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Numero do processo: 13056.000140/2007-69
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA
Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve-se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 22-1 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício.
REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO
O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2007 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve-se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 22-1 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB. Recurso Voluntário Negado
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DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 221 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 01 40 /2 00 7- 69 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ em Porto Alegre RS (fls. 414/417 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 PRODUTOS DO CÓDIGO 2202.10.00 DA TIPI. PEDIDO DE REDUÇÃO DE CINQUENTA POR CENTO DA ALÍQUOTA DO IPI.EXISTÊNCIA DE DÉBITOS EM ABERTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. INDEFERIMENTO. A existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, a irregularidade em relação ao FGTS e a existência de registros no Cadin, em relação à pessoa jurídica interessada, impedem a concessão e o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, como é o caso da redução de alíquota do IPI, prevista na Nota Complementar 221 da Tabela de Incidência do referido imposto. Manifestação de Incorfomidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para melhor compreensão de meus pares acerca dos fatos, transcrevo o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a seguir transcrito: Conforme petição da fl. 1 e anexos, o estabelecimento industrial acima requereu a redução de alíquota do IPI, de que trata a Nota Complementar (NC) 221 da Tabela de Incidência do referido imposto, para o produto “Bebida Mista de Maça, Morango e Amora, com Aroma de Frutas Vermelhas, Marca Skinka Frutas Vermelhas”, registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sob nº RS 10969 000411. Segundo a referida NC 221, ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA e estejam registrados no órgão competente do referido Ministério. O interessado requereu ainda que o reconhecimento da redução retroagisse à data do registro do produto no MAPA. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000140/200769 Acórdão n.º 3802004.048 S3TE02 Fl. 449 3 Em cumprimento às normas complementares baixadas pela Portaria Interministerial nº 113, de 4 de março de 1977, dos Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura, publicada no Diário Oficial da União de 10 de março de 1977, com retificação em 5 de abril de 1977, este processo foi encaminhado ao MAPA, segundo a informação das fls. 32 e 33 (vol. I), em razão do que foi emitido por aquele Ministério o Parecer DBEB/CGVB/DIPOV da fl. 34 (vol. I), informando que a bebida em questão enquadrase nos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA. Com o retorno do processo ao órgão de origem, foi elaborado, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), o Parecer DRF/NIIO/Seort nº 021/2010, das fls. 227 a 230 (vol. II), que propôs o indeferimento do pedido, pela existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, pela irregularidade em relação ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pela existência de registros no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), citando o art. 60 da Lei n. 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 27 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, e art. 6g da Lei n. 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido parecer assentou ainda que, se fosse possível o deferimento, essa medida não retroagiria à data do registro do produto no MAPA, porquanto a redução de alíquota em causa não é auto aplicável, sendo imprescindível o reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A proposição referida no item precedente foi acolhida pelo Despacho Decisório DRF/NHO/Seort nº 126/2010, da fl. 231 (vol. II), que indeferiu 0 pleito do interessado. A ciência do referido despacho ocorreu em 19 de fevereiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 255 (vol. II). Na sequência, o interessado manifestou inconformidade, tempestivamente, em 23 de março de 2010, conforme arrazoado das fls. 256 a 267 (vol. II), firmado por advogada, credenciada pelo mandato e cópia do documento de identidade das fls. 282 a 285 (vol. II), alegando, em síntese, o que segue. Diz que o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, aplicase nas hipóteses de pedido de concessão de benefício fiscal, situação em que não se enquadra o pleito de redução de alíquota do IPI. O interessado argumenta que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG) já decidiu pelo deferimento do benefício da redução da alíquota do IPI, diante da comprovação de que o produto atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA, independentemente da apresentação de certidão de regularidade fiscal, conforme Acórdão DRJ/JFA nº 021.563, de 13 de novembro de 2008, proferido no Processo nº13738.000189/200157, em parte transcrito na manifestação de inconformidade. O entendimento expendido no precedente citado, segue o requerente, é no sentido de que a redução de alíquota de que trata a NC 221 da TIPI não Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 seria propriamente um benefício fiscal, mas um tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preencha certos requisitos estabelecidos na legislação, natureza objetiva que diferenciaria os pleitos da espécie dos benefícios fiscais subjetivos, sendo dados como exemplos as isenções do IPI concedidas aos taxistas e aos deficientes físicos, estas sim sujeitas ã comprovação referida no art. 60 da Lei nº9.069, de 1995. Na sequência, o interessado acrescenta que o indeferimento do pleito foi desmotivado, porquanto, mesmo que a regularidade fiscal fosse requisito para o deferimento do pedido de redução de alíquota do IPI, houve, no caso, a apresentação de certidões de regularidade perante a RFB, PGFN, INSS e FGTS, argumentando que a RFB não reconhece suas próprias certidões, que valeriam apenas perante órgãos externos, citando e transcrevendo artigos da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº3, de 22 de novembro de 2005, e da Instrução Normativa SRF ng 574, de 23 de novembro de 2005, para dizer que a regularidade fiscal foi comprovada e deve ser aceita para fins de reconhecimento da redução. Mais adiante, o manifestante alega que o Certificado de Regularidade do FGTS foi expedido apenas para o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) da matriz e da filial requerente, considerando que o FGTS é calculado e recolhido individualmente pelos estabelecimentos da pessoa jurídica. Alem disso, o interessado ressalta que a redução da alíquota do IPI favorecerá o produto Bebida Mista de Maçã, Morango e Amora, com Aroma de Frutas Vermelhas, Marca Skinka Frutas Vermelhas, fabricado no estabelecimento requerente, motivo pelo qual discorda da exigência de comprovação de regularidade de estabelecimentos que não serão beneficiados por essa redução. Por último, o requerente pede a reforma do despacho decisório contestado, para que seja reconhecido o direito à redução da alíquota do IPI, nos termos do pleito. É o Relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2010 (fl. 419). Inconformada, a Recorrente apresentou, em 11/08/2010 (fl. 420), o recurso voluntário de fls. 420/441, onde ressalta o seguintes tópicos: 1 condição para concessão do benefício fiscal da regularidade fiscal a) que a solicitação foi indeferida, por ter entendido a DRJ, que o pedido de redução de alíquota de IPI (incidente sobre o produto por ela fabricado, classificado como Bebida Mista de Maçã, Morango e Amora, com Aroma de Frutas Vermelhas, da marca Skinka Frutas Vermelhas, registro no MAPA: RS – 10969 000411), encontrase em desacordo com a legislação de regência, uma vez que foi formulado sem que a contribuinte atentasse à condição essencial a concessão, que seria a regularidade fiscal e que são infundadas as alegações do fisco de que há necessidade de comprovação da regularidade fiscal para autorizar o reconhecimento de redução de alíquota do IPI e que a recorrente não está irregular perante à RFB/PGFN, INSS e FGTS. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000140/200769 Acórdão n.º 3802004.048 S3TE02 Fl. 450 5 b) aduz da desnecessidade de comprovação da regularidade fiscal da recorrente a autorizar o reconhecimento de redução de alíquota de IPI; que é cediço que os requisitos para a concessão da redução da alíquota do IPI, previstos na NC 221 da TIPI, consta no art. 4º do Decreto nº 84.637/80; verificase que a redução da alíquota do IPI vinculase, exclusivamente, aos elementos objetivos do produto, quais sejam: o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como o regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;Cita várias julgados administrativos e arremata ressaltando que a concessão do benefício da redução da alíquota do IPI é direito da recorrente, independente da comprovação de sua regularidade fiscal. 2.1 – Da regularidade fiscal da recorrente c) argumenta que, mesmo que se admita que a regularidade fiscal seja requisito para o indeferimento do Pedido de Redução da Alíquota do IPI, haveria que se reconhecer que a recorrente encontrase regular perante os diversos órgãos da administração pública, conforme se comprova através das inclusas Certidões de Regularidade Fiscal junto à RFB/PGFN, INSS e FGTS; que o fato da Certidão de Regularidade Fiscal junto à RFB/PGFN e INSS apresentarem créditos tributários com exigibilidade suspensa (Certidão positiva com efeito de negativa), por ter a recorrente discordado com tal exigência, não a toma inábil a produzir exatamente os mesmos efeitos da certidão negativa, que a recorrente não está irregular perante o fisco; d) ressalta que o que foi exposto acima, está em consonância com as regras estabelecidas no artigo 3° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n°. 3 de 2 de maio de 2007, e o artigo 3° da Instrução Normativa SRF n°. 734 de 02 de maio de 2007, não sendo verdade a afirmação do fisco de que a recorrente está irregular em relação do FGTS, conforme demonstram os Certificados de Regularidade do FGTS CRF, expedidos no CNPJ da matriz e da filial, considerandose que o FGTS é calculado e recolhido, independentemente, por cada estabelecimento. 2 Da aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI. a) a Recorrente alega que a redução em discussão deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação do produto aos requisitos previstos em lei, isto é, em 10 de maio de 2007, uma vez que a norma que concede a redução de alíquota não faz menção à publicação de ato declaratório como requisito à redução da alíquota do IPI na situação em tela; b) cita trecho do voto da relatora Ana Zulmira Chaves de Souza, no acórdão n° 0928.677, sob contestação parcial no presente recurso, onde este posicionamento é declinado expressamente, entretanto, está expresso em todos os textos de lei citados que a função precípua do ato declaratório da RFB é a declaração de uma situação jurídicotributária préexistente. Vêse que o legislador utilizou o verbo “declarar” em vez de “conceder”, demonstrando claramente que o intuito da expedição do ato declaratório é declaratório e não constitutivo do direito do contribuinte; c) que o Ato Declaratório mencionado no artigo 65 do decreto 4.544/02, não constitui um direito, mas sim declara publicamente a sua utilização; que a declaração da utilização do beneficio não é elemento necessário para que o direito o benefício possa ser exercido. O direito à aplicação da alíquota reduzida decorre apenas e tão somente do reconhecimento dos critérios objetivos vinculados ao PRODUTO (REFRIGERANTE DE Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 GUARANÁ); que este reconhecimento consumouse com a concessão do registro do produto junto ao MAPA, em 10/05/2007. Cita jurisprudência administrativa. 