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Numero do processo: 10660.900087/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-004.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 00 87 /2 00 9- 43 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413, transmitida em 10/01/2006, fls. 127 a 131, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 44.278,43, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 30/09/2005, no valor de R$ 173.726,08. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 42.636,91. A DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 132, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 10), na qual alega, em síntese: que vendeu peças automotivas denominadas “chicote” à empresa International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda, a qual obteve da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, por meio do ADE 52, de 29/12/2004, o reconhecimento de que fazia juz à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com suspensão da incidência do PIS/Pasep e da Cofins; que, nos termos do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, as receitas auferidas pelo interessado pelas vendas efetuadas ao cliente acima mencionado não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e da Cofins; que declarou e recolheu a Cofins, PA 09/2005, considerando equivocadamente em sua base de cálculo o valor de R$ 582.610,93 oriundo de operações amparadas pela suspensão da contribuição, tendo recolhido um valor a maior de R$ 44.278,43 (correspondente a 7,6% da receita); que já retificou a DCTF relativa ao 3º Trimestre de 2005 e o DACON informando o efetivo valor devido a título de Cofins; que, além disso, o débito objeto da compensação (Cofins – PA 12/2005) é inexistente; que o pedido de compensação apresentado deve ser considerado com simples pedido de restituição; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900087/200943 Acórdão n.º 3802004.044 S3TE02 Fl. 309 3 É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0938.167, de 08/12/2011, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. Comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o Pedido de Restituição efetuado em desacordo com as disposições normativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2005 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Segundo os arts. 15 e 18 do Decreto n.º 70.235/72, é na fase impugnatória o momento processual próprio para que o sujeito passivo apresente as provas que respaldam seus argumentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER e cancelar a exigência do débito da Dcomp nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer em sede de preliminar, a necessidade de apensamento e julgamento com os processos de restituição, pois o que é tratado neste processo (compensação) está sendo tratado de forma reflexa nos pedidos de restituição de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 18, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015, os quais se encontram (`pelo menos, à época do pedido) na Delegacia de Varginha/MG. Insiste no pedido de compensação apresentado seja considerado como pedido de restituição. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Motiva seu pedido tem como fundamento o art. 1° da Portaria RFB n° 666/2008, com alteração pela Portaria RFB n° 2.324, de 03/12/2010, que dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º daP RFB nº 2.324/2010) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; (grifos não são do original) Realizada diligência, através da Resolução de n° 3802000.273, para que fosse apensado o outro processo (de restituição) para análise deste. O processo digitalizado foi a mim redistribuído. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900087/200943 Acórdão n.º 3802004.044 S3TE02 Fl. 310 5 A recorrente pediu a retirada do processo em sessão de dezembro de 2014, retornando para análise na sessão de janeiro/2015. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de processo administrativo pelo qual a Recorrente pretende reaver valores tidos como indevidamente recolhidos a título de Cofins, relativamente ao mês de setembro de 2005 (período de apuração), por meio de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413, transmitida em 10/01/2006. A Recorrente sustenta, em síntese, que acresceu, indevidamente, à base de cálculo da citada contribuição, valores relativos às operações de venda de peças automotivas à empresa preponderantemente exportadora, qual seja, International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda. Em decisão preliminar, o pedido da Recorrente foi denegado, sob o argumento de que não teria sido constatada a existência de qualquer crédito disponível, vez que os valores recolhidos seriam idênticos àqueles declarados em Dacon e DCTF; enfim, crédito já utilizado para quitação de débito do contribuinte. Verificado o equívoco cometido (requerer compensação/restituição sem retificar as respectivas obrigações acessórias), a Recorrente retificou as respectivas Dacon e DCTF. Ademais, no intuito de evitar a prescrição do seu direito (creio eu, não analisei), a Recorrente protocolizou pedido de restituição solicitando que este ficasse suspenso até o julgamento dos presentes autos. A i. Delegacia de Julgamento, por sua vez, julgou parcialmente o pedido da Recorrente somente para cancelar o débito que seria objeto de pedido de compensação (DCOMP nº 07623.29597.100106.1.3.04.9413, transmitida em 10/01/2006), pelas razões abaixo sintetizadas: Sobre a inexistência do débito, registrese que a Declaração de Compensação é confissão de dívida conforme previsão contida no §6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). E, sendo a Declaração de Compensação uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. Cabe então averiguar as alegações do requerente quanto à inexistência do débito objeto da compensação realizada, o que se faz a seguir. No que tange ao débito apontado na Declaração de Compensação (Cofins – 5856 – PA Dez/2005 – fl. 131), o reclamante alega que este é inexistente e que foi informado indevidamente quando do preenchimento da Dcomp. De fato, tanto no DACON entregue em 04/10/2006, retificado pelo DACON entregue em 26/03/2009 (fl. 107), quanto na DCTF entregue em 07/02/2006 (fl. 125), o valor a recolher da Cofins relativa ao PA Dez/2005 foi igual a zero. Nesse contexto, impõese admitir a alegação do contribuinte da inexistência do débito indicado na Dcomp em tela, devendo ser cancelada a sua cobrança. A discussão, portanto, cingese à possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição, bem como, apesar das retificações da DACON e DCTF terem se dado após a ciência do Despacho Decisório, estas poderiam ser aceitas, desde que configurado erro no seu preenchimento, e comprovado. Preliminar Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que seja considerado como pedido de restituição, inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900087/200943 Acórdão n.º 3802004.044 S3TE02 Fl. 311 7 mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito. Mérito Como a Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento, devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, o que não ocorreu no caso. O §6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Neste sentido, transcrevese trecho do Despacho Decisório: (.....) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado, no DCOMP: R$ 44.278,43. A partir das características do DARF. discriminado no DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,. abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para ` compensação dos débitos informados no DCOMP: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Diante da inexistência do crédito, NÃO, HOMOLOGO a compensação declarada." Portanto, percebese que o crédito pleiteado já teria sido utilizado para compensar crédito, conforme pedido de compensação eletrônica protocolizada pela própria Recorrente. Conclusão Portanto, feitas as considerações supra, e sem maiores delongas, rejeito a preliminar e voto pelo desprovimento do recurso voluntário protocolizado pela Recorrente. Alertese mais uma vez, a necessidade de desapensamento do processo de restituição. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13971.001506/2005-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE.
O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. 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Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 426 3 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 339/354 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida do pedido de ressarcimento de aduzidos créditos da COFINS relativo ao quarto trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 278.916,52. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento de valores indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte, conforme informado em Dacon e confrontado com as informações e registros por ela apresentados em resposta a intimações fiscais, como segue: a) Despesas com aquisições de serviços: a autoridade fiscal glosou os valores das notas fiscais que lista em seu RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL, por se referirem a serviços que não podem ser considerados como insumos, a teor da legislação de regência, tais como: serviços na área de refrigeração, manutenção de telefones, roçada em reflorestamento, manutenção de extintores, serviços de construção civil, locação de equipamentos para terraplanagem, serviços de limpeza e conservação, tratamento de efluentes, disposição final de resíduos industriais, manutenção de jardins, varreção de corredores, limpeza de vidros externos, conservação de elevadores, serviços de guindaste, reforma e manutenção de esquadrias de alumínio, limpeza da caixa de gordura, troca de fechadura e controle de camundongos, baratas, aranhas e cupins; b) Despesas com energia elétrica: foram glosados os valores consignados nas faturas de energia cobrados a título de parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora, por consistirem de valores não relacionados ao consumo, nos termos prescritos na legislação; c) Encargos sobre bens do ativo imobilizado: dos valores informados a este título pela contribuinte, foram glosados os referentes a bens que não são diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 d) Crédito presumido de estoque de abertura: da planilha de cálculo do crédito apresentada pela contribuinte foram glosados da base de cálculo os valores informados a título de materiais de consumo e conservação bem como de produtos importados. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, inicialmente, defende que mesmo que algum dos valores glosados pela fiscalização, não se refiram a insumos, na acepção concebida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ainda assim lhe cabe direito aos créditos pretendidos, ante o que dispõe a Constituição Federal acerca da matéria. Nesse sentido, defende que, com a edição da Emenda Constitucional n° 42/2003, a aplicabilidade do princípio da nãocumulatividade às contribuições sociais ganhou contornos constitucionais, passando a estar prevista no § 12, acrescentado ao art. 195 da CF/88. E que, em assim sendo, em que pese as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, serem anteriores à mencionada previsão constitucional, resta evidente que “toda sua regulamentação, e também alterações posteriores, deve ser harmonizada e compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse instituto”. Com base na doutrina, passa então a discorrer longamente sobre a sistemática de tributação nãocumulativa, trazendo, dentre outros, os dizeres que seguem transcritos: No caso da COFINS e do PIS, tratandose de tributos incidentes sobre o faturamento e a receita, para que a nãocumulatividade seja efetivamente implementada, devese outorgar créditos sobre todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas incorridas ou pagas que se mostrem necessárias à obtenção dos recursos tributáveis por essas exações, sob pena de tornar sua incidência, ainda que parcialmente, cumulativa, e, portanto, inconstitucional. (...) Portanto, a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada. Nem se diga aqui que a nãocumulatividade inerente ao ICMS e ao IPI não se confundiria com a referente à COFINS e ao PIS, na medida em que para os primeiros teria a Constituição Federal estabelecido todos os critérios a serem observados, não procedendo dessa mesma forma em relação aos últimos, bem como na medida em que a receita (base de cálculo da COFINS e do PIS) se traduz em fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar para essas últimas exações em cadeia econômica de produção e circulação de mercadorias para efeitos de outorga de créditos sobre o valor agregado em cada etapa de comercialização ou prestação de serviços. Tal fato, ao contrário do que um exame inicial e menos acurado da matéria deixa a entrever, não autoriza o legislador ordinário a deliberar ao seu livre arbítrio sobre os créditos que poderão e que não poderão ser aproveitados pelos contribuintes, mas, muito pelo contrário, evidencia, em relação à COFINS e ao PIS, uma amplitude do princípio constitucional da nãocumulatividade mais abrangente e dilargada do que a existente em relação ao ICMS e ao IPI. (...) Portanto, o fato de o crédito do ICMS e do IPI ser apurado a partir da dedução do montante devido do imposto incidente na etapa anterior, diferentemente do que ocorre com o crédito da COFINS e do PIS, que é apurado mediante a aplicação da alíquota dessas contribuições sobre o valor dos insumos adquiridos e custos incorridos ou pagos, não retira desse último crédito a natureza jurídica de um crédito decorrente do primado da nãocumulatividade tributária. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 427 5 (...) Ademais, tendo a EC n. 42/2003, ao incluir o § 12 ao art. 195 da CF/88, atribuído ao legislador ordinário tãosomente a aptidão de estabelecer os ramos de atividade que estariam sujeitos ao princípio da nãocumulatividade, não se lhe mostra dado, dentro do campo das mercadorias, insumos, custos e demais despesas ligadas à obtenção de receitas tributáveis pela COFINS e pelo PIS, permitir a fruição de créditos em relação a uns e tolhela em relação a outros. (...) Com isto em mente, resta inquestionável o direito da empresa de ver reconhecidos os créditos pretendidos, pois a legislação ordinária assim lhe assegura, e eventuais hipóteses que não se enquadrem nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 devem ser aceitas, ante o que dispõe § 12 ao art. 195 da CF/88, nos termos acima alinhados. Em relação às glosas de valores referentes a aquisição de serviços, argumenta que muitos dos serviços glosados pela fiscalização consistem de serviços que se enquadram no campo de creditamento admitido pelas próprias Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e diz que: Entre tais hipóteses, podem ser citadas, a título exemplificativo, as seguintes (doc. n° 7): tratamento de efluentes sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais; serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos — destinado à área industrial; e equipamentos de combate a incêndios destinados à área industrial. (...) Ademais, na eventualidade de alguma operação ser afastada face à legislação ordinária, ainda assim persiste o crédito pretendido, frente à matriz constitucional do crédito perseguido, nos moldes alinhados no tópico II supra. Com relação à energia elétrica, defende: que a própria legislação ordinária permite o crédito de todas as despesas relacionadas e necessárias ao seu fornecimento e que não poderia receber energia elétrica sem pagamento das despesas em referência. Conclui que, por ser obrigada a estas despesas para ter acesso à energia elétrica, é certo o direito à inclusão do respectivo valor no cálculo do crédito presumido, da forma admitida pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. No que concerne à glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, remete aos seus argumentos iniciais em defesa do amplo direito ao crédito e assevera que “o direito aos créditos pretendidos é devido por conta das aquisições de bens ao ativo imobilizado, ainda que não diretamente vinculados às atividades produtivas da pessoa jurídica”. Por fim, em relação ao estoque de abertura, novamente remete aos seus argumentos iniciais em defesa do amplo direito ao crédito. Ao final de suas alegações pugna, com base no art 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, pela realização de diligência fiscal para que, diante do acompanhamento da atividade produtiva da empresa, reste respondida a questão “se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003?” Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Em face do exposto, requer seja recebida e julgada procedente apresente manifestação de conformidade, e concedido integralmente o crédito cujo ressarcimento foi requerido. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos e demais despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO DE ESTOQUE DE ABERTURA. No regime da nãocumulatividade da contribuição, somente integra a base de cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura os valores dos insumos existentes na data de início da incidência desta contribuição. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 428 7 No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 10/07/2012 (fls. 357), a interessada, em 27/07/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 358/369, onde reitera alguns dos argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pela baixa dos autos em diligência. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso com o consequente reconhecimento integral do crédito cujo ressarcimento fora requerido. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do pedido de diligência Antes de adentrar no exame das questões atinentes ao direito em vista do regime da nãocumulatividade, examino o pedido de diligência da interessada. No pedido em tela a interessada ressalta que os autos não carecem de nenhuma prova documental. "Não há controvérsia quanto à existência ou não das despesas, mas sim em torno da relação destas com as atividades produtivas da empresa". 39. Salvo melhor juízo, nenhuma prova documental existe neste sentido. Como comprovar documentalmente que o tratamento de efluentes está diretamente relacionado às atividades produtivas? É simplesmente impossível. 40. Na realidade, fazse necessária uma diligência para identificar este e outros pontos, com o que se apurará que mesmo no conceito restrito adotado pelo v. acórdão recorrido há direito ao creditamento, ante a estrita relação existente entre as despesas glosadas e as hipóteses de creditamento. Com efeito, o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) garante à reclamante o direito de pleitear as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Porém, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93), o julgador – que também poderá determinar de ofício a realização de perícias – tem o direito de deliberar pelo indeferimento dos pedidos nesse sentido se considerálos “[...] prescindíveis ou impraticáveis [...]”. É nessa última hipótese, pois, que se enquadra o caso posto em exame, cujo pedido de diligência envolve questão demasiadamente genérica, além de estar relacionada a aspectos meramente de direito, razão pela qual não merece ser acolhida. E é essencialmente pelo caráter genérico da defesa que entendo não poderá ser dado provimento ao recurso em relação à aquisição de alguns bens e serviços os quais, aparentemente, relacionamse sim ao processo de industrialização da interessada. Essa questão será abordada com mais detalhes doravante. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento da COFINS do quarto trimestre de 2004, no montante de R$ 278.916,52, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Florianópolis. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 429 9 como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, o i. conselheiro desta Tuma de julgamento, Solon Sehn2, ressalta que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução 2 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. Defende ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”3. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins4, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco5 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um 3 ob. cit., p. 315316. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 430 11 posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de serviços não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico”, CNAE 1351100, conforme consignado em seus dados junto ao CNPJ. Consta ainda do artigo 3º do Estatuto Social registrado em 17/05/2006 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina: A sociedade tem por objeto a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares, comercialização e exportação de seus produtos, importação, atividades relacionadas ao florestamento ou reflorestamento, podendo ainda participar de outras sociedades de igual ou diversa finalidade, como acionista ou quotista, a critério do Conselho de Administração. Sem dúvida, a natureza das atividades exercidas pela interessada é relevante para a caracterização como insumo dos custos e despesas apresentados. Em seu recurso, a recorrente assevera que inúmeros serviços glosados se encontrariam no campo de creditamento objeto das leis nos 10.637/02 e 10.833/02. Cita, por exemplo, tratamento de efluentes ("sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais"); serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos ("destinado à área industrial"); e equipamentos de combate a incêndio ("destinados à área industrial"). Concernente ao tratamento de efluentes é bem verdade que tal serviço me parece essencial ao exercício do processo produtivo do sujeito passivo. Não obstante, e diferentemente de dois outros processos da interessada trazidos para julgamento nesta sessão Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 em que foram apresentados os documentos correspondentes aos serviços em tela (notas fiscais) , agora nenhum documento foi acostado. Também não há nos presentes autos, ou não foi indicado pontualmente pela empresa, documento capaz de demonstrar eventual necessidade direta dos demais serviços acima citados para o desempenho das atividades produtivas. Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto à correspondente nota fiscal de aquisição do serviço ou eventual elemento de conteúdo técnico suficiente para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo, ou seja, o bem ou serviço necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou os serviços glosados, o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Tais elementos, com efeito, deveriam ter sido colacionadas aos autos pela interessada, o que afirmo com esteio no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, não obstante a natureza das atividades exercidas pela reclamante, necessitarseia de mais informações para admitir os itens acima referenciados como insumos do processo produtivo. Na sua ausência, não há como reconhecer o correspondente crédito reclamado, mesmo tendose em conta as sintéticas explicações apresentadas no recurso, as quais, penso, são insuficientes para o deferimento do pleito. Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Extraise do relatório de auditoria fiscal (fls. 268/269) que a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica ("consumo, demanda e encargo de aquisição de energia elétrica, inclusive emergencial"), tendo glosado, contudo, os montantes correspondentes a "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora". O sujeito passivo, por seu turno, defende que estas também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Das glosas acima citadas entendo que deverá ser admitida aquela inerente a parcelamento, em vista de este caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Nessa parte, portanto, dáse parcial provimento ao recurso formulado pelo sujeito passivo. Das glosas relativas a créditos sobre bens do ativo imobilizado e sobre o estoque de abertura Em relação às glosas inerentes ao estoque de abertura, em que a fiscalização excluiu os bens de uso e de consumo, aduz a recorrente que teria amplo direito aos Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3802004.264 S3TE02 Fl. 431 13 correspondentes valores à semelhança do conceito de dedutibilidade do IRPJ. O mesmo argumento é utilizado em relação às glosas atinentes aos bens do ativo imobilizado por não estarem vinculados às atividades produtivas da reclamante. Pelo que já foi exposto acima aludida tese não merece ser admitida, de sorte que são legítimas as glosas realizadas pelo Fisco, mantidas pela decisão a quo. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos da COFINS calculados unicamente sobre o parcelamento de energia elétrica. Sala de Sessões, em 19 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 16561.720019/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA.
Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de revenda no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO e IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. Por comporem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR.
MATÉRIA DE FATO. DEDUÇÃO DO AJUSTE REALIZADO PELO CONTRIBUINTE. Comprovado nos autos que parte do ajuste realizado pela Fiscalização já havia sido oferecido à tributação pela Contribuinte, impõe-se o cancelamento da exigência correspondente.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 1102-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR, vencidos: (i) os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), João Carlos de Figueiredo Neto e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento em maior extensão, reconhecendo a ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL-60 prevista na IN/SRF nº 243/02; (ii) o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que entende não ser obrigatório o acréscimo, ao preço praticado na importação, dos valores relativos ao transporte, seguro, e tributos não recuperáveis devidos na importação. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação ao tema ilegalidade da IN/SRF nº 243/02. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que vencido o relator, o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
(assinado digitalmente)
RICARDO MAROZZI GREGÓRIO Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda” no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE E SEGURO e IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. Por comporem o preço de venda do produto, o valor do frete, seguro e dos impostos de importação devem ser considerados no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR. MATÉRIA DE FATO. DEDUÇÃO DO AJUSTE REALIZADO PELO CONTRIBUINTE. Comprovado nos autos que parte do ajuste realizado pela Fiscalização já havia sido oferecido à tributação pela Contribuinte, impõese o cancelamento da exigência correspondente. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR, vencidos: (i) os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), João Carlos de Figueiredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 19 /2 01 1- 11 Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.789 2 Neto e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que davam provimento em maior extensão, reconhecendo a ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02; (ii) o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que entende não ser obrigatório o acréscimo, ao preço praticado na importação, dos valores relativos ao transporte, seguro, e tributos não recuperáveis devidos na importação. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação ao tema “ilegalidade da IN/SRF nº 243/02”. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que vencido o relator, o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. (assinado digitalmente) RICARDO MAROZZI GREGÓRIO – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.790 3 Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. AJUSTES EFETUADOS PELA CONTRIBUINTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Não comprovando a contribuinte que, na apuração da IRPJ, efetuou ajuste a título de preços de transferência, tributase a totalidade do ajuste apurado pela fiscalização, sem qualquer dedução. Exigência mantida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. AJUSTES EFETUADOS PELA CONTRIBUINTE. DEDUÇÃO. Comprovando a contribuinte, por meio da DIPJ, que, na apuração da CSLL, efetuou ajuste a título de preços de transferência, esse ajuste deve ser deduzido do ajuste apurado pela fiscalização, tributandose apenas a diferença encontrada. Exigência exonerada em parte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2111/2138, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência na importação de bens (verificações relativas ao anocalendário de 2007), constatouse o seguinte: DA CONTRIBUINTE A contribuinte incorporou os negócios de resina e polímeros da Ciba Especialidades Químicas Ltda. em 01/06/2000. Tem por objeto a fabricação e o comércio, importação e exportação de produtos químicos em geral, bem como a prestação de serviços técnicos relacionados ao setor químico e a participação em outras sociedades. Assumiu ativos do negócio Huntsman Textile Effects (também divisão da Ciba) em julho de 2006 e incorporou, em 02/01/2007 as empresas Huntsman Brasil Ltda. e Huntsman do Brasil Participações Ltda. DAS INTIMAÇÕES REALIZADAS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.791 4 A fiscalização relata, às fls. 2112/2116, as intimações à contribuinte, as respectivas respostas e os procedimentos adotados durante a ação fiscal. DO PROCEDIMENTO ADOTADO PELA CONTRIBUINTE PARA APURAÇÃO DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO A contribuinte utilizou o programa de computador "TPS Console" para apuração dos preços de transferência na importação. Nesse programa constam os dados originais que deram suporte à apuração dos preços praticados e preçosparâmetro de todos os produtos sujeitos ao controle de preços de transferência. Desta forma, o relatório de Importações, extraído do programa aplicativo, contém todos os detalhes de todas as operações de importações realizadas pela empresa naquele ano. Já o relatório de Vendas, extraído do programa aplicativo, contém todos os detalhes de todas as operações de vendas realizadas pela empresa no ano. Relatórios gerais O programa permite a extração de 9 relatórios gerais (Clientes; Fornecedores; Produtos; Inventário; Relação de Produção; Compras; Vendas; Custo Médio; e Ajustes Totais), que contêm dados referentes a todo o ano de 2007 e correspondentes a todos os itens importados, produzidos ou vendidos pela empresa, de acordo com o tipo relatório. Esses relatórios foram devidamente extraídos do programa pela fiscalização e anexados aos autos. Relatórios individualizados Além dos supracitados relatórios gerais, o programa aplicativo permite também a visualização e exportação em formato Excel de relatórios individualizados, contendo dados individuais referentes aos itens importados. Alguns desses relatórios individuais podem ser extraídos independentemente do método de apuração do preçoparâmetro: Relatório de Ajuste Unitário; Relatório de compras (importações); Relatório de composição de saldos iniciais; Relatório de composição de saldos compras do produto no ano; Relatório de composição de saldos finais do produto; Relatório de resumo de Saldos; Relatório de Relação de produção; Resumo de saídas/vendas. Relatórios de preçosparâmetro individualizados O programa aplicativo permite a extração de relatórios individuais referentes aos preçosparâmetro, que são específicos do método de apuração adotado: Relatório de Preços parâmetros PRL cálculos individuais; Relatório de Preços parâmetros – PRL cálculos médios; Relatório de Preços parâmetros – PIC; Comparativo de Preços Parâmetros de Importação. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.792 5 Para analisar os dados de apuração dos preços praticados e parâmetros, a fiscalização utilizou os quatro relatórios (docs. "Relatório de PRL20 do aplicativo", "Relatório de PRL60 do aplicativo", "Relatório de PIC do aplicativo" e "Relatório de Composição de Consumo do aplicativo", em anexo) que foram extraídos dos arquivos individuais dos produtos apresentados em resposta ao Termo de Intimação 01. RESUMO DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA CONTRIBUINTE E DAS CORREÇÕES REALIZADAS PELO FISCO NA APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA REALIZADA PELA CONTRIBUINTE As memórias de cálculo dos preços de transferência apresentadas pela empresa (doc. "Relatório de Ajustes Totais"), mostram que ela optou pelo método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 20% (PRL20) para produtos com revenda exclusiva; PRL com margem de 60% (PRL60) para produtos industrializados e, para alguns produtos, optou pelo método PIC (Preços Independentes Comparados). Preço praticado na importação O preço praticado apurado pela empresa para fins de comparação com o preçoparâmetro, nos casos em que foi adotado o método PRL, foi apurado com base no valor FOB, sem considerar os valores relativos a frete e seguro internacionais e Imposto de Importação, independentemente do método de apuração do preçoparâmetro adotado. Tendo em vista que a contribuinte, intimada, negouse a corrigir este cálculo, porque entende correta a apuração do preço praticado desta forma, a fiscalização realizou a correção dos cálculos, tomando por base os próprios dados da contribuinte, de modo a não deduzir do preço praticado as parcelas de frete e seguro internacionais, bem como o Imposto de Importação. Esta metodologia de correção foi aplicada a todos os itens importados cujos preçosparâmetro foram apurados pelo método PRL, a fim de recalcular os preços praticados. Os valores originários das importações foram extraídos dos dados de "Composição do Consumo" (doc. anexo), fornecidos pela contribuinte. Destes valores foram excluídas somente as importações de fornecedores não vinculados e foram consolidados os dados de importação. Os preços praticados corrigidos foram então calculados, tendo como base os valores das importações CIF acrescido do Imposto de Importação, uma vez que a legislação que rege o assunto não permite a dedução dos valores de frete e seguro internacionais, bem como do Imposto de Importação no valor do preço praticado. Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.793 6 Foi então elaborado o demonstrativo de "Anexo I Demonstrativo de Apuração do Preço Praticado com base no valor de importação CIF+II" (doc. anexo). Os valores de preços praticados corrigidos e que constam do citado Anexo I foram também inseridos no demonstrativo "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo). Preçoparâmetro PRL20 produtos importados destinados à revenda. Para apurar o preçoparâmetro dos produtos importados destinados à revenda, a empresa optou pelo método PRL20 (doc. "Relatório de Ajustes Totais", anexo). Sobre estes valores de preçosparâmetro não foram efetuadas correções por esta fiscalização, ratificando, portanto, a apuração realizada pela contribuinte. No entanto, os correspondentes preços praticados na importação foram corrigidos, conforme já relatado no item anterior, resultando, portanto, em alterações nos valores dos ajustes. Os valores originais calculados pela contribuinte, bem como os valores corrigidos pela fiscalização, constam do demonstrativo "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo). Preçoparâmetro PRL60 produtos importados usados como insumo Para apurar o preçoparâmetro dos produtos importados utilizados como insumo na produção de outros bens, a empresa optou pelo método PRL60, utilizando a metodologia de cálculo prevista na IN SRF nº 32/2001 (artigo 12, § 11, inciso II). Ocorre que a IN SRF nº 32/2001 foi expressamente revogada pela IN SRF nº 243/2002, que prevê metodologia de cálculo do preços parâmetro para insumos aplicados na produção com margem de 60% de maneira diversa daquela prevista na IN SRF nº 32/2001. A fiscalização, então, intimou a contribuinte a refazer os cálculos, a fim de demonstrar a apuração dos valores de apuração dos preçosparâmetro PRL60 de acordo com a legislação em vigor. A contribuinte negouse a adotar tal procedimento. Esta correção foi então realizada pelo Fisco com base na metodologia de cálculo prevista no artigo 12, § 11 da IN SRF nº 243/2002. Encontrado o preçoparâmetro conforme determinado pela IN SRF nº 243/2002, a fiscalização elaborou o "Termo de Verificação Anexo IV Demonstrativo de Correção do Preço Parâmetro PRL detalhado" (doc. anexo) e "Termo de Verificação Anexo V Demonstrativo de Correção de Preço Parâmetro PRL consolidado" (doc. anexo). O Anexo IV demonstra os Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.794 7 preçosparâmetro, sendo um preçoparâmetro calculado com margem de 60% para cada produto final em que o insumo importado é utilizado e um preçoparâmetro calculado com margem de 20% para os produtos em que o item importado tenha sido aplicado na produção e também revendido. O Anexo V demonstra a média ponderada pela quantidade dos valores constantes do Anexo IV, a fim de obter um preçoparâmetro único para o método PRL, conforme previsto na legislação em vigor. Confrontados o preço praticado com o preçoparâmetro, apurase o ajuste. As diferenças a menor do preçoparâmetro, observada a margem de divergência de 5% prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, são multiplicadas pelas quantidades consumidas no ano, a fim de se obter o ajuste total ("Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco", em anexo). Preçoparâmetro PIC A planilha de preçoparâmetro PIC (doc. "Relatório de PIC", em anexo) apresenta as informações que permitiram a realização do cálculo do preço parâmetro pelo método PIC: código do produto, código do fornecedor, quantidade, valor FOB, etc. Nos produtos para os quais a contribuinte adotou o método PIC, a fiscalização não realizou quaisquer correções, nem no preço praticado, nem no preçoparâmetro. Assim sendo, os preços praticados, os preços parâmetro e os ajustes não sofreram correções conforme se pode verificar na planilha comparativa "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo). DAS VERIFICAÇÕES REALIZADAS PELO FISCO Foi realizado, por amostragem, cruzamento dos dados de importação apresentados pela contribuinte com aqueles constantes do Siscomex Importação e nenhuma irregularidade foi encontrada. Também foi verificado que o valor total dos bens importados citados na planilha de dados originais de importação é compatível com os valores totais constantes do Siscomex. Foram extraídas do programa aplicativo todas as planilhas já detalhadas neste Termo e foram realizados cruzamentos e verificações, por amostragem, dos dados apresentados pela contribuinte e não foram encontradas irregularidades. A contribuinte foi intimada a apresentar, por amostragem, cópia de Notas Fiscais escolhidas pela fiscalização que deram suporte às planilhas de vendas, que servem de base para apuração do preçoparâmetro pelo método PRL. A documentação foi apresentada e juntada aos autos (doc. "Resposta TI06 Documentos NF de Saída e de Vendas"). Dados constantes destes documentos foram confrontados com aqueles constantes das planilhas extraídas do programa aplicativo e nenhuma irregularidade foi encontrada. Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.795 8 A contribuinte foi intimada a apresentar, por amostragem, documentação de suporte ao preçoparâmetro PIC, quais sejam, faturas das operações realizadas entre empresas não vinculadas, escolhidas pela fiscalização. A documentação foi apresentada e juntada aos autos (doc “Resposta TI06 Documentos NF de compra"). Dados constantes destes documentos foram confrontados com aqueles constantes das planilhas extraídas do programa aplicativo e nenhuma irregularidade foi encontrada. DO DIREITO Do Preço Praticado Para o cálculo do preço praticado, média aritmética ponderada dos preços pelos quais a empresa efetivamente adquiriu do exterior, estabelece o § 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 que ‘Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação’. Tal entendimento é corroborado pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, aplicável ao período fiscalizado, que dispõe que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis devidos na importação”. O valor do frete e do seguro internacionais, bem como o Imposto de Importação, certamente não poderiam deixar de integrar o preçoparâmetro, pois, apesar de normalmente não serem valores pagos à empresa vinculada no exterior, eles são agregados ao custo da importação e compõem o preço final da mercadoria importada. Ora, para comparar dois preços, é essencial que ambos estejam no mesmo patamar de valores agregados. Assim sendo, a contribuinte procedeu incorretamente ao calcular o preço praticado para o método PRL utilizando o valor FOB. Quando do cálculo do preçoparâmetro, no caso de PRL, as únicas parcelas a serem deduzidas, de acordo com a legislação, são: descontos incondicionais, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e a margem de lucro. Se as parcelas de frete, seguro internacionais e Imposto de Importação não podem ser deduzidas do preçoparâmetro, porque não há previsão legal para tanto, então devem obrigatoriamente integrar o preço praticado; caso contrário, isto é, caso estas parcelas integrem o preçoparâmetro mas não integrem o preço praticado, estará ocorrendo uma distorção no cálculo do preçoparâmetro, pois estes valores integrando somente o preçoparâmetro estarão aumentando este valor indevidamente e irão fazer parecer que a margem de lucro do contribuinte é maior, quando na verdade a diferença entre o parâmetro e o praticado estaria sendo aumentada artificialmente através da dedução indevida de parcelas de frete e seguro internacionais e Imposto de Importação somente no preço praticado. Quando aplicado o método PIC para apuração de preçosparâmetro, este foi apurado corretamente pelo valor FOB, uma vez que o respectivo Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.796 9 preço praticado também é FOB. Este procedimento coloca ambos os preços, o praticado e o parâmetro, no mesmo patamar de valores. Do preçoparâmetro Para o cálculo do preçoparâmetro na importação (média aritmética ponderada de preços praticados em operações entre empresas independentes, coletados e ajustados conforme métodos definidos em lei, escolhidos pelo contribuinte), há que se observar o disposto nos artigos 8º e 12 da IN SRF nº 243/2002. Da jurisprudência dos temas sobre os quais divergem a contribuinte e o Fisco A fiscalização transcreve, às fls. 2134/2135, as ementas dos acórdãos nºs 1631.073 e 1634.062 da Delegacia de Julgamento SP1, que preceituam a inclusão, na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, do valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e dos tributos incidentes na importação. Com relação à aplicação da IN SRF nº 243/2002 no cálculo do PRL60, a fiscalização cita o julgamento que ocorreu em 25/08/2011, onde a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3a. Região, à unanimidade, deu integral provimento ao apelo fazendário para, nos autos do processo nº 2003.61.00.0061258, reconhecer que o cálculo da IN SRF nº 243/2002 previsto para o método de PRL60 coadunase com a redação do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96 (ementa transcrita às fls. 2135/2136). DA BASE DE CÁLCULO – CÁLCULO DOS AJUSTES TOTAIS A empresa apurou ajuste total de R$ 1.576.585,50. No entanto, este valor não foi oferecido à tributação do IRPJ nem da CSLL conforme se pode verificar da DIPJ do anocalendário 2007 (DIPJ/2008, em anexo), especificamente na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), linha 07 (Ajustes Decorr. Métodos Preços de Transferências, igual a 0,00). Na planilha comparativa "Termo de Verificação Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Contribuinte x Fisco" (doc. anexo), os valores que não foram corrigidos pelo Fisco (preços parâmetros e praticados para os itens em que foi adotado o método PIC; e preçosparâmetro para os casos de PRL20) foram repetidos nas colunas de apuração de preços praticados e parâmetros apurados pelo Fisco. Respeitando a margem de divergência de 5% prevista na legislação, somente foi realizado ajuste quando o preço praticado resultou maior que o preçoparâmetro acrescido de 5%. Desta forma, os valores apurados na coluna ‘Total de Ajuste Corrigido (Fisco)’ correspondem ao ajuste combinado entre o ajuste apurado pela contribuinte após o início da fiscalização, com as correções efetuadas pelo Fisco. O valor total de R$ 11.126.750,12 (apurado conforme “Anexo II Demonstrativo de comparação de ajustes Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.797 10 Contribuinte x Fisco") é o valor que deve ser acrescentado ao Lucro Líquido do Exercício e tributado. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2007: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 10/11/2011, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 09/12/2011, a impugnação de fls. 2331/2366, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS No entendimento da fiscalização, ao adotar o método PRL, a impugnante teria cometido duas supostas irregularidades: 1) utilizouse, para cálculo do preçoparâmetro na importação, da metodologia prevista na IN SRF nº 32/2001, que, no entanto, teria sido expressamente revogada pela IN SRF nº 243/2002; e 2) considerou, na composição do preço praticado para fins de comparação com o preçoparâmetro, o valor FOB dos produtos importados, deixando de computar no custo das operações os valores relativos a frete e seguro internacionais e de incluir o Imposto de Importação, em contrariedade com o que supostamente estabeleceria a legislação. Em razão dessas divergências, a fiscalização recalculou os preços praticados pela impugnante no anocalendário em questão, baseandose nos valores das importações CIF, acrescidos do Imposto de Importação, e realizou a correção da apuração dos preçosparâmetro pelo método PRL60 com base na IN SRF 243/2002. Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.798 11 Assim, ao confrontar os preços praticados com os preços parâmetro recalculados, constatou a existência de diferenças a menor do preçoparâmetro, obtendo o ajuste total no valor de R$ 11.126.750,12, o qual deveria ter sido oferecido à tributação. As razões apontadas pelos representantes do Fisco, entretanto, não são capazes de sustentar a autuação fiscal, eis que, conforme se demonstrará a seguir, a metodologia de cálculo adotada pela impugnante encontrase de fato em consonância com a lei, não havendo que se falar, portanto, em qualquer diferença a menor nos recolhimentos efetuados. Porém, ainda que assim não fosse, devese atentar ao fato de que, ao apurar o ajuste pela metodologia que entende correta, a fiscalização não compensou o montante do ajuste no valor de R$ 1.640.208,99, relativos a preços de transferência que a impugnante considerou no LALUR e na base de cálculo da CSLL, acarretando, assim, na exigência de valores a maior, conforme também se demonstrará a seguir. DO DIREITO Da legalidade da metodologia utilizada pela impugnante para apuração dos preços de transferência Segundo o Fisco, as regras que deveriam ter sido observadas pela impugnante para apuração do preçoparâmetro para fins de verificar a necessidade de ajustes nos preços praticados em suas importações são aquelas do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Para o Fisco, esse método coadunase com a redação do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei n° 9.959/2000. Todavia, uma breve leitura desses dispositivos permite concluir justamente o contrário do que afirma a fiscalização, ou seja, que o método previsto na Lei nº 9.430/96 não é o mesmo preceituado pela IN SRF nº 243/2002. Por outro lado, a IN SRF nº 32/2001 adotou a mesma metodologia de cálculo que a Lei nº 9.430/96, o que indica que, num primeiro momento, a Receita Federal admitiu que a disciplina prevista na Lei nº 9.430/96 para o cálculo dos preços de transferência no método PRL60 era completa e suficiente para sua aplicação. Tanto é assim que a regulamentação da matéria limitouse a reproduzir literalmente os dizeres da lei. Com a edição da IN SRF nº 243/2002, ficou evidente que houve a introdução de uma nova metodologia de cálculo dos preços de transferência no método PRL60, distinta daquela prevista na Lei nº 9.430/96. Essas alterações, realizadas à margem da Lei, acabaram provocando a redução do preçoparâmetro utilizado para fins de dedutibilidade dos custos de importação de pessoas vinculadas, com o conseqüente aumento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL para as empresas que, assim como a impugnante, adotam o método PRL60. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.799 12 A metodologia inserida pela IN SRF nº 243/2002, além de ocasionar o aumento da carga tributária, teve um efeito perverso sobre a produção nacional, pois, ao tornar as adições fiscais proporcionais ao custo dos insumos importados, independentemente do valor agregado, contrariou um dos objetivos que se encontram implícitos na Lei nº 9.430/96, que é o incentivo à maior agregação de valor no País. Portanto, do ponto de vista do IRPJ e da CSLL, resta claro que o objetivo da lei foi incentivar as empresas internacionais a agregar valor aos produtos finais ou acabados no Brasil, transferindo seus processos de produção para o País e, por conseqüência, gerando mais emprego de mãode obra. Embora seja sabido que as normas sobre preço de transferência são estabelecidas para evitar a transferência de lucros para o exterior através da manipulação dos preços praticados por pessoas vinculadas, a adoção de uma metodologia que concilie esse objetivo com outros valores constitucionais, como a valorização do trabalho e a soberania nacional, não as torna ineficazes para aquele propósito. É inegável que as normas da Lei nº 9.430/96 cumprem com o principal desígnio para o qual foram concebidas, isto é, evitar a evasão fiscal, na medida em que estabelecem métodos objetivos que, de fato, permitem a apuração do preçoparâmetro nas importações e exportações. O fato de os métodos eleitos pelo legislador não corresponderem tão perfeitamente à melhor técnica dos preços de transferência, porque se optou por ponderar outros valores além da proteção à arrecadação tributária nacional, não autoriza a Receita Federal, por meio de instrução normativa, cuja função é a de interpretar (e não inovar) a norma legal, a alterar a metodologia escolhida pela lei. Cumpre repelir, por outro lado, a equivocada afirmação de alguns de que a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002 encontraria respaldo no próprio texto da Lei nº 9.430/96. É preciso afastar a enganosa premissa de que o artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96 comportaria diversas interpretações, o que, por sua vez, ensejaria a necessidade de regulamentação administrativa. Na realidade, a redação do dispositivo legal é clara e as normas nele contidas bastam à sua aplicação imediata, tanto assim que foram reproduzidas literalmente pela Receita Federal na IN SRF nº 32/2001, com mínimas alterações de texto. Quando nas palavras não existe ambigüidade, não se deve admitir pesquisa acerca da sua vontade ou intenção. Devese ter em mente que não cabe ao intérprete reexaminar as razões que inspiraram o legislador no estabelecimento da metodologia de cálculo dos preços de transferência, ao pretexto de uma melhor adequação da lei aos fatos verificados posteriormente, sob pena de subverter a própria regra jurídica. Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.800 13 Ainda que a Lei nº 9.430/96 fosse, de fato, lacunosa o que, no entanto, não ocorre, a adoção da interpretação ora combatida encontraria óbice no artigo 108, § 1º, do CTN, que veda o emprego da analogia para exigência de tributo não previsto em lei. Ademais, cabe ainda atentar para o fato de que a metodologia de cálculo do preçoparâmetro prevista na IN SRF nº 243/2002 em muito se assemelha à redação dada ao artigo 18 da Lei n° 9.430/96 pela MP nº 478/2009, em especial na parte que introduz o método PVL (Preço de Venda menos Lucro). Embora a referida MP tenha tido seu prazo de vigência encerrado em 01/06/2010, a sua redação é claro indicativo de que o tema tratado está além do mero poder regulamentar das instruções normativas. A essa exata conclusão chegou a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região ao julgar as alterações realizadas pela IN SRF nº 243/2002 na metodologia do PRL60, na Apelação Cível nº 003404852.2007.4.03.6100/ SP. Portanto, a IN SRF nº 243/2002, ao introduzir metodologia de cálculo do preçoparâmetro distinta daquela prevista na Lei nº 9.430/96, acabou exorbitando de seu âmbito de competência e, assim, encontrase invariavelmente maculada pelo vício de ilegalidade, mostrandose, pois, imprestável para servir de fundamento para o cálculo dos preços de transferência. Por outro lado, a metodologia utilizada pela impugnante no cálculo do preço parâmetro com base no método PRL60 encontrase absolutamente regular, eis que em estrita consonância com o artigo 18, inciso III, da Lei nº 9.430/96. Por conseguinte, não procede a autuação fiscal no tocante à exigência de IRPJ e CSLL decorrente do ajuste efetuado pela fiscalização a partir da correção do preçoparâmetro com base na IN SRF nº 243/2002, devendo ser julgada totalmente improcedente nesse ponto. Da ilegalidade da inclusão dos valores de frete, seguro e Imposto de Importação no preço praticado: A autuação fiscal baseiase, ainda, na alegação de que a impugnante não poderia ter calculado os preços praticados, para fins de comparação com os preçosparâmetro, tendo como base os valores das importações FOB, isto é, sem considerar os valores de frete e seguro, e com a exclusão do Imposto de Importação, eis que essas deduções não seriam permitidas pela legislação. Ocorre que a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 18, § 6º, diz que os valores do frete, do seguro e dos tributos na importação integram o custo que formará o preçoparâmetro, “para efeito de dedutibilidade”. Fosse a intenção do legislador incluir o valor do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação na previsão de cálculo pelos Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.801 14 métodos PIC, CPL e PRL, seria suficiente que dissesse que os respectivos preços integrariam o valor do bem para determinação do preço por qualquer um desses métodos. Portanto, a interpretação que confere sentido lógico à expressão "para efeito de dedutibilidade" é aquela que aduz estar incluído no custo dedutivo o valor do frete, do seguro e dos impostos incidentes na importação, e não que aqueles preços deverão ser adicionados ao custo de importação para efeito de comparação ou de preçoparâmetro. Devese ter em mente que o preçoparâmetro constitui uma presunção legal, e, em função disso, os elementos que devem ser considerados em sua composição dependem de expressa previsão em lei. Não pode a Receita Federal, a partir de interpretação econômica, inserir um novo elemento na composição do preçoparâmetro, sob pena de estar exigindo tributo sem base em lei. O raciocínio da fiscalização é o seguinte: como os valores a título de frete, seguro e imposto de importação devem se agregar ao preçoparâmetro, também deverão o ser em relação ao preço de comparação, sob pena de desvirtuar o cálculo do ajuste na apuração do lucro real. Ocorre que não existe disposição expressa em lei determinando a inclusão desses valores, mas sim mera previsão em instrução normativa, o artigo 4o, § 4o, da IN SRF 243/2002. A redação do §6º do artigo 18, da Lei n° 9.430/96 não permite a ilação de que os valores a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação serão incluídos no preçoparâmetro, e, menos ainda, que também o serão no preço praticado, para fins de comparação. Quem determina isso é unicamente uma instrução normativa (IN SRF nº 243/2002, artigo 4º, § 4º), sem amparo em qualquer previsão legal. Em adição, devese considerar que o objetivo do controle dos preços de transferência é monitorar as transações entre empresas vinculadas, tendo em vista que o lucro nelas pode ser eventualmente distorcido, através da conferência artificiosa de preços em operações de importação ou de exportação, em detrimento da arrecadação tributária nacional. Toda essa sistemática de controle, porém, só possui sentido se aplicada às transações entre partes vinculadas, e não em relação a operações contratadas de forma independente, como é o caso do frete e do seguro, que se sujeitam a condições normais de mercado. Não há porque se falar em verificação da adequação dos preços praticados nas operações de frete ou de seguro e muito menos na cobrança de tributos na importação eis que estes preços já são fixados de forma independente, inexistindo, portanto, o risco de serem eventualmente distorcidos pelas partes. Logo, esses valores encontramse excluídos do controle de preços de transferência e, portanto, não devem compor o preço apurado pela impugnante. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.802 15 Ressaltese que, em recente julgamento, a Primeira Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu decisão afastando a obrigatoriedade da inclusão dos serviços de frete e seguro no custo do preço do produto importado para efeito do controle fiscal de preço de transferência. Dessa forma, não restam dúvidas que, ao utilizar o preço FOB na composição dos preços praticados, sem adição dos tributos incidentes na importação, a impugnante não incorreu em qualquer irregularidade, mas sim conferiu correta interpretação ao disposto no artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual se demonstra absolutamente infundada a exigência fiscal nesse teor. Da necessária retificação do lançamento para inclusão do ajuste apurado pela impugnante ao calcular os ajustes totais aos quais a impugnante estaria sujeita, por conta da aplicação da metodologia de cálculo que entendeu ser correta, a fiscalização deixou de considerar o valor a título de ajuste apurado pela empresa, ao argumento de que não teria sido oferecido à tributação do IRPJ nem da CSLL, conforme se verificou da Ficha 9A, linha 7, da DIPJ do anocalendário de 2007. Ocorre que a informação contida na DIPJ a que teve acesso a fiscalização não está correta. Com efeito, como é possível observar das anexas cópias do LALUR, acompanhadas dos anexos comprovantes de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 2007, a impugnante apurou e recolheu naquele ano um ajuste total no valor de R$ 1.640.208,99. Este valor acabou não constando da DIPJ entregue à fiscalização, eis que, por ter se sujeitado a sucessivas fiscalizações, a impugnante esteve impedida de efetuar qualquer alteração naquele documento e, por um lapso, acabou entregando à autoridade autuante o documento sem a devida retificação. Referido equívoco, todavia, não impede o reconhecimento de que a impugnante de fato apurou e ofereceu à tributação o valor de R$ 1.640.208,99, a título de ajuste decorrente de preços de transferência no anocalendário de 2007, como demonstram os anexos documentos. Aliás, embora o ajuste não tenha constado da Ficha 9A da DIPJ entregue à fiscalização, o referido montante foi declarado na Ficha 17, que trata do cálculo da CSLL apurada no mesmo período. Portanto, tivesse a autoridade fiscal analisado diligentemente aquele documento, bem assim o LALUR e os comprovantes de arrecadação do período, teria chegado à conclusão de que a impugnante de fato apurou e recolheu o ajuste referente aos preços de transferência, ainda que através de metodologia com a qual não concordasse. Impõese, portanto, que, na remota hipótese de manutenção da metodologia de cálculo defendida pela fiscalização, seja ao menos abatido da base tributável o ajuste de R$ 1.640.208,99, devidamente oferecido à tributação, reduzindose, por conseqüência a base de cálculo Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.803 16 sobre a qual foi apurada a exigência fiscal de R$ 11.126.750,12 para R$ 9.486.541,12. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a impugnante que seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração. Subsidiariamente, requer seja ao menos deduzido do valor apurado pela fiscalização a título de ajuste total o montante de R$ 1.640.208,99, apurado no LALUR e oferecido pela impugnante à tributação no anocalendário de 2007, reduzindose, por conseqüência, a base de cálculo sobre a qual foi apurada a exigência fiscal de R$ 11.126.750,12 para R$ 9.486.541,12.” O acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação, exonerando parcialmente a CSLL, pelos motivos sintetizados na ementa reproduzida acima. No tocante ao ajuste a título de preços de transferência para a formação do lucro real (IRPJ) que já teria sido realizado anteriormente pela Contribuinte, o acórdão não acolheu os argumentos da Contribuinte, sob o fundamento de que “o supracitado ajuste não consta da Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), linha 07 (Ajustes Decorr. Métodos Preços de Transferências) da DIPJ/2008, apesar de constar do LALUR apresentado pela impugnante (fls. 2427/2433), Parte A (Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício), Balancete de Suspensão relativo a dezembro/2007). E conclui: Ocorre que o lucro real apurado no LALUR, de R$ 19.426.253,69 (fl. 2432), considerando esse ajuste, não pode ser validado, pois não encontra respaldo nem na DIPJ (no qual, conforme mencionado, não consta o ajuste da contribuinte), nem nas DCTFs, nem nos comprovantes de pagamento juntados pela contribuinte (fls. 2573/2598). O lucro real indicado no LALUR, de R$ 19.426.253,69, levaria à apuração de IRPJ no montante de R$ 4.832.563,42 (15% sobre a base de cálculo + 10% de adicional sobre o que excedeu R$ 240.000,00), ao passo que os pagamentos totalizam apenas R$ 4.799.159,44. Não justificando a contribuinte essa diferença, não há como identificar o que foi e o que não foi efetivamente considerado na apuração do tributo. Dessa forma, considerando que o ajuste da contribuinte (R$ 1.640.208,99) não consta da Ficha 09A da DIPJ/2008 e que o lucro real constante do LALUR não pôde ser validado, há que se concluir que a contribuinte não comprova o oferecimento à tributação do referido montante, que deve, portanto, ser desconsiderado, de modo a se entender correta, quanto ao IRPJ, a apuração da matéria tributável pela fiscalização (R$ 11.126.750,12), mantendose a autuação correspondente. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte (a) suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob o fundamento de este (acórdão) não teria analisado os argumentos sobre a ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/02; e (b) no mérito, reproduz as razões de impugnação no tocante (i) à legalidade da metodologia de cálculo do PRL60 utilizada; (ii) à legitimidade da exclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação do valor do preço praticado; e, subsidiariamente, (iii) à necessidade de que seja considerado o Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.804 17 valor do ajuste anteriormente apurado pela Contribuinte para fins de apuração do IRPJ, no valor de R$1.640.208,99. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Preliminarmente: nulidade do acórdão recorrido Insurgese a Contribuinte contra a não apreciação pela instância a quo da legalidade da metodologia de cálculo PRL60 instituída pela Instrução Normativa nº 243/02. Segundo a Contribuinte, o Colegiado a quo não poderia se furtar da análise da legalidade da Instrução Normativa nº 243/02, uma vez que somente lhe seria defeso se manifestar acerca da inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Em que pesem os argumentos da Contribuinte, o ato normativo impugnado é de observância obrigatória por parte dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 116, III, da Lei nº 8.112/901, bem como pelas Delegacias Regionais de Julgamento da RFB, conforme disposto no art. 7º da Portaria MF nº 58/062. Rejeitase, pois, a preliminar de nulidade. (ii) Mérito 1. Da legalidade da metodologia de cálculo PRL60 prevista na IN SRF 243/02 A legalidade (ou não) do método de cálculo denominado “PRL60” estabelecido pela Instrução Normativa nº 243/02, em face do art. 18, II, alínea “d”, “1”, da Lei nº 9.430/96, tem sido largamente discutida no âmbito deste Conselho, embora não haja, até a presente data, consenso a respeito do tema. Dentre as decisões proferidas pelo CARF, merece destaque o acórdão proferido nos autos do Processo Administrativo nº 16643.000070/200989 (Acórdão nº 1302 001.164), da lavra do ilustre Conselheiro Eduardo de Andrade, o qual, de forma criteriosa, analisou a questão, orientando o seu voto no sentido de que o método de cálculo do PRL60 introduzido pela Instrução Normativa SRF nº 243/02 não ocasionou majoração do tributo e não contraria o disposto no art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96. 1 “Art. 116. São deveres do servidor: (...) III observar as normas legais e regulamentares;” 2 “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos.” Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.805 18 Segundo citado acórdão, o art. 18, inciso II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96 comportaria duas interpretações possíveis, as quais, por sua vez, possibilitariam a utilização de duas metodologias de cálculo distintas, sendo a denominada “segunda interpretação” a que melhor atenderia à finalidade do controle dos preços de transferência. Nesses termos, conclui: “Assim, também pelo viés finalístico, agora nesta análise mais aprofundada, vêse que a melhor interpretação dada ao art. 18 é aquela que decorre da 2ª interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que seguiu adotada pela IN SRF nº 243/02, na qual a expressão “diminuídos” relacionase tanto à expressão “da margem de lucro de...” quanto à expressão “ e do valor agregado no País”. Como conseqüência, a 2ª interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 é preferível à 1ª interpretação. Além disso, o preço parâmetro que se obtém da fórmula veiculada pela IN SRF nº 243/02, como visto acima, é sempre superior àquele fornecido pela 2ª interpretação da Lei nº 9.430/96, sendo, portanto, mais benéfico ao contribuinte, não dando azo, por conseqüência, à argüição de ilegalidade por violação ao princípio da legalidade tributária.” Tal voto, pela coerente metodologia de abordagem, tem sido utilizado como referência na análise da questão. Contudo, em que pese a excelência do estudo efetuado no acórdão, pedese vênia para discordar de alguns de seus fundamentos e conclusão. Não impressiona o fato de o texto de lei (no caso, art. 18 da Lei n. 9.430/96) comportar potencialmente duas ou mais interpretações. Ao contrário, são raros os textos legais que são unívocos. Prova inequívoca de tal assertiva é a constante mutação de jurisprudência sobre temas submetidos aos órgãos de julgamento e a quantidade de decisões que são proferidas “por maioria de votos” por Cortes judiciárias e administrativas, tendo cada julgador uma interpretação distinta de um mesmo texto legal. A questão relevante é saber qual é a interpretação mais adequada ao texto legal, de acordo com critérios jurídicos, que levará a resultados conformes com o ordenamento jurídico. Será essa a interpretação que, com o passar do tempo e a evolução da jurisprudência, se tornará a interpretação corrente da lei. Para se admitir uma nova interpretação do texto de lei não basta que ela seja possível, conforme demonstrado pelo Acórdão nº 1302001.164, mas é necessário que ela (nova interpretação) não produza “resultados indesejados de acordo com a realidade dos fatos e com os valores consagrados no ordenamento”. Nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Verbis: “RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. EMBARGOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRECLUSÃO. COISA JULGADA. LIQUIDAÇÃO. PERÍCIA. ATUALIZAÇÃO DO DÉBITO. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS. 6. Havendo duas interpretações possíveis e válidas, cabe ao Judiciário escolher, dentre elas, a que guarde maior pertinência com o sistema jurídico, afastando a que leve a resultados visivelmente indesejados de acordo com os valores consagrados no ordenamento.” (REsp 1167563/RS, Rel. Ministra Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.806 19 NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/08/2013, DJe 18/10/2013) A discussão a ser desenvolvida exige que o exegeta se valha de técnica interpretativa adequada. Para solucionar eventuais atecnias na elaboração da norma jurídica, o intérprete deve se valer primeiramente da interpretação literal mais próxima possível, buscando também, quando necessário, se valer de outras técnicas de interpretação como a ontológica e a teleológica. Por relevante, fixase uma primeira premissa: qualquer que seja a interpretação dada ao texto de lei (ou, em outros termos, qualquer correção que se faça para suprir a atecnia legislativa), esta (interpretação) jamais poderá levar a resultados “impossíveis ou absurdos”, não passíveis de confirmação empírica. Para a solução do caso, propõese tratar (i) da análise sintática do art. 18 da Lei n. 9.430/96; (ii) da intepretação ontológica da norma; (iii) da interpretação teológica do PRL60%; e (iv) do conceito de valor agregado. A. Análise sintática do art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96 e sua interpretação lógica Dispõe o art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000)” (grifouse) Por sintetizar com precisão o problema gramatical da norma, valese de trecho do Acórdão nº 1302001.164, verbis: “O dispositivo impõe como limite para a dedutibilidade de custos, despesas e encargos incorridos em operações de importação o preço determinado pelo método PRL 60. O problema surge ao se examinar a composição deste preço, determinado pelo método PRL 60. Isto porque a Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.807 20 redação da alínea “d” dada pela Lei nº 9.959/2000 propicia duas interpretações para sua composição. De forma geral, o preço determinado pelo método PRL60 será a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Da leitura, vêse que não há dúvida quanto ao fato de que o preço dado pelo método PRL60 é dado pela média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de sessenta por cento. A questão é sobre qual base deverá ser calculada esta margem. Há duas possíveis interpretações dadas pelo dispositivo. Assim, a margem de sessenta por cento deverá ser calculada: a) sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (do preço) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (inserção e grifos meus); ou b) sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores. A primeira hipótese é a mais óbvia e é a que deriva inicialmente da leitura do dispositivo. Isto, porquanto há quatro alíneas, sendo claro que cada uma delas fornece uma rubrica a ser diminuída da média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos. Neste sentido, a margem de 60% seria aplicada sobre o preço líquido de revenda (deduzido dos valores referidos nas alíneas “a”, “b” e “c”) e sobre o preço do valor agregado no País. A interpretação, assim feita, envolve um primeiro aclaramento. Ou se pressupõe oculta a expressão “preço do” anteposta à expressão “valor agregado” no País, ou se reconhece erro gramatical no texto. Isto porque, caso não estivesse tal expressão oculta, a redação, então, deveria ser “sobre o preço de revenda... e (sobre) o valor agregado no País”. Mas o dispositivo manteve a partícula “do” ao invés da partícula “o”, impedindo a concordância. Por outro lado, ao se analisar o conteúdo da expressão “do preço”, como necessariamente anteposta à expressão “e (do preço) do valor agregado”, há de se concluir, finalmente, pelo erro gramatical do texto legal, já que ela, além de agregarse desnecessariamente a uma expressão simples (“valor agregado”), a qual já possui conteúdo semântico completo, em nada a altera. De fato, a expressão “preço do valor agregado” em nada dista, sob ponto de vista semântico, da expressão “valor agregado”, posto que a palavra “valor” já pressupõe uma que equivalência a parâmetros de mercado (que é justamente a função do preço). Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.808 21 Ainda assim, não se impõe abandonar esta interpretação, sem que se aprofunde nela, eis que são diversos os exemplos que temos na legislação de atecnia legislativa, impondose extrair do texto legal sua essência deôntica, uma vez compreendido o erro gramatical. Finalmente, há de se concluir que o preceito legal, adotada esta interpretação, embora envolva conceitos que não prescindem de um aclaramento conceitual (v.g., o de valor agregado no País) pode ser perfeitamente reduzido, pelo processo de formalização, a uma fórmula matemática, eis que esta foi a legítima intenção do legislador, já que do contrário teria criado uma norma estéril, impossível de ser aplicada. Assim, podese perfeitamente chegar a uma expressão que tem no seu primeiro membro o preço determinado pelo método PRL60 e no segundo membro a composição deste preço. Em linguagem matemática: PP = PLV – 60% x (PLV – VA)” (grifouse) Não há como negar que a redação do referido dispositivo está eivada de vício técnico formal ao dispor que a margem de sessenta por cento é “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. A conexão “e” e a preposição+artigo “do” não fazem sentido juntas sobre o ponto de vista sintático, pois se “valor agregado no País” fosse objeto indireto do verbo “deduzir”, não se faria necessário o conectivo “e”. Na hipótese de “valor agregado” ser objeto indireto do verbo “calcular”, não seria necessária a preposição+artigo “do”, tendo de ser ainda efetuada a inclusão preposição+artigo “sobre o” antes de “valor agregado” para alcançar este fim. A análise sintática da oração demonstra evidente erro formal na redação do dispositivo. Considerando que o art. 18 da Lei Complementar nº 95/98 determina que “eventual inexatidão formal de norma elaborada mediante processo legislativo regular não constitui escusa válida para seu descumprimento”, deve o julgador, especialmente em matéria tributária – em que prepondera o princípio da estrita legalidade – se valer de técnica adequada a fim de atribuir ao dispositivo a interpretação lógica mais próxima de sua redação, o que implica opção de leitura (interpretação) que resulte na supressão ou inclusão do menor número de elementos possíveis para que o dispositivo se torne inteligível e lógico. Aduz o Acórdão nº 1302001.164 que a interpretação “mais lógica” (mas não a melhor), a qual denominou de “primeira interpretação”, seria aquela em que “valor agregado” seria uma locução adjetiva do substantivo “preço”, o qual por sua vez seria objeto indireto do verbo “calcular”. Nesta hipótese, a lei haveria ocultado a expressão “sobre o preço” de sua redação, a qual foi incluída naquele raciocínio para que o dispositivo fizesse sentido. Desta forma, o dispositivo ficaria com a seguinte redação: “sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (sobre o preço) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção”. Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.809 22 Diante desta interpretação, o Acórdão nº 1302001.164 deduziu a seguinte fórmula matemática, onde PP é o Preço Parâmetro, PLV é o Preço Líquido de Venda e VA é o Valor Agregado no país: PP = PLV – 60% x (PLV – VA) A segunda interpretação possível sugerida no Acórdão nº 1302001.164 seria no sentido de considerar “Valor Agregado” (VA) como uma dedução direta do “Preço Líquido de Venda” (PLV), não fazendo parte do cálculo da margem dos sessenta por cento, constituindose uma quinta alínea (alínea “e”) do art. 18, II da Lei nº 9.430/96. Confirase: “A segunda interpretação que pode ser dada ao dispositivo legal em análise (inciso II, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000) parte do pressuposto de que a expressão contida na alínea “d” do inciso II, “e do valor agregado no País”, complementa a expressão “diminuídos”, que está no corpo do inciso II. Assim, a margem de lucro de 60% seria calculada tão somente sobre o preço líquido de revenda e haveria implícita uma quinta alínea (“e”), que conteria um valor (o valor agregado no País) a ser diminuído da média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos. De acordo com esta expressão, o preceito legal afirmaria que o preço dado pelo método PRL60 seria definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de 5 rubricas: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores; e) do valor agregado no país. Assim, utilizandose das mesmas rubricas acima definidas, esta prescrição poderia ser reduzida à seguinte expressão matemática: PP = PLV – 60% PLV VA” (grifouse) Com a devida vênia, a segunda interpretação proposta não é razoável sob o ponto de vista de técnica legislativa. A expressão “do valor agregado no país” está inserida entre duas expressões “sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores” e “na hipótese de bens importados aplicados à produção”. Ou seja, remover a expressão e atribuílo a uma nova alínea seria medida drástica, desconfigurando a metodologia de interpretação prevista na legislação complementar. Além disso, é inverossível que o legislador tenha cometido erro tão grave de redação como este, pois: (i) a alínea “d” foi alterada pela Lei nº 9.959/00, a qual criou dois itens para a referida alínea, quais sejam, o item “1” que trata dos bens importados Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.810 23 aplicados à produção e o item “2” que trata dos demais bens. Caso o erro tivesse sido de fato a não segregação da expressão “valor agregado no país” em uma nova alínea em virtude de uma atecnia legislativa, a referida expressão estaria geograficamente localizada no final do item “2”, ou ainda, em um eventual item “3” e não no meio de duas expressões do item “1”; e (ii) tratar a expressão “valor agregado no país” em um nova alínea teria duas possíveis implicações, quais sejam (a) deduzir do cálculo do preço parâmetro na simples revenda de bens o valor agregado no País, o que não faz nenhum sentido, por se tratar de revenda e não produção, ou (b) aplicar o percentual de 60% também para o caso de revenda de bens, eliminandose o percentual de 20%, previsto expressamente no item 2 da referida alínea “d” do art. 18, II do Lei nº 9.430/96. E mais. Além de imprópria do ponto de vista da técnica legislativa, a segunda interpretação proposta ao dispositivo certamente não seria a mais adequada por resultar em resultados impossíveis de serem confirmados empiricamente. Partindo da intuitiva premissa de que o VA compõe o PLV, caso o VA fosse superior a 40% do PLV, o preço parâmetro seria negativo, o que seria solução inadmissível de acordo com a própria nomenclatura do método “Preço de Revenda menos o Lucro”. Ou seja, apurar um preço parâmetro negativo seria dizer que o lucro ou, no caso, o prejuízo, foi superior a 100% do custo, o que é uma solução impossível, pois a empresa teria que pagar para o cliente para vender o seu produto, o que é ilógico. Desde já se diga que o artigo somente comporta apenas uma interpretação adequada, sendo a atecnia legislativa resolvida de forma simples e mediante a mera supressão da preposição “de”, remanescendo o artigo “o” (“do” = “de” + “o”), ou se preferir, eliminando se letra “d” que não deveria constar da redação da lei. Ou seja, com a supressão de apenas uma letra a redação faz pleno sentido, conforme se demonstrará. Suprimindose a letra “d” da expressão “do valor agregado”, terseia a expressão “o valor agregado”, restando o referido dispositivo com a seguinte redação: d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Neste caso, “o valor agregado no País” seria, assim como a expressão “os valores referidos nas alíneas anteriores”, objeto direto do verbo deduzir, o qual, no sentido de “abater, descontar, subtrair etc.” é um verbo transitivo direto ou indireto. Vejase que a simples supressão de uma letra promove sentido ao dispositivo, o que parece ser a alteração com a menor supressão/inclusão de elementos e que corresponde exatamente ao efeito que a norma pretendeu produzir. Seguindo a linha do Acórdão nº 1302001.164, a redução desta interpretação a uma fórmula matemática, resultaria na seguinte equação: Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.811 24 PP = PLV – 60% x (PLV – VA) Notese que esta equação é exatamente a mesma deduzida pelo Acórdão nº 1302001.164 no que denominou “primeira interpretação do art. 18 da Lei 9.430/96”. Diante de todo o exposto, concluise nessa parte que (i) de fato, há uma atecnia na redação do art. 18, II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96; e que (ii) tal a atecnia pode ser facilmente resolvida suprimindose a letra “d” da preposição+artigo “do”, a fim de que permaneça somente o artigo “o”, sendo a expressão “o valor agregado no país” objeto direito do verbo deduzir, podendose resumir o cálculo do preço parâmetro na seguinte equação matemática: PP = PLV – 60% x (PLV – VA); (iii) citada interpretação é adequada por não apresentar, a priori, resultados “impossíveis” e por não demandar a consideração de uma nova alínea no nova alínea do art. 18, II da Lei nº 9.430/96, que desnaturaria o próprio método de aferição do preço parâmetro. B. Interpretação Ontológica do art. 18, II, “d” da Lei nº 9.430/96 Pretendese neste tópico expor e demonstrar a ratio legis da norma, no sentido de provar a razão que levou o legislador a criar uma metodologia de cálculo específica para a importação de produtos aplicados ao processo industrial. Até o advento do referido método (PRL60%), pela Lei n° 9.959, de 2000 vigia o método PRL20 para todos os casos (revenda e produção). Desta forma, utilizandose o mesmo método para os casos de produção e de revenda, os cálculos podem ser demonstrados da seguinte forma: a. Revenda Legenda A. Preço Praticado B. Preço de Venda B.1. Preço Líquido de Venda B.2. Margem 20% C. Preço Parâmetro (B.1. ‐ B.2.) D. Ajuste (A ‐ C) 100,00 140,00 120,00 40,00 96,00 4,00 Custo Importação 20 Margem de Lucro Efetiva 20 20 4 Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 100 100 100 96 24 b. Produção Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.812 25 A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.2. Margem 20% D. Preço Parâmetro (C.1 ‐ C.2) E. Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 200,00 280,00 240,00 48,00 192,00 0,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 48 40 40 100 40 100 100100 100100 192 100 Nesses exemplos, pretendese evidenciar que a utilização do método PRL 20% para ambos os casos, sem nenhuma diferenciação da metodologia de cálculo, promovia distorções. Na hipótese dos quadros acima, a empresa importou a mercadoria por R$ 100,00, ao qual se nominou como “preço praticado”. Na primeira hipótese demonstrada acima (item “a”), a empresa efetuou a importação para a simples revenda, acrescentado ao valor de venda, líquido dos tributos, o valor de R$ 20,00, o que representa uma margem de 16,67% de lucro. Assim, importou a R$ 100,00 e vendeu a R$ 120,00 (valor líquido dos descontos e tributos na venda). A aplicação do cálculo PLR20 resultou, neste caso, em um preço parâmetro de R$ 96,00 e um ajuste de R$ 4,00. Por sua vez, no segundo caso, a empresa efetuou importação de produto no valor de R$ 100,00, o qual foi utilizado como insumo na produção de outro bem, tendo sido agregado ao valor da importação o custo de produtos e serviços nacionais, no valor de R$ 100,00. Portanto, o custo da mercadoria passou a ser de R$ 200,00, composto de R$ 100,00 de produtos importados e R$ 100,00 de produtos nacionais (50% do custo total). Sobre o referido custo a empresa aplicou a mesma margem de lucro de 16,67% utilizada no primeiro exemplo. Utilizandose o método do PRL20 neste caso, o preço parâmetro calculado foi de R$ 192,00, não tendo sido apurado o ajuste, pois o preço parâmetro foi maior do que o preço praticado. A diferença entre os preços parâmetros de R$ 96,00, no primeiro caso, e R$ 192,00, no segundo, é de R$ 96,00, o representa justamente o valor de 80% (1 – margem de 20%) do custo do produto nacional acrescido da respectiva margem. No exemplo, seria 80% R$ 120,00, que é o resultado da soma do custo do produto nacional (R$ 100,00) acrescida da respectiva margem de lucro de R$ 20,00. Desta forma a diferença de R$ 96,00 pode ser composta da seguinte forma: Parcela Valor Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.813 26 80% do valor do custo nacional de R$ 100,00 R$ 80,00 80% da margem de lucro correspondente ao custo nacional (margem de lucro de 16,67%) de R$ 20,00 R$ 16,00 Total R$ 96,00 Como dito, havia evidente distorção no cálculo do PRL20, pois caso o importador apenas revendesse o produto importado, este estaria sujeito ao ajuste, enquanto que, se o produto importado fosse aplicado à produção e vendido com a mesma margem de lucro, a importação não estaria sujeita ao ajuste de preços de transferência, o que não representa o objetivo arms length, pois para um mesmo produto importado, de um mesmo fornecedor, pela mesma margem de lucro, foram atribuídos dois preços parâmetro diferentes. Diante desse injusto tratamento, o legislador decidiu alterar a metodologia de cálculo do PRL para os casos em que o produto importado fosse utilizado como insumo na indústria nacional. Para resolver tal distorção, bastaria o legislador isolar a participação do produto importado no valor de venda do produto final, mediante a aplicação do percentual do custo importado no custo total sobre o valor de venda do produto. Uma vez isolado o valor de venda apenas do produto importado, aplicarseia a mesma margem presumida de 20% sobre referido valor, resultando no preço parâmetro3. Contudo, o legislador, com a edição da Lei nº 9.959/00 optou criar um método específico para o cálculo do preço parâmetro, qual seja, a utilização de uma margem de 60% e não mais de 20% com a permissão de deduzir do preço de venda, para fins de aplicação da margem, o valor agregado no país (conforme interpretação dada acima). A expressão “valor agregado no país”, conforme será demonstrado mais adiante, corresponde tão somente ao custo dos produtos e serviços nacionais agregados ao produto final e não à respectiva margem de lucro (“Mark up”). Portanto, o caminho adotado pelo legislador foi criar uma presunção de margem de lucro específica para o caso de produção, a fim de compensar a margem de lucro do valor agregado no país, razão pela qual a referida margem passou de 20% para 60%, permitindose a dedução do valor agregado no país. No exemplo a seguir, a aplicação do PRL60 ainda não reflete com exatidão o preço parâmetro calculado no item a, acima. Confira: 3 Notese que o que seria adequado fosse considerado o percentual de 20%, tornase inadequado quando se elege o percentual de 60%, tal como procedido pela IN SRF 243/2003. Esse aspecto será melhor tratado a seguir. Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.814 27 A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.2. Valor Agregado no País C.3. Preço (‐) Valor Agregado (C.1. ‐ C.2.) C.4. Margem 60% D. Preço Parâmetro (C.1. ‐ C.4.) Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 200,00 280,00 240,00 100,00 140,00 84,00 156,00 0,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 84 100 100 156 100 100 100 40 40 40 100 100 40 100 100 Vejase que, ainda neste exemplo, a margem de lucro aplicada ao produto final (custo da importação acrescido do custo nacional) foi a mesma do primeiro exemplo (16,67%). Contudo, a aplicação do PRL60 ainda retornou um valor de preço parâmetro diferente daquele no PRL20. Esta distorção ocorre pois o legislador, para criar a presunção da margem de lucro de 60%, criou uma presunção também de quanto o custo do produto/serviço nacional representa do produto líquido de venda (PLV), variando de acordo com a margem de lucro aplicado ao produto. É possível demonstrar o ponto de equilibro entre o preço parâmetro do PRL20 com o PRL60 mediante a seguinte prova matemática: PP60 = Preço Parâmetro no PRL 60% PP20 = Preço Parâmetro no PRL 20% Podese demonstrar o PP60 de acordo com a seguinte equação: PP60 = PLV – 60% (PLV – Cp), ou PP60 = 0,4PLV + 0,6Cp, onde “PLV” é o Preço Líquido de Venda após descontados os descontos incondicionais, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e comissões e as corretagens pagas; e “Cp” é o custo do produto/serviço nacional, assumindo que “Valor Agregado no País” corresponde ao custo do produto e serviços nacionais, conforme se demonstrará mais adiante. Além disso, é possível demonstrar o PRL20 de acordo com a seguinte fórmula: PP20 = (PLV – Cp – MUp) – 20% (PLV – Cp – MUp), ou PP20 = 80% (PLV – Cp – MUp), onde MUp é a margem de lucro (“Mark up”) da produção nacional (como no PRL20 aplicase somente na revenda do produto importado, o PLV deve excluir o custo e respectiva margem do produto nacional). Outras premissas adotadas na prova: Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.815 28 Ct = Cp + Ci, onde Ct é o custo total do produto vendido e Ci é o custo do produto importado; MUt = MUp + MUi, onde MUt é o valor da margem de lucro total do produto e MUi é a margem do produto importado; PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci, considerando que o percentual de margem de lucro do produto importado é o mesmo do produto/serviço nacional. Portanto, para que o PP20 seja igual ao PP60 é necessário que o Cp seja igual a (2 PLV – 4MUp)/7, conforme demonstrado a seguir: PP20 = PP60 0,8 (PLV – Cp – MUp) = 0,4 PLV + 0,6 Cp 0,8 PLV – 0,4 PLV = 0,8 Cp + 0,8 MUp + 0,6 Cp 0,4 PLV = 1,4 Cp + 0,8 MUp 0,4 (Ct + MUt) = 1,4 Cp + 0,8 MUp 0,4 (Ct + MUp + MUi) = 1,4 Cp + 0,8 MUp 0,4 (Ct + MUi) = Cp + 0,4 MUp 0,4 [Ct + (Ci x MUp)/Cp] = Cp + 0,4 MUp 0,4 Ci [ 1+ (MUp/Cp)] = Cp + 0,4 MUp Cp = [(0,4 PLV)/1,4] – [(0,8 MUp)/1,4] Cp = [(2 PLV)/7] – [(4 MUp)/7] Cp = (2 PLV – 4MUp)/7, ou 7Cp = 2PLV – 4MUp, então PLV = (4MUp + 7Cp)/2, ou PLV = 3,5 Cp + 2MUp Vejase que a fórmula matemática acima é circular, ou seja uma das variáveis da fórmula depende do próprio resultado da equação, pois o Cp e o MUp compõe o valor do PLV. Retornando ao exemplo, para se definir o Cp temse, além da prova acima, a seguinte equação: PLV = Cp + Ci + MUp + MUi, a qual parte da premissa de que o PLV é composto pela somatória do custo do produto/serviço nacional, custo de importação, margem de lucro do produto/serviço nacional e margem de lucro do produto importado. Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.816 29 No exemplo em análise, são utilizadas duas constantes, quais sejam: custo do produto importado (R$ 100,00) e margem de lucro do produto/serviço nacional e importado de 16,67% ou 1/6. Assim, temse que: PLV = Cp + Ci + MUp + MUi PLV = Cp + 100 + MUp + 20 PLV = Cp + MUp + 120 Sabese ainda, conforme demonstrado, que na igualdade entre PP20 e PP60, o PLV é igual a 3,5 Cp + 2MUp, portanto: 3,5 Cp + 2MUp = Cp + MUp + 120 2,5 Cp + MUp = 120 É dado ainda que a margem de lucro tanto do produto/serviço nacional, como do produto importado, no exemplo analisado, é de 16,666% ou 1/6, portanto, temse que: [Cp/(1 – 1/6)] Cp = MUp [Cp/(5/6)] – Cp = MUp, portanto 1,2Cp – Cp = MUp, ou 0,2Cp = MUp, ou MUp = 0,2Cp Com efeito, retornando à equação anterior, temse que: 2,5 Cp + 0,2 Cp = 120 2,7 Cp = 120 Cp = 44,4444 Assim, concluise que dadas as duas constantes (custo de importação e margem de lucro) para que o preço parâmetro calculado na revenda (PP20) seja o mesmo do preço parâmetro apurado no PRL60 (PP60), o custo do produto/serviço nacional deve ser de R$ 44,44 e, consequentemente, o PLV de R$ 173,33 (R$144,44/10,166....). Confirase: Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.817 30 A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.2. Valor Agregado no País C.3. Preço (‐) Valor Agregado (C.1. ‐ C.2.) C.4. Margem 60% D. Preço Parâmetro (C.1. ‐ C.4.) Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 144,44 213,44 173,33 44,44 128,89 77,33 96,00 4,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 4 96 77,33 40 29 29 100 29 100 44,44 100 44,44 100 44,44 100 44,44 Pretendese demonstrar que, feito o cálculo de acordo com o prescrito na Lei nº 9.430/96 de acordo com a interpretação que se acredita ser a mais razoável, a depender do valor de custo do produto/serviço nacional agregado ao produto final, é possível se alcançar o mesmo preço parâmetro calculado para o caso de revenda (PRL20), considerando como constantes os valores de custo do produto importado (R$ 100,00) e margem de lucro final do produto de 16,67% (adotase como premissa que o percentual da margem de lucro do produto nacional e importando são os mesmos). Friseque, ao criar o PRL, o legislador não apenas presumiu uma margem de lucro, mas também o valor do custo/produto nacional, a qual pode variar a depender da margem de lucro praticada. Em contrapartida, a fórmula prescrita na Instrução Normativa nº 243/02, independentemente do custo do produtos/serviços nacionais, sempre retorna, para as constantes “custo do produto importado” e “margem de lucro”, um preço parâmetro inferior àquele calculado no PRL20 (exemplo do item a) e, por seguinte, um ajuste maior, onerando indevidamente o contribuinte. Confirase: A. Preço Praticado B. (+) Produtos Nacionais C. Preço de Venda C.1. Preço Líquido de Venda C.1. Participação do Custo Nacional no Preço de Venda (50%) C.2. Margem 60% D. Preço Parâmetro (C.1. ‐ C.2.) Ajuste (A ‐ D) Legenda 100,00 200,00 280,00 240,00 120,00 72,00 48,00 52,00 Custo Importação Custo Produto Nacional Margem de Lucro Efetiva Margem de Lucro Presumida Tributos na Venda Participação do Custo Nacional no Preço de Venda Preço Parâmetro Ajuste ‐ Adição no IRPJ e CSLL 52 100 100 100 120 72 48 40 40 100 100 100 100 40 Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.818 31 No exemplo supra, notadamente, a fórmula da Instrução Normativa nº 243/02 retornou um preço parâmetro inferior àquele calculado no item “a”, mesmo aplicando a mesma margem de lucro da revenda. Enquanto que, na revenda, o preço parâmetro calculado foi de R$ 96,00, na importação para a produção o preço parâmetro foi de R$ 48,00, ou seja, uma diferença de R$ 48,00, que representa justamente 40% (diferença entre a margem de 20% e 60%) do valor do preço líquido de revenda do produto importado. Ou seja, podese afirmar que a fórmula da Instrução Normativa nº 243/02, independente do custo dos produtos e serviços agregados no país, nunca retornará um valor de preço parâmetro idêntico ao cálculo do PRL20 (considerando o mesmo custo de importação e a mesma margem de lucro). Portanto, o propósito de equalizar uma situação de injustiça que se verificava antes da edição da Lei nº 9.959/00 não é atingido se a fórmula da Instrução Normativa nº SRF 243/02 for aplicada. Dispõe o art. 108, IV do CTN que a intepretação da legislação tributária será efetuada de acordo – e nesta ordem – com: (i) a analogia; (ii) os princípio gerais do direito; (iii) princípios gerais do direito público; e (iv) a equidade. Estando impossibilitado o exegeta de aplicar a analogia, os princípios gerais do direito e os princípios gerais do direito público, este deve aplicar a equidade. A equidade exige que o cálculo do preço parâmetro calculado para o produto revendido seja o mesmo aplicado para o produto aplicado no processo produtivo, se o valor do produto importado e a margem de lucro forem as mesmas. Portanto, a fórmula mais equânime é aquela prevista no art. 18, II da Lei 9.430/96, conforme a primeira interpretação ora tratada, por possibilitar, a depender do custo do produto/serviço nacional, obterse o mesmo preço parâmetro calculado no caso de revenda, conforme demonstrado acima. C. Interpretação Teleológica da Norma A fórmula de cálculo prescrita na Instrução Normativa nº 243/02 seria equânime caso mantive a aplicação da margem de 20%, pois, considerando que a referida metodologia de cálculo isola o custo e margem de lucro do produto importado, a aplicação do referido percentual sempre estaria de acordo com o cálculo do PRL para a revenda, não gerando tratamento diferenciado entre a revenda e a produção. Considerandose ainda que as regras de preços de transferência tem por objetivo criar parâmetros de transações entre empresas independentes, corolário do princípio arms lenght, não faz sentido aplicarse margens de lucro presumidas diferentes – como pretendeu a Instrução Normativa SRF nº 243/02 – para produtos importados adquiridos pelo mesmo valor e vendidos com a mesma margem de lucro, simplesmente por que um passou por processo de industrialização e o outro não. Vejase que a metodologia de cálculo do art. 18 da Lei nº 9.430/96 não criou duas margens de lucro diferentes, mas optou por presumir não somente a margem de lucro, mas também a parcela dos produtos/serviços nacionais que comporia o produto final a ser vendido, tanto é que, se a parcela dos produtos/serviços nacionais for a mesma presumida pelo Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.819 32 legislador, o cálculo do preço parâmetro no PRL60 seria o mesmo do cálculo no PRL20, conforme demonstrado anteriormente. Tanto não faz sentido criarse duas margens de lucro para a mesma situação que a metodologia de cálculo atual do PLR aplica a metodologia de cálculo prescrita na Instrução Normativa SRF nº 243/02, contudo, não há diferenciação entre margem de lucro na revenda e na produção. Confirase: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) 1. (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) 2. (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.820 33 e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) (...) § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) I 40% (quarenta por cento), para os setores de: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) b) produtos do fumo; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédico hospitalar; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) e) extração de petróleo e gás natural; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) f) produtos derivados do petróleo; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) II 30% (trinta por cento) para os setores de: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) a) produtos químicos; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) b) vidros e de produtos do vidro; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) c) celulose, papel e produtos de papel; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) d) metalurgia; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) III 20% (vinte por cento) para os demais setores. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) Vejase que a diferenciação das margens de lucro se dá tão somente em função da atividade desenvolvida pelo contribuinte e não em função de o produto ser revendido ou aplicado na produção. Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.821 34 Portanto, o legislador, com a edição da Lei nº 12.715/2012, optou por: (i) aplicar, a partir de sua edição, o método de cálculo da Instrução Normativa nº 243/02, no sentido de isolar o custo e a margem de lucro do produto importado para fins de cálculo do preço parâmetro; e (ii) diferentemente da referida instrução normativa, aplicar a mesma margem de lucro presumida tanto para a produção como para a revenda. Com efeito, com a devida vênia dos entendimentos em sentido contrário, a legislação atual do PRL aponta e corrobora com a tese da ilegalidade da Instrução Normativa nº 243/02. D. Conceito de “valor agregado no país” Luís Eduardo Schouri, em sua obra “Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro”, 2ª Edição, Ed. Dialética, menciona que três possíveis hipóteses podem ser atribuídas à interpretação do termo “valor agregado no país”. Confirase: “7.5 Aparentemente, o posicionamento mais adequado para a determinação do ‘quantum’ a ser considerado como valor agregado ao bem produzido no País (VA) poderia considerar três hipóteses: VA = preço líquido de venda – custo do bem importado; VA = custo total – custo do bem importado; VA = custo de fatores locais (mãodeobra, materiais secundários etc.)” Transpondose as três opções sugeridas pelo ilustre Professor nas fórmulas matemáticas, conforme as definições já utilizadas neste voto, pode se dizer que: VA (primeira opção) = Cp + MUp + MUi VA (segunda opção) = Cp VA (terceira opção) = Cp + MUp É importante destacar que o Acórdão nº 1302001.164 partiu da premissa de que “valor agregado no país” compreende (i) o custo dos bens e serviços adquiridos no país, bem como (ii) a margem de lucro (“mark up”) aplicada sobre este custo (terceira opção). Contudo, é razoável dizer que o termo “valor agregado no país” se refere à segunda hipótese supra, ou seja, o custo total do produto final subtraído do valor do custo do bem importado, o que representa o custo do produto/serviço nacional, apesar de o referido doutrinador sustentar a possibilidade de interpretação de que valor agregado se referia ao preço líquido de venda subtraído do custo do bem importado (primeira hipótese). Na legislação tributária, verificase a utilização do termo “valor agregado” pela Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir), para fins de tributação do ICMS mediante a sistemática da substituição tributária, nos seguintes termos: “Art. 8º A base de cálculo, para fins de substituição tributária, será: I em relação às operações ou prestações antecedentes ou concomitantes, o valor da operação ou prestação praticado pelo contribuinte substituído; Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.822 35 II em relação às operações ou prestações subseqüentes, obtida pelo somatório das parcelas seguintes: a) o valor da operação ou prestação própria realizada pelo substituto tributário ou pelo substituído intermediário; b) o montante dos valores de seguro, de frete e de outros encargos cobrados ou transferíveis aos adquirentes ou tomadores de serviço; c) a margem de valor agregado, inclusive lucro, relativa às operações ou prestações subseqüentes.” (grifouse) Ora, da leitura do referido artigo, é possível inferir que o conceito de “valor agregado no país” não contempla necessariamente o conceito de “lucro”. Também é possível inferir que, caso a legislação de preços de transferência desejasse incluir o lucro no conceito de valor agregado, o faria de forma expressa, tal como o fez a referida Lei Complementar, ao dizer expressamente que “inclusive o lucro” compõe a margem de valor agregado. Assim, ao mencionar “valor agregado” sem a referência ao lucro, é legítimo dizer que a Lei nº 9.430/96 desejou não incluir a margem de lucro ou seja, “valor agregado no País” diz respeito somente ao custo dos produtos e serviços nacionais. Obviamente, a referida Lei Complementar tem por objeto regulamentar o ICMS, tributo distinto daquele analisado no caso. Contudo, de acordo com o art. 146, III da Constituição Federal, compete à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Desta forma, não há como desconsiderar o conceito de valor agregado contido na referida lei complementar, embora aqui se trate de tributo distinto daquele regulamentado por aquela norma. Admitir interpretar “valor agregado no País” como “custo dos produtos/serviços nacionais + lucro” implica dizer que todo o lucro (inclusive o lucro sobre os produtos importados) deveria ser considerado com “valor agregado no País”, pois todo o lucro foi agregado no país e não somente a margem de lucro dos produtos nacionais, como a Instrução Normativa SRF nº 243/02 pretendeu fazer, o que corresponde à primeira opção de acordo com o Professor Schouri. Vejase, portanto, que a hipótese mais improvável seria considerar como valor agregado no País, o custo do produto/serviço nacional acrescido do respectivo lucro (terceira opção). Não obstante, o resultado da metodologia de cálculo determinado pela referida instrução normativa resulta justamente na hipótese mais improvável, pois conclui que o “valor agregado” seria o custo dos produtos/serviços nacionais acrescidos da respectiva margem de lucro proporcional. Segundo a referida instrução normativa, o cálculo deve ser efetuado da seguinte maneira: “§ 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.823 36 II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV.” (grifouse) Ao calcular a margem de lucro de 60% sobre a “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, excluise da base, pela lógica, a participação do bem, serviço ou direito nacional no preço de venda do bem/serviço nacional. Ou seja, podese afirmar que se deduz da base para o cálculo da margem de 60%, justamente, o custo do bem nacional acrescido da margem de lucro proporcional. Dessa forma, podese dizer que há divergência entre o cálculo prescrito na lei e o cálculo constante na Instrução Normativa nº 243/02, pois o conceito de valor agregado não é o mesmo. Confirase: Valor Agregado (Lei 9.430/96) Custo do produto/serviço nacional Valor Agregado (Instrução Normativa) Custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro proporcional Vejase que, ad argumentandum, se admitindo a “segunda interpretação” atribuída ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 pelo Acórdão nº 1302001.164, pretendese provar que somente no caso de o valor agregado ser considerado como o custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro, a fórmula da Instrução Normativa nº 243/02 resulta em um preço parâmetro superior (o que não representa majoração de tributos). Confirase: Premissas: VA = Cp+ MUp PP = Preço parâmetro calculado de acordo com a “segunda interpretação” dada pelo Conselheiro Eduardo Andrade PP = PLV – 60%PLV – (Cp + MUp) Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.824 37 PP’ = Preço parâmetro calculado de acordo com a Instrução Normativa SRF 243/02 PP’ = 40% (Ci + MUi) Outras premissas já mencionadas anteriormente: Ct = Cp + Ci MUt = MUp + MUi PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci Prova pretendida = PP – PP’ é sempre <= 0 0,4PLV – Cp – MUp – 0,4Ci – 0,4MUi = = 0,4(Ct + MUt) – Cp – MUp – 0,4(Ct – Cp) – 0,4 (MUt – MUp) = = 0,4Ct + 0,4MUt – Cp – Mup – 0,4Ct + 0,4Cp – 0,4MUt + 0,4MUp = = – 0,6Cp – 0,6MUp >= 0 – 0,6MUp >= 0,6Cp MUp <= – Cp Considerando que, a margem de lucro ou prejuízo não pode ser inferior ao custo, temse que MUp >= – Cp, o que representa uma contradição, significando que sempre a expressão – 0,6Cp – 0,6 MUp é menor ou igual a zero. Em suma, podese afirmar até aqui que (i) ainda que comporte inúmeras interpretações, o art. 18, II da Lei nº 9.430/96 não permite seja aplicada interpretação que leva a resultados não razoáveis e contrários ao ordenamento, (ii) de fato, a interpretação proposta pela IN SRF 243/2002 leva a uma fórmula que, a depender do percentual de valor agregado, resultaria em preço parâmetro negativo, o que é uma solução impossível; e (iii) considerar como valor agregado o custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro é a definição menos provável em relação às hipóteses possíveis para o termo, conforme a própria legislação tributária complementar. Pois bem. Agora, admitindose ainda a existência da “segunda interpretação” e que esta seria a mais adequada ao texto legal, pretendese provar que: (i) Diferentemente do quanto alegado no Acórdão nº 1302001.164, a fórmula da Instrução Normativa SRF nº 243/02 pode resultar em um preço parâmetro inferior quando comparada com o preço parâmetro resultante da fórmula da denominada “segunda interpretação do art. 18 da Lei n 9.430/96” referida no acórdão, especialmente se utilizado Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.825 38 o conceito de valor agregado como o custo dos produtos/serviços nacionais (Cp). Tal hipótese caracteriza o aumento de carga tributária negado pelo acórdão em referência; (ii) utilizandose o conceito de valor agregado como o custo dos produtos/serviços nacionais acrescida da totalidade da margem de lucro (nacional e importada) (Cp + MUp + MUi) (primeira opção do conceito de valor agregado), a fórmula da Instrução Normativa SRF nº 243/02 pode resultar em um preço parâmetro inferior quando comparada com o preço parâmetro resultante da denominada fórmula da “segunda interpretação do art. 18 da Lei n 9.430/96” referida no Acórdão nº 1302001.164, caracterizando também aqui a majoração de tributo e respectiva ilegalidade. Primeira Verificação (Valor agregado no país = custo dos produtos/serviços nacionais) Premissas: VA = Cp PP = Preço parâmetro calculado de acordo com a “segunda interpretação” dada pelo Conselheiro Eduardo Andrade PP = PLV – 60%PLV – Cp PP’ = Preço parâmetro calculado de acordo com a Instrução Normativa SRF 243/02 PP’ = 40% (Ci + MUi) Outras premissas já mencionadas anteriormente: Ct = Cp + Ci MUt = MUp + MUi PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci Verificação pretendida: se PP – PP’ é em alguma hipótese >= 0 0,4PLV – Cp – 0,4Ci – 0,4MUi = = 0,4(Ct + MUt) – Cp – 0,4(Ct – Cp) – 0,4 (MUt – MUp) = = 0,4Ct + 0,4MUt – Cp – 0,4Ct + 0,4Cp – 0,4MUt + 0,4MUp = = – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 Considerando que, a margem de lucro ou prejuízo não pode ser inferior ao custo, temse que MUp >= – Cp, temos como limite a seguinte expressão: = 0,6Cp + 0,4(Cp) Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.826 39 = 0,6Cp – 0,4Cp = – Cp <= 0 Como Cp é sempre >= 0, a expressão é verdadeira. É preciso, então, verificar a relação entre MUp e Cp para que PP seja maior que PP’: – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 0,4MUp >= 0,6Cp MUp >= 0,6Cp/0,4 MUp >= 1,5Cp, portanto para que PP seja maior que PP’, a margem de lucro do produto nacional (MUp) deve ser maior do que 1,5 vezes o custo do produto/serviço nacional (Cp). Segunda Verificação (Valor agregado no país = custo dos produtos/serviços nacionais acrescida da totalidade da margem de lucro) Premissas: VA = Cp + MUp + MUi PP = Preço parâmetro calculado de acordo com a “segunda interpretação” dada pelo Conselheiro Eduardo Andrade PP = PLV – 60%PLV – (Cp + MUp + MUi) PP’ = Preço parâmetro calculado de acordo com a Instrução Normativa SRF 243/02 PP’ = 40% (Ci + MUi) Outras premissas já mencionadas anteriormente: Ct = Cp + Ci MUt = MUp + MUi PLV = Ct + MUt MUp/Cp = MUi/Ci Verificação pretendida: se PP – PP’ é em alguma hipótese >= 0 0,4PLV – Cp – MUp – MUi – 0,4Ci – 0,4MUi = = 0,4(Ct + MUt) – Cp – MUp – 1,4 (MUt – MUp) – 0,4(Ct – Cp) = = 0,4Ct + 0,4MUt – Cp – MUp – 1,4MUt + 1,4MUp – 0,4Ct + 0,4Cp = – MUt – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 – MUp – MUi – 0,6Cp + 0,4MUp >= 0 – 0,6Cp – 0,6MUp – MUi >=0 Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.827 40 – 0,6Cp – 0,6MUp – (Ci x MUp/Cp) >=0 – 0,6Cp – MUp (0,6 x Ci/Cp) >=0 Vejase que é possível se afirmar que a expressão (0,6 x Ci/Cp) é sempre maior ou igual a 0,6, pois o Custo do Produto Importado (Ci) e o Custo do Produto/Serviço Nacional (Cp) são sempre valores positivos. Portanto, substituirei momentaneamente a expressão (0,6 x Ci/Cp) pela constante “k”. Assim, terseá a seguinte expressão: – 0,6Cp – k x MUp >=0 k x MUp <= – 0,6Cp MUp <= – 0,6Cp/k, substituindose o k, temos MUp <= – 0,6Cp/[(0,6Cp + Ci)/Cp] MUp <= 0,6Cp2 / (0,6Cp + Ci) Portanto, se a margem de lucro do produto/serviço nacional (“Mup”) for menor do que 0,6Cp2 / (0,6Cp + Ci), o PP será maior que o PP’. Diante dessas demonstrações matemáticas é possível afirmar que, ao admitir a “segunda interpretação” do art. 18, II da Lei nº 9.430/96, somente não haveria majoração de tributo na hipótese de se considerar “valor agregado” como o custo do produto/serviço nacional acrescido da respectiva margem de lucro, o que não é o conceito mais adequado de “valor agregado no país”. Nas demais hipóteses, em determinadas circunstâncias, a metodologia de cálculo da Instrução Normativa SRF nº 243/02 acarretará majoração de tributos. Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte nessa parte. 2. Inclusão do Frete, Seguros e Impostos de Importação no Preço Praticado Cingese a discussão em saber se seria obrigatório (ou não) à Contribuinte considerar o valor do frete, seguro e dos impostos de importação no preço praticado para fins de apuração dos ajustes dos preços de transferência segundo o método PLR. O acórdão recorrido manteve o lançamento nessa parte sob a alegação de que o art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96 é expresso ao determinar a inclusão do frete, seguro e impostos de importação no valor do preço praticado. Além disso, entendeu que, no caso do PRL, considerandose que o cálculo do preço parâmetro tem como partida o valor de venda e, ainda, que todos os custos, inclusive o frete, seguro e impostos de importação, são considerados na formação do preço de venda do produto, não haveria sentido a exclusão de tais valores do preço praticado. Confirase: “O supra transcrito artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.828 41 Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é obvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei nº 9.430/96, supra transcrita, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preço parâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo.” (grifei) Por seu turno, a Contribuinte alega que a determinação do art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96, aplicase tão somente para fins de dedutibilidade da despesa e não para fins de cálculo do preço parâmetro. Sustenta ainda que, inicialmente, a Instrução Normativa SRF nº 38/97 permitia que o contribuinte optasse pela inclusão ou não dos referidos custos no valor do preço praticado. Por fim, alega que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já analisou a questão em favor do contribuinte. Pois bem, primeiramente, cabe esclarecer que a decisão da CSRF mencionada pela Contribuinte (Acórdão nº 910101.166) analisou lançamento de IRPJ e CSLL referente ao ano de 1997, período em que ainda vigia a Instrução Normativa SRF nº 38/97. Da análise do voto da ilustre Conselheira Relatora, verificase que o fundamento utilizado para o provimento do recurso especial foi justamente a possibilidade de opção por parte do contribuinte de incluir ou não os valores de frete, seguros e impostos de importação no custo do produto importado. Neste sentido, reproduzse a seguir trecho do voto proferido na ocasião pela Ilustre Relatora Conselheira Karen Jureidini Dias: “De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 38/97, no custo relativo ao preço praticado na importação com pessoa vinculada, é opção do contribuinte incluir os valores de transporte e seguro. É bem verdade que o artigo 4º da IN nº 38/97 aborda o preço parâmetro, que não poderia ser outro que não o da presunção legal. Pareceme também clara a leitura do § 4º do mesmo artigo, que ao tratar do preço praticado, que com aquele se compara, determina que o contribuinte pode (tem a opção) computar no custo os valores de frete e seguro. Desnecessário adentrar na extensão da obrigação determinada na Lei nº 9.430/96, porquanto é certo que as autoridades administrativas fiscalizadoras estão vinculadas aos atos normativos expedidos pela Recita Federal, nos Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.829 42 quais se incluem as Instruções Normativas. Não há que se analisar eventual antinomia entre Lei e Instrução Normativa, quando a norma, vinculante para a fiscalização, limita sua competência.” Considerando que, no caso, o período de apuração analisado referese ao ano de 2007 e que a referida Instrução Normativa SRF nº 38/97 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001, a qual, posteriormente, também foi revogada pela Instrução Normativa nº 243/02, concluise que a referida decisão da CSRF não pode ser reproduzida, pois o normativo vigente à época dos fatos era a Instrução Normativa SRF nº 243/02. A Instrução Normativa SRF nº 243/02, por sua vez, dispunha que: “Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. (...)” (grifei) Não se vislumbra ilegalidade do referido dispositivo ao analisalo sob a óptica do § 6º, art. 18 da Lei nº9.430/96, o qual se reproduz a seguir: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.830 43 (...)” (grifei) Ora, a alegação de que o frete, seguro e impostos de importação integram o custo somente para fins de dedutibilidade e não para fins de compor o valor do preço praticado é improcedente, pois a regra estabelecida pelo “caput” do artigo é que os custos “somente serão dedutíveis” até o valor do preço parâmetro. Por obvio, o preço parâmetro é apenas uma ficção, o que resulta em dizer que, de fato, o que é dedutível é o preço praticado, dedutibilidade este limitada por um parâmetro, denominado “preço parâmetro”. Com efeito, não há como desvincular o conceito de custo dedutível do conceito de preço praticado, sob a alegação de que a regra somente se aplicaria ao primeiro conceito, já que o “caput” do artigo 18, ao mencionar o custo, faz referência ao próprio preço praticado. Diante do exposto, orientase voto no sentido de manter os lançamentos nesse ponto. 3. Inclusão do Ajuste Calculado pela Contribuinte O acórdão recorrido não acatou os argumentos carreados na impugnação no sentido de que lançamento deveria ser reformado para considerar o valor de ajuste apurado pelo contribuinte no LALUR do referido ano, sob o fundamento de que (a) os valores não teriam sido informados em DIPJ e em DCTF; e (b) os recolhimentos efetuados no importe de R$ 4.799.159,44, não correspondiam ao IRPJ devido calculado de acordo com o LALUR, de R$ 4.832.563,42. Confirase: “Ocorre que o lucro real apurado no LALUR, de R$ 19.426.253,69 (fl. 2432), considerando esse ajuste, não pode ser validado, pois não encontra respaldo nem na DIPJ (no qual, conforme mencionado, não consta o ajuste da contribuinte), nem nas DCTFs, nem nos comprovantes de pagamento juntados pela contribuinte (fls. 2573/2598). O lucro real indicado no LALUR, de R$ 19.426.253,69, levaria à apuração de IRPJ no montante de R$ 4.832.563,42 (15% sobre a base de cálculo + 10% de adicional sobre o que excedeu R$ 240.000,00), ao passo que os pagamentos totalizam apenas R$ 4.799.159,44. Não justificando a contribuinte essa diferença, não há como identificar o que foi e o que não foi efetivamente considerado na apuração do tributo. Dessa forma, considerando que o ajuste da contribuinte (R$ 1.640.208,99) não consta da Ficha 09A da DIPJ/2008 e que o lucro real constante do LALUR não pôde ser validado, há que se concluir que a contribuinte não comprova o oferecimento à tributação do referido montante, que deve, portanto, ser desconsiderado, de modo a se entender correta, quanto ao IRPJ, a apuração da matéria tributável pela fiscalização (R$ 11.126.750,12), mantendose a autuação correspondente.” Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.831 44 Alega, por sua vez, a Contribuinte que tal diferença se deu em virtude do IRRF não ter sido considerado, apresentando, nesta oportunidade, os supostos comprovantes, verbis: “Por outro lado, a alegada incongruência entre o IRPJ calculado com base no lucro real apurado no LALUR e os comprovantes de pagamento apresentados devese ao fato de ser necessário também considerar nessa comparação os diversos valores a título de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras em nome da recorrente no exercício de 2007, e cujos comprovantes, por um lapso, não foram apresentados por ocasião da impugnação, mas o são neste momento. Conforme se verifica desses comprovantes, cujas cópias seguem anexadas, a recorrente teve retido naquele exercício o valor de R$ 28.556,36 a título de IR sobre rendimentos decorrentes de aplicações financeiras. Portanto, esse valor deverá também ser considerado conjuntamente com os recolhimentos efetuados por estimativa mensalmente, totalizando, assim, o montante de R$ 4.827.715,80 recolhido a título de IRPJ no exercício de 2007.” Primeiramente, verificase às fls. 2.697 a 2.769 que os comprovantes de retenção apresentados não são informes de rendimento, conforme exige a legislação, mas tão somente extratos e razões contábeis, não apresentando a Contribuinte prova de que solicitou tais informes de rendimento às respectivas fontes pagadoras. Contudo, verificase às fls. 2.322 que, no auto de infração, consta como valor declarado de base de cálculo do IRPJ, o montante de R$ 19.408.314,15, o qual é o mesmo valor constante do LALUR. Desta forma, considerando que o lançamento partiu de base de cálculo apurada pela Contribuinte via LALUR de R$ 19.408.314,15, o valor do ajuste de preços de transferência calculado pela Contribuinte e constante do LALUR deve ser abatido do ajuste calculado pela autoridade lançadora. Não bastasse, a diferença de recolhimento apontada pelo acórdão recorrido não pode ser utilizada para justificar a recusa nos ajustes previamente realizados pela Contribuinte, pois os valores em referência correspondem a montante inferior a 15% do respectivo tributo (tributo incidente sobre o ajuste e o valor do tributo tido como insuficiente pelo acórdão recorrido). Incumbiria à Fiscalização, se o caso, lançar essa diferença de imposto e não desconsiderar os ajustes previamente realizados pela Contribuinte em sua contabilidade. Com efeito, razão assiste à Contribuinte nessa parte. (iii) Conclusões Diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento para reconhecer a ilegalidade da metodologia de cálculo da IN SRF 243/02 e a necessidade de considerar no cálculo do lançamento o valor que já havia sido considerado pela contribuinte como ajuste de preços de transferência em seu LALUR. (assinado digitalmente) Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.832 45 ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Voto Vencedor Conselheiro RICARDO MAROZZI GREGORIO Não obstante a costumeira qualidade contida nas razões do voto do ilustre Relator, peço vênia para discordar de suas conclusões quanto à legalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02. Com efeito, desde a introdução da disciplina do controle dos preços de transferência no Brasil, o tema que mais ganhou destaque na doutrina e jurisprudência que trataram do assunto foi, sem dúvida, a apuração do preço parâmetro segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro, o chamado Método PRL. Como tal método foi inspirado no resale price, que é um dos métodos que foram desenvolvidos para a apuração do padrão arm’s length, vale a pena fazer uma pequena digressão no contexto histórico do desenvolvimento da disciplina no âmbito internacional para que possamos ter uma visão mais precisa desses conceitos. O desenvolvimento do controle dos preços de transferência no âmbito internacional4: Historicamente, o arm’s length consolidouse como o critério preferido para a alocação de lucros nas transações realizadas entre empresas relacionadas. Tanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE, por meio de seu Comitê de Assuntos Fiscais, quanto a Organização das Nações Unidas ONU, por meio de seu Comitê de Especialistas para a Cooperação Internacional em Matéria Tributária, já deixaram claras suas posições favoráveis ao arm’s length ao rechaçar qualquer discussão sobre a possibilidade de adoção de iniciativas que buscavam o estabelecimento de outro padrão para o tratamento do tema, como, por exemplo, a utilização de fórmulas predeterminadas. Afora os Estados Unidos, que foram seus idealizadores, o arm’s length foi sendo paulatinamente incorporado, explícita ou implicitamente, na legislação interna dos diversos países. Internacionalmente, a definição desse padrão costuma ser fundamentada pelo que é indiretamente depreendido no que está estipulado nos parágrafos 1º dos artigos 9º das ConvençõesModelo da OCDE da ONU e dos Estados Unidos. Confirase: [Quando] ... as duas empresas [associadas], nas suas relações comerciais ou financeiras, estiverem ligadas por condições aceitas ou impostas que difiram das 4 As referências bibliográficas dos diversos aspectos do referido controle citados neste voto podem ser encontradas na seguinte obra de minha autoria: Preços de Transferência Arm’s Length e Praticabilidade. São Paulo: Quartier Latin, 2011. Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.833 46 que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, se não existissem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados em conformidade. Foi justamente os Estados Unidos o primeiro país que vivenciou enormes dificuldades quando tentou implementar o controle dos preços de transferência a partir da mera enunciação de uma cláusula tão genérica para o trato da matéria. Foram necessários alguns anos de maturação para se perceber que era preciso desenvolver uma metodologia específica. Por isso, em 1968, foi editada a regulamentação da Seção 482 do Internal Revenue Code (a qual dispunha sobre o arm’s length naquele País), incorporando os chamados métodos tradicionais, para a apuração do padrão na seguinte ordem de prioridade: o comparable uncontrolled price (CUP), o resale price method e o cost plus method. Além destes, abriuse possibilidade para a utilização de qualquer outro método (quarto método), desde que ele chegasse a resultados considerados arm’s length. Os métodos apresentados eram fundamentalmente baseados na comparabilidade entre transações realizadas pelas empresas relacionadas (controlled transactions) e transações realizadas por empresas independentes (comparable transactions). O CUP comparava os preços das transações, o resale price comparava as margens brutas a partir dos preços de revenda (resale margins) e o cost plus comparava margens brutas a partir dos custos de produção (mark ups). Os métodos foram desenvolvidos para o tratamento preferencial de transações envolvendo bens tangíveis. O período entre 1968 e 1986 foi marcado pela insistência do Internal Revenue Service (IRS) e dos tribunais americanos em afirmar a consistência dos métodos estabelecidos na regulamentação da Seção 482. Contudo, os casos difíceis (hard cases) submetidos às cortes daquele País pareciam demonstrar que a ausência de comparáveis, principalmente para intangíveis, era uma realidade muito mais frequente que se poderia supor. Depois de muitas críticas e de um conjunto de propostas e regulamentações temporárias, em 1994, foi editada a regulamentação da Seção 482 que está até hoje vigente. Surgiram o comparable profits method (CPM) e o profit split. O CPM compara margens líquidas (profit level indicators) entre partes controladas e não controladas apropriadamente selecionadas. Por sua vez, o profit split deve ser aplicado quando ambas as partes controladas operam com complexas funções econômicas e expressivos riscos e intangíveis de titularidade própria. A possibilidade de utilização de métodos nãoespecificados (não mais tratada na condição de quarto método) foi também contemplada. Diante dos avanços na legislação americana, o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE aprofundou seus estudos sobre o tema do controle de preços de transferência. Em 1995, a partir dos relatórios que havia publicado em 1979 e 1984 e das novas ideias inseridas nas propostas e na regulamentação final da Seção 482 do IRC, foi publicado o relatório Transfer Pricing Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations. Depois da sua ConvençãoModelo, os Guidelines, como ficou conhecido o relatório, transformaramse no mais importante desenvolvimento da OCDE na área tributária nos últimos 50 anos. Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.834 47 A ideia dos Guidelines é confirmar a adesão da OCDE ao padrão arm’s length estabelecido no artigo 9º da ConvençãoModelo. Sua função é ajudar as administrações tributárias (de países membros ou nãomembros da OCDE) e os grupos multinacionais a encontrar soluções mutuamente satisfatórias para o controle dos preços de transferência. Os Guidelines, no tocante aos métodos sugeridos para a apuração do arm’s length, basicamente repetem aqueles que foram desenvolvidos nos Estados Unidos. Destaquese, de forma mais relevante, a criação do transactional net margin method (TNMM) em substituição ao CPM americano. Uma questão primordial, quando se aborda o tratamento metodológico que visa a apurar o arm’s length, é o critério de escolha do método. Cada método possui um campo de aplicação típico. O CUP é tipicamente utilizado quando as características dos bens e serviços são comparáveis e, por isso, é possível a determinação direta do preço arm’s length, tais como nas hipóteses de comparação interna e nas situações que envolvem commodities e taxas de juros. O resale price, quando empresas comerciais preponderantemente distribuidoras (stripped distributors) ou agentes comissionados (comissioned agents) configuram uma das partes da transação controlada. O cost plus, quando as empresas que configuram uma das partes da transação controlada são do tipo industriais e com a produção preponderantemente vinculada a contratos de encomenda (contract manufacturers), contratos de remuneração continuada (toll manufacturers) e montagens de baixo risco (low risk assemblers) ou do tipo provedoras de serviços (service providers). Os métodos TNMM e CPM, quando as características dos bens e serviços, bem como as funções, ativos, riscos e bases de custos, não são comparáveis. Por fim, o profit split é tipicamente utilizado nas mesmas condições que o TNMM e o CPM, porém, agregamse, ainda, as exigências de que as partes controladas realizem transações intimamente relacionadas e funções complexas ou possuam intangíveis valiosos ou ativos exclusivos. Por essa razão, enquanto que a regulamentação americana, desde a sua criação, preferiu adotar a regra do melhor método (best method rule), a OCDE só recentemente alterou seus Guidelines, abandonando um critério hierárquico que veladamente reconhecia ser impossível a plena aplicabilidade dos métodos, para adotar o critério do “método mais apropriado”. Em ambos os casos, importa notar que o resultado arm’s length deve ser determinado pelo método que, diante dos fatos e circunstâncias, produza a medida mais confiável. Mais especificamente sobre o método resale price, é pertinente dispensar também algumas poucas linhas. Tal método tem como ponto de partida o preço de revenda para uma empresa independente de um bem ou serviço adquirido de uma empresa relacionada. Deste preço de revenda é deduzido um lucro bruto apropriado para se chegar ao preço arm’s length que servirá de parâmetro para a transação controlada. O lucro bruto apropriado é calculado em função da margem de lucro (margem de revenda) arm’s length. Por exemplo, se o preço de revenda de uma mercadoria é $100 e a margem de lucro arm’s length é de 20%, o lucro bruto apropriado será $20 (20% x $100) e o preço arm’s length será $80. A racionalidade do método pode ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço arm’s length = Preço de Revenda – Margem de Revenda x Preço de Revenda Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.835 48 A margem de lucro arm’s length deve ser suficiente para gerar um lucro bruto capaz de cobrir os custos e despesas operacionais da operação de revenda, considerando as funções realizadas, os ativos empregados e os riscos assumidos, e, ainda assim, conferir um lucro líquido apropriado para o revendedor. Esta margem de lucro deve ser determinada com base em margens verificadas em operações de revenda realizadas em circunstâncias comparáveis. Tratase de tomar como referência as margens praticadas quando bens e serviços adquiridos em transações não controladas são revendidos para empresas independentes. Os preços arm’s length são calculados, portanto, a partir de margens arm’s length. Estas, por sua vez, são constituídas sobre uma base de preços praticados em operações de revenda para empresas independentes. Impõese perceber a necessidade de um teste de comparabilidade envolvendo as circunstâncias das transações. As operações de revenda das transações não controladas devem ser realizadas em circunstâncias comparáveis às da operação de revenda da transação controlada. Se nenhuma das diferenças existentes entre as circunstâncias for suficiente para afetar materialmente a margem de lucro no mercado aberto ou se razoáveis ajustes puderem ser feitos para eliminar os efeitos materiais destas diferenças, considerase que há comparabilidade. As margens de lucro das transações não controladas aprovadas no teste da comparabilidade comporão uma amostra que consubstanciará o resultado arm’s length. A qualidade e o tamanho da amostra de transações aprovadas no teste da comparabilidade são importantes fatores diretamente relacionados à confiabilidade do método. A qualidade está relacionada com os ajustes efetuados. O tamanho permite empregar técnicas estatísticas capazes de refletir a distribuição das margens das transações não controladas aprovadas no teste. A confiabilidade será tanto maior quanto maior for o tamanho da amostra e mais próxima da curva normal for sua distribuição. Inferese da própria estruturação do resale price que ele é usado quando é possível constatar que uma das partes na transação controlada realiza operações de revenda. Entretanto, a confiabilidade do método é condicionada às situações em que a empresa revendedora não agrega valor significativo aos bens e serviços revendidos. Por isso, tratase de um método tipicamente usado quando empresas comerciais preponderantemente distribuidoras (stripped distributors) ou agentes comissionados (comissioned agents) configuram uma das partes da transação controlada. A OCDE admite que alguma alteração do produto pode ser feita pelo revendedor. Contudo, reconhece que a aplicação do método será bastante dificultada nas situações em que houver processamento ou incorporação do produto adquirido em produtos mais complexos e quando o revendedor contribuir substancialmente para a criação ou manutenção de intangíveis que são agregados aos produtos revendidos. Quanto maior as funções realizadas, os ativos empregados e os riscos assumidos pelo revendedor, maior deverá ser a remuneração pela margem de lucro e mais difícil de se encontrar circunstâncias comparáveis. Para a OCDE, o uso do resale price será provavelmente inapropriado em tais circunstâncias, mas, para a regulamentação americana, a confiabilidade do método estará a tal ponto comprometida que ele poderá ter que ser afastado por não atender à regra do melhor método (best method rule). Cumpre destacar que o método poderá ser utilizado no controle do preço de transferência exercido sobre a empresa que representa a parte testada (empresa revendedora importadora) ou no controle do preço de transferência exercido sobre a outra parte da transação controlada (empresa relacionada exportadora). Entretanto, o resultado arm’s length observado Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.836 49 nas margens de lucro das transações não controladas só pode ser utilizado para o cálculo do preço arm’s length a partir do preço de revenda da empresa revendedora. Por isso, só um dos lados da transação controlada corresponde à parte testada (onesided analysis). Em regra, será o lado que desempenha funções menos complexas e que configure a utilização típica do método, ou seja, operações de revenda. Além disso, as margens de lucro utilizadas para a determinação do resultado arm’s length não devem ser diretamente retiradas das demonstrações financeiras de empresas que realizam transações não controladas. Ainda que sejam margens brutas calculadas com base no lucro bruto, o qual, por definição, apenas sustenta os custos e despesas operacionais da revenda, e acrescenta uma devida remuneração ao revendedor, é sempre possível que alguns itens de custo ou de despesa sofram tratamento diferenciado nos diversos países, tornando incompatíveis as margens meramente calculadas a partir daqueles demonstrativos. Há necessidade, então, de se promover ajustes adequados para garantir consistência contábil entre as variadas fontes. O desenvolvimento do controle dos preços de transferência no Brasil: Feita essa digressão no contexto histórico do desenvolvimento da disciplina no âmbito internacional, passo, então, à descrição do tema no contexto interno, particularmente com destaque para o objeto da presente análise, qual seja, o método que foi criado no Brasil, para as operações de importação, tendo como inspiração o resale price. O item 12 da exposição de motivos que acompanhou o projeto que resultou na Lei n° 9.430/96 foi bastante claro sobre os objetivos pretendidos com a inserção da nova matéria em nosso sistema tributário. Leiase: 12. As normas contidas nos arts. 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização, experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE, são propostas normas que possibilitam o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. (grifei) Como se pode observar, a intenção expressamente declarada na exposição de motivos para se introduzir os dispositivos sobre preços de transferência na Lei nº 9.430/96 foi “evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior”. Por conseguinte, fica clara a motivação antielisiva da introdução do controle de Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.837 50 preços de transferência no País. Isto corrobora o entendimento que qualifica as regras consubstanciadas pela Lei nº 9.430/96 como cláusulas específicas antielisivas. Percebese também a insinuação de que a legislação que acompanhava a exposição de motivos se apresentava “em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE”. Apesar de o Brasil não ser um país integrante daquela organização internacional, há que se notar o paradigma utilizado como pretexto pelo legislador. Como noticiado, àquela época, os Guidelines haviam sido recentemente divulgados. Eram, portanto, o instrumento mais autorizado para exprimir o pensamento dos países integrantes da OCDE em matéria de preços de transferência. Era de se esperar, então, que a lei brasileira seguisse de perto as recomendações contidas nos Guidelines. Para iniciar a análise do regime brasileiro dos preços de transferência, cumpre investigar a técnica adotada para aferir o controle dos preços praticados nas transações controladas. Nesse sentido, destacamse as ideias de “preço praticado” e “preço parâmetro”. O “preço praticado” é a média aritmética ponderada dos preços efetivamente praticados nas transações controladas no período de apuração do tributo, enquanto que o “preço parâmetro” é aquele calculado segundo um dos métodos previstos na legislação. Assim, a legislação de preços de transferência instituiu a seguinte ficção: se o “preço praticado é superior, nas importações, ou inferior, nas exportações, ao preço parâmetro”, devese “tributar a renda auferida”. Tratase do ajuste primário consagrado pela matéria em âmbito internacional. O mecanismo utilizado para operacionalizar este ajuste é a figura da adição ao lucro real prevista na legislação do imposto de renda. No que diz respeito aos métodos criados para o cálculo do chamado “preço parâmetro”, o legislador brasileiro reconhecidamente temeu trazer para o País a complexidade da metodologia internacional. Por isso, apesar de se inspirar nos trabalhos da OCDE, adotou uma variedade de mecanismos que tiveram o intuito de promover maior praticabilidade no trato da matéria. Nesse sentido, conquanto, no exterior, o enfoque dos métodos tradicionais resida na comparabilidade de preços (CUP) ou margens brutas (cost plus e resale price), no Brasil, o legislador preferiu manter a comparabilidade apenas para os métodos inspirados no CUP. Quanto aos métodos inspirados no cost plus e no resale price, o legislador inovou ao predeterminar as margens brutas que deverão ser aplicadas. Ademais, ignorou completamente a recomendação de que cada método deve ter um campo de aplicação específico ao conceder uma plena liberdade de escolha do método desde que dentre esses três tradicionais. Outrossim, não aceitou trazer para o País os métodos que foram posteriormente criados para o trato dos casos mais difíceis, como o TNMM e o profit split, e não concordou com a possibilidade de que o contribuinte apure o preço parâmetro por intermédio de outros métodos não especificados. No que tange à denominação empregada, a lei brasileira nominou de forma diferenciada os métodos caso eles se apliquem à importação ou à exportação. Assim, especificamente com base no resale price, foram criados: na importação (artigo 18, inciso II), o método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL; e na exportação (artigo 19, § 3º, incisos II e III), os métodos do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído de Lucro – PVA – e do Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído de Lucro – PVV. Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.838 51 Descrito este panorama, é conveniente agora fazer o relato dos principais aspectos que traçaram a evolução histórica do método que é o objeto da análise do presente voto, qual seja, o PRL5. 1ª Fase: Antes da Lei nº 9.959/00: Ao tratar do PRL em sua redação original, a Lei nº 9.430/96 estabelecia um único percentual, equivalente a 20%, a ser aplicado sobre o preço de revenda dos bens ou direitos importados para o cálculo da margem de lucro. O artigo 18, inciso II, desta lei dispunha da seguinte forma: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; De forma semelhante ao que foi feito para o resale price, podemos dizer que a racionalidade do método podia, então, ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,2 x Preço de Revenda Como se pode ver, estava intrínseca na racionalidade do método a ideia de que o cálculo do preço parâmetro parte de um preço de “revenda”. Nesse sentido, a margem de 20% foi predeterminada presumindose que seria suficiente para gerar um lucro bruto capaz de cobrir os custos e despesas operacionais da operação de revenda, considerando as típicas funções realizadas, ativos empregados e riscos assumidos, bem como conferindo um lucro líquido apropriado para uma empresa tipicamente revendedora. Foi por isso que a IN/SRF nº 38/97 tentou explicitar uma vedação não contida, pelo menos expressamente, no texto legal. E foi isso justamente o que causou a maior 5 Fruto de novas reflexões, as conclusões aqui expostas são um pouco distintas das que foram anteriormente apresentadas em trabalho acadêmico publicado há cerca de cinco anos (Cf. “Preços de Transferência: uma Avaliação da Sistemática do Método PRL”. In: Luís Eduardo Schoueri (coord.). Tributos e Preços de Transferência. v. 3. São Paulo: Dialética, 2009, pp. 170 a 195. Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.839 52 controvérsia desta fase histórica do método. Tratase daquilo que constou em seu artigo 4º, § 1º: § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6º e 13. (grifei) Os métodos tratados nos artigos 6º e 13 dessa instrução normativa referiam se, respectivamente, ao dos Preços Independentes Comparados – PIC, inspirado no CUP, e ao do Custo de Produção mais Lucro – CPL, inspirado no cost plus. Portanto, de forma transversa, ela pretendeu vedar a utilização do PRL nos casos em que o bem, serviço ou direito importado tivesse sido empregado na produção local. O fato de isso não constar expressamente no texto legal causou, de imediato, violenta repulsa de parte dos contribuintes, os quais decidiram não obedecer a vedação contida na regulamentação administrativa. Isso gerou uma grande quantidade de autuações que acabaram por demandar a manifestação desta Casa. Os primeiros acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes logo indicaram que a interpretação iria ser consolidada no seguinte sentido: a instrução normativa restringiu indevidamente a aplicação do método PRL6. 2ª Fase: Depois da Lei nº 9.959/00 e até a IN/SRF nº 243/02: Diante de tamanha oposição e da constatação de que alguns setores, de fato, estavam utilizando o PRL, apesar da produção local, a Administração propôs ao Governo Federal a edição da Medida Provisória nº 1.924/99, posteriormente convertida na Lei nº 9.959/00. Esses instrumentos, em seus artigos 2º, assim dispuseram: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 6 Cf., entre outros, os Acórdãos 10194624, de 07/07/04; 10194628, de 07/07/04; 10194859, de 23/02/05; 101 94863, de 24/02/05; 10321859, de 24/02/05; 10195107, de 10/08/05; 10708725, de 20/09/06. Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.840 53 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (grifei) Como se vê, a previsão inicial de uma margem de lucro calculada a partir de um percentual único de 20% foi abandonada e se abriu a possibilidade, desta vez explícita, da utilização do método nos casos de produção local. Entretanto, nesta hipótese, com uma margem de lucro a ser calculada aplicandose o percentual de 60% sobre o preço de “revenda” líquido. Não se tratava de um novo método, mas do mesmo método PRL com duas margens percentuais distintas, já que se uma empresa importar idênticos bens para comercialização e para produção local ela terá que apurar o preço parâmetro destas importações a partir de uma ponderação em função das quantidades utilizadas nas duas situações. Cada situação com sua margem apropriada. Notese o problema criado. O método parte do preço de “revenda” do bem importado. Mas se este é aplicado na produção e desta atividade resulta um bem substancialmente diferente daquele que havia sido importado, a rigor, não se poderia mais falar em “revenda”. Nada obstante, a lei mantém essa ideia e introduz um novo componente, o “valor agregado no País”. Esse componente, que não existe no resale price, teve a intenção de trazer alguma racionalidade para um método que, repitase, não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada (que agora pode assumir as características de uma indústria) realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora. Mas, antes de aprofundarmos na citada racionalidade, é de se destacar um importante aspecto. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. Desprendida das possíveis consequências, a regulamentação administrativa que se seguiu talvez nem tenha percebido esse erro gramatical Primeiramente, a alteração legal foi abordada pela IN/SRF nº 113/00, que se limitou a regular as mudanças no método PRL em função da nova margem. Depois, foi editada a IN/SRF nº 32/01, que regulou toda a matéria dos preços de transferência, revogando a antiga IN/SRF nº 38/97. Tanto a IN/SRF nº 113/00, quanto a IN/SRF nº 32/01, acabaram por dar idêntico tratamento à nova margem de lucro do PRL. Para resumir o que interessa em ambos os textos, reproduzemse aqui os §§ 10 e 11 do artigo 12 da IN/SRF nº 32/01: Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.841 54 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Devese notar que essas disposições normativas, mesmo que inconscientemente, assumiram a mencionada premissa do erro gramatical no texto da lei e consideraram, no cálculo da margem de lucro, que dos preços de “venda” do bem produzido deveriam ser deduzidos tanto os valores que a lei tratou como “referidos nas alíneas anteriores” quanto o valor agregado no País. A construção gramatical das instruções normativas, entretanto, foi alterada de modo que pôde ser mantida a expressão “do valor agregado” sem a incidência do mesmo erro contido na lei. Ademais, tais instruções normativas, sem os devidos cuidados, alteraram o termo “revenda” para a expressão “venda do bem produzido”. Com isso, considerouse que o valor agregado deveria ser abatido do preço de “venda” para o cálculo do lucro bruto. Tal leitura, de fato, pode até parecer que converge para uma interpretação literal mais próxima possível daquilo que estava contido no texto da lei, contudo, a essência do método sofreu um grave abalo. É que sua racionalidade mudou e passou a ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço Parâmetro = Preço de “Venda” – 0,6 x (Preço de “Venda” – Valor Agregado) Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.842 55 Ou seja, aquilo que vier a ser entendido como “valor agregado no País” assume fundamental importância para a racionalidade do método. Tratase de um conceito aberto que exige construção jurisprudencial para o seu fechamento. Diante disso, podemos assumir inicialmente as três possíveis acepções para a expressão sugeridas na obra do Professor Luís Eduardo Schoueri7, quais sejam: (i) o preço de venda menos o custo do bem importado; (ii) o custo total menos o custo do bem importado; e (iii) o custo dos fatores locais (mão de obra, materiais secundários, etc). Para avaliar a amplitude de um conceito, é sempre bom refletir com base em exemplos extremos. Nesse sentido, vamos primeiro supor que a transação controlada refirase a importação de um determinado parafuso que vai entrar na produção de um automóvel. Sabese que o preço do parafuso é infinitamente menor que o preço do automóvel. Se olharmos a fórmula acima, é fácil inferir que qualquer que seja a acepção da expressão “valor agregado no País” o preço parâmetro resultará num valor infinitamente superior ao que seria razoável esperar como preço praticado na importação de um parafuso. Se a expressão significar (i) o preço de venda menos o custo do bem importado, o preço de venda e o valor agregado serão muito próximos e a subtração no segundo termo da fórmula tenderá a zero, fazendo com que o preço parâmetro tenda para o preço de venda (do automóvel). Se a expressão significar (ii) o custo total menos o custo do bem importado, o valor agregado tenderá para o custo total, de modo que a subtração no segundo termo da fórmula até possa ter um valor relativamente inferior ao preço de venda, mas, ainda assim, o preço parâmetro resultará num valor muito superior ao que seria razoável esperar como preço praticado na importação de um parafuso. Se a expressão significar (iii) o custo dos fatores locais, o raciocínio acaba sendo idêntico ao da hipótese anterior. Portanto, estamos diante de uma interpretação na qual uma indústria automobilística que importa uma grande quantidade de um determinado parafuso para a sua produção, seja de uma empresa vinculada, seja de um paraíso fiscal, teria a permissão legal para praticar preços absurdamente superiores ao que praticam empresas independentes. Logicamente, transferindo grandes parcelas de lucros para outras jurisdições. Retornando, então, ao contexto histórico em que foi lançada a disciplina dos preços de transferência no Brasil, é de se perguntar: e onde fica a motivação antielisiva que estava estampada na exposição de motivos que acompanhou a proposta da lei? É claro que esse é um exemplo extremo e que existem muitas outras circunstâncias que poderiam desestimular um planejamento tributário tão agressivo, como, por exemplo, uma elevada carga tributária sobre a importação. No entanto, ele serve muito bem para ilustrar o descompasso dessa interpretação com a própria essência da lei. Apesar disso, alguns autores costumam justificar essa interpretação com o argumento de que o legislador teria criado uma finalidade indutora para a norma. Isso porque quanto maior o “valor agregado no País” maior seria a probabilidade de o controle dos preços de transferência não resultar em ajuste para a empresa. Teriase, assim, um incentivo para a produção nacional. Sinceramente, penso que não se deva incentivar a produção nacional por intermédio de mecanismos que possibilitem a transferência de lucros para o exterior sem a devida tributação em nosso território. Nem acredito que, se quisesse fazer isso, o legislador iria 7 Cf. Preços de transferência no direito brasileiro. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2013, p. 229. Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.843 56 se valer de uma velada fórmula inserida na legislação que deveria essencialmente cuidar do controle dos preços de transferência. No outro extremo, vamos agora supor um exemplo em que uma determinada máquina é importada, um trator por exemplo, e sofre um pequeno processo de fabricação em nosso País. Poderíamos, também como exemplo, citar um beneficiamento que torne suas pás mecânicas mais resistentes a um determinado tipo de solo. É certo que houve produção nacional. E, pelo que diz a lei, a priori, isto já seria suficiente para se deslocar a margem de lucro para o patamar de sessenta por cento. Sendo assim, qualquer que fosse a acepção utilizada para a expressão “valor agregado no País”, sua expressão monetária seria sempre bem inferior ao preço de venda (do trator). Com isso, a fórmula proposta por essa interpretação tenderia para a própria fórmula do método resale price uma vez que o preço de “venda” aproximase bastante de um verdadeiro preço de “revenda”. Neste caso, independentemente da amplitude da margem predeterminada, a fórmula teria, sim, uma racionalidade adequada. 3ª Fase: Depois da IN/SRF nº 243/02: Diante desse quadro, parece que a Receita Federal percebeu o problema criado no controle dos preços de transferência (nas situações em que havia maior agregação de valor no País) com a interpretação que ela própria havia dado pelas instruções normativas que se seguiram à edição da Lei nº 9.959/00. A título de nova regulamentação de toda a matéria dos preços de transferência foi publicada, então, a IN/SRF nº 243/02, revogando a anterior IN/SRF nº 32/01. Com essa iniciativa, a Administração alterou a interpretação que fazia do texto legal sobre o PRL aplicado nas situações em que ocorre produção local ao editar, na nova instrução normativa, os §§ 10 e 11 do artigo 12: § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.844 57 II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Seguindo estritamente o que está estipulado no texto desta nova instrução normativa, a seguinte fórmula se apresenta: Preço Parâmetro = Ci/Ct x Preço de “Venda” – 0,6 x (Ci/Ct x Preço de “Venda”) Sendo: Ci = custo do bem importado Ct = custo total do bem produzido Ci/Ct x Preço de Revenda = participação do bem importado no preço de venda do bem produzido A primeira vista, tal formulação parece em total desacordo com a hipótese de produção local prevista no texto legal. Afinal, o texto da lei não trata de percentual de participação do bem importado. Soa como uma inovação ofensiva à ideia de estrita legalidade corrente no direito tributário pátrio. Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.845 58 Nada obstante, é possível vislumbrar uma outra faceta implícita no texto legal. É o que passo a demonstrar. Avaliação da legalidade da sistemática contida na IN/SRF nº 243/02: Já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli8, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. Apesar de peculiar, parece fazer sentido. Mas, ainda assim, é forçoso reconhecer que faltou a aposição de uma vírgula antes da expressão “e do valor agregado”. 8 Cf. “Parâmetros para a Definição de Valor Agregado e Interpretações Possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao Método PRL de Preços de Transferência”. In: Revista de Direito Tributário Internacional nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006, p. 227. Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.846 59 Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,6 x Preço de Revenda – Valor Agregado Mas, sendo assim, o que é necessário para que a fórmula da IN/SRF nº 243/02 possa se ajustar a esta fórmula do texto legal segundo a premissa interpretativa da técnica redacional inapropriada? Para responder a isso, há que se ter em mente que a ideia de valor agregado surgiu no texto da lei com a intenção de fazer com que um método criado essencialmente para lidar com situações de revenda pudesse ser aplicado em casos que ocorre produção nacional. Ou seja, o valor agregado é algo que pretendia trazer alguma racionalidade para o método. Como a lei fala em “revenda” e não faz sentido falar nesse conceito quando o bem importado é inserido na produção, a Administração fez uma nova interpretação do texto legal de modo que a ideia de “revenda” possa ser utilizada quando ocorre a produção nacional. Procurou, então, encontrar no preço de venda do bem produzido qual seria a parcela que poderia ser atribuída ao bem importado. O próprio bom senso sugere que o critério mais lógico para isso seria proporcionalizar o preço de venda do bem produzido segundo a relação estabelecida entre o custo do bem importado e o custo total do bem produzido. No nosso exemplo do parafuso que é importado para entrar na produção de um automóvel, o preço de “revenda” que se considera (Ci/Ct x Preço de Venda) é o do parafuso lá dentro do automóvel. E, da mesma maneira, no caso do trator, o preço de “revenda” que se considera é o do trator importado (sem o beneficiamento) dentro do trator já com as pás mecânicas beneficiadas. E onde entra o tal do valor agregado previsto na lei? Como já foi dito, seu papel é o de trazer alguma racionalidade para o método. Mas, essa racionalidade deve ser atingida com a reconfiguração da noção de “revenda”. Por isso, o conceito de valor agregado mencionado na lei não pode ser estabelecido mediante uma fórmula matemática que tente associálo às corriqueiras conceituações econômicas que normalmente são formuladas mediante aglutinações de itens contábeis tais como aquelas três acepções anteriormente sugeridas. Tal conceito deve ser entendido apenas como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda”. Neste sentido, matematicamente, ele pode até ser dispensado uma vez que tenha cumprido sua função. Então, na fórmula acima, se for substituído o preço de “revenda” pela aludida proporcionalização, o valor agregado deverá ser zerado para que se chegue à fórmula da IN/SRF nº 243/02. Notese que com essa concepção de valor agregado a sistemática contida na interpretação administrativa fica condizente com o texto legal mesmo na premissa de que teria havido apenas um erro gramatical. É que nesse caso o texto legal teria a seguinte formulação: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,6 x (Preço de Revenda – Valor Agregado) Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.847 60 Logo, aqui também, se for substituído o preço de “revenda” pela aludida proporcionalização, o valor agregado deverá ser zerado para que se chegue à fórmula da IN/SRF nº 243/02. Cumpre ressaltar que isso não se trata de uma panaceia inventada para atestar a legalidade da Instrução Normativa. Pelo contrário, buscase fazer a interpretação mais consentânea com a teleologia da lei. A ideia de valor agregado é um conceito aberto que exige construção jurisprudencial para o seu fechamento. E a lei nada disse acerca da medida desse valor. Nada impede que outra acepção possa ser levantada com base numa interpretação que traga alguma racionalidade para um método que, enfatizese mais uma vez, não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada (que pode assumir as características de uma indústria) realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora. Como se relatou, antes da alteração da lei, o que vigia, pelo menos no sentido que a Administração pretendeu interpretar, era a possibilidade restrita de aplicação do método PRL aos casos de bens, serviços ou direitos exclusivamente revendidos, ou seja, sem produção local. Era a ideia da revenda associada ao comércio. Afinal, na própria denominação do método estava implícita esta noção. Nada obstante, quando foi aberta a hipótese de utilização do método para os casos de produção local, a ideia de que o componente importado participa do produto final e, neste sentido, será (re)vendido permanece. Então, para que o método possa continuar refletindo essa ideia é necessário isolar esse componente de tudo mais que possa aparecer no produto final. O que não se pode é querer que a racionalidade de um método que foi idealizado para situações de “revenda” seja completamente distorcida pela interpretação equivocadamente instituída na segunda fase do processo histórico acima mencionado. Afinal, aquelas primeiras instruções normativas estavam completamente dissociadas da racionalidade do método inspirador, por substituírem, sem os devidos cuidados, o termo “revenda” contido na lei pela expressão “venda do bem produzido”, bem como corromperem o próprio sentido da lei, como o exemplo do parafuso importado para a produção do automóvel pôde bem demonstrar. Admitir tal interpretação, quando combinada com a liberdade de escolha do método inadequadamente inserida em nossa legislação, seria abrir as portas (com a chancela legal) para o próprio planejamento fiscal que o controle dos preços de transferência (medida antielisiva de caráter específico) pretende evitar. Alguém poderia objetar que, sem embargo da maior racionalidade, houve exagero na dimensão da margem predeterminada (60%), o que ficaria mais evidenciado nas situações extremas em que há pouca produção nacional, como no exemplo do trator, e quando não há viabilidade para a escolha de outro método. Afinal de contas, a racionalidade impõe que o preço de “revenda” previsto na lei seja obtido mediante proporcionalização no preço de venda do bem produzido. Nada obstante, isso não seria um problema de legalidade, mas, talvez, de falta de proporcionalidade do legislador na predeterminação da margem. E, como se sabe, estaríamos no campo da investigação da constitucionalidade da lei. Fora, portanto, do âmbito de atuação deste Colegiado. Registrese, contudo, que a matéria sofrerá profundas alterações para os fatos geradores futuros com a edição da Lei nº 12.715/12. Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720019/201111 Acórdão n.º 1102001.100 S1C1T2 Fl. 2.848 61 Conclusão: Diante dessa abordagem interpretativa que fundamenta sua convicção nos contextos histórico e teleológico do Método PRL, impõese constatar que os enfoques adotados tanto pelo voto do ilustre Relator quanto pelo voto por este tomado como paradigma a ser confrontado, o do Conselheiro Eduardo de Andrade no Acórdão nº 1302001.164, adotam pressupostos completamente distintos. É que ambos não discutem a impropriedade de se admitir a ideia de “revenda” num método cuja racionalidade foi essencialmente destinada para situações em que a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos normalmente encontrados em empresas tipicamente revendedoras. Por isso, também não percebem a sutileza da conceituação do valor agregado apenas como algo que pode atenuar essa adversidade pela reconfiguração da noção de “revenda” e acabam por desenvolver análises que privilegiam complexas explicações matemáticas das fórmulas depreendidas do texto legal e da regulamentação administrativa. Ou, como já vi em outras decisões e trabalhos doutrinários, apegamse a exemplos numéricos para tentar refutar uma ou outra faceta interpretativa. Com a devida vênia, respeito todas essas opiniões, porém, entendo que pecam por não enfrentar a questão central que toca o tema. Esses foram os fundamentos que justificaram a negativa de provimento ao recurso voluntário no que concerne à legalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02. (assinado digitalmente) RICARDO MAROZZI GREGORIO – Redator designado Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FI LHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15540.720353/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 35 3/ 20 12 -3 1 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/201231 Resolução nº 2301000.489 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização em desfavor da Recorrente, relativo às contribuições devidas aos terceiros e apurado sobre a remuneração de segurados empregados declarada em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). Informa o Relatório Fiscal que a ação fiscal foi originada em conseqüência de ação popular que tramitou na 4ª Vara Federal de Niterói, a qual suspende os efeitos do ato de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS no período de 2007 a 2009, tendo facultado ao fisco que procedesse ao lançamento dos créditos tributários respectivos, evitandose m que a decadência se operasse sobre os mesmos. O fato gerador do presente lançamento foi apurado com base na remuneração declarada em GFIP dos segurados empregados. Foram constituídos dois levantamentos, GF e GF2, tendo em vista a o resultado da comparação da multa mais benéfica, após mudança legislativa. Foram anexados ao Relatório Fiscal documentos comprobatórios, tais como contratos e telas do sistema informatizado. Consta também em anexo o ofício de nº 0674/2012/PSU/NRI/RJ de 28/02/2012 da Advocacia Geral da União, Procuradoria Seccional da União em Niterói, o qual informa o encaminhamento à DRF Niterói de documentos referentes à Ação Popular nº 2011.51.02.0034229, sendo estes a petição inicial e a consulta à intimação/citação. Constatouse que a sociedade, na sua 2ª alteração contratual, datada de 21/01/2011, promoveu cisão parcial do seu patrimônio, com versão da parcela cindida para as empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135. Estas empresas foram trazidas ao pólo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidárias, tendo sido excluídos desta sujeição passiva solidária as contribuições aos terceiros e os créditos relativos às obrigações tributárias acessórias. As empresas Riga Participações Ltda e o Colégio Plínio Leite Ltda (atual denominação de Xisto Educação Básica Ltda), responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário apurado, apresentaram impugnação em uma mesma peça. Devidamente intimadas do lançamento apresentaram suas impugnações, cujas quais forma em parte procedente, culminando em RO. Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. É a síntese do necessário. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/201231 Resolução nº 2301000.489 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator O presente Recurso de Ofício acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila. Mas, vejo que há uma anomalia processual que deverá ser sanada antes de qualquer julgamento. Às fls 351 dos autos vêse que somente uma das Recorrentes foi notificada da decisão de piso, no dia 10 de junho de 2013, sendo que nos autos, às fls. 356 há uma petição requerendo a nulidade do feito, após a decisão da DRJ, isto por conta de nulidade diante da defectibilidade da notificação em razão de endereço. Em verdade, vejo que há um erro na notificação, eis que às fls. 351, somente uma das Recorrentes foi noticiada de decisão de piso, o que contraria o disposto no Artigo 33 do Decreto 70.235/72, quanto se refere à decisão de primeira instância.‘In verbis’: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Neste diapasão, vejo que as empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135, não foram notificadas da decisão da DRJ. Desta forma, em respeito aos princípios pétreos da Carta Maior, ampla defesa, contraditório, devido processo legal e legalidade, penso que há de ser diligenciado pela Unidade Preparadora, com fim de esta providenciar a notificação das empresas acima relacionadas. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, por existir imperfeições procedimentais, vejo que há necessidade de os presentes autos retornarem à Unidade Preparadora com fim de esta providenciar às empresas RIGA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 11.471.928/000170 e XISTO EDUCAÇÃO BÁSICA, CNPJ: 11.471.160/000135, notificação da decisão de piso, para, caso queiram, apresentem os seus respectivos Recursos Voluntários anatematizando a decisão singular, respeitando o prazo legal. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15540.720353/201231 Resolução nº 2301000.489 S2C3T1 Fl. 5 4 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000078/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.
Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 78 /2 00 5- 01 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 494 2 Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 340300.720, proferido pela Terceira Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, a qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que se refere (i) aos gastos com os serviços de decapeamento, (ii) lavra, (iii) locação de máquinas e equipamentos e (iv) com a aquisição de óleo combustível tipo ABPF, “utilizado na evaporação e secagem da água contida na polpa do caulim”. Por outro lado, a Terceira Turma Ordinária negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, sob entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Adicionalmente, também negou provimento ao recurso voluntário para afastar o direito creditório sobre os gastos com (xi) combustíveis, nestes compreendidos a gasolina comum e o óleo diesel, consumidos nos veículos que transportam matériaprima, materiais intermediários e produtos finais entre os diversos setores produtivos, desde a extração, produção até a distribuição, tendo, para tanto, alegado que os mesmos não são utilizados na produção, mas sim na área produtiva. Para tanto, foi considerado que a atividade realizada pelo contribuinte dividi se na extração do caulim das minas e o seu beneficiamento no parque fabril do próprio contribuinte, tendo sido aduzido que “nem todo bem ou serviço necessário ao processo, tomado em sua integralidade, pode ser caracterizado como insumo, mas tão somente aqueles Fl. 494DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 495 3 que, além de imprescindíveis, são consumidos ou aplicados diretamente na produção, ainda que não tenham contato direto com o produto final”. Quanto às alegações de inconstitucionalidade relacionadas ao conceito de insumos, foi entendido que as mesmas, além de serem infundadas (“eis que a CF/88 não impôs ela própria um conceito de insumo ou mesmo o alcance da não cumulatividade para estas contribuições), também não poderiam ser suscitadas no âmbito do CARF, com base, para tanto, na Súmula nº 2 do CARF. O acórdão recorrido restou assim ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ACEPÇÃO. Consoante dicção das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, consideramse insumos os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, donde se depreende que aludida utilização deve se dar de forma direta sobre o processo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face da parte do acórdão que reconheceu o direito creditório sobre serviços de decapeamento, lavra e locação, bem como sobre a aquisição de óleo tipo ABPF, tendo aduzido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deve ser o mesmo daquele considerado na legislação do IPI. Para tanto, utilizou, para embasar a divergência de entendimentos, o acórdão de nº 20312.448, a seguir ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base de cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto Fl. 495DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 496 4 sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matéria prima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval, etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntos, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado” Suscitou a Fazenda Nacional que tal acórdão seria aplicado devido ao fato de ter sido entendido, naquela ocasião suscitada como paradigma, que “a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumos” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a preda de propriedades físicas ou químicas”. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte também interpôs recurso especial contra a parte do acórdão recorrido que negou o restante dos seus créditos, suscitando que o conceito de insumos a ser aplicado para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deveria ser aquele considerado na legislação do IRPJ para custos e despesas. Para tanto, embasou a divergência nos acórdãos utilizados como paradigmas de nºs 20181.139 e 3202 00.226. Abaixo alguns trechos dos acórdãos utilizados como paradigmas que foram selecionados pelo contribuinte, acrescidos de alguns selecionados por esta Conselheira: Acórdão nº 20181.139 “(...) Mas ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 497 5 No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver direito ao crédito No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os “custos, despesas ou encargos” vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 21 da IN SRF nº 460/2004. (...)” Acórdão nº 320200.226 “(...) É de se concluir, portanto, que o termo “insumo” utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os cutos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artugos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 498 6 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Os recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte são tempestivos e após refletir com meus pares sobre a configuração do requisito da divergência, conforme justificada pelos Recorrentes (Fazenda Nacional e contribuinte), passei a entender que há divergência a sustentar o cabimento dos mesmos. Primeiramente, quanto ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vejase que o mesmo pretende afastar o direito de crédito do contribuinte, oriundo da sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, no que respeita (i) ao serviço de decapeamento; (ii) ao serviço de lavra; (iii) à locação de máquinas e equipamentos e (iv) aos gastos com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Quanto ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, veja se que a pretensão recursal é a de se ter reconhecidos os direitos de créditos não cumulativos de PIS e COFINS sobre os dispêndios com serviços de (i) alteamento, (ii) limpeza; (iii) transporte; (iv) vigilância patrimonial; (v) melhoria de estradas; (vi) fornecimento de refeições e, ainda, sobre os gastos com (vii) combustíveis (gasolina comum e óleo diesel). Inicialmente, entendo relevante apontar as despesas pleiteadas no processo como insumos para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, em razão de sua participação do desenvolvimento do objeto social do contribuinte, conforme por ele identificado ao pleitear o crédito em questão, a saber: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. 2. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. 3. SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. 4. FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários, em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas, sendo necessário fornecer aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. 0 fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratarse de condição intrínseca a manutenção do fator mãode obra da atividade. 5. SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. Tratase do primeiro passo necessário a atividade extrativa mineral. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de funcionários. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 499 7 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILÂNCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial dada a localização geográfica e as características da planta produtiva, de forma de garantir a integridade e o funcionamento da referida planta. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso, adequadas ao acesso de homens e máquinas as fontes de minério. 10. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo é feito por meio de veículos movidos a gasolina. 11. ÓLE0 DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim, bem como para o transporte de matériaprima, produtos intermediários entre os diversos setores da produção ou ainda da produção para a distribuição. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP ABPF: utilizado na fase da “evaporação” (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A decisão recorrida, como informado no relatório, negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, e (xi) e combustíveis sob o entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Despesas estas objeto de recurso do contribuinte. Por conseguinte, entendeu como insumos, as despesas com (i) serviço locação de equipamentos; ii) serviço de decapeamento, iii) serviço de lavra e iv) óleo combustível TP ABPF. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese contra a decisão que reconheceu o direito de creditamento em relação aos serviços de decapeamento, de lavra, de locação, bem como o referente ao óleo tipo ABPF sob a alegação de que “a Câmara recorrida, que reconheceu como insumos determinados bens e serviços que neste conceito não se enquadram para fins de geração de créditos de COFINS nãocumulativo, conforme determina o art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 (e Lei n° 10.637/2002, para o PIS) em concomitância com o entendimento exposto na IN n° 404/2004.” Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei 10.833, em matéria de COFINS, que, do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 500 8 E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS e COFINS ditos não cumulativos? Como já me manifestei em outros acórdãos de minha relatoria, entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: “(...) créditos calculados em relação a ‘bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda’.”. O dispêndio para se consubstanciar em insumo, suscetível de abatimento, deve ser indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela Cofins. E nesta linha de raciocínio é que entendo que a Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, andou mal ao limitar a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 501 9 Essas ponderações sobre a limitação ao termo insumo perpetrado pela Instrução Normativa 247/02 foi afastada pelo acórdão recorrido, a meu ver, acertadamente. Por conseguinte, entendo que não assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional ao sustentar a aplicação de referida Instrução em seu recurso, de modo a ver reformada a decisão recorrida no tocante às despesas com decapeamento, lavra, locação de máquinas e equipamentos e com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Por outro lado, ressalto também, que do mesmo modo que entendo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos à produção, geradores de receita tributável pelas referidas contribuições, não entendo correto adotar, como sustentado pelo contribuinte em se recurso, o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto à produção. Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da Cofins, eis que não são indispensáveis para a sua produção, strictu senso. Todavia, apesar de não divergir do critério utilizado pelo acórdão recorrido ao identificar as despesas consideradas insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei nº 10.833, em matéria de COFINS, entendo que, pela características e afetação à produção do contribuinte, compreendem também no conceito de insumos os gastos com “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Com efeito, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar. E ao assim me posicionar não nego a necessidade da empresa de ter que suportar referidas despesas para viabilizar sua produção, em razão, como a mesma justifica, da localização da mina, de sua posição geográfica. Todavia, não reconheço as mesmas como insumos na produção, aqui considerada a extração e o beneficiamento de caulim. Repito, a meu ver, insumos não são todas as despesas incorridas no processo produtivo, mas aquelas que afetem, participem e sejam indispensáveis à produção, no sentido estrito. De forma a ilustrar a minha opinião, caso a mina de caulim fosse situada próxima a determinada área urbana, se possível fosse, o fornecimento de refeições, como o transporte de funcionários e a vigilância patrimonial, seriam despesas desnecessárias à extração e o beneficiamento do caulim. E neste sentido que, a meu ver, nem toda despesa necessária é indispensável à produção, em si considerada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos aos serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Nanci Gama Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 502 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Já foi corretamente delineado pela i. relatora que a divergência que se estabeleceu em relação a seu brilhante voto se restringiu tãosomente ao recurso do contribuinte, para o qual a maioria qualificada pelo voto do Presidente apenas deu provimento quanto ao óleo empregado nos veículos que fazem o transporte, dentro da área de produção, dos insumos aí consumidos. Tal divergência se deve não tanto a questões conceituais, as quais foram, em meu entender, muito bem expostas pela n. relatora. De fato, não prevalece mais no âmbito deste colegiado a interpretação assaz restritiva intentada pela Fazenda Nacional com base nas normas expedidas acerca do IPI, tanto que ao recurso fazendário foi negado provimento por unanimidade. Além das razões já muito bem apontadas pela dra. Teresa, e das quais em nada divirjo, vale sempre o registro de que a legislação específica das contribuições expressamente admitiu o cômputo como insumos dos serviços consumidos no processo produtivo. Ora, sabendose que não contêm eles, de regra, o atributo da materialidade imprescindível à aplicação do critério da legislação do IPI para definir matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isto é, o contato físico com o produto em elaboração, como se pode reivindicar que a elas se aplique o princípio daquele? Tudo isso não obstante, o que ainda não é pacífico no colegiado é o alcance que se deve dar ao conceito de insumos uma vez afastadas as restrições acima. De que há a necessidade de que o item físico em questão (ou mesmo o serviço, também previsto na norma legal) seja consumido no processo produtivo não há dúvida. A dúvida se resume a demarcar a abrangência da expressão “consumido no processo”. Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000078/200501 Acórdão n.º 9303002.653 CSRFT3 Fl. 503 11 depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. Aplicandose tais balizas aos itens postulados pelo sujeito passivo, apenas o óleo cumpre todos os requisitos: é utilizado no processo produtivo, nem antes nem depois, e consomese em um único ciclo produtivo. De fato, os serviços de alteamento, de remoção de minérios e de manutenção de estradas são gastos que devem ser ativados, uma vez que os seus resultados ocorrem ao longo de vários ciclos produtivos. Já no que tange aos gastos com fornecimento de refeições e de transporte para os funcionários, além da gasolina consumida para transportar o produto final e os serviços de vigilância, eles não ocorrem no processo produtivo, ainda que sejam absolutamente relevantes ao desiderato empresarial. Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Foi com essas considerações que o colegiado restringiu o provimento do recurso do contribuinte ao óleo consumido nos caminhões que movimentam a matériaprima na área de produção, sendo este o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.722351/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005
BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
A base de cálculo do PIS e da Cofins para as Instituições Financeiras e Seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício da atividade empresarial típica.
Entendimento similar ao proferido no RE 585.2351/MG, submetido à Repercussão Geral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Cláudio Monroe Masseti. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Jonathan Barros Vita acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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INEXISTÊNCIA. Afastase a hipótese de afronta à coisa julgada quando se constata inexistir coincidência entre a decisão proferida de maneira incidental pelo STF no Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte na ação mandamental por ela impetrada e a matéria sob litígio administrativo. PRELIMINAR. INEXISTÊNCIA HIPÓTESES DE SOBRESTAMENTO Inexiste previsão legal de sobrestamento de processo de restituição de valor supostamente recolhido a maior até que ocorra o trânsito em julgado de decisões administrativas proferidas em outros processos administrativos nos quais se discutem questão atinente à quitação, por meio de compensação, dos respectivos tributos objetos do pedido de restituição sob litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.2351/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 23 51 /2 01 1- 88 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 2 A base de cálculo do PIS e da Cofins para as Instituições Financeiras e Seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício da atividade empresarial típica. Entendimento similar ao proferido no RE 585.2351/MG, submetido à Repercussão Geral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o conselheiro Cláudio Monroe Masseti. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Jonathan Barros Vita acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Na origem, cuidam os autos de procedimento para homologação de compensações cujas declarações transmitidas em setembro de 2006 têm como base créditos decorrentes de recolhimentos ditos como tendo sido efetuados a maior a título do Programa de Integração Social(Pis), no valor consolidado inicial de R$ 23.380.203,13, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a outubro de 2005, lastreados em decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Individual n° 2000.38.00.0040950). Relata a autoridade no Despacho Decisório nº 791 DRF/BHE (efls 127/134) que a contribuinte formalizou o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido Judicialmente conforme processo n° 10680.002919/200683, efetuado com base na mencionada decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Individual n° 2000.38.00.0040950), tendo sido o pedido inicialmente indeferido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) desta Delegacia, conforme Despacho Decisório n° 105/2006 constante do referido processo. Porém, diante do insucesso do contribuinte no âmbito administrativo, foi impetrado o Mandado de Segurança n° 2006.38.00.0208172 (Banco Mercantil do Brasil S/A e outros) objetivando a obtenção de ordem judicial para que a autoridade coatora desse Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.026 3 prosseguimento aos pedidos de habilitação de créditos das impetrantes tendo como base a decisão judicial acima mencionada, dandose início ao procedimento de compensação de tributo recolhido a maior, tendo sido conceda a liminar requerida. Em virtude da decisão judicial retro mencionada, foi deferido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) da Delegacia, no processo 10680.002919/2006 83, o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, o que possibilitou ao contribuinte a transmissão das DCOMP constantes do quadro contido no mencionado Despacho Decisório e ora sob litígio. A autoridade Administrativa da DRF/BHE, por meio do mencionado Despacho Decisório nº 791 decidiu pela homologação parcial por ter entendido que, tendo em vista a decisão transitada em julgado, em 09/12/2005, no Mandado de Segurança nº 200.38.00.0040950, a qual afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e considerando as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, emitido em decorrência de consulta formulada mediante a Nota Técnica Cosit/SRF nº 21, de 2006, são exigíveis os valores do Pis apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2ºo da LC 70/91, ou seja, "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza", permitidas as exclusões determinadas pela legislação não atingida pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98; conseqüentemente, estão extintos os valores devidos calculados sobre a base de cálculo ampliada, no que excederem aos valores apurados nos termos supra, concluindo que o contribuinte teria direito tão somente ao crédito relativo à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago incidente sobre as receitas totais, excluídas as receitas não operacionais, conforme quadro elaborado com base nas informações do contribuinte. A autoridade administrativa referindo ao quadro elaborado esclarece: “A coluna ‘Diferença’, referese aos valores dos créditos efetivos do contribuinte, cuja soma perfaz R$ 99.490,95, esclarecendo que os campos preenchidos com o valor ‘0,00’, excetuandose o PA 03/2000, em que não foi apurada diferença negativa, dizem respeito aos valores de débitos objeto de compensação que se encontram pendentes em virtude do fato de que os respectivos processos de crédito (10680.019436/9909, 10680.011724/00 e 10680.002644/200335) se encontram aguardando julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais(Carf) e, portanto, não podem compor o crédito pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.”. A manifestação de inconformidade da contribuinte traz os argumentos a seguir sintetizados: Preliminarmente: Requer que o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado dos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/00 77 e 10680.002644/200335, ao menos no que refere às competências de agosto/2000 a outubro/2001, junho e setembro/2003 e fevereiro a abril/2004, que se encontram pendentes de julgamento no Carf, nos quais se discute a compensação dos valores de PIS com créditos de Finsocial e de PISDecretos. Caso seja reconhecida no Carf a legitimidade dos referidos créditos, os valores serão considerados líquidos e certos, de forma que o PIS estará Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 4 definitivamente quitado e poderá compor o crédito ora pleiteado, independentemente da base de cálculo a ser adotada. Destaca que o julgamento do PAF nº 10680.019436/9909 foi a seu favor e atualmente aguarda o julgamento do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. Já os PAFs nºs 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335 aguardam julgamento de embargos declaratórios nos quais se demonstrou que a mesma discussão foi objeto de Ação Cautelar e Ação Rescisória por parte da Fazenda Nacional, sendo que ambas foram julgadas improcedentes, com trânsito em julgado. No mérito: Afronta à coisa Julgada: aduz que o valor exigido no Despacho Decisório se refere ao PIS incidente sobre receitas que não correspondem ao sentido estrito de “faturamento” adotado tanto na decisão transitada em julgado em seu favor quanto nos leading cases sobre a matéria no STF. É juridicamente falha a argumentação de que a decisão judicial que julgou procedente o seu pedido lhe teria sido desfavorável no tocante à incidência do PIS sobre as receitas financeiras, pois além de o STF ter decidido com base no art. 557, §1ºA, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, também declarou que o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Observa que a tentativa do Despacho Decisório de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas financeiras, o que equivale quase à totalidade das suas receitas auferidas, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os efeitos da decisão transitada em julgado. Subsidiariamente: Argumenta que há receitas consideradas pelo Despacho Decisório que extrapolam o entendimento nele sustentado, isto é, de que a base de cálculo do PIS, com o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deve ser composta por todas as receitas que “decorrem da atividadefim da empresa”. Foi adotado o entendimento de que apenas as receitas não operacionais, contabilizadas na conta 7.3.0.00.006, deveriam ser excluídas da base de cálculo. No entanto, existem receitas registradas na conta 7.1.9.99.009 Outras Rendas Operacionais, cuja descrição do Cosif é bastante genérica, que não decorrem da sua atividade operacional, o que pode ser verificado pela natureza das subcontas. Caso sejam mantidas as glosas no crédito pleiteado, requer seja assegurado o seu direito de recuperar os impostos que sobre ele incidiram indevidamente, pois esse crédito foi considerado como acréscimo patrimonial/lucro e tributado como tal. Informa que após o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, contabilizou o crédito de PIS em conta de resultado, afetando o lucro líquido do ano base 2005, o qual serviu de base de cálculo para apuração do IRPJ e CSLL. Assim, caso seja mantido o Despacho Decisório, deve ser assegurado o seu direito de efetuar a recomposição da apuração do IRPJ e CSLL do ano base de 2005, bem como o consequente direito de recuperar os valores pagos a maior desses tributos, devidamente atualizados, e/ou recompor eventual prejuízo fiscal do referido ano calendário. Pede que tais ressarcimentos/recomposições possam ser efetuados na DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente, uma vez que já se passaram cinco anos da entrega da respectiva DIPJ. Por fim, requer que: o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado dos PAFs nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, ao menos no que se refere às competências a eles relacionadas; seja cancelado o Despacho Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.027 5 Decisório nº 791, com a consequente homologação das compensações realizadas, tendo em vista que o mesmo contraria a coisa julgada; sejam reconhecidos os equívocos no cálculo dos valores devidos de PIS e recalculado o crédito apurado; e seja autorizado que os ressarcimentos/recomposições relativos à apuração do IRPJ/CSLL possam ser efetuados na DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente. A autoridade Julgadora de 1ª Instância, por meio do Acórdão nº 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE, proferido em 30 de janeiro de 2012, por unanimidade de votos, julga improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se denota pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, compõese da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas advindas de intermediações financeiras. ALEGAÇÕES. PROVAS. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE em 10/02/2012, conforme Aviso de Recebimento de efl. 588. Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 13/03/2012, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na manifestação de inconformidade e rebatendo alguns fundamentos da decisão recorrida, segundo os seguintes itens e subitens de defesa: I DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO II DOS FATOS Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 6 III PRELIMINAR – DA PREJUDICIALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM RAZÃO DOS PAF n°s 10680.019436/9909; 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335 IV DO DIREITO IV.1. CONCEITO DE FATURAMENTO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF IV.2 CONTRARIEDADE À COISA JULGADA IV.3 – POSICIONAMENTO ATUAL DO STF ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS IV.4 RECEITAS A SEREM CONSIDERADAS NA BASE DE CALCULO DO PIS EQUÍVOCO NA BASE DE CÁLCULO ADOTADA NO DESPACHO DECISÓRIO EFETIVA COMPROVAÇÃO V DIREITO À RECUPERAÇÃO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS SOBRE O CRÉDITO DE PIS VI PEDIDO Posteriormente, em Agosto de 2013, a contribuinte, por seus advogados devidamente nomeados e constituídos, envia requerimento no qual noticia o julgamento proferido em sede de recurso repetitivo pelo E. STJ no Resp 1118893 MG Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC, cuja juntada se requer, e ratifica as razões de recurso para reforma do acórdão recorrido, visando, alega, a prevalência da coisa julgada. O Requerimento e o Resp 1118893 MG foram anexados ao presente processo às efls 809 a 839, conforme Despacho nº 330207/CAJ2013 de efl.840. O presente processo foi pautado para julgamento na sessão de 27 de maio de 2014, ocasião em que os membros dessa turma, por maioria de voto, acordaram em converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3302000.417 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, nos termos do voto do redator designado, tendo sido vencidas as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora, e Mônica Elisa Lima. Transcrevese, a seguir, trecho conclusivo da referida resolução: "Pleiteia a contribuinte que o conceito de faturamento que deve ser observado pelas instituições financeiras quando da apuração do PIS e da COFINS nos termos do caput do artigo 1° da Lei n° 9.718/98, não pode ser diverso do sentido inequívoco do conceito de faturamento atribuído a todas as outras pessoas jurídicas, qual seja, ‘receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.’ (artigo 2° da Lei Complementar 70/91). Esta afirmação decorre do fato de que o conceito fiscal de faturamento é ÚNICO para fins de incidência tributária, seja para uma empresa comercial, seja para uma prestadora de serviços ou para uma instituição financeira, não sendo possível admitir, em qualquer hipótese, que o conceito de faturamento Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.028 7 sofra variações de acordo com a qualificação do sujeito passivo envolvido na incidência da hipótese tributária. Tanto assim o seria que quando se intentou que a Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) englobasse receitas outras além do faturamento auferido pelas instituições financeiras, quais sejam as receitas financeiras, se fez editar a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, para fazer que referida contribuição incidisse ‘sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza’. Ou seja, quando se pretendeu tributar as receitas típicas das instituições financeiras pela contribuição ao PIS, alterouse via emenda de revisão a sua respectiva base de cálculo, uma vez que o artigo 195, I da Constituição Federal não permitia tal incidência. Diante dessa controvérsia, outrossim, penso que pode haver uma terceira via, motivo pela qual voto no sentido de baixar o presente processo em diligência, para que, querendo, os Ilustres pares possam ou formar melhor a sua convicção ou seguir pelo caminho “maniqueísta” com mais firmeza de propósito. Explico. Nesses processos, ao se considerar as receitas financeiras como operacionais, e conseqüentemente equiparálas a faturamento, ou em sentido oposto, desconsiderar que as receitas financeiras podem ser parte da atividade de uma IF, seguimos o caminho estritamente jurídico, abandonando qualquer espécie de análise econômica e contábil, que poderia auxiliar o julgador na busca da verdade material. Isso decorre do seguinte fato: uma instituição financeira não tem 100% das suas receitas financeiras decorrentes da intermediação financeira ou da aplicação de recursos de terceiros, captados em sua atividade. Parte dos recursos aplicados, o são por obrigação regulatória, de recursos próprios, que têm que ser mantido na instituição por força dessas mesmas normas regulatórias, no caso brasileiro não apenas do Bacen mas em observância dos Acordos internacionais denominados Basiléia I e II (atualmente até mesmo da Basiléia III em alguns casos). O exemplo mais claro disso é a existência do capital próprio, em níveis mínimos, e o próprio patrimônio líquido da Instituição, composto por outras reservas, sejam elas de capital ou mesmo de lucro. Esses são inegavelmente recursos de propriedade do Banco, e que lá ficam em determinado montante. Isso posto, para esse Julgador faz todo o sentido que se busque ‘separar’ ou ‘distinguir’ o que são receitas de intermediação financeira dos seus recursos próprios, e daqueles de terceiros, captados por meio de depósitos, CDB´s, Fundos, etc., que ai sim são ‘girados’ no mercado obtendose parte significativa dos seus lucros. Independentemente de qualquer opinião jurídica que possa ter a respeito. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Inclusive até por uma questão de justiça – ao prevalecer a tese da PGFN, as IF´s teriam na prática um resultado distinto daquele obtido pelas demais empresas nãofinanceiras, cuja jurisprudência reconhece que as suas receitas financeiras são efetivamente ‘outras receitas’, eis que decorrentes da aplicação recursos próprios na busca da melhor gestão empresarial. Assim sendo, voto no sentido de converter o presente recurso em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar cálculos que façam a distinção dos valores obtidos, para aqueles períodos de apuração dessa lide, e contabilizados nas contas I) Rendas de operações de créditos; II) Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez; III) Rendas de Títulos e Valores Mobiliário; IV) Rendas de Prestação de Serviço; e V) Outras Receitas Operacionais, acompanhadas da demonstração do método utilizado para cada ‘distinção’ entre a) renda auferidas de recursos próprios; e b) rendas auferidas de recursos de terceiros, que possa, caso oportuno, ser posteriormente comprovada documentalmente para uma eventual liquidação de um futuro resultado de julgamento que o considere. Finalmente, que haja manifestação da Fiscalização acerca desse método e dos cálculos apresentados pelo contribuinte." A Unidade de origem, por meio do Parecer Fiscal de –efls 1012/1013, sem emitir juízo de valor, assim descreve a resposta da contribuinte à intimação: “Em sua manifestação o contribuinte destaca que ‘não há no mercado financeiro uma metodologia absoluta, com conceitos uniformes, que permita segregar os valores de rendas provenientes da intermediação de recursos de terceiros das rendas provenientes de da aplicação de recursos próprios’. Afirma ainda que ‘considerando a complexidade das operações financeiras e o dinamismo do mercado de capitais é praticamente impossível fazer uma conciliação harmônica entre captações e aplicações, posto que há um contínuo fluxo e refluxo entre as origens e os destinos de recursos no âmbito de uma instituição financeira’. Assim, o contribuinte decidiu, conforme planilhas de fls. 992/997), adotar o critério da proporcionalidade entre as contas do Passivo (recursos de terceiros) e do Patrimônio Líquido (recursos próprios), tomandose os saldos de cada conta ao final de cada mês e apurando a participação de cada um dos grupos na soma de ambos. Apuradas as proporções mensais acima, o contribuinte as aplicou sobre as receitas anteriormente consideradas como base de cálculo do Pis, apurandose a parcela da receita relativa a recursos próprios e a recursos de terceiros, além das receitas de prestação de serviços, que não são objeto da lide. Nas mencionadas planilhas o contribuinte demonstra, ainda, o tributo que seria exigido na hipótese de exclusão da base de cálculo da parcela da receita relativa aos recursos próprios.” É o Relatório. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.029 9 Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. DA PRELIMINAR ARGÜIDA Prejudicialidade do Despacho Decisório em razão dos PAFs n°s 10680.019436/9909; 10680.011724/0077 e 10680 002644/200335. Consoante constatase do Despacho Decisório nº 791 de e fls 127/134, a autoridade Administrativa da DRF/BHE excluiu dentre os valores que a contribuinte declarou no PER/DCOMP: 34804.18333.050906.1.3.571309 como sendo créditos de PIS passíveis de restituição, valores de PIS os quais foram objeto de compensações que se encontravam pendentes em virtude do fato de que os respectivos processos de crédito (10680.019436/9909, 10680.011724/00 e 10680.002644/200335) se encontravam aguardando julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, referentes aos períodos de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004. Entendeu aquela autoridade administrativa que tais valores não poderiam compor o crédito pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.Tal entendimento foi confirmado pela autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa. A contribuinte, então, recorre de tal decisão alegando que apenas com o julgamento definitivo destes processos (PISDecretos e FINSOCIAL) será possível auferir o real impacto no saldo de PIS, ora em discussão, solicitando o sobrestamento até que seja proferida decisão definitiva nos PAFs n°s 10680.019436/99, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, para que o acórdão a ser proferido nestes autos esteja em consonância com as decisões definitivas dos referidos processos. Aduz que na hipótese de referidos créditos de PIS Decretos e FINSOCIAL serem considerados insubsistentes, o Banco, ora recorrente, efetuará o pagamento do PIS Lei nº 9.718/98, que tinha sido objeto de compensação nos mencionados processos, de modo que, a nova cobrança do PIS, nestes autos, implicará em duplicidade de exigência. E, noutra direção, se for reconhecida pelo CARF a legitimidade de referidos créditos do PIS Decretos e FINSOCIAL, o PIS (Lei nº 9.718/98) compensado será considerado definitivamente quitado e poderá compor o crédito ora pleiteado, independentemente da base de cálculo a ser considerada. Improcede a preliminar argüida. Como é sabido, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) não divergiu da orientação do legislador civilista, quando dispôs, em seu art. 156, inciso II, que a compensação é modalidade de extinção de crédito tributário, no caso em que o fisco e a contribuinte forem credores e devedores entre si. Para que se realize a compensação de créditos tributários, o CTN estabeleceu a necessidade de que haja lei ordinária específica do poder tributante, de qualquer esfera da Federação, autorizadora de sua aplicação, a qual fixará todos os pressupostos e requisitos do Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 10 ato administrativo autorizado, exigindo o CTN, porém, que a compensação seja efetuada com a utilização de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública e, portanto, incontrovertido, reconhecido pela administração pública. É o que se depreende dos artigos abaixo transcritos: CTN “ Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...). II. a compensação (...)”. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir á autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifouse) Em face de tal exigência, na esfera federal, foi editada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo artigo 74, de acordo com a redação dada pela Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002, estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Assim, em conformidade com as regras legais que regem a matéria de compensação no âmbito federal, esta somente pode se dar com crédito líquido e certo, ou seja, com crédito favorável à contribuinte em que não reste dúvidas sobre a sua validade e sobre o valor a ser restituído e /ou ressarcido. Deste modo, a contribuinte não poderia ter incluído em seu pedido de compensação, ora sob análise, crédito ainda ilíquido e incerto, posto que o PIS, nos períodos de competência de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004, teria sido objeto de compensação, ainda não homologados, em face de que os créditos com os quais teria efetuado tais compensações, referentes à PIS Decretos e FINSOCIAL, ainda encontravamse à época, como ainda se encontram, pendentes de ser reconhecidos pela Administração Pública, por meio dos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335. Portanto, correta a decisão de 1ª instância administrativa quando ressalvou que somente após decisão administrativa transitada em julgado, a ser proferida nos processos imediatamente acima mencionados , caso favorável à contribuinte, é que serão calculados os valores de créditos de Finsocial/PISDecretos indevidamente recolhidos e efetuada a compensação com débitos de PIS dos períodos em questão, a partir do montante reconhecido. Assim, somente depois de homologada a compensação do PIS naqueles processos, se for o caso, terseá o pagamento definitivo do PIS, a partir do qual, poderá a contribuinte requerer a restituição do que tiver sido recolhido a maior e, uma vez reconhecido administrativamente, estando o crédito assim líquido e certo, poderá, a contribuinte, a partir de então, solicitar a compensação com outros créditos tributários por ela devidos à Fazenda Pública Federal. A própria contribuinte reconhece isso, quando, em seu recurso voluntário, alega que “apenas com o julgamento definitivo destes processos (PISDecretos e FINSOCIAL) será possível auferir o real impacto no saldo de PIS, ora em discussão”. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.030 11 Acerca de seu pedido de sobrestamento deste processo até que ocorra o trânsito em julgado das decisões administrativas proferidas nos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, é de se ressalvar a inexistência de previsão legal neste sentido. Até porque, na verdade, a contribuinte, ao requerer a compensação com créditos ainda ilíquidos e incertos, desatendeu totalmente a legislação específica em vigor. Esclareçase, ainda, que se encontra equivocada a alegação da recorrente quando aduz que “na hipótese de referidos créditos de PIS Decretos e FINSOCIAL serem considerados insubsistentes, o Banco, ora recorrente, efetuará o pagamento do PIS Lei nº 9.718/98, que tinha sido objeto de compensação nos mencionados processos, de modo que, a nova cobrança do PIS, nestes autos, implicará em duplicidade de exigência”. É que, nestes autos os valores atinentes ao PIS, nos períodos de competência de agosto de 2000 a outubro de 2001, junho e setembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004, na verdade, foram excluídos pela Autoridade Administrativa no PER/DCOMP: 34804.18333.050906.1.3.571309 a título de créditos de PIS passíveis de restituição, por serem créditos ilíquidos e incertos, não se tratando, pois, de exigência em duplicidade de tais valores. Desta forma, é de se negar a preliminar arguída. DA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE À COISA JULGADA Depois de defender no item de seu recurso denominado “CONCEITO DE FATURAMENTO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF” “que o Supremo Tribunal Federal, nos julgamentos dos leading cases, não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que faturamento equivale, exclusivamente, à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços”, a recorrente, no sub item do recuso voluntário “CONTRARIEDADE À COISA JULGADA”, defende que a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 200.38.00.0040950, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário por ela interposto foi provido pelo STF, ou seja, o seu pedido foi integralmente reconhecido por meio da decisão transitada em julgado em 09/12/2005 e que não pairam quaisquer dúvidas quanto ao seu direito, qual seja: seu PIS incidirá apenas sobre as receitas advindas das vendas de mercadorias e serviços, respeitada a definição do conceito restrito de faturamento, imposto pelo Supremo Tribunal, tendo, se operado a preclusão temporal da discussão trazida pelo Despacho Decisório e Acórdão recorrido, visando mitigar a coisa julgada na esfera administrativa e então, afirma, que o Despacho Decisório convalidado pela Decisão ora recorrida desconsiderou totalmente a decisão transitada em julgado e pretende relativizar o conceito de “faturamento” para o caso específico das instituições financeiras, em evidente confronto com a coisa julgada. Neste item de seu recurso, as suas argumentações são no sentido de demonstrar que o STF decidiu pelo conceito restrito de faturamento, como base de cálculo do PIS e COFINS, e que este não corresponde à receita operacional. Pois bem, tendose em conta que se discute nos autos a definição do conceito de “faturamento” para as Instituições Financeiras, ou seja, de quais receitas auferidas pelas Instituições Financeiras integram, ou não, o faturamento dessas instituições, defendendo a recorrente que “faturamento” não corresponde à “receitas operacionais”, passase à análise das alegações de que a Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório nº 791 DRF/BHE, bem como a Autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa, com o acórdão 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE ora recorrido, teriam afrontados a coisa julgada no Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950, transitado em julgado em 09/12/2005, para concluir se realmente ocorreu, ou não, a coisa julgada com o enfoque pretendido pela recorrente. Acerca do referido Mandado de Segurança, a Belª Érica Mattos Barbosa, Diretora de Secretaria da 21ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais, conforme cópia da Certidão à efl 30, certifica, in verbis : “CERTIFICA, a requerimento de parte interessada, que, revendo os registros nesta Secretaria, verificou constar a tramitação do MANDADO DE SEGURANÇA, processo n° 2000.38.00.004095 0, impetrado pelo BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A E OUTROS contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE/MG, distribuído em 15/02/2000, em que as impetrantes, instituições financeiras, pleiteiam que lhes seja garantido o direito ao não recolhimento da contribuição do PIS, conforme o disposto no artigo 3º da Lei n° 9.718/98, sendo autorizadas a efetuarem o recolhimento da referida contribuição à alíquota de 0,65%, conforme artigo 1º da MP 1.99114, sobre o efetivo faturamento das impetrantes, que abrange a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, ou, subsidiariamente, que possam recolher o PIS, a partir de 01/01/2000, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar7/70, isto é, o equivalente a 5% do imposto de rendo devido (PISRepique). Certifica também que, em 15/12/2000, foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos e denegando a segurança, da qual foi interposto recurso de apelação pela impetrante, ao qual foi negado provimento. Certifica, finalmente que, a Impetrante interpôs recurso especial, que foi inadmitido; recurso extraordinário, que foi admitido e provido para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98; que a decisão transitou em julgado em 09/12/2005, que os autos retornaram a esta Instância e foram recebidos em 01/02/2006. O referido é verdade e dá fé. DADA E PASSADA nesta cidade de Belo Horizonte, aos 08 dias do mês de fevereiro de 2006. Eu, . . . . (Vanilda Aparecida Ferreira), Analista Judiciária, a digitei e vai devidamente assinada pela Diretora de Secretaria.” Constatase que, ao contrário do alegado, a impetrante não questionou explicitamente no mencionado Mandado de Segurança quais das suas receitas decorrentes de sua atividade típica comporiam, ou não, o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições do Pis e Cofins. Não se discutiu o conceito de faturamento para a atividade da Recorrente e o pedido formulado no mandado de segurança foi realizado pela impetrante , em relação a este tópico, de forma genérica: "direito de recolherem a contribuição ao PIS a partir de 01/01/2000 à alíquota de 0,65% (art. 1o da Medida Provisória n° 1.99114) sobre o efetivo faturamento das Impetrantes (art. 195, I, da Constituição tal como redigido à época da promulgação da Lei n° 9.718/98), que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3o da Lei n° 9.718/98 (instituição de nova contribuição social ao arrepio da regulamentação constitucional do exercício da competência residual da União), aplicandose tal diploma no que tange ao restante de suas disposições.” Vêse, também, que a decisão proferida de maneira incidental pelo STF no Recurso Extraordinário n° 409.860, transitado em julgado em 09/12/2005, foi no sentido único Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.031 13 de afastar a aplicação do §1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, por considerar inconstitucional a regra ali estabelecida, nos seguintes termos: “DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão no qual ficou assentada a constitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em face do disposto no artigo 195, I, da Carta Magna, com a redação anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 357.950, Rel. Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005, decidiu em sentido contrário. Assim, conheço e dou provimento ao recurso (art. 557, §1ºA, do CPC), para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Sem honorários (Súmula nº 512/STF). Publiquese. Brasília, 16 de novembro de 2005. Ministro GILMAR MENDES Relator” Portanto, ao contrário do argüido, na decisão do RE n° 409.860 o STF não se pronunciou expressamente sobre a questão específica de quais receitas comporiam o conceito de faturamento para as instituições financeiras contempladas na ação mandamental sob julgamento. A decisão ali proferida conformase, nos termos do art. 557, § 1°A do CPC1, com os estritos termos dos julgados, efetuados naquele colegiado, pacificadores da matéria. Cabe, então, efetuar análise do que foi decidido no STF no julgamento do RE 357.950, Rel. Ministro Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005, em face da referência feita pelo o relator Ministro Gilmar Mendes na decisão acima transcrita, com fins de detectar a ocorrência, ou não, da alegada afronta à coisa julgada, destacando que o julgamento do RE 357.950, tal qual se deu com o julgamento dos RE nº 346.084, 358.273 e 390.840, todos julgados na mesma data de 09 de novembro de 2005, com igual teor, embora proferida no exercício do controle difuso de Constitucionalidade, aplicandose, portanto, somente às empresas que integraram o pólo ativo da lide, constituise em verdadeiro leading case, que tem 1 Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. (Redação dada pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) § 1oA Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao recurso. (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 14 orientado outros julgamentos sobre a questão, a exemplo do que se deu com o julgamento do Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950, da ora recorrente. Pois bem, tal como ocorreu no julgamento dos RE nº 346.084, 358.273 e 390.840, o STF no julgamento do RE 357.950 – 9 Rio Grande do Sul, que teve como relator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005,(DJ 15/08/2006) julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 , cuja ementa abaixo se transcreve: Ementa “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE nº 357.950 – 9/RS, conforme ementa acima transcrita, bem como nos votos vistas proferidos, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Cofins no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade empresarial. O Acórdão recorrido fez menção aos posicionamentos dos Ministros explicitados no debate do julgamento do RE nº 346.084/PR, cujo teor do julgamento é similar ao julgamento do RE 357.9509/RS: “O Ministro César Peluso, no RE nº 346.084/PR, expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento, in verbis: ‘Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.032 15 qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’.’ (grifouse) O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE nº 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: ‘O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)’ (grifouse) Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.0846/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis: ‘A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...): ‘Art. 22. (...) §1º (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 16 ‘faturamento’ e ‘receita operacional’, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....). Ou seja, mais claro, impossível.’(grifouse) Na mesma linha, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE nº 346.0846/PR, pontuou que a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser buscada na legislação do Finsocial, o Decretolei nº 2.397, de 1987. O art. 22, caput, e a alínea b desse Decreto determinavam que o Finsocial (criado pelo Decretolei nº 1.940, de 1982, e que antecedeu à Cofins) incidiria sobre as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. E concluiu que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis: ‘Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do §1º e o § 4º esse, então acrescentado ao art. 1º do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas: ‘Art. 22 (...) Parágrafo 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.’ (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ 149/287; ‘(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei nº 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição.’ Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1, Moreira Alves. (...)’” (grifouse) Portanto, constatase que nos julgamentos dos leading case, ao contrário do argüido e de acordo com o entendimento proferido nos votos dos Ministrosmembros, o Supremo Tribunal Federal STF expressouse no sentido de que o faturamento, como base de Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.033 17 cálculo do PIS e COFINS, corresponde à receita operacional oriunda do exercício das atividades empresariais. E aqui, cabe registrar, em vista das alegações da recorrente de que as posições individuais dos ministros foram defendidas apenas nos debates e que não compuseram o voto vencedor do Ministro Marco Aurélio, que se encontra evidente a convergência desse entendimento, proferidos expressamente nos votos vista daqueles que a requereram e não apenas mencionados nas discussões verbais, inclusive do próprio relator Marco Aurélio, consoante se demonstra com a transcrição já acima feita do votovista do ministro Cezar Peluso e conforme se transcreve a seguir, a título de exemplo, trecho do votovista do ministro Eros Grau no julgamento do RE 357.950/RS: VOTOVISTA DO MINISTRO EROS GRAU: "(...); Ora, se receita bruta (=receita de vendas de mercadorias e de prestação de serviços) coincide, qual afirmou esta corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito ...‘receita’...no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de ‘faturamento’. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos ai receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico... isto é, proveniente das operações do seu objeto social..., aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (...)” (grifei) Temse como equivocada a afirmação da recorrente de que o STF declarou a inconstitucionalidade da equiparação do termo receita bruta e faturamento. Vimos acima, pela transcrição dos votos e da ementa do julgamento do RE 357.950, que os ministros entendem que as expressões receita bruta e faturamento são sinônimas, considerando “receita bruta” como “receita operacional”, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. E, ademais, tal equiparação consta da redação do próprio caput do art. 3° da Lei nº 9.718/98, que não foi julgada inconstitucional: ““Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.” O que se afastou com a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, foi a ampliação do conceito de receita bruta para além da receita Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 18 operacional da empresa, tida como resultante de sua atividade empresarial, no sentido de envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Verificase, pois, que a decisão proferida no referido Mandado de Segurança, foi, unicamente, no sentido de afastar a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tendo em vista a jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade, unicamente, do referido parágrafo e não do integral art. 3o da Lei n° 9.718/98, conforme requerido pela impetrante, em conformidade com a regra contida no art 557, § 1°A, do CPC. Vêse, ainda, que nos julgamentos dos leading case não se adentrou na discussão sobre a composição de faturamento para o caso específico das instituições financeiras. Tanto é assim que, em conseqüência da declarada inconstitucionalidade pelo STF da regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, as instituições financeiras passaram a questionar as inclusão de algumas receitas operacionais na base de cálculo do PIS e Cofins, estando hoje, esta questão específica submetida à Repercussão Geral assim declarada pelo o STF no RE 609.096 que trata de recursos extraordinários interpostos pela a União e pelo o Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Portanto, o recurso voluntário, no concernente à preliminar de ofensa do Despacho Decisório e do acórdão recorrido à coisa julgada, não merece provimento, haja vista verificarse que o Acórdão 0237.201 , prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, convalidando o Despacho Decisório nº 791DRF/BHE, decidiu pela exclusão na base de cálculo do PIS das receitas não operacionais, tendo em vista exatamente a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mantendo a incidência do PIS apenas sobre a receita bruta, justificando que esta corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim, tudo em conformidade com o decidido no Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950, com a jurisprudência firmada pelo o STF, com o disposto no Parecer da PGFN/CAT/Nº 2.77 e com a Lei nº 9.718/88. Aqui cabe ressaltar que, não obstante haja coincidência da matéria sob repercussão geral acima mencionada com a matéria sob litígio neste processo, haja vista que aqui se discute a definição da amplitude do conceito de “faturamento” para as Instituições Financeiras, ou seja, de quais receitas auferidas pelas Instituições Financeiras integram, ou não, como receitas operacionais, o faturamento dessas instituições não mais se pode sobrestar o julgamento do recurso neste colegiado, em face da recente alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Assim sendo, não havendo questionamento pela contribuinte, ora recorrente, na esfera judicial de igual matéria ora sob litígio na esfera administrativa e não mais podendo este colegiado sobrestar o julgamento de matéria que esteja submetida à Repercussão Geral no STF, esta tem que ser analisada e decidida pela autoridade julgadora administrativa. Registrese ainda que a recorrente no sub item “IV.3 – POSICIONAMENTO ATUAL DO STF ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS” noticia sobre tal Repercussão Geral da matéria no RE 609.096 e argúi que, ainda que o Supremo alargue a base de cálculo do PIS e da COFINS para o conceito de receitas decorrentes da atividade empresarial, como sustentado Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.034 19 pela r. decisão recorrida, não haverá qualquer possibilidade jurídica de aplicação, com efeitos ex tunc, à decisões transitadas em julgado que tenham por fundamento entendimento contrário ao eventual novo posicionamento do Tribunal, como se dá no caso concreto do Recorrente. Em razão dessas alegações e, tendo em vista, ainda, a requisição posterior da recorrente de juntada do acórdão proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, nos autos do REsp 1.1 18.893/MG, na qual ressalta ser inconteste a imutabilidade da base de cálculo do PIS tal como requerido e deferido por decisão transitada em julgado, cabe ressalvar, porém, que não tendo a coisa julgada, em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0040950, o enfoque pretendido pela ora recorrente, haja vista que, repitase, a decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE n° 409.860/MG foi unicamente para afastar a aplicação do § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718, de 1998 e não para esmiuçar o conceito de faturamento das instituições financeiras, não cabe, no presente caso, a aplicação da decisão proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1118893 MC Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC. NO MÉRITO Passase assim, ao mérito da questão, qual seja, analisar e decidir qual exatamente a composição da base de cálculo do PIS das empresas financeiras, a partir da edição da Lei nº 9.718/88. Até a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS e da COFINS era o faturamento, cujo conceito restringiase às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, nos termos do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pretendeu ampliar esse conceito para nela fazer inserir toda e qualquer receita, de qualquer natureza. O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Tal pretensão levou o judiciário a pronunciarse sobre a jurisprudência já firmada acerca do conceito de faturamento para incidência do PIS e da Cofins, em decorrência das diversas ações impetradas pelos contribuintes, entre eles as empresas do setor financeiro e seguradoras, que não se conformaram com o término da isenção que possuíam até a edição dessa lei. Assim é que o STF, nos julgamentos dos RE 346.0846 Paraná, RE 358.273, RE 390.840 e RE 357.950 – 9 Rio Grande do Sul, que teve como relator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005 (DJ 15/08/2006), julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, cuja ementa foi acima transcrita. Mas, entendeu constitucional a regra Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 20 do caput do art 3º de referida lei, acima transcrito, interpretando a expressão receita bruta, de forma genérica, sobre a qual já se tinha jurisprudência firmada, consoante acima demonstrado. Como já ressaltado, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 409.860 no MANDADO DE SEGURANÇA, processo n° 2000.38.00.0040950, da ora recorrente, declarou inconstitucional, de maneira incidental, o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos seguintes termos: “(...) Assim, conheço e dou parcial provimento ao recurso (art. 557, §1ºA, do CPC) para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. (...)”. Mas, não afastou os demais artigos dessa lei, cujas regras permanecem válidas, inclusive a do art. 2º e a do caput do art. 3º, que prescrevem: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo do PIS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, consideradas exclusivamente as decorrentes da atividade empresarial típica. É que, como se viu acima, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, proferida nos julgamentos dos recursos extraordinários considerados como leading cases, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade empresarial típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. DO RE 585.2351/ MG REPERCUSSÃO GERAL Por fim, a sinonímia do termo faturamento e receita bruta abarcando a receita decorrente do exercício da atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reafirmada a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa e Acórdão: “EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.035 21 ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso –Relator” No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei). Destarte, restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ressaltese que a repercussão geral reconhecida no referido RE 585.2351/MG implica sua reprodução nos julgamentos administrativos no âmbito do CARF, conforme disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/20092. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 22 Entendendose o alcance do conceito de receita bruta como sendo faturamento no sentido de venda de mercadoria e serviços, verificase que o conceito dado pelo STF, à luz da Lei nº 9.718, de 1998, e da LC nº 70, de 1991, é, definitivamente, o de receita operacional oriunda do exercício das atividades empresariais típicas. Da mesma forma, a jurisprudência dos Tribunais Regionais era de que faturamento era compreendido como Receita Bruta, assim entendida a receita originária empresarial, de acordo com o objetivo societário, excluindose as receitas financeiras, conforme se extrai dos trechos a seguir. Vejamos: No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.01.00.024444.5/DF, cuja relatora era a Exma. juíza Eliana Calmon, na qual se discutia o aumento de alíquota e ampliação da base de cálculo estabelecido pela Lei nº 9.718/98, a mesma ressalvou que: “Receita bruta é sinônimo de faturamento pelo o STF, entendendose como tal o total das vendas, de serviços e de mercadorias e serviços (Precedentes do STF – RE 150.746, RE 150.755, ADCnº01/DF). Em outras palavras, tudo o que se originar da atividade empresarial, de acordo com o seu objetivo societário é Receita Bruta ou faturamento. Fora do contexto ficavam o emprego do capital empresarial em investimentos mobiliários, ou especulação cambial, porque tais ganhos não poderiam ser rubricados como Faturamento ou Receita Bruta. Era uma zona ‘gris’, que sofria a tributação do Imposto de Renda, naturalmente, mas escapava à incidência da Cofins. Com a Lei nº 9.718/98 não somente pretendeuse estabelecer em diploma legislativo a identidade já assumida pelo o STF – Receita Bruta – Faturamento – mas ampliarse o conceito de Receita bruta para nela abrigar os investimentos mobiliários e de Câmbio. E, tanto é verdadeira a assertiva, que foi preciso explicitar o que se incluía no conceito de Receita Bruta (operações em mercados futuros e operações de câmbio). Consequentemente, a alteração ocorreu no sentido de darse ao conceito Receita Bruta, interpretada até então como o só resultado empresarial de suas atividades.” No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.04.01.0022003.0/SC, cuja relatora era a Exma. juíza Tânia Escobar, do TRF da 4º região, DJU 2, de 31/05/1999, p.269, a mesma menciona que: “...mesmo considerando que foi com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 20/98 que formalmente se viabilizou a criação de contribuições sociais sobre a receita bruta, a cargo do empregador, já no regime anterior à referida emenda a Cofins já incidia sobre receitas, não decorrentes de faturamento, ex vi do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, tendo essa sistemática sido convalidada pela Suprema Corte no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1 1/DF, onde prevaleceu o entendimento de que ‘conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.036 23 acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão somente nas vendas mercantis a prazo.’ (trecho do voto do relator, Ministro Moreira Alves, citando o votto do Ministro Ilmar Galvão no julgamento do RE 150.764/PE).” Assim, é de se entender, em conformidade com a jurisprudência firmada, que, de forma geral, o termo “faturamento”, ao longo de sua utilização na legislação tributária e das discussões doutrinárias e jurisprudenciais, afastouse do seu sentido inicial meramente mercantil, considerado como o ato de faturar, para alcançar as receitas decorrentes de todas as vendas de mercadorias, não só as faturadas, de mercadorias e serviços e de serviços, decorrentes das atividades típicas da empresa, que, em regra, são aquelas constantes do objetivo social da empresa. A Lei n° 9.718, de 1998, por meio de seus §5º e §6° do art. 3° abaixo transcritos, introduzidos pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2º da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001), determinou a base de cálculo do PIS e da Cofins devidos pelas instituições financeiras e assemelhadas: “§5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. §6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge;” (...) A Instrução Normativa (IN) SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, normatizando o dispositivo legal citado, explicitou em seus arts. 27 e 95: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 24 “Art. 27. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor: ( Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012 ) I – das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; II – dos encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais ou de direito privado; III – das despesas de câmbio, observado o disposto no § 2º do art. 10; IV – das despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; V – das despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; VI – do deságio na colocação de títulos; VII – das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e VIII – das perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge . Parágrafo único. A vedação do reconhecimento de perdas de que trata o inciso VII aplicase às operações com ações realizadas nos mercados à vista e de derivativos (futuro, opção, termo, swap e outros) que não sejam de hedge (...) Planilhas para o Cálculo das Contribuições “Art. 95. As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive as associações de poupança e empréstimo, deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com a planilha de cálculo constante do Anexo I.” ( Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012 ) Conforme bem destacado pelo o Acórdão ora recorrido, da leitura dos dispositivos acima, depreendese que, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as instituições financeiras podem efetuar uma série de deduções necessárias ao auferimento das receitas derivadas da exploração de sua atividadefim, resultando que, ao final, tributase, basicamente, o resultado ou ganho líquido, e não a totalidade da receita. Tratase de situação sui generis, devido às especificidades e particularidades da atividade econômica desenvolvida pela ora recorrente, totalmente diversa da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.037 25 Especificamente sobre a composição do faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, para pessoa jurídica incluída no rol do §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991 (instituições financeiras e assemelhadas), o acórdão recorrido traz à lume a decisão prolatada pela 2ª Turma do STF em 29/11/2005 (DOU de 09/12/2005), de lavra do Ministro Cézar Peluso, nos autos do RE nº 400.479, que traduz o entendimento do Excelso Pretório acerca da aplicação da inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, para aquelas pessoas, isto é, instituições financeiras e assemelhadas , no tocante à incidência das contribuições sociais para o PIS e Cofins e que se transcreve a seguir: “1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). (...) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.” (grifouse) Tal decisão foi objeto de agravo, sob os argumentos de que: a) a lide revela especificidades que não se exaurem com a decisão alcançada pelo o Plenário da Corte declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; b) a limitação do conceito de faturamento às receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços resultou na isenção das empresas seguradoras das contribuições para o PIS e COFINS, exatamente por não apresentarem nenhuma dessas receitas; c) as receitas de prêmio não podem ser tributadas pela COFINS por não integrarem sua base de cálculo, o contrato de seguro não envolve vendas de mercadorias e nem tão pouco prestação de serviços. O relator do agravo, o Ministro Cezar Peluso, apresenta, em 10/10/2006, o seu voto nos seguintes termos: “1. A decisão agravada invocou e resumiu o entendimento invariável da Corte, cujo teor subsiste invulnerável aos Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 26 argumentos do recurso, os quais nada acrescentaram à compreensão e ao desate da quaestio iuris. Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas do contrato de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência para as contribuições para o PIS e a COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo o Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544,§§ 3º e 4º , e no art.557, ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau da autoridade que o ordenamento jurídico atribui, em nome da segurança jurídica, às súmulas e, posto que não sumuladas, à jurisprudência dominante, sobretudo desta Corte, as quais não podem ser desrespeitadas e nem controvertidas sem graves razões jurídicas capazes de lhes autorizar revisão ou reconsideração. De modo que o inconformismo sistemático, manifestado em recursos carentes de fundamentos novos, não pode deixar de ser visto senão como abuso do poder recursal. Ao presente recurso, que não traz argumentos consistentes para editar eventual releitura da orientação assentada pela Corte, não sobra, pois, senão caráter abusivo. 2. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão agravada pelos seus próprios fundamentos”.(grifei). Inferese das diversas manifestações dos Ministros do STF, inclusive no RE 585.2351/MG, no qual foi reconhecida a repercussão geral que, ao contrário do argumentado pela ora recorrente, o faturamento ou receita bruta que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998 elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde, de forma genérica, à receita operacional da pessoa jurídica, independentemente da atividade por ela exercida, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade empresarial típica. Também, diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pelo o STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu o entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais devem compor a base de cálculo das contribuições, conforme consta da Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação: “Considerando que o artigo 195 da Constituição Federal, em sua redação originária, anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, somente previa a incidência de contribuição sobre o faturamento, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que conceituou o termo ‘faturamento’ como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da classificação fiscal ou contábil adotada. Em resumo, o STF decidiu que, sob o sistema constitucional em que aquela Lei foi promulgada, a base de cálculo da Contribuição para o Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.038 27 PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) era o faturamento, aí compreendido o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da emissão de fatura. Dessa forma, a partir da referida decisão, a interpretação possível é a de que, no período de vigência da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas financeiras, dentre outras que não se caracterizem como receitas de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, deixaram de compor a base de cálculo das contribuições. (...); 3. Após a decisão do STF, diversos questionamentos foram levantados sobre a aplicação da referida decisão às instituições financeiras e às seguradoras, sob o argumento de que tais entidades não possuem ‘faturamento’, propriamente dito, pois argumentam as entidades que a palavra faturamento teria acepção própria, tecnicamente construída, e corresponderia, taxativamente, ao conjunto de receitas obtidas pela pessoa jurídica na venda de mercadorias e na prestação de serviços. Não se confundiria, nem se equipararia, com receitas outras, como as receitas financeiras das pessoas jurídicas que se dedicam à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. 4. Como decidido pela Suprema Corte, foi afastada a ampliação da base de incidência definida no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Entretanto, resta equivocado o entendimento dado pelas instituições do setor financeiro, com base no argumento referido no item 3 desta Nota, no sentido de que deverão recolher esses tributos apenas sobre as tarifas de emissão de extratos ou de talões de cheque, entre outras assemelhadas, considerandoas unicamente como receitas de serviços. 4.1. As instituições financeiras, em sustentação de sua tese, alegam que a maior parte de suas receitas não decorrem da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mas sim de atividades estritamente financeiras. Argumentam, ainda, que não importa que essas receitas financeiras sejam consideradas operacionais, já que o conceito de faturamento não é maleável a ponto de sofrer ampliações em função da natureza das atividades do contribuinte, visto que, como já decidiu o STF, tratase de conceito obtido em ciência própria, que como tal deve ser respeitado. (...). 6. Ocorre que a interpretação lógica decorrente da citada decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins sobre receitas que não compõem o seu faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços. 6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil inclusive empresas de arrendamento Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 28 mercantil (leasing), por terem sido consideradas como instituições financeiras enquadradas no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero de CPMF, transitada em julgado não devem ser consideradas na apuração da base de cálculo as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tais como rendas de aluguel e outras rendas não operacionais. Entretanto, receitas da atividade própria dessas instituições se constituem no próprio faturamento destas, reconhecidas inclusive como operacionais pelo próprio Cosif. 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. 7. O fato da incidência dessas contribuições sobre a totalidade das receitas somente ter sido autorizada com o advento da Emenda Constitucional nº 20/98 é pouco relevante para as instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades continuam sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998. 8. Portanto, são frágeis os argumentos das instituições financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas contribuições sobre suas receitas financeiras, sem que antes seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação às suas atividades. 9. Com efeito, o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. 9.1. O Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) pode ser subdivido em dois grandes blocos. O primeiro é o próprio texto do Acordo contendo as regras e as obrigações aplicáveis a todos os Membros da OMC. O segundo é composto pelos anexos que tratam de problemas específicos de alguns setores. São eles: o anexo referente ao movimento de pessoas físicas fornecedoras de serviço, o anexo sobre os serviços de transportes aéreos e os de transportes marítimos, o anexo sobre serviços financeiros, e, finalmente, os anexos concernentes a telecomunicações. 9.2. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS (em anexo), em seu item 5, efetua as seguintes determinações: ‘5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.039 29 serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: (...) Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hipotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: • instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); • divisas; • produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; • instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; • valores mobiliários negociáveis; • outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 30 xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública; (...)’ 10. Assim, entendese que, sendo essas atividades caracterizadas como serviços, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ 12. Por todo o exposto, propõese o encaminhamento de consulta à PGFN para avaliação da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz da decisão do STF.” (grifouse) Instada a dar o seu parecer sobre a base de cálculo da Cofins a ser utilizada pelas instituições financeiras e assemelhadas, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, emitiu, em 13 de dezembro de 2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, nos seguintes termos: “61.O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica.A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.040 31 62.O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §Iº do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Constatando, pois, que o termo “faturamento” ou “receita bruta” que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde à receita operacional da pessoa jurídica, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade típica, tornase relevante, exatamente em sentido oposto ao defendido pela recorrente, as disposições contidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro NacionalCOSIF, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, que em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, Item 3, explicita que as rendas obtidas tanto com as operações ativas quanto com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais, consoante se demonstra a seguir: “3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais.” (grifouse) Consoante destacado no acórdão recorrido, bem como no recurso voluntário, no Cosif, as contas de receitas operacionais das instituições financeiras referentes à suas atividades típicas são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 32 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais Conforme bem destacou a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: “as receitas operacionais são aquelas desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica. No caso das instituições financeiras, as receitas operacionais são as receitas de serviços decorrentes das operações de intermediação financeira e de outros serviços bancários ou financeiros. No mesmo sentido, acrescentese que a legislação fiscal fixou, a exemplo dos artigos 40, 41 e 43, da Lei nº 4.506, de 1964, e art. 11, do Decretolei nº 1.598, de 1977, que o lucro operacional da pessoa jurídica é o resultado das atividades normais da empresa, ou seja, as que constituem seu objeto. Se assim é, o conceito operacional está vinculado ao conceito de atividade normal, típica da empresa, consoante estabelecida em seus estatutos. Portanto, a receita operacional, de onde se extrai o lucro operacional, decorre necessariamente das atividades típicas da empresa. Nesse sentido, os ingressos decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras constituem receitas operacionais, sujeitas à tributação da Cofins e do PIS. (...)(grifos meus). Desta forma, mesmo considerando o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e diante do que foi acima exposto, podese inferir que relativamente às instituições financeiras, as receitas vinculadas às operações ativas e à prestação de serviços, em conformidade com o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, são receitas operacionais decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins e, ao contrário do que alega a recorrente, devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição. No caso específico de instituição financeira o recebimento de receita, mesmo que denominada de receita financeira (por exemplo, recebimento de juros como remuneração de um empréstimo concedido, seja com recursos próprios ou não, a outra instituição financeira), sendo esta decorrente de sua atividade típica, constitui o próprio faturamento da empresa e compõe a base de cálculo do PIS e COFINS. Somente as receitas financeiras de natureza nãooperacional, posto que não decorrentes de suas atividades típicas, estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços. Em assim sendo, destacase ser inconsistente a limitação que pretende fazer o contribuinte no sentido de que o faturamento supõe a existência de um preço recebido no bojo Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.041 33 de uma relação contraprestacional e que, no caso da prestação de serviços, os ingressos devem consubstanciar “obrigação de fazer”. Sob outro ângulo também improcedem as alegações da recorrente. Vejamos: A recorrente ainda contesta a conclusão da decisão recorrida emitida com base na transcrição da Nota Técnica nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, quanto à natureza jurídica das receitas típicas das instituições financeiras, a qual segundo o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) constituem receitas de serviços financeiros, aduzindo que sendo o GATS um acordo celebrado com diversos países que têm história, experiência e tradições distintas, os termos utilizados o são numa amplitude que atenda a uma multiplicidade de experiências e que permita às partes chegarem a algum tipo de consenso, mas, limitamse ao âmbito do próprio acordo, como nele está expressamente dito. Relativamente à esta questão, a própria Nota Técnica nº 21, de 28 de agosto de 2006 efetua ressalva sobre a aplicação dos tratados internacionais, in verbis: 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ Desta forma, concluise correta a aplicação dos dispositivos do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), no sentido de que as atividades das instituições financeiras são caracterizadas como serviços e, conseqüentemente, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. A justificar o entendimento de que as atividades das instituições financeiras enquadramse como serviços, o acórdão recorrido faz menção à decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 2.5911/DF, a partir da qual o STF estabeleceu a aplicação do CDC às atividades das instituições financeiras, entendendo constitucional o §2º do art. 3º da Lei nº 8.078, de 1990, assentando que a atividade financeira constituise de serviços disponibilizados aos clientes. Aqui, a recorrente contesta alegando que “não se pode estender o conceito de serviços, utilizado pelo STF na ADIn n° 2.5911/DF, para o fim exclusivo de se reconhecer a aplicação do Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras em geral, para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento”. Não é de se concordar com tal entendimento, haja vista que inexiste conceito constitucional para o termo “faturamento”. A concepção conceitual desse termo foi construído ao longo dos tempos pela doutrina e jurisprudência. E, neste aspecto, embora não conste em seu recurso, convém tecer considerações acerca da notícia trazida em memorial apresentado pela contribuinte, sobre o advento da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, publicada no DOU de 12 de novembro de 2013, bem como do entendimento por ela proferido sobre a edição de referida norma, por ser fato superveniente à interposição de seu recurso voluntário. Entende a contribuinte que essa norma, não sendo norma interpretativa, ao alterar o art. 12 do Decretolei Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 34 nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ampliando o conceito de “receita bruta” para albergar as receitas das instituições financeiras alheias ao tradicional conceito de vendas de bens e serviços, demonstra que tais receitas financeiras só incluemse no faturamento a partir da mesma e que não poderiam sêlo antes, vez que ausente a norma. No entanto, sobre tal questão, cabe entender que a edição de referida medida provisória reflete o esforço da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB em tornar expresso o entendimento doutrinário e jurisprudencial já construído, visando assim atingir um de seus objetivos estratégicos, qual seja, “Reduzir litígios tributários e aduaneiros”, tal qual se dá nos presentes autos. DAS RECEITAS A SEREM CONSIDERADAS NA BASE DE CALCULO DO PIS – ALEGAÇÃO DE EQUÍVOCO NA BASE DE CÁLCULO ADOTADA NO DESPACHO DECISÓRIO EFETIVA COMPROVAÇÃO Neste sub item de recurso a contribuinte argúi que, em caso de se considerar que o termo faturamento equivale às receitas operacionais, nas receitas incluídas na base de cálculo pela fiscalização há verbas que extrapolam o próprio conceito de receita operacional, as quais devem ser excluídas. A título meramente exemplificativo, em sua manifestação de inconformidade aponta as seguintes contas e sub contas: 1) 7.1.9.99.009 Outras Rendas Operacionais, onde a sub conta 7.1.9.99.00.9.1.04 Variações Monetárias Ativas registra valores referentes a juros sobre depósitos judiciais (fiscais/trabalhistas) e correção de créditos de tributos a recuperar. Também haveria valores contabilizados nas sub contas 7.1.9.99.00.9.1.11 Rendas de Juros ao Capital Outras Empresas e 7.1.9.99.00.9.1.15 Rendas de Juros ao Capital Ligadas, que representam verbas que remuneram o investimento do acionista em uma sociedade anônima; e 2) 7.1.9.30.006 Recuperação de Encargos e Despesas. A DRJ teria mantido a incidência do PIS sobre referidas receitas por falta de provas das alegações aduzidas na manifestação de inconformidade, ou seja, falta de documentos suficientes à comprovação do efetivo recebimento de tais receitas, precluindo o direito à apresentação de quaisquer documentos posterior. Tal fundamento, entretanto, foi rebatido pela recorrente que alegou que “nos autos do presente processo estão todas as Planilhas demonstrativas das receitas auferidas pelo Recorrente nos anos de 2000 a 2005 (período abrangido pelo pedido de compensação), elaboradas nos termos da IN SRF 247/2002. Ou seja, os valores escriturados em cada uma das contas são, presumidamente verdadeiros, tendo em vista que tais planilhas tratamse de documento contábil oficial emitido pelo Recorrente, as quais foram utilizadas pela própria fiscalização para a análise das receitas auferidas pelo Recorrente e elaboração do Despacho Decisório, sendo que, em nenhum momento, a fiscalização contestou a natureza dos valores escriturados ou a própria escrituração das receitas ali realizadas”. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.042 35 E conclui: “o montante das receitas auferidas pela empresa, que extrapolam o conceito de faturamento adotado pela fiscalização, pode ser verificado de uma simples análise destes documentos”. Para melhor entendimento da questão, extraise trecho constante do relatório do Despacho Decisório n° 791 DRF/BHE: “Intimado a apresentar demonstrativos da base de cálculo do Pis e da Cofíns no período coberto por este processo, o contribuinte apresentou as planilhas constantes do processo 15504.001548/2010537, com base nas quais foram elaboradas as planilhas resumo das receitas não operacionais e que não compõem a base de cálculo do Pis e da apuração dos créditos do Pis. Verificase, pelas planilhas apresentadas, que a quase totalidade das receitas que compuseram inicialmente a base de cálculo do Pis devido pertencem a 5 rubricas, todas dentro do grupo Receitas Operacionais: Rendas de operações de créditos Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez Rendas de Títulos e Valores Mobiliários Rendas de Prestação de Serviços Outras Receitas Operacionais Em seu pleito, o contribuinte entende como devido apenas o Pis incidente sobre as Rendas de Prestação de Serviços. Seus créditos decorreriam da diferença entre os valores recolhidos com base na receita bruta total e os débitos apurados com base nas chamadas "Rendas de Prestação de Serviçosconta contábil 7.1.7.00.009. (...) Resumindo, para a PGFN, a base de cálculo da Cofins devida pelas instituições financeiras, segundo as decisões judiciais sobre a matéria e a jurisprudência do STF, é a receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as receitas não operacionais e as demais exclusões previstas na legislação de regência, vale dizer, as que constam dos parágrafos 2º , 4º, 6º e 8º do art. 3º da Lei 9.718/98, além daquelas admitidas para o PIS, nos termos do §5º desse mesmo artigo, combinado com o art. 1º e incisos da Lei n° 9.701/98. Portanto, são exigíveis os valores do Pis apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2º da LC 70/91, ou seja, ‘a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza’, permitidas as exclusões determinadas pela legislação não atingida pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98; conseqüentemente, estão extintos os valores devidos Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 36 com base na base de cálculo ampliada, no que excederem aos valores apurados nos termos supra. Isto posto, concluise que o contribuinte teria direito tão somente ao crédito relativo à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago incidente sobre as receitas totais, excluídas as receitas não operacionais, conforme quadro abaixo, elaborado com base nas informações do contribuinte "(grifos do original) Vêse que, de fato, a fiscalização não contestou a natureza dos valores escriturados ou a própria escrituração das receitas ali realizadas. Simplesmente, com base nas planilhas apresentadas pela contribuinte, apurou a base de cálculo do PIS excluindo da mesma unicamente as receitas não operacionais, haja vista o entendimento de que o “faturamento mensal”, tal como definido pelo art. 2º da LC 70/91, compreende “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, que equivale às receitas operacionais da instituição, oriundas do exercício das atividades empresariais, vinculadas aos seus objetivos sociais. Desta forma, se a contribuinte escriturou receitas como sendo operacionais, advindas de sua atividade típica, sem que fossem efetivamente, o ônus da prova em sentido contrário ao escriturado compete à quem alega, no caso, a contribuinte. Da análise das planilhas demonstrativas da base de cálculo do PIS e COFINS efetuadas com base nos livros Razão, cópias anexadas às efls 210 a 489, constatase a escrituração da subconta “RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS – conta COSIF 7.1.9.30.006”, bem como da subconta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS conta COSIF 7.1.9.99.009”, ambas inseridas na conta “OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS – conta COSIF 7.1.9.00.005”, sem maiores detalhes de sua composição. Como dito pela própria recorrente, as planilhas demonstrativas das receitas por ela auferidas nos anos de 2000 a 2005 (período abrangido pelo pedido de compensação), elaboradas nos termos da IN SRF 247/2002, tratamse de documento contábil oficial emitido pelo Recorrente e nesta condição demonstram o aferimento de receita operacional, base de cálculo do PIS. Para afastála precisa a recorrente comprovar o equívoco alegado. Entretanto, a recorrente apenas apresenta alegações desprovidas de provas, sob a alegação de impossibilidade física de se anexar aos autos as documentações comprobatórias de escrituração de valores que não correspondem à receita operacional em cada uma das contas, devido o seu volume. Rejeitando a preclusão prevista no art. 16, § 4o do Decreto n° 70.235, de 1972, sob o argumento de se mitigar um dos princípios mais caro ao processo administrativo, em suas palavras, que é o da verdade material, junta ao recurso (efls 654/676), apenas a título de exemplo, cópia do razão contábil relativo à subconta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de Juros sobre o Capital Próprio", dos anos de 2000 a 2005, que demonstram, segundo a mesma, o efetivo recebimento, pela Recorrente, dos juros sobre o capital próprio, que são verbas que remuneram o investimento do acionista em uma sociedade anônima e não podem ser confundidas com receitas decorrentes de operações bancárias em geral. Como não poderia deixar de ser, a contribuinte segue o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.043 37 Pois bem, como já se destacou anteriormente, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, Item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas quanto com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. E, nesta questão, corroboro com o entendimento proferido pelo o Acórdão recorrido no sentido de que: “a menos que se demonstre o contrário, todos os grupos contábeis classificados pelo Cosif como ‘receitas operacionais’ devem compor a base de cálculo do PIS, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções especificadas no Anexo I da IN SRF nº 247, de 2002, além da exclusão das receitas não operacionais.” Passase, então, à análise apenas das sub contas contestadas no recurso voluntário. DA SUB CONTA “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS conta COSIF 7.1.9.99.009” Relativamente aos títulos genéricos de receitas, tais como OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, o item 10 da Seção 17 do Capítulo 1 Normas Básicas do COSIF estabelece: “10 Em relação aos títulos genéricos de receitas e despesas, tais como OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS e OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, a instituição deve adotar subtítulos de uso interno para identificar a natureza dos lançamentos efetivados. (Circ 1273)” Conforme estabelece o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, a função da sub conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009” inserta na conta “7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais”, é registrar as rendas operacionais que constituam receita efetiva da instituição, no período, para cuja escrituração não exista conta específica, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados por contas de resultado de natureza devedora, decorrentes do registro da variação cambial incidente sobre operações passivas com cláusula de reajuste cambial, devendo a instituição manter o controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza. SUB CONTA 7.1.9.99.00.9.1.15 "RENDAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO", A recorrente, por meio do Razão dos anos de 2000 a 2005 anexado ao seu recurso voluntário às efls 654 A 676, demonstra que uma das sub contas que compõe a conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009” é a sub conta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de Juros sobre o Capital Próprio", explicando que a mesma demonstra o efetivo recebimento, pelo Recorrente, dos juros sobre o capital próprio, que são verbas que remuneram o investimento do acionista em uma sociedade anônima. Cabe ressaltar que, conforme o Estatuto da empresa (efls. 192/207), art. 2º: “Constitui objeto da Sociedade a realização de operações bancárias em geral, podendo, Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 38 inclusive, com as competentes autorizações previstas em Lei, operar em câmbio, em compra e venda de títulos públicos e participar de outras sociedades”. (grifos nossos). E ainda, como é sabido, a aferição de juros constitui receita que decorre da atividade típica das instituições financeiras e é exatamente por esta razão que a sua escrituração dáse em conta de resultado credora, a título de receitas operacionais, constituindose, no caso, base de cálculo do PIS, em conformidade com o já analisado anteriormente, posto que a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS não afastou a possibilidade de tributação de parcela sob comento. Portanto, a sub conta 7.1.9.99.00.9.1.15 "Rendas de Juros sobre o Capital Próprio" representa receita decorrente de sua atividade típica, constante de seu objeto social, e, desta forma, é receita operacional, base de cálculo do PIS. Embora não mencionada no recurso voluntário, à sub conta 7.1.9.99.00.9.1.11 Rendas de Juros ao Capital Outras Empresas aplicase o acima exposto. SUB CONTA 7.1.9.99.00.9.1.04 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS Já, quanto à sub conta 7.1.9.99.00.9.1.04 Variações Monetárias Ativas, também inserida na sub conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009”, a recorrente afirma que nesta registra valores referentes a juros sobre depósitos judiciais (fiscais/trabalhistas) e correção de créditos de tributos a recuperar e aduz que a própria RFB, por meio da Solução de Consulta n° 14, de 23 de janeiro de 2012 (DISIT 8ªRF), já reconheceu que tais variações monetárias ativas não se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS por não se constituir em receita da atividade empresarial das seguradoras, equiparadas às instituições financeiras. De antemão, é preciso esclarecer que, consoante a disciplina estabelecida pelos artigos 48 a 51 do Decreto no 70.235, de 1972, os efeitos das soluções de consulta emanadas por esta RFB circunscrevemse aos consulentes, não havendo qualquer tipo de vinculação deste colegiado à decisões preferidas em Soluções de Consultas alheias à recorrente e ao fato específico ora sob análise. Não obstante, possa ou não ser procedente a sua argüição quanto ao mérito, o fato é que a recorrente apenas apresenta alegações sem provar quais as composições dessa sub conta. E, desta forma, tem razão o Acórdão recorrido quando assevera que “o dever de prova é tanto do agente fiscal (art. 9º do PAF), que fundamentou o Despacho Decisório em tela nos dispositivos legais nele contidos, baseandose nas bases de cálculo do PIS apresentadas pela própria empresa, assim como também é do manifestante (arts. 15 e 16 do PAF), que deve comprovar suas alegações com esclarecimentos e documentos hábeis.” Assim, estando tal sub conta escriturada no rol da sub conta “OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 7.1.9.99.009”, esta, por sua vez, inserta na conta “7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais”, tudo em conformidade com a determinação contida no o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, sem que a recorrente tenha conseguido comprovar as suas alegações de que ali se encontram inseridas receitas não decorrentes de sua atividade típica, devese manter o decidido no Acórdão 0237.201 , prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.044 39 DA SUB CONTA 7.1.9.30.006 RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS Sobre a alegação da recorrente no sentido de que a decisão do STJ Resp 1.011.725, citada no acórdão recorrido, apenas corrobora tese por ela defendida de que os serviços bancários remunerados por taxas e tarifas, são tributados pelo ISS, posto que compõem o faturamento, sendo tributado também pelo PIS, enquanto que as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora do conceito de faturamento, ou seja, não sofrem a incidência do tributo municipal e nem da referida contribuição social, cabe ressalvar que tal questão já foi acima abordada e fundamentada em sentido oposto, sendo desnecessária repetir a fundamentação neste sub item. Ademais, registrese, que o acórdão recorrido mencionou tal decisão como ilustração para demonstrar que tal sub conta caracterizase como receitas de prestação de serviços, submetendose à incidência do ISS. Tal sub conta pode, sim, constituirse em recebimento de valores integrantes da remuneração de seus serviços. Em função disto, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF determina a sua escrituração inserta na conta 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais. Portanto, a alegação genérica de que tal sub conta 7.1.9.30.006 Recuperação de Encargos e Despesas não registra valores que se referem à sua atividadefim, desprovida da devida prova, não tem o condão de afastar a previsão determinada pelo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF. A recorrente, em nenhum momento identificou exatamente a composição desta sub conta e assim não logrou comprovar suas alegações. Convém registrar que a fiscalização, quando da apuração da base de cálculo do PIS, por haver detectado, efetuou exclusões de valores atinentes à receitas que não se referiam às suas atividades típicas, conforme foi ressaltado no Acórdão ora recorrido, in verbis; “Registrese, por outro lado, pela análise dos demonstrativos de apuração da base de cálculo anexados às fls. 410/489, que já foram consideradas exclusões de valores contabilizados nas seguintes sub contas: 7.1.9.30.0061.40 RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS CSLL MAJOR. ALÍQ.1999 A 2002 MP1.807/99; 7.1.9.99.00.9.1.04 VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA DEPÓSITO JUDICIAL COFINS 1% CI 12; e 7.1.9.30.00.6.1.40 RECUP. ENCARGOS E DESPESAS OUTROS RESSARCIMENTOS PIS LEI 9.718/98 CI 4.” Para que houvesse novas exclusões, como argúi a recorrente, faziase necessário que esta comprovasse ainda haver receitas não decorrentes de sua atividade típica inseridas nas referidas sub contas, o que não logrou fazêlo. A recorrente ainda argúi a nulidade do lançamento em observância ao art. 146 do CTN, que visa vedar a aplicação retroativa de novo critério jurídico. Tal alegação constituise em equívoco da recorrente, posto que os autos não se refere à lançamento de ofício e sim à não reconhecimento integral da restituição requerida e de homologação parcial. Portanto, também neste sub item do recurso, não merece reforma o Acórdão 0237.201 , prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 40 Em resumo, a base de cálculo utilizada para o cálculo do PIS pago a maior, apurada por meio dos valores consignados nas planilhas conforme informações fornecidas pela contribuinte, está de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita não operacional, ou seja, o cálculo contemplou apenas a receita operacional bruta da empresa, assim entendida a decorrente do exercício de suas atividades empresariais típicas, em conformidade com a jurisprudência acima mencionada. DO PRECEDENTE DESTA TURMA Mediante o Acórdão nº 3302002.768, em julgamento de igual matéria referente à Instituição Financeira proferido na sessão do dia 12 de novembro de 2014, os membros desta Turma, por unanimidade de votos, acordaram em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, o Conselheiro Walber José da Silva, consoante ementa que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO. FATOS E FUNDAMENTOS. CONDIÇÃO. Na ação civil, regra geral, a lide se estabelece em relação aos fatos descritos e juridicamente fundamentados na petição inicial e o pedido está relacionado a esses fatos descritos (art. 282, III e IV, do CPC). PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Naquilo que foi objeto de recurso, a decisão de segundo grau substitui integralmente a decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta, a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento, promovida pela Lei nº 9.718/98. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála.” (Grifos nossos). DO PRECEDENTE DA CSRF Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.045 41 Por oportuno, trazse à lume, recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – o qual negou provimento a recurso especial do contribuinte no Acórdão nº 9303002.934, processo 10675.720829/201023, julgado em 04/06/2014, cuja ementa transcrevese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o §1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado.” DA DILIGÊNCIA REALIZADA Tendo por base a análise acima efetuada, convém ressaltar que, para fins de incidência do PIS/Cofins, com base nas decisões emitidas pelo o Supremo Tribunal Federal, o que importa é saber a origem das receitas, se receitas derivadas da exploração de sua atividade fim (operações típicas), previstas em seus objetos sociais, ditas como receitas operacionais, ou se decorrentes de receitas não operacionais. A origem dos recursos (se próprios ou captados de terceiros) aplicados pela Instituição Financeira em suas atividades operacionais (atividades empresariais típicas) não interfere na tributação a título de PIS e COFINS incidentes sobre as suas receitas operacionais daí decorrentes. Para melhor esclarecimento, exemplificase: os juros auferidos pela Instituição financeira como remuneração de atividade operacional de empréstimos a clientes, por decorrerem de sua atividade típica, são tributáveis por caracterizar receita operacional, independentemente do fato de os recursos emprestados serem recursos próprios da instituição ou captados de terceiros. Em sendo assim, desnecessário efetuar a segregação de receitas operacionais da contribuinte que seriam decorrentes de aplicação de recursos próprios ou de recursos de terceiros. DO DIREITO À RECUPERAÇÃO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS SOBRE O CRÉDITO DE PIS Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 42 A recorrente repete a arguição de que, caso sejam mantidas as glosas no crédito do PIS develhe ser assegurado o direito de efetuar a recomposição da apuração do IRPJ e CSLL do ano base de 2005, bem como o consequente direito de recuperar os valores pagos a maior desses tributos, devidamente atualizados, e/ou recompor eventual prejuízo fiscal, a partir do preenchimento DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente, posto que o crédito em questão foi considerado como acréscimo patrimonial/lucro e tributado como tal. E, em face de a decisão recorrida não ter efetuado análise dessa questão, sob o argumento de se constituir matéria estranha à lide, a recorrente aduz que não terá condições de retificar a DIPJ por já ter transcorrido mais de cinco anos da sua efetiva entrega e que o não reconhecimento do seu pleito implica em enriquecimento ilícito da União Federal. Não merece reforma o acórdão recorrido, posto que, de fato, no presente processo, o litígio referese à composição da base de cálculo do PIS e do conseqüente direito à restituição do valor do PIS pago a maior e da compensação de PIS pleiteada por meio das declarações de compensação apresentadas e, portanto, o seu pleito foge à matéria ora sob litígio. Transitada em julgado a decisão administrativa proferida nestes autos, a análise do efetivo reflexo dessa decisão na apuração do IRPJ e CSLL, do ano base de 2005, deverá ser objeto de procedimento próprio a ser adotado pela contribuinte e sob a sua responsabilidade, tudo de acordo com legislação de regência desses tributos, a partir do qual a administração analisará o mérito e, inclusive, a perda ou não de seu direito. CONCLUSÃO Creio que as considerações feitas acima são elucidativas o bastante para concluir pela procedência do decidido no acórdão recorrido, no qual os fundamentos utilizados foram extensivos, claros, e, por corroborar com os mesmos, adotoos e ratificoos, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, concluise que o acórdão recorrido em nada merece ser alterado. Tendo em conta a análise e fundamentos efetuados acima, bem como os fundamentos proferidos no voto do acórdão recorrido, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de ofensa pelo acórdão recorrido à coisa julgada e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Acórdão n.º 3302002.853 S3C3T2 Fl. 1.046 43 Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10283.902812/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2005
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO.
Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendose reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 12 /2 00 9- 62 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação ao fato gerador ocorrido em 31/05/2005. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 7), pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A notificação aconteceu em 06/04/2009 (fl. 10). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/17) sustentando, em síntese, que depois de ter apresentado a DCTForiginal é que veio a verificar a existência de equívoco na apuração do tributo devido, quando, então, solicitou a restituição e compensação, alem de que, teria posteriormente retificado a DCTF. Alega, também, que a existência do indébito decorre da verdade material, a qual estaria retratada nas informações contidas no Dacon. Com a impugnação o contribuinte apresentou cópia da DCTForiginal (fls. 20/40), na qual consta a confissão de PIS no valor de R$ 40.619,50 (fl. 37), e da DCTF retificadora (fls. 41/61), transmitida em 23/04/2009, na qual consta a confissão da PIS e valor de R$ 27.607,51 (fl. 58). Também apresenta cópia do DACONoriginal, apresentado em 06/02/2006 (fls. 91/112), no qual consta a apuração da Cofins para o período de julho de 2005. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0118.286, de 1 de julho de 2010 (fls. 123/126), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 567DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902812/200962 Acórdão n.º 3403003.568 S3C4T3 Fl. 567 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 128/139) sustentando a nulidade do acórdão recorrido por falta de motivação sobre as provas produzidas, visto que acostou aos autos o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), por meio do qual se demonstra o patente equívoco do recolhimento que realizou, além de que, a DCTF retificadora apresentadas nos autos teria sido ignorada. Reiterou que o voto condutor do acórdão da DRJ faz parecer que não teria trazido qualquer outro documento além da DCTFretificadora, quando apresentou o DACON, que constituiria documento fiscal hábil e idôneo para demonstrar a apuração das contribuições do período. Este Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.202, de 2 de junho de 2011 (fls. 167/171), concluiu “pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem verifique se a contabilidade do contribuinte confirma as informações declaradas na DACON, confirmando o montante da contribuição apurada nesta Declaração ou, se o caso, indicando qual o valor efetivamente devido e o valor da diferença eventualmente recolhida a maior”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM (DRF) apresentou o resultado da diligência por meio de Informação Fiscal (fls. 549/551), descrevendo a seguinte constatação: 1. Visando elucidar os questionamentos determinados na Resolução no3403000.202 da 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, do CARF, emitimos o Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/MNS No00230/2013, cujos documentos em resposta encontramse integrados de forma inseparável ao presente eProcesso. 2. Anexamos ao presente eProcesso a DCTF no 1000.000.2009.1830303011. 3. Anexamos ao presente eProcesso a DACON no 0000100200600056615. 4. De posse dessas informações foi elaborada Planilha com o demonstrativo denominado “SONOPRESS – RESUMO DE APURAÇÃO” onde procuramos explicitar de forma cabal os valores de Tributos devidos e indevidos e que são o objetivo da presente Diligencia Fiscal. Tudo anexado de forma inseparável ao presente eProcesso. CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, e tendo em vista toda a documentação anexada ao presente Processo Administrativo Fiscal, nada mais tendo a cumprir no âmbito deste SEORT/DRF/MNS. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Intimado do resultado da diligência, o contribuinte manifestou sua aquiescência com a diligência, destacando que confirmou a existência da diferença recolhida a maior no período (fls. 558/561). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado no dia 10/09/2010 (fl 128), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu no dia 11/08/2010 (fl. 127). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma contra o entendimento do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. O resultado da diligência fiscal determinada por este Conselho, e promovida pela Delegacia de origem, demonstrou que a contabilidade confirma os dados declarados no DACON, certificando a correção da apuração da contribuição nele apresentada e, assim, concluindo pela existência de recolhimento indevido, cujo valor corresponde exatamente àquele indicado pelo contribuinte como crédito na DCOMP. Confirmada a existência do indébito pela diligência fiscal, apenas cumpre a este Conselho ratificar tais constatações e conclusão. Voto pelo provimento do recurso para reconhecer o direito de indébito e homologar a compensação conforme os valores apurados na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902812/200962 Acórdão n.º 3403003.568 S3C4T3 Fl. 568 5 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10855.722655/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA.
CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO. Sujeita-se à multa isolada de 75% quem declara compensação com crédito de natureza não tributária.
Numero da decisão: 1101-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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MULTA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO. Sujeitase à multa isolada de 75% quem declara compensação com crédito de natureza não tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 26 55 /2 01 3- 68 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ITABNA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 21/08/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 15.125.559,50. Consta a seguinte descrição dos fatos no auto de infração (fl. 5): 0001 DEMAIS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA Por meio do processo 10166.003743/200949, protocolizado em 13/04/2009, o contribuinte pretendeu compensar diversos débitos vencidos de valor total R$ 20.167.412,67, que discrimina em formulário de Declaração de Compensação com crédito que detalha em outro processo, 10166.003742/200902, protocolizado na mesma data. Tal alegado crédito é proveniente de debêntures da VALE, a que o contribuinte atribui o valor de R$ 42.000.285,60 à época da protocolização do Pedido de Restituição objeto do processo. A compensação foi considerada NÃO DECLARADA por meio do Parecer Seort/DRF/BRE nº 222/2009, com base no disposto na alínea "e" do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). O contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, em 13/07/2009. O contribuinte apresentou recurso hierárquico em 22/07/2009, que foi encaminhado à DISIT da 8ª Região Fiscal que, por meio do Despacho Decisório nº 243 SRF08/Disit manteve a decisão da DRF Barueri. O contribuinte foi cientificado da decisão sobre o recurso por meio de Edital, em 05/09/2012. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabelece em seu art. 18, parágrafo 4º, que será exigida multa isolada sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Este percentual é de 75%. A IN RFB nº 1.300/2012, no parágrafo 8º do seu art. 46, determina que o lançamento da multa será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. O mesmo dispunha a IN RFB nº 900/08, vigente à época em que o contribuinte protocolizou as Declarações de Compensação (parágrafo 8º do art. 39). Lavrase este Auto de Infração para atender o citado comando legal, aplicandose a multa de 75% sobre os valores dos débitos discriminados pelo contribuinte no processo 10166.003743/200949, cuja compensação foi considerada não declarada. Fato Gerador Multa 13/04/2009 15.125.559,50 Enquadramento Legal Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 4 3 Fatos geradores ocorridos entre 13/04/2009 e 13/04/2009: Art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, incluído pela Lei nº 11.051/04, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 Art.44, caput e inciso I da Lei nº 9.430/96. com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 Art. 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 11.051/04, com alterações dadas pela Medida Provisória nº 449/08 Impugnando a exigência, a contribuinte alegou que a penalidade é desproporcional e confiscatória, discorreu sobre as características das debêntures compensadas e observou que a União Federal é acionista da Vale S/A, reportouse a princípios constitucionais e pleiteou a redução da multa para o percentual de 50%. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/04/2009 IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA VEDADA. UTILIZAÇÃO DE DEBÊNTURES. Cabível a aplicação e exigência de multa isolada sobre o valor do débito tributário objeto de compensação indevida, considerada “não declarada” por utilização de direito creditório não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/04/2014 (fl. 66), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/04/2014 (fls. 68/83), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Correlaciona a exigência com a compensação de débitos realizada pela ora Recorrente no montante de R$ 20.167.412,67 (vinte milhões, cento e sessenta e sete mil, quatrocentos e doze reais e sessenta e sete centavos) com créditos proveniente de 128.206 (cento e vinte e oito mil e duzentos e seis) debêntures da VALE, tipo CVRDA6, emitidas em julho de 1997, com valor total de R$ 42.000.285,60 (quarenta e dois milhões, duzentos e oitenta e cinco reais e sessenta centavos), e assevera que apesar dos fundamentos e da farta jurisprudência apresentada sobre a ilegalidade da aplicação da multa isolada em casos análogos aos trazidos, o lançamento em testilha foi mantido pela pueril alegação de que “a compensação foi considerada não declarada porque o crédito não se referia a tributos ou contribuições administradas pela Secretaria da Fazenda Federal.” (...) “Logo, o lançamento da multa Isolda está correto.” Afirma correta a compensação promovida, pois as debêntures consistem em títulos extrajudiciais, nos termos do art. 585, I, do Código de Processo Civil, sendo considerada, portanto, no ordenamento jurídico como títulos de crédito. Cita o art. 72 da Lei nº 6.404/76, aduz que as debêntures de sua titularidade possuem as características ali descritas, e assim confere a seus acionistas, inclusive à União Federal, a participação em benefícios futuros, auferidos pela Vale, a partir de recursos minerais não valorados para fins de fixação do preço mínimo da Vale, objeto do leilão de privatização. Complementa que: A Recorrente adquiriu debêntures auferidas pela Companhia Vale do Rio Doce, pessoa jurídica de capital misto, ou seja, em razão disto a União Federal é acionista da referida empresa e, consequentemente, tais títulos de crédito por ela auferidos possuem legitimidade para serem utilizados na compensação de débitos com a União Federal. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 5 4 As debêntures foram atribuídas aos acionistas da companhia em pagamento do valor de resgate das ações preferenciais classe B emitidas, em bonificação, na proporção de 01 (uma) ação detida pelos detentores de ações ordinárias e preferenciais classe "A" àquela época. Assim as debêntures, nos termos do artigo 72, da Lei n° 6 .404/76, equivalem a títulos de crédito mesmo quando emitidas com vencimento indeterminado, e, por serem dotados de cotação em bolsa de valores, não podem ser tomados como bens de difícil alienação, principalmente, quando emitidas por empresa, de sociedade mista, como é o caso da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Frisese, ainda, que as referidas debêntures encontramse custodiadas no Banco Bradesco S/A e esta instituição bancária pode proceder a sua transferência mediante emissão de uma ordem de transferência de ativos escriturais, conferindo segurança no negócio jurídico, como garantia de qualquer execução, mesmo para compensação de débitos com os tributos administrados pela Receita Federal. Conclui que, sendo a Companhia Vale do Rio Doce uma empresa de economia mista, a recorrente é credora da União Federal e a compensação promovida tem amparo no Código de Processo Civil e na legislação especial citada, sendo totalmente indevida a não consideração da compensação e consequentemente a imposição da multa isolada. Acrescenta que observou o procedimento de compensação previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, inicialmente pleiteando restituição do crédito e posteriormente apresentando pedidos de compensação com os créditos de natureza federal. Compara tais créditos com precatórios devidos pelo Estado, e defende que para não haver confusão entre a reciprocidade entre credores e devedores, a legislação nacional autoriza uma espécie de encontro de contar contas que, em suma, se traduz numa compensação, citando o art. 30 da Lei nº 12.431/2011, os arts. 347 e 349 do Código Civil e o art. 108 do CTN, em que pese as alterações decorrentes da Emenda Constitucional nº 62/2009. Reportase ao art. 100, §11 da Constituição Federal para afirmar que os precatórios, aos quais equipara outros direitos creditórios, são reconhecidos como ordem de pagamento em dinheiro, apto a liquidar obrigações fiscais, dado o seu poder liberatório. Novamente invoca o art. 108, inciso I do CTN. Assim, como há autorização legal para o uso de créditos de precatórios em compensações, não há motivo para não ser admitida a compensação em comento. De toda sorte, a penalidade aplicada seria ilegal, porque abusiva ao ser mensurada em 75% do débito declarado, desrespeitando os limites da proporcionalidade e da razoabilidade em face da atitude lesiva que se pretende punir. Discorre sobre os princípios referidos e assevera que como o pedido não foi aceito pelo Fisco, resta claro que não houve prejuízos aos cofres públicos, cabendo mera sanção corretiva. Acrescenta que a não homologação das compensações declaradas já enseja a cobrança dos débitos não compensados com acréscimo de multa de mora de 20% e juros SELIC, fato este que já é suficiente para penalizar a eventual ilegitimidade ou insuficiência do crédito utilizado. Argumenta que a inequívoca desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica a multa , evidencia o caráter confiscatório da punição, invocando a vedação constitucional deste sentido, vez que a penalidade tributária tem a finalidade de corrigir, e não de destruir. Enfatiza que a multa supera R$ 15 milhões e causará graves dados à recorrente que sequer se encontra em atividade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 6 5 Acrescenta que tais penalidades estão sendo aplicadas de forma automática, por força do §3º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, sem o prévio procedimento destinado a apontar a matéria tributável, identificar o correto sujeito passivo, apurar o montante devido e aplicar a correta penalidade. Afirma que assim ocorreu no presente caso, observa que a investigação fiscal deveria ter sido iniciada mediante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, e aponta ofensa ao art. 142 do CTN. Arremata que: Partindose da verdadeira premissa de que a aplicação indistinta e genérica da multa instituída pela Lei nº 12.249/10 é absolutamente abusiva e inconstitucional, o contribuinte responsável pela transmissão de declaração de compensação não homologada somente poderá suportar qualquer sanção caso seja constatada, após a instauração e desenvolvimento adequado do procedimento fiscalização, a existência máfé ou dolo em tal conduta, objetivando a postergação do adimplemento do débito compensado, o que não ocorreu no presente caso, caracterizando ofensa ao artigo 142 do Diploma Tributário. Pede, assim, o acolhimento do recurso voluntário, vez que suficientemente demonstrado o direito creditório pleiteado, ou alternativamente o afastamento da multa aplicada. Subsidiariamente requer ao menos a redução da multa aplicada, de forma a retroagir a multa isolada constante no artigo 62 da Lei 12.249/2010 para o presente caso, nos termos do artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argumenta discorre sobre o direito creditório utilizado nas compensações em referência, critica a decisão recorrida que manteve a multa aplicada apenas em razão de o crédito não se referir a tributos administrados pela Receita Federal, e invoca dispositivos da legislação processual civil, societária e civil (embora ressalvando as alterações da Emenda Constitucional nº 62/2009) para afirmar seu direito de crédito contra a União Federal, passível de utilização em compensação com tributos federais. Ocorre que os créditos de natureza não tributária nunca foram passíveis de compensação com tributos e contribuições. Tal modalidade de extinção de crédito tributário somente poderia ser autorizada por lei, e nos exatos limites fixados pelo Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste contexto, a Lei nº 8.383/91, posteriormente alterada pela Lei nº 9.065/95, apenas autorizou a compensação entre débitos e créditos de mesma natureza, ou seja: débitos tributários com créditos tributários e débitos de receitas patrimoniais com créditos de receitas patrimoniais. Ainda, a referida Lei determinou que os débitos e créditos tributários deveriam corresponder à mesma espécie de tributo ou contribuição, na medida em que a compensação era feita sem pedido, e somente com esta limitação não haveria reflexos na repartição de receitas tributárias: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Com a Lei nº 9.430/96, somente foi acrescida a permissão de compensação entre tributos de espécies diferentes. Os créditos continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento, e sempre referentes a um tributo ou contribuição, na forma do inciso I do art. 73 daquela lei, ao qual se reporta o art. 74, alegado pelo impugnante: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 8 7 Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. E, mais uma vez, com a alteração do art. 74 da Lei nº 9.430/96 em 2002, nenhum acréscimo se fez quanto à possibilidade de compensação de créditos de natureza não tributária. Ao contrário, sua utilização permaneceu não autorizada, mas agora por expressa vedação, a partir do momento em que a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, por ocasião de sua declaração à SRF, nos termos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Demais disso, a conduta aqui punida foi praticada muito tempo depois de editada a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que não só reiterou a impossibilidade de compensação de créditos que não tivessem natureza tributária, ou que fossem de terceiros, como também fixou penalidade para a inobservância desta regra: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 9 8 unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se vê, o caput originalmente previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida em razão de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que para as hipóteses de evidente intuito de fraude a referida lei assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Já com a Lei nº 11.051/2004, a estipulação da penalidade passou a estar assim redigida: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 10 9 A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento imposto às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros ou de natureza não tributária: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Naqueles termos, a multa isolada para a hipótese de nãodeclaração de compensação com crédito de natureza não tributária (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “e” da Lei nº 9.430/96) passou a ser a mesma aplicável aos casos de não homologação com evidente intuito de fraude (art. 18, caput da Lei nº 10.833/2003). Para além disso, a inovação legislativa operou efeitos significativos no campo da exigibilidade dos débitos compensados, a qual, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de nãodeclaração, e não mais de nãohomologação. Mais à frente, a Lei nº 11.196/2005 deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ ............................................................................................................. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 11 10 [...] Referida alteração esclareceu que a multa isolada por compensação não declarada somente se sujeitaria a multa qualificada se caracterizado o evidente intuito de fraude, e adotou outra forma de redação: ao invés de tomar por empréstimo os percentuais aplicáveis à penalidade prevista para os casos de nãohomologação de compensação com evidente intuito de fraude, prevista no § 2o do art. 18, trouxe a indicação, no próprio inciso II do § 4o do percentual aplicável. Além disso, no inciso I do §4º, passou a cogitar de casos de nãodeclaração de compensação sujeitos a multa sem qualificação. A infração em tela foi cometida em 13/04/2009, quando o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já sofrera outra alteração, decorrente da nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, então, passou a ter a seguinte redação, vigente até hoje: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há dúvida, portanto, que a não declaração da compensação, fundamentada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é motivo suficiente para a aplicação da multa isolada minimamente no percentual de 75%. Somente o cancelamento da DCOMP, promovido espontaneamente pelo sujeito passivo antes de qualquer intimação fiscal, poderia impedir a aplicação da penalidade, pois em regra este procedimento desfaz a extinção do débito compensado e permite sua cobrança por parte do Fisco, caso ele esteja, por outro meio, declarado. Outras condutas do sujeito passivo, ainda que tendentes à extinção definitiva dos débitos irregularmente compensados, não produzem o mesmo efeito, pois enquanto a DCOMP estiver ativa, os débitos estarão extintos por compensação, e a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 12 11 segunda extinção do mesmo débito poderia, a qualquer momento, ser arguida como indevida, inclusive com pedido de repetição dos valores eventualmente pagos. Nestes termos, a penalidade aqui aplicada decorre, justamente, da contribuinte ter observado o procedimento de compensação previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 em circunstâncias ali expressamente vedadas. Irrelevante, assim, se houve pedido prévio de restituição, porque a compensação que o seguiu espraiou seus efeitos extintivos sobre os débitos compensados, caracterizando a infração aqui punida. Por fim, em nada socorre a interessada a comparação do crédito utilizado com aqueles decorrentes de precatórios devidos pelo Estado, porque estes também não têm natureza tributária, e eventual encontro de contas com os tributos devidos à União somente poderia ser cogitada por meio de dação em pagamento, e nunca por meio de DCOMP. Ademais, inaplicável o art. 108 do CTN se há legislação específica regendo a compensação, como forma de extinção do crédito tributário, no âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal. A recorrente ainda argumenta que a penalidade aplicada seria ilegal, porque abusiva ao ser mensurada em 75% do débito declarado, desrespeitando os limites da proporcionalidade e da razoabilidade em face da atitude lesiva que se pretende punir. Cogita do cabimento, apenas, de mera sanção corretiva e observa que a não homologação das compensações declaradas já enseja a cobrança dos débitos não compensados com acréscimo de multa de mora de 20% e juros SELIC, fato este que já é suficiente para penalizar a eventual ilegitimidade ou insuficiência do crédito utilizado. Cumpre esclarecer, apenas, que a penalidade aqui exigida não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. A falta de recolhimento dos débitos compensados sujeitase a multa de mora se eles estiverem declarados, ou à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma outra infração a ser punida com multa isolada, independentemente das providências adotadas para satisfação da obrigação tributária principal. Esta distinção fica evidente, desde a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determinou duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 13 12 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve promover: a cobrança dos débitos indevidamente compensados e o lançamento de ofício de multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurado, dentre outras hipóteses, que o crédito utilizado não era passível de compensação por expressa disposição legal, ou se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é incompatível com a aplicação de multa isolada, pois esta não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, em lançamento de ofício, se ele não estivesse declarado. Tratase, sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas. De fato, não é possível cogitar que um mesmo débito sofra a aplicação de multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora, como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Negase provimento ao agravo regimental, em face das razões que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há configuração de denúncia espontânea quando o contribuinte declara e recolhe com atraso o seu débito perante a Administração Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. SÚMULA 168/STJ. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 14 13 [...] 2. Deveras, pacificouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de "não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340 – MG, Rel. Min. Luiz Fux) Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de recolhimento do tributo declarado, infração que mereça penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que autorizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Vejase que é admissível, inclusive, a aplicação da multa de ofício isolada sobre valor representativo de multa de mora, nos casos em que a compensação, mediante DCOMP, se faça com débito em atraso, dado que a multa por compensação indevida tem por base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado de ofício for objeto de compensação, e reste caracterizado o abuso de forma ou a fraude na apresentação da DCOMP. A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 15 14 tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Logo, a exigência da multa isolada por compensação indevida é compatível com a exigência de multa (moratória ou de ofício) sobre os débitos indevidamente compensados. E, quanto ao caráter confiscatório da multa, importa apenas reiterar que a lei estipula o percentual aplicado, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Esclareçase, também, que não houve qualquer aplicação "automática" da penalidade, e ainda que a autoridade lançadora assim tivesse procedido, o fato é que a infração, a data de sua ocorrência e a base de cálculo da penalidade (valores dos débitos discriminados pelo contribuinte no processo 10166.003743/200949), assim como seu percentual, estão claramente expostos no Auto de Infração de fls. 02/09. Ademais, está pacificado neste Conselho que: Súmula CARF nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Imprópria, assim, a pretensão da recorrente de invalidar o lançamento por ausência de MPF prévio e ofensa ao art. 142 do CTN. Por fim, registrese a inadequação das referências à Lei nº 12.249/2010, que não se prestou como fundamento da exigência, dado que por meio dela foi instituída outra multa isolada, prevista nos §§ 15 a 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e destinada a punir pedidos de ressarcimento que venham a ser indeferidos, ou compensações não homologadas, ainda que sem evidências de falsidade. O caso presente é de compensação com crédito de natureza não tributária, sujeita a não declaração e a penalidade prevista no art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, inexistindo qualquer possibilidade de aplicação de retroatividade benigna, porque diferentes as infrações previstas nas referidas normas sancionatórias. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.722655/201368 Acórdão n.º 1101001.269 S1C1T1 Fl. 16 15 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10950.004970/2002-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA
SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS.
