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Numero do processo: 10865.905006/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.562
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 06 /2 01 2- 09 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.905006/201209 Acórdão n.º 3301003.562 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.467. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.905006/201209 Acórdão n.º 3301003.562 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.905006/201209 Acórdão n.º 3301003.562 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.905006/201209 Acórdão n.º 3301003.562 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.905006/201209 Acórdão n.º 3301003.562 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905006/201209 Acórdão n.º 3301003.562 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720177/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar-lhe provimento parcial para cancelar a exigência apurada através do PRL-60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar-lhe provimento parcial para cancelar a exigência apurada através do PRL-60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 77 /2 01 3- 33 Fl. 1244DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por darlhe provimento parcial para cancelar a exigência apurada através do PRL 60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.245 3 Relatório Tratamse de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2006 nos montantes de R$ 3.825.742,01 e R$ 1.395.501,83 aí incluídos juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. A autuação foi decorrente de ajustes de preços de transferência. Foi constatado que a interessada utilizou, para apuração do preço parâmetro para efeito de ajuste de preços de transferência nas operações de importação com pessoas vinculadas, os métodos PRL e PIC. Não foram apuradas irregularidades na utilização do método PIC. Quanto ao método PRL foi constatada diferenças tributáveis nos valores de ajuste entre a apuração do sujeito passivo e aquela feita pelo Fisco, tanto em relação ao PRL20 (R$ 76.626,62) como no caso do PRL60 (18.603.438,27). Em impugnação a interessada tece as considerações abaixo sintetizadas: 1 Faz considerações sobre a forma correta de aplicação do método PRL60 e o princípio da estrita legalidade que teria sido ofendido pela IN SRF nº 243/2010 ao estabelecer metodologia em desacordo com a Lei nº 9.430/96; 2 Pela ilegalidade da IN, não caberia a utilização do PRL60 para produtos originalmente submetidos ao PRL20; 3 Não caberia a aplicação do PRL60 a produtos que não sofreram processo de industrialização; 4 O agente fiscal realizou os cálculos do preço praticado utilizando o valor CIF, com inclusão de fretes e seguros, e não pelo valor FOB que foi o efetivamente pago; 5 A Fiscalização desconsiderou a possibilidade de cálculo do PIC nos casos em desconsiderou o método adotado pela impugnante e lançou o tributo com base exclusivamente no PRL; 6 O Fisco não pode escolher o método que lhe for mais conveniente em detrimento do contribuinte; 7 Não houve consulta prévia sobre a dedução do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo –SP prolatou o Acórdão 0647.352 negando provimento integralmente à impugnação. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando em essência as razões de defesa trazidas na peça impugnatória É o relatório. Fl. 1246DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado motivo pelo qual dele conheço. 1) Método PRL 60 – Lei nº 9.718/96 e IN/SRF nº 243/2010: Quanto ao método PRL60, a IN/SRF nº 243/2010 regulamentou o art. 18, da Lei nº 9.430/96 de forma a evitar distorções na apuração tendo como parâmetro principal o fato de que a operação a ser objeto de avaliação é a importação do insumo. Sob esse prisma, a sistemática de apuração deve ter como base uma fórmula com escopo na apuração do preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Registrese que, mesmo desconsiderandose a existência da IN/SRF nº 243/2010, a interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18, da Lei nº 9.430/96 mostrase equivocada. Isso porque, na visão do sujeito passivo, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Esse entendimento parte de uma leitura equivocada do inciso II do mencionado art. 18 abaixo transcrito (destaques acrescidos): II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Na redação do item 1, a utilização da contração gramatical da preposição ("de") com o artigo ("o") implica dizer que o valor agregado deve ser diminuído na apuração do preço parâmetro da mesma forma que os descontos, impostos e comissões; e não da margem de lucro como quer ver o sujeito passivo. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente sobre o preço de revenda após deduzidos os valores mencionados Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.246 5 Admitese que a redação do dispositivo não foi das mais felizes. Nesse sentido, vale transcrever as observações da PGFN com base em voto pelo I. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 [...] Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. (grifos nossos) 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 1248DF CARF MF 6 Assim, antes mesmo de se adentrar na proporcionalidade trazida pela IN/SRF 243/2010 já se pode definir como equivocada a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, na ótica até aqui exposta o ajuste obtido ainda merece aprimoramento. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Daí porque se justifica a aplicação da proporcionalidade regulamentada na IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12 que, além de deixar claro que não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No que se refere à ilegalidade da IN SRF 243/2010, o estudo da PGFN traz um comparativo com a revogada IN SRF nº 32/2001 para concluir que as opções interpretativas do art. 18 da Lei nº 9.430/96 conduzem à necessidade de regulamentação interpretativa mais específica sem que isso possa implicar em violação ao texto legal: [...] Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.247 7 não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa [...] Alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa. O legislador pode muito bem reformular o texto legal apenas para não deixar dúvidas sobre a interpretação mais adequada de uma dada norma. Isso, de maneira nenhuma, significa que se deva interpretar o texto pretérito em sentido contrário. Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a CSRF tem reformado todas as decisões proferidas pela ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 como pode ser exemplificado pelo Acórdão 9101002.514, em julgamento recente. Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jurisprudencial determinada por Tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). Para corroborar os argumentos de que a IN SRF 243/2002 não traz qualquer ilegalidade ou aumento de carga tributária, trago, pelo caráter didádico, os exemplos contidos em forma de Anexos ao Acórdão 9101002.514: Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. Fl. 1250DF CARF MF 8 (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.248 9 PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%* VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLV) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Fl. 1252DF CARF MF 10 Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 Interp. do Contrib. Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLVVA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.249 11 PParam = PLVML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV) 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLVMLVA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI → PP – ML, conforme art. 12, § 11, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI → PP, conforme art. 12, § 11, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI → PP 60%* PartBI → PP (3C) PParam = 40%* PartBI → PP, onde: PartBI → PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI → PP = %PartBI> PP*PLV, onde: %PartBI> PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI> PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Fl. 1254DF CARF MF 12 Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat –40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 7 Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.250 13 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI> PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Fl. 1256DF CARF MF 14 Lei 9.430/96 Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 2) Exclusão dos valores referentes a frete e seguro no preço praticado: No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete e seguro na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002, com a redação vigente na época dos fatos geradores. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.251 15 comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Diferentemente do suscitado na peça de defesa, a jurisprudência administrativa recente consolidase na linha do entendimento aqui esposado, como se vê nos julgamentos recentes da CSRF: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. (Acórdão 9101002.317, sessão de 03/06/2016 ) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preçoparâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. (Acórdão 9101002.524, sessão de 12/12/2016) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. (Acórdão 9101002.512, sessão de 12/12/2016) 3) Desclassificação do método PRL 20: Esse item referese às situações nas quais a autoridade lançadora entendeu que houve agregação de valor ao bem importado e, portanto, não caberia a utilização do método PRL20 conforme procedeu o sujeito passivo, mas sim o PRL60. Fl. 1258DF CARF MF 16 Os questionamentos dirigemse fundamentalmente aos produtos caixa de câmbio e reversores marítimos. Ao apresentar os esquemas que representariam um simples acondicionamento dos produtos a interessada demonstra na verdade a agregação de valor que justifica a utilização do PRL60. Iso porque no dois casos são incluídos acessórios que por si só já desqualificam a simples revenda. No caso dos reversores marítimos, o próprio embalamento já envolve uma agregação do valor diferente daquela referente a uma simples colocação numa caixa de papelão, eis que o bem é acondicionado em caixas de madeira. Além disso, e mais importante, junto com o produto são disponibilizados acessórios que encarecem o preço final como é o caso dos contra flanges. São assessórios fundamentais nos sistemas de ligação entre tubos metálicos. Inclusive, costumam ser vendidos separadamente. Daí porque não se pode falar em simples embalamento para venda. Especificamente quanto ao produto exemplificado tanto pela Fiscalização quanto pela defesa (nº 743182009938) importa registrar que mancal e cilindro escravo são peças distintas integrantes dos sistemas de transmissão (embreagem) dos veículos. Não haveria como um mancal ser embalado e simplesmente “transformarse” num cilindro escravo e vice versa. Lembrando que a informação referente à utilização do mancal como insumo do cilindro escravo foi obtida nos assentamentos da interessada e, na ausência de outros esclarecimentos, penso que se trata do denominado cilindro escravo concêntrico que agrupa no mesmo conjunto o mancal de embreagem e o cilindro escravo. Destarte, ocorreu um processo de montagem de parte do sistema de transmissão e não uma simples revenda, justificando a aplicação do PRL60. 4) Adequação do método: Em relação à adequação do método de apuração dos ajustes de preços de transferência a recorrente reclama nos seguintes moldes: Esclareçase de imediato que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização dos métodos adotados pela recorrente. A apuração feita pelo método PIC não foi questionada. Nas situações em que a empresa utilizou o PRL o Fisco também não questionou a escolha do Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 16561.720177/201333 Acórdão n.º 1402002.503 S1C4T2 Fl. 1.252 17 método mas sim a sistemática de apuração e também, em casos específicos, a utilização do PRL20 quando se entendeu pela ocorrência de agregação de valor cabendo então o PRL60. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Mesmo que se pudesse suscitar da desconsideração de algum método o que, ratificase, não ocorreu, somente por abuso de interpretação se poderia extrair do texto legal, o corolário de que a fiscalização, ao desconsiderar um método adotado pelo sujeito passivo por descumprimento das normas, teria o dever de buscar o método mais favorável. 5) Dedução do saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL: Em sentido contrário ao pleito da recorrente, a dedução do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na base tributável não é uma opção mas dever da Fiscalização, pois o procedimento fiscal envolve fundamentalmente uma adequação do resultado apurado pelo sujeito passivo à norma tributária. Sob essa ótica, o resultado tributável deve se expurgado de resultados negativos apurados em períodos anteriores e ainda não utilizados. Seria estranha uma opção do sujeito passivo em pagar tributo sabendo que dispõe de valores dedutíveis que poderiam reduzir ou extinguir esse montante. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, o que se aplica também ao lançamento da CSLL, pela relação de causa e efeito entre eles. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720023/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2013
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO.
