CSRF. Aqui trago 12 Processo n° 10882.000615/2001-09 51 -TE02 Acórdão n.° 1802-00.344 Fl. 7 alguns arestos aprovados pela Justiça, pelos CC e pela própria CSRF: TRF - PRIMEIRA REGIÃO, APELAÇÃO MEL 01113487, SEGUNDA TURMA, 04/06/2002, JUIZ CÂNDIDO MORAES TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. EMPRÉSTIMO DE DINHEIRO PELO SÓCIO À SOCIEDADE. I. "O empréstimo feito pelo sócio à empresa de que faz parte, para suprimento de caixa, deve ficar cabalmente demonstrado, comprovando-se a origem do numerário e sua entrega efetiva, sob pena de se entender ser fictício para ocultar estouro de caixa." (AC 95.01.35915-8/GO, 30 Turma, Relator Juiz TOURINHO NETO, DJ 06/05/1996). 2. "No caso presente, depósitos bancários ou declaração dos sócios de que os aportes foram fornecidos em moeda corrente, sem o documento comprobatório da efetiva entrega do numerário, não são suficientes para comprovar sua origem ou a conta credora do sócio, tido como supridor." (AC 94.01.11073- 5/MG, r Turma, Relator Juiz LUIZ AIRTON DE CARVALHO). TRF -PRIMEIRA REGIÃO, APELAÇÃO CIVEL — 01000023663, SEGUNDA TURMA, 05/03/2002, JUIZA VERA CARLA NELSON DE OLIVEIRA CRUZ TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. CTN, AR?'. 148. RIR/80, AR?'. 181. (...)IV. A não comprovação da origem e da efetividade de suprimento de caixa importa na prevalência da presunção de omissão de receita, não sendo os lançamentos contábeis suficientes para afastá-la. TRF - PRIMEIRA REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL — 01000445438, • TERCEIRA TURMA, 24/06/1999, JUIZ OLINDO MENEZES • TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA PELOS SÓCIOS. NÃO • COMPROVAÇÃO DA EFETIVA TRANSFERÉNCL4 PATRIMONIAL. (..)2. Apurada omissão presumida de receita, mediante suprimento de caixa pelos sócios, sem a devida transferência de numerário do patrimônio daqueles para o da empresa, não é esta Ultima parte ilegítima para a causa na execução do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o lucro presumidamente distribuído aos sócios. 3. A omissão de receita caracterizada pelo suprimento de caixa feito pelos sócios à empresa só é ilidida pela comprovação da efetiva transferência de numerário do patrimônio daqueles para o da empresa, não sendo suficientes, para essa comprovação, a exibição de recibos emitidos pela empresa, o lançamento contábil de tais recibos e a demonstração de capacidade financeira dos sócios para suportar o suprimento. 13 CSRF/01-04.012, 19/08/2002, rel. Cândido Rodrigues Neuber OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR ACIONISTA MAJORITÁRIO. Nos casos de suprimento de numerário por acionista majoritário da empresa, a prova da origem dos recursos alcança a fonte pela qual o supridor obteve os recursos oferecidos à companhia. OMISSÃO DE RECEITAS. Constituem omissão de receitas os valores supridos pelos sócios e empresas ligadas, quando o contribuinte não demonstra a efetividade do ingresso dos valores e o fato de que estes se originaram do patrimônio do supridor. OMISSAO DE RECEITAS. Comprovado o lançamento à débito de caixa de cheques cuja compensação se deu em favor de pessoas estranhas aos pagamentos efetuados no mesmo dia e no mesmo valor, configura-se a omissão de receitas, não na forma presuntiva, mas na concreta, no valor do suprimento inexistente. Acórdão 107-07612, 15/04/2004, re1 Octávio Campos Fischer IRPJ E OUTROS — OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE CAIXA. Mesma orientação supra, lastreada em específica jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes, no sentido de que "Á falta de comprovação pela autuada da efetividade do suprimento de caixa realizado por sócio, e de que ele dispunha, na mesma data, de recursos suficientes com a correspondente prova da origem admite a presunção de que os valores supridos têm origem em receitas omitidas do giro comercial da própria empresa" (Recurso Voluntário n°117873, 5° Câmara do 1° CC, Relatar Ivo de Lima Barboza). Acórdão 103-19322, 14/04/1998, rei Edson Menne de Brito IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTOS DE CAIXA - EMPRÉSTIMOS - Se, devidamente intimada, a contribuinte não logra comprovar com documentação hábil, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos utilizados na operações de empréstimos, é de se manter a tributação do valor da receita omitida, tendo em vista o disposto no art. 181 do RIR/80. Acórdão 103-20564, 18/04/2001, reL Mary Elbe Gomes Queiroz SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS - O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica sujeita-se à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da respectiva entrega dos recursos, cujas operações deverão ser coincidentes em datas e valores. Caso o sujeito passivo não consiga comprovar a efetividade do suprimento configura-se a hipótese como a presunção legal juris tantum de omissão de receitas. Acórdão 107-05598, 13/04/1999, Natanael Martins IRPJ - AUMENTO DE CAPITAL - COMPROVAÇÁO - Os suprimentos de caixa realizados por parte dos sócios da pessoa jurídica, destinados a aumento de capital, sem prova da boa origem e efetiva entrega dos mesmos, autoriza a presunção legal de omissão de receitas nos termos do disposto no artigo 181 do RIR/80." Com efeito, não havendo a recorrente trazido aos autos a comprovação da efetiva entrega e da origem externa dos suprimentos de caixa realizados pelos sócios em maio de 1996, no total de R$ 197.000,00, configura-se a situação como presunção de omissão de ec n desconstituida pelo contribuinte, razão pela qual deve ser mantida a exigência. 14 Processo n° 10882.000615/2001-09 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.344 Fl. 8 Quanto aos lançamentos reflexos, CSLL, PIS e COFINS, decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. • Pelo exposto, voto -sentido de NEGAR provimento ao recurso. atoraRS2ER Q L E-S- .• • I5
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901415/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 15 /2 01 4- 10 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901415/201410 Acórdão n.º 3402003.349 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901415/201410 Acórdão n.º 3402003.349 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901415/201410 Acórdão n.º 3402003.349 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901415/201410 Acórdão n.º 3402003.349 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001729/2003-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ÁREA TOTAL DO IMÓVEL.
