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Numero do processo: 11075.900126/2006-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 1998
DCOMP CSLL. DECADÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Se o direito creditório foi tempestivamente pleiteado perante a Administração Tributária, não há que se falar em decadência do direito à compensação mesmo apresentada a DCOMP após o lapso de cinco anos da geração do indébito tributário.
Numero da decisão: 1803-000.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes e André Ricardo Lemes da Silva. Os conselheiros Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DCOMP CSLL. DECADÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Se o direito creditório foi tempestivamente pleiteado perante a Administração Tributária, não há que se falar em decadência do direito à compensação mesmo apresentada a DCOMP após o lapso de cinco anos da geração do indébito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes e André Ricardo Lemes da Silva. Os conselheiros Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch e André Ricardo Lemes da Silva. Relatório Fl. 234DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 199 2 PILLECO NOBRE ALIMENTOS LTDA, atual denominação de PILLECO & CIA. LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SANTA MARIA (RS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 109/126) contra despacho decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Maria (fls. 87) que, com base no Parecer DRF/STM n° 416, de 4 de junho de 2008 (fls. 85/86), não homologou a compensação realizada por meio da Declaração de Compensação n° 38598.12137.130906.1.3.038660, entregue em 13 de setembro de 2006, por encontrarse decaído o direito de utilizar o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998, em vista o disposto no art. 1° do Decreto n° 20.910, de 06 de janeiro de 1932, e no Ato Declaratório SRF n° 3, de 7 de janeiro de 2000. No referido despacho decisório é dito que, se já não estivesse fulminado pela decadência o direito de o contribuinte utilizar o crédito quando da apresentação da referida Declaração de Compensação, todo o valor ofertado pelo contribuinte estaria disponível para as compensações por ele realizadas, tal restrição não atingiria as demais declarações de compensação integrante do processo, posto que retificam DComps transmitidas em tempo hábil. Por meio da Notificação DRF/STM/Saort n° 395, de 25 de junho de 2008 (fls. 106), o contribuinte foi cientificado do despacho decisório da DRF em Santa Maria, da compensação homologada e das compensações não homologadas dos débitos de IRPJ e da CSLL do período de apuração 10/2002. O contribuinte manifesta o seu inconformismo dizendo que a não homologação da compensação ofende a regra insculpida no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, segundo a qual, expirado o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a fazenda se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, já que o débito foi quitado por compensação no seu vencimento. Em seguida, alega que não ocorreu a decadência do direito à compensação, posto que ela foi efetuada no mês de novembro de 2002, tendo sido regularmente informada na DCTF correspondente, mesmo que a DComp eletrônica tenha sido remetida para a Secretaria da Receita Federal no dia 13/09/2006. A não homologação da compensação, sob qualquer ângulo que se analisa, implica em flagrante violação ao princípio que veda o enriquecimento sem causa de um em detrimento de outro, figura essa tão combatida no nosso ordenamento jurídico. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 200 3 Alega que esse assunto já foi amplamente discutido na então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, com suporte nos princípios da moralidade administrativa e na vedação do enriquecimento ilícito, acolheu a compensação efetuada pelo recorrente (Recurso Administrativo n° 125547). Alega não ser justo que um contribuinte que tenha recolhido regularmente os valores de estimativas no ano de 1999 e utilizado os excedentes em novembro de 2002, tendo apresentado regularmente a DCTF com o indicativo de quitação por compensação, seja, agora, surpreendido com a não homologação da referida compensação pelo simples fato de ter apresentado a DComp no mês de setembro de 2006. Tal fato representa um flagrante desprezo a tudo que existe na nossa doutrina e jurisprudência acerca da prevalência do princípio da verdade material sobre a verdade formal. Estando demonstrado que não se trata de extinção do crédito tributário além do prazo de vencimento, sendo, portanto, essa a verdade material, não resta dúvidas que deve ser afastada a exigência tributária. Alega, também, que o Fisco deve observar o princípio da razoabilidade e considerar que os atos da compensação foram devidamente informados na DCTF, com o que deveriam, então, ser observadas as orientações do art. 112 do Código Tributário Nacional, que determina a interpretação mais favorável ao contribuinte da norma que define infrações, ou lhe comine penalidades, em caso de dúvida quanto à capitulação do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos e à natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação. Aduz que a não homologação das compensações afrontou o disposto no art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, na medida em que, como inclusive relatado pelo Fisco, era detentora de créditos livres para compensação. Se utilizou os ditos créditos antes de decaído o seu direito, como o fez, não existe nenhuma razão lógica para a não homologação da compensação que foi efetuada e devidamente informada através da DCTF em novembro de 2002. Por último, requer sucessivamente (i) que seja acolhida a preliminar de decadência do direito de o Fisco lançar, determinando o cancelamento da exigência tributária, (ii) que seja acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do direito à compensação, determinando, também, o cancelamento da respectiva exigência tributária, e (iii) caso não sejam acolhidas as questões anteriores, que seja então declarada nula a Notificação DRF/STM n° 397 de 26 de junho de 2008, determinandose, de igual modo, o cancelamento do crédito tributário em questão. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 201 4 A DRJ SANTA MARIA/RS, através do acórdão 1810.697, de 14 de maio de 2009 (fls. 148/154), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DCOMP. A compensação pelo sujeito passivo de pagamentos indevidos ou a maior de tributos se efetiva com a entrega da Declaração de Compensação DComp, independentemente de qualquer outro procedimento por ele adotado. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição ou compensação do saldo negativo da CSLL extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados a partir do encerramento do período de apuração do saldo negativo. DESPACHO DECISÓRIO. CIÊNCIA. NOTIFICAÇÃO A competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento está restrita à manifestação de inconformidade contra o ato que não homologou as compensações declaradas pelo sujeito passivo. Qualquer manifestação contrária à notificação que cientificar o sujeito passivo do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas deve ser dirigida ao órgão emitente do ato impugnado, que dará tratamento de recurso hierárquico. Ciente da decisão em 04/06/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 162), apresentou o recurso voluntário em 02/07/2009 fls. 163/181, onde reitera os argumentos da inicial de que deve ser homologada a compensação pois o direito creditório foi tempestivamente pleiteado perante a Administração Tributária. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de análise de declarações de compensação – DCOMP, parcialmente homologadas pela Administração Tributária, referindose o direito creditório a saldo negativo de CSLL do ano calendário 1998. A unidade de origem que apreciou os pedidos reconheceu a existência do direito creditório, mas somente homologou as declarações de compensação que foram apresentadas no lapso de cinco (05) anos do encerramento do período de apuração 1998, entendendo restar decaído o pedido de compensação apresentado após este prazo. Insurgese a recorrente argüindo em síntese: a) De que já havia decaído o direito da Fazenda Nacional em realizar o lançamento para exigência do período de apuração constante da DCOMP (10/2002); b) De que já havia formalizado o pedido de compensação em DCTF dentro do prazo de cinco anos e o fato de que a DCOMP foi apresentada após este prazo não lhe retira o direito à utilização do crédito e à compensação; c) De que o procedimento da Administração Tributária ofende o devido processo legal e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e a prevalência da verdade material ante a verdade formal. Embora os argumentos sustentados pela recorrente não mereçam individualmente acolhida, entendo que assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos no processo, apresentou a recorrente duas DCOMP contendo o mesmo direito creditório (saldo negativo CSLL de 1998) sendo que uma foi objeto de retificação ao longo do tempo e a segunda DCOMP foi tratada como original e não foi homologada pois teria sido apresentada após o período de cinco anos da geração do indébito tributário. Assevera a recorrente que embora tenha sido apresentada após o lapso decadencial, a segunda DCOMP apresentada informou a PER/DCOMP que continha o direito creditório e que foi pleiteado dentro do prazo de cinco anos. Realmente, conforme se observa da DCOMP que não foi homologada (fls. 07/08v), na página 02 da DCOMP no campo “Número do PER/DCOMP inicial” consta o número 17374.88302.120903.1.3.03.6708, que também consta da outra DCOMP que foi retificada, sendo que o número 120903 é indicativo de que a declaração foi entregue ainda em 2003, bem como se observa da cópia desta PER/DCOMP original constante das fls. 01/02v. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 203 6 Mesmo considerando que a DCOMP originalmente apresentada não seja expressamente uma PER (Pedido de Restituição) contém todas as características de pedido de restituição, conforme se constata da DCOMP original (fls. 01/03) e a retificadora (fl. 04 e verso) o crédito foi apresentado à Administração Tributária por inteiro, tendo sido atualizado até a data da entrega e com todos os elementos que o compõe o saldo negativo de 1999, valores que foram integralmente chancelados pela unidade que apreciou o pedido. Outrossim, entendo que quando a Administração Tributária analisou o direito creditório e o reconheceu integralmente, apreciou o pedido de forma completa inclusive em relação ao Pedido de Restituição cumulado com Compensação embutido nos PER/DCOMP apresentados dentro do lapso de cinco anos da geração do indébito tributário. Não me parece razoável que tendo reconhecido integralmente a existência do direito creditório (formulado dentro do prazo de cinco anos), a Administração Tributária não homologue todas as compensações que utilizaram o mesmo crédito mesmo aquela que supostamente foi apresentada de forma original somente em 2006. Além do mais, conforme a dicção da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, o procedimento da contribuinte é possível: (verbis) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I – o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. (...) § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. grifamos Devese considerar, outrossim, que a fundamentação legal adotada pela autoridade que apreciou as declarações de compensação (DL n° 20.910/32), está equivocada devendo aplicarse nestes casos, unicamente as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 204 7 Por derradeiro, a DCTF apresentada contendo a compensação embora não tenha per si o condão de chancelar a compensação demonstra cabalmente que houve a pretensão de utilizar integralmente o crédito pleiteado. Entendo que por todas estas razões, encontramse atendidos os pressupostos da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que no seu art. 26, § 10º, contém permissivo para a apresentação de DCOMP fora do lapso temporal de 05 (cinco) anos, desde que postulado o direito creditório no qüinqüênio após a sua geração. Destarte, deve ser homologada também a DCOMP 38598.12137.130906.1.3.03.8660 (fls. 07/08 e verso), até o limite do crédito existente. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 240DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 205 8 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Entendeu o ilustre Conselheiro, em seu bem abalizado Voto, que (fls. 202 e 203): Realmente, conforme se observa da DCOMP que não foi homologada (fls. 07/08v), na página 02 da DCOMP no campo “Número do PER/DCOMP inicial” consta o número 17374.88302.120903.1.3.03.6708, que também consta da outra DCOMP que foi retificada, sendo que o número 120903 é indicativo de que a declaração foi entregue ainda em 2003, bem como se observa da cópia desta PER/DCOMP original constante das fls. 01/02v. Mesmo considerando que a DCOMP originalmente apresentada não seja expressamente uma PER (Pedido de Restituição) contém todas as características de pedido de restituição, conforme se constata da DCOMP original (fls. 01/03) e a retificadora (fl. 04 e verso) o crédito foi apresentado à Administração Tributária por inteiro, tendo sido atualizado até a data da entrega e com todos os elementos que o compõe o saldo negativo de 1999, valores que foram integralmente chancelados pela unidade que apreciou o pedido. Outrossim, entendo que quando a Administração Tributária analisou o direito creditório e o reconheceu integralmente, apreciou o pedido de forma completa inclusive em relação ao Pedido de Restituição cumulado com Compensação embutido no PER/DCOMP apresentado dentro do lapso de cinco anos da geração do indébito tributário. Não me parece razoável que tendo reconhecido integralmente a existência do direito creditório (formulado dentro do prazo de cinco anos), a Administração Tributária não homologue todas as compensações que utilizaram o mesmo crédito mesmo aquela que supostamente foi apresentada de forma original somente em 2006. Além do mais, conforme a própria dicção da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, o procedimento da contribuinte é possível: (verbis) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) Fl. 241DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 206 9 § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I – o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. (...) § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. grifamos Destarte, deve ser homologada também a DCOMP 38598.12137.130906.1.3.03.8660, até o limite do crédito existente. (grifo do original) Sucede que o número 17374.88302.120903.1.3.03.6708, citado na DComp nº 38598.12137.130906.1.3.03.8660, não se refere a um Pedido de Restituição, mas a uma Declaração de Compensação, como abaixo se verifica (fls. 1): Se, como dispõe a IN SRF nº 600, de 2008, em seu art. 26, § 10, “O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo”, tal não se deu no presente caso. Pedido de Restituição é Pedido de Restituição; não se confunde, jamais, com Declaração de Compensação. Daí o próprio nome: Per/Dcomp. Há que se ressaltar, ainda, o fato de que, no Recurso apresentado não citou a Recorrente a Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, somente tendoo feito em processo distinto deste (de nº 11075.900120/200655, fls. 199 a 201). Fl. 242DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900126/200622 Acórdão n.º 180300.859 S1TE03 Fl. 207 10 Já com relação ao suposto equívoco na fundamentação legal adotada pela autoridade que apreciou as declarações de compensação, apontado pelo ilustre Conselheiro (fls. 203), tratase de matéria não ventilada pela Recorrente e que, portanto, não lhe cerceou o direito de defesa. Nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 243DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10166.721589/2009-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 89 /2 00 9- 91 Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10166.721589/200991 Acórdão n.º 9202004.800 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 986DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901359/2012-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, é exemplo de insumo o ácido sulfúrico utilizado na produção de alumina.
FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS.
Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido.
Recurso Especial do Procurador provido em parte
Numero da decisão: 9303-004.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS. CONCEITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, é exemplo de insumo o ácido sulfúrico utilizado na produção de alumina. FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido. Recurso Especial do Procurador provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 13 59 /2 01 2- 01 Fl. 1118DF CARF MF 2 termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403003.519, de 29/01/2015, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 9303004.659 CSRFT3 Fl. 1.119 3 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte). No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico (assim como do frete relativo ao seu transporte) e de serviços de remoção de resíduos industriais, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido no Acórdão nº 20312.448. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 985/987. A contribuinte apresentou as contrarrazões ao recurso especial (fls. 989/1001). Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido (fls. 1110/1112). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos que, em parte, assiste razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a Fl. 1120DF CARF MF 4 remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 9303004.659 CSRFT3 Fl. 1.120 5 produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico (assim como do frete relativo ao seu transporte) e de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados, encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação ao ácido sulfúrico, replicando votos anteriores envolvendo a mesma empresa, consignou: “A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza e consignou na planilha 10 que o inibidor de corrosão e o dispersante de sais são aplicados no tratamento de água potável e no resfriamento de água. (...) A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de Fl. 1122DF CARF MF 6 efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. (grifamos) Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. O mesmo, contudo, não se dá com relação ao frete pago na aquisição do ácido sulfúrico: o custo do transporte, obviamente, não se qualifica como insumo necessário à produção de alumina. A única possibilidade de o frete pago na aquisição de um produto gerar direito ao crédito para o adquirente é pela via indireta. Noutras palavras, se o produto se enquadrar no conceito de insumo, sendo, de conseguinte, necessário à produção do contribuinte, o gasto com o seu transporte deverá ser incorporado ao custo do produtos transportados. Todavia, não sendo o produto adquirido necessário à produção, o frete assim pago, incorporado ao seu custo, não gera o direito ao crédito de PIS/Cofins (na mesma linha, ver, p. ex., Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016). Portanto, se o frete foi pago no transporte de produtos que sejam insumos e de produtos que não o sejam, nos termos do conceito aqui adotado, o valor assim dispendido deve ser incorporado ao custo dos produtos transportados, de modo que, é óbvio, somente a parcela incorporada aos, digamos assim, “produtosinsumos” é que será objeto de creditamento – pela via indireta, claro! Por fim, com relação à remoção dos resíduos industriais, o crédito relativo a este serviço não foi objeto de reconhecimento pela Câmara baixa (nada foi decidido a respeito), conforme comprova a parte dispositiva da decisão, na qual reconhecido o crédito apenas quanto ao ácido sulfúrico e ao frete pago no seu transporte. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 9303004.659 CSRFT3 Fl. 1.121 7 Fl. 1124DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.000066/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Nulidade. MPF.
O MPF é um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A competência do AFRFB, pelo fato de decorrer de lei, não poderia sofrer limitações por um ato infralegal, tanto mais porque a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ao contrário do alegado pela recorrente, a assinatura da autoridade fazendária, no caso, do Delegado da Receita Substituto da DRF/SETE LAGOAS/MG encontra-se aposta no Mandado de Procedimento Fiscal.
Preliminar de nulidade. Perícia.
Rejeita-se a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, uma vez que a perícia não foi formulada na impugnação nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Decadência.
No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador.
Exclusão do lucro real.
Na determinação do lucro real, somente podem ser excluídos do lucro liquido do período de apuração, os valores cuja dedução seja autorizada por lei que não tenham sido computadas na apuração do mesmo lucro liquido.
Postergação do lucro.
A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço pré-determinado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Os resultados devem ser levantados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. A parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do período-base em que a receita for recebida.
O lucro diferido deve ser controlado, por meio de ajustes contábeis ou mesmo extra-contábeis. 0 diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999, será procedido no LALUR.
O contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro correspondente a receita reconhecida contabilmente, pode ser postergada, a luz da legislação fiscal vigente.
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende-se aos reflexos.