O lançamento formalizado referente à multa proporcional ao valor aduaneiro tem seu julgamento afeto à 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria.
Numero da decisão: 1803-001.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recuso voluntário para declinar da competência para seu julgamento para a 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2013 MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. O lançamento formalizado referente à multa proporcional ao valor aduaneiro tem seu julgamento afeto à 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recuso voluntário para declinar da competência para seu julgamento para a 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 23 /2 01 2- 04 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 163 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fls. 0222, com a exigência do crédito tributário no valor de R$185.432,05 a título de multa de ofício proporcional sobre o valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão devido às mercadorias terem sido revendidas, referente ao mês de janeiro de 2012. Consta no enquadramento legal: “Arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03.” Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 7592, com as alegações a seguir transcritas: 2. DAS ALEGAÇÕES DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E DO DIREITO INCONTESTÁVEL IMPUGNANTE A seguir, procedese à contestação das infundadas alegações constantes do Auto de Infração decorrente do PAF n° 10314.722.050/201122. 2.1 Das dúvidas suscitadas com relação à participação de um dos sócio no capital da empresa Na "Descrição dos atos e fatos decorrentes da fiscalização", diz a ilustre AuditoraFiscal que obteve acesso a informações contidas no RADAR, dando conta de que um dos sócios da PIVA MOTOR, o Sr. José Lence Carluci Filho, havia sido representante legal de uma empresa autuada por interposição fraudulenta. Com base nesse fato, referida autoridade, levianamente, levanta suspeitas sobre "a conduta da administração da PIVA MOTOR", de forma generalizada e sem base concreta. Sequer, informa o andamento do processo de autuação, ou seja, se já teria sido concluído e qual teria sido a decisão proferida, seja no âmbito administrativo, seja pelo Poder Judiciário. Tal menção, longe de ser considerada como agravante, no que toca à atuação da empresa na operação de comércio exterior, pelo contrário, apenas revela a insubsistência do Auto de Infração, que, por essa e outras razões, não merece acolhida. Adiante, aduz que "existem fortes indícios de que a empresa PIVA MOTOR seja a Real Adquirente das mercadorias importadas", baseandose no fato de que 18 motocicletas foram importadas pela BAUENPVG e revendidas "em um só dia", 24/01/07, 8 (oito) dias após o desembaraço." Acrescenta que "a empresa importadora BAUENPVG não possuía local para armazenagem de mercadorias, o que comprova que as motocicletas eram importadas já para um adquirente certo", neste caso, "a PIVA MOTOR" (grifos nossos). Ora, Senhor Julgador, exigir que o importador de motocicletas possua, como quer a AuditoraFiscal, depósito próprio para armazenagem de mercadorias, equivaleria a proibir que importadoras de automóveis e são inúmeras no Brasil tivessem sede ou escritório em salas de prédios comerciais, onde grande parte delas, como se sabe, está estabelecida. Normalmente, as empresas importadoras de veículos os envia diretamente à concessionária, que, esta sim, os deposita e vende. O real importador, no caso presente, a BAUENPVG, limitase adotar as providências necessárias ao ingresso das mercadorias no país, atividade de caráter nitidamente comercial, portanto. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 164 3 A afirmação simplesmente demonstra a máfé de que se reveste a autuação e a fragilidade dos argumentos, todos baseados em meras suspeitas, sem a mínima preocupação com a apresentação de fatos ou provas eloquentes e irrefutáveis. Diz, ainda, o Auto de Infração, à fl.16, que a PIVA MOTOR declarou não dispor de contrato firmado com a importadora BAUENPVG. Diferentemente, porém, do que pretende sustentar a Autoridade Fiscal, o fato, na verdade, vem eximir a PIVA MOTOR da responsabilidade como real importadora das motocicletas. O que ocorreu, de fato, e isso está implícito nas palavras da Auditora Fiscal, é que a BAUENPVG é a real e verdadeira importadora das mercadorias objeto do Auto de Infração em referência, tendoas revendido, em seguida, à PIVA MOTOR. Não tem fundamento, sequer, a suspeita baseada no fato de que a PIVA MOTOR informou haver comprado as motocicletas da BAUENPVG. O que mais queria a ilustre autoridade? Quando eu compro um carro para meu uso, simplesmente pago o preço estipulado e deixo a concessionária dirigindo o veículo. O que mais importa, quer sob o ponto de vista comercial, quer sob o ponto de vista fiscal ou qualquer outro? A não apresentação do livro caixa, extraviado como informou a Impugnante, sujeita a infratora apenas à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, não se podendo daí deduzir máfé do contribuinte, salvo se tal alegação ficar provada. Conclui a ilustre AuditoraFiscal, depois de tantas suposições, presunções e fortes indícios, infundados todos, pela imposição da multa contra a PIVA MOTOR, "por ter atuado juntamente com a BAUENPVG na prática de Ocultação dos Reais Adquirentes de Mercadorias Importadas". E, por fim, dá notícia da autuação da BAUENPVG por essa mesma prática, através do Processo Administrativo Fiscal n° 10074001570/200872. Mais surpreendentes, ainda, são as razões que levaram à autuação, a saber, "a BAUENPVG empresa importadora não possuía local para armazenagem de mercadorias"; "as mercadorias constantes da DI n° 07/00670470 foram vendidas integralmente para a PIVA MOTOR 8 (oito) dias após o desembaraço"; "a PIVA MOTOR não possuía habilitação para importar à época"; e "a PIVA MOTOR não apresentou nenhum registro de suas transações comerciais de 2007". 2.2 Da comprovação da origem dos recursos empregados em operações de comércio exterior Após o relato circunstanciado dos motivos que levaram à autuação, passase a examinar e a rebater as acusações e conclusões totalmente desprovidas de fundamento, que justificaram a lavratura do Auto de Infração. Preliminarmente, cabe esclarecer que não faz sentido dizer que a Impugnante não comprovou a origem dos recursos empregados em operações de comércio exterior, visto que a importação não foi realizada pela PIVA MOTOR, mas sim pela BAUENPVG, real e verdadeira importadora. Apenas por esse fato, a defesa poderia extinguirse neste momento, sem necessidade de maiores argumentos. Com efeito, não havendo sentido nas alegações, não há o que contestar. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 165 4 Todavia, em nome do DIREITO e da JUSTIÇA, tantas laudas mal versadas não podem passar in albis pela acusada. Ressaltese, paia bem da verdade, que jamais a Impugnante, em toda a sua existência, burlou ou visou burlar o cumprimento das obrigações de natureza tributária, principais ou acessórias, a que se sujeita em razão do exercício de suas atividades como comerciante de motocicletas. Aduz, mais, que, na qualidade de adquirente de mercadoria importada por terceiro, não por encomenda, tampouco por interposta pessoa, mas por simples aquisição de um importadorcomerciante, a Impugnante não tem, legalmente, a obrigação de se inscrever no RADAR, útil e eficiente sistema de rastreamento administrado pela Receita. Por outro lado, iniciando, praticamente, suas atividades naquela ocasião, ainda não tinha a empresa intenções, pelo menos imediatas, de importar mercadorias. Só a experiência no negócio de compra e venda e a certeza do sucesso empresarial lhe dariam a segurança necessária para o fim de se lançar nesse empreendimento. Equivocase, portanto, a ilustre AuditoraFiscal Larissa de Sousa Bomgosto ao alegar que a empresa PIVA MOTOR "não comprova a origem dos recursos empregados em operações de comércio exterior". Se não pratica atos de comércio exterior, ou seja se não importa mercadorias diretamente, nenhuma sanção ha' ia que lhe ser aplicada. 2.2 Da alegada ocultação do real adquirente de mercadorias importadas Não cuida a presente demanda de refutar o nobre objetivo de busca da verdade material pelas autoridades fiscais. Pelo contrário, a Impugnante não se furta de se associar ao fisco nos seus propósitos de investigação, pautandose, como sempre se pautou, pela dignidade do exercício de atividades econômicas que empreguem mãodeobra e produzam renda para o Estado. No entanto, o ato de fiscalização, por seu turno, tornase ilegítimo quando se estrema da legitimidade e se desvia pelos tortuosos e indefensáveis caminhos da autuação por presunção e baseada em fortes indícios, como no presente caso. Assim ocorre com a falsa alegação de dissimulação da importação, visando incriminar, sem fundamentos sólidos e sem comprovação, o mero comprador de mercadorias importadas como o verdadeiro adquirente em uma operação de importação por encomenda. [...] Dessa forma, o trabalho de fiscalização não pode prescindir da utilização de meios e métodos que conduzam à comprovação dos fatos, ou seja, que a administração fiscal deve proceder de maneira correta com o fito de verificar se o cumprimento da obrigação tributária condiz com a estrita configuração do fato gerador. Em outras palavras, a pesquisa sobre a verdade material conduz ã constatação de que o fato ocorrido, na prática, corresponda aos preceitos contidos na lei que define o fato gerador da obrigação, guardando pertinência exata entre a previsão legal e a sua existência real. Não se permite deduzir tal realidade, mesmo através da leitura atenta e da análise do relatório correspondente ao Auto de Infração em tela. As diligências efetuadas pela douta AuditoraFiscal não conduziram à conclusão, incontestável, de que os fatos apontados são insofismáveis e incontestáveis. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 166 5 Mesmo pelo contrário, são todas as afirmações e conclusões eivada de uma superficialidade, tanto no que diz respeito à forma de apuração da verdade material, quanto na maneira como foram.reduzidos, no auto lavrado, os fatos ocorridos. A lavratura do auto constitui, assim, evidente e manifesto abuso de poder da autoridade administrativa, fato que merece repulsa categórica, com base nos mais elementares conhecimentos jurídicos, que embasam a Justiça plena e irretorquível. Como se disse, meros indícios ou simples suspeitas não são elementos suficientes para a caracterização dos fatos, como quer a ilustre autoridade. A falta de provas não autoriza a ilustre AuditoraFiscal a concluir, sequer, pela verossimilhança dos fatos, razão pela qual não merece credibilidade, sob a ótica do princípio da verdade material, o relatório em que se baseia a autuação. Em resumo, quem efetivamente importou as motocicletas, objeto da presente impugnante, foi, na realidade, a BAUENPVG, que as vendeu à PIVA MOTOR, para fins de revenda a consumidores finais. 