No presente caso a redução da área total do imóvel se deu em data
posterior a da ocorrência do fato gerador do ITR devido no exercício de 1999 (01/01/1999). Portanto, a informação contida na DITR/1999 esta perfeitamente de acordo com a realidade fática.
Numero da decisão: 9202-004.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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No presente caso a redução da área total do imóvel se deu em data posterior a da ocorrência do fato gerador do ITR devido no exercício de 1999 (01/01/1999). Portanto, a informação contida na DITR/1999 esta perfeitamente de acordo com a realidade fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 05 30 .0 01 72 9/ 20 03 -1 0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Contribuinte Especial do Contribuinte 2ª Turma 2ª Turma agosto de 2016 agosto de 2016 ITR - Área Total do Imóvel ITR - Área Total do Imóvel COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO RIO VERDE - CODEVERDE COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO RIO VERDE - CODEVERDE FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 po r LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 Cuida-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2801-01.001 da 1ª Turma Especial julgado na sessão de 19 de outubro de 2010, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 1999 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. No presente caso a redução da área total do imóvel se deu em data posterior a data da ocorrência do fato gerador do ITR devido no exercício de 1999 (01/01/1999). Portanto, a informação contida na DITR/1999 esta perfeitamente de acordo com a realidade fática. Recurso negado. Na origem, trata-se de Auto de Infração, fls. 01/09, que tem por objeto Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Boa Vista I”, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal 3012338-0, referente ao exercício 1999. Os fatos geradores foram assim descritos pela autoridade fiscal: Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude de consideração indevida de Área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada. Forma efetuadas glosas parciais nas áreas citadas, de acordo com o laudo apresentado e averbação à margem da matrícula do imóvel. O contribuinte impugnou o lançamento arguindo: que, por um lapso, cometeu erro material no preenchimento da sua DITR 1999, informando como área total do imóvel 17.487,2ha, quando na verdade a área total a ser considerada seria de 11.933,7ha; que a área informada representa a área total do imóvel em 1º de janeiro de 1999, pela alienação de área de 5.553,4ha do imóvel, e não a área no momento do fato gerador do ITR/1999; que o auto de infração, ao utilizar como base a área erroneamente informada pelo contribuinte (de 17.487,2ha), nasceu eivado de vício, pelo que deve ser declarado nulo. Por unanimidade de votos, a Delegacia Regional de Julgamento considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário por entender que “a alegação de que informou na DITR/1999 a área total do imóvel em 1º de janeiro de 1999 quando deveria ter informado a área existente na data de entrega tempestiva da DITR/1999 somente pode ser aceita se comprovado mediante documentação hábil e idônea o erro de fato cometido”. Contra a decisão, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando os termos da impugnação, ao qual, por unanimidade, foi negado provimento por entender os membros da turma pela regularidade do auto de infração, pois “independente da alienação que reduziu a área total do imóvel para 11.933, ter sido realizada e registrada antes do termo final para entrega da DITR/1999, esta redução não ocorreu antes da ocorrência do fato gerador do ITR do exercício de 1999, ou seja, não poderia constar da declaração d contribuinte outra menção que não os 17.487,2ha, correspondentes à área total do imóvel”. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial visando rediscutir a matéria no tocante à possibilidade de informar a área total do imóvel que fora reduzida antes da data da entrega da DITR, mas após a ocorrência do fato gerador. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 po r LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10530.001729/2003-10 Acórdão n.º 9202-004.383 CSRF-T2 Fl. 263 3 Isto porque, no acórdão paradigma suscitado - acórdão nº 3801-00.095 - ficou consubstanciado que “para fins de apuração do ITR, considera-se Área Total do Imóvel Rural aquela existente na data da entrega da declaração, nos termos do §1º do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 88/1999 ...”. Após o exame de admissibilidade do recurso, a Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões, reiterando os termos do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com o Ilmo. Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado: Inicialmente o imóvel realmente possuía uma Área total de 17.487,20 ha, porém nota-se que ocorreu um desmembramento de 5.553,47 ha, averbado em 13/08/1999, que fez a área total deste imóvel passasse a ter apenas 11.933,7 ha, conforme se verifica pela certidão da matricula do imóvel expedida pelo respectivo cartório de registro de imóveis. Não obstante a vedação prevista no artigo 147, §1º do CTN, que proíbe a retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte, quando vise reduzir ou excluir tributo, depois de realizado o lançamento do credito tributário, a perda do prazo para esta retificação não impede que contribuinte peticione administrativamente para afastar os efeitos de possíveis erros constantes em sua declaração. A determinação do dispositivo legal citado apenas retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originaria quando já notificado do lançamento. Conforme se depreende da leitura dos autos verifica-se que o objetivo do presente RE é a área total do imóvel de 17.487,20 para 11.933,7 por ter sido "equivocadamente"declarada pelo contribuinte na DITR/1999. Inicialmente o imóvel realmente possuía uma área total de 17.487,20ha, porém nota-se que ocorreu um desmembramento de 5.553,47 ha, averbado em 13/08/1999, que fez a área total deste imóvel passasse ter apenas 11.933,7ha, conforme se verifica pela certidão de da matrícula do imóvel Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 po r LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 Enfim, independentemente da alienação que reduziu a área total do imóvel para 11.933 ter sido realizada e registrada antes do termo final para entrega da DITR/1999, esta não ocorreu antes da ocorrência do fato gerador do ITR do exercício de 1999, ou seja, não poderia constar da declaração do contribuinte outra menção que não os 17.487,2 há, correspondentes à área total do imóvel. Ante o exposto, oriento o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso, por reconhecer que à época da ocorrência do fato gerador a área total do imóvel era de 17,487,2ha. Patrícia da Silva Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 po r LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por PATRICIA DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728996/2011-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 9101-002.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
