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Numero do processo: 13896.900846/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.965, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 08 46 /2 01 5- 41 Fl. 120DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.622 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.900846/2015-41 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.622 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.900846/2015-41 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 122DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.622 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.900846/2015-41 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000943/2007-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Volutário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Volutário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Volutário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0812.250, da 4ª Turma da DRJ/FOR, o qual indeferiu a impugnação contra o auto de infração referente à Multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 09 43 /2 00 7- 43 Fl. 135DF CARF MF 2 por atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda retido na Fonte DIRF, relativa ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00, aplicada à Secretaria de Saúde Célula Regional de Sobral (Estado do Ceará). Segue o relatório: 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 04/01/2007 (AR, fls. 12) o contribuinte apresentou impugnação em 02/02/2007 (fls. 01,v; e fl s. 01/06). Alega, em síntese, que: 3.1 a autuação mostrase inconsistente, pois, à luz da legislação fiscal em vigor, verificase que houve apenas um equivoco de interpretação por parte da Administração Tributária Federal, dado que a autuação do órgão do Estado do Ceará não trouxe qualquer prejuízo no tocante ao envio das informações referentes à DIRF em apreço, aliado ao fato de que sempre respeitou as normas então vigentes para o envio de DIRF's pelas pessoas jurídicas de direito público; 3.2 de acordo com o art. 1°, da Instrução Normativa n°493, de 13 de janeiro de 2005, estão obrigadas a apresentar a DIRF, entre o rol de pessoas obrigadas a apresentar o referido documento, as pessoas jurídicas de direito público e não os seus órgãos, porquanto estes não passam, na lição de Celso Antonio Bandeira de Melo, cuja obra indica, de simples repartições de atribuições e nada mais (fls. 02); 3.3 nesse sentido, os órgãos que compõem a administração pública, são desprovidos de personalidade jurídica própria, sendo apenas instrumentos de atuação do ente federativo, no caso, o Estado do Ceará, o qual na condição de pessoa jurídica de direito público interno, tem personalidade jurídica, inclusive para fins da legislação tributária; 3.4 assim, validamente, a partir do anocalendário de 1999, o Estado do Ceará, em cumprimento ao art. 15, inciso I, da Lei no 9.779/99, que transcreve (fls. 02) vinha apresentando as DIRF's de forma consolidada, englobando todos os seus órgãos, utilizando, para tanto o CNPJ da Secretaria da Fazenda (Sefaz); 3.5 houve, portando, boafé do Estado do Ceará ao informar A. Secretaria da Receita Federal o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e os rendimentos pagos ou creditados a todos os seus beneficiários, através do CNPJ da Sefaz, órgão arrecadador e que administra todo o Tesouro Estadual, inclusive efetuando a liberação de valores para pagamento dos servidores públicos e daqueles que detêm créditos junto à administração pública estadual; 3.6 não obstante o auto de infração impugnado, imputar a órgão do peticionário o ônus de apresentar a DIRF intempestivamente, tal fato não ocorreu, pois o Estado do Ceará, por intermédio da Sefaz, já havia informado à SRF, no momento oportuno, valores referentes As retenções do IR de todos os seus servidores e prestadores de serviço; 3.7 com efeito, a DIRF desagregada apresentada pela impugnante, por exigência da SRF, quando se verificou que servidores haviam ficado na malha fina por desconformidade das informações prestadas, apenas reafirmou as informações já anteriormente enviadas pelo Estado do Ceará dentro do prazo legalmente estabelecido; 3.8 devese levar em conta ainda o fato de que a DIRF foi transmitida à SRF no prazo estipulado no art. 8° da INSRF n° 493/2005, ou seja, até As 20:00 horas (horário de Brasília), do dia 28 de fevereiro de 2005; 3.9 dessa forma, não tem sentido penalizar cada órgão do Estado do Ceará, por uma obrigação que foi integralmente adimplida pela pessoa jurídica do Estado. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10380.000943/200743 Acórdão n.º 1001001.317 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim agindo, a SRF penaliza indevidamente o Estado, através da imputação de multa aos seus órgãos, a despeito de ter ele cumprido com a obrigação que lhe competia, considerando, ademais, que a multa imputada a órgão público é efetivamente ônus da pessoa jurídica do Estado, e não do órgão despersonalizado, pois o erário é único na Administração Direta; 3.10 o que ocorreu, assevera, foi uma mudança nos critérios de análise por parte da SRF, conforme noticiado em jornal, sendo certo que a Administração Fazendária federal vinha aceitando as informações enviadas pela Secretaria da Fazenda do Estado com os valores de retenção do IR de todos os servidores públicos do Estado. Todavia, sem nenhuma 4 justificativa, houve mudança de interpretação, para apenas aceitar informações se oriundas de cada órgão que compõe a administração pública estadual, relativamente aos respectivos servidores e prestadores de serviço; 3.1 tal procedimento do Fisco federal ocorreu, ressalta a impugnante, sem que houvesse uma prévia comunicação ao Estado do Ceará, apesar de a entidade, na época própria, ter enviado à Receita Federal a informação exigida, o que contraria, nesse sentido, a existência de previsão legal, segundo a qual, mesmo na hipótese de não se considerar entregue a referida declaração que não atendesse as especificações técnicas estabelecidas pela SRF, o sujeito passivo deveria ser intimado a apresentar nova declaração no prazo de 10 (dez) dias, contados da ciência da intimação, sujeitandose, porém, A multa prevista no inciso I do caput, e observado o disposto nos §§ 1° a 3° (Lei n° 10.426, de 24/02/2002, art. 7°, § 5°); 3.12 finalmente, a INSRF n° 197, de 10/09/2002, reproduz o artigo supracitado e acrescenta, em seu art. 2°, quais irregularidades são sanáveis, entre as quais se destacam a falta de indicação na DIRF, do CPF ou do CNPJ, a não indicação ou indicação incorreta de beneficiário, entre outras (fls. 05); 3.13 assim, a autuação levada a efeito pela Receita Federal violou frontalmente o direito da impugnante, dado que não houve a prévia intimação para prestar esclarecimentos sobre o envio da DIRF, violando, dessa forma, direitos constitucionais garantidos, tais como o contraditório e a ampla defesa, corolários do principio do Devido Processo Legal; 3.14 ademais, traz A colação o Decreto n° 3.048/99, o qual, em seu art. 239, § 9°, isenta de multa as pessoas jurídicas de direito público em relação a atrasos de recolhimento de tributos ou no cumprimento de obrigações acessórias; 3.15 ante o exposto e, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer que a nulidade do referido Auto de Infração. A recorrente tomou ciência da decisão em 01/02/2008 (fl 39) e apresentou o seu recurso voluntário em 15/04/2008 (fl 41). Voto José Roberto Adelino da Silva Relator O recurso foi apresentado após o prazo regulamentar de 30 dias (conforme termo de perempção anexado à fl 40): previsto no art. 33, do Decreto 70.235/72 Fl. 137DF CARF MF 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, o recurso é intempestivo e dele eu não conheço. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720734/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece da parte do recurso voluntário que aborda matéria que foi formalizada em outro processo administrativo e que não tenha qualquer tipo de relação direta com a autuação, por não integrar a lide sob exame.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REGULARIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de mero controle interno da Secretaria da Receita Federal, que visa dar maior segurança à relação fisco-contribuinte.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
Numero da decisão: 2402-007.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas em relação às alegações referentes à classificação indevida de rendimentos na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), para, nessa parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece da parte do recurso voluntário que aborda matéria que foi formalizada em outro processo administrativo e que não tenha qualquer tipo de relação direta com a autuação, por não integrar a lide sob exame. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REGULARIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de mero controle interno da Secretaria da Receita Federal, que visa dar maior segurança à relação fisco- contribuinte. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas em relação às alegações referentes à classificação indevida de rendimentos na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), para, nessa parte conhecida, negar-lhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 34 /2 00 8- 07 Fl. 244DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/BEL, consubstanciada no Acórdão nº 01-16.719 (fl. 164), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 02/10), Exercício 2004, Ano-Calendário 2003, no valor total de R$ 202.293,58, adicionado de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2008. 2. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF. Segundo a descrição dos Fatos: “Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física de 2004, referente ao ano-calendário de 2003, o contribuinte declarou o valor de R$ 761.900,00 como rendimentos isentos e não tributáveis. Na mesma Declaração, registrou ser detentor de 197,350 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, do Capital Social da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA, CNP 01.571.597/000I~97 (/l. 15) Na DIPJ, Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa-Jurídica, constante nos sistemas da Receita Federal do Brasil, da empresa EMPORIO DE METAIS LTDA, do ano-calendário em questão, consignou-se, por sua vez, o pagamento de RS 48.000,00 ao contribuinte, a título de Lucros/Dividendos (fl. 48). Na mesma DIPJ, verificou-se que a tributação da empresa foi o Lucro Presumido com Escrituração por Livro Caixa fl. 49) O contribuinte foi intimado, através do Termo de Início de Fiscalização (fl. 51 e 52), cuja ciência por via postal foi dada em 12 de dezembro de 2007 (fl. 53), a apresentar a documentação comprobatória dos valores recebidos a título de Rendimentos Isentos e Não-Tributáveis, mensalmente, no ano-calendário de 2003, bem como o Livro Caixa da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA. Em atendimento à intimação, o contribuinte, por intermédio de procurador (fl. 85 a 87), apresentou Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, do ano-calendário em questão, onde, no campo Valores Pagos ao Titular ou Sócio, do item Rendimentos Isentos e Não-Tributáveis, verifica-se o valor de R$761.900,00 84). No Livro Caixa da empresa apresentado, constata-se o registro de pagamento, em 30 de dezembro de 2003, como “distribuição de lucro ao Sr. Admilson Agustavo de Almeida ", o valor de R$761.900,00 01. 82). Fl. 245DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuído aos sócios lucros e dividendos, sem incidência do imposto de renda, o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica: bem como a parcela de lucros ou dividendos excedentes a este valor, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que lucro presumido (art. 20 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 10 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, Ato Declaratório Normativo n°4, de 29 de fevereiro de 1996 e art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de dezembro de 1997). Assim, a fim de verificar se a empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA mantém escrituração contábil com observância das leis comerciais e apurou lucro efetivo maior que o lucro presumido, no ano-calendário de 2003, lavrou-se Termo de Intimação Fiscal n°0007 (fl. 88), cuja ciência foi dada por via postal, em 04 de julho de 2008 (ƒl. 89) . Contudo, findou-se o prazo definido sem que o contribuinte apresentasse os Livros Diários e Razão requeridos. Frente à não apresentação dos Livros Diários e Razão no curso da ação fiscal e frente às opções firmadas pela empresa na DIPJ - tributação com base no Lucro Presumido e escrituração através de Livro Caixa ~ constatou-se que a empresa não mantém escrituração contábil e prosseguiu-se a análise do caso tomando-se como base o constante no Livro Caixa e na DIPJ. Reescrevendo em outras palavras, a empresa optante pelo Lucro Presumido, que não possui escrituração contábil em correta observância à Legislação Comercial, mantendo apenas o Livro Caixa para registrar suas operações, o valor do lucro distribuído aos sócios Pessoa Física em determinado período base será considerado isento até o limite da base de cálculo do imposto mensal deduzida dos impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica (IR, inclusive adicional quando devido, CSLL, Cofins e PIS/PASEP). No caso em tela, apurou-se como limite para distribuição de lucro ao contribuinte, no ano-calendário de 2003, como rendimentos isentos, o valor de R$ 26.286,95, conforme descrito a seguir com referências às colunas da Tabela de Valores Consolidados e Demonstrativos de Cálculo. Da Base de Cálculo do Imposto sobre o Lucro Presumido (LP), diminui-se os valores de IR, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, o que resultou no valor de R$ 43.093,36, que representa o limite geral lucros a ser distribuído pela empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA, sem a incidência do imposto de renda, a todos os seus sócios (LG)" 3. Cientificado em 21/07/2008, o contribuinte anexou os documentos de fls. 137/160 (livro diário) e apresentou impugnação, fls. 96/134 em que elenca, em resumo, as seguintes reclamações: a) Não houve classificação indevida de rendimentos na DIRPF, uma vez que a contribuinte apenas fez constar na Declaração Exercício 2003 os lucros auferidos na atividade econômica no ano-calendário 2003; b) A falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do MPF toma nula a autuação; c) A omissão de receita, com base em extrato bancário, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda; d) Merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida. As