Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10711.005029/2007-08
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/05/2006
PROVA PERICIAL. DISPENSABILIDADE. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Logo, se a prova contida nos autos é suficiente para a compreensão da natureza da mercadoria e para a sua adequada classificação fiscal, não cabe o deferimento da perícia requerida.
DURALINK HTS. ADITIVO PARA BORRACHA. BEM DECORRENTE DE PROCESSO DE FABRICAÇÃO ESPECÍFICO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA. NCM 3812.30.19
De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 807/2008, a Posição 2930 não se aplica aos bens decorrentes de um processo de fabricação específico. Em se tratando de mistura intencional, aditivo para borracha, incide a Posição 3812, mais precisamente a NCM 3812.30.19 (Outros), por exclusão das Subposições anteriores, uma vez que o produto Duralink não constitui acelerador de vulcanização (38.12.10) nem plastificante composto (3812.20).
ERRO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84, I, MP 2.158-35/2001. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇA DO IPI INCIDENTE NA IMPORTAÇÃO. CABIMENTO.
Uma vez demonstrada a classificação incorreta de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), deve ser mantida a exigência da multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, bem como da diferença do crédito tributário relativo IPI incidente na importação, acrescido da multa de-ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/05/2006 PROVA PERICIAL. DISPENSABILIDADE. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Logo, se a prova contida nos autos é suficiente para a compreensão da natureza da mercadoria e para a sua adequada classificação fiscal, não cabe o deferimento da perícia requerida. DURALINK HTS. ADITIVO PARA BORRACHA. BEM DECORRENTE DE PROCESSO DE FABRICAÇÃO ESPECÍFICO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA. NCM 3812.30.19 De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 807/2008, a Posição 2930 não se aplica aos bens decorrentes de um processo de fabricação específico. Em se tratando de mistura intencional, aditivo para borracha, incide a Posição 3812, mais precisamente a NCM 3812.30.19 (Outros), por exclusão das Subposições anteriores, uma vez que o produto Duralink não constitui acelerador de vulcanização (38.12.10) nem plastificante composto (3812.20). ERRO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84, I, MP 2.158-35/2001. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇA DO IPI INCIDENTE NA IMPORTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez demonstrada a classificação incorreta de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), deve ser mantida a exigência da multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, bem como da diferença do crédito tributário relativo IPI incidente na importação, acrescido da multa de-ofício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10711.005029/2007-08
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5182944
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.449
nome_arquivo_s : Decisao_10711005029200708.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10711005029200708_5182944.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4463445
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216717717504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 299 1 298 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.005029/200708 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.449 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria MULTACLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇÕES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/05/2006 PROVA PERICIAL. DISPENSABILIDADE. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Logo, se a prova contida nos autos é suficiente para a compreensão da natureza da mercadoria e para a sua adequada classificação fiscal, não cabe o deferimento da perícia requerida. DURALINK HTS. ADITIVO PARA BORRACHA. BEM DECORRENTE DE PROCESSO DE FABRICAÇÃO ESPECÍFICO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA. NCM 3812.30.19 De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 807/2008, a Posição 2930 não se aplica aos bens decorrentes de um processo de fabricação específico. Em se tratando de mistura intencional, aditivo para borracha, incide a Posição 3812, mais precisamente a NCM 3812.30.19 (“Outros”), por exclusão das Subposições anteriores, uma vez que o produto Duralink não constitui “acelerador de vulcanização” (38.12.10) nem “plastificante composto” (3812.20). ERRO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. ART. 84, I, MP 2.15835/2001. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇA DO IPI INCIDENTE NA IMPORTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez demonstrada a classificação incorreta de mercadoria importada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), deve ser mantida a exigência da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 50 29 /2 00 7- 08 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, bem como da diferença do crédito tributário relativo IPI incidente na importação, acrescido da multa deofício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/05/2006 LAUDO PERICIAL Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, é exigível a diferença de tributos com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005029/200708 Acórdão n.º 3802001.449 S3TE02 Fl. 300 3 Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discutese, portanto, a legalidade da aplicação da multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, cabível nas hipóteses de classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), bem como da diferença do crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na importação. O Recorrente importou mercadoria descrita na declaração de importação (DI) como “Duralink HTS_PDR_DS, acondicionados em 400 sacos de 20Kg cada Cas Reg n° 5719733, Nome: Iupac: Hexamethylene16Bis (Thiosulfate), Disodium Salt, Dihydrate Hexemetileno16Bis (Tiosulfato) de Sódio, Dihidrato Notas: Na03S2 (CH2) 6S203Ns, 2H20 Função: agente de anti reversão”, classificandoa na NCM 2930.90.99: 2930 Tiocompostos orgânicos. 2930.90.99 Outros Contudo, a autoridade lançadora, após solicitar a elaboração de laudo pericial do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, entendeu que a natureza do produto seria uma “Preparação à base de Hexametileno1,6Bis (Tiosulfato) Dissódico, Dihidratado, contendo óleo mineral, para uso como estabilizador em sistema de vulcanização de borrachas”, sujeita à NCM 3812.30.19: 38.12Preparações denominadas “aceleradores de vulcanização”; plastificantes compostos para borracha ou plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições; preparações antioxidantes e outros estabilizadores compostos, para borracha ou plásticos. 3812.30.19Outros Em suas razões recursais, o sujeito passivo sustenta que a mercadoria importada consiste no composto orgânico Hexametileno de sódio1,6diidratado de bitio sulfato, de constituição química definida, submetido à NCM 2930.90.99. Aduz que a vaselina líquida, adicionada ao produto, é praticamente desprezível (percentual de 1% a 2%), servindo apenas para conservar o composto (substância antipoeira). Assim, nos termos da nota 1, “a” e “g”, da posição 29 (IN SRF nº 807/2007), não se pode afastar a qualificação do produto como composto orgânico de constituição definida. Alega, ademais, que a classificação da Receita Federal está equivocada, porque baseada em laudo pericial pouco elucidativo, omisso, elaborado em consonância com método incorreto e “inábil para ser levado em consideração em uma classificação tributária”. Sustenta a necessidade de realização de prova pericial e pleiteia, ao final, a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Conselheiro Relator Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 09/08/2010 (fls. 245) e o protocolo do recurso, em 26/08/2010 (fls. 248). Tratase, portanto, de recurso tempestivo, que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Inicialmente, cumpre destacar que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No presente caso, entendese dispensável a realização da perícia, porquanto a prova contida nos autos notadamente, o laudo do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fls. 29) e os documentos de fls. 113229, inclusive as informações sobre o produto disponibilizadas pelo fabricante mostrase suficiente para a compreensão da natureza da mercadoria e para a sua adequada classificação fiscal. Com efeito, de acordo com o laudo do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, a mercadoria importada constitui uma “[...] preparação à base de hexametileno 1,6bis(tiosulfato)dissódico, dihidratado, contendo óleo mineral, apta para uso como estabilizador em sistema de vulcanização de borrachas” (fls. 29. gn). O Recorrente, por sua vez, apresentou informações técnicas do fabricante Flexsys, contendo os seguintes dados sobre a caracterização química do produto: DURALINK HTS “Hexametileno1.6bis(tiosulfato), sal dissódico, dihidrato” Função: “O Duralink HTS é usado nos sistemas de vulcanização baseados em enxofre para gerar reticulados híbridos que proporcionem a retenção aumentada das propriedades físicas e dinâmica quando expostas a condições anaeróbicas em temperaturas elevadas tais como aquelas experimentadas durante uma supercura, quando usando altas temperaturas de cura ou durante a vida útil do produto” Por outro lado, de acordo com o documento de fls. 113, o produto constitui um aditivo para borracha, que decorre de processo de fabricação descrito nos moldes seguintes (ver 2.0 Descrição do processo): Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005029/200708 Acórdão n.º 3802001.449 S3TE02 Fl. 301 5 “O processo, para fabricação do aditivo para borracha é aplicado em um processo de fornada com múltiplas etapas onde o tiosulfato de sódio (tio) reage com 1,6diclohexano (DCH) em uma solução de metanol. As etapas do processo incluem reação primária, filtração dos subprodutos salinos, cristalização, separação por centrifugação e lavagem, secagem do bolo e embalagem da massa e recuperação por metano [...]”; Notase, assim, que, de acordo com as informações do fornecedor, o produto constitui um composto químico (“hexametileno1.6bis(tiosulfato), sal dissódico, dihidrato”), com função de aditivo para borracha, fruto de um processo de fabricação específico, o que, por sua vez, não difere das conclusões do laudo oficial, reproduzido acima. Não é procedente, destarte, a alegação de que classificação adotada pela Receita Federal seria baseada em laudo pericial pouco elucidativo, omisso, elaborado em consonância com método incorreto e “inábil para ser levado em consideração em uma classificação tributária”. Afinal, a composição química indicada no laudo não difere das informações do fabricante. A discrepância, a rigor, não está na composição química, mas no enquadramento da mercadoria como preparação ou produto de composição química definida. Nesse sentido, importa considerar o disposto nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 807/2008, na redação vigente à época do evento imponível. Estas, por sua vez, estabelecem que a NCM 2930.90.99, adotada pelo Recorrente, aplicase apenas (i) aos “compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente”; e (ii) à soluções de tais produtos “desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral”: 29.30 Tiocompostos orgânicos. 2930.90 Outros Capítulo 29 Produtos químicos orgânicos Notas. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; [...] e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral;” Por outro lado, ainda de acordo com as Nesh, a NCM 3812.30.19, considerada a correta pelo auto de infração impugnado, aplicase aos produtos seguintes: 38.12 Preparações denominadas “aceleradores de vulcanização”; plastificantes compostos para borracha ou plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições; preparações antioxidantes e outros estabilizadores compostos, para borracha ou plásticos. 3812.10 Preparações denominadas “aceleradores de vulcanização” 3812.20 Plastificantes compostos para borracha ou plásticos 3812.30 Preparações antioxidantes e outros estabilizadores compostos, para borracha ou plásticos [...] Os termos “compostos” e “preparações”, referidos nesta posição, incluem: 1º) As misturas intencionais, e 2º) As misturas de reação que incluem os produtos fabricados a partir de séries homólogas como, por exemplo, a partir de ácidos graxos (gordos*) e de álcoois graxos (gordos*), da posição 38.23. À luz das disposições citadas, fica bastante claro que a Posição 2930 não se aplica aos bens decorrentes de um processo de fabricação específico. Em se tratando de mistura intencional, incide a Posição 3812, mais precisamente a NCM 3812.30.19 (“Outros”), por exclusão das Subposições anteriores, uma vez que o produto não constitui “acelerador de vulcanização” (38.12.10) nem “plastificante composto” (3812.20). Entendese, assim, que deve ser mantida a exigência da multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, cabível nas hipóteses de classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), bem como a diferença do crédito tributário relativo IPI incidente na importação e da multa deofício: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Votase, portanto, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso, mantendose a decisão recorrida. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005029/200708 Acórdão n.º 3802001.449 S3TE02 Fl. 302 7 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000072/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO APENAS QUANDO PRESENTES.
