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Numero do processo: 19515.000443/2010-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato Gerador: 03/03/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.178
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato Gerador: 03/03/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000443/201017 Recurso nº 19.515.000443201017 Voluntário Acórdão nº 2803003.178 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente TECPAR SERVIÇOS DE TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato Gerador: 03/03/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 43 /2 01 0- 17 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000443/201017 Acórdão n.º 2803003.178 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa descumpriu obrigação acessória prevista no art. 32, III, e parágrafo 11, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixando de apresentar os documentos lançados em seus Livros Diários referente a pagamentos de despesas, bem como a relação individualizada dos segurados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 19 de dezembro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/03/2010 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. MULTA. LEGALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO VERIFICADO. A multa é devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal, de caráter irrelevável. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes legislação que a instituiu. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000443/201017 Acórdão n.º 2803003.178 S2TE03 Fl. 4 3 O valor da multa é desarrazoado e confiscatório. É comum a cobrança pelo Fisco, de vultosos valores a título de multas sancionatórias sempre em percentuais elevados e abusivos. No presente caso, a autuação ora discutida é de R$70.705,28 decorrentes de uma multa por suposta falta de entrega de documentos. Ora ínclito julgador, multa dessa natureza desatende certamente a preceitos jurídicos do sistema normativo do País! Uma multa excessiva que ultrapasse o razoável para dissuadir ações ilícitas e para punir os transgressores caracteriza, de fato, uma maneira indireta de burlar o dispositivo constitucional que proíbe o confisco. Multa em valor desarrazoado é inconstitucional, devendo ser reduzida pela autoridade competente, como forma de observar as prescrições superiores da Carta Magna. Portanto, nada mais claro de que há confisco no presente caso, uma vez que há dissonância entre o fato e a punibilidade. Diante do exposto, requer a recorrente a anulação do Auto de Infração nº 37.529.9435 uma vez que, no mérito, não incorreu na alegada infração que ensejou a multa ora cobrada, conforme restou comprovado. Alternativamente, requer a redução da multa aplicada, uma vez que a aplicada enseja verdadeiro confisco ao patrimônio da empresa. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial através de prova documental complementar. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000443/201017 Acórdão n.º 2803003.178 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta nos autos que a empresa deixou de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do sujeito ativo da obrigação tributária (fls.1). Em seu recurso o contribuinte alega que o valor da multa é desarrazoado e confiscatório e que é comum a cobrança pelo Fisco, de vultosos valores a título de multas sancionatórias sempre em percentuais elevados e abusivos. Alega ainda que multa em valor desarrazoado é inconstitucional, devendo ser reduzida pela autoridade competente, como forma de observar as prescrições superiores da Carta Magna. Pelo que se pode observar das argumentações do contribuinte, a falta ocorreu. Os argumentos apresentados, com se vê, são totalmente dissonantes do fato gerador, porquanto o contribuinte não discutiu efetivamente a falta por ele cometida, refutando somente os efeitos da multa aplicada, situação que não merece prosperar, tendo em vista que o mérito sequer foi ventilado na defesa apresentada. Pela conduta, a empresa infringiu o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso III do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Com efeito, as alegações contidas no recurso manejado pelo contribuinte não merecem prosperar, tendo em vista que no procedimento fiscalizatório observouse corretamente as determinações do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000443/201017 Acórdão n.º 2803003.178 S2TE03 Fl. 6 5 Ademais, não se pode perder de vista que o assunto ora em debate diz respeito à obrigação tributária descumprida. Neste ponto, prevalecerá os comandos do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem como objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. Da simples leitura dos dois artigos do CTN acima descritos, resta amplamente evidenciado que o trabalho realizado pela autoridade administrativa, por ocasião do lançamento realizado em desfavor do contribuinte, encontrase totalmente em consonância com o ordenamento jurídico Pátrio, não havendo, in casu, qualquer mácula capaz de alterar a realidade fática. O descumprimento de obrigação acessória, portanto, constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Em situação como essa, o contribuinte não pode alegar desconhecimento da legislação. Ele é, portanto, o único responsável pela infração cometida. De outra parte, não se pode perder de vista que a responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro, portanto, que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000443/201017 Acórdão n.º 2803003.178 S2TE03 Fl. 7 6 A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. A autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Destarte, não vislumbro no recurso aviado pelo contribuinte qualquer possibilidade de alterar o lançamento, bem como a correta decisão proferida pelos julgadores da primeira instância administrativa. Mantenho, pois, o lançamento em sua forma originária. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001578/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. DCOMP
A partir da vigência da MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, passou a ser obrigatória a apresentação de declaração de compensação para efetivação de todo e qualquer encontro de contas envolvendo tributos e contribuições administrados pela RFB.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.103
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP A partir da vigência da MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, passou a ser obrigatória a apresentação de declaração de compensação para efetivação de todo e qualquer encontro de contas envolvendo tributos e contribuições administrados pela RFB. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP A partir da vigência da MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, passou a ser obrigatória a apresentação de declaração de compensação para efetivação de todo e qualquer encontro de contas envolvendo tributos e contribuições administrados pela RFB. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 15 78 /2 00 9- 16 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.001578/200916 Acórdão n.º 3202001.103 S3C2T2 Fl. 177 2 Relatório Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão da DRJ de Porto Alegre, verbis: O presente processo administrativo foi aberto pela DRF Caxias do sul com a finalidade de acompanhamento da ação judicial 2000.71.07.0006342, impetrada pela interessada junto ã 1ª vara da Justiça Federal em Caxias do Sul em fevereiro de 2000. Referido processo judicial transitou em julgado em 26 de setembro de 2003, sendo reconhecido o direito à impetrante de compensar indébitos de Pis não atingidos pela decadência (efetivados a partir de 09/02/1990) sob a égide dos decretosleis de 1988, restringido o encontro de contas apenas com débitos do próprio Pis, ante a falta de requerimento administrativo que abrangesse a pretensão relativa à Cofins, CSL e IRPJ. No processo administrativo que ora se analisa, considerado pela DRF jurisdicionante como continuidade do processo 11020.000151/200640 (abrangeu os per.11/2000 a 12/2004), foram analisadas as DCTF's verificou se que foram compensados débitosde Pis de janeiro/2005 a dezembro/2005. A DRF jurisdicionante negou os encontros de contasinformados apenas em DCTF, efetivados após a vigência da Lei 10.637/2002 que instituiu a obrigatoriedade da utilização da Declaração de Compensação. E sendo assim, estão sendocobrados através do presente processo os débitos de Pis dos períodos de 01/2005 a 12/2005(docs. a fls. 13/18 e 30/33). Cientificada (AR fls. 18 e 34) da decisão e cartacobrança em 13/05/2009 e 26/06/2009, a empresa apresentou em 10/06/2009 pedido de reconsideração do despacho e em22/06/2009 e em 09/07/2009, Manifestações de Inconformidade a fls. 22/28 e 35/44. Entretanto, em Despacho de fls. 92 a DRJ Porto Alegre devolveu oprocesso sob a alegação de que não seria de sua competência julgar o recurso interposto, postoque não seria aplicável ao caso o rito do PAF (Decreto 70.235/1972), mas sim o rito da Lei9.784/99, haja vista a falta de previsão legal para apresentação de manifestação deinconformidade em caso de cartacobrança relativa a débitos confessados em DCTF's. A DRF Caxias do Sul encaminhou novamente o processo a este órgão julgador administrativo (despacho a fls. 93) sob o fundamento de que caberia aplicação do ritodo PAP ao presente processo já que este seria uma continuação da análise das compensaçõesefetuadas no processo administrativo 11020.000151/200640, devendo o presente ser julgado em conjunto com referido processo. Importante observar que em 02/06/2006, a empresa havia ingressado com o Mandado de Segurança 2006.71.07.0030681 pleiteando liminarmente Certidão Positiva com Efeito de Negativa com a finalidade de obtenção de empréstimo junto ã instituição financeira. Afirmou que a CND teria sido negada em 31/05/2006 em função de compensações indeferidas, não obstante a apresentação regular de Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.001578/200916 Acórdão n.º 3202001.103 S3C2T2 Fl. 178 3 manifestação de inconformidade no processo administrativo, circunstancia que suspenderia a exigibilidade dos débitos alegados pelo Fisco. Em sentença de primeiro grau, proferida em 03/07/2006, a segurança pleiteada foi concedida. Logo após, em 05/07/2006, a empresa ingressa com nova ação mandamental, desta feita sob número 2006.71.07.0037420, requerendo, de maneira resumida, a declaração da ilegalidade do ato administrativo que não homologou as compensações Pis x Pis examinadas no presente processo administrativo, requerendo liminarmente a suspensão da exigibilidade do crédito tributário derivado do ato atacado. Ressaltese que, nas informações prestadas como autoridade coatora, a DRF Caxias do Sul, além de defender a legalidade do ato atacado, requereu como preliminar a condenação da impetrante por litigância de máfé, haja vista a identidade com a ação anteriormente impetrada, a declaração de litispendência com aquela ação e a declaração de desistência (renúncia ã instância administrativa) do recurso interposto no processo administrativo 11020.000151/200640. A sentença de primeiro grau, prolatada em 01/09/2006, no mérito, denegou a segurança pleiteada. Entretanto, foram rejeitadas as preliminares argüidas pelo Fisco, inclusive a argüição de desistência da Manifestação de Inconformidade interposta no processo administrativo. Registrese ainda que, no tocante ao dispositivo da sentença que lhe foi desfavorável, a impetrante interpôs Apelação Cível junto ao TRF da 4a Regido, apreciado em 04/11/2008 de maneira favorável à empresa, conforme informações obtidas nos sites da Justiça Federal do Rio Grande do Sul e do TRF da 4a Região. Em sua decisão, a DRJ de Porto Alegre assim se manifestou: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO DCOMP a partir da vigência da MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, passou a ser obrigatória a apresentação de declaração de compensação para efetivação de todo e qualquer encontro de contas envolvendo tributos e contribuições administrados pela SRFB. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente, por sua vez, alega em seu recurso prejuízo à coisa julgada em processo judicial, bem como a invalidade da desconsideração das compensações por ela realizadas. É o relatório. Voto Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.001578/200916 Acórdão n.º 3202001.103 S3C2T2 Fl. 179 4 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Entendo correta a decisão recorrida, motivo pelo qual a adoto nos termos do artigo 50 da Lei 9.784/99, e transcrevo trechos da decisão para embasar meu entendimento: De todo modo, cumpre anotar que, embora não seja vinculante para a Administração Pública, também no âmbito do Superior Tribunal de Justiça o entendimento esposado pelo fisco federal encontra ressonância. Citamse, exemplificativamente, o AgRg no REsp 838.439/SP, rel. Min. Jose Delgado, julgado em 05.09.2006, e o AgRg no Resp 835.030/MG, rei Min José Delgado, julgado em 12.09.2006, cujo item 9 segue reproduzindo: "9.Posicionamento da la Seção desta Corte no sentido de que a compensação tributária regese pela legislação vigente na data do encontro entre os débitos e créditos." Ainda mais explicito, e sobremaneira didático, é o excerto que abaixo se translada, do voto condutor do AgRg nos EREsp 336.173/PR, rei Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 22.08.2007, em decisão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "Ademais, é preciso ter presente, quando se trata de compensacão, que a lei aplicável é a vigente na data do encontro de contas. Portanto, independentemente da data da propositura da ação, o art. 170A do CNT não se aplica aos casos em que o encontro de contas é anterior ei sua vigência, mas é aplicável quando tal encontro se dá após a entrada em vigor. Ou seja, para que o dispositivo não se aplique, não basta que a ação tenha sido ajuizada antes da sua vigência; é indispensável que também o encontro de contas objeto dessa ação — seja anterior" (...) Tendo em conta a orientação até aqui expendida — a compensação tributária é regida pela legislação em vigor na data em que o sujeito passivo procede ao encontro entre o seu débito e o crédito que alega possuir contra o fisco, visando a extinguir aquele , resulta evidente o procedimento da empresa recorrente, segundo o qual, persistiria o regime da autocompensação instituído pelo art. 66 da Lei 8.383/1991, mesmo a partir da vigência do novo regime unificado de compensações tributárias, inexistindo lei obrigando que compensações tributarias sejam efetuadas exclusivamente mediante entrega de declaração de compensação (DCOMP) e, portanto, que a DCTF seria instrumento adequando para informar compensações efetuadas pelo contribuinte. Isto porque, a partir do período de apuração de 10/2002, com a redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida em sua essência na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, as compensações deveriam ter sido efetuadas nos termos do artigo 74, §§ 1° e 2° da Lei na 9.430/96, cuja redação: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.001578/200916 Acórdão n.º 3202001.103 S3C2T2 Fl. 180 5 Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em Julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível da restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão, (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002). § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) §2° A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pala Lei n° 10.637, de 2002) ". Então, a partir do inicio da vigência desse artigo, passou a ser obrigatória, em qualquer caso, a apresentação de uma declaração especifica — declaração de compensação (DCOMP) — para que o sujeito passivo possa efetuar a compensação de tributos administrativos pela então Secretaria da Receita Federal, inclusive quando se trate de tributos da mesma espécie. Notese que essa exigência decorre de lei, especificamente, do art 74, § 1°, da Lei no 9.430, desde 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 2002, mantida na sua conversão na Lei no 10.637, de 2002. Resulta, assim, incongruente a afirmação da recorrente, segundo a qual não existiria lei obrigando o uso de declaração de compensação para o sujeito passivo efetuar a compensação para o sujeito passivo efetuar a compensação de tributos administrativos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, como se essa obrigação tivesse sido criada por instrução normativa ou algum ato infralegal. Resulta cristalino, da mesma forma, que o art. 66 da Lei no 8.383, de 1991, deixou de ter possibilidade de ser utilizado para a compensação da Contribuição para o PIS/Pasep de 1° de outubro de 2002 — isto 6, foi derrogado relativamente As compensações de todos os tributos que, nessa época, eram administrados pela então Secretaria da Receita Federal. Assim é porque o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passou a regular inteiramente a matéria "compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal", incorrendo na vetusta regra de derrogação vazada no art. 2°, § 1 0, da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto — Lei no 4.657, de 4 de setembro de 1942): "A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior." Notese que o art. 66 da Lei no 8.383, de 1991, não foi revogado expressamente, nem poderia ser, porque permanece regendo outras compensações, tais qual a de receitas patrimoniais (nãotributárias). Diante disso, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.001578/200916 Acórdão n.º 3202001.103 S3C2T2 Fl. 181 6 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904567/2012-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 67 /2 01 2- 51 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904567/201251 Acórdão n.º 3803004.917 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904567/201251 Acórdão n.º 3803004.917 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904567/201251 Acórdão n.º 3803004.917 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19515.003507/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. Considerando-se que (a) a falta de apresentação de arquivos magnéticos se deu no bojo de procedimento de fiscalização em que se pretendida analisar apenas a procedência ou a improcedência dos pedidos de compensação e deles não poderia ser lançado qualquer tributo, na forma da própria legislação vigente à época dos fatos; (b) os arquivos digitais eram apenas parte do conjunto de elementos necessários para que a autoridade fiscal pudesse comprovar a liquidez e certeza do crédito, e não o objeto da fiscalização; (c) diante do não oferecimento dos arquivos incumbiria à Fiscalização indeferir os pedidos respectivos, restabelecer a exigibilidade dos tributos confessados e compensados e aplicar as penalidades previstas para as hipóteses de indeferimento de compensação; (d) entender-se em sentido contrário seria considerar a irrazoável e desproporcional hipótese de o contribuinte, a par de não ter reconhecido seu pedido de crédito, ser penalizado pelo descumprimento de obrigações acessórias relativas às contribuições que sequer serão objeto de lançamento no processo, impõe-se o cancelamento da penalidade aplicada. Reconhecimento pela própria RFB por meio do Parecer Normativo 13/2013.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-000.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho Araujo acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. Considerando-se que (a) a falta de apresentação de arquivos magnéticos se deu no bojo de procedimento de fiscalização em que se pretendida analisar apenas a procedência ou a improcedência dos pedidos de compensação e deles não poderia ser lançado qualquer tributo, na forma da própria legislação vigente à época dos fatos; (b) os arquivos digitais eram apenas parte do conjunto de elementos necessários para que a autoridade fiscal pudesse comprovar a liquidez e certeza do crédito, e não o objeto da fiscalização; (c) diante do não oferecimento dos arquivos incumbiria à Fiscalização indeferir os pedidos respectivos, restabelecer a exigibilidade dos tributos confessados e compensados e aplicar as penalidades previstas para as hipóteses de indeferimento de compensação; (d) entender-se em sentido contrário seria considerar a irrazoável e desproporcional hipótese de o contribuinte, a par de não ter reconhecido seu pedido de crédito, ser penalizado pelo descumprimento de obrigações acessórias relativas às contribuições que sequer serão objeto de lançamento no processo, impõe-se o cancelamento da penalidade aplicada. Reconhecimento pela própria RFB por meio do Parecer Normativo 13/2013. Recurso voluntário provido.