multas excessivas têm efeito de confisco; A DRJ, por meio do susodito Acórdão nº 01-16.719 (fl. 164), julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 Fl. 246DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 MPF O MPF-Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. A extrapolação no prazo de sua prorrogação não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão exarada pela DRJ, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 175 a 241, reiterando os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. Do Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo. Entretanto, dele conheço parcialmente, pelas razões a seguir expostas. Conforme pontuado no relatório supra, trata-se o presente caso de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, da seguinte infração à legislação tributária: CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS na DIRPF. De fato, nos termos da descrição dos fatos constante no Auto de Infração, tem-se que a fiscalização, considerando que o contribuinte recebeu em 2003 da pessoa jurídica EMPORIO DE METAIS LTDA o valor de R$761.900,00 de lucros distribuídos, verificou-se que: - a parcela de R$26.286,95, que corresponde ao valor limite individual para recebimento de lucros com isenção de imposto, foi corretamente classificada na Declaração de Ajuste 166.544,37 - (24.98l,66 + 22.483,48 + 13.531,72 + 62.454,15) Anual como rendimentos isentos de tributação; - a diferença apurada, entre o recebido e o referido limite individual, no valor de R$ 735.613,05 (R$ 761.900,00 - R$ 26.286,95), não possui os requisitos necessários para se enquadrar na condição de rendimentos isentos de tributação. Assim, a fiscalização enquadra a referida diferença, no valor de R$ 735.613,05, como rendimento tributável. Como se vê, o objeto da presente autuação é claro e específico, referindo-se, como visto, à classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Ocorre que, em sua peça recursal, o Contribuinte aduz razões de defesa que, à toda evidência, não tem qualquer relação com o objeto da presente lide, referindo-se, ao que tudo indica, a uma autuação decorrente da apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Inúmeras são as passagens do recurso voluntário, inclusive Itens inteiros, que se dedicam a combater referida autuação (omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada), conforme se infere dos excertos abaixo reproduzidos: Já no início das “Razões do Recurso Voluntário”, o contribuinte faz menção a número de processo e matéria diversos do presente caso (fls. 177 e 178): Fl. 247DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 Em que pese as razoes, de fato e de direito, apresentadas pela recorrente, nos autos do processo n° 10283.720/2006-65, o r. julgador a quo decidiu pela manutenção do Auto de Infração. A elas se reporta, fazendo parte integrante deste arrazoado. “Quando o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receitas, não está se tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja a disponibilidade econômica a que se refere o artigo 43 do CTN. O efeito da presunção é que, a partir de um fato indiciário, chega-se a um fato que se quer provar a ocorrência”. (destaquei) Às fls. 180 e 181, outro equívoco: erro na identificação da Delegacia da Receita Federal do Brasil responsável pela ação fiscal e também, mais uma vez, do objeto da presente autuação: Em ação de fiscalização realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em JI- PARANÁ, Roraima, supostamente teria a Contribuinte supra cometido a suposta infração de depósitos bancários não-comprovados, divididos em." A - Depósito em Cheque/DOC, B - Depósitos em Dinheiro, em vários períodos, iniciando-se nos anos- calendário de 20003, 2004, 2005 e 2006. (...) Veja-se, ainda, que o próprio Relatório constante dos Autos a autoridade fiscal que conduziu o julgamento da lide, assim asseverou: “11. O objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Ao depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Às fls. 182 e seguintes - PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VICIO FORMAL: AUSÊNCIA DE LEVANTAMENTO FINANCEIRO – Item inteiro dedicado a combater a Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: A suposta prática de “omissão de receitas” não está comprovada, pois falta a exigência legal de se proceder ao levantamento do fluxo financeiro. Leia-se atentamente o caput do art. 528 do RIR/99 (...) Às fls. 184 e seguintes - PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. – Item inteiro dedicado a combater a Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: Em razão deste equívoco insanável, todos os depósitos efetivados a partir dessa data foram considerados como "depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, a autoridade fiscal, não fez nenhum Termo de Desconsideração da Operação, glosou o imposto à revelia do Contribuinte, não oferecendo o direito de defesa e do contraditório agasalhados pela Carta Política vigorante. Às fls. 188 e seguintes - DA IMPROCEDÊNCIA E DA ILEGALIDADE DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Item inteiro dedicado a combater a Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Às fls. 204 e seguintes - PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO FORMAL. – Parte Final (fls. 231 e 214) dedicada a combater a Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: Fl. 248DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 A questão que enseja também, o deferimento da Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa, suscitada pelo Impugnante, que tem fundamento na dicção do § 3°, Inciso i, do art. 42, da Lei 9.430/96, que assim estabelece (...). Às fls. 215 e seguintes - DO ERRO DE FATO NO LEVANTAMENTO – Item inteiro dedicado a combater a Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: Destarte, o Fisco intimou, preparou e lavrou o Auto de infração, ora profligado, à revelia dos ditames da Lei Fundamental e das leis infraconstitucionais. Na verdade, houve erro de fato no levantamento, nos valores constante do ANEXO DO AUTO DE INFRAÇÃO - Relação de Créditos/Depósitos Bancários com Origem não Comprovada) pois os valores constantes do presente anexo na sua maioria são valores decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica, observado que não serão considerados como tributáveis". Às fls. 220 e seguintes – OFENSA AO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. – Parte Final (fls. 238 e 239) dedicada a combater a Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: Indo ao puctum dolens, a Fiscalização, antes de lançar de ofício e multar, deveria ter produzido provas da efetiva ocorrência dos ilícitos que entende foram praticados pelo Recorrente. Isso exigiria uma série de cuidados que, venia concessa, não foram tomados. Um deles seria analisar, meticulosamente, cada um dos depósitos bancários efetivados na conta do recorrente, aferir os contratos firmados entre os emitentes dos cheques e o Recorrente: nunca operar por amostragem, 'fisgando' casos que aparentemente (e só aparentemente) vêm ao encontro de suposições, teses; tampouco substituir os critérios legais pelos próprios, de cunho eminentemente subjetivo; muito menos contentar-se com simples indícios, sem maior preocupação em prova-los cabalmente. Às fls. 231 e seguintes – INEXISTÊNCIA DE FRAUDE COMETIDA PELO IMPUGNANTE – Item inteiro dedicado a combater a aplicação de multa agravada no patamar de 150%: De fato, a fiscalização não pode simplesmente alegar fraude, sem provar o "evidente intuito", ou dolo específico, o qual é exigido como condição sine qua non para a caracterização da fraude e a aplicação da multa de ofício agravada de 150%. Como se vê, as matérias recursais em destaque não dizem respeito à autuação em análise, cujo objeto, conforme já exposto linhas acima, refere-se única e exclusivamente à classificação indevida de rendimentos na DIRPF, não tendo sido aplicada, no caso concreto, a multa agravada de 150%. Neste contexto, os argumentos lançados na peça recursal nos itens destacados linhas cima não podem ser objeto de análise neste Colegiado, por se tratarem de matérias estranhas aos autos. Das Demais Razões Recursais No que tange às demais razões de defesa objeto do recurso voluntário, ora conhecidas (a saber: Itens 6, 7, 4 (parte) e Da Moralidade Administrativa (parte)), verifica-se que o Contribuinte se limitou a reiterar o quanto aduzido na impugnação apresentada. Fl. 249DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 Neste contexto, considerando que não foram apresentadas novas razões de defesa perante esta segunda instância administrativa e que as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância está em consonância com entendimento deste relator, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, in verbis: A impugnação é tempestiva, vez que foi apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, como previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido pode distribuir aos sócios lucros e dividendos, sem incidência do imposto de renda, valor equivalente á base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita; bem como a parcela de lucros ou dividendos excedentes a este valor, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que lucro presumido (art. 20 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 10 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, Ato Declaratório Normativo n°4, de 29 de fevereiro de 1996 e art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de dezembro de 1997). Neste intuito o Impugnante traz documentos de fls. 137/160 (livro diário). Em respeito ao disposto no Decreto Lei n. 486, de 3 de março de 1969, o livro diário escriturado por processo mecanizado ou informatizado, após sua utilização, deve conter, na primeira e última folhas, os respectivos Termos de Abertura e de Encerramento, devidamente assinados por profissional habilitado e pelo dirigente de empresa, devendo ser encadernado e registrado na Junta Comercial ou no Cartório em que estiverem arquivados os atos constitutivos. Como não há autenticação efetuada pela competente Junta, deixamos de apreciar tais documentos. No que se refere à alegação sobre o não cumprimento de disposição regulamentar sobre 0 Mandado de Procedimento Fiscal (ciência de prorrogação), mesmo entendendo que tal exigência foi cumprida, importante destacar que entendo não ser esta alegação causa para a anulação por vício formal de qualquer auto de infração. Isto porque o MPF sozinho não é suficiente para demarcar o inicio do procedimento fiscal, o que reforça o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas formais com o MPF, não teriam como efeito tomar inválidos os trabalhos de fiscalização desenvolvidos (por isso não estariam contrariados os amigos 104, III, e 166, IV, do Código Civil), nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados. O MPF, primordialmente, presta-se como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco- contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Neste sentido os seguinte acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho de Contribuintes: “Número do Recurso 107-131369 Turma PRIMEIRA Número do Processo 10746. 000994/2001-93 Acórdão CSRF/01-05.189 Data da Sessão 14/03/2005 08:30:00 MPF - FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR - NULIDADE - INOCORRÊNCIA - O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado”. “Número do Recurso 141357 Fl. 250DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 Acórdão 103-21933 IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF -Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. A extrapolação no prazo de sua prorrogação não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento”. “Número do Recurso 139359 Acórdão 101-95208 NULIDADE - INEXISTÊNCIA - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - PRORROGAÇÃO - REGISTRO ELETRÔNICO NA INTERNET- A prorrogação do MPF, à luz do que determina o artigo 13 da Portaria 3007/2001, se dá mediante registro eletrônico, disponível na Internet”. “Número do Recurso 123381 ACÓRDÃO 203-09205 NORMAS PROCESSUAIS - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF, primordialmente, presta-se como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação F isco-contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o ínicio do procedimento fiscal, o que reforça o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com o MPF, não teria como efeito tornar inválido os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados. A prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso ao qual se nega provimento”. O prazo de trinta dias para apresentação da impugnação, instruída com os documentos em que se fundamentar, dado ao contribuinte, é uma determinação legal E esta a previsão do art. 15 do Decreto 70.235/72: “Art. 15. A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias. contados da data em que for feita a intimação da exigência. " No que se refere à alegação de inconstitucionalidade de leis é princípio assente na doutrina pátria o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma Lei ou Decreto porque lhes pareça inconstitucional, já que leis emanadas do Poder competente gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta só elidida pelo Poder Judiciário. A pretensão de ver afastada a incidência da multa de ofício, sob o fundamento de inconstitucionalidade e ilegalidade, não é oponível na instância julgadora administrativa. Calha gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/90), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN), não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece ser de 75% a penalidade calculada sobre o tributo recolhido fora do vencimento e sem 0 acréscimo da multa moratória (inc. II do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96). Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142, acima citado, a autoridade fiscal encontra-se restrita ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, de que a multa seria confiscatória, uma vez que às Fl. 251DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.528 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720734/2008-07 autoridades julgadoras administrativas cabe simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929981/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE)
Data do fato gerador: 13/04/2006
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. A mera retificação de DCTF, realizada posteriormente à ciência do despacho decisório e desacompanhada de documentação contábil e fiscal que a sustente, não tem o condão de reverter o despacho decisório que denegou a compensação.
