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Numero do processo: 13603.724502/2011-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento.
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrentes FAZENDA NACIONAL E CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 02 /2 01 1- 43 Fl. 4076DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 3 2 de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.797, de 29/01/2016, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 4 3 transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a Fl. 4078DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 5 4 que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade nas hipóteses Fl. 4079DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 6 5 albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado". O acórdão foi cientificado pelo eprocesso à Fazenda, que interpôs embargos declaratórios alegando omissões no julgado. Todavia, os embargos foram rejeitados. Não conformada com tal decisão a Fazenda Nacional apresentou o presente Recurso, aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos para fins do direito à tomada de créditos do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade. Para comprovar a divergência apontou o acórdão nº 20312.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto ao conceito geral de insumos para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Cientificada do referido despacho, a Fazenda Nacional não apresentou agravo. Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda e também interpôs Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com Fl. 4080DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 7 6 treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pelo improvimento do Recurso. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade dos recursos e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.068): Da admissibilidade "Restrinjome à redação do presente voto vencedor apenas com relação ao conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, por, também nesse ponto, respeitosamente, discordar do relator. No recurso especial da Procuradora foram suscitadas duas divergências: a) quanto ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade; e b) quanto ao direito de crédito de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, calculado sobre insumos que antecedem o processo produtivo. O despacho do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos admitiu apenas a divergência descrita em a), que trata do conceito genérico de insumo para fins dos gastos geradores de créditos para as contribuições do PIS e Cofins não cumulativas. Inadmitida Fl. 4081DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 8 7 essa divergência, caberia a segunda, que trata de um gasto específico com serviços de logística considerados, ou não, antecedentes ao processo produtivo. Inicio por salientar que a própria contribuinte não indica qualquer argumento que leva ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda, afirmando apenas sua improcedência. O trecho do voto condutor do acórdão paradigma de nº 20312.448, trazido a baila pela Procuradora claramente demonstra um conceito mais restritivo de insumo do que aquele utilizado no acórdão recorrido, ao tomar por base a legislação do IPI para tal, senão vejamos: Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumo” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” (Negritei.) Partindo desse entendimento, como bem argumentou a Procuradora, para considerar bens ou serviços, como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente sobre os produtos utilizados na fabricação, e, nesse sentido, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Claramente a vinculação com o critério de insumo do IPI está posta no paradigma. Já o acórdão a quo se posiciona claramente noutro sentido, o que já se observa no seguinte extrato de sua ementa: O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. (...) (Negritei.) Assim, há desde logo que se admitir a existência da divergência arguida no recurso especial e analisarse a posteriori a situação fática dos serviços de logística para utilização da sistemática just in time. Nesse ponto, há discussão específica no paradigma que foi em seguida apresentado, o acórdão nº 9303002.659, especificidade esta que fica bem aparente no excerto do voto vencedor abaixo transcrito: Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos Fl. 4082DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 9 8 ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. (Negritei.) Nessa quadra, a especificidade, de acordo com a Procuradora da Fazenda seria a prestação de serviços anteriores à produção, mas pela leitura adotada pelo Presidente da 3ª Câmara em seu despacho ás efls. 3683 a 3687, o acórdão recorrido entendia que os serviços em questão estavam sendo aplicados na produção; inexistiria divergência por serem situações fáticas distintas. O afastamento desta última divergência em nada afetaria a primeira, que, no meu entender, foi corretamente conhecida. Assim, a divergência quanto ao critério de insumo, utilizando, ou não, aquele da legislação do IPI, estava adequadamente posta, apesar de a divergência específica quanto aos serviços da GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda serem anteriores à produção, não o estava por falta de similitude fática. Concluindo, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da nãocumulatividade." (..)1 Do mérito "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. 1 A admissibilidade do recurso especial do contribuinte não foi contestada pelo relator do processo paradigma (Acórdão 9303007.068). A divergência entre os Conselheiros, quanto ao conhecimento, foi apenas em relação ao recurso da Fazenda Nacional, que restou conhecido por maioria de votos. Assim, ao final, os dois recursos foram conhecidos pelo Colegiado. Fl. 4083DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 10 9 Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito3”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. 2 3 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 4084DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 11 10 Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o Fl. 4085DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 12 11 desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. Recurso da Procuradoria Por sua vez, o exame de admissibilidade do Recurso, o examinador entendeu que a divergência instaurada diz respeito quanto aos insumos serem diretamente vinculados à produção, ou não, os serviços de controle de estoque “just in time” prestados pela GFL, que segundo o acórdão recorrido são relativos a “controle de fluxo de componentes nas instalações fabris”. E tal divergência existe entre o acórdão recorrido e a Fazenda, mas não perante o paradigma, que não trata desse tipo de serviço especificamente. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário referente "à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570". A matéria aceita como divergente, diz respeito a interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de Pis e Cofins no regime da nãocumulatividade. Sem embargo, o conceito de insumos foi levado ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu o conceito tem como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. A jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou Fl. 4086DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 13 12 classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Fl. 4087DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração Fl. 4088DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 15 14 de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 16 15 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 17 16 essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 18 17 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 19 18 conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 20 19 Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 21 20 Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 13603.724502/201143 Acórdão n.º 9303007.230 CSRFT3 Fl. 22 21 "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negou provimento ao recurso da Fazenda e deu provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 4096DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924076/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 24 07 6/ 20 09 -6 4 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.924076/200964 Resolução nº 3201001.397 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.924076/200964 Resolução nº 3201001.397 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.924076/200964 Resolução nº 3201001.397 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.924076/200964 Resolução nº 3201001.397 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720517/2009-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.317
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 17 /2 00 9- 43 Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3803003.729 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de novembro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes gastos com viveiros e pomares; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 4 3 com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo, com relação às despesas tratadas no item “1” indicou o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Além disso, invocou paradigmas específicos para cada um dos créditos atacados: despesas com embalagem de transporte (material de transporte) – Acórdão n.º 310100.795; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores – Acórdão n.º 3302 001.521; e despesas com empilhadeira – Acórdão n.º 3802000.341. Quanto às despesas com combustíveis e lubrificantes, constantes do item “2” da peça recursal, os acórdãos indicados foram os de n.º 380100.470 e 3301001.290. Dentre as decisões citadas como paradigmas na peça recursal, foi considerado como suficiente à comprovação do dissenso, no exame de admissibilidade, o Acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.304, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.003571/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.304): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 6 5 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 7 6 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 9 8 substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 10 9 A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "(e) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes: 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.304. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 11 10 Com relação aos medicamentos e fertilizantes, têmse que deve ser reformada a decisão para excluílos da possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos. Isso porque, consoante apontado no Relatório de Verificação Fiscal, estavam sujeitos à alíquota zero na operação anterior de aquisição dos mesmos, possibilidade de crédito que foi afastada pelo próprio acórdão recorrido ao tratar do tópico específico da “alíquota zero”. Por essa razão, nesse ponto dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 12 11 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 13 12 Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 14 13 Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Em relação aos itens medicamentos e fertilizantes manifesto minha concordância com o voto da ilustre relatora que neste ponto proveu o recurso especial da Fazenda Nacional. Em relação aos demais confirmo o entendimento do colegiado de que sobre tais itens não há previsão legal para autorizar o creditamento, por fugirem do conceito legal de insumos estabelecido pela legislação de regência. Como dito nos itens 3 e 5 anteriores, tratamse de despesas relevantes para atividade econômica do contribuinte, porém aplicadas nas fases antecendentes ao processo produtivo propriamente dito. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11020.720517/200943 Acórdão n.º 9303007.317 CSRFT3 Fl. 15 14 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902234/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2002
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 22 34 /2 01 0- 69 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.902234/201069 Acórdão n.º 1201002.419 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.902234/201069 Acórdão n.º 1201002.419 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.902234/201069 Acórdão n.º 1201002.419 S1C2T1 Fl. 5 4 A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722347/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA.