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AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. Considerandose que (a) a falta de apresentação de arquivos magnéticos se deu no bojo de procedimento de fiscalização em que se pretendida analisar apenas a procedência ou a improcedência dos pedidos de compensação e deles não poderia ser lançado qualquer tributo, na forma da própria legislação vigente à época dos fatos; (b) os arquivos digitais eram apenas parte do conjunto de elementos necessários para que a autoridade fiscal pudesse comprovar a liquidez e certeza do crédito, e não o objeto da fiscalização; (c) diante do não oferecimento dos arquivos incumbiria à Fiscalização indeferir os pedidos respectivos, restabelecer a exigibilidade dos tributos confessados e compensados e aplicar as penalidades previstas para as hipóteses de indeferimento de compensação; (d) entenderse em sentido contrário seria considerar a irrazoável e desproporcional hipótese de o contribuinte, a par de não ter reconhecido seu pedido de crédito, ser penalizado pelo descumprimento de obrigações acessórias relativas às contribuições que sequer serão objeto de lançamento no processo, impõese o cancelamento da penalidade aplicada. Reconhecimento pela própria RFB por meio do Parecer Normativo 13/2013. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho Araujo acompanharam o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 07 /2 00 9- 90 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto Relatório Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Sexta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003, 2004, 2005 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. A falta de apresentação de arquivos magnéticos por parte de empresa obrigada a mantêlos enseja a aplicação de penalidade prevista na legislação de regência. ERRO NO CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL. Deve ser sanado erro no cálculo da penalidade aplicada de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “1. PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A, empresa acima identificada, apresentou diversos PER/DCOMP que foram baixados para tratamento manual nos seguintes processos administrativos: 13804.008888/200457, 13804.007286/200482, 13804.004345/200461, 13804.000454/200590, 13804.000467/200569, 13804.000471/200527, 13804.000472/200571, 13804.000459/200512, 19679.010950/200511, 13804.008887/200411, 13804.003657/200457, 19679.010901/200588, 13807.006906/200517, 13807.006904/200528, 13804.000456/200589, 13804000468/200511, 13804.000465/200570, 13804.000455/200534, 13804.000457/200523, 13804.000470/200582, 13804.000458/200578, 13804.003166/200597, 13804.000461/200591, 13804.000469/200558, 19679.011501/200590, 13804.003656/200593, 13804.004251/200572, 19679.011064/200512, 13804.004499/200533, 13804.003168/200586, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 4 3 13804.003167/200531, 13804.003655/200549, 19679.011500/200545 e 13804.003469/200429. 2. Com o intuito de averiguar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, a fiscalização intimou o contribuinte (fls. 04/09) a apresentar diversos documentos, entre eles, arquivos magnéticos nos termos da INSRF n° 86/01 c/c Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/01. 3. O prazo para a apresentação dos arquivos magnéticos foi fixado em 5 (cinco) dias a contar da data da intimação que ocorreu em 17/04/09 (fl. 10). 4. Em face da inércia do interessado, o contribuinte foi novamente intimado (fls.11/12) a apresentar os mesmos documentos solicitados anteriormente, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da ciência da intimação que ocorreu em 24/06/09 (fl. 13). 5. Tendo em vista a ausência de apresentação dos documentos solicitados, foi lavrado auto de infração referente à multa regulamentar decorrente da falta de apresentação de arquivos magnéticos, no valor de R$ 146.217.143,69 (fls. 25/27), ciência em 28/08/09 (fl. 29). 6. 0 contribuinte apresentou impugnação em 24/09/09 (fls. 31/81), alegando em síntese: 6.1. o auto de infração seria nulo, em razão da imprecisão na descrição dos fatos que o teriam motivado; 6.2. segundo a fiscalização, o impugnante teria deixado de apresentar arquivos magnéticos, entretanto sofreu imposição de multa por atraso na entrega desses documentos; 6.3. o auto de infração seria nulo, nos termos do inciso II do artigo 59 do PAF; 6.4. houve ofensa ao principio da legalidade; 6.5. verificouse falta de motivação para a aplicação da penalidade, pois o procedimento fiscal tinha como objeto a verificação da liquidez e certeza de crédito informado em DCOMP. Ocorreu desvio de finalidade; 6.6. o auto de infração foi lavrado em face de pessoa jurídica inexistente; 6.7. a multa lavrada teve como base de cálculo as receitas auferidas nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, entretanto, o impugnante não estava obrigado a manter os arquivos referentes aos meses de 01/03 a 07/04, nos termos do artigo 265 do RIR199; 6.8. para a análise dos créditos informados em DCOMP não haveria necessidade de se verificar arquivos magnéticos da contabilidade da empresa, uma vez que bastaria a análise dos documentos fiscais, como por exemplo, DCTF e DACON, além de notas fiscais e Livros de Registro de Entrada e Saídas. Inclusive, teria ocorrido a homologação tácita de algumas das DCOMP apresentadas; 6.9. a autoridade fiscal presumiu que o contribuinte possuía sistema de processamento eletrônico de dados; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 5 4 6.10. o artigo 2° da INSRF n° 86/01 determina que o prazo para a apresentação de arquivos magnéticos é de 20 dias, ao passo que a fiscalização concedeu o prazo de 5 dias para tal mister. Mesmo na reintimação, novamente o prazo fornecido foi de apenas 5 dias; 6.11. a fiscalização permaneceu inerte por 59 dias, certamente com o intuito de aplicar a multa máxima; 6.12. vem sofrendo outros procedimentos de fiscalização, porém, neles o prazo fornecido para a apresentação dos arquivos magnéticos foi de 20 dias; 6.13. a penalidade aplicada somente seria possível se decorrente de procedimento de fiscalização para fins de apuração e constituição de crédito tributário; 6.14. depreendese da INSRF n° 900/08 que os procedimentos de fiscalização e de homologação de compensação não se confundem, de forma que a competência de cada auditor fiscal se restringe ao âmbito do procedimento a que foi autorizado pela lei; 6.15. quando muito deveria ser aplicada a multa prevista no artigo 44, §2°, II, da Lei n° 9.430/96; 6.16. aplicouse a multa à alíquota de 0,02% da receita bruta para cada um dos 59 dias de atraso na entrega dos arquivos magnéticos, limitados a 1%. Não se pode cominar uma penalidade para cada dia de atraso, o que representaria impor diversas sanções a uma única infração; 6.17. não obstante o alegado descumprimento de obrigação acessória, a obrigação principal foi cumprida; 6.18. esta multa é desproporcional e ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 6.19. não há liquidez, pois não é admissível o cálculo da multa sobre receitas de períodos estranhos a ação fiscal. A titulo exemplificativo informa que foi intimada a apresentar arquivos magnéticos relativos aos meses de julho, agosto e outubro de 2003, assim não seria possível calcular a penalidade sobre a totalidade da receita do ano de 2003; 6.20. a fiscalização não possuía competência para autuar em relação a períodos não contemplados no MPF, ou seja, aqueles objeto das DCOMP; 6.21. não foi observado o disposto no artigo 31, parágrafo único, da Lei n° 8.981/95, na apuração da receita bruta; 6.22. nos termos do artigo 129 e seguintes do CTN não é possível a sucessão da responsabilidade por infrações tributárias; 6.23. o processo de incorporação ocorreu em 09/03/09, sendo que o lançamento foi consolidado em 28/08/09; 6.24. requer o cancelamento integral do auto de infração.” O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte para reduzir o valor da multa aplicada, uma vez que o atraso na apresentação dos arquivos digitais solicitados apenas estaria configurado após vinte dias da Fl. 551DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 6 5 intimação, conforme previsto no art. 2º da Instrução Normativa SRF 86/01, e não após os cinco dias citados no Termo de Intimação entregue pela Fiscalização. Na parte mantida do lançamento, asseverou o acórdão recorrido que: (a) não haveria cerceamento de direito de defesa no caso, ante a natureza inquisitorial da fase de procedimento administrativo; (b) a falta de entrega de documentos (arquivos digitais) no curso do procedimento fiscal se subsume à hipótese do art. 12, III da Lei n. 8.218/91 aplicado pela Fiscalização, ante a previsão contida no final da legislação “aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas”. Ao não entregar os arquivos magnéticos, a Contribuinte não teria cumprido o prazo para a apresentação respectiva; (c) a multa regulamentar em referência pode ser aplicada indistintamente em procedimentos de compensação ou de fiscalização ordinários, pois, a par de não haver distinção na lei, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência tanto para a análise de DCOMP como para a realização de diligências fiscais, sendo que apenas por questões administrativas estas tarefas estão segmentadas; (d) o erro de identificação do sujeito passivo não pode ser imputado à Fiscalização, já que a Contribuinte, apesar de instada, não informou a operação de incorporação que a envolveu; (e) não haveria que se falar que a Contribuinte não necessitaria manter seus arquivos magnéticos ante a decadência do respectivo período, já que a Contribuinte deveria mantêlos pelo período de que trata o art. 74 da Lei n. 9.430/96 (prazo decadencial). Em relação às 3 compensações homologadas tacitamente, tal aspecto não seria relevante pois a Contribuinte não apresentou arquivos relativos ao mesmo período de apuração (anocalendário); (f) não houve presunção de que a Contribuinte teria escrituração digital, ante informação contida na própria DIPJ; (g) a receita bruta que serve de base para a apuração da multa regulamentar e do limite respectivo compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, deduzido apenas dos impostos não cumulativos cobrados nas operações anteriores e dos quais o contribuinte seja mero depositário. Na forma da lei, tal receita bruta deve ser a verificada em todo o anocalendário e não apenas nos períodos sob fiscalização; (h) o exame dos arquivos magnéticos era necessário à verificação do direito creditório da Contribuinte ou, quando menos, reduziria significativamente o trabalho da Fiscalização para tanto; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 7 6 (i) os argumentos de razoabilidade e proporcionalidade cedem espaço ao texto de lei, em relação ao qual o Julgador Administrativo está vinculado; (j) o lançamento de que trata o art. 44, § 2o, II da Lei n. 9.430/96 seria inaplicável ao caso, pois não haveria penalidade de ofício a ser agravada; (k) a sucessora é responsável pela multa de ofício aplicada no caso, ante o disposto nos artigos 129 e 132 do CTN e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada, previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, o juízo a quo, suscitou de ofício o reexame da matéria a este órgão julgador de segunda instância. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere às preliminares de nulidade do lançamento pela: (i) imprecisão na descrição dos fatos; (ii) ausência de motivação para a aplicação da multa e desvio de finalidade do procedimento de fiscalização; e (iii) ilegitimidade passiva da Contribuinte. No mérito, a Contribuinte alega a improcedência dos lançamentos pela: (i) decadência referente aos arquivos magnéticos de janeiro de 2003 a julho de 2004; (ii) erro na tipificação legal da suposta infração; (iii) desnecessidade dos arquivos solicitados para fins de análise das compensações; (iv) ausência de intimação da contribuinte acerca da utilização de Sistema de Processamento Eletrônico de Dados; (v) descabimento da multa regulamentar prevista na Lei nº 8.218/91 na hipótese de análise das compensações; (vi) impossibilidade jurídica de cumulação de diversas multas por uma única suposta infração cometida, e de cumular com base na Receita Bruta do anocalendário, em virtude da violação do princípio da razoabilidade e proporcionalidade; (vii) impossibilidade da autuação com base em receitas referentes a períodos estranhos à ação fiscal; (viii) erro no cálculo da receita bruta como base para a aplicação da multa pela inobservância do art. 31, parágrafo único, da Lei nº 8.981/95; e (ix) legalidade da aplicação da multa em virtude da impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações; É o relatório. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (i) Recurso de Ofício O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme se verifica no art. 2º da Instrução Normativa SRF 86/01, quando intimadas pela RFB, as pessoas jurídicas devem apresentar, em vinte dias, os arquivos digitais solicitas. Confirase: “Art. 2 º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1 º , quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.” Uma vez que (i) o referido normativo dispôs expressamente acerca do prazo de apresentação dos arquivos digitais; (ii) a Fiscalização exerce atividade vinculada às instruções normativas proferidas pelo secretário da RFB; e (iii) não houve justificativa pela Fiscalização para reduzir citado prazo no caso, não há razão razoável para que se exigisse a apresentação dos documentos (arquivos magnéticos) em prazo inferior àquele previsto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86/01, conforme se verifica no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 6). Considerandose que a multa aplicada no caso foi calculada com base nos dias de atraso da apresentação os documentos, a definição do prazo para a apresentação dos arquivos solicitados é essencial para a determinação do montante da multa. Se a prazo para a apresentação está incorreto, o cálculo da multa também o estará, o que merece ser corrigido. Desta forma, o acórdão recorrido não merece reparo na parte que reduziu a quantidade de dias/multa objeto do lançamento, considerandose o primeiro dia de atraso para cada anocalendário apenas o 21o dia após a intimação respectiva. Por tais fundamentos, nego provimento ao recurso de ofício. (ii) Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. a. Preliminares a.1. Da Imprecisão na Descrição dos Fatos Insurgese a Contribuinte contra a suposta imprecisão, por parte da Fiscalização, da descrição dos fatos que implicaram na imposição da multa sob exame. Aduz, em síntese, que a aplicação da multa com base no inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91 estaria Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 9 8 equivocada, já que essa multa seria cabível apenas para as hipóteses de atraso na entrega dos arquivos magnéticos, o que não teria se verificado no caso concreto ante a incontroversa ausência de entrega dos documentos à Fiscalização. Em vista da alegada imprecisão na descrição dos fatos por parte da autoridade fiscal, sustenta nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Não assiste razão à Contribuinte quando alega que haveria prejuízo ao direito de defesa no caso. Não há dúvida a respeito da matéria lançada. No ponto, o Termo de Verificação Fiscal, conforme bem demonstrado pelo acórdão recorrido (fls. 372), expressamente, caracteriza a infração como “não apresentação dos arquivos digitais”. Confira se o trecho do acórdão recorrido sobre este ponto: “A descrição da irregularidade é clara, conforme se nota no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/17), ou seja, ocorreu falta de apresentação de arquivos magnéticos, in verbis: ‘5) Pela não apresentação dos arquivos digitais, aplicamos a multa prevista no art. 12, III, da lei 8.213/91, digo lei 8.281/91’ (g.n.)” Rejeitase essa preliminar de nulidade sob o aspecto do cerceamento do direito de defesa. a.2. Ausência de motivação e desvio de finalidade A preliminar em referência confundese com o mérito e será a seguir examinada. a.3. Ilegitimidade passiva da contribuinte Suscita a Contribuinte que PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 86.547.619/000136, seria parte ilegítima para constar do pólo passivo do lançamento, pois a multa regulamentar não poderia ser aplicada a uma empresa que fora extinta por incorporação. Alega e junta documentos que demonstram que a assembleia geral da empresa aprovou a referida incorporação em 09/03/2009, sendo tais atos levados a registro na JUCESP no prazo de trinta dias, atendendo ao disposto no art. 1.151 do Código Civil. Por fim, aduz que a autoridade fiscal poderia ter consultado os registros da JUCESP para verificar que a empresa havia sido incorporada. O acórdão recorrido, por sua vez, ao rejeitar a preliminar sustenta que (i) em consulta ao cadastro do CNPJ das empresas PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A, em 01/12/2009, verificouse que a situação constava como ativa ainda (fls. 365); e (ii) apesar da autoridade fiscal solicitar, nos Termos de Intimação Fiscal, que a empresa atualizasse as suas informações cadastrais, a Contribuinte mantevese silente nesse particular. Aqui também não merece reparo a conclusão do acórdão recorrido, pois cabe ao Contribuinte informar todas as alterações em sua situação cadastral no CNPJ. No caso, a par de sua obrigação legal, a Fiscalização deu oportunidades à Contribuinte (intimação e re intimação) para informar sua real situação cadastral; e não o fez. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 10 9 Ademais, conforme apontado pelo acórdão recorrido (fls. 475), a DIPJ de incorporação foi apresentada apenas em 16/10/2009, ou seja, após a lavratura e ciência do auto de infração. Rejeitase também essa preliminar. b. Mérito Conforme salientado linhas acima, versa o lançamento sobre aplicação da multa regulamentar prevista no artigo 12, III da Lei nº 8.218/91 pela não apresentação pela Contribuinte dos arquivos magnéticos de que trata a citada legislação. No entendimento da Fiscalização e do acórdão recorrido, por não ter havido a entrega de arquivos ao longo do processo de investigação da procedência das compensações realizadas pela Contribuinte, estaria tipificada a hipótese de “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas”. Vejase, nesse sentido, o inteiro teor de citada legislação, verbis: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 11 10 II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” Em que pesem a fundamentação do acórdão recorrido, o lançamento merece ser cancelado por dois fundamentos. O primeiro deles referese à tipicidade cerrada que informa a imposição de penalidades no âmbito tributário. A multa imposta pela Fiscalização à Contribuinte tem como fundamento “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas” ou, em termos mais simples, apresentar fora do prazo, em atraso, as informações pretendidas. Vejase, no particular, que a multa prevista no dispositivo é calculada em função da demora na apresentação de arquivos digitais: “por dia de atraso”. É intuitivo que o “atraso” pressupõe que os arquivos tenham sido efetivamente apresentados à Fiscalização, contudo, a destempo. Não é a hipótese dos autos conforme afirmação da própria Fiscalização, que atesta expressamente a falta de entrega dos documentos pela Contribuinte. Nesses termos, a multa adequada à hipótese seria aquela prevista no inciso II do referido art. 12, cabível para as hipóteses de “omissão” por parte da Contribuinte em relação às informações solicitadas, verbis: “ Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” Não seria possível no caso transmutar um lançamento em outro, seja por força do mencionado princípio da tipicidade cerrada no direito tributário, seja pelo fato de as bases de incidência das penalidades serem distintas para cada uma das hipóteses (percentual da receita bruta por dia de atraso x valor da operação omitida). Não é possível alegar sequer que a penalidade aplicada, apesar de equivocada, seria mais benigna à Contribuinte, já que não há informação nos autos sobre as bases de incidência e cálculos respectivos. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 12 11 O segundo fundamento decorre do fato de a multa em referência não ser aplicável às hipóteses de ressarcimento e compensação, para os quais a não apresentação de documentos e informações tidos como necessários pela Fiscalização levará invariavelmente ao indeferimento do pedido respectivo, com imposição da penalidade especificamente prevista em lei para a hipótese. No caso, a ação fiscal teve origem na análise da liquidez e certeza de créditos utilizados em declarações de compensação de PIS e COFINS apresentadas pela Contribuinte. Ou seja, a exigência dos arquivos digitais previstos no art. 11 da Lei 8.218/91 foi fruto de uma ação fiscal provocada pela própria Contribuinte ao apresentar as referidas declarações de compensação. A solicitação de apresentação dos documentos pela Fiscalização tiveram relação direta com os pedidos de compensação e restringiramse à investigação sobre esse procedimento. Em que pese a legislação em referência não se refira expressamente a processos de fiscalização ordinários, nos quais se busca apurar a regularidade da apuração tributária do contribuinte para fins de lançamento e cobrança de crédito tributário, é necessário interpretála de forma sistêmica e segundo critérios de razoabilidade e proporcionalidade; do contrário, seria como admitir válida interpretação da lei que leve a situações absurdas ou teratológicas. Não se trata de afastar a aplicação de lei por critérios de razoabilidade, mas tão somente interpretála segundo esse parâmetro para evitarse a criação de situações evidentemente iníquas. Assim ocorre no presente caso. Como bem assevera a Contribuinte, a multa em referência deve ser aplicada apenas nos casos de procedimento de fiscalização para fins de apuração e constituição de crédito tributário, no qual, eventual omissão de informação pelo contribuinte poderá caracterizar tentativa ilegítima de embaraçar as atividades da fiscalização na apuração do cumprimento da obrigação tributária principal. Aqui sim a tentativa da contribuinte de esconder a ocorrência do fato gerador deve ser penalizada com multa regulamentar específica, a par de penalizada com eventual multa de ofício sobre o tributo lançado. Nos casos de pedidos de compensação, a obrigação tributária principal não se discute e se encontra previamente confessada pelo contribuinte. Ao Fisco cabe verificar se o direito de crédito oposto à dívida (crédito tributário) efetivamente existe ou não. Na impossibilidade dessa verificação, ao Fisco incumbe rejeitar o pedido respectivo, restabelecendo a exigibilidade do crédito tributário indevidamente compensado e aplicando ao sujeito passivo as sanções correspondentes (no caso, multa de ofício isolada e multa de mora). A falta de apresentação desses documentos não necessariamente implicará o indeferimento do pedido de compensação, considerada a possibilidade de o contribuinte e a própria Fiscalização verificarem a procedência da declaração por outros meios. Embora ambos sejam procedimentos de fiscalização, são procedimentos de fiscalização distintos, com finalidades distintas e não se comunicam sequer operacionalmente, conforme expressa previsão nesse sentido no art. 63, § 5o da IN 900/2008 vigente à época dos fatos. Em suma, considerandose que (a) a falta de apresentação de arquivos magnéticos se deu no bojo de procedimento de fiscalização em que se pretendida analisar apenas a procedência ou a improcedência dos pedidos de compensação e deles não poderia ser Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 13 12 lançado qualquer tributo, na forma da própria legislação vigente à época dos fatos; (b) os arquivos digitais eram apenas parte do conjunto de elementos necessários para que a autoridade fiscal pudesse comprovar a liquidez e certeza do crédito, e não o objeto da fiscalização; (c) diante do não oferecimento dos arquivos incumbiria à Fiscalização indeferir os pedidos respectivos, restabelecer a exigibilidade dos tributos confessados e compensados e aplicar as penalidades previstas para as hipóteses de indeferimento de compensação; (d) entenderse em sentido contrário seria considerar a irrazoável e desproporcional hipótese de o contribuinte, a par de não ter reconhecido seu pedido de crédito, ser penalizado pelo descumprimento de obrigações acessórias relativas às contribuições que sequer serão objeto de lançamento no processo (no caso, superior a R$140Milhões), impõese o cancelamento da penalidade aplicada. De fato, reiterese, não é possível entender como razoável que em um procedimento provocado pelo próprio contribuinte para a homologação de suas compensações possa resultar na imposição de multa pela não apresentação de documentos, quando, na pior das hipóteses, poderia resultar no indeferimento do pedido do próprio contribuinte. Para que não paire qualquer dúvida a respeito, a própria RFB, em recente Parecer Normativo (Parecer Normativa RFB 13/2013), entendeu não ser aplicável penalidade por ausência de cumprimento de obrigações acessórias aos processos de compensação. Verbis: “O procedimento de compensação, restituição e ressarcimento possui deveres instrumetais para se efetivar (apresentar mediante programa específico – PER/DComp, comprovação do crédito do requerente, etc.), mas que não podem ser classificadas como obrigação acessória. (...) Fica explícito que a obrigação acessória é a de fazer ou não fazer do sujeito passivo “no interesse da arrecadação ou da fiscalização. A compensação por intermédio do sistema PER/DCOMP enseja o pedido de reconhecimento de um crédito do sujeito passivo em face de um débito que ele mesmo declara, por exemplo. O que a RFB verifica é a existência daquele crédito do sujeito passivo. Os deveres instrumentais não podem ser considerados como as obrigações acessórias do art. 16 da Lei n. 9779, de 1999, uma vez que a base legal para tais deveres é, por exemplo, o § 14 do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Não se aplica, portanto, a multa do novo artigo 57 da MP n. 215835, de 2001, nem o prazo mínimo de quarenta e cinco dias para apresentação de arquivo, demonstração ou escrituração digital”. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, darlhe provimento, prejudicadas as demais razões de mérito aduzidas. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 559DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003507/200990 Acórdão n.º 1102000.935 S1C1T2 Fl. 14 13 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 12719.001884/2007-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 20/02/2002 a 31/05/2005
DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO.
Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawback-suspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar da proposta de diligência efetuada pelo Relator e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz (Relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti, que acolheram a proposta de diligência e, no mérito, entenderam que a falta de vinculação do RE ao ato concessório no Siscomex é insuficiente para afirmar o descumprimento do regime. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente o Dr. Richardy Espíndola da Silva, OAB/SC no 21.733.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 20/02/2002 a 31/05/2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar da proposta de diligência efetuada pelo Relator e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz (Relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti, que acolheram a proposta de diligência e, no mérito, entenderam que a falta de vinculação do RE ao ato concessório no Siscomex é insuficiente para afirmar o descumprimento do regime. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente o Dr. Richardy Espíndola da Silva, OAB/SC no 21.733. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 18 84 /2 00 7- 97 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de autos de infração, por meio dos quais a auditoria constituiu em face da ora recorrente créditos tributários de imposto de importação (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI) e das contribuições ao PIS e à COFINS incidentes na importação, sob acusação de descumprimento de atos concessórios de regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão. Narra a auditoria no “Relatório de Procedimento Fiscal” de fls. 35/43 ter intimado a pessoa jurídica a lhe exibir (i) uma série de atos concessivos de drawback de que fora beneficiária, seus eventuais aditivos e anexos; (ii) os respectivos relatórios de comprovação; (iii) documentos que instruíram as importações e exportações amparadas pelo regime; (iv) comprovantes de pagamento (DARF) dos tributos e multas eventualmente pagos em virtude do descumprimento de compromissos de exportação; ou, finalmente, (v) comprovação da adoção de uma das providências a que se refere o artigo 342, do RA/2002 (Decreto nº 4.543/02). Também de acordo com o citado “Relatório de Procedimento Fiscal”, a recorrente teria entregue à fiscalização parte dos documentos acima e protestado por prazo adicional para a juntada do restante, o que, todavia, não chegou a cumprir. Com detalhes, a auditoria descreve separadamente para cada ato concessório em análise os documentos a que teve acesso. Pelo que se depreende, de um modo geral, a recorrente subsidiou à fiscalização, para cada um deles, o seguinte: (i) planilha intitulada “relatório de comprovação de drawback”, na qual relacionou aos diversos atos concessórios os números dos registros das exportações que os teriam cumprido; (ii) cópia da “consulta de diagnóstico” do SISCOMEX a cada ato concessivo (a maioria dos quais indicando o status de “inadimplente total”); (iii) cópia das declarações de importação vinculadas no SISCOMEX aos atos concessórios pertinentes a cada qual; (iii) extratos de DDE (declarações de despacho de exportação) dos registros de exportação apontados na planilha indicada no item “i’” acima; e, por fim, (iv) cópias das notas fiscais de saída das mercadorias, com destino ao exterior. Na análise que se seguiu, a autoridade, então, deu por cumprido os compromissos de exportar identificados no SISCOMEX com status “baixado” ou “em processo de baixa”, em relação aos quais pôde confirmar que os registros de exportação correspondentes estavam cadastrados com o código indicativo de uma operação amparada por drawback (código 81102) e, o mais importante, vinculados ao respectivo ato concessório. Já as exportações amparadas em registros cadastrados no SISCOMEX com o código indicativo de operações comuns e, portanto, sem vinculação ao ato concessório ao qual foram correlacionadas pela recorrente, a fiscalização julgou incapazes de satisfazer a exigência posta pelo artigo 341, do RA/02, daí resultando a lavratura dos autos de infração sob exame. Essa a fragilidade probatória que dá subsídio à acusação fiscal. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12719.001884/200797 Acórdão n.º 3403002.897 S3C4T3 Fl. 14 3 Intimada, a recorrente interpôs tempestiva impugnação (fls. 670/686) para deduzir, em síntese: (i) a nulidade do ato de intimação dos autos de infração, posto que efetuada pessoalmente a alguém – o contador da empresa – destituído dos necessários poderes; (ii) a decadência do direito à constituição do crédito tributário com relação aos tributos objeto das declarações de importação registradas em 2002, em virtude do que estabelecem seja o artigo 150, §4o, do CTN, seja o artigo 570, do RA/02; e, quanto ao mérito, (iii) ter incorrido em equívoco por ocasião do registro das operações de exportação no SISCOMEX, quando, ao invés de cadastrálas sob o código 81102 (drawback suspensão), identificouas pelo código 80000 (exportação comum); (iv) ter notado o erro cometido antes mesmo do início do procedimento fiscal e ter protocolado junto à Inspetoria da Receita Federal os documentos comprobatórios da satisfação dos atos concessórios, adotando este procedimento por não lhe ser mais possível, a esta altura, efetuar as correções necessárias no SISCOMEX; (v) serem suficientes os documentos exibidos para a comprovação do cumprimento do compromisso de exportar, pelo atendimento, no prazo estipulado nos atos concessórios, dos respectivos quantitativos; (vi) ter a autoridade se equivocado ao não considerar, na análise, certos registros de exportação no pressuposto de que não lhe dissessem respeito, quando, em verdade, o número de inscrição do CNPJ do exportador comprova o contrário; e (vii) ter a fiscalização desconsiderado o RE nº 05/1427095001 como prova do cumprimento do AC nº 2005.013.2040, sob o argumento de que estaria vinculado a outro AC, sem, todavia, apontar a qual. A impugnação acabou desprovida pela DRJ em Florianópolis/SC, por meio do acórdão nº 0726.319, assim ementado: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 20/02/2002 a 31/05/2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. ÔNUS DA PROVA DO ADIMPLEMENTO DO REGIME. É ônus da beneficiária comprovar o adimplemento do regime, demonstrando que ocorreram exportações de produtos industrializados mediante o emprego da matériaprima importada com o incentivo fiscal (vinculação física), atendidas as demais condições estabelecidas no ato concessório. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare Fl. 800DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 e que contenham todas as informações que demonstrem se tratar do respectivo regime suspensivo. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório referente ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão e dos requisitos constantes da legislação de regência enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com benefício fiscal e demais encargos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/02/2002 a 31/05/2005 INTIMAÇÃO. PREPOSTO NÃO REPRESENTANTE. VALIDADE. Dos dispositivos legais que tratam da intimação deflui que a cientificação pessoal de atos realizados no curso do procedimento de fiscalização, inclusive quanto ao auto de infração, é válida se feita na pessoa de preposto e/ou empregado da pessoa jurídica autuada, ainda que a intimação tenha sido recebida por pessoa desprovida de procuração que lhe confira específico poder, uma vez que recebida no domicílio fiscal eleito pela contribuinte.” ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 20/02/2002 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. DIES A QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. Operase a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir créditos tributários decorrentes do inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawback após o transcurso de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tais créditos se tornarem passíveis de serem exigidos. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. EXAME DO CUMPRIMENTO. TERMO DE INÍCIO. Tendo sido aplicado, no despacho aduaneiro, o benefício da suspensão dos tributos incidentes na importação, a extinção do direito de proceder ao exame da regularidade do respectivo regime suspensivo e, por conseguinte, constituir eventual crédito tributário, ocorre, igualmente, em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado.” Na seqüência, sobreveio o recurso voluntário de fls. 745/769, ao ensejo do qual a recorrente reproduz os fundamentos de sua anterior impugnação. É o relatório. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12719.001884/200797 Acórdão n.º 3403002.897 S3C4T3 Fl. 15 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso voluntário obedece aos pressupostos aplicáveis à interposição, razão pela qual dele se conhece. 1 Diligência. O motivo fundamental, na acusação fiscal, para que o regime de drawback suspensão outorgado à recorrente nos diversos atos concessórios fosse reputado inadimplido e, por conseguinte, fosse constituído o crédito tributário das exações aduaneiras, foi a falta de vinculação, no SISCOMEX, de cada um dos registros de exportação que supostamente lhes dariam cumprimento. Em sessão transcorrida em 20 de agosto de 2013, esta Terceira Turma Ordinária julgou recurso voluntário também interposto pela ora recorrente, em virtude de autos de infração análogos a este, igualmente lavrados como decorrência do descumprimento do regime aduaneiro especial de drawback suspensão. Na ocasião, prevaleceu, por maioria, o entendimento de que a comprovação do cumprimento dos atos concessórios pressupunha, realmente, a exibição de registros de exportação a ele vinculados no SISCOMEX (autos nº 12719.001862/200999). Refletindo novamente sobre o cenário, agora na condição de conselheiro relator, inclinome a propor a meus pares a conversão do julgamento do recurso em diligência, a fim de que os autos retornem à unidade de origem e lá a autoridade preparadora: (i) identifique se algum dos registros de exportação apresentados pela recorrente nos presentes autos para documentar o cumprimento dos atos concessórios aqui fiscalizados foram por ela anteriormente empregados – em auditoria fiscal ou contencioso administrativo – na comprovação da execução de outros atos concessórios de que tenha sido beneficiária; (ii) restringindose à análise da prova documental já constante dos autos (exibida durante a fiscalização ou produzida com a impugnação), elabore relatório, se possível ilustrandoo com demonstrativos e/ou planilhas, correlacionando, para cada AC objeto dos autos de infração: (a) (ai) a natureza e os quantitativos do insumo cujo desembaraço aduaneiro foi autorizado sem o pagamento das exações aduaneiras; (aii) o prazo para a exportação; e (aiii) a natureza do produto em cuja industrialização os insumos seriam aplicados e as quantidades a serem exportadas; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 (b) os números da(s) declaração(ões) de importação vinculadas, as datas dos respectivos registros no SISCOMEX, as quantidades importadas e a identificação da natureza dos insumos correspondentes; e (c) (ci) os registros de exportação que, de acordo com a impugnação, satisfariam o respectivo compromisso de exportar, indicando (c2) a natureza e as quantidades de produto exportados em cada qual, e (c3) a data da exportação. Antevendo, todavia, a possibilidade de desaprovação pelo Colegiado da diligência proposta acima, adentro subsidiariamente ao exame do recurso voluntário. 2 Nulidade. Rejeito a alegação de nulidade no ato de intimação dos autos de infração. Ainda que cumprida a intimação perante alguém supostamente destituído dos poderes de representação da pessoa jurídica perante a administração tributária, o ato satisfez adequadamente as finalidades a que se propunha – tanto assim que a interessada compareceu tempestiva e eficientemente aos autos para impugnar as exigências – sem causar prejuízo ao contraditório ou ao direito de defesa assegurado ao sujeito passivo. 3 Decadência Parcial. Quanto à propalada decadência, tenho que a matéria recebeu adequado tratamento no v. acórdão no 0726319, da Segunda Turma da DRJ em Florianópolis/SC, por ocasião do julgamento da impugnação. Confirase: “Com efeito, decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar por determinação disposta no art. 146, III, ‘b’, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), é matéria disciplinada nos arts. 150, §4o, e 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). Na situação fática que se apresenta, importação com suspensão do crédito tributário, não há se falar em pagamento antecipado de tributos. Assim, afasto, de plano, o art. 150, §4o do CTN, para considerar pertinente ao caso concreto a regra do art. 173, I do CTN. Por conseguinte, é de cinco anos o prazo concedido à Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário, esse prazo é contato a partir ‘do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ e o primeiro desafio que se apresenta é identificar o dies a quo do prazo previsto no art. 173, I do CTN. Portanto, como o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial não pode ser anunciado senão depois Fl. 803DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12719.001884/200797 Acórdão n.º 3403002.897 S3C4T3 Fl. 16 7 de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para medir o prazo decadencial do inciso I do artigo 173 do CTN. Considerado, portanto, o prazo de trinta dias previsto na legislação específica para fins do recolhimento espontâneo dos tributos devidos por força de eventual inadimplemento do regime, contados da derradeira data para realização das exportações, temse, em relação aos atos concessórios 2002.001.6530, 2002.007.1531 e 2002.010.7935, cujos prazos para realização das exportações compromissadas expiraramse, respectivamente, em 21.08.2002, 23.11.2002 e 04.01.2003, que somente a partir de 20.09.2002, 22.12.2002 e 03.02.2003, é que os lançamentos em questão poderiam ter sido, respectivamente, efetuados. Conjugandose a isso as disposições contidas no art. 173, I do CTN, de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário de que se trata deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é se concluir que, na espécie, esse prazo passou a fluir, relativamente aos atos concessórios 2002.001.6530, 2002.007.1531, em 01.01.2003, para encerrar se em 31.12.2007, e com relação ao ato concessório 2002.010.7935, em 01.01.2004, para encerrarse em 31.12.2008. Assim, em 27.12.2007, data em que foram os lançamentos efetuados e cientificados à contribuinte, não havia ainda transcorrido o prazo decadencial de que se trata. Destarte, rejeito a tese de decadência dos fatos motivadores dos lançamentos ora discutidos.” Nessa parte, portanto, mantenho o julgado recorrido por seus próprios fundamentos. 4 Mérito Como dito, no mérito, o compromisso de exportar teria sido descumprido, de acordo com a acusação fiscal, em razão de os registros de exportação exibidos pela recorrente estarem desvinculados, no Siscomex, dos respectivos atos concessórios. Parcela da jurisprudência deste Órgão Administrativo de julgamento entende, de há muito, que o só desatendimento da formalidade não basta para sustentar a acusação de descumprimento do compromisso de exportação. Nesse sentido, os julgados abaixo: “DRAWBACK. SUSPENSÃO. ERRO PREENCHIMENTO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. O mero erro no preenchimento do registro de exportação não caracteriza desvinculação das exportações ao Ato Concessório. A exigência dos tributos deve, impreterivelmente, apoiarse em elementos materiais do descumprimento do compromisso de exportação. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 (...) A falta de vinculação das exportações ao respectivo Ato Concessório apontada pela fiscalização, ocorreu pelo não preenchimento do campo apropriado nos RE’s e pela menção incorreta do código da operação no momento em que deveria ter sido procedida a verificação da mercadoria a exportar. Ou seja, para resolução da lide, basta verificar se as exportações realmente estão vinculadas aos Atos Concessórios, motivo este que ensejou a conversão do julgamento em diligência à Secretaria de Comércio Exterior – SECEX. (...) O mero erro no preenchimento do registro de exportação não comprova o descumprimento do Ato Concessório, até porque a Recorrente tentou efetuar a correção das informações no sistema Siscomex.” (autos no 10314.000536/9959, relator Cons. Luiz Roberto Domingo, j. 16.02.2012). “Entendo que o princípio da fungibilidade é o que melhor se adequa à resolução da presente demanda. Isto já ficou consignado no voto vencido do acórdão recorrido, conforme trecho abaixo transcrito, com o qual concordo: ‘Todavia, apesar de respeitável o entendimento da autoridade aduaneira, entendo que o mesmo desvia do objetivo primordial do regime especial que vem a ser estimular a produção industrial nacional, notadamente para exportação, mediante a concessão de benefícios fiscais na importação condicionados a exportação de produtos industriais mais complexos. Diante de tal condição primordial, em análise sistemática, entendese que o principal elemento a ser provado a fim de comprovar o cumprimento do regime vem a ser a efetiva exportação dos produtos industrializados. (...) O princípio da fungibilidade se fundamenta na qualidade intrínseca do insumo ou matériaprima de ser fungível. Conseqüentemente, havendo vários lotes de insumo ou de matériaprima, não haveria lógica a restrição de utilização no processo produto de matérias nacionais ou estrangeiros de outros lotes (Atos Concessórios) no processo produtivo do produto a ser exportado. Igualmente, também não haveria lógica na restrição de que o lote de produtos a ser exportado tenha sido fabricado a partir de insumos de diferentes origens (nacionais ou de lotes de Atos Concessórios diversos) caso tal procedimento seja necessário para maior praticidade comercial ou agilidade logística. Em casos de insumos que sejam bens fungíveis, ainda que não sejam especificamente do lote importado ou sejam de lotes importados, mas de Ato Concessório diverso, haveria cumprimento do regime haja vista haver vinculação física do Fl. 805DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12719.001884/200797 Acórdão n.º 3403002.897 S3C4T3 Fl. 17 9 insumo previsto em Ato Concessório com o produto exportado cujo processo inclua o insumo fungível. Logo, em relação ao drawbacksuspensão, é possível a utilização de bens fungíveis com o princípio da vinculação física, até mesmo porque tal hipótese não acarreta qualquer dano ao Erário, sendo que, de modo contrário, melhor viabiliza o processo fabril e proporciona uma maior agilização e efetivação das exportações’.” (autos no 15165.002071/200716, votovencido do relator, Cons. Gilberto de Castro Moreira Junior, j. 21.08.2013). Em sentido semelhante, colho o seguinte precedente do E. Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. SODA CÁUSTICA IMPORTADA. CELULOSE EXPORTADA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÍSICA. DESNECESSIDADE. EQUIVALÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte importou soda cáustica para ser utilizada como insumo na produção de celulose a ser posteriormente exportada, no regime de drawback, modalidade suspensão. 2. A empresa adquiriu a soda cáustica também no mercado interno e, por questões de segurança e custo, utilizou indistintamente o produto importado e o nacional na produção da celulose exportada. 3. É incontroverso que a contribuinte cumpriu o compromisso de exportação firmado com a CACEX. Assim, a quantidade de soda cáustica importada foi efetivamente empregada na celulose exportada. 4. Seria dezarrazoado exigir que a fábrica mantivesse dois estoques de soda cáustica, um com o produto importado e outro com conteúdo idêntico, porém de procedência nacional, apenas para atender à exigência de identidade física exigida pelo fisco. 5. O objetivo da legislação relativa ao drawback, qual seja a desoneração das exportações e o fomento da balança comercial, independe da identidade física entre o produto fungível importado e aquele empregado no bem exportado. É suficiente a equivalência, o que ocorreu in casu, sem que se cogite de fraude ou máfé.” (REsp no 341.285/RS) Vencido que seja na proposta de diligência, voto, pelas razões acima, pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Marcos Tranchesi Ortiz Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado. A questão que suscitou minha designação para este voto vencedor diz respeito à obrigatoriedade de o contribuinte vincular os registros de exportação aos atos concessórios do regime especial de drawback, para fins de comprovação de adimplemento do regime, ou se esta prova pode ser feita por meio de demonstrativos ou qualquer outro documento que o contribuinte venha a apresentar. O regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, está previsto no art. 78, II, do Decretolei n° 37/1966, que foi restabelecido pelo art. 1°, I, da Lei n° 8.402/1992 e regulamentado nos arts. 317 a 319 do RA/1985 e nos arts. 338, 340 e 342 do RA/2002. O beneficiário do regime tem direito à suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso, firmado na forma da legislação de regência, de aplicálos na fabricação e/ou elaboração de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos estipulados nos correspondentes atos concessórios (AC) expedidos pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A Portaria Secex nº 14, de 17/11/2004, estabelece o seguinte: (...) Art. 136. Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: I Declaração de Importação (DI); II Registro de Exportação (RE) averbado; III Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; (...) Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. (...) ANEXO "G" EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK 1. As exportações vinculadas ao Regime de Drawback estão sujeitas às normas gerais em vigor para o produto, inclusive no tocante ao tratamento administrativo aplicável. 2. Um mesmo RE não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12719.001884/200797 Acórdão n.º 3403002.897 S3C4T3 Fl. 18 11 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Operação do SISCOMEXExportação, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” (Grifei) As mesmas exigências foram mantidas nas Portarias Secex que se sucederam no tempo (Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006 e Portaria Secex nº 36, de 22/11/2007), as quais, por economia, abstenhome de transcrever. Assim, ao contrário do alegado pela recorrente, a legislação obriga o beneficiário do regime a vincular os registros de exportação aos respectivos atos concessórios de drawback suspensão, a fim de possibilitar à fiscalização a faculdade de verificar se os insumos importados foram de fato aplicados direta e fisicamente na produção das mercadorias exportadas. A defesa alegou que as provas da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados foi apresentada à fiscalização em resposta à intimação. Com tal alegação, a defesa se refere aos documentos juntados com a impugnação, os quais se consistem em demonstrativos mencionando os números dos registros de exportação que correspondem a cada ato concessório acompanhados das cópias dos registros de exportação. Em relação aos RE que não indicam a qual ato concessório se referem, a documentação anexada não pode ser admitida como prova da vinculação física entre os insumos importados com suspensão e os produtos exportados, pois essa vinculação está sendo feita por meio dos demonstrativos apresentados fora do sistema Siscomex, o que não é admitido pelas Portarias da Secex acima citadas. A razão dessas Portarias exigirem que cada RE mencione o ato concessório a que se vinculam é impossibilitar que um mesmo RE seja utilizado para a comprovação de mais de um ato concessório. Aceitar que a vinculação seja feita por meio de documentos que estão fora do Siscomex (demonstrativos elaborados pelo contribuinte) significa abrir as portas para a fraude e ignorar ordem escrita constante das Portarias da Secex. Não tendo a recorrente se desincumbido do dever legal de consignar em cada registro de exportação o número do ato concessório para fins de comprovação do adimplemento do drawbacksuspensão, voto no sentido de rejeitar a proposta de diligência formulada pelo relator e, no mérito, por manter a exigência dos tributos ora lançados. Antonio Carlos Atulim Fl. 808DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12719.001884/200797 Acórdão n.º 3403002.897 S3C4T3 Fl. 19 13 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10925.900861/2008-87
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 08 61 /2 00 8- 87 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 22888.22803.111104.1.3.048121 (fls.100/104), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) e PIS (código:6912), referentes ao período de apuração de: julho/2004, vencimento: 13/08/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.623,18). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador da CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.068, de 30 de junho de 2011 (fls.111/112), e, o contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.276, de 06/08/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba/SC, após a diligência efetuada elaborou Informação Fiscal conclusiva para a análise cientificada ao sujeito passivo em 23/10/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900861/200887 Acórdão n.º 1802002.101 S1TE02 Fl. 3 3 Transcorrido o prazo legal sem a manifestação do interessado, os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802 000.276, de 06/08/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 22888.22803.111104.1.3.048121 (fls.100/104), transmitido em 11/11/2004, por meio do qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) e PIS (código:6912), referentes ao período de apuração de: julho/2004, vencimento: 13/08/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.623,18). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.068, de 30 de junho de 2011 (fls.111/112) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. O Recorrente em 28/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.108) e, antes de apresentar a manifestação de inconformidade (17/06/2008), retificou a DCTF do 1º trimestre de 2004 (fl.08) na qual altera para “zero”, o débito da CSLL – estimativa mensal relativa ao período de apuração de 31/01/2004. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 ocorreu o fato gerador da CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.623,18). É cediço, que a CSLL determinada mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser paga até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DIPJ/2005 Ficha 16 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DA CSLL “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo da CSLL em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, DARF: R$ 2.623,18, foi utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004; b) se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor da CSLL por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC consta o seguinte: (...) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900861/200887 Acórdão n.º 1802002.101 S1TE02 Fl. 4 5 Para responder as indagações formuladas pela digna autoridade julgadora, foi regularmente intimada a contribuinte para esclarecer a apuração do saldo negativo bem assim apresentar os Livros Diários em que foram transcritos os balanços ou balancetes que teriam sido utilizados para cálculo das estimativas mensais de 2004, bem como as memórias de cálculo respectivas, enfim qualquer outro elemento que pudesse demonstrar e comprovar a apuração do saldo negativo. A contribuinte, em resposta, apenas esclareceu que os recolhimentos teriam sido efetuados de forma "equivocada e aleatória, não se baseando em memórias de cálculo especificas", e por esta razão, "não há que se falar em apresentação dos livros diários". Em razão da interessada se negar a apresentar os livros diários do período não há como se responder, com base nos registros contábeis, se os recolhimentos a título de estimativa mensal foram utilizados na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano de 2004. Na DIPJ apresentada (ficha 11) informa que optou pelos recolhimentos da estimativa com base nos balanços ou balancetes de suspensão, sem qualquer outro registro. Na DCTF (original) informou débito da CSLL com base na receita bruta e acréscimos, porém posteriormente retificoua, zerando o valor. Relativamente à segunda questão (se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimo ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução), a reclamante informou, apenas que "os recolhimentos foram equivocados e aleatórios". Todavia, com base nos registros das receitas de venda de mercadorias e da prestação de serviço, efetuados pela própria contribuinte, resta comprovado que os recolhimentos não foram aleatórios, mas ao contrário, foram efetuados com base da receita bruta e acréscimos, senão vejamos: mês de janeiro 2004 ficha 21 da DIPJ (Cálculo da contribuição para o Pis/Pasep Regime NãocumulativoIncidência total ou Parcial), linha 3 Receita da Revenda de Mercadorias R$ 241.529,34; linha 04 Receita da Prestação de Serviços R$ 509,25 vide tela abaixo(cópia fiel da DIPJ). (...) Assim temos: PERÍODO TIPO RECEITA VALORR$ % BASE CAL CSLL PAGAR janeiro Rec. Ver.Mercad. 241.529,34 12% 28.983,52 2.608,52 janeiro Rec.Prest.de serv. 509,25 32% 162,96 14,67 TOTAL 242.038,59 29.146,48 2.623,18 Valor da estimativa mensal calculada com base na receita bruta e acréscimos para ao mês de janeiro (mês da opção pelo regime) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 R$ 2.623,18, valor recolhido em DARF sob o código de receita 2484 para o PA 01/2004, vencimento em 28/02/2004 R$ 2.623,18, confirmado no sistema SIEFweb. Quanto a terceira indagação: se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da lei n° 8.981 de 1995, não se pode responder, dada a recusa da contribuinte em apresentar o respectivo livro. (...) Cientificado da Informação Fiscal, após a realização da diligência, a Recorrente nada contraditou. Como se vê, a Recorrente apresentou PERDCOMP no qual sustenta crédito a título de estimativa mensal paga a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Todavia, não se constatou o pagamento a maior além do devido com base na receita bruta mensal de janeiro de 2004. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o valor exato do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900861/200887 Acórdão n.º 1802002.101 S1TE02 Fl. 5 7 É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 2.623,18, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal foi além e tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência de saldo negativo no ano calendário de 2004. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/06/2008 (fl.01). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013768/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. FÉRIAS INDENIZADAS. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA 125 DO STJ.
