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Numero do processo: 13204.000108/2004-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO.
À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o ano-calendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória - MP nº 2.158-35, de 2001).
Recurso Especial do Procurador provido em parte.
Numero da decisão: 9303-004.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o anocalendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória MP nº 2.15835, de 2001). Recurso Especial do Procurador provido em parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 08 /2 00 4- 90 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403001.966, de 20/03/2013, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas as partes da ementa que interessam ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 (...) CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 4 3 No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra as seguintes matérias: (a) direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha; e (b) direito do contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Alega divergência de interpretação em relação ao decidido nos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 5 4 Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 6 5 insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 7 6 resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 8 7 obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. A questão encontrase disciplinada no art. 30 da Medida Provisória – MP nº 2.15835, de 2001, reedição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, cuja redação é a seguinte: “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 9 8 contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” (g.n.) No presente caso, a contribuinte optou, no períodobase a que se referem os autos, pelo regime de regime de competência na apuração de suas receitas, de modo que não há dúvida de que o mesmo regime deveria ter sido observado na apuração das variações cambiais que decorreram de suas obrigações ou de seus direitos. Não fosse pelo só fato da previsão legal (ver Súmula CARF nº 2), a tese adotada no acórdão recorrido não se sustenta: a de que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Sobre ela, assim escrevemos em obra de autoria coletiva (PIS e Cofins à luz da jurisprudência: Conselho Administrativa de Recursos Fiscais; volume 3 / Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto, Gilberto de Castro Moreira Junior, 1ª ed, São Paulo, MP Editora, 2014): Ela se apoia na ideia de que haveria um conteúdo material, de estatura constitucional, para o termo “receita”, para o qual o constituinte teria valorizado a perspectiva dos negócios jurídicos que evidenciem a capacidade econômica revelada pelo ingresso financeiro apurado de forma isolada e instantânea em cada evento. Esse conteúdo material, com a tônica no ingresso financeiro, é que teria sido colocado ao alcance do legislador federal para que sobre ele se fizesse incidir a contribuição com específica destinação, voltada para o custeio do sistema de Seguridade Social. Os fautores dessa tese trabalham ainda com a ideia de que a receita deve ser definitiva de modo a assegurar a disponibilidade e a titularidade dos recursos financeiros sem qualquer obrigação correspondente, devendo ter como causa a remuneração de negócio jurídico concernente aos atos relacionados apenas com o exercício de atividade empresarial. O argumento se fundamenta no art. 195, III, da Constituição Federal, que estabelece, como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social, a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos”, de sorte que a alusão ao vocábulo Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 10 9 “receita” só poderia estar relacionada, no seu entendimento, com o efetivo ingresso de recursos provenientes dos diferentes jogos existentes no país, vale dizer, com a possibilidade de destaque pura e simples de uma parcela a título das contribuições a serem retiradas do volume de recursos arrecadados com os referidos “concursos de prognósticos”. Assim, em tal previsão constitucional, o termo “receita” não poderia referirse a outra perspectiva que não a do efetivo ingresso financeiro, vale dizer, ao efetivo ingresso de recursos pecuniários ao qual não corresponda uma obrigação, pena de inviabilizar o próprio custeio da Seguridade Social. De conseguinte, esse conteúdo semântico do vocábulo “receita” deveria vincular o exercício da atividade legiferante, em ordem a impossibilitar que o legislador infraconstitucional venha a emprestar ao termo significado diverso. Pois bem. O argumento, embora bem apresentado, encerra, no sentido técnico do termo, uma falácia (repitase aqui: no sentido técnico do termo, já que a sua referência no presente artigo não constitui, de forma alguma, juízo de demérito de nenhum trabalho acadêmico), um raciocínio incorreto, porquanto, a nosso juízo, não se poderia, apenas na única perspectiva da norma insculpida no art. 195, inciso III, da Constituição Federal, chegar à conclusão a que se chegou. Antes de apresentar os motivos que nos levam a entender inválido o argumento, cabe ressaltar, aqui mais uma vez, que o conceito de ingresso financeiro corresponderia, na tese exposta, ao efetivo e definitivo (ao qual não corresponda uma obrigação) ingresso de recursos pecuniários derivados do exercício de atividade empresarial, excluindose, de conseguinte, as receitas que resultem de qualquer outra atividade, tal como os valores recebidos a título de crédito presumido de ICMS. Que o dispositivo constitucional avaliza a ideia da necessidade de haver efetivo ingresso de recursos financeiros na Seguridade Social, é coisa que ninguém dissente. Aliás, foi essa necessidade que conduziu o legislador constituinte a prever tantas fontes para a manutenção de seus múltiplos deveres. O que esse fato não está a autorizar é a de que também no contribuinte deve a receita representar ingresso efetivo de recursos financeiros, assim como não autoriza a ideia de que receita só é aquela que decorra da atividade empresarial. Vejamos. As falácias – os raciocínios que, embora prima facie possam parecer corretos, mas na verdade não o são – dividemse em falácias de ambiguidade e de relevância. As primeiras, como a sua denominação já indica, estão relacionadas à linguagem utilizada para construir o argumento; as segundas, com o fato de as premissas serem absolutamente irrelevantes para estabelecer a verdade da conclusão. Como se passa a comprovar, esta última encontrase plenamente configurada na tese aqui refutada. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 11 10 Não se pode analisar um caso particular e extrair dele uma regra geral como se todos os demais casos relativos à mesma matéria fossem idênticos, é dizer, não se pode estabelecer uma regra geral aplicável a todos os fatos típicos a partir de um fato inquestionavelmente atípico. É o que os estudiosos da Lógica denominam de falácia do acidente convertido ou da generalização precipitada1, sendo que a falácia do acidente, da qual deriva a aludida expressão, consiste em aplicar uma regra geral a casos particulares cujas características acidentais tornam a regra inaplicável (Exemplo: “O que você comprou ontem comerá hoje. Logo, se você comprou carne crua ontem comerá carne crua hoje”). Notese que, a partir de uma única regra constitucional – a que estabelece como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos” – os que defendem haver um conceito constitucional de receita, baseados no único e exclusivo fato de que a contribuição é retirada, neste caso, do volume total de apostas, constituindo, assim, como decorrência inarredável, efetivo ingresso de receita nos cofres da mencionada instituição (não há como a Caixa Econômica Federal deixar de recolher a contribuição aos cofres da Previdência), levam esta particular situação ao patamar de regra geral, em ordem a determinar que receita só pode representar o efetivo ingresso de recursos financeiros também na pessoa jurídica, quando os fatos que norteiam a sua tributação – as operações que esta realiza – nada têm a ver com concursos de prognósticos e com a forma de arrecadação da contribuição social sobre eles incidente (destaque do volume total de apostas, sem a necessidade de interposição do Fisco e sem depender da vontade exclusiva do apostador, incidindo as contribuições sobre um setor específico sem qualquer semelhança com o universo dos contribuintes e com as atividades por eles realizadas). E não é só: o fato de a receita constituir efetivo ingresso de recursos financeiros na pessoa jurídica não significa de modo algum que também assim deva configurarse a contribuição devida à Seguridade Social, porque depende, entre outros fatores, da vontade do contribuinte de adimplir a respectiva obrigação tributária. Portanto, em face de suas particularidades, as características que envolvem esta especial fonte de financiamento da Seguridade Social, porque atípica em relação às demais, a estas não podem ser estendidas, muito menos para estabelecer o conceito de receita a todas aplicado. O argumento é, com a devida vênia, inválido. (grifamos). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." 1 Copi, Irving Marmer. Introdução à lógica. 2ª ed. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1978, p. 83. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908714/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.715
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 87 14 /2 00 9- 33 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 15374.908714/200933 Acórdão n.º 3201002.715 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.698. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 15374.908714/200933 Acórdão n.º 3201002.715 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15374.908714/200933 Acórdão n.º 3201002.715 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.720067/2008-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 209 1 208 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13116.720067/200874 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.523 – 2ª Turma Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria VTN ARBITRAMENTO PELO SIPT Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TERPLANI TERRENOS E PLANEJAMENTOS IMOBILIARIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VTNVALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 67 /2 00 8- 74 Fl. 209DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2201001.942 (fls. 158 a 168), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. DECADÊNCIA.O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 9202005.523 CSRFT2 Fl. 210 3 Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 169) e, em 08/05/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 170 a 182 (Despacho de Encaminhamento de fls. 183). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 29/10/2015 (fls. 184 a 188). Cientificada em 11/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 194), a Contribuinte ofereceu, em 02/12/2015, as Contrarrazões de fls. 195 a 206). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. As Contrarrazões foram oferecidas intempestivamente, portanto não serão conhecidas. Com efeito, a Contribuinte foi cientificada em 11/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 194), vindo a apresentar as Contrarrazões somente em 02/12/2015 (carimbo às fls. 195), portanto fora do prazo de quinze dias, assinalado no art. 69, do Anexo II, do Ricarf. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609, sendo que este último já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi examinado o primeiro paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que sequer fosse Fl. 211DF CARF MF 4 anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "Da análise do presente processo, verificase que a autoridade fiscal arbitrou para a 'Fazenda Nova Petrópolis' o VTN de R$ 1.216.064,52, calculado com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2003, para o município de Planaltina – GO, de R$ 837,51, e na área total de 1.452,0 ha, informada na correspondente DITR/2003 (fls. 01/07)." (grifei e sublinhei) Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendo se o VTN declarado pela Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 9202005.523 CSRFT2 Fl. 211 5 Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.911408/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.406
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 14 08 /2 01 1- 00 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o PIS/Pasep. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.519. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903339/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.980
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 39 /2 01 1- 10 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.507. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901810/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE.
Segundo a Súmula CARF nº 82, a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ERRO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PROVA.
Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF não retificada, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo.
Numero da decisão: 1301-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Segundo a Súmula CARF nº 82, a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ERRO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PROVA. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF não retificada, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 18 10 /2 00 8- 16 Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 710 2 Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Cumpridas as diligências determinadas em fls. 572/580, em atendimento à Resolução nº 1301000.371, aprovada em sessão de 05/07/2006, retorna a julgamento o recurso voluntário interposto por DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. Naquela ocasião, consignouse o seguinte: “Trata o presente de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de conformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra despacho decisório que não homologou a compensação relativa ao PER/DCOMP n° 25495.23296.310304.1.3.042769, às fls. 126/130. Pela clareza do relatório do orgão a quo, às fls. 154/158, reproduzoo para, em seguida, adotálo: "Tratase de Declaração de Compensação eletrônica transmitida em 31/03/2004, por meio da qual pretendeu a interessada compensar CRÉDITO decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, apurado no período de abril de 2003, de valor original na data da transmissão da ordem de R$ 169.369,24, com DÉBITO próprio referente ao tributo IRPJ, PA 05/2003, conforme PER/DCOMP n° 25495.23296.310304.1.3.042769 de fls. 126/130. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, acostado às fls. 132, emitido em 18/07/2008, com número de rastreamento 775563769, não foi homologada a compensação declarada, nos termos a seguir transcritos: ……….. 2. IDENTIFICADOR DO PER/DCOMP PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO 25495.23296.310304.1.3.042769 DATA DA TRANSMISSÃO 31/03/2004 TIPO DE CRÉDITO Pagamento Indevido ou a Maior N'DO PROCESSO DE CRÉDITO 10882901.810/200816 3. FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 169.369,24 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 711 3 pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DA ARRECADAÇÃO 30/04/2003 2362 278.477,81 30/05/2003 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) PERDCOMP(PR)/ DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 3925085668 278.477,81 Db: cód. 2362 PA 30/04/2003 278.477,81 VALOR TOTAL 278.477,81 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 148.813,06 29.762,61 110.523,45 [....] Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO . PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR. PAGAMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. Diante da decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, cabe ao contribuinte anexar à sua defesa as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 712 4 Direito Creditório Não Reconhecido” Interpôsse recurso voluntário em 18/08/2011, com a admissibilidade aprovada conforme Resolução nº 1802000.507, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, em sessão no dia 06/05/2014, às fls. 235/240 (da numeração eletrônica). De acordo com a síntese do Relator do recurso voluntário, o ilustre Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, alegouse “que a não homologação foi declarada sob o argumento – único – de que o pagamento do IRPJ foi integralmente vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, não estaria apto a gerar crédito”. A despeito disso, consoante a exposição do predito Relator, sustenta a Recorrente “que o IRPJ foi de fato pago a maior e que a informação incorreta em DCTF não pode afetar o direito creditório”. Nesse mesmo roldão, a Recorrente ainda “informa que a autoridade fiscal tinha plenas condições de extrair dos fatos a verdade material, tendo em vista a existência dos DARF demonstrando pagamento a maior, da DIPJ demonstrando o IR devido (de valor inferior ao dos DARFs), bem como de planilha demonstrando a recomposição dos valores após a compensação do crédito alegado”. (grifei) Impressionado com a tese da verdade material invocada, o Conselheiro Bueloni propôs, em seu voto, com a aprovação do colegiado, que o processo retornasse à “Delegacia da Receita Federal do Brasil competente para comprovar, à luz da DIPJ/2004, escrituração contábil e fiscal e documentação que lhe deu lastro, qual o saldo do crédito passível de compensação, se que o mesmo”, e que “elaborado o relatório fiscal, dar ciência à recorrente para sua manifestação, se interessar.” É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. De início, vale realçar que o Conselheiro Bueloni, em seu voto, construiu linha argumentativa com o apoio dos seguintes elementos fáticos e jurídicos: “a partir de 29 de outubro de 2004, a legislação tributária restringiu a utilização de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal na dedução do IRPJ a pagar do final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Assim, a partir dessa data, a ficha "Pagamentos " deverá ser preenchida com os dados de todos os pagamentos de imposto de renda efetuados pelo contribuinte, inclusive os pagamentos de estimativa de IRPJ efetuados indevidamente ou em valor maior que o devido.”; . “uma vez que a Declaração de Compensação em exame foi transmitida em 31 de março de 2004 (ainda sob a égide da Instrução Normativa n° 210/2002), devese acolher como válida a forma utilizada pelo contribuinte, qual seja, a de se utilizar como objeto de pedido de restituição e/ou compensação, as estimativas mensais de IRPJ.”; Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 713 5 . “é fato, ademais, que o valor da estimativa mensal de IRPJ comporia o saldo negativo do Imposto de Renda daquele período e, da mesma forma, seria passível de restituição e/ou compensação, trazendo, na prática, (ou, ao menos, deveria trazer) o mesmo resultado, independentemente da forma utilizada.” . “por fim, notase há nos autos elementos relevantes para análise do alegado crédito, quais sejam, o DARF de pagamento do IRPJ por estimativa, o lançamento do IRPJ devido na DIPJ de 2004, bem como planilha demonstrativa informando o valor do IRPJ devido em cada mês, o valor das estimativas mensais pagas, e, portanto, o valor do crédito de IRPJ que seria apurado no final do anocalendário, todos apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade.”; (grifei) . “é meu entendimento, que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório que, neste caso concreto, em tese, pode existir.” (grifei) . “e, se tiver a autoridade fiscal condições de apurar sua existência – neste caso, através da análise dos DARFs, da DIPJ e, subsidiariamente, da planilha demonstrativa apresentada pelo contribuinte, para preservação de todos os direitos invocados, talvez seja aconselhável fazêlo.” (grifei) Aqui, importa ter em conta que o Colegiado superou a barreira da preclusão temporal de que trata o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, aprovando o voto do Relator que, filiandose à tese da amplitude da verdade material (em relação à qual, pessoalmente, mantenho reservas), determinou a remessa dos autos à DRF com vistas à realização de exame do material probatório já acostado aos autos para, considerando a alegada causa de pedir e o pedido de compensação, elaborar relatório fiscal conclusivo quanto à pretensão da Recorrente, dandolhe ciência e facultando lhe as possibilidades efetivas ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Todavia, o Relator limitou o exame ao que já consta dos autos, incluindo o que se incorporou ao todo a partir da interposição do recurso voluntário, em respeito ao precitado princípio da verdade material. Com a descida dos autos à repartição competente, a DRF expediu a Intimação Seort nº 1.036/2014, à fl. 245 (numeração eletrônica), chamando a Recorrente a comprovar, em cinco dias, “através (sic) de cópias autenticadas de documentação contábil e fiscal onde está informado o valor efetivamente apurado da estimativa de IRPJ do mês de abril de 2003 no montante de R$ 109.098,58 e que também foi informado na DIPJ 2004 – anocalendário de 2003”, sob pena de não homologação da compensação. Por sua vez, a Recorrente, ao intento de cumprir a Intimação Seort nº 1.036/2014, reuniu farta carga documental às fls. 249/534 (numeração eletrônica), enviandoa à Delegacia com as prévias explicações sobre o motivo da entrega desse material, conforme fls. 247/248 (numeração eletrônica). Mais tarde, à fl. 540 (numeração eletrônica), junta outra petição, em 12/12/2014, requerendo a anexação aos autos dos documentos às fls. 544/546 (numeração eletrônica). No entanto, é visível que a Recorrente não demonstrou o esforço argumentativo necessário à defesa de seus objetivos. A tal respeito, restringiuse à entrega de simples mensagens, às fls. 247/248 e 540 (numeração eletrônica), sem o detalhamento dos Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 714 6 itens componentes das operações matemáticas ou contábeis que poderiam conduzir à determinação do crédito afirmado, revelandose despida do intento de orientar a auditoria da Receita Federal, que, por si só, deveria descobrir o crédito a que a Recorrente faz jus, em meio ao enorme volume de papeis apresentados, às fls. 249/534 (numeração eletrônica), entre planilhas e balancetes de centenas de páginas que nada, absolutamente nada, esclarecem. E os documentos às fls. 544/546, supracitados, embora em menor quantidade, padecem da mesma patologia que afeta os demais, anteriormente mencionados, no que diz respeito ao abandono dos esforços argumentativos, como se a Recorrente estivesse liberta do ônus de explicar e justificar em que bases se apoia sua pretensão. Por outro lado, a Intimação Seort nº 1.036/2014 não é clara o suficiente, pois o que se vê é o mero ato de requisitar, para fins de comprovação do crédito de R$ 109.098,58, a exibição de documentos que lastreavam a contabilidade e a escrituração fiscal. Faltoulhe assinalar que a comprovação de que cogitava dependia de informações, detalhes, explicações, tanto a respeito dos lançamentos na escrituração contábil e fiscal, como também da eventual movimentação de elementos patrimoniais e redituais, nos balanços e balancetes, ou da alocação dos itens em posições específicas nas planilhas a serem desenvolvidas, para exemplificar. A despeito dessa deficiência, percebese que o agente fiscal guardava a expectativa de que a Intimação Seort nº 1.036/2014, por ele lavrado, cumprira o labor exigível aos propósitos institucionais que o moveram. Não fosse assim, não teria proclamado o seguinte, à fl. 553 (numeração eletrônica), no despacho ao chefe, sobre a diligência que lhe coube empreender: “O interessado apresentou planilhas de composição do Lucro Real referente a todo o ano de 2003 (fl. 249/252), praticamente as mesmas apresentadas em sede de Recurso Voluntário (fl. 17/18), bem como seu Balancete Contábil de 2003 (fl. 254/396), documento esse que não comprova em nada o que foi solicitado na intimação. Enfim, os documentos apresentados não foram suficientes para atender à intimação. Também, comparando as planilhas apresentadas às fl. 17/18 com a DIPJ 2004 – anocalendário de 2003 (Ficha 11 – Linha 12) (fl. 548/552), verificase que os valores constantes como sendo imposto de renda a pagar nos meses de junho/2003 a agosto/2003 não estão em conformidade. Ante o exposto, proponho a manutenção do decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da DCOMP nº 25495.23296.310304.1.3.04 2769.” (grifei) Perante tal conclusão, o chefe do Seort, com delegação de competência, decidiu manter o ato que não homologou a compensação pleiteada pela DCOMP nº 25495.23296.310304.1.3.042769, às fls. 553/554 (numeração eletrônica). Contudo, a Recorrente, a seu turno, esperava da DRF uma efetiva análise do conjunto probatório anexado aos autos, a teor de sua petição à fl. 560/563 (numeração eletrônica), visando à satisfação do indigitado princípio da verdade material, que emprestara fundamento à conversão do presente julgamento em diligência. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 715 7 Podese creditar ao déficit informacional implícito à Intimação Seort nº 1.036/2014 a resposta insuficiente dada pela Recorrente. Nesse momento, impende iluminar a importância da transparência e da convocação à colaboração do administrado para a legitimação das decisões estatais. A idéia a prevalecer, aqui, é a da participação democrática na formação da decisão administrativa. Com o impulso inicial do administrado, quando formulado o pedido na repartição pública, inaugurase a relação processual administrativa, a partir da qual surgem direitos, deveres, ônus, poderes e faculdades, uma complexa ligação entre a Administração e o administrado, composta, nos diversos momentos, de posições jurídicas ativas e passivas de cada um dos sujeitos1. E esses deveres, ônus, poderes e faculdades, que se desenvolvem no curso da relação jurídica processual, quer dizer, mediante processo, hão de conciliarse, inexoravelmente, com o ordenamento constitucional. Quando a lei autoriza o administrado a postular uma providência perante a Administração, diante de ambos estará posto, pelo próprio ordenamento, um conjunto de regras que estabelecem a dinâmica de uma realização progressiva, disposta em direção ao ato final de decisão, num encadeamento sucessivo de atos que guardam correlação com a sucessão daquelas posições jurídicas. Aí se vê a processualidade administrativa, uma conquista democrática que impõe a colaboração do sujeito interessado no resultado pretendido, fruto de “um constitucionalismo expandido, desenvolvido para instilar valores e processos legitimatórios e prestigiar a cidadania em todas as suas manifestações”2. Em prestígio à cidadania e para legitimar a tomada de decisões, a convocação à colaboração do administrado é um dever imposto à Administração, sempre que instada por aquele a lhe entregar certa providência. Consoante o inciso LV do artigo 5º da Carta Magna, o processo administrativo é uma garantia constitucional, um direito instrumental que viabiliza a participação democrática do administrado na construção de uma decisão justa. Segundo a doutrina, o processo administrativo instrumentaliza a tutela, de modo amplo, de quaisquer direitos cujo reconhecimento é subordinado a deferimento administrativo, ante a possibilidade de decisões injustas, o que o ordenamento quer evitar, desde o primeiro instante, assim que formulado o requerimento na repartição administrativa, ao canalizar tal atuação para um esquema procedimental de legitimação decisória, tendo em conta que a Administração Pública, pela superioridade de seu poder fático, não raramente dele se prevalece, ainda refém da cultura soberanosúdito, para imporse autoritária e unilateralmente. Por isso, nos tempos atuais de um substancial pluralismo político, ao longo dos quais sobrepujouse o espírito de uma democracia meramente formal de investidura3, o próprio governado, agora sob os influxos das preocupações de maximizar as vivências cotidianas do Estado Democrático, em ordem a concretizar os anseios jurídicopolíticos inscritos na Carta Republicana4, deve5 ser convocado a participar da decisão individual que o interessa, materializandose a democracia conglobante na qual se conjugam a democracia formal e a substantiva democracia de funcionamento, afinal se o ideal democrático contempla a visão do “governo do 1 Odete Meduar, A Processualidade no Direito Adminitrativo, Ed. Revista dos Tribunais, 1993, p. 27/28. 