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Numero do processo: 13830.901081/2013-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 81 /2 01 3- 69 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901081/201369 Acórdão n.º 1302002.235 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901081/201369 Acórdão n.º 1302002.235 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901081/201369 Acórdão n.º 1302002.235 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.907919/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 19 /2 01 1- 09 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.612 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de COFINS não cumulativo(a) exportação. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.907919/201109 Acórdão n.º 3402004.015 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.902782/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO. VERDADE MATERIAL.
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido de compensação de créditos comprovadamente existentes, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente Substituto), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO. VERDADE MATERIAL. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido de compensação de créditos comprovadamente existentes, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente Substituto), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 27 82 /2 00 9- 24 Fl. 441DF CARF MF 2 LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 69 em face de decisão de primeira instância da DRJ/SC de fls. 62 que manteve integralmente a glosa dos créditos de Cofins não cumulativo. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório publicado na decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu de não homologála, em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débitos da própria contribuinte. Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que a razão para a não homologação é a de que alocou incorretamente, em DCTF apresentada, recolhimentos anteriormente efetuados. Com a decisão da DRF/Blumenau/SC, tratou de retificar a DCTF para fins de corrigir o erro. Pede, assim, a homologação da compensação." O Acórdão de primeira instância dessa DRJ/SC de fls. 62 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Este Conselho, por meio de Resolução conheceu o Recurso Voluntário e converteu o julgamento em diligência em fls. 190 para: Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13971.902782/200924 Acórdão n.º 3201002.754 S3C2T1 Fl. 442 3 "Superado, então, o entendimento de que a Recorrente não poderia juntar provas em fase recursal nem retificar a sua DCTF em momento posterior ao despacho decisório, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de Blumenau/SC para que confirme, ou não, se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos. Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse acerca do termo de conclusão de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada para os mesmos fins no mesmo prazo. Após o decurso desses prazos, o processo deverá retornar para o CARF para que o julgamento seja retomado por este Conselheiro ou quem lhe fizer as vezes." Após determinada a diligência e cumprida pela autoridade fiscal, este foi o resultado apresentado na Informação Fiscal de fls. 411: "Depreendese que a interessada apurou no Dacon inicialmente a importância de R$ 7.721,65 a título da Cofins Não Cumulativa e R$ 0,00 a título da Cofins Cumulativa. Verificase também que houve retificação, sem, contudo, alterar se os valores da contribuição apurada. Porém, após nova retificação apurouse R$ 647,21 a título da Cofins Não Cumulativa e R$ 0,00 a título da Cofins Cumulativa. Quanto à DCTF confessouse inicialmente R$ 7.721,65 a título da Cofins Não Cumulativa, bem como foi efetuado um pagamento no valor do débito confessado. Após a primeira retificação mantevese o mesmo débito que por seu turno foi alterado para R$ 647,21 a título da Cofins Não Cumulativa após a segunda retificação. Das informações trazidas ao Dacon, bem com do Livro Razão e ainda da planilha do contribuinte temse os seguintes valores de base de cálculo e créditos da contribuição: Consultando o sistema Sief documentos de arrecadação verificase que R$ 647,21 foram alocados a título de Cofins Não Cumulativa relativa ao Período de Apuração junho de 2004. Fl. 443DF CARF MF 4 Assim, restam R$ 7.074,44, dos quais R$ 528,60 (R$1.175,81 – 647,21) são devidos a título da Cofins Não Cumulativa do PA junho de 2004 e R$ 3.496,26 são devidos a título da Cofins Cumulativa do PA junho de 2004. Concluise, então, que restam R$ 3.050,18 passíveis de utilização na presente compensação ora contestada. Isto posto, encerrase a diligência." Após o cumprimento da diligência conforme Informação Fiscal de fls. 430, os autos foram distribuídos a este Conselheiro e pautados para julgamento conforme regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Com fundamento no Direito Tributário, na legislação, nas provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Após a análise do autos, foi possível verificar que o ponto central da lide entre o contribuinte e a União está em verificar se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos. Ainda que de forma pragmática, ao ser determinada uma Resolução, em muitas das vezes verificase que indícios de mérito favoráveis ao contribuinte foram o que motivaram e justificaram a continuidade da apreciação dos autos. No presente caso o Conselheiro relator anterior inclusive fez considerações a respeito do mérito. Exatamente por conta de haver harmonia do presente voto com o mérito trazido aos autos em Resolução de fls. 190, é importante a reprodução dos trechos em que o nobre Conselheiro Daniel Mariz Gudino tratou do mérito, conforme transcrito a seguir: “Conforme se depreende do relatório, o núcleo do presente contencioso cingese aos efeitos do procedimento adotado pela Recorrente no sentido de retificar a sua DCTF para legitimar o crédito informado em DCOMP pretérita. A instância a quo, sem entrar no mérito da existência do crédito, entendeu que a compensação é indevida, pois o crédito utilizado pela Recorrente somente passou a existir formalmente após a retificação da DCTF. Por outro lado, a Recorrente alega que o direito creditório sempre existiu, tendo havido apenas um erro formal na DCTF e no Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13971.902782/200924 Acórdão n.º 3201002.754 S3C2T1 Fl. 443 5 DACON originais, o que pode ser verificado pela fiscalização em seus registros contábeis. É certo que o contencioso administrativo fiscal deve ser guiado pelo princípio da verdade material, segundo o qual os formalismos exacerbados devem ser afastados para que prevaleça a realidade dos fatos. Os fatos relacionados ao caso concreto sucederamse da seguinte forma: o DARF que originou o crédito em discussão foi pago em 15/07/2004, a DCOMP foi transmitida em 16/06/2005, o despacho decisório foi proferido em 09/04/2009, a retificação da DCTF ocorreu em 20/04/2009, e a do DACON, em 04/05/2009. A partir da análise dos fatos, percebese que, ao tempo em que a DCOMP foi transmitida, a informação de que a Receita Federal dispunha era o pagamento do DARF para a quitação do débito de Cofins nãocumulativa referente à competência 06/2004, não havendo, até a emissão do despacho decisório, qualquer informação de que o referido débito não era devido. Por essa razão, o despacho decisório não mereceria reparos. A questão que se coloca aqui é outra. Tendo verificado o suposto erro na informação prestada em sua DCTF, quando da ciência do despacho decisório, a Recorrente procedeu à retificação imediata e apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo o equívoco cometido. Contudo, não prestou informações sobre a origem do erro ou provas. Posteriormente, já em sede recursal, a Recorrente alegou que o motivo da retificação da DCTF do 2º trimestre de 2004 foi mudança do regime de apuração da Cofins para receitas de hotelaria, nos termos da Portaria Interministerial nº 33, de 2005. Segundo a nova sistemática, a Recorrente teria apurado um saldo credor no mês de outubro de 2004, razão pela qual o valor que já havia recolhido tornouse indevido. Para comprovar que a sua apuração era realizada parte com base no regime não cumulativo e parte com base no regime cumulativo, a Recorrente apresentou os livros contábeis (razão, diário e registro de serviços – efls. 117, 122 e 154, respectivamente), o demonstrativo de cálculo da Cofins no período (efl. 89) e o comprovante de recolhimento com o código de receita 5856 – Cofins não cumulativa (efls. 90). A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem sido flexível acerca do assunto, admitindo a retificação extemporânea da DCTF, desde que o interessado prove o equívoco cometido, ou seja, a existência do crédito à época em que a DCOMP foi transmitida. Confirase: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Fl. 445DF CARF MF 6 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão nº 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014). ......................................................................................................... DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013). Considerando que, no caso concreto, a Recorrente teve que refazer a apuração da Cofins desde maio de 2004, por força da Portaria Interministerial nº 33, de 2005, e demonstrado que ela efetuou pagamento de Cofins nãocumulativa referente à competência de outubro de 2004, quando, segundo a nova sistemática de apuração, nada deveria recolher, verificasse que o direito creditório da Recorrente é líquido e certo. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13971.902782/200924 Acórdão n.º 3201002.754 S3C2T1 Fl. 444 7 Embora a Recorrente somente tenha feito prova dos fatos narrados acima em sede recursal, em homenagem ao princípio da verdade material, as provas devem ser admitidas no julgamento deste CARF. Nesse particular, transcrevese a ementa de um interessante julgado, a saber: ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE CRÉDITO EXISTENTE HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O PIS apurado e recolhido sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de PIS a pagar, segundo esta sistemática, foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. (Acórdão nº 3302001.212, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, Sessão de 01/09/2011).” Após determinada a diligência e cumprida pela autoridade fiscal, este foi o resultado apresentado na Informação Fiscal de fls. 411: "Depreendese que a interessada apurou no Dacon inicialmente a importância de R$ 7.721,65 a título da Cofins Não Cumulativa e R$ 0,00 a título da Cofins Cumulativa. Verificase também que houve retificação, sem, contudo, alterar se os valores da contribuição apurada. Porém, após nova retificação apurouse R$ 647,21 a título da Cofins Não Cumulativa e R$ 0,00 a título da Cofins Cumulativa. Quanto à DCTF confessouse inicialmente R$ 7.721,65 a título da Cofins Não Cumulativa, bem como foi efetuado um pagamento no valor do débito confessado. Após a primeira retificação mantevese o mesmo débito que por seu turno foi alterado para R$ 647,21 a título da Cofins Não Cumulativa após a segunda retificação. Das informações trazidas ao Dacon, bem com do Livro Razão e ainda da planilha do contribuinte temse os seguintes valores de base de cálculo e créditos da contribuição: Fl. 447DF CARF MF 8 Consultando o sistema Sief documentos de arrecadação verificase que R$ 647,21 foram alocados a título de Cofins Não Cumulativa relativa ao Período de Apuração junho de 2004. Assim, restam R$ 7.074,44, dos quais R$ 528,60 (R$1.175,81 – 647,21) são devidos a título da Cofins Não Cumulativa do PA junho de 2004 e R$ 3.496,26 são devidos a título da Cofins Cumulativa do PA junho de 2004. Concluise, então, que restam R$ 3.050,18 passíveis de utilização na presente compensação ora contestada. Isto posto, encerrase a diligência." Logo, se o ponto central para a solução da lide consiste em verificar se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos, para acolher ou não a retificação da DCTF para constituição de indébito após o despacho decisório de não homologação de compensação de créditos existentes em DACON, o resultado da diligência apresentado acima soluciona a lide. Importante destacar que não se está questionando a qualidade do crédito envolvido, posto que a própria Fiscalização atestou sua qualidade em diligência solicitada por este Conselho (Resolução CARF fls. 190). A DRJ, em sua decisão, determinou a manutenção do despacho decisório em sua integralidade, uma vez que a DCTF é o instrumento previsto para o lançamento e a falta de retificação tempestiva impossibilita a constituição do crédito em favor do contribuinte. Menciona, ainda, que mesmo a convalidação da retificação após o despacho decisório acarretaria a constituição do indébito posteriormente, sendo devida a multa pelo atraso e os juros. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou no sentido de que as hipóteses de apresentação de provas após a impugnação são restritas pelo Decreto 70.235/72, sendo, portanto, descabida a solicitação de retificação da DCTF sua apresentação após o início da verificação fiscal. No mérito, entretanto, tal glosa não pode prosperar, este Conselho de Recursos Fiscais já exarou decisões firmando o entendimento de que a busca da verdade material no Processo Administrativo Tributário deve prevalecer sobre o formalismo, portanto, se o crédito do contribuinte existia à época por conta da alteração normativa do regime não cumulativo para o cumulativo, a mera falta de retificação da DCTF não pode recolher o direito à compensação dos créditos previstos em DACON e devidamente formalizados via Declaração de Compensação. Créditos estes validados em verificação fiscal. Destacase que o entendimento apresentado no presente voto encontra respaldo em precedentes deste Conselho, conforme segue: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13971.902782/200924 Acórdão n.º 3201002.754 S3C2T1 Fl. 445 9 “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido. (Processo 11610.005921/200358, Data da Sessão 21/01/2016, Acórdão 1301001.918). (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Comprovado o mero erro material no preenchimento da DCTF, deve ser cancelado o lançamento de ofício efetuado em sede de auditoria interna daquela declaração. Recurso de ofício negado (Processo 13706.000351/200295, Data da Sessão 08/12/2015, Acórdão 1201001.199).” Assim, deve ser convalidada a retificação da DCTF, ainda que posteriormente ao despacho decisório e homologada em sua integralidade a compensação realizada pelo contribuinte. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e determinar o prosseguimento do feito com fundamento nos Art. 170 do CTN. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 449DF CARF MF 10 Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905587/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.808
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 87 /2 01 2- 09 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.341, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905587/201209 Acórdão n.º 3201002.808 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720062/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008
CANCELAMENTO DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE APRECIAÇÃO DE PARTE DOS FUNDAMENTOS DA RECORRENTE. IMPOSSIBILIDADE.
O julgador não tem obrigação de abordar todos os argumentos colocados pelas partes se aqueles que enfrenta já são suficientes para fundamentar seu voto.
INCOMPETÊNCIA DA DELEGACIA LOCALIZADA FORA DO DOMICÍLIO DOS CONTRIBUINTES. IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO.
Na hipótese em que o MPFF foi emitido por autoridade competente da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil e também contém todas as informações previstas na Portaria RFB nº 3.014/11, não há que se falar em vício no processo fiscalizatório.
NULIDADE DE JULGAMENTO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Cabe ao julgador averiguar a necessidade e utilidade de uma diligência. Caso o julgador entenda que possui todos os elementos suficientes para a tomada de decisão, tem autonomia para indeferir eventual pedido de diligência e prosseguir com o julgamento, sem com isso incorrer em qualquer vício de nulidade.
AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR SOLIDÁRIO. LAVRATURA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
Uma vez lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária não há que se falar em vício por ausência de lançamento contra o devedor solidário.
TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS, PASSIVOS, RECEITAS E DESPESAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. COMPENSAÇÃO DE CONTAS. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA ENTIDADE.
Em respeito ao Princípio da Entidade não é possível admitir que o resultado contábil e fiscal de uma empresa seja impactada em contrapartida por lançamentos efetuados por outra empresa, sendo certo que cada qual deve manter seus livros fiscais/contábeis e demonstrações financeiras próprias, exatamente, para que se possa efetuar a devida apuração de resultado contábil e fiscal de cada uma.
A ausência de documentação suporte que justifique a ocorrência sistemática de transferências e ajustes entre empresas justifica o lançamento fiscal.
IMPAIRMENT DO ÁGIO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DA ORIGEM DO ÁGIO PELA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LEGAL PARA ADIÇÃO DA DESPESA.
Não tendo sido verificado nos autos qualquer questionamento por parte da fiscalização quanto à origem e fundamentos do ágio contabilizado pelo contribuinte, não deve subsistir a autuação decorrente tão somente da conclusão do fiscal de que a adição efetuada para fins de apuração do IRPJ também deveria ter sido efetuada para fins de apuração da CSLL.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MULTA E JUROS. POSSIBILIDADE. LEITURA DO ARTIGO 132 DO CTN.
O artigo 132 do CTN ao prever a responsabilidade tributária quanto aos tributos devidos até a data do ato de fusão e incorporação pela pessoa jurídica incorporada ou fusionada, acaba por abarcar toda a obrigação tributária, incluindo principal, multa e juros.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INCISO I DO CTN. EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM.
Na hipótese de ocorrência constante e sistemática de ajustes e transferências não justificadas entre a autuada e o devedor solidário que, inclusive, serviram como base para o lançamento, resta evidenciada a ingerência de uma sobre a outra, o que justifica a aplicação do artigo 124, I do CTN.
