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Numero do processo: 15586.721161/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 11 61 /2 01 2- 16 Fl. 455DF CARF MF Processo nº 15586.721161/201216 Acórdão n.º 2202003.649 S2C2T2 Fl. 456 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 425, complementandoo ao final: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios 2009 (ano calendário 2008) e 2010 (ano calendário 2009), por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Vitória (ES). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto (Cód. 2904) 31.186,76 Juros de Mora (cálculo até 12/2012) 9.587,89 Multa Proporcional (passível de redução) 23.390,07 Valor do Crédito Tributário Apurado 64.164,72 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O contribuinte classificou indevidamente como isentos, na Declaração de Ajuste Anual, rendimentos que não atendem aos pressupostos legais exigidos para a isenção por moléstia grave, acidente em serviço ou moléstia profissional, conforme relatório fiscal em anexo. Valor: R$ 166.283,79. Multa de Ofício: 75%. (...) A fiscalização decorreu da revisão promovida pelo Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo – IPAJM, sobre o reconhecimento do direito de isenção de imposto de renda de aposentadorias e pensionistas. O contribuinte teve o seu direito ao benefício de isenção rejeitado por meio de laudo atualizado emitido pela junta médica pericial do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo – IPAJM. O Laudo Pericial, emitido em 15/12/2011, concluiu que a doença que acomete o contribuinte não se enquadra na relação das moléstias graves constantes do inciso XIV, art. 6ª da Lei nº 7.713/88 e suas alterações posteriores. Como o contribuinte informou nas Declarações de Ajuste Anual dos anos calendários 2008 e 2009 todo seu rendimento como isento e não tributável, foi apurada a infração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15586.721161/201216 Acórdão n.º 2202003.649 S2C2T2 Fl. 457 3 Além disso, foram também efetuadas glosas de deduções com dependentes, despesas com instrução e com médicos, que foram consideradas improcedentes pela DRJ, por falta da correta descrição dos fatos e enquadramento legal no Auto de Infração. Ao analisar a questão, o julgador de 1ª instância, em resumo, assim dispôs: a) o Auto de Infração está eivado de nulidade em relação às glosas de despesas, por descumprir a obrigatoriedade de observância de requisito essencial a sua validade e eficácia. b) Em relação à isenção pleiteada por ser portador de moléstia grave, no que tange à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, o documento de fl. 209 informa que o contribuinte é um segurado inativo do IPAJM. Com relação à condição do atestado médico, o Laudo Médico Pericial de fl. 06, datado de 15/12/2011 e emitido por uma junta médica composta por 03(três) médicos, atesta que a doença do contribuinte não se enquadra na relação de moléstias graves constantes do inciso XIV, art. 6º da Lei nº 7.713/88. Não há que se falar em revogação de isenção com efeito retroativo, tendo em vista a inexistência de Laudo Médico Pericial atestando que o contribuinte era portador de moléstia grave e, com efeito, tinha direito à isenção do imposto de renda no período autuado. Cientificado dessa decisão em 19/08/2013 (fl. 439), o contribuinte interessado apresentou Recurso voluntário em 26/08/2013 (protocolo na folha 441). Em sede de recurso, em síntese, aduz que: a) reportandose ao processo administrativo junto ao IPAJM (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo), está certificado o deferimento da isenção de imposto de renda através de laudo pericial, datado de 11/11/2002. Não pode ser afastada a isenção, em razão da ausência de laudo médico oficial. b) após a concessão da isenção, o recorrente foi novamente submetido a perícia médica, em 2011, que constatou então a ausência de sintomas da doença. Invoca o princípio da segurança jurídica. c) fala da multa de 75% e de confisco. REQUER que seja provido seu recurso, reconhecendose seu direito à isenção até 04/10/2011. Alternativamente, requer o cancelamento da multa aplicada ou sua graduação "de acordo com a jurisprudência pátria". É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15586.721161/201216 Acórdão n.º 2202003.649 S2C2T2 Fl. 458 4 A lide que chega a esta instância recursal é parcial, referente apenas à reclassificação de rendimentos declarados como isentos em decorrência do contribuinte entenderse portador de moléstia grave e com direito à isenção relativa. A questão da glosa de despesas dedutíveis na DIRPF já foi provida e resolvida em 1ª instância. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. A isenção, portanto, passa a ser reconhecida a partir da existência cumulativa desses dois requisitos. A DRJ já reconhecera o preenchimento da condição de serem os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão e seu complemento, conforme relatado, à vista do "documento de fl. 209 que informa que o contribuinte é um segurado inativo do IPAJM". A controvérsia reside, então, na questão do laudo. A fiscalização teve origem em "revisão promovida pelo IPAJM sobre o reconhecimento do direito de isenção de imposto de renda de aposentados e Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15586.721161/201216 Acórdão n.º 2202003.649 S2C2T2 Fl. 459 5 pensionistas..."(destaquei), como se observa no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, nas fls. 59/60. Ora, a leitura desse relatório deixa claro que se procedeu a revisões e reconsiderações de laudos que haviam expressado a existência de moléstias concessivas de isenção de imposto de renda. transcrevo: O fiscalizado foi um dos contribuintes que tiveram o direito ao benefício rejeitado por meio de laudo atualizado, elaborado pela junta médica pericial do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo – IPAJM. O contribuinte empreendeu grande esforço para demonstrar que o Laudo de 2011 revia sua condição de isento do imposto, reconhecida em outro Laudo, de 2002, anexando vários documentos do processo administrativo, junto ao Instituto estadual. Na folha 209, temos que o IPAJM em 15/12/2011, "constatou que o mencionado segurado não é portador de moléstia grave especificada na Lei 7.713/88...". Essa constatação foi confirmada em 2012, por outra manifestação médica. Entretanto, na folha 211, outra manifestação diz que "em 29/08/2002 foi avaliado pela então médico perito, onde foi constatado que era portador de moléstia crônica e não grave"..."Verificamos que o subgerente da perícia médica interpretou que o despacho exarado enquadrava o segurado como portador de moléstia grave, o qual foi acolhido e deferido pelo Secretário de Estado..." Nos documentos que se seguem, o IPAJM reconhece que houve erros e que o servidor deveria ter sido submetido a perícias regulares (fl. 213), mas que a "isenção concedida surtirá efeito até quando da emissão de novo laudo". O Gerente Jurídico Previdenciário do Instituto, na folha 216, "orienta pela possibilidade de se emitir declaração, esclarecendo que o segurado foi isento do imposto de renda, especificando a data inicial e o período, nos termos propostos na consulta técnica." Seguindo a orientação, na fl. 219, a Gerente de Perícia Médica e Social sugere à diretoria que "a suspensão da isenção do Imposto de Renda do segurado em questão surta efeitos a partir da data da emissão do Laudo Médico Pericial, ou seja, a partir de 15/12/2011." Nas folhas 220 e seguintes existem outros documentos que levam a firmar a convicção de que o contribuinte passou por uma perícia médica, que houve uma "interpretação equivocada" por parte da gerência, que acabou por reconhecerlhe como portador de moléstia grave e isento do imposto de renda, no bojo de processo administrativo. Ora, enfim o contribuinte foi reconhecido como portador de moléstia grave por perito oficial. Se esse perito errou na interpretação do laudo, o recorrente não pode sofrer efeitos desse erro. Reconheceu ainda o Instituto que houve inércia em não realizar revisões periódicas. Somente em 2011, foram realizadas revisões com a submissão a novas perícias, onde então se constatou a inexistência de sintomas da moléstia. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15586.721161/201216 Acórdão n.º 2202003.649 S2C2T2 Fl. 460 6 Entendo que no período compreendido entre o processo administrativo original e o laudo de revisão, em 2011, o contribuinte foi reconhecido, ainda que equivocadamente, como portador de moléstia grave por serviço médico oficial do Estado e, portanto, a exigência fiscal que repousa em fatos ocorridos nos anos de 2008 e 2009 é indevida. Discordo da DRJ quando afirmou que "não há que se falar em revogação da isenção com efeito retroativo tendo em vista a inexistência de Laudo Médico Pericial atestando que o contribuinte era portador de moléstia grave..." Não há laudo porque "não foi encontrado", mas no próprio trecho que o Julgador recorrido copiou na fl. 431, e do qual ateve se apenas à primeira parte, observo que: Verificamos também, que o Subgerente da Perícia Médica à época, interpretou que o despacho exarado pelo mencionado perito enquadrava o segurado como portador de moléstia grave, o qual foi acolhido e deferido pelo Secretário de Estado da Administração dos Recursos Humanos e de Previdência/SEARP, fls. 26. Pelo exposto, S.M.J, entendemos que a concessão da citada isenção deuse somente através do presente processo, fls. 25 e 26.(destaquei) Face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal em debate. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720819/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja comprovada, mediante a apresentação de documentos e/ou laudo oficial, a data de início da moléstia grave do recorrente.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 69 1 68 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720819/201547 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.541 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de janeiro de 2017 Assunto Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente JORGE SOUZA E SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja comprovada, mediante a apresentação de documentos e/ou laudo oficial, a data de início da moléstia grave do recorrente. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 20 81 9/ 20 15 -4 7 Fl. 69DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 70 ___________ Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n° 0439.523, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CGE (fls. 34/35), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DE APOSENTADOS OU PENSIONISTAS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. Para que haja o reconhecimento de isenção do imposto de renda de aposentados ou pensionistas portadores de moléstia grave, é indispensável a comprovação da moléstia grave através de laudo médico pericial emitido por órgão oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou municípios, além da comprovação da condição de aposentado ou pensionista, por expressa determinação legal. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 02/02/2015, que constituiu o crédito tributário em R$ 15.515,00, pela omissão de rendimentos por suposta isenção tributária indevidamente declarada, sob o seguinte fundamento: O contribuinte foi cientificado das autuações e apresentou impugnação ao lançamento em 23/02/2015 (fls. 2/3). No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente o lançamento, sendo proferido o Acórdão n° 0439.523 (fls. 34/35), cuja ementa está reproduzida acima. Intimado do acórdão da DRJ/CGE em 09/06/2015, terçafeira (AR fl. 40), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 42/53 em 19/06/2015, alegando, em síntese: a) Que sejam apreciadas as informações trazidas nos documentos apresentados no recurso, com fundamento no princípio da verdade material; b) Que o recorrente é aposentado e sofre de moléstia grave, devendo ser considerado isento, nos termos do art. 6°, XIV da Lei 7.713/1998; c) Que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente de julgamento. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.541 S2C4T1 Fl. 71 3 É o relatório Voto Juízo de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega ser isento do Imposto de Renda Pessoa Física por atender aos dois requisitos cumulativos necessários, quais sejam ter como rendimento aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Conforme extraise do art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713, os proventos recebidos de aposentadoria por portadores de moléstia grave devem ser isentos do tributo ora discutido, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: a) Relatório Médico do CEHON Centro de Hematologia e Oncologia, assinado pelo Dr. Rogério Medrado (CRM 9886), coloproctologista, informando que o Sr. Jorge Souza e Silva foi submetido à cirurgia no dia 16/07/2012 e que encontrase em tratamento quimioterápico, datado de 13/11/2012 (fl. 4); b) Relatório Médico do CEHON Centro de Hematologia e Oncologia, assinado pela Dra. Lorena Augusta de Alcantara S. Sampaio (CRM 12823), informando que o Sr. Jorge Souza e Silva é portador do cid C18 (carcinoma de colon) e foi submetido à tratamento quimioterápico, datado de 06/02/2014 (fl. 5); c) Portaria nº. 184 de 14 de fevereiro de 2013, da Superintendência de Previdência do Governo da Bahia, deferindo o pedido de isenção do imposto de renda do Sr. Jorge Souza e Silva (fl. 8); Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.541 S2C4T1 Fl. 72 4 d) Cópia do laudo médico pericial n° 032/2013, emitido pela Junta Médica do Estado da Bahia, declarando ser o contribuinte portador de neoplasia maligna (fl. 58), datado de 11/01/2013; e) Cópia do laudo médico pericial n° 273/2015, emitido pela Junta Médica do Estado da Bahia, declarando ser o contribuinte portador de neoplasia maligna (fl. 59), datado de 24/04/2015; f) Cópia da Portaria n° 75/2005 do Departamento de InfraEstrutura de Transporte Bahia, aposentando Jorge Souza e Silva (fl. 60); g) Cópia do Processo n° 2511/2008 do TCE da Bahia, julgando Jorge Souza e Silva aposentado (fl. 61); h) Cópia da publicação no Diário Oficial da Bahia de 06/05/2005 da Portaria 75/2005 (fl. 62); i) Cópia da publicação da Portaria n° 478/2008, que aposentou Jorge Souza e Silva (fl. 63). Assim, pelos documentos firmados pela Junta Médica do Estado da Bahia, bem como por toda a documentação acostada aos autos e analisada de forma conjunta, verificase que o contribuinte é portador neoplasia maligna, sem, contudo, ser possível afirmar precisamente a data em que contraída a doença. Cumulativamente foram juntadas cópias das Portarias que aposentaram o recorrente, ficando devidamente demonstrado ser o contribuinte beneficiário da isenção do IRPF, por atender a todos os requisitos necessários, ainda que este último não tenha sido objeto de contestação pela autoridade fiscal. Isto posto, em busca da verdade material e para oportunizar o maior grau de certeza a esses julgadores na análise do presente processo, decidese por converter o julgamento em diligência para o fim de que seja o Sr. Jorge Souza e Silva intimado a fim de apresentar outros e/ou novos documentos que atestem a data em que este contraiu (ou descobriu ser portador) a moléstia grave comprovada pelos documentos já existentes no presente processo administrativo. Carlos Alexandre Tortato Relator Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900016/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/12/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.557
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/12/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 16 /2 01 2- 23 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.783. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900016/201223 Acórdão n.º 3302003.557 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901698/2009-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120200.667, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 98 /2 00 9- 83 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 9101002.624 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 9101002.624 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10280.901698/200983 Acórdão n.º 9101002.624 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720250/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO.