Não incide imposto de renda sobre férias não gozadas e, logo, indenizadas, tal e qual, inclusive, já reconhecido à exaustão pelo STJ, o que levou a elaboração da Súmula 125 daquele Pretório.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernandez.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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FÉRIAS INDENIZADAS. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA 125 DO STJ. Não incide imposto de renda sobre férias não gozadas e, logo, indenizadas, tal e qual, inclusive, já reconhecido à exaustão pelo STJ, o que levou a elaboração da Súmula 125 daquele Pretório. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 37 68 /2 00 8- 51 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernandez. Relatório Contra a contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.03 e ss.), referente ao exercício 2005, anocalendário de 2004, em razão de suposta omissão de rendimentos do trabalho e dedução indevida de despesas de instrução. Impugnou o lançamento (fls. 1 e ss.) ao fundamento de que os rendimentos considerados omitidos foram pagos em ação judicial trabalhista, apontando os valores recebidos e os dedutíveis. Convertido o julgamento em diligência, trouxe aos autos cálculos planilhados e ata de julgamento (fls.39 e ss.). Em julgamento, a 9ª Turma da DRJ/BHE, em sessão realizada no dia 29/08/2011, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, aos seguintes fundamentos: que o lançamento foi ajustado nos termos da natureza das verbas percebidas e das deduções cabíveis na espécie, nos termos demonstrados a fl.53; que o valor de R$ 1824,00, recebido a título de férias indenizadas, foi mantido nos rendimentos tributáveis, de vez que ausente dos autos a sentença ou a petição inicial, não é possível determinar se pagas a título de rescisão ou a outro título qualquer. Cientificada da supramencionada decisão, conforme fl. 59 , a contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 61, atacando a decisão exarada pela DRJ, alegando que as férias indenizadas só poderiam ter sido pagas a título de rescisão pois à época já era aposentado, trazendo aos autos comprovante do fato. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, no pedido de exclusão dos rendimentos tributáveis objeto do lançamento da parcela de férias indenizadas, recebidas no valor de R$ 1.824,00. A DRJ, para contraditar as razôes de defesa da ora Recorrente, alega (fls. 52) que apesar de os documentos apresentados indicarem tratarse de férias indenizadas, sugere que outros deveriam ser apresentados, como a petição inicial e sentença trabalhista respectivas aos autos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10680.013768/200851 Acórdão n.º 2802002.626 S2TE02 Fl. 67 3 Todavia, tenho que o uso da expressão “férias indenizadas” no documento judicial de fls. 13 deve necessariamente se referir a férias não gozadas, pois, em hipótese de terem sido gozadas, não se trataria de indenização, mas de férias gozadas e, à época devida, não pagas, portanto, meras férias devidas. Se a expressão férias indenizadas consta do documento de fl.13, assim como fls. 45, expedido pelo Poder Judiciário, tenho que sua natureza é evidentemente indenizatória, não incidindo imposto de renda, como aliás já estabelecido pela Súmula 125 do STJ. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 1824,00, relativo a férias indenizadas. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. . Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000044/2002-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
Numero da decisão: 3802-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Conselheiro Sólon Sehn ausente momentaneamente.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Conselheiro Sólon Sehn ausente momentaneamente.
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Recorrente DF MADEIRAS LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Conselheiro Sólon Sehn ausente momentaneamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 00 44 /2 00 2- 14 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/RPO, a qual, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Credit6rio Reconhecido em Parte A decisão seguiuse nos seguintes termos: “Inicialmente, sobre a decisão desta DRJ que foi anulada, pondero que a impugnação/manifestação administrativa caracterizase como "recurso do tipo revisão" (recurso eliminatório) e tem por objeto exclusivo a apreciação do ato recorrido, limitandose a autoridade julgadora a averiguar a correção ou incorreção da constituição do crédito tributário/lançamento ou da decisão impugnada. Nesse passo, a autoridade julgadora se limita a praticar um ato secundário, pelo qual elimina ou mantém (total ou parcialmente) o ato primário impugnado, no caso, a decisão administrativa. Difere, portanto, do reexame, típico do poder judiciário, que tem finalidade de reapreciação da questão decidida pelo órgão a quo, julgando o órgão ad quem diretamente sobre a melhor solução ao caso concreto (substituição do ato impugnado por outro ato, decidido em novos termos). Desta forma, a lide em questão dizia respeito somente à necessidade ou não dos documentos solicitados pelo Fisco para a análise do pleito, portanto, somente foi analisada a procedência ou não da decisão denegatória quanto a esta questão. Isto porque não foi levantada nenhuma questão de mérito na decisão recorrida, tendo sido somente analisado fato prejudicial, ou seja, a falta de comprovação, por meio de documentos hábeis, não só do direito, como do quantum a ser ressarcido. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13977.000044/200214 Acórdão n.º 3802001.370 S3TE02 Fl. 300 3 Se por um lado existe a garantia do contraditório e do direito de defesa, por outro, o Estado é protegido contra injustificáveis protelações do processo, que possibilitem ao contribuinte a proposital ocultação dos documentos (provas) em determinada fase processual, ou mesmo procedimental, para sua apresentação em momento posterior que julgue mais oportuno ou favorável. Por outro lado, para que a instância julgadora administrativa admita a intempestiva apresentação da documentação em questão, assim impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido, é necessário que exista um fundamento legal que excepcione tal caso de preclusão. Como a Lei n° 9.784/99 não trouxe expressamente nenhuma exceção, entendo que, por analogia, aplicarseia ao caso as situações previstas no parágrafo 4° do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, quanto A. apresentação da prova depois de expirado o prazo para tanto, ainda que a defesa, implicitamente, estivesse alegando motivo de força maior, tal fato que não ocorreu. Os documentos solicitados são obrigatórios e estavam de posse da interessada, mesmo que em outro local que não o da sede da empresa, fato este que não caracteriza "motivo de força maior", que desse ensejo suficiente para o descumprimento da intimação, pois o prazo de 20 dias dado pela autoridade fiscal era suficiente para a localização e encaminhamento dos mesmos A. repartição mais próxima da localidade que se encontravam. Também cabe lembrar que o primeiro pedido de prorrogação de prazo foi feito de forma irregular, sem prova de que quem assinava representava o contribuinte. Aliás, na medida que o próprio contribuinte buscou a ordem judicial para que o procedimento fiscal de investigação e apuração da certeza e liquidez do crédito presumido para fins de compensação, conforme estatui o artigo 170 do CTN, se encerrasse em trinta dias, seria mínima cautela, para não falar em bom senso, já estar de posse para plena apresentação à Fazenda Pública dos documentos probantes de seu direito. Sendo assim, não poderia o julgador administrativo, nesta fase processual, avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos. Também não poderia analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade. Contudo, prevalecendo o entendimento do CARF de que, independentemente do disposto na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, o art. 16, inc. III e § 40, do Decreto n° 70.235/72 se impõe sem qualquer ressalva, tomo conhecimento da documentação juntada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. De plano cabe observar que o voto vencedor, do acórdão prolatada pelo CARF, determinou que: ...os documentos que instruem a Manifestação de Inconformidade — e tão somente eles Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 — merecem ser conhecidos, não pela incidência do principio da verdade material, repito, tão levianamente invocado pelo recorrente, mas em face da dicção do art. 16, inc. III e § 4°, do Decreto n°70.235/72" (Grifei) Pois bem, conforme determinado pelo referido acórdão, esta DRJ tomou conhecimento da documentação em questão e a encaminhou para a fiscalização para que esta verificasse se o direito creditório alegado estaria comprovado. Com efeito, não há como discordar da conclusão da auditoria fiscal. Examinando a documentação apresentada vejo que a mesma consiste em listagens e demonstrativos que totalizam o que foi escriturado nos livros fiscais, contudo, inclusive em homenagem ao principio da verdade material levantado pela defesa, a prova do direito creditório alegado se faz pela apresentação da correta e idônea documentação que originaram os lançamentos contábeis, não só pelo disposto na legislação tributária como pelo princípios contábeis geralmente aceitos. Diante disso, não tenho dúvidas de que a falta de apresentação das memórias de cálculo, previstas na IN SRF n° 23/97 e posteriores, impediu a fiscalização e a comprovação do credito presumido alegado. Deveras, ao contrário do que entende a defesa, a guarda e apresentação das memórias de cálculo, para fins de apuração do crédito presumido, é obrigatória sim e vale lembrar que essa obrigação acessória, como qualquer outra, não é imposta apenas pela lei, mas, nos termo do CTN, pela legislação tributária, na qual se insere a citada Instrução Normativa. No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, provase sua certeza e liquidez, além dos itens apresentados, pelo que consta nas memórias de cálculo, notas fiscais de aquisição, comprovantes de exportação, etc, ou seja, para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são proveniente de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados ou apurados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido. Logo, A luz do disposto no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, concluo que, tanto pelo apurado em diligência, quanto pelo meu exame da documentação juntada por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, restou comprovado o direito ao ressarcimento de R$5.526,04, relativos ao saldo credor acumulado do IPI, o qual deve ser utilizado na compensação dos débitos confessados do contribuinte. Por fim, quanto ao pedido para que a intimações sejam enviadas ao escritório do advogado da empresa, indefiro por falta de qualquer amparo legal oponível ao disposto no art 23 do Decreto n° 70.235/72. Assim, diante do exposto, voto que se Fl. 530DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13977.000044/200214 Acórdão n.º 3802001.370 S3TE02 Fl. 301 5 julgue a manifestação como parcialmente procedente, reconhecendo o direito creditório montante em R$ 5.526,04. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem ao direito de ressarcimento e posterior homologação, tendo em vista as provas colecionadas aos autos. É o relatório. Admissibilidade do Recurso Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e análise do mérito recursal. Voto Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, relator. Dá análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em RIBEIRÃO PRETO/SP, já que o recorrente não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Conforme entendimento exposto na decisão a quo, temse que, a luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a compensação/ressarcimento de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação/ressarciemnto, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes, não dispensável por lei ordinária. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. No presente caso, os agentes fazendários apuraram o crédito que o contribuinte conseguiu comprovar. Nesse sentido, apenas parte dele se evidenciou e não a totalidade, porquanto a falta de documentos que ensejassem o seu reconhecimento foi imperiosa. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira – Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904545/2012-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 45 /2 01 2- 91 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904545/201291 Acórdão n.º 3803004.895 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904545/201291 Acórdão n.º 3803004.895 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904545/201291 Acórdão n.º 3803004.895 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10140.720483/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE - DESCARACTERIZAÇÃO
Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fálica verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos
SÓCIOS COTISTAS PRESTADORES DE SERVIÇOS - REMUNERAÇÃO SOB A FORMA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS - IMPOSSIBILIDADE
Considera-se efetiva remuneração, os valores pagos aos sócios cotistas, ainda que sob a roupagem de distribuição de lucros, se estes prestaram serviços para a sociedade, a referida distribuição de lucros foi proporcional à produção de cada um e não ao capital investido e, além disso, a escrituração contábil não esclarece o que advém da prestação de serviços e o que representa verdadeira participação nos lucros
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento. O conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva acompanhou a divergência pelas conclusões. Apresentará voto vencedor a conselheira Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Ana Maria Bandeira Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Nereu Miaguel Ribeiro Domingues, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Reonaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE - DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fálica verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos SÓCIOS COTISTAS PRESTADORES DE SERVIÇOS - REMUNERAÇÃO SOB A FORMA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS - IMPOSSIBILIDADE Considera-se efetiva remuneração, os valores pagos aos sócios cotistas, ainda que sob a roupagem de distribuição de lucros, se estes prestaram serviços para a sociedade, a referida distribuição de lucros foi proporcional à produção de cada um e não ao capital investido e, além disso, a escrituração contábil não esclarece o que advém da prestação de serviços e o que representa verdadeira participação nos lucros INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior Recurso Voluntário Negado