3 Dos pedidos Ao final, a Recorrente requer seja julgado totalmente procedente o presente Recurso Voluntário, a fim de seja reconhecido seu direito à aplicação do benefício da redução da alíquota do IPI, a partir da data da concessão do registro (10/05/2007) do produto SKINKA FRUTAS VERMELHAS, perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Reitera o pedido para que todas as intimações sejam levadas a efeito no seu estabelecimento matriz, sito em Itu/SP, na Av. Primo Schincariol, n° 2300, Itaim, CEP 13312 250 e postula, por fim, que seu procurador, seja também intimado em seu escritório situado na Av. Barão de Tatuí, n° 540, 3° andar, município de Sorocaba, Estado de São Paulo, CEP 18030000. Solicita a sustentação oral de suas razões, requerendo sua intimação pessoal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A matéria é da competência da 3ª Seção de Julgamento e o valor está dentro do limite de alçada das turmas especiais. Logo, deve ser conhecido. Tratase o presente processo de pedido de reconhecimento e declaração de redução de alíquota do IPI – exercício de 2007(fls. 2/3), incidente sobre a produção de refrigerantes, com base no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI de 2002), mais precisamente nos termos da Norma Complementar “NC 221” da TIPI, que restou indeferido pela Delegacia da Receita Federal de origem (Parecer fls. 343/351) em razão de o contribuinte se encontrar em situação irregular com relação a tributos e contribuições federais. A solicitação foi indeferida pela DRF de Novo Hamburgo/RS e referendada pela DRJ de Porto Alegre (RS), por ter entendido, em suma, que o pedido de redução de alíquota de IPI, encontrase em desacordo com a legislação de regência, uma vez que a solicitação foi formulada sem que a contribuinte atentasse à condição essencial a concessão, que seria a regularidade fiscal. Da mesma forma, indeferiu a aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI à data do Registro do Produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Observase que o pedido da Recorrente encontrase fundamentado no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 cumulado com a Norma Complementar “NC 221” da TIPI, que assim dispõe: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000140/200769 Acórdão n.º 3802004.048 S3TE02 Fl. 451 7 pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio;” “NC (221)Ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério." Em consonância com o teor da norma acima, apresentou a Recorrente às fl. 04 o “Certificado de Registro do Produto” exarado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que atesta as características do produto do qual se requer a redução da alíquota da seguinte forma: “O Produto: BEBIDA MISTA DE MAÇA, NORANGO E AMORA COM AROMA DE FRUTAS VERMELHAS, marca: “SKINKA FRUTAS VERMELHAS, Registro nº RS – 10969 00411, protocolo nº 21042.784/0734, concedido em 10/05/2007, atendidos que foram os dispositivos regulamentares em vigor.” No entanto, a DRF de origem, nos termos do despacho de fls. 343/352, entendeu por “indeferir o pedido de redução de 50% da alíquota de IPI incidente sobre o produto denominado Bebida Mista de Maçã Morango e Amora, com Aroma de Frutas Vermelhas, da marca Skinka Frutas Vermelhas, em face ao disposto no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, no art. 27 da Lei n° 8.036/1990 e no art. 6° da Lei n° 10.522/2002”, ou seja, o contribuinte deveria comprovar, para a fruição de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, a quitação de tributos e contribuições federais, nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, assim disposto: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” É importante considerar que o IPI é um imposto indireto, vale dizer, o encargo financeiro da exação é transferido pelo contribuinte de direito (industrial), ao contribuinte de fato (adquirente do produto). Nesse contexto, a redução da alíquota ad valorem normal de 27%, estabelecida na TIPI para o código 2202.10.00, em função da essencialidade dos produtos, constitui sim um benefício fiscal. O acórdão recorrido, por sua vez, a despeito de também velar pelo indeferimento do pleito do contribuinte, se valeu, em síntese, do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069/95, bem como na Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, cumprindo destacar o “item 3” da referida norma: “(...) 3. O Órgão local da Secretaria da Receita Federal formalizará o processo (1ª via), informando acerca dos antecedentes fiscais do requerente e o encaminhará, através da respectiva Delegacia Federal, ao órgão local do Ministério da Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Agricultura, GEACO – Grupo Executivo de Economia Agrícola e Comercialização Responsável pela análise do(s) produto(s) (...)” Notase que as próprias normas complementares baixadas pela citada Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 1977, cujo item 3 acima transcrito, em parte, explicitam a necessidade de verificação dos antecedentes fiscais do requerente, verificação que deve necessariamente ter consequências práticas, por não ser razoável admitir que as normas jurídicas contenham comandos inúteis. E mais, destacase ainda abaixo reproduzido, trechos com informações importantes do acórdão recorrido: (...) Tendo como certa a necessidade de comprovação da regularidade fiscal do fabricante da bebida objeto de pedido de reconhecimento de redução de alíquota de que trata a NC 221 da TIPI, cabem, ainda, mais duas observações importantes. Em primeiro lugar, o art.60 da Lei nº 9.069, de 1995, é claro ao exigir a comprovação da regularidade pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, o que abrange todos os estabelecimentos, e não apenas o estabelecimento fabricante do produto objeto do pedido de redução de alíquota. Em segundo lugar, a emissão de certidão negativa ou de certidão positiva com efeito de negativa, pela RFB,não exclui o direito da Fazenda Nacional de cobrar quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo, que vierem a ser apuradas, aliás, como está expresso no próprio documento. Vejase na seqüência toda legislação que rege essa matéria, a começar como reza a Constituição Federal em seu art. l95, parágrafo 3°: Art 195. (...) § 3º A pessoa jurídica com débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei não poderá contratar com o poder público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. " Deve ser considerado também o que preceitua a Lei n° 8.036, de l1 de maio de l990, em seu art. 27, alinea “c”: Art 27 A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória, nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o F G T S; " Com relação à regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, assim determina a Circular Caixa Econômica Federal n° 392, de 25 de outubro de 2006: "4.2 A verificação da regularidade do FGTS e procedida pela CAIXA somente para empregadores cadastrados no Sistema do FGTS, (...). Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000140/200769 Acórdão n.º 3802004.048 S3TE02 Fl. 452 9 4.3 A regularidade das empresas com filiais está condicionada à regularidade de todos os seus estabelecimentos. 4.3.1 A regularidade da filial esta condicionada à regularidade da matriz e dos demais estabelecimentos da empresa. " E, ainda, não deve ser olvidado o que estabelece o inciso II, do art. 6° da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: “Art. 6” É obrigatória u consulta prévia ao Cadin, pelos Órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta, para: II concessão de incentivos fiscais e financeiros; " Consequentemente, resta correto o indeferimento do pedido de reconhecimento de redução de alíquota do IPI, prevista na NC 221 da Tabela de Incidência do referido imposto, pela existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, pela constatada irregularidade em relação ao FGTS e pela existência de registros no Cadin, em relação à pessoa jurídica interessada (grifouse). Conforme verificase nos autos, a Recorrente não apresentou no início do procedimento (junto com o Requerimento inicial, protocolado em 01/2007), as suas certidões de regularidades, tendo a administração a tarefa de demonstrar a que se deve a alegada irregularidade (documentos juntados aos autos), atendendo ao disposto no item 3 da Portaria Interministerial n° 113, de 04/03/77, dos Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura, publicada no DOU de 10/03/77 (com retificação no DOU de 05/04/77). Vejase a Informação Fiscal à fl. 33: (...) Assim, tendo instruído o presente processo com os antecedentes fiscais do requerente (fls. 42 a 50), proponho a remessa do presente processo à Delegacia Federal de Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul, à Av. Loureiro da Silva, 515, 7° andar, S/701 Porto Alegre, com a solicitação de fazêlo chegar ao DIPOV/Departamento de Inspeção dc Produtos de Origem Vegetal (Órgão do MAPA a quem atualmente compete executar as atividade de fiscalização, inspeção e classificação de produtos de origem vegetal) para os fins previstos na referida Portaria Interministerial em seu item 4. Como é cediço, o artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração federal, dispõe que: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. E com base nessas premissas, em fevereiro/2008, a DRF de Novo Hamburgo (RS), quando da análise do pedido da Recorrente, e verificando irregularidades fiscais apresentadas nas Certidões, tomou o cuidada de INTIMAR a Recorrente a regularizar sua situação fiscal e apresentar, dentre outros, os seguintes documentos (fls. 75/76), sob pena de arquivamento do processo, conforme o art. 40 da Lei n° 9.784/99: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 2 Tendo em visto o que dispõe o art. 60, caput, da Lei 9.069/95, de 29 de junho de 1995, Certidão Negativa de Débito CND (ou Positiva com Efeitos de Negativa), fornecida conjuntamente pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, em conformidade com o artigo 62 do DecretoLei n° 147, de 03 de fevereiro de 1967 em relação à Matriz. Para isso, a empresa deverá regularizar sua situação fiscal junto à PGFN/RFB; 3) De acordo com o art. 6°, II, da Lei 10.522/02, de 19 de julho de 2002, regularizar sua situação fiscal junto ao CADIN Cadastro Informativa de Créditos não Quitados do Setor Público Federal, visto que o contribuinte possui registro lançado neste cadastro. Mais adiante, em setembro/2009, foi emitido novas intimações à Recorrente, solicitando novamente a regularizar sua situação fiscal junto a RFB bem como outras comprovações, quais sejam, certidão em relação as contribuições Previdenciárias e Certificado de regularidade do FGTS, conforme documento fls. 214/215, bem como em novembro/2009, repisando regularizar sua situação junto ao CADIN Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal. (intimação fl. 219). Diante de todas essas informações e documentos requeridos pela autoridade fazendária e apresentadas pela Recorrente, foi procedidas as análises pela fiscalização, resultando as informações, onde destacase trechos do referido Parecer DRF/NHO/Seort nº 021 de 04/02/2010 (fls. 343/351): (...) Relativamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, incluindo as inscrições em Divida Ativa do INSS, o contribuinte apresentou as Certidões Positivas com Efeitos de Negativas de Débitos, presentes à folha 184 (verso e anverso). Em consulta à Prévia de CND Relatório de Restrições , no sistema Plenus, constatouse que não há restrições para a obtenção de uma nova Certidão Negativa de Débitos (fl. 193), comprovando que o contribuinte efetivou a regularização das pendências anteriormente verificadas. Quanto à regularidade junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o interessado acostou ao processo os Certificados de Regularidade do FGTS CRF referentes aos estabelecimentos 50.221.019/000136 e 50.221.019/003828 (fl. 185, verso e anverso). Desconsiderou, assim, os termos da intimação n° 649/2009 (fl. 153), que em seu item 4 solicitava especificamente a prova de regularidade quantos às filiais 50.221.019/001612, 50.221.019/0023 4l, 50.221.019/003313, 50.221.019/003909, 50.221.019/004808 e 50.221.019/004980. A Circular Caixa Econômica Federal n° 392/2006, já transcrita, é clara ao condicionar a regularidade de uma filial à regularidade da matriz e dos demais estabelecimentos da empresa, bem como afirma não proceder à verificação da regularidade do FGTS para empregadores não cadastrados no sistema do FGTS. Em nova consulta ao sitio da Caixa Econômica Federal CEF f na internet (fls. 217 a 219, verso e anverso), verificouse que a situação não havia se alterado quanto àqueles estabelecimentos. Ademais, observouse que Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000140/200769 Acórdão n.º 3802004.048 S3TE02 Fl. 453 11 neste ínterim foram abertas sete novas filiais, nenhuma delas cadastrada junto ao FGTS (fls. 220 a 223 e 225 e 226, verso e anverso). No tocante à sua situação junto ao CADIN, não obstante o Termo de Intimação n° 812/2009 (fl. 157), o contribuinte nada aduziu. Em nova pesquisa no sistema (fl. 224), resta ainda um registro como inadimplente. É fato que a Recorrente apresentou junto com seu recurso voluntário, cópias das seguintes Certidões: a) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, b) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias c) às de Terceiros Certificado de Regularidade do FGTS CRF (Matriz) e Certificado de Regularidade do FGTS CRF (Filial recorrente), todas emitidas durante o período de abril a agosto de 2010 e todas com prazo de validade para o ano de 2010 – fls. 443/446. No entanto, para atender os termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa devese reportar e efetuar o exame da situação fiscal, verificando sua regularidade, no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal e não com base em documentação apresentada, com data de validade para período posterior. Logo, se constatar a existência de algum débito no momento do exame para a concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. Cabe ainda salientar que havia, nos Termos de Intimação emitidos, observação explicita quanto ao momento da análise da regularidade fiscal, , assinados e datados pela DRF de Novo Hamburgo (RS), conforme abaixo transcrito (fls. 214/215 e 219): “ (...) Cabe salientar que a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é feita no momento da análise do Pedido e da emissão do Despacho Decisório que reconhece o direito à fruição do beneficio pleiteado”. Desta forma, no meu entender, os débitos apontados pela Receita Federal, no Parecer DRF/NHO/Seort nº 021, de 04/02/2010 (fls. 343/351), e pelo todo exposto neste voto, são impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado (reconhecimento do Direito à Redução de 50% na Alíquota do IPI incidente sobre o produto denominado Refrigerante de Guaraná, da marca Mini Skin Guaraná), objeto deste processo. 