Numero da decisão: 1201-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Nulidade. MPF. O MPF é um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A competência do AFRFB, pelo fato de decorrer de lei, não poderia sofrer limitações por um ato infralegal, tanto mais porque a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ao contrário do alegado pela recorrente, a assinatura da autoridade fazendária, no caso, do Delegado da Receita Substituto da DRF/SETE LAGOAS/MG encontrase aposta no Mandado de Procedimento Fiscal. Preliminar de nulidade. Perícia. Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, uma vez que a perícia não foi formulada na impugnação nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Decadência. No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Exclusão do lucro real. Na determinação do lucro real, somente podem ser excluídos do lucro liquido do período de apuração, os valores cuja dedução seja autorizada por lei que não tenham sido computadas na apuração do mesmo lucro liquido. Postergação do lucro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 00 66 /2 00 6- 04 Fl. 3752DF CARF MF 2 A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Os resultados devem ser levantados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. A parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do períodobase em que a receita for recebida. O lucro diferido deve ser controlado, por meio de ajustes contábeis ou mesmo extracontábeis. 0 diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999, será procedido no LALUR. O contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro correspondente a receita reconhecida contabilmente, pode ser postergada, a luz da legislação fiscal vigente. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Considerando que estes autos já foram apreciados em momento anterior pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, transcrevo o relatório elaborado pelo ilustre Relator do Acórdão nº 1202001.013, na sessão de 07 de agosto de 2013 (fl. 3.708 e seguintes): "Por bem retratar os fatos ocorridos transcrevo, em parte, o Relatório do Acórdão nº 227.143 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 1462 e seguintes, o qual também passo a adotar: Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.753 3 “Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 271/276, o qual exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 11.331.732,68, cumulado com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/01/2006. Em decorrência desse procedimento principal, foi também formalizado o lançamento reflexo, a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL (fls.279/282), no valor de R$ 4.151.377,23, cumulada com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados ate 30/01/2006. Do Auto de Infração do IRPJ. Lançamento principal. Na descrição dos fatos, consta que: "001 —ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTIVEL Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, do valor de R$ 1.291.429,77, correspondente a despesas com provisões não dedutíveis, conforme demonstrado no Termo de Verificação, em anexo, o qual é parte deste Auto de Infra cão. (...) "002 —ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL MULTAS INDEDUTIVEIS Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, de despesas com multas indedutíveis, conforme a legislação de regência, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em anexo, o qual é parte integrante deste Auto de Infração. (...) 003 EXCLUSÕES/ COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro liquido do exercício, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em anexo, o qual é parte integrante deste Auto de Infração". [...] Da impugnação. Tendo sido dele notificado, em 13/02/2006, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 15/03/2006 (data da postagem, conforme consta das fls. 293), mediante o instrumento de fls. 294 a 322 e 325 a 343. Adiante compendiam se as razões de defesa tanto contra o lançamento do IRPJ como da CSLL. Fl. 3754DF CARF MF 4 Em preliminar, o Contribuinte postula pela nulidade do lançamento, argumentando que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, não foi assinado pela autoridade fazendária, como determina o art. 7°, VII, do Decreto n° 3.969, de 2001. DA DECADÊNCIA. Inicialmente, com base no art. 173, I, do CTN, foi alegada a decadência do direito de o Fisco lançar, alegandose que o auto de infração restou formalizado em 13/02/2006, cujos valores levados à tributação referemse aos anos de 1997 a 2001. Portanto, retroagindo cinco anos desta data, chegase ao ano de 2000. Sustenta, pois, que ocorreu a decadência relativa ao crédito tributário correspondente aos anos de 1997 a 2000. DA DEFINIÇÃO LEGAL DA RENDA TRIBUTÁVEL. Noutras alegações, o Impugnante, substancialmente, aduz que não houve renda tributável, à luz do art. 43, do CTN, uma vez que escriturou créditos a receber de órgãos públicos e que ensejaram o ajuizamento de medida judicial especifica. O Impugnante citou, ainda, o art. 409, do RIR/1999, aduzindo: "verificase no caso presente que o contribuinte não excluiu da tributação o valor principal dos créditos a receber do órgão Público, diferiu a tributação do imposto de renda sobre as variações monetárias, cuja cobrança encontrase em fase de processo judicial regularmente ajuizado, face ao não reconhecimento, pelo órgão público, dos valores cobrados". Alega que a tributação de um não acréscimo patrimonial configura confisco, o que não é permitido pela Constituição Federal de 1988. Foram citadas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuinte e da Solução de Consulta SRRF 7a Região Fiscal n° 626, de 27 de dezembro de 2004. DA DEDUÇÃO DE ENCARGOS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS TRIBUTOS EM ATRASO. Alega que o Fisco não tem razão. Primeiro o art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1996, não se aplica ao caso presente, pois não se trata de nenhuma provisão. Cita o art. 344, do RIR/1999 ("Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência"); e as Instruções Normativas SRF nºs 11, de 1996, e 390, de 2004. Diz, outra questão surge com relação ao débito estar executado, com penhora e ajuizamento de embargos. DAS MULTAS DOS CONTRATOS DE LEASING. Contrariamente ao que o Fisco alegou, no sentido de que as multas não se enquadram na condição elencada no art. 299, do RIR/1999, cita ementa do Acórdão n° 257, de 2002, prolatado pela primeira Turma da DRJ/BELÉM. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.754 5 DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC. Substancialmente, combate a aplicação da Taxa Selic, como juros de mora. Defende que deve ser observado o art. 161, do CTN. DA MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. Alega que o percentual de multa cobrado, de 75%, esta exorbitante e inconstitucional, ferindo de morte o art. 150, IV, da Constituição Federal. Ao final, requer prazo de 15 dias para juntada dos documentos comprobatórios de que o Fisco tributou valores não recebidos de órgãos públicos. E postula pela improcedência total do lançamento. Da Conversão do Julgamento em Diligência. Por meio da Resolução DRJ/BHE n° 663, de 13 de julho de 2006 (documentos de fls. 350/356), o julgamento da presente lide fiscal foi convertido em diligência. Em atendimento à solicitação supra, a Fiscalização procedeu às diligências que entendeu necessárias, efetuando intimações regulares ao Contribuinte (vide documentos de fls. 361/659). O "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" (documentos de fls. 660/663) esclarece os procedimentos adotados nas diligências efetuadas. Da Conversão do Julgamento em Diligência. Novamente, por meio da Resolução DRJ/BHE n° 770, de 10 de abril de 2007 (documentos de fls. 680/686), o julgamento da presente lide fiscal foi convertido em diligência. Em atendimento à solicitação supra, a Fiscalização procedeu às diligências que entendeu necessárias, efetuando intimações regulares ao Contribuinte (vide documentos de fls. 688/1.445). O "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" (documentos de fls. 1.446/1.452) esclarece os procedimentos adotados nas diligências efetuadas. Da Ciência dos Relatórios de Diligências. Por meio do Despacho n° 23, de 10 de março de 2010, da 2a Turma DRJ/BHE (vide documento de fls. 1.454), o processo retornou à DRF de origem, para que fosse dada ciência ao contribuinte do conteúdo dos relatórios de diligência fiscal, documentos de fls. 660/663 e 1.446/1.452. A Fiscalização, então, cumprindo a solicitação acima, enviou os referidos relatórios ao contribuinte, para que ele se manifestasse Fl. 3756DF CARF MF 6 a respeito das considerações neles contidas, no prazo de 30 (trinta) dias (vide Termo de Ciência, de fls. 1.455). Após devidamente cientificado, em 22/03/2010 (11s. 1.456), o contribuinte requereu, em 22/04/2010, mais 30 (trinta) dias de prazo para se manifestar. Justificando tal pedido, alega a complexidade da matéria (vide documento de fls. Em seguida, o processo foi enviado a DRJ/BHE, para julgamento (vide despacho de fls. 1.458). Às fls. 1.459/1.461, foram anexados documentos enviados pelo contribuinte, em 19/05/2010, a DRF, de origem, contendo requerimento solicitando prorrogação do prazo para manifestação. É o relatório.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 0227.143 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 1462 e seguintes, julgando procedente em parte a impugnação, com o seguinte ementário: Nulidade. MPF. O MPF é um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A competência do AFRFB, pelo fato de decorrer de lei, não poderia sofrer limitações por um ato infralegal, tanto mais porque a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Preliminar de nulidade. Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Pedido. Prorrogação de Prazo para Manifestação. 0 prazo de 30 (trinta) estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, para manifestação do sujeito passivo contra a exigência ou mesmo quaisquer considerações da Fiscalização que a corroborem, é improrrogável, independentemente do grau de complexidade da matéria lançada, objeto do auto de infração que se lhe exige. Decadência. No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Despesas com tributos e contribuições. Dedutibilidade. Como regra geral, as despesas com tributos e contribuições são dedutíveis na apuração do lucro real pelo regime de competência. Todavia, nas hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como o parcelamento e o Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.755 7 depósito judicial, prevaleceu o regime de caixa para dedutibilidade das despesas de tributos e contribuições. Gasto necessário. O gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Exclusão do lucro real. Na determinação do lucro real, somente podem ser excluídos do lucro liquido do período de apuração, os valores cuja dedução seja autorizada por lei que não tenham sido computadas na apuração do mesmo lucro liquido. Postergação do lucro. A pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Os resultados devem ser levantados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. A parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do períodobase em que a receita for recebida. O lucro diferido deve ser controlado, por meio de ajustes contábeis ou mesmo extracontábeis. 