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Numero do processo: 13898.000380/2002-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Castro de Oliveira, OAB/SP nº 257.103, advogado do sujeito passivo.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 27/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Castro de Oliveira, OAB/SP nº 257.103, advogado do sujeito passivo. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 27/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls.606 a 607): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Ressarcimento em papel (fl. 003), protocolado em 18/04/2002, e do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 98 .0 00 38 0/ 20 02 -4 7 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 4 2 Pedido de Compensação em papel (fl. 052), protocolado em 20/08/2002, por meio dos quais a contribuinte pretende ter reconhecido crédito no valor total de R$ 650.000,00 e compensálo em parte em débitos do estabelecimento, no valor de R$ 110.038,97. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos adquiridos pelo estabelecimento CNPJ nº 61.192.522/000208, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referentes ao 1º trimestre de 2002. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osaco SP, que, em 29/03/2007, emitiu Despacho Decisório (fls. 516/520), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 609.886,06 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da falta de comprovação da natureza de crédito básico de parte dos créditos e da apuração descentralizada do crédito presumido incluído no crédito pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 02/05/2007 (fl. 525), a contribuinte ingressou, em 07/05/2007, com a manifestação de inconformidade de fls. 526/544 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Em relação à parcela dos créditos considerada não ressarcível, a contribuinte pretende demonstrar a validade de todos os créditos e o faz discorrendo sobre a natureza das operações correspondentes a cada grupo de CFOPs abrangido. Dessa forma, o CFOP 1.99 referese a entradas de mercadorias a título de amostra ou bonificação utilizadas como insumos na industrialização de produtos isentos ou tributados pela alíquota zero, e os créditos correspondentes devem ser admitidos por não caberem restrições infraconstitucionais à nãocumulatividade do IPI, assim como teriam sido admitidos outros créditos do mesmo CFOP não glosados pela fiscalização; o CFOP 2.32 referese a devolução de vendas, cujos créditos correspondentes são previstos no art. 150 do Decreto 2.637/1998, e também nesse caso haveria créditos da mesma natureza admitidos pela fiscalização; e o CFOP 1.22 referese a créditos relativos a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da requerente, previsto no art. 147, X, do Decreto 2.637/1998. Traz doutrina no sentido de não se admitir restrições à nãocumulatividade do IPI. 2. Defende seu direito à manutenção do saldo credor remanescente do período anterior no valor a ser ressarcido, fundamentandose no art. 49, § único, do CTN, no art. 195, §1º, do RIPI, e no art. 2º, §2º, I e II, da IN 33/1999, que permitem a transferência do saldo credor ao final de um Fl. 709DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 5 3 trimestre para o trimestre subseqüente como forma de aplicação do princípio da nãocumulatividade, associado ao direito a ressarcimento do saldo credor ao final de cada trimestre. Complementa afirmando que a existência do campo “saldo credor do período anterior” no programa PER/DCOMP corrobora a interpretação de que esse valor compõe o montante a ser ressarcido ao contribuinte. 3. Quanto à glosa do crédito presumido por ter sido apurado de forma descentralizada, a contribuinte contrapõese argumentando que a forma de apuração não importa a inexistência do crédito, que teria sido cabalmente comprovado pela documentação apresentada e, pelo princípio da verdade material, deveria ter sido considerado. 4. Clama pela homologação das compensações na sua totalidade, em face da improcedência das glosas já demonstrada. Conclui requerendo a reforma do Despacho Decisório para que se reconheça a validade do crédito glosado e a procedência da homologação da totalidade da compensação efetuada pela contribuinte, protestando pela juntada de provas e demais documentos necessários à solução da lide e requer que as publicações sejam remetidas para o endereço da requerente em Caieiras constante da manifestação, sob pena de nulidade. A 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto em sessão de julgamento realizada em 27 de março de 2012, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão nº 1437.064 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Somente fazem jus a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário de que trata o pedido e que não tenham sido absorvidos pelos débitos escriturados em cada período de apuração ao longo do referido trimestre. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 6 4 TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI, transferido da matriz para a filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos do imposto em conta gráfica, vedado seu ressarcimento. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada interpôs o Recurso Voluntário em 27 de setembro de 2013. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Preliminarmente devemos apreciar a questão da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado em 27 de setembro de 2013 (fls.632 a 675). Consta às folhas 617 do processo, o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO, com a informação de que o Acórdão de Manifestação de Inconformidade e a Comunicação de Resultado de Julgamento (fls.616) foram disponibilizados ao contribuinte através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal em 09/05/2013, e que a data da ciência por decurso de prazo seria o dia 24/05/2013. Tratase da modalidade de ciência por maio eletrônico, conforme prevê o inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 711DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 7 5 a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...]. A Administração Tributária disciplinou as regras, para prática de atos processuais de forma eletrônica através da Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, posteriormente alterada pela Portaria 574/2009. Destacamos os seguintes trechos, aplicáveis ao caso em análise: Art. 1° O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal Fl. 712DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 8 6 do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] § 3° Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Renumerado com nova redação pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou [...] § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; [...]. A Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, disciplinou o domicilio tributário eletrônico do sujeito passivo, considerando, para tanto, a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC. Dessa forma, de acordo com a previsão legal e a previsão regulamentar, a ciência eletrônica darseá com o envio a Caixa Postal do contribuinte disponibilizada no eCAC, e será considerada feita a intimação 15 dias contados da data registrada no comprovante de entrega na Caixa Postal. A Recorrente reconhece que a notificação foi encaminhada a sua Caixa Postal. Entretanto, alega que a suposta notificação encaminhada apenas informa a existência de “documentos para sua ciência na Consulta de Comunicados/Intimações, que pode ser acessada Fl. 713DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 9 7 através da opção ‘Processos Digitais” no eCAC”, não havendo, na notificação, qualquer informação sobre o teor do documento a ser consultado. Restanos analisar se efetivamente foram disponibilizados o acesso ao documento objeto da ciência, ou seja, o efetivo acesso ao Acórdão 1437.064. Acessando a função “Acompanhar Ciência” do eprocesso 13898.000380/2002 47, constatamos as seguintes informações: Tipo Ciência ELETRÔNICA Data Acionamento 09/05/2013 NI Destinatário 61.192.522/000208 Nome Destinatário BIGNARDI INDUSTRIA E COMERCIO DE PAPEIS E ARTEFATOS LTDA Situação REALIZADA Documentos Acórdão de Manifestação de Inconformidade Comunicação de Resultado de Julgamento Data Ciência 24/05/2013 O documento que comprova a ciência efetuada ao sujeito passivo é o TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO (fls.617), com a informação de disponibilização do Acórdão de Manifestação de Inconformidade e a Comunicação de Resultado de Julgamento em sua Caixa Postal do eCAC, no dia 09/05/2013. De acordo com o prazo previsto no inciso I do art. 6º da Portaria SRF nº 259, considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, no dia 24/05/2013, de acordo com a previsão do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Consta no eprocesso que os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento” foram disponibilizados na Caixa Postal do eCAC da Recorrente no dia 09/05/2013. Tendo em vista que o Recurso Voluntário foi apresentado apenas em 27 de setembro de 2013, se efetivamente for configurado a data de ciência por via eletrônica no dia 24 de maio de 2013, o referido recurso seria intempestivo. Entretanto, como a Recorrente alega que não foram disponibilizados para ela os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento”, tornase necessário avaliar, junto à unidade de origem, se efetivamente os Fl. 714DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13898.000380/200247 Resolução nº 3101000.360 S3C1T1 Fl. 10 8 referidos documentos foram para ela disponibilizados e se ela efetivamente acessou o eprocesso 13898.000380/200247, com a visualização de tais documentos. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: (1) Informar se a partir da data de 09/05/2013 os documentos “Acórdão de Manifestação de Inconformidade” e “Comunicação de Resultado de Julgamento” efetivamente estavam disponíveis para acesso e leitura do sujeito passivo no eprocesso via eCAC, para ciência eletrônica, face a alegada inexistência de tais documentos por parte do contribuinte; (2) Informar as datas em que o interessado acessou o eprocesso 13898.000380/200247 e quais foram as atividades acessadas a partir do dia 09/05/2013. Do resultado da diligência deverá ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 28 de maio de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 715DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001055/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF.
Não dá causa à nulidade do lançamento tributário a auditoria realizada em desacordo com o respectivo mandado de procedimento fiscal, ou com a legislação a este pertinente, cabendo apenas, se for o caso, a imputação de penalidade administrativa ao auditor que assim procedeu.
LANÇAMENTO. INOVAÇÃO.
Apresentados junto à impugnação os documentos exigidos pela fiscalização referentes às despesas com serviços prestados por terceiros, não pode o órgão julgador de primeiro grau exigir novos documentos a fim de que seja comprovada a efetividade e a necessidade dessas despesas, sob pena de incorrer em inovação ao lançamento.