Numero da decisão: 1201-001.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para cancelar o lançamento relativo ao crédito tributário decorrente da ausência de adição da despesa com ágio da base de cálculo da CSLL, mantendo inalteradas as demais autuações, inclusive quanto à responsabilidade. Vencidos os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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FALTA DE APRECIAÇÃO DE PARTE DOS FUNDAMENTOS DA RECORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. O julgador não tem obrigação de abordar todos os argumentos colocados pelas partes se aqueles que enfrenta já são suficientes para fundamentar seu voto. INCOMPETÊNCIA DA DELEGACIA LOCALIZADA FORA DO DOMICÍLIO DOS CONTRIBUINTES. IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO. Na hipótese em que o MPFF foi emitido por autoridade competente da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil e também contém todas as informações previstas na Portaria RFB nº 3.014/11, não há que se falar em vício no processo fiscalizatório. NULIDADE DE JULGAMENTO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Cabe ao julgador averiguar a necessidade e utilidade de uma diligência. Caso o julgador entenda que possui todos os elementos suficientes para a tomada de decisão, tem autonomia para indeferir eventual pedido de diligência e prosseguir com o julgamento, sem com isso incorrer em qualquer vício de nulidade. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO CONTRA O DEVEDOR SOLIDÁRIO. LAVRATURA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. Uma vez lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária não há que se falar em vício por ausência de lançamento contra o devedor solidário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 62 /2 01 3- 31 Fl. 13605DF CARF MF 2 TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS, PASSIVOS, RECEITAS E DESPESAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. COMPENSAÇÃO DE CONTAS. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Em respeito ao Princípio da Entidade não é possível admitir que o resultado contábil e fiscal de uma empresa seja impactada em contrapartida por lançamentos efetuados por outra empresa, sendo certo que cada qual deve manter seus livros fiscais/contábeis e demonstrações financeiras próprias, exatamente, para que se possa efetuar a devida apuração de resultado contábil e fiscal de cada uma. A ausência de documentação suporte que justifique a ocorrência sistemática de transferências e ajustes entre empresas justifica o lançamento fiscal. IMPAIRMENT DO ÁGIO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DA ORIGEM DO ÁGIO PELA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LEGAL PARA ADIÇÃO DA DESPESA. Não tendo sido verificado nos autos qualquer questionamento por parte da fiscalização quanto à origem e fundamentos do ágio contabilizado pelo contribuinte, não deve subsistir a autuação decorrente tão somente da conclusão do fiscal de que a adição efetuada para fins de apuração do IRPJ também deveria ter sido efetuada para fins de apuração da CSLL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MULTA E JUROS. POSSIBILIDADE. LEITURA DO ARTIGO 132 DO CTN. O artigo 132 do CTN ao prever a responsabilidade tributária quanto aos tributos devidos até a data do ato de fusão e incorporação pela pessoa jurídica incorporada ou fusionada, acaba por abarcar toda a obrigação tributária, incluindo principal, multa e juros. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INCISO I DO CTN. EXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM. Na hipótese de ocorrência constante e sistemática de ajustes e transferências não justificadas entre a autuada e o devedor solidário que, inclusive, serviram como base para o lançamento, resta evidenciada a ingerência de uma sobre a outra, o que justifica a aplicação do artigo 124, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para cancelar o lançamento relativo ao crédito tributário decorrente da ausência de adição da despesa com ágio da base de cálculo da CSLL, mantendo inalteradas as demais autuações, inclusive quanto à responsabilidade. Vencidos os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente Fl. 13606DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Em ação fiscal levada a efeito na JBS S/A, na qualidade de responsável tributário pelo contribuinte BERTIN S/A em virtude da incorporação deste por aquela, abrangendo o segundo e o terceiro trimestres de 2008, constatouse que esta deduziu indevidamente, na apuração do IRPJ e da CSLL despesas provenientes de lançamentos contábeis que tiveram contrapartidas na empresa BRACOL HOLDING LTDA (atual TINTO HOLDING LTDA). Apurouse, ainda, que a BERTIN S/A informou na DIPJ, a título de IRRF, valor maior que o apurado na fiscalização para o segundo e o terceiro trimestres de 2008. Ademais, constatou a autoridade autuante que a BERTIN S/A adicionou corretamente na determinação do lucro real referente ao segundo e ao terceiro trimestres de 2008 valores a título de impairment de ágio sobre investimento e amortização de ágio sobre diferido, resultantes dos novos métodos contábeis, mas não efetuou essa mesma adição na apuração da base de cálculo da CSLL. Finalmente, o contribuinte compensou, no terceiro trimestre de 2008, prejuízo fiscal operacional de IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL, ambos do 2º trimestre de 2008, na apuração, respectivamente, do IRPJ e da CSLL, mas esses resultados negativos não foram confirmados na auditoria realizada. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 12.072 12.085) e de CSLL (fls. 12.08612.100). Conforme descrito no “Termo de Verificação de Infração Fiscal” de fls. 11.56411.607, em diligências realizadas junto às empresas JBS S/A, BERTIN S/A e BRACOL HOLDING LTDA, comprovouse que houve sucessão por cisão parcial, ocorrida em 01/10/2007, entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A. Em seguida, foi lavrada representação fiscal para fins de alteração cadastral, a fim de que fosse efetuado, nos sistemas da RFB, o registro da cisão parcial ocorrida, dando origem ao processo administrativo nº 15868.720080/201151, em nome da JBS S/A, tendo em vista que esta incorporou a BERTIN S/A. Fl. 13607DF CARF MF 4 Inconformada com a intimação para realizar a referida alteração cadastral, a JBS S/A impetrou o mandado de segurança nº 000380565.2011.403.6107, no qual foi proferida sentença reconhecendo o direito de o Fisco constituir crédito tributário contra a BRACOL HOLDING LTDA, imputando à JBS S/A responsabilidade solidária pelos débitos decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da cisão parcial, ocorrida em 01/10/2007. A sentença ressalta, porém, que a Fazenda Pública não pode executálos enquanto não ocorrer o desfecho do processo administrativo nº 15868.720080/201151. Houve interposição de apelação pelas partes nos autos do mandado de segurança, estando os recursos pendentes de julgamento no TRF da 3ª Região. Ressalta a autoridade autuante que a BRACOL HOLDING LTDA tinha o controle acionário da BERTIN S/A, desde a constituição desta empresa até sua incorporação pela JBS S/A, em 31/12/2009. Em 2012, a diligência junto à JBS S/A foi encerrada com a inclusão no MPF F Regional nº 08.1.90.002011034024, em aberto, de diversas operações para constituição de crédito tributário que originou os autos de infração de que trata o presente processo administrativo. Constatou a autoridade autuante que, após a referida cisão parcial, as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A transferiram entre si receitas e despesas, bem como ativos e passivos. Os créditos tributários lançados no presente processo administrativo são fruto da auditoria realizada para a apuração dos reflexos tributários gerados por essas transferências. Relata a autoridade autuante que, no ano de 2008 a BERTIN S/A apurou o IRPJ pelo lucro real trimestral, tendo iniciado os registros contábeis a partir do quarto trimestre de 2007 (01/10/2007), data em que os livros registram as transferências de patrimônio entre a BERTIN LTDA (atual TINTO HOLDING LTDA) e a BERTIN S/A, que se deram por meio de contas coligadas e controladas entre ambas as pessoas jurídicas. Nessas mesmas contas continuaram a ocorrer novas transferências. Elaborou a autoridade autuante, com base nos lançamentos contábeis constantes das referidas contas coligadas e controladas, planilhas em que foram listadas, de um lado, os lançamentos relativos à BRACOL HOLDING LTDA e, de outro, os correspondentes à BERTIN S/A. Elaborou, ainda, planilha com dados extraídos da anterior, que tinha apenas correlação com contas de receitas e/ou despesas transferidas entre as pessoas jurídicas, na qual foi adotado o valor de R$ 10.000,00 como corte para a amostragem. Intimados a esclarecer os fatos que deram causa a esses lançamentos contábeis, a BRACOL HOLDING LTDA e a JBS S/A informaram que se referiam à regularização de receitas e dispêndios, bem como conseqüência do fato de que clientes e fornecedores não atualizaram seus cadastros. A despeito das reiteradas intimações para tanto, nunca foram apresentados os documentos que comprovassem as alegações. Além disso, a fim de demonstrar a inconsistência dos argumentos manejados por eles, elaborou a autoridade autuante planilhas evidenciando a ocorrência de lançamentos em contas de ativo ou passivo em uma pessoa jurídica que tiveram contrapartida em contas de receitas ou despesas em outra pessoa jurídica. Ademais, a autoridade autuante tece as seguintes considerações: Fl. 13608DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 4 5 “Também não poderíamos deixar de esclarecer que o Laudo apresentado pela JBS S/A e Bracol Holding Ltda. que foi elaborado pela Pessoa Jurídica AMKS Contadores e Consultores Ltda. se baseou em um Balanço levantado com o fim específico de se transferir o acervo líquido da Bracol Holding Ltda. para a Bertin S/A (por conta da cisão parcial constatada) e nele tratou de todas as contas (de ativo e de passivo) transferidas de uma Pessoa Jurídica para outra, ou seja, não havia mais contas de ativo e de passivo a serem transferidas com base nesse Balanço. Lembramos ainda que o levantamento de um Balanço tem a exata função de encerrar as contas de resultado (receitas e despesas) em um determinado período fazendo com que seu resultado (lucro ou prejuízo) seja transferido para o Balanço, não sendo permitido em hipótese alguma que sejam transferidas receitas e despesas entre duas Pessoas Jurídicas”. (grifado no original) No curso da ação fiscal, a JBS S/A e a BRACOL HOLDING LTDA apresentaram diversos argumentos para justificar os lançamentos contábeis constantes das contas coligadas e controladas entre ambas as pessoas jurídicas. A propósito dos lançamentos relativos a movimentação de variação monetária/cambial/correção de empréstimos e financiamentos, alegaram que, por tratarse de operação de separação de bens, direitos e obrigações entre duas empresas em movimento, a geração das despesas, por conta das inúmeras atualizações de cadastros junto às instituições financeiras, ainda ocorriam na empresa inicial, de modo que houve a transferência desses débitos para que o dispêndio fosse realizado na empresa correta. No tocante aos lançamentos referentes a vendas a vista, alegaram que, por falta de agilidade na troca do cadastro do cliente, este fez o pagamento na BRACOL HOLDING LTDA, a despeito de o faturamento ter ocorrido na BERTIN S/A., razão pela qual os recursos foram posteriormente transferidos a esta empresa. A autoridade autuante tece extensas considerações acerca dos argumentos apresentados pela JBS S/A e pela BRACOL HOLDING LTDA nas respostas às intimações, merecendo destaque os seguintes excertos: Item 1) Movimentação de variação monetária... Essa alegação não procede, pois se as dívidas (passivos) tinham sido transferidos da Bracol Holding Ltda para a Bertin S/A, como ficou demonstrado no Laudo apresentado já citado – MKS, que são compatíveis com os lançamentos contábeis de transferências de contas de ativo e passivo realizados no dia 01/10/2007 no diário da Bracol Holding Ltda e a da Bertin S/A, era a Bertin S/A quem deveria alocar os juros passivos relacionados aos empréstimos transferidos que se encontram em seu passivo, nunca poderiam essas despesas ter sido lançadas na contabilidade da Bracol Holding Ltda e depois “transferidas” para a contabilidade da Bertin S/A através da conta coligada e controlada. Mas se isso ainda fosse verdade (se fosse um mero erro contábil) caberia a Bracol Holding Ltda estornálos e a Bertin S/A escriturálos totalmente, independente do cadastro da instituição bancária estar ou não atualizado. Observe que se fosse verdade as Pessoas Jurídicas deveriam apresentar Fl. 13609DF CARF MF 6 comprovantes do estorno total no lado da Bracol Holding Ltda (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) em sua escrituração e a Bertin S/A deveria apresentar o comprovante da escrituração total (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) em sua escrituração, mas nenhuma delas os apresentou, mesmo porque eles não existem na escrituração. E ainda sim não consta em Lalur algum da Bracol Holding Ltda o estorno de uma despesa indevida de período anterior na apuração do lucro real, que corroborasse com a resposta dada por ambas as Pessoas Jurídicas, e não há escrituração de ajuste de exercício anterior relacionado á resposta alguma na Pessoa Jurídica Bertin S/A. (...) Item 5) Venda a vista – Da mesma forma que nos itens anteriores essa alegação não convence, pois seria simples apresentar a nota fiscal de venda em nome da Bertin S/A, o comprovante de depósito em nome da Bracol Holding Ltda, os lançamentos de CMV (custo de mercadoria – ou produto – vendido), de baixa dos estoques e tributos incidentes, e os lançamentos de receitas e de clientes, bem como os lançamentos de correção quanto ao que alega (só restaria a correção de baixa da conta clientes com o ingresso de recursos trnasferidos da conta bancos da Bracol Holding Ltda para a Bertin S/A), mas nada disso foi apresentado. Se a venda foi a vista, a Bertin S/A deveria ter lançado a receita (nota fiscal em seu nome) e registro na conta clientes, o CMV e baixa do estoque e tributos incidentes, não havendo óbice à Bertin S/A em efetuar esses lançamentos se o problema foi um pagamento à Bracol Holding Ltda. O não registro do pagamento na Bertin S/A não influencia na conta receita e sim mantém o cliente como devedor, e ao pagar teria que realizar a baixa da dívida contra a conta bancos (por exemplo) mas o recurso seria transferido da conta bancos da Bracol Holding Ltda. (grifado no original) Ressalta a autoridade autuante que os supostos lançamentos de “ajustes” entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A se deram durante todo o período de existência desta empresa (02/10/2007 a 31/12/2009). Concluindo ser improcedentes as justificativas apresentadas pelos intimados para os referidos lançamentos de “ajustes” entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A, a autoridade autuante expurgou os respectivos reflexos na apuração do lucro real do 2º e do 3º trimestres de 2008 desta última empresa, bem como os reflexos na apuração da base de cálculo da CSLL. Esses lançamentos de “ajustes” ocasionaram uma redução indevida do lucro real que totalizou R$ 4.022.574,70 para o 2º Trimestre de 2008 e R$ 6.483.157,50 para o 3º Trimestre de 2008, constituindo a infração 0001 IRPJ – Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas Não Comprovadas e também a infração 0001 – CSLL – Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas Não Comprovadas. A BERTIN S/A havia declarado prejuízo fiscal de R$ 3.852.114,68 para o 2º trimestre de 2008. Porém, a infração 0001 acima referida reverteu esse prejuízo fiscal, transformando o resultado do 2º trimestre de 2008 para lucro real de R$ 170.460,02. Tendo em vista que a BERTIN S/A havia utilizado o prejuízo fiscal por ela declarado para compensar Fl. 13610DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 5 7 com o IRPJ devido no 3º trimestre de 2008, essa compensação indevida constituiu a infração 0002 – IRPJ – SALDO INSUFICIENTE – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL. A infração 0003 decorre da constatação de que, na apuração do IRPJ relativo ao 3º trimestre de 2008, a BERTIN S/A excluiu valores de IRRF que não foram comprovados pela JBS S/A, sua incorporadora. A autoridade autuante constatou, ainda, que a BERTIN S/A não adicionou à base de cálculo da CSLL os valores lançados na conta “impairment de ágio sobre investimentos”, adição essa que foi realizada na apuração do lucro real. Intimada a esclarecer essa divergência, a JBS S/A informou que não encontrou dados que permitissem esclarecer a razão da não inclusão dos referidos valores na base de cálculo da CSLL. Afirma a autoridade autuante que tais valores foram lançados como despesas na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) do 2º trimestre de 2008, e seu ajuste não ocorreu por meio da linha “02. Ajustes do Regime Tributário de Transição – RTT” da ficha 09A da DIPJ do ano de 2008, local apropriado para tanto. Tampouco foi apresentado o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT para o período. A despeito disso, na apuração do IRPJ tais valores foram adicionados na linha “14. Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL” da ficha 09A da DIPJ do ano de 2008, de modo que não houve reflexo na apuração do IRPJ. Porém, não foi adicionado na ficha 17 da DIPJ, para fins de CSLL, razão pela qual houve diminuição indevida da base de cálculo dessa exação, capitulada como infração 0002 – CSLL – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL IMPAIRMENT DE ÁGIO SOBRE INVESTIMENTO E AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO S/ DIFERIDO RESULTANTES DOS NOVOS MÉTODOS CONTÁBEIS. Também para o 3º trimestre de 2008 ocorreu a exclusão indevida da base de cálculo da CSLL de valores relativos a impairment de ágio sobre investimento e amortização de ágio sobre diferido resultantes dos novos métodos contábeis. Porém, nesse caso os valores foram adicionados na linha “25. Amort. Ágio Decorrente Alienação ou Baixa de Investimentos Avaliados p/ PL” da Ficha 09A da DIPJ para fins de IRPJ, da mesma forma como foram adicionados para fins da CSLL a linha “25. Amortização Ágio Decorr. Da Alienação ou Baixa de investimentos Aval. p/ PL” da ficha 17 da mesma DIPJ. Ocorre que tais valores foram excluídos na linha “53. () Outras Exclusões” da mesma ficha, de modo que houve diminuição indevida da base de cálculo da CSLL. Intimada a esclarecer tais divergências, a JBS S/A afirmou que não encontrou informações suficientes que permitissem a comprovação com segurança das composições dos valores lançados como “outras exclusões” de CSLL e IRPJ. Além disso, asseverou que o contabilista responsável pelo preenchimento da DIPJ, quando contactado, informou que não tem memória de cálculo desses valores. Essa exclusão indevida foi capitulada como infração 0003 – CSLL – EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL EXCLUSÕES INDEVIDAS – IMPAIRMENTE DE ÁGIO SOBRE INVESTIMENTO E AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO S/ DIFERIDO RESULTANTES DOS NOVOS MÉTODOS CONTÁBEIS. Fl. 13611DF CARF MF 8 Como conseqüência das infrações 0001 e 0002 da CSLL, a base de cálculo negativa de R$ 21.450.157,28 declarado para o 2º trimestre de 2008 foi revertido, transformandose em lucro de R$ 170.460,02. A referida base de cálculo negativa foi utilizada pelo contribuinte para compensar a CSLL devida para o 3º trimestre de 2008, caracterizando compensação indevida, capitulada como infração 0004 – CSLL – SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA ATIVIDADE GERAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL. Afirma a autoridade autuante, a partir da interpretação sistemática dos arts. 129 e 132 do CTN, que a JBS S/A é responsável na apenas pelos tributos lançamentos, mas também pela multa de ofício aplicada. Ademais, reproduzindo excertos de relatórios disponibilizados pela JBS S/A em seu sítio na internet, conclui que: 66) Diante do acima exposto, devemos deixar consignado neste termo que a família Bertin atualmente é sócia da JBS S/A, através da FB Participações S/A (holding controladora), e essa participação se deu com a versão do patrimônio da Bertin S/A para a JBS S/A (a atual JBS S/A é = a antiga JBS S/A + a Bertin S/A). Dessa forma, com base na legislação em vigor a JBS S/A responde pelo crédito tributário total, aí incluído o valor correspondente à multa de ofício. Frisese mais uma vez que os antigos sócios da Bertin S/A participam da “nova” JBS S/A, o que ocorreu foi uma integração, conforme consta no relatório acima transcrito. O Sr. Natalino Bertin – CPF 250.150.23834, que participou do Conselho Administrativo da Bertin S/A, é atualmente membro do Conselho Administrativo da JBS S/A. 59) Em que pese ter ocorrido uma incorporação (ou fusão, como constou no relatório da administração já citado), no caso concreto o