Descabe a discussão afeta à exclusão do SIMPLES, no processo administrativo de constituição do crédito tributário, quando já há decisão administrativa definitiva confirmando a exclusão da empresa do sistema especial de tributação.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, respondem solidariamente pelas obrigações as empresas que integrarem grupo econômico de qualquer natureza.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Descabe a discussão afeta à exclusão do SIMPLES, no processo administrativo de constituição do crédito tributário, quando já há decisão administrativa definitiva confirmando a exclusão da empresa do sistema especial de tributação. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, respondem solidariamente pelas obrigações as empresas que integrarem grupo econômico de qualquer natureza. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Descabe a discussão afeta à exclusão do SIMPLES, no processo administrativo de constituição do crédito tributário, quando já há decisão administrativa definitiva confirmando a exclusão da empresa do sistema especial de tributação. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, respondem solidariamente pelas obrigações as empresas que integrarem grupo econômico de qualquer natureza. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 47 /2 01 2- 11 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 291 2 (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 0946.708 5ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação do ora recorrente. A descrição fática do presente lançamento bem delineada no relatório da decisão de 1ª instância: Tratase de Auto de Infração de cobrança de Obrigação Principal AIOP lavrado sob DEBCAD 51.025.1242, consolidado em 06/06/2012, no valor de R$ 227.746,19 relativo ao período de 01/01/2009 a 30/12/2010 contendo a cobrança de contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. A ciência do sujeito passivo deuse em 06/06/2012 mediante o recebimento pessoal do procurador da empresa, conforme consta o formulário inicial do auto de infração (fls.03). Nos termos do Discriminativo de Débito de fls. 04/13 e relatório de fls. 21/27 os fatos geradores foram identificados nos levantamentos: Cl REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS , onde se exigiu a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais de 20,0%, nas competências 01/2009 a 11/2009, com incidência da multa de ofício agravada no percentual de 112,50%. C2 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS , onde se exigiu a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais de 20,0%, nas competências 12/2009 a 12/2010, com incidência da multa de ofício no percentual de 75%. El REMUNERAÇÃO EMPREGADOS , onde se exigiu a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados de 20,0% e o SAT/RAT de 1%, nas competências 01/2009 a 11/2009, com incidência da multa de ofício agravada no percentual de 112,50%. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 292 3 E2 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS, onde se exigiu a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados de 20,0% e o SAT/RAT de 1%„ nas competências 12/2009 a 12/2010, com incidência da multa de ofício no percentual de 75%. No relatório fiscal a autoridade lançadora esclarece ainda que: A autuada deixou de apresentar as informações em meio digital de sua folha de pagamento do período de 01/2009 a 11/2009, fato que ensejou, nessas competências, o agravamento da multa nos termos do § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96, perfazendo o total de 112,5%. A empresa não se encontra incluída no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, contudo, encaminhou as GFIP de seu estabelecimento como se dele fizesse parte, sendo considerada como válida, a última entregue antes do início do procedimento fiscal. As bases de cálculo foram apuradas nas folhas de pagamento, recibos de pagamento e GFIP. A autuada tem como objetivo social a Fabricação e o Comércio de Bolsas, Carteiras, Cintos e Artefatos em Couro ou Sintético, Comércio de Couro e Raspas, Prestação de Serviços em Calçados, Cintos, Bolsas em Couro ou Sintético, Transporte Escolar Municipal e Intermunicipal. A autuada está estabelecida na Rua Arlindo Frantz, 131, bairro Floresta, em Estância Velha, RS, um prédio industrial de 522m2. Nesse local, ocupando o mesmo espaço físico do prédio industrial, encontramse também estabelecidas às empresas DOCE PECADO Comércio de Bolsas Ltda, CNPJ 13.361.536/000184, e MAICON Rafael de Vargas, CNPJ 12.130.224/000105. A empresa MAICON apresenta endereço diferente em seus atos constitutivos Rua Arlindo Frantz, 20 , local em que há um imóvel de propriedade dos avós paternos do Sr. Maicon Rafael de Vargas, Sr. José Marques de Vargas e Sra. Selanira Pereira de Vargas, que o ocupam como residência. O objeto social da Doce Pecado é a Fabricação e comércio de couros, bolsas, carteiras, cintos e artefatos de couro e sintético, prestação de serviço em calçados e bolsas e a Maicon Atelier de corte e costura; fabricação de bolsas e acessórios; comércio varejista de bolsas e acessório. As empresas CRIATIVA, MAICON e DOCE PECADO surgiram em agosto/2002, junho/2010 e março/2011, respectivamente. O acesso aos estabelecimentos e a recepção é comum a todas através da Rua Arlindo Frantz, 131, Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 293 4 as 3 empresas funcionam no mesmo local, sem separação física dos ambientes. os trabalhadores da MAICON e DOCE PECADO laboram juntos na área produtiva e nas atividades meio. os sócios das empresas, além da existência de parentesco entre si, transitaram pelos seus quadros societários. Os segurados empregados da CRIATIVA, a partir de abril/2011, foram todos transferidos para a DOCE PECADO. Conforme pesquisa no banco de dados da Previdência Social, oriundas das GFIP apresentadas pela empresa DOCE PECADO, indicam a movimentação desses segurados pelo código “N2 — Transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho”. os bens de produção da CRIATIVA também foram absorvidos pela DOCE PECADO, todavia as empresas não apresentaram os documentos dessa transação, tampouco há registro desses bens em suas contabilidades. A DOCE PECADO apresentou o “contrato de sublocação comercial e locação de equipamentos”, datado de 05/12/2011, no qual passou a sublocar o prédio industrial de 522m2 a MAICON, juntamente com os seus bens de produção, com vigência a partir de 10/12/2011. mesmosem possuir nenhum bem de produção próprio ou locado no período do início de suas atividades junho/2010 até julho/2011, a empresa MAICON gerou receitas com a venda de produtos e prestação de serviços no montante de R$ 1.465.485,72, contra nenhuma receita da CRIATIVA e da DOCE PECADO. Essas empresas, inclusive, a partir do surgimento da MAICON, passaram a não apresentar registro de receita em suas contabilidades, embora contassem com os trabalhadores e os meios de produção a sua disposição. Diante dos fatos apresentados a fiscalização concluiu que as empresas, embora tenham personalidade jurídica distinta, beneficiamse do conjunto dos trabalhadores que estão a sua disposição, assim como dos bens de produção. Portanto, com base no artigo 124, incisos I e II do CTN, Lei 5.172, de 25/10/66; artigo 30, inciso IX da Lei 8.212, de 24/07/1991; artigo 222 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e artigo 17 da Lei 8.884, de 11/06/1994, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das empresas Doce Pecado Comércio de Bolsas Ltda, CNPJ 13.361.536/0001 84, e Maicon Rafael de Vargas, CNPJ 12.130.224/000105, uma vez que a amostragem dos fatos e provas colhidos durante o procedimento fiscal evidencia a existência de grupo econômico de fato (Termo de Sujeição Passiva Solidária fls. 54/56). Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 294 5 Informa, ainda, o auditor que foi lavrado, no caso, Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à Autoridade competente para as providencias cabíveis, em face da configuração, em tese, do ilícito penal previsto no art. Io da Lei 8.137/1990 Crime contra a Ordem Tributária. Cientificada do lançamento, a autuada ofereceu em 06/07/2012 a impugnação de fls 108/136 dos autos. Na peça de defesa, apresentada somente pela empresa autuada, após qualificarse e resumir os fatos que levaram à autuação, apresentou as alegações contra o lançamento, propugnando sua nulidade e citando farta jurisprudência administrativa e judicial. A defesa, em síntese, foi pautada nos seguintes pontos: Diz que não era do seu conhecimento, até a data em que foi formalizada a presente Autuação Fiscal, a sua exclusão do Simples Nacional, bem como a Autoridade Fiscal não acostou comprovação de que a autuada tenha sido efetivamente notificada do Ato Declaratório que determinou a exclusão da mesma do SIMPLES NACIONAL. Alega não existir entre as empresas grupo econômico, haja vista que a empresa autuada no momento da realização do procedimento fiscal encontravase inativa, não ocupava qualquer espaço físico, vez que desde o mês de abril/2011 não realiza nenhuma operação. Aduz que o relatório fiscal é inconsistente e dúbio, pois ora reconhece que a Impugnante não mais possui funcionários nem meios de produção e tampouco faturamento, mais em seguida afirma que todas as empresas imputadas são coresponsáveis tributárias. Ressalta que “o fato de ter ocorrido verdadeira sucessão das empresas na utilização do espaço físico e do equipamento não pode, por si só, evidenciar a caracterização do suposto Grupo Econômico, mormente quando demonstrado já pela própria autoridade fiscal que a empresa Criativa Indústria e Comércio de Bolsas e Artefatos de Couro Ltda., constituída em agosto/2002, estava já sem movimentação desde o mês de abril/2011. Havendo a disponibilidade de equipamentos e de mão de obra qualificada, natural que outra empresa, no caso Doce Pecado Comércio de Bolsas Ltda, constituída em junho/2010, tivesse interesse na aquisição dos equipamentos, e na contratação da referida mão de obra Em outro trecho diz que o fato de a Sra. Ivanir Mueller e a Sra Selanira Pereira de Vargas serem sócias, tanto na empresa Impugnante Criativa (sem movimentação desde abril/2011) e na empresa Doce Pecado, não trazem nenhum vinculo com a empresa Maicon Rafael. Também, o fato de a Sra. Lenir Muller ter sido sócia administradora da empresa ora Impugnante, entre as datas de Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 295 6 16/08/2002 e 18/07/2006, vindo mais tarde, passados seis meses, a tornarse funcionária da mesma empresa (02/05/2007 a 11/02/2011 um mês antes do fechamento de fato da mesma), e mais tarde, praticamente sete meses depois de seu afastamento, ser contratada para trabalhar na empresa Maicon Rafael, em nada podem indicar a existência do grupo econômico pretendido. Pelo contrário, dão forte indício de independência administrativa destas, tanto que uma pessoa que inicialmente constituiu a Impugnante, acabou por deixar a sociedade ainda no ano de 2006 para depois, em 2011 passar a ser funcionária de outra empresa Maicon Rafael. Ademais, cabe ressaltar que o simples fato de se tratar de varias pessoas de uma mesma família, explorando atividades afins, não pode significar que estas estejam atreladas ou obrigadas a trabalhar umas para as outras ou que o simples fato de pertencerem à mesma família os força a abrir mão do princípio da livre iniciativa contido no art. L, IV e art. 170, IV e Parágrafo único, da Constituição Federal. Assevera que multa de 112,5%, revelase absolutamente inconstitucional, uma vez que nitidamente revestida de caráter confiscatório. Sem atentar para os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade aos quais está a autoridade administrativa legalmente adstrita. Tal situação é desproporcional, irrazoável e, portanto, ilegal, pois leva à impossibilidade do pagamento, que é a finalidade principal da lei tributária. Por fim requer: a revisão dos atos administrativos fiscais a fim de que seja revista a Autuação Fiscal ora impugnada, e consequentemente revisto, declarado nulo e revogado o Ato Declaratório que excluiu ilicitamente a Impugnante do SIMPLES NACIONAL ante a completa falta de intimação/notificação para tal ato tolhendo a mesma o direito ao contraditório e a ampla defesa, de sorte que se reconheça como legítimos todos os recolhimentos realizados pela Impugnante desde a sua constituição até a data de julgamento da presente impugnação, pelo Regime Diferenciado de Arrecadação conhecido como SIMPLES NACIONAL, destituindose o presente Auto de Infração, conforme demonstrado, declarandose a improcedência do auto de infração ora impugnado desconstituindose o mesmo na sua totalidade anulandose o DEBCAD n° 51.025.1242; seja excluída da autuação a taxa SELIC para a atualização do débito, visto a sua total inconstitucionalidade; seja excluído do eventual débito o valor advindo da aplicação da multa no percentual de 112,5%, visto sua confiscatoriedade, desproporcionalidade e irrazoabilidade, ou reduzida a um patamar aceitável frente às disposições pertinente. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 296 7 A impugnação do sujeito passivo foi julgada improcedente através do acórdão de fls. 163/173, que restou assim ementado: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As contribuições sociais previdenciárias patronais são devidas pela empresa que tenha sido excluída do SIMPLES NACIONAL, por não cumprir o requisito de inexistência de débito para com a Fazenda Nacional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar os arquivos digitais solicitados pela autoridade lançadora. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Cientificada da decisão de piso em 21/11/2013 (fls.180), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 182/202), reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. DDaa eexxcclluussããoo ddoo SSIIMMPPLLEESS Alega a recorrente que nunca tomou ciência do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES. Contudo, o julgador de primeira instância, fulcrado no princípio da verdade material perquiriu acerca da sua situação em relação ao aludido regime simplificado de tributação. Restou consignado na decisão de piso que a exclusão do contribuinte se deu ainda no ano de 2008, tendo a ciência se dado por edital. A recorrente, portanto, sabia, ou Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 297 8 deveria saber, que não mais pertencia ao SIMPLES. Eis o que restou consignado na decisão recorrida: Como preliminar os impugnantes propugnam pela nulidade do feito fundamentando o pedido na inadequação de desclassificação da sociedade empresarial autuada como optante do SIMPLES. Entretanto, no Sitio da Receita Federal do Brasil/ Simples Nacional, com acesso irrestrito, obtémse,mediante consulta do CNPJ da empresa autuada a seguinte informação: Situação Atual : Situação no Simples Nacional : NÃO optante pelo Simples Nacional Períodos Anteriores :Opções pelo Simples Nacional em Períodos Anteriores Data Inicial : 01/07/2007; Data Final : 31/12/2008; Detalhamento : Excluída por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil. Em pesquisa realizada nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, que também pode ser realizada pelo sujeito passivo, mediante habilitação de acesso,, comprovase que a empresa autuada foi excluída do SIMPLES pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/NHO Nº 119780, 22 DE AGOSTO DE 2008 nos seguintes termos: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa,relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1º de janeiro de 2009, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica sejam pagos ou parcelados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE). Os débitos motivadores da exclusão decorreram da falta de recolhimento de contribuições previdenciárias e DARF cód Receita 6106. Segundo informação constante dos Sistemas Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 298 9 Informatizados da RFB a ciência do Ato Declaratório foi feita por meio de Edital. Registrese, na oportunidade que as inconformidades correspondentes à exclusão deveriam ter sido opostas no prazo legal e em processo próprio, pois o presente processo administrativo de constituição de crédito tributário não é o veículo apropriado para se discutir a exclusão da empresa do sistema especial de tributação, SIMPLES. As informações postas foram apresentadas com o intuito de mostrar o acesso do sujeito passivo às informações sobre sua situação fiscal perante a Receita Federal,sendo inaceitável, portanto, alegar desconhecimento. Registrese que foi possível verificar que houve por parte do contribuinte pedido de parcelamento de débito e correção da GFIP, com retificação do código de opção do SIMPLES. No mérito, justificando a cobrança das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, é mister lembrar que as pessoas jurídicas excluídas do Simples Nacional, sujeitamse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, imediatamente a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão,a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Quanto à possibilidade do lançamento de ofício ser efetuado, ainda que o ato de exclusão do Simples esteja em discussão, há de se observar a Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Não obstante a plausibilidade e consistência da fundamentação da decisão recorrida, a recorrente não refutou uma linha sequer do acima transcrito, limitandose a reiterar em segunda instância, as mesmas alegações apresentadas quando do protocolo da peça defensiva. É cediço que a recorrente deveria recolher as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento regularmente, não podendo opor uma condição inexistente e cuja oportunidade de impugnação já precluiu. Destarte, entendo que a antiga condição de optante pelo SIMPLES em nada poderá alterar o presente lançamento, sendo manifestamente improcedentes as alegações recursais. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 299 10 DDoo GGrruuppoo EEccoonnôômmiiccoo Em relação à caracterização do grupo econômico, a autoridade fiscal apresentou o seguinte arcabouço fático para justificar a sujeição das empresas MAICON e DOCE PECADO como responsáveis solidárias pelo presente crédito tributário. Vejamos: As empresas CRIATIVA, MAICON e DOCE PECADO surgiram em agosto/2002, junho/2010 e março/2011, respectivamente. O acesso aos estabelecimentos e a recepção é comum a todas através da Rua Arlindo Frantz, 131, as 3 empresas funcionam no mesmo local, sem separação física dos ambientes. os trabalhadores da MAICON e DOCE PECADO laboram juntos na área produtiva e nas atividades meio. os sócios das empresas, além da existência de parentesco entre si, transitaram pelos seus quadros societários. Os segurados empregados da CRIATIVA, a partir de abril/2011, foram todos transferidos para a DOCE PECADO. Conforme pesquisa no banco de dados da Previdência Social, oriundas das GFIP apresentadas pela empresa DOCE PECADO, indicam a movimentação desses segurados pelo código “N2 — Transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho”. os bens de produção da CRIATIVA também foram absorvidos pela DOCE PECADO, todavia as empresas não apresentaram os documentos dessa transação, tampouco há registro desses bens em suas contabilidades. A DOCE PECADO apresentou o “contrato de sublocação comercial e locação de equipamentos”, datado de 05/12/2011, no qual passou a sublocar o prédio industrial de 522m2 a MAICON, juntamente com os seus bens de produção, com vigência a partir de 10/12/2011. mesmo sem possuir nenhum bem de produção próprio ou locado no período do início de suas atividades junho/2010 até julho/2011, a empresa MAICON gerou receitas com a venda de produtos e prestação de serviços no montante de R$ 1.465.485,72, contra nenhuma receita da CRIATIVA e da DOCE PECADO. Essas empresas, inclusive, a partir do surgimento da MAICON, passaram a não apresentar registro de receita em suas contabilidades, embora contassem com os trabalhadores e os meios de produção a sua disposição. Diante dos fatos apresentados acima, a Fiscalização concluiu que as empresas, embora tenham personalidade jurídica distinta, possuem sócios em comum ou com relação de parentesco, beneficiamse do conjunto dos trabalhadores que estão a sua disposição, assim como dos bens de produção. Desse modo, com base no artigo 124, incisos I e II do CTN, Lei 5.172, de 25/10/66; artigo 30, inciso IX da Lei 8.212, de 24/07/1991; artigo 222 do Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 300 11 Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e artigo 17 da Lei 8.884, de 11/06/1994, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das empresas Doce Pecado Comércio de Bolsas Ltda, CNPJ 13.361.536/0001 84, e Maicon Rafael de Vargas, CNPJ 12.130.224/000105, uma vez que a amostragem dos fatos e provas colhidos durante o procedimento fiscal evidencia a existência de grupo econômico de fato (Termo de Sujeição Passiva Solidária fls. 54/56). Não é necessário maior esforço cognitivo para se concluir que as empresas agiam de forma coordenada para a consecução de objetivos comuns. A inexistência de separação de local para o exercício de suas atividades, sócios e funcionários em comum, receitas concentradas em apenas uma das empresas, denotam à exaustão que as mesmas formavam um grupo econômica, devendo ser destacado que a situação fática se subsume, tanto à norma inserta no art. 30, IX, do art. 8.212/91, quanto ao art. 124, I, do CTN, posto que havia interesse comum entre as três empresas integrantes do grupo econômico. Desta forma, entendo que o grupo econômico restou plenamente carcaterizado, devendo a decisão recorrida ser mantida pelos seus próprios e doutos fundamentos. Isto posto, nego provimento ao recurso quanto a este aspecto do lançamento. Do agravamento da multa de ofício De acordo com a acusação fiscal, a contribuinte deixou de apresentar as informações em meio digital de sua folha de pagamento do período de 01/2009 a 11/2009, fato que ensejou, nessas competências, o agravamento da multa nos termos do § 2º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, perfazendo o total de 112,5%. Alega a recorrente que multa de 112,5% revelase absolutamente inconstitucional, uma vez que nitidamente revestida de caráter confiscatório, sem atentar para os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade aos quais está a autoridade administrativa legalmente adstrita. Tal situação é desproporcional, irrazoável e, portanto, ilegal, pois leva à impossibilidade do pagamento, que é a finalidade principal da lei tributária. Verificase, pois, que a recorrente não se defende dos fatos, ou seja, não nega ter deixado de apresentar as informações de sua folha de pagamento em meio digital. Nem ao menos aponta o motivo de ter deixado de fazêlo; centra seu conformismo no legislador, por considerar a multa desproporcional, sem razoabilidade e com caráter confiscatória. A alegação de inconstitucionalidade será abordada no tópico seguinte. Por ora, cabenos repisar, que a situação fática que ensejou o agravamento da multa é incontroversa. Outra conduta não poderia se esperar da autoridade fiscal pelo caráter vinculado de sua atuação (art. 142, do CTN), senão aplicar ao caso concreto o art. 44, do § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96, cuja redação transcrevemos abaixo: Art. 44 (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 301 12 I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Isto posto, não merecem prosperar as alegações recursais. DDaa mmuullttaa ccoonnffiissccaattóórriiaa A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, de igual modo ao item precedente, a argumentação da recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula nº 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como a infringência ao princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. DDaa aapplliiccaaççããoo ddaa TTaaxxaa SSeelliicc A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11065.722347/201211 Acórdão n.º 2201004.681 S2C2T1 Fl. 302 13 Assim sendo, improcede a argumentação da recorrente quanto à não incidência de juros de mora no presente lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720402/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2010
PRELIMINAR DE NULIDADE EM RAZÃO DE NÃO SER ACATADO PEDIDO DE PERÍCIA. FACULDADE DO JULGADOR. GLOSA DE COMPENSAÇÃO E DESPESA.
O pedido de perícia pode ser indeferido pela autoridade julgadora, quando for prescindível para o deslinde do litígio, como é o caso de glosa de compensação de prejuízo, em que basta a constatação da inobservância do limite de 30%, e de glosa de despesas, cujo ônus da prova compete ao contribuinte trazer na impugnação.
GLOSA DE DESPESAS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL.
Correta a glosa de despesa quando a empresa, intimada, deixa de comprová-las, descabendo alegar que estavam contabilizadas, já que a escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que acompanhada por documentação hábil que os suporte.
GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. ART. 340 DO RIR/99.
As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observadas as regras impostas no artigo 340 do RIR/99.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. GLOSA DO EXCESSO.
Correta a glosa da compensação de prejuízos feita com inobservância do limite de 30%, que deve, contudo, ser efetivada sobre o excesso e não sobre a totalidade do valor compensado.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE EM RAZÃO DE NÃO SER ACATADO PEDIDO DE PERÍCIA. FACULDADE DO JULGADOR. GLOSA DE COMPENSAÇÃO E DESPESA. O pedido de perícia pode ser indeferido pela autoridade julgadora, quando for prescindível para o deslinde do litígio, como é o caso de glosa de compensação de prejuízo, em que basta a constatação da inobservância do limite de 30%, e de glosa de despesas, cujo ônus da prova compete ao contribuinte trazer na impugnação. GLOSA DE DESPESAS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Correta a glosa de despesa quando a empresa, intimada, deixa de comprová-las, descabendo alegar que estavam contabilizadas, já que a escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que acompanhada por documentação hábil que os suporte. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. ART. 340 DO RIR/99. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observadas as regras impostas no artigo 340 do RIR/99. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. GLOSA DO EXCESSO. Correta a glosa da compensação de prejuízos feita com inobservância do limite de 30%, que deve, contudo, ser efetivada sobre o excesso e não sobre a totalidade do valor compensado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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FACULDADE DO JULGADOR. GLOSA DE COMPENSAÇÃO E DESPESA. O pedido de perícia pode ser indeferido pela autoridade julgadora, quando for prescindível para o deslinde do litígio, como é o caso de glosa de compensação de prejuízo, em que basta a constatação da inobservância do limite de 30%, e de glosa de despesas, cujo ônus da prova compete ao contribuinte trazer na impugnação. GLOSA DE DESPESAS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Correta a glosa de despesa quando a empresa, intimada, deixa de comprová las, descabendo alegar que estavam contabilizadas, já que a escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que acompanhada por documentação hábil que os suporte. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. ART. 340 DO RIR/99. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observadas as regras impostas no artigo 340 do RIR/99. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. GLOSA DO EXCESSO. Correta a glosa da compensação de prejuízos feita com inobservância do limite de 30%, que deve, contudo, ser efetivada sobre o excesso e não sobre a totalidade do valor compensado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 04 02 /2 01 5- 14 Fl. 342DF CARF MF 2 Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no valor total do auto de IRPJ de R$ 22.016.674,73, e R$ 16.512.506,05 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 135/142: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 343 3 · Perdas no recebimento de crédito. Inobservância dos requisitos legais: no período de 12/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249 inciso I, 251, 277, 299 e 340 do RIR/1999. Multa de 75%; · Inobservância do limite de compensação. Compensação de prejuízo operacional sema observância do limites de 30%: no período de 12/2010. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 250 inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/1999. Multa de 75%; Ciente da autuação o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA (fls. 160/179), na qual alegou em síntese: 1. Que depois de realizar a fiscalização, o Auditor Fiscal lavrou o Auto de Infração em discussão, através do qual constituiu um crédito tributário relativo ao IRPJ supostamente não recolhido no exercício de 2010, o qual, depois de submetido à incidência de multa de ofício e juros de mora, foi quantificado em RS 47.556.452,53. Isso porque o Auditor Fiscal considerou que a Impugnante deduziu indevidamente da base de cálculo do IRPJ o valor de R$2.554.676,05, escriturado sob a rubrica "perdas em operações de créditos", haja vista a suposta falta de comprovação do atendimento dos requisitos legais necessários para tanto. 