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Numero do processo: 10680.912801/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO.
Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO.
O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3201-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. CABIMENTO. Constatada a existência de omissão, obscuridade e contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar os vícios apontados. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. NÃO CABIMENTO. O saneamento dos vícios apontados não tem necessariamente o condão de alterar o resultado do acórdão embargado, caso em que os embargos devem ser acolhidos parcialmente, sem os efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, sem lhe dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgamento. Houve sustentação oral pela patrona Dra. Teresa Mourão Passos Coutinho. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 01 /2 00 9- 16 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912801/200916 Acórdão n.º 3201001.853 S3C2T1 Fl. 258 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por Federação Interfederativa das Cooperativas de Trabalho Médico do Estado de Minas Gerais, doravante simplesmente Embargante, contra o Acórdão nº 3201001.262, datado de 23/04/2013, proferido por este colegiado, que negou provimento ao seu recurso voluntário. O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 COOPERATIVAS EM GERAL. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE SOBRE FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com a decisão, a Embargante recorreu na forma do art. 65, inc. II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. Em síntese, a Embargante alega o seguinte: a) A Embargante não procedeu às deduções trazidas pelo Decreto nº 4.524, de 2002, na apuração do PIS Faturamento, não havendo sequer o enquadramento na suposta exigência do PIS Folha. Portanto, o acórdão Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912801/200916 Acórdão n.º 3201001.853 S3C2T1 Fl. 259 3 foi omisso com relação aos documentos juntados (não apenas balancetes) e com relação à possibilidade de se converter o julgamento em diligência, em face da primazia da verdade real; b) Ainda que a Embargante houvesse deduzido as sobras cooperativistas previstas no inciso VI daquele Decreto, a legislação que introduziu a possibilidade de as cooperativas deduzirem da base de cálculo do PIS/Cofins os valores referentes às suas sobras não ampliou o rol de deduções do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e não há previsão na Lei nº 10.676, de 2003, para que as deduções das sobras se sujeitem à incidência do PIS Folha. Com efeito, o acórdão foi omisso com relação à base legal para a incidência do PIS Folha; foi obscuro na construção do raciocínio que levou o colegiado a decidir pela incidência de PIS Folha sobre as deduções das sobras; e foi contraditório quando mencionou que o Decreto nº 4.542, de 2002, incluiu nova hipótese de dedução àquelas contidas originariamente no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual, todavia, já era implícita; c) Ainda que o legislador ordinário houvesse optado por incluir um sexto inciso no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, permitindo a dedução das sobras (ou outras quaisquer) na base tributável do PIS/Cofins, seria inadmissível a imposição à Embargante do recolhimento do PIS Folha, haja vista o teor do vigente § 2º do mencionado dispositivo, que restringe a subsunção a essa modalidade relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput do mesmo dispositivo legal. Por fim, a Embargante pleiteia o saneamento dos vícios apontados com os efeitos infringentes cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. I – Omissões Inicialmente cumpre esclarecer que, de acordo com os arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, embora o sujeito passivo possa pleitear a realização de diligências, a sua realização é uma faculdade da autoridade julgadora, uma vez que ela precisa estar certa dos fatos sobre os quais proferirá a decisão. Quando o sujeito passivo pleiteia um direito, incumbelhe trazer provas robustas de que esse direito existe, salvo quando ele não dispuser dos meios necessários para fazer essa prova. Nestes casos, a autoridade julgadora tende a acolher o pedido de diligência, embora não esteja obrigada a fazêlo. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912801/200916 Acórdão n.º 3201001.853 S3C2T1 Fl. 260 4 De todo modo, para não restar quaisquer dúvidas acerca do acórdão embargado, convém sanear as alegadas omissões. No caso concreto, houve a relativização da preclusão material, aceitandose os documentos trazidos em fase recursal. Em suma, a Embargante trouxe o inteiro teor da Solução de Consulta nº 412, de 2004, expedida pelo Chefe da DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região, com o objetivo de demonstrar que não estava sujeita ao regime de PIS Folha; e parte dos balancetes, a fim de demonstrar que não efetuou a dedução das sobras cooperativistas no cálculo do PIS Faturamento. Contudo, tais documentos não foram suficientes para formar a convicção dos julgadores na medida em que a solução de consulta apenas informou que as receitas da Embargante não estavam isentas da Cofins e sujeitas ao PIS Folha, na forma do art. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Em outras palavras, a solução de consulta não entrou no mérito da incidência do PIS Folha especificamente sobre as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, ou no art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003. Desse modo, permaneceu a dúvida acerca da não sujeição da Embargante à incidência do PIS Folha no caso específico da exclusão prevista no art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003. Por outro lado, a Embargante não provou, de forma cabal, que deixou de realizar a exclusão permitida no art. 1º, § 2º, da Lei nº 10.676, de 2003, com a simples juntada parcial dos balancetes contábeis. A conduta da Embargante contrariou, pois, o comando legal previsto no art. 333, inc. I, do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Confirase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Registrese que, no caso concreto, o processo é de iniciativa da Embargante, e não da fiscalização. Tratase de um pedido de compensação. Com efeito, cabia à Embargante, no momento oportuno, demonstra a existência do seu direito creditório, o que não conseguiu com a Solução de Consulta SRRF 6ª Região nº 412, de 2004, nem com os balancetes contábeis. Para isso, bastaria que a Recorrente juntasse a memória de cálculo detalhada da apuração do PIS Faturamento, o que não foi feito em momento algum. No tocante à omissão com relação à base legal para a incidência do PIS Folha no caso das sobras cooperativistas, a Embargante está parcialmente correta. De fato, a legislação poderia e deveria ser mais clara sobre o assunto, pois não há lei strictu senso que diga expressamente que a parcela das deduções de sobras cooperativas está sujeita à incidência de PIS Folha. Essa previsão somente está contida, de forma expressa, no art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Porém, quando o legislador incluiu a hipótese das sobras cooperativistas entre as hipóteses de exclusão do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, por meio do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002, quis lhe dar o mesmo tratamento tributário aplicável Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912801/200916 Acórdão n.º 3201001.853 S3C2T1 Fl. 261 5 às demais exclusões. Após a edição da referida medida provisória, foram editados o Decreto nº 4.524, de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Contudo, no processo de conversão da Medida Provisória nº 66, o art. 36 não foi aprovado, quando, então, tanto o decreto quanto a instrução normativa ficaram sem embasamento legal. Contudo, isso ocorreu por pouco tempo, pois logo foi editada uma outra medida provisória que acabou sendo convertida na Lei nº 10.676, de 2003, saneando a falta de base legal temporária para os dispositivos infralegais citados anteriormente. Como o período em discussão no presente processo administrativo é posterior à Lei nº 10.676, de 2003, a incidência de PIS Folha sobre a exclusão de sobras cooperativistas já estava respaldada em lei strictu senso. Mesmo que a Embargante discorde desse raciocínio, não poderia ignorar a existência do Decreto nº 4.524, de 2002, sem estar protegida por decisão judicial, ainda que precária. Logo, repitase, a Embargante deveria ter comprovado, de forma cabal, que não excluiu qualquer sobra cooperativista da base de cálculo do PIS Faturamento, a fim de justificar que o recolhimento que motivou a sua declaração de compensação era realmente indevido pelo simples fato de ser recolhimento de PIS Folha. II – Obscuridade A Embargante também alega que o acórdão embargado foi obscuro na construção do raciocínio que levou o colegiado a decidir pela incidência de PIS Folha sobre as deduções das sobras. Na medida em que a Embargante não trouxe aos autos do presente processo prova (i) de que estava amparada por decisão judicial que afastasse a aplicação do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002, ou (ii) de que não excluíra as sobras cooperativistas da base de cálculo do PIS Faturamento, o colegiado partiu da premissa lógica de que o PIS Folha era devido e foi recolhido de forma acertada, assim como fizeram as autoridades integrantes das Delegacias de Fiscalização – DRF e de Julgamento – DRJ. O raciocínio é simples: a Embargante é uma cooperativa de serviços médicos e recolheu um DARF no código de PIS Folha. Logo, pressupõese que a Embargante excluiu da base de cálculo do PIS Faturamento as sobras cooperativistas, tendo recolhido, em contrapartida, o PIS Folha, nos termos do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002, e do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 145, de 2002. Qualquer raciocínio diverso demandaria prova em contrário. Saneado o vício de obscuridade, fazse imperioso analisar o vício de contradição. III – Contradição O relator do acórdão embargado concorda que se expressou de forma contraditória quando mencionou que o Decreto nº 4.542, de 2002, incluiu nova hipótese de exclusão àquelas contidas originariamente no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual, todavia, já era implícita. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912801/200916 Acórdão n.º 3201001.853 S3C2T1 Fl. 262 6 Portanto, propõese a supressão da parte destacada no trecho do voto abaixo transcrito: Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, o referido decreto apenas estabelece, em seu art. 32, uma nova hipótese de exclusão de base de cálculo na apuração do PIS Faturamento, qual seja, o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. Naturalmente, se o valor das sobras poderia ser excluído da base de cálculo do PIS Faturamento, caberia a incidência cumulativa do PIS Folha, a exemplo das demais exclusões já previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, o decreto em questão apenas tratou de explicitar algo que já estava implícito na própria norma que tratava das demais exclusões de base de cálculo do PIS Faturamento. É preciso ressaltar, ainda, que a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: [...] Como decorrência dessa supressão, o trecho em questão deverá integrar o acórdão embargado da seguinte maneira: Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: [...] Diante de todo o exposto, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos declaratórios para sanear a contradição e demais vícios do acórdão embargado, sem lhe emprestar, contudo, os efeitos infringentes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10680.912801/200916 Acórdão n.º 3201001.853 S3C2T1 Fl. 263 7 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10384.005284/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS.
Tendo-se em vista que a decisão recorrida acatou o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN e, sendo interposto recurso de ofício, ausente recurso voluntário, não cabe a aplicação do prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN, sob pena de se ofender o princípio da proibição da reformatio in pejus, ou seja, não se pode agravar a situação daquele que interpôs recurso.
Numero da decisão: 2301-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, pela determinação expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em negar provimento ao recurso de ofício, pela determinação expressa no Art. 150 do CTN. Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO Redator designado
EDITADO EM: 19/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RECURSO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS. Tendose em vista que a decisão recorrida acatou o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN e, sendo interposto recurso de ofício, ausente recurso voluntário, não cabe a aplicação do prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN, sob pena de se ofender o princípio da proibição da reformatio in pejus, ou seja, não se pode agravar a situação daquele que interpôs recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, pela determinação expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em negar provimento ao recurso de ofício, pela determinação expressa no Art. 150 do CTN. Redator: Adriano Gonzáles Silvério. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 52 84 /2 00 7- 00 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM: 19/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Relatório Adoto o relatório de fls. 409 e ss: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, no nome do Município de São João do Piauí Prefeitura Municipal, consolidada em 15/09/2006, referente ao período de 0 1/ 1999 a 09/2000 e relativa às seguintes contribuições: a) Incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados: contribuição dos segurados, a qual a empresa tem a obrigação de arrecadar e recolher (Lei n° 8.212/91, art. 20, c/c art. 30, I, "a"); contribuição patronal prevista na Lei n° 8.212/91, art. 22, I; contribuição prevista na Lei n° 8.212/91, art. 22, II, doravante mencionada simplesmente como SAT. Conforme consta —no .. Relatório Fiscal, constituem fatos geradores das contribuições lançadas, a prestaçãò" ~ de serviços remunerados realizados por servidores municipais estáveis, efetivos, cargos =comissionados e inclusive serviços prestados que a fiscalização enquadrou como segurados empregados. Informa a auditoria que os recolhimentos efetuados pelo Município de São João`d9Piauí —Prefeitura Municipal através de GPS, LDC foram considerados e lançados no presentà levantamento do débito, inclusive os valores das deduções legais relativas aos pagamentos áõ` salário família. O montante total cobrado resúltou no valor de R$ 1.025.216,67 (um milhão, vinte e cinco mil, duzentos e dezesseis reais e sessenta e sete centavos). A intimação da NFLD se deu em 18/09/2006, segundo Aviso de Recebimento AR anexo aos autos. Consta a informação de que a primeira via desta NFLD foi extraviada posteriormente reconstituída em 2007, conforme se verifica dos documentos de f1s.43 e 407. Em 03/10/2006 a empresa apresentou defesa, alegando, em síntese: Que a fiscalização entendeu como fato gerador das contribuições lançadas a prestação de serviços remunerados realizados por servidores municipais estáveis, efetivos, cargos Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10384.005284/200700 Acórdão n.º 2301003.930 S2C3T1 Fl. 424 3 comissionados , que não obstante a sua boa fé , encontramse equivocado, em razão de que nem todas as pessoas referidas pela NFLD eram, de fato servidores municipais, pois durante a gestão anterior, que teve fim em 31/12/04, ocorreram inúmeras irregularidades, onde pessoas que não faziam parte do quadro de servidores municipais recebiam remuneração, por uma mera liberalidade; Que de igual forma, nem todas as pessoas contratadas como prestadores de serviço autônomo, realizaram qualquer serviço, recebiam graciosamente os valores encontrados pela fiscalização na contabilidade do Município; Que cumpre destacar a prescrição da cobrança de várias contribuições previdenciárias objeto da NFLD ora impugnada, trazendo a colação jurisprudências dos tribunais; Que seja excluída a responsabilidade do atual gestor, pois que resta evidente que o fato gerador das contribuições previdenciárias referese ao período de gestão do exprefeito e não da atual administração; Por fim requer a prescrição qüinqüenal e por conseguinte a desconsideração do débito previdenciário, em razão da inexistência do mesmo, face à ausência de fato gerador. Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.052.5531, cadastrada no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) sob o número 10384.006504/200712, de crédito constituído contra o Município de Cabeceiras do Piauí —Câmara Municipal, CNPJ 04.390.663/000110, relativo a contribuições para o financiamento da Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do Trabalho RAT, conforme previsto no artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91. Em 13/08/2008, foi prolatado Acórdão n. 0813.840 – 5ª Turma da DRJ/FOR que julgou improcedente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES ' SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. Com fulcro no art. 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal STF editou e publicou a súmula vinculante n° 8, cujo teor é no sentido de considerar inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Irresignado com o decisum, o Município interpôs recurso voluntário [fls. 90108] que repisa os mesmos argumentos dispostos na impugnação. Diante do importe do lançamento, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, passo ao exame do mérito. I DECADÊNCIA Conforme informado no relatório, tratase de Recurso de Ofício interposto em face do decisum que acatou a decadência disposta no art. 173, I, do CTN. De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “ São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103ª da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10384.005284/200700 Acórdão n.º 2301003.930 S2C3T1 Fl. 425 5 administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contasse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; Extrai se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Como a intimação da NFLD deuse em 18/09/2006 e por existir presunção relativa de pagamento, conforme fls. 50 , sendo assim o prazo de cinco anos já havia finalizado, mormente, ao caso, aquela disposta no §4º, do art. 150, do CTN. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO E NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, devendo ser aplicada a regra disposta no §4º, do art. 150, do CTN. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado Peço vênia ao nobre Conselheiro Relator para discordar do seu voto no tocante ao prazo decadencial. Isto, porque tendo em vista que a DRJ acatou o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN e, sendo interposto recurso de ofício, ausente recurso voluntário, Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10384.005284/200700 Acórdão n.º 2301003.930 S2C3T1 Fl. 426 7 tenho para mim que sob pena de se ofender o princípio da proibição da reformatio in pejus, ou seja, não se pode agravar a situação daquele que interpôs recurso. No caso, tratase de recurso interposto pela Fazenda buscando, eventualmente, reforma da decisão recorrida. Logo, não se pode aplicar o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do CTN, mais gravoso, nessa situação, do que o exposto no artigo 173, inciso I e acolhido pela decisão recorrida. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, a fim de manter a regra decadencial aplicada nos moldes do artigo 173, inciso I, do CTN. Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 13603.901064/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte que pleiteia a restituição/compensação tributária o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito e não ao Fisco. A apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, é condição necessária, mas não suficiente para autorizar a compensação do IRRF na apuração do imposto devido. O sujeito passivo deve comprovar que os rendimentos foram incluídos na determinação do lucro tributável, conforme expressa previsão legal.
Numero da decisão: 1301-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Saldo Negativo de IRPJ Recorrente CNH INDUSTRIAL LATIN AMERICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte que pleiteia a restituição/compensação tributária o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito e não ao Fisco. A apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, é condição necessária, mas não suficiente para autorizar a compensação do IRRF na apuração do imposto devido. O sujeito passivo deve comprovar que os rendimentos foram incluídos na determinação do lucro tributável, conforme expressa previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 10 64 /2 01 0- 62 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 635 2 Relatório CNH INDUSTRIAL LATIN AMERICA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada e não homologou o pedido de compensação – PER/DCOMP n° 34499.84078.101106.1.7.023497, por meio da qual a contribuinte, ora recorrente, objetivava compensação de débitos de PIS e COFINS apurados em dezembro de 2003, nos valores de R$3.494.478,31 e R$462.713,16, respectivamente, com parte do pretenso Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, no valor histórico de R$ 4.028.995,36. No despacho decisório nº 863080656 da DRF, exarado em 19/05/2014, foi verificado que as parcelas de composição do crédito confirmadas somam R$ 3.288.888,58, ao passo que as parcelas de composição do crédito informadas na PER/DCOMP totalizam R$ 4.028.995,36. Com base nessa análise, concluiuse, verbis que: “O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado.” Em 01/06/2010, o contribuinte foi cientificado do procedimento, conforme documento de fls. 11, o qual, inconformado, apresenta em 01/07/2010 a manifestação de inconformidade anexada à fls. 12 a 16, em que alega que: “A fiscalização se equivocou ao analisar a documentação contábil da Requerente, pois, o crédito informado no PER/DCOMP 34499.84078.101106.1.7.023497, é mais do que suficiente para compensar a totalidade dos débitos de PIS e COFINS apurados em dezembro/2003”. Adicionalmente, o Recorrente argumentou que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 é composto pelo IRRF no montante de R$ 4.028.995,38 e que o fisco não reconheceu os créditos referentes às retenções efetuadas pelas fontes pagadoras BANCO DO BRASIL S A, no importe de R$ 226.420,99 e BANCO CITIBANK no importe de R$ 513.685,79. Em sua defesa, anexou os comprovantes da retenção do IRRF (fls. 71 a 77) emitidos pelas fontes pagadoras citadas. Por fim, pleiteou a reforma do Despacho Decisório com o reconhecimento integral do Saldo Negativo de IRPJ no importe de R$ 4.028.995,36 e a homologação integral das compensações declaradas. A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi encaminhada à 3a Turma da DRJ/BH para manifestação acerca da lide (fl. 78). Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 636 3 A DRJ constatou, através dos documentos anexados, que o IRRF glosado pela DRF foi comprovadamente retido pela fonte pagadora quando do pagamento dos rendimentos ao contribuinte no período em análise. Entretanto, afirmou que para que o valor retido pudesse ser deduzido do Imposto de Renda apurado no final do período, as receitas correspondentes deveriam estar oferecidas à tributação até o encerramento do período e, ao verificar as receitas financeiras oferecidas à tributação pelo contribuinte nos últimos três anos e as receitas financeiras informadas pelas fontes pagadoras em DIRF, concluiu que das receitas financeiras informadas pelas fontes pagadoras em DIRF, no importe de R$ 20.950.642,27, que deram origem ao IRRF no importe de R$ 3.719.630,24 conforme DIRF anexada ao processo, o contribuinte somente ofereceu à tributação a importância de R$ 13.529.607,81; ou seja, considerando somente as informações da DIRF, não consta da DIPJ do anocalendário de 2002 o oferecimento das receitas correspondentes a R$ 7.421.034,46. Verificouse também as DIRF/DIPJ dos três últimos anos, considerando o acumulado do período de 2000 a 2002, e constatouse que foi oferecida à tributação uma receita financeira no importe de R$ 24.621.903,29, enquanto as fontes pagadores informaram um rendimento desta mesma natureza no importe de R$ 55.384.839,90, indicando um cômputo a menor no importe de R$ 30.762.936,61. Além disso, a DRJ também observou que o contribuinte não anexou qualquer comprovação documental acerca do oferecimento dos rendimentos recebidos à tributação, o que impediria a dedução do imposto retido. Por outro lado, considerando que as receitas financeiras são apropriadas pelo regime de competência (optante pelo Lucro Real), cogitou da possibilidade do oferecimento destas receitas à tributação nos períodos imediatamente anteriores; esta hipótese não pôde ser confirmada considerando as receitas informadas pelas fontes pagadoras em DIRF e aquelas oferecidas à tributação conforme DIPJ apresentada pelo contribuinte. Assim sendo, diante das constatações dos itens precedentes, ainda que comprovada a retenção do IRRF glosada pela DRF, concluiu a DRJ/BH que esta retenção não pode ser computada como componente do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, uma vez que as receitas correspondentes não foram comprovadamente oferecidas à tributação, integrando a apuração do Lucro Real, nem no período em análise nem nos períodos imediatamente anteriores. Por fim, a DRJ considerou haver inexistência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte e não homologou o pedido compensação oriundo daquela manifestação de inconformidade, julgandoa improcedente. Mais uma vez inconformado, desta feita com a decisão de 1ª Instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/08/2012, onde, em síntese, reitera os argumentos formulados quando da protocolização da Manifestação de Inconformidade, mais precisamente requer seja reformado o Acórdão 0235.587 com o reconhecimento integral do Saldo Negativo de IRPJ no importe de R$ 4.028.995,36 e a homologação integral das compensações declaradas. Ressalta ainda,que o Despacho Decisório foi exarado pela DRF/Contagem sem que esta tenha efetuado qualquer diligência ou requerido informação adicional da contribuinte para a comprovação do direito creditório. As retenções na fonte que não foram homologadas pela Fiscalização, assim o foram com base no fundamento de que tais retenções Fl. 636DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 637 4 não foram confirmadas pela fiscalização, nada se falando quanto à necessidade de serem reconhecidas as receitas para fins do IRPJ. Requer ainda, subsidiariamente, que sejam estes autos baixados em diligência a fim de se verificar se as receitas que deram origem ao IRRF foram oferecidas à tributação nos exercícios anteriores ao da retenção. Na sessão realizada em 29/07/2014, houve por bem o colegiado da 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, por meio da Resolução nº 1302000.327, converter o julgamento em diligência, com vistas a verificar se as receitas que deu origem ao IRRF foram oferecidas à tributação nos exercícios anteriores ao da retenção, nos seguintes termos: Entendeu o acórdão recorrido que, não obstante a recorrente tenha apresentado a comprovação da retenção na fonte (fls. 71 a 77), de parte dos valores pleiteados na repetição de indébito/compensação do saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2002, não restou comprovado o oferecimento das respectivas receitas à tributação. A controvérsia está circunscrita à diferença entre os valores informados pelas fonte pagadoras Banco do Brasil, CNPJ 00.000.000/493449, e CITIBANK, CNPJ 33.042.953/000171 e o montante já reconhecido pela DRF, conforme demonstrado nas tabelas abaixo, extraídas do acórdão recorrido: [...] Ocorre que a recorrente, em momento algum do processo foi intimada a comprovar que os rendimentos foram oferecidos à tributação, motivo pelo qual o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que se oportunize à interessada a comprovação desse fato. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a interessada, adote as seguintes providências: I – Designar autoridade fiscal para intimar a recorrente a: a) Comprovar o oferecimento das receitas financeiras obtidas junto ao Banco do Brasil S/A, conforme comprovantes de fls. 75/77, e CITIBANK, comprovante ás fls. 71/74, mediante a apresentação dos registros contábeis (Diário e Razão) nos quais as receitas foram reconhecidas. b) Caso as receitas tenham sido reconhecidas em exercícios anteriores, face ao regime de competência, a interessada deve apresentar os respectivos registros contábeis, e elaborar demonstrativo correlacionando os valores contabilizados como receitas financeiras no anocalendário 2002 e em cada um dos anos anteriores com os rendimentos informados pela Fonte Pagadora. O Demonstrativo deve identificar: a natureza da aplicação financeira (CDB, Fundos, etc), a data de aplicação ou aquisição do título, o valor total dos rendimentos produzidos até o resgate, o valor reconhecido como receitas financeiras em anos anteriores, o valor reconhecido como receitas financeiras no ano de 2002, as contas contábeis creditadas e/ou debitadas e os respectivos lançamentos contábeis efetuados. c) Demonstrar que os valores contabilizados compuseram o lucro líquido oferecido à tributação no anocalendário 2002, ou em ano anterior, se for o caso, Fl. 637DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 638 5 mediante apresentação de Demonstração de Resultado e cópia da apuração do lucro real no Lalur. II A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os elementos apresentados, em cotejo com as informações constantes dos autos, e elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre o valor total das receitas, constantes dos comprovantes de fls. 75/76, oferecidas à tributação, seja no ano calendário 2002, seja em anos anteriores. III A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. A autoridade fiscal designada para a realização das diligências, após a intimação da interessada, juntou aos autos o relatório (fls. 629), no qual tece as seguintes considerações: O contribuinte foi intimado a apresentar os esclarecimentos solicitados pelo CARF, acompanhados da documentação necessária por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 142/2014 (fls. 189 e 190). Em atendimento, foi protocolada a documentação anexada às fls. 192 a 616, por meio da qual o contribuinte informou que “não obstante tenha envidado todos os esforços para levantar os registros contábeis solicitados, não foi possível localizá los, por se tratar de documentos referentes a contratos de aplicações financeiras (swap e renda fixa firmados a mais de 10 (dez) anos, tendo os rendimentos sido contabilizados nos anos anteriores a 2002 (ou seja, há mais de 12 anos)”. Afirmou ainda que “como os rendimentos dessas aplicações financeiras foram oferecidos à tributação em períodos anteriores, pelo regime de competência, o comparativo deveria ter levado em conta as receitas informadas em DIRF e as receitas financeiras declaradas nas DIPJ de vários anos anteriores a 2001 e 2002, e não apenas as receitas do anocalendário imediatamente anterior (anocalendário de 2000)”. Concluiu alegando que “estendendo o comparativo para os anoscalendários (sic) de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, o que se verifica é que o valor das receitas financeiras declarado na DIPJ/1999, DIPJ/2000 e DIPJ/2001, foi sempre superior às receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras.” No item II da Resolução citada, o CARF determina que a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre a questão. Partindo da conclusão apresentada pelo contribuinte, verificamos que realmente o valor das receitas financeiras declarado na DIPJ/1999, na DIPJ/2000 e na DIPJ/2001, foi superior às receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras. No entanto, levandose em consideração os cinco anoscalendários (1998 a 2002) o valor total original das receitas informadas em DIRF foi de R$ 63.721.733,03. O valor das receitas financeiras declarado nas DIPJ no mesmo período foi de R$ 37.146.092,33. Portanto, esse argumento não comprova o oferecimento das receitas financeiras à tributação. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 639 6 Aliandose a isso o fato de que não foram apresentados os documentos solicitados por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 142/2014, concluímos pelo não reconhecimento dos valores glosados por meio do Despacho Decisório nº de rastreamento 863080656 (fl. 7). Cientificada das conclusões do relatório fiscal a interessada apresentou manifestação contestando as conclusões do trabalho fiscal: [...] o Relatório Fiscal, apesar de reconhecer que ''realmente o valor das receitas financeiras declarado na DIPJ/1999, na DlPJ/2000 e na DIPJ/2001 foi superior às receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras" (fl. 617), concluiu que não haveria comprovação nos presentes autos do oferecimento das receitas financeiras à tributação sob o seguinte argumento: "No entanto, levandose em consideração os cincos anoscalendários (1998 a 2002), o valor total original das receitas informadas em DIRF foi de R$ 63.721.733,03. O valor total das receitas financeiras declarado nas DIPJs no mesmo período foi de R$ 37.146.092,33". Contudo, a Fiscalização desconsiderou não apenas os documentos já acostados aos presentes autos, como também as informações constantes da manifestação ao Termo de Intimação, que demonstram o equívoco da glosa dos valores de IRRF incidentes sobre o resgate de aplicações financeiras da Requerente no cômputo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002 Com efeito, caberia à Fiscalização ter efetivamente analisado e se manifestado sobre os documentos já acostados aos autos, bem como ter incluído, em seu comparativo, a DIPJ/1998 apresentada na manifestação ao termo de intimação fiscal. Os documentos colacionados aos autos demonstram cabalmente que o acórdão proferido pela DRJ/BHE se equivocou ao comparar as receitas declaradas em DIRF com as receitas financeiras informadas na DIPJ utilizandose, apenas, de três anos calendários, 2000, 2001 e 2002 (sendo que, nesses dois últimos anos, houve o resgate das aplicações financeiras). Ora, o comparativo das receitas na DIRF e na DIPJ deve levar em conta um período mais amplo do que os anoscalendários imediatamente anteriores àqueles nos quais ocorreram os regates, tendo em vista que as aplicações financeiras podem ultrapassar o anocalendário e são oferecidos à tributação pelo regime de competência. Isso porque os valores das retenções constantes dos informes de rendimentos apresentados pela Requerente são apropriados pelo regime de caixa, sendo incluídos na Declaração do ano calendário de 2001, período que ocorreu o pagamento dos rendimentos líquidos e que as fontes pagadoras efetuaram as retenções do imposto, tornandoas passíveis de dedução do IRPJ apurado ao final do período. Assim, o "descasamento" entre o momento do oferecimento à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras e a incidência do IRRF sobre os valores efetivamente resgatados, gera a diferença entre o valor do IRRF retido no ano calendário e o valor da receita oferecida à tributação neste mesmo ano. O referido "descasamento" foi inclusive reconhecido pela própria fiscalização, que constatou que "realmente o valor das receitas financeiras declarado na DIPJ/1999, na DIPJ/2000 e na DIPJ/2001, foi superior às receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras". Fl. 639DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 640 7 Diante desta constatação, deveria a Fiscalização analisar os anos calendários anteriores, em especial o ano calendário de 1997, cuja DIPJ foi devidamente apresentada na resposta à Diligência. [...] Impõese, dessa forma, seja efetuada a correta análise do contexto probatório apresentado pela Requerente e que demonstra que ela faz jus à integralidade do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2002, considerando que restou comprovado nos autos: i) o equívoco do acórdão da DRJ/BHE na comparação das receitas declaradas em DIRF pelas fontes pagadoras e as receitas financeiras informadas em DIPJ utilizandose, apenas, três anos calendários, 2000, 2001 e 2002, sendo que nesses últimos anos houve o resgate das aplicações financeiras; ii) que os rendimentos apropriados ao longo dos anos, em razão das aplicações financeiras, foram devidamente oferecidos à tributação do IRPJ pelo regime de competência, uma vez que esse é procedimento comprovadamente adotado pela Requerente, nos termos do RIR/99. Ademais, a tributação desses valores é confirmada pelo fato de não haver anteriores autuações alegando falta de oferecimento desses rendimentos à tributações, restando, portanto, tacitamente homologados; e iii) não há como se impor à Requerente a guarda de documentos por mais de cinco anos. É o relatório. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 641 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, de modo que dele conheço. A controvérsia sob exame reside no não reconhecimento de parte do Imposto de Renda Retido na Fonte que incidiu sobre receitas de aplicações financeiras da interessada e veio a compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. O acórdão recorrido não reconheceu o pretenso direito creditório por entender que, embora a recorrente tenha trazido aos autos os comprovantes de rendimento e de retenção do IR na fonte, não comprovou que os rendimentos respectivos tinham sido oferecidos à tributação pela interessada. Com efeito, o montante de receitas financeiras informados na DIPJ do ano calendário 2002 é bastante inferior ao valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras nas DIRF e informes de rendimentos. A recorrente alega que em face do reconhecimento das receitas pelo regime de competência existe um descompasso entre o momento em que os rendimentos são oferecidos à tributação e o da incidência do IRRF que, em regra, incide no resgate da aplicação. Aduz que grande parte dos rendimentos já teria sido oferecido à tributação em anos anteriores, o que explicaria a diferença. Diante da apresentação dos comprovantes de rendimentos, houve por bem o colegiado da 2ª Turma Ordinária desta Câmara em converter o julgamento do recurso em diligências, com vistas a oportunizar à interessada a demonstração e comprovação de que os rendimentos foram, de fato, submetidos à tributação nos períodos de apuração anteriores. Em resposta à intimação que instaurou a diligência, a interessada informou que “não obstante tenha envidado todos os esforços para levantar os registros contábeis solicitados, não foi possível localizálos, por se tratar de documentos referentes a contratos de aplicações financeiras (swap e renda fixa firmados a mais de 10 (dez) anos, tendo os rendimentos sido contabilizados nos anos anteriores a 2002 (ou seja, há mais de 12 anos)”. Alega que pelos elementos dos autos é possível constatar que, em vários períodos de apuração anteriores, foram oferecidas à tributação receitas em montante superior ao efetivamente informado em DIRF pelas fontes pagadoras e que a fiscalização limitouse a analisar um período de apenas três anoscalendário. Aduz que, se a verificação fiscal fosse estendida por um período de tempo maior poderia constatar que os rendimentos haviam sido de fato oferecidos à tributação. Sustenta, ainda, que o Fisco não pode exigir a manutenção de registros contábeis por prazos muito superiores ao que dispõe a autoridade fiscal para constituir o crédito tributário e, que o Fisco tinha 5 (cinco) anos para fiscalizar a apuração do lucro real e proceder Fl. 641DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 642 9 à verificação das retenções e recolhimentos de imposto de renda pelas fontes pagadoras e que não poderia agora pretender, por via transversa, que seja revista a apuração dos anoscalendário anteriores a 2001. Alega que este ônus não pode ser imputado a ela, que, efetivamente, comprovou a retenção na fonte por meio da apresentação dos informes de rendimentos emitidos peia fonte pagadora, o que é suficiente para legitimar a compensação do IRRF, nos termos do RIR/99. Com a devida vênia, equivocase a interessada quanto à sujeição ao ônus da prova neste caso. Não se está, desta feita, diante da constituição de crédito tributário pelo Fisco, mas sim de aferição do direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo com vistas á compensação de tributos. Assim incumbe à interessada o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito (art. 333, inc. I do CPC) e não ao Fisco. Se assim o é nas relações civis, assim também se configura na relação com o Fisco. Portanto, é importante afastar desde logo a premissa trazida pela recorrente de que estaria dispensada da guarda de seus comprovantes contábeis e fiscais, após transcorrido mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador. A apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/19851, é condição necessária, mas não suficiente para autorizar a compensação do IRRF na apuração do imposto devido. Além disso, a pessoa interessada deve comprovar que os rendimentos foram incluídos na determinação do lucro tributável. A exigência de que os valores dos rendimentos tenham sido submetidos à tributação, como condição para a compensação do respectivo IRRF, decorre de previsão legal expressa, verbis: Lei 9.430/1996: Art. 2o ... [...] § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; 1 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 643 10 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Na verificação feita pela autoridade administrativa que examinou o pleito deixaram de ser confirmados os seguintes valores : Fonte Pagadora Receita IRRF Confirmado IRRF Não Confirmado 33.066.408/000115 5273 R$ 1.032.285,44 0,00 33.700.394/000140 3426 R$ 296.959,99 0,00 60.394.079/000104 5273 R$ 25.290,07 0,00 60.891.785/000161 5706 R$ 1.401.242,10 0,00 61.088.183/000133 5273 R$ 38.235,94 0,00 61.146.577/000109 5273 R$ 94.090,82 0,00 00.000.000/493449 3426 R$ 20.193,49 R$ 226.420,99 33.042.953/000171 5273 R$ 380.590,73 R$ 513.685,79 SOMAS R$ 3.288.888,58 R$ 740.106,78 O acórdão recorrido traz a constatação de que das receitas financeiras informadas pelas fontes pagadoras em DIRF, no importe de R$ 20.950.642,27, que deram origem ao IRRF no importe de R$ 3.719.630,24 conforme DIRF anexada ao processo, o contribuinte somente ofereceu à tributação a importância de R$ 13.529.607,81; ou seja, considerando somente as informações da DIRF, não consta da DIPJ/ 2002 o oferecimento das receitas correspondentes a R$ 7.421.034,46. No caso dos autos, a interessada trouxe, em sua manifestação de inconformidade (fls. 71/77), os comprovantes de rendimentos e de retenção na fonte relativos às diferenças não reconhecidas pela autoridade administrativa. Apesar de o contribuinte trazer junto com a manifestação de inconformidade os comprovantes de rendimentos e retenção na fonte emitidos pelas fontes pagadoras, não trouxe qualquer comprovação documental acerca do oferecimento destas receitas à tributação, condição sine qua non para a dedução do imposto retido. No recurso voluntário interposto a recorrente também não trouxe qualquer comprovação documental de que as receitas foram oferecidas à tributação, seja no ano calendário de retenção, seja em períodos anteriores. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 644 11 A conversão do processo em diligência visava a dar mais uma oportunidade para a interessada demonstrar e comprovar a sua alegação de que os rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação pelo regime de competência, compreendendo períodos anteriores. No entanto, a recorrente limitouse a alegar que não possuía mais os registros contábeis e comprovantes das respectivas aplicações financeiras, tendo em vista o longo tempo decorrido desde que os contratos foram firmados. Buscou ainda descaracterizar a afirmação2 da autoridade fiscal de que ao longo de cinco anos compreendidos até o anocalendário 2001, verificase que o montante de rendimentos informados em DIRF pelas fontes pagadoras eram bem superiores aos valores tributáveis informados nas DIPJ's da interessada no mesmo período. Alega que a comparação deveria abranger um período maior de tempo que permitiria comprovar a sua tese. Ocorre que a recorrente pretende inverter o ônus da comprovação de seu direito creditório ao Fisco, o que não é cabível. Notese que o cotejo entre os valores informados nas DIRF's e as DIPJ's de determinado período, trazido aos autos pela decisão recorrida e na informação fiscal de diligências, é meramente argumentativo, no sentido de apontar a improbabilidade de que as receitas tenham sido oferecidas à tributação em momento anterior, tal a diferença encontrada, seja em três, seja em cinco anos de comparação. Não seria suficiente para comprovar a tese da recorrente, mas poderia darlhe alguma verossimilhança, se apontasse valores aproximados. Esperavase que, por ocasião da diligência, por ela mesmo requerida em seu recurso voluntário, a interessada carreasse aos autos, à míngua de outros extratos e documentos bancários, ao menos cópias de livros contábeis que pudessem corroborar, ainda que por aproximação, a sua alegação de que os valores foram oferecidos à tributação pelo regime de competência. No entanto, a recorrente nada trouxe de novo aos autos. Assim, não há como reconhecer o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 05 de março de 2015 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 2 "No entanto, levandose em consideração os cinco anoscalendários (sic) (1998 a 2002) o valor total original das receitas informadas em DIRF foi de R$ 63.721.733,03. O valor das receitas financeiras declarado nas DIPJ no mesmo período foi de R$ 37.146.092,33." Fl. 644DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 13603.901064/201062 Acórdão n.º 1301001.816 S1C3T1 Fl. 645 12 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O
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Numero do processo: 10283.903512/2009-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 03 51 2/ 20 09 -0 9 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.903512/200909 Resolução nº 1802000.631 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Bel/em (PA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual passo a adotar o relatório da DRJ: “Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 20.07.2005, através do qual foi pedida restituição de IRPJ PA 2003 no valor original de R$ 293.390,65 e efetivada a compensação de débitos. 2. A DRF/Manaus/AM, através de despacho decisório eletrônico de fl. 06, indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa, não restando saldo a ser restituído. 3. Cientificada em 04.05.2009 (AR fl. 09), a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.05.2009, manifestação de inconformidade (fls. 10/11) na qual alega: “1 O referido despacho denegou o direito de compensação ao valor do crédito original da data de transmissão informado no PER/DCOMP no valor de R$ 278.896,72, sob a alegação de que: ...foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 2 Entretanto, o requerente declara que, através deste PER/DCOMP, objetivou o pedido de compensação direcionado para o débito em tela, e que, efetivamente apresentou a documentação pertinente. 3 O que na verdade ocorreu foi que, por um lapso, deixou a requerente de retificar a DCTF, para demonstrar que o valor do débito vinculado ao respectivo DARF era de R$ 3.491.370,85. 4 Juntase nesse ato, a DCTF retificadora conforme recibo no. 06.35.84.72.6005. Isto posto, requer seja reconsiderado o despacho decisório pelas razões acima, considerando o valor apresentado na DCTF retificada.” A DRJ em Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.903512/200909 Resolução nº 1802000.631 S1TE02 Fl. 4 3 O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a Recorrente pleiteia pela reforma do julgado, para que seja reconhecido o crédito contido na declaração de compensação submetida e, consequentemente, que seja homologada. Para tanto juntou em seu Recurso documentação (balancete, cópia do LALUR e DIPJ) para comprovação de seu crédito. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.903512/200909 Resolução nº 1802000.631 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A DRJ negou o direito a compensação da ora Recorrente, com base apenas na divergência de informações entre a DCTF e a DIPJ, considerando ainda o débito a ser compensado como sendo “não declarado”. Inadimissível essa decisão. As declarações não podem / devem ser tomadas em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos e outras declarações, para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.903512/200909 Resolução nº 1802000.631 S1TE02 Fl. 6 5 Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações, como de fato posteriormente apresentou em seu Recurso Vountário. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento não devolveu o processo para que a DRF fizesse uma análise do direito creditório da Recorrente, a luz da escrita fiscal, mas simplesmente indeferiu por divergência entre as informações e adicionalmente entendeu que deveria ser cobrado o crédito em aberto. Ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.903512/200909 Resolução nº 1802000.631 S1TE02 Fl. 7 6 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10283.903512/200909 Resolução nº 1802000.631 S1TE02 Fl. 8 7 IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem para: (i) informar se houve pagamento a maior de IRPJ no ano de 2003, informar o valor do indébito, caso ele seja confirmado; (ii) informar se o susposto indébito ainda está disponível, ou se já foi utilizado em outras compensações. (iii) cientificar a Recorrente do resultado da diligência para que, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 11330.001341/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 41 /2 00 7- 61 Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001341/200761 Acórdão n.º 2402004.483 S2C4T2 Fl. 1.175 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.521.1637, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, até 06/1997, e ao GILRAT a partir de então, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa IAS INTEGRAÇÃO E AUTOMAÇÃO DE SISTEMAS LTDA. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou com a empresa construtora, a execução, sob o regime de empreitada global, de serviços de automação industrial e instrumentação das Plataformas PXA1 e PAT3, no âmbito do Núcleo de Produção do Ceará NTJPRÜCE, da E&PRNCE, conforme item 1.1 do contrato de prestação de serviços. Também fora informado que no item 6.1.6 do contrato de prestação de serviços que que a empresa contratada deveria ter apresentado mensalmente folha de pagamento dos empregados envolvidos no serviço contratado e fotocópia da GPS, devidamente quitada referente às contribuições incidentes sobre a respectiva folha de pagamento destes funcionários. Ocorre que a recorrente não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregados alocados, de modo que a responsabilização da recorrente deuse com base no art. 30, IV, da Lei 8.212/91. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Às fls. 694 dos autos consta despacho proferido pelo Serviço de Fiscalização do INSS retificando o crédito tributário lançado e se manifestando sobre os documentos juntados na impugnação, com o posterior envio dos autos para julgamento de primeira instância. A decisão Notificação manteve a integralidade da NFLD combatida e diante da interposição de recurso voluntário os Autos foram enviados ao CRPS para julgamento, oportunidade na qual, sua 2a CAJ anulou a Decisão Notificação, em razão de que a imputação da responsabilidade solidária à recorrente prescindia da anterior necessidade de fiscalização da empresa prestadora dos serviços. Em face de referido julgamento fora interposto o extinto pedido de revisão de acórdão pelo INSS, que também fora analisado e não conhecido. As partes interessadas foram intimadas de referida decisão, por meio de ofício no qual restou consignado que (fls. 759/760): Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Pelo exposto, estamos cientificandoo desta decisão, fornecendo lhe cópia do acórdão e encaminhando o processo ao Serviço de Fiscalização, para que seja providenciada a diligência determinada pelo CRPS, adotandose todos os demais procedimentos para o reinicio do contencioso administrativo em relação ao mesmo. Fato é que quando referido ofício se refere à diligência, em verdade, se quer se referir a anulação do acórdão, pois, diante de informações constantes nos autos, este era, à época, o procedimento a ser adotado em sistema para a formalização da anulação da NFLD e continuidade do contencioso administrativo. Feito isso, às fls. 795, fora lavrado relatório fiscal aditivo ao que originou a presente NFLD, sendo repetidos todos os fundamentos de fato e de direito constantes no documento original, bem como acrescendose os seguintes pontos que fazem referência à decisão do CRPS que determinou a anulação do lançamento: 12 Informase que, para cumprimento do acórdão n. 0000631/2004, acima citado, elaborouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB/SRP, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora dos serviços c constatouse que não houve ação fiscal com exame da contabilidade, emissão de CND de baixa, nem constam débitos lançados no período. 13 Posteriormente, em 31/01/2007 foi editado pela, então, egrégia CÂMARA SUPERIOR DO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL o Enunciado n° 30 do CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, qual seja "Enunciado n° 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços." 14 Desta forma, tendo em vista o estabelecido no art. 62 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria MPS n° 88, de 22 de janeiro de 2004, e os termos do Enunciado n° 30, acima transcrito, informase às empresas interessadas, através do presente Relatório Fiscal Aditivo, o reinicio do contencioso administrativo de que trata o lançamento original, face a NULIDADE da DECISÃO NOTIFICAÇÃO. 15 — Ficam, portanto, a empresa contratante e contribuinte, responsável solidário, bem como a empresa contratada, ambas identificadas no início do presente relatório, cientificadas que tem o prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência do presente, para apresentação de impugnação e que o prazo fluirá a partir do 1 0 dia útil após a data de ciência, observandose que se exclui o dia da ciência e se inclui o dia do vencimento na contagem. O dia do início e/ou do vencimento da contagem dos prazos será prorrogado para o lo. (primeiro) dia útil seguinte (com expediente), caso recaiam em dia em que não haja expediente integral no posto cie atendimento da Receita Federal do Brasil. Os prazos são contínuos; não se suspendem ou interrompem; excepcionalmente, pode ser admitida a suspensão por motivo de força maior, caso forluiío, greve ou outro fato que impeça o Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001341/200761 Acórdão n.º 2402004.483 S2C4T2 Fl. 1.176 5 funcionamento do posto de atendimento da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes, quando então, o prazo voltará fluir pelo que lhe sobejar. \ "... que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado e evidencie que a obrigação tributária principal está inadimplida, ainda que parcialmente.". O fisco, portanto, sob tal justificativa, deixou de efetuar a fiscalização em face da empresa contratada, conforme determinado pelo CRPS. Foram então a ora recorrente e empresa prestadora de serviços novamente cientificadas do lançamento, agora em 20/06/2007, sendo que somente a responsável solidária (recorrente) apresentou impugnação. Ao analisar a nova defesa ,fora proferido acórdão pela DRJ do Rio de Janeiro, mantendo em parte o lançamento, tendo reconhecido que fora válida a retificação parcial do lançamento feita pela Decisão Notificação que veio a ser anulada em decorrência de decisão do CRPS, confirmandoa quando do julgamento. O lançamento compreende, por fim, as competências de 10/2000 e 12/2000 a 12/2001, tendo sido o contribuinte cientificado em 25/09/2002 (fls. 01) Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a NFLD ora atacada não faz qualquer menção, seja no seu relatório; seja nos seus fundamentos, onde estaria caracterizada a responsabilidade tributária da ora Recorrente, pois não aponta onde estaria a cessão de mãodeobra que justificaria o lançamento; 2. que a fiscalização deixou de elaborar uma argumentação lógica e de correlação entre os fatos que, pretensamente, ensejaram a lavratura da NFLD e os fundamentos, legais e normativos, em que se apoiaram 3. a ilegalidade do reconhecimento da retroatividade da aplicação do enunciado 30 do CRPS processo administrativo fiscal art. 2°, XIII, da lei n° 9.784/99 4. que a reabertura do contencioso administrativo sem a realização da diligência que lhe fora determinada pelo CRPS não tem qualquer cabimento, pois o fisco descumpriu expressa decisão administrativa válida, infringindo o disposto no art. 57, caput e no §1o do Regimento Interno do CRPS. 5. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 6. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. 7. que o disposto no art. 33, §3o não permite à fiscalização a conclusão da presunção de acordo com a conveniência fiscal, tendo em vista que os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas podem ocorrer por vários motivos, tais como pagamento de insumos, mútuos, Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.001341/200761 Acórdão n.º 2402004.483 S2C4T2 Fl. 1.177 7 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, vejo que a recorrente atravessou petição (fls. 1.170) requerendo a desistência do recurso informando ter incluído o débito no programa de parcelamento da Lei 12.966/14. Em virtude da informada adesão ao parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual, a meu ver não havendo matérias de ordem pública que pudessem ser tratadas na presente assentada, tenho não mais subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente Recurso Voluntário. Sobre o assunto, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe do precedente a seguir, de relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Oliveira: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2006 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Ante todo o exposto, homologo a desistência e NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18471.000676/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A norma jurídica que comina penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da conduta infracional tem aplicação pretérita sobre atos não definitivamente julgados.
DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFORMAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF - PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA.
DIF - Papel Imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à pena cominada no artigo 57 da Medida Provisória 2.158-35, de 27 de julho de 2001, c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, caput e inciso II, da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Bruno Curvelo, OAB/RJ 130.013.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma jurídica que comina penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da conduta infracional tem aplicação pretérita sobre atos não definitivamente julgados. DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFORMAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel Imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à pena cominada no artigo 57 da Medida Provisória 2.15835, de 27 de julho de 2001, c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, caput e inciso II, da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Bruno Curvelo, OAB/RJ 130.013. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 76 /2 00 5- 35 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 278 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 279 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Juiz de Fora/MG: Tratase de auto de infração para exigência da multa regulamentar no valor de R$555.000,00, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, merecendo destaque a Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 2001, bem como os arts. 212 e 505 do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI/02), os quais têm como matrizes legais, respectivamente, o art. ló da Lei n° 9.779, de 1999, e o art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 2001. Cientificada pela via postal em 20/05/2005 conforme o extrato dos Correios de fl. 24, a autuada apresentou em 17/06/2005 sua impugnação de fls. 28/36, na qual solicitou a improcedência da autuação sob os argumentos, em síntese, de que: as obrigações acessórias não podiam ser tomadas como se fossem um fim em si mesmas, pois se conformavam em um mero meio de preservar o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, sendo que o uso abusivo e desarrazoado de tais obrigações acabava por infligir maus tratos à própria regra constitucional da imunidade do papel, criando empecilhos à sua fruição. Transcreveu ementa de julgado do STJ que entendeu dar supedâneo à sua assertiva; “(..) nas declarações encaminhadas à Secretaria da Receita Federal pela Impugnante, os trimestres apontados com movimento 'ZERO ' de PAPEL IMUNE, em verdade se deram porque a mesma NÃO ADQUIRIU este tipo de papel e sim a sua acionista majoritária, a COMPANHIA EDITORA FORENSE. (..). Os períodos onde houve informação de compra e consumo de PAPEL IMUNE foram exatamente os trimestres em que a Impugnante adquiriu a matériaprima e manufaturou livros para terceiros. No mercado editorial, a maioria das editoras NÃO POSSUI parque gráfico. Desta forma, é comum que empresas editoras prestem as informações da compra e do consumo de PAPEL IMUNE, embora quem os industrial ize sejam as empresas gráficas ”; a infração tributária e as penalidades sujeitavamse aos princípios da reserva legal absoluta e da tipicidade cerrada; a teor do art. 57 da MP n° 2.15834, de 2001, exigiase a prévia solicitação pela autoridade fiscal de informações e Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 280 4 esclarecimentos, cujo não atendimento, aí sim, ensejaria a aplicação da penalidade ali tipificada; o próprio Fisco havia aberto a oportunidade de a fiscalizada regularizar sua situação fiscal no tocante à entrega das DIF Papel Imune ou, alternativamente, apresentar os comprovantes de entrega daquelas no prazo de 5 dias; caso os argumentos acima não fossem aceitos, haveria de ser dispensada a penalidade em razão de eqüidade, lastreada nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A DRJ julgou improcedente a impugnação cuja decisão foi resumida com base na seguinte ementa: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Exercício: 2002, 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP n° 2.15834, de 2001, e reedição. Lançamento Procedente Apresentou a recorrente Recurso Voluntário apontando os seguintes argumentos (os destaques são nossos): “2.1. Em 25.01.2005, a RECORRENTE foi intimada para regularizar sua situação fiscal em relação à falta de entrega das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFs) do terceiro e quarto trimestres de 2002 e do primeiro, segundo e quarto trimestres de 2003, no prazo de cinco dias úteis. `2.2. Em 31.01.2005, a RECORRENTE transmitiu as DIFS que até aquele momento não haviam sido entregues à Secretaria da Receita Federal SRF (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB). 2.3. Em que pese ter regularizado sua situação fiscal no prazo exigido pela intimação fiscal, em 11.05.2005, a RECORRENTE foi multada por não ter apresentado as DIFs nas datas estabelecidas pela legislação.” Alega ainda que: “A fiscalização calculou o valor da multa como se a cada mes civil houvesse uma nova infração (novo mês de atraso relativo à entrega da DIF) sujeita à aplicação de multa, daí o seu valor total atingir R$ 550.000,00.” (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 281 5 3.3. Conforme demonstrado pela RECORRENTE em sua impugnação, a expressão "informações ou esclarecimentos solicitados" só pode ser interpretada no sentido de abranger as hipóteses em que o contribuinte deixe de atender eventuais solicitações das autoridades administrativas; ou seja, a multa prevista no art. 57, inciso I, da MP n° 2.15835/2001 somente poderia ser aplicada nos casos em que houvesse descumprimento do prazo estabelecido em intimação fiscal que tivesse solicitado a apresentação de esclarecimentos ou informações, e não nas hipóteses em que o contribuinte tenha deixado de apresentar relatórios/documentos exigidos em lei. (...) 3.8. Ao contrário do que alegam a fiscalização e a DECISÃO RECORRIDA, o art. 57, inciso I, da MP n° 2.15835/2001 não pode ser interpretado no sentido de permitir a cobrança cumulativa de penalidades por mês de atraso na entrega de uma única DIF. 3.9. Não há nenhuma determinação de que a multa estabelecida seja aplicada "por mêscalendário de atraso", mas apenas que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas, nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779/199, acarretará a aplicação de penalidade no valor de R$ 5.000,00 "por mêscalendário". Conclui requerendo o seguinte: 4.l. Por todo o exposto, pede e espera a RECORRENTE seja cancelado o auto de infração. Se assim não for, pede e espera a RECORRENTE seja reduzida a penalidade aplicada, de modo que apenas seja exigida uma única multa de R$ 5.000,00 pelo atraso na entrega das DIFs, e não uma multa de R$ 5.000,00 para cada mês civil de atraso na entrega das DIFS. É o que importa relatar. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 282 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de recurso contra a decisão da DRJ que manteve a exigência da multa no valor de R$550.000,00 (quinhentos e cinqüenta mil reais), pela “não apresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. O primeiro ponto apontado pela Recorrente referese ao fato de ter, quando solicitada, apresentado a DIF à autoridade o que não implicaria na multa prevista, entretanto, tenho que a multa decorre da apresentação a destempo da DIF Papel Imune e não da apresentação tardia após a intimação da autoridade. A norma prevê que a apresentação da DIFPapel Imune fora dos prazos sujeitará a pessoa jurídica às penalidades equivalente a 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta e caso haja apresentação fora de prazo à multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção previstas pela omissão ou inexatidão, portanto, correta a autuação quanto a esse ponto. Em segundo lugar aponta no Recurso Voluntário que não tinha no período operações que implicaram na imunidade, pelo que não poderia ser punida pela não apresentação da Declaração. Porém, tratase de lançamento de multa regulamentar, em razão de descumprimento de obrigação acessória, no caso, entrega em atraso da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune – DIF – Papel Imune. A obrigação é decorrente do artigo 16 da Lei n.º 9.779/1999, assim expresso: Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Por sua vez, a SRF editou a Instrução Normativa SRF n.º 71, de 24 de agosto de 2001, alterada pelas Instruções Normativas SRF n.º 101, de 21 de dezembro de 2001, e 134, de 08 de fevereiro de 2002, fazendo uso da delegação de competência prevista no artigo 16, da Lei n.º 9.779/1999. A Instrução Normativa SRF nº 159, de 16 de maio de 2002, que aprovou o programa gerador da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), assim estabeleceu, quanto à sua obrigatoriedade de entrega: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 283 7 Art. 2º A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Sendo assim, a partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, a contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim – DIFPapel Imune –, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Entretanto é caso de se aplicar de ofício, o entendimento predominante neste colendo CARF, no sentido de reduzir a multa ao patamar de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta, por força da superveniência legislativa determinada pela Lei nº 11.945/2009 e do artigo 12 da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009, assim expresso: Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e, II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. Desse modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente recurso e reduzir a multa aplicada a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta por cada DIF Papel Imune transmitida a destempo. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.000676/200535 Acórdão n.º 3301002.580 S3C3T1 Fl. 284 8 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13128.000131/2001-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NO CRITÉRIO TEMPORAL. VÍCIO MATERIAL.
O erro na auto de infração/notificação de lançamento quanto ao elemento temporal acarreta a nulidade absoluta do lançamento por vício material.
Acolher a preliminar de nulidade.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de nulidade.
(Assinado digitalmente)
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ERRO NO CRITÉRIO TEMPORAL. VÍCIO MATERIAL. O erro na auto de infração/notificação de lançamento quanto ao elemento temporal acarreta a nulidade absoluta do lançamento por vício material. Acolher a preliminar de nulidade. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de nulidade. (Assinado digitalmente) (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 8. 00 01 31 /2 00 1- 91 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, BUNGE ALIMENTOS S/A, por meio da Notificação de Lançamento de fls. 180, emitida, em 24/02/2012, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 1995, tendo como objeto o imóvel denominado “Projeto Refl. Cristalina”, cadastrado na RFB sob o nº 4.778.5381, com área total de 1.919,5 ha, localizado no Município de Cristalina – GO. O crédito tributário lançado compõe se do valor do ITR de R$ 15.808,51, da contribuição SENAR (R$ 57,55), da contribuição a CONTAG (R$ 135,45) e à CNA (R$ 1.298,83), perfazendo o montante de R$ 17.300,34, com vencimento em 107/04/2012. O lançamento do Imposto Territorial Rural foi realizado com fundamento na Lei nº 8.847/94, Lei nº 8.981/95, art. 6º e 90, e Lei nº 9.065/95, e as Contribuições no Decreto Lei nº 1.146/70 art. 5º, combinado com o Decreto Lei nº 1.989/82, art. 1º e §§, Decreto Lei nº 1.166/71, art. 4º e §§. Esse lançamento decorreu da Nulidade, por vício formal, da Notificação de Lançamento eletrônica original (às fls. 08), por decisão unânime dos membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Acórdão nº 920201.501, Sessão de 13/04/2011, às fls. 169/170), que negou provimento ao Recurso Especial interposto pelo representante da Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão unânime dos membros da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que decidiram pela nulidade, por falta de requisitos essenciais a referida notificação original, nos termos do inciso IV, do artigo 11, do Decreto 70.235/72, conforme descrito no voto condutor dessa decisão, materializada no Acórdão nº 30132.236, de 20/10/2005 (às fls. 130/138). Cientificada do novo lançamento, em 14/03/2012 (AR de fls. 189), a sociedade empresária interessada, por meio de advogado e procurador legalmente constituído (às fls. 197/201) protocolou, em 13/04/2012, a impugnação de fls. 190/194, alegando e requerendo, em síntese, o seguinte: • faz um breve relato dos fatos e da forma de aquisição das glebas de terras que passaram a compor o imóvel rural objeto do presente lançamento; • preliminarmente, a motivação possui erro no exercício apontado, visto que o lançamento refere se ao exercício de 1995 e a motivação reporta se ao exercício de 1996; • invocando o disposto no art. 144 do CTN, diz que a IN/SRF nº 42, de 19/07/1996, padece de vício de ilegalidade, por não respeitar os princípios constitucionais de irretroatividade e da anterioridade da lei tributária; • transcreve e destaca o disposto no art. 1º da Lei nº 8.847/94, no que diz respeito à data do fato gerador do imposto, que ocorre “em primeiro de janeiro de cada exercício”; • assim, as referidas Instruções Normativas deveriam ser anteriores a ocorrência do fato gerador, que se deu em 1º de janeiro de 1995, para que fosse determinado o quantum do imposto já na data da ocorrência do fato gerador, insistindo que essas INs feriram os citados princípios da irretroatividade e da anterioridade da lei tributária; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13128.000131/200191 Acórdão n.º 2202002.914 S2C2T2 Fl. 3 3 • em suma, essas Instruções Normativas, referentes ao exercício de 1995, deveriam ter sido editadas até 31/12/1994, para que o Contribuinte pudesse determinar a base de cálculo e quantum do imposto já na data da ocorrência do fato gerador; invocando, ainda, o disposto no art. 3º da Lei nº 8.847/94; • assim, o VTNm/ha constante dessas IN não poderá ser aplicado ao ITR do exercício de 1995, a uma porque os seus efeitos não poderão retroagir para atingir fatos geradores já concluídos antes da sua edição, e a duas, porque foram publicadas fora do prazo previsto, quando os contribuintes, inclusive, já haviam entregue as suas DITR/1995; • o lançamento tributário é espécie de ato administrativo plenamente vinculado, deve ser devidamente motivado, com indicação de disposição normativa aplicável ao fato descrito pela autoridade lançadora, sendo que a sua falta ou indicação incorreta importa em nulidade insanável, por falta de motivação, citando (“Meirelles, Hely Lopes”. Direito Administrativo Brasileiro, 15ª ed. Revista dos Tribunais. P. 174); • ao citar disposição legal que entrou em vigor após a ocorrência do fato descrito, a autoridade fiscal deixou de motivá lo devidamente, pois “os preceitos que autorizam a sua prática” não lhe são aplicáveis; • caso não seja cancelada a Notificação, o que se admite somente por hipótese, cabe tributar o imóvel com base no VTN declarado da correspondente declaração de informações do ITR, sendo ilegal a utilização de outro valor, e • por fim, solicita o cancelamento da notificação discutida, ou não sendo o caso, que seja então revisto os seus valores. Finalizo o relatório RESSALVANDO que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referem se aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA LEGALIDADE A instrução normativa que aprovou a tabela fixando os VTNm/há utilizados nos lançamentos do ITR, do exercício de 1995, não está sujeita aos princípios constitucionais da irretroatividade e anterioridade da lei tributária, pois não tem o condão de instituir nem majorar tributos. DA REVISÃO DO VTN Mínimo A possibilidade de revisão do VTNm/ha, fixado através de ato normativo, depende da apresentação de Laudo Técnico de Avaliação emitido por profissional habilitado ou empresa de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 reconhecida capacitação técnica, devidamente anotado no CREA, e que demonstre o atendimento aos requisitos das Normas da ABNT (atual NBR 14.6533). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Preliminarmente, aponta o erro de motivação, uma vez que o exercício referese a 1995 e a motivação expressa reportase ao exercício de 1996 No mérito, da necessidade de aplicação da legislação específica; Do princípio da publicidade, que determina que os atos só tem validade a partir do momento de sua publicação e digase com efeitos futuros. Das normas complementares de respeito aos princípios da anterioridade e irretroatividade. Instruções normativas são espécies complementares, e assim como as leis não se aplica a fato geradores já consumados. Em síntese os seus efeitos não poderão retroagir para atingir fato geradores passados. Da ausência de motivação e desnecessidade de laudo técnico. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13128.000131/200191 Acórdão n.º 2202002.914 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos presentes autos, verificou se que o lançamento fiscal não pode prosperar, em razão de vício insanável, que culmina na decretação de nulidade, pelos motivos adiante expostos. No relatório fiscal constatase que o lançamento é decorrente de alterações do ITR/1995. Como se pode verificar, o lançamento anterior o período de apuração apontava para 01/01/1995, tendo sido anulado por vício formal. Agora o novo lançamento, ainda que se refira ao mesmo Exercício de 1995, apontou em suas motivações um fato gerador em 01/01/1996, tal como se percebe as fls 201 do eprocesso. Entendo que os vícios na indeterminação das competências que originaram os fatos geradores são materiais. A omissão das competências fulminam o critério temporal da hipótese de incidência do tipo tributário, prejudicando sua integridade lógica e afrontando o princípio da Tipicidade Cerrada ou Estrita Legalidade. No caso concreto, trata se de incorreta formalização dos fatos que serviram de suporte para a subsunção que originaram a obrigação tributária. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material. Ante ao exposto, voto por acolher a preliminar de nulidade por erro no critério temporal, e dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16327.000400/2004-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário interposto por Lidice Factoring Fomento Comercial Ltda. contra o acórdão de nº 1614.842, da 8º Turma da DRJ I de São Paulo/SP, que manteve a quase integralidade dos lançamentos objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a cobrança realizada pelo Fisco de impostos e contribuições (IRPJ/CSLL e PIS/COFINS) devidos pela Recorrente em razão de presunções de omissão de receitas levada a cabo pela Fiscalização em razão de haver, na contabilidade da Recorrente, suprimentos de caixa efetuados por seus sócios, cujas origens e efetividade da entrega não foram devidamente esclarecidas e comprovadas nestes autos. Os lançamentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 40 0/ 20 04 -1 2 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.383 2 referentes a esses suprimentos foram discriminados pela Autoridade Fiscal às fls. 44 e 45 destes autos. Em razão desses suprimentos injustificados, a Fiscalização procedeu aos lançamentos objeto deste processo, considerando tais valores como sendo receitas omitidas e cobrando da Recorrente o IRPJ/CSLL e o PIS/COFINS incidentes sobre tais valores. Ao ser intimada dos lançamentos, a Recorrente apresentou a impugnação administrativa de fls. 402411, na qual alegou: (i) “que a receita tida como omitida no valor de R$492.000,00, à uma taxa média de 7% praticada ao mês, necessitaria de operações no montante de mais de R$7.000.000,00 e argumenta que as Declarações de Rendimentos dos sócios, bem como daqueles que lhes financiaram, não aponta aumento de patrimônio além do propiciado pela remuneração de seus trabalhos.” (fl. 1.079/1.080); (ii) que os lançamentos não poderiam presumir a omissão de receitas sem demonstrar antes a ocorrência de uma das três hipóteses (saldo credor de caixa; falta de escrituração de pagamentos; e manutenção de obrigações já pagas) previstas no art. 281 do RIR/99; (iii) que a realização de suprimentos de caixa pelos sócios é fato lícito e, portanto, não poderia ensejar uma presunção em prejuízo do contribuinte; e (iv) por fim, contesta os valores lançados um a um, na tentativa de demonstrar a regularidade dos suprimentos. A DRJ I de São Paulo/SP, ao conhecer dessas alegações, as rejeitou quase integralmente, e por unanimidade de votos, conforme acórdão de fls. 1.0721.092, ora recorrido. O acórdão recorrido, de início, destacou que as empresas de factoring devem manter sua escrituração contábil em ordem, por estarem submetidas à forma de cálculo do Lucro Real, e que a Recorrente, ao elaborar sua escrita contábil, deve obediência aos princípios contábeis da entidade e da oportunidade. Partindo dessas premissas, a DRJ fundamentou sua decisão com base nos seguintes fundamentos, em síntese: (i) quanto ao argumento da Recorrente de que a Fiscalização deveria comprovar a ocorrência de uma das hipóteses do art. 281 do RIR/99, a DRJ afirmou que “a indicação de saldo credor de caixa está implícita na ocorrência de suprimento de numerário não comprovado. A falta de comprovação com documentação hábil e idônea da origem ou da efetividade da entrega dos numerários pelos sócios à empresa implica descaracterizar o suprimento de numerário. Ao se desconsiderar os recursos que ingressaram na conta ‘Caixa’ sem a prova de sua origem surge o saldo credor de caixa.” (fl. 1.088); (ii) disse ainda que, diante da presunção legal, caberia ao contribuinte comprovar efetivamente tanto a origem dos valores como a efetiva entrega; (iii) quanto às explicações específicas da Recorrente, referentes aos suprimentos, a DRJ entendeu que a empresa não apresentou justificativas plausíveis para os suprimentos e nem documentação idônea a comprovar as suas regularidades, à exceção do suprimento no valor de R$1.717,99, que foi excluído da cobrança pela DRJ. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.384 3 Com base nessas razões a DRJ julgou parcialmente procedente os lançamentos para deles excluir tão somente os tributos incidentes sobre o valor de R$1.717,99, referente ao suprimento lançado em 07/10/1999. Como a exoneração foi inferior ao valor de alçada, não houve recurso de ofício. É contra esse acórdão que se volta o recurso voluntário da Recorrente, de fls. 1.1261.195, no qual ela alega: (i) que este processo seria nulo, pois os autos de infração teriam sido lavrados com base em Mandado de Procedimento Fiscal já caducado por decurso de prazo (fls. 1.134 1.137); (ii) às fls. 1.1381.141, a Recorrente tenta explicar alguns equívocos cometidos na sua escrituração contábil e conclui, nas fls. 1.1411.145, que “erros na contabilização não provocam reflexos tributários e/ou na apuração da base de cálculo do tributo” (fl. 1.144), pois o Fisco está vinculado à estrita legalidade em matéria tributária; (iii) alega às fls. 1.1.491.151 que, em razão da sua intimação acerca do acórdão da DRJ em endereço equivocado, teria havido cerceamento de defesa neste âmbito administrativo, mesmo tendo ela recebido de volta seu prazo para interposição de recurso voluntário (conforme fls. 1.116/1.117); (iv) à fl. 1.151 alega que a dúvida deve beneficiar o contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN e, assim sendo, se surgem dúvidas da análise das operações praticadas por ela, devese adotar a interpretação que lhe for mais favorável; (v) às fls. 1.152/1.153 a Recorrente alega que a Fiscalização, ao autuála da forma como fez, teria violado a Razoabilidade, pois dispensou a ela um tratamento rigoroso digno da fiscalização de grandes bancos, quando, na verdade, ela não passava de uma pequena empresa com baixo faturamento; (vi) com base nas alegações supra, a Recorrente sustenta nas fls. 1.1531.156 que a Fiscalização está tentando tributála sem lastro legal e, portanto, está ofendendo as limitações impostas ao seu poder de tributar; (vii) às fls. 1.1561.165, a Recorrente volta a afirmar que a constatação de omissão de receitas está condicionada a comprovação de uma das hipóteses do art. 281 do RIR/99 (saldo credor de caixa; falta de escrituração de pagamentos; e manutenção de obrigações já pagas) e impugna a assertiva da DRJ de que o suprimento de caixa irregular faz concluir pela ocorrência de saldo credor de caixa; (viii) às fls. 1.1661.169 sustenta cerceamento de defesa em razão da desconsideração, pela DRJ, dos documentos apresentados por ela em sua defesa; (ix) às fls. 1.1691.172, a Recorrente sustenta mais uma tese de cerceamento de defesa, alegando que a DRJ não poderia ter desqualificado sua contabilidade; (x) às fls. 1.1741.175, alega novamente cerceamento de defesa em razão de a Fiscalização têla autuado sem antes intimála a apresentar os documentos que, no entender da Fiscalização, seriam suficientes a comprovarem a regularidade das transações; Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.385 4 (xi) às fls. 1.1761.191, a Recorrente apresenta explicações que, a seu ver, justificariam cada um dos suprimentos tidos pela Fiscalização como irregulares; (xii) à fl. 1.1911.192, solicita a liberdade para juntar aos autos novas provas que possa vir a encontrar em momento posterior à interposição do recurso voluntário; e (xiii) por fim, às fls. 1.1921.193, questiona a aplicação da taxa Selic como fator de atualização dos créditos tributários cobrados. Ao final do seu recurso, a Recorrente informa os seus endereços para futuras intimações e requer a comunicação da data deste julgamento para fins de sustentação oral. É o relatório. Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. 1. Das preliminares. Inicialmente, cabe afastar a alegação de nulidade por eventuais vícios na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Como é assente na jurisprudência deste CARF, eventuais irregularidades não ensejam a nulidade da autuação. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/2000 NULIDADE. MPF. INEXISTÊNCIA. Constituindose o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. (AC 2301004.169, Rel. NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, julgado em 07/10/2014) Da mesma forma, rejeito a alegação de nulidade de todo o procedimento pelo envio de uma das intimações para o endereço incorreto. Como a própria Recorrente reconhece, a Delegacia de origem devolveu o prazo para recurso, o que demanda a aplicação do brocardo pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo). Quanto às demais alegações de violação ao princípio da ampla defesa e irrazoabilidade da autuação frente à realidade econômica da empresa, as mesmas se confundem com o mérito da autuação e serão analisadas a seguir. 