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Limite legal. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DO BRASIL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 89 96 /2 01 1- 43 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 915 2 Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 30/09/2014, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1103001.057, por meio do qual os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida determinou o cancelamento dos créditos tributários constituídos pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que as instituições financeiras BESC S/A e BESCRI S/A, incorporadas pelo contribuinte BANCO DO BRASIL S/A em 30/09/2008, não respeitaram o limite legal de 30% ao compensar a totalidade de seu lucro real, apurado nos balanços especiais de incorporação levantados em setembro de 2008, com prejuízos fiscais acumulados. O mesmo foi observado em relação à CSLL, que teve sua base de cálculo positiva apurada em setembro de 2008 compensada integralmente com saldos negativos de exercícios anteriores. Em ambos os casos, entendeu a Fiscalização que o procedimento adotado pelas instituições financeiras sucedidas estava em desacordo com os arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Assim foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL apurados em 2008, mediante a aplicação do limite legal de 30% de redução das bases de cálculo dos tributos. Os créditos tributários lançados contra a empresa BESC S/A, sucedida do BANCO DO BRASIL S/A, constituem o objeto dos presentes autos. Já os autos de infração lavrados contra a outra sucedida, BESCRI S/A, são tratados no processo administrativo fiscal nº 10166.729141/201130. A autuação fora mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, cancelada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 916 3 O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS SEM A TRAVA DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%. Os autos foram encaminhados eletronicamente à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 03/09/2014. A intimação pessoal presumida do Procurador se daria apenas em 03/10/2014, nos termos do §3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010. Antes disso, em 30/09/2014, tempestivamente portanto, foi interposto recurso especial que se insurgiu contra o Acórdão nº 1103001.057, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido à questão da aplicabilidade da trava legal de 30% à compensação de prejuízos fiscais (e de bases de cálculo negativas de CSLL) no exercício de encerramento das atividades de empresa, em razão de sua incorporação. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou acórdãos administrativos que teriam dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. A PGFN afirma que o acórdão guerreado, ao possibilitar à pessoa jurídica incorporada a compensação, no balanço de encerramento, de todo o prejuízo fiscal acumulado, sem a observância da limitação de 30% imposta pela legislação, teria divergido frontalmente do Acórdão nº 10515.908, proferido pela 5ª Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes, e do Acórdão nº 9101001.337, prolatado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação à matéria indicada, a recorrente apresenta ainda alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: Da análise do art. 15 da Lei nº 9.065/1995, verificase que não há exceção quanto à limitação da compensação de prejuízos fiscais e, assim sendo, por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de 30% do lucro real, mesmo se tratando do anocalendário de extinção da pessoa jurídica; Fl. 916DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 917 4 A aferição do acréscimo patrimonial, fato jurídicotributário que enseja a incidência do imposto de renda, é feita ao término de cada período de apuração. Se de tal apuração advém prejuízo fiscal, não há que se falar em tributação pelo imposto de renda; Iniciado novo ciclo de apuração, seria de se esperar que prejuízos fiscais verificados em exercícios anteriores não tivessem influência alguma em seus resultados. Todavia, o legislador permitiu, a título de liberalidade, tal influência, impondo um limite à compensação do prejuízo de períodos anteriores em até 30% do lucro líquido apurado; O permissivo legal de tal compensação tratase efetivamente de liberalidade do legislador. Nada impediria a supressão total da referida possibilidade de compensação, já que o fato jurídico tributário, "acréscimo patrimonial", expressado pela existência do lucro real, é observado dentro de um período de apuração, não existindo razão, a priori, para consideraremse resultados negativos apurados em períodosbase anteriores. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão contestado, mantendose o lançamento em sua integralidade. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 24/07/2015. Considerouse, mediante o cotejo entre as decisões, devidamente comprovado o dissenso proclamado pela recorrente: enquanto o acórdão recorrido defende que a pessoa jurídica incorporada pode compensar, no encerramento de suas atividades, o prejuízo fiscal acumulado sem a observância da "trava" de 30%, os acórdãos apontados como paradigmas entendem, em sentido inverso, que tal prática não tem previsão ou amparo legal. Diante da caracterização da existência de divergência jurisprudencial e do cumprimento dos demais requisitos regimentais aplicáveis à espécie recursal, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Em 04/09/2015, o contribuinte foi intimado para tomar ciência do Acórdão nº 1103001.057, do recurso especial apresentado pela PGFN e do despacho que o admitiu. Em resposta à intimação, o contribuinte recorrido protocolou, em 11/09/2015, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pelo recorrido BANCO DO BRASIL: Não se aplica a "trava" de compensação aos casos de incorporação, por ausência de previsão legal que trate do tema em a empresas que estão encerrando suas atividades. A limitação de 30% trazida pelos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 c/c os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, a toda evidência, não se aplica às hipóteses de empresas/sociedades incorporadas; O precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) que norteou o julgamento dos acórdãos trazidos como paradigmas (nº 9101001.337 e nº 10515.908, este último Fl. 917DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 918 5 erroneamente identificado nas contrarrazões como nº 10515.905) e do Acórdão nº 910100.401 em nenhum momento tratou do tema específico