Numero da decisão: 1201-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido - CSLL, relativamente ao 1º trimestre de 2004, o montante de R$ 109.323,69, conforme item 3 do voto.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. Não dá causa à nulidade do lançamento tributário a auditoria realizada em desacordo com o respectivo mandado de procedimento fiscal, ou com a legislação a este pertinente, cabendo apenas, se for o caso, a imputação de penalidade administrativa ao auditor que assim procedeu. LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. Apresentados junto à impugnação os documentos exigidos pela fiscalização referentes às despesas com serviços prestados por terceiros, não pode o órgão julgador de primeiro grau exigir novos documentos a fim de que seja comprovada a efetividade e a necessidade dessas despesas, sob pena de incorrer em inovação ao lançamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Não dá causa à nulidade do lançamento tributário a auditoria realizada em desacordo com o respectivo mandado de procedimento fiscal, ou com a legislação a este pertinente, cabendo apenas, se for o caso, a imputação de penalidade administrativa ao auditor que assim procedeu. LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. Apresentados junto à impugnação os documentos exigidos pela fiscalização referentes às despesas com serviços prestados por terceiros, não pode o órgão julgador de primeiro grau exigir novos documentos a fim de que seja comprovada a efetividade e a necessidade dessas despesas, sob pena de incorrer em inovação ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, relativamente ao 1º trimestre de 2004, o montante de R$ 109.323,69, conforme item 3 do voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 10 55 /2 00 9- 06 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.001055/200906 Acórdão n.º 1201001.008 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0628.148, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba PR. Conforme descrito no termo de verificação fiscal, a autoridade administrativa acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária no ano de 2004 (fl. 556 e ss.): a) omissão de receitas caracterizada pelo ocorrência de saldo credor de caixa; b) falta de comprovação de despesas com a prestação de serviços por terceiros; c) falta de comprovação da dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos; d) falta de declaração do lucro líquido registrado na contabilidade. Em virtude dos ilícitos acima apontados a autoridade lavrou os autos de infração do IRPJ, da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL (fl. 575 e ss.). Inconformada com a autuação a contribuinte propôs impugnação ao lançamento sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 610 e ss.): a) a comunicação de extensão do MPF à CSLL e ao PIS/Cofins apenas quando do encerramento da ação fiscal macula de nulidade insanável o auto de infração; b) os documentos ora anexados comprovam as despesas incorridas com prestação de serviços pelas empresas Organ Factoring Fomento Mercantil Ltda. e GVT Global Telecon Village. Quanto às despesas incorridas por serviços prestados pela empresa Barbosa e Esteves Ltda., requer seja concedido prazo para juntada de novos documentos; c) também encontramse provadas as perdas com recebimento de crédito, tendo sido observadas as condições legais para sua dedutibilidade; d) quanto à falta de declaração do lucro líquido apurado é de se dizer que a impugnante não pode ser tratada com os mesmo rigores de uma empresa que tenta fraudar o fisco, daí porque é incabível a imposição da multa de 75%, penalidade essa que, ademais, revelase confiscatória, exorbitante e irrazoável; e) é ilegal o emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação (fl. 847 e ss.). Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário reproduzindo, em resumo, os mesmos argumentos trazidos na impugnação. Clama ainda, com base no princípio da verdade material, sejam recebidos os documentos anexados à peça recursal (fl. 866 e ss.). Voto Fl. 950DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.001055/200906 Acórdão n.º 1201001.008 S1C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento A interessada pede seja declarada a nulidade do lançamento argumentando que: (i) não foi cientificada do MPF que prorrogou o procedimento fiscal, o que viola os princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da legalidade; (ii) foi informada da inclusão da CSLL no MPF um dia após lavratura do auto de infração e, quanto ao PIS/Cofins, somente um ano após essa data. Não assiste razão à recorrente. Pelo que consta dos autos a contribuinte foi regularmente cientificada de todos os termos lavrados pelo autor da ação fiscal, daí porque não há que se falar aqui em inobservância das normas contidas no Decreto nº 70.235/72, que regula o procedimento fiscal no âmbito da União. Por outro lado, é pacífica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que o MPF é um instrumento de controle interno da administração, daí porque eventuais violações à Portaria RFB nº 11.371/2007, mencionada pela recorrente, poderá implicar em sanções administrativas às pessoas que as praticarem, mas nunca na nulidade do auto de infração, a qual somente poderá ser decretada nas hipóteses estabelecidas no art. 59 do já aludido Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) 3) Da Glosa de Despesas com Serviços Prestados Alega a recorrente haver produzido prova documental dos serviços prestados pelas empresas Organ Factoring Fomento Mercantil Ltda. e GVT Globral Telecon Village. Quanto aos serviços prestados pela empresa Barbosa e Esteves Ltda., requereu na impugnação ao lançamento prazo para juntada de documentos, o que não foi feito. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.001055/200906 Acórdão n.º 1201001.008 S1C2T1 Fl. 5 4 No voluntário limitouse a alegar que, tal como ocorreu com as duas empresas acima referidas, houve apenas falha na contabilização da despesa. Pois bem, à mingua de documentos que amparem os registros contábeis da despesa com prestação de serviços por Barbosa e Esteves Ltda., devese manter a glosa que a esta empresa. Em relação à prestação de serviços por Organ Factoring Fomento Mercantil Ltda. (R$ 89.190,16) e GVT Globral Telecon Village (R$ 20.133,53), apesar de haver reconhecido que os documentos exigidos pela fiscalização foram apresentados junto à impugnação, a DRJ de origem manteve o lançamento sob o argumento de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a efetividade ou a necessidade das despesas. Aqui o órgão de primeira instância, a meu juízo, está se imiscuindo na competência atribuída à fiscalização. De fato, pelo exame dos autos é possível constatar que em momento algum o auditor perquiriu sobre a efetividade e a necessidade das despesas em comento. A glosa foi levada a efeito simplesmente pela falta de apresentação dos documentos que amparariam o registro das despesas na contabilidade, documentos esses que foram apresentados na impugnação. Como a fiscalização não exigiu da contribuinte a prova da efetividade ou a necessidade dessas despesas, não poderia a DRJ fazêlo, sob pena de inovação ao lançamento. Isso posto, apresentados os documentos exigidos na fase de fiscalização, é de se afastar a glosa com a prestação de serviços por Organ Factoring Fomento Mercantil Ltda. e GVT Globral Telecon Village. 4) Da Glosa com Perdas no Recebimento de Créditos Conforme consta do TVF, a autoridade fiscal glosou perdas registradas pela contribuinte no recebimento de adiantamentos feitos a cinco fornecedores, no valor total de R$ 3.794.104,20, uma vez que, apesar de intimada e reintimada para tanto, não apresentou os documentos e esclarecimentos sobre: (i) os adiantamentos feitos aos cinco fornecedores; (ii) as respectivas perdas em seu recebimento, e; (iii) a observância dos requisitos legais para sua dedutibilidade. Em sua peça recursal a interessada tece esclarecimentos sobre as condições de dedutibilidade das perdas com créditos de valor até R$ 5.000,00, de valor até R$ 30.000,00 e de valor superior a R$ 30.000,00. Em anexo à impugnação apresentou, para cada um dos cinco fornecedores, uma relação com os registros contábeis dos adiantamentos, bem como cópia dos comprovantes de transferência bancária (fl 663 e ss.). E em anexo ao voluntário apresentou cópia de notificações extrajudiciais de cobrança. Pois bem, a meu ver os documentos acima referidos não comprovam a alegação da defesa segundo à qual as transferências se deram a título de adiantamento a fornecedores. Faltam, em especial, os aludidos contratos de adiantamento aos cinco fornecedores, que serviriam para comprovar a efetiva existência dos créditos que a ora recorrente alega não haver recebido. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.001055/200906 Acórdão n.º 1201001.008 S1C2T1 Fl. 6 5 Em relação às mencionadas notificações extrajudiciais de cobrança (fl. 922 e ss.), é de se notar, conforme informado no TVF, que ao menos três das cinco empresas que assinaram as notificações (Lado Avesso Ind. e Com. Ltda., Lavanderia Lavingá Ltda. e Falleiro e Cia Ltda.) possuem em seu quadro social parentes dos sócios da autuada. Isso posto, estas as notificações não provam o crédito, haja vista o interesse comum. Por fim, mas não menos importante, ressaltese que a contribuinte não adotou a forma de escrituração das perdas determinada no abaixo transcrito art. 341 do RIR/99, preferindo utilizar a conta lucros acumulados ao invés da conta de resultado: Art.341. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Subseção serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 10): I da conta que registra o crédito de que trata o §1º, inciso II, alínea "a", do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. 5) Da Multa de Ofício e dos Juros de Mora Alega a recorrente que a multa de ofício de 75% sobre o valor do IRPJ e da CSLL lançados é confiscatória e desproporcional. Em razão de o argumento da defesa estar fundado na arguição de constitucionalidade do art. 44 da Lei nº 9.430/96, base legal da multa de ofício imposta, essa Turma não detém competência para apreciálo, haja visto o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e na Súmula nº 2 do CARF, que assim estabelecem: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Súmula nº 2 do CARF (DOU de 09/12/2010) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega ainda a interessada ser incabível o emprego da taxa Selic no cálculo do juros de mora. Sobre esse assunto o CARF, por meio de sua Súmula nº 4, assim se pronunciou de maneira vinculante perante as Turmas que o compõem: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.001055/200906 Acórdão n.º 1201001.008 S1C2T1 Fl. 7 6 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lucro real e da base de cálculo da contribuição social relativos ao 1º trimestre de 2004 o montante de R$ 109.323,69, conforme item 3 do voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 954DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000943/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Marco Túlio Ibraim, OAB/MG 110.372.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Marco Túlio Ibraim, OAB/MG 110.372. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1940; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.000943/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.284 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria IRRF Recorrente CNH LATIN AMERICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Marco Túlio Ibraim, OAB/MG 110.372. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 09 43 /2 00 9- 31 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório A Delegacia da Receita Federal de Contagem (MG) através do Despacho Decisório nº 1.218 – DRF/CON às fls. 532 não homologou a Declaração de Compensação pleiteada, com base nos seguintes argumentos: · o Contribuinte formalizou Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 15668.59223.200209.1.2.048242 (fls. 506). Ressaltase que além desse pedido de restituição o Contribuinte protocolou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 482 (em formulário papel). · para o controle do débito constantes na mencionada DCOMP formalizouse o processo nº 13603.720547/200924. · o pedido de restituição, transferido em 20/02/2009, referese a pagamento que o Contribuinte alega ser indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), código de receita 0561, relativo ao período de apuração encerrado em 31/12/2008, no valor de R$ 420.344, 41. · relativamente a DCOMP de fls. 482, o Contribuinte protocolou em formulário papel amparado em liminar em Mandado de Segurança nº 2008.38.00.0377160, tendo em vista que à época havia proibição expressa de lei para compensar o débito objeto da compensação pretendida pelo interessado (estimativa de IRPJ), nos termos do § 3º do inciso IX, do art. 74 da Lei nº. 9.430/96. Em 08/06/2009 foi prolatada Sentença de primeiro grau concedendo a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de considerar como “não declaradas” ou “não homologadas” as compensações realizadas pela impetrante para o pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, sob a alegação de vedação prevista no dispositivo supramencionado. · às fls. 525 foram juntadas telas da ultima DCTF retificadora referente a dezembro/2008, nº 1002.008.2010.1890378012, e da alocação do pagamento que a interessada alega ter sido indevido. · reconheceu a tempestividade do pedido de restituição. · relativamente à parcela do crédito tributário extinta por pagamento, no total de R$ 1.688.099,01, foram vinculados sete DARFs cuja soma é exatamente este valor . Como o DARF objeto deste pedido de restituição está inserido na parcela do crédito tributário extinta com tais pagamentos, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. · logo na ausência de crédito a restituir concluiu pelo indeferimento do pedido de restituição, e pela não homologação da declaração de compensação ventilada. Notificado em 28/09/2010 (fls. 538), o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 22/10/2010 (fls. 539) apontando que, embora DRF/CON argumente inexistir o crédito utilizado, pois o dito valor já havia sido empregado na quitação do IRRF de dez/2008, na verdade não houve utilização de crédito inexistente, mas mero equívoco nas informações prestadas em DCTF o que fez com que o crédito do Contribuinte não fosse identificado pelo referido órgão. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 2201002.284 S2C2T1 Fl. 3 3 Assim, com base no princípio da verdade material requer, em sede de Manifestação de Inconformidade, a revisão do indeferimento do Pedido de Restituição e da negativa de homologação de compensações efetivas com base nos documentos anexos à manifestação de inconformidade e na DCTF retificadora, relatando: · o DARF correspondente a R$ 420.344,41 não foi utilizado para pagamento do IRRF de dez/2008. Na DCTF transmitida em 20/02/2009 foi declarado como imposto devido a importância de R$ 2.905.103,18 a título de IRRF (código 0561 competência de dez/2008). Para fazer frente a esse valor, vinculou em erro, 8 DARFs, inclusive o referido DARF, e os créditos de COFINS não cumulativa. Ressalta que o equívoco esteve em considerar, à ocasião do preenchimento da DCTF mencionada, a DCOMP nº. 01609.50585.130109.1.3.015239 pela qual pleiteou a compensação de créditos de ressarcimento de IPI (PER nº. 09482.60562.130109.1.1.019180) no valor de R$ 1.434.295,57exatamente para quitar o IRRF devido em dez/2008. E, ao vincular os DARFs de valores R$ 30.842,02, R$ 265.696,55, R$ 289.684,65, R$ 420.344,41 e R$ 427.727,94, para pagamento do IRRF de dez/2008 (código 0561), pois já havia pedido a restituição dessas quantias por meio de Pedidos de Restituição. · alega que tão logo se apercebeu do erro, promoveu a retificação da DCTF de dez/2008 (código 0561) de modo a acertar as duas falhas citadas: vinculou, assim, os créditos de ressarcimento de IPI (equivalentes a R$ 1.434.295,57) e desvinculou os DARFs mencionados atrelados aos PERs susomencionados. · a DCTF retificadora foi enviada em 27/09/2010, antes que o Contribuinte tivesse ciência do despacho decisório. · uma vez que a PER nº. 15668.59223.200209.1.2.048242, o valor de R$ 420.344,41 deixou de ser utilizado para o recolhimento do IRRF de dez/2008. Logo, o crédito é existente e, portanto hábil a sustentar a Declaração de Compensação objeto do presente da Manifestação de Inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/BHE através do acórdão 0230.489 de fls. 759 deu parcial provimento ao recurso para: · reconhecer o direito à restituição do indébito de R$ 420.344,41 pleiteado na PER nº. 15668.59223.200209.1.2.048242. · reconhecer a suficiência de crédito a restituir para extinção da totalidade dos débitos declarados nas DCOMP’s cadastradas neste processo. · não conhecer da solicitação de homologação da DCOMP anexada às fls. 482 considerando que o assunto está em apreciação no Poder Judiciário, nos termos do ADN COSIT nº. 03, de 14.02.96. O Contribuinte foi notificado da decisão em 12/07/2011 (fls. 769) tendo apresentado em 09/08/2011 Recurso Voluntário (fls. 770) quanto ao “não conhecimento” do pedido de homologação da DCOMP de papel apresentada. Nesta senda, o Contribuinte levanta três motivos que justificam o provimento do Recurso Voluntário: · a compensação de estimativas efetuada pelo Contribuinte (ato pretérito) deixou de ser contrária a uma exigência legal (a vedação contida na MP 449/08) que não foi mantida na conversão da Medida Provisória na Lei nº 11.941/09 que deixou de vedar o pagamento de estimativas via compensação, assim, seria aplicável a lei tributária nova a fato pretérito ainda não definitivamente julgado quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, na forma do art. 106, II, b do CTN. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · o acórdão 0230.489 proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE deixou de dar cumprimento ao mandamento judicial. · o arresto combatido extrapolou os limites da contenda administrativa, uma vez que a lide residia na existência ou não do crédito requerido na PER nº. 15668.59223.200209.1.2.048242, por isso a Declaração de Compensação em apreço somente poderia ter sido analisada sob este viés (existência do direito de creditório), e não sob a perspectiva da MP nº 449/08, como acabou por sêlo. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo. Inicialmente, cabe destacar que o acórdão da DRJ acabou por acatar os pleitos do Contribuinte, com exceção da solicitação de homologação da DCOMP anexada às fls. 482, tendo considerado a DRJ que a matéria está em apreciação no Poder Judiciário, nos termos do ADN COSIT nº 03 de 14/02/1996. A referida DCOMP é da monta de R$ 424.547,85 e referese a débito de código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), conforme fls. 482 e crédito de código de receita 0561 (IRRF – RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO), conforme processo 15668.59223.200209.1.2.04 8242 de fls. 506 a 508. Nesta senda, considerando não haver recurso de ofício, a matéria a ser tratada no presente momento diz respeito apenas ao pedido de homologação da DCOMP anexada às fls. 482, pois o restante dos pleitos já foram atendidos pela DRJ. Antes de adentrar ao mérito, cabe análise quanto à competência das seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (CARF) para julgamento do presente recurso voluntário. Isso porque da análise do processo, verificase que a matéria em questão permeia tributos de competências distintas entre as seções do CARF, pois o crédito a ser aproveitado é referente ao IRRF (código de receita 0561), matéria, via de regra, de competência da Segunda Seção, porém o débito a ser compensado é referente ao IRPJ (código de receita 2362), matéria de competência da Primeira Seção, conforme art. 2º, I, III e IV, bem como art. 3º, II do Anexo II da Portaria nº 256/09 do Ministério da Fazenda, confirase: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); (...) III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 2201002.284 S2C2T1 Fl. 4 5 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Art. 3º À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); Entretanto, o aparente conflito de competência encontra solução no § 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 256/09 do Ministério da Fazenda: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (grifos nossos) Neste sentido, observando o disposto na norma supra e tendo em vista que o crédito cuja compensação é pleiteada referese ao IRRF (código receita 0561), mesmo sendo o débito referente ao IRPJ, matéria de competência da Primeira Seção, entendo que a competência para análise do presente recurso é da Segunda Seção. Ultrapassada a questão da competência e sendo entendida a competência da Segunda Seção do CARF para julgar o recurso em questão, passemos ao mérito. O acórdão da DRJ entendeu que a matéria é objeto de ação judicial (mandado de segurança) e, portanto, restou caracterizada a desistência da esfera administrativa pelo Contribuinte, restando a discussão da matéria apenas no âmbito do Judiciário. Destacase que a decisão da DRJ enfrentou a questão da validade do crédito de IRRF (código 0561) para fins de homologação da compensação (fls. 764 – item 19), conforme a seguir: “19. A planilha de cálculo anexada às fls. 251 a 253 indica que o crédito pleiteado é suficiente para extinguir os débitos constantes da DCOMP cadastrada neste processo. Contudo, a homologação da compensação do débito declarado neste documento não será apreciada por este Órgão julgador, considerando a demanda intentada pelo contribuinte no Poder Judiciário.” Em resumo, a DRJ reconhece que o crédito de IRRF (código 0561) existe e é válido, porém não homologa a DCOMP (fls. 482), pois entende que essa matéria foi objeto de mandado de segurança impetrado pelo Contribuinte no Judiciário, havendo, portanto, concomitância de instâncias. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 O Contribuinte possui sentença em sede de mandado de segurança concedendo a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de considerar como “não declaradas” ou “não homologadas” as compensações realizadas pela impetrante para o pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, sob a alegação de vedação nos termos do § 3º do inciso IX, do art. 14 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte ingressou com o referido mandado de segurança para restar garantida a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa, por meio de declaração, que fora vedada por dispositivo legal trazido pela MP nº 449/08, alterando a Lei nº 9.430/96, confirase: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” (grifos nossos) O Contribuinte ainda requer a aplicação do art. 106, II, “b” do CTN, pois o inciso IX do § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430/96 fora revogado posteriormente, confirase: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Conforme demonstrado anteriormente, o acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE teve como mérito para não homologação da DCOMP a renúncia à esfera administrava, diante de demanda judicial (ADN COSIT nº. 03, de 14.02.1996). In verbis “19. A planilha de cálculo anexada às fls. 251 a 253 indica que o crédito pleiteado é suficiente para extinguir os débitos constantes da DCOMP cadastrada neste processo. Contudo, a homologação da compensação do débito declarado neste documento não será apreciada por este Órgão julgador, considerando a demanda intentada pelo contribuinte no Poder Judiciário. Conclusão 20. () (...) Fl. 832DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 2201002.284 S2C2T1 Fl. 5 7 Não conhecer da solicitação de homologação da compensação declarada considerando que o assunto está em apreciação no Poder Judiciário, (ADN COSIT nº. 03, de 14.02.96).” O instrumento regulamentar citado aborda processo administrativo fiscal: “ADN COSIT 3/96 ADN Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 3 de 14.02.1996 D.O.U.: 15.02.1996 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47. , item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida,se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49. do CTN;” A referida previsão encontra respaldo no art. 87 do Decreto nº 7.574/11: “Art. 87 A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada.” Ou seja, o acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, não deixou de homologar a compensação porque os créditos referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte (código receita 0561) não eram passíveis de compensação, mas sim porque entendeu que o Contribuinte renunciou à esfera administrativa ao levar a matéria a ser decida ao Judiciário. A alínea “b” do ADN COSIT nº 03/96 bem como o parágrafo único do art. 87 do Decreto nº 7.574/11 determinam que o processo administrativo terá prosseguimento quando versar sobre matéria distinta da constante do processo judicial. Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Quando o Contribuinte ingressa no Judiciário com vistas a garantir o seu direito de compensação acaba por retirar da instância administrativa a apreciação do tema. Isso porque, caso fosse possível que a instância administrativa apreciasse questão que já está sob apreciação do Judiciário, poderia haver a existência de duas decisões válidas e divergentes sobre o mesmo caso. Logo, a via administrativa apenas atua quando ainda não acionado o Judiciário. Sendo assim, entendo que resta prejudicada a análise do caso em questão por esse Colegiado, tendo em vista que o pleito do recurso voluntário (possibilidade de compensação de crédito de IRRF em face de débitos de IRPJ) é objeto de ação judicial. A Corte Administrativa também pacificou o referido entendimento através do enunciado nº 01 da Súmula do CARF: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso por entender haver concomitância de instâncias. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 834DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16682.720018/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/10/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007
DEPÓSITO DO MONTANTE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA.
