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Numero do processo: 13005.900792/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
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Numero da decisão: 3301-002.019
Decisão:
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.900792/200610 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301002.019 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de agosto de 2013 Assunto PER/DCOMP Recorrente SERRAF Indústria de Evaporadores Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Contribuição COFINS Período de apuração: 31/07/2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não existe crédito para homologar, alegação de que débito foi compensado em outro processo. Mantémse o indeferimento da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Santa Maria RS (fl. 22/25), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 00 79 2/ 20 06 -1 0 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.900792/200610 Resolução nº 3301002.019 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo contribuinte (fl. 2) em face de despacho decisório (fl. 8) que não homologou o crédito de COFINS informado pela contribuinte, relativo a 31/07/2003. Através do Despacho Decisório (fl.8), ficou claro que o contribuinte não teve o seu pedido de compensação homologado, tendo vista a análise da PER/DCOMP n. 33138.43168.130803.1.3.048062 (fls.9/15), no qual foi constatada a inexistência do crédito informado. Ao tomar ciência da decisão prolatada pela Delegacia de origem, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, mediante a qual informou ter ocorrido equívoco no uso do crédito relativamente ao pagamento indevido ou a maior. Isso porque, segundo afirmado pelo próprio contribuinte, não teria havido o recolhimento do DARF informado, donde inexistente o crédito pleiteado. Como decorrência, foi cancelado o pedido de compensação inserto na PER/DCOMP n. 33138.43168.130803.1.3.048062 (fls.9/15). Ocorre que, a despeito de haver informado o não recolhimento do DARF, o contribuinte esclareceu que o crédito no valor de R$ 4.154,63 decorreria do PA n° 13052.000311/9991. Para tanto, anexou aos autos, uma comunicação feita pela DRF/SCS com o intuito de confirmar esse fato (fl.16). Com base nessas informações, consta às fls. 22/25 que na sessão de 04/12/2008, a 2º Turma da DRJ/STM proferiu o acórdão nº 1810.019 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/07/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra a nãohomologação de compensação, não se estendendo a questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do Fato Gerador: 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Não existindo o pagamento apontado como sendo a origem do crédito vinculado ao débito, ambos informados em PER/DCOMP, não há como homologarse a compensação pretendida. Solicitação Indeferida. Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário às fls. 28/29 por meio do qual contesta o referido Acórdão, repisando os mesmos argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade, insistindo em afirmar ter ocorrido um equívoco na utilização do crédito. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.900792/200610 Resolução nº 3301002.019 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A questão central para o deslinde deste litígio fiscal reside na questão sobre a existência ou inexistência nos autos de provas suficientes para demonstrar o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu que fosse avaliada a situação do débito que em tese, teria sido compensado em outro processo. Juntou o relatório da PROFICS (fl.31) e a comunicação da DRF/SCS (fl. 16), entretanto, não foi possível verificar indícios de créditos existentes em outro processo. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com base em todas as análises que a DRJ e a Delegacia de origem, fizeram sobre as alegações e as provas que por consequência foram consideradas insuficientes. Conclusão Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2013 Fábia Regina Freitas Relatora. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000627/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não se pode punir a contribuinte de participar ativamente do julgamento ante a diligência do patrono de solicitar previamente fosse a sessão adiada, pleito que foi devidamente deferido. As decisões administrativas precisam inspirar a confiabilidade de que serão cumpridas, ou seja, não pode o advogado ser surpreendido com a inclusão em pauta, quando obteve decisão que expressamente adiou o julgamento.
Numero da decisão: 1301-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, decretada a nulidade da decisão de segunda instância. Ausentes os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Valmir Sandri que declararam-se impedidos. Presentes os Conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna (Substituto Convocado) e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Mozart Barreto Vianna (Substituto Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não se pode punir a contribuinte de participar ativamente do julgamento ante a diligência do patrono de solicitar previamente fosse a sessão adiada, pleito que foi devidamente deferido. As decisões administrativas precisam inspirar a confiabilidade de que serão cumpridas, ou seja, não pode o advogado ser surpreendido com a inclusão em pauta, quando obteve decisão que expressamente adiou o julgamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13708.000627/200304 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.709 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria Compensação Recorrente TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não se pode punir a contribuinte de participar ativamente do julgamento ante a diligência do patrono de solicitar previamente fosse a sessão adiada, pleito que foi devidamente deferido. As decisões administrativas precisam inspirar a confiabilidade de que serão cumpridas, ou seja, não pode o advogado ser surpreendido com a inclusão em pauta, quando obteve decisão que expressamente adiou o julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, decretada a nulidade da decisão de segunda instância. Ausentes os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Valmir Sandri que declararamse impedidos. Presentes os Conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna (Substituto Convocado) e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Mozart Barreto Vianna (Substituto Convocado), Edwal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 06 27 /2 00 3- 04 Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório O presente processo me foi distribuído após o relator do Recurso Voluntário, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, assinalar seu impedimento de prosseguir no feito após a juntada de laudo subscrito por seu exsubordinado. Em petição intitulada de Embargos de Declaração, a contribuinte sustenta a nulidade da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamentos deste CARF, porquanto, segundo os documentos por ela acostados, anteriormente à sessão de julgamento na qual foi negado provimento ao seu Recurso Voluntário, formulou pedido de retirada de pauta, fundamentada no que dispõe o artigo 56, § 1°, do RICARF, em razão da impossibilidade de seu patrono comparecer e realizar a devida defesa dos seus argumentos. Segundo demonstra a contribuinte, referido pedido foi deferido pela Presidência desta Turma Julgadora em 31 de janeiro de 2014, todavia, contrariando o que fora antes deferido, o processo foi incluído e julgado na sessão de fevereiro de 2014, sem a presença do patrono da Embargante, situação que inquinaria de nulidade a decisão embargada, em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Diante do exposto, pugnou pelo acolhimento da petição para os fins de anular a decisão proferida e determinar a reinclusão em pauta, viabilizando seu direito à ampla defesa. Para além da questão da propagada nulidade, importa registrar que antes da apreciação do Recurso Voluntário da Contribuinte foi determinada a realização de procedimento de diligência determinada já pelo CARF, sendo que a fiscalização apontou a inexistência de saldo negativo de IRPJ, aduzindo inconsistência entre o valor de variações cambiais ativas declarado na Linha 20 da Ficha 06 A e o valor excluído na Linha 30 da Ficha 09 A. No recurso, a contribuinte se insurge contra o resultado da diligência sobre esse ponto, reafirmando, quanto à diferença entre o montante declarado a título de variações cambiais ativas na linha 20 da ficha 6A (R$ 64.725.830,78, conforme fls. 500) e consignado na linha 30 da ficha 9A (R$ 1.084.539.596,60, conforme fls. 501), tratarse de erro no preenchimento das Linhas 20 e 21 da Ficha 06 A da DIPJ, eis que teria incluído parte dos resultados positivos decorrentes da variação de taxas de câmbio na Linha 21 (renda variável) da Ficha 6 A da DIPJ. Ou seja, segundo esclareceu a contribuinte, do total de R$ 1.070.558.921,57 informado na Linha 21 da Ficha 6 A, R$ 1.025.754.223,47 deveriam ter sido informados na linha 20 da mesma Ficha 6 A, e, posteriormente, excluídos na Linha 30 da Ficha 09 A. Em síntese, alega que por erro no preenchimento, a empresa reduziu o valor informado na Linha 20 (Variações Cambiais Ativa) e aumentou o valor informado na Linha 21 (Ganhos em Renda Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.709 S1C3T1 Fl. 3 3 Variável). Pondera que, apesar deste erro de preenchimento, o fato é que toda a receita de variação cambial foi informada como receita na Ficha 06A, e tendo sido integralmente reconhecida como receita na DIPJ, é justo que seja integralmente excluída, como determina a legislação. Para comprovar suas alegações, instruiu o recurso com 6 diferentes planilhas e cópias de diversos documentos (notas de negociação –swap, boletos de controle de derivativos, cópia de contratos de câmbio, cópias de correspondências diversas), que constituem as fls.821 a 1048 do processo, até este ponto, o processo se acha saneado e estes aspectos foram apreciados pela decisão que se reputa nula. Contudo, o ponto que merece atenção e que pauta o conteúdo decisório que proporei adiante, diz respeito ao fato de que em 03 de junho de 2014 a contribuinte ter apresentado Petição informando que, “para melhor instruir o feito e atestar a veracidade de suas alegações, a Recorrente contratou profissional externo, habilitado e com conhecimento técnico, para reanalisar, por meio de documentos, a tributação das receitas de variação cambial do anocalendário de 2002.”. O auditor externo que responde pelo “Laudo Contábil” juntado aos autos é ex auditor fiscal da Receita Federal e também ex Delegado da Receita Federal. Justamente o ex subordinado do Conselheiro Wilson, fato que motivou a redistribuição do processo para mim. Para o trabalho realizado, o expert consultou os registros contábeis da empresa e documentos que os embasam, identificou o problema de preenchimento da DIPJ procedeu à conciliação da apuração do IRPJ com o resultado contábil, apresentou a DIPJ com os ajustes identificados, apurou o lucro real após a reclassificação das contas, apresentou a conclusão do trabalho, instruindoo com cópia de toda a documentação suporte das informações contábeis e com quadros para acompanhamento do controle das variações cambiais. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Sendo este o cenário dos autos, entendo que o presente processo necessita ser saneado sob dois enfoques: i) analisar a questão da propagada nulidade do acórdão nº 1301 001.404 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; ii) analisar a pertinência das provas e esclarecimentos trazidos, bem como oportunizar à Fiscalização que se manifeste sobre o conteúdo material do apontado “Laudo Contábil”. Diante disso, relativamente ao primeiro item, registro de pronto que assiste rigorosa razão à contribuinte. Conquanto disponha o art. 65 do Regimento Interno do CARF que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, is casu o contribuinte sequer tomou ciência do acórdão, tendo oposto “embargos“ contra a Certidão de Julgamento , o que, a toda evidência, não representa recurso para sanar obscuridade, omissão, contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Tratase, sim, de arguição de nulidade do Acórdão. Segundo dispõe o art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, evidenciandose, no parágrafo único, vários critérios a serem observados, sendo relevantes para a tomada de decisão, no presente caso, a menção à atuação segundo padrões éticos de boafé, a vedação de imposição de restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público, observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados, a garantia dos direitos à comunicação. Como se observa dos documentos acostados juntamente com os “Embargos de Declaração”, a contribuinte apresentou à Presidência desta Turma Julgadora, petição na qual pleiteava a retirada de pauta do presente processo, ao fundamento de que seu patrono não poderia comparecer à sessão para a qual fora previamente designado o julgamento do processo. Verificase que diante deste requerimento formulado, em 31 de janeiro de 2014, a Presidência deferiu a solicitação da contribuinte, ou seja, acatou seu pedido de retirada do processo da pauta de julgamento da sessão de fevereiro de 2014. Todavia, conquanto tenha o patrono confiado na dita decisão, o processo foi julgado em 13 de fevereiro de 2014, em sessão presidida pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, impedindo assim, que a contribuinte apresentasse suas razões orais, bem como participasse ativamente do julgamento, a despeito, repito, de ter deferido o seu pleito de adiamento do julgamento. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.709 S1C3T1 Fl. 4 5 Revelase inegável a nulidade perpetrada. Vejase que não se está a discutir se o pedido de adiamento de pauta deveria ou não ser acatado. Ele foi efetivamente deferido, dias antes, sendo apenas ignorado e o processo julgado sem a presença do contribuinte, situação que macula o processo, trazendo vícios que não podem ser superados senão pelo reconhecimento da nulidade da decisão que negou provimento ao Recurso Voluntário. Não se pode punir a contribuinte de participar ativamente do julgamento ante a diligência do patrono de solicitar previamente fosse a sessão adiada, pleito que foi devidamente deferido. As decisões administrativas precisam inspirar a confiabilidade de que serão cumpridas, ou seja, não pode o advogado ser surpreendido com a inclusão em pauta, quando obteve decisão que expressamente adiou o julgamento. Verifico, destarte, que a decisão que negou provimento ao Recurso Voluntário padece de nulidade, advinda do cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Ademais permitir que o processo administrativo avance, da forma que se encontra, implicará em internalizar um vício sanável com a decretação da nulidade da decisão, oportunizando que a contribuinte apresente suas razoes orais, bem como participe ativamente da sessão de julgamento. Em tempo, como já adiantei acima, outro ponto ainda reclama um saneamento, mormente ao se verificar a nulidade da decisão proferida anteriormente e clara necessidade de novo julgamento do Recurso Voluntário, tal ponto se relaciona ao dito “laudo contábil” apresentado pela contribuinte, com parecer de especialista e com refutação de mérito, documentalmente lastreada, dos fundamentos que impuseram o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte. As conclusões do especialista revelam que: “i) A empresa incluiu parte das receitas decorrentes da variação positiva de taxas de câmbio na ficha 06A, Linha 21 da DIPJ, e não na Linha 20; ii) As variações cambiais ativas de operações não liquidadas foram corretamente excluídas na Ficha 09A, Linha 30; iii) A forma de preenchimento da declaração não alterou o saldo negativo indicado na DIPJ, tendo em vista que as receitas das variações cambiais ativas excluídas do lucro real foram reconhecidas no lucro contábil; iv) Os ganhos auferidos quando da liquidação dos referidos contratos foram devidamente tributados ao serem adicionados na Ficha 09A, Linha 09; v) A empresa não possui comprovantes de R$ 256.838,06 de Imposto de Renda Retido na Fonte, como apontado na diligência fiscal; vi) Desta forma, o Saldo Negativo identificado neste trabalho, passível de compensação é de R$ 145.493.867,45.” Ou seja, antes mesmo de analisar o mérito das conclusões acima, ou mesmo a aceitação destes elementos de prova e convencimento, entendo que o feito deva ser saneado de forma que a Procuradoria possa se manifestar, conclusivamente, sobre o mérito das conclusões Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 acima, motivo pelo qual declaro nulo o Acórdão 1301001.404, assim as partes devem ser intimadas da decisão e após o processo deverá retornar para novo julgamento por esta Turma. Sala das sessões, 25 de novembro de 2014. Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.005252/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 52 52 /2 01 0- 11 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.005252/201011, contra o acórdão nº 0728.392, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 80.000,00 para R$45.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 01/11/2007, 02/11/2007, 04/11/2007, 05/11/2007, 06/11/2007, 12/11/2007, 27/11/2007, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$ 45.000,00, para R$35.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 7 6 Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 8 7 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 9 8 (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 11 10 figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.005252/201011 Acórdão n.º 3801004.893 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10865.002712/2010-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006
NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO
Não houve quebra de sigilo bancário, pois os extratos de contas correntes de depósito à vista foram entregues à fiscalização pela própria recorrente. Não há nenhuma prova, nem indiciária, de vício de vontade no ato de entrega dos extratos.
DECADÊNCIA
Com a apuração feitas pelas fiscalização do valor pago pela recorrente, para cobrar insuficiências em face da receita declarada, comprova-se pagamento de tributos sujeitos ao Simples federal, do período de janeiro a julho de 2005. Para tal período, aplica-se o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, com a consumação da decadência.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA
Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado. O que se constata nos autos, ausente, portanto, vício substancial. Com a inversão do ônus da prova, nada foi carreado aos autos pela recorrente, para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os depósitos não são representativos de receitas.
Numero da decisão: 1103-001.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores até julho de 2005.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006 NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Não houve quebra de sigilo bancário, pois os extratos de contas correntes de depósito à vista foram entregues à fiscalização pela própria recorrente. Não há nenhuma prova, nem indiciária, de vício de vontade no ato de entrega dos extratos. DECADÊNCIA Com a apuração feitas pelas fiscalização do valor pago pela recorrente, para cobrar insuficiências em face da receita declarada, comprova-se pagamento de tributos sujeitos ao Simples federal, do período de janeiro a julho de 2005. Para tal período, aplica-se o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, com a consumação da decadência. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado. O que se constata nos autos, ausente, portanto, vício substancial. Com a inversão do ônus da prova, nada foi carreado aos autos pela recorrente, para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os depósitos não são representativos de receitas.
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Não há nenhuma prova, nem indiciária, de vício de vontade no ato de entrega dos extratos. DECADÊNCIA Com a apuração feitas pelas fiscalização do valor pago pela recorrente, para cobrar insuficiências em face da receita declarada, comprovase pagamento de tributos sujeitos ao Simples federal, do período de janeiro a julho de 2005. Para tal período, aplicase o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, com a consumação da decadência. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado. O que se constata nos autos, ausente, portanto, vício substancial. Com a inversão do ônus da prova, nada foi carreado aos autos pela recorrente, para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os depósitos não são representativos de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores até julho de 2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 27 12 /2 01 0- 27 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 652 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 653 3 Relatório DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Tratase de autos de infração relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006 que exigem da recorrente os tributos e contribuições integrantes do Simples federal: IRPJ no valor de R$ 38.883,28, PIS de R$ 30.885,65, CSLL de R$ 46.062,71, Cofins de R$ 121.2288,96 e INSS de R$315.146,30, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, totalizando o crédito tributário de R$ 1.207.066,81. Isso, em virtude de supostas omissões de receita e insuficiência de pagamentos. Segue quadro demonstrativo: Diversas omissões de receita foram apuradas nos meses de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, mesmo após regular intimação da recorrente, que não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos e investimentos realizados junto a instituições financeiras. Aplicou a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada. Em decorrência das omissões referidas, a fiscalização também constatou a insuficiência de recolhimentos, haja vista o aumento da receita bruta e a consequente mudança de faixa do Simples federal. Os autos de infração foram aperfeiçoados em 11/8/10. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 554 a 563(e processo). Primeiramente, alegou a recorrente que os depósitos bancários não configuram como rendimento tributável, uma vez que, em tese, tributar a movimentação financeira é totalmente incabível. Procurou evidenciar, portanto, que a movimentação financeira, mesmo quando superior à renda declarada, não representam receita ou renda. Afirmou que tais depósitos apenas configurarseiam como receita ou renda se houvesse a comprovação do nexo causal entre o depósito e a renda. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 654 4 Assim, alegou que a mera movimentação bancária não dá ensejo ao fato gerador do IRPJ, uma vez que a movimentação financeira não deve ser confundida com rendimento tributável a título de IRPJ, haja vista a falta de materialidade. Não obstante, alegou que a multa aplicada não respeita o princípio da proporcionalidade em relação à infração cometida, configurandose, em tese, o caráter confiscatório. DA DECISÃO DA DRJ Em 21/08/2013, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, quanto a tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada, afirmou que via de regara, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador (presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Assim, conforme estabelece o art. 42 da lei 9430/1996, a presunção relativa do fisco admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Não obstante, evidenciou que a recorrente não trouxe aos autos comprovação da origem do numerário depositado em suas contas bancárias. Por fim, com relação à multa de 75%, disse que ela foi aplicada de acordo com os parâmetros legais, conforme o art. 44, I, da lei 9.430/1996. A questão do caráter confiscatório, portanto, não compete ao âmbito administrativo, por tratarse de exame de constitucionalidade de lei, sendo matéria exclusiva do poder judiciário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 613 a 633 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade, exceto quanto à irresignação sobre a multa por caráter confiscatório e sobre o endereçamento das intimações. Arguiu também o que a seguir se sintetiza. Primeiramente, disse que o direito de lançar impostos e obrigações integrantes do Simples dos períodos de janeiro a agosto de 2005 decaiu, haja vista que o prazo de cinco anos contados do lançamento por homologação, segundo a recorrente, passou a correr com a declaração desacompanhada de seus recolhimentos (teoria do auto lançamento). Não obstante, alegou a recorrente que a obtenção dos extratos bancários que embasaram os lançamentos tributários foi ilícita, gerando a nulidade do procedimento fiscal. Afirmou que o sigilo bancário do contribuinte não pode ser quebrado com base em procedimento administrativofiscal. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. É o relatório. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 655 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 611 e 638 do eprocesso). Dele, pois, conheço. De início, observo que, embora tenham sido lavrados autos de infração sob o regime do lucro arbitrado para o anocalendário de 2007, em que a materialidade se encontra expressa no mesmo Relatório Fiscal que integra os lançamentos em discussão aqui, aquelas exigências não foram incorporadas no presente feito – mas no processo administrativo nº 10865.002714/201016 (apenso ao processo da presente lide). Essa observação a faço, pois, para o arbitramento do lucro, houve o ato declaratório de exclusão do regime simplificado, que, se controvertido, deve ser julgado conjuntamente com o da exigência fiscal sob o regime do lucro arbitrado. Principio com o exame da preliminar de nulidade articulada pela recorrente, conforme descrito no relatório. Não houve quebra de sigilo bancário, pois os extratos de contas correntes de depósito à vista foram entregues à fiscalização pela própria recorrente. E não há nenhuma prova, nem indiciária, de vício de vontade no ato de entrega dos extratos, em resposta à intimação. Quanto à indispensabilidade de autorização judicial para a ruptura do sigilo bancário, cuidase de questão prejudicada, porquanto quebra desse sigilo não houve, como destacado acima. De todo modo, cuidase de questão que envolve a da inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Ainda que fosse o caso de ruptura do sigilo bancário, sabese que a questão de inconstitucionalidade da lei, para se afastar sua aplicação, constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2 (conforme consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10). Em tais termos, rejeito a preliminar de nulidade dos lançamentos. A recorrente invoca a consecução da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até agosto de 2005, na conformidade do art. 150, § 4º, do CTN. O aperfeiçoamento dos lançamentos se deu em 11/8/10, conforme fls. 3, 62, 77, 92 e 111. Recurso de 2013. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 656 6 Fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto com nenhum termo inicial algum previsto no CTN. Em suma, fazse necessária a existência de algum pagamento, para aplicação do prazo de homologação tácita do art. 150, § 4º, do CTN, contraface do prazo decadencial para o lançamento. Relembro que os lançamentos se aperfeiçoaram em 11/8/10. Nas fls. 477 a 494 (numeração do eprocesso) consta a declaração simplificada da pessoa jurídica – DJSI/06, na qual, na ficha 4A de janeiro a julho de 2005 figuram valores devidos de Simples em todos os meses – fls. 479 a 485 (eprocesso). Compulsando os autos, vejo que há a infração 002 nos autos de infração de Simples federal, por insuficiência de recolhimento. O “Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos” é unificado e só figura no instrumento do auto de infração de IRPJSimples (fls. 16 a 29). O valor devido apurado no “Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos”: a) é a diferença entre o valor calculado e o valor pago, conforme esse demonstrativo; e b) corresponde aos valores indicados na infração 002 dos autos de infração: de IRPJSimples, de PISSimples, de CSLSimples, de Cofins Simples e de INSSSimples (fls. 6, 52, 65, 80 e 95; no que interessa à questão em apreço, até julho de 2005). Fl. 656DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 657 7 Noto também que o valor pago indicado no “Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos” (unificado e que integra o instrumento do auto de infração de IRPJ Simples) é igual ao valor a pagar informados na ficha 4A da DJSI/06 (no que interessa aqui, até até julho de 2005), e os valores de receita bruta declarada desse demonstrativo são os mesmos da ficha 4A da DJSI/06. Diante desse quadro, com a apuração feita pela fiscalização do valor pago pela recorrente, para cobrar insuficiências em face da receita declarada (a infração “002”), fica comprovada a existência de pagamento dos tributos sujeitos ao regime simplificado, do período de janeiro a julho de 2005. É como entendo. Dessa forma, incide o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, com a concreção do fenômeno decadencial em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e julho de 2005. Nesses termos, sobre a questão da decadência dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos lançamentos relativos a fatos geradores do Simples federal consumados entre janeiro a julho de 2005. Passo ao exame do mérito em senso estrito. Lembro que, antes da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, havia a inclusive a Súmula 182 do antigo TRF que rechaçara a presunção de omissão de receitas em dissídio, por falta de nexo causal entre os créditos bancários e as receitas supostamente omitidas, baseando se a pretensão em mera presunção, o que colide com o art. 43 do CTN. Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica1. 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) Fl. 657DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 658 8 A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos ou créditos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 (reproduzido no art. 287 do RIR/99). Na ausência de um desses requisitos, fica derruída essa presunção legal, restando fulminada de nulidade a pretensão naquela apoiada. É como entendo. Verificando os autos, constato que houve a intimação para a comprovação da origem dos depósitos bancários individualizados (termo de verificação e de intimação de fls. 427 a 430). A individualização dos créditos se encontra no anexo dessa intimação – fls. 431 a 450. Nas fls. 342 a 366, consta a relação elaborada pelo autuante de depósitos excluídos. Não constam nos autos, comprovação da origem dos depósitos individualizados apresentada pela recorrente durante o procedimento fiscal. Os requisitos da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas encontram se presentes, não havendo vício que vitime a presunção aplicada. Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos ou depósitos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). No caso vertente, nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os depósitos não são representativos de receitas. Isso, mesmo com a instauração da lide. § 4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 658DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10865.002712/201027 Acórdão n.º 1103001.169 S1C1T3 Fl. 659 9 Sob essa ordem de razões, nego provimento ao recurso sobre a irresignação quanto à presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada. Nessa linha de considerações e juízo, dou provimento parcial para reconhecer a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores consumados de janeiro a julho de 2005. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de fevereiro de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 659DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10932.000285/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 85 /2 00 9- 68 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10932.000285/200968 Acórdão n.º 2801004.004 S2TE01 Fl. 79 2 Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativo ao anocalendário 2005, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 222.705,93. A infração apurada pela Fiscalização foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 48, e dos documentos de fls. 49, alegando, em síntese, que: · Não houve inércia de sua parte pois apresentou os extratos bancários que foram juntados no processo fiscal; · Também está em anexo cópia da procuração, que gerou os valores depositados; · Os valores depositados foram informados através do termos de quitação datado em 28/11/2006; · Os valores depositados na conta poupança, no Banco Nossa Caixa (fls 7/23), foram referentes a essas transações; · Com referência aos depósitos, o Banco não informa e nem entrega cópia dos cheques nominativos, impedindo assim apresentação dos nomes dos compradores; · As escrituras dos compradores se encontram anexadas no processo que corre na 7ª Vara de São Bernardo do Campo. · Requer, diante do exposto, o deferimento da impugnação, por tratar de provas comprobatórias e cristalinas. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 56/61, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Tratandose de procurador, a alegação de que os depósitos referemse a repasses de rendimentos deve ser corroborada com Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10932.000285/200968 Acórdão n.º 2801004.004 S2TE01 Fl. 80 3 os recibos e outros documentos hábeis emitidos em datas e valores compatíveis com os aludidos depósitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 24/10/2011 (fl. 64), o Interessado, representado por sua advogada, interpôs recurso voluntário de fls. 65/697, em 25/11/2011. Em sua defesa, reitera os argumentos expendidos na impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10932.000285/200968 Acórdão n.º 2801004.004 S2TE01 Fl. 81 4 expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Compulsandose os autos, verificase que o Aviso de Recebimento – AR da decisão da DRJ/SP2, por meio do qual o Recorrente foi intimado do acórdão recorrido, foi recebido em 24/10/2011, segunda feira (fl. 64). Assim, o Contribuinte poderia apresentar o recurso até 23/11/2011, quarta feira, entretanto só o fez em 25/11/2011, sextafeira, conforme comprova chancela de recebimento de recurso de fl. 65. Registrese que a Repartição Preparadora inclusive chegou a lavrar Termo de Perempção, à fl. 73. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13767.000682/98-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CARTA DE COBRANÇA.
Constatado por meio de diligência que o valor constante da carta de cobrança é indevido, deve-se cancelar a exigência.
Numero da decisão: 2201-002.686
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
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AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CARTA DE COBRANÇA. Constatado por meio de diligência que o valor constante da carta de cobrança é indevido, devese cancelar a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 06 82 /9 8- 72 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com pedido de compensação (fls. 01/02), relativo ao ILL (Imposto sobre o Lucro Liquido) em montante que, atualizado até aquela data, equivaleria a R$ 220.819,60, tributo que teria sido indevidamente recolhido por meio do DARF (fl. 03), em 30/04/1990. A referida compensação seria efetuada para liquidar o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ apurado na DIRPJ, anocalendário de 1997, com vencimento em 30/01/1998. A Delegacia da Receita Federal em Vitória ES indeferiu o pedido do contribuinte por meio do Parecer SEORT n° 1.673/2003 (fls. 64/65), em face de o pedido de restituição/compensação ter sido apresentado após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre a data do recolhimento do ILL (30/04/1990) e a data de protocolização do pedido (30/01/1998), consoante inciso I do art. 165 e inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN). O Parecer denegatório recomendou expressamente que o débito fiscal não extinto pela compensação fosse cobrado nos termos da IN SRF n° 210/2002. Em razão do despacho, foi emitida a Carta Cobrança n° 682/9872, no valor de R$ 220.819,60 (fls.66/67). Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 8 A interessada apresentou impugnação, às fls. 99/105, alegando que: "o pedido de restituição decorre do recolhimento de Imposto de Renda efetuado a título da retenção na fonte a qual estava sujeito o acionista, o sócio quotista e o titular de empresa individual, à alíquota de 8% (oito por cento), calculado com base no lucro líquido apurado pela pessoa jurídica no períodobase, na forma do disposto no art. 35 da Lei 7.713, de 22.12.1998, que foi suspenso, em parte, pela Resolução n° 82, de 18.11.1996, do Senado Federal, no que diz respeito à expressão "o acionista. ". 9 Continua, “... vem pela presente manifestação de inconformidade, se insurgir contra a nãohomologação do pedido de compensação e contra a cobrança em questão, já que, na prática, a compensação não chegou a ser efetivada, razão pela qual o débito é inexistente." 