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Numero do processo: 16327.910480/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 13/17 (PER/DCOMP n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 10 48 0/ 20 09 -1 2 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.910480/200912 Resolução nº 1201000.226 S1C2T1 Fl. 3 2 42575.58562.300806.1.3.044883), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 2319) relativo ao período de apuração encerrado em 31/08/2005. Pelo Despacho Decisório de fls. 11 o contribuinte foi cientificado, em 18/08/2009 (fls. 12), de que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 82.449,27). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/09/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/05, alegando, em apertada síntese, que: 1) o art. 10 da IN SRF n° 600/2005 não encontra amparo na legislação, e portanto não pode ser aplicado; 2) com a edição da MP n° 449/2008, foi introduzida a vedação à compensação de débitos relativos ao pagamento mensal de estimativa de IRPJ e CSLL, mas referida MP não foi convertida em lei; e 3) além disso, ao dispor que o pagamento indevido ou a maior não poderá ser objeto de compensação, devendo compor o saldo negativo, a IN 600/2005 fere o art. 73 da Lei n° 9.532/97, que determina a atualização pela Selic a partir do mês subsequente ao pagamento indevido ou a maior. Com a ciência da decisão, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos anteriormente defendidos, com destaque para a inaplicabilidade do artigo 10 da IN 600/05. A Recorrente juntou, ainda, documentos que entende aptos para comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.910480/200912 Resolução nº 1201000.226 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. O debate relativo ao indeferimento de compensações baseado no artigo 10 da IN 600/05 normalmente engloba duas questões: a) Se a interessada efetivamente recolheu a maior o valor das estimativas mensais dos períodos em exame; b) Se é possível compensar os valores porventura recolhidos a maior imediatamente, vale dizer, a partir do próprio pagamento. Para a solução da primeira questão devemos analisar os documentos presentes nos autos. Como a Recorrente apresentou, junto com o Recurso Voluntário, documentos e informações que entende suficientes para comprovar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, considero essencial que tal documentação seja objeto de análise pela delegacia de origem, dado que o Despacho Decisório não se manifestou expressamente sobre o montante do crédito, pois fundamentou sua decisão na impossibilidade de compensação no próprio exercício, no que foi seguido pela DRJ. Por força disso, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de Jurisdição do contribuinte: a) Analise a documentação apresentada e os sistemas da Receita Federal para informar a este Conselho sobre a existência e pertinência do crédito pleiteado ou, em caso de divergência, sobre qual seria o valor passível de compensação; b) Intime a interessada acerca do resultado da diligência, para que esta se manifeste, se assim desejar, no prazo de 30 dias. Adotadas as providências acima os autos deverão retornar a este Conselho e Relator para apreciação e julgamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e voto por CONVERTER o julgamento em diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722336/2010-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NULIDADE. SUBSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO.
A substituição de lançamento, pendente de exame, por lançamento posterior, uma vez respeitados os princípios da ampla defesa e contraditório no âmbito do novo feito, não representa hipótese de nulidade, visto não estar caracterizado qualquer prejuízo ao sujeito passivo quando da inexistência de qualquer cobrança em duplicidade.
Numero da decisão: 9202-004.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não o conheceram e, no mérito, em dar-lhe provimento para afastar a nulidade por preclusão, com retorno ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE. SUBSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. A substituição de lançamento, pendente de exame, por lançamento posterior, uma vez respeitados os princípios da ampla defesa e contraditório no âmbito do novo feito, não representa hipótese de nulidade, visto não estar caracterizado qualquer prejuízo ao sujeito passivo quando da inexistência de qualquer cobrança em duplicidade.
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SUBSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. A substituição de lançamento, pendente de exame, por lançamento posterior, uma vez respeitados os princípios da ampla defesa e contraditório no âmbito do novo feito, não representa hipótese de nulidade, visto não estar caracterizado qualquer prejuízo ao sujeito passivo quando da inexistência de qualquer cobrança em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não o conheceram e, no mérito, em darlhe provimento para afastar a nulidade por preclusão, com retorno ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 36 /2 01 0- 78 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Gerson Macedo Guerra Relator. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para formalização de exigência de IRPF, por omissão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos anos calendário 2005, 2006 e 2007. A Impugnação apresentada regularmente foi julgada parcialmente procedente, de modo que, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte. No julgamento do Voluntário a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento reconheceu, de ofício, a nulidade do Auto de Infração, pela caracterização de duplo lançamento, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. BIS IN IDEM A dupla punição estará caracterizada quando houver lavratura de novo auto de infração, pelo mesmo fato gerador, quando ainda pendente de exame pela via administrativa, a procedência do primeiro auto de infração. Arguição de nulidade acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade suscitada pelo Relator para declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, visando rediscutir a preclusão em relação a matéria não ventilada em sede de Impugnação, trazendo como paradigmas o Acórdãos 3301 00.774 e 0202.344. Em suas razões a Fazenda alega que, no processo administrativo fiscal, a teor do artigo 17, do Decreto 70.235/72, se o contribuinte não se insurge expressamente contra determinada matéria ela é considerada como não impugnada, ou seja, presumese que o sujeito passivo concordou com a determinação fiscal. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.722336/201078 Acórdão n.º 9202004.411 CSRFT2 Fl. 680 3 Alega a Fazenda que a única ressalva que se pode fazer à aplicação do artigo 17 em questão é quando presente matéria de ordem pública, que podem ser reconhecidas de ofício pelo órgão recursal. Porém, no caso não há que se falar em nulidade que legitime análise de ofício considerada pelo acórdão a quo. O presente lançamento não padece de qualquer vício de ilegalidade que justifique a sua declaração de nulidade. Isto porque, não há qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Nesse contexto, a Fazenda pede que seja mantido o lançamento em sua integralidade. Na análise de admissibilidade, ao ser realizado o cotejo entre a decisão recorrida e o Acórdão 330100.77 concluiuse que não era possível verificar a alegada divergência jurisprudencial, uma vez que o paradigma assenta o entendimento de que não se deve conhecer de matérias não suscitadas em Primeira Instância, “exceto quando devam ser reconhecidas de ofício”, ou seja, admite conhecer de ofício determinadas matérias, que não especifica. E no acórdão recorrido entendeuse que a questão do bis in idem seria matéria a ser conhecida de ofício, o que não vai de encontro ao primeiro paradigma. Muito pelo contrário, os dois julgados em confronto aplicam a mesma lógica. Na análise do segundo paradigma foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda tendo em vista que esse paradigma assenta, sem ressalvas, que não se conhece de recurso cuja matéria não foi impugnada. Regularmente intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões, argumentando, em apertada síntese: 1. que as matérias de ordem pública podem, e devem, ser reconhecidas de ofício em qualquer grau de jurisdição, sob pena de serem maculados princípios basilares dos processos administrativos e judiciais; 2. no presente caso a dupla tributação do mesmo fato gerador, bis in idem, configura matéria de ordem pública, que corretamente foi arguida pela autoridade julgadora. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Inicialmente, entendo pertinente a discussão acerca da admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O Acórdão que amparou a conclusão do presente juízo de admissibilidade trazia genericamente em sua ementa a conclusão de que não se conhecia recurso cuja matéria não foi examinada pela Câmara recorrida, nem foi objeto de impugnação, conforme abaixo transcrita: Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece recurso cuja matéria não foi objeto de exame pela Câmara recorrida, bem como não foi devidamente impugnada. Adentrando no voto condutor da referida decisão é possível identificar que o caso sob análise foi efetivamente situação em que determinado argumento não foi trazido à baila pelo contribuinte, antes de seu recurso especial, que por esse motivo não foi conhecido. Vale aqui a transcrição de trecho do referido voto: O recurso especial não merece ser conhecido. Pela leitura das peças do processo verificase que o direito ao crédito, mérito da demanda, não foi objeto do recurso voluntário e por essa razão não foi examinado pela Câmara de origem. Assim, a matéria referente à prescrição dos referidos créditos não pode ser conhecida. Pois bem. A meu ver tratase de situação fática distinta da presente, em que matéria de ordem pública foi conhecida de ofício pela autoridade julgadora. No presente caso, o contribuinte não apresentou argumento diferente daquele apresentado na impugnação. Assim, entendo que por serem situações totalmente distintas, não se pode afirmar a divergência de interpretação da legislação tributária. Portanto, voto pelo não conhecimento do Recurso Especial. Caso reste vencido quanto ao conhecimento, passo a análise do mérito. Com relação à preclusão de matéria não arguida em sede de impugnação entendo importante observar que no processo administrativo impera o princípio do formalismo moderado, que permite a flexibilização de certas regras, quando favorável ao contribuinte. Entendo que a preclusão é uma matéria que deve ser relativizada em função desse princípio. Digo isso com base no artigo 3º, III, da Lei 9.784/99, que, ao tratar dos direitos dos contribuintes, em seu artigo 3º, III, assim dispõe: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Nesse contexto, a meu ver, pelo princípio do formalismo moderado e pela declaração dos direitos dos administrados na Lei 9.784/99, matérias não tratadas em sede de impugnação podem ser arguidas em sede de recurso, mesmo pelo julgador, quando se está diante de matérias de ordem pública. Mas não é só. Quando estamos diante de nulidades absolutas, não há que se falar em preclusão. Isso porque são essas nulidades matérias de ordem pública passíveis de questionamento em qualquer momento processual, inclusive pela própria autoridade julgadora. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.722336/201078 Acórdão n.º 9202004.411 CSRFT2 Fl. 681 5 Tendo em vista que a norma que rege o processo administrativo fiscal nada dispõe sobre o tema e que o CPC é aplicável supletivamente, nas hipóteses de ausência de regulamentação, deve ser observado o artigo 278, parágrafo único do CPC, que aduz que as nulidades absolutas devem ser decretadas de ofício pelo juiz, nos seguintes termos: Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. No presente caso, a matéria bis in idem foi levantada de ofício pelo julgador de 2ª instância, por tratarse de uma nulidade absoluta que torna o ato de lançamento inexistente. Por esses motivos entendo que não há que se falar em preclusão no presente caso. Assim, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 683DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento do relator quanto ao conhecimento e ao mérito do recurso, ouso discordar em ambas as searas. Inicialmente, quanto ao conhecimento, julgo necessário detalhar o iter desenvolvido pelo Voto de efl. 638, no âmbito do recorrido, a fim de que se conclua ou não pela caracterização de divergência interpretativa. Verifico que a sequência ali desenvolvida pelo relator foi: 1. Constatouse a existência de substituição do lançamento realizado no âmbito do feito 10166.720258/201077 pelo presente Auto de Infração, dada a caracterização de superposição de fatos geradores e provas utilizadas, referentes aos dois lançamentos (Situação Fático Probatória); 2. Concluiu o relator que "(...) A renovação de autuação, como(sic) base no mesmo fato, enquanto a anterior encontrarse pendente de exame, constitui bis in idem.". Ainda, concluiu que "O correto seria a nulidade do auto de infração do processo 10166.720258/201077, antes da lavratura do novo auto de infração que resultou no processo 10166.722336/201078" e, também, que seria "Inaceitável, também o argumento de que o segundo auto de infração é complementar, pois na realidade nos próprios termos consignados pela autoridade fiscal, este tem o propósito de substituir o primeiro". (tese jurídica); 3. Daí, levantouse de ofício a preliminar de nulidade por bis in idem, acolhida unanimemente pelo Colegiado recorrido (aplicação do critério jurídico, a partir da tese jurídica desenvolvida). A propósito, me parece bastante claro que, para fins de caracterização da divergência interpretativa, devese transportar para o Colegiado paradigmático tão somente a situação fáticoprobatória em questão, abstendose tanto da tese jurídica adotada pelo recorrido como do critério de reconhecimento de nulidade daí consequente. Assim, entendo que com base no segundo paradigma (Acórdão CSRF/02 02.344) colacionado aos autos, em se tratando da duplicidade de lançamentos em questão de matéria que não foi objeto de exame pela Câmara recorrida e que também não foi devidamente impugnada ou constante do Recurso Voluntário e uma vez inexistindo qualquer ressalva no referido paradigma, de se concluir que aquele colegiado paradigmático, ao se deparar com tal situação fáticoprobatória (repitase, duplicidade de lançamentos, a partir da tentativa de substituição de lançamento anterior), não reconheceria a nulidade, resultando daí a aplicação de critério jurídico divergente do recorrido e caracterizada, assim, a divergência interpretativa. È esta, inclusive, a linha de raciocínio do exame de admissibilidade de efls. 656/657, à qual aqui, assim, se acede. Assim, voto por conhecer do Recurso. Passandose à análise de mérito, com a devida vênia ao posicionamento esposado pelo Relator, entendo que o instituto do bis in idem só se caracteriza com a cobrança em duplicidade de um mesmo débito referente ao mesmo fato gerador por um mesmo sujeito ativo. A coexistência de dois lançamentos sobre um mesmo fato gerador por um mesmo sujeito ativo (a qual, nem mesmo esta, in casu, existiu, visto que houve a substituição de um Fl. 684DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.722336/201078 Acórdão n.º 9202004.411 CSRFT2 Fl. 682 7 lançamento pelo outro, enquanto o lançamento substituído ainda se encontrava pendente de exame), representa tão somente a existência de um lançamento despiciendo (dispensável, na linguagem do STJ, vide a propósito, AgRg no Ag 937706/MG, de 04/03/2009, e Súmula STJ no. 436), mas não vedado, não sendo, assim, todavia, de se arguir a nulidade do novo lançamento. Quanto à cobrança em duplicidade, esta, sim, entendo que seria vedada pelo ordenamento jurídico, visto que causadora de prejuízo nítido ao contribuinte. Entretanto, escapa à competência deste Conselho qualquer manifestação acerca da etapa de cobrança e de sua eventual nulidade. Notese, por fim, que tal posicionamento se alinha perfeitamente àquele adotado no âmbito dos Tribunais Superiores em outros campos do Direito Público, no sentido da declaração de nulidade depender de expresso prejuízo causado ao sujeito passivo (princípio do "pas de nullité sans grief", plenamente aplicável em sede de Processo Administrativo Fiscal), sendo que, repito, entendo que não há que se falar em prejuízo causado ao autuado enquanto não houver cobrança em duplicidade (o que é de se concluir, jamais ocorrerá nos autos, dada a substituição do lançamento anterior pelo novo), uma vez respeitados os princípios da ampla defesa e contraditório, respeito este que efetivamente ocorreu no âmbito do presente feito. Destaquese ter restado caracterizado também, aqui, o pleno respeito ao disposto nos arts. 10 e 59 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade por preclusão, com retorno ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 685DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10580.727426/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 26 /2 00 9- 21 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727426/200921 Acórdão n.º 9202004.087 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727426/200921 Acórdão n.º 9202004.087 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727426/200921 Acórdão n.º 9202004.087 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727426/200921 Acórdão n.º 9202004.087 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727426/200921 Acórdão n.º 9202004.087 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727426/200921 Acórdão n.º 9202004.087 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.933381/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.422
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 33 81 /2 00 9- 19 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.146, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.933381/200919 Acórdão n.º 3402003.422 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100225/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
CSLL DECADÊNCIA
– O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia.