2. Diz que foi procedida pela fiscalização a glosa integral de R$85.608.022,88 de prejuízo fiscal supostamente utilizados pela Impugnante para compensar o valor a ser pago a título de IRPJ, por considerarse que tal prejuízo fiscal acumulado em anos anteriores não foi comprovado, fazendose a ressalva de que, caso houvesse sido provado, ainda assim só poderia ser utilizado para compensar 30% (trinta por cento) do valor do lucro líquido após as adições e exclusões. Para fundamentar legalmente a autuação procedida, o Auditor Fiscal invocou o art. 39, da Lei n9 9.249/95, bem como os arts. 247; 248; 249, I; 251; 277; 278; 299; 340; 509 e 510, todos do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n 3.000/99). 3. Entende que “o Auto de Infração em discussão não merece prosperar, uma vez que se encontra eivado de vícios formais existentes durante o processo fiscalizatório, e que contaminaram o lançamento, como também por ser manifestamente improcedente, de acordo com o demonstrado nos tópicos seguintes. Imperioso se faz destacar que em razão de flagrantes equívocos cometidos quando do preenchimento da DIPJ pela contabilidade da Impugnante, fora alcançada elevada e errônea base de cálculo da exação em comento e, após a apuração correta da mesma, verificouse, de fato, a existência de débito de IRPJ Fl. 344DF CARF MF 4 a ser adimplido, consideravelmente menor, entretanto, do que o apontado no Auto de Infração”; 4. Informa que “já procedeu a compensação do valor que entende devido (R$1.586.989.35), acrescido de mora e multa, nos termos da legislação, nos autos do Proc. 13227.720402/201514 (DCOMP n. 14542.07929.100815.1.3.097667 em anexo, Doc. 04), sendo, portanto, incontroverso tal valor, augurando a discussão na presente apenas do valor remanescente do crédito tributário apontado no Auto de Infração (R$46.279.463,18), indevidamente constituído em razão dos mencionados equívocos contábeis”; 5. DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA DIPJ COMO INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO: Alega que “a autuação em questão foi procedida pelo Auditor Fiscal pautada em apenas uma premissa, qual seja: a Impugnante apresentou em sua DIPJ informações relativas ao IRPJ não efetuou o recolhimento do tributo em conformidade com a legislação. Isso porque, conforme narrado anteriormente, o lançamento ora discutido decorreu exclusivamente da glosa de lançamentos realizados na DIPJ a título de perdas em operações de crédito; e da integralidade do prejuízo fiscal acumulado em exercícios anteriores, que foi utilizado para compensar o débito indicado na DIPJ”. 6. Conclui que “o Auditor Fiscal partiu de uma premissa absolutamente equivocada para constituir o suposto crédito tributário cobrado através do Auto de Infração questionado neste processo administrativo, qual seja que a DIPJ constitui instrumento de confissão de dívida. Isso porque, ao lavrar o Auto de Infração, o Auditor Fiscal, para a realização do lançamento tributário, limitouse a utilizar informações exclusivamente existentes em DIPJ. Nada mais! Portanto, a ação fiscal não foi realizada de forma adequada, porque o Auditor Fiscal não analisou toda a documentação indispensável para a constituição válida do crédito tributário, se abstendo de apurar a correção ou incorreção dos valores correspondentes ao tributo devido”. 7. Aduz que “a ação fiscal deve ser realizada de forma a explicitar exatamente a infração verificada, apontando a forma como foi realizada a fiscalização e os documentos nela utilizados, pois é dever do Fisco demonstrar, de maneira indubitável, a procedência das razões da autuação. Então, não basta o Auditor Fiscal simplesmente lavrar um Auto de Infração cobrando do contribuinte, com suporte em DIPJ, o pagamento de IRPJ supostamente não recolhido baseandose totalmente em tal documento, sem analisar a correção da escrituração fiscal realizada pelo contribuinte. Entretanto, uma vez verificada tal falha no procedimento de constituição válida do crédito tributário, não há como a autuação ser mantida, porque está desprovida de elementos que caracterizem a infração”. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 344 5 8. DA INOBSERVÂNCIA AO LIMITE LEGAL DE 30% DO PREJUÍZO FISCAL AUSÊNCIA DE VERIFICAÇÃO DA HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. OFENSA À SUMULA Nº 36 DO CARF: Afirma que, “antes de proceder a glosa de 100% (cem por cento) dos prejuízos fiscais utilizados pela Impugnante, o Auditor Fiscal aduziu que houve o aproveitamento de prejuízo fiscal em montante superior aos 30% (trinta por cento) legalmente admitidos. Já foi demonstrado no tópico anterior que o Auditor Fiscal procedeu a verificação fiscal da Impugnante de maneira simples, de modo a reduzir substancialmente sua carga de trabalho, já que, caso houvesse se debruçado sobre a integralidade das informações fiscais e contábeis desta, certamente levaria bastante tempo para concluir a fiscalização. Ao proceder desta forma, porém, a fiscalização contrariou disposições normativas e jurisprudenciais existentes, ocasionando prejuízos à defesa e ao próprio direito da Impugnante, o que certamente não será tolerado por Vossa Senhoria quando do julgamento desta Impugnação Administrativa”; 9. Conclui que, diante “de tão grave falha por parte da fiscalização em não diligenciar no sentido de verificar se a Impugnante efetuou recolhimentos a título de IRPJ nos exercícios seguintes, de modo a identificar a ocorrência de postergação do pagamento, enseja a nulidade do Auto de Infração, pois, conforme demonstrado nesta oportunidade, tal postura é um ônus da fiscalização, do qual não se desincumbiu”. 10. DEMONSTRAÇÃO DOS ERROS GROSSEIROS E DE FÁCIL CONSTATAÇÃO COMETIDOS QUANDO DO PREENCHIMENTO DA DIPJ. DEVER DE RETIFICACÃO DE OFÍCIO PELO AUDITOR FISCAL APLICAÇÃO DO ART. 147, §2, DO CTN: Afirma “que a contabilidade da Impugnante incorreu em erros gravíssimos quando do preenchimento da DIPJ. Assim, caso o Auditor Fiscal houvesse analisado criticamente a referida declaração, o identificaria com facilidade e certamente não lavraria o Auto de Infração nos moldes ora apresentados. Todavia, como não o fez, a impugnante destacará a Vossa Senhoria os flagrantes equívocos cometidos quando do preenchimento da DIPJ por sua contabilidade, bem como as consequências decorrentes disso, em especial a obtenção de uma absurda e irreal base de cálculo alcançada, que culminou na obtenção de valor excessivamente alto a ser recolhido a título de IRPJ”. 11. DO ERRO DE PREENCHIMENTO NA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DE EXERCÍCIO DRE (FICHA 06A DA DIPJ): Explica que “o primeiro erro a que se faz referência nessa oportunidade consiste na inserção, pela contabilidade da Impugnante, de dados incorretos quando do preenchimento da Demonstração de Resultado de Exercício DRE, em especial no que diz respeito à indicação da provisão do valor a ser pago a título de IRPJ e CSL. Para facilitar a compreensão do tema, verificase a forma correta de Fl. 346DF CARF MF 6 Demonstração de Resultado de Exercício DRE da Impugnante para o exercício de 2010”. 12. DO “ERRO DE PREENCHIMENTO NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL PJ EM GERAL (FICHA 09A DA DIPJ)”: Explica que “a grande divergência entre o formato de declaração ora apresentado e as informações constantes em DIPJ reside em dois pontos”. O primeiro ponto é justamente a inserção equivocada tanto das variações cambiais ativas (R$45.330.737,39) quanto das variações cambiais passivas (R$31.106.375,43) nas adições do lucro líquido, o que implicou em um aumento significativo de R$76.437.112,82 na base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL. Sobre isso, destacase inicialmente que tanto as variações cambiais ativas como as variações cambiais ativas já haviam sido escrituradas na Demonstração de Resultado de Exercício da própria DIPJ (vide, novamente, a ficha 06A da DIPJ), o que impediria nova escrituração das mesmas, seja como "adição''' ou mesmo “exclusão" da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”; 13. DA NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DIPJ E CONSEQÜENTEMENTE DO TRIBUTO LANÇADO: Diante desse contexto diz que “nítido erro de preenchimento da DIPJ não constatado pelo Auditor Fiscal, a Impugnante considera violado o art. 147, §29, do CTN. Diante de tão clara disposição normativa, constata se que é obrigação e não mera faculdade do Auditor Fiscal retificar, de ofício, informações equivocadamente prestadas pelos contribuintes, sendo indiferente se essa modificação implicará em aumento ou redução da carga tributária. Ora, o Fisco costuma ser bastante criterioso na análise das declarações prestadas pelos contribuintes quando identifica possível indicação de débito inferior ao efetivamente devido. Nesses casos, depois de concluírem pela incorreção dos dados oferecidos”. 14. DA MANUTENÇÃO DA COMPENSAÇÃO EETUADA ATÉ O LIMITE DE 30% (TRINTA POR CENTO). GLOSA INDEVIDA. PREJUÍZOS FISCAIS COMPENSÁVEIS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES. DECADÊNCIA: Assevera que, “ainda que os prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores, apesar de passados mais de cinco anos da fiscalização, repercutam em situações futuras ainda não atingidas pela caducidade, mesmo assim não pode ser mantida a glosa realizada pela fiscalização. Isso porque não foi efetuada qualquer análise na escrituração fiscal e contábil da Impugnante dos exercícios anteriores, conforme fica claro da análise dos autos. Não tendo havido fiscalização do período, impossível se mostra a glosa pretendida pelo Auditor Fiscal. Desse modo, resta caracterizado mais um desacerto da fiscalização quando do desenvolvimento da ação fiscal e conseqüente lavratura do Auto de Infração em discussão, razão pela qual, na hipótese pouco crível de ser mantida a autuação, deve ser admitida como acertada a utilização de 30% (trinta por conto) do prejuízo fiscal acumulado de exercícios anteriores para a redução do tributo a ser pago”. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 345 7 15. DEMONSTRAÇÃO DO ERRO DE CALCULO COMETIDO PELA FISCALIZAÇÃO: Argumenta que, “na hipótese pouco crível de serem rejeitadas as alegações apresentadas nos tópicos anteriores, convém explanar que o Auditor fiscal utilizou o valor do prejuízo fiscal que detinha a Impugnante como base de cálculo do IRPJ em vez de tomar por base o lucro apurado. Tal desatenção deixa ainda mais clara a forma pouco cuidadosa com que a fiscalização foi conduzida”; 16. Apresenta tabela constante no Relatório Fiscal “que fundamentou a lavratura do Auto de Infração em discussão. Verifica que o Auditor Fiscal equivocouse ao apurar o excesso de compensação do limite de 30% (trinta por cento) de redução de base de cálculo por conta da utilização de prejuízo fiscal. Isso porque reduziu do prejuízo fiscal da Impugnante (R$85.608.022,88) o limite de 30% de redução de base de cálculo (R$23.391.400,66), tendo, por isso, identificado um excesso de R$62.216.622,22. O correto, todavia, seria retirar o limite de 30% de redução de base de cálculo (R$23.391.400,66) do valor do lucro apurado (R$77.971.335,54), alcançandose o valor tributável de R$54.579.934,88. Assim sendo, a postura incorreta do Auditor Fiscal ensejou a majoração indevida da base de cálculo do IPRJ no valor de R$7.635.687,34 (sete milhões seiscentos e trinta e seis mil seiscentos e oitenta e sete reais e trinta e quatro centavos), que deve ser desfeita por Vossa Senhoria diante de tão evidente equívoco”. 17. DA NECESSIDADE DE REDUÇÃO DA MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO: Entende ser “cediço que a multa a ser fixada deve respeitar ao menos os princípios da razoabilidade e do não confisco, corolários do Direito Tributário, o que, no presente caso, não foi observado. Vêse que o entendimento jurisprudencial e doutrinário segue no sentido de que a multa de 75%, com base no art. 44, inciso I da Lei ne 9.430/96 é manifestamente contrária aos referidos princípios, sendo revestida de caráter notadamente confiscatório. É o que se depreende de diversos julgados citados. Vê se, Ilustre Julgador, que deve ser respeitado o princípio do não confisco, preceito constitucional cogente que traz ao Contribuinte o direito de dispor de seus bens, não sendo penalizado com multa/tributo tão elevado que venha a impossibilitar o uso e fruição dos mesmos. Cita julgado do STF”. 18. POSSIBILIDADE JUSTIFICADA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA APURARSE A CORREÇÃO DO TRIBUTO DISCUTIDO NESTES AUTOS: Aduz que “caso Vossa Senhoria entenda necessário para melhor subsidiar a decisão, poderá determinar a realização de diligência por parte do Auditor Fiscal responsável por proceder a autuação em discussão, nos termos do art. 35, do Decreto n 7.574/20115, de modo que retifique a DIPJ nos moldes acima apresentados, e, depois disso, efetue o recalculo do IRPJ devido pela Impugnante”. Fl. 348DF CARF MF 8 19. DA NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO DO DÉBITO APURADO COM CRÉDITOS DE TITULARIDADE DA IMPUGNANTE JUNTO À RECEITA FEDERAL: Ratifica que “a Impugnante já procedeu a compensação do montante que entende devido, apontado no Auto de Infração em voga, devidamente acrescido do valor de mora e multa legalmente previstos, através do Proc. 13227.720402/201514 (DCOMP n 14542.07929.100815.1.3.097667), com créditos de sua titularidade. Entretanto, caso a Ilustre Autoridade Julgadora entenda, ao final da análise da presente, que a Impugnante, não obstante a compensação supra efetuada, ainda teria valor a recolher em decorrência do presente Auto de Infração (o que não se espera!), a mesma informa que possui outros créditos passíveis de compensação, respectivamente dispostos nos PER/DCOMP's com valor total de créditos de R$ 39.448.578,02; 20. “Esclarece que, na hipótese haver qualquer tipo de problemas com os créditos apresentados na compensação que foi realizada pela Impugnante para a quitação do tributo reconhecido, deve ser utilizado qualquer um dos créditos constante nos processos administrativos acima citados para substituir o crédito glosado ou não reconhecido, evitandose assim que a Impugnante perca os benefícios de pagamento da multa com o percentual de desconto legalmente garantido. Diante disso, Ilustre Julgador, verificase que a Impugnante possui outros créditos passíveis de compensação para quitação de eventual diferença verificada após a apreciação da presente peça impugnatória (repisese, o que não se espera!), devidamente abatida do valor já compensado, conforme exposto alhures, mostrandose desnecessária quaisquer outra glosa nos moldes efetuado”. 