discutido nos presentes autos, ou seja, da compensação dos prejuízos fiscais para o caso exclusivo de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, fusão e/ou extinção; O Prof. Edmar Oliveira Andrade Filho defende o entendimento de que, não sendo tratada pela lei a aplicação do limite de 30% às compensações nos casos de desaparecimento de pessoa jurídica, por incorporação, fusão, cisão ou extinção, estaria autorizada a compensação integral ("onde não há proibição, está implícita a permissão"). Além disso, como a lei não teve a intenção de restringir o direito à compensação, mas apenas de imporlhe um marco temporal, na situaçãolimite de encerramento das atividades da pessoa jurídica, o direito à compensação poderia ser exercido integralmente; Estudo elaborado por Eurico Marcos Diniz de Santi demonstra a total incorreção do acórdão paradigma nº 10515.908, contraditando as razões de decidir que justificaram o não provimento do recurso especial da contribuinte por ocasião do proferimento do Acórdão nº 910100.401 (as duas decisões foram prolatadas no mesmo processo administrativo fiscal). Tal estudo comprovaria que este julgado, que marcou a mudança de orientação jurisprudencial da CSRF acerca do tema, não refutou adequadamente as teses e convicções firmadas ao longo dos dez anos em que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF) foi pacífica pela possibilidade de afastamento da limitação de 30% nos casos de extinção da pessoa jurídica por incorporação; O mesmo estudo defende que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 344.994 pelo STF não deveria ter interferido na jurisprudência do CARF em relação à não aplicabilidade da trava de 30% para os casos de extinção da pessoa jurídica, uma vez que esta hipótese específica não foi considerada no caso analisado por aquela Corte; O estudo afirma ainda que nunca houve restrição à plena compensação de prejuízos no caso de extinção de pessoa jurídica, desde a vigência da Lei nº 154/1947 até os dias atuais, em que vigora a Lei nº 9.065/1995. Quando uma pessoa jurídica é incorporada por outra, há necessariamente a sucessão de direitos e obrigações. Os prejuízos fiscais da incorporada, no entanto, não podem ser aproveitados, para fins de compensação nos anos posteriores, pela incorporadora, em razão de vedação expressa encontrada no art. 514 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). Assim, nada impede que, em caso de descontinuidade da empresa, e na declaração de encerramento, seja efetuada a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, sendo inaplicável a trava de 30%. Por conta de tudo que expôs, o recorrido pede, ao final, que o recurso especial da PGFN não seja conhecido, "por total ausência de preenchimento dos requisitos intrínsecos recursais". Caso seja conhecido o recurso, requer o contribuinte que seu provimento seja negado, com base nas razões expostas, mantendose incólume o acórdão recorrido. Os autos seguiram então para a CSRF para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 919 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Inicialmente, analiso o fato de o recorrido BANCO DO BRASIL ter pedido em suas contrarrazões, "que o recurso aviado não seja conhecido por total ausência de preenchimento dos requisitos intrínsecos recursais". Antes do pedido propriamente dito, mas já nas conclusões de suas contrarrazões, o recorrido afirma que o recurso manejado pela PGFN "não reúne as condições necessárias ao seu regular prosseguimento" e não mereceria agasalho "por inexistir a alegada divergência jurisprudencial". Pois bem. Apesar de as afirmações do recorrido serem características de alegações preliminares de não conhecimento do recurso especial interposto pela parte oposta, não são explicitados em suas contrarrazões quais seriam os requisitos implícitos recursais que restaram inobservados. Tampouco trouxe o recorrido análise das características dos acórdãos indicados como paradigmas que acarretariam na inexistência de divergência jurisprudencial frente à decisão recorrida. O trecho das contrarrazões que mais se assemelha a uma arguição de não conhecimento por ausência de divergência jurisprudencial é o seguinte parágrafo, encontrado na efl. 831: "Convém ressaltar, por pertinente, que o precedente do STF que norteou o julgamento dos acórdãos nº 910100.401 e 10515.905 (casos BUNGE) este último trazido como paradigma pela Recorrente, e na mesma esteira, em relação ao outro acórdão nº 9101001.337 utilizado, no recurso especial, visando comprovar a suposta divergência jurisprudencial em nenhum momento tratou do tema específico discutido nos presentes processos, ou seja, a compensação dos prejuízos fiscais para o caso exclusivo de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, fusão e/ou extinção." (grifouse) Observese que, na realidade, o recorrido defende a ausência de similitude entre o acórdão recorrido e o julgado do Supremo Tribunal Federal mencionado na fundamentação dos acórdãos paradigmas. Por óbvio, tal fato não ofende o requisito de admissibilidade dos recursos especiais exigido pelo art. 67, anexo II, do RICARF/2009 (vigente à época da interposição do recurso) ou do RICARF/2015 (que vige atualmente). O que se exige, para fins de conhecimento de recursos especiais, é que os acórdãos recorrido e paradigma tragam interpretações divergentes acerca de legislação tributária em face de situações fáticas e jurídicas semelhantes. Não há cabimento em se procurar similitude entre o acórdão recorrido e uma decisão judicial utilizada na fundamentação do entendimento que prevaleceu nos acórdãos paradigmas. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 920 7 Sendo assim, adoto integralmente as razões expostas no despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial interposto pela PGFN, dele CONHECENDO em relação à matéria contestada. Passo à análise do mérito. A controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de IRPJ e CSLL relativamente ao anocalendário de 2008, por inobservância da chamada trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Os autos de infração foram lavrados em face do sujeito passivo BANCO DO BRASIL S/A devido ao fato de ele ter incorporado, em 30/09/2008, as instituições financeiras BESC S/A e BESCRI S/A. Os créditos tributários tratados nos presentes autos dizem respeito à primeira das instituições sucedidas. De acordo com a peça fiscal, a documentação fornecida pelo contribuinte, concernente ao anocalendário de 2008, demonstra que o BESC S/A não observou o limite de 30% do lucro líquido ajustado para fins de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas dos períodos anteriores. Ainda segundo a peça fiscal: com relação ao IRPJ referente ao anocalendário de 2008, o BESC S/A realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de o lucro apurado por essa empresa ter sido de R$34.436.128,33, ela compensou o montante correspondente a