Numero da decisão: 9101-001.435
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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CSLL DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional, dependendo ou não de declaração prévia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 912DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 10709.478, da então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige CSLL, relativos aos 1º e 2º trimestres do ano calendário de 1997, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 26/12/2002. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que o julgou procedente. Interposto Recurso Voluntário, o acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. A decisão restou assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PRAZO DECADENCIAL Dispõe a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III .Não sendo aplicável o prazo de 10 (dez) anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social, previstos nos dispositivos declarados inconstitucionais pela Supremo Corte, aplicase o prazo de 05 (cinco) anos a que se art. 150 do Código Tributário Nacional. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual requer seja aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que o contribuinte não efetuou recolhimento de tributo. O despacho de fls. 819/821 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo o contribuinte apresentado suas contrarrazões às fls. 484/494. É o relatório. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional versa sobre a decadência da CSLL, relativo ao 1º e 2º trimestres do anocalendário de 1997, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 26/12/2002. Quanto à decadência, verifico que: (i) o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; (ii) o acórdão recorrido, nesse passo, cancelou a exigência fiscal, para a CSLL referentes ao 1º e 2º trimestres do anocalendário de 1997; (iii) Não houve imposição de multa qualificada; (iv) o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, requerendo seja afastada a decadência. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 4 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifestome por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial. Interpretando de forma fidedigna as razões de decidir do Recurso Especial Representativo de Controvérsia em questão, verifico que não havendo acusação de dolo e havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de Fl. 915DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 5 5 outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, do Código Tributário Nacional. Analisando a decisão, percebo, ainda, que a aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional tem contornos distintos conforme a situação, sendo que o dies a quo pode ser aquele previsto em seu inciso I ou em seu parágrafo único. Para elucidar a questão, em suas razões, o Recurso Representativo de Controvérsia, citando ementa do Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, referese a cinco hipóteses de contagem da decadência, baseado na doutrina do Prof. Eurico Marco Diniz de Santi: “(i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” E conclui a ementa do referido acórdão que “as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos”. No caso da aplicação do artigo 173, o dies a quo é distinto dependendo se há ou não medida preparatória para o lançamento. É o que se depreende do item 01 da ementa do Recurso Representativo de Controvérsia, no qual se afirma que o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Ou seja, para a aplicação do dies a quo previsto no inciso I do artigo 173 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) é necessário que (i) o lançamento seja por homologação (há obrigação de pagamento antecipado); (ii) não haja antecipação de pagamento; (iii) inexista acusação de dolo, fraude ou simulação; e (iv) não haja declaração parcial prévia do débito (vale dizer, não há medida preparatória para o lançamento). Entendese que declaração prévia é a declaração insuficiente (parcial), uma vez que, se a declaração fosse integral, estarseia enfrentado prazo prescricional e não prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Enquanto instrumento de constituição do crédito tributário, a declaração prévia parcial enquadrase no conceito de medida preparatória ao lançamento, constante no parágrafo único do artigo 173 e a que alude o Recurso Representativo de Controvérsia. Esclarecido que do artigo 173 do Código Tributário Nacional extraise mais de uma hipótese de dies a quo para contagem do prazo decadencial, temos que inexistindo pagamento parcial cumulativamente à existência de declaração parcial do débito tributário, de se aplicar o artigo 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional (e não o seu inciso II), de modo a antecipar o dies a quo para a data da entrega da declaração prévia, desde que Fl. 916DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 6 6 obviamente seja aquela que possibilite a constituição do crédito tributário, enquadrandose, portanto, no conceito de medida preparatória do lançamento. Essa conclusão se verifica na interpretação dada pelo Recurso Representativo de Controvérsia, em trecho que cita o já mencionado Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, onde se afirma “nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN.” Portanto, a despeito de não restar dúvidas, no que tange à aplicação do Recurso Representativo em questão, de que no caso de inexistência de pagamento parcial há que se aplicar o artigo 173 do Código Tributário Nacional, fazse necessário verificar a existência ou não de declaração prévia, de modo a se considerar como dies a quo, respectivamente, a data de entrega da declaração (artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional) ou o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). Especificamente sobre a aplicação do artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, já me manifestei anteriormente nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais e que, nesta parte não diverge do entendimento adotado pelo Recurso Representativo de Controvérsia. Peço vênia para reproduzir as razões expostas no Processo Administrativo nº 16707.006042/200479: “ (...) Ora, a regra do artigo 173 do Código Tributário Nacional não é apenas a interpretação isolada da dicção do caput e seu inciso I, mas do conjunto de todo o texto, incluindose, por óbvio, a redação do parágrafo único do mesmo dispositivo legal. Ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado, sendo que qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento antecipa este prazo, como é o caso da entrega da Declaração de Rendimentos. Devese, portanto, observar, in casu, o parágrafo único do artigo 173 do referido codex, uma vez que a entrega da Declaração de Rendimentos é anterior ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e se constitui em medida preparatória indispensável para se efetuar o lançamento, devendo, portanto, ser adiantado o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Neste sentido, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPJ – EXERCÍCIO DE 1990 – ANO BASE DE 1989 – LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – O Imposto de Renda, antes do advento da lei nº 8.383, de 30/12/91, era tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia Fl. 917DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 7 7 do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade antecipavase para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN, art. 173 e seu § único). Tendo sido o lançamento de ofício efetuado na fluência do prazo de cinco anos contados a partir da entrega da declaração de rendimentos, improcede a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aplicase o mesmo critério observado em relação à exigência tributária principal de imposto de renda pessoa jurídica, face ao princípio da decorrência em sede tributária. – Recurso especial provido (Acórdão 0104.241, Rel. Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, sessão de 15/10/02). IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1) O Imposto de Renda, antes do advento da Lei nº 8.381, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. 2) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado, em 30/12/97, após a fluência do prazo de cinco anos contado da data da entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, ocorrida em 14/05/92, operouse a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar o tributo. (Acórdão CSRF/0104.936, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, sessão de 12/04/2004). Portanto, melhor analisando as razões de decidir do Recurso Representativo de Controvérsia a ser aplicado por esta Corte Administrativa, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, há que se verificar, além da existência ou não de pagamento e de dolo/fraude, também a existência ou não de declaração prévia, porque se trata de medida preparatória do lançamento, cuja consequência é a aplicação do dies a quo do prazo decadencial previsto no artigo 173. Voltando ao presente caso, verifico dos autos que a autuada se considerava instituição isenta do recolhimento da CSLL, razão pela qual não há recolhimentos parciais do tributo em questão. É o que se extrai dos documentos apresentados durante a fiscalização (fls. 206/230), bem como do auto de infração, no qual não houve dedução de CSLL recolhida. Ainda, conforme se verifica dos documentos acostados durante o procedimento de fiscalização, nenhuma declaração do tributo em questão foi entregue pelo contribuinte, razão pela qual de se aplicar o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.100225/200217 Acórdão n.º 910101.435 CSRFT1 Fl. 8 8 Uma vez que o lançamento de CSLL referente ao 1º e ao 2º trimestres de 1997 foi cientificado ao contribuinte em 26/12/2002, e considerando, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o termo inicial para contagem do prazo de 5 anos em 01/01/1999, não há que se falar em decadência Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a preliminar de decadência, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para apreciação das razões de mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16682.720317/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Erros materiais podem ser sanados por esta via, porém sem necessariamente implicar na alteração do resultado do julgamento pretérito.
Numero da decisão: 3402-003.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, apenas para corrigir lapso na fl. 3346. Sustentou pela recorrente a Dra. Nanci Gama, OAB/RJ 1.910.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Erros materiais podem ser sanados por esta via, porém sem necessariamente implicar na alteração do resultado do julgamento pretérito.