É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral.
Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados sobre as contribuições que foram depositadas em juízo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/04/2007 a 31/10/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007 DEPÓSITO DO MONTANTE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados sobre as contribuições que foram depositadas em juízo. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente VALE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2007 a 31/10/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007 DEPÓSITO DO MONTANTE DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados sobre as contribuições que foram depositadas em juízo. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 18 /2 01 2- 81 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720018/201281 Acórdão n.º 2401003.507 S2C4T1 Fl. 507 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 57.363 de lavra da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.321.6743. O crédito diz respeito à contribuição destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, incidente sobre as remunerações pagas a segurados empregados. Os valores lançados são objeto de discussão judicial, na qual ocorreu o depósito parcial do montante do tributo. Informase no relatório fiscal que a empresa não declarava a contribuição apurada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e que, em razão da existência de processo judicial, a lavratura foi efetuada para prevenir a decadência. Conforme o Discriminativo do Débito – DD, os juros foram calculados com esteio no art. 34 da Lei n. 8.212/1991 e a multa incidiu a taxa de 24%. Ofertada a impugnação, a DRJ declaroua parcialmente procedente, mantendo integralmente o lançamento em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/10/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. A realização de depósito judicial parcial do crédito não suspende sua exigibilidade, podendo o Fisco exigir o crédito em sua totalidade, bem como seus consectários legais. RETIFICAÇÃO. Excluise do lançamento competência de débito não prevista no relatório fiscal. Impugnação Procedente em Parte Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Entendeu o órgão de primeira instância que a competência 10/2007 deveria ser expurgada do lançamento, uma vez que não foi citada no relatório fiscal, nem consta do demonstrativo que relaciona as divergências entre a contribuição devida e o depósito judicial efetuado. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, fez as alegações que se seguem. Antes da lavratura do AI atacado, ajuizou, em litisconsórcio, demanda judicial visando à declaração de inexistência da relação jurídica que lhe obrigava a recolher as contribuições ao INCRA, sob o fundamento de que, sendo empresa industrial urbana, não poderia ser contribuinte de tributo destinado à assistência do trabalhador rural. Após autorização judicial, passou a efetuar nas datas de vencimento da contribuição o depósito das parcelas supostamente devidas, sem que o INSS se manifestasse acerca desse procedimento. A sentença de primeiro grau julgou improcedentes os pedidos, tendo sido confirmada pelo TRF – 1.ª Região, com respectivo trânsito em julgado. Os autos retornaram a vara de origem e aguarda providências tendentes à conversão do depósito em renda. Ante a efetiva antecipação do valor devido, aliada à expressa concordância do fisco, devese concluir que o lançamento já se operou, nos moldes do “caput” do art. 150 do CTN, nesse sentido, seria descabido o lançamento das parcelas que foram depositadas, posto que a Fazenda já tem assegurado o recebimento do eventual crédito. Assim tem decidido o STJ, conforme precedentes colacionados. Ao efetuar mesmo que parcialmente os depósitos das contribuições devidas, não há de incidir qualquer encargo de juros e multa sobre os valores depositados em juízo, conforme tem decidido reiteradamente o CARF. Ao final, pede a declaração de improcedência do AI ou, alternativamente, que sejam expurgados os acréscimos legais aplicados às parcelas depositadas. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720018/201281 Acórdão n.º 2401003.507 S2C4T1 Fl. 508 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Lançamento para prevenir a decadência – cabimento A recorrente alega que não caberia o lançamento para prevenir a decadência, posto que, pelo menos na parte depositada, o pagamento da contribuição já haviam sido efetuado, o que corresponderia à constituição do crédito. Observese que esta alegação está relacionada apenas aos valores efetivamente depositados, posto que, sobre a parte em que não houve os depósitos, não há sequer o que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito. Nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa com o depósito do montante integral do tributo. Por força de tal dispositivo legal, fica o fisco impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. Acerca dessa questão o entendimento prevalente no Egrégio Superior Tribunal de Justiça é o de que não há impedimento para que a Fazenda, mesmo diante de provimento judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, efetue o lançamento para prevenir a decadência. É o que se pode ver desse julgado: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005). Assim, mesmo ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão do depósito do tributo, inexiste óbice legal para a constituição do crédito tributário visando à prevenção da decadência. Esse entendimento também se encontra consagrado na jurisprudência do CARF como se pode ver do Acórdão n. 2403002.041, assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. . 150, § 4º do CTN. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial). AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. (...) Observese que nenhum prejuízo sofrerá o sujeito passivo com o lançamento, pois os atos tendentes a execução das contribuições em tela não serão levados adiante e, quando da conversão em renda dos depósitos, o crédito tributário será extinto pelo pagamento. A jurisprudência colacionada, embora fale na desnecessidade de lançamento de ofício nos casos de depósito do montante integral, não determina o cancelamento das lavraturas que tenham sido efetuadas nessas circunstâncias. Portanto, não têm o condão de tornar improcedente o AI guerreado. Assim, cabível o lançamento para prevenir a decadência, mesmo diante da ocorrência de depósitos judiciais. Exclusão da Multa e dos Juros O pedido da exclusão dos acréscimos legais aplicados ao lançamento deve ser atendido para as contribuições que foram objeto dos depósitos. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo é no sentido de que no lançamento efetuado para prevenir a decadência em razão da existência de depósito do montante integral do tributo não é cabível a inclusão de juros e multa. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720018/201281 Acórdão n.º 2401003.507 S2C4T1 Fl. 509 7 Tenho seguido o mesmo entendimento do acórdão n. 2403001.485 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/08/2001 PREVIDENCIÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA.INDEVIDOS A súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF pacificou a questão dos juros de mora, no sentido de que existindo depósito no montante integral são indevidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. No que diz respeito a multa de mora, o comando do § 2º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aduz que: “ Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, (..) A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição”. CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA. O depósito é garantia do pagamento do tributo, com destino vinculado à decisão que vier a transitar em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Devese então afastar os acréscimos legais incidentes sobre as parcelas que foram depositadas, subsistindo os mesmos para os valores de contribuição que não foram objeto do depósito. Sobre essa questão, vale salientar que esta turma, em julgamento realizado no mês de fevereiro de 2014, adotou por unanimidade esse mesmo entendimento, quando apreciou o recurso do contribuinte no processo n. 10680.725040/201090. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados sobre as contribuições que foram depositadas em juízo. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911147/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 47 /2 01 2- 41 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911147/201241 Acórdão n.º 3801003.344 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.007421/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Ementa:
IRPJ/CSLL. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS. IMPROCEDÊNCIA. Existindo prova da contratação dos serviços; necessidade dos mesmos para os objetivos sociais da empresa; materialidade dos pagamentos; existência de projetos e responsável técnico das obras e ou serviços realizados, incabível a glosa das despesas sob o único argumento de que as notas fiscais e boletins de medição referentes aos serviços terceirizados apresentarem descrições sucintas. No caso, a autoridade fiscal não realizou qualquer diligência junto às prestadoras dos serviços, ou nas obras realizadas, capaz de por dúvidas quanto à efetiva prestação dos mesmos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: IRPJ/CSLL. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS. IMPROCEDÊNCIA. Existindo prova da contratação dos serviços; necessidade dos mesmos para os objetivos sociais da empresa; materialidade dos pagamentos; existência de projetos e responsável técnico das obras e ou serviços realizados, incabível a glosa das despesas sob o único argumento de que as notas fiscais e boletins de medição referentes aos serviços terceirizados apresentarem descrições sucintas. No caso, a autoridade fiscal não realizou qualquer diligência junto às prestadoras dos serviços, ou nas obras realizadas, capaz de por dúvidas quanto à efetiva prestação dos mesmos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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Glosa de Custos Recorrente CIL CONSTRUTORA ICEC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Ementa: IRPJ/CSLL. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS. IMPROCEDÊNCIA. Existindo prova da contratação dos serviços; necessidade dos mesmos para os objetivos sociais da empresa; materialidade dos pagamentos; existência de projetos e responsável técnico das obras e ou serviços realizados, incabível a glosa das despesas sob o único argumento de que as notas fiscais e boletins de medição referentes aos serviços terceirizados apresentarem descrições sucintas. No caso, a autoridade fiscal não realizou qualquer diligência junto às prestadoras dos serviços, ou nas obras realizadas, capaz de por dúvidas quanto à efetiva prestação dos mesmos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 74 21 /2 00 8- 55 Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CIL CONSTRUTORA ICEC LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). O presente processo trata de glosa de despesas em relação a serviços relacionados à construção civil. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não comprovou a efetiva prestação dos serviços que lhes teriam sido prestados pelas empresas abaixo relacionadas, cuja descrição, tanto nas notas fiscais quanto nos boletins de medição, foram feitos de forma sucinta. Empresa Serviços/despesas glosados Rumo ao Sucesso Prestação de Serviços ME Empresa Serviços/despesas glosados R.F. Topografia e Geoprocessamento Ltda Quanto a estas despesas, conforme termo de verificação fiscal transcrito no acórdão referido, o qual louvome para efeito de relatório, contam as seguintes observações: Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 3 "Além das notas fiscais supra indicadas, o contribuinte apresentou planilhas indicadas como Boletim Medição/Liberação de Pagamento. Nas notas fiscais, a descrição dos serviços é indicada apenas por: "topografia", ou "locação de mão de obra e topografia" ou "prestação de serviços topográficos". Não estão discriminadas as horas e/ou homens/hora utilizadas nas notas fiscais. De forma similar, nos Boletins Medição/Liberação de Pagamento, estão indicados "serviços de topografia na obra", não constando valores unitários destes serviços, apenas o total. Ou seja, o boletim de medição não representa efetiva medição realizada. São ainda apresentados extratos bancários referentes aos pagamentos das notas fiscais. Estes pagamentos não demonstram a efetiva realização dos serviços realizados ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. O contribuinte apresentou ainda os contratos N° 103002/06, N° 103002/034 e aditivo ao contrato N° 103002/034, entre a fiscalizada e R.F. TOPOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO LTDA, bem como documentos referentes a recolhimentos ao Ministério da Previdência e Assistência Social, Ministério do Trabalho e emprego, CREA. Nenhum destes documentos comprova a efetiva prestação dos serviços realizados, ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. Empresa Serviços/despesas glosados Nova Semal Reforma e Manutenção Ltda Além das notas fiscais supra indicadas, o contribuinte juntou a folha do Livro Razão onde estas estão lançadas, bem como planilhas indicadas como Boletim Medição/Liberação de Pagamento. Nas notas fiscais, a DISCRIMINAÇÃO é indicada apenas por: "execução mão de obra de armação". Não estão discriminadas as horas e/ou homens/hora utilizadas nas notas fiscais. De forma similar, nos Boletins Medição/Liberação de Pagamento, estão indicados "execução de mão de obra de armação", não constando valores unitários destes serviços, apenas o total. Ou seja, o boletim de medição não representa efetiva medição realizada. Nos vários Boletins de Medição apresentados, para a mesma descrição do serviço, quantidade e unidade, indicam valores distintos dos serviços. São ainda apresentados extratos bancários referentes aos pagamentos das notas fiscais. Estes pagamentos não demonstram a efetiva realização dos serviços realizados ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. O contribuinte apresentou ainda os contratos N° 103002/ 06, N° 103002/ 034 e aditivo ao contrato N° 103002/ 034, entre a fiscalizada e R.F. TOPOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO LTDA, bem como documentos referentes a recolhimentos ao Ministério da Previdência e Assistência Social, Ministério do Trabalho e emprego, CREA. Nenhum destes documentos comprova a efetiva prestação dos serviços realizados, ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 4 Empresa / Serviços/despesas glosados Terraplanagem Campos Novos Ltda NF DATA VALOR 73 10/07/2003 100.000,00 74 10/07/2003 2.800,00 75 24/07/2003 75.000,00 76 2.798,26 77 28/08/2003 100.000,00 79 17/09/2003 50.000,00 80 04/10/2003 7.100,00 81 04/10/2003 46.875,34 82 10.000,00 83 20/10/2003 50.000,00 84 03/11/2003 17.100,00 89 01/12/2003 25.000,00 Total Campos Novos 486.673,60 Na notas fiscais de números 76 e 82 não foram apresentadas. Além do Razão Contábil e das notas fiscais supra indicadas, o contribuinte juntou a folha do Livro Razão onde estas estão lançadas, bem como planilhas indicadas como Boletim Medição/Liberação de Pagamento. Nas notas fiscais, a DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS é indicada apenas por: "Serviços de Terraplanagem conforme contrato", ou "Serviços de Topografia", ou "Locação de Equipamentos de Terraplanagem". Não estão discriminadas as horas e/ou homens.hora utilizadas nas notas fiscais. De forma similar, nos Boletins Medição / Liberação de Pagamento, estão indicados "Locação de equipamentos de terraplanagem", "mão de obra", "serviços de topografia", não constando valores unitários destes serviços, apenas o total. Ou seja, o boletim de medição não representa efetiva medição realizada. Nos vários Boletins de Medição apresentados, para a mesma descrição do serviço, quantidade e unidade, indicam valores distintos dos serviços. São ainda apresentados extratos bancários referentes aos pagamentos das notas fiscais. Estes pagamentos não demonstram a efetiva realização dos serviços realizados ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. O contribuinte apresentou ainda o Contrato de Prestação de Serviço ADM/CAMPOS NOVOS007/ 03, DE 09/06/2003 e Anexos I e II, entre a fiscalizada e TERRAPLENAGEM CAMPOS NOVOS LTDA. Nenhum destes documentos comprova a efetiva prestação dos serviços realizados, ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. Empresa Serviços/despesas glosados C.R.J. Construções e Serviços Ltda O Anexo I do citado contrato apresenta a descrição dos serviços a serem realizados. Esta descrição (objeto do contrato) é genérica, não apresentando quantitativos das obras a serem realizadas. Fl. 4011DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 5 Verificamos que tanto a referida nota fiscal, quanto o boletim de medição, apresentam a discriminação de forma genérica, "serviços de construção civil executados na obra da ADM Vipishi MT". Em conseqüência, consideramos não comprovada a efetiva realização dos serviços. Por fim, o relatório do acórdão recorrido registra, ainda, que nos demais itens “e.2” a “e.15” do TVF estão relacionadas as demais prestadoras de serviços que teriam sido subcontratadas pela Impugnante cujos valores também foram igualmente glosados: CAMILLO MONTAGENS S/C LTDA., MONTEMETAL MONTAGENS E MANUTENÇÕES METÁLICAS LTDA, JP ESTRUTURAS METÁLICAS ELIZEU ELOY SANTANA MATÃO, VDS CONSTRUTORA VALDECIR DA SILVA CONSTRUTORA, MACIO ESTEVES DO NASCIMENTO – EMPREITEIRA, EMPREITEIRA DE MÃO DE OBRA SWL LTDA ME, S. K. S. COMÉRCIO E CONSTRUÇÕES LTDA, BLANCO POMBO CONSTRUÇÃO CIVIL, EDU MATIAS DA SILVA & CIA LTDA, EMPREITEIRA BATISTA DE RAFAEL BATISTA, R & A EDIFICAÇÕES E REFORMAS LTDA, MUNDIAL CONSTRUÇÕES ANTONIO A. C. DE OLIVEIRA CONSTRUÇÕES ME, M B EMPREITEIRA DE FORMAS E FERRAGENS LTDA., R C MONTAGENS E SERVIÇOS C A CARDOSO & CIA LTDA., UNI ENGENHEIROS ASSOCIADOS, CONSULTORIA E ASSESSORIA S/C LTDA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS – Item d.1 RS 135.414,03. CUSTOS NÃO COMPROVADOS Item b.1 R$ 91.820,41 Item b.2 R$ 79.291,39 Item c R$ 185.449,10 Item d.3 R$ 486.673,60 Item e.1 R$ 20.000,00 Item e.2 R$ 94.000,00 Item e.3 R$ 91.000,00 Item e.4 R$ 70.000,00 Item e.5 R$ 456.500,00 Item e.6 R$ 218.017,53 Item e.7 R$ 1.161.828,41 Item e.8 R$ 214.100,00 Item e.9 R$ 175.000,00 Item e.10 R$ 47.000,00 Item e.11 R$ 175.082,85 Item e.12 R$ 50.000,00 Item e.13 R$ 242.000,00 Item e.14 R$ 144.845,49 Item e.15 R$ 1.012.284,44. Cientificada, em 26/11/2008, nos próprios autos de infração, a Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1727/1750, com os destaques e pedidos abaixo reproduzidos. a) O critério adotado pela d. fiscalização para reputar indedutíveis os gastos aqui debatidos, consubstanciado que é na suposta descrição sucinta das notas fiscais, quanto aos serviços prestados em cada caso, é critério não previsto em lei para a glosa da dedutibilidade do gasto para fins de IRPJ e de CSLL; b) Também passa ao largo da exigência legal o critério segundo o qual a descrição dos serviços prestados foi supostamente sucinta no tocante aos boletins de medição, relativamente aos serviços em que tal documento foi apresentado à fiscalização juntamente com a nota fiscal, pois também este critério inexiste na lei no tocante à dedutibilidade dos gastos; Fl. 4012DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 6 c) Por outro lado, a fiscalização não questionou, em nenhum momento no auto de infração, a necessidade dos gastos, tampouco questionou os critérios