Numero da decisão: 9303-008.905
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) Data do fato gerador: 13/04/2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. A mera retificação de DCTF, realizada posteriormente à ciência do despacho decisório e desacompanhada de documentação contábil e fiscal que a sustente, não tem o condão de reverter o despacho decisório que denegou a compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de CIDE. A DERAT em São Paulo emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago pela DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 99 81 /2 00 9- 19 Fl. 230DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.905 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.929981/2009-19 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o reconhecimento do direito creditório pleiteado. A DRJ competente julgou improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, repisando, em essência, as razões apresentadas na impugnação, em apertado resumo: alega carência de fundamentação do despacho decisório, prejudicando o contraditório e a ampla defesa; não considerar a existência de mero equívoco material no preenchimento de DCTF original, sem a análise cautelosa do Fisco, importa violação dos princípios da estrita legalidade, verdade material, razoabilidade e proporcionalidade; e o escorreito procedimento de compensação dos créditos da CIDE não pode ser afastado com base num equívoco na identificação do saldo a restituir, uma vez retificada a DCTF, para isso junto ao recurso voluntário acosta documentação comprobatória. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-004.868, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência onde suscita divergência com relação ao ônus da prova. Para tal divergência, o sujeito passivo esgrime o aresto paradigma de nº 3302- 01.406, no qual se entende que a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original, cabendo ao fisco o ônus de infirmar o direito creditório decorrente dos dados nela declarados. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento negou seguimento ao recurso, face a ausência de demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente. Agravo da contribuinte Cientificada do resultado do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo à Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. A agravante reafirma a existência de similaridade fática entre os casos analisados no paradigma e no recorrido, contudo, para o acórdão a quo, dá- se relevo ao art. 147 do CTN enquanto no paradigma o que se destaca é aplicação da Medida Provisória nº 2.189-49, quanto aos efeitos da DCTF retificadora. Haveria aplicação divergente dos princípios da ampla defesa e da verdade material, somente observado no acórdão paradigma,. A Presidente da CSRF, acolheu parcialmente o agravo para determinar o retorno dos autos à 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento para exteriorização do juízo de admissibilidade do recurso especial acerca da matéria "ônus da prova dos fatos consignados em DCTF retificadora". Fl. 231DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.905 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.929981/2009-19 O despacho de admissibilidade foi reapreciado, sendo-lhe dado seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.902, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.920506/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.902): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Nessa quadra, penso que os argumentos da Procuradora tem a mesma natureza daqueles utilizados no despacho de e-fls. 157 a 160, no qual entendi pelo não conhecimento do recurso especial de divergência do sujeito passivo. Contudo, aquela posição restou ultrapassada, tendo em vista a análise do agravo de instrumento da contribuinte e o despacho de e-fls. 196 a 201, que a ele se seguiu. Por essa razão, voto por conhecer o recurso especial do sujeito passivo. Mérito No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento,me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar o princípio da verdade material apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74)e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Note-se que a contribuinte somente apresentou DCTF retificadora em 11/03/2009 (e-fl. 90) e não trouxe aos autos qualquer documentação contábil e fiscal que levasse ao afastamento do que ela própria declarou em sua DCTF original, declaração documento que tem natureza constitutiva, conforme já reconhecido pelo STJ, e não meramente declaratória, pois é confissão de dívida (Decreto-lei nº 2.124/1984) e pode levar diretamente à execução dos débitos nela declarados. Entendo que a produção de provas ainda mais extemporâneas, deveria atender aos requisitos postos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, contudo, se a contribuinte pretende infirmar o débito, poderia, ao menos em sede de recurso voluntário, trazer algum elemento de prova neste sentido; Fl. 232DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.905 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.929981/2009-19 não o fez. O julgador a quo, não vendo qualquer indício que o levasse a discordar do despacho decisório exarado, ou da decisão da DRJ, manteve a decisão de piso. Aliás, já na decisão recorrida o relator bem abordou a questão, e tomo como razão de decidir excertos (e-fls. 104 a 107) do voto do acórdão nº 3402-004.849, exarado no julgamento do recurso voluntário do processo 10880.679805/200912, também utilizado como fundamento no acórdão recorrido, por isso abaixo os transcrevo: A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". (...). No entanto, verifica-se que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limita-se alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovê-las. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Fl. 233DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.905 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.929981/2009-19 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprise-se que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: (...) Percebe-se que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecer-lhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. (Destaques do original) Por essas razões, considero improcedente o recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para que se considere improcedente o recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Fl. 234DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.905 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.929981/2009-19 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 13123.000473/2008-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO PREVIDÊNCIA OFICIAL. COMPROVAÇÃO.
A dedução da base de cálculo do IRPF de despesas com previdência oficial somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO IRF. COMPROVAÇÃO.
A dedução do IRPF devido com o imposto retido na fonte fica sujeita à comprovação da retenção mediante documento emitido pela fonte pagadora, e limita-se aos valores correspondentes aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 2001-001.401
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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COMPROVAÇÃO. A dedução da base de cálculo do IRPF de despesas com previdência oficial somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO IRF. COMPROVAÇÃO. A dedução do IRPF devido com o imposto retido na fonte fica sujeita à comprovação da retenção mediante documento emitido pela fonte pagadora, e limita-se aos valores correspondentes aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, ano-calendário de 2005, em que foram glosadas deduções a título de contribuição previdenciária oficial e imposto de renda retido na fonte, por falta de comprovação, a juízo da autoridade lançadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 00 04 73 /2 00 8- 28 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.401 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13123.000473/2008-28 Do campo "descrição dos fatos e enquadramento legal” do documento de lançamento: Dedução Indevida de Previdência Oficial Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.º 3.000/99 - RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas a comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação ate a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 40.248,61, deduzido indevidamente a titulo de Contribuição á Previdência Oficial, por falta de comprovação. ... Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 25.407,53, indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, conforme discriminado abaixo: ..." Conforme se extrai do acórdão da DRJ em Brasília/DF (fls. 30 e segs.), o contribuinte apresentou impugnação onde alega não ter recebido qualquer intimação, que as informações são devidas pelas fontes pagadoras por meio da DIRF, e anexa documentos comprobatórios. Transcrito do acórdão: "Relativamente à contribuição à previdência oficial referente à fonte pagadora Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Tocantins, no valor de R$ 1.980,95, a consulta à DIRF da fonte pagadora em questão (fls. 29) comprova a dedução em valor exato ao declarado pelo requerente em sua declaração de ajuste. Dessa forma, cancela-se a glosa do valor correspondente. Com relação às glosas de previdência oficial e IRRF relativos à Secretaria de Transporte e Obras do Estado do Tocantins , segundo os documentos acostados aos autos (fls. 10/12), verifica-se que o contribuinte foi beneficiário de rendimentos decorrentes do processo trabalhista nº 0005-1998-821-10-00-7, movido contra a fonte pagadora em questão. Consoante o Alvará de fls. 12, expedido de 29/04/2005, o contribuinte recebeu o valor líquido de R$ 128.797,67. Ainda conforme o referido Alvará a reclamada deveria proceder o recolhimento previdenciário do valor de R$ 35.178,93. O segundo Alvará (fls. 10), expedido em 07/07/2005, ordena o recolhimento previdenciário da importância de R$ 3.088,73 e do recolhimento do Imposto de Renda no valor de R$ 25.407,53. O DARF de fls. 11 confirma o recolhimento do IRRF no montante solicitado em 13/07/2005. Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.401 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13123.000473/2008-28 Ocorre que, no tocante a ambos os recolhimentos previdenciários, não há qualquer distinção sobre que parcelas desses montantes se referem às cotas do empregador e do empregado, respectivamente. Assim, sem que o contribuinte tenha carreado aos autos qualquer documento que comprovasse de maneira inequívoca qual é a parte da contribuição à previdência oficial que se refere ao empregado, dedutível, mantém-se integralmente a glosa relativa a esta dedução. Dessa forma, tem-se que o rendimento tributável bruto recebido pelo impugnante importa em R$ 154.205,20, correspondente à recomposição do rendimento líquido (R$ 128.797,67) com o IRRF (R$ 25.407,53). Portanto, a importância de R$ 154.205,20 perfaz o montante tributável a ser levado para o cálculo do ajuste anual da declaração relativa ao exercício de 2006, ano- calendário 2005. Entretanto, segundo consta da DIRPF/2006 apresentada pelo contribuinte (fls. 24/26), parte dos rendimentos tributáveis foi omitida, uma vez que o total informado pelo contribuinte, como rendimento tributável recebido daquela fonte pagadora foi de R$ 119.113,90. ... O impugnante, embora tenha auferido rendimentos tributáveis no montante de R$ 154.205,20, conforme comprovado pelos documentos constantes do processo, somente ofereceu à tributação a quantia de R$ 119.113,90. Assim, em observância à legislação transcrita, há de se restabelecer somente o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos efetivamente incluídos na base de cálculo, quais sejam, R$ 119.113,90. Desse modo, restabelece-se como compensação a título de IRRF o montante de R$ 19.625,73, mantendo-se a glosa do valor remanescente." A turma julgadora da DRJ concluiu então pela procedência em parte da impugnação, para restabelecer a contribuição à previdência oficial de R$ 1.980,95 e a compensação de IRRF no montante de R$ 19.625,73. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de fls. 45 e segs. por meio do qual requer a improcedência do lançamento. Reclama que o julgador de primeira instância deixou de acatar o valor de R$ 7.647,59 referente à cota previdenciária descontada do reclamante (parte do empregado) no processo trabalhista movido contra a Secretaria de Transporte e Obras do Estado do Tocantins; alega que o valor recebido no referido processo informado a menor na declaração decorreu de despesas com advogado que descontou, e cujos pagamentos por erro material deixou de declarar; insurge-se contra a glosa parcial do IRRF, sob o argumento de que não havia sido apontada omissão de receita na notificação de lançamento, e sim glosa de despesas; anexa dois recibos de pagamentos de honorários advocatícios por serviços prestados relativos ao processo trabalhista. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.401 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13123.000473/2008-28 Em síntese, o recorrente, em recurso voluntário, pleiteia seja restabelecido o valor de R$ 7.647,59 a título de contribuição à previdência oficial referente a Secretaria de Transporte e Obras do Estado do Tocantins, e insurge-se contra a redução de R$ 25.407,53 para R$ 19.625,73 no valor do IRRF compensado. IRRF - redução de R$ 25.407,53 para R$ 19.625,73 Quanto à dedução do imposto de renda retido na fonte, esta só é possível se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme expresso no art. 87, IV, § 2º, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99: “Art.87.Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV- o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55).” O contribuinte apresenta cópia do alvará nº 559/2005 (fl. 10), da Vara do Trabalho de Gurupi/TO, expedido em 07/07/2005, no qual se determina o recolhimento do IRRF, no valor de R$ 25.407,53, relativo ao processo trabalhista em questão, bem como guia DARF com o respectivo pagamento. É esse o valor pleiteado pelo recorrente para utilização como dedução do imposto devido em sua DIRPF. Em análise da impugnação apresentada, a turma da DRJ verificou que o valor declarado pelo contribuinte de rendimentos tributáveis decorrentes do processo trabalhista, R$ 119.113,90, é inferior ao constante do alvará nº 322/2005 (fl. 12), da mesma Vara do Trabalho, de fls. 12, expedido de 29/04/2005, em que se determina o pagamento R$ 128.797,67 ao reclamante na ação. Ainda da decisão da DRJ, o valor correto a ser oferecido à tributação teria sido então R$ 154.205,20 (R$ 128.797,67 líquido recebido + R$ 25.407,53 do IRRF). Diante disso, a DRJ adequou o valor do IRRF a ser deduzido na declaração de ajuste ao valor dos rendimentos tributáveis efetivamente declarados, reduzindo-os de R$ 25.407,53 para R$ 19.625,73, conforme explicado na parte “Relatório” deste acórdão. Contra essa glosa parcial do valor do IRRF compensado, o recorrente alegou, em sede de recurso voluntário, que por erro material decorrente de desconhecimento da forma de preenchimento da declaração, deixara de informar pagamentos de honorários advocatícios no valor de R$ 36.697,51, exatamente o valor que deduziu do rendimento tributável recebido na ação trabalhista. Para comprovar o alegado, anexou dois recibos emitidos pela advogada Dra. Gisseli Bernardes Coelho, que citam a ação trabalhista em comento, datados de 13/05/2005 (R$ 32.370,56) e 25/07/2005 (R$ 4.326,95), totalizando R$ 36.607,51. Após análise dos argumentos apresentados e da documentação acostada (recibos), entendo que não deve prosperar a pretensão do contribuinte de justificar os valores declarados a menor com os alegados pagamentos de honorários advocatícios. Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.401 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13123.000473/2008-28 Cabe ressaltar que conforme preceitua o Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 (Decreto n.o 3.000, de 26 de março de 1999): “Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).(grifei) §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º).” Não se trata aqui de questionar a idoneidade dos documentos apresentados, mas tem-se que, simples recibos, trazidos somente na segunda instância julgadora administrativa, não podem ser considerados suficientes, por si só, para fazer prova absoluta dos efetivos pagamentos para a finalidade que se pretende, mormente tendo-se a significância dos valores e o fato de não terem sido declarados em DIRPF. Ademais, não se pode deixar de apontar que a falta de informação na DIRPF de pagamentos efetuados a pessoas físicas sujeitam o declarante a multa de 20% sobre o valor do pagamento omitido, conforme preceituam os dispositivos abaixo, transcritos do RIR/99: “Art.930.As pessoas físicas deverão informar à Secretaria da Receita Federal, juntamente com a declaração, os rendimentos que pagaram no ano anterior, por si ou como representantes de terceiros, constituam ou não dedução, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que os receberam (Decreto-Lei nº 2.396, de 21 de dezembro de 1987, art. 13). Parágrafo único. A infração ao disposto neste artigo importará na aplicação da multa prevista no art. 967. ... Art.967.A falta de informação de pagamentos efetuados na forma do art. 930 sujeitará o infrator à multa de vinte por cento do valor não declarado ou de eventual insuficiência.” Entretanto, não cabe a esta turma julgadora do CARF agravar o lançamento a partir de infrações não apontadas na notificação fiscal. Finalmente, quanto à observação do recorrente de que “o lançamento suplementar originou da glosa de deduções e não de omissão de receita, por isso, improcede a glosa do IRRF, devendo ser compensado o valor total já retido”, frisa-se que a DRJ não computou crédito tributário decorrente de omissão de receita e sim, conforme já mostrado, restabeleceu, de forma correta, os valores do IRRF compensado, entretanto adequando-os aos valores do rendimento declarado e oferecido à tributação pelo contribuinte. Entendo então correta e mantenho a decisão da DRJ de restabelecer a compensação com o IRRF, entretanto reduzindo o valor deduzido de R$ 25.407,53 para R$ 19.625,73. Glosa de dedução de contribuição para a previdenciária oficial Da Lei 9.250/95: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.401 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13123.000473/2008-28 ... d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; ...” O contribuinte requer o restabelecimento do valor de R$ 7.647,59 a título de contribuição para a previdência oficial, relativo à ação trabalhista em que foi reclamada a Secretaria de Obras do Estado do Tocantins. O valor de fato consta do já citado Alvará 322/205, no qual se determina o recolhimento previdenciário de R$ 35.178,93, resultado da soma de R$ 27.531,34 (INSS parte do empregador) mais R$ 7.647,59 (parte do empregado), de acordo com os valores discriminados no Ofício 0139/2002, de 12/06/2002, do Exmo. Sr. Juiz do Trabalho de Gurupi/TO ao Exmo. Sr. Juiz Presidente do TRT da 10ª Região (fl. 54). Ocorre que, no mesmo ofício 0139/2002, temos: “... tramitam por este Juízo os autos do processo em epígrafe, ora em fase de Execução de Sentença, tendo como partes: exequente e executado acima citados, sendo o último devedor da importância de R$ 200.268,78 (...) abaixo discriminada, conforme decisão transitada em julgado ... : Verba Valor (R$) Crédito líquido do exequente 161.852,79 Custas processuais 3.237,06 INSS (cota parte do empregado) 7.647,59 INSS (cota parte do empregador | SAT | terceiros) 27.531,34 Total atualizado até 22.05.2002 200.268,78 No Alvará 322/2005, de 29/05/2005, é determinada ao Banco do Brasil a transferência da importância de R$ 200.268,78, “acrescida de juros e correção monetária”, da agência de Palmas para a agência de Gurupi/TO. Verificamos, assim, que coube ao recorrente, conforme consta dos citados documentos acostados aos autos, o valor líquido de R$ 161.852,79, mais juros e correção monetária. A esse valor se somaram custas processuais e o INSS total (parte do empregador e do empregado) para determinação do montante devido pela reclamada, a Secretaria de Obras de Tocantins. Logo, não consta que o INSS tenha sido subtraído ou retido do valor de R$ 161.852,79 mais correção devido ao exequente (valor de 22.05.2002). Do Alvará 322/2005 temos a ordem judicial para que se libere ao reclamante a importância de R$ 128.797,67. Posteriormente, o Alvará 599/2005 contém a ordem para liberação ao reclamante do “saldo remanescente da importância depositada”. Temos então, dos números acima, que o rendimento de R$ 119.113,90 oferecido pelo contribuinte à tributação em sua DIRPF, relativos à ação trabalhista em questão, não contém qualquer parcela de contribuição à previdência oficial que pudesse ser deduzida na declaração de ajuste anual. Desta forma, não merece reforma a decisão da DRJ no sentido de manter a glosa integral dos valores deduzidos a título de contribuição à previdência oficial decorrentes da ação trabalhista em face da Secretaria de Obras do Estado do Tocantins, no valor de R$ 38.267,66. Fl. 72DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-001.401 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13123.000473/2008-28 CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que seja mantida a glosa parcial da compensação com o IRRF e mantida a glosa total da dedução da contribuição para a previdência oficial decorrentes da ação trabalhista em face da Secretaria de Obras do Estado do Tocantins, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.998313/2009-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE)
Data do fato gerador: 14/03/2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. A mera retificação de DCTF, realizada posteriormente à ciência do despacho decisório e desacompanhada de documentação contábil e fiscal que a sustente, não tem o condão de reverter o despacho decisório que denegou a compensação.
Numero da decisão: 9303-008.907
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) Data do fato gerador: 14/03/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. A mera retificação de DCTF, realizada posteriormente à ciência do despacho decisório e desacompanhada de documentação contábil e fiscal que a sustente, não tem o condão de reverter o despacho decisório que denegou a compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de CIDE. A DERAT em São Paulo emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago pela DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 83 13 /2 00 9- 23 Fl. 280DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.907 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.998313/2009-23 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o reconhecimento do direito creditório pleiteado. A DRJ competente julgou improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, repisando, em essência, as razões apresentadas na impugnação, em apertado resumo: alega carência de fundamentação do despacho decisório, prejudicando o contraditório e a ampla defesa; não considerar a existência de mero equívoco material no preenchimento de DCTF original, sem a análise cautelosa do Fisco, importa violação dos princípios da estrita legalidade, verdade material, razoabilidade e proporcionalidade; e o escorreito procedimento de compensação dos créditos da CIDE não pode ser afastado com base num equívoco na identificação do saldo a restituir, uma vez retificada a DCTF, para isso junto ao recurso voluntário acosta documentação comprobatória. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-001.673, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência onde suscita divergência com relação ao ônus da prova. Para tal divergência, o sujeito passivo esgrime o aresto paradigma de nº 3302- 01.406, no qual se entende que a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original, cabendo ao fisco o ônus de infirmar o direito creditório decorrente dos dados nela declarados. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento negou seguimento ao recurso, face a ausência de demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente. Agravo da contribuinte Cientificada do resultado do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo à Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. A agravante reafirma a existência de similaridade fática entre os casos analisados no paradigma e no recorrido, contudo, para o acórdão a quo, dá- se relevo ao art. 147 do CTN enquanto no paradigma o que se destaca é aplicação da Medida Provisória nº 2.189-49, quanto aos efeitos da DCTF retificadora. Haveria aplicação divergente dos princípios da ampla defesa e da verdade material, somente observado no acórdão paradigma,. A Presidente da CSRF, acolheu parcialmente o agravo para determinar o retorno dos autos à 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento para exteriorização do juízo de admissibilidade do recurso especial acerca da matéria "ônus da prova dos fatos consignados em DCTF retificadora". Fl. 281DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.907 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.998313/2009-23 O despacho de admissibilidade foi reapreciado, sendo-lhe dado seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.902, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.920506/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.902): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Nessa quadra, penso que os argumentos da Procuradora tem a mesma natureza daqueles utilizados no despacho de e-fls. 157 a 160, no qual entendi pelo não conhecimento do recurso especial de divergência do sujeito passivo. Contudo, aquela posição restou ultrapassada, tendo em vista a análise do agravo de instrumento da contribuinte e o despacho de e-fls. 196 a 201, que a ele se seguiu. Por essa razão, voto por conhecer o recurso especial do sujeito passivo. Mérito No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento,me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar o princípio da verdade material apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74)e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Note-se que a contribuinte somente apresentou DCTF retificadora em 11/03/2009 (e-fl. 90) e não trouxe aos autos qualquer documentação contábil e fiscal que levasse ao afastamento do que ela própria declarou em sua DCTF original, declaração documento que tem natureza constitutiva, conforme já reconhecido pelo STJ, e não meramente declaratória, pois é confissão de dívida (Decreto-lei nº 2.124/1984) e pode levar diretamente à execução dos débitos nela declarados. Entendo que a produção de provas ainda mais extemporâneas, deveria atender aos requisitos postos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, contudo, se a contribuinte pretende infirmar o débito, poderia, ao menos em sede de recurso voluntário, trazer algum elemento de prova neste sentido; Fl. 282DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.907 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.998313/2009-23 não o fez. O julgador a quo, não vendo qualquer indício que o levasse a discordar do despacho decisório exarado, ou da decisão da DRJ, manteve a decisão de piso. Aliás, já na decisão recorrida o relator bem abordou a questão, e tomo como razão de decidir excertos (e-fls. 104 a 107) do voto do acórdão nº 3402-004.849, exarado no julgamento do recurso voluntário do processo 10880.679805/200912, também utilizado como fundamento no acórdão recorrido, por isso abaixo os transcrevo: A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". (...). No entanto, verifica-se que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limita-se alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovê-las. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Fl. 283DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.907 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.998313/2009-23 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprise-se que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: (...) Percebe-se que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecer-lhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. (Destaques do original) Por essas razões, considero improcedente o recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para que se considere improcedente o recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Fl. 284DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.907 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.998313/2009-23 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 13826.000250/00-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1993 a 30/09/1995
PAGAMENTO. SUFICIÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Pagamentos realizados em suficiência para saldar os débitos apurados no período extinguem o crédito tributário.