2 Da aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI. A recorrente alega que a redução em discussão deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente (MAPA), realizou o reconhecimento da adequação do produto aos requisitos previstos em lei, isto é, em 10 de maio de 2007, uma vez que a norma que concede a redução de alíquota não faz menção à publicação de ato declaratório como requisito à redução da alíquota do IPI. Notese que o art. 65, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002) Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 estabelece alguns requisitos para a fruição do beneficio previsto naquela nota complementar: “Art. 65. Haverá redução: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (21 I ) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do Órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficia; " (grifei). A questão acima referese ao momento que se autoriza a redução de alíquota do IPI incidente sobre a produção de refrigerantes e refrescos. Conforme a legislação, somente a partir da formalização do pleito perante a própria RFB ou a partir do registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. A norma não informa que a Administração Tributária pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo Ato Declaratório emitido pela RFB, porque a norma estabelece que cabe a RFB declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controladora para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Por tratarse de um benefício fiscal, sua utilização é opcional, sendo que apenas a partir da formalização do pleito perante a administração tributária fica consignada a vontade do contribuinte de usufruir a redução. Desta forma, não vejo como retroagir o direito à redução de alíquota à data de registro do refrigerante no Ministério da Agricultura. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal do Brasil e como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na RFB, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só poderia ocorrer a partir do protocolo do seu pleito. 3 Sustentação Oral e Intimações Quanto a intimação pessoal ou postal e para apresentação de sustentação oral e memoriais, não encontra previsão no Regimento Interno deste Conselho, devendo o contribuinte interessado e/ou seu representante legal acompanharem a publicação da pauta de julgamentos no Diário Oficial da União para, querendo, se fazerem presentes. (Arts. 55 e 58 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000140/200769 Acórdão n.º 3802004.048 S3TE02 Fl. 454 13 Da conclusão Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO mantendo, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10783.723604/2011-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2010
CIÊNCIA DO ENCERRAMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL APÓS NOTIFICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
Padece de nulidade formal o processo na qual a ciência do encerramento da fiscalização se deu após a notificação do auto de infração, momento este que ainda não restou finalizado o procedimento fiscalizatório, razão pela qual é inconcebível a lavratura de eventual auto de infração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar a anulação do recurso por vício formal. Vencidos o Relator Carlos Alberto Mees Stringari e a Conselheira Carolina Wanderley Landim, que votaram pela intempestividade da impugnação e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro que votou pela tempestividade da impugnação e anulação da decisão de primeira instância com novo julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar a anulação do recurso por vício formal. Vencidos o Relator Carlos Alberto Mees Stringari e a Conselheira Carolina Wanderley Landim, que votaram pela intempestividade da impugnação e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro que votou pela tempestividade da impugnação e anulação da decisão de primeira instância com novo julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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IMPOSSIBILIDADE. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. Padece de nulidade formal o processo na qual a ciência do encerramento da fiscalização se deu após a notificação do auto de infração, momento este que ainda não restou finalizado o procedimento fiscalizatório, razão pela qual é inconcebível a lavratura de eventual auto de infração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar a anulação do recurso por vício formal. Vencidos o Relator Carlos Alberto Mees Stringari e a Conselheira Carolina Wanderley Landim, que votaram pela intempestividade da impugnação e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro que votou pela tempestividade da impugnação e anulação da decisão de primeira instância com novo julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 36 04 /2 01 1- 82 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723604/201182 Acórdão n.º 2403001.880 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de janeiro I , Acórdão 1242.396da 14ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A impugnação foi apresentada intempestivamente e a preliminar de tempestividade foi argüida e analisada. Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – I, em considerar improcedente a impugnação apresentada quanto à preliminar de tempestividade argüida pelo interessado e não conhecer do mérito da impugnação ao lançamento de contribuições sociais A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: 1. Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 50.000.6369, lavrado em 10/08/2011 contra Município de Linhares/ Prefeitura Municipal, no valor de R$ 4.663.181,18, relativo à da multa isolada de 150%, prevista no art. 89, § 10 da Lei 8.212/1991, na redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplicada por ter sido constatada falsidade na compensação realizada indevidamente pelo contribuinte. 2. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 03 a 14 do eprocesso), a multa incidiu sobre os valores de compensação indevidamente declarados em GFIP a partir de 04/12/2008, data de vigência da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. 2.1. Informa o autuante que as compensações foram efetuadas de 12/2006 a 12/2009, mas o presente auto de infração referese ao período em que as correspondentes GFIP foram entregues, a saber: 02/2009, 03/2009, 04/2009, 06/2009, 08/2009, 09/2009, 10/2009, 11/2009, 12/2009 e 03/2010. 2.2. Consta do relatório fiscal que as compensações efetuadas pela empresa foram objeto de ação ajuizada em 20/10/2006 pelo Município de Linhares contra o Instituto Nacional do Seguro social – INSS. Tal ação teve por fim autorizar o Município a compensar os valores recolhidos a título de contribuição social incidente sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 municipal no período de 01/1998 a 06/2004, com parcelas vincendas de contribuição social previdenciária, sem a limitação prevista nas leis 9.032/1995 e 9.129/1995. As referidas compensações foram consideradas indevidas pela Fiscalização, pelos fatos a seguir: 2.3. O primeiro erro observado pela Fiscalização foi que a competência 01/1998 não poderia ter sido compensada, uma vez que a contribuição incidente sobre os subsídios em questão só teve início em 02/1998, conforme o diploma legal que a criou, Lei 9.506/1997, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 26, de 21/06/2005. 2.3.1. Complementou o Auditor Fiscal que a Lei 10.887, de 18/06/2004, com vigência em 19/09/2004, passou a dispor sobre a contribuição incidente sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo municipal, estadual e federal, desde que não vinculados a Regime Próprio de Previdência Social. 2.4. O segundo erro apontado pela Fiscalização foi o contribuinte ter efetuado a compensação sem ter esperado a decisão judicial, a qual foi proferida em 01/06/2007. 2.5. Os cálculos de que se originaram os valores que o contribuinte compensou foram efetuados pela empresa URBIS – Instituto de Gestão Pública, CNPJ 05.417.517/000102, por conta de contrato com a Prefeitura de Linhares. 2.6. Além de autorizar o pagamento do valor contratado pelos serviços da URBIS (20% do total apurado a compensar), a Procuradoria Administrativa da Prefeitura de Linhares, em 31/01/2007, data em que ainda não existia a sentença da 1ª Vara Federal (só proferida em 01/06/2007), recomendou ao Município efetuar a compensação do valor calculado pela URBIS, adotando a cautela de respeitar o limite de 30% estabelecido nas leis 9.032/1995 e 9.129/1995. 2.7. Como efeito de a compensação anteciparse à sentença, o período compensado (de 01/1998 a 10/2001) entrou em conflito com os termos da decisão judicial, que julgou o mérito e declarou a extinção do processo no período anterior a 09/11/2001, em razão da prescrição, nos termos do art. 269, IV do CPC. 2.7.1. No mais, foi julgado o mérito para dar procedência à petição inicial, autorizandose a compensação no período de 11/2001 a 06/2004, com parcelas vincendas de contribuição patronal, sem a limitação prevista nas leis 9.032/1995 e 9.129/1995 e atualizandose os valores compensáveis pela taxa referencial SELIC. 2.8. O terceiro erro apontado pelo Auditor Fiscal foi ter o contribuinte utilizado como crédito da referida compensação valores que não havia recolhido, por conta de lhe ter sido concedida Liminar no Mandado de Segurança n° 2002.50.01.0048381 (vide subitens 2.9.2 e 2.9.3 adiante no presente relatório). Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723604/201182 Acórdão n.º 2403001.880 S2C4T3 Fl. 4 5 2.9. A Fiscalização informa, ainda, que, desatendendo ao determinado pela Instrução Normativa SRP n° 15, de 12/09/2006, o contribuinte não efetuou a retificação das GFIP correspondentes ao período em que foram compensados os recolhimentos à Previdência Social baseados na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.506/1997. 2.9.1. O Auditor destaca que, segundo o art. 3° da referida IN, o direito à compensação ou restituição desses valores prescreve no prazo de cinco anos, contado a partir de seu recolhimento. 2.9.2. Observa o Auditor Fiscal que, anteriormente à concessão de Liminar no Mandado de Segurança n° 2002.50.01.0048381, já existiam créditos constituídos com referência a contribuições da parte patronal e de segurados incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandatos eletivos do município. São eles: NFLD 35.432.9928, de 15/04/2002: período de 11/2000 a 06/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito e do VicePrefeito. NFLD 35.432.9936, de 15/04/2002: período de 07/2001 a 12/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito e do VicePrefeito. NFLD 35.432.9979, de 15/04/2002: período de 03/2001 a 06/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela Câmara aos Vereadores. NFLD 35.432.9987, de 15/04/2002: período de 07/2001 a 12/2001. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela Câmara aos Vereadores. NFLD 35.432.6899, de 15/04/2002: período de 04/1998 a 11/1998. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. NFLD 35.432.6902, de 15/04/2002: período de 03/1999 a 06/2001. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. NFLD 35.432.9910, de 15/04/2002: período de 07/2001 a 12/2001. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. 2.9.3. O Auditor Fiscal relata ainda que, após a concessão de Liminar no Mandado de Segurança n° 2002.50.01.0048381, com o fim de prevenir a decadência (ou seja, com sua exigibilidade suspensa), foram constituídos créditos referentes a contribuições da parte patronal e de segurados incidentes sobre Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 os subsídios dos exercentes de mandatos eletivos do município. São eles: NFLD 35.702.6322, de 23/04/2004: período de 01/2002 a 09/2003. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito e do VicePrefeito. NFLD 35.631.4693, de 23/04/2004: período de 01/2002 a 01/2003. Referente às contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela Câmara aos Vereadores. NFLD 35.631.4715, de 23/04/2004: período de 02/2002 a 07/2003. Referente às contribuições incidentes sobre as diárias maiores que 50% da remuneração do Prefeito. 2.9.4. O Auditor Fiscal informa que os valores lançados nas NFLD citadas em 2.9.2 acima foram parcelados indevidamente, razão por que pediu à Agência da Receita Federal do Brasil em Linhares que informasse tal fato ao setor responsável pelo parcelamento, com o fim de proceder aos devidos acertos, levando em conta os procedimentos também necessários quanto à situação das NFLD citadas em e 2.9.3. 