2. Impossibilidade de análise de inconstitucionalidades pelo CARF. Não se conhece da alegação de inconstitucionalidade da Taxa Selic nos termos da Súmula nº 02 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Do lançamento por saldo credor de caixa. O contribuinte insurgese contra a autuação por omissão de receitas fundada na falta de comprovação da efetiva entrega de recursos pelos sócios para suprimento de caixa da entidade. Demonstrado e não contestado pelo contribuinte que os sócios realizaram Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.386 5 suprimentos de caixa no período autuado, não há que se falar em ilegalidade da autuação. Com efeito, os arts. 281 e 282 do RIR autorizam a presunção nos seguintes termos: Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, eLei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, eDecretoLei nº1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Dessa forma, para elidir a presunção legal de omissão de receitas o contribuinte deve apresentar provas da origem e do fornecimento dos recursos de caixa pelos sócios, nos termos da súmula 95 do CARF: Súmula CARF nº 95: A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Pois bem. Em relação a este ponto a DRJ manifestouse da seguinte forma (fls. 1040): “8.1. Em relação ao valor de R$ 10.000, de 16/08/1999, afirma a impugnante ter sido depositado pelo Sr. Afrodísio Leão, marido da social Cecilia B. L. Silva, como pagamento da dívida pessoal com a social Lídia B. Simonelli e para comprovar a alegação, foram apresentados extratos bancários do Sr. Afrodisio Leão (Anexo I — fls. 748 a 753), mostrando o "doc", coincidente em data e valor. Informa que o extrato da empresa já fora solicitado devendo ser apresentado em data posterior. 8.1.1. Cumpre de pronto observar que a simples indicação de realização de um "DOC" (Documento de Ordem de Crédito) num extrato bancário, sem a apresentação do documento em si a indicar o favorecido pelo crédito, nada prova. Não prova que o beneficiário do recurso tenha sido a impugnante” Com a devida vênia, penso que não é a melhor interpretação da questão. Se a empresa apresentou contabilidade e extrato bancário coincidentes em valor e data, deve ser presumida a veracidade da documentação. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.387 6 O mesmo ocorre com os demais documentos apresentados pela Recorrente, como se verifica do excerto abaixo da decisão de primeira instancia: “8.7. No que tange aos valores de R$ 27.930,00; R$ 20.000,00; R$ 10.000,00 e R$ 28.290,00, todos de 31/09/01, que a impugnante afirma terem sua origem em prêmio de loteria recebido pelo Sr. Moacir Simonelli, no valor de R$ 150.000,00, apresentando para comprovar "a efetiva entrega" o extrato bancário da Lidice Factoring, Banco Nossa Caixa Nosso Banco, agência 03948, conta corrente 04.0045866 (Anexo III — fl. 784/787). 8.7.1. Releva notar, primeiramente, que o ingresso apontado pela contribuinte deuse na conta "Bancos Conta Movimento" (extrato bancário — fl. 785 e conta existente em seu Plano de Contas — fi.787) e não na Conta "Caixa", objeto da investigação fiscal. 8.7.2. Ademais tal documentação apenas comprovaria o "ingresso" de recursos na empresa não estando provada a "origem" (quem de fato consta como o emitente dos "DOC. ELETRON. — CREDITO" apontados as fls. 785). 8.7.2. Mais uma vez os argumentos e provas apresentados não foram suficientes para afastar a presunção da ocorrência de omissão de receita.” Novamente, externo meu entendimento de que a contabilidade do contribuinte merece fé, nos termos do art. 926 do RIR, pelo que a apresentação de um documento indicando o depósito em valor e data condizente com a escrituração contábil é indício suficiente à descaracterização da omissão de receitas. Por outro lado, é dever do contribuinte demonstrar a vinculação que as transferências de numerário tiveram como beneficiária a Recorrente, nos termos da Súmula 95 do CARF. Assim, e ante o grande número de documentos juntados pelo contribuinte por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, reputo que o presente feito não está em condições de ser julgado, devendo ser baixado em diligência. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.388 7 Por fim, entendo que a diligência também deve abranger o lançamento pela falta de comprovação da omissão de receitas relativa à conta contábil “Sócios Conta Especial”. Em seu recurso voluntário o contribuinte alega (Fls. 1139/1140): “Em dezembro de 1999, os sócios resolveram reduzir a participação no fluxo financeiro (capital mais empréstimos), providenciado a devolução parcial de valores depositados na sociedade. A composição da participação de cada sócio (envolvendo capital mais empréstimos menos as devoluções), passou a ser a seguinte: Portanto, o saldo da conta Sócios Conta Especial, em 31/12/99, era de R$ 293.000,00. Porém, o escritório contábil responsável pela escrituração da empresa, ao invés de contabilizar somente as devoluções realizadas na forma do quadro acima no valor de R$ 230.805,40, preferiu zerar o saldo da conta "Sócios Conta Especial" mediante registro a débito dessa conta no valor total do capital, ou seja, R$ 523.805,40 para, no mesmo tempo, creditar na mesma conta o saldo atualizado de R$ 293.000,00 correspondentes à participação dos sócios, sendo que a diferença representa a efetiva retirada dos sócios. Observe, a seguir, os registros contábeis que deveriam ter sido efetuados e os que de fato foram realizados.” Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.389 8 A decisão recorrida, por sua vez, manteve a autuação nos seguinte termos: 8.5. No que se refere aos valores de R$ 70.000,00; R$ 30.000,00 e R$ 193.000,00, todos de 01/12/1999, a autuada argumenta, em apertada síntese, que tais valores não representariam aporte, mas simples acerto contábil, posto que o contador, ao invés do contador fazer lançamentos mostrando a retirada de cada sócio, preferiu zerar o total da conta, com um lançamento a débito da conta "sócios conta especial" no valor de R$ 523.805,40, feito com data de 31/12/99 como pode ser visto no livro Diário, e creditar o saldo atualizado dessa conta, de R$ 293.000,00, individualizado por sócio. Alega que a empresa em momento algum possuiu um saldo de caixa de R$ 830.186,83 e a informação extraída da Declaração da Sra. Maura Sartori nada provaria porque pautada em informação fornecida pelo contador. 8.5.1. Conforme já assinalado no início deste voto, os registros contábeis devem espelhar de forma fidedigna o patrimônio da empresa e devem estar respaldados em documentação hábil e idônea. Argumenta a impugnante que os registros inicialmente apresentados teriam sido lançados de forma incorreta e, refaz a escrituração do Livro Diário do mês de dezembro/1999 sob o argumento de cometimento de erro do contador. 8.5.1. Mais uma vez comparece a impugnante a apresentar argumentos, mas não junta qualquer prova do que alega, tal qual a documentação comprobatória do valor efetivamente retirado pelos sócios em dezembro/I999. Com a devida vênia, considero que as explicações do contribuinte estão coerentes e apontam para a existência de mero erro na contabilização da devolução de capital aos sócios. Entretanto, aqui também deveria ser comprovado a efetiva entrega dos valores para os sócios nos montantes de R$ 70.000,00; R$ 30.000,00 e R$ 193.000,00, no mês de dezembro/1999. Dessa forma, voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que seja: Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 16327.000400/200412 Resolução nº 1801000.377 S1TE01 Fl. 1.390 9 (i) Solicitado ao contribuinte a apresentação do extrato bancário da empresa no período autuado, bem como a comprovação documental dos valores devolvidos aos sócios nos montantes de R$ 70.000,00; R$ 30.000,00 e R$ 193.000,00; (ii) Seja analisada pela Delegacia de origem a existência, nos autos, de comprovantes de depósitos em valores e datas coerentes com as contabilizações de aportes de capital dos sócios para suprimento de caixa; (iii) Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. (iv) Feita a intimação das pessoas físicas para que comprovem a origem dos recursos que foram utilizados. Após, os autos devem retornar a este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 10166.723688/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA.
O Relatório de Vínculos anexo ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tampouco comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF.
RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa de mora seja aplicada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA. O Relatório de Vínculos anexo ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tampouco comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constitui-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 88 /2 01 2- 11 Fl. 10129DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 O “Relatório de Vínculos” anexo ao lançamento tributário previdenciário lavrado unicamente em desfavor de pessoa jurídica não tem o condão de atribuir responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tampouco comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. RECUSA OU SONEGAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, constituise motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa de mora seja aplicada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 10130DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.126 3 Fl. 10131DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data de lavratura dos Autos de Infração: 02/05/2012 Data da ciência dos Autos de Infração: 10/05/2012 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.366.0260 e 37.366.0278, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo de segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, bem como contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, contratados, porém, por intermédio de interposta pessoa, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal a fls. 5663/5764. De acordo com a Resenha Fiscal, verificouse que os serviços eram prestados pela Pessoa Jurídica Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 04.832.433/000164, doravante denominada Egave, e que tal empresa foi utilizada para a intermediação dos pagamentos remuneratórios efetuados pelo Autuado a segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais que lhe prestavam serviços. Informa a Autoridade Lançadora que tais segurados obrigatórios do RGPS eram admitidos como sócios da Egave com a finalidade de trabalhar para a Orca e outras empresas do grupo que integra. Deste modo, os rendimentos destas pessoas eram pagos na forma de lucros distribuídos pela Egave, enquanto que o contribuinte em tela se beneficiava com a redução indevida dos encargos tributários e trabalhistas. Foram arroladas como responsáveis tributários solidários, em razão de grupo econômico de fato, as seguintes empresas: · Orlando Carlos Participações Societárias Ltda CNPJ 00.635.698/000111; · OCS Investimentos SA CNPJ 00.791.919/000140; · Jorlan Participações Societárias Ltda CNPJ 36.760.635/000134; · Target Veículos Ltda CNPJ 38.035.010/000135; · Parsec Corretora de Seguros Ltda CNPJ 02.758.654/000104; · Orsa Agenciadora de Serviços e Seguros Ltda; CNPJ 02.769.826/000145; · Jorlan Administradora de Consórcio Ltda CNPJ 37.137.767/000177; · JPAR Distribuidora de Veículos Ltda CNPJ 01.152.671/000130; Fl. 10132DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.127 5 · BR France Veículos Ltda CNPJ 11.953.116/000161; · JORLAN SA Veículos Automotores Importação e Comércio CNPJ 01.542.240/000180 e · Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C Ltda CNPJ 04.832.433/000164. Irresignados com o supracitado lançamento tributário, os Sujeitos Passivos principal e solidários ofereceram impugnação administrativa, contendo o mesmo teor, a fls. 5829/5879 relativa ao AI DEBCAD nº 37.366.0278 e a fls. 7930/7978, relativa ao AI DEBCAD nº 37.366.0260, ambas subscritas por procurador constituído pelo Autuado e demais devedores solidários, com exceção da Egave. A Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C Ltda, CNPJ 04.832.433/000164, arrolada como responsável solidário, não apresentou impugnação em face do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0948.485 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 10011/10035, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito tributário lançado em sua integralidade. Devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Avisos de Recebimento a fls. 10048/10071, e inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, os Sujeitos Passivos principal e solidários, à exceção da Egave, interpuseram Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 10072/10092, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que as recorrentes, em busca de maior competitividade no mercado, socorreramse de mecanismo econômico e administrativo absolutamente lícito e comum, consistente na contratação de pessoa jurídica especializada para fornecimento de força de trabalho em áreas específicas; · Que nenhuma irregularidade se verifica na constituição da pessoa jurídica da empresa interposta, cujos atos constitutivos observaram estritamente as imposições legais, tratandose, pois, de verdadeira empresa de direito; · Que a multa aplicada pela Administração acaba por violar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e, principalmente, do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal; · Que é possível a juntada de documentos após a apresentação de impugnação, em observância ao princípio administrativo da verdade material. Ao fim, requer o afastamento do Crédito Tributário mantido pelo Acórdão recorrido. Fl. 10133DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O devedor solidário Agave interpôs Recurso Voluntário a fls. 10093/10104, ratificando as razões dos demais recorrentes, e requerendo, ao fim, a desconstituição do Crédito Tributário e das multas decorrentes. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 10134DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.128 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 20/01/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem enfrentadas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega que, em busca de maior competitividade no mercado, socorreram se de mecanismo econômico e administrativo absolutamente lícito e comum, consistente na contratação de pessoa jurídica especializada para fornecimento de força de trabalho em áreas específicas. Aduz que nenhuma irregularidade se verifica na constituição da pessoa jurídica da empresa interposta, cujos atos constitutivos observaram estritamente as imposições legais, tratandose, pois, de verdadeira empresa de direito. Fl. 10135DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Pondera ainda que os sócios da Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C LTDA atuavam, de fato e de direito, como consultores das recorrentes. ... é o que temos ... Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização de vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho), mas, sim, da caracterização da condição de segurado empregado (instituto de Direito Previdenciário) e do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores à Autuada. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro Fl. 10136DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.129 9 efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em Fl. 10137DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana por pessoa física ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O episódio em pauta configurase numa derivação típica de relação jurídica conhecida no mercado pelo neologismo “pejotização”, em que profissionais especializados são levados a constituir pessoas jurídicas para prestar serviços a empresas, não numa relação formal de pessoa jurídica x pessoa jurídica, mas substancialmente mediante uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica, porém, na realidade dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado é o “pejotizado” (sem qualquer viés pejorativo, por favor), isto é, a pessoa física do sócio da pessoa jurídica artificialmente contratada, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica e em caráter intuitu personae. 2.1.1. DA SUBORDINAÇÃO No que pertine à subordinação, tal atributo tem que ser averiguado em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levando se em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. Fl. 10138DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.130 11 À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o treinador de futebol, Sr. Luiz Felipe Scolari, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo da Seleção Brasileira de futebol de 2014, mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art a Seleção Alemã da copa do Mundo do Brasil do mesmo ano, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, as provas colhidas pela Fiscalização demonstram que a empresa prestadora Egave era, de fato, administrada pelos mesmos sócios administradores das empresas do grupo econômico OCP, Orlando Carlos da Silva Jr., doravante Orlando Carlos, Antonio Carlos Machado e Silva, doravante Antonio Carlos, e Luis Fernando Machado e Silva, doravante Luis Fernando. Os três administradores são irmãos, e filhos de Orlando Carlos da Silva, já falecido, e fundador do grupo Orlando Carlos Participações – OCP, o qual é integrado pelas empresas Orlando Carlos Participações Societárias Ltda, OCS Investimentos AS, Jorlan Participações Societárias Ltda, Target Veículos Ltda, Parsec Corretora de Seguros Ltda, Orsa Agenciadora de Serviços e Seguros Ltda; Jorlan Administradora de Consórcio Ltda, JPAR Distribuidora de Veículos Ltda, BR France Veículos Ltda, JORLAN SA Veículos Automotores Importação e Comércio e Tork Chevrolet, conforme se pode constatar na página do grupo OCP na internet, no endereço eletrônico www.grupoocp.com.br. A Jorlan S/A controla a Orca via a Jorlan Participações Societárias Lida, da qual detém 99,99% do Capital Social, que por sua vez controla a OCT Veículos ltda, com 98,06% do capital social. A administração das três empresas é exercida pelos mesmos três irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando. A Egave foi constituída na forma de sociedade por quotas de responsabilidade em 01/11/2001, sendo o capital social dividido em hum mil cotas de R$ 1,00 cada, distribuídas da seguinte forma: · Leonardo Carlos da Silva Prudente ....... 602; · Orlando Carlos da Silva ........................ 100 · Orlando Carlos da Silva Junior ............. 80 · Antonio Carlos Machado e Silva .......... 80 · Luis Fernando Machado e Silva ........... 80 · Regina Maria Machado e Silva ............. 10 · Dóris Helena Machado e Silva .............. 10 Fl. 10139DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 · Antonio Augusto e Silva Sa Peixoto ..... 10 · Outros ................................................. 28 As 28 quotas restantes pertenciam a outros 28 outros sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. Em janeiro de 2008, primeiro mês do período de apuração da presente Fiscalização, o capital social era composto, conforme 13ª alteração contratual, por 1920 quotas de valor unitário igual a R$ 1,00 divididas da seguinte Forma: · Leonardo Carlos da Silva Prudente ....... 1641; · Orlando Carlos da Silva Junior ............. 80 · Antonio Carlos Machado e Silva .......... 80 · Luis Fernando Machado e Silva ........... 80 · Outros ................................................. 39 As 39 quotas restantes pertenciam a outros 39 outros sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. Na última alteração contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Goiás, antes do inicio do procedimento fiscal na Jorlan S/A (19ª alteração), o capital social era composto por 1918 quotas de valor unitário de R$ 1,00 divididas entre os quotistas da seguinte maneira: · Leonardo Carlos da Silva Prudente ....... 1616; · Orlando Carlos da Silva Junior ............. 80 · Antonio Carlos Machado e Silva .......... 80 · Luis Fernando Machado e Silva ........... 80 · Outros ................................................. 62 As 62 quotas restantes pertenciam a outros 62 outros sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00. A tabela abaixo mostra o percentual do capital social que cabia a Leonardo Carlos, aos três irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando e aos demais “sócios”, desde janeiro/2008 até março/2011. ALTERAÇÕES CONTRATUAIS 13ª 14ª 15ª 16ª 17ª 18ª 19ª Antonio Carlos 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% Luis Fernando 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% Orlando Carlos 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% 4,20% Leonardo Carlos Prudente 85,5% 85,1% 84,4% 84,4% 84,0% 84,1% 84,3% outros 1,90% 2,30% 3,00% 3,00% 3,40% 3,30% 3,10% Fl. 10140DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.131 13 A tabela a seguir mostra a quantidade de sócios da Egave a cada alteração contratual e a representatividade percentual do número de sócios que detinham uma quota de R$ 1,00 com relação ao número total de sócios. ALTERAÇÕES CONTRATUAIS 13ª 14ª 15ª 16ª 17ª 18ª 19ª TOTAL DE SÓCIOS 43 51 63 63 71 69 66 Sócios com 1 única cota 39 47 59 59 67 65 62 representatividade 90,7% 92,2% 93,7% 93,7% 94,4% 94,2% 93,9% Do exame das diversas alterações contratuais ocorridas num espaço tão curto de tempo, constatou a Fiscalização que: · Os sóciosadministradores da Orca Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando mantiveram suas quotas desde a criação da Egave; · Orlando Carlos da Silva, pai dos três diretores, teve suas quotas canceladas após seu falecimento, provocando redução do capital social da empresa (13ª alteração contratual); · Leonardo Carlos da Silva Prudente consta como sócioadministrador da empresa e sempre teve a maior participação, porém, apesar disso, nunca recebeu rendimentos a título de distribuição de lucros. · Do exame da DIPJ da Egave, apurou a Fiscalização que, enquanto os três administradores da Orca recebem a maior parcela – cerca de 23% dos lucros distribuídos pela Egave no período fiscalizado , Leonardo Carlos Prudente, possuidor de aproximadamente vinte vezes o número de quotas de cada um dos três irmãos, nada recebeu; · São frequentes as transferências de uma quota de R$ 1,00 de titularidade de Leonardo Carlos Prudente para outros sócios que ingressam na sociedade. Do mesmo modo, esta quota unitária retorna, isto é, é devolvida para o suposto sócio administrador quando estes outros sócios saem da sociedade. Estas transferências são registradas em alterações contratuais. Tal fato demonstra que as quotas de Leonardo Carlos Prudente funcionam como um verdadeiro “bolsão”, um buffer de quotas da empresa para facilitar o ingresso ou saída de outros sócios sem necessidade de alteração do capital social total da Egave. Ou seja, a “contratação” de um novo sócio é realizada mediante transferência de uma quota da Egave no valor de R$ l,00 de titularidade de Leonardo Carlos Prudente para o novo sócio/empregado. Já a “rescisão” é realizada no sentido inverso; · A Fiscalização apurou que a Orca e as demais empresas do grupo OCP contratam empregados por intermédio da Egave. A Orca, interessada em contratar um novo profissional para cargos de gerência, o convida a tornarse sócio da Egave através do recebimento de uma quota no valor irrisório de R$ 1,00. Este profissional passa a Fl. 10141DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 ocupar determinado cargo de chefia na Orca e receber pela Egave sob a forma de distribuição de lucros. · Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando administram as empresas do grupo OCP que contrataram os serviços da Egave, conforme atos constitutivos disponibilizados pelas Juntas Comerciais de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. · A Egave prestou serviços exclusivamente para as empresas do grupo OCP, de 2008 a 2010, circunstância que demonstra a total dependência financeira da Egave em relação ao grupo OCP. · A Egave esclareceu que distribui lucros a seus sócios de acordo com os serviços prestados por cada um e que a distribuição não é proporcional a participação de cada sócio na empresa. Complementando, asseverou que a distribuição se baseia em critérios pautados no contrato social. Já a cláusula 17 do contrato social da Egave define que “os lucros serão distribuídos aos quotistas conforme proporção a ser deliberada por maioria absoluta pelos mesmos, que não será necessariamente correspondente à participação de cada um no capital”. Avulta da tabela abaixo que as pessoas que receberam a maior parcela dos lucros distribuídos pela Egave de 2008 a 2010 foram os irmãos Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, cada qual tendo recebido mais de R$ 2.500.000,00. LUCROS DISTRIBUÍDOS PELA EGAVE 2008 2009 2010 VALOR (%) VALOR (%) VALOR (%) Antonio Carlos 1.022.650,00 10,40% 652.257,00 6,80% 871.128,27 6,70% Luis Fernando 1.022.650,00 10,40% 652.257,00 6,80% 871.128,27 6,70% Orlando Carlos 1.022.650,00 10,40% 652.257,00 6,80% 871.128,27 6,70% Leonardo Carlos Prudente 0,00 0,00% 0,00 0,00% 0,00 0,00% outros 6.765.547,28 68,80% 7.612.759,18 79,60% 10.331.999,46 79,90% total 9.833.497,28 100% 9.569.530,18 100% 12.945.384,27 100% Ora, que interessante: Como Leonardo Carlos Prudente sempre foi titular da maioria absoluta das quotas da Egave, nos termos da cláusula 17 do contrato social da Egave, caberia a ele decidir sobre a parcela dos lucros que cabe a cada sócio. Nada obstante, ele não auferiu qualquer rendimento a título de participação de lucros, muito menos a título de pro labore ou de qualquer outra espécie de remuneração. Ora ... quem parte e reparte e ficar sem parte alguma, ou não tem arte ou .... A maior parcela de lucros distribuídos pela Egave coube aos três irmãos e não houve qualquer negociação prévia. Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, no exercício das funções de administradores das empresas do grupo OCP, pagaram aproximadamente R$ 38.000.000,00 a Egave, sendo que aproximadamente R$ 7.600.000,00 retornaram para eles. O esquema arquitetado teve, entre outros objetivos, transferir recursos de pessoas jurídicas que os três administram para suas contas bancarias de pessoa física sem a devida incidência de contribuições previdenciárias e Imposto sobre a Fl. 10142DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.132 15 Renda de Pessoa Física IRPF, já que os rendimentos foram creditados na forma de lucros distribuídos pela Egave. Aditese que, justamente após o início do procedimento fiscal na Jorlan S/A, ocorreu a 20ª alteração do contrato social, a primeira alteração contratual registrada após o início do procedimento fiscal na Jorlan S/A, formalizando a saída Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando da Egave. Para que se possa ter uma referência da diferença com relação aos demais, o sócio que recebeu a maior quantia depois dos três citados teve direito a aproximadamente R$ 1.100.000,00 (com apenas 1 cota de R$ 1,00), de 2008 a 20l0, ou seja, 44% do valor percebido pelos primeiros. Por outro lado, a média geral do total recebido, por sócio da Egave, no transcorrer dos três anos foi de R$ 371.000,00, com apenas 1 única cota de R$ 1,00, menos de 15% do valor recebido por cada um dos três irmãos. Apesar disso, Orlando Carlos e Antonio Carlos declararam que não havia negociação dos valores que recebiam. A Fiscalização intimou Leonardo Carlos Prudente (sócio majoritário da Egave) e Luis Fernando Machado e Silva (um dos sóciosadministradores da Orca) a comparecer a Delegacia da RFB em Brasília. Luis Fernando não se apresentou. Colheu a Fiscalização do depoimento de Leonardo Carlos Prudente: · É sócioadministrador da Egave desde sua fundação em setembro de 2001; · É primo dos três administradores da Orca; · Não tinha experiência com administração de empresas de consultoria antes de ingressar na Egave; · Antes de se tornar sócio da Egave, trabalhava como sócioadministrador de uma empresa de construção civil e ainda hoje continua se dedicando a esta empresa; · Não se lembra de todas as empresas para as quais a Egave presta serviços de consultoria. Disse que a Egave presta serviços para empresas do grupo Jorlan e que, especificamente, lembra da Jorlan S/A, JPAR Distribuidora de Veículos e Orca Veículos; · Que não sabe quais os dois maiores contratos da Egave atualmente; não sabe quem eram os exsócios da Egave que moveram ações trabalhistas contra a empresa; não sabe quem são os sócios que hoje trabalham na Jorlan do SIA e na Orca Taguatinga; não sabe as atividades que cada um desenvolve; Citou o nome de alguns sócios que conhece embora não saiba para qual empresa prestem serviços Salvino Pires, Rui, Marcio, Leonardo, Vanda e Maria; · Que nunca recebeu qualquer quantia da Egave desde sua criação apesar de administrar a empresa. Na resposta que enviou pelos Correios, justificou que deixava os lucros na empresa para que fosse feito seu plano de expansão. Já no depoimento, disse que não recebe rendimentos da Egave porque, quando convidado por Maria Rolim para fundar a empresa, achava que poderia captar clientes do ramo de engenharia para prestar consultorias pela Egave. Questionado porque continua Fl. 10143DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 nesta situação por dez anos (administrando e não recebendo), disse que não dedica muito tempo a Egave e que pode haver alguma mudança que traga novas oportunidades de negócios para a empresa de engenharia. Quanto aos lucros auferidos pela Egave, informou que quase a totalidade é distribuída aos sócios e que os lucros retidos têm como finalidade eventuais emergências, contradizendo sua primeira resposta em que alegou que deixava seus lucros na empresa para permitir um suposto plano de expansão; · Declarou que sua fonte de renda decorre de sua empresa de engenharia (pro labore e lucros); · Com relação às suas atribuições na Egave, afirmou que se restringem a parte burocrática, assinando contratos pelos quais não é responsável pela negociação e elaboração. · Quanto à fixação da parcela dos lucros destinada a cada sócio, disse que apenas é cientificado verbalmente por Maria Rolim dos valores que serão pagos, desconhecendo qualquer documento ou estudo voltado a definição da partilha dos lucros entre os sócios. Soube informar apenas que os rendimentos de cada sócio são compostos por uma parcela fixa acrescida de um percentual incidente sobre os lucros decorrentes do trabalho desenvolvido. · Que não realiza atividades de acompanhamento dos serviços de consultoria prestados pelos sócios e que não os orienta sobre cumprimento de metas. Novamente uma contradição à resposta enviada pelos Correios em que declarou: “distribuo as atividades aos demais sócios para execução dos trabalhos“. · Declarou que Maria Rolim é a responsável por negociar e definir as condições contratuais (inclusive valor do contrato), fixar os rendimentos que serão distribuídos a cada sócio, definir e distribuir as atividades para os sócios, comunicar aos sócios a respeito das metas que devem ser alcançadas e acompanhar os resultados dos trabalhos desenvolvidos; · Informou que acredita que o sócio que recebeu a maior parcela dos lucros da Egave nos últimos anos foi Maria Rolim, mas não sabe quanto ela recebe por ano. · Quando questionado sobre a complexidade da administração de uma empresa com atuação em diferentes estados, respondeu que somente Maria Rolim pode esclarecer; · Declarou que não participou de reuniões em que houvesse ocorrido discussão sobre metas a serem cumpridas pelos sócios, assim como acompanhamento de resultados dos serviços prestados pela Egave; · Declarou que as atividades desenvolvidas por Orlando Carlos da Silva Junior, Antonio Carlos Machado e Silva e Luis Fernando Machado e Silva, enquanto sócios da Egave, resumemse, de acordo com seu conhecimento, a captação de novos clientes, não desenvolvendo atividades de consultoria. Entretanto, esclareceu que eles nunca captaram cliente algum para a Egave. Como visto, o administrador e sócio majoritário da Egave ignora dados básicos da Empresa por ele administrada: não sabe quem são seus clientes (são apenas oito empresas), quais são os Fl. 10144DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.133 17 maiores contratos, quem são os sócios que recebem a maior fatia dos lucros“, quais os parâmetros para divisão dos lucros, quem são os demais sócios (lembrou o nome de apenas seis), quais as atividades desenvolvidas pelos sócios e o respectivo local; que sócios moveram ações trabalhistas contra a Egave, etc. De outro eito, afirmou diversas vezes que realiza apenas atividades burocráticas, como assinar documentos. Asseverou que Maria Rolim, sócia da empresa, é responsável pela negociação e elaboração de contratos, orientação dos supostos consultores, acompanhamento dos serviços prestados e definição dos critérios de distribuição dos lucros aos sócios (definição dos rendimentos de cada sócio). Citese que Maria Abadia Leão Rolim é a pessoa de confiança dos três administradores da Orca para desempenhar a controladoria do grupo OCP, atuando como verdadeiro “braço direito” dos três irmãos na administração da Egave. Em resumo, temse a improvável situação em que os três receberam a maior parcela dos lucros da empresa, sem conhecimento de seu administrador constituído formalmente, por serviços de consultoria em gestão prestados em empresas que já administram ou por captação de clientes que efetivamente nunca ocorreu em dez anos. Registrese, ainda, que, apesar de cada um dos três sócios ter recebido aproximadamente R$ 2.500.000.00 no período fiscalizado, eles se retiraram do quadro societário da Egave simultaneamente na primeira alteração contratual formalizada após o início do procedimento fiscal na Jorlan S/A em que os negócios com a Egave foram investigados. O depoimento evidencia que Leonardo Prudente, embora designado administrador da empresa nos atos constitutivos, não desempenha esta função, ou seja, tratase de pessoa interposta, também conhecido como “laranja”. Outro fato que merece atenção é a assinatura da 3ª e da 4ª alteração contratual da Egave, eis que, apesar de haver 38 sócios em seu quadro societário, as únicas pessoas que assinaram estes documentos, além de Leonardo Carlos da Silva Prudente (sócioadministrador, formalmente), foram os irmãos Antonio Carlos e Orlando Carlos Junior e seu pai Orlando Carlos da Silva (hoje falecido), fato que demonstra que os demais “sócios”, os detentores de uma única cota de R$ 1,00, não integram a “affectio societatis” do grupo. São meros empregados do grupo econômico. A Fiscalização coletou depoimentos de outros sócios da Egave, nos quais se afirmam que a gerência da Egave se confundia com a gerência das empresas do grupo OCP e era exercida pelos três irmãos em realce. Diante do exposto, não restam duvidas que a administração de fato da Egave coube aos irmãos Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, visto que a Egave era utilizada para simular a contratação de serviços de consultoria por empresas do grupo OCP (administradas pelos três), enquanto, efetivamente, ocorria retiradas pro labore dos administradores e contratação de empregados para ocupar cargos de gestão naquelas empresas. O negócio jurídico simulado visava a reduzir indevidamente os encargos tributários e trabalhistas. Fl. 10145DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Embora Leonardo Carlos da Silva Prudente constasse como sócioadministrador no contrato social, seu depoimento evidencia que ele não administrava, de fato, a Egave. Ele declarou que realiza apenas atividades burocráticas, como assinar documentos, além de demonstrar profunda falta de conhecimento do negócio. Depoimentos prestados por outros sócios da Egave, obtidos durante o procedimento fiscal, também confirmam este entendimento, eis que afirmam que participaram de reuniões comandadas por Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando e que nunca tiveram contato com Leonardo Carlos da Silva Prudente. Além disso, Leonardo Carlos da Silva Prudente não recebeu quantia alguma pela administração da empresa. O conjunto probatório produzido em processo de reclamatória trabalhista demonstra que a negociação da contratação e dos rendimentos de um novo sócio da Egave foi realizada diretamente pelos administradores da Orca, sem intermediação da Egave ou de Leonardo Prudente. Em depoimentos tomados na Delegacia da RFB, nenhum dos “sócios” ou “exsócios” da Egave, após questionado, soube informar quais as atribuições de Orlando Carlos Junior, Antonio Carlos e Luis Fernando, enquanto sócios da Egave, a justificar o recebimento da Parte do Leão dos lucros distribuídos. Com efeito, não há racionalidade no fato de uma empresa pagar mais de R$ 7.600.000,00 em três anos a três sócios por serviços de consultoria em gestão prestados a empresas que os próprios já geriam (empresas do grupo OCP), a menos que os administradores da Egave que decidiram distribuir tamanha fatia dos lucros fossem, também, os beneficiários. Avulta do caso que os sócios detentores de uma quota de R$ 1,00 não possuem qualquer poder de deliberação na empresa, muito menos affectio societatis com os três irmãos em apreço, estes, os verdadeiros donos da Egave. O vínculo societário formalmente estabelecido em contrato entre os “sócios” titulares de uma quota de R$ 1,00 e a Egave é apenas uma formalidade jurídica utilizada para mascarar os verdadeiros negócios praticados entre os trabalhadores alocados na Egave e empresas do grupo OCP, entre elas, a Orca Veículos. Diligência realizada na sede da Egave, em Aparecida de Goiânia – GO, revelou tratar se de uma pequena sala, com duas mesas e onde trabalha uma secretaria, que informou que apenas realizava tarefas de digitação e que toda e qualquer demanda externa era direcionada para Maria Rolim. Em outras salas do edifício em que está localizada a sede da Egave, também há outras empresas do grupo OCP, a saber: Jorlan Administradora de Consorcio Ltda., Jorlan S/A (filial), e a Parsec Corretora de Seguros Ltda. (filial). A Egave foi então intimada, mediante termo próprio, a apresentar os Relatórios produzidos pelos funcionários que prestaram os serviços de Consultoria na Jorlan S/A, com discriminação detalhada dos serviços prestados. A Egave, todavia, não apresentou qualquer relatório, apresentando, somente, uma breve e genérica descrição de atividades associadas a serviços de Gestão de Recursos humanos, Gestão Estratégica e de Operação, Gestão Financeira e Gestão Administrativa e de Controladoria. Em razão da falta de clareza e objetividade das respostas da Empresa, esta foi mais uma vez intimada a apresentar esclarecimentos e documentos pertinentes aos serviços prestados às empresas do grupo OCP, concedendo nova oportunidade para que a empresa explicasse a natureza dos serviços prestados. Fl. 10146DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.134 19 1) Relação dos gerentes (nome, CPF e data de admissão, salario/comissões) do contrato de prestação de serviços firmado com as tomadoras, com indicação do período em que atuaram. Em resposta, informou que os trabalhos são prestados pelos sócios e que o atendimento se dá de acordo com a disponibilidade dos sócios e da especificidade dos trabalhos a serem desenvolvidos. Também respondeu que os lucros auferidos com as atividades são divididos entre os sócios. 2) Relação de funcionários que prestaram os serviços às tomadoras, com indicação do período, local e número de horas em que cada funcionário prestou os serviços. A empresa respondeu que estes executam apenas serviços administrativos. A resposta vaga e imprecisa indica que a Egave não tem controle sobre o trabalho efetuado pelos “sócios” nas atividades de “consultoria” prestadas aos seus clientes, tampouco qual o rendimento financeiro de cada prestação. 3) Relatórios produzidos pelos funcionários que prestaram os serviços às tomadoras, com discriminação detalhada dos serviços prestados. A empresa não apresentou qualquer relatório ou documento assemelhado. Na resposta a este item, apresentou uma breve e genérica descrição do que são atividades associadas a serviços de Gestão de Recursos humanos, Gestão Estratégica e de Operação, Gestão Financeira e Gestão Administrativa e de Controladoria. Mais uma vez a empresa não respondeu aos questionamentos realizados, revelando que nos alegados serviços de consultoria não é produzido qualquer material escrito, qualquer documento de gestão, nada ! 4) Orçamentos e documentos comprobatórios que possam ter dado origem a reembolsos de despesas pagas pela contratante, assim como autorização dessas despesas pela contratante. A empresa respondeu que cada sócio encaminha sua prestação de contas de reembolso de despesas diretamente ao cliente e que não tem esse controle. Concluise que a Egave não tem qualquer controle ou gerenciamento sobre as viagens realizadas pelos seus “sócios” a serviço dos clientes, a necessidade de tais viagens, o trabalho por eles realizado, relatório de viagens, despesas realizadas, etc. Tudo é prestado diretamente aos tomadores, circunstância que evidencia, uma vez mais, a subordinação dos “sócios” às empresas do Grupo OCP. 5) Informar, detalhada e individualmente, as atribuições de cada sócio na contratante Jorlan S/A. Fl. 10147DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 A empresa respondeu que “os sócios da Egave são profissionais das áreas de Administração, Economia, Contabilidade, Engenharia, dentre outros e prestam serviços de consultoria, assessoria e Gestão nas áreas administrativa, financeira, corporativa e de gestão empresarial. A Egave tem outros clientes, inclusive no ramo de Agronegócio.” Mais uma vez a empresa se furta a prestar os esclarecimentos solicitados, demonstrando desconhecer as atribuições dos seus “sócios” nas empresas contratantes. Tal desconhecimento revela que todo o trabalho desenvolvido pelos trabalhadores em realce nas empresas do Grupo OCP é determinado e dirigido no próprio local de trabalho, pelos próprios contratantes, demonstrando, assim, que tais obreiros não exercem qualquer atividade de consultoria empresarial, mas, tão somente, fornecem a mão de obra necessária ao desenvolvimento regular da atividade empresarial da contratante. 6) Informar os valores recebidos por cada “sócio”, devendo discriminar o valor recebido, a data e a forma de pagamento. A Egave informou que os sócios recebiam lucros que dependiam do resultado da empresa. Também encaminhou informes de rendimentos de seis sócios, sem informar se aqueles rendimentos referemse a serviços prestados exclusivamente a Jorlan S/A. 7) Apresentar os comprovantes de pagamento aos sócios. A empresa nada apresentou. Respondeu que os pagamentos foram feitos diretamente nas contas dos sócios. Exsuda das respostas acima, uma vez mais, que a empresa não tem o controle sobre os rendimentos dos “sócios”, de quanto é devido a cada “sócio”, tampouco de qual é a composição dos rendimentos de tais trabalhadores, de onde se conclui que tal controle é realizado por outra entidade, certamente, as empresas do Grupo OCP. 8) A empresa foi intimada a prestar esclarecimentos quanto à politica de distribuição de lucros, devendo esclarecer quais os parâmetros utilizados para definição dos rendimentos de cada sócio. Caso a regra aplicada varie de acordo com sócio, contratante ou outras variáveis, devera apresentar os esclarecimentos de forma individualizada. A Egave respondeu que os lucros são distribuídos de acordo com o cumprimentos das metas de cada sócio, não sendo proporcional a sua participação na empresa. Outra resposta evasiva, pois não esclarece quais eram as metas de cada sócio e a vinculação com os valores recebidos, o que só corrobora a ilação de que o controle dos rendimentos de cada “sócio” era realizado não pela Egave, mas, sim, pelas empresas do Grupo OCP. 9) Além dos esclarecimentos do item anterior, a Egave foi intimada a apresentar documentação que comprove a definição dos rendimentos que cabem a cada sócio em cada contrato assinado, podendo ser apresentados contratos, atas de reunião, emails ou outros documentos. Foi intimada ainda a demonstrar, através de documentos, a forma utilizada pela Egave para cientificar os Fl. 10148DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.135 21 sócios dos rendimentos a que teriam direito. No caso de rendimentos vinculados a execução de metas, também devera apresentar documentação comprobatória em que o sócio é cientificado do estabelecimento dessas metas e dos critérios utilizados para cálculo dos rendimentos variáveis (relação determinada entre rendimentos e execução de metas). A Egave, no entanto, se restringiu a comentar que os sócios tinham autonomia de trabalho, não tinham horário de trabalho definido e que os sócios poderiam comparecer no horário desejado desde que as metas definidas pelo cliente fossem atingidas. A resposta apresentada apenas confirma que a remuneração dos “sócios” não é administrada pela Egave. A resposta da empresa, além de não guardar relação com a pergunta, demonstra a preocupação da Egave em tentar afastar indícios de vinculo empregatício envolvendo os sócios da Egave. 10) a Egave foi intimada a informar quem é a pessoa responsável por indicar/selecionar o sócio responsável pela execução de determinado serviço. Explicar também quais os critérios de seleção. A empresa respondeu que não havia um responsável único e que os trabalhos eram distribuídos conforme disponibilidade e área de maior afinidade dos sócios. Acrescentou que os “sócios da Egave não são submetidos às ordens dos Vices Presidentes (diretores) da Jorlan S/A, estes apenas passam diretrizes gerais dos trabalhos aos representantes da sociedade, que repassam aos seus sócios”. A empresa responde que “não havia um responsável único”, mas não informa nenhum deles sequer. Tal omissão confirma as constatações percebidas pela Fiscalização de que as empresas do Grupo OCP, interessadas em contratar um novo empregado, o seleciona no mercado e lhe impõe a se tornar sócio da Egave através do recebimento de uma quota no valor irrisório de R$ 1,00. Tal mecanismo de contratação de empregados supre totalmente a necessidade de se ter alguém na Egave responsável pela distribuição de serviços aos “sócios” já contratados. Para cada novo serviço, um novo “sócio” é contratado adrede. Quando desaparece o interesse do Grupo OCP, o “sócio” é excluído do quadro societário da Egave, retornado a sua cota única de R$ 1,00 para o buffer de titularidade do sócio majoritário Leonardo Prudente. Tal mecanismo explica a existência de 8 (oito) alterações do contrato social da Egave num período de 3 (três) anos. Notese, todavia, que embora não conste da intimação, a Egave novamente demonstra em sua resposta a preocupação em afastar indícios de relação de emprego ao argumentar que os sócios não estão submetidos diretamente as ordens dos diretores da Jorlan S/A. Não é razoável que um contrato que represente significativas transferências de recursos para outra empresa seja fundado apenas em diretrizes gerais transmitidas pelos diretores da Contratante à contratada, uma vez que o contrato de prestação de serviços é genérico e também não define objetivamente o objeto contratado e as metas definidas pelo cliente. Também é difícil conceber que uma empresa de consultoria, constituída por profissionais com formações e especialidades tão diversas, e com atuação em três unidades da Federação (MG, GO e DF), não possua um gerenciamento centralizado para alocação dos seus especialistas nas empresas contratantes. Fl. 10149DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Tal alegação nos conduz a dois cenários possíveis. No primeiro, restaria ao próprio contratante escolher os profissionais da Egave que prestariam os serviços. Como os serviços foram prestados exclusivamente para empresas do grupo OCP, caberia aos irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando, na qualidade de administradores destas empresas, a aprovação da seleção dos supostos prestadores de serviço. No segundo cenário, a seleção dos profissionais caberia a uma direção centralizada da Egave. No entanto, considerando que os dirigentes da Egave são os próprios administradores das empresas do grupo OCP, como demonstrado anteriormente, concluise que as duas hipóteses convergem e as supostas diretrizes gerais eram repassadas diretamente dos vicepresidentes para os sócios da Egave. Também é logico concluir que os supostos prestadores de serviços de consultoria estavam subordinados a direção dos três administradores das empresas do grupo OCP, em face dos cargos de chefia que aqueles ocupavam naquelas empresas, da falta de especificidade do objeto do contrato pactuado com a Egave, dos depoimentos obtidos durante a ação fiscal, da situação constatada em visitas a estabelecimentos da Orca e da Jorlan S/A, das provas juntadas a processos de reclamatória trabalhista ajuizadas por exsócios da Egave e da diligência perante a General Motors do Brasil. 11) Esclarecer como a Jorlan S/A demandava os serviços de consultoria da Egave, informando inclusive os meios utilizados (reuniões, contratos, correspondências, emails, etc.) e os parâmetros relacionados nas demandas, como qualidade de atendimento, satisfação de clientes, metas de vendas dentre outras. A Egave informou que algumas vezes a Jorlan S/A solicitava os serviços e em outras a Egave lhe ofertava os serviços. Acrescentou que eram realizadas reuniões para as tratativas tanto dos trabalhos a serem executados quanto dos resultados apos a execução. 12) Documentação comprobatória das demandas de serviços objeto de esclarecimento no item anterior. A empresa esclareceu que as tratativas eram feitas em reuniões e que não existiam documentos. 13) Esclarecer como os sócios da Egave recebiam as demandas dos serviços de consultoria. A empresa afirmou que eram comunicados em reuniões e por telefone. 14) Documentação que comprove o envio destas demandas para os sócios responsáveis pela execução da consultoria. A empresa não apresentou qualquer documentação, alegando que não havia um responsável único e que os trabalhos eram distribuídos conforme disponibilidade e área de maior afinidade dos sócios. 15) Esclarecer como os resultados dos serviços de consultoria prestados pelos sócios eram acompanhados pela Egave e pela contratante. Apresentar documentação comprobatória. Fl. 10150DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.136 23 A empresa afirmou que eram feitas reuniões com esta finalidade, mas não apresenta qualquer documentação, ata de reunião, nada ! 16) Relação dos valores reembolsados aos prestadores do serviço (passagens, hospedagem, deslocamento, alimentação, etc.), devendo conter o nome do sócio que efetuou as despesas, a data do pagamento e a relação das despesas que justificaram o reembolso. A Egave afirmou que não tinha controle dos reembolsos. 17) Orçamentos e documentos comprobatórios que possam ter dado origem a reembolsos de despesas pagas pela contratante, assim como autorização dessas despesas pela contratante. A Egave respondeu que não tem essa documentação porque a contratante reembolsava diretamente as pessoas que suportavam as despesas. 