Numero da decisão: 3401-006.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1993 a 30/09/1995 PAGAMENTO. SUFICIÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Pagamentos realizados em suficiência para saldar os débitos apurados no período extinguem o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 02 50 /0 0- 70 Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.703 2 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. 2. Transcrevo o relatório da r. DRJ, complementandoo ao final com o necessário. Tratase de manifestação de inconformidade contra a cobrança das contribuições ao PIS, à Cofins e à CSLL, relativas aos períodos de 07/93 a 12/98; em virtude do indeferimento da compensação efetuada pelo interessado com valores recolhidos a título de PIS na sistemática estabelecida pelos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, dos períodos de apuração compreendidos entre julho de 1993 a setembro de 1995, declarados em DCTF como suspensos por medida judicial. As compensações foram efetuadas com suporte em autorização judicial que reconheceu à contribuinte o direito de efetuar a compensação. A ARF/Assis informou que o contribuinte teria efetuado os pagamentos sob a sistemática dos Decretoslei n° 2445/88 e 2449/88, e a compensação foi realizada ao amparo da Medida Cautelar n° 94.00113030 e Ação Declaratória n° 94.00146485. A ARF/Assis informou também que após os cálculos de conferência de compensação dos créditos apurados, conforme planilha e darf s apresentados pelo contribuinte, "constatouse serem suficientes para quitação dos débitos". Entretanto, o processo foi encaminhado ao Grupo de Medidas Judiciais Grumj, que discordou do entendimento da ARF/Assis, e concluiu pela inexistência de valores a compensar a título de PIS. Em seu relatório o Grumj informou que "apesar de o contribuinte ter obtido judicialmente o direito de compensar eventual crédito oriundo de pagamentos indevidos, tal crédito inexiste pela inexistência de recolhimentos indevidos. Isto porque a decisão judicial declarou devida a Contribuição ao PIS em conformidade com a LC n° 07/70 e comparandose os valores devidos com os valores recolhidos, relativos aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1989 a junho de 1993, constatouse que, em alguns períodos houve recolhimentos a maior e em outros houve recolhimentos a menor, sendo que o saldo apurado foi negativo, ou seja os valores pagos a menor foram superiores aos valores pagos a maior, resultando na inexistência de crédito a favor do contribuinte, conforme demonstrativos de cálculos de fls. 313 a 352. Tanto nos cálculos feitos pelo contribuinte (fls. 117 a 119) como pela ARF/Assis(fls. 241 a 277), foram considerados como indevidos os valores totais dos pagamentos efetuados, sem levar em consideração os valores devidos em conformidade com a Lei Complementar n° 07/70, apurandose assim um crédito inexistente. " Regularmente cientificada, apresentou a impugnação de fls.364 a 429, onde em síntese insurgese contra a exigência fiscal, pois, alega que tais valores foram objeto de compensação efetuada em conformidade com autorização judicial obtida através de medidas judiciais, Ação Declaratória n° 94.00146485, relacionada à Ação Cautelar n° 94.00113030. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.704 3 Alega que não houve um lançamento tributário nos moldes exigidos pela legislação tributária, respeitando os requisitos impostos pelos arts. 9º e 10° do Decreto n° 70.235/72, que sustentasse a pretensão do Fisco federal. Após tecer extenso comentário sobre a decadência e a prescrição, alega que o suposto crédito tributário encontrase extinto pelo instituto da decadência, quer pela regra geral estampada no art. 173, I, do CTN, quer pela homologação como previsto no art. 150, IV, do mesmo diploma legal. Contesta o regime de apuração e recolhimento do PIS adotado pela fiscalização, pois, por se tratar de empresa preponderantemente prestadora de serviços, o PIS somente poderia ser cobrado nos termos da Lei Complementar n° 07/70, nas formas de PIS dedução e PIS repique. Aduz que o fisco utilizou como base de cálculo a receita operacional bruta, ou seja, a base de cálculo estabelecida pelos Decretoslei n°s 2.445/88 e 2.449/88, e não o faturamento, conforme estabelecido pela Lei Complementar n° 07/70, com as alterações da Lei Complementam0 17/73. Requer a realização de produção de prova pericial contábil, indicando o perito e formulando os quesitos que pretende respondidos. Solicita que todas as intimações relativas ao presente processo sejam feitas exclusivamente em nome de Raquel Elita Alves Preto Villa Real. 3. A r. DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 04/04/1998 a 31/12/1998 Ementa: FUNDAMENTO LEGAL. Em face da suspensão da execução dos Decretoslei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, por meio da Resolução n° 49, de 09 de outubro de 1995, do Senado Federal, a contribuição para o PIS tornouse devida nos termos da Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulteriores alterações legais, até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, em I o de março de 1996. BASE DE CÁLCULO. A partir de I o de março de 1996, a contribuição para o PIS passou a ser devida de conformidade com a Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, que elegeram como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/04/1998 a 31/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a exigência da contribuição à Cofins, ao PIS e à CSLL é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. MOTIVOS. São prescindíveis as diligências e as perícias, nas questões cuja elucidação dependa apenas da apresentação de documentos. INTIMAÇÃO. SUJEITO PASSIVO 1 Dada a existência de determinação legal expressa, nesta fase do processo as notificações e intimações devem ser emitidas em nome do sujeito passivo da obrigação tributária. Solicitação Indeferida Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.705 4 4. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que relata que tais valores foram objeto de compensação efetuada em conformidade com autorização judicial obtida através de medidas judiciais, Ação Declaratória n° 94.00146485, relacionada à Ação Cautelar n° 94.00113030. 5. Aduz preliminarmente a nulidade do acórdão recorrido em razão da falta de produção de prova pericial, quanto à documentação da empresa, de forma a ficar incontestavelmente que a totalidade de suas receitas advém de prestação de serviços. 6. Aduz ainda a decadência dos créditos tributários pleiteados pelo fisco. Que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 45 e 46 da Lei. Nº 8.212/91. 7. Caso se entenda que as contribuições exigidas pelo Fisco Federal estão sujeitas ao chamado lançamento por homologação, há de se ressaltar que o prazo decadencial para a D. Autoridade Administrativa Fisco realizar o lançamento tributário é de 5 (cinco) anos, porém, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4 o , do CTN. 8. No mérito sustenta a existência do crédito pleiteado, que que faz jus à apuração do PIS pela sistemática do PIS dedução e PISrepique, por se tratar de empresa prestadora de serviços, e que suas receitas advém, exclusivamente, da prestação de serviços. 9. Apesar de adotar como alíquota do PIS a supostamente devida pela ora Recorrente no período, gual seja, 0.75%. conforme estabelecido pela Lei Complementar n° 07/70. com as alterações da Lei Complementar n° 17/73. espantosamente, o Fisco houve por bem utilizar como base de cálculo a receita operacional bruta, ou seja, a base de cálculo estabelecida pelos DecretosLei n°s 2445/88 e 2449/88, e não apenas o faturamento, conforme estabelecido pela aludida Lei Complementar. 10. Sustentas que suas operações estão albergadas pela imunidade das Contribuições para o PIS/PASEP nas operações de vendas para o exterior., prescrito nos incisos I e III, do artigo 5º da Lei Federal n o 10.637/2002. E que z desconsiderar a imunidade tributaria que aproveita a RECORRENTE na situação de vendedora na cadeia de exportação, 6, por outro prisma, aniquilar o preceito da 'nãocumulatividade' da contribuição ao PIS/PASEP de modo a onerar uma das etapas da cadeia de exportação. 11. Alega ainda que ainda que desconsideradas completamente as compensações efetuadas pela Impugnante com fulcro em conceder prazo decisão judicial, deveria, no mínimo, o Fisco para recolhimento dos valores que reputasse devidos a título de COFINS e CSL que foram objeto da compensação efetuada com créditos de PIS, sem a incidência de juros de mora e multa 12. Por fim, sustenta a ausência de lançamento, o que violaria os art. 142 do CTN, 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. 13. A questão foi objeto de análise por esta Turma na sessão realizada em 16/11/2009, em que sob a relatoria do i. Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, em que, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, para: Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.706 5 a) informar se os créditos tributários do PIS e Cofins exigidos nos termos dos despachos de fls. 353/355 e intimação de fl. 356 estão todos em DCTF e, em caso contrário, elaborar planilha informando quais constam de DCTF e quais não constam; b)analisar receitas da empresa e informar se, à luz da LC n° 7/70, deve contribuir com o PIS Repique ou o PIS Faturamento, justificando o entendimento; e c)caso definido que a Contribuição deve ser exigida sob a modalidade PIS Faturamento, recalcular os valores devidos aplicando a semestralidade e confrontálos com os recolhimentos, elaborando demonstrativo como saldo devedor ou credor; e d) caso definido que a Contribuição deve ser exigida sob a modalidade PIS Repique, apurar os valores devidos e confrontálos com os recolhimentos, elaborando demonstrativo com o saldo devedor ou credor. 14. Em relação ao “a”, a EQUIPE DE ANÁLISE E ACOMPANHAMENTO DE MEDIDAS JUDICIAIS E CONTROLE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO se manifestou da seguinte forma: Tomando por base a solicitação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARP) à folha 1395 (verso), seguem abaixo as considerações por parte desta EQAMJ. Nos termos dos relatórios elaborados às folhas 305/306 e 353/354 fica evidente o fato que judicialmente, o contribuinte obteve o direito a efetuar a compensação das parcelas indevidamente recolhidas a título de PIS conforme os decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88 com outras contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. Lembrando que embora o STF tenha se pronunciado pela inconstitucionalidade dos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88, persiste a obrigatoriedade do recolhimento das parcelas de PIS nos termos da LC n° 07/70, que determina que as pessoas jurídicas que aufiram receita bruta exclusivamente da prestação de serviços devem recolher a contribuição para o PIS com recursos próprios (PISREPIQUE) , aplicandose a alíquota de 5% (cinco por cento) sobre o Imposto de Renda devido ou calculado como se devido fosse. Assim, em referência aos itens "a" a "d" da folha 1395 (verso) cabe a esta EQAMJ manifestarse quanto ao item "a", uma vez que nos demais itens, são solicitadas análises quanto aos cálculos dos valores devidos a título de PIS, ou seja, se o contribuinte deveria ter recolhido as parcelas de PIS na modalidade PISfaturamento ou PISrepique, para então, ser apurado a eventual existência de crédito para compensar com as outras contribuições administradas pela SRF. Conforme explicitado no parágrafo anterior, o contribuinte obteve direito às compensações de valores indevidamente recolhidos a título de PIS na sistemática dos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88; devendo então ser apurada a existência de crédito suficiente para realizar tais compensações. Ante tal cenário e considerando o item "a" mencionado, verificamos que os débitos de PIS, COFINS e CSLL exigidos nos termos do relatório às folhas 353 a 355 foram devidamente declarados em DCTF, conforme se comprova às folhas 1403 a 1437. Quanto aos demais itens " b " a "d" foi solicitada a elaboração de cálculos quanto aos créditos de PIS, bem como a averiguação quanto à exigência dos recolhimentos sob a modalidade PISfaturamento ou PISrepique. Assim, da análise do processo administrativo, verificamos que foram juntados documentos Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.707 6 que auxiliarão na elaboração de tais cálculos. As folhas 117 a 119, o contribuinte apresentou uma planilha demonstrativa dos créditos de PIS edos valores devidos sob a modalidade PISrepique. Às folhas 120 a 189, foram juntadas as Guias DARF dos recolhimentos de PIS sob a égide dos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88. Tais pagamentos estão comprovados às folhas 203 e 204. Já à folha 314, consta uma planilha demonstrativa de apuração de PIS elaborada pela Delegacia da Receita Federal em Marília, São Paulo. Já às folhas 671 a 678, constam os cálculos do contribuinte quanto aos valores devidos na modalidade PISrepique. Por fim, nas folhas 681 a 892, foram juntadas cópias das DIPJ da empresa referentemente aos exercícios de 1990 a 1999. 15. Em relação aos demais itens a r. DRJ em São Paulo apresentou as seguintes considerações: Com base na documentação anexada, verificamos que o contribuinte auferiu receitas de serviços em sua totalidade, de forma que a apuração da Contribuição no formato de PIS Repique é cabível, nos termos do §2º do art. 3º da LC nº07/70, com a comprovação das receitas de acordo com os dados da tabela 1, abaixo: Quanto à apuração das Contribuições de PIS Repique, procedemos a apuração dos valores com base na informação contida nas DIRPJ anexadas aos autos fls. 708/804. Como resultado, temos os valores apurados de PIS Repique de 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993 conforme as tabelas 2 e 3 a seguir: Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.708 7 5. Os recolhimentos de PIS Faturamento (código 3885) de 04/09/89 a 17/12/90, de 02/08/91 e 14/08/91, e de 22/09/92 se encontram válidos às fls 204/205, e as pesquisas dos demais pagamentos às fls. 206 a 241. 6. Sendo cabível a apuração da contribuição sob a modalidade de PIS Repique, com o auxílio do aplicativo CADJUD homologado pela RFB, inserimos os valores apurados nas Tabelas 2 e 3, e os pagamentos relacionados abaixo para saldar os débitos apurados no período, e verificamos que são suficientes para a extinção dos mesmos. · 04/09/89 625,94 · 04/01/90 806,58 · 12/02/90 1.674,32 · 06/05/91 558.436,91 Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.709 8 · 22/09/92 2.039.224,58 · 04/01/93 22.109.490,13 16. Após retorno dos autos de diligência, decidiuse por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1993 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF. REVISÃO DE OFÍCIO. NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Incabível recurso voluntário em processo de revisão de ofício de compensação realizada por DCTF. 17. A Recorrente apresentou Recurso Especial que foi provido, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1993 a 30/09/1995 RECORRIBILIDADE DA DECISÃO PROFERIDA EM REVISÃO DE OFÍCIO. Nos casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório e que tenha implicado prejuízo ao contribuinte, em atenção ao devido processo legal, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. 18. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 19. O recurso é tempestivo e apresentado por procurador com poderes de representação devidamente comprovados nos autos. PRELIMINARMENTE DA PROVA PERICIAL Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.710 9 20. Embora tenha por mim que o pedido de perícia não suscite a nulidade, caso a autoridade julgadora entenda pela sua desnecessidade para o deslinde da controvérsia, no presente caso, a questão se encontra superada com a realização da diligência. 21. Isto posto, afasto a nulidade suscitada. PRELIMINAR DECADÊNCIA 22. Aplicase ao caso a inteligência da Súmula 8 do STF, em conformidade com o artigo 62, §2º do RICARF: “Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 23. Adotada tal premissa, entendo aplicável a regra do art. 150, §4º do CTN ao caso. A Recorrente apresentou a seguinte planilha que demostra que os créditos foram alcançados pela decadência: Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.711 10 Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.712 11 Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.713 12 Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401006.611 S3C4T1 Fl. 1.714 13 24. Isto posto, voto por reconhecer a decadência no caso concreto. MÉRITO 25. Não bastasse a decadência, em resultado à diligência, a unidade preparadora da Receita Federal informa que os pagamentos realizados são suficientes para saldar os débitos apurados no período, de sorte que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente. 26. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000274/2005-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações.