2.9.5. À fl. 10 do eprocesso, o Auditor informa que, embora em todas as NFLD referidas em 2.9.2 e 2.9.3 acima tenham sido lançadas não só contribuições patronais, mas também da parte dos segurados, não foi constatada a ocorrência de apropriação indébita. 3. À fl. 11 do eprocesso, informou o autuante que ficou caracterizada a falsidade de que decorreu o agravamento da alíquota da multa, conforme previsto no art. 89, § 10 da Lei 8.212/1991, na redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. 4. O agravante de falsidade foi caracterizado por conta dos seguintes fatos: 4.1. Foi feita a inclusão da competência 01/1998 na compensação efetuada. 4.2. A compensação foi iniciada em 12/2006, ou seja, seis meses antes de ser proferida a sentença judicial que a autorizou. Como decorrência dessa antecipação, o contribuinte, ao compensar valores correspondentes ao período anterior a 09/11/2001, acabou por não respeitar os termos da sentença proferida em 01/06/2007, uma vez que esta julgou o mérito e declarou extinto o referido período, por prescrição. 4.3. O contribuinte efetuou a compensação de valores que não integravam a base de cálculo de suas contribuições previdenciárias, uma vez que os exercentes de cargo eletivo (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores) foram incluídos no Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723604/201182 Acórdão n.º 2403001.880 S2C4T3 Fl. 5 7 Regime Próprio da Prefeitura de Linhares (Lei 1.559/1991, alterada pela Lei Municipal 2.161, de 29/05/2000). 4.4. O contribuinte não fez as retificações das GFIP para excluir os segurados eletivos e respectivos valores de remuneração declarados. 5. A ciência do lançamento foi dada à Procuradora Geral do Município, em 10/08/2011, fl. 03 do eprocesso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Tempestividade do recurso. Tempestividade da impugnação. A ação fiscal foi encerrada em 15/08/2011. A impugnação efetuada em 14/09/2011 é tempestiva. A data do encerramento formal do procedimento fiscal deve coincidir, obrigatoriamente, com a data do recebimento da exigência fiscal. Ausência de efeito material na revelia da Fazenda Pública. Necessidade de fundamentação para não apreciar o mérito. Verdade material. Enriquecimento sem causa. Decisão judicial (compensação) transitada em julgado em 15/12/2011 – Fato superveniente. É o relatório Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O julgamento de Primeira Instância decidiu por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada quanto à preliminar de tempestividade argüida pelo interessado e não conhecer do mérito da impugnação ao lançamento de contribuições sociais. No julgamento, em razão da argüição da tempestividade da impugnação, esta foi apreciada, conforme ementa abaixo transcrita. TEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO. CONHECIMENTO. Expirado o prazo de trinta dias para impugnação, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Quanto à matéria, a autoridade julgadora encontrase impedida de apreciar a impugnação, por ser a intempestividade prejudicial à análise do mérito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Novamente em recurso, a tese da tempestividade da impugnação é apresentada e, novamente, será apreciada. Os fatos apresentados são incontroversos: · Ciência da autuação em 10/08/2011. · Encerramento da ação fiscal em 15/08/2011. · Apresentação da impugnação em 14/09/2011. O Decreto 70,235/72 estabelece prazo de 30 dias, contados da data em que foi feita a intimação, para a interposição da impugnação. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723604/201182 Acórdão n.º 2403001.880 S2C4T3 Fl. 6 9 Art.15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Pelas datas apresentadas acima, constatase que transcorreram mais de 30 dias da intimação da exigência à apresentação da impugnação. Entendo correta a decisão de primeira instância. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Redator Designado DO VÍCIO FORMAL Em que pese as considerações do Conselheiro Relator, hei de discordar quanto à intempestividade da peça impugnatória. A controvérsia acerca da procedência do lançamento em epígrafe vai além da discussão acerca da tempestividade da impugnação ofertada, regulamentada no art. 15 do Decreto nº; 70.235/72, para remeter à questão quanto à diferenciação entre o procedimento fiscal e o ato de lançamento. Temse, in casu, que a ordem dos fatos não respeitou a seqüência do iter administrativo tributário, o qual, nos dizeres de James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial. 5ª ed. São Paulo: Dialética, 2010), seria composto por três momentos ontologicamente distintos, a saber: i) procedimento fiscal preparatório do ato de lançamento (fiscalização e apuração); ii) ato de lançamento de tributos e/ou de aplicação de penalidades administrativas (obrigação principal, multa pelo não pagamento, multa de mora, sanção instrumental); iii) Processo Administrativo Tributário de julgamento (julgamento da impugnação ao lançamento) Mais adiante, ratificando o entendimento esposado, o Tributarista disserta: O ato administrativo de lançamento aparece em etapa intermediária entre o procedimento e o processo. Pode demarcar, ao mesmo tempo, o fim do procedimento e o início do processo. Vêse, pois, que não há que se falar em lançamento antes de finalizado o procedimento fiscal, eis que este é pressuposto daquele. Nesta linha de raciocínio, é inconcebível pensar em auto de infração enquanto pendente o encerramento do procedimento de fiscalização, até a lavratura e ciência do seu termo de encerramento pelo contribuinte, o que só ocorreu, in casu, em momento posterior à notificação do auto de infração. Portanto, não sobejam dúvidas quanto ao vício existente no presente processo. Entretanto, é de se notar que o presente equívoco em nada influi na materialidade da exação, maculando o processo administrativo, recaindo tão somente sobre o aspecto formal. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.723604/201182 Acórdão n.º 2403001.880 S2C4T3 Fl. 7 11 Patente, pois, o equívoco identificado no cerne do processo administrativo, razão pela qual padece de nulidade por vício formal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário para darlhe provimento, reconhecendo a nulidade formal do processo administrativo. Marcelo Magalhães Peixoto – Redator Designado Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10166.727087/2011-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.
MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA.
Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO.
Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 87 /2 01 1- 98 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 641 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela COMERCIAL SÃO PATRICIO S.A em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente a impugnação, e manteve o crédito tributário exigido. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de infração referente ao. AI, DEBCAD 37.345.6255, lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, consolidado em 13/10/2011. Conforme informado no relatório fiscal de fls. 5/17 e no relatório Discriminativo do Débito – DD (fls. 29/31), o presente crédito é referente a contribuições para a previdência social, devidas pelo adquirente de produção rural de pessoa física, por subrogação. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “Pela análise da contabilidade do contribuinte foi possível identificar registros de aquisição de produção rural de pessoas físicas efetuados na conta 2111010001 – Fornecedores diversos. Nessa conta foram registradas, tanto as aquisições de produção rural de pessoa física, como as de pessoa jurídica. Também foram contabilizadas nessa conta, compras de outros produtos adquiridos para revenda. Outros registros contábeis relativos à aquisição de produção rural de pessoas físicas também foram efetuados na conta 3222010003 – Compras bonificadas. Essas aquisições de produção rural de pessoas físicas não foram declaradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social – GFIP”. Em razão das modificações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a fiscalização procedeu à comparação entre as multas aplicáveis antes e após tais modificações, com vistas a aplicar a norma mais favorável ao contribuinte conforme determina o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” (fls. 18/19). As multas mais benéficas ao contribuinte, por ocasião da lavratura do presente auto de infração, eram aquelas apuradas com base na legislação modificada pela MP nº 449/2008.” Após devidamente intimado do lançamento em 27/04/2011 o contribuinte, apresentou impugnação tempestiva às fls. 1520/1540. No entanto a Delegacia manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Intimado da decisão da instância a quo, em 12/11/2013, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 1578, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls. 1582/1588, alegando em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso; b) aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação alega que o relatório dos fatos foi genérico, tendo sido os fatos geradores discriminados na planilha de lançamento comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi considerado pelo auditor fiscal. Aduz que não consta nos autos, a documentação que ele apresentou à fiscalização e os documentos que deram origem ao débito; c) Que não foram atendidos os requisitos legais para elaboração do auto de infração pela ausência de apresentação de provas dos fatos constitutivos do direito da Fazenda Pública. diz que falta à autuação impugnada requisito essencial que enseja sua nulidade em decorrência de vício formal, qual seja, a “fiel descrição do fato infringente”; d) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago. diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir. Cita jurisprudência; e) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas reformando o acórdão impugnando. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 642 5 É o relatório. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Do Vale Transporte No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte em pecúnia, ainda que as razões apresentadas pela recorrente sejam frívolas e genéricas, não posso deixar de dar provimento neste ponto nos termos da Súmula 89 deste Conselho. Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 643 7 (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO Fl. 646DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Fl. 647DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 644 9 Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. Valores pagos de acordo com a Convenção Coletiva Aduz a recorrente que no tocante ao dissídio e férias retroativas, houve engano do auditor fiscal, visto que a previsão de aumento deuse somente em 01.11.2008, não havendo o que falar em retroatividade. Analisando os autos, observase que equívoco há nas alegações lançacadas pela recorrente, visto que os pagamentos realizados na competência 12/2008 com a rubrica Dissidio retroativoela análise na CCT(679/691), que foi assinada somente em dezembro de 2008, os efeitos do aumento alcanc ariam o dia 1/11/2008 e as diferenc as seriam pagas em 12/2008. Observase, com baseno DD de fls. 46/56 e no demonstrativo Anexo XII (fls. 401/450) que, corretamente, essa foi aúnica compete ncia em relac ão a qual, a fiscalizac ão apurou contribuic ões relativas à retroac ãodos efeitos do dissídio, utilizandose para tanto do código de levantamento DI nos autos. Assim, não há o que prover no presente tópico. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva Fl. 648DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 645 11 Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, Fl. 650DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Fl. 651DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 646 13 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 652DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Das demais alegações As demais alegações lançadas pela recorrente são extremamente genéricas, não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, razão pela qual não pode este conselheiro acolhelas, mormente porque a recorrente limitase a informar que se não há o principal, não há que se falar em obrigação acessoria, “uma vez que o acessório segue o principal”. Ora, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado pela recorrente, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. A exata configuração do efeito devolutivo resulta na análise de dois aspectos: o primeiro concerne à extensão do efeito; o segundo, à sua profundidade. Delimitar a extensão do efeito devolutivo é precisar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem; medirlhe a profundidade é determinar com que matéria há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. Ademais, a decisão recorrida tem o seu objeto: pode haver julgado o mérito da causa (sentença definitiva), ou matéria preliminar ao exame do mérito (sentença terminativa). Devese analisar se a decisão do tribunal cobrirá ou não área igual á coberta pela do juiz a quo. A questão é analisada aqui do ponto de vista horizontal. Por outro lado, a decisão recorrida tem os seus fundamentos: o órgão de primeiro grau, para decidir, precisou enfrentar e resolver questões, isto é, pontos duvidosos de fato e de direito suscitados pelas partes ou apreciados de ofício. Cumpre averiguar se todas essas questões, ou nem todas, devem ser reexaminadas pelo Conselho, para proceder, por sua vez, ao julgamento; ou ainda se, porventura, hão de ser examinadas questões que o órgão a quo, embora pudesse ou devesse apreciar, de fato não apreciou. Aqui o problema é tratado em perspectiva vertical. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727087/201198 Acórdão n.º 2803003.780 S2TE03 Fl. 647 15 Assim, não recorredo a contribuinte especificamente dos termos decididos pela DRJ, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso. Razão pela qual não enfrento os demais lançamentos efetuados pela fiscalização e mantidos no acórdão a quo. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 654DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10283.909675/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 75 /2 00 9- 97 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909675/200997 Acórdão n.º 3202001.543 S3C2T2 Fl. 369 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908248/2011-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2001