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De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos SÓCIOS COTISTAS PRESTADORES DE SERVIÇOS REMUNERAÇÃO SOB A FORMA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS IMPOSSIBILIDADE Considerase efetiva remuneração, os valores pagos aos sócios cotistas, ainda que sob a roupagem de distribuição de lucros, se estes prestaram serviços para a sociedade, a referida distribuição de lucros foi proporcional à produção de cada um e não ao capital investido e, além disso, a escrituração contábil não esclarece o que advém da prestação de serviços e o que representa verdadeira participação nos lucros INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 83 /2 01 0- 00 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento. O conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva acompanhou a divergência pelas conclusões. Apresentará voto vencedor a conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Ana Maria Bandeira – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Nereu Miaguel Ribeiro Domingues, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Reonaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SAMI SERVIÇOS E ASSESSORIA EM MEDICINA INTENSIVA , em face de acórdão que manteve a integralidade do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração 37.299.1661, lavrado para a cobrança de contribuições patronais incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que a autoridade fiscal considerou as distribuições de lucro declaradas pela recorrente como efetivo pagamentos de remuneração aos seus sócios cotistas, uma vez que tais pagamentos se relacionavam com a contraprestação por serviços médicos prestados. O lançamento se deu com base nas informações constantes em depósitos bancários efetuados pela recorrente aos seus sócios. A fiscalização esclareceu que a recorrente é constituída sob a forma de sociedade simples, de profissão regulamentada, prestando serviços médicohospitalares na área de cardiologia. Esses serviços são prestados pessoalmente por profissional médico (sócios da recorrente) e é faturado para diversos clientes, dentre eles hospitais e convênios de saúde, conforme informações constantes em DIPJ, na qual são informadas as retenções de impostos e contribuições feitas por alguns destes clientes tomadores de serviços. Ademais, o relatório fiscal da infração justifica que a cláusula 10a do contrato social da recorrente diz que “os honorários devidos aos sócios, pelas atividades médicas, mesmo que provenientes de convênios são receitas da sociedade”, além de apontar que a recorrente não possui mãodeobra médica contratada para a prestação de seus serviços, pois não informou em GFIP segurados com classificação de atividade médica, mas somente o sócio administrador com a retirada de seu prólabore, também não constando da contabilidade a contratação de outra pessoa jurídica para a prestação dos serviços. A fiscalização esclareceu, por fim, que os pagamentos efetuados pela recorrente a título de distribuição dos lucros aos sócios eram partilhados entre eles de acordo com a participação de cada um na produção, conforme disposto na cláusula 17a do contrato social da recorrente, não tendo sido realizados de acordo com a participação societária de cada um, o que levou à conclusão de que tais pagamentos, em verdade, se constituem em remuneração dos sócios pelo trabalho e não pelo capital social. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado do AI em 28/09/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 156/170), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a sociedade simples, por sua natureza, nada mais é do que os próprios sócios atuando em nome próprio, de forma conjunta, por meio de uma pessoa jurídica, a fim Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 de tornar a prestação dos serviços técnica econômica e logisticamente mais viáveis, fomentando a economia nacional e o acesso da população a tais serviços; 2. que a redação do inciso IV, do art. 997 do Código Civil é clara ao preconizar que a contribuição dos sócios em uma Sociedade Simples consiste em serviços, e que, portanto, o capital social tem função meramente de investimento inicial para funcionamento da sociedade; 3. que o Código Civil ao prever a possibilidade de profissionais liberais prestarem seus serviços pessoalmente e de forma coletiva, através da constituição de uma sociedade simples, deu margem para que no contrato social estipulassem regras acerca da participação de cada um nos lucros e nas perdas; 4. que o STJ já admitiu a possibilidade de apuração do grau de risco por estabelecimento, conforme cada uma das atividades exercidas pela pessoa jurídica; 5. que a fiscalização agiu de forma ilegal a não reconhecer a real natureza da sociedade simples; 6. que a remuneração dos sócios era o prólabore declarado de um salário mínimo, os quais serviram como base de cálculo das contribuições previdenciárias, situação que encontra respaldo na legislação em vigor; 7. que a fiscalização equivocouse ao considerar como remuneração receitas da empresa e decorrentes da prestação dos serviços médicos, os quais, em sua sociedade simples, são efetivamente o seu objeto. 8. que todos os valores lançados foram tributados pelo PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, não havendo contra a recorrente qualquer reclamação acerca de qualquer irregularidade a este respeito; 9. que a prestação dos serviços pelos próprios sócios é característica intrínseca da sociedade simples, motivo pelo qual se a receita fosse obtida pelos serviços de profissionais contratados, estaríamos diante de uma sociedade puramente empresarial; 10. que a remuneração pelos serviços da empresa, decorrentes do recebimento de honorários pelos sócios, deve ser considerado como sua receita e tributado como tal; 11. que ao distribuir os lucros a empresa sempre respeitou as disposições de seu contrato social, mantendo, para tanto, nos casos em que pagos em adiantado, balancetes Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 4 5 especiais, conforme determina a legislação que rege a sociedade simples; 12. que não existe obrigação legal que determine a distribuição dos lucros em conformidade com o capital social destacado para a empresa; 13. que a interpretação dada pela fiscalização ao art. 201, 5o, inciso II do Decreto 3.048/99 é equivocada, pois houve a devida discriminação na contabilidade dos valores pagos a título de remuneração decorrente do trabalho e do capital social; 14. a ilegalidade da SELIC; 15. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO A questão central do recurso resumese na discussão acerca da possibilidade ou não da fiscalização ter levado a efeito a desconsideração de valores creditados aos sócios da recorrente como distribuição de lucros, caracterizandoos como remuneração dos mesmos. E o argumento da recorrente é o de que não existe justa causa para referida desconsideração, uma vez que a forma de organização societária eleita pela recorrente, lhe permite proceder a distribuição aos sócios de valores de honorários recebidos pela sociedade e de forma desproporcional à participação de cada um no capital social, mesmo que tenham exercido pessoalmente os serviços prestados. E os elementos apontados pela fiscalização e que justificaram o lançamento, em resumo, foram os seguintes: a) as receitas da empresa não são obtidas por mãodeobra médica contratada por ela, mas sim da força do trabalho médico de seus sócios; b) a empresa remunerou os seus sócios da seguinte forma: b.1) ao único administrador pagou a título de prólabore o valor de um salário mínimo; b.2) a todos os sócios a empresa efetuou pagamentos a título de distribuição dos lucros, partilhados de acordo com a produção de cada um c) os pagamentos a título de distribuição dos lucros não foram feitos a cada um em função de seu capital social; d) por se tratar de remuneração pelo trabalho não pode ser tratada como distribuição e lucros, apenas para fugir da incidência de contribuições sociais e impostos. e) que a contabilidade não apresenta a discriminação entre os valores recebidos pelos sócios a título de remuneração pelo trabalho e pelo capital social; Diante de tais colocações, o julgamento de primeira instância acabou por acatálas, de forma que sua conclusão pode ser aferida na leitura do seguinte excerto do voto condutor: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 5 7 Desta forma, considerando o citado artigo 101, §5º, II, combinado com o 71, §5º,II, da IN 03/2005, vigente à época dos fatos geradores, que determinam que a base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da Sociedade Simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados estes, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, não se pode acolher as alegações do contribuinte. Pois, bem. A recorrente é empresa que atua na área da prestação de serviços médicos de cardiologia, cujos sócios são 26 (vinte e seis) profissionais da medicina e com capital social de R$ 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais), conforme se depreende de sua 8a alteração contratual juntada aos autos. Referidos profissionais, de acordo com as conclusões da fiscalização, prestam pessoalmente seus serviços aos tomadores, sem a existência de contratados ou mesmo a necessidade de contratação de outros profissionais da área. Ao que se verifica dos autos, especialmente das conclusões do v. acórdão recorrido, ocorreu que a fiscalização não identificou na contabilidade, para cada um dos sócios cotistas da recorrente, a discriminação de valores recebidos a título de distribuição dos lucros (remuneração do capital) e outros valores recebidos em decorrência do trabalho (remuneração). Tal verificação, juntamente com a existência de cláusula no contrato social que dispõe serem da sociedade os honorários médicos auferidos por cada um dos sócios, os quais lhe serão distribuídos em razão de sua produção, levou a conclusão do fiscal de que tais pagamentos deveriam ser caracterizados, exclusivamente, como remuneração de contribuintes individuais, uma vez que os serviços prestados pela sociedade eram exercidos pelos sócios. Da leitura do relatório fiscal, percebese que apesar da desconsideração dos pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros, em momento algum, a fiscalização chegou a se opor quanto a de fato cada um dos beneficiários ser ou não sócio efetivo da empresa, vindo a caracterizála, por exemplo, como “de fachada”. Em momento algum a fiscalização apontou não haver para o caso a inexistência de qualquer estrutura administrativa organizacional para manutenção dos negócios da empresa e que esta era unicamente contratada por uma determinada tomadora de seus serviços. Dessa forma, não vejo como ter outra conclusão, senão a de que a recorrente é empresa devidamente constituída para todos os fins de direito e possui como sócios, pessoas que efetivamente sejam suas sócias (exercem perante a sociedade a condição de sócias), não se caracterizando apenas como contribuinte individuais contratados com o intuito de burla, seja em face da legislação tributária, seja em face da legislação trabalhista. O conjunto de provas constante nos autos não podem levar à conclusão da recorrente ter agido com intuito de dolo, fraude ou mesmo de simulação, pela criação de uma pessoa jurídica para simplesmente furtarse ao pagamento de tributos. Discordo, pois, da conclusão do v. acórdão que a recorrente praticou fraude, pelo simples fato de seu contrato social fixar como prólabore aos administradores o montante Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 equivalente a um salário mínimo, valor este abaixo do piso do salário de contribuição, conforme preconiza o art. 28 do Decreto 3.048/99. Em face da sociedade, a fixação do pró labore fica a cargo e sob crivo exclusivo dos sócios. A lei realmente não aponta um patamar mínimo, que não seja o salário mínimo, de acordo com o que dispõe a Constituição Federal, que os sócios devem observar na fixação do prálabore. Para a fixação do prólabore, há de se considerar que os sócios exercem uma atividade de administração de sua empresa, uma atividade empresarial de gestão, não podendo ser tratados, dessa forma, como meros contribuintes individuais, aos quais deve ser aplicado um piso salarial. Para esta finalidade são considerados riscos da atividade, volume de investimento, dentre outros fatores, as quais, repitase, ficam a cargo exclusivo dos sócios. Ademais, cumprenos considerar que recorrente é empresa constituída sob a forma de sociedade simples. Estas foram introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro pelo novo Código Civil, hodiernamente em substituição às antigas sociedades civis, abrangendo, portanto, aquelas sociedades que não exercem atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 982), isto é atividades não empresariais Tanto é assim, que são registradas no Cartório de Registros de Pessoas Jurídicas, e não na Junta Comercial local. Em se tratando de sociedade simples, a mesma pode assumir a forma de qualquer dos tipos societários destinados às sociedades empresárias previstos no novo Código Civil, quais sejam, sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, e sociedade limitada. Todavia, também pode não optar por nenhum desses tipos societários, sujeitandose a regras peculiares às sociedades simples. A recorrente é uma sociedade formada exclusivamente por profissionais médicos, inscritos no CRM e organizados para uma mesma finalidade, qual seja, a de prestarem os seus serviços e por tais motivos, virem a auferir o resultado decorrente de sua prestação, qual seja, a renda. Em lúcido apontamento, o professor MIGUEL REALE1, assim ponderou em breves comentários sobre a matéria: Tanto a sociedade simples como a empresária podem se constituir para prestação de serviço, mas, a meu ver, na primeira, a palavra “serviço” corresponde à profissão exercida pelo sócio. Na sociedade empresária, ao contrário, os serviços são organizados tendo em vista a sua produção ou circulação, dependendo da finalidade visada. É o que se dá quando uma empresa é organizada para prestação de serviços, como, por exemplo, os de transmissão ou distribuição de energia elétrica, ou de transporte. Estabelecida a natureza jurídica da sociedade simples, verificamos que ela constitui o tipo geral aplicável no caso de se objetivar uma reunião associativa para prestação de serviço pessoal, a qual pode ter o maior espectro, desde a categoria dos pedreiros ou cabeleireiros até a dos advogados ou engenheiros. Cabe salientar que a sociedade simples pode ser formada somente de sócios de capital, caso em que, conforme inciso IV do Art. 997, o contrato social deve estabelecer a quota de cada sócio no capital social e o modo de realizala; a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas, ou se eles respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. 1 http://www.miguelreale.com.br/artigos/socse.htm Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 6 9 Também pode haver sociedade simples constituída apenas de sócios de serviços, hipótese em que, consoante inciso V do mesmo artigo, o contrato social deve prever as prestações e contribuições a que eles se obrigam. Resta claro, que as sociedades simples, de fato, devem ser, por natureza, diferenciadas das sociedades empresárias, exatamente por possuírem como característica, a prestação de serviços, relativos à profissão de seus sócios, serviços que por estes são prestados em prol da sociedade, não havendo que se falar que mesmo agindo pessoalmente na prestação do serviços, os sócios passam a agir em nome próprio e distantes das finalidades da sociedade. Conforme apontado no comentário supra, a sociedade simples, pode, inclusive, ser formada por sócios de serviços, ou seja, aquele que propriamente por não dispor de capital para sua constituição, ou mesmo em decorrência de experiência profissional, irá compôla como sócio, prestando os seus serviços e sendo remunerado por eles em decorrência do capital social investido, mas não pelo trabalho realizado. O auferimento de receitas pela sociedade simples, em decorrência da prestação de serviços intelectuais pelos sócios, é a conseqüência lógica de sua forma de organização, além de ser uma das próprias finalidades de sua constituição. E tais receitas, após efetuados os balanços, em caso de ser verificado o lucro, serão distribuídas aos seus sócios, de acordo com as regras dispostas no seu contrato social. A meu ver, a finalidade dos sócios, quando da constituição de uma sociedade simples de prestação de serviços de qualquer natureza, converge além do interesse em arcar com menor carga tributária, no próprio interesse de cooperação e organização de forma a obter melhores ganhos e resultados, situação que em momento algum é vedada pela legislação societária. A forma de organização da recorrente, previa, dentre outros fatores, a distribuição de lucros de acordo com a produção de cada um dos sócios e que suas receitas seriam todas de titularidade da sociedade. Dessa forma, diante dos esclarecimentos acima, e firme no fato de que a fiscalização não demonstrou se tratar de uma empresa de fachada (sem sede organizada, de fato inexistente) ou mesmo ter havido qualquer situação de dolo, fraude ou simulação, mas que simplesmente achou por bem descaracterizar valores distribuídos a título de lucros a sócios, profissionais médicos, entendendo que os mesmos não foram remunerados pelo capital investido, mas simplesmente pelo trabalho, não posso partilhar do entendimento esposado no v. acórdão recorrido. Como já dito, a sociedade simples, é diferenciada da sociedade empresária. É forma de organização afeta a categorias