que ocorreu foi uma união de patrimônio e sócios. (grifado no original) Quanto à BRACOL HOLDING LTDA, afirma a autoridade autuante que transferiu ela patrimônio para a BERTIN S/A no período de 01/01/2008 a 16/12/2008, no valor de R$ 300.606.545,97 em transferências líquidas de Ativos desta para aquela e de R$ 689.060.921,79 em transferências líquidas de Passivos da BRACOL HOLDING LTDA para a BERTIN S/A., fato esse que comprova a solidariedade daquela pelos créditos tributários lançados contra esta para todo o ano de 2008. Assevera, ainda, que a análise dos lançamentos contábeis dessas duas pessoas jurídicas revelou a ocorrência de transferências de receitas e despesas entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A, ressaltando a interação e dependência entre essas pessoas jurídicas. Pelas razões acima referidas, foi imputada responsabilidade pelos créditos tributários lançados à JBS S/A, com base no art. 132 do CTN, e à BRACOL HOLDING LTDA, com base no art. 124, I, do CTN. Inconformada, a JBS S/A apresentou a impugnação de fls. 12.34012.384. Também a TINTO HOLDING LTDA (atual denominação da BRACOL HOLDING LTDA), irresignada, apresentou as impugnações de fls. 12.25012.267 (IRPJ) e de fls. 12.26812.284 (CSLL). No recurso apresentado pela JBS S/A são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Fl. 13612DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 6 9 As empresas BERTIN S/A, JBS S/A e BRACOL HOLDING LTDA têm sede no município de São Paulo/SP, de modo que a autoridade autuante, lotada na DRF de Araçatuba, não tinha competência para realizar o procedimento de fiscalização. O MPF expedido faz referência a suposta “autorização da autoridade competente” para a realização da fiscalização, mas essa “autorização” cingese à possibilidade do reexame de período já fiscalizado, nada dizendo quanto à transferência de competência para outra região fiscal. O MPF foi emitido pelo Chefe de Divisão de Fiscalização em São Paulo, conforme consta da Portaria nº 212/2001. Porém, conforme consta do próprio documento, a “delegação” para a respectiva emissão se deu com base na Portaria de Delegação de Competência nº 36/2004, publicada sete anos antes da edição da Portaria nº 3.014/2011, que atualmente disciplina a matéria. Considerando que sob a égide da Portaria nº 3.007/2001 foi editada a “Portaria de Delegação de Competência”, delegando a possibilidade de emissão do MPF ao Chefe da Divisão de Fiscalização, o mesmo deve ser feito na atual disciplina da Portaria RFB nº 3.014/2011, de modo que é nula a emissão do MPF que ensejou a ação fiscal. Nos termos do art. 6º, § 4º, da Portaria nº 3.014/2011, os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, devem ser autorizados pelo respectivo Superintendente. Essa norma não foi observada, pois a autorização do Superintendente foi apenas para o reexame de período já fiscalizado, não fazendo qualquer referência a procedimentos de fiscalização em outra unidade descentralizada, de modo que somente a DERAT/SP seria competente para realizar a fiscalização. Esse vício não foi sanado com a alteração do MPF promovida, em 30/05/2012, para incluir em seu objeto o IRPJ e a CSLL, pois essa alteração não traduz autorização do Superintendente. A Portaria nº 3.014/2011 é posterior à Lei nº 8.748/1993, que introduziu alterações na redação dos §§ 2º e 3º do Decreto nº 70.235/192, de modo que a norma posterior deve ser observada. Alega o impugnante que houve cerceamento ao direito de defesa por diversas razões. Em primeiro lugar, porque a ação fiscal foi desenvolvida pela DRF de Araçatuba, distante da sede da empresa. Em segundo lugar, pelo fato de que a intimação acerca do lançamento veio acompanhada apenas dos autos de infração, sem os documentos que instruem o processo administrativo. Em terceiro lugar, porque no processo eletrônico não há numeração dos documentos. A autoridade autuante não promoveu qualquer esforço no sentido de obter, junto aos administradores da BERTIN S/A à época dos fatos, os esclarecimentos que buscava. Não se valeu dos instrumentos legais de que dispõe para buscar a verdade real. A autoridade autuante deveria imputar as supostas responsabilidades tributárias a quem de direito com base no art. 135 do CTN. Apresenta a relação dos administradores da BERTIN S/A à época dos fatos e requer a intimação deles para que prestem esclarecimentos e apresentem os documentos necessários à composição dos créditos. Afirma que a acusação que deu fundamento aos autos de infração lavrados é de que, após a operação ocorrida em outubro de 2007, houve transferências irregulares de receitas e despesas entre a BRACOL HOLDING Fl. 13613DF CARF MF 10 LTDA e a BERTIN S/A. Nesse caso, a conduta praticada à época pelos administradores desta última constitui infração à lei. Ademais, os estatutos da BERTIN S/A previam a necessidade de orientação, controle e fiscalização dos negócios da companhia pelo conselho de administração e pela diretoria. Conclui que há elementos bastantes para a imputação de responsabilidade, com base no art. 135, III, do CTN, aos administradores de então, responsabilidade essa que é pessoal, originária e exclusiva. Foi impetrado o mandado de segurança nº 000380565.2011.403.6107 a fim de afastar a ilegal caracterização, de ofício, como cisão da operação ocorrida, em outubro de 2007, entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A, requerendo a instauração de procedimento próprio para tanto, no qual fosse assegurado contraditório e ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Houve concessão de liminar, posteriormente confirmada em sentença, dando oportunidade de apresentação de recurso administrativo, inclusive com efeito suspensivo. Foi noticiado pela impetrante ao Juízo o descumprimento da medida liminar pela autoridade impetrada, tendo sido proferida decisão interlocutória reconhecendo que a lavratura de “Termo de Sujeição Passiva Solidária” caracteriza descumprimento da decisão judicial, já que um dos efeitos do afastamento administrativo da defesa é a atribuição de responsabilidade solidária. O procedimento administrativo para constatação de eventual cisão entre BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A não foi instaurado, já que a intimação encaminhada em 26/10/2011 é precária, não estando nela presentes os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972. Os autos de infração devem ser cancelados, pois não foram lavrados para prevenir decadência. Transcorreu o prazo decadencial (seja pela regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN ou pela regra inscrita no art. 173, I, do mesmo diploma normativo) para a apuração de eventual cisão entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A, de modo que a imputação de responsabilidade à JBS S/A não pode mais ser apurada. A BRACOL HOLDING LTDA, em 2007, por meio de uma operação societária comumente designada como “drop down”, substituiu seu acervo por ações de outra empresa (BERTIN S/A). Nesta espécie de operação, não há redução do capital da empresa conferente e, sim, substituição de parte de elementos patrimoniais. Ou seja, a BRACOL HOLDING LTDA deliberou um aumento de capital em sua subsidiária integral, BERTIN S/A, e integralizou tal aumento de capital subscrito mediante entrega de um acervo líquido, constituído de ativos e passivos então contabilizados pela BRACOL HOLDING LTDA. Do ponto de vista patrimonial, portanto, não houve alteração alguma para a BRACOL HOLDING LTDA, donde se conclui de forma inexorável que não houve “cisão parcial”, pois nesse caso deveria haver transferência de parcelas do patrimônio. A autoridade autuante, equivocadamente, afirma que a operação caracterizase como cisão parcial, ensejando a responsabilidade solidária da BERTIN S/A e também, após a incorporação desta no final de 2009, da JBS S/A, pelos débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A, nos termos do art. 132 do CTN. Não há autorização legal para a desconsideração de ato do contribuinte e imputação de cisão e a situação concreta ora analisada não se ajusta á regra prevista no art. 24 da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011. A operação de fato ocorrida observou os preceitos da Lei nº 6.404/1976. Em 10/10/2007, a BERTIN S/A adquiriu da BRACOL HOLDING LTDA diversos estabelecimentos, via integralização de acervo líquido em aumento de capital subscrito e integralizado por esta empresa. Para a regular operação dos estabelecimentos adquiridos, diversas providências regulatórias e burocráticas foram necessárias, demandando razoável tempo, de modo que foi necessária a continuidade de utilização de documentos fiscais em nome do antigo proprietário, especialmente para fins de cumprimento de contratos, cronograma de abate e aviso dos diversos fornecedores, os quais continuaram emitindo notas Fl. 13614DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 7 11 fiscais em nome daquele. Por essas razões foi necessário o encontro de contas entre aquelas empresas no período de transição. As transferências de ativos e passivos discriminadas no laudo elaborado pela AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA não se deram de maneira automática e instantânea. No tocante ao lançamento de CSLL por falta/insuficiência de adições à base de cálculo decorrentes de impairment de ágio, afirma o impugnante que a adição de um valor a título de IRPJ não faz prova absoluta da correção do lançamento, já que cabe à fiscalização verificar a correção dessa adição. Aduz que houve uma adição indevida de IRPJ, que deve ser corrigida no curso da fiscalização ou comprovada sua correção para fins de apuração de CSLL. Assevera que não foi questionado o ágio em si, revelando que tem ele fundamento econômico, principalmente para fins da despesa de amortização do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Argumenta que, para fins contábeis, a Lei nº 11.638/2007 exigiu a adição da amortização contábil do ágio, de modo que tal ágio é contabilmente baixado somente após a realização do teste da recuperabilidade (impairment), mas isso não significa, para fins fiscais, que o ágio não deveria continuar sendo amortizado. Alega que, para fins fiscais, as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/2007 são neutras, de modo que não alteram a apuração do lucro realizada com base na legislação até então vigente, que exigia a amortização contábil do ágio. Conclui que “a própria adição da despesa da amortização da contabilidade fiscal do ágio nos períodos autuados decorreu do erro no momento de traduzir esses efeitos para fins do IRPJ, pois não há teste de recuperabilidade (‘impairment’) na determinação do lucro líquido (base do lucro real) apurado de acordo com as regras contábeis aplicáveis e vigentes antes da Lei nº 11.638/07”. Baseado nessas premissas, afirma o impugnante que “a manutenção da amortização fiscal do ágio nos períodos autuados para fins da CSL, é correto, e onde houve equívoco, foi justamente na adição dessas despesas de amortização do ágio para fins do IRPJ”. Na ficha 54 da DIPJ relativa ao anocalendário 2007, constatase que o valor de R$ 381.908,97 corresponde a retenção de imposto de renda relativa a rendimento proveniente de aplicação financeira no Banco Votorantim S/A. No Razão Analítico, há o lançamento, em outubro de 2007, de R$ 257.999.771,75, relativo à transferência de aplicação financeira do Banco Votorantim S/A à BERTIN S/A. Também consta do laudo elaborado pela AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA que o referido investimento foi transferido da BRACOL HOLDING LTDA à BERTIN S/A. Assim, a retenção do imposto de renda foi efetuada pelo Banco Votorantim S/A à BRACOL HOLDING LTDA, de modo que improcede a exigência. Caso assim não se entenda, deve ser oficiado o Banco Votorantim S/A para que promova a juntada do comprovante de pagamento de retenção em questão ou, ainda, deve ser verificado junto às retenções contidas em nome da BRACOL HOLDING LTDA se é possível identificar a retenção em questão. Requer a realização de diligência a fim de que sejam analisados os documentos fiscais da impugnante, intimandose, ainda, a BRACOL HOLDING LTDA e seus dirigentes, para que apresentem documentos relativos ao período fiscalizado. A responsabilidade tributária prevista no art. 132 do CTN não alcança a multa e os juros moratórios. O sucessor, nas hipóteses previstas no referido dispositivo, não concorre de nenhuma forma para a prática da infração pelo sucedido. Tampouco a participação da família Bertin no capital social da JBS S/A autoriza a imputação a esta de responsabilidade por multa e juros moratórios. Ainda que essa responsabilidade fosse admitida, deveria se dar na proporção da participação dos acionistas integrantes da família Bertin no capital social da JBS S/A. A responsabilidade pela multa deve ser afastada, pois a BERTIN S/A era empresa distinta Fl. 13615DF CARF MF 12 e tinha controle distinto relativamente à JBS S/A e, ademais, a multa foi formalizada após a incorporação. Por fim, pede que seja provida a impugnação, acolhendo as preliminares de nulidade apontadas, reconhecendose a decadência, ou, ainda, seja julgado, no mérito, totalmente improcedente a autuação. Subsidiariamente, pede que os autos sejam devolvidos à autoridade autuante para a numeração dos documentos, devolvendose o prazo para defesa. Ainda subsidiariamente, requer a realização de diligência para análise dos documentos juntados, que demonstram a insubsistência da autuação, e para que se proceda ao lançamento separado do crédito tributário devido à BRACOL HOLDING LTDA e à JBS S/A, em razão da incorporação da BERTIN S/A. Solicita que seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco questionar a operação realizada em 10/10/2007 entre as empresas TINTO HOLDING LTDA e BERTIN S/A. Pede que sejam expedidos ofícios à Corregedoria da Receita Federal do Brasil e ao Ministério Público Federal, para apuração dos crimes de prevaricação e desobediência, bem como para apuração de infrações administrativas cometidas pelos fiscais autuantes. Finalmente, pede que as intimações sejam efetuadas em nome dos procuradores, inclusive para que estejam presentes no julgamento a fim de que realizem sustentação oral. No recurso apresentado pela BRACOL HOLDING LTDA (atual TINTO HOLDING LTDA) são invocados os argumentos a seguir resumidos: Os autos de infração devem ser cancelados, pois a ação fiscal foi desenvolvida sem observância dos limites impostos pelo Mandado de Procedimento Fiscal quanto ao período, aos tributos passives de serem fiscalizados e ao local de fiscalização, em afronta ao disposto nos arts. 2º e 7º da Portaria RFB nº 11.371/2007. Não foi observada a exigência prevista no art. 6º, § 4º, da Portaria RFB nº 11.371/2007, segundo o qual a realização de ação fiscal por unidade da RFB distinta da unidade em que está domiciliado o contribuinte, mas na mesma Região Fiscal, depende de emissão de MPF pelo respectivo Superintendente. Não foi observado o prazo de validade de sessenta dias do termo de início de ação fiscal, prazo esse previsto no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972. Esta norma tem por fundamento de validade o art. 196 do CTN. A impugnante não foi intimada previamente para se manifestar acerca do encerramento da fase instrutória, de modo que foi violada a regra inscrita no art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Os autos de infração lavrados são inválidos, pois não foram demonstrados os fundamentos jurídicos do lançamento, especialmente as regras que estabelecem a sujeição passiva, a base de cálculo e as alíquotas utilizadas na apuração das exações. Nas autuações não foram apontados os motivos de direito, pois não há demonstração jurídica de forma adequada, precisa e clara dos dispositivos legais necessários para tanto, não bastando a indicação dos dispositivos que apenas tratam de aspectos específicos e operacionais dos tributos. Essas deficiências acarretam, ainda, cerceamento ao direito de defesa. Os autos de infração lavrados fundamse em levantamento fiscal precário, lastreado apenas em documentos fiscais apresentados, sem que fossem requisitados esclarecimentos e eventualmente novos documentos. Fl. 13616DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 8 13 A ciência dos autos de infração lavrados não veio acompanhada dos anexos e de todo o material que fundamentou o lançamento, em ofensa ao disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. Os autos de infração devem ser cancelados por não ter constituído crédito tributário e por não ter aplicado penalidade contra a impugnante, em ofensa aos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. A imputação de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN somente poderia se dar mediante a comprovação de que a BRACOL HOLDING LTDA exercia alguma responsabilidade como sócia da BERTIN S/A no momento do fato gerador, prova essa que não foi produzida, razão pela qual houve erro de direito na aplicação da referida norma. A BRACOL HOLDING LTDA era apenas uma sócia com personalidade totalmente diversa da BERTIN S/A. A operação de transferência de estabelecimentos da primeira à segunda não dá azo à aplicação do art. 124, I, do CTN, pois não caracteriza interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores, hipótese que só se verifica nos casos em que as empresas participam como sujeitos passivos da mesma relação jurídica tributária. Por fim, pede sua exclusão do lançamento, por não ser responsável por interesse comum pelo crédito tributário constituído. Requer, ainda, que as intimações sejam dirigidas aos procuradores que subscrevem o recurso. Da decisão da DRJ Em decisão de 28/06/2013, a 1°Turma da DRJ/POR, por maioria de votos, julgou improcedente as Impugnações apresentadas e manteve o crédito tributário. Houve um voto vencido no sentido de limitar a responsabilidade da JBS pelas multas lançadas à proporção da família Bertin no capital social da JBS S.A, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRINCÍPIO DA ENTIDADE RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A ação fiscal foi desenvolvida com observância das regras pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal. Em observância ao princípio da entidade, são descabidos os lançamentos contábeis efetuados em contas de coligadas e controladas relativos a transferências de ativos, passivos e resultados entre duas entidades distintas, máxime quando não são apresentadas provas relacionadas às operações contabilizadas. O incorporador responde pelos créditos tributários lançados contra o incorporado, nos termos do art. 132 do CTN. Havendo interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias Fl. 13617DF CARF MF 14 apuradas, é cabível a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008 AUTO REFLEXO AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ÔNUS DA PROVA Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova da dedutibilidade de amortização de ágio. Recurso Voluntário A JBS e a Tinto Holding (atual denominação da Brascol) apresentaram cada qual seu Recurso Voluntário, por meio do qual ratificam os termos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Os Recursos são tempestivos e preenchem todos os demais requisitos legais, assim, merecem ser apreciados. Preliminar Não apreciação de argumentos defendidos na Impugnação Alega a Recorrente BRACOL (atual RIO TINTO), que o acórdão recorrido deve ser cancelado, pois, deixou de abordar argumentos importantes defendidos pela Recorrente em Impugnação. Ora, primeiramente, cabe ressaltar que, se houve omissão por parte do acórdão recorrido, deveria a ora Recorrente ter apresentado Embargos de Declaração para Fl. 13618DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 9 15 sanar tal omissão. Esse é o instrumento adequado para combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades. Além, tenho firma posição no sentido de que não tem obrigação o julgador de abordar todos os argumentos colocados pelas partes se aqueles que enfrenta já são suficientes para fundamentar seu voto. Assim, não vejo qualquer fundamento no pedido de cancelamento do acórdão recorrido. Desta forma, afasto a preliminar em questão. Da Incompetência da DRF/Araçatuba Alega a Recorrente que a DRF/Araçatuba seria incompetente para proceder à fiscalização, tendo em vista que o domicílio fiscal da JBS, BERIN S/A e BRACOL estão todas no Município de São Paulo. Aduz ainda a Recorrente que a Superintendência da 8ª Região Fiscal da RFB autorizou tão somente o reexame de período já fiscalizado, sendo omissa em relação à suposta transferência de competência para outra região fiscal. Assim, entende ter sido desobedecido o quanto disposto no art. 6º, § 4º, da Portaria nº 3.014/2011. Também alega que o MPF foi emitido pelo Chefe de Divisão de Fiscalização em São Paulo, tendo por base a Portaria de Delegação de Competência nº 36/2004, que fora publicada sete anos antes da edição da Portaria nº 3.014/2011, que atualmente disciplina a matéria, de modo que, após a publicação desta Portaria, deveria ter sido editado novo ato referente à delegação