IRPF - ANISTIA - REMISSÃO - MP 449/08
Enquanto a remissão é o perdão concedido pelo Poder Público da obrigação tributária (tributo) e causa de extinção do crédito tributário, conforme inciso IV do artigo 156 do CTN, a anistia extingue as penalidades imputadas ao não cumprimento da obrigação principal, como as multas.
O teor da MP é a concessão de parcelamento tributário e remissão, em certos casos, concedidos à pessoas jurídicas e físicas, além de instituir regime tributário de transição face as novas regras contábeis internacionais. Contudo, para valer-se dos benefícios da legislação, a pessoa física, deveria ingressar com pedido de parcelamento,
Numero da decisão: 2002-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. IRPF - ANISTIA - REMISSÃO - MP 449/08 Enquanto a remissão é o perdão concedido pelo Poder Público da obrigação tributária (tributo) e causa de extinção do crédito tributário, conforme inciso IV do artigo 156 do CTN, a anistia extingue as penalidades imputadas ao não cumprimento da obrigação principal, como as multas. O teor da MP é a concessão de parcelamento tributário e remissão, em certos casos, concedidos à pessoas jurídicas e físicas, além de instituir regime tributário de transição face as novas regras contábeis internacionais. Contudo, para valer-se dos benefícios da legislação, a pessoa física, deveria ingressar com pedido de parcelamento,
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Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. IRPF - ANISTIA - REMISSÃO - MP 449/08 Enquanto a remissão é o perdão concedido pelo Poder Público da obrigação tributária (tributo) e causa de extinção do crédito tributário, conforme inciso IV do artigo 156 do CTN, a anistia extingue as penalidades imputadas ao não cumprimento da obrigação principal, como as multas. O teor da MP é a concessão de parcelamento tributário e remissão, em certos casos, concedidos à pessoas jurídicas e físicas, além de instituir regime tributário de transição face as novas regras contábeis internacionais. Contudo, para valer-se dos benefícios da legislação, a pessoa física, deveria ingressar com pedido de parcelamento, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 02 74 /2 00 5- 20 Fl. 112DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.342 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000274/2005-20 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 28 a 36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 820,79, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às e-fls. 02 a 10 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência, fls. 0l a 26. Suas alegações estão, em síntese. a seguir descritas. A moralidade do ato administrativo, juntamente com sua legalidade e finalidade constituem pressupostos de validade, sem os quais, toda atividade pública será ilegítima. Fora surpreendido com o auto de infração, no qual consta no demonstrativo de infrações contribuinte não declarar o quanto recebido no CNPJ 00. 1 33. 981/0001 ~45. Transcreve os dispositivos legais elencados no auto de infração. Conforme art. l2l do CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Distingue-se dentre os sujeitos passivos da obrigação principal, o contribuinte propriamente dito o responsável. Este sem ser contribuinte, tem obrigação a de pagar, por efeito de disposição expressa em lei. Por simples facilidade ou comodidade de arrecada Q' ão e controle, a lei poderá determinar que a fonte pagadora de renda ou de proventos, assuma a posição de responsável pelo tributo, calculando-o descontando-o do pagamento ao titular e recolhendo-o nos prazos à repartição arrecadadora. É a técnica da retenção ou desconto na fonte. Em decorrência de disposição em lei, a responsabilidade pelo pagamento do tributo incidente na fonte. é atribuída à fonte pagadora. Cita lição de Hugo de Brito Machado. A Egrégia Corte do Superior Tribunal de Justiça, bem como o Egrégio Pretório do Tribunal Regional Federal. 2" Região, tem pacificado, através de sua robusta jurisprudência, em decisões terminativas, envolvendo o caso concreto, atributos e obrigações da fonte pagadora, conforme ementas de julgados que transcreve. É imperioso ressalvar, que o Código Tributário Nacional, contém normas específicas, com referência a sujeição passiva tributária no âmbito do imposto de renda, correlacionado, pelo parágrafo único, artigo 45, em que a Lei, deve c pode atribuir de responsável pela retenção do imposto. aquele cuja incumbência e recolhimento por lei, lhe sejam obrigatório. Fl. 113DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.342 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000274/2005-20 Fulcrado nas normas emanadas pelo CTN, o Legislador Ordinário tem adotado nas edições das leis, envolvendo a matéria, duas formas de tributação na fonte, quais sejam: a que prevê a incidência do imposto exclusivamente na fonte e a que considera o imposto retido na fonte pagadora como antecipação do imposto de renda devido por ocasião da apresentação da declaração anual dos rendimentos, conhecida como declaração de ajuste. Sob essa figura da substituição tributária, pode-se afirmar que, no caso do imposto de renda na fonte, a responsabilidade do recolhimento recai sobre a fonte geradora. Com efeito, tenha ou não a fonte pagadora retido o imposto. a obrigação pelo seu pagamento (recolhimento), deriva de fato gerador perfeito e acabado tratando-se por conseguinte, de que a doutrina considera como verdadeira e legítima a obrigação tributária à fonte pagadora, pois e' esta, quem arrecada os tributos, para essa finalidade. Em decorrência da transferência da competência definida na Portaria RFB n° 222/2008, de l2 de fevereiro de 2008, veio o processo para julgamento nesta DRJ. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/STM que, por unanimidade, em 26/09/2008, no acórdão 18-9.676, às e-fls. 73 a 76, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. 80 a 92 no qual alega, em síntese, que com a publicação da Medida Provisória 449/2008 recepciona e especifica que os créditos tributários vencidos há cinco anos a partir de 31/12/2007 que não ultrapassam o valor de R$ 10.000. 00 ( dez mil reais ) encontram-se com anistia plena; É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/12/2008, e-fls. 79, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 17/12/2008, e-fls. 80, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 28 a 36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Da omissão de rendimentos A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I - importação de produtos estrangeiros; Fl. 114DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.342 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000274/2005-20 II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III - renda e proventos de qualquer natureza; IV - produtos industrializados; V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI - propriedade territorial rural; VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. Logo, a regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. É o que se extrai do caput do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ainda, conforme o inciso II, do artigo 111 do mesmo diploma legal, interpreta- se literalmente as hipóteses de isenção: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 115DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.342 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000274/2005-20 II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Assim, cabe ao contribuinte comprovar que aqueles rendimentos auferidos são isentos, o que não ocorrera no curso destes autos. Da aplicação da MP 449/08 O contribuinte, em sede de recurso voluntário, ora alega que, pela publicação da Medida Provisória 449/08 o débito tributário em destaque estaria, ora remitido, ora anistiado pela norma jurídica em apreço. Cumpre ressaltar que tratam-se de institutos diferentes. Enquanto a remissão é o perdão concedido pelo Poder Público da obrigação tributária (tributo) e causa de extinção do crédito tributário, conforme inciso IV do artigo 156 do CTN, a anistia extingue as penalidades imputadas ao não cumprimento da obrigação principal, como as multas. Ainda, ao apreciarmos o teor da MP suscitada pelo contribuinte, a norma jurídica insculpida no texto normativo é a concessão de parcelamento tributário e remissão, em certos casos, concedidos à pessoas jurídicas e físicas, além de instituir regime tributário de transição face as novas regras contábeis internacionais. Contudo, para valer-se dos benefícios da legislação, a pessoa física, deveria ingressar com pedido de parcelamento, nos termos do artigo 1º: Do Parcelamento ou Pagamento de Dívidas de Pequeno Valor Art. 1o As dívidas de pequeno valor com a Fazenda Nacional, inscritas ou não em Dívida Ativa da União, poderão ser pagas ou parceladas, atendidas as condições e os limites previstos neste artigo. § 1o Considera-se de pequeno valor a dívida vencida até 31 de dezembro de 2005, consolidada por sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, cujo valor não seja superior ao limite estabelecido no caput do art. 20 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, considerados isoladamente: I - os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; II - os débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e III - os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2o Observados os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do Procurador-Geral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, os débitos a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I - à vista ou parcelados em até seis prestações mensais, com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de trinta por cento dos juros de mora e de cem por cento sobre o valor do encargo legal; Fl. 116DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.342 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.000274/2005-20 II - parcelados em até trinta prestações mensais, com redução de sessenta por cento sobre o valor das multas de mora e de ofício e cem por cento sobre o valor do encargo legal; ou III - parcelados em até sessenta prestações mensais, com redução de quarenta por cento sobre o valor das multas de mora e de ofício e de cem por cento sobre o valor do encargo legal. § 3o O requerimento do parcelamento abrangerá, obrigatoriamente, todos os débitos de que trata este artigo, no âmbito de cada um dos órgãos, ressalvado o disposto no § 4o. § 4o O disposto neste artigo não se aplica às multas isoladas e às multas decorrentes de descumprimento de obrigações tributárias acessórias e de infrações à legislação penal e eleitoral, inscritas ou não em Dívida Ativa da União. § 5o A dívida com a Fazenda Nacional de valor consolidado superior ao indicado no § 1o poderá ser parcelada desde que o valor excedente ao limite máximo fixado seja quitado à vista e sem as reduções previstas neste artigo. § 6o A dívida objeto do parcelamento será consolidada na data do seu requerimento e será dividida pelo número de prestações que forem indicadas pelo sujeito passivo, nos termos do § 2o, não podendo cada prestação mensal ser inferior a: I - R$ 50,00 (cinqüenta reais) no caso de pessoa física; e II - R$ 100,00 (cem reais) no caso de pessoa jurídica. Logo, não logra êxito o contribuinte em suas alegações. Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011712/2008-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE.