3. DA MATÉRIA IMPUGNADA Importa ressaltar que a ação fiscal contra a PIVA MOTOR decorreu, como afirmou a AuditoraFiscal, de procedimento fiscal instaurado contra a BAUEN PVG, no Rio de Janeiro, formalizado mediante o PAF n° 10074.001827/200896. Concluiu a ilustre AuditoraFiscal, de maneira inteiramente equivocada, que "houve prática de Ocultação do Real Adquirente das mercadorias importadas pela BAUENPVG" em processo de fiscalização contra contribuinte estabelecido no Rio de Janeiro. Novamente, referese aquela autoridade aos "fortes indícios de que um dos Reais Adquirentes seria a empresa PIVA MOTOR, sediada em São Paulo". O fisco se vale, dessa forma, do uso da presunção no relatório do Auto de Infração, pois nenhuma ilegalidade apontada consegue provar. Sabese, porém, que a presunção não é motivo para que o fisco lavre o auto, assim, pura e simplesmente. [...] Ocorre, porém, que a autuação contra a Bauen no Rio de Janeiro foi objeto de ação judicial, com vistas ao reconhecimento, pela Autoridade Judicial, da insubsistência do Auto de Infração lavrado. Processados os autos, o processo, que tomou o número 2009.51.01.0070243, foi julgado procedente pelo Exmo. Sr. Juiz de Direito Titular da 5a Vara Federal, da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, Dr. Firly Nascimento Filho. Entre as razões que pautaram a decisão, afirma a R. Autoridade Judiciária que inexiste legislação que obrigue o importador a dispor de local próprio para armazenamento dos produtos que importa. Tal assertiva corrobora a afirmação acima quanto à irrelevância da venda das motocicletas à PIVA MOTOR 8 (oito) dias após o desembaraço das mercadorias importadas pela BAUENPVG. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 167 6 Diante do exposto, não resta dúvida, até que se prove o contrário, de que o auto lavrado contra a PIVA MOTOR não se sustenta. Com efeito, e em elementar exercício de lógica, é fácil deduzir que, se a ação fiscal decorreu da autuação contra a BAUENPVG e, se essa medida não encontrou respaldo junto ao Poder Judiciário, no plano administrativo, cai por terra toda e qualquer tentativa de prosseguimento de ação fiscal contra a PIVA MOTOR. Uma vez declaração a importação regular dos bens pela Justiça, não há que ser penalizada a adquirente de boafé, pelo que se protesta pela insubsistência do auto lavrado contra a PIVA MOTOR, em virtude de nada ter sido comprovado em seu desfavor. DA CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SPO 2/SP nº 17058.285, de 15.03.2012, fls. 109126: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/01/2007 Não comprovação da origem dos recursos empregados em operações de comércio exterior; e ocultação do real adquirente de mercadorias importadas. Dano ao Erário, causado por ocultação do real adquirente de mercadorias importadas. Não comprovação da transferência lícita dos recursos empregados na importação, devendo o autuado suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 04.04.2012, fl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.05.2012, fls. 131142, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Suscita que: II DAS ALEGAÇÕES DA RECEITA PARA A IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO Inicialmente, cabe ressaltar que a Receita insiste em alegar a falta de comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior e a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas sem, contudo, contestar de forma convincente as circunstâncias em que se deu a importação, fato sobejamente esclarecido e comprovado pelo Recorrente. Em longo arrazoado, didaticamente impecável, lembram os ilustres membros da Ia Turma da DRJ/SP2, no Acórdão 17058.285, com fundamento na legislação Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 168 7 aduaneira, que contribuinte do imposto de importação é o importador, assim entendida qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional. Prossegue, associando a figura do contribuinte do imposto àquele que demonstra capacidade contributiva para importar mercadorias, em referência expressa ao art. 145, § I o , da Constituição Federal. Sustenta [...], continuando sua explanação meramente acadêmica, que a pessoa que promove a entrada da mercadoria no território nacional é o real detentor dos recursos, ou seja, a pessoa que revela a capacidade contributiva ou econômica para realizar a operação de importação. Destaca, em reforço à justificativa do julgamento e louvável atitude, sem dúvida, que a preocupação do legislador e, por que não dizer, do fisco, "não se limita à exigência de tributos, mas também à proteção do mercado interno". Em seguida, e abruptamente, afirma "perceber" a "conduta dolosa", que "reside em ocultar, esconder ou encobrir a pessoa física ou jurídica (real sujeito passivo) que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, utilizandose para isso de ardis fraudulentos ou simulatórios, inclusive mediante a interposição fraudulenta de terceiras pessoas, físicas ou jurídicas." Ora, o simples "perceber" conduta não condiz com a busca da verdade material, objeto do processo administrativo fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235/72, que demanda apuração concreta e insofismável dos fatos. Além disso, sem provas, acusa a Recorrente de "impedir ou retardar total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária", com fulcro no art. 72, da Lei 4.502/64. Ora, em que momento ou em circunstância a PIVA MOTOR impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador da importação de motonetas, que lhes chegaram às mãos e, afinal, foram vendidas aos adquirentes? Ora, senhores Conselheiros, a todo instante, vêse que os argumentos utilizados pelo órgão julgador se divorciam da realidade dos fatos, como se a redação do texto compusesse um clichê utilizado pela Receita para todos os casos submetidos ao seu julgamento, não importando as diferenças contidas nas diversas hipóteses consideradas. No Acórdão, o órgão colegiado ainda cita o art. 167, do Código Civil, pelo qual se considera nulo o negócio jurídico viciado pela sim ilação, sem, no entanto, apontar o ato ou fato em que se verificou a simulação. Não se vislumbra, no caso em exame, seja o conluio, seja o propósito de enganar ou a discordância consciente entre a vontade e a declaração, o que conduz à conclusão de que, se a premissa é falsa, porque fantasiosa, falsas são, igualmente, as consequências daí extraídas. Lembra o órgão julgador o questionamento feito à BAUENPVG pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro quanto à integralização do seu capital social, bem como à origem dos recursos utilizados para a importação em tela. Todas essas questões, todavia, foram apreciadas e julgadas pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, que não detectou na importação feita pela BAUENPVG qualquer irregularidade passível de penalização. A lógica autoriza concluir, com base no julgado anexo ao presente, que se não houve irregularidade na importação Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 169 8 pela BAUENPVG, nenhuma irregularidade pode ter havido na aquisição das motocicletas pela PIVA MOTOR. Neste caso, não subsiste razão à Receita para contestar a decisão soberana do magistrado federal, que prolatou a sentença após a análise criteriosa e cuidadosa do fato, o que se pode constatar da simples leitura da sentença, que, digase, não mereceu a mínima consideração pelo colegiado de primeira instância da Receita, como se não tivesse existido. Há que se considerar, também, que os "olhos" dos ilustres membros do colegiado de primeira instância se voltaram, inexplicavelmente, para a BAUEN PVG e não para a PIVA MOTOR. Com efeito, é fácil observar que o relatório em que se baseia a decisão levou em conta, simplesmente, a atuação da BAUENPVG, só alcançando por via reflexa a PIVA MOTOR. Dessa forma, não há que repisar o fato de que a BAUENPVG não comprovou a origem dos recursos utilizados na importação. A leviana alegação da Receita não encontrou eco na decisão do Exmo. Sr. Juiz da 5a Vara da Justiça Federal da Seção do Rio de Janeiro. A autoridade administrativa não logrou contestar os fundamentos da decisão do Poder Judiciário, tendo apenas mencionado no relatório que antecede a decisão (pág. 113) a sentença judicial, sem qualquer outro comentário. Em outras palavras, em todo o voto que conclui pela improcedência da Impugnação, o órgão julgador se limita a repetir as presunções, infundados digase, colocadas no Auto de Infração. É de dizer que, os fundamentos que servem para a autuação servem, também, para o julgamento. Ora, a lavratura do Auto, em que se descreve a materialidade do fato, e os fundamentos jurídicos utilizados como fundamento para o julgamento do processo, são coisas de natureza jurídica distinta. A repetição dos argumentos levantados inicialmente na decisão do órgão colegiado da Receita apenas demonstra a fragilidade do Acórdão, que nada de novo traz à colação. [No] transcorrer do texto do voto do Relator, aprovado pela Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo, o que se vê são meras suposições, nada além de presunções de prática de fraude, que não existiu. De fato, na fl. 121, está consignado, por exemplo, que "a empresa PIVA MOTOR não possuía habilitação para importar nos sistemas da Receita Federal à época da importação" de que trata o presente. Nada mais leviano, se não ingênuo, tal afirmação. Pois foi exatamente por essa razão que a PIVA MOTOR se utilizou dos serviços da BAUENPVG para promover a importação das motocicletas em questão. Onde a irregularidade desse fato? Diz mais o voto aprovado que "as mercadorias... foram vendidas integralmente para a PIVA MOTOR." Essa prática é comum no comércio, não importando qual seja o ramo a considerar. Aliás, é de se dizer que a BAUENPVG não vende exclusivamente seus produtos para a PIVA MOTOR. Excepcionalmente, neste caso foi o que ocorreu. De qualquer forma, onde a irregularidade desse fato? Acresce o voto que "a venda se deu em só dia, 24/01/07, 8 (oito) dias após o desembaraço." Ora, ilustres Conselheiros, que diferença faria uma venda após 1 (dia) ou após 30 (trinta) dias do desembaraço. O problema que se coloca diz respeito Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 170 9 tão sõ ao pagamento da armazenagem que mais encarece à medida que a entrega se alonga no tempo. Onde a irregularidade de mais esse fato? Para não tornar exaustiva a leitura do presente recurso, vale recordar que outras (graves!) observações foram feitas pelo órgão julgador de primeira instância, quais sejam, por exemplo, a não apresentação do Livro Caixa solicitado pela fiscalização. Se irregularidade há, e não se duvida desse fato, que se penalize a • npresa pelo simples descumprimento de uma obrigação acessória consistente na falta de entrega de documento ou livro