18) Relatórios produzidos pelos sócios que prestaram os serviços, com discriminação detalhada dos serviços prestados e dos resultados obtidos. A Egave afirma que estas apresentações são feitas via reuniões presenciais. Realmente, não é factível que uma relação contratual de prestação de serviços de consultoria, representativa de transferência de 38 milhões de reais em três anos, com atuação em diferentes Estados da Federação e constituída por dezenas de sócios com diferentes especialidades não produza um único documento representativo da consultoria realizada, não possua responsáveis pela definição e acompanhamento dos serviços prestados, não tenha controle e administração sobre a remuneração dos “sócios”, que as solicitações de serviços, comunicados entre Egave e seus sócios, definição de metas, acompanhamento e discussão de resultados serem sempre realizados em reuniões e por telefone, sem a existência de documentos que comprovem tais relações, sem atas das reuniões realizadas, sem estrutura empresarial, nem acervo de conhecimento para oferecer a seus clientes. Nada !!! Em Diligência fiscal efetuada na concessionaria de veículos Orca Taguatinga, a Fiscalização foi atendida pelo gerente administrativo Leonardo Marques de Paula, a quem seria entregue uma Intimação Fiscal. Este informou que não era empregado da empresa, mas “sócio” da Egave, de maneira que a intimação foi recebida pela secretária Sra. Maria Lucia Felix. A Fiscalização constatou que, à exceção de Flavio Souza, todos os gerentes da concessionária (Oliveira Gualberto Junior, Luciano Silva Cunha, Hudson Jose Verissimo, Sanny Lady Borges Carneiro e Leonardo Marques de Paula) são sócios da Egave. Fl. 10151DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 A Fiscalização apurou que os citados “sócios” da Egave laboram como administradores nas empresas do Grupo OCP, diretores operacionais, gerentes, etc. assinando documentos de gestão empresarial, aprovando contratação de trabalhadores, etc. (fl. 5695) Em Diligência Fiscal a um dos estabelecimentos da empresa em TaguatingaDF a Fiscalização apurou que a concessionaria de veículos se estrutura em seis departamentos (Veículos Novos, Veículos Seminovos, Serviços/Oficina, Facilidades/Cadastro, Administrativofinanceiro e Peças) e que os gerentes de cada um desses setores, respectivamente, Joao Oliveira Gualberto Junior, Luciano Silva Cunha, Hudson Jose Verissimo, Sanny Lady Borges Carneiro, Leonardo Marques de Paula e Flavio de Souza, à exceção deste último, todos são sócios da Egave. A Fiscalização colheu o depoimento de um dos gerentes que administrava um dos departamentos da Orca Taguatinga, que confirmou que o seu superior hierárquico era o Sr. Nilson Cusatis, “sócio” da Egave e diretor operacional na Orca e na Jorlan S/A. Tal circunstância houvese por confirmada pelo Sr. Cusatis, em depoimento na Delegacia da RFB. A Fiscalização apurou, ainda, que a Administração Geral é exercida pelos irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando. Em Diligência Fiscal na Tork Veículos, a Fiscalização foi recebida por Marcio Macedo do Oliveira, “sócio” da Egave, que entregou seu cartão de visitas em que é qualificado como diretor operador da Tork Veículos, nele constando telefone, email e endereço da Tork Veículos, embora Marcio Macedo seja Formalmente “sócio” de uma suposta empresa de consultoria. A Fiscalização colheu a termo depoimento prestado por Cassius Wendel de Carvalho, empregado da Tork, que informou ser supervisor de vendas de veículos novos e estar subordinado ao gerente administrativo Marcelo Ferreira e ao diretor Marcio Macedo; ou seja, o próprio empregado da fiscalizada declarou que esta subordinado a um consultor da Egave. Também se houveram por reduzidas a termo as informações prestadas por Sergio Pires Coutinho, que se autodeclarou como “sócio” da Egave e como gestor do departamento de serviços (oficina) da Tork. Além disso, informou que estava subordinado aos vicepresidentes do grupo OCP e sóciosadministradores da Orca Veículos Antonio Carlos, Orlando Carlos e Luis Fernando, apenas confirmando que “sócios” da Egave exercem função de gerência nas empresas do grupo OCP, estando subordinados aos vicepresidentes do grupo OCP. A Fiscalização constatou que diversos gerentes desempenhavam suas funções, a princípio, como empregados formais de empresas do grupo OCP e que, posteriormente, foram demitidos sem justa causa, mas continuavam a executar o mesmo serviço sem a1teração de suas atribuições e local de trabalho, mas, agora, na condição de “sócios” da Egave. Os “sócios” da Egave, assim, eram admitidos para desempenhar funções diretamente relacionadas à atividadefim da fiscalizada. Na estrutura produtiva da empresa, os ocupantes destes cargos são efetivamente empregados subordinados ao gerente/diretor operacional. Já o gerente operacional (também chamado de operador) é diretamente subordinado à administração geral, conforme documentos e depoimentos de “sócios” da Egave que já ocuparam este cargo em empresas do grupo OCP (Roberto Carlos Moreira Carvalho, Arlindo Boemer Antunes Costa e Nilson Luiz Delascio Cusatis). Também se revestem dos pressupostos do vinculo empregatício os cargos de gerente/diretor operacional (ou gestor operador). Fl. 10152DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.137 25 Alguns dos “sócios” da Egave ouvidos pela Fiscalização não se declararam como gerentes ou chefes de departamento, mas afirmaram ser os “responsáveis pela gerência e administração de setores das empresas contratantes”, sendo evidente que o nomen iuris dado ao cargo não lhe altera a natureza jurídica. Assim, independentemente do título, o fato é que diversos “sócios” da Egave exerciam funções gerenciais na estrutura das empresas do Grupo OCP, estando subordinados diretamente à direção geral da empresa exercida pelos sóciosadministradores Antonio Carlos, Orlando Carlos e Luis Fernando. O contribuinte fiscalizado foi intimado a apresentar o organograma detalhado da empresa e os responsáveis por cada setor a partir de 2008. No entanto, respondeu que não tem um organograma formal e apenas relacionou alguns cargos que se encontram em posição hierárquica inferior aqueles listados anteriormente e que são ocupados por empregados formais da Orca, omitindo assim os cargos de gerência, os quais são ocupados por “sócios” da Egave. Quanto à direção operacional da empresa e dos departamentos que a estruturam cargos ocupados por sócios da Egave nada mencionou. Fica patente que o contribuinte procurou ocultar a verdade acerca dos fatos relacionados às operações estabelecidas entre as empresas do Grupo OCP e a Egave. Em Diligência Fiscal realizada na concessionária de veículos da Jorlan S/A, localizada no setor SIA em Brasília, a Fiscalização constatou que os gerentes Maria Lúcia da Silva Sousa, Alessandra Doreia Figueiredo, Estenio Tiberio Pereira da Costa, Carlo Carvalho Farinha, Alessandro Gonçalves Farias e Leandro Lourenço Dias de Mattos, respectivamente, gerentes dos departamentos Administrativofinanceiro/suporte, facilidades/analista de crédito, vendas de novos/consultor de vendas, serviços/auxiliar administrativo, venda de seminovos/consultoria de vendas e peças/comprador eram, sem exceção, “sócios” da Egave. Em depoimento reduzido a termo, Leandro Lourenço Dias de Mattos identificouse à Fiscalização como funcionário da Jorlan S/A, informando que trabalha na empresa desde 08/2008, como gerente do departamento de peças, e que seu superior hierárquico é o Sr. Nilson Cusatis. Em seu cartão de visitas, o Sr. Leandro se apresenta como gerente de Pecas e Acessórios e, apesar de constar logotipos da Jorlan e da Egave, todas as informações condizentes ao site da internet, email (leandro.mattos@jorlan.com), endereço comercial e telefone referemse à Jorlan S/A. Alessandro Gonçalves Farias, gerente do departamento de seminovos, informou que trabalha como “sócio” da Egave; que começou a trabalhar na Jorlan S/A em 01/2011; que é gerente do departamento de seminovos e que seu superior hierárquico é Nilson Cusatis. A Fiscalização apreendeu documentos da Jorlan S/A assinados por “sócios” da Egave, assinados e autorizados por Estenio Tibério, identificado como “Gestor de Veículos Novos Jorlan S/A”; por Alessandra Dorea, identificada como “Gestora do Negócios”, e por Alessandro Farias, identificado como “Gestor de SemiNovos Jorlan S/A”. Estes três gestores que representam a Jorlan S/A nesses documentos são “sócios” da Egave. Em outra Diligência Fiscal realizada na Jorlan S/A, o Sr. Estenio Tiberio se apresentou como “gestor de novos”. Seu email institucional (estenio.tiberio@jorlan.com) , telefone e endereço comercial, estampados em seu cartão de visitas, também são da Jorlan S/A. Informações prestadas pelo Sr. Estenio, e reduzidas a termo, revelam que o depoente ocupa o cargo de “gerente/gestor" do departamento de veículos novos, gerencia toda a equipe lotada nesse departamento e que está diretamente subordinado ao diretor vicepresidente da Jorlan S/A Sr. Luis Fernando. Também indicou os departamentos existentes na Jorlan S/A e seus respectivos gerentes: Fl. 10153DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 · Peças Leandro Mattos; · Serviços Carlo Farinha; · Veículos seminovos – Alessandro Farias; · Veículos novos: o próprio. Verificase, portanto, que a concessionária Jorlan S/A se estrutura sobre os mesmos departamentos que a Orca, e que estes são coordenados por um diretor operacional (ou gestor operador ou simplesmente operador). Da mesma maneira, os operadores e os gerentes dos departamentos são, formalmente, “sócios” da Egave, confirmando o esquema Fraudulento implementado nas empresas do grupo OCP. Tal organograma foi confirmado por alguns depoentes que compareceram e prestaram depoimentos na Delegacia da RFB, conforme descrito no item 16 do Relatório Fiscal, a fls. 5701/5702. Devidamente intimada, a OCT veículos apresentou a Folha de Pagamento da empresa, sendo constatada inexistência de empregados ocupando a maioria dos cargos de gerência, nomeadamente nos departamentos de veículos novos, pecas, serviços e financiamento/analise de credito, diretor operacional. Quanto à gerência de veículos usados, Claudio Vieira Bezerra ocupou formalmente o cargo ate 31/5/2008. Conforme dados de GFIP, ele foi demitido sem justa causa e, na sequência, foi admitido como “sócio” da Egave para ocupar as mesmas atribuições na Tork Veículos. A Fiscalização apurou que os gerentes foram gradativamente substituídos por “sócios” da Egave em muitas vezes, pela mesma pessoa. Os “sócios” da Egave não atuavam como consultores do departamento, mas como os verdadeiros gerentes, com poderes de mando, direção e fiscalização. Entendimento contrário nos levaria a concluir que a empresa se estrutura em departamentos acéfalos. A própria direção operacional da concessionaria não possui ocupante empregados, cargo esse ocupado por um “sócio” da Egave. De fato, conforme descrito no tópico 15 do Relatório Fiscal, a fls. 5698/5699, a Fiscalização constatou que várias pessoas que eram empregados de empresas do grupe OCP, foram demitidas sem justa causa para, em seguida, ingressaram no quadro societário da Egave para prestar serviços para a mesma empresa eu para outra empresa do grupo OCP. Diligência promovida na General Motors do Brasil revelou que treze dos dezesseis gerentes ou diretores da Orca que participaram de treinamentos promovidos pela GM do Brasil eram “sócios” da Egave. De outro eito, dentre os eventos promovidos pela GM do Brasil, em pelo menos três deles a Orca foi representada por “sócios” da Egave, qualificados como diretores e gerentes da Orca. · Lançamento Captiva — Ano 2008 Renato Faria Araújo Cargo: Diretor Operador; · Lançamento Agile — Ano 2009 Renato Faria Araújo – Cargo: Diretor Operador; · Encontro Nacional / Lançamento Novo Classic Ano 2010 – João de Oliveira Gualberto Junior Cargo: Gerente de vendas Novos Fl. 10154DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.138 27 Reclamatórias trabalhistas examinadas pela Fiscalização revelam que o Reclamante Eder Leoni alega existência de relação de emprego com o grupo econômico composto por Jorlan S/A e Egave. Resumidamente, sustenta o reclamante a unicidade contratual, tendo a relação de emprego se originado em marco de 2004, encerrado em dezembro de 2008, com ruptura simulada em marco de 2007, quando rescindiu seu contrato de trabalho junto a Jorlan S/A (ao menos formalmente) e Foi admitido como “sócio” da Egave para continuar prestando serviços à Jor1an S/A. Da leitura dos depoimentos, destacamos alguns pontos: · O reclamante era empregado da Jorlan S/A e alegou que recebeu proposta para rescindir seu contrato de trabalho com a Jor1an S/A vinculada à proposta de ser admitido como “sócio” da Egave e continuar prestando os mesmos serviços na Jor1an S/A; · O reclamante não pagou pela quota quando admitido na sociedade assim como nada recebeu quando foi desligado; · os sócios da Egave que tinham uma quota de R$ 1,00 não pagaram por ela; · o vicepresidente da Jorlan S/A afirmou que o reclamante continuou a trabalhar na empresa, realizando as mesmas atividades e no mesmo horário, porém, como sócio da Egave; · o vicepresidente da Jorlan S/A informou que Roberto Carvalho, enquanto sócio da Egave, ocupava cargo de direção na Jor1an S/A e tinha poderes para demitir funcionários da Jorlan S/A; · o vicepresidente da Jorlan S/A declarou que o reclamante, no âmbito das atividades desenvolvidas na Jorlan S/A, mesmo depois de prestar serviços como sócio da Egave, era subordinado a Roberto Carvalho; · O preposto da Egave afirmou que houve uma reunião da Egave para decidir sobre o desligamento do reclamante, mas não sabe quando ocorreu ou quem conduziu a suposta reunião. Por outro lado, o vicepresidente da Jorlan S/A e também sócio da Egave, declarou que não houve reunião de sócios para o desligamento do reclamante da segunda reclamada. Por sua vez, Roberto Carvalho, diretor da Jorlan S/A no período do evento e citado nos depoimentos, enfatizou que foi o responsável pelo afastamento do reclamante da Jorlan S/A, que comunicou Maria Rollin para as providencias administrativas devidas e que não participou de reunião de sócios da Egave para que houvesse o desligamento. · Eder Leoni, quando compareceu à Delegacia da RFB, confirmou que foi dispensado definitivamente de suas atividades na Jorlan S/A pelo diretor Roberto Carvalho e que a dispensa foi concomitante a sua retirada da Egave. Resumindo, a dispensa do funcionário de suas atividades na empresa contratante representou seu desligamento como sócio da Egave; Fl. 10155DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 · Por fim, destacamos que o preposto e sócio da Egave disseram que a maioria dos sócios da Egave eram empregados de empresas do grupo ao qual pertence a Jorlan S/A. O aviso prévio referente à rescisão formal do contrato de trabalho de Eder Leoni foi assinado por Maria Lúcia da Silva Sousa, representando o empregador no exercício de suas funções de gerente administrativa da Jorlan S/A. Também há uma carta de apresentação de Eder Leoni, assinada em 9/5/2007 por Maria Lúcia da Silva Sousa, novamente identificada como gerente administrativa, merecendo ser frisado que Maria Lúcia da Silva Sousa foi demitida da Jorlan S/A em 2008, admitida como sócia da Egave e continua a exercer as mesmas atividades. Outra prova apresentada na reclamatória referese a uma carta em que a Jorlan S/A nomeia e constitui Eder Leoni como preposto para representar a empresa em audiência em Juizado Especial. Tal carta foi assinada em 26/7/2007 por Nilson L. D. Cusatis, identificado como Diretor Operador da Jorlan S/A. Nesta data, tanto Eder Leoni como Nilson Cusatis não eram empregados formais da Jorlan S/A. Apesar de serem formalmente prestadores terceirizados de serviços de consultoria, o primeiro foi nomeado preposto para representar a Jorlan S/A e o segundo tinha poderes para nomear prepostos na qualidade de diretor operacional da contratante. O documento evidencia, novamente, que os sócios da Egave eram empregados de empresas do grupo OCP com poderes, inclusive, para nomear e atuar como prepostos para representar a empresa perante o Poder Judiciário. Quanto à sentença proferida pelo Juiz do Trabalho que reconheceu a relação de emprego, transcrevemos abaixo alguns trechos: a prestação de serviços continuou como antes, quando havia a relação de emprego; a relação societária entre reclamante e a segunda reclamada, a começar pelo tamanho da participação societária, ou seja, 01 cota no universo de 1918 cotas, o que corresponde a o,52%, adquirida gratuitamente de vínculo societário não te nada; ainda que se considerasse válida a relação societária, entre o reclamante e a segunda reclamada, seria típica situação caracterizadora de terceirização na atividadefim, ostentando, portanto, caráter ilícito, na forma da tese da sumula 331 do TST. Tais elementos revelam que o mecanismo fraudulento construído pelas reclamadas de inteligente e sofisticado não tem nada. Tratase de fraude grosseira envolvendo a necessidade de pouca mobilização cognitiva por parte de estruturas neurobiológicas de um ser humano com um mínimo de instrução. Diante do presente cenário, com fundamento nos artigos 3º e 9º da CLT e no princípio da Primazia da Realidade, reconheço a relação de emprego entre o reclamante e a segunda reclamada no período de 22/03/2007 a 16/12/2008 [...] condeno a primeira reclamada ao pagamento dos mesmos direitos de forma solidária [...] A Primeira Turma do TRT não reconheceu o vínculo empregatício, embora o relatório do Desembargador Federal do Trabalho seja claro ao afirmar que “efetivamente houve a simulação de um negocio jurídico, com a celebração de contrato de prestação de serviços com nítido intuito de burlar o Fisco”. Em sua argumentação, o Desembargador não reconheceu o vínculo por entender que o reclamante participou voluntariamente da fraude: Fl. 10156DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.139 29 “Desse modo, a pretensão do reconhecimento do vínculo esbarra no óbice de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza. O princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, no caso em análise, resta mitigado diante da fraude perpetrada pelo autor. Em tal cenário, temse por válida a avença civil firmada entre as partes”. Provas colhidas em outro processo trabalhista revelam que o reclamante requer, entre outros pontos, o reconhecimento de vínculo empregatício com a JPAR (Jorlan Caminhões/Forlan Caminhões), ao fundamento de haver ocupado o cargo de diretor operador na JPAR e de que sua contratação foi formalizada mediante inserção no quadro societário da Egave, recebendo seu salario na forma de distribuição de lucros. O reclamante alegou que foi combinado que receberia remuneração mensal fixa de R$ 7.000,00, tendo negociado inicialmente com o Sr. Landim, representante do grupo OCP. Também apresentou emails comprovando que Orlando Carlos Junior participou das negociações e do Fechamento do contrato. Na negociação, Orlando Carlos Junior discorre: “conforme mencionado abaixo referente nosso acordo para sua contratação como operador da Jorlan Caminhões [...]. Esta claro que não se trata de contratação de empresa de consultoria em gestão, mas de uma pessoa física para assumir o cargo de operador da filial. Orlando Carlos Junior assina os emails como representante do grupo Jorlan e não como sócio da Egave (também utiliza email institucional da Jorlan), evidenciando que a JPAR negociou a contratação do reclamante sem a intermediação da Egave. Além disso, o reclamante tornouse sócio da Egave aproximadamente seis meses depois de iniciar suas atividades na JPAR. Ele foi incluído como sócio da Egave em 10/4/2006, conforme 10ª alteração contratual da empresa. Entretanto, começou a trabalhar para a JPAR em novembro de 2005. No período de novembro de 2005 a abril de 2006, não recebia comprovantes de rendimentos da Egave e a remuneração era depositada diretamente em sua conta corrente. A partir da formalização de sua admissão como sócio, passou a receber os recibos de pagamento emitidos pela Egave. Os extratos bancários e os comprovantes emitidos pela Egave foram anexados ao processo. O reclamante também afirmou que Antonio Carlos, um dos três irmãos, vicepresidente da JPAR e seu superior hierárquico, a quem respondia diretamente, foi o responsável por realizar seu acerto rescisório, tendo comprovado mediante emails que demonstram um impasse ocorrido por ocasião da rescisão. Os fatos aviados nas provas constantes na reclamatória trabalhista em questão (fl. 5712) bem demonstram que o reclamante era o gerente geral da concessionaria de caminhões, tinha poderes para admitir funcionários e estava subordinado a Antonio Carlos Machado, e que a negociação e aprovação do acerto rescisório coube a Antonio Carlos Machado. Notou a Fiscalização que Leonardo Prudente, supostamente sócioadministrador da Egave, em momento algum é citado em documentos relacionados à contratação, à rescisão ou a outras questões referentes à prestação dos serviços. Alguns pontos merecem destaque no depoimento do diretor da JPAR e do sócio administrador da ORCA. Fl. 10157DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 · reconhece que o reclamante era gerente geral da concessionaria e que estava subordinado diretamente a Antonio Carlos, fato que evidencia a pessoalidade, não eventualidade e subordinação jurídica à JPAR; · confirma que o reclamante foi contratado pela JPAR para receber um valor lixo, apesar de atuar como sócio de outra empresa, fato que demonstra a onerosidade e denuncia que o reclamante não recebia sob a forma de lucros distribuídos; · reconheceu que enviou o email em que a remuneração do reclamante foi acertada. Além de confirmar a subordinação, denota a contratação de pessoa física e não da Egave; · informa que o reclamante, enquanto diretor operador pessoa Física (e não a Egave), poderia ter direito a participação nos lucros da JPAR e que as regras do programa eram definidas pela JPAR. Também vale lembrar que o contrato entre JPAR e Egave prevê pagamento com base no faturamento da JPAR e não nos lucros. Quanto ao depoimento do preposto da Egave, o sócio Salvino Pires Sobrinho: [...] que é sócio das 2 reclamadas, sendo que trabalhou desde a criação da JPAR Caminhões até pouco mais do seu fechamento; [...]; que salvo engano o reclamante recebia ordens de serviço do Sr. Antonio Carlos, vicepresidente do grupo; que o reclamante era gestor da Jorlan Caminhões; [...] que é gestor da Jorlan automóveis e recebe participação nos lucros de forma semestral [...], que durante 1 ano recebe participação nos lucros no valor máximo de um salário ...; Como visto, o sócio da Egave, além de ratificar a existência dos pressupostos do vínculo empregatício na relação entre o reclamante e a JPAR, apresentou alguns esclarecimentos relevantes sobre a sua relação com a Egave e a JPAR ao informar que gerenciou a Jorlan Automóveis (estabelecimento da JPAR) e que recebia participação nos lucros, apesar de prestar serviços como terceirizado (sócio da Egave). Diversos “sócios” da Egave foram formalmente intimados a prestar esclarecimentos e a apresentar documentos relacionados a prestação de serviços pela Egave, ao relacionamento com as empresas contratantes, a organização administrativa e operacional da Egave e aos critérios e forma de pagamento de rendimentos aos sócios. Todos os depoimentos e documentos coletados junto aos sócios da Egave foram anexados ao processo, merecendo destaque algumas respostas reproduzidas no item 19 do Relatório Fiscal, a fls. 5715/5728, das quais se extrai que: O depoimento de Roberto Carlos Moreira Carvalho evidencia que o contrato de prestação de serviços de consultoria era um instrumento simulatório. O depoente foi convidado para ocupar um cargo de gestão na Jorlan S/A e efetivamente prestou serviços como diretor operacional da Jorlan S/A. Ainda assinalou outros sócios da Egave que trabalhavam na mesma condição. Sua relação de subordinação com os diretores vicepresidentes da Jorlan S/A era clara, eis havia reuniões em que eles estabeleciam as diretrizes e metas e nas quais o depoente apresentava os resultados. Fl. 10158DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.140 31 Roberto Carlos Moreira Carvalho deixou claro que era o maior executivo operacional da empresa e que os demais funcionários, inclusive os sócios da Egave que eram gerentes de departamento, estavam sob sua subordinação. Todos os fatos analisados corroboram o entendimento de que "foi implementado um mecanismo fraudulento para ocultar a relação de emprego entre o depoente e a empresa fiscalizada”. Armando Bulgari Filho declara que foi diretor operacional da Forlan Caminhões, empresa do grupo OCP, de julho de 2008 a marco de 2009; Como diretor operacional, era responsável pela gestão geral da empresa nas áreas comercial e técnica; Quanto à contratação, informou que se candidatou a uma vaga de gerente de serviços da Forlan Caminhões e o responsável pelo departamento de RH, Alan Patric, o convidou para participar da seleção para a vaga de diretor operacional, sendo que foi selecionado apos varias entrevistas. Foi informado que seria sócio da Egave somente no momento em que se apresentou como diretor da Forlan à sede da empresa em Goiás para as devidas formalizações contratuais. Novamente se demonstra que os contratos celebrados com a Egave eram utilizados para mascarar a contratação de empregados por empresas do grupo OCP. Sylvio Machado Tosta Junior esclareceu que era responsável pela gerência de oficina na Jorlan S/A, sendo que todos os empregados deste setor estavam sob sua subordinação e ele estava subordinado ao diretor operacional, Sr. Nilson Cusatis e, posteriormente, Roberto Carvalho. Foi demitido sem justa da causa do uma empresa do grupo OCP e, dois meses depois, passou a exercer as mesmas atividades, como sócio da Egave, em outra empresa do grupo. Afirma que não conhece Leonardo Prudente e desconhece suas funções na Egave; não soube informar as funções de Orlando Carlos da Silva Junior, Antonio Carlos Machado e Silva e Luis Fernando Machado e Silva na Egave, mas informou que eles coordenavam as reuniões das quais participou enquanto sócio da Egave, fato que demonstra que quem mandava na Egave eram o três irmãos e não o sócio majoritário. O mesmo teor dos depoimentos acima citados vai se repetindo nas declarações prestadas pelos demais “sócios” da Egave que exerciam cargos de gerência nas empresas do Grupo OCP, de onde se destaca que os contratos de prestação de serviços de consultoria eram um instrumento simulatório, utilizado para encobrir a relação jurídica trabalhista do obreiro com as empresas do grupo OCP e que se encontram subordinados diretamente aos vicepresidentes do grupo Orlando Carlos da Silva Junior, Antonio Carlos Machado e Silva e Luis Fernando Machado e Silva. As circunstâncias e as provas acostadas pela Fiscalização aos autos bem demonstram o modus operandi da Organização em tela. As empresas do Grupo OCP, necessitando contratar profissional especializado para ocupar um cargo de relevo no Grupo, busca no mercado de trabalho e seleciona o profissional que melhor atende às suas necessidades, mas só o contrata se for na condição de sócio da empresa Egave, condição que se dá com a transferência de 01 (uma) cota no valor de R$ 1,00 do sócio Leonardo Prudente para o novo “sócio” contratado. Diante de tal quadro, ou o profissional se Fl. 10159DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 ajusta ao requerido e se “associa” à Egave, ou se sujeita a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. No desempenho de suas funções, o trabalhador contratado na forma do paragrafo anterior se apresenta e atua exatamente como gerente/diretor da empresa do Grupo OCP (nunca na condição de mero consultor de gestão), se subordinando diretamente aos vicepresidentes do Grupo OCP, com amplos poderes de gestão e em nome da empresa contratante, circunstância que revela a alteralidade na prestação dos serviços, quintessência supralegal da relação de emprego e da relação de segurado empregado. Na prestação dos serviços, toda a infraestrutura técnica e operacional são de propriedade e responsabilidade da Contratante, entrando a Egave tão somente com a mão de obra do seu sócio, como sói ocorrer numa relação jurídica entre empresa e empregado. Para desempenho de suas atividades, o contribuinte fiscalizado disponibiliza uma remuneração composta de parte fixa e variável, instalações físicas e equipamentos (sala, mesa, computador, linha telefônica, etc.), cursos de aperfeiçoamento, assistência médica, cartões de visita corporativo e email institucional. Revelase assim, uma vez mais, o atributo da alteralidade, na medida em que, na realidade dos fatos, o “sócio” não atua em nome da Egave, mas, sim, como longa manus da empresa contratante. Não se tratam de meros analistas de relatórios, de estudo de tendências e estratégias que assessoram o departamento. Não havia um empregado formal que atuasse como gerente dos departamentos que administravam ou da própria concessionaria, conforme folha de pagamento e fatos constatados pela Fiscalização. O gerente é o próprio sócio da Egave e é responsável pela direção, controle e fiscalização de departamentos cujas atividades estão relacionadas diretamente à atividadefim da Recorrente. Os “sócios” tem que cumprir o horário, padrão de serviço e as metas estabelecidos pela contratante, se reportando diretamente aos vicepresidentes do Grupo OCP, circunstâncias que revelam o poder de controle e hierárquico da Contratante sobre os trabalhadores em foco. A existência de simulação e da relação jurídica de fato típica de patrão vs empregado avulta de maneira insofismável do fato de a demissão do gerente das empresas do Grupo OCP implicar, automaticamente, a exclusão do trabalhador do quadro societário da Egave. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado e de dispensa mesmo sem justa causa do trabalhador. A Fiscalização apurou que os “sócios” da Egave possuem em comum características que deixam claro que a pessoa jurídica em tela houvese por criada, tão somente, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pelo Grupo OCP, visando a excluirse dos encargos tributários e trabalhistas previstos na legislação federal. Os contratados como “sócios” da Egave são, na verdade, profissionais pessoas físicas que, em caráter não eventual, executam pessoalmente os trabalhos contratados, visando a atender as atividades normais da Autuada, relacionadas diretamente com os fins do empreendimento econômico desta. Fl. 10160DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.141 33 A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Podese perceber a não eventualidade do serviço, ainda, no elevado volume de operações contínuas e de rotina, originárias desta relação entre as empresa do Grupo OCP e a Egave, comprovadas em quase uma centena de contratos, no período de apuração. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No caso em litígio, a não eventualidade diz espeito à contratação de serviços de Gestão de Recursos Humanos, gestão Financeira e Administrativa, bem como Gerenciamento de Força de Vendas de veículos novos e usados, serviços de oficina, venda de peças, administração e finanças, negócios, contabilidade, operação de concessionarias, etc., todos relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Contratante se propõe a executar, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. A Fiscalização constatou que os contratos de prestação de serviços são padronizados, no estilo Contrato de Adesão, em geral, firmados por período de 12 meses, podendo ser renovados automaticamente por período anual, desde que as partes não se manifestem de forma contrária. Os contratos possuem como objeto cláusula genérica mediante a qual a Egave “se obriga a executar os seguintes serviços para a Contratante: Gestão de toda e qualquer atividade relacionada as seguintes áreas: Recursos Humanos, Financeira, Administrativa, Gerenciamento de Força de Vendas e Outras Sociedades”. Os “sócios” da Egave, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente, inseremse na dinâmica regular das empresas do Grupo OCP, que necessitam do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos celebrados com os seus clientes. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade dos serviços prestados. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de o trabalho contratado ser realizado, unicamente, por intermédio dos “sócios” da Egave, contratados especificamente para ocupar aquele cargo na empresa contratante. A Fiscalização demonstrou que os trabalhadores eram selecionados pelas próprias empresas do Grupo OCP, mas somente eram contratadas se fosse por intermédio da Egave, na condição jurídica aparente de “sócio” desta empresa de fachada. Fl. 10161DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 A Fiscalização apurou e demonstrou que os profissionais contratados por intermédio da Egave exerciam funções na estrutura hierárquica das empresas do Grupo OCP, com amplos poderes de gestão, se apresentando, inclusive, perante terceiros como gerentes e diretores das empresas contratantes. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que a prestação dos serviços pelos “sócios” da Egave à Autuada ostenta natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da empresa contratante que, além do encargo de captar clientes no mercado de compra e venda de veículos novos e usados, peças, e oficina, contrata e remunera trabalhadores para a prestação de tais serviços aos seus clientes, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos serviços prestados, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Recorrente se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. A onerosidade, por derradeiro, foi comprovada pela Egave que relacionou os rendimentos creditados aos sócios no período fiscalizado, os quais foram declarados, também, em suas DIPJ. A onerosidade dos serviços prestados também foi comprovada pelos depoimentos dos “sócios” e “exsócios” da Egave que afirmaram que a remuneração por eles auferida nessa condição comportava parcelas fixa (valor mínimo) e parcela variável, esta dimensionada em função do alcance das metas estabelecidas pelo contratante. A apuração da base de cálculo das contribuições patronais previstas no art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social se deu por aferição indireta, na forma descrita nos itens 291 a 305 do Relatório Fiscal, a fls. 5740/5743, e nos itens 331 a 345 do Relatório Fiscal , a fls. 5752/5757. Não procede, portanto, a alegação de que os sócios da Egave Empresa Gestora de Administração e Vendas S/C LTDA. atuavam, de fato e de direito, como consultores das recorrentes. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação e as de consultoria técnica, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou se associem a empresa de consultoria, na condição de sócio minoritário, para contratálos como meros prestadores de serviços, aparentemente, sem vínculo empregatício, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou ao ingressar no quadro societário de outra pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante ou nas de terceiros. O mesmo ocorre com os demais trabalhadores disponíveis no mercado. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o trabalhador assim contratado perde os direitos trabalhistas Fl. 10162DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.142 35 e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o trabalhador, agora prestador de serviço pessoa jurídica, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). Fl. 10163DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios da Egave, importando na submissão de contratante e “sócio” prestador de serviços, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Fl. 10164DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.143 37 Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 Fl. 10165DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Fl. 10166DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.144 39 Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. Fl. 10167DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Como visto, a empresa fiscalizada defendeu que o negócio celebrado com a Egave referiase a contratação de serviços de consultoria em gestão empresarial e apresentou uns poucos documentos (contratos, notas fiscais, registros contábeis, etc.) e alguns raros esclarecimentos para comprovar suas alegações. Entretanto, as análises efetuadas mostraram que as operações realizadas de fato não coincidem com a versão trazida pelo contribuinte. A Autuada não comprovou a efetiva necessidade dos serviços de consultoria, a racionalidade econômica do contrato celebrado com a Egave e os resultados esperados (exame do motivo e finalidade do negocio). Apesar dos valores significativos despendidos, da relevância dos serviços (gestão de setores diversos da empresa fiscalizada), da diversidade de especialidades dos prestadores de serviço e da abrangência geográfica de atuação da Egave (Distrito Federal. Goiás e Minas Gerais), a Egave e o contribuinte alegam não existir qualquer documentação relacionada ao gerenciamento e controle dos serviços contratados. Por outro lado, o contrato escrito firmado apresenta cláusulas genéricas que também não delimitam o objeto e o modo de operacionalização da “consultoria”. Fl. 10168DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.145 41 A Fiscalização comprovou que os alegados serviços de “consultoria” eram, em verdade, o próprio desempenho das funções de gerência e de diretoria das empresas do Grupo OCP (Gestão de Recursos Humanos, gestão Financeira e Administrativa, bem como Gerenciamento de Força de Vendas de veículos novos e usados, serviços de oficina, venda de pecas, administração e finanças, negócios, contabilidade, operação de concessionarias, etc.), de natureza permanente e não eventual, todas necessárias e relacionadas com a atividade fim da Autuada. Restou demonstrado que os “sócios” da Egave, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente, inseremse na dinâmica regular das empresas do Grupo OCP, que necessitam do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos celebrados com os seus clientes. Diante de tal panorama, visando a aprofundar a investigação, a Fiscalização passou a examinar outros elementos de prova que poderiam esclarecer os fatos verdadeiramente ocorridos, sendo então intimados vários sócios e exsócios da Egave para prestar esclarecimentos formais, realizouse diligências à General Motors do Brasil, foram examinados os conjuntos probatórios de reclamatórias trabalhistas, realizouse diligências fiscais a estabelecimentos da Fiscalizada e a outras empresas do Grupo OCP, foram tomados depoimentos de empregados e gerentes de empresas do Grupo OCP, dentre outras providências. Como resultado de tal procedimento, concluiu a Fiscalização que a contratação dos serviços de consultoria não passou de mera simulação jurídica. Para tanto, a administração do grupo OCP criou a Egave, designou um “laranja” para ser seu sócioadministrador, elaborou contratos de prestação de serviços sem definição especifica do seu objeto, emitiu notas fiscais exclusivamente para empresas do grupo OCP e transferiu recursos financeiros das contas das empresas contratantes para a Egave. Todo este aparato teve, basicamente, dois objetivos: aumentar as retiradas pro labore dos administradores das empresas do grupo OCP e pagar a remuneração de empregados que exerciam funções de gerência nas empresas do Grupo OCP sem o peso dos encargos tributários e trabalhistas, mediante o artifício da interposição fraudulenta de suposta empresa de consultoria (Egave) com a finalidade única de ocultar a ocorrência de fatos geradores de obrigações tributarias e trabalhistas. A fraude se deu, portanto, pela criação de Pessoa Jurídica visando unicamente a albergar, na condição simulada de sócio minoritário, os trabalhadores de que necessitava para a execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos “sócios” simuladamente incorporados ao quadro societário da prestadora, mas sem a presença da affectio societatis, restando presentes, todavia, entre tais “sócios” e as empresas contratantes de seus serviços todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. A Fiscalização apurou que a administração da Orca, no período fiscalizado ate os dias atuais, vem sendo exercida pelos irmãos Orlando Carlos, Antonio Carlos e Luis Fernando os quais são, igualmente, responsáveis pela administração das outras empresas do grupo OCP. O trino de vicepresidentes suso citado eram sócios formais da Egave, desde a sua constituição formal até a primeira alteração contratual formalizada apos início do procedimento fiscal no Fl. 10169DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Grupo OCP, sendo as pessoas que recebiam as maiores quantias a título de suposta “distribuição de lucros”. No exercício das funções de administradores das empresas do grupo OCP, os três irmãos autorizaram a contratação e o pagamento de aproximadamente R$ 38.000.000.00 para a Egave de 2008 a 2010. O quadro exposto no tópico 22 do Termo de Verificação Fiscal discrimina, por ano e empresa contratante, as receitas auferidas pela Egave nos exercícios de 2008 a 2010, conforme extraído das DIRF. Dessarte, considerando que os três irmãos eram sócios da Egave; que eles receberam vultosas quantias na forma de “lucros distribuídos” pela Egave; que “os lucros eram distribuídos de acordo com o cumprimento de metas de cada “sócio”; que os “sócios” supostamente prestam serviços de consultoria em gestão; que a Egave prestou serviços exclusivamente para as empresas listadas acima; e que os três irmãos são administradores destas empresas; chegase a desarrazoada constatação que eles contrataram a si próprios para prestar consultoria em gestão em empresas que já estavam sob sua gestão, direção e administração. Alguns sócios da Egave, em depoimento prestado na Delegacia da RFB em Brasília, foram formalmente questionados sobre as atribuições dos três irmãos enquanto sócios da Egave. Sylvio Machado Tosta Junior não soube informar as funções dos três na Egave, mas informou que eles coordenavam as reuniões das quais participou enquanto responsável pela gerência do departamento de serviços da Jorlan S/A e sócio da Egave. Eder Leoni dos Anjos não soube informar quais as funções dos três na Egave, mas relatou que eles eram os vicepresidentes da Jorlan S/A e que estava sob subordinação deles na Jorlan S/A. Pedro Neres de Azevedo não soube dizer qual a função e atribuição dos três na Egave. Vanda Maria Ferreira Caitano, muito embora fosse a pessoa de confiança na empresa, já que recebeu procuração da Orca, da Egave e da Jorlan S/A para representálas perante a RFB em procedimento fiscal e era a responsável pela escrituração contábil das empresas do grupo, também não soube informar quais eram as funções dos três na Egave. Merece ser lembrado, ainda, que os contratos celebrados com a Egave definiam como remuneração dos “sócios” um valor fixo acrescido de um percentual sobre o faturamento. Ou seja, não é correto qualificar tais verbas como distribuição de lucros das empresas contratantes a seus sócios/acionistas administradores, uma vez que havia prévia definição contratual de repasse para a Egave independentemente de as contratantes auferirem lucros bastava que a empresa gerasse receita. Considerese, também, que a Egave informara que seus sócios prestavam serviços de consultoria em gestão e que os lucros eram distribuídos de acordo com o cumprimento de metas de cada “sócio”. Todavia, intimada a comprovar a definição das metas em cada contratante e sua relação com a quantia paga a título de distribuição de lucros, a empresa se recusou a apresentar tais documentos. Não se deslembre que, conforme já demonstrado, a Egave não possuía qualquer controle sobre os rendimentos dos “sócios”, de quanto era devido a cada “sócio”, tampouco qual era a composição dos rendimentos de tais trabalhadores, de onde se conclui que tal controle era realizado por outra entidade, certamente, as empresas do Grupo OCP. A Egave, mesmo intimada, não foi capaz de apresentar, sequer, os comprovantes de pagamento aos sócios. Fl. 10170DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.146 43 Diante de tal quadro, fica claro que as vultosas quantias que recebiam por intermédio da Egave, sob a forma de distribuição de lucros, travamse, em realidade, de efetiva remuneração percebida pelos serviços prestados como dirigentes das empresas contratantes. De todo o exposto, concluise que os valores recebidos pelos três sócios administradores citados, por meio de empresa interposta, a título de distribuição de lucros da Egave, são qualificados sobre o prisma da primazia dos fatos sobre os atos, como remuneração paga/creditada aos sóciosadministradores do Grupo OCP, segurados contribuintes individuais na forma da lei, base de cálculo de contribuições sociais previdenciárias. Os três sóciosadministradores do Grupo OCP respondem pela administração de todas as empresas que formalmente contrataram os serviços da Egave no período fiscalizado. Por isso, foram instauradas Diligências Fiscais em nome de cada um dos três, sendo estes intimados a informar em quais empresas trabalharam enquanto sócios da Egave, com discriminação para cada empresa do período e endereço em que ocorreu a prestação dos serviços; cargo ocupado e período; descrição, de forma clara e detalhada, das atribuições do cargo ocupado e das atividades desenvolvidas; bem como o valor dos rendimentos recebidos, por mês, em cada empresa que prestou serviços na condição sócio da Egave. Luis Fernando Machado e Silva não respondeu a intimação. Orlando Carlos da Silva Junior afirmou que prestou serviços de consultoria para Orca, Jorlan, JPar e TargetHonda, que não recebeu valores destes serviços das empresas relacionadas e que os lucros que recebeu da Egave estão declarados na declaração de imposto de renda. Antonio Carlos Machado e Silva declarou que prestou consultorias na Jorlan, Orca, J Par e Target; que não recebeu qualquer valor a título destas prestações de serviços, e que os valores que recebeu da Egave de distribuição de lucros estão declarados em seu imposto de renda. A Fiscalização também intimou a Orca a relacionar, para cada nota fiscal emitida pela Egave, as pessoas que prestaram os serviços, com indicação do período, local e numero de horas. A Egave, por seu turno, foi intimada a prestar estas mesmas informações com relação a todas as empresas contratantes. Contudo, os esclarecimentos requeridos não foram apresentados, impossibilitando a apuração direta da remuneração recebida individualmente pelos três irmão em apreço, por intermédio da Egave. Dessarte, diante da recusa, sonegação e apresentação deficiente de documentos e informações, a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias ora em debate houvese por apurada mediante o procedimento de arbitramento, com amparo no permissivo encartado nos parágrafos 3° e 6° do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, revertendo em desfavor do Autuado o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e Fl. 10171DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O valor tributável foi aferido indiretamente com base nas condições de contorno descritas nos itens 300 e 301 do Termo de Verificação Fiscal. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela Recorrente para o atendimento de demandas contínuas e múltiplas inerentes à sua atividade fim e ao desempenho satisfatório do seu objeto social. Não procede, portanto, a alegação de que as recorrentes, em busca de maior competitividade no mercado, socorreramse de mecanismo econômico e administrativo absolutamente lícito e comum, consistente na contratação de pessoa jurídica especializada para fornecimento de força de trabalho em áreas específicas. Conforme exaustivamente demonstrado, encontramse presentes todos os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Fl. 10172DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.147 45 Também não procede a alegação de que “nenhuma irregularidade se verifica na constituição da pessoa jurídica da empresa interposta, cujos atos constitutivos observaram estritamente as imposições legais, tratandose, pois, de verdadeira empresa de direito”. A irregularidade não esta nos atos constitutivos da empresa, mas sim, na intermediação fraudulenta de trabalhadores visando a se excluir dos encargos tributários e trabalhistas. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou operar como segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa Autuada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Aditese que as provas dos autos também revelam a existência de grupo econômico de fato entre as empresas Orlando Carlos Participações Societárias Ltda, OCS Investimentos AS, Jorlan Participações Societárias Ltda, Target Veículos Ltda, Parsec Corretora de Seguros Ltda, Orsa Agenciadora de Serviços e Seguros Ltda; Jorlan Administradora de Consórcio Ltda, JPAR Distribuidora de Veículos Ltda, BR France Veículos Ltda, JORLAN SA Veículos Automotores Importação e Comércio e Tork Chevrolet, conforme se pode constatar na página do grupo OCP na internet, no endereço eletrônico www.grupoocp.com.br, fato esse não contestado pelos Recorrentes. Da existência do Grupo Econômico de Fato acima mencionado, decorre a responsabilidade solidária das empresas do grupo pelo adimplemento do Crédito Tributário ora em constituição, conforme previsto no art. 124 do CTN c.c. art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. 2.2. DA MULTA APLICADA O Recorrente alega que a multa aplicada pela Administração acaba por violar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e, principalmente, do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal. Não ... Fl. 10173DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Deflui das disposições legislativas ora revisitadas que as vedações constitucionais acima mencionadas são dirigidas aos impostos – espécie tributária do gênero tributo, obrigação tributária principal , e não às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária. Justificamse tais vedações pelo fato de os tributos serem prestações pecuniárias compulsórias, que não constituem sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Sendo compulsória, não há como o Contribuinte, ao praticar o fato gerador lícito, se esquivar do seu recolhimento. Já a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária representa sanção pela prática de ato tributário ilícito, o qual é perfeitamente evitável. Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados, além de outros dispostos na CF/88, são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico a princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constitui se prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Fl. 10174DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.148 47 Cumpre trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição ainda que decorrente de uma interpretação conforme. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 10175DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, trigo de outra safra, porém, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar penalidade pecuniária aplicada nos estreitos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.3. DA PRODUÇÃO DE PROVAS O Recorrente alega ser possível a juntada de documentos após a apresentação de impugnação, em observância ao princípio administrativo da verdade material. Mas com toda razão, desde que cumpridas as exigências da lei. Fl. 10176DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.149 49 A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Fl. 10177DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 50 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.4. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Fl. 10178DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.150 51 O Recorrente, por amor ao debate, requer o afastamento da responsabilidade dos sócios da empresa. Cumpre, de plano, esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes dos vertentes Autos de Infração é da empresa, e não dos seus representantes legais arrolados no relatório intitulado "RELATÓRIO DE VÍNCULOS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relatório de Vínculos" possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Tal entendimento encontrase consolidado no Verbete da Súmula CARF nº 88, conforme se vos segue: Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Fl. 10179DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 52 Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da NFLD em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente;" Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição do Relatório de Vínculos, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 2.5. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Embora não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Fl. 10180DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.151 53 Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 10181DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 54 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Autos de Fl. 10182DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.152 55 Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos em competências não fulminadas pela decadência. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Autos de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do Fl. 10183DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 56 art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 10184DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.153 57 §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 10185DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 58 Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, diga se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa Fl. 10186DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.154 59 para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 10187DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 60 Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função Fl. 10188DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.723688/201211 Acórdão n.º 2302003.702 S2C3T2 Fl. 10.155 61 da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. A conduta tipificada legalmente como “fraude” consubstanciase em toda e qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude se manifesta, no caso presente, na volitiva e consciente criação de Pessoa Jurídica visando unicamente a albergar, na condição simulada de sócio minoritário, os trabalhadores de que necessitava para a execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos “sócios” simuladamente incorporados ao quadro societário da prestadora, mas sem a presença da affectio societatis, restando presentes, todavia, entre tais “sócios” e as empresas contratantes de seus serviços todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. Dessarte, considerando haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que se qualifica legalmente como fraude, tipificada no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, a multa de ofício a ser aplicada na competência 12/2008 passa a ser de 150%, conforme previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Diante de tal contingência, sendo a multa de ofício de 150%, não há mais que se falar, no caso ora em estudo, de limitador para a multa de mora prevista no inciso III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo qualquer hipótese em que seja aplicável o preceito insculpido no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, no presente lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da Fl. 10189DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 62 obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em atenção ao princípio tempus regit actum. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 10190DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11634.000417/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
Nulidade. Mpf Prorrogação. Ausência Entrega.