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 48 /2 01 1- 24 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração maio de 2001, no valor de R$ 682,87.. O pedido foi transmitido através do PER nº 34888.94319.271205.1.2.043680, fls. 2/4, em 27/12/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 6 4 Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 195/197 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Maio de 2001 no valor de R$.12.029,76, e observado que o valor recolhido foi de R$.4.804,03 (fls.194), concluímos que o recolhimento foi insuficiente..” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 195/197 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Maio de 2001 no valor de R$.12.029,76, e observado que o valor recolhido foi de R$.4.804,03 (fls.194), concluímos que o recolhimento foi insuficiente..” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição da Cofins do mês de Maio de 2001, recolhido em 15/06/2001, no código 2172, no valor original de R$.682,87 (Seiscentos e Oitenta e Dois Reais e Oitenta e Sete Centavos), requeridoatravés do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 34888.94319.271205.1.2.043680, transmitida em 27/12/2005 (fls.2/4). A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 10 8 dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 11 9 Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908248/201124 Acórdão n.º 3801004.917 S3TE01 Fl. 12 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.020451/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da Contribuição devida pelas sociedades que se dedicam à atividade de locação de mãodeobra inclui os valores recebidos e depois pagos a título de salários ao pessoal locado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição devida pelas sociedades que se dedicam à atividade de locação de mãodeobra inclui os valores recebidos e depois pagos a título de salários ao pessoal locado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição devida pelas sociedades que se dedicam à atividade de locação de mãodeobra inclui os valores recebidos e depois pagos a título de salários ao pessoal locado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 02 04 51 /2 00 7- 90 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. Relatório LIDERANÇA CONSERVAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. teve lavrados contra si os autos de infração das fls. 6 a 9 e 14 a 17, para formalização da determinação e da exigência de crédito tributário referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social » Cofins, e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos valores de RS 1.741.207,32 e R$ 1.069.475,23, respectivamente. Termo de Verificação Fiscal de fls. 22 a 32 deu conta de que a autuação decorreu de divergências entre os valores das contribuições escriturados e os declarados em DCTF ou, pagos, nos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2003, em que nada foi declarado em DCTF. Os valores apurados estão discriminados nos demonstrativos de fls. 33 a 39. O feito foi impugnado (fls. 201 a 219 Cofins e fls. 297 a 315 PIS ). Em síntese, alega que a base de cálculo das Contribuições Sociais compõese exclusivamente da taxa administrativa , que é' o preço do serviço pago, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários do trabalhador temporário e os encargos sociais existentes. Argúi a inconstitucionalidade das alterações introduzidas pela Lei nº 9.718, de 1998. Nesse contexto, o entendimento de que a base de cálculo das Contribuições deve corresponder aos valores integrais das notas fiscais ofende o principio da capacidade contributiva e caracteriza confisco. Propugna por prova pericial a fim de demonstrar que o Fisco não excluiu da base de cálculo os valores repassados aos credenciados. Os lançamentos foram julgados procedentes pela 1ª Turma da DRJ/BHE. O Acórdão nº 0224.325, de 3 de novembro de 2009, fls. 394 a 402, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 As importâncias repassadas pelas empresas de trabalho temporário ti título de salários e encargos sociais, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. ASSUNTO: Contribuição PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 As importâncias repassadas pelas empresas de trabalho temporário a título de salários e encargos sociais, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. › Entendese por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para as receitas.( Lei n" 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art.. l°). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.020451/200790 Acórdão n.º 3402002.625 S3C4T2 Fl. 470 3 A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE. O arrazoado de fls. 451 a 467, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que se trata de agencia serviço temporário, que tem como atividade a prestação de serviços de limpeza e conservação, sendo que 95°/‹› dos serviços prestados por ela são para Órgãos Públicos, cujas contratações se dão mediante processo de licitação pública. Descrevese como intermediária entre o trabalhador e a empresa tomadora do serviço temporário. Na continuação, repete as alegações já oferecidas nas impugnações, inclusive a tese de que a base de cálculo do PIS e Cofins compõese apenas dos valores recebidos a título de taxa administrativa. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 451 a 467 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBHE1ª Turma nº 0224.325, de 3 de novembro de 2009. Em relação à natureza jurídica da atividade da Recorrente e suas repercussões na composição na base de cálculo das contribuições, considero improcedente o entendimento de que elas incidem somente sobre a taxa de agenciamento cobrada do tomador dos serviços. De acordo com a Lei nº 6.019, de 1974, que trata do trabalho temporário, e com o Decreto nº 73.840, de 1974, que a regulamentou, o locador da mãodeobra temporária tem a obrigação de efetuar o registro do empregado na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS, remunerálo e assistilo no que diga respeito aos seus direitos trabalhistas, e de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias e da taxa de contribuição do seguro de acidentes do trabalho. Resta claro, portanto, que há um contínuo vínculo jurídico entre a sociedade locadora de mãodeobra e o trabalhador por ela contratado, e os gastos decorrentes deste vínculo só podem configurar custos da atividade empresarial. Realmente, a atuação da sociedade durante a execução do contrato de locação de mãodeobra não se resume a um simples repasse entre as outras partes envolvidas (tomador do serviço e trabalhador), como se Fl. 471DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 houvesse um vínculo direto entre elas, com a exclusão da sociedade locadora de mãodeobra, que figuraria como mera agenciadora. Sendo assim, os valores recebidos e que depois são despendidos a título de salários, encargos e outros custos relativos ao pessoal locado configuram receita da Recorrente, e devem ser tributados como tal. O Superior Tribunal de Justiça também tem decisões nessa mesma linha de interpretação, conforme indica o Informativo STJ nº 0431, referente ao período de 19 a 23 de abril de 2010, obtido no sítio eletrônico do referido tribunal: Transcrevo a decisão unânime proferida pela 1ª Turma do STJ no Resp nº 1.176.749 PR, julgado em 20/04/2010: EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7∕70 E 70∕91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718∕98, 10.637∕02 E 10.833∕03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019∕74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO, PELA PRIMEIRA SEÇÃO, DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 1.141.065∕SC). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL E IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7∕70 e 70∕91 ou Leis ordinárias 10.637∕2002 e 10.833∕2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019∕74 e pelo Decreto 73.841∕74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.141.065∕SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 09.12.2009, DJe 01.02.2010). 2. Deveras, a definição de faturamento mensal∕receita bruta, à luz das Leis Complementares 7∕70 e 70∕91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718∕98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718∕98: RE 390.840, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG Fl. 472DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.020451/200790 Acórdão n.º 3402002.625 S3C4T2 Fl. 471 5 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Eros Grau Rel. p∕ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 3. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 4. Conseqüentemente, a definição de faturamento∕receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019∕74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. 5. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019∕74 e pelo Decreto 73.841∕74, consoante assentado na instância ordinária), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 6. Outrossim, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que: "... todos os tributos em discussão tem por base de cálculo montantes equiparados ou reflexos, isto é, há uma base de cálculo maior (faturamento) da qual derivam parcelas dessa mesma base de cálculo (lucro real e líquido) e a solução a ser dada deve ser coerente com essa realidade, salvo se existente alguma peculiaridade na legislação específica de regência. (...) ... não é a circunstância da prestação do serviço que autoriza a dedução ou não da receita da base de cálculo do tributo, mas o ingresso dessa receita a título próprio, que embora sirva para cobrir despesas administrativas, obrigações fiscais e trabalhistas posteriores não desqualifica a destinação da receita: compor o faturamento da pessoa jurídica. Somente havendo previsão legal é que se admite a repercussão jurídica do tributo, o que não é o caso das legislações dos tributos em referência na hipótese de cessão de mãodeobra quando o rendimento auferido (lucro líquido e receita total) pela prestação do serviço é auferido integralmente pela prestadora que também suporta integralmente o ônus fiscal." (REsp 1.088.802∕RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24.11.2009, DJe 07.12.2009) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 7. Conseqüentemente, em virtude do disposto no artigo 111, do CTN (interpretação restritiva da legislação tributária que verse sobre isenção ou exclusão do crédito tributário), as aludidas parcelas não podem ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez inexistente previsão legal expressa. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. 9. Recurso especial empresarial desprovido. Pelo exposto, voto por que se negue provimento ao recurso. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004234/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Crédito Presumido. Estoque de Abertura
O crédito presumido sobre o estoque de abertura, passível de dedução da base de cálculo da Cofins, segundo a legislação tributária de regência, será calculado à alíquota de três por cento.
Base de Cálculo. Ajustes.
Na apuração da base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, a dedução da sobra é aquela apurada na Demonstração do Resultado do Exercício, no fim do ano-calendário,
Crédito Presumido. Compensação. Impossibilidade
A legislação tributária de regência expressamente prevê que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da Cofins, veda a compensação com débitos tributários próprios.