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ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Erros materiais podem ser sanados por esta via, porém sem necessariamente implicar na alteração do resultado do julgamento pretérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, apenas para corrigir lapso na fl. 3346. Sustentou pela recorrente a Dra. Nanci Gama, OAB/RJ 1.910. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 17 /2 01 1- 35 Fl. 3742DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 O processo administrativo em questão tem por origem Recurso Voluntário e Recurso de Ofício, interpostos em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") do Rio de Janeiro (Acórdão 265.442, de fls 3313), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de crédito de Contribuição ao PIS e de COFINS, relativamente ao período de 02/2006 a 12/2006. A lavratura do auto de infração ocorreu por força de constatação de divergência entre os valores informados em DCTF e aqueles apurados na escrita fiscal das contas (A) 2151200000 PIS SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA e (B) 215130001 COFINS SOBRE RECEITAS. No julgamento dos recursos, mediante o Acórdão nº 3402002.977, este Colegiado entendeu que o recurso voluntário era intempestivo, de modo que não deveria ser conhecido. Quanto ao recurso de ofício, não foi dado provimento. A ementa do referido Acórdão foi lavrada nos seguintes termos ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO Comprovado nos autos a ocorrência de cobrança em duplicidade de determinados valores, deve ser retificada a cobrança a maior, cancelandoa. PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DE JUROS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 02/08/2004, de acordo com o Decreto n. 5.164/2004, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições, foram reduzidas a zero. Recurso voluntário não conhecido Recurso de ofício negado A decisão foi objeto de embargos de declaração por parte da Contribuinte, cujo conteúdo afirma que pela leitura do "v. acórdão embargado, é possível verificar que o mesmo acabou falando ora sobre o despacho de fls. 3333 e ora sobre o despacho de fls. 3.344. No entanto, deixouse, com a devida vênia, de se observar que tais despachos não foram objeto de questionamento no recurso voluntário, mas sim o TERMO de fls. 3.346, que foi o principal ato questionado na preliminar do recurso voluntário". É nesse ponto que entende a Embargante existir erro material (menção de que o despacho de fls 3333 serviria como prova da postagem da intimação) e omissão (quanto à inexistência de "termo de registro de mensagem na caixa postal comunicado", ou de qualquer prova sobre a data de "postagem" da intimação no dia 10/06/2014) no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 3743DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402003.304 S3C4T2 Fl. 112 3 Voto Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz De acordo com o despacho de admissibilidade, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF. Assim, passo ao mérito. Para a delimitação da questão trazida à tona pelos embargos da Contribuinte, destaco o seguinte trecho do acórdão embargado: Em seu recurso voluntário apresentou justificativa que, no seu sentir, altera o termo final do seu prazo. Alega não ter tido acesso à ciência eletrônica pelo portal da Receita Federal. Comprovaria tal fato o despacho que consta em fls 3.344, com o seguinte conteúdo: (...) Alega a Recorrente que despacho, datado de 23/06/2014, expressamente determina a realização de “ciência e postagem ao sujeito passivo”. Disto, conclui que: i) somente após essa data é que poderia ter sido dada ciência sobre a decisão de primeira instância, sendo manifesto o erro de se atribuir a data de 10/06/2015, anterior àquela, como momento da postagem da correspondência eletrônica para intimálo eletronicamente. Ademais, declara que: ii) o despacho de fls 3333 não está assinado pelo serventuário responsável, sendo, portanto inválido, como preconiza o artigo 10, inciso VI e artigo 11, inciso IV do Decreto n. 70.235/72; iii) os Termos relativos à intimação do Acórdão recorrido foram expedidos pela DRF do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), ao passo que a Recorrente está sob a jurisdição da Delegacia Especial a Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC RJ); iv) todos os atos anteriores foram feitos por correio; v) o seu domicílio tributário foi cancelado em 13/06/2014, conforme comprova o documento de n. 7, anexo ao recurso. Assim, não teve a ciência eletrônica do resultado do julgamento a quo, a qual só ocorreu quando o contribuinte teve acesso ao teor do ato, em 04/08/2014, por meio de extração de cópias do processo. Pois bem. Com relação ao item (ii), não existe a alegada falta de assinatura do despacho de fls 3.344, o qual encontrase, isto Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 sim, devidamente assinado eletronicamente pelo Sr. Luiz Eduardo Duarte de Oliveira. Sobre o item (iii), com efeito, os termos relativos à intimação da Recorrente foram expedidos pela DRF/RJ1, fato que, no entanto, em absolutamente nada interfere na sua validade, de acordo com a legislação que disciplina o processo administrativo fiscal, em especial a forma das intimações do contribuinte sobre os atos processuais. Não há dispositivo legal que vincule os órgãos de jurisdição do contribuinte às intimações feitas eletronicamente. Os itens (i), (iv) e (v) devem ser analisados conjuntamente, pois se o contribuinte não utilizava o domicílio eletrônico na época em que lhe foi enviada a intimação, ela de fato seria nula. Efetivamente, disciplinando o artigo 23 do Decreto n. 70.235/72, 1 o artigo 4º da Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, possui a seguinte redação, conferida pela Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009: (...) Disto já se pode concluir que é necessária expressa opção do contribuinte para que o seu domicílio eletrônico passe a ser utilizado pela Receita Federal para intimações. Esta opção é feita formalmente, mediante o Termo de Opção citado no §2º do artigo 4º acima. Tal Termo de Opção foi objeto de regulamentação detalhada pela Instrução Normativa SRF n. 664, de 21 de julho de 2006, in verbis: (...) 1 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402003.304 S3C4T2 Fl. 113 5 Pois bem. No caso em apreço, a Recorrente apresenta dois documentos que confirmariam que não fora intimada do resultado do julgamento pela DRJ na data informada pela Fiscalização. O primeiro diz respeito a tela do ECAC em que consta a data de Opção pelo domicílio eletrônico (03/01/2014), bem como a data de seu cancelamento (13/06/2014). Vejamos: (...) Do documento juntado pela própria Recorrente podemos, então, explicar o porquê dos atos mais antigos referentes a este processo terem ocorrido por correio, enquanto a intimação do acórdão da DRJ ocorreu eletronicamente: pois somente em 03/01/2014 que a Recorrente optou pelo domicílio tributário eletrônico. Assim, a alegação (iv) descrita alhures de que todos os atos anteriores foram feitos por correio , não sustenta o direito pleiteado pela Recorrente. O segundo documento apresentado consiste em tela do ECAC, pela qual, supostamente, restaria comprovado que a intimação do Acórdão da DRJ nunca constou da Caixa de Correio da Recorrente. Vejamos: (...) Salta aos olhos, contudo, que na tela em questão não está selecionada a aba “comunicados/intimações”, onde constaria a intimação do acórdão recorrido, mas sim a aba “respondidos”. Ou seja, o documento não permite aferir se constava ou não a intimação da caixa postal eletrônica do contribuinte. Não fosse o bastante, devese lembrar que o contribuinte tem a faculdade de excluir as intimações que recebe. De tudo quanto exposto, chego às seguintes constatações: i) foi disponibilizado na caixa postal eletrônica do contribuinte o resultado do julgamento da impugnação pela DRJ em 10/06/2014 (Fls 3333), data em que a opção pelo domicílio tributário eletrônico era ativa, não tendo a Recorrente feito prova suficiente em contrário disso, como lhe cabia (artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil); 2 ii) muito embora não tenha sido juntado aos autos o Termo de Cancelamento da opção pelo domicílio tributário eletrônico, restou comprovado que ela aconteceu em 13/06/2014, ou seja, posteriormente à data em que a comunicação for registrada na caixa postal eletrônica da Recorrente iii) todavia, deve ser considerada como data da intimação realmente o dia 25/06/2014, haja vista que o cancelamento da opção pelo domicílio tributário eletrônico em 13/06/2014 não 2 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 3746DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 desfaz os atos anteriormente praticados, vale dizer, o registro da comunicação na caixa postal contribuinte ocorrida em 10/06/2014, o qual já estava plenamente disponível para o seu conhecimento, sendo a data de 25/06/2014 simplesmente a intimação presumida pela lei, de 15 dias depois da data da postagem. Ademais, constato que a declaração “para realização de ciência e postagem do sujeito passivo” no despacho de fls 3.334, à qual se apegou a Recorrente para brigar pela tempestividade do recurso, constitui simples informação de que a intimação do contribuinte já ocorrera eletronicamente, que em nada influenciou para o transcurso do prazo recursal, o que foi ratificado pelo próprio servidor, o Sr. Eduardo Duarte de Oliveira em despacho consecutivo (fls 3.348). Todos os outros atos constantes dos autos confirmam tal constatação. Por fim, vêse que a sistemática da intimação eletrônica prima pela efetividade e pela celeridade do processo, razão pela qual criou a presunção de ciência depois de 15 dias da postagem na caixa postal eletrônica do contribuinte, além de requerer que o próprio contribuinte seja diligente quanto ao conhecimento e administração das intimações. Entender que o contribuinte pode, depois da postagem da intimação, cancelar seu domicílio tributário eletrônico afastando as regras do PAF, iria na contramão de todo seu espírito. Assim, também o item (i) das alegações da Recorrente para emplacar a tempestividade do recurso, não procede. De início, é preciso pontuar que não concordo com a afirmação da Embargante no sentido de que o TERMO de fls. 3.346 "foi o principal ato questionado na preliminar do recurso voluntário". Na realidade, diversos pontos foram levantados pela Contribuinte naquela oportunidade (i. termos relativos à intimação do Acórdão recorrido foram expedidos pela DRF do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), ao passo que a Recorrente está sob a jurisdição da Delegacia Especial a Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMACRJ); ii. todos os atos anteriores foram feitos por correio; iii. o seu domicílio tributário foi cancelado em 13/06/2014), os quais foram analisados um a um por este Colegiado. Contudo, assiste razão à Embargante quando aponta que, em seu recurso voluntário contestou o fato de o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO de fls 3.346 não estar assinado, enquanto que esta Relatora tratou das assinaturas dos despachos de fls 3.333 e 3.344 ao decidir o caso. Explico o porquê da confusão. Enquanto os documentos de fls 3.333 e 3.344 constituem (i) página inicial da intimação que relata o conteúdo do resultado do julgamento da DRJ ao Contribuinte interessado, logo em seguida anexo e (ii) despacho comum de encaminhamento de atos processuais, respectivamente; o documento de fls 3.346 consiste no TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO, emitido no âmbito do eprocesso em decorrência das informações constantes do eCAC da Contribuinte. Pois bem. Este último documento, o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO (ou "Termo"), nunca é assinado, em nenhum processo em trâmite perante a Administração Tributária Federal. Afinal, por ser simples informação, de acordo com o conteúdo do sistema que Receita Federal e Contribuinte partilham através do Domicílio Tributário Eletrônico, não se requer que seja assinado. É por isso que dentre todos os processos Fl. 3747DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402003.304 S3C4T2 Fl. 114 7 julgados por este Colegiado, nunca se viu um só termo dessa sorte que estivesse assinado por serventuário responsável. Provavelmente por essa razão que esta Relatora acabou tratando da assinatura dos demais despachos que são mencionados pela Embargante em seu recurso voluntário. De qualquer forma, é imperioso reconhecer o erro material ao se tratar da assinatura dos despachos de fls 3.333 e 3.344, ao invés do Termo de fls 3.346, pois foi a este último que a Embargante se referiu. Reconhecido o erro a ser sanado pelo presente esclarecimento, contudo, em nada se altera o resultado do julgamento anteriormente proferido. Isto porque, como já explanado, tal Termo nunca é assinado no procedimento administrativo federal, sendo que não há previsão legal que determine em sentido contrário para este específico ato, de modo que a falta de assinatura em nada prejudica ou altera o direito da Embargante. No mais, quanto à alegação de omissão desse Colegiado sobre o ponto inexistência de "termo de registro de mensagem na caixa postal comunicado", ou de qualquer prova sobre a data de "postagem" da intimação no dia 10/06/2014) no acórdão recorrido, tampouco é possível acolher a indignação da Embargante. Nas palavras de Candido Rangel Dinamarco, “omissão é a falta de exame de algum fundamento da demanda ou da defesa, ou de alguma prova, ou de algum pedido etc”.3 Trazendo o instituto para o âmbito do processo administrativo fiscal federal, o artigo 65 do Regimento interno do CARF dispõe que "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." Disto já se constata que inexiste in casu a omissão alegada pela Embargante, simplesmente porque tal ponto não foi trazido de forma específica em sede de recurso voluntário, razão pela qual não poderia ter sido tratado no Acórdão embargado. Porém, ainda que tivesse sido tal ponto levantado em sede recursal, com a devida vênia, mais uma vez equivocase a Embargante a respeito de como ocorrem os atos eletrônicos no âmbito do processo administrativo fiscal federal. É consabido que o próprio TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO, conjuntamente com o documento de fls 3.333 (intimação que relata o conteúdo do resultado do julgamento da DRJ ao Contribuinte interessado, cujo acórdão segue anexo, assim como o demonstrativo dos débitos) é ato suficiente para comprovar a postagem da intimação ao contribuinte. Assim ocorre, é preciso dizer mais uma vez, com todo e qualquer processo que esteja sob julgamento perante o CARF, não havendo nada de extraordinário ou vicioso no caso da Embargante. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração, apenas para corrigir o lapso com relação às fls 3.346, sem nenhuma implicação, contudo, no resultado do julgamento pretérito. Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz 3 Instituições do Direito Processual Civil, Malheiros Editores, 2005, vol. III, página 688. Fl. 3748DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Fl. 3749DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 16643.000087/2009-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito: i) quanto à dedução de tributos com exigibilidade suspensa, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento; e ii) quanto aos juros de mora sobre multa de oficio, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento nesta parte.