A apresentação de recibos que atendam aos requisitos formais previstos na legislação tributária, embora seja condição de dedutibilidade de despesa, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser restabelecida a respectiva glosa.
Numero da decisão: 9202-008.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de recibos que atendam aos requisitos formais previstos na legislação tributária, embora seja condição de dedutibilidade de despesa, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser restabelecida a respectiva glosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. Patrícia da Silva - Relatora. Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de recibos que atendam aos requisitos formais previstos na legislação tributária, embora seja condição de dedutibilidade de despesa, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser restabelecida a respectiva glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 17 12 /2 00 8- 87 Fl. 106DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, efls. 66/80, contra o acórdão nº 2102001.980, julgado na sessão do dia 10 de julho de 2012 pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Como descrito pela Câmara a quo: Contra JUVENAL TISSI foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 12/14, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2004, exercício 2005, para reduzir o saldo de imposto a restituir de R$ 4.949,15 para R$ 408,37. A infração apurada foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 16.511,94, e está assim descrita na Notificação: COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS O contribuinte intimado a apresentar documentação que comprovasse o efetivo pagamento das despesas declaradas com o profissional Marcelo Meda Siloto, no total de R$ 15.180,00, justificou que todos os pagamentos foram feitos em dinheiro. Não tendo sido atendido o solicitado, procedemos à glosa dessa dedução. Glosa das mensalidades do plano de saúde UNIMED/Curitiba da beneficiária Darci T. Preuss Tissi, esposa do contribuinte, pois essa apresentou declaração de ajuste em separado no modelo simplificado, no qual o desconto padrão (20%) abrange todas as deduções aceitas pela legislação vigente. Assim, foram acatadas as mensalidades ao plano de Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 9202008.001 CSRFT2 Fl. 107 3 saúde do próprio contribuinte e de seu filho Raphael nos totais de R$ 1.939,65 e R$ 1.029,47. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/06, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou não impugnada a glosa da despesa com a Unimed e, na parte litigiosa, julgou procedente o lançamento (Acórdão DRJ/CTA nº 0632.140, de 07/06/2011, fls. 32/34). Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, efls. 66/80, requerendo a reforma do acórdão, alegando que os recibos são suficientes para comprovar despesas médicas. Apresenta como paradigma o acórdão abaixo: Acórdão n.º 280200.476 ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS (IRPF) Exercício: 2006. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso provido em parte. Conforme despacho de efls. 92/93, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: O acórdão paradigma, ao contrário do recorrido, considera que os recibos devem ser admitidos como meio comprobatório das despesas médicas, salvo se existirem indícios veementes de que os serviços consignados não foram de fato executados ou que o pagamento não foi efetuado. A decisão foi proferida por órgão julgador diferente daquele do presente processo, não foi reformada e a matéria tratada não é objeto de súmula. Portanto, proponho que seja dado seguimento ao recurso especial. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de efls. 95/100, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 108DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e conforme despacho de admissibilidade de efls. 92/93, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria em discussão é a comprovação efetiva das despesas médicas para fins de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física. O presente Recurso Especial interposto pelo Contribuinte limitase à discussão de serem os recibos juntados aos autos provas suficientes para caracterização da prestação de serviços ao contribuinte. Destaco o disposto no art. 8º da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 9202008.001 CSRFT2 Fl. 108 5 Pela leitura dos dispositivos acima, bastaria a apresentação dos recibos pelos respectivos profissionais, devendo tais documentos trazerem elementos suficientes para identificação do prestador de serviço que recebeu os valores despendidos pelo contribuinte. Destaco que das efls. 22/26 constam os recibos apresentados pelo Contribuinte para comprovar os gastos, que apresentam os dados dos profissionais que prestaram os serviços e os cheques de alguns pagamentos. Nesse sentido, apresento o meu posicionamento exarado no acórdão nº 9202 005.323, prolatado na sessão do dia 30 de março de 2017: Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. É bem verdade, que o artigo 73 do RIR/1999 autoriza a autoridade lançadora, a juízo próprio, refutar os comprovantes apresentados pela contribuinte. Entrementes, tal que a levaram a não admitir as provas ofertadas pela autuada. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “DESPESAS MÉDICAS RECIBO IDÔNEO Não existindo fundado receio quanto à legitimidade dos recibos comprobatórios de despesas dedutíveis, tais instrumentos deverão ser aceitos como meios de prova. Recurso provido” (4ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 145.606 – Acórdão n° 10421.833, Sessão de 17/08/2006) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de Fl. 110DF CARF MF 6 falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido. Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto a efetividade e pagamento dos serviços médicos prestados, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, intimando, inclusive, os profissionais médicos ou outros a prestar esclarecimentos, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir que os serviços médicos/odontológicos não foram prestados tão somente porque não houve apresentação de cheques nominativos na totalidade das despesas médicas ou extratos bancários, o que fora comprovado exclusivamente por recibos e Laudos/Exames Médicos. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a glosa de despesas médicas escoradas exclusivamente em recibos, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, intimar os prestadores de serviços para confirmar a idoneidade dos documentos ofertados pela contribuinte. A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 9202008.001 CSRFT2 Fl. 109 7 Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Não bastasse isso, a existência de eventual DÚVIDA, ao contrário do que sustenta a Procuradoria, só pode vir a beneficiar o acusado, qual seja, o contribuinte, em observância ao artigo 112, do Códex Tributário, que assim preconiza: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Partindo dessas premissas, uma vez comprovada pela contribuinte a prestação dos serviços médicos mediante recibos e Laudos/Exames Médicos, sem que a fiscalização tenha levantado qualquer suspeita ou se aprofundado na análise das provas apresentadas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar as glosas procedidas pelo fiscal autuante. Em relação a ausência de indicação do endereço do profissional ou nome do paciente nos recibos, destaco o acórdão nº 9202003.693, de relatoria do Ilmo. Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que foi negado provimento ao RESp da PGFN por unanimidade, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas. Admite se ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal. (...) Fl. 112DF CARF MF 8 Inobstante à análise dos novos comprovantes trazidos aos autos pelo contribuinte, vejo que a glosa de despesas médicas pela falta de informações nos recibos do endereço profissional do prestador do serviço e da indicação do beneficiário do tratamento não é razoável. Isso porque a autoridade fiscal tinha condição de encontrar a profissional já que em todos os recibos havia seu carimbo contendo seu nome completo e número de sua identidade profissional. Logo, apesar da falta de tais elementos nos recibos, poderia a autoridade fiscal ter diligenciado junto ao prestador de serviços odontológicos para questionar sobre a efetividade do tratamento e do seu respectivo pagamento. Não simplesmente desconsiderar os documentos e efetuar a glosa das despesas.. Contudo, pautandose em um formalismo exagerado a autoridade fiscal preferiu autuar o contribuinte em questão. Por esse motivo apenas já fundamentaria minha decisão pela improcedência do recurso da União. Assim, a apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda Diante de todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora designada Em que pese o bem fundamentado voto apresentado pela Ilustre Relatora peço vênia para divergir quanto a sua conclusão. Embora esta Conselheira, em alguns casos, divirja do entendimento da maioria deste Colegiado quanto ao valor atribuído às provas apresentadas pelos contribuintes nos casos onde se discute deduções de despesas médicas, devo externar minha convicção de que a mera apresentação de recibos assinados pelos profissionais prestadores dos serviços não é prova que por si só leva à improcedência do lançamento fiscal. O artigo 8º da Lei n. 9.250/95 assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 9202008.001 CSRFT2 Fl. 110 9 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Pelos dispositivos acima, a comprovação da realização das despesas dedutíveis previstas no inciso II do art. 8º, poderia ser realizada pela apresentação dos recibos emitidos pelos respectivos profissionais, devendo tais documentos trazerem elementos suficientes para identificação do prestador de serviço que recebeu os valores despendidos pelo contribuinte. Entretanto, é possível afastar a validade dos citados documentos sempre que houver indícios ou dúvidas de que os mesmo não refletem a real situação fática praticada. O entendimento acima é reforçado pelo então vigente Decreto nº 3.000/95, que ao regulamentar a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza na época da ocorrência, assim dispunha em seus artigos 73 e 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. Fl. 114DF CARF MF 10 § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo: ... III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; ... Interpretandose conjuntamente os dispostos devemos concluir que o art. 73 do Decreto 3.000/99, ao definir que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, deixa claro que independente do cumprimento dos requisitos formais para emissão dos recibos, havendo no caso concreto situação que justifique a complementação de informações essas podem e devem ser requeridas pela autoridade fiscal. No presente processo o acórdão Recorrido bem delimitou os pontos que justificaram a necessidade de apresentação de provas complementares: É bem verdade que, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, por parte do Fisco, dúvida quanto ao efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos de tratamento médico, outras provas podem ser solicitadas. E este é caso dos autos. Veja que o contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2004, exercício 2005, pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 21.346,36, que corresponde a 34% dos rendimentos tributáveis líquidos (rendimentos tributáveis menos previdência e imposto na fonte), que foram de R$ 57.321,00. Ainda que se considere os rendimentos tributáveis acrescidos dos rendimentos isentos e dos rendimentos com tributação exclusiva temse que os gastos com despesas médicas foram de 21%. Ou seja, os gastos com despesas médicas foram exagerados, fato que justifica a exigência da comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte afirma, ainda, que em sua DAA foi informada a existência de dinheiro em caixa, no valor de R$ 5.000,00, em 31/12/2003, e que esta quantia foi utilizada para a quitação de Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.011712/200887 Acórdão n.º 9202008.001 CSRFT2 Fl. 111 11 parte do tratamento. Ainda que prevaleça tal alegação, temse que as despesas médicas glosadas foram de R$ 15.180,00, de modo que haveria a necessidade de fazer saques bancários para proceder aos pagamentos das quantias consignadas nos recibos. Logo, bastaria ao contribuinte trazer seus extratos bancários e demonstrar os saques efetivados para fazer frente aos pagamentos em questão. Diante do exposto e considerando que o único elemento de prova juntado aos autos são os onze recibos de às fls. 23/26, todos de mesmo valor, datados sempre no dia 20 do mês – o que faz caracterizar fato curioso de emissão de recibos para serviços prestados em dias não úteis, nego provimento ao recurso. Rita Eliza Reis da Costa Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.903595/2010-90