Numero da decisão: 3101-001.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Crédito Presumido. Estoque de Abertura O crédito presumido sobre o estoque de abertura, passível de dedução da base de cálculo da Cofins, segundo a legislação tributária de regência, será calculado à alíquota de três por cento. Base de Cálculo. Ajustes. Na apuração da base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, a dedução da sobra é aquela apurada na Demonstração do Resultado do Exercício, no fim do ano-calendário, Crédito Presumido. Compensação. Impossibilidade A legislação tributária de regência expressamente prevê que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da Cofins, veda a compensação com débitos tributários próprios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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Estoque de Abertura O crédito presumido sobre o estoque de abertura, passível de dedução da base de cálculo da Cofins, segundo a legislação tributária de regência, será calculado à alíquota de três por cento. Base de Cálculo. Ajustes. Na apuração da base de cálculo da contribuição para PIS e da Cofins, a dedução da sobra é aquela apurada na Demonstração do Resultado do Exercício, no fim do anocalendário, Crédito Presumido. Compensação. Impossibilidade A legislação tributária de regência expressamente prevê que o crédito presumido apurado com base no custo de aquisição serve apenas para dedução do valor devido da Cofins, veda a compensação com débitos tributários próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 11/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 42 34 /2 00 5- 36 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.004234/200536 Acórdão n.º 3101001.255 S3C1T1 Fl. 107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de pretenso crédito de Cofins, apurado no 4º trimestre do anocalendário 2004, oriundo de exportação de mercadorias para o Mercado externo, consoante o artigo 6º, § 1º, da Lei n" 10.833, de 2003. Posteriormente, no anocalendário 2005, a contribuinte apresentou as declarações de compensação, via formulários, nas quais compensou débitos de IRPJ apurados nos meses de agosto do anocalendário 2005. A autoridade administrativa competente proferiu despacho decisório, através do qual deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconheceu parcialmente o direito creditório, e homologou as compensações realizadas nas declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. Foram efetuadas as seguintes glosas: (a) ajuste na dedução da base de cálculo da COFINS das sobras líquidas apuradas no DRE; (b) glosa parcial do crédito presumido sobre o estoque de abertura, calculado com base na alíquota de 3% e não 7,60% como considerou o contribuinte; e (c) exclusão do saldo credor a ressarcir do valor correspondente ao crédito presumido das agroindústrias. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando a procedência de seu requerimento nos seguintes pontos: DEDUÇÃO DAS SOBRAS LÍQUIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS; CRÉDITO I'RESUMIDO CALCULADO À ALíQUOTA 7.6% SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA; CRÉDITO PRESUMIDO — ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS. Também requereu a produção de provas, especialmente a pericial; o recebimento do recurso nos efeitos suspensivo e devolutivo; e a aplicação da taxa SELIC entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 470, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.255, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.004234/200536 Acórdão n.º 3101001.255 S3C1T1 Fl. 108 3 Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. No recurso voluntário, os argumentos de defesa da contribuinte giram em torno da dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício da base de cálculo da Cofins; alíquota do crédito presumido aplicada sobre o estoque de abertura, e exclusão do saldo a ressarcir correspondente ao crédito presumido das agroindústrias. O órgão julgador a quo rejeitou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, que foram repisados no Recurso Voluntário, pelos seguintes fundamentos, que confirmamos no presente julgamento e adotamos como razão de decidir: (a) Ajuste na dedução da base de cálculo da COFINS das sobras líquidas apuradas no DRE A legislação tributária de regência não autoriza a dedução das sobras líquidas mês a mês, mas apenas a dedução a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subseqüentes. Desse modo, inferese que o procedimento adotado pela autoridade fiscal no ajuste da base de cálculo da Cofins está de acordo com as normas contábeis, fiscais e estatutária da manifestante, não merecendo assim qualquer reparo. (b) Alíquota do crédito presumido aplicada sobre o estoque de abertura Quanto ao crédito presumido sobre estoque aproveitado pela contribuinte, igualmente não tem razão a alegação de que, tendo em vista a entrada em vigor das disposições que tratam da não cumulatividade do PIS e da Cofins, às alíquotas aplicadas aos estoques estariam corretas. O equívoco da manifestante está em desconsiderar o disposto no art. 12 da Lei n" 10.833, de 2003, que trata especificamente do direito a desconto correspondente ao estoque da abertura dos bens antes da entrada em vigor das normas da nãocumulatividade. Destarte, correto novamente o procedimento fiscal ao reduzir á aplicação pela contribuinte da alíquota de 7,60% sobre o valor do estoque de abertura para 3%, conforme as normas tributárias da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e a Cofins, não merecendo, dessa forma, prosperar os argumentos de defesa da reclamante. (c) Exclusão do saldo credor a ressarcir do valor correspondente ao crédito presumido das agroindústrias A possibilidade de compensação com débitos próprios de outros tributos administrados pela RFB, restringese apenas ao saldo credor da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e do art. 15 da Lei nº10.865, de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, o que não inclui o crédito presumido citado, que tem sua base legal introduzida pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Além desse fato, o disposto no art. 8º prevê que o crédito presumido apurado, apenas pode ser utilizado para deduzir da contribuição da Cofins, Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.004234/200536 Acórdão n.º 3101001.255 S3C1T1 Fl. 109 4 devida em cada período de apuração, o que também afasta a possibilidade de compensação com créditos próprios de outros tributos. Ademais, o comando previsto no art. 8º da Lei nº 10.925 de 2004 dispõe sobre a dedução da Cofins devida com crédito presumido apurado na aquisição de produtos para atividade agroindustrial, o que lhe confere mais especificidade do que a regra contida no inciso 1 do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2006, a qual prevê, genericamente, a compensação de débitos próprios com os créditos apurados na forma prevista no caput do artigo citado Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000868/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 86 8/ 20 07 -9 1 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Resolução nº 3201000.522 S3C2T1 Fl. 94 2 Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/20 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação doPatrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços(Pis/PasepImportação),da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Socialdevida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação),acrescidos da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, juros demora, da multa regulamentar por classificação incorreta em nomenclatura complementar (NVE– Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística) e, por fim, da multa pela descrição inexatade mercadoria perfazendo, na data da autuação, o valor total do crédito tributário lançado emR$ 82.154,00 (oitenta e dois mil e cento e cinquenta e quatro reais). Informa o relatório fiscal, fls. 03/05, que o importador, por meio dadeclaração de importação de número 07/12722178,de 19/09/2007, procedeu a importação, de500Kg de produto identificado por ele como sendo Azitromicina, sob o código NCM2941.90.59 e sob NVE 0001, ver fl. 33. Ocorre que o produto submetido efetivamente ao despacho foi a Azitromicina Diidratada, conforme demonstrado por Certificado de Análise do Produto, fl. 26,e nas etiquetas de identificação afixadas pelo fabricante, fls. 27/29. Em virtude disto foi lançada multa no montante de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria informada incorretamente em NVE, além de multa no mesmo índice em virtude de constatada a descrição inexata do produto, apresentado como Azitromicina, quando na verdade tratavase da Azitromicina Diidratada. A fiscalização argumenta que tratamse de produtos diferentes, o que pode ser verificado através da distinção na numeração de CAS – Chemical Abstracts Service, forma geral e peso molecular. Tal diferença faz com que a Azitromicina seja classificada na Nomenclatura de Valor Aduaneiro – NVE no enquadramento AA0001, enquanto a Azitromicina Diidratada no AA9999, conforme exposto na IN SRF 701/2006. Assim, no despacho realizado o importador utilizouse indevidamente de redução das alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, com base no artigo 1o, inciso I, do decreto 5.821/2006, que reduz a zero as alíquotas dos tributos citados, em relação aos produtos pertencentes ao Capitulo 29 da NCM listados no Anexo I da referida norma Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que os produtos importados não poderiam usufruir do beneficio fiscal, uma vez que este contemplaria tão somente esses produtos na forma anidra, e não na forma hidratada, correspondente ao produto objeto da importação. Para reforçar o conceito, observa que a hidratação é um detalhamento considerado pelo legislador no Decreto 5.821/2006, como se pode verificar no caso da Amoxicilina, da Amplicilina e da Cefalexina, que figuram na lista tanto na forma anidra quanto em formas sódicas, monoidratada e triidratada. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Resolução nº 3201000.522 S3C2T1 Fl. 95 3 Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio à Azitromicina Diidratada, a teria relacionado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, como o fez com os demais produtos citados. Cientificado do Auto de Infração em 03/10/2007, o sujeito passivo interpôs impugnação em 25/10/2007, na qual alega que: Há a necessidade de realização de perícia para que seja apresentada a diferença entre a Azitromicina e a Azitromicina Anidra, bem como entre a Azitromicina e a Azitromicina Diidratada, e ainda indicar o registro no CAS dos seguintes produtos: Azitromicina, Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada (mas sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito). Não poderia ser penalizada com a aplicação de penalidade relativa a classificação incorreta e além disso, incompleta, em virtude da impossibilidade da coexistência destas duas figuras. A Azitromicina é considerado gênero, que comporta as duas espécies: Azitromicina Anidra e Azitromicina Diidratada, o que, como será demonstrado na perícia, a Azitromicina não comporta CAS, sendo suas especificidade apresentada nas formas anidro e Diidratada. O Anexo I do Decreto 5.821/2006 ao contemplar o gênero Azitromicina reduziu a zero a alíquota de PIS/PASEP – Importação e da COFINS Importação para todas as espécies. Requer a anulação da autuação ou, ao menos, a relevação da penalidade aplicada, vez que o fato gerador não foi eivado de dolo, fraude ou simulação. Solicita a conversão do julgamento em diligência. A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/09/2007 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 19/09/2007 AZITROMICINA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Azitromicina Diidratada não foi elencada no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006 e por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Resolução nº 3201000.522 S3C2T1 Fl. 96 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que o legislador, “ao omitir a hidratação para alguns casos e a expressar em outros, deixou claro que, para aqueles produtos aos quais não especifica hidratação, refere se a forma anidra, e não à gênero ou grupo.” Nesse contexto, o Decreto n. 5.821/2008 determina que os produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas devem estar, cumulativamente, classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, e relacionados no Anexo I correspondente. Conclui, a decisão, portanto, que “a redução das alíquotas foi concedida a produtos, conforme especificado no Anexo I do Decreto 5.821/2006, e não a códigos de NCM ou NVE, como roga o impugnante. Estes servem sobretudo para identificar aqueles nos procedimentos de comércio exterior, não significando que dois ou mais produtos serem identificados pelo mesmo código implica dizer que merecem o mesmo tratamento nos diversos aspectos relativos a legislação, como a concessão de benefícios”. No que tange às penalidade aplicadas, manteveas integralmente, pois se entendeu que deveria ter sido declarada a importação de Azitromicina Diidratada, e , tendo sido apenas declarada “azitromicina”, perfezse a incorreta descrição. Observase que houve declaração de voto, apenas para explicitar o fundamento segundo o qual na lista da DCB 2003 já constavam a azitromicina e a azitromicina diidratada, porem, no anexo I do referido decreto, só está a azitromizina, ou seja, os produtos são listados exaustivamente no anexo I do Decreto nº 5.821/ 2006, sendo independentes das questões de gênero e de espécie. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto AZITROMICINA DIIDRATADA, NCM 2941.90.59, identificandoo como “AZITROMICINA” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000868/200791 Resolução nº 3201000.522 S3C2T1 Fl. 97 5 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 191 AZITROMICINA Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão diidratada da AZITROMICINA estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 37299.007475/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por proposta do Relator, os Embargos podem ser submetidos à deliberação da Turma. Havendo provas do lapso manifesto, impõe-se o acolhimento dos Embargos.