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTÔNIO NEPOMUCENO FEITOSA, LUIS FLÁVIO NETO, CRISTIANE SILVA COSTA.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito: i) quanto à dedução de tributos com exigibilidade suspensa, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento; e ii) quanto aos juros de mora sobre multa de oficio, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento nesta parte. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 87 /2 00 9- 36 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 3 2 Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em Exercício), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTÔNIO NEPOMUCENO FEITOSA, LUIS FLÁVIO NETO, CRISTIANE SILVA COSTA. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (1) à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o valor de tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, e também quanto (2) à incidência de juros de mora, quaisquer que sejam eles, sobre a multa de ofício. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 130100.794, de 17/01/2012, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, relativamente às matérias acima mencionadas, negar provimento a recurso voluntário anteriormente apresentado. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 4 3 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo no ponto relativo à dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa da base da CSLL. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente (1) à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o valor de tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, e (2) à incidência de juros de mora, quaisquer que sejam eles, sobre a multa de ofício. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: FATOS o presente processo decorre de auto de infração mediante o qual a fiscalização pretende exigir da ora recorrente a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSL") que deixou de ser recolhida nos períodosbase de 2004 a 2007, em decorrência da dedução de valores que supostamente possuiriam características de provisões, aplicandose o disposto no inciso I do art. 13 da Lei n. 9249, de 26.12.1995; o acórdão recorrido acabou atribuindo interpretação ao inciso I do art. 13 da Lei n. 9249, no que concerne ao conceito de provisão para fins de aplicação da limitação à dedução de valores à base de cálculo da CSLL, bem como ao art. 61 da Lei n. 9430, de 27.12.1996, no que concerne à exigência dos juros sobre a multa, de forma conflitante com a interpretação dada pelos acórdãos paradigma ora colacionados; PREQUESTIONAMENTO cabe ressaltar ter sido o conceito de provisão empregado pela lei matéria discutida desde a impugnação apresentada pela ora recorrente ao auto de infração originário do presente processo (pg. 04 à 08 da impugnação), a qual foi, posteriormente, devidamente apreciada pela DRJ por meio do acórdão n. 1524578, de 18.8.2010 (fls. 320 à 321 verso). Tal matéria foi objeto de recurso voluntário (pg. 04 à 12 do recurso voluntário) e expressamente analisada pelo acórdão ora recorrido; de igual forma, a questão acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício encontrase prequestionada, tendo sido argüida no recurso voluntário (pg. 15 a 18) e expressamente analisada pelo acórdão recorrido; DIVERGÊNCIA Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 5 4 com relação ao conceito de provisão para fins de aplicação do inciso I do art. 13 da Lei n. 9249, o acórdão recorrido entendeu que os tributos com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial, nos termos do disposto no art. 151 do Código Tributário Nacional, enquadrarseiam nesse conceito, não podendo ser deduzido da base de cálculo da CSLL, uma vez que não possuiriam os valores em questão a certeza e a liquidez necessária para dedução da base de cálculo da referida contribuição; em sentido contrário, a 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do acórdão n. 140100058, de 17.6.2009, ora trazido como paradigma, entendeu que os tributos com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial não possuem características de provisão, sendo obrigações legais e, portanto, dedutíveis da base de cálculo da CSLL, in verbis: "Tenho para mim ser muito claro que o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de urna obrigação tributária, mesmo que esta se encontra com sua exigibilidade suspensa, não transforma o passivo representativo de obrigação líquida e certa (contas a pagar), em obrigação incerta ou certa mas ilíquida (provisão). É certo, portanto, que a obrigação tributária com exigibilidade suspensa, por ex., por liminar ou tutela antecipada, não representa contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar. É ainda obrigação certa e líquida: para falar "didaticamente", o passivo registrado passa a representar uma obrigação incerta, somente com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte. Disse "didaticamente", pois, por óbvio que ai e nesse momento o passivo deixa de representar obrigação: não há mais esse passivo, que então será revertido; não há obrigação a ficar registrada a partir de então." na mesma linha de entendimento, a 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do acórdão n. 110300261, de 6.7.2010, trazido como segundo paradigma sobre a matéria, assim decidiu conforme trecho da ementa proferida abaixo transcrito: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex,, de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese e que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL." não obstante a similitude fática entre a hipótese vertente, examinada pelo acórdão recorrido, e as hipóteses analisadas pelos acórdãos paradigmas, qual seja, a possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL dos tributos cuja exigibilidade encontra se suspensa por força de decisão proferida em sede de ação judicial, nos termos do art. 151 do Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 6 5 Código Tributário Nacional, aquela decisão consolidou entendimento em sentido diametralmente oposto ao firmado por estas; realmente, restou consignado o entendimento, no acórdão recorrido, de que tais valores possuem natureza de provisões, uma vez que careceriam dos elementos da certeza e da liquidez e, portanto, não seriam dedutíveis da base de cálculo da CSLL; por sua vez, de acordo com os acórdãos paradigma, os valores em questão possuem natureza de obrigação legal, em virtude da presunção de legitimidade e de constitucionalidade da lei, representando uma obrigação certa e líquida e, portanto, um passivo que deve ser reconhecido como dedutível da base de cálculo da contribuição em comento; há, pois, inegável dissonância entre a orientação exarada pelo acórdão recorrido e a manifestada pelos acórdãos paradigmas a propósito do mesmo assunto, o que denota, sem sombra de dúvidas, o cabimento do presente recurso de divergência nesta parte; no tocante à questão da não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, o acórdão recorrido entendeu ser cabível a incidência dos juros sobre a multa, em virtude da aplicação do disposto no art. 61 da Lei n. 9430, de 27.12.1996, bem como do art. 161 c/c art. 139, ambos do Código Tributário Nacional; diferentemente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão n. 910100722, de 8.11.2010, trazido aos autos, de igual forma, como paradigma, em atenção à aplicação da taxa Selic, assim complementou: "Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n°. 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre 'débitos decorrentes de tributos e contribuições', sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício." restou consignado na ementa do mencionado acórdão: "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada." como se vê, o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, nos termos do disposto no art. 61 da Lei n. 9430, enquanto o acórdão paradigma enveredou no sentido da inexistência de legislação apta a permitir a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, incidindo apenas sobre o valor do tributo, restando, assim, evidenciada a divergência de orientações sobre a mesma questão; é evidente, portanto, a divergência entre o entendimento firmado no acórdão recorrido e os arestos paradigma acima transcritos, a revelar o cabimento do recurso de divergência em tela, ao qual deverá ser dado provimento pelas razões abaixo demonstradas; MÉRITO Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 7 6 TRIBUTOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE DA CSLL o ponto central de discussão neste processo gira em torno da possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL do valor dos tributos cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial proferida, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, em especial em atenção ao disposto no art. 13 da Lei n. 9249; a análise desse dispositivo legal evidencia que, salvo as exceções previstas em lei, para fins de apuração das bases de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da CSLL, não se admite a dedução de qualquer provisão. Desse modo, para solucionar este litígio, é imprescindível determinar qual o seu conceito; assim, importa para o deslinde do presente caso, compreender o conceito e a amplitude do termo provisão utilizado pelo mencionado dispositivo legal, a fim de identificar se os tributos com a exigibilidade suspensa possuem ou não natureza de provisão; O CONCEITO DE PROVISÃO segundo o inciso I do art. 13 da Lei n. 9249/95, os valores que possuem a natureza de provisão não devem ser deduzidos do lucro real, nem do resultado do exercício, que corresponde ao lucro líquido. Se tais valores forem creditados ao resultado contábil, devem eles ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSL, sob pena de reduzir, indevidamente, o resultado tributável da pessoa jurídica; contudo, o referido dispositivo legal não conceitua o que é uma provisão. Aliás, o seu conceito não se encontra expresso em qualquer norma, apesar de ser mencionado em alguns artigos da Lei n. 6.404, de 15.12.1976, mais especificamente nos que tratam das demonstrações financeiras das sociedades por ações; no contexto da lei comercial, que se pauta na ciência contábil, o vocábulo provisão envolve a idéia de riscos, representando as expectativas de perdas de ativos ou de valores que as sociedades poderão ter que desembolsar, mas que não se traduzem em obrigações existentes; outro não é o conceito que deve ser considerado na interpretação da legislação tributária, em especial do inciso I do artigo 13 da Lei n. 9249/95, por força do disposto no art. 11, inciso I, alínea "a", da Lei Complementar n. 95, de 26.2.1998; como já dito, não há norma legal definindo o significado da palavra "provisão", inserta no inciso I do art. 13 da Lei n. 9249/95. Sendo assim, tratandose de conceito próprio da ciência contábil, deve ela ser compreendida de acordo com o sentido que essa ciência lhe confere; na contabilidade, o elemento que caracteriza as provisões, distinguindoas das obrigações propriamente ditas, é a incerteza, de modo que, em última análise, as provisões representam obrigações incertas, quanto à sua existência ou ao seu valor, sendo este o conceito que deve ser considerado na interpretação da legislação tributária; o respeitado tributarista Bulhões Pedreira afirma que "as provisões correspondem ao registro de obrigações que ainda não existem para a empresa, nem mesmo de Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 8 7 modo condicional, mas que provavelmente, ou possivelmente, virão a nascer. É registro de risco, e não de obrigação existente"; aplicandose os conceitos acima expostos à situação "sub judice", verifica se que as obrigações tributárias não se enquadram no conceito de provisões. Isso porque a obrigação de pagar tributos deriva diretamente da lei, constituindose no momento em que ocorre o seu fato gerador; foi exatamente nesse sentido o entendimento manifestado nos acórdãos paradigmas n. 140100058 e n. 110300261; verificada a materialização da situação descrita na lei, como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária, nasce para o sujeito passivo o dever de recolher, aos cofres públicos, o crédito tributário. Outrossim, o não recolhimento do tributo por ele devido, não lhe retira a natureza de um passivo, de uma obrigação a pagar, que não se confunde com provisão; pelo regime de competência (accrual basis), ou regime econômico, que se contrapõe ao regime de caixa (cash basis), a liquidação financeira de um passivo é irrelevante para fins de determinar a dedutibilidade de seu valor. Desse modo, em princípio, as despesas correspondentes às obrigações das pessoas jurídicas devem ser registradas, contabilmente, no momento em que incorridas, e não na data de seu pagamento; sendo assim, os créditos tributários, ainda que estejam com a sua exigibilidade suspensa por força de provimentos jurisdicionais, não se amoldam ao conceito de provisão, pois este conceito não alcança obrigações existentes. Por conseguinte, o inciso I do art. 13 da Lei n. 9249/95 não impede a dedução de tributos, mesmo dos que estão com a exigibilidade suspensa, em virtude de tutelas de urgência concedidas pelo Poder Judiciário; o fato de a recorrente não ter efetuado o recolhimento de determinadas exações tributárias, por estar discutindo, em juízo, a legitimidade de sua cobrança, não lhes retira a natureza jurídica de obrigações existentes, ou seja, de passivos a pagar, que representam despesas efetivas, não provisões; ademais, não se deve perder de vista que, por força do disposto no parágrafo 3º do art. 177 da Lei n. 6404/76, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detêm a competência para expedir normas regulamentando as demonstrações financeiras ("As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, e serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados na mesma comissão"); pois bem. Nos períodos abrangidos pelo lançamento tributário, que deu origem a este processo administrativo, vigia a Deliberação CVM n. 489, de 3.10.2005, que aprovou e tornou obrigatório para as companhias abertas a observância do Pronunciamento do IBRACON NPC n. 22 sobre provisões, passivos, contingências passivas e contingências ativas; o item 4 do Anexo II dessa deliberação analisa, justamente, a situação em análise, exarando o entendimento de que se trata de obrigação legal, e não de uma provisão; a Comissão de Valores Mobiliários, dentro de sua competência regulamentar, e em consonância com o conceito legal de provisão acima exposto, determinou Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 9 8 que as obrigações tributárias, que são objeto de questionamentos judiciais, devem ser reconhecidas como uma obrigação legal, e não como uma provisão; a controvérsia instaurada neste processo administrativo não diz respeito à situação em que a legislação tributária possui critérios para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL conflitantes com os constantes em ato normativo da Comissão de Valores Mobiliários; pelo contrário. Discutese, nos autos deste processo administrativo, a abrangência de uma norma fiscal, inciso I do art. 13 da Lei n. 9249/95, que "importou" conceito contábil, constante na legislação comercial, sem modificálo. Conceito este dado pela Deliberação CVM n. 489/95, o qual deve ser observado pelo intérprete e aplicador da lei tributária; evidenciase que o conceito de provisão se contrapõe ao de obrigação existente. Enquanto nestas há o registro de obrigações "nascidas" e determinadas, ainda que não efetivamente pagas pela pessoa jurídica, naquelas