necessário ao exame dos negócios realizados pelo contribuinte. Nada mais que isso. Ainda, mais, a PIVA MOTOR, quando indagada, informou ter adquirido as motocicletas, por compra, da BAUENPVG, à vista, ou seja, para pagamento no prazo de 28 (vinte e oito) dias. Mais uma vez, e por último, para não fatigar, onde a irregularidade nesse fato? Insta salientar que na mesma fl., 121, o Relator se refere à autoridade fiscalizadora para dizer que a ela cabe "demonstrar o alegado" e "produzir as provas de suas alegações." Reforça a afirmação, aduzindo que "os meios devem ser formalmente corretos, idôneos e adequados." Não foi, no entanto, o que se viu no caso presente. Pelo contrário, nenhuma prova concreta foi apresentada pela r. AuditoraFiscal autora da lavratura do Auto de Infração. Apenas presunções, todas infundadas, que não devem, absolutamente, ser tomadas como dignas de fé e de respeito. A mais estapafúrdia demonstração do non sense é encontrada nas fis. 123 e 124, em que, baseada em doutrina não especificada, o ilustre Relator discorre sobre teses relativas à presunção e à ficção em direito, que não cabem no texto nem servem como fundamento ilustre Relator discorre sobre teses relativas à presunção e à ficção em direito, que não cabem no texto nem servem como fundamento plausível ou convincente, uma vez que não se relacionam com o caso concreto que aqui se discute. Por fim, Senhores Conselheiros, não se pode presumir interposição fraudulenta e falta de comprovação da origem dos recursos empregados na operação de importação de mercadoria, se não ficar devida e insofismavelmente comprovadas pela autoridade fiscal. É de elementar conhecimento de todos os que militam na seara jurídica que ao acusador cabe provar a infração ou o crime praticado. Não há que se exigir prova negativa, de impossível êxito, como se sabe. As acusações chegam a tal absurdo que, ao final do voto, na fl. 126, o nobre Relator aponta para o crime de "lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores", o que faz parecer e é preferível que assim seja tratarse mais de um clichê usado para todos os fins e em todas as peças do que a convicção de uma autoridade, que se presume responsável pelos seus atos e palavras. Observese que o Auto de Infração, assim como o voto condutor do julgamento da r. 1º Turma da DRJ/SP, caracterizamse pelos "fortes indícios" apontados. Todavia, se não amparados por fatos reais e incontestáveis, tais presunções se tornam inconsistentes e não são suficientes para justificar uma conduta que a Receita presume ilegal. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 171 10 Em nenhum momento a Receita logrou provar a irregularidade da importação. Nesse sentido, a carga de subjetividade contida nas afirmações, por si, já desautoriza a convicção e a certeza da autuação, elementos imprescindíveis a um julgamento imparcial e isto. A verdade, afinal, é uma só. A BAUENPVG é uma empresa que se dedica ao ramo da importação e que, dessa forma, adquire mercadorias no exterior para revenda a compradores estabelecidos em nosso país. As motocicletas, objeto deste Recurso, foram importadas pela BAUENPVG, empresa habilitada para o comércio de importação e exportação pela Receita Federal do Brasil e pela SECEX, com seus próprios recursos, que, em seguida, efetuou a venda para a PIVA MOTOR. Neste caso, dispensável se torna a comprovação da origem dos recursos utilizados na importação pela Recorrente, visto que essa comprovação compete à empresa BAUENPVG, real e verdadeira importadora, e não a PIVA MOTOR. Os dois papéis, portanto, não se confundem, quais sejam o de real importadora, a primeira, e adquirente por compra, da segunda. Qualquer presunção de omissão, de informação incorreta ou de falsidade material deve ser provada, de forma a não deixar dúvida quanto à aplicação da pena, que resulta em grave transtorno para o contribuinte, que agiu de boafé e de acordo com a legislação em vigor e não pode por ser prejudicado. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: À vista de todo o exposto, reitera a Recorrente os termos e os argumentos apresentados na Impugnação, aos quais se somam os dispostos no presente Recurso, pugnando pela decisão no sentido de ^conhecer a improcedência do Auto de Infração lavrado, tendo em vista os motivos alegados, insubsistentes como se demonstrou. Em consequência, que seja extinto o processo, canceladose o crédito tributário constituído, visto que a PIVA MOTOR agiu com inteira lisura e segundo, rigorosamente, as determinações legais e administrativas que regem as importações de produtos estrangeiros. Determina a Portaria de fl. 161: O PRESIDENTE DA QUARTA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o § 3º. do Artigo 63 do Regimento Interno do CARF, baixado com a Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, publicada no Diário Oficial do dia seguinte, RESOLVE: DESIGNAR relatora “ad hoc” a Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA para o fim de formalizar o Acórdão nº 1803001.510, prolatado pela Terceira Turma Especial da Quarta Câmara da Primeira Seção, na sessão realizada no dia 02 de outubro de 2012, no julgamento do Processo nº 10314.720023/201204, de interesse do contribuinte PIVA MOTOR SPORT COMERCIAL DE MOTOCICLETAS LTDA. , em face de a relatora original não mais ocupar o cargo de Conselheira. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 172 11 Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162, fl. 254: Aos dois dias do mês de outubro do ano de dois mil e doze, às nove horas, pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 5º Andar, Sala 506, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), WALTER ADOLFO MARESCH, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, VIVIANI APARECIDA BACCHMI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VIVIANI APARECIDA BACCHMI Processo: 10314.720023/201204 Nome do Contribuinte: PIVA MOTOR SPORT COMERCIAL DE MOTOCICLETAS LTDA Acórdão 1803001.510 Acórdão: Por unanimidade de votos, declinaram a competência à Terceira Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Não Conhecido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Ad Hoc Designada Sobre a competência para o julgamento do recurso voluntário, o Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 173 12 I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10314.720023/201204 Acórdão n.º 1803001.510 S1TE03 Fl. 174 13 XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Verificase que o lançamento formalizado no presente processo tratase da multa de ofício proporcional sobre o valor aduaneiro e o julgamento é afeta à 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recuso voluntário para declinar da competência para seu julgamento para a 3ª Seção de Julgamento do CARF em razão da matéria. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905012/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 12 /2 01 2- 58 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.905012/201258 Acórdão n.º 3301003.567 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.472. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.905012/201258 Acórdão n.º 3301003.567 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.905012/201258 Acórdão n.º 3301003.567 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.905012/201258 Acórdão n.º 3301003.567 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905012/201258 Acórdão n.º 3301003.567 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.905012/201258 Acórdão n.º 3301003.567 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001892/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/10/2005 a 29/12/2005
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 03/10/2005 a 29/12/2005 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por haver concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 18 92 /2 01 0- 58 Fl. 1086DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 16062.505, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, no qual não foi conhecida a impugnação apresentada. O presente processo administrativo traz lançamento para prevenir a decadência do direito de constituir créditos tributários de PIS/PASEPImportação e COFINS Importação, os quais, no momento da ocorrência do fato gerador, estavam com sua exigibilidade suspensa, devido a decisão antecipatória de tutela recursal concedida no Mandado de Segurança (MS) n° 2004.50.01.0052060. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido (fls. 1027 a 1032), em parte: Consta do auto de infração: A empresa COTIA TRADING S/A obteve autorização judicial nos seguintes termos: "Isto posto, concedo a antecipação de tutela recursal,..., para abster as agravantes do recolhimento, da contribuição ao PIS e a COFINS, instituída pela Medida Provisória n°164/2004, daquilo que exceder na base de cálculo ao "valor aduaneiro", nos termos em que foi definido no Regulamento Aduaneiro (Decreto n°4543/2002, na redação dada pelo Decreto n°4765/2003, art.77) ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto exatidão dos valores recolhidos"(conforme Memorando n°030/04 vide fls. Ou , seja, esta decisão estabeleceu que " A APLICAÇÃO DAS ALÍQUOTAS DAS CONTRIBUIÇÕES FOSSE FEITA, ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE, SOBRE 0 VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Tal liminar foi revogada por decisão da 1a. Vara Federal Cível, publicada no D.O.E. em 16/10/2006(vide fl. ). No período compreendido entre a data de sua concessão e da sua revogação, consoante a decisão judicial precária, a parte autora registrou Declarações de Importação nesta Unidade da SRFB adotando base da calculo reduzida nos termos acima para as alíquotas das contribuições sociais (PIS/COFINS). 0 presente Auto de Infração tem por objetivo elidir a extinção do crédito tributário pela decadência (art.156, inc.V, CTN) e reúne as Declarações de Importação registradas no período de 01/06 a 30/06 de 2005 na Alfândega do Porto de Vitória/ES. A base de cálculo para os lançamentos ora apresentados obedeceu ao disposto na Lei n°10865/2004, Lei 10.485/2002, IN/SRF 552/05 (de 16/06/05 até 13/10/05), I RFB 571/05. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 12466.001892/201058 Acórdão n.