2 Diogo de Figueiredo Moreita Neto, Mutações do Direito Administrativo, Ed. Renovar, 2ª edição, p. 16. 3 As instituições democráticas não se limitam às intervenções eleitorias. Medauar (ob. cit, p. 85), recordando os ingleses Smith e Brazier, ressalta que a natureza democrática da Constituição pode ser testada pela "real oportunidade que o processo de decisão oferece, aos membos da população envolvidos pela decisão do processo." 4 CR/88: "Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:...." 5 Odete Medauar, ob. cit. p.85: "Se o vínculo entre o processo e a democracia já vinha sendo ressaltado pela doutrina constitucionalista, os administrativistas dedicados ao estudo do processo não deixaram de correlacionálo à democracia, como uma das searas mais fecundas à efetividade desta." Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 716 8 povo para o povo”, a sua colaboração na decisão individual é um modo de exercício desse poder.6 A colaboração do administrado, na construção da decisão que o afeta, pressupõe o direito ao contraditório, uma garantia que irrompe, no plano da existência jurídica, junto com o fato desencadeador da formação do processo, daí avançando à fase instrutória, ou “instrução contraditória”, nas palavras de Lafayette Pondé, em lembranças de Odete Medauar7, e, mais adiante, às etapas recursais. Por conseguinte, nas formulações administrativas para reconhecimento de direitos dos administrados, o contraditório é nascente logo nos primórdios da relação processual. Vale dizer que, desde o impulso inicial, tem o requerente o direito à informação clara, transparente, em consonância com o rigor da boafé, em sua compleição objetiva. Ao afastar o segredo de ofício, de uso historicamente frequente nos regimes antidemocrátricos, o ordenamento jurídico impõe o contraditório, que enseja a colaboração do interessado no conteúdo do ato final. Isso porque, na decomposição do contraditório, doutrina e jurisprudência encontram o binômio informação e possibilidade de reação, a demarcarem momentos distintos do contraditório. “A regra da informação geral significa o direito, atribuível aos sujeitos e à própria Administração, de obter conhecimento adequado dos fatos que estão na base da formação do processo, e de todos os demais fatos, dados, documentos e provas que vierem à luz no curso do processo.” 8 Portanto, é imprescindível sobrelevar a exigência de informação ampla e geral dos fatos que constituirão a base da formação da decisão administrativa, de modo a atender os predicados da transparência administrativa ampliada em sua máxima potencialidade, concretizandoa em conformidade com padrões razoáveis sem os quais a comunicação nada mais seria do que um formalismo estéril. Resulta, disso, a necessidade de amplificar as cautelas contra os vícios de comunicação, providência indispensável que incumbe ao administrador zeloso e consciente da nobre missão que desempenha, no exercício dos encargos da autotutela administrativa, assumindo o papel de guardião do respeito de seus concidadãos aos órgãos do Estado, na sustação dos efeitos nefastos que podem advir das suspeitas de que se privilegia o mistério9. O artigo 2º, parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784, de 1999, assegura, no plano do direito legislado, o direito à comunicação. Tal preceito reclama, por conseguinte, que se empreguem esforços razoáveis em prol da efetividade da comunicação, sob pena de se fazer letra morta da lei, com implicações sérias e injuriosas à Constituição Republicana de 1988, que prescreve o devido respeito à ampla defesa. Por essa razão, concebese que o déficit informacional da Intimação Seort nº 1.036/2014 é causa de sua invalidade, a ser declarada por este colegiado. Em face de tais pressupostos, não se deve também aproveitar a conclusão fiscal à fl. 553 (numeração eletrônica), nem o despacho decisório que ratificou a não homologação da DCOMP às fls. 553/554 (numeração eletrônica), por inválidos, uma vez decorrentes diretamente da viciada Intimação Seort nº 1.036/2014. Aliás, a decisão à fl. 553 (numeração eletrônica) já não tem validade independentemente do 6 Medauar, ob. cit. p. 84/85. 7 Ob. cit. p. 102. 8 Odete Medauar. ob. cit. p. 104. 9 STF. MS 28027 MC/DF, DJ 03/08/2009, Relator Min. Celso de Mello: "....No Estado Democrático de Direito, não se pode privilegiar o mistério, porque a supressão do regime visível de governo compromete a própria legitimidade material do exercício do poder. A Constituição republicana de 1988 dessacralizou o segredo e expôs todos os agentes públicos a processos de fiscalização social, qualquer que seja o âmbito institucional (Legislativo, Executivo ou Judiciário) em que eles atuem ou tenham atuado...." Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 717 9 vício antes indicado, pois a decisão confirmada pelo Chefe da Seort da DRF é exatamente aquela que está sob julgamento nesta instância. Em outras palavras, carecia o agente fiscal de autoridade para alterar ou ratificar o conteúdo decisório que já havia sido confirmado pela instância superior da DRJ, agora sob a sindicância jurisdicional do CARF. Em suma, devem ser anuladas a conclusão fiscal e a decisão de manter a não homologação, anexadas às fls. 553/554 (numeração eletrônica), esta última em obediência ao artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, e a primeira por derivação de ato anteriormente nulo (artigo 59, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972), por violação à ampla defesa e ao dever de transparência das comunicações, consoante o disposto no artigo 2º, parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784, de 1999, c/c artigo 5º, inciso LV, da Constituição da República em vigor. No entanto, a fim de se preservar a coerência com o princípio da verdade material, base normativa que ofereceu suporte ao ato decisional consubstanciado na Resolução nº 1802000.507, por meio da qual determinouse a diligência para a qual lavrouse a Intimação Seort nº 1.036/2014, devem ser preservados os documentos juntados aos autos em obediência à precitada Intimação. À vista do exposto, propõese o retorno dos autos à DRF/Santo André a fim de que, considerando a decretação de invalidade da Intimação Seort nº 1.036/2014, bem como da conclusão fiscal e do despacho ratificador às fls. 553/554, seja efetuado o exame do material probatório já acostado aos autos, inclusive dos documentos anexados em obediência à mencionada Intimação Seort nº 1.036/2014, para a apresentação de relatório fiscal conclusivo quanto à compensação pleiteada, com a enunciação do valor do crédito a que faz jus a Recorrente e do montante deste crédito que pode ser compensado com o débito de IRPJ referente ao período de apuração de maio de 2003, tendo em vista a alegada causa de pedir, dandolhe ciência das conclusões e dos respectivos fundamentos, facultandolhe, ainda, prazo razoável ao exercício do contraditório e da ampla defesa. É como voto.” O Colegiado aprovou a proposta de diligência referida no último parágrafo da transcrição acima, determinando a descida dos autos para a unidade local, que, a tal propósito, elaborou o despacho de fl. 696/697, no qual expressa o seguinte: “[...] O interessado, em resposta à Intimação Seort nº 1.191/2016, informa que todos os documentos que comprovam a apuração da base de cálculo do referido tributo já foram exaustivamente apresentados nos autos do presente processo administrativo. Sendo assim, para o atendimento da diligência, será dada atenção às planilhas de composição do Lucro Real referente ao ano calendário de 2003 apresentadas pelo interessado (fl. 249/252). Com base na DIPJ 2004, analisaremos os valores apurados das estimativas de janeiro/2003 a dezembro/2003 que comporão o valor informado na linha 17 da Ficha 12A (Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa), considerando que os demais valores informados nas fichas 11 e 12A estão corretos. Para isso, pesquisamos, através dos sistemas da RFB, as estimativas pagas e compensadas durante o anocalendário de 2003 (fl. 593/607), que serviram para a consecução da planilha de fl. 695. Verificamos que há estimativas que foram pagas/compensadas a maior e outras a menor que as apuradas na DIPJ. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 718 10 Portanto, não há como analisar individualmente a situação de determinada estimativa, no caso em comento, relativa ao período de apuração de abril/2003, que o interessado alega pagamento a maior. Dessa maneira, deve se verificar o resultado no ajuste, para se concluir se houve ou não pagamento a maior do imposto. (grifei) Assim, a linha 17 da Ficha 12A será composta pelos seguintes valores de estimativas, além dos valores do IRRF que foram deduzidos mês a mês. Valor a ser informado na linha 17 da Ficha 12A = Estimativa mensal + IRRF mensal Estimativa mensal → Se valor pago ou compensado for maior que o valor apurado na DIPJ, considerouse o valor apurado; se valor pago ou compensado for menor que o valor apurado na DIPJ, considerouse o valor pago ou compensado. Linha 17 = 91.750,07 (Apurada – jan) + 23.316,64 (IRRF jan) + 104.754,52 (Apurada – fev) + 46.043,70 (IRRF – fev) + 184.122,47 (Apurada – mar) + 14.156,63 (IRRF mar) + 109.098,58 (Apurada – abr) + 31.140,98 (IRRF – abr) + 52.435,57 (Paga/Compensada – mai) + 24.169,08 (IRRF – mai) + 134.750,14 (Paga/compensada – jun) + 51.627,08 (IRRF – jun) + 236.200,25 (Paga/compensada – jul) + 31.055,22 (IRRF – jul) + 212.458,22 (Apurada – ago) + 38.695,37 (IRRF – ago) + 352.147,95 (Paga/compensada – set) + 54.596,55 (IRRF – set) + 338.687,77 (Apurada = Paga/compensada – out) + 53.155,42 (IRRF – out) + 280.693,73 (Apurada = Paga/compensada – nov) + 35.394,64 (IRRF – nov) + 218.860,84 (Paga/compensada – dez) + 52.806,81 (IRRF – dez) = 2.772.118,23 Recompondose a Ficha 12A da DIPJ, verificamos que: Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 719 11 Houve apuração de imposto a pagar no montante de R$ 250.107,46 (Duzentos e cinqüenta mil e cento e sete reais e quarenta e seis centavos). Sendo assim, não há que se falar em pagamento a maior de estimativa relativa a abril de 2003, conforme alega o interessado na petição.” A recorrente, chamada a se manifestar em relação às conclusões das diligências, expôs o seguinte: “[...] com o devido respeito, o método adotado pelas dd. autoridades fiscais, utilizando a apuração anual para confirmar a exigência de crédito de estimativa mensal do IRPJ não pode ser aplicada no presente caso. Isso porque, como já exposto anteriormente, em vez de informar o pagamento indevido da estimativa mensal em sua DIPJ (o que levaria tal valor à composição do saldo negativo de IRPJ), a Requerente optou por informar em DIPJ somente o valor efetivamente devido da estimativa mensal. Assim, ato contínuo, a Requerente pleiteou a restituição do valor estimativa mensal indevidamente paga (diferença entre o valor pago e o valor devido informado em DIPJ), o que é objeto do presente processo. Por esta razão, ao realizar a análise da apuração anual da Recorrente, de fato não será encontrado crédito algum, tal como foi exaustivamente explicado nas peças anteriores, especialmente no item c da sua Manifestação de Inconformidade. Isso, no entanto, certamente não significa que não tenha havido um pagamento a maior da estimativa mensal de abril de 2003. Ainda, ao contrário do afirmado pelas dd. autoridades fiscais, é sim possível a análise pormenorizada mês a mês, pois: (i) na DIPJ consta claramente o valor devido para o mês de abril/2003, sendo que que as próprias dd. autoridades fiscais colocaram este valor em negrito no resultado de diligência ao transcrever todos os valores pagos mês a mês; e (ii) a Requerente que apresentou documentos demonstrando a apuração do IRPJ para o anocalendário de 2003, explicando detalhadamente a composição dos valores constantes na DIPJ, concluindo que o correto valor de débito de estimativa mensal para o mês de abril/2003 era de R$ 109.098,58. Assim, partindose do real valor devido a título de IRPJ em abril/2003 (R$ 109.098,58) e considerando o valor do DARF recolhido pela Requerente de R$ 278.477,81, chegase ao valor de R$ 169.379,23, que é exatamente a diferença compensável pleiteada pela Requerente no presente caso. Diante disso, a Requerente não pode concordar com o resultado da diligência, já que elaborada com base em metodologia incompatível com a controvérsia em questão (apuração anual e apuração mensal). Nesse cenário, a sociedade requer que os Ilustres Conselheiros reconheçam seu direito creditório, tendo em vista a reiterada recusa das dd. autoridades fiscais de analisar os documentos exaustivamente apresentados no curso do processo administrativo. Alternativa e subsidiariamente, a sociedade requer seja determinada nova diligência para que as autoridades fiscais analisem o direito creditório relativo ao mês de abril de 2003.” É o relatório. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 720 12 Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente recurso reúne os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Diz a recorrente que, em observância ao regime de apuração do IRPJ com base no lucro real anual, apurou estimativas mensais de IRPJ, durante o anocalendário de 2003, com base no cálculo que entendia correto. Alega, nesse cenário, que efetuou o recolhimento de R$ 278.477,81, a título de estimativa mensal de IRPJ, no mês de abril de 2003 (doc. 02 da manifestação de inconformidade). Posteriormente, introduziu esse valor como devido, em sua DCTF (doc. 03 da manifestação de inconformidade). No entanto, quando da revisão da apuração do IRPJ para fins de entrega da DIPJ, verificou que havia cometido equívocos, no cálculo das estimativas mensais de alguns dos períodos de 2003, assim gerando recolhimento a maior. Diante disso, menciona que declarou na DIPJ o valor efetivamente devido, a título de estimativas mensais (doc. 04 da manifestação de inconformidade) e, que, em seguida, intentou a recuperação dos valores recolhidos a maior (diferença entre o valor devido declarado em DIPJ e o valor efetivamente recolhido), mediante a apresentação de DCOMP (entre elas, a discutida no presente processo administrativo). Entretanto, salienta que, ao cabo do exame da DCOMP, as autoridades fiscais decidiram indeferir o pleito de restituição e, consequentemente, não homologar a compensação declarada, sob a única alegação de que o valor constante do DARF, indicado como origem do crédito pleiteado, teria sido integralmente utilizado na quitação do débito informado em DCTF. Tendo em vista a comprovação de seu direito creditório, a recorrente acrescenta que apresentou manifestação de inconformidade, quando, então, demonstrou, com documentos hábeis e idôneos, que realizara pagamento a maior de IRPJ, no mês de abril de 2003, o que lhe daria o direito a restituição e/ou compensação do valor pago a maior. Nessa oportunidade, reconheceu o equívoco em sua DCTF, apresentada com base no cálculo original da estimativa de IRPJ e não retificada. Em complemento, informou que a apuração correta da referida estimativa mensal havia sido incluída na DIPJ do anocalendário de 2003. Contudo, as autoridades julgadoras mantiveram integralmente o Despacho Decisório impugnado, sob o argumento de que o pagamento de IRPJ foi integralmente vinculado ao débito informado em DCTF e, ainda, que a recorrente não teria apresentado provas de que os valores informados em DIPJ estariam corretos. Na presente instância, a recorrente assinala que a base de cálculo apurada, mediante balancete de redução, bem como o valor da estimativa mensal de IRPJ devido neste período, foram regularmente declarados na DIPJ entregue no anocalendário de 2004. Dessa forma, seria possível constatar que efetuara recolhimento a maior, no valor de R$ 169.379,23, importância essa utilizada na DCOMP, em exame para a liquidação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Agora, a recorrente aduz que a existência de DARF, no valor de R$ 278.477.81, e a informação em DIPJ de débito de estimativa mensal de R$ 109.098,58, são suficientes para que se verifique a existência do crédito em exame. Porém, levando em conta o comentário das autoridades julgadoras no sentido de que não teriam sido apresentados os documentos comprobatórios da regularidade dos valores informados em DIPJ, apresenta Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 721 13 planilha gerencial elaborada para fins de apuração do IRPJ no curso do anocalendário de 2003 (doc. 02). Segundo a recorrente, especialmente com relação ao mês de abril de 2003, tal planilha demonstra que (i) apurou lucro contábil de R$ 9.627.342,20; (ii) após as adições e exclusões previstas na legislação, apurou lucro real de R$ 2.509.768,77; (iii) apurou IRPJ no valor de R$ 376.465,31 e adicional no valor de R$ 242.976,88 e (iv) apurou IRPJ a pagar no valor de RS 109.108,57. A recorrente ressalta que a diferença de R$ 10,01 entre o valor de IRPJ informado como devido, em DIPJ, e o valor obtido na apuração interna do imposto (de R$ 109.098,58 para R$ 109.108,57), não afeta o recolhimento dos débitos exigidos através do presente processo administrativo, pois utilizou o crédito de IRPJ no valor de R$ 169.369,24, tal como se verifica da DCOMP em análise, e não no valor de R$ 169.379,23, resultante dos valores indicados em sua DIPJ. Dessa forma, não se vê qualquer empecilho para o reconhecimento do crédito de IRPJ no valor original de R$ 169.369.24. correspondente à diferença entre o valor recolhido a título de estimativa mensal do mês de abril de 2003 e o valor efetivamente devido. A recorrente destaca que, após longa discussão sobre a forma de recuperação de valores de estimativas mensais pagas a maior, as próprias autoridades fiscais reconheceram a possibilidade de, até 29 de outubro de 2004, as pessoas jurídicas pleitearem diretamente a restituição e/ou compensação de estimativas mensais pagas indevidamente ou a maior, sem a necessidade de inclusão desses valores na formação de saldo negativo de IRPJ. Assim, anota que providenciou a transmissão da DCOMP em 31 de março de 2004 (ainda sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 210/2002), motivo por que deve ser afastada qualquer possibilidade de recusa à compensação pretendida, ao argumento de que estimativas mensais de IRPJ são insuscetíveis à restituição e/ou compensação Com efeito, consolidouse na jurisprudência administrativa o entendimento assentado na Súmula CARF nº 84, de acordo com o qual o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Em face do exposto, impõese a solução de questão prejudicial a respeito da existência de pagamento indevido ou a maior do que o devido. Caso se constate a efetivação da entrega de numerário não exigida pela lei tributária que determina o recolhimento por estimativas, ou de valor superior ao que resultar, nos termos da lei tributária, dos cálculos do recolhimento por estimativa, aí então será possível concluir que há indébito suscetível à restituição ou à compensação. In casu, a recorrente optou pela tributação do lucro real anual e recolhimentos por estimativa calculados com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, na forma do artigo 35 da Lei nº 8. 981/1995: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 722 14 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo.” Afirma a recorrente que os cálculos dos recolhimentos por estimativa são aqueles constantes na DIPJ do anocalendário de 2004. Entretanto, o valor informado em DCTF não corresponde, para a apuração referente ao mês de abril/2003, aos cálculos lançados na DIPJ. Além disso, confessa que a citada DCTF não foi retificada. Portanto, percebese que há outra questão prévia a ser decidida, agora em torno da prevalência de um documento sobre o outro, para fins de definição do valor devido. Ou a DCTF ou a DIPJ. Como é assente, a DIPJ é um instrumento de prestação de informações para o Fisco federal, quanto a diversos tributos de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas não se presta à constituição do crédito tributário, conforme posição jurisprudencial já fixada na Súmula CARF nº 82: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” A DCTF, por sua vez, instrumentaliza a confissão de dívida, em consonância com o disposto no § 1º do artigo 5º do Decretolei nº 2.124/1984,verbis: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito A Portaria MF nº 118/84 delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para instituir a aludida declaração. Portanto, em face da natureza constitutiva da DCTF, a recorrente poderia, ela mesma, por ato voluntário, retificar a informação inserida no documento anterior. Isso porque a DCTF retificadora, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da DCTF originalmente apresentada, a teor do artigo 18 da Medida Provisória nº 2.18949, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 723 15 declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” Há de se ter em mira, na espécie, que o ato jurídico da entrega da DCTF tem eficácia, surtindo efeitos de imediato. Por outro lado, a unidade local informa, em resposta a este Colegiado, que não há “como analisar individualmente a situação de determinada estimativa, no caso em comento, relativa ao período de apuração de abril/2003, que o interessado alega pagamento a maior”. Considerando todos os elementos fáticos presentes nos autos, à luz da legislação aplicável, não se pode negar validade ao valor confessado em DCTF, já que a própria recorrente preferiu não retificar a declaração anterior. De outra sorte, a revisão realizada pela Administração Tributária implicaria execução de procedimento de auditoria contábil e fiscal para suprir a inércia da recorrente, que podia e devia, nas circunstâncias relatadas, providenciar antecipadamente a expedição de DCTF retificadora. Na verdade, o não exercício da retificação da DCTF gera a presunção de que o crédito tributário confessado é o que deve ser cobrado. A rigor do artigo 111 do Código Civil vigente, “o silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa”. Obviamente, o silêncio da recorrente importou, para o Fisco, o prosseguimento da expectativa de que arrecadará o valor declarado, e não outro. Sem dúvida, não desconheço que o relator anterior, o exConselheiro Bueloni, delineara a admissibilidade do valor constante da DIPJ, independentemente da eficácia jurídica da DCTF, de acordo com o trecho reproduzido abaixo, no qual se descreve sua linha de raciocínio: “por fim, notase há nos autos elementos relevantes para análise do alegado crédito, quais sejam, o DARF de pagamento do IRPJ por estimativa, o lançamento do IRPJ devido na DIPJ de 2004, bem como planilha demonstrativa informando o valor do IRPJ devido em cada mês, o valor das estimativas mensais pagas, e, portanto, o valor do crédito de IRPJ que seria apurado no final do anocalendário, todos apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade.”; (grifei) . “é meu entendimento, que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório que, neste caso concreto, em tese, pode existir.” (grifei) “e, se tiver a autoridade fiscal condições de apurar sua existência – neste caso, através da análise dos DARFs, da DIPJ e, subsidiariamente, da planilha demonstrativa apresentada pelo contribuinte, para preservação de todos os direitos invocados, talvez seja aconselhável fazê lo.” De início, estava propenso a seguir a trilha apontada pelo Conselheiro que me precedeu na relatoria. Porém, reflexões ulteriores conduziramme à visão distinta. Isso porque a verificação do montante que a recorrente declara ser o correto exigiria, em face da documentação acostada, não o simples cotejo de informações, mas o volumoso trabalho de Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 724 16 aferir o valor correto da estimativa de abril de 2003, calculandoo com base em balanço de suspensão e redução, com transferência para o Fisco do ônus da prova. Esta Turma já decidiu no mesmo sentido, a teor da ementa do acórdão nº 1301002.242, prolatado na sessão de março de 2017, na relatoria do Ilustre Waldir Veiga Rocha: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF e em DIPJ, não retificadas, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo." Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001139/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Relatório