devese registrar os riscos de determinada obrigação, ainda não existente, vir a se concretizar; em sintonia com essa deliberação, os acórdãos paradigmas (n. 140100058 e n. 110300261), reconheceram que os tributos não pagos não possuem a natureza de provisão, ainda que não tenham sido recolhidos por estarem com a exigibilidade suspensa; há diversos outros precedentes do Conselho de Contribuintes e do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que os créditos tributários, não pagos por estarem com a exigibilidade suspensa, não possuem as características das provisões, sendo os respectivos valores dedutíveis da base de cálculo da CSL (ementas transcritas); ao contrário do que se verifica em outras situações de litígio, pendentes de solução junto ao Poder Judiciário, as obrigações tributárias são ex lege, isto é, decorrem de norma legal stricto sensu, que se reveste da presunção de constitucionalidade e de legitimidade. Assim, até que a sua inadequação ao ordenamento jurídico seja reconhecida judicialmente, a correspondente obrigação é líquida e certa, devendo ser cumprida pelo sujeito passivo, a não ser que este obtenha provimento judicial, desobrigandoo de seu dever; reforça essa afirmação o fato de que os agentes fiscais, em princípio, não fazem qualquer juízo de valor a respeito da adequação das normas legais e regulamentares ao ordenamento jurídico, limitandose a cumprilas, sob a alegação de que a sua atividade é vinculada, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional; ou seja, não apenas pela presunção de constitucionalidade das normas legais, mas também pela atitude dos agentes fiscais, que se atém aos textos legais e regulamentares, exigindo o seu cumprimento irrestrito por parte dos sujeitos passivos, por mais flagrante que seja o vício que os macule, é que as exações tributárias representam obrigações existentes, ainda que a sua exigibilidade se encontre suspensa, nos termos do art. 151, incisos IV e V, do Código Tributário Nacional; por essa razão, não encontra amparo no ordenamento jurídico o entendimento manifestado no acórdão recorrido de que os créditos tributários, com a exigibilidade suspensa, por força de tutela de urgência concedida em medida judicial, Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 10 9 representam provisões e, como tais, não podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; somese a isso que essa conclusão pode ser confirmada pela interpretação histórica da legislação tributária, conforme restará demonstrado no próximo tópico deste recurso; A INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA segundo Carlos Maximiliano, deve ser preferir a exegese de que resulte eficiente a providência legal ou válido o ato à que torne aquela sem efeito, inócua, ou este, juridicamente nulo; o entendimento de que os tributos com a exigibilidade suspensa são meras provisões retira s efeitos das normas insertas no art. 8º da Lei n. 8541, de 23.12.1992, e no parágrafo 1º do art. 41 da Lei n. 8981, de 201.1.1995, aplicáveis exclusivamente ao IRPJ, tornandoas inócuas; o art. 3º do Decretolei n. 1730, de 17.10.1979, prescreve que "na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária". Ou seja, desde janeiro de 1980, as provisões somente podem ser deduzidas, da base de cálculo do IRPJ, se houver dispositivo legal neste sentido; em relação à dedutibilidade dos créditos tributários, para fins do IRPJ, quando do advento do Decretolei n. 1730/79, vigorava a norma legal prevista no art. 16 do Decretolei n. 1598, de 26.12.1977, segundo a qual os tributos eram dedutíveis no períodobase em que ocorreu o seu fato gerador, se a pessoa jurídica apurasse os resultados pelo regime de competência, ou no do respectivo pagamento, caso o regime de apuração de resultado fosse o de caixa; essa regra perdurou até a Lei n. 8.541/92, que alterou o momento do reconhecimento das despesas com tributos, ao prescrever que "as obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas" (art. 7º, "caput"); coerentemente com essa norma, o art. 8º da Lei n. 8541/92 determinava que "serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6º, § 5º, alínea b, do DecretoLei n. 1598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuia exigibilidade esteia suspensa nos termos do art. 151 da Lei n. 5172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia"; posteriormente, a sistemática da Lei n. 8.541/92 foi parcialmente alterada pela Lei n. 8.981/95 que, em seu art. 41, prescreve que "os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência". Outrossim, o parágrafo 1º desse artigo não admite a dedução dos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, nas hipóteses dos incisos II a IV do art. 151 do CTN; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 11 10 essa breve descrição da evolução legislativa é relevante, posto que a norma do art. 3º do Decretolei n. 1730/79, que permite apenas a dedução das provisões expressamente previstas na legislação tributária, para fins do imposto de renda, não foi alterada e permanecia em vigor quando das publicações das Leis n. 8541/92 e 8981/95; diante disso, se foram necessárias normas legais expressas (Lei n. 8541/92, art. 8º, e Lei n. 8981/95, art. 41, parágrafo 1º), para vedar a dedutibilidade dos tributos cuja exigibilidade estivesse suspensa, para fins de determinar o lucro real, não faz o menor sentido lógico sustentar que referidos tributos têm natureza de provisões, uma vez que, neste caso, a sua indedutibilidade decorreria do art. 3º do Decretolei n. 1730/79; vêse, pois, que as alegações fiscais, bem como os argumentos contidos no v. acórdão recorrido, conduzem à conclusão de que a norma inserta no art. 8º da Lei n. 8541/92, repetida, posteriormente, no parágrafo 1º do art. 41 da Lei n. 8981/95, era inócua, pois a indedutibilidade das provisões já estava prevista no Decretolei n. 1730/79. Por conseguinte, não se pode admitir como válido o entendimento manifestado no acórdão recorrido, em face das regras de interpretação dos textos legais, acima referidas, pois, em última análise, isso implicaria reconhecer a existência de não apenas palavras inúteis na lei, mas dispositivos legais inteiros; se para fins de determinação do lucro real existem regras específicas, prevendo a indedutibilidade de tributos que estão com a exigibilidade suspensa, concluise que os respectivos lançamentos contábeis não se revestem das características de provisão. Logo, não se lhes aplica o disposto no inciso I do art. 13 da Lei n. 9249/95; de fato, a edição de nova norma (tal como ocorreu com a edição da Lei n. 8.541/92, art. 8º, e Lei n. 8981/95, art. 41, parágrafo 1º) evidencia que, anteriormente à sua vigência, não havia norma legal que vedasse a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de apuração do lucro real, isto é, que o termo "provisão" veiculado pelo art. 3º do Decretolei n. 1730/79 não abarcava os tributos com exigibilidade suspensa; a introdução de dispositivo legal novo no direito positivo vigente é sinal concreto de que, antes dele, não havia a ordem legal dele emanada; é interessante notar que a lei nova, embora em regra produza efeitos para o futuro, prestase também para interpretar a ordem jurídica do passado, por meio da confrontação dos dispositivos de ambas e da verificação de que a nova lei modificou o ordenamento; ou seja, a lei nova traduz a existência de um comando para o futuro e, igualmente, a inexistência de idêntico comando para o passado; no caso dos autos, a edição de nova norma (Lei n. 8.541/92, art. 8º, e Lei n. 8.981/95, art. 41, parágrafo 1º) evidencia que, anteriormente à sua vigência, não havia norma legal que vedasse a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de apuração do lucro real, isto é, que o termo "provisão", veiculado pelo art. 3º do Decretolei n. 1730/79, não abarcava os tributos com exigibilidade suspensa; na mesma linha de raciocínio, se para fins de apuração do lucro real os tributos cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de medida judicial não possuem natureza de provisão, tendo sido necessária a introdução no ordenamento de uma norma Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 12 11 expressa veiculando a impossibilidade da dedução de tais valores para fins de apuração do lucro real, de igual forma, para apuração da base de cálculo da CSLL, fazse necessária a edição de norma legal expressa nesse sentido, o que, repitase, não existe no ordenamento jurídico pátrio; aliás, nesse contexto, não se pode aplicar o art. 50 da Instrução Normativa SRF n. 390, de 30.1.2004, sequer para reforçar o entendimento da d. fiscalização tal como consignado no acórdão recorrido, o qual reproduz norma específica da legislação do imposto de renda (Lei n. 8.981/95, art. 41), determinando que os tributos, cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de concessão de tutela de urgência em medida judicial, não são dedutíveis da base de cálculo da CSLL; isso porque, ao se analisar a sistemática das leis que tratam do IRPJ e da contribuição social em foco, verificarseá que as regras direcionadas ao lucro real são distintas das dirigidas ao lucro líquido, sendo que, quando o legislador pretendeu conferir o mesmo tratamento perante esses tributos, ele o fez expressamente; não por outra razão, a jurisprudência administrativa pacificouse no sentido de que as regras legais, que regulam a incidência do imposto de renda, a princípio, não são autoaplicáveis na determinação da base de cálculo da CSLL; desse modo, é evidente a ilegalidade do art. 50 da Instrução Normativa SRF n. 390/04 que, sob o pretexto de regulamentar a apuração e o pagamento da CSLL, pretendeu introduzir limites à dedutibilidade de tributos não constantes na lei, descumprindo, assim, a sua função meramente interpretativa; ademais, não se pode negar que, ao assim proceder, o então Sr. Secretário da Receita Federal reconheceu que os tributos que estão com a exigibilidade suspensa não possuem a natureza de provisão. Isso porque, se ele entendesse que os respectivos valores devessem ser contabilizados com tal, o dispositivo regulamentar em foco seria inócuo, visto que a indedutibilidade das provisões se encontra expressamente prevista no art. 45 daquela mesma instrução normativa; dessa forma, resta demonstrado que as despesas com tributos com a exigibilidade suspensa não se enquadram no conceito técnico de provisão, ao contrário do pretendido pelo v. acórdão recorrido, não havendo qualquer impedimento legal à sua dedutibilidade, sendo, por conseguinte, improcedente a acusação fiscal objeto de análise do presente processo administrativo; A NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO nos exatos termos decididos no acórdão paradigma, consoante se passa a demonstrar, não é cabível a aplicação de juros sobre a multa de ofício, quaisquer que sejam eles, o que impõe o provimento do presente recurso; a legislação que rege a matéria foi sendo alterada ao longo do tempo, de forma que, em determinados períodos, havia a previsão de incidência de juros sobre as penalidades não recolhidas e, em outros períodos, não existia qualquer disposição nesse sentido; Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 13 12 a norma do art. 16 do Decretolei n. 2323, de 26.2.1987, ao determinar a incidência de juros de mora sobre débitos para com a Fazenda Nacional, referiase aos débitos "de qualquer natureza", e durante a sua vigência era possível a cobrança de juros sobre o valor do principal e também sobre as multas; com fundamento nesse decretolei, foi baixada a Portaria MF n. 370, de 23.12.1988, a qual determinava expressamente que os juros de mora deveriam incidir sobre a multa de ofício; posteriormente, a atualização de débitos tributários administrados pela SRF passou a ser regida pelo art. 54 e seu parágrafo 2º, da Lei n. 8383, de 30.12.1991; a partir desse dispositivo a Portaria MF n. 370/88 já não mais possuía fundamento legal, uma vez que estava claro no parágrafo 2º que os juros incidiam sobre "tributo ou contribuição", que não se confundem com as penalidades; é que, muito embora as penalidades componham o crédito tributário, não possuem elas a natureza jurídica de tributos, face à definição contida no art. 3º do Código Tributário Nacional; essa sistemática esteve em vigor até a edição da Medida Provisória n. 1542 18, de 16.1.1997, e suas posteriores reedições, já que a citada medida provisória passou a prever a incidência de juros de mora sobre "débitos de qualquer natureza", apurados até 31.12.1994; destarte, a partir de 1997, todos débitos federais, inclusive as multas, ainda pendentes de pagamento, apurados até 31.12.1994, puderam sofrer a incidência de juros de mora; por outro lado, no que se refere aos débitos apurados a partir de janeiro de 1995, a lei federal que tratou da respectiva atualização foi a Lei n. 8.981, de 20.1.1995 (art. 84); diferentemente daquilo que previram a Medida Provisória n. 1.54218 e o Decretolei n. 2.323/87, a Lei n. 8.981, tal como o fizera a Lei n. 8.383, referiuse a "tributos e contribuições"; a Lei n. 8.981 vigorou até edição da Lei n. 9.430, de 27.12.1996, a qual tratou inteiramente da atualização de créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. A respeito da incidência de juros de mora, confirase o que dispuseram o art. 61 e o seu parágrafo terceiro, in verbis: "Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 14 13 Parágrafo 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o parágrafo 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." como se pode observar, a incidência de juros passou a ocorrer sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal"; portanto, concluise que no regime da Lei n. 9430 somente os débitos decorrentes de tributos e contribuições é que estão sujeitos à incidência de juros de mora; e como a multa não possui natureza de tributo, nos termos do já citado art. 3º do Código Tributário Nacional, neste regime, ainda em vigor, não cabe a incidência de juros sobre ela; a Lei n. 9430, quando pretendeu autorizar a exigência de juros sobre a multa decorrente de lançamento ex officio, o fez de forma expressa e específica. Tratase do art. 43 e do seu parágrafo único, que prevêem a incidência de juros moratórios sobre as multas isoladas; este é mais um fundamento que permite concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada proporcionalmente a tributo, e em conjunto com este, como é o caso sub judice, de multa não isolada proporcional ao principal da CSLL; sobre a falta de amparo legal para incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício, merece destaque a declaração de voto da Conselheira Sandra Faroni nos embargos de declaração, no recurso n. 128.490, após citar a evolução da legislação ordinária acerca da matéria e analisar a Lei n. 9430, que diz: "Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros sobre a multa de mora à taxa Selic sobre a multa no caso de lançamento da multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida de multa proporcional. Nesse caso só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme o disposto no parágrafo 1° do art. 161, do CTN." a ilustre relatora, a despeito de reconhecer a inexistência de previsão legal para incidência de juros sobre a multa, aplicou supletivamente o art. 161, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional; todavia, esse dispositivo contém a cláusula "salvo se a lei não dispuser de modo diverso". No caso dos autos, a Lei n. 9430, ao prever a incidência de juros de mora apenas sobre o tributo e sobre a multa isolada, dispôs de modo diverso, razão pela qual o Código Tributário Nacional não se aplica; corroborando o que se disse acerca da falta de amparo legal para a incidência de juros moratórios sobre multa de ofício, a recorrente cita várias decisões inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); diante do exposto, a conclusão só pode ser no sentido de que não há base legal, seja na Lei n. 9.430, seja no Código Tributário Nacional, para a cobrança de juros sobre a Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 15 14 multa, o que torna imperioso o provimento do recurso especial em tela, de modo a afastar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, devendo prevalecer, afinal, a interpretação conferida pelo acórdão n. 910100722 à legislação tributária de regência sobre a matéria. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 78/2014, de 27/05/2014, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: (PRIMEIRA DIVERGÊNCIA) A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que a obrigação tributária com a exigibilidade suspensa não consiste em uma provisão contábil, mas sim uma obrigação e, portanto, é dedutível da base de cálculo da CSLL, ante a inexistência de vedação legal expressa para sua admissibilidade, como ocorre com o IRPJ. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa por medida judicial se amoldam à natureza de provisão e, portanto, são indedutíveis da base de cálculo da CSLL, nos termos da alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei nº 7.689/1988. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente quanto ao ponto examinado. [...] (SEGUNDA DIVERGÊNCIA) O acórdão paradigma assenta o entendimento de que incidem juros de mora apenas sobre o valor do tributo, excluindo a incidência sobre a multa de ofício, ao passo que o acórdão recorrido acolhe a tese de que os juros de mora à taxa Selic devem incidir sobre todo o crédito constituído, nele incluído a multa de ofício. Assim, presente a divergência, devese admitir o recurso quanto ao segundo aspecto. Em 06/11/2014, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 07/11/2014 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DO RECORRENTE. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. os tributos com exigibilidade suspensa por uma das hipóteses previstas no art. 151, II a IV, do CTN devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, somente serão considerados despesa para fins de IRPJ/CSLL por ocasião do efetivo pagamento; enquanto provisão, é vedada a dedução de tributo com exigibilidade suspensa da apuração da base de cálculo do IRPJ/CSLL, devendo o valor correspondente ser Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 16 15 integralmente adicionado à base de cálculo dessas exações. Este é o disciplinamento previsto no art. 41, § 1º, da Lei n. 8.981/95, e no art. 13, inciso I, da Lei n. 9.249/95; a jurisprudência do CARF é nesse sentido (ementas transcritas); JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. a utilização da taxa Selic para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício é plenamente cabível e condizente com a legislação tributária vigente; a divergência sobre a aplicabilidade da Selic sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” (Lei 9.430/1996, art. 61); o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”. Assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; é sabido que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo (principal). Os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. É o que determina o citado § 3º; a Lei nº 9.430/96 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC; assim, consoante as disposições acima mencionadas, nada há que afaste a incidência da taxa Selic sobre débitos de qualquer natureza devidos à União, o que inclui a multa de ofício; a jurisprudência do CARF é nesse sentido (ementas transcritas); sobre o assunto, também há Súmula do CARF: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 17 16 logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício; em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo recorrente. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. De acordo com a fiscalização, a contribuinte deduziu indevidamente da base de cálculo da CSLL valores referentes a tributo com exigibilidade suspensa. O acórdão recorrido sintetiza bem os fatos apontados na peça de autuação: • a contribuinte, nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, apropriou, como despesas, conforme o regime de competência, valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa, em virtude de liminar concedida em mandado de segurança, com ou sem cautela, lançando a contrapartida desses montantes em conta de passivo; • em que pese a denominação adotada para tais contas, o lançamento que a embasa tem o caráter de provisão, não se tratando, em princípio, de uma obrigação efetivamente constituída que traduza uma exigibilidade do passivo análoga a um tributo a recolher, em função da incerteza do resultado da lide; • os lançamentos contábeis assim efetuados revestemse, em essência, das características de provisões, pois não possuem o grau de certeza necessário à configuração de uma obrigação; • tais valores, portanto, quando deduzidos na apuração do lucro contábil, de acordo com o regime de competência, devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, I, da Lei nº 9.249, de 1995. Houve ainda apuração de uma outra infração decorrente desta acima mencionada. É que os lançamentos referentes às exigibilidades suspensas não adicionadas na base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2004 e 2005, redundaram na utilização a maior do saldo de base de cálculo negativa existente, para os anoscalendário de 2006 e 2007. A decisão de primeira instância administrativa, embora tenha mantido o entendimento de que o tributo ou contribuição com exigibilidade suspensa é indedutível para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, cancelou parte da exigência referente ao anocalendário de 2006, corrigindo equívoco da autoridade autuante que havia resultado em lançamento a maior que o devido para o referido período. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) manteve o que havia sido decidido anteriormente, negando provimento tanto a recurso de ofício quanto a recurso voluntário. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 19 18 Agora, em sede de recurso especial, a contribuinte suscita divergência quanto (1) à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o valor de tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, e (2) à incidência de juros de mora, quaisquer que sejam eles, sobre a multa de ofício. PRIMEIRA DIVERGÊNCIA Por meio da primeira divergência, a contribuinte questiona a aplicação do inciso I do art. 13 da Lei n. 9.249/1995, que veda a dedução de provisão que não esteja expressamente autorizada: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável;(Vide Lei 9.430, de 1996) Os argumentos apresentados pela contribuinte em relação a essa matéria são praticamente os mesmos desde o início do processo. Ela aborda primeiramente o conceito de provisão, para alegar, em síntese: que na contabilidade, o elemento que caracteriza as provisões, distinguindo as das obrigações propriamente ditas, é a incerteza, de modo que, em última análise, as provisões representam obrigações incertas; que a provisão é registro de risco, e não de obrigação existente; que as obrigações tributárias, ainda que estejam com a sua exigibilidade suspensa por força de provimentos jurisdicionais, não se amoldam ao conceito de provisão, pois este conceito não alcança obrigações existentes; que o conceito de provisão se contrapõe ao de obrigação existente. Enquanto nestas há o registro de obrigações "nascidas" e determinadas, ainda que não efetivamente pagas pela pessoa jurídica, naquelas devese registrar os riscos de determinada obrigação, ainda não existente, vir a se concretizar; que as obrigações tributárias são ex lege, isto é, decorrem de norma legal stricto sensu, que se reveste da presunção de constitucionalidade e de legitimidade. Na seqüência, a contribuinte apresenta uma interpretação histórica da legislação tributária sobre esse tema, no intuito de demonstrar que a questão da dedutibilidade de tributo com exigibilidade suspensa é matéria tratada especificamente no art. 41 da Lei nº 8.981/95, regra que alcançaria apenas o IRPJ, e não a CSLL. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 20 19 O conceito de provisão abarca situações variadas. O que caracteriza uma provisão é sua correspondência a situações sobre as quais paira algum grau de incerteza quanto à existência, ao valor, ao vencimento, etc., de uma obrigação ou de uma perda patrimonial. As provisões não abarcam apenas registros de "riscos" de perda patrimonial, como a "provisão para créditos de liquidação duvidosa". Há também provisões para encargos sociais e trabalhistas. Há ainda a própria "provisão para o imposto de renda" constituída no encerramento do período de apuração, quando já consumado o fato gerador. O próprio texto legal do inciso I do art. 13 da Lei 9.249/1995 não restringe o conceito de provisão às provisões para risco de perda patrimonial, que normalmente apresentam um maior grau de incerteza. Nesse passo, não se pode negar que uma obrigação tributária que está sendo discutida em juízo pela contribuinte, que está com a exigibilidade suspensa no contexto do processo judicial, possui a característica essencial de uma provisão, que é, no caso, a incerteza quanto à sua própria existência. É até contraditório que a contribuinte questione a existência da obrigação tributária, suspendendo inclusive a sua exigibilidade, e ao mesmo tempo defenda sua dedutibilidade como sendo uma obrigação certa. Na segunda parte de seu recurso, a contribuinte faz uma detalhada evolução histórica da legislação sobre o tema, procurando demonstrar contradições e excessos que haveriam no texto legal caso mantida a interpretação defendida pelo Fisco. Mas é preciso ter em mente que a palavra do legislador muitas vezes não esgota as possibilidades de sentido que pode ser a ela atribuído. É sempre a interpretação das normas que dá o seu conteúdo ao longo do tempo, compondo as aparentes contradições e os excessos normativos. E quanto à matéria em questão, o sentido das regras contidas na Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º) e na Lei 9.249/1995 (art. 13, I) é o mesmo, ou seja, vedar a dedutibilidade antecipada de tributo com a exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. O conteúdo do acórdão recorrido e a jurisprudência por ele colacionada apontam nesse sentido, conforme transcrito a seguir: O ponto central da discussão é a natureza das despesas com provisões para pagamento de tributos discutidos em juízo e cuja exigibilidade estava suspensa, se despesas efetivamente incorridas, como quer a interessada, ou se provisões, como entende o Fisco. Como corolário dessa questão, discutese também a dedutibilidade, ou não, de tais despesas (ou provisões) para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 21 20 A matéria é bastante conhecida, e já foi objeto de apreciação por este colegiado, quando do julgamento dos processos nº 16327.000028/200517 e nº 16327.001299/200671, também sob minha relatoria, resultando, respectivamente, os acórdãos nº 130100.275, de 09/03/2010, e nº 1301 00.642, de 04/08/2011. Por bem refletir meu entendimento sobre o assunto, transcrevo, a seguir, excerto do voto proferido no primeiro processo e reproduzido no segundo, sendo em ambas as ocasiões acompanhado à unanimidade pela Turma. [...] Com efeito, as despesas com tributos, na situação em que estes estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário e com exigibilidade suspensa, não se revestem da certeza e da liquidez indispensáveis a que sejam consideradas despesas incorridas a pagar. Em conseqüência, suas contrapartidas, registradas no passivo, se caracterizam como provisões para fazer face a evento futuro e incerto. Não se discute a correção do registro contábil, pertinente à luz dos princípios e convenções da contabilidade, especialmente aquele do conservadorismo. Também não se trata de glosa de despesas tidas por desnecessárias ou não usuais. O ponto central é que as despesas discutidas são incertas tanto para o contribuinte, que as considera indevidas e as discute judicialmente, quanto para o ente tributante, que se vê na dependência de manifestação do Poder Judiciário para que possa exigir o tributo. Isso ficou bem claro no voto condutor do acórdão recorrido, no trecho a seguir transcrito: 13 A obrigatoriedade de pagar os valores dependem de eventos futuros e incertos, ou seja, dependem de decisão judicial. Se for incerto, não pode ser classificado como contas a pagar, que por sua natureza, impõe liquidez e certeza. A provisão, por sua vez, não possui um dos elementos, quais sejam liquidez e certeza, pois se assim fosse, um termo seria sinônimo do outro. 14 Ao interpor a ação judicial o interessado pretende ver dispensado do recolhimento do tributo. Para a administração tributária demonstra que, segundo seu entendimento, o valor não é devido, como também demonstra para seus sócios e terceiros que luta para não recolher o tributo. Em suma, tanto o interessado, quanto a administração tributária, não têm certeza sobre seus direitos. Ambos aguardam o pronunciamento do poder judiciário. Demonstrada a natureza de provisão dos valores ora discutidos, impõese sua adição para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, ex vi do art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Tal foi exatamente o procedimento do Fisco, o qual reputo correto. [...] Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 22 21 A jurisprudência administrativa é farta nessa linha, como se verifica das ementas a seguir transcritas, a título exemplificativo: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Ac. 10194.491, de 29/01/2004. Rec. 136.214. Rel. Cons. Valmir Sandri) (No mesmo sentido, Ac. 103 23.053, de 13/06/2007, Rec. 156.141. Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) (No mesmo sentido, Ac. 10517.358, de 17/12/2008. Rec. 164.752. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello) CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10195.727, de 20/09/2006. Rec. 135.395. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) IRPJ — CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 23 22 judiciais a seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10196.008, de 01/03/2007. Rec. 151.401. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ANOCALENDÁRIO 1998. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II a IV, do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL. (Ac. 10323.031, de 24/05/2007. Rec. 156.083. Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) PROVISÕES — provisões somente podem ser deduzidas das bases de cálculo da CSSL se assim a lei expressamente autorizar. Classificamse como tais, os elementos do passivo, cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. Assim, valores registrados como tributos, contribuições e demais acréscimos, não passíveis de serem exigidos por força de medida judicial, quadramse nesta classificação e devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, se seu registro contábil reduziu o resultado do exercício. (Ac. 10323.037, de 24/05/2007. Rec. 156.322. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) CSLL — BASE DE CÁLCULO — DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. (Ac. 10808.126, de 02/12/2004. Rec. 139.544. Rel. Cons. Luiz Alberto Cava Macieira) Quanto à alegação de inaplicabilidade da IN SRF nº 390/2004 (art. 50), é de se esclarecer que o Fisco não baseou a autuação naquele normativo, mas tão somente invocou suas disposições como forma de esclarecimento e reforço de seu entendimento. Correto o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Agregando os fundamentos transcritos acima ao que já foi dito anteriormente, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte quanto a essa primeira divergência. SEGUNDA DIVERGÊNCIA A contribuinte também suscita divergência quanto à incidência de juros de mora, quaisquer que sejam eles, sobre a multa de ofício. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 24 23 Sobre o tema, adoto as razões de decidir do Acórdão nº 910100.539, proferido em 11/03/2010 por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 25 24 Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de ofício a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 26 25 Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 27 26 DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Registro ainda uma outra decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, reiterando o entendimento de que é “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), conforme a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. O voto que conduziu a referida decisão consignou: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 16643.000087/200936 Acórdão n.º 9101002.406 CSRFT1 Fl. 28 27 titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’ ” Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir, decido manter os juros de mora sobre a multa de ofício. Desse modo, em relação às duas divergência suscitadas, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/09/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