A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes.
Numero da decisão: 2202-003.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente
Assinado digitalmente
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ. Considera-se preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
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ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ. Considerase preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 50 /2 01 2- 26 Fl. 890DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Em ação fiscal efetivada junto ao Município de Atibaia foram apuradas diferenças de contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2008 a 12/2008, pois o Órgão Público Municipal realizou os recolhimentos desta exação à alíquota de 1% enquanto o percentual devido seria de 2%. Foi constituído o crédito tributário por meio do Auto de Infração Debcad nº 37.297.9572, no valor total de R$ 1.134.172,80, aí incluídos principal, multa de ofício e juros de mora, consolidados em 14/05/2012. O contribuinte apresentou impugnação alegando que a maior parte de seus servidores atua na área de educação, que passa a ser a atividade preponderante que desenvolve de modo que o enquadramento no grau de risco deve se dar na CNAE correspondente ao ensino fundamental, alíquota de 1% e não no correspondente à administração pública em geral, de 2%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação Acórdão nº 0539.423 7ª Turma da DRJ/CPS, de 22/11/2012 (fls. 114/119), cuja ementa é a seguinte: ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. DETERMINAÇÃO COM BASE NO CNAE. Nos termos do parágrafo terceiro e inciso II do artigo 22 da Lei 8.212/1991 e do artigo 202 do Decreto 3.048/1999, a determinação da alíquota da contribuição para financiamento dos acidentes do trabalho e dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é determinada pela atividade preponderante do Contribuinte, composta pela Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V do Decreto 3.048/1999. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão da DRJ em 17/12/2012, conforme A.R. de fls. 122 e, inconformado, apresentou Recurso Voluntário em 07/01/2013 (fls. 123/127), combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i)SAT/RAT Órgãos Público enquadramento no grau de risco Súmula 351 STJ A legislação federal determina que o grau de risco será determinado pela atividade preponderante da empresa e não pela atividade registrada como CNAE principal. Este inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça que se fixou no sentido de que a alíquota de contribuição para o Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19311.720250/201226 Acórdão n.º 2202003.618 S2C2T2 Fl. 891 3 Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro (Súmula n. 351 do STJ). Com o amparo nas decisões do STJ, a contribuição relativa ao SAT deve considerar a atividade econômica que detém o maior número de empregados. (ii) A área educacional constitui a atividade preponderante No caso da Administração Pública Municipal a alíquota do SAT deve ser considerada em decorrência da atividade econômica que tem o maior número de servidores públicos e não a CNAE "Administração Pública em Geral". É fato notório que as Prefeituras tem a maior parte de seus servidores na área da educação, e também nas áreas administrativas, que passam a ser as atividades preponderantes que desenvolvem. Inclusive, isto é o que ocorre com a Recorrente, que possui 880 (oitocentos e oitenta) servidores somente na área da Educação, dos seus 1925 (hum mil novecentos e vinte e cinco) servidores públicos. Deste modo, o SAT não pode ser calculado pela alíquota de 2% CNAE "Administração Pública em Geral", mas deve ser calculado pela alíquota de 1% que é relativa ao CNAE "Ensino Fundamental", de acordo com o Anexo V, do Decreto n° 6.957/09. Já foram anexados aos autos, em sede de Impugnação, a relação dos servidores da Prefeitura da Estância de Atibaia, bem como a relação dos gastos para com os mesmos, discriminando de forma específica os servidores por área que ocupam que ora ratifica e que requer que deste faça parte. O processo foi então encaminhado ao CARF e distribuído para relatoria do Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Conselheiro da 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento. Da Diligência Em sessão realizada em 18/02/2014, por meio da Resolução nº 2403000.227 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária (fls. 139/147) foi solicitada diligência à unidade da RFB de jurisdição do recorrente, para que prestasse informações respondendo a questões formuladas. Foi então emitido o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 877/880, atendendo as questões com as seguintes respostas: (i) por estabelecimento do sujeito passivo, individualizado por CNPJ, qual a atividade preponderante e qual o grau de risco associado em cada competência objeto do lançamento fiscal, qual seja, de 01/2008 a 12/2008; Fl. 892DF CARF MF 4 Resposta: O órgão público possui apenas um estabelecimento, individualizado pelo CNPJ 45.279.635/000108, onde estão alocados todos os segurados considerados no período do lançamento fiscal, de 01/2008 a 12/2008. (ii) se o resultado do item (i) altera o lançamento fiscal efetuado e em que medida; Resposta: O resultado não altera o lançamento fiscal efetuado. (iii) considerandose o resultado do item (i), em cada competência objeto do lançamento fiscal, qual seja, de 01/2008 a 12/2008, qual o valor devido pelo sujeito passivo em relação à obrigação principal. Resposta: O valor originário devido permanece inalterado e encontra se discriminado por competência no auto de infração DEBCAD 37.297.9572 (fls. de 03 a 08), cuja ciência do contribuinte ocorreu em 28/05/2012. O mencionado auto de infração faz parte integrante do Processo Administrativo COMPROT nº 19311.720250/201226. Tal valor deverá ser atualizado na data do pagamento, nos termos da legislação em vigor. (iv) no caso de existência de um único CNPJ individualizado para o sujeito passivo, ou seja, não houve a individualização de estabelecimentos com distintos CNPJ, qual seria a atividade preponderante em cada competência. Resposta: Sim, existe um único CNPJ individualizado para o sujeito passivo. A atividade preponderante é a de administração pública em todo o período tendo em vista que o maior número de funcionários encontrase nesta atividade, não se confirmando, como alegado, que o ensino fundamental seja a atividade preponderante desta prefeitura. Para apuração da atividade preponderante foram consideradas as atividades exercidas pelos segurados empregados da prefeitura conforme dados informados pelo próprio contribuinte nas planilhas anexas a este relatório, documentos de fls.175 a 876. Na diligência realizada a prefeitura apresentou planilhas mensais contendo as seguintes informações sobre os seus funcionários: Nome, Cargo e Local. Para melhor visualização foi inserida mais uma coluna, CNAE/Divisão, correspondente a atividade econômica exercida pelos segurados, em conformidade com a estrutura dada pela Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19311.720250/201226 Acórdão n.º 2202003.618 S2C2T2 Fl. 892 5 Comissão Nacional de Classificação – CONCLA, contendo as seguintes Divisões do CNAE: 84 (administração), 85 (educação), 86 (saúde), 91 (cultural) e 93 (esportes), telas do sistema informatizado do CONCLA anexas às fls. 166 a 174. Segue abaixo o quadro mensal do número total de segurados por divisão do CNAE: (...) Portanto, a atividade preponderante em todo o período do lançamento, de 01/2008 a 12/2008, é Administração Pública Direta, cuja Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 de 06/05/99, e inclusive utilizado pelo próprio contribuinte no seu auto enquadramento, é a 84116/00, “Administração Pública em Geral”. O grau de risco associado a atividade preponderante, CNAE 84116/00, está enquadrado no grau de risco médio, alíquota de 2%, em todo o período do lançamento, ou seja, de 01/2008 a 12/2008. Cientificado do resultado da diligência em 08/04/2015, AR de fls. 884, o sujeito passivo não se pronunciou. O processo foi encaminhado para esta 2ª TO, da 2ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento do CARF, em função da transferência do Conselheiro Relator para esse Colegiado. Submetido a nova distribuição devido à extinção do Mandato do Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, veio então para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo é o estabelecimento do correto percentual de grau de risco em função da atividade preponderante do contribuinte, já que se utiliza de registro único no CNPJ. Conforme exposto pelo recorrente, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que a alíquota da contribuição para o SAT/GILRAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. O enunciado da Súmula nº 351 do STJ assim dispõe: Fl. 894DF CARF MF 6 A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. O enquadramento no correspondente grau de risco será feito pela atividade econômica da empresa em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades EconômicasCNAE. A empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica simulará o enquadramento em cada atividade, definindo como preponderante aquela que ocupe o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes. As atividades econômicas das empresas e o respectivo grau de risco compõem a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, (conforme a CNAE) Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, vigendo, à época dos fatos em análise, com a redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007. A Instrução Normativa RFB nº 1.453/2014 alterou a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, em seu art. 72, § 1º, inciso II, ratificando o entendimento pronunciado pela sumula 351 do STJ. Sua literalidade determina que a alíquota da contribuição sobredita será aferida pelo grau de risco preponderante em cada estabelecimento da empresa que possui CNPJ próprio. O quadro demonstrativo do número total de segurados por CNAE, apresentado junto ao Relatório de Diligência (fls. 879/880), atesta que a atividade que ocupa o maior número de segurados em todos os meses do lançamento é a de Administração, não se confirmando a alegação do recorrente de que a atividade educacional seria preponderante. A resposta à diligência fiscal é conclusiva no sentido de que o Município de Atibaia possui um único CNPJ e a atividade preponderante no período de 01/2008 a 12/2008, é Administração Pública Direta, cuja Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE, prevista no Anexo V do RPS, é a 84116/00, “Administração Pública em Geral”, grau de risco médio, alíquota de 2%. Deste modo, deve ser mantido o lançamento da diferença de SAT/GILRAT pois obedece a legislação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19311.720250/201226 Acórdão n.º 2202003.618 S2C2T2 Fl. 893 7 Fl. 896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.723040/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTRADITÓRIO.