A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado, sobretudo porque o contribuinte tem acesso a este pela internet.
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade.
Numero da decisão: 1801-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, que votou em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentou Declaração de Voto no prazo regimental.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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SIMPLES. EXCESSO DA RECEITA BRUTA. A empresa optante pelo regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado (Simples) que ultrapassar o limite legal de receita bruta auferida, dentro do anocalendário, deverá declararse impedida de continuar usufruindo o regime favorecido; não o fazendo, será excluída de ofício a partir do anocalendário subsequente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECEITA OMITIDA. VALORES DECLARADOS EM DSPJ EM DISSONÂNCIA COM OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS E DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. Após a exclusão do Simples, a empresa sujeitase aos mesmos regimes de tributação que as demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, sequer o Livro Caixa, espelhando toda a movimentação financeira, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 04 17 /2 00 8- 06 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 2 Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. MPF PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA ENTREGA. A ausência de entrega ao contribuinte sob fiscalização do demonstrativo de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta prejuízos ao fiscalizado, sobretudo porque o contribuinte tem acesso a este pela internet. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, que votou em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentou Declaração de Voto no prazo regimental. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0625.141/10 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 627 a 649, que decidiu julgar procedentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas ao anocalendário de 2004 e 2005, no valor total de R$ 846.900,16 (incluídos os juros de mora e a multa de ofício qualificada), por constatar omissão Fl. 845DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 3 3 de receitas evidenciada pelo cotejo dos valores informados em DSPJ (Declaração Simplificada) e aqueles escriturados no Livro de Registro de Saídas e Notas Fiscais emitidas. Os Autos de Infração estão acostados às efls. 563 a 603 e os procedimentos fiscais descritos no Termo de Verificação Fiscal de efls. 557 a 562. A empresa foi excluída do Simples pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 35/08, com efeitos a partir de 01/01/2004, em virtude de haverse constatado que auferiu receita bruta em valor superior àquele limitado pela Lei de vigência à época da ocorrência dos fatos geradores, no anocalendário de 2003 efls. 12. O processo administrativo fiscal nº 11634.000506/200844 cuida da autuação dos tributos federais sob a sistemática do Simples, relativos à omissão de receitas detectada em 2003. Aproveito trechos do Termo de Verificação Fiscal lavrado pela autoridade fiscal, para melhor historiar os fatos: "Ano Calendário de 2003 Desenquadramento do SIMPLES No ano calendário de 2003 a empresa declarou para a SRF, através de declaração do SIMPLES EPP um faturamento anual de R$ 228.328,86. Foi constatado, porém, através do Livro Registro de Saídas e notas fiscais de venda o faturamento de R$ 2.711.249,35, valor este que excede o limite do SIMPLES estabelecido pelo artigo 2o da Lei 9.317/96, com as alteração do artigo 3o da Lei 9.732/98. [...] Por ter infringido os artigos 9o incisos I e II e 13 inciso II "a" da Lei n° 9.317/1996 e alterações posteriores, ao permanecer no Simples nos anoscalendário de 2004, 2005 e seguintes, a empresa foi excluída do Simples através do ADE n° 35 de 11/07/2008, na forma do artigo 14, inciso IV da Lei n° 9.317/1996, com efeitos a partir de 01/01/2004. (fls. 10) A empresa foi intimada em 27/06/2008 a apresentar Livros Diário, LALUR e Registro de Inventário com os encerramentos trimestrais dos anoscalendário de 2004 e 2005, na forma do artigo 1o da Lei 9.430/96, tendo apresentado a correspondência de fls. 22 na qual declara que, por ser optante do SIMPLES no período de 2004 e 2005, estava desobrigada à manutenção de contabilidade regular ordinária e que, por este motivo, não dispõe dos livros e documentos solicitados. Omissão Ano Calendário de 2003 Além do excesso de receita foram constatadas irregularidades na escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de Saídas. Em confronto com as notas fiscais verificase que o registro de algumas delas no livro é feito por valores equivalentes a 10% ou mesmo 1% do valor efetivo e em alguns casos não há registro de meses inteiros, conforme descrito a seguir. Janeiro de 2003 As notas fiscais do mês de janeiro (fls. 132 a 153) não estão registradas no livro Registro de Saídas. Foram digitadas conforme relação de fls. 131 e conferem com o total declarado em GIA (fls. 93) à Receita Estadual. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 4 Fevereiro, Setembro, Outubro e Dezembro de 2003 Há notas fiscais registradas no livro Registro de Saídas com valores menores do que os efetivamente praticados, conforme demonstrativo de fls. 154, no qual foram ajustados os valores dos faturamento mensais. Notas fiscais às fls. 155 a 189. Após os ajustes foram apurados os valores de omissão de receitas que deverão ser tributados no ano de 2003, na sistemática do SIMPLES, conforme quadro abaixo: [tabela] Omissão Ano Calendário de 2004 Janeiro a Novembro de 2004 Há diversas notas fiscais registradas no livro Registro de Saídas com valores inferiores aos efetivamente praticados, conforme demonstrativo de fls. 190 e 191, no qual foram ajustados os valores de faturamento mensais. Notas fiscais às fls. 192 a 269. Após os ajustes foram apurados os valores de omissão e os valores totais a serem tributados trimestralmente no ano de 2004, pelo lucro arbitrado, conforme quadro abaixo: [tabela] Omissão Ano Calendário 2005 Fevereiro a Maio de 2005 Há diversas notas fiscais registradas no livro Registro de Saídas com valores menores do que os efetivamente praticados, conforme demonstrativo de fls. 270, no qual foram ajustados os valores de faturamento mensais. Notas fiscais às fls. 271 a 293. Setembro a Dezembro de 2005 Não há registro de notas fiscais nos meses de setembro a dezembro de 2005, portanto as notas foram digitadas conforme relações de fls. 294, 346, 394 e 444 e notas fiscais 295 a 345, 347 a 393, 395 a 443 e 445 a 499, de setembro a dezembro, respectivamente. Após os ajustes foram apurados os valores de omissão e os valores totais a serem tributados trimestralmente no ano de 2005, pelo lucro arbitrado, conforme quadro abaixo: [tabela] [...]" Em síntese, a seguir demonstramse os valores anuais de receitas omitidas pela recorrente (nas tabelas foram retratados mensal ou trimestralmente, consoante ano calendário e regime de tributação): A/C Valores em DSPJ Notas Fiscais 2003 228.328,86 2.711.249,35 2004 273.619,83 2.542.022,32 2005 1.003.231,75 2.709.562,47 A autoridade fiscal explica que, em razão da não exibição de livros contábeis, e devido à exclusão do Simples, nos anoscalendários de 2004 e 2005, objetos destes autos, apurou o lucro da empresa pelo regime de tributação do arbitramento, utilizando os valores das Fl. 847DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 4 5 Notas Fiscais emitidas (artigo 530, inciso I, 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR, Decreto nº 3.000/99). Esclarece, ainda, que computou os valores recolhidos dos tributos pelo Simples no lançamento tributário. Justifica a qualificação da multa nas diversas infrações cometidas pela autuada, salientando ser prática usual: escriturar algumas Notas Fiscais em valores ínfimos, não escriturar outras, informar ao fisco federal praticamente 10% do valor efetivamente faturado, nos anoscalendários de 2003, 2004, e menos de 50% para o ano de 2005, permanecer indevidamente no Simples, enfim, condutas que não só respaldam a qualificação da multa de ofício, como, em tese, se coadunam com as condutas tipificadas como crime contra a ordem tributária e ensejam a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnadas as exigências fiscais e atacado o ADE de exclusão, a Turma de Julgamento de Primeira Instância proferiu o acórdão citado em epígrafe, afastando as argumentações da recorrente, que restou assim ementado: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA NÃO ESPECIFICADA NO ADE. Improcede alegado cerceamento da defesa, por não constar do ADE o valor da receita bruta, obtida a partir de GIAICMS entregue pela empresa ao Fisco Estadual, que ensejou a exclusão do Simples, se o ADE contém todos os elementos necessários à sua validade: foi emitido por autoridade competente, consta a infração e base legal, foi regularmente cientificado à contribuinte, não tendo a contribuinte exercitado seu direito de obtenção de cópia ou de vistas do processo. FALTA DE CÓPIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NOS AUTOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A falta nos autos da cópia do Mandado de Procedimento Fiscal, que comprovadamente foi emitido e cientificado à contribuinte, não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da lei, possui competência para tanto, e mesmo sua ausência não seria motivo para nulidade, por se tratar de instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO HÁ EFEITO SUSPENSIVO. Somente a exigibilidade do crédito tributário decorrente da exclusão do Simples é suspensa por recurso; a manifestação de inconformidade contra a exclusão não possui efeito suspensivo, estando a pessoa jurídica excluída sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. EXCLUSÃO. LIMITE RECEITA BRUTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Descabe pleitear a aplicação retroativa da Lei n° 11.307, de 2006, e da Lei Complementar n° 123, de 2006 (Simples Nacional), se a exclusão por excesso Fl. 848DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 6 de receita bruta é relativa a fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n" 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (Simples Federal) e a exclusão deve se reportar à data de ocorrência do fato e regerse pela lei então vigente ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. Considerandose a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária c de permanecer indevidamente na sistemática do Simples, aplicase multa de ofício qualificada de 150% sobre os correspondentes impostos c contribuições sociais exigidos de ofício. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. O lançamento é ato administrativo vinculado e se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável na aplicação da penalidade. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. Tendo sido a contribuinte excluída do Simples, inexistindo opção, mediante pagamento antecipado, pelo lucro presumido ou pelo lucro real anual, nem escrituração que possibilite a apuração pelo lucro real, impõese o arbitramento do lucro. NOTAS FISCAIS DE VENDA. RECEITA BRUTA. LUCRO ARBITRADO. VALORES NÃO RECEBIDOS. EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO O lucro arbitrado das pessoa jurídicas é determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados em lei sobre a receita bruta definida como o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não incluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos c os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, não havendo previsão para exclusão de alegados valores não recebidos dos clientes, e sequer comprovados, relativos à receita bruta apurada a partir de notas fiscais de venda emitidas pela contribuinte. VENDAS ESCRITURADAS NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. NOTAS FISCAIS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. Constitui prova direta de omissão de receita a constatação de vendas objeto dc notas fiscais e/ou escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e de vendas, não declaradas à Receita Federal. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COF1NS, CSLL. Dada a íntima relação dc causa c efeito, aplicasc aos lançamentos reflexos o decidido no principal." A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 812 a 826, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) não há provas do fato que motivou a exclusão da empresa do Simples; o ADE deve ser anulado; ausência da descrição precisa do fato, ou seja, no ADE não há menção do valor da receita bruta que teria ultrapassado o limite legal; o ADE padece, pois, de motivação, causando prejuízo insanável à defesa; 1 AR – 02/02/10, efls. 655; Recurso – 04/03/10, efls. 656 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 5 7 b) requer que sejam aplicados os limites de receita bruta estipulados no Simples Nacional, regido pela Lei Complementar nº 123/2006, por força do princípio da retroatividade benigna, nos casos em que a norma deixa de capitular determinado fato como infração; c) antes de julgado o ato de exclusão do Simples, os lançamentos tributários não podem ser realizados; d) carece de comprovação hábil para fundamentarse os lançamentos tributários, sendo insuficiente a apuração das receitas auferidas pelas Gias e Notas Fiscais; deve ser comprovado o efetivo ingresso de numerário no caixa da empresa; e) o arbitramento não pode prosperar em razão da recorrente não ser pessoa jurídica obrigada a optar pelo regime do lucro real, mas ser optante do Simples; é medida extrema a ser utilizada somente em casos excepcionais; f) a autoridade fiscal deveria ter efetuado os lançamentos tributários utilizandose do lucro presumido, medida menos gravosa à recorrente; g) a qualificação da multa somente é admitida quando houver sonegação, fraude ou conluio, e a autoridade fiscal não trouxe elementos que justificassem a sua aplicação, permitindo assim que a recorrente se defendesse cabalmente do que lhe estaria sendo imputado; não há comprovação de que a recorrente agiu com dolo; a recorrente preencheu corretamente as Gias estaduais e emitiu Notas Fiscais não podendo falarse em sonegação; e, havendo dúvida, devese aplicar o artigo 112, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, in dubio pro contribuinte. h) requer a intimação da inclusão do julgamento em pauta a fim de promover a sustentação oral por meio de advogado. Por derradeiro, requer a anulação do ADE, bem como dos lançamentos tributários em questão. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Na sessão de julgamento, fez sustentação oral pela recorrente, Dra. Flávia Helena Gomes, OAB/PR nº 54.188. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. I) Da exclusão da empresa do Simples I.a) Nulidade do ADE Verificase dos autos que o ADE de efls. 12 foi emitido em perfeita consonância com as normas tributárias processuais. O fato de o valor exato que ultrapassou o limite legal não vir expresso em seu bojo, não tem o condão de tirarlhe a validade, nem seus efeitos jurídicos. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 8 A motivação restou expressa no referido ato administrativo, bem como a fundamentação legal: Art. 1° ESTÁ EXCLUÍDO o contribuinte RUBIMED COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA, CNPJ n° 00.553.026/000167, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a partir de 01/01/2004, em razão de ter ultrapassado, no ano imediatamente anterior, o limite de receita bruta de R$ 1.200.000,00 (Hum milhão e duzentos mil reais) e não ter efetuado a comunicação obrigatória de exclusão, mediante alteração cadastral, (art. 13, inciso II, letra "a" e § 1° e art. 14, inciso!, da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com alterações dadas pelas Leis n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e MP 2.18949 de 23 de • agosto de 2001) Consta ainda do ADE, expressamente, a remissão ao número deste processo (11634.000417/200806), cujas efls. 03 e 04 trazem a Representação Fiscal elaborada pela autoridade fiscal, na qual explicita que, em confronto com os Livros de Registros de Saídas e documentos enviados ao Fisco Estadual, as DSPJ (Declarações Simples) entregues pela recorrente veicularam valores em muito inferiores àqueles. As planilhas com os valores mensais constam às efls. 04 e denotam a enorme discrepância entre os valores informados nos documentos, bem como a obtenção de receita bruta (faturamento), para o anocalendário de 2003, no valor de R$ 2.354.207,81 (valor declarado ao Estado), valor este notoriamente superior àquele estipulado na norma tributária de regência do Simples (Lei nº 9.317/96). Por conseguinte, não há que se falar em cerceamento de defesa, por ausência de motivação no ADE atacado. I.b) Lei Complementar nº 123/06 aplicação retroativa para revogar os valores estipulados pela Lei nº 9.713/96 Incabível a pretensão da recorrente, pois os limites legais estipulados pela Lei nº 9.317/96, que regia o Simples Federal, não foram revogados pela Lei Complementar nº 123/06, que rege o instituído Simples Nacional. Aliás o Simples Federal e todas as normas pertinentes ao seu disciplinamento somente deixaram expressamente de vigorar a partir de julho de 2007, por própria determinação inserida na Lei Complementar nº 123/06, instituidora de outro regime de tributação diferenciado à micro e pequenas empresas. Não há que se falar em ato cometido pela recorrente que lei de mesma natureza, posterior, deixou de tratar como infração. São duas normas distintas, válidas para períodos totalmente distintos. Para o ano em questão, 2003, a norma tributária estipulou limites para as empresas poderem aderir e permanecer à sistemática favorecida e diferenciada de tributação, valores estes que se inobservados culminam na exclusão do sistema, como foi o presente caso. A obrigação de optar por outro regime de tributação, ao ultrapassar o limite legal definido em lei, é do contribuinte que aderiu à sistemática, assim que, ao final do ano calendário, observar o fato excludente. A recorrente infringiu a norma tributária vigente à época dos fatos geradores e, por isto, correta a sua exclusão do benefício fiscal. I.c) Lançamentos Tributários e Exclusão do Simples possibilidade Fl. 851DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 6 9 O entendimento sobre esta matéria já foi consolidado por este órgão, pela edição da Súmula nº 77, cujo teor é o que segue: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Afastada esta argumentação da recorrente. II) Dos lançamentos tributários II.a) Falta de comprovação da matéria tributável Descabida a argumentação da recorrente, em face às cópias das Notas Fiscais, dos Livros de Registro de Saída de Mercadorias, presentes nos autos, que não permitem margem de dúvida quanto aos valores faturados (receita bruta) auferidos pela recorrente nos anos fiscalizados (2003, 2004 e 2005), sendo esta a base de cálculo para a apuração dos tributos federais sob o regime de tributação do Simples. II.b) Arbitramento cabimento Na ausência da apresentação de livros contábeis pela empresa, correto o arbitramento do lucro com base na receita conhecida, no caso, nos valores das Notas Fiscais de vendas. É o disposto nos artigos mencionados pela autoridade fiscal, a saber, 530 e 532 do RIR/99. A recorrente foi intimada apresentar os livros contábeis e não o fez. Sequer o Livro Caixa com toda a movimentação financeira devidamente escriturada. É seu o ônus de manter a contabilidade, nos termos do artigo 7º da Lei nº 9.317/96, ainda que optante pelo Simples: Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 10 Destarte, não restou outra forma para a fiscalização apurar o lucro, a não ser pelo seu arbitramento. III) Da aplicação da multa qualificada – 150% Para se avaliar o cabimento da qualificação da multa de oficio, mister é que se interprete o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 ( art. 957, inciso II, RIR/99): Art.957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A despeito do entendimento esposado pela recorrente de que não incorreu em crime de sonegação, primeiramente cabe distinguir os ilícitos tributário e penal tributário. Para que o sujeito passivo da obrigação tributária seja penalizado com a multa de oficio qualificada é necessário que o evidente intuito de fraude seja detectado. Ocorre que o legislador, a fim de evitar dissensões doutrinárias, definiu na própria lei o que entende por evidente intuito de fraude lançando mão às figuras descritas em outra norma: nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Portanto, a imposição da multa qualificada decorre de conceituação legal e desta não pode fugir da aplicação, o Auditor Fiscal. Considerase, pela norma tributária, evidente intuito de fraude, lato sensu, as hipóteses descritas nos artigos a seguir transcritos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Observese que esta Lei também não é de natureza criminal, mas tributária, portanto não se pode cogitar do termo nela referido 'sonegação' como um crime. A propósito, as figuras delitivas vinculadas à supressão ou redução de tributo de forma dolosa, no aspecto penal, estão previstas na Lei n° 8.137 em vigor desde 1990 — Crimes contra a Ordem Fl. 853DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 7 11 Tributária e as Leis que tratavam dos crimes de sonegação fiscal e da apropriação indébita já foram revogadas. Seguindo o raciocínio ora esposado, se a ação, ou omissão, do sujeito passivo se enquadrar numa das figuras descritas acima, por força de lei, o agente fiscal deve aplicar a qualificação da multa, não estando à sua escolha aplicar ou não a norma tributária. A autoridade fiscal, ao contrário do que argumentado pela recorrente, justificou a aplicação da multa de ofício na forma qualificada por entender que as atitudes evasivas da empresa no decorrer de vários anos demonstraram a sua intenção em fraudar o fisco, conforme relatado, ao que a recorrente contrapõe que os valores que constaram autuados estavam à disposição do fisco e que não houve a evidente intenção de fraudar a tributação. A qualificação da multa aplicada de ofício decorreu, por conseguinte, não apenas da omissão simples de receitas nas DSPJ entregues ao fisco, mas de condutas da recorrente, reiteradas e habituais, que afastam o conceito de “simples” omissão e denunciam a vontade de extrair do conhecimento do fisco federal as receitas auferidas em atividades praticadas de forma oculta à Administração Tributária nos diversos anos fiscalizados. Em vários meses, consoante relatado, a recorrente deixou de escriturar no Livro de Registro de Saídas as notas Fiscais emitidas, bem como escriturou em valores divergentes, inferiores, além de haver prestado falsas declarações ao fisco federal em diversos anos, oferecendo valores que chegaram a apenas 10% da receita bruta efetivamente auferida. Há ainda o agravante da recorrente haver se mantido em regime de favor fiscal (destaquei) flagrantemente de forma indevida, sem respeitar os ditames das normas editadas em benefício fiscal dirigido apenas a contribuintes que se enquadram nas especificações legais. São fatos notórios, constituindo, per si, prova da intenção desvelada da contribuinte em evadirse da tributação devida. Afasto por estas razões, a aplicação da Súmula CARF nº 14. Extraio, por derradeiro, trecho de acórdão proferido por esta Turma2, de talentosa lavra da Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que bem espelha o juízo a respeito da matéria, acrescendo aos pontos já expostos: “Decorre daí que a interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 2 Acórdão nº 1801001.049, em 28 de agosto de 2012 processo nº 12897.000089/200992 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 12 No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômico financeira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas declarações IRPJ de inatividade – DIPJInativa, dos anoscalendário 2004 e 2005, mediante as quais a pessoa jurídica informou que não promoveu movimento operacional e financeiro, nos respectivos períodos. Observese que a admissão de apresentação de Declaração IRPJ da Pessoa Jurídica com a inserção de falsas informações, dentre elas a Declaração Simplificada da Pessoa JurídicaPJSI , como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/0131851 7 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a Fl. 855DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 8 13 entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Ademais, é evidente também que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Em sendo assim, cumpre reconhecer a fraude na apresentação das DIPJ de inatividade, como uma tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas comprovadamente auferidas na sua atividade operacional. As DIPJ de inatividade, em confronto com a movimentação financeira da empresa caracterizam a prática da omissão de receitas reiterada e sistemática. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.” A multa qualificada no presente caso foi corretamente cominada pela fiscalização e deve ser mantida. No que respeita à invocação do artigo 112 do CTN, incabível ser invocado pela recorrente, haja vista não haver qualquer sombra de dúvida quanto à conduta dolosa da recorrente em omitir ao fisco federal a receita bruta auferida em diversos anos, que impõe a aplicação da multa na forma qualificada. IV) Da tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. Por derradeiro, com relação ao pedido da recorrente de ser pessoalmente intimada da data de julgamento deste recurso, para apresentar eventual sustentação oral, esta intimação não está prevista nem no PAF, nem no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria do MF nº 256/09, que dispõe sobre a publicação da pauta no Diário Oficial, devendo a parte interessada acompanhá la – parágrafo único do art. 55: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; Fl. 856DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO 14 b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. (grifos não pertencem ao original) No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Sem prejuízo do judicioso voto exarado pela ilustre relatora, o qual foi acompanhado pelos demais integrantes da turma, ouso manifestar minha divergência, tendo em vista estar convencido que a notificação do auto de infração se deu na vigência da Lei Complementar 123/06, a qual instituiu novo e ampliado regime de apuração simplificado para micro e pequenas empresas, revogando a Lei 9.137/96 que, até então dispunha sobre o Simples Federal. Tomo tal posição, tendo em vista os seguintes dispositivos: O primeiro, de natureza constitucional, que determina que, instituído novo o regime especial de apuração nacional, cessam os efeitos dos regimes simplificados até então existentes, incluindo o federal: ADCT, Art. 94. Os regimes especiais de tributação para microempresas e empresas de pequeno porte próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cessarão a partir da entrada em vigor do regime previsto no art. 146, III, d, da Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 857DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Processo nº 11634.000417/200806 Acórdão n.º 1801002.276 S1TE01 Fl. 9 15 Em segundo, pois indubitável resta que se trata de novo regime de apuração dos tributos aqui lançados, e como tal, o lançamento, deve observar a legislação posteriormente vigente, consoante expressa determinação do Art. 144, §1º do CTN: CTN, Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O novo regime de apuração trazido pelo Art. 123/06 inclui inclusive critérios de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido atinentes ao regime geral aplicável à empresas no caso de exclusão do regime especial destinado às micro e pequenas empresas. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. [...] § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. Dessa feita, entendo que previamente ao lançamento deveria terse oportunizado ao contribuinte o direito deste optar pelo critério de apuração na forma do lucro presumido. Não observando tal critério, tenho por viciada a forma pela qual foi efetivada a apuração dos tributos no lançamento, razão pela qual este deve ser cancelado. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 858DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 24/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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