10 Transcreve o § 5o do artigo 17 da Lei 10.833/2003, que estabelece o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, e entende que "é ineficaz (já que intempestivo) o ato decisório que deixou de homologar a compensação, inobstante não ter sido, na prática, efetivada e ter sido integralmente recolhido o tributo que seria compensado, conforme demonstrado adiante, em razão do que o crédito objeto do pedido de restituição há que ser ressarcido em espécie (dinheiro) ao contribuinte e ora peticionário." 11 Finaliza, requerendo que "Não sendo julgado procedente o pedido imediatamente anterior, ... , então, seja tornado sem Fl. 458DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13767.000682/9872 Acórdão n.º 2201002.686 S2C2T1 Fl. 3 3 efeito a carta cobrança n° 682/9872, já que, como provado, não há débitos não pagos no anocalendário 1997 que possam ter sido compensados com o crédito objeto do pedido de restituição. " 12 Anexa cópia de documentos, às fls. 106/169. A 2ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI não conheceu da Manifestação de Inconformidade, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO A propositura de ação judicial importa em renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. CARTA COBRANÇA Refoge à competência das Delegacias da Receita Federal de JulgamentoDRJ, apreciação de matéria concernente à carta de cobrança. Impugnação não Conhecida Relativamente à decisão supra, destacase: 16 Apesar de o pedido de restituição em causa ter sido formalizado por via administrativa e, ter sido denegado pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, sob o fundamento de que o direito creditório argüido pelo contribuinte teria sido alcançado pelo prazo decadencial de que trata o art. 168 do CTN, verificase que a interessada havia ajuizado anteriormente, com o mesmo objeto, Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica cumulada com Pedido de Compensação, fls.21/48, (processo judicial n° 91.00030181, da 2a Vara da Justiça Federal do Espírito Santo), conforme item 2 do relatório. 17 Examinando as cópias das referidas peças processuais verificase que o presente processo administrativo, cuida exatamente do mesmo objeto, já apreciado pelo Poder Judiciário, havendo neste processo uma única inovação, qual seja: o Pedido de Compensação com o IRPJ do ano calendário de 1997, (fl. 02). (...) 19 Nestas condições, e em face da supremacia hierárquica da esfera judicial, tomase prejudicada a manifestação de inconformidade em face do disposto no § 2o do artigo Io do Decretolei n° 1.737, de 1979, e do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830. de 1980, e Portaria MF n° 258 de 24/08/2001, a propositura de ação judicial por parte da contribuinte importa em renúncia ou desistência da via administrativa, entendimento esse contido no Ato Declaratório COSIT, acima citado. 20 Assim sendo, VOTO PELO NÃO CONHECIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em face da Fl. 459DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ocorrência de concomitância entre o presente processo administrativo e a ação judicial impetrada, na qual se discute o mesmo objeto. Intimado da decisão de primeira instância em 25/07/2004 (fl. 179), Metalosa Indústria Metalúrgica S/A apresenta Recurso Voluntário em 02/08/2004 (fls. 182/186), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Manifestação de Inconformidade, sobretudo: a decisão recorrida sequer apreciara ponto "fundamental e independente" da impugnação, sob a justificativa de que a matéria teria sido submetida ao Judiciário, qual seja, o fato de a compensação não ter sido efetuada, "conforme provam os documentos"; os pedidos simultâneos de restituição e compensação foram formulados de forma equivocada, porquanto imaginara que para ter o reconhecimento do seu direito ao crédito ela tivesse de apresentar tais pedidos de forma simultânea. Sendo assim, tendo sido negada a compensação, a autoridade fiscal entendeu devido o valor que supostamente teria sido compensado pela contribuinte, o qual, indevidamente, passou a ser alvo de cobrança. Reitera, assim, que não persiste débito do IRPJ que teria sido apurado na DIRPJ do anocalendário de 1997, cuja declaração anexa por cópia, porquanto todo o imposto apurado fora recolhido através dos DARFs anexados à "Manifestação de Inconformidade" (documentos 05/08 fls. 168/169); conforme ficou demonstrado, não havia imposto devido a compensar, não existindo, portanto, valor a ser cobrado em decorrência de a compensação pleiteada de forma equivocada ter sido negada; tais fatos poderão ser constatados mediante a realização de diligência ou perícia fiscal, possibilitando a reforma da decisão recorrida para tornar sem efeito a cobrança do IRPJ ora contestado. O processo em apreço foi julgado em 13/09/2005 e os membros da extinta Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 102 02.238, decidiram converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nessa ótica, temse que o processo não reúne condições de ir a julgamento sem que sejam efetuadas as verificações diligenciais requeridas pela recorrente, porquanto, se for procedente a alegada inexistência do IRPJ objeto da cobrança em causa, o litígio estará solucionado. Por esses motivos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, devendo a autoridade fiscal encarregada da sua realização fazer as seguintes averiguações: 1. confirmar a autenticidade dos DARFs de fls. 168 e 169, bem como a efetividade do seu recolhimento; 2. informar, mediante a elaboração de quadro demonstrativo, se referidos pagamentos teriam sido suficientes para liquidar integral ou parcialmente o IRPJ devido no exercício de 1998, Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13767.000682/9872 Acórdão n.º 2201002.686 S2C2T1 Fl. 4 5 anocalendário de 1997, conforme alega a contribuinte na impugnação e no recurso voluntário; 3. verificar nos registros contábeis fiscais da diligenciada se a DIRPJ apresentada, por cópia, às fls. 130/167, exprime a realidade dos fatos, e também se essa declaração é cópia fiel da que foi entregue à Secretaria da Receita Federal. Efetuadas as verificações requeridas, necessárias ao esclarecimento das questões levantadas pela recorrente, e em homenagem ao basilar princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário, dêse ciência do resultado da diligência à interessada para, querendo, manifestarse a respeito, no prazo de 20 (vinte) dias. É como voto. Sala das Sessões DF, em 13 de setembro de 2005. Concluída a diligência, a fiscalização pronunciouse por meio de Informação Fiscal às fls. 366/367. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Com visto do relatório, tratase de pedido de restituição cumulado com pedido de compensação (fls. 01/02), relativo ao ILL (Imposto sobre o Lucro Liquido) em montante que, atualizado até aquela data, equivaleria a R$ 220.819,60. A referida compensação seria efetuada para liquidar o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ apurado na DIRPJ, ano calendário de 1997, com vencimento em 30/01/1998. Em seu apelo, alega a suplicante que os pedidos simultâneos de restituição e compensação foram formulados de forma equivocada. Assevera que não existe o débito atinente ao IRPJ apurado na DIRPJ do anocalendário de 1997, já que todo o imposto apurado fora recolhido por meio dos DARFs anexados à Manifestação de Inconformidade às fls. 168/169. Pois bem, relativamente ao pedido de restituição, verificase que a matéria foi objeto do Processo n° 91.00030181, Ação Ordinária Declaratória cumulada com Pedido de Repetição de Indébito (fls. 21/35), entretanto, em 23 de janeiro de 1996 o Juiz Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo julgou improcedente o pedido (fls. 21/48). Assim, como a matéria foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, a contribuinte renunciou à esfera administrativa e, consequentemente, resta afastada a competência do órgão julgador administrativo para apreciar a mesma matéria, consoante dispõe a Súmula CARF nº 01: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto ao pedido de compensação, alegou a contribuinte que não existe o débito atinente ao IRPJ apurado na DIRPJ do anocalendário de 1997, já que todo o imposto apurado fora recolhido por meio dos DARFs de fls. 168/169. Em razão da alegação supra, os membros da extinta Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 10202.238, decidiram converter o julgamento em diligência, para verificar a existência ou não do débito de IRPJ devido, anocalendário 1997, objeto de cobrança por meio da Carta Cobrança n° 682/9872, no valor de R$ 220.819,60 (fls.66/68). Em cumprimento à diligência, o Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória, concluiu o seguinte (fls. 366/367): Conclusão 7. De acordo com o exposto, ficam comprovados os recolhimentos e as compensações que liquidam integralmente o IRPJ devido no anocalendário 1997. À consideração superior. Vitória, 23 de outubro de 2012 Pelo que se vê, a conclusão da autoridade fiscal foi no sentido de que não havia débito de IRPJ relativo ao anocalendário 1997. Assim sendo, deve ser cancelada a Carta Cobrança n° 682/9872, no valor de R$ 220.819,60 (fls.66/68). Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso, na parte concomitante com ação judicial e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso para cancelar a Carta Cobrança n° 682/9872, no valor de R$ 220.819,60. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 462DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10630.001461/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 61 /2 00 9- 83 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória, prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontada, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, para as competências 03/2004 a 10/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), a empresa deixou de contabilizar cada obra de construção civil, por matricula CEI, em uma conta especifica, e de ter efetuado, de forma englobada, lançamentos que são fatos geradores de contribuições sociais, deixando assim de permitir a identificação, clara e precisa, das rubricas integrantes e das não integrantes do salário de contribuição, conforme demonstram cópias do Livro Razão, anos 2004 e 2005, acostadas aos autos as fls. 07/21. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 25/28), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento sob o fundamento de que a fiscalização compreendeu período distinto daquele conStante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. Aduz que o citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que mantém em dia sua contabilidade, revestida das formalidades legais e aplicação dos princípios contábeis geralmente aceitos, não se encontrando documentos apócrifos que dêem causa a fato gerador de tributo. Afirma que todos os documentos foram entregues 6. fiscalização e que, como se pode perceber pelas cópias acostadas aos autos, seus livros contábeis foram escriturados em conformidade com os princípios e normas contábeis vigentes; 3. Assegura que a contabilização de forma englobada não gerou necessidade de aferição indireta das bases de calculo de contribuições e que não houve ausência de lançamentos ou base de cálculo diferenciada; 4. Diz que em nenhum momento prejudicou o trabalho da fiscalização, negando informações ou deixando de apresentar documentos que lhe foram exigidos, tendo inclusive entregue o sistema integrado de coleta (Sinco) arquivos contábeis, nos parâmetros determinados pela legislação vigente; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001461/200983 Acórdão n.º 2402004.563 S2C4T2 Fl. 3 3 5. Ressalta que não há qualquer outro livro contábil auxiliar obrigatório em nosso ordenamento jurídico, porque se houvesse seria escriturado e apresentado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.393 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 67/71) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.393 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 67/71) – em 25/03/2011 (sexta feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001461/200983 Acórdão n.º 2402004.563 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.000422/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente designado para formalização de acórdão.