Os procedimentos fiscais foram realizados com a observância do direito do contribuinte ao pleno conhecimento de todas as etapas da fiscalização sem que haja irregularidades passíveis de contaminar o lançamento. Observa-se que o autuado obteve cópia dos termos lavrados e livre acesso aos autos, garantindo-lhe o exercício do contraditório e da ampla defesa.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NO REAL BENEFICIÁRIO. PESSOA FÍSICA.
O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
ATIVIDADE ADVOCATÍCIA. RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. UTILIZAÇÃO PESSOA JURÍDICA . SIMULAÇÃO
A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular.
LIVRO CAIXA. GLOSA. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para dedutibilidade no Livro Caixa a discussão de matéria de prova se sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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INEXISTÊNCIA. CONTRADITÓRIO. Os procedimentos fiscais foram realizados com a observância do direito do contribuinte ao pleno conhecimento de todas as etapas da fiscalização sem que haja irregularidades passíveis de contaminar o lançamento. Observase que o autuado obteve cópia dos termos lavrados e livre acesso aos autos, garantindolhe o exercício do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NO REAL BENEFICIÁRIO. PESSOA FÍSICA. O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 30 40 /2 01 3- 15 Fl. 5812DF CARF MF 2 ATIVIDADE ADVOCATÍCIA. RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. UTILIZAÇÃO PESSOA JURÍDICA . SIMULAÇÃO A utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. LIVRO CAIXA. GLOSA. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para dedutibilidade no Livro Caixa a discussão de matéria de prova se sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 5813DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.741 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 5814DF CARF MF 4 Relatório Do Auto de Infração: (efls. 4.741 a 4.772) A autoridade fiscal apurou as seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas por meio de interposta pessoa jurídica multa qualificada de 150%; b) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas por meio de interposta pessoa jurídica multa qualificada de 150%; c) Lançamento de despesas não dedutíveis no livro caixa foram aplicadas multas de 75% e 150%; d) Multa isolada de 50% sobre o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas sem o recolhimento devido a título de carnêleão. Foi lavrado Auto de Infração para exigir do contribuinte R$10.051.584,81 de imposto, R$7.550.333,50 de multa de ofício; R$2.019.059,39 de juros de mora (calculados até 12/2013) e R$4.866.924,31 de multa isolada referente ao carnêleão. Do Termo nº 22 Verificação Fiscal: ( efls. 4.773 a 4.824) Compõem o Termo nº 22 Verificação Fiscal os seguintes anexos: Anexo I Rendimentos omitidos oriundos da interposta pessoa Dal Agnol & Fernandes Ltda recebidos de pessoas físicas e recebidos de pessoas jurídicas, efls. 4.825 a 4.843; Anexo II Relação analítica das saídas de recursos contabilizadas na conta caixa, efls. 4.844 a 5.000; Anexo III Relação analítica das glosas de despesas escrituradas no livro caixa, efls. 5.001 a 5.167; Anexo IV Pessoas físicas diligenciadas, efls. 5.168 a 5.171; e Anexo V Documentos referentes aos pagamentos a pessoas físicas escriturados no livrocaixa e Documentos referentes aos pagamentos a pessoas jurídicas escriturados no livrocaixa, efls. 5.172 a 5.198. Consta registrado que a ação fiscal de que trata o MPF nº 06.1.85.002011 001305 foi encerrada parcialmente, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008, por meio dos Autos de Infração que constam dos processos administrativos nº 11030.720089/201316 e 11030.720056/201376. Quanto à utilização pelo contribuinte de interposta pessoa jurídica para ocultar rendimentos de sua pessoa física no exercício da advocacia consta registrado no Termo nº 22 Verificação Fiscal à efl. 4.783: (grifos do original) Fl. 5815DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.742 5 "DA INTERPOSTA PESSOA DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. A profissão de advogado é regida pela Lei n° 8.906, de 04 de julho de 1994, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A citada norma estabelece, no § 1° do art. 15, que a sociedade de advogados só adquire personalidade^jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. Conhecedor da regra, o contribuinte fez questão de expressar, em resposta ao TERMO n° 01. que não reunia as condições legais para adquirir personalidade jurídica como sociedade de advogados, estando ciente de que se sujeitava a uma alíquota de 27.5% sobre a base de cálculo do imposto sobre a renda e de que, se pessoa jurídica fosse, "teria até uma vantagem tributária", em suas próprias palavras. A resposta da OAB/RS ao Ofício n° 106/2012/DEMAC/BHE/Gabin/Difis, no qual questionávamos acerca da situação cadastral do contribuinte, corroborou a informação por ele trazida, ou seja, a única inscrição profissional do contribuinte naquela entidade de classe era como pessoa física. Assim, uma vez que não atendia aos requisitos legais necessários à aquisição da personalidade jurídica, segundo a norma específica que rege a profissão, em hipótese alguma estaria sujeito ao regime tributário aplicado às pessoas jurídicas. Todavia, visando reduzir a carga tributária a que estava sujeito, na condição de pessoa física, valeuse da pessoa jurídica DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. (D&F). apenas formalmente constituída, mas que se configurou verdadeira interposta pessoa do contribuinte de fato (MAURÍCIO DAL AGNOLl O risco da atividade econômica assumido se deu de forma artificial e com o único objetivo de criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores do imposto sobre a renda da pessoa física e das contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários." Conclui a autoridade fiscal que os rendimentos tributáveis omitidos pelo contribuinte, descritos no Anexo I, recebidos de pessoas físicas, totalizam R$2.038.665,40 sendo R$675.713,90 no anocalendário 2009, R$179.973,72 no anocalendário 2010 e R$1.182.977,78 no anocalendário 2011. No caso de recebimentos recebidos de pessoas jurídicas, restou comprovada a omissão de rendimentos que totalizaram R$1.028.128,04 sendo R$102.448,00 no ano calendário 2009, R$887.612,18 no anocalendário 2010 e R$38.067,86 no anocalendário 2011. A autoridade fiscal reconheceu despesas dedutíveis na planilha que representa o Anexo II. Fl. 5816DF CARF MF 6 As despesas glosadas pela autoridade fiscal são as registradas nas contas "Emolumentos Pagos a Terceiros", "Despesas com xerox" e "Sistemas de Segurança" dos livros Caixa dos anoscalendário de 2009 a 2011, exercícios de 2010 a 2012, respectivamente. Da Impugnação: (efls. 5.212 a 5.237) Em preliminar, suscita nulidade da autuação por falta de habilitação no CRC/RS dos Auditores Fiscais, ilegitimidade passiva para sofrer a autuação, nulidade por falha na notificação, realizada por edital sem justificativa, e pela falta da descrição das partes que compõe o crédito tributário lançado, o que prejudica a defesa. A existência da pessoa jurídica Dal Agnol & Fernandes, D&F, desconsiderada pelas autoridades fiscais sem justificativa. Assevera que Maurício Dal Agnol e D&F não são a mesma pessoa e nem empresa, não formam grupo econômico, não possuem os mesmos funcionários e que o Impugnante não tem poderes de administração na D&F. Portanto, não pode prosperar autuação na pessoa física de receitas da D&F. Ao final, requer o acolhimento da impugnação para declarar improcedente o crédito tributário nesses termos, a saber: (efls. 5.236 e 5.237) "A) a nulidade TOTAL do auto de infração, seja pelos motivos de qualificação profissional do agente; B) a nulidade TOTAL do auto de infração, frente ao não cumprimento dos requisitos legais para sua lavratura que permitem a ampla defesa da parte Autuada; C) a nulidade do auto de infração diante da ilegitimidade do Impugnante para receber intimações em nome da empresa Dal Agnol & Fernandes Ltda.; D) a nulidade total do auto de infração tendo em vista a insubsistência da notificação via mero edital; E) a nulidade total do auto de infração diante da ilegitimidade do Impugnante para responder sobre pretensão tributária incidente sobre créditos cedidos a terceiros; F) acolhimento de todas as alegações que demonstram a improcedência da constituição do crédito tributário e tal que requerido em cada item e subitem de número 03 conforme visto e requerido anteriormente com a consequente extinção do presente processo administrativo fiscal por total ausência de crédito tributário; G) que sejam eliminados todos os valores a título de multa e juros ante a ausência de crédito tributário ou seja multa reduzida ao percentual de 20% caso subsista algum crédito." Do acórdão de impugnação: (efls. 5.264 a 5.277) A 8ª Turma da DRJ em Porto Alegre indeferiu as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, prolatando o acórdão 10 51.089, assim ementado: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 5817DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.743 7 Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO. Contribuinte apresentou documentação, comprovando item integrante da apuração anual do imposto de renda, que altera o lançamento efetuado. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE PESSOA JURÍDICA. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. Caracterizada a utilização de empresa interposta, as operações da empresa tributamse no escritório de advocacia, e correta a tributação das operações na pessoa física, na declaração do contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Para dedutibilidade no Livro Caixa a discussão de matéria de prova se sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira. AUDITOR FISCAL. EXAME DA CONTABILIDADE. A competência do Auditor Fiscal para exame da contabilidade da empresa decorre de lei, não estando sujeita à habilitação em curso superior específico ou ao registro junto ao Conselho de Contabilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." O Colegiado alterou o lançamento somente no que se refere às despesas com segurança, acatandoas como dedutíveis pois relacionadas à atividade exercida, necessárias à percepção da receita, na forma do art. 75, III, do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99. Do Recurso Voluntário: (efls. 5.283 a 5.421) Cientificado do acórdão de impugnação em 07/08/2014, data da ciência pela abertura do arquivo disponibilizado no Portal eCAC, efl. 5.281, o Contribuinte interpôs, em 04/09/2014, Recurso Voluntário, alegando em síntese: 1. Nulidade do lançamento Cerceamento ao direito de defesa a sociedade Dal Agnol & Fernandes Ltda., considerada interposta empresa pelas autoridades fiscais, não foi regularmente intimada a prestar esclarecimentos e/ou apresentar documentos. Cita jurisprudência administrativa e judicial; 2. O lançamento foi realizado na pessoa física do Recorrente com as receitas auferidas pela Dal Agnol & Fernandes Ltda., desconsiderando a personalidade jurídica da empresa sem a devida decisão judicial; Fl. 5818DF CARF MF 8 3. Caso o Colegiado não acate a nulidade do lançamento, pelos motivos citados nos itens 1 e 2, que se reconheça a dedução das despesas com emolumentos pagos a terceiros, despesa que tem expressa autorização legal; 4. Os tributos pagos pela Dal Agnol & Fernandes Ltda. devem ser considerados na apuração do lançamento; e 5. Os juros Selic não podem incidir sobre a multa de ofício, por falta de base legal. Das Razões Cognitivas: (efls. 5.798 a 5.810) O Recorrente solicitou, em 15/03/2017, conforme protocolo CARF efl. 5.798, a juntada aos autos do que denominou "Razões Cognitivas", com o objetivo de apresentar razões adicionais ao recurso voluntário, "tendo em vista fatos supervenientes à apresentação de sua inconformidade com a decisão recorrida." Após discorrer sobre o resultado do julgamento neste Conselho do processo nº 11030. 720089/201316 e de levantar pontos de discordância com o acórdão de impugnação, finaliza a peça com os pedidos: "a) Requerse a nulidade da decisão de primeira instância, determinando a remessa destes autos, para que um novo julgamento enfrente matéria de fato e de direito que foram omissas quando do julgamento, em cristalino cerceamento de defesa. b)A descaracterização da Multa Agravada e exclusão da Multa Isolada, em face da concomitância com a Multa de Oficio. c) Em não acolhendo a nulidade suscitada, sejam os autos baixados em diligencia para fins de elucidação e complementação de matéria fundamental a lide. d) Que seja reconhecido o direito à compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica D & F, cujos comprovantes encontram se formalizados." É o Relatório. Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.744 9 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE: Cientificado do acórdão de impugnação em 07/08/2014, conforme doc. de efl. 5.281, o Contribuinte interpôs, em 04/09/2014, efl. 5.283, o recurso voluntário. Assim, o recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal sendo, portanto, tempestivo e dele conheço. 2. DAS RAZÕES COGNITIVAS Dentre as solicitações registradas pelo Recorrente no documento Razões Cognitivas verifico que a matéria relativa à concomitância da multa isolada do carnêleão com a multa de ofício não foi levantada na impugnação e, sendo assim, não será considerada para fins desta decisão, a teor do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. 1 "Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67)." Vale lembrar ainda a regra estampada no art. 57 do Decreto nº 7.574, de 2011, sobre os pedidos de diligência, a saber: (grifei) Art.57.A impugnação mencionará (Decreto no70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no11.196, de 2005, art. 113): [...] IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; e [...] §1o Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV." 3. DAS PRELIMINARES: 3.1. Nulidade Cerceamento do direito de defesa: O Recorrente alega cerceamento do direito de defesa por parte das Autoridades Fiscais que não intimaram a Dal Agnol & Fernandes (D&F) a prestar os devidos e necessários esclarecimentos 1 também previsto no art. 58 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 Fl. 5820DF CARF MF 10 a respeito da relação jurídica que detinha com o Contribuinte. Concluíram, de forma açodada, simples presunção, que a D&F era uma interposta pessoa e que suas receitas eram rendimentos omitidos pelo Recorrente. Não assiste razão ao Recorrente. Ao longo de todos os procedimentos para a constituição do crédito tributário e do julgamento administrativo constato que ao Contribuinte foram garantidas a participação e a ciência a todos os atos administrativos e diligências efetuadas. São diversos termos de intimação e de constatação, resumidos no Termo de Verificação Fiscal, prontamente levados ao conhecimento do Recorrente. Na impugnação e no próprio recurso voluntário fica evidente que o Recorrente teve amplas garantias no exercício de sua defesa e que, no exercício deste direito, demonstrou ter pleno conhecimento do que lhe foi imputado, das infrações apuradas, do enquadramento legal e de todas as fases deste processo administrativo fiscal. É fácil identificar os diversos momentos em que o Recorrente teve ciência dos procedimentos fiscais, seja de forma eletrônica no Portal eCAC ou por via postal com aviso de recebimento. (Vide docs. efls. 5, 105, 108, 1557, 1726,...,5203, 5204, 5208 e 5281) O acórdão da CSRF/0103.902, longe de comprovar a alegação de cerceamento de defesa nesses autos, reforça a regularidade dos procedimentos aqui desenvolvidos. Enquanto no acórdão citado constatouse a falta de entrega ao contribuinte de planilha e/ou demonstrativo de imputação das despesa glosadas, impedindo o autuado de de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, fato grave que realmente prejudica o exercício do direito de defesa do contribuinte, neste processo não constato irregularidade deste quilate. Todas as peças da autuação foram disponibilizadas ao autuado que exerceu na plenitude seu legítimo direito de defesa. Portanto, o julgado apresentado aborda situação fática distinta do que é abordada neste processo, uma vez que os fatos ali narrados não ocorreram e não ocorrem nos procedimentos da presente autuação. Aduz o Recorrente que a sociedade Dal Agnol & Fernandes em momento algum foi regularmente intimada na pessoa de seus representantes legais a prestar os esclarecimentos a respeito da relação jurídica que detinha com o Recorrente, prejudicando o pleno exercício do direito de defesa. Constato que foi registrado no Termo de Verificação Fiscal as diligências efetuadas pela fiscalização à sede da Dal Agnol & Fernandes e oportunizado, por meio de intimações, os esclarecimentos que porventura a empresa quisesse disponibilizar. É o que consta à efl. 37, a saber: "[...] Não bastassem as fortes evidências, esta fiscalização foi adiante na busca pela verdade material, visitando o próprio domicílio tributário eleito por DAL AGNOL & FERNANDES LTDA, à rua Cel. Chicuta, 151, Passo Fundo, RS, conforme consta no CNPJ (fls. 3748 e 3749). No dia 18/07/2012, portanto, visando dar ciência à D&F do TERMO Nº 02 – INTIMAÇÃO FISCAL, constatamos que o citado endereço nada mais é que o próprio escritório profissional de MAURICIO DAL AGNOL, como demonstram as fotografias do local (fls. 3445 a 3463). Ao subirmos as escadas que dão acesso ao escritório “DAL AGNOL ADVOCACIA”, único estabelecimento daquela edificação franqueado ao público, entramos na recepção, onde fomos atendidos pela recepcionista do escritório de advocacia, Sra. Briana Tainara Signori. Pedimoslhe para falar com o representante da empresa DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. Em seguida, fomos conduzidos pela administradora da D&F, Sra. Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.745 11 Luciana Cristina Laval, a sua sala, à primeira porta à esquerda do corredor que divide longitudinalmente o andar superior da edificação, dentro das dependências do escritório de advocacia. Minutos depois, adentraram a sala da Sra. Luciana Laval os Srs. Pablo Pacheco dos Santos e Maurício Dal Agnol, identificandose como advogados da empresa. Perguntado se os mesmos tinham procuração para atuarem em nome da sociedade, responderam que não. As constatações feitas no local foram tomadas por escrito e constam do TERMO Nº 04 VISITA E CONSTATAÇÃO FISCAL, lavrado no local (fls. 3358 a 3360). Retivemos parte dos documentos requisitados pelo TERMO Nº 02, supra citado, mediante o TERMO Nº 03 – RETENÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS (fl. 2501). O Livro de Registro de Empregados número 002 e as cópias das páginas 01 a 40 do Livro de Registro de Empregados número 003 foram entregues no dia 19/07/2012 (fls. 3001/3244). Em 26/07/2012 foi lavrado o TERMO Nº 05 INTIMAÇÃO FISCAL (fls. 3485 e 3486), por meio do qual requisitamos o Livro Registro de Serviços Prestados relativo ao anocalendário 2008 gerado em PDF, o qual não havia sido apresentado na ocasião da visita, bem como os arquivos digitais dos Livros Diário e Razão dos anos de 2008 a 2011." Com registro de respostas e esclarecimentos prestados pela Dal Agnol & Fernandes, a conferir efl. 38 do TVF: Em resposta ao TERMO Nº 09, não apresentou qualquer documento, aduzindo apenas os esclarecimentos abaixo reproduzidos. Com relação ao item n° 1, já respondemos no termo n ° 2, datado de 6 de agosto de 2012, onde informamos de que não possuímos nenhum contrato de prestação de serviços. Sobre o item n° 2, prestamos serviços de fotocópias e organização de processos, mas não mantemos este controle de que processos se referem. Em relação ao item 3 da referida intimação fiscal executamos o mesmo serviço do item anterior, o que deve ter acontecido é que a secretaria tirou a nota fiscal com a descrição do serviço errado, pois foram serviços de fotocópias de processos e organização dos mesmos. Ratifico as conclusões do julgado de primeira instância, conforme registrado à efl.5272, a saber: No caso, verificase que o servidor competente observou todos os princípios que norteiam a atividade administrativa previstos no “caput” do art. 37 da Constituição Federal, mesmo porque o administrador público está sujeito aos mandamentos da determinação legal em toda a sua atividade funcional. Não restou, dessa forma, especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do presente Auto de Infração, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do Fl. 5822DF CARF MF 12 direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores) Assim constato que os procedimentos executados pelas Autoridades Fiscais não padecem de qualquer vício de nulidade e não prejudicaram o direito e o exercício do contraditório e da ampla defesa do Contribuinte. 