de competência. A BRACOL também aponta do MPF, afirmando que foram desobedecidos os limites previstos por esse ato quanto ao período, tributos passivos de serem fiscalizados e local de fiscalização, conforme disposto nos arts. 2º e 7º da Portaria RFB nº 11.371/2007. Alega ainda inobservância do art. 6º, § 4º, da Portaria RFB nº 11.371/2007, que prevê depende de emissão de MPF pelo respectivo Superintendente a realização de fiscalização por unidade da RFB distinta da unidade em que está domiciliado o contribuinte mas na mesma Região Fiscal. Conforme já bem destacado pela DRJ, o MPF que autorizou a realização da fiscalização que culminou nas autuações ora em discussão, foi emitido com base na Portaria RFB nº 3.014/11, que dispõe o seguinte: Art. 2° Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I – Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e (...) Fl. 13619DF CARF MF 16 Art. 4° O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. (...) Art. 6° O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...) III Superintendente da Receita Federal do Brasil; IV Delegado da Receita Federal do Brasil; (...) § 1 As autoridades indicadas nos incisos IV e V somente poderão emitir MPF no âmbito de suas respectivas áreas de competência. (...) § 3 Somente será admitida delegação de competência para emissão e alteração de MPF nas seguintes hipóteses: I de Superintendente da Receita Federal do Brasil para Chefe de Divisão de Fiscalização, de Administração Aduaneira ou de Repressão ao Contrabando e Descaminho, da Superintendência; (...) § 4 Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. (...) § 8 A autorização para reexame em relação ao mesmo exercício poderá ser efetuada pelas autoridades competentes diretamente no MPFF. (...) Art. 7 O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do responsável pela equipe a que está vinculado o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil referido no inciso V; e Fl. 13620DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 10 17 VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade emitente e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1 O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos respectivos Anexos I e II a esta Portaria. (...) Art. 9 As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 . (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Da análise dos autos, vemos que o MPFF 08.1.90.002011034024,foi emitido em 07/11/2011 por autoridade competente da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região Fiscal e contém todas as informações necessárias previstas nos normativos acima. Assim, entendo que a norma da RFB foi integralmente cumprida, não havendo qualquer vício no processo fiscalizatório, devendo ser afastada tal alegação preliminar. Cerceamento do Direito de Defesa Fl. 13621DF CARF MF 18 A Recorrente JBS traz argumentos relacionados a cerceamento ao direito de defesa por: i) ter a ação fiscal sido desenvolvida em local distante do domicílio fiscal da empresa; por ter a intimação do lançamento sido acompanhada apenas dos autos de infração; ii) ausência de numeração dos documentos no processo eletrônico; iii) ser inviável a discriminação individualizada, nas planilhas elaboradas pela fiscalização, dos débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A. A BRACOL alega desrespeito ao art. 9º do PAF, vez que por ocasião da ciência das autuações não lhe foram apresentados os anexos e todo o material que fundamentou o lançamento. Pois bem, conforme já mencionado neste voto, as regras relacionadas ao pertinentes ao MPF foram integralmente cumpridas. Percebese nos autos do processo que os documentos estão numerados e não existe normativo que determine que o título utilizado no índice aponte com precisão o respectivo conteúdo. Além disso, a formalização da exigência por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo é prevista no art. 9º, § 2º do PAF. Por fim, é indubitável a inexistência previsão legal acerca de obrigatoriedade de que os termos e documentos que integram o processo administrativo tributário sejam remetidos ao sujeito passivo quando da intimação. Em relação às planilhas elaboradas fiscalização, destaco trecho do acórdão da DRJ: " No tocante à alegação de que as planilhas elaboradas pela autoridade autuante não permitem discriminar, de maneira individualizada, os débitos da BRACOL HOLDING LTDA e da BERTIN S/A, cabe esclarecer que a Planilha 29 (fl. 11.608), citada como exemplo no recurso da JBS S/A, é uma planilha de consolidação de dados, elaborada com o fim de demonstrar a representatividade da amostragem utilizada nas demais planilhas. Observase, por exemplo, na planilha 32 (fl. 11.612) que os lançamentos contábeis são individualizados para a BRACOL HOLDING LTDA e para a BERTIN S/A. (...)" Portanto, ausentes os riscos trazidos pelas Recorrentes, afasto também esta preliminar de cerceamento do direito de defesa. Da Ausência de fundamento jurídico dos lançamentos A BRACOL argumenta que os lançamentos são inválidos, vez que ausentes os respectivos fundamentos jurídicos do lançamento e os motivos de direito, pois, não há demonstração jurídica de forma adequada dos dispositivos legais necessários para tanto, não sendo suficiente a simples indicação dos dispositivos que tratam somente de aspectos específicos e operacionais dos tributos. Fl. 13622DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 11 19 Pois bem, a leitura dos autos de infração não deixa dúvida de que as normas infringidas e respectivas penalidades foram devidamente apontadas. Além disso, há claro apontamento dos fatos dos fatos que deram origem às infrações, conforme é possível enxergar no TVF. Assim, improcedente também este argumento da Recorrente. Da Nulidade do Julgamento da DRJ Indeferimento de Diligência Alega a Recorrente a nulidade da decisão da DRJ que indeferiu o pedido de diligência e, com isso, cerceou o direito à ampla defesa da Recorrente. Ora, cabe ao julgador averiguar a necessidade e utilidade de uma diligência. Caso o julgador entenda que possui todos os elementos suficientes para a tomada de decisão, tem autonomia para indeferir eventual pedido de diligência e prosseguir com o julgamento, sem com isso incorrer em qualquer vício de nulidade. Assim, improcedente tal alegação da Recorrente. Da Ausência de Lançamento contra a BRACOL Aduz a BRACOL HOLDING LTDA que os autos de infração devem ser cancelados por não ter constituído crédito tributário e tampouco ter aplicado multa contra a Recorrente em clara desobediência aos arts. 9º e 10 do PAF. Da leitura do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a BRACOL, não enxergo alegados vícios. Da cisão da empresa BRACOL A JBS S/A informa que impetrou o mandado de segurança nº 0003805 65.2011.403.6107 cujo escopo era o afastamento da indevida caracterização, de ofício, como cisão da operação ocorrida, em outubro de 2007, entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/ª No mencionado MS , requerse a instauração de procedimento próprio para tanto, no qual fosse assegurado contraditório e ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Foi concedida liminar, posteriormente confirmada em sentença, dando oportunidade de apresentação de recurso administrativo. Afirma que informou o Juízo, o descumprimento da medida liminar pela autoridade impetrada, tendo sido proferida decisão interlocutória reconhecendo que a lavratura Fl. 13623DF CARF MF 20 de “Termo de Sujeição Passiva Solidária” caracteriza descumprimento da decisão judicial, já que um dos efeitos do afastamento administrativo da defesa é a atribuição de responsabilidade solidária. Aduz que o procedimento administrativo para constatação de eventual cisão entre BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A não foi instaurado tendo decaído o prazo para tanto. Neste aspecto é importante destacar que a Recorrente JBS é responsabilizada pelos débitos cobrados da BERTIN S/A, em razão de infrações por esta cometida e não por débitos originado na BRACOL. Contudo, na petição inicial do MS em questão, consta o seguinte: "Assim, resumidamente, tendo em vista a incorporação da “BERTIN S/A” pela impetrante, a Autoridade Impetrada pretende atribuir responsabilidade solidária de débitos da “BRACOL” à Impetrante, sob o argumento de que teria havido cisão quando da constituição da “BERTIN S/A”, pela aplicação do art. 132 do Código Tributário Nacional. " Aqui me parece que não há congruência entre o fato concreto (JBS é cobrado por débitos da BERTIN S.A) e o fato informado (JBS é cobrado por débitos da BRACOL). Isso fica evidente na decisão interlocutória (fls. 6.8866.889) que deferiu a liminar: " No presente caso, também não se mostra razoável o afastamento da defesa administrativa, devido aos graves efeitos que podem ser originados da medida administrativa, ou seja, a atribuição de responsabilidade solidária à impetrante pelas dívidas tributárias da Bertin Ltda (atual Bracol Holdin Ltda) – fl. 33." Por fim, temos que a sentença proferida nos autos deste MS concedeu em parte a segurança, tão somente para assegurar o direito a que fosse processada a reclamação administrativa da impetrante, com efeito suspensivo, ressalvando ao Fisco o direito de constituir os créditos tributários porventura existentes, inclusive com base na pretensa solidariedade, mas sem poder inscrevêlos em dívida ativa e tampouco executálos até o desfecho do processo na esfera administrativa. Assim, é importante ressaltar que o MS nº 000380565.2011.403.6107 não constitui óbice a que a autoridade fiscal impute responsabilidade por sucessão à JBS por créditos tributários decorrentes de fatos geradores praticados pela BERTIN S/A em razão da incorporação ocorrida. Em suma, o MS foi impetrado com o fim de assegurar o exercício do contraditório antes de que fosse caracterizada como cisão a operação ocorrida entre as empresas BRACOL HOLDING LTDA e BERTIN S/A. Fl. 13624DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 12 21 Em suma, em decorrência da incorporação e extinção da BERTIN S/A, a JBS foi responsabilizada por sucessão, com base no art. 132 do CTN. Por outro lado, a responsabilidade solidária atribuída à BRACOL tem por fundamento o art. 124, I, do CTN, tendo em vista a constatação de interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Desta forma, as decisões proferidas nos autos do MS nº 0003805 65.2011.403.6107 não afastam a imposição de responsabilidade por sucessão à JBS por créditos lançados contra BERTIN S/A antes da incorporação. Por fim, não há suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada por decisão judicial no MS, vez que a eventual qualificação da operação ocorrida entre a BRACOL HOLDING LTDA e a BERTIN S/A como cisão, não gera qualquer efeito quanto à validade das autuações vez que as infrações apuradas são independentes de tal qualificação. Mérito Das transferências (ativo/passivo/receita/despesa) entre BRACOL e BERTIN S.A A leitura do Recurso apresentado péla Recorrente JBS e a análise dos documentos juntados aos autos, mostram que carecem de explicações razoáveis as transferências de "ajuste" perpetradas entre BERTIN e BRACOL. Os argumentos trazidos na peça recursal e mesmo as respostas apresentadas durante a fiscalização me parecem insuficientes. Vejam, alega a Recorrente JBS que em 10/10/2007, a BERTIN S/A adquiriu da BRACOL HOLDING LTDA diversos estabelecimentos, via integralização de acervo líquido em aumento de capital subscrito e integralizado por esta empresa e que, para a regular operação dos estabelecimentos adquiridos, diversas providências regulatórias e burocráticas foram necessárias, demandando razoável tempo, de modo que foi necessária a continuidade de utilização de documentos fiscais em nome do antigo proprietário, especialmente para fins de cumprimento de contratos, cronograma de abate e aviso dos diversos fornecedores, os quais continuaram emitindo notas fiscais em nome daquele. Diante de tal cenário, justifica a Recorrente que foram necessárias diversas operações de compensação (encontro de contas) entre BERTIN S.A e BRACOL. Os argumentos trazidos são insuficientes para justificar porque tais entidades que possuem cada qual sua personalidade jurídica, CNPJ, ativo, passivo e contas de resultados tenham executado uma troca tão intensa de recursos e, pior, por meio da utilização de meras contas de coligadas e controladas entre ambas, sem maior subsídio documental. Tratase aqui do Princípio da Entidade. Não é possível admitir que o resultado contábil e fiscal de uma empresa seja impactada em contrapartida por lançamentos Fl. 13625DF CARF MF 22 efetuados por outra empresa. Cada qual deve manter seus livros fiscais/contábeis e demonstrações financeiras próprias, exatamente, para que se possa efetuar a devida apuração de resultado contábil e fiscal de cada uma. Não se trata aqui de proibição ou vedação de que tais operações e/ou transferências ocorram entre as empresas, ainda mais quando pertencentes a um mesmo grupo econômico. Isso é por vezes necessários no dinâmico mundo empresarial. Contudo, tais operações, especialmente, quando tão recorrentes e relevantes, devem ser devidamente explicadas com documentação suporte, o que não aconteceu no presente caso. As explicações dadas e documentação apresentada não justificam os efeitos fiscais que resultaram em redução dos tributos devidos pela BERTIN S.A. Ora, se as despesas (dívidas) haviam sido transferidas da BRACOL para a BERTIN, esta última é quem deveria alocar os juros passivos relacionados aos empréstimos transferidos que se encontram em seu passivo,contudo, tais despesas foram registradas na na BRACOL e depois transferidas para a contabilidade da BERTIN através da já mencionada conta coligada e controlada. Ainda que se tratasse de um erro contábil caberia à BRACOL efetuar o estorno e à Bertin escriturálos, o que não ocorreu, pois, não foram apresentados comprovantes do estorno total pela BRACOL (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) em sua escrituração e nem tampouco, o comprovante de escrituração total (conta de débito e conta de crédito – método das partidas dobradas) pela BERTIN. Além disso, não há no Lalur da Bracol o estorno de uma despesa indevida de período anterior na apuração do lucro real, que ratificasse a resposta dada por ambas, bem como, não fora identificada escrituração de ajuste de exercício anterior. Tais observações se aplicam aos lançamentode de ajuste anteriores e posteriores à operação societária ocorrida entre BERTIN E BRACOL. Assim, tendo em vista a fragilidade da documentação e das explicações dadas durante a fiscalização e por ocasião da Impugnção e Recurso Voluntário apresentados pela JBS, entendo que não merece reparo a conduta da fiscalização ao apurar o efeito para fins de IRPJ/CSLL dos lançamentos de “ajuste” ocorridos entre BERTIN e BRACOL. Da dedução indevida do IRRF Com relação ao valor de IRRF de R$ 381.908,97 a título de IRRF, alega a Recorrente JBS que, conforme ficha 54 da DIPJ, tal valor corresponde a retenção de imposto de renda relativa a rendimento proveniente de aplicação financeira no Banco Votorantim S/A. Segundo alega, há no Razão Analítico o lançamento, em outubro de 2007, de R$ 257.999.771,75, relativo à transferência de aplicação financeira do Banco Votorantim S/A à BERTIN, constando a referência à transferência dessa aplicação financeira da BRACOL à BERTIN S/A também do laudo elaborado pela AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA. Afirma que a retenção do imposto de renda foi efetuada pelo Banco Votorantim S/A à BRACOL HOLDING LTDA. As alegações não vieram respaldadas por provas. Não é possível verificar da documentação acostada a existência de tal crédito de IRRF a favor da BERTIN. Há um Fl. 13626DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 13 23 conjunto de alegações que fazem sentido, mas não há nos autos prova suficientes que permitam a este julgador afirmar com segurança que a existência de tal crédito de IRRF. Assim, não merece reparo a autuação neste ponto. Da Falta/Insuficiência de adições à base de cálculo ajustada de CSLL Impairment Com relação à ausência de à base de cálculo da CSLL das despesas referentes à impairment de ágio, informa a Recorrente JBS que a adição de um valor a título de IRPJ não faz prova absoluta da correção do lançamento e respectivo reflexo na CSLL. Ressalta que não houve questionamento quanto ao ágio e alega que possui tal ágio fundamento econômico para fins de dedução da base do IRPJ/CSLL. Afirma que a previsão da Lei nº 11.638/07 que prevê a adição da amortização contábil do ágio e possibilidade de baixa somente após o impairment, não afeta a possibilidade de dedução fiscal deste ágio. Afirma a Recorrente que “a própria adição da despesa da amortização da contabilidade fiscal do ágio nos períodos autuados decorreu do erro no momento de traduzir esses efeitos para fins do IRPJ, pois não há teste de recuperabilidade (‘impairment’) na determinação do lucro líquido (base do lucro real) apurado de acordo com as regras contábeis aplicáveis e vigentes antes da Lei nº 11.638/07”. Assim, conclui a Recorrente que errou ao fazer a adição deste ágio para fins de IRPJ e que o tratamento fiscal correto foi aquele aplicado para fins de CSLL. Entendo que aqui, cabe razão à Recorrente. De fato, não verifiquei nos autos qualquer questionamento por parte da fiscalização quanto à origem e fundamentos do ágio contabilizado pela Recorrente. A autuação decorre, pura e simplesmente, da conclusão do fiscal de que a adição efetuada para fins de apuração do IRPJ deveria ter sido também efetuada para fins de apuração da CSLL. O racional do fiscal faz sentido mas não é suficiente para um lançamento fiscal. Isso porque, para exigir tal adição na base de cálculo da CSLL, deveria o fiscal ter investigado mais a fundo o contexto da geração e fundamentos do ágio esse poderia ser o fundamento legal de eventual autuação. Se não há qualquer menção quanto às razões de que tal ágio deveria ter sido considerado indedutivel, não há porque exigir a adição desta despesa. O erro pode ter sido cometido no cálculo do IRPJ e não da CSLL. Caberia ao Fiscal, como acusador de uma eventual infração cometida pelo contribuinte, trazer provas do cometimento desta infração, o que não ocorreu. Assim, entendo que tal parcela do lançamento fiscal deva ser cancelado. Fl. 13627DF CARF MF 24 Da Responsabilidade da BRACOL Quanto à responsabilidade solidária baseada art. 124, I, do CTN, afirma a Recorrente BRACOL que tal dispositivo somente pode ser aplicado caso fosse comprovada sua responsabilidade de gerência sobre os tributos não pagos, o que não foi feito. Assim, aplicação do dispositivo foi equivocada. Afirma a BRACOL que era apenas uma sócia com personalidade distinta da BERTIN e que a simples operação de transferência de estabelecimentos a esta não é bastante para ensejar a aplicação do art. 124, I, do CTN, pois não caracteriza interesse comum. Não vejo aqui qualquer incorreção na conduta do fiscal ou no racional dos julgadores de primeira instância. Isso porque, me parece que o interesse comum entre BERTIN E BRACOL restou mais que evidente nos autos. Ora, a BRACOL transferiu patrimônio à BERTIN num montante de quase superior a R$ 48 milhões durante o ano de 2007, além disso, as operações de transferências mútuas de direitos/obrigações ultrapassaram, inclusive, o momento em que houve a operação societária entre tais empresas, aliás, transferências essas que serviram de base para o lançamento fiscal e não foram esclarecidas por nenhuma das empresas. Na realidade, tais ajustes entre BERTIN E BRACOL chegaram muito perto do limite do que seria considerada verdadeira confusão patrimonial, o que só ocorreu em razão de verdadeira ingerência de uma sobre outra. Assim, não me resta dúvida quanto à correta aplicação, neste caso, do art. 124, I do CTN para atribuição de responsabilidade solidária à empresa BRACOL. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO dos Recursos Voluntários apresentados para AFASTAR AS PRELIMINARES suscitadas e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários para cancelar o lançamento relativo ao crédito tributário decorrente da ausência de adição da despesa com ágio da base de cálculo da CSLL, mantendo inalteradas as demais autuações, inclusive quanto à responsabilidade. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 13628DF CARF MF Processo nº 15868.720062/201331 Acórdão n.º 1201001.598 S1C2T1 Fl. 14 25 Fl. 13629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001330/2010-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EFICÁCIA TEMPORAL DA REDUÇÃO DE CAPITAL DE ATIVO ALIENADO. IDENTIFICAC¸A~O DO SUJEITO PASSIVO.
Não cumprimento dos requisitos no art. 36 da Lei n. 8.934/94, com a inaplicabilidade da retroatividade prevista no dispositivo. Peculiaridades do caso concreto.
Verificado que a pessoa jurídica permanecia como titular das ac¸o~es no momento da alienação dos ativos (ações), correto o lançamento tributário que a elege como contribuinte do tributo sobre o ganho de capital apurado.