º 3301003.256 S3C3T1 Fl. 1.087 3 Do exposto, ficou claro que o crédito cobrado no auto de infração em análise, referese à diferença das contribuições PIS e COFINS calculadas sobre duas bases distintas, ou seja o valor das contribuições sobre a base de cálculo prevista na Lei 10865/2004 menos o valor das contribuições somente com base no valor aduaneiro estipulado na medida liminar, que não incluiu na sua composição os valores do ICMS e das próprias contribuições. Observese também, que as declarações de importação abrangidas por este auto de infração, foram todas registradas durante a vigência de liminar que determinava o recolhimento das contribuições PIS e COFINS importação somente com base no valor aduaneiro, sem a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na base de cálculo. Sobre o processo judicial 2004.50.01.0052060 2006, constatamos no site da Justiça Federal do Espírito Santo, que o mesmo encontrase vinculado ao processo 00038185820044025001 que teve recurso da decisão de primeira instância julgada, semrecurso do contribuinte. Do auto de infração a impugnante tomou ciência em 12/08/2010 e apresentou impugnação tempestiva em 09/09/2010. A Impugnação Em sua defesa faz as seguintes alegações: que inexiste qualquer infração, devendo o auto de infração impugnado ser julgado totalmente improcedente; que em total violação à Constituição Federal de 1988, em especial ao seu artigo 149, § 2°, Ill, "a", a Lei n° 10.865/04 determina em seu artigo 7°, inciso I, que as contribuições incidam sobre uma base de cálculo mais "alargada", que inclui o ICMS, além das próprias contribuições, do que aquela determinada pela Constituição Federal, ou seja, o mero valor aduaneiro. que a violação da CF/88 também ocorreu no caso de se colocar na base de cálculo, o valor das próprias contribuições, PIS e COFINS, alargando assim a base de cálculo, que constitucionalmente deveria ser o valor aduaneiro, definido no do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio — GATT 1994, que o valor aduaneiro não pode ter sua definição modificada por lei tributária, como pretendeu o legislador ordinário ao instituir a base de cálculo das Contribuições ao PIS Importação e a COFINS Importação, nos termos do inciso I, do artigo 7° da Lei n° 10865/04; Conclui que a Lei n° 10.865/04 e o auto de infração impugnado estão eivados de inconstitucionalidade e ilegalidade, por não respeitar a base de cálculo definida na Constituição Federal, nos casos de importação de bens, qual seja, o valor aduaneiro, bem como por ignorar o conceito desse instituto, traduzido pelo ao artigo 77 do Decreto n° 4.543/2002 (GATT). Fl. 1088DF CARF MF 4 O citado acórdão decidiu pelo não conhecimento da impugnação, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 03/10/2005 a 29/12/2005 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Decisão emitida em Mandado de Segurança, implica a renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula n° 1 Portaria CARF n° 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria da ação judicial. JUROS DE MORA Exigibilidade Suspensa. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral. (Súmula n° 5, Portaria CARF nº 52, de 2010). Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada com o não conhecimento da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1042 a 1057), ), alegando não haver identidade de objetos entre o auto de infração e a ação judicial. Pede que este Conselho enfrente a questão de mérito, entendendo inexistir qualquer infração fiscal. Preliminarmente, argumenta a recorrente ter o STF declarado a inconstitucionalidade da base de cálculo da PIS e da COFINS Importação, no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937, sob a sistemática da repercussão geral, reproduzindo o respectivo acórdão, publicado em 17/10/2013. Entende que a decisão da Suprema Corte "deve ser aplicada a todos os casos que envolvem a matéria, seja em âmbito administrativo, seja em âmbito judicial". Em nome do princípio da eventualidade, caso tal entendimento não seja abraçado por esta Turma, pede a recorrente que se verifiquem as questões de ordem meritória: violação da base de cálculo prevista no art. 149, III, da Constituição federal de 1988; alteração da legislação tributária em razão da citada decisão do STF, com o advento da Lei nº 12.865/2013; e ausência de prejuízo ao Erário, posto que a empresa e optante da apuração pelo lucro real e que, nesse caso, com a sistemática de não cumulatividade das contribuições em pauta: "ela acabará recolhendo menos PIS e COFINS na entrada da mercadoria importada, mas na saída recolherá mais". Ao final, pede que seja conhecido e provido o recurso de forma a reformar da decisão de primeiro grau e anular ou julgar improcedente o auto de infração em pauta. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 12466.001892/201058 Acórdão n.º 3301003.256 S3C3T1 Fl. 1.088 5 Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. Registrese que, na sessão de julgamento de 29 de março de 2017, patrono da contribuinte apresentou a esta Turma, cópia de Certidão emitida pela Justiça Federal, dirigida ao Inspetor da Alfândega da RFB no Porto de Vitória, dando conta do trânsito em julgado de acórdão, no referido processo judicial 2004.50.01.0052060. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O acórdão de primeiro grau decidiu por não conhecer da impugnação, com base no que determina a Súmula nº 1 do Carf: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Referese também ao Parecer Normativo (PN) Cosit nº 8/2014 (na verdade faço um reparo à referência do relator: tratase do PN nº 7 e não nº 8) (sucessor do Ato Declaratório COSIT nº 03, de 14/02/1996), no qual fica determinado que: A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. No seu voto, o relator do acórdão da Delegacia de Julgamento bem afirma a coerência de tais determinações com o princípio da unicidade da jurisdição, este embasado no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". E assim deduz: Na esfera administrativa, no campo do direito tributário, existe o processo administrativo tributário, que é o instrumento para pacificação de conflitos entre o fisco e o contribuinte. O processo administrativo tributário pode não ser a decisão definitiva da lide, em virtude do disposto no inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, podendo o contribuinte antes de uma decisão administrativa, ou mesmo depois dela, buscar a discussão da lide de caráter tributário na esfera judicial. A atitude do contribuinte, de procurar o poder judiciário para a resolução de uma lide, cujo objeto está sendo discutido em um processo administrativo fiscal, tem como decorrência lógica o abortamento da instância administrativa e faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a Fl. 1090DF CARF MF 6 mesma matéria na esfera administrativa, isto porque, a prerrogativa exclusiva da função jurisdicional de dirimir definitivamente os conflitos de interesse, faz que a decisão judicial prevaleça sobre a administrativa. Desta forma qualquer decisão administrativa contrária à decisão judicial não seria válida, tendose em vista o disposto no Inciso XXXV do artigo 5o da Constituição Federal de 1988, e a decisão seria nula. Acrescentese que o referido Parecer Normativo Cosit observa o caráter de definitividade da renúncia às instâncias administrativas, como se depreeende dos enunciados abaixo: A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. A referida Súmula, bem como as determinações e a inteligência do citado Parecer Normativo Cosit não deixam dúvida sobre o acerto da decisão da Turma da DRJ: tendo o contribuinte proposto, em 2004, ação judicial, o MS n° 2004.50.01.0052060, com o mesmo objeto do auto de infração em pauta; renunciou ele às instâncias administrativas, e o fêz de forma definitiva; sendo incabível apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, da matéria coincidente, não havendo outra providência, a não se não conhecer do recurso voluntário. Argumenta a recorrente pela inexistência de concomitância entre o processo administrativo e a ação judicial, por faltar identidade aos objetos de ambas. Diz que, como o auto de infração foi lavrado para prevenir decadência, deveria ficar sobrestado até o deslinde do MS. Informa que este MS "aguarda aplicabilidade do entendimento decorrente do Julgamento da Repercussão Geral (Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937) já transitado em julgado, o qual também deve ser aplicado a presente demanda. O que se verifica é que tal argumentação de falta de identidade de objetos não demonstrou, de fato, quais seriam os objetos e porque seriam diferentes. Ainda que a peça autuatória tenha sido lavrada para prevenir decadência, seu objeto é o mesmo do citado MS, conforme relato constante do acórdão de primeiro grau: o crédito cobrado no auto de infração em análise referese à diferença das contribuições PIS e COFINS calculadas sobre duas bases distintas, ou seja o valor das contribuições sobre a base de cálculo prevista na Lei 10865/2004 menos o valor das contribuições somente com base no valor aduaneiro estipulado na medida liminar, que não incluiu na sua composição os valores do ICMS e das próprias contribuições. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 12466.001892/201058 Acórdão n.º 3301003.256 S3C3T1 Fl. 1.089 7 O art. 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf) de 2009, Portaria MF nº 256, disposição hoje constante no parágrafo 2º do art. 62 do Regimento de 2015, Portaria MF nº 343, determina que: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De fato, a decisão no citado RE é definitiva de mérito e se enquadra na sistemática do art. 543B do antigo CPC, matéria hoje disciplinada no art. 1.036 e seguintes do Novo Código. Ainda assim, a questão decidida no STF é de mérito e a renúncia definitiva do contribuinte às instâncias administrativas, bem como a decisão deste voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, impede que este órgão julgador profira julgamento a respeito. Ainda assevera o citado PN Cosit, "a decisão judicial transitada em julgado [...] prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável". Ou seja, se há uma ação judicial de mesmo objeto e há, o MS n° 2004.50.01.0052060, a discussão deve ser lá decidida. Decidiu o STF que ainda que haja declaração de inconstitucionalidade de sua parte, esta não altera de forma automática decisões judiciais anteriores em sentido diverso; não se dispensando a interposição de recurso ou ajuizamento de ação rescisória; o que demonstra a inviabilidade da aplicação automática do RE 559.937 ao auto de infração em foco, por haver ação judicial a ele associada: Afirmase, portanto, como tese de repercussão geral que a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495) (STF, Sessão Plenária, RE 730.462, de 28.05.2015, rel. Min. Teori Zavascki). Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1092DF CARF MF 8 Fl. 1093DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903793/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 93 /2 01 1- 39 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 127DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 129DF CARF MF Processo nº 16327.903793/201139 Acórdão n.º 1301002.364 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720425/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
DECISÃO A QUO. REDUÇÃO OU EXONERAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos do art. 27, V da Lei nº 10.522/2002, com a alteração dada pela Lei nº 12.788/2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor.