de profissionais liberais, unidos pela força de seu trabalho e conhecimentos, que exercerão o objeto social da pessoa jurídica por eles formada. Portanto, outra não pode ser a conclusão, senão pela possibilidade de seus sócios exercerem pessoalmente o seu objeto social, pois não há como concebermos que uma sociedade de médicos poderá prestar serviços médicos sem que algum médico o exerça. Seja ele próprio sócio (sociedade simples) ou um médico contratado (sociedade empresarial). É exatamente por isso, que nas sociedades simples, normalmente, o objeto social está intimamente ligado com a prestação de serviço em si. Melhor dizendo, o trabalho Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 realizado pelos sócios da sociedade simples é o que dá vazão ao objeto da empresa, posto que é traduzido em trabalho intelectual, gerando, conseqüentemente, o produto da sociedade e seus possíveis lucros. A remuneração recebida a título de prolabore tem natureza contraprestacional ao trabalho de gestão da empresa, que tem como fim buscar os meios suficientes para produzir, através da administração dos atos ordinários para funcionamento da sociedade. Para melhor entender a diferenciação destes institutos, ilustrase com os dizeres de Fábio Ulhoa2: No plano conceitual, os lucros remuneram o capital investido na sociedade. Todos os sócios, empreendedores ou investidores, têm direito ao seu recebimento, nos limites da política de distribuição contratada entre eles. Já o pro labore, ainda no plano dos conceitos, remunera o trabalho de direção da empresa. Seu pagamento, assim, deve beneficiar apenas os empreendedores, que dedicaram tempo à gestão dos negócios sociais. No plano jurídico, a distinção assume contornos exclusivamente formais, e se afasta da pureza conceitual. Quer dizer, os lucros, quando distribuídos, são devidos a todos os sócios; o pro labore, ao sócio ou sócios que, pelo contrato social, tiverem direito ao seu recebimento. Em decorrência da rigidez formal da regra, o sócio investidor, que não trabalha na gestão da empresa, mas que é nomeado, no contrato social, como titular de direito a pro labore, deve receber o pagamento. Em contrapartida, o empreendedor que exerce a administração, mas não é lembrado, no contrato social, como titular do direito ao pro labore, não o pode receber. Dos autos se extrai que a recorrente efetivamente creditava aos administradores o prólabore, sobre o qual foram recolhidas as contribuições previdenciárias, o que demonstra, a princípio, que a contabilidade apresentava a discriminação das parcelas decorrentes da remuneração do trabalho e da remuneração do capital, de acordo com o disposto no art. 201, 5o, II, do Decreto 3.048/99, a seguir Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (.......) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou 2 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. Volume 2. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 423. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 7 11 II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003). O fato de que todos os sócios não tenham no recebimento de sua contraprestação uma parcela percebida a título de prólabore, não enseja que necessariamente deveria ter sido remunerados dessa forma, pois estes em não sendo administradores, por força da própria natureza de uma sociedade, serão remunerados com o lucro que dela advir. E a ausência da discriminação de tais valores, em casos como o presente, relativamente aos sócios não administradores, a meu ver não enseja a incidência das contribuições previdenciárias pelo simples fato de não haver a discriminação de uma parcela decorrente do trabalho. Isso não quer dizer que o contribuinte deixou de fazer a discriminação com o evidente intuito de furto ao pagamento das contribuições, mas que simplesmente não o deveria fazer, pois não remunerou sés sócios com parcelas decorrentes do trabalho. Ademais, sobre o assunto, confirase recente solução de consulta pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: SOLUÇÃO DE CONSULTA RFB Nº 140/09 IRRF/INSS ISENÇÃO LUCROS DISTRIBUÍDOS PARA "SÓCIO DE SERVIÇO" Número da Solução:140 Data da Solução:05/10/2011 Solução de Consulta nº 140, de 1º de outubro de 2009 [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SOCIEDADE SIMPLES. PRO LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS PAGOS A SÓCIO DE SERVIÇO. 1. O sócio de serviço é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS na qualidade de contribuinte individual. Logo, incide contribuição previdenciária sobre os rendimentos auferidos por ele a título de pro labore; 2. Não incide contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos aos sócios das sociedades simples (de capital ou de serviço) quando houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a proveniente do capital social (lucro) ou tratarse de adiantamento de resultado apurado por meio da demonstração de resultado do exercício DRE. 3. Os valores pagos pela sociedade ao sócio de serviço, excedentes do montante previsto no contrato social, ou, no seu silêncio, excedentes dos limites previstos no Código Civil (artigo 1007), como devidos ao sócio de serviço, a título de lucro, devem ser considerados retribuição pelo trabalho, sujeitos à incidência Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 de contribuição previdenciária. Reforma a Solução de Consulta SRRF06 nº 116, de 04 de setembro de 2009. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212/1991, artigos 12, V, "f" e 28, III e § 5º, Lei nº 10.666/2003, artigos 4º, caput, e 5º, RPS, artigo 201, § 5º, I e II, IN nº 03/2005, artigos 9º, XII, "b" e 71, § 5º, I e II e § 6º e Lei nº 10.406/2002, artigos 997, IV e V, 1006 e 1007. SANDRO LUIZ DE AGUILAR Chefe da Divisão Logo, compartilhar do entendimento esposado pela fiscalização e confirmado pelo v. acórdão, me parece caracterizarse, neste caso, numa situação que de fato pode levar a total e injustificada desconsideração da personalidade jurídica de toda e qualquer sociedade simples para fins previdenciários. Ora entender que uma sociedade profissional não possa exercer o seu objeto pela atuação de seu sócio, ou sócios, é inconcebível, já que esta é uma característica intrínseca de sua própria natureza. Ainda quando se fala em distribuição de lucros decorrentes de participação societária, não existe óbice de que os resultados sejam partilhados de forma desproporcional à participação dos sócios no capital social, desde que tal situação esteja devidamente prevista no contrato social. É isto exatamente o que preconiza o art. 1.007 do Código Civil,a seguir: Art. 1.007 – Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. A distribuição proporcional, portanto, se constitui em presunção legal, sendo plenamente admitida que a distribuição seja realizada de forma desproporcional, se assim for da querência dos sócios que constituem a empresa, como foi o caso da recorrente. Ademais, se houver interesse, também não há óbice à distribuição antecipada do lucros que a sociedade a princípio apurar, com a devida responsabilização do sócio que dela se aproveitar. É certo que, em caso de distribuição com prejuízo do capital social, os sócios deverão repor à sociedade os valores retirados a título de distribuição, ensejando na aplicação da responsabilidade solidária, conforme o artigo 1.009 do Código Civil, que assim dispõe: “Art. 1.009. A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade solidária dos administradores que a realizarem e dos sócios que os receberem, conhecendo ou devendo conhecerlhe a ilegitimidade.” . Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira – Redatora Designada Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto ao seu entendimento de que não haveria qualquer irregularidade na distribuição de lucros aos sócios da empresa, cuja prestação de serviços é efetuada única e exclusivamente pelos sócios cotistas e para os quais não há qualquer tipo de remuneração. Asseverese que embora o Conselheiro Relator tenha efetuado seu arrazoado tomando como base dispositivos do Código Civil, sobretudo nos artigos que tratam da chamada sociedade simples, entendo que o citado código deve ser usado em caráter subsidiário, ou seja, naquilo que a legislação específica, sobretudo a Lei nº 8.212/1991 e o Código Tributário Nacional, forem omissos. A recorrente é uma empresa cujo quadro societário é formado por médicos, sócios cotistas, os quais são os únicos que prestam serviços para a sociedade. Assim, a recorrente não possui mãodeobra médica contratada para a prestação de seus serviços, pois não informou em GFIP segurados com classificação de atividade médica, mas somente o sócio administrador com a retirada de seu prólabore, não constando da contabilidade a contratação de outra pessoa jurídica para a prestação dos serviços. A Lei nº 8.212/1991 define com precisão as situações em que o trabalhador é enquadrado como segurado obrigatório do RGPS – Regime Geral de Previdência Social e como tal é remunerado e sobre tal remuneração incide as contribuições previdenciárias devidas. Especificamente no artigo 12, inciso V, alínea “f” da citada lei temse a seguinte disposição: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração Como se vê, numa sociedade, não é somente o sócio gerente que pode ser enquadrado como segurado obrigatório do RGPS, mas também o sócio cotista que receba remuneração decorrente de seu trabalho na empresa. A questão que levou à autuação é que a recorrente não considera que os médicos, na condição de sócios cotistas, ainda que prestem serviços para a sociedade, recebam Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 qualquer tipo de remuneração, uma vez que seus honorários são considerados receitas da sociedade conforme se verifica na cláusula 10a do contrato social. Assim, a recorrente cria uma situação em que o chamado sócio cotista, ou seja, pessoa que participa do capital social, exerce atividade na sociedade, porém não é remunerado para isso. Ao determinar que os considerados sócios cotistas sejam remunerados, tão somente, via distribuição de lucros, na ausência de lucro, tais pessoas teriam trabalhado sem qualquer retribuição o que é inadmissível. No entanto, os médicos sócios cotistas não prestam serviço sem qualquer contrapartida, uma vez que são remunerados sob a forma de distribuição de lucros. A meu ver, tais pagamentos fogem do conceito de distribuição de lucros. A distribuição de lucros representa retribuição pelo capital investido e não pode, de forma alguma representar retribuição pelo trabalho. No caso da recorrente, a distribuição de lucros se dá não de acordo com a participação de cada sócio no capital social, mas de acordo com a participação de cada um na produção, conforme disposto na cláusula 17a do contrato social da recorrente. Além disso, mesmo não distribuindo os lucros de acordo com a participação sociedade, a recorrente não realizou qualquer acordo a fim de justificar a distribuição desproporcional de lucro relativamente ao capital de cada sócio Nesse sentido, chegase à conclusão de que tais pagamentos, em verdade, se constituem em remuneração dos sócios pelo trabalho e não pelo capital social. O Regulamento da Lei nº 8.212/1991, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, aborda em seu art. 201, § 5º, incluído pelo Decreto nº 4.429/2003, a questão das sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentadas,conforme se verifica abaixo: § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas “g” a “i” do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício“. Segundo o Relatório Fiscal a fiscalização não identificou na contabilidade, para cada um dos sócios cotistas da recorrente, a discriminação de valores recebidos a título de distribuição dos lucros (remuneração do capital) e outros valores recebidos em decorrência do Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 9 15 trabalho (remuneração) o que leva à exata situação prevista no inciso II do § 5º do art. 201 do Decreto nº 3.048/1991, acima transcrito. Entendo que a situação vislumbrada se consubstancia em verdadeira simulação. Escudada no Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária, ou seja, a auditoria fiscal, na presença de simulação não se obriga a permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento. Nesse diapasão, podese citar o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado — Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária — Ed.Revista dos Tribunais –2003 pág. 371 "Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocia!, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocia!, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo "motivo" para o ato administrativo: o ato simulado" O Conselheiro Relator afirma que a fiscalização não demonstrou se tratar de uma empresa de fachada (sem sede organizada, de fato inexistente) ou mesmo ter havido qualquer situação de dolo, fraude ou simulação. Não acompanho tal conclusão. Entendo que houve sim simulação por parte da recorrente e quanto à demonstração de que a recorrente seria uma empresa de fachada, tal providência seria desnecessária, uma vez que para alcançar o fato gerador ocorrido, não é necessário que o fisco demonstre que o negócio simulado seja ilegal. Ao contrário, a natureza da simulação pressupõe atos jurídicos lícitos, uma vez que o que a caracteriza é a desconformidade entre a negócio formal e o efetivamente praticado. O Conselheiro Relator mencionou o art. 1007 do Código Civil, para concluir que a distribuição desproporcional poderia ser realizada se assim for a vontade das partes. De fato, o art. 1007 do Código Civil dispõe que, salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas cotas, levando a inferir a possibilidade de distribuição desproporcional, mas condicionada à formalização expressa nesse sentido, o que não se tem notícia nos autos que a recorrente tenha efetuado. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Além disso, vale observar o que dispõe o restante do referido artigo que é o seguinte: “...mas aquele (sócio), cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas.” Ora, embora o dispositivo do Código Civil mencionado pelo Conselheiro Relator de fato traga a possibilidade de distribuição de lucros desproporcional ao capital social, este também veda tal possibilidade nos casos do sócio cuja contribuição para a sociedade se dá na forma de serviços o que é justamente o caso em tela. De igual forma, entendo que não se pode dizer que compartilhar do entendimento esposado pela fiscalização e confirmado pelo v. acórdão poderia levar a total e injustificada desconsideração da personalidade jurídica de toda e qualquer sociedade simples para fins previdenciários, conforme afirmou o Conselheiro Relator. Não considero que a personalidade jurídica da sociedade em questão tenha sido desconsiderada, mas sim a retribuição ao trabalho dos sócios sob a forma de distribuição de lucros. Alem disso, foram as irregularidades cometidas pela recorrente que levaram à presente autuação, como por exemplo, a não remuneração do trabalho dos sócios cotistas que efetivamente prestaram serviços à sociedade, embora reconhecesse a existência de honorários que seriam destinados à sociedade, a distribuição de lucros proporcional à produção de cada um e não na participação do capital social e por fim, a ausência de discriminação da contabilidade do que seriam lucros e o que seria remuneração pelos serviços prestados. Portanto, o lançamento deve subsistir. Além das questões relativas a consideração de distribuição de lucros a sócios como remuneração, a recorrente apresenta apenas seu inconformismo pela aplicação da taxa de juros SELIC como juros moratórios e que a multa aplicada seria confiscatória. Cumpre dizer que tanto os juros como a multa aplicados tiveram fundamento em dispositivo legal vigente à época do lançamento, no casos os artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/1991 e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico sob o argumento de que seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720483/201000 Acórdão n.º 2402002.409 S2C4T2 Fl. 10 17 “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Ana Maria Bandeira Conselheira Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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