3.2. Desconsideração da personalidade jurídica da D&F Ltda.: O Recorrente entende que houve violação aos artigos 135, III e 137 do CTN e artigo 50 do Código Civil quando a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da D&F para tributar as receitas por ela auferidas na sua pessoa física. A Fiscalização, por seu turno, entendeu correto o enquadramento tributário dessas operações na pessoa física do contribuinte de acordo com as informações e documentos colhidos nas diligências realizadas. As constatações foram minuciosamente descritas do Termo de Verificação Fiscal, efls. 18 a 102, destacandose: 1. levantamento da fiscalização constatou que os empregados da Dal Agnol & Fernandes (D&F) exerciam atividades próprias de um escritório de advocacia; 2. contratos de locação foram firmados estipulando que a utilização do imóvel deve ser exclusivamente para escritório de advocacia; 3. os pagamentos dos alugueis foram lançados no livro caixa da pessoa física do Recorrente; 4. não há registro de empregados para os diversos escritórios de advocacia do Recorrente que eram registrados na D&F no quantitativo de 36 pessoas; 5. notas fiscais emitidas pela D&F se referem, segundo apuração das autoridades fiscais, a honorários advocatícios prestados pelo Recorrente; 6. constatouse confusão patrimonial entre a Dal Agnol advocacia e a D&F. Diante desses elementos de prova, ficou caracterizado que as operações da empresa Dal Agnol & Fernandes Ltda são próprias da atividade de advocacia, e portanto, entendemos correta a tributação das operações na pessoa física, na declaração do contribuinte. E ainda, demonstrada a utilização indevida de pessoa jurídica com a intenção de diminuir o pagamento de tributos. É o que constatou a fiscalização a partir das diligências efetuadas, com constatações assim registradas no TVF, efl. 47, a saber: "A confusão patrimonial era tão evidente que o próprio sítio profissional do fiscalizado, www.dalagnol.com.br (DAL AGNOL ADVOCACIA) foi registrado em nome da DAL AGNOL & FERNANDES LTDA, consoante consulta ao sitio Registro.br, órgão de registro dos domínios brasileiros na rede mundial de computadores (fls. 3746/3747). Os fatos narrados comprovam que a “engenharia” levada a efeito pelo contribuinte não passa de mera simulação. O uso da D&F para constituir grupo econômico (completamente irregular) sob a designação DAL AGNOL ADVOCACIA teve como finalidade utilizar a mãodeobra registrada sob o manto da pessoa jurídica optante do SIMPLES e, dessa forma, obter economia tributária ilegal, além de omitir rendimentos Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.746 13 tributáveis auferidos pelo fiscalizado, registrados como se fossem receitas da pessoa jurídica. O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. Como se viu, a utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou que ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários, visou unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES, a fim de aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. As diligências realizadas junto às pessoas físicas (supostos clientes da D&F) comprovam que os valores inscritos nas notas fiscais emitidas em favor desses clientes se referem em sua totalidade a “honorários advocatícios contratados”, rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física MAURICIO DAL AGNOL e não receitas da DAL AGNOL & FERNANDES. [...]" Por outro lado, o Recorrente se volta contra o que ele considera uma irregularidade flagrante da autoridade fiscal que, sem autorização judicial, unilateralmente, desconsidera a personalidade jurídica da empresa D&F para tributar as receitas por ela auferidas como se fossem de titularidade do Recorrente. A DRJ enfrentou este tema indicando que os elementos de prova coletados pela fiscalização são fortes e convergentes para demonstrarem que a pessoa jurídica D&F foi utilizada pelo contribuinte para sonegar imposto sobre a renda da pessoa física e contribuições sociais buscando mascarar como receita de empresa optante pelo SIMPLES os vultosos honorários da atividade autônoma da advocacia. Eis o trecho do voto condutor do acórdão de impugnação que trata da matéria: (efl. 5.275 e 5.276) "Durante todo o período analisado o contribuinte fez uso indevido da pessoa jurídica DAL AGNOL & FERNANDES LTDA., visando aproveitar se do regime tributário simplificado e favorecido aplicado às empresas optantes do SIMPLES Nacional, de modo a SONEGAR imposto sobre a renda da pessoa física e contribuições sociais. A referida pessoa jurídica, consoante as provas aduzidas pela fiscalização, não passa de empresa de fachada, confundindose com a própria pessoa do advogado, sob a alcunha DAL AGNOL ADVOCACIA, tendo por sede o próprio escritório profissional do contribuinte (pessoa física) em Passo Fundo. O risco da atividade econômica assumido se deu de forma artificial e com o único objetivo de criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores do imposto sobre a renda da pessoa física incidentes sobre a folha de salários. O vasto material probatório comprova que a vinculação existente entre a pessoa física e D&F é um caso de simulação e as provas coligidas demonstram que o fiscalizado agiu de má fé. Como se viu, a utilização de notas fiscais falsas para forjar uma prestação de serviço que nunca ocorreu, ou ao menos não foi o serviço efetivamente contratado pelos respectivos destinatários. O objetivo era unicamente criar receitas fictícias na pessoa jurídica, até o limite anual do SIMPLES para aparentar, apenas sob o aspecto formal, uma atividade econômica regular. Fl. 5824DF CARF MF 14 Não assiste razão ao contribuinte. A autoridade fiscal nada mais fez do que exercer sua atividade investigativa para buscar a verdade material por meio de procedimentos administrativos tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (art. 142 CTN) 4. DO MÉRITO: 4.1. LIVRO CAIXA DESPESAS DEDUTÍVEIS EMOLUMENTOS PAGOS A TERCEIROS A teor do disposto no art. 75 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que tem como matriz legal a Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I, o contribuinte que perceber rendimentos do trabalho assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (grifei) "Art. 75. [...] I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. [...]" Se fosse observada a literalidade do dispositivo não restariam dúvidas quanto à procedência do pleito do Recorrente para restabelecer a despesa com os "emolumentos pagos a terceiros", invalidando a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Entretanto a autoridade fiscal constatou que sob a rubrica de "emolumentos pagos a terceiros" foram lançadas despesas com parceiros na prestação de serviços que "nada mais eram que agenciadores de causas, oferecendo os serviços profissionais do contribuinte a potenciais clientes, e recebendo participação nos honorários a receber, em completa inconformidade com as normas que regem a advocacia." A autoridade fiscal, referindose aos contratos firmados pelo Recorrente com os parceiros na prestação de serviços, registrou no Termo nº 22 Verificação Fiscal à efl. 4.812 que: "As discriminações dos serviços, constantes dos documentos analisados, também são diversas, havendo expressões genéricas (como "comissões", "serviços prestados" e "autônomo") e expressões bem específicas ("agenciamento de clientes CRT Brasil Telecom", "captação de clientela", "comissão em razão de contrato de parceria firmado", "divulgação", "encaminhamento de processo para complementação ações telefone", "honorários pela prestação de serviços parte na intermediação da ação revisória da complementação principal das ações da Brasil Telecom", "intermediação da complementação de parte da ação revisória da crt", "valor agenciamento contrato CRT" etc). Não foram apresentados contratos de prestação de serviços referentes a todos os comprovantes de pagamentos analisados, mas em muitos destes casos a discriminação dos serviços é expressa em relação aos serviços prestados (vejase, por exemplo, o pagamento efetuado para escritório de contabilidade em 26/01/2010, no valor R$2.142,16, que foi demonstrado mediante nota fiscal de prestação de serviços, a qual os descreve como "valor agenciamento contrato CRT"). Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.747 15 Em outros casos, há contratos de prestação de serviços, nos moldes já expostos, e os comprovantes de pagamentos trazem descrições inexatas (como "digitação processos", "processamento de dados", "serviços de assessoria" e "serviços prestados"). Relativamente a esta matéria, o entendimento que vaza do voto condutor do acórdão de impugnação é no sentido de ratificar a conclusão da autoridade autuante de efetuar a glosa dessas despesas por ausência de "uma estreita correspondência entre os rendimentos que cada um dos clientes captados pelo parceiro deu causa e o respectivo repasse da parte do valor dos honorários auferidos pelo fiscalizado em favor desse parceiro." 2 Para concluir em sintonia com a autuação que "Em não havendo essa correspondência, não há como dizer que essas despesas são dedutíveis no Livro Caixa." 3 É o que fica evidenciado com a conclusão contida no excerto do Termo nº 22 Verificação Fiscal à efl. 4.812, transcrito na sequência: "Enfim, a análise contextualizada dos fatos levanos à convicta conclusão de que, com algumas exceções (referentes às despesas do contribuinte com custas processuais e com taxas de cartórios), as despesas registradas na conta "Emolumentos Pagos a Terceiros" (código 4.006), relacionadas no "Anexo III RELAÇÃO ANALÍTICA DAS GLOSAS DE DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVROCAIXA", consistem em pagamentos de comissões feitos a captadores de clientes (ou não foram satisfatoriamente demonstradas) e não se coadunam com as disposições legais referentes à dedutibilidade da base de cálculo do IRPF." Por outro lado, o Recorrente não se conforma com a conclusão exarada no voto condutor do acórdão de impugnação, como descrita nos excertos citados anteriormente e afirma que não houve a solicitação, por parte da autoridade autuante, relativamente aos anos calendários de 2009, 2010 e 2011, da comprovação da correspondência entre os pagamentos feitos aos terceiros parceiros e os processos que originaram esses pagamentos, situação que, no entendimento do contribuinte, acarretou prejuízo à defesa, caracterizando seu cerceamento. É o que se depreende do trecho do recurso, efls. 5.303 e 5.304, que transcrevo na sequência, a conferir: (destaques do Recorrente) "ACONTECE QUE DIFERENTEMENTE DO QUE ACONTECEU NO PROCESSO 11030.720089/201316, RELATIVAMENTE AO ANO DE 2008 NUNCA HOUVE SOLICITAÇÃO, PELO SR. FISCAL, NO PROCESSO 11030723.040/201315 (RELATIVAMENTO4 AO ANO DE 2009, 2010 E 2011) DA COMPROVAÇÃO DA ESTRITA CORRESPONDÊNCIA ENTRE OS PAGAMENTOS FEITOS AOS TERCEIROS PARCEIROS E OS PROCESSOS QUE ORIGINAVAM ESSES PAGAMENTOS. SE NÃO HOUVE ESTA SOLICITAÇÃO, O CONTRIBUINTE NÃO TINHA PORQUE COMPROVAR ISSO, POIS NÃO PAIROU DÚVIDA NA SRA. FISCAL (sobre o tema de que efetivamente houve o repasse) E NÃO FOI DADO AO CONTRIBUINTE A CHANCE DE DEFESA (ou de comprovação) ao contribuinte/recorrente, CONFORME FOI DADO NO PROCESSO 11030.720089/201316. 