R$34.436.128,33, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$24.105.289,83; com relação à CSLL referente ao anocalendário de 2008, o BESC S/A realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de a base de cálculo desse período ter sido de R$17.473.618,71, ela compensou o montante correspondente a R$17.473.618,71, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$12.231.533,10. O lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para fins de cancelar o lançamento, encampando o entendimento de que "a pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%". O recurso especial da PGFN objetiva restabelecer os lançamentos de IRPJ e CSLL. De acordo com o acórdão recorrido, a empresa incorporada poderia compensar integralmente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, acumulados em períodos anteriores, com os lucros apurados até a data de sua extinção, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Trazem os mencionados dispositivos legais: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 921 8 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (grifouse) O acórdão recorrido sustenta suas razões em aspectos que abordam a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida Fl. 921DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 922 9 mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao Fl. 922DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 923 10 estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 924 11 Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 925 12 "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 926 13 Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese abraçada pelo acórdão recorrido, no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência da aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, expressamente mencionado na decisão recorrida, também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 927 14 Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Fl. 927DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 928 15 Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Fl. 928DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 929 16 Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 910100.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é inquestionável, como entende o acórdão combatido e defende o contribuinte recorrido, a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, apontado pela recorrente como paradigma, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Fl. 929DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 930 17 Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 931 18 Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado Fl. 931DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 932 19 (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados Fl. 932DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 933 20 continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas Fl. 933DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 934 21 jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma Fl. 934DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 935 22 de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o Fl. 935DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 936 23 debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa incorporada: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outra discussão suscitada nos presentes autos. O acórdão recorrido elencou, entre suas razões de decidir, o argumento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada "resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei". Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria à própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram satisfatoriamente refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Fl. 936DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10166.728996/201143 Acórdão n.º 9101002.451 CSRFT1 Fl. 937 24 Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Nesse passo, devem ser restabelecidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. Registrese que a aplicação de multa e a incidência de juros de mora não foram objeto de contestação pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela PGFN; DAR provimento ao recurso especial, restabelecendo os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 937DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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Numero do processo: 10783.720287/2011-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 02 87 /2 01 1- 42 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10783.720287/201142 Acórdão n.º 9202004.663 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000335/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2008
SISTEMA DE MEDIÇÃO DE VAZÃO. FALTA DE INSTALAÇÃO. MULTA.
Descabe a multa pela não instalação no prazo do equipamento determinado pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, correta a aplicação da multa prevista no artigo 38, I, a da citada MP, quando demonstrado pelo contribuinte que a capacidade instalada efetiva não se subsume na hipótese de penalidade.
Numero da decisão: 3201-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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FALTA DE INSTALAÇÃO. MULTA. Descabe a multa pela não instalação no prazo do equipamento determinado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, correta a aplicação da multa prevista no artigo 38, I, “a” da citada MP, quando demonstrado pelo contribuinte que a capacidade instalada efetiva não se subsume na hipótese de penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 35 /2 00 9- 71 Fl. 1326DF CARF MF 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para cobrança de multa isolada relativa ao IPI, prevista no artigo 38, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança de multa regulamentar prevista no artigo 38, I, da Medida Provisória nº 2.135/2001, por não ter instalado o Sistema de Medição de Vazão (SMV) a que estava obrigada à instalação até 30/06/2008. Cumpre destacar, por oportuno, que as folhas mencionadas neste Acórdão referemse às folhas digitais do eprocesso ora em análise. Segundo os autuantes, a empresa informou que estava estabelecendo contatos para a instalação do SMV, pois acreditava que a obrigatoriedade de instalação seria a partir de 30/06/2009, pois sua capacidade de produção ficava em torno de 6 milhões de litros por ano. Todavia, o artigo 4º, parágrafo 1º, do Ato Declaratório Executivo – COFIS nº 13, de 13/03/2006, disciplinou a forma de cálculo da capacidade instalada de produção anual, qual seja, a de multiplicar a capacidade nominal de envazamento das enchedoras, em litros por hora, por 5.694 horas por ano. Assim, a capacidade instalada de produção anual do estabelecimento importou em cerca de 71 milhões de litros, conforme Termo de Diligência e Intimação Fiscal às folhas 08/09. Os autuantes destacaram que o representante da empresa esclareceu que adquiriu recentemente uma das três enchedoras, a de menor capacidade, e que elas não trabalham concomitantemente, pois são alimentadas por um único misturador. Assim, os autuantes concluíram que a capacidade instalada de produção anual do estabelecimento enquadrase no inciso II do artigo 4º do ADE/COFIS nº 13/2006 (capacidade superior a 30 milhões e inferior a 200 milhões de litros por ano), cuja obrigatoriedade de instalação do SMV venceu em 30/06/2008, pela nova redação dada pelo ADE/COFIS nº 23, de 12/09/2007. A base de cálculo da penalidade foi apurada conforme demonstrativo às folhas 26, elaborado a partir do Livro de Registro de Apuração do IPI (fls. 27/39), sendo que, relativamente ao mês de julho/2008, foi subtraído o valor Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 11444.000335/200971 Acórdão n.