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração para exigência da COFINS no valor originário de R$ 2.911.276,42, acrescida de juros de mora no montante de R$ 1.295.444,01, e de multa de ofício de R$ 2.183457,28, relativo ao período de 02/2006 a 12/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 01 13 9/ 20 10 -6 1 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 3 2 Segundo consta da descrição dos fatos do Termo de Verificação (fls.143145), o lançamento fiscal fora realizado com base nos seguintes fundamentos: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e dando prosseguimento aos trabalhos de fiscalização do contribuinte acima identificado, referente ao imposto de renda no exercício de 2007 (anocalendário de 2006), resultante de representação efetuada pelo Ministério Público Federal conforme OFÍCIO/PR/RJ/MC/N° 663/2008, verificamos o que segue: 1 Em 05072010 a Fundação foi intimada a: informar se recolheu a contribuição para o Plano de Integração Social PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS sobre as receitas constantes do Demonstrativo anexo, juntando os comprovantes do recolhimento, e em caso negativo esclarecer os motivos pelos quais não efetuou o recolhimento (fls. 2 e 3). Em sua resposta datada de 14 e 27072010 a instituição informa que recolhe o PIS com base na folha de pagamento (1%) e que é isenta da COFINS sobre as receitas das atividades próprias (fls.4 a 16). Os comprovantes de recolhimento do PIS sobre folha de pagamento foram devolvidos. 2 Em 29072010 a Fundação foi intimada a informar (fls. 17 e 18) se as receitas a seguir relacionadas são de suas atividades próprias, conforme definido nos artigos 13, inciso VIII e 14, inciso X da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a seguir transcrito, juntando os comprovantes: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1°de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 4.1.01.001 Receitas de Concursos 4.1.01.003 Convênios 4.1.01.004 Outras Recitas 4.1.01.005 Doações 4.1.01.006 Câmara Municipal de São João de Meriti 4.1.01.007 Cisbaf 4.1.01.008 CPRM Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais 4.1.01.009 Fundação Escola de Serviço PúblicoFE 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins 4.1.01.011 IASERJ 4.1.01.012 IPEM 4.1.01.013 Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu 4.1.01.014 Prefeitura Municipal de Teresópolis 4.1.01.015 Secretaria de Estado e Saúde (Especiais) 4.1.01.016 Secretaria de Estado e Saúde (Pro Mulher) 4.1.01.017 Solvay Farma Ltda. (Projeto HuggCpo) 4.1.01.018 SUDERJ 4.1.01.019 HUGG Autoclave 4.1.01.021 Intervir Ltda. 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ 4.1.01.023 UNIRIO Respondeu, em 26102010, que: "As receitas relacionadas no Termo de Intimação mencionado referemse à realização de atividades próprias que se encontram na órbita dos objetivos sociais da Fundação. Quanto à apresentação de documentos comprobatórios da alegação acima, informamos que os termo de convênios celebrados com as instituições citadas na Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 4 3 relação, já foram encaminhados em outras ocasiões, como em 24 de setembro de 2010. " Os documentos fornecidos, termos de convênios e contratos (fls, 19 a 119), não comprovam que as receitas sejam de atividades próprias nos termos da Lei n° 8.958/1994, do Decreto n° 5.205/2004 e da IN SRF n° 247/2002. Com relação à isenção da COFINS, a Instrução Normativa citada, em seu artigo 47 § 2º diz: § 2o Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Embora a Fundação não tenha fornecido elementos para comprovar que as contas 4.1.01.001 Receitas de Concursos, 4.1.01.003Convênios, 4.1.01.004Outras Receitas, e 4.1.01.005Doações, 4.1.01.017Solvay Farma Ltda. (Projeto HUGGCpo), 4.1.01.019HUGGAutoclave e 4.1.01 023UNIRIO, sejam de atividades próprias, conforme definido na Lei n° 8.958/1994, do Decreto n° 5.205/2004 e da IN SRF n° 247/2002, excluímos estas contas da tributação por se tratar de contas envolvendo a INSTITUIÇÃO APOIADA, podendo, com grande probabilidade, se tratar de receitas de atividade própria. 3 Através do Ato Declaratório Executivo n° 417, de 30 de julho de 2010, publicado no Diário Oficial da União em 03 de agosto de 2010, foi suspenso o gozo da isenção tributária pela Fundação (fl.136). 4 Em 27082010 a Fundação foi intimada a fornecer demonstrativo mensal dos créditos de PIS e COFINS correspondentes às receitas constantes do demonstrativo anexo àquele Termo (fls. 120 e 121). Em resposta datada de 13092010, informou que: (fls. 122 a 125) "as receitas indicadas no demonstrativo citado referemse à realização de atividades próprias que se encontram na órbita dos objetivos sociais da Fundação. Cabe esclarecer que em relação à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) sobre Faturamento, a FURJ, como entidade sem fins lucrativos, fundamentada no art 2, inciso II da Lei n. ° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e art 13 da MP n. ° 2.15835, de 2001, recolhia tal tributo sobre folha de salários, o que não se aplicava em tal situação, pois a mesma não atuava como empregadora (conforme definido pela legislação trabalhista) de bolsistas de programas e projetos. Quanto à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), fundamentada no art. 14 da Medida Provisória n.°215835, de 24 de agosto de 2001, na situação que se apresenta,a FURJ era isenta de seu recolhimento." Diante do exposto lavramos Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS utilizando como base de cálculo as receitas constantes do DEMONSTRATIVO MENSAL DA RECEITA, anexo e parte integrante deste Termo. Para constar, e produzir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em três vias de igual forma e teor e entregamos uma cópia ao interessado/representante legal. Em suma, entende a autoridade fiscal que há isenção do pagamento da COFINS, nos termos do artigo da MP nº 2.15835/2001 c/c artigo 47, §2º, da IN 247/2002, somente em relação às receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 5 4 assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Cientificada da presente autuação, a Recorrente apresentou impugnação (fls.171203), requerendo, em apartada síntese, o cancelamento do Auto de Infração pelos motivos e fundamentos explicitados na peça defensiva. Em 20 de setembro de 2012, houve por bem a 16ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do acórdão nº 1249.657, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO ALEGAÇÕES RELATIVAS A FATOS ESTRANHOS AO PROCEDIMENTO FISCAL Não cabe a apreciação de questões relativas a fatos apurados em procedimento administrativo diverso daquele em análise, no qual já foi garantido o direito de defesa ao contribuinte. COFINS FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO ISENÇÃO RECEITAS PRÓPRIAS DA ENTIDADE Somente são isentas da Cofins as receitas próprias recebidas pelas fundações de direito privado, assim entendidas aquelas derivadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas no estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e ao desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade. Intimada em 22.11.2012 (fls.284), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11.12.2012 (fls.289309), requerendo a reforma da decisão a fim de que seja cancelado o lançamento fiscal, alegando, em síntese, que suas receitas são isentas à COFINS, nos termos do artigo 14, inciso X c/c o artigo 13, ambos da MP nº 215835/2001. Adicionalmente a matéria de mérito propriamente dita, apresentou alegações concernente a observância dos princípios da legalidade, da segurança jurídica, verdade real, proporcionalidade e da razoabilidade. É o relatório. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: A FUNDAÇÃO DE APOIO À UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO FURJ é fundação de direito privado, constituída como fundação de apoio da Universidade do Rio de Janeiro UNIRIO, nos termos da Lei nº 8.958/1994 e do Decreto nº 5.205/2004. A FURJ é sujeita à contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, de acordo com o inciso VIII do artigo 13 da MP nº 2.15835/2001 e para a Cofins sobre as receitas das atividades não próprias, sendo isentas em relação às receitas das atividades próprias, de acordo com o inciso X do artigo 14 da referida Medida Provisória, a seguir trasncritos: Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 6 5 Art.13.A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] VIIIfundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; [...] Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] Xrelativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A RFB regulamentou a isenção sobre as receitas das atividades próprias no §2º do artigo 47 da IN SRF nº 247/2002, conforme abaixo transcrito: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais A fiscalização, a partir desta definição, autuou a entidade por entender que os documentos fornecidos (termos de convênios e contratos) não comprovavam que as receitas escrituradas nas contas contábeis definidas na autuação decorressem de atividades próprias. Ocorre que esta definição de receitas da atividade própria extrapolou os limites legais ao considerar o caráter contraprestacional como fundamento para afastar a isenção, excluindo entidades como as instituições de educação e de assistência social, instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e fundações, que podem prestar serviços remunerados vinculados às suas finalidades, mantendose a condição de entidades sem fins lucrativos. Esta restrição vem sendo afastada pelo CARF como se observa em diversos julgados, tais como: Acórdão nº 9303004.585: FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. RECEITAS DE ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO.São isentas as receitas decorrentes da contraprestação de serviços relativos à atividade própria da fundação de direito privado sem fins lucrativos.Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 9303003.813: FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.As receitas decorrentes de atividades próprias de fundação de direito privado, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 7 6 com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Acórdão nº 9303003.262: FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. COFINS. ISENÇÃO.A contraprestação não é fator fundamental para determinar a receita como própria da atividade. O importante é a análise individual da natureza jurídica de cada receita para então afirmar ser ou não própria da atividade da sociedade.Recurso parcialmente provido. Tal restrição foi objeto da Súmula CARF nº 107 que manteve a isenção relativa às receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/1997, que, embora, a meu ver, não se aplica ao caso concreto aqui analisado, revela que o CARF afastou o caráter contraprestacional como fundamento para restringir o conceito de atividade própria. De modo similar, o STJ, ao julgar o REsp 1.353.111/RS (transitado em julgado em 02/03/2016) sob a sistemática de recursos repetitivos, afirmou a ilegalidade do §2º do artigo 47 da IN SRF nº 247/2002 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos, conforme a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 8 7 entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 20312738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/2004 61, Acórdão n. 3401002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201 001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/2007 75, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 9 8 Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. O repetitivo acima não se aplica ao caso concreto para efeito de observância do artigo 62 do RICARF, mas serve como reforço de convencimento, assim como a Súmula CARF nº 107, para afastar as restrições do §2º do artigo 47 da IN SRF nº 247/2002. A respeito, é salutar a transcrição do excerto abaixo extraído do voto condutor do repetitivo: "Desse modo, não resta dúvida alguma que o conceito extraível da expressão "atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13", contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), é bem mais amplo que o conceito estabelecido no art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002 e que aquele trabalhado no âmbito do Parecer Normativo CST n. 5, de 22 de abril de 1992, abarcando algumas, não todas, as atividades contraprestacionais das referidas entidades. " Destarte, afastada a restrição trazida pela instrução normativa, a isenção deve ser considerada em relação às receitas das atividades próprias, entendidas estas como as que se destinam às finalidades para as quais a entidade foi instituída. No caso, tratase de uma fundação privada de apoio à UNIRIO, criada nos termos da Lei nº 8.958/1994, sob os seguintes requisitos: Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. §1oPara os fins do que dispõe esta Lei, entendese por desenvolvimento institucional os programas, projetos, atividades e operações especiais, inclusive de natureza infraestrutural, material e laboratorial, que levem à melhoria mensurável das condições das IFES e das ICTs, para cumprimento eficiente e eficaz de sua missão, conforme descrita no plano de desenvolvimento institucional, vedada, em qualquer caso, a contratação de objetos genéricos, desvinculados de projetos específicos. (Incluído pela Medida Provisória nº 495, de 2010) §2oA atuação da fundação de apoio em projetos de desenvolvimento institucional para melhoria de infraestrutura limitarseá às obras laboratoriais, aquisição de materiais e equipamentos e outros insumos especificamente relacionados às atividades de inovação e pesquisa científica e tecnológica. (Incluído pela Medida Provisória nº 495, de 2010) §3oÉ vedado o enquadramento, no conceito de desenvolvimento institucional, de: (Incluído pela Medida Provisória nº 495, de 2010) Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 10 9 Iatividades como manutenção predial ou infraestrutural, conservação, limpeza, vigilância, reparos,copeiragem, recepção, secretariado, serviços administrativos na área de informática, gráficos, reprográficos e de telefonia e demais atividades administrativas de rotina, bem como suas respectivas expansões vegetativas, inclusive por meio do aumento no número total de pessoal; e (Incluído pela Medida Provisória nº 495, de 2010) IIrealização de outras tarefas que não estejam objetivamente definidas no Plano de Desenvolvimento Institucional da instituição apoiada. (Incluído pela Medida Provisória nº 495, de 2010) §4oÉ vedada a subcontratação total do objeto dos ajustes realizados pelas IFES e ICTs com as fundações de apoio, com base no disposto nesta Lei, bem como a subcontratação parcial que delegue a terceiros a execução do núcleo do objeto contratado. (Incluído pela Medida Provisória nº 495, de 2010) §5oOs materiais e equipamentos adquiridos com recursos transferidos com fundamento no §2o integrarão o patrimônio da IFES ou ICT contratante. [...] Art. 2o As fundações a que se refere o art. 1o deverão estar constituídas na forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos, regidas pela Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, e por estatutos cujas normas expressamente disponham sobre a observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência, e sujeitas, em especial: (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) I a fiscalização pelo Ministério Público, nos termos do Código Civil e do Código de Processo Civil; II à legislação trabalhista; III ao prévio registro e credenciamento no Ministério da Educação e do Desporto e no Ministério da Ciência e Tecnologia, renovável bienalmente. Regulamentando a Lei nº 8.958/1994, o Decreto nº 5.205/2.004 dispôs que: Art.1oAs instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão celebrar com as fundações de apoio contratos ou convênios, mediante os quais essas últimas prestarão às primeiras apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, por prazo determinado. §1oPara os fins deste Decreto, consideramse instituições federais de ensino superior as universidades federais, faculdades, faculdades integradas, escolas superiores e centros federais de educação tecnológica, vinculados ao Ministério da Educação. §2oDentre as atividades de apoio a que se refere o caput, incluise o gerenciamento de projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Resolução nº 3302000.589 S3C3T2 Fl. 11 10 §3oPara os fins deste Decreto, entendese por desenvolvimento institucional os programas, ações, projetos e atividades, inclusive aqueles de natureza infraestrutural, que levem à melhoria das condições das instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica para o cumprimento da sua missão institucional, devidamente consignados em plano institucional aprovado pelo órgão superior da instituição. §4oOs programas ou projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico deverão ser previamente aprovados pela instituição apoiada para que possam ser executados com a participação da fundação de apoio. Art.2oA fundação de apoio poderá celebrar contratos e convênios com entidades outras que a entidade a que se propõe apoiar, desde que compatíveis com as finalidades da instituição apoiada expressas em seu plano institucional. Art.3oNa execução dos projetos de interesse da instituição apoiada, a fundação de apoio poderá contratar complementarmente pessoal não integrante dos quadros da instituição apoiada, observadas as normas estatutárias e trabalhistas. Observase que tanto a Lei nº 8.958/1994 quanto o Decreto nº 5.205/2004 vinculam a celebração de contratos entre a UNIRIO e a FURJ a atividades desenvolvidas pela fundação a apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, os quais devem ser previamente aprovados pela entidade apoiada, conforme preceitua o §4º do artigo 1º do referido decreto. Além disso, no caso de celebração de convênios ou contratos com terceiros que não a entidade apoiada, os objetos destes contratos devem ser compatíveis com as finalidades da instituição apoiada, expressas em seu plano institucional. Assim, é necessário que a autoridade fiscal intime a recorrente ou a UNIRIO a: 1. Apresentar o plano institucional desta última a que se refere o artigo 2º do Decreto nº 5.205/2004; 2. Esclarecer para cada contrato vinculado às contas contábeis, objeto da autuação, se há projetos de ensino, pesquisa e extensão ou de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da UNIRIO a eles vinculados, informando o escopo de cada um e juntando documentação probatória, se for o caso; 3. Apresentar os contratos das contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ, não localizados nos autos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.722575/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 - um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei.
Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS.
A tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza ocorre na forma prevista no artigo 21 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
Constitui receita da atividade rural o valor correspondente à alienação de produtos oriundos da atividade ou, ainda, de bens utilizados na produção, assim considerados os investimentos resultantes da aplicação de recursos financeiros, tais como os maquinários e insumos adquiridos não há previsão legal para a compensação de prejuízos acumulados da atividade rural com rendimentos de outra natureza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No que tange à omissão de rendimentos correspondentes à alienação dos bens utilizados na atividade rural, há responsabilidade subsidiária da adquirente, uma vez que o alienante prosseguiu na exploração da atividade.
Numero da decisão: 2202-003.876
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e, quanto aos recursos voluntários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 - um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. A tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza ocorre na forma prevista no artigo 21 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Constitui receita da atividade rural o valor correspondente à alienação de produtos oriundos da atividade ou, ainda, de bens utilizados na produção, assim considerados os investimentos resultantes da aplicação de recursos financeiros, tais como os maquinários e insumos adquiridos não há previsão legal para a compensação de prejuízos acumulados da atividade rural com rendimentos de outra natureza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No que tange à omissão de rendimentos correspondentes à alienação dos bens utilizados na atividade rural, há responsabilidade subsidiária da adquirente, uma vez que o alienante prosseguiu na exploração da atividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e, quanto aos recursos voluntários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhes provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. A tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza ocorre na forma prevista no artigo 21 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 25 75 /2 01 1- 21 Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.490 2 Constitui receita da atividade rural o valor correspondente à alienação de produtos oriundos da atividade ou, ainda, de bens utilizados na produção, assim considerados os investimentos resultantes da aplicação de recursos financeiros, tais como os maquinários e insumos adquiridos não há previsão legal para a compensação de prejuízos acumulados da atividade rural com rendimentos de outra natureza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No que tange à omissão de rendimentos correspondentes à alienação dos bens utilizados na atividade rural, há responsabilidade subsidiária da adquirente, uma vez que o alienante prosseguiu na exploração da atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e, quanto aos recursos voluntários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.491 3 Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte MARIO DEDINI OMETTO e pela responsável subsidiária ABENGOA BIOENERGIA AGROINDÚSTRIA LTDA. nos autos do processo nº 10865.722575/201121, em face do acórdão nº 1653.152 julgado pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 450 a 459, para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 5.333.523,17, acrescido de multa de ofício de R$ 4.000.142,38, além de juros de mora calculados até novembro de 2011. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 455) que foram apuradas as seguintes infrações: Omissão de rendimentos da atividade rural, recebidos no ano calendário de 2007, no valor de R$ 651.672,18. Enquadramento legal: arts. 57 a 61, 71 e 83 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999), art. 1o, inciso I e parágrafo único, da Medida Provisória n° 340/2006; omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, auferidos em setembro de 2007, no valor de R$ 34.362.088,81. Enquadramento legal: art. 21 da Lei n° 8.981/1995; arts. 117, 118, 120, 121, § 2o, 122 a 125, 128, 129, 131, 132, 133, parágrafo único, 134, 136, 138 a 141 do RIR/1999; arts. 23 e 24 da Lei n° 9.250/1995; arts. 38 a 40 da Lei n° 11.196/2005. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 446 a 449, integrante do auto de infração, relata o que segue: Em ação fiscal efetuada junto à pessoa jurídica Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda., da qual o autuado era sócio, foram apuradas, em relação ao contribuinte pessoa física, as seguintes irregularidades: omissão de receita da atividade rural e ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos, em condomínio com outras pessoas físicas, cujo percentual de participação do autuado era de 12% (doze por cento); os fatos e o embasamento jurídico que sustentam a imposição fiscal encontramse detalhados no Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal lavrado contra a referida empresa, que é parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal; Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.492 4 não houve necessidade de intimação prévia do contribuinte pessoa física, pois todos os elementos e esclarecimentos necessários à formação da convicção do Fisco quanto à existência das infrações foram colhidos durante a diligência fiscal na sociedade da qual era sócio e têm o contribuinte como signatário (contratos, aditivos e seus anexos); referidos elementos foram cotejados com as declarações de rendimentos (DIRPF) dos anoscalendário de 2006 e 2007, constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, e os elementos contábeis utilizados referemse a período em que o contribuinte era sócio da pessoa jurídica (então denominada) Sociedade Agrícola Dedini, e, portanto, são de seu prévio conhecimento; I Demonstrativo de individualização dos valores para o condômino I.1 Ganho de Capital (alienação de direitos) Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em dezembro de 2006 R$ 285.751.005,24 Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em fevereiro de 2007 R$ 560.134,84 Ganho de Capital apurado pelo Condomínio em abril de 2007 R$ 39.599,97 Total do Ganho de Capital auferido (quitado pelo cessionário em 09/2007) R$ 286.350.740,05 Valor que cabe ao Condômino Mário Dedini Ometto (12%) R$ 34.362.088,81 Imposto de Renda Devido sobre o Ganho de Capital no mês da quitação R$ 5.154.313,32 I.2 Receita da Atividade Rural (alienação de bens da atividade rural) Receita Total R$ 27.153.040,63 Valor que cabe ao Condômino Mário Dedini Ometto (12%) R$ 3.258.364,88 I.2.1 Recomposição do Resultado da Atividade Rural no ano calendário de 2007 Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.493 5 * No mês de setembro o valor declarado foi de R$ 1.392.219,00. Foi acrescentado o valor da omissão de R$ 3.258.364,88. Resultado Tributável Rural Recomposto 5.141.766,83 Resultado Tributável Rural Declarado 4.639.638,00 Resultado a Tributar 502.128,83 (segue recomposição do ajuste anual, na qual foi apurado o imposto suplementar de R$ 179.209,89) para possibilitar ao autuado o exercício de seu direito de ampla defesa, sãolhe fornecidas cópias dos documentos, contemporâneos aos fatos, e das respostas às intimações, relativamente à ação fiscal empreendida junto à pessoa jurídica da qual era sócio à época e que serviram de suporte às conclusões da fiscalização. No Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal acima referido, juntado às fls. 426/445, consignouse o que segue, em resumo: conforme relatado no Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal realizada junto à empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., denominada, à época dos fatos investigados, Sociedade Agrícola Dedini Ltda., os trabalhos fiscais prosseguiram com vistas à verificação da capitalização da sociedade por pessoas jurídicas do então Grupo Dedini Agro (Usinas de Açúcar e Álcool), com créditos detidos junto ao Consórcio de Pessoas Físicas, capitaneado por Márcio Milan de Oliveira, visando o preparo do grupo Dedini Agro para venda ao grupo espanhol Abengoa Bioenergia, ocorrida em 2007; Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.494 6 as empresas do então Grupo Dedini Agro, hoje Grupo Abengoa, diretamente envolvidas nos fatos que serão relatados, são assim identificadas: a) Dedini Açúcar e Álcool Ltda., hoje denominada Abengoa Bioenergia São João Ltda., CNPJ n° 03.106.412/000107, doravante denominada DAA/ABSJ; b) Dedini S.A. Indústria e Comércio, hoje denominada Abengoa Bioenergia São Luiz S.A., CNPJ n° 56.617.244/000172, doravante denominada DIC/ABSL; c) Sociedade Agrícola Dedini Ltda., depois denominada Abengoa Bioenergia Agrícola Ltda. e hoje denominada Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, doravante denominada SAD/ABAG; d) Condomínio de Pessoas Físicas, doravante denominado MMO, constituídos pelos seguintes produtores rurais: Adriano Giannetti Dedini Ometto CPF n° 126.413.00826 (5%) Lucianna Dedini Ometto James CPF n° 110.139.13833 (4%) Márcio Milan de Oliveira CPF n° 081.113.55866 (77%) Mario Dedini Ometto CPF n° 015.953.85800 (12%) Wanda Maria Giannetti Dedini Ometo CPF n° 044.227.43864 (2%) referidas pessoas físicas eram, à época dos fatos, sócias na Sociedade Agrícola Dedini Ltda. (SAD), mantendo na pessoa jurídica o mesmo percentual de participação em MMO; no curso do procedimento fiscal, a diligenciada informou que o aumento de capital na SAD/ABAG, ocorrido no anocalendário de 2007, de R$ 20.000,00 para R$ 270.867.075,00, tem suporte em ativos entregues pela DIC/ABSL e pela DAA/ABSJ, que passaram, então, a ser sócias da SAD/ABAG; os ativos utilizados na integralização de capital, segundo a diligenciada, estão representados por créditos detidos pelas investidoras junto a MMO, que era formado pelos, até então, únicos sócios da própria SAD, receptora do capital; a fiscalizada, que é sucessora por incorporação das subscritoras de capital, foi intimada a apresentar à fiscalização os seguintes documentos, elementos e esclarecimentos: 1) demonstrar a efetiva substância econômica dos créditos junto às pessoas físicas integrantes de MMO, que lhe foram entregues, detalhando, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a formação desses ativos nas subscritoras (incorporadas), descrevendo todos os detalhes do relacionamento dos condôminos com as credoras; Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.495 7 2) detalhar e demonstrar o destino final desses ativos e, em caso de realização dos créditos, comprovar o efetivo recebimento dos valores. a fiscalizada foi ainda intimada a demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem, a formação, operação por operação, a efetiva substância econômica e a real exigibilidade dos débitos para com MMO, constantes do passivo da SAD, atual Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda., CNPJ n° 06.252.818/000188, na data da sua baixa por compensação com créditos junto ao mesmo condomínio, recebidos em integralização de capital, de outras pessoas jurídicas; diante de tudo quanto se pôde constatar e das respostas da diligenciada (expedientes de fls. 06/18 e 22/31 e transcrições às págs. 03/08 do Termo, fls. 428/433), é possível chegar às seguintes conclusões: MMO foi constituído com o objetivo de explorar a atividade rural de produção de cana de açúcar, em terras próprias e/ou de terceiros (mediante contratos de parceria/arrendamento) e das próprias Usinas compradoras da cana produzida (DIC e DAA); grande parte dos custos/despesas e investimentos da atividade rural de MMO era custeada pelas Usinas (DIC e DAA) compradoras, com exclusividade, da cana produzida e era mantido um "contascorrentes" entre as Usinas e MMO; no encerramento desse relacionamento empresarial entre DIC, DAA e MMO, as Usinas eram credoras de MMO, em 31/12/2006, pelo valor de R$ 254.600.906,57; referido valor figurou, respeitados os percentuais de cada um, nas Fichas de Dívidas e Ônus Reais da Atividade Rural da DIRPF/2007 (anocalendário de 2006) dos condôminos; esse montante de crédito é que foi entregue pelas Usinas (DIC e DAA) em integralização de capital da SAD; embora os condôminos fossem sócios da SAD, receptora dos créditos, ficou acordado na Resolução n° 06 da 3a Alteração Contratual de 28/02/2007, registrada na JUCESP em 06/07/2007, que a integralização de capital pelos sócios ingressantes não alteraria o percentual de participação dos sócios anteriores (os próprios condôminos), que continuaram a deter na sociedade o mesmo percentual que detinham anteriormente ao aumento do capital social; a SAD realizou, no mesmo ano de 2007, os créditos ativados, mediante recebimento de bens e direitos do Condomínio, avaliados no montante de R$ 323.487.672,98 assim composto: a) R$ 286.350.739,85 referentes aos direitos consubstanciados nos contratos de parcerias agrícolas, cedidos por MMO à SAD, e b) R$ 37.136.933,13 referentes a bens e direitos que compunham o Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.496 8 ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques de MMO; na essência, os negócios jurídicos tiveram como propósito a transferência de toda a atividade de MMO para a SAD, ou seja, a alienação para a SAD dos direitos que os condôminos detinham sobre os contratos das lavouras de cana e das benfeitorias/investimentos na atividade rural do Condomínio; o valor assim obtido foi, parcialmente, utilizado na liquidação integral de suas dívidas para com as Usinas, já na SAD, que as recebeu em subscrição de capital feita pelas Usinas, credoras originais; destacase aqui que a alienação dos direitos sobre os contratos de parceria nas lavouras de cana não se constituiu em venda de produtos rurais, pois o que se alienou foram os direitos sobre as safras futuras, em formação (ainda não eram produtos rurais), conforme cláusulas do Contrato de Cessão a seguir transcritas: 1 – O CEDENTE cede e transfere à CESSIONÁRIA todos os direitos e obrigações que lhe decorrem dos Instrumentos Particulares de Contrato de Parceria Agrícola e Compra e Venda de CanadeAçúcar, firmados até a data de assinatura desse instrumento, relacionados em seu ANEXO, que, rubricados pelas partes dele passa a fazer parte, operandose a cessão, nos termos e condições contidos nas cláusulas abaixo. 