CERCEAMENTO DE DEFESA. ATA QUE NÃO REGISTROU PEDIDO DE VISTA QUE O RELATOR ASSUME QUE OCORREU.
A constatação feita pelo Relator de que a ata do julgamento não consignou pedido de vista faz emergir cerceamento de defesa que provoca a nulidade do Acórdão exarado. Anulação que atinge o Acórdão e todos os atos posteriores. Julgamento deve ser retomado do ponto anterior à sessão em que a nulidade foi observada.
Acórdão Anulado.
Numero da decisão: 2301-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em anular o acórdão proferido (2301-001.735 ), nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por proposta do Relator, os Embargos podem ser submetidos à deliberação da Turma. Havendo provas do lapso manifesto, impõe-se o acolhimento dos Embargos. CERCEAMENTO DE DEFESA. ATA QUE NÃO REGISTROU PEDIDO DE VISTA QUE O RELATOR ASSUME QUE OCORREU. A constatação feita pelo Relator de que a ata do julgamento não consignou pedido de vista faz emergir cerceamento de defesa que provoca a nulidade do Acórdão exarado. Anulação que atinge o Acórdão e todos os atos posteriores. Julgamento deve ser retomado do ponto anterior à sessão em que a nulidade foi observada. Acórdão Anulado.
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Recorrente METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Por proposta do Relator, os Embargos podem ser submetidos à deliberação da Turma. Havendo provas do lapso manifesto, impõese o acolhimento dos Embargos. CERCEAMENTO DE DEFESA. ATA QUE NÃO REGISTROU PEDIDO DE VISTA QUE O RELATOR ASSUME QUE OCORREU. A constatação feita pelo Relator de que a ata do julgamento não consignou pedido de vista faz emergir cerceamento de defesa que provoca a nulidade do Acórdão exarado. Anulação que atinge o Acórdão e todos os atos posteriores. Julgamento deve ser retomado do ponto anterior à sessão em que a nulidade foi observada. Acórdão Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em anular o acórdão proferido (2301001.735 ), nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 29 9. 00 74 75 /2 00 6- 32 Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301004.128 S2C3T1 Fl. 1.573 3 Relatório Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Metso contra decisão desta Turma de 01/12/2010 que teve o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos para provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN até o mês de início da fiscalização, vencidos os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que aplicavam o artigo 173, I; e para o período subseqüente, por voto de qualidade, a aplicação do artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzáles Silvério que mantiveram a aplicação do artigo 150, §4°. No mérito, por maioria de votos, mantidos os demais valores, vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Quanto às outras preliminares, por maioria de votos, entendeuse desnecessária a intimação dos prestadores de serviços, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal e, por unanimidade de votos, rejeitadas as demais preliminares. A Embargante alega que o resultado proclamado no momento da sessão de 01/12/2010 não é aquele registrado em ata e no dispositivo do Acórdão. Vejamos suas razões: O v. acórdão é omisso quanto à declaração de julgamento proclamada em 1°/12/2010. A ora Embargante foi intimada do v. acórdão 2301 001.735, constando como data do julgamento o dia 1°/DEZ/2010. Isso não é verdade. Naquele dia o resultado de julgamento não foi o que consta do v. acórdão embargado. Após sustentação oral, foi proclamado o resultado: “após o voto do Relator, pediu vista o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes”. Foi protocolada, em 10/FEV/2011, a petição anexa,da qual não se teve resposta. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 O fato é: se o julgamento foi concluído no dia 1°/DEZ/2010, o foi de maneira sigilosa, após a proclamação do resultado. Mais: houve cerceamento ao direito de defesa. O causídico, após realizar a sustentação oral, acreditou no resultado proclamado. Mas fez mal? Não era o caso de assim proceder? Se o caso, que se levantem os registros da sessão ocorrida em 17DEZ/2010, na qual o resultado não foi aquele referente ao acórdão embargado. O julgamento foi concluído retirando do advogado o direito de estar presente, pois o mesmo foi levado a acreditar no julgamento proclamado. Manifesto, portanto, o cerceamento ao direito de defesa e a nulidade do acórdão nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n. 70.235/72. Pedese a declaração do v. acórdão embargado para, uma vez constatada a falha, seja reconhecida a nulidade e determinada nova inclusão do Recurso Voluntário em pauta de julgamento. Indicados para analisar a admissibilidade dos Embargos, fomos observar nossas anotações com maior atenção, e verificamos que a situação narrada pela Embargante, de fato, ocorreu. Por algum lapso, a ata registrou a conclusão do julgamento ao passo que o correto seria anotar vistas para o Conselheiro Damião. Sendo caso de lapso manifesto, o caso amoldase ao art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o que nos levou a propor o acolhimento dos presente Embargos para submetêlo à apreciação da Turma, em harmonia com o art. 67 do Decreto 7.574/2011. O presidente da Turma acatou nossa proposta e o processo foi incluída em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. O Embargante alega que houve pedido de vista na sessão de dez/2010 que não consignado em ata. De fato, estávamos presentes naquela sessão e em nossas anotações da sessão consta que houve tal pedido de vista e este por algum equívoco não foi anotado na ata. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37299.007475/200632 Acórdão n.º 2301004.128 S2C3T1 Fl. 1.574 5 Naquela sessão em que houve o pedido de vista do Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes nem houve o início do processo de votação dos conselheiros, uma vez que o pedido de vista suspende o julgamento. Logo, o Acórdão 2301 001.735 está eivado de vício de competência e remanesce, até o momento, no mundo jurídico em ofensa ao amplo direito de defesa da Embargante. Assim, com base no art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72, proponho a nulidade do referido Acórdão para que o vício seja sanado e outro julgamento seja realizado com obediência ao rito regimental e com respeito ao amplo direito de defesa do Embargante. Portanto, deve ser anulado o Acórdão 2301001.735 e todos os atos posteriores, retomandose o julgamento, após a anulação atingir a definitividade, do ponto anterior à sessão em que houve o pedido de vista não anotado em ata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO aos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO de modo a ANULAR o Acórdão 2301001.735 e todos os atos posteriores. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003727/2002-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/02/2002
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado
Numero da decisão: 9303-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/02/2002 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-09-05T17:51:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-09-05T17:51:02Z; Last-Modified: 2014-09-05T17:51:02Z; dcterms:modified: 2014-09-05T17:51:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2014-09-05T17:51:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-09-05T17:51:02Z; meta:save-date: 2014-09-05T17:51:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-09-05T17:51:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-09-05T17:51:02Z; created: 2014-09-05T17:51:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2014-09-05T17:51:02Z; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-09-05T17:51:02Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 376 1 375 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.003727/200207 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 9303003.099 – 3ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria Imposto sobre a Importação Classificação Fiscal Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BASF POLIURETANOS LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/02/2002 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é, por si só, razão suficiente para que a importação seja considerada sem guia de importação, licença de importação ou documento equivalente. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 37 27 /2 00 2- 07 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 377 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da 3ª Sejul do Carf, sob a seguinte ementa. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/02/2002 (...) MULTA ADMINISTRATIVA. Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Penalidade. Guia e licenciamento de importação, documentos não contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, “b”, do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicase a súmula n° 4 do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de ser legitima a taxa SELIC a partir de 1° de abril de 1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Foi transcrita somente a parte que será objeto do presente recurso, que é a aplicação da multa administrativa prevista no art. 525, II, do RA/85, pela falta de Licenciamento de Importação. Essa é a única matéria a ser tratada por esse colegiado. A Procuradora requer a reforma da decisão recorrida, alegando simplesmente que a mercadoria não foi corretamente descrita e, dessa forma, devese aplicar a multa do art. 526, II, do RA/85. Por sua vez, a recorrida, em Contrarrazões, requer que seja mantida a decisão proferida. É o Relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 378 3 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recursos é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Cabe salientar que o presente Recurso especial versa exclusivamente sobre a multa por falta de licença de importação. O acórdão proferido na instância a quo determinou, em resumo, que a falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do art. 169, I, “b”, do DecretoLei 37, de 1966, alterado pelo art. 2° da Lei 6.562, de 1978. A Procuradora requer a reforma da decisão recorrida, alegando simplesmente que a mercadoria não foi corretamente descrita e, dessa forma, devese aplicar a multa do art. 526, II, do RA/85. Por sua vez, a recorrida em Contrarrazões, requer que seja mantida a decisão proferida. Percebese que o cerne da questão é a equivalência das documentações utilizadas nas importações, e sua obrigatoriedade. Mais especificamente se a Guia de Importação se equivale à licença de Importação para fins de aplicação das multas administrativas de controle do comércio exterior. Também será importante a determinação se o produto está ou não sujeito ao licenciamento automático e a quem cabe a prova de tal fato. O acórdão recorrido manteve o lançamento no que se refere à classificação fiscal, ou seja, a classificação desejada pelo contribuinte não foi aceita e não houve Recurso Especial quanto à matéria. Sendo certo que não se ventilou, nem no auto de infração nem na decisão de 1ª instância, a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte da importadora, a meu ver, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do art. 526, II às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; 3 se descrição da mercadoria reúne as condições necessárias à aplicação da excludente instituída pelo ADN Cosit nº 12/97; Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 379 4 considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que, à época do fato gerador, encontravase regulamentada pelo art. 526, II do Regulamento Aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985. Dizia o art. 526, II: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas exigências inerentes ao processo de nacionalização1, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. 1 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 380 5 Penso, entretanto que, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além desse plano meramente semiótico e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 526, II, do RA de 1985, quais eram os interesses por ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 1732 do DecretoLei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 1.1 Antecedentes Até meados da Década de 70, vigia, no controle das operações de comércio exterior, o regime da licença prévia, a cargo da extinta Carteira de Comércio Exterior, órgão executor das políticas do igualmente extinto Conselho Nacional do Comércio Exterior. Vejase o que dizia o art. 2º da Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953, após sua alteração pela Lei nº 5.025, de 1966: Art. 2º Nos têrmos (sic) dos artigos 19 e 59, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, compete ao Banco da Brasil S.A., através da sua Carteira de Comércio Exterior, observadas as decisões, normas e critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Comércio Exterior: I Emitir licenças de exportação e importação, cuja exigência será limitada aos casos impostos pelo interêsse (sic) nacional. Exatamente por isso, previa o art. 169 do DL 37/66 em sua redação original: “Art. 169. O artigo 60 da Lei número 3.244, de 14 de agôsto (sic) de 1957, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 60. As infrações de natureza cambial, apuradas pela repartição aduaneira, serão punidas com: I Multa de 100% (cem por cento) do respectivo valor, no caso de mercadoria importada sem licença de importação ou sem o cumprimento de outro qualquer requisito de contrôle (sic) cambial em que se exija o pagamento ou depósito de sobretaxas, quando sua importação estiver sujeita a tais requisitos, revogados os §§ 3º, 4º e 5º do artigo 6º, e o artigo 11 da Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953.