2 Excerto extraído do voto condutor do acórdão de impugnação, efl. 5.276 3 Idem ao descrito na nota 1 4 Sic Fl. 5826DF CARF MF 16 DITO ISSO, POR VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA, E DA AUSÊNCIA DE SOLICITAÇÃO, O QUE RETIRA DO SR. JULGADOR A LEGITIMIDADE DO JULGAMENTO NOS TERMOS EM QUE FORAM POSTOS, DEVE SER RECONHECIDO O DIREITO DE DEDUTIBILIDADE DOS PAGAMENTOS FEITOS A TERCEIROS, NOS ANOS DE 2009, 2010 E 2011, LEVANDO A IMPROCEDENCIA DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO NESTE PONTO." Não assiste razão ao Recorrente. A autoridade fiscal registrou nos Termos de Intimação e de constatação, lavrados durante o procedimento fiscal, e no Termo de Verificação Fiscal, lavrado no encerramento da auditoria, que as infrações à legislação tributária verificadas no anocalendário de 2008 ocorreram também nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011 e que, portanto, o Auto de Infração formalizado neste processo administrativo foi lavrado em complementação ao Auto de Infração do processo 11030.720089/2013 16, com base em conjuntura fática idêntica, cujos reflexos tributários transcenderam o ano calendário de 2008 , subsistindo nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011. (grifei) Acrescenta ainda que: 5 "[...] 10. Na seara do IRPF, tendo em vista tratarse do mesmo procedimento fiscal e de idênticas infrações à legislação tributária, igualmente constatadas em período posterior (compreendido entre 2009 a 2011), o presente Termo n° 22 Verificação Fiscal traz diversas referências e menções aos anteriores Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal, assim como transcrições de trechos deste, lembrandose que todos os documentos referidos nestas transcrições encontramse correspondente processo digital (n° 11030.720089/201316). 11. As cópias do Auto de Infração, do Termo de Verificação Fiscal, dos Anexos deste e do Termo de Encerramento foram extraídas do processo digital n° 11030.720089/201316. [...] 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2009 a 2011, o contribuinte foi intimado, por meio do Termo n° 14 Intimação Fiscal, de 18/12/2012, para apresentar: 14.1. no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os livroscaixa dos exercícios 2010 a 2012 (anoscalendário 2009 a 2011), em meio digital (item 1), e 14.2. no prazo de (30) trinta dias, planilhas, também em meio digital, referente aos rendimentos tributáveis, escriturados nos livroscaixa, recebidos das pessoas físicas e jurídicas, com os nomes, CPF ou CNPJ, valores recebidos, datas dos recebimentos e números dos processos judiciais vinculados a cada "entrada" {itens 2 e 3). 15. Este Termo foi recebido pelo contribuinte em 02/01/2013 (AR RA23804873 7 BR) e, mediante sua resposta com a data 10/01/2013, em atendimento ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal, ele forneceu os livroscaixa solicitados, em arquivos digitais devidamente autenticados no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA." 5 Termo nº 22 Verificação Fiscal efls. 4.774 e 4.775 (grifos do original) Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.748 17 Constato, portanto, que não houve o cerceamento ao exercício do direito de defesa do contribuinte à vista dos inúmeros Termos de Intimação e de Constatação lavrados pela fiscalização a cada etapa dos procedimentos de auditoria e que, todos eles, foram submetidos ao contribuinte para conhecimento e ciência. Os contratos de parcerias na prestação de serviços foram examinados pela autoridade fiscal que constatou a existência da cláusula VIII, que estabelece: (grifos mantidos do original) "VIII - Para realização dos serviços profissionais necessários ao patrocínio dos interesses e direitos objeto das demandas judiciais, os CONTRATANTES ajustam que do valor cobrado a título de honorários contratados do cliente (pessoa física ou jurídica) caberão 50% ao PARCEIRO 1 e 50% ao PARCEIRO 2 , sendo que o cliente pagará diretamente aos Contratantes os seus respectivos percentuais aqui definidos, não existindo relação de acerto financeiro entre os Contratantes/Parceiros. Grifou-se. E conclui: "Todo e qualquer registro de pagamentos a estes profissionais existentes no livro Caixa é, portanto, INDEVIDO, tendo em vista o dispositivo contratual acima, independente de quaisquer outros motivos.[...] Pelo exposto, só caberia a escrituração no Livro Caixa das despesas com "parceiros na prestação de serviços" se as mesmas fossem salários pagos a terceiros, na forma do inciso I, do artigo 75, do RIR/99, e não como despesas de custeio ou "emolumentos pagos a terceiros". Neste caso, entretanto, a prova da despesa só poderia ser feita com a apresentação da carteira de trabalho do empregado, exigida pelas leis trabalhistas.[...] Os denominados "parceiros na prestação de serviços" nada mais eram que agenciadores de causas, oferecendo os serviços profissionais do contribuinte a potenciais clientes, e recebendo participação nos honorários a receber, em completa inconformidade com as normas que regem a advocacia. As informações trazidas pelo diligenciado PAULO AUGUSTO GRANDI corroboram a conduta praticada pelo fiscalizado." Assim, em função de todo o exposto, ratifico a decisão da instância de piso que, à exceção da despesas com segurança, manteve a glosa das despesas lançadas indevidamente no livro caixa inclusive as registradas como emolumentos pagos a terceiros. 4.2. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. O Recorrente solicita que sejam compensados os tributos pagos pela Dal Agnol & Fernandes no imposto lançado. Respalda seu pleito em entendimento que consta no voto condutor do acórdão 10421.583 "[...]Nesse contexto, entendo que deva ser compensado, proporcionalmente, os tributos (imposto de renda e contribuições) recolhidos na pessoa jurídica oriundo de valores cujo fato gerador foi transferido para a pessoa física. É de se observar, que deve ser compensado o imposto e contribuições recolhidos na pessoa jurídica com o imposto apurado no auto de infração, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros)". Fl. 5828DF CARF MF 18 Inicialmente é importante destacar que o acórdão indicado pelo Recorrente não apresenta similitude fática com o presente caso. Explico. Aqui os registros de pagamentos, porventura existentes, foram apurados para pessoa jurídica optante pelo regime do SIMPLES nacional que, a meu ver, não são compensáveis com os créditos tributários lançados. Concordo com as observações registradas pela autoridade fiscal no Termo de Verificação ao concluir que: (destaques do original) "[...]os registros de pagamentos das guias do SIMPLES Nacional. As irregularidades fiscais aqui relatadas prendemse ao fato de que as receitas atribuídas à pessoa jurídica são, de fato, rendimentos pertencentes à pessoa física. Por isso mesmo, não cabe, na apuração dos tributos incidentes sobre as infrações aqui relatadas, a compensação com eventuais débitos tributários declarados (ou pagos) sob o CNPJ 06.081.082/000122. haja vista que as receitas a ele vinculadas não lhe pertencem. Fica, assim, a critério do fiscalizado, a faculdade de providenciar a retificação de suas DASN e proceder ao Pedido de Restituição dos valores recolhidos indevidamente dentro do prazo de 5 anos contados das datas do pagamentos (art. 168 do CTN). Além disso, pagamentos de impostos que não dizem respeito a atividade profissional do fiscalizado não são dedutíveis a título de livro caixa (lembremos que é vedado às sociedades de advogados, ainda que regularmente constituídas, a opção pelo SIMPLES Nacional)." Assim, não há como conceder,neste julgado,a compensação solicitada pelo Recorrente. 4.3. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Adoto inteiramente o voto da Conselheira Maria Helena Cota Cardozo no acórdão nº 9202004.250 que abordou com maestria a matéria, a saber: "[...]Conforme o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidem juros de mora à taxa SELIC. Confirase: "Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora,calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento " Quanto à aplicação da taxa Selic propriamente dita, a questão já se encontra sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF nº 5: São devidos juros demora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 11030.723040/201315 Acórdão n.º 2401004.691 S2C4T1 Fl. 5.749 19 Por outro lado, de acordo com os artigos 113, §1º, e 139, do CTN, o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si, quanto a penalidade pecuniária, o que inclui a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Confirase: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,m tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tema mesma natureza desta." Destarte, quando a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 61, utiliza a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", a única interpretação cabível é no sentido de que se trata da integralidade do crédito tributário, incluindose a multa de ofício proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em decisão de 04/12/2012: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1.Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário."(REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel.Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Confirase o inteiro teor da decisão: "Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito,inclusive a multa que,neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Com efeito,a posição assumida pelo acórdão recorrido espelha a jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, confirase:(...)" (grifei) A matéria integrou inclusive o Informativo STJ nº 0511, de 06/02/2013: "DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. Fl. 5830DF CARF MF 20 É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681 MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves,julgadoem4/12/2012." Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, podem ser citados os seguintes julgados: "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic." (Acórdão nº 9101 002.209, de 03/02/2016) "JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic." (Acórdão nº 9202003.700, de 27/01/2016) "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento."(Acórdão nº 9303 003.385,de 25/01/2016)"." Portanto, é legítima a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício proporcional, parte integrante do crédito tributário. 5. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 5831DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004083/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA.
1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc.
2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação.
3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta.