21. Requereu “o recebimento desta impugnação administrativa, por estarem preenchidos todos os requisitos necessários para tanto, para que seja processada e julgada, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTIN; ii) Que seja declarada a nulidade do Auto de Infração, na medida em que o lançamento foi procedido mediante a atribuição equivocada à DIPJ de natureza de confissão de dívida; iii) Que, caso assim Vossa Senhoria não preceda, declare a nulidade do Auto de Infração, pois o Auditor Fiscal não se desincumbiu de sua obrigação de comprovar a inocorrência de postergação do pagamento do IRPJ para os exercícios posteriores à 2010; iv) Que, uma vez indeferidos os dois pleitos anteriores, seja procedida a retificação da DIPJ, e, em decorrência disso, reduzido para R$977.150,03 o IRPJ devido, sobre o qual deverá ser aplicada a multa de ofício e os juros de mora, o qual já foi quitado através da compensação comprovada nesta oportunidade; v) Que, rejeitados os três pedidos anteriores, seja mantida a glosa apenas de 70% (setenta por cento) do prejuízo fiscal utilizado pela Impugnante para redução da base de cálculo do IRPJ devido; vi) Que, uma vez rechaçados os pedidos constantes nos itens "b", "c" e "d", porém acolhido do pedido anterior, seja retificada e reduzida a base de cálculo do IRPJ para R$54.579.934.83; vii) Seja reduzida a multa fixada em 75%, haja vista sua flagrante contrariedade aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade; viii) Que seja determinada a Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 346 9 realização de diligência por parte do Auditor Fiscal responsável pela lavratura do Auto de infração em discussão, para que efetue a retificação da DIPJ apresentada peia Impugnante com informações equivocadas; ix) Que seja procedida a compensação do debito remanescente com créditos de que a Impugnante é detentora, levando se em consideração compensação já efetuada, bem como os créditos indicados no tópico "II.VIII"”. O Acórdão ora Recorrido (0654.608 2ª Turma da DRJ/CTA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. GLOSA DE COMPENSAÇÃO E DESPESA. O pedido de perícia pode ser indeferido pela autoridade julgadora, quando for prescindível para o deslinde do litígio, como é o caso de glosa de compensação de prejuízo, em que basta a constatação da inobservância do limite de 30%, e de glosa de despesas, cujo ônus da prova compete ao contribuinte trazer na impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010 GLOSA DE DESPESAS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Correta a glosa de despesa quando a empresa, intimada, deixa de comprová las, descabendo alegar que estavam contabilizadas, já que a escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que acompanhada por documentação hábil que os suporte. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. ART. 340 DO RIR/99. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observadas as regras impostas no artigo 340 do RIR/99. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. GLOSA DO EXCESSO. Correta a glosa da compensação de prejuízos feita com inobservância do limite de 30%, que deve, contudo, ser efetivada sobre o excesso e não sobre a totalidade do valor compensado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 Fl. 350DF CARF MF 10 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma “é equivocada a acusação de que a fiscalização teria deixado de buscar a verdade material, ou teria agido com desleixo, faltando com o dever de investigar. Conforme narrado no item anterior, a autoridade fiscal cumpriu com o dever de investigar as infrações, ao intimar o contribuinte para prestar esclarecimentos sobre dados informados na DIPJ. Deve ser levado em conta que, em matéria de despesas, o ônus da prova é do contribuinte, que deve comprovar, com documentação idônea, a existência da despesa, bem como os requisitos de sua dedutibilidade (usualidade, normalidade e necessidade). A despesa de “Perdas no Recebimento de Créditos” é disciplinada no art. 340 do RIR/99, em que se exige uma série de requisitos e condições para que possam ser deduzidos, conforme abaixo transcrito. O auditor fiscal ofereceu a oportunidade para a empresa comprovar as despesas, mas ela preferiu silenciar. E mesmo na impugnação, o contribuinte sequer cogitou de explicálas, o que fulmina por completo suas alegações”. E que “não procede à reclamação da exigência da multa, já que esta tem previsão legal, no art. 44 inciso I da Lei n° 9.430/96. De nada adianta recorrer a princípios da razoabilidade ou proprocionalidade, pois importa compreender que a apreciação da inconstitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN”. Ainda, deu parcial provimento à Impugnação uma vez que a Fiscalização, inexplicavelmente, em vez de glosar os R$ 62.216.622,22 a título de excesso de compensação, a fiscalização acabou adicionando R$ 85.608.022,88 ao lucro líquido do exercício, que corresponde ao total compensado pelo contribuinte. Dessa forma, o lançamento deve ser corrigido conforme demonstrativo a seguir Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 347 11 Ciente da decisão do Acórdão em 29/04/2016 (fl. 307), o interessado COMPANHIA SIDERÚRGICA DO PARÁ COSIPAR interpõe Recurso Voluntário em 01/06/2016 (fls. 310/325), trazendo em resumo as mesmas razões aduzidas em sede de impugnação, com exceção do tópico que tratava do erro do agente fiscal na apuração da base (acatado pela DRJ), e a seguinte preliminar de nulidade da decisão recorrida: · DA NECESSIDADE DE PERÍCIA. Alega ser nula a decisão recorrida na medida em que não deferiu a realização de perícia, isto porque a decisão se fundamenta em falta de comprovação, e a perícia se prestaria exatamente para isso. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. Quanto ao Recurso de Ofício, desde já entendo que não merece ser acolhido. Isto porque a desoneração ocorrida decorreu de correção realizada pela DRJ na apuração da base de cálculo do lançamento. O agente fiscal, em vez de glosar os R$ 62.216.622,22 a título de excesso de compensação, acabou adicionando R$ 85.608.022,88 ao lucro líquido do exercício, que corresponde ao total compensado pelo contribuinte. Em outras palavras, não considerou sequer os 30% de prejuízos compensáveis. Assim, correta a decisão de piso razão pela qual não dou provimento ao Recurso de Ofício. Passo a analisar o recurso Voluntário. Fl. 352DF CARF MF 12 Inicialmente, defende a recorrente a nulidade da decisão da DRJ em razão da não realização de diligência ou perícia. Isto porque, entende que por se tratar de glosa de custos por ausência de comprovação, a não realização da perícia seria contraditória com o próprio mérito da autuação, e a invalidaria. Não assiste razão à Recorrente. Cabe à parte comprovar documentalmente a regularidade dos custos registrados em sua contabilidade, e não ao Fisco fazer diligências para comprovar despesas que deveriam ser comprovadas pela parte. A Recorrente apenas trás alegações genéricas de legalidade dos custos mas nada prova. Outrossim, a realização de diligência ou perícia é ato de livre convencimento do julgador. Ao julgador é dado a prerrogativa de indeferir a perícia se considerála prescindível ou impraticável. Entendo que uma tal perícia é desnecessária e há nos autos os elementos necessários para julgamento. Ressaltese, novamente, que competia à Recorrente fazer a prova da regularidade das suas operações. Face ao exposto, não acolho a preliminar de nulidade arguída. Ademais, como já acima exposto, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, a exceção da preliminar já analisada, constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 348 13 partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: Trata o processo de auto de infração do IRPJ do ano calendário 2010. Preliminar. Nulidades. Preliminarmente, a litigante pugna pela nulidade do lançamento, com base nos seguintes argumentos: i) o lançamento foi procedido mediante a atribuição equivocada à DIPJ de natureza de confissão de dívida; ii) o Auditor Fiscal não se desincumbiu de sua obrigação de comprovar a inocorrência de postergação do pagamento do IRPJ para os exercícios posteriores à 2010. Cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Entendo que as questões suscitadas dizem respeito ao mérito da controvérsia, que passo a apreciar. Auto de infração. Mérito. Perdas no recebimento de créditos. Inobservância do limite de compensação de prejuízo operacional. Fl. 354DF CARF MF 14 A presente ação fiscal foi inaugurada pelo Termo de Início de fls. 02/04, recebida pelo contribuinte em 08/08/2013, que foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais do ano calendário 2010. Entre outros documentos, o contribuinte apresentou Balanço Patrimonial, Balancetes Mensais e Livro Diário no formato sped, mas sem estar registrado. Em sua auditoria a autoridade fiscal constatou que o contribuinte informou, na ficha 05A, linha 22, (“Perdas em Operações de Crédito”) da DIPJ/2011 (fls. 93/134), o valor de R$ 2.554.676,05. Também foi observado que, na demonstração do lucro real (ficha 09A), o limite de compensação de prejuízos de 30% não foi respeitado, tendo em vista que houve lucro real de R$ 77.971.335,54 e compensação de R$ 85.608.022,88. Pelo Termo de Intimação de fls. 15/17, recebido em 22/04/2015, o autuante intimou a fiscalizada a prestar esclarecimentos sobre tais constatações, além de reiterar o pedido de apresentação do Livro Diário, Livro Razão e LALUR. Houve pedido de prorrogação de prazo (fl. 80). A fiscalização lavrou novo Termo de Intimação (fls. 21/23), recebido em 21/05/2015, com o mesmo conteúdo. À fls. 92, em documento datado de 26/05/2015, o contribuinte assim se pronunciou: · I Vossa Senhoria solicitou, no curso da ação fiscal epigrafada, diversas informações, esclarecimentos e documentos à fiscalizada, conforme relação repassada. · II Solicitou que os esclarecimentos fossem feitos por escrito e comprovados mediante documentação hábil e idônea e enviada para a Delegacia da Receita Federal em JiParaná, ou na Receita Federal mais próxima de seu domicílio. · III No inicio foi concedido o prazo de 20 (vinte) dias para a apresentação de todos os esclarecimentos e documentos. E depois prorrogado por mais 5 (cinco) dias diante de nossa solicitação. · IV Fazemos o envio do Livro Diário de 2010, ressaltando que essas informações encontramse no sped de 2010 enviado. Ainda estamos fazendo o levantamento dos demais questionamentos levantados e por tratarse de esclarecimentos complexos e de documentações de mais ou menos 5 anos atrás tornase um pouco demorado. Dessa forma, solicitamos mais uma vez prorrogação do prazo por mais 20 dias para o levantamento dos questionamentos. Como não houve nenhuma outra manifestação do contribuinte até a data da lavratura do auto de infração (ciência em 13/07/2015), não restou outra alternativa à fiscalização senão efetuar o lançamento. Na seqüência, passo a apreciar as razões da recorrente. DIPJ. Instrumento de confissão de dívida. Princípio da verdade material. Em síntese, a recorrente levanta os seguintes pontos: i) a autuação foi pautada em apenas uma premissa: glosa de lançamentos realizados na DIPJ a título de perdas em operações de crédito, e da integralidade do prejuízo fiscal acumulado em exercícios anteriores; ii) a ação fiscal não foi realizada de forma adequada, porque o Auditor Fiscal não analisou toda a documentação indispensável para a constituição válida do crédito tributário, se abstendo de apurar a correção ou incorreção dos valores correspondentes ao tributo devido; iii) o Auditor Fiscal considerou que a DIPJ constitui instrumento de confissão de dívida, o que contraria a posição do CARF; iv) a ação fiscal deve ser realizada de forma a explicitar exatamente a infração verificada, pois é dever do Fisco Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 349 15 demonstrar, de maneira indubitável, a procedência das razões da autuação, não bastando simplesmente lavrar um Auto de Infração cobrando do contribuinte, com suporte em DIPJ, o pagamento de IRPJ supostamente não recolhido; v) o Auditor Fiscal deve fiscalizar em busca da verdade material; deve apurar e lançar com base na verdade material. Não foi consultado qualquer outro documento fiscal da recorrente, fim de verificarse a real ocorrência da infração apontada. Os argumentos trazidos pela litigante, em última análise, servem para reforçar o acerto da autuação, em vez de combatêlo. É verdade que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, entendimento este que é pacífico em todas as instâncias. Justamente porque não o é que a Administração Tributária tem o dever de constituir o crédito tributário mediante lançamento de ofício; caso fosse confissão de dívida, bastaria efetuar a cobrança, sem necessidade de lançamento. Tanto assim que, em todos os julgados do CARF, transcritos no recurso, o foco é justamente a necessidade de lançamento de ofício uma vez que a informação contida na DIPJ não pode encaminhada diretamente à execução (cobrança), justamente porque não se trata de confissão de dívida. Quanto à legitimidade da utilização dos dados da DIPJ, como prova da infração, a jurisprudência do CARF é tranquila nesse sentido, conforme vários precedentes como os abaixo citados. Ora, se o contribuinte preenche essa declaração e a entrega ao fisco, em princípio, ela reflete as informações registradas na contabilidade. Caso haja algum equívoco na DIPJ, o contribuinte sempre poderá demonstrálo ao ser questionado. Número do Processo 10950.000879/201094 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão 11/03/2014 Relator(a) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Nº Acórdão 1401001.134 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: ESCRITURAÇÃO CONTABIL. DESPESAS. ONUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. A escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que acompanhada por documentação hábil que os suportes, descabendo atribuir ao fisco a incumbência de provar a inocorrência ou indedutibilidade da despesa, quando inexistentes tais documentações. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. ART. 340 DO RIR/99. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observadas as regras impostas no artigo 340 do RIR/99. RESULTADOS OPERACIONAIS. IRPJ. CSLL. FALTA DE DECLARAÇÃO. DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. Correto o lançamento resultante da constatação de apuração de lucro liquido na Demonstração de Resultado do Exercício, quando o contribuinte deixa de declarar o IRPJ e a CSLL correspondentes, ainda que informados em DIPJ, eis que tal declaração, a partir do exercício 1999, possui natureza informativa, ou seja, não constitui confissão de divida. _________________________________________________________________ Número do Processo 10972.000132/201088 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 09/10/2013 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401001.066 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades, incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade incompetente ou a despachos e decisões proferidos com Fl. 356DF CARF MF 16 preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. A falta ou insuficiência de recolhimentos IRPJ e CSLL, não confessados ou confessados não espontaneamente constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. DIPJ. Ainda que não constituam confissão de dívida, as informações prestadas na DIPJ tem vigor para fins tributários, pois a DIPJ é a declaração pela qual o contribuinte apura a base de cálculo e o valor dos tributos devidos, especialmente quando o contribuinte, mesmo intimado, não apresenta provas em contrário. _________________________________________________________________ Número do Processo 10580.727077/200947 Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIA Data da Sessão 20/01/2016 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Nº Acórdão 1301001.903 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. IRPJ. CSLL. LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAÇÃO. O contribuinte que realiza apuração do IRPJ e CSLL pelo regime do Lucro Real deve manter sua contabilidade detalhada a fim de realizar as inclusões e exclusões, ou seja, as despesas lançadas em contabilidade pelo contribuinte devem e ou deveriam estar vinculadas a documentos hábeis à comprovação de tais despesas. Além disso, é equivocada a acusação de que a fiscalização teria deixado de buscar a verdade material, ou teria agido com desleixo, faltando com o dever de investigar. Conforme narrado no item anterior, a autoridade fiscal cumpriu com o dever investigar as infrações, ao intimar o contribuinte para prestar esclarecimentos sobre dados informados na DIPJ. Deve ser levado em conta que, em matéria de despesas, o ônus da prova é do contribuinte, que deve comprovar, com documentação idônea, a existência da despesa, bem como os requisitos de sua dedutibilidade (usualidade, normalidade e necessidade). A despesa de “Perdas no Recebimento de Créditos” é disciplinada no art. 340 do RIR/99, em que se exige uma série de requisitos e condições para que possam ser deduzidos, conforme abaixo transcrito. O auditor fiscal ofereceu a oportunidade para a empresa comprovar as despesas, mas ela preferiu silenciar. E mesmo no recurso, o contribuinte sequer cogitou de explicálas, o que fulmina por completo suas alegações. Perdas no Recebimento de Créditos Dedução Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 350 17 IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas "a" e "b" do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 2º). § 3º Para os fins desta Subseção, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 3º). § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 4º). § 5º A parcela do crédito, cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária, poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 5º). § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Compensação do prejuízo fiscal. Postergação de pagamento. Decadência. Relativamente à infração atinente à compensação de prejuízo fiscal, a requerente alega que ficou caracterizado postergação de pagamento, nos seguintes termos: i) cita o teor da Súmula n 36, do CARF, segundo a qual "A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação de pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente"; ii) o Auditor Fiscal tem obrigação de verificar os exercícios subseqüentes até a data da lavratura do Auto de Infração, de modo da identificar se houve ou não lucro tributável, eis que, uma vez comprovado que o contribuinte apurou e recolheu IRPJ em exercício posterior ao da utilização do prejuízo focal em percentual superior a 30%, fica caracterizada a postergação do imposto devido, o que autoriza apenas o lançamento da multa e dos juros decorrentes desse atraso, conforme o art. 65, § 4 a 7 do Decreto n 1.598/1977; iii) nos termos do Parecer Normativo Cosit n 2, de 28/08/96, a fiscalização possui a obrigação de efetuar a verificação não só do exercício fiscalizado, como também dos posteriores, de modo a identificar á ocorrência ou não de pagamento postergado; iv) tal postura é um ônus da fiscalização, do qual não se desincumbiu. Na mesma infração, a interessada também suscita a decadência, como o seguinte arrazoado: i) o Auditor Fiscal deixou de observar que nas compensações efetuadas estão incluídos prejuízos fiscais compensáveis de outros exercícios, anteriores ao àquele fiscalizado, como pode se ver na própria planilha do Relatório Fiscal, referentes aos períodos de 1991 a 2010 (campo 84); ii) a glosa dos prejuízos fiscais de exercícios anteriores depende de prévia fiscalização sobre os mesmos; iii) o Mandado de Procedimento Fiscal apenas lhe conferia poderes para proceder à verificação fiscal em relação ao exercício de 2010; iv) os exercícios anteriores a 2010 já se encontravam alcançados pela decadência quando da lavratura do Autor de Infração em discussão; v) o Mandado de Procedimento Fiscal, ao contrário do comumente alegado pela Administração Tributária, não é instrumento de controle interno, e sua emissão não se configura Fl. 358DF CARF MF 18 como mera formalidade; vi) não foi efetuada qualquer análise na escrituração fiscal e contábil da recorrente dos exercícios anteriores, conforme fica claro da análise dos autos. Não tendo havido fiscalização do período, impossível se mostra a glosa pretendida pelo Auditor Fiscal. Enganase a litigante. Examinemos o teor da aludida súmula n° 36 do CARF: Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. O enunciado é claro ao mencionar que o pagamento em período posterior deve ser comprovado pelo sujeito passivo, e não pelo fisco, como pensa equivocadamente a recorrente. Não há dúvida quanto a isso pela própria jurisprudência do CARF, conforme inúmeros precedentes: Número do Processo 10882.001126/200590 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/03/2014 Relator(a) WILSON FERNANDES GUIMARAES Nº Acórdão 1301001.433 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Não há que se falar em postergação do pagamento do imposto se a pessoa jurídica não aporta aos autos comprovação de que o tributo que deixou de ser pago nos períodos da autuação foi, em período posterior, devidamente recolhido, mormente na circunstância em que a alegação só foi trazida em sede de recurso. ________________________________________________________ Número do Processo 19515.000647/200400 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 08/05/2014 Relator(a) RAFAEL CORREIA FUSO Nº Acórdão 1201001.037 DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO Quanto à questão da postergação sob o ponto de vista financeiro é evidente que se houver o aproveitamento do prejuízo fiscal de 100% num determinado ano e lucro nos anos subsequentes, a empresa pagará os tributos relativos ao aproveitamento acima dos 30% em anos subseqüentes. Contudo, para usufruir desse entendimento o contribuinte deverá demonstrar essa tributação sobre os lucros em períodos subseqüentes, juntando as DIPJs, Lalur e outros documentos dos períodos subsequentes. ________________________________________________________ Número do Processo 19515.001183/200521 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 22/10/2014 Relator(a) ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO Nº Acórdão 1801002.177 IRPJ. LIMITE DE 30% À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO. SÚMULA CARF Nº 36. Para excluirse do lançamento a parcela referente ao tributo exigido por inobservância do limite legal, deverá o sujeito passivo comprovar o seu pagamento em período posterior. A propósito, a falta de comprovação do suposto pagamento em períodos posteriores se explica pelo fato de inexistir pagamento algum. Em consulta efetuada em todas as DCTFs entre janeiro de 2011 e dezembro de 2016, constatei que os únicos débitos declarados pelo contribuinte em todas essas declarações foi somente de IRRF e CSRF. Quanto à tese de que a glosa da compensação de prejuízos dependia de fiscalização sobre períodos anteriores, que já estavam atingidos pela decadência, ela é falha em seu raciocínio. A mera violação ao limite de compensação de prejuízos acumulados, fixado em 30%, é suficiente para efetuar a glosa, independentemente de análise de períodos anteriores. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 351 19 A infração deuse na apuração do ano calendário 2010. Ainda que o saldo de prejuízos acumulados seja distinta do apurado pelo contribuinte, tal fato é totalmente irrelevante já que eventual correção, para mais ou para menos, em nada afetaria o procedimento do auditor fiscal, que efetuaria a glosa da mesma forma. Erros na DIPJ. Retificação de ofício: Alega a recorrente que cometeu erros no preenchimento da DIPJ que deveriam ser corridos de ofício, nos seguintes termos: i) o primeiro erro consiste na inserção, pela contabilidade da recorrente, de dados incorretos da Demonstração de Resultado de Exercício DRE, em especial no que diz respeito à indicação da provisão do valor a ser pago a título de IRPJ e CSLL, conforme quadro apresentado; ii) na DIPJ houve a apuração indevida do valor a ser recolhido pela recorrente a título de IRPJ e CSLL; em vez dos R$ 505.957,43 realmente devidos a título de CSLL, foi inserido o incorreto valor de R$1.236.734,15. Para o IRPJ, em vez de ser indicado o valor realmente devido de R$977.150,03 (diferença entre IRPJ de R$1.381.437,23 e o benefício fiscal da SUDAM R$404.287,26 conferido à recorrente, foi declarado o valor de R$445.242,29; iii) a recorrente sequer inseriu no rol das Despesas Operacionais PJ em Geral (Ficha 05A da DIPJ) o valor de R$2.554.676,05 relativo a Perdas em Operações de Crédito que foi glosado pela fiscalização; iv) os valores de IRPJ e CSLL a pagar indicados na Demonstração de Resultado de Exercício foram obtidos após a retificação dos erros grosseiros cometidos pela contabilidade da Impugnante quando do preenchimento da Ficha 09 A da Demonstração do Lucro Real PJ em Geral da DIPJ; v) caso a DIPJ houvesse sido preenchida adequadamente, traria as informações conforme quadro apresentado; vi) houve inserção equivocada tanto das variações cambiais ativas (R$45.330.737,39) quanto das variações cambiais passivas (R$31.106.375,43) nas adições do lucro líquido, o que implicou em um aumento significativo de R$76.437.112,82 na base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL; vii) tanto as variações cambiais ativas como as variações cambiais ativas já haviam sido escrituradas na Demonstração de Resultado de Exercício da própria DIPJ (vide, novamente, a ficha 06A da DIPJ), o que impediria nova escrituração das mesmas, seja como "adição''' ou mesmo “exclusão" da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; viii) adotava o regime de competência no ano de 2010, razão pela qual procedeu em conformidade com os arts. 3753 e 3774 do RIR/99 ao preencher a Demonstração de Resultado de Exercício DRE, incluindo no lucro operacional as receitas decorrentes de variações cambiais ativas e deduziu no lucro operacional as perdas decorrentes de variações cambiais passivas; ix) a adição à base de cálculo de IRPJ e da CSLL das variações cambiais ativas e passivas é que foi procedida de maneira equivocada, cuja retificação se pretende nesta oportunidade, de modo a subtrair os R$76.437.112,82 indevidamente inseridos na base de cálculo das exações em comento; x) na retificação do valor de prejuízo fiscal utilizado para redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o qual foi limitado a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, conforme determina o art. 15, da Lei n9 9.605/1995; xi) houve violação ao art. 147, §29, do CTN, sendo obrigação e não mera faculdade do Auditor Fiscal retificar, de ofício, informações equivocadamente prestadas pelos contribuintes, sendo indiferente se essa modificação implicará em aumento ou redução da carga tributária; xii) o Auditor Fiscal não se aprofundou na Fl. 360DF CARF MF 20 verificação, quedando inerte da realização de revisão do conteúdo da DIPJ, omissão essa que está prejudicando sobremaneira a recorrente; xiii) o valor devido de IRPJ deve ser reduzido para R$977.150,03, valor este já compensado, acrescido de mora e multa no Proc. 13227.720402/201514 (DCOMP n9 14542.07929.100815.1.3.097667). Não procedem as alegações trazidas. A recorrente alega ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ/2011. O fator relevante que deve ser considerado é que, caso fossem corrigidos os erros alegados, o lançamento seria de valor maior que o lavrado. Senão vejamos: Afirma o contribuinte que preencheu dados da