(grifei) Posteriormente, com a edição do DecretoLei nº 1.427, de 1975, o licenciamento prévio foi substituído pela Guia de Importação, assim disciplinada pelos seus arts. 1º e 2º: 2 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 381 6 Art. 1º A emissão da Guia de Importação fica condicionada ao recolhimento de quantia correspondente ao valor FOB constante da guia. § 1º A quantia de que trata este artigo será devolvida no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, não fluindo juros nem correção monetária. § 2º A quantia recolhida não constitui receita da União, permanecendo, com cláusula de indisponibilidade, vinculada, como ônus financeiro ao importador. Art. 2º O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer condições para o recolhimento e devolução da quantia referida no artigo anterior, alterar o seu montante e o prazo de devolução e relacionar as mercadorias cuja emissão da Guia de Importação não esteja condicionada ao recolhimento. Nesse novo contexto histórico, todas as importações passaram a ser alvo de exigência de Guia de Importação, por vezes condicionada ao prévio depósito do valor FOB da mercadoria autorizada, hipótese do art. 1º, por vezes dispensadas dessa exigência, hipótese do art. 2º. Acompanhando tal alteração, a partir da edição da Lei nº 6.562/78, o art. 169 do DecretoLei nº 37/66, dispositivo que anteriormente punia a ausência de licenciamento passou a punir a ausência de Guia. Senão vejamos: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Ou seja, nas situações em que a expedição de Guia representava um instrumento de política cambial e, conseqüentemente, estava sujeita ao prévio depósito do valor FOB da mercadoria, incidiria a multa definida no inciso I. Quando esse documento fosse exigido em função de outro controle administrativo, a multa do inciso II. A exigência da Guia de Importação como documento de instrução do despacho, por sua vez, encontravase disciplinada no art. 432 do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985), que dizia: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 382 7 Art. 432. O importador deverá apresentar, ainda, por ocasião do despacho, a guia de importação ou documento equivalente, emitido pelo órgão competente, quando na forma da legislação em vigor. Parágrafo único. No caso do artigo 452, a guia poderá ser apresentada posteriormente ao começo do despacho aduaneiro. 1.2 Regime Atual Em seguida, os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II, do RA. Ocorre que, a meu ver, o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. 1.3. Hipóteses de Exigência de Licenciamento Prévio Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 383 8 Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 384 9 Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI3 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, na égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. 3Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 385 10 Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Não custa chamar atenção finalmente para a mensagem automaticamente gerada pelo próprio sistema Safira, no campo destinado ao enquadramento legal da multa ora discutida: “Na vigência do Siscomex, a emissão de Guia de Importação assume tãosomente o sentido de obtenção de Licenciamento Não Automático.” 2. Classificação Fiscal e Licenciamento 2.1 Regra Geral Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela “Tratamento Administrativo” do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto Fl. 385DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 386 11 para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto a definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. 2.2 Tratamento Administrativo Aplicável à presente lide e o ônus probatório Ante ao exposto, mostrase imperioso, a meu ver, apurar se a mercadoria em questão estava ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, se foram adotadas as providências necessárias para o licenciamento. Há que se provar, em primeiro lugar, se os destaques foram corretamente preenchidos por ocasião da formulação da declaração de importação e, como orientou o já transcrito item 2.1 do comunicado Decex nº 12, se a tabela “Tratamento Administrativo” do Siscomex consignava alguma exigência adicional. Neste caso, tal comprovação é um ônus do sujeito passivo. Não porque existe uma presunção total de legitimidade do ato exarado pela autoridade tributária, pois existe o dever de se demonstrar cabalmente todos os motivos que ensejaram à ocorrência do fato gerador e das hipóteses de aplicação de penalidade. Tal presunção há que estar prevista em lei. Com efeito, o que se busca são excludentes jurídicas para a aplicação da presente multa, ou seja, a comprovação que a mercadoria está sujeita ao licenciamento não automático. Quem dispõe dos elementos fáticos e documentais para lograr êxito na produção da prova é o Sujeito Passivo, como disse o próprio recorrido em suas contrarazões. Os lançamentos no SISCOMEX não substituem, mas contêm os documentos necessários à certificação do licenciamento não automático. Os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do fisco ao lançamento tributário devem ser provados pela parte que sofreu a autuação, como meio de defesa, já que o fisco lançou e fundamentou o lançamento. Essa é a inteligência do art. 333, II, do Código de Processo Civil. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, como dito no parágrafo anterior. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 387 12 O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o sujeito passivo é que teria interesse em provar o seu direito a desconstituição da infração e não o fez. Assim não há como se decidir pela não aplicação da multa administrativa por falta de licença de importação. Não houve sequer menção à existência do documento ou da desnecessidade de sua apresentação, mas a mera alegação que os dados foram informados no SISCOMEX. Em face do exposto, não restando dúvidas sobre à equivalência da Guia de Importação e da Licença de Importação e, em não tendo o sujeito passivo logrado êxito em provar que estava sujeito ao licenciamento automático para a nova classificação, apresentando a tabela “tratamento administrativo” do SISCOMEX, voto pelo provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Ainda que concorde quase que integralmente com o entendimento proposto no Voto do i. Conselheiro Relator do Processo, especialmente no que concerne à possibilidade e, ainda mais, procedência da aplicação da multa que foi exigida sempre que é constatada a ocorrência de uma importação sem o devido o processo de licenciamento, peço vênia para apresentar minha divergência em relação à decisão final proposta, pelas razões que a seguir pretendo esclarecer. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/974 excluiu o erro de classificação fiscal de mercadoria importada das hipóteses de ocorrência da infração por importação de mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente, desde que a mercadoria esteja corretamente descrita na declaração de importação e com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. 4 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 388 13 Assim fazendo, o ADN Cosit nº 12/97 determinou que uma circunstância (além das outras nele especificadas), o erro de classificação fiscal, não constituía a infração capitulada hoje como importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, sob a condição de que fossem observadas as condições descritas no parágrafo anterior5. O problema é que, segundo a leitura que se tem feito do Ato Normativo editado pela então Secretaria da Receita Federal, não se encontrando presentes as circunstâncias especificados no seu texto, estaria implícita a determinação de que o erro de classificação tarifária constituiria, por si só e necessariamente, uma importação sem licenciamento, materializando, por conseguinte, a situação fática prevista na norma legal que coibi a conduta. Ou seja, em obediência ao ADN Cosit 12/97, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, ao constatar o erro de classificação fiscal, considera que não ocorre a infração por importação sem licenciamento quando a mercadoria está correta e suficientemente descrita na declaração de importação e que, contrario sensu, a infração ocorre se a mercadoria estiver descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos essenciais à sua identificação ou pela ausência de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Contudo, peço vênia, para dizer que não me parece que essa seja a forma correta de interpretar o Ato Normativo nº 12/97. Com efeito, já da interpretação literal de suas disposições, é possível perceber que o ADN apenas define uma ocorrência que não constitui infração, sem em nenhum momento referir uma situação que constitua infração. E as disposições subsequentes extraídas do texto da Norma corroboram esse entendimento. Ao especificar a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, o comando normativo deixa claro, ainda que apenas implicitamente, que o erro de classificação pode não exigir novo licenciamento. Depreendese disso que, uma vez que ocorra erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. E, de fato, não é somente da intelecção literal do comando normativo, mas, principalmente, das características próprias do assunto sub examine, que se revela obrigatória a incursão em uma análise mais profunda do processo de licenciamento das importações para que se chegue a uma conclusão precisa a respeito das ocorrências nas quais uma importação deve ser considera como tendo sido realizada sem licenciamento. É o que passo a fazer. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 706 do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09, diz respeito ao controle que a Administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação, e que se completa no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença são cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Ele é exercido em dois momentos distintos: primeiro, quando o Poder Público 5 " (...) desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado". Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 389 14 concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações contidas na licença de importação e, segundo, quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e documentação que lhes descrevem estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal. Respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as constatadas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação. Isso acontecerá quando umas e outras sejam de tal forma discrepantes, que a licença apresentada pelo importador deva ser considerada inapta a amparar a operação a que se destinava. Quanto a isso, temse que a Portaria Secex nº 21/96 trouxe a seu tempo algumas considerações relevantes a respeito do tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria assim especificavam. § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 20036; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas de regulamentação do procedimento licenciatório deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96, caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Quais fossem, as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, de se notar que, mesmo não mencionando os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que, nas importações sujeitas a licenciamento, o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96 ao referirse às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias subsequentes da Secex. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se 6 Ainda que, aqui, as importações tenham ocorrido antes da edição da Portaria Secex 17/03, em prestígio ao art. 106 do Código Tributário Nacional, é importante que se faça remissão aos expedientes normativos que entraram em vigor em data posterior à ocorrência da infração. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 390 15 refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação. Elas permanecem sendo aquelas das quais o Órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo esses os dados que serão analisados pela Administração no processo de concessão do licenciamento pleiteado. São eles: Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número “commoditie”, Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. A relação acima não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Elas abrangem a especificação das mercadorias, seu enquadramento tarifário, esclarecimentos relacionados à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda a gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 deve ser considerada como de interesse da Administração e deverá ser prestada de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/037 especificam qual procedimento será observado pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior Decex no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. 7 O texto, à época, era o seguinte: Art. 12. Até o registro da declaração de importação, oimportador poderá solicitar alteração do licenciamento nãoautomático, inclusive prorrogação da validade, mediante suasubstituição no Sistema, sujeito a novo exame pela SECEX/DECEX,ouvidos os demais órgãos anuentes, se for o caso. § 1º Quando a alteração efetuada não se referir àvalidade, será mantida a validade do licenciamento original. § 2º Não serão autorizadas substituições quedescaracterizem a operação originalmente licenciada. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.003727/200207 Acórdão n.º 9303003.099 CSRFT3 Fl. 391 16 § 1o... § 2.°... Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifos meus) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original desde que a alteração não descaracterize a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. A conclusão insofismável a que se chega de todo o exposto é que será sempre necessário decidir, caso a caso, se o erro cometido pelo importador descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Por certo, nos casos de erro de classificação fiscal, haverá de ser investigado, necessariamente, dentre outros aspectos que se revelem importantes para o caso concreto, se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar, em obediência à exclusão decorrente da interpretação determinada no ADN Cosit nº 12/97, se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Na vertente lide, a leitura que se faz dos fatos relatados pela Fiscalização Federal leva à conclusão de que esse aspecto sequer foi investigado, restando ausente uma condição essencial à configuração de evento apto a materializar a infração especificada na norma jurídica. VOTO por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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