Os embargos de declaração possuem função corretiva e integradora, visando à completude, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades à boa compreensão e óbices à eficaz execução do julgado. São cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual deve pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar os Embargos de Declaração do contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jorge Víctor Rodrigues, Hélcio Lafetá Reis e Juliano Eduardo Lirani, que acolheram os aclaratórios para o efeito de dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO APENAS QUANDO PRESENTES. Os embargos de declaração possuem função corretiva e integradora, visando à completude, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades à boa compreensão e óbices à eficaz execução do julgado. São cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual deve pronunciar-se a turma.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10820.000072/2006-51
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5185824
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.829
nome_arquivo_s : Decisao_10820000072200651.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10820000072200651_5185824.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar os Embargos de Declaração do contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jorge Víctor Rodrigues, Hélcio Lafetá Reis e Juliano Eduardo Lirani, que acolheram os aclaratórios para o efeito de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 4487382
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216728203264
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-02-04T02:10:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-02-04T02:10:59Z; Last-Modified: 2013-02-04T02:10:59Z; dcterms:modified: 2013-02-04T02:10:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d3e55411-9ebb-4b69-b656-f67f0995ef52; Last-Save-Date: 2013-02-04T02:10:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-02-04T02:10:59Z; meta:save-date: 2013-02-04T02:10:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-02-04T02:10:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-02-04T02:10:59Z; created: 2013-02-04T02:10:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2013-02-04T02:10:59Z; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-02-04T02:10:59Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 1 210 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.000072/200651 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3803003.829 – 3ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria RESSARCIMENTO IPI Embargante EDITORA FOLHA DA REGIÃO DE ARAÇATUBA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO APENAS QUANDO PRESENTES. Os embargos de declaração possuem função corretiva e integradora, visando à completude, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades à boa compreensão e óbices à eficaz execução do julgado. São cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual deve pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar os Embargos de Declaração do contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jorge Víctor Rodrigues, Hélcio Lafetá Reis e Juliano Eduardo Lirani, que acolheram os aclaratórios para o efeito de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 00 72 /2 00 6- 51 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Cuida o que ora se aprecia de embargos de declaração interpostos pela Editora Folha da Região de Aracatuba Ltda. contra o Acórdão nº 3803001.442, de 06 de abril de 2011, da 3ª Turma Especial, da 3ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, com fulcro no art. 65 do seu Regimento InternoRI/CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, nos termos da petição anexa. A Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda. refere, primeiro, que houve dois erros materiais na decisão embargada, consubstanciados em premissas equivocadas: a) quanto aos documentos anexos de números 6 a 12, que não poderiam ser considerados como não apresentados juntamente com a manifestação de inconformidade. Afirma que, na verdade, foram apresentados no conjunto da defesa à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araçatuba/SP, decerto não juntados pelos servidores aos autos do processo; b) quanto à classificação fiscal do jornal que edita como Não Tributável, assim considerada pela dita decisão, em virtude da imunidade objetiva, olvidando ser esta uma questão superada com a manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba no Parecer SAORT 10820/52/2009, que admitiu tratarse de produto sujeito à alíquota zero; Afirma que “não há argumento contraditório [...] ao dizer [...] que não é caso de produto classificado com notação NT, mas sim à alíquota zero, e além disso defenderse em relação com base no argumento de que o produto seria imune. Tratase de pedidos sucessivos, para que um seja considerado na hipótese de o outro não ser acatado [...], conforme dispõe o artigo 289 do Código de Processo Civil1.” O terceiro fundamento dos presentes embargos situase na omissão do julgado em não ter apreciado o argumento da Recorrente, reiterando o que trouxera na manifestação de inconformidade, no tópico “Artigo 146 do Código Tributário Nacional”, em que pleiteava a aplicação deste artigo ao caso, por ter havido modificação no critério jurídico utilizado pelo Fisco com a edição do ADI SRF n° 5/2006, que interpretou a abrangência do termo imune do art. 4° da IN SRF n° 33/99 de maneira a lhe ser desfavorável. Sendo novo o entendimento, sustenta, não deve alcançar fatos geradores anteriores à publicação do ADI, neste caso, o segundo trimestre de 2005. É o relatório. 1 Art. 289. É lícito formular mais de um pedido em ordem sucessiva, a fim de que o juiz conheça do posterior, em não podendo acolher o anterior. Voto O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10820.000072/200651 Acórdão n.º 3803003.829 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Registrese, primeiramente, que há equívoco da Embargante ao afirmar que a decisão embargada teria afirmado que os documentos de números 6 a 12 não foram apresentados juntamente com a manifestação de inconformidade. Ao contrário, a afirmação foi de que apenas na manifestação de inconformidade, não mais no recurso, a Defendente fez menção a tais documentos, com os quais pretendeu demonstrar estar sujeito à tributação do IPI. Não presentes no recurso o argumento e os respectivos documentos o voto considerou não devolvida a controvérsia neste ponto. Em vista disso, não o houve erro material indicado, e, acrescento, não houve omissão na desconsideração dos documentos ausentes, em razão da apreciação que sobre este fato se fez e sua implicação no âmbito tributário. No que tange à classificação fiscal do jornal como Não Tributável também não houve erro material, em desconsideração à feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba no Parecer SAORT 10820/52/2009, manifestou no processo nº 10820.001435/200411. Verdade é que, o que consta do acórdão embargado, neste aspecto, é a valoração jurídica dos fatos, segundo a qual fundada no teor da Defesa, argumentos e descrição sumária do jornal de conter publicidade e ser editado durante seis dias por semana não se vê desnaturada a identidade básica do jornal de ser um produto “NT”, e, consequentemente, ter considerado que não os dados do argumento trazido pela Recorrente não remete esse produto para a classificação correspondente à alíquota “zero” na TIPI. E nessa linha também decidira o colegiado a quo. A conclusão da valoração dos fatos foi que o jornal editado pela Editora Folha da Região de Araçatuba é produto “NT”. À luz do discernimento dos fatos, segundo os argumentos da Defesa, a posição tomada baseiase no entendimento já exposto no RE 213.094, de relatoria do Min. Ilmar Galvão, pelo qual, para que o jornal movase para a classificação pretendida, é mister que o jornal seja composto de encarte destinado excepcionalmente a publicidade comercial, não se configurando para este suplemento o albergue da não incidência constitucional; dito de outro modo, exige que a publicidade por ele veiculada não esteja inserida no próprio corpo da publicação. No caso, a descrição dos fatos na peça de defesa não possui estes contornos. Por isso, o acórdão concebeu que o produto subsiste com a classificação NT e aplicou a Súmula nº 20 do CARF. Quanto à omissão em não ter apreciado o argumento relativo ao tópico “Artigo 146 do Código Tributário Nacional”, o acórdão embargado sustentou que a decisão de primeira instância deixou claro que não houve no ADI SRF n° 5/2006 mudança de critério jurídico pela Receita Federal em contraposição ao estabelecido no art. 4º da IN SRF nº 33/99. Textualmente: Ao fim, concluiu que a linha mestra das disciplinas anteriores à Lei n° 9.779/99, nela mantida, no tocante à necessidade de o produto estar sujeito à incidência do IPI, para que a pessoa jurídica faça jus ao ressarcimento do saldo credor, foi apenas externada pela ADI SRF n° Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN 4 5/2006, deixando claro que não houve neste Ato mudança de critério jurídico pela Receita Federal em contraposição ao estabelecido no art. 4º da IN SRF nº 33/99. Assim sustentado, o acórdão assentou que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não contém previsão implícita de ressarcimento de créditos de IPI decorrente da saída de produtos imunes. Firmou, ainda, a compreensão de que o termo imune na regulamentação provida pela IN SRF 33/99 não respalda o entendimento da Recorrente, de que os produtos NT são alcançados pela regra do art. 11 da Lei nº 9.779/79. Consequentemente, com isso posto, restou claro que o ADI SRF n° 5/2006 não promoveu mudança de critério jurídico. Reitero o entendimento firmado no acórdão no recurso voluntário, segundo o qual o argumento da Recorrente na defesa da imunidade do seu produto é mutuamente excludente daquele que lhe atribui alíquota zero, circunstância esta alcançada pela regra matriz do art. 11 da Lei nº 9.799/99. Se é imune como pode ser, concomitantemente, alíquota zero. O que pretendeu a Defendente foi: uma vez não admitidas as provas referentes à publicidade dentro do conteúdo do jornal, no crivo deste Juízo, como habilitadas a permitir a sua classificação no “ex” que atribui ao produto a alíquota zero, sustenta, alternativamente, que a IN SRF nº 33/99 está a dizer que a regra do ressarcimento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 abrange a apuração de créditos decorrentes da saída de produtos imunes. Pelo exposto, admito o recurso como embargos de declaração, por atender os requisitos objetivos e subjetivos para sua admissibilidade, e, no mérito, rejeitoos. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000332/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14120.000332/2008-06
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5183459
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-000.406
nome_arquivo_s : Decisao_14120000332200806.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
nome_arquivo_pdf_s : 14120000332200806_5183459.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4473113
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216730300416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 351 1 350 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000332/200806 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.406 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente JOSIMAR FERREIRA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 41 20 .0 00 33 2/ 20 08 -0 6 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 14120.000332/200806 Resolução nº 2202000.406 S2C2T2 Fl. 352 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 173 a 179, integrado pelos demonstrativos de fls. 183 e 184, pelo qual se exige a importância de R$499.557,42, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 175 a 179, na qual o autuante esclarece que: · foi constatada a existência de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, representados por pagamentos com cartões de crédito cuja origem dos recursos não foi comprovada; · a relação dos pagamentos realizados e os montantes das omissões apuradas estão demonstrados em dois anexos denominados: Anexo I Relação dos Pagamentos Realizados com cartão de crédito e Anexo II Demonstrativo do Fluxo Financeiro Mensal do ano calendário de 2005 (fls. 169 a 171); · as informações relativas aos gastos com cartões de crédito foram obtidas por meio de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF junto ao Banco Bankpar S/A, ao Banco Citicard S/A, ao Banco do Brasil S/A, ao Banco Itaucard S/A, ao HSBC Bank Brasil S/A e ao Unicard Banco Múltiplo S/A; · o item "C" do Anexo II "Resultado da Análise" indica que as origens de recursos são menores que os dispêndios/aplicações (R$ 1.839.895,43 menos as origens R$ 18.556,81), apurandose uma omissão de rendimentos no montante anual de R$1.824.446,62, representando renda presumida sujeita à autuação nos termos do art. 846 do Decreto 3.000/1999 (sinais exteriores de riqueza). DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 195 a 200, instruída com os documentos de fls. 201 a 206, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 210): O contribuinte, não resignado, impugnou o lançamento, alegando que os pagamentos realizados com o uso de seus cartões de crédito se referem, em grande parte, a despesas de terceiro, o qual, na condição de verdadeiro devedor, fornecia ao impugnante recursos suficientes para a liquidação das faturas. Os cartões de crédito foram emprestados graciosamente à empresa Tendência Informações e Sistemas Ltda., que, efetuando compras de cartões de telefone celular, debitava as despesas nos cartões de crédito do impugnante. Por essa razão, a quase totalidade dos valores consignados nas respectivas faturas referiase a dispêndios pertencentes àquela empresa. Para Fl. 352DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 14120.000332/200806 Resolução nº 2202000.406 S2C2T2 Fl. 353 3 comproválo, basta verificar, pelo exame das faturas, que a maioria dos pagamentos se destinava à empresa Vivo S/A e suas coligadas. Afirmou ainda que a empresa Tendência lançou em sua declaração todos os valores pagos mediante uso dos cartões do impugnante. Corrobora essa assertiva a declaração da empresa Tendência, firmada pelo sócio Valzumiro Ceolim. Foram pagos também, com uso dos aludidos cartões de crédito, os gastos da empresa Josimar Promoções Artísticas Ltda. com aquisição de passagens aéreas da TAM. A autuação, portanto, tomou por base fato que não ocorreu, já que não reverteram em favor do impugnante as quantias consignadas no auto de infração. Quanto à multa, alegou natureza confiscatória; quanto aos juros, ilegalidade e abusividade. Com esses fundamentos, pugnou pelo cancelamento da autuação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 0423.208 (fls. 208 a 212), de 28/01/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DISPÊNDIOS SUPERIORES AOS RENDIMENTOS INFORMADOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizase como omissão de rendimentos, para fins de tributação pelo Imposto de Renda, a existência de dispêndios em montante superior aos rendimentos informados na declaração de ajuste anual. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DESCONTO DE 20% DOS RENDIMENTOS BRUTOS. LIMITE LEGAL. Tendo o contribuinte optado pela declaração simplificada, é cabível a utilização do desconto simplificado no valor correspondente a 20% do total dos rendimentos tributáveis ou até o limite máximo permitido pela lei vigente à época do fato gerador. MULTA. JUROS DE MORA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas, pela norma legal, a princípios constitucionais, inclusive o que veda o tributo confiscatório. O relator a quo esclarece à fl. 212 que o contribuinte optou “pela declaração simplificada, o que lhe assegurava o direito ao desconto no valor de 20% dos rendimentos tributáveis, limitado a RS 10.340,00, nos termos do art. 10 da Lei n° 9.250/1995, com redação Fl. 353DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 14120.000332/200806 Resolução nº 2202000.406 S2C2T2 Fl. 354 4 dada pelas Leis n° 11.119/2005” e, como na declaração original o desconto simplificado informado é de R$3.108,00 (20% dos rendimentos declarados), “ao serem adicionadas à base de cálculo os rendimentos omitidos, o total dos rendimentos tributáveis foi elevado a R$1.836.878,62” tem ele o direito de aumentar na mesma proporção o desconto simplificado. Dessa forma, a decisão recorrida concedeu a dedução no limite máximo admitido pela legislação (R$10.340,00), refazendo os cálculos do imposto devido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A intimação do Acórdão de primeira instância foi encaminhada para a Rua Eduardo Santos Pereira, 934, apto 2201 – São Francisco – Campo Grande/MS (fl. 214), e recebida em 18/02/2011, conforme AR anexado à fl. 217. Em 14/06/2011, transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972, e não tendo sido apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, foi lavrado o termo de perempção de fl. 218. Foi então encaminhada Carta de Cobrança e respectivo demonstrativo do crédito tributário devido (fls. 220 e 221), para a Rua Luis de Albuquerque, 334 – Vila Sobrinho – Campo Grande/MS, recebida pelo contribuinte em 16/06/2011, conforme AR juntado à fl. 223. Em 27/06/2011, foi concedida vista ao presente processo ao procurador do contribuinte (vide instrumento de mandato de fl. 225). O contribuinte interpôs, em 18/07/2011(vide protocolo de documentos anexado à fl. 285), o recurso voluntário de fls. 286 a 295, no qual argúi, preliminarmente a tempestividade de seu pleito, alegando em síntese que: 1. O recurso é tempestivo, uma vez que só teve efetiva ciência do teor da decisão recorrida em 22/06/2011, por meio de seu advogado que obteve cópia da decisão de primeira instância, depois que o ora recorrente recebeu em 16/06/2011 o boleto para pagamento de tributo referente ao presente caso. 2. Afirma que o Aviso de Recebimento de fl. 217, acusando o recebimento da decisão recorrida, foi recebido em 18/02/2011 por José Ferreira dos Santos – porteiro do edifício situado à Rua Eduardo Santos Pereira, no 934 –, onde há tempo não mais residia o intimado. Aduz que jamais recebeu a referida correspondência, falha admitida pelo porteiro que deveria ter informado ao carteiro que o destinatário havia mudado de residência, conforme admitido em declaração que junta aos autos. 3. Uma vez que só pode ter efetiva ciência da situação atual do processo somente em 16/06/2011, depois de receber o boleto de cobrança de fl. 222, requer a restituição do prazo para a interposição de recurso, sob pena de nulidade, com início da contagem do prazo 17/06/2011, findando em 16/07/2011, um sábado, dia que não há expediente, prorrogandose para o dia útil seguinte, ou seja, 18.06.2011 (segundafeira). Em seguida, suscita a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e se insurge quanto ao mérito do lançamento, expondo seus argumentos que não serão aqui minudentemente relatados em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 14120.000332/200806 Resolução nº 2202000.406 S2C2T2 Fl. 355 5 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 12/03/2012, veio digitalizado até à fl. 3501. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 232 (fl. 284 da digitalização). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 14120.000332/200806 Resolução nº 2202000.406 S2C2T2 Fl. 356 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso por este Colegiado encontrase prejudicada por uma questão preliminar. O contribuinte alega que somente teria tomado ciência da decisão de primeira instância, depois do recebimento aviso de cobrança, em 16/06/2011, quando seu advogado obteve cópia da referida decisão, em 22/06/2011. Alega que a intimação do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande de fls. 208 a 212 foi encaminhada a seu antigo endereço e recebida, por descuido, pelo porteiro do edifício que teria admitido sua falha ao não informar que o destinatário havia mudado de residência. Conforme já relatado, a intimação do Acórdão de primeira instância foi encaminhada para a Rua Eduardo Santos Pereira, 934, apto 2201 – São Francisco – Campo Grande/MS (fl. 214), e recebida em 18/02/2011, conforme AR anexado à fl. 217. Verificase que este foi o endereço constante da impugnação apresentada pelo contribuinte (vide fl. 195) e do extrato do processo de fl. 213. Por outro lado, a Carta de Cobrança e respectivo demonstrativo do crédito tributário devido (fls. 220 e 221) foi enviada para a Rua Luis de Albuquerque, 334 – Vila Sobrinho – Campo Grande/MS, e recebida pelo contribuinte em 16/06/2011, conforme AR juntado à fl. 223. Tal endereço consta do extrato do processo de fl. 219. Compulsandose os elementos que compõem os autos não é possível precisar quando ocorreu a alteração do domicílio fiscal do contribuinte, suscitando dúvidas quanto à tempestividade do recurso protocolado em 18/07/2011 (fls. 286 a 295). Dessa forma, a fim de que se possa formar convicção acerca da tempestividade do presente recurso, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora esclareça em que data foi solicitada e efetuada a alteração de endereço junto a Secretaria da Receita Federal, juntando os documentos que entender necessários para corroborar sua informação. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a recorrente deve ser cientificada do resultado da diligência para que se manifeste, se assim o desejar. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 356DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002961/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994
Ementa. PIS-REPIQUE. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA.
Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador.
CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO.
Tratando-se a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito.
Numero da decisão: 3401-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ÂNGELA SARTORI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 Ementa. PIS-REPIQUE. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO. Tratando-se a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10840.002961/2003-71
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177904
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3401-002.091
nome_arquivo_s : Decisao_10840002961200371.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 10840002961200371_5177904.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. ÂNGELA SARTORI - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4419050
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216768049152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002961/200371 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.091 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria PIS Pasep Recorrente Ribeirão Diesel Adm. de Consórcios Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 Ementa. PISREPIQUE. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO. Tratandose a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 29 61 /2 00 3- 71 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ÂNGELA SARTORI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 6 3 Trata o presente processo de Pedido de Restituição, protocolado em 14/08/2003, no valor de R$ 594.007,54 (quinhentos e noventa e quatro mil sete reais e cinquenta e quatro centavos), apresentado pelo Recorrente com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente ao Programa de Integração Social – PIS. Ao pedido foram anexadas cópias do inteiro teor da petição inicial (fls. 02/36), da sentença (fls. 37/44), do acórdão do TRF da 3 a Região (fls. 46/55) e da certidão de trânsito em julgado (fl. 57), além de planilhas demonstrativas do crédito solicitado (fls. 58/61) e dos DARFs de recolhimento da exação, ocorridos no período de outubro/1988 a março/1995 (fls. 76/161). Por meio da referida ação judicial, o Recorrente pleiteou o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, declarandose a exigibilidade do PIS nos moldes da Lei Complementar n° 7/70 (à alíquota de 0,75% incidente exclusivamente sobre o faturamento da empresa, à exceção do ano de 1989, quando a alíquota foi reduzida para 0,35%). Pede, inclusive, que o cálculo da exação seja feito "conforme o parágrafo único do artigo 6 o do referido diploma legal". O Recorrente ainda peticionou em juízo "a condenação da requerida a admitir a compensação das quantias indevidamente pagas", com débitos do próprio PIS, da Cofins e da CSLL, considerandose a atualização monetária do indébito por índices "que meçam a real e efetiva perda do poder aquisitivo da moeda". E, caso não opte pela compensação (nos termos do art. 66, § 3o , da Lei n° 8.383/91), pede pela "condenação da requerida a restituir o indébito". A autoridade judiciária singular julgou procedente o pedido, nos temos do seguinte dispositivo sentença: Diante do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, julgo procedente o pedido para o fim de declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a Autora recolher a contribuição para o PIS, na forma prevista nos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88; prevalecendo a exigibilidade da exação nos termos da legislação anterior (Lei Complementar n° 07/70), reconhecendo o direito da Autora de compensar os valores efetiva e indevidamente recolhidos à esse título, comprovados nos autos, com valor das parcelas vincendas da contribuição para o PIS, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91. Os autos foram remetidos ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, para julgamento do reexame necessário e também da apelação da autora, que pugnou pelo direito de compensar o indébito "com outros tributos administrados pela SRF, bem como pela inclusão de índices inflacionários na correção monetária" (extraído do relatório do acórdão, fl. 46). Referida Corte, entretanto, negou provimento à apelação e à remessa oficial, conforme acórdão e ementa de fl. 55. Não tendo havido recursos aos Tribunais Superiores, a ação transitou em julgado em 06/03/2002. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 4 À vista das verificações efetuadas, a fiscalização apurou o direito creditório possível de ser reconhecido, manifestandose nos termos da informação de fls. (241/246), cujas conclusões seguem transcritas: Diante de todo o exposto, há que se concluir: no que se refere aos períodos de apuração jul/88 a 11/93, pelo não cabimento do pedido de restituição apresentado. Todavia, da mesma forma, não cabe discussão quanto ao direito de compensação do contribuinte, com débitos da própria contribuição, em face do provimento judicial. Efetuados os cálculos, pelo mesmo critério demonstrado na inicial em Juízo, foram apurados os valores constantes do demonstrativo de fls. 237/238, em valores originais e em moeda da época; no que se refere aos períodos de apuração dez/93 a dez/94, pela inexistência de crédito em favor da requerente, tendo em vista que os valores objeto do pleito já foram alcançados pela decadência do direito à restituição (todos os pagamentos acrescentados posteriormente ao processo administrativo foram realizados em data anterior a 14/08/1998); A fiscalização conclui que "há que se proceder ao reconhecimento parcial do direito creditório à interessada, relativamente ao presente processo, conforme valores originais dos créditos apurados no demonstrativo de fls. 237/238, admitida, nos termos do provimento judicial, a compensação de tais créditos com parcelas vincendas do próprio PIS, excluídas as parcelas relativas a demais tributos, e corrigidos monetariamente pelos mesmos índices utilizados pela União Federal para atualização de seus débitos". Foi emitido o despacho decisório de fl. 247, que indeferiu o pedido de restituição, mas reconheceu o direito creditório (conforme apurado pela fiscalização), em face do provimento judicial, bem como homologou as compensações declaradas com suporte no referido crédito (conforme Declarações de Compensação DCOMPs transmitidas a partir de 12/09/2003), até o limite do crédito reconhecido, "desde que efetuadas com débitos da própria contribuição". Nesse passo, importa transcrever as ementas que integraram o referido despacho decisório: PIS Programa de Integração Social Pagamento a maior ou indevido Decadência O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. Prazo de Recolhimento A Lei n° 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6o da L.C. n" 07/70; não sobreviveu portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como originalmente determinava o referido dispositivo. Compensação A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Decisão Judicial Compensação O aproveitamento do crédito tributário havido contra a Fazenda Nacional, via decisão judicial, deverá ocorrer da forma determinada no julgado. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 7 5 Em 16/04/2007, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, por meio da qual aduz, em síntese, que: a) "analisandose o conteúdo das informações de fls. 241/246, fica claro que o indeferimento do pedido de compensação foi parcial"; b) a discordância do Fisco cingiuse a dois motivos: "a) o uso do critério da semestralidade previsto no art. 6o , parágrafo único, da Lei Complementar n° 07, de 1970, para o PIS, que teria sido revogado pela Lei n° 7.691, de 1988; b) houve inclusão de valores que não teriam sido objeto da ação judicial, o que acabou provocando a decadência dos mesmos"; c) a Lei n° 7.691, de 1988, "em nada alterou a apuração da exação de julho com base no faturamento de janeiro". Em verdade, "a semestralidade só foi revogada pela Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, não alcançando, assim, os períodos de apuração relativos ao indébito pleiteado. Nesse sentido já se pronunciou o antigo 2º Conselho de Contribuintes, conforme ementas de decisão trazidas à colação. Ademais, a sentença "assegurou a total aplicação dos ditames da Lei Complementar n° 7, de 1970", que estava em vigor no período dos recolhimentos relativos ao indébito pleiteado; d) a correta interpretação do dispositivo sentencial deve ser no sentido de considerar que a declaração de inexistência da relação jurídico tributária tem "caráter continuativo", devendo "prevalecer enquanto permanecer inalterada a legislação acerca do assunto", que só foi alterada em 1995. Neste caso, os pagamentos incluídos na petição administrativa, que não haviam sido incluídos na petição judicial (relativos aos períodos de apuração dez/93 a dez/94), também devem ser objetos de restituição. E este o entendimento da melhor doutrina e também do STJ, conforme julgado trazido à ilustração. "Sob a ótica desse raciocínio, podese afirmar que todo o período elencado no pedido de restituição está coberto pela coisa julgada, de sorte que não há que se falar em decadência, mesmo porque o prazo quinquenal é contado a partir do trânsito em julgado da sentença judicial, nos termos do art. 168, inciso II, do Código Tributário Nacional". Conclui a recorrente pleiteando a reforma da decisão recorrida, "acolhendose integralmente o pedido de compensação tal como foi proposto". Após o processo ter sido encaminhado para julgamento da manifestação de inconformidade (fl. 271) e antes de ter sido julgado, retornou a pedido da autoridade preparadora, "para fins de verificações de DCOMPs vinculadas ao crédito em questão, bem como efetivação da compensação no processo" (fl. 272). Às fls. 277/492 foram acostados extratos das DCOMPs eletrônicas enviadas pela contribuinte com suporte relativo a este processo, transmitidas no período de 12/09/2003 a 20/06/2007. Efetuados os procedimentos de compensação do direito creditório reconhecido, remanesceram débitos relativos a compensações nãohomologadas (que não se referiam a débitos de PIS), que foram objetos de cobrança nos termos da Intimação de fls. 523/524, que também oportunizou à interessada o direito de manifestar inconformidade no prazo de 30 dias. Referida intimação foi recebida em 13/03/2009 (fl. 538), e em 09/04/2009 foi protocolada nova manifestação de inconformidade, conforme peça de fls. 545/560. Nesta nova peça, após preliminarmente requerer que "seja atribuído efeito suspensivo à presente Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 6 manifestação de inconformidade", nos termos legais apontados a recorrente aduz que a limitação das compensações do direito creditório reconhecido apenas aos débitos de PIS ignorou a revogação do art. 66 da Lei n° 8.383/91 pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96, "norma que possibilita a compensação ampla entre tributos administrados pela RFB", o que ocorreu após a prolação da sentença. Prossegue asseverando que "a sentença judicial passada em julgado apenas declarou o direito de compensação da autora da ação (no caso, a contribuinte ora recorrente), declaração ao direito de compensação essa que hoje sequer é mais necessária. A maneira e alcance desse direito de compensação deve obedecer as normas vigentes à época da efetivação da compensação, principalmente se nova norma veio a ampliar o direito de compensação dos contribuintes". Entende ainda a Recorrente, que o caso se trata de aplicação do princípio da retroatividade benigna (conf. art. 106 do CTN). Aponta que este entendimento é defendido pelos Conselheiros Maria Teresa Martines Lopes e Emanuel Carlos Dantas de Assis, na sua obra "Compensação Tributária" MP Editora, 2007, pp. 101/104), assim como pelo STJ, conforme julgado que também traz à transcrição. Prossegue pontuando que, "caso se admitisse tal limitação à compensação em razão da existência de coisa julgada, a contribuinte ora recorrente sofreria indevida discriminação em relação a outros que sequer ingressaram com ações judiciais", valendose apenas dos efeitos erga omnes conferidos, na espécie, pela Resolução do Senado Federal n° 49/1995. Neste caso, restaria ferido o princípio constitucional da isonomia tributária (conf. art. 150, inc. II, da CF/88). Assinala, que o STJ "já apreciou caso análogo ao presente, em que a Fazenda Pública se negou a autorizar a compensação de FINSOCIAL com parcelas vincendas de COFINS porque o título judicial não previu expressamente a possibilidade de compensação", conforme ementa igualmente transcrita no recurso. Conclui requerendo "a reforma do despacho decisório que limitou as compensações a parcelas vincendas de contribuição ao PIS, para que sejam admitidas também as demais compensações que foram realizadas com demais tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil". As manifestações de inconformidade trazidas pela interessada já haviam sido objeto de julgamento por esta Turma, conforme Acórdão n° 30.357, de 02 de agosto de 2010 (fls. 578/594), por meio do qual concluise, à unanimidade, pela parcial procedência dos protestos aduzidos, nos termos do voto cujo conteúdo segue reproduzido: Conclusão Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para o fim de reconhecer o direito de a interessada ter homologadas as compensações realizadas com supedâneo no crédito oriundo do provimento judicial obtido nos autos da ação ordinária n°94.03038004 (2a Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto), de quaisquer débitos administrados pela Receita Federal, até o limite do crédito reconhecido, que deverá ser calculado pelo regime da semestralidade sem a correção monetária da base de cálculo, excluindose eventuais créditos decorrentes dos pagamentos relativos a períodos de apuração ocorridos entre dezembro/93 a dezembro/94, que não constaram do pedido judicial. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 8 7 Remetidos os autos à unidade preparadora, para ciência da contribuinte e demais providências, a autoridade fiscal constatou "incorreção no procedimento de apuração adotado inicialmente no caso em tela". Isto porque, "tratandose de empresa cuja receita não provém da venda de mercadorias, a aplicação da LC nr. 07/70 implica na apuração da contribuição devida para o PIS, mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o valor do Imposto de Renda devido, ou como se devido fosse (PISDedução e PISRepique), e não mediante a aplicação da alíquota de 0,75% sobre a base de cálculo mensal" (fl. 595). Prossegue a autoridade asseverando que, desta forma, "resultou incorreta a apuração inicial da contribuição devida conforme realizada às fls. 223/238". E em razão desta constatação, com supedâneo no que dispõe o art. 27 da Portaria MF n° 58, de 2006, a autoridade a quo decidiu retornar o processo a DRJ para que fosse avaliada "a necessidade de reexame do caso em questão, em especial no que se refere à determinação explícita no Acórdão quanto à forma de apuração da contribuição devida". Em análise aos argumentos da Recorrente a DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INEXATIDÕES MATERIAIS CORREÇÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 31/12/1994 PISREPIQUE. EMPRESA NÃO COMERCIAL. SEMESTRALIDADE.IMPERTINÊNCIA. Uma vez constatado que a interessada não se trata de empresa comercial, temse como impertinente à espécie os protestos acerca da aplicação da apuração do crédito considerando o regime da semestralidade. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. APURAÇÃO DO INDÉBITO NOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. ADEQUAÇÃO AO PEDIDO. Tratandose a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado originalmente pela autora. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 31/12/1994 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/1988 A 31/12/1994 CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SRF. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Os créditos de natureza tributária relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes, desde que tal procedimento não afronte os fundamentos que embasaram a decisão de mérito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No Recurso Voluntário o Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade requerendo: “que se reforme a decisão recorrida e ao final seja homologada a totalidade das compensações realizadas.” É o Relatório. Voto Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 9 9 Conselheira Relator Angela Sartori O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele tomo conhecimento. A não homologação da compensação realizada pelo contribuinte referese ao período em que supostamente não estaria abrangido pela decisão judicial supra citada, conforme entendimento da autoridade fiscal. Descrevemos a conclusão da decisão da DRJ: “Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para o fim de reconhecer o direito de a interessada ter homologadas as compensações realizadas com supedâneo no crédito oriundo do provimento judicial obtido nos autos da ação ordinária n° 94.03038004 (2a Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto), de quaisquer débitos administrados pela Receita Federal, até o limite do crédito reconhecido, que deverá ser recalculado pela sistemática conhecida por "PISRepique" (art. 3 o da LC n° 7/70), excluindose eventuais créditos decorrentes dos pagamentos relativos a períodos de apuração ocorridos entre dezembro/93 a dezembro/94, que não constaram do pedido judicial. Eventual contrariedade da interessada acerca do novo crédito apurado e consequente procedimento de liquidação das compensações pretendidas, deverá ser objeto de recurso voluntário endereçado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Para tanto, a DRJ fundamenta sua decisão em dois pontos principais: a) deve se respeitar a literalidade do dispositivo da sentença, em razão da natureza vinculada da administração pública; b) Os pedidos do autor em sua inicial reportavamse exclusivamente aos débitos ali contabilizados; c) ainda que considerada a situação como de trato sucessivo, esta alcançaria apenas a parte declaratória da sentença e não a condenatória. Conforme transcrito acima, três são os pontos de discordância apresentados em sede do recurso voluntário: 1) a apuração do crédito pela sistemática conhecida como "semestralidade"; 2) a decadência do direito de restituir indébitos relativos a períodos de apuração não incluídos no pedido judicial e 3) a possibilidade de compensação do crédito com quaisquer débitos administrados pela Receita Federal; Pois bem, não merece reforma a referida decisão da DRJ, conforme analisaremos a seguir: Na questão da semestralidade a DRJ defende a tese de que o disposto no art. 6º parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70 (sobre o qual reside a questão da "semestralidade"), foi revogado pela Lei n° 7.691, de 1988, não havendo que se falar da apuração do indébito por aquela sistemática, dado que os pagamentos realizados pela contribuinte ocorreram após a vigência da referida lei. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 10 Neste sentido, durante a vigência da LC n° 07/70, acolho o entendimento de que a base de cálculo do PIS do mês de janeiro corresponde ao faturamento ocorrido neste mesmo mês, sendo que apenas o vencimento é que se dava no sexto mês posterior. E a partir da Lei n° 7.691/88, o valor devido passou a ser atualizado desde o terceiro dia do mês subsequente ao fato gerador. Neste caso, mesmo que acolhida a tese da semestralidade, a apuração do indébito de PIS recolhido com base nos diplomas declarados inconstitucionais, devem considerar a atualização da base de cálculo ocorrida no semestre (fato este que a prática demonstra que reduz substancialmente, ou até mesmo anula, o crédito pleiteado). A jurisprudência administrativa já se pacificou acerca da questão aqui ventilada, como aliás demonstrou a Recorrente nos julgados trazidos à colação. À guisa de exemplo, cito o julgamento da 2 o Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em fins de 2008, negou provimento ao recurso do contribuinte contra o Acórdão n° 20217.340, assim ementado em relação à matéria recorrida: SEMESTRALIDADE. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da CSRF, a base de cálculo do PIS somente foi alterada pela Medida Provisória n° 1.212/95. Até fevereiro de 1996, o PIS devido era calculado com base de cálculo do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Ademais tal entendimento possui guarida na Súmula CARF n 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6q da Lei Complementar n? 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (...) Na referida petição judicial a Recorrente expressamente requereu que o cálculo da exação fosse feito "conforme o parágrafo único do artigo 6 o do referido diploma legal". Ou seja, considerando o entendimento agora prevalecente, este cálculo deve considerar a apuração no regime da semestralidade sem a correção monetária da base de cálculo. A Recorrente defende a tese de que a correta interpretação do dispositivo sentencial deve ser no sentido de considerar que a declaração de inexistência da relação jurídicotributária tem "caráter continuativo", devendo "prevalecer enquanto permanecer inalterada a legislação acerca do assunto", que só foi alterada em 1995. Nesse passo, penso ser oportuno transcrever os exatos termos do pedido formulado pela contribuinte em sua petição judicial, quanto à questão da compensação aqui analisada: Em razão do exposto requer: b.l a declaração de terem sido indevidos os recolhimentos efetuados pela requerente na medida em que ultrapassaram as importâncias exigidas conforme o seu faturamento, eis alíquotas de 0,35% no ano de 1989 e 0,75% nos demais, conforme demonstrativo retroelaborado: b.2 a condenação da requerida a admitir a compensação das quantias indevidamente pagas a título de Contribuição ao Programa de Integração Social, e, na mesma proporção, dos juros e das penalidades pecuniárias (art. 167, do CTN), tudo conforme demonstrativo retro, Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI Processo nº 10840.002961/200371 Acórdão n.º 3401002.091 S3C4T1 Fl. 10 11 com outras contribuições sociais cuja arrecadação e administração caiba ao Departamento da Receita Federal. Ademais, o dispositivo sentencial, ao reconhecer o direito à compensação do indébito tributário, reportouse expressamente aos "valores efetiva e indevidamente recolhidos, comprovados nos autos", tal como o pedido formulado na inicial. Neste caso, como a própria autora da petição judicial limitou seu pedido aos valores por ela demonstrados na ação, e assim foi concedido na sentença, entendo que não pode ela pleitear administrativamente um indébito relativo a pagamentos nela não incluídos, em que pese o entendimento jurisprudencial trazido pela recorrente. Era ônus da autora da ação eventualmente complementar seu pedido judicial para o fim de incluir os recolhimentos não inicialmente considerados na sua petição, ou mesmo pleitear a expressa manifestação do magistrado acerca do alcance da sentença além dos recolhimentos "comprovados nos autos". Em resumo, tratandose a espécie de créditos reconhecidos judicialmente, a apuração do indébito deve observar os estritos termos do provimento judicial, que se reportou expressamente ao direito de compensação dos recolhimentos comprovados nos autos, tal como pleiteado pela autora. Os demais recolhimentos, só inseridos na petição administrativa aqui julgada, encontramse fulminados pela decadência, porquanto pleiteados após o transcurso do prazo quinquenal prescrito no art. 168, inc. I, do CTN, e não no inc. II, referido pela recorrente. Por fim, quanto ao pleito pela homologação das compensações realizadas com outros débitos que não o próprio PIS, conforme declaradas nas respectivas DCOMPs eletrônicas, entendo que assiste razão à recorrente. Como se viu, o provimento judicial limitouse a autorizar a compensação com débitos do próprio PIS. A recorrente, entretanto, pede pela aplicação do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, que passou a permitir a compensação de indébitos tributários com tributos de espécie diversa. Neste sentido, entende que há que se aplicar à espécie a inovação legislativa superveniente ao provimento judicial, que lhe é mais favorável. Consignese que a Lei n° 10.637, que alterou a redação do art. 74, é de 30/12/2002, tendo sido resultado da conversão da Medida Provisória (MP) n° 66, de 29/08/2002. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para manter a decisão da DRJ para o fim de reconhecer o direito de a interessada ter homologadas as compensações realizadas com supedâneo no crédito oriundo do provimento judicial obtido nos autos da ação ordinária n° 94.03038004 (2a Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto), de quaisquer débitos administrados pela Receita Federal, até o limite do crédito reconhecido, que deverá ser recalculado pela sistemática conhecida por "PISRepique" (art. 3 o da LC n° 7/70), excluindose eventuais créditos decorrentes dos pagamentos relativos a períodos de apuração ocorridos entre dezembro/93 a dezembro/94, que não constaram do pedido judicial. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI 12 Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por A NGELA SARTORI