Numero da decisão: 9101-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, por ausência de previsão legal regimental e por vinculação à Portaria CARF nº 01, de 2017.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 100 1 99 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001330/201050 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.733 – 1ª Turma Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria IRPJ. Identificação do sujeito passivo. Recorrente SOLIDEZ CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIARIOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EFICÁCIA TEMPORAL DA REDUÇÃO DE CAPITAL DE ATIVO ALIENADO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Não cumprimento dos requisitos no art. 36 da Lei n. 8.934/94, com a inaplicabilidade da retroatividade prevista no dispositivo. Peculiaridades do caso concreto. Verificado que a pessoa jurídica permanecia como titular das ações no momento da alienação dos ativos (ações), correto o lançamento tributário que a elege como contribuinte do tributo sobre o ganho de capital apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, por ausência de previsão legal regimental e por vinculação à Portaria CARF nº 01, de 2017. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 30 /2 01 0- 50 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 101 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela SOLIDEZ CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIARIOS LTDA. (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão nº 1102001.103 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). Em brevíssima síntese, o presente caso envolve a discussão se a data do registro da alteração contratual, com a redução de capital e devolução de ativos aos sócios, deve retroagir à data da assinatura do contrato social nas hipóteses em que se exige prévia autorização do Banco Central. Colhese do acórdão a quo o seguinte relato quanto ao presente caso (efls. 206 e seg): “Em 30.09.2010 foram lavrados autos de infração contra o interessado acima identificado, com ciência pessoal em 04.10.2010, por meio dos quais foram exigidas importâncias de IRPJ e CSLL do período de apuração 31.12.2007, multas isoladas para o período de apuração de 31.10.2007, bem como de PIS e COFINS do período de apuração 31.10.2007 O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 103 a 119. O Auditor Fiscal relata que, como resultado do processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as sociedades corretoras (entre elas a autuada, Solidez CCTVM) e demais associados da Bolsa receberam como devolução do patrimônio da então associação civil ações da Bovespa Holding. Em 27.06.2007 o sócio gerente da Solidez CCTVM autorizou a Bovespa Holding S/A, por meio de procuração, a alienar 3.641.578 daquelas ações quando da realização de Oferta Pública, o que foi concretizado em 29.10.2007. Em 28.09.2007 foi realizada a 20ª alteração contratual pela impugnante, em que se deliberou pela redução de seu capital social em R$ 13.534.758,40, conforme artigo 1.082, inciso II do Código Civil, por meio da entrega de 6.241.578 ações da Bovespa Holding de propriedade da sociedade ao sócio, pelo seu valor patrimonial, conforme artigo 22 da Lei nº 9.249/95. A efetivação da liquidação da redução do capital foi estabelecida para ocorrer após 90 dias da publicação do extrato de alteração contratual e o respectivo arquivamento na Junta Comercial. Conforme estabelecido no artigo 10, inciso X, “f” da Lei nº 4.595/64, a alteração contratual foi submetida à aprovação do Banco Central, e efetivamente aprovada em 04.02.2009. O registro na Junta Comercial foi efetivado em 24.03.2009. O pagamento da redução de capital, assim, somente poderia ser efetivado a partir de 22.06.2009. O autuante continua descrevendo a conduta da autuada, que, em sua contabilidade, efetuou registro, em 28.09.2007, do capital a reduzir, a débito da conta do PATRIMÔNIO LÍQUIDO nº 6.1.1.40.10.000018002 com Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 102 3 contrapartida na conta 4.9.9.92.10.000039 CREDORES DIVERSOS – REDUÇÃO DE CAPITAL COM AÇÕES DA BOVESPA. Em 04.02.2009 registrou a baixa efetiva do capital revertendo o lançamento na conta capital a reduzir. Foi constatado que o contribuinte não registrou o resultado da venda das ações em sua escrituração como resultado próprio, deixando de tributálo. O Auditor Fiscal afirma que a alteração contratual apenas tem eficácia com o registro do ato, devidamente aprovado pelo Banco Central, na Junta Comercial, por força dos artigos 1º, I, e 32, II, “a” da Lei nº 8.934/94. Por outro lado, o artigo 36 da mesma lei determina que os efeitos do arquivamento dos atos societários retroagem à data de sua assinatura, se os respectivos documentos forem apresentados à Junta Comercial dentro de 30 dias da data da assinatura. Fora desse prazo, o arquivamento apenas tem eficácia a partir do despacho que o conceder. A autoridade fiscal, baseada em ensinamentos da doutrina, afirma que os atos sujeitos à aprovação por órgãos reguladores (atos “bifaces”), para serem eficazes, pressupõem que seja realizado tanto o ato de natureza comercial/societário quanto o ato administrativo de controle. Reforçando tal entendimento, o autuante lembra mais uma vez que o próprio ato societário estabeleceu que o pagamento da redução fosse feito após 90 dias da publicação pela Junta Comercial do extrato dos dados societários alterados. Entende que a autuada praticou o fato gerador do imposto de renda (auferir renda), já que realizou todos os atos atinentes à concretização do negócio jurídico, e era ela quem tinha a disponibilidade jurídica dos bens submetidos à negociação, assim como foi ela que recebeu o produto do negócio jurídico (o dinheiro da venda foi creditado na conta da sociedade empresária). A existência de ato societário ainda sem eficácia jurídica, ao seu ver, não pode ter nenhuma influência sobre a determinação do aspecto pessoal da regra de incidência do tributo. O resultado da venda das ações foi de R$ 83.756.294,00, sendo que o custo contabilmente registrado era de R$ 8.120.718,94, resultando em ganho de R$ 75.635.575,06, base de cálculo para os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Os prejuízos e bases negativas de períodos anteriores foram utilizadas para compensação nos autos de IRPJ e de CSLL, observandose, porém, que haviam sido reduzidos em autos de infração anteriores (processo nº 16327.000357/201025), e, portanto, foram compensadas considerando o seu valor reduzido. A segunda infração detectada pelo Auditor Fiscal diz respeito à não inclusão do resultado da alienação das ações na apuração da estimativa mensal de IRPJ e CSLL do mês de outubro de 2007. A fiscalização constatou que em outubro de 2007 o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL com base em balanço ou balancete de suspensão, porém sem incluir o resultado da venda das ações, que representa receita operacional. Dessa forma, lançou multas isoladas, conforme artigo 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007, no percentual de 50% do pagamento mensal que deixou de ser efetuado por conta da não inclusão da referida receita. Em 28.10.2010 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 153 a 160). Explica que, como parte do desdobramento do processo de desmutualização da BOVESPA, foi efetuada oferta pública das ações da nova empresa, sendo as corretoras encorajadas a participar do seu capital. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 103 4 Assim, em 27.09.2007, a SOLIDEZ autorizou a BOVESPA HOLDING S/A a colocar na oferta pública um lote de 3.641.578 ações ordinárias de emissão da nova empresa, que foram efetivamente alienadas em 29.10.2007. Em 28.09.2007 os sócios da SOLIDEZ deliberaram reduzir o seu capital social, de R$ 19.377.774,40 para R$ 5.843.016,00, uma redução de R$ 13.534.758,40, nos termos do artigo 1.082 do Código Civil. Ficou então convencionado que o sócio Chao En Ming seria reembolsado do capital reduzido mediante a entrega de 6.241.578 ações ON da Bovespa Holding, pelo seu valor patrimonial, conforme artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Ficou decidido nessa alteração que o pagamento ao sócio seria feito 90 dias após a publicação do extrato de Alteração Contratual e o respectivo arquivamento do extrato da ata na JUCESP. A empresa provisionou, em 30.10.2007, parte do valor apurado na Oferta Pública correspondente a 3.641.578 ações no valor de R$ 83.756.294,00, que ficou congelado, sem movimentação. A conta TÍTULOS A ENTREGAR P/ REDUÇÃO DE CAPITAL tinha um saldo transportado de períodos anteriores no valor de R$ 13.532.412,97, tendo sido o saldo zerado aos 04.02.2009, ou seja, esse lançamento libera o valor reservado. Em 28.09.2007 houve um registro do capital a reduzir, a débito da conta Patrimônio Líquido com a contrapartida na conta de Credores Diversos – Redução de Capital com Ações Bovespa e, posteriormente, em 04.02.2009, houve a baixa efetiva do capital, revertendo o lançamento. O Banco Bradesco, na qualidade de agente de custódia, emitiu um documento datado de 24.04.2009, no qual afirma que no ano de 2007 a SOLIDEZ alienou 3.641.578 ações, restando em 31.12.2007 um saldo de 2.600.000 ações. O lucro resultante da venda das ações em nada beneficiou a empresa, já que o proprietário das ações era o seu sócio. A SOLIDEZ não poderia considerar como seu o resultado da venda das ações em 29.10.2007, pois elas não mais lhes pertenciam. Afirma que a sociedade sujeita à regulação do Banco Central pode alterar seus estatutos “ad referendo” do agente regulador, e, uma vez autorizada a alteração contratual, os seus efeitos operamse “ex tunc”, ou seja, a alteração é convalidada, sob pena de paralisar as atividades da empresa. O artigo 36 da Lei nº 8.934/94 determina que os documentos sujeitos a arquivamento pela Junta devem ser apresentados dentro de trinta dias contados de sua assinatura, hipótese em que os efeitos do arquivamento retroagirão àquela data. Sendo assim, a alteração contratual da SOLIDEZ, embora aprovada apenas em 2009, gera efeitos a partir da data de sua assinatura, ou seja, 28.09.2007. Reafirma que o lucro apurado na alienação das ações foi auferido pelo sócio e não pela sociedade, e por isso não poderia ser incluído na base de cálculo dos tributos no mês de outubro de 2007.” A Turma a quo, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. TRIBUTAÇAÕ DA RECEITA DECORRENTE DE VENDA DE AÇÕES. Verificado que a contribuinte permanecia como titular das ações correta a tributação do ganho pela empresa. O contribuinte opôs embargos de declaração (efls. 206 e seg), os quais foram rejeitados (efls. 261 e seg). Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 104 5 O contribuinte, então, interpôs recurso especial (efls. 294 e seg), o qual foi integralmente admitido (efls. 452 e seg.). Em breve síntese, suscita o recorrente: “No acórdão recorrido restou consignado que “a redução de capital da SOLIDEZ apenas produziu efeitos a partir do momento em que autorizada pelo Banco Central, o que ocorreu em 04.02.2009”. O citado acórdão paradigma 10610.534 expressou o entendimento de ser “certo que a homologação da transferência de controle pelo Banco Central, implica em retroação dos efeitos jurídicos dessa decisão à data do ato inicialmente praticado”. 19. Considerando, pois o entendimento expresso nos citados acórdãos paradigmas de que “os efeitos do registro (arquivamento da Junta Comercial) retroagem à data da assinatura (art. 36 da Lei 8.934 de 18 novembro de 1994) combinado com as normas que exigem primeiro a aprovação (BACEN) e só ‘subsequentemente’, o arquivamento”, impõese o reconhecimento dos efeitos da referida redução de capital com entrega de ações desde a data de assinatura do respetivo ato societário, que ocorreu em 28/09/2007, a ratificar a defesa da recorrente de que, em 28.10.2007, quando realizada a alienação, as referidas ações já não fazem mais parte de seu patrimônio, não lhe sendo oponível o alegado resultado tributário da operação. 20. Neste sentido, a conclusão consignada pelo acórdão recorrido de que “no momento da venda essas ações da Bovespa ainda pertenciam a Solidez, sendo que o contribuinte deveria ficar com o produto da venda dessas ações a título de redução de capital”, não merece prevalecer. Aliás, concessa vênia, o acórdão recorrido jamais poderia ter alcançado tal conclusão, ao admitir que a aprovação pelo Banco Central era condição resolutória e não suspensiva à eficácia do negócio jurídico, a luz do disposto no art. 117 do CTN, litteris: (...) 21. Na lição de Paulo de Barros Carvalho, “por condição suspensiva deve entenderse a disposição acessória, fruto da vontade das partes, que subordina os efeitos do ato ou negócio jurídico a acontecimento futuro e incerto. Enquanto a condição não se verificar, prescreve o art. 1182 do Código Civil, não se terá adquirido o direito que ela visa, permanecendo tãosó a expectativa, mas que já possibilita, ao virtual titular, o exercício de medidas preparatórias, com vistas à conservação do bem ou direito”. Tratando da condição resolutória, o prestigiado autor assevera que, “havendo condição resolutiva, pelo contrário, o ato ou negócio jurídico desencadeia logo, todos os efeitos para os quais está preordenado, facultandose ao titular o cabal exercício do direito adquirido, que se incorpora, a partir da celebração, ao seu patrimônio. O acontecimento futuro e incerto, estabelecido condicionalmente, terá condão de resolver o negócio, desfazendo o ato celebrado e extinguindo o direito.” A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, arguindo, em síntese, que (fls. 458 e seg. do eprocesso): “Esse contexto tornase relevante por causa da incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A., pela NOVA BOLSA S.A. Com efeito, a controvérsia nos presentes autos gira em torno das repercussões jurídicas desse ato, sendo a identificação do sujeito passivo uma delas. Para a Fiscalização, a SOLIDEZ CORRETORA DE CÂMBIO TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. era a titular das mencionadas ações quando concretizouse a incorporação de ações. A autoridade fiscal respalda Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 105 6 seu entendimento no seguinte fato: no momento da incorporação de ações, a redução de capital da SOLIDEZ CORRETORA ainda não havia sido aprovada pelo Banco Central do Brasil – BACEN. Significa dizer que as ações da BOVESPA HOLDING S.A. pertenciam juridicamente à SOLIDEZ CORRETORA quando houve a incorporação de ações. Dessa maneira, o ganho de capital gerado na alienação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. – quando foram incorporadas pela NOVA BOLSA S.A. – foi auferido pela SOLIDEZ CORRETORA, o que explica a atribuição da sujeição passiva tributária a esta pessoa jurídica. Antes de examinar as normas específicas sobre a redução de capital das instituições financeiras, é importante considerar a essência do ato praticado, qual seja: a pessoa jurídica se comprometeu a entregar bens aos seus sócios. Com efeito, abstraindose a forma do ato jurídico realizado – redução de capital de uma pessoa jurídica – o que se tem como aspecto material da operação é a vontade dos sócios de que a pessoa jurídica lhes transferisse a propriedade do título patrimonial. Diante disso, levando em conta o objetivo das partes envolvidas, podese qualificar o ato jurídico como uma obrigação de entregar coisa certa, vale dizer: os títulos patrimoniais ao sócio Chao Em Ming da SOLIDEZ CORRETORA. (...) O ato societário de redução de capital consiste em ato privado, concretizado entre particulares, no qual a pessoa jurídica se compromete a entregar bens aos seus sócios. Dessa maneira, fica evidente a pertinência de analisar não só as normas de direito societário, mas também aquelas que regem o direito das obrigações e direitos reais. Nesse contexto, mostrase imprescindível conferir as normas que dispõem sobre a obrigação de entregar coisa certa e aquelas que disciplinam a transferência da propriedade de bens móveis, previstas no Código Civil de 2002. Mais precisamente, tendo em vista que a discussão travada nos autos é sobre o momento em que ocorreu a transferência da propriedade dos títulos patrimoniais, vale a pena transcrever os arts. 237 e 1.267, do Código Civil: (…) Inicialmente, cumpre destacar que o registro da Alteração do Contrato Social da SOLIDEZ CORRETORA não é suficiente, por si só, para definir o momento em que houve a transferência da titularidade das ações incorporadas pela NOVA BOLSA S.A. Com efeito, sendo a contribuinte uma instituição financeira, tornase obrigatório aplicar a legislação que regulamenta as atividades desse tipo de pessoa jurídica. Além disso, importante examinar as normas específicas dos registros públicos de atos societários nas juntas comerciais. Nesse ponto, relevante salientar que tanto a fiscalização, quanto a DRJ, assim como a 2ª Turma desta Câmara, analisaram as operações realizadas pela contribuinte tendo como parâmetro as normas legais e infralegais pertinentes, vale dizer, a legislação que disciplina as atividades das instituições financeiras e a legislação sobre registros públicos de empresas mercantis. Foi salientada a necessidade de as instituições financeiras submeterem suas alterações contratuais à autoridade reguladora do setor, o BACEN, de acordo com o disposto no inciso X do art. 10 da Lei nº 4.595, de 1964, e seção 113 do Manual de Normas e Instruções do Bacen (MNI). Ao se deparar com os argumentos trazidos a recorrente enveredou para uma análise da natureza do ato de registro e homologação de atos societários. A contribuinte argumenta que a manifestação do BACEN seria meramente declaratória e deveria retroagir para a data em que os sócios aprovaram a redução de capital da SOLIDEZ CORRETORA. Esse seria o embasamento Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 106 7 para afirmar que as ações da BOVESPA HOLDING S.A. pertenciam ao sócio da SOLIDEZ CORRETORA, no momento da incorporação realizada pela NOVA BOLSA S.A. Seguindo essa linha de raciocínio, a contribuinte incorre em contradições. (...) Cabe suscitar se a autorização do BACEN é requisito de validade, podese afirmar que a redução de capital acontece juridicamente antes da manifestação da autarquia federal? A resposta para essa pergunta começa pela leitura dos dispositivos legais que regem o setor das instituições financeiras. (...) Portanto, aplicando a premissa de que compete ao BACEN avaliar se é possível ou não ser efetivada modificação no estatuto das instituições financeiras, temse que cabia ao BACEN decidir a respeito da alteração no estatuto da SOLIDEZ CORRETORA. Nessa perspectiva, não há como negar que a entrega dos títulos patrimoniais das antigas BOLSAS DE VALORES ao sócio da SOLIDEZ CORRETORA – que representava a forma escolhida pelos sócios para reduzir o capital da citada pessoa jurídica – dependia da aprovação do BACEN. Isso se mostra incontroverso, uma vez que a própria a contribuinte reconheceu que a redução de capital depende da chancela do BACEN, e mais, que a autorização da citada autarquia configura requisito de validade do ato. (...) A contribuinte alega que o arquivamento na junta comercial tem efeito meramente declaratório, e não constitutivo. Entretanto, essa não é a questão central. O fundamental é perceber que, sem a chancela do BACEN, a alteração do estatuto da instituição financeira não pode ser concluída e, por consequência, não haveria a transferência do título patrimonial – nem das ações da BOVESPA HOLDING S.A. – aos sócios. Implica dizer que a redução de capital – com a decorrente transferência de bens aos sócios – apenas acontece juridicamente após a realização de todos os atos exigidos pela legislação. (...) Percebam, Srs. Conselheiros, que há uma distinção clara de dois momentos para a redução de capital: antes e depois da aprovação do BACEN. Ademais, importante notar que o BACEN estipulou que o pagamento aos sócios apenas pode ocorrer após a citada autarquia ter autorizado o ato societário. Por essa razão, a contabilidade das instituições financeiras – conforme determinado pela Circular BACEN no 2.750, de 1997, e explicitado nas orientações do COSIF – deve espelhar o procedimento específico previsto pela legislação, refletindo as repercussões de cada momento da redução de capital. Especificamente quanto à transferência de bens, chama a atenção que a conta contábil “redução de capital” somente é creditada depois da manifestação do BACEN. Isso comprova, sem qualquer espaço para dúvidas, que a saída de recursos acontece tãosomente após o BACEN ter autorizado a operação societária. Diante disso, resta evidente que os bens somente poderão ser retirados do patrimônio da instituição financeira, em virtude da redução de capital, após a aprovação do BACEN. Nesse contexto, convém relembrar o requisito essencial para a mudança do titular do direito de propriedade sobre bens móveis, isto é, a tradição dos bens. Consoante visto acima, sem a tradição, permanecem os bens sob a titularidade do antigo proprietário. Transportando esse raciocínio ao caso dos autos, temse que o título patrimonial das antigas BOLSAS DE VALORES e as ações da BOVESPA HOLDING S.A. permaneceram no patrimônio da SOLIDEZ CORRETORA Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 107 8 até que o BACEN autorizou a redução de capital da mencionada corretora. Nessa perspectiva, a manifestação do BACEN somente aconteceu em 05/02/2009 (fl. 30). Dessa forma, mostrase inquestionável que as ações da BOVESPA HOLDING S.A. incorporadas pela NOVA BOLSA S.A. pertenciam à recorrente, e não aos seus sócios.” A PFN não apresentou oposição ao conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos necessários à interposição do recurso especial, razão pela qual o conheço. Adentrando no mérito, é importante repisar o que prescreve o art. 36 da 8.934/94: Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Uma das peculiaridades do caso concreto reside na exigência de prévia autorização do Banco Central para que a recorrente possa levar a registro a redução de capital perante a junta referida no art. 36 da Lei n. 8.934/94. Sustenta o contribuinte que a alteração contratual e a devolução de capital (ações) ao sócio (Sr. Chao En Ming) surtiriam efeitos desde a data de sua assinatura (28.09.2007), pois ao caso concreto seria aplicável a retroatividade prevista pelo art. 36 da Lei n. 8.934/94. Sob essa perspectiva, como haveria retroação dos efeitos do registro da alteração contratual à data de sua assinatura (28.09.2007), então o Sr. Chao En Ming deveria ser considerado o sujeito passivo do tributo incidente sobre a venda das ações (29.10.2007) que foram desintegralizadas do capital social da recorrente. O auto de infração lavrado em face da recorrente, portanto, padeceria por erro na identificação do sujeito passivo. Compreendo que a solução dada pelos acórdãos paradigmas de divergência, que vão ao encontro da tese do contribuinte, apenas poderia vir a ser cogitada, no presente caso, na hipótese: i) do pedido de aprovação da alteração contratual, perante no Banco Central, ter sido protocolo dentro do prazo de trinta dias contados da formalização do respectivo documento, bem como ii) da referida alteração contratual ter sido protocolada perante a junta comercial dentro do prazo de trinta dias contados da sua aprovação pelo Banco Central. No presente caso, consta nos autos (efls 25 e seg.) protocolo de pedido de aprovação da alteração contratual, perante no Banco Central, com data de 11/10/2007, ou seja, menos de 30 dias da sua celebração. Não obstante, conforme as datas que constam nos Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16327.001330/201050 Acórdão n.º 9101002.733 CSRFT1 Fl. 108 9 documentos disponíveis nos autos, a referida redução de capital foi aprovada em 04/02/2009 pelo Banco Central, mas o protocolo dessa alteração contratual apenas foi apresentado perante o Junta Comercial em 18/03/2009, ou seja, após o transcurso de mais de trinta dias. Além disso, ainda que se considere que a haveria a retroação sustentada pelo contribuinte, é necessário observar outra peculiaridade do caso concreto. Ocorre que a alteração contratual realizada previa expressamente que a entrega das ações a título de redução de capital apenas seria concretizada após a efetiva alteração contratual perante o Registro de Comércio: “2) O pagamento da presente redução de capital social ocorrerá após a decorrência dos prazos e medidas regulamentares, ou seja, 90 dias após a obrigatória publicação do extrato dessa alteração contratual e o respectivo arquivamento no Registro de Comércio.” Voto, portanto, por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001761/2004-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2001
Ementa:
CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SUMULA CARF No 75.
O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo; pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo.