Demonstração do Resultado do Exercício de forma incorreta na DIPJ (ficha 06A), no que diz respeito à provisão do valor pago a título de IRPJ e CSLL; que isso afetou o preenchimento da demonstração do lucro real, ficha 09A da DIPJ; que houve inserção equivocada tanto das variações cambiais ativas (R$ 45.330.737,39) como passivas (R$ 31.106.375,43) nas adições do lucro líquido, que já haviam sido escrituradas na DRE da própria DIPJ, provocando aumento da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante de R$ 76.437.112,82; que a DIPJ deveria refletir a seguinte apuração do IRPJ: LUCRO OPERACIONAL (antes do IRPJ e CSLL)............................. R$7.825.334,42 (+) Ajuste do regime tributário de transição – RTT..............................R$0,00 () Ajuste do regime tributário de transição – RTT...............................R$ 0,00 (+) Adições............................................................................................R$ 297.438,57 () Exclusões..........................................................................................R$ 92.202,75 LUCRO AJUSTADO ............................................................................R$ 8.031.070,24 () Compensação ús Prejuízo Fiscal Exercicos.Anteriores..................R$ 2.409.321,07 Cálculo da CSLL Base de cálculo CSLL...........................................................................R$ 5.621.749,17 CSLL de 9% devida...............................................................................R$ 505.957,43 () CSLL devida per. Anteriores............................................................R$ 0,00 () Retenções e Compensações...............................................................R$ 0,00 CSLL a pagar.......................................................................................... R$ 505.957,43 Cálculo do IRPJ Lucro Real...............................................................................................R$ 5.621.749,17 IRPJ 15%.................................................................................................R$ 843.262,38 Incidência do adicional ao Lucro.............................................................R$ 240.000,00 Excedente.................................................................................................R$ 5.381.749,17 Adicional de 10%.....................................................................................R$ 538.174,92 Total do IRPJ (Imposto e Adicional).......................................................R$ 1.381.437,29 () Redução IRPJ (incentivo Fiscal).........................................................R$ 404.287,25 (=) Imposto devido...................................................................................R$ 977.150,03 () imposto de Renda Devido per. Anteriores..........................................R$ 0,00 () Retenções e Compensações.................................................................R$ 0,00 TOTAL DE IRPJ A PAGAR NAS ATIVIDADES.................................R$ 977,150,03 30. Na DIPJ/2011 (fls. 93/134) o IRPJ foi apurada da seguinte forma: Lucro Líquido antes do IRPJ R$ 6.589.050,27 () Ajuste do RTT R$ 6.589.050,27 (=) Lucro Líquido após RTT R$ 0,00 (+) Despesas Operacionais Soma Parcelas Não Dedutíveis R$ 297.438,57 (+) CSLL R$ 1.236.784,15 (+) Var. Cambiais Passivas R$ 31.106.375,43 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 352 21 (+) Var. Camb AtivasOper Liq R$ 45.330.737,39 Soma da Adições R$ 77.971.335,54 Soma das exclusões R$ 0,00 Lucro real após comp prej. próprio período R$ 77.971.335,54 Compensação de prej. fiscais períodos anteriores () Atividades em Geral per. Apuração de 1991 a 2010 R$ 85.608.022,88 Lucro real R$ 7.636.687,34. Ou seja, de acordo com a litigante, a apuração correta resulta em R$ 5.621.749,17 de lucro real, estando incorreta a informada na DIPJ, que resultou em prejuízo fiscal. Ocorre que, no auto de infração, a autoridade fiscal identificou duas infrações cujos valores (R$ 2.554.676,05 + R$ 85.608.022,88 = R$ 88.162.698,93) constituíram a base de cálculo do IRPJ, sobre a qual se aplicou a alíquota de 15%. Ou seja, a fiscalização ignorou a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores que redundou em prejuízo fiscal na DIPJ, e calculou o imposto partindose de um lucro real de ZERO. Caso fosse considerada a apuração que o contribuinte entende ser a correta, a soma das duas infrações teria que ser adicionada aos R$ 5.621.749,17 de lucro real ali considerado, o que resultaria num valor maior de imposto. Dessa forma, como a alteração proposta redundaria em lançamento a maior, processualmente falando, concluise que o contribuinte não tem interesse de agir para essa causa, o que impediria sequer o conhecimento do pleito. Multa. Confisco. O contribuinte insurgese contra a multa de ofício de 75%. Entende ser cediço que a multa a ser fixada deve respeitar ao menos os princípios da razoabilidade e do não confisco, corolários do Direito Tributário, o que, no presente caso, não foi observado. Vêse que o entendimento jurisprudencial e doutrinário segue no sentido de que a multa de 75%, com base no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 é manifestamente contrária aos referidos princípios, sendo revestida de caráter notadamente confiscatório. É o que se depreende de diversos julgados citados. Vêse, Ilustre Julgador, que deve ser respeitado o princípio do não confisco, preceito constitucional cogente que traz ao Contribuinte o direito de dispor de seus bens, não sendo penalizado com multa/tributo tão elevado que venha a impossibilitar o uso e fruição dos mesmos. Cita julgado do STF. Sustenta que a referida aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) segue em contrassenso aos princípios da proporcionalidade de do não confisco. Isto posto, não deve prosperar a aplicação da referida multa no percentual estratosférico de 75% (setenta e cinco por cento), mas sim deve ser reduzida a multa, conforme robusto escorço fático e jurisprudencial apresentado neste tópico. Não procede a reclamação da exigência da multa, já que esta tem previsão legal, no art. 44 inciso I da Lei n° 9.430/96. De nada adianta recorrer a princípios da razoabilidade ou proprocionalidade, pois importa compreender que a apreciação da inconstitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Fl. 362DF CARF MF 22 Federal em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Erro de cálculo cometido pela fiscalização. A litigante alega que a autoridade fiscal cometeu erro de cálculo no lançamento. O Auditor fiscal utilizou o valor do prejuízo fiscal que detinha a recorrente como base de cálculo do IRPJ em vez de tomar por base o lucro apurado. Apresenta tabela constante no Relatório Fiscal que fundamentou a lavratura do Auto de Infração em discussão. Verifica que o Auditor Fiscal equivocouse ao apurar o excesso de compensação do limite de 30% (trinta por cento) de redução de base de cálculo por conta da utilização de prejuízo fiscal. Isso porque reduziu do prejuízo fiscal da recorrente (R$85.608.022,88) o limite de 30% de redução de base de cálculo (R$23.391.400,66), tendo, por isso, identificado um excesso de R$62.216.622,22. O correto, todavia, seria retirar o limite de 30% de redução de base de cálculo (R$23.391.400,66) do valor do lucro apurado (R$77.971.335,54), alcançandose o valor tributável de R$54.579.934,88. Assim sendo, a postura incorreta do Auditor Fiscal ensejou a majoração indevida da base de cálculo do IPRJ no valor de R$7.635.687,34 (sete milhões seiscentos e trinta e seis mil seiscentos e oitenta e sete reais e trinta e quatro centavos), que deve ser desfeita por Vossa Senhoria diante de tão evidente equívoco. Entendo que assiste razão à interessada quanto à glosa da compensação de prejuízos. No Termo de Verificação (fls. 138/140) a autoridade fiscal justificou que o contribuinte não observou o limite de 30% de compensação, e que, portanto os 70% excedentes deveriam ser glosados. E apresentou o seguinte quadro demonstrando o cálculo do excesso de compensação que deveria ser glosado: No entanto, inexplicavelmente, em vez de glosar os R$ 62.216.622,22 a título de excesso de compensação, a fiscalização acabou adicionando R$ 85.608.022,88 ao lucro líquido do exercício, que corresponde ao total compensado pelo contribuinte. Dessa forma, o lançamento deve ser corrigido conforme demonstrativo a seguir: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 353 23 Foi verificado que o contribuinte dispunha de prejuízo fiscal de períodos anteriores, conforme dados do aplicativo SAPLI. Foi feita a correção nessa base de dados indicando o valor que foi compensado no ano calendário 2010, ou seja, R$ 23.391.400,66, conforme relatório que anexei às fls. 277/278. Diligência. Ao final, a interessada pugna pela realização de diligência por parte do Auditor Fiscal responsável por proceder a autuação em discussão, nos termos do art. 35, do Decreto n 7.574/20115, de modo que retifique a DIPJ nos moldes acima apresentados, e, depois disso, efetue o recalculo do IRPJ devido pela recorrente. O pleito não merece acolhimento. Os pedidos de perícia são disciplinados pelos artigos 16, IV e 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993: Art. 16. A impugnação mencionará: (…) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (…) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Grifouse.) De acordo com os dispositivos acima citados, ao julgador é dado a prerrogativa de indeferir a perícia se considerála prescindível ou impraticável. Entendo que uma tal perícia é desnecessária, já que, conforme fundamentado anteriormente, não foi acatada a tese de necessidade de retificação da DIPJ. Compensação do débito. O contribuinte pede que, caso o lançamento se mantenha, deverá ser procedida a compensação dos débitos aqui apurados com os créditos de titularidade da recorrente, já que, apesar de legalmente obrigado a tanto, o Auditor Fiscal não o fez. Afirma que já procedeu a compensação do montante que entende devido, devidamente acrescido do valor de mora e multa legalmente previstos, através do Proc. 13227.720402/201514 (DCOMP nº 14542.07929.100815.1.3.097667). Caso subsista valores a recolher, informa que possui outros créditos passíveis de compensação, respectivamente dispostos em vários PER/DCOMP's relacionados com valor total de créditos de R$ 39.448.578,02. Afirma que possui outros créditos passíveis de compensação para quitação de eventual diferença verificada. Fl. 364DF CARF MF 24 O pleito encontrase fora dos limites do litígio, que cuida de auto de infração de IRPJ do ano calendário 2010. Toda matéria ligada à quitação do lançamento é de competência da DRF de jurisdição do contribuinte, ao qual deve ser endereçado o pedido de compensação. À vista do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir pedido de prova pericial, e, no mérito, julgar parcialmente procedente o lançamento, para reduzir a exigência de IRPJ para R$ 16.168.824,57, acompanhado de multa e juros de mora. Ora, quanto à preliminar de nulidade, como muito bem exposto na decisão Recorrida, não ocorreram nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 12 do RPAF. De fato, a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, e justamente porque não o é que a Administração Tributária tem o dever de constituir o crédito tributário mediante lançamento de ofício; caso fosse confissão de dívida, bastaria efetuar a cobrança, sem necessidade de lançamento. Entretanto, os dados da DIPJ podem e devem ser usados como prova da infração, já que o contribuinte preenche essa declaração e a entrega ao fisco e, em princípio, ela reflete as informações registradas na contabilidade. Caso houvessem equívocos, o contribuinte poderia retificála ou, quando instado a se manifestar no curso da fiscalização, fazer a prova inequívoca dos eventuais erros ou equívocos, o que não fez no presente caso. Na verdade, a Recorrente busca a todo custo imputar ao Fisco deveres que seriam dela, como a prova da regularidade dos custos ou a correção e retificação da DIPJ, o que não pode ser acatado. O agente fiscal investigou as infrações e intimou o contribuinte para prestar esclarecimentos sobre dados informados na DIPJ. O auditor fiscal ofereceu a oportunidade para a empresa comprovar as despesas, mas ela preferiu silenciar. E ainda, mesmo no recurso, o contribuinte sequer cogitou de explicálas, apenas tenta invalidar o processo fiscalizatório. Ressaltese novamente que, em matéria de despesas, o ônus da prova é do contribuinte, que deve comprovar, com documentação idônea, a existência da despesa, bem como os requisitos de sua dedutibilidade (usualidade, normalidade e necessidade), nos termos do que dispõe o art. 340 do RIR/99. A alegação de postergação não se sustenta vez que não comprovado o suposto pagamento em períodos posteriores, até porque, como bem observado pela DRJ, não existiu pagamento algum. Em consulta efetuada em todas as DCTFs entre janeiro de 2011 e dezembro de 2016, constatouse que os únicos débitos declarados pelo contribuinte em todas essas declarações foi somente de IRRF e CSRF. Quanto à tese de que a glosa da compensação de prejuízos dependia de fiscalização sobre períodos anteriores, a mera violação ao limite de compensação de prejuízos acumulados, fixado em 30%, é suficiente para efetuar a glosa, independentemente de análise de períodos anteriores. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e confiscatoriedade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, este conselho não tem competência para apreciar tais alegações. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13227.720402/201514 Acórdão n.º 1401002.887 S1C4T1 Fl. 354 25 Desta feita, face a tudo o quanto exposto nego provimento ao Recurso Voluntário, bem como nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, proponho que a decisão recorrida seja mantida pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.720809/2012-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALOR DECLARADO EM DIRF. VERBAS TRIBUTÁVEIS INDEVIDAMENTE DECLARADAS COMO ISENTAS. APLICAÇÃO DE SÚMULA CARF.