4. Em seu art. 15, parágrafo único, a Lei 8.212/1991 equipara a cooperativa à empresa.
5. A permissão para prestar os serviços foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA.
Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AFERIÇÃO INDIRETA. COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SÃO PAULO COOPERTRANSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. 4. Em seu art. 15, parágrafo único, a Lei 8.212/1991 equipara a cooperativa à empresa. 5. A permissão para prestar os serviços foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 83 /2 01 0- 14 Fl. 427DF CARF MF 2 Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou auto de infração relativo à obrigação acessória (deixar de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da SRFB). Os autos já foram relatados neste Colegiado, conforme Resolução do dia 18 de junho de 2013: Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SÃO PAULO, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0153, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que a remuneração dos contribuintes individuais foi apurada de forma indireta, tendo em vista que a recorrente, devidamente intimada, deixou de apresentar folhas de pagamento, documentos GFIP, SEFIP e guias de recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como deixou de prestar esclarecimentos requeridos pela fiscalização acerca de sua contabilidade. No presente lançamento foram apuradas 03 (três rubricas), assim indicadas no relatório fiscal: 2.4. O levantamento Cl referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. 2.5. O levantamento AM referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. Corresponde à assistência médica. 2.6. O levantamento AL referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização Fl. 429DF CARF MF 4 nominal dos segurados. Corresponde às cestas básicas e refeitório. Ainda com relação aos fatos geradores, assim se manifestou o il. Fiscal autuante: 3.11.1 Assistência médica como remuneração indireta tendo em vista que a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 0 1 , 02, 03 não apresentou contratos e apólices de assistência médica, nem listagem com os beneficiários do contrato para os anos de 2006 e 2007, as despesas referentes à assistência médica foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. 3.11.2 Cestas básicas e refeitório como remuneração indireta a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 04 e 05, não apresentou folhas de pagamentos e GFIP dos segurados. Desta feita, não foi possível averiguar se há descontos relacionados e este benefício, ou se a alimentação é destinada a todos os segurados ou restrito mediante condições. As despesas referentes às cestas básicas e refeitório/lanches foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010 (fls. 104). Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte (fls. 121/122): “Não concordamos com o debito apurado conforme mérito abaixo. II.2. MÉRITO ( inciso III e IV do a r t . 16 do Dec.70.235/72) Tendo em vista que esta e os seus cooperados não foram contratados por nenhuma empresa, não emitem nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, seguinte forma: O operador realiza o transporte público de passageiros com seu próprio veículo, sendo responsável por toda a manutenção do mesmo, abastecimento e pagamento de todas as despesas necessárias para que o veículo seja colocado à disposição da população em linhas com trajetos e horários pré definidos pela Prefeitura de São Paulo. Portanto não há contratação de serviços, mas sim outorga de permissão para realização de transporte público de passageiros, atividade de caráter essencial, a remuneração a qual o fiscal se refere e tão somente o repasse dos valores aos seus cooperados, segue anexo contrato de permissão e aditivos. Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 4 5 qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas: 1. que em verdade não houve recusa na apresentação dos documentos requeridos pela fiscalização, mas uma explanação de que na condição de cooperados, seus recebimentos eram realizados diretamente pela SPTRANS, e exatamente por este motivo a cooperativa não detinha condições de efetuar a retenção de valores; 2. que somente haveria a possibilidade de identificação dos contribuintes individuais com a apresentação dos recolhimentos efetuados por cada um deles, documentos estes juntados aos autos com o presente recurso; 3. que fora colocado a disposição do auditor todos os documentos de transferências bancárias relativos aos créditos de remunerações pagas pela SP TRANS, que foram tidas na oportunidade como não necessárias, mas nunca não apresentados; 4. que não apresentou a folha de pagamentos, pois, a época, não detinha referido documento; 5. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulá la por Lei; 6. todos os dias os veículos retornam a garagem, onde existe um programa de computador da SPTRANS, que via antena, coleta os dados existentes nas catracas e gera um relatório denominado CIMO, o qual contém o número de passageiros transportados por cada um dos prefixos. Uma cópia desse relatório é repassado para a cooperativa que fará a conferência se o relatório CIMO está de acordo com o número de passageiros no diário de bordo de cada veículo. Com referido relatório é gerado um relatório de arrecadação, através do qual os pagamentos são efetuados diretamente ao cooperado pela SPTRANS; 7. se, portanto, necessária a existência de folha de pagamentos, esta somente poderia ser exigida da SPTRANS; 8. que a cooperativa somente recebe pagamentos da SPTRANS quando verificada divergência entre o relatório CIMO e o número de passageiros existente no diário de bordo. Ou seja, se o CIMO informa um número de passageiros igual a 1.000, e o relatório de bordo informa 1.200, a cooperativa recebe os valores relativos a estes 200 passageiros e os repassa aos cooperados, após resultado de recurso administrativo. Logo, não há remuneração dos cooperados através da cooperativa; Fl. 431DF CARF MF 6 9. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, tendo em vista que: Com o recurso voluntário foram trazidos aos autos vários documentos, entre eles guias de pagamento de contribuições que a recorrente sustenta serem relacionadas com o presente lançamento, as quais demonstram que os cooperados efetuavam recolhimentos de contribuições decorrentes dos recebimentos de valores diretamente da SPTRANS. Também entendo que a diligência seja necessária, até porque diante do art. 33 da Lei 8.212/91, em se tratando de um caso de lançamento por aferição indireta, é ônus do contribuinte levar a efeito a prova necessária a demonstrar a improcedência do lançamento e das conclusões da fiscalização sobre os valores lançados, juntando aos autos toda a documentação que entender pertinente a defesa de seus interesses. Sendo assim, resolveuse baixar os autos à origem, para que o agente fiscal se manifestasse a respeito dos citados documentos, esclarecendo, ainda, se: (i) os mesmos são relacionados aos fatos geradores objeto do presente lançamento; (ii) em sendo a ela relacionados, se o são especificamente com o lançamento relativo ao pagamento efetuado e constante nas rubricas DISPÊNDIOS OPERACIONAIS PAGAMENTOS LÍQUIDOS A COOPERADOS, DISPÊNDIOS ADMINISTRATIVOS ou DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS; (iii) Se os pagamentos informados de fato foram contabilizados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil; Em cumprimento à citada diligência, a autoridade administrativa elaborou o TERMO DE VERIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL, cujas conclusões foram as seguintes: 6.1.1 Em relação aos documentos juntados nas folhas 501 a 1102, desprezandose aqueles que não guardam pertinência alguma com a matéria de defesa (os quais constituem a maioria das folhas), em relação às GUIAS GPS verificadas, não se pode afirmar que as mesmas estão relacionadas com os fatos geradores objeto do presente lançamento Impugnado pelo contribuinte na medida em que a COOPERATIVA não informou de forma analítica (sequer sintética) a identificação e individualização dos prestadores de serviços de transporte público para a municipalidade, tampouco o montante recebido a título de pagamento / repasse da SPTRANS. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 5 7 6.1.2 Também não se tratam de recolhimentos da cooperativa em função da remuneração por serviços prestados a ela por pessoas naturais (Contribuições Previdenciárias Patronais). 6.1.3 Desta forma, permanecem sem explicação os lançamentos contábeis a título de DISPÊNDIOS OPERACIONAIS e DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS, permanecendo incólume o procedimento de aferição indireta promovido pela fiscalização em virtude do não esclarecimento do contribuinte após um total de sete (7) intimações. 6.1.4 Resta indiferente se os pagamentos foram ou não registrados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois que não interferem no lançamento do crédito tributário. A contribuinte foi intimada da Resolução e do resultado da diligência fiscal, mas não apresentou manifestação no prazo legal determinado. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do mérito recursal Basicamente, a contribuinte alega que os cooperados não eram seus empregados e que prestavam serviços, diretamente, para a SP TRANS. Afirma, ainda, que a Lei 8.212/1991 não contemplaria a situação fática por ela desenvolvida. Equivocouse a recorrente. Em primeiro lugar, e conforme relatado no TERMO DE VERIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL, devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. Mais ainda, e de acordo com o aludido TERMO, a contribuinte foi intimada sete vezes, sem que tenha prestado os devidos esclarecimentos, tampouco apresentado a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação, de tal forma que o procedimento se deu por aferição indireta. Fazse tais afirmações porque o presente lançamento é atinente à obrigação acessória relacionada aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais e porque a contribuinte não trouxe qualquer documentação que pudesse demonstrar, por exemplo, os diversos tipos de segurados que lhe prestavam serviços à época dos fatos geradores (segurados empregados, segurados contribuintes individuais na qualidade de dirigentes, segurados contribuintes individuais não cooperados, etc), sendo admissível o procedimento de aferição indireta que, a propósito, nem mesmo foi contestado em sede de recurso voluntário. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta nos seguintes termos: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 6 9 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ......................................................................................................... Decreto 3.048/1999 Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Art.235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de Fl. 435DF CARF MF 10 ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ......................................................................................................... A conclusão poderia ser diversa, se a recorrente tivesse demonstrado que todas as pessoas físicas prestadoras dos serviços seriam cooperados, e não contribuintes individuais não associados, exemplificativamente. Em segundo lugar, e diferentemente do que alega a contribuinte, a Lei 8.212/1991, em seu art. 15, parágrafo único, equipara a cooperativa à empresa, fazendoo nos seguintes termos: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Parágrafo único.Equiparamse a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual e a pessoa física na condição de proprietário ou dono de obra de construção civil, em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 13.202, de 2015) Noutro giro, a situação das cooperativas, inclusive das cooperativas de trabalho, está contemplada na legislação previdenciária. Em terceiro lugar, e como bem esclarecido pela DRJ, a permissão foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas, como pretende fazer crer a recorrente. Dito de outra forma, a recorrente foi a contratada para prestar os serviços, tendoo feito através de pessoas físicas. Ademais, é importante esclarecer que a contribuinte foi instituída para prestar serviços aos seus associados, mais especificamente para "contratar serviços junto à Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 7 11 Administração Pública, [...], que serão seus tomadores de serviços, para seus Cooperados [...]", conforme se vê em seu estatuto, art. 2º, item "c". Tal disposição estatutária está em consonância com o art. 4º da Lei 5.764/1971, segundo o qual as cooperativas são sociedades de pessoas constituídas para prestar serviços aos associados: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: [...] Significa dizer que um dos objetivos institucionais da recorrente era justamente o de celebrar contratos de prestação de serviços junto à administração pública em geral esta na qualidade de tomadora dos serviços, e aquela na qualidade de prestadora , em favor de seus associados, sendo indubitável que, nesse mister, a própria cooperativa seria a contratada, enquanto que os seus cooperados poderiam ou não serem os prestadores dos serviços. Podese acrescentar, ademais, que a existência de uma cooperativa somente se justifica para prestar serviços aos seus associados, não se concebendo, diferentemente das sociedades empresárias, uma atuação totalmente distinta da atuação de seus membros. Explicando melhor, muito embora a cooperativa tenha personalidade jurídica própria (art. 985 do Código Civil), inclusive com patrimônio distinto de seus membros, ela somente tem existência para prestarlhes serviços, distinguindose das demais sociedades, mormente das sociedades empresariais. Desta forma, a situação do sujeito passivo, diferentemente do que foi dito no recurso voluntário, já estava e está contemplada na legislação civil e tributária. Cumpre relembrar, ainda, que o lançamento foi feita por aferição indireta e que a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse esclarecer, sequer, se as pessoas físicas prestadoras dos serviços eram cooperadas ou contribuintes individuais não associadas, permanecendo, incólume, o citado procedimento de aferição. Sendo assim, são inafastáveis as seguintes conclusões da decisão a quo, que se integram ao presente voto como razões de decidir: Como sujeito passivo na relação jurídica tributária previdenciária, ao contrário do que alega a impugnante, tem sim a cooperativa o dever legal de proceder ao desconto e retenção dos valores relativos à contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, assim como efetuar o recolhimento desses valores, juntamente com a contribuição patronal devida. Também não prosperam as demais alegações, pois: (i) É fato que os cooperados da impugnante prestam serviços público à população, porém a permissão foi concedida à Fl. 437DF CARF MF 12 Cooperativa e não diretamente a eles como quer fazer crer a impugnante; (ii) A confecção de folha de pagamento é obrigatória, para todos os segurados que prestam serviços; (iii) Não basta apenas informar que os valores dos dispêndios operacionais foram realizados para a viabilização da prestação de serviço público mediante permissão, é necessário comprovar através da apresentação de documentos, o que não foi feito; (iv) a Prefeitura remunera os cooperados através da Cooperativa. [...] Por outro lado, e conforme esclarecido em sede de diligência fiscal: 6.1.1 Em relação aos documentos juntados nas folhas 501 a 1102, desprezandose aqueles que não guardam pertinência alguma com a matéria de defesa (os quais constituem a maioria das folhas), em relação às GUIAS GPS verificadas, não se pode afirmar que as mesmas estão relacionadas com os fatos geradores objeto do presente lançamento Impugnado pelo contribuinte na medida em que a COOPERATIVA não informou de forma analítica (sequer sintética) a identificação e individualização dos prestadores de serviços de transporte público para a municipalidade, tampouco o montante recebido a título de pagamento / repasse da SPTRANS. 6.1.2 Também não se tratam de recolhimentos da cooperativa em função da remuneração por serviços prestados a ela por pessoas naturais (Contribuições Previdenciárias Patronais). 6.1.3 Desta forma, permanecem sem explicação os lançamentos contábeis a título de DISPÊNDIOS OPERACIONAIS e DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS, permanecendo incólume o procedimento de aferição indireta promovido pela fiscalização em virtude do não esclarecimento do contribuinte após um total de sete (7) intimações. 6.1.4 Resta indiferente se os pagamentos foram ou não registrados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois que não interferem no lançamento do crédito tributário. Desta maneira, não há qualquer circunstância ou documento novo que infirme as conclusões da decisão vergastada, que, assim sendo, deve ser integralmente mantida, negandose provimento ao recurso voluntário. 3 Da multa aplicada Conforme RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO, fl. 8, o presente lançamento é atinente à multa prevista no art. 92 da Lei 8.212/1991 e art. 102 do Decreto 3.048/1999, mais especificamente porque a empresa teria deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse. Pois bem. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.004083/201014 Acórdão n.º 2402005.671 S2C4T2 Fl. 8 13 Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal analisada no tópico anterior, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900380/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO.