adotados para a respectiva contabilização, de maneira que só cabe à Requerente, nestes autos, comprovar a realização dos serviços propriamente dita única circunstância colocada em dúvida pela d. fiscalização já que, no mais, a escrita do contribuinte faz prova a seu favor se não impugnada expressamente pelo fisco, cabendo em princípio ao agente fazendário a produção da prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade (art. 9º, §§ 1º e 2º, do Decretolei 1.598/77). d) Não há, nos autos, a indicação dos dispositivos da legislação violados, seja no tocante ao IRPJ, seja no que se refere à CSL sendo certo que, para fins de CSL, afora as disposições legais específicas (que sequer foram mencionadas na autuação), não há regra que possa conduzir à indedutibilidade, nem mesmo em tese, das despesas e gastos aqui examinados. e) Nesse sentido, e cabendo ao contribuinte a produção da prova da realização dos gastos e da efetividade dos serviços única matéria a compor o administrativo deste expediente é de ser deferida a prova pericial de engenharia, visando comprovar que a obra de engenharia (civil) foi levada a cabo nos termos da contratação original entre a Requerente e seu cliente, com o concurso dos subcontratados (cujos gastos foram aqui considerados indedutíveis). f) É de ser deferida também a diligência fazendária requerida acima, para o exame dos documentos juntados aos autos, bem como a juntada posterior dos documentos faltantes, nos termos do requerimento anteriormente declinado. g) Ainda que os gastos ao final sejam considerados indedutíveis, é imperativa a compensação dos prejuízos fiscais (IRPJ) e das bases negativas (CSL) correntes e acumulados, comprovados nos autos, de modo que qualquer exigência a ser formulada nestes autos deverá ser feita apenas após aquele encontro de contas. Em 20/05/2009, a interessada colacionou aos autos os documentos de fls. 3046/3916, consistentes em: “ii. Cópia integral do Livro de Apuração do Lucro Real da Empresa referente ao ano de 2003, registrado na junta comercial sob o n° 35217363287, para fins de analise das questões relativas à CSLL (doc. 03); iii. Cópia do contrato firmado entre a Requerente e sua contratante à época, KATOEN NATIE LOGISITCA LTDA., para realização de obra de construção civil, o qual deu causa as demais subcontratações feitas, as quais correspondem os gastos glosados pela fiscalização (doc. 04); iv. Cópia dos Extratos Bancários relativos ao período em questão para fins de comprovação dos pagamentos (doc. 05); v. Documentação relacionada aos prestadores a seguir arrolados: R & A Edificações e Reformas Lida (doc. 06); M. B. Empreiteira de Formas e Ferragens Ltda (doc. 07); CRJ Construções e Serviços Lida (doc. 08); Nova Semal Reformas e Manutenção Ltda (doc. 09). Fl. 4013DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 7 A DRJ julgou improcedente a impugnação por meio de acórdão cujos fundamentos podem ser sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CUSTOS E DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. Para a dedutibilidade de despesas com serviços prestados por terceiros, necessária é a comprovação de sua efetividade e da real prestação dos serviços, mormente se constatado que as notas fiscais e o contrato de prestação de serviços contêm descrição genérica do seu objeto. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos cumulativos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. Se não comprovadas as despesas, mesmo sendo estas necessárias, não podem ser deduzidas da apuração do lucro real. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO. Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram aproveitados pelo contribuinte em anos calendários seguintes em período anterior à presente autuação. CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação ao IRPJ estende para a CSLL, dada a sua intima relação de causa e efeito. Cientificada do acórdão, a parte interessada ingressou com o recurso de fls. 3.945 e seguintes, no qual repisa as alegações articuladas quando da impugnação, apresenta documentos e ao final requer: “Ante o exposto, requer preliminarmente seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulada a decisão recorrida e determinada a conversão do julgamento em diligência para a produção de prova pericial de engenharia civil, conforme os quesitos apresentados na impugnação, pelas razões preliminares já apresentadas. Alternativamente, requer, no mérito, o provimento do recurso para o fim de reformar a decisão recorrida, reconhecendose a dedutibilidade dos gastos comprovados da base de cálculo de IRPJ e de CSLL apuradas.” É o relatório. Fl. 4014DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso manuseado pela recorrente está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme relatado, tratamse de autos de infração do IRPJ e da CSLL decorrentes da glosa de custos, com multa de oficio de 75%, sob fundamento de insuficiência de comprovação da efetiva realização dos serviços contratados, haja vista que no entendimento do Fisco “todas as notas fiscais e boletins de medição dos serviços glosados apresentam descrições sucintas”. Tais glosas, relativas ao anocalendário de 2003, atingiram o montante de R$ 5.150.310,25 (fl.1521), e foram mantidas na decisão de 1a. instância pelos seguintes fundamentos (fls. 10 a 12 do acórdão recorrido): “A regra de dedutibilidade de despesa é genérica e se encontra prevista nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99, e arrolados no auto de infração em fls. 1792 e abaixo transcritos: (...) A documentação apresentada pela então fiscalizada, e ora junto com a impugnação, se constituem em contratos de prestação de serviços, notas fiscais, boletins de medição, que tem por característica apresentar descrição genérica, tais como “serviços prestados de construção civil” ou “serviços de mãodeobra de construção civil”, e que servem na realidade para dar “aparência” de legitimidade aos registros contábeis a título de despesas operacionais, mas são insuficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços. Desta sorte, assim como entendeu a fiscalização, tais documentos não são hábeis pra evidenciar o critério adotado para apuração dos valores registrados na contabilidade. A autuada, em sua defesa prendeuse a dissertar que não haveria previsão legal sobre a glosa decorrente de descrição sucinta dos serviços prestados nas notas fiscais e nos boletins de medição esquecendose de comprovar, com documentos próprios e adequados à realização dos serviços, fato que deveria estar colocado de forma transparente em seus assentamentos contábeis e fiscais, única forma de descaracterizar a glosa das despesas e dos custos e elidir a tributação objeto do Auto de Infração. Ora, tendo o contribuinte registrado em sua contabilidade lançamentos relativos a despesas com a prestação de serviços de terceiros, cabe a ele comprovar que as mesmas de fato ocorreram, não apenas pela existência de contratos firmados, notas fiscais e boletins genéricos, mas, pela efetiva ocorrência da prestação do serviço que correspondesse aos dispêndios glosados. (...) A conclusão pela nãoprestação do serviço (prova negativa) pode ser elidida pela comprovação por meio de documentação que inequivocamente comprove a realização dos serviços (tais como atas de reuniões técnicas, correspondências Fl. 4015DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 9 trocadas entre os contratantes, documentos pertinentes ao planejamento, relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, relatórios de avaliação dos serviços prestados, etc), documentos esses não apresentados pela autuada. Sendo assim, correta a glosa efetuada pela fiscalização.” (Grifei). Pois bem, compulsando os autos constatei que realmente todas as notas fiscais (NF) relativas aos custos glosados possuem mesmo descrição sucinta tal qual a NF de fl. 221 do processo (que corresponde à imagem digitalizada nº 411), vejamos, a título de exemplo, o facsímile parcial desse documento: O Boletim de medição à fl 222, identifica a obra e contrato, mas também não apresenta maiores detalhes sobre a quantidade de serviços prestados, vejamos: Todavia, desde o transcurso da auditoria fiscal, a contribuinte apresentou além das notas fiscais e desses boletins, todos os contratos e os comprovantes de pagamentos, mormente via bancária, neste caso do extrato de fl. 223 e do contrato de fl. 276 e seguintes. Frisese que a própria Fiscalização confirma no Termo de Verificação Fiscal (TVF), fl. 1499 dos autos (imagem nº 1694), a efetividade do pagamento de todos os valores glosados. Fl. 4016DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 10 Outro ponto relevante é que todas as glosas foram levadas a efeito apenas a partir da análise da documentação apresentada pela Contribuinte, ou seja, nenhuma intimação foi feita para os fornecedores, tampouco qualquer diligência “in locu” foi realizada (vide TVF às fls. 1497 a 1599), tanto assim que foi aplicada a multa de oficio básica. Em verdade, durante a Auditoria Fiscal não se questionou a idoneidade das empresas contratadas, a efetividade da realização das obras, muito menos avaliouse o valor total dessas subcontratações. O procedimento fiscal concentrouse apenas na análise das notas fiscais e boletins de medição relativos a 19 (dezenove) subcontratações da autuada (itens “b.1” a “e.15” do TVF), resumidos às fls. 11/12 do aludido Termo. A motivação de todas essas glosas é sempre a mesma, repetida item a item, vejamos “(...) Nas notas fiscais, a DISCRIMINAÇÃO é indicada apenas por: "execução mão de obra de armação". Não estão discriminadas as horas e/ou homens.hora utilizadas nas notas fiscais. De forma similar, nos Boletins Medição / Liberação de Pagamento, estão indicados "execução de mão de obra de armação", não constando valores unitários destes serviços, apenas o total. Ou seja, o boletim de medição não