score : 1.0
Numero do processo: 13706.005117/2007-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ISENÇÃO. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Aplicação da Súmula CARF nº 39.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. ISENÇÃO. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Aplicação da Súmula CARF nº 39. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13706.005117/2007-69
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5174909
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2802-001.970
nome_arquivo_s : Decisao_13706005117200769.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 13706005117200769_5174909.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4367946
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216775389184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 112 1 111 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.005117/200769 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.970 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOEL PIERRE JULIEN KERAVEC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. ISENÇÃO. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Aplicação da Súmula CARF nº 39. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 51 17 /2 00 7- 69 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2004 , anocalendário 2003, em virtude de ter sido apurada omissão de rendimentos recebidos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Unesco/ONU no valor de R$64.594,08. Não há cobrança de multa isolada. O contribuinte impugnou a exigência alegando que os rendimentos decorrem de ter sido contratado pela Unesco para ser Coordenador Executivo de Projeto junto à Anvisa e que está enquadrado no art. 22, inciso II do Regulamento do Imposto de RendaRIR1999, que os rendimentos são isentos (inciso II do art. 5º da Lei 4.506/1964 e Decreto 52.288/1963). A impugnação foi indeferida, em síntese, porque o contribuinte não se enquadra como funcionário da Unesco e sim técnico contratado, situação não alcançada pela isenção que beneficia somente os servidores de Organismos Internacionais cujos nomes tenham sido relacionados e informados à Receita Federal pelas respectivas entidades. Em 23/02/2010 o contribuinte foi notificado do acórdão. A pela recursal foi protocolada em 24/03/2010 com os seguintes argumentos, em síntese: 1. é cidadão francês com visto de trabalho no Brasil e foi contratado pela Unesco na qualidade de funcionário público internacional como Coordenador Executivo de Projeto (914BRA100) cuja quantia recebida foi declarada como isenta como preceitua o art. 22, inciso II do RIR1999 c/c Decreto 52.288/1963 c/c Decreto 29.308/1966; 2. a obrigatoriedade de o Organismo Internacional informar ao governo brasileiro a lista com os nomes dos funcionários que fazem jus à isenção foi derrogada quanto aos que desenvolvem projetos especiais de assistência técnica; 3. ao ser contratado pela Unesco foi nomeado pela Instituto Nacional de Controle e Qualidade em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz como ViceDiretor de Planejamento e Estratégia, sendo uma contradição considerar que o governo brasileiro desconhecia que o recorrente era contratado da Unesco quando há a nomeação pelo próprio governo; 4. isenção se interpreta literalmente e a lei é expressa em conceder a isenção no caso do recorrente; 5. estava sujeito ao cumprimento de todas as normas o que configura o vínculo empregatício e torna inquestionável sua condição de funcionário da Unesco ( a qual estava subordinado e da qual recebia os salários diretamente) e não da FIOCRUZ; 6. aponta jurisprudência deste Conselho e judicial em seu favor; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.005117/200769 Acórdão n.º 2802001.970 S2TE02 Fl. 113 3 7. subsidiariamente, aplicase o art. 100 do CTN para afastar multa e juros de mora. Passo ao voto. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Discutese a isenção referente aos rendimentos pagos pela Unesco a técnico residente no Brasil contratado como Coordenador Executivo de Projeto (914BRA100) e, subsidiariamente, a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 39 de reprodução obrigatória aos membros do CARF, cujo enunciado é o seguinte. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Desta forma é desnecessário apreciar um a um os argumentos do recorrente acerca da isenção dos rendimentos. Outrossim, não se justifica a aplicação do art. 100 do CTN, pois o caso concreto não se enquadra em qualquer das hipóteses lá mencionadas. Ao contrário, as orientação da Receita Federal sempre trataram os rendimentos como tributáveis na situação do ora recorrente. No acórdão 280201.458, de 13 de março de 2012 esta Turma de Julgamento, ao apreciar situação análoga, negou provimento ao recurso voluntário. Do referido acórdão transcrevo os seguintes argumento que se incorporam às razões de decidir deste processo. É bem verdade que há decisões do Superior Tribunal de Justiça STJ que consideram aplicável a isenção nestes casos, porém a teor do art. 37 do Decreto nº 72.235/1972 (com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) o julgamento no CARF farseá conforme dispuser o regimento interno. Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far seá conforme dispuser o regimento interno. E com razão o relator apontou que a matéria é objeto da Súmula CARF nº 39, que consoante o art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF) é de observância obrigatória pelos membros do CARF. Eis o teor da referida Súmula: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Enquanto as Súmulas do CARF são de reprodução obrigatória, somente é compulsória a reprodução de entendimento do Superior Tribunal de Justiça quando o julgamento se dá na sistemática do art. 543C do CPC, o que não ocorreu quanto à matéria em apreço. Neste ponto acompanho o bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro relator. Contudo, respeitosamente, peço vênia para discordar quanto à exclusão da multa de ofício pelas seguintes razões. A referida Súmula, aprovada nos termos do art. 72 do RICARF, decorre de decisões reiteradas e uniformes do CARF, há época dos fatos não havia um entendimento consolidado no âmbito do STJ de que a isenção abrangia funcionários contratados. Vários eram os julgados que decidiam pela não isenção: REsp 939.709/DF, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 27.2.2008; REsp 1.031.259/DF, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe de 3.6.2009; REsp 1.121.929/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 4.3.2010. Os julgados apontados pelo relator são recentes e, ainda que venham a se constituir em precedentes importantes, não justificam qualificar a infração como de duvidosa qualificação para efeito de aplicar o art. 112 do CTN e afastar a multa de ofício. A exigência da multa é decorrência de aplicar a Súmula CARF nº 39. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.932703/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 25/04/2006
Ementa:
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA.
A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 25/04/2006 Ementa: MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.932703/2008-93
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181520
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.644
nome_arquivo_s : Decisao_15374932703200893.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 15374932703200893_5181520.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4459359
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216789020672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2142; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T3 Fl. 7 1 6 S3C3T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.932703/200893 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3303003.644 – 3ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria PIS Compensação Recorrente CAVALLO AÇOS ESPECIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 25/04/2006 Ementa: MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendêlas necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 27 03 /2 00 8- 93 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues Relatório Por descrever de forma objetiva e didática os fatos e elementos contidos nos autos a permitir a sua compreensão peço vênia aos pares para adotar o relatório do acórdão recorrido. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 21257.51875.220507.1.7.041002, em 22/05/2007, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 25/04/2006, a título de Cofins débitos de Cofins relativo a janeiro de 2004, no valor original de R$ 7.044,34. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 8, não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude da não localização do pagamento informado nos sistemas de controle da RFB e em conseqüência, não homologou a compensação declarada. Cientificada do despacho e da cobrança dos débitos declarados na DComp, a interessada inconformada apresentou a manifestação de inconformidade de fl(s). 11 a 62, na qual alegou: Que identificou erroneamente o crédito como de PIS, quando na verdade tratase de crédito de CSLL; Que o tributo CSLL, que titula o crédito pretendido não se origina de DARFs pagos, mas sim de apuração contábil de créditos no período de 1999 a 2002, com valor apurado, em 31/12/2002, de R$ 16.764,04, passíveis de utilização para abatimento de tributos administrados pela Receita Federal. Por este motivo o DARF informado não foi encontrado nos sistemas. O erro material no preenchimento decorreu da inexperiência no uso das versão iniciais do programa e também da ausência de "filtros” no programa, que impedissem informações incorretas; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.932703/200893 Acórdão n.º 3303003.644 S3C3T3 Fl. 8 3 Que os créditos de CSLL existiam na contabilidade da empresa à época da transmissão da declaração e ainda hoje estão disponíveis. Os demonstrativos e documentos contábeis comprobatórios da origem dos créditos estão disponíveis para qualquer autoridade fazendária que os requeira; Na seqüência, fls. 10 a 27, transcreve texto sobre o desconto de créditos na apuração da CSLL; a íntegra da Instrução Normativa SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004; texto acerca de aspectos da não cumulatividade do PIS e da Cofins veiculados na Lei n° 10.833/2003; roteiro de procedimentos acerca da restituição de tributos pagos indevidamente. Ao fim, requer provimento ao recurso de forma que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 4a Turma da DRJ/FJ2 que, em sessão realizada em 21/09/2010, proferiu decisão por meio do acórdão nº 13 31.399, cuja ementa transcrevese adiante: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 25/03/2006. IMPUGNAÇÃO À COBRANÇA. APRECIAÇÃO. DRJ NÃO TEM COMPETÊNCIA. Não se inclui dentre as atribuições das DRJ a apreciação de impugnação à cobrança dos débitos vinculados aos créditos cujos valores não foram reconhecidos. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Em suas razões de decidir o voto condutor do acórdão entendeu que a compensação declarada não decorre de pagamento indevido ou a maior e não se origina do crédito de Cofins, mas de suposto crédito de CSLL passível de ressarcimento. Igualmente entendeu ser inadmissível a hipótese de retificação do Per/Dcomp, eis que tal procedimento destinase apenas a correção de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do documento. O aresto concluiu pela inexistência de litígio em relação ao crédito informado, para julgar não conhecida a manifestação de inconformidade. Ciente do teor do acórdão retromencionado em 10/11/10, por meio de AR (fl. 73), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 06/12/10 (fl. 76/123), conforme atesta o protocolo do órgão preparador, na ocasião reiterando de forma minudente as mesmas razões de defesa contidas na exordial quais sejam: argüição de erro material na transcrição de dados para o computador, pois o suposto crédito de Cofins seria na verdade crédito de CSLL (registrados na contabilidade da empresa e disponíveis para uso atualmente, posto que não utilizados), que não se originava em DARF’s pagos, porém de descontos de créditos na apuração de CSLL decorrente da Lei nº 11.051/04, que instituiu o desconto de créditos na apuração de CSLL, PIS e Cofins não cumulativo para pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, na razão de 25%, sobre a depreciação contábil de máquinas e equipamentos novos adquiridos até 1o/10/04 e 31/12/05, destinado ao ativo imobilizado e empregados no processo industrial do adquirente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ao final requer seja autorizada a retificação da declaração de compensação, acrescidos de juros de mora e de multas legais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo. O deslinde da querela circunscrevese à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. O contribuinte pretendeu compensar suposto crédito de PIS/PASEP, com débitos próprios por meio de declaração de compensação transmitida em 22/05/07, entretanto o DARF probante da existência do crédito correspondente não foi localizado nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, por conseguinte não foi confirmada a existência do crédito, não sendo a respectiva DComp homologada, consoante consta do despacho decisório. A Recorrente em suas razões de defesa buscou justificar o imbróglio alegando a existência de erro material quando da transcrição dos dados para o computador da empresa por ocasião da transmissão da DComp, quando esclareceu que o crédito, diversamente do informado nesta DComp, teria como origem descontos de créditos na apuração de CSLL, decorrente da Lei nº 11.051/04 (registrados na contabilidade da empresa e disponível para uso atualmente, posto que não utilizado), que instituiu o desconto de créditos na apuração de CSLL, PIS e Cofins não cumulativo para pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, na razão de 25%, sobre a depreciação contábil de máquinas e equipamentos novos adquiridos até 1o/10/04 e 31/12/05, destinado ao ativo imobilizado e empregados no processo industrial do adquirente. Os documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade (contrato social, documento do sócio representante e despacho decisório), não dão sustentação aos argumentos expendidos na exordial. O aresto recorrido entendeu que a compensação declarada não decorre de pagamento indevido ou a maior, e não se origina de crédito de Cofins, mas de suposto crédito de CSLL passível de ressarcimento, concluindo pela inexistência de litígio em relação ao crédito informado. Ou seja, a contribuinte ao manifestar o seu inconformismo contra o despacho decisório se limitou a formular assertivas com o intuito de justificar as falhas cometidas na transmissão da DComp, entretanto não logrou demonstrar por meio de documentos hábeis e idôneos a existência do crédito de CSLL, oportunamente, também não o fazendo por ocasião da interposição do recurso voluntário. Cumpre observar, ainda, que o tema “existência de crédito de CSLL”, não foi objeto de deliberação na instância a quo, restando prejudicada a sua apreciação em sede recursal por restar precluso o exame desta matéria. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.932703/200893 Acórdão n.º 3303003.644 S3C3T3 Fl. 9 5 É inconteste que o contribuinte transmitiu eletronicamente DComp em face de crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DComp, decidiu por não homologálo. De acordo com o disposto no art. 333 do CPC, subsidiariamente utilizado no julgamentos de processos administrativos fiscais, que trata do ônus probante, caberia ao contribuinte, então, por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito em vista a desfazer o erro cometido e à pacificação da lide. Entretanto, restou demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada mesmo em sede de recurso. Ademais os documentos colacionados aos autos não são o bastante para atestar a certeza e liquidez do crédito, notadamente porque não discrimina minudentemente acerca dos créditos de CSLL alegados. O art. 29 do Dec. Nº 70.235/72 estabelece que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Para tanto, deverá indicar na sentença os motivos que lhe formaram o convencimento (CPC, art. 131). Nesta parte, por se encontrar escorreito, o aresto recorrido não merece reparo. Infere, ainda, dos elementos contidos nos autos que o recorrente não laborou para demonstrar, de maneira inconteste, que os seus argumentos corresponderiam à realidade dos fatos, e com isso, sensibilizar a autoridade administrativa à revisão do ato de homologação da declaração de compensação. Ademais, o contribuinte ao admitir a existência de erro de fato, não procedeu à retificação da DCTF e da DIPJ, pelo menos nada existe nos autos a este respeito, tampouco, em momento algum impugnou as assertivas formuladas como razões de decisão do aresto hostilizado, notadamente de que não há litígio em relação ao crédito informado. Logo, não há controvérsia a ser apreciada. Resumidamente, não basta alegar, é necessário demonstrar o direito argüido, e isto não ocorreu nos autos. In casu, não há como adequar o provimento da jurisdição à causa de pedir. Ante o exposto deixo de conhecer o recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Declaração de Voto Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.932703/200893 Acórdão n.º 3303003.644 S3C3T3 Fl. 10 7 Processo nº: 15374.932703/200893 Interessada: CAVALLO AÇOS ESPECIAIS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica o recorrente intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.644, de 24 de novembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 24 de novembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903835/2010-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.903835/2010-68
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5182951
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.400
nome_arquivo_s : Decisao_10875903835201068.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10875903835201068_5182951.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4463452
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216792166400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 87 1 86 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.903835/201068 Recurso nº 942.088 Voluntário Acórdão nº 3802001.400 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente 4A COMERCIAL ELÉTRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 38 35 /2 01 0- 68 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 42): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903835/201068 Acórdão n.º 3802001.400 S3TE02 Fl. 88 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 6076, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 53) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.60). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 49). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 27). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903835/201068 Acórdão n.º 3802001.400 S3TE02 Fl. 89 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 62). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903835/201068 Acórdão n.º 3802001.400 S3TE02 Fl. 90 7 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720126/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Não cabe no Processo Administrativo impugnação genérica, pois, de acordo com o art. 17 do Decreto 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
O município deverá recolher o tributo previdenciário dos contribuintes individuais diante da ausência de documentação que atestasse o seu cumprimento, arts. 22, III e 28, III, ambos da Lei 8.212/91.
Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212/91.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2006, anteriores a 06/2006, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Não cabe no Processo Administrativo impugnação genérica, pois, de acordo com o art. 17 do Decreto 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O município deverá recolher o tributo previdenciário dos contribuintes individuais diante da ausência de documentação que atestasse o seu cumprimento, arts. 22, III e 28, III, ambos da Lei 8.212/91. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212/91. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10970.720126/2011-41
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181427
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.109
nome_arquivo_s : Decisao_10970720126201141.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10970720126201141_5181427.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2006, anteriores a 06/2006, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira- Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Mauro José Silva - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4458201
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216805797888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 369 1 368 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720126/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.109 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria Contribuições Sociais Previdencirárias Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE ARAPUÁ/MG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Não cabe no Processo Administrativo impugnação genérica, pois, de acordo com o art. 17 do Decreto 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O município deverá recolher o tributo previdenciário dos contribuintes individuais diante da ausência de documentação que atestasse o seu cumprimento, arts. 22, III e 28, III, ambos da Lei 8.212/91. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212/91. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 26 /2 01 1- 41 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2006, anteriores a 06/2006, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 370 3 Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela Prefeitura do Município de Arapuá – MG contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada e manteve débito tributário referente ao período de 01/2006 a 12/2009. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff.64/72, o auto de infração foi lavrado por falta de recolhimento de contribuições sociais (quota patronal e segurados), destinadas à Seguridade Social, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RA) e devidas a Terceiros, sobre as parcelas integrantes do saláriodecontribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais. 3. Além da obrigação principal, constataramse também incorreções/omissões em GFIP, implicando em multa por descumprimento de obrigação acessória. 4. Tendo em vista as faltas detectadas, foram lavrados diversos autos de infração, registrados da seguinte forma: Contribuições Sociais Previdenciárias contribuição da empresa DEBCAD 37.322.8007, contribuição dos segurados DEBCAD 37.322.8015, contribuições de terceiros DEBCAD 37.322.8023; e Obrigações Acessórias, por incorreções/omissões em GFIP DEBCAD 37.345.3310, como se verifica no relatório fiscal nos trechos apresentados pela primeira instância administrativa, que ora colaciono: “Como resultado do procedimento fiscal foram emitidos em 20/06/2011: AI DEBCAD 37.322.8007(contribuição previdenciária – empresa), valor do crédito apurado de R$1.045.495,70; AI DEBCAD 37.322.8015 (contribuição previdenciária – segurados), valor do crédito de R$164.164,20; AI DEBCAD 37.322.8023 (contribuição destinada a outras entidades e fundos), valor de R$3.934,14 e AI DEBCAD 37.345.3310 (descumprimento de obrigação acessória – GFIP FL 78), valor de R$3.500,00, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. Sendo recebidos pelo sujeito passivo por via postal AR em 27/06/2011. De acordo com o Relatório Fiscal, referemse os Autos de Infração (AI) integrantes do presente processo de constituição de crédito tributário a lançamento de contribuições sociais (quota patronal e segurados), destinadas à Seguridade Social, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT e devidas a Terceiros (SEST e SENAT), incidentes sobre as parcelas legais integrantes do salário de contribuição dos segurados enquadrados na categoria de empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa. ‘O período de apuração é de 01/2006 a 12/2009. 1.3 Levantamento FOLHA DE PAGAMENTO (FP) 1.3.1 As contribuições lançadas têm como fatos geradores as remunerações pagas, devidas e/ou creditadas aos segurados Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 371 5 enquadrados na categoria de empregados a serviço da Prefeitura Municipal no decorrer do mês de competência. 1.3.2 A Prefeitura Municipal de Arapuá/MG, até 30/10/2009, possuía Regime Próprio de Previdência – RPPS, instituído pela Lei Municipal n° 422 de 27/08/2002. 1.3.3 Dessa forma, todos os servidores públicos municipais detentores de cargos efetivos estavam vinculados ao referido regime, devendo recolher suas contribuições previdenciárias ao ARAPREV Instituto de Previdência e Aposentadorias dos Servidores Municipais de Arapuá. 1.3.4 Todos os demais servidores que prestaram serviços ao Município neste período (contratados, comissionados e agentes políticos) estavam, obrigatoriamente, nos termos do artigo 40, § 13 da CF, artigo 12, I, alíneas a e g da Lei 8.212/91 e artigo 9º, I, alíneas a, i, j, l e m, do Regulamento da Previdência Social – RPS (aprovado pelo Decreto n° 3.048/99) vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, devendo recolher suas contribuições ao Instituto Nacional de Seguridade Social INSS. 1.3.5 Conforme Resumos da Folha de Pagamento – Contratados em anexo, foram identificados diversos segurados não vinculados ao RPPS que não foram incluídos nas GFIP relativas ao período de 01/2006 a 12/2009 da Prefeitura Municipal. 1.3.6 No período de 01/2006 a 12/2008 foram apresentadas GFIP contendo apenas os agentes políticos (Prefeito e VicePrefeito) e um servidor comissionado, sendo omitidos todos os demais segurados vinculados ao RGPS. 1.3.7 A partir de 01/2009 foram declarados, além dos segurados mencionados no item anterior, alguns servidores “contratados”, no entanto, os segurados relacionados nos demonstrativos em anexo não foram incluídos nas GFIP. 1.3.8 A partir de 11/2009, em virtude da extinção do RPPS (Lei Municipal nº 546/2009), foram declarados em GFIP os servidores efetivos, agentes políticos e parte dos segurados contratados e comissionados, tendo sido omitidos da declaração os segurados relacionados nos demonstrativos em anexo 1.4 Levantamento RA – CONTRIBUIÇÃO RAT 1.4.1 A Prefeitura Municipal declarou nas GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social relativas às competências 01/2006 a 13/2009, no campo RAT, o percentual de 0% para cálculo da contribuição devida a esse título 1.4.2 A alíquota da contribuição é definida em função do grau de risco da atividade preponderante da empresa, nos termos do art. 22, II, da Lei 8.212/91. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 1.4.4 A Prefeitura Municipal, para fins de determinação da alíquota do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), enquadrouse, conforme declarado em GFIP, no CNAEFISCAL 7511600 – Administração Pública em Geral, cuja alíquota, era de 1% (um por cento) até 05/2007 e a partir 06/2007 2% (dois por cento), de acordo com o Anexo V do RPS (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007). 1.4.5 Foram solicitados esclarecimentos sobre o procedimento adotado em relação à alíquota do RAT informada em GFIP, porém não foi apresentada qualquer justificativa. 1.5 Levantamentos CI – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS e TA – TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS 1.5.1 As contribuições lançadas têm como fatos geradores as retribuições pagas, devidas e/ou creditadas aos contribuintes individuais a serviço da empresa no decorrer do mês de competência. 1.5.2 A Prefeitura Municipal remunerou diversas pessoas físicas que lhe prestaram serviços sem vínculo empregatício, emitindo Notas de Empenho na datação orçamentária 3.3.90.36.00 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física. 1.5.3 Nesta condição, essas pessoas físicas se enquadram como segurados obrigatórios do RGPS na categoria de CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, em conformidade com o art. 12, V, alínea g e h da Lei 8.212/91, sujeitando a Prefeitura Municipal ao recolhimento da contribuição patronal de 20% incidente sobre respectiva remuneração, de acordo com o artigo 22, III, da referida Lei. 1.5.4 Não houve inclusão nas GFIP apresentadas pela empresa, no período de apuração, dos contribuintes individuais relacionados nos Anexos Prestadores de Serviços Pessoas Físicas e Transportadores Autônomos, em que consta o Nº do Empenho, Data de Liquidação, Nome, Serviço Prestado e Valor. 1.5.5 Para apuração da remuneração dos transportadores autônomos foi aplicado o percentual de 20% sobre o valor pago, nos termos do § 4º do artigo 201 do RPS (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001). 1.6 Base de Cálculo 1.6.1 Os valores que serviram de base de cálculo e as contribuições apuradas se encontram detalhados no Relatório de Lançamentos RL e Discriminativo do Débito DD, ... 1.7 Na coluna Juros e Multa foram lançados os acréscimos legais, calculados de acordo com a legislação em vigor, conforme anexo Fundamentos Legais do Débito FLD. 1.8 Critério de Aplicação das Multas 1.8.1 Em observância ao princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), para as infrações com fatos geradores anteriores a 04.12.08, foi comparada a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente (MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09), sendo Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 372 7 aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme Demonstrativo de Comparação das Multas em anexo. Demonstrativo de Comparação das Multas em anexo, de acordo com o previsto no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528 de 1997. 1.8.4 Para fins de comparação, não foram consideradas as contribuições devidas a outras entidades e fundos, as quais foram lançadas com multa de mora de 24%. 