score : 1.0
Numero do processo: 10711.006833/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 68 33 /2 01 0- 00 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.006833/201000 Acórdão n.º 3302003.406 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19740.000325/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006
COFINS. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006 COFINS. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Negado
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006 COFINS. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 25 /2 00 7- 31 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira. Relatório Por tratarse de retorno de diligência adoto, com as devidas adições, o relatório da resolução que converteu o relatório em diligência. "Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 17/09/2007 para a exigência do PIS/Pasep e da Cofins referentes aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2003 e setembro de 2006, sem interrupção, montando os respectivos créditos tributários a R$ 1.496.210,41 e a R$ 8.959.601,71, neles incluída uma multa de oficio de 75%. Segundo o autor do procedimento a autuada, uma entidade fechada de previdência complementar, com fins não lucrativos, e que tem por objetivo a instituição, administração e execução de planos de natureza previdenciária aos seus participantes e beneficiários, teria apurado e recolhido o valor de ambas as contribuições em desacordo com as regras então vigentes, notadamente, por conta de ter se valido de exclusões não permitidas ou além do permitido, caracterizadas pela não diminuição das exclusões dos valores correspondentes aos Custeios de Programa Administrativo (conta 3.4.2.3) e às Remunerações dos Investimentos Administrativos e Custeios (conta 6.4.2.3). Ressaltou em seu relatório a autoridade fiscal que, antes da lavratura do presente auto de infração, mas, após o início da auditoria, a autuada ingressou como uma ação ordinária junto ao Poder Judiciário visando o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, de modo que seja declarada a inexistência, desde 1º de fevereiro de 1999, de qualquer relação jurídica de que resulte obrigação da impetrante ao pagamento do PIS/Pasep e da Cofins. Todavia, não houve qualquer decisão judicial em seu favor, ainda que provisória, de modo que a exigibilidade do presente crédito tributário não se encontra suspensa. Nas impugnações apresentadas para ambos os lançamentos, inicialmente, a autuada alegou que, por conta da flagrante inconstitucionalidade de que se reveste a regra do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que promoveu o alargamento Fl. 957DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19740.000325/200731 Acórdão n.º 3201002.383 S3C2T1 Fl. 956 3 da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS e à Cofins, inclusive por conta de decisão do STF nesse sentido, não existiria qualquer dispositivo legal obrigando as entidades fechadas de previdência privada ao pagamento tanto do PIS/Pasep quanto da Cofins. Alegou ainda a Impugnante que o Fisco, ao tratar as entidades de previdência privada como assemelhadas às instituições financeiras para fins de tributação do PIS/Pasep e da Cofins o fez com base no conceito de entidade aberta de previdência complementar; assim, não poderia ser imputada àquelas fechadas o auferimento de receitas com vendas de seus planos de benefícios. Nesse ponto, citou decisão do então denominado Conselho de Contribuintes que iria na linha de seu entendimento. Ad argumentandum, alegou que não deixara de reduzir nenhum valor do montante das exclusões da base de cálculo e que não poderia ter sido utilizada a Taxa Selic para fins de atualização monetária dos valores lançados. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ II, não conheceu da impugnação na parte em que a mesma alegara a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, em face da concomitância e, e, na parte conhecida, não vislumbrou a existência de amparo legal para os ajustes pretendidos pela Impugnante nos valores das exclusões da base de cálculo, bem como, manteve a utilização da Taxa Selic como forma de atualização monetária. No Recurso Voluntário, inicialmente, a Recorrente argumenta que por ser uma entidade fechada de previdência complementar, nenhum recebimento poderia ser qualificado como receita e muito menos faturamento, de sorte a ser alcançado pela incidência das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins. Quanto à concomitância alegada pela DRJ, entende a Recorrente que o fato de ter recorrido ao Poder Judiciário antes da lavratura do auto de infração, não caracterizaria a sua renúncia à esfera administrativa, visto que a lide sequer havia sido instaurada. Em relação à formação da base de cálculo, alegou, verbis: “14.Ocorre que o Custeio do Programa Administrativo (conta 3.4.2.3) é composto pela Sobrecarga Administrativa, que importa em 10% (dez por cento) da Receita Previdencial e pelo Fundo Administrativo. 15. Todavia, o Fundo Administrativo da Recorrente é constituído nas bases mínimas determinadas pela Secretaria de Previdência ao Complementar SPC/MP ou seja equivalente ao registrado no Ativo Permanente, conforme disposto na referida Resolução CGPC nº. 05/02. 16.A Recorrente adota critério de atribuição do custeio administrativo, fundado na alocação dos custos a cada Fl. 958DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 programa, considerando o método de apropriação de custos por atividade., 17. Entretanto, conforme exaustivamente esclareceu em suas impugnações, o custeio administrativo da Recorrente tem atingido percentual bem abaixo do limite estatutário (10%), bem como da previsão legal (15%), gerando excedente administrativo. 18. Dessa forma, para correta identificação de seu custeio, tornase necessária a dedução do excedente administrativo (conta 3.4.1.3), e como é obvio para não ser tributada a própria contribuição calculada mister se faz a dedução da provisão do PIS e da COFINS apurados no mês (contas 5281.0103.12 , e 5.2.8.1.01.03.13). 19. Nessa linha, por não apresentar natureza típica de custeio administrativo, deduzse o exigível contingencial referente ao PIS e COFINS (conta 5.3.1.1), que consiste na provisão para autos de infração , e respectivas atualizações. 20. E, para ajuste contábil, a conta Receita Administrativa Previdencial (conta 5.1.), utilizada para reduzir o excedente administrativo, é acrescida ao custeio, para anular seu efeito na exclusão do excedente e compor a base apenas como receita, apurandose, assim, o total do custeio administrativo, ou seja, a parcela efetivamente utilizada para gestão da entidade, a ser considerada para fins de tributação. 21. No que concerne à Remuneração dos Investimentos Administrativos e Custeio (conta 6.4.2.3), reitera a Recorrente que não remunera seus investimentos administrativos pelo simples fato de não. possuílos, utilizando a conta. 6.4.2.3.01 tãosomente para indicar o custeio administrativo do Programa de Investimento, consoante determinação das aludidas normas emanadas da Secretaria de Previdência Complementar SPC. 22. Registrese que, em conformidade com o 'Plano de Contas determinado pela Resolução CGPC nº. 05/2002, a Remuneração dos Investimentos Administrativos é representada pela conta 6.4.2.3.02 sendo que a referida conta não é utilizada no Plano da Recorrente. 23.Apesar da conta 6.4.23.02 registrar "a transferência de recursos para o Programa Administrativo, decorrente do resultado positivo dos investimentos, observada a participação do programa no montante. aplicado, quando houver Fundos Administrativos Previdencial e/ou Assistencial disponíveis", este não é o caso da Recorrente que adota Fundo Administrativo Mínimo, 24. Outrossim, quanto a Remuneração dos Investimentos Assistenciais (conta 6.4.2.2), disposta no Anexo à Instrução Normativa SRF no.170/2002,esta conta registra "a transferência de recursos para o Programa Assistencial, 'decorrente do resultado positivo dos investimentos, observada a participação do programa no montante aplicado", ou seja, definição idêntica à conta 6.4.2.3.02 supracitada. Destarte, por analogia, as contas em questão devem ter tratamento idêntico no que diz respeito à exclusão da dedução do custeio• administrativo”. Por fim, contestou a utilização da Taxa Selic como forma de atualização monetária do crédito tributário." Fl. 959DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19740.000325/200731 Acórdão n.º 3201002.383 S3C2T1 Fl. 957 5 A decisão da DRJ foi assim ementada: “Assunto : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A Base de Cálculo para o PIS e a COFINS incidirá sobre a receita bruta do mês, com as exclusões e deduções previstas na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2006 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A Base de Cálculo para o PIS e a COFINS incidirá sobre a receita bruta do mês, com as exclusões e deduções previstas na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa Selic, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Lançamento Procedente.” Cientificada da decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, onde preliminarmente alega que a ação judicial que discute a incidência da Cofins foi proposta em data anterior a lavratura do presente lançamento o que afastaria a aplicação da concomitância. No restante do recurso são reapresentados as alegações que já foram trazidas na impugnação. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Em outras palavras, qualquer resultado que se obtenha na esfera administrativa acerca das exclusões glosadas pelo Fisco nenhum efeito haverá de ter no caso de as pretensões da Recorrente virem a ser acolhidas pelo Poder Judiciário. Por outro lado, em caso de ver seu pleito negado, aí sim, haverá de obter um pronunciamento deste Colegiado acerca dos lançamentos constantes do presente lançamento. Por isso, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde o resultado definitivo da ação judicial e somente após remeta o processo para julgamento, devidamente acompanhado de cópia da referida decisão judicial. Transitada em julgado a Ação Judicial nº 2006.51.01.0204714 , a Unidade da Receita Federal elaborou relatório fiscal detalhando os procedimentos adotados a partir da decisão final da demanda judicial e devolveu os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. O Relator Original do processo não mais pertence a este Conselho e em atendimento ao regimento interno, foi realizado novo sorteio, cabendo a mim o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o recurso questiona a decisão da primeira instância que decidiu por não conhecer do recurso em razão da concomitância, considerando que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso quanto à concomitância. Nos termos detalhados no relatório, a Recorrente questiona o entendimento adotado pela primeira instância em considerar a concomitância para a discussão sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS definido no art. 3º da a Lei nº 9.718/98. A identidade da matéria discutida nos autos e Ação Judicial nº 2006.51.01.0204714 esta claramente delineada. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de aguardar a decisão final da esfera judicial para prosseguimento do julgamento. Entendo, que independente da decisão judicial, a matéria resta prejudicada em sede de processo administrativo, pois, a decisão final judicial obrigatoriamente deverá ser adotada pela Receita Federal. Assim, qualquer decisão desta turma não possui impacto sobre a solução da lide. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19740.000325/200731 Acórdão n.º 3201002.383 S3C2T1 Fl. 958 7 Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Conforme se depreende do relatório fiscal à fls. 930 a 933, a Unidade da Receita Federal, responsável pela execução da sentença exarada no processo judicial, adotou diversas providências no intuito de cumprir a determinação judicial. Assim, não existe sentido em proferir decisão no presente processo, visto a sua prejudicialidade, não há o que decidir sobre a matéria submetida à esfera judicial. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso quanto à concomitância e não conhecer do recurso voluntário quanto às demais matérias. Winderley Morais Pereira Fl. 962DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/ 2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001362/2010-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Presentes os pressupostos regimentais o Recurso Especial deve ser conhecido.
COFINS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS.
A receita auferida por Instituição Financeira na alienação das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F não é passível de tributação pela Cofins.
Cabe trazer que, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isenta da Cofins tal receita, considerando não ser decorrente das atividades atribuídas às Instituições Financeiras.
A receita das atividades próprias das Instituições Financeiras é aquela decorrente da intermediação financeira de seus clientes - ou seja, taxas e comissões auferidas por essas instituições. O que, cabe enfatizar que as Instituições Financeiras não tem como atividade própria a compra e venda de suas ações.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Presentes os pressupostos regimentais o Recurso Especial deve ser conhecido.
PIS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS.
A receita auferida por Instituição Financeira na alienação das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F não é passível de tributação pela Cofins.
Cabe trazer que, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isenta da Cofins tal receita, considerando não ser decorrente das atividades atribuídas às Instituições Financeiras.