A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementá-lo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio
constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte
em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79).
Recurso voluntário parcialmente provido.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20.
EXCLUSÕES LEGAIS. ESTOQUE.
No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.596
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO Recorrente VALE DO IVAÍ S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000 APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementálo. (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 49 70 /2 00 2- 79 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 830 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Súmula CARF n° 19; Pareceres Normativos nº 181/79 e 65/79). Recurso voluntário parcialmente provido. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula n° 13 do 2° Conselho de Contribuintes e Súmula CARF n° 20. EXCLUSÕES LEGAIS. ESTOQUE. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 831 3 Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão Preto: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n2 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente aos 2% 3° e 4° trimestres do ano de 2000, solicitado no valor de R$ 385.444,36. A DRF de origem deferiu parcialmente o pedido, no montante de R$ 61.685,28, pelas razões a seguir dispostas: 1. Não consideração das devoluções de compras (nas aquisições) no montante do estoque (insuetos) considerado e, por conseguinte, no cálculo do crédito presumido; e pelo fato de parte do montante usado como estoque de matérias primas serem aquisições que não dão direito ao crédito presumido de IPI, por serem aquisições de pessoa física ou não se enquadrarem no conceito de insumos ou por serem produtos NT: a. aquisições de matériaprima — cana de açúcar não onerada pelas contribuições para o PIS e Cofins, de pessoas físicas e cooperativas que, de acordo com o art. 2 0 da Instrução Normativa SRF n. 23, de 13 de março de 1997, não geram direito ao crédito presumido de IPI (R$ 10.684.312,22); b. aquisições de combustíveis (lenha), energia elétrica, insumos agrícolas, mudas de cana, lubrificantes, partes integrantes do ativo imobilizado (rolamentos, retentores, parafusos, arruelas, correias, etc), peças para manutenção de veículos (automóveis, caminhões, tratores), materiais de segurança e proteção (botas, capacetes, luvas, uniformes, etc), materiais de conservação e reparo (areia, cimento, tijolos), materiais de informática e de higiene que, de acordo com o Parecer Normativo CST n. 65, de 31 de outubro de 1979 não geram direito a crédito presumido de IPI, por não caracterizarem matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem (R$ 2.926.999,38). 2. Exclusão da base de cálculo o valor dos insumos utilizados nos produtos acabados e não vendidos (R$ 1.690.929,53). Este valor consta na memória de cálculo da DCP apresentada pelo contribuinte; Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o deferimento integral do crédito, referente ao pedido de ressarcimento, e a correção monetária deste valor, por meio da Selic, alegando que as exclusões feitas pela fiscalização não têm previsão legal, sendo ilegítima qualquer exclusão com base em normas de hierarquia inferior, conforme resumo das alegações a seguir: 1. As Instruções Normativas 23, de 1997, e 103, de 30 de dezembro de 1997, teriam inovado indevidamente quando estabeleceram que o crédito presumido de IPI seria calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de Pessoas Jurídicas sujeitas às contribuições para a Cofins e o Fl. 831DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 832 4 PIS, pois a Lei 9.363, de 1996, não havia determinado esta restrição. Neste sentido, a contribuinte cita jurisprudência administrativa. 2. É correta a apuração do crédito presumido relativo a aquisição de itens como rolamentos, lubrificantes, uniformes, materiais e equipamentos de proteção e lenha (denominados de produtos intermediários), por estarem sendo utilizados no processo industrial e, conforme apresentado a seguir, estariam de acordo com o disposto na Lei 9.363, de 1996, conforme laudo pericial anexo ao presente que demonstram todas as fases da produção de açúcar e álcool; 3. Os materiais de manutenção e reposição industriais aplicados no processo produtivo, desde que não representem aumento de vida útil para o bem, podem ser considerados MP ou PI, de acordo com o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes; 4. A empresa além de produção de açúcar e álcool possui também atividade econômica de "importação e/ou compra no mercado interno de sementes, adubos, fertilizantes, insumos agrícolas e derivados, para revenda e comercialização a terceiros. As vendas destes produtos foram feitas a preço reduzido para beneficiar seus fornecedores de modo a incentiválos e a dar continuidade e preferência na venda de sua produção à própria empresa. Sendo assim, os valores destas vendas integram a receita de exportação para o cálculo do crédito presumido de IPI, que fora vedada somente com a IN 313, de 2003. Os mesmos argumentos foram utilizados para as vendas de mudas de cana de açúcar, energia elétrica, óleo diesel e peças; 5. A empresa reconhece que os produtos descritos como material de conservação e reparos, materiais de expediente, material de higiene, não dão direito ao crédito presumido de IPI, motivo pelo qual pede sua exclusão; 6. O beneficio é dirigido a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O produto industrializado é uma mercadoria. Se o legislador quisesse contemplar apenas produtos industrializados teria usado, ao invés de "mercadorias", "produtos industrializados". Usando a palavra mercadorias devese abranger toda sorte de mercadorias, mesmo àquelas que não são produtos industrializados ou produtos NT. 7. A empresa já havia excluído os insumos utilizados na produção de produtos acabados em estoque e a Receita Federal não pode excluílos novamente. Concluiu, alegando ser devida a atualização monetária dos créditos presumidos ora pleiteados para evitar o enriquecimento sem causa do Estado, juntando jurisprudência judicial e administrativa. É o relatório A ementa do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 833 5 INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. EXCLUSÕES LEGAIS. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverão ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Crédito presumido de IPI. SELIC Em relação ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, reproduzo meu voto no acórdão 3202000.471 que sintetiza meu entendimento, inclusive em relação à correção monetária pela SELIC: ... Instruções Normativas não são instrumentos normativos hábeis a inovar ou modificar o texto legal ao qual estão adstritos, mas apenas complementá lo, sem promover alteração no seu conteúdo e alcance. Ora, se a própria lei que instituiu o crédito presumido de IPI, Lei n. 9.363/1996, não excluiu da base de cálculo as aquisições de fornecedores que não são contribuintes de PIS e COFINS, não pode a Instrução Normativa fazer tal restrição. Na mesma linha caminha o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que apreciou o assunto em sede de recurso representativo da controvérsia. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 834 6 Vejamos o trecho da ementa do Ministro Luiz Fux, no julgamento do Recurso Especial n. 993.164 – MG, em 13/12/2010: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos Fl. 834DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 835 7 oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (grifamos) Vejamos, ademais, outros precedentes do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTARIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇAO AO ART. 535 DO CPC. NAOOCORRENCIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 836 8 LEI N.º 9.363/96. INSTRUÇAO NORMATIVA SRF N.º 23/97. ILEGALIDADE. 1. O incentivo cognominado crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n.º 9.363/96, revela como ratio essendi, desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. 2. Conseqüentemente, o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do crédito presumido. 3. Deveras, este ressarcimento, que por ser presumido e estimado na forma da lei, referese às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação.” (STJ, REsp 767617 / CE, Relator Ministro Luiz Fux, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 12/12/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE. 1. O crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual "o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS". Precedente: RESP 586.392/RN, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 06.12.2004. 2. Recurso especial a que se nega provimento.” (STJ, REsp 617733/CE, Relator Teorio Albino Zavascki, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 03/08/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. INCLUSAO NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96. PRECEDENTES. 1. "De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 2. "Mesmo quando as matériasprimas ou insumos forem comprados de quem não é obrigado a pagar as contribuições sociais para o PIS/PASEP, as empresas exportadoras devem obter o creditamento do IPI" (REsp nº 763521/PI, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 07/11/2005) 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É Fl. 836DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 837 9 uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas desta Corte. 5. Recurso nãoprovido.” (STJ, REsp 813280/SC, Relator Ministro José Delgado, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 06/04/2006) (grifamos). Ainda na mesma direção foi o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho de Contribuintes: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME, referidos no art. 1° da Lei n° 9.363/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art.2° da Lei n° 9.363/96). A lei mencionada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As IN SRF n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363/96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN SRF n° 23/97) não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante lei, pois as instruções normativas são normas complementares (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto das normas que complementam. Na verdade, o crédito presumido de IPI na exportação utiliza o princípio da praticibilidade, que usa a presunção como o meio mais simples e viável de se atingir o objetivo da lei, dando à administração o alívio do fardo da investigação exaustiva de cada caso isolado, dispensandoo da coleta de provas de difícil, ou até impossível, configuração. A apuração por presunção utiliza um cálculo padronizante, que abstrai o individual, o específico, o único, em favor do geral, criase uma abstração generalizante, imposta, ex dispositionis legis, ao contribuinte, desprezandose os desvios individuais.” (CSRF, Acórdão n. 0201.707, Relator Manoel Antonio Gadelha Dias, Sessão de 11.05.2004) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (CSRF, Acórdão Fl. 837DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 838 10 n. 0201.653, Relator Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 10/05/2004) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Pelo exposto, além de entender que a Recorrente tem direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS, como é o caso das aquisições feitas de pessoas físicas e cooperativas, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Federal no Recurso Especial n. 993.164/MG deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DA TAXA SELIC A Recorrente alega que tem direito à atualização do ressarcimento dos créditos presumidos de IPI pela Taxa Selic, e como fundamento de seu pleito cita o art. 39, §4°, da Lei n. 9.250/1995 e o Decreto n. 2.138/1997, que reconheceu que os institutos jurídicos da restituição e do ressarcimento devem receber o mesmo tratamento. Entendo que razão assiste à Recorrente. Com relação ao tema, verificase também que o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 839 11 Tratase do mesmo precedente anteriormente mencionado (REsp 993164/MG), cujo trecho da ementa tratando da matéria é o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. ... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifamos). A decisão acima foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei n. 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. No mesmo sentido também foi proferida a decisão no REsp 1035847/RS, cuja ementa abaixo reproduzo: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 840 12 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543_C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. Verificase, portanto, que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, adoto o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça em relação aos créditos de IPI, para inclusão na base de cálculo dos valores referentes às aquisições de fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS, bem como em relação à aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento. Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, e para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito ... A Primeira Seção do STJ também já decidiu acerca da correção dos créditos quando do julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo n° 1.220.942, verbis: 4. Situação do crédito escritural: Devese negar ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro (sistemática ordinária de aproveitamento), ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração Fl. 840DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 841 13 subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária quando de sua utilização, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento (Súmula n. 411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima, salvo, neste último caso, declaração de inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento. 5. Situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. São utilizáveis fora da escrita fiscal. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a sistemática ordinária de aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6. A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI,PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também achamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes:REsp. n. 1.122.800/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. n. 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. n.1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 7. O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. No mesmo sentido é o acórdão 3402001.967 de relatoria do ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 842 14 A partir do julgamento, pelo STJ, do REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C), foi firmado entendimento no sentido de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora na análise do respectivo processo administrativo. Direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. Materiais aplicados na produção de canadeaçúcar A fiscalização excluiu o valor das aquisições de insumos e defensivos utilizados na formação e no cultivo da canadeaçúcar. A Recorrente aceitou a glosa das aquisições de insumos aplicados na formação da lavoura, mas questionou a glosa dos materiais aplicados no cultivo de canadeaçúcar própria, por se tratar de atividade agroindustrial. O § 5º, do artigo 1º, da Lei nº 10.276/2001 determinou que se aplica ao regime alternativo de aproveitamento do crédito presumido de IPI todas as demais noras estabelecidas na Lei nº 9.363/96. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. A Lei nº 9.363/96, por sua vez, determina que: Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifamos) A matéria foi objeto de análise no acordão 3301002.406, conforme trecho abaixo: Fl. 842DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 843 15 Portanto está claro que este é um benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, a qual delimitou a sua utilização. Assim, o crédito presumido de IPI é calculado sobre as aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas no processo produtivo do produto exportado, que aqui no caso é o açúcar. A própria lei determinou que os conceitos de insumos e de produção são os definidos na legislação do IPI. Por sua vez a legislação do IPI, art. 82, inc. I do Decreto nº 87.981/82, cuja redação foi mantida nos regulamentos posteriores, estabeleceu que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. O Parecer Normativo CST nº 65, de 06/11/79, colacionado no acórdão recorrido, firmou o entendimento, amplamente adotado por este órgão julgador, de que além das matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu”, também se integram no conceito, gerando direito ao crédito, aqueles que se consumirem em decorrência de uma ação direta sobre o produto em fabricação. Ou seja, o conceito de insumo na legislação do IPI é restrito às matériasprimas e produtos intermediários que se consomem de maneira direta no processo produtivo. Diante desta premissa, não há como acatar créditos decorrentes de insumos utilizados na produção própria da canadeaçúcar, por absoluta falta de previsão legal. A Lei nº 9.363/96 não autorizou crédito presumido de IPI na aquisição de quaisquer insumos, não estando amparadas as aquisições de produtos não relacionados diretamente com a fabricação do produto exportado. Não se tratando o cultivo da cana de uma operação de industrialização, quer me parecer que não haveria direito de aproveitamento do crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase como muito bem apontado no acórdão 3403001.953, de relatoria do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, verbis: CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. Razão, portanto, não assiste a Recorrente em relação a este tema. Crédito presumido de produtos intermediários Analisando a manifestação de inconformidade de Recorrente é possível verificar que os itens glosados pela fiscalização dizem respeito a: MATERIAIS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO INDUSTRIAL — LUBRIFICANTES INDUSTRIAIS — ENERGIA ELÉTRICA — SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO/ INSTALAÇÃO — MATERIAIS DE MANUTENÇÃO/REPOSIÇÃO DE AUTOS E LUBRIFICANTES — MATERIAIS DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 844 16 Por primeiro, a Súmula CARF n° 19 determina que “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. Diante disso, entendo que fica afastada de plano a possibilidade de crédito de combustíveis e lubrificantes. Em relação aos demais itens, é importante frisar que, no intuito de dirimir as controvérsias então existentes naquela época, a Administração Tributária baixou o Parecer Normativo CST nº 65/79, com a seguinte ementa: A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu artigo 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST n° 181/74. Diante das disposições contidas nos Pareceres Normativos nºs 181/74 e 65/79, a decisão recorrida conclui no seguinte sentido: Assim sendo, nos termos dos Pareceres retro citados e em consonância com o inciso I do art. 82 do RIPI/1982, geram direito ao credito, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização, como e o caso dos produtos listados pela própria requerente, Assim, excluemse os lubrificantes e combustíveis, as pecas e materiais de manutenção industrial, e os materiais diversos. Em relação as transferências, não se trata de aquisição de insumo, e portanto, não há qualquer previsão legal para a inclusão desses valores no calculo do beneficio. Só geram, portanto, direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 845 17 Produtos classificados na TIPI como NT Essa matéria foi objeto de recurso especial por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, que na sessão de julgamento realizada em 15 de outubro de 2007, decidiu, por meio de acórdão da CSRF/02.02.805, no sentido de que a exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Ademais, vejase o que dispõe a Súmula n° 13, aprovada por esse Segundo Conselho de Contribuintes, na sessão plenária realizada no dia 18 de setembro de 2007, verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação ás aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT No mesmo sentido é a Súmula CARF n° 20, ao dispor que: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Exclusão de estoque Conforme explicitado na decisão recorrida, os ajustes no estoque efetuados pelo fisco estão previstos no artigo 3° da Portaria MF 38/97 que regulamentou o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96: Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. (...) § 3° No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano. deverá ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas. dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. § 4° O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. (grifamos) E continua a decisão a quo: Cabe ressaltar que o Fisco, ao realizar a correção dos cálculos do crédito presumido, o fez com base nos valores indicados pela contribuinte e não consta do processo qualquer documento que explicite que do valor do estoque total a empresa já teria excluído os valores referentes aos insumos utilizados na produção de produtos em questão. O Fisco somente fez o ajuste no valor do estoque, ou seja, das compras de MP, MI e embalagem, utilizados no processo de industrialização (valor das compras totais diminuído do montante das devoluções de compras), excluise os utilizados Fl. 845DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.004970/200279 Acórdão n.º 3202001.596 S3C2T2 Fl. 846 18 na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos. Portanto, não houve dupla exclusão, já que o cálculo partiu dos valores totais iniciais contidos na escrita fiscal da empresa. Não há, portanto, como ser acatada esta alegação da Recorrente. Diante do exposto, voto no DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 846DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.721050/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE.
A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA.
É correta a glosa dos custos de mercadorias vendidas contabilizados em valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento comprobatório da operação.
SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES
NÃO COMPROVADAS.
O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, quando o contribuinte não apresenta documentos ou justificativas hábeis, mormente quando o lançamento baseia-se em sua própria contabilidade.
DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA.
Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
Numero da decisão: 1201-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante a oferta de provas hábeis e idôneas. A ausência de tal providência valida o lançamento regularmente efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS. CONTABILIZAÇÃO IRREGULAR. GLOSA. É correta a glosa dos custos de mercadorias vendidas contabilizados em valores superiores aos das notas fiscais de compra ou, ainda, sem documento comprobatório da operação. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. O saldo credor de caixa caracteriza a presunção de omissão de receitas em montante equivalente, quando o contribuinte não apresenta documentos ou justificativas hábeis, mormente quando o lançamento baseiase em sua própria contabilidade. DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA. Somente são dedutíveis como despesas operacionais aquelas comprovadas e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 10 50 /2 01 3- 18 Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NECESSIDADE. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e reflexos do anocalendário de 2009, decorrentes de diversas infrações, a seguir reproduzidas: 1. Omissão de receitas de vendas e serviços, não contabilizadas; Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 4 3 2. Omissão de receitas decorrente de saldos credores de Caixa; 3. Omissão de receitas por presunção legal caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada; 4. Glosa de despesas operacionais; 5. Glosa de custos; 6. Exclusão indevida da base de cálculo ajustada da CSLL. A ação fiscal solicitou ao Contribuinte toda a documentação relativa às operações do anocalendário de 2009. Em razão das muitas divergências constatadas, o Contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários da conta movimentada no período, bem como documentos em meio digital. No intuito de confirmar os custos incorridos pela fiscalizada em suas operações com terceiros, foram emitidos Termos de Intimação Fiscal, em 15/06/2012, para seus quatro maiores fornecedores de mercadorias no ano de 2009, a saber: Laticínios Bela Vista Ltda. (CNPJ sob o nº 02.089.969/000106), Kraft Foods Brasil Ltda. (CNPJ sob o nº 33.033.028/000184), Nestlé Brasil Ltda. (CNPJ sob o nº 60.409.075/000152) e Unilever Brasil Ltda. (CNPJ sob o nº 61.068.276/000104). Os elementos solicitados nos referidos termos relação das notas fiscais de vendas emitidas em nome da fiscalizada no ano de 2009 – foram apresentados em 28/06/2012 (Nestlé), 03/07/2012 (Kraft e Unilever) e em 05/07/2012 (Laticínios Bela Vista). Sobre os documentos colacionados, assim se manifestou a autoridade fiscal: Analisandose as informações apresentadas pela empresa em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, verificouse (1) que os valores informados, referentes às Outras Despesas Operacionais, não coincidiam com aqueles demonstrados na DIPJ 2010 da fiscalizada e (2) que os registros fiscais apresentados em meio magnético, referentes às notas fiscais de entrada, estavam visivelmente incompletos, não refletindo, portanto, o conjunto de operações com terceiros registrados na conta Compras de Mercadorias, presente nos registros contábeis da empresa (dados da Escrituração Contábil Digital obtida mediante acesso ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED). Dessa forma, passouse a considerar – para fins de confirmação dos custos e despesas incorridos pela empresa – tãosomente as informações constantes de seus registros contábeis. Como resultado da análise conjugada dos registros contábeis, das declarações e dos extratos bancários, a empresa foi intimada por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001, de 09/07/2012, a apresentar os seguintes esclarecimentos / elementos: Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 5 4 – Divergências entre os valores totais de lançamentos a crédito nos seus extratos bancários e aqueles lançados a débito na conta Banco BRB S/A constante dos seus registros contábeis; – Divergências entre valores de impostos e contribuições registrados na sua contabilidade e aqueles informados nas declarações por ela apresentadas; – Documentação comprovando as transações (vendas) relacionadas com os depósitos bancários mais relevantes presentes nos seus extratos bancários, e não contabilizados (Anexo I); – Documentação comprovando as transações (compras) relacionadas com os suprimentos de caixa lançamentos a débito na conta CaixaMovimento tendo como contrapartida a conta Banco BRB S/A mais relevantes presentes na sua contabilidade (Anexo II); – Informações sobre os lançamentos que foram objeto de estornos na conta CaixaMovimento em 23/05/2009 e 21/12/2009; – Apresentação de notas fiscais de entrada, e respectivos comprovantes de pagamento, selecionadas – por critérios de relevância e amostragem – a partir das informações constantes dos lançamentos registrados na conta Compras de Mercadorias, presente na sua contabilidade (Anexo III); – Apresentação de documentação que amparasse determinadas despesas relevantes registradas na conta Despesas Operacionais, constante de sua contabilidade (Anexo IV); – Informações sobre empréstimo contraído pela empresa. Como a empresa não apresentou a documentação completa solicitada, foram emitidos vários outros termos de intimação ao longo dos trabalhos de auditoria. Segundo a fiscalização, a análise dos documentos, o cruzamento das informações de terceiros e a verificação dos registros contábeis demonstrou a ocorrência de diversas infrações à legislação tributária, que redundaram nos autos de infração ora debatidos. Com a ciência das infrações a interessada apresentou impugnação, cujos termos, em síntese, podem ser assim relatados: 1 Socorrese de autores diversos para afirmar que a legislação brasileira filiou a definição de renda tributável à teoria do acréscimo patrimonial, conforme define o Código Tributário Nacional; 2 Discute a definição de despesas e gastos necessários, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a fim de apurar o acréscimo patrimonial e o lucro; transcreve Parecer Normativo SRF nº 32, de 1981, e cita autor no sentido de que é inconstitucional a lei que define como base de cálculo a receita Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 6 5 bruta ou percentual dessa receita ou que prescreva vedação à dedução de custos necessários para auferir a receita que permite apurar o lucro real, ou seja, se necessária a despesa, ela é dedutível; 3 Acusa que, além disso, o lançamento se baseia em presunção da ocorrência do fato gerador, que afirma ser mecanismo odioso (por legitimar a conclusão fiscal de fraude ou sonegação, sem prova concreta) e covarde (por autorizar o lançamento a partir do nada), e transferir o ônus probante para o contribuinte fiscalizado; destaca que o ônus da prova é do fisco que lança e não do contribuinte que se defende. 4 Sobre os depósitos bancários afirma que três operações bancárias no total de R$ 1.152.090,03 foram corretamente imputadas ao resultado, a crédito da receita, o que importou, necessariamente, a incidência dos tributos sobre o lucro; 5 Acerca dos saldos credores de Caixa (Anexo I), afirma, sobre o 1º trimestre, que está corretamente registrado saldo devedor e não credor; sobre o 4º trimestre, que o autuante registrou, indevidamente, vendas a prazo que, na realidade, foram à vista, assim valores a receber passam para o Caixa, recompondo o saldo devedor; acusa que este lançamento padece de ilegalidade, devendo ser anulado; 6 Classifica de indevida a glosa de custos porque a simples não apresentação da nota fiscal é insuficiente para presumir que o custo não existiu; diz que os seus fornecedores entregaram à fiscalização documentos hábeis e planilhas comprobatórias das operações de aquisição de mercadorias junto a eles; assim, a regular contabilização das operações e consideração desses custos torna sem sentido a glosa, já que as operações existiram, sendo que a base de cálculo do IRPJ é o lucro líquido ajustado conforme a legislação tributária, a partir do lucro contábil apurado; 7 No que tange a glosa de despesas operacionais, reclama que, não obstante a efetiva existência dos gastos, consubstanciados nos extratos bancários e recibos emitidos em seu nome, a fiscalização simplesmente optou por desconsiderar todos os elementos de prova e glosou aproximadamente R$ 3 milhões; destaca que se o gasto é necessário à atividade e à manutenção da respectiva fonte pagadora, deve ser reconhecido; 8 Reclama da aplicação de multa de ofício de 75% sobre R$ 2.619.700,99 que o contribuinte fez constar na linha 53 (Outras exclusões) da Ficha 17 da DIPJ 2010/2009 e que, intimado, confessou ter sido erro material; reclama que erro de informação não pode ser considerado como infração à legislação tributária, a teor do art. 136 do CTN; diz que a multa aplicada a essa infração é ilegal e deve ser anulada. 9 – Requer perícia da sua movimentação contábil e fiscal. Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 7 6 Em sessão de 26 de setembro de 2013 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Curituba, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, de forma a aceitar como despesas necessárias aquelas relativas a comprovantes de pagamento e e DANFE´s acostados aos autos, por se tratarem de gastos com empresas de transporte e combustível. As demais despesas não foram aceitas, por falta de documentos comprobatórios. Com a ciência da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual repete, basicamente, os argumentos formulados na impugnação. Não apresentou, junto com o recurso, qualquer documento ou prova do alegado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano, ressaltase que a Recorrente reproduz no voluntário os termos aduzidos na impugnação, sem qualquer alteração nos argumentos ou apresentação de documentos complementares. Nesse contexto, passamos a analisar, por tópicos, as alegações formuladas pela defesa, na ordem em que apresentadas. 1. Pedido de perícia Pretende a Recorrente a produção de prova pericial contábil, para que seja avaliado o fechamento das notas fiscais emitidas no exercício de 2009 com as movimentações bancárias e seu respectivo cruzamento com as apurações do IRPJ e da CSLL. É cediço que a perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido, conforme autoriza o artigo 18, do Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 8.748/93: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifamos) Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 8 7 A análise do processo nos permite concluir que a autoridade fiscal já verificou os registros contábeis da empresa e os cotejou com as notas fiscais emitidas, de forma que não há qualquer motivo ou necessidade para a realização de perícias, dado que todos os elementos necessários para o deslinde da questão constam dos autos, razão pela qual indefiro a solicitação. 2. Depósitos não comprovados A Recorrente assevera que os três depósitos autuados, de pág. 1.972 e 2.008 teriam sido contabilizados como receitas declaradas e submetidas à tributação. Todavia, como já apontado pela decisão recorrida, percebese que, embora tais créditos constem dos extratos do Banco de Brasília – BRB, a análise do Razão da conta bancária, de fls. 502 a 551 demonstra que nenhum deles foi escriturado. Como bem destacou a decisão de 1a instância: No Razão da conta Venda de Mercadorias em Geral, em que pesem registros de inúmeras notas fiscais de venda, não há como estabelecer nexo entre as notas fiscais escrituradas e esses depósitos, pois nenhuma coincide em valor; tampouco o contribuinte cita ou apresenta registros ou as notas fiscais que, alegadamente, corresponderiam a estes recebimentos. Assim, ante a ausência de documentos comprobatórios ou de indícios que pudessem estabelecer a correlação entre os depósitos e eventuais vendas faturadas, não há como aceitar as alegações da Recorrente. 3. Saldo credor de caixa A Recorrente afirma que para o 1o trimestre de 2009 o saldo registrado seria devedor (e não credor), o que afastaria a imputação fiscal. Contudo, a análise do Anexo I, mencionado pela interessada, indica que tratase de extratos bancários, que em nada permitem confirmar tal alegação. No mesmo sentido, a empresa não indica ou anexa ao processo qualquer documento capaz de confirmar suas alegações, de forma que os seus argumentos, neste ponto, não podem prosperar. Quanto ao 4o trimestre de 2009, aduz a Recorrente que a autoridade fiscal registrou indevidamente vendas a prazo que teriam sido realizadas à vista, circunstância que recomporia o saldo devedor, pois os valores migrariam das “contas a receber” para o “caixa”. Ocorre que a fiscalização efetivamente intimou a empresa a justificar os saldos credores apurados, a fim de que esta comprovasse a origem dos recursos financeiros constantes da Tabela 1 – Saldo Credor de Caixa. A interessada, à época, apenas se limitou a responder que houve equívoco no lançamento de aproximadamente seis milhões de reais, que teria sido objeto de estorno. Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 9 8 Contudo, em relação aos argumentos expendidos pelo Contribuinte, assim concluiu a autoridade fiscal: Em sua resposta, a empresa se limitou a informar – sem apresentar qualquer documentação comprobatória – que a ocorrência de saldos credores no mês de dezembro/2009 teria sido motivada por ter havido um equívoco no estorno ocorrido na conta CaixaMovimento em 21/12/2009 – uma vez que as vendas teriam realmente sido feitas à vista –, e demonstrou ainda como seria a composição dos saldos da referida conta, até o dia 30/12/2009, após a desconsideração, tanto do aludido estorno quanto do lançamento ora mencionado. Percebese claramente que a empresa se contradiz nas respostas encaminhadas a esta fiscalização. Num primeiro momento, quando questionada no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001 sobre os estornos ocorridos na conta CaixaMovimento em 23/05/2009 e 21/12/2009, ela informa, em 24/08/2012, que foram decorrentes de vendas efetuadas a prazo, porém contabilizadas indevidamente como sendo à vista, e relaciona cada um dos lançamentos correspondentes aos aludidos estornos. Frisese que todos esses lançamentos encontramse devidamente escriturados na contabilidade da empresa, nos exatos valores indicados por ela. Momento seguinte, quando da resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002, ocorrida em 21/11/2012, a empresa sustenta exatamente o oposto do que havia antes informado: que as vendas, cujos lançamentos indevidos ocasionaram o estorno ocorrido em 21/12/2009, foram efetuadas realmente à vista e não a prazo, o que tornaria o estorno indevido. Ou seja, num espaço de pouco menos de três meses a empresa presta uma determinada informação – amparada em sua contabilidade – e logo após a desfaz, sem apresentar qualquer tipo de documentação comprobatória que sustente sua nova versão dos fatos. Diante da contradição demonstrada pela fiscalizada, e considerando a completa ausência de documentação hábil e idônea que justifique a ocorrência de saldos credores na conta CaixaMovimento na contabilidade da empresa, e que comprove a origem dos recursos envolvidos nessas operações, os referidos saldos credores serão considerados como omissão de receitas por presunção legal, com fundamento nos arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do RIR/99, sendo adicionadas ao lucro real (IRPJ) e à base de cálculo da CSLL apurados trimestralmente. Quanto ao lançamento a débito na conta CaixaMovimento, tendo como contrapartida a conta Créditos com Clientes– Vendas, ocorrido no dia 31/12/2009 – objeto do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002 – a empresa também o Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 10 9 considera como um estorno, que estaria associado ao estorno – este sim escriturado como tal ocorrido em 21/12/2009. Em resumo, na argumentação da fiscalizada, ambos os lançamentos (tanto o estorno ocorrido em 21/12/2009, quanto o lançamento ocorrido em 31/12/2009) estariam relacionados com aquelas vendas escrituradas indevidamente à vista, posteriormente estornadas na contabilidade por terem sido efetuadas a prazo, e novamente consideradas como sendo à vista, na resposta à mencionada intimação. Enfim, novamente a fiscalizada somente traz informações desacompanhadas de documentação hábil e idônea que possa sustentálas. Ressaltese, inclusive, que a composição do saldo em caixa demonstrada pela empresa em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002 sequer traz o dia 31/12/2009, data do lançamento objeto desta intimação. Diante do exposto, e mais uma vez considerando a contradição demonstrada pela empresa, bem como a ausência de documentação comprobatória, o lançamento ocorrido em 31/12/2009 será glosado, o que implicará na recomposição do saldo da conta CaixaMovimento. A Tabela Única constante do Anexo III ao presente TVF, demonstra, por trimestre, os saldos credores diários da conta CaixaMovimento retirados da contabilidade da empresa –, com a recomposição decorrente da glosa do lançamento ocorrido em 31/12/2009, bem como os valores considerados como omissão de receitas. Cumpre registrar que os saldos credores foram tributados no momento de sua apuração, sendo que foram excluídos dos saldos seguintes os valores já tributados nos momentos anteriores. Percebese, portanto, que os lançamentos tributários decorrentes do saldo credor de caixa foram devidamente fundamentados pela fiscalização. Ademais, a Recorrente não apresentou qualquer documento capaz de comprovar suas alegações, do mesmo modo que não o fizera ao tempo dos trabalhos de auditoria, de sorte que os valores autuados devem ser mantidos. 4. Glosa de custos Alega a Recorrente que a “simples ausência de apresentação da nota fiscal não pode ser subsidio bastante para a presunção de que o custo atribuído não existiu”. Entretanto, a autoridade lançadora demonstrou claramente as divergências apuradas entre as notas fiscais de entrada e os registros contábeis da empresa, bem como indicou os critérios para a mensuração dos valores glosados: Como resultado da análise da documentação apresentada, foi elaborada a Tabela Única constante do Anexo IV ao presente TVF, onde encontramse demonstrados a situação e o tipo de Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 11 10 divergência dos documentos fiscais (notas fiscais de entrada) relacionados aos lançamentos que os referenciam. Cumpre esclarecer que, para fins de glosa dos valores dos mencionados lançamentos, serão aplicados os seguintes critérios: – Nota fiscal pendente: Glosa total do valor lançado; – Nota fiscal entregue, porém com valor inferior ao lançado: Glosa da parcela do valor lançado que excedeu ao da nota fiscal; – Nota fiscal entregue, porém referente a destinatário diverso: Glosa total do valor lançado; – Nota fiscal entregue, porém sem comprovação do respectivo pagamento, e cujos valor e fornecedor divergem dos constantes do lançamento correspondente: Glosa total do valor lançado. Também como já mencionado, identificadas divergências entre as informações prestadas pelos quatro maiores fornecedores da fiscalizada e os lançamentos referentes às notas fiscais de entrada (compras) presentes na sua contabilidade, a empresa foi intimada, mediante o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 002, a apresentar determinadas notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamento que sustentassem os referidos lançamentos. Finalmente, aplicandose os critérios mencionados para glosa dos valores dos lançamentos relacionados nos Anexos IV e V, elaborouse a Tabela Única constante do Anexo VI ao presente TVF, que consolida, por trimestre, os valores dos custos (compras) efetivamente glosados, com fundamento nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 289, 290, 292 e 300 do RIR/99, que serão adicionados ao lucro real (IRPJ) e à base de cálculo da CSLL apurados trimestralmente. A análise dos documentos e das tabelas elaboradas pela fiscalização, constantes dos Anexos mencionados, nos permite concluir pela correção das glosas de custos efetuadas. 5. Glosa de despesas operacionais Neste passo, conforme já relatado, a decisão de 1a instância considerou parcialmente procedente a pretensão da interessada, para excluir as glosas relativas a despesas com transportes e aquisição de combustíveis, relacionadas, portanto, à atividade da empresa e devidamente comprovadas pelos documentos acostados ao processo. As demais despesas, relativas à ocupação e à aquisição de materiais, não estão, como já anotado na decisão recorrida, adequadamente comprovadas nos autos. Como a Recorrente não apresentou qualquer novo documento ou informação acerca disso, pugnando Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10166.721050/201318 Acórdão n.º 1201001.145 S1C2T1 Fl. 12 11 apenas genericamente pela improcedência dos lançamentos, não há como subsistir sua pretensão. Por fim, quanto à cominação da multa de 75%, é cediço que o gravame deve necessariamente acompanhar os lançamentos de ofício, conforme determinação do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, sendo irrelevante o argumento da Recorrente de que houve erro, até porque o alegado artigo 136 do Código Tributário Nacional justamente ressalta que a responsabilidade por infrações é objetiva, visto que independe da vontade do agente. Assim, a dedução indevida de montantes da base de cálculo da CSLL enseja a aplicação da multa de ofício. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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