0 diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999, será procedido no LALUR. O contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro correspondente a receita reconhecida contabilmente, pode ser postergada, a luz da legislação fiscal vigente. CSL. Tributação reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Juros de Mora. Taxa Selic É legitima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Multa de Oficio. Fl. 3758DF CARF MF 8 Nos casos de lançamento de oficio, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, no caso de falta de declaração e nos de declaração inexata. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra essa decisão, o contribuinte impetrou recurso voluntário, de fls. 3629 a 3654, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório." O voto condutor do Acórdão proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento foi no sentido de que o recurso voluntário ter sido apresentado após o prazo previsto legalmente e por conseguinte não se deve tomar conhecimento do presente recurso, por intempestivo, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, combinado com o art. 63, inciso I, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O sujeito passivo, por meio do documento de fls. 3.722 e seguintes opôs embargo de declaração com fulcro no artigo 535, inciso II do Código de Processo Civil por obscuridade, mediante as razões lá explicitadas. Por sua vez, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais conheceu dos embargos opostos, por meio da Resolução nº 1202000.237, de 11 de março de 2014, da extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento (doc de fls. 3.731 e seguintes), para converter o julgamento dos embargos em diligência. A Unidade de Origem cumprindo a diligência solicitada pelo CARF produziu o documento intitulado "Despacho de Diligência" (fls. 3.737/3.738), o qual trago à colação: "Tratase de questionamento acerca da data de protocolo de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima qualificado em sede de embargos declaratórios (fls. 3.716 a 3.730) apostos perante decisão exarada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A referida decisão, consubstanciada no Acórdão nº 1202 001.013 de 07/08/2013 (fls. 3.708 a 3.715), declarou a intempestividade do recurso apresentado, tendo por base para tal, o Despacho de fl. 3.707. Este despacho, por sua vez, tomou como base, para alegar a intempestividade do recurso, a data de protocolo atestada na 1º folha da peça apresentada pelo contribuinte (fl. 3.672), que é a data de 07/12/2010, 1 (um) dia após a data ad quo, de 30 dias após a ciência da decisão de 1º instância, cujo prazo final para interpor recurso tempestivamente deu em 06/12/2010 (conforme AR à fl. 3.671). Ultrapassado o prazo, o referido recurso foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em obediência ao art. 35 do Decreto 70.235/72 para que este julgasse a perempção. Ciente do supra citado Acórdão, o contribuinte protocolou os já citados embargos declaratórios, apresentando como prova de tempestividade do recurso voluntário interposto o comprovante Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.756 9 de postagem (fl., 3.729). Tal prova demonstra que a data de protocolo do recurso voluntário seria 06/12/2010 conforme carimbo aposto pela Empresa de Correios e Telégrafos no “AR” apresentado quando da postagem efetuada pelo contribuinte. Assim sendo, na impossibilidade de ter acesso ao envelope de postagem ou mesmo de outros meios para determinar a real data de protocolo , entendemos que são verossímeis os dados constantes do documento apresentado quanto à data de interposição do recurso voluntário, cabendo, pois, razão ao contribuinte na alegação da tempestividade de interposição da peça recursal. Dado que o carimbo aposto pelos CORREIOS informa a data de 06/12/2010, esta é a data a ser considerada para que seja validada sua tempestividade, devendo, dessa forma, ser desconsiderada a data de recebimento pelo órgão preparador postada no carimbo aposto à fl. 3.672. Insta ainda informar que, cópia deste despacho será enviado ao contribuinte acima qualificado para ciência de seu inteiro teor, determinandose prazo de 30 dias contados de seu recebimento (da data do AR) para eventual manifestação, em respeito ao determinando pela Resolução nº 1202000.237 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 11/03/2014 (fls. 3.731 a 3.735)." Após a ciência do "Despacho de Diligência", sem qualquer manifestação do sujeito passivo, os autos foram remetidos novamente a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, com base nos argumentos expostos no "Despacho de Diligência" exarado pela Unidade de Origem, transcritos no relatório deste Acórdão e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Falta de apreciação do pedido de perícia Alega a recorrente que a decisão "a quo" não apreciou o pedido de perícia constante de sua impugnação e requer a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. No entanto, o sujeito passivo não transcreve os trechos de sua impugnação em que peticiona pela necessidade da prova pericial para encontrar a verdade material e, ao compulsar as impugnações apresentadas pelo sujeito passivo (fls. 297 a 325 e 328 a 343) verifico que não há menção ao pedido de perícia como alega em seu recurso. Fl. 3760DF CARF MF 10 Portanto, não há o cerceamento do direito de defesa pela ausência da apreciação do pedido de perícia na impugnação como afirma a recorrente, uma vez que a perícia não foi formulada nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Exposto assim, declaro válida a decisão de primeira instância. Nulidade do MPF Falta de assinatura da autoridade fazendária Afirma a interessada que a exigência da assinatura da autoridade fazendária no MPF decorre do artigo 7º, VII do Decreto nº 3.969/01 vigente à época da lavratura do MPF, razão pela qual não há se falar nas disposições atuais da legislação, tendo em vista que a Lei Tributária não retroage, mormente para prejudicar o contribuinte. No entanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a assinatura da autoridade fazendária, no caso, do Delegado da Receita Substituto da DRF/SETE LAGOAS/MG encontrase aposta no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 06.1.13.00.2005.001154, cuja cópia encontrase anexa nos autos às fls. 02. Assim, também não procede o pedido de nulidade do MPF por falta de assinatura da autoridade fazendária. Decadência dos valores lançados referentes aos exercícios de 1997 a 2000 Alega a recorrente que, ao contrário do sustentado na r. decisão recorrida, in casu, o prazo decadencial não é contado da data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Segundo entendimento pacificado do STJ, "somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN)". Mais uma vez equivocase a recorrente ao pedir a decadência dos valores lançados referentes aos exercícios de 1997 a 2000, uma vez que o lançamento aqui constituído se refere a fatos geradores de 31/12/2003. Nesse caso, o termo final seria o dia 31/12/2008 obedecendo a regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN. A ciência da contribuinte dos autos de infração ocorreu em 13 de fevereiro de 2006, portanto, dentro do prazo legal de 5 (cinco) anos. Portanto, rejeitase a preliminar de decadência. Mérito Sustenta o sujeito passivo que a vinculação das ações judiciais mencionadas com as receitas objeto da autuação é evidente, diante das cópias das ações juntadas aos autos (processos n° 0024.04.4254910 e 0024.97.1068093). Sendo assim, tendo sido reconhecido que a recorrente não recebeu os valores repassados à Câmara de Compensação Tarifária (CCT), não há se falar em manutenção da autuação de IRPJ e CSLL. Ressalta ainda que, conforme seu Livro Razão, todos os lançamentos estão perfeitamente identificados como sendo de provisão de rateio da Câmara de Compensação Tarifária, cujo devedor é o DER/MG, que figura como réu nas ações ajuizadas pela recorrente, nas quais não se obteve êxito, todas já transitadas em julgado. Prossegue afirmando que ao tributar um não acréscimo patrimonial, estamos diante de um confisco, o que não e permitido, tanto pelo Artigo 150, IV como pelo artigo 50, LIV da Constituição Federal. Aduz, finalmente, que não excluiu da tributação o valor principal dos créditos a receber do órgão Público, diferiu a tributação do imposto de renda sobre as variações Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.757 11 monetárias, cuja cobrança encontrase em fase de processo judicial regularmente ajuizado, face ao não reconhecimento, pelo órgão público, dos valores cobrados. Esse assunto já foi exaustivamente examinado pela Fiscalização e pela decisão de primeira instância sem que a recorrente trouxesse aos autos nesta fase processual qualquer elemento novo que pudesse infirmar o lançamento. Assim, mantenho o entendimento exarado no Acórdão da DRJ que considerou correto o procedimento fiscal de efetuar o lançamento de ofício do IRPJ, em razão de exclusão do lucro real não permitida pela legislação fiscal. Abaixo reproduzo trecho do voto condutor da decisão "a quo": ITEM 003 — EXCLUSÕES INDEVIDAS. Conforme relata o Fisco, tratase do lançamento do IRPJ e da CSLL, em razão de dedução indevida feita pelo contribuinte na apuração do lucro liquido, do valor de R$ 25.821.755,18, registrado como exclusão relativa à "Atualização Monetária do Rateio/CCT", na parte "A" do LALUR (fls. 211), como ajuste do lucro liquido do exercício de 2004, anocalendário de 2003. (...) No caso vertente, o contribuinte registrou contabilmente um direito creditório (conta devedora, 1.21.01.02.002 — "Rateio DER/MG; fls. 204); cuja correspondente contrapartida foi uma conta de resultado (conta credora, 4.20.01.01.026 — "Atualização Monetária Rateio/CCT; fls. 205). No histórico do referido registro contábil consta: "Vr. Ref Atualização monetária RATEIO/CCTDER conf planilha, R$ 9.863.335,32" "Vr. Ref Atualização monetária RATEIO/CCTDER DE 1991 a 1994 conf Planilha, R$ 15.958.419,86" Devidamente intimado a justificar a referida exclusão, no lucro real, dessa receita, reconhecida contabilmente no valor total de R$ 25.821.755,18, o contribuinte, respondeu que (fls. 189): " Exclusão do valor de R$ 25.821.755,18, atualização monetária do Rateio/CCT, com base no art. 406 do Regulamento do Imposto de Renda e art. 25" e 34" da IN n°247 de 21/12/2002. Entendemos que se o principal pode ser excluído da base de cálculo, a sua atualização também deve ser excluída, por tratar se de valores não recebidos de órgão ". A Fiscalização, então, efetuou o lançamento de oficio, por dedução indevida, no lucro real, do valor de R$ 25.821.755,18, registrado contabilmente como receita de atualização monetária, relativamente ao rateio da CCT, considerando que os dispositivos legais mencionados pelo contribuinte não se aplicam ao caso concreto; e não foi apresentado nenhum instrumento legal que lhe outorgasse, pelo Estado, tal concessão Fl. 3762DF CARF MF 12 ou permissão, assim como, nenhum