representa efetiva medição realizada. Nos vários Boletins de Medição apresentados, para a mesma descrição do serviço, quantidade e unidade, indicam valores distintos dos serviços. (...) são ainda apresentados extratos bancários referentes aos pagamentos das notas fiscais. Estes pagamentos não demonstram a efetiva realização dos serviços realizados ou a correlação entre os valores pagos e os serviços realizados.” (Fl. 3 do TVF)”. Desde a peça impugnatória, que se encontra às fls. 15311553 (imagens 1727 e seguintes), a contribuinte tem asseverado que “(...) a fiscalização não questionou, em nenhum momento no auto de infração, a necessidade dos gastos, e tampouco questionou os critérios adotados para a respectiva contabilização, de maneira que só cabe à Requerente, nestes autos, comprovar a realização dos serviços propriamente dita (...) Nesse sentido, e cabendo ao contribuinte a produção da prova da realização dos gastos e da efetividade dos serviços única matéria a compor o litígio administrativo deste expediente é de ser deferida a prova pericial de engenharia, visando comprovar que a obra de engenharia (civil) foi levada a cabo nos termos da contratação original entre a Requerente e seu cliente (...) É de ser deferida também a diligência fazendária requerida acima, para o exame dos documentos juntados aos autos, bem como a juntada posterior dos documentos faltantes, nos termos do requerimento anteriormente declinado”. (Grifei). No tópico “C” do TVF a Fiscalização apontou o dispositivo legal que autoriza a glosa de custos/despescas por insuficiência de comprovação da efetividade, art. 249 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Também citou ementas de julgados deste Conselho quanto ao cabimento desses glosas. Vejamos a transcrição desse tópico: “C) DO DIREITO A regra geral de definição do Lucro Real baseado no lucro liquido, ou seja, contábil, é no sentido de que, em principio, todos os gastos da empresa são dedutiveis. É claro que a lei, não podendo prever uma a uma as inúmeras atividades e espécies de dispêndios da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidas na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, desde que sejam necessários e estejam devidamente comprovados e escriturados. Fl. 4017DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 11 A desobediência implica em adição ao lucro liquido do período de apuração, na determinação do lucro real, conforme determina o inciso I, do artigo 249 do RIR199 a seguir transcrito: "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro liquido do período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, parágrafo 2°): I – os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutiveis na determinação do lucro real;" A seguir alguns acórdãos: "CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE – Computamse, na apuração do resultado do exercício, somente os dispêndios de custos ou despesas que forem documentadamente comprovados e guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita.” (Ac. 1° CC 10173.310/82 – Resenha Tributária, Seção 1.2. Ed. 40/82, pág. 1201; e 1054.720/90 – DO 07/11/90). "NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO – A dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora.” (Ac. 1° CC 101 72.816/81 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 05/82, pág. 164, Ac. 1° CC 10172.816/81 e 10304.340/82 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 05/82, pág. 164 e Ed. 27/82, pág. 843). No caso em questão, o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea a fim de comprovar os lançamentos efetuados em contas de custos e de despesa, ou seja, intimado em diversas ocasiões, não comprovou a efetiva prestação dos serviços a ela prestados. Os documentos apresentados também não apresentam correlação entre os valores pagos e os serviços realizados. Em conseqüência do anteriormente exposto, fica claro que não podem ser lançados como custos/despesa os valores não passíveis de comprovação. (...)” (Grifei). Quanto ao direito aplicável ao tema e a melhor jurisprudência administrativa em relação à matéria, o TVF não merece reparos. O ônus da prova é mesmo da contribuinte de comprovar as despesas e a necessidade destas. No entanto, no caso em tela, como dito anteriormente, em momento algum a autoridade fiscal realizou qualquer diligência com a finalidade de demonstrar a não realização das despesas ou a não necessidade destas. A glosa deuse, exclusivamente, porque entendeu a autoridade fiscal que as notas e boletins de medição deveriam conter maiores detalhes. Assim, é notória a superficialidade do trabalho fiscal, cuja conclusão, acima transcrita, está calcada apenas no exame isolado das notas fiscais e boletins de medição, no qual a descrição dos serviços estaria sucinta. Nada, absolutamente nada, é discorrido sobre os contratos apresentados, muito menos quanto ao fato de os serviços em sua totalidade terem sido realizados. Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 12 Tal qual pontua a recorrente à fl. 12 do RV, “a lei não impõe os critérios de descrição, na nota fiscal, dos serviços prestados, e portanto não há regra legal estipulando o conteúdo mínimo das informações a serem declinadas naquele documento. Nem há norma estabelecendo o que deve constar do boletim de medição de um serviço como o debatido nestes autos. A exigência fazendária aqui guerreada ultrapassa claramente os limites do razoável, pois também inexiste regra fiscal que estipule tais critérios dentre as condições de dedutibilidade de uma despesa (para fins de IRPJ e de CSL).” Lembro que todos os contratos foram apresentados e que neles consta a discriminação dos serviços contratados (vide exemplo às fls. 1607 e seguintes). Todas as notas fiscais fazem referência aos respectivos contratos, portanto, esses devem ser considerados na comprovação dos serviços. Observase ainda que a existência de pagamentos mediante transferências bancárias, nos exatos valores dessas notas fiscais, foi considerada insuficiente para comprovação. Ora, se tais pagamentos não se referem aos serviços prestados serviram então para qual finalidade? Essa resposta caberia ao Fisco, que diante de provas (nesse caso a seu cargo), poderia até apurar a prática de “pagamentos sem causa”, ensejando a exigência de IR Fonte nos termos do art. 35 da Lei 8.981/1995. Outrossim, constatase que com a impugnação foram juntados os documentos de fls. 1605 a 2869, buscando comprovar a efetividade dos custos glosados de forma estruturada (contratos, notas fiscais, boletins de medição e comprovantes de pagamentos). É certo que a maior parte dessa documentação já compunha os autos, porém, a decisão de 1a. instância indeferiu tanto o pleito da “perícia” quanto da “diligência”, sob o fundamento à fl. 10 do acórdão de que “(...) o processo está instruído e o julgamento prescinde de outras verificações, motivo pelo qual devem ser rejeitados os pedidos de realização de diligência, de perícia e de posterior juntada de novos documentos (...)”. No recurso voluntário a autuada requer novamente essa perícia/diligência, porém, além de ter passado mais de 10(dez) anos dos fatos, considero que nessa fase processual tais procedimentos são mesmos desnecessários, pois, repito, a Auditoria Fiscal não questionou a efetiva realização dos serviços, tampouco das obras, a capacidade/idoneidade das empresas subcontratadas, muito menos o valor total desses contratos e os aludidos pagamentos. Estou convicto de que as obras foram mesmo realizadas, até porque a contribuinte contabilizou as receitas auferidas. Constatase que no ano de 2003 a empresa auferiu R$ 14.893.616,10 de receitas de prestação de serviços (DIPJ/2004, à fl. 55 dos autos, imagem 58). Observase que os custos totais contabilizados correspondentes a essas receitas alcançaram R$ 14.235.395,05 (fl. 53). Logo, é indevida a glosa dos custos em face da insuficiência do trabalho fiscal. Por fim, cabe registrar que chama atenção a pequena margem de lucro bruto da empresa, mas isso, por si só, não justifica a linha de trabalho adotada na Fiscalização, máxima vênia superficial, que implicou na glosa de R$ 5.150.310,25 desses custos (fl.1521). Isso porque, considerando que os documentos apresentados não permitem aferir a exatidão das medições parciais dos serviços prestados em 2003 (que ao fim e ao cabo foi a motivação das glosas), partindose das premissas de que tudo foi efetivamente concluído e de que os preços totais dessas subcontratações são condizentes com os serviços prestados (fatos não contestado pela Fiscalização), a única irregularidade que se poderia atribuir ao contribuinte seria de ter antecipado custos. Uma vez que a Auditoria Fiscal foi realizada em 2008, tais custos, em tese, já teria sido incorridos nos anos de 2004 a 2007, isso implicaria em postergação dos tributos. Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.007421/200855 Acórdão n.º 1402001.630 S1C4T2 Fl. 0 13 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar proviemnto ao recurso, por considerar indevida as glosas fiscais, para cancelar integralmente as exigências. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10980.906859/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Por força do § 14 do Art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, a Secretaria da Receita Federal do Brasil detém competência para disciplinar a compensação tributária e, no uso dessa competência, estabeleceu que, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. Assim, a homologação da compensação está condicionada ao integral cômputo dos acréscimos legais.
MULTA MORATÓRIA. DISPENSA POR DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Por força de sua vinculação à letra da lei, ao julgador administrativo falece competência para afastar a multa moratória prevista em lei vigente para a hipótese da intempestiva extinção espontânea do débito.