A receita das atividades próprias das Instituições Financeiras é aquela decorrente da intermediação financeira de seus clientes - ou seja, taxas e comissões auferidas por essas instituições. O que, cabe enfatizar que as Instituições Financeiras não tem como atividade própria a compra e venda de suas ações.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito (ambos presentes apenas no dia em que foi iniciada a votação) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, que havia ficado com vista na sessão anterior. Julgamento iniciado na sessão de 08/06/2016 e concluído na sessão do dia 06/07/2016 no período da manhã, na qual se decidiu manter os votos já proferidos na sessão anterior.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos regimentais o Recurso Especial deve ser conhecido. COFINS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida por Instituição Financeira na alienação das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F não é passível de tributação pela Cofins. Cabe trazer que, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isenta da Cofins tal receita, considerando não ser decorrente das atividades atribuídas às Instituições Financeiras. A receita das atividades próprias das Instituições Financeiras é aquela decorrente da intermediação financeira de seus clientes - ou seja, taxas e comissões auferidas por essas instituições. O que, cabe enfatizar que as Instituições Financeiras não tem como atividade própria a compra e venda de suas ações. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos regimentais o Recurso Especial deve ser conhecido. PIS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida por Instituição Financeira na alienação das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F não é passível de tributação pela Cofins. Cabe trazer que, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isenta da Cofins tal receita, considerando não ser decorrente das atividades atribuídas às Instituições Financeiras. A receita das atividades próprias das Instituições Financeiras é aquela decorrente da intermediação financeira de seus clientes - ou seja, taxas e comissões auferidas por essas instituições. O que, cabe enfatizar que as Instituições Financeiras não tem como atividade própria a compra e venda de suas ações. Recurso Especial do Procurador Negado
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ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos regimentais o Recurso Especial deve ser conhecido. COFINS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida por Instituição Financeira na alienação das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F não é passível de tributação pela Cofins. Cabe trazer que, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isenta da Cofins tal receita, considerando não ser decorrente das atividades atribuídas às Instituições Financeiras. A receita das atividades próprias das Instituições Financeiras é aquela decorrente da intermediação financeira de seus clientes ou seja, taxas e comissões auferidas por essas instituições. O que, cabe enfatizar que as Instituições Financeiras não tem como atividade própria a compra e venda de suas ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 62 /2 01 0- 55 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 975 2 Presentes os pressupostos regimentais o Recurso Especial deve ser conhecido. PIS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida por Instituição Financeira na alienação das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F não é passível de tributação pela Cofins. Cabe trazer que, tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como isenta da Cofins tal receita, considerando não ser decorrente das atividades atribuídas às Instituições Financeiras. A receita das atividades próprias das Instituições Financeiras é aquela decorrente da intermediação financeira de seus clientes ou seja, taxas e comissões auferidas por essas instituições. O que, cabe enfatizar que as Instituições Financeiras não tem como atividade própria a compra e venda de suas ações. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. No mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito (ambos presentes apenas no dia em que foi iniciada a votação) e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, que havia ficado com vista na sessão anterior. Julgamento iniciado na sessão de 08/06/2016 e concluído na sessão do dia 06/07/2016 no período da manhã, na qual se decidiu manter os votos já proferidos na sessão anterior. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 976 3 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302001.871, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, entendendo que, na operação de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, a receita da venda de ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas bolsas deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. O Colegiado dessa turma consignou acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição à COFINS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 977 4 desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição ao PIS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. Recurso Voluntário Provido” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo que: · Seja conhecido o presente recurso, tendo em vista a observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; · Seja dado total provimento ao presente recurso para reformar o acórdão recorrido nos seguintes pontos: classificar como ativo circulante o resultado da venda das ações após a desmutualização; caracterizar o resultado da venda das ações como faturamento, estando, portando sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; e, por fim, determinar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de fls. 693/698 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O sujeito passivo apresentou Contrarrazões às fls. 707 a 735, requerendo que seja reconhecida a inadmissibilidade do Recurso Especial, por inobservância dos pressupostos de admissibilidade prescritos no RICARF e, no mérito, o seu desprovimento, mantendose o acórdão recorrido in totum. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ainda que tempestivo, depreendendose da leitura do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, entendo que o recurso: · Deva ser conhecido em relação a discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício – eis que comprovada a divergência suscitada; Fl. 977DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 978 5 · Não deva ser conhecido em relação à discussão acerca da incidência ou não das contribuições ao PIS e à Cofins na venda das ações em comento, vez que não cumpriu com o requisito para sua admissibilidade, qual seja, a existência de acórdão paradigma no qual se tenha dado interpretação divergente à lei tributária da adotada no acórdão paradigma, pois tratamse de situações fáticas e fundamentações diferentes. Quanto ao último item, vêse que a recorrente apresentou os Acórdãos nºs 3201001.480 e 3202000.711 como paradigmas – sob alegação de que teria demonstrado a existência de divergência entre a interpretação dada no acórdão recorrido a dispositivos de lei e estava tratando da mesmas condições fáticas. Não obstante, ainda que o Colegiado prolator do acórdão paradigma, ao interpretar a incidência ou não das contribuições ao PIS e à Cofins na venda das ações em comento, por voto de qualidade, ter firmado entendimento no sentido de que o resultado obtido deve sofrer a exação desses tributos – vêse que tal acórdão não serve para o propósito de comprovar a existência de divergência, uma vez que a referida decisão paradigma pautouse em pressuposto basilar e que não se aplica ao presente caso, qual seja de que a empresa tem como objeto social, dentre outros, a compra e venda, por conta própria, de títulos e valores mobiliários (premissa adotada naquele caso). Ora, não seria o caso do presente processo, vez que não há que se falar que uma Instituição Financeira possua como atividade própria a compra e venda de ações. Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral. A captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do banco comercial, o qual pode também captar depósitos a prazo. Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão "Banco" (Resolução CMN 2.099, de 1994). Os acórdãos indicados como paradigma partem da premissa de que, sendo a venda de ações uma atividade típica do sujeito passivo, a receita advinda dessa atividade enquadrarseia no conceito de faturamento sujeito assim ao PIS e à Cofins. Sendo assim, evidente o confronto das premissas adotadas pelo Colegiado dos acórdãos indicados como paradigma, vez que não possuem identidade fática com o presente caso, tampouco apresentam divergência de entendimento, afrontando o caput do art. 67 do RICARF – que adota por pressupostos de admissibilidade a identidade fática e a existência de dissídio jurisprudencial. Proveitoso trazer que a jurisprudência administrativa dessa matéria envolvendo bancos comerciais é majoritariamente favorável aos sujeitos passivos em relação às sociedades corretoras – vez ser evidente que não há que se falar em atividades semelhantes desses sujeitos passivos. Nessa linha, notase que o acórdão paradigma trouxe a incidência de PIS e Cofins nas vendas dos títulos efetuados especialmente por sociedades corretoras. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 979 6 Diferentemente do caso vertente que trata de um banco comercial, que, por sua vez, não possui “faturamento” equivalente ao da corretora. Sendo assim, evidente que o paradigma não se presta a demonstrar divergência. Ademais, em respeito ao Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial emitido pelo CARF em Março de 2016, que contou com a participação de conselheiros e colaboradores com experiência na atividade, é de se afastar o conhecimento do recurso especial no que tange à discussão acerca da incidência de PIS e Cofins sobre a receita da venda das ações objeto de substituição dos títulos patrimoniais. Em vista de todo o exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em relação à essa matéria, somente conhecendo na parte que traz a discussão da incidência de juros sobre a multa de ofício. Não obstante entender pelo não conhecimento do Recurso Especial, caso o Colegiado entenda por conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda, ainda que tenha apreciado todas as questões para a sua não admissibilidade, passo a iniciar a análise das matérias conhecidas desse recurso. Não obstante, a priori, trago que as contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo devem ser consideradas, pois tempestivas. Primeiramente, no que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que assiste razão a recorrente ao ter mantido o registro das referidas ações em conta do Ativo Permanente. Nessa operação, vêse que a Bovespa Associação, através da cisão, verteu parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A. A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I, e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...] Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 980 7 Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição. Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 981 8 Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendêlo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 982 9 Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. ... Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civil anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 983 10 societários comerciais acima mencionados. Podem transformar se, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/inde x.php?PID= 217174&key=4415884) Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 984 11 Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 441 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais operações encontram, ademais, guarida nos dispositivos do Código Civil mencionados anteriormente. Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. 1 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI asempresasindividuaisderesponsabilidadelimitada... 2 Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado,do Distrito Federal ou da União. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 985 12 Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decreto lei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 986 13 companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 987 14 Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Na mesma linha, transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim exarado no Acordão 3403003.447: “[...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 988 15 Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 989 16 mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigalo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/803). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Ora, a operação de desmutualização implicou mera troca na denominação do mesmo ativo, pela qual um determinado bem foi transformado em outro. Tratase de mera troca de nomenclatura. 3 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 990 17 Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, indepentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; (b) mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 991 18 Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que, no presente caso, as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando de sua alienação ao PIS e Cofins. Vêse que, em respeito à Lei das Sociedades Anônimas, na desmutualização não há a aquisição de um novo bem, mas simplesmente a sucessão de um mesmo ativo. Não há que se falar em extinção das associações Bovespa e BM&F e de seus títulos, mas alteração da sua forma societária para a de sociedade anônima – com a consequente transformação desses títulos em ações. Frisese que foram recebidas ações de valores idênticos aos dos títulos, os quais já estavam contabilizados na conta “títulos patrimoniais” – devendo assim ser aplicado o mesmo tratamento contábil e tributário. Nesse ínterim, importante trazer os dizeres do PN CST 108/78: “ INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa” (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por “participações permanentes” e (2) quais seriam os “direitos de qualquer natureza”. 7.1. – Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos – caso haja interesse de permanência – ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 992 19 considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior[...]” Reforçando esse entendimento, é de se trazer o PN CST 3/1980 – que dispõe sobre a possibilidade de transferência para o ativo circulante de bens escriturados em contas do ativo permanente, sob a alegação de que iriam ser destinados à venda: “8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” Reforça assim o procedimento que deve ser adotado pelos sujeitos passivos em relação aos ativos integrantes de sua contabilidade no que tange à sua classificação como ativo permanente e o momento dessa classificação, ratificandose o procedimento adotado pelo recorrido. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Ora, não se trata de faturamento – base de cálculo das referidas contribuições, eis que a alienação das ações não se caracterizou como venda de ativos próprios – que não haviam sido adquiridos para negociação. Importante trazer que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins com a inclusão de receitas não operacionais foi afastada pelo plenário do STF por manifesta inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98 no julgamento do RE 346.0846 com a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 993 20 do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso extraordinário nº 346.0846/PR, Relator Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 9 de novembro de 2005, publicado em 11 de setembro de 2006).” Sendo assim, em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, deve essa conselheira respeitar no âmbito do CARF as decisões definitivas do STF que tenha declarado inconstitucional dispositivo, entre outros, de lei. Dessa forma, ainda que se entenda que a contabilização deva ser feita no ativo circulante, em respeito a decisão definitiva do STF, não há como se afastar o entendimento de que a receita da venda das referidas ações não deva ser tributada pelo PIS e Cofins. Resta, para tanto, esclarecer que a receita de atividade própria das Instituições Financeiras é efetivamente a receita de intermediação financeira de seus clientes – ou seja, as taxas e as comissões auferidas por essas instituições. As Instituições Financeiras não tem como atividade própria comprar e vender ações. Tal interpretação seria absurda, vez que as Instituições Financeiras são organizações estruturadas e coordenadas, que tem como atividade o gerenciamento de recursos de terceiros, prover meios pecuniários para financiar a aquisição de bens e serviços, a realização de empreendimentos, a cobertura de despesas pessoais ou gerais, a manutenção de capital de giro, o abatimento de dívidas preexistentes, e as demais atividades inerentes à vida econômica/financeira das pessoas físicas e jurídicas, de Direito público e privado – E NÃO COMPRAR E VENDER AÇÕES PARA AUFERIR RECEITAS E AUMENTAR SEU LUCRO. Entender dessa forma equivocada desvirtuaria a própria atividade da Instituição Financeira. O que, por conseguinte, ainda que as referidas ações não sejam classificadas no ativo permanente, irrefutável que a receita oriunda de sua alienação não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins, considerando que tal receita não é decorrente de sua atividade própria. Sendo assim, tornase impossível tributar pelas contribuições ao PIS e Cofins a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil. Com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, o PIS e a Cofins passaram a incidir somente sobre o faturamento – entendido como aquela receita decorrente das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Considerando os serviços providos pelas Instituições, é de se trazer que o faturamento abrange somente as receitas decorrentes da prestação de serviço das Instituições Financeiras – comissões e taxas de serviços de intermediação de operações realizadas por seus Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 994 21 clientes. Vêse ainda ser absurda qualquer interpretação de que a Instituição Financeira tenha direcionamento à mercancia – considerando que tais ações seriam mercadorias, vez que estaria infringindo regras atribuídas pelo Banco Central do Brasil quando de sua constituição e funcionamento. Eis que a Instituição Financeira não poderia ser constituída com tal finalidade, pois poderia influenciar no mercado financeiro e de capitais como especulador potencial, tendo em vista seu alto poder financeiro. A Instituição Financeira deve trazer solidez aos seus clientes, e não desconforto ao mercado. Deve prezar por disponibilizar os melhores serviços – empréstimo, manutenção de contas correntes, etc, não desviando sua finalidade para COMPRAR E VENDER AÇÕES no mercado, pois caso isso acontecesse geraria enorme insegurança aos investidores institucionais, varejo e outros segmentos. Por isso, há controles e fiscalização por órgãos reguladores – quais sejam, Banco Central do Brasil e Comissão de Valores Mobiliários. Sendo assim, tornase claro que a receita decorrente da alienação das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais não deve ser tributada pelo PIS e pela Cofins. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto à outra matéria suscitada em Recurso incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, atento que tal discussão ficou prejudicada, considerando o direcionamento dado pelos conselheiros em relação à matéria anterior. Considerando todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Coube a mim redigir o voto vencedor somente em relação à admissibilidade, pois em relação ao mérito a ilustre relatora teve o seu voto aprovado por maioria. Todos os requisitos regimentais para que fosse dado segmento ao Recurso Especial foram perfeitamente cumpridos. Ao confrontar as ementas e trechos dos votos condutores dos acórdãos confrontados, comprovase a divergência suscitada, pois enquanto na decisão recorrida decidiuse pela classificação das ações no Ativo Permanente e sua conseqüente exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins, no paradigma analisado restou assentado que a classificação correta das ações seria no Ativo Circulante e sua venda corresponderia a faturamento representado por receitas oriundas das atividades empresariais. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001362/201055 Acórdão n.º 9303004.183 CSRFT3 Fl. 995 22 Verificouse também que a matéria foi prequestionada, o(s) paradigma(s) apresentado(s) foi(ram) proferido(s) por colegiado(s) distinto(s) do da decisão recorrida e não sofreu(ram) reforma e não foi constatado que a(s) tese(s) paradigma(s) tenha(m) sido superada(s) pela CSRF. Portanto, presentes os pressupostos de admissibilidade, deve o recurso especial ser admitido. A relatora não deu seguimento ao recurso sob o argumento de o acórdão paradigma trazer a incidência de PIS e Cofins nas vendas dos títulos efetuados especialmente por sociedades corretoras e, no presente caso, tratarse de um banco comercial, que, por sua vez, não possui “faturamento” equivalente ao da corretora. Tal peculiaridade não tem o condão de descaracterizar a divergência, devendo, assim, o presente recurso ser admitido e ter o seu mérito apreciado por este colegiado. Inclusive eu, como presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção, já tinha decidido pelo segmento do recurso e aqui o faço novamente. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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