Numero da decisão: 3401-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer como espontâneos os pagamentos efetuados, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que se declarou impedido.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer como espontâneos os pagamentos efetuados, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que se declarou impedido. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2001 Ementa: CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SUMULA CARF No 75. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo; pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer como espontâneos os pagamentos efetuados, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que se declarou impedido. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 61 /2 00 4- 49 Fl. 592DF CARF MF 2 FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre autos de infração lavrados para exigência de COFINS (fls. 32 a 35)1, no valor original de R$ 15.465,68, acrescido de juros de mora e multa de ofício (75 %), para os fatos geradores de 28/02/1999 a e 31/05/2001, por diferença entre o valor escriturado e o declarado, e de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 301 a 304) no valor original de R$ 1.962,91, também acrescido de juros de mora e multa de ofício (75 %), para os mesmos fatos geradores, e por idêntico fundamento. Ciente das autuações em 13/05/2004 (fls. 32 e 301), a incorporadora da empresa (BES BOAVISTA ESPÍRITO SANTO DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A.) apresentou impugnações em 13/10/2004 (fls. 38/39, e 307/308), alegando, em síntese, que: (a) os valores devidos decorrem de erro de fato no preenchimento de DCTF que não puderam ser retificadas pelo contribuinte quando da fiscalização, sendo posteriormente retificadas (apresentandose as DCTF retificadoras em anexo à impugnação – fls. 91 a 153, e 360 a 424, para que sejam retificadas de ofício nos termos do artigo 147, § 2o do Código Tributário Nacional CTN); (b) apresenta quadros (fls. 40 a 43, e 309 a 312), também em anexo, e cópias de documentos comprobatórios de recolhimentos, que quitam os valores constantes das DCTF retificadoras; e (c) com a retificação das DCTF, passaram a existir valores indevidos (sobre os quais não incide multa), valores lançados a maior (devendo a multa incidir somente sobre o valor devido), e valores recolhidos com multa de 20%, tendo sido recolhida a diferença de 17,5%, que equivale à multa de 37,5% (75%, com 50%) via DCOMP. Em 28/03/2008, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 531 a 537), no qual a DRJ decide, unanimemente, pela procedência do lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) as justificativas apresentadas para as diferenças apuradas pelo fisco estão calcadas em pagamentos efetuados em 11/02/2004 e 17/05/2004, na utilização de créditos referentes a estes pagamentos quando efetuados a maior, e na utilização de créditos decorrentes de pagamentos a maior no prazo de recolhimento das contribuições; (b) o início do procedimento fiscal (em 23/12/2003) exclui a espontaneidade, tanto em relação à entrega de DCTF retificadoras, quanto aos pagamentos efetuados em 11/02/2004 e 17/05/2004; (c) quanto à alegação de compensação efetuada em relação a parcela das diferenças apuradas, deveria ter sido a operação comprovada mediante vinculação contábil específica, ou apresentação de DCOMP, a partir da alteração promovida pela MP no 66/2002 no artigo 74 da Lei no 9.430/1996; e (d) os lançamentos de ofício devem prosperar, visto que as diferenças não foram espontaneamente recolhidas nem objeto de declaração espontânea (DCTF). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.001761/200449 Acórdão n.º 3401003.818 S3C4T1 Fl. 593 3 Tendo em vista o teor da Súmula Vinculante no 8 do STF, é proferido o despacho de fls. 546 a 548, em 14/11/2008, reconhecendo a ocorrência de decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 09/1999, ensejando a retificação de ofício do lançamento narrada à fl. 249. Cientificada da decisão de piso em 15/01/2009 (AR à fl. 560), a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 564 a 572), em 12/02/2009, sustentando que: (a) a DRJ se ateve apenas à verificação de questões de direito, sem buscar a realidade dos fatos suscitados e comprovados, sequer analisando relevantes documentos apresentados em sede de impugnação; (b) a recorrente pretendeu, em sua impugnação, apenas a correção de ofício dos erros de fato cometidos na apresentação das DCTF originais (conforme artigo 147, § 2o do CTN), vez que não lhe fora permitido retificar a obrigação acessória à época do procedimento fiscalizatório; (c) os valores apontados como diferença e que não foram objeto de compensação foram pagos após iniciada a fiscalização, em 11/04/2004, com juros e multa moratória; (d) ainda que após vinte dias (conforme artigo 47 da Lei no 9.430/1996), não houve, quando do término do prazo de atendimento do Termo de Início de Fiscalização, em 06/02/2004, qualquer comunicação da autoridade fiscal sobre a continuidade dos trabalhos, pelo que entende a recorrente ter readquirido a espontaneidade; (e) as compensações indicadas nas impugnações estavam sob a égide da IN SRF no 21/1997, que dispensava requerimento para efetivação; e (f) pelas planilhas apresentadas na defesa, restou demonstrado o quantum devido, e que havia sido compensado com valores recolhidos a maior, e se o julgador de piso duvidasse do procedimento, deveria ter intimado a empresa a comproválo, pelo que restaria agora determinar ao órgão julgador jurisdicionante as diligências necessárias para apuração do ocorrido, o que se demanda com fundamento no artigo 38 da Lei no 9.784/1999. Sustenta ainda, derradeiramente, a possibilidade de juntada de novas provas, após a impugnação, em nome da verdade material (embora não junte nenhuma). Em 06/04/2016, julgouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira (fl. 590). Em 23/06/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. E foi indicado para as pautas de fevereiro e março de 2017, mas não incluído, pelo presidente, em função do volume de processos a julgar. Em abril e em maio de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade, e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 594DF CARF MF 4 As autuações derivam da demanda para que a empresa justificasse insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1999, fevereiro (só COFINS), abril, junho e dezembro de 2000, e janeiro (só COFINS), fevereiro, março (só PIS), abril (só PIS) e maio de 2001, cf. tabelas de fls. 7 a 9, e 277 a 279, sintetizadas nas três primeiras colunas da tabela a seguir (na tabela, já expurgamos as exigências relativas a fatos geradores anteriores a setembro de 1999, pelo reconhecimento da ocorrência de decadência pela própria unidade local da RFB, em atendimento ao disposto na Súmula Vinculante STF no 8, já não restando contencioso em relação a tais períodos). A empresa apresentou justificativas para as diferenças ainda durante o procedimento fiscal (fls. 11 a 13, e 281 a 283, sintetizadas na última coluna da tabela a seguir); Período Diferença PIS Diferença COFINS Alegação de defesa Out/1999 R$ 102,65 R$ 473,73 Utilização de parte do crédito gerado no mês anterior Nov/1999 R$ 46,92 R$ 216,56 Utilização de parte do crédito gerado em meses anteriores Dez/1999 R$ 152,95 R$ 1.040,68 Utilização de parte do crédito gerado em meses anteriores e recolhimento de diferença em DARF anexo Fev/2000 R$ 6.713,15 Utilização de parte do crédito gerado em meses anteriores Abr/2000 R$0,97 R$ 4.47 Utilização de parte do crédito gerado em meses anteriores Jun/2000 R$ 34,74 R$ 160,31 Utilização de parte do crédito gerado em meses anteriores Dez/2000 R$ 76,24 R$ 140,46 Utilização de parte do crédito gerado em meses anteriores Jan/2001 R$ 1.097,78 Efetuado recolhimento a maior que o devido cf. DARF anexo Fev/2001 R$ 24,35 R$ 112,38 Efetuado recolhimento conforme DARF anexo Mar/2001 R$ 19,56 Efetuado recolhimento conforme DARF anexo Abr/2001 R$ 305,60 Efetuado recolhimento a maior que o devido cf. DARF anexo Mai/2001 R$ 116,51 R$ 537,70 Efetuado recolhimento conforme DARF anexo A fiscalização, após a apresentação das justificativas, concluiu pela necessidade de lançamento, diante da ausência de declaração em DCTF (fls. 27 e 296): Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.001761/200449 Acórdão n.º 3401003.818 S3C4T1 Fl. 594 5 Nas impugnações, as justificativas apresentadas são basicamente as mesmas disponíveis no curso do procedimento fiscal, mas um pouco mais detalhadas nas planilhas, indicando, mês a mês, todos os recolhimentos e créditos disponíveis/utilizados (fls. 40 a 43, e 309 a 312), e informando ter havido erro de fato no preenchimento das DCTF. A DRJ percebe que os pagamentos apresentados como justificativa, assim como as DCTF retificadoras, datam de 11/02/2004 e 17/05/2004, após o início do procedimento de fiscalização, restando ausente a espontaneidade. E, sobre a alegação de compensação com créditos de meses anteriores, conclui o julgador de piso que não restou documentalmente comprovado, não havendo previsão de compensação de ofício em tais casos. O recurso voluntário apresentado destoa significativamente das impugnações de duas páginas, que meramente remetiam a planilhas e alegavam ter havido erro nas DCTF. A alegação recursal de que a DRJ se ateve apenas à verificação de questões de direito, sem buscar a realidade dos fatos suscitados e comprovados, sequer analisando relevantes documentos apresentados em sede de impugnação, a nosso ver, é improcedente, visto que o julgador de piso evidencia que as alterações que a empresa pretendeu que o fisco fizesse de ofício e os pagamentos que efetuou foram durante a fiscalização, quando não são considerados espontâneos por força de disposição legal. Ademais, se a fiscalização apura determinada diferença, eventual pagamento ou compensação posterior já não constituem matéria de defesa, mas de execução/cobrança. No momento em que a empresa apresenta pagamento ou compensação, ela está a confirmar o débito, buscando quitálo. Mas, no presente caso, além dos pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal, que, por certo, se ainda disponíveis, devem ser objeto de apropriação aos débitos apurados pela fiscalização, sem o benefício da espontaneidade, a empresa buscou alterar as próprias DCTF, após iniciado o procedimento fiscal. E agora, em sede de recurso voluntário, fundamenta tal desejo no artigo 147, § 2o do CTN, que trata da retificação de ofício, e reside logo abaixo do dispositivo que trata da retificação por iniciativa do próprio declarante (art. 147, § 1o). Retomese que até o momento não se elucidou exatamente o erro de fato a que alude a defesa, mas somente uma alteração de planilha, já no curso do procedimento fiscal, desamparada de justificativa individualizada, e com complementação de pagamentos como se espontâneos fossem. Entender que há espontaneidade no curso da fiscalização se opõe ao comando expresso tanto no artigo 138, parágrafo único, do CTN, quanto no artigo 47 da Lei no 9.430/1996, que permite o pagamento de tributos e contribuições já declarados até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, com os atributos da denúncia espontânea. Recordese que, no caso em apreço, a ciência do termo de início se deu em 23/12/2003 (fls. 5 e 275), e os pagamentos, como informa a DRJ, são datados de 11/02/2004 e 17/05/2004. E a argumentação da recorrente de que não teria sido comunicada sobre a continuidade dos trabalhos de fiscalização não tem o condão de afastar o comando legal, pois o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de fls. 2 e 272 esclarecia a duração do procedimento fiscal (01/04/2014), seu objeto, e as formas de alteração/prorrogação, com o código Fl. 596DF CARF MF 6 (38064087) de acesso para acompanhamento, via web. Perfeita ciência tinha a empresa, então, da continuidade do procedimento fiscal. Ademais, quanto ao primeiro pagamento, incumbe informar que ainda não havia decorrido o prazo de 60 dias a que alude o artigo 7o, § 2o do Decreto no 70.235/1972. E, quanto ao segundo, a consulta na web, com a senha informada no MPF, faria com que a empresa percebesse ter havido prorrogação do MPF em 01/04/2004, em 31/05/2004, em 30/07/2004, em 28/09/2004 e em 27/11/2004. Incabível, no caso, então, cogitarse dos benefícios da denúncia espontânea. Deve ser, assim, mantido o lançamento, recomendandose à unidade local que aproprie, na execução do acórdão, os pagamentos efetuados, se eventualmente ainda disponíveis. Tais pagamentos, de fato, são o mais nítido reconhecimento de que o lançamento é procedente, no que se refere aos valores pagos a título de principal. Quanto às compensações, alega a empresa que as efetuou sob a égide da IN SRF no 21/1997, que dispensava requerimento para efetivação. Recordese, no entanto, que o presente processo versa sobre débitos de 1999, 2000 e 2001, e que os valores que se alega ter compensado não estavam registrados em DCTF. A DRJ acrescenta ainda que não restaram comprovados os créditos utilizados nas compensações apontadas, o que é rebatido no recurso voluntário com a afirmação de que se as planilhas anexas comprovam as compensações e que se a autoridade julgadora tivesse dúvidas, deveria ter, em nome da verdade material, intimado a empresa ou convertido o julgamento em diligência, o que demanda, com fundamento no artigo 38 da Lei no 9.784/1999. Tendo a defesa alegado que débitos exigidos no lançamento foram objeto de compensação, incumbe a ela comprovar efetivamente tais compensações, ainda mais quando não as declarou, sequer constando os valores compensados em DCTF. E, no caso, assiste razão ao julgador de piso quando afirma que as planilhas, e a demanda de retificação (de ofício) das DCTF no curso do procedimento fiscal estão longe de comprovar as alegações da empresa. Não vejo, no caso, nem vestígio de que efetivamente tenha a empresa operado compensações, mas tão somente seu desejo de, após o procedimento fiscal, saldar, de fato, os valores lançados com compensações, da mesma forma em que o fez, como alegado, com pagamentos. Sequer fomentada a dúvida neste julgador, não há razão para conversão do julgamento em diligência, seja com fundamento na legislação que rege o processo de determinação e exigência de crédito tributário, específica, seja na mencionada lei geral do processo administrativo, no 9.784/1999. Para que fossem levadas adiante, ou mesmo investigadas as suas alegações, deveria a empresa ter carreado aos autos, ao invés de simples planilhas, desacompanhadas de qualquer lastro escritural ou probatório, documentos que atestassem as compensações, e a própria retificação de DCTF demandada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Alerto, no entanto, à unidade responsável pela execução administrativa do acórdão, que os Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.001761/200449 Acórdão n.º 3401003.818 S3C4T1 Fl. 595 7 pagamentos efetuados, se ainda disponíveis, devem ser objeto de apropriação aos débitos apurados pela fiscalização, sem o benefício da espontaneidade. Rosaldo Trevisan Fl. 598DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, redator designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator, ao admitir, a simples prorrogação do MPF, com acesso disponível à empresa fiscalizada via web, como suficiente a impedir a reaquisição da espontaneidade, após o prazo de sessenta dias, sem que haja ato de ofício escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, como previsto no artigo 7o, § 2o do Decreto no 70.235/1972 (PAF). Nos termos do artigo 138, parágrafo único, do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Por sua vez, o artigo 7o, do Decreto no 70.235/1972, determina que o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto (inciso I); e que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo (§1o); sendo que, para os efeitos do disposto no § 1o, os atos referidos no inciso I, valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O presente procedimento fiscal teve inicio em 23/12/2003, por meio do primeiro ato de ofício, escrito (TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO), praticado por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal), cientificado o sujeito passivo, por meio de ciências pessoais do termo fiscal (fl. 05) e do Mandado de Procedimento Fiscal MPF (fl. 02). Iniciado o procedimento e excluída a espontaneidade do sujeito passivo, os atos de inicio de procedimento fiscal e ss, valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Compulsando os autos, apenas, mais um ato escrito, por meio do TERMO DE CIÊNCIA E DE SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS (fl. 06), indicando o prosseguimento dos trabalhos, em 30/06/2004, antes da ciência dos TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL (fl. 27), AUTO DE INFRAÇÃO (fl. 32), e TERMO DE ENCERRAMENTO (fl. 35), em 13/09/2004, todos por meio de ciências pessoais. Portanto, entre 23/12/2003 e 30/06/2004, passados 190 (cento e noventa) dias; e, entre 30/06/2004 e 13/09/2004, passados 75 (setenta e cinco) dias; superados, por duas oportunidades, o prazo de sessenta dias para reaquisição da espontaneidade. A divergência cingiuse à esse ponto, não admitindo o Colegiado que a simples prorrogação do MPF, com acesso disponível à empresa fiscalizada via web, fosse suficiente à indicar o prosseguimento dos trabalhos, impedindo a reaquisição da espontaneidade. Entendeu a maioria vencedora como qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, necessariamente, outro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo, não cogitandose ser este ato de oficio o MPF, muito menos que o servidor competente seja o Delegado da Receita Fl. 599DF CARF MF Processo nº 19515.001761/200449 Acórdão n.º 3401003.818 S3C4T1 Fl. 596 9 Federal, responsável pela emissão do indigitado documento, reiteradas vezes declarado pela jurisprudência do CARF como mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, incapaz de irradiar efeitos sobre a validade do procedimento ou do auto de infração, seja para nulificálos, seja para convalidálos como executados sob a exclusão de espontaneidade. Acórdão no 3401003.436, 28/03/2017: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno, disciplinado por ato administrativo, de planejamento e controle da administração tributária federal. Eventuais omissões ou irregularidades formais em sua emissão ou prorrogação, não enseja a nulidade do lançamento de ofício, vinculado e obrigatório, por lei. Fragmento do voto: "O MPF, mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, instituído por ato administrativo (Portaria SRF nº 1.265/1999), depois, por decreto (Decreto nº 3.969/2001) e disciplinado por portaria (Portaria SRF n° 3.007/2001), não pode jamais invalidar o lançamento fiscal, realizado nos termos de lei complementar: art. 142, do CTN, atividade vinculada e de competência da autoridade administrativa: AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 6º, da Lei nº 10.593/2002, com redação dada pelo art. 9º, da Lei nº 11.457/2007. Substituído pelo Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, instituído pelo Decreto nº 8.303/2014, o não mais existente Mandado de Procedimento Fiscal MPF, veio apenas para dar mais transparência e segurança aos contribuintes e à administração, tendo por escopo o planejamento e o controle, por parte da Receita Federal, das atividades de fiscalização externa dos tributos e contribuições federais. Inexistindo dispositivo de lei que vincule a competência do AuditorFiscal ou a validade do auto de infração à existência do MPF, não há de se falar em nulidade." Retornado aos autos, constatase 11 (onze) DARFs de pagamentos, PAs 01/1999, 02/1999, 08/1999, 09/1999, 12/1999, 01/2001, 02/2001, 03/2001, 04/2001, 05/2001, 07/2001, códigos 2172 (COFINS), efetuados em 11/02/2004 e 17/05/2004 (fls. 14/24), Ocorre que, como anteriormente frisado, entre 23/12/2003 (TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO) e 30/06/2004 (TERMO DE CIÊNCIA E DE SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS), passados 190 (cento e noventa) dias e superado o prazo de sessenta dias para reaquisição da espontaneidade. Portanto, tendo a contagem do lapso prazal entre os citados termos escritos superado os sessenta dias, operase ex tunc a reaquisição da espontaneidade para os pagamentos efetuados no decurso desse prazo, nos termos da Súmula CARF nº 75: "A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo." Fl. 600DF CARF MF 10 Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer como espontâneos os pagamentos efetuados às fls. 14/24. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908914/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. PAGAMENTO A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DO INDÉBITO.
A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente, calculada a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme artigo 39 da Lei nº 9.250/1995.
Numero da decisão: 1201-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 31/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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PAGAMENTO A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DO INDÉBITO. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente, calculada a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme artigo 39 da Lei nº 9.250/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 31/05/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 89 14 /2 01 1- 80 Fl. 128DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1140.221 (fls. 76/79), proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC em Sessão de 20/03/2013, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório de fl. 6, que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP constante dos autos do presente processo administrativo. Os fatos envolvidos foram assim relatados pela DRJ: 5. Conforme se verifica nos autos, o crédito informado pelo sujeito passivo referese ao IRPJ apurado em 31/12/2003, código 2430, tendo o pagamento ocorrido em 31/03/2004. O crédito original, de R$ 316.902,44, foi acrescido pela interessada de juros no percentual de 68,76%, resultando no crédito atualizado de R$ 534.804,56 6. A DRF/Recife reconheceu o crédito original, porém atualizou o com juros no percentual de 65,03%, o que importou no crédito total reconhecido de R$ 522.984,04. (...) 10. O equívoco da interessada, consoante se depreende do demonstrativo que elaborou (fls. 27/29), foi o de haver considerado o mês de janeiro de 2004 como termo inicial de fluência dos juros, quando o correto, nos termos da legislação transcrita, é o mês de abril de 2004, que é o mês seguinte àquele em que se deu o pagamento indevido ou a maior. Assim calculados, os juros somam o percentual de 65,03%, que foi o considerado no despacho decisório. Intimada da decisão de primeira instância em 22/04/2013 (fls. 82), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/05/2013 (fls.85), insistindo, num primeiro momento, no argumento invocado em sede de manifestação de inconformidade, segundo o qual teria sim aplicado corretamente a taxa Selic na correção do crédito que faz jus e, mais adiante, apresenta argumento até então estranho à lide, no sentido de que a diferença exigida deve ser exonerada pelo fato do pagamento que gerou o indébito ter sido feito com a incidência de juros. Tramitado o feito, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10480.908914/201180 Acórdão n.º 1201001.684 S1C2T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual deve ser apreciado. A presente discussão gira em torno acerca do percentual correto a título de atualização do crédito pleiteado pela Recorrente, e já reconhecido por meio de despacho decisório. A Recorrente insiste que a taxa correta é de 68,76% (percentual que leva em conta o período de janeiro de 2004 a junho de 2008), ao passo que a decisão considerou o percentual de 65,03%, por entender aplicável a taxa Selic do período de abril de 2004 a junho de 2008. De acordo com o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95: A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. A Instrução Normativa SRF nº 600/2005, vigente à época da transmissão da DCOMP, já dispunha que o termo inicial dos juros Selic, no caso de pagamento a maior ou indevido, corresponde ao mês subsequente ao do pagamento (cf. art. 52, §1º, III, “c”). Nesse caso concreto não há dúvidas de que o pagamento que gerou o crédito ocorreu em 31/03/2004. Tal informação foi confirmada tanto pela DRJ quanto pela Recorrente. Ora, se o pagamento indevido ou a maior ocorreu em 31/03/2004, o termo inicial para o acréscimo de juros Selic é o mês de abril de 2004, como acertadamente considerou o despacho decisório e a DRJ. É curioso notar, nesse contexto, que a própria Recorrente assume no recurso voluntário interposto que teria calculado os juros a partir de janeiro de 2004 (antes do próprio pagamento, portanto), como indica a planilha ali constante. Tal procedimento, conduto, não se sustenta diante das normas que regulamentam o termo inicial de juros sobre indébitos tributários, que determinam a aplicação de juros a partir do primeiro dia útil do mês subsequente ao do pagamento a maior ou indevido. Finalmente, no tocante a arguição de que a diferença exigida pela aplicação indevida da taxa Selic não poderia se sustentar diante do fato da Recorrente ter efetuado o pagamento que originou o indébito em 31/03/2003, com a incidência de juros, tratase de argumento que não se sustenta. Além de ser estranho à presente lide, é contraditório com as demais alegações constantes do próprio recurso, notadamente a afirmação de que teria aplicado a Selic a partir de janeiro de 2004, e não abril de 2004, como deveria). Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 130DF CARF MF 4 Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901976/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.