º 3201002.819 S3C2T1 Fl. 94 3 correspondente ao estoque de produtos acabados existentes em 30/06/2008 (fls. 25). Cientificada do Auto de Infração em 16/04/2009, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: 1. Tanto na MP nº 2.158, de 2001, como nas IN SRF nº 265, de 20 de dezembro de 2002, e nº 587, de 21 de dezembro de 2005, os critérios para obrigar ou desobrigar o fabricante de bebidas a instalar o SMV seriam os limites mínimos de produção ou faturamento, sem que houvesse qualquer previsão de fixação da capacidade máxima de produção como critério; 2. Portanto, o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 13, de 13 de março de 2006, criou, ao arrepio da lei, critério diferenciado às previsões constantes na referida MP e na IN SRF nº 265, de 2002, qual seja, a capacidade instalada potencial, e não os limites mínimos de produção ou faturamento como elementos condicionantes da instalação ou não do SMV; 3. O auto de infração teve por amparo o disposto no Ato Declaratório sob ataque, e, como tal, sendo referida regra normativa absolutamente ilegal, a autuação é nula de pleno direito; 4. Não se trata de mero esclarecimento, mas criação de uma regra absolutamente distinta da constante da MP nº 2.158, de 2001, e das IN SRF nº 265, de 2002, e nº 587, de 2005, tanto que o ADE criou,inclusive, uma fórmula absurda para encontrar a capacidade instalada, com base em suposta capacidade nominal de envazamento por enchedoras, quando, na verdade, não é só a enchedora que orienta corretamente a capacidade de produção de bebidas, devendo ser também analisado o misturador, chamado de proporcionador; 5. Após encontrado o número de litros/hora, o ADE determinou a sua multiplicação por 5.694 horas por ano para se encontrar a capacidade instalada, sendo que, para atender a exigência do fisco, a autuada teria de ter um turno de trabalho de aproximadamente 20 horas diárias, de maneira ininterrupta, o que é uma aberração; 6. Mas nenhum critério deve ter por parâmetro a capacidade em potencial, mas sim a real, pois o legislador não pode trabalhar com abstrações; 7. Ademais, o intento da regulamentação é exatamente eliminar a evasão tributária do IPI, e assim o critério balizador da data para instalação do SMV deve, dentro dessa razoabilidade e proporcionalidade, ser a produção ou, de fato, o faturamento, conforme previsto na MP e no Instrumento Normativo; 8.A própria autuação não teve por critério a capacidade instalada, mas 50% do valor das mercadorias faturadas, ou seja, dados concretos e não abstratos; Fl. 1328DF CARF MF 4 9. Portanto, a imposição da penalidade sem previsão legal, como no caso em tela, viola o Princípio Constitucional da Reserva Legal,acarretando a invalidade do ato administrativo e a impossibilidade de sua aplicação; 10. Impõese a estrita observância aos ditames legais, sem que possa a administração pública agir segundo a sua conveniência ou oportunidade, cabendo ao autuado insurgirse contra esta injusta multa; 11. Atendendo à determinação constante do artigo 3º da IN nº 587, de 2005, que caracteriza autodenúncia, com limite temporal até 31/01/2006, a autuada protocolizou junto à Receita Federal em Marília informações quanto à quantidade de estabelecimentos envasadores, o número de enchedoras e a capacidade instalada por ano (igual a 6 milhões de litros); 12. As informações foram prestadas pela autuada antes da edição do ADE COFIS nº 13, de 13/03/2006, e a COFIS não se manifestou quanto aos critérios utilizados, presumindose, por força tácita, as informações prestadas pela autuada; 13. Cumpre acrescer, por necessário, que o fiscal analisou a capacidade instalada em fevereiro de 2009, ou seja, 03 (três) anos após as informações prestadas pela autuada; 14. Desta forma, a multa aplicada, além de modificar critérios anteriormente estabelecidos e criar condição não prevista nas normas, inverteu a presunção das informações anteriormente prestadas, de forma intempestiva, já que poderia fazêlo até 30/06/2008, datalimite para instalação do SMV para aqueles que produzem entre 30 (trinta) e 200 (duzentos) milhões de litros, segundo calendário firmado no referenciado ADE; 15. Ao amparo de tais dados, tendo sido disparada pela contribuinte espécie de autodenúncia, caberia ao fisco, dentro do prazo legal, fiscalizar a autuada até 30/06/2008, e, dentro desse período, discordando das informações prestadas, determinar a obrigatoriedade da instalação do SMV em prazo diverso do declarado; 16. A ilegalidade do ADE também está na fórmula utilizada para se chegar à definição da quantidade de litros/ano em potencial, sendo óbvio que o critério é o faturamento, ou seja, a produção como fato gerador do IPI, tomandose por base os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; 17. O Ato Declaratório, ao indicar capacidade nominal de envase por enchedora, em litros hora, também desprezou o conjunto de operação dos equipamentos, para aferir se, de fato, resta confirmada essa capacidade real; 18. A definição da capacidade instalada não pode ser medida única e exclusivamente pela presença de enchedoras, mormente porque, em fábricas de refrigerantes, o mais importante é o número existente de misturador proporcionador; 19. A empresa poderia até ter 02 ou 03 enchedoras, mas, uma vez acionado o único proporcionador, esse equipamento não Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 11444.000335/200971 Acórdão n.