Numero da decisão: 1201-000.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 08/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (atuando como Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, Maria Elisa Bruzzi Boechat (em substituição ao Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz) e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Incidência de Acréscimos Legais. Recorrente ATRIA S/A CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Por força do § 14 do Art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, a Secretaria da Receita Federal do Brasil detém competência para disciplinar a compensação tributária e, no uso dessa competência, estabeleceu que, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. Assim, a homologação da compensação está condicionada ao integral cômputo dos acréscimos legais. MULTA MORATÓRIA. DISPENSA POR DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força de sua vinculação à letra da lei, ao julgador administrativo falece competência para afastar a multa moratória prevista em lei vigente para a hipótese da intempestiva extinção espontânea do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente substituto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 68 59 /2 00 8- 57 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.906859/200857 Acórdão n.º 1201000.894 S1C2T1 Fl. 3 2 LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 08/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (atuando como Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, Maria Elisa Bruzzi Boechat (em substituição ao Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz) e Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.906859/200857 Acórdão n.º 1201000.894 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Este processo trata de Declaração de Compensação relacionado a crédito decorrente de pagamento indevido da antecipação do IRPJ referente à competência de novembro de 2003, formalizado em 20/07/2004, através do PER/DCOMP n° 37536.43229.200704.1.3.040662, para compensação com débito relacionado a antecipação do IRPJ referente à competência de dezembro de 2003. O direito creditório pleiteado foi integralmente reconhecido pela autoridade competente, conforme despacho decisório de número 775502645 (fls. 0205), contudo, a compensação pleiteada foi apenas parcialmente homologada, pois o crédito utilizado foi considerado insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em síntese: o PER/DCOMP tem natureza instrumental, com a finalidade de simplesmente declarar o valor compensado, conforme entendimento das soluções de consulta que traz à colação, e que em momento algum a lei determina o acréscimo de encargos moratórios, se a compensação for declarada após o vencimento do débito; é ilegal a Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002, no tocante à exigência de juros e multa calculados do vencimento do tributo até a entrega da DCOMP e tece considerações sobre o recolhimento indevido e denúncia espontânea; a lei não faz diferença entre multa moratória ou punitiva para configuração do instituto da denúncia espontânea e afirma que, no presente caso, o recolhimento do tributo compensado em 30/01/2004, fora recolhido antecipadamente, tendo a DCOMP a função de apenas declarar a compensação realizada; que reconheceu os efeitos da compensação na data de vencimento do tributo, conforme demonstra seu livro diário. Finaliza requerendo seja revisto o despacho decisório para considerar a data efetiva da compensação do vencimento do tributo, extinguindo a cobrança de diferença de tributos e encargos reclamados no despacho decisório ou, caso não seja esse o entendimento prevalecente, que se entenda que a compensação não ocorreu no vencimento do tributo, que se reconheça o instituto da denúncia espontânea, afastando a multa moratória. A DRJ em Curitiba/ PR, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, sob os seguintes fundamentos: a competência da DRJ se circunscreve ao controle da legalidade do ato administrativo (despacho decisório) sem perquirir a legalidade dos Atos Normativos baixados pela Administração Federal. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.906859/200857 Acórdão n.º 1201000.894 S1C2T1 Fl. 5 4 na data de vencimento do débito compensado, a contribuinte não se dispôs a recolher ou promover a compensação, deixando para fazêlo em momento posterior; a legislação determina o acréscimo da multa moratória, na hipótese de recolhimento espontâneo intempestivo antes de qualquer providência da administração; Contra referida decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, trazendo, em síntese, aS mesmas alegações presentes na Manifestação de Inconformidade. É o relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.906859/200857 Acórdão n.º 1201000.894 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto encontrase revestido das formalidades legais cabíveis e foi apresentado tempestivamente, merecendo ser apreciado. A Recorrente recolheu indevidamente a antecipação do IRPJ referente à competência de novembro de 2003. Em 20/07/2004, efetuou a transmissão de Per DComp com o objetivo de compensar parcialmente, débito referente à antecipação do IRPJ da competência de dezembro de 2003, com vencimento em 30/01/2004. No entanto, o débito compensado em 20/07/2004, não foi acrescido dos encargos legais e por este motivo, a compensação foi homologada parcialmente. A questão a ser tratada neste processo, diz respeito à incidência de multa e juros de mora sobre débitos de tributos vencidos, que foram objeto de compensação através de PER/DCOMP transmitida após o vencimento do tributo. Ora, via de regra, o débito pago ou compensado após a data de vencimento, deve ser acrescido de multa moratória e juros, de modo a atender o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/1996, que assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendimento este disposto também no ato normativo ora questionado pela Recorrente, especificamente no artigo nº 28 da Instrução Normativa nº 210 de 2003, que assim dispõe: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.( Redação dada pela IN SRF n º 323, de 24/04/2003 ) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10980.906859/200857 Acórdão n.º 1201000.894 S1C2T1 Fl. 7 6 Assim, a primeira vista, concluise que a homologação parcial da PerDComp transmitida em 20/07/2004, se mostra correta e que a cobrança do saldo remanescente deve prosseguir. Contudo, cabe também, abordar outro tema solicitado pela Recorrente, referente à aplicação e os efeitos da denúncia espontânea, conforme previsão do art. 138 do CTN, De fato, o objetivo do artigo 138 do CTN é estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco, com o que recebe o que lhe deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Neste sentido, não deve haver diferença entre regularizar débito mediante pagamento ou compensação. Porém, jurisprudência do STJ, a denúncia espontânea existe como incentivo ao contribuinte para denunciar a ocorrência de fatos geradores que foram omitidos, e não para favorecer o atraso do pagamento do tributo. Inclusive, a não aplicabilidade da denúncia espontânea em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação declarados pelo contribuinte foi objeto da Súmula nº 360, do STJ, que possui o seguinte enunciado: “O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Assim, para que possa ser observada a efetiva ocorrência da denúncia espontânea alegada pela Recorrente, seria necessário averiguar tanto as informações constantes da DCTF original transmitida em 13/02/2004, quanto àquelas constantes na DCTF retificadora, enviada em 20/07/2004. Contudo, a Recorrente não apresentou tal documentação (DCTFs original e retificadora) de forma integral nos autos, o que torna inviável tal análise. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. É o meu voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 16624.001158/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16624.001158/200946 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.331 – 1ª Turma Especial Data 03 de junho de 2014 Assunto Solicitação de Diligências Recorrente GB REALTY EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO E VOTO A empresa entregou a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) com atraso/falta de informações, relativamente ao anocalendário de 2007, sendo notificada a pagar multa no valor de R$ 70.000,00. A obrigação acessória, à época do fato gerador, era regida pelas seguintes normas tributárias infra e legais: Lei nº 9.779/99, art. 16; MP nº 215835/2001, art. 57; IN SRF nº 304/2003 e IN SRF 576/2005. A entrega intempestiva da declaração em questão é inconteste. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 24 .0 01 15 8/ 20 09 -4 6 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.001158/200946 Resolução nº 1801000.331 S1TE01 Fl. 3 2 A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão nº 0540.580/13, efls. 151 a 159, mantendo a autuação da recorrente. A empresa interpôs Recurso Voluntário às efls. 166 a 200 tempestivamente1, argüindo a ilegalidade das normas infralegais que exigem e disciplinam o recolhimento da multa em questão. Ocorre que, em 2012, novas regras vieram a ser editadas para disciplinar a cominação de multas devidas pelo não cumprimento de obrigações acessórias: Lei nº 12.766, de 2012 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (grifos não pertencem ao original) Em Parecer Normativo, nº 03/2013, a Cosit (Coordenação do Sistema de Tributação) explicita o alcance da norma nova em relação aos fatos pretéritos, aplicando o princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidade tributária (art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN): Esclarece o PN Cosit nº 03 / 2013: (...) 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos 1 (AR recebido em 13/05/13, efls. 163; Recurso interposto em 11/06/13, efls. 166) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.001158/200946 Resolução nº 1801000.331 S1TE01 Fl. 4 3 do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.001158/200946 Resolução nº 1801000.331 S1TE01 Fl. 5 4 da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. (...) 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (e Lalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. (...) 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. Compulsando os autos, verificase que não se pode concluir com certeza qual o regime de tributação adotado pela recorrente em sua última declaração apresentada. Para a acertada cominação da multa isolada em apreço, mister é que: a) os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente e informese, no presente, qual o regime de tributação optado pela recorrente em sua última DIPJ apresentada; b) se a entrega em atraso da Dimob ocorreu antes de qualquer procedimento de ofício. Destas informações fiscais, compendiadas em relatório, a recorrente deverá tomar ciência, facultandoselhe prazo regulamentar para se manifestar. Após retornem os autos para esta Conselheira prosseguir ao julgamento do litígio. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904415/2012-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904415/201259 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.765 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 15 /2 01 2- 59 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904415/201259 Acórdão n.º 3803004.765 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904415/201259 Acórdão n.º 3803004.765 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904415/201259 Acórdão n.º 3803004.765 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10680.901863/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 86 3/ 20 12 -9 0 Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.202 ___________ Relatório A SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou recurso voluntário contra Acórdão nº 0246.015, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 905); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: (1) proceder à verificação dos pagamentos efetuados, relativos às glosas sobre as quais não houve litígio, conforme item 2 do aditamento apresentado pela reclamante, e efetuar os procedimentos necessários à extinção dos respectivos débitos; e (2) Proceder à recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando as DCOMPs apresentadas até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 5.969.866,91, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito, além de Dcomp relativa ao mês de abril, no valor de R$ 3.956.698,19. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 8.715.964,67, em estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.203 3 dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 990/1010). Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394327, emitido em 04.05.2012 (fl. 443), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 1012. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/442), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.204 4 custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.205 5 produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.206 6 moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.207 7 referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.208 8 irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.209 9 mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.210 10 serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.211 11 Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.212 12 equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.213 13 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.214 14 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.215 15 processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.216 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.217 17 · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.218 18 aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.219 19 · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.220 20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.221 21 Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.222 22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.223 23 Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.224 24 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.225 25 · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.226 26 Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.227 27 Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901863/201290 Resolução nº 3202000.224 S3C2T2 Fl. 1.228 28 · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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