Procede o lançamento por omissão de rendimentos, apurada com base em DIRF, apresentada pela fonte pagadora. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. .
Numero da decisão: 2001-000.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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Numero do processo: 12585.000065/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 65 /2 01 0- 91 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 279DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 280DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 281DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.109, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de Fl. 282DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 7 tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; Fl. 283DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 8 De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 284DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 9 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens Fl. 285DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 10 destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 287DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 290DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 291DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 12585.000065/201091 Acórdão n.º 3401004.875 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900431/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.900431/201424 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.711 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente SISTEMA FACIL TAMBORE 8 VILLAGGIO SPE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 43 1/ 20 14 -2 4 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.900431/201424 Resolução nº 1402000.711 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000611/2004-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa: MULTA — CARÁTER CONFISCATÓRIO afastar sanções
pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatório, implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa.
RETROATIVIDADE BENIGNA — o inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como O inciso IV, § 1º do mesmo artigo que qualificava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de
ofício, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento para os atos não definitivamente julgados.
MULTA ISOLADA - a multa isolada pelo descumprimento do dever de
recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o
montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.
Numero da decisão: 1201-000.298
Decisão: Acordam Os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a exigência, vencido o conselheiro Flávio Vilela Campos, que dava provimento parcial, para reduzir o percentual da multa de ofício isolada ao patamar de 50%,
nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: MULTA — CARÁTER CONFISCATÓRIO afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatório, implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa. RETROATIVIDADE BENIGNA — o inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como O inciso IV, § 1º do mesmo artigo que qualificava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de ofício, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento para os atos não definitivamente julgados. MULTA ISOLADA - a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T20:26:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T20:26:25Z; Last-Modified: 2010-09-01T20:26:25Z; dcterms:modified: 2010-09-01T20:26:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ca9ea67e-efb9-42a5-bcac-94e3a33bb429; Last-Save-Date: 2010-09-01T20:26:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T20:26:25Z; meta:save-date: 2010-09-01T20:26:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T20:26:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T20:26:25Z; created: 2010-09-01T20:26:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-09-01T20:26:25Z; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T20:26:25Z | Conteúdo => Si -(2I El I • MINISTERIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PIUM VARA STÇÃ O DE .1111IGAMENTO Processo n" 10680.000611/2004-31 Recurso n" 141 565 Voluntário Acórdão n" 1201-00.298 — 2" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria IRP.T Reco :Tente MG Master Lida, (Suc. de Catalão Esporte) Recorrida 2 Turma/DRJ-Belo Horizonte/MG Assunto: : Imposto sobre a Renda de Pessoa jurídica - 1RPJ Exercício: 1999 Ementa: MULTA — CARÁTER CONFISCATÓRIO afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caratei confiscatório, implicar •ia declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa. RETROATIVIDADE BENIGNA — o inciso 11, art. 44, da Lei 9..430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como O inciso IV, § 1 0 do mesmo artigo que quali ficava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de ofício, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento para //i os atos não definitivamente .iul gados. MULTA ISOLADA a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser • recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam Os membros do colegiada por maioria de votos, dar provimento ao ecurso para afastar a exigência, vencido o conselheiro Flávio Vilela Campos, que dava provimento parcial, para reduzir o percentual da multa de ofício isolada ao patamar de 50%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. tAn n----- ._._....,--- ClaudemirlZodri .ues Malaquias- Presidente. ')jjr Grui' erme Adolfo dos Y mitos Mendes- Relator. EDITADO• EM. a (5 MO 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Leonardo Henrique M de Oliveira (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado), Flavio Vilela Campos(substituto de Conselheiro), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Ausente justificada-mente os Conselheiros Valmir Sandri (Suplente convocado), Marcelo Cuba -Netto e Regis Magalhães Soares Queiroz. Relatório O presente t`cito trata de multa isolada no patamar qualificado de 150% pelo não recolhimento de estimativas del.R..P.J do ano-calendário de 1998. Por meio do acórdão 108-08679 às lis. 262 a 272, a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário de 11.s 194 a 214, sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de oficio na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Piscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deu-lhe provimento por meio do acórdão 9101-00..081 de fls. 338 a 349 sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de oficio, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou 1 o retorno dos autos à "Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exaure das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto".. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão 108-08.679, podemos constatar que já foram enfrentadas as seguintes questões: Prelimin(Jre,s' • a) decadência.; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta deli tiva; b) nulidade do lançamento em razão de cerceamento ao direito de defesa; i Mérito c) multa na sucessora; ! d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; II 2 Processo n" 10680 00061 1/2004-31 S1 -C2.1-1 Acórdão n." 1201-00,298 H 2 e) falta de base legal e constitucional para a. aplicação de juros à taxa SELI(; Deixaram, porém, de ser apreciadas as seguintes razões do recurso voluntário: 1) concomitância da multa isolada com a multa de oficio; g) caráter confiscatorio da multa.. É o relatório.. /7-1 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos .Mendes Vedação ao confisco De início, cumpre-nos não conhecer das razões acerca do suposto caráter conliscatúrio da sanção pecuniária, Afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declinar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência deste Colegiado Administrativo, como já sumulado: Súmula 1"CC n° 2. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Retroatividade benigna Antes de nos debruçarmos acerca da alegação de concomitância, entendemos ser necessário apreciar de oficio a alteração do diploma legal que ensejou a alteração em prestígio à denominada retroatividade benigna positivada no artigo . 106 do CIN., inciso II, alínea "c": "A lei aplica-se a ato ou . frito pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado. quando lhe COMillC penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática".. Constata-se que o índice saneionador aplicado foi de 150% em razão da aplicação combinada do inciso 11, art, 44 da Lei 9..430/96, com o inciso IV, § 1 0 do mesmo artigo. Abaixo, transcrevemos os referidos dispositivos: • .A.rt. 44. Nos casos de lançamento de ofício, .serão aplicadas as .seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferencei de tributo ou contribuição.- . - cento e cinqüenta por cento, no.s casos de evidente intuito de fraude, definido nos ar-N. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis I" As multas de que trata este artigo .serão exigidas: - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na fivma do ar! 2", que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo . fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição _social sobre o lucro liquido, no ano- ealendár io correspondente,. 4 Processo n' i 0680.000611/2001-31 -C11-1 Acórdão n " 1201-00.298 1'1. 3 Esse artigo 44 e seus sub-dispositivos sofreram diversas modificações posteriores.. Para o deslinde da questão, julgamos suficiente a leitura do seguinte conjunto de enunciados preseritivos, cuja redação está atualmente em vigor e foi conferida. pela Lei 11.488/07: Ari 44. .1+Tos casos de lançamento de oficio, _serão aplicadas as seguintes multas: (Redação (fada pela Lei n" I I 488, de .2007) 1 -dc 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade Ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de . fidta de declaração e nos de declaração inexata,- (Redação dada pela Lei n" 11 488, de .2007) IT de .50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente., .sobre o valor do pagamento mensal (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) a) na firrma do art. 80 da Lei no 7 713, de 22 de dezembro de 1988, que delvar de ser efetuado, ainda que nuo tenha .sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n" 11 488, de 2007) b) . forma do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica (Incluída pela Lei 11.488, de 2007) § 1" O percentual de multa de que trata o inciso 1(10 caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos anis.. 71, 72 e 73 da .Lci 11" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidade.s administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) Constatamos, assim, que a multa pela falta de recolhimento de estimativa no seu patamar objetivo foi 1-eduzida de 75% para 50% (a de 75% estava prevista no inciso 1 do art. 44, que não roi reproduzido), ao passo que foi revogada a. qualificação no caso de condutas dolosas (a qualificação só -R-n mantida no § 1' para as multas acompanhadas do lançamento de tributo devido). Desse modo, hoje a sanção prevista é de 50% independentemente do caráter volitivo da conduta e é esse o patamar' sancionador que deve prevalecer no lugar de 1.50% Dupla punição Por derradeiro, nos cabe analisar o argumento da dupla punição por meio de multa isolada e de oficio. As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das -primeiras é composto por unia conduta antijuridica, ao passo que das segundas se trata de conduta licita.. 5 .Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL A primeira é dirigida à sociedade como um todo Diante da prescrição da. norma punitiva, inibe-se o comportamento da coletividade de cometer o ato inflacionai.. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a. revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é •tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas, • Essa discussão se toma mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. flector Villegas, (em Direito Penal Tributário, São Paulo, Resenha 'Tributária, EL)UC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, cru razão de expressa disposição em -nosso Código Penal, no caso, o art. 30: Ar! 3" - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o petíodo de sua duração ou ce.s'sarias as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fido praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna -nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exempli rico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma, vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser 7 .punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente'? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte.. Nada. obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumpriniento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos -institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplica-se o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo Processo n" 10680 000611/2004-3 1 51412111 Acórdão n O 1201-00.298 FI 4 fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste"., Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo.. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso.. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, pune-se o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do deseumprimento antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja O descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, pune-se com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, pune-se a não antecipação com multa isolada.. Assim, consideramos imperioso verificar se houve em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas tambémn a imposição de multa proporcional e em que medida• O termo de verificação de infração de fls. 09 a 21 reporta não só os fatos que ensejaram a presente autuação, mas lodo o conjunto d.e auditorias que levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRP.I e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSI-1, (vinte e três para cada tributo)„ Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presum ido.. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de IRRI e seus reflexos.. Nos autos, não consta a referência ao processo em que fbram lançados o valor principal dos tributos e as respectivas multas, mas por meio da planilha de fl. 22, podemos constatar que a estimativa não recolhida decorrente da omissão de receitas fbi aferida através do recalculo dos balanços de suspensão/redução com valores positivos até o último mês da operação de incorporação, isto é, agosto.. Assim, mesmo sem compulsarmos os autos do processo principal (o qual, repetimos, não .foi identificado no presente feito), somos levados à conclusão de que a base da autuação do valor principal de IRPI se identificou com a base que serviu de cálculo das estimativas. isso implica a sua absorção integral. Conclusão Por to4 o ex sto, v ot)por dar provimento integral ao recurso voluntário. f Guilhern Adolfo dos SanQMendes - Relator 7 ,„ rP:k4:1. MINIS I [RIO DAIAZENDA CONSEI ,HO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art 81, 3°, do anexo H. do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portai ia Ministerial n" 256, de,. 22 de junho de 2009. Brasília, 09 de agosto de 2010.. Maria Conceição de ousa Rodri,,,,u--- Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: E 1 apenas com ei3ncia; 1- 1 com RCCULSO Especial; 1 _I com Embargos de De,claração..
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