contrato firmado com órgãos públicos para concessão de serviços de transporte urbano. Por sua vez, na defesa apresentada, o Impugnante defendeu que não houve renda tributável, A. luz do art. 43, do CTN, uma vez que escriturou créditos a receber de órgãos públicos e que ensejaram o ajuizamento de medida judicial especifica. Disse ainda, que: "verificase no caso presente que o contribuinte não excluiu da tributação o valor principal dos créditos a receber do órgão Público, diferiu a tributação do imposto de renda sobre as variações monetárias, cuja cobrança encontrase em fase de processo judicial regularmente ajuizado, face ao não reconhecimento, pelo órgão público, dos valores cobrados". Feitas as diligências solicitadas por este órgão julgador, conforme acima transcrito, passase ´`a analise das ações judiciais mencionadas pelo contribuinte, cujo objeto seria, supostamente, a receita contabilmente reconhecida, mas excluída do lucro real. AÇÕES JUDICIAIS. RECEITA RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETO. Não se pode olvidar que a disponibilidade de renda, econômica ou jurídica, inocorre se o seu valor, por razões fáticas ou jurídicas, não estiver em condições hábeis de integração ao patrimônio do contribuinte. Nesse caso, o que existe é uma potencial disponibilidade, irrelevante para suscitar a incidência do tributo. Sendo assim, se a aludida receita de atualização monetária fosse objeto de discussão judicial, essa somente vai beneficiar a interessada quando proferida a decisão judicial com transito em julgado, se favorável ao seu pleito, tendo em vista que, uma vez adquirida a disponibilidade jurídica de renda, esta se torna sujeita ao imposto em homenagem ao regime de competência 0 contribuinte apresentou esclarecimentos no que tange aos valores contabilizados, em 31/12/2003, a titulo de atualização monetária do Rateio da CCT, conforme documento de fls. 693, acompanhado das planilhas: de fls. 696/700 denominadas "Rateio da Camara de Compensação Tarifária Nota de Débito/Crédito (denominadas, Gerenciador: DER), correspondentes aos períodos de 1991 a 1994, que resultou na atualização monetária de R$ 15.958.419,86; e de fls. 701/706 (denominadas "Planilha de Credito Junto à Câmara de Compensação Tarifária'), períodos de 1997 a 2001, resultando na atualização monetária de R$ 10.398.936,87. Por outro lado, no que tange à suposta discussão judicial dos referidos valores, contabilizados como atualização monetária, conforme acima especificado, o contribuinte os vinculou a duas ações judiciais distintas. A primeira relativa ao processo n° 0024971068093, distribuída em 24/10/1997 (documentos de fls. 375/390 e 653/659; e • planilhas de fls. 1.031/1.034); a segunda, Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.758 13 processo n° 0024044254910, distribuída em 19/08/2004 (documentos de fls. 367/374 e 649/652; e planilhas de fls. 1.035/1.039). Como se vê na petição inicial do primeiro processo (fls. 375/390), a autora afirma ser permissionária de linhas de linhas municipais e intermunicipais na Regido Metropolitana de Belo Horizonte, conforme termo de permissão de 17/06/1986, firmado com a METROBEL, complementado por ajustes feitos com a TRANSMETRO. Resumidamente, verificase da exordial que a autora reclama de déficits impostos pelo sistema da Câmara de Compensação Tarifária, que a conduziu ao sucateamento da sua frota, diante da impossibilidade de dispor de recursos para proceder a indispensável renovação da sua frota. Esse sistema deficitário causoulhe vultuosos prejuízos que se acumularam no período de abril de 1990 a junho de 1995, cujo montante seria facilmente apurado através de perícia. Abaixo transcrevese o pedido dessa ação (fls. 389). Abaixo transcrevese o pedido dessa ação (fls. 389). "V PEDIDO A vista do exposto, requer a Autora sejam condenados, por sentença, os réus, a indenizar todos os prejuízos acarretados ás promoventes no período de abril de 1990 a junho de 1995, pelo valor que se apurar pericialmente no curso da demanda, além das perdas e danos correspondentes à depreciação da empresa (valor também a ser definido por perícia), acrescido, em qualquer hipótese, de correção monetária e juros legais desde a consuma00 dos prejuízos, além dos encargos de sucumbência, na forma da lei." (Grifos acrescentados). Portanto, tratase de ação de indenização por prejuízos causados pelos órgãos permissionários (Estado), do serviço prestado pelo contribuinte (transporte municipal e intermunicipal), em razão da política imposta na CCT, no período de abril de 1990 a junho de 1995, cuja apuração da indenização seria através de perícia. Todavia, nos autos, o contribuinte nada disse acerca das perícias postuladas no citado processo (n° 024971068093, distribuído em 24/10/1997). 0 que apresentou foram as planilhas de fls. 1.031/1.034, denominadas "RATEIO DA CÂMARA DE COMPENSAÇÃO TARIFARIA — NOTA DE DÉBITO/CRÉDITO óRGÃO GERENCIADOR: DER, REFERENTE AOS CRÉDITOS INCLUSOS NA PLANILHA DE ATUALIZAÇÃO E PROCESSO: 024971068093", onde constam cálculos relativamente ao período de junho a dezembro de 1991 e janeiro de 1992 a julho de 1994. Tendo em vista as denominações feitas, essas planilhas, supostamente, estariam vinculadas com as de fls. 696/700. No entanto, as informações prestadas pelo contribuinte, nos autos, não provam a vinculação defendida. Ou seja, não se pode Fl. 3764DF CARF MF 14 dizer que o valor do saldo relativo à atualização monetária do período de 1991 a 1994, contabilizado pelo contribuinte, em 31/12/2003, de R$ 15.958.419,86, conforme especificado no documento de fls. 693, acompanhado das planilhas de fls. 696/700, guarde identidade ou decorra do objeto da ação judicial constante do processo no 024971068093, distribuído em 24/10/1997. Ademais, vale lembrar que essa ação, proposta em 24/10/1997, já foi decidida na primeira instância, no TJMG e no STJ (vide documentos de fls. 665/678). Pelo que se vê, essas decisões foram desfavoráveis A autora, isto e, o seu pleito está sendo negado. No STJ, o processo foi recebido em 26/08/2003, e a Segunda Turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da Postulante, ora Impugnante, constando da ementa: "INEXISTÊNCIA DE DIREITO A INDENIZAÇÃO". Nas planilhas (fls. 1.031/1.034) apresentadas pelo contribuinte como vinculadas a esse processo, períodos entre junho de 1991 a julho de 1994, conforme ressaltou o Fisco, a coluna Rateio é obtida pela diferença entre o Custo admitido sem rateio (custo real mais produtividade) e o Custo admitido com rateio (custo admitido sem rateio, aplicandose um redutor percentual). Feita a conversão dos valores, indicados em moeda da época, para reais, o Fisco obteve a importância de R$ 199.849,03 (vide quadro As fls. 1.451). No entanto, na petição inicial e no pedido final, não são mencionados valores, tendo sido indicada a forma de apuração tanto da indenização como das perdas e danos por perícia, acerca das quais, nos autos, nada foi esclarecido. Logo, não há como associar a planilha de fls. 1.031/1.034 com a de fls. 696/700. Desse modo, não restou provada, nos autos, a vinculação entre a receita reconhecida pelo contribuinte, (vide registro contábil constante as fls. 204/205, cujo histórico menciona, "Vr. Ref Atualização monetária RATE10/CCT DER DE 1991 A 1994 conf Planilha, R$ 15.958.419,86"), no montante de R$ 15.958.419,86, em 31/12/2003, com o objeto da ação judicial, correspondente ao processo n°024971068093, distribuído em 24/10/1997. De outro lado, o segundo processo n° 0024044254910, distribuído em 19/08/2004, referese à Ação de Cobrança. Como se vê da inicial, a postulante explica que a sua remuneração, como permissionária, não se dava em função da tarifa cobrada do usuário, porque vigorava a chamada CCT — Câmara de Compensação Tarifária, cujo objetivo estabelecido em Portaria, é o de: "assegurar o equilíbrio econômico financeiro do serviço regular de transporte público por ônibus na Regido Metropolitana de Belo Horizonte, proporcionando a aplicação de preços de passagens unificados por áreas, corredor ou tipo de serviço e a racionalização do uso do transporte". Então, se a arrecadação da permissionária fosse superior ao seu custo, ela deveria repassar o valor excedente à CCT, que emitiria assim a "nota de débito". Caso contrário, a CCT emitiria a "nota de crédito". Nesse sentido, salientou a postulante que o DER/MG emitiu "notas de crédito" a seu favor, Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.759 15 atestando que a sua remuneração foi feita de forma incompleta. A postulante, ainda, discorreu acerca do seu direito à remuneração equilibrada. Verificase que o contribuinte ingressou com ação judicial para recebimento das suas "notas de crédito", devidamente corrigidas e acrescidas de juros, bem como de uma remuneração justa. Abaixo transcrevese o pedido dessa ação (fls. 373/374). "40. Pede, afinal, seja julgada procedente a ação, condenando se o réu: a) no pagamento dos valores constantes das "notas de crédito" em anexo, totalizando, em valores históricos, R$ 3.680.712,31, relativo ao período de janeiro a outubro de 2000 e fevereiro a dezembro de 2001 (conforme planilhas anexas); b) no pagamento dos valores apurados em liquidação no curso da ação ou em processo de liquidação, referentes a recomposição do equilíbrio económicofinanceiro do sistema de transportes, desde 1996 (período reconhecido pelo réu, em 1999); c) sucessivamente (art. 289, CPC) — acaso, por absurdo, considerarse descabido o pagamento dos valores contratados — no pagamento de indenização, afim de evitar locupletamento ilícito do réu, pelos serviços prestados desde janeiro de 1996 até a presente data, indenização esta correspondente ao custo total realizado (apurado consoante critérios postos na Portaria 1.215/95), deduzidos os valores eventualmente já recebidos pela autora, conforme se apurar em perícia contábil, incidindo ainda, em qualquer caso (letras a, b, ou c), correção monetária e juros moratórios e compensatórios." (Grifos acrescentados) Resumindo, tratase, pois, de ação de cobrança relativamente às (a) "notas de crédito", (b) à "recomposição do equilíbrio econômicofinanceiro do sistema de transportes, desde 1996 (período reconhecido pelo réu, em 1999)" e (c), sucessivamente, "indenização correspondente ao custo total realizado, deduzidos os valores eventualmente já recebidos". 