1 . 1 – Excetuase da cessão objeto deste contrato os direitos sobre a canadeaçúcar a ser colhida e entregue às INTERVENIENTES ANUENTES até o encerramento da Safra 2006/2007, cujos pagamentos serão realizados ao CEDENTE para atendimento a compromissos anteriormente assumidos, passando o pagamento a ser realizado à CESSIONÁRIA a partir da Safra 2007/2008. não obstante, nas DIRPF/2008 (anocalendário de 2007), apresentadas pelas pessoas físicas integrantes de MMO, ainda figuravam, indevidamente, as dívidas para com a SAD, que já haviam sido liquidadas por compensação, diversamente dos bens e direitos da atividade rural, relativamente a MMO, que nelas não mais constavam; não consta nas DIRPF dos condôminos, nem em 2006, nem em 2007, o oferecimento à tributação da receita da atividade rural correspondente à alienação dos bens e direitos dessa atividade (considerados custos/despesas/investimento em anos anteriores) e não houve apuração e/ou pagamento do ganho de capital auferido com a alienação dos direitos dos contratos de parceria nas lavouras de cana; do valor dos bens e direitos alienados, constituem receita da atividade rural os valores relativos a ativo imobilizado e estoque de insumos e matérias intermediários listados nos Anexos I e V do Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças, celebrado em 01 de dezembro de 2006 e aditado em 31 Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.497 9 de dezembro de 2006 (Anexos I e II); 28 de fevereiro de 2007 (Anexos I e II) e 30 de abril de 2007 (Anexo I): se lícito foi o planejamento tributário consistente em manter toda a estrutura "empresarial" do Condomínio (empregados, contabilidade, faturamento, almoxarifado, oficinas, etc.) na sede da SAD, com a consideração das receitas e custos/despesas/investimentos nas pessoas físicas dos sócios, beneficiandose, até 2007, do tratamento tributário diferenciado dado à exploração de atividade rural por pessoas físicas, o Condomínio deverá arcar com todas as consequências jurídicas advindas do seu encerramento, de fato, em 2007; somente assim procedendo é que é possível considerar válido o aumento de capital na Sociedade Agrícola Dedini, eis que os ativos recebidos das Usinas subscritoras (DIC e DAA) tinham sua substância econômica representada pelos créditos a receber das pessoas físicas fornecedoras de cana de açúcar; a realização dos créditos teria se dado pelo recebimento de todos os bens e direitos do Condomínio, cuja avaliação foi, em sua maior parte, centrada nos contratos de parcerias agrícolas (lavouras de cana de açúcar mantida pelos próprios condôminos e/ou em parceria com terceiros); assim, na essência, os beneficiários finais foram os condôminos, pessoas físicas, que alienaram o negócio (lavouras de cana) para a pessoa jurídica, em troca das dívidas que tinham para com ela, sem prejuízo da responsabilidade solidária da pessoa jurídica que teve interesse comum nas situações que constituíram fato gerador do imposto de renda e, principalmente pelo fato de a SAD ter assumido todo o ativo e passivo do Condomínio, tornandose sucessora, de fato e de direito, nas atividades então exercidas por MMO, conforme se vai detalhar em termo próprio de atribuição de responsabilidade; as benfeitorias, despesas e investimentos na atividade rural foram decisivos para eliminação, até o ano de 2006, de resultados positivos da atividade rural de MMO (constantes prejuízos), portanto, a recuperação desses dispêndios, seja pela via da alienação dos bens, direitos e benfeitorias, seja pela eliminação das dívidas da atividade rural, são receitas tributáveis de MMO; da mesma forma, a atribuição de valor para a alienação dos direitos contidos nos contratos de parcerias agrícolas constitui Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.498 10 valor de alienação de direitos, sujeito à apuração do ganho de capital; não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade; ainda que, remotamente, se pudesse cogitar que o valor atribuído aos direitos cedidos à SAD o foi apenas para viabilizar a baixa das dívidas da atividade, haveria acréscimo patrimonial sujeito à tributação pelo imposto de renda, pela eliminação das obrigações das pessoas físicas; no caso específico, não é cabível eventual alegação de que a baixa de dívida é fato jurídico cujo acréscimo patrimonial não representa ingresso de caixa para a pessoa física, pois a contrapartida das dívidas assumidas pelos condôminos representou despesa/custo/investimento na atividade rural, que reduziram o resultado tributável dos períodos de apuração; é preciso, no mínimo, reverter agora esses dispêndios recuperados pela via da alienação dos bens e direitos da atividade rural; o Contrato e seus aditivos previam pagamento do valor das alienações dos direitos e benfeitorias de forma parcelada ou a prazo futuro, a partir de 01/12/2006, entretanto, eram feitas compensações contábeis em contas correntes que somente foram concluídas em 09/2007 (conforme lançamentos contábeis transcritos nas págs. 18 e 19 do Termo, fls. 443/444); assim, considerase que as alienações das benfeitorias à SAD, ocorridas 2006 e 2007, foram efetivamente liquidadas no ano calendário de 2007, em face do regime legal de caixa deferido à atividade rural das pessoas físicas; quanto ao ganho de capital na alienação de direitos, auferidos em 2006 e 2007, por conta do recebimento a prazo ou futuro (regime de caixa), considerase, em benefício do contribuinte, que o oferecimento à tributação (tributação em separado e exclusiva) deveria se dar em setembro de 2007. Às fls. 460 a 466, anexouse o Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária, do qual a empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda.), CNPJ n° 06.252.818/000188, foi cientificada em 23 de novembro de 2011 e que lhe atribuiu a responsabilidade tributária nos termos dos artigos 124, inciso I, e 133 do Código Tributário Nacional, com fundamento nas razões que seguem: a alienação pelos condôminos dos seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (SAD), em troca das dívidas que tinham para com duas outras pessoas Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.499 11 jurídicas (DIC e DAA) que se tornaram sócias da SAD, a partir da entrega dos ativos financeiros, cujas substâncias econômicas eram os próprios débitos dos condôminos, denota, claramente, que a SAD participou ativamente das situações jurídicas que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias, restando evidente o interesse jurídico comum; algumas filiais da SAD, abertas ainda no ano de 2006, tinham como endereço propriedades rurais onde MMO exercia suas atividades rurais (de acordo com o quadro constante do termo, fls. 462/463); conforme se pode constatar da Planilha Eletrônica denominada "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", MMO possuía, em dezembro de 2006, 785 trabalhadores, dos quais 654 foram demitidos nesse mês (término da safra 2006/2007), restando 131 trabalhadores; esses trabalhadores remanescentes, de janeiro de 2007 a julho de 2007, com exceção de alguns poucos, provavelmente demitidos antes (informação que não constou da GFIP de MMO), foram sendo transferidos para a SAD; chama a atenção, e reforça o interesse comum da pessoa jurídica responsabilizada nas situações que constituíram os fatos geradores, o fato de que funcionários administrativos graduados que estavam registrados como empregados de MMO estão entre os últimos transferidos, sem demissão, para a então Sociedade Agrícola Dedini; entre esses funcionários transferidos de MMO para SAD está, por exemplo, a Dra. Luciana Scantamburlo Scatolin, advogada e procuradora do hoje Grupo Abengoa, que foi a pessoa encarregada de atender à fiscalização; há um outro fato inusitado que bem mostra a imbricação existente entre a SAD (responsabilizada) e MMO: o capitão do condomínio, com 77% de participação, Márcio Milan de Oliveira, foi, em agosto de 2007, logo após a finalização da transferência das atividades exercidas por MMO para SAD, e quando já havia deixado a sociedade na pessoa jurídica, contratado como empregado da mesma SAD, tudo conforme a Planilha Eletrônica denominada "Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP", antes referida; é sugestiva a matéria jornalística publicada quando de sua saída do atual Grupo Abengoa (transcrita no Termo, fl. 464); ainda que se pudesse argumentar que a situação antes exposta não configura a solidariedade referida no artigo 124 do CTN, a assunção de todo o ativo e passivodo condomínio pela pessoa jurídica configura a situação jurídica retratada no artigo 133 do Código Tributário Nacional; Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.500 12 a aquisição da universalidade do patrimônio de MMO pela SAD prova se pelos próprios contratos e seus aditivos anexos aos autos (conforme trechos transcritos no Termo, fl. 465); tanto os condôminos alienantes quanto a SAD continuaram a exercer as atividades agrícolas ligadas ao plantio de canade açúcar, como se pode verificar nas Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e na Consolidação do Contrato Social da SAD na 3a Alteração Contratual (JUCESP 251.972/070, Sessão de 06/07/2007). O contribuinte foi cientificado em 26/11/2011 (fl. 467) e, em 26/12/2011, por intermédio de procurador, apresentou a impugnação de fls. 676 a 712, acompanhada dos documentos de fls. 713 a 982. Após breve relato de fatos já descritos pela Fiscalização, alega a defesa o que segue, em síntese: com a formalização do "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações, e Outras Avenças" (fls. 732 a 734), MMO passou a ser credor de SAD e, após a conclusão das duas operações societárias de aumento do capital de SAD, esta também passou a deter um crédito contra MMO; havia cláusula específica no contrato de cessão de direitos dispondo que a compensação entre esses créditos e débitos demandaria ciência e autorização expressa de ambas as partes envolvidas; embora os condôminos não tenham sido, em momento algum, informados ou cientificados, a SAD, já sob a administração do Grupo Abengoa e, portanto, não tendo mais nenhuma relação com o Impugnante, promoveu a baixa dos débitos de MMO, mediante liquidação por compensação, baixando, por conseguinte, os créditos detidos pelas pessoas físicas; pois é justamente nesse ponto que se fixou o Agente Fiscal para argumentar que os integrantes de MMO teriam auferido ganho de capital no momento em que teria se realizado o valor da cessão de direitos pela compensação unilateral realizada pela SAD; além do mais, a realização dos valores da cessão de ativos pela compensação unilateral de SAD teria desencadeado omissão de receita da atividade rural, por força do artigo 61, § 1o, III, do RIR/1999, no que tange à cessão dos ativos e benfeitorias agrícolas, além de ganho de capital na cessão de direitos de MMO para SAD, na proporção da participação de cada comunheiro; o valor da cessão de ativos foi considerado como omissão de receita da atividade rural, tendo sido recomposto o resultado da atividade rural do Impugnante, ocasionando o lançamento de imposto suplementar; ocorre que o auto de infração está eivado de inconsistências formais que apontam para sua nulidade, citando se, de imediato, a ausência de comprovação de formalização da Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.501 13 compensação dos créditos e débitos entre MMO e SAD, momento eleito pelo Agente Fiscal como gatilho da incidência tributária. a autuação foi concluída sem que houvesse qualquer intimação fiscal do Impugnante para esclarecimentos, o que também evidencia a nulidade do procedimento fiscal, o auto de infração jamais poderia considerar o valor da cessão de direitos do condomínio como ganho de capital da pessoa física comunheira, na medida em que tal montante tem natureza de receita da atividade rural e somente seria tributado com o efetivo recebimento dos valores, que, repitase, não poderiam ser objeto de compensação automática, nos termos que dispõe a legislação civil que rege o instituto da compensação, bem como em observância à expressa disposição contratual regulando as condições em que poderiam ser operacionalizadas compensações dos débitos e créditos recíprocos de SAD e MMO; ainda que ganho de capital fosse, o Agente Fiscal jamais poderia ter desconsiderado o custo de aquisição dos direitos cedidos, que neste caso, deveriam ser os investimentos e custeio para formação da lavoura; o Agente Fiscal fundamentou sua alegação tão somente na informação unilateral prestada pela SAD (já nessa época sob o controle societário do Grupo Abengoa e sem qualquer vínculo com o Impugnante), sem ter ao menos confirmado essa informação em documentos contábeis e financeiros e, mais do que isso, sem ter intimado o Impugnante para comprovação da liquidação mútua da dívida e do crédito por compensação; nem se diga que é o caso de presunção, uma vez que o fato de existência da compensação não admite esta espécie probatória que tampouco é legalmente autorizada para o caso; conforme balancetes de MMO e Declarações de Imposto de Renda do Impugnante, acostados à Impugnação, a quase totalidade dos créditos e débitos recíprocos entre SAD e MMO ainda permanecem devidamente registrados no ativo e no passivo, aguardando o vencimento de seu termo e o seu efetivo pagamento para que sejam tributados pelo regime de caixa; a violação da segurança jurídica e da transparência é notória em vários aspectos do procedimento fiscalizatório, em especial pelo fato de que toda fiscalização foi conduzida sobre a pessoa jurídica SAD, sem qualquer ciência dos participantes de MMO; em que pese não haver instauração de contraditório na etapa de fiscalização, os procedimentos de fiscalização devem seguir requisitos mínimos para que a ação fiscal tenha atos cristalinos e de plena ciência do contribuinte, necessários a garantir o direito do contribuinte à segurança, à previsibilidade e principalmente, afastálo do arbítrio; tanto isso é verdade que o próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o Termo de Início de Ação Fiscal devem ser previamente notificados ao Contribuinte, prevendo prazos e, Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.502 14 principalmente, o direito do contribuinte de explicar sua situação fiscal antes de qualquer autuação; o MPF tem obrigatoriamente que conter o escopo e a extensão da fiscalização, conforme artigo 9o da Portaria da Receita Federal do Brasil n° 11.371/2007; tivesse o Agente Fiscal adotado a cautela de intimar os participantes de MMO, dentre eles o Impugnante, poderia ser adotada interpretação diversa daquela dada no termo de encerramento e até impedir a lavratura do auto; a falta de razoabilidade e a transgressão da segurança jurídica ficam evidentes quando se colacionam as datas de abertura do Mandado de Procedimento Fiscal para o Impugnante e a lavratura do auto de infração ora combatido, já que o MPF está datado de 21 de novembro de 2011, enquanto que o auto de infração foi lavrado apenas 2 (dois) dias depois, ou seja, em 23 de novembro de 2011; o Agente Fiscal apenas lavra o MPF para cumprimento de um requisito formal, sem satisfazer as funções e objetivos do documento, qual seja, dar transparência à atividade fiscal e garantir a segurança jurídica dos contribuintes, tendo como único propósito evitar o transcurso do prazo decadencial; os lançamentos foram efetuados nos anos de 2006 e 2007, partindo da premissa fiscal de que nessa época teriam se completado os requisitos legais para compensação de valores; no entanto, a compensação civil, na forma como regida pelos artigos 368 e seguintes do Código Civil, somente admite compensação de dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis; conforme se observa do instrumento de confissão de dívida entre MMO e DIC/DAA (fls. 828/832), a quitação se daria com a entrega de cana de açúcar de safra futura, ou seja, da safra de 2007/2008; assim, a dívida de MMO para com DIC/DAA, posteriormente passada à SAD, por conta das integralizações de capital, somente seria exigível a partir da safra de 2007/2008, ou seja, após a data eleita pelo Agente Fiscal como gatilho para tributação do ganho de capital; nos exatos termos do artigo 369 do CC, as dívidas jamais poderiam ter sido compensadas em 2006/2007, pois, nessa época, a dívida de MMO com as usinas, posteriormente repassada para indústria agrícola, não era exigível, eis que não vencida; a compensação dos valores, por expressa disposição legal (cláusula 2.4.1 do “Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças", fl. 752), dependia de prévio e formal consentimento dos participantes de MMO, sob pena de se tornar um ato inválido; Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.503 15 a compensação jamais poderia terse operado de forma unilateral, como pretendeu o Agente Fiscal, primeiramente porque o Código Civil (art. 369) prevê, expressamente, a condição de exigível das dívidas, o que não ocorre no presente caso, e, em segundo plano, pela cláusula contratual de necessidade de prévio consentimento das partes, o que está de pleno acordo com o artigo 375 do Código Civil e com a teoria da autonomia da vontade das partes; nem se diga que é o caso de aplicação do artigo 123 do CTN e limitação das transações particulares, haja vista que os termos aditivos do contrato de cessão de direitos não pretendiam modificar a responsabilidade e a situação de sujeito passivo, mas apenas que o fato jurídico e particular da compensação, que poderia ou não desencadear uma tributação, somente ocorreria após cessadas as condições previamente acordadas; assim careceria de melhor fundamentação o lançamento fiscal, uma vez que os valores recebidos por MMO em razão da cessão de direitos para SAD não poderiam ser considerados como ganho de capital, mas sim receita da atividade rural; os direitos sobre os contratos de parceria agrícola, transferidos por MMO para SAD, enquadramse na expressão "bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural", do artigo 61 do RIR/1999, do que decorre a conclusão de que os valores da contrapartida desta cessão têm natureza de receita bruta da atividade rural e assim deveriam ser tributados, caso considerese liquidados; a expressão "bens" da norma envolve não somente os bens corpóreos utilizados na atividade rural (tratores, utensílios de irrigação e plantio, etc), mas também os incorpóreos, tal como é o direito derivado de um contrato de parceria agrícola; a doutrina civil admitem que os bens intangíveis também são dotados de valor econômico e suscetíveis de apropriação; a legislação acerca da matéria entende que a renda da atividade rural abrange não só o fruto do trabalho, mas também o fruto do capital em situações específicas, tais como a venda de bens e direitos do ativo que são empregados exclusivamente na atividade rural; a intenção do legislador jamais foi a de segregar produto do capital e produto do trabalho rural de forma tão simplória, tanto é que no inciso V do mesmo artigo 61, §1°, do RIR/1999, admitiuse, inclusive, que o montante referente à transferência de bens para integralização de capital também seria considerado receita da atividade rural; a Instrução Normativa n° 83/2001 considera como ganho da atividade rural os valores das vendas e cessões dos bens e direitos adquiridos como investimentos, bem como os valores atribuídos aos bens e direitos utilizados na exploração da Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.504 16 atividade rural e que foram utilizados para fins de integralização de capital; de modo análogo, é possível tributar como receita decorrente da atividade rural o produto de um contrato firmado entre um Condomínio Rural e uma Sociedade Agrícola, que tem por objetivo, apenas e exclusivamente, transferir do primeiro para o segundo todas as lavouras já formadas a custa de pesados investimentos e que ainda estão em seu ciclo econômico de produção; a própria Receita Federal do Brasil já sedimentou o entendimento de que o valor decorrente da transferência comercial de um direito, como bem incorpóreo, deve ser tributado como receita da atividade rural, conforme Processo de Consulta n° 263/04, SRRF/8ª RF; no presente caso, o direito sobre os contratos de parceria tinha valor econômico considerável, o que pode ser verificado no laudo de avaliação (fls. 735 a 740); em que pese a denominação do contrato ser "cessão de direitos", a cessão na sua essência é sobre o fruto imediato e futuro da atividade agrícola e assim deve ser tributado; o valor cedido à SAD deve ser considerado como receita bruta da atividade rural, haja vista que a transferência, em seu substrato, foi do valor que seria percebido por MMO em futura exploração da atividade rural; a própria legislação tributária e o Regulamento do Imposto de Renda, ao tratarem da receita bruta da atividade rural, fazem menção a bens utilizados na exploração da atividade rural, abrangendo, portanto, tanto os bens corpóreos como os incorpóreos, como os direitos; apesar de o contrato celebrado entre SAD e MMO versar sobre uma cessão de direitos, a simples análise de sua essência e a lógica econômica e jurídica que o norteia, conforme demonstrado no Laudo de Avaliação que lhe serve de suporte, permite depreender que o seu real objeto é o ressarcimento de todos os investimentos que foram feitos ao longo dos anos por MMO, que gerariam frutos futuros, permitindo a percepção de renda diretamente vinculada à exploração da atividade rural; o próprio Agente Fiscal se contradiz ao atribuir a responsabilidade solidária à Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (atual denominação de SAD), ou, ao menos, reconhece tacitamente que se trata de receita bruta da atividade rural; se a fiscalização imputa à SAD a responsabilidade solidária pela dívida tributária, nos termos do artigo 133 do CTN, automaticamente está presumindo que esta divida advém da atividade rural, uma vez que o marco para que a responsabilização ocorra é a continuidade da exploração dessa atividade; Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.505 17 o auto de infração, ao tributar o Impugnante pelo ganho de capital em detrimento da tributação pela atividade rural, não só incorreu em erro grosseiro como acabou por onerar de forma gravosa uma atividade que é primordial para a economia pátria, tolhendo o Impugnante de deduzir suas despesas de custeio e investimento, quebrando toda a sistemática de incidência tributária da atividade rural; a formação de lavoura, economicamente mensurável, só foi possível mediante a aplicação de recursos financeiros, caracterizados por despesas de custeio e investimentos, custeadas pelas usinas DIC e SAD, conforme averiguado no instrumento particular de confissão de dívida (fls. 828 a 832); MMO sempre considerou a totalidade dos valores decorrentes da cessão de direitos e ativos para SAD como receita bruta da atividade rural, procedendo à tributação nos termos da Lei n° 8.023/1990 e demais normativos correlatos, computandose as despesas de custeio e investimento para formação da lavoura e a receita obtida no efetivo mês de pagamento ou recebimento, formando o resultado da atividade rural do condomínio e de cada comunheiro, na proporção de sua participação, considerando se, ainda, os prejuízos de anos anteriores; é importante verificar, nos balancetes de MMO e nas DIRPF (fls. 893 a 982), que há reconhecimento dos valores que foram efetivamente liquidados pela SAD com autorização de MMO; a receita bruta total pelos balancetes aponta um montante de R$ 262.551.798,03 que, confrontado com o verificado pelo Agente Fiscal (R$ 313.503.780,68), monta a quantia de R$ 50.951.982,60 que já foi reconhecido nas DIRPF dos comunheiros, na proporção da sua participação; considerando os valores dos balancetes, DIRPF e, principalmente, as liquidações efetuadas pela SAD, foram criados alguns cenários diferentes, sendo que, em todos eles, há uma sensível redução de eventual valor que seria tributado; no primeiro cenário, foram considerados os saldos de prejuízos acumulados em 31/12/2010 e a premissa de que os créditos de MMO somente poderiam ser liquidados com expressa autorização deste, considerando assim os valores já liquidados e admitindo a hipótese de que o residual seria imediatamente tributável, ignorando a legislação que determina a aplicação de regime de caixa na atividade rural; nesse cenário, encontraríamos um valor tributável de R$ 5.663.906,85, conforme a planilha discriminativa (fl. 965) e com base no balancete de 31/12/2010, que émuito inferior ao valor tributável do auto de infração, considerando, ainda a limitação de participação do Impugnante no condomínio; em um segundo cenário, partindo da premissa de que todos os valores relativos a cessão de direitos e ativos de MMO foram liquidados pela SAD ainda no ano de 2006, a análise dos Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.506 18 balancetes e das DIRPF do condôminos acarretaria um valor tributável de R$ 6.139.619,77 para todo o condomínio, conforme demonstra a planilha elucidativa (fl. 970), considerando, ainda, a participação do Impugnante; na remota hipótese de serem descartadas todas as consistentes argumentações do Impugnante e ser considerado o valor da cessão de direitos como efetivamente liquidado e com natureza de ganho de capital, ainda assim estaríamos falando de auto de infração maculado por erro grosseiro e imprestável, haja vista que o Agente Fiscal desconsidera, por completo, o marco básico da tributação do ganho de capital, qual seja, o custo de aquisição; o custo de aquisição não poderia ser outro que não o valor total empregado na formação das lavouras, que são objeto dos contratos de parceria agrícola e que constituíam os direitos cedidos por MMO para SAD, montante esse que corresponde à soma das despesas de custeio e investimentos de MMO, subsidiadas pela DIC e pela SAD; a própria autoridade fiscal parece reconhecer que os valores objeto do contrato de cessão tinham por objetivo, também, possibilitar que MMO recuperasse os investimentos que foram feitos para a formação das lavouras cedidas e que ainda estavam em fase de exploração econômica (conforme se depreenderia da leitura do 4º parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal, em sua página “10”, fl. 435, transcrito na pág. 34 da impugnação, fl. 709); se esses investimentos não foram ainda recuperados, uma vez que a atividade rural de MMO, conforme ressalta a autoridade fiscal, sempre apurou prejuízos, careceria de lógica, razoabilidade e proporcionalidade a tributação da integralidade dos valores objeto dos contratos de cessão celebrados com a SAD, sem qualquer atribuição de "custo de aquisição", nem que esse custo seja, ao menos, a parcela dos "prejuízos" controlados na DIRPF do Impugnante; se seria esse o mínimo que se poderia exigir, em uma situação onde o Condomínio alienante de seus direitos de exploração das safras já plantadas e em produção continuasse a exploração da atividade rural, quanto mais o seria em uma situação como a presente, onde o pressuposto utilizado para fundamentar a exigência fiscal foi, justamente, a suposta constatação do encerramento de fato das atividades do Condomínio; a forma utilizada para apuração do imposto de renda devido na presente situação não apenas é arbitrária e abusiva, mas também confiscatória, por implicar em nítida exigência de imposto sobre o patrimônio e não sobre a renda, além de exigência de imposto de renda sobre a integralidade dos valores objeto dos contratos de cessão de direitos, sem qualquer dedução dos elevados valores que foram aplicados para formação das lavouras em exploração, bem como, na Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.507 19 manutenção ad eternum dos "prejuízos decorrentes da exploração da atividade rural" na DIRPF das pessoas físicas, dado o "encerramento de fato" das atividades rurais de MMO em 2007 (conforme constaria no 1o parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal, em sua página “10”, fl. 435, transcrito na pág. 35 da impugnação, fl. 710). Ao final, requer: a) o cancelamento do Auto de Infração, em face das alegadas nulidades e inconsistências formais do lançamento tributário; b) caso assim não se entenda, a improcedência do lançamento fiscal em função da invalidade do ato de compensação entre MMO e SAD, eleito como gatilho para incidência tributária; c) o reconhecimento do equivoco grosseiro da fiscalização, que teria entendido ser ganho de capital a receita proveniente de atividade rural, o que acarretaria, ao menos, a sensível redução do montante tributário, pela recomposição dos valores e consideração das despesas de custeios e investimento, bem como dos valores já tributados; d) se for considerado como ganho de capital o valor da cessão de direitos de MMO para SAD e, ainda, admitido que foi efetivada a liquidação por compensação, que seja reduzido o montante tributário em decorrência da necessidade de que seja atribuído como custo de aquisição o valor das despesas de custeios e investimento para formação das lavouras objeto de cessão, se não for o caso de cancelamento da autuação pelo aludido erro material. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial a juntada de novos documentos e a realização de prova pericial ou diligência, caso se entenda necessária sua realização para apuração dos valores dos investimentos efetuados na atividade rural pelo Impugnante. A pessoa jurídica apontada como responsável solidária, Abengoa Bionergia Agroindústria Ltda., representada por procurador (fls. 483 a 488), apresentou, em 23/12/2011, a impugnação de fls. 470 a 482 (referidos documentos foram também anexados ao Processo n° 13889.720029/201257, apenso ao presente). A impugnante alega o que segue, em resumo: segundo a Fiscalização, o interesse comum, previsto no artigo 124, inciso I, do CTN, teria se caracterizado na alienação pelos condôminos dos seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (Impugnante); dessa forma, teria a Impugnante participado ativamente das situações jurídicas que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias; Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.508 20 alega, ainda, a Fiscalização que a existência de filiais da Impugnante, nos mesmos endereços em que o Condomínio explorava a atividade rural, bem como a contratação de trabalhadores que haviam sido desligados anteriormente, também representaria o interesse comum capaz de atrair a responsabilidade solidária; o entendimento Fiscal desvirtua o conceito de interesse comum, exposto na norma do artigo 124, I, do CTN, pois o correto entendimento do preceito normativo aponta para o fato de que os responsáveis solidários estejam de um mesmo lado da relação jurídicotributária, o que implica dizer que, em uma operação de compra e venda, comprador e vendedor jamais podem ser solidariamente responsabilizados pela aplicação do inciso I do artigo 124 do CTN; o Fiscal confunde o interesse comum que possibilita a configuração da solidariedade com interesse econômico; a jurisprudência já afirmou que estas figuras jurídicas são amplamente distintas, especialmente para configuração de responsabilidade solidária (transcreve ementa de decisão judicial nas págs. 06 e 07 da impugnação, fls. 475 e 476); o simples fato de todas as pessoas físicas integrantes do Condomínio terem sido sócias da Impugnante à época dos fatos não pode configurar, por si só, o interesse comum, capaz de atrair a responsabilidade subsidiária do artigo 124, I, do CTN; sob esse enfoque, o Superior Tribunal de Justiça afastou pretensões dessa natureza, em hipóteses de relação de natureza societária entre empresas (transcreve ementas de julgados nas págs. 07 e 08 da impugnação, fls. 476 e 477); no presente caso, apesar de se tratar de um condomínio de pessoas físicas e uma empresa, podese fazer uma analogia dos fatos com a expressão “mesmo grupo econômico”; também em relação ao artigo 133 do CTN, não cabe a imputação de responsabilidade à Impugnante, já que tal preceito normativo visa evitar ações fraudulentas no sentido de que se constituam novos empreendimentos "limpos" e que não carreguem o fardo das dívidas tributárias do antigo estabelecimento à beira da quebra ou já insolvente; diante dessa premissa, a responsabilização da SAD não poderia ocorrer, de forma alguma, em caso em que se tributa o ganho de capital da pessoa física, pois essa tributação, na própria interpretação da fiscalização, não decorre da atividade do condomínio rural, mas sim de uma cessão de direitos alheia à atividade rural, da qual se apurou um ganho de capital; não há o mínimo nexo de casualidade entre o lançamento tributário de ganho de capital na alienação de bem de pessoa física e a responsabilidade solidária de pessoa jurídica que mantém a exploração de atividade agrícola da pessoa física Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.509 21 autuada, pois não é este o descritivo da norma inserta no artigo 133 do CTN; ou o Fisco entende que é ganho de capital e promove a cobrança sobre as pessoas físicas integrantes do condomínio, ou se admite que se trata de atividade rural, oportunidade em que até poderia ser responsabilizada a SAD, mas que demandaria uma total correção dos valores, uma vez que, a teor das disposições legais sobre o assunto (Lei n° 8.023/90 e IN SRF n° 83/2001), a tributação da atividade rural de produtor pessoa física é demasiadamente menos onerosa daquela do ganho de capital; a solidariedade não pode ser presumida, de acordo com o artigo 265 do Código Civil, devendo resultar de lei, em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (julgado mencionado na pág. 12 da impugnação, fl. 481). Protesta pelo aproveitamento das razões de mérito aduzidas nas defesas apresentadas pelas pessoas físicas integrantes do condomínio rural, a serem julgadas em conjunto com a impugnação ora em referência. Por fim, requer o cancelamento do Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária, por entender não configurada a responsabilidade solidária da impugnante, e apresenta solicitação concernente a intimações a serem expedidas. O feito foi instruído com o documento de fls. 987 a 1098, colhido no curso do procedimento fiscal que deu origem à autuação, e com consulta ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de fl. 1099. Pelo Despacho de fls. 1100 e 1101, determinouse o retorno dos autos à Delegacia de origem, para a realização de diligência na SAD/ABAG, com vistas à adoção das seguintes providências: a) esclarecer a forma e a(s) data(s) de extinção da parte das obrigações da SAD/ABAG perante MMO, não liquidada mediante compensação; b) trazer aos autos a cópia da alteração do contrato social da SAD/ABAG, formalizada por ocasião da retirada do contribuinte em epígrafe do quadro societário. No expediente de fl. 1131, a diligenciada afirma que “não houve extinção de obrigações em relação a MMO que não seja mediante compensação”. Anexa cópia do Instrumento Particular de 5ª Alteração do Contrato Social da SAD, fls. 1132 a 1148. O contribuinte foi intimado a apresentar os esclarecimentos e elementos acima referidos e a se manifestar sobre o resultado da diligência, tendo trazido aos autos razões já aduzidas por ocasião da impugnação (fls. 1107 a 1110 e 1162 a 1168), centradas na tese de invalidade das compensações de dívidas Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.510 22 recíprocas levadas a efeito pela SAD, porquanto teriam sido realizadas de forma unilateral. Decorreu in albis o prazo para a SAD/ABAG manifestarse sobre o resultado da diligência. A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 1211/1224, quanto ao que foi vencido, reiterando as alegações expostas em impugnação. Salientase que a 16a. Turma da DRJ em São Paulo entendeu que haveria responsabilidade subsidiária da contribuinte Abengoa Bionergia Agroindustrial Ltda, tendo em vista que o alienante teria prosseguido na exploração da atividade rural, conforme documentos de fls. 907/931 e 935/945, referente às DAA's do contribuinte. Deste modo, considerou a DRJ de origem procedente em parte o lançamento fiscal, em relação ao mérito da impugnação do contribuinte, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado e julgando procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa Abengoa Bionergia Agroindustrial Ltda., resultando na manutenção da atribuição de responsabilidade subsidiária, relativamente ao crédito tributário decorrente da omissão de rendimentos da atividade rural. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi apresentado haja vista que foi exonerado do lançamento fiscal o valor de R$ 1.443.687,41 (um milhão quatrocentos e quarenta e três mil seiscentos e oitenta e sete reais e quarenta e um centavos), conforme tabela abaixo que consta última do acórdão da DRJ (fl. 1207 do processo): No entanto, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos o texto da recente Portaria: Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.511 23 (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Por oportuno, salientase que a Súmula CARF nº 103 estabelece que o aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, na presente data (sessão realizada em 11/05/2017) o limite de alçada vigente é superior ao valor exonerado pela julgamento da DRJ de origem, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os recursos voluntários foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Recurso do contribuinte Mario Dedini Ometto Preliminares O artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n° 8.748/1993, prevê a possibilidade de a autoridade julgadora determinar, “de ofício ou a Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.512 24 requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. No tocante ao pedido de perícia, o artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972, estabelece a obrigatoriedade de a impugnação especificar os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ressaltese que tais requisitos não foram atendidos, razão pela qual se considera não formulado o pedido, com fulcro no § 1o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972 (parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.748/1993). Ademais, em relação a fatos passíveis de serem comprovados por documentos, como é o caso dos autos, incumbe ao sujeito passivo apresentálos no prazo para impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses previstas no artigo 16, § 4o, do Decreto citado (parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.532/1997). Outrossim, não restou demonstrada a necessidade ou a conveniência da realização de diligência “para apuração dos valores dos investimentos efetuados na atividade rural pelo Impugnante”, uma vez que tal questão não influi na solução do litígio, como se verá mais adiante neste voto. Quanto às arguições de nulidade do lançamento de que trata o presente feito, observese que, de acordo com o artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e possui status de lei, só se caracteriza a nulidade do lançamento se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. A DRJ assim se manifestou a respeito: "(...) Salientada a desvinculação da validade do lançamento à existência do MPF, notese que, no presente caso, não há a exigência de formalização de tal instrumento, porquanto, segundo estabelece a Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, em seu artigo 10, inciso IV, o MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna de declaração. Não obstante, segundo consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 446 a 449, foi emitido o MPF nele mencionado, informando se ao contribuinte o respectivo código de acesso." Também sustenta a recorrente a nulidade do auto de infração, por ter sido lavrado sem intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. Ocorre que não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. Ocorre que, na hipótese de Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.513 25 revisão da declaração de ajuste anual, o lançamento poderá ser efetuado com base nos elementos de que dispuser a repartição, nos termos do artigo 835, § 2º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999). Deste modo, não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade. Mérito Inicialmente, quanto ao entendimento de que a compensação somente poderia ocorrer entre dívidas exigíveis, há que se distinguir a compensação legal, que decorre da vontade da lei, da compensação convencional, que decorre do princípio da liberdade de contratar. Os artigos 368 e 369 do Código Civil dispõem sobre a compensação legal, verbis: Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Tal modalidade de compensação somente será excluída nas hipóteses previstas no artigo 375 do mesmo diploma legal, a seguir transcrito: Art. 375. Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas. Outra modalidade de compensação admitida pelo ordenamento jurídico pátrio é a convencional, que se realiza entre dívidas recíprocas, quando ausentes algum ou todos os pressupostos estabelecidos no artigo 369 acima mencionado. A compensação voluntária, também chamada convencional, é a que se estipula quando faltam pressupostos de homogeneidade, liquidez e exigibilidade das dívidas recíprocas, ou algum deles. Notese que a previsão contida no artigo 375 do Código Civil, acima reproduzido, não socorre o contribuinte, posto que, in casu, não ocorreu a exclusão da compensação, por mútuo acordo, ou a renúncia prévia de uma das partes, como se observa na cláusula contratual a que se refere o contribuinte, que está assim redigida (“Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças", fl. 752): 2.4.1 A CESSIONÁRIA poderá, ainda, desde que mediante prévia expressa concordância do CEDENTE, quitar as parcelas relacionadas na Cláusula 2.2 acima por meio de compensação de valores a ela devidos pelo CEDENTE, nos termos do art. 368 do Código Civil. Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.514 26 Cabe ressaltar que a cláusula em questão, embora cite como fundamento o artigo 368 do Código Civil, não tem eficácia no tocante à compensação legal, que independe de consentimento. Já em relação à extinção, por compensação, das obrigações recíprocas não vencidas, nada mais fez do que dispor sobre o óbvio, ao condicionar a sua realização pela SAD à anuência prévia de MMO. Equivocase, ainda, a defesa ao alegar que não haveria nos autos prova da realização do dito encontro de contas. Senão, vejamos. Segundo relatado no Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal de fls. 426 a 445, integrante do auto de infração, grande parte dos custos/despesas e investimentos da atividade rural de MMO era custeada pelas usinas de açúcar e álcool Dedini S.A. Indústria e Comércio (DIC) e Dedini Açúcar e Álcool Ltda. (DAA), compradoras, com exclusividade, da canadeaçúcar produzida por MMO. Informa a Fiscalização que era mantido um "contascorrentes" entre as usinas e MMO e que, em 31/12/2006, as usinas eram credoras de MMO pelo valor total de R$ 254.600.906,59, quantia essa que figurou nas fichas de Dívidas e Ônus Reais da Atividade Rural da DIRPF/2007 (anocalendário de 2006) dos condôminos, respeitados os percentuais de participação de cada condômino. O referido montante de crédito foi entregue por DIC e DAA em integralização de capital de SAD, conforme 3ª Alteração do Contrato Social de SAD, datada de 28/02/2007 (fls. 32 a 67), pela qual DIC e DAA foram admitidas como sócias de SAD, mantendose as quotas detidas pelos antigos sócios, que também detinham participação em MMO, dentre os quais o contribuinte. Em 16 de julho de 2007, houve novo aumento do capital de SAD no valor de R$ 16.246.167,27, integralizado por DIC mediante o aporte de outros créditos detidos contra MMO, conforme 4ª Alteração do Contrato Social de SAD (fls. 68 a 80). No expediente de fls. 06 a 18, a SAD/ABAG informa que referidas operações foram assim registradas em sua contabilidade: Débito de R$ 19.447.099,27 à conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 28/02/2007 lote 000673 sequência 000002/0002, e débito de R$ 235.153.807,32 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 28/02/2007 lote 000673 sequência 000002/0003, em contrapartida a crédito de R$ 254.600.906,59 à conta razão 2.40.01.001.0001 (Capital realizado) de 28/02/2007 lote 000673 sequência 000001/0002. (...) Débito de R$ 16.246.167,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 16/07/2007 lote 000674 sequência 000002/0001, em contrapartida a crédito de R$ 16.246.167,27 conta razão 2.40.01.001.0001 (Capital realizado) de 16/07/2007 lote 000674 sequência 000001/0002. Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.515 27 Com a formalização do “Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças”, datado de 14 de novembro de 2006, e seus aditivos (fls. 81 a 154), MMO transferiu a SAD direitos e obrigações decorrentes de contratos de parceria agrícola e compra e venda de canadeaçúcar, no valor total de R$ 286.350.739,85. Pelo “Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças”, datado de 01 de dezembro de 2006, e seus aditamentos (fls. 163 a 425), MMO transferiu a SAD bens e direitos que compunham o ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, no montante de R$ 37.136.933,13. Sobre as cessões mencionadas, a SAD/ABAG esclarece o que segue, no expediente de fls. 22 a 31: No anocalendário de 2006, o condomínio de pessoas físicas denominado Márcio Milan de Oliveira e Outros ("MMO") transferiu a totalidade das suas atividades agrícolas para a SAD/ABAG. Nesse contexto, foram firmados os seguintes contratos: (1) Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças, datado de 14 de novembro de 2006, com quatro aditivos (Docs. 1 a 5). Por meio desse contrato e respectivos aditivos, MMO cedeu para a SAD/ABAG todos os direitos e obrigações decorrentes dos instrumentos particulares de contrato de parceria agrícola e compra e venda de canade açúcar que haviam sido firmados por MMO até então. Um exemplo de instrumento particular cujos direitos e obrigações foram objeto da cessão encontrase anexo (Doc. 6). Como consequência da referida cessão de direitos e obrigações, com respectivos aditivos, a SAD/ABAG passou a dever para MMO o montante total de R$ 286.350.739,85, a ser pago em parcelas, conforme termos e condições estipulados contratualmente. (2) Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças, datado de 1º de dezembro de 2006, com três aditivos (Docs. 7 a 10). Mediante tal contrato e respectivos aditivos, MMO cedeu e transferiu para a SAD/ABAG bens e direitos que compunham seu ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, conforme relação de bens e direitos constante dos anexos do contrato e aditivos. Em contrapartida à dita cessão e transferência de ativos, a SAD/ABAG passou a dever para MMO o montante total de R$ 37.136.933,13, a ser pago em parcelas, conforme termos e condições previstos no contrato. Os passivos da Intimada em face de MMO acima especificados totalizavam o montante de R$ 323.487.672,98. Os créditos detidos pela SAD/ABAG em face de MMO após os aumentos de capital descritos na resposta apresentada a esta fiscalização em 19 de setembro de 2011, no valor total de R$ 270.847.073,86, foram utilizados para liquidar parcialmente esses passivos, mediante compensação. A forma de contabilização da liquidação, mediante compensação, das obrigações recíprocas foi informada pela SAD/ABAG, no expediente de fls. 06 a 18, conforme transcrição a seguir: Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.516 28 Após a contribuição dos créditos para a Intimada, estes foram liquidados, ainda em 2007, mediante compensação com passivos da Intimada em face de MMO. Os seguintes lançamentos contábeis foram registrados pela Intimada: · Crédito de R$ 19.447.099,27 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0003; · Débito de R$ 1.799.521,74 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0001; · Débito de R$ 17.647.577,53 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 01/03/2007 lote 000131 sequência 000002/0002; · Crédito de R$ 164.649.705,58 conta razão 1.10.03.001.0007 (Clientes curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0002; · Débito de R$ 164.649.705,58 conta razão 2.10.01.001.0009 (Fornecedores curto prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0001; · Crédito de R$ 88.063.656,37 conta razão 1.15.01.002.0004 (Clientes longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0004; · Débito de R$ 88.063.656,37 conta razão 2.20.01.001.0004 (Fornecedores longo prazo MMO) de 30/09/2007 lote 000916 sequência 000001/0003. Cabe ressaltar que a reprodução dos lançamentos contábeis pela SAD/ABAG constitui prova direta da realização dos encontros de contas em referência, e não presuntiva, como quer o contribuinte. Também não procede o argumento de que a SAD teria realizado o encontro de contas em referência sem a anuência prévia das pessoas físicas integrantes de MMO. Releva observar que a transferência das atividades agrícolas de MMO para a SAD e o posterior ingresso das usinas DIC e DAA no quadro societário de SAD, com a integralização de capital mediante entrega de direitos de crédito que detinham contra MMO, foi realizada no contexto da reorganização societária do Grupo Dedini Agro, com vistas à sua venda para o Grupo Abengoa. No Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal de fls. 426 a 445, em sua pág. 2, item “II – Do objeto do presente Termo”, relata a fiscalização que a capitalização da SAD por DIC e DAA com créditos detidos junto a MMO foi realizada com vistas ao “preparo do grupo Dedini Agro para venda ao grupo espanhol Abengoa Bioenergia, ocorrida em 2007”. Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.517 29 A venda do Grupo Dedini Agro foi formalizada por meio do “Contrato de Compra e Venda de Quotas” de fls. 987 a 1098, colhido no curso do procedimento fiscal que deu origem ao presente feito e juntado aos autos por esta julgadora. Notese que a SAD figura em tal instrumento como interveniente e anuente e o contrato foi celebrado em 04 de agosto de 2007, quando o interessado era sócio da empresa. Na “CLÁUSULA II – FECHAMENTO” do contrato, em seu subitem “2.1” (fl. 1025), estabeleceuse como data limite para o fechamento da operação o dia 30 de setembro de 2007, data essa que coincide com aquela em que se ultimou a extinção das obrigações recíprocas entre SAD e MMO. Evidentemente, não seria concluída a operação, sem prévia extinção das obrigações entre integrantes do grupo alienante. É infundado o argumento de que a dívida de MMO perante as Usinas DIC/DAA, posteriormente cedida à SAD em integralização de capital, somente seria exigível a partir da safra de canadeaçúcar de 2007/2008, uma vez que MMO alienou à própria SAD os direitos que detinha sobre as safras futuras. Por todo o exposto, não se sustenta a alegação de que as compensações em questão foram realizadas à revelia do contribuinte. O despacho de fls. 1100 e 1101, desta Décima Sexta Turma, assinalou que a SAD/ABAG detinha contra MMO direitos de crédito no total de R$ 270.847.073,86 e os seus passivos perante MMO totalizavam R$ 323.487.672,98. Assim, determinouse o retorno do feito à origem, para que se esclarecesse a forma e a(s) data(s) de extinção da parte das obrigações da SAD/ABAG perante MMO, não liquidada mediante compensação. Todavia, a SAD/ABAG limitouse a afirmar que “não houve extinção de obrigações em relação ao MMO que não seja mediante compensação”. A manifestação do contribuinte sobre o resultado da diligência (fls. 1162 a 1168) nada acrescentou em sua defesa, pois centrase na tese de invalidade das compensações de dívidas recíprocas levadas a efeito pela SAD, ante o argumento de que teriam sido realizadas de forma unilateral, razões essas que não merecem guarida, como se viu anteriormente neste voto. Cabe ressaltar que, no despacho acima mencionado, houve um equívoco na menção ao valor do ativo da SAD representado por dívidas de MMO, realizado mediante compensação com créditos recíprocos, posto que a importância correta é de R$ 272.160.461,22 e não de R$ 270.847.073,86. Esse último valor corresponde às dívidas de MMO cedidas à SAD pelas usinas DIC/DAA. Assim, entendeu a DRJ de origem que restou comprovada nos autos a existência de compensação entre créditos recíprocos, no montante de R$ 272.160.461,22, conforme lançamentos contábeis acima reproduzidos. Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.518 30 O quadro abaixo, no acórdão da DRJ (fl. 1198 destes autos), a seguir relaciona os créditos de MMO perante a SAD, por ordem de vencimento, de acordo com o Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças, datado de 14 de novembro de 2006, e seus aditivos (fls. 81 a 154), e o Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças, datado de 1 de dezembro de 2006, e seus aditamentos (fls. 163 a 425): Em relação aos créditos decorrentes da alienação de ativos, é necessário segregar os valores apurados pela fiscalização como tributáveis, por se referirem a ativo imobilizado e estoque de insumos e materiais intermediários, de acordo com o subitem “8.1” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (fl. 434), conforme demonstrado abaixo: Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.519 31 O demonstrativo a seguir evidencia que, do total extinto por compensação de créditos recíprocos, de R$ 272.160.461,22, a quantia de R$ 242.804.084,27 referese a cessão de direitos e a importância de R$ 29.356.376,95, a alienação de ativos, cujo valor tributável é de R$ 20.922.067,76: Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.520 32 O contribuinte entende que os direitos sobre as safras futuras objeto de contratos entre MMO e os proprietários ou detentores das áreas rurais seriam considerados “bens incorpóreos”. Assim, o valor correspondente à cessão desses direitos deveria ser tributado como receita da atividade rural e não como ganho de capital na alienação de direitos. Observese o que prevê a Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990: Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.521 33 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) (...) Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Art. 6º Considerase investimento na atividade rural, para os propósitos do art. 4º, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola. Vejase, ainda, o que estabelece a Instrução Normativa SRF nº 83, de 11 de outubro de 2001: Art. 5° A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 2º exploradas pelo próprio vendedor. (...) § 2° Integram também a receita bruta da atividade rural: (...) III o valor de alienação de investimentos utilizados exclusivamente na exploração da atividade rural, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; (...) Art. 8° Considerase investimento a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade, realizados com: Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.522 34 I benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos, reparos, bem assim de limpeza de diques, comportas e canais; II culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de cargas e utilitários rurais, utensílios e bens de duração superior a um ano, bem assim de botes de pesca ou caíques, frigoríficos para conservação da pesca, cordas, anzóis, bóias, guinchos e reformas de embarcações; IV animais de trabalho, de produção e engorda; V serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI insumos que contribuam destacadamente para elevação da produtividade, tais como reprodutores, aquisições de matrizes, alevinos e girinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos de solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII atividades que visem especificamente à elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX instalação de aparelhagem de comunicação, bússola, sonda, radares e de energia elétrica; X bolsas para a formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. Parágrafo único. Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. Assim, verificase que constitui receita da atividade rural o valor correspondente à alienação de produtos oriundos da atividade ou, ainda, de bens utilizados na produção, assim considerados os investimentos resultantes da aplicação de recursos financeiros, tais como os maquinários e insumos adquiridos. Alega o contribuinte que “a própria Receita Federal do Brasil já sedimentou o entendimento de que o valor decorrente da transferência comercial de um direito, como bem incorpóreo, deve ser tributado como receita da atividade rural”, conforme interpretação que faz do teor da ementa da Solução de Consulta n° 263/04, emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal (transcrita na pág. 23 da impugnação, fl. 698). No entanto, as decisões administrativas não constituem normas complementares da legislação tributária, salvo se a lei lhes atribuir eficácia normativa, nos termos do artigo 100, inciso II, do Código Tributário Nacional. Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.523 35 Portanto, não encontra respaldo legal a pretensão do contribuinte de considerar como receita da atividade rural o valor da cessão de direitos sobre safras futuras. Também não há previsão legal para a compensação de prejuízos acumulados da atividade rural com rendimentos de outra natureza. A tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza dáse na forma prevista no artigo 21 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, verbis: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. No item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (fl. 435), consignouse que “não há custos/despesas a serem atribuídos aos direitos alienados, uma vez que eventuais dispêndios na formação das lavouras já foram todos alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade”. Embora não seja possível considerar, na apuração do ganho de capital, as quantias aplicadas na cultura em formação, não é demais assinalar que os dispêndios referentes à cessão de direitos no montante de R$ 280.157.514,64 (Termo Aditivo de 01/12/2006, fls. 112 a 127) seriam inferiores a 10% (dez por cento) do valor da operação, de acordo com o subitem “3.2” do Laudo de Avaliação, à fl. 739, que indica a importância de R$ 25.351.410,54 sob a rubrica “Estoque de tratos culturais safra 2007/2008”. Argumenta a defesa que a tributação do valor da cessão de direitos sobre as safras futuras, na forma adotada pela fiscalização, caracterizaria confisco, por implicar exigência de imposto sobre o patrimônio e não sobre a renda, ante a impossibilidade de compensar os elevados prejuízos da atividade rural, já que MMO não teria prosseguido na exploração da atividade. Todavia, de acordo com as declarações de ajuste anual correspondentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, juntadas às fls. 907 a 931 e 935 a 945, o contribuinte continuou a dedicarse à atividade rural. O primeiro parágrafo do item “9” do Termo de Verificação, Encerramento de Fiscalização e Representação Fiscal (fl. 435), ao mencionar o encerramento da atividade rural de MMO, em 2007, referese à atividade do Grupo Dedini Agro até então explorada pelo condomínio de pessoas físicas, em virtude do tratamento tributário diferenciado, que passou a ser executada pela pessoa jurídica (da qual os condôminos eram sócios, com a mesma participação que detinham no condomínio). Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.524 36 Cabe ressaltar que a administração tributária, essencialmente, submetese ao princípio da legalidade. Conforme estabelece o artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por fim, destaco que é do interessado o dever de apresentar prova dos fatos que tenha alegado. Assim, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Assinalese que a apreciação de teses contra a constitucionalidade ou legalidade de leis ou atos normativos é privativa do Poder Judiciário. Nesse sentido, foi editada a Súmula n° 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Deste modo, tenho por improcedentes os argumentos do recorrente. Recurso da responsável tributária "Abengoa" Consta do Termo de Atribuição de Responsabilidade Tributária de fls. 460 a 466 que a imputação de responsabilidade tributária à empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. (anteriormente denominada Sociedade Agrícola Dedini Ltda.), CNPJ n° 06.252.818/000188, fundamentase nos artigos 124, inciso I, e 133 do Código Tributário Nacional (CTN). Considera a fiscalização que estaria evidenciado o interesse comum, pois a Sociedade Agrícola Dedini Ltda. (SAD) teria participado ativamente das situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias, como denotariam os seguintes fatos: a) os condôminos alienaram os seus bens, direitos e obrigações à própria pessoa jurídica da qual eram sócios (SAD), em troca das dívidas que tinham para com duas outras pessoas jurídicas (DIC e DAA) que se tornaram sócias da SAD, a partir da entrega dos ativos financeiros, cujas substâncias econômicas eram os próprios débitos dos condôminos; b) algumas filiais da SAD tinham como endereço propriedades rurais onde MMO exercia suas atividades rurais; c) inúmeros trabalhadores de MMO foram transferidos à SAD, inclusive funcionários administrativos graduados, estes últimos sem demissão; d) o capitão do condomínio, Márcio Milan de Oliveira, foi, em agosto de 2007, logo após a finalização da transferência das atividades exercidas por MMO para SAD, e quando já havia deixado a sociedade na pessoa jurídica, contratado como empregado da mesma SAD. A DRJ de origem compreendeu em relação a esta matéria o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.525 37 Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa que figura como adquirente nas operações que ensejaram o lançamento, por ser descabida a atribuição de responsabilidade solidária a pessoas que figuram em polos opostos da relação jurídica. A responsabilidade referida no artigo 133 do CTN abrange os tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, não alcançando os tributos não vinculados à exploração da respectiva atividade, como é o caso do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos pela pessoa física. No que tange à omissão de rendimentos correspondentes à alienação dos bens utilizados na atividade rural, há responsabilidade subsidiária da adquirente, uma vez que o alienante prosseguiu na exploração da atividade. Portanto, já afastada a responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), pelo julgamento da DRJ. Assevera a fiscalização que, mesmo que se pudesse argumentar que a situação antes exposta não caracteriza a solidariedade referida no artigo 124 do CTN, a assunção de todo o ativo e passivo do condomínio pela pessoa jurídica configura a situação jurídica retratada no artigo 133 do Código Tributário Nacional, uma vez provada nos autos a aquisição da universalidade do patrimônio de MMO pela SAD. Assinala a fiscalização, ainda, que tanto os condôminos alienantes quanto a SAD continuaram a exercer as atividades agrícolas ligadas ao plantio de canadeaçúcar. as circunstâncias elencadas pela fiscalização, acima mencionadas, caracterizam a responsabilidade subsidiária, nos termos do artigo 133, inciso II, do CTN, a seguir transcrito: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Ocorre que a responsabilidade referida no artigo 133 do CTN abrange os tributos “relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido”, não alcançando os tributos não vinculados à exploração da respectiva atividade, como é o caso do imposto sobre o ganho de capital na alienação de direitos pela pessoa física, como entendeu Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 10865.722575/201121 Acórdão n.º 2202003.876 S2C2T2 Fl. 1.526 38 Por conseguinte, no que tange à omissão de rendimentos da atividade rural, há responsabilidade subsidiária da contribuinte Abengoa, uma vez que o alienante prosseguiu na exploração da atividade. Por tais razões, entendo que não merece reparos o acórdão da DRJ quanto a esta matéria, não assistindo razão a recorrente Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda. Conclusão. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e, quanto aos recursos voluntários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1526DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000080/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Por não se amoldarem a nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, a alegada falta de indicação do pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no art. 124, I do CTN, e do interesse da recorrente nos fatos geradores, não acarreta a nulidade dos autos de infração, mas apenas o afastamento da sujeição passiva da recorrente, se for o caso, quando da análise do mérito.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM.
Demonstrado nos autos a existência de grupo de fato, com confusão patrimonial, de localização física e de gestão, decorrentes de reestruturação societária implementada com o objetivo de concentrar débitos fiscais em empresas menos favorecidas a saldá-los, restou caracterizado o interesse comum das empresas do grupo, dentre elas a recorrente, motivo pelo qual conclui-se pela procedência da atribuição da responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Os créditos tributários objeto do presente processo não estão acobertados por decisão judicial proferida em processo de recuperação judicial porque não têm como origem a sucessão de obrigações da vendedora, nos termos do art. 60, caput e parágrafo único, da Lei nº 11.101/05.
MULTAS DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Nos termos do art. 128 do CTN, o responsável solidário responde pela totalidade do crédito tributário, o qual inclui os tributos, os juros de mora e as multas de oficio aplicadas.
JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4
A incidência de juros moratórios à taxa Selic encontra-se pacificada no âmbito deste Colegiado, tendo sido, inclusive, objeto da Súmula nº 4, de observância obrigatória pelos membros do CARF, por força do art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e as multas objeto do presente lançamento de ofício. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multas , incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC
Numero da decisão: 1301-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da responsável Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que davam provimento parcial para afastar a incidência de juros sobre multa. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Por não se amoldarem a nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, a alegada falta de indicação do pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no art. 124, I do CTN, e do interesse da recorrente nos fatos geradores, não acarreta a nulidade dos autos de infração, mas apenas o afastamento da sujeição passiva da recorrente, se for o caso, quando da análise do mérito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos a existência de grupo de fato, com confusão patrimonial, de localização física e de gestão, decorrentes de reestruturação societária implementada com o objetivo de concentrar débitos fiscais em empresas menos favorecidas a saldálos, restou caracterizado o interesse comum das empresas do grupo, dentre elas a recorrente, motivo pelo qual concluise pela procedência da atribuição da responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL Os créditos tributários objeto do presente processo não estão acobertados por decisão judicial proferida em processo de recuperação judicial porque não têm como origem a sucessão de obrigações da vendedora, nos termos do art. 60, caput e parágrafo único, da Lei nº 11.101/05. MULTAS DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nos termos do art. 128 do CTN, o responsável solidário responde pela totalidade do crédito tributário, o qual inclui os tributos, os juros de mora e as multas de oficio aplicadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 80 /2 00 7- 62 Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.423 2 JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 A incidência de juros moratórios à taxa Selic encontrase pacificada no âmbito deste Colegiado, tendo sido, inclusive, objeto da Súmula nº 4, de observância obrigatória pelos membros do CARF, por força do art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e as multas objeto do presente lançamento de ofício. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multas , incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da responsável Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que davam provimento parcial para afastar a incidência de juros sobre multa. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente de julgamento de recurso voluntário interposto pela responsável solidária Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos – CNPJ: 89.940.878/000110, em que requer, dentre outros, sua exclusão do pólo passivo do lançamento. Cabe esclarecer que o sujeito passivo Carital Brasil Ltda – CNPJ: 44.764.595/000127 não apresentou impugnação nem interpôs recurso voluntário. Foram lavrados contra a Carital Brasil Ltda – CNPJ: 44.764.595/000127, autos de infração de IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica (R$ 157.239.739,35), CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (R$ 51.727.982,40), COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (R$ 13.923.846,50) e PIS Programa de Integração Social (R$ 7.658.115,57), com aplicação de multa de ofício agravada de cento e doze e meio por cento, multas isoladas de IRPJ (R$ 11.512.708,86) e CSLL (R$ 1.382.245,06) e juros de mora. Foram apuradas as seguintes infrações relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003: (i) glosas de despesas operacionais e não Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.424 3 operacionais e (ii) omissão de receitas caracterizada pelo lançamento de obrigações incomprovadas passivo fictício. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe foram apuradas, conforme relatado no "Termo de Verificação Fiscal" (fls.335 a 341), as seguintes infrações: DESPESAS NÃO COMPROVADAS A fiscalização declara que a Contribuinte, "não apresentou documentos que comprovassem a necessidade e a efetividade, das despesas operacionais, bem como das despesas nãooperacionais, debitadas ao resultado dos exercícios fiscalizados e informados nas DIPJ, bem como não decompôs as contas do razão integrantes das mesmas, o que ensejou a glosa total das respectivas despesas, conforme demonstrado abaixo": R$ AC/2002 R$ AC/2003 Despesas Operacionais 716.839.559,65 301.806.242,89 Despesas Não Operac. 52.608.912,30 4.816.831,32 Total Glosado 769.448.471,95 306.623.074,21 MÚTUOS NÃO COMPROVADOS OMISSÃO DE RECEITA A fiscalização informou que "a caracterização do mútuo não é necessariamente a entrega da coisa mutuada, fisicamente considerada, mas a entrega do dominio sobre essa coisa. E é essa entrega de domínio que não se verifica no presente caso. Afinal, em nenhum momento fica comprovada a entrega do valor financeiro a qualquer das partes envolvidas ou que alguém depositou valor em algum lugar a mando de outrem ou mesmo que alguém pagou coisa a mando de outrem". "Resta, portanto, incomprovada a assunção da obrigação registrada no passivo da empresa, posto que em nenhum momento foram disponibilizados os instrumentos contratuais e tão pouco a comprovação de que recursos que teriam sido mutuados tenham estado à disposição do contribuinte". "Fica, assim, caracterizada a infração prevista no artigo 281 do Regulamento de Imposto de Renda/99". O detalhamento, dos mútuos não comprovados, está na fl. 339 e totalizam os valores de R$ 262.108.826,23 para o anocalendário de 2002 e R$ 202.019.390,72 para o anocalendário de 2003. 2. Em decorrência do mencionado, o total das despesas não comprovadas de R$ 1.076.071.546,16 e dos mútuos, também, não comprovados de R$ 464.128.216,95 foram tributados de ofício. Foram lavrados os seguintes autos de infração, em 27/07/2007, com os enquadramentos legais descritos nos mesmos (fls. 349 a 389): TRIBUTOS LANÇADOS R$ IRPJ 436.555.601,69 Multa Exigida Isoladamente IRPJ 11.512.708,86 CSLL 143.326.786,82 Multa Exigida Isoladamente CSLL 1.382.245,06 PIS 21.097.683,40 Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.425 4 COFINS 38.359.424,40 TOTAL 652.234.450,23 2.1. Os valores incluem multa de ofício, multa por não recolhimento de estimativas (exigida isoladamente) e juros de mora, estes calculados até 29/06/2007. 3. A fiscalização entendeu configurada solidariedade passiva de Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos CNPJ n°. 89.940.878/000110, pois apurou administração interdependente das "Empresas Parmalat", caracterizando interesse comum. 4. Foi solicitado e obtido parecer da PFN (Anexo, III, fls. 500 a 506 e 509 a 516) sobre o assunto, sendo que a mesma entendeu pela aplicabilidade da responsabilização solidária e concluiu pelo dever do fisco lançar as obrigações tributárias contra a Carital e contra a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, com base no artigo 124, I, do CTN. 5. Em 27/7/2007, foi dada ciência da autuação à autuada "Carital Brasil Ltda., CNPJ n°. 44.764.595/000127" e em 30/07/2007 à responsável solidária "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, CNPJ n°. 89.940.878/000110". 6. Não foi apresentada impugnação em nome da autuada "Carital Brasil Ltda.,". 7. Em 29/08/2007 a autuação foi impugnada apenas pela responsabilizada solidariamente, "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos". Foi apresentando resumidamente o seguinte: 7.1 alega que é pessoa jurídica distinta da autuada, não tendo acesso a informações e documentos para defenderse do mérito da acusação, o que invalida sua condição de responsável solidária; 7.2 alega que a ligação entre a Impugnante e a Carital deixou de existir em 1999, quando a Carital, então denominada Parmalat Participações Ltda., teve seu controle cedido para terceiros, deixando de integrar ao mesmo grupo societário da Impugnante; 7.3 informa que na época em que havia alguma ligação com a Carital, a relação era baseada no controle minoritário da Impugnante pela Carital na ordem de 10% das ações. Além disso, alega que as atividades eram totalmente distintas; 7.4. alega que a solidariedade poderia parecer menos absurda se a fiscalização tivesse demonstrado algum tipo de benefício auferido pela Impugnante em decorrência das operações realizadas Carital; 7.5 diz que o auto de infração é nulo, pois, atendendo ao princípio da legalidade estrita e tipicidade cerrada a fiscalização afirma o cometimento da infração pela Carital, porém, não aponta o fundamento material do vínculo que justificaria a sujeição passiva da Impugnante; 7.6 alega que glosa de despesa, não é situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. Diz que neste caso o fato gerador é a aquisição de acréscimo patrimonial. Pergunta como pode se defender, demonstrando que não tinha interesse comum em algo que sequer conhece? Alega que o mesmo se aplica à pretensa omissão de receita; 7.7 diz que, "em vista do exposto, o cerceamento de defesa é inarredável. Há uma completa ausência da indicação do fato fenomênico que potencialmente poderia ser Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.426 5 utilizado como pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no artigo 124, I do CTN"; 7.8 informa que está em recuperação judicial deferida em 04/07/2005, e desde 26/5/2006 sob controle de Lácteos do Brasil S.A.; 7.9 informa que tem decisão transitada em julgado que impossibilita atribuição de responsabilidade solidária sobre obrigações da Carital; 7.10. alega que os artigos 60 e 141 da Lei 11.101/05 afastam a sucessão tributária da recuperanda; 7.11 informa que, em 21/11/2006, o juízo da recuperação declarou que a Lácteos do Brasil S/A não se constitui como sucessora de qualquer obrigação de quaisquer outras empresas. Que em decorrência da postulação, em sede de embargos de declaração, foi substituído o nome da "Lácteos do Brasil S/A" por "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos"; 7.12 pede a exclusão da relação tributária por ilegitimidade passiva, reconhecida judicialmente; 7.13 diz que está previsto no artigo 124, I do CTN, que para haver a solidariedade é necessário haver "interesse comum" que configure um vínculo direto com o fato gerador. Alega "para que prevalecessem as pretensões da autoridade fiscal, haveria de ter restado comprovado, de maneira irretorquível e irrefutável, o vínculo direto entre esta última e os fatos geradores imputados à primeira, consubstanciando na figura do interesse comum"; 7.14. alega que os documentos apresentados pelo Sr. Francisco Mungioli à fiscalização nada provam para a imputação, pela fiscalização, da responsabilidade solidária da Impugnante; 7.15. alega que o Parecer da PGFN não daria respaldo à responsabilização, havendo vício na aplicação do artigo 124. Que o escopo do parecer se aplicaria ao caso especifico das remessas de recursos ao estrangeiro, logo, não se aplicaria aos fatos levantados no presente processo; 7.16. alega que tem direito à ampla defesa com apreciação de suas alegações, conforme Lei 9.784/99 e decisões do CC. Declara "ser totalmente descabido qualquer argumento no sentido de que a análise da responsabilidade tributária atribuída a terceiros seria de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e, por conseguinte, do Poder Judiciário, razão pela qual as razões de defesa da Impugnante não poderiam ser analisadas por esta C. Turma de Julgamento"; 7.17 alega que "ad argumentandum", não cabe aplicar multas em eventual responsabilização solidária, conforme art 5o XLV da CF, doutrina e decisões do CC acostadas, sobre pessoalidade penal, culpabilidade, limites de responsabilidade sucessória; 8. É o relatório. Passo ao voto." Em julgamento realizado em 22 de agosto de 2008, a 4ª Turma da DRJ/SPOI prolatou o acórdão nº 1618.195, que considerou a impugnação da responsável solidária improcedente e foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.427 6 AnoCalendário: 2002, 2003 PRECLUSÃO. Intimada, a autuada não contestou o lançamento, tendo prosseguido o julgamento, em decorrência da impugnação apresentada pela empresa responsabilizada solidariamente. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se aplica a nulidade do auto de infração quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação. Havendo no lançamento informações e justificativas que permitem ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não se caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Sendo comprovado o interesse comum nos negócios da autuada e sendo comprovada a reorganização societária com a finalidade de isolar contingências nestas empresas, desonerando a "Parmalat", é aplicável o previsto no art. 124, I do CTN. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, previsto no art. deve ser interpretado como sendo nas operações da empresa ligada onde foi gerado o fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. É do Poder Judiciário a prerrogativa de determinar as obrigações a serem cumpridas pela contribuinte em processo de recuperação judicial, quando da possível execução da divida. No julgamento administrativo o foco é a regular constituição do crédito tributário e a responsabilidade solidária. A responsabilização solidária no caso de recuperação judicial é aspecto inerente à execução do débito. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A multa lançada neste caso não se compara com a situação de sucessão. Na solidariedade as empresas são coresponsáveis pelas infrações cometidas, incluindo as penalidades. Lançamento Procedente Devidamente cientificada em 22/02/2009 (fls. 678), a responsável solidária apresentou, tempestivamente, em 24/03/2009 (fls. 682), o recurso voluntário de fls. 682 a 725 alegando, em apertada síntese, os itens abaixo relacionados, os quais serão melhores descritos por ocasião do voto: (i) Tece considerações sobre sua evolução como sociedade empresária e afirma não possuir qualquer vínculo societário com a Carital à época dos fatos relacionados nos autos de infração (anoscalendário de 2002 e 2003); (ii) Preliminarmente, requer o cancelamento das autuações, pela clara configuração do cerceamento à ampla defesa, tendo em vista a completa ausência da indicação do fato que potencialmente poderia ser utilizado como pressuposto fático pra aplicação da norma jurídica contida no art. 124, I do CTN. O mínimo dever da fiscalização é indicar qual seria o interesse da recorrente nos alegados fatos geradores das suspostas obrigações tributárias conisgnadas no lançamento, e a razão para este interesse ser comum ao da Carital. Sem tal comprovação, não se pode sequer cogitar a aplicação do art. 124, I do CTN; (ii) Alega que diante do disposto nos arts. 60 e 141 da Lei nº 11.101/05, bem como por força de válida decisão judicial, já transitada em julgado, a recorrente não pode ser considerada responsável, a qualquer título, por qualquer obrigação tributária atribuída a empresas terceiras, incluindo a Carital, em vista de estar a recorrente em processo de recuperação judicial; Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.428 7 (iii) Defende a inaplicabilidade do dispositivo legal (art. 124, I, do CTN) utilizado para imputar à recorrente a responsabilidade solidária por débitos da Carital, isto porque a fiscalização deveria ter comprovado, de maneira irrefutável e irretorquível, o vínculo direto entre a recorrente e os fatos geradores imputados à Carital, consubstanciado na figura do “interesse comum”; (iv) Aponta a vagueza da expressão “interesse comum” e os riscos de sua demasiada aplicação, a qual coloca em situação de igualdade no pólo passivo da obrigação tributária, quaisquer pessoas que tenham interesse na situação de fato, subvertendo, por completo, os mais basilares princípios do Direito Tributário; (v) Sustenta a inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN ao caso concreto porque em nenhum momento a recorrente participou dos fatos descritos nos autos de infração, nem tampouco auferiu benefício econômico que ensejou a lavratura dos autos de infração. Aduz que todas as operações e todo o benefício econômico delas decorrente, se alguma houve, atinem unicamente à Carital; (vi) Ainda que se entendam procedentes as pretensões da fiscalização no sentido de trazer a recorrente à condição de responsável solidária, alega que jamais poderia também responder pelas multas aplicadas à Carital, em respeito ao princípio da pessoalidade da pena; (vii) Refuta a fixação dos juros moratórios com base na taxa Selic, em vista da violação aos princípios da estrita legalidade, da indelegabilidade de competência e da segurança jurídica, alem da disposição contida no art. 161, § 1º do CTN; (viii) Questiona a legalidade da incidência de juros Selic sobre a parcela da multa, conforme identificado na cobrança anexa à decisão de primeira instância, em flagrante descumprimento às determinações do art. 61 da Lei nº 9.430/96. O processo foi trazido a julgamento, em 03/03/2016, tendo esta Turma proferido a Resolução nº 1301000.313, por meio da qual foi convertido em diligência, para que fossem aportados ao processo os Anexos correspondentes ao procedimento fiscal levado a efeito, epecialmente os de nº I e III, mencionados tanto pela fiscalização no Termo de Verificação e Constatação como pela decisão de primeira instância. Em 03/08/2016 foram anexados ao processo dos Anexos I (fls. 852 a 1.069), II (fls. 1.070 a 1.310) e III (fls. 1.311 a 1.418). É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINARES A recorrente requer, preliminarmente, o cancelamento das autuações pela clara configuração do cerceamento à ampla defesa, tendo em vista que a fiscalização deixou de apontar o fundamento material do vínculo direto que justificaria a sujeição passiva da recorrente. Entende que a fiscalização deveria ter demonstrado e cabalmente comprovado a percepção de algum tipo de Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.429 8 benefício financeiro em virtude de operações realizadas com/pela Carital. Aduz que o exercício à ampla defesa pressupõe o amplo conhecimento das circunstâncias que justificam a acusação e que no caso há uma completa ausência da indicação do fato que potencialmente poderia ser utilizado como pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no art. 124, I do CTN. O mínimo dever da fiscalização teria sido indicar qual seria o interesse da recorrente nos alegados fatos geradores das supostas obrigações tributárias consignadas no lançamento, e a razão para este interesse ser comum ao da Carital. Sem tal comprovação, não se pode sequer cogitar a aplicação do art. 124, I do CTN. Da análise dos autos de infração e seus anexos, verificase que deles constam todos os requisitos obrigatórios, relacionados no art. 10, do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as estabelecidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dessa forma, por não se amoldarem a nenhuma das hipóteses de nulidade acima transcritas, a alegada falta da indicação do fato que potencialmente poderia ser utilizado como pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no art. 124, I do CTN, bem assim, do interesse da recorrente nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, não acarreta a nulidade dos autos de infração, mas apenas o afastamento da sujeição passiva da recorrente, se for o caso, quando da análise do mérito da autuação. Ademais, de acordo como o recurso voluntário apresentado, verificase que a recorrente produziu defesa em que revela ter pleno conhecimentos dos fatos que motivaram a atribuição de responsabilidade solidária. O recurso apresentado pela recorrente enfrentou, detalhadamente, os fatos apontados pela fiscalização, não cabendo, portanto, o alegação de cerceamento de defesa. DO MÉRITO Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.430 9 A recorrente foi responsabilizada pelas infrações apuradas na pessoa jurídica Carital Brasil Ltda CNPJ: 44.764.595/000127, com fundamento no art. 124, I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Para comprovar a caracterização do interesse comum, a confusão patrimonial, bem assim, a existência de um grupo de fato, a fiscalização utilizouse de diversos elementos de prova entregues pelo Sr. Francisco Munglioli, diretor da Carital Brasil Ltda,os quais foram assim descritos no Termo de Verificação Fiscal e Constatação, anexo aos autos de infração: “No dia 22 de março de 2007, às 10h30, compareceu a esta Divisão de Fiscalização, o Sr. FRANCISCO ESTEVÃO RINCON MUNGIOLI, RG 10.152.401 8/SSPSP e CPF 011.808.95878, brasileiro, maior, economista, casado, diretor da empresa CARITAL BRASIL LTDA., ocasião em que formalizou a entrega dos documentos a seguir discriminados e que, no entender do portador dos referidos documentos, constituem prova da responsabilidade solidária de PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS, CNPJ 89.940.878/000110 e de sua controladora indireta, PPL PARTICIPAÇÕES LTDA. (exPARMALAT PARTICIPAÇÕES DO BRASIL), CNPJ 03.300.070/000153, em relação às dívidas hoje existentes em nome da citada CARITAL (exPARMALAT PARTICIPAÇÕES LTDA.), CNPJ 44.764.595/0001 27, e de sua controlada, ZIRCÔN1A PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 49.647.647/000107, ambas sediadas na Rua Gomes de Carvalho 1655, 3°andar, conjuntos 31 e 32, CEP 04547006, Vila Olímpia, nesta Capital, telefones 38456699 e 30459906: a) ata da assembléia geral extraordinária da Lacesa S/A Indústria de Alimentos, cuja denominação atual é Parmatat Brasil S/A Indústria de Alimentos, permanecendo com o mesmo CNPJ; o documento demonstra que os bens da atual Zircônia Participações (ex Parmalat Indústria e Comércio de Laticínios Ltda.) foram transferidos, em 21/11/1997, para a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos; b) laudo de avaliação do acervo líquido de Parmalat Indústria e Comércio de Laticínios Ltda, elaborado com database de 30/09/1997 por Coopers & Lybrand, dado em aumento de capital de Lacesa S/A Indústria de Alimentos, conforme relatado no item "a" supra; c) organograma demonstrando a evolução societária do Grupo Parmalat sucessivamente em dezembro de 1998, novembro 1999, dezembro de 2001 e 2003, a partir portanto da conferência de bens formalizada em 21/11/1997, conforme itens "a" e "b" acima; d) correspondência assinada em 23/09/2003 pelo Gerente Executivo Jurídico da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, Paulo Carvalho Engler Pinto Júnior, que na época acumulava o cargo de Diretor de Relações com Investidores da mesma empresa, em que afirma que a reorganização indicada nos itens acima não passou de uma "simulação societária" onde o objetivo seria desonerar a 'Parmalat" das nefastas conseqüências judiciais e financeiras, isolando as contingências em empresas como a Zircõnia ; e) documento alusivo ao Processo n° 94.001.1051737, da 42a Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro, em que a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos foi responsabilizada, na qualidade de garantidora do pagamento de uma dívida da empresa Spam Representações Ltda., empresa controlada por Carital Brasil Ltda.; em dezembro de Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.431 10 2001. O juiz da 42a Vara determinou o arresto de 10,82% das ações da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos em favor do pagamento dos valores devidos por Spam Representações Ltda, a Eloar Oliveira Costa; isto resultou em um acordo, afinal pago, ao menos parcialmente, por Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos; f) atas de assembléias e de reuniões de diretoria de Wishaw Trading S/A, sociedade anônima financeira de investimento (SAFl), demonstrando que os diretores da referida empresa se revezavam como administradores de Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, Parmalat Participações do Brasil Ltda., Carital Brasil Ltda. e Zircõnia Participações Ltda.; demonstra também que a atual PPL Participações Ltda. (exParmalat Participações do Brasil Ltda.) é ou era acionista da citada Wishaw; g) o parecer sobre as demonstrações financeiras de Wishaw Trading relativas ao exercício encerrado em 31/12/2001 afirma, na nota explicativa 5, que "el saldo del rubro Colocaciones financieras incluye el valor de Floating Rate Notes emitidas por uma empresa perteneciente al Grupo Parmalat mas los intereses devengados correspondientes, por um valor aproximado de US$290.000.000,00", que inclui o principal de USS220.000.000,00 e respectivos encargos, em operação contratada em 21 de agosto de 1998. A conversão dos citados US$220 milhões para reais pela Ptax de venda em 31/12/1999 totaliza R$393.580.000,00, exatamente o valor do saldo credor inicial contabilizado na conta 2.02.02.01.01.003Chase Manhattan, nas folhas 101 do livro Razão 2000 da Cantai Brasil Ltda. h) laudo elaborado por Bendoraytes Aisenman & Cia, com database em 30/09/1999, de avaliação justificando a versão de parte do patrimônio líquido de Parmalat Participações Ltda. (atual Cantai Brasil Ltda.) para Yopar Participações Ltda., atual PPL Participações Ltda.(exParmalat Participações do Brasil Ltda.); i) "contrato de cesión de marcas", assinado em 1º/10/2001, por uma única e mesma pessoa, o Sr.Carlos de Souza Monteiro, simultaneamente como representante da Zircônia Participações Ltda. e Wíshaw Trading. Cumpre observar que, na mesma data, o referido Carlos de Souza Monteiro ocupava cargos na administração de Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, Parmalat Participações do Brasil Ltda., Wishaw Trading S/A, Carital Brasil Ltda, e Zircônia Participações Ltda., entre outras; j) notícia no site de Felsberg Associados, escritório de advocacia encarregado de defender os interesses da Parmalat no Brasil (incluindo aí Carital e suas controladas), em que reconhece que "a dívida do grupo é de US$1,6 bilhão (US$2,4 bilhões, se incluída a Carital); o mesmo escritório cuida do processo de recuperação judicial da PPL Participações Ltda. e da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos; k) cópia inicial da ação trabalhista, Processo 03950.2006.08.802.008, da 88a Vara de Trabalho de São Paulo Capital, movida por Francisco Estevão Rincon Mungioli, com a finalidade de caracterizar a responsabilidade trabalhista de Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, inclusive no que diz respeito à total subordinação administrativa e dependência financeira; uma vez que Carital e Zircônia são empresas de participações, que não geram receitas próprias, subsistindo de 1997 até dezembro de 2003 exclusivamente com recursos que lhe eram remetidos pela Parmalat no Brasil ou pela Wishaw, a partir de comando da Parmalat.” Com fundamento nos fatos acima relatados, a fiscalização concluiu pela caracterização da responsabilidade solidária da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos pelas dívidas tributárias da Carital Brasil Ltda e efetuou consulta à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN (fls. 1.391 a 1.399), com o objetivo de obter parecer sobre a procedência jurídica da aplicação do art. 124, I, do CTN, tendo em vista ser ela a única empresa do grupo que ainda parecia dispor de Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.432 11 alguma liquidez para saldar débitos tributários. Na consulta efetuada, também anexa aos autos de infração, a fiscalização relata à PFN os motivos pelos quais estariam evidenciados o interesse comum a que estariam subordinadas as empresas Parmalat Brasil S/A Indústria e de Alimentos, PPL Participações Ltda, Parmalat Administração e Participações do Brasil Ltda, Carital Brasil Ltda e Zircônia Participações Ltda. do Grupo Parmalat. A seguir transcrevo os principais trechos da mencionada consulta: " 17) Em 29/10/1999, Bendoraytes, Aizenman & Cia.Auditores Independentes emitem "laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil da Parmalat Participações Ltda. com base na posição em 30 de setembro de 1999" (f1s.152), com o propósito de "valorizar os itens contábeis que o compõem para fins de incorporação, de parte dos mesmos, na Yopar Empreendimentos e Participações Ltda." 18) No dia seguinte, 30/10/1999, a Parmalat Participações Ltda. aprova (fls.164) a cisão da sociedade com versão da parcela do patrimônio líquido para Yopar Empreendimentos e Participações Ltda. Gianni Grisendi é o único á assinar a alteração contratual (fis.167) como representante simultaneamente de todos os interessados: Parmalat SpA (78,83 % do capital), a NewCivil Ltd. (21,16%) e a própria Parmalat Participações. 19) No mesmo dia 30/10/1999, a Yopar Empreendimentos e Participações Ltda. aprova a incorporação de parcela do acervo líquido cindido de Parmalat Participações Ltda., no valor de R$ 531.233.039,80 (fls.234). Gianni Grisendi assina (fis.238) como representante simultaneamente de Parmalat SpA (81,03% do capital), NewCívil Ltd. (18,96%), mantendo ele próprio 707 quotas e Carlos de Souza Monteiro outras 500 quotas. Carital e Zircônia 20) Em 22/12/1999 (menos de dois meses depois, portanto, da cisão em favor de Yopar Empreendimentos e Participações Ltda), a Parmalat SpA e a NewCivil Ltd. cedem as quotas (fls.168) que possuem da Parmalat Participações Ltda. para a Carital Foods Distributors NV, sediada nas Antilhas Holandesas, no ato representada por Antonio Sidnei dos Santos, RG 3.377.310/SSPSP e CPF 048.068.91800, e por Carlos de Souza Monteiro, já identificado; Gianni Grisendi cede sua participação para Dancent Corporation, um P.O. Box nas Ilhas Virgens Britânicas. Na mesma data, a denominação social é alterada para Carital Brasil Ltda., mantido porém o mesmíssímo CNPJ 44.764.5951000127. 21) Ainda em 22/12/1999, Carital Brasil Ltda. e Gianni Grisendi, únicos sócios de Parmalat Indústria e Comércio de Laticínios Ltda., alteram a aludida denominação social para Zircônia Participações Ltda., mantido também o mesmo CNPJ 49.647.6471000107. (fls.376) 22) O ANEXO 1 à presente consulta resume, tendo por base cópia dos contratos sociais e outros documentos fornecidos pelas empresas, as transformações acima referidas assim como as posteriores ocorridas até 2003 das atualmente denominadas Wishaw Trading S/A (fls.076), Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, PPL Participações Ltda. (f1s.216), Parmalat Administração e Participações do Brasil Ltda. (fis.343), e Zircônia Participações Ltda. (fls.367). No caso de Carital Brasil Ltda. (fls.119), juntamos também breve relato expedido pela Junta Comercial do Estado de São Paulo. (fls.189) 23) O exame de tais documentos indica a existência ou bem de uma administração centralizada ou bem de administrações descentralizadas porém agindo em torno de um Interesse comum, cuja finalidade última só poderia ser determinada com exatidão se fosse Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.433 12 possível estabelecer os destinatários finais dos muitos milhões de dólares transitados pela contabilidade das empresas do grupo em dezenas de transações, muitas das quais com início e/ou finalização fora do Brasil. 24) A existência de um grupo econômico com interesses comuns pode ser constatada também no entrosamento das diversas empresas com a Wishaw Trading S/A. Observese, por exemplo, conforme histórico no Anexo 1 (fls.489), como todos os sócios expedem simultaneamente de países diferentes (Brasil, Paraguai, Venezuela e Itália) cartas idênticas designando Andrea Ventura e Fábio Conti Medugno, que já ocupavam cargos de direção no Brasil, como presidente e vicepresidente, respectivamente, da Wishaw. (fls.104) 25) Conforme demonstrado no Anexo 2 à presente consulta, a Wishaw Trading funcionava como uma via de mão dupla, usada para justificar a contabilização de vultosos recursos, entrados no Brasil ou daqui saídos. 26) Relatório de auditoria externa dos demonstrativos contábeis de Wishaw Trading S/A, relativos ao período encerrado em 31/12/2001 aponta (fls.099), em sua "Nota 5 — Inversiones a Largo Prazo: EI saldo del rubro Colocaciones financíeras incluye el valor de Floating Rate Notes emitidas por uma empresa perteneciente ai Grupo Parmalat más los intereses devengados correspondientes, por um valor aproximado de US$290.000.000". 27) Neste valor está incluído o principal de US$ 220.0000.000,00, contratado em 21/08/1998, e que, convertido pela Ptax de venda em 31/12/1999, de R$ 1,7890, totaliza R$ 393.580.000,00, exatamente o valor do saldo credor inicial contabilizado na conta 2.02.02.01.01.003Chase Manhattan Bank, nas folhas 101 do livro Razão 2000 da Carital Brasil Ltda. (fl s.101) Interesse comum 28) A existência do interesse comum não fica, pois, evidenciada apenas pelo rodízio das mesmas pessoas físicas como dirigentes das diversas empresas envolvidas. Cumpre observar também: 28.1) os contratos de mútuo, que freqüentemente não identificam corretamente as partes envolvidas no respectivo lançamento contábil, pois uma terceira empresa (como Wishaw Trading, Bonlat e Parmalat Capital Finance) assume os pólos ativo ou passivo da transação; 28.2) as cessões de crédito, em que uma empresa do grupo ora assume dívidas de outra ora transfere créditos a outra; 28.3) transferências bancárias entre empresas do grupo; 28.4) pagamentos efetuados por uma empresa de contas pertencentes a outra; 28.5) apropriação como despesa de gastos de responsabilidade de outra; a operação passava a ser considerada mútuo, ainda que não houvesse nenhum contrato para formalizar a dívida; 28.6) a informalidade dos contratos de mútuo: em geral uma única pessoa assina simultaneamente pelo mutuante e pelo mutuário; não consta a assinatura de testemunhas nem de qualquer registro em cartório; 28.7) a impossibilidade de comprovar o efetivo trânsito de dinheiro em relação a vários dos contratos de mútuo exibido pelos contribuintes, seja por falta das respectivas Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.434 13 telas PCAM seja por se tratar de transações realizadas fora do país por outras empresas do Grupo Parmalat. 29) Um resumo de tais transações está expresso no ANEXO 2 à presente consulta. Tratase de um contacorrente em que não são anotados pequenos acertos de contas entre parceiros, mas vultosas trocas de débitos e créditos. Em 2001, por exemplo, os negócios com vinculadas totalizaram débitos e créditos no ativo de respectivamente R$6,2 e 5,6 bilhões; em 2002, R$11,1 e 9,0 bilhões. 30) Vários destes lançamentos eram feitos tendo como contrapartida empresas situadas fora do Brasil, e por isto mesmo inverificáveis as respectivas contrapartidas pelo Fisco brasileiro. 31) É o caso das transações com as vinculadas ao Grupo Parmalat situadas na Colômbia, México, Uruguai, Venezuela, Argentina, China, Equador, Paraguai. E também com a Gelateria Parmalat SRL e Parmalat AC SpA, da Itália, Parmalat Finance Corp BV e Parmalat Netherlands BV, ambas sociedades de participações sediadas em Rotterdam, e Parmalat Capital Finance Limited, na República de Malta. E também com a Wishaw Trading S/A, sociedade anônima financeira de investimento (SAFI) estabelecida em Montevidéu, e Bonlat Finance Corporation, instalada na ilha Grand Cayman, e controlada pela Parmalat Capital Finance, por sua vez controlada, através de outras duas empresas, pela Parmalat SpA. 32) A informalidade de tais contratos sinaliza ou bem a inexistência efetiva das obrigações neles expressa, ou bem a íntima relação negocial entre os seus signatários ou então, em alguns casos, as duas coisas. 33) Pois é evidente que, se os contratos expressassem direitos a receber verdadeiros ou, por outra, se não representassem recursos pertencentes a uma mesma pessoa, as partes envolvidas, principalmente as localizadas no pólo ativo, certificarseiam estar de posse de cártulas revestidas de todas as formalidades legais, como garantia de recebimento dos valores ali transcritos. 34) Fica pois perfeitamente caracterizado uni tipo de relacionamento até mais estreito que o de uma que uma sociedade empresarial, uma vez que mesmo entre sócios é costume exigir garantias quanto a valores a receber, mormente em se tratando de quantias bilionárias." Verificase portanto, que a fiscalização carreou aos autos fatos e documentos comprobatórios da existência de um grupo econômico de fato, em que estavam presentes a confusão patrimonial e o interesse comum. Esta também foi a conclusão da PFN na resposta à consulta efetuada pela fiscalização (fls. 1.400 a 1.408): "In casu, verificase a partir dos fartos elementos fáticos descritos pela DEAIN uma verdadeira confusão entre as empresas do "Grupo Parmalat" fiscalizadas, aí incluíndo a PARMALAT BRASIL S/A INDUSTRIA DE ALIMENTOS,` o que leva à conclusão de que todas elas agiam numa simbiose tal, que é como se fossem uma única pessoa jurídica a atuar, caracterizando assim para dizer o mínimo uma comunhão de interesse econômico entre elas nas operações que realizaram as quais estão agora `sob fiscalização da DEAIN. Ou seja, a afinidade nos negócios demonstrada pelos fatos elencados, bem como identidade quanto ao escopo econômico, demonstram que, na verdade, todas as empresas em questão apresentam considerável confusão: patrimonial, de localização física, de gestão, de negócios, etc.; enquanto, por outro lado, percebese individualização clara na concentração de débitos fiscais em relação à empresa menos favorecida a saldálos. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.435 14 [...] 0 fenômeno que se está a caracterizar aqui, por todos.os elementos fáticos pormenorizadamente descritos na consulta formulada, é o de um "grupo de fato" oriundo de empresas, que materialmente constituem uma só empresa, dada a comunhão de interesses econômicos existentes, facilmente perceptível pelas "confusões" já descritas entre patrimônio, negócios, gestão, localização física, etc. Na associação que se está a considerar, a existência de diversas personalidades jurídicas é apenas mera formalidade: visase a separar o patrimônio exclusivamente no que interessa — concentrar débitos em pessoas jurídicas com menos património através de inúmeras operações societárias camufladas — , enquanto que a comunhão de interesses econômicos é flagrante." A recorrente afirma não possuir qualquer vínculo societário com a Carital à época dos fatos relacionados nos autos de infração (anoscalendário de 2002 e 2003) e destaca que teria decorrido um longo intervalo temporal desde 1999, ano da extinção do vínculo entre elas, até o período objeto de autuação, motivo pelo qual seria descabida a atribuição de responsabilidade solidária. Conforme acima demonstrado, a atribuição de responsabilidade solidária à recorrente foi fundamentada na comprovação efetuada pela fiscalização de que as empresas constituíam um grupo de fato sendo, portanto, desnecessária a análise da existência de vínculo formal societário entre a autuada e a recorrente para atribuição da solidariedade. De igual forma e pelos mesmos motivos, não merecem ser acolhidas as alegações da recorrente de que o fato de possuir como objeto social a exploração da indústria e o comércio de produtos alimentícios em geral, e a Carital se dedicar à administração de bens próprios e participação em outras sociedades, demonstram a incompatibilidade entre as atividades desempenhadas pelas duas empresas e carece de sentido lógico o juízo segundo o qual a recorrente teria mantido interesse comum em atos praticados pela Carital. Uma vez demonstrado que as empresas do grupo atuavam se fossem uma só empresa, o fato de seus instrumentos constitutivos identificarem diferentes atividades sociais não tem o condão de afastar o interesse comum e a conseqüente responsabilidade solidária. Do Processo de Recuperação Judicial Alega a recorrente que no âmbito do processo de recuperação judicial em que se encontrava, em abril/2006 foi aprovada a transferência do seu controle acionário até então detido pela Parmalat Empreendimentos e Administração Ltda à Lácteos do Brasil S/A. Defende que essa empresa não possui qualquer vínculo com seu antigo grupo controlador e que, diante do disposto nos arts. 60, parágrafo único e 141, II da Lei nº 11.101/05, a recorrente não pode ser responsabilizada solidariamente pelos créditos tributários da Carital por encontrarse em processo de recuperação judicial. Para análise da questão, transcrevo os citados arts. 60 e 141 da Lei nº 11.101/05: Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.436 15 inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1o do art. 141 desta Lei. [...] Capítulo V DA FALÊNCIA [...] Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata este artigo: I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 desta Lei, subrogamse no produto da realização do ativo; II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. § 1o O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica quando o arrematante for: I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido; II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do falido ou de sócio da sociedade falida; ou III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. O que se extrai do art. 60, parágrafo único, da Lei nº 11.101/05 é que o adquirente das filiais e unidades produtivas isoladas do devedor não responderiam pelos créditos tributários devidos pelas filiais/unidades adquiridas. Já o art. 141, inciso II, por integrar o capítulo das falências não seria aplicável à contribuinte, que encontravase à época em recuperação judicial. Assim, da leitura desses dispositivos legais constatase a inexistência de norma permissiva para que a empresa em recuperação judicial seja exonerada de seus próprios débitos tributários, tanto na condição de contribuinte como na de responsável tributário. Os únicos créditos não exigíveis da empresa em recuperação judicial seriam os relacionados no art. 5º da Lei nº 11.101/05, não fazendo parte deles os créditos de origem tributária; Art. 5o Não são exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na falência: I – as obrigações a título gratuito; II – as despesas que os credores fizerem para tomar parte na recuperação judicial ou na falência, salvo as custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. A recorrente alega ainda que, por força de decisão judicial válida, já transitada em julgado, não pode ser considerada responsável, a qualquer título, por qualquer obrigação atribuída a empresas terceiras, incluindo a Carital, em vista de estar em processo de recuperação judicial. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.437 16 Consta do documento de fls. 608 a 613 que, em 04/10/2006, a Lácteos do Brasil S.A (atual Agord S.A) peticionou ao juízo da 1º Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital Fórum Central de SP, na qualidade de adquirente da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos (recuperanda), requerendo declaração judicial no sentido de que não se constitui como sucessora de qualquer obrigação de quaisquer outras empresas terceiras. Na petição, a Lácteos do Brasil S.A informa que sociedades alheias à Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, mas que com ela mantiveram alguma relação em período pretérito, bem como seus respectivos credores, têm se valido do expediente de fazer resvalar na recuperanda suas obrigações, as quais não compunham as obrigações da empresa adquirida e não eram de conhecimento da requerente no momento da aquisição do controle da recuperanda. Em atendimento ao requerimento da Lácteos do Brasil S.A, em 21/11/2006, o juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital Fórum Central de SP exarou a seguinte decisão (fls. 615 a 616): "Isto posto, declaro, que nos termos do art. 61, "caput" e parágrafo único, da Lei nº 11.101/05, a empresa LACTEOS DO BRASIL S/A (atual denominação de Agord S/A) não se constitui como sucessora de qualquer obrigação, de quaisquer outras empresas terceiras, que tiveram como origem a unidades por ela adquiridas, com ou sem a manutenção da marca Parnalat, eis que se constitui em outra empresa." Com o objetivo de esclarecer contradição apontada entre a decisão e seus fundamentos, a Lácteos do Brasil S.A apresentou embargos de declaração (fls. 617 a 619), para que fosse alterada a declaração de não sucessão da Lácteos do Brasil S/A para a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos. Os embargos foram, em 11/12/2006, assim acolhidos (fls. 621 a 622): "Acolho os embargos de declaração, especificando que decisão embargada ao acolher o pedido, teve por finalidade declarar que a LÁCTEOS e as unidades que adquiriu não são sucessoras, da vendedora, de quaisquer ônus decorrentes qualquer obrigação, nos termos do art. 61, "caput" e parágrafo único, da Lei nº 11.101/05 e evidentemente que não dela mesma." Importante ressaltar que, diversamente do alegado pela recorrente, os créditos tributários objeto do presente processo não estão acobertados pela decisão judicial acima transcrita, porque não têm como origem a sucessão de obrigações da vendedora, nos termos do art. 60, caput e parágrafo único, da Lei nº 11.101/05. A recuperação judicial teve início apenas no ano de 2006, entretanto, os fatos geradores objeto do presente processo ocorreram nos anos de 2002 e 2003, quando a Parmalat Brasil S/A Indústria e Comércio já integrava o grupo de fato e era responsável solidária pelos débitos da Carital. Também nesse sentido, a decisão do agravo de instrumento nº 0028935 45.2011.4.03.0000/SP, em 16/08/2012, da 6ª Turma do TRF/3ª Região. A recorrente foi incluída no polo passivo da execução fiscal nº 0026522792007.4.03.6182, na qualidade de responsável tributária, por ser componente do mesmo grupo econômico da executada original Carital. Em decisão proferida pela 5ª Vara de Execuções Fiscais em SP, a recorrente teve rejeitada sua exceção de préexecutividade. No agravo interposto em que pleiteou a suspensão desta decisão, a recorrente alegou, dentre outras questões, a existência de decisão proferida pelo Juízo da recuperação judicial, que manifestouse, inequivocamente, por não se poder atribuir à agravante responsabilidade tributária por sucessão em relação às empresas Carital e Zircônia, entretanto, o pedido da recorrente foi rejeitado, conforme acórdão assim ementado: Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.438 17 AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO FISCAL EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE RECONHECIMENTO DE GRUPO ECONÔMICO RECUPERAÇÃO JUDICIAL INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO MANUTENÇÃO DA SITUAÇÃO FÁTICA. 1. A inclusão da parte excipiente no pólo passivo da demanda decorre do reconhecimento judicial da existência de reestruturação societária e formação de grupo econômico entre as empresas, voltado à confusão patrimonial e à frustração do pagamento de credores. 2. Nos termos do artigo 187 do CTN, não é a cobrança judicial do crédito tributário sujeita à habilitação na recuperação judicial. No direito positivo, inexiste regra de competência que determine o processamento da execução fiscal ou de seus incidentes perante o Juízo onde se processa a recuperação judicial. 3. A alienação do controle acionário da pessoa jurídica em recuperação judicial não enseja a incidência da proteção conferida pelos artigos 133, 1º, inciso II do CTN e 60, parágrafo único, da Lei n.º 11.101/05. 4. Entender de modo contrário importaria em criação de benefício fiscal, sem prévia autorização legislativa, em clara afronta ao disposto no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Sequer por analogia admitese a extensão pleiteada pela parte executada (artigo 111, do Código Tributário Nacional). 5. A aceitação da pretensão da parte executada ensejaria contrariedade ao intuito das normas jurídicas sob análise, que é oferecer proteção ao adquirente da filial ou unidade isolada e não ao próprio alienante. 6. Não há nos autos alteração substancial capaz de influir na decisão proferida quando do exame do pedido de efeito suspensivo. Da aplicação do art. 124, I, do CTN No recurso apresentado a recorrente aponta a vagueza da expressão “interesse comum” e os riscos de sua demasiada aplicação, a qual coloca em situação de igualdade no pólo passivo da obrigação tributária, quaisquer pessoas que tenham interesse na situação de fato, subvertendo, por completo, os mais basilares princípios do Direito Tributário. Em seguida, transcreve doutrina sobre a matéria e conclui que para um terceiro ser eleito à condição de responsável solidário, além de estar relacionado ao fato gerador, a pessoa física ou jurídica deve figurar numa relação direta e imediata com o contribuinte ou responsável tributário, estando ambos, terceiro e contribuinte do mesmo lado da relação que é pano de fundo da exação fiscal. Sobre o alcance da expressão interesse comum, importante destacar trecho da resposta à consulta formulada pela fiscalização à PFN, onde consta que "o campo de aplicabilidade dessa regra é vasto , devendo ser ele aferido casuisticamente , pois o legislador ao aludir a "interesse comum" cuidou de não o restringir, permitindo que a sua identificação seja feita no caso concreto de forma bastante livre, eis que vale aqui invocar a regra de hermenêutica segundo a qual é defeso ao aplicador da norma legal restringirlhe o alcance se o Legislador assim não o fez." Dessa forma, o interesse comum é a situação de fato, a ser examinada em cada caso concreto não se exigindo, necessariamente, que o terceiro e o contribuinte estejam do mesmo lado da relação, bem assim, que o benefício obtido decorra diretamente da situação que ensejou a Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.439 18 cobrança dos tributos. Nesse sentido, Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002", Editora Noeses, São Paulo, 2013, pág. 80: "O art. 124, I e II, do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário; e (ii) designação expressa em lei. Iniciemos com o interesse comum. Muito embora o direito positivo não tenha elucidado o conteúdo semântico desse critério, entendemos como sendo a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. Não é necessário que os sujeitos passivos encontremse no mesmo polo da relação jurídica de direito privado, para que se obriguem mutuamente pelo pagamento da dívida tributária (tal como ocorre com o alienante do imóvel, que deseja vendêlo, e do adquirente, que pretende comprálo)." A recorrente defende a inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN ao caso concreto sob o fundamento de que em nenhum momento a recorrente participou dos fatos descritos nos autos de infração, nem tampouco auferiu benefício econômico que ensejou a lavratura dos autos de infração. Aduz que todas as operações e todo o benefício econômico delas decorrente, se alguma houve, atinem unicamente à Carital. Ao contrário do alegado pela recorrente, da análise dos fatos narrados no Termo de Verificação e Constatação, bem assim, da resposta apresentada pela PFN à consulta da fiscalização, é possível identificar a participação da recorrente e demais empresas do grupo nas inúmeras alterações societárias efetuadas na reorganização societária implementada, que tiveram como escopo a concentração de débitos nas pessoas jurídicas com menos patrimônio. Neste ponto, vale ressaltar o trecho da correspondência encaminhada pelo gerente executivo jurídico da Parmalat, Sr. Paulo Carvalho Engler Pinto Júnior, em 23/09/2003, à recorrente (fls. 884 a 891) , onde é feito relato do real motivo da reestruturação societária, qual seja, isolar as contingências nas empresas Carital e Zircônia, desonerando a Parmalat das nefastas consequencias judiciais e financeiras: " Devido à reestruturação societária havida no Grupo Parmalat instalado no Brasil nos anos de 1997/98, onde através de conferência de bens foi criada a "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos ", sendo, ainda, criadas as empresas "Carital Brasil Ltda" (antiga denominação: "Parmalat Participações Ltda" e "Parmalat Brasil Administração e Participações Ltda"), e, a "Zircônia Participações Ltda.' (antiga denominação: "Parmalat Indústria e Comércio de Laticínios Ltda" e "Yolat Indústria e Comércio de Laticínios Ltda'), com intuito de isolar contingências nestas empresas desonerando a "Parmalat" das nefastas conseqüências judiciais e financeiras, todavia, tal estratégia não funcionou a contento devido à fragilidade do planejamento que sustentara a operação. Tal evento jurídico não se cercou das devidas cautelas legais e nem se utilizou da melhor técnica jurídica, de tal sorte que os CNPJ's (cadastro nacional da pessoa jurídica da Secretaria da Receita Federal) mantiveramse os mesmos, e, as inscrições estaduais perante as Secretarias Estaduais de Fazenda não foram alteradas migrando para a nova empresa então constituída Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos. Aludida falta de cuidado com o planejamento societário, ensejou na transferência de responsabilidade perante órgãos públicos e de terceiros, daquelas empresas antigas para a nova, posto que, sequer houve o cuidado de se abrir novas empresas e utilizar diferentes sócios, a Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.440 19 simulação societária estava não somente configurada como estampada aos olhos de todos, pois, basta uma certidão da junta comercial que aparecem juntamente com os nomes de "Carital" e "Zircônia" as antigas denominações da "Parmalat". Tal situação tem penalizado sobremaneira a "Parmalat", pois, as decisões judiciais têm executados seus títulos contra a "Parmalat" deixando de lado a "Carital" e a "Zircônia", tendo em vista estas possuírem diminuto patrimônio e nenhuma liquidez, associado a configuração do ardil montado para tentar transparecer que as dívidas do passado hoje encontram sob nova responsabilidade." (grifei) Alega também a recorrente, que a solidariedade passiva seria incompatível com os autos de infração ora combatidos. Primeiro por ter pretendido atribuir à recorrente responsabilidade genérica por débitos da Carital, sem demonstrar a existência do suposto vínculo direto e imediato da recorrente com relação a fatos e condutas específicas, o que não encontra respaldo legal. Segundo, porque as acusações formuladas pela fiscalização contra a Carital (omissão de receitas e glosa de despesas deduzidas), é inconciliável com a relação direta legalmente exigida para a aplicação do art. 124, I do CTN. Equivocase a recorrente ao efetuar tais afirmações. Conforme já demonstrado, a expressão "interesse comum" não pode ser restringida pelo intérprete como pretende a recorrente. Comprovado nos autos que as empresas agiam numa simbiose, como se fossem uma só pessoa jurídica a atuar, com verdadeira confusão patrimonial, de localização física e de gestão, e individualização de débitos para as empresas com menor patrimônio, restou caracterizada a existência de um grupo de fato, com flagrante comunhão de interesses. Aliás, este também foi o entendimento da decisão proferida em 17/12/2015, nos autos do processo de execução fiscal nº 000440679.2007.4.03.6182, em trâmite junto à 5ª Vara Federal de SP, que determinou o prosseguimento da execução fiscal contra a recorrente, na condição de responsável solidária, por débitos originalmente da Carital: "[...] A esse respeito, restou demonstrado à exaustão que a executada Carital Brasil Ltda. pertence ao Grupo Parmalat, cuja complexa reestruturação societária acabou por esvaziar seu patrimônio e frustrar o cumprimento das suas obrigações para com o Fisco. A complexidade da alegada reestruturação do Grupo Parmalat foi bem demonstrada nos organogramas apresentados pela exequente, às fls. 29/54 e 1119/1139, bem como analisada criteriosamente na decisão de fls. 876/899, que reconheceu a responsabilidade baseada em elementos indicativos da existência de grupo de empresas ligadas umbilicalmente por sócios comuns, atividades similares e patrimônio vertido para o interesse de todos. [...] Diante do exposto, e não subsistindo a causa que suspendeu o curso do processo executivo, determino seu prosseguimento, em face da executada e das empresas Padma Indústria de Alimentos S/A (atual denominação da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos), Lacteos do Brasil S/A e Laep Investimentos Ltda." Relativamente às alegações de que o acórdão da DRJ/SPO I atribuiu responsabilidade solidária à recorrente contrariando o pacífico posicionamento deste órgão julgador, não assiste razão à recorrente. Em recente decisão proferida no Acórdão nº 1401.002.223, pela 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária do CARF, em 05/07/2016, no julgamento do recurso voluntário interposto pela própria recorrente, na condição de responsável solidária por créditos tributários da Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.441 20 Zircônia Participações Ltda, em situação bastante semelhante ao presente processo, foi negado provimento ao recurso voluntário da recorrente, para reconhecer a procedência da solidariedade atribuída pela fiscalização, face à constatação de que as empresa tinham interesse comum e atuavam como única pessoa jurídica, nos termos dos acórdão assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRECLUSÃO. Verificado que o contribuinte, regularmente cientificado da autuação, não apresentou qualquer impugnação, resta caracterizada a preclusão temporal do seu direito de impugnar/ recorrer na esfera administrativa. EMPRESAS QUE MATERIALMENTE ATUAM COMO UMA ÚNICA PESSOA JURÍDICA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando evidenciado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, exsurge evidente o interesse comum desta última nos fatos jurídicos tributários realizados pela primeira, sendo tal situação suficiente para configurar a responsabilidade solidária da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos pelos débitos tributários apurados no contribuinte, em decorrência da aplicação da norma veiculada no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IRRELEVÂNCIA DA ALIENAÇÃO JUDICIAL DO SEU CONTROLE OU DE SUAS FILIAIS OU UNIDADES PRODUTIVAS PARA FINS DA SUA PRÓPRIA RESPONSABILIZAÇÃO EM ÂMBITO FISCAL. O fato da empresa encontrarse em processo de recuperação judicial não é suficiente para afastar a responsabilidade tributária que recai sobre seu patrimônio. Ademais, a alienação judicial do controle desta empresa, de suas filiais ou de suas unidades produtivas, também é irrelevante para afastar a responsabilidade tributária da própria empresa em recuperação judicial, ainda que reste afastada a responsabilidade do adquirente das filiais ou unidades produtivas pelos débitos tributários relativos à "atividade empresarial" adquirida. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando comprovado que o contribuinte e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos materialmente constituíam uma só empresa, é evidente que a última não é responsável tributária por sucessão dos débitos apurados na primeira, pois sua responsabilidade decorre do interesse comum nos fatos jurídicos tributários praticados pelo contribuinte. Logo, ambos devem responder pela multa de ofício lançada, que foi agravada por conduta omissiva que pode ser imputada às duas empresas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autuação lavrada em conformidade com todos os requisitos formais previstos na legislação, e cujo teor permite ao sujeito passivo oferecer impugnação Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.442 21 fundamentada e completa, evidentemente não caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. " Alega a recorrente que seriam dois os elementos caracterizadores de uma sociedade de fato: o desenvolvimento de atividades a partir da contribuição comum de bens e serviços pelas sociedades, nos termos do art. 981 do Código Civil e a partilha dos resultados obtidos. Acrescenta que por possuírem objetos sociais distintos, bem como, seus negócios serem desenvolvidos de forma autônoma e independente, não conduz à conclusão de que todas configuram materialmente uma só empresa. Igualmente, não há que se falar em partilha de resultados, visto que não há como se estabelecer comunicação entre a glosa de despesas ou a omissão de receitas e a renda auferida pela recorrente. Conforme já demonstrado, a caracterização do grupo de fato foi feita com base nos fatos narrados no Termo de Verificação e Constatação, bem assim, na resposta da PFN que concluiu pela existência de grupo de fato, oriundo de empresas que materialmente se constituíam em uma só empresa, dada a comunhão de interesses econômicos existentes, claramente perceptível pela confusão patrimonial, de gestão e localização física. O fato da recorrente ter por objeto a exploração da indústria e comércio e da Carital se dedicar à administração de bens próprios não se constitui em óbice para que as duas empresas atuem em conjunto e comunguem dos mesmos interesses econômicos do grupo. Já com relação à mencionada partilha de resultados, o fato da reorganização societária ter concentrado os débitos fiscais nas empresas menos favorecidas a saldálos, no caso a Carital, além de blindar as demais empresas do grupo, dentre elas a recorrente, demonstra que os acréscimos patrimoniais foram vertidos para o interesse de todos. A recorrente alega, reiteradas vezes em seu recurso que à época dos fatos sequer pertencia ao grupo societário da Carital, motivo pelo qual inexistiria interesse comum hábil a ensejar a responsabilização solidária pelos créditos tributários do presente processo. A despeito da recorrente afirmar que os sócios da Carital, a Carital Foods Distributors NV, sediada nas Antilhas Holandesas e a Dancent Corporation, um P.O. Box nas Ilhas Virgens Britânicas, não possuíam qualquer ligação com os antigos sócios da recorrente, a alegada ausência de vínculo formal não tem o condão de afastar a responsabilidade solidária da recorrente, que decorre de fatos apurados pela fiscalização caracterizadores do interesse comum, da confusão patrimonial e da existência de grupo de fato. A recorrente opõese à utilização dos documentos entregues à fiscalização pelo Sr. Francisco Mugioli como prova da responsabilidade solidária da recorrente por débitos da Carital. Afirma que nada provam pois diversos desses documentos, dentre eles a ata da assembléia geral extraordinária da Lacesa S/A Indústria de Alimentos, datada de 21/11/1997, são de data anterior ao período objeto dos autos de infração. Pelos mesmos motivos seriam também imprestáveis os documentos de letras (b), (c), (g), (h) e (i) relacionados na fls. 10 do Termo de Verificação e Constatação (fls. 357 a 370). A ata da assembléia extraordinária datada de 21/11/1997, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Constatação, demonstra que os bens da então Zircônia Participações (exParmalat Brasil S/A Indústria e Comércio de Laticínios Ltda), empresa controlada pela Carital, foram transferidos para a recorrente, Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos (exLacesa S/A Indústria de Alimentos), como parte do plano de reestruturação societária das empresas Parmalat. Referida alteração corrobora a conclusão da consulta efetuada à PFN, a qual foi anexada ao auto de infração, de que as inúmeras operações societárias camufladas objetivavam a concentração dos débitos em pessoas jurídicas com menos patrimônio. Desta forma, o fato da reestruturação ter se iniciado em 1997, anteriormente aos fatos geradores apurados em 2002 e 2003, não afasta a Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.443 22 responsabilidade solidária da recorrente que, conjuntamente com as demais empresas do grupo, participou da formação do grupo de fato, com confusão patrimonial e isolamento das contingências em algumas empresas do grupo, dentre elas a Carital. De igual forma, os documentos de letras (b), (c), (g), (h) e (i) mencionados pela recorrente se prestam à comprovação da existência de grupo de fato da qual a recorrente participa, sendo irrelevante que tenham sido praticados anteriormente à ocorrência dos fatos geradores pois já caracterizada a solidariedade. Com relação ao documento apontado sobre a letra (e), na fls. 11 do Termo de Verificação e Constatação (fls. 357 a 370), afirma que por tratarse de documento alusivo a processo judicial em que a recorrente teria sido condenada a prestar garantia à Spam Representações Ltda, empresa controlada pela Carital, não produz qualquer prova quanto à suposta responsabilidade solidária da recorrente relativamente aos débitos discutidos nestes autos. Da mesma forma, entende que os documentos apontados nas letras (f), (d) e (j) não trazem qualquer evidência da relação direta e imediata da recorrente com a prática dos supostos fatos geradores descritos nos autos de infração. De fato, a prestação de garantia à empresa controlada pela Carital não produz prova da direta da responsabilidade da recorrente quanto às infrações apuradas nos autos de infração discutidos nos autos, entretanto, prestamse a comprovar a existência de grupo de fato com interesses comuns, pois revelam a confusão patrimonial existente entre as empresas do grupo, onde a obrigação da empresa coligada à Carital foi paga pela recorrente. Da mesma maneira, os demais documentos apontados (f), (d) e (j) corroboram a existência de grupo de fato com interesses comuns, motivo pelo qual foi atribuída a responsabilidade solidária à recorrente. Com relação ao documento (k) menciona o completo descabimento de sua utilização no presente caso, isto porque além de tratarse de demanda trabalhista com dispositivos normativos distintos e peculiaridades próprias do Direito do Trabalho, a mesma foi julgada improcedente pela 88ª Vara do Trabalho de SP, conforme decisão de 03/05/2007. Tendo em vista que este não foi o único documento utilizado pela fiscalização para inclusão da recorrente no polo passivo, o fato da demanda ter sido julgada improcedente não é suficiente para afastar a responsabilidade da recorrente. A recorrente questiona a decisão recorrida que manteve a sua responsabilidade solidária sob o argumento de que haveria coincidência de dirigentes ocupando cargos na Carital e nela própria. Alega que essa coincidência de dirigentes não indica a existência de interesse comum nos fatos tributáveis indicados na autuação e que o Fisco deveria ter verificado a participação do Sr. Carlos de Souza Monteiro nos fatos descritos e, se fosse o caso, verificar a aplicação do art. 135 do CTN contra tal pessoa, caso ficasse comprovada a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social. De fato, a coincidência de administradores, revezandose no comando das empresas do grupo, não indica a existência de direto interesse comum nos fatos tributáveis. Por outro lado, revela a confusão de gestão nas empresas do grupo, um dos elementos caracterizadores da existência de grupo de fato com interesses comuns, motivo pelo qual foi atribuída a responsabilidade solidária da recorrente. Relativamente à investigação da participação dos dirigentes nos fatos descritos, esta seria uma linha a ser seguida pela fiscalização, entretanto, tal possibilidade não invalida os demais procedimentos por ela adotados e que culminaram na atribuição da solidariedade à recorrente. Também não merece ser acolhida a alegação da recorrente de que a resposta fornecida pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se presta a fundamentar a responsabilização solidária da recorrente no presente caso, pois o escopo ao qual se prestaria o seu pronunciamento Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.444 23 seria o interesse comum entre várias empresas na realização de operações econômicas (remessas de recursos ao estrangeiro). Ora, uma vez caracterizada a existência do grupo de fato com interesses comuns, o parecer aplicase a quaisquer infrações apuradas não só na Carital, como nas demais empresas do grupo. Diante de todo o exposto, por ter sido comprovado nos autos a existência de grupo de fato, com confusão patrimonial, de localização física e de gestão, decorrentes de reestruturação societária implementada com o objetivo de concentrar débitos fiscais em empresas menos favorecidas a saldálos, restou caracterizado o interesse comum das empresas do grupo, dentre elas a recorrente, motivo pelo qual concluise pela procedência da atribuição da responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN. DAS MULTAS DE OFÍCIO Ainda que se entendam procedentes as pretensões da fiscalização no sentido de trazer a recorrente à condição de responsável solidária, alega a recorrente que jamais poderia também responder pelas multas aplicadas à Carital, em respeito ao princípio da pessoalidade da pena. Nos termos do art. 128 do CTN, o responsável solidário responde pela totalidade do crédito tributário: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, estando nele incluídos o tributo, os juros de mora e as multas de oficio aplicadas: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Dessa forma, não merecem ser acolhidas as alegações da recorrente que, em respeito ao princípio da pessoalidade da pena, não poderia responder pelas multas aplicadas à Carital. Assim tem sido a jurisprudência deste Colegiado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 27/02/1999 a 12/05/2000 MULTA QUALIFICADA. AGRAVAMENTO. EXIGÊNCIA DE CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.445 24 O responsável solidário responde pela totalidade do crédito tributário lançado, incluídos, portanto, o tributo, as multas e os juros de mora, nos termos do art. 128 do CTN. É impossível a redução da multa de ofício aplicada apenas para o responsável solidário. (Acórdão 9303004.643, de 15/02/2017) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a responsabilidade solidária da recorrente pelas multas objeto da presente autuação. DOS JUROS SELIC A recorrente refuta a fixação dos juros moratórios com base na taxa Selic, em vista da violação aos princípios da estrita legalidade, da indelegabilidade de competência e da segurança jurídica, alem da disposição contida no art. 161, § 1º do CTN. O pleito da recorrente não encontra amparo legal pois contraria expressamente o disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95, que estabelece a incidência de juros Selic sobre os tributos e contribuições arrecadados pela RFB recolhidos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Além disso, a matéria encontrase pacificada no CARF tendo sido inclusive objeto da Súmula nº 4, de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, por força do art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF): Súmula CARF nº 4 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a incidência de juros de mora Selic sobre os tributos devidos. DOS JUROS SOBRE MULTA Questiona também a recorrente a legalidade da incidência de juros Selic sobre a parcela da multa, conforme identificado na cobrança após a decisão de primeira instância, em flagrante descumprimento às determinações do art. 61 da Lei nº 9.430/96 O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.446 25 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício incluem o tributo, bem assim, as multas e, quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.447 26 de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão n° 910100.539, Sessão de 11/03/2010) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e manter a incidência de juros de mora Selic sobre as multas objeto do presente lançamento de ofício. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 16561.000080/200762 Acórdão n.º 1301002.418 S1C3T1 Fl. 1.448 27 Conclusão Em face de todo o exposto, voto por dar negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos – CNPJ: 89.940.878/000110. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903353/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.994
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 53 /2 01 1- 13 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903353/201113 Acórdão n.º 3302003.994 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.521. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903353/201113 Acórdão n.º 3302003.994 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903353/201113 Acórdão n.º 3302003.994 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903353/201113 Acórdão n.º 3302003.994 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903353/201113 Acórdão n.º 3302003.994 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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