O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.638
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.901976/200802 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.638 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendoos como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 19 76 /2 00 8- 02 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10983.901976/200802 Acórdão n.º 3401003.638 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido de Compensação de crédito de contribuição para a COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento é uma consolidação das retenções na fonte relativas a quatro exações distintas (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), e que a DCOMP, ao incluir os dados relativos ao DARF, segregou o valor retido referente a cada uma destas exações; (ii) não se utilizou das retenções para deduzilas das contribuições devidas relativas aos períodosbase a que se referem, porque só percebeu que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinha efetuando tais retenções posteriormente; como já havia anteriormente adimplido as contribuições devidas relativas a estes períodosbase, só lhe restou a utilização daqueles valores retidos e não contemporaneamente deduzidos, para a compensação de débitos posteriores; (iii) está acobertado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual entende que o Despacho Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade, em especial que a retenção é uma forma de pagamento, e afirmou, ainda, nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida. Após encaminhamento e distribuição a este Conselho, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF para que a unidade local se pronunciasse acerca da existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10983.901976/200802 Acórdão n.º 3401003.638 S3C4T1 Fl. 4 3 A unidade, em resposta à diligência formulada, concluiu, em síntese, que verificouse a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de pagamento a maior no período de apuração analisado. O processo foi encaminhado a este Conselho, e resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401000.590 para conceder prazo para a contribuinte sanar a irregularidade na sua representação processual, bem como se manifestar acerca da resposta formulada em sede de diligência. A unidade realizou nova resposta à diligência, na qual informa ter constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 21.616,61(código 6147)1, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), ..., o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento, na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de amparo legal. Em manifestação sobre a diligência, a contribuinte apontou a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à COFINS retido na fonte, no montante mencionado, e mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como uma modalidade de pagamento indevido, adentra inadvertidamente a matéria de mérito em momento inoportuno. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.637 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.637): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10983.901976/200802 Acórdão n.º 3401003.638 S3C4T1 Fl. 5 4 A questão se resume (i) à comprovação, em primeiro lugar, da afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como do quantum retido e não utilizado, e (ii) à resposta à indagação, em segundo lugar, sobre se as retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior. Quanto à primeira questão, destacamse, da segunda diligência efetuada, os seguintes trechos: "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), consoante o documento de fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora. (...) Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verificase que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo ao PIS/PASEP retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica da Ficha 19a,/Linha 20 – Cálculo do PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB na data de 29/03/2007) – fls. 149" (seleção e grifos nossos). Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles relativos ao fato de não ter a contribuinte procedido à entrega de DCTF retificadora mencionado pela segunda diligência, possam ser plenamente superáveis caso se comprove a existência efetiva de valores recolhidos a maior, o que de todo modo foi feito por meio da diligência realizada, em conformidade com os trechos acima transcritos, restando, assim, comprovada a alegação de fato da contribuinte. Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocála, o que se discute no presente caso é se houve ou não o recolhimento a maior; neste sentido, descabe se aventar se o valor a ser restituído é proveniente da retenção, pois esta era devida: indevido foi o recolhimento por parte da contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido. Assim, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, acresce à fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal se sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP, sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e, de outro, nos termos do § 3º, é considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona que a contribuinte não observou a forma adequada para a realização da compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido, mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal inobservância, no entanto, merece ser superada uma vez constatada a existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10983.901976/200802 Acórdão n.º 3401003.638 S3C4T1 Fl. 6 5 Neste sentido, ademais, vem decidindo este Conselho, como no Acórdão CARF nº 3401002.805, proferido em sessão de 11/11/2014, de relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que julgou procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além do relator, os conselheiros Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixase desde já, com a finalidade de se evitar a prorrogação indefinida deste contencioso, que a correção monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim a partir do dies a quo do lapso do recolhimento sem a dedução realizado pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão CARF nº 3401002.120, proferido em sessão de 31/01/2013, por unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 20/08/2002 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção." Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10983.901976/200802 Acórdão n.º 3401003.638 S3C4T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 21.616,61, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720014/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE
De acordo com o decidido pelo STF no rito da repercussão geral (tema 327), a contribuição para o Sebrae (a) é tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas; (b) possui natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico; (c) não há necessidade de instituição por lei complementar e, portanto não há vício formal em sua instituição mediante lei ordinária; (d) é válida sua a cobrança independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO NOS CASOS DE FALTA DE PAGAMENTO OU RECOLHIMENTO, DE FALTA DE DECLARAÇÃO E NOS DE DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA.
A multa mínima aplicável aos casos de lançamento de ofício nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata é a de 75%, prevista art. 44, I, da Lei 9430, de 1996, por força do disposto no art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, acrescentado pela MP 449, de 2008 e convertida na Lei 11.941, de 2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROVA DE EMPRÉSTIMO
Comprovado o empréstimo, cancela-se o lançamento a título de pagamento de remuneração disfarçada.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES POSTERIORES À ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.941, DE 2009. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO.
Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições previdenciárias sem que seja reconhecida a presença de fraude ou de sonegação, serão aplicada multas de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
Numero da decisão: 2301-005.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER das questões que envolvem controle repressivo de constitucionalidade, REJEITAR AS PRELIMINARES e no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar a tributação relativa às contribuições previdenciárias que incidiram sobre R$35.000,00 a título de empréstimo a sócio, na competência 12/2010, (pagamento de remuneração disfarçada, Anexo I A, coluna EMPRÉSTIMOS A DIRETORES). Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Aparecida Coutinho Machado.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE De acordo com o decidido pelo STF no rito da repercussão geral (tema 327), a contribuição para o Sebrae (a) é tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas; (b) possui natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico; (c) não há necessidade de instituição por lei complementar e, portanto não há vício formal em sua instituição mediante lei ordinária; (d) é válida sua a cobrança independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO NOS CASOS DE FALTA DE PAGAMENTO OU RECOLHIMENTO, DE FALTA DE DECLARAÇÃO E NOS DE DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA. A multa mínima aplicável aos casos de lançamento de ofício nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata é a de 75%, prevista art. 44, I, da Lei 9430, de 1996, por força do disposto no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, acrescentado pela MP 449, de 2008 e convertida na Lei 11.941, de 2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 14 /2 01 4- 20 Fl. 12444DF CARF MF 2 A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROVA DE EMPRÉSTIMO Comprovado o empréstimo, cancelase o lançamento a título de pagamento de remuneração disfarçada. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES POSTERIORES À ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.941, DE 2009. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições previdenciárias sem que seja reconhecida a presença de fraude ou de sonegação, serão aplicada multas de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER das questões que envolvem controle repressivo de constitucionalidade, REJEITAR AS PRELIMINARES e no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar a tributação relativa às contribuições previdenciárias que incidiram sobre R$35.000,00 a título de empréstimo a sócio, na competência 12/2010, (“pagamento de remuneração disfarçada”, Anexo I – A, coluna EMPRÉSTIMOS A DIRETORES). Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Aparecida Coutinho Machado. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0263.413, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 12235 a 12247). O processo referese aos autos de infração Debcad 51.050.1451, 51.050.146 0 e 51.050.1478, nos quais foram lançados créditos tributários correspondentes, respectivamente, a: contribuição previdenciária patronal; contribuição previdenciária de ônus dos segurados e contribuições a outras entidades e fundos/terceiros. Os fatos geradores consistem em: (a) rubricas pagas a segurados empregados: (a.1) adiantamento para embarcação sem a devida comprovação de despesa ou gasto; (a.2) seguro de vida em grupo não Fl. 12445DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 3 3 disponível a todos os empregados e dirigentes e nem previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e (a.3) cesta básica fornecida a empregados na ausência de inscrição da autuada no PAT; (b) remuneração paga a contribuintes individuais trabalhadores autônomos; (c) rubricas pagas a dirigentes da empresa: (c.1) seguro de vida em grupo para a diretores e (c.2) empréstimo concedido ao diretor Gelso Luiz Laueri, não devolvido; (d) remuneração paga a contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos. Na parte da impugnação respeitante ao presente recurso voluntário, foi alegado, em síntese, que (louveme do relatório do acórdão recorrido): Não incidência sobre empréstimo Anexa cópia do cheque n° 291050 do Banco do Brasil, agencia 19984, prédatado para o dia 05/04/2014, alegando que tal documento comprovaria que a quantia de R$ 35.000,00 emprestada ao diretor Gelso Luiz Lauer, foi devolvida à empresa. Cita decisão do STJ no sentido de que o empréstimo não caracteriza remuneração porque retorna ao caixa da empresa. Inconstitucionalidade do ajuste do SAT para 5,0346% O FAP fixa alíquota de tributo, cuja instituição deve estrita observância ao principio da legalidade tributária, prescrito pelo art. 150, I da CF/88. No mesmo sentido, o art. 97 do CTN inclui no campo destinado à reserva de lei stircto sensu a fixação de alíquota de tributo e sua base de cálculo. O FAP, porém, tem fundamento em Resoluções do CNPS e em regulamento, mais especificamente no art. 202A do Decreto 3.048/99, introduzido pelo Decreto 6.957/09, em flagrante ofensa ao primado constitucional da legalidade em matéria tributária, tal qual prescrito pelo art. 150, I da CF/88 e pelo art. 97 do CTN, o que demonstra sua ilegalidade. Ademais, a inconstitucionalidade do art. 10 da Lei 10.666/03 é matéria discutida no bojo das Adi's 4.397 e 4.660, perante o STF e do Recurso Extraordinário n. 684.261, cuja repercussão geral foi reconhecida pelo STF. Conclui que a norma atacada (art. 10 da Lei 10.666/2003) ao confiar ao regulamento a elaboração de critérios que podem sujeitar o contribuinte ao recolhimento de tributo em valor até seis vezes maior, viola o art. 5°, II e art. 150, I, ambos da Constituição Federal, bem como os princípios da razoabilidade e eficiência. Fl. 12446DF CARF MF 4 Assim, a aplicação do art. 220A do Decreto 3.048/99 no presente caso deve ser afastada. Ilegalidade da retenção de 11% dos prestadores de serviços. Parte dos prestadores de serviços arrolados nos autos é optante pelo SIMPLES Nacional e estão desobrigados de realizar a retenção. Cita, neste sentido, a Sumula 425 do STJ. O contribuinte do tributo é o prestador dos serviços e não o tomador dos serviços. A contribuição previdenciária incide sobre a folha de pagamentos e não sobre valor de nota fiscal ou fatura na prestação de serviços. Logo, o contribuinte não é o sujeito passivo desse tributo e a base de cálculo não é aquela apurada pelo fisco. A autoridade lançadora constituiu o crédito tributário mediante aferição indireta dos documentos da empresa tomadora do serviço, sem considerar as informações do contribuinte do tributo, o prestador do serviço. Em casos assim, a solidariedade só surge após a constituição do crédito Duplicidade de lançamentos da remuneração paga a transportadores rodoviários autônomos Alega que o fisco deixou de considerar as demais remunerações recebidas pelos transportadores rodoviários autônomos na apuração do teto do salário de contribuição, violando a jurisprudência do STJ que transcreve. Acrescenta que fisco é detentor das informações e que, através do seu cadastro geral tem acesso às contribuições e benefícios previdenciários de todos os inscritos no RGPS. Ilegalidade da cobrança a outras entidades e fundos/terceiros. Devem ser excluídas as contribuições para o INCRA e para o SEBRAE porque a impugnante, não se incluindo no rol dos beneficiários dessas entidades, não se caracteriza como sujeito passivo das mesmas. O art. 240 da CF é claro ao dispor que a contribuição é destinada às entidades privadas de serviço social e formação profissional vinculados ao sistema sindical da categoria dos trabalhadores e das empresa a eles (empregados) relacionados. Transcreve decisão do STF, reconhecendo repercussão geral no RE 630.898RG. Possibilidade de redução da multa de ofício Alega que a multa de aplicada no percentual de 75% é excessiva e viola o art. 150, IV da Constituição Federal, que veda o confisco. Fl. 12447DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 4 5 Ainda em sede de impugnação, em face da matéria de fato, dos documentos juntados e dos Atos Declaratórios PGFN n°s 03 e 12 de 2011, em 15/092014 foi determinada diligência pronunciamento da autoridade lançadora sobre (efls. 11595 a 11598): os documentos juntados pela defesa para comprovar que os valores pagos a título de adiantamento a embarcadores se destinaram a indenizar despesas incorridas pelos funcionários; o documento juntado pela defesa para comprovar que o empréstimo ao diretor Gelso Luiz Lauer, foi devolvido à empresa. o enquadramento, ou não, do caso concreto às disposições do ato declaratório nº 03/2011, relativamente à rubrica “cesta básica”, informando se a rubrica a título de “cesta básica” foi fornecida in natura, em ticket alimentação/cartão alimentação ou em espécie; o enquadramento, ou não, do caso concreto às disposições do ato declaratório nº 12/2011, relativamente à rubrica “seguro de vida em grupo”, informando se havia, ou não, a individuação do valor que beneficiava cada um dos trabalhadores. Em resposta a diligência foi emitido o "Relatório de Procedimento Fiscal de Diligência" com as seguintes informações (efls. 11605 e 11606): a) (...) b) O documento juntado para comprovar a devolução do empréstimo pelo diretor Gelso Luiz Lauer, não pode ser acolhido porque se trata de cheque prédatado para 05/04/2014 e que acompanhou defesa protocolizada em 24/03/2014. Logo, as respectivas contribuições não devem ser excluídas. c) (...) d) (...) O contribuinte foi cientificado do resultado da diligencia e apresentou manifestação contrária alegando: (...) Empréstimo O cheque anexo, foi prédatado para 05/04/2010, que caiu num sábado, assim foi depositado e compensado apenas dia 08/04/2014. Logo, tal documento comprova o empréstimo firmado foi devolvido à empresa pelo diretor. (...). A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, no seguinte sentido: Fl. 12448DF CARF MF 6 Do exposto, voto pela procedência parcial da impugnação e manutenção parcial do lançamento fiscal, excluindose do processo: todas as contribuições previdenciárias correspondentes ao levantamento fiscal "R1 REM EMPREG NÃO DEC GFIP", exceto no que toca às contribuições previdenciárias que incidiram sobre R$ 35.000,00 a título de empréstimo a sócio, na competência 12/2010, que permanecem inalteradas; todas as contribuições previdenciárias correspondentes ao levantamento "R3 – CONTRIB INDIV PRO LABORE”. Permaneceram inalteradas todas as contribuições previdenciárias correspondentes aos levantamentos fiscais "R2 CONTRIB INDIV PREST SERVIÇOS" e "R4 REM TRASP ROD AUTÔNOMO". O acórdão recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. ALEGAÇÕES ESTRANHAS AO LANÇAMENTO FISCAL. Não se toma conhecimento de alegações estranhas à matéria do processo. PRAZO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova incumbe a quem alega, não tendo a impugnante trazido ao processo documentos que comprovassem a sua alegação de duplicidade de lançamentos. MULTA DE 20%. LIMITADA A DÉBITOS NÃO INCLUÍDOS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa no percentual de 20% somente se aplica a débitos não incluídos em lançamentos de ofício. SEGURO DE VIDA EM GRUPO E AUXILIO ALIMENTAÇÃO. RETIFICAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM FUNDAMENTO EM JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. É revisto de ofício o crédito tributário relativo a seguro de vida em grupo e auxilio alimentação, em razão de atos declaratórios Fl. 12449DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 5 7 do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. "ADIANTAMENTO A EMBARCADORES". REEMBOLSOS DE DESPESAS INCORRIDAS E COMPROVADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Comprovado que a rubrica paga a título de "adiantamento a embarcadores" corresponde a reembolso de despesas incorridas e comprovadas, resta evidenciada a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma. A ciência dessa decisão ocorreu em 10/02/2015 (efl. 12258). Em 06/03/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 12259 a 12288), sendo alegado, em síntese: (a) o decidido pela decisão recorrida de que "não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário" viola o direito constitucional do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, insculpidos nos incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal; (b) a inconstitucionalidade do ajuste do SAT para 5,0345%, efetivado pelo art. 10 da Lei 1066, de 2003, discutido nas ADI 4397 e 4660 e no RE 684261, este com repercussão geral conhecida; (c) a ilegalidade e a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária destinada aos terceiros conveniados; afirma que não está submetida nem ao recolhimento da contribuição ao Sebrae nem ao Incra, e que a matéria está sendo discutida no RE 630898, com repercussão geral conhecida; (d) a ilegalidade de incluir no lançamento o valor referente à retenção dos 11% dos prestadores de serviços, cuja responsabilidade é do contribuinte, e não sua; ademais, os que lhe prestam serviços são optantes do Simples Nacional, o que o desobriga de realizar a retenção das contribuições previdenciárias incidentes sobre a fatura ou nota fiscal; (e) que o empréstimo que realizou a diretor, o qual já restou devolvido, não é base de cálculo da contribuição previdenciária; (f) haver duplicidade de lançamento da remuneração para aos transportadores autônomos; (g) dever a multa de 75% ser reduzida a 20%; (h) a intimação 010/2015, baseada nas planilhas das fls. 12233 e 12234 não apresenta discriminadamente a base de cálculo excluída e a mantida, o que impossibilitou sua defesa; ademais, foi aplicada correção monetária à multa moratória, além da incidência dos encargos previstos no DecretoLei 1025, de 1969, o que vai de encontro à jurisprudência do STJ. Os pedidos consistem em que : Fl. 12450DF CARF MF 8 a) nos termos do permitido pela Súmula n.