0 contribuinte apresentou as planilhas de fls. 1.035/1.039, denominadas "PLANILHA DE CRÉDITO JUNTO A CÂMARA DE COMPENSAÇÃO TARIFÁRIA, REFERENTE CRÉDITOS INCLUSOS NA PLANILHA DE ATUALIZAÇÃO E PROC : 0024.04.425.4910", onde constam cálculos relativamente ao período janeiro de 1997 a fevereiro de 2002. Tendo em vista as denominações feitas, essas planilhas, supostamente, estariam vinculadas com as de fls. 701/706. No entanto, as informações prestadas pelo contribuinte, nos autos, não provam a vinculação defendida. Ou seja, não se pode dizer que o valor da atualização monetária contabilizado pelo contribuinte, em 31/12/2003, de R$ 9.863.335,32, conforme" especificado no documento de fls. 693, acompanhado das planilhas de fls. 701/706, guarde identidade ou decorra do Fl. 3766DF CARF MF 16 objeto da ação judicial constante do processo ri° 002404425491 0, distribuído em 19/08/2004. Nas planilhas (fls. 1.035/1.039), apresentadas pelo contribuinte como vinculadas a esse processo, período janeiro de 1997 a fevereiro de 2002, como ressaltou o Fisco, a Coluna Rateio é obtida pela diferença entre a Receita a Receber e a Receita Recebida, constando como total dessa coluna o valor de R$ 6.624,945,36. Todavia, conforme pedido inicial (fls. 373/374), os supostos créditos são relativos aos períodos entre janeiro a outubro de 2000 e fevereiro a dezembro de 2001, no montante de R$ 3.680.712,31, e a partir de 1996, com valores apurados em liquidação no curso da ação ou em processo de liquidação. Acerca disso, nos autos, nada foi esclarecido. Mais obscuro, ainda, o fato que a receita foi reconhecida em 31/12/2003; e a ação, proposta em 19/08/2004. Em suma, não há como associar a planilha de fls. 1.035/1.039 com a de fls. 701/706. Desse modo, não restou provada, nos autos, nenhuma a vinculação entre a receita reconhecida pelo contribuinte, (vide registro contábil constante às fls. 204/205, cujo histórico menciona, "Vr. Ref Atualização monetária RATEIO/CCT DER conf planilha, R$ 9.863.335,32"), no montante de R$ 9.863.335,32, em 31/12/2003, com o objeto da ação judicial, correspondente ao processo n° 0024.04.425.4910, distribuído em 19/08/2004. Finalmente, cumpre destacar o conteúdo da resposta dada pelo contribuinte na intimação fiscal que lhe solicitava esclarecimentos acerca dos lançamentos contábeis de reconhecimento da receita de "atualização monetária rateio CCT", feitos em 31/12/2003 (vide documento de fls. 691); foi dito que: "os lançamentos ocorreram nas datas apontadas no Livro Diário, em obediência ao principio contábil da oportunidade". (Grifos acrescentados). 0 Principio Contábil da Oportunidade está definido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no art. 6° da Resolução CFC n° 750/1993, que assim dispõe: "Art. 6" O Principio da Oportunidade referese, simultaneamente, a tempestividade e a integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Parágrafo único Como resultado da observância do Principio da Oportunidade: I desde que devidamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência; II o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários; Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.760 17 III o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da Entidade em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão." (Grifos acrescentados) Como principio contábil, a oportunidade compreende tanto as condições adequadas para reportar determinada informação quanto o momento em que essa informação é divulgada. Ou seja, constituise o seu objetivo na completeza das variações patrimoniais, bem como no seu oportuno reconhecimento. Para ser oportuna, a informação deve estar cercada de elementos que lhe dêem sustentação quanto à sua veracidade e chegar as mãos de quem dela necessita em tempo hábil para que seja possível tomar alguma decisão em relação aos fatos informados. Nesse sentido, a informação deve, simultaneamente, ser ágil e integra, de maneira que represente, fiel e imediatamente, as mutações do patrimônio da entidade em determinado período de tempo Portanto, se os aludidos registros contábeis efetuados pelo contribuinte, em 31/12/2003, reconhecendo as receitas de "atualização monetária rateio CCT", o foram em obediência ao "Principio Contábil da Oportunidade", é porque, existindo razoável certeza da ocorrência dessas receitas, esses registros, na data efetivada, não representaram senão uma mutação no patrimônio da empresa. POSSIBILIDADE POSTERGAÇÃO DO LUCRO. ART. 409, DO RIR/1999. Como já se viu, o Impugnante justificou a exclusão da aludida receita relativa à. atualização monetária do rateio CCT/DER/MG, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em razão do que prescreve o art. 409, do RIR/1999. Abaixo transcrevese a legislação citada pelo contribuinte: "REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA — RIR/1999 Produção em Longo Prazo Art.407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou s erviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. Fl. 3768DF CARF MF 18 §1º. A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei 112 1.598, de 1977, art. 10, §12,): I com base na relação entre os custos incorridos no periodo de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que eelgigue a percentagem executada em função do progresso fisico da empreitada ou produção. §2º. Na apuração dos resultados de ,contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. Produção em Curto Prazo Art. 408. 0 disposto no artigo anterior não se aplica as construções ou fornecimentos contratados com base em preço unitário de quantidades de bens ou serviços produzidos em prazo inferior a um ano, cujo resultado devera ser reconhecido à medida da execução (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 10, §2º). Contratos com Entidades Governamentais Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 10, §32, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 12, inciso I): I poderá ser excluída do lucro liquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional it receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. §1º: Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, §4º). §2º. Considerase como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.761 19 §3º. A pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especificamente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate do s títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória n2 1.74937, de 1999, art. 12)". (Grifos acrescentados) Como se vê da legislação acima transcrita, a pessoa jurídica que presta serviços a entidades governamentais, seja por contratos de longo ou curto prazo, por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, poderá diferir a tributação do lucro relativamente à parcela da receita não recebida. Para tanto, deve levantar os resultados com base na legislação comercial ou fiscal, observado o regime de competência na apropriação das receitas. No entanto, a parcela do lucro da empreitada ou fornecimento, correspondente 6. receita não recebida, pode ser excluída do lucro liquido, para efeito de determinar o lucro real, devendo ser adicionada no resultado do períodobase em que a receita for recebida. Demais disso, observandose a regra que o acessório segue o principal, também a variação monetária ativa e juros calculados sobre créditos a receber, em razão de contratos com entidades governamentais, ainda que vencidos, deve ser adicionada A. receita de serviços para cálculo do lucro diferido, em face do comando legal acima transcrito. Desse modo, obedecidas as determinações legais, nos contratos pactuados com entidades governamentais, o contribuinte está autorizado a diferir a tributação do lucro, devendo, para tanto, efetuar ajustes contabilmente ou mesmo ou extra contábil, no sentido de determinar no período qual a parte do lucro será diferida para período futuro, tendo em vista que parcela proporcional da receita não foi recebida. Frisese que, no IRI'J e na CSLL, o que se difere é o lucro, e não a receita. 0 controle do diferimento do lucro, no caso do art. 409, do RIR11999, deve ser efetuado no LALUR, na parte "B". 0 que, todavia, não foi feito pelo contribuinte. No caso vertente, o contribuinte, conforme exposto nas petições iniciais das demandas judiciais já mencionadas nos autos, é uma empresa premissionária do transporte público na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sujeito ao sistema de compensação tarifária da chamada CCT. Nesse sentido, a fim de assegurar o equilíbrio econômico financeiro do serviço regular de transporte, se a arrecadação do contribuinte, a qual ocorre principalmente pelo recebimento Fl. 3770DF CARF MF 20 direto do usuário do serviços de transporte, for superior ao seu custo, ele deve repassar o excedente a CCT, que emitiria assim uma "nota de débito". Ao revés, se a sua arrecadação direta for inferior, o órgão público (no caso, o DER/MG) emite uma "nota de crédito" a seu favor. Ocorre que a principal fonte de arrecadação do contribuinte advém diretamente do usuário do serviço de transporte, que paga normalmente em moeda corrente. Nesse caso, portanto, não cabe diferir a tributação do lucro, pois, mesmo na condição de permissionário, ele recebe não do órgão público, mas do usuário do serviço. Não há que se falar, assim, em parcela de receita não recebida do órgão público, condição essencial para que ocorra o diferimento previsto no art. 409, do RIR/1999. Como já amplamente abordado,o contribuinte reconheceu uma receita de denominada "Atualização Monetária Rateio CCT", em 31/12/2003, que foi excluída na apuração do lucro real, com base no art. 409, do RIR/1999. Todavia, ainda que, em tese, a variação monetária ativa e os juros calculados sobre créditos a receber, em razão de contratos com entidades governamentais, pactuados nas condições previstas na lei, possa ser adicionada à receita de serviços para cálculo do lucro diferido, tãosomente mencionar dispositivos legais não lhe dá guarida para adotar o procedimento em questão. 0 contribuinte deve provar, inequivocamente, por meio de esclarecimentos e documentos hábeis, que a tributação do lucro, apurado contabilmente, pode se dar pelo regime de caixa, à luz dos arts. 409, do RIR/1999. Ocorre que nenhum outro esclarecimento substancial acerca do reconhecido da referida receita foi prestado. Nem mesmo a alegação que fosse a receita objeto de peleja judicial restou provada, nos autos. Mais ainda, não se pode olvidar que o que a lei permite é diferir o lucro, e não a receita. Nesse sentido, é preciso que se efetuem controles contábeis ou mesmo extra contábeis, demonstrando qual é o lucro a ser diferido, que, em suma, pode ser traduzido pela seguinte expressão aritmética: receita não recebida menos despesas vinculadas à percepção dessa receita. Todavia, o contribuinte assim não procedeu, uma vez que realizou integralmente a exclusão da receita, sem demonstrar (controles contábeis ou extracontábeis) que o custo ou despesa correspondente seriam zero (única possibilidade aritmética que igual a numericamente receita e lucro). Enfim, foi correto o procedimento fiscal de efetuar o lançamento de oficio do IRPJ, em razão de exclusão do lucro real não permitida pela legislação fiscal. Lançamento reflexo. CSLL E, por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal do IRPJ estendese ao reflexo da CSLL. Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 13609.000066/200604 Acórdão n.º 1201001.611 S1C2T1 Fl. 3.762 21 Conclusão Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 3772DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000427/2007-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DE DIFERENÇA NÃO
DECLARADA. CABIMENTO.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente (STJ Recurso Repetitivo).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
A sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (STJ Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-000.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DE DIFERENÇA NÃO DECLARADA. CABIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente (STJ Recurso Repetitivo). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. A sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (STJ Recurso Repetitivo). Fl. 104DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 101 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 102 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 65verso e 66): Tratase do Auto de Infração nº 0001528 (fls. 52/53), lavrado em 05/03/2007, relativo ao anocalendário de 2003, que pretende a cobrança de um crédito tributário no montante de R$ 91.137,04 (noventa e um mil cento e trinta e sete reais e quatro centavos), referente a multa de mora paga a menor. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento originouse da realização de Auditoria Interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), relativa aos 1º, 2º e 4º trimestres de 2003, tendo sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados na DCTF, conforme indicado no Demonstrativo de Pagamentos Efetuados após o Vencimento (Anexo IIb, fl. 54 a 56) e no Demonstrativo de Multa e Juros a Pagar — Não Pagos ou Pagos a Menor (Anexo IV, fl. 57). Informa que o contribuinte efetuou pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, após o vencimento, com insuficiência dos acréscimos moratórios devidos. O contribuinte tomou ciência do lançamento, via correio, em 12/04/2007 (fl. 61), e, em 14/05/2007 [segundafeira], apresentou a impugnação de fls. 01 a 19, alegando, em síntese: • apurou o tributo devido, bem como o declarou e recolheu tempestivamente, tendo, porém, constatado, posteriormente, um equívoco no procedimento da apuração, motivo pelo qual efetuou o pagamento da diferença com os acréscimos correspondentes, encaminhando retificadora das DCTF, todo este trâmite tendo sido realizado antes de qualquer procedimento administrativo, tendo o pagamento sido efetuado como denúncia espontânea, de acordo com o art. 138 do CTN, devendo ser afastada veementemente a multa moratória; • com relação a janeiro de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que informou que não apurara crédito de IRPJ na competência de 2003 (fl. 28). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um equívoco na apuração, sendo que o montante de IRPJ apurado foi de R$ 280.661,62, pelo que encaminhou, em 13/01/2005, DCTF retificadora (fl. 30), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 370.529,47, acrescida de juros (fl. 33); • com relação a abril de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que indicou, como débito de IRPJ, o montante de R$ 179.978,81 (fl. 35 a 37). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um equívoco na apuração, sendo que o montante de IRPJ apurado representava, em realidade, R$ 295.711,92, pelo que encaminhou, em 14/01/2005, DCTF retificadora (fl. 39/40), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 146.286,65, acrescida de juros (fl. 42); • com relação a outubro de 2003, inicialmente encaminhou DCTF em que indicou como débito de IRPJ o montante de R$ 20.190,95 (fl. 44 a 46). Posteriormente, após procedimento de auditoria interna, verificou que cometera um Fl. 106DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 103 4 equívoco na apuração, sendo que o montante de IRPJ apurado representava, em realidade, R$ 79.481,48, pelo que encaminhou, em 25/01/2005, DCTF retificadora (fl. 48/49), sendo que antes, em 27/12/2004, recolheu a diferença apurada, o equivalente a R$ 68.794,80, acrescida de juros (fl. 51). Discorre o contribuinte sobre a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, citando, na sua exposição, trechos de doutrina e julgados que entende embasar o seu entendimento sobre a não aplicação da multa de mora no caso em tela, e requer, ao final, que seja conhecido e dado provimento à presente impugnação, de forma a cancelar o auto de infração, tendo em vista o pagamento dos tributos com os benefícios da denúncia espontânea, afastando, por consequência, a exigência da multa ora exigida. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 65): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 13/05/2009 (fls. 70), a tempo, em 02/06/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 71 a 87, instruído com os documentos de fls. 88 a 97, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme sintetiza a Recorrente, o que sucedeu no presente processo foi o seguinte (fls. 78): No caso em análise, a empresa apurou o tributo devido, declarou e recolheu tempestivamente. Posteriormente, verificou em sua escrita fiscal equívocos e realizou o pagamento da diferença apurada, antes da constituição do crédito tributário, e antes de enviar a DCTF retificadora. 5. Melhor explicitando (fls. 27 a 51): DATA DO PAGAMENTO DATA DA DCTF DATA DO PAGAMENTO DATA DA DCTF ORIGINAL ORIGINAL COMPLEMENTAR RETIFICADORA 15/5/2003 27/12/2004 13/1/2005 30/5/2003 18/8/2003 27/12/2004 14/1/2005 28/11/2003 13/2/2004 27/12/2004 25/1/2005 6. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 7. Relativamente à questão do recolhimento de diferenças não declaradas, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 105 6 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante, em 1996, apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995, e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que, agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades Fl. 109DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13502.000427/200783 Acórdão n.º 180300.844 S1TE03 Fl. 106 7 pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) 8. Por conseguinte, correta a ementa adotada pelo acórdão recorrido, porém, inaplicável ao presente caso (fls. 65): O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 110DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000205/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 31/03/2001
IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para a) confirmar a decadência do lançamento de CSLL de 30/09/2000; b) manter os lançamentos de ofício de CSLL 31/12/2000, CSLL31/01/2001 e IRPJ 31/03/2001, não atingidos pela decadência.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para a) confirmar a decadência do lançamento de CSLL de 30/09/2000; b) manter os lançamentos de ofício de CSLL 31/12/2000, CSLL31/01/2001 e IRPJ 31/03/2001, não atingidos pela decadência. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 02 05 /2 00 6- 07 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13411.000205/200607 Acórdão n.º 1201001.612 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela União (Fazenda Nacional) em face do Acórdão nº 120100.363, proferido na 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF que decidiu nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em INDEFERIR o pedido de diligência, ACOLHER a preliminar de decadência para os fatos geradores de 31/03/2001 (IRPJ), 30/09/2000 (CSLL), 31/12/2000 (CSLL), 31/03/2001 (CSLL),e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. 2. É o seguinte o teor dos Embargos, em síntese: (...), os julgadores decidiram declarar a decadência em relação aos fatos geradores de 31/03/2001 (IRPJ), 30/09/2000 (CSLL), 31/12/2000 (CSLL), 31/03/2001 (CSLL), com amparo do art. 150, § 4º, do CTN, aplicado ao caso sob o argumento da existência de recolhimentos antecipados, em consonância com a tese firmada no STJ. Contudo, segundo se depreende da análise das planilhas fiscais de fls. 154, 155, 158, 166 (numeração eprocesso), não há registro de pagamento em relação aos fatos geradores de 31/03/2001 (IRPJ), 30/09/2000 (CSLL), 31/12/2000 (CSLL), 31/03/2001 (CSLL). Logo, ao aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para fatos geradores em relação aos quais inexiste recolhimento antecipado, o acórdão se revela obscuro, diante da tese nele firmada de que a citada regra se aplica no caso de pagamento. 3. Os Embargos Declaratórios foram apresentados tempestivamente e admitidos. 4. Verificase que as planilhas evidenciam: · págs. 154/155, que CSLL 30/09/200, 31/12/2000, não foram declaradas em DCTF e tampouco pagas; · pág. 161, CSLL 31/01/2001, tampouco; · pág. 166, IRPJ 31/03/2001, tampouco. 5. Por sua vez, o Acórdão CARF embargado assim se pronunciou, referenciandose ao REsp 1033444/PE, Min. Relator Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Dje de 24/08/2010): Quanto à decadência, acolho os fundamentos do Recurso Voluntário, haja vista a edição da Súmula n.° 8 do STF, que reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.° 8.212/91. Assim, cumpre analisar os períodos base que foram extintos pela decadência nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13411.000205/200607 Acórdão n.º 1201001.612 S1C2T1 Fl. 4 3 Considerando que os lançamentos fiscais somente ocorreram em 05/04/2006,considerando que os tributos cobrados nestes autos são classificados como tributos sujeitos a homologação, considerando que as imputações fiscais são de pagamento a menor de tributo, não temos dúvida da aplicabilidade do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, levando em consideração não s6 o disposto no enunciado normativo como também a jurisprudência atual do E. Superior Tribunal de Justiça (...) Voto Conselheira Eva Maria Los 6. Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo à análise da contradição apontada. 7. O Acórdão embargado entendeu que ocorreu a decadência dos citados lançamentos, porque o IRPJ e a CSLL se submetem ao lançamento por homologação, regendose a decadência pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, caso tenha ocorrido o pagamento; e pelo art. 173, I do CTN, em caso contrário. 8. Contudo, as planilhas fiscais descritas evidenciam que não houveram pagamentos, impondose a revisão da verificação da decadência daqueles lançamentos de ofício, à luz do art. 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. · págs. 154/155, CSLL 30/09/2000 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/10/2000 e a contagem se inicia em 01/01/2001, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2005 portanto, confirmase a decadência · págs. 154/155, CSLL 31/12/2000 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/01/2001 e a contagem se inicia em 01/01/2002, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2006 portanto, NÃO foi atingido pela decadência. · pág. 161, CSLL 31/01/2001 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/02/2001 e a contagem se inicia em 01/01/2002, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2006 portanto, NÃO foi atingido pela decadência. · pág. 166, IRPJ 31/03/2001 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/04/2001 e a contagem se inicia em 01/01/2002, encerrandose o prazo quinquenal em 31/12/2006 portanto, NÃO foi atingido pela decadência. Conclusão Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13411.000205/200607 Acórdão n.º 1201001.612 S1C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados para: a) confirmar a decadência do lançamento de CSLL de 30/09/2000; b) manter os lançamentos de ofício de CSLL 31/12/2000, CSLL31/01/2001 e IRPJ 31/03/2001, não atingidos pela decadência, (documento assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 719DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906759/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.
Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 59 /2 01 2- 11Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito, relativo ao PIS/Pasep não cumulativo, 2º Trimestre/2008, não foi reconhecido em razão do desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito creditório é legítimo; que a indisponibilidade se deveu à necessidade de adequação dos sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a apresentação extemporânea dos arquivos digitais deveria ser relevada, mormente pela superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de descumprimento de obrigação prevista na legislação. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu que a inobservância de obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Consoante IN SRF 86/2001, lastreada no art. 11 da Lei nº 8.218/91, as pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, devendo entregálos, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais em 12/04/2012, porém, só o fez em 03/10/2012, sob alegação de necessidade de ajustes às determinações da RFB. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10920.906759/201211 Acórdão n.º 3401003.486 S3C4T1 Fl. 11 3 O Despacho Decisório de efl. 25, datado de 04/09/2012, vincula a não homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de compensação. Portanto, há uma sutileza na situação sub examine, pois o ponto fulcral da discussão não reside na ausência de crédito, como parece entender o recorrente, mas sim na impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo, temse que o art. 65 da IN SRF 900/2008 impunha essa conseqüência para situações como a dos autos, verbis: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) Fl. 71DF CARF MF 4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)” (destacado) A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar o procedimento de restituição, compensação e ressarcimento, por seu turno, vem prevista no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96. A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da compensação respectiva. Aliás, a previsão de indeferimento/não homologação constou expressa e destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 37). Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente dito, mas o seu indeferimento decorrente da inadimplência da obrigação acessória, que efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido. Outrossim, não aproveita ao recorrente a extensão do prazo, de 20 (vinte) dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que levada em consideração, a extemporaneidade persistiria, tomadas as datas de intimação (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012). Mais uma vez, o debate ora travado cingese exclusivamente ao (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas pela legislação de regência, como condição necessária à finalidade desejada, sendo desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.001237/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 12 37 /2 00 7- 16 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 9202004.943 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000038/2007-30
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/05/1996
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 2402-000.775
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois foi reconhecida a decadência do direito de exigibilidade da totalidade das contribuições apuradas nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1996 a 31/05/1996 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Numero do processo: 10510.721046/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ESPECIAL DE EX-COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). VIGÊNCIA DO ARTIGO 30 DA LEI N.º 4.242, DE 17 DE JULHO DE 1963.
Os valores referentes a pensões recebidas em decorrência de reforma ou falecimento de ex-combatente da (FEB) são isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica (art. 39, inciso XXXV, do Decreto 3.000/99).
Numero da decisão: 2201-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ESPECIAL DE EX-COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). VIGÊNCIA DO ARTIGO 30 DA LEI N.º 4.242, DE 17 DE JULHO DE 1963. Os valores referentes a pensões recebidas em decorrência de reforma ou falecimento de ex-combatente da (FEB) são isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica (art. 39, inciso XXXV, do Decreto 3.000/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PENSÃO ESPECIAL DE EX COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). VIGÊNCIA DO ARTIGO 30 DA LEI N.º 4.242, DE 17 DE JULHO DE 1963. Os valores referentes a pensões recebidas em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da (FEB) são isentos do imposto de renda quando concedidos nos termos da legislação específica (art. 39, inciso XXXV, do Decreto 3.000/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 10 46 /2 01 5- 54 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, acostado às fls. 14/17, relativo ao Exercício de 2013, ano calendário 2012, de imposto suplementar de R$ 57.502,39, a serem acrescidos de multa de ofício e juros de mora. 2. O lançamento decorreu em face da apuração da seguinte infração: a) Omissão de rendimentos de Pessoa Jurídica (R$ 247.702,60), Decorrentes de Ação da Justiça Federal O sujeito passivo omitiu os rendimentos recebidos da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL provenientes de ação da Justiça Federal. O valor total recebido foi de R$ 353.860,85. Deste montante foram deduzidos R$ 106.158,25 a titulo de honorários advocatícios. Assim sendo o valor tributável a ser considerado é de R$ 247.702,60, assim discriminado: (R$ 353.860,85 () R$ 106.158,25). Ajuste efetuado de acordo com DIRF e comprovante de levantamento judicial apresentados pelo próprio declarante. 3. Cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/09 , em que aduz, em resumo: “(...) o rendimento percebido pela IMPUGNANTE tratase de pensão da FEB, não deve ser incluído no cômputo do Imposto de Renda da Pessoa Física do ano calendário de 2013, como não o foi. A isenção ora pleiteada, encontra respaldo legal no artigo 39, inciso XXXV do RIR/ 99: (...) Por força do aludido dispositivo, exigese da IMPUGNANTE o montante histórico de R$ 43.126,79 a título de multa, acrescido de R$ 10.356,18 a titulo de juros de mora, conforme se verifica da Notificação de Lançamento, valores estes que se mostram exorbitantes quando comparado ao valor principal do IRPF supostamente devido (R$ 57.502,39). Nesse sentido, além de não ser devida qualquer multa por parte da IMPUGNANTE, já que esta não cometeu qualquer infração, a verdade é que a mesma está sendo severamente e desproporcionalmente penalizada, com multa que equivale a quase 100% do suposto imposto devido, em face de infração que não cometeu, de maneira que a graduação da penalidade e sua Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10510.721046/201554 Acórdão n.º 2201003.444 S2C2T1 Fl. 3 3 aplicação mostrase excessivamente ilegal, não razoável, injusta e abusiva. Ademais, ainda que se considere que a IMPUGNANTE tivesse cometido alguma ilegalidade, ainda assim, a aplicação de uma multa pelo descumprimento de preceito legal, não pode ultrapassar o limite do razoável, sob pena de configurar confisco ao seu patrimônio, o que é veementemente vedado pela Constituição Federal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 EMENTA São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como pensões, civis ou militares, de qualquer natureza, meiossoldos e quaisquer outros proventos recebidos de antigo empregador, de institutos, caixas de aposentadoria ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidos no passado Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese: a) a impossibilidade de tributação do rendimento auferido, em decorrência de expressa vedação legal; b) que a isenção ora pleiteada encontra respaldo legal no artigo 39, inciso XXXV do RIR/99, portanto, a inclusão do rendimento ora discutido na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física não pode subsistir; c) a impossibilidade de efeito confiscatório da multa de ofício. É o relatório. Voto Fl. 80DF CARF MF 4 Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, a notificação de lançamento em análise tem como objeto a omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica (R$ 247.702,60) decorrentes de ação transitada na Justiça Federal. Aduz a recorrente, em síntese, a impossibilidade da inclusão do rendimento ora discutido na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, pois a legislação tributária isenta, indubitavelmente, tal rendimento de tributação. Sobre a matéria, a decisão recorrida considerou essencialmente o seguinte: Nos documentos anexados não há qualquer indicação que a pensão devida ao militar referido e seus dependentes tivesse como base as leis citadas (DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17). Destaquese que Sr Manuel Ramos Brasil detinha a patente de tenente coronel, conforme assentamento de fl. 40, patente que levou para a reserva remunerada em 20/08/1973 (fl. 40). O art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, dispunha sobre pensão aos excombatentes da Segunda Guerra Mundial, da FEB, da FAB e da Marinha, que participaram ativamente das operações de guerra e se encontram incapacitados, sem poder prover os próprios meios de subsistência e não percebiam qualquer importância dos cofres públicos, bem como a seus herdeiros. Assim, observase que o julgador de primeira instância afastou a isenção pleiteada, mas considerou a comprovação da reserva remunerada do militar em 20/08/1973 e, mesmo tratando do dispositivo aplicável ao caso (Lei n.º 4.242, de julho de 1963, que foi revogado pela Lei n.º 8.059, de 1990), concluiu que a pensão recebida em vida pelo ex combatente não teria natureza de rendimento isento e não tributável. Portanto, a controvérsia existente nos autos referese unicamente ao direito à isenção de pensão devida a militar e seus dependentes com base nas leis ensejadoras do benefício (DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17). Nesse contexto, com a devida vênia, discordo do entendimento consignado no Acórdão da Delegacia de origem, tendo em vista que a documentação apresentada pela contribuinte demonstra claramente a data da transferência do militar excombatente José Luiz Braga Castello Branco (que integrou o contingente da FEB nos campos da Itália) para à reserva remunerada, sendo a legislação vigente à época, certamente, a aplicável ao caso. Em consulta à legislação acerca da pensão militar do excombatente, verifica se que, como salientado na decisão recorrida, o art. 30 da Lei n.º 4.242, de 17 de julho de 1963, expressamente dispõe sobre a referida pensão. Tal dispositivo foi posteriormente revogado em 1990, pela Lei 8.059). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10510.721046/201554 Acórdão n.º 2201003.444 S2C2T1 Fl. 4 5 Desse modo, em que pesem os fundamentos da decisão recorrida, a legislação vigente à época da transferência do oficial para a reserva remunerada consta do rol do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000, de 1999 RIR/99), que assim dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXV as pensões e os proventos concedidos de acordo com o DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XII); (...) Sobre o tema, corroborando os fundamentos expostos, cabe mencionar a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme ementa abaixo transcrita: ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ESPECIAL DE EX COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB). AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. No presente caso, a autora comprovou ser beneficiária da pensão especial de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, concedida com base no Decreto n.º 49.096, de 10/10 de 1960 e Portaria 04 Ass/DGP, de 29 de janeiro de 1974, artigo 15, da Lei n.º 3.765/60 e de acordo com o art. 30 da Lei n.º 4.242/63 devendo, desse modo, ser reconhecida a isenção do imposto de renda sobre seu benefício. 2. Agravo legal improvido. Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF3 SEXTA TURMA. Decisão. AC APELAÇÃO CÍVEL 1795794 PROCESSO N.º 00093606420094036000. Data da decisão: 12/09/2013. Data de publicação: 20/09/2013. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 82DF CARF MF 6 Fl. 83DF CARF MF
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