Comprovado que o débito confessado em DCTF estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhece-se o direito de crédito pleiteado, homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 3.284,57; homologando-se as compensações até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 94 1 93 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.900380/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.380 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente NILCATEX TEXTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em DCTF estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito pleiteado, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 3.284,57; homologandose as compensações até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 03 80 /2 00 8- 12 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 95 2 Relatório O NILCATEX TEXTIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0131.101 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Versa o presente processo sobre a Manifestação de Inconformidade (fls. 02), apresentada contra o Despacho Decisório nº 757819525 (fl. 5), de 24/04/2008, que por vez não homologou a(s) compensação(s) declarada(s) no(s) PER/DCOMP nº 21421.32617.310804.1.3.043087. A(s) compensação(ões) tem(êm) por crédito um pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, código de receita 2362, PA jun/2004, no valor de R$ 3.284,57, arrecadado em 30/07/2004, via DARF, pelo valor de total de R$ 46.056,51. Não foi reconhecido o direito creditório, em razão do pagamento estar totalmente alocado a um débito. Ver figura 1. Figura 1 O sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade, em 12/05/2008, na qual alegou que: [...] Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 96 3 por não apresentar a DCTF Retificadora no período hábil acabou não apresentando o crédito pago a maior referente à guia de IRPJ cód.2362 do mês 06/2004 de R$ 3.284,57, que já foi utilizado por meio do Per/Dcomp n° 21421.32617.310804.1.3.043087. Em vista disso, recebemos o Despacho Decisório n° 757819525. Solicitamos o deferimento do Per/Dcomp enviado anteriormente, sendo que a DCTF Retificadora n° 26.56.42.87.7537 enviada em 07/05/2008, foi devidamente corrigida, conforme comprovamos pelos documentos anexos.. Para comprovar o alegado, o sujeito passivo juntou uma DCTF retificadora, apresentada em 07/05/2008. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente, pois, apesar de considerar válida a retificação da DCTF por não haver prova de que a retificadora tenha sido transmitida após ciência da prolação do despacho decisório, o suposto recolhimento a maior de estimativa teria sido utilizado para dedução do IRPJ devido no ajuste anual. A Recorrente foi intimada da decisão em 26 de janeiro de 2015 (fl. 28), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 3035 em 25 de fevereiro de 2015 (e documentação de fls. 3690). Em resumo, afirma que o valor de R$ 116.864,55 considerado pela decisão como de estimativas pagas está equivocado, pois na verdade tal valor corresponde à soma de estimativas recolhidas (R$ 94.779,02) e de imposto de renda retido na fonte (R$ 22.085,53). É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 97 4 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e subscrito por procurador com poderes para tanto. Logo, dele tomo conhecimento. 2 MÉRITO Tratase de declaração de compensação atrelada a suposto crédito decorrente de suposto pagamento a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de junho de 2004 (R$ 3.284,57). Tanto a unidade de origem quanto a turma julgadora de primeira instância não reconheceram qualquer parcela do crédito pleiteado. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente, haja vista o tema ser alvo de súmula no âmbito desta Corte Administrativa, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A questão controvertida é se há ou não prova de que o recolhimento de estimativa do mês de junho de 2004 foi realizado de modo incorreto. Para a decisão recorrida, o valor de R$ 116.864,55 utilizado pela Recorrente como estimativas pagas para fins de determinação do IRPJ devido ao final do anocalendário de 2004 (Ficha 12A da DIPJ 2005 reproduzida à fl. 25 – figura 7 do voto condutor da decisão de primeira instância) englobaria o suposto indébito pleiteado. De fato, na Ficha 12A da DIPJ 2005 (fl. 83 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, também reproduzida no voto condutor da decisão de piso – fl. 25, Figura 7), consta como valor de estimativas recolhidas de R$ 116.864,55. Por outro lado, conforme já relatado, a Recorrente argumenta que, na realidade, o valor de R$ 116.864,55 indicado na linha 17 da Ficha 12A da DIPJ 2005 corresponderia à soma de estimativas recolhidas (R$ 94.779,02) e de imposto de renda retido na fonte (R$ 22.085,53). Considerandose que a própria Receita Federal reconhece que, em se tratando de erro no preenchimento de declarações, a retificação de ofício de débito confessado em declaração pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 20141, passo à análise dos argumentos da Recorrente. 1 Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=55808. Acesso em 30 out 2016. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 98 5 Convém relembrar que o período de apuração a que se refere a DIPJ examinada foi de 01/01/2004 a 05/09/2004 em razão de cisão parcial levada a efeito pela Recorrente (fl. 78). A fim de verificar o valor das estimativas efetivamente pagas utilizadas para deduzir o IRPJ devido ao final do período de apuração, tomei como base os valores indicados pela decisão de primeira instância na Figura 8 do voto condutor do aresto (fl. 26), e, para fins de determinação do imposto de renda retido na fonte utilizei os valores indicados em cada um dos meses na Ficha 11 da DIPJ 2005 (fls. 8082). Os valores encontramse sintetizados a seguir: Imposto de Renda Retido na Fonte (*) Estimativas Recolhidas Utilizadas na Dedução do IRPJ Devido(**) JANEIRO R$ FEVEREIRO R$ 5.773,88R$ MARÇO 2.589,55R$ 1.621,45R$ ABRIL 6.244,93R$ 414,00R$ MAIO 1.127,39R$ 7.836,35R$ JUNHO R$ 42.771,94R$ JULHO 7.916,33R$ 21.339,67R$ AGOSTO 4.207,33R$ 15.021,73R$ SETEMBRO R$ R$ SUBTOTAL 22.085,53R$ 94.779,02R$ TOTAL 116.864,55R$ * Soma das linhas 07, 09 e 11 de todos os meses da Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) ** De acordo com Figura 8 do voto condutor da decisão de primeira instância Desse modo, constatase, de fato, que o valor total de estimativas pagas indicado na Ficha 12A da DIPJ 2005 é de R$ 116.864,55, mas, indubitavelmente, houve erro no preenchimento da linha 17 dessa ficha, pois o valor de estimativas recolhidas e utilizadas na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração foi de R$ 94.779,02, sendo a diferença (R$ 22.085,53) advinda de imposto de renda retido na fonte. Portanto, fixemonos no valor efetivamente devido e utilizado na dedução da estimativa de junho de 2004 (R$ 42.771,94) e o valor efetivamente recolhido (R$ 46.056,51): resta evidente que a Recorrente efetivamente R$ 3.284,57 a maior de estimativas referente ao mês de junho de 2004, devendo ser reconhecido o crédito tributário correspondente. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13971.900380/200812 Acórdão n.º 1402002.380 S1C4T2 Fl. 99 6 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito de R$ 3.284,57, homologandose as compensações até esse limite. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013291/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 08, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, relativamente à decadência. Tratandose de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 32 91 /2 00 7- 15 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, restando em litígio as competências 12/2001 a 12/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 30/10/2007 (fls. 01). Em sessão plenária de 08/10/2014, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403002.757 (fls. 142 a 148), assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 4º DO CTN. Uma vez que a obrigação acessória está vinculada à obrigação principal, se utiliza, no caso de obrigação acessória que tem origem em lançamento por homologação o disposto no art. 150, § 4º do CTN, de forma que, uma vez extinto o direito de constituir crédito tributário com relação à obrigação principal, o mesmo ocorre com as obrigações acessória. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32 A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte. " A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade em dar provimento parcial ao recurso. Exonerando o crédito tributário que se encontra extinto pela decadência até o período de 09/2002. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial determinando o recálculo da multa, de acordo com o previsto no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. " Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10380.013291/200715 Acórdão n.º 9202005.245 CSRFT2 Fl. 193 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 07/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 149) e, em 12/01/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 150 a 156 (Despacho de Encaminhamento de fls. 177), visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 25/02/2016 (fls. 179 a 181). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista tratarse de multa por descumprimento de obrigação acessória, hipótese em que não há que se falar em pagamento antecipado de tributo. Cientificado em 08/04/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 189), o Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 190). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, restando em litígio, após a decisão de Primeira Instância, as competências de 12/2001 a 12/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 30/10/2007 (fls. 01). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o que afastaria a decadência das competências de 12/2001 a 09/2002, declarada no acórdão recorrido. Com efeito, o presente processo trata de descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Assim, considerandose que o Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 30/10/2007, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 12/2001 a 12/2006, aplicandose o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento, afastando a decadência relativamente às competências de 12/2001 em diante. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 194DF CARF MF 4 Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002529/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2802-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 02 52 9/ 20 07 -1 6 Fl. 91DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 92 ___________ O contribuinte teve lavrada contra si a Notificação de Lançamento de fls. 23/26, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF referente ao exercício 2004, em razão de suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, deduzidos os honorários advocatícios. Na apuração do imposto devido, não houve a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos uma vez que este já havia sido integralmente aproveitado na DIRPF. Em face do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05, afirmando que o lançamento efetuado decorre de erro de análise por parte da Fiscalização, que não examinou os documentos e dados apresentados, os quais contêm valores não tributáveis na declaração (FGTS e multa de 40%, aviso prévio indenizado) e com tributação exclusiva (13.° salário). Sustenta que a Fiscalização, no exame dos documentos apresentados, terseia baseado exclusivamente na prestação de contas do advogado do contribuinte, a qual, "por óbvio, é um documento destinado apenas a dar ciência ao Impugnante do valor líquido que receberia e dos honorários descontados". E mais, que, nessa prestação, não existe qualquer indicação das parcelas tributáveis e não tributáveis, portanto não poderia ela ter sido utilizada como elemento de averiguação da correção ou incorreção dos lançamentos que constam na DIRPF "porque estes decorreram da obtenção de dados contidos nos cálculos de liquidação de sentença e no alvará, tudo devidamente atualizado". Faz, em seqüência, a demonstração dos valores que entende corretos. Requer, portanto, seja recebida a presente impugnação, para o fim de tornar sem efeito o lançamento efetuado. Anexa os documentos de fls. 06/21. Em anexo, ainda, os documentos de fls. 40/70, examinados pela Fiscalização durante a ação fiscal. Em julgamento, a 7ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 07/04/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que considerando os valores atualizados monetariamente efetivamente recebidos pelo contribuinte, nos termos das provas dos autos, observase que são os mesmos considerados pela fiscalização; que, quanto a supostas parcelas não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não se desincumbiu o contribuinte de provar sua natureza. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 77v, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl.80, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e acrescendo que os documentos que deveriam ser levados em consideração para o deslinde na natureza das parcelas recebidas encontramse a fls.4858 e teriam sido ignorados pela autoridade lançadora; sendo assim o contribuinte desincumbiuse do ônus da prova que lhe cabia. Em sede preliminar, os autos versam sobre rendimentos trabalhistas recebidos acumuladamente em razão de decisão judicial. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.002529/200716 Resolução nº 2802000.118 S2TE02 Fl. 93 3 É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 93DF CARF MF
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