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que os autos retornem à DRF de origem nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que os autos retornem à DRF de origem nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-29T18:46:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-29T18:46:25Z; Last-Modified: 2019-07-29T18:46:25Z; dcterms:modified: 2019-07-29T18:46:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-29T18:46:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-29T18:46:25Z; meta:save-date: 2019-07-29T18:46:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-29T18:46:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-29T18:46:25Z; created: 2019-07-29T18:46:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-07-29T18:46:25Z; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-29T18:46:25Z | Conteúdo => 00 SS11--TTEE0033 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13603.903595/2010-90 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 1003-000.095 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 10 de julho de 2019 AAssssuunnttoo NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RReeccoorrrreennttee ISOMONTE S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que os autos retornem à DRF de origem nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 02-36.630, proferido pela 4ª Turma da DRJ/ BHE, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, reconhecendo em parte ao direito creditório. Por economia processual e por resumir resume bem o início da contenda, adoto o relatório da decisão "a quo" e passo a transcrevê-lo abaixo: Da análise eletrônica das informações prestadas pela interessada, resultou o reconhecimento parcial do crédito pleiteado, conforme Despacho Decisório de fls. 2, de cuja “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal” extrai-se o seguinte: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP (...) RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 03 59 5/ 20 10 -9 0 Fl. 135DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.095 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.903595/2010-90 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 49.094,82 Valor na DIPJ: R$ 49.094,82 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 49.094,82 CSLL devida: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 40.105,18 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 37580.51356.290107.1.3.03-7602 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/10/2010. (...) Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP-Despacho Decisório" Ciente da decisão em 20/10/2010 (fls. 6), a interessada manifestou, em 11/11/2010, sua inconformidade, alegando o que segue (fls. 7/8): Vimos apresentar manifestação de inconformidade referente ao Despacho Decisório, N° Rastreamento 887094592, Processo de Crédito N° 13603.903.595/2010-90, Per/Dcomp 32088.91305.260107.1.3.03-0921, quanto ao crédito de RS 49.094,82 referente a Saldo Negativo de CSLL, para tanto, enviamos cópias dos documentos para comprovação dos créditos ora contestados: 1- Cópia da NF 003053 de 16/12/2004 no valor de R$ 56.269,26 CSLL retida 1% R$ 562,69 Cliente - Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha CNPJ 00.394.502/0435-44 2- Cópia NF 003233 de 01/11/2005 no valor de R$ 360.000,00 Csll retida 1% R$ 3.600,00 Cliente: Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR CNPJ 33.417.445/0023-36 3-Cópia da NF 003086 de 04/01/2005 no valor de RS 18.172,25 CSLL retida 1% R$ 181,72 Cliente: Construtora Triunfo Ltda CNPJ 72.955.532/0003-79 4 - Estimativa compensada SNPA - CSLL Valor CSLL R$ 4.645,23 Cópia do Per/Dcomp original de número 25705.93241.280205.1.3.02-8415 de 28/02/2005; Cópia do Per/Dcomp retificador de número 29923.03634.150305.1.7.02-4064 de 15/03/2005 Para comprovação do crédito contestado. 5 - Valor do saldo negativo Exercício 2006 R$ 49.094,82 Correção pela Selic acumulada 15,13% * Crédito atualizado R$ 56.522,87 Débitos compensados: Per/Dcomp 32088.91305.260107.1.3.03-0921 R$ 16.399,03 Per/Dcomp 24780.51472.260107.1.3.03-7310 R$ 13.331,33 Per/Dcomp 37580.51356.290107.1.3.03-7602 R$ 26.792,51 Saldo RS -0- *Não foi considerada a correção do crédito pela Selic acumulada pelo índice de 15,13% no Despacho Decisório em epígrafe. Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ/ BHE julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 Declaração de Compensação. Fl. 136DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.095 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.903595/2010-90 O reconhecimento do direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL depende da comprovação das parcelas de composição do crédito informadas no PERDCOMP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 Provas. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ e, inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, e, em síntese, destacou que “quanto a não confirmação pela Receita Federal do Brasil, do valor de R$ 3.600,00 (Três mil e seiscentos reais) retidos à título de Contribuição Social, alíquota de 1%, por serviços prestados ao cliente Minerações Brasileiras Reunidas S/A – CNPJ 33.417.445/00023-36, estabelecida na Praia Leste Ilha-Guaiba, S/NR, Mangartatiba-RJ”, conforme documentos anexados aos autos. Por fim, requereu que o recurso voluntário fosse julgado procedente e o débito cancelado. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa, Relatora. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme já relatado, a Recorrente apurou para o ano-calendário de 2005 saldo negativo de CSLL no montante de R$ 49.094,82, utilizando-o, conforme fls. 5, nas seguintes declarações de compensação: 32088.91305.260107.1.3.03-0921; 24780.51472.260107.1.3.03- 7310 e 37580.51356.290107.1.3.03-7602. Da análise eletrônica das informações prestadas pela interessada, resultou o reconhecimento parcial do crédito pleiteado, conforme Despacho Decisório de fls. 2. Após analisada a Manifestação de Inconformidade interposta, ante o inconformismo da Recorrente com o mencionado despacho, a DRJ entendeu que parcial razão lhe assistia para reconhecer o direito creditório no valor originário de R$ 45.494,82, da forma a seguir descrita: “ao valor de R$ 40.105,18, reconhecido pela autoridade administrativa, devem ser adicionadas as parcelas de R$ 562,69, R$ 181,72 e R$ 4.645,23, concluindo- se por um crédito disponível para utilização nas DCOMP objeto do presente processo no valor de R$ 45.494,82, no limite do qual devem ser homologadas as compensações declaradas. Por fim, quanto à afirmativa da manifestante de que “não foi considerada a correção do crédito pela Selic acumulada pelo índice de 15,13% no Despacho Decisório em epígrafe”, verifica-se, pelo exame dos doc. de fls. 2/5, que ela não procede. Como visto, foi reconhecido pela autoridade administrativa um crédito no valor originário de R$ 40.105,18. Este montante foi utilizado nas declarações de Fl. 137DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.095 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.903595/2010-90 compensação de nos 32088.91305.260107.1.3.03-0921, 24780.51472.260107.1.3.03-7310 e 37580.51356.290107.1.3.03-7602, em parcelas de R$ 11.579,37, R$ 14.243,93 e R$ 14.281,88, que foram corrigidas para R$ 13.331,33, R$ 16.399,03 e R$ 16.442,72, respectivamente (q. v. detalhamento da compensação a fl. 5). Ou seja, o crédito reconhecido foi compensado com acréscimo de 15,13%, ao contrário do que afirma a manifestante”. Acerca da parte mantida, a DRJ assim apresentou suas razões para não homologar as compensações integralmente: “Quanto ao valor de R$ 3.600,00, contudo, os documentos apresentados e juntados às fls. 37/40 não permitem confirmá-lo como parcela a ser considerada no cálculo do crédito da manifestante. Para demonstrar a coincidência entre o valor apontado no extrato bancário de fl. 38 (R$ 389.134,60) e o valor referente aos serviços prestados e discriminados na nota fiscal de fl. 37 – R$ 360.000,00, ou R$ 337.860,00 (descontados os tributos que teriam sido retidos na fonte) –, a contribuinte indica um recebimento de R$ 51.274,60 sem esclarecer ou demonstrar sua origem. No que se refere à estimativa compensada com saldos negativos de períodos anteriores não confirmada no valor de R$ 4.645,23, o detalhamento do crédito de fls. 4 indica que tal compensação se deu por intermédio da DCOMP nº 02324.88177.290906.1.7.02-0982. Registre-se que esta DCOMP foi tratada no processo administrativo nº 13603.900502/2010-75 e não homologada por decisão da autoridade jurisdicionante. Contudo do exame dos documentos juntados àquele processo, e reproduzidos às fls. 83/96, é possível concluir-se pela correção do crédito pleiteado. As retenções na fonte que compuseram o saldo negativo e não foram confirmadas pela análise eletrônica da DCOMP, foram comprovadas por notas fiscais, TED e extratos bancários. Deste modo, a estimativa de R$ 4.645,23 também deve ser considerada no cálculo do saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2005”. Em recurso voluntário, a Recorrente, nos termos já mencionados, ratifica as informações constantes na manifestação de inconformidade e junta documentos para comprovar suas alegações visando suprir a ausência documental constatada pela DRJ na decisão recorrida. Isso porque, como se pode perceber pelos excertos anteriormente transcritos, quando a DRJ analisou a defesa apresentada pela Recorrente, entendeu não ser satisfatória as provas apresentadas e, por conseguinte, não homologou a integralmente compensação. Assim sendo, em sede de recurso voluntário, e em razão da fundamentação quanto a ausência de prova no r. acórdão para corroborar as alegações constantes na defesa, a Recorrente apresentou novos documentos ao processo visando à comprovação o valor de R$ 3.600,00 e permitir sua comprovação como como parcela a ser considerada no cálculo do crédito da Recorrente, bem como as retenções na fonte que compuseram o saldo negativo, tal como consignando pela DRJ. Sabe-se que a Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. Fl. 138DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.095 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.903595/2010-90 A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A decisão da DRJ, porém, estava fundamentada primordialmente na insuficiência de comprovação do crédito e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos contábeis e fiscais da empresa para comprovar suas alegações. Em que pese ter a Recorrente juntado novos documentos em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade. Assim, o interessado poderá, antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo, somente podendo ser recusadas as provas quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias A jurisprudência deste Tribunal é dominante no sentido de que a verdade material sobrepõe-se ao formalismos estrito, tanto que a 1ª e a 3ª turmas da CSRF têm proferido inúmeras decisões que reconhecem a possibilidade de apresentação de provas documentais após o manejo da impugnação, flexibilizando os efeitos da preclusão previstos no parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72. A exemplo cita-se o Acórdão 9303-007.855, cuja ementa transcreve-se: “(...) Admite-se a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando comprovam inequivocamente a certeza e liquidez do direito creditório declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida. Do acórdão em questão, pinça-se trecho que aplica-se como luva ao caso ora julgado: No caso dos presentes autos, tendo em vista que os documentos trazidos aos autos pela Contribuinte comprovaram a liquidez e certeza de parte do crédito tributário declarado na DCOMP, e têm valor fiscal notas fiscais e livro razão entende-se pela possibilidade de aceitação, já que não demandam novas discussões no âmbito do recurso voluntário, apenas complementando o que já fora trazido em sede de manifestação de inconformidade. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admite-se a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram Fl. 139DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1003-000.095 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.903595/2010-90 substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação quando concretizadas quaisquer das situações previstas no § 4º, o que ocorre nos presentes autos. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõe-se o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Destarte, objetivando uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal, a documentação apresentada pela Recorrente deve ser aceita. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico. Como também há clara demonstração de ter a Recorrente se esforçado em comprovar seu direito creditório, sendo certo tratar-se de início de provas que deve ser apurado, diante disso deve ser a Recorrente intimada para apresentar outros documentos indispensáveis para comprovar seu crédito e o erro de fato apontado no recurso. Por todo o exposto, com fulcro no art. 29 do Decreto. 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que os autos retornem à DRF de origem para : Que a Recorrente seja intimada para apresentar nos presentes autos os documentos necessários para comprovação do valor de R$ 3.600,00 e permitir sua comprovação como como parcela a ser considerada no cálculo do seu crédito, bem como as retenções na fonte que compuseram o saldo negativo, tal como consignando pela DRJ, caso os documentos apresentados em sede de Recurso Voluntário não suficientes; Que, após recebimento desses documentos, e com as provas já produzidas no processo, seja analisado o direito creditório pleiteado, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo de forma à abranger o valor não reconhecido pela DRJ; Fl. 140DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1003-000.095 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.903595/2010-90 Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito, a título de pagamento a maior ou indevido, que seja proferido parecer circunstanciado e realizada a compensação, se possível, em relação às DCOMP´s discutidas nos autos. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se sobre os resultados alcançados. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 141DF CARF MF
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