° 473 do Supremo Tribunal Federal, declararse a nulidade do lançamento azado no AI; b) alternativamente ao item anterior: b.l) que seja excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária o empréstimo concedido ao diretor, uma vez que a verba que não tem natureza jurídica salarial; b.2) que seja excluído o ajuste do FAP, que majorou o SAT para 5,0346%; b.3) que seja apurada a contribuição previdenciária relativa aos pagamentos dos prestadores de serviço a partir das informações da folha de pagamento daqueles contribuintes e não das faturas e notas fiscais emitidas para a Recorrente; b.4) que sejam deduzidos da contribuição previdenciária relativa aos transportadores rodoviários autônomos os recolhimentos realizados pelos demais tomadores de seus serviços; b.5) que seja excluída da autuação a contribuição previdenciária destinada ao SEBRAE e ao INCRA; b.6) se mantida a autuação, que o tributo supostamente devido seja apurado com a redução da multa de ofício, caso aplicada, ao limite de 20% (§ 2o do artigo 61 da Lei n° 9.430/96), bem como revistos os valores expressos nos DARFs de fls. 12.252 12.256. É o relatório. Em 12/06/2016, esta Turma deliberou, pela Resolução 2301000.619, a encaminhar os autos em nova diligência, nos seguintes termos: Para caracterizar o empréstimo, a recorrente juntou à sua impugnação, protocolizada em 24/03/2014 (efl. 5212) e novamente por ocasião do recurso voluntário (efl. 12290), cópia de cheque pósdatado para 05/04/2014, no valor de R$35.000,00, afirmando que esse foi compensado no dia 08/04/2014. Não há nos autos, confirmação de que tenha ocorrido a efetiva compensação do cheque em conta bancária da empresa, nem como esta operação, caso comprovada, tenha sido registrada na contabilidade da recorrente. Assim, tais fatos devem ser esclarecidos, por meio de diligência. Para tanto, a unidade preparadora deve informar: (a) se e quando o cheque foi depositado/compensado em conta bancária da recorrente; caso positivo, (b) qual foi o registro contábil correspondente na contabilidade da autuada e (c) se, em seu entender, resta descaracterizado, ou não, “o pagamento de remuneração disfarçada de empréstimo ao referido empregado”. A autoridade deverá explicitar as suas razões. Fl. 12451DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 6 9 Realizada a diligência, foi emitido a Informação Fiscal das efls. 12425 e 12426, que foi cientificada à recorrente em 14/10/2016 (efl. 12431). Sem manifestação da contendora, os autos foram remetidos ao CARF em 21/11/2016 (efl. 12437). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES DE LEIS TRIBUTÁRIAS O recorrente alega que o decidido pela decisão recorrida de que “não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário” viola o direito constitucional do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, insculpidos nos incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal; Não lhe assiste razão. Não constitui atentado ao devido processo legal, ao contraditório ou à ampla defesa o julgamento balizado pelas regras e normas que balizam o processo administrativo fiscal. Assim, ao decidir que “não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário” o acórdão recorrido concretizou o princípio constitucional republicano, especificadamente no respeitante à separação dos Poderes e preservou as competências constitucionais do Poder Judiciário, especialmente no que concerne ao controle repressivo de constitucionalidade, poder esse estranho aos órgãos do Poder Executivo No que tange especificadamente ao processo administrativo fiscal, tal faceta do princípio rebuplicano está plasmado tanto no Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, os quais são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 12452DF CARF MF 10 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, não restou caracterizado qualquer atentado ao devido processo legal, ao contraditório ou à ampla defesa no acórdão recorrido. Com base nos mesmos preceitos, neste voto não serão apreciadas as alegações de vícios de inconstitucionalidade: (a) do ajuste do SAT para 5,0345%, efetivado pelo art. 10 da Lei 1066, de 2003 e (b) das contribuições destinadas a terceiros (Sebrae e Incra). Apenas assevero que nenhuma das citadas ações que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal (STF) (ADI 4397, ADI 4660, RE 684261e RE 630898) amparam o direito do recorrente, a saber (pesquisa em 26/06/2017): ADI 4397 – sem decisão de mérito; ADI 4660 – no DJe212 (23/10/2015), restou publicada decisão que negou seguimento à ação direta de inconstitucionalidade (art. 21, § 1º, RISTF) e julgou prejudicado o pedido formulado pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro – CONSIF; em 02/12/2016, foi prolatada a seguinte decisão: “O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, negou provimento ao agravo regimental, vencido o Ministro Marco Aurélio, que o provia. Plenário, sessão virtual de 25.11 a 01.12.2016”; o acórdão foi publicada em 08/05/2017, com a seguinte ementa: Agravo regimental na ação direta de inconstitucionalidade. Associação heterogênea. Ilegitimidade ativa. Não preenchidos os requisitos do art. 103, IX, da CF/88. Jurisprudência da Corte. 1. A heterogeneidade da composição da autora, que admite serem suas associadas pessoas físicas de diversas categorias profissionais, empresas do setor da indústria e empresas do setor do comércio, conforme disposições estatutárias, faz com que ela Fl. 12453DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 7 11 não se enquadre como entidade de classe de âmbito nacional (art. 103, IX, da CF/88). Reconhecimento da ilegitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade. 2. Agravo regimental não provido. RE 684261 – após quatro votos por não conhecêlo em razão da ausência de preliminar de repercussão geral e quatro pelo seu conhecimento, foi, em 14/04/2015 substituído para julgamento de tema de repercussão geral pelo RE 677725, sem decisão de mérito; RE 677725 – reconhecida a repercussão geral, sem decisão de mérito; RE 630898 – reconhecida a repercussão geral, sem decisão de mérito. Das contribuições para o Sebrae e Incra O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) foi criado pela Lei 8.029, de 1990, a qual desligou o antigo Cebrae da Administração Pública e transformouo em serviço autônomo, sem qualquer vinculação com os outros já existentes. Possui personalidade jurídica de direito privado, distinta dos demais e tem como finalidade "planejar, coordenar e orientar programas técnicos, projetos e atividades de apoio às micro e pequenas empresas" (art. 9º da Lei nº 8.154/90); objetiva ministrar assistência à categoria produtiva específica, com características econômicofinanceiras peculiares; tem administração e patrimônio genuíno, diverso das demais entidades, pelo que necessita, para sua manutenção, de dotação orçamentária ou contribuição parafiscal, instituída pelo artigo 8º, da Lei nº 8029/90, nos seguintes termos: "Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Cebrae), mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) § 3° As contribuições relativas às entidades de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até três décimos por cento, com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. (Grifouse.) § 4° O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao Cebrae." DecretoLei n° 2.318, de 1986 Art 1º Mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), para o Serviço Social da Indústria (SESI) e para o Serviço Social do Comércio (SESC), ficam revogados: (...) Ao julgar o Recurso Extraordinário 96.266, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da contribuição destinada ao Sebrae: Fl. 12454DF CARF MF 12 "EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido." (Grifouse.) Nesse mesmo julgamento, decidiuse ser exigível a contribuição social destinada ao Sebrae de empresas que exercem atividade econômica, não sendo necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Nesse sentido: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. Esta colenda Corte, no julgamento do RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE configura contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo legítima a sua cobrança de empresa que exerce atividade econômica. Precedentes: RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso; RE 399.653AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; RE 404.919AgR, Rel. Min. Eros Grau; e RE 389.016 AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. (Grifouse.) Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 437.839 AgR, Rel. Min. Carlos Britto, Primeira Turma, DJ 18.11.2005, (Grifouse.) Fl. 12455DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 8 13 “EMENTA: Contribuição em favor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE: constitucionalidade reconhecida pelo plenário do STF, ao julgar o RE 396.266, Velloso, DJ 27.2.2004, quando se afastou a necessidade de lei complementar para a sua instituição e, ainda tendo em vista tratarse de contribuição social de intervenção no domínio econômico , entendeuse ser inexigível a vinculação direta do contribuinte ou a possibilidade de que ele se beneficie com a aplicação dos recursos por ela arrecadados, mas sim a observância dos princípios gerais da atividade econômica.” (RE 389.016AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ 13.8.2004,) (Grifouse.) Em 25/04/2013, o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE 635682 / RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), pelo qual entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. Além de ser vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, caput, do Ricarf), no julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem se reproduzidas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF (e pelo STJ) na sistemática da repercussão geral e dos recursos repetitivos (art. 62§ 2º do Ricarf), pelo que deve ser mantido o lançamento relativo à contribuição para o Sebrae. Em relação à contribuição destinada ao Incra, é alegada tão somente sua inconstitucionalidade, pelo que, como já abordado, a matéria não pode ser conhecida por este Carf por lhe faltar competência para tanto. DO VALOR REFERENTE À RETENÇÃO DOS 11% DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS Em síntese, o recorrente alega que: (a) a questão em tela é sobre a sua responsabilidade em recolher o tributo, uma vez que não o reteve; cita jurisprudência do STJ atinente à responsabilidade da fonte pagadora recolher imposto sobre a renda sobre rendimento sobre o qual não houve retenção pela fonte nem oferecimento do tributo pelo contribuinte; conclui que não tendo ocorrido a retenção, a responsabilidade é do contribuinte; Fl. 12456DF CARF MF 14 (b) os que lhe prestam serviços são optantes do Simples Nacional, o que o desobriga de realizar a retenção das contribuições previdenciárias incidentes sobre a fatura ou nota fiscal, de acordo com a Súmula 425 do STJ; (c) sendo o contribuinte o prestador de serviços, ele (recorrente) não é sujeito passivo do tributo; as contribuições previdenciárias incidem sobre o valor da folha de pagamento e não da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços; (d) o montante lançado, correspondente a 11% do valor da nota ou fatura é uma presunção fictícia criada para tributar, porquanto a base imponível é a folha de pagamento; tanto é assim, que o prestador dos serviços pode compensar os valores retidos quando for realizar, por si próprio, o pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre sua folha, a teor do art. 31 da Lei 8.212, de 1991, §§ 1º e 2º; (e) o crédito foi apurado por aferição indireta no tomador quando deveria ser apurado primeiro no prestador de serviços; (f) a solidariedade somente surge após a constituição do credito no devedor principal. Não lhe assiste razão. Todas as questões trazidas pela recorrente neste quesito são pertinentes à retenção dos 11% incidentes sobre a nota fiscal de prestação de serviço de pessoa jurídica instituída pelo art. 23 da Lei 9.711, de 1998, inclusive no tangente aos optantes pelo Simples. Reproduzo a sua base legal: Art. 23. Os arts. 6º, 17, 19, 21, 22, 28, 31, 37, 38, 47 e 49 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passam a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33.” Porém, o lançamento não trata da referida exação, mas, diferentemente, da retenção dos 11% dos serviços prestados por contribuintes individuais à empresa, instituída pelo art. 4º da Lei 10.666/2003: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). Fl. 12457DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 9 15 Desse modo, a matéria em questão foi lançada no “Levantamento R2 “Remunerações – segurados contribuintes individuais não declarada em GFIP”; assim descritas no relatório fiscal (efl. 133): 3.2 De exame dos documentos e informações prestados pelo sujeito passivo, (...) foi constatado que o mesmo deixou de declarar fatos geradores, bem como deixou de recolher aos cofres públicos valores relativos à contribuição previdenciária, no que se refere à parte da empresa, alíquota de 20%, incidente sobre as remunerações pagas ou devidas aos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos) que lhe prestaram serviços no período fiscalizado, bem como aquelas contribuições a cargo dos segurados (não descontadas) pela empresa . 3.2.1 Imperioso realçar que, de acordo com o Art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91, a base de cálculo da contribuição da empresa para a Previdência Social é o valor total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Já a contribuição dos segurados é calculada mediante a aplicação da alíquota de 11% sobre a referida base de cálculo, respeitando o limite do seu saláriodecontribuição mensal. (Grifouse.) Ou seja, nesse tópico foram lançadas: (a) a parte da empresa incidente sobre as remunerações pagas ou devidas aos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos) que lhe prestaram serviços (alíquota de 20%) e (b) as contribuições a cargo dos segurados (alíquota de 11%) Verifiquese nos fundamento legais do débito (efl. 83): 114 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUICOES DESCONTADAS PELA EMPRESA/COOPERATIVA DE TRABALHO 114.01 Competências : 01/2010 a 12/2010 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 12, V, art. 21, art. 28, III, art. 30, I, "b" ,parágrafo 2., com redação da Lei n. 9.876, de 26.11.99 e alterações da MP 447, de 14.11.2008, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009, e parágrafos 4. e 5., com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.876, de 26.11.99 c/c art. 4.,¨caput¨ e paragrafo 1. da Lei n. 10.666, de 08.05.2003, alterados pela Lei n. 11.933, de 28.04.2009. Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., V, art. 199, art. 214, III, parágrafos 3. e 5., art. 216, I, paragrafos 20, 21, 23, 26 a 31 , com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03 e alteração do Decreto n. 6.722, de 30.12.2008. Como se refere Ivan Kertzman (in Curso Prático de Direito Previdenciário. Salvador: Editora Juspodivm, 8ª ed., pp. 230 e 231): Fl. 12458DF CARF MF 16 Não devemos confundir a retenção dos 11% incidentes sobre a nota fiscal de prestação de serviço de pessoa jurídica instituída pela Lei 9.711/98, ora estudada, com a retenção dos 11% dos serviços prestados por contribuintes individuais à empresa, instituída pela Lei 10.666/2003, mencionada pelo capítulo IV. Tratase de institutos com finalidades completamente distintas;. A retenção do prestador de serviço pessoa jurídica foi instituída com o objetivo de se evitar a inadimplência, bastante rotineira neste ramo de atividade.(...) (...) Já a retenção de 11% dos serviços prestados por contribuintes individuais objetivou a inclusão de diversos segurados no sistema previdenciário. Antes da obrigatoriedade da retenção, poucos contribuintes individuais pagavam à Previdência Social, preferindo utilizar seus recursos noutros gastos que considerassem prioritários (...) (Grifouse.) Desse modo, está correto o acórdão recorrido quando se refere que o contribuinte trata de matéria estranha ao lançamento e assumo como minhas suas palavras: Notese que no Auto de Infração analisado não há qualquer lançamento com fulcro no art. 31 da Lei 8.212/91, não há cobrança da retenção de 11% sobre valores de notas fiscais de serviços, não se apurou a contribuição por aferição indireta e nem se está exigido tributo por solidariedade Porém, em nome do contraditório e da ampla defesa, continuo na análise dos argumentos da recorrente. No respeitante à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre as remunerações pagas ou devidas aos segurados contribuintes individuais, a hipótese de incidência está expressa na Lei 8.2112, art. 22, III: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). A responsabilidade da empresa pela retenção da parcela do contribuinte individual está expressa no art. 30, I, “b” da Lei 8.212, de 1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: (...) b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Fl. 12459DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 10 17 Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Grifouse.) A alíquota de 11% a ser arrecadada pela empresa em face da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, está prevista no Decreto 3.048, de 1999: Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) § 26. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. Repiso que o art. 31 da Lei 8.212, de 1991, citado pelo recorrente, sendo concernente à tributação de “empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra” é absolutamente estranho à matéria lançada. Tampouco são aplicáveis a qualquer dos casos as normas respeitantes ao imposto sobre a renda, que também lhe são específicas. A seu turno, é inaplicável ao caso a Súmula 425 do Superior Tribunal de Justiça, pela qual a “retenção da contribuição para a seguridade social pelo tomador do serviço não se aplica às empresas optantes pelo Simples”. Ora, a súmula é dirigida a “empresas” e não a “contribuintes individuais” (registro que nem a recorrente é optante pelo Simples). Do empréstimo a diretores No que tange ao empréstimo a diretores, o valor lançado corresponde ao que foi contabilizado na conta “empréstimos a terceiros [Gelso Luiz Lauer] 52.5, cujo saldo Fl. 12460DF CARF MF 18 inicial em 01/01/2010 e final em 31/12/2010 montava em R$ 35.000,00”. Tal valor foi considerado base de cálculo de contribuições previdenciárias tendo em vista que, em resposta à intimação fiscal n° 005, a autuada informou que o referido empréstimo ainda não havia sido devolvido por seu Diretor de Transportes, caracterizando o pagamento de remuneração disfarçada de empréstimo ao referido empregado. Para caracterizar o empréstimo, buscou a recorrente comprovar que o valor original lhe foi devolvido após a autuação procedida em fevereiro de 2014; assim, juntou à sua defesa, protocolizada em 24/03/2014, cópia de cheque pósdatado para 05/04/2014, afirmando que foi devidamente compensado no dia 08/04/2014. Como resultado da diligência determinada pela Resolução 2301000.619, a autoridade autuante registrou no Relatório Fiscal item 7 (efl. 12426) que: 7.. Ao nosso entender, restou descaracterizado o “pagamento de remuneração disfarçada” em vista das provas apresentadas pelo sujeito passivo do empréstimo concedido ao empregado Gelso Luís Lauer, em 09/04/2014. (Grifouse.) Analisando as provas carreadas aos autos, também entendo descaracterizado o “pagamento de remuneração disfarçada”, pelo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário neste quesito. DA DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO DA REMUNERAÇÃO DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS A recorrente alega existir duplicidade de lançamento da remuneração paga aos transportadores autônomos; afirma que o Fisco é detentor das informações, e deveria ter apresentado os dados pertinentes e calcular a contribuição previdenciária a cargo do segurado autônomo considerando toda a remuneração recebida no mês, pelos diferentes tomadores de serviços, para então promover o cálculo da contribuição previdenciária, levando em conta o limite do saláriocontribuição do período. Não lhe assiste razão. Suas alegações da recorrente são genéricas e desprovidas de provas; não há, sequer, a discriminação de um único exemplo a amparar sua tese de que os fatos descritos teriam ocorrido. Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, segundo o disposto no art. 36 da Lei 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Fl. 12461DF CARF MF Processo nº 14098.720014/201420 Acórdão n.º 2301005.065 S2C3T1 Fl. 11 19 DA REDUÇÃO DA MULTA A 20% Alegando ser exorbitante a multa de ofício no percentual de 75%, a recorrente pede sua exclusão ou sua redução ao limite de 20%. Não lhe assiste razão. A multa mínima aplicável aos casos de lançamento de ofício nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata é a de 75%, prevista art. 44, I, da Lei 9430, de 1996, por força do disposto no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, acrescentado pela MP 449, de 2008 e convertida na Lei 11.941, de 2009: Lei 8.212, de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício), serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)(grifo nosso) Já tendo sido aplicada a menor multa prevista para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, é de se negar provimento ao seu pleito. DA INTIMAÇÃO 010/2015, BASEADA NAS PLANILHAS DAS FLS. 12233 E 12234 A recorrente alega que a intimação 010/2015, baseada nas planilhas das fls. 12233 e 12234 não apresenta discriminadamente a base de cálculo excluída e a mantida, o que impossibilitou sua defesa; ademais, foi aplicada correção monetária à multa moratória, além da incidência dos encargos previstos no DecretoLei 1025, de 1969, o que vai de encontro à jurisprudência do STJ. Não lhe assiste razão. O contribuinte foi intimado, conjuntamente com o acórdão de impugnação, das planilhas das efls. 12249 a 12251, as quais discriminam as bases de cálculo mantidas, possibilitando sua defesa, que está exercendo neste momento processual. Quanto a estar lhe sendo exigida correção monetária sobre a multa moratória, sua alegação não é sustentada nem pelas planilhas das efls. 12233 e 12234, nem pelas planilhas das efls. 12249 a 12251, nem pelo extrato do processo das efls. 12291 a 12303. Ademais, não é explicitado como a recorrente chegou a esta conclusão. Assim, deve ser desprovido seu recurso, nesta questão. Fl. 12462DF CARF MF 20 Voto, portanto, por NÃO CONHECER DAS QUESTÕES QUE ENVOLVEM CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE, REJEITAR AS PRELIMINARES e no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar a tributação relativa às contribuições previdenciárias que incidiram sobre R$ 35.000,00 a título de empréstimo a sócio, na competência 12/2010, (“pagamento de remuneração disfarçada”, Anexo I – A, coluna EMPRÉSTIMOS A DIRETORES). (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 12463DF CARF MF
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