Recurso de ofício não conhecido
Numero da decisão: 3402-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo, que negavam provimento ao recurso de ofício. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 DECISÃO A QUO. REDUÇÃO OU EXONERAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos do art. 27, V da Lei nº 10.522/2002, com a alteração dada pela Lei nº 12.788/2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor. Recurso de ofício não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo, que negavam provimento ao recurso de ofício. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 25 /2 01 4- 11 Fl. 1088DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos lançamento de multa isolada no montante de R$ 3.068.194,73 (fls. 1039/1051), decorrente de indeferimento (total ou parcial) de pedido(s) de ressarcimento efetuado(s) por meio de PER/DCOMP, conforme disciplinado pelo § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249, de 2010: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) .............................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Impugnado o lançamento, a DRJ/RPO, Acórdão 1455.254 (fls. 131/133), julgou procedente a impugnação, cancelando a exação. Ultrapassado o valor de alçada, foi interposto o recurso de ofício em comento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. A decisão recorrida cancelou a exigência sob o fundamento da retroatividade benigna (CTN, art. 106, "a"), uma vez que o art. 27 da Lei 13.137, de 19/06/2015, revogou a norma que arrimava o lançamento ao tempo de sua ciência. Vejase o que dispôs a norma inovadora: LEI nº 13.137, de 2015 Art. 27. Ficam revogados: I os arts. 44 a 53 da Lei no 4.380, de 21 de agosto de 1964; (Vigência) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Estreme de dúvidas que a superveniência de legislação que revogou a norma que definia como infração a hipótese do lançamento, deixando de sancionála, deve, nos termos do art. 106, II, "a" do CTN, ser aplicada retroativamente. Portanto, escorreita a r. decisão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 11634.720425/201411 Acórdão n.º 3402004.272 S3C4T2 Fl. 1.089 3 assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1090DF CARF MF 4 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento do presente processo ousei divergir o Ilustre Relator no que concerne à admissibilidade do recurso de ofício, eis que, a partir da alteração do art. 27 da Lei nº 10.522/2002 dada pela Lei nº 12.788/2013, não cabe mais recurso de ofício nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna, nesses termos: Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013: Art. 11. Os arts. 19 e 27 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passam a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; IV quando se tratar de homologação de compensação; V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e [negritei] VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19.” (NR) No presente caso concreto, o crédito foi exonerado pela decisão recorrida em razão da retroatividade benigna, razão pela qual, em conformidade com o art. 27 da Lei nº 10.522/2002 acima transcrito, voto no sentido de não conhecer o recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 1091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.921384/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.095
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/04/2006 a 30/06/2006, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 13 84 /2 00 9- 23 Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10830.921384/200923 Acórdão n.º 3302004.095 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.865 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.757, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10830.921384/200923 Acórdão n.º 3302004.095 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 719DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002920/99-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
CRÉDITOS INCENTIVADOS. RESSARCIMENTO POR PERÍODO DECENDIAL
Em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015, considerando que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que não se poderia obstar o pedido do sujeito passivo por decêndio, desde que respeitada a norma legal que defere o saldo ao final do trimestre, eis que à época da apresentação do pedido inexistia ato normativo disciplinando o art. 11 da Lei 9.779/99, tendo sido razoável a postulação nos moldes das Instruções Normativas 21/97 e 114/88, bem como a própria unidade preparadora poderia ter possibilitado a conversão dos pedidos formalizados por decêndio em pedido trimestral.
Numero da decisão: 9303-004.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 CRÉDITOS INCENTIVADOS. RESSARCIMENTO POR PERÍODO DECENDIAL Em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015, considerando que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que não se poderia obstar o pedido do sujeito passivo por decêndio, desde que respeitada a norma legal que defere o saldo ao final do trimestre, eis que à época da apresentação do pedido inexistia ato normativo disciplinando o art. 11 da Lei 9.779/99, tendo sido razoável a postulação nos moldes das Instruções Normativas 21/97 e 114/88, bem como a própria unidade preparadora poderia ter possibilitado a conversão dos pedidos formalizados por decêndio em pedido trimestral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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RESSARCIMENTO POR PERÍODO DECENDIAL Em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015, considerando que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Cabe, assim, expor que a maioria dos conselheiros manifestou que não se poderia obstar o pedido do sujeito passivo por decêndio, desde que respeitada a norma legal que defere o saldo ao final do trimestre, eis que à época da apresentação do pedido inexistia ato normativo disciplinando o art. 11 da Lei 9.779/99, tendo sido razoável a postulação nos moldes das Instruções Normativas 21/97 e 114/88, bem como a própria unidade preparadora poderia ter possibilitado a conversão dos pedidos formalizados por decêndio em pedido trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 20 /9 9- 93 Fl. 837DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20400.110, do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “IPI. CRÉDITOS INCENTIVADOS. RESSARCIMENTO POR PERÍODO DECENDIAL. A sistemática de ressarcimento introduzida pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99 não revogou a sistemática vigente em relação aos créditos incentivados. Possibilidade de ressarcimento decendial dos créditos incentivados. Recurso Provido” Para melhor elucidar a ementa consignada, importante transcrever parte do voto vencedor do nobre exconselheiro Flávio Munhoz: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 822 3 “Tratam os presentes autos de pedido de ressarcimento de crédito de IPI relativos aos incentivos fiscais instituídos pelo art. 1º, inciso II da Lei nº 8.402/92 e art. 4º da Lei 8.248/91. O pedido de ressarcimento foi formulado por decêndio, nos termos do disposto no item 3.1.2 da Instrução Normativa SRF nº 114, de 03/8/1998, que estabelece que o pedido de ressarcimento pode ser requerido a partir do encerramento do período de apuração correspondente à entrada dos insumos no estabelecimento industrial, nestes termos: 3. O aproveitamento dos créditos a que faz menção o item 1 darse á, incialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados (art. 103 e § 1ª do RIPI/82 e item 1 da Portaria MINIFAZ nº 332/80). 3.1. Efetuada a compensação, adotarseá o seguinte procedimento se ocorrer saldo credor: ... 3.1.2. O excedente relativo aos créditos incentivados poderá ser objeto de ressarcimento em espécie (Portaria MINIFAZ nº 332/80, item 1), a ser requerido à Secretaria da Receita Federal nos termos da Instrução Normativa SRF nº 102/80 e alterações posteriores, a partir do encerramento do período de apuração correspondente à entrada dos insumos (MP, PI e ME) no estabelecimento industrial (grifamos) O indeferimento se deu exclusivamente em razão de o pedido de ressarcimento ter sido formulado por decêndio, ao invés de ter sido formulado por trimestre, nos termos do que dispõe a Lei nº 9.779/99, a saber: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produtos isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o Fl. 839DF CARF MF 4 disposto nos arts. 73 e 74 da Lei 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda (grifamos) Portanto, a solução da controvérsia no presente processo decorre da análise de se o dispositivo legal acima transcrito revogou a sistemática de apuração do crédito de IPI relativo aos incentivos fiscais concedidos como estímulo à exportação, ou se, ao contrário, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 apenas introduziu uma nova sistemática de aproveitamento de créditos, cujo direito ao ressarcimento não estivesse anteriormente previsto de forma expressa. A manutenção de créditos incentivados de IPI, bem como o seu ressarcimento em espécie, nos casos de acúmulo de saldo credor, já se encontrava previstos antes mesmo da edição da Lei nº 9.779/99, no art. 179 do RIPI/98, assim redigido: Art. 179. Os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, e que não forem absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas estabelecidas pelo Secretário da Receita Federal, inclusive o ressarcimento em dinheiro. Vale ressaltar que esta (art. 179 do RIPI/98) é uma norma especial em relação à norma geral (art. 11 da Lei nº 9.779/99) de manutenção de créditos e ressarcimento em dinheiro. Portanto, a Lei nº 9.779/99 veio a estabelecer novas hipóteses de manutenção de créditos e de ressarcimento em espécie do saldo credor, sem, no entanto, revogar ou restringir o regime anterior. Tanto a assertiva é verdadeira que a revogação do art. 11 da Lei n 9.779/99 não implicaria na impossibilidade de manutenção dos créditos e do ressarcimento dos saldos credores em relação aos créditos de IPI como estímulos à exportação, hipótese dos autos. Sendo assim, a nova legislação, ao estipular sistemática de apuração do valor a ser ressarcido menos favorável à anteriormente fixada em norma especial, sem revogar a sistemática anterior, aplicase exclusivamente aos casos de saldo credor cujo ressarcimento não fosse expressamente permitido à época da edição da Lei nº 9.779/99. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 823 5 Com estas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito ao ressarcimento de crédito incentivado de IPI, previsto no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92 e art. 4º da Lei nº 8.248/91, apurado decendialmente, nos termos do disposto no art. 179 do RIPI/98 e na Instrução Normativa SRF nº 114, de 03/8/1998” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo o não deferimento do ressarcimento de créditos incentivados de IPI relacionados a insumos empregados na industrialização de produtos exportados e venda informática contemplados com isenção, trazendo, entre outros, que: · Nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99, as aquisições aplicadas na industrialização tanto de produto sujeito à incidência do IPI, quanto de produto isento ou tributado à alíquota zero, subordinamse à sistemática nele disciplinada, de modo que os pedidos de ressarcimento devem referirse ao saldo credor acumulado no trimestre; · Desaparece, assim, a partir da edição da norma, para os créditos incentivados, a possibilidade do ressarcimento decendial; · Essa disciplina alcança também as saídas imunes, porque a legislação já autorizava a manutenção e utilização do crédito de IPI relativos aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados; · Não há no regulamento ou em qualquer lei anterior, sistemática específica para os créditos incentivados, determinando o ressarcimento no período decendial, pois o que se tinha era uma regra geral, que estipulava confronto entre créditos e débitos de IPI a cada vez dias, que acabou sendo estendida às hipóteses de ressarcimento em razão da instituição de previsão legal para a fruição de tal benefício. Em Despacho às fls. 695 a 696, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido. Fl. 841DF CARF MF 6 Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que alegou, entre outros, que: · O incentivo imputado aos créditos do sujeito passivo decorre de expressa previsão legal, seja com relação às operações internas, estas albergadas pelas regras de isenção insculpidas nas Leis 8.248/91 e 10.176/01, seja no que concerne às operações de exportação, sendo a estas aplicáveis a imunidade disposta no art. 153, § 3º, inciso II, da CF/88; · O sujeito passivo deu entrada