º 3201002.819 S3C2T1 Fl. 95 5 poderia trabalhar, num só tempo, para abastecer outra enchedora, pois o que deve ser analisado é a capacidade de litros do proporcionador, e não necessariamente o número de enchedoras; 20. O ADE, ao limitar a pesquisa ao número de enchedoras, também não teve parâmetro técnico, limitando a pesquisa, numa situação de absoluto erro de valor nominal; 21. A verdade das afirmações ganha linhas definidas na medida em que, após encontrar o número de litros/hora por enchedora, o malsinado Ato Declaratório determinou a multiplicação por 5.694 horas para chegar à quantidade de litros/ano, o que imporia que a empresa autuada trabalhasse de domingo a domingo, ininterruptamente, todos os dias do ano, 15,6 horas de trabalho, numa presunção absolutamente absurda, primeiro porque a empresa nunca laborou em 02 (dois) turnos de 08 horas, segundo porque não se justificou a razão do critério utilizado de forma leviana no imputado ADECOFIS; 22. De qualquer forma, invertendo a presunção, a autuada comprova, quer pelo número (nove) de funcionários afetados no envase/engarrafamento, quer quanto ao consumo de energia, que jamais trabalhou em turno superior a 08 (oito) horas, de sorte que a presunção relativa firmada no ADE resta aquebrantada; 23. Portanto, é absolutamente ilegal o critério de cálculo utilizado no ADE também no que tange ao mutiplicador, sendo que, por ausência de parâmetros legais, a criação é mera abstração, numa flagrante ilegalidade; 24. O art. 113, § 2º, do CTN, disciplina que a obrigação acessória decorre de "legislação tributária", devendo ser interpretado conforme a Constituição Federal, cujo art. 5º, II, estabelece que ninguém será obrigado a fazer algo senão em virtude de Lei, isto é, as "obrigações" só podem ser impostas por leis provenientes do devido processo legislativo, e não de simples vontade do Executivo, caso contrário estaríamos aniquilando o Estado Democrático de Direito; 25. A multa aplicada é abusiva, ilegal e confiscatória, ferindo princípios constitucionais do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, citando a autuada doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 26. A multa deve ser aplicada no mesmo percentual de incidência do IPI, vindo ao encontro do intento do legislador ao criar a obrigatoriedade da instalação do SMV; 27. Da análise completa dos equipamentos que compõem o parque industrial da autuada, a questão é comprovar que nunca teria capacidade potencial superior a 30 (trinta) milhões de litros, e levantamentos efetuados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT ligado a Universidade de São Paulo demonstraram que, no caso da planta do envase da fábrica de Fl. 1330DF CARF MF 6 refrigerantes, a capacidade de produção é restringida pelo equipamento chamado proporcionador, responsável pela mistura dos componentes (água, xarope e CO2), o qual só tem capacidade para abastecer uma enchedora por vez, e que revelou capacidade máxima de produção de 5.256 litros por hora; 28. Diante desse critério de ordem técnica apontada pelos peritos do IPT, mesmo se tomássemos de empréstimo a ilegal fixação no ADE do fator multiplicador de 5.694 horas por ano, ainda assim se tem uma capacidade de produção abaixo de 30 (trinta) milhões de litros ano; 29. Inúmeros outros testes, utilizando várias metodologias e equipamentos, foram levados a efeito, sendo que todos, sem exceção, apontaram limite/hora abaixo de 5.256 litros, diferente do apontado pelo fiscal, de 6 mil/litros/hora; 30. A verificação foi feita pelo IPT em abril/maio de 2009, quando a autuada já havia comprado mais uma enchedora, sendo que, quando da declaração para o fisco, nos termos da IN nº 587, de 2005, tinha apenas 02 (duas) enchedoras; 31. Dentro da projeção trazida pelo laudo do IPT, considerando se a jornada de trabalho de 8 horas, visto que a de 15,6 horas dias, em trabalho ininterrupto, apontada pelo fisco, jamais existiu, teríamos uma capacidade real e não especulativa igual a 15.347,52 (quinze milhões, trezentos e quarenta e sete mil e cinqüenta e dois) litros/ano; 32. As cópias das contas de energia anexadas aos autos comprovam que jamais houve gasto de energia com picos maiores em parâmetros superiores a 08 horas diárias, de segunda a sextafeira, com 04 horas aos sábados e folga aos domingos e feriados, anexando, também, relatório do gasto de energia, a cada 15 minutos, nos meses de janfevmarço do ano em curso, que demonstram nunca ter havido mais de um turno de trabalho na empresa; 33. Fossem verdadeiros os números apontados pelo fisco, outro relevante aspecto é a ausência de público consumidor numa região de pequenomédio porte que possibilitasse desovar uma produção estimada em 71 milhões de litros, o que revela ser absolutamente impossível a empresa ter investido cifras consideráveis em equipamentos, salvo erros absurdos de estratégia, para manter um parque industrial com tanta ociosidade, num momento de queda nas vendas de refrigerantes, conforme artigo juntado à defesa; 34. Entendendo a autuada que o critério para instalação do SMV não é a capacidade instalada, mas sim a produção efetiva, comprova a através das DIFS, onde consta toda a movimentação, em litros inclusive, da produção da empresa desde 2006, revelando, assim, de forma inconteste, que jamais produziu volume superior a 30 milhões de litros/ano; 35. Anexa também declaração do fabricante da enchedora de que o modelo adquirido pela autuada não produz mais do que Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 11444.000335/200971 Acórdão n.º 3201002.819 S3C2T1 Fl. 96 7 5250 litros/hora, em contrariedade absoluta ao levantamento da autoridade tributária; 36. Como instrumento de ilustração, também anexa estudo crítico acerca das metodologias utilizadas para medir a capacidade produtiva nas indústrias, de autoria de pesquisadora do CNPq; 37. Não se pode perder de vista que a autuada adquiriu o equipamento seguindo o calendário que havia sido estabelecido por seu limite mínimo de produção e faturamento, para 30/06/2009, prorrogado para o mesmo período de 2010 por força do Ato Declaratório nº 14, de 14/04/2009, cuja NotaFiscal Fatura encontrase anexada aos autos; 38. Dentro desse critério, induvidoso que a autuada não praticou qualquer conduta dolosa e, dessa sorte, a pena merece ser relevada, porquanto o artigo 38, I, alinea "a" da MP 2.15801, expressamente consignou que a penalidade somente teria valia "em razão de impedimento criado pelo contribuinte", o que em nenhum momento aconteceu, tanto que, dentro do calendário estipulado no próprio ADE, adquiriu o equipamento SMV e encontrase dentro do prazo para instalálo; 39. Diante de tudo quanto exposto, requer a realização de perícia a fim de se afastar quaisquer dubiedades, levandose em consideração, contudo, os limites mínimos de produção ou faturamento, diante dos documentos juntados, cuja prova restou invertida pela autuada, quebrandose a presunção constante do auto de infração, indicando, ao final, o IPT como seu perito assistente. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 SISTEMA DE MEDIÇÃO DE VAZÃO. FALTA DE INSTALAÇÃO. MULTA. Constatada a não instalação no prazo do equipamento determinado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, correta a aplicação da multa prevista no artigo 38, I, “a” da citada MP. MULTAS. CONFISCO. Não se confunde a penalidade imposta para coibir ou punir infrações à legislação tributária com a utilização do tributo com efeito de confisco. Impugnação Improcedente Fl. 1332DF CARF MF 8 Crédito Tributário Mantido Apresentado recurso voluntário, foram reiterados os argumentos anteriores, além de que a Instrução Normativa – IN n.