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente designado para formalização de acórdão. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 00 42 2/ 20 05 -8 6 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário submetido à apreciação deste Colegiado, interposto em face do Acórdão nº 1015.861, sessão de 14/05/2008 (fls. 287/293), proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre – RS, que indeferiu a solicitação da Recorrente para compensar seus débitos de CSLL sobre base de cálculo estimativa (cód. 2484) dos mesescalendários de jan. a jun./2004 (fls. 05/06, 10) com créditos decorrentes do saldo negativo dessa contribuição, anocalendário 2003 (fls. 01/04). Conforme Pedido de Ressarcimento ou Restituição (fls. 01/04), formalizado pela Recorrente em 10/02/2005, os créditos correspondem ao valor original de R$433.684,92 que atualizado pela taxa SELIC 3,73% equivale a R$449.861,37 que, no entender da Recorrente, são suficientes para quitar os débitos das parcelas estimativas de CSLL dos meses acima mencionados, a saber: DCOMP (fls. 05/06, 09/,) CSLL cód. 2484 Período apuração Vencimento Valor a compensar Parcela estimativa Jan./2004 27/02/04 23.661,99 Parcela estimativa Fev./2004 31/03/04 46.713,66 Parcela estimativa Mar./2004 30/04/04 92.395,99 Parcela estimativa Abr./2004 31/05/04 84.112,29 Parcela estimativa Mai./2004 30/06/04 107.661,70 10663.19228.140504.1.3.033280 33681.44068.160704.1.3.033807 00762.27544.300604.1.3.039561 14241.71318.310504.1.3.039346 Parcela estimativa Jun./2004 30/07/04 102.170,08 O pleito da Recorrente foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do SUL – RS, nos termos do Despacho Decisório DRF/CXL nº 217, de 17/07/2007, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa: Compensação não homologada por inexistência do crédito informado. Compensação não homologada. A autoridade fiscal fundamentou sua decisão nos seguintes pontos: a) As estimativas da CSLL dos meses de jan. a jul/2003 e parcialmente de ago./2003 foram declaradas em DCTF (fls. 29/38) com a informação de que referidos débitos foram compensados vinculados à DCOMP nº 05757.26864.130804.1.3.033961, examinados no Processo nº 11020.000423/200521; b) As compensações das estimativas da CSLL do valor remanescente de ago/2003, set. e out./2003 foram vinculadas ao crédito oriundo do processo judicial nº 87.00005444; c) As compensações objeto do citado Processo nº 11020.000423/200521 não podem compor o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2003, vez que não foram homologadas, conforme Despacho Decisório DRF/CXL nº 199, de 10/07/2007 (fls.59/62), inclusive não há quitação do débito feito pela Recorrente em data posterior; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 4 3 d) Quanto às compensações declaradas com base em créditos reconhecidos judicialmente nos autos do Processo nº 87.00005444, a Recorrente não poderia deles se beneficiar por três razões principais: à época das compensações, os créditos judiciais não se revestiam de liquidez e certeza, exigência do art. 170A do CTN; os referidos créditos foram adquiridos de terceiro, por Cessão de Direito feito pela empresa Cia. Hering, com substituição processual em nome da Recorrente (fls. 39/41), vedada sua utilização para compensação de débitos tributários pelo art. 170 do CTN, e Instruções Normativas SRF nºs 41, de 2000 (art. 1º) e 210, de 2002 (art. 30); nos termos do despacho exarado naqueles autos, em sede de Agravo de Instrumento (fls. 42), a verba correspondente não tem natureza de crédito tributário, mas de uma indenização substitutiva imposta coercitivamente à União, cuja compensação baseada nessa verba contraria as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. c) Considerando que não foram homologadas as compensações dos débitos vinculados aos mencionados créditos judiciais, referidas dívidas das estimativas da CSLL de jan. a jun./2003, foi cobrada mediante formalização de Auto de Infração de que trata o Processo nº 11020.003072/200348, de acordo com o extrato do Sistema PROFISC (fls. 73/75). Notificado da r. decisão (fls. 83/84), a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 86/122), anexando farta documentação (fls. 123/240). Em sua defesa, argüiu o que segue: a) A legislação tributária, com destaque para o art. 222 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999 (RIR/1999), o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, e os arts. 35, inciso II, e 44, da IN SRF nº 390, de 2004, autoriza a compensação de saldo negativo de CSLL apurada nas declarações do contribuinte; b) No presente processo, o saldo negativo decorreu das parcelas estimativas compensadas em valor superior à CSLL devida ao final do anocalendário de 2003, mediante a utilização dos créditos judiciais discutidas administrativamente nos autos do Processo nº 11020.000037/2003 77, que ainda está pendente de julgamento, face à interposição de recurso especial. A Recorrente alegou o incidente de prejudicialidade lógica, pois na hipótese de o recurso ser julgado favoravelmente a ela, a decisão influenciará o julgamento da matéria deste contencioso administrativo; c) Para justificar a legitimidade do saldo negativo, a Recorrente demonstrou a origem dos créditos que suportaram as compensações, bem como os fatos ocorridos acerca da não homologação da compensação das parcelas estimativas da CSLL, vinculadas ao dito crédito; d) Em Ação Ordinária Declaratória, a Cia. Hering requereu a diferença do créditoprêmio de IPI do período de 01/04/1981 a 30/04/1985. Somente em sede de Embargos de Declaração, o TRF/1ª Região julgou procedente o pedido com relação aos fatos geradores ocorridos entre 19/12/1981 a 30/04/1985, determinando fosse calculada na forma do DecretoLei nº 491, de 1969 e do Decreto nº 64.833, de 1969, sem as exclusões e reduções previstas nas Portarias MF nºs 78, 89 e 292, de 1981; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 5 4 e) Ao final, em julgamento ao Recurso Especial interposto, o STJ reformou o r. acórdão do TRF/1ª Região, para declarar que o termo inicial dos juros de mora (1% ao mês) é o trânsito em julgado da decisão, observado o § 1º, art. 161 e parágrafo único, art. 167 do CTN. Com relação à correção monetária do crédito prêmio, é cabível e a conversão das exportações deveria ser feita pela taxa de câmbio em vigor no dia em que efetuado o crédito, observado o prazo prescricional qüinqüenal; f) O trânsito em julgado da decisão foi certificado em 04/10/2002. Após este fato, a titular dos créditos, Cia Hering, requereu a substituição processual pleiteando a admissão da Recorrente (cessionária) no pólo ativo da ação, a qual foi aceita nos termos da decisão interlocutória datada de 16/10/2002; g) A União ingressou com Agravo de Instrumento, sendolhe negado efeito suspensivo, assim como os demais recursos intentados, até última instância, com acórdão publicado em 25/06/2007; h) Com a certificação do trânsito em julgado, não restam dúvidas de que a titularidade dos créditos pertence à Recorrente, que preferiu não efetuar a execução, optando por requerer a restituição dos créditos para compensação dos débitos tributários, instruindo o pedido nos termos do art. 17, §§ 1º e 2º das IN SRF nºs 21 e 73, ambas de 1997; i) Colacionou jurisprudência dos Tribunais, com o entendimento de que “ocorrido o trânsito em julgado da decisão que determinou a repetição do indébito, é facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação, uma vez que ambas as modalidades constituem formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação.” (REsp 509585/MG, DJ 05/12/2006, p. 244). Não há que se falar em desistência da ação de execução, vez que não ajuizado qualquer pedido; j) Quando da formalização do pedido na Receita Federal, a Recorrente já estava investida da condição de titular dos créditos, e já havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão (04/10/2002), não assistindo razão a alegação de que os créditos não gozavam de liquidez e certeza, como exigido pelo art. 170A do CTN; k) O art. 74, da Lei nº 9430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, no qual foi fundamentada a não homologação das compensações, apenas faz menção a “crédito” sem dispor sobre sua natureza, se tributária ou indenizatória. O dispositivo autoriza o sujeito passivo à compensação de débitos tributários com créditos que apurar, inclusive judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal; l) Não existe óbice legal para a transferência da titularidade do crédito e, no caso dos autos, a transferência se deu por instrumento particular de cessão de direito, de conformidade com o inciso II do art. 567 do CPC, devidamente homologada pelo Juiz da causa (fls. 42). Assim, não restando dúvidas sobre a legitimidade do direito da Recorrente, esta tem a opção de promover a execução judicial (art. 547, inciso II, do CPC), ou de pleitear, administrativamente, sua utilização para compensação de débitos tributários, encaixandose perfeitamente na regra do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; m) Não se aplica ao presente caso o disposto no art. 123 do CTN, visto que trata de transferência da obrigação tributária de pagar tributo; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 6 5 n) Contra a Recorrente foi lavrado Auto de Infração, com a formalização do Processo nº 11020.003072/200348, para a exigência dos débitos tributários, cuja compensação pleiteada no Processo nº 11020.000037/200377 não foi homologada, sob a justificativa de que não tendo sido aceitos os créditos (de terceiros), não poderiam ser consideradas quitadas as estimativas da CSLL e, portanto inexistente o saldo negativo da respectiva contribuição; o) É descabida a autuação, considerando que a Recorrente instaurou o contencioso administrativo, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade questionando a decisão que não homologou as compensações, restando suspensa a exigibilidade dos referidos débitos, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; p) Diante de tal fato, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança, autuado sob o nº 2004.71.0048792, sendolhe negada a segurança. Contudo, em sentença, foi ordenado o prosseguimento dos procedimentos de cobrança condicionados ao desfecho dos recursos administrativos interpostos pela Recorrente no Processo nº 11010.000037/200337. Dessa decisão judicial, a Recorrente ingressou com o recurso de Apelação no TRF/4ª Região, que à data da formulação destas razões de defesa encontravase aguardando julgamento; q) Desta forma, a exigência tributária somente poderia ocorrer quando houvesse o trânsito em julgado da decisão proferida no processo administrativo que deixou de homologar as compensações; r) Além disso, os débitos objeto de compensação encontramse declarados em DCTF e, por se tratar de instrumento hábil, a dívida ali confessada está sendo cobrada, por meio da Carta Cobrança n. 150/2007/ARF/SORAC/BGS, constituindose em cobrança em duplicidade; s) À guisa de sua defesa, a Recorrente colacionou farta jurisprudência administrativa e dos Tribunais. Ao final, requereu: (i) fosse recebida a Manifestação de Inconformidade, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário vinculado, até decisão final, com a conseqüente desconsideração da Carta Cobrança; (ii) o seu total provimento, considerando que está comprovada a liquidez e certeza dos créditos à vista do trânsito em julgado da decisão judicial; (iii) a homologação das compensações dos débitos, nos termos do art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002, c/c arts. 106, inciso I e 156, inciso II, do CTN; ( iv) seja sustado o julgamento do presente processo até que o de nº 11020.000037/200377 tenha decisão definitiva; (v) seja provado o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. A matéria foi julgada em primeira instância pela 1ª Turma da DRJ/POA, em sessão de 14/05/2008, decidindo aquele colegiado, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da Recorrente. A decisão está consubstanciada no Acórdão nº 1015.861 (fls. 287/293), resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO CONTRA A FAZENDA. É condição para compensação de créditos contra a Fazenda Pública a sua liquidez e certeza. Se as parcelas da estimativa que originaram o saldo negativo da CSLL não foram extintas, dado o indeferimento da sua Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 7 6 compensação, inexiste o direito creditório pleiteado e, por conseqüência, o direito à compensação. CARTACOBRANÇA. EXIGÊNCIA DE DÉBITOS. RECLAMAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO PELAS DRJ. A apreciação de inconformidade do contribuinte sobre cobrança de débitos por ele confessados, e formalizada em cartacobrança, foge à competência das DRJ. Solicitação Indeferida. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 302/349), argüindo em sua defesa os mesmos fundamentos de fato e de direito apresentados na impugnação. Ao final, requereu: a) seja recebido o Recurso Voluntário, suspendendose a exigibilidade dos créditos tributários vinculados ao processo até que seja proferida decisão definitiva, bem como, seja desconsiderada a Carta Cobrança nº 068/2008/ARF/Sorac (fls. 297/298), para ao final darlhe provimento; b) a reforma da decisão recorrida de primeira instância, considerando que ficou comprovado ser o crédito líquido, certo e plenamente exigível, originário de ação, cuja decisão transitou em julgado; c) a homologação na totalidade das compensações pleiteadas, nos termos dos arts. 106, inciso I e 156, inciso II, ambos do CTN, e do art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, pois a compensação de débitos tributários é meramente declaratória, que no caso de homologação definitiva das compensações discutidas no Processo nº 11020.000037/200377, pode tornar sem efeito a homologação das compensações examinadas no presente processo; d) seja sustado o julgamento deste contencioso administrativo até o desfecho do Processo nº 11020.000037/200377; e) a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, a juntada dos extratos dos processos formalizados em nome da Requerente, que estão em tramitação, especialmente do Processo nº 11020.000037/200377, de forma a comprovar que este ainda tramita na repartição. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheiro José Ricardo da Silva O recurso é tempestivo e reúne as condições para sua admissibilidade. A matéria tributária posta para reexame nesta instância recursal diz respeito à compensação de débitos tributários da Recorrente (fls. 05/18), com o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003. As justificativas apresentadas pela autoridade julgadora a quo sobre a matéria de mérito, foram no sentido de que as referidas parcelas estimativas da CSLL não poderão ser consideradas para fins de apuração do saldo negativo da contribuição, no anocalendário 2003, vez que não foram extintas, quer pelo pagamento, quer pela ulterior homologação das compensações. A seguir transcrevo excertos do Voto condutor do acórdão recorrido: Quanto ao mérito, a questão central do litígio repousa em se saber se as parcelas do imposto devido por estimativa no anocalendário foram ou não liquidadas, de modo a serem consideradas para efeito de apuração do saldo negativo anual da CSLL de 2003. No tocante às parcelas dos meses de janeiro a julho e parte de agosto de 2003, vejo que as mesmas foram objeto de compensação no processo nº 11020.000423/200521,compensação esta indeferida pela autoridade administrativa em decisão mantida por esta Turma na sessão de 13/03/08. Não houve, assim, homologação do crédito tributário, não havendo que se cogitar no seu pagamento ou extinção, e, portanto, de sua restituição ou compensação. Em relação às demais parcelas da estimativa, informa o contribuinte terem sido liquidadas com restituição de créditos tributários requerida no processo nº 11020.000037/200377. Ocorre que a restituição foi negada pela autoridade administrativa, conclusão acompanhada pela Delegacia de Julgamento e cujo recurso voluntário não foi provido pelo Conselho de Contribuintes, conforme se pode verificar na página da internet daquele colegiado (www.conselhos.fazenda.gov.br): ( ... ) Quanto aos argumentos declinados pela autoridade administrativa e pela manifestante acerca da procedência da compensação amparada no créditoprêmio do IPI, entendo não guardar correlação com a discussão neste processo, posto que esta questão está sendo examinada no processo 11020.000037/200377 e já foi superada em dois julgamentos administrativos, não cabendo sua apreciação neste processo, onde é preciso apenas saber se as estimativas devidas no ano foram ou não extintas em valor maior que o devido, condição inafastável para deferimento da compensação. E no caso, está demonstrado não ter havido liquidação destas parcelas, motivo suficiente para indeferimento do pedido. O litígio está centrado na existência ou não de saldo negativo de CSLL, a exigir do julgador administrativo o reconhecimento ou não do direito creditório, no valor de R$433.684,92 que foi apurado pela empresa recorrente em sua DIPJ, anocalendário 2003 (fls. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 9 8 21/28), em decorrência das parcelas estimativas mensais da CSLL terem sido apuradas em total superior à contribuição devida ao término do período (ajuste anual), como segue: DIPJ/2003 – Valores extraídos da Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa Mês calendário 01. Base de Cálculo da CSLL 02. CSLL Apurada (9,0%) 04. () CSLL Devida em meses anteriores 07. CSLL a Pagar Jan./03 339.712,30 30.574,11 Fev./03 373.202,99 33.588,27 Mar./03 690.237,41 62.121,37 Abr./03 790.296,79 71.126,71 Mai./03 1.965.228,27 176.870,54 Jun./03 1.217.846,18 109.606,16 Jul./03 1.247.159,45 112.244,35 Ago./03 1.503.974,35 135.357,69 Set./03 1.269.629,31 114.266,64 Out./03 1.764.385,43 158.794,69 Nov./03 8.013.445,28 721.210,08 1.004.550,53 283.340,45 Dez./03 6.342.951,17 570.865,61 1.004.550,53 433.684,92 De acordo com a DIPJ, exercício 2004, anocalendário 2003, a Recorrente apurou a CSLL pelo regime do lucro real anual sobre bases de cálculo estimadas (fls. 21/28), nos termos dos arts. 221 e 222 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Na Ficha 17 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO foram declarados os seguintes valores: 30. BC antes compens. BC negativa do próprio per. Apur.6.342.951,17 31. () Atividade em geral 0,00 32. () Atividade rural 0,00 33. BC antes da comp. De BC neg. de períodos anteriores6.242.951,17 34. () BC neg. da CSLL per. Ant. – ativ. em geral 0,00 35. () BC neg. da CSLL per. Ant. – ativ. Rural0,00 36. CÁLCULO DA CSLL6.242.951,17 37. Contribuição social sobre lucro líquido por ativ. 570.865,61 CÁLCULO DA CSLL 38. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Total 570.865,61 DEDUÇOES 39. () Recuperação de crédito de CSLL(MP 1.807/99 art. 8º) 0,00 40. () Bônus de adimplência Fiscal (Lei 10.637/02 art. 38)0,00 41. () CSLL mensal paga por estimativa1.004.550,53 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 10 9 42. () Parcel. formal. de CSLL sobre base cal. estimada 0,00 43. () Imp. pago no ext. s/lucros, rend. ganhos de capital 0,00 44. () CSLL retida fonte por órgão público 0,00 45. () CSLL retida fonte por outras PJ (Lei 10.833/03)0,00 46. () CSLL retida fonte p/ Est., DF e Munic. (Lei 10.833/03)0,00 47. () CSLL retida fonte p/ ent. Administr. Pub. Fed. (Lei 10.833/030,00 48. CSLL a pagar 433.684,92 49. CSLL a pagar de SCP0,00 50. CSLL sobre dif. entre custo orçado e custo efetivo 0,00 51. CSLL postergada de períodos apuração anteriores 0,00 As estimativas mensais foram objeto de compensações com saldo negativo da CSLL do anocalendário anterior (2002) e com créditos judiciais, cujas compensações não foram homologadas pela autoridade administrativa em razão de não restar conhecidos os créditos a elas vinculados, conforme informações extraídas do Despacho Decisório DRF/CXL nº 217, de 2007 (fls. 76/78). Segundo consta do processo, a recorrente promoveu compensações em cadeia, compensando as estimativas de 2003 com saldo negativos da CSLL de 2002; e estimativas de 2004 com saldo negativos da CSLL de 2003. Relativamente a este contencioso administrativo, temse em resumo que: de acordo com a DCTF (fls. 29/36) as compensações das estimativas dos meses de jan. a jul./2003 e parte da estimativa de ago./2003 constam da DCOMP nº 05757.26864.130804.1.3.033961 como compensadas com o saldo negativo da CSLL apurado em 2002, tendo sido examinadas no Processo nº 11020.000423/200521 (fls. 71/72). Por não terem sido homologadas as referidas compensações (fls. 59), os débitos das estimativas de jan. a jul./2003 foram cobrados mediante lavratura de Auto de Infração, de que trata o Processo nº 11020.003072/200348 (fls. 73/75), a saber: DEMONSTRATIVO DAS ESTIMATIVAS 2003 cujas compensações não foram homologadas Período Apuração CSLL lançada Natureza do Crédito Jan./2003 30.574,11 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Fev./2003 33.588,27 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Mar./2003 62.121,37 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Abr./2003 71.126,71 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Mai./2003 176.870,54 AI – Processo nº 11020.003072/200348 Jun./2003 109.606,16 AI – Processo nº 11020.003072/200348 T O T A L 483.887,16 Também foram informadas na DCTF (fls. 36/38) as estimativas da CSLL de ago. a out./2003, como tendo sido compensadas com créditos judiciais de que trata o Processo nº 87.00005444. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 11 10 As estimativas compensadas com os créditos judiciais, também não foram homologadas, a considerar que o Processo nº 11020.000037/200377 chegou à instância especial, confirmandose a decisão a quo sobre o não reconhecimento dos mencionados créditos, para fins de compensálos com débitos tributários, na forma prescrita no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Os respectivos débitos da CSLL foram transferidos para o Processo nº 13016.000527/200520 (PROFISC fls. 65 e 69). A CSLL anual, informada em DIPJ do exercício de 2004 foi de R$570.865,61 (fls. 28), restando certo que há uma pequena diferença de contribuição, que corresponde a parte da parcela estimativa de jul./2003; Assim, o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2003, não se confirmou, considerando que as respectivas parcelas estimativas não tiveram suas compensações homologadas em razão de o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2002, a que estavam vinculadas, também não restou comprovado (Processo nº 11020.000423/200521). A legislação do Imposto de Renda aplicável na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (Lei nº 9.430, de 1996, art. 28) prevê que os valores efetivamente pagos calculados sobre a base de cálculo estimada mensalmente, no transcorrer do ano calendário, podem ser deduzidos do valor de CSLL apurado anualmente (ajuste). Conforme já demonstrado, os valores das parcelas estimativas da CSLL, dos meses calendário jan. a jun./2003, no importe de R$483.887,16, estão sendo cobradas no Processo nº 11020.003072/200348 (fls. 73/74), por não terem sido homologadas as respectivas compensações com o saldo negativo da CSLL do anocalendário anterior. Deduzido esse total da CSLL anual declarada na DIPJ, anocalendário 2003, no valor de R$570.865,61, restará uma diferença de contribuição no valor de R$86.978,45 que também deve ser objeto de cobrança. Com efeito, não se comprovando o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2003, informado na DIPJ desse exercício, não há crédito que garanta a compensação das parcelas estimativas da CSLL dos mesescalendários de 2004 e, à vista dos fatos, fica prejudicado o exame das alegações da Recorrente sobre o incidente de prejudicialidade de julgamento do presente processo antes do desfecho do contencioso administrativo sobre a legitimidade dos créditos judiciais, instaurado no Processo nº 11020.000037/200377. A recorrente alega também a cobrança em duplicidade das parcelas estimativas da CSLL, anocalendário 2003. Com a razão a Recorrente. A legislação tributária estabelece que encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL, a exigência de recolhimento por estimativa deixa de ter o seu efeito, prevalecendo a exigência do imposto e da contribuição efetivamente devidos, apurados com base no lucro real anual, já que consumada a ocorrência do fato gerador anual (inteligência do art. 6º e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996). No presente processo temse de um lado, a cobrança das estimativas da CSLL não homologadas, mesescalendário de jan. a jun./2003, mediante lançamento de ofício, sendo a cobrança dos respectivos valores feita com observância da CSLL apurada na DIPJ, ano calendário 2003. De outro lado, há a Carta Cobrança nº 048/2008/ARF/SORAC (Processo nº 11020.000423/200521 – fls. 302/303), incluindo os débitos das estimativas de jan. a ago/2003, Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 12 11 registrados no Profisc para acompanhamento dos débitos de acordo com o Extrato do Processo 11020.000423/200521 (fls. 71/72). Os débitos das estimativas de ago./2003 (diferença) e de set. e out./2003 foram cadastrados no Profisc e constam como transferidos do Processo nº 11020.000037/200377 (Extrato do Processo fls. 65) para o Processo nº 13016.000527/200520 (Extrato do Processo fls. 69). A autoridade preparadora não deve submeter à cobrança os débitos mencionados na Carta Cobrança em comento, sob pena da sua exigência em duplicidade e se constituir em enriquecimento sem causa da União. Nesse particular, a autoridade julgadora de primeira instância considerou que o assunto não é da competência da Delegacia de Julgamento, tendo assim se manifestado: No tocante à reclamação de que créditos suspensos estariam sendo indevidamente exigidos, bem assim que haveria duplicidade de cobrança de algumas parcelas, entendo não deter a Delegacia de Julgamento competência para apreciação da reclamação, a teor do art. 174 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal e do art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, cabendo à autoridade preparadora a análise das alegações do contribuinte para, se for o caso, cancelar ou sustar a cobrança dos débitos apontados.Registro, neste aspecto, que o contribuinte dirigiu, após a manifestação de inconformidade, pedidos nestes termos para o Agente da Receita Federal em Bento Gonçalves (fls. 221 a 228) e para o Delegado da Receita Federal do Brasil (fls. 219 a 239). A contrário senso, entendo que ao julgador administrativo compete examinar e julgar os atos administrativos a vista das alegações apresentadas e do conjunto probatório, de modo a que a decisão proferida reflita a melhor exegese da legislação tributária e que seus efeitos sejam no sentido de produzir a justiça fiscal. Ao órgão preparador compete dar cumprimento ao que for decidido, embargando o acórdão se assim entender cabível, nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão.(g.n) CONCLUSÃO Por fim, o saldo negativo de CSLL em litígio nestes autos é constituído por estimativas vinculadas a processos administrativos ou judiciais. Para além disso, a recorrente informa ter proposto ação judicial para questionar providências administrativas em face de parte daquelas estimativas. Considerando o tempo transcorrido desde as apurações fiscais e tendo em conta a possibilidade dos processos administrativos ou judiciais referidos acima relatados já terem Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000422/200586 Resolução nº 1101000.041 S1C1T1 Fl. 13 12 alcançado decisão definitiva, ou mesmo terem sido objeto de desistência por parte do sujeito passivo, para melhor julgamento da lide o presente processo deve ser convertido em diligência para que autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte informe a situação atual dos processos administrativos e judiciais que interferem na liquidação das estimativas que integram a composição do saldo negativo aqui em litígio. Ao final dos trabalhos deverá ser produzido relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo, facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE – Relatora ‘ad hoc’ designada para formalização de acórdão. Ressalto que não estou vinculado ao conteúdo dessa decisão. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.015633/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN).
Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Consta da peça fiscal, que relativamente ao ano de 2002, a ciência do Auto de Lançamento ocorreu em 20/11/2007, portanto, não há que se falar em decadência.
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Consta da peça fiscal, que relativamente ao ano de 2002, a ciência do Auto de Lançamento ocorreu em 20/11/2007, portanto, não há que se falar em decadência. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Recurso Negado
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Consta da peça fiscal, que relativamente ao ano de 2002, a ciência do Auto de Lançamento ocorreu em 20/11/2007, portanto, não há que se falar em decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 56 33 /2 00 7- 64 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 09/11/2007 (fls. 589/594 pdf), relativo à Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, que exige crédito tributário no valor de R$ 1.907.925,62, incluída multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal em fls. 590/593, o Fisco apurou Dedução Indevida de Dependentes e Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. No Termo de Verificação Fical de fls. 538/583, consta o detalhamento do procedimento fiscal e dos fatos. Cientificado da exigência tributária em 20/11/2007, e erresignado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação em 20/12/2007 (fls. 603/627), acompanhado dos documentos de fls. 628 e seguintes, alegando o que segue, conforme relatório da decisão a quo: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.015633/200764 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 1.441 3 Argumenta que colaborou com a fiscalização, tendo esclarecido que os valores em questão eram movimentação da empresa GOLDFACTOR FOMENTO LTDA. Reclama ter se procedido ao lançamento com base apenas em extratos bancários, sem que se demonstrasse haver acréscimo patrimonial. Diz juntar demonstrativos analíticos para comprovar os fatos, suscitando a necessidade de perícia contábil, justificando que os valores foram movimentados em sua conta para obter capital de giro e acesso a bancos comerciais. Argúi a decadência, com base no art. 150, § 4o, do CTN, em face do transcurso de cinco anos do fato gerador, relativamente aos períodos anteriores a 20/11/2002, acrescentando que, por ser complexivo, todo o fato gerador de 2002 está decaído. Ilustra a questão com jurisprudência. Questiona a autuação, por se basear exclusivamente em extratos c depósitos bancários, aduzindo que, nos termos do art. 43 do CTN, o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial, e não meras entradas de recursos. Nesse sentido, defende que não houve acréscimo patrimonial, não sendo de sua propriedade os valores indicados, porquanto tenha cedido a conta bancária para ser explorada pela “empresa de seu pai”, na transação dc valores em factoring, não havendo omissão de rendimentos, por pertencerem os valores à pessoa jurídica GOLDFACTOR. Sustenta que a jurisprudência vem sendo construída no sentido de que meros extratos bancários não comprovam o fato gerador do imposto de renda, por não demonstrarem acréscimos patrimoniais. Faz referência às respostas apresentadas no curso da ação fiscal, no sentido de que as contas eram movimentadas pela GOLDFACTOR, o que ficaria evidenciado pelo fato de serem conjuntas com seus filhos. Diz que, em demonstrativo anexo, é efetuada a vinculação entre valores da conta da GOLDFACTOR e a sua conta corrente, demonstrando, além dos depósitos diretos de recursos da pessoa jurídica, transferências da conta da GOLDFACTOR diretamente para a que se encontrava em seu nome. Sugere que as demonstrações juntadas “dão conta de muitas transferências nesse sentido”, argüindo a necessidade de perícia técnicacontábil, para observância do princípio da verdade real. A respeito, destaca haver operações com identificação da GOLDFACTOR como emitente das transferências. Esclarece que mantinha conta no Banco do Brasil, para movimentação de recursos particulares e que as contas correntes abertas em nome das pessoas físicas destinavamse à obtenção de mais capital de giro. Por outro lado, aduz que na operação de factoring, a renda passível de ser tributada não corresponde à totalidade dos recursos movimentados, mas apenas ao valor descontado do título comprado, considerando, ainda, todas as despesas necessárias à obtenção da renda, além dos cheques devolvidos, sustados e não pagos, “nos termos da legislação de regência do IRPJ”. Cita doutrina, no sentido de que a renda é somente o acréscimo patrimonial decorrente dos rendimentos e proventos omitidos, descontados os valores para sua obtenção e manutenção, em consonância com o art. 43 do CTN. Argumenta que a inexistência de saldo expressivo demonstra que os valores eram objeto de operações sucessivas, acrescendo ao patrimônio da empresa apenas a diferença entre o valor cobrado na operação de “faturização”. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Alega jurisprudência acerca da impossibilidade de lançamento de imposto de renda arbitrado com base em extratos ou depósitos bancários, a teor da Súmula 182 do extinto TFR, assim como do art. 9o, VII, do Decretolei n° 2.471, de 1988, suscitando haver violação à previsão do núcleo da hipótese de incidência prevista no art. 153, III, da Constituição Federal, e no art. 43 do CTN. Cita jurisprudência no sentido de que deve ser comprovado pela Fazenda Pública que os valores tenham sido convertidos em renda consumida, destacando a inexistência de sinal de riqueza em suas declarações de renda. Aventa a possibilidade de os valores serem considerados como distribuição de lucros, isenta nos art. 43 (sic), XXIX, do RIR/1999, porquanto já tributados pela pessoa jurídica, não podendo sofrer dupla incidência em casos semelhantes. Quanto à glosa de dependentes, requer seja considerada nula a autuação, por violação aos princípios básicos da Administração Pública, violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, referindose ao fato de haver sido indeferido seu pedido de prazo adicional para juntada de documentos comprobatórios. Ao final, sintetiza os pedidos correlatos à impugnação, requerendo, ainda, a realização de diligência ou perícia técnicacontábil na conta corrente utilizada para operar recursos da empresa GOLDFACTOR, para demonstrar que os valores são provenientes de contas da empresa e demonstrar que referida conta era operada apenas pela pessoa jurídica; para tanto, indica perito e formula quesitos. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0621.267 da 4ª Turma da DRJ/CTA em 03/04/2009 (fl. 799 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 05/05/2009 (fls. 800/825 pdf), no qual, em suma, o contribuinte ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Cuidase de lançamento lavrado em 09/11/2007 (fls. 589/594 pdf), sendo o contribuinte cientificado em 20/11/2007, o qual apurou Dedução Indevida de Dependentes e Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.015633/200764 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 1.442 5 No presente, o recorrente sustenta ter decaído o direito do fisco de lançamento concernente ao anocalendário 2002, com base no art. 150, §4º, do CTN. Entendeu a Turma de Primeira Instancia que aplicandose tanto o art. 150, §4º, do CTN, quanto o art. 173, I, do CTN, o lançamento não encontravase decaído, conforme excertos da decisão a quo que abaixo transcrevo: “[...] Nesse contexto, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física dos rendimentos sujeito ao ajuste anual do ano calendário 2002 ocorreu em 31/12/2002, não havendo, por conseguinte, que se cogitar em decadência, seja pela regra de contagem do art. 150,§4º, do CTN, seja por aquela do art. 173, I, do mesmo código, posto que o lançamento foi cientificado em 20/11/2007 (fl. 170). [...]” Acerca do instituto da decadência, cabe fazer algumas considerações, pois no lançamento por homologação, tendo ocorrido a antecipação do pagamento, aplicase o art. 150, §4º, do CTN, à exceção, constante no §4º, o Fisco pode aplicar o art. 173, I do mesmo diploma legal. Ora, como se sabe, a antiga controvérsia sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial está pacificada no âmbito deste Conselho que, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 835DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, o termo inicial será contado do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 836DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.015633/200764 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 1.443 7 o crédito, salvo se co0mprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E na hipótese de não haver antecipação do pagamento o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifei) No caso dos autos, relativamente ao anocalendário 2002, verificase que a ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2007, logo, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciou em 1 de janeiro de 2003 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completouse em 31 de dezembro de 2007. Na data da ciência do lançamento, a qual ocorreu em 20/11/2007, o crédito tributário constante do Auto de Infração não havia sido atingido pela decadência, portanto, correto o lançamento. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS No que se refere aos depósitos bancários, em que pese o Auto de Infração tenha como fundamento o art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), verificase que este regulamenta o art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo ambos redação semelhante, e inclusive, o art. 849 faz referência expressa ao art. 42 da supracitada Lei. Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). (grifei) O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias indicadas pelo Fisco. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Cabe frisar que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, uma vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Com efeito, sustenta o recorrente que os valores que transitaram pelas suas contas bancárias em conjunto com seus filhos foram provenientes de operações financeiras da empresa Goldfactor Fomento Ltda, e que desse modo, os recursos creditados não pertenciam ao mesmo, e sim à pessoa jurídica. Contudo, não há nos autos qualquer comprovação de que efetivamente os recursos que transitaram pelas contas bancárias nº 224.9278 e 224.9243, foram oriundos de operações financeiras da Goldfactor. Comprovação esta que não lhe traria nenhuma dificuldade, posto que o recorrente afirma ser o sócio da supracitada empresa, e poderia ter acostado os mencionados títulos que foram descontados quando da operação de factoring. Inclusive, cabe salientar que pelo risco que envolve as operações de factoring, o qual fora sustentado pelo próprio interessado, deveria a empresa ter em boa guarda os documentos que envolveram as operações de desconto de títulos, uma vez que como bem esclareceu o recorrente "é de conhecimento geral que as factorings atuam comprando créditos de terceiros, com deságio para desconto à vista e com o comprometimento de se aguardar o termo previsto no título para seu desconto". Relativamente as contas bancárias de titularidade exclusiva do recorrente, o mesmo não trouxe qualquer comprovação da origem dos recursos nelas depositados, tampouco que tratamse de distribuição de lucros da empresa Goldfactoring Fomento Ltda. Logo, devem estes serem mantidos no lançamento, não havendo qualquer reparos a serem feitos. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES Quanto a glosa da dedução de dependentes, requer o recorrente que seja considerada nula a autuação pois não lhe fora concedido dilação do prazo para comprovar a ralação de dependência das pessoas informadas na sua Declaração de Ajuste Anual, invocando violação expressa dos princípios básicos da Administração Pública. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.015633/200764 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 1.444 9 Contudo, verificase que o contribuinte teve ampla oportunidade de comprovar efetivamente a relação de dependência de Yulla G. R. Lucas, Stephanie G. R. Lucas Garcia, Rebeca Stroparo nos anoscalendário de 2002 a 2005 e Rosângela G. R. Lucas, nos anoscalendário de 2003 a 2005, quer seja na fase que precede à autuação, seja na impugnação ou até mesmo no presente recurso, prova esta que não se desincumbiu, portanto, deve ser mantida a glosa por dedução indevida de dependentes. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Quanto ao requerimento de perícia técnicacontábil na conta corrente do contribuinte, a qual sustenta o mesmo ser utilizada para operar recursos da empresa Goldfactor, indeferese este, uma vez que a sua realização revelase prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. A perícia não se destina a preencher as lacunas da defesa quanto à produção de provas de competência do interessado, o qual, repiso, teve ampla oportunidade de fazêla, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 839DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 12259.003968/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1990 a 30/06/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. SÚMULA CARF nº 99.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Súmula CARF nº 99.