com pedido de ressarcimento em espécie do crédito acumulado de IPI, relativamente aos 3 decêndios de março do mesmo ano, tendo posteriormente –somente a partir de setembro de 2001 – requerido a utilização de tais valores a serem ressarcidos para fins de compensação com outros tributos federais; · A glosa do crédito está apenas relacionada à forma, pois quando da apresentação dos pedidos de ressarcimento, o sujeito passivo apurou seus créditos de forma decendial, quando a única forma, de acordo com a autoridade fazendária era a trimestral; · Por se tratar de créditos incentivados, tanto o art. 4º, § 3º, da Lei 8.248/91 e art. 1º, inciso II, da Lei 8.402/92, estabeleciam expressamente o direito do sujeito passivo quanto à manutenção e a utilização dos créditos advindos da aquisição dos competentes insumos; · À época dos fatos, vigia a Ordem de Serviço 3/97 que permitia que o sujeito passivo apurasse seus créditos por decêndio; · O Legislador assegurou o direito ao crédito e o sujeito passivo logrou em demonstrar que possui saldo credor contínuo – pela saída de seus produtos não ser tributada pelo IPI – e que tal se demonstra tanto apurado por decêndio, como trimestre. Cabe transcrever ainda que a informação DRF/SOR/EQJUD 198/2014 traz, entre outros: “Por meio da petição de fls. 2/3 o contribuinte em destaque solicitou análise da situação dos débitos controlados no processo administrativo Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 824 7 13884001.755/200245, o qual encontrase no CARF, apensado ao de nº 10830.002920/9993, para julgamento de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 13884.001755/200245 Tratase de processo de representação formalizado para controlar débitos de COFINS e PIS, relativos aos períodos de apuração 01/2002 e 02/2002, e IRRF, relativo ao período de apuração 03/2002, relacionados ao Pedido de Compensação constante no processo administrativo nº 10830.002920/9993. De acordo com a última análise efetuada por esta EQJUD acerca da situação dos débitos controlados no processo administrativo 13884 001.755/200245, consignada na Informação DRF/SOR/EQJUDEAC02 Nº 0020/2013 (fls. 772/774 do processo nº 10830.002920/9993), os débitos encontravamse com a exigibilidade suspensa em função de decisão proferida nos autos do mandado de segurança nº 2004.61.05.0129254. D O MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2004.61.05.0129254 Tratase de mandado de segurança, por meio do qual SOLECTRON INDUSTRIAL E COMERCIAL, SERVIÇOS E EXPORTADORA DO BRASIL (CNPJ 02.331.446/000103) objetivou “...o direito de discutir no âmbito do contencioso administrativo o direito ao ressarcimento e às compensações dele decorrentes com a garantia da suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional até o final do julgamento, pela Administração, dos processos administrativos 10830.001293/9918, 10830.002186/9935, 10830.002920/9993 e 10830.003709/9905 e dos correspondentes pedidos de compensação, garantindose, também, no curso dos aludidos procedimentos, o fornecimento de certidão positiva, com efeito de negativa, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” A medida liminar foi deferida, determinandose a anulação de eventual crédito inscrito em Dívida Ativa da União, oriundo dos processos administrativos 10830.001293/9918, 10830.002186/9935, Fl. 843DF CARF MF 8 10830.002920/9993 e 10830.003709/9905, e o apensamento dos pedidos de compensação a eles vinculados, para remessa à instância recursal, permanecendo assim até decisão final na esfera administrativa. Determinou ainda que, enquanto pendente os recursos interpostos de decisão administrativa, deverá o Fisco expedir as CPDEN, única e exclusivamente para os créditos aqui tratados. Face à decisão liminar, a União interpôs agravo de instrumento, o qual foi convertido em agravo retido. Sentença de 1º grau concedeu a segurança e confirmou a liminar a fim de determinar o apensamento dos processos relativos aos pedidos de compensação formulados nos processos administrativos 10830.001293/99 12, 10830.002186/9935, 10830.02920/9933 e 10830.003709/9905 e o seu encaminhamento à instância administrativa superior, ficando suspensas as exigibilidades dos créditos tributários extintos pela compensação afirmada pelo contribuinte, até decisão final em sede administrativa. Contra a sentença, a União interpôs recurso de apelação. Decisão monocrática proferida pelo Desembargador Federal do TRF 3ª Região negou seguimento ao recurso da União e INFORMAÇÃO DRF/SOR/EQJUD Nº 0198/2014 ao reexame necessário. Embargos de declaração opostos em face dessa decisão foram rejeitados. Ao agravo legal interposto foi negado provimento. A União interpôs recurso especial e os autos encontramse conclusos ao Desembargador VicePresidente do TRF 3ª Região para decidir sobre a admissibilidade do referido recurso. CONCLUSÃO Diante do exposto, tendo em vista: a) que a sentença proferida no mandado de segurança nº 2004.61.05.0129254 determinou o apensamento dos processos relativos aos pedidos de compensação formulados nos processos administrativos 10830.001293/9912, 10830.002186/9935, 10830.02920/9933 e 10830.003709/9905 e o seu encaminhamento à instância administrativa superior, ficando suspensas as exigibilidades dos créditos tributários extintos pela compensação afirmada pelo contribuinte até decisão final em sede administrativa; Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 825 9 b) que o referido mandamus encontrase conclusos ao Desembargador VicePresidente do TRF 3ª Região para decidir acerca da admissibilidade do recurso especial interposto pela União; c) que o processo administrativo nº 10830.002920/9993 encontrase no CARF para julgamento de recurso administrativo, e o processo nº 13884001.755/200245 encontrase apensado àquele; d) que, na presente data, os créditos tributários controlados no processo administrativo nº 13884001.755/200245 são impeditivos à emissão de CPDEN; Foi atualizada a data de análise da medida judicial do processo nº 13884 001.755/200245 junto ao SIEF, a fim de que o mesmo não represente óbice à emissão de CPDEN. Deverá ser solicitada, por meio do eprocesso, a juntada da presente Informação ao processo administrativo nº 10830.002920/9993. Após, o presente dossiê deverá ser arquivado. ” Em pesquisa ao andamento da medida judicial no site do TRF3, vêse que o Resp interposto pela União Federal não foi admitido, sendo a decisão transitada em julgado em 21.1.2016. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 695 a 696. Para melhor elucidar, transcrevo parte do Despacho (Grifos meus): “O recurso especial ora interposto fundase no art. 32, I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes aprovado pela Fl. 845DF CARF MF 10 Portaria MF nº 55/98, então vigente, e tem por mote arrostar a decisão proferida no acórdão nº 20400.110, exarado na sessão de 17/05/2005, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de ressarcimento decendial de créditos incentivados, mesmo após o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99. O recurso em questão, não reproduzido no vigente regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, se assenta na possibilidade de questionar decisão não unânime de Câmara, quando contrária à lei ou evidência de prova. [...] Muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Demais disto, em respeito ao princípio tempus regit actum, devese considerar que, à época de sua interposição, portanto, já devidamente formalizado, o recurso encontravase guarida no regimento interno vigente, não podendo ser alcançado pela sua superveniente extinção. Nesta senda, verificase que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça manejada arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento. [...]” Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide, qual seja, se o sujeito passivo teria direito ao ressarcimento do crédito de IPI, Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 826 11 considerando que deu entrada com pedido de ressarcimento em espécie do crédito acumulado de IPI em 26 de abril de 1999, relativamente ao 3 decêndios de março do mesmo ano 1999, tendo posteriormente – somente a partir de fevereiro de 2002 – requerido a utilização de tais valores a serem ressarcidos para fins de compensação com outros tributos federais. Ou se, considerando que apurou seus créditos de forma decendial, quando a única forma, de acordo com a autoridade fazendária era a trimestral, não teria direito ao crédito. No que tange à essa discussão, entendo que o sujeito passivo tem direito ao ressarcimento dos créditos de IPI – o que manifesto minha concordância com o voto vencedor constante do acórdão recorrido. Ora, é de se recordar que quando da apresentação dos pedidos de ressarcimento dos créditos de IPI pelo sujeito passivo, observou a sistemática disposta na: · IN SRF 21/97, que assegurava a manutenção e utilização dos créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais, bem como a possibilidade de compensação e ressarcimento desses créditos; · Ordem de Serviços 3/97 da DRF/Campinas – que possibilitava a apresentação dos pedidos de ressarcimento de forma decendial, justamente por ser a forma de apuração dos créditos de IPI vigente à época. A sistemática efetivamente somente foi alterada em julho de 1999, com a publicação da Ordem de Serviços 1/99, que passou a determinar expressamente que todos os sujeitos passivos detentores de créditos incentivados de IPI passassem a apresentar seus pedidos de ressarcimento de forma trimestral, Ordem de Serviços estas posteriores aos pedidos então apresentados. Ademais, cabe elucidar que em 20 de janeiro de 1999 foi publicada a Lei 9.779/99, que trouxe em seu art. 11: Fl. 847DF CARF MF 12 “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. ” Posteriormente, foi publicada a IN SRF 33/99 que revogou a IN SRF 114/98. No entanto, depreendendose da análise das normas, não há que se falar de sua incidência ao caso desses autos, uma vez que os pedidos de ressarcimento em espécie e/ou de compensação, apresentados se encontravam subsumidas à legislação anterior, legislação esta que até o presente são dotadas de vigência e aplicabilidade – Leis 8.248/91 e Lei 8.402/92. Ora, a lei 9.779/99 e a IN SRF 33/99 passaram a somente regular a possibilidade de acumulação e utilização de saldo credor de IPI para hipóteses relativas à saída de produtos isentos ou tributados por alíquota zero, hipóteses estas que, obrigatoriamente, deveriam se submeter à sistemática de apuração dos créditos por trimestrecalendário. Sendo assim, a Lei 9.779/99, por óbvio, veio a estabelecer novas hipóteses de manutenção de créditos e de ressarcimento em espécie do saldo credor, sem, no entanto, revogar ou restringir o regime anterior. Essa interpretação é totalmente procedente, vez que a revogação do art. 11 da Lei 9.779/99 não implicaria na impossibilidade de manutenção dos créditos e do ressarcimento dos saldos credores em relação aos créditos de IPI como estímulos à exportação. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 827 13 É de se destacar que o regime vigente à época dos requerimentos encaminhados, em especial a IN SRF 21/97 e a Ordem de Serviços 3/97 permitiam a apuração dos créditos de IPI na forma decendial, o que, por conseguinte, a Lei 9.779/99 não pode se revestir do condão de revogar tal sistemática e passar a instituir a sistemática de apuração por trimestrecalendário. Frise tal entendimento o proferido no acórdão CSRF 9303 00.331 – que teve como interessado coincidentemente a IBM Brasil – Industrial Comercial e Exportadora Ltda (razão social atual à época Solectron Indústria Comercial Serviços e Exportadora do Brasil Ltda): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS INCENTIVADOS. RESSARCIMENTO POR PERÍODO DECENDIAL. A sistemática de ressarcimento introduzida pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99 não revogou a sistemática vigente em relação aos créditos incentivados. Possibilidade de ressarcimento decendial dos créditos incentivados. ” Tal decisão do Colegiado foi dada por unanimidade de votos. Proveitoso trazer ainda, quanto à alegação da Fazenda Nacional de que a Lei 9.779/99 deve prevalecer sobre o RIPI, por se tratar de lei ordinária, enquanto esse não passe de um Decreto, logo, de ato infralegal, não deve prevalecer, uma vez que o RIPI possui matriz também em lei ordinária, qual seja, a Lei 4.502/64 – que serve de supedâneo para a exigência do IPI, sendo o mecanismo eleito pelo legislador para regular questões específicas sobre a exação. Fl. 849DF CARF MF 14 O art. 179 do RIPI possui natureza especial quando comparado com a Lei 9.779/99. Dessa forma, é de se considerar que a Lei 9.779/99 somente veio a reconhecer a manutenção do crédito de IPI nas aquisições de insumos empregados na industrialização de produtos cuja saída não era tributada, permitindo após 3 meses, que o saldo credor fosse objeto de ressarcimento mediante pedido de compensação. Situação distinta do direito de ressarcimento dos créditos incentivados como estímulo à exportação, cujo direito do sujeito passivo, se manteria ainda que a Lei 9.779/99 fosse revogada. Ademais, a Lei 8.402/92 e Lei 8.248/91 continuam plenamente vigentes. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. Não obstante ao meu entendimento, em respeito ao art. 63, §8º, do RICARF/2015 Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores, considerando que a maioria dos conselheiros expressaram seus votos pelas conclusões, é de se refletir o direcionamento de seus entendimentos. Os conselheiros manifestaram que não se poderia obstar o pedido do sujeito passivo por decêndio, respeitada a norma legal que defere o saldo ao final do trimestre, eis que à época da apresentação do pedido inexistia ato normativo disciplinando o art. 11 da Lei 9.779/99, tendo sido razoável a postulação nos moldes das INs 21/97 e 114/88 que, por sua vez, previam pedidos por decêndio. E, ademais, a própria unidade preparadora poderia possibilitar a conversão dos pedidos formalizados por decêndio em pedido trimestral. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10830.002920/9993 Acórdão n.º 9303004.930 CSRFT3 Fl. 828 15 Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei oportuno apresentar declaração de voto, especialmente por ter participado do julgamento da decisão de que ora se recorre. Naquela ocasião, embora tenha acompanhado a proposta do relator, não deixei clara minha posição, que não mudou de lá para cá. Com efeito, considerei relevante o fato de que não havia ato normativo da SRF disciplinando especificamente o art. 11 da Lei 9.779 quando o sujeito passivo postulou o seu ressarcimento. Nesses termos, pareceume razoável que o tivesse feito nos moldes do ato que, até então, regulava os ressarcimentos em geral, a IN SRF 21/97, e os ressarcimentos de créditos incentivados de IPI em particular a IN 114/88. Como se sabe, em ambos os casos, prevêse pedidos por decêndio. Além disso, como bem pontuado pela relatora, havia ainda ato da unidade preparadora estabelecendo a possibilidade de conversão, pela própria unidade, dos pedidos formalizados por decêndio em pedido trimestral. Por óbvio, se em todos os decêndios que compõem o trimestre houver saldo credor, como se diz ser aqui o caso, nenhuma diferença haverá entre uma forma e outra. Esta apenas ocorrerá na hipótese de reversão do saldo de credor para devedor em algum dos decêndios intermediários. Por isso, encaminhei meu voto, já na câmara recorrida, pelo provimento do recurso voluntário para que não fosse obstado o exercício do direito apenas pelo fato de os seus pedidos serem por decêndio, respeitada, por óbvio, a norma legal, que só defere o saldo ao final do trimestre. E assim também o fiz aqui, sendo essa a declaração que se impunha. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 851DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007755/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado.
Numero da decisão: 2301-005.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer dos embargos apresentados, para no mérito, rejeitá-los, por inexistência dos vícios apontados pela Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.007755/200829 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.061 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2017 Matéria Obrigações acessórias Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MTR TRANSPORTES LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer dos embargos apresentados, para no mérito, rejeitálos, por inexistência dos vícios apontados pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 77 55 /2 00 8- 29 Fl. 272DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela União (Fazenda Nacional) às efls. 253/260, contra Acórdão nº 2403001.861 (efls. 238/251) visando sanar as seguintes omissões: a) acerca da aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/91 ao presente caso, introduzido pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009; e b) aplicação do art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial no lançamento de obrigações acessórias. O acórdão embargado foi assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9º da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos créditos lançados para a competência 10/2003 e anteriores, com fulcro no art.150, § 4º do CTN. No Mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do art. 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Com relação à omissão acerca da aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, alega a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. PGFN que: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2301005.061 S2C3T1 Fl. 3 3 Tratasede auto de infração que impôs multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória. O v. acórdão embargado deu parcial provimento ao recurso voluntário para determinar seja recalculado o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, na forma do art. 32A da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09. Com a devida vênia, essa eg. Turma incide em omissão em relação à aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009). A manifestação sobre a aplicação desse dispositivo legal se mostra de suma importância porque, antes das inovações da MP 449, além da lavratura do auto de infração para imposição de multa isolada, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91, também se realizava o lançamento do principal, em NFLD, com incidência da multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91. Continua: O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, recolhendose, contudo, as contribuições destinadas a Seguridade Social. Entretanto, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além de descumprimento da obrigação acessória, tal como ocorre na hipótese destes autos, a multa lançada será única, prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, (...) No que tange à aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,§ 4º do CTN pelo acórdão embargado, a Fazenda sustenta que há "nítida omissão consubstanciada pela inobservância da jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça, firmada em sede de recursos repetitivos, no sentido de que o prazo decadencial das obrigações acessórias é sempre regulado pelo art. 173, I, do CTN". Continua: No presente caso, tratandose de lançamento de multa, por meio de auto de infração, cujo lançamento será sempre de ofício, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I do CTN. ... Para satisfazer a exigência de prequestionamento, fazse mister a manifestação desta Eg. Turma sobre o dissídio jurisprudencial existente, evidenciado pelos precedentes da então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e da Segunda Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF que, no caso de auto de infração (multa), aplicam como termo inicial o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. Assim, nos termos do Regimento Interno do CARF, passase a transcrever a ementa dos acórdãos paradigmas: (...) Fl. 274DF CARF MF 4 Por fim, requer sejam acolhidos, com efeitos modificativos, os presentes embargos de declaração para sanar os vícios apontados, notadamente: (a) seja sanada a omissão, para fins de prequestionamento, para integrar o acórdão recorrido no ponto em que afastou a incidência do art. 173, I, do CTN, em que pese tratarse de obrigação tributária acessória; e (b) que essa eg. Turma se manifeste expressamente sobre a aplicação do art. 35A da Lei n. 8.212/91, de modo a suprir o requisito do prequestionamento, necessário para interposição de recurso especial. Os embargos foram admitidos parcialmente apenas quanto à omissão em relação à aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009), nos termos do Despacho nº 2403010 de efls. 266/267. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora. Os embargos foram opostos tempestivamente, portanto conheço e passo à sua análise, nos limites admitidos pelo Despacho de efls. 266/267. Como explicitado no relatório, tratase de suposta omissão do acórdão embargado acerca da aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De acordo com o art. 65 Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/2015, são cabíveis embargos de declaração, nos seguintes casos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. O lançamento em discussão referese a multa por descumprimento de obrigação acessória (deixar de incluir em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias), em período anterior à alteração legislativa promovida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, nos artigos 32 a 35 da Lei nº 8.212/1991. Sabese que são várias as correntes existentes neste Conselho Administrativo acerca do cálculo aplicável às multas previdenciárias, em decorrência do princípio da retroatividade benigna. Dentre elas podemos destacar a que entende que as multas previstas no antigo art. 35 da lei nº 8.212/1991 seriam consideradas moratórias e o comparativo para fins da retroatividade benigna deveria ser feito com a novel redação do art. 35 (na redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2301005.061 S2C3T1 Fl. 4 5 Ou seja, para essa corrente doutrinária, a multa do antigo art. 35 deve ser limitada a 20% (pela nova redação do mesmo art. 35, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Ao mesmo tempo, para a multa por descumprimento de obrigação acessória, anteriormente prevista no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212/1991, o comparativo deve ser realizado com a nova multa prevista no art. 32A acrescentada na Lei nº 8.212/1991 pela MP nº 449/2008, e depois convertida na Lei nº 11.941/2009, verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Entendo ser esse o posicionamento adotado pela turma prolatora do acórdão ora embargado, conforme se pode verificar do seguinte trecho do voto do relator, Conselheiro Ivacir Júlio de Souza (efls 249/251) DA MULTA Obedecendo aos preceitos legais vigentes , o valor da multa foi apurado na forma do artigo. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, que foi aplicada de dispositivo legal da multa aplicada às fls.02. O § 5°, artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 276DF CARF MF 6 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5º foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DA MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa Fl. 277DF CARF MF Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2301005.061 S2C3T1 Fl. 5 7 que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº. 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/ para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para em PRELIMINAR, com fulcro no § 4° do artigo 150 do Código Tributário nacional – CTN, reconhecer a decadência dos créditos lançados para a competência 10/2003 e anteriores e no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Pela transcrição acima, notase que o entendimento da turma foi no sentido de aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 11.941/2009. Portanto, não se trata de omissão, mas sim do posicionamento da turma de origem, para a qual a multa prevista no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212/1991 (com redação dada pela Lei nº 9.528/1997) deve ser comparada com a nova multa por descumprimento de obrigação acessória introduzida pela MP nº 449/2008 (art. 32A da Lei nº 8.212/1991) Salientese que a adoção pela turma julgadora de posicionamento em determinada matéria contrário ao entendimento adotado pela PGFN não é motivo ensejador da interposição de embargos, devendo ser objeto de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF se presentes os demais requisitos para sua admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do CARF. Com relação à necessidade de rediscussão das matérias apontadas nos Embargos apresentados para fins de cumprimento do requisito de admissibilidade de Fl. 278DF CARF MF 8 prequestionamento da matéria para fins de interposição de Recurso Especial, registrase que tal pressuposto somente é aplicável aos recursos especiais interpostos pelo contribuinte, não alcançando os recursos interpostos pela Fazenda Nacional, a teor do art. 67, § 5º do RICARF, verbis: RICARF Portaria MF nº 343/2015 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. (grifo nosso) Ante o exposto, voto por conhecer dos embargos apresentados, para no mérito, rejeitálos, por inexistência dos vícios apontados pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 279DF CARF MF
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