º 1.040, de 2010, abrandou ou extinguiu a obrigação de instalação do SMV, de modo que é de se aplicar o art. 106 do CTN. Quando da apreciação do processo pela turma julgadora, foi deliberada a conversão do julgamento em diligência, para averiguação dos parâmetros técnicos, condicionadores da aplicação da penalidade, nos seguintes termos: [...] Diz a Recorrente que, atendendo ao disposto na norma supra, protocolizou, junto à DRF de Marília, as informações requeridas quanto ao número de enchedoras e à capacidade instalada por ano, no total de 6 (seis) milhões de litros. Como não houve questionamento a respeito do volume informado, entende que esse deveria ter sido o volume utilizado para aplicação do disposto no ADE Cofis nº 13, de 2006. Acresce que, a despeito disso, a fiscalização analisou a capacidade instalada somente em fevereiro de 2009, vale dizer, 03 (três) anos após as informações prestadas pela Recorrente, sendo que, na ocasião em que prestou a declaração, contaria com apenas duas enchedoras. Muito após, acabou adquirindo uma outra. Com efeito, analisado o TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL de fls. 8/9, constatase que esse procedimento fiscal foi realizado em 17/02/2009, ou seja, três anos após a publicação do ADE Cofis nº 13, de 2006 (DOU em 20/03/2006), e quase 8 (oito) meses após a data limite para a instalação do SMV, que, para a Recorrente seria 30 de junho de 2008. Nesse cenário, a capacidade instalada levantada pela fiscalização talvez não possa servir como parâmetro para aferir a irregularidade cometida. Primeiro, porque o que importa é saber qual a capacidade instalada na data da publicação do ADE Cofins nº 13, de 2006, que determinou a instalação do SMV, ou, ao menos, a capacidade instalada até as datas a que se refere o art. 4º desse ADE, uma vez que a Recorrente pode ter ampliado a sua capacidade instalada após a data da publicação do ADE Cofins nº 13, de 2006, mas antes da data limite em que deveria proceder à instalação do SMV. Ou mesmo ampliado a capacidade instalada após esta data limite, mas antes da realização da diligência (17/02/2009). Segundo, porque, conforme registrado no próprio TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL, o representante da Recorrente afirmou que, embora houvesse três enchedoras, estas não trabalhavam concomitantemente, uma vez que alimentadas por um único misturador. E terceiro, porque não encontramos nenhum documento de natureza técnica, produzida pela fiscalização ou a pedido dela, Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 11444.000335/200971 Acórdão n.º 3201002.819 S3C2T1 Fl. 97 9 indicando a capacidade de produção de cada enchedora, informação que tampouco foi consignada no TERMO DE DILIGENCIA E INTIMAÇÃO FISCAL (de qual fonte foram retirados os dados registrados neste Termo?). Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem certifique a capacidade instalada do estabelecimento da Recorrente existente entre 20/03/2006 e 30 de junho de 2008. Para tanto, deverá se apoiar em documentos de natureza técnica, comprovando as respectivas fontes, ou em laudo a ser emitido por instituição credenciada pela RFB, se for possível. Nesta última hipótese, deverá intimar a Recorrente para indicar assistente técnico e formular quesitos. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência,não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. Realizada a diligência,assim se manifestou a unidade de origem: Fl. 1334DF CARF MF 10 Instada a se manifestar, a Recorrente reiterou o pedido de improcedência do auto de infração, uma vez verificado a não subsunção de sua conduta à hipótese. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 11444.000335/200971 Acórdão n.º 3201002.819 S3C2T1 Fl. 98 11 Conforme se depreende dos autos, a fiscalização afirmou que a produção anual da Recorrente girava em torno de 71 milhões de litros, de forma que o prazo final de instalação do SMV fixado, pelo ADE Cofis nº 13, de 2006 (alterado pelo ADE Cofis nº 23, de 2007), seria em 30 de junho de 2008, data que não teria sido observada, como se depreende: Art. 1 º Os estabelecimentos industriais envasadores de cervejas e refrigerantes, classificados, respectivamente, nas posições 2203 e 2202 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n º 4.542, de 26 de dezembro de 2002 , sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n º 7.798, de 10 de julho de 1989 , estão obrigados à instalação de Sistema de Medição de Vazão (SMV) de acordo com as disposições contidas neste Ato Declaratório Executivo (ADE). (...) Art. 4 º Os prazos para instalação do SMV pelas pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes obedecerão aos seguintes critérios: I – até 30 de setembro de 2006, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 200 (duzentos) milhões de litros; II – até 30 de junho de 2008, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros; (Redação dada pelo ADE Cofis n° 23, de 12 de setembro de 2007 ) III até 30 de junho de 2011, para as demais pessoas jurídicas obrigadas à instalação do SMV. (Redação dada pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 1, de 29 de janeiro de 2010 ) § 1 º Para fins do disposto neste ADE, considerase, para determinação da capacidade instalada de produção anual, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes, classificados nas posições 2203 e 2202 da Tipi, dos estabelecimentos industriais envasadores da pessoa jurídica e das coligadas, controladas e controladoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 (cinco mil e seiscentos e noventa e quatro) horas por ano. § 2 º As pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes que deixaram de atender tempestivamente à exigência do art. 3 º da Instrução Normativa SRF n º 587, de 2005, deverão instalar o SMV no prazo de seis meses, contado da publicação deste ADE. (com grifos nossos) No caso em apreço, para efeitos de fixação do cálculo previsto no § 1 º acima transcrito, como atestado pela própria diligência, considerou a operação simultânea de três enchedoras, multiplicandose a capacidade nominal de envazamento de cada uma delas, em litros por horas, considerandose 5964 horas anuais. Fl. 1336DF CARF MF 12 Contudo, nos termos do já alegado pela Recorrente, confirmouse na diligência que a capacidade efetivamente instalada era de 29.927664 litros por ano (=5256x 5694 horas anuais), quando considerada a operação com um misturador, pois as enchedoras não trabalhavam concomitantemente, uma vez que alimentadas por um único misturador. O exposto, sem mais delongas, já é suficiente para demonstrar a improcedência do auto de infração. Nesses termos, julgo procedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1337DF CARF MF
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