Encontra-se finada pela decadência e pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial tão somente para excluir do lançamento as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/1990 até agosto/1995, inclusive, em razão da decadência c.c. a homologação tácita do Crédito Tributário.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. SÚMULA CARF nº 99. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Súmula CARF nº 99. Encontrase finada pela decadência e pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial tão somente para excluir do lançamento as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/1990 até agosto/1995, inclusive, em razão da decadência c.c. a homologação tácita do Crédito Tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 39 68 /2 00 9- 91 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 771 3 Relatório Período de apuração: 01/07/1990 a 30/06/2000 Data de lavratura da NFLD: 04/09/2000. Data da Ciência da NFLD: 04/09/2000. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva RJSUL do INSS que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.171.2623 consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos salários de contribuição, bem como as contribuições patronais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes as diferenças de gorjetas que não foram incorporadas na base de cálculos para efeito de incidência das contribuições devidas, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 156/168. De acordo com o Relato Fiscal, constitui Fato Gerador das contribuições previdenciárias integrantes deste levantamento, as diferenças de gorjetas que não foram incorporadas na base de cálculos para efeito de incidência das contribuições recolhidas uma vez que o contribuinte cobra um acréscimo de 10% sobre mercadorias e serviços consumidos no estabelecimento matriz situado no Rio de Janeiro, que representa sua receita operacional, todavia, só vem lançando nas Folhas de Pagamentos importâncias inferiores a 50% do que é arrecadado. Não se conformando com o lançamento, a prestadora de serviços apresentou impugnação administrativa a fls. 172/186. A Gerência Executiva RJSUL do INSS lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 17003/034/2001, a fls. 346/370, julgando procedente em parte o lançamento, tão somente para retificar a base de cálculo das contribuições devidas a contar da competência novembro/1995, na forma exposta no FORCED a fls. 294/342, e no DADR a fls. 374/433 e recorrendo de ofício ao Chefe do Serviço de Arrecadação, que homologou a decisão em 09/02/2001 – fl. 372. Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/03/2001, porém inconformado, o Notificado interpôs recurso voluntário, a fls. 437/449, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a Recorrente firmou acordo com o Sindicato da Categoria que lhe autorizou a proceder a retenção de 40% do montante dos 10% arrecadados a título de gorjetas; Fl. 772DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que não é a totalidade da gorjeta cobrada que integra a base de cálculo, mas apenas a parcela que corresponde aos valores pagos, creditados ou devidos aos empregados; Ao fim, requer a improcedência do Auto de Infração. Paralelamente, a ora Recorrente ajuizou na Seção Judiciária do Rio de Janeiro o Mandado de Segurança nº 2001.51.01.0141690, objetivando obter perante o Poder Judiciário o afastamento, em definitivo, da exigência de contribuição previdenciária incidente sobre a Taxa de Serviço por ela cobrada, correspondente a 40% das gorjetas, conforme fixado no Acordo Coletivo, ao fundamento de que a exigência da contribuição prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 incidente sobre o valor de 40% da denominada Taxa de Serviço é indevida. Não houve concessão da Medida Liminar requerida para suspender a exigibilidade da aludida Contribuição Social. Sentença a fl. 609/617 julgou procedente o pedido e concedeu a segurança para determinar que o Órgão Previdenciário se abstivesse de inscrever em dívida ativa o débito aviado na NFLD nº 35.171.2623. Em sede de recurso, O TRF da 2ª Região negou provimento à Apelação interposta pelo INSS, fato que motivou a interposição de Recurso Especial nº 1099319/RJ (2008/02254393) ao Superior Tribunal de Justiça. Acórdão do STJ, proferido pela 1ª Turma do STJ, da Relatoria do Min. Arnaldo Esteves Lima, deu provimento ao Recurso Especial nº 1.099.319/RJ para reformar o acórdão recorrido proferido pelo TRF da 2ª Região, reconhecendo a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores arrecadados a titulo de taxa de serviço (gorjetas) pela empresa impetrante, conforme ementa que se segue: AgRg no REsp 1099319 / RJ Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima DJe 12/09/2012 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TAXA DE SERVIÇO (GORJETAS). RECOLHIMENTO ATRIBUÍDO AO EMPREGADOR POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A gorjeta, compulsória ou inserida na nota de serviço, tem natureza salarial. Em conseqüência, há de ser incluída no cálculo de vantagens trabalhistas e deve sofrer a incidência de, apenas, tributos e contribuições que incidem sobre o salário" (Resp 399.596/DF, Segunda Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 5/5/04). 2. Agravo regimental não provido. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 772 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 20/03/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega ter celebrado com o Sindicato da Categoria acordo que lhe autorizou a proceder a retenção de 40% do montante dos 10% arrecadados a título de gorjetas. Aduz que não é a totalidade da gorjeta cobrada que integra a base de cálculo, mas apenas a parcela que corresponde aos valores pagos, creditados ou devidos aos empregados. Com efeito, a empresa Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Rio de Janeiro o Mandado de Segurança nº 2001.51.01.0141690, objetivando obter perante o Poder Judiciário o afastamento, em definitivo, da exigência de contribuição previdenciária incidente sobre a Taxa de Serviço por ela cobrada, correspondente a 40% das gorjetas, conforme fixado no Acordo Coletivo, ao fundamento de que a exigência da contribuição prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 incidente sobre o valor de 40% da denominada Taxa de Serviço era indevida, uma vez que a base de cálculo das contribuições previdenciárias não seria a totalidade da gorjeta cobrada dos clientes a titulo de taxa de serviços, mas, apenas, a parcela correspondente aos valores efetivamente pagos, creditados ou devidos aos empregados. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada na presente Notificação Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto Fl. 774DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 773 7 Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Merece ser citado que, em relação ao Mandado de Segurança nº 2001.51.01.0141690, não houve concessão da Medida Liminar requerida para suspender a exigibilidade da aludida Contribuição Social. Na seqüência, Sentença a fl. 609/617 julgou procedente o pedido e concedeu a segurança para determinar que o Órgão Previdenciário se abstivesse de inscrever em dívida ativa o débito aviado na NFLD nº 35.171.2623. Em sede de recurso, O TRF da 2ª Região negou provimento à Apelação interposta pelo INSS, fato que motivou a interposição de Recurso Especial nº 1099319/RJ (2008/02254393) ao Superior Tribunal de Justiça. Acórdão do STJ, proferido pela 1ª Turma do STJ, da Relatoria do Min. Arnaldo Esteves Lima, deu provimento ao Recurso Especial nº 1.099.319/RJ para reformar o acórdão recorrido proferido pelo TRF da 2ª Região, reconhecendo a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores arrecadados a titulo de taxa de serviço (gorjetas) pela empresa impetrante, conforme ementa que se segue: AgRg no REsp 1099319 / RJ Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima DJe 12/09/2012 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TAXA DE SERVIÇO (GORJETAS). RECOLHIMENTO ATRIBUÍDO AO EMPREGADOR POR FORÇA DE ACORDO COLETIVO. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A gorjeta, compulsória ou inserida na nota de serviço, tem natureza salarial. Em conseqüência, há de ser incluída no cálculo de vantagens trabalhistas e deve sofrer a incidência de, apenas, tributos e contribuições que incidem sobre o salário" (Resp 399.596/DF, Segunda Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 5/5/04). 2. Agravo regimental não provido. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a ausência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do Fl. 776DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 774 9 Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) Fl. 778DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do Fl. 779DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 775 11 recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste subscritor mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso presente, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate em 21/07/2008, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2002, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores Fl. 780DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 ocorridos até a competência novembro/2002, inclusive, bem como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo anocalendário. Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Fl. 781DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 776 13 Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: Fl. 782DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo que em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Fl. 783DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12259.003968/200991 Acórdão n.º 2302003.700 S2C3T2 Fl. 777 15 §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate no dia 04/09/2000, há que se considerar como homologado tacitamente o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até a competência agosto/1995, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e da Súmula 99 do CARF, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1994, nos termos do art. 173, I, do CTN, da mesma forma que já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro/1994 até agosto/1995, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos Fl. 784DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Dessarte, sendo de julho/1990 a junho/2000 o período de apuração do crédito tributário em realce, pugnamos pela exclusão do vertente lançamento de todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/1990 até agosto/1995, inclusive. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para excluir do lançamento as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/1990 até agosto/1995, inclusive, em razão da decadência c.c. a homologação tácita do Crédito Tributário. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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