1.9 AI nº 37.345.3310 Incorreções/omissões em GFIP 1.9.1 A empresa apresentou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de apuração, com incorreções e omissões, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91: (...) a) prestou informação incorreta no campo RAT, consignando o percentual de 0%; b) omitiu das GFIP todos os segurados contribuintes individuais (autônomos e transportadores autônomos) e os segurados contratados constantes das planilhas em anexo. 1.9.2 Considerando que não ocorreram circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, aplicouse a multa prevista no artigo 32 A, inciso II, combinado com o § 3º, II do mesmo artigo, da Lei 8.212/91 (Redação dada pela Lei 11.941), no valor de R$ 3.500,00, conforme demonstrativo de cálculo em anexo. 6. Informações Complementares 6.1 Pela falta de declaração das contribuições previdenciárias patronais em GFIP e falta de recolhimento das contribuições retidas dos segurados, será encaminhada à autoridade competente Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP pela prática, em tese, dos CRIMES previstos no art. 337 – A (sonegação de contribuição previdenciária) e art. 168 – A (apropriação indébita previdenciária) do Código Penal (introduzidos pela Lei nº 9.983/2000).’ Serviram de base para apuração do débito as Folhas de pagamento, Notas de Empenho, Recibos de Salário e de Férias, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho, Recibos de Pagamento a Autônomo RPA e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 264), impugnou o lançamento tempestivamente às ff.267/269. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu, por unanimidade, julgar procedente em parte a impugnação, em virtude da extinção parcial do débito tributário pela decadência, mantendo parcialmente o débito, cuja decisão restou ementada nos seguintes dizeres: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA A existência de pagamento antecipado, ainda que parcial, da contribuição previdenciária remetese a contagem do prazo de decadência nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN, de acordo com o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Extinguese parcialmente o crédito tributário pela ocorrência da decadência (art. 156, inciso V, do CTN). A ausência de pagamento antecipado da contribuição devida a outras entidades e fundos (“Terceiros”) justifica a utilização da regra do art. 173, inciso I do CTN, de acordo com o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AI DEBCAD Nº 37.322.8007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕESPREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. FRETES E CARRETOS. PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA. AI DEBCAD Nº 37.322.8015 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei nº 8.212/91, não declaradas na forma do seu art. 32, será lavrado o respectivo auto de infração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 AI DEBCAD Nº 37.322.8023 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. SEST/SENAT. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições devidas a “Terceiros”, não declaradas na forma do art. 32 da Lei nº 8.212/91, será lavrado o respectivo auto de infração. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 373 9 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/07/2008, 01/11/2008 a 30/11/2008 AI DEBCAD Nº 37.345.3310 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissões. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 4. Irresignada, a empresa interpôs tempestivamente o recurso voluntário às ffs.344/363, cuja síntese descrevo a seguir: a) preliminarmente, argumenta a decadência referente ao restante da competência, incluindo as de 06/2006 a 13/2006, uma vez que nesse tempo operaramse os efeitos, por estarem nas mesmas condições das competências decaídas, declaradas pelo órgão julgador. Porém, por se tratarem de contribuições não recolhidas, deveria ser aplicado o artigo 173 ,I, do Código Tributário Nacional (CTN); No mérito, a) requer o cancelamento do débito fiscal, tendo em vista que a gestão administrativa do município já iniciou processo de regularização de todos os seus funcionários junto ao INSS no entanto a situação ainda não foi regulariza pois o procedimento fiscal e a respectiva regularização, são processos demorados; b) aduz que não perdura a alegação do Fisco, que o município não arrecadou corretamente as contribuições referentes aos empregados autônomos e segurados individuais, tendo em vista que muitos deles eram remunerados com o teto máximo, e assim, caberia a eles arrecadar suas próprias contribuições. 5. Não houve interposição de recurso de ofício pelo fisco, em razão do disposto no art. 1º da Portaria nº 03/2008, que afasta sua interposição de débito tributário exonerado inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). 6. A Receita não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. No caso em tela, por se tratar de questão de ordem pública, examino a decadência referente ao período apurado de 01/2006 a 12/2009, nos termos que se seguem. 3. Sobre a decadência, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o seguinte: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 374 11 “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal que foram analisados folhas de pagamento, GFIP, relatório de vínculos, recibo de salários (amostragem), recibo de pagamento a autônomos entre outros documentos anexados aos autos (ff.73/258). Além disso, consta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, f. 260, que a fiscalização examinou folha de pagamento, GFIP, comprovante de recolhimento e outros. 9. Assim, verificase que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 10. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 375 13 (salário normal)”. (Processo 36918.002963/200575; Recurso 243.707 Especial do Procurador Acórdão 920201.418). 11. Dessa forma, tenho como certo que deve ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do art. 150, §4º, do CTN e não o art. 173, I, do mesmo diploma legal, como o fez o juízo a quo. 12. E, com base nas informações acima, dou parcial provimento a este recurso voluntário, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 27/06/2011, referente às contribuições do período de 01/01/2006 a 31/12/2009; ficando alcançadas pela decadência quinquenal apenas as competências 01/2006 a 05/2006. 13. Na sequência, considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO 14. Embora a contribuinte tenha requerido o cancelamento do débito tributário em virtude de inadimplência de gestão anterior à sua e o seu respectivo esforço para regularização tributária, entendo que razão não lhe assiste. 15. A recorrente alegou de forma genérica a regularidade da presente autuação, sem apresentar prova de suas alegações a fim de que se anulasse o débito resultante das Contribuições Sociais Previdenciárias – parte da empresa DEBCAD 37.322.8007, parte dos segurados DEBCAD 37.322.8015, parte de terceiros DEBCAD 37.322.8023; e Obrigações Acessórias, por incorreções/omissões em GFIP DEBCAD 37.345.3310. 16. Ressalto que o ônus da prova incumbe ao contribuinte, caso em que ele deve alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária, para afastarse a infração e sua consequente penalidade, de acordo com o art. 16, II, do Decreto 70.235/72, c/c o art. 333, II do CPC. 17. Nesse sentido, é apropriada a conclusão de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 234): “Em processo tributário,(...) se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas”. 18. E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documentos, ainda que volumosos. É preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 pretende provar. Mais uma vez nos valemos das lições de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): “Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. È preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.” 19 Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar, o que também não foi feito pela recorrente. 20. Sem que a recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos que afirma, não há como acatar suas arguições. Ademais, a legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal prevê que: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” 21. Em oportuno, lembro que a recorrente questiona os critérios da aferição feita pela fiscalização. Todavia também não acosta aos autos nenhuma prova de que os valores aferidos estivessem em erro. Caberia ao recorrente, no intuito de apontar os equívocos na fiscalização, no mínimo, acostar cálculos dos valores corretos, o que não ocorreu. 22. Dessa sorte, dada à ausência de provas e sem ter confrontado cada item a que julga ter direito, entendo não ser possível dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 23. De igual modo tem sido este o posicionamento pelo presente Conselho: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/05/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FOLHAS DE PAGAMENTO A inobservância da obrigação tributária acessória, mais especificamente, não apresentação de livros contábeis, é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. INCONSTITUCIONALIDADES DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ARGUMENTOS NÃO RELACIONADOS COM A AUTUAÇÃO NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 376 15 devem ficar restritos as alegações que possuem relação com os fatos que ensejaram a autuação. Recurso Voluntário Negado.” 24. Ou seja, o relatório fiscal apresentou, de forma clara e expressa, todos os fatos geradores que deram ensejo aos lançamentos ora revistos e a respectiva fundamentação legal, não importando qual gestão receberia o lançamento fiscal. Ademais, não consta nos autos nenhum incidente que implicasse em óbice à recorrente regularizarse tempestivamente com o fisco. 25. Assim, assevero que os débitos realizados sob os títulos: Contribuições Sociais Previdenciárias contribuição da empresa DEBCAD 37.322.8007, contribuição dos segurados DEBCAD 37.322.8015, contribuições de terceiros DEBCAD 37.322.8023; e Obrigações Acessórias, por incorreções/omissões em GFIP DEBCAD 37.345.3310; estão devidamente fundamentados e motivados, em consonância com o determinado na legislação do processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. 26. Assim, não há de se falar em anulação do lançamento fiscal, no que mantenho a decisão de primeira instância nessa parte. DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO 27. A prefeitura aduz não haver obrigatoriedade de recolhimento da contribuição social previdenciária do contribuinte individual. Tal assertiva não prospera, porquanto o contribuinte individual que prestar serviço a uma ou mais empresas terá descontado de sua remuneração pela empresa o valor referente a 20%, art. 22, III, Lei 8.212/91, até o limite máximo do saláriodecontribuição, art. 28, III do mesmo diploma legal. 28. Se, todavia, o teto for atingido, o contribuinte deverá comprovar às empresas as quais prestar seus serviços, consoante o previsto na Instrução Normativa 03/2005, aplicável à época do fato gerador: Obrigações do Contribuinte Individual Art. 81. O contribuinte individual que prestar serviços a mais de uma empresa ou, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado, empregado doméstico ou trabalhador avulso, quando o total das remunerações recebidas no mês for superior ao limite máximo do salário de contribuição deverá, para efeito de controle do limite, informar o fato à empresa em que isto ocorrer, mediante a apresentação: (Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I do comprovante de pagamento ou declaração previstos no § 1º do art. 78, quando for o caso; II – do comprovante de pagamento previsto no inciso V do art. 60, quando for o caso. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 § 1º O contribuinte individual que no mês teve contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição, em uma ou mais empresas, deverá comprovar o fato às demais para as quais prestar serviços, mediante apresentação de um dos documentos previstos nos incisos I e II do caput. § 2º Quando a prestação de serviços ocorrer de forma regular a pelo menos uma empresa, da qual o segurado como contribuinte individual, empregado ou trabalhador avulso receba, mês a mês, remuneração igual ou superior ao limite máximo do salário de contribuição, a declaração prevista no inciso I do caput, poderá abranger um período dentro do exercício, desde que identificadas todas as competências a que se referir, e, quando for o caso, daquela ou daquelas empresas que efetuarão o desconto até o limite máximo do salário de contribuição, devendo a referida declaração ser renovada ao término do período nela indicado ou ao término do exercício em curso, o que ocorrer primeiro. § 3º O segurado contribuinte individual é responsável pela declaração prestada na forma do inciso I do caput e, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber a remuneração declarada ou receber remuneração inferior à informada na declaração, deverá recolher a contribuição incidente sobre a soma das remunerações recebidas das outras empresas sobre as quais não houve o desconto em face da declaração por ele prestada, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição e as alíquotas definidas no art. 79. (...) § 5º O contribuinte individual deverá manter sob sua guarda cópia das declarações que emitir na forma prevista neste artigo juntamente com os comprovantes de pagamento, para fins de apresentação ao INSS ou à SRP, quando solicitado. Art. 82. O contribuinte individual que, no mesmo mês, prestar serviços à empresa ou à equiparado e, concomitantemente, exercer atividade por conta própria, deverá recolher a contribuição social previdenciária incidente sobre a remuneração auferida pelo exercício de atividade por conta própria, respeitando o limite máximo do salário de contribuição.(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009)” 29. Assim, cada empresa tem a incumbência de guardar em seus arquivos toda a documentação por um período de 10 (dez) anos, como determinado no art. 81, § 6º, da Instrução Normativa mencionada: “Art. 81. (...) § 6º A empresa deverá manter arquivadas, por dez anos, cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada pelo contribuinte individual, para fins de apresentação ao INSS ou à SRP, quando solicitado.” 30. Nesta cinge a questão suscitada pelo fisco, uma vez que a prefeitura não apresentou cópia dos comprovantes de pagamento ou da declaração apresentada pelo contribuinte individual para que, assim, tivesse afastada a obrigatoriedade de seu respectivo recolhimento. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 377 17 31. Da ausência de apresentação de tal conjunto probatório, outra não foi a ação do auditor senão imputar à recorrente o lançamento realizado a fim de que ela proceda ao respectivo recolhimento tributário. 32. Quanto à incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores autônomos, constatase no relatório que o auto de infração foi constituído com base nos seguintes levantamentos: “1.5 Levantamentos CI – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS e TA – TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS 1.5.1 As contribuições lançadas têm como fatos geradores as retribuições pagas, devidas e/ou creditadas aos contribuintes individuais a serviço da empresa no decorrer do mês de competência. 1.5.2 A Prefeitura Municipal remunerou diversas pessoas físicas que lhe prestaram serviços sem vínculo empregatício, emitindo Notas de Empenho na datação orçamentária 3.3.90.36.00 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física. 1.5.3 Nesta condição, essas pessoas físicas se enquadram como segurados obrigatórios do RGPS na categoria de CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, em conformidade com o art. 12, V, alínea g e h da Lei 8.212/91, sujeitando a Prefeitura Municipal ao recolhimento da contribuição patronal de 20% incidente sobre respectiva remuneração, de acordo com o artigo 22, III, da referida Lei. 1.5.4 Não houve inclusão nas GFIP apresentadas pela empresa, no período de apuração, dos contribuintes individuais relacionados nos Anexos Prestadores de Serviços Pessoas Físicas e Transportadores Autônomos, em que consta o Nº do Empenho, Data de Liquidação, Nome, Serviço Prestado e Valor. 1.5.5 Para apuração da remuneração dos transportadores autônomos foi aplicado o percentual de 20% sobre o valor pago, nos termos do § 4º do artigo 201 do RPS (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001)..” (f.300) 33. Verificase que os trabalhadores autônomos, como o caso dos transportadores, são incluídos na categoria dos contribuintes individuais. Vejamos a definição do termo adotado pelo Ministério da Previdência Social: “Contribuinte individual: Nesta categoria estão as pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vínculo empregatício. São considerados contribuintes individuais, entre outros, os sacerdotes, os diretores que recebem remuneração decorrente de atividade em empresa urbana ou rural, os síndicos remunerados, os motoristas de táxi, os vendedores ambulantes, as diaristas, os pintores, os eletricistas, os associados de cooperativas de trabalho e outros.” Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 34. Sobre a questão, a legislação previdenciária determina à empresa que contratar transportador autônomo, contribuinte individual do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), o recolhimento de: a) 20% (contribuição patronal) – calculado sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao transportador autônomo; (artigo 22, III, Lei 8.212/91) b) 11% descontada do transportador autônomo e calculada sobre o valor da remuneração a ele paga, devida ou creditada, observado o limite máximo do saláriodecontribuição; (artigo 4º, da Lei 10.666/2003 e artigo 33, §5º, da Lei 8.212/91) c) 1,5% e 1,0% (contribuições devidas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), respectivamente – descontadas ao transportados autônomo e calculadas sobre o valor do saláriodecontribuição destes. (art. 1º, I, ‘b’, II, ‘b’; art. 2º, II e §3º, ‘a’, art. 3º e §1º do Decreto 1.007/93 e art. 7º, II, §1º e 2º da Lei 8.706/93) 35. Assim, constatada a adequação entre a natureza do fato gerador e da correspondente contribuição lançada, todas demonstradas com clareza pelo agente fiscal em seu relatório, devese concluir que o lançamento tem fundamentos e que a contribuição é devida. 36. Dessa forma, nego provimento ao recurso da prefeitura, mantendo o lançamento com relação às contribuições devidas e não recolhidas referentes ao pagamento feito a contribuintes individuais e a transportadores autônomos, em consonância com o Colegiado a quo. DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 37. Sobre a multa a ser aplicada por falta de recolhimento tributário, importa que seja apreciada de ofício, por tratarse de questão de ordem. Assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 38. Em sendo, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 39. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 378 19 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 40. Ao confrontarse a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 41. Logo, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se mais benéfica para o contribuinte, até a competência 11/2008. 42. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. CONCLUSÃO 57. Do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) reconhecer a decadência do período de 01/2006 a 05/2006, mantendo o lançamento tributário de 06/2006 a 12/2009; b) manter o restante do débito tributário; e c) diante da falta de cumprimento de obrigação principal, aplicar multa mais benéfica à contribuinte, art. 35 da Lei 8.212/91, até a competência 11/2008. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 379 21 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 380 23 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 24 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 392DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10970.720126/201141 Acórdão n.º 2301003.109 S2C3T1 Fl. 381 25 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 393DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 26 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000159/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.290
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14041.000159/2009-07
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175962
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2402-000.290
nome_arquivo_s : Decisao_14041000159200907.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 14041000159200907_5175962.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4391024
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216816283648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 114 1 113 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000159/200907 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.290 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VIA ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 15 9/ 20 09 -0 7 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000159/200907 Resolução nº 2402000.290 S2C4T2 Fl. 115 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrada em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/03/1996 a 28/02/1999. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/40), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 47/77) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 81/92), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário; e (viii) ao final deve ser comparada a multa aplicada com a prevista na Lei nº 11.941/2009 para verificar qual é a mais benéfica. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 95/105) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000159/200907 Resolução nº 2402000.290 S2C4T2 Fl. 116 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente. Isto porque, uma dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Após, deve ser dada vista ao contribuinte para que essa possa se manifestar acerca da diligência realizada, no prazo de 30 dias. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 116DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000321/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/12/2010
MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA- REGULARIZAÇÃO
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos demais atos normativos.Data do fato gerador: 06/12/2010
Numero da decisão: 2301-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 06/12/2010 MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA- REGULARIZAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos demais atos normativos.Data do fato gerador: 06/12/2010
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15889.000321/2010-13
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181685
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.105
nome_arquivo_s : Decisao_15889000321201013.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 15889000321201013_5181685.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4461588
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216822575104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 237 1 236 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000321/201013 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.105 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente GB FIBRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/12/2010 MÃODEOBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA REGULARIZAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos demais atos normativos.Data do fato gerador: 06/12/2010 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 21 /2 01 0- 13 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000321/201013 Acórdão n.º 2301003.105 S2C3T1 Fl. 238 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3º da referida Lei, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal (fls. 04), a recorrente deixou de apresentar à fiscalização, apesar de intimada por meio de diversos TIFs, os documentos ali relacionados. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1434.647, da 6a Turma da DRJ/RPO, (fls. 79), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 224), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Inicialmente, reitera que todos os TIFs foram respondidos e cumpridos e, no que tange o cumprimento do TIF 15, as informações e documentação solicitadas já haviam sido prestados no Processo que fora antes anulado. Requer o afastamento da multa aplicada, asseverando que todas as exigências foram cumpridas e que nenhum termo foi ignorado ou ficou sem resposta, devendo, portanto, ser anulada a presente multa. Assevera que juntou toda documentação que possuía e que, entretanto, os fiscais não se deram por satisfeitos. Reitera que necessita de mais prazo para atender as diversas solicitações de documentos e esclarecimentos da fiscalização, e reafirma que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades relatadas, a recorrente jamais deixou os termos de intimação sem resposta, ainda que o mesmo concedia pouco tempo hábil para a obtenção das solicitações. Entende que deveria ter sido concedido um prazo razoável para a apresentação de tais documentos, que não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato, sem qualquer oportunidade de se conferir, verificar, analisar a documentação a ser apresentada, por pura falta de tempo para tanto. Ressalta que a falta de apresentação, no prazo fixado, dos documentos mencionados no TIAD importa a lavratura de AI, entretanto, tal prazo pode ser dilatado a critério do fiscal. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Insurgese ainda contra a multa aplicada, alegando inconstitucionalidade e efeito de confisco. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000321/201013 Acórdão n.º 2301003.105 S2C3T1 Fl. 239 5 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. O auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99: Em seu recurso, a recorrente alega que deveria ter sido concedido um prazo razoável para a apresentação de tais documentos, que não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato, sem qualquer oportunidade de se conferir, verificar, analisar a documentação a ser apresentada, por pura falta de tempo para tanto. Todavia, constatase que a autuada foi inicialmente intimada a apresentar os documentos por meio do Termo de Intimação Fiscal em 18/01/2010, tendo sido prorrogado o prazo por diversas vezes e emitidos posteriormente diversos outros TIFs, sendo que a autuada foi cientificada da lavratura do AI apenas em 16/12/2010. Portanto, não há que se falar em prazo exíguo para apresentação dos documentos, pois, da análise dos documentos juntados aos autos, verificase que a recorrente teve quase 01 (um) ano para apresentar toda a documentação e esclarecimentos solicitados pela fiscalização. Contudo, apesar das intimações e do prazo de quase 12 (doze) meses, a empresa não apresentou a documentação listada no Relatório Fiscal, constantes dos TIFs, ensejando a lavratura do presente Auto. A autuada insiste em afirmar que todos os TIFs foram respondidos e cumpridos e requer o afastamento da multa aplicada, asseverando que todas as exigências foram cumpridas e que nenhum termo foi ignorado ou ficou sem resposta, devendo, portanto, ser anulada a presente multa. Entretanto, não prova o alegado. Não consta, dos autos, que a documentação solicitada tenha sido apresentada. Todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada da documentação, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Todavia, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho que demonstrassem a veracidade de suas afirmações. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. No caso presente, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. A autuada alega que teve diversos problemas com seu antigo contador e que teve pouco tempo para apresentar a documentação solicitada. Contudo, reiterase, conforme informado no Relatório Fiscal, e comprovado nos autos, a autoridade lançadora prorrogou, por diversas vezes, o prazo para apresentação de documentos. Segundo consta, a empresa foi intimada, por meio do TIF nº 11, a apresentar documentos, sendo que o contribuinte protocolizou declarações em 01/02/2010 solicitando dilação de prazo, concedida por 20 dias e; em 01/03/2010, requereu nova dilação, o que foi concedido por mais 20 dias. Em 19/03/2010, mais uma vez solicitou prorrogação, o que foi concedido de forma improrrogável por mais 20 dias, por intermédio do Termo de Reintimação Fiscal nº 16. Em 01/03/2010 foi emitido o TIF nº 15, e o contribuinte também protocolizou declaração em 16/03/2010 solicitando dilação de prazo. Em 23/03/2010 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 17, concedendo 20 dias para atendimento do TIF 15. Foi então emitido Termo de Reintimagão Fiscal 16, com ciência em 31/03/2010, solicitando novamente os documentos arrolados no TIF 11 e, do Termo de Constatação Fiscal 17, ciência em 31/03/2010, concedeuse nova prorrogação por 20 dias para atendimento do TIF 15. Por meio do Termo de Constatação Fiscal 18, ciência em 12/05/2010, a fiscalização informou que, até aquela data, as intimações citadas nos itens 01 a 06 não haviam sido atendidas. Dessa forma , não há que se falar em “pouco tempo hábil’ para a obtenção das solicitações, ou que deveria ter sido concedido um prazo “razoável” para a apresentação de tais documentos, como também não procede a acusação de que “não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato”, uma vez que, conforme demonstrado nos autos, a fiscalização concedeu prazo mais que suficientes para que a empresa apresentasse a documentação solicitada, prorrogando por diversas vezes o prazo estipulado nos TIFs . E, ao deixar de apresentar as informações e documentos solicitados pela fiscalização, a recorrente infringiu a legislação previdenciária. O art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, determina que: Art.33. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000321/201013 Acórdão n.º 2301003.105 S2C3T1 Fl. 240 7 comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) Portanto, houve infração da legislação previdenciária e a fiscalização, cuja atividade é vinculada, lavrou o competente Auto de Infração, em observância aos mandamentos legais. No mérito, verificase um esforço da recorrente em tentar demonstrar que a que a aplicação da multa é ilegal e inconstitucional. Porém, cumpre lembrar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser afastada, como quer a